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Publicado por Rodrigo R.

Gonçalez – 02/11/2007
.::. O Problema dos Três Marinheiros.

O Problema dos Três Marinheiros está no capítulo XIX do livro de Malba
Tahan, “ O Homem que Calculava.”. Abaixo, segue o trecho retirado do livro:

“ E o príncipe Cluzir Schá narrou o seguinte:
- Um navio que voltava de Serendibe, trazendo grande partida de especiarias, foi
assaltado por violenta tempestade. A embarcação teria sido destruída pela fúria das
ondas se não fosse a bravura e o esforço de três marinheiros que, no meio da tormenta,
manejaram as velas com extrema perícia.
O comandante, querendo recompensar os denodados marujos, deu-lhes certo
número de catis. Esse número, superior a duzentos, não chegava a trezentos. As moedas
foram colocadas numa caixa para que no dia seguinte, por ocasião do desembarque, o
almoxarife as repartisse entre os três corajosos marinheiros.
Aconteceu, porém, que, durante a noite, um dos marinheiros acordou, lembrou-
se das moedas e pensou: “Será melhor que eu tire a minha parte. Assim não terei
ocasião de discutir ou brigar com os meus amigos”. E, sem nada dizer aos
companheiros, foi, pé ante pé, até onde se achava guardado o dinheiro, dividiu-o em três
partes iguais, mas notou que a divisão não era exata e que sobrava um catil. “Por causa
desta mísera moedinha é capaz de haver amanhã discussão e rixa. O melhor é jogá-la
fora.” E o marinheiro atirou a moeda ao mar, retirando-se, cauteloso. Levava a sua parte
e deixava no mesmo lugar a que cabia aos companheiros. Horas depois, o segundo
marinheiro teve a mesma idéia. Foi à arca em que se depositara o prêmio coletivo e
dividiu-o em três partes iguais.
Sobrava uma moeda. Ao marujo, para evitar futuras dúvidas, veio à lembrança
atirá-la ao mar. E dali voltou levando consigo a parte a que se julgava com direito. O
terceiro marinheiro, ignorando, por completo, a antecipação dos colegas, teve o mesmo
alvitre. Levantou-se de madrugada e foi, pé ante pé, à caixa dos catis. Dividiu as
moedas que lá encontrou em três partes iguais; a divisão não foi exata. Sobrou um catil.
Não querendo complicar o caso, o marujo atirou ao mar a moedinha excedente, retirou a
terça parte para si e voltou tranqüilo para o seu leito. No dia seguinte, na ocasião do
desembarque, o almoxarife do navio encontrou um punhado de catis na caixa. Soube
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que essas moedas pertenciam aos três marinheiros. Dividiu-as em três partes iguais,
dando a cada um dos marujos uma dessas partes. Ainda dessa vez a divisão não foi
exata. Sobrava uma moeda, que o almoxarife guardou como paga do seu trabalho e de
sua habilidade. É claro que nenhum dos marinheiros reclamou, pois cada um deles
estava convencido de que já havia retirado da caixa a parte que lhe cabia do dinheiro.
Pergunta-se, afinal: Quantas eram as moedas? Quanto recebeu cada um dos marujos? O
Homem que Calculava, notando que a história narrada pelo príncipe despertara grande
curiosidade entre os nobres presentes, achou que devia dar solução completa ao
problema. E assim falou:
- As moedas, uma vez que eram em número superior a 200 e não chegavam a
300, deviam ser a princípio em número de 241. O 1° marinheiro dividiu-as em três
partes iguais; jogou um catil ao mar e levou um terço de 240, - dividindo 241 por 3 dá
sobra 1 - isto é, 80 moedas, deixando 160. O 2° marinheiro encontrou, portanto, 160;
jogou uma moeda no mar e dividiu as restantes (159) em três partes. Retirou uma terça
parte (53) e deixou, de resto, 106. O 3° marinheiro encontrou, na caixa, 106 moedas,
dividiu esse resto em três partes iguais, deitando ao mar a moeda que sobrava. Retirou
uma terça parte de 105, isto é, 35 moedas, deixando um resto de 70.
O almoxarife encontrou 70 moedas; retirou uma e dividiu as 69 restantes em três
partes, cabendo, dessa forma, um acréscimo de 23 moedas a cada um dos
marujos. A divisão foi, portanto, a seguinte:
1° marujo (80 + 23) = 103
2° marujo (53 + 23) = 76
3° marujo (35 + 23) = 58
Almoxarife = 1
Atiradas ao mar = 3
Total = 241 (...) “

Bom, apresentada a solução, indagamos: mas como Beremiz sabia que as
moedas iniciais seriam 241?
Para isso, Malba Tahan fornece-nos uma pequena fórmula, 81 2 m k = − , sendo
m o número total de moedas da caixa. Observamos que há infinitas soluções para este
problema, já que k é uma constante que pode assumir os valores 1, 2, 3... k = Como foi
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dito no problema que a quantidade de moedas era superior a 200 e não passavam de
300, bastou substituir 3 k = para encontrar o resultado.
Mas, a questão é: de onde saiu 81 2 m k = − ?
Essa questão parece de simples resolução, mas não é bem assim. Veremos.
Sejam:
m = total de moedas na caixa
x = parte do 1° marinheiro
y = parte do 2° marinheiro
z = parte do 3° marinheiro
r = restante final, que fora subdivido

Pelo enunciado do problema, podemos montar o seguinte sistema:
3 1
2 3 1
2 3 1
2 3 1
m x
x y
y z
z r
= + ¦
¦
= +
¦
´
= +
¦
¦
= +
¹

Sabemos que m fora dividido pelo 1° marinheiro em três partes iguais e que
uma moeda fora lançada fora. Logo, 3 1 m x = + . Como o 1° marinheiro retirou a parte
dele, ou seja, x , temos que 2 3 1 x y = + , ou seja, a parte que restou fora dividida
novamente por três pelo 2° marinheiro e mais a moeda que ele lançou fora. Os demais
raciocínios são análogos.
Agora, vamos partir da última equação, isolando z :
3 1
2 2
z r = +
Substituindo z na terceira equação, obtemos:
3 1
2 3 1
2 2
9 5
4 4
y r
y r
| |
= + +
|
\ ¹
= +





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Substituindo agora y na segunda equação, obtemos:
9 5
2 3 1
4 4
27 19
8 8
x r
x r
| |
= + +
|
\ ¹
= +

E, retornando à primeira equação:
27 19
3 1
8 8
81 65
8 8
m r
m r
| |
= + +
|
\ ¹
= +

Portanto, a nossa equação final é:
81 65
8 8
m r = +
Porém, nós desconhecemos o valor de r . Mas nós sabemos também que não
poderá haver frações de moedas, pois as moedas são inteiras e, portanto, devem ser
representadas por números inteiros. Logo, devemos trabalhar melhor na equação acima:
81 65
8 8
1
(81 65)
8
1
(80 64 1)
8
1 1
10 8
8 8
1
10 8 ( 1)
8
m r
m r
m r r
m r r
m r r
= +
= +
= + + +
= + + +
= + + +

Temos que 1 0(mod8) r + ≡ , ou seja, 8| 1 r + (8 deve dividir 1 r + ). Portanto,
1 8
8 1
r k
r k
+ =
= −

Substituindo agora r na equação acima, obtemos:
1
10(8 1) 8 (8 1 1)
8
80 10 8
81 2
m k k
m k k
m k
= − + + − +
= − + +
= −

A equação 81 2 m k = − é exatamente a solução apresentada por Malba Tahan.
Logo, está demonstrada a solução.

pois cada um deles estava convencido de que já havia retirado da caixa a parte que lhe cabia do dinheiro. uma vez que eram em número superior a 200 e não chegavam a 300. Observamos que há infinitas soluções para este problema.As moedas. 106. afinal: Quantas eram as moedas? Quanto recebeu cada um dos marujos? O Homem que Calculava. 160. O 1° marinheiro dividiu-as em três partes iguais.dividindo 241 por 3 dá sobra 1 . deixando 160. O almoxarife encontrou 70 moedas. deixando um resto de 70. 80 moedas. A divisão foi. . jogou uma moeda no mar e dividiu as restantes (159) em três partes. Dividiu-as em três partes iguais.que essas moedas pertenciam aos três marinheiros. já que k é uma constante que pode assumir os valores k = 1. portanto.) “ Bom. m = 81k − 2 . É claro que nenhum dos marinheiros reclamou.. deviam ser a princípio em número de 241. de resto. Gonçalez – 02/11/2007 . Sobrava uma moeda.. cabendo. um acréscimo de 23 moedas a cada um dos marujos. na caixa.isto é. Malba Tahan fornece-nos uma pequena fórmula. que o almoxarife guardou como paga do seu trabalho e de sua habilidade. O 2° marinheiro encontrou.. 2. retirou uma e dividiu as 69 restantes em três partes.. Retirou uma terça parte (53) e deixou. deitando ao mar a moeda que sobrava. sendo m o número total de moedas da caixa.3. apresentada a solução. achou que devia dar solução completa ao problema. isto é. Ainda dessa vez a divisão não foi exata. dividiu esse resto em três partes iguais. 106 moedas. notando que a história narrada pelo príncipe despertara grande curiosidade entre os nobres presentes. indagamos: mas como Beremiz sabia que as moedas iniciais seriam 241? Para isso. dessa forma. dando a cada um dos marujos uma dessas partes. portanto. a seguinte: 1° marujo (80 + 23) = 103 2° marujo (53 + 23) = 76 3° marujo (35 + 23) = 58 Almoxarife Atiradas ao mar Total =1 =3 = 241 (. Pergunta-se. Retirou uma terça parte de 105. 35 moedas. O 3° marinheiro encontrou. Como foi Publicado por Rodrigo R. jogou um catil ao mar e levou um terço de 240. E assim falou: .

Mas. m = 3 x + 1 . x . Gonçalez – 02/11/2007 . que fora subdivido Pelo enunciado do problema. bastou substituir k = 3 para encontrar o resultado. Logo. isolando z : z= 3 1 r+ 2 2 Substituindo z na terceira equação. mas não é bem assim. ou seja. ou seja. Os demais raciocínios são análogos. podemos montar o seguinte sistema: m = 3x + 1 2 x = 3 y + 1   2 y = 3z + 1 2 z = 3r + 1  Sabemos que m fora dividido pelo 1° marinheiro em três partes iguais e que uma moeda fora lançada fora.dito no problema que a quantidade de moedas era superior a 200 e não passavam de 300. Agora. obtemos: 1 3 2 y = 3 r +  +1 2 2 9 5 y= r+ 4 4 Publicado por Rodrigo R. temos que 2 x = 3 y + 1 . Como o 1° marinheiro retirou a parte dele. vamos partir da última equação. Sejam: m = total de moedas na caixa x = parte do 1° marinheiro y = parte do 2° marinheiro z = parte do 3° marinheiro r = restante final. Veremos. a questão é: de onde saiu m = 81k − 2 ? Essa questão parece de simples resolução. a parte que restou fora dividida novamente por três pelo 2° marinheiro e mais a moeda que ele lançou fora.

Mas nós sabemos também que não poderá haver frações de moedas. devemos trabalhar melhor na equação acima: 81 65 r+ 8 8 1 m = (81r + 65) 8 1 m = (80r + r + 64 + 1) 8 1 1 m = 10r + r + 8 + 8 8 1 m = 10r + 8 + (r + 1) 8 m= Temos que r + 1 ≡ 0(mod 8) . obtemos: 5 9 2x = 3 r +  +1 4 4 27 19 x= r+ 8 8 E. r + 1 = 8k r = 8k − 1 Substituindo agora r na equação acima. pois as moedas são inteiras e. devem ser representadas por números inteiros. a nossa equação final é: m= 81 65 r+ 8 8 Porém. Logo. Gonçalez – 02/11/2007 . retornando à primeira equação: 19   27 m = 3 r +  +1 8  8 81 65 m= r+ 8 8 Portanto. Logo. obtemos: 1 m = 10(8k − 1) + 8 + (8k − 1 + 1) 8 m = 80k − 10 + 8 + k m = 81k − 2 A equação m = 81k − 2 é exatamente a solução apresentada por Malba Tahan. Portanto. ou seja. está demonstrada a solução. portanto. Publicado por Rodrigo R.Substituindo agora y na segunda equação. 8 | r + 1 (8 deve dividir r + 1 ). nós desconhecemos o valor de r .