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Srimad Bhagavad Gita

Srimad Bhagavad Gita

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Comentários de Srila Vishvanatha Chakravarti e Srila Narayana Gosvami Maharaj.
Comentários de Srila Vishvanatha Chakravarti e Srila Narayana Gosvami Maharaj.

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Srimad Bhagavad Gita

Sri Srimad Bhaktivedanta Narayana Goswami Maharaja

Com comentários

Bhavanuvada de Srila Visvanatha Cakravarti Thakur, a jóia cristalina entre os mestres espirituais e guardião da Sri Gaudiya Sampradaya

&

Prakasika-Vrtti de Srila Bhaktivedanta Narayana Goswami Maharaja, o melhor entre os Tridandi Sanyassis

Dedicado a

Sri Gurupadapadma Sri Gaudiya Vedanta Acarya Kesari Nitya Lila Pravista Om Visnupada Astottarasata Sri Srimad Srila

Bhakti Prajnana Kesava Goswami Maharaja

O melhor da décima geração Do Parampara de Sri Krsna Caitanya Mahaprabhu

Sri Caitanya Mahaprabhu e associados

Antes de mais nada, devemos saber pelo menos um pouco sobre estes devotos Maha Bhagavatas (devotos puros quem são os comentaristas desta edição do Gita) que misericordiosamente nos iluminam com as puras e profundas explicações dos preciosos versos da Gita. Sri Srimad Bhaktivedanta Narayana Goswami Maharaja é um devoto Rasika (aquele que está sempre saboreando a doçura do serviço devocional), vem servindo a Gaudiya Sampradaya por mais de sessenta anos ininterruptos, e trabalhou incansavelmente para que leitores sinceros de todo o mundo

pudessem compreender os profundos significados dos versos do Gita. Srila Bhaktivedanta Narayana Maharaja foi o idealizador deste projeto literário que complementa o extraordinário trabalho deixado por Bhaktivedanta Swami Maharaja (Prabhupada). Ele dedica esta edição ao seu amado Mestre Espiritual Nitya Lila Pravista Om Visnupad Sri Srimad Srila Bhakti Prajnana Kesava Goswami Maharaja, (o mais querido discípulo de Jagad Guru Bhaktisiddhanta Saravati Thakur e sanyassa Guru de sua Divina Graça Bhaktivedanta Swami Maharaja (Prabhupada). Sri Srimad Srila Visvanatha Cakravarti Thakura é um Acarya renomado na nossa Sampradaya, Visvanatha quer dizer O Senhor do Universo, e " Cakravarti " significa rodeado em círculo, pois ele era sempre ouvido por devotos puros, que sentavam ao seu redor a fim de aprender o caminho da devoção pura, e as conclusões filosóficas perfeitas. Ele é o principal seguidor de Srila Rupa Goswamipada e seus comentários são cheios de rasa.

Assim rendo-me milhões e milhões de vezes aos pés de lótus destes dois Vaishnavas, implorando pela sua misericórdia. Peço licença e inspiração também, ao presidente da Gaudiya Vedanta Samiti - Nitya Lila Pravista Om Visnupada Sri Srimad Srila Bhaktivedanta Vamana Goswami Maharaja, quem é um oceano de misericórdia e doçura, e a meu amado Sri Guru Paramaradyatta Gurupadpadma Sri Srimad Srila Bhaktivedanta

Narayana Goswami Maharaja, o melhor da décima primeira geração do Gaudiya Vaishnava Parampara e quem editou este extraordinário Bhagavad Gita, enriquecendo-o com seus maravilhosos comentários.

Observações: Srila Bhaktivinoda Thakura diz que embora Bhagavan Sri Krishna tenha dado instruções a Arjuna, na verdade estas instruções foram dadas para a liberação do mundo inteiro. Todas as conclusões da Gita levam o leitor ao objetivo final que é bhakti.

A palavra brahma usada na Gita pode significar Bhagavan Sri Krishna, ou o seu aspecto impessoal (ou seja, o brilho corpóreo que emana do corpo de Sri Krishna), mas Brahma indica o semideus Brahma (o primeiro ser criado).

Esta tradução tem como objetivo apresentar da maneira mais simples possível, os profundos comentários dos Acaryas dados nesta edição, tornando-os assim mais acessíveis aos leitores brasileiros. Perdoem qualquer erro que eu tenha cometido na tradução e digitação e por favor aceitem sua essência com o objetivo de realização transcendental.

B.V.Narayan Goswami Sevaka Baladeva Das Brahmacari - Keshavaji Gaudiya Math (B.H) – 2009

Resumo dos dezoito capítulos da Gita por Sri Srimad Srila Bhaktivedanta Narayana Goswami Maharaja

Capítulo 1- Sainya – Darsana: Observando os exércitos. O Bhagavad Gita se compõe de dezoito capítulos cuja conclusão é bhakti. Arjuna atuou no campo de batalha como se estivesse imerso na lamentação e Krsna lhe explicou então que atma-dharma da entidade viva não tem relação alguma com o dharma do corpo, dinastia ou casta. A entidade viva é forçada a sofrer as misérias da lamentação, ilusão e do temor enquanto permanecer cativa de maya e considerar que o corpo é o próprio ser. Por tanto, é indispensável que aceite o

refúgio de um guru genuíno (tattva-vit guru). Capítulo 2 - Sankhya Yoga O princípio das análises. A jiva percebe sua ignorância quando aceita o refúgio de um sad-guru e então trata de libertar-se das garras ilusórias de maya, abandonando seus pensamentos independentes e respeitando as instruções de Sri Gurudeva. O sad-guru está livre dos quatro defeitos – ilusão, propensão a cometer erros, sentidos imperfeitos e a tendência a enganar-se – porque é uma um tattva – darsi ekantika - prema bhakta. O sadhaka compreende a diferença entre a alma e o corpo material quando escuta as instruções da boca de lótus de seu misericordioso Gurudeva. Também compreende os efeitos degradantes do desfrute sensual e desenvolve apego por escutar acerca dos pensamentos, características e glórias dos sthita – prajna - munis. Logo, pela influência de sadhu-sanga, desperta em seu coração a consciência da necessidade de se obter tattva – jnana. Capítulo 3 – Karma Yoga

O princípio da ação. A jiva compreende que karma-yoga consiste nos esforços executados sem um desejo egoísta (niskama bhava) para o serviço de Bhagavan quando escuta as instruções dadas por Sri Krsna. Se seu coração está cheio de desejos de desfrute sensual, então a aceitação do hábito de sannyasi não é verdadeira renúncia, senão que uma hipocrisia que jamais pode atrair auspiciosidade. A jiva deve executar seu karma como um serviço a Sri Bhagavan porque a realização de karma para o desfrute sensual não produz nenhum resultado favorável. A execução de karma, como os yajnas védicos por exemplo, pode outorgar prazer sensual mundano, mas este prazer é temporário e está mesclado com infelicidade. Mesmo assim, karma yoga purifica o coração. Por tanto, é favorável abandonar todo tipo de akarma, vikarma e sakama karma e adotar unicamente o niskama-karma-yoga oferecido a Bhagavan. Capítulo 4 – Jnana Yoga O conhecimento transcendental.

O capítulo quatro começa com instruções sobre jnana-yoga. Primeiro explica que uma pessoa só pode obter tattva-jnana genuíno através da misericórdia de Sri Gurudeva, quem é um tattva-darsi. Esta misericórdia se manifesta através do processo de escutar de uma sucessão discipular fidedigna. Não se pode obter bhagavat tattva-jnana mediante o aprendizado mundano, inteligência ou conhecimento. Este capítulo explica também que em cada yuga aparece um avatara de Bhagavan. O nascimento e as atividades de Bhagavan são divinos; é tolice e ofensivo pensar que são mundanos. Uma pessoa obtem tattvajnana na associação de um tattva darsi guru, escutando gradualmente dele acerca das características de jnana-yoga e sua superioridade sobre karma-yoga. Ela pode cruzar fácilmente o oceano de nascimentos e mortes ao refugiar-se no tattva-jnana verdadeiro. O sadhaka não pode progredir se tem dúvidas sobre isto; se carece de tattva-jnana ele se desviará do caminho, cairá e ficará novamente enredado no ciclo de karma. Capítulo 5 – Karma-Sannyasa Yoga Renúncia a ação

O sadhaka obtém a qualificação para o karma sannyasa-yoga quando obtém tattva-jnana. Meste momento compreende que o verdadeiro sannyasa significa abandonar o apego pela ação e seus frutos. Para alguém cujo coração é ainda impuro, é benéfico e apropriado adotar o karma-yoga sem apegar-se ao processo e seus frutos, ao invés de renunciar completamente o karma. O niskamakarma-yoga oferecido a Bhagavan concede a qualificação para se obter a natureza do brahma ou brahmapada. Quem conhece o brahma obtém paz. Capítulo 6 – Dhyana Yoga O princípio da meditação. O sadhaka compreende a partir das instruções do tattva-vid guru que só se pode meditar em Bhagavan quando o coração está purificado. Um yogi ou sannyasi está livre de todo tipo de desejos materiais, pois ninguém pode alcançar a perfeição no yoga enquanto possui desejos de desfrute material. Uma pessoa que deseja alcançar a perfeição no yoga deve regular a ingestão de alimentos e atividades reacionárias. Esta perfeição significa: 1- perceber Sri Bhagavan como Antaryami (superalma) no coração de todas as entidades vivas, e 2-

compreender que todas as jivas existem apenas devido ao sustento e refúgio de Bhagavan. Este capítulo também declara que um bhakta é superior ao karmi, jnani ou yogi. Capítulo 7 – Vijnana –Yoga A compreensão do conhecimento transcendental O estudo constante destas instruções conduz a firme compreensão e percepção de que Bhagavan Sri Krsna é o limite do para-tattva, A Realidade Absoluta Suprema e que além dele, não há outro parama -tattva. Uma pessoa pode liberarse de maya apenas através da rendição exclusiva a seus pés de lótus. Há quatro tipos de pessoas que carecem de qualificação para dedicar-se ao Bhagavat bhajana porque executam atividades impiedosas. Estes são: os tolos, os deploráveis, os que possuem natureza demoníaca e os que possuem um conhecimento coberto por maya. Ao contrário, há quatro classes de pessoas dotadas de créditos piedosos (sukrti) que podem se dedicar a bhagavat-bhajana: os aflitos, os que buscam por fortuna, os questionadores e os jnanis. Os bhaktas de Bhagavan são difíceis de ser encontrados

neste mundo. Não se pode obter o benefício eterno através da adoração dos diversos semideuses (deva e devis). Capítulo 8 – Taraka Brahma Yoga Yoga com Parambrahma. Apenas os ekantikas bhaktas de Sri Krsna podem conhecer tattvas tais como o brahma-tattva, karma-tattva e adhibhutatattva, entre outros. Estes ekantika bhaktas podem alcançar Krsna muito facilmente. Os bhaktas de Bhagavan jamais nascem de novo. Bhagavan pode ser alcançado apenas mediante ananya bhakti(Gita 8.22). Capítulo 9 – Raja - guhya Yoga O conhecimento mais confidencial O raja-vidya ou raja-guhya se refere unicamente – a suddha-bhakti-yoga. A prakrti, a natureza material, não é a causa original da criação cósmica, pois só obtém a potência para criar pela inspiração de Bhagavan. É tolo e ofensivo pensar que Bhagavan Sri Krsna é um ser humano ou que seu corpo sac-cit-ananda está composto pelos cinco elementos materiais igual aos corpos das almas condicionadas ordinárias ou baddha-jivas. Os mahatmas

genuínos se dedicam ao bhajana de Sri Krsna com sentimentos devocionais exclusivos ou ananya bhava e Sri Krsna atende pessoalmente suas necessidades. A dedicação ao bhajana aos diversos devatas é contrária às regras prescritas, pois Krsna é o único desfrutador e amo de todos os sacrifícios. Sri Bhagavan aceita tudo que seus suddha bhaktas lhe oferecem com amor. O último verso deste capítulo, “man mana bhava mad-bhakto”, se conclui que bhakti é o único meio para alcançar o Senhor Supremo. Capítulo 10 – Vibhuti Yoga A apreciação das opulências de Sri Bhagavan Uma pessoa pode entender que Krsna é o fundamento de todas as vibhutis e saktis (energias), através do estudo sincero e constante deste capítulo. Também entende que todo universo material, junto com suas opulências, constituem apenas um quarto de sua grandeza. Ela pode compreender facilmente que tudo está direta ou indiretamente conectado a Bhagavan Sri Krsna quando obtém este conhecimento sobre os vibhutis. Bhagavan outorga buddhi-yoga a seus bhaktas para que possam entender o tattva-jnana. Assim, sua ignorância é

destruída e eles se dedicam a bhagavat bhajan com amor. Capítulo 11 – Visvarupa darsana yoga A contemplação da forma universal do Senhor Este capítulo revela que a visvarupa de Bhagavan é ilusória enquanto a svarupa é transcendental e similar a humana. Apenas os bhaktas cujos olhos estão untados com prema podem obter o darsana (visão) da sua forma rasika sekhara. Bhagavan é alcançado apenas mediante ananya bhakti yoga. Capítulo 12 – Bhakti Yoga O serviço devocional puro Este capítulo explica que Svayam Bhagavan Sri Krsna é a Realidade Suprema e o objeto supremo de adoração exclusiva da jiva. Os bhaktas dotados com ekantika bhakti são muito queridos por Ele. Pode-se alcançar Bhagavan facilmente aquele que pratica suddha bhakti, mas os nirvisesa brahmavadis só enfrentam misérias. Capítulo 13 – Prakrti-Purusa-Vibhaga Yoga

A diferença entre a natureza material e o desfrutador. Este capítulo oferece uma profunda compreensão da natureza material e da entidade viva. Através desta discussão, Bhagavan outorga tattva-jnana a seus bhaktas rendidos e os libera do oceano do mundo material. Capítulo 14 – Guna-traya-Vibhaga Yoga Os três modos da natureza material Um estudo analítico deste capítulo conduz à compreensão de que este mundo material desenvolve-se simplesmente pela ação e interação dos três gunas materiais: sattva, rajas e tamas. Os sadhakas que executam bhakti-yoga podem transcender estes três gunas com facilidade e finalmente obtém a qualificação para alcançar Bhagavan. Capítulo 15 – Purusottama Yoga A compreensão da Pessoa Suprema Este mundo material se estende desde os sistemas planetários inferiores até os superiores e as jivas são partes separadas ou amsas de Bhagavan. Aqueles que se

opõem a Bhagavan são atados por seu karma e perambulam por diversas espécies de vida, inferiores e superiores. Uma pessoa pode receber a misericórdia de um Guru genuíno como resultado da sua boa fortuna e dedicar-se por completo ao bhajana de Sri Krsna. Capítulo 16 – Daivasura Sampada Yoga As qualidades divinas e demoníacas Este capítulo explica as naturezas divinas e demoníacas. A jiva confundida por maya é controlada pela natureza divina ou demoníaca Ela inclina-se a bhagavatbhajana quando se refugia na natureza divina, mas quando adota a natureza demoníaca ela se opõe a Bhagavan e assim vai ao inferno. Aqueles que possuem esta natureza pregam a filosofia mayavada. Portanto é necessário liberarse desta tendência mediante a execução de bhagavat-bhajana na associação dos suddha bhaktas. Capítulo 17 – Sraddha-Traya-Vibhaga Yoga Os três tipos de fé Este capítulo explica os três tipos de fé. Uma pessoa desenvolve fé em sattva, rajo

ou tamo de acordo com sua associação e natureza que adquiriu de seus samskaras prévios. A nirguna sraddha aparece no coração da jiva quando se associa com suddha bhaktas de Hari; assim ela dedicase ao bhajana de Bhagavan, quem é nirguna. Estes bhaktas são verdadeiros sadhus. Capítulo 18 – Moksa Yoga O princípio da liberação Este capítulo explica a essência da Gita. Primeiro, Sri Krishna é identificado como o bhagavat-tattva supremo e depois dada a instrução mais confidencial. Aqui se explica que o rasamayi seva a Sri Krsna em sua morada suprema é alcançado através da seguinte sequência: 1- Rendição a ele 2- Praticar os nove processos de bhakti 3- Refúgio em bhava-bhakti

Conteúdo Capítulo Um – Observando os exércitos Capítulo Dois – Sankhya Yoga Capítulo Tres – Karma Yoga Capítulo Quatro – Jnana Yoga Capítulo Cinco – Karma Sannyasa Yoga Capítulo Seis – Dhyana Yoga Capítulo Sete – Vijnana Yoga Capítulo Oito – Taraka Brahma Yoga Capítulo Nove – Raja Guhya Yoga Capítulo Dez – Vibhuti Yoga Capítulo Onze – Visvarupa Darsana Yoga Capítulo Doze – Bhakti Yoga Capítulo Treze – Prakrti-Purusa-Vibhaga Yoga Capítulo Quatorze – Guna Traya Vibhaga Yoga Capítulo Quinze – Purusottama Yoga Capítulo Dezesseis – Daivasura Sampada Yoga Capítulo Dezessete – Sradha Traya Vibhaga Yoga Capítulo Dezoito – Moksa Yoga.

Radha e Krishna

Seva Kunja (por Syamarani Devi Dasi)

Sanjaya narrando a batalha ao Rei Drhtarastra

Capítulo 1 Observando os exércitos

Sloka 1 Dhrtarastra uvaca Dharma ksetre kuruksetre Samaveta yuyutsavah Mamakah pandavas caiva Kim akuvarta sanjaya Dhrtarastra disse: Oh! Sanjaya, depois de se reunirem em Kuruksetra, a terra da religião, com o desejo de lutar, o que fizeram meus filhos e os filhos de Pandu? Comentário Bhavanuvada de Srila Visvanatha Cakravarti Thakura A Suprema Verdade Absoluta, parabrahma Sri Krishna, cujos pés de lótus são o objetivo de toda adoração e de todos os sastras, apareceu em sua forma original, similar a humana, como Sri Vasudeva nandana, o filho de Sri Vasudeva em Sri Gopala Puri, mesmo

sendo Adhoksaja, supremamente inconcebível, se fez visível aos olhos dos homens ordinários por meio de sua potencia chamada Yoga Maya. Ele ensinou a partir das instruções do Bhagavad Gita, visando liberar as entidades vivas deste mundo, que estavam se afogando no oceano de nascimentos e mortes. Ele as submergiu no grande oceano de prema (amor puro) ao dar-lhes saundarya-madhurya, um gosto pela doçura de sua beleza e outras qualidades. Apareceu neste mundo ao sentir-se obrigado por sua promessa de proteger as pessoas santas e aniquilar as demoníacas Sem hesitar com o pretexto de eliminar a carga da terra, concedeu a proteção suprema na forma da liberação aos infiéis e a todos que eram antagônicos e que se afogavam no vasto oceano da existência material, a qual é comparada com o planeta infernal onde as pessoas pecaminosas são queimadas em azeite fervente. Bhagavan Sri Krsna instruiu o Bhagavad Gita para que mesmo depois de seu desaparecimento, pudesse liberar as almas condicionadas que desde tempos imemoriais se encontram sob a influência da ignorância e estão completamente sujeitas a lamentação, ilusão e outros sofrimentos. Outro propósito foi ressaltar suas glórias mencionadas nos sastras e

cantadas pelos sábios. Ele ensinou o Bhagavad Gita a seu muito querido associado Arjuna, quem voluntariamente havia aceitado o sentimento de lamentação e ilusão. O Gita se compõe de três divisões: Karma yoga, Jnana yoga e Bhakti Yoga. Os dezoito capítulos do Bhagavad Gita estão infundidos com o significado dos vedas manifestos em dezoito tipos de conhecimento. Desta maneira, Sri Krsna revelou o objetivo supremo. Nos primeiros seis capítulos descreve-se o niskama karma yoga, a execução dos deveres prescritos sem apego por seus frutos. O jnana yoga ou yoga através do conhecimento, é descrito nos últimos seis capítulos. Os seis capítulos sobre Bhakti yoga que é mais confidencial e mais difícil de alcançar foram guardados no meio dos outros capítulos. Bhakti yoga é a vida de karma e jnana yoga pois sem bhakti estas são infrutíferas. Assim elas só são aceitáveis quando se mesclam com Bhakti. Bhakti é de dois tipos: Kevala ou exclusivo, e Pradhani bhuta que é a mescla com predomínio de bhakti. Kevala bhakti, é a melhor por ser independente e supremamente poderosa e não necessitar de nenhum vestígio de karma ou jnana yoga. Por outro lado, Pradhana bhuta bhakti está mesclado com karma e jnana,

e será tratada com maior profundidade mais adiante. Para explicar a natureza da lamentação e ilusão de Arjuna o narrador do Mahabharata, Sri Vaisampayana, um discípulo de Vyasadeva, relatou a seção do Bhisma parva a seu ouvinte Janamejaya, começando com o verso Dhrtarastra uvaca. Dhrtarastra perguntou a Sanjaya. Ó Sanjaya, sentindo desejo de lutar, o que fizeram meus filhos e os filhos de Pandu, reunidos em Kuruksetra? Aqui poderia surgir uma pergunta: Dhrtarastra já havia mencionado que seus filhos e os filhos de Pandu haviam se reunidos com o único propósito de lutar, logo sem dúvida iam lutar. Por que então a intenção de perguntar: Que fizeram eles? Em resposta Dhrtarastra usou a palavra dharma ksetre, terra da religião. No sruti está dito: Kuruksetram deva yajanam: Kuruksetra é a arena de sacrifício dos semideuses: Então esta terra é famosa como aquela que nutre o Dharma. Por influência da associação com esta terra a ira das pessoas irreligiosas como Duryodhana pode ser apaziguada e deste modo, poderiam inclinar-se ao Dharma. Os pandavas são religiosos por natureza, então a influência de Kuruksetra poderia despertar neles o discernimento de compreender a impropriedade de aniquilar seus próprios parentes e deste modo ambos poderiam

buscar um foi horrível acordo pacífico. Externamente Dhrtarastra finge que seria feliz com um acordo pacífico, mas internamente sentia uma grande insatisfação. Ele pensava que se houvesse um acordo, os Pandavas ainda seriam um impedimento para seus filhos. Dhrtarastra pensava: Os guerreiros de meu grupo, tais como Bhisma e Drona, não podem ser vencidos nem sequer por Arjuna, então como nossa vitória é certa, será proveitoso lutar Aqui, graças ao componente Ksetra, na palavra Dharma ksetre, Sarasvati-Devi faz a seguinte menção a palavra Dharma. Yudhistira, a encarnação do Dharma, junto com seus associados são como plantas de arroz, e seu sustentador Bhagavan é como o agricultor. Os diversos tipos de assistência prestados por Krsna aos Pandavas podem ser comparados a regar o cultivo e arar o campo. Os Kauravas encabeçados por Duryodhana são como os vermes que crescem no campo de arroz. Isto indica que assim como um mal é arrancado pela raiz nos campos de arroz, Duryodhana e os outros Kauravas seriam aniquilados e arrancados de dharma ksetra, a terra da religião. Prakasika Vrtti

O comentário que ilumina o dilúvio de significados essenciais Por Sri Srimad Srila Bhaktivedanta Narayana Maharaja Ofereço minhas reverências aos pés de lótus de Om Visnupada Astottarasata Sri Srimad Bhakti-Prajnana Kesava Goswami Maharaja, que é muito querido por Krsna. Ele é uma personalidade completamente divina que sustenta com grande afeto quem se refugia nele. Aflito ao ver o sofrimento das pessoas que são avessas a Krsna, ele lhes outorga o Sri nama saturado de prema. O Srimad Bhagavad Gita é a essência de todos os Upanisads, Srutis e Puranas. Baseado na firme evidência da literatura védica, recebido através da sucessão discipular, conclui-se que Vrajendra Nandana Sri Krsna, o filho do rei de Vraja é Svayam Bhagavan, a original Personalidade de Deus. Ele é a personificação de todas as doçuras nectáreas, o onipotente e a realidade absoluta onipotente não dual. Entre suas ilimitadas potências, três delas são proeminentes: a potência interna (svarupa sakti), a potência marginal (tatastha sakti) e a potência material externa (maya sakti). Pela vontade de Bhagavan Sri Krsna, Vaikunta, Goloka e Vrndavana são as

transformações da potência interna. Todas as jivas são uma transformação da sua potência marginal, e a criação material é uma transformação da sua potência externa. As entidades vivas (jivas) são de dois tipos: liberadas (mukta) e condicionadas (baddha). As liberadas estão eternamente ocupadas em saborear a doçura do serviço a Bhagavan em Vaikuntha, Goloka e outras moradas transcendentais. Elas são chamadas nitya mukta, eternamente liberadas, pois nunca estão atadas a este mundo material, a prisão de maya. Às vezes pela vontade de Bhagavan, elas aparecem neste mundo ilusório como seus associados com o único propósito de beneficiar a humanidade. As entidades vivas do outro tipo são chamadas de anadi baddha, ou condicionadas por maya desde tempos imemoriais. Como resultado deste condicionamento, a jiva sofre de três tipos de misérias enquanto perambula no ciclo de nascimentos e mortes. Bhagavan Sri Krsna, o oceano de compaixão, criou uma aparente ilusão no coração de Arjuna, por meio de sua potência inconcebível (acintya sakti). Assim com o pretexto de dissipar esta ilusão, ele falou este Bhagavad Gita com o propósito de liberar as jivas das garras de maya. A conclusão final do Bhagavad Gita é o serviço devocional supremamente

puro a Bhagavan. Somente por se refugiar neste serviço, tal como se descreve no Gita, as jivas que estão sob a influência de maya, conseguem se situar na sua posição constitucional pura e assim oferecem serviço a Sri Krsna. Não há outra alternativa para as jivas condicionadas. Baseando em evidências concretas das escrituras, Srila Visvanatha Cakravarti Thakura e outros proeminentes acaryas vaishnavas, estabeleceram claramente que o orador do Bhagavad Gita não carece de potências, não está desprovido de variedade, não é sem forma, e não está desprovido de qualidades transcendentais tais como misericórdia transcendental. A jiva jamais é parambrahma, nem sequer no estado liberado. Esta percepção da diferença se denomina vaisistya, significa especialidade ou característica distintiva única. Tal como o sol e seus raios são simultaneamente iguais e diferentes por ser possuidor dos atributos e atributos respectivamente, de forma similar a relação entre paramesvara e a jiva sendo una e ao mesmo tempo diferente está claramente demonstrada nos Vedas. Esta relação de igualdade e diferença simultânea está além do nosso intelecto e só é compreensível com a ajuda dos Vedas, por isso é chamada de acintya, ou inconcebível. Assim o Bhagavad Gita trata da suprema realidade

eterna que é inconcebivelmente igual e diferente de suas potências. Mesmo que karma yoga, jnana yoga e Bhakti yoga sejam definidos como os três meios para alcançar a plataforma espiritual, Bhakti Yoga é o único método para se alcançar Bhagavan. A etapa preliminar de Bhakti yoga se denomina karma yoga, a intermediária jnana yoga e no estágio maduro se denomina Bhakti yoga. Bhagavan, senão que um meio para se alcançar tal disciplina. O conhecimento real do espírito aparece quando o coração se purifica através de karma yoga mesclado com bhakti, no qual se oferece o resultado das atividades a Bhagavan, tal como se descreve nos Vedas. Tanto jnana quanto karma são inúteis se carecem de Bhakti. Com a aparição do conhecimento verdadeiro, a devoção exclusiva se manifesta no coração, e quando chega no estado maduro, o amor puro aparece no coração da entidade viva. Este tipo de amor é o único meio para alcançar e Ter uma compreensão direta de Bhagavan. Este é o mistério oculto do Bhagavad Gita. Ninguém pode obter a liberação através do conhecimento do aspecto impessoal (brahman). Somente quando o conhecimento está mesclado com devoção, pode-se ter mukti (liberação) na forma de salokya, sarupya, samipya e sarsti, como um resultado intrínseco.

Mediante a execução de devoção pura descrito no Bhagavad Gita, pode-se conseguir o auspicioso serviço devocional saturado de amor divino para com Bhagavan em sua morada suprema chamada Gokoka Vrndavana. Quando se alcança esta morada não há a possibilidade de voltar a este mundo material. Obter este serviço é a meta última de toda entidade viva. A devoção é de dois tipos: exclusiva e mesclada. A mesclada também é de dois tipos: uma quando bhakti predomina sobre karma e jnana e a outra quando bhakti predomina sobre jnana. Mediante a execução de karma bhakti se purifica gradualmente o coração e se desenvolve tattva jnana, enquanto que pela prática de jnana bhakti se obtém mukti (liberação). Estes dois tipos visam a obtenção final de Bhakti, porém sem Bhakti elas são inúteis. Este Bhagavad Gita é comparado a uma pedra filosofal, que é similar a um cofre, onde a tampa do cofre é niskama karma yoga, a base é jnana yoga e o tesouro é Bhakti. Religiosos e que possuem bom caráter possuem a qualificação para estudar o Bhagavad Gita. Dados sobre Arjuna: É um associado eterno de Bhagavan Sri Krsna. É completamente impossível que ele caia em estados como a lamentação e ilusão.

Um associado eterno do senhor não possui tais ilusões. Bhagavan Sri Krsna armou tudo isso para o benefício das entidades vivas que estão atadas pela dor e ilusão. Ele disse: “Eu os liberarei do oceano da existência material.” Por sua própria vontade, Sri Krsna faz com que Arjuna se iluda simplesmente para liberar as jivas que realmente se encontram em lamentação e ilusão. Por meio de perguntas e respostas, ele define a sua natureza real, assim como da jiva, a sua morada transcendental, maya, bhakti e seus demais aspectos. Em seu comentário do verso "sarva dharman parityajya" Srila Visvanatha Cakravarti Thakura explica que Krsna disse: “Depois de converte-te em um instrumento, estou difundindo esta mensagem para o benefício das jivas.”Arjuna é um associado eterno do senhor, portanto não há sequer um vestígio de ilusão nele. Esta posição de Arjuna pode se comprovar-se em todos os Sastras. Kuruksetra : Srila Vyasadeva se refere ao campo de batalha de Kuruksetra como dharna ksetre; isto tem um significado confidencial. De acordo com o Srimad Bhagavatam, esta terra se chama Kuruksetra em homenagem ao rei Kuru. No Mahabharata encontramos a seguinte

história: Uma vez quando Kuru Maharaja estava arando esta terra, Indra apreciou e lhe perguntou: Por que está fazendo isto? Kuru Maharaja respondeu: Estou arando esta terra para que as pessoas que morram aqui possam alcançar os planetas celestiais. Ao escutar isto o senhor Indra retornou a seu planeta. Então o rei voltou a arar a terra de novo com grande entusiasmo. O senhor Indra vinha uma e outra vez para ridicularizar o rei. Ainda que Indra sempre vinha repetidamente agitar o Rei Kuru, este permanecia imperturbável e continuava seu trabalho. Finalmente pela insistência de outros semi deuses, Indra lhe concedeu a bendição de que qualquer um que abandonasse o corpo ou morresse em uma batalha nesta terra, alcançaria os planetas celestiais.Por tal razão a terra conhecida como Kuruksetra foi escolhida para a batalha. A terra que se encontra entre os rios Sarasvati e Drsadvati é conhecida como Kuruksetra. Neste lugar tambem realizaram austeridades os grandes sábios Mudgala e Prthu Maharaja.Sri Parasurama fez sacrifícios nesta terra em cinco diferentes lugares depois de exterminar os Ksatriyas, por tanto era conhecida previamente como Samanta Pancaka. Depois devido às atividades do rei Kuru se tornou famosa como Kuruksetra.

Sanjaya: Sanjaya era o filho do condutor de quadrigas chamado Gavalgama. Esperto nos sastras, generoso e religioso. Devido a estas virtudes o grande avô Bhisma lhe nomeou junto com Vidura, ministro real de Dhrtarastra. Sanjaya que era considerado como um segundo Vidura, era também um íntimo amigo de Arjuna. Pela misericórdia de Srila Vyasadeva recebeu a visão divina pela qual podia ver a batalha de Kuruksetra, ainda estando sentado longe, no palácio de Hastinapura, e narrou todos os eventos da guerra a Dhrtarastra. Maharaja Yudhisthira também descreve Sanjaya como bem-querente de todos, de doce oratória, de temperamento pacífico, sempre satisfeito e imparcial. Se encontrava estabelecido dentro dos limites da moralidade e nunca se agitava pelo mau comportamento dos demais. Neutro e livre de todo o temor, ele só falava palavras que estavam em harmonia com os princípios morais. Sloka 2 Sanjaya uvaca drstva tu pandavanikam vyudham duryodhanas tada acaryam upasangamya raja vacanam abravit

Sanjaya disse: Ó rei! Imediatamente depois de examinar o exército dos Pandavas alinhado em formação militar, Duryodhana chegou perto de Dronacarya e falou-lhe as seguintes palavras: Bhavanuvada Depois de compreender a intenção interna de Dhrtarastra, Sanjaya confirmou que definitivamente haveria uma guerra. Mas sabendo que o resultado seria contrário a perspectiva de Dhrtarastra, Sanjaya falou palavras como drstva que significa"depois de ver". Aqui a palavra vyudham se refere a formação estratégica do exército dos Pandavas. Assim o rei Duryodhana que sentia medo em seu interior, recitou nove versos, começando com a palavra pasyaitam no verso 1.3. Prakasika-vrtti No momento da guerra do Mahabharata, além de ser cego de nascimento, Dhrtarastra carecia também de visão, tanto moral quanto espiritual. Por este motivo estava coberto de lamentação e ilusão. Devido a influência de Kuruksetra, seu filho Duryodhana podia ter devolvido a metade do reino aos Pandavas. Temendo isto ele se sentiu desconsolado. Sanjaya, sendo muito religioso e também vidente,

podia perceber os sentimentos internos de Dhrtarastra. Ele sabia que o resultado da batalha não seria a favor de Dhrtarastra, mas ainda sim ele ocultou esta informação de maneira muito inteligente, e enquanto tranquilizava Dhrtarastra disse: Duryodhana não está chegando a nenhum acordo com os Pandavas, mas depois de ver a extrema força e disposição do exército dos Pandavas, está aproximandose de Dronacarya, seu guru na ciência militar, para informa-lhe sobre a situação real. Duryodhana tinha dois motivos para se aproximar de Dronacarya: Por um lado ele se sentiu atemorizado ao ver a poderosa formação do exército dos Pandavas; mas por outro, com o pretexto de oferecer respeito a seu guru, queria exibir sua habilidade política. Devido a sua experiencia na política, estava sem dúvida qualificado em todos os aspectos para a posição de rei. Este é o significado completo da declaração "Sanjaya uvaca" Sanjaya disse. Duryodhana: Duryodhana era o mais velho dos cem filhos de Dhrtarastra e Gandhari. No momento do seu nascimento houve vários fatores negativos que fizeram com que Vidura temesse que ele seria a razão da destruição da dinastia Kuru. De acordo com o Mahabharata, Duryodhana nasceu de uma expansão de

Kali. Ele era pecaminoso, cruel e uma desgraça para a dinastia Kuru. Precisamente, em sua cerimônia de batismo, os sacerdotes e astrólogos eruditos, vendo as indicações de seu futuro, lhe chamaram Duryodhana. No final, com instruções de Krsna, Bhima o matou. O sabda ratnavali diz: "Um vyuha é a formação de um esquadrão militar composta por um bom rei, de tal maneira que se torna impossível a penetração do exército inimigo em qualquer direção. Desta forma o esquadrão se torna vitorioso na batalha." Dronacarya: Dronacarya ensinou a ciência das armas tanto aos filhos de Pandu quanto aos de Dhrtarastra. Ele era filho do sábio Bharadvaja. Devido a que nasceu de um drona (recipiente de madeira para água) se tornou famoso com o nome de Drona. Além de ser um mestre na ciência de armas, também era conhecedor de todos os vedas. Depois de satisfazer o grande sábio Parasurama, aprendeu com ele os segredos da ciência da guerra e outras mais. Ninguém podia mata-lo, pois recebeu a bendição de morrer no momento que escolhesse. Logo depois de Ter sido insultado pelo rei Drupada de Pancala, quem havia sido seu amigo de infância, Dronacarya foi a

Hastinapura ganhar seu sustento. Impressionado com as qualificações de Drona, o avô Bhisma lhe designou como o acarya para instruir e treinar Duryodhana, Yudhisthira e os demais príncipes. Arjuna era seu discípulo mais querido. Na batalha de Kuruksetra, Duryodhana lhe nomeou como o comandante-chefe do seu exército. Sloka 3 Pasyaitam pandu-putranam Acarya mahatim camum Vyudham drupada-putrena Tava sisyena dhimata Oh! Acarya! Contempla este grande exército dos Pandavas, disposto em falanges por teu inteligente discípulo Drstadyumna, o filho de Drupada. Bhavanuvada Com estas palavras, Duryodhana insinua: "Drstadyumna, o filho de Drupada, é realmente seu discípulo. Ele nasceu somente para matar-te, e mesmo que tu soubesse, continuou a dar-lhe treinamento militar, o que indica que sua inteligência é escassa." Aqui, Duryodhana usou a palavra dhimata, que significa inteligente, para

referir-se a Drstadyumna. Isto tem um significado profundo. Duryodhana queria que Dronacarya compreendesse que ainda que Drstadyumna era seu próprio inimigo, havia aprendido pessoalmente dele a arte de mata-lo. Por tanto disse: "Agora observa sua grande inteligência no momento de obter os frutos de seu treinamento."Duryodhana fez estes comentários diplomáticos só para provocar a ira de seu mestre, Dronacarya. Prakasika –vrtti Drstadyumna: O rei de Pancala, Drupada, realizou um sacrifício com o desejo de Ter um filho que pudesse matar Dronacarya. Do fogo do sacrifício apareceu um menino que vestia uma armadura e portava diversas armas. Neste momento se escutou uma voz celestial que predisse que o filho de Drupada mataria Drona. Os brahmanas chamaram o menino heróico de Drstadyumna. Ele aprendeu o dhanur veda de Drona, que era extremamente benevolente, mesmo que soubesse que um dia Drstadyumna o mataria. Assim, Drona foi morto por seu próprio discípulo na guerra do Mahabharata. Sloka 4 – 6

Atra sura mahesvasa Bhimarjuna – sama yudhi Yuyudhano viratas ca Drupadas ca maha – rathah Dhrstaketus cekitanah Kasirajas ca viryavan Purujit kuntibhojas ca Saibyas ca nara-pungavah Yudhamanyus ca vikranta Uttamaujas ca viryavan Saubhadro draupadeyas ca Sarva eva maha rathah Neste exército há poderosos arqueiros iguais a Arjuna e Bhima em combate, tais como Satyaki, o rei Virata, os maharathi, Drupada e outros. Reunidos nesta batalha, estão todos os maharathis como Dhrstaketu, Cekitana, o heróico Kasiraja, Purujit, Kuntibhoja, os naras srestras como Saibya, o melhor dos valentes, o vitorioso Yudhamanyu, o poderoso Uttamauja, Abhimanyu e os filhos de Draupadi, encabeçados por Pratibindhya. Bhavanuvada Aqui a palavra mahesvasah significa que todos estes grandes guerreiros portavam arcos indestrutíveis pelo inimigo. A palavra yuyudhana significa Satyaki. Saubhadrah é Abhimanyu, e Draupadeyah indica os filhos dos cinco Pandavas,

encabeçados por Pratibindhya, quem nasceu de Draupadi. As características de um maharati são descritas aqui: em um grupo de grandes guerreiros expertos na astra sastra, o que pode lutar com uma quantidade ilimitada de guerreiros é conhecido como atirathi, aquele que pode lutar contra dez mil guerreiros é chamado de maharathi, o que pode lutar apenas com uma pessoa é conhecido como yoddha, e o que necessita assistência para vencer um único inimigo se chama arddharathi. Prakasika – vrtti Yuyudhana : É outro nome do heróico Satyaki. Ele era um servo muito querido de Sri Krsna, ele era extemamente valente e um atirathi entre os comandantes em chefe do exército Yadava. Ele aprendeu de Arjuna os segredos da astra sastra. Na batalha do Mahabharata lutou ao lado dos Pandavas. Virata: Virata era um rei piedoso da terra de Matsya. Os pandavas passaram um ano incógnitos sob sua proteção. Sua filha Uttara se casou com Abhimanyu, o famoso filho de Arjuna. Virata morreu na batalha do Mahabharata junto com seus filhos Uttara, Sveta e Sankha.

Drupada: Drupada era filho do rei Prsata, o rei de Pancala.Devido a que Maharaja Prsata e Maharsi Bharadvaja, o pai de Drona, eram amigos, Drupada e Drona foram também amigos desde sua infância Mais tarde quando Drupada se tornou rei, Drona foi até ele para pedir ajuda financeira, mas Drupada lhe insultou. Dronacarya não perdoou esta ofensa. Quando Arjuna completou sua educação na astra sastra, Drona o pediu que atacasse Drupada e oferecesse a seus pés como doação a gurudev.Arjuna cumpriu sua ordem. Dronacarya tomou a metade do reino de Drupada, e logo o liberou. Para vingar este insulto, Drupada realizou um sacrifício de cujo fogo apareceram Draupadi e Drstadyumna. Cekitana: Cekitana era um Yadava da dinastia Vrsni. Era muito cortes, um Maharathi e um dos comandantes do exército Pandava. Na batalha do Mahabharata morreu nas mãos de Duryodhana. Kasiraja: Kasiraja era o rei de Kasi. Ele nasceu de uma parte do asura Dirghajihva. Era um valente e intrépido herói que lutou ao lado dos Pandavas.

Purujit e Kuntibhoja: Eram irmãos de Kunti, a mãe dos Pandavas. Dronacarya os matou na batalha de Kuruksetra. Saibya: Saibya era o sogro de Maharaja Yudhisthira, já que sua filha Devika se casou com este. Ele era um poderoso e heróico guerreiro. Yudhamanyu e Uttamauja: Eram irmãos de sangue e príncipes do reino Pancala. Eram valentes e heróicos. Asvatthama os matou no final da guerra do Mahabharata. Subhadra: A irmã de Bhagavan Sri Krsna, Subhadra, estava casada com Arjuna. O heróico Abhimanyu nasceu do ventre de Subhadra, por isto ele é conhecido também como Subhadra. Recebeu treinamento de astra sastra de seu pai, Arjuna, e também de Sri Balarama. Foi um herói de excepcional generosidade e um maharati. No momento da guerra do Mahabharata tinha dezesseis anos. Durante a ausência de Arjuna, Abhimanyu era o único combatente capaz de penetrar o cakra vyuha, uma formação militar especial que havia sido ordenada por Dronacarya. Infiltrado nesta formação, foi injustamente assassinado pelos esforços combinados de sete

maharatis, dentre quais estavam Drona, Krpa e Karna. Draupadeya: Draupadi deu a luz a um filho de cada um dos cinco Pandavas. Seus nomes eram: Pratibindhya, Sutasoma, Srutakarma, Satanika e Srutasena. De forma coletiva eram conhecidos como Draupadeya. Foram assassinados no final da guerra de Kuruksetra por Asvattama, enquanto dormiam no meio da noite. Sloka7 Asmakam tu visista ye Tan nibodha dvijottama Nayaka mama sainyasya Samjnrtham tan bravimi te Oh! Dvija srestha, o melhor dos duas vezes nascidos (brahmanas)! Para tua informação também enumero os comandantes do meu exército, quem estão especialmente qualificados para liderar. Bhavanuvada Aqui a palavra nibodha significa"por favor entende" e a palavra samjnartham significa "para teu conhecimento preciso". Sloka 8-9

Bhavan bhismas ca karnas ca Krpas ca samitinjayah Asvatthama vikarnas ca Saumadattir jayadrathah Anye ca bahavah Mad arthe tyakta jivitah Nana sastra praharanah Sarve yuddha visaradah Em meu exército há heróis como tu, como o avô Bhisma, como Karna, Krpacarya, Asvatthama, Vikarna, Bhurisrava o filho de Somadatta e Jayadratha, o rei de Sindhu, quem são sempre vitoriosos em batalhas. Há muitos outros grandes heróis que estão dispostos a sacrificar suas vidas por minha causa. Todos estão equipados com diversas armas e são expertos em guerras. Bhavanuvada Aqui a palavra Somadattih se refere a Bhurisrava. Tyakta-jivitah denota a uma pessoa determinada que faz aquilo que é requerido, ao compreender apropriadamente que será grandemente beneficiada, sobreviva ou não. No verso (1-33), Bhagavan disse:"Oh Arjuna! Já dei cabo na vida de todas estas pessoas, tu simplesmente tem que se converter-te em um instrumento".De acordo com esta declaração, Sarasvati Devi fez com que a

palavra Tyakta-jivitah, saísse da boca de Duryodhana, indicando que seu exército já havia sido destruído. Prakasika – Vrtti Krpacarya: Na dinastia Gautama, havia um sábio chamado Saradvan. Uma vez, depois de ver a apsara Janapadi, derramou sêmen espontaneamente, o qual caiu em um montão de palha no bosque. Este sêmen se dividiu em duas partes dos quais nasceram um menino e uma jovem. A jovem foi chamada Krpi, e o jovem, Krpa. Krpa foi logo reconhecido como um grande guerreiro. O sábio Saradvan pessoalmente fez de Krpa um experto em dhanurveda e outras artes. Krpa era extraordinariamente valente e piedoso. Na batalha do Mahabharata, lutou ao lado dos Kauravas, mas depois da batalha, Maharaja Yudhisthira lhe enviou para o adestramento do príncipe Pariksit. Asvatthama: A irmã de Krpacarya, Krpi, foi casada com Dronacarya. De seu ventre nasceu Asvatthama, quem se formou de uma combinação das porções do Senhor Siva, de Yama, de Kama e de Krodha. Aprendeu os sastras e astra sastra de seu pai. Também aceitou a responsabilidade de ser o último comandante em chefe dos Kauravas na batalha do Mahabharata. Ele

matou os cinco filhos de Draupadi enquanto estes dormiam profundamente, ao confundi-los com os cinco Pandavas. Em vingança, os Pandavas lhe insultaram severamente e lhe arrancaram uma jóia de sua testa. Então, Asvatthama cheio de ira, tentou matar o ainda não nascido Pariksit Maharaj, o único herdeiro da dinastia Pandava, lançando sua Brahmastra ao menino que se encontrava no ventre de sua mãe Uttara, a esposa de Abhimanyu. Sem vacilar, Bhagavan Sri Krsna, quem é muito afetuoso com seus Bhaktas, usou sua arma disco para proteger Maharaj Pariksit. Vikarna: Vikarna era um dos cem filhos de Dhrtarastra, Bhimasena o matou na batalha do Mahabharata. Somadatta: Era o filho de Bahlika e o neto do rei Pratika da dinastia Kuru. Satyaki o matou na batalha de Kuruksetra. Bhurisrava: Bhurisrava era o filho do rei Somadatta na dinastia da lua. Ele foi um rei muito valente e famoso. Satyaki o matou na batalha. Sastra: Uma arma que se usa para usar em combate corpo a corpo, tal como a espada, é chamada sastra.

Astra: Uma arma que se lança ao inimigo, tal como uma flecha, é chamada astra.

Sloka 10 Aparyaptam tad asmakam Balam bhismabhiraksitam Paryaptam tv idam etesam Balam bhimabhiraksitam Nosso exército, ainda que protegido por Bhisma é insuficiente, e por outro lado, o exército dos Pandavas, sobre a cuidadosa proteção de Bhima, é competente. Bhavanuvada Aqui a palavra aparyaptam significa insuficiente. Os Kauravas não são competentes e não tem forças suficientes para lutar contra os Pandavas. Bhisma abhirakstam. Ainda que nosso exército esteja bem protegido pelo avô Bhisma, mesmo assim isto é insuficiente para conter a força dos Pandavas. Paryaptam bhimabhirakstam. Mas o exército dos Pandavas, ainda que protegido por Bhima que é menos experto na arte da arma e conhecimento, é competente para lutar contra nós. Desta declaração se entende

que Duryodhana está completamente atemorizado. Prakasika – Vrtti O avô Bhisma é um herói sem igual que recebeu de seu pai a bendição de morrer no momento que escolhesse. Mesmo que lutava contra os Pandavas, ele era muito afetuoso com eles e não queria que eles saíssem derrotados. Sloka 11 Ayanesu ca sarvesu Yatha-bhagam avasthitah Bhismam evabhiraksantu Bhavantah sarva eva hi Por tanto, todos vocês devem permanecer em suas posições estrategicamente, alinhadas em cada ponto da entrada, para proteger o avô Bhisma por todos os lados. Bhavanuvada Duryodhana disse:"Por tanto, todos vocês (Drona e os demais) tem que ser cuidadosos". Só com este propósito lhes disse: Dividam-se entre os acessos as falanges e não abandonem as áreas que lhes foram designados na batalha. Desta maneira, Bhisma não poderá ser morto

pela retaguarda enquanto lutamos com o inimigo. O poder de Bhisma é agora a nossa própria vida. Sloka 12 Tasya sanjanayam harsam Kuru vrddhah pitamahah Simha nadam vinadyoccaih Sankham dadhmau pratapavan O avô Bhisma, o valente ancião da dinastia Kuru, soprou seu búzio estrondosamente e produziu um som similar a um rugido de um leão, que causou prazer a Duryodhana. Bhavanuvada Para erradicar o temor de Duryodhana, e alegra-lo, o maior dos Kurus, Bhisma, fez soar seu búzio e produziu um som como o rugido de um leão. Sloka 13 Tatah sankhas ca bheryas ca Panavanaka gomukhah Sahasaivabhyahanyanta sa sabdas tumulo bhavat Depois soaram repetidamente todos os búzios, tímbalos, tambores, mrdangas,

trombetas, e outros instrumentos, fazendo um tumultuoso e temível som. Bhavanuvada O propósito deste verso é expressar que ambos exércitos mostraram seu entusiasmo pela guerra. Aqui, panavah, Anakah e gomukhah fazem referência a tambores, mrdangas e diversas trombetas. Sloka 14 Tatah svetair hayair yukte Mahati syandane sthitau Madhavah pandavas caiva Divyau sankhau pradadhmatuh Logo, Sri krsna e Dhananjaya, situados em uma grande quadriga puxada por cavalos brancos, soaram seus búzios divinos. Sloka15 Pancajanyam hrsikeso Devadattam dhananjaya Paundram dadhmau maha sankham Bhima karma vrkodarah Hrsikesa Sri Krsna soou seu búzio conhecido como Pancajanya: Arjuna soou seu búzio conhecido como Devadatta: e

Bhima, o realizador de tarefas hercúleas soou seu grande búzio conhecido como Paundra. Prakasika-vrtti Pancajanya: Depois de finalizar a sua educação no asrama de seu guru, Sri Krsna pediu a ele e a sua esposa que aceitassem alguma doação. Então eles pediram que Krsna devolvesse seu filho que havia se afogado no oceano. Ao perguntar a Varuna, a deidade do oceano, Sri Krsna descobriu que ele havia sido devorado por um caracol demoníaco que morava no oceano. Mesmo assim, Sri Krsna não encontrou o jovem dentro do ventre, depois de matar Pancajanya. Depois, Sri Krsna foi a Mahakalapuri, e trouxe o filho de seu guru, lhe presenteando como doação. Devido a que Sri Krsna tomou a concha de Pancajanya, a esta se conhece como tal. Sloka16 Anantavijayam raja Kunti putro yudhisthirah Nakulah sahadevas ca Sughosa manipuspakau

Maharaja Yudhisthira, o filho de Kunti soprou seu búzio chamado Anantavijaya. Nakula soprou seu Sughosa e Sahadeva soprou seu búzio chamado Manipuspaka. Sloka 17-18 Kasyas ca paramesvasah Sikhandi ca maha rathah Dhrstadyumno viratas ca Satyakis caparajitah Drupado draupadeyas ca Sarvasah prthivi pate Saubhadras ca maha bahuh Sankhan dadhmuh prthak prthak Oh! Dhrtarastra, rei da terra! Depois, o rei de Kasi, o grande arqueiro, o maharathi Sukhandi, Drstadyumna, o rei de Virata, o inconquistável Satyaki, o rei Drupada, os filhos de Draupadi,e Abhimanyu o filho de Subhadra, soaram seus respectivos búzios. Bhavanuvada A palavra Pancajanya e outras mencionadas neste verso são os nomes dos búzios de Krsna e de outros guerreiros no campo de batalha. Aparajita significa "aquele que porta um arco". Sloka 19

sa ghoso dhartarastranam hrdayani vyadarayat nabhas ca prthivim caiva tumulo bhyanunadayan Ressoando no céu e na terra, este tumultuoso e terrível som deixou em pedaços os corações dos filhos de Dhrtarastra. Sloka 20 Atha vyavasthitan drstva Dhartarastran kapi dhvajah Pravrtte sastra sampate Dhanur udyamya pandavah Hrsikesam tada vakyam Idam aha mahi pate Oh Rei! Depois de ver seus filhos em formação de batalha, Arjuna, levantou seu arco e se preparou para disparar suas flechas. Depois, ele disse as seguintes palavras a Hrsikesa. Prakasika-vrtti Kapi dhvajah: Este é um nome de Arjuna que aponta a presença de Hanuman na bandeira de sua quadriga. Arjuna estava muito orgulhoso de sua habilidade como arqueiro. Em uma ocasião, quando passeava na beira de um

rio portando seu arco Gandiva, viu um macaco. Oferecendo-lhe reverências, ele disse: Quem és? O macaco respondeu gentilmente. Sou Hanuman, o servo de Sri Rama. Então Arjuna lhe perguntou: Você é o servo do mesmo Rama que incapaz de construir uma ponte de flechas sobre o oceano mandou os macacos construir uma de pedras para que seu exército pudesse cruzar o oceano. Se eu tivesse lá neste momento eu teria construído uma ponte de flechas tão poderosa que todo exército poderia cruza-la facilmente. Hanuman voltou a responder muito gentilmente. Sua ponte não iria suportar sequer o peso de um macaco do exército de Rama. Então Arjuna disse: ”Vou fazer uma ponte de flechas sobre este rio e você poderá cruza-lo com a carga mais pesada que tiver. Hanuman se expandiu então em uma forma gigantesca, saltou sobre as montanhas Himalayas e regressou com umas pedras muito pesadas nos pelos de seu corpo. Indentemente não se desfez. Arjuna, tremendo de medo orou a Krsna: "Por favor meu Senhor, a honra dos Pandavas está em suas mãos." Quando Hanuman pôs o peso completo de seus pés na ponte, se surpreendeu que ela não se quebrava. Se a ponte não caía, seria uma grande vergonha para ele. Dentro de seu coração Hanuman orou a Rama, quando olhou para debaixo da ponte e viu que Rama sustentava a ponte

com sua espada. Então ele disse:"O que é isto?"Meu adorável senhor está suspendendo a ponte com sua espada!"Imediatamente ele caiu aos pés de lótus de Sri Ramacandra. Ao mesmo tempo, Arjuna viu o senhor não como Ramacandra, mas como Sri Krsna.Tanto Hanuman quanto Arjuna juntaram suas mãos reverencialmente para seus senhores adoráveis, e então o senhor disse: "Não há diferença entre estas duas formas minhas. Eu, Krsna na forma de Sri Rama, venho estabelecer os limites da moralidade e da conduta religiosa apropriada. Na forma de lila purusottama Krsna, sou a personificação do néctar de todas as rasas. De hoje em diante vocês dois devem ser amigos Em uma futura batalha, o poderoso Hanuman situado na bandeira da quadriga de Arjuna, lhe dará proteção de todos os lados."Por esta razão Arjuna recebeu o nome de Kapi Dhvajah"Aquele que tem um macaco em sua bandeira." Sloka 20-23 Arjuna uvaca Senayor ubhayor madhye Rathan sthapaya me cyuta Yavad etan nirikse ham Yoddhu kaman avasthitan

Kair maya saha yoddhavyam Asmin rana samudyame Yotsyamanam avekse ham Ya ete tra samagatah Dhratarastrasya durbuddher Yuddhe priya cikirsavah Arjuna disse: Oh Acyuta! Por favor, situa minha quadriga no meio de ambos os exércitos para eu poder ver todos os heróis presentes que desejam lutar nesta batalha. Sloka 24-25 Sanjaya uvaca Evam ukto hrsikes Gudakesena bharata Senayor ubhayor madhye Sthapayitva rathottamam Bhisma drona pramukhatah Sarvesam ca mahiksitam Sanjaya disse: Oh Bharata! Ao receber a ordem de Gudakesa, Hrsikesa Sri Krsna conduziu sua excelente quadriga no meio de ambos os exércitos, e diante de todos os reis e personalidades proeminentes como Bhisma, Drona e outros. Ele disse então: "Ó Partha, contempla todos estes Kauravas aqui reunidos." Bhavanuvada

Hrsikesa significa o controlador dos sentidos. Ainda que Krsna é Hrsikesa, quando recebeu as ordens de Arjuna, ele foi controlador pelo sentido da fala de Arjuna. Bhagavan é controlado apenas por Prema. Sloka 26 Tatrapasyat sthitan parthah Pitrn atha pitamahan Acaryan matulan bhratrn Putran pauntran sakhims tatha Svasuran suhrdas caiva Senayor ubhayor api Ali, no meio de ambos os exércitos, Arjuna viu seus tios paternos e maternos, seus avôs, mestres, primos, sobrinhos Netos, amigos, sogros e benquerentes. Bhavanuvada Arjuna viu os filhos e netos de Duryodhana e os demais Sloka 27 Tan samiksya sakaunteyah Sarvan bandhun avasthitan Krpaya parayavisto Visidann idam abravit

Ao ver todos seus amigos e familiares presentes no campo de batalha, Arjuna, o filho de Kunti, cheio de compaixão e angústia, falou assim, Sloka 28 Arjuna uvaca Drstveman svajanan krsna Yuyutsun samavasthitan Sidanti mama gatrani Mukham ca parisusyati Arjuna disse: Oh Krsna! Ao ver meus próprios parentes reunidos aqui com o desejo de lutar, sinto que minhas extremidades fraquejam e que minha boca seca. Sloka 29 Vepathus ca sarire me Roma-harsas ca jayate Gandivam sramsate hastat Tvak caiva paridahyate Meu corpo treme e meu cabelo arrepia. Meu arco Gandiva está escorregando das minhas mãos e minha pele arde. Sloka 30

Na ca saknomy avasthatum Bhramativa ca me manah Nimittani ca pasyami Viparitani kesava Oh Kesava! Sou incapaz de manter-me em pé. Minha mente dá voltas e sinto muita angústia e aflição. Bhavanuvada Na oração"eu estou vivendo aqui com o propósito de ganhar riquezas." Aqui a palavra nimitta indica o propósito. Da mesma forma, nimitta neste verso, indica a intenção. Arjuna está dizendo:"Depois, apesar de ganhar a guerra, a obtenção do reino não nos trará felicidade. Pelo contrário, nos causará dor e aflição. Prakasika-vrtti Kesava: Aqui o devoto, Arjuna, está revelando os sentimentos de seu coração ao dirigir-se a Bhagavan com a palavra Kesava."Apesar de matar proeminentes asuras como Kesi e outros, tu sempre mantém seus devotos. Da mesma forma, por favor, dissipa a lamentação e ilusão do meu coração e sustenta-me. Srila Visvanatha Cakravarti Thakura explicou que a palavra Kesava indica aquele que penteia o cabelo de sua amada.

Sloka 31 Na ca sreyo nupasyami Hatva svajanam ahave Na kankse vijayam krsna Na ca rajyam sukhani ca Oh Krsna! Eu não vejo nada de auspicioso em matar meus próprios parentes nesta batalha. Não desejo nem a vitória nem o reino, nem sequer a felicidade. Bhavanuvada Sreyo na pasyamiti significa "não vejo nada auspicioso". Os sanyassis que alcançam a perfeição no yoga e os guerreiros que morrem no campo de batalha alcançam o globo solar. Parece, então que uma pessoa que morre na batalha obtém um resultado auspicioso. Sloka 32-34 Kim no rajyena govinda Kim bhogair jivitena va Yesam arthe kanksitam no Rajyam bhogah sukhani ca Ta ime vasthita yuddhe Pranams tyaktva dhanani ca Acaryah pitarah putras Tathaiva ca pitamahah

Matulah svasurah pautrah Syalah sambhandhinas tatha Etan na hantum icchami Ghnato pi madhusudana Oh Govinda! De que nos serve o reino, o desfrute ou a própria vida, quando aqueles que queremos bem— mestres, tios, filhos, avôs, sogros, netos, cunhados, e outros parentes— estão diante de nós neste campo de batalha dispostos a perderem suas vidas e riquezas? Oh Madhusudana! Ainda que eles me matem, não desejo mata-los. Sloka 35 Api trailokya-rajyasya Hetoh kim nu mahi-krte Nihatya dhartarastran nah Ka pritih syaj janardana Oh Janardana! Se matamos os filhos de Dhrtarastra, mesmo que seja para obter não só a soberania da terra, mas de todos os três mundos, que felicidade obteremos com isto? Sloka 36 Tasman narha vayam hantum Dhartarastran as-bandhavan Svajanam hi katham hatva

Sukhinah syama madhava Oh Madhava! Ao matar todos estes agressores, apenas cometeremos pecado. Por tanto, matar Duryodhana e nossos outros familiares não é apropriado. Como poderíamos ser felizes após matar nossos próprios parentes? Bhavanuvada De acordo com o Sruti há seis tipos de agressores: o que ata fogo em uma casa, o que administra veneno, o que ataca com armas mortais, o que rouba, o que usurpa a terra e o que rouba a esposa de outrem. Arjuna argumentou:"Oh Bharata, se você diz que ao ver algum dos seis tipos de agressores devemos mata-los sem consideração, então se matássemos as pessoas aqui reunidas, sem dúvida cometeríamos pecado." Prakasika-vrtti De acordo com o smrti sastra, não se comete pecado se matam um dos seis tipos de agressores. Em contraponto, os srutis declaram que não se deve matar nenhuma entidade vivente. Quando surgem tais contradições, deve-se considerar os srutis como superiores. Seguindo esta lógica, Arjuna sente que

ainda que os filhos de Dhrtarastra são agressores, se ele os matam, irá cometer pecado. Sloka 37-38 Yady apy ete na pasyanti Lobhopahata-cetasah Kula ksaya krtam dosam Mitra drohe ca patakam Kathamna jneyam asmabhih Papad asman nivartitum Kula ksaya krtam dosam Prapasyabdhir janardana Oh Janardana! A inteligência de Duryodhana e dos demais, estão contaminadas pela cobiça de obter o reino. Assim sendo, eles são incapazes de conceber a ilegalidade que surge ao destruir a dinastia e muito os pecados que ocorreriam ao lutar contra os amigos. Então, por que devemos nós, que temos conhecimento, cometer atos indevidos como estes. Bhavanuvada Arjuna pergunta: Por que estamos ocupados nesta batalha? Para responder sua própria pergunta, recita este verso que começa com as palavras yady apy.

Prakasika-vrtti Arjuna considerou que nesta batalha havia mestres como Dronacarya ,Krpacarya, e outros, tios maternos como Salya e Sakuni, familiares maiores como Bhisma ,os filhos de Dhrtarastra, parentes e familiares como Jayadratha e outros Arjuna pensou: Os Vedas dizem que não podemos lutar com pessoas que executam yajna, com o sacerdote familiar, com um mestre, com o tio materno, com um convidado, com filhos pequenos, com pessoas maiores, nem com parentes."Mesmo assim, é com estas pessoas com quem devo combater".Assim, Arjuna expressou sua objeção de lutar contra seus próprios parentes."Mas, porque todos estão empenhados a lutar contra nós.". Ao considerar isto, Arjuna concluiu que eles deveriam estar dominados por interesses baixos e egoístas e por tanto perderam a habilidade de discriminar entre o que é bom ou mau. Como resultado eles, ao destruir sua própria dinastia, cometeriam pecado."Nós que não temos motivos egoístas, por que devemos ocupar-nos nestas atividades abomináveis e pecaminosas.

Sloka 39 Kula-ksaye pranasyanti Kula-dharmah sanatanah Dharme naste kulam krtsnam Adharmo bhibhavaty uta Os princípios religiosos ancestrais transmitidos através de uma dinastia são também destruídos quando ela é destruída. Depois da ruína do Dharma, a dinastia inteira é subjugada pelo adharma. Bhavanuvada A palavra sanatanah se refere aos princípios religiosos que descendem da Dinastia desde um tempo ancestral. Sloka 40 Adharmabhibhavat krsna Pradusyanti kula-striyah Strisu dustasu varna-sankarah Oh Krsna! Quando uma dinastia é subjugada pelo adharma, suas mulheres se degradam. Oh descendente de Vrsni! Quando as mulheres se tornam degradadas e incastas, nascem descendentes não desejados.

Bhavanuvada O adharma ocupa as mulheres em atividades incastas. Sloka 41 Sankaro narakayaiva Kula-ghnanam kulasya ca Patanti pitaro hy esam Lupta-pindodaka-kriyah Tal progênie não desejada leva ao inferno tanto a dinastia inteira quanto os destruidores da tradição familiar. Sem dúvida alguma, seus antepassados, privados de oblações de água e alimento, sofrem o mesmo destino. Sloka 42 Dosair etaih kula-ghnanam Varna-sankara-karakaih Utsadyante jati-dharmah Kula-dharmas ca sasvatah Devido às ações perversas daqueles que destroem a tradição familiar, os princípios religiosos da família e da casta desaparecem. Bhavanuvada

A palavra utsadyante, significa eles desaparecem. Sloka 43 Utsanna-kula-dharmanam Manusyanam janardana Narake niyatam vaso Bhavatity anususruma Oh Janardana! Eu escutei que todos aqueles cuja dinastia carece de princípios religiosos, sofrem no inferno por um período ilimitado. Sloka 44 Aho bata mahat-papam Kartum vyavasita vayam Yad rajya-sukha-lobhena Hantum svajanam udyatah Quão surpreendente é que, levados pela condição de desfrutar de felicidade imperial, estamos dispostos a matar nossos próprios parentes e cometer este grande pecado. Sloka 45 Yadi mam apratikaram Asastram sastra-panayah

Dhrtarastra rane hanyus Tan me ksemataram bhavet Seria ainda mais auspicioso para mim se, desarmado e sem oferecer resistência, os filhos de Dhrtarastra fortemente armados me matassem. Sloka 46 Sanjaya uvaca Evam uktvarjunah sankhye Rathopastha upavisat Visrjya as-saram capam Soka-samvigna-manasah Sanjaya disse: Com sua mente perturbada pela lamentação, Arjuna pronunciou estas palavras no campo de batalha, pôs de lado seu arco e flecha, e sentou em sua quadriga. Assim conclui-se o primeiro capítulo do Srimad Bhagavad Gita

Capítulo 2 O princípio das análises Sloka 1 Sanjaya uvaca Tam tatha krpayavistam Asru-purnakuleksanam Visidantam idam vakyam Uvaca madhusudanah Sanjaya disse: Sri Madhusudana falou ao aflito Arjuna, quem estava cheio de compaixão e cujos olhos estavam agitados e cheios de lágrimas. Sloka 2 Sri bhagavan uvaca Kutas tva kasmalam idam Visame samupasthitam Anarya-justam asvargyam Akirtti-karam arjuna Sri Bhagavan disse: Oh Arjuna! Qual é a causa da sua ilusão neste momento crítico da batalha. Isto não é próprio de um ariano, pois não condiz com sua reputação, nem te conduzirá aos planetas celestiais. Bhavanuvada

Neste capítulo, Bhagavan Sri Krsnacandra esboça os sintomas das pessoas liberadas. Ele dissipa a obscuridade causada pela lamentação e ilusão ao conceder, em primeiro lugar, a sabedoria para discernir entre matéria e espírito. Prakasika-vrtti Dhrtarastra estava satisfeito ao saber que, ainda antes de começar a batalha, um sentimento religioso havia despertado no coração de Arjuna. Ele recusava encarar a batalha, atendo-se aos princípios da nãoviolência, que considerava sendo o Dharma supremo. Dhrtarastra pensou:"Seria uma grande fortuna se esta batalha não acontecesse, pois assim, meus filhos poderiam permanecer soberanos do reino sem nenhum obstáculo." Sloka 3 Klaibyam ma sma gamah partha Naitat tvayy upapadyate Ksudram hrdaya daurbalyam Tyaktvottistha parantapa Oh Partha! Não sejas covarde, isto não lhe é digno. Oh Parantapa! Abandona sua fraqueza de coração e levanta-te.

Bhavanuvada Aqui Krsna diz: Oh Partha! Apesar de ser um filho de Prtha, estás se comportando como um covarde.” Depois ele disse:"Tal covardia é própria de um ksatriya de baixa classe."Arjuna poderia dizer: Oh Krsna! Não duvides da minha coragem, eu desejo lutar. Mas por favor, compreende que do ponto de vista moral, minha renuncia a lutar é para mostrar respeitos a meus gurus, Bhisma e Drona.” Krsna contesta:"Minha resposta é ksudram, tal atitude não demonstra discriminação nem compaixão, senão lamentação e ilusão. Ambas revelam a fraqueza da sua mente. Sloka 4 Arjuna uvaca Katham bhismam aham sankhye Dronanca madhusudana Isubhih pratiyotsyami Pujarhav arisudana Arjuna disse: Oh Madhusudana! Oh Arisudana! Destruídor dos inimigos! Como posso contra-atacar com minhas flechas, o avô Bhisma, e Dronacarya, quem são dignos de minha veneração?

Bhavanuvada Para explicar porque não deseja combater, Arjuna argumenta que de acordo com o dharma sastra, a violação da honra de uma personalidade venerável é um ato fatídico. Ao referir-se a Krsna como Madhusudana, Arjuna acode a esta lógica."Oh querido amigo, tu também destruístes inimigos em batalha, mas não assassinastes teu guru e nem seus parentes. Devido a que o demônio Madhu era seu inimigo, eu me referi a ti como Arisudana, ou o destruidor dos inimigos. Prakasika-vrtti Sandipani Muni era um famoso sábio pertencente a kasyapa gotra, que vivia na cidade de Avanti, atual Ujjain. Quando executaram seus passatempos, Sri Krsna e Baladeva o aceitaram como seus Siksa Guru para dar exemplo aos demais. Quando viviam em seu asrama, executaram o passatempo no qual aprenderam as sessenta e quatro artes em sessenta e quatro dias. Visvanatha Cakravarti Thakura comenta que Sandipani Muni era seguidor do senhor Siva, ele explica que se Krsna e Baladeva tivessem aceitado um guru Vaisnava, este os teriam reconhecido como o supremo, e os passatempos de aprendizagem não

teriam ocorrido. Sandipani Muni era filho de Paurnamasi Yoga Maya, e os amigos de Krsna, Madhumangala e Nandimukhi são filho e filha dele. Sloka 5 Gurun ahatva hi mahanubhavan Sreyo bhoktum bhaiksyam apiha loke Hatvartha kamams tu gurun ihaiva Bhunjiya bhogan rudhira pradigdhan Seria melhor manter minha vida neste mundo mediante mendicância do que matar meus gurus, que são grandes personalidades. Se os mato, os prazeres e riquezas que pudesse desfrutar neste mundo, estaria manchados de sangue. Bhavanuvada Arjuna pensou que se converteria em traidor se matasse seus gurus, e qualquer prazer que tivesse depois deste ato, estaria manchado pelo resultado de atos pecaminosos. Sloka 6 Na caitad vidmah kataran no gariyo Yad va jayema yadi va no jayeyuh Yan eva hatva na jijivisamas Te vasthitah pramukhe dhratarastrah

Sou incapaz de decidir o que é melhor para nós: conquistar ou ser conquistados por eles. Mesmo se nós os matássemos, não iríamos desejar viver. Mas, eles estão do lado de Dhrtarastra e estão na nossa frente, preparados para a batalha. Bhavanuvada Aqui Arjuna está falando sobre a possibilidade da vitória ou derrota. Ele disse:"Para nós, a vitória é igual a derrota". Sloka 7 Karpanya dosopahata svabhavah Prcchami tvam dharma sammudha cetah Yac chreyah syan niscitam bruhi tan me Sisyas te ham sadhi mam tvam prapannam Dominado pela covardia e confundido sobre o dever, perdi meu heroísmo natural. Te suplico, por favor, que me digas o que é melhor para mim. Sou teu discípulo rendido e uma alma entregue a ti. Por favor instruí-me. Bhavanuvada

Sri Krsna podia ridicularizar Arjuna dizendo:"Ainda que és Ksatriya, você decidiu converte-te em mendigo errante, mediante tua própria compreensão do significado dos sastras. Então, qual é o valor das minhas palavras?" Antecipandose, Arjuna começa este verso com a palavra Karpanya: O abandono do heroísmo natural se chama karpanya, que significa comportamento covarde. Para receber instruções de Krsna, Arjuna então lhe assegura."Sou teu discípulo, não refutarei mais tuas declarações. Sloka 8 Na hi prapasyami mamapanudyad Yae chokam ucchosanam indriyanam Avapya bhumav asapatnam rddham Rajyam suranam api cadhipatyam Ainda que obtivesse na terra um reino inigualável e próspero, com soberania até mais que os semideuses, não vejo como posso brecar este meu pesar que seca meus sentidos. Bhavanuvada Arjuna começa este verso coma palavra na hi:"Nos três mundos, não encontro ninguém, a não ser tu, que possa dissipar minha lamentação."Assim como o intenso

calor do verão seca as pequenas folhas, a compaixão está secando meus sentidos. Sloka 9 Sanjaya uvaca Evam uktva hrsikesam Gudakesah parantapah Na yotsya iti govindam Uktva tusnim babhuva há Sanjaya disse: Depois de pronunciar estas palavras, Gudakesa, o castigador dos inimigos, disse a Krsna."Oh Govinda, não lutarei, e logo ficou mudo." Sloka 10 Tam uvaca hrsikesah Prahasann iva bharata Senayor ubhayor madhye Visidantam idam vacah Oh descedente de Bharata (Dhrtarastra)! Neste momento, Hrsikesa Sri Krsna sorrindo no meio dos exércitos, se dirigiu ao aflito Arjuna as seguintes palavras:

Bhavanuvada A frase senayor ubhayor madhye indica que a aflição de Arjuna e as instruções e

garantias oferecidas por Krsna eram igualmente visíveis em ambos os exércitos. Em outras palavras, esta mensagem do Bhagavad Gita foi presenciada por ambos os exércitos. Sloka 11 Sri bhagavan uvaca Asocyan anvasocas tvam Prajna vadams ca bhasase Gatasun agatasums ca Nanusocanti panditah Sri Bhagavan disse: Enquanto falas palavras sábias, você se lamenta por nada. O sábio não se lamenta nem pelos vivos nem pelos mortos. Bhavanuvada "agata asun" significa onde não chega o ar vital".O erudito e o sábio não se lamentam sequer pelo corpo sutil, pois é indestrutível antes da etapa de mukti. Em ambas as condições, sem vida ou com vida, a natureza do corpo grosseiro e sutil é imutável. É incorreto lamentar-se, já que a alma é eterna. Prakasika-vrtti

O corpo grosseiro da entidade viva é composto por cinco elementos materiais: terra, água, fogo, ar e éter e é temporário. Onde há nascimento, há morte é certa, seja hoje, amanhã ou daqui uns anos. Sloka 12 Na tv evaham jatu nasam Na tvan neme janadhipah Na caiva na bhavisyamah Sarve vayam atah param Jamais houve um tempo em que eu, tu e todos estes reis não existimos, tampouco haverá no futuro um momento em que deixaremos de existir.

Bhavanuvada Ainda que existe diferença entre Isvara e a jiva, ambos os tipos de alma são eternos e estão livres da morte. Assim a alma não é objeto de lamentação. Prakasika-vrtti As pessoas ignorantes que consideram que o corpo grosseiro é igual a alma, não compreendem que o verdadeiro ser não é material.

Sloka 13 Dehino smin yatha dehe Kaumaram yauvanam jara Tatha dehantara praptir Dhiras tatra na muhyati Assim como a alma corporificada neste corpo grosseiro passa da infância a juventude e logo a velhice, também passa a outro corpo depois da morte. Uma pessoa inteligente não se confunde pela destruição e nascimento do corpo. Sloka 14 Matra-sparsas tu kaunteya Sitosna-sukha-duhkha-dah Agamapayino nityas Tams titiksasva bharata Oh Kaunteya! Quando os sentidos entram em contato com os objetos sensíveis, se experimenta frio e calor, felicidade e aflição. Tais experiências são flutuantes e temporárias. Oh Bharata! Por isso deve tolera-las. Bhavanuvada Não só a mente nos trazem problemas, os sentidos por exemplo também nos causam

problemas. Tolerar as sensações causadas pelos objetos dos sentidos, sabendo que estes também são temporários é uma obrigação prescrita nos Vedas. Assim sendo, banhar-se no inverno é incômodo, mas não se deve abandonar a rotina de se banhar-se prescrita nos Sastras. Igualmente, as mesmas pessoas, como os irmãos, os filhos, etc, nos proporcionam felicidade ao nascer ou quando adquirem riquezas, estas mesmas pessoas produzem dor no momento de suas mortes. Sabendo que estas felicidades e aflições são temporárias, devemos tolera-las. Assim, Krsna falou a Arjuna: "Não deves abandonar seu Dharma de lutar na batalha com a desculpa de ter afeto por seus parentes. O abandono do dever que os Sastras prescrevem é, sem dúvida, uma causa de grande perturbação." Sloka 15 Yam hi na vyathayanty ete Purusam purusarsabha Sama dunkha sukham dhiram So mrtatvaya kalpate Oh! Tú é o melhor dos homens! A pessoa sensata que considera que a felicidade, a aflição, e a percepção dos diversos objetos sensíveis é a mesma coisa e não se

pertuba por elas, sem dúvida está qualificada a liberar-se. Sloka 16 Nasato vidyate bhavo Nabhavo vidyate satah Ubhayor api drsto`ntas Tv anayos tattva darsibhih Coisas temporárias como o verão e o inverno – não tem uma existência real, e o eterno – a alma – jamais é destruída. Os conhecedores da verdade chegaram a esta conclusão após estudarem sobre o eterno e temporário. Sloka 17 Avinasi tu tad viddhi Yena sarvam idam tatam Vinasam avyayasyasya Na kascit karttum arhati Deves saber que isso que se propaga por todo o corpo não pode ser destruído. Nada é capaz de destruir a alma imperecível. Bhavanuvada A alma é diminuta e só pode-se compreende-la quando o coração está

purificado e livre dos três modos da natureza material. Prakasika-vrtti Há duas verdades indestrutíveis: uma é a jiva atômica consciente, e a outra é Paramatma, que manifesta e controla todas as jivatmas. Assim como uma simples gota de pasta de sândalo aplicada em um só local refresca o corpo inteiro, a alma (jivatma) localizada no coração, ocupa todo o corpo. Sloka 18 Antavanta ime deha Nityasyoktah saririnah Anasino prameyasya Tasmad yudhyasva bharata Deves considerar que os corpos materiais que ocupa a alma, que é eterna, indestrutível e incomensurável, são perecedores. Oh! Descendente de Bharata! Por tanto, luta! Sloka 19 Ya enam vetti hantaram Yas cainam manyate hatam Ubhau tau na vijanito Nayam hanti na hanyate

Os que consideram que a alma mata ou é morta são ignorantes. A alma nem é morta nem mata nada. Bhavanuvada Krsna diz: "Oh amigo Arjuna, tu és uma alma, tu não és o sujeito nem o objeto do ato de matar. "Por tanto ó amigo, por que temes a infâmia só por que os ignorantes te chamarão de "assassino de seus superiores?" Sloka 20 Na jayate mriyate va kadaci Nayam bhutva bhavita va na bhuyah Ajo nityah sasvato yam purano Na hanyate hanyamane sarire A alma não nasce nem morre, tampouco experimenta o crescimento. Ela não nasce pois é eterna e permanente. A alma é primordial, é sempre jovem e não morre quando o corpo é destruído. Sloka 21 Vedavinasinam nityam Ya enam ajam avyayam Katham as purusah partha

Kam ghatayati hanti kam Oh Partha! Como pode uma pessoa matar alguém, sabendo que a alma é eterna, não nascida, imutável e indestrutível? Bhavanuvada Sri Krsna responde a Arjuna: "Oh Partha! Logo que adquirir este conhecimento, não serás culpado de nenhum pecado, mesmo depois de lutar na batalha." Sloka 22 Vasamsi jirnani yatha vihaya Navani grhnati naro parani Tatha sarirani vihaya jirnany Anyani samyati navani dehi Assim como uma pessoa abandona suas roupas velhas e aceita outras novas, a alma abandona os corpos velhos e inúteis e aceita outros novos. Sloka 23 Nainam chindanti sastrani Nainam dahati pavakah Na cainam kledayanty apo Na sosayati marutah

Esta alma não pode ser ferida por nenhuma arma, nem queimada pelo fogo, molhada pela água ou seca pelo vento. Sloka 24-25 Acchedyo yam adahyo yam Akledyo sosya eva ca Nityah sarva gatah sthanur Acalo yam sanatanah Avyakto yam acintyo ya Mavikaryo yam ucyate Tasmad evam viditvainam Nanusocitum arhasi A alma é indivisível, indestrutível e insolúvel. É eterna, toda penetrante, permanente, inalterável e sempre existente. É imperceptível, inconcebível e, devido a que está livre dos seis tipos de transformações como o nascimento, é imutável. Depois de compreender a alma desta maneira, não deves lamentar-te. Atha cainam nitya jatam Nityam va manyase mrtam Tathapi tvam maha-baho Nainam socitum arhasi Mas, se ainda pensas que a alma nasce e morre constantemente, não há razão para que fiques aflito por ela ó Maha Baho!

Bhavanuvada Aqui Krsna está dizendo: "Ainda que pense que o nascimento é perpétuo, ainda sim tu deves executar o seu dever como um valente Ksatriya." Krsna está tentando fazer com que Arjuna veja então o lado prático da batalha, deixando de lado o conhecimento acerca da alma. Sloka 27 Jatasya hi dhruvo mrtyur Dhruvam janma mrtasya ca Tasmad apariharye rthe Na tvam socitum arhasi Para aquele que nasce a morte é certa, e para aquele que morre o nascimento é certo. Por tanto não deves lamentar-se por esta situação inevitável. Sloka 28 Avyaktadini bhutani Vyukta madhyani bharata Avyakta nidhanany eva Tatra ka paridevana Oh Bharata! Todos os seres humanos são imanifestos antes de seu nascimento. No

interim, depois do nascimento, eles se manifestam, e após a morte voltam a imanifestar-se. Então, por que te lamentas? Sloka 29 Ascaryavat pasyati kascid enam Ascaryavac cainam anyah srnoti Srutvapy enam veda na caiva kascit Há quem considera que a alma é surpreendente, outros falam dela como algo surpreendente e alguns escutam falar dela e acham que é algo incompreensível e não a entendem. Bhavanuvada Krsna explica este verso para mostrar a Arjuna o quanto é maravilhoso a combinação do corpo com a alma e lhe esclarece sobre este tema. Prakasika-vrtti A alma, a pessoa que instrui sobre a alma, e a audiência são todos maravilhosos, pois a verdade sobre a ciência da alma é muito difícil de ser compreendida. Ainda assim, somente poucas personalidades são capazes de compreende-la e a consideram

[RD1] Comentário: Não existe essa palavra em portugues

como algo maravilhoso. É estranho que a grande maioria, mesmo depois de escutar sobre a alma de um expert no assunto não consegue compreende-la. Por esta razão Sri Caitanya Mahaprabhu nos deu a instrução de cantar os santos nomes e como resultado secundário deste canto virá também o conhecimento acerca da alma. Sloka 30 Dehi nityam avadhyo yam Dehe sarvasya bharata Tasmat sarvani bhutani Na tvamsocitum arhasi Oh Arjuna! A alma eterna que reside nos corpos de todas as entidades vivas jamais pode ser aniquilada. Por tanto, não é correto que te lamentes por nada. Sloka 31 Svadharmam api caveksya Na vikampitum arhasi Dharmyad dhi yuddhac chreyo nyat Ksatriyasya na vidyate Por outro lado se consideras teu próprio dever de Ksatriya não deves oscilar, pois

não há atividade melhor para você do que lutar. Bhavanuvada Considerando os dois pontos de vista, é recomendável que Arjuna lute. Sloka 32 Yadrcchaya copapannam Svarga dvaram apavrtam Sukhinah ksatriyah partha Labhante yuddham idrsam Oh Partha! Afortunados são os Ksatriyas que têm semelhante oportunidade de lutar, pois tal batalha é a porta de entrada para os planetas celestiais. Sloka 33 Atha cet tvam imam dharmyam Sangramam na karisyasi Tatah svadharmam kirttin ca Hitva papam avapsyasi Mas, se não participas desta batalha religiosa, desobedecerás teu dever e perderá tua fama. Então, a reação virá para você. Bhavanuvada

Neste e nos próximos 3 versos, Sri Bhagavan explica os defeitos de não lutar. Sloka 34 Arkittincapi bhutani Kathayisyanti te vyayam Sambhavitasya cakirttir Maranad atiricyate O povo só irá falar sobre tua infâmia, e para uma pessoa honrosa, a desonra é mais dolorosa que a morte. Sloka 35 Bhayad ranad uparatam Mamsyante tvam maha rathah Yesanca tvam bahu-mato Bhutva yasyasi laghavam Grandes guerreiros como Duryodhana e outros irão pensar que fugiste da batalha, cheio de temor. Aqueles que te honravam, irão te considerar como insignificante. Sloka 36 Avacya vadams ca bahun Vadisyanti tavahitah Nindantas tava samarthyam Tato duhkhataram nu kim

Teus inimigos te insultariam com palavras duras e criticariam tuas habilidades. Oh Arjuna! O que poderia ser mais doloroso para ti? Sloka 37 Hato va prapsyasi svargam Jitva va bhoksyase mahim Tasmad uttistha kaunteya Yuddhaya krta niscayah Oh! Kaunteya! Se for morto na batalha, alcançarás os planetas celestiais, e se você sai vitorioso da batalha, desfrutarás do reino da terra. Por tanto, levanta com determinação e luta. Sloka 38 Sukha duhkhe same krtva Labhalabhau jayajayau Tato yuddhaya yujyasva Naivam papam avapsyasi Sabendo que felicidade e aflição, vitória e derrota, fracasso e triunfo, são todos iguais, luta com esta mentalidade, pois só assim não cometerás pecado algum. Bhavanuvada

"Assim como uma folha de lótus nunca molha enquanto permanece na água, jamais comete pecado o Ksatriya que luta na batalha." Prakasika-vrtti Krsna fala a Arjuna: "Se luta com a mentalidade de que felicidade e aflição, vitória e derrota, fracasso e triunfo são todos iguais, então não há pecado algum." Uma pessoa que está apegada aos frutos de seus atos, está cometendo pecado, por tanto, a renúncia ao apego Karmico, é sem dúvida necessária. Sloka 39 Esa te bhihita sankhye Buddhir yoge tv imam srnu Buddhya yukto yaya partha Karma bandham prahasyasi Oh! Partha! Até este momento te expliquei o Sankhya-yoga, mas agora vou te explicar Bhakti Yoga, com este conhecimento te libertarás do cativeiro material. Sloka 40 Nehabhikrama-naso sti Pratyavayo na vidyate

Svalpam apy asya dharmasya Trayate mahato bhayat Os esforços realizados em Bhakti Yoga jamais são em vão. Mesmo uma pequena quantidade deste Yoga, libera a pessoa do maior perigo. Bhavanuvada Aqui, Krsna diz a Arjuna."Buddhi Yoga é de dois tipos: 1-Bhakti Yoga na forma de audição e canto, e 2-Niskama Karma Yoga na forma de entrega dos frutos dos atos desinteressados a Bhagavan. "Ambos tipos de Yoga se definem com a palavra Buddhi-Yoga. Prakasika-vrtti Bhakti é primário e Niskama Karma é secundário. Bhakti Yoga é completamente transcendental aos modos materiais. Qualquer atividade em Bhakti nunca é perdida, a pessoa que não teve sucesso nesta vida, poderá continuar o processo na próxima vida, desde o estágio onde parou. Sloka 41 Vyavasayatmika buddhir Ekeha kuru-nandana Bahu-sakha hy anantas ca

Buddhayo vyavasayinam Oh! Filho dos Kurus! A inteligência resoluta dos que praticam Bhakti é indivisível, mas a inteligência dos indecisos em relação a Bhakti possuem ramificações ilimitadas. Bhavanuvada A inteligência cuja meta é Bhakti yoga é suprema quando comparada aos demais tipos de inteligência Sloka 42 Yam imam puspitam vacam Pravadanty avipascitah Veda-vada-ratah partha Nanyad astiti vadinah Oh! Partha! Os insensatos, que estão apegados as declarações floridas dos Vedas, que na verdade só produz veneno, dizem que não há nada além disto nas escrituras. Prakasika-vrtti No Srimad Bhagavatam adverte-se para as afirmações Védicas. Oh! Pracinabarhi! Devido a ignorância, as atividades ritualísticas mencionadas nos

Vedas parecem ser o objetivo supremo. Ainda que suas narrações parecem ser fascinantes aos ouvidos elas carecem de conexão com o absoluto. Por tanto ignoreas. Sloka 43 Kamatmanah svarga-para Janma-karma-phala-pradam Kriya-visesa-bahulam Bhogaisvarya-gatim prati As pessoas de natureza luxuriosa, que fazem muitos rituais védicos pomposos para alcançar os planetas celestiais, onde há bastante opulência e desfrute sensual, acabam se atando ao ciclo de nascimentos e mortes. Sloka 44 Bhogaisvarya-prasaktanam Tayapahrta-cetasam Vyavasayatmika buddhih Samadhau na vidhiyate Aqueles que estão apegados ao desfrute e opulência, cujas mentes estão cativadas pelas palavras floridas dos Vedas, não obterão inteligência absoluta, com a qual pode-se meditar no Supremo.

Sloka 45 Traigunya-visaya veda Nistraigunyo bhavarjuna Nirdvandvo nity-sattva-stho Niryoga-ksema atmavan Oh! Arjuna! Supera os modos da natureza material descrita nos Vedas e situa-se transcendentalmente, livre de dualidades, desapegado da tendência de aquisição e situa-se no eu (atma). Bhavanuvada No Srimad Bhagavatam Krsna diz: "Viver na floresta está no modo da bondade, viver na cidade está no modo da paixão, viver em uma casa de apostas está no modo da ignorância e viver onde eu moro (templo) está transcendental aos três modos da natureza material (nirguna). Sloka 46 Yavan artha udapane Sarvatah samplutodake Tavan sarvesu vedesu Brahmanasya vijanatah Assim como vários reservatórios de água que satisfazem um mínimo propósito, provém de um grande lago, similarmente

o resultado alcançado com a adoração aos semideuses é insignificante se comparado a realização alcançada pelo brahmana erudito que está dotado com Bhakti por Krsna. Prakasika-vrtti As diferentes atividades que podem ser executadas mediante o uso de pequenos poços separados, podem facilmente ser executadas ao usar um grande estanque. Assim também, os diferentes desejos que podem ser satisfeitos através da adoração aos semi deuses, podem ser facilmente alcançados simplesmente adorando Krsna. Sloka 47 Karmany evadhikaras te Ma phalesu kadacana Ma karma-phala-hetur bhur Ma te sango stv akarmani Sem dúvida, tens o direito de executar seu dever prescrito, mas em momento algum tens o direito de desfrutar dos frutos de sua ação. Não sejas motivado pelos frutos da ação, mas também não deixa de executar seu dever. Sloka 48

Yoga-sthah kuru karmani Sangam tyaktva dhananjaya Siddhy-asiddhyoh samo bhutva Samatvam yoga ucyate Oh! Dhananjaya! Situado em Bhakti Yoga, abandonando os apegos pelos frutos da ação, executa os deveres prescritos e permanece equânime no êxito e fracasso. A isto se denomina Yoga. Sloka 49 Durena hy avaram karma Buddhi-yogad dhananjaya Buddhau saranam anviccha Krpanah phala-hetavah Oh! Dhananjaya! Atividades fruitivas são bastante inferiores se comparadas a Bhakti, e quem anseia pelos frutos das atividades são avaros. Sloka 50 Buddhi-yukto jahatiha Ubhe sukrta-duskrte Tasmad yogaya yujyasva Yogah karmasu kausalam Uma pessoa inteligente abandona as atividades piedosas e pecaminosas nesta

vida mesmo, por tanto, esforça-te nesta Yoga e executa todas as atividades desinteressadamente. Sloka 51 Karma-jam buddhi-yukta hi Phalam tyaktva manisinah Janma-bandha-vinirmuktah Padam gacchanty anamayam Sem dúvida, os sábios que possuem inteligência absoluta, abandonam os resultados nascidos das ações fruitivas, assim eles alcançam um lugar onde não há sofrimento algum, e são eternamente liberados do ciclo de nascimentos e mortes. Sloka 52 Yada te moha-kalilam Buddhir vyatitarisyati Tada gantasi nirvedam Srotavyasya srutasya ca Quando sua inteligência tiver cruzado o denso bosque da ilusão, ficarás indiferente a tudo que já escutou ou está por escutar. Sloka 53 Sruti-vipratipanna te Yada sthasyati niscala

Samadhav acala buddhis Tada yogam avapsyasi Quando tua inteligência estiver desapegada das diferentes interpretações dos Vedas e firme em transe, neste momento alcançarás o fruto do Yoga.

Sloka 54 Arjuna uvaca Sthita-prajnasya ka bhasa Samadhi-sthasya kesava Sthita-dhih kim prabhaseta Kim asita vrajeta kim Arjuna disse: Oh! Kesava! Quais são os sintomas de uma pessoa cuja inteligência está fixa na transcendência? Como ela se senta, fala, e como ela caminha? Sloka 55 Sri bhagavan uvaca Prajahati yada kaman Sarvan partha mano-gatan Atmany evatmana tustah Sthita-prajnas tadocyate Sri Bhagavan disse: Oh! Partha! Uma pessoa possui inteligência perfeita quando

abandona todos os tipos de desejos materiais que surgem da mente. Dentro de sua mente controlada ele está satisfeito por Ter uma alma bem-aventurada. Neste estado ele é visto como uma pessoa de inteligência perfeita. Sloka 56 Dunkhesv anudvigna-manah Sukhesu vigata-sprhah Vita-raga-bhaya-krodhah Sthita-dhir munir ucyate O sábio cuja mente não se agita pelas misérias e permanece livre de ansiedade provocados pelos desejos sensuais, livre do apego e temor e ira, é chamado de sábio com inteligência perfeita. Bhavanuvada São três, os tipos de misérias. As que são provocadas pela sede, dor de cabeça, febre etc, que provém do corpo e da mente, são chamadas Adhyatmika. As que são provocados por entidades vivas tais como serpente, insetos etc, são chamadas de Adhibhautika. E as que provém dos semideuses , tais como a chuva, frio, calor, etc., chamam-se Adhidaivika.

Aqui Krsna diz que aquele que não se agita devido a estas misérias, é um sábio controlado e inteligente. Sloka 57 Yah sarvatranabhisnehas Tat tat prapya subhasubham Nabhinandati na dvesti Tasya prajna pratisthita A pessoa que não tem apegos mundanos excessivos, que não se regozija na vitória e nem se lamenta pela derrota, é considerada uma pessoa de inteligência resoluta. Sloka 58 Yada samharate cayam Kurmo nganiva sarvasah Indriyanindriyarthebhyas Tasya prajna pratisthita Quando uma pessoa pode retrair seus sentidos completamente dos objetos dos sentidos, assim como uma tartaruga retrai suas extremidades para dentro da carapaça, se diz que essa pessoa possui inteligência resoluta. Sloka 59 Visaya vinivarttante

Niraharasya dehinah Rasa-varjam raso py asya Param drstva nivarttate Uma pessoa que se identifica com seu corpo pode restringir-se dos objetos dos sentidos artificialmente, mas ainda permanece o gosto por esses objetos. Mas a pessoa de inteligência clara, ao compreender a superalma, seu gosto pelos objetos sensíveis acaba automaticamente. Sloka 60 Yatato hy api kaunteya Purusasya vipascitah Indriyani pramathini Haranti prasabham manah Oh! Filho de Kunti! Os sentidos agitados, sem dúvida arrastam a força a mente de um homem inteligente que possui conhecimento e se esforça para alcançar a liberação. Prakasika-vrtti Dominar os sentidos é tão difícil como controlar a mente. Mas, de cordo com as instruções de Sri Caitanya Mahaprabhu, esta difícil tarefa se torna fácil quando ocupa-se os sentidos no serviço a Bhagavan Sri Krsna.

Sloka 61 Tani sarvani samyamya Yukta asita mat-parah Vase hi yasyendriyani Tasya prajna prathisthita A pessoa deve controlar todos os sentidos, através de Bhakti Yoga, dedicando-se a mim, pois somente a pessoa com sentido controlado possui inteligência determinada e pura. Sloka 62 Dhyayato visayam pumsah Sangas tesupajayate Sangat sanjayate kamah Kamat krodho bhijayate Uma pessoa desenvolve apego pelos objetos dos sentidos ao comtempla-los. Deste apego surge o desejo de desfrute, do desejo surge a ira. Sloka 63 Krodhad bhavati sammohah Sammohat smrti-vibhramah Smrti-bhramsad buddhi-naso Buddhi-nasat pranasyati

Da ira vem a confusão, da confusão surge o esquecimento, na perda da memória a inteligência é destruída, e quando a inteligência é destruída, a pessoa cai completamente nas garras da ilusão. Sloka 64 Raga-dvesa-vimuktais tu Visayan indriyais caran Atma-vasyair vidheyatma Prasadam adhigacchati Sem dúvida, um homem com sentidos controlados, livre do apego e aversão, alcança paz mental mesmo quando desfruta dos objetos dos sentidos com os seus sentidos controlados. Sloka 65 Prasade sarva-duhkhanam Hanir asyopajayate Prasanna-cetaso hy asu Buddhih paryavatisthate Uma pessoa de inteligência clara se libera de todas as misérias, a mente de tal homem é muito pacífica e calma, e assim ele se fixa em atingir a meta desejada. Sloka 66

Nasti buddhir ayuktasya Na cayuktasya bhavana Na cabhavayatah santir Asantasya kutah sukham Uma pessoa desconectada do Senhor não possui inteligência espiritual e assim sendo, ela é incapaz de meditar em Paramesvara. Como pode haver felicidade para alguém que não possui paz? Sloka 67 Indriyanam hi caratam Yan mano nuvidhiyate Tad asya harati prajnam Vayur navam ivambhasi Assim como o vento arrasta um bote sobre a água, similarmente, a mente de uma pessoa descontrolada é arrastada pelos sentidos, então é arrastada também, sua inteligência Sloka 68 Tasmad yasya maha-baho Nigrhitani sarvasah Indriyanindriyarthebhyas Tasya prajna pratisthita Oh! Maha-Baho! Por tanto, a pessoa que é capaz de restringir seus sentidos

completamente dos objetos dos sentidos, possui inteligência absolutamente clara. Sloka 69 Ya nisa sarva-bhutanam Tasyam jagartti samyami Yasyam jagrati bhutani sa nisa pasyato muneh Neste estado noturno mental no qual dorme todos os seres, um homem inteligente está desperto. Quando os seres ordinários estão mentalmente despertos, este momento é noite para o sábio iluminado. Sloka 70 Apuryamanam acala-pratistham Samudram apah pravisanti yadvat Tadvat kama yam pravisanti sarve As santim apnoti na kama-kami Assim como o oceano permanece calmo, quieto e imóvel, ainda que inúmeros rios deságuam nele, similarmente, o homem sábio permanece fixo e imperturbável, ainda que a agitação dos sentidos entram a força dentro dele. Somente a pessoa que possui inteligência estável pode alcançar a paz. Isto não é alcançável para aqueles que tentam satisfazer os desejos materiais.

Sloka 71 Vihaya kaman yah sarvan Pumams carati nihsprhah Nirmamo nirahankarah As santim adhigacchati Aqueles que abandonam todos seus desejos materiais, e que estão livres de possessividade, estão livres de ansiedades e falso ego. Esta pessoa alcançará paz. Sloka 72 Esa brahmi sthitih partha Nainam prapya vimuhyati Sthitvasyam anta-kale pi Brahma-nirvanam rcchati Oh! Partha! Esta é a situação daquele que alcançou o brahmam, mas aquele que não alcançou esta condição será confundido. Aquele que alcança tal estado, consegue a emancipação espiritual no momento da morte.

Bhavanuvada Neste capítulo se explica especificamente o jnana yoga, karma yoga e indiretamente

Bhakti Yoga. Por este motivo, este é considerado o resumo do Sri Gita.

Capítulo 3 KARMA YOGA O princípio da ação Sloka 1 Arjuna uvaca Jyayasi cet karmanas te Mata buddhir janardana Tat kim karmani ghore mam Niyojayasi kesava Arjuna disse: Oh! Janardana! Se consideras que a inteligência é melhor do que o trabalho fruitivo, então por que estás me ocupando nesta terrível batalha? Sloka 2 Vyamisreneva vakyena Buddhim mohayasiva me Tad ekam vada niscitya

Yena sreyo ham apnuyam Minha inteligência está confundida por tuas declarações ambíguas. Diga-me por favor, o que é mais benéfico a mim? Sloka 3 Sri bhagavan uvaca Loke smin dvi-vidha nistha Pura prokta mayanagha Jnana-yogena sankhyanam Karma-yogena yoginam Sri Bhagavan disse: Oh! Imaculado Arjuna! Já te expliquei que neste mundo há dois tipos de fé inquebrantável: A fé dos filósofos empiristas baseada no processo de especulação filosófica, e a fé dos yoguis baseada no processo de niskama-karma-yoga. Sloka 4 Na karmanam anarambhan Naiskarmyam puruso snute Na ca sannyasanad eva Siddhim samadhigacchati Uma pessoa não pode alcançar liberação por deixar de fazer seus deveres prescritos, e nem uma pessoa pode

alcançar a perfeição simplesmente por aceitar sannyasa. Sloka 5 Na hi kascit ksanam api Jatu tisthaty akarmakrt Karyate hy avasah karma Sarvah prakrti-jair gunaih Certamente, nada permanece inativo sequer por um instante. Todas as pessoas certamente se ocupam inevitavelmente em ação, através dos modos materiais, de acordo com sua própria natureza. Sloka 6 Karmendriyani samyamya Ya aste manasa smaran Indriyarthan vimudhatma Mithyacarah sa ucyate Uma pessoa tola, que controla os sentidos, mas permanece meditando nos objetos dos sentidos por meio da mente, é chamada de hipócrita. Sloka 7 Yas tv indriyani mana sa

Niyamyarabhate arjuna Karmendriyaih karma-yogam Asaktah sa visisyate Oh! Arjuna! Aquele que sem apego, controla os sentidos através da mente, e que começou o processo de niskamakarma-yoga mediante os sentidos de trabalho, é superior ao hipócrita. Bhavanuvada Bhagavan recita este verso para explicar que um homem casado que segue as instruções dos Sastras, é superior ao falso renunciante. Aqui, a palavra karma-yoga refere-se a ação prescrita pelos sastras sem o desejo do resultado de tal atividade. Sloka 8 Niyatam kuru karma tvam Karma jyayo hy akarmanah Sarira-yatrapi ca te Na prasidhyed akarmanah Você deve executar seus deveres segundo as regulações dos Sastras, pois a ação é melhor que a inação. Tua manutenção corporal não pode ser feita sem o trabalho. Sloka 9

Yajnarthat karmano nyatra Loko yam karma-bandhanah Tad-artham karma kaunteya Mukta-sangah samacara Oh! Filho de Kunti! Com exceção da ação oferecida a Visnu desinteressadamente, todas as demais atividades perpetuam a humanidade neste mundo. Por tanto, livre do apego, executa seus atos para sua própria satisfação. Sloka 10 Saha yajnah prajah srstva Purovaca prajapatih Anena prasavisyadhvam Esa vo stv ista-kama-dhuk Em tempos remotos, tendo criado sua progênie, junto com os brahmanas qualificados para executar sacrifícios, Prajapati Brahma lhes deu esta benção:"Que este sacrifício lhes traga prosperidade e satisfaça todos os seus desejos." Bhavanuvada Para explicar o verso anterior, Sri Krsna recita sete versos que começam com este, cuja palavra inicial é saha."Uma pessoa de

coração impuro deve dedicar-se exclusivamente ao cultivo da ação desinteressada e não deve aceitar sannyasa. Mas se em sua condição atual não pode sequer executar tal ação, deve então dedicar-se a ação fruitiva e oferecela a Visnu. Levando em conta a tendência de desfrute que teria a progênie, o Senhor Brahma disse:"Que este yajna satisfaça todas as suas metas." Sloka 11 Devan bhavayatanenate Deva bhavayantu vah Parasparam bhavayantah Sreyah param avapsyatha Satisfazendo os semideuses mediante o sacrifício, eles também o satisfarão. Satisfazendo-se mutuamente, vocês alcançarão suprema fortuna. Sloka 12 Istan bhogan hi vo deva Dasyante yajna-bhavitah Tair dattan apradayaibhyo Yo bhunkte stena eva sah Estando satisfeitos com os sacrifícios, os semideuses o recompensarão concedendolhes tudo que desejam. Por tanto, aquele

que desfruta dos ingredientes suministrados pelos semideuses sem oferecê-los a eles, é sem dúvida um ladrão. Sloka 13 Yajna sistasinah santo Mucyante sarva kilbisaih Bhunjate te tv agham papa Ye pacanty atma-karanat As pessoas santas que comem os restos de comida do sacrifício, estão livres de todo o pecado, mas, as que cozinham grãos e outros alimentos apenas para seu próprio prazer, estão comendo apenas pecado. Sloka 14 Annad bhavanti bhutani Parjanyad anna-sambhavah Yajnad bhavati parjanyo Yajnah karma-samudbhavah As entidades vivas nascem dos grãos produzidos pela chuva. A chuva por sua vez é produzida pelo sacrifício que nasce da execução dos deveres prescritos. Sloka 15 Karma brahmodbhavam viddhi

Brahmaksara-samudbhavam Tasmat sarva-gatam brahma Nityam yajne pratisthitam Deves saber que os deveres prescritos nascem dos Vedas, os Vedas nascem do Senhor Supremo imutável. Por tanto, o Brahma Supremo todo penetrante, se situa sempre no sacrifício. Sloka 16 Evam pravarttitam cakram Nanuvartayatiha yah Aghayur indriyaramo Mogham partha as jivati Oh! Partha! Aquele que não segue o ciclo estabelecido nos Vedas, vive em vão, pois é um desfrutador dos sentidos, e é a morada do pecado. Sloka 17 Yas tv atma-ratir eva syad Atma-trptas ca manavah Atmany eva ca santustas Tasya karyam na vidyate Sem dúvida, a pessoa que se regozija no ser e se sente feliz consigo próprio, a ela não existe dever algum.

Sloka 18 Naiva tasya krtenartho Nakrteneha kascana Na casya sarva-bhutesu Kascid artha-vyapasrayah Aquele que é atmarama não alcança virtude alguma mediante a execução das ações neste mundo, tampouco incorre em pecado por sua inação e nem tem a necessidade de depender das jivas para conseguir seus propósitos. Prakasika-Vrtti Todas as jivas, tanto móveis tanto imóveis, começando por Brahma, permanecem absortas no desfrute material devido a sua identificação com o corpo; cada uma de suas ações está dirigida para o prazer sensual. Mas a pessoa que é Atmarama, transcendeu o egoísmo relativo aos prazeres mundanos e nem sequer se interessa por jnana ou vairagya, e por que estão completamente absortas em Bhakti, jnana e vairagya manifesta-se naturalmente neles. Sloka 19 Tasmad asaktah satatam Karyam karma samacara

Asakto hy acaran karma Param apnoti purusah Por tanto, executa seu dever prescrito sem nenhum apego. Executando os deveres prescritos sem apego, um homem alcança o Supremo. Sloka 20 Karmanaiva hi samsiddhim Asthita janakadayah Loka-sangraham evapi Sampasyan kartum arhasi Janaka e outros reis santos, sem dúvida, alcançaram a perfeição por executar seus deveres prescritos. Você também, para o benefício do povo, também deve fazer isto. Sloka 21 Yad yad acarati sresthas Tat tad evetaro janah sa yat pramanam kurute lokas tad anuvarttate Sem dúvida, as pessoas ordinárias atuam do mesmo modo que uma pessoa exaltada. Qualquer regra que uma pessoa exaltada estabeleça, estas pessoas o seguirão.

Slok 22 Na me parthasti karttavyam Trisu lokesu kincana Nanavaptam avaptavyam Varta eva ca karmani Oh! Partha! Para mim, não há nenhum dever prescrito, pois não há nada inalcançável para mim nos três mundos. Mas até mesmo eu estou ocupado na execução dos deveres prescritos. Bhavanuvada Sri Bhagavan se exibe como exemplo para instruir o povo comum neste e nos próximos versos. Sloka 23 Yadi hy aham na vartteyam Jatu karmany atandritah Mama vartmanuvarttante Manusyah partha sarvasah Oh! Partha! Se em algum momento eu não me ocupasse cuidadosamente na execução dos meus deveres prescritos, as pessoas seguiriam meu comportamento em todos os aspectos.

Sloka 24 Utsideyur ime loka Na kuryam karma ced aham Sankarasya ca kartta syam Upahanyam imah prajah Se eu não realizasse meus deveres prescritos (Karma), todo o mundo se degradaria e eu seria o criador da população indesejada. Então eu seria o instrumento para a decadência de todas as pessoas. Sloka 25 Saktah karmany avidvamso Yatha kurvanti bharata Kuryad vidvams tathasaktas Cikirsur loka-sangraham Oh! Bharata! Assim como o ignorante executa o dever prescrito com apego, do mesmo modo, o sábio deve atuar sem apego, sempre desejando o bem-estar do povo. Sloka 26 Na buddhi-bhedam janayed Ajnanam karma-sanginam Yojavyet sarva-karmani Vidvan yuktah samacaran

A pessoa erudita não deve confundir os ignorantes induzindo-os a abandonar seus deveres prescritos. Ao contrário, com uma mente equânime, ele deve anima-los a ocupar-se em todos seus deveres. Sloka 27 Prakrteh kriyamanani Gunaih karmani sarvasah Ahankara-vimudhatma Karttaham iti manyate Uma pessoa confundida pelo falso ego, pensa que é o atuante, mas, em todos os aspectos, as atividades se realizam pela vontade da natureza material do Senhor. Sloka 28 Tattvavit tu maha-baho Guna-karma-vibhagayoh Guna gunesu varttanta Iti matva na sajjate Oh! Arjuna de braços poderosos. Um conhecedor da ciência transcendental sabe das diferenças entre a alma, os modos materiais e a leis do Karma. Considerando que os sentidos se ocupam em seus objetos, ele se mantém desapegado.

Sloka 29 Prakrter guna-sammudhah Sajjante guna-karmasu Tan akrtsna-vido mandan Krtsna-vin na vicalayet As pessoas confundidas pelos três modos da natureza material se apegam aos modos e ao Karma, mas o sábio não deve se perturbar com estas pessoas menos inteligente e ignorantes. Sloka 30 Mayi sarvani karmani Sannyasyadhyatma-cetasa Nirasir nirmamo bhutva Yudhyasva vigata-jvarah Fixa tua mente no ser interior, oferece todas as suas atividades a mim, e estando livre de todo o desejo, do sentido de possesividade e lamentação, lute. Prakasika-Vrtti Sri Bhagavan converte Arjuna em um instrumento visando ensinar os homens comuns a importância de se executar o Karma prescrito, livre do falso ego de se achar o agente das ações e do desejo pelos fruto destas ações.

Sloka 31 Ye me matam idam nityam Anutisthanti manavah Sraddhavanto nasuyanto Mucyante te pi karmabhih Aquelas pessoas que não são invejosas, que tem plena fé em mim e que sempre se ajustam ao meu desejo, se liberam também do cativeiro das ações fruitivas. Sloka 32 Ye tv etad abhyasuyanto Nanutisthanti me matam Sarva-jnana-vimudhams tan Viddhi nastan acetasah Mas as pessoas invejosas, que não seguem minhas instruções, carecem de inteligência e de verdadeiro conhecimento, fracassam em seu intento de alcançar a perfeição. Sloka 33 Sadrsam cestate svasyah Prakrter jnanavan api Prakrtim yanti bhutani Nigrahah kim karisyati

Inclusive um sábio atua segundo sua própria inclinação, porque todos os seres seguem suas naturezas. Que poderiam obter coma repressão dos seus sentidos? Prakasika-vrtti Umas pessoas cujos sentidos estão descontrolados, pode Ter certa discriminação, mas é incapaz de refreá-los através do conhecimento dos Sastras. Os desejos incontroláveis e degradados podem ser eliminados através de Sadhu Sanga, associação com os Santos poderosos. Srila Bhaktivinoda explica: ”Krsna diz: ”Ó Arjuna, não pensa que um homem com conhecimento pode alcançar a liberação do cativeiro material apenas por saber sobre a matéria e espírito. A alma condicionada deve esforçar-se de cordo com suas inclinações específicas. Deve continuar atuando segundo sua inclinação de forma natural. Você deve entregar os frutos das suas ações a Sri Bhagavan. A renúncia ao dever prescrito lhe trará a desviação do caminho da perfeição. Quando, através da minha misericórdia ou de meu devoto, o Bhakti yoga aparece no coração, não há necessidade de seguir o dever prescrito, pois este caminho é superior ao deniskama-karma-yoga. Mas,

ainda sim, se Bhakti ainda não surgiu, o niskama-karma-yoga oferecido a mim, é sempre benéfico.” Sloka 34 Indriyasyendriyasyarthe Raga-dvesau vyavasthitau Tayor na vasam agacchet Tau hy asya paripanthinau Todos os sentidos são controlados pelo apego e a aversão por seus objetos. Por tanto o sadhaka não deve converter-se em um escravo dos seus sentidos, pois o apego e a aversão são totalmente desfavoráveis. Prakasika-Vrtti Os sentidos são de dois tipos: jnanendriya e karmendriya. Há cinco jnanendriyas: vista, ouvido, olfato, gosto e tato. Os karmendriyas são cinco também: fala, mãos, pernas, ânus e genitais. O sadhaka de Bhakti emprega estes dez sentidos e a mente em diversos tipos de serviço devocional para o prazer de Sri Krsna, ao invés de usá-los para seu próprio desfrute. Desta maneira, pode-se dominar os sentidos e alcançar a meta suprema da vida.

Srila Bhaktivinoda Thakura explica. “Krsna diz a Arjuna: “Oh Arjuna, se pensas que ao aceitar os objetos dos sentidos, as entidades vivas ficarão mais viciadas ao prazer mundano e por tanto, sua liberação do cativeiro do Karma será impossível, então escuta-me. Não é certo que todos os objetos sensíveis sejam prejudiciais para o progresso espiritual. O apego e a aversão a estes objetos é que são seus piores inimigos. Enquanto possuir um corpo material, deves aceitar os objetos dos sentidos, mas ao eliminar gradualmente o apego e a aversão, os quais são produtos da identificação corpórea, te desapegarás totalmente deles. Você deve controlar o apego e a aversão que estão relacionados com seu próprio prazer, porque eles promovem um temperamento oposto a Bhakti (devoção). Sloka 35 Sreyam sva-dharma vigunah Para-dharmat svanusthitat Sva-dharme nidhanam sreyah Para-dharmo bhayavahah É melhor executar o próprio dever prescrito, ainda que de modo imperfeito, do que levar a cabo o dever de outros perfeitamente. É melhor morrer executando o próprio dever de acordo

com o Varnasrama do que desempenhar o dever alheio, pois isto é muito perigoso. Prakasika-Vrtti Srila Bhaktivinoda diz:”Alguém que segue seu dever, pode morrer antes de alcançar um estado superior de Dharma, mas ainda sim, isso lhe é benéfico, pois cumprir o dever alheio é sempre terrível e perigoso. Tal consideração não é aplicável aos praticantes de Nirguna Bhakti, pois alguém que alcançou isto pode abandonar seu dever sem vacilação, pois neste momento seu Nitya Dharma (natureza constitucional) se manifesta como seu Sva Dharma. Sloka 36 Arjuna uvaca Atha kena prayukto ýam Papam carati purusah Anicchann api varsneya Balad iva niyojitah Arjuna disse:”Ó descendente de Vrsni! Por que uma pessoa tem que ser ocupada ainda que contra sua própria vontade, a cometer algum pecado? Sloka 37

Sri bhagavan uvaca Kama esa krodha esa Rajo-guna-samudbhavah Maha-sano maha-papma Viddhy enam iha vairinam Sri Bhagavan diz:”O desejo de desfrutar dos objetos dos sentidos, que depois se transforma em ira, nasce do modo da paixão. Isto é imensamente grande e voraz. Considere isto como o principal inimigo da jiva neste mundo. Bhavanuvada A luxúria, o desejo pelos objetos dos sentidos, vincula as pessoas com as atividades pecaminosas e as impulsiona a executa-las. Conclusão: O desejo que nasce do modo da paixão, produz a ira, a qual está situada no modo da ignorância. Segundo a declaração do Smrti se diz que a satisfação do desejo está aquém da capacidade de uma pessoa. Antecipando a pergunta”Se não há a possibilidade de controlar a luxúria oferecendo-a seus objetos: devemos nós controlá-la retraindo-a?” Bhagavan diz:”Ela é extremamente formidável e muito difícil de se controlar.” Sloka 38

Dhumenavriyate vahnir Yathadarso malena ca Yatholbenavrto garbhas Tatha tenedam avrtam Assim como a fumaça cobre o fogo ou o ventre cobre o embrião, o conhecimento fica encoberto por diversos agrados da luxúria. Sloka 39 Avrtam jnanam etena Jnanino nitya-vairina Kama-rupena kaunteya Duspurenanalena ca Oh! Arjuna! O Verdadeiro conhecimento do sábio é encoberto pelo inimigo eterno, a luxúria, que assim como fogo, jamais se sacia. Bhavanuvada No Srimad Bhagavatam se diz:”O fogo não se sacia com a manteiga clarificada, muito pelo contrário, ele se torna mais vivo. Igualmente, a sede de prazer sensual se intensifica mais e mais ao desfrutar dos objetos dos sentidos. Sloka 40

indriyani mano buddhir asyadhisthanam ucyate etair vimohayaty esa jnanam avrtya dehinam Se diz que os sentidos, a mente e a inteligência, são as residências da luxúria. Com sua ajuda, esta luxúria envolve o conhecimento e desconcerta a entidade viva. Bhavanuvada Os sentidos, a mente e a inteligência são como um grande forte onde reside este inimigo, a luxúria. E os objetos sensíveis, como o som, constituem seu reino. A alma corporificada é desconcertada por todos eles. Sloka 41 Tasmat tvam indriyany adau Niyamya bharatarsabha Papmanam prajahi hy enam Jnana-vijnana-nasanam Oh melhor dos Bharatas! Por tanto, primeiro controla os sentidos, assim sem dúvida alguma você aniquilará este forte destruidor (a luxúria), que destrói tanto o conhecimento quanto a auto realização.

Bhavanuvada O inimigo é vencido quando se conquista sua guarita; esta é a estratégia. Então, devemos primeiro controlar os sentidos. Controlando os sentidos, ou seja, desviando-os de seus objetos, a mente se libertará da luxúria em seu devido momento. Prakasika-Vrtti Sri Bhagavan disse a Uddhava: ”A mente só se perturba quando os sentidos são postos em contato com seus objetos.” “Assim sendo, a mente de uma pessoa que domina seus sentidos é sempre estável e pacífica.” Sloka 42 Indriyani parany ahur Indriyebhyah param manah Manasas tu para buddhir Buddher yah paratas tu sah Se diz que os sentidos são superiores a matéria inerte, a mente é superior aos sentidos, a inteligência é superior a mente, e a alma é superior a inteligência.

Sloka 43 Evam buddheh param buddhva Samstabhyatmanam atmana Jahi satrum maha-baho Kama-rupam durasadam Ó possuidor de braços poderosos! Desta maneira, compreendendo que a alma é superior a inteligência, controla com firmeza a mente através da inteligência pura e destrói este poderoso inimigo em forma de luxúria.

Capítulo 4 Jnana Yoga O conhecimento Transcendental Sloka 1 Sri bhagavan uvaca Imam vivasvate yogam Proktavan aham avyayam Vivasvan manave praha Manur iksvakave bravit

Bhagavan disse: Eu ensinei esta imperecível ciência do Yoga primeiramente a Vivasvan, o deus do sol, quem por sua vez ensinou a Manu. Então Manu ensinou a Iksvaku. Prakasika-vrtti Neste capítulo, Sri Bhagavan introduz o conceito da sucessão discipular de mestres espirituais auto realizados, sem o qual não se pode manifestar Bhakti ou Jnana Yoga neste mundo material. Só através dela se pode compreender temas espirituais. Na Índia, podemos ver como a fé e devoção na sucessão discipular encontra-se até nas pessoas comuns. Os mantras que não são recebidos através da sucessão discipular são completamente infrutíferos. Nesta Kali Yuga existem quatro sucessões Vaishnavas: Sri, Brahma, Rudra e Kumara. Sri Krsna é a fonte de todas elas e dele flui todo a verdade neste mundo. No Gita, se explica como Krsna ensinou primeiramente o jnana yoga a Surya deva, Vivasvan, que por sua vez ensinou a manu, que logo ensinou a Iksvaku. Assim sendo, o sistema de sucessão discipular, parampara, é uma tradição ancestral e confiável mediante o conhecimento divino há sendo preservado até o presente momento.

Uma pessoa jamais compreenderá o Bhagavad Gita se não se situa no Guru Parampara, ainda que seja muito qualificada em termos de conhecimento material; portanto é necessário se proteger dos comentaristas maléficos, principalmente os Mayavadis (impersonalistas) os quais se identificam com o corpo material. Sloka 2 Evam parampara-praptam Imam rajarsayo viduh As kaneleha mahata Yogo nastah parantapa Ó Arjuna! Esta ciência do yoga foi recebida através da sucessão discipular e os reis piedosos assim a aprenderam. Mas, devido a poderosa influência do tempo, esta ciência suprema se perdeu neste mundo. Sloka 3 As evayam maya te dy Yogah proktah puratanah Bhakto si me sakha cet Rahasyam hy etad uttamam Hoje te ensino esta mesma ancestral ciência da conexão com o supremo. Por

que você é meu amigo e meu devoto você pode entender este conhecimento confidencial supremo. Prakasika-Vrtti Um guru genuíno ensina princípios muito confidenciais apenas ao discípulo afetivo e rendido, que tem uma atitude de serviço. Quem não possui estas qualidades, não são capazes de compreender o conhecimento transmitido pelo Guru. Aqui, Bhagavan sri Krsna está dizendo a Arjuna:”Por que tu és muito afetuoso e um querido amigo, eu estou o impartindo este conhecimento transcendental confidencial. Sloka 4 Arjuna uvaca Aparam bhavato janma Param janma vivasvatah Katham etad vijaniyam Tvam adau proktavan iti Arjuna disse: Tu nasceste recentemente, enquanto Surya nasceu há muito tempo. Como você o ensinou este yoga? Bhavanuvada

Considerando impossível a declaração anterior de Krsna, Arjuna pergunta: ”Você nasceu recentemente, enquanto que Surya(o deus do sol)nasceu há muito tempo atrás. Como posso crer então que tu ensinaste este yoga em um empos ancestrais?” Sloka 5 Sri bhagavan uvaca Bahuni me vyatitani Janmani tava carjuna Tany aham veda sarvani Na tvam vettha parantapa Sri Bhagavan disse: Ó Arjuna, castigador do inimigo. Você e eu já tomamos muitos nascimentos juntos. Eu me recordo de todos eles, mas você não. Prakasika-vrtti Aqui Krsna diz a Arjuna: ”Mesmo antes desta minha existência atual, eu vim na forma de muitos outros avataras, manifestando assim diversos nomes, passatempos e formas, os quais me recordo plenamente. Você apareceu comigo em todos eles, mas não se recorda porque pertences a categoria das partículas atômicas conscientes.”

Sloka 6 Ajo pi sann avyayatma Bhutanam isvaro pi san Prakrtim svam adhisthaya Sambhavamy atma-mayaya Ainda que sou não nascido e que possuo um corpo transcendental e imperecível, e mesmo que sou o senhor de todos os seres, eu me manifesto através de minha própria potência interna. Prakasika-Vrtti “Em Sri Bhagavan não há distinção entre seu corpo e sua alma corporificada.” Já nas entidades vivas, o corpo é diferente da alma corporificada, em outras palavras, seu corpo sutil e grosseiro são diferentes dela.” Bhagavan aparece neste mundo através de sua potência cit-sakti, enquanto as jivas nascem neste mundo pela influência de maya-sakti. Sri Krsna é o controlador e a fonte de ambas as potências. Sloka 7 Yada yada hi dharmasya Glanir bhavati bharata Abhyutthanam adharmasya

Tadatmanam srjamy aham Ó Bharata! Sempre que há um declínio do Dharma (religião) e um aumento de Adharma (irreligião), eu me manifesto neste mundo. Prakasika-vrtti Quando descende Sri Bhagavan? Sua explicação começa com a palavra yada; ”Incapaz de tolerar o declínio do Dharma e o aumento do Adharma, eu apareço com o propósito de reverter a situação.” Sloka 8 Paritranaya sadhunam Vinasaya ca duskrtam Dharma – samsthapanarthaya Sambhavami yuge yuge Eu apareço em cada era para proteger meus devotos imaculados, aniquilar os ímpios e restabelecer o Dharma. Prakasika-Vrtti Sri Bhagavan descende a este mundo por três razões: aliviar as aflições dos devotos que sofrem por sua separação, para matar os demônios como Kamsa que se opõem fortemente contra os santos, e para

difundir a mensagem da devoção pura. Sri Krsna é a origem de todos os inumeráveis avataras. Sloka 9 Janma karma ca me divyam Evam yo,vetti tattvatah Tyaktva deham punar janma Naiti mam eti so rjuna Ó Arjuna! Meu nascimento e atividades são transcendentais. Quem conhece esta verdade não aceita outro corpo material após abandonar este corpo atual, se não que vem até mim. Prakasika-Vrtti Quem pela graça do Guru e dos Vaishnavas compreende que Sri Bhagavan aceita um nascimento transcendental e executa atividades transcendentais mediante sua potência inconcebível, obtém seu serviço eterno nesta mesma vida e pela misericórdia da sua energia de prazer alcança a liberação. E aqueles que consideram que o nascimento e atividades de Sri Krsna são mundanos, são subjugados e perambulam no ciclo de nascimentos e mortes, assim sendo, são afligidos pelos três tipos de misérias.

Sloka 10 Vita - raga – bhaya – krodha Man – maya mam upasritah Bahavo jnana – tapasa Puta mad – bhavam agatah Livre do apego, do temor e da ira, fixa tua mente em mim. Assim, através do conhecimento e das austeridades, muitas pessoas se purificam e alcançam amor por mim. Bhavanuvada As palavras vita – raga se refere a quem abandonou por completo o apego pelas pessoas que se dedicam a conversas inúteis. ”Meus devotos não se misturam com tais pessoas e nem as temem. Se alguém pergunta o motivo de tal atitude, a resposta é que eles estão totalmente absortos na meditação, deliberação, e no canto sobre o meu nascimento e minhas atividades.” Prakasika-Vrtti Bhaktivinoda Thakura interpreta a Krsna.”Há três razões para que os néscios não sentem inclinação por discutir sobre a natureza transcendental e totalmente pura do meu nascimento, atividades e forma: O apego por coisas mundanas, o temor e a ira.” Já os sábios se liberam do apego, temor e ira e me percebem em todas as partes. Totalmente

entregues a mim, eles são purificados mediante o fogo do conhecimento transcendental da penitência de tolerar o ardente veneno do comentário impróprio. Assim, eles obtém o mais puro e sublime amor por mim.” Sloka 11 Ye yatha mam prapadyante Tams tathaiva bhajamy aham Mama vartmanuvarttante Manusyah partha sarvasah Ó filho de Prtha! A aqueles que se rendem a mim, eu correspondo amavelmente na mesma medida. Na verdade, o mundo inteiro segue meu caminho em todos os aspectos. Bhavanuvada Surge a possível pergunta:”Apenas seus devotos exclusivos compreendem que teu nascimento e atividades são eternos. Mas, o que acontece com os jnanis, e os praticantes de outros métodos que não aceitam a eternidade dos eu nascimento, atividades, forma etc..? ”Krsna responde:”Eu os recompenso dando-lhes o resultado de sua adoração na mesma proporção das suas adorações. Para aqueles que me adoram em atitude de serviço, eu como Isvara, dou-lhes um nascimento eterno. Outros, que refugiam em mim como os jnanis, que consideram meu nascimento e atividades como sendo temporários, eu

outorgo-lhes a aceitação de repetidos nascimentos e mortes, sujeitos a destruição. Para os que desejam a liberação, que consiste na dissolução do corpo sutil e grosseiro, eu destruo seu enredamento no ciclo de nascimentos e mortes e concedo-lhes a liberação. Assim sendo, todos seguem meu caminho.” Sloka 12 Kanksantah karmanamsiddhim Yajanta iha devatah Ksipram hi manuse loke Siddhir bhavati karmaja Aqueles que desejam os frutos de suas atividades neste mundo, adoram os semideuses. De tal maneira eles obtêm rapidamente os resultados de seu trabalho fruitivo. Bhavanuvada “Entre as pessoas a quem correspondo, os que desejam êxito material abandonam o caminho de Bhakti, o qual não é diferente de mim, para transitar no caminho de karma no qual se obtém frutos rapidamente.” Sloka 13 Catur – varnyam maya srstam Guna – karma – vibhagasah Tasya karttaram api mam

Viddhy akarttaram avyayam O sistema quádruplo de ordens sociais (castas) foi criado por mim de acordo com as divisões de qualidades (guna) e ocupação (karma). Ainda que sou o criador deste sistema, deves saber que sou imutável e não sou o atuante direto. Bhavanuvada De acordo com as quatro castas, os brahmanas situam-se no modo da bondade e sua ocupação é controlar a mente e os sentidos. Os Ksatriyas estão no modo da bondade misturada com paixão e se ocupam na guerra, os vaisyas estão influênciados pelos modos da paixão e da ignorância e sua ocupação esta relacionada com a agricultura e a proteção as vacas, os sudras estão no modo da ignorância e se ocupam em trabalhos menores como deveres domésticos e serviçais. Prakasika-Vrtti Sri Bhagavan, por sua misericórdia imotivada, cria o caminho da ação através da sua energia externa, com o propósito de liberar as jivas. Ao mesmo tempo, ele se ocupa em seus passatempos transcendentais, desfrutando com sua energia interna, pemanecendo assim imutável e sem criar. Ou seja, ele não é o criador ou atuante direto. Sloka 14

Na mam karmani limpanti Na me karma-phale sprha Iti mam yo bhijanati Karmabhir na sa badhyate O karma jamais me afeta e eu não desejo seus frutos. Aquele que me compreende desta maneira, nunca é aprisionado por tais atividades. Sloka 15 Evam jnatva krtam karma Purvair api mumuksubhih Kuru karmaiva tasmat tvam Purvaih purvataram krtam Assim, sabendo que inclusive as antigas almas liberadas executaram karma apenas para ensinar as pessoas comuns, você também deve executar suas ações igual fizeram seus antepassados. Bhavanuvada “As autoridades do passado, como Janaka, executaram karma para estabelecer o ideal da humanidade.” Sloka 16 Kim karma kim akarmeti Kavayo py atra mohitah Tat te karma pravaksyami

Yaj jnatva moksyase subhat Até o homem sábio se confunde ao determinar o que é ação e o que é inação. Por tanto, te explicarei o princípio da ação e ao compreendela, te liberarás de toda inauspiciosidade. Sloka 17 Karmano hy api boddhavyam Boddhavyanca vikarmanah Akarmanas ca boddhavyam Gahana karmano gatih O princípio da ação (karma) é muito profundo. Por tanto, deves entender o que é ação (karma), o que é ação pecaminosa (vikarma) e o que é inação (akarma). Sloka 18 Karmany akarma yah pasyed Akarmani ca karma yah Sabuddhiman manusyesu sayuktah krtsna -karma-krt A pessoa inteligente que pode ver a inação na ação e ação na inação, está situada transcendentalmente ainda que realiza todo tipo de atividades. Bhavanuvada

Janaka Maharaja e outros sábios de coração puro não aceitaram sannyasamesmo sendo dotados de conhecimento transcendental. Pelo contrário, executaram niskama-karma-yoga. O karma jamais cativa os que entendem que estas ações não constituem karma. Um karmasannyasi de coração impuro, que carece de conhecimento transcendental e que possui apenas conhecimento intelectual dos Sastras, é capaz apenas de pronunciar discursos retóricos. As pessoas de coração puro executam todo tipo de ação mas não aceitam Karma Sannyasa. Outros se consideram entendidos, mas na realidade são orgulhosos e charlatões. Sloka 19 Yasya sarve samarambhah Kama-sankalpa-varjitah Jnanagni –dagdha-karmanam Tam ahuh panditam budhah Aquele cujos todos os esforços são desprovidos de desejos egoístas, sua ação é abrasada pelo fogo do conhecimento. Os sábios o denominam como sendo um erudito. Prakasika-Vrtti Quem executa karma livre dos desejos fruitivos, queima os resultados do seu karma prescrito, assim como os resultados de seu vikarma, no

fogo do conhecimento transcendental produzido pela execução de niskama-karma-yoga. Sloka 20 Tyaktva karma phalasangam Nitya-trpto nirasrayah Karmany abhipravrtto pi Naiva kincit karoti sah Os que abandonaram o apego aos frutos da ação, estão sempre satisfeitos e independentes. Por tanto, eles não fazem nada ainda que estejam ocupados na ação. Sloka 21 Nirasir yata-cittatma Tyakta-sarva-parigrahah Sariram kevalam karma Kurvan napnoti kilbisam Aquele que atua unicamente para a manutenção de seu corpo, cuja mente está controlada e que abandonou toda busca por prazeres sensuais, ao agir ele não obtém nenhuma reação pecaminosa. Sloka 22 Yadrccha-labha-santusto Dvandvatito vimatsarah Samah siddhav asiddhau ca Krtvapi na nibadhyate

Ele não se enreda ainda que atue, pois está sempre satisfeito com o que vem espontaneamente. Ele abandonou toda a dualidade e inveja e é equânime no êxito e no fracasso. Sloka 23 Gata-sangasya muktasya Jnanavasthita-cetasah Yajnayacaratah karma Samagram pravilyate Aquele que abandonou toda a associação externa e cuja consciência está situada no conhecimento, de certo está liberado. Ao atuar para o prazer de Visnu, sua ação fruitiva se dissolve por completo. Sloka 24 Brahmarpanam brahma havir Brahmagnau brahmana hutam Brahmaiva tena gantavyam Brahma-karma-samadhina A realidade espiritual é sem dúvida alcançada pelo brahmana que está absorto em transe executando uma ação espiritual. Os instrumentos usados no sacrifício também devem estar espiritualizados, tais como; a manteiga clarificada, o fogo, as oferendas de alimentos etc.

Sloka 25 Daivam evapare yajnam Yoginah paryupasate Brahmagnav apare yajnam Yajnenaivopajuhvati Alguns karma-yogis executam perfeitamente o sacrifício aos semideuses, mas os jnani-yogis oferecem todas as suas atividades como oblações no fogo do brahma. Prakasika-Vrtti Os yajnas se dividem em dois grupos de acordo com a compreensão científica: O karma-yajna que consiste na oblação de oferendas; e o jnanayajna, o sacrifício na forma de discussões acerca da verdade consciente. Os karma-yogis executam sua adoração aos representantes autorizados de Visnu, tais como Indra, Varuna etc.Por meio desta adoração, eles chegam na plataforma de niskama-karma-yoga de forma gradual. Os jnana-yogis executam ynana yoga através oferecendo seu próprio ser na forma da manteiga clarificada no fogo do sacrifício do brahma, recitando o pranava mantra om e a frase tattvam-asi,”eu sou seu servo”.Mais tarde, Krsna explicará a superioridade do jnana-yajna. Sloka 26

Srotradinindriyany anye Samyamagnisu juhvati Sabdadin visayan anya Indriyagnisu juhvati Os naisthika-brahmacaris oferecem os sentidos começando pelos ouvidos, no fogo da mente controlada. Outros, os grhasthas, oferecem os objetos sensíveis começando pelo som, no fogo dos sentidos. Sloka 27 Sarvanindriya-karmani Prana-karmani capare Atma-samyama-yogagnau Juhvati jnana-dipite Outros yogis oferecem as funções dos sentidos e seu ar vital no fogo do auto controle, iluminado pelo conhecimento transcendental (jnana). Sloka 28 Dravya-yajnas tapo-yajna Yoga-yajnas tathapare Svadhyaya-jnana-yajnas ca Yatayah samsita-vratah Outros executam dravya-yajna doando suas posses em caridade, alguns executam tapo-yajna fazendo austeridades e outros praticam yoga-

yajna estudando os oito tipos de yoga mística chamado astanga yoga. Outros ainda estudam os vedas, adquirindo assim o conhecimento transcendental. Todos estes ascetas seguem estritos votos. Sloka 29 Apane juhvati pranam Prane panam tathapare Pranapana-gati ruddhva Pranayama-parayanah Apare niyataharah Pranam pranesu juhvati Os que estão dedicados no controle da respiração, oferecem a respiração (prana) na inspiração (apana) e vice-versa. Detendo-lhes gradualmente permanecem em transe. Outros oferecem o prana no fogo do prana, enquanto restringem a alimentação. Prakasika-Vrtti Este verso explica com mais detalhe o sistema óctuplo de yoga (astanga yoga). A palavra pranayama tem dois componentes; prana e yama. Prana significa “um tipo especial de ar” e ayama significa “expansão”. Neste contexto, a palavra expansão indica o controle do prana desde a ponta dos dos dedos dos pés até a ponta do cabelo. Pranayama significa expandir o prana

com o objetivo de controlar as atividades sensuais. Os smrti-sastras também descrevem estes tipos de yajnas, yogas, ou votos que visam o controle dos sentidos. Porém em Kali-yuga, quando vivese pouco e tem-se pouca inteligência:”As pessoas inteligentes adoram Krsna através do canto congressional dos santos nomes.” Sloka 30 Sarve py ete yajna-vido Yajna-kssapita-kalmasah Yajna-sistamrta-bhujo Yanti brahma sanatanam Todos aqueles que conhecem o princípio do sacrifício se liberam do pecado mediante sua execução. Eles desfrutam dos remanescentes do sacrifício e assim alcançam o brahma eterno. Prakasika-Vrtti O fruto principal do yajna é alcançar o brahma, enquanto o secundário é o desfrute material mundano e as perfeições místicas, tais como a capacidade de se tornar do tamanho de um átomo. Sloka 31 Nayam loko sty ayajnasya Kuto nyah kuru-sattama

Ó melhor dos Kurus! Se até este planeta é inalcançável para aqueles que não executam yajna, que dizer então dos planetas celestiais? Sloka 32 Evam bahu-vidha yajna Vitata brahmano mukhe Karma-jan viddhi tan sarvan Evam jnatva vimoksyase Os Vedas descrevem detalhadamente os diversos tipos de sacrifícios. Conseguirás a liberação quando entenderes que todos eles nascem do karma. Prakasika-Vrtti O yajna descrito nos Vedas falam sobre atividades do corpo, da mente e da fala, por tanto, não há relação alguma com a verdadeira natureza da alma. Sloka 33 Sreyan dravyamayad yajnaj Jnana-yajnah parantapa Sarvam karmakhilam partha Jnane parisamapyate Ó castigador do inimigo! Melhor que o sacrifício das posses materiais é o conhecimento (jnana

yajna), porque todas ações culminam no conhecimento transcendental. Prakasika-Vrtti Bhaktivinoda Thakura diz que todos os tipos de yajna cultivam no conhecimento, assim sendo, jnana-yajna é superior aos outros. O Sri Caitanya Caritamrta declara:”As cordas que nos atam a este mundo material, são facilmente desatadas por aqueles que cantam o Krsna Mantra, através do qual alcança-se o serviço amoroso a Krsna. Assim sendo, na era de Kali (desavenças), tudo, a não ser o canto dos santos nomes, são inúteis, pois não se enquadram na ocupação eterna da alma.” Sloka 34 Tad viddhi pranipatena Pariprasnena sevaya Upadeksyanti te jnanam Jnaninas tattva-darsinah Deves compreender este conhecimento prostrando-se em reverência a um guru que realmente conhece e viu a verdade absoluta. Assim, oferecendo-lhe serviço devocional, esse conhecimento se revelará a ti. Prakasika-Vrtti

Só se pode obter tal elevado conhecimento por meio da misericórdia de uma grande personalidade que conheça a verdade, e mais especificamente, de alguém que a percebe e experimenta. Os sadhakas sinceros devem indagar acerca desta verdade refugiando-se em uma grande personalidade e oferecendo-lhe reverências, fazendo-lhe perguntas e oferecendolhe serviço Este é o processo com o qual se pode obter tal conhecimento. Sloka 35 Yaj jnatva na punar moham Evam yasyasi pandava Yena bhutany asesani Draksyasy atmany atho mayi Ó filho de Pandu! Depois de compreender este conhecimento dado pelos conhecedores da verdade, nunca mais estarás sujeito a ilusão. Mediante este conhecimento, você vai me perceber dentro de todos os seres como Paramatma e verás que todas elas estão situadas em mim. Prakasika-Vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta a Krsna.”Devido a ilusão, estais tentando abandonar seu dever prescrito de participar da batalha, mas ao obter este conhecimento transcendental de um guru, não se tornarás mais

vítima da ilusão. Assim, você entenderá que todos os seres humanos, animais e as demais entidades vivas estão situadas em um princípio comum de almas espirituais. Sloka 36 Api ced asi papebhyah Sarve bhyah papa-krttmah Sarvam jnana-plavenaiva Vrjinam santarisyasi Ainda se fosses o pior de todos os pecadores, poderias cruzar o oceano de pecados através do bote do conhecimento transcendental. Sloka 37 Yathaidhamsi samiddho gnir Bhasmasat kurute rjuna Jnanagniih sarva-karmani Bhasmasat kurute tatha Ó Arjuna! Assim como um fogo ardente reduz a lenha a cinzas, o fogo do conhecimento transcendental queima todas as reações das atividades materiais. Prakasika-Vrtti O conhecimento transcendental destrói as reações de todo tipo de atividade material, porém não

destrói aquelas que já germinaram (prarabdhakarma). Na opinião de Srila Rupa Goswami, uma pessoa que se refugia no santo nome, mesmo que seja namabhasa (a sombra do nome puro), não somente destrói os resultados de seu karma em forma seminal mas também os que já germinaram. Sloka 38 Na hi jnanena sadrsam Pavitram iha vidyate Tat svayam yoga-samsiddhah Kalenatmani vindati Neste mundo não há nada mais purificante que o conhecimento transcendental. Uma pessoa que alcançou a perfeição através de niskama-karmayoga, recebe tal conhecimento em seu coração no devido momento. Sloka 39 Sraddhavan labhate jnanam Tat-parah samyatendriyah Jnanam labdhva param santim Acirenadhigacchati Uma pessoa fiel que se dedicou a prática da ação desinteressada e assim controlou seus sentidos, obtém este conhecimento transcendental. Após

obter este conhecimento ele alcança a paz suprema: a liberação do cativeiro material. Sloka 40 Ajnas casraddadhanas ca Samsayatma vinasyati Nayam loko sti na paro Na sukham samsayatmanah As pessoas ignorantes, infiéis ou de natureza duvidosa, estão arruinadas. Para o indeciso não existe felicidade, nem neste mundo e nem no próximo. Bhavanuvada Depois de explicar as qualificações necessárias para obter o conhecimento transcendental, Bhagavan descreve agora a pessoa que é indigna de obtê-la Ajnah significa”tolo como um animal” e asraddadhanah indica aquele que tem conhecimento dos sastras mas não possui fé em nenhum princípio filosófico por ser incapaz de conciliar as contradições das diversas filosofias. Samsaya-atma indica aquele que duvida da possibilidade de êxito em seus esforços. Sloka 41 Yoga-sannyasta-karmanam Jnana-sanchinna-samsayam Atma-vantam na karmani

Nibadhnanti dhananjaya Ó conquistador de riquezas! Aquele que renunciou a ação através do processo de niskama-karma-yoga e cujas dúvidas foram dissipadas pelo conhecimento transcendental compreendendo assim sua própria natureza interna, jamais é atada as reações do seu karma. Prakasika-Vrtti Nos dois últimos slokas, Bhagavan conclui o tema. De acordo com as instruções de Krsna, uma pessoa se refugia em niskama-karma-yoga quando oferece todas as ações aos seus pés de lótus. O processo descrito permite a purificação do coração e sua consequente iluminação através do conhecimento transcendental, que por sua vez acaba com todas as dúvidas. A partir do momento da iluminação, a pessoa se livra do cativeiro do karma. Sloka 42 Tasmad ajnana-sambhutam Hrt-stham jnanasinatmanah Chittvainam samsayam yogam Atisthottistha bharata Por tanto ó Bharata! Corta com a espada do conhecimento transcendental, a dúvida nascida da ignorância que situa em seu coração. Refugia-

te neste yoga (niskama-karma-yoga) e prepara-te para a batalha. Prakasika-Vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura diz:”Neste capítulo explica-se as instruções acerca de duas divisões do sistema eterno de yoga. A primeira, denominada jada-dravya maya-vibhaga, consiste na realização de rituais mundanos ou no sacrifício das posses materiais. A Segunda divisão se denomina atma-yathatma-rupacinmaya-vibhaga, ou conhecimento sobre o ser e Bhagavan. Quando pratica-se a primeira sem algum objetivo espiritual, este se converte simplesmente em karma, e quem se dedica a ela são denominados karma-jada ou pessoas profundamente absortas no desfrute mundano. Mas, aqueles que praticam rituais mundanos com o único propósito de avançar espiritualmente são yukta, ou seja, estão situados apropriadamente. Quando discutimos sobre a natureza real das atividades espirituais, devemos considerar dois aspectos; o conhecimento sobre o princípio da entidade viva, e o conhecimento acerca da Suprema Personalidade de Deus, Bhagavan Sri Krsna. Só quem compreende e percebe a verdade sobre Bhagavan pode entender a essência do conhecimento da natureza da alma como serva de Krsna.

Assim se conclui o quarto capítulo do Srimad Bhagavad Gita.

Capítulo 5 Karma-sannyasa yoga A renúncia da ação Sloka 1 Arjuna uvaca Sannyasam karmanam krsna Punar yoganca samsasi Yac chreya etayor ekam Tan me bruhi su-niscitam Arjuna disse: Ó Krsna, primeiro você descreveu a renúncia à ação (sannyasa karma yoga) e agora descreve a ação desinteressada oferecida a Bhagavan (niskama-karma-yoga). Diga-me claramente por favor, qual caminho me é mais benéfico? Bhavanuvada

No quarto capítulo se diz que karma é superior a jnana com o propósito de animar os ignorantes a atuar apropriadamente, de modo que ao final pudessem alcançar a perfeição no conhecimento transcendental. Este quinto capítulo explica o conhecimento acerca da verdade absoluta e as características de quem possui uma natureza equânime. Arjuna está perplexo depois de escutar os dois últimos versos do capítulo anterior; ele pensa que Krsna se contradiz e por isso argumenta agora:”Anteriormente você disse sobre a renúncia da ação, a qual aparece quando o niskama-karma-yoga produz conhecimento transcendental. Depois você falou novamente sobre niskama-karma yoga. Mas o karma sannyasa yoga e o niskama-karma yoga são de naturezas opostas, assim como as entidades vivas móveis e as inertes. Não compreendi sua intenção, por favor esclarece minha dúvida. Qual dos dois é mais benéfico a mim?” Sloka 2 Sri bhagavan uvaca Sannyasah karma-yogas ca Nihsreyasa-karav ubhau Tayos tu karma-sannyasat Karma-yogo visisyate O plenamente opulento Senhor disse: Tanto a renúncia às atividades (karma-sannyasa) como a

ação desinteressada (niskama-karma-yoga) são auspiciosas, mas a última é sem dúvida superior. Sloka 3 Jneyah as nitya-sannyasi Yo na dvesti na kanksati Nirdvandvo hi maha-baho Sukham bandhat pramucyate Ó tu de braços poderosos! Aquele que não reprime e nem deseja nada é digno de ser conhecido como sannyasi; devido ao fato de estar livre da dualidade de aversão e apego, ele se libera facilmente do cativeiro do mundo material. Bhavanuvada É possivel alcançar a liberação que se obtém através de sannyasa sem entrar nesta ordem.Com este propósito, Bhagavan diz:”Oh Maha baho, deves compreender que niskama-karma yogi de coração puro é sempre renunciado.” Sloka 4 Sankhya-yogau prthag balah Pravadanti na panditah Ekam apy asthitah samyag Ubhayor vindate phalam

O ignorante diz que o jnana-yoga e o niskamakarma yoga são diferentes, mas o sábio refuta esta opinião. Seguindo corretamente qualquer destes yoga, se alcança o resultado de ambos na forma de liberação. Bhavanuvada “Ó Arjuna! Você perguntou qual deles é superior, mas esta não é uma pergunta inteligente, pois o sábio refuta esta opinião, pois os dois caminhos culminam no mesmo objetivo.” Sloka 5 Yat sankhyaih prapyate sthanam Tad yogair api gamyate Ekam sankhyam ca yoganca Yah pasyati sapasyati O resultado alcançado por meio do estudo analítico (sankhya-yoga) se obtém através de niskama-karma yoga. Os verdadeiros sábios consideram que ambos produzem o mesmo resultado. Bhavanuvada Este verso esclarece o verso anterior. Sankhya significa sannyasa e yoga significa niskamakarma yoga. Quem vê com olhos de sabedoria que os processos são essencialmente idênticos,

mesmo sendo métodos diferentes, vêem corretamente a coisa. Sloka 6 Sannyasas tu maha-baho Duhkham aptum ayogatah Yoga-yukto munir brahma Na cirenadhigacchati Ó Maha baho! A prática de renúncia sem niskama-karma yoga produz miséria, mas quem se dedica a niskama-karma yoga obtém conhecimento transcendental e rapidamente alcança a transcendência Bhavanuvada Sannyasa se torna miserável quando o coração se perturba por desejos materiais, pois só o niskama-karma yoga outorga paz ao coração. No Srimad Bhagavatam se diz:”Os tridandisannyasis que carecem de conhecimento e renúncia apropriados, que não controlou os cinco sentidos e a mente, perdem ambos os mundos.”Por isso o niskama-karma yogi, após converter-se em jnani, alcança rapidamente a plataforma espiritual. Sloka 7 Yoga-yukto visuddhatma Vijitatma jitendriyah

Sarva-bhutatmabhutatma Kurvann api na lipyate Quem se dedica ao niskama-karma yoga com inteligência e coração puros e com sentidos controlados, é objeto de afeição por parte de todos. A ação não recai sobre ele, mesmo que ele seja o atuante. Sloka 8-9 Naiva kincit karomiti Yukto manyeta tattva-vit Pasyan srnvan sprsan jighrann Asnan gacchan svapan svasan Pralapan visrjan grhnann Unmisan nimisann api Indriyanindriyarthesu Varttanta iti dharayan Quando um niskama-karma yogi desenvolve consciência transcendental, conclui-se que ainda que ele veja, toque, cheire, escute, mova-se, coma, durma, respire, fale, abra e feche os olhos, realmente ele não está atuando; apenas seus sentidos é que estão ocupados em seus objetos. Sloka 10 Brahmany adhaya karmani Sangam tyaktva karoti yah Lipyate na sapapena

Padma-patram ivambhasa Oferecendo suas atividades ao senhor supremo e livre do apego pelos frutos do karma, a alma pura não é afetada pelo pecado assim como a flor de lótus não é afetada pela água. Sloka 11 Kayena manasa buddhya Kevalair indriyair api Yoginah karma kurvanti Sangam tyaktvatma-suddhaye Para purificar sua mente, o niskama-karma yogi abandona o apego e atua com seu corpo, mente e inteligência. Às vezes, realiza atos apenas com os sentidos, sem sequer ocupar sua mente. Sloka 12 Yuktah karma-phalam tyaktva Santim apnoti naisthikim Ayuktah kama-karena Phale sakto nibadhyate Abandonando os frutos da ação, o niskamakarma yogi alcança paz eterna. Mas aquele que está apegado aos frutos das atividades, se enreda cada vez mais devido ao ímpeto da luxúria. Sloka 13

Sarva-karmani manasa Sannyasyaste sukham vasi Nava-dvare pure dehi Naiva kurvan na karayam A entidade viva auto controlada, que renunciou a todas as atividades por meio de sua mente, sem dúvida permanece feliz na cidade de nove portas (no corpo que está livre do falso ego), sabendo que não é a atuante e nem que está ocupando outros na ação. Bhavanuvada Aqui, Sri Krsna ensina que uma pessoa que atua sem apego, é de certo um sannyasi. Ainda que realiza atividades corporais externas, a pessoa auto controlada que renuncia mentalmente todas suas ações, é sempre feliz. E onde vive essa pessoa? Sri Krsna responde ”na cidade de nove portas”, quer dizer, em um corpo livre do falso ego. Prakasika-Vrtti O Srimad Bhagavatam estabelece: ”O corpo humano é como uma casa”.O assunto foi abordado detalhadamente na narração sobre Puranjana. A casa do corpo humano possui nove portas: olhos, ouvidos, boca, narinas, ânus e genitais. Um yogi percebe que seu próprio ser é diferente do corpo.

Sloka 14 Na karttrtvam na karmani Lokasya srjati prabhuh Na karma-phala-samyogam Svabhavas tu pravarttate O Senhor Supremo Paramesvara não é responsável pela tendência de atuar de uma pessoa, nem de suas ações ou dos frutos das ações. Esta responsabilidade está relacionada somente com a inclinação natural da pessoa. Bhavanuvada É somente a natureza condicionada da entidade viva, ou sua ignorância adquirida desde tempos imemoriais, que a induz a desenvolver seu ego de atuante. Sloka 15 Nadatte kasyacit papam Na caiva sukrtam vibhuh Ajnanenavrtam jnanam Tena muhyanti jantavah Paramesvara tampouco assume as reações pecaminosas ou piedosas de alguém. A ignorância é quem cobre o conhecimento transcendental das entidades vivas, fazendo com que elas se confundam.

Sloka 16 Jnanena tu tad ajnanam Yesam nasitam atmanah Tesam adityavaj jnanam Prakasayati tat param Mas para aqueles cuja ignorância foi destruída pelo conhecimento, o sol brilhante na forma do conhecimento sobre a alma, ilumina a escuridão e revela o Senhor Supremo. Sloka 17 Tad-buddhayas tad-atmanas Tan-nisthas tat-parayanah Gacchanty apunar-avrttim Jnana-nirdhuta-kalmasah Aqueles que possuem uma inteligência fixa em Paramesvara (Krsna),cuja mente está sempre meditando nele, que se dedica exclusivamente a ele, que se ocupa em escutar e cantar suas glórias, e cuja a ignorância foi completamente destruída pelo conhecimento transcendental, alcança a liberação, este nunca mais volta a nascer. Bhavanuvada O conhecimento transcendental ilumina somente assuntos sobre jivatma (alma individual),mas não esclarece sobre Bhagavan. No Srimad

Bhagavatam, Krsna esclarece:”Eu só posso ser alcançado através de Bhakti yoga.” Prakasika-Vrtti O conhecimento se encontra no modo da bondade, mas paramatma (superalma) está além dos três modos materiais e é seu controlador. Por isto, apesar do conhecimento no modo da bondade poder destruir a ignorância, não pode dar conhecimento sobre Paramatma. No Gita (1855) se diz:”Apenas Bhakti pode manifestar conhecimento sobre a verdade acerca de Sri Bhagavan.” Sloka 18 Vidya-vinaya-sampanne Brahmane gavi hastini Suni caiva svapake ca Panditah sama-darsinah O sábio equipado com conhecimento e gentileza, vê com equanimidade um brahmana, uma vaca, um elefante, um cachorro e um comedor de cachorro (candala) Bhavanuvada O sábio dedicado completamente a Sri Bhagavan, transcende os modos materiais e perde seu interesse pelos gunas (modos materiais). Desta maneira, ele desenvolve equanimidade. Se diz

que o brahmana e a vaca estão no modo da bondade, portanto são superiores ao elefante que está no modo da paixão e ao cachorro que está no modo da ignorância, porém o sábio que transcendeu os modos materiais não estabelece tais diferenças entre eles. Pelo contrário, ele vê que Paramatma (a superalma) está situada em todas as entidades vivas. Sloka 19 Ihaiva tair jitah sargo Yesam samye sthitam manah Nirdosam hi samam brahma Tasmad brahmani te sthita Aqueles cujas mentes estão fixas na equanimidade, conquistam o universo inteiro nesta mesma vida. Elas possuem as qualidades imaculadas do brahma e por isso estão situadas nele. Sloka 20 Na prahrsyet priyam prapya Nodvijet prapya capriyam Sthira-buddhir asammudho Brahma-vid brahmani sthitah Aquele que conhece o brahma e está firmemente fixado nele, possui uma inteligência resoluta e jamais se confunde. Ele não se regozija ao

receber algo prazeiroso e nem se perturba ao obter algo desagradável. Bhavanuvada Devido ao seu falso ego, as pessoas são confundidas pela felicidade e lamentação, mas o sábio jamais se perturba, pois está livre do falso ego. Sloka 21 Bahya-sparsesv asaktatma Vindaty-atmani yat sukham Sabrahma-yoga-yuktatma Sukham-aksayam asnute Uma alma desapegada dos prazeres sensuais, encontra felicidade dentro de si mesmo. Ao estar unida com o espírito supremo mediante o processo de yoga, obtém felicidade ilimitada. Bhavanuvada Apenas as pessoas que estão unidas a Bhagavan por meio do yoga, não se apegam aos prazeres sensuais, porque ao realizar Paramatma a pessoa alcança a bem aventurança ilimitada.”Por que então ela se interessaria em comer excremento já que sempre saboreia o néctar?” Sloka 22

Ye hi samsparsaja bhoga Dunkha-yonaya eva te Ady-antavantah kaunteya Na tesu ramate budhah Ó Kaunteya! Os prazeres nascidos do contato sensual, sem dúvida são a causa de toda a miséria. Eles sempre tem um início e um fim, por tanto, o sábio não se apega a eles. Sloka 23 Saknotihaiva yah sodhum Prak sarira-vimoksanat Kama-krodhodbhavam vegam Sayuktah sasukhi narah A pessoa que, mesmo antes de abandonar seu corpo, consegue tolerar os impulsos da luxúria e da ira, é um yogi e está sempre feliz. Sloka 24 Yo ntah-sukho ntararamas Tathantar-jyotir eva yah Sayogi brahma-nirvanam Brahma-bhuto dhigacchati Aquele que se sente feliz internamente, cujo regozijo é interno e que está iluminado internamente, está realmente situado no brahma e alcança a bem aventurança do brahma-nirvanam (emancipação da existência material).

Prakasika-Vrtti Sri Bhagavan explica aqui o método para acalmar de forma natural os impulsos da luxúria e da ira. Estes impulsos podem ser controlados pela experimentação do ser. Srila Bhaktivinoda Thakura: ”Um sannyasi que está livre da luxúria e da ira, que controlou sua mente e que conhece sobre a natureza de atma, obtêm muito rapidamente plena compreensão do brahma nirvanam.” Sloka 25 Labhante brahma-nirvanam Rsayah ksina-kalmasah Chinna-dvaidha yatatmanah Sarva-bhuta-hite-ratah Os sábios que estão livres do pecado e da dúvida, que controlaram suas mentes e que estão ocupados ao bem-estar eterno de todas as entidades vivas, alcançam a liberação do ciclo de nascimento e morte através da compreensão do brahma. Sloka 26 Kama-krodha-vimuktanam Yatinam yata-cetasam Abhito brahma-nirvanam Varttate viditatmanam

Os sannyasis que estão livres da luxúria e da ira, que controlam suas mentes e que são versados no atma-tattva, conseguem a extinção da vida material através da realização espiritual. Sloka 27-28 Sparsan krtva bahir bahyams Caksus caivantare bhruvoh Pranapanau samau krtva Nasabhyantara-carinau Yatendriya-mano-buddhir Munir moksa-parayanah Vigateccha-bhaya-krodho Yah sada mukta eva sah Aquele que está livre do desejo, temor e da ira, elimina completamente os desejos sensuais externos de sua mente, como o som e o tato. Logo, ele fixa sua vista entre as sobrancelhas e equilibra no seu nariz os movimentos ascendentes e descendentes do prana e apana. Desta maneira ele equilibra seus ares vitais, controla seus sentidos, mente e inteligência e se dedica a obter moksa (liberação). Este sábio está sem dúvida liberado. Prakasika-Vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta a Krsna: ”Ó Arjuna! O coração só se purifica através de

niskama-karma-yoga oferecido a mim. Depois de se purificar o coração se obtém jnana, o qual produz jnana-svarupa-bhakti, ou bhakti na forma de conhecimento. Este é o método para compreender a Verdade Absoluta. Finalmente, a experiência do brahma nasce de bhakti oferecida com o conhecimento transcendental. Agora te explicarei astanga-yoga como meio para os que já purificaram o coração alcançar o brahma; por favor escuta. As percepções externas tais qual o tato, forma, gosto, som, etc. devem ser eliminados por completo da mente. Enquanto praticas este controle mental, fixa seus olhos entre as sobrancelhas e na ponta do nariz, pois se você os fecha pode ser que comece a dormir e se mantem os olhos completamente abertos pode ser distraído pelos objetos externos. Deve mante-los semi fechados de modo que a visão se fixe entre as sobrancelhas e na ponta do nariz. Respirando pelo nariz deves regular a respiração e a inspiração visando equilibrar os movimentos ascendentes e descendentes. Sentados assim, os ascetas controlam sua mente, sentidos e inteligência. Abandonando o desejo, o temor e a ira, eles praticam com o único propósito de alcançar o brahma. Assim eles se liberam do cativeiro material. Então, o astanga yoga deve ser praticado como parte do niskama-karma yoga. Sloka 29 Bhoktaram yajna-tapasam Sarva-lika-mahesvaram

Suhrdam sarva-bhutanam Jnatva mam santim rcchati Aquele que me conhece como o beneficiário de todos os sacrifícios e austeridades, o controlador Supremo de todos os planetas e o bem-querente de todas as entidades vivas, sem dúvida se libera e obtém paz. Bhavanuvada O mesmo que acontece com o jnani (praticante de jnana-yoga), o astanga yogi se libera através do conhecimento acerca de Paramatma, o qual se manifesta através de Bhakti. Sri Krsna declara no Srimad Bhagavatam. ”Eu só posso ser alcançado através de Bhakti. Os yogis podem compreender meu aspecto parcial, Paramatma, apenas por nirguna Bhakti.”

Capítulo 6 Dhyana Yoga O princípio da meditação Sloka 1 Sri bhagavan uvaca Anasritah karma-phalam

Karyam karma karoti yah Sasannyasi ca yogi ca Na niragnir na cakriyah Sri Bhagavan disse: Os que levam a cabo seus deveres prescritos sem desejar o resultado de suas ações são verdadeiros sannyasis e yogis. Quem não oferece yajnas, tais como agni-hotrayajna, não são sannyasis e os que simplesmente abandonam todas as atividades corporais não são yogis. Bhavanuvada No sexto capítulo estuda-se os diversos tipos de yoga executados pelos yogis que possuem mentes auto-controladas. Também explica os métodos para se controlar a mente instável. Uma pessoa ocupada na prática de astanga yoga não deve abandonar impulsivamente o niskamakarma-yoga, o qual purifica o coração. Por esta razão Bhagavan diz: ”Os que realizam seus deveres prescritos sabendo que são obrigatórios, sem desejar seus resultados, são verdadeiros sannyasis. Porque suas mentes estão livre do desejo de prazer sensual, tais pessoas são denominadas yogis. ”A palavra niragni indica que não se considera um sannyasi, pelo simples fato de renunciar as ações que lhe são próprias, como por exemplo o agni-hotra-yajna. Akriyah significa que uma pessoa não é um yogi apenas por renunciar as atividades corporais e se sentar imóvel com os olhos entre abertos.

Sloka 2 Yam sannyasam iti prahur Yogam tam viddhi pandava Na hy asannyasta-sankalpo Yogi bhavati kascana Ó Arjuna! Deves saber que aquilo que o sábio chama de niskama-karma-yoga não é diferente da renúncia à ação, pois uma pessoa que é incapaz de abandonar o desejo pelos frutos da ação e também o prazer sensual, jamais pode converterse em yogi. Sloka 3 Aruruksor-muner yogam Karma karanam ucyate Yogarudhasya tasyaiva Samah karanam ucyate A ação desinteressada é o meio para se alcançar dhyana-yoga, mas quando ascende à plataforma de dhyana-nistha, firmeza na meditação, a renúncia às ações que distraem sua mente passa a ser benéfica. Bhavanuvada Muni quer dizer que para que os aspirantes possam estabelecer-se no yoga, devem executar niskama-karma-yoga, pois isto purifica o

coração. Não obstante, uma vez que já alcançou firmeza na meditação, devem deter todas ações que podem distraí-los. Sloka 4 Yada hi nendriyarthesu Na karmasv anusajjate Sarva-sankalpa-sannyasi Yogarudhas tadocyate Uma pessoa que não está apegada aos objetos sensíveis nem às ações, realmente alcançou o yoga. Esta pessoa sem dúvida é um renunciado (sannyasi), pois renunciou o desejo pelos frutos de suas ações. Sloka 5 Uddhared atmanatmanam Natmanam avasadayet Atmaiva hy atmano bandhur Atmaiva ripur atmanah Uma pessoa deve liberar-se desapegando a mente do mundo material e a impedindo de se degradar de novo, pois ela pode ser tanto a melhor amiga tanto quanto a pior inimiga da alma. Bhavanuvada

A mente desapegada dos objetos sensuais, libera a entidade viva. A mente apegada é a causa do nosso enredamento no mundo material. Sloka 6 Bandhur atmatmanas tasya Yenatmaivatmana jitah Anatmanas tu satrutve Varttetatmaiva satru-vat Para aquele que conquistou a mente, esta é sua aliada; mas uma pessoa carente de conhecimento espiritual, que ocupa sua mente em atividades perigosas, esta se torna sua pior inimiga. Bhavanuvada Para a entidade viva que controla sua mente, esta é sua amiga. Mas a entidade viva que tem uma mente descontrolada, esta é sua perigosa inimiga. Sloka 7 Jitatmanah prasantasya Paramatma samahitah Sitosna-sukha-duhkhesu Tatha manapamanayoh Aquele que controlou a mente, e que está livre das dualidades como frio e calor, felicidade e tristeza, honra e blasfêmia, apego e inveja, é uma

alma exaltada e está profundamente absorto em transe (samadhi). Bhavanuvada Nestes três versos se definem as características de um yogi. Sloka 8 Jnana-vijnana-trptatma Kutastho vijitendriyah Yukta ity ucyate yogi Sama-lostasma-kancanah È denominado um verdadeiro yogi, a pessoa que está plenamente satisfeita através do conhecimento transcendental e de sua compreensão prática. Esta pessoa está firmemente situada em sua natureza real e porque conquistou os sentidos, ela vê com equanimidade a areia, a pedra ou o ouro. Prakasika-Vrtti “A pessoa que está livre da perturbação sensual e permanece eternamente situada em seu próprio ser (svarupa) se denomina kuta-sthah.” Sloka 9 Suhrn-mitrary-udasina

Madhyastha-dvesya-bandhusu Sadhusv api ca papesu Sama-buddhir visisyate È ainda mais elevada, a pessoa que vê de modo equânime os seus benquerentes, amigos, inimigos, pessoas neutras, mediadores, invejosos, parentes e pecadores. Bhavanuvada Aqueles que possuem este tipo de equanimidade são superiores aos que foram descritos no verso anterior. Sloka 10 Yogi yunjita satatam Atmanam rahasi sthitah Ekaki yata cittatma Nirasir aparigrahah Um yogi deve fixar sua mente em samadhi (transe). Ele deve viver só em um lugar isolado, e deve controlar seus pensamentos e seu corpo, estando assim livre do desejo e do refute pelos objetos dos sentidos. Prakasika-Vrtti Ao finalizar a explicação sobre os sintomas de um yogi-arudha, Bhagavan explica agora o

processo da prática de yoga, tal como foi dada neste presente verso. Slokas 11-12 Sucau dese pratisthapya Sthiram asanam atmanah Naty-ucchritam nati-nicam Cailajina-kusottaram Tatraikagram manah krtva Yata-cittendriya-kriyah Upavisyasane yunjyad Yogam atma-visuddhaye Em um lugar sagrado, o yogi deve-se colocar sobre o solo, a grama chamada Kusa e uma pele de veado em cima de uma esteira de palha, fazendo assim um assento nem muito alto nem muito baixo. Sentado neste assento deve praticar yoga para purificar a mente, com uma concentração firme e com todos os pensamentos e atividades controladas. Sloka 13-14 Samam kaya-siro-grivam Dharayann acalam sthirah Sampreksya nasikagram svam Disas canavalokayam Prasantatma vigata-bhir

Brahmacari-vrate sthitah Manah samyamya mac-citto Yukta asita mat-parah Mantendo seu corpo, quadril e cabeça erguidos, deve fixar sua visão na ponta do nariz. Deste modo, firme em seu voto de celibato, cheio de paz, livre do temor e com a mente controlada, deve se ocupar continuamente em pensar em mim. Bhavanuvada “Mantendo seu corpo ereto e estável e retraindo sua mente dos objetos dos sentidos, deve dedicarse a minha Bhakti enquanto meditas em minha charmosa forma de Vishnu com quatro braços.” Sloka 15 Yunjann evam sadatmanam Yogi niyata manasah Santim nirvana-paramam Mat-samstham-adhigacchati Assim, sempre ocupando a mente em mim, o yogi de mente controlada se situa em mim e finalmente alcança a paz da liberação absoluta. Prakasika-Vrtti Sri Bhagavan explica qual é o resultado de se praticar dhyana-yoga. ”Através da prática de

yoga, após Ter alcançada experiência transcendental em relação a Bhagavan, o yogi supera o ciclo de nascimentos e mortes dentro da existência material. ”Desta maneira, os yogis alcançam o aspecto impessoal (nirvisesabrahma). Sloka 16 Natyasnatas tu yogo sti Na caikantam-anasnatah Na cati-svapna-silasya Jagrato naiva carjuna Ó Arjuna! Sem dúvida, aquele que come muito pouco ou come demais, dorme muito pouco ou dorme demais, não consegue alcançar a perfeição no yoga. Bhavanuvada Nestes versos, Sri Bhagavan explica os sintomas de um yogi. ”Uma pessoa deve encher a metade de seu estômago com alimentos, deixar um quarto para o ar vital e deixar o outro quarto para a livre circulação do ar.” Prakasika-Vrtti Para realizar um sadhana perfeito, o yogi não deve praticar quando está faminto ou cansado, ou se sua mente está perturbada. Deve-se observar certos princípios enquanto canta hari-nama,

seguindo os diversos aspectos de Bhakti e recordando os passatempos de Krsna. Mantendo a concentração de pensamento, o sadhaka deve passar algum tempo cantando hari-nama com uma atitude indivisa em lugar solitário. Srila Bhaktivinoda Thakura dá estas instruções no Hari-nama-cintamani. Sloka 17 Yuktahara –viharasya Yukta-cestasya karmasu Yukta-svapnavabodhasya Yogo bhavati duhkha-ha A prática de yoga destrói todas as misérias materiais daquele que é controlado em sua alimentação, em seu trabalho, e equilibrado no sonho e na vigília. Bhavanuvada Tanto as atividades materiais quanto as transcendentais conduzirão ao êxito a pessoa que é regulada em sua alimentação e no descanso. Sloka 18 Yada viniyatam cittam Atmany evavatisthate Nisprhah sarva-kamebhyo Yukta ity ucyate tada

Se diz que o yogi alcançou a perfeição quando está livre da ânsia pelo desfrute sensual, e tem a mente controlada e estabelecida em seu ser. Sloka 19 Yatha dipo nivata-stho Nengate sopama smrta Yogino yata-cittasya Yunjato yogam atmanah Assim como uma lamparina permanece acesa em um lugar sem vento, a mente controlada de um yogi permanece firme em sua meditação no atma (alma). Slokas 20-25 Yatroparamate cittam Niruddham yoga-sevaya Yatra caivatmanatmanam Pasyann atmani tusyati Sukham atyantikam yad tad Buddhi-grahyam atindriyam Vetti yatra na caivayam Sthitas calati tattvatah Yam labdhva caparam labham Manyate nadhikam tatah Yasmim sthito na duhkhena Gurunapi vicalyate

Tam vidyad duhkha-samyoga Viyogam yoga-samjnitam Saniscayena yoktavyo Yogo nirvinna-cetasa Sankalpa-prabhavan kamams Tyaktva sarvan asetasah Manasaivendriya-gramam Viniyamya samantatah Sanaih sanair uparamed Buddhya dhrti-grhitaya Atma-samstham manah krtva Na kincid api cintayet Na etapa do yoga denominada de samadhi, a mente do yogi é controlada pela prática de yoga. Assim ele desapega dos objetos sensíveis e se satisfaz internamente percebendo a superalma (paramatma) com a mente purificada. Nesta etapa, o yogi experimenta bem-aventurança eterna por meio da sua inteligência transcendental, a qual se encontra além da jurisdição dos sentidos. Assim estabelecido, ele nunca se desvia da sua natureza intrínseca sabendo que não há nada superior do que a bem aventurança do ser. Neste estágio, ele está livre de qualquer contato com as dualidades tais como frio e calor, felicidade e tristeza etc., e também das misérias materiais. Deve-se praticar yoga com uma mente perseverante, abandonando todo o capricho. Com os sentidos controlados completamente pela mente, deve-se seguir as

instruções dos Sadhus e dos Sastras. Também deve-se desenvolver desapego gradualmente, com a inteligência resoluta e determinada, fixando a mente no ser e sem pensar em mais nada. Bhavanuvada Nestes versos, Bhagavan explica as atividades iniciais e finais de uma pessoa que pratica astanga-yoga: o abandono dos desejos materiais é a atividade inicial e a despreocupação pelos demais é o ato final. Sloka 26 Yato yato niscalati Manas cancalam asthiram Tatas tato niyamyaitad Atmany eva vasam nayet A mente agitada e instável deve ser controlada e fixada no ser, e deve-se evitar que ela perambule pelos objetos dos sentidos. Prakasika-Vrtti Quando a mente do sadhaka é instável e corre atrás dos objetos sensíveis, ele deve refreá-la imediatamente, evitando assim o contato com os objetos externos e fixando-a unicamente no ser.

Sloka 27 Prasanta-manasam hy enam Yoginam sukham uttamam Upaiti santa-rajasam Brahma-bhutam akalmasam Este yogi sossegado que vê tudo em conexão com o brahma e está livre tanto da influência de rajo-guna como das reações pecaminosas prévias, alcança a bem aventurança suprema na forma da auto realização. Sloka 28 Yunjann evam sadatmanam Yogi vigata-kalmasah Sukhena brahma-samsparsam Atyantam sukham asnute Desta maneira, liberado dos pecados e sempre regulando a mente, o yogi alcança facilmente a bem aventurança suprema na forma da vivência do brahma. Sloka 29 Sarva-bhuta-stham atmanam Sarva-bhutani catmani Iksate yoga-yuktatma Sarvatra sama-darsanah

Uma pessoa conectada através do yoga experimenta o brahma em todas as partes. Ele percebe a Superalma em todas as jivas e vê todas as jivas na Superalma. Prakasika-Vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna: ”Arjuna pergunta; Que tipo de bem-aventurança se experimenta através do contato com o brahma? Sri Krsna responde e expõe brevemente que o yogi que alcançou samadhi se comporta de duas maneiras: segundo sua bhava (visão), e de acordo com sua kriya (atividade). A natureza de sua visão lhe permite perceber a Superalma nas jivas e as jivas na Superalma. Suas atividades refletem uma visão equânime em todas as partes.” Sloka 30 Yo mam pasyati sarvatra Sarvanca mayi pasyati Tasyaham na pranasyami Saca me na pranasyati Jamais estou ausente para aquele que me percebe em todos os seres e vê todos os seres em mim. Ele também jamais é ausente a mim. Prakasika-Vrtti

Sri Bhagavan nunca está fora da visão dos sadhakas que tem uma experiência direta dele e, ao mesmo tempo, eles jamais estão fora da sua visão. Como resultado do contato recíproco, o adorador jamais cai. Sloka 31 Sarva-bhuta-sthitam yo mam Bhajaty-ekatvam asthtitah Sarvatha varttamano pi sa yogi mayi varttate O yogi que me adora em meu aspecto Todo penetrante (Superalma), ascende a etapa de inteligência resoluta aceitando-me como a Realidade Absoluta Suprema. Ele existe em mim em qualquer circunstância. Prakasika-Vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna: ”Se recomenda que o yogi medite na forma de quatro braços de Sri Vishnu durante a etapa de sadhana, o qual culmina na percepção da minha forma Syamasundara, durante o estado de transe. Em tal estado, sua inteligência se libera das dualidades de tempo com respeito a parama-tattva. ”O yogi que me adora e me oferece sua Bhakti (devoção) através do ouvir e cantar minhas glórias. Em todas as etapas e circunstâncias – ação, liberação e meditação, ele vive em mim.” “Assim sendo, Krsna Bhakti é sem dúvida o estado supremo do samadhi no yoga.”

Sloka 32 Atmaupamyena sarvatra Samam pasyati yo rjuna Sukham va yadi va duhkham sa yogi paramo matah Ó Arjuna! O yogi que vê todos os seres vivos como sendo iguais a si, e que considera a felicidade ou aflição alheia como sendo seu também, esse é o melhor dos yogis. Sloka 33 Arjuna uvaca Yo yam yogas tvaya proktah Samyena madhusudana Etasyaham na pasyami Cancalatvat sthitam sthiram Arjuna disse: Ó Madhusudana! Este processo de yoga que você falou, baseado na equanimidade, sou incapaz de compreender devido a natureza instável da mente. Bhavanuvada Arjuna se dirige a Bhagavan neste verso pensando que os sintomas de equanimidade que ele mencionou são difíceis de ser desenvolvidos devido a natureza instável da mente.

Sloka 34 Cancalam hi manah krsna Pramathi balavad drdham Tasyaham nigraham manye Vayor iva suduskaram Ó Krsna! A mente é naturalmente inquieta, poderosa, obstinada e capaz de avassalar por completo a inteligência, o corpo e os sentidos. Me parece que controla-la é tão difícil quanto controlar o vento. Bhavanuvada Assim como uma poderosa enfermidade pode não ser afetada por um remédio com capacidade para curá-la, a mente, que é muito poderosa por natureza, não sempre aceita a inteligência dotada com sabedoria.” Sloka 35 Sri bhagavan uvaca Asamsayam maha-baho Mano durnigraham calam Abhyasena tu kaunteya Vairagyena ca grhyate Sri Bhagavan disse: Ó maha-baho! A mente é sem dúvida instável e difícil de se controlar. Ainda assim, pode ser dominada através da prática constante e da renúncia.

Bhavanuvada Sri Bhagavan aceita a observação de Arjuna e dissipa sua dúvida com este verso. ’O que você disse está certo. Mesmo assim, até uma enfermidade crônica é curada se tomamos remédio regularmente que foi receitado por um médico competente, ainda que isto demore algum tempo. Assim também, a mente instável pode ser dominada mediante prática constante de yoga, de acordo com as instruções de um sad-guru, pela prática regular de dhyana-yoga e mediante renúncia genuína.” Sloka 36 Asamyatatmana yogo Dusprapa iti me matih Vasyatmana tu yatata Sakyo vaptum upayatah Para aquele que possui uma mente descontrolada, a auto realização através do yoga é muito difícil. Mas aquele que controlou a mente e se esforça na prática constante e na renúncia, pode alcançar-me sem dúvida. Esta é minha opinião. Sloka 37 Arjuna uvaca Ayatih sraddhayopeto Yogac calita-manasah

Aprapya yoga-samsiddhim Kam gatim krsna gacchati Arjunta perguntou; Ó Krsna! Qual é o destino de uma pessoa que começou o processo de yoga com fé, mas logo cai de novo em coisas mundanas e não consegue a perfeição? Sloka 38 Kaccin nobhaya-vibhrastas Chinnabhram iva nasyati Apratistho maha baho Vimudho brahmanah pathi Ó Maha Baho Krsna! Alguém que fracassa nos processos de karma e jnana, desviando-se do caminho para alcançar o brahma, não perece como uma nuvem que se dispersa por não Ter refúgio algum?

Bhavanuvada Arjuna pergunta: ”O que acontece com uma pessoa que se desvia do processo de karma e jnana? Ele deseja abandonar o desejo de desfrute sensual quando começa no caminho do yoga, mas ao mesmo tempo, devido a sua renúncia incompleta, o desejo permanece dentro de si. Parece que tal pessoa se encontra desamparada

pois, não alcançou seu seguinte destino, (os planetas celestiais) e também não obteve a liberação. Te pergunto então se a pessoa que se desviou do sadhana que visa a obtenção do brahma se encontra desamparada. Ela está perdida ou não? Sloka 39 Etan me samsayam krsna Chettum arhasy asesatah Tvad-anyah samsayasyasya Chetta na hy upapadyate Ó Krsna! Esclarece minha dúvida por completo. Além de ti não há ninguém que possa remover esta minha dúvida. Sloka 40 Sri bhagavan uvaca Partha naiveha namutra Vinasas tasya vidyate Na hi kalyana-krt kascid Durgatim tata gacchati Sri Bhagavan respondeu: Ó Partha! O yogi que fracassado não está perdido nem neste mundo e nem no próximo. Ó meu querido amigo, uma pessoa que realiza atividades auspiciosas jamais obtém um destino desfavorável. Sloka 41

Prapya punya-krtam lokan Usitva sasvatih samah Sucinam srimatam gehe Yoga-bhrasto bhijayate A pessoa que se desvia do caminho do yoga após Ter praticado por algum tempo, alcança os planetas das pessoas piedosas e depois de desfrutar ali durante muitos anos, nasce em uma família aristocrática e virtuosa. Prakasika-Vrtti Os yogis que se desviam do caminho do astanga yoga se dividem em duas categorias. Na primeira categoria estão os que caem após terem praticado yoga durante curto período. Ditos yogis não alcançam destinos inferiores; pelo contrário, desfrutam a felicidade dos planetas superiores (celestiais) reservados para as pessoas que oferecem yajnas (sacrifícios) tais como asvamedha. Depois eles nascem em famílias de brahmanas qualificados ou de homens aristocráticos ocupados em atividades prescritas pelo Dharma. Ambas situações são favoráveis para continuar sua prática de yoga. Na Segunda categoria estão os que caíram após uma longa prática de yoga. Em sua próxima vida, alguns deles obtém o desfrute esperado, se satisfazem, e finalmente terminam seu processo de yoga.

Sloka 42 Athava yoginam eva Kule bhavati dhimatam Etaddhi durlabhataram Loke janma yad idrsam O yogi que se desvia depois de muito tempo de prática, nasce na família de um yogi de grande sabedoria. Este nascimento neste mundo é sem dúvida muito excepcional. Bhavanuvada Sri Bhagavan descreveu o destino de um yogi que se desvia após praticar yoga durante um curto período. Agora, explica o destino de um yogi que cai depois de praticar durante muito tempo. Um exemplo disto é Nimi Maharaja (Srimad Bhagavatam 9.13.1-10). Sloka 43 Tatra tam buddhi-samyogam Labhate paurva-daihikam Yatate ca tato bhuyah Samsiddhau kuru-nandana Ó Kuru nandana! O yogi fracassado recobra a consciência conectada a Paramatma de seu nascimento anterior e se esforça de novo em alcançar a perfeição no yoga.

Prakasika-vrtti Em ambos nascimentos, em virtude das impressões resultantes da prática de yoga em sua vida prévia, o yogi desviado obtém uma inteligência fixa em seus próprios princípios do dever e conhecimento relacionado com Paramatma após purificar o coração de modo natural. Assim como alguém que acaba de despertar de um sonho, ele começa a esforçar-se seriamente para incrementar sua prática yogica. Este já não terá nenhum obstáculo. Esta é a razão por que um yogi não se perde nem alcança um destino desfavorável. Sloka 44 Purvabhyasena tenaiva Hriyate hy avaso pi sah Jijnasur api yogasya Sabda-brahmativarttate Em virtude de sua prática prévia, ele se sente automaticamente atraído pelo caminho da liberação e estando relacionado com a prática da realização transcendental (yoga) ele transcende as ações fruitivas descritas nos Vedas. Sloka 45 Prayatnad yatmanas tu Yogi samsuddha-kilbisah Aneka-janma-samsiddhas

Tato yati param gatim Na verdade, o yogi que se dedica com grande esforço e sinceridade se libera de todos os pecados depois de muitos nascimentos e finalmente obtém a perfeição. Desta maneira ele alcança o destino supremo. Bhavanuvada Uma pessoa se desvia do caminho do yoga quando se torna negligente em seus esforços. Este yogi retornará ao caminho do yoga em sua próxima vida, mas não alcançará a perfeição, pois isto levará muitas vidas até ficar totalmente maduro. Ele nunca se debilita nem cai. Pelo contrário, após muitas vidas, ele amadurece e obtém a perfeição. Sloka 46 Tapasvibhyo dhiko yogi Jnanibhyo´pi mato´dhikah Karmibhyas cadhiko yogi Tasmad yogi bhavarjuna O yogi é superior ao asceta, ao jnani e ao karmi. Ó Arjuna! Por tanto, converte-te em um yogi. Prakasika-Vrtti Geralmente se pensa que um yogi, um asceta, um karmi, um jnani e um bhakta são iguais. Sri

Bhagavan emite sua opinião categórica dizendo que não são e que existe uma graduação. Um niskama-karma-yogi é superior ao asceta e a um sakama-karmi e o jnani é ainda superior a estes. Um astanga yogi é superior a um jnani e um bhakti-yogi é superior a todos, tal como se descreverá no próximo verso. Sloka 47 Yoginam api sarvesam Mad-gatenantaratmana Sraddhavan bhajate yo mam As me yuktatamo matah Aquele que me adora constantemente com plena fé e pensa exclusivamente em mim, é na minha opinião, superior a todos os yogis. Bhavanuvada “Não há então ninguém superior ao yogi?”. Sri Bhagavan responde:”Não digas isto.” E recita este verso. No Srimad Bhagavatam se diz: ”Ó Maha-muni, entre milhões de seres liberados e perfeitos, uma pessoa pacífica que está dedicada a Sri Narayana (Krsna) é extremamente difícil de se encontrar. Nos próximos oito capítulos se delineará o processo de bhakti-yoga. No primeiro capítulo do Bhagavad Gita, a jóia cristalina dos Sastras, foi dado um esboço. Nos capítulos dois, tres e quatro foi descrito o niskama-karma-yoga. O quinto

capítulo expõe jnana e o sexto descreve yoga (astanga). Mesmo assim, os primeiros seis capítulos tratam principalmente acerca do karma. Prakasika-Vrtti Ao final de cada capítulo, Bhagavan Sri Krsna declara categoricamente que um bhakti-yogi é superior a todos os demais yogis. Existem várias etapas do yoga. A primeira é o niskama-karmayoga. Quando adicionada a jnana e renúncia, esta se converte em jnana-yoga, a segunda etapa. Quando adiciona-se dhyana (meditação em Isvara) a jnana-yoga, vem a se chamar astangayoga, a terceira etapa. Finalmente, quando se agrega afeto por Bhagavan, se converte em bhakti-yoga, a quarta etapa. Krsna diz a Arjuna: ”Ó Partha! Bhakti é o estágio máximo do yoga, portanto tu deves converte-te em um bhakti-yogi.

Capítulo 7 Vijnana-Yoga A compreensão do conhecimento transcendental

Sloka 1 Sri Bhagavan uvaca Mayy asakta-manah partha Yogam yunjan mad-asrayah Asamsayam samagram mam Yatha jnasyasi tac chrnu Sri Bhagavan disse: Ó Partha! Agora escuta como podes me conhecer praticando o processo de bhakti-yoga com tua mente apegada a mim e refúgiando só em mim, estando assim, livre de toda dúvida. Bhavanuvada Quando poderei refugiar-me nos pés de lótus de Sri Caitanya Mahaprabhu, a morada da bemaventurança eterna e o oceano de misericórdia? Agora que abandonei os processos de desfrutes e da liberação e me refugiei no caminho de bhakti, quando me tornarei qualificado para degustar o néctar de prema? O Srimad Bhagavatam afirma: ”Simplesmente mediante a prática de bhakti-yoga, meu devoto obtém por completo qualquer resultado favorável que se possa obter através da execução de karma, austeridades e outras atividades auspiciosas, e também pelo processo de jnana (conhecimento),

vairagya (renúncia), yoga (astanga-yoga) e atividades filantrópicas.” Prakasika-Vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna: ”Ó Partha, nos seis primeiros capítulos expliquei jnana e astanga-yoga. Estes são os caminhos para se obter moksa e requerem a assistência de niskama-karma-yoga para purificar o coração. Nos próximos seis capítulos, explicarei o processo de bhakti-yoga, por favor, escuta. Para obter conhecimento sobre mim, deves apegar tua mente e refugiar-te plenamente em mim por meio do processo de bhakti-yoga. Se fizeres isto, não há dúvida que me conhecerás.” Sloka 2 Jnanam te ham as-vijnanam Idam vaksayamy asesatah Yaj jnatva neha bhuyo nyaj Jnatavyam avasisyate Agora te revelarei com detalhes o jnana enriquecido com vijnana. Quando compreenderes isto, não haverá nada desconhecido a ti neste mundo. Prakasika-vrtti Existem nove etapas no processo de nirguna bhakti (bhakti pura). 1-sraddha, 2-sadhu-sanga,

3-bhajana kriya, 4-anartha-nivrtti, 5-nistha, 6ruci, 7-asakti, 8-bhava, 9-prema. Antes que o sadhaka alcance a etapa de asaktimo conhecimento acerca de Bhagavan está saturado pela opulência do senhor, mas quando o asakti (apego) amadurece, ele experimenta a doçura do senhor em seu coração, o que se denomina vijnana. Sloka 3 Manusyanam sahasresu Kascid yatati siddhaye Yatatam api siddhanam Kascin mam vetti tattvatah Dentre milhões de homens, pode ser que um se esforce para alcançar a perfeição; dentre os que a alcançam, dificilmente alguém me conhece de verdade. Prakasika-Vrtti Bhagavan mostra neste verso que bhagavat-jnana (conhecimento acerca de Bhagavan) é muito excepcional. No Srimad Bhagavatam se descreve: ”Ó Maha-muni, entre milhões de pessoas perfeitas e liberadas, é muito difícil encontrar um devoto de Narayana. E ainda mais raro que os devotos atraídos por Narayana, são os devotos de Sri Krsna. A bem aventurança que se deriva ao saborear a doçura de Sri Krsna é

milhões de vezes maior do que a bem aventurança de seu aspecto impessoal (brahma). Sloka 4 Bhumir apo nalo vayuh Kham mano buddhir eva ca Ahankara itiyam me Bhinna prakrtir astadha Minha energia material externa é composta por oito divisões: terra, água, fogo, ar, éter, mente, inteligência e falso ego. Prakasika-Vrtti “Krsna diz a Arjuna que ele deve conhecer a quantidade de elementos pertencentes a energia externa (apara-sakti) relacionados com a matéria inerte. Os cincos elementos grosseiros: terra, água, fogo, ar e éter se denominam maha-bhuta, suas qualidades respectivas são o aroma, gosto, forma, tato e o som. Assim, eles somam dez elementos. Deves saber que os sentidos são seus elementos ativos começando pelo falso ego (ahankara) e são efeito de mahat-tattva. Ainda que a mente e a inteligência são classificados como elementos separados devido a suas funções destacadas e diferenciadas do resto dos elementos, elas constituem um só elemento. Todo este grupo é parte da minha energia externa.”

Sloka 5 Apareyam itas tv anyam Prakrtim viddhi me param Jiva-bhutam maha-baho Yayedam dharyate jagat Ó Maha-baho! Deves saber que minha energia externa, constituída por oito divisões, é inferior. Eu possuo outra potência conhecida como jivasvarupa, a qual mesmo sendo superior, aceita o mundo material com o propósito de desfrutar os resultados do karma. Bhavanuvada A bahiranga-sakti mencionada é externa devido a sua natureza inerte. A tatastha-sakti, na forma das jivas, é diferente e superior a aquela, pois possui consciência. A razão de sua superioridade indica que sua natureza consciente sustenta o universo e essa energia aceita o mundo material unicamente para seu próprio desfrute. Sloka 6 Etad yonini bhutani Sarvanity upadharaya Aham krtsnasya jagatah Prabhavah pralayas tatha Entende que todas as entidades vivas nasceram destas duas prakrtis (maya e jiva-sakti). Eu sou a

causa única da criação e destruição do universo inteiro. Prakasika-Vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna:”As jivas e a criação material inerte emanaram destas duas prakrtis. Tanto maya quanto jiva-sakti são minhas potências, pois se originam de mim. Eu, Bhagavan, sou a causa primordial da origem e da dissolução do universo.” Sloka 7 Mattah parataram nanyat Kincid asti dhananjaya Mayi sarvam idam protam Sutre mani-gana iva

Ó Dhananjaya! Não existe nada superior a mim. O universo inteiro depende de mim assim como as pérolas ensartadas em um cordão. Bhavanuvada Sri Bhagavan disse:”Desta forma, sou a causa de tudo. Assim como a causa e o efeito não são diferentes entre si, tampouco são a energia e o energético.

Nos Srutis se estabelece:”Antes da criação do universo, só existia a Realidade Absoluta incomparável.” “Sou a causa de tudo, pois minhas energias são a causa de todas as criações.”Assim, depois de explicar sua natureza onímoda, Bhagavan expõe agora sua qualidade de onipresença.”Tanto o universo consciente como o inerte não é diferente de mim, pois ambos são minhas criações. Eles são minha svarupa, e assim como as jóias se ensartam em um cordão, estão contidos em mim.” Sloka 8 Raso ham apsu kaunteya Prabhasmi sasi-suryayoh Pranavah sarva-vedesu Sabda khe paurusam nrsu Ó Kaunteya! Eu sou o sabor da água, o brilho da lua e sol. Eu sou a sílaba om de todos os mantras védicos. Sou o som no éter e a habilidade do homem. Bhavanuvada “Como Antaryami, entro em cada universo que criei e existo nele. De modo similar, existo em essência dentro dos seres humanos e demais entidades vivas. Em alguns lugares sou a causa e em outros sou o efeito.”

Sloka 9 Punyo gandhah prthivyanca Tejas casmi vibhavasau Jivanam sarva-bhutesu Tapas casmi tapasvisu Eu sou a fragrância atrativa e original da terra, o calor do fogo, a vida de todos os seres e a austeridade dos ascetas. Sloka 10 Bijam mam sarva-bhutanam Viddhi partha sanatanam Buddhir buddhimatam asmi Tejas tejasvinam aham Ó Partha! Conhece-me como sendo a causa eterna de todos os seres vivos. Sou a inteligência dos inteligentes e o poder dos poderosos. Sloka 11 Balam balavatam caham Kama-raga-vivarjitam Dharmaviruddho bhutesu Kamo smi bharatarsabha Ó melhor da dinastia Bharata! Sou a força dos fortes, livre do apego e do desejo. Sou a união sexual conforme o dharma que tem como único propósito a procriação.

Sloka 12 Ye caiva sattvika bhava Rajasas tamasas ca ye Matta eveti tan viddhi Na tv aham tesu te mayi Entende que todos os estados de existência: sattvika (bondade), rajasika (paixão), tamasika (ignorância) – se manifestam por meio das qualidades de minha natureza material. Eu não estou exposto a estas qualidades pois todas elas estão sobre o controle de minha energia (Mahamaya). Sloka 13 Tribhir-guna-mayair bhavair Ebhih sarvam idam jagat Mohitam nabhijanati Mam ebhyah param avyayam Enganados por esses três estados de existências, o mundo inteiro não me conhece, visto que estou além das qualidades materiais e que sou imperecível. Bhavanuvada “A mente, os sentidos, a felicidade, a lamentação, o apego e a inveja estão sobre o controle da natureza adquirida. Mas eu estou acima dos três

gunas e sou livre de qualquer transformação distorcida. Por esta razão, eles não podem me conhecer.” Sloka 14 Daivi hy esa gunamayi Mama maya duratyaya Mam eva ye prapadyante Mayam etam taranti te Minha energia material composta pelos três gunas é difícil de ser superada. Mas os que se refugiam exclusivamente em mim, podem transcende-la muito facilmente. Bhavanuvada Pode surgir uma pergunta: Como uma pessoa pode se liberar da ilusão criada pelos três gunas? Sri Bhagavam responde: ”Maya se chama daivi porque seduz as jivas, que são divinas por natureza porém estão absortas nos prazeres do desfrute sensual. Esta bahiranga-sakti que pertence a mim, é sumamente difícil de se superar. Porém se torna fácil de ser superada para aquele que se rende exclusivamente a mim, em minha forma de Syamasundara.” Sloka 15 Na mam duskrtino mudhah Prapadyante naradhamah

Mayayapahrta-jnana Asuram bhavam asritah Os hereges e néscios carentes de discriminação, e outros seres humanos cujo conhecimento foi roubado por minha energia ilusória (Maya) e que possuem natureza demoníaca, não se rendem a mim. Prakasika-Vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna:” Existem quatro tipos de pessoas que se refugiam em minha natureza demoníaca e não a mim: Os malvados, os néscios, os desprezíveis e os que possuem conhecimento coberto por Maya. Sloka 16 Catur-vidha bhajante mam Janah sukrtino ‘rjuna Artto jijnasur atharthi Jnani ca bharatarsabha Ó tu, o melhor da dinastia Bharata! Quatro tipos de pessoas piedosas me adoram: os aflitos, os inquisitivos, os que buscam fortuna (riqueza) e os sábios. Prakasika-Vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna: ”As pessoas aflitas tem o defeito dos seus diversos

desejos, as inquisitivas possuem o defeito de estar atadas ao moralismo, os que buscam riqueza tem o defeito de lutar para alcançar os planetas celestiais e os jnanis que pensam que bhagavat-tattva é temporário, possuem o defeito de querer fundir-se no brahma. Quando se elimina estas impurezas do coração, os quatro tipos de pessoas mencionadas acima adquirem a qualificação para executar bhakti pura. Mas enquanto estas impurezas ainda existir nele, sua bhakti é considerada pradhani-bhuta. Por tanto, só quando as impurezas citadas desaparecerem por completo, é que ele obterá bhakti; esta bhakti chama-se kevala, akincana ou uttama.” Sloka 17 Tesam jnani nitya-yukta Eka-bhaktir visisyate Priyo hi jnanino´ty-artham Aham sa mama priyah Dentre estes, o meu devoto exclusivo cujos pensamentos estão sempre em mim, é o melhor de todos, pois sou muito querido por ele e ele é muito querido a mim. Bhavanuvada Dentre os quatro tipos de devotos elegíveis para executar bhakti, os que estão exclusivamente atraídos por bhakti são os melhores yogis.

Sloka 18 Udarah sarvah evaite Jnani tv atmaiva me matam Asthitah sahi yuktatma Mam evanuttamam gatim Mesmo eles sendo grandes almas, eu considero o jnani como sendo eu mesmo. Estas almas estão sempre conectadas comigo, e se refugiam em mim como seu destino supremo. Bhavanuvada “Eu sou bhakta-vatsala Bhagavan e considero o jnani dotado com pradhani-bhuta bhakti livre de desejos como sendo eu mesmo. Porém me é mais querido ainda, quem possui kevala bhakti imaculado.” Sloka 19 Bahunam janmanam ante Jnanavan mam prapadyate Vasudevah sarvam iti Samahatma sudurlabhah Após muitas vidas de prática espiritual, o jnani que está dotado com o conhecimento de que tudo que é consciente e inerte está relacionado com Vasudeva, se rende a mim e me adora. Um mahatma assim é muito difícil de se encontrar.

Bhavanuvada Alguém poderia argumentar: “Os jnanis te alcançam pois aceitam teu refúgio como o destino supremo, mas; Quanto tempo faltará para eles poderem preparar-se para entrar no reino de bhakti? Bhagavan responde: “Os jnanis refugiam em mim, quando depois de muitas vidas, percebem Vasudeva em todas as partes. Estes sadhus se rendem a mim pela influência da associação apropriada que concedo a eles. Ou seja, se rendem de acordo com a bhava (sentimento) que recebem de tal associação. Dentre milhões e milhões de homens, o jnani bhakta cujo pensamento repousa em mim é muito raro; que dizer então dos meus devotos exclusivos? Eles são ainda mais raros.” Sloka 20 Kamais tair tair hrta-jnanah Prapadyante´nya-devatah Tam tam niyamam asthaya Prakrtya niyatah svaya Aqueles cuja inteligência é roubada pelos seus diversos desejos luxuriosos se rendem aos semideuses que podem satisfazer seus desejos. Arrastados deste modo pela sua própria natureza, eles adoram esses semideuses. Prakasika-Vrtti

As pessoas afortunadas e inteligentes que estão influenciadas por diversos tipos de desejos, tentam satisfaze-los mediante a adoração a Paramesvara Sri Krsna. Por sua misericórdia, quando satisfazem seus desejos, eles perdem gradualmente o interesse nestes desfrutes. As pessoas néscias e desafortunadas permanecem cativas pelas qualidades da paixão e ignorância como resultado de sua aversão a Krsna e pensam que os semideuses podem satisfazer seus desejos mais rapidamente. Por isto eles adoram os diversos e insignificantes semideuses segundo suas naturezas específicas em uma tentativa de satisfazer seus desejos materiais, assim rapidamente eles se satisfazem. Sloka 21 Yo yo yam yam tanum bhaktah Sraddhayarcitum icchati Tasya tasyacalam sraddham Tam eva vidadhamy aham Eu (Antaryami), outorgo a fé inquebrantável de um devoto fruitivo por qualquer semideus que ele deseja adorar fielmente. Prakasika-Vrtti Alguns pensam que se adorarem os semideuses, estes podem inspirar fé em bhagavat-bhakti no coração de seus adoradores. Sri Krsna explica que ele em sua forma Antaryami outorga aos

adoradores de semideuses uma fé inquebrantável por qualquer semideus que eles desejam adorar, mesmo sendo tais semideuses nada mais que suas vibhutis. Ele não inspira fé em si mesmo nos corações de quem o rejeita. Se os semideuses não podem inspirar fé em si mesmos a seus adoradores, que dizer de produzir fé para Bhagavan? Sloka 22 sa taya sraddhaya yuktas tasyaradhanam ihate labhate ca tatah kamam mayaiva vihitam hi tan Dotados com este tipo de fé, eles se esforçam na adoração dos semideuses e assim obtém a satisfação de seus desejos. Na realidade essas bênçãos são dadas apenas por mim. Bhavanuvada Eles obtém satisfação para seus desejos adorando os semideuses, mas na realidade os semideuses não têm esta capacidade. Por tanto, Bhagavan diz: “Na realidade, sou eu quem satisfaço seus desejos.” Sloka 23 Antavat tu phalam tesam Tad bhavaty alpa-medhasam

Devam deva-yajo yanti Mad-bhakta yanti mam api Os frutos obtidos por tais pessoas de escassa inteligência são perecíveis. Os adoradores dos semideuses vão aos planetas celestiais de um semideus particular, enquanto meus devotos vem a mim. Prakasika-Vrtti Aqui poderia surgir uma pergunta: “Já que os semideuses são vibhutis (membros corporais) de Krsna, não há diferença entre adorar os semideuses e adorar Bhagavan? Bhagavan responde: “A pessoa que se refugia nos semideuses impulsionada por algum desejo realmente perdeu sua inteligência, pois os resultados são perecíveis.” Os devotos dos semideuses obtém frutos perecíveis, enquanto os devotos de Bhagavan Sri Krsna obtém seu serviço eterno em sua morada transcendental. Por tanto, as pessoas inteligentes adoram a forma eterna de Bhagavan mesmo se possuem desejos materiais. Sloka 24 Avyaktam vyaktim apannam Manyante mam abuddhayah Param bhavam ajananto Mamavyayam anuttamam

Aqueles que carecem de inteligência consideram que eu, que sou imanifesto e transcendental a existência mundana, nasço como um ser humano ordinário. Eles não conhecem minha natureza suprema, excelente, imutável e transcendental da minha forma, nascimento, passatempos e qualidades. Sloka 25 Naham prakasah sarvasya Yoga-maya-samavrtah Mudho yam nabhijanati Loko mam ajam avyayam Eu não me revelo a todos. Os tolos não compreendem minha forma não nascida e imperecível, pois estou coberto pela minha potência chamada yoga-maya (interna). Prakasika-Vrtti Deve-se entender aqui que Bhagavan possui dois tipos de maya-sakti: yoga-maya ou interna e maha-maya ou externa. Yoga-maya constitue sua svarupa sakti, a qual é experta em fazer o impossível se tornar possível, e maha-maya é a sombra da energia interna. Yoga-maya organiza a manifestação dos passatempos do onisciente e onipotente Bhagavan situando ele e seus associados em uma ilusão transcendental. Ela também arruma a união de Bhagavan com a jiva que pratica sadhana-bhakti. Por esta razão se

denomina yoga-maya. Por outro lado, mahamaya cativa as jivas que são contrárias a Bhagavan e as ata com os resultados de suas atividades. Maya-maya não pode afetar Bhagavan, porém ela encobre o conhecimento da jiva e obscura sua visão para com Bhagavan. Sloka 26 Vedaham samatitani Varttamanani carjuna Bhavisyani ca bhutani Mam tu veda na kascana Ó Arjuna! Conheço todos os seres, tanto os móveis como os imóveis, conheço o passado, o presente e o futuro, mas ninguém me conhece. Prakasika-Vrtti Alguém poderia questionar; “Se Bhagavan está coberto por yoga-maya, ele deve estar iludido como a jiva e, por tanto, afligido pelo defeito da ignorância. “Bhagavan responde aqui: “Maya está ocupada em meu serviço, sujeita a meu poder e permanece sob meu controle.” Ele enfatiza isto dizendo; “ Eu conheço o passado, o presente e o futuro, mas mesmo grandes personalidades como Maharudra não me conhece plenamente, pois seu conhecimento está coberto por yoga-maya; que dizer então dos homens ordinários?”

Sloka 27 Iccha-dvesa samutthena Dvandva-mohena bharata Sarva-bhutani sammoham Sarge yanti parantapa Ó Parantapa! No momento da criação, as jivas confundidas pelas dualidades da felicidade e aflição nascidas do desejo e da aversão, tornamse completamente cativadas pela ilusão. Bhavanuvada Quanto tempo as jivas tem estado cativadas por maya? Bhagavan responde: “Desde a criação.” O que as confunde? “O desejo e a aversão nascidos de seu karma prévio. “ Elas estão iludidas pelas dualidades que surgem do desejo pelos objetos que gostam e aversão pelos que não gostam. A honra e desonra, o frio e calor, a felicidade e tristeza, os sexos masculino e feminino, para mencionar alguns exemplos. As pessoas estão profundamente apegadas a esposa, aos filhos e parentes. Quem tem estes profundos apegos mundanos não tem direito de dedicar-se a minha bhakti. Eu disse a Uddhava: “A pessoa afortunada que desenvolveu fé em escutar conversas sobre mim e que não sente nem repulsão nem apego excessivo pelos objetos sensíveis, alcança a perfeição em bhakti-yoga.” Sloka 28

Yesam tv anta-gatam papam Jananam punya-karmanam Te dvandva-moha-nirmukta Bhajante mam drdha-vratah Mas, as pessoas piedosas cujos pecados foram erradicados, se liberam da confusão criada pelas dualidades e se dedicam a minha adoração com grande determinação. Bhavanuvada Qual é então, a qualificação para executar bhakti? Bhagavan Sri Krsna responde: “Quando os pecados de uma pessoa são eliminados mediante atividades piedosas, dentro dela surge o modo da bondade (sattva-guna) e esta reduz seu modo da ignorância (tamo-guna) juntamente com seu efeito, a ilusão. Quando esta pessoa se associa com meu devoto, que não está excessivamente atraído a este mundo, sua ilusão se reduz e ele se ocupa voluntariamente em meu bhajana com grande determinação.” Sloka 29 Jara-marana-moksaya Mam asritya yatanti ye Te brahma tad viduh krtsnam Adhyatmam karma cakhilam

Aqueles que lutam para liberar-se da enfermidade e da morte refugiando-se em mim, obtém o conhecimento do brahma, da natureza constitucional da jiva e do princípio do karma, o qual é a causa do cativeiro neste mundo material. Prakasika-Vrtti Bhagavan explicou inicialmente os três primeiros tipos de sakama-bhaktas, entre eles os afligidos.”No princípio eles se dedicam ao meu bhajana com o propósito de alcançar seus objetivos, mas quando conseguem seus objetivos, entendem que este são miseráveis e degradantes e assim se desapegam deles. Finalmente, mediante associação com os bhaktas, obtém o êxito em minha ekantika-bhakti.” Bhagavan explica agora o quarto tipo de sakamabhakta,o que deseja moksa(liberação).” Quando os sakama-bhaktas obtêm a associação de meus suddha-bhaktas, eles perdem o desejo de se fundir em meu aspecto impessoal e se concentram em situar-se em sua forma constitucional pura como servos de Krsna.” Sloka 30 Sadhibhutadhidaivam mam Sadhiyajnanca ye viduh Prayana-kale pi ca mam Te vidur yukta-cetasah

Aqueles que me conhecem como a deidade regente do princípio controlador dos elementos materiais grosseiros do cosmos, como o sustento dos semideuses e como o fundamento de todos os sacrifícios, e cujas mentes estão apegadas a mim, me recordam até no momento da morte. Prakasika-Vrtti Sri Bhagavan diz:”Aqueles que mediante o poder de minha bhakti,me conhece como o princípio regente de adhibhuta-tattva, o adhidaiva-tattva e adhiyajna-tattva, podem lembrar de mim no momento da morte. Eles não temem a morte porque jamais duvidam de mim.”

Assim conclui-se o sétimo capítulo do Srimad Bhagavad Gita

Capítulo 8 Taraka Brahma yoga Yoga com Parambrahma

Arjuna uvaca Kim tad brahma kim adhyatmam Kim karma purrusottama Adhibhutanca kim proktam Adhidaivam kim ucyate Arjuna perguntou: Ó Purusottama! O que é brahma? O que é adhyatma? O que é karma? O que é adhibhuta? O que é adhidaiva? Sloka 2 Adhiyajnah katham ko ´tra Dehe ´smin madhusudana Prayana-kale ca katham Jneyo ´si niyatatmabhih Ó Madhusudana! Quem é o senhor do sacrifício e como ele mora neste corpo? Como pode uma pessoa de mente controlada, te conhecer no momento da morte? Bhavanuvada No oitavo capítulo, Bhagavan Sri Krsna explica o yoga, com o objetivo de responder as perguntas de Arjuna. Dentro destas respostas, desenvolvese as definições de yoga-misra bhakti e suddhabhakti, incluindo a meta de ambos. Sloka 3 Sri bhagavan uvaca

Aksaram paramam brahma Svabhavo dhyatmam ucyate Bhuta-bhavodbhava-karo Visargah karma-samjnitah Sri Bhagavan disse: A suprema verdade imperecível e eterna é o brahma. A jiva em seus estado puro se denomina adhyatma e o princípio do yajna no mundo material onde se desenvolvem os corpos das jivas e suas expansões se conhece como karma. Bhavanuvada As jivas situadas em seu estado puro mediante o cultivo de bhakti conseguem a conexão com Paramatma. O samsara da jiva resulta nos elementos grosseiros e sutis que criam tanto os corpos humanos quanto os demais tipos de corpos, de acordo com a existência da jiva. O samsara, ciclo da existência material, é criado pelo karma da jiva, de modo que neste contexto a palavra karma indica a existência material da entidade viva (jiva). Sloka 4 Adhibhutam ksaro bhavah Purusas cadhidaivatam Adhiyajno ´ham evatra Dehe deha-bhrtam vara

Ó tu que é o melhor entre os seres corporificados! O perecível se denomina adhibhuta e a forma universal se chama adhidaiva, o senhor que rege todos os semideuses. Só eu sou adhiyajna e estando situado no corpo da jiva na forma de antaryami, inspiro as pessoas a executar atividades tais como o yajna. Prakasika-Vrtti Adhibhuta: Coisas grosseiras tais como as ondas ou roupas, que são perecíveis e trocam constantemente. Adhidaiva. O ser cósmico total ou virat-purusa se chama adhidaiva poruqe tem soberania sobre os devatas. Adhiyajna. Se refere ao purusa, que está situado nos corpos das jivas na forma do onipresente Antaryami. Nesta forma, inspira ações como o yajna e outorga os resultados do karma. É uma porção plenária de Bhagavan Sri Krsna (svamsa tattva). No Svetasvatara Upanisad (4.6) se descreve: “Ksirodakasayi-purusa e a jiva vivem como dois pássaros amigos nos galhos de uma árvore de banana, o qual é comparado ao corpo material temporário. A jiva saboreia os frutos da árvore de acordo com seu karma, enquanto que o outro pássaro, Paramatma, não desfruta deles senão

que simplesmente permanece como testemunha das atividades da jiva.’’ Sri Sukadeva Goswami diz no Srimad Bhagavatam (2.2.8) ‘’Alguns yogis recordam o pradesa-matra purusa que se encontra no fundo de seus corações.’’ Srila Cakravarti Thakura disse: ”Através de sua acintya-sakti, ele está situado dentro desta área em sua forma juvenil de quinze anos de idade.” O Katha Upanisad declara: ”Antaryami tem o tamanho de um polegar e se instala no coração da jiva.” Mas para os devotos, Krsna está situado nos corações em sua forma juvenil de quinze anos de idade na forma de Yasoda Nandana Krsna, o adolescente transcendental. O Antaryami situado no coração de Arjuna é o mesmo Kisora Krsna que está sentado na sua carroça Sloka 5 Anta-kale ca mam eva Smaran muktva kalevaram Yah prayati sa mad-bhavam Yati nasty atra samsayah E aquele que no momento da morte abandona seu corpo recordando só a mim, sem dúvida alcança minha natureza. Não há nenhuma dúvida sobre isto. Bhavanuvada

“Lembrando de mim, uma pessoa pode me conhecer, mas não é possível conhecer-me plenamente da mesma forma que se conhece os objetos materiais como por exemplo, os recipientes ou a roupa.”Através de quantos tipos de jnana pode-se recordar-me? Isto é explicado nos próximos quatro versos.” Sloka 6 Yam yam vapi smaran bhavam Tyajaty ante kalevaram Tam tam evaiti kaunteya Sada tad-bhava-bhavitah Ó Kaunteya! Qualquer coisa que se recorde no momento da morte determina o estado de existência que uma pessoa alcançará em sua próxima vida, por Ter estado sempre absorta nesta contemplação. Prakasika-Vrtti Por lembrar de Bhagavan no momento da morte, uma pessoa alcança sua natureza. Assim também, uma pessoa alcança a natureza correspondente a outros seres e objetos que recordam neste momento. Bharata Maharaja pensou em um veado no momento da sua morte, assim ele obteve um corpo de veado na sua próxima vida. Por isso, deve-se pensar apenas em Bhagavan Sri Krsna no momento da morte. Para alcançar este estado de

consciência é indispensável esforçar-se nesta direção desde o princípio da vida. A história de Puranjana mostra como ele obteve o corpo de uma mulher em sua seguinte vida como resultado de pensar em uma mulher no momento da morte. Na realidade, qualquer coisa que façamos durante nossa vida influi no estado de consciência no momento da morte e de acordo com este estado, receberemos outro corpo. Por esta razão, os sadhakas devem executar harinama e praticar suddha-bhakti durante sua vida, para que no momento da morte sejam capazes de lembra-se de Bhagavan e para que seu caminho rumo à bem-aventurança seja abençoado. Sloka 7 Tasmat sarvesu kalesu Mam anusmara yudhya ca Mayy arpita-mano-buddhir Mam evaisyasi asamsayah Por tanto, deves recordar-me sempre e ao mesmo tempo executar teu dever prescrito de lutar. Com tua mente e inteligência dedicadas a mim, sem dúvida você me alcançará. Sloka 8 Abhyasa-yoga-yuktena Cetasa nanya-gamina Paramam purusam divyam Yati parthanucintayan

Ó Partha! Aqueles que estão dedicados a prática constante de yoga, com a mente indesviável e pensando continuamente em mim, alcançam a Pessoa Suprema. Prakasika-Vrtti É necessário ocupar-se em abhyasa-yoga para alcançar uma continuidade inquebrantável no bhajana, semelhante a corrente indetível de um rio. Uma pessoa só pode ocupar sua mente em lembrar de Bhagavan mediante o cultivo de abhyasa-yoga e a retraindo-a dos objetos sensíveis. Sloka 9-10 Kavim puranam anusasitaram Anor aniyamsam anusmared yah Sarvasya dharatam acintya-rupam Aditya-varnam tamasah parastat Prayana-kale manasa calena Bhaktya yukto yoga-balena caiva Bhruvor madhye pranam avesya samyak Satam param purusam upaiti divyam Deve-se lembrar dele como a pessoa divina e eterna, como o controlador supremo, como o menor do que o menor, como o sustentador de todos cuja forma é inconcebível, como aquele que é refulgente como o sol e que é

transcendental à natureza material. Sem sombra de dúvidas, aquele que no momento da morte fixa seu ar vital entre as sobrancelhas através da força do yoga, se concentra sem desviar sua atenção, e se ocupa em devoção, alcança o supremo. Bhavanuvada É impossível retrair a mente dos objetos sensíveis e recordar-se de Krsna sem a prática contínua do yoga. Bhakti mesclada com qualquer tipo de yoga se denomina karma-misra-bhakti. Sri Bhagavan explica este processo nos quatro versos seguintes. Sloka 11 Yad aksaram veda-vido vadanti Visanti yad yatayo vita-ragah Yad icchanto brahmacaryam caranti Tat te padam sangrahena pravaksye Agora te explicarei sobre a meta última que os sábios védicos definem como imperecível. A elas ascendem os ascetas que estão livres de todos os desejos, assim como os que anseiam alcança-la praticando o celibato. Slokas 12-13 Sarva-dvarani samyamya Mano hrdi nirudhya ca

Murdhny adhayatmanah pranam Asthito yoga dharanam Om ity ekaksaram brahma Vyaharan mam anusmaran Yah prayati tyajan deham Sayati paramam gatim O yogi alcança o destino supremo mediante o controle dos sentidos, concentrando a mente no coração, fixando o ar vital na parte superior da cabeça, absorvendo-se profundamente em samadhi (transe) pela prática do yoga, pronunciando a sílaba Om (a manifestação sonora do brahma) e abandonando seu corpo enquanto medita em mim. Bhavanuvada Aqui Sri Bhagavan explica como uma pessoa alcança o destino supremo de salokya-mukti e vai a seu planeta. Sloka 14 Ananya-cetah satatam Yo mam smarati nityasah Tasyaham sulabhah partha Nitya-yuktasya yoginah Ó Partha! Sou facilmente alcançável por aquele que está constantemente absorto em bhakti-yoga e me recorda continuamente sem distrair a mente.

Bhavanuvada No Gita (7.29) se explica karma-misra-bhakti e pradhani-bhuta bhakti, junto com seus fatores dominantes (karma, jnana e yoga). Agora neste verso, Sri Bhagavan explica kevala-bhakti, qual é nirguna e superior a todos demais tipos de yoga.”Sou facilmente alcançável pelo bhakta que me recorda sem considerar tempo ou pureza do local, cuja mente não esta atraída por karma, jnana ou yoga , que não adora nenhum dos semideuses e nem deseja liberação. Sloka 15 Mam upetya punar janma Duhkhalayam asasvatam Napnuvanti mahatmanah Samsiddhim paramam gatah Depois de alcançar-me, as grandes almas jamais voltam a nascer neste mundo temporário, o qual é a morada de todas as misérias, pois alcançaram a perfeição suprema. Bhavanuvada O que acontece com aqueles que te alcançam? Bhagavan responde a Arjuna. ”Eles não tem mais que aceitar outro nascimento neste mundo material, senão que conseguem um nascimento

similar ao meu, eterno e pleno de bem aventurança.” Sloka 16 a-brahma-bhuvanal lokah punar avarttino rjuna mam upetya tu kaunteya punar janma na vidyate Ó Arjuna! Todos os planetas deste universo até Brahma-loka, são lugares de repetidos nascimentos e mortes, mas quem me alcança, ó Kaunteya, jamais volta a nascer. Prakasika-Vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna. ”Desde Brahma-loka ou Satya-loka até os planetas inferiores, tudo é temporário. As jivas destes planetas nascem de novo, mas quem se refugia em mim através de kevala bhakti (bhakti sem misturas, pura), não volta a nascer.” Sloka 17 Sahasra-yuga-paryantam Ahar yad brahmano viduh Ratrim yuga-sahasrantam Te ´ho-ratra-vido janah

Aqueles que conhecem a verdade acerca do dia e da noite de Brahma, compreendem que sua duração é de mil ciclos de quatro eras. Prakasika-Vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna: ”De acordo com o cálculo, tanto o dia quanto a noite de Brahma são iguais a mil ciclos de quatro yugas (4.320.000.000). De tal forma, Brahma sucumbe no período de cem anos. Se esta é a situação de Brahma, como os sanyassis que alcançaram este planeta poderiam ser eternos? Não é possível. Eles são obrigados a nascer de novo. Sloka 18 Avyaktad vyaktayah sarvah Prabhavanty ahar-agame Ratry-agame praliyante Tatraivavyakta-samjnake Todas as jivas surgem do imanifesto quando amanhece, e se fundem neste estado imanifesto no momento do anoitecer.

Bhavanuvada Da causa imanifesta, que é a noite de Brahma, vem seu dia, o qual revela o campo para o desfrute na forma do corpo, dos objetos sensíveis

e os demais objetos. O mundo inteiro se manifesta ativamente desta maneira. Logo, ao chegar a noite, se dissolve de novo na causa imanifesta enquanto ele (Brahma) dorme.” Sloka 20 Paras tasmat tu bhavo ´nyo Vyakto vyaktat sanatanah Yah sa sarvesu bhutesu Nasyatsu na vinasyati Porém, superior a este estado imanifesto, há uma outra natureza eterna e maravilhosa que não se destrói nem no momento da grande dissolução, quando o mundo inteiro é aniquilado. Bhavanuvada Sobre o princípio não fenomenal do prajapati Hiranyagarbha Brahma, existe outra natureza imanifesta, a qual é eterna e sem começo e está além da causa de Hiranyagarbha. Sloka 21 Avyakto ´ksara ity uktas Tam ahuh paramam gatim Yam prapya na nivarttante Tad dhama paramam mama Esta minha natureza imanifesta é chamada de aksara e constitue o destino supremo. Os que vão

a esta morada jamais regressam a este mundo. Essa minha morada suprema é eterna. Prakasika-Vrtti Esta realidade imanifesta se denomina aksarabrahma e é o destino supremo das jivas. Ao obter essa morada suprema, não há possibilidade de regressar ao mundo material. Sloka 22 Purusah as parah partha Bhaktya labhyas tv ananyaya Yasyantah-sthani bhutani Yena sarvam idam tatam Ó Partha! Eu sou a pessoa suprema cuja expansão está situada no coração de todos os seres e por quem o mundo inteiro é penetrado. Apenas sou alcançado pela prática de ananyabhakti (devoção imaculada). Bhavanuvada “Esta pessoa suprema, que é minha expansão (Antaryami Paramatma), é alcançada unicamente através de ananya-bhakti.Ananya significa aquilo que não tem nenhum vestígio de karma, jnana, yoga ou desejos mundanos.” Sloka 23

Yatra kale tv anavrttim Avrttincaiva yoginah Prayata yanti tam kalam Vaksyami bharatarsabha Ó melhor da dinastia Bharata! Agora te explicarei os momentos no qual os semideuses que regem o tempo definem se yogis vão ou não regressar a este mundo. Prakasika-Vrtti Os bhaktas não dependem do tempo no qual partem deste mundo para liberar-se. Por exemplo, se o sol se encontra ou não no hemisfério norte. O momento no qual eles entram nos passatempos transcendentais de Sri Krsna é sempre nirguna. Sloka 24 Agnir jyotir ahah suklah San-masa uttarayanam Tatra prayata gacchanti Brahma brahma –vido janah Os conhecedores do brahma o alcançam quando abandonam este mundo durante a influência dos semideuses que regem o fogo (Agni), a luz, os dias favoráveis, a quinzena da lua crescente e os seis meses do curso norte do sol. Prakasika-vrtti

Srila Bhaktivinoda Thakura diz que os yogis que abandonam o corpo em tais momentos, jamais regressam a este mundo. Sloka 25 Dhumo ratris tatha krsnah San-masa daksinayanam Tatra candramasam jyotir Yogi prapya nivarttate O karma-yogi que toma o caminho dos semideuses que presidem sobre os momentos de neblina, da noite, da lua minguante e dos seis meses em que o sol transita o hemisfério sul, alcançam svarga. Depois de desfrutar os prazeres celestiais ali, eles regressam ao mundo material. Bhavanuvada Sri Bhagavan explica agora o caminho de regressão dos karmis. Um karma-yogi que transita pela órbita destes semideuses, chegam ao planeta Svarga, onde desfrutam do resultado de seu karma. Finalmente, regressam ao mundo material, quando se esgotam seus créditos. Sloka 26 Sukla-krsne gati hy ete Jagatah sasvate mate Ekaya yaty anavrttim

Anyayavarttate punah Para abandonar este mundo, existem duas maneiras que são consideradas como sendo eterna: o brilhante e o escuro. Ao entrar no caminho luminoso alcança-se a liberação e ao entrar no caminho escuro regressa-se a este mundo. Prakasika-vrtti Os meios mencionados são o deva-yana – viagem pelo caminho dos semideuses – são iluminados pelo conhecimento e se denomina sukla-gati ou destinos iluminados. O segundo tipo é, ptri-yana – viagem para os antepassados – está cheio de ignorância e é chamado de krsna-gati ou caminho escuro. Sloka 27 Naite srti partha janam Yogi muhyati kascana Tasmat sarvesu kalesu Yoga-yukto bhavarjuna Ó Partha! Os bhakti-yogis que conhecem todos estes caminhos jamais se confundem. Por tanto, Arjuna, permanece sempre fixo neste yoga. Prakasika-Vrtti

Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna:”Os bhakti-yogis jamais se confundem, pois permanecem fixos em bhakti-yoga com um conhecimento que se baseia em tattva (verdades absolutas). Por tanto, conhecem a diferença entre as duas metas e se refugiam em bhakti, que é superior. Em outras palavras, eles se refugiam em ananya-bhakti-yoga, sabendo que os outros caminhos são cheios de misérias. Ó Arjuna! Deves refugiar-te unicamente neste yoga.” Sloka 28 Edesu yajnesu tapahsu caiva Danesu yat punya-phalam pradistam Atyeti tat sarvam idam viditva Yogi param sthanam upaiti cadyam Um bhakti yogi supera todos os resultados piedosos que se adquire mediante o estudo dos Vedas, da execução de yajnas, das austeridades, caridades, karma e outros processos. Depois de adquirir o conhecimento sobre o que te expliquei, alcança-se a suprema, original e super excelente morada. Prakasika-Vrtti Srila Visvanatha Cakravarti Thakura diz que uma pessoa consegue a bem aventurança plena através da prática de kevala-bhakti e que sem bhakti não pode-se obter nada. Assim, define-se o processo de bhakti como o processo supremo e auspicioso,

tanto pelas declarações diretas dos sastras como pelas indiretas. Srila Bhaktivinoda interpreta Krsna neste verso: ”A fé se transforma em nistha ou absorção exclusiva em meu serviço, quando os anarthas de um devoto cuja fé é absoluta, são eliminados pelo bhajana na associação dos meus devotos (bhaktas). O bhajana que se realiza em sadhusanga (associando-se com um santo) elimina todos os pecados mesmo que a fé não esteja desenvolvida plenamente.” Os sentimentos devocionais mesclados com jnana e yoga, contaminados com bhukti e mukti, são anarthas que impedem a compreensão do bhajana-tattva. O bhajana de uma pessoa se purifica dos anarthas quando sua tendência a bhakti se torna kevala (pura)e refugia em visuddha-tattva, a Realidade Absoluta de Sri Bhagavan. Esta é a essência do oitavo capítulo.

Capítulo 9 Raja-Guhya Yoga O conhecimento mais confidencial

Sloka 1 Sri bhagavan uvaca Idam tu te guhyatamam Pravaksyamy anasuyave Jnanam vijnana-sahitam Yaj jnatva moksyase ´subhat Sri Bhagavan disse: Ó Arjuna! Devido ao fato de não seres invejoso, eu te explicarei agora o conhecimento mais confidêncial, o qual está dotado com as características de suddha-bhakti e permite conhecer-me diretamente. Este conhecimento irá te liberar das misérias do mundo material.

Bhavanuvada Este capítulo explica o conhecimento sobre a opulência do senhor Krsna, que seus devotos desejam para servi-lo favoravelmente. Aqui se descreve claramente a supremacia de suddhabhakti. Prakasika-vrtti Aqui Bhagavan diz que deve-se explicar o conhecimento mais confidencial apenas para aqueles que estão livres da inveja e do ódio, e que possuem um coração afetuoso.

Sloka 2 Raja-vidya raja-guhyam Pavitram idam uttamam Pratyaksavagamam dharmyam Su-sukham karttum avyayam Este jnana é o rei do conhecimento e o monarca entre todos os temas confidenciais É extremamente puro, e revela diretamente a natureza do ser conduzindo a perfeição do dharma. É executado com alegria e outorga resultados transcendentais e imperecíveis. Bhavanuvada Este conhecimento é o rei do conhecimento. Existem diversos tipos de conhecimento e adoração, mas seu único rei é bhakti, que é o monarca dos assuntos confidenciais Todas as atividades pecaminosas são expiadas por meio de bhakti, o que demonstra que é puro e mais purificante que o conhecimento do ser ou tvampadartha-jnana. Sripad Masdhusudana Sarasvati disse que esta bhakti pode destruir em menos de um segundo os estados grosseiros e sutis de todo tipo de atividades pecaminosas acumuladas durante milhões de vidas, e também sua causa, a ignorância. A prática de bhakti é caracterizada por ouvir, cantar, lembrar do Senhor Supremo (Krsna) etc. Assim ocupa-se os sentidos, como os olhos e a língua Devido ao fato desta bhakti ser nirguna

(transcendental), não é perecível como o jnana e karma. Prakasika-vrtti Kevala bhakti é a jóia preciosa do conhecimento. É supremamente confidencial, muito purificadora e se experimenta pela percepção direta. Os processos de karma, yoga e jnana não podem outorgar uma compreensão e percepção direta ao sadhaka (praticante) como bhakti. ”Bhakti é tão poderosa que outorga uma experiência própria ainda nas etapas iniciais.” Sloka 3 Asraddadhanah purusa Dharmasyasya parantapa Aprapya mam nivarttante Mrtyu-samsara-vartmani Ó Parantapa! As pessoas que não possuem fé no dharma que constitui minha bhakti não podem me alcançar. Elas perambulam pelo caminho da existência material que está repleto de morte. Bhavanuvada “As declarações dos sastras estabelecem a superioridade de bhakti, mas as pessoas que não tem fé, consideram que estas declarações são exageradas. Eles rejeitam este dharma devido a sua inteligência de ateísta. Mesmo que uma

pessoa pratique severos métodos alternativos para alcançar-me depois de Ter abandonado o caminho de bhakti, ela jamais terá êxito. Pelo contrário, perambulará continuamente pelo caminho da existência material que é saturado de morte. Sloka 4 Maya tatam idam sarvam Jagad avyakta-murttina Mat-sthani sarva-bhutani Na caham tesv avasthitah Todo este universo é penetrado por mim em minha svarupa (forma imanifesta), a qual não se pode perceber com os sentidos materiais. Todos os elementos e entidades vivas estão situadas em mim, mas eu não estou neles. Prakasika-Vrtti A essência desta instrução de Krsna é a seguinte: “Este universo não é uma transformação minha, nem tampouco uma ilusão. Eu sou a Realidade Absoluta auto refulgente. As jivas e o universo são também reais; ambos são a transformação de minha sakti (potência). As jivas são eternas e se manifestaram de tatastha – sakti, que apesar de ser real, é temporária e está sujeita a destruição. As jivas e o mundo são transformações da minha sakti, a qual não é diferente de mim, por isso são simultaneamente iguais e diferentes de mim.

”Este conceito é inconcebível, visto que pode ser compreendido apenas com a ajuda dos sastras, e não por intermédio da inteligência ordinária. Sloka 5 Na ca mat-sthani bhutani Pasya me yogam aisvaram Bhuta-bhrn na ca bhuta-stho Mamatma bhuta-bhavanah Toda a criação não existe realmente em mim. Contempla minha opulência mística! Como Paramatma mantenho e sustento todos elementos e entidades vivas, ainda sim, não estou situado neles. Bhavanuvada “Ainda que todas as entidades vivas e os elementos estão situados em mim, não estão em minha svarupa, pois sou asanga, estou separado deles. Ainda que sustento e mantenho a manifestação cósmica ilusória, ao mesmo tempo não estou nela pois não estou apegado a ela; pelo contrário, sou independente.” Sloka 6 Yathakasa-sthito nityam Vayuh sarvatra-go mahan Tatha sarvani bhutani

Mat-sthanity upadharaya Assim como o poderoso vento que sopra para qualquer lado sempre descansa no céu, que se encontra separado dele, similarmente todos os seres descansam em mim, mas eu não estou neles. Bhavanuvada Sri Bhagavan usa uma analogia para ilustrar suas características de onipenetrante e ilimitado; ”Devido a sua natureza, o vento está sempre em movimento, por isso ele é sarva-ga, se move para onde quiser. Se diz que ele é poderoso pois sua capacidade é ilimitada. Ainda que o vento esteja situado no céu, simultaneamente não está situado nele. E devido a natureza asanga do céu, não está situado no vento, mesmo que ao mesmo tempo está. Da mesma forma, os cinco elementos, entre eles o céu e o vento que existem em todas as partes, não estão em mim pois minha natureza é asanga. Eles não estão em mim ainda que estão situados em mim. Reflexiona sobre minha explicação e trata de compreende-la.” Sloka 7 Sarva-bhutani kaunteya Prakrtim yanti mamikam Kalpa-ksaye punas tani Kalpadau visrjamy aham

Ó Kaunteya! No momento da devastação universal todos os seres entram em minha prakrtim. No começo de uma nova kalpa (ciclo de eras) eu os crio novamente com suas naturezas específicas por intermédio da minha potência Bhavanuvada Aqui se poderia Ter a seguinte dúvida: ”Neste momento todos os seres visíveis e os elementos estão situados em ti, mas para onde vão durante a aniquilação?” Sri Bhagavan responde antecipadamente a pergunta com este presente verso. ”Eles entram em minha maya-sakti, que está composta pelos três gunas e depois da aniquilação, melhor dizendo, no início da criação, eu os crio de novo junto com as suas naturezas específicas.” Sloka 8 Prakrtim svam avastabhya Visrjami punah punah Bhuta-gramam imam krtsnam Avasam prakrter vasat Através de minha prakrti, que está composta pelos três gunas, crio várias vezes as inumeráveis entidades vivas atadas pelo seu karma, segundo suas naturezas individuais. Prakasika-Vrtti

Este verso nos faz compreender que todas as espécies de vida, animais, humanos etc., são criadas ao mesmo tempo. A teoria da evolução proposta por Darwim não tem nenhuma base, é uma crença completamente equivocada. É só percebermos que mesmo após milhões de anos, o ser humano não evoluiu nem tampouco outras espécies tem superado sua evolução. Sloka 9 Na ca mam tani karmani Nibadhnanti dhananjaya Udasina-vad asinam Asaktam tesu karmasu Ó Dhananjaya! Visto que permaneço desapegado dos atos tal qual a criação como um observador neutro, tais ações não me afetam. Prakasika-Vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna: ”Ó Dhananjaya! Nenhuma destas ações podem me atar. Sempre estou desapegado das ações como se fosse uma pessoa indiferente, ainda que na realidade não sou. Pelo contrário, estou sempre absorto em minhas próprias atividades espirituais bem-aventuradas. Os diversos tipos de seres são criados por meio de minha potência externa, maya, juntamente com minha tatastha-sakti, as quais aumentam indiretamente minha bemaventurança transcendental. Minha svarupa não é

perturbada por minhas saktis. Qualquer ação que as jivas executem sob a influência de maya, colabora indiretamente para incrementar meus passatempos bem-aventurados puramente divinos. Por isso minha atitude para com as atividades mundanas é como a de um observador imparcial.” Sloka 9 Na ca mam tani karmani Nibadhnanti dhananjaya Udasina-vad asinam Asaktam tesu karmasu Ó Dhananjaya! Visto que permaneço desapegado e neutro em atos como a criação universal, as ações não me atam. Bhavanuvada Sri Bhagavan recita este verso para responder a possível pergunta: ”Se tu que assim com a jiva, executa karma, por que sua ações não te ata?” “O cativeiro surge devido ao apego as atividades, como por exemplo, a criação, mas eu não estou apegado. Todos os meus desejos estão satisfeitos, pois sou aptakama.” Sloka 10 Mayadhyaksena prakrtih Suyate sa-caracaram

Hetunanena kaunteya Jagad viparivarttate Ó Kaunteya! Sob minha direção, a manifestação cósmica juntamente com todos os seres, móveis e imóveis, surge da minha sakti (potência externa). Por isto o mundo material é criado várias e várias vezes.

Bhavanuvada Sri Bhagavan recita este verso para dissipar a possível dúvida de Arjuna:”Eu não consigo acreditar que tu, sendo o criador de toda a manifestação cósmica, permaneças tão indiferente.” “Sou apenas a causa instrumental; é a natureza material quem cria o mundo material. Minha função é apenas reger, assim como o rei Ambarisa Maharaja que concentra sua energia exclusivamente na execução dos deveres próprios do seu cargo. Assim como os súditos não são capazes de atuar sem a existência do trono real, a natureza material não pode executar nenhuma função sem os elementos que são sintomáticos da minha existência.” Prakasika-Vrtti Bhagavan é o amo dos modos materiais e o superintendente de maya. É a causa instrumental da natureza material e a rege em atos com a criação. É apenas pela influência do seu olhar

que a natureza material é criada repetidamente. A natureza material recebe o poder de criar dele,pois está sob seu controle.;a matéria inerte não pode realizar a função de criação por si própria. Sloka 11 Avajananti mam mudha Manusim tanum asritam Param bhavam ajananto Mama bhuta-mahesvaram Quando apareço em uma forma similar a humana, os néscios de inteligência mundana zombam de mim, pois são incapazes de compreender minha natureza suprema, o Senhor Supremo de todos os seres.

Prakasika-Vrtti Sri Krsna é a origem de todas as manifestações visnu-tattva, enquanto o nirvisesa brahma é descrito nos upanisads como sendo sua refulgência corpórea. Paramatma, que penetra o universo inteiro, é sua expansão parcial. Sri Narayana, o senhor de Vaikunta, é sua potência de passatempos. Sri Krsna é a origem de todos os avataras, o controlador dos controladores e a realidade transcendental suprema. Sri Krsna é o amo de todos os seres e o senhor dos universos.

Ele é onisciente, onipotente e sumamente compassivo. Ele pode fazer o que bem desejar, mas os néscios zombam dele quando tem uma visão de sua charmosa forma de aspecto humano. Esses tolos comsideram que a forma de Yashoda Nandana Sri Krsna é mundana e mortal igual a dos seres humanos ordinários. Alguns pensam que o corpo de krsna é material e perecível, acreditam que há uma alma (paramatma) dentro de seu corpo. Quem pensa assim é tolo, pois os sastras declaram que o corpo de Krsna é sac-cidananda e que não há diferença entre ele e seu corpo. Sloka 12 Moghasa mogha-karmano Mogha-jnana vicetasah Raksasim asurincaiva Prakrtim mohinim sritah As esperanças de liberação, ganância material e cultivo de conhecimento destes tolos, são completamente infrutíferas. Com suas mentes confusas, eles adquirem uma natureza ilusória e ignorante tal qual a dos ateus e dos demônios. Bhavanuvada “Qual é o destino de quem ridiculariza Sri Krsna , pensando que ele possui um corpo humano feito por maya?.” Prevendo esta possível pergunta de Arjuna, Sri Krsna diz que mesmo que eles sejam

bhaktas ,suas esperanças e seus desejos de alcançar algum dos quatro tipos de mukti são infrutíferos. Se são karmis, não conseguem o resultado correspondente a seu karma, como por exemplo a residência em svarga (planetas celestiais), se são jnanis, não obtém moksa (liberação) como resultado de seu jnana. O que eles conseguem então? Sri Bhagavan responde na terceira linha deste verso. ”Eles adquirem uma natureza demoníaca.” Sloka 13 Mahatmanas tu mam partha Daivim prakrtim asritah Bhajanty ananya-manaso Jnatva bhutadim avyayam Ó Partha! Mas as grandes almas que se refugiam em minha natureza divina, me conhecem como a causa original e imperecível de todos os seres vivos. Eles se dedicam constantemente ao meu bhajana com suas mentes fixas exclusivamente em mim. Bhavanuvada “As grandes almas que alcançaram a glória pela misericórdia da minha bhakti e se refugiaram em minha natureza transcendental, se ocupam em meu bhajana servindo-me na minha forma de aspecto humano. Suas mentes não estão atraídas

por karma, jnana ou yoga, por tanto estão exclusivamente absortos em mim.” Sloka 14 Satatam kirttayanto mam Yatantas ca drdha-vratah Namasyantas ca mam bhaktya Nitya-yukta upasate Cantando constantemente as glórias dos meus nomes, qualidades, forma e passatempos, com um esforço resoluto e oferecendo-me reverências com devoção, eles me adoram e permanecem sempre junto comigo. Bhavanuvada “Você disse que eles dedicam-se ao seu bhajana, mas que bhajana é esse?” Sri Bhagavan responde com este verso.”Eles fazem kirtan constantemente, que sendo diferente de karmayoga, não existe consideração sobre a pureza ou impureza do momento, do lugar ou da pessoa. Não existe restrição alguma para se cantar o santo nome, seja com a boca contaminada ou estando em um estado impuro. Meus bhaktas estão apegados ao meu kirtan e outras atividades devocionais e trabalham juntos com os sadhus para obter bhakti. Os que são estritos e jamais quebram seu voto de cantar um número fixo de santos nomes, que oferecem uma certa quantidade de reverências a mim todos os dias,

que executam outros tipos de serviços regularmente e que jejuam nos dias de Ekadasi, se chamam yatnavan, ou pessoas cuidadosas. Estes grandes bhaktas estão sempre desejando minha associação eterna." Sloka 15 Jnana-yajnena capy anye Yajanto mam upasate Ekatvena prthaktvena Bahudha visvato-mukham Entre os que se dedicam ao cultivo de conhecimento, alguns me adoram com o conhecimento da concepção monista, outros com o conhecimento da dualidade, outros através dos diversos semideuses e outros adoram minha forma universal. Bhavanuvada Neste capítulo e nos anteriores são descritos apenas os ananyas bhaktas como sendo mahatmas. Foi demonstrado que os bhaktas são superiores aos demais tipos de devotos, como por exemplo, os aflitos. Sri Bhagavan descreve agora os três tipos de bhaktas que não haviam sido descritos e que se classificam em uma categoria diferente. São eles: os que consideram as jivas como sendo iguais a Bhagavan; os que adoram os semideuses considerando-os o supremo e os que adoram a forma cósmica ou universal do Senhor.

Sloka 16-19 Aham kratur aham yajnah Svadhaham aham ausadham Mantro ´ham aham evajyam Aham agnir aham hutam Pitaham asya jagato Mata dhata pitamahah Vedyam pavitram omkara Rk sama yajur eva ca Gatir bhartta prabhuh saksi Nivasah saranam suhrt Prabhavah pralaya sthanam Nidhanam bijam avyayam Tapamy aham aham varsam Nigrhnamy utsrjami ca Amrtancaiva mrtyus ´ca Sad asac caham arjuna Ó Arjuna! Eu sou os rituais védicos tais como o agnistoma, os smarta-yajnas como o vaisva-deva e sou também a oblação aos antepassados. Sou a potência das ervas medicinais, o mantra, a manteiga clarificada, o fogo e o sacrifício. Sou a mãe, o pai, o mantenedor e o avô do universo. Eu sou o objeto do conhecimento e o purificador. Sou a sílaba om e também o rig-veda, yajur-veda e o sama-veda. Sou o destino na forma dos frutos do karma, o sustentador, o Senhor, o amo, a

morada, o testemunho, o refúgio e o amigo mais querido. Sou também a criação, a dissolução, a base, o lugar de repouso e a semente eterna. Sou o controlador do calor e da chuva. Sou a imortalidade e a morte personificada. Sou a causa e também o efeito de tudo e tanto o espírito quanto a matéria está em mim. Bhavanuvada “Por que as pessoas te adoram de diversas formas?”.Prevendo esta pergunta, Bhagavan dá uma explicação detalhada da sua natureza. Ele descreve sua forma cósmica ou universal. A palavra kratuh se refere aos yajnas, como o agnistoma, prescrito nos vedas, assim como o vaisva-deva descritos nos smrti-sastras dos smartas. A palavra ausadham indica a potência produzida pelas ervas medicinais. Pita significa que sendo ele a causa material eficiente do universo, seja individual ou coletivamente, ele é portanto o pai e a mãe, visto que ele leva o universo em seu ventre. Ele mantém e alimenta todo o universo, por tanto é dhata, o sustentador, e ele é o avô por ser o pai de Brahma, o criador do universo. Vedyam significa”objeto de conhecimento e pavitram “o que purifica”. A palavra gati significa fruto no sentido de resultado ou destino, seja ele bom ou mal, das ações passadas ou presentes. Bharta significa esposo ou protetor, prabhuh significa controlador, saksi significa testemunho das atividades favoráveis e desfavoráveis, e nivasag

significa morada. Saranam é aquele que libera outros das calamidades e suhrt é aquele que realiza trabalhos benéficos desinteressadamente. Prabhav-adya quer dizer: ”Só eu realizo os atos como a criação, manutenção e destruição.”Nidhanam quer dizer: ”Sou o tesouro, visto que em minhas mãos tenho o lótus, a concha, a maça e o disco.”Bija significa semente. Avyayam significa: ”Eu não sou perecível como as sementes de arroz. Sou imperecível, eterno e imutável. Na forma do sol dou o calor do verão e outorgo as chuvas na estação chuvosa. Sou a imortalidade, o ciclo de nascimentos e mortes, a substância sutil ou espiritual e sou a matéria grosseira.” Desta forma, relaciona-se este verso com o anterior. Sloka 20 Trai-vidya mam soma-pah puta-papa Yajnair istva svar-gatim prarthayante Te punyam asadya surendra-lokam Asnanti divyan divi deva-bhogan Os que se dedicam às atividades fruitivas descritas nos três vedas, me adoram através de yajna. Uma vez livres dos pecados por terem tomado soma, o remanescente do yajna, oram para entrar em svarga (planetas celestiais). Quando, em virtude de suas atividades piedosas alcançam o planeta de Indra, eles desfrutam dos prazeres celestiais.

Prakasika-vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna:”A jiva me adora como Paramesvara apenas quando há um vestígio de bhakti nestes três tipos de adoração, então ela abandona gradualmente as impurezas da sua adoração mesclada e obtém moksa na forma de suddha-bhakti, Se o adorador abandona o conceito equivocado da unidade com Bhagavan, pode gradualmente alcançar suddhabhakti ao deliberar suficiente e apropriadamente acerca de bhakti. A idéia de que os semideuses são iguais a Bhagavan pode culminar gradualmente na compreensão da minha sac-cidananda svarupa Syamasundara sempre que se fale de tattva em associação com os sadhus. Ao compreender que minha adoração é mais elevada do que a dos semideuses, elimina-se a adoração a Paramatma. O adorador pode concentrar-se então em minha forma sac-cid-ananda de aspecto humano. “Mas se uma pessoa que pratica algum dos três tipos de adoração citados persiste na atração por karma e jnana, os quais são sintomas de aversão para comigo, não poderão obter o eternamente auspicioso bhakti. Devido a esta aversão, os que adoram a unidade indiferenciada caem gradualmente na rede ilusória mayavada, enquanto os adoradores dos semideuses ficam atados pelas leis do karma. Depois de estudar os três tipos de conhecimento védico sobre karma, se liberam do pecado ao tomar soma-rasa. Então eles me adoram através do yajna e suplicam ser

promovidos ao planeta svarga, no plano dos semideuses, como prêmio para suas ações piedosas. Deste modo, desfrutam dos divinos prazeres dos semideuses.” Te tam bhuktva svarga-lokam visalam Ksine punye martya-lokam visanti Evam trayi-dharmam anuprapanna Gatagatam kama-kama labhante Eles regressam ao mundo mortal quando seus méritos piedosos se esgotam, depois de Ter desfrutado de imensos prazeres celestiais. Deste modo, os que desejam prazeres sensuais e executam as atividades fruitivas descritas nos vedas, recebem apenas nascimento e morte recorrentes no mundo material. Prakasika-Vrtti Aqueles que desejam prazeres materiais, como se descreve no verso anterior e são contrários a Bhagavan, caem de novo no samsara após desfrutar de prazeres celestiais e recebem como resultado outro nascimento mortal. No Srimad Bhagavatam se diz:”Eles desfrutam de prazeres celestiais até que seus méritos se esgotam. Então, impulsionados pelo poder do tempo, voltam a cair neste mundo contra sua própria vontade.” Sloka 22

Ananyas cintayanto mam Ye janah paryupasate Tesam nityabhiyuktanam Yoga-ksemam vahamy aham Mas as pessoas que me comtemplam com exclusividade e me adoram através de tudo, eu me encarrego das suas necessidades para seu bem-estar. Bhavanuvada “A felicidade de meus bhaktas não é produto dos frutos do karma, sou eu quem outorga. Eu concedo a felicidade aos sábios que através de bhakti, estão sempre unidos a mim. Prakasika-Vrtti Como Sri Bhagavan se ocupa do progresso e da manutenção de seus bhaktas? Cabe ilustrar isto com uma história real. Era uma vez um brahmana chamado Arjuna Misra; que era um parama-bhakta de Sri Bhagavan. Toda manhã, após finalizar seu bhajana, dedicava duas horas a escrever seus comentários do Bhagavad Gita e depois saía para mendigar. Ao regressar, entregava a sua esposa o que recebia e ela cozinhava e oferecia o alimento a Sri Bhagavan com muito amor. Logo, ela dava a maha-prasada a seu esposo e quando ele terminava ela comia seus remanentes com grande satisfação. Eles viviam em condição de grande

pobreza e vestiam panos surrados, só tinham um dhoti em bom estado para sair de casa. Ambos consideravam suas pobrezas como uma dádiva de Bhagavan e estavam plenamente satisfeitos. Este era seus sentimentos constante e assim passavam seu tempo bem aventuradamente sem a menor perturbação pelas circunstâncias que se encontravam. Um dia, após executar seu bhajana, ele se sentou para escrever sobre o seguinte verso: Ananayas cintayanto mam Ye janah paryupasate Tesam nityabhiyuktanam Yoga-ksemam vahamy aham (B.G 9-22) Ao ler, sua mente ficou confundida por um grave dilema que não podia resolver:”Será certo que Sri Bhagavan, o amo do universo, se encarrega pessoalmente do yoga-ksema de quem está ocupado em sua ananya-bhakti? Não, isto não pode estar certo. Se fosse assim, porque estou em tal situação? Dependo absolutamente dele e ofereço tudo a seus pés de lótus com devoção exclusiva. Por que então, tenho que viver com miséria e pobreza? Por tanto, a afirmação deste verso não pode Ter vindo de Bhagavan, alguém deve Ter escrito isto.”Ele tratou de resolver esta dificuldade confiando em sua própria inteligência, mas sua perplexidade e dúvidas aumentaram. Finalmente, riscou este verso com

tinta vermelha, parou de escrever e foi mendigar. O muito compassivo Bhagavan, que protege as almas rendidas, viu que havia surgido uma dúvida a respeito de suas palavras na mente de seu bhakta. Assumindo a forma de um menino muito charmoso, doce e com tez escuro, encheu duas cestas com uma grande quantidade de arroz, grãos, vegetais, manteiga clarificada e outros alimentos e as colocou em varas de bambus. Então levou os alimentos sobre seus ombros até a casa do brahmana. A porta estava fechada por dentro. Primeiro ele bateu na porta e exclamou:”Mãe, Mãe!”. Mas a pobre brahmani estava vestida apenas com panos rasgados e não se atreveu a abrir a porta. Devido a sua timidez, ela se sentou em silêncio. Mesmo assim, o menino continuava chamando. Vendo que não tinha outra alternativa, a mulher saiu timidamente com a cabeça baixa e abriu porta. Sri Bhagavan disfarçado de um menino entrou no pátio da casa, colocou os alimentos no chão e disse:”Mãe, o brahmana lhe enviou isto. Leve para dentro por favor.” Até este momento a brahmani havia estado com a cabeça baixa, mas ao escutar a doce voz do menino, levantou sua cabeça e viu que havia duas cestas cheias de alimentos no chão. Ela jamais havia visto tão grande quantidade de vegetais e grãos. O menino lhe pediu várias vezes e finalmente ela levou as cestas para o interior da casa. Enquanto comtemplava o charmoso rosto do menino e se sentia plenamente satisfeita ela pensava:”Que rosto charmoso! Como pode uma

pessoa de tez escura possuir tal beleza transcendental?” Ela estava paralisada devido a emoção, nunca imaginara que poderia existir tal beleza. Ela notou então que havia três arranhados sangrando no peito do menino, como se alguém tivesse cortado com uma faca afiada. Com o coração inquieto, ela lhe disse chorando:”Ó filho! Que homem malvado arranhou você? É espantoso! Mesmo um coração de pedra se derreteria só em pensar em ferir seus charmosos membros. Sri Krsna disfarçado de menino disse: Mãe, eu me atrasei em trazer isto, por isto teu esposo me arranhou assim. Com os olhos cheios de lágrimas, a brahmani disse;”Que? Ele fez essas feridas em seu peito? Esperarei ele voltar e lhe perguntarei como pôde fazer algo tão abominável! Ó meu filho, não se sinta aflito, fique aqui um pouco. Vou cozinhar algo e logo poderás aceitar a prasada de Thakuraji.” A brahmani convidou o menino para se sentar e foi até a cozinha preparar a oferenda. Krsna pensou:”Já cumpri meu propósito de trazer estes alimentos. Quando o brahmana voltar para casa descobrirá imediatamente a autenticidade das minhas palavras e nunca mais terá dúvidas.”E assim, Krsna desapareceu após fazer o necessário para que desaparecesse as dúvidas de seu devoto. Nesse dia, apesar de seu grande esforço, o brahmana não recebeu nada. Sem esperança, ele voltou a sua casa pensando que sua impossibilidade de coletar era desejo de Thakuraji (deidade). Ao chegar, bateu na porta e

sua esposa abriu; ao entrar ele viu que ela estava cozinhando e ele então perguntou:”Eu não recebi nada hoje. O que estás cozinhando? ”Sua esposa respondeu;” Porque estás perguntando? Pouco tempo atrás enviaste tantas coisas com este menino que vamos Ter comida por seis meses.E teu coração é como uma pedra, eu não sabia disto. Este menino estava com três marcas vermelhas em seu peito; Como pôde fazer aquilo em seu charmoso corpo? Você não tem compaixão? ”Completamente surpreendido, o brahmana pediu que lhe explicasse. ”Eu não enviei nada e nem machuquei nenhum menino. Não sei do que estás falando.” Ao escutar as palavras de seu esposo ela lhe mostrou o arroz, a farinha e os demais alimentos, mas quando foi até o pátio para mostra-lhe o menino e suas feridas, ele já não estava mais lá. Ela procurou por toda casa e não o encontrou. A porta estava fechada como antes. Ambos se olharam surpreendidos. O brahmana começou a entender a situação e seus olhos começaram a derramar torrentes de lágrimas. Depois de lavar suas mãos e pés, ele entrou no quarto da deidade e para esclarecer de vez sua dúvida, abriu seu Bhagavad Gita. ”Esta manhã risquei três linhas vermelhas sobre ao verso nityabhiyuktanam yoga-ksemam vahamy aham, mas os riscos não estão mais aqui. Com muita felicidade saiu chorando do quarto da deidade. ” Ó mulher! Tu és infinitamente afortunada! Hoje você viu Sri Gopinatha em pessoa! Como eu poderia trazer tantos alimentos? Esta manhã, enquanto escrevia

o comentário do Bhagavad Gita, duvidei das declarações de Bhagavan e risquei algumas palavras com três linhas vermelhas. Por isto é que nossa Thakuraji, Gopinatha, tinha uns cortes. Por ser ele supremamente compassivo ele se deu ao trabalho de provar a autenticidade das suas declarações e eliminar as dúvidas de um ateu que sou.” Então ele ficou completamente sem voz. Carregado de amor, ele exclamou”Há Gopinatha, Há Gopinatha!” e desmaiou. Os olhos da sua esposa que estava de pé diante de Gopinath, maravilhada, estava cheio de lágrimas. Após isto, o brahmana voltou a si e se banhou para executar seus deveres cotidianos. Ele ofereceu as preparações que sua esposa havia cozinhado a Sri Gopinatha e com grande amor ambos aceitaram seus remanentes. Assim ele continuou escrevendo diariamente seu comentário do Bhagavad Gita e sua vida inundou-se de amor. Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna: ”Meus bhaktas só pensam em mim sem desvios. Para a manutenção de seus corpos, aceitam qualquer coisa favorável a minha bhakti e rejeitam o desfavorável. Assim sendo eles estão sempre unidos comigo através de amor devocional. Eu lhes dou a riqueza, satisfaço qualquer necessidade e os mantenho.” Sloka 23 Ye ´py anya-devata-bhakta Yajante sraddhayanvitah

Te ´pi mam eva kaunteya Yajanti avidhi-purvakam Ó Kaunteya! As pessoas que adoram os semideuses com fé, na realidade estão apenas me adorando, porém de uma maneira desautorizada. Bhavanuvada “Nenhum semideus existe independentemente de ti; tal é a natureza da forma universal. Pode-se então concluir que quem adora semideuses como Indra estão adorando a ti. Porque então eles não se liberam? Sri Bhagavan responde: ”É certo que me adoram, mas fazem isto sem seguir as regras prescritas para alcançar-me. Por isto, permanecem no mundo material Prakasika-vrtti A essência do comentário de Srila Visvanatha Cakravarti Thakur sobre este verso é que ao regar a raiz de uma árvore se nutre até as ramas mais pequenas, mas não se alcança o mesmo resultado regando-se as folhas, ramas, frutas e flores. Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna: ”Eu sou a personificação de sac-cit-ananda, na realidade sou o único Paramesvara, o controlador supremo. Não há nenhum semideus independente de mim. Mas muitas pessoas adoram semideuses tais com Indra e Surya. Em outra palavras, os seres humanos condicionados no mundo material honram e adoram o aspecto majestoso de minha

maya-sakti na forma dos diversos semideuses. Mesmo assim, através da deliberação apropriada se pode compreender que minhas opulências, os semideuses, são simples encarnações das minhas distintas qualidades ou guna-avataras; assim os consideram aqueles que adoram conhecendo sua posição verdadeira e a realidade de minha svarupa. Desta maneira, sua adoração torna-se autorizada e aprovada como parte do processo progressivo. Mas aqueles que adoram os semideuses pensando que eles são eternos e independentes de mim, os fazem de uma forma desautorizada que não segue as regras prescritas e por esta razão, não obtém resultados eternos.” Sloka 24 Aham hi sarva-yajnanam Bhokta ca prabhur eva ca Na tu mam abhijananti Tattvenatas cyavanti te Sou o único amo e desfrutador de todos os yajnas, mas aqueles que não reconhecem meu verdadeiro ser, perambulam repetidamente pelo ciclo de nascimento e morte. Bhavanuvada Qual é o sentido da frase “sem regras prescritas?” Sob a forma de diversos semideuses, sou o único desfrutador, sou o amo e o senhor, e sou quem outorga os resultados. Mas os adoradores dos

semideuses não conhecem esta verdade (tattva). Eles pensam, por exemplo, que adorando Surya, a quem eles vêem como Paramesvara, o controlador supremo, ele se satisfará e outorgará os resultados desejados. Sua inteligência não lhes permite entender que Paramesvara Sri Narayana, se converte em Surya e é quem provê esta fé. Assim eles caem devido a carência de tattvajnana. Por outro lado, os que compreendem que sob a forma de Surya e outros semideuses apenas Narayana é adorado, esses me veneram estando conscientes da minha universal. Por tanto é indispensável que quem adora os semideuses, entenda que eles são minhas opulências e não devem ser adorados independentemente de mim.” Prakasika-vrrti Encontramos os Siddhantas corretos nos srutis; “Brahma nasce de Sri Narayana, Indra nasce de Sri Narayana, Siva nasce de Sri Narayana e todos os semideuses e entidades vivas nascem de Sri narayana. Quando completam seus deveres universais e morrem, todos se fundem novamente em Sri Narayana.” A conclusão se encontra também nos demais Upanisads. As declarações anteriores sinalizam uma diferença entre os semideuses e Sri Vishnu, quem é o Controlador Supremo. Em ditas escrituras, se estabelece a supremacia de Sri Visnu sobre os semideuses, ainda que em algumas passagens se diz que algum semideus

particular é igual a Sri Vishnu. Isto é assim devido a influência de um semideus particular que está sob o controle de Sri Vishnu ou por que este semideus é muito querido por ele. Sloka 25 Yanti deva-vrata devan Pitrn yanti pitr-vratah Bhutani yanti bhutejya Yanti mad-yajino ´pi mam Os que adoram os semideuses vão aos planetas dos semideuses, os que adoram os antepassados vão aos planetas dos antepassados, os que adoram os espíritos vão aos planetas dos espíritos e os que me adoram sem dúvida me alcançam. Bhavanuvada Alguém poderia perguntar: “Que problema há em adorar os semideuses?”Sri Bhagavan responde: “É certo que eles adoram os semideuses segundo as regras e regulações para sua adoração e como resultado alcançam os semideuses. Este é o princípio. “Sri Bhagavan recita este verso para explicar este ponto. “Se os semideuses são perecíveis, como pode seus devotos se tornarem imperecíveis? Mas eu sou imperecível e eterno, por tanto, meus bhaktas também são imperecíveis e eternos.” Sloka 26

Patram puspam phalam toyam Yo me bhaktya prayacchati Tad aham bhakty-upahrtam Asnami prayatatmanah Se um bhakta (devoto) de coração puro me oferece com amor e devoção uma folha, uma flor ou água, eu aceito essa oferenda. Bhavanuvada Aqui se diz que a devoção que há no devoto é o que obriga Bhagavan a aceitar a oferenda. Isto indica que se alguém não é um devoto e oferece frutas ou flores com devoção superficial Bhagavan não aceita. Mas Bhagavan aceita qualquer coisa que o devoto lhe ofereça, inclusive uma folha. Ainda sim, se o corpo do devoto está impuro, Bhagavan não aceita a oferenda. Desta declaração se conclui que Bhagavan não aceita por exemplo a oferenda de uma mulher que esteja menstruada. Prakasika-Vrtti Depois de explicar a natureza imperecível e ilimitada dos resultados de bhagavat-bhajana, Bhagavan descreve agora sua qualidade; a facilidade de executa-lo. Quando se oferece com devoção algum objeto que se pode obter facilmente como uma folha, uma flor ou um pouco de água, Bhagavan aceita a oferenda,

mesmo possuindo opulência ilimitada e mesmo ele sendo perfeitamente satisfeito. Ele sente fome e sede devido ao amor que seu bhakta tem por ele e, absorto no sentimento devocional, aceita a oferenda. Na casa de seu devoto Vidura, Sri Krsna, cheio de amor, comeu as cascas das bananas que a esposa de Vidura o ofereceu. Enquanto comia o arroz seco que seu querido amigo (Sudama Vipra) lhe trouxe e ofereceu-lhe com amor, Sri Krsna disse: “A preparação pode ser deliciosa ou não, mas se ela é oferecida com amor e com sentimento de que está deliciosa, então se torna deliciosa para mim. Neste momento abandono todos meus outros pensamentos e a saboreio. Mesmo que uma flor ou fruta não possua fragrância ou gosto, eu as aceito, cativado pelo amor de meu devoto.” Sloka 27 Yat karosi yad asnasi Yaj juhosi dadasi yat Yat tapasyasi kaunteya Tat kurusva mad-arpanam Ó Kaunteya! Tudo que fizer, tudo que comer, tudo que sacrificar, dê em caridade a mim. Qualquer austeridade que executes, ofereça a mim. Bhavanuvada

Arjuna poderia perguntar: “Até agora você explicou os diversos tipos de bhakti, começando com o verso que começa com arto jijnasur artharthi (Gita 7.16) Qual deles devo seguir? Para erradicar esta dúvida de Arjuna, Sri Bhagavan diz. “Ó Arjuna, neste momento és incapaz de abandonar o karma, o jnana e outros processos, por tanto você não possui a capacidade para executar ananya bhakti, o tipo mais elevado de devoção. Por outro lado, não tens a necessidade de executar sakama bhakti, já que tua qualificação é superior a isto. Assim sendo, deves executar uma bhakti mesclada com niskama-karma e jnana. Por esta razão, Sri Bhagavan recita o presente verso. “Qualquer atividade mundana ou védica que executes como rotina, o alimento e a água que você ingerir diariamente e qualquer austeridade que executes, deves compreender que deves oferecê-las a mim.” Mas tal atividade não é niskama-karmayoga ou bhakti-yoga. Aqueles que se dedicam ao niskama-karma-yoga, oferece a Bhagavan apenas as atividades prescritas nos sastras, e não as atividades cotidianas normais. Mas os bhaktas oferecem ao Senhor todas as funções dos sentidos, juntamente com a alma, mente e seu ar vital. Prahlada Maharaj diz no Srimad Bhagavatam: “Escutar, cantar e lembrar acerca do nome, forma, qualidades, parafernália e passatempos transcendentais do Senhor Vishnu, servir os pés de lótus do Senhor, oferecer orações, oferecer adoração respeitosa ao Senhor com dezesseis artigos, converter-se em seu servo,

considera-lo como sendo o melhor amigo e render-lhe tudo - corpo, mente e palavras, constituem os nove processos do serviço devocional puro. A pessoa que cultiva os nove processos devocionais, oferecendo-se exclusivamente a Krsna, pode alcançar facilmente a meta suprema da vida.” Sloka 28 Subhasubha-phalair evam Moksyase karma-bandhanaih Sannyasa-yoga-yuktatma Vimukto mam upaisyasi Deste modo, irá te livrar do cativeiro dos resultados das ações, tanto favoráveis quanto desfavoráveis. Conectado comigo através do yoga com renúncia por oferecer-me os resultados das suas ações, te distinguirás inclusive entre as almas liberadas e assim virás a mim. Prakasika-Vrtti O coração de uma pessoa se purifica quando se refugia em pradhani-bhuta bhakti descrita anteriormente e oferece todas suas ações a Sri Bhagavan. Liberando-se assim do cativeiro do bom e mal karma, a pessoa pode obter uma posição especial entre as almas liberadas e finalmente alcançar Bhagavan. Deve-se entender aqui que ela consegue prema-mayi seva, que é superior a mukti.

Sloka 29 Samo ´ham sarva-bhutesu Na me dvesyo ´sti na priyah Ye bhajanti tu mam bhaktya Mayi te tesu capy aham Eu sou equânime para com todas as entidades vivas, não sou parcial nem hostil com ninguém. Ainda sim, estou atado pelo afeto de meus devotos, que estão apegados a mim e que me servem com grande amor. Bhavanuvada Arjuna poderia argumentar: “Ó Krsna, tu és atraído a seus bhaktas mas não te atrai aos não devotos. Isto significa que és parcial, pois tal atitude é uma amostra de apego e inveja.” Sri Bhagavan responde com este verso dizendo: “Não. Eu sou equânime com todos. Os bhaktas vivem sempre em mim e eu vivo neles.” De acordo com a explicação, o universo inteiro está em Bhagavan e Bhagavan está em todo o universo. Isto demonstra sua imparcialidade. A declaração ye yatha mam prapadyante tams significa: “Corresponde com a mesma consciência como a de uma pessoa que se rende a mim, em consciência, também adoro a essa pessoa e com a mesma intensidade com a que meus bhaktas se apegam a mim, eu, que existo neles, me apego também.”

Prakasika-Vrtti Alguém poderia interpôr a seguinte objeção: “Bhagavan concede a seus devotos o prema-mayi seva para seus pés de lótus outorgando-lhe uma liberação especial. Não é isto um sintoma de parcialidade, um defeito que nasce do apego e da inveja?” Como resposta se diz que sua visão é equanime. Ele não odeia nem inclina-se a ninguém. Ele cria e mantém os seres humanos e demais entidades vivas segundo seu respectivo karma. Outras pessoas poderiam dizer que ao manter as jivas de acordo com seu karma ele concede felicidade a alguns, sofrimento a outros e liberação a outros, não é este um sintoma do defeito de parcialidade que surge do apego e da inveja? O presente verso do Srimad Bhagavatam (6.17.23) também ajuda a sustentar este ponto: “Ainda que Sri Krsna é o executor original da ação, ele não é a causa da felicidade, a aflição, o cativeiro ou a liberação da jiva.É sua energia material quem governa os resultados do pecado e da piedade da jiva e se converte na causa de seu nascimento e morte , felicidade e aflição.” Devido ao fato de não haver diferença entre a energia e o energético, é certo que as atividades de sua maya-sakti se vê como obra sua. Mas não se pode atribuir a ele o defeito da parcialidade, pois os resultados que uma jiva recebe corresponde a seu próprio karma. Para comentar este verso, Srila Visvanatha Cakravarti Thakura

dá o exemplo do sol e do brilho. A luz do sol é desprezível para a flor kumuda e outras entidades vivas, mas é prazeirosa para o pássaro cakravaka e o lótus. Não se pode acusar o sol de parcialidade.Da mesma maneira, a energia material de Bhagavan outorga resultados acordes as ações das jivas. Não se pode lhe atribuir o defeito de ser parcial por isto. Vale a pena levar em conta o seguinte verso do Srimad Bhagavatam(8.5.22): “Sri Bhagavan não tem ninguém a proteger, ninguém a descuidar e ninguém a se adorar. Mesmo assim, com o propósito de criação, manutenção e aniquilação, ele aceita diferentes formas nos modos materiais da paixão, bondade e ignorância, de acordo com o momento específico.” Sloka 30 Api cet su-duracaro Bhajate mam ananya-bhak Sadhur eva samantavyah Samyag vyavasito hi sah Mesmo se um homem de caráter abominável se dedica a minha ananya bhajana, deve ser considerado um sadhu (santo)porque está apropriadamente situado em minha bhakti. Bhavanuvada

“Meu apego pelo meu bhakta é natural, mesmo se seu comportamento é degradado, meu apego por ele permanece intacto e eu o converto em um homem supremamente virtuoso.” Suduracarah significa que mesmo que seja um viciado em asassinar, Ter relações ilícitas com o sexo oposto ou estar apegado à riqueza alheia, se ele se ocupa em meu bhajana deve considerado santo; Que tipo de bhajana deve executar? Sri Bhagavan responde: ananya-bhakti, “É um santo aquele que não adora os semideuses senão que apenas adora a mim, que não se ocupa em karma ou jnana senão em minha bhakti, e que não deseja obter um reino senão que unicamente deseja alcançar me.” Mas como pode dizer que alguém é um sadhu se pode-se ver nele algum mal comportamento? Bhagavan responde: mantavyah, “Deve considerar-se um sadhu. A palavra mantavyah indica que o defeito existe em quem não o considera sadhu.”A este respeito minha ordem é autoritativa.” Se alguém se dedica ao teu bhajana mas seu comportamento é impróprio; pode ser considerado um sadhu parcial? Bhagavan responde: eva,”Ele deve ser considerado um sadhu completo. Não deve-se ver que ele carece de qualidades santas, pois ele fez uma firme resolução. “Mesmo que vou ao inferno ou as espécies inferiores por conta dos meus pecados, jamais abandonarei a ekantika-bhakti a Sri Krsna.” Prakasika-Vrtti

Neste verso, Bhagavan, que é um bhakta-vatsala, explica a potência inconcebível de sua bhakti com a seguinte declaração: “Mesmo que meu bhakta realize algum ato abominável eu o converto rapidamente em uma pessoa elevada de comportamento virtuoso. Não é possível que as pessoas perfeitas que se refugiam em minha ananya-bhakti tenham um mal comportamento, e se aparentam tê-lo aos olhos dos ignorantes, isto não existe na realidade. Eles são realmente santos. Se os grandes eruditos não podem compreender as ações e atitudes dos vaishnavas, que dizer então dos ignorantes?” No Caitanyacaritamrta se diz: “É impossível compreender o comportamento dos uttama-adhikari bhaktas através dos sentidos materiais.” Sri Krsna instrui Uddhava no Srimad Bhagavatam: “Meus ekantikas bhaktas, que estão livres do apego e da inveja, que são equânimes com todos, que me alcançaram e que estão além da inteligência material, não ocorre em pecado nem praticam uma atitude virtuosa quando executam atividades proibidas ou prescritas.” Mesmo assim, deve-se saber que o comportamento aparentemente errôneo destes ananyas bhaktas não deve ser imitados. Não se

deve render-lhe críticas e nem associar-se com eles. No Srimad Bhagavatam se diz que a destruição é o destino de quem critica o comportamento dos maha-bhagavatas, que podem Ter uma conduta aparentemente incorreta. O fogo permanece puro ainda que consome todas as substâncias, sejam elas puras ou impuras. Deste modo, um maha bhagavata permanece puro ainda que externamente sua conduta aparenta ser imprópria. O Srimad Bhagavatam descreve como os filhos de marici e netos de jagad guru Brahma tiveram que nascer entre os demônios como resultado de ridicularizar a conduta do senhor Brahma. Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna: “Ainda que a conduta de quem se ocupa em meu bhajana com suas mentes fixas em mim, não seja apropriada, deve-se considerar-lhes santos, pois sua dedicação resoluta é respeitável e charmosa em todos pontos de vista. Se deve entender claramente o significado da palavra sudaracarah. O comportamento de uma baddha-jiva é de dois tipos: sambandhika (condicional) e svarupa-gata (constitucional). Atividades como limpeza, atos piedosos, alimentação ou a satisfação das necessidades do corpo e da sociedade, ou o progresso mental são consideradas atividades condicionadas. O bhajana, que é uma atividade consciente que a jiva executa em estado puro a mim, é sua função constitucional. Esta função também é chamada de amisra-bhakti ou kevala-bhakti.

“No estado de cativeiro, a execução de kevalabhakti por parte da jiva tem uma relação irrevocável com sua conduta condicionada. Dita conduta estará presente enquanto tem um corpo material, inclusive quando aparecer ananyabhakti. A jiva (entidade viva) perde o gosto por tudo que é desfavorável para a devoção apenas quando aparece bhakti. Ela se desapega dos objetos dos sentidos na medida em que aumenta seu gosto pelo krsna-bhajana. Enquanto o gosto pelos objetos dos sentidos não é eliminado por completo, isto forçará a pessoa a comportar-se de modo impróprio, mas quando adquire uma tendência amorosa para com Krsna, tal gosto é rapidamente subjugado. A conduta de um devoto nos mais altos níveis de bhakti é bastante virtuosa e absolutamente charmosa. Se em algumas ocasiões ou acidentalmente, uma pessoa se comporta de forma imprópria ou mesmo pecaminosa e realiza atividades pelas quais um bhakta não possui um gosto natural, assim como matar, roubar ou Ter relações sexuais ilícitas com a esposa de outro, será de qualquer forma purificado rapidamente deste comportamento. Deve entender-se que minha bhakti, que é muito poderosa e purificante, jamais se contamina por esta conduta. Não deve jamais considerar-se que um parama-bhakta seja degradado porque talvez tenha consumido peixe ou teve relações sexuais ilícitas.” Sloka 31

Ksipram bhavati dharmatma Sasvac-chantim nigacchati Kaunteya pratijanihi Na me bhaktah pranasyati Muito rapidamente ele se torna virtuoso e alcança paz eterna. Ó Kaunteya! Deves declarar que meu devoto jamais carece. Bhavanuvada Poderia surgir aqui a seguinte pergunta: “Como podes aceitar o serviço destas pessoas imorais? Como podes comer os alimentos oferecidos por uma pessoa cujo coração está contaminado pelos defeitos como luxúria e ira?” Sri Bhagavan responde: “Ele se torna virtuoso muito rapidamente.”As palavras bhavati e nigacchati foi utilizada no tempo presente no lugar do futuro para indicar que imediatamente depois de realizar uma atividade irreligiosa ou abominável, a pessoa se lamenta e se recorda de Krsna uma e outra vez, e assim ela se retifica da sua conduta e se torna virtuosa. “Assim, lamentando-se repetidamente a pessoa alcança paz eterna.” Por outro lado, quando finalmente se torna virtuosa, pode permanecer nela os rastros sutis de irreligiosidade e contaminação. O calor mortal da febre ou o veneno podem permanecer mesmo depois de tomar a melhor medicina. De forma similar, se quando bhakti entra na mente desta pessoa a sua atividade pecaminosa acaba, mesmo

que possa permanecer de forma sutil durante um tempo. Logo, em uma etapa superior, ainda pode existir algumas indicações de conduta imprópria como a luxúria e a ira, mas elas não tem nenhuma influência. Isto é como no caso da serpente que não pode aplicar seu veneno porque teve seus dentes extraídos. Assim, sua luxúria e sua ira ficam eternamente dominadas incomparavelmente. Deve-se considerar que esta pessoa possui um coração puro mesmo que as vezes se comporte de maneira imprópria. Srila SridharSvami diz que se esta pessoa se torna religiosa ou virtuosa não há problema algum, mas, o que dizer de um devoto que não é capaz de abandonar seu mal comportamento até mesmo no momento da morte? Em resposta, Bhagavan diz enfaticamente e desgustado: “Mesmo quando morre ele não cai. Mas os que falam mal dele devido a sua escassa inteligência, não podem aceitar este fato.” Seguindo esta lógica, Krsna se dirigiu a Arjuna com palavras de incentivo, por que ele se encontrava sob controle da lamentação e da dúvida. “Ó Kaunteya! ressoando os sinos, vê onde se encontram os que me contradizem e, levantando os braços e livre de toda dúvida, declara que meus devotos nunca perecem mesmo que seu comportamento seja impróprio. Muito pelo contrário, eles alcançam todo êxito. Assim, todas as suas palavras falsas serão destruídas por tua eloquência, e eles se refugiarão em ti e te aceitarão como guru.” Prakasika-vrtti

Os sadhakas de ananya-bhakti sentem uma aversão natural pela conduta imprópria ou pecaminosa. Mas, se por acidente, o ananyabhakta se comporta incorretamente, esta tendência tem um caráter temporário. A inconcebível influência de ananya-bhakti não se perde por isto. Pelo contrário, a tendência é eliminada pela influência de ananya-bhakti situada no coração, que além do mais implica na liberação dos bhaktas, tanto da piedade como do pecado, e finalmente alcançam a paz suprema que nasce de bhakti. “Os ananyas bhaktas jamais estão perdidos”. Neste verso, Krsna, que é muito afetuoso com seus devotos, pede a seu muito querido amigo Arjuna que faça um juramento. Esta declaração se encontra também no Nrsimha Purana: “Os bhaktas cujos pensamentos estão absortos exclusivamente em Sri Hari, estão sempre situados em sua própria glória mesmo que externamente exibem uma conduta abominável. Isto se deve a influência de ananya-bhakti que está em seus corações. Isto é como uma lua cheia que tem manchas escuras ainda que a escuridão não a cobre.” Sloka 32 Mam hi partha vyapasritya Ye ´pi syuh papa-yonayah Striyo vaisyas tatha sudras

Te ´pi yanti param gatim Ó Partha, os que se refugiam em mim, mesmo que sejam pessoas de baixo nascimento como mulheres, comerciantes, sudras ou qualquer outro tipo de pessoa, alcançam o destino supremo. Bhavanuvada “A devoção por mim não leva em conta os acidentes de uma pessoa que se comporta incorretamente devido ao karma. Que há de extraordinário nisto? Minha bhakti não leva em conta os defeitos naturais e inerentes de quem se comporta incorretamente devido a sua casta”. No Srimad Bhagavatam (3.33.7) está dito: “Qualquer pessoa cuja língua tenha cantado teu nome, mesmo que seja uma só vez, é muito digna de adoração mesmo que tenha nascida em uma família de candala. Quem canta teu nome já executou todo tipo de austeridades e sacrifícios, estudou os Vedas e realizou todas as demais atividades prescritas". Isto se refere também às prostitutas, vaisyas e outros que se refugiam em Sri Bhagavan, mesmo se eles são impuros e mentirosos. Prakasika-Vrtti No verso anterior, Bhagavan explicou que um sadhaka dedicado a prática de ananya-bhakti deve ser considerado santo mesmo quando podese ver nele algum mal comportamento acidental.

Neste verso, Bhagavan explica que quem se refugia nele através de ananya-bhakti, mesmo que tenha nascido em uma família de candala ou meleccha, em família de sudras inferiores, e mesmo as prostitutas, que tem uma inclinação natural para as atividades ilícitas, alcançam rapidamente o destino supremo, o qual é muito difícil de ser alcançado até mesmo para os yogis. Srila Bhaktissidanta Sarasvati Prabhupada escreve: “O verso não se refere aos candalas comuns; eles nasceram em uma família inferior de acordo com seu prarabdha-karma e continuam se dedicando, pelo resto de suas vidas, a cometer atos abomináveis próprios de sua casta. Se refere aos Vaishnavas que, mesmo que tenham nascidos em família de comedores de cães, perdem o interesse pelas atividades abomináveis de sua tradição familiar e depois de aceitar diksa de um sad-guru, permanecem dedicados ao serviço de Bhagavan. Bhagavan afirma no Itihasa samuccaya: “Um brahmana que conhece os quatro vedas não é necessariamente um bhakta, mas meu bhakta, mesmo que tenha nascido em família de candalas, é muito querido por mim, é o recipiente apropriado para a caridade e é a pessoa certa de quem se deve aceitar caridade. Mesmo que tenha nascido em família de candalas, meu devoto, tal como eu, deve ser respeitado por todos, até mesmo pelos brahmanas”.

Srila Bhaktivinoda Thakura diz que a razão pela qual uma pessoa que se refugiou no santo nome de Sri Krsna Ter nascido na casa de um candala é com propósito de aperfeiçoar a qualidade da humildade, a qual é favorável para bhakti. A partir deste verso, podemos entender mais sobre a liberação de Jagai e Madhai pela misericórdia de Gaura-Nityananda, do caçador Mrgari por Narada Muni e da prostituta por Haridasa Thakura. Sloka 33 Kim punar brahmanah punya Bhakta rajarsayas tatha Anityam asukham lokam Imam prapya bhajasva mam Que dúvida pode haver então de que os brahmanas piedosos e os reis santos possam se converter em meus devotos? Por tanto, tendo vindo a este mundo material miserável e temporário, dedica-te a execução de meu bhajana. Sloka 34 Man-mana bhava mad-bhakto Mad-yaji mam namaskuru Mam evaisyasi yuktvaivam Atmanam mat-parayanah

Absorva sempre tua mente em mim, converte-te em meu devoto, adora-me e oferece-me reverências. Assim, com tua mente e corpo plenamente rendidos a meu serviço, sem dúvida me alcançarás. Prakasika-vrtti O objetivo supremo de toda jiva é obter krsnaprema e o único meio para alcança-lo é ananyabhakti. Apenas as suddha-jivas estão capacitadas a executar bhajana de Sri Bhagavan, o paratattva, e o svarupa de Sri Krsna é seu mais elevado objeto de adoração. A menos que uma pessoa entenda perfeitamente este siddhanta, não pode realizar puramente seus esforços por alcançar o destino supremo. Nos capítulos sete e oito se descreve suddha-bhakti desprovido de jnana, karma e yoga. Neste capítulo descreveu-se o tattva supremamente adorável. Para definir tal tattva (verdade), é necessário descrever os defeitos que surgem da adoração de outros semideuses que também parecem ser a realidade adorável. Por tanto, foi estabelecido cientificamente a natureza eternamente perfeita da svarupa supremamente pura e consciente de Sri Krsna. Um suddha-bhakta adora exclusivamente a forma eterna de Sri Krsna. A pessoa deve abandonar completamente a adoração dos semideuses, e com fé inquebrantável deve manter seu corpo enquanto se dedica exclusivamente aos nove processos de bhakti tais como sravanam, kirtanam e smaranam

de Sri Krsna. Os ananyas bhaktas são superiores aos karmis, jnanis e yogis mesmos se sua conduta na fase preliminar seja imprópria. Assim sendo, eles são certamente santos, pois em uma questão de poucos dias se estabelecem em ekantikabhava e seu caráter se faz puro em todo sentido.

Capítulo 10 Vibhuti - Yoga

As opulências de Sri Bhagavan Sloka 1 Sri bhagavan uvaca Bhuya eva maha-baho Srnu me paramam vacah Yat te ´ham priyamanaya Vaksyami hita-kamyaya Sri Bhagavan disse: Ó Maha-baho! Escuta de novo minhas instruções, pois estas são superiores às que te falei até agora. Devido ao seu amor por mim, te revelarei este conhecimento para teu benefício.

Bhavanuvada Desde o sétimo capítulo adiante, se explica o bhakti-tattva juntamente com o aspecto opulento de Bhagavan. Este mesmo bhakti-tattva é descrito neste capítulo com seus significados confidenciais Sloka 2 Na me viduh sura-ganah Prabhavam na maharsayah Aham adir hi devanam Maharsinanca sarvasah Eu sou a causa original em todos os aspectos, de todos os semideuses e grandes sábios, mesmo que eles não conheçam a verdade sobre minha aparição neste mundo. Prakasika-vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna: “ Eu sou a causa original dos semideuses e dos sábios (rsis). Por esta razão, eles jamais podem compreender-me através de seus esforços Todo mundo, semideuses e maha-rsis, buscam minha tattva utilizando a força de sua inteligência, mas apesar dos diligentes esforços desta inteligência material, eles podem entender-me e perceber-me apenas parcialmente. Eles apenas podem compreender meu aspecto impessoal, o qual é imanifesto e carece de variedade e qualidades.

Eles consideram equivocadamente que meu aspecto impessoal é parama-tattva. Sempre me manifesto por meio de minha potência inconcebível, estou completamente livre da contaminação material e possuo todas as qualidades transcendentais. Minha potência externa manifesta um aspecto parcial de minha svarupa denominada Isvara ou Paramesvara, o qual mora dentro de todas as jivas. O brahma é uma das minhas formas indiferenciadas e sem atributos, impessoal – o aspecto negativo da minha personalidade. Sloka 3 Yo mam ajam anadim ca Vetti loka-mahesvaram Asammudhah sa martyesu Sarva-papaih pramucyate Apenas aquele que sabe que sou onisciente e não nascido, que não tenho princípio e que sou o controlador supremo de todos os mundos, está livre do engano e se libera de todo pecado neste mundo mortal. Sloka 4 – 5 Buddhir jnanam asammohah Ksama satyam damah samah Sukham duhkham bhavo ´bhavo Bhayam cabhayam eva ca

Ahimsa samata tustis Tapo danam yaso ´yasah Bhavanti bhava bhutanam Matta eva prthag – vidhah A inteligência, o conhecimento, a ausência de ansiedade, a tolerância, a veracidade, o controle dos sentidos e da mente, a felicidade, a aflição, o nascimento, a morte, o temor, a valentia, a nãoviolência, a equanimidade, a satisfação, a austeridade, a caridade, a fama e a crítica, são todas elas qualidades das entidades vivas que se originam de mim. Sloka 6 Maharsayah sapta purve Catvaro manavas tatha Mad-bhava manasa jata Yesam loka imah prajah Os sete maharsis (grandes sábios), os quais estão Marici, e antes dele os quatro kumaras encabeçados por Sanaka; e os quatorze manus, dentre os quais se encontra Svayambhuva, nasceram da minha forma Hiranyagarbha através da minha mente. A raça humana descende de sua progênie e de seus discípulos. Bhavanuvada Depois de explicar que os que possuem atributos tais como a inteligência, o conhecimento e

ausência de ansiedade, não podem entender sua tattva-jnana, Sri Bhagavan expõe a realidade das suas deficiências. Em outras palavras, estas qualidades provém apenas de Krsna. Ele disse neste verso: “ Os sete maharsis, entre os quais está Marici, e antes deles os quatro kumaras e os quatorze manus, entre eles Svayambhuva, nasceram de mim, ou melhor, da minha forma Hiranyagarbha. Eles nasceram da minha mente. A terra está povoada por brahmanas e ksatriyas que são filhos, netos, e discípulos de Marici, Sanaka e outros.” Sloka 7 Etam vibhutim yogam ca Mama yo vetti tattvatah So ´vikalpena yogena Yujyate natra samsayah Aquele que conhece realmente todas as minhas opulências e também o processo de bhakti yoga, possui bhagavat-tattva-jnana inquebrantável. Não há nenhuma dúvida sobre isto. Sloka 8 Aham sarvasya prabhavo Mattah sarvam pravarttate Iti matva bhajante mam Budha bhava – samanvitah

Eu sou a fonte tanto dos mundos materiais quanto dos espirituais. Tudo emana de mim. O sábio que entende isto perfeitamente me adora com grande alegria no coração. Sloka 9 Mac-citta mad-gata-prana Bodhayantah parasparam Kathayantas ca mam nityam Tusyanti ca ramanti ca Aquele que absorve a mente em mim e se dedica ao meu serviço, experimenta grande satisfação e bem-aventurança ao conversar sobre mim e cantar meus santos nomes. Prakasika-Vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna: “A natureza de quem mantém sua mente dedicada exclusivamente a mim é a seguinte: Ao oferecerme sua mente e sua vida por inteiro, eles compartilham seus sentimentos e glorificam continuamente meus passatempos e meus demais aspectos. Assim, através da audição e do canto, obtém-se a felicidade de bhakti. Logo, na etapa de sadhya, a etapa seguinte a obtenção de prema, que é alcançável apenas pelo caminho de ragamarga, eles experimentam o prazer de desfrutar comigo em vraja-rasa, culminando no bhava de madhurya-rasa.”

Sloka 10 Tesam satata-yuktanam Bhajatam priti-purvakam Dadami buddhi-yogam tam Yena mam upayanti te A aqueles que me adoram com amor e anseiam por minha associação eterna, eu lhes concedo o conhecimento transcendental qual podem vir até mim. Bhavanuvada “ Desta maneira, eles obtém satisfação e bemaventurança. De acordo com tua declaração, teus bhaktas alcançam a bem aventurança suprema unicamente através da devoção a ti. Está claro que eles transcendem os modos materiais. Mas, como eles te conhecem e percebem diretamente e de quem aprendem este processo?”. Sri Bhagavan recita este verso, adiantando-se a pergunta de Arjuna: “ Eu pessoalmente inspiro todas as tendências naturais dentro do coração de quem deseja minha associação eterna.” Sloka 11 Tesam evanukampartham Aham ajnana-jam tamah Nasayamy atma-bhava-stho Jnana-dipena bhasvata

É apenas devido a compaixão pelos ananyas bhaktas que eu, morando no fundo de seus corações, destruo a escuridão de samsara nascida da ignorância com a ardente chama do conhecimento transcendental. Bhavanuvada Arjuna poderia argumentar: “Uma pessoa carente de conhecimento verdadeiro não pode chegar até você, por que deve esforçar-se nisto?” Sri Bhagavan responde: “ Não. Estou explicando a você que só dou minhas bençãos aos meus ananyas bhaktas, e não aos yogis ou outros. Sempre anseio concede-lhes minha misericórdia para que não tenham que passar por dificuldades. Entrando na sua inteligência, dissipo a escuridão de seus corações com a tocha do conhecimento. O jnana que lhes permite ver-me não é sattvika e sim nirguna e, visto que nasce de bhakti, é especial mesmo que esteja dentro da categoria de nirguna-jnana. Eu acabo com a escuridão de seus corações apenas com a tocha deste jnana em particular. Assim sendo; qual a necessidade de se esforçarem? Eu me encarrego pessoalmente da manutenção e das necessidades de quem está dedicado exclusivamente a mim”. Os quatro versos que culminam com este, constituem a essência do Bhagavad Gita. São plenamente auspiciosos e eliminam o sofrimento da jiva, que surge da ignorância. Slokas 12 – 13

Arjuna uvaca Param brahma param dhama Pavitram paramam bhavan Purusam sasvatam divyam Adi-devam ajam vibhum Ahus tvam rsayah sarve Devarsir naradas tatha Asito devalo vyasah Svayam caiva bravisi me Arjuna disse: Sei que és a Verdade Absoluta Supremo e a Morada Suprema. És supremamente puro e dissipa a impureza nascida da ignorância. Os grandes sábios como Narada, Asita, Devala e Vyasa também te glorificam como a Personalidade eterna, o Senhor transcendental e primordial, não nascido e onipresente. E agora, tu mesmo estás dizendo isto a mim. Bhavanuvada Arjuna recita este verso com o desejo de escutar mais detalhadamente sobre o significado do que já foi explicado sucintamente. “ Tu és param brahma, porque possui a charmosa forma Syamasundara.” “ Tu és dhama. Ao contrário das jivas, não há diferença entre tu e teu corpo.” Qual é a svarupa deste corpo? Bhagavan responde dizendo pavitram-paramam, “Aquele que contempla esta forma se libera da impureza da ignorância.” Por tanto, os sábios te chamam

sasvatam purusam ahuh – a pessoa eterna – e glorificam a natureza eterna de sua forma humana. Sloka 14 Sarvam etad rtam manye Yan mam vadasi kesava Na hi te bhagavan vyaktim Vidur deva na danavah Ó Kesava! Aceito tudo que me disse. Nem os semideuses, nem os demônios compreendem a verdade sobre seu nascimento. Bhavanuvada Arjuna disse: “ Não tenho dúvidas. Outros sábios consideram que tu, a Verdade Absoluta Suprema, que possui a eterna e charmosa forma de Syamasundara, é não nascida, mas não sabem nada sobre teu nascimento. Não compreendem como é possível que tu, Parabrahma, nasce e ao mesmo tempo não nasce. Você afirma. (Gita.10.12): “Os semideuses e os sábios não sabem nada sobre minha aparição”, Mas eu aceito com firmeza tudo o que tenha me dito. Ó Kesava! A sílaba ka se refere a Brahma e a sílaba isa a Rudra. Visto que atado a estas pessoas com a ignorância relacionada com tua aparição, não és absolutamente surpreendente que outros semideuses e demônios não te conheçam.

Sloka 15 Svayam evatmanatmanam Vettha tvam purusottama Bhuta-bhavana bhutesa Deva-deva-jagat-pate Ó Purusottama! Pessoa Suprema! Ó Bhutabhavana! Criador de todos os seres! Ó Bhutesa, Senhor de todos os seres criados! Ó Deva -deva, Deus dos deuses! Ó Jagad-pate, Amo do universo! Mediante tua própria potência apenas tu conheces a ti mesmo. Bhavanuvada “ Apenas tu te conheces. A palavra eva indica que teus bhaktas conhecem o tattva de teu nascimento e não nascimento simultâneos, o qual é inconcebível. Mas, por que inclusive eles não tem pleno conhecimento sobre isto? Apenas tu te conheces mediante tua cit-sakti, não por outro meio. Por isto, tu és a melhor das pessoas, és superior até do que Maha-Vishnu, e o criador do mahat-tattva. Não só és o melhor, mas também és o controlador de todos, mesmo do avô de Brahma. E não só és o controlador, mas também és o Deva dos semideuses, pois até mesmo Brahma e Siva são instrumentos em seus passatempos. Além do mais, és Jagat-pati, o amo do universo. Devido a tua compaixão ilimitada és o amo de todas as jivas que, assim como eu, vivem no mundo material. “

Prakasika-Vrtti Desejando ouvir os detalhes, sobre as opulências de Bhagavan Sri Krsna, Arjuna diz: “Apenas tu conheces as glórias da tua realidade inconcebível. Nada, incluindo os semideuses, demônios e seres humanos, pode conhecer sequer uma partícula das tuas glórias através um esforço independente. Apenas os ananyas bhaktas podem conhecer um pouco destas glórias mediante tua graça. Por isto suplico que sejas misericordioso comigo.” Sloka 16 Vaktum arhasy asesena Divya hy atma-vibhutayah Yabhir vibhutibhir lokan Imams tvam vyapya tisthasi Por favor, descreve detalhadamente tuas majestosas opulências, as quais te fazes onipresente em todos os mundos e fazes residir neles. Bhavanuvada “ É muito difícil compreender tua tattva. Dizem que essas opulências divinas não podem ser explicadas detalhadamente, então fala-me pelo menos sobre tuas opulências superiores.” Sloka 17

Katham vidyam aham yogims Tvam sada paricintayan Kesu kesu ca bhavesu Cintyo ´si bhagavan maya Ó Místico Supremo, amo da yoga-maya-sakti! Como posso conhecer-te e como posso pensar sempre em ti? Ó Bhagavan! Com qual atitude e em qual de suas formas devo meditar? Prakasika-Vrtti Após pedir a Sri Bhagavan no verso anterior que lhe descrevesse suas opulências, Arjuna ora especificamente neste verso, implorando para compreender em qual objeto e forma existem estas opulências. A yoga-maya, quem pode fazer o impossível se tornar possível, reside sempre com Sri Krsna. Por esta razão, Arjuna se dirige a ele como yogin, a morada de yoga-maya. Aqui se explica que apenas Krsna é capaz de descrever suas opulências. Sloka 18 Vistarenatmano yogam Vibhutinca janardana Bhuyah kathaya trptir hi Srnvato nasti me ´mrtam Ó Janardana! Por favor, fala-me de novo em detalhe, sobre teus poderes místicos e opulências,

pois jamais me sacio de escutar suas palavras nectáreas. Sloka 19 Sri bhagavan uvaca Hanta te kathayisyami Divya hy atma-vibhutayah Pradhanyatah kuru-srestha Nasty anto vistarasya me Sri Bhagavan disse: Ó tu que é o melhor dos Kurus! Descreverei a ti minhas divinas opulências, mas só as mais proeminentes pois minhas glórias são ilimitadas.

Bhavanuvada A palavra hanta neste verso indica compaixão. Sri Bhagavan disse: “Apenas te explicarei minhas glórias mais proeminentes, pois estas variedades não tem fim”. Sloka 20 Aham atma gudakesa Sarva-bhutasaya-sthitah Aham adis ca madhyam ca Bhutanam anta eva ca

Ó Gudakesa! Como Antaryami resido no coração de todas as jivas. Sou a causa única da criação, manutenção e destruição de todos os seres. Bhavanuvada Sri Bhagavan diz aqui: “Ó Arjuna, deves entender que sou a causa de todas as opulências mediante apenas uma de minhas porções”. Aqui a palavra atma se refere a Antaryami da prakrti original, o purusa avatara Karanodakasayi Visnu, quem cria o mahat-tattva. Gudakesa indica alguém que controla seu sonho. Sri Bhagavan usa esta palavra para indicar que Arjuna é capaz de meditar. “ Sou a Superalma de toda criação, sarva-bhutasaya-sthitah”. Sarva-bhuta indica Brahma. Em outras palavras, sou o começo, o meio e o fim de todas as entidades vivas, e sou os elementos ou a causa da aniquilação”. Sloka 21 Adityanam aham visnur Jyotisam ravir amsumam Maricir marutam asmi Naksatranam aham sasi Dos doze Adityas sou Visnu. Entre as luminárias sou o sol radiante, dos Maruts sou Marici e entre as estrelas sou a lua. Sloka 22

Vedanam sama-vedo ´smi Devanam asmi vasavah Indriyanam manas casmi Bhutanam asmi cetana Entre os Vedas sou o Sama-Veda, entre os semideuses sou Indra, entre os sentidos sou a mente e sou a consciência das entidades vivas. Sloka 23 Rudranam sankaras casmi Vitteso yaksa-raksasam Vasunam pavakas casmi Meruh sikharinam aham De todos os Rudras sou Sankara, dos Yaksas e Raksasas sou Kuvera, dos oito Vasus sou Agni e entre as montanhas sou Sumeru. Sloka 24 Purodhasanca mukhyam mam Viddhi partha brhaspatim Senaninam aham skandah Sarasam asmi sagarah Ó Partha! Entre os sacerdotes sou Brhaspati, o diretor. Dos generais sou Karttikeya e entre as extensões de água sou o oceano. Sloka 25

Maharsinam bhrgur aham Giram asmy ekam aksaram Yajnanam japa-yajno ´smi Sthavaranam himalayah Entre os Maharsis sou Brhgu. Das vibrações sou a sílaba om, dos sacrifícios sou japa-yajna e entre os objetos inertes sou os Himalayas. Sloka 26 Asvatthah sarva-vrksanam Devarsinanca naradah Gandharvanam citrarathah Siddhanam kapilo munih Entre as árvores sou a figueira, entre os devarsis sou Narada, dos Gandharvas sou Citraratha e entre os seres perfeitos sou Kapila Muni. Sloka 27 Uccaihsravasam asvanam Viddhi mam amrtodbhavam Airavatam gajendranam Narananca naradhipam Entre os cavalos sou Uccaihsrava, que nasceu do néctar, dos elefantes sou Airavata e sou o rei entre os homens. Sloka 28

Ayudhanam aham vajram Dhenunam asmi kamadhuk Prajanas casmi kandarpah Sarpanam asmi vasukih Entre as armas sou o raio e entre as vacas sou Kamadhenu, a vaca dos desejos. Eu sou o deus do amor Kandarpa, que causa a procriação e, entre as serpentes sou Vasuki. Sloka 29 Anantas casmi naganam Varuno yadasam aham Pitrnam aryama casmi Yamah samyamatam aham Das nagas sou a serpente divina Ananta, entre os seres aquáticos sou Varuna, o Senhor das águas. Dos ancestrais sou Aryama e entre os castigadores sou Yamaraja. Sloka 30 Prahladas casmi daityana Kalah kalayatam aham Mrgananca mrgendro ´ham Vainateyas ca paksinam Entre os daityas sou Prahlada e entre os controladores sou o tempo. Sou o leão entre os animais ferozes e entre os pássaros sou Garuda.

Bhavanuvada A palavra kalayatam significa “entre os controladores”, mrga-indrah significa leão e vainateyah significa Garuda. Sloka 31 Pavanah pavatam asmi Ramah sastra-bhrtam aham Jhasanam makaras casmi Srotasam asmi jahnavi Entre tudo que é ágil e purificante sou o vento. Entre os que manejam armas sou Parasurama. Dos animais aquáticos sou o tubarão e entre os rios sou o Ganges. Sloka 32 Sarganam adir antas ca Madhyancaivaham arjuna Adhyatma-vidya vidyanam Vadah pravadatam aham Ó Arjuna! Sou o começo, o meio e o fim de toda criação. Entre todos os tipos de conhecimento sou o atma-jnana e da lógica sou a conclusão. Bhavanuvada “Todas as coisas criadas, como por exemplo o céu, se denomina svarga. Sou o criador,

aniquilador e sustentador de todas elas. Por tanto, deve-se meditar na criação, manutenção e aniquilação, pois estas são minhas opulências.” “Do conhecimento védico sou atma-jnana, o conhecimento acerca do ser. No debate lógico dividido em jalpa, vitanda e vada – que estabelece o argumento próprio e refuta as conclusões do oponente, sou o vada, mediante o qual se estabelece os princípios filosóficos – siddhanta e tattva – corretos”. Prakasika-vrtti Bhagavan explica neste verso que entre os diversos aspectos do conhecimento, o conhecimento espiritual ou adhyatma-vidya, é sua vibhuti. Vidya é a educação que uma pessoa adquire em relação aos objetos de conhecimento mediante sua própria inteligência. Os sastras descrevem dezoito tipos de vidya, dentre os quais quatorze são proeminentes: “Siksa, kalpa, vyakarana, nirukta, jyotisa e chanda são os seis tipos de conhecimento denominados vedanga, ramos dos Vedas. Os quatro Vedas são: Rg, Sama, Yajur e Atharva. Todos eles, combinados com mimamsa, nyaya, os dharma-sastras e os Puranas constituem os quatorze vidyas principais”. A prática dos vidyas agrava a inteligência de uma pessoa e aumenta os diversos campos de seu conhecimento. Este jnana não apenas ajuda uma

pessoa a sustentar sua vida, mas também a guia no caminho de karma. Sem dúvida, o conhecimento transcendental outorga a imortalidade aos seres humanos liberando-os do cativeiro do mundo material. É superior a todos os vidyas anteriormente mencionados e outorga total conhecimento de parabrahma, o que se permite compreender a realidade eterna suprema. Este conhecimento transcendental é vibhuti ou uma opulência de Krsna. O Bhagavd Gita e os Upanisads estão incluídos dentro desta categoria. O rasamayi-bhakti dos habitantes de Vraja descrito no décimo canto do Srimad Bhagavatam é milhões de vezes superior ao conhecimento espiritual de Uddhava. Devido ao fato de que rasamayi-bhakti é a essência das potências hladini e samvit de Krsna, constituem na realidade a svarupa de Krsna, enquanto adhyatma-vidya é apenas uma opulência parcial de prema-bhakti. O diálogo entre Ramananda Ray e Sri caitanya Mahaprabhu no Caitanya caritamrta ( Madhya-lila 8.245) corrobora esta conclusão: “ Mahaprabhu perguntou: ‘Entre os tipos de conhecimento, qual é o melhor?’ Ramananda Ray respondeu: ‘ Além de Krsna-bhakti não há nenhum outro conhecimento’. “ Sloka 33 Aksaranam a-karo ´smi Dvandvah samasikasya ca

Aham evaksayah kalo Dhataham visvato-mukhah Das letras sou a “ A “ e das palavras compostas sou a composta dual. Sou Mahakala Rudra entre os aniquiladores e, dos criadores sou o Brahma de quatro cabeças. Bhavanuvada Entre as palavras compostas sou dvandvah, a composta dupla. Ela é a melhor devido ao fato dela ser proeminente em ambos elementos. Dos aniquiladores sou Mahakala Rudra, o tempo eterno. Entre os criadores sou visvato-mukhah, o Brahma de quatro cabeças. Prakasika-Vrtti Bhagavan diz que entre as palavras compostas ele é a dvandvah. Quando há na formação de uma palavra composta duas ou mais palavras que perdem as terminações de seus casos respectivos e se combinam, isto se denomina samas e a palavra resultante se conhece como samasta-pada ou palavra composta. Existem seis tipos principais de samasas: dvandva, bahubrihi, karma dharaya, tat-purusa, dvigu e avyayi-bhava. A dvandva é a melhor delas, pois em outras palavras compostas, ou apenas uma das partes é proeminente ou estas se combinam para produzir um novo significado. Mas na dvandva-samasa ambas as partes conservam sua proeminência

original, como em Rama-Krsna ou Radha-Krsna. Por isso Krsna diz que a dvandva –samasa é sua vibhuti. Sloka34 Mrtyuh sarva-haras caham Udbhavas ca bhavisyatam Kirttih srir vak ca narinam Smrtir medha dhrtih ksama De tudo que devora sou a morte e das seis transformações progressivas que todas entidades vivas experimentam sou o nascimento. Entre as mulheres sou a fama, a beleza, a maneira delicada de falar, a memória, a inteligência, a tolerância e o perdão. Prakasika-Vrtti Sri Bhagavan diz aqui que entre as mulheres ele é a fama, a beleza ou a fortuna, a forma delicada de falar, a memória, a inteligência, a paciência ou fortaleza e o perdão. Isto pode-se entender de duas maneiras. 1- “ As qualidades como a fama, beleza, a maneira doce de falar, a memória, o pensamento sutil e o perdão, presentes em Sita Devi, Uma, Rukmini, Draupadi, e, especialmente nas Vraja-gopis, são vibhutis de Krsna. 2- Entre as vinte quatro filhas de Prajapati Daksa, Kirti, Medha, Dhrti, Smrti e Ksama são mulheres

ideais em todos os sentidos. Kirti, Medha e Dhrti foram casadas com Dharma, Smrti com Angira e Ksama com o grande sábio Pulaha. Sri é a filha do grande sábio Bhrgu que nasceu do ventre de Khyati, a filha de Daksa. Sri Visnu a tomou como esposa. Vak é a filha de Brahma. De acordo com seus respectivos nomes, elas são as deidades regentes das qualidades mencionadas. Elas foram incluídas entre as mulheres mais excelsas, por tanto, Krsna diz que elas são suas vibhutis. Sloka 35 Brhat-sama tatha samnam Gayatri chandasam aham Masanam marga-sirso´ham Rtunam kusumakarah Dos ramos do Sama-veda sou o Brhatsama, a oração a Indra. Dos versos sou o gayatri, dos meses sou Marga-sirsa e entre as estações sou a florida primavera. Bhavanuvada Sri Bhagavan disse anteriormente que dos Vedas ele é o Sama-veda. Agora diz que dentro do Sama-veda ele é o Brhat-sama, indicado pelo Rg-mantra, o qual é cantado como “tvam rddhim havamahe”. Prakasika-Vrtti

Bhagavan não é diferente de seus nomes, qualidades, passatempos e orações. O Sama-veda contém orações que são a forma de Bhagavan, e por isso é aceito como o melhor dos Vedas e uma de suas opulências. O gayatri ilumina a forma de Bhagavan, razão pela qual se conhece como a mãe dos Vedas também está entre as opulências de Bhagavan. Dos doze meses, ele expressa que Marga-sirsa é sua opulência. Este mês não é nem muito calor nem frio, e é neste tempo que se executam diferentes atividades védicas. Exatamente antes de seu começo, Krsna realiza sua rasa-lila, seu passatempo mais elevado. A natureza floresce em sua plenitude e planta-se novas sementes nos campos. Agrahayana é o começo do ano, por isso Bhagavan diz que é sua vibhuti. A primavera é a melhor das estações e é conhecida como rtu-raja, rei das estações. Nesta estação, a natureza abandona seus antigos ornamentos e se adorna com uma coberta fresca. Todos os seres, móveis e imóveis, se enchem de nova vida e Krsna realiza seu passatempo do balanço, entre outros. É especialmente suprema porque Sri Caitanya Mahaprabhu apareceu nela assumindo o bhava e a tez de Srimati Radhika, a personificação de mahabhava. Por isso Bhagavan a inclui entre suas vibhutis.

Sloka 36 dyutam chalayatam asmi tejas tejasvinam aham jayo ´smi vyavasayo ´smi sattvam sattvavatam aham Sou o azar dos enganadores e o esplendor do esplêndido. Sou a vitória dos vitoriosos, o esforço do diligente e a força do poderoso. Sloka 37 Vrsninam vasudevo´smi Pandavanam dhananjayah Muninam apy aham vyasah Kavinam usana kavih Dos vrsni sou Vasudeva, dos Pandavas sou Arjuna, dos munis sou Vyasa e entre os kavis sou o poeta Sukracarya. Bhavanuvada ‘Dos Vrsnis sou Vasudeva, o que significa que meu pai, Vasudeva é minha vibhuti”. A palavra Vasudeva se forma agregando o sufixo an à palavra Vasudeva. A afirmação “ dos Vrsni sou Vasudeva” não é aceitável porque Bhagavan está descrevendo suas vibhutis,

não sua svarupa. Vasudeva é um dos aspectos da sua svarupa, não uma de suas opulências. Sloka 38 Dando damayatam asmi Nitir asmi jigisatam Maunam caivasmi guhyanam Jnanam jnanavatam aham Sou a vara de castigo dos justiceiros e a moralidade de quem persegue a vitória. Dos segredos sou o silêncio e sou a sabedoria dos sábios. Sloka 39 Yac capi sarva-bhutanam Bijam tad aham arjuna Na tad asti vina yat syan Maya bhutam caracaram Ó Arjuna! Sou a causa original, a semente geradora de toda existência. Nenhuma entidade viva, seja móvel ou inerte, pode existir sem mim. Sloka 40 Nanto ´sti mama divyanam Vibhutinam parantapa Esa tuddesatah prokto

Vibhuter vistaro maya Ó Parantapa! Minhas opulências divinas são ilimitadas, o que te foi descrito é uma simples indicação delas. Sloka 41 Yad yad vibhutimat sattvam Srimad urjitam eva va Tat tad evavagaccha tvam Mama tejo ´sma-sambhavam Entende que toda a criação opulenta, majestosa e dotada de poder, nasce de uma parte da minha sakti. Sloka 42 Atha va bahunaitena Kim jnatena tavarjuna Vistabhyaham idam krtsnam Ekamsena sthito jagat De que te serve, ó Arjuna, todo este conhecimento detalhado? Simplesmente entende que eu me faço onipresente e sustento todo o universo com apenas uma das minhas fragmentações.

Bhavanuvada

“ Qual é a necessidade de saber isto tudo detalhadamente? Simplesmente, tenta compreender a essência. Eu sustento todo o universo inteiro mediante meu aspecto parcial Antaryami, o purusa da natureza material. Como a autoridade regente eu o presido e como o controlador eu o controlo. Sendo onipenetrante estou presente nele e como o criador sou a causa.” Capítulo 11 Visvarupa Darsana Yoga Contemplando a forma universal

Sloka 1 Arjuna uvaca Mad-anugrahaya paramam Guhyam adhyatma-samjnitam Yat tvayoktam vacas tena Moho ´yam vigato mama Arjuna disse: Minha ilusão foi dissipada após Ter escutado o supremo

conhecimento confidencial de tuas opulências, a qual me revelaste devido ao fato de teres compaixão por mim. Bhavanuvada No décimo primeiro capítulo, Arjuna se aterroriza ao comtemplar a forma universal, visvarupa, de Sri Bhagavan e, perplexo, começa a orar. Logo Sri Hari lhe outorga bem-aventurança mostrandolhe novamente sua forma eterna de dois braços; Sri Krsna disse no final do capítulo anterior. “ Eu penetro e sustento todo o universo simplesmente mediante uma das minhas porções.” Arjuna estava imerso na bem-aventurança suprema depois de escutar de seu querido amigo acerca de suas opulências. Ele se regozijou ao escutar Bhagavan descreve-las. Com o desejo de ver esta forma, Arjuna recita três versos começando com as palavras mad-anugrahaya. A ignorância de Arjuna com respeito ao aisvarya de Krsna se dissipou ao escutar as declarações de Bhagavan. Sloka 2 Bhavapyayau hi bhutanam Srutau vistaraso maya Tvattah kamala-patraksa

Mahatmyam api cavyayam Ó Senhor de olhos de lótus! Já te escutei falar os detalhes de tuas glórias ilimitadas, e também sobre tua origem e dissolução de todas as entidades vivas. Sloka 3 Evam etad yathattha tvam Atmanam paramesvara Drastum icchami te rupam Aisvaram purusottama Ó Paramesvara! Aceito tudo o que disse sobre você mesmo. Ó Purusottama! Agora desejo contemplar essa grande forma repleta de sua aisvarya. Bhavanuvada Você disse: “ Estou situado no mundo penetrando-o através de minhas porções.” ‘Isto é certo; não tenho nenhuma dúvida, mas desejaria Ter a satisfação de contemplar tua forma aisvarya. Quero ver com meus próprios olhos a forma desta porção, tua forma isvara, na qual existes ao entrar neste mundo.’ Prakasika-Vrtti

Com o desejo de contemplar a forma de Bhagavan plena de aisvarya, Arjuna disse: “ Ó Paramesvara, escutei sobre tuas maravilhosas e ilimitadas opulências. Porém, agora estou ansioso para ver tua forma aisvarya. És Antaryami que existe dentro de todos os corações e, por tanto, conheces meu desejo íntimo e és capaz de satisfazer-me”. Alguém poderia questionar: “Se Arjuna é um amigo eterno de Krsna, a personificação da doçura; por que deseja contemplar a forma universal, visvarupa, a qual expressa a aisvarya de Bhagavan? A resposta é que assim como uma pessoa que gosta muito de doces deseja comer alimentos amargos de vez em quando, Arjuna, que sempre degusta a doçura de Krsna, também teve o desejo de ver sua visvarupa, a qual é uma expressão de sua aisvarya. Sloka 4 Manyase yadi tac chakyam Maya drastum iti prabho Yogesvara tato me tvam Darsayatmanam avyayam Ó Prabhu! Se pensas que posso contemplar a forma aisvarya imperecível, então, ó Yogesvara! Revela-me por favor.

Bhavanuvada “Arjuna disse: Mesmo que não seja capaz de ver esta sua forma, poderia revelar-me, através de teu poder místico, pois és Yogesvara, o místico Supremo”. Prakasika-vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura expressa: “A jiva é uma entidade consciente atômica e por esta razão, não pode entender apropriadamente as atividades de Sri Bhagavan, quem é a consciência infinita suprema. “Eu sou uma jiva, mas mesmo que tenho adquirido por tua misericórdia, a qualificação para entender e contemplar e sua svarupa-tattva, a forma universal, sou incapaz de compreender teus infinitos aspectos aisvarya. Isto porque eles estão aquém da concepção da jiva. Tu és Yogesvara e és meu Prabhu. Por favor, mostra-me tua yoga-aisvarya, a qual é de natureza consciente e imperecível.” Sloka 5 Sri bhagavan uvaca Pasya me partha rupani Sataso tha sahasrasah Nana-vidhani divyani Nana-varnakrtini ca

Sri Bhagavan disse: Ó Partha! Contempla minhas centenas de milhares de formas divinas multicoloridas. Bhavanuvada “Primeiro te revelarei o primeiro purusa, Karanodakasayi, quem é uma de minhas porções e o Antaryami da natureza material. No Purusa-sukta lhe descreve como tendo milhões de cabeças, olhos e pés. Logo te farei compreender minha svamsa, minha própria expansão cujo aspecto kala, o tempo que tudo devora, é relevante neste contexto”. Pensando assim, Krsna disse a Arjuna: “Preste atenção” para atrair sua atenção. Sloka 6 Pasyadityan vasun rudran Asvinau marutas tatha Bahuny adrsta-purvani Pasyascaryani bharata Ó Bharata! Veja os doze Adityas, os oito Vasus, os doze Asvini-kumaras, os quarenta e nove Maruts e muitas outras maravilhosas e surpreendentes formas que tu jamais havias visto. Prakasika-vrtti

Aqui é significativo que Krsna se refere a Arjuna como Bharata. Arjuna nasceu na dinastia do rajarsi Bharata, um devoto muito piedoso e puro. Por esta razão, ele é também muito virtuoso e um ekantikabhakta de Bhagavan. Assim ele é apto para ver a forma de Bhagavan que jamais havia visto. Sloka 7 Ihaika-stham jagat krtsnam Pasyadya as-caracaram Mama dehe gudakesa Yac canyad drastum icchasi Ó Gudakesa! Contempla agora o universo inteiro, incluindo todos os seres móveis e inertes, reunidos em um só lugar dentro do meu corpo. Qualquer outra coisa que desejes ver também está dentro desta forma universal. Bhavanuvada “O grande universo, que jamais poderás ver completamente mesmo que perambules por ele durante milhões de anos, está situado em apenas uma parte do meu corpo.” Sri Bhagavan explica o feito no presente verso. A causa da tua vitória ou derrota, aconteça o que acontecer,

existe neste corpo, o qual é o refúgio do universo”. Prakasika-Vrtti Sri Bhagavan disse novamente: “Dentro desta forma universal verás o mundo inteiro com seus seres móveis e imóveis. Nesta forma, que não se pode ver pela execução de árduas tarefas durante milhões e milhões de anos e apenas pela minha misericórdia, verás eu e o mundo inteiro, mesmo que ganhe ou perca a batalha de Kuruksetra. E digo mais, poderás ver o que quiser”. Neste texto se usa a palavra Gudakesa: gudaka significa sonho ou ignorância e isa significa amo. Assim, Bhagavan indica a Arjuna que deve contemplar esta forma com grande atenção. Assim suas dúvidas sobre a derrota ou vitória se dissiparão e Arjuna poderá compreender que neste universo, a execução de cada atividade está predestinada por Krsna. Nem Arjuna nem ninguém pode mudar esta disposição de nenhuma maneira. Sloka 8 Na tu mam sakyase drastum Anenaiva sva-caksusa Divyam dadami te caksuh Pasya me yogam aisvaram

Mas não poderás ver-me com teus olhos atuais. Por tanto, te outorgo olhos divinos com os quais podes contemplar minha yoga-aisvarya. Bhavanuvada Sri Bhagavan disse: “Arjuna, não pense que minha forma é ilusória e composta de maya, entende que ela é sac-cid-ananda. Minha svarupa, na qual existe todo o universo, está além da percepção dos sentidos materiais”. Bhagavan recita este verso para fazê-lo entender isto. Ele disse: “Tu não poderás ver-me com teus olhos materiais, por tanto lhe concedo olhos divinos com os quais poderás me ver”. O propósito da declaração é assombrar Arjuna que pensa que é um ser mortal ordinário. Mas Arjuna é um dos principais associados de Sri Bhagavan e apenas aparenta ser um ser humano comum. Arjuna, que experimenta diretamente a doçura de Sri Krsna não será capaz de ver sua forma universal com estes mesmos olhos, por tanto, deve aceitar olhos divinos. Que tipo de lógica é esta? Alguns dizem que os olhos supremamente afortunados de um ananya-bhakta vêem a imensa doçura dos passatempos da forma humana de Sri Krsna, mas não vêem o aspecto aisvarya de seus passatempos

divinos. Por tanto, o pedido de Arjuna é para outorga-lhe a visão especial e maravilhosa do aspecto aisvarya de sua forma divina. Sri Bhagavan lhe concede olhos sobre humanos apropriados para saborear este intercâmbio amoroso particular. Prakasika-Vrtti Srila Baladeva Vidyabhusana clareza o ponto em seu comentário. “Sri Krsna deu a Arjuna olhos divinos necessários para ver sua forma universal; mas não lhe deu a mente divina correspondente. Se tivesse feito isto, Arjuna desenvolveria um interesse para saborear a forma universal, mas em troca, ao vê-la, seu interesse se foi. Tal desinteresse se evidência nas palavras de Arjuna ao sair de seu assombro após ver a forma universal. Ele suplicou a Krsna que lhe mostrasse apenas sua forma natural de dois braços sac-cid-ananda”. Este sentimento se encontra explicado também no Srimad Bhagavatam: “Um dia, Krsna estava nos braços de Mãe Yasoda. Ela lhe amamentava e beijava seu cativante rosto cuja beleza estava realçada por seu doce sorriso. Neste momento, o menino bocejou e mostrou a ela sua forma universal dentro da boca. Ao ver aquilo dentro da boca de seu bebê, ela ficou

atônita. Tenebrosa, fechou os olhos pensando: Meu deus! O que vi? Temendo que alguém tivesse lançado algum feitiço ou mal olhado em Krsna, ela chamou o sacerdote da família e lhe fez cantar mantras para proteger o menino. Apenas depois dele dar banho para purificar o menino (Krsna) ela se sentiu aliviada.” Srila Sanatana Goswami explica um profundo segredo sobre este verso: “Como pôde Mãe Yasoda ver a forma universal de Krsna se não tinha olhos divinos? Para alimentar os passatempos de Krsna, a serva de Laksimi devi, a potência de prazer, faz com que o amor de Yasoda seja sempre novo e por isso lhe foi permitida saborear o néctar do assombro, vismaya-rasa, da aisvarya-sakti de Sri Krsna.” Sloka 9 Sanjaya uvaca Evam uktva tato rajan Maha-yogesvara harih Darsayamasa parthaya Paramam rupam aisvaram Sanjaya disse: Ó Rei! Ao dizer isto, Sri Hari, o amo de todos os poderes místicos, revelou a Arjuna sua Suprema forma aisvarya.

Prakasika-vrtti Após dizer isto, Sri Bhagavan mostrou sua forma universal a Arjuna. Sanjaya a descreve ao rei cego Dhrtarastra nos seis versos, afirmando-lhe que Sri Krsna não apenas é grandioso mas também o maior dos místicos, Yogesvara. Com objetivo de mostrar a Arjuna sua forma universal, lhe outorgou olhos divinos, o que revela que Arjuna é muito querido por ele. Este sentimento implica que a vitória de Arjuna é só questão de tempo. Agora não há dúvida de que, pela misericórdia de Bhagavan, a vitória, tanto espiritual como material, virá a Arjuna. Com suas palavras, Sanjaya indica a Dhrtarastra que seu desejo pela vitória de seus filhos foi completamente frustrado.

Slokas 10-11 Aneka-vaktr-nayanam Anekadbhuta-darsanam Aneka-divyabharanam Divyanekodyatayudham Divya-malyambara-dharam Divya-gandhanulepanam Sarvascarya-mayam devam Anantam visvato-mukham

Arjuna contemplou a forma universal de Sri Bhagavan que possui olhos e bocas ilimitados e intermináveis características assombrosas. Incontáveis e maravilhosos ornamentos e guirlandas celestiais decoravam sua forma, cujas mãos empunhavam múltiplas armas celestiais. Ele vestia suntuosas roupas, estava ungido com fragrâncias divinas e estava cheio de ilimitadas e resplandecentes maravilhas, que decoravam seus milhões de rostos. Bhavanuvada Visvato-mukham significa “cujo rosto está em toda parte”. Sloka 12 Divi surya-sahasraya Bhaved yugapad utthita Yadi bhah sadrsi as syad Bhasas tasya mahatmanah Se milhões de sóis aparecessem simultaneamente no céu, o resplendor apenas se aproximaria da refulgência da Pessoa Suprema em sua radiante forma universal. Sloka 13

Tatraika-stham jagat krtsnam Pravibhaktam anekadha Apasyad deva-devasya Sarire pandavas tada Neste momento, Arjuna pôde ver o universo inteiro situado no gigantesco corpo de Visvarupa, o Deus dos deuses. Bhavanuvada No mesmo campo de batalha, Arjuna viu ilimitados universos no corpo de devadevasya, o deus dos deuses. Com suas diversas características distintivas, cada universo se encontrava situado em uma parte de seu corpo, em cada poro e cada ventre. A palavra anekadha significa que alguns estavam feitos de terra, outros de ouro, e outro de gemas. Alguns mediam cinqüenta yojanas (1 yojana equivale a 9,6 km), alguns cem, algumas centenas de milhares e outros mediam milhões de yojanas. Sloka 14 Tatah as vismayavisto Hrsta-roma dhananjayah Pranamya sirasa devam Krtanjalir abhasata

Arjuna, maravilhado e com olhos semifechados, inclinou a cabeça para oferecer reverências, e com as mãos juntas, se dirigiu a Sri Krsna, o criador da forma universal. Prakasika-vrtti A forma universal que Maha-Yogesvara Krsna mostrou a Arjuna era surpreendente, resplandecente e maravilhosa, e estava decorada com diversos tipos de ornamentos celestiais. Arjuna viu no corpo do Supremo Senhor Sri Krsna o universo inteiro situado no mesmo lugar e dividido em várias formas. Para evitar que Dhrtarastra pensasse que Arjuna correu aterrorizado ao contemplar esta aterradora forma, Sanjaya disse: “Arjuna é um grande bhakta e conhece bem krsna-tattva e está situado no modo da bondade. Ele não se aterrorizou ao ver a forma universal de Krsna senão que experimentou adbhuta-rasa, assombro. Arjuna estava dotado com fortaleza natural, mas estando absorto em adbhutarasa, caiu em êxtase e seu corpo estremeceu. Ele inclinou sua cabeça, juntou suas mãos em sinal de reverências e falou”. Os olhos de Arjuna não estavam fechados pelo temor e sim porque estava experimentando adbhuta-rasa. A forma

universal de Krsna é o objeto ou visayaalambana desta rasa e Arjuna é o receptáculo ou asraya-alambana. A contemplação repetida da forma universal é um estímulo para sua lembrança, uddipana. Sloka 15 Arjuna uvaca Pasyami devams tava deva dehe Sarvams tatha bhuta-visesa-sanghan Brahmanam isam kamalasana-stham Rsims ca sarvan uragams ca divyan Arjuna disse: Ó meu senhor! Dentro de teu corpo divino posso ver os semideuses e todas as espécies de seres vivos. Vejo também Brahma sentado sobre sua flor de lótus, o Senhor Siva e todos os sábios e serpentes divinas. Sloka 16 Aneka-bahudara-vaktra-netram Pasyami tvam sarvato nanta-rupam Nantam na madhyam na punas tavadim Pasyami visvesvara visva-rupa Ó Visvesvara, Senhor do universo! Ó Visvarupa! Vejo tuas inumeráveis formas com ilimitadas mãos, ventres, bocas e

olhos por todo lugar. E tem mais, não posso ver em ti, o começo, o meio e nem o fim. Sloka 17 Kiritinam gadinam cakrinanca Tejo-rasim sarvato diptimantam Pasyami tvam durniriksyam samantad Diptanalarka-dyutim aprameyam Vejo tua forma como a super brilhante e onipenetrante morada do resplendor, adornada com coroas e manuseando maças e discos por todos lados. É muito difícil perceber-te em meio ao fogo ardente de tua refulgência, que como o sol, ilumina todas as direções. Sloka 18 Tvam aksaram paramam veditavyam Tvam asya visvasya param nidhanam Tvam avyayah sasvata-dharma-gopta Sanatanas tvam puruso mato me Tu és parabrahma, o supremo objeto conhecido por todas as pessoas liberadas. És o supremo lugar de descanso deste universo. És imutável, o protetor da religião eterna e a Pessoa Suprema primordial. Esta é minha opinião.

Sloka 19 Anadi-madhyantam ananta-viryam Ananta-bahum sasi-surya-netram Pasyami tvam dipta-hutasa-vaktram sva-tejasa visvam idam tapantam Não tens princípio, meio ou fim. Possuis poder infinito, inumeráveis braços e olhos semelhantes ao sol e a lua. Vejo sair fogo ardente de suas bocas e o universo inteiro está sendo abrasado pelo teu resplendor. Sloka 20 Dyav a-prthivyor idam antaram hi Vyaptam tvayaikena disas ca sarvah Drstvadbhutam rupam idam tavogram Loka-trayam pravyathitam mahatman Tu propagas por todas as direções no espaço existente entre a terra e o céu. Ó Mahatman! Ao ver tua maravilhosa e terrível forma universal, os habitantes dos três mundos ficam perturbados pelo temor. Bhavanuvada Neste e no próximo nove versos, Sri Bhagavan mostra sua kala-rupa, seu aspecto como o tempo que tudo devora,

como uma parte de sua forma universal, com um propósito especial. Prakasika-Vrtti A grande batalha de kuruksetra foi vista igualmente pelos semideuses como Brahma, demônios, antepassados, gandharvas, yaksas, raksasas, kinnaras e seres humanos. Todos eles observaram a batalha de acordo com seus temperamentos respectivos, tais qual amizade, inimizade ou indiferença. Mas apenas os bhaktas puderam ver a forma universal, pois pela misericórdia de Bhagavan, receberam olhos divinos. Sloka 21 Ami hi tvam sura-sangha visanti Kecid bhitah pranjalayo grnanti Svastity uktva maharsi-siddha-sanghah Stuvanti tvam stutibhih puskalabhih Os milhões de semideuses estão entrando em ti em busca de refúgio. Devido ao temor, alguns estão elogiando-te com as mãos juntas. Os grandes sábios e siddhas te contemplam enquanto cantam hinos védicos auspiciosos, te oferecem e te adoram profusamente.

Sloka 22 Rudraditya vasavo y eca sadhya Visve svinau marutas cosmapas ca Gandharva-yaksasura-siddha-sangha Viksante tvam vismitas caiva sarve Os onze rudras, os doze adityas, os oito vasus, os sadhyadevas, os visvadevas, os dois asvini-kumaras, os maruts, os pitrs, os gandharvas, os yaksas, os asuras e os siddhas, te contemplam maravilhados. Sloka 23 Rupam mahat te bahu-vaktra-netram Maha-baho bahu-bahuru-padam Bahudaram bahu-damstra-karalam Drstva lokah pravyathitas tathaham Ó Maha-baho! Ao ver tua gigantesca forma com ilimitadas bocas, incontáveis olhos, inumeráveis braços, pernas, pés, ventres e muitos dentes terríveis, todo o mundo, incluindo eu, está aterrorizado. Sloka 24 Nabhah-sprsam diptam aneka-varnam Vyattananam dipta-visala-netram Drstva hi tvam pravyathitantar-atma Dhrtim na vindami samanca visno

Ó Visnu! Ao ver tua ardente forma multicolorida com olhos ferozes e vastas bocas abertas propagando-se pelo céu, minha mente está atemorizada, não posso sentir paz e nem consigo manter o equilíbrio. Sloka 25 Damstra-karalani ca te mukhani Drstvaiva kalanala-sannibhani Diso na Jane na labhe ca sarma Prasida devesa jagan-nivasa Ao ver estas terríveis bocas, cheias de ferozes dentes e ardendo com o fogo da aniquilação, não posso perceber onde estou nem sentir felicidade alguma. Ó Senhor dos devas! Ó refúgio do universo! Por favor, conceda-me tua misericórdia. Sloka 26-27 Ami ca tvam dhrtarastrasya-putrah Sarve sahaivavani-pala-sanghaih Bhismo dronah suta-putra tathasau Sahasmadiyair api yodha-mukhyaih Vaktrani te tvaramana visanti Damstra-karalani bhayanakani Kecid vilagna dasanantaresu Sandrsyante curnitair uttamangaih

Todos os filhos de Dhrtarastra juntamente com seus reis, Bhisma, Drona, Karna e também os guerreiros do nosso lado, se precipitam em tua direção, e entram em tuas bocas que possui dentes terríveis e que se parecem com cavernas. E alguns deles estão esmagados ali, com suas cabeças trituradas entre estes dentes. Sloka 28 Yatha nadinam bahavo mbu-vegah Samudram evabhimukha dravanti Tatha tavami Nara-loka-vira Visanti vaktrany abhivijvalanti Semelhantes às ondas de um rio que se aproxima impetuosamente até o oceano, todos os grandes heróis estão entrando em tuas ardentes bocas. Sloka 29 Yatha pradiptam jvalanam patanga Visanti nasaya samrddha-vegah Tathaiva nasaya visanti lokas Tavapi vaktrani samrddha-vegah Assim como as moscas entram rapidamente em um fogo ardente, os guerreiros entram em sua boca simplesmente para morrer.

Sloka 30 Lelihyase grasamanah samantal Lokan samagran vadanair jvaladbhih Tejobhir apurya jagat samagram Bhasas tavograh pratapanti visno Ó Visnu! Com tuas ferozes línguas lambes a multidão de entidades vivas (que se encontra por todo lado) e as devora com tuas ardentes bocas. Estás abrasando o universo inteiro com os onipenetrantes e ferozes raios de tua refulgência. Sloka 31 Akhyahi me ko bhavan ugra-rupo Namo´stu te deva-vara prasida Vijnatum icchami bhavantam adyam Na hi prajanami tava pravrttim Ó Deva-vara, o melhor entre os deuses! Ofereço-te reverências. Conceda-me tua graça e diga-me quem és, ao assumir esta feroz forma. Anseio muito te conhecer, a causa primordial, pois não posso compreender tuas atividades. Sloka 32 Sri bhagavan uvaca Kalo smi loka-ksaya-krt pravrddho

Lokan samahartum iha pravrttah Rte ´pi tvam na bhavisyanti sarve Ye ´vasthitah pratyanikesu yodhah Sri Bhagavan disse: Sou o tempo, o poderoso destruidor do mundo, e estou aqui para aniquilar todas estas pessoas. Mesmo sem teus esforços, não sobreviverá nenhum dos guerreiros de ambos os exércitos. Prakasika-vrtti Sri Bhagavan disse a Arjuna: “Eu sou o tempo que tudo destrói e agora adotei uma gigantesca forma. Estou aqui para aniquilar Duryodhana e os demais. Como resultado da minha missão, com exceção dos Pandavas, ninguém mais sobreviverá no campo de batalha. Mesmo sem teu esforço ou dos demais guerreiros, todos serão devorados pelo tempo, pois em minha forma como o tempo, aniquilo suas vidas. Os heróis presentes em ambos os grupos morrerão mesmo que não lutem. Por isto, ó Arjuna! Se te retiras da batalha, caíras da tua posição de ksatriya ao abandonar teu sva-dharma e, de qualquer jeito, eles não se salvarão.” Sloka 33 Tasmat tvam uttistha yaso labhasva

Jitva satrun bhunksva rajyam samrddham Mayaivaite nihatah purvam eva Nimitta-matram bhava savya-sacin Por tanto levanta-te, participa da batalha, alcança a glória conquistando teus inimigos e desfruta assim de teu incomparável reino. Já aniquilei todos os guerreiros. Ó Savyasacin! Atua como meu instrumento. Sloka 34 Dronanca bhismanca jayadrathanca Karnam tathanyan api yodha-viran Maya hatams tvam jahi ma vyathistha Yudhyasva jetasi rane sapatnan Drona, bhisma, Jayadratha, Karna e muitos outros grandes heróis já foram destruídos por mim, sendo assim, simplesmente mate-os e não te perturbes. Tua vitória na batalha está assegurada, então lute. Prakasika-vrtti Há um significado oculto nesta declaração. “Eu já matei Bhisma, Drona, jayadratha, Karna e os demais”. Bhagavan está declarando que quando todos os guerreiros Kauravas insultaram publicamente Draupadi ao despi-la, ele os

matou por haver cometido esta atroz vaisnava-aparadha. “Apenas para conceder-te fama fiz com que estas pessoas aparecessem a ti como estátuas, é como se elas estivessem ali sem vida. Atua somente como um instrumento para a morte deles”. Sloka 35 Sanjaya uvaca Etac chrutva vacanam kesavasya Krtanjalir vepamanah kiriti Namaskrtva bhuya evaha krsnam sa gadgadam bhita-bhitah pranamya Sanjaya disse a Dhrtarastra: Ao escutar as palavras de Sri Kesava, Arjuna, tremendo, lhe ofereceu repetidas reverências com as mãos postas. Com muito temor ele falou a Krsna com a voz trêmula. Sloka 36 Arjuna uvaca Sthane hrsikesa tava prakirtya Jagat prahrsyaty anurajyate ca Raksamsi bhitani diso dravanti Sarve namasyanti ca siddha-sanghah Arjuna disse: Ó Hrsikesa! Todos no universo se regozijam e apegam-se a ti ao escutar a glorificação de teus nomes,

formas e de tuas qualidades. Os raksasas estão se dispersando pelo temor, enquanto os seres perfeitos te oferecem repetidas reverências. Isto é, sem dúvida, o mais apropriado. Bhavanuvada Arjuna conhece o seguinte tattva: a Sri Vigraha de Bhagavan se satisfaz com aqueles que estão dedicados a ele, enquanto ele mostra seu aspecto tenebroso a quem lhe são avessos. A palavra sthane é gramaticalmente indeclinável e significa yukta ou apropriado; foi utilizado em todos os componentes deste verso. Arjuna se dirigiu a Krsna como Hrsikesa (aquele que controla os sentidos de seus bhaktas e aparta dele os sentidos dos não devotos. “o mundo inteiro está sendo atraído pelo canto de suas glórias; isto é correto, pois tudo deve ser dedicado a ti. Por outro lado, os raksasas, asuras, danavas, pisacas e outros seres demoníacos se dispersam em todas as direções devido ao temor. Também é correto, pois eles tem aversão a ti. Uma multidão de seres que se tornaram perfeitos através da prática de bhakti te oferece reverências, os quais são você próprio, pois sãos seus bhaktas.” Este verso é célebre nos mantra-sastras como o mantra para destruir os demônios.”

Prakasika-Vrtti A influência transcendental da forma de Sri Bhagavan é tanta que os bhaktas se enchem de alegria ao vê-la. Mas os que tem naturezas demoníacas e são avessos a ele, esta forma lhes lembram a de Yamaraja, o senhor da morte. Na arena de luta de Mathura, os líderes como Nanda Maharaja, os amigos e os Yadavas, estavam prazeirosos ao ver o charmoso nava-ksora Sri Krsna, mas ele parecia a morte personificada para Kamsa, forte como o touro para os lutadores, o dispensador da lei para os reis ignorantes, e Paramatma para os yogis. Por tanto, as jivas devotas sentem alegria e se apegam a Krsna ao escutar sobre suas glórias. Os siddhas se rendem a ele, enquanto os demônios e raksasas, que lhe são avessos, fogem aterrorizados. Sloka 37 Kasmad ca te na nameran mahatman Gariyase brahmano ´py adi-kartre Ananta devesa jagan-nivasa Tvam aksaram sad-asat tat param yat Ó Mahatmam! Ó Senhor dos semideuses! Ó Ananta! Ó refúgio do mundo! Tu és maior que Brahma. És o criador original e

és Brahma, a realidade imperecível que está além da causa e efeito. Porque não haveriam de oferecer-te reverências? Prakasika-vrtti No verso anterior, Arjuna explicou que Sri Bhagavan é adorado até mesmo por Brahma. Este verso, revela que Sri Bhagavan é a alma de todos. “Os devas, rsis, gandharvas e outros seres similares, sem dúvida te oferecem reverências. Tu não és somente isto, senão que és a alma de todos e constitui o todo”. Sloka 38 Tvam adi-devah purusah puranas Tvam asya visvasya param nidhanam Vettasi vedyanca paranca dhama Tvaya tatam visvam ananta-rupa És o Senhor original, a pessoa primordial e o único lugar de descanso do universo. És a morada suprema e o conhecedor de tudo e de todos. Ó Ananta-rupa, possuidor de formas ilimitadas! Só tu penetras o universo inteiro. Sloka 39 Vayur yamo ´gnir varunah sasankah Prajapatis tvam prapitamahas ca

Namo namas te ´stu sahasra-krtvah Punas ca bhuyo ´pi namo namas te Tu és Vayu, o deus do vento e também Yama, o superintendente da morte. És o deus do fogo Agni; Varuna, o deus do oceano; Candra, a deusa da lua; o criador Brahma e também o pai de Brahma. Por tanto, te ofereço milhões de reverências, uma e outra vez. Sloka 40 Namah purastad atha prsthatas te Namo ´stu te sarvata Eva sarva Ananta-viryamita-vikramas tvam Sarvam samapnosi tato ´si sarvah Ó Sarva-svarupa! Ofereço-te reverências pela frente, por trás e de todos os lados. Possuis valor e poder infinito. És onipenetrante e, por tanto, és tudo. Bhavanuvada “Assim como ouro está presente nos ornamentos dourados, tais como a armadura, tu penetras o mundo material, o qual é seu efeito, por tanto, és tudo”. Prakasika-Vrtti

Ao compreender que Krsna é o objeto máximo a ser venerado, Arjuna oferece reverências a ele, a personificação do todo. Devido a sua profunda fé e seu grande respeito, e considerando que as reverências não são suficientes, ele inclina diante de Krsna, que possui poder ilimitado, força imensurável, que é a alma das almas e que é a forma de tudo. Isto também se confirma nas palavras de Sukadeva Goswami no Srimad Bhagavatam (10.14.56): “As pessoas que compreendem Sri Krsna tal como ele é, percebem todas as coisas, sejam elas móveis ou inertes, como suas manifestações. Estas almas liberadas não percebem outra realidade”. Sloka 41- 42 Sakheti matva prasabham yad uktam He krsna he yadava he sakheti Ajanata mahimanam tavedam Maya pramadat pranayena vapi Yac cavahasartham asat-krto ´si Vihara-sayyasana-bhojanesu Eko ´tha vapy acyuta tat-samaksam Tat ksamaye tvam aham aprameyam Por não conhecer tuas glórias, devido a meu descuido, ou então pela afeição

fraternal que tenho por ti, me dirigi a você de maneira imprudente chamando-o de”Ó Krsna! Ó Yadava! Ó Sakhe! Ó Acyuta!”. Se te desrespeitei enquanto fazia piadas quando estávamos sozinhos ou na presença de nossos parentes, enquanto descansávamos, sentávamos ou comíamos juntos, te suplico humildemente que me perdoe ó Aprameya! (Senhor de glórias ilimitadas). Bhvanuvada “Que desgraça! Tenho te ofendido ilimitadamente’’. Lamentando-se assim, Arjuna recita este verso. Ele disse: “Ó Krsna” para expressar “ És conhecido como o filho de Vasudeva, um ser humano que carece de fama e que é considerado um arddharathi, uma pessoa que necessita de ajuda para derrotar apenas um oponente. Mas eu sou atirathi, posso lutar contra uma quantidade ilimitada de guerreiros e sou famoso como o filho do Rei Pandu”. “Ó Yadava” significa “Por ter nascido na dinastia yadu não possuis nenhum reino, enquanto que eu nascí na dinastia Puru, por tanto sou de linhagem real. A relação que tenho contigo não se deve aos teus ancestrais ou a influência de uma dinastia, e sim para contigo mesmo. Me dirigi a ti asperamente mesmo que minhas intenções

eram amistosas. Por isso imploro pelo seu perdão”. Devido a loucura, o afeto que expressava enquanto jogávamos e brincávamos, insultei as glórias de tua forma universal. Assim sendo, te peço perdão pelas milhares de ofensas que cometi. Ó Prabhu! Rogo por seu perdão”. Sloka 43 Pitasi lokasya caracarasya Tvam asya pujyas ca gurur gariyan Na tvat-samo ´sty abhyadhikah kuto ´nyo Loka-traye ´py apratima-prabhava Ó possuidor de poder sem rival! Tu és pai, o mais venerável, o guru e a pessoa mais gloriosa neste mundo de seres móveis e inertes. Nada nos três mundos se iguala a ti, então como poderia alguém ser maior que você? Sloka 44 Tasmat pranamya pranidhaya kayam Prasadaye tvam aham isam idyam Piteva putrasya sakheva sakhyuh Priyah priyayarhasi deva sodhum Ó venerável Paramesvara! Ofereço-te prostradas reverências a teus pés de lótus

e te suplico que conceda-me tua graça. Ó Deva! Assim como um pai perdoa seu filho, um amigo tolera o amigo ou um amante desculpa sua amada, por favor perdoa todas as minhas ofensas. Sloka 45 Adrsta-purvam hrsito ´smi drstva Bhayena ca pravyathitam mano me Tad eva me darsaya deva rupam Prasida devesa jagan-nivasa Ó Deva! Depois de ver tua forma universal, que jamais foi vista antes, estou carregado de felicidade, mas minha mente está muito perturbada pelo temor. Ó Devesa, Deus dos Deuses! Mostra-me novamente tua forma de quatro braços. Ó Jagan-nivasa, refúgio do universo! Conceda-me tua graça. Sloka 46 Kiritinam gadinam cakra-hastam Icchami tvam drastum aham tathaiva Tenaiva rupena catur-bhujena Sahasra-baho bhava visva-murte Anseio ver tua forma que está decorada com um elmo, uma maça e um disco. Ó Sahasra-baho, Senhor de mil braços! Ó

Visvamurte, forma universal! Por favor, mostra-me de novo sua forma de quatro braços. Bhavanuvada “No futuro, quando exibir teu aspecto aisvarya, mostra-me unicamente a forma vasudeva-nandana que vi antes. Manifesta a forma que personifica a rasa suprema e confere bem-aventurança aos olhos de minha mente; esta forma que jamais foi vista. O aisvarya de tua forma universal, que é parte de teu passatempo divino, não é muito atrativo aos olhos da minha mente”. Prakasika-vrtti A svarupa (forma original) de Krsna é de um jovem, um charmoso ator vestido de pastorzinho com uma flauta em suas mãos. Esta é a forma eterna de Krsna. Ainda que ele é a personificação de madhurya, aisvarya também está presente nele. Matou Putana quando era apenas um menino pequeno e mesmo assim, seu comportamento como um menino não foi ofuscado pela manifestação de sua aisvarya. Enquanto executava seus passatempos com os Yadavas e os pandavas em sua forma de dois braços, Sri Krsna

manifestava algumas vezes sua forma de quatro braços. Os passatempos em Dvaraka se passam em aisvarya-mayi, mas todos os passatempos de Vraja são madhurya-mayi ou naravat, semelhantes as atividades humanas. Uma vez, em sua vraja-lila, Krsna desapareceu repentinamente da rasa-lila. Sob sua forma de quatro braços ele se posicionou no caminho que as gopis passavam para procura-lo ; ao vê-lo elas lhe ofereceram reverências e continuaram procurando pelo Krsna de dois braços. Enquanto isto, a personificação de mahabhava, chegou no lugar. Krsna ficou maravilhado ao vê-la, e apesar de grande esforço, não pôde manter sua forma de quatro braços, a qual desapareceu em sua forma de dois braços. Sloka 47 Sri bhagavn uvaca Maya prasannena tavarjunedam Rupam param darsitam atma-yogat Tejo-mayam visvam anantam adyam Yan me tvad anyena na drsta-purvam Sri Bhagavan disse: Ó Arjuna! Porque estou satisfeito contigo te mostrei minha forma universal resplandecente, ilimitada e primordial através da minha

inconcebível yoga-maya-sakti. Antes de ti, ninguém jamais viu esta forma. Bhavanuvada “ Ó Arjuna, você me implorou para te mostrar minha aisvarya-rupa (Gita 11.3), por sito te mostrei minha visvarupa purusa que é nada mais que um de meus aspectos parciais. Por que ficou perturbado ao vê-la? Por outro lado, agora desejas contemplar minha forma de aspecto humano e roga-me; Seja bondoso, seja bondoso! Por que falas de maneira tão surpreendente? Mostrei apenas a ti e a ninguém mais minha svarupa porque estava satisfeito contigo. Antes de você, ninguém mais havia visto; Por que não desejas mais vê-la? Sloka 48 Na veda-yajnadhyayanair na danair Na ca kriyabhir na tapobhir ugraih Evam-rupah sakya aham nr-loke Drastum tvad anyena kuru-pravira Ó Kuru-pravira, o maior guerreiro kuru! Com exceção de você, ninguém mais é capaz de ver minha visvarupa dentro dos confins do mundo mortal. Esta forma não pode ser vista mediante estudo dos Vedas, sacrifícios, rituais ou severas penitências.

Bhavanuvada Sri Bhagavan disse: “A habilidade para ver a forma que foi exibida não se pode obter através dos vedas ou outros processos. Não mostro esta forma a outros. Estabelece firmemente tua fé unicamente nesta forma excepcional compreendendo que conseguiu o objeto mais inalcançável. “Porque desejas ver novamente minha forma humana depois de Ter visto esta forma extraordinária?”. Sloka 49 Ma te vyatha ma ca vimudha-bhavo Drstva rupam ghoram idrn mamedam Vyapeta-bhir prita-manah punas tvam Tad eva me rupam idam prapasya Não temas nem te confunde ao ver esta terrível forma. Livre do temor e com uma mente jubilosa, contempla de novo minha charmosa forma de quatro braços para sua completa satisfação. Sloka 50 Sanjaya uvaca Ity arjunam vasudevas tathoktva Svakam rupam darsayamasa bhuyah

Asvasayamasa ca bhitam enam Bhutva punah saumya-vapur mahatma Sanjaya disse: Depois de dizer estas palavras, o magnânimo filho de Vasudeva revelou de novo sua forma de quatro braços, e consolou Arjuna ainda mais assumindo sua delicada forma de dois braços. Bhavanuvada Assim, logo após revelar a forma de sua amsa, Sri Bhagavan, a pedido de Arjuna, mostrou sua forma de quatro braços decorada com um elmo, maça, disco, e outros ornamentos. A Suprema Personalidade manifestou novamente sua grata forma de dois braços decorada com braceletes, pingentes, turbante, pitambara e outros ornamentos, dando paz ao aterrorizado Arjuna. Sloka 51 Arjuna uvaca Drstvedam manusam rupam Tava saumyam janardana Idanim asmi samvrttah Sacetah prakrtim gatah Arjuna disse: Ó Janardana! Agora meu coração se deleita ao contemplar tua

cativante forma que se assemelha a humana e, também retornei a minha condição normal. Bhavanuvada Contemplando a muito doce forma de Sri Krsna e sentindo-se imerso no oceano de bem-aventurança, Arjuna disse: “Meu coração se deleita e retornei a minha condição normal”. Prakasika-Vrtti Neste momento, Arjuna, livre de todo temor, viu Krsna primeiro em sua doce forma de quatro braços e logo depois em sua forma Syamasundara de dois braços. Com grande alegria, Arjuna disse: “Ó Janardana, depois de ver tua forma de aspecto humano, a qual é sumamente prazeirosa, recuperou minha compostura e minha condição natural”. Sri Krsna executou seus passatempos com os Yadavas e Pandavas principalmente em sua forma de dois braços (dvibhuja-rupa), mesmo que às vezes aparecia em sua forma de quatro braços (caturbhuja-rupa). Por isto, a caturbhuja-rupa também é considerada humana. Sloka 52

Sri-bhagavan uvaca Su-durdasam idam rupam Drstavan asi yan mama Deva apy asya rupasya Nityam darsana-kanksinah Sri Bhagavan disse: A forma humana que contemplastes dificilmente pode ser vista por outros. Mesmo os semideuses anseiam constantemente em ver esta forma. Bhavanuvada Sri Bhagavan fala neste e no seguinte verso sobre as glórias da svarupa que mostrou a Arjuna: “ mesmo os semideuses anseiam ver esta forma, porém jamais a viram. Mas tu, Arjuna, não desejas ver minha forma universal. É compreensível, pois você saboreia eternamente a madhurya suprema de minha forma humana original. Como poderia então a visvarupa atrair seus olhos? Te abençoei com o poder da visão divina mas não com a mente divina correspondente. Por tanto, devido ao fato de que tua mente se satisfaz unicamente vendo a madhurya suprema de minha forma humana, você não pôde apreciar plenamente minha outra forma mesmo te concedendo tal visão. Se te concedesse uma mente divina, então, como os

semideuses, você ficaria atraído pela minha visvarupa”. Prakasika-vrtti Neste verso, Sri Krsna explica as glórias da sua forma humana. Exibindo o aspecto mais excepcional da sua misericórdia a Arjuna, Krsna disse a Arjuna: “É muito difícil contemplar a forma que vês agora; até mesmo os semideuses não podem vêla No décimo canto do Srimad Bhagavatam, o Garbha-stotra diz que mesmo os semideuses dificilmente vêem esta forma. Como meu nitya-bhakta (eterno devoto), degustas a grande doçura da minha forma humana e em contrapartida não te agrada minha visvarupa. Te concedi olhos divinos mas não uma mente divina. Se tivesse a outorgado, então, assim como os semideuses, havias sido atraído pela forma universal”. Esta forma humana te és muito querida, visto que és meu devoto eterno e tem sentimento de amizade para comigo. Sloka 53 Naham vedair na tapasa Na danena na cejyaya Sakya evam-vidho drastum Drstavan asi mam yatha

Não é possível ver-me na forma que me vês agora através do estudo dos Vedas, prática de austeridades, caridade ou celebração de sacrifícios. Bhavanuvada “Se alguém deseja ver, tal como tu, minha eterna forma humana de dois braços, considerando-a como a essência do esforço humano, não poderia consegui-la mesmo se dedicasse ao estudo dos Vedas, austeridades ou outros processos. Acredita em mim”. Sloka 54 Bhaktya tv ananyaya sakya Aham evam-vidho ´rjuna Jnatum drastunca tattvena Pravestunca parantapa Ó Parantapa! Ó Arjuna! Apenas através de ananya-bhakti (devoção exclusiva) é que alguém pode observar e conhecer minha eterna e charmosa forma humana, e associar-se comigo em minha morada. Sloka 55 Mat-karma-krn mat-paramo Mad-bhaktah sanga-varjitah

Nirvairah sarva-bhutesu Yah samam eti pandava Ó filho de Pandu! A pessoa que trabalha exclusivamente para mim e que me considera como sendo a meta suprema, que se dedica a executar os diversos processos de bhakti – como svaranam e kirtanam – abandonando os apegos mundanos e permanecendo livre de aversão a qualquer entidade viva, alcança minha suprema e charmosa forma de Krsna. Prakasika-Vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna: “Neste capítulo foi estabelecido que a forma de Sri Krsna é o refúgio supremo e a realidade venerável última, superior a sua visvarupa, kala-rupa e também sua visnu-rupa. Os bhaktas são atraídos unicamente por sua forma humana eterna e super atrativa, e não pela sambandha-vigraha ou manifestação relativa de Bhagavan. Este capítulo estabelece que a forma de Sri Krsna é o oceano de todas as rasas nectáreas e a única morada da doçura suprema”. Assim se conclui o décimo primeiro capítulo do Srimad Bhagavad Gita.

Capítulo 12 BHAKTI-YOGA O SERVIÇO DEVOCIONAL PURO

Sloka 1 Arjuna uvaca Evam satata-yukta ye Bhaktas tvam paryupasate Ye capy aksaram avyaktam Tesam ke yoga-vittamah Arjuna disse: Segundo tuas instruções anteriores, existem bhaktas que são dotados com nistha (firmeza) e que se dedicam continuamente a adoração de tua forma Syamansundara. Há outros que adoram teu aspecto impessoal indiferenciado. Qual destes yogis é o melhor? Bhavanuvada Neste capítulo Sri Bhagavan confirma a superioridade de todas as classes de bhaktas sobre os jnanis, e entre os

bhaktas, ele glorifica somente os que possuem qualidades como ausência de inveja. Prakasika-vrtti Dos diversos tipos de sadhana praticados para alcançar Sri Bhagavan rapidamente, o suddha-bhakti é o mais simples, fácil e natural. Sua influência é infalível. Sloka 2 Sri bhagavan uvaca Mayy avesya mano ye mam Nitya-yukta upasate Sraddhaya parayopetas Te me yuktatma matah Sri Bhagavan disse: Os yogis que, com fé transcendental, fixam suas mentes em minha forma Syamansundara e me adoram constantemente através de ananya-bhakti, são os maiores conhecedores do yoga. Esta é minha opinião Bhavanuvada O Srimad Bhagavatam (11.25.27) também diz: “ A fé que tem a alma como centro está em sattva-guna, a que tem o karma como centro é rajo-guna e a que tem as

atividades irreligiosas como centro é tamo-guna. Mas a fé cujo objetivo e centro são o serviço a mim é nirguna (transcendental). Deste modo, se estabelece que bhakti é superior a jnana, e dentro de bhakti, ananya-bhakti é o melhor. Slokas 3-4 Ye tv aksaram anirdesyam Avyaktam paryupasate Sarvatra-gam acintyanca Kutastham acalam dhruvam Sanniyamyendriya-gramam Sarvatra sama-buddhayah Te prapnuvanti mam eva Sarva-bhuta-hite ratah Mas sou alcançável também por aqueles que adoram minha brahma-svarupa indescritível, imanifesta, onipenetrante, inconcebível, imutável, eterna e indiferenciada, através do controle dos sentidos, visão equânime e dedicação ao bem-estar de todos os seres. Bhavanuvada “Os que adoram meu aspecto indiferenciado estão sempre aflitos, por tanto, são inferiores aos meus bhaktas”.

A frase mam eva significa: “Eles me alcançam. Em outras palavras, não há diferença entre o imperecível brahma e eu”. Prakasika-Vrtti Sri Bhagavan disse: “As pessoas que, com seus sentidos controlados e com visão equânime, se ocupam em atividades beneficiosas para com todas as entidades vivas e adoram minha forma indiferenciada, imperecível, indescritível e imanifesta, finalmente me alcançam depois de realizar um difícil sadhana”. No Gita (14.27) se explica que Krsna é o refúgio do nirvisesa-brahma. Por tanto, os adoradores deste dependem indiretamente de Krsna. Existem graduações de adoradores que se refugiam em algum aspecto da Verdade Absoluta. O brahma é a refulgência do corpo de Krsna, uma manifestação incompleta dapotência consciente interna de Krsna. Por tanto, quem alcança o nirvisesabrahma)sayujya-mukti) depende indiretamente de Sri Krsna, mas não experimentam a bem aventurança do serviço amoroso. Assim sendo, mesmo que Bhagavan ofereça aos bhaktas diversas classes de mukti como por exemplo sayujya-mukti, eles não a aceitam.

Sloka 5 Kleso ´dhikataras tesam Avyaktasakta-cetasam Avyakta hi gatir duhkham Dehavadbhir avapyate Aqueles cujas mentes estão apegadas ao meu aspecto imanifesto e impessoal experimentam grandes dificuldades, pois para a entidade viva corporificada é muito penoso conseguir estabilidade em algo imanifesto. Bhavanuvada “Por que os jnanis são inferiores? Sri Bhagavan recita o presente verso para responder a pergunta de Arjuna: “Os que desejam experimentar o brahma imanifesto devem se submeter a austeridades extremas para alcança-lo. Os sentidos só podem perceber aquilo que possui atributos relacionados com o sentido respectivo, por exemplo, o som. Não podem, então, experimentar o que está desprovido de qualidades ou atributos. Os que desejam nirvisesa-jnana devem controlar os sentidos, mas tal coisa é mais difícil do que controlar a corrente de um

rio. Sanat Kumara disse a Prthu Maharaja no Srimad Bhagavatam (4.22.39): “Os bhaktas podem facilmente desatar o nó do coração, que é formado por desejos fruitivos, recordando com devoção a refulgência dos dedos dos pés de Bhagavan, os quais se assemelham às pétalas de um lótus. Mas os yogis que carecem de bhakti não podem faze-lo mesmo que estejam livres das inclinações mundanas e controlem seus sentidos. Por tanto, abandona todo esforço para controlar os sentidos e dedica ao Bhajana de Sri Vasudeva. Os que praticam yoga e outros processos com desejo de cruzar o oceano da existência material, que está infestado pelos crocodilos dos sentidos, tem que enfretar dificuldades extremas se não refugiam em Bhagavan, quem é comparado a uma embarcação. Assim sendo, ó Rei, deves aceitar os pés de lótus do adorável Bhagavan como a embarcação para cruzar este oceano insuperável e cheio de obstáculos”. Mesmo que este destino se alcance depois de grandes dificuldades, na realidade só é possível chegar à meta com a assistência de bhakti. Sem bhakti por Bhagavan, o adorador do brahma não apenas deve experimentar misérias mas também não alcança Bhagavan. Prakasika-vrtti

Os adoradores do nirvisesa-brahma enfrentam dificuldades tanto na etapa de sadhana quanto na de siddha, pois nenhum sadhana pode outorgar a perfeição sem a assistência de bhakti. Quem adora o nirvisesa-brahma se esfórça para adquirir brahma-jnana apoiando-se em bhakti como um processo secundário. Em troca, Bhakti-devi os recompensa com resultado secundário, brahma-jnana, e logo desaparece. As pessoas que adoram o brahma ficam impedidas de saborear o nome, forma, qualidades e os passatempos de Sri Krsna. Elas se submergem em um oceano de grande miséria na forma de sayujyamukti. É um processo auto destrutivo. Por esta razão, o Srimad Bhagavatam declara (10.14.4). “Meu querido senhor, o bhajana a ti é o caminho mais elevado para a realização do ser. Se alguém abandona este caminho e se dedica ao cultivo de conhecimento especulativo, simplesmente encontrará um caminho problemático e não alcançará sua meta”. Tanto a etapa de sadhana como a de sadhya se descrevem como sendo problemáticas para os nirvisesa jnanis. Ao contrário, bhakti é super prazeirosa e auspiciosa em ambas as etapas. O Srimad Bhagavatam declara (4.22.39):

“Os bhaktas, que estão sempre ocupados no serviço aos dedos dos pés de lótus de Sri Bhagavan, podem desatar facilmente o nó dos desejos pelas atividades fruitivas. Faze-lo através de outro processo é tão difícil, que não tem êxito em suas empresas aqueles que não são devotos, os jnanis e os yogis, que se esforçam constantemente para deter as ondas do desfrute sensual. Te aconselho então, que te dediques ao bhajana a Sri Krsna, o filho de Vasudeva”. Srila Bhaktivinoda Thakura diz: “ A diferença entre um jnani-yogi e um bhakti-yogi é que na etapa de sadhana o bhakta pode cultivar facilmente o processo para obter o objetivo supremo, Bhagavan, e alcança a etapa de perfeição sem temor à auto destruição. Ao contrário, durante seu sadhana, um jnaniyogi se estabelece na realidade imanifesta e tem que sofrer o problema que implica a prática do conceito da negação, pensando sempre: “Isto não é, isto não é”. É um processo que supõe pensar de uma maneira contrária à atitude natural ou função constitucional da jiva, e, por tanto, resulta em um processo muito penoso para as entidades vivas. A jiva é uma entidade consciente e eterna e se ela se funde no estado imanifesto que

é um suicidio pra ela, sua qualidade constitucional e plena da tendência de servir Krsna, é destruída. Sloka 6-7 Ye tu sarvani karmani Mayi sannyasya mat-parah Ananyenaiva yogena Mam dhyayanta upasate Tesam aham samuddharta Mrtyu-samsara-sagarat Bhavami na cirat partha Mayy avesita-cetasam Mas, aos amorosos bhaktas que realizam todas suas ações com o propósito de alcançar me e absorvem-se exclusivamente em meu bhajana com devoção imaculada, eu os libero rapidamente deste oceano de nascimento e morte. Prakasika-Vrtti Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna: “ Eu libero rapidamente do oceano da existência material, caracterizado pelo nascimento e morte, quem se refugia em meu aspecto pessoal. Eles submetem à minha bhakti todas suas atividades corporais, sociais, e adorando minha

eterna e charmosa forma humana de Krsna, eles absorvem seus corações completamente em mim. Após resgata-los do cativeiro de maya, eu os protejo da tendencia suicida de adotar o conceito monista, o qual é causa de infortúnio para as pessoas apegadas ao imanifesto.” Sloka 8 Mayy eva mana adhatsva Mayi buddhim nivesaya Nivasisyasi mayy eva Ata urddhvam na samsayah Fixa tua mente exclusivamente em minha forma Syamasundara e ocupa tua inteligência por completo em mim. Assim, após abandonar o corpo, virás viver comigo. Não há nenhuma dúvida quanto a isto. Prakasika-Vrtti Nestes versos, Sri Krsna explica o processo de prática adotado por seus ananyas-bhaktas. Antes de mais nada ele diz a Arjuna: “Ó Arjuna, eu libero rapidamente do oceano de nascimento e morte e, finalmente, lhe concedo meu prema-mayi-seva, a meu ananya-bhakta que se rendeu a mim e abandonou o varnasrama-dharma. Por tanto, deves fixar

tua mente em mim, a Realidade Absoluta Transcendental Suprema. Eliminando todos os desejos de desfrute sensual do teu pensamento, absorva-se exclusivamente em mim”. A mente segue as tendências da aceitação e refutação, por tanto, para fixar a mente em Bhagavan é necessário render a inteligência a ele depois de desconectar a mente de todos os objetos sensíveis. Deste modo, usando Arjuna como seu instrumento, Sri Bhagavan mostra que bhakti é por si só o melhor dos sadhanas e o melhor sadhya. Por tanto, é indispensável recordar constantemente sua forma eterna de Syamansudara fixando a mente nele e rendendo a inteligência a ele. Sloka 9 Atha cittam samadhatum Na saknosi mayi sthiram Abhyasa-yogena tatos Mam icchaptum dhananjaya Ó Dhananjaya! Se não és capaz de fixar a mente em mim com determinação, entao deves desejar alcançar-me controlando e fixando a mente em mim através da prática de retrai-la constantemente dos objetos sensiveis.

Bhavanuvada O verso dá enfase a palavra Dhananjaya. Assim como Arjuna acumulou uma grande quantidade de riqueza (dana) conquistando seus inimigos, ele também é capaz de conquistar a riqueza da meditação (dhyana) em Bhagavan, conquistando e controlando sua mente. Prakasika-vrtti No verso anterior, Sri Bhagavan aconselha todas as pessoas a se dedicarem exclusivamente a ele fixando a mente e inteligência nele. Neste sentido poderia surgir a seguinte pergunta: “Assim como o Ganges flui até o oceano, aqueles cuja atitude ou corrente mental se dirige sempre e velozmente até Bhagavan, podem alcança-lo rapidamente. Disto não resta dúvida. Mas, como alguém pode alcançar Bhagavan se não tem esta forte corrente mental ou sentimental para com Ele?” Bhagavan oferece uma Segunda opção como resposta: “Aqueles que são incapazes de fixar a mente em mim com firmeza e constância pelo método anteriormente dito, deve tratar de alcançar-me através de abhyasa-yoga, a tentativa de fixar a mente em mim diminuindo gradualmente sua tendência de absorver-se nos diversos objetos

sensíveis. Através de abhyasa-yoga, a mente se apega lentamente a mim.” Sloka 10 Abhyase ´py asamartho´si Mat-karma-paramo bhava Mad-artham api karmani Kurvan siddhim avapsyasi Se não podes ocupar-te em abhyasa-yoga, podes dedicar então a atuar para mim, pois através da execução de atividades como sravanam (ouvir) e kirtanam (cantar) para meu prazer, sem dúvida alcançarás a perfeição. Bhavanuvada “Ó Arjuna, assim como uma pessoa cuja língua está afetada por icterícia não deseja comer açúcar, uma mente contaminada pela ignorância não aceita a doçura de minha forma. Por tanto, se pensas que não podes realizar abhyasa por que não és capaz de lutar contra tua formidável e poderosa mente, então escuta. Através das atividades realizadas para meu prazer, tais como escutar e cantar meus passatempos, orar, adorar-me, limpar meu templo, regar tulasi, colher flores e outros serviços, alcançarás a perfeição de se converter em

meu querido associado mesmo sem recordar-me constantemente.” Aqui, Krsna oferece uma terceira opção a Arjuna. Sloka 11 Athaitad apy asakto ´si Karttum mad-yogam asritah Sarva-karma-phala-tyagam Tatah kuru yatatmavan Mas se não és capaz de trabalhar para mim desta forma, refugia-te em minha bhakti-yoga renunciando e oferecendo-me os resultados de tuas ações com uma mente controlada. Bhavanuvada Os seis primeiros capítulos explicam o niskama-karma-yoga, as atividades oferecidas a Bhagavan como meio de alcançar moksa (liberação). Os seis capítulos intermediários descrevem bhakti-yoga como meio para alcançar Bhagavan. Bhakti-yoga é de duas classes: a primeira está constituída pelas ações dos sentidos internos fixos em Bhagavan e a Segunda pelas atividades dos sentidos externos. A primeira classe se subdivide em três categorias: smarana ou lembrança, manana ou meditação, e

abhyasa ou a prática de quem não é capaz de recordar constantemente porém estão ansiosos por faze-lo. As três práticas são muito difíceis para os menos inteligentes, mas são fáceis para quem está livre de ofensas e dedicados ao cultivo da inteligência pura. A Segunda classe de bhakti-yoga, que ocupa os sentidos externos, é um método muito mais fácil. Quem está dedicado a alguma destas duas classes de bhakti são superiores ao resto, segundo se descreve nos seis primeiros capítulos da Gita. Quem não é capaz de realizar nenhuma destas duas classes de bhakti e não podem adorar Sri Bhagavan através do controle dos sentidos e da mente, pode oferecer o niskama-karmayoga a Bhagavan, segundo se descreve nos seis primeiros capítulos. Sem dúvida, o niskama-karma-yoga é inferior aos dois tipos de bhakti-yoga mencionados acima. Prakasika-vrtti Na declaração”mat-karma-paramo bhava” do verso anterior, Sri Krsna aconselha, entre outras atividades, limpar seu templo, regar Tulasi e manter seus jardins. Ao escutar isto, Arjuna se pergunta o que deve fazer uma pessoa que, por nascer em uma família aristocrática ou ser socialmente respeitada, considera insignificantes estes serviços a Bhagavan,

os quais são simples, fáceis e felizmente executáveis e recusa a faze-lo. No presente verso, Bhagavan Sri Krsna, compreendendo a mente de Arjuna, oferece a quarta opção: “Se alguém é incapaz de executar estes simples serviços a Bhagavan, então o único meio é a adoção do processo de niskama-karmayoga, o trabalho desinteressado oferecido a Bhagavan”. Sem dúvida, não é correto evitar realizar serviços como limpeza do templo, devido ao falso ego material. Mesmo que o rei Ambarisa fosse senhor das sete ilhas da terra, estava constantemente ocupado no serviço a Bhagavan, limpando seu templo com suas próprias mãos e realizando outros serviços. Segundo o caitanya-caritamrta, o rei Prataparudra varria a rua em frente à carroça de Sri Jagannatha Deva durante o festival Rathayatra em Jagannatha Puri. Ao ver esta atitude de serviço, Sri Caitanya Mahaprabhu ficou muito satisfeito com ele. Por tanto, de acordo com as instruções do nosso guru-varga, mesmo o mais insignificante serviço a Sri Bhagavan é muito favorável para nós. O pensar que serviços como limpeza do templo são insignificantes e considerar-se superior devido ao ego material, é a causa do abandono da busca pela meta transcendental.

O muito compassivo Bhagavan Sri Krsna oferece outra opção para quem, devido ao complexo de superioridade, é incapaz de se dedicar ao serviço devocional. A pessoa deve atuar livre do desejo de desfrutar dos resultados do seu karma, e deve oferecer os resultados a Bhagavan. Sloka 12 Sreyo hi jnanam abhyasaj Jnanad dhyanam visisyate Dhyanat karma-phala-tyagas Tyagac chantir anantaram Melhor do que o abhyasa é o jnana que estimula a contemplação de mim. Superior a este tipo de jnana é a meditação através da qual a pessoa me recorda constantemente. Esta meditação conduz à renúncia aos frutos das ações. Mediante tal renúncia, a pessoa se libera dos desejos de desfrutar de Svarga e obter moksa. Deste modo ela obtém paz mental. Bhavanuvada Sri Bhagavan recita este verso para explicar, em ordem ascendente, a graduação entre abhyasa, manana e smarana. “Jnana significa absorver a inteligência em mim, porque a

contemplação (manana) de mim é superior à abhyasa”. A meditação abhyasa requer grande esforço e é difícil devido aos obstáculos, mas se alcança a etapa de manana, sua execução é facilitada. Isto é superior ao jnana, porque a meditação conduz à renúncia aos frutos da ação, ou melhor dizendo, dissipa os desejos pelos resultados das ações tais como prazeres em Svarga ou obter moksa. Sloka 13-14 Advesta sarva-bhutanam Maitrah karuna eva ca Nirmamo nirahankarah Sama-duhkha-sukhah ksami Santustah satatam yogi Yatatma drdha-niscayah Mayy arpita-mano-buddhir Yo mad-bhaktah as me priyah Meu bhakta que não é invejoso e que é compassivo e amistoso com todas as entidades vivas, que está livre do sentimento de posse e carece de falso ego, que é equilibrado na felicidade e na aflição, que é magnânimo, que está sempre satisfeito e dotado com bhaktiyoga, que controla seus sentidos e está completamente dedicado a mim tanto com

sua mente como com sua inteligência, é muito querido por mim. Bhavanuvada Qual é a natureza dos bhaktas que obteram o estado de paz mencionado? Prevendo esta pergunta de Arjuna, Sri Bhagavan explica as qualidades de seus bhaktas em oito versos, começando com este. Uma pessoa que não inveja ninguém, nem mesmo os que tem inveja por ele, se não que tem uma relação amistosa com ela, se chama advesta. Desejando que a pessoa descontente não se degrade ou caia de sua posição devido a uma atitude invejosa, os bhaktas sentem compaixão por ela. Se alguém perguntasse como e com qual tipo de discriminação alguém pode mostrar amizade e compaixão para com pessoas invejosa, a resposta é que estas atitudes existem naturalmente nos bhaktas, pois não discriminam. “ Meu bhakta está livre da inveja porque é nirmamah, ele não abriga sentimentos de posse para com seus filhos, esposa, e demais pessoas, e ao mesmo tempo, não se identifica com o corpo”. O Senhor Siva afirma no Srimad Bhagavatam (6.17.28): “Os que se dedicam a Sri Narayana não temem nada, pois vêem que Svarga, a liberação e o inferno são iguais”. A

capacidade de ver a felicidade e a aflição com equanimidade se denomina samadarsitva. Além do mais, eles aceitam que devem enfrentar o sofrimento, pois é o resultado de seu prarabdha-karma. Mantendo-se equânimes, suportam todas as misérias com grande tolerância Se alguém se pergunta como os bhaktas podem manter suas vidas, a resposta é “santustah, se satisfazem com qualquer alimento que obteem pela vontade da providência ou com pouco esforço”. Arjuna perguntou: “ Mas antes você disse que eles são equânimes, tanto na miséria quanto na felicidade e devem enfrentar a adversidade que significa não Ter comida. Como podem sentir-se satisfeitos quando conseguem alimentos por conta própria? Isto parece contraditório”. Bhagavan responde satatam yogi, “Dotados com bhakti-yoga, desejam manter seus corpos com o único desejo de alcançar a perfeição em bhakti”. Se por vontade da providência não consegue nada para comer, estas pessoas permanecem imperturbáveis. Se enfrentam uma situação que perturbe sua mente, eles não praticam astanga-yoga para sossega-la. Por este motivo são conhecidos como drdha-niscayah; eles jamais se desviam do propósito exclusivo de obter ananyabhakti por Bhagavan. “Os bhaktas são

muito queridos por mim e atuam apenas para satisfazer-me”. Prakasika – vrtti Nos versos anteriores, depois de descrever os diversos tipos de sadhana praticados pelos bhaktas exclusivos e determinados, Sri Bhagavan explica suas qualidades nos próximos sete versos. Aqui a palavra advesta significa que eles não invejam. Eles pensam que a inveja é produto de prarabdha-karma administrado por Paramesvara, por tanto, não invejam ninguém. Pelo contrário, considerando que todos os seres são a morada de Paramesvara, manteem uma atitude amistosa com eles. Ao ver o sofrimento dos demais, qualquer que seja a causa, tratam de alivia-lo. Por tanto, são compassivos. Consideram que o corpo e tudo que está relacionado com ele são apenas transformações da natureza material e diferentes de seu atma-svarupa, por isso não tem nenhum sentido de posse com seus próprios corpos e ao atuar, permanecem livres da falsa identificação corpórea. Quando enfrentam felicidade e aflição materiais não sentem euforia nem lamentação, senão que permanecem equânimes em ambas situações. Pelo fato de serem magnânimos, são também tolerantes. Como sempre estão satisfeitos

em todas situações, seja na derrota ou vitória, fama ou infâmia, se consideram yogis e permanecem firmemente estabelecidos no sadhana sob guia de Sri Gurudeva. A palavra yatatma significa” aquele que controla os sentidos”. Sua determinação é firme, pois nenhuma falsa lógica lhe perturba. No mundo material, nenhuma miséria pode desvia-los de bhagavad-bhakti. A qualidade especial dos ekantika-bhaktas consiste no fato que estão dotados com fé firme com a qual permite-lhes entender “ Sou o servo de Bhagavan”, e sua mente, corpo e demais posses está rendidos aos pés de lótus de Sri Bhagavan. Por tanto, os ekantikabhaktas são muito queridos por ele. Sloka 15 Yasman nodvijate loko Lokan nodvijate ca yah Harsamarsa-bhayodvegair Mukto yah sa ca me priyah O bhakta que não perturba ninguém nem é perturbado pelos outros, que está livre da felicidade mundana, da intolerância, do temor e da ansiedade, é sem dúvida muito querido por mim. Bhavanuvada

No Srimad Bhagavatm (5.18.12) se diz: “Os semideuses e suas qualidades, residem apenas em quem possui ekantikabhakti por Bhagavan”. Estas e outras qualidades que satisfazem Bhagavan surgem naturalmente pela prática contínua de sua bhakti. Prakasika – vrtti Nestes versos, Bhagavan descreve outras qualidades dos devotos de Bhagavan que se manifestam de forma natural através da prática de bhakti. Como disse anteriormente, não há possibilidade de que o comportamento dos meus bhaktas cause danos a alguém, pois estão livres da tendência de ser violentos com qualquer entidade viva, e além disso, tem uma disposição compassiva para com todos. Eles não provocam temor ou ansiedade a ninguém. É impossível alguém agitá-los visto que são equânimes tanto na felicidade quanto no sofrimento. Quando alcançam a meta desejada não sentem euforia e nem tampouco sentem inveja ao ver a superioridade ou o progresso dos demais. Suas mentes jamais se perturbam pelo temor ou ansiedade de perder alguma posse. Sloka 16

Anapeksah sucir daksa Udasino gata-vyathah Sarvarambha-parityagi Yo mad-bhaktah sa me priyah Este meu bhakta, que é indiferente a todas as atividades mundanas, que é puro tanto interna quanto externamente, que é hábil, que está desapegado e livre de toda agitação, e que evita cuidadosamente qualquer atividade desfavorável à bhakti, é muito querido por mim. Yo na hrsyati na dvesti Na socati na kanksati Subhasubha-parityagi Bhaktiman yah as me priyah Aquele que não se deleita com prazeres mundanos nem se desespera com as dificuldades materiais, que não se lamenta pela perda nem anseia a ganância, que renuncia às atividades piedosas e impiedosas e que me serve com devoção amorosa, é sem dúvida um bhakta muito querido por mim. Prakasika-vrtti “Os devotos (bhaktas) que não se regozijam quando tem um bom filho ou um bom discípulo, nem se sentem decepcionados por um filho desobediente

ou um mal discípulo; que não se absorvem na lamentação pela perda de um objeto amado nem desejam um objeto prazeiroso que não possuem; que não se ocupam em atividades piedosas ou impiedosas e estão dedicados a mim, são muito queridos por mim.” Slokas 18 – 19 Samah satrau ca mitre ca Tatha manapamanayoh Sitosna-sukha-duhkhesu Samah sanga-vivarjitah Tulya-ninda-stutir mauni Santusto yena kenacit Aniketah sthira-matir Bhaktiman me priyo narah Abençoado por minha bhakti, aquele que é igual ao lidar com amigos e inimigos, equilibrado na honra e na desonra, no frio e no calor, na felicidade e no sofrimento, no elogio e na crítica; que não busca a associação desfavorável e pratica o silêncio mediante controle da fala, que permanece satisfeito com qualquer coisa, que não está apegado ao seu lugar residencial e que cuja inteligência está firmemente estabelecida, este bhakta (devoto) é muito querido por mim.

Prakasika-vrtti Sri Krsna conclui agora sua glorificação das qualidades naturais de seus queridos devotos nestes dois versos. Sloka 20 Ye tu dharmamrtam idam Yathoktam paryupasate Sraddadhana mat-parama Bhaktas te tiva me priyah Sem dúvida, meus bhaktas que se dedicam exclusivamente ao meu bhajan com fé firme e adoram o nectáreo dharma que foi descrito, são sumamente queridos por mim. Bhavanuvada Ao concluir sua descrição das características que se encontram nos bhaktas firmemente estabelecidos em sua bhakti, Sri Bhagavan explica o resultado para quem escuta, estuda ou medita nestas características com anseio de desenvolvelas. Todas as características citadas nascem de bhakti e produzem paz, elas não são qualidades materiais. Nas escrituras se diz: “ Apenas satisfaz Krsna, aquele que possui bhakti, e não aquele que possui qualidades materiais.”

Bhakti é supremo, prazeiroso e constituem a meta mais difícil de ser alcançada. Neste capítulo foram ditas muitas de suas qualidades. Foi descrito que o jnana é como um limão amargo e bhakti como uma doce uva. Os sadhakas ansiosos por algum desses sabores devem aceitar um deles de acordo com sua preferência pessoal. Assim se conclui o décimo segundo capítulo do Srimad Bhagavd Gita

Capítulo 13 Prakrti-Purusa-Vibhaga-Yoga A diferença entre a natureza material e o desfrutador

Sloka 1 Arjuna uvaca Prakrtim purusancaiva Ksetram ksetrajnam eva ca Etad veditum icchami Jnanam jneyanca kesava

Arjuna disse: Ó Kesava! Gostaria de compreender a natureza material (prakrti), o desfrutador (purusa), o campo (ksetra), o conhecedor do campo (ksetrajna), o conhecimento (jnana) e o objeto do conhecimento (jneya). Bhavanuvada Ofereço minhas reverências à bhagavadbhakti, parte do qual está misericordiosamente situado nos processos tais como o jnana com o objetivo de garantir o êxito neles. Nesta terceira série de seis capítulos se descreve bhakti-misra-jnana mesclado com bhakti. Também se faz referência à supremacia de kevala-bhakti. O capítulo treze trata especificamente dos assuntos do corpo (ksetra), a jivatma e Paramatma (ksetrajna), o sadhana para conhece-los, o desfrutador (purusa) e a natureza (prakrti). Só pode-se alcançar Bhagavan através de kevala-bhakti, isto se descreveu na segunda série de seis capítulos. Prakasika-Vrtti O Srimad Bhagavad Gita consta de dezoito capítulos que se dividem em três partes. Os primeiros seis capítulos descrevem o niskama-karma-yoga, o bhakti-misra-jnana e os temas relevantes

sobre jivatma e Paramatma. A Segunda série seis capítulos explica as glórias de kevala-bhakti, deliberam sobre o para e apara bhakti, e descrevem as glórias da svarupa de Sri Bhagavan e do bhakta. Também explica a peculiaridade e supremacia de bhakti sobre os outros processos e começa a falar detalhadamente sobre temas relacionados. O tattva jnana, que se descreveu, é explanado na terceira série de seis capítulos. A presente descrição é uma parte da explanação sobre a natureza material, o desfrutador, o campo e o conhecedor do campo. A instrução mais confidencial do Gita é dada no capítulo dezoito. Sloka 2 Sri bhagavan uvaca Idam sariram kaunteya Ksetram ity abhidhiyate Etadyo vetti tam prahuh Ksetrajna iti tad-vidah Sri Bhagavan disse: Ó Kaunteya! Os que estão dotados com conhecimento acerca de ksetra e ksetra-jna sabem que o corpo é conhecido como ksetra (o campo) e aquele que conhece o corpo se denomina ksetra-jna (o conhecedor do campo).

Bhavanuvada O que é ksetra? E o que é ksetra-jna? Em resposta a esta pergunta, Sri Bhagavan recita este verso, que começa com a palavra idam. O corpo se denomina ksetra em razão de ser o refúgio de todo o desfrute sensual; em outras palavras, é a origem da árvore da existência material. As jivas condicionadas estão cobertas pelo conceito errôneo gerado pelo falso ego de “eu” e “meu” com relação a seus corpos, e não se libertam desta mentalidade até que alcançam o estado de liberação. Em outras palavras, se desapegam do corpo apenas quando se liberam. A jiva situada em qualquer destes estados se conhece como ksetra-jna. Sri Bhagavan diz no Srimad Bhagavatam (11.12.23) “As almas condicionadas ignorantes que estão ávidas por obter objetos sensíveis experimentam misérias como um dos frutos da árvore da existência material. Em última análise os planetas celestiais também são miseráveis. Por outro lado as mukta jivas ou almas liberadas que vivem na árvore obtém outra classe de fruto: a eterna felicidade da liberação. Assim sendo, a árvore da existência material conduz a distintos destinos como Svarga (planetas celestiais), Naraka(o inferno) e a

liberação. Considera-se por tanto, que a árvore está composta por maya e tem múltiplas formas devido a que nasce de maya-sakti. Apenas os que aceitam um sad-guru compreendem este segredo e conhecem realmente o ksetra e o ksetrajna.” Prakasika-Vrtti Após escutar as perguntas de Arjuna, Bhagavan Sri Krsna estabelece que o corpo da jiva condicionada, juntamente com seu ar vital e sentidos, constituem seu lugar de desfrute e se denomina ksetra. Aquele que conhece o corpo entende que ele é o meio de desfrute para quem está no estado condicionado e o meio de alcançar a liberação para os que estão na etapa de moksa. A jiva situada em qualquer destes estados se denomina ksetra-jna. Não obstante, Sri Baladeva Vidyabhusana diz: “A jiva que se identifica com o corpo não compreende o tattva do corpo. Por tanto não é ksetrajna.” Os que aceitam seu corpo como seu ser, o considera unicamente como meio para o desfrute. Intoxicados pelo falso ego material, estão atados ao samsara ou existência material; vida após vida, seu único ganho é a miséria. Ao contrário, os que se liberam do ego material enquanto

permanecem no corpo e oferecem serviço a Sri Hari, alcançam gradualmente a felicidade de moksa. Conseguem o êxito ao obter a oportunidade de servir Bhagavan. Sloka 3 Ksetrajnam capi mam viddhi Sarva-ksetresu bharata Ksetra-ksetresu bharata Ksetra-ksetrajnayor jnanam Yat taj jnanam matam mama Ó Bharata! Deves saber que sou o único conhecedor de todos os ksetras. O conhecimento do corpo como sendo ksetra, e o conhecimento da jiva e isvara como ksetra-jna é um conhecimento verdadeiro. Esta é minha opinião. Bhavanuvada Assim sendo, a entidade viva se denomina ksetra-jna poruqe tem conhecimento sobre o ksetra, mas Paramatma tem um conhecimento mais profundo que as jivas pois conhece cada aspecto de todos os ksetras. Este verso, que começa com as palavras ksetra-jnam, explica seu ksetratattva ou a qualidade de conhecer o ksetra. Sri Bhagavan diz: “Você deve saber que u, Paramatma, sou ksetra-jna que está

situado como o controlador de todos os ksetras. A jiva é ksetra-jna apenas de seu ksetra individual e ainda sim seu conhecimento é incompleto. Sou o único que conhece todos os ksetras completamente. Esta é minha peculiaridade”. Sloka 4 Tat ksetram yac ca yadrk ca Yad-vikari yatas ca yat As ca yo yat prabhavas ca Tat samasena me srnu Agora escuta minha breve descrição do ksetra, suas características e transformações, porque e de quem surgiu e qual é a natureza e a influência do ksetra-jna.

Bhavanuvada Neste verso que começa com as palavras tat ksetram, Sri Bhagavan fala mais profundamente sobre o significado da palavra ksetra, que já foi mencionada de maneira simples. O ksetra é uma combinação de cinco elementos, o ar vital e os sentidos.”Escuta como o ksetra, o campo integrado por um corpo grosseiro e outro sutil, possui diferentes tipos de

natureza, desejos e transformações tais como a inimizade e amizade. Escuta como nasce da união da prakrti e o purusa e como se manifesta de maneira diferente em distintas formas móveis e imóveis. O ksetra-jna é a jivatma e também Paramatma.” De acordo com as regras da gramática sanscrita, a palavra ksetra-jna é usada aqui em gênero neutro porque a palavra ksetra se utiliza em tal gênero. Sloka 5 Rsibhir bahudha gitam Chandobhir vividhaih prthak Brahma-sutra-padais caiva Hetumadbhir viniscitaih Os sábios explicaram o princípio do ksetra e do ksetra-jna de muitas formas diferentes em inúmeras escrituras védicas, e no brahma-sutra canta-se com uma lógica perfeita e com evidências categóricas. Bhavanuvada “Quem descreve sobre este tema que você irá me explicar agora?” Antecipando a pergunta de Arjuna, Sri Bhagavan diz: “Santos como Vasistha, entre outros, descreveram o tema nos seus yoga-sastras. Chandobhir significa que se

explica nos Vedas e também no Brahmasutra, em sutras ou aforismos como athato brahma-jijnasa. Visto que as características do brahma, a Suprema Verdade Absoluta, estão sustentadas pelos sastras, estes se conhecem como pada ou,”aquele que proporciona evidência para demonstrar sua existência”. Qual é a natureza do brahma? Bhagavan responde: “ Os videntes que percebem tudo em termos de causa e efeito a definem no brahma-sutra; iksate nasabdam, “ O Senhor Supremo não é indescritível e, anandamayo bhyasat, O Senhor Supremo é bemaventurado por natureza”. Slokas 6 -7 Maha-bhutany-ahankaro Buddhir avyaktam eva ca Indriyani dasaikanca Panca cendriya-gocarah Iccha dvesah sukham duhkham Sanghatas cetana dhrtih Etat ksetram samasena As-vikaram udahrtam Os cinco grandes elementos, o falso ego, a inteligência, a prakrti, os onze sentidos, os cinco objetos dos sentidos, os desejos, a aversão, a felicidade, a miséria, o corpo, o

conhecimento e a paciência constituem uma breve descrição do ksetra, junto com suas transformações mundanas. Bhavanuvada Sri Bhagavan explica a natureza do ksetra. A terra, a água, o fogo, o ar e o céu, sua causa (falso ego), a inteligência na forma de razões científicas, o maha-tattva (causa do falso ego), a prakrti (causa do mahatattva), os dez sentidos de trabalho e aquisição de conhecimento, a mente e os cinco objetos sensíveis (tais como o som e o tato) fazem referência aos vinte quatro elementos. Slokas 8 –12 Amanitvam adambhitvam Ahimsa ksantir arjavam Acaryopasanam saucam Sthairyam atma-vinigrahah Indriyarthesu vairagyam Anahankara eva ca Janma-mrtyu-jara-vyadhi Dunkha-dosanudarsanam Asaktir anabhisvangah Putra-dara-grhadisu Nityanca sama-cittatvam Istanistopapattisu

Mayi cananya-yogena Bhaktir avyabhicarini Vivikta-desa-sevitvam Aratir jana-samsadi Adhyatma-jnana-nityatvam Tattva-jnanartha-darsanam Etaj jnanam iti proktam Ajnanam yad ato´nyatha O desapego do desejo de honra, a humildade, a não violência, a tolerância, o perdão, o serviço a um Guru genuíno, a pureza tanto interna como externa, a constância, o controle do corpo e dos sentidos, o desapego dos objetos dos sentidos, a ausência de falso ego, a constante percepção das misérias do nascimento, morte, velhice e doença, o desapego da esposa, filhos etc, a indiferença na felicidade e na tristeza etc, a equanimidade com o ganho de objetos favoráveis ou desfavoráveis, bhakti incondicional, determinada e ininterrupta a mim, gosto pela solidão e aversão a associação com pessoas materialistas, a meditação interna constante, os princípios da auto realização que falei anteriormente, isto é conhecimento verdadeiro. Qualquer outra atitude é somente ignorância. Bhavanuvada

Nestes cinco versos, Sri Bhagavan explica vinte meios, sadhanas, para se alcançar a meta. O primeiro deles é a humildade. Também explica as qualidades as qualidades dos ksetra-jnas – jivatma e Paramatma, que são diferentes das características do ksetra previamente mencionadas. Dezoito destas qualidades são gerais e servem tanto para os jnanis como para os bhaktas. Bhagavan afirma: mayi cananya-yogena bhaktir avyabhicarini. Para poder percebe-lo, é indispensável que os devotos se esforcem com sinceridade na ekantika-bhakti. Dezessete qualidades, começando com a humildade, se manifestam de forma natural nos devotos que praticam a devoção pura; eles não necessitam esforços separados para adquirir estas qualidades. As duas últimas qualidades, não obstante, são exclusivas dos jnanis. Esta é a opinião da comunidade dos devotos. Ainda sim, os jnanis têm uma opinião diferente. Alegam que ananya yogena significa ver o ser em tudo e avyabhicarini significa executar o yoga todos os dias. Segundo Sripada Madhusudana Sarasvati, a palavra avyabhicarini significa “aquele que não pode ser detido por nada”. A palavra adhyatma-jnana se refere ao conhecimento que se encontra no ser e

que deve praticar-se constantemente se desejam a purificação do ser. Os sintomas da ignorância (ajnana), tais como o desejo de honra, se opõem às qualidades mencionadas. Prakasika-vrtti Bhaktivinoda thakura diz que destas vinte qualidades citadas neste verso deve-se adotar a devoção imaculada e incondicional a Sri Krsna e que as outras dezenove qualidades são frutos secundários desta bhakti. Sloka 13 Jneyam yat tat pravaksyami Yaj jnatva ´mrtam asnute Anadimat param brahma Na sat tan nasad ucyate Agora te explicarei o que é jneya, aquele que se deve conhecer, pois ao compreende-lo, obtém-se moksa (liberação). O brahma que não tem começo e depende de mim, está além da causa e do efeito desta criação. Prakasika-vrtti Préviamente Sri Bhagavan explicou o método para se obter jnana. Neste verso

desenvolve-se o assunto sobre o paratattva conhecível, que é a meta do jnana. Os jnanis pensam que o para-tattva é o nirvisesa-brahma. Imaginam que o paratattva carece de nome, forma, qualidades, atividades e associados; um vazio que não se pode descrever com adjetivos como “O dono das energias”, diversificado ou ativo. Os suddha-bhaktas que se refugiam em ananya-avyabhicarini bhakti, veem o parabrahma, o para-tattva, como Sri Krsna, a Verdade Absoluta, o qual é a personificação dos jogos transcendentais e a base de todas as qualidades, energias e doces relações que estão livres das insignificantes qualidades materiais. Ainda que em algumas passagens dos srutis se descreve contextualmente o tattva como nirvisesa, estas descrições só negam que Krsna possui qualidades materiais, não que não tem qualidades transcendentais. Os sastras iluminam este profundo segredo. “Os próprios mantras védicos que descrevem primeiro o tattva como nirvisesa, o mostram como savisesa. Ambos são aspectos de Bhagavan, mas uma consideração mais profunda revela que o savisesa-tattva é superior visto que apenas este é perceptível neste mundo material, enquanto o nirvisesa-tattva não

se experimenta em absoluto”. (Hayasirsapancaratra) Sloka 14 Sarvatah pani-padam tat Sarvato ksi-siro-mukham Sarvatah srutimal loke Sarvam avrtya tisthati Suas mãos e seus pés estão em todas as partes. Seus olhos, cabeças e rostos se infiltram em todas as direções e ele também ouve tudo. Situado desta maneira, o brahma penetra em todo universo. Bhavanuvada Afirmar que o brahma é distinto da causa e do efeito não contradiz os srutis como: sarvam khalv idam brahma, “tudo isto é brahma”. Antecipando este tipo de pergunta, Bhagavan explica que por natureza o brahma está além da causa e efeito, e é tanto a causa e efeito, visto que a energia e o possuidor da energia são não diferentes. Por tanto, ele disse que suas mãos e pés entram em todas as partes. Isto implica que o brahma tem limitados braços e pés na forma de dois braços e pés de cada entidade viva visível, desde o Senhor Brahma até uma diminuta

formiga. Assim mesmo, seus olhos, cabeças, bocas e ouvidos estão também em todas as partes. Prakasika-vrtti No verso anterior se descreveu o brahma como um ser que está além da causa e do efeito. Pode-se citar o Vedanta sutra – sakti-saktimator abhedah: “ a energia e seu possuidor não são diferentes”. Assim sendo, pode-se entender que todos os efeitos, incluindo o mundo visível, são a svarupa de Bhagavan por ser transformações de sua sakti. Neste verso agora clareia-se este ponto. O brahma existe em todas as partes mediante as mãos, pés e demais membros de todas as entidades vivas que estão submetidas a ele e situadas dentro dele. Devido ao fato de que ele é onipenetrante, ele possui mãos, pés e ouvidos ilimitados. As entidades vivas não são onipenetrantes, assim não podem Ter mãos, pés e ouvidos ilimitados. Paramatma é onipotente, mas a jiva não. Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna: “ Assim como os raios do sol iluminam devido à sua dependência deste astro, o brahma-tattva obteve seu aspecto infinito e onipenetrante por depender da minha potência. A existência do brahma, que é a fundação das ilimitadas jivas,

desde Brahma até uma formiga, compõese coletivamente de mãos, pés, olhos, cabeças, bocas e ouvidos ilimitados e é visível por toda sua manifestação cósmica. Sloka 15 Sarvendriya-gunabhasam Sarvendriya-vivarjitam Asaktam sarva-bhrc-caiva Nirgunam guna-bhokr ca O parabrahma é a fonte de todos os sentidos e de suas respectivas funções, mas carece de sentidos materiais. Ainda que está desapegado, é ele que sustém todas as entidades vivas e ainda que seja nirguna, ele é o desfrutador das seis qualidades transcendentais. Bhavanuvada Além disso, ele manifesta todos os objetos sensíveis e os sentidos. Os srutis dizem: “Ele é o olho do olho”, e “Ele manifesta as funções dos sentidos tais como o som”. Ainda sim, ele não tem sentidos materiais porque seus sentidos são transcendentais. Ele não está apegado ao plano mundano e mantém a todos e cada um através da sua forma de Vishnu. É nirguna, possui uma forma transcendental que está livre das

qualidades materiais e é guna-bhoktir, superior a estas. É conhecido como bhoga porque é o desfrutador dos seis tipos de opulências transcendentais. Sloka 16 Bahir antas ca bhutanam Acaram caram eva ca Suksmatvat tad avijneyam Dura-stham cantike ca tat A entidade Absoluta habita dentro e fora de todos os seres móveis e imóveis. É muito difícil de compreende-lo porque é muito sutil. Ele está simultaneamente longe e perto. Bhavanuvada Ele está situado em todas as partes, tanto dentro quanto fora de todas as entidades e elementos da sua criação, assim como o céu está dentro e fora do corpo. Ele é o todo, tanto os seres móveis ou imóveis, porque é a causa de toda criação. Mesmo assim, não se pode percebe-lo de forma direta já que sua forma e demais atributos são diferentes das formas e qualidades materiais. Por tanto, ele está situado a milhões de kilometros das pessoas ignorantes, e está

muito perto dos que estão iluminados com o conhecimento transcendental. Prakasika-vrtti Paramesvara está situado coração de todos os seres em sua forma Ataryami e existe fora de todo em seu aspecto onipenetrante como Paramesvara. Apenas os ananyas bhaktas podem conhece-lo através da influência de ananya bhakti. Por tanto ele está muito perto dos ananyas bhaktas e muito distante dos não devotos. Sloka 17 Avibhaktanca bhutesu Vibhaktam iva ca sthitam Bhuta-bharttr ca taj jneyam Grasisnu prabhavisnu ca Mesmo que é indivisível está situado dentro de cada ser como se tivesse se dividido. Tente entender que ele é o sustentador, o aniquilador e o criador de todos os seres. Bhavanuvada Como Sri Narayana ele é o mantenedor de todas as entidades vivas no período da manutenção. Como Grasisnu ele é o

destruidor no momento da aniquilação e, na hora da criação é Prabhavishnu, o criador dos diferentes efeitos e formas. Prakasika-Vrtti Mesmo que aparece de forma diferente em todas as entidades vivas, o paramatattva está situado em uma forma invisível. Os srutis afirmam: “Mesmo sendo um, ele pode ser visto de diferentes formas”. O smrti estabelece: “Apenas um Paramatma, Visnu, existe em todo lugar. Não há dúvida sobre esta singularidade”. Assim como o mesmo sol aparece em formas diferentes de acordo com o lugar, Paramatma aparece em diversas formas através de sua potência inconcebível mesmo sendo um. Ele existe como Antaryami individual dentro dos corações das jivas, enquanto externamente é onipenetrante, o purusa coletivo, Paramesvara. É também o sustentador e aniquilador de toda esta existência. Sloka 18 Jyotisam api taj jyotis Tamasah param ucyate Jnanam jneyam jnana-gamyam Hrdi sarvasya dhisthitam

Ele é a fonte de luz de todos os objetos luminosos e é transcendental à ignorância. Ele é o verdadeiro conhecimento, o verdadeiro objeto do conhecimento e pode ser conhecido através do processo de jnana. Ele habita nos corações de todos os seres. Bhavanuvada Ele é inclusive a luz que emana dos objetos luminosos como a lua e o sol. Esta característica se confirma nos srutis: suryas tapati tejasendrah, “ mediante seu resplendor, o sol se torna luminosos e distribui o calor”. Se o sol, a lua ou as estrelas não parecem charmosas e radiantes comparadas com Ele, que dizer do fogo. Refulgentes em aparência, todos eles adquirem sua luminosidade a partir do brilho. É unicamente por sua refulgência que adquirem sua qualidade de iluminação. Prakasika-Vrtti Paramesvara, o ksetra - jna completo, é o iluminador original de todos os objetos luminosos tais como o sol, a lua e o fogo. Na tatra suryo vibhati: “Se o sol, a lua, as estrelas ou o fogo não podem iluminar o auto refulgente parabrahma, o raio menos ainda. E é através do auto refulgente

brahma que todos os objetos luminosos como o sol podem dar a luz. O mundo móvel e imóvel está iluminado pela refulgência corporal de Parabrahma”. No Srimad Bhagavatam (3.25.42) está dito: “O vento sopra e o sol brilha por temor a mim”. Sloka 19 Iti ksetram tatha jnanam Jneyancoktam samasatah Mad-bhakta etad vijnaya Mad-bhavayopapadyate Descrevi brevemente o campo, o conhecimento e o conhecível. Meu bhakta se capacita para alcançar minha prema bhakti quando os compreende. Bhavanuvada Aqui, no verso que começa com a palavra iti, Sri Bhagavan conclui suas declarações sobre o conhecimento do ksetra e o ksetrajna explicando quem está capacitado para compreender este conhecimento e qual é seu resultado. No presente capítulo foi explicado a palavra ksetra a partir do verso “adhyatma-jnananityatvam” (Gita 13.6), até o verso “adhyatma-jnana-nityatvam” (Gita 13.12). Tmbém foi descrito o jnana desde o verso

Gita (13.6) até o verso (13.13). O jneyah e o jnana gamyam foram descritos desde o verso que começa com a palavra jneyam. A própria Realidade Absoluta é conhecida como brahma, Paramatma e Bhagavan. Apalavra mad-bhakta se refere ao jnani que está dotado com bhakti. Mad-bhavaya significa que eles alcançam sayujyamukti. Mad bhakta também se refere a: “Meu servo puro que pensa ‘meu Prabhu tem grande aisvarya’ está capacitado para obter meu prema”. Assim, se capacita para executar prema-bhakti. Prakasika-vrtti Neste verso, Sri Bhagavan estabelece claramente que os karmis, os jnanis, os yogis, os tapasvis e os nirvisesamayavadis não podem compreender a essência real do Bhagavad Gita; apenas os bhaktas de Bhagavan podem entende-lo. Tal é o significado profundo dos tattvas de jneya, jnata e jnana tal como se descreve no Gita. Por esta razão uma pessoa deve praticar bhakti refugiando-se nos pés de lótus de um Guru Genuíno. Sloka 20 Prakrtim purusancaiva Viddhyanadi ubhav api Vikarams ca gunams caiva

Viddhi prakrti-sambhavan Há de saber que tanto a prakrti quanto a entidade viva não tem começo e que suas transformações e qualidades nascem da natureza material. Bhavanuvada Depois de descrever paramatma, Sri Bhagavan passa agora a explicar jivatma (purusa) que é também um ksetra-jna. “Porque surgiu a relação entre este ksetrajna e a natureza material (prakrti)? Quando começou?”. Esperando estas perguntas, Sri Bhagavan responde com o verso que começa com a palavra prakrti. “ A natureza material e a jiva não têm começo. Em outras palavras, sua causa não tem um princípio. Visto que eu, Isvara, não tenho começo, eles, sendo minhas energias, tampouco tem. Também no Bhagavad Gita (7.4-5) está dito: “A natureza material está dividida em oito partes – o céu, a água, o fogo, o ar, o éter, a mente, a inteligência e o ego – mas é inferior à outra natureza minha. As jivas são minha energia superior. Aceitam o mundo material para desfrutar os resultados de suas ações.”

Segundo minha própria declaração, visto que maya e a jiva são minhas energias, elas não tem começo e, por tanto, sua relação tampouco tem um princípio. E ainda que estão relacionadas entre si, são diferentes”. Sri Bhagavan diz que o corpo e os sentidos, as transformações dos gunas tais como a felicidade, a aflição, a lamentação e a ilusão, nascem a partir de prakrti. A jiva, que se modifica em forma do ksetra, é diferente da prakrti. Prakasika-vrtti A pós explicar ambos os ksetras, o ksetrajna parcial (a jiva), o ksetra-jna completo (Paramesvara), o jnana e o jneya, Sri Bhagavan fala agora das transformações do ksetra tais como a luxúria, a ira, o afeto, e o medo, e de como surgiu a relação entre o ksetra-jna jiva e maya. Nem a prakrti nem a jiva tem um começo visto que são energias de Paramesvara. Assim elas também são eternas. A prakrti inerte se chama apara-prakrti e a jiva se denomina para-prakrti. O Sri Caitanya Caritamrta estabelece nos ensinamentos a Sanatana Goswami (Madhya-lila 20.108,109, 111, 117) “ Por sua constituição, a jiva é uma serva eterna de Krsna. A tatastha-sakti de Krsna se transforma em ilimitadas jivas. Devido

ao fato da energia não ser diferente do energético, as jivas conscientes atômicas que são as transformações da sakti são de alguma forma iguais a Krsna. Simultaneamente elas também são eternamente diferentes em muitos sentidos. Bhagavan é ilimitadamente consciente e a jiva é infinitamente consciente. Ambos são iguais de acordo com a perspectiva de consciência, mas Bhagavan é a entidade consciente completa e a jiva é uma entidade consciente atômica. Bhagavan é o amo de maya e a jiva é subjugada por maya. Bhagavan é a causa da criação, a manutenção e a destruição, a qual a jiva é incapaz. Pode-se dar o exemplo de que assim como as partículas ilimitadas e diminutas faíscas são formadas pelo fogo, as ilimitadas e atômicas jivas conscientes emanam de Bhagavan. Sloka 21 Karya-karana-karttrtve Hetuh prakrtir ucyate Purusah sukha-duhkhanam Bhoktrtve hetur ucyate Se diz que a prakrti é a origem da causa e do efeito materiais, enquanto a entidade viva condicionada é a causa do

sentimento de felicidade e aflição materiais. Bhavanuvada Sri Bhagavan revela agora a relação da jiva com maya. Karya (o efeito) se refere ao corpo; karana (a causa) se refere aos sentidos que são o meio para obter felicidade ou miséria, e karttrtva (o agente) se refere às deidades regentes dos sentidos (os semideuses). Devido à ignorância a entidade viva condicionada delega si mesma o sentimento de que ela é a executora ou a agente, mas a verdadeira causa deste sentimento é a prakrti. É apenas a prakrti que se transforma em efeito para entrar em contato com a jiva. A tendência de maya é dar um conhecimento ilusório a jiva. Segundo a lógica, se diz que a prakrti é a causa do corpo, dos sentidos e dos semideuses, e que a jiva é a causa do desfrute e da aversão. Sloka 22 Purusah prakrti-stho hi Bhunkte prakrti-jan gunam Karanam guna-sango ´sya Sad-asad-yoni-janmasu

Estando situada na prakrti, a jiva desfruta dos objetos dos sentidos nascidos dela. A causa do seu nascimento em espécies superiores e inferiores é a sua associação com as qualidades da natureza. Bhavanuvada A jiva considera as qualidades da prakrti como sendo suas, tais como as deidades regentes dos sentidos e a experimentação da felicidade e aflição, devido ao falso conhecimento surgido da ignorância desde tempos imemoriais. Esta é a razão do seu aprisionamento no mundo material. A jiva se situa dentro do corpo, o qual é efeito da prakrti, e absorve-se completamente na identificação do seu corpo com seu próprio ser. Devido ao seu falso ego, a jiva considera que os aspectos da mente como a lamentação, ilusão e miséria, que são gerados pelas qualidades da prakrti são seus e assim sofrem por eles. Tal identificação se deve a sua associação com as qualidades da natureza material. Isto significa que tal identificação com o corpo, que é feita de qualidades materiais, é uma suposição baseada na ignorância visto que na verdade a jiva está livre desta associação. “Então, onde a jiva desfruta?”. Esperando esta pergunta, Sri Bhagavan disse: “Nas espécies cuja

consciência é superior como os Sadhus e os semideuses ” e “Nas espécies cuja consciência é mais baixa como os animais”. Ela nasce e experimenta felicidade ou sofrimento em razão do seu bom ou mal karma. Prakasika-vrtti Por Ter se esquecido de Krsna, as jivas, que são de natureza marginal, consideram seus corpos como sendo seu próprio ser. Pensam que são as autoras e as desfrutadoras da matéria inerte. Assim, são atadas ao mundo material e nascem em distintas espécies de vida nas quais experimentam felicidade e aflição. As jivas que são enganadas por maya, caíram no ciclo de repetidos nascimentos e mortes, e como consequência sofrem misérias mundanas, nascendo as vezes em svarga, as vezes no inferno, as vezes como rei ou súditos, as vezes como brahmana ou sudras, e as vezes como fantasma, demônios, servos ou amos. Algumas vezes são felizes e outras são sofredoras. A consciência da jiva é atômica e mesmo que ela seja uma serva de Bhagavan, ela se vê enganada por maya, que se encontra muito perto. Ela é enganada devido a que abriga desejos materiais como resultado de sua aversão a Krsna. Assim, como a inteligência de uma

pessoa possuída por um duende ou um fantasma fica coberta pela ignorância, a inteligência das jivas confundidas fica coberta por maya. Pela misericórdia de Bhagavan e seus devotos, elas obtém uma associação apropriada, libera-se de maya e uma vez situada em sua posição natural, desfruta felizmente do serviço a Bhagavan. Sloka 23 Upadrastanumanta ca Bhartta bhokta mahesvarah Paramatmeti capy ukto Dehe´smin purusah parah Neste corpo existe um purusa superior que é o desfrutador transcendental. Ele é Paramatma: o testemunho, o sancionador, o amo, o sustentador e o Controlador Supremo. Bhavanuvada Após falar sobre a jivatma, Bhagavan fala agora sobre Paramatma Neste verso. A partir do verso “anadi matparam brahma” (Gita 13.13) até o verso “hrdi sarvasya visthitam” (Gita 13.18) descreve Paramatma de maneira geral e também específica. Mesmo que Paramatma se mantém perto da jiva está

sempre separado dela. Paramatma está localizado dentro do corpo e é superior à atma. Anumanta significa que enquanto reside perto da jiva, ele é generoso e facilitador. Bharta significa sustentador e bhokta significa protetor. Prakasika-vrtti Paramatma que está situado como um testemunho no corpo, é diferente da jiva. Os advaita-vadis (monistas) consideram que a jivatma e Paramatma são unos, mas neste verso fica claro que Paramatma é diferente da jiva. Devido ao fato de que ele é superior à jivatma, é conhecido como Paramatma ou atma suprema; é uma porção de uma porção de Svayam Bhagavan Sri Krsna. Sem sua permissão a jiva não pode fazer nada. Mesmo que vive com a jiva, Paramatma é sempre o amo da jiva e de maya. Bhagavan outorga a independência à jiva. Quando a entidade viva utiliza apropriadamente, pode desfrutar facilmente de prema-mayi-seva a Sri Bhagavan em seu eterno dhama, mas quando usa indevidamente sua independência ela é atada por maya e assim sofre os três tipos de misérias incluindo o ciclo de nascimentos e mortes. O Svetasvatara Upanisad (4.6) e o Mundaka Upanisad (3.1.1) afirmam:

“Ksridakasayi-purusa e a jiva vivem juntos no mundo material temporário (o corpo) como dois amigos em uma árvore pippala. A jiva saboreia os frutos da árvore de acordo com seu karma e Paramatma testemunha seus atos. Ele não saboreia os frutos, ele apenas contempla seu amigo”. Sloka 24 Ya evam vetti purusam Prakrtinca gunaih saha Sarvatha varttamano ´pi Na as bhuyo ´bhijayate Aquele que compreende os princípios de Paramatma, da entidade viva e da natureza material juntamente com suas três qualidades, não nasce de novo, seja qual for sua condição atual. Bhavanuvada Sri Bhagavan recita este verso para explicar o resultado do jnana. “Mesmo que estejam iludidos pelo sonho e perturbação mental, aquele que conhece o purusa (Paramatma), a prakrti(energia material) e a jiva sakti(indicada pela palavra ca) não volta a nascer.

Prakasika-vrtti O sadhaka se capacita para liberar-se quando conhece o bhakti-tattva, a jiva tattva, o paramatma tattva e suas relações mútuas. Assim, pela misericórdia de um sad-guru e dos vaishnavas e por seguir o caminho de suddha bhakti, alcança gradualmente as etapas de sraddha, nistha, ruci, asakti, bhava e finalmente Bhagavat prema quando entra na morada de Bhagavan. Ele nunca cai do bhagavatdhama. A idéia imaginária de que as jivas condicionadas estiveram alguma vez ocupadas no serviço a Bhagavan em sua morada e que de alguma forma caíram no mundo material é completamente contrária a conclusão dos sastras. Se aceitássemos esta teoria com um propósito de discussão, surgiria a pergunta; “Qual é então a importância ou as glórias de bhakti e de prema se caem de novo no mundo material depois de executar um sadhana rigoroso e alcançar a morada de Bhagavan?”. Os exemplos de Citraketu e Jaya e Vijaya não são adequados neste contexto porque eles são associados eternos de Bhagavan. Eles descendem ao mundo material pela vontade de Bhagavan, para o bem-estar de todas as entidades vivas e para nutrir sua lila. Considera-los como almas ordinárias são uma grave ofensa.

Sloka 25 Dhyanenatmani pasyanti Kecid atmanam atmana Anye sankhyena yogena Karma-yogena capare Meditando na Pessoa Suprema, os bhaktas podem vê-la dentro de seus corações. Os jnanis podem vê-la através de sankhyayoga, os yogis através de astanga-yoga e outros através do processo de niskamakarma-yoga. Bhavanuvada Neste verso e também no seguinte, Sri Bhagavan explica os diferentes meios para alcançar o conhecimento do ser. Através de dhyana (meditação em Bhagavan), alguns bhaktas o vêem em seus corações. O Gita (18.55) expõe isto. “Os jnanis se esforçam para ver-me através de sankhya, o estudo analítico da consciência e da matéria inerte, os yogis através de astanga-yoga e os karmis através do niskama-karma-yoga”. Aqui o sankhya yoga, astanga-yoga e niskama-karmayoga não são as causas diretas para receber o darsana (visão) de Paramatma visto que são todos sattvika e Paramatma

está além das qualidades materiais. Também é dito no Srimad Bhagavatam (11.19.1) “Deve-se me entregar o jnana”. No verso 11.14.21 agrega: “Sou alcançável apenas através de ekantikabhakti”. Prakasika-vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna: “Ó Arjuna, com relação à meta da vida mais elevada, as baddha-jivas estão divididas em dois grupos: as avessas à vida espiritual e as inclinadas à vida espiritual. Os ateus, os agnósticos (aqueles que estão apegados à materia inerte) e os moralistas estão incluídos no grupo das pessoas avessas a Bhagavan. Uma pessoa inquisitiva e fiel, um karma yogi e um bhakta estão no segundo grupo. Os bhaktas são superiores visto que se refugiam no conhecimento que está além de prakrti e meditam em Paramatma dentro do ser. Os sankhya yogis que buscam Isvara o seguem com superioridade. Depois de meditar na prakrti, a qual está formada por vinte e quatro elementos, eles compreendem que o elemento vinte e cinco, a jiva, é uma entidade consciente pura. Gradualmente se dedicam à bhakti-yoga como o elemento vinte e seis. Através de niskama-karma-yoga desenvolvem a

facilidade de meditar em Bhagavan ou adora-lo.” Sloka 26 Anye tv evam ajanantah Srutvanyebhya upasate Te´pi catitaranty eva Mrtyum sruti-parayanah Por outro lado, há pessoas que não conhecem estes princípios porém desenvolvem o desejo de adorar Bhagavan após escutar os Acaryas. Graças à sua devoção por escutar, eles podem transcender gradualmente o mundo mortal. Isto não há dúvida. Prakasika-vrtti Neste verso, Bhagavan ensina sobre um processo muito importante. “Há certas pessoas que não são ateus, mayavadis ou filósofos. Mesmo que seja gente influente na sociedade, eles tem muita fé porque possuem boas impressões de vidas passadas (samskaras). Elas me adoram de uma forma ou de outra quando escutam o bhagavat-katha na companhia dos devotos e recebem instruções de diversos pregadores. Logo, quando conseguem a associação com os

suddha bhaktas, recebem a oportunidade de escutar um hari-katha puro, entram em bhakti-tattva e finalmente me alcançam”. A carência de educação sobre o conhecimento da alma é frequente na assim chamada ‘sociedade civilizada’, mas o Bhagavad Gita e o Srimad Bhagavatam explicam que o processo de escutar sobre estes assuntos é muito poderoso. Mais recentemente, o processo foi dado por Sri Caitanya Mahaprabhu, quem deu muita ênfase em escutar e cantar o maha mantra Hare Krsna. Sua instrução principal é que pela influência de escutar o sri hari nama e o bhagavat katha, podese alcançar facilmente o serviçoa Bhagavan. O Brahma de quatro cabeças, Sri Narada, Sri Vedavyasa, Sri Sukadeva Goswami, o Rei Pariksit e Prahlada Maharaj obtiveram o darsana direto de Bhagavan como resultado deste processo. Srila Haridasa Thakura (associado íntimo de Sri Caitanya Mahaprabhu) nasceu em uma família turca, porém ele cantava trezentos mil santos nomes todo dia. Todas as pessoas ao seu redor, ricos e pobres lhe gostavam muito. Mas Ramacandra Khan, um famoso tenente da região, sentia muita inveja dele e com o objeto de difama-lo, contratou uma jovem e bela prostituta prometendo muitas riquezas em troca. Em uma noite de lua

cheia, ele enviou a garota ao lugar onde estava Haridasa Thakura. Sentado no seu lugar solitário, nas margens do Bhagavati ganga, Haridasa Thakura estava cantando atentamente Hare Krsna Hare Krsna Krsna Krsna Hare Hare Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare. Perto deste lugar crescia uma planta de Tulasi. A prostituta Aproximou-se de Haridasa Thakura e tentou seduzi-lo com posturas e gestos, mas vendo que isto não dava resultado, ela se ofereceu abertamente. Mas Haridasa Thakura contestou: Fiz um voto de cantar trezentos mil santos nomes do Senhor Hari todo dia. Quando completar isto satisfarei todos os seus desejos”. Confiando em suas palavras, a prostituta sentou-se perto dele por toda noite esperando pelo término do canto, mas ao amanhecer ela regressou a sua casa temerosa de ser vista pelo povo. Na noite seguinte ela voltou e se sentou perto de Haridasa Thakura, mas de novo ele pediu a ela que esperasse acabar de cantar seus nomes. A noite passou igual a anterior. Na terceira noite que a jovem veio, Haridasa estava cantando em voz baixa. O efeito de escutar o santo nome da boca de um suddha bhakta foi tão maravilhoso que mudou o coração da prostituta. Ela prostrou-se aos pés de Haridasa, chorando e suplicando seu perdão. Haridasa

Thakura ficou muito satisfeito e disse: “Eu ia embora deste lugar no mesmo dia que vieste, mas permaneci aqui apenas por que queria seu bem. A mudança do seu coração me causou grande alegria. Esta é a glória infalível de escutar e cantar hari-nama. Agora deves permanecer aqui neste asrama e cantar continuamente o nome de Hari. Deves servir Tulasi-devi e o Bhagavati Ganga”. Ela seguiu as instruções e sua vida mudou por completo. Até mesmo grandes devotos iam vê-la Ela viveu humilde e modestamente e sem posse alguma e executava bhajana de Sri Hari continuamente. Após poucos dias, ela partiu para a morada de Bhagavan. Por esta história se deduz que qualquer um que escute o canto do santo nome, seja qual for sua posição, pode alcançar Bhagavan. Sloka 27 Yavat samjayate kincit Sattvam sthavara-jangamam Ksetra-ksetrajna-samyogat Tad viddhi bharatarsabha Ó melhor dos Bharatas! Deves saber que todos os seres que nascem, sejam eles móveis ou imóveis, são produzidos pela

combinação do campo com o conhecedor do campo. Sloka 28 Samam sarvesu bhutesu Tisthantam paramesvaram Vinasyatsv avinasyantam Yah pasyati as pasyati Apenas aquele que vê a Pessoa Suprema em todos os seres como o imperecível sentado dentro do perecível, realmente vê. Prakasika-vrtti Aqueles que são jnanis no real sentido experimentam simultaneamente o corpo, a alma corporificada e o amigo da alma, Paramatma, pela influência da associação de uma grande alma que conhece a Verdade Absoluta. Ao contrário, ao que não possuem uma associação sagrada são realmente ignorantes. Eles apenas podem ver o corpo perecível. Um jnani, por outro lado, experimenta a existência da alma e de Paramatma mesmo depois da destruição do corpo. Quando o corpo é destruído, a alma entra em outro corpo junto com os sentidos e o corpo sutil. Seu amigo, Paramatma, permanece situado com ela como o a testemunha. Os que compreendem isto são reais jnanis.

Sloka 29 Samam pasyam hi sarvatra Samavasthitam isvaram Na hinasty atmanatmanam Tato yati param gatim Aquele que vê que Paramesvara habita em todas as partes da mesma maneira e em todos os seres, não é degradado pela mente. Assim, alcançam o destino supremo. Sloka 30 Prakrtyaiva ca karmani Kriyamanani sarvasah Yah pasyati tathatmanam Akarttaram as pasyati Quem vê que é unicamente a prakrti, e não a alma, quem realiza todas as atividades, realmente vê. Bhavanuvada A visão das jivas que pensam que são atuantes devido a que identificam-se com o corpo inerte, não é real; elas estão submetidas pela ignorância. Mas aquele que vê que não é o autor da ação, possui uma visão correta.

Prakasika-vrtti A jiva condicionada é impulsionada pelas ações e qualidades da prakrti devido ao falso ego que lhe faz pensar que é ela quem executa as atividades materiais. Mas, na realidade, não é ela quem atua. Bhagavan explicou isto anteriormente. Paramesvara tampouco é o realizador mesmo que esteja situado no coração de todos os seres na forma de Anataryami, aquele que outorga inspiração. Se a jivatma no seu estado puro não tem o ego de ser a autora das ações materiais que são feitas pelos sentidos materiais, muito menos Paramesvara. Quem sabe disto, possui verdadeiro conhecimento. No Tantra-bhagavata se diz: “É unicamente através do ego material que se encontra na existência material que a jiva se enreda no ciclo de nascimentos e mortes. Elas não têm relação alguma com o ego material”. Ainda sim, no seu estado puro, a jiva possui o ego de ser serva de Krsna, com o corpo espiritual similar ao humano e um nome, forma, qualidades e atividades espirituais. Ela não carece de forma ou qualidades. Sloka 31 Yada bhuta-prthag-bhavam

Eka-stham anupasyati Tata eva ca vistaram Brahma sampadyate tada Ele alcança a compreensão do brahma quando vê, seguindo a guia das autoridades prévias, que as diversas naturezas das entidades vivas nasceram e moram apenas na prakrti. Bhavanuvada Aquele que vê realmente que durante a aniquilação todos os seres móveis e imóveis corporificados em formas diversas se fundem na prakrti, e que logo, no momento da criação, voltam a manifestar-se desta mesma prakrti, alcançam a plataforma de brahma. Prakasika-vrtti Uma pessoa vê as diferentes formas ou corpos como semideuses, seres humanos, gatos, cachorros, sudras, hindus, muçulmanos etc, apenas porque se identifica com o corpo. A discriminação mundana é causada pela ignorância que faz com que uma pessoa se identifique erroneamente com o corpo. É devido a esta ignorância que duvida de Bhagavan. Quando a lembrança de Bhagavan aparece dentro dela pela graça dos suddha

vaishnavas, toda sua ignorância desaparece e suas idéias materialistas de diferenciação se dissipam. Neste momento, ela se situa no brahma, que está dotado com oito qualidades. Seguidamente, ela percebe tudo de maneira equânime a todo momento, e por último, alcança para-bhakti. Às vezes os sastras chamam de brahma ou brahmabhuta para se referir à jivatma dotada com as oito qualidades especiais. São elas: “Deve-se buscar e conhecer a alma que está completamente livre de: misérias que surgem dos desejos pelos objetos sensíveis, as três classes de misérias como a velhice, a morte, a lamentação, a tendência de desfrutar, as aspirações mundanas. Esta alma está: dotadas com desejos favoráveis de servir Krsna e é capaz de alcançar a perfeição em qualquer coisa que deseje.” Sloka 32 Anaditvam nirgunatvat Paramatmayam avyayah Sarira-stho´pi kaunteya Na karoti na lipyate Óh! Kaunteya! Por que não tem começo e está livre das três qualidades materiais, o Paramatma imperecível não produz karma

nem é afetado pelos resultados do karma mesmo estando situado no corpo. Prakasika-vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna: “ Quando as jivas alcançam a compreensão do brahma, podem entender que Paramatma é imperecível, sem começo e transcendental às qualidades materiais. Mesmo existindo no corpo junto com a jivatma, ele não é afetado pelas qualidades do corpo, como a jiva condicionada. Por tanto, as jivas que alcançaram a plataforma de brahma, não se envolvem mais em assuntos materiais visto que se refugiam no conhecimento sobre as qualidades de Paramatma. Escuta agora como a jiva que não se relaciona com as qualidades materiais opera com o corpo.” Sloka 33 Yatha sarva-gatam sauksmyad Akasam nopalipyate Sarvatravasthito dehe Tathatma nopalipyate Assim como o céu onipresente não se mistura com nada devido a sua natureza sutil, a alma que alcançou a compreensão do brahma, protegida por Paramatma, não

é afetada pelas qualidades ou defeitos do corpo material mesmo que habite dentro dele. Sloka 34 Yatha prakasayaty ekah Krtsnam lokam imam ravih Ksetram ksetri tatha krtsnam Prakasayati bharata Óh Bharata! Assim como um sol ilumina todo universo, Paramatma ilumina o corpo inteiro através da consciência. Prakasika-vrtti Assim como o sol ilumina o universo apesar de estar situado em um só lugar, a atma que esta situada em uma parte do corpo, lhe ilumina por completo ao difundir a consciência nele. O Brahmasutra diz: “mesmo a jivatma sendo atômica, se difunde por todo corpo por meio de qualidade de consciência.” Sloka 35 Ksetra-ksetrajnayor evam Antaram jnana-caksusa Bhuta-prakrti-moksanca Ye vidur yanti te param

Aqueles que possuem o olho do conhecimento espiritual e estão versados na diferença entre o ksetra e o ksetra-jna, e que também conhecem o meio pelo qual a jiva se libera da prakrti, alcançam a morada suprema. Bhavanuvada Sri Bhagavan conclui agora este capítulo dizendo que aquele que conhece o ksetra e o ksetra-jna, a jivatma e Paramatma, e também os processos, como o dhyana por exemplo, mediante os quais a jiva liberase da prakrti (natureza material), alcançam o destino supremo. Dos dois ksetra-jnas, a jivatma é quem fica atada ao desfrutar das qualidades ou frutos do ksetra, mas se libera com a aparição de jnana. Tal é a explicação que se da ao longo deste capítulo.

Assim termina o décimo terceiro capítulo da Gita

Capítulo 14 Guna – Traya – Vibhaga Yoga

As três qualidades da natureza material

Sloka 1 Sri bhagavan uvaca Param bhuyah pravaksyami Jnananam jnanam uttamam Yaj jnatva munayah sarve Param siddhim ito gatah Sri Bhagavan disse: Falarei novamente a você o supremo jnana que está além de todo outro tipo de conhecimento. Os sábios que compreenderam e seguiram estas instruções alcançaram a liberação suprema do cativeiro corporal. Bhavanuvada Neste capítulo se explica que as três qualidades materiais são sem dúvida a causa do cativeiro, o qual se pode inferir do seu resultado, e que bhakti é a causa da sua destruição. Prakasika-vrtti No capítulo anterior foi estabelecido claramente que a associação santa,

qualquer pessoa pode liberar-se do cativeiro da existência material e adquirir o conhecimento dos princípios do corpo, da jiva e de Paramatma. Tal estado de cativeiro no mundo material deve-se à associação da jiva com as qualidades da natureza material. Neste capítulo Bhagavan Sri Krsna explica a Arjuna o que são as qualidades materiais, como elas funcionam, como cativam a jiva e como a jiva pode alcançar a perfeição e o destino supremo através deste conhecimento. Sloka 2 Idam jnanam upasritya Mama sadharmyam agatah Sarge pi nopajayante Pralaye na vyathanti ca Os sábios adquirem uma natureza transcendental similar a minha, ao refugiar-se neste jnana. Assim, eles não nascem de novo nem mesmo no momento da criação. Eles também não são perturbados pela morte no momento da devastação. Prakasika-vrtti Após adquirir o conhecimento transcendental do ser, a jiva adquire

qualidades similares às de Bhagavan, em outras palavras, muitas das suas qualidades se tornam parcialmente semelhante às de Bhagavan. Mesmo após obter mukti e liberar-se do ciclo de nascimento e morte, continua existindo como uma associada de Bhagavan. Em quanto se estabelece em sua svarupa dedica-se ao serviço amoroso eterno aos pés de lótus de Bhagavan. Os bhaktas não abandonam sua svarupa, o serviço a Bhagavan, mesmo após obter mukti. Sloka 3 Mama yonir mahad brahma Tasmin garbham dadhamy aham Sambhavah sarva-bhutanam Tato bhavati bharata Ó Bharata! Minha prakrti é o ventre onde fertilizo o embrião e assim eu produzo o nascimento de todas as entidades vivas. Bhavanuvada A causa do cativeiro material é a associação com os três modos da natureza material., como consequência da ignorância existente desde tempos imemoriais. Para explicar melhor a causa da condição de cativeiro, Bhagavan explica como nascem o ksetra e o

ksetrajna. “O mahad-brahma é meu lugar de fecundação”. Prakasika-vrtti No mundo material tudo sucede pela combinação de ksetra e ksetra-jna, o corpo e a jivatma respectivamente. A combinação da prakrti com o purusa – a jivatma – ocorre pela vontade de Paramesvara. Assim como os escorpiões botam seus ovos em um bocado de arroz e as pessoas acham que eles nascem do arroz e não dos ovos, da mesma forma, o nascimento da jiva não é produto da natureza material. Bhagavan infunde a jiva dentro da prakrti, mas as pessoas pensam que a jiva nasce dela. Cada jiva obtém um corpo de acordo com suas ações prévias, a prakrti apenas cria diferentes corpos materiais sob a supervisão de Bhagavan. As jivas que se identificam com seus corpos, desfrutam de felicidade ou experimentam sofrimento segundo seu karma. Deve-se entender que Bhagavan é a causa original da manifestação da jiva e do universo. Sloka 4 Sarva-yonisu kaunteya Murtayah sambhavanti yah

Tasam brahma mahad yonir Aham bija-pradah pita Óh Kaunteya! A grande natureza material é a mãe de cujo ventre nasce todas as espécies de vida e eu sou o pai que concede a semente. Bhavanuvada “A prakrti é a mãe de todos os seres e eu sou o pai, não apenas no momento da criação, mas sempre. A prakrti é o ventre ou a mãe de todos os tipos de corpos nos quais nascem os seres móveis e imóveis, desde os semideuses até as ervas etc. Eu sou o pai que a fertiliza concedendo a semente.” Sloka 5 Sattvam rajas tama iti Gunah prakrti-sambhavah Nibadhnanti maha-baho Dehe dehinam avyayam Óh Maha-baho! Os três gunas, sattva, rajas e tamas, nascidos da prakrti, prendem a jiva imutável que mora dentro do corpo. Bhavanuvada

A jiva é imperecível, imutável e em princípio é livre do contato material. Mas suas qualidades materiais a prendem devido a sua associação com elas. Esta associação é produto de sua ignorância desde tempo imemoriais. Prakasika-vrtti O Srimad Bhagavatam diz: “As jivas, manifestadas da tatastha sakti, recebem a associação da natureza material como consequência da sua aversão por Krsna.” Constitucionalmente falando, as jivas são superiores a maya, mas devido ao ego de “eu” e “meu” causado pela associação com maya, se torna subordinada a existência material em corpos gerados pela prakrti. Sloka 6 Tatra sattvam nirmalatvat Prakasakam anamayam Sukha-sangena badhnati Jnana-sangena canagha Óh Anagha! Das três qualidades materiais, a qualidade da bondade é favorável, ilumina o ser e é livre de vícios devido à sua pureza, mas prende a jiva através do apego, da felicidade e do conhecimento.

Bhavanuvada Este verso descreve as características de sattva-guna e explica como ela se ata à jiva. Quando a jiva se sente calma, o apego à felicidade produzido pelas atividades em sattva-guna lhe faz pensar que está materialmente satisfeita. Como é iluminada, o apego pelo conhecimento em sattva-guna lhe faz desenvolver um ego de conhecedor. A felicidade e o conhecimento nestes estados se deve à ignorância que obriga a jiva a desenvolver concepções baseadas no falso ego. Tal ego é a causa do cativeiro da jiva. “Óh imaculado! Não deves aceitar este pecado, o aspecto do falso ego que o faz pensar; “Sou feliz, ou “Sou esperto”. Sloka 7 Rajo ragatmakam viddhi Trsna-sanga-samudbhavam Tan nibadhnati kaunteya Karma-sangena dehinam Óh Kaunteya! Entende que a qualidade da paixão se manifesta pela qualidade do apego pelos objetos sensíveis e do desejo de desfruta-los. Esta energia ata a jiva

corporificada através do apego pelas atividades fruitivas.

Bhavanuvada Entende que rajo-guna é que outorga prazer mundano. O desejo por um objeto que não se possui é chamado trsna, o apego pelos objetos que já se obteve se chama sanga. O rajo-guna do qual nasce ambos os apegos, ata a alma corporificada através da ação consciente ou inconsciente, perceptível ou imperceptível. O apego pela atividade fruitiva se deve tanto ao desejo quanto à associação. Prakasika-vrtti A atração mútua entre macho e fêmea é a qualidade específica de rajo-guna. Esta qualidade material gera o anseio de desfrute nos seres corporificados, assim como o desejo de obter honra na sociedade ou nação, uma bonita esposa, boa progênie e uma família feliz. Tais são as características de rajo-guna. A razão pela qual o universo todo caiu no cativeiro de maya é o apego aos prazeres sensuais produzido por rajo-guna. Sua influência é vista atualmente por todo lugar na sociedade moderna, mas no

mundo antigo, sattva-guna predominava. Se um homem em sattva-guna é incapaz de obter mukti, muito menos um que está coberto por rajo-guna. Sloka 8 Tamas tv ajnana-jam viddhi Mohanam sarva-dehinam Pramadalasya-nidrabhis Tan nibadhnati bharata Óh Bharata! O tamo-guna, que nasce da ignorância, é a causa da ilusão das entidades vivas. Ela aprisiona as almas condicionadas através da indolência (loucura), apatia e do sonho (depressão mental). Prakasika-vrtti O tamo-guna (qualidade da ignorância) é a mais baixa dos três gunas e é completamente oposta à sattva-guna. Uma pessoa em tamo-guna pensa que o corpo e os prazeres corporais são a coisa mais importante. Como resultado, perde sua capacidade de discriminação e praticamente enlouquece. Vemos que nossos pais e avôs já morreram, nós também morreremos e nossos descendentes também irão morrer. Isto demonstra que a morte é certa.

Aqueles que se encontram em tamo-guna não podem buscar pelo ser interno. Acumulam riqueza mediante o engano, hipocrisia, violência ou atos similares com o único propósito de satisfazer seus sentidos. Tal atitude é sintoma de loucura. O sintoma de uma pessoa em tamo-guna é que ela ingere drogas, carne, peixe, ovos, licor e produtos similares. Elas permanecem inativas, são preguiçosas, descuidadas, negligentes e dormem mais que o necessário. Um sadhaka deve abandonar por completo esta qualidade material. Sloka 9 Sattvam sukhe sanjayati Rajah karmani bharata Jnanam avrtya tu tamah Pramade sanjayaty uta Óh Bharata! A qualidade da bondade aprisiona a pessoa através da felicidade e a qualidade da paixão através do trabalho fruitivo, mas a qualidade da ignorância cobre todo seu conhecimento e a conduz à loucura. Sloka 10 Rajas tamas cabhibhuya Sattvam bhavati bharata

Rajah sattvam tamas caiva Tamah sattvam rajas tatha Óh Bharata! Quando surge a qualidade da bondade, ela supera os modos da paixão e da ignorância. A qualidade da paixão submete às da bondade e da ignorância ao aparecer, e quando a qualidade da ignorância se manifesta, vence todas as outras. Sloka 11 Sarva-dvaresu dehe´smin Prakasa upajayate Jnanam yada tada vidyad Vivrddham sattvam ity uta Deve se entender que a qualidade da bondade predomina quando aparece o conhecimento, e quando todas as portas dos sentidos de adquisição de conhecimento se iluminam manifestando no ser a felicidade. Bhavanuvada Agora, Sri Bhagavan explica os sintomas da qualidade predominante. Quando os sentidos, como por exemplo o ouvido, começa a adquirir conhecimento védico perfeito, entende-se que sattva guna está predominando. A palavra uta enfatiza que

a iluminação, na forma de felicidade, é gerada pelo ser. Sloka 12 Lobhah pravrttir arambhah Karmanam asamah sprha Rajasy etani jayante Vivrddhe bharatarsabha Óh Bharata-rsabha! Os sintomas do predomínio da qualidade da paixão são a avareza, o esforço exagerado e o anseio constante pelo prazer sensual. Sloka 13 Aprakaso pravttis ca Pramado moha eva ca Tamasy etani jayante Vivrddhe kuru-nandana Óh Kuru-nandana! O predomínio da qualidade da ignorância produz inércia (falta de esforço), loucura, ilusão e falta de discriminação. Sloka 14 Yada sattve pravrddhe tu Pralayam yati deha-bhrt Tadottama-vidam lokam Amalan pratipadyate

Quando uma pessoa abandona seu corpo predominada pelo modo da bondade, ela alcança os planetas superiores puros, onde moram os grandes sábios, os adoradores de Hiranyagarbha e também se tornam livres da qualidade da paixão e ignorância Sloka 15 Rajasi pralayam gatva Karma-sangisu jayate Tatha pralinas tamasi Mudha-yonisu jayate Os que morrem predominados pelo modo da paixão, nascem como humano entre os trabalhadores fruitivos, mas os que morrem no modo da ignorância nascem em uma espécie animal. Sloka 16 Karmanah sukrtasyahuh Sattvikam nirmalam phalam Rajasas tu phalam duhkham Ajnanam tamasah phalam Os sábios dizem que a atividade realizada no modo da bondade produz resultados puros e prazeirosos, as que são realizadas no modo da paixão resultam em miséria e o único fruto das atividades realizadas no

modo da ignorância é a própria ignorância. Prakasika-vrtti Aqueles que estão situados na qualidade da bondade se dedicam a seu bem-estar pessoal, ao bem-estar da sociedade e das pessoas em geral. Suas ações são denominadas de punya-karma, atividades piedosas. São felizes no mundo material e tem a possibilidade de obter sadhu-sanga. O karma executado pelas pessoas no modo da paixão, produz miséria pois as ações realizadas para o prazer sensual e momentâneo são inúteis. Sua vida é miserável e sua felicidade não é real. As ações de uma pessoa situada no modo da ignorância são dolorosas ao extremo para ela. Após a morte, tem que nascer como cachorros, pássaros ou em alguma outra espécie animal. O principal sintoma de quem está situado nesta qualidade é que ela mata e come carne de animais. Os que matam animais ignoram que no futuro o mesmo animal, de uma forma ou de outra o matará também. Esta é a lei da natureza. Na sociedade humana, se alguém mata um ser humano ela é punida pelo estado. Mas os ignorantes não sabem que Paramesvara é o controlador original do universo inteiro. Ele não tolera nem mesmo a morte de uma formiga pelo ser humano,

por tanto, tais pessoa devem sofrer algum castigo. Matar animais apenas para satisfazer o paladar é uma ofensa gravíssima. Destas atividades a matança de vacas é severamente castigada. A vaca e o touro são nosso pai e mãe, por isso nos Vedas e nos Puranas se considera que a matança de vacas é o ato mais pecaminoso. A vaca, com seu leite, é como uma mãe e o touro, com seu serviço na agricultura, é como um pai. Eles nos alimentam como nossos pais. Devido à ignorância, os seres humanos ‘cultos’ da atualidade vão contra esta verdade e assim aderem ao caminho da degradação de toda a sociedade. Destroem a si mesmos e a sociedade inteira. Por tanto é indispensável que as pessoas inteligentes se situem na qualidade da bondade e se refugiem em bhagavad-bhakti e no canto dos santos nomes de Hari, para proteger a sociedade deste grande perigo. Quando uma pessoa se lembra de Bhagavan Sri Krsna na associação dos devotos, toda sua ignorância é dissolvida, seu sectarismo material e sua discriminação mundana desaparecem e ela vê Paramesvara em tudo. Sloka 17 Sattvat sanjayate jnanam

Rajaso lobha eva ca Pramada-mohau tamaso Bhavato jnanam eva ca O jnana nasce da qualidade da bondade, enquanto a qualidade da paixão é a origem da avareza. O descuido, a ilusão e a ignorância são frutos da qualidade da ignorância. Sloka 18 Urddhvam gacchanti sattva-stha Madhye tisthanti rajasah Jaghanya-guna-vrtti-stha Adho gacchanti tamasah Aqueles que estão situados na qualidade da bondade ascendem aos planetas celestiais. Os que estão na qualidade da paixão permanecem nos planetas terrenos e os que estão absortos nas abomináveis atividades da qualidade da ignorância são jogados nos planetas infernais. Sloka 19 Nanyam gunebhyah karttaram Yada drastanupasyate Gunebhyas ca param vetti Mad-bhavam so´dhigacchati

Quando a jiva observa de acordo com os Vedas que não há outro agente ativo além das três qualidades materiais e compreende que atma (alma) é transcendental a estas qualidades, pela influência de suddha-bhakti ela alcança minha natureza espiritual. Bhavanuvada Após descrever o mundo material, constituído pelas qualidades materiais, Sri Bhagavan explica neste e no próximo verso, a devoção pura, que é completamente distinta daquelas. Prakasika-vrtti Todas as jivas nas diferentes espécies de vida desde a formiga até os rios, montanhas às árvores e seres humanos, trabalham irremediavelmente atadas pelas qualidades materiais. Na realidade, nas suas atividades não há nenhum outro agente ativo a não ser estas qualidades materiais. Paramesvara se encontra além da natureza material e de suas qualidades, mesmo sendo o controlador original. Quem conhece esta realidade cruza a prakrti e suas qualidades para alcançar o destino supremo, mas nada pode entender através de sua própria inteligência e discriminação. Por tanto, a associação dos

maha-purusas versados no conhecimento transcendental é extremamente necessária. Não importa quão degradada seja a jiva, na associação dos grandes sadhus (santos) ela transcende rápida e facilmente as três qualidades. Sloka 20 Gunan etan atitya trin Dehi deha-samudbhavan Janma-mrtyu-jara-duhkhair Vimukto mrtam asnute Após transcender as três qualidades que geram o corpo, a jiva se libera do nascimento, morte, da enfermidade e da velhice. Assim ela alcança a imortalidade. Prakasika-vrtti Uma pessoa que alcançou a natureza do brahma não é afetada pelas misérias do nascimento, morte, velhice e doença. Mesmo os bhakti-misra-jnanis, que alcançaram a perfeição do jnana, abandonam tal jnana para obter parambhakti aos pés de lótus de bhagavan. Ocupados constantemente na bemaventurança deste serviço, finalmente saboreiam o néctar de prema. O contrário, os nirvisesa-jnanis que se dedicam

simplesmente ao cultivo de jnana não obtêm nada. Sloka 21 Arjuna uvaca Kair lingais trin gunan etan Atito bhavati prabho Kim-acarah katham caitams Trin gunan ativarttate Arjuna disse: Ó Prabhu! Quais são os sintomas de uma pessoa que transcendeu estas três qualidades? Como ela se comporta? Como ela as transcende? Sloka 22-25 Sri bhagavan uvaca Prakasanca pravrttinca Moham eva ca pandava Na dvesti sampravrttani Na nivrttani kanksati Udasina-vad asino Gunair yo na vicalyate Guna vartanta ity evam Yo´vatisthati nengate Sama duhkha-sukhah sva-sthah Sama-lostasma-kancanah Tulya-priyaoriyo dhiras Tulya-nindatma-samstutih

Manapamanayos tulyas Tulyo mitrari-paksayoh Sarvarambha-parityagi Gunatitah sa ucyate Sri Bhagavan disse: Óh! Filho de Pandu, uma pessoa que transcendeu as três qualidades materiais não se agita pela iluminação, atividades ou ilusão, quando estas se fazem presentes nem fica ansioso quando elas se esgotam; é indiferente e equânime diante às qualidades materiais e suas reações como felicidade e aflição, consciente de que é apenas estas qualidades que estão atuando. Ela é imperturbável e imparcial; está situada em sua svarupa e considera que a terra, a pedra e o ouro são iguais. É equilibrado nas situações agradáveis e desagradáveis, é inteligente, permanece equânime na crítica e no elogio, na honra e na desonra; trata com objetividade os amigos e os inimigos e renunciou a todas as atividades a não ser as que são necessárias para sua manutenção. Sloka 26 Manca yo´vyabhicarena Bhakti-yogena sevate sa gunan samatityaitan brahma-bhuyaya kalpate

Aquele que oferece serviço devocional exclusivo a mim, transcende por completo estas três qualidades materiais e capacitase a compreender o brahma. Bhavanuvada Como pode alguém transcender as três qualidades materiais? Para responder esta pergunta, Bhagavan recita este verso. “Apenas quem me oferece serviço em minha forma de Syamasundara, Paramesvara, se capacita a experimentar minha natureza espiritual”. O Gita (7.14) afirma também: “ Apenas os que se rendem a mim, podem cruzar o oceano de maya.” O Srimad Bhagavatam declara; “O praticante da ação que tem a mim como refúgio é nirguna.” Também diz: “A pessoa situada em sattva-guna está desapegada, a que está em rajo-guna está extremamente apegada e a pessoa na qualidade de tamas perde sua memória e sua capacidade de discriminação. Mas a que se refugia em mim é nirguna.” O verso explica que os karmis e jnanis desapegados são sadhakas em sattvaguna, enquanto os que refugiam em Bhagavan são nirguna. Aqui, explica-se

que os bhaktas são os únicos sadhakas verdadeiros.” Sloka 27 Brahmano hi pratisthaham Amrtasyavyayasya ca Sasvatasya ca dharmasya Sukhasyaikantikasya ca Sou a base do nirvisesa-brahma e o único refúgio da imortalidade, o dharma eterno e a bem aventurança transcendental do prema que resulta da ekantika-bhakti (devoção pura e exclusiva). Bhavanuvada “Sou o fundamento do brahma e sou conhecido como a suprema base de todas as coisas. Visto que o brahma depende de mim, sou o fundamento. Também sou o fundamento da imortalidade ou amrta. É este amrta o néctar celestial? Não. O amrta é a liberação, moksa. Sou também o fundamento de bhakti, o dharma supremo e eterno, que existe tanto na etapa de sadhana quanto na etapa de siddha, e além do mais sou o prema que se obtém através de ekantika bhati. Visto que tudo depende de mim, uma pessoa pode alcançar a plataforma do brahma, sua fusão neste, quando executa meu bhajana com

objetivo de alcançar kaivalya”. Kaivalya é um estado único de existência espiritual carente de atividades mentais e físicas. Madhusudana Sarasvati compôs um verso que analisa se o brahma é nirvisesa ou savisesa. “Adoro a refulgente forma que é a essência de toda beleza, o filho de Nanda Maharaja, o parabrahma possuidor de uma forma humana que dissipou a dualidade da minha mente.” Prakasika-vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna: “ Em minha plataforma nirguna eterna, em minha svarupa como Bhagavan, coloco na jiva, a semente consciente que provém da tatastha-sakti, no ventre da minha energia material inerte. A refulgência do meu corpo é a primeira manifestação do meu reino espiritual e constitui meu aspecto indiferenciado. A jiva avança progressivamente fazendo planos no cultivo de jnana yoga e finalmente alcança meu aspecto brahma. Este constitui o primeiro estado da plataforma nirguna. Antes de chegar ali, é desconcertada por um sentimento nirvisesa que se produz ao abandonar a atração pela diversidade mundana. Este

sentimento acaba quando chega ao plano nirguna e decide se refugiar em suddhabhakti-yoga. Mais tarde, através deste processo, alcança a plataforma da variedade espiritual. Eu, a Suprema Personalidade de Deus, sou o refúgio do brahma, que é o destino supremo dos jnanis. A imortalidade, a eternidade, o prema em sua forma de ocupação eterna e a sempre bemaventurada plataforma de vraja rasa é alcançada através do refúgio em minha krsna-svarupa, a realidade suprema que transcende as qualidades materiais e está cheia de variedade.” Assim, conclui-se o décimo quarto capítulo do Srimad Bhagavd Gita.

Capítulo 15 Purusottama Yoga A compreensão da pessoa Suprema

Sloka 1

Sri bhagavan uvaca Urddhva-mulam adhah-sakham Asvattham prahur avyayam Chandamsi yasya parnani Yas tam veda sa veda-vit Sri Bhagavan disse: Os sastras descrevem o mundo material como um asvattha imperecível, um tipo especial de árvore banyam no qual as raízes crescem para cima, aos ramos se estendem para baixo e as folhas são os hinos védicos que estabelecem as atividades fruitivas. Quem conhece a verdade sobre esta árvore, conhece os vedas de verdade. Bhavanuvada Sri Krishna corta as ataduras da existência material e ao mesmo tempo não está vinculado a ela. O atma ou jiva é uma parte de Isvara. Krsna é o purusa que se encontra além das entidades perecíveis e também imperecíveis. Tudo isto é descrito neste capítulo. Foi dito no capítulo anterior: “ Aquele que me adora com ananya-bhakti transcende as qualidades materiais e se capacitam a experimentar o brahma” (Gita 14.26). Agora alguém poderia perguntar. “Se tu tens uma forma humana, como poderia alguém alcançar a natureza espiritual adorando-te através de bhakti-yoga?”

Bhagavan responde: “Sou um ser humano, mas ao mesmo tempo sou o refúgio Supremo e o fundamento do brahma.” Então surge as perguntas: “ Qual é então, a natureza do mundo material constituído pelos gunas? De onde eles foram gerados? Quais são as jivas que transcendem o mundo material através de bhakti? Qual é o significado da palavra brahma? Prevendo estas perguntas, Sri Bhagavan usa uma linguagem metafórica para descrever o mundo material comparandoo com uma árvore banyam. Satya loka é a região mais elevada deste mundo. “O mahat-tattva é o broto da semente fecundada por mim no ventre da prakrti.” Adhah significa que os ramos desta árvore descendem aos planetas Svarga, Bhuah e Bhu, na forma de ilimitados semideuses, gandharvas, kinnaras, asuras, raksasas, pretas, seres humanos e animais tais como vaca, cavalos, pássaros, cisnes, insetos e entidades vivas imóveis. A árvore outorga frutos aos trabalhadores fruitivos na forma de religiosidade, desenvolvimento econômico, desfrute sensual e liberação. Por tal razão se denomina uttama, o melhor. Se diz que aquele que entende este mundo material, o qual se parece com tal árvore que é também temporária, conhece a verdade dos vedas.

Sloka 2 Adhas corddhvam prasrtas tasya sakha Guna-pravrddha visaya-pravalah Adhas ca mulany anusantatani Karmanubandhini manusya-loke As folhas desta árvore, que representam os diversos objetos sensíveis, são nutridas pelas três qualidades materiais. Seus ramos se estendem até as espécies inferiores de vida, como os seres humanos e animais, e também até os superiores como os semideuses. Algumas das suas raízes são os desejos de desfrute sensual e crescem para baixo gerando assim a corrente do karma na sociedade humana. Bhavanuvada Os ramos da árvore do mundo material se espalham por todo lugar. Assim como alimenta-se uma árvore regando-a com água, a árvore do mundo material alimenta-se de diferentes tendências das qualidades materiais. Os objetos sensíveis, tais como o som, são seus brotos. Alguns acreditam que debaixo dos seus ramos tem um grande tesouro. Mesmo que a origem das raízes se encontrem em Brahmaloka, há outras raízes na sociedade humana. Tais raízes,

sustentadas pelo karma, estão em constante crescimento. Depois de experimentar os resultados de suas ações no corpo de alguma das espécies de vida, a jiva volta a gerar karma na forma humana de vida. Prakasika-vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna: “Numerosos ramos desta árvore se sustentam em tamo-guna e se estendem para baixo. Muitos ramos são nutridos por rajo-guna e estão situados em um nível intermediário. Muitos ramos, sustentados por sattva-guna, crescem para cima. Os prazeres sensuais materiais são os brotos destes ramos. Slokas 3 – 4 Na rupam asyeha tathopalabhyate Nanto na cadir na ca sampratistha Asvattham enam su-virudha-mulam Asanga-sastrena drdhena chittva Tatah padam tat parimargitavyam Yasmin gata na nivarttanti bhuyah Tam eva cadyam purusam prapadye Yatah pravrttih prasrta purani A verdadeira forma desta árvore não é perceptível neste mundo. Seu começo,

final e base, não é definitivo Após cortar profundamente a raiz desta árvore da existência material com a afiada faca do desapego, é indispensável buscar pelos pés de lótus da pessoa primordial, Sri Bhagavan, que constituem as raízes desta árvore sem começo que simboliza o samsara. Aquele que se rendeu e alcançou Bhagavan, cortou o ciclo de nascimentos e mortes e assim jamais regressa a este mundo. Bhavanuvada Aqui a palavra asanga significa desapego de tudo. Após cortar esta árvore com a faca do desapego, deve-se buscar por brahma, a maior riqueza e a origem da árvore. “Qual é a natureza da sua origem?”. Bhagavan responde: “Ao alcançar este destino, o estado original, jamais se regressa ao mundo material temporário.”. “Como devemos busca-lo?” Bhagavan responde: “A pessoa deve se refugiar no purusa primordial e dedicar-se ao seu bhajana, pois todo o mundo material é uma expansão dele, quem não tem começo. Por tanto, é necessário busca-lo através de bhakti. “ A jiva perdeu sua memória desde tempos imemoriais como consequência da

sua aversão a Paramesvara. A aversão a conduziu para a absorção dos objetos dos sentidos. Ela confunde seu ser com seu corpo devido à influência da energia ilusória composta pelos três gunas, as quais lhe causam temor devido a esta absorção na matéria. As jivas condicionadas são cativadas por maya. Por isto, os eruditos devem se refugiar nos pés de lótus de Sri Guru e executar bhajana com ananya bhakti a Sri Krishna. Assim, podem transcender a energia ilusória (maya). Sloka 5 Nirmana-moha jita-sanga-dosa Adhyatma-nitya vinivrtta-kamah Dvandvair vimuktah sukha-duhkhasamjnair Gacchanty amudhah padam avyayam tat Apenas as pessoas emancipadas que estão livres do orgulho e da ilusão, que superaram a degradação do falso desapego, que estão dedicadas a busca por Paramatma e não estão sujeitas ao desejo por desfrute material, dualidades como felicidade e miséria, alcançam a imutável morada eterna. Bhavanuvada

Quais são os sintomas das pessoas que alcançaram a morada eterna de Bhagavan, após obterem bhakti? Sri Bhagavan responde com este verso que quem está interessado em entender o que é eterno e o que é temporário, permanece ocupado em deliberar sobre Paramatma e também deseja obtê-lo Sloka 6 Na tad bhasayate suryo Na sasanko na pavakah Yad gatva na nivarttante Tad dhama paramam mama Nem mesmo o sol, a lua ou o fogo pode iluminar este reino supremo, que é auto refulgente por natureza e ilumina todos os demais. Quando as pessoas rendidas alcançam tal morada, jamais regressam a este mundo. Prakasika-vrtti Neste verso descreve-se as características da morada de Bhagavan. Após chegar à morada eterna, nunca mais se regressa ao mundo material. Esta morada não está iluminada pelo sol, lua, fogo, raio etc. pois é auto refulgente. Esta morada se chama Goloka, Krishna-loka, Vraja, Gokula ou Vrindavana. Svayam

Bhagavan, Vrajendra Nandana Sri Krishna, performa seus passatempos bemaventurados com seus associados em sua morada suprema. Pode-se alcança-la apenas mediante o cultivo de prema bhakti, raganuga bhakti seguindo especificamente os passos das gopis de Vraja. É impossível alcança-la por algum outro meio. Sloka 7 Mamaivamso jiva-loke Jiva-bhutah sanatanah Manah sasthanindriyani Prakrti-sthani karsati As jivas eternas que se encontram no mundo material são minhas partes integrantes. Atadas pela natureza material, são atraídas pelos seis sentidos, incluindo a mente. Bhavanuvada As jivas são eternas, mas enquanto vivem em corpos materiais são atadas pela atração mundana que surge da mente e dos cinco sentidos. Isto é devido ao ego que as fazem pensar: “Tudo pertence a mim”, assim elas se sentem atraídas pelo mundo material.

Prakasika-vrtti Neste verso, Bhagavan descreve jiva tattva. A jiva é uma parte de Bhagavan, mas deve compreender o seu tipo específico. As amsas (partes) de Bhagavan são de dois tipos: svamsa e vibhinnamsa. O visnu-tattva está dentro da categoria svamsa tais como Matsya, Kurma, Nrsimha e Rama são svamsa – tattva. As jivas são vibhinnamsa-tattva. Quando sac-cid-ananda Bhagavan está separado de todas suas energias, exceto a tatastha-sakti, suas partes separadas se denominam vibhinnamsa-tattva. As jivas, geradas da jiva-sakti ou tatasthasakti, a qual não é diferente de Bhagavan, são vibhinnamsa-tattva. Algumas das suas características são qualitativamente iguais a Bhagavan e outras são diferentes. Assim sendo, sua relação com Bhagavan é tanto de igualdade quanto de diferença simultânea e inconcebível ou acityabedha-abedha-tattva. As jivas existem em dois estados condicionados: condicionados e liberados. No estado liberado a jiva está livre das designações ilusórias e permanece ocupada no serviço a Bhagavan, mas em seu estado condicionado se encontra enredada no mundo material e coberta pelas designações ilusórias dos corpos

sutil e grosseiro. Isto é explicado no Srimad Bhagavatam: “Ó inteligente Uddhava, as jivas são partes separadas de mim, a Realidade Absoluta não dual, ele é um sem um segundo. Devido à ignorância as entidades vivas são cativadas mas as vezes o conhecimento lhes proporciona mukti.” “Devido à energia externa, a jiva entende que é um produto material e por tanto, tem que submeter-se às reações do sofrimento material.” Este verso explica que a entidade viva é uma entidade eterna, jamais se funde em nenhuma outra existência nem é destruída. A existência da jiva é eterna, tanto em seu estado liberado quanto no condicionado. A jiva é sempre jiva, jamais pode converter-se em brahma. Sloka 8 Sariram yad avapnoti Yac capy utkramatisvarah Grhtvaitani samyati Vayur gandhan ivasayat Assim como o vento transporta o aroma das flores, a jiva corporificada transporta

os seis sentidos juntamente com seus desejos do seu antigo corpo para o próximo corpo. Prakasika-Vrtti Sri Bhagavan está explicando como uma jiva condicionada obtém outro corpo. Depois da morte, seu condicionamento não se acaba. Até que a jiva se libere do mundo material mediante execução de bhagavad bhajana, ela tem que nascer repetidamente de acordo com as impressões de suas atividades prévias. Aqui foi usada a analogia das flores para explicar este processo. O Srimad Bhagavatam diz (11.22.26) “A mente, onde se encontra as impressões do karma, viaja com os cinco sentidos de um corpo a outro. O atma é diferente dela, mas a segue devido ao falso ego.” Sloka 9 Srotrancaksuh sparsananca Rasanam ghranam eva ca Adhisthaya manas cayam Visayan upasevate Refugiando-se nos ouvidos, olhos, língua, nariz, o sentido do tato e especialmente na

mente, a jiva desfruta dos diversos objetos sensíveis. Sloka 10 Utkramantam sthitam vapi Bhunjanam va gunanvitam Vimudha nanupasyanti Pasyanti jnana-caksusah O néscio que carece de discriminação não pode perceber com seus sentidos quando a jiva abandona o corpo, quando mora no corpo ou quando desfruta através dos sentidos. Mas os sábios podem ver tudo. Sloka 11 Yatanto yoginas cainam Pasyanty atmany avasthitam Yatanto py akrtatmano Nainam pasyanty acetasah Os yogis perseverantes podem perceber a alma situada dentro do corpo, mas quem sustenta pensamentos impuros e carece de sabedoria não pode percebe-la mesmo que se esforce para isto. Sloka 12 Yad aditya-gatam tejo Jagad bhasayate khilam

Yac candramasi yac cagnau Tat tejo viddhi mamakam Deves entender que o resplendor do sol que ilumina todo universo, assim como a lua e o fogo, provém todos de minha pessoa. Bhavanuvada “Favoreço a jiva em seu estado condicionado, na forma do sol, da lua e outras luminárias, capacitando-a para satisfazer todas as suas necessidades.” Tal favor se indica com as palavras yad aditya-gatam e continua explicando nos dois versos seguintes. “Desde a montanha Udaya, eu, o resplendor do sol nascente, ilumino o universo para que comece a ação que satisfaz os desejos, tanto evidentes quanto ocultos, de desfrute sensual das jivas. O brilho da lua e do sol também são meus. Possuo diferentes nomes como Surya e Candra. Eles se encontram entre minha opulências por que fazem parte da minha magnificência.” Prakasika-vrtti Uma pessoa carente de bhakti, ego ignorante, confunde o corpo com o ser. Não pode compreender que Paramesvara é a causa original da existência ou

manifestação de todas as entidades vivas, sentimentos, ações, e qualidades deste mundo. Pensa que a causa de tudo é a terra, a água, o ar, o éter, a lua, o sol, a eletricidade ou outros elementos. Sri Krishna expressa aqui claramente que o sol, a lua, o fogo e a eletricidade se manifestam dele. Ele cria as variedades de desfrute e liberação da jiva. Ele cria as variedades de desfrute visíveis e invisíveis, para as jivas, fazendo com que parte do seu resplendor entre no sol, na lua e outras luminárias. Uma jiva pode entender facilmente o princípio mencionado através da prática de bhakti yoga. Assim ela pode compreender o aspecto da magnificência de Sri Bhagavan que Ele está explicando. Mas uma jiva confundida por maya, jamais compreende esta realidade. Sloka 13 Gam avisya ca bhutani Dharayami aham ojasa Pusnami causadhih sarvah Somo bhutva rasatmakah Eu infundo minha potência na terra e deste modo sustento todas as entidades vivas. Me converto na nectárea lua e assim alimento a vida vegetal.

Sloka 14 Aham vaisvanaro bhutva Praninam deham asritah Pranapana-samayuktah Pacamy annam catur-vidham Como o fogo da digestão nos corpos das entidades vivas, combinado com os ares vitais, digiro os quatro tipos de alimentos. Sloka 15 Sarvasya caham hrdi sannivisto Mattah smrtir jnanam apohananca Vedais ca sarvair aham eva vedyo Vedanta-krd veda-vid eva caham Situo-me como Antaryami no coração de todas as entidades vivas. A lembrança e o conhecimento também vêm de mim. Sou o objetivo único do conhecimento védico. Sou a origem, o compilador e o conhecedor do Vedanta. Sloka 16 Dvav imau purusau loke Ksaras caksara eva ca Ksarah sarvani bhutani Kuta-stho ksara ucyate

Nos quatorze sistemas planetários, há dois purusas famosos: o falível e o infalível. As entidades vivas, móveis e imóveis são falíveis e o purusa imutável é infalível. Prakasika-vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krishna: “Se dissestes que a prakrti é uma, está certo. Mas há dois tipos de purusa neste mundo, o falível e o infalível. As jivas conscientes emanadas como porções são falíveis. A jiva se denomina ksara-purusa por que sua natureza é tatastha; por este motivo tem a tendência de cair de sua posição constitucional. As manifestações svamsa jamais caem de sua posição constitucional, elas são infalíveis. Outro nome do aksara purusa é kuta-stha. O kuta-stha se manifesta de três maneiras: 1 – Brahma, o aksara original que infiltra o universo inteiro. Este tattva é relativo ao universo, não é independente. 2 – Paramatma, a manifestação parcial da transcendência, o refúgio e a testemunha da jiva consciente. 3 – Bhagavat-tattva, Sri Bhagavan que será explicado no capítulo dezoito.

Sloka 17 Uttamah purusas tv anyah Paramatmety udahrtah Yo loka-trayam avisya Bibharty avyaya isvarah Há uma personalidade infalível superior conhecida como Paramatma. Ele é Isvara, o imutável controlador que penetra e sustenta os três mundos. Sloka 18 Yasmat ksaram atito ´ham Aksarad api cottamah Ato ´smi loke vede ca Prathitah purusottamah Por que sou superior tanto em relação ao princípio falível quanto ao infalível, o mundo inteiro e também os Vedas me conhecem como Purusottama, a Pessoa Suprema. Bhavanuvada Após descrever Paramatma, o objeto adorável dos yogis, Sri Bhagavan descreve o bhagavat-tattva, a deidade adorável dos bhaktas. De todas as formas, unicamente Krishna é reconhecido como Purusottama. Sri Bhagavan recita este

verso para explicar tal denominação e sua supremacia. Esta forma é superior ao ksara purusa, à jiva, e ao imutável Paramatma. Prakasika-vrtti A primeira compreensão do para-tattva é o brahma, a Segunda é Paramatma e a terceira é a compreensão de Svayam Bhagavan. Assim, Svayam Bhagavan é o limite superior do parambrahma, enquanto brahma e Paramatma são apenas duas de suas manifestações. A refulgência de Krishna é conhecida como brahma e a porção de sua porção é conhecida como Paramatma. O terceiro e máximo aksarapurusa é conhecido como Bhagavan Sri Krishna. Sloka 19 Yo mam evam asammudho Janati purusottamam As sarva-vid bhajati mam Sarva-bhavena bharata Ó Bharata! Aquele que não se engana pelas distintas crenças, sabe que sou Purusottama. Ele conhece tudo e por tanto se dedica a adorar-me de corpo e alma. Prakasika-vrtti

Mesmo que não haja diferença entre Sri Krishna e Sri Narayana em relação à siddhanta (verdade filosófica), da perspectiva de rasa, a forma de Sri Krishna é superior. Esta é a glória da rasa. Sloka 20 Iti guhyatamam sastram Idam uktam mayanagha Etad buddhva buddhimam syat Krta-krtyas ca bharata Ó imaculado Bharata! Te revelei o segredo mais confidencial dos sastras. A pessoa que possui inteligência pura se ilumina plenamente e é abençoada ao conhece-lo. Praksika-vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krsna: “Ó imaculado! O purusottamayoga é sem dúvida a instrução mais confidencial dos sastras. Uma jiva obtém iluminação e bênçãos ao conhece-la. Todas impurezas que a jiva possa Ter e a concepção sobre o objeto de devoção, desaparecem ao compreender este yoga.” Os primeiros cinco versos deste capítulo explicam que a renúncia pura destrói as debilidades mencionadas. Do sexto verso

até o final do capítulo se descreve a discussão sobre o purusottama-tattva juntamente com a renúncia gerada pela devoção (bhakti). Em resumo, o capítulo descreve as diferenças entre a matéria inerte e o espírito assim como a deliberação sobre as diferentes manifestações da realidade consciente. Assim se conclui o décimo quinto capítulo do Srimad Bhagavad Gita.

Capítulo 16 Daivasura Sampada Yoga As qualidades divinas e as demoniacas Sloka 1 – 3 Sri bhagavan uvaca Abhayam sattva-samsuddhir Jnana-yoga-vyavasthitih Danam damas ca yajnas ca Svadhyayas tapa arjavam Ahimsa satyam akrodhas

Tyagah santir apaisunam Daya bhutesv aloluptvam Mardavam hrir acapalam Tejah ksama dhrtih saucam Adroho nati-manita Bhavanti sampadam daivim Abhijatasya bharata Sri Bhagavan disse: Ó Bharata! A valentia, o regozijo do coração, a constância no cultivo de conhecimento, a caridade, o controle dos sentidos, a execução de yajna, o estudo dos sastras, a penitência, a sensibilidade, a nãoviolência, a veracidade, a ausência da ira, o desapego da esposa, filhos e demais parentes, o sossego, a aversão a críticas, a bondade para com todos os seres vivos, a ausência de avareza, a gentileza, a modéstia, a determinação, o vigor, a indulgência, a paciência, a limpeza interna e externa, e a ausência total de ódio, são todas qualidades divinas que se manifestam em uma pessoa que aparece neste mundo em um momento auspicioso. Prakasika-vrtti As qualidades divinas e demoníacas juntamente com as inclinações descritas brevemente no capítulo anterior, são descritas agora detalhadamente. As

pessoas de tendências demoníacas enroscadas na rede de maya, nascem em espécies de vida demoníaca e sofrem miséria e dor. Ao contrário, as pessoas de natureza divina, dotadas com qualidades divinas, cruzam o miserável oceano do nascimento e morte e gradualmente avançam no caminho mais auspicioso de bhakti. Finalmente desfrutam da bemaventurança do serviço a Bhagavan em sua morada. As pessoas liberadas jamais são atadas a este mundo material. O acúmulo de qualidades divinas só sem manifestam em pessoas elevadas que nasceram em um momento favorável e de pais auspiciosos que realizaram garbhadhana samskara, o processo védico para conceber um bom filho. Os pais devem evitar fazer filhos como fazem os gatos e cachorros. Sri Krishna expressa no Gita que ele é o sexo que produz bons filhos. Por tanto, o sexo não está proibido, mas quando se faz apenas para o desfrute, é de natureza infernal. Pode-se ver todas estas boas qualidades nos suddha-bhaktas. Um bhakti-sadhaka rendido deve Ter a firme convicção: “Bhagavan é meu protetor e está sempre comigo. Ele me olha, conhece tudo e me sustenta.”Quando um devoto desenvolve este tipo de fé, ele está livre de todo temor por qualquer lugar que se encontre, seja em casa ou num bosque. Srila Haridasa

Thakura se manteve parado quando os fanáticos muçulmanos o arrastaram por vinte mercados em navadvip. Após terem o espancado, eles o submergiram no ganges, mas quando ele emergiu estava com um corpo saudável e regressou ao seu bhajana-kutira. O kazi e os demais se surpreenderam ao ver a cena. Assim sendo, o bhakti-sadhaka deve ser sempre confiante. Sloka 4 Dambho darpo ´bhimanasca Krodhah parusyam eva ca Ajnanam cabhijatasya Partha sampadam asurim Ó Partha! A hipocrisia, a arrogância, a ira, a dureza de coração e a falta de discriminação residem naqueles que nascem com qualidades demoníacas. Quem nasce em um momento inauspicioso, adquire estas qualidades. Bhavanuvada Sri Bhagavan menciona agora os frutos que atam uma pessoa a existência material. Mostrar-se como uma pessoa religiosa quando se é irreligioso se denomina hipocrisia. A arrogância consiste no orgulho da riqueza e

educação. O desejo de ser respeitado pelos demais e o apego pela esposa, filhos e família se chama vanidade. Sloka 5 Daivi sampad vimoksaya Nibandhayasuri mata Ma sucah sampadam daivim Abhijato ´si pandava As qualidades divinas são a causa da liberação, enquanto as demoníacas são a causa do cativeiro. Ó filho de Pandu, não lamentes, pois nascestes com qualidades divinas. Bhavanuvada Sri Bhagavan mostra agora como funcionam as duas naturezas mencionadas. Mas antes que Arjuna se lamentasse dizendo “Que desgraça! Eu devo Ter qualidades demoníacas como a dureza do coração e ira, pois desejo matar meus parentes com estas flechas.” Sri Bhagavan lhe consola dizendo; “Não lamentes. Nasceste em uma dinastia de ksatriyas. As dharma-sastras aprovam que seja duro de coração e valente na guerra. Mas a violência em outras circunstâncias é demoníaca.”

Sloka 6 Dvau bhuta-sargau loke´smin Daiva asura eva ca Daivo vistarasah prokta Asuram partha me srnu Ó Partha! Neste mundo há dois tipos de seres: Os divinos e os demoníacos. Descrevi a ti detalhadamente as qualidades divinas. Escuta agora sobre a natureza demoníaca. Sloka 7 Pravrttinca nivrttinca Jana na vidur asurah Na saucam napi cacaro Na satyam tesu vidyate As pessoas demoníacas não conhecem a virtude nem sabem como abster-se do vício. Não se encontra nelas a limpeza, conduta apropriada ou veracidade. Sloka 8 Asatyam apratistham te Jagad ahur anisvaram Aparaspara-sambhutam Kim anyat kama-hetukam

Os demônios descrevem o mundo como sendo irreal, sem fundamento e carente de Deus. Afirmam que são produto da união sexual e que não há outra causa a não ser a luxúria. Prakasika-vrtti Neste verso Bhagavan explica a filosofia de quem possui uma natureza demoníaca. A essência do comentário de Baladeva Vidyabhusana para este verso é o seguinte: 1- De acordo com a opinião dos mayavadis, o mundo material é asatya, apratisthita e anisvara. Asatya porque é uma ilusão, tal como a corda pode ser confundida com uma serpente. Apratisthita por que não tem fundamento, tal como uma flor no céu. Anisvara por que nenhum Isvara o criou. 2- Na opinião dos budistas svabhava-vadis, o mundo é aparaspara-sambutam, melhor dizendo, não nasceu da união do macho com a fêmea se não que é o produto de svabhava: é produzido e sustentado pela ação natural e necessária de algumas substâncias segundo suas propriedades inerentes. 3- Segundo carvaka, este mundo é kamahaitukam, nascido da luxúria que flui entre macho e fêmea.

4- De acordo com os jainistas, o desejo egoísta é a causa deste mundo. Baseados em sua lógica especulativa, descartam a literatura védica e se dedicam à inútil tarefa de definir a causa do mundo material. A afirmação de Sri Krishna expressa claramente que o mundo material, constituído por seres móveis e imóveis, foi criado pela prakriti sob sua supervisão. Visto que foi criado pela vontade de Bhagavan, o possuidor da verdadeira determinação, este mundo é real, ainda que mutável e perecível. Os asuras (demônios), carentes de sabedoria pura e perfeita, imaginam diversos tipos de conclusões ateístas temporárias. Sloka 9 Etam drstim avastabhya Nastatmano ípa-buddhayah Prabhavanty ugra-karmanah Ksayaya jagato ´hitah Os demônios carecem de atma-tattva. Eles se refugiam nas visões ateístas e identificando o corpo como sendo seu verdadeiro ser, atuam com violência. Eles são a personificação de tudo que é indesejável e nascem com o único propósito de desfrutar do mundo.

Prakasika-Vrtti Os demônios carecem de tattva-jnana. Eles inventam vários tipos de máquinas e com pretexto de avanço da civilização humana, inventam numerosas armas e dispositivos para matar a maior quantidade de pessoas no menor tempo possível, mesmo se estas se encontram em outros continentes. Eles estão muito orgulhosos de tais inventos. A sociedade demoníaca trabalha para destruir o mundo visto que não tem fé em Isvara nem nos Vedas. Sloka 10 Kamam asritya duspuram Dambha-mana-madanvitah Mohad grhitva ´sad-grahan Pravarttante ´suci-vratah Obcecados por desejos insaciáveis e cheios de hipocrisia, orgulho e arrogância, os demônios néscios anseiam constantemente os objetos temporários. Consagrados à depravação eles se dedicam à adoração de semideuses insignificantes. Slokas 11-12 Cintam aparimeyanca

Pralayantam upasritah Kamopabhoga-parama Etavad iti niscitah Asa-pasa-satair baddhah Kama-krodha-parayanah Ihante kama-bhogartham Anyayenartha-sancayan Pensando que o desfrute sensual é o propósito da vida, eles se quedam ansiosos até o momento da morte. Atados às cordas dos ilimitados desejos e dominados pela luxúria e a ira, se esforçam em acumular riqueza mediante métodos indevidos, com o objetivo de obter prazer sensual. Sloka 13 Idam adya maya labdham Idam prapsye manoratham Idam astidam api me Bhavisyati punar dhanam Os demônios pensam: “Consegui muita coisa hoje e assim satisfarei meus desejos. Tenho tanta riqueza agora e isto aumentará ainda mais no futuro. Sloka 14 Asau maya hatah satrur

Hanisye caparan api Isvaro ´ham aham bhogi Siddho ´ham balavan sukhi “Matei este meu inimigo e matarei outros também. Sou o senhor e o desfrutador. Sou perfeito, poderoso e feliz.” Sloka 15 Adhyo ´bhijanavan asmi Ko ´nyo ´sti sadrso maya Yaksye dasyami modisya Ity ajnana-vimohitah “Sou afortunado e nobre de nascimento. Quem pode se comparar a mim? Executarei yajna, oferecerei caridade e como resultado gozarei de grande felicidade.” Eles falam assim por que estão enganados pela ilusão. Sloka 16 Aneka-citta-vibhranta Moha-jala-samavrtah Prasaktah kama-bhogesu Patanti narake ´sucau Confundidos por numerosos desejos e ansiedades, emaranhados na rede da ilusão e excessivamente viciados no

desfrute sensual. Eles caem em situações impuras e infernais. Prakasika-vrtti As pessoas demoníacas pensam que são Isvara (controlador) apesar de estarem agitadas por diversas ansiedades inúteis e atadas a uma rede de ilusão. Eles se convertem em instrutores e ensinam seus seguidores. “Tu és Isvara, podes fazer tudo que desejas.” Hoje em dia, aqueles que possuem inclinações demoníacas pretendem alcançar os planetas superiores com diversos tipos de naves espaciais, mas não sabem que transitam em um caminho destrutivo. Sloka 17 Atma-sambhavitah stabdha Dhana-mana-madanvitah Yajante nama-yajnais te Dambhenavidhi-purvakam Inflados, arrogantes e intoxicados pelo falso prestígio que a opulência outorga, os demônios realizam ostentosos yajnas apenas externamente, pois não seguem as instruções dos sastras. Prakasika-vrtti

Hoje em dia a maioria das pessoas que adoram os semideuses e outras personalidades, o fazem segundo seus próprios caprichos, sem respeitar as instruções dos sastras. Devemos escutar as instruções de Krishna sobre este aspecto. Sloka 18 Ahankaram balam darpam Kamam krodhanca samsritah Mam atma-para-dehesu Pradvisanto bhyasuyakah Confundidos pelo falso ego, pela força corpórea, pelo orgulho, pela luxúria e ira, eles me invejam e me criticam através dos sadhus, em cujos corações resido eternamente como Paramatma. Sloka 19 Tan aham dvisatah kruran Samsaresu naradhaman Ksipamy ajasram asubhan Asurisv eva yonisu Aqueles que invejam os sadhus, que possuem um cruel coração e que são malévolos, são os seres humanos mais degradados. Eu os jogo na existência

material entre as diversas espécies de demônios. Sloka 20 Asurim yonim apanna Mudha janmani janmani Mam aprapyaiva kaunteya Tato yanty adhamam gatim Ó Kaunteya! Aceitando um nascimento atrás do outro em espécies demoníacas, tais néscios jamais me alcançam. Assim, eles continuam emaranhados nas formas mais degradadas de vida. Prakasika-vrtti Geralmente, a jiva obtém os frutos do seu próprio karma, e para experimentar os resultados deste karma, as pessoas que se opõe aos vedas, aos bhaktas e a Bhagavan, caem uma e outra vez nas espécies demoníacas de vida. Por que cometeu várias ofensas, elas não conseguem nenhuma oportunidade de se liberarem destas ofensas. Estas ofensas não podem ser expiadas nesta mesma vida, mas a pessoa tem a oportunidade de expia-las quando descende às espécies inferiores como a dos animais. O nascimento em qualquer espécie, com exceção da humana, tem como único

objetivo a expiação dos resultados kármicos anteriores. Sloka 21 Tri-vidham narkasyedam Dvaram nasanam atmanah Kamah krodhas tatha lobhas Tasmad etat trayam tyajet Há três portas que conduzem ao inferno: a luxúria, a ira e a cobiça. Deve-se as abandonar por completo, pois são a causa da destruição da alma. Prakasika-vrtti As qualidades demoníacas mencionadas destroem o ser e o conduz ao inferno. A luxúria, a ira e a cobiça são a raiz das outras. Por tanto, todo ser humano que deseje seu próprio bem-estar, deve erradica-las. Os karmis, os jnanis e yogis não podem controlar estas tendências apesar de seus esforços, mas um suddhabhakta, pela influência de sadhu-sanga, pode subjugar facilmente estes três inimigos e mostrar assim um extraordinário exemplo de como eles podem ser controlados. Sloka 22

Etair vimuktah kaunteya Tão-dvarais tribhir narah Acaraty atmanah sreyas Tato yati param gatim Ó Kaunteya! Aquele que escapou das portas que conduzem ao inferno, atua para o bem-estar do seu próprio ser e deste modo alcança o destino supremo. Sloka 23 Yah sastra-vidhim utsrjya Varttate kama karatah Na as siddhim avapnoti Na sukham na param gatim Aqueles que recusam a sanção dos sastras e atuam segundo sua própria vontade, não alcançam a perfeição, a felicidade nem o destino supremo. Sloka 24 Tasmac chastram pramanam te Karyakarya-vyavasthitau Jnatva sastra-vidhanoktam Karma kartum iharhasi Por tanto, os sastras são a única autoridade acerca da conduta correta e incorreta. Quanto ao seu dharma, deves

executar todas as suas atividades compreendendo a essência dos sastras. Prakasika-vrtti Após aprender as instruções dos sastras, as pessoas que desejam bem-aventurança eterna, devem cultivar bhakti a Sri Hari sob a guia do guru-varga, de acordo com sua qualificação respectiva. Para uma pessoa inteligente, não é espiritualmente favorável atuar contra os códigos dos sastras ou considerar autoritativas as idéias imaginárias de supostos instrutores que são glorificados pelos não devotos. A ofensa original da jiva é o mau uso do seu livre arbítrio e sua aversão a Krishna. Por isto, maya, que é uma serva de Krishna, a coloca em cativeiro. Atraídas por maya, a jiva abandona a natureza sattvika que lhe permite compreender Bhagavan e desenvolve uma natureza demoníaca de qualidades tamasika. Neste momento manifestam-se muitas ofensas como a crítica aos sadhus, o conceito politeísta de Deus ou a idéia de que Deus não existe, a desobediência ao guru, a falta do devido respeito aos sastras entre outros. Assim se conclui o décimo sexto capítulo do Bhagavad gita.

Capítulo 17 Sraddha-Traya-Vibhaga Yoga Os três tipos de fé Sloka 1 Arjuna uvaca Ye sastra-vidhim utsriya Yajante sraddhayanvitah Tesam nistha tu ka krsna Sattvam aho rajas tamah Arjuna perguntou: Ó Krishna! Qual é a posição de quem ignora as instruções dos sastras, mas possui fé na adoração? São eles sattvika, rajasika ou tamasika? Sloka 2 Sri bhagavan uvaca Tri-vidha bhavati sraddha Dehinam as svabhava ja Sattviki rajasi caiva Tamasi ceti tam srnu Sri Bhagavan disse: A fé dos seres corporificados é de três tipos – sattvika, rajasika ou tamasika – e é determinada

pelas impressões de suas vidas prévias. Escuta agora sobre estes três tipos de fé. Prakasika-vrtti Alguns pensam que é difícil e doloroso seguir as instruções dos sastras, e outros as descartam e adoram os semideuses caprichosamente com uma fé material nascidas das impressões de suas vidas prévias. A fé destas pessoas é de três tipos – sattvika, rajasika ou tamasika. Mas a fé que está dirigida ao cultivo de bhagavadbhakti sob a guia dos suddha bhaktas versados nos sastras é nirguna. A fé de um bhakti-sadhaka pode ser sattvika nos estágios iniciais, mas pela influência dos sadhus, se converte rapidamente em nirguna-sraddha e transcende as qualidades materiais. Neste momento o sadhaka começa a progredir no caminho de bhakti e se ocupa com grande determinação em escutar, cantar e lembrar hari-nama e hari katha e assim segue meticulosamente as regras e regulações dos sastras. Sloka 3 Sattvanurupa sarvasya Sraddha bhavati bharata Sraddha-mayo yam puruso Yo yac-chraddhah as eva sah

Ó Bharata! A fé de uma pessoa é determinada pela natureza da sua mente. Todas as pessoas possuem fé e desenvolvem uma tendência correspondente ao objeto no qual a depositam Sloka 4 Yajante sattvika devan Yaksa-raksamsi rajasah Pretan bhuta-ganams canye Yajante tamasa janah As pessoas que se encontram na qualidade da bondade adoram os semideuses de natureza similar. Aquelas que estão na qualidade da paixão adoram as bruxas e os demônios que possuem natureza apaixonada similar, e as pessoas na qualidade da ignorância adoram os fantasmas e espíritos. Sloka 5 – 6 Asastra-vihitam ghoram Tapyante ye tapo janah Dambhahankara-samyuktah Kama-raga-balanvitah Karsayantah sarira-stham Bhuta-gramam acetasah

Mancaivantah sarira-stham Tan viddhy asura-niscayan Devido ao orgulho e egoísmo, algumas pessoas realizam severas austeridades não recomendadas pelos sastras. Movidos pela luxúria, o apego mundano e o desejo de poder, infligem dor não apenas ao seu corpo mas também a mim, que moro no seu interior. Estas pessoas devem ser consideradas como demônios. Bhavanuvada Krishna disse: “Ó Arjuna! Perguntaste se aqueles que ignoram as regras dos sastras, mas executam adoração com fé, são sattvika, rajasika ou tamasika. Escuta agora minha resposta. A fé a renúncia aos desejos egoístas é a característica que se observa nas pessoas que executam austeridades severas, as quais atemorizam os demais seres. As pessoas orgulhosas e interesseiras sem dúvida violarão as regras dos sastras. Kama se refere aos desejos como o de permanecer sempre jovem, se tornar imortal ou obter um reino. Raga se refere ao apego pelas austeridades e bala é a capacidade de executar austeridades como as realizadas por Hiranyakasipu. Tais austeridades torturam os elementos presentes no corpo e causam dor desnecessária tanto a mim,

quanto a jiva. Estas pessoas possuem inclinações demoníacas.” Prakasika – vrtti As austeridades como os jejuns dolorosos e inúteis, o sacrifício do corpo, carne ou de outros seres humanos ou animais, entre outros atos violentos similares, causam dor ao próprio ser e também ao Paramatma. As pessoas que possuem tal natureza cruel devem ser consideradas demoníacas. Hoje em dia, algumas pessoas jejuam com propósitos egoístas ou políticos. Os jejuns estipulados pelos sastras que tem como propósito a meta transcendental são benéficos, como o ekadasi por exemplo. No ekadasi se estipula jejuar até mesmo de água e permanecer acordado toda a noite executando hari-kirtana. Hoje em dia, as pessoas permanecem acordadas comendo carne, bebendo vinho e cantando canções vulgares e vergonhosas. Elas violam as regras dos sastras. Tais atividades são executadas devido ao profundo orgulho e ao ego nascido do apego excessivo aos desejos materiais e ao desfrute sensual. Os que atuam assim infligem dor desnecessária ao corpo e perturbam a paz interna e também a alheia. Mas se por boa fortuna, consegue a associação de um

suddha-bhakta, podem receber algum benefício. Sloka 7 Aharas tv api sarvasya Tri-vidho bhavati priyah Yajnas tapas tatha danam Tesam bhedam imam srnu O tipo de comida das diferentes classes de pessoas é de três tipos, dependendo das suas qualidades. O mesmo ocorre em relação aos sacrifícios, austeridades e caridade. Escuta agora as diferenças entre elas. Sloka 8 Ayuh-sattva-balarogya Sukha-priti-vivarddhanah Rasyah snigdhah sthira-hrdya Aharah sattvika-priyah Os alimentos que aumentam a duração da vida, o entusiasmo, a força, a saúde, a felicidade e a satisfação; que são saborosos, engordam, nutrem e são agradáveis ao coração e ao estômago, são muito apreciados pelas pessoas situadas na qualidade da bondade. Bhavanuvada

É um fato bem conhecido no mundo, que por ingerir alimentos no modo da bondade, a duração da vida aumenta. A palavra sattvam significa entusiasmo. Rasya se refere às substâncias como o pão de açúcar que são saborosos porém são secos. Sri Bhagavan se refere também aos alimentos como o leite e o creme de leite que são saborosos e pastosos porém não são sólidos. Depois fala dos alimentos saborosos, pastosos e não sólidos como a fruta de pan. Ainda que esta fruta esteja nas categorias mencionadas, não é boa para o coração e estômago, por tanto Sri Bhagavan menciona especificamente os alimentos que são benéficos para isto. Os produtos da vaca como o leite e o iogurte, assim como o trigo, o açúcar e o arroz, possuem todas as boas características e as pessoas na qualidade da bondade gostam. Estas pessoas não gostam de alimentos impuros. Prakasika-vrtti É fácil de distinguir a diferença entre os efeitos de beber leite e beber álcool. As pessoas deixam de ingerir alimentos no modo da bondade devido a má associação, o conhecimento defeituoso e a falta de samskara apropriado.

Sloka 9 Katv-amla-lavanaty-usna Tiksna-ruksa-vidahinah Ahara rajasasyesta Duhkha-sokamaya-pradah Os alimentos amargos, ágrios, salgados, picantes, secos ou quentes e que causam dor, pesar e enfermidade, são consumidos pelas pessoas situadas no modo da paixão. Prakasika-vrtti Ao ingerir alimentos no modo da paixão, que logo provocam indigestão, imediatamente se experimenta sensação de ardor em sua língua, garganta e estômago. Posteriormente, a mente se torna inquieta com pensamentos desagradáveis e ansiosa e assim se desenvolve diversas doenças. Assim sua vida se torna miserável. Sloka 10 Yatayamam gatarasam Puti paryusitanca yat Ucchistamapi camedhyam Bhojanam tamasapriyam

As pessoas situadas na qualidade da ignorância gostam de ingerir alimentos cozinhados a mais de três horas e também frios, insípidos, em putrefação, parcialmente comidos ou dispensados e também impuros. Bhavanuvada A palavra yata-yamam significa comida fria que foi cozinhada três horas antes de ser consumida. Gata-rasam indica aquilo que perdeu seu sabor natural ou cujo suco já tenha sido extraído como a semente de manga. Paryusitam indica algo cozinhado na véspera. Ucchistam significa sobras, mas não se refere aos remanentes de pessoas altamente respeitáveis como as situadas no Guru parampara. Amedhya é tudo o que não é apto a ser consumido como a carne e o tabaco. As pessoas preocupadas com seu próprio bem-estar, devem consumir alimentos no modo da bondade, mas os vaishnavas não devem aceitar nem sequer alimentos sattvika se este não foi oferecido a Bhagavan. Prakasika-vrtti O Srimad Bhagavatam (11.5.11) diz: “É evidente que as pessoas no mundo material tem uma inclinação natural para

com o consumo de carne, álcool e atividade sexual, mas as escrituras jamais estimulam estas atividades. È permitida a vida sexual até certo ponto, dentro de um matrimônio sagrado.” Algumas pessoas pensam que mesmo que comer carne seja pecaminoso, ao ingerir peixe, isto não se inclui nas atividades pecaminosas. Porém o Manu-Samhita proíbe por completo o consumo de carne: “Os consumidores de carne de um animal específico são conhecidos como comedores deste animal, mas aqueles que ingerem peixe comem a carne de todos, porque o peixe comem a carne de todas as entidades vivas, inclusive da vaca e do veado. Eles comem inclusive coisas putrefatas. Quem consome peixe na realidade ingere a carne de todos os seres.” Os suddha-bhaktas comem apenas os alimentos que tenham sido oferecidos a Bhagavan Sri Krishna, e isto se denomina Maha Prasada. Este é o único alimento indicado para ser ingerido porque é nirguna e está completamente livre de pecado. No Padma Purana se diz:

“Ingerir comida ou água que não tenha sido oferecido a Sri Vishnu é como comer excremento e beber urina.” Sloka 11 Aphalakansibhir yajno Vidhi-disto ya ijyate Yastavyam eveti manah Samadhaya as sattvikah A execução de yajna é obrigatória. O yajna que é oferecido com esta compreensão e executado segundo as instruções dos sastras e sem esperar recompensa está na qualidade da bondade. Bhavanuvada Sri Bhagavan descreve agora os três tipos de yajna. Se alguém se pergunta como uma pessoa pode executar yajna sem esperar resultados, Sri Bhagavan responde: “Executa yajna porque compreende que é seu dever e também porque os sastras ordenam.” Sloka 12 Abhisandhaya tu phalam Dambhartham api caiva yat Ijyate bharata-srestha Tam yajnam viddhi rajasam

Ó melhor da dinastia Bharata! O yajna que se executa pretensa e pomposamente, desejando seus frutos, está sem dúvida na qualidade da paixão. Sloka 13 Vidhi-hinam asrstannam Mantra-hinam adaksinam Sraddha-virahitam yajnam Tamasam paricaksate O yajna que se executa contra as regras dos sastras, no qual não se distribui prasadam, não se canta mantras védicos e tampouco se oferece caridade aos sacerdotes, e que é realizado sem fé, é condenado pelos sábios que o consideram como estando no modo da ignorância. Sloka 14 Deva-dvija-guru-prajna Pujanam saucam arjavam Brahmacaryam ahimsa ca Sariram tapa ucyate As austeridades relacionadas com o corpo que incluem a adoração aos semideuses, aos brahmanas, aos gurus e aos sábios, são; limpeza, celibato e não-violência.

Sloka 15 Anudvega-karam vakyam Satyam priya-hitanca yat Svadhyayabhysanam caiva Van-mayam tapa ucyate As austeridades da fala conferem em proferir palavras que não causem agitação e que sejam verazes, prazeirosas e benéficas, assim como também a recitação dos Vedas. Sloka 16 Manah-prasadah saumyatvam Maunam atma-vinigrahah Bhava-samsuddhir ity etat Tapo manasam ucyate As austeridades da mente consistem na satisfação, gentileza, seriedade, disciplina mental e conduta pura. Sloka 17 Sraddhaya paraya taptam Tapas tat tri-vidham naraih Aphalakanksibhir yuktaih Sattvikam paricaksate As austeridades do corpo, da fala e da mente, executadas por homens conectados

com o Senhor Supremo e que estão livres do desejo de recompensa material, é considerada como estando no modo da bondade. Sloka 18 Satkara-mana-pujartham Tapo dambhena caiva yat Kriyate tad iha proktam Rajasam calam adhruvam A austeridade executada com arrogância para obter reconhecimento, honra e adoração é considerada como estando no modo da paixão. Ela é temporária e incerta. Sloka 19 Mudha-grahenatmano yat Pidaya kriyate tapah Parasyotsadanartham va Tat tamasam udahrrtam A austeridade executada sem sentido, que causa dor ao ser ou que é realizada para prejudicar os outros, é considerada com estando no modo da ignorância. Sloka 20 Datavyam iti yad danam

Diyate nupakarine Dese kale ca patre ca Tad danam sattvikam smrtam A caridade deve ser oferecida como uma questão de dever. A caridade outorgada com este critério, sem esperar na da em troca, que é realizada em um lugar sagrado, em um momento auspicioso e a uma pessoa venerável, situa-se no modo da bondade. Sloka 21 Yat tu pratyupakarartham Phalam uddisya va punah Diyate ca pariklistam Tad danam rajasam smrtam Mas a caridade que é oferecida com mal humor ou com esperança de obter algum benefício, é considerada no modo da paixão. Sloka 22 Adesa-kale yad danam Apatrebhyas ca diyate Asat-krtam avajnatam Tat tamasam udahrtam A caridade que é oferecida com uma atitude desrespeitosa, em um lugar impuro ou em um momento inauspicioso a uma

pessoa indigna, é considerada como estando no modo da ignorância. Slokas 23-24 Om tat sad iti nirdeso Brahmanas tri-vidhah smrtah Brahmanas tena vedas ca Yajnas ca vihitah pura Tasmad om ity udahrtya Yajna-dana-tapah-kriyah Pravarttante vidhanoktah Satatam brahma-vadinam É dito que om, tat e sat são as três palavras usadas para indicar a Realidade Absoluta Suprema. Os brahmanas, os Vedas e os yajnas foram criados destas três palavras. Por tanto, os seguidores consagrados dos Vedas, sempre começam a execução de sacrifícios, atos de caridade, austeridades e demais atividades prescritas nos sastras pronunciando a sagrada sílaba om. Sloka 25 Tad ity anabhisandhaya Phalam yajna-tapah-kriyah Dana-kriyas ca vividhah Kriyante moksa-kanksibhih

As pessoas que desejam obter moksa (liberação), executam diversos tipos de yajna, austeridades e caridades pronunciando a sílaba tat e renunciam os frutos de suas atividades. Sloka 26 Sad-bhave sadhu-bhave ca Sad ity etat prayujyate Prasaste ksrmani tatha Sac-chabdah partha yujyate Ó Partha! A palavra sat se refere à Verdade Absoluta Suprema e aos adoradores do brahma. É utilizada também em conexão com atividades auspiciosas. Sloka 27 Yajne tapasi dane ca Sthitih sad iti cocyate Karma caiva tad-arthiyam Sad ity evabhidhiyate A determinação no yajna, a austeridade, a caridade e o conhecimento do seu verdadeiro propósito, estão relacionados com a sílaba sat. As atividades como a limpeza do templo visando agradar a Sri Bhagavan são também consideradas sat.

Sloka 28 Asraddhaya hutam dattam Tapas taptam krtanca yat Asad ity ucyate partha Na ca tat pretya no iha Ó filho de Partha! O yajna, a caridade, a austeridade ou qualquer ação que é realizada sem fé se denomina asat. Estas atividades não produzem benefício nem neste mundo e nem no próximo. Prakasika-vrtti Todas as atividades que são realizadas para servir Bhagavan, o guru e os vaishnavas, como pedir caridade, cavar poços e tanques, plantar jardins de flores e tulasi, plantar árvores e construir templos, são consideradas tad-arthiyam karma, atividades para sua satisfação, e por tanto são sat. Assim se conclui o décimo sétimo capítulo do Srimad Bhagavd Gita de B.V.Narayana Goswami Maharaj.

Capítulo 18 Moksa Yoga O princípio da liberação

Sloka 1 Arjuna uvaca Sannyasasya maha-baho Tattvam icchami veditum Tyagasya ca hrsikesa Prthak kesi-nisudana Arjuna disse: Ó maha-baho! Ó Hrsikesa! Ó Kesi nisudana! Desejo saber a diferença entre sannyasa e tyaga, assim como a natureza de ambos. Bhavanuvada Este capítulo descreve os seguintes temas; os três tipos de sannyasa, o jnana, o karma, a compreensão conclusiva de mukti e a essência mais confidencial de bhakti. No capítulo anterior Sri Bhagavan disse: “Após liberar-se dos desejos materiais, os que buscam moksa executam diversos tipos de yajna, oferecem caridade

e realizam penitências pronunciando a sílaba sat.” Arjuna é muito inteligente e inquisitivo, por isso se dirige a Krishna recitando este verso começando com a palavra sannyasa, para que possa compreender estes temas claramente. Sloka 2 Sri bhagavan uvaca Kamyanam karmanam nyasam Sannyasam kavayo viduh Sarva-karma-phala-tyagam Prahus tyagam vicaksanah Sri Bhagavan disse: Segundo os sábios, a renúncia total às atividades fruitivas se chama sannyasa, enquanto a renúncia aos resultados de todas as atividades se chama tyaga. Bhavanuvada O termo sannyasa se aplica à pessoa que abandona por completo todas as atividades fruitivas como por exemplo a execução de yajnas para satisfazer o desejo de ter um filho ou alcançar planetas superiores, mas não abandona as atividades obrigatórias como a meditação nos gayatri-mantras. O termo tyaga se aplica à pessoa que por uma questão de

dever, realiza tanto atividades fruitivas quanto as obrigatórias mas renuncia os frutos destas atividades. Sloka 3 Tyajyam dosa-vad ity eke Karma prahur manisinah Yajna-dana-tapah-karma Na tyajyam iti capare Alguns pensadores, como os sankhyavadis, declaram que visto que toda ação é defeituosa, deve ser abandonada. Outros, como os mimamsakas, opinam que os atos de sacrifício, caridade e austeridade nunca devem ser abandonados. Sloka 4 Niscayam srnu me tatra Tyage bharata-sattama Tyago hi purusa-vyaghra Tri-vidhah samprakirttitah Ó melhor entre os Bharatas! Escuta minha definitiva opinião sobre o tyaga. Ó supremo entre os homens! Se diz que o tyaga são de três tipos. Sloka 5 Yajna-dana-tapah-karma

Na tyajyam karyam eva tat Yajno danam tapas caiva Pavanani manisinam A ação na forma de sacrifício, caridade ou austeridade, jamais deve ser abandonada porque estes são deveres prescritos. O sacrifício, a caridade e a austeridade purificam até mesmo os corações dos pensadores e dos sábios. Sloka 6 Etany api tu karmani Sangam tyaktva phalani ca Karttavyaniti me partha Niscitam matam uttamam Ó Partha! Uma pessoa deve realizar toda atividade sem considerar-se o atuante e abandonando o apego por seus frutos. Esta é minha opinião definitiva e suprema. Sloka 7 Niyatasya tu sannyasah Karmano nopapadyate Mohat tasya parityagas Tamasah parikirttitah

Mas a renúncia ao trabalho obrigatório não é correta. Esta renúncia é considerada tamasika porque é produto da ilusão. Bhavanuvada Dos três tipos de tyaga, este é o tyaga que se encontra no modo da ignorância. Sloka 8 Duhkham ity eva yat karma Kaya-klesa-bhayat tyajet As krtva rajasam tyagam Naiva tyaga-phalam labhet Se uma pessoa considera que o dever prescrito é uma fonte de sofrimento e o abandona por temor à incomodidade corpórea, sua renúncia está no modo da paixão e é infrutífera. Sloka 9 Karyam ity eva yat karma Niyatam kriyate ´rjuna Sangam tyaktva phalancaiva sa tyagah sattviko matah Ó Arjuna, a renúncia de uma pessoa que executa sua atividade prescrita como uma questão de dever e abandona o apego pelos frutos da ação, como também o ego

de se considerar o atuante, é considerada como estando no modo da bondade. Sloka 10 Na dvesty akusalam karma Kusale nanusajjate Tyagi sattva-samavisto Medhavi chinna-samsayah O renunciado dotado de sattva-guna, cuja inteligência é firme e que está livre de toda dúvida, não abomina o trabalho doloroso nem se apega às coisas que outorgam felicidade. Bhavanuvada Sri Bhagavan explica as características de uma pessoa firme no sattvika-tyaga. Akusalam significa que eles não abominam as atividades dolorosas, como os banhos matinais de água fria no inverno, e kusale significa que não estão apegados às atividade que dão prazer, como os banhos de água fria durante o verão. Sloka 11 Na hi deha-bhrta sakyam Tyaktum karmany asesatah Yas tu karma-phala-tyagi

sa tyagity abhidhiyate Um ser corporificado não pode abandonar a ação por completo, mas aquele que abandona os frutos da ação é um real renunciado. Sloka 12 Anistam istam misranca Tri-vidham karmanah phalam Bhavaty atyaginam pretya Na tu sannyasinam kvacit Aqueles que não se dedicam à renúncia descrita, alcançam três destinos após abandonar o corpo; uma existência infernal, um lugar onde residem os semideuses ou um nascimento humano neste mundo. Mas os sannyasis nunca obtêm tais resultados. Sloka 13 Pancaitani maha-baho Karanani nibodha me Sankhye krtante proktani Siddhaye sarva-karmanam Ó Maha-baho! Escuta agora sobre as cinco causas que intervêm no cumprimento de qualquer ação. Estão

descritas na filosofia sankhya, que explica como obter as reações do karma. Bhavanuvada “Ouve-me falar agora sobre as cinco causas da ação que são responsáveis pelo cumprimento de todas as atividades.” A filosofia que descreve Paramatma se denomina sankhya (san-completamente, e khya-descreve), isto é explicado no Vedanta-sastra e explica como anular as reações das ações que tenham sido executadas. Sloka 14 O corpo, o agente e o atuante, os sentidos, as diversas classes de esforço e o inspirador interno ou Antaryami, são as cinco causas do karma que é mencionado no Vedanta. Prakasika-vrtti Aqui se explica as cinco causas da ação mencionadas no verso. A palavra adhisthanam neste contexto refere-se ao corpo, pois a ação só pode ser realizada quando a baddha-jiva está situada nele. A alma situada no corpo é a atuante, pois é ela quem executa a ação. A alma pura não tem relação alguma com o karma, mas se

converte em quem desfruta dos resultados devido ao falso ego de atuante. Assim sendo, a alma é tanto quem conhece quanto quem atua. Isto é mencionado nos srutis: “A alma é tanto a testemunha quanto a atuante.” Por outro lado, a alma realiza diversos tipos de atividades com ajuda dos sentidos, os quais são por tanto, os instrumentos utilizados para a execução do karma. Cada atividade requer um esforço separado, mas todas elas dependem da sanção de Paramesvara, que está situada dentro dos corações de todos como controlador, testemunho e amigo. Paramesvara é a causa Suprema. As pessoas que estão inspiradas por uma grande personalidade esperta no significado dos sastras e conhecedora da realidade transcendental e por Paramesvara, sabem o que é obrigatório e o que não é. Assim, se dedicam à execução de bhakti e rapidamente alcançam o destino supremo sem se atar às reações do seu bom e mal karma. Sloka 15 Sarira-van-manobhir yat Karma prarabhate narah Nyayyam va viparitam va Pancaite tasya hetavah

Estas são as cinco causas que existem atrás de qualquer atividade correta ou incorreta que uma pessoa execute com o corpo, fala ou mente. Sloka 16 Tatraivam sati karttaram Atmanam kevalantu yah Pasyaty akrta-buddhitvan Na as pasyati durmatih Por tanto, aquele que ignora estes cinco fatores e considera que a alma é a única atuante de todas as atividades é um néscio que não pode ver as coisas apropriadamente devido a sua impura inteligência. Sloka 17 Yasya nahankrto bhavo Buddhir yasya na tipyate Hatvapi as imallokan Na hanti na nibadhyate A pessoa que está livre do ego de se julgar o atuante e cuja inteligência não está apegada aos frutos do karma, mesmo que mate algum ser vivo, na realidade não mata e nem é atada pelos resultados de suas ações.

Prakasika-vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krishna: “Ó Arjuna! Tu estas confundido sobre sua posição nesta batalha devido ao falso ego. Se estivesse compreendido que os cinco fatores descritos são a causa do karma, não estava se sentindo assim. Por tanto, as pessoas cuja inteligência não se está coberta pelo falso ego de atuantes não mata mesmo que aniquile toda a humanidade, e por tanto não são atadas pelos resultados desta matança.” Sloka 18 Jnanam jneyam parijnata Tri-vidha karma-codana Karanam karma kartteti Tri-vidhah karma-sangrahah O conhecimento, o conhecível e o conhecedor, constituem o impulso para executar o karma. O instrumento, a atividade e o agente formam a base tripla do karma. Prakasika-vrtti Srila Bhaktivinoda Thakura interpreta Krishna: O instrumento, o objeto e o atuante formam as três bases do karma conhecido como karma-sangrahah.

Qualquer ação que uma pessoa execute tem duas etapas: codana ou inspiração e sangrahah ou base. O processo que antecede o karma chama-se codana. A inspiração constitui a existência sutil da ação e da fé que existe na mente antes que a ação se manifeste. A etapa que precede a ação se divide em três partes: o conhecimento do instrumento da ação, o objeto concebido da ação e o que executa a ação. A execução da ação tem três divisões: o instrumento, o objeto e o sujeito.” Sloka 19 Jnanam karma ca kartta ca Tridhaiva guna-bhedatah Procyate guna-sankhyan Yathavac chrnu tany api Os sastras sankhya descrevem as diferentes qualidades da natureza, o conhecimento, a ação e o sujeito da ação. Se diz que cada um é de três tipos: sattvika, rajasika e tamasika. Escuta agora eu falar sobre eles. Sloka 20 Sarva-bhutesu yenaikam Bhavam avyayam iksate

Avibhaktam vibhaktesu Taj jnanam viddhi sattvikam O sattvika-jnana é o conhecimento no qual se percebe que as jivatmas corporificadas em humanos, semideuses e animais, são indivisíveis e imperecíveis, e possuem a mesma qualidade de consciência mesmo que ainda estejam experimentando diferentes tipos de frutos. Prakasika-vrtti Como se explicou anteriormente, as jivas são de dois tipos: baddha (condicionadas) e mukta (liberadas). Mesmo que sejam ilimitadas, elas são idênticas com relação à sua natureza consciente. Todas são, segundo sua natureza constitucional, servas de Krishna, mesmo que nasçam em diferentes espécies como os semideuses, seres humanos e animais. Para estabelecer este siddhanta, Sri Krishna explica que através de sattvika-jnana percebe-se que as inumeráveis jivas existem dentro de diferentes corpos. Desde a perspectiva da realidade consciente e mediante o sattvika-jnana, pode-se perceber como as entidades indivisíveis, são imutáveis e sem diferença alguma quanto à sua natureza. Sloka 21

Prthaktvena tu yaj jnanam Nana-bhavan prthag-vidhan Vetti sarvesu bhutesu Taj jnanam viddhi rajasam O conhecimento no qual se percebe os diferentes tipos de jiva dentro de diferentes corpos, como semideuses ou humanos, pertencentes às diferentes categorias de existência com propósitos diversos, se denomina rajasika-jnana. Prakasika-vrtti O rajasika-jnana promove diferentes concepções. Isto significa que aqueles que não acreditam na existência de um plano transcendental dizem que o corpo é a alma. Os jainis dizem que mesmo que a alma seja diferente do corpo, está limitada pelo corpo, ou seja, não tem uma existência separada. Os budistas afirmam que a alma é consciente por um período de tempo limitado. Os lógicos afirmam que a alma é a base dos nove tipos de qualidades especiais, ou seja, que é diferente do corpo e não é inerte. O jnana que produz estas compreensões a respeito da alma é denominado de rajasika –jnana (conhecimento no modo da paixão) Sloka 22

Yat tu krtsna-vad ekasmin Karye saktam ahaitukam Atattvartha vad alpanca Tat tamasam udahrtam O tamasika-jnana é o conhecimento que impulsiona o homem a absorver-se em atividades relacionadas com o corpo material, tais como tomar banho e comer, considerando-as como a perfeição máxima da vida. Este conhecimento é irracional, carente de substância espiritual e é não diferente do de um animal. Bhavanuvada Sri Bhagavan descreve agora o conhecimento no modo da ignorância. É o conhecimento que carece de referência espiritual e que promove o apego pelos atos próprios tais como comer, beber e tomar banho, assim como desfrutar do sexo oposto. Sloka 23 Niyatam sanga rahitam Araga-dvesatah krtam Aphala-prepsuna karma Yat tat sattvikam ucyate

O karma que é executado sem desejos fruitivos e apegos e que está livre de qualquer atração ou aversão pessoal, é considerado sattvika. Bhavanuvada Após descrever os três tipos de conhecimento, Sri Bhagavan descreve agora os três tipos de karma. Sloka 24 Yat tu kamepsuna karma Sahankarena va punah Kriyate bahulayasam Tad rajasam udahrtam Mas o karma que é executado com grande esforço por uma pessoa iludida pelo falso ego e que busca satisfazer seus desejos fruitivos, é denominado rajasika-karma. Sloka 25 Anubandham ksayam himsam Anapeksya ca paurusam Mohad arabhyate karma Yat tat tamasam ucyate A atividade que é realizada através da ilusão sem considerar a habilidade para executa-la, que produz misérias futuras e

causa a destruição do dharma e do jnana assim como a perda do ser ou dificuldades aos outros, é denominada de tamasikajnana. Bhavanuvada Bandha significa o cativeiro causado por pessoas como a polícia ou os yamadutas. Qualquer esforço material que surge da ilusão sem se considerar as terríveis conseqüências futuras, a destruição do dharma ou a perda do próprio ser, é considerada tamasika. Sloka 26 Mukta-sango naham-vadi Dhrty-utsaha-samanvitah Siddhy-asiddhyor nirvikarah Kartta sattvika ucyate O executor da ação que está livre de desejo fruitivo e do orgulho, que está dotado de fortaleza e entusiasmo, e que não se pertuba diante o êxito ou fracasso de seus atos, é considerado sattvika. Bhavanuvada Sri Bhagavan explicou primeiro os três tipos de karma e agora explica os três tipos de atuantes.

Sloka 27 Ragi karma-phala-prepsur Lubdho himsatmako sucih Harsa-sokanvitah kartta Rajasah parikirttitah Aquele que atua apegado a ação e que anseia seus frutos, que é viciado em objetos sensíveis, que está sempre disposto à violência, que é invejoso e se deixa levar pela alegria e tristeza, é considerado rajasika. Sloka 28 Ayuktah prakrtah stabdhah Satho naiskrtiko lasah Visadi dirgha-sutri ca Kartta tamasa ucyate Aquele que ignora as instruções dos sastras e atua segundo a natureza adquirida, que é obstinado, enganador, indignado, mal humorado e negligente, é considerado tamasika. Prakasika-vrtti No Srimad Bhagavatam (11.25.26) se diz:

“O trabalhador desapegado é sattvika, o que está apegado é rajasika, o que não possui discriminação entre bom ou mau é tamasika, mas aquele que se rende a mim é nirguna ou transcendental.” Sloka 29 Buddher bhedam dhrtes caiva Gunatas tri-vidham srnu Procyamanam asesena Prthaktvena dhananjaya Ó Dhananjaya! Agora te explicarei detalhadamente sobre as três divisões da inteligência e da determinação relacionadas com as três qualidades materiais. Sloka 30 Pravrttinca nivrttinca Karyakarye bhayabhaye Bandham moksanca ya vetti Buddhih sa partha sattvika Ó Partha! A inteligência é sattvika quando pode distinguir entre o que é apropriado e o que é incorreto, entre o que se deve temer e o que não se deve temer, e entre o que escraviza e o que libera. Sloka 31

Yaya dharmam adharmanca Karyancakaryam eva ca Ayathavat prajanati Buddhih sa partha rajasi Ó Partha, a inteligência é rajasika, quando não se discerne perfeitamente entre o dharma e o adharma, e entre o que se deve e o que não se deve fazer. Sloka 32 Adharmam dharmam iti ya Manyate tamasavrta Sarvathan viparitams ca Buddhih sa partha tamasi Ó Partha! A inteligência é tamasika quando está coberta pela ignorância e ilusão, quando confunde o dharma com adharma e quando atua de maneira perversa. Sloka 33 Dhrtya yaya dharayate Manah-pranendriya-kriyah Yogenavyabhicarinya Dhhrtih sa partha sattvika Ó Partha! É considerada sattvika, a firme determinação que se alcança mediante a

prática do yoga e o controle das funções da mente, ar vital e sentidos. Sloka 34 Yaya tu dharma-kamarthan Dhrtya dharayate ´rjuna Prasangena phalakansi Dhrtih sa partha rajasi Ó Arjuna! A determinação na qual uma pessoa se apega ao dharma, ao desfrute sensual e ao desenvolvimento econômico, ansiando pelos frutos, é considerada rajasika. Sloka 35 Yaya svaonam bhayam sokam Visadam madam eva ca Na vimuncati durmedha Dhrtih sa tamasi mata Mas a determinação carente de inteligência que não vai além do sonho, do temor, da lamentação e da loucura, é considerada tamasika. Sloka 36 Sukham tv idanim tri-vidham Srnu me bharatarsabha Abhyasad ramate yatra

Duhkhantanca nigacchati Ó melhor da dinastia Bharata! Me escuta falar agora sobre as três classes de felicidade. A felicidade que a jiva saboreia através do cultivo constante e que põe fim a miséria da existência material, é considerada sattvika. Sloka 37 Yat tad agre visam ivã Pariname ´mrtopamam Tat sukham sattvikam proktam Atma-buddhi-prasada-jam A felicidade que é como um veneno no começo e néctar no final e que gera inteligência pura relacionada com o ser, é considerada sattvika. Sloka 38 Visayenadriya-samyogad Yat tad agre ´mrtopamam Pariname visam ivã Tat sukham rajasam smrtam A felicidade rajasika é o resultado do contato dos sentidos com seus respectivos objetos. Ela é como néctar no começo e é como veneno no final.

Sloka 39 Yad agre canubandhe ca Sukham mohanam atmanah Nidralasya-pramadottham Tat tamasam udahrtam A felicidade que cobre a natureza do ser do princípio ao fim e que surge do sonho, da negligência e da indiferença, é considerada tamasika. Sloka 40 Na tad asti prthivyam va Divi devesu va punah Sattvam p´rakrti-jair muktam Yad ebhih syat tribhir gunaih Entre os seres humanos e outras espécies terrenas, e até entre os semideuses em Svarga, nenhum objeto ou entidade nesta criação está livre das três qualidades nascidas da natureza material. Prakasika-vrtti Tudo que está relacionado com o mundo material está composto pelas três qualidades da natureza material. Bhagavan estabeleceu a superioridade da qualidade da bondade e por isto aconselha-se uma pessoa a aceitar e

refugiar-se apenas no que é próprio desta natureza. Mesmo assim, para liberar-se do cativeiro material é necessário que as pessoas situam-se em nirguna (transcendentalmente). É através da associação com o sadhu (pessoa santa) que uma pessoa pode transcender os modos da natureza material e assim se liberar do cativeiro material, não há outra maneira. O Srmad Bhagavatam (11.25.32) diz: “As jivas estão atadas pelos gunas e o karma devido à confusão de achar que o corpo seja o ser. Por isto perambulam pelas distintas espécies de vida. Mas as pessoas que estão influenciadas pela associação dos devotos que praticam bhakti-yoga e como resultado conquistam os modos materiais que se manifestam na mente na forma do falso ego (a identificação do corpo com o ser) e se dedicam firmemente a mim, alcançam bhagavat-seva em minha morada.” Sloka 41 Brahmana ksatriya visam Sudrananca parantapa Karmani pravibhaktani Svabhava prabhavair gunaih

Ó Parantapa! Os deveres prescritos dos brahmanas, dos ksatriyas, dos vaisyas e dos sudras, estão divididos de acordo com as tendências provindas de suas respectivas naturezas. Prakasika-vrtti Com o propósito de situar os seres humanos além da jurisdição dos três gunas e promove-los gradualmente a uma atitude mais elevada, Bhagavan Sri Krishna estabelece o varna-dharma dividindo os deveres prescritos de acordo com as qualidades e ações. O sistema de varna puro é muito benéfico, favorável e científico para a vida humana. Porém, com o decorrer do tempo, os homens ordinários perderam a fé neste sistema após detectar diversos defeitos em seus respectivos seguidores. Perdeu-se a fé de tal maneira que hoje em dia até as pessoas ordinárias da sociedade hindu responsabilizam o sistema de varnasrama, pelas divisões e hostilidade criada por suas castas. A maioria da população hindu está determinada a destruir o varna-dharma para estabelecer uma sociedade ateísta sem nenhum varna. É fácil destruir algo útil, mas é muito difícil criar e propagar, neste caso, o sistema ideal. Que Sri Bhagavan outorgue uma boa inteligência

a estas pessoas. Estão elas assumindo esta postura após a deliberação sobre o assunto ou elas estão sendo arrastadas por seus sentimentos? Com relação a isto, citaremos fragmentos dos comentários de Bhaktivinoda Thakura encontrados no Caitanya Caritamrta. Oramos humildemente ao leitor fiel que os examine cuidadosamente e tente compreende-los. “As inclinações ou qualidades de uma pessoa depende da sua natureza, ela deve atuar de acordo com esta natureza individual, pois a ação que não é realizada de acordo com este princípio é defeituosa. A palavra “gênio” é usada para indicar uma atitude ou caráter particular. É difícil que uma pessoa mude sua natureza uma vez que esta amadureceu, por tanto ela deve trabalhar para viver e aperfeiçoar-se espiritualmente através das ações próprias da sua natureza específica. Na Índia, as pessoas são divididas em quatro varnas segundo suas naturezas. O resultado é que as pessoas situando-se em um lugar social adequado sempre atuam naturalmente de forma fruitiva e a humanidade se torna favorável. Uma sociedade com este fundamento é digna de respeito de toda a humanidade.”

“Pode ser que algumas pessoas duvidem do sistema de varnasrama e digam: ‘Na Europa e América ninguém segue as instruções baseadas nas divisões de varnas e as pessoas destes continentes são mais avançadas e respeitadas, econômica e cientificamente, do que o povo hindu.’ Aqueles que pensam assim consideram que é inútil aceitar este sistema. Mas as dúvidas carecem de fundamento, poia as sociedades européias são consideravelmente novas. As pessoas destas sociedades são geralmente muito fortes e audaciosas. Com toda esta audácia e força executam diversas atividades no mundo e aceitam parte do conhecimento, ciência e artes que estão preservadas pelas sociedades mais antigas. Mas estas sociedades se extinguirão gradualmente por que sua estrutura social não tem fundamento científico. Mas os sintomas do sistema de varna original que existia na sociedade ariana hindu, se pode ver também na sociedade hindu atual apesar de ser tão antiga e débil. “Antigamente, as sociedades romanas e gregas eram muito mais poderosas e avançadas do que os países europeus modernos, mas qual é a sua condição atual? Perderam seu antigo sistema de castas e abraçaram as religiões e sistemas

das sociedades modernas até o extremo, tanto que as pessoas destas castas nem sequer proclamam as glórias dos seus nobres ancestrais. Mesmo que a sociedade ariana da Índia seja mais antiga que a romana e a grega, os arianos atuais se sentem orgulhosos dos seus grandes de seus grandes e heróicos antepassados. Qual a razão disto? Se deve à fundação forte na qual se sustenta a sociedade ariana que é o sistema de varnasrama que suas divisões sociais ou de castas toda via ainda permanece. Os descendentes de Rana, que foram derrotados pelos mlecchas, ainda se consideram heróicos descendentes de Sri Ramacandra. Enquanto a estrutura do varna continuar existindo na Índia, as pessoas continuarão sendo arianas.” “ Ainda que o varna-dharma seja parcialmente aceito na Europa, não se estabeleceu em sua forma plena e científica. Onde quer que o conhecimento e a civilização progridam, o varna-dharma se manifesta proporcionalmente de forma mais completa. Em qualquer atividade há duas classes de métodos efetivos; o científico e o intuitivo. Uma atividade é executada intuitivamente até que se aceite o processo científico. Por exemplo, antes da invenção dos barcos a vapor, as pessoas viajavam em botes desenhados

para depender do vento. Mas quando se introduziu as embarcações fabricadas cientificamente, todas as viagens começaram a ser feitas nelas. O mesmo princípio pode ser aplicado à sociedade. Enquanto o varna não se estabelecer apropriadamente em um país, sua sociedade se estruturará em um sistema rudimentar e intuitivo. Esta estrutura de varna rudimentar e primitiva opera e controla hoje, as sociedades de todos os países do mundo, com exceção da Índia. Por esta razão, a Índia vem sendo denominada como karma-ksetra, ou a terra ideal para a execução apropriada do karma.” “Poderia se perguntar agora, se o sistema de varna ainda funciona na Índia atual. A resposta é não. Mesmo que este sistema tenha sido estabelecido plenamente, se debilitou com o decorrer do tempo e sua degradação é visível hoje em dia na Índia.” “A fama da Índia se difundiu pelo mundo inteiro, como o poderoso brilho do sol meridional, quando o varna funcionava de maneira inteligente. Pessoas de todos os países do mundo ofereciam tributo à Índia e aceitavam seus governantes, regentes e mestres espirituais como sendo seus. As pessoas de países como o Egito e China

escutavam e recebiam instruções dos hindus com grande fé e reverência.” “O sistema de varnasrama-dharma mencionado perdurou na Índia, em sua forma pura, durante muito tempo. Logo, devido à influência do tempo, Jamadagani e Parasurama, que possuíam uma natureza ksatriya, foram ilegalmente aceitos como brahmanas, mas eles abandonaram esta casta que era oposta a suas naturezas. Então surgiu uma disputa entre os brahmanas e os ksatriyas que causou uma perturbação na paz em nível mundial. O resultado desfavorável desta luta no sistema de varna foi que se deu maior ênfase no nascimento. Com o passar do tempo, o sistema de varna deturpado foi infiltrando de modo encoberto de modo que até os sastras foram afetados. Os ksatriyas perderam toda esperança de alcançar um varna superior e começaram uma revolta. Eles apoiaram o dharma budista e focaram toda energia na destruição dos brahmanas. A oposição a qualquer atividade ou opinião nova se desenvolvia com a mesma intensidade da propagação. Quando o dharma budista, oposto aos Vedas, nasceu para confrotar os brahmanas, a estrutura do varna fundamentada no nascimento se aprofundou ainda mais. Logo surgiu um desacordo entre este sistema

erroneamente concebido e um espírito nacionalista conduziu a virtual desintegração da civilização ariana da Índia.” “Movidos por desejos egoístas, os supostos brahmanas carentes de qualidades bramínicas, criaram suas próprias escrituras religiosas e começaram a enganar as outras castas. Os supostos ksatriyas haviam perdido suas qualidades e seu espírito ksatriya e eram contrários à guerra, e assim perderam seus reinos. Finalmente todos começaram a pregar o dharma budista, que era insignificante e inferior. Como resultado, o cultivo de conhecimento e as discussões sobre os sastras Védicos foram barrados. Os governantes dos países baixos atacaram então a Índia e estabeleceram seu controle. A indústria naval da Índia sofreu e finalmente desapareceu devido a má administração. Assim, a influência de Kali se intensificou. A raça ariana da Índia, que havia sido um exemplo para o mundo inteiro, se deteriorou até a lastimosa condição que vemos hoje. A razão deste desafortunado acontecimento não é o envelhecimento da civilização hindu, mas os numerosos defeitos que se infiltraram neste sistema de varna.”

“Paramesvara é o controlador original de todos os sistemas e entidades vivas. Ele tem a capacidade de eliminar todos os elementos desfavoráveis e outorgar aquele que é favorável. Ele pode se assim deseja, enviar um empoderado para restabelecer o varnasrama dharma. Mesmo os escritores dos Puranas afirmam que Sri Kalki-deva virá e reinstaurará a glória do varnasramadharma. A história do Rei Maru e Devapi descreve uma expectativa similar.” Sloka 42 Samo damas tapah saucam Ksantir arajavam eva ca Jnanam vijnanam astikyam Brahma-karma svabhava-jam O controle da mente e os sentidos, a penitência, a pureza, a tolerância, a sensibilidade, o conhecimento do ser e do bhajana, e a fé firme nos sastras, são qualidades e deveres característicos dos brahmanas, nascidos de sua própria natureza. Prakasika-vrtti Neste verso se descreve as qualidades dos brahmanas. Rsabhadeva diz no Srimad Bhagavatam (5.5.24):

“Quem pode ser superior aos brahmanas? Através dos estudos, eles reafirmam minha charmosa forma primordial dos Vedas, os quais são o avatara do som transcendental. Eles estão dotados com as oito qualidades supremamente puras de sattva-guna; controle da mente, controle dos sentidos, veracidade, misericórdia, penitência, tolerância, conhecimento e bhakti. “O brahmana verdadeiro que possui estas qualidades não pode ser uma causa de violência para ninguém. Estes indivíduos são sem dúvida os bem querentes de todos os seres vivos. Esta declaração é definitivamente certa. Mas os que não possuem qualidades brahmínicas apenas causam dano à sociedade mesmo que se auto proclamem brahmanas. Mas não é correto criticar o sistema de castas devido a este defeito. A ação indicada para corrigir estes defeitos que se infiltraram neste sistema é oferecer a honra apropriada apenas para brahmanas que possuam boas qualidades. A sociedade ateísta que está se formando atualmente não se preocupa pelas castas ou divisões e simplesmente avança ao assasinato, roubo, delinqüência, engano e outras atividades pecaminosas. A agitação e o temor tomou conta de todos. O mundo jamais havia estado em uma condição tão miserável.

Sloka 43 Sauryam tejo dhrtir daksyam Yuddhe capy apalayanam Danam isvara-bhavas ca Ksatram karma-svabhava-jam O heroísmo, a firmeza, valentia na batalha, generosidade e liderança, são as ações prescritas para os ksatriyas nascidas de sua própria natureza. Sloka 44 Krsi-go-raksya-vanijyam Vaisya-karma svabhava-jam Paricaryatmakam karma Sudrasyapi svabhava-jam O karma prescrito dos vaisyas, nascido da sua própria natureza, é a agricultura, a proteção às vacas e o comércio. O karma dos sudras, também nascido da sua própria natureza, é render serviço aos outros três varnas. Bhavanuvada Nos vaisyas, predomina-se rajo-guna e um pouco de tamo-guna. E tamo-guna é predominante nos sudras. Sloka 45

Sve sve karmany abhiratah Samsiddhim labhate narah Sva-karma niratah siddhim Yatha vindati tac chrnu Os homens se dedicam a seu próprio karma segundo sua atitudes respectivas. Deste modo conquistam a perfeição de ser elegíveis a obter jnana. Escuta agora como uma pessoa que não cumpre com seu dever prescrito jamais poderá alcançar a perfeição. Sloka 46 Yatah pravrttir bhutanam Yena sarvam idam tatam Sva-karmana tam abhyarcya Siddhim vindati manavah Um homen conquista a perfeição mediante execução do seu karma prescrito adorando Paramesvara, que é a fonte de todas as jivas e quem penetra este mundo. Sloka 47 Sreyan sva-dharmo vigunah Para-dharma sv-anusthitat Svabhava-niyatam karma Kurvan napnoti kilbisam

É mais benéfico executar o dever próprio (sva-dharma), mesmo que seja inferior ou realizado de forma imperfeita, do que executar o dever mais elevado de outros (para-dharma). Um homem jamais incorre em pecado ao executar seu dever prescrito. Sloka 48 Saha-jam karma kaunteya As-dosam api na tyajet Sarvarambha hi dosena Dhumenagnir ivavrtah Ó Kaunteya! Uma pessoa não deve abandonar seu dever natural mesmo este sendo defeituoso, pois assim como a fumaça cobre o fogo, todo esforço está coberto por algum defeito. Sloka 49 Asakta-buddhih sarvatra Jitatma vigata-sprhah Naiskarmya-siddhim paramam Sannyasenadhigacchati A pessoa que possui uma inteligência desapegada dos objetos materiais, que tem uma mente controlada e que está livre de desejos incluindo o de alcançar a felicidade de Brahma-loka, renuncia

completamente o karma e conquista a perfeição suprema da ação desinteressada que está livre de toda reação. Sloka 50 Siddhim prapto yatha brahma Tathapnoti nibodha me Samasenaiva kaunteya Nistha jnanasya ya para Ó Kaunteya! Vou te explicar agora os meios pelos quais uma pessoa que alcançou a perfeição na forma de niskarmya, situa-se no brahma, que culmina no jnana. Slokas 51-53 Buddhya visuddhaya yukto Dhrtyatmanam niyamya ca Sabdadin visayams tyakva Raga-dvesu vyudasya ca Vivikta-sevi laghv-asi Yata-vak-kaya-manasah Dhyana-yoga-paro nityam Vairagyam samupasritah Ahankaram balam darpam Kamam krodham parigraham Vimucya nirmamah santo Brahma-bhuyaya kalpate

A pessoa pacífica e dotada de inteligência pura, que controla sua mente e é tolerante, que abandona os objetos de desfrute sensual, que está livre do apego e da aversão, que vive em um lugar solitário, come pouco, controla o corpo mediante a meditação em Bhagavan, que está totalmente desapegada e livre do ego e do apego falso, da arrogância, do desejo, da ira, do acúmulo desnecessário de posses e da noção de “meu”, está apta para conhecer o brahma. Sloka 54 Brahma-bhutah prasannatma Na socati na kanksati Samah sarvesu bhutesu Mad-bhaktim labhate param Aquele que está situado no brahma é plenamente satisfeito. Ele jamais se lamenta e nem deseja nada. Ele é equânime com todos os seres. Neste estado ele obtém minha bhakti, a qual está abençoada com os sintomas de prema (amor puro por Krishna). Prakasika-vrtti As grandes almas que na associação com Sadhus, alcançaram a plataforma brahma-

bhuta que está dotada com os sintomas mencionados, experimentam para-premabhakti a Sri Bhagavan. Chegando a este ponto, é necessário compreender o real significado da palavra para-bhakti. “Uttama-bhakti é o cultivo de atividades que são realizadas exclusivamente para satisfazer Sri Krishna. Em outras palavras, é a corrente ininterrupta do serviço a Sri Krishna executado com cada ação do corpo, mente e sentidos, através da expressão de diversos sentimentos espirituais, que não está coberto pelo jnana, karma ou yoga, e que também está desprovido de qualquer desejo diferente da aspiração de satisfazer a Sri Krishna.” Sloka 55 Bhaktya mam abhijanati Yavan yas casmi tattvatah Tato mam tattvato jnatva Visate tad-anantaram Apenas através de bhakti, uma pessoa pode conhecer o tattva (verdade) sobre as minhas glórias e minha svarupa (forma original). Ela então entra em meus passatempos através deste tattva, sustentada pela potência de prema-bhakti. Bhavanuvada

Qual é o resultado de obter sua bhakti? Sri Bhagavan responde com este verso, dizendo: “Os jnanis e os diversos tipos de bhaktas que obteram bhakti, compreendem o princípio das minhas opulências e minha natureza, assim entram em meus passatempos eternos.” Prakasika-vrtti Sri Bhagavan explica neste verso, o resultado de para-bhakti (kevala-bhakti ou bhakti pura) que é caracterizada por prema. Devido à boa fortuna, uma pessoa que alcançou a plataforma de brahmabhuta, obtém para bhakti pela misericórdia de uma grande personalidade. Neste momento ela perde seu interesse por moksa (liberação impessoal). Quando se libera do jnana, ela obtém nirguna bhakti e compreende o krishna-tattva. Isto acontece quando ela realiza sua svarupa siddhi (sua forma espiritual) e quando obtém vastu-siddhi ela entra nos passatempos de Bhagavan. Sloka 56 Sarva-karmany api sada Kurvano mad-vyapasrayah Mat-prasadad avapnoti Sasvatam padam avyayam

Aquele que se refugia em minha ekantikabhakti (bhakti sem misturas) alcança minha eterna morada, mesmo que esteja executando diversos tipos de atividades. Sloka 57 Cetasa sarva-karmani Mayi sannyasya mat-parah Buddhi-yogam upasritya Mac-cittah satatam bhava Com a mente livre do falso ego de se julgar o atuante, oferecendo-me todas as suas atividades com todo coração e refugiando-se em uma inteligência firme e dedicada a mim, permanece-te sempre consciente de mim. Sloka 58 Mac cittah sarva-durgani Mat-prasadat tarisyasi Atha cet tvam ahankaran Na srosyasi vinanksyasi Fixando tua mente em mim com devoção incondicional, por minha graça superarás todos os obstáculos. Mas se devido ao falso ego, ignoras minhas instruções, se verás em ruínas.

Sloka 59 Yad ahankaram asritya Na yotsya iti manyase Mithyaiva vyavasayas te Prakrtis tvam niyoksyati Tua decisão de não lutar, se deve apenas a um pretensioso desejo de satisfação e é completamente inútil, pois minha maya na forma de rajo-guna te impulsionará a lutar de todo jeito. Bhavanuvada “Sou um ksatriya e lutar é meu dever. Mesmo assim, não desejo executa-lo porque temo em incorrer em grandes pecados como resultado de matar tantas pessoas.” Dando a resposta a este argumento, Sri Bhagavan repreende Arjuna recitando este verso. “Ó Mahavira, agora você não aceita minhas instruções, mas quando teu entusiasmo natural pela luta despertar, me fará rir vendo como te lançarás voluntariamente a batalha e matarás personalidades como Bhisma.” Prakasika-vrtti Os sadhakas jamais devem fazer mal uso da sua independência realizando

atividades frívolas. De acordo com as instruções de Bhagavan, devem abandonar o falso ego de considerar-se o atuante e desfrutadores, e assim realizar todas as atividades como um servo. Estas instruções devem ser recebidas de Bhagavan na forma dos sastras e do Caitya –guru. Se uma pessoa pensa que é ela quem atua e quem desfruta, coisa que os sastras se opõe, terá que experimentar os resultados bons ou maus de suas ações, vida pós vida. Sloka 60 Svabhava-jena kaunteya Nibaddhah svena karmana Kartuum necchasi yan mohat Karisyasy avaso ´pi tat Ó Kaunteya! De qualquer maneira te verás impelido a executar esta ação que no seu estado confuso atual desejas evitar, pois estás atado pelas atividades que nascem da tua própria natureza. Sloka 61 Isvarah sarva-bhutanam Hrd-dese ´rjuna tisthati Bhramayan sarva-bhutani Yantrarudhani mayaya

Ó Arjuna! Sarvantaryami Paramatma está situada no coração de todas as jivas e mediante sua maya as faz perambular pelo ciclo de nascimento e morte como se tivessem em uma máquina. Bhavanuvada Os srutis afirmam: “Sri Narayana penetra tudo que é visível ou audível neste universo e também tudo que está dentro e mais além dele” Assim conclui-se que Isvara está situado no coração como Antaryami. Ali ele faz com que todas as jivas perambulem dentro do mundo material através de sua maya-sakti, ocupando-as em diversas atividades.”Assim como um ator teatral manobra marionetes em um cenário mediante uma corda que controla os corpos dos bonecos, maya controla as jivas de um modo particular. Sloka 62 Tam eva saranam gaccha Sarva-bhavena bharata Tat prasadat param santim Sthanam prapsyasi sasvatam Ó Bharata, rende-te exclusivamente a Isvara em todos os aspectos. Por sua graça

obterás a paz transcendental na morada eterna suprema. Bhavanuvada Sri Bhagavan recita este verso com o propósito de explicar a importância de se render a ele. No Srimad Bhagavatam (11.29.6), Uddhava diz: “Ó Isa, até mesmo grandes eruditos que adquiriram uma duração de vida igual igual a de Brahma e recordam sua glórias, sentem endividados com você. Isto se deve ao fato de você iluminar as entidades vivas corporificadas com o processo para alcança-lo. Você faz isto externamente como o Acarya-guru e internamente como o caitya-guru. Sloka 63 Iti te jnanam akhyatam Guhyad guhyataram maya Vimrsyaitad asesena Yathecchasi tatha kuru Já te revelei o conhecimento mais confidencial que o secreto conhecimento do brahma. Reflexiona agora sobre ele e depois atua como queira. Bhavanuvada

Sri Bhagavan recita este verso começando com a palavra iti, para concluir a Gita. “Uma pessoa pode entender o karmayoga, o astanga-yoga e o jnana-yoga mediante este conhecimento que é inclusive mais confidencial do que o conhecimento secreto do jnana-sastra. Por ser o segredo secreto supremo, até mesmo sábios como Vasistha, Veda-vyasa e Narada, não puderam revelar isto nos sastras que escreveram. Em outras palavras, sua onisciência é relativa, e a minha absoluta. Por isso, ó Arjuna, reflexiona cuidadosamente sobre este assunto e faça o que bem quiser. Sloka 64 Sarva-guhyattamam bhuyah Srnu me paramam vacah Isto ´si me drdham iti Tato vaksyami te hitam Escuta de novo esta minha instrução suprema, que é o conhecimento mais confidencial. Porque és muito querido a mim, revelo este conhecimento para seu benefício máximo. Bhavanuvada Quando Sri Krishna viu que seu amigo Arjuna ficou em silêncio refletindo sobre

os profundos significados da Gita-sastra, seu coração, que é tão suave como a manteiga, se derreteu e disse: “Ó Arjuna, meu querido amigo, agora te descreverei a mesma essência de todos os sastras neste oito versos finais”. Eu o repito para seu benéfico máximo, pois tu és um amigo muito querido.” Sloka 65 Man mana bhava mad bhakto Mad-yaji mam namaskuru Mam evaisyasi satyam te Pratijane priyo ´si me Oferece me tua mente, converte-te em meu devoto, dedica-se a cantar meus nomes, formas, qualidades e passatempos, adora-me e oferece-me reverências. Assim sem dúvida, tu virás a mim. Te prometo isso sinceramente porque és muito querido por mim. Bhavanuvada “Man-mana bhava significa que deves meditar em mim, convertendo-se em meu devoto exclusivo. Não te convertas em jnani ou yogi nem pense em mim assim como eles. Man mana bhava significa também que deves atuar como alguém que oferece a mente a mim,

Syamansundara, e que derrama sobre ti um doce olhar vindo do seu rosto que é como a lua, adornado com sobrancelhas em forma de arco e um suave cabelo encaracolado. Mad-bhaktah significa oferecer-me os sentidos. Em outras palavras, executa meu bhajana dedicando todos os sentidos a meu serviço: executando sravana e kirtanam, comtemplando minha forma, limpando e decorando meu templo, colhendo flores e fazendo guirlandas, oferecendo-me abano e sombrinha, e executando outros serviços. Mad-yaji significa adorar-me e oferecer-me diversos artigos como flores fragrantes, incenso, lamparinas de manteiga clarificada e alimentos. Mam namaskuru significa oferecer-me dandavat-pranams caindo ao solo e oferecer reverências com cinco ou oito membros do corpo. Mam evaisyasi significa que sem dúvida me alcançarás mediante execução das quatro atividades de pensar em mim, servir-me, adorar-me e oferecer-me reverências, ou até mesmo apenas uma delas. Oferecendo-me tua mente e teus sentidos, em troca te darei meu ser.” Prakasika-vrtti Man mana bhava significa absorver a mente exclusivamente em Krishna. Sri

Krishna aceitou as gopis como o ideal mais elevado de man mana bhava e Ele expressa isto a Uddhava com doces palavras no Srimad Bhagavatam (10.46.46): “Querido Uddhava, as mentes das gopis estão sempre absortas em Mim. Eu sou sua própria vida e tudo que elas têm. Apenas pelo meu prazer abandonaram tudo, incluindo suas casas, esposos, filhos, parentes, timidez e princípios morais. Elas permanecem sempre absortas pensando em Mim. Pela confiança delas em minha firmação “Eu voltarei”, de uma forma ou de outra, com grande dificuldade, elas se mantêm com vida e me esperam.” A instrução mad-bhakto bhava é dada para aqueles que não podem absorver-se por completo em krishna como as gopis fazem. Significa oferecer-se a si mesmo em todos os aspectos aos pés de lótus de Bhagavan. Como pode um bhakta oferecer serviço continuamente? A resposta está na história e instruções de Prahlada maharaja descritas no Srimad Bhagavatam (7.5.23-24): “Prahlada Maharaja disse: ‘Ó querido pai, a devoção a Sri Vishnu é executada de nove maneiras: escutar, cantar e lembrar do nome, forma, qualidades e

passatempos, servir seus pés de lótus, adora-lo, orar, servir, converter-se em seu amigo e render-se a ele. Eu considero que esta é a melhor educação referente à bhakti por Bhagavan.” Sloka 66 Sarva dharma parityaijya Mam ekam saranam vraja Aham tvam sarva papebhyo Moksayisyami ma sucah Abandona todo dharma corporal e mental, como o varna e asrama, e rende-te a mim completamente. Eu te livrarei de todas as reações dos seus pecados. Não temas. Bhavanuvada “Devo executar atividades tal como meditar em ti e ao mesmo tempo cumprir com os deveres do meu asrama-dharma, ou devo executar esta meditação sem depender de nenhum outro dharma?” Para responder esta pergunta, Bhagavan recita este verso que começa com as palavras sarva-dharma. “Rende-te exclusivamente a mim, renunciando todos os tipos de varnasrama-dharma”. É incorreto traduzir a palavra parityajya como sanyassa ou a renúncia completa do

karma, porque como ksatriya, Arjuna não tem uma atitude ideal para aceitar sanyassa, tampouco é correto traduzir a palavra parityajya como a renúncia aos frutos das atividades. O Srimad Bhagavatam (11.5.41) declara: “Aquele que abandona o falso ego de se considerar o executor (atuante) e aceita o refúgio supremo de Sri Mukunda no âmago de seu coração, libera-se de todas as obrigações para com os semideuses, sábios, entidades vivas, familiares e antepassados.” Outro verso do Srimad Bhagavatam declara (11.20.9): “Uma pessoa deve continuar executando seus deveres prescritos permanentes e ocasionais até que se desapega dos objetos sensíveis e adquira fé em escutar sobre mim.” O Srimad Bhagavatam (11.11.32) agrega: “Aqueles que me oferecem serviço depois de abandonar todos os tipos de dharma e de compreender os aspectos negativos e positivos inerentes aos deveres prescritos instruídos por mim nos Vedas, são os melhores sadhus.” É necessário explicar o significado deste verso do Gita sob a luz das profundas

declarações feitas por Sri Bhagavan e destrinchar seus significados. A palavra parityajya indica que o objetivo supremo destas instruções não é renunciar os frutos do karma. “Pelo contrário, significa que deves refugiar-te plenamente em mim, não render-se ao dharma, ao jnana, ao yoga ou aos devas. Antes Eu te disse que não tinhas adhikara (qualificação) para executar ananya-bhakti e podias apenas praticar karma-misra-bhakti. Agora, por minha ilimitada e imotivada misericórdia estou te outorgando a qualificação necessária para para executar ananyabhakti. Tal bhakti é obtida pela misericórdia de meus devotos puros. Esta é minha promessa. Se agora abandonas teus deveres prescritos cumprindo minha ordem, não terás nenhuma reação. Eu, na forma dos Vedas, dei instruções de executar nitya-karma, mas agora te ordeno pessoalmente que os abandones. Se aceitas minha ordem, que possibilidade há de incorrer em pecado como conseqüência de abandonar teu nityakarma? Mas se decides ignorar Minha ordem direta e continuar executando seus deveres prescritos, cometerás pecado. Deves saber que esta é uma verdade. Se uma pessoa se rende a alguém, ela permanece sob controle e propriedade do outro como um animal que foi comprado. Deve fazer o que o amo lhe ordene,

permanecer onde ele lhe coloque e comer o alimento que lhe proporcione. Esta é a essência do dharma tal como entendem os que se renderam completamente. O Vayu Purana enumera os seis aspectos da rendição ou saranagati: “1- Aceitar com determinação tudo que é favorável para bhakti, 2- recusar e abandonar tudo que é desfavorável para bhakti, 3- ter uma inquebrantável fé que Bhagavan é o único protetor, 4- aceitar Bhagavan como seu mantenedor, 5oferecer-se completamente a Ele e 6- ser humilde.” O saranagati (rendição total) é a execução destas seis atividades com a intenção de obter prema por Bhagavan. Sri Krishna diz aqui a Arjuna: “Não te afliges pensando.’Ai de mim! Coloquei uma carga pesada sobre meu Senhor e amo.’ Para Mim, isto não representa nenhum esforço, a aceitação deste peso. Sou bhakta-vatsala, afetuoso com meus devotos, e satya-sankalpa, sempre cumpro minhas promessas. Após seguir esta instrução não há a necessidade de mais nada. Por tanto, concluo aqui este sastra”. Prakasika-Vrtti

No verso anterior, Sri krishna deu a instrução mais confidencial do Bhagavad Gita referente à suddha-bhakti. Agora, neste verso, declara que primeiro é necessário render-se completamente com objetivo de qualificar-se para recebelo. A palavra sarva dharma significa que o varnasrama dharma e todos seus componentes – karma, jnana, yoga, adoração dos semideuses e as crenças religiosas distintas de krishna-bhajana, estão todos baseados na plataforma mental ou corpórea. É incorreto pensar que a palavra parityajya significa apenas abandonar o apego por karma e seus frutos. O significado íntimo desta declaração de Bhagavan é abandonar completamente a adesão ao karma. Alguém poderia pensar que existe a possibilidade de incorrer em pecado ao abandonar os dharmas prescritos para a rendição a Bhagavan. Para acabar com esta dúvida das mentes das pessoas fiéis comuns, Sri Krishna declara: sarva papebhyo moksayisyami ma sucah, “Não te afliges, eu te libertarei de todo tipo de pecado”. Sloka 67 Idante natapaskaya Nabhaktaya kadacana Na casusrusave vacyam

Na c amam yo ´bhyasuyati Jamais deves explicar esta essência da Gita-sastra a uma pessoa de sentidos descontrolados, a um não devoto, a quem não tem uma atitude de serviço, ou a quem tem inveja de mim. Bhavanuvada Após culminar as instruções da Gitasastra, Sri Bhagavan explica o princípio de continuidade da sampradaya. Em outras palavras, Ele formula o critério para definir quem está preparado para receber estas instruções. Uma pessoa de sentidos descontrolados se denomina atapaska. Estas instruções não devem ser dadas a não devotos, mesmo se eles controlam os sentidos. Também não devese dar tais instruções a um devoto que controlou os sentidos mas não escuta submissamente. Sloka 68 Ya imam paramam guhyam Mad-bhaktesv abhidhasyati Bhaktim mayi param krtva Mam evaisyaty asamsayah E aquele que instrui este conhecimento super confidencial da Gita-sastra a meu

devotos, obterá minha para-bhakti e após por um fim em todas as dúvidas, finalmente me alcançarão. Prakasika-vrtti É indispensável que o pregador da Gitasastra possua amor e firme fé por Krishna. Ele deve ser esperto no tattva-jnana e está livre de dúvidas. Se um pregador da Gita tem um conhecimento teórico mas não prático, ou se carece de qualidades mencionadas, não é um pregador genuíno e não deve-se escutar a Gita dele. Os sastras descrevem as características de um ouvinte sincero. Sri Krishna disse a Uddhava: “Este ensinamento deve ser dado aos que estão livres dos defeitos do engano, ateísmo, infidelidade, arrogância e carência de bhakti. Deve ser destinado ao bem-estar dos brahmanas, os que anseiam por bhagavat-prema, os que possuem natureza santa e sobre tudo ao bem-estar dos bhaktas. Mas pode-se dar estas instruções a um sudra que possua fé em Mim.” Esta declaração afirma que não deve-se levar em conta a casta, cor, credo, ou idade, se a pessoa possui as qualidades descritas acima, ela está apta a receber tal conhecimento.

Sloka 69 Na ca tasman manusyesu Kascin me priya-krttamah Bhavita na ca me tasmad Anyah priyataro bhuvi Não existe ninguém na sociedade humana que me satisfaça mais do que aquele que explica a mensagem da Gita. Tampouco existirá nada neste mundo inteiro que seja mais querido por Mim. Prakasika-vrtti Os pregadores genuínos da Gita-sastra são muito queridos por Sri Krishna. Por tanto, o dever dos suddha bhaktas é pregar a mensagem da Gita. Mas, os que nos enganam sob pretexto de pregar a Gita e não pregam o tattva (verdade) mais confidencial e apenas pregam mayavada, karma, jnana e yoga, ofendem os pés de lótus de Bhagavan. Não há benefício em se escutar a Gita dos lábios destes pregadores. Sloka 70 Adhyesyate ca ya imam Dharmyam samvadam avayoh Jnana-yajnena tenaham

Istah syam iti me matih Serei adorado através deste jnana-yajna, o princípio do verdadeiro conhecimento, por aqueles que estudarem este sagrado dialogo entre nós. Esta é minha opinião. Sloka 71 Sraddhavan anasuyas ca Srnuyad api yo narah So ´pi muktah subhal lokan Prapnuyat punya-karmanam E aquele que simplesmente escuta a Gita com fé e sem inveja, também se libera dos pecados e vai aos planetas auspiciosos onde residem as pessoas piedosas. Sloka 72 Kaccid etac chrutam partha Tvayaikagrena cetasa Kaccid ajnana-sammohah Pranastas te dhananjaya Ó Partha! Ó Dhananjaya! Escutou a Gita com atenção? Após ter escutado, a ilusão nascida da ignorância se foi? Prakasika-vrtti

Sri Krishna pergunta a Arjuna se ele tem alguma outra pergunta. Aqui, se entende que deve-se escutar a Gita com muita atenção e mesmo após escutar dos lábios de Sri Gurudeva e sábios, o estudante deve continuar escutando continuamente através do processo de indagação submissa e oferecer serviço, até que compreenda completamente. Sloka 73 Arjuna uvaca Nasto mohah smrtir labdha Tvat prasadan mayacyuta Sthito ´smi gata-sandehah Karisye vacanam tava Arjuna disse: Ó Acyuta, agora minha ilusão se foi por tua graça e recuperei a percepção do meu verdadeiro ser. Minha dúvida se foi e estou situado firmemente no verdadeiro conhecimento. Agora cumprirei tua ordem. Bhavanuvada “Que mais posso perguntar?” Ao abandonar todo tipo de dharma e renderme a ti, me libertei de toda ansiedade. Arjuna recita este verso para mostrar a Krishna a condição atual de seu coração.

Arjuna, o portador do arco gandiva, se preparou para lutar quando escutou Bhagavan dizer: “Ó meu querido amigo Arjuna, ainda tenho que realizar algumas atividades para eliminar a carga da terra. Executarei através de você.” Sloka 74 Sanjaya uvaca Ity aham vasudevasya Parthasya ca mahatmanah Samvadam imam asrausam Adbhutam roma-harsanam Sanjaya disse: Ó Rei! Foi assim que escutei este maravilhoso dialogo entre mahatma Vasudeva e Partha, fico arrepiado de escuta-lo. Bhavanuvada As duas folhas nas quais eu havia escrito a explicação dos cinco versos finais que resumem a essência da Gita, desapareceram. Suponho que Ganesaji mandou seu rato me roubar. Depois disso, não escrevi mais sobre estes significados. Quie Ganesaji fique satisfeito comigo. Eu lhe ofereço reverências. Aqui finaliza-se o comentário Bhavanuvada do Srimad Bhagavad Gita.

Que este aumente o prazer das pessoas santa. Que a doçura deste comentário, que é benéfico para toda a sociedade, satisfaça completamente os bhaktas que são como pássaros cataka. E que a doçura se manifeste em nosso corações. Sloka 75 Vyas-prasade chrutavan Imam guhyam aham param Yogam yogesvarat krsnat Saksat kathayatah svayam Pela graça de Srila Vyasadeva, escutei este yoga super confidencial explicado por Yogesvara, o super atrativo Sri Krishna.

Vyasadeva instruindo Sanjaya

Prakasika-vrtti Sanjaya reconhece que que escutou e compreendeu os ensinamentos divinos do Srimad Bhagavad Gita pela graça de seu mestre espiritual Srila Vyasadeva. Sem a

graça do guru, não pode-se compreender o tattva da Gita-sastra. Apenas o fiel discípulo pode conseguir a perfeição na compreensão de bhagavat-tattva. Assim como Arjuna e sanjaya foram abençoados e conseguiram a perfeição, qualquer pessoa que deseje aperfeiçoar sua vida, pode conseguir se refugiar-se em um guru genuíno com rendição. Sem aceitar um devoto puro é impossível que alguém obtenha bhagavat-tattva (conhecimento sobre Bhagavan.) Sloka 76 Rajan samsmrtya samsmrtya Samvadam imam adbhutam Kesavarjunayoh punyam Hrsyami ca muhur muhuh Ó Rei! Ao me lembrar deste maravilhoso e sagrado dialogo entre Sri Krishna e Arjuna, me regozijo vez e outra. Sloka 77 Tac ca samsmrtya samsmrtya Rupam atyadbhutam hareh Vismayo me mahan rajan Hrsyami ca punah punah

Ó Rei. Me assombro e me deleito a cada instante, recordando esta maravilhosa forma de Sri Hari. Prakasika-vrtti Este verso evidência que a forma vista por Arjuna em kuruksetra foi a mesma vista por Sanjaya pela misericórdia de Srila Vyasadeva., mesmo estando ele no palácio real de Hastinapura. Sloka 78 Yatra yogesvarah krsno Yatra partho dhanurdharah Tatra srir vijayo bhutir Dhruva nitir matir mama Onde quer que esteja Krishna, o amo de todos os yogas, e onde quer que esteja Arjuna, o grande arqueiro, haverá opulência, vitória, prosperidade e moralidade. Esta é minha opinião. Prakasika-vrtti O décimo oitavo capítulo descreve brevemente essência de todo o Gita. Uma parte descreve o karma-yoga predominado por dhyana-yoga que produz atma-jnana, e a outra parte descreve o suddha-bhakti-yoga que nasce da sraddha

relacionada com Bhagavan. Esta é a essência da Gita. A instrução mais confidencial é cultivar atma-jnana através de dhyana-yoga e a instrução confidencial suprema é dedicar-se a bhakti-yoga rendendo-se exclusivamente a Svayam Bhagavan Sri Krishna. Após recompilar o siddhanta de todos os Vedas e o Vedanta no Gita, foi determinado que a meta suprema é krishna-prema (amor puro por Deus) através da prática de bhakti-yoga. Deve-se abandonar a adesão pelo processo inferior e desenvolver fé pelo processo superior. Finalmente, deve se estabelecer com firmeza em bhakti-yoga através da rendição e vivendo desta maneira Bhagavan o recompensará com suddhaprema. Aquele que entra neste processo de purificação da existência obtém a misericórdia de Bhagavan. Esta misericórdia é imortal, liberta o da lamentação, e ele fica absorto assim em seu prema (amor puro) eternamente. Assim se conclui o comentário Prakasikavrtti de Srimad Bhaktivedanta Narayana Goswami Maharaja sobre o décimo oitavo capítulo do Srimad Bhagavad Gita.

FIM

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