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Retratos imaginados
Um registro dialógico do vilarejo do Arco-verde

F. um registro dialógico do vilarejo do Arco-Verde: Livro fotográfico. Retratos Imaginados.TCC (graduação) --Universidade Federal da Bahia .Salvador: R.Retratos imaginados Um registro dialógico do vilarejo do Arco-verde Orientação: Prof. José Mamede. Rodrigo Fiusa. Wanderley Orientação: Prof. Trabalho de Conclusão de Curso. 2011 Rodrigo Wanderley .Faculdade de comunicação. José Mamede Curadoria: José Mamede Projeto gráfico: Rodrigo Wanderley Tratamento de Imagens: Rodrigo Wanderley Textos: Rodrigo Wanderley e Valéria Simões Revisão: Dimas Novais __________________________________________________ Wanderley. .

Primeiro o fora. o espaço aberto do entorno das moradias. imprimindo nos seus registros traços que os tornam de uma poética única. de um povo. E num passo mais ousado e definitivo. atenta com muita delicadeza e perspicácia para o acolhimento da luz que envolve o ambiente e seus atores. o enfoque tenha sido explorado. Valéria Simões . Nesse momento. lugar no mundo. Rodrigo chega à cozinha. A narrativa proposta por Rodrigo traz essa marca peculiar de uma química que acontece entre fotógrafo e seus personagens. terra. Temática universal e atemporal da qual sempre poderá desembocar uma bela história a ser contada.Porta a dentro É sempre particular quando se escolhe contar um pouco da história de um lugar. depois de bem ter olhado as imagens produzidas nesse ensaio. depois. adentra-se a sala onde estão abrigados objetos de culto e apreço. ele reitera a relação do homem simples com a sua localidade. lugar de comunhão e alimento. folhinhas – velhas contadoras do tempo sempre presentes nesses espaços – entre outros apetrechos. Por mais que a temática. fotos de familiares. Por fim. como se cumprindo etapas de um ritual de doação. é único e mágico o momento em que se fixa o olhar numa fotografia. Ele chega como um bom visitante e com calma e respeito vai conquistando a confiança e estabelecendo uma parceria para a construção dos seus retratos. como santos nos seus oratórios. De uma forma quase que solene seus personagens vão se colocando no cenário como maestros seguros de cada posicionamento de seus instrumentos. fico certa de que esse trabalho vai muito além de uma simples documentação fotográfica.

afirmou sem pestanejar. Deste modo. então.O Projeto As fotografias deste livro foram realizadas na Comunidade do Arco-Verde. Contudo. A ideia inicial era fazer um livro que resgatasse a história desse povoado que é habitado. O diálogo foi o instrumento principal deste projeto. por afrodescendentes. mas carregado de verdade e de compromisso construído com cada um dos sujeitos que com tanta boa vontade abriram as portas de suas casas e de suas vidas para mim. as paredes marcadas repletas de santos. Sejam muito bem-vindos. em sua maioria. mas estava estampado em cada cômodo. O registro fotográfico que apresento não visa ser objetivo nem imparcial. O jeito de arrumar a sala. local que frequento desde os 5 anos de idade. pouco pude resgatar dessas histórias pois o passado que fui em busca não estava mais acessível em palavras. nas rugas de cada rosto. alguns me recebiam bastante arrumados. No meu retorno. como seu Zica (Isaac Oliveira). “O sujeito tem que ser original. atrás das pessoas mais velhas para que me contassem sobre suas infâncias e do que ouviram de seus pais sobre o período em que a escravidão vigorava. tudo adquiriu um novo sentido e descobri casas muito ricas em personalidade e que falavam sobre a individualidade de seus donos. Por ter uma ligação afetiva com o lugar. em 2010 e 2011. enquanto outros. Os retratos mostram os indivíduos em simbiose com os espaços que habitam. Saber da história da região passou a ser apenas a forma de iniciar as conversas que seguiam por caminhos inesperados até a intimidade de pedir para voltar em outro momento para que pudesse fazer algumas fotos. Rodrigo Wanderley . as fotos surgiram da união entre a minha proposta de trabalho. Dessa forma. resolvi dedicar-me a conhecê-lo mais profundamente. faziam questão de serem registrados da forma como estavam no momento. As pessoas retratadas são vizinhas do sítio de minha família. Zona Rural de São Miguel das Matas. se é pra fazer foto tem que ser do jeito que eu sou mesmo”. Fui. a relação que construí com as pessoas e o modo como elas queriam ser fotografadas. como os projetos documentais clássicos. relógios antigos (muitas vezes quebrados) e calendários velhos transformados em finos artigos de decoração.

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ensinando ou em projetos coletivos. teve a oportunidade de praticar e estudar as diversas linguagens fotográficas e. ainda no segundo semestre do curso de Jornalismo da UFBA. . Rodrigo tem a fotografia como meio de expressão e um instrumento de agregar pessoas queridas. Muito além de um trabalho.O Autor Desde que iniciou sua viagem pelo mundo da fotografia. Rodrigo não quis mais retornar. seja aprendendo. exercitar múltiplos papeis que foram de editor de imagens a produtor de exposições e debates relacionados ao tema. como estagiário do mesmo. como monitor. No Labfoto.