O DIALETO CAIPIRA

Amadeu Amaral
INTRODUÇÃO

Tivemos, até cerca de vinte e cinco a trinta anos atrás, um dialeto bem pronunciado, no território da antiga província de S. Paulo. É de todos sabido que o nosso falar caipira - bastante característico para ser notado pelos mais desprevenidos como um sistema distinto e inconfundível - dominava em absoluto a grande maioria da população e estendia a sua influência à própria minoria culta. As mesmas pessoas educadas e bem falantes não se podiam esquivar a essa influência. (1)

Foi o que criou aos paulistas, há já bastante tempo, a fama de corromperem o vernáculo com muitos e feios vícios de linguagem. Quando se tratou, no Senado do Império, de criar os cursos jurídicos no Brasil, tendo-se proposto São Paulo para sede de um deles, houve quem alegasse contra isto o linguajar dos naturais, que inconvenientemente contaminaria os futuros bacharéis, oriundos de diferentes circunscrições do país...

O processo dialetal iria longe, se as condições do meio não houvessem sofrido uma série de abalos, que partiram os fios à continuidade da sua evolução.

Ao tempo em que o célebre falar paulista reinava sem contraste sensível, o caipirismo não existia apenas na linguagem, mas em todas as manifestações da nossa vida provinciana. De algumas décadas para cá tudo entrou a transformar-se. A substituição do braço escravo pelo assalariado afastou da convivência cotidiana dos brancos grande parte da população negra, modificando assim um dos fatores da nossa diferenciação dialetal. Os genuínos caipiras, os roceiros ignorantes e atrasados, começaram também a ser postos de banda, a ser atirados à margem da vida coletiva, a ter uma interferência cada vez menor nos costumes e na organização da nova ordem de coisas. A população cresceu e mesclou-se de novos elementos. Construíram-se vias de comunicação por toda a parte, intensificou-se o comércio, os pequenos centros populosos que viviam isolados passaram a trocar entre si relações de toda a espécie, e a província entrou por sua vez em contato permanente com a civilização exterior. A instrução, limitadíssima, tomou extraordinário incremento. Era impossível que o dialeto caipira deixasse de sofrer com tão grandes alterações do meio social.

Hoje, ele acha-se acantoado em pequenas localidades que não acompanharam de perto o movimento geral do progresso e subsiste, fora daí, na boca de pessoas idosas, indelevelmente influenciadas pela antiga educação. Entretanto, certos remanescentes do seu predomínio de outrora ainda flutuam na linguagem corrente de todo o Estado, em luta com outras tendências, criadas pelas novas condições.

Essas outras tendências irão continuando, naturalmente, a obra incessante da evolução autônoma do nosso falar, que persistirá fatalmente em divergir do português peninsular, e até do português corrente nas demais regiões do país. Mas essa evolução já não será a do dialeto

caipira. Este acha-se condenado a desaparecer em prazo mais ou menos breve. Legará, sem dúvida, alguma bagagem ao seu substituto, mas o processo novo se guiará por outras determinantes e por outras leis particulares.

Desapareceu quase por completo a influência do negro, cujo contato com os brancos é cada vez menor e cuja mentalidade, por seu turno, se modifica rapidamente. O caipira torna-se de dia em dia mais raro, havendo zonas inteiras do Estado, como o chamado Oeste, onde só com dificuldade se poderá encontrar um representante genuíno da espécie. A instrução e a educação, hoje muito mais difundidas e mais exigentes, vão combatendo com êxito o velho caipirismo, e já não há nada tão comum como se verem rapazes e crianças cuja linguagem divirja profundamente da dos pais analfabetos.

Por outro lado, a população estrangeira, muito numerosa, vai infiltrando as suas influências, por enquanto pouco sensíveis, mas que por força se farão notar mais ou menos remotamente. Os filhos dos italianos, dos sírios e turcos aparentemente se adaptam com muita facilidade à fonética paulista, mas na verdade trazem-lhe modificações fisiológicas imperceptíveis, que se irão aos poucos revelando em fenômenos diversos dos que até aqui se notavam.

O que pretendemos neste despretensioso trabalho (de que pedimos escusa aos componentes) é - caracterizar essa dialeto "caipira", ou, se acham melhor, esse aspecto da dialetação portuguesa em S. Paulo. Não levaremos, por isso, em conta todos os paulistismos que se nos têm deparado, mas apenas aqueles que se filiam nessa velha corrente popular.

É claro que não é esta uma tarefa simples, para ser levada a cabo com êxito por uma só pessoa, muito menos por um hóspede em glotologia. Mas é bom que se comece, e dar-nosemos por satisfeito, se tivermos conseguido fixar duas ou três idéias e duas ou três observações aproveitáveis, neste assunto, por enquanto, quase virgem de vistas de conjunto, sob critérios objetivos. Quanto aos erros que, apesar de todo o nosso esforço, nos hajam escapado, contamos com a benevolência dos entendidos.

***

Fala-se muito num "dialeto brasileiro", expressão já consagrada até por autores notáveis de além-mar; entretanto, até hoje não se sabe ao certo em que consiste semelhante dialetação, cuja existência é por assim dizer evidente, mas cujos caracteres ainda não foram discriminados. Nem se poderão discriminar, enquanto não se fizerem estudos sérios, positivos, minuciosos, limitados a determinadas regiões.

O falar do Norte do pais não é o mesmo que o do Centro ou o do Sul. O de S. Paulo não é igual ao de Minas. No próprio interior deste Estado se podem distinguir sem grande esforço zonas de diferente matiz dialetal - o Litoral, o chamado "Norte", o Sul, a parte confinante com o Triângulo Mineiro.

Seria de se desejar que muitos observadores imparciais, pacientes e metódicos se dedicassem a recolher elementos em cada uma dessas regiões, limitando-se estritamente ao terreno conhecido e banindo por completo tudo quanto fosse hipotético, incerto, não verificado pessoalmente. Teríamos assim um grande número de pequenas contribuições, restritas em volume e em pretensão, mas que na sua simplicidade modesta, escorreita e séria prestariam muito maior serviço do que certos trabalhos mais ou menos vastos, que de quando em quando

se nos deparam, repositórios incongruentes de fatos recolhidos a todo preço e de generalizações e filiações quase sempre apressadas.

Tais contribuições permitiriam, um dia, o exame comparativo das várias modalidades locais e regionais, ainda que só das mais salientes, e por ele a discriminação dos fenômenos comuns a todas as regiões do país, dos pertencentes a determinadas regiões, e dos privativos de uma ou outra fração territorial. Só então se saberia com segurança quais os caracteres gerais do dialeto brasileiro, ou dos dialetos brasileiros, quantos e quais os subdialetos, o grau de vitalidade, as ramificações, o domínio geográfico de cada um.

Seremos imensamente grato às pessoas que se dignarem de nos auxiliar, de acordo com as idéias que aí ficam esboçadas, no aumento e no aperfeiçoamento desta modesta tentativa. A essas recomendamos as seguintes normas a observar:

a) não recolher termos e locuções apenas referidos por outrem, mas só os que forem pessoalmente apanhados em uso, na boca de indivíduos desprevenidos;

b) indicar, sempre que for possível, se se trata de dicção pouco usada ou freqüente, e se geralmente empregada ou apenas corrente em determinado grupo social;

c) grafá-la sempre tal qual for ouvida. Por exemplo: se ouvirem pronunciar capuêra, escrever capuêra e não capoeira. Isto é essencial, e há muitíssimas coleções de vocábulos que, por não terem obedecido a este preceito, quase nenhum serviço prestam aos estudiosos, não passando, ou passando pouco de meras curiosidades;

d) se houver diferentes modos de pronunciar o mesmo vocábulo, reproduzi-los todos com a mesma fidelidade;

e) sempre que possa dar-se má interpretação à grafia adotada, explicar cumpridamente os pontos duvidosos;

f) ter especial cuidado em anotar os sons peculiares à fonética regional (como o som de r em arara, ou o som de g em gente) ; declarar como devem ser pronunciadas tais letras, no caso de que o devam ser sempre da mesma maneira, e adotar um sinal para distinguir uma pronúncia de outra, no caso de haver mais de uma (por exemplo, um ponto em cima do g quando soa aproximadamente dg, para o diferençar do que soa a moda culta; uma risca sobre o c, para significar que é explosivo, como em chave (tchave), etc.

I - FONÉTICA

1.º GENERALIDADES

1. Antes de tudo, deve notar-se que a prosódia caipira (tomando o termo prosódia numa acepção lata, que também abranja o ritmo e musicalidade da linguagem) difere essencialmente da portuguesa.

3. até no domínio dos fatos sintáticos. em regra. E que não se leva em conta a duração relativa das átonas e tônicas. o. compreende-se bem que o português. em geral.. 'sp'rança. além de distribuídas de modo diverso. abreviando-os pelo enfraquecimento e supressão das vozes átonas internas. aliás. naturalmente. no Brasil. sem a variedade de inflexões. Nos próprios monossílabos átonos me. pelo ritmo da fala e pelo alongamento das vogais (3). torture muito mais os vocábulos. se caracteriza justamente por um estiramento mais ou menos excessivo das vogais (2). assumindo tonalidades especiais. na prolação total de um grupo de palavras. pedaço. em parte. 4. e recorre poucas vezes a sinalefa. atribuir inteiramente à influência da lentidão e pausa da fala essa melhor prolação das vogais átonas. mas explica-se. A diferenciação relativa à colocação dos pronomes oblíquos. c'rôa. salvos os casos de queda ou de sinalefa. na sua pronunciação vigorosa e rápida. 2. Haverá também causas históricas. se resolve num simples aspecto dela. sobrado. em cuja pronunciação normal elas se ensurdeceram. não são em geral os mesmos que teria esse grupo na boca de um português. Da mesma forma. Também decorre dessa mesma lentidão. pois a linguagem vagarosa. a que atrás nos referimos. pode-se dizer. compreende-se que o caipira paulista. te. tiátru. Seria. o fato de que o adoçamento e elisão das vogais átonas. mas é impossível negar que existe pelo menos uma estreita correlação entre um e outro fato. Não podemos. cantada. Com efeito. no português . ao contrário do que sucede com os portugueses.O tom geral do frasear é lento. Pode dizer-se que no dialeto não lia vogais surdas: todas soam distintamente. O caipira (como. ligando-os uns aos outros pela absorção das átonas finais nas vogais que se lhes seguem: subrádu. que no falar caipira duram as primeiras dois tempos e as segundas quatro. como um resultado natural. se. muito interessante um estudo acurado das feições especiais da prosódia caipira. antes. Chegar-se-ia de certo a descobertas muito curiosas. 5. que por força há de apoiar-se mais demoradamente nas vogais. plano e igual. O fenômeno é. e são complexas as suas causas. Este fenômeno está estreitamente ligado à lentidão da fala. de. todos os paulistas) pronuncia. p'dáçu. no dialeto. as breves duram um tempo e as longas dois. Dai provém o dizer-se que os caipiras acentuam todas as vogais. porém. com o objetivo de discriminar a parte que lhe toca na evolução dos diferentes departamentos do dialeto. d'hoj'em diante. Esses pronomes. coisas comuns na pronunciação portuguesa. complexo. claramente as vogais átonas. são aqui fenômenos relativamente raros. coroa. que. comparativamente. não pratique em tão larga escala essas mutações e elisões. e as pausas que dividem tal grupo na linguagem corrente são aqui mais abundantes. as vogais conservam o seu valor típico bem distinto. o que é falso. qualquer que seja a posição das mesmas no vocábulo: esperança. ou. um'august'assemblêia. proferidas pelos portugueses. etc. de andamentos e esfumaturas que enriquece a expressão das emoções na pronunciação portuguesa. no seu pausado falar. deve explicar-se. por ora pressentidas apenas. Os acentos em que a voz mais demoradamente carrega. Na duração das vogais igualmente difere muito o dialeto: se.

dando maior amplitude aos pronomes na pronúncia. se antepõem ou pospõem a outras palavras. movimento este que produz a modalidade portuguesa. Os fenômenos de diferenciação fonética que caracterizam o dial. Para o ouvido. que sempre existem entre povos diversos e até entre frações de um mesmo povo. não se notando jamais as outras modalidades conhecidas entre portugueses e mesmo entre brasileiros de outras regiões.º OS FONEMAS E SUAS ALTERAÇÕES NORMAIS 6. 2. e) A consonância palatal molhada lh não existe no dialeto. variantes essas de que. incorporando-os. Na sua prolação. léu-ua = légua). pela maior parte. próclise). Para produzir este som a língua projeta a sua ponta contra os dentes da arcada inferior e encurva-se de modo que os bordos laterais toquem os dentes da arcada superior. carta) possui um valor peculiar: é linguo-palatal e guturalizado. a língua teve que submeter-se a outro ritmo. destinados a adicionarem-se aos vocábulos acentuados. (4) b) r inter e post-vocálico (arara. em vez de projetar a ponta contra a arcada dentária superior. como na maioria dos dialetos port. É. só deixando uma pequena abertura sob os incisivos: modo de formação perfeitamente igual ao de c em cedo. que os atraem. d) ch e j palatais são explosivos. determinado por condições fisiológicas e psicológicas diversas: era o suficiente para quebrar a continuidade das leis de atração que agiam em Portugal. são aqui desconhecidos. casos em que freqüentemente se vocaliza: áu-ua = água. resumem-se desta forma: VOGAIS . assobiado. s propriamente sibilante. só a fonética experimental poderia dar uma notação precisa. observar o seguinte: a) s post-vocálico tem sempre o mesmo valor: é uma linguo-dental ciciante. aquele efeito. e bem assim chiante. o mesmo r brando dos autóctones. Prosodicamente. não têm existência autônoma: são sons ou grupos de sons. a língua leva os bordos laterais mais ou menos até os pequenos molares da arcada superior e vira a extremidade para cima.europeu. sem tocá-la na abóbada palatal. Não há quase nenhuma vibração tremulante. segundo leis naturais inconscientemente obedecidas (ênclise. Cumpre. Passando para o Brasil. muito provavelmente. (7) 7. Os fonemas do dialeto são em geral os mesmos do português. veio acentuar. genere). se não levarmos em conta ligeiras variantes fisiológicas. entretanto. no inglês (chief. este r caipira assemelha-se bastante ao r inglês post-vocálico. majesty) e no italiano (ciclo. e como em vários dialetos castelhanos da América. de certo. O alongamento das vogais. (5) c) A explosiva gutural gh tem uma tonalidade especial. tornando mais sensível a sua individualidade. Estes não possuíam o rr forte ou vibrante. sobretudo antes dos semiditongos cuja prepositiva é u. sendo de notar que com o modo de produção acima descrito é impossível obter a vibração desse último fonema. de África e Ásia. como ainda se conservam entre o povo em certas regiões de Portugal (6).

inzempro < exemplo. pretinho. A nasalação de e inicial seguido de x é fenômeno observado em tempos afastados da língua: enxame < examen. dilicado. a esse respeito. muda-se muitas vezes em u: tabuleta. em tais casos. cp. quando tônico nas palavras originárias: pretura. Na pronúncia normal portuguesa tem-se dado. em regra. inguá < igual. musga = música. se ditongam pela geração de um i: rapáiz. nóis. méis. justamente o fenômeno contrário (dissimilação). vezinho. cósca < coç'ca < cócica). pedrenio. podê(r). (9) Nos infinitivos dos verbos em ar e er. que pronuncia com e. muda-se freqüentemente em i (tisôra.Medial. aparece mudado em i nasal em inzame < exame. Enxempro encontra-se nos escritores mais antigos. b) Medial. cuzinha. preguiça. . tussi(r). sobretudo se há outro i na sílaba seguinte: pirigo. pidi(r). cortá(r). pitiço (assimilação regressiva). Este fonema perdura intacto nos derivados e nas formas flexionadas. como não se operou a de o por u (povu. sumítico. péis. o nome próprio Vergílio. pretejado. não sofrem alteração. Do mesmo modo inliçon (eleição). fenômeno este que se manifestou em Portugal. dumingo. medroso. 10. menistro. cosca = cócega. Também diz Fermino. O único fato importante a assinalar com relação a estas é que. surti(r). dígu). como se verá das seguintes notas: e . sofrê (r). Nas sílabas pretônicas. atrivido. que o têm na sílaba imediatamente anterior à tônica: ingulí(r). Tiodoro. XVIII. conserva-se: cobrá(r). Nos vocábulos esdrúxulos. legite = legítimo. a partir do séc. etc. sobretudo nos infinitivos dos verbos em ir. enxuito < exsuctum. que se observa em outras regiões do país (oquêli. intortá(r). êsti). quando seguidas de ciciante (s ou z). o . láiz. Não se operou aqui a permuta de e final por i. minino. enxada < exada. fazendo grave o vocábulo (ridico = ridículo. A possuir corresponde a forma dialetal pissuí(r). alteram-se mais.As TÔNICAS. broqueá(r). O caipira ainda conserva. 9.a) Inicial. Quanto às ÁTONAS: Na sílaba postônica dos vocábulos graves. Exceção: lático < látego (curiosa reversão à forma originária. que também existe em galego. (8) 8. inleição < eleição. no final dos vocábulos. nófico. a tendência é para suprimir a vogal da penúltima sílaba e mesmo toda esta. conservam o seu valor típico. buli(r). piqueno). midi(r). embora nem sempre se substitua i por e na escrita: menino. como remanescente do que aprendeu dos portugueses. ao que parece. intiligente.

dois. côve. poiso. z etc. etc. muda-se em in: imprego. mortinho. onde estes diminutivos têm o fechado). Assim. cumpadre. õ (on. tôro. Cp. porcada. quêjo. imborná(l). moita.. faxa. 11. bêjo. vêa. em lumbi(lh)o.) . boquêra. cumeçá(r) e em geral nos vocábulos cuja sílaba inicial e cõ. oiro. 14. cumigo. 15.) . . insino. encontram-se em documentos portugueses anteriores à reação erudita. chêro. ao contrário.Conserva-se também nos derivados e nas formas flexionadas. baxêro. Em Portugal. Em inteiro e indireitar. nos exemplos acima. endereitá(r). 12.entêro. cume(r). incurtá(r). cheio. e nunca dous. notadamente em Minas. como ceia. noute. e nunca lavoira. toicinho. também aparece às vezes representado por ê: chêo. quando tônico nas palavras originárias: locura. noite. bem como no falar da gente culta no Brasil. foice. Para o caipira tal sincretismo não existe: os vocábulos onde esses ditongos aparecem são pronunciados sempre de um só modo. provavelmente por assimilação regressiva. por outro lado. pêxe. ôro. que há ô diante dos sons r. bassôra. as formas enteiro. frôxo. a evolução destas palavras no português: cheio < chêo < cheno < *cheno < plenu(m). còbrinho (ao contrário do que se dá em outros pontos do país. côro.a) Acentuado ou não. ou e oi (dits. locura. arquêre. ei (dit. contrai-se o primeiro em ô: poco. coisa. depara-se às vezes o i mudado em e . veia.) . cêa. etc. afoito. caxa. em) . tôca. reduz-se à prepositiva: baxo. om) . GRUPOS VOCÁLICOS (acentuados ou não) 13. lôco. amuntá(r). oitão. endereitar. Conserva-se geralmente. biscoito. rodêro.Reduz-se a e quando seguido de r. x ou j: isquêro. réiva.Inicial. berada. en (en.Medial. Aliás. estôro.Antes da palatal x. lavôra. cunversa. Dois exemplos de mudança em éi: téipa. Se há formas sincréticas. são raríssimas. pòtinho. k e x. Nos vocábulos em que é seguido de o ou a. muda-se em u. há notório sincretismo no uso dos ditongos ou e oi. e oi diante de s = ç. v. ai (dit. insi(lh)á(r). rôpa. trôxa. A causa desta distinção é puramente fonética: note-se. dêxe. paxão. aberto. veia < vêa < vena etc. nos diminutivos de nomes que o têm assim: pòrtinha. enteiramente.

Final de vocábulo. 18.a) Na preposição com. õu (om) . viaje. quando se segue a essa prep. etc.vassoura berruga e verruga .Piracicaba mangaba e mangava (fruta) .jaboticaba Piracicaba e Pricicava . afróxa. ío (hiato) . estóre. tiu. som. este às vezes se contrai em ó: róba.verruga biête e viête . (com-sigo). virgein. cum quem vô.borbulha bassôra e vassora . dando lugar a várias formas sincréticas: burbuia e vevúia .bilhete cabortêro e cavortero . ditonga-se sempre em iu: paviu.Muda-se às vezes uma na outra.vespa . palavra que comece por consoante: cum você. são. tão. cos diabo(s). riu.cavorteiro jabuticaba e jabuticava . (bõu. sõu).Final de vocábulo. b e v . virge.mangaba bespa e vespa . 16. Parece-nos inútil acentuar que na palavra portuguesa viagem e em outras de idêntica terminação existe um verdadeiro ditongo nasal grafado em (viagein. sube. êles corre. Quando há eclipse. reduz-se à vogal nasal un. cumsigo. A trouxe corresponde truxe. CONSOANTES 19. a soube.b) Nas formas verbais em que o acento tônico recai em ou. reduz-se a e grave. tom e som muda-se em ão: bão. ein (em) . reduz-se a o grave: co ele. home.) Da mesma forma existe o ditongo nasal õu nas palavras bom. b) Nas palavras bom. etc. 17.

entretanto. ao império das mesmas leis. par. ué. E ainda digna de nota a locução adverbial malemá (grafada como se pronuncia). "assim assim". tigüera. sendo mesmo freqüente entre muitos dos que se acham. Neste caso. assim como. e depois caiu este fonema. el. por educação ou posição social. cumpreto. indo: andano = andando. r . papér. quando no mesmo meio. il. uá. jorná = mal. É de notar-se ainda que a pronúncia em questão (má. Artú. sagüi. provavelmente pela influência niveladora da analogia: vê. menos em contato com o povo rude. ando.bagaço e vagaço . 23. água. b) Quando subjuntivo de um grupo. ainda que monossílabos. em geral. e o segundo u continua a formar semiditongo com a vogal seguinte: áu-ua. em alguns monossílabos acentuados. raras vezes. vapô. torna-se quase imperceptível. . 6-b). cór. não deixam entretanto de diferir dos caboclos e brancos em mais de um ponto. cai apenas o segundo l. Não inferir daí que houve queda de l. 21. só) é mais comum entre os negros. às vezes. Na locução tal qual. que. tendo de certo influído nisso a posição proclítica habitual: dôr. geralmente. submetidos. só. esse u ditonga-se com a vogal anterior. ul. em palavras de mais de uma sílaba: amor. l . (Terá provindo de mal e mal. sáu-ui. porque o primeiro se tornou intervocálico: talequá. e mais facilmente verificáveis. pela mesma razão. 22. d . tiu-uéra. átono por. cramô(r). mér.a) Cai. na sílaba final das formas verbais em ando. ou ainda de "mal. arma.Cai. freqüentemente aparecem apocopadas: má. veno = vendo. suôr.vamos 20. Conserva-se também no monossíl. quando final de palavra: andá. vocalizando-se freqüentemente em u. Esta troca é um dos vícios de pronúncia mais radicados no falar dos paulistas. mal"? Fazer um serviço mal e má (l): passavelmente. côr. (Cp.a) Em final de sílaba. ue. pô. uê. ou de mal a mal. jornal.bagaço bamo e vamo . frô(r).Quando compõe sílaba com os semiditongos ua. como em guarda. í. antes mal que bem. que quer dizer "passavelmente". esquecê. Nos verbos. de acordo com uma das leis mais rígidas. pôno. Esse l mudou-se primeiro em r. e também no advérbio quando. da fonética dialetal. quase sempre. igualmente se muda em r: craro. muda-se em r: quarquér. subi. As palavras terminadas em aí.. cai sempre. passar mal e má de saúde: sofrivelmente). "sofrivelmente". sol. Conserva-se. muié. caíno. gh .

progressiva. (i)magina. . Chantilly). Desaparece também nos oxítonos. náfego e látego se dá o contrário: cócica (e coçca). quando é sinal de pluralidade: mau. onde desde o século XVIII começou a acentuar-se a tendência para a vocalização deste fonema (batáie. Carlo = Carlos. Conserva-se nos adjetivos determinativos e nos pronomes. imo (imos). que é. digêro = ligeiro (g palatal explosivo = dg). malho. Chantií = bataille. náfico. bamo (vamos). (al)gibêra. fiio = espalhado. que ficaram registradas. (ar)ranca. talvez. e) Apócope: Ligite(mo). dando lugar a metáteses e hipérteses freqüentíssimas. Voltaremos oportunamente a este ponto.º MODIFICAÇÕES ISOLADAS 26. mulher. arripiti = repetir. regressiva. freqüentemente se submete à regra: aquelas são as minha. elas. ridíc(ul)o.Vocaliza-se em i: espaiado. 25. arguas pessoa. birro -bilro. há toda uma multidão de modificações acidentais. avo. o que se explica. estas são sua. avoá = voar. Cp. quando final de palavra paro ou proparoxítona: arfére (alferes). isp(i)rito. b) assimilação . E de notar que nos esdrúxulos cócega. o que se dá com o l molhado em Cuba. aqueles minino. do que de ordem fonética. eles. 3. A prova é que. açcançá = alcançar. ca(s)tiçar. Jeró(ni)mo. pela posição proclítica habitual: duas casa. Além das alterações francamente normais. (a)lambique. lh . lático. i-j). de que daremos alguns exemplos: a) abrandamento: guspe = cuspo. f) Prótese: alembrá = lembrar. bambu. ainda que graves.b) Esta consonância é de extrema mobilidade no seio dos vocábulos.Cai. (ar)rependeu. d) Síncope: pês(se)co = pêssego. muié. 24. em parte. Em parte. quando não está em próclise. maio. mais do domínio dos fenômenos psicológicos na morfologia. essa conservação se deve à necessidade de manter um sinal de pluralidade. na Argentina (caje = calle. mus(i)ga = música. minhas fiia. musga = música. cabajo = caballo) e na França. (26. porém. filho. s . c) Aférese: (a)parece. pire (pires).

c) de vocábulos importados de outras línguas. bastante restrito. pertende.g) Epêntese: rec-u-luta. chacoalhá(r). de senhora . h) Epítese: paletor.nho. largato. purcissão. Devem mencionar-se ainda as formas proclíticas: de senhor . agardecê. sia. ELEMENTOS DO PORTUGUÊS DO SÉCULO XVI . siô. g-a-rampo. Esse vocabulário é formado. sô. naturalmente. j) Hipértese: agordão (algodão). d) de vocábulos formados no próprio seio do dialeto. em parte: a) de elementos oriundos do português usado pelo primitivo colonizador. de sua .nhá.sa de não . de acordo com a simplicidade de vida e de espírito. (10) II. 27. O vocabulário do dialeto é. i) Metátese: perciso. seá. sa. cardaço. por via indireta.num. de minha .mea e mha. partelêra. sea. aquerditá(r). .LEXICOLOGIA 1. muitos dos quais se arcaízaram na língua culta. b) de termos provenientes das línguas indígenas. Ing-a-laterra. seu. e portanto com as exíguas necessidades de expressão dos que o falam. seô.

Lendo-se certos documentos vernáculos dos fins do século XV e de princípios e meiados do século XVI. ninhua (u nasal) cresçudo premêro dereito repuná(r) eigreja reposta ermão saluço escuitá(r) somana estâmego sajeitá(r) fermoso sojigá(r) fruita sovertê(r) ímburuiá(r) súpito intrúido teúdo inxúito trusquia ARCAÍSMOS DE SENTIDO . "lançou o na praya". "veemo nos nas naus'.. mas ainda bem vivos no falar caipira: inorância. desde a fonética até a sintaxe.. reinar (brincar). alevantar. o seu acurado exame pode auxiliar a explicação de certos fatos ainda mal elucidados da fonologia. de significação. u"a.2. relativamente à extensão do vocabulário dialetal. imos (vamos). Os elementos arcaicos da língua. preposito. "volvemo nos lá bem noute".. conservados no vocabulário dialetal. verdade.. Por exemplo: a pronunciação clara de e e o átonos finais comprova o fato de que o ensurdecimento vozes só começou em época relativamente próxima. lua (u nasal) avaluá(r) malino Bertolomeu manteúdo correição .. despois. senão também pelo clarão que lançaria sobre questões atinentes à formação do espírito do nosso povo. Sobre a importância lingüística. verdad'. São em grande número. trosquia. meia). 3.. dividem-se... da morfologia e da sintaxe histórica da língua.. quando os portugueses pronunciam ladu.... não é necessário insistir. pois de outro modo não se compreenderia porque o caipira analfabeto pronuncia lado.. 4. estes não se limitam ao léxico. que não é senão o mesmo dialeto um pouco mais polido.... Todo o dialeto está impregnado deles... A sua discriminação através dos vários departamentos do dialeto constituiria sem duvida um dos mais curiosos estudos a que se pode prestar a nossa linguagem rústica. desposto. Basta notar o seguinte: uma vez reconhecido que o fundo do dialeto representa um estado atrasado do português.. por assim dizer.. Na carta de Pero Vaz Caminha abundam formas vocabulares e modismos envelhecidos na língua. e de forma e significação (11) Exemplos: ARCAÍSMOS DE FORMA acupá(r) inorá(r) agardecê(r) livér argua (u nasal). se impõe por definição.. em arcaísmos de forma. e não só pelo interesse puramente lingüístico.. parecer (por aparecer) mêa (adj. .. vasios (região da ilharga)... fica-se impressionado pelo ar de semelhança da respectiva linguagem com a dos nossos roceiros e com a linguagem tradicional dos paulistas de "boa família". as formas esquecidas ou desusadas na língua. pois ela... naturalmente. Em verdade... luitar. e que sobre esse fundo se vieram sucessivamente entretecendo os produtos de uma evolução divergente...

.. a pós de antes tempo (sem prep.. junto... entrementes 6............................................. o que viaja sem bagagem imitante (como particípio) modinha .. esta última hipótese será talvez a mais aceitável: por exemplo.............. outrora em antes de .. 5.............. de véras de primeiro ........ antes da hora.... pelo menos....) ...aério ... senhora função ............. antes de no mais ................................ somana)........povoado reiná(r) .. não se deve ter pressa em ligar essas formas................... às idênticas que se encontram ........................ "pugnar" sino-samão .... indócil contia ................ cançoneta punir .... não mais neste meio ......... côca) escotêro ..................... baile.............................. diante de certas formas apontadas como arcaicas (ermão........... frôr... se o nosso povo pronuncia craro....................... fazer travessuras salvar ....... Abundam igualmente as locuções arcaicas ou................... antecipadamente a par de ..................................................... côco........... signo de Salomão................................. ao lado de verdade ........ haja dúvida se de fato se trata de arcaísmo............. de sabor arcaico bem pronunciado: a modo que a pôs................... ente fantástico escotêro .. se de mera coincidência.................. a pôs de ..................................................... historicamente.... folguedo praça .... quantidade qualquer cuca (arc. saudar ARCAÍSMOS DE FORMA E SENTIDO arreminado ....... perplexo dona .. É natural que.................................. Num ou noutro caso........................... defender................

ao passo que mal se acomodam às regras que atuam na alteração dialetal dos vocábulos. recebeu o dialeto grande quantidade de termos. Quanto a isto sobressai a capital com seus arredores. nas zonas mais novas. era.em velhos documentos da língua. só se podem explicar como formas recebidas dos colonizadores. ou. pois. riachos. composta de indígenas e de mestiços de indígenas. se confirmam por outros fatos análogos da língua. melhor. os não menos numerosos topônimos. os que se nos deparam são em boa parte artificialmente compostos. ELEMENTOS INDÍGENAS 7.. obedecem a uma lei da fonética local. ermão. que se encontram nas vizinhanças dos centros de população mais antigos. pois que tais formas. além de muitos vocábulos que entraram nos usos sintáticos correntes. A nossa população primitiva. fazendas e povoados com denominações tupis tradicionais (12): Açu Ajuá Aricanduva Anhangabaú Baquiruvu-guassu Bopi Botucuara Buçucaba Butantan Itacuéra Itaguassu Caguassu Cabussu Caçacuéra Caçandoca Caçapava Cangùera Canindé Caraguatá Carapicuiba Jaguaré Jaraguá Choruróca Cocaia Cupecê Ebirapuéra Gopaúva Guacuri Guaiaúna Guaió Guapira Nhanguassú Pacaembú Guaracau Guarapiranga Guarará Guaratim Guaraú Guavirutuba Imbiras Itaberaba Itacuaquecetuba Tacuaxiara Tamanduitei . os quais vão escasseando pelo interior. pela maior parte. dão testemunho flagrante. somana. antes da introdução do negro. Só no município de São Paulo e nos que com ele confinam se contam por dezenas os rios. a permutação de l subjuntivo por r. durante muito tempo. onde abundam os nomes tupis. bairros. do tupi. Das línguas dos autóctones. Da extensão que teve a língua dos aborígenes no falar dos primitivos dois ou três séculos da nossa existência. 8. montes. antes de mais nada. onde. além de se encontrarem em escritos antigos. ainda assim. Mas. etc.

Itaim Itaparicuéra Itaperoá Itapicirica Itararé Ipiranga Jaceguava ou Jaceguai Jacuné Jaraú Juquiri Jurubatuba Mandaqui Mandi Mhoi Mooca Murumbi Mutinga Pari Piquiri Pirajussara Pirituba Pirucaia Prati Poá Quitaúna Saracura Tamburé Tatuapé Tremembé Tucuruvi Uberaba Utinga Votussununga Voturantim 9. Uma parte dos mais conhecidos: acará anu araponga arapuá arara bacurau baitaca biguá biriba borá caçununga cambucu guará guariba guaripu guaru-guaru gùirá içá inhambu irara itobi jacaré jacu jaburu maracanã mucuím mumbuca mussurana mutuca mutum nhaçanã paca pacu pairiru piaba piapara sucuri suindara surubi sussuarana tabarana tamanduá tambijuá tambiú tanajura tangará taperá tarira . Os nomes de animais contam-se por centenas.

Não são menos abundantes os nomes indígenas de vegetais. de que daremos algumas dezenas. à guisa de exemplificação: abacate abacaxi andaguassú capixingui capitava caraguatá ipê jaborandi jabuticava piri pitanga piúva .caninana capivara cará-cará chabó coró cuati cuiú-cuiú cumbé cupim curiango curimbatá curió curruíra curuquerê cutía gambá gaturamo giboia jacutinga jaguatirica jaó japu japuíra jararaca jateí jaú jiquitiranabóia jundiá jurutí lambari mamangava mandaçáia mandaguarí mandi mandorová manduri penambi piracambucu piracanjuba piraju pirambóia piranha sabiá sabiá-cica sabiá-poca sabiá-una sanhaço sanharão saracura sará-sará saúva siriêma siri socó taçuíra tatêto tatorana tatu tietê tiriva tovaca tuím tuiuva tuvuna uru urubu urutau urutu xororó xupim 10.

acidentes.: .araçá aruêra araribá araticum açatunga bacaba baguassu bracuí brejaúva buriti bucuva butiá cabiúna cabriúva caiapiá cajuru cambuci cambuí canjarana canxim capim carnaúba caróba caruru catanduva cipó crindiuva grumixama guabiroba guãibè guandu guapê guapocarí guareróva guanxuma guaraiúva guaratã guatambu imbaúva imbúia indaiá ingá jacarandá jacaré jantá jaracatiá jarivá jataí jiquitaia jiquitibá jovéva juá jurema macaúba manacá mandióca mangava maracajá maçaranduva nhapindá orindiúva perova pipóca samambaia sagùi sapé sapuva sumaúma taióva taiúva tacuara tacuari tacuaritinga tacuarussu timbó timbori tiririca trapoeraba tucum urucu urucurana uvá 11. produtos da natureza. doenças. Nomes de diferentes fenômenos. etc.

beréva bossoróca cambuquira capão capuêra catapóra catinga cupim joçá manipuêra nambiuvu pacuéra pichuá picumã piracema pororóca quiréra sambiquira sapiróca sororóca suã tabatinga taguá tijuco tupururuca 12. costumes.: bitatá buava caiçara caipira caipora canhembora capuava cateretê catira coivara caruru guaiú mumbava perequê piá piracuara saci tapéra tiguéra . Nomes referentes a usos. etc: arapuca arataca arimbá pamonã pari paçoca patuá peléta caxerenguengue chuã jacá pindacuêma pipóca piruá pito pussaguá jacuba jiqui juquiá samburá sapicuá saracuã solímão sururuca muquéca mipeva pamonha tacuru tipiti 1 3. objetos de uso. abusões. etc. alimentos. aparelhos. Nomes de utensílios.

pode-se duvidar que todos os vocábulos vulgarmente apresentados como tupis de fato sejam dessa língua. Paulo e algumas outras capitanias. guaxatonga. ou para entender. O u consoante (w) foi desde cedo interpretado de vários modos: por uns como v. entre as línguas brasílicas. por outros ainda como gh: é o que explica as variações caraguatá. Muitos dos vocábulos de procedência indígena flutuam numa grande variabilidade de formas. traíra. ou mesmo de qualquer outra língua brasílica. tarira. com uma ou outra excepção apenas. geralmente usada pela gente culta. O povo. direta e inconscientemente influenciado pela fonética indígena. considerando-se apenas as dificuldades de ordem geral que embaraçam todo trabalho etimológico em idiomas não escritos. o caipira prefere quase sempre v a b: jabuticava. baitaca. vicejou próspera e forte em quase todo o país. curumbatá. Adjetivos e substantivos usados como tais: aíva chimbeva ité jaguané javevó jissi jururú macaia nambi napéva pangaré pararaca pepuíra pereréca piricica piririca piúva pururuca punga sarambé turuna 15. sobretudo em S. que haja excepções. cujas formas variam tanto no tempo e no espaço.14. Teodoro Sampaio no seu precioso livrinho "O Tupi na Geografia Nacional". era a de muitos dos próprios portugueses aqui domiciliados. como dissemos. Esta língua. e se acham tão sujeitas. ou para se exprimir. a gente do campo falava a língua geral até fins do século XVIII. conserva ainda sinais dessa influência na própria incapacidade para bem . tiriva. de origem tupi. beréva. cravatá. principalmente certos nomes de animais e de plantas: açatonga. É o que explica essa absoluta predominância do tupi. cravatá. taióva. Mesmo sem outros elementos de suspeita. nestes casos. saúva. . capibara. curimatá. caraguatá. entretanto. A pronúncia popular. guaçatonga. mangava. como diz o sr. segundo aquele escritor. crauatá. maitaca. taraira. é a melhor. pioçaba. piaçágua (cf. a profundas corrupções voluntárias e involuntárias. açatunga. Na terminação vogal + b + vogal. corimbatá. Todos os vocábulos acima citados são. . A origem destas incertezas está em que a nossa fonética nem sempre possui sons exatamente correspondentes aos indígenas. Todos a sabiam.capivara. carauatá. em bocas estranhas. na nomenclatura de animais e de plantas e em geral no vocabulário de procedência indígena. capiguara. etc. É possível.piaçava. Aqui. Piaçagùéra). por outros como b. na toponímia local. Era a língua das bandeiras. (13) 16.

poucos. produtos de artes domésticas. outras resultaram da própria atividade paulista.apanhar o som distinto de v em vocábulos portugueses: daí pronúncias. Exemplos: Do guarani. tais como chêda. são às vezes completamente desconhecidos. cachiné. do quichúa (15): chacra garõa Do castelhano: guaiava guaiaca iapa pampa purungo amarilho aragano caraquento cincha cochonilho cola empalizado enfrenar entreverar lonca lunanco parêia pareiêro(16) pitiço perrengue porvadêra rengo retovado rinha Dos dialetos ibero-sul-americanos e do vocabulário sul-rio-grandense: . ou designam coisas a que vive alheio. Existem entretanto no dialeto muitos vocábulos (além dos brasílicos e parte dos africanos) que não lhe vieram por intermédio da língua. ou idéias abstratas que não atinge. que. A receptividade do dialeto em relação a termos de origem estranha é muito limitada. raramente vão além dos recursos ordinários. etc. revórve. o mesmo fundo de idéias. croché. o não precisar tanto de termos novos. etc. da gente da cidade.e também tantos termos especiais que. porque as necessidades de expressão. os mesmos costumes. 19. aqui. Daí. Destas aquisições. etc. (14) ELEMENTOS DE VÁRIA PROCEDÊNCIA 17. como guapô por vapor. com os mesmos hábitos. O caipira genuíno vive hoje. como vivia há duzentos anos. para o caipira. cambota. etc. também. umas pertencem ao dialeto geral do Brasil.: paletó (que desterrou por completo o vernáculo casaco). vivos embora no português europeu. com pouca diferença. pela maior parte. relativos a objetos de uso comum. ele só tem aceito alguns. que às vezes se ouvem. náfego. Daí o conservar teimosamente tantos arcaísmos . tamoeiro. Dos vocábulos estrangeiros modernamente introduzidos na língua e que são de uso corrente no falar das pessoas mais ou menos cultas. 18.

Com os elementos que vieram do português. não só de origem estrangeira. A colaboração do negro. A maior parte dos vocábulos africanos existentes no dialeto caipira não são aquisições próprias. de onde foram trazidos. por mais estranho que o pareça. Dessas relações guardam ainda os vocabulários e os costumes populares de lá e de cá numerosíssimos elementos comuns. . Encontra-se no falar caipira de S. sobretudo de comércio de animais.bagual gaúcho guasca matungo pala pangaré ponche retaco Quase todos esses termos nos vieram por intermédio do Rio Grande do Sul. FORMAÇÕES PRÓPRIAS 22. alguns muito expressivos e já indispensáveis àqueles mesmos que procuram fugir à influência do regionalismo: VERBOS (17) abombar chifrar frautear moquear . limitou-se à fonética. munguzá. principalmente por derivação. do tupi e de outras línguas. e na própria linguagem das pessoas educadas. candomblê. que. recebidos pela maior parte do Norte. o que dele nos resta no vocabulário rústico são termos correntes no país inteiro e até em Portugal: angu banguela batuque binga cachaça cacunda carimbo caximbo cuxilo lundu macóta malungo mandinga missanga quilombo quingengue quisília samba sanzala urucungo 21. sendo freqüentíssimas as viagens de tropeiros de uma para outra província. aqui se introduziram no falar das cidades e na linguagem literária. giló. como de elaboração própria. 20. cacimba. com o qual mantiveram outrora os paulistas intensas relações de comércio. toda uma multidão de neologismos derivados. já em outras terras. formaram-se no Brasil numerosos vocábulos. por exemplo: cangerê. mas não penetraram no dialeto: tais. que através do seu movimento de expansão pelo território nacional os levou a longínquas regiões.já no seio do povo paulista. Há um certo número de provincianismos brasileiros de origem africana. quingombô. Paulo.

aforar ami(lh)ar asperejar assuntar barrear bestar bobear bolear buçalar capengar campear capinar catingar cavortear chatear coivarar covejar cutucar desbarrancar descabeçar descanhotar descangicar descoivarar desguaritar desmunhecar facerar fachear festar fuchicar fuçar gramar intijucar inquisilar imbirotar impaçocar impipocar lerdear mamparrear mantear miquear moçar molear passarinhar pealar pererecar pescocear petecar pinicar piriricar pitar prosear pururucar sapecar tapear trotear(18) SUBSTANTIVOS areão bobage botina barrigada bestêra bodocada boquera buraquêra burrage cabeção carpa carpição cavadêra cabocrada caipirada caipirismo caiporismo capina capinzar capuerão chifrada corredêra dada derrame eguada gaùchismo gentama gentarada .

e estas. baba-de-moça . São em menor número as palavras formadas por composição. na maior parte.bugrêro lapiana moçada moçarada micage mulecada mulecage ADJETIVOS caiçarada mulequêra ossama perovêra piazada poetage porquêra chifradêra rodada rodêro sapezar sitiante soberbia taquarar jabuticavêra tijucada tijuquêra varrição abobado abombado atimboado bernento catinguento catingudo espeloteado impacador impipocado inredêro facêro filante franquêro mamóte micagêro passarínhêro peitudo praciano saberete supitoso 23. pela justaposição de elementos com a partícula subordinante de: dôr-d'-óio (olhos) sangue-de-tatu sangue-de-boi rabo-de-tatu arma-de-gato (alma) orêia-de-onça (orelha) fruita-de-lobo áua-de-açucre (água de açúcar) cordão-de-frade mer-de-pau (mel) pedra-de-fogo.

CAIERA . Muitas palavras há.ostentar. fugir. o brio. 24. DESPOTISMO . CANA . .grande fogueira festiva.no plural. . FAMÍLIA (famia) . INTIMAR .porco castrado.fazer perder o entusiasmo. v. DESMORALIZAR. Exemplos tomados entre os casos de mais pronunciada diferenciação: ATORAR .enormidade. . subst.guia de carro de bois.pente-de-mico unha-de-gato língua-de-vaca cachorro-do-mato gato-do-mato pá-de-muleque ôio-de-cabra barba-de-bóde abobra-d'-áua côro-de-arrasto (couro) pau-de-espinho barriga-de-áua tacuara-do-reino pimenta-do-reino canário-do-reino quejo-do-reino Por justaposição direta e por aglutinação: quatro-pau(s) cinco-nerva(s) mandioca-braba abobra-minina Por prefixação: tatu-canastra méde-léua(léguas) vira-mundo chora-minino quebra-cangaia mata-sete tira-prosa tira-acisma arranha-gato passa-treis quatróio(olhos) minhócussu entreparar descoivarar desaguaxado descoivarado e outros vocábulos já citados quando tratamos da derivação. que têm sofrido aqui mudanças mais ou menos profundas de sentido. Daí intimação e intimador. entre as portuguesas. CANDIERO . resolutamente.cana de açúcar. filhos.partir à pressa. CAPADO. trans.

tabaco. têm adquirido novos: ÁGUAS . DÔBRE . quer por composição. quer por derivação. tem este único sentido). um curiosíssimo processo de reduplicação verbal. Paulo.domador. SÁIA . corrente não só entre os caipiras de S.caça miúda. LADRÃO .vadiar PIÃO .faltar dolosamente a uma dívida.casquilho.lugar onde tombam as águas de um salto. presunção. SÍTIO .MORFOLOGIA FORMAÇÃO DE VOCÁBULOS 1.jaboticaba (usada sem determinação. PANDÓRGA .FRUITA . na formação de numerosos substantivos e adjetivos. ESTACA . TOMBADÔ(URO) . SOLDADO . MANGAÇÃO . broto de cafeeiro.propriedade agrícola menor que a fazenda. aqui.canto (de pássaro). PINHO . 25. SCISMA .viola. MANCAR .armazém de fazendas a retalho. FINTAR . VAPÔ(R) . moleirão. PINGA .cabana de campo.poste de moenda.desmazelado. DOBRAR .desvio de uma regueira ou açude.ponto do pescoço do boi.medroso.vadiação. Registamos agora. onde se embebe a faca ao matá-lo.cabide.rapé. TABACO .aguardente de cana. ou grande parte dele.fronde que oculta o tronco desde o solo. SANGRADÔ(URO) .folho de vestido de mulher. Como já mostrámos ("Lexicologia".desconfiança. ou sentidos. sensível. repicar (o sino). ou outro animal. RANCHO . mas em todo o país. PATIFE . LOJA . BABADO . . IMUNDÍCIA . PILINTRA .certo pássaro. FUMO .direção das fibras da madeira. conservando o seu sentido. Outras palavras.locomotiva III. De ambos os processos fornecemos muitos exemplos.cantar (o pássaro). VIRGEM . . "Formações próprias") o dialeto tem dado provas de grande vitalidade. repique (de sino).

neste capítulo (Flexões de número). o povo prefere. . não atinou.os verbos assim combinados sofreram uma pequena evolução sematológica no sentido da intensificação do seu valor iterativo. com as razões por que se preferia ora um. etc. . a concorrência decisiva entre os dois processos se pronunciou justamente após a descoberta do Brasil. de cobrêlo. quase sempre. em esquema: a virar Port. essas tendências são universais. Atualmente. (19) (a) virá(r) virando 2. em primeiro lugar porque. isolada. usa-se uma perífrase formada com o auxiliar vir. . porque há na nossa própria língua elementos para uma explicação. cobreiro (cobra suf. de "caa-puan". usando a todo o momento de perífrases com gerúndio de acordo com a velha língua. ilha de mato.diante dos dois processos concorrentes. "refugium" de tantos que se cansam a procurar as razões de fatos obscuros e complicados da linguagem nacional. . ia caí(r)caindo. e aquela que depois veio a predominar. aqui. importada pelos primeiros povoadores. . de certo. É sabido que. tão boa ou melhor do que a indiática. estar. . eiro). de origem tupi. a forma popular portuguesa de hoje.que não como causa da reduplicação. aprendendo a custo o mecanismo da língua. . em terceiro lugar. fez-se capão. Depois. temos. Assim. ainda que combinadas de maneira um tanto estranha. a construção com infinitivo (anda a cantar).Vinha a virá(r) ou Dial. . de torrão. Não nos parece que seja preciso apelar para as tendências reduplicativas daquela língua. era muito mais vulgar do que hoje. e acabou por combiná-los. no qual se reúnem a modalidade mais freqüente outrora. O nosso povo. estava ou andava chorá(r)-chorando. porque se trata de palavras bem portuguesas. em segundo lugar. Isto confirma que esta forma lhe terá causado estranheza desde cedo. deixar apenas registrados os seguintes processos de que ainda não tratamos: a) A ETIMOLOGIA POPULAR tem sido fonte de numerosas formas vocabulares novas: de "guapê". Queremos. andar. só muitíssimo raramente empregará.inculto. por se ver nele um composto de água e pé.infinitivo com prep. como um efeito. capoeira. terrão. voc. em Portugal. ora outro. A explicação deste fenômeno alguns têm querido ir buscá-la ao tupi. Assim. em grande parte produto de mestiçagem recente. Assim: vinha pulá(r)-pulando. o uso do gerúndio nas perífrases (como anda cantando). seguido de infinitivo e gerúndio de outro verbo. Várias formações teratológicas já foram apontadas e ainda o serão adiante. mato redondo. ir. no tempo dos autores quinhentistas. de "caa-puan-era". fez-se aguapé. originando-se daí a confusão. A particularidade em questão é talvez legado genuíno dessa época de luta.Vinha virando virando Corrobora esta hipótese o fato de que o nosso caipira.Para exprimir ação muito repetida.

que conservam o s: u"as. em tais fatos. desaparece: os pau. argu"as. freqüentemente. Excetuam-se os determinativos uns. déiz. como péis ao lado de pé'. ais. as páiz (pazes). nóis (nós). por idêntico motivo. com hipértese de s. sobretudo se não aparecem contíguos aos substantivos: essas coisarada bunito. GÊNERO 3. desaparece: um arfére. às vêiz (vezes). as. saímo. Quando o s pluralizador vem precedido de vogal a que se apoia. se fez paixa. conserva-se. tomado como sinal de pluralidade. suas.b) Também a DERIVAÇÃO REGRESSIVA dá origem a outros termos: assim. dois. Réis conserva-se. do que sucede com ele em outras circunstâncias. há pronunciada tendência para tornar tônicos esses vocábulos. assim como o pronome eles. pernís. conserva-se: os. b) Nos OXÍTONOS. as criação ficarum pestiado. etc. as criança távum quéto. por se tomar aquela forma como um aumentativo. até aonde vão e onde cessam a ação puramente fisiológica. certos. fáiz. os cavalo.salvo quando mero sinal de pluralidade: crúiz. pois. os urubú. . o pire. nóis fizémo. e a ação analógica. os determinativos podem perder o s: Estas carta não são as minha. nos (contração e pronome). cóis. desaparece também esta: os ingrêis (ingleses). Aliás. se tirou sastifa. Quando pronominados. elas. páiz (paz). Já dissemos algo sobre o som de s-z no final dos vocábs. estes. os ermão. minhas. duas. etc. de sofrer a flexão genérica. trêis. os papé. é impossível separar o que se passa com o s final. muitos. os lático. semelhantemente. . A conjunção mas tornou-se mais. seus. Há hesitação em alguns vocábulos. Vamos resumir agora tudo o que se dá com esse som em tal situação. por se ter perdido a noção de pluralidade (isto não vale nem um réis) . vêiz. pela ditongação: ois. O adjetivo e o particípio passado deixam. vamo. de paixão. Se bem que se trate aqui de flexões. 24). esses não são os meu'). (vez). diz. e dificílimo se torna reconhecer. c) Nos vocábulos PARO e PROPAROXÍTONOS. do domínio da fonética. nas. os arfére. NÚMERO 4. fiz. ingrêis. Excetuam-se os determinativos. juiz. nuz (nóz). perdem o s: estes carru são seu'. os pire. Porisso faremos aqui uma exposição geral dos fatos relativos ao s final: a) Nos VOCÁBULOS ÁTONOS. meus (sendo que estes dois últimos. arguns. de satisfação. retróis. as côr (cores). pasteis. quando isolados. os nó. porém. dois home. (I. as frô(r). Como sinal de pluralidade. do domínio das formas gramaticais.

inho inha. Nos nomes próprios de uso mais generalizado. Apenas algumas observações: a) QUANTIDADE . daqui a nada". equivalente a "há quantos anos!".5. Pedróca. Joanico. Maróca (Maria). como se par-dele e par-dela fossem as formas do masculino e do feminino de um simples substant.O aumentativo e o diminutivo têm constante emprego. São expressões correntes: falá baxinho. assim se traduzirá em dialeto: Vai-me buscá uns par-dele. Quim.Vai-me buscar uns pares deles. Carola (Carolina). Não se deve interpretar como bamos+embora. parô um bocadinho. estende-se largamente aos adjetivos e aos próprios advérbios: longinho. pertinho. andava deste jeitinho. 6. Totá. resultante originariamente da ligação de vamos com embora. aqueles minino. mais rúm e até mais mio. sendo que as flexões vivas quase se limitam a ão ona para o primeiro.e abstraindo-se das flexões verbais. em que há anteposição do adjet. como o subst. duas casa vendida. e do dimin. Manca. as criança távum queto. ico ica para o segundo. ou u"as par-dela. coletivo. mas como bamo+zimbora. Colaca. quase sempre expressões ossificadas. Abrem excepção apenas algumas construções. Zico.a pluralidade dos nomes é indicada. As flexões de grau subordinam-se às regras gerais da língua. e diz: êle foi zimbora. Maneco. Manéquinho (Manuel). O emprego do aumentat. Mariquinha. mais piqueno. Zéca. GRADAÇÃO 8.Outro caso curioso é o que se dá com a expressão portuguesa uns pares deles. Tudica (Gertrudes). Acompanham estas últimas formas particularidades muito especiais de sentido: longinho equivale a "um pouco longe". Tudinha. def. Esta repugnância pela flexão pluralizadora dá lugar a casos curiosos. Tuca. assimzinho. a "neste mesmo instante". geralmente. assinzinho. há grande número de formas consagradas: Pedrão. Zé. agórinha. mais bão. ou delas. Anica. mais pió. Manécão. Maricóta. boas tarde. etc. a "deste pequeno porte. "já. Juquinha. Colaquinha (Escolástica). Maruca. muito perto".: boas hora. Mariquita. De acordo com as regras acima. pertinho. vô lá num instantinho. Aninha (Ana) . . com o s do art. Totico. Jéca (José). passou a ser entendido pelo caipira como parte integrante da segunda palavra. Prótese semelhante se dá em zóio (olhos). fartava no sírviço cada passinho. u"as fruita verde. Mané. suas pranta. pelos determinativos: os rei. zarreio (arreios). falô direitinho. que o nosso caipira alterou para uns par dele e u"as par dela. . Manduca. Janjão. à forma pluralizadora: os rei mago. A frase exclamativa "há que anos!". "há muito pouco". . tanto assim que diz: nóis bamo. Quinzóte (Joaquim). Tonico (Antônio) Mandá. minhas ermá. Quinzinho. duas dama. pois o som de z. Juca. ia devagarinho. deste pequeno tamanho". Jica. (João). O qualificativo foge. Zêquinha. b) COMPARAÇÃO . Dir-se-ia existir qualquer "simpatia" psicológica entre a flexão diminutiva e a idéia adverbial. 7. a "bem perto..As formas sintéticas são freqüentemente substituídas pelas analíticas: mais grande. certas hora. A frase . u"as fruita. sofreu esta torção violenta: há que zano! (ou simplesmente que zano!) Ouve-se freqüentemente bamozimbora. plur. . Tuda. agorinha. ou delas. Zezico.

são. Aparecem não raro formas próprias do imperativo. 15.O plural da 1. no imperativo: oiai. senão.ª pessoa são: ponham. andávum.ª do plur. pra você. Quando esdrúxula. e do plur. FLEXÕES VERBAIS 9.Quem sá' se fazerão! Será verdade? Sei lá se irei! 12.: eu dizia. quiríum. .v.ª e 3. apesar de pertencer mais ao linguajar dos pretos boçais do que propriamente ao dialeto caipira: a invariabilidade genérica do pronome ele. ele era capáiz.Seria verdade? 13.. O plural da 3.Não sei se poderia .ª pessoa do sing. Correntemente. que se empregam sem consciência do seu papel morfológico. NÚMERO . vossuncê. porque eu vos disse muntas vêis. Nas formas do preter. de pôr. mas: Dizeria? . detritos sem vitalidade.Quase inteiramente limitada às formas analíticas.ª: Tu num cala essa bôca? Tu vai? A 2.ª pessoas. fazia. andárum. imperf. Tu tem emprego puramente enfático. por ênfase.c) SUPERLATIVIDADE . fômo. do sing.Só se empregam correntemente as formas da 1. Um fato que merece menção. excepcionalmente. ligando-se a formas verbais da 3. a tônica muda-se em e: trabaiêmo . dubitativamente. dos verbos em ar. cumei. às vezes modificadas: Fazerêmo? . quizérum. perf. a forma se identifica com a do sing.Não sei se fazerei . junta à . ocê.ª pessoa. vir. fosse.ª pessoa: tu bem sabia. andasse. mas a vacê: . do indic. ter. aparece de quando em quando com suas formas próprias. por "eu irei". embora usada às vezes. do indic. Os casos oblíquos nos. já deve de sabê.0 fut. No pres. únicas vivas e correntes. venham. de mistura com as formas da 3. 17. fizesse. vai. mecê. 10. andava. assimila-se às formas da 3.. u"a pessoa (ambas correspondentes ao francês on) . tenham. empregam-se as formas próprias. PRONOMES 14. Vóis (vós) já não se ouve. quêirum. caminhêmo = caminhamos. tu disse.ª pessoa perde o s: bamo. tu vai. exprime-se com as formas do presente: eu vô. trabaiai. todas muito usadas. Com o condicional se dá coisa parecida. ándum. vacê. PESSOA . vassuncê. Vancê. Vos já não corresponde a Vós. vos têm emprego muito restrito: na maior parte das vezes preferemse-lhes as formas analíticas pra nóis. do indic.trabalhamos. andaria. andai. MODOS E TEMPOS . 11. A 2. puxa.ª modifica-se: quérim.Fazerá? . "ele mandará". correi. nóis fazêmo. ele manda. talvez. é expresso pelas formas do imperf. fazeria. 16. você e suas variantes.: nóis ia. "nós faremos". fazêmo. ándim. do indic. porém.anda. Outras formas pronominais: a gente. as formas da 3. Entretanto.

família. Um de Camões (Lus. Há no dialeto urna maneira de indicar o sujeito vagamente determinado. não é rara: Patrão não trabaia hoje -Pai qué que eu vá .. FATOS RELATIVOS AO SUJEITO 2. porém. I.. 3. que a supressão. no falar do povo português.A tar famía são levado da breca . cap. o pronome ele se pospõe ao artigo def. e tentando dividi-lo em classes... . como provam numerosos exemplos literários.. macacos assoviaram no pau . e ainda não estará livre de incertezas e dúvidas. Quando se trata de indicar pluralidade.Chuva tá caíno. Só depois de acumulado muito material e depois de este bem verificado e bem apurado é que se poderão ir procurando as linhas gerais da evolução realizada. 5. . nos casos em que o sujeito deveria ser eu: Êle trôxe u"as fruita pra mim cumê(r). de Duarte N. Outro. zêle fóro zimbora .apenas enumerados às vezes. e vem de longe. As cláusulas infinitivas dependentes de para têm por sujeito o pronome oblíquo mim.º): . etc.eles (ou elas) foram-se embora. Exprime-se por um substantivo no singular sem artigo: Cavalo tava rinchando .não permite por ora sequer tentativas de sistematização. como ao feminino: osêle. Não queres que padeçam vitupério. antes do sujeito. Encontra-se esta particularidade. . e tão conscienciosamente como o mais que vai exposto nas outras partes deste trabalho. IV. O material que conseguimos reunir é pouco.com hu"a gente de Hespanha chamados indigetes.".invariabilidade numeral. def. isto é.. 38): Se esta gente que busca outro hemisfério. Quando o sujeito é algum dos coletivos gente. A complexidade dos fenômenos sintáticos. mesmo determinado.O mamono está. do art. . igualmente. Cuja valia e obras tanto amaste. ainda pouco estudados no dialeto. o verbo aparece freqüentemente no plural: Aquela gente são muito bão(s) . os mamonos estão rebentando). rinchava . ("Orig. um indivíduo qualquer de uma classe ou indivíduos quaisquer de uma classe.A cabocrada tão fazeno festa.SINTAXE 1. 2.Mamono tá rebentano (Um cavalo estava a rinchar. Convém acrescentar. e tanto pode referir-se ao gênero masculino. mas foi colhido da própria realidade viva do dialeto. os. 4.Um macaco assoviou.Macaco assubiô no pau .

quando se . repete-se nas outras regiões do país. Em S. que o pronome lhe. "eu já lhe falei" (ao senhor. 8. sem prep. etc. É possível que no Norte elo país se encontre essa construção. ou não me qué bem eu.). Aliás. fulano me garantiu que escreveu pr'a ele. ao senhor). "fulano me assegurou que lhe escrevia" (a você. provençal. Assim. Sílvio Romero: Yayá dá-me um doce. de fato. a você). dirigindose a alguém: . Aludindo a um terceiro indivíduo. Sobre as formas nos e vos. Paulo. De lhe só usam os caipiras referido à pessóa com quem se fala. no período ante-clássico do português. pois. dizem eles. ver o que ficou dito na "Morfologia". Não quer bem a eu. (1.Este. à "segunda" pessoa real. Para mim dansar. 10. como quase todos os fatos da sintaxe caipira e popular de S. Yayá não me dá. Romero: Ora toque. diz: De construção semelhante encontram-se exemplos nos "Cantos populares do Brasil". Quem pede sou eu.º vol). enxerguei elas. tratando do emprego de formas pronominais nominativas como complemento seguido de prep. O pronome oblíquo o a perdeu toda a vitalidade. (no aragonês. é. 7. sem continuidade. valenciano. Pode dizer-se. interessante publicação do sr. 9. mas é claro que o brasileirismo se produziu independentemente de qualquer relação histórica com o fenômeno que se verificou. A regra. fulano me afianço que le escrevia. aparecendo quase unicamente encravado em frases ossificadas: Que o lambeu! etc. Mor. o caipira dirá: Eu já decrarei pr'a ele. seu Quindim. Este fato é um dos mais generalizados pelas diversas regiões do país. isto é fato isolado. conservando a sua função de pronome. O pronome ele ela pode ser objeto direto: Peguei ele. como muitos outros. da "terceira" pessoa gramatical. i. Dele se encontram alguns exemplos em antigos documentos da língua. Um exemplo dos "Cantos populares" de S.Eu já le falei. PRONOME 6. Paulo o caipira diz: Não qué bem eu.. só se refere. J.

O verbo ter usa-se impessoalmente em vez de haver..). 1). contínua.Há quanto tempo foi isso? Num hai quem num saiba. Aqui se diz. ano. XX. de perfeito acordo com a nossa atual maneira: ". "Morf. 15. neste como em outros pontos. quando o complemento não encerra noção de tempo: Tinha munta gente na eigreja . offereceu-selhe á vista não longe do caminho.. que saibamos. estão florescendo. não me visitô. ao passo que. porém. que vigiava umas ovelhinhas que ao longe andavam pastando. um menino pobre. Na conjugação perífrástica o gerúndio é sempre preferido ao infinitivo precedido de preposição. 14. não me obedece. e bem mal reparado de roupa. o verbo como que se anquilosou. Quando o complemento é tempo. etc.Tem home que não gosta de caçada . "ia a cair" ou para cair". A ação reiterada.Anda viajando . ia fazendo matéria de tudo quanto via no campo e na serra para louvar a Deos. semana. contração e ditongação de há aí (por "há i". a indicar apenas o fato. por falta de suficientes elementos de observação. dos quais se poderia citar copiosíssima exemplificação. Nessas construções. vulgar em Portugal e até de rigor entre o povo daquele país. O nosso uso é o mesmo dos quinhentistas e seiscentistas. e usar dos casos oblíquos: Não me qué. . sem o precisar completamente. mais geralmente.Naquêle barranco tem pedra de fogo.Estive na sua casa fáiz quinze dia. em Portugal. Escrevia frei Luís de Sousa na "Vida de Dom Frei Bartolomeu". "anda a viajar". se diz em tais casos: "estou a estudar".. entretanto.º vol.quando precede ao verbo o advérbio não. Haver é limitado a certas e raras construções: Há que tempo! . é expressa por uma forma curiosíssima: Fulano anda corrê-corrêno p'ras ruas sem o quê fazê ..A povre da nha Tuda véve só chorá-chorano despois que perdeu o marido (V.. (J.Ia caindo. invariavelmente: . cap. insistente. Mor. TER E HAVER 13. fazer: Já fáiz mais de ano que eu não vos vejo . da língua) só é empregada. emprega-se às vezes haver. 1. especialmente entre o povo.". como no exemplo dado acima. Vem a propósito referir que a forma hai.. Restringimo-nos. 12. CONJUGAÇÃO PERIFRÁSTICA 11. que se encontra em muitos documentos antigos.trata da primeira pessoa. nestas condições: . perdendo sua vitalidade.

. A casa. "CHAMAR DE" 16.... do que se encontram exemplos.. e diz-se: a casa que eu morei....Vô vê se inda hai.. O verbo chamar...Le chamava de ladrão.. referindo-se a Portugal.. A pessoa que se falava dela O home que eu comprei as terra dele.. 435: Se casasses com pàção.. 19. empregando-a no fim da frase com um pronome pessoal.. p. II. em bom português. A roupa com que viajava . J. que eu falei dele. vol..ª volume) não se usa hoje com tal construção nem na linguagem popular nem na literária. Freqüentemente se suprimem de todo a preposição e o pronome pessoal.. 18... Os relativos o qual.... O livro. cap. Nos casos que. que eu morei nela O livro de que falei . reduzidos todos a que: O cavalo com o qual me viram aquele dia. na acepção de "qualificar".. mas teve-a em outro tempo. reclamam este pronome precedido de preposição.. XXVIII.quando o verbo termina a proposição: É tudo quanto hai .. Exemplos: A casa em que eu morei . quem e cujo são.. como no seguinte passo de Gil Vicente. O verbo chamar (diz. emprega-se invariavelmente com de: Me chamô de rúin . ORAÇÕES RELATIVAS 17... A pessoa de quem se falava O homem cujas terras comprei . o livro que eu falei.. ficando assim a relação apenas subentendida. o caipira desloca a partícula. que viajava cum ela.. A rôpa.. em virtude do processo acima. Nas orações relativas não se emprega senão que. Que grande graça seria E minha consolação! Que te chame de ratinha Tinhosa cada meia hora etc. Mor. O cavalo que me virum cum êle aquêle dia. 1..

"já não quero"." 22. pelo entrecho. 20. NEGATIVAS 21.. Outra observação: lá.. o adv. toda a gente está de acordo. ANJO . Assim a frase . cap. até pessoas educadas. essa tendência para a simplificação das fórmulas das orações relativas. por todo o país): num vem mais. o nosso caipira (e com ele. XXX. Lá. em vez de pra ele.Pera senhor de tal marca Não há hi mais cortezia? Um exemplo bem positivo de J. isto é. como tantas outras particularidades sintáticas de que nos ocupamos. Na composição de proposições negativas. Júlio Ribeiro. Entre nós dir-se-ia: "já não é usado" ou "já não se usa tal advérbio". sem o querer. "Vida de Cristo". nem não. B. e aqui constituem regra absoluta entre os que só se exprimem em dialeto. FIDALGO .Pera vossa fantasia Mui pequena he esta barca. quando falam despreocupadamente. tais casos são apenas freqüentes. se dissesse a ele.vulgar na sintaxe portuguesa quinhentista. 1. . assim contíguas. Seria mais curial que."o menino a quem eu dei meu livro" será traduzida. na sua Gramática Portuguesa. diz à francesa..Não se embarca tyrannia Neste batel divinal. e aqui só se substitui por pra ele. de Castro. ainda aqui.º vol. IV): "Meu pae. que J. é de todo desconhecido no dialeto.ninguém não. O emprego de duas negativas . . escreve: "Hoje não é mais usado tal advérbio". Eis um exemplo. o relativo quem precedido de a se resolve em lhe. Em vez de "já não vem". referindo-se ao Brasil. tão bem conhecia e a cada momento citava. e talvez até em Gil Vicente. já. mas há a notar mais esta particularidade. contra Deus e contra vós pequei e não mereço que me chameis mais vosso filho.. corrente em português europeu. pelo popular português: "o menino que eu lhe dei um livro". . FIDALGO . etc. Assim.Ninguém num viu Ninhum num fica. também desta há exemplos antigos na língua. (liv. que o nosso povo inculto prefere sempre a primeira preposição à segunda. Mor. Mor. num quero mais.) que os próprios gramáticos não sabem ou não querem evitá-la. J. Esta prática é tão geral (diz.Em Portugal observa-se entre o povo idêntico fenômeno. Só lhe faltou acrescentar que.regra a que se submetem. ou à italiana. A observação é em tudo exata. mas hoje desusado na língua popular de Portugal.é obrigatório no falar caipira: Nem eu num disse . porém. mais pode ser tomado como negativo: ANJO . pelo nosso caipira: o minino que eu dei um livro pra ele (ou prêle). e na língua culta tanto lá como cá.Não sei porque haveis por mal Qu'entre minha senhoria. onde. .

1. parece puro brasileirismo. (Auto da Barca do Purg.Nunca está im casa hora de cumida. entre outros citados por J. Os complementos de tempo são. como neste passo: Este serão glorioso Não he de justiça. não. na linguagem portuguesa de hoje.º vol. 23. O lugar para onde é indicado com auxílio da preposição em: Eu fui im casa . comum a todo o Brasil. tem antecedentes que remontam pelo menos a Gil V. 1. Encontra-se.). Assim. caí em mim. A negativa não repetida depois do verbo: não quero não.º vol.: Sam cappellão d'hum fidalgo Que não tem renda nem nada. Mor.Deste uso no séc. e ainda há vestígios nas expressões usuais: cair no laço. Também o trivial nem nada..Vortô no sítio."No dia 5 ele virá" . e ao qual nem sempre escapam os próprios escritores que procuram seguir os modelos transoceânicos. Ele dirá: Fui lá u"a segunda-f\êra . porém. CIRCUNSTÂNCIA DE LUGAR 25. O caipira atem-se mais à tradição da língua. Compare-se com os seguintes exemplos. CIRCUNSTÂNCIA DE TEMPO 26. (Farsa dos Almocreves). não vou não. e em). cap.) . XXIV. destinada a estabelecer uma espécie de liame que satisfaça o espírito do falante.. XXV.Dia 5 ele vem Anda por aqui cada passo . Deste fato. repetidas vezes em Gil V. Mas há fato mais interessante."Anda por aqui a cada instante". XVI pode-se apresentar copiosa exemplificação. dizemos: "Fui lá numa segunda-feira" . se encontram numerosos exemplos em antigos documentos da língua. Mor. depois de uma preposição negativa. empregados quase sempre com uma preposição (a.) 24.Chego na janela .) E o dia que fôr casada Sahirei ataviada Com hum brial d'escarlata (Gil V.Ia na cidade Joguei a pedra n'agua . sair em terra (J.Mando notícia quarqué instante . (cap. etc.

mesmo inculta. Em frase semelhante o caipira diria quase identicamente: "Hei d'i na vila dumingo pramór de vê se compro os perciso". em regra geral. ("Demanda do Santo Graal"). muitas vezes. O mesmo poeta escreveu freqüentemente "caiso" (subst. ou caipiras. CIRCUNSTÂNCIA DE CAUSA 27. o que mostra que talvez se dissesse também "por caiso". com o mesmo valor de por causa de. nunca foram por nós ouvidos. e quem sabe se até "por causo". também.) o nosso caipira usa a fórmula por amor de para exprimir circunstância de causa. 1. É de notar que em Gil V. e não poucos. Outra fórmula caipira: por causo de. Apenas regista vocábulos em uso entre os roceiros. Paulo. impossibilitados. Como o povo em Portugal (J. AS VÁRIAS FORMAS . Poderia.º vol. não houve aqui a preocupação de indicar todos quantos constam das nossas notas. . (Gil V. Deixamos de lado.Esta ave nunca sossega. se encontra por caso.) Aquel dia que os romãos foram vençudos veerom a Rei Artur hu"as mui maas novas. Mas a hora que não engana Não he pega. a vários respeitos. talvez por mera casualidade. Outros. a confusão com caso (que o caipira mudou em causo). Não os indicamos aqui. difere bastante da da gente das cidades. XXVI. todos os brasileirismos correntes em S. e por mais confiança que os autores destes nos merecessem.VOCABULÁRIO O QUE CONTÉM ESTE VOCABULÁRIO Este glossário não se propõe reunir. Alguns destes.. Mor. como o nosso caipira. preferimos deixá-los também de lado por enquanto. dizer simplesmente: mór de vê. que. V. ou ainda mó de vê. aqueles que não temos visto usados senão em escritos literários. talvez. de proceder a mais detidas averiguações.). Essa alteração de causa em causo deve-se. como já dissemos em outro lugar. He galante e muito oufana. cap. Iguais reservas tivemos com os nomes de vegetais e animais. dados por diversos autores como pertencentes ao vocabulário roceiro. Quanto a esses próprios vocábulos. "Hei de ir a Régoa no domingo pr amor de ver se compro os precisos" . 28.é exemplo citado por Júlio Moreira. cuja linguagem. estão sujeitos a tais flutuações de forma e a tais incertezas quanto à definição (o que é muito comum na nomenclatura popular).

. .plural Port. . em itálico.determinativo dial.preposição.extensão f. Nos casos em que a diferença pode ser indicada no próprio título do artigo. escrevem-se também estas. na sua forma dialetal mais freqüente.conjunção pron. como em ABOMBÁ(R). .advérbio.brasileiro. há no vocabulário as seguintes. entre parêntese.Portugal port. . assim se procede. . det. . . quase sempre.Brasil bras. logo na mesma linha (para não alongar demasiado este glossário). se registam. Não quer isto dizer que os vocábulos tenham sido colhidos em tais escritores. adverbial Br. quer dizer apenas que tais vocábulos foram aí usados com o verdadeiro valor que lhes dão os roceiros paulistas.particípio prep. .substantivo . Paulo. e em VERSALETE.feminino part. .castelhano conj. . . a adv.qualificativo rel.significação subst. . desde que quadrassem perfeitamente com o uso popular. na mesma linha. . Quando as formas dialetais diferem sensivelmente das correspondentes da língua. . prepositiva pl. em primeiro lugar. pronominal q. ABONAÇÕES As citas que se fazem logo após as definições. para as esclarecer. ABREVIATURAS Além das abreviaturas de nomes de autores e outras que constam da lista inserta em outro lugar.dialeto. . que convém esclarecer: adj. em VERSAL. Tendo de juntar às definições frases que dessem melhor idéia dos termos. pois até citamos algumas frases de autores estranhos ao Estado de S. achamos que seria interessante tirar essas frases de escritores conhecidos e apreciados. .português pronome. . Outras formas e pronúncias.adjetivo. brasileirismo cast. . onde a queda de r está suficientemente assinalada. e como a pronunciam.relativo signif. levam muitas vezes indicação de autor.Registam-se os vocábulos. Apenas lhes fizemos algumas modificações de grafia. dialetal ext. quando há.

ACERTADÔ(R). ABOMBADO. I.. . também se aplica a pessoa: "Era em Fevereiro. AÇA. s. abancô" ABERTO DOS PEITO(S). pron. | De banco.Veja O sinal | separa da definição e exemplificação do termo qualquer comentário ou nota que se julgou útil acrescentar. .página sing. ACERTÁ(R).peixe também chamado. i. CAUSO. .atoleimado.figurado. empregou atabobado. q. s. | V. i. .aguardente de cana. ABOMBÁ(R).diz-se do animal de sela.casualidade: "Isso se deu por um acauso". Gil V. semelhante. .Usado em quase todo o Brasil.fig." (S. aço.verbo voc.). q. ABRIDERA. ACARÁ. P. m. . m. . fazendo-o cambetear para dentro da salinha". . .masculino. tiro ou carga. (C. t. q. figuradamente i. s. . t. . v. | De abrir (o apetite). pateta: "O cabo da guarda sopapeou o Quirino. .locução m. a p. eu vinha abombado da troteada. quano viu a coisa feia.diz-se do animal de sela ou tiro.extenuar-se (o animal). L. ABANCÁ(R) [SE] . ABANCÁ(R).vocábulo V. v. v.interjeição loc. .. . que. .termo t. Por ext.sentar-se: "Entre i se abanque". extenuado de fadiga.fugir: "0 dianho do home. abobado de medo. | .albino. . f.v. ACAUSO. andando. | V. cará e papa-terra (R.ensinar (o animal de sela) a obedecer à rédea.intransitivo intj.). ABOBADO. . . . no Brasil. .) | Com signif. . . . cai para a frente. cast. v.singular t. .transitivo v.

. AFORA(R). s. t. | É port. diarréia ("Novo Dic. AFITO. moço de boa mão e de boa cabeça. v. | De cochar. expressão port. à coca.torcer como corda: "É perciso acochi meió esse fumo". port. mas com acepções diversas.indisposição causada por mau olhado. e também cuca. subtrair. são vintium" | Acreditamos que seja hoje bem raramente usado este expressivo verbo. P. cravar (qualquer objeto delgado e longo): "Afinquei o pau no chão". Krug). Em cast... Só nas partes mais altas pareciam Uns vestígios das torres que ficavam. ADONDE. Paulistana". m.mau olhado.indivíduo que acerta animais de sela: "Passaram-se anos e a Eulália teve que aceitar o Vicente do Rancho.embeber. côca e côco. e com a expressão "deitar o fito". equivalente a "deitar mau olhado". s. "Ulisseia") Também no Norte do Brasil persiste esta forma: Eu ante quina sê a pedra adonde lavava sua roupa a lavandêra (Cat. resolvemos registá-lo. João de Castro ao rei. "Não afinque prego na parede". ACUPÁ(R). Tamem. Comparando-se isto com o sentido que dão à palavra os caipiras. . mais extensamente.tirar fora. v. como fincar.ACERTADÔ(R). Adonde a vista o mais que determina E medir a grandeza co'a ruína. a de .".." (Carta de d. de Castro. que ouvimos muitas vezes. e só o havermos encontrado num escrito ("A Superst. por ser dos mais curiosos. indigestão ou embaraço gástrico. t." Cp. E. É palavra antiga na língua com a significação de indigestão.o que padece de. porém há algumas dezenas de anos... m.mimar com excesso (a criança): "Esse tar num dá pra nada. quebranto. segundo o citado escritor. t. . escrita em Moçambique). deve ter sido. "O marvado afincô a faca no ôtro". Usado apenas sob a forma do gerúndio. existe ahito.. o pai e a mãe só sabium acocá ele. adv. e só numa localidade paulista (Capivari). aforan(d)o quatro. ACOCHÁ(R). v. pode deduzir-se que a significação primitiva do voc. v. ACOCÁ(R). | Apesar de nunca termos ouvido este voc. eng. Q acertador não enxergava terra alheia quando olhava da janela para fora. onde. "Meu Sertão") AFINCÁ(R)... (V. "aforando": "Vinticinco. t. q. t..). que se encontra em Gil V. ocupar. . quando ele deu os últimos repassos num piquira macaco do pai dela e entrou a cercar-lhe a mãe de carinhos e presentes.").. .. v.. V. a primeira destas palavras. (G. . . . "De tudo isto tenho feyto hum roteiro que poderá acupar duas mãos de papell. S. e cast.

indivíduo que vive em fazenda ou sítio. e isto. Esta superstição é muito espalhada no nosso Estado e mesmo pessoas que se devia presumir possuírem maiores conhecimentos na zootecnia usam-na.. como tantas usanças e mitos. prestando serviços avulsos. deve provir do mesmo engano. Diz-se que. do Cond. Como se deu essa mudança. .. e foram descobri-la no pescoço.ríspido. Não posso dizer se isto é também superstição ou fato verificado praticamente". já existente em port." AGUAPÉ. quando esta é feita de um só lado. aguacha. XVI. A mudança de sentido deu-se evidentemente pela similitude dos efeitos do tumor e da gordura.o macho mascarado trazido à escoteira. . etc. Essa doença caracteriza-se por uma abundância de líquido seroso. correspondentes em port. "Fabordão"). que se executa no pescoço. quase todos. O estar aguado do animal nada mais é do que um crescimento irregular dos cascos. mas há quem duvide. desabrido: "Nunca vi home tão agréste como aquêle nho Tunico!". De alguaxa ter-se-ia extraído aguar.agora mesmo. que têm. A forma dialetal. | Há quem escreva aguachado e ligue o voc. ou por lhe apetecer coisa que não lhe podia ser dada. pois o apetite faz vir água ã boca. ao que parece. era forçoso que houvesse água. possivelmente originada.. o cast. . Origina-se.Cp. m. Existe essa água? Os roceiros afirmarão que sim." ("o que vos eu guardeço muito e tenho em seruiço.. ao menos em alguns casos. água podre.. aguara dos cascos na subida da serra de Corumbá.entorpecido por longa inatividade e pela gordura (o animal de sela). sem ser propriamente um empregado. que também aparece com freqüência aferesada. numa falsa etimologia. AGUAXADO. depois de uma sangria.Em Goiás. alagar-se. . . s.. intratável. Talvez tenha influído nisso a palavra aguado..."."..."). aguado. Aguado diz-se do animal atacado de certa doença que lhe tolhe os movimentos: por aqui se prenderá a alguaxa. | Encontra-se guardeço na "Cron.As palavras aguado. s. cap. tumor do casco.plantas que bóiam à superfície das águas remansosas ou paradas. do árabe alguaxa. região onde é conhecido e usado. aguar. não se pode curar sangrando um animal. v. a guacho. E. para se evitar este inconveniente sangra-se o animal dos dois lados.. . veio do castelhano pela fronteira do sul. provavelmente por errada analogia com guardar. ferida ulcerosa na região dos machinhos ou nos cascos dos animais. causas que por igual embaraçam a marcha. AGREGADO. como seria mais razoável.. o animal fica sempre manco. 25). cap." encontra-se igualmente agardeceo: "E o mestre seedo dello ledo mãdou logo chamar Nunalvrez e agardeceolhe muyto o que com Ruy Pereyra fallara. aguamento. neste instante. segundo se depreende de uma frase do novelista Carv. por se ver ali o tema de água. Rib. . mas erradamente. . AGARDECÊ (R).Também indica certos estados de ânimo indefiníveis e desagradáveis: "Num sei o que é que tenho hoje: tô agréste.Parece indiscutível que o vocáb. adv.AGÒRINIIA. XI).. geralmente devido a um excesso de marcha. aguas. . agradecer. por meio de sangria: por aqui se relaciona com água. Ramos ("Tropas". eis o que é mais difícil explicar. sem admitir dúvida. Krug: "Deve ser considerado superstição o tratamento de animais aguados por intermédio de uma sangria. Eis o que diz. .Na citada "Cron.. são correntes em Portugal e Brasil.. m. t. por exemplo. de onde o castelhano aguaja (úlcera ou tumor aquoso que se forma nos cascos dos cavalos ou das bestas) e o português ajuaga ("tumor nos cascos das bestas". corre a expressão "aguar dos cascos": ". que os nossos roceiros dizem existir no pescoço do animal e que se faz vazar. e outros vocábs. . não já nos cascos. segundo o "Novo Dic. aguachar-se. Também se diz de uma criança que ela aguou quando ficou triste e descaída por ver outra criança mamar.Há razões para se desconfiar que a sangria atrás referida seja mera abusão de alveitaria bárbara. sempre à mão. | Do tupi? AGUARDECÊ(R)." . geralmente. AGRESTE. q. certamente. segundo certos autores. com a mesma origem (J.. não podendo imitá-la. . o dr. Tratando-se de animal aguado. a desejo insatisfeito de comer: ainda uma influência de água. A doença é atribuída pelo povo. e. q.

"Auto da índia") ALEMBRANÇA. de legra. I. ALIMÁ. m... AMARELÁ. ALACRANADO. lacraia.) V. f. . ruim (Mont. me parece ainda mais que som coma aves ou alimares monteses. | ". amarelar.faca recurva com que se fazem colheres de pau.Do tupi aíba." (Carta de Caminha). . e pop. MARELÁ. e se desfaz das asas com extrema facilidade.AÍVA. adj. ALELÚIA. que o "Novo Dic. v. . s. | O "Novo Dic. amarillo. MARELÃO.. com significação diversa: "pessoa ou coisa sem valor. .).. LACRANADO. | Cast. AMARILHO. ALEMÔA. i. de alemão.baio com crina e cauda brancas (cavalo) o mesmo que "baio amarilho". v." regista o voc.. dos ninhos. m. | Forma ant. ALIMAR. . . s. muito antiga na língua.. q.fêmea alada do cupim. | Esta prótese vem de muito longe na história da língua. insignificante".empalidecer de repente: "Quano o Chico uviu a vóiz de prisão. ALIFANTE.forma dupla de alemão. q. se é que não veio feito do cast. logo que não mais necessita delas. patr. em cujo vocabulário antigo existiu forma igual. tanto no Brasil como em Port. alacraia). mofino. como de dentes ou de espinhos. animal." regista como provincianismo alentejano de origem castelhana. com a significação de "mordido de lacrau". fem. . ALEGRE. s. . lembrar. usada pelos tropeiros para estimular os animais. v. Paulo não se entende assim.anquilostomose. e ainda é pop. Alambrava-vos eu lá? (Gil V. AMARELÃO. alemã. SIRILÚIA.diz-se de coisa cuja superfície está cheia de talhos e esfoladuras. s. q. f.adoentado. O mesmo que sará-sará? (R. | Corr. intj. LIMAR. que sai. marelô" AMARIO. AJÚPE!. . lembrança.Entenda-se "animal cavalar". às centenas. m. Derivado de alacran (o mesmo que lacrau. . à tarde. m. elefante. ALEMBRÁ(R). Em S... . ALAMÃO. s.

AMARRÁ(R)2.Cp. o cavalo tava descansado e bem amiado: a viage foi u"a gostusura"." (O último exemplo é de C. 2 gens. teia de intrigas e mexericos. importuno. .certa gramínea forrageira. P. AMUNTADO. Fig. AMIÚDA(R). ANGÚ. . v. AMINHÃ. . s. .. q. t.dar milho (aos animais). onde galo está por canto dos galos: "Depois que acaba a candeia. Acreditamo-lo pouco usado. ANDADURA.. ANGOLA. . v. v. (C. part.estacar diante da perdiz (o cão). diz Leite de Vasc. aí que a coisa é triste.. AMOLAÇÃO. m.diz-se do animal doméstico que se meteu no mato. envolve também idéia de mato. . maçador.. o Bismarque chateô no chão. .AMARRÁ(R)1 v. que era u"a buniteza. asselvajandose: "Gado amuntado". amanhã. AMOLADÔ(R). nas expressões inté os galo amiùdá. com balanços de anca.importunar. introd. amarrano.ação ou efeito de amolar. q.: negócio desordenado. AMOLANTE. P. capim de Angola. .) | Esta acepção do verbo é corrente em todo o Brasil. Vai inté os galo amiùdá". um negócio). nu"a vorta do caminho. montesino. quando os galo amiùdávum e semelhantes.tornar-se freqüente. AMOLÁ(R). . m. a estrada era meió.o que amola. t. t. f. AMIADO.usado às vezes por galo ou galinha de Angola. f. amilhado. t. . e i. e "'ainda corrente no povo (em Port.. e ininteligível. "Emblemas". | É forma arc.andar apressado do animal de sela.. fogo!" "Quano. q. .2 s. AMENHÃ. s. fechar (uma aposta. assim como monteiro. montês.. "Não há pior fera que porco muntado". . de "amilhar": "O tempo tava bão. v. andar a monte.tratar.). AMIÁ.1 s.) na forma aminhão". monte que em Port. s. MUNTADO.papas de farinha ou de fubá. . . coisa confusa. amilhar. . ad. i. de olhos fitos sobre ela: "Brinquinho amarrô a bicha i eu.o mesmo que amolador. ANGOLA.

loc. agora já tô véio i num posso mais". ANGÚLADA. . ANGÙSADA. entonces: "E do acabamento do livro eu dey encomenda ao lecenceado frey João uerba meu conffessor fazendo per outrem o que de acabar per my entonces era embargado" (Inf.ANGÙADA. "Livro da Virtuosa Bemfeitoria"). ANTONCE. | E Acreditamos que este ante seja simplesmente antes modificado pela lei da queda de s final do dial. em todo o Brasil com o a nasalizado por influência de im. ou companheiros. 1| Forma pop. de Vasc. antes. .. | Cp. fazendeiro do tempo de dante entre Porto Feliz e Capivari. adv..A notar: IM ANTES." (C. . p.antigamente: "Eu dante fazia o que pudia. antemanhã. (V. como se vê deste passo do "Castelo perigoso" (séc. então.ave da fam. "Palamedeidae". . ANTE. assim..honde perde Deos e o Paraíso e guanha os tormentos do Inferno e perde os bees que d'ante auya fectos. antevéspera. ANSIM.".) ANTES. XIV): ". e na qual "dante" é tomado como um subst. "Lus. DANTE. ANHUMA. prep. 124). equivalente a "tempo 'antigo". parece. 38 e p. P. | É loc. loc. em antes. "Tapiridae". loc.: "Macaia. no sentido de "antecedentemente". etc. s. s.. prep."). não disse mais nada.. e saiu adiante". f.) | Filhos forão.. ad. o arc.. ANTA. D. questão inextricável. ANTÃOCE. f.: -"Antão ela reparou bem em mim. .. embora sendo certo que ante = antes de é do vernáculo antigo e ainda subsiste em anteontem (antonte). S. negócio complicado. adv. ANTÃO. s. . port. Pedro. INTÃO. sse o Deos nom chama pera sua graça. Encontra-se freqüentemente nas peças castelhanas de Gil V. "Textos arc. outras formas de então. INTONCES." (L. usada as vezes pela forma simples "antes": "Estive lá ainda em antes que ele chegasse". (Camões. TEMPO DE DANTE. muito antiga.grande porção de angú. que fôra escravo do capitão Tigre.quadrúpede da fam. f.. E nella antão os incolas primeiros.

e parece que também o que é necessário para fazer um cigarro.. O "Novo Dic.Nome que antigamente se dava a diferentes instrumentos de lavoura". s. . Nunes. Tomé de Jesus. ANTONTE. . ANUM. Vê-se em Vit. APARÊIO. APAREIADA. "Trabalhos de Jesus"). mas parece que já não é de uso corrente em Port. m. Oribella. Aqui. que compreende o isqueiro. por sua vez. ANÚ2. Mendes": .. A PAR DE. n.. m. .ANTES TEMPO. segundo o que se depreende desta menção de M. aqui. ("Obras de Gil V. p. sonho de somniu(m). | Os antigos diziam ante tempo: "Uma muito principal razão porque muitas pessoas cuidam de si mais do que tem.. VII). . (Fr. acreditamos. Cp. que como Deus em todas suas obras se parece comsigo é tão fermoso nos seus começos.. (Lenda da Dama Pé de Cabra. dos Rem. ANTONHO.antecipadamente. Designa o conjunto de utensílios ou instrumentos de lavoura. antes da hora marcada ou oportuna: "Foi tão de pressa que chegô na eigreja antes tempo". no "Livro da Linhagem".conjunto de instrumentos de caça.. . que no dial.. "aparêio de fumo". prep.. asseemtaua eli apar de ssy o filho. É port. | Forma antiga.". João de Castro). porém. adv. séc. ANTE. . "Cuculidae". "Com. registada por Vit. anteontem. APÊRO(S). apeiros. etc. ANÚ1. e aplicava-se ainda a outros objetos. adv.." (Testam. s. nu. q. 175): "Há em português o vocábulo apeiro. de D. anteontem. e ante tempo se tem por muito aproveitadas. pl. etc.junto de. e ella assemtaua apar de ssy a filha da outra parte". Junho de Juniu(m). o tinha por antiq. alli apar della. de Rubena") "Eu tenho huã quinta apar de Cintra. 2.º v. o fuzil.. Cp. XVII a palavra era usada tal qual. loc. As suas significações eram variadas.. "Auto de Mof. que muitos enganados com isso. como se vê deste passo de Gil V. | V. aparelho. Na Carta de Caminha há ante sol posto. J. aparelhada. . Gloss. | V. ao lado de: "Eu tava bem a par dêle quando assucedeu o causo". s. "E dizemos 'lampeiro' o que faz alguã cousa ante tempo. a que em espanhol corresponde apero.ave da fam.): "APEIRO .". se dão por perfeitos". Diez derivou-os do latim apparium (do verbo apparo). a pedra.. é.. loc." (D. XV). m. "Orig. PAREIADA.Esses autores registam a forma do sing.Na loc. a que se vai preferindo "antes de ontem" como mais correto. Moreira... Antônio.o que aliás já é uso antigo. | É de uso antiquíssimo na língua." não lhe põe nota de antiquado. como mostram estes exemplos: "E quando comião de suum dom Diego Lopez e sa molher. só se emprega no plur. Serrana." etc. chamando-se "apeiro de caçador" aos instrumentos e armadilhas de caça. que já no séc. como se vê desta referência ("Estudos". p. (Gil V.

mas acreditamos que bem pouco usado hoje. pergunta M. correntemente.". destinava-se de certo a dar- . antepôs ao verbo. neste sentido.. da sua ed. chamando-lhe parvo. t. S. com a devida vênia de tão erudito mestre. se me eu incho. me foi pinchanda lá pra Avenida Cintrá. em Port. O entrecho da cena e a construção da frase não autorizariam tal interpretação.Joanne. Por esta que me va de ida. A verificação deste ponto concorreria bastante a elucidar a questão. de Gil V. . PINCHÁ(R). porque a noite ia esfriando".: "Quererá dizer o Poeta 'vida que eu levo a pular. exclama: Oh commendo ó demo esta vida A que a eu arrepincho! isto é: encomendo esta vida ao diabo. Pinchar é port. a divertir-me?' Por nossa parte. má cheguei. exclama a certo momento: Oh! commendo ó demo a vida A que a eu arrepincho! No gloss. v. A cena passa-se entre Joanne e Catherina..A continuação da fala não faz senão confirmar esta interpretação: Catalina.Leva os tarros e apeiros E o çurrão co'os chocalhos - APEÁ(R).) "Tratei de me apinchá pra outra banda. apresenta a particularidade de envolver.". É provável que o que do segundo dos dois versos primeiro citados venha de uma transcrição errada de que "ou má interpretação de q". No Brasil.. de Catulo Cear. das "Obras de Gil V.Quanto ao arre que Gil V. enfim desesperado. port. perto de onde tenho meus que-fazê"." (V. APINCHÁ(R). dos Rem. Aquele faz e repisa declarações de ardente paixão.º v. que no dial. o poeta não quis dizer isso. . personagem do "Auto Pastoril Port. arremessar: "Fui de verêda pro quarto. segundo este e outros passos do "Meu Sertão". S. a resposta é negativa: não. a idéia de "hospedar-se": "Quando chegô? Adonde apeô? .: Meu compade Dizidero somentes pra me impuiá.. | Também se usa no Ceará. ao fim do 3.voc. ao qual a arremesso! . que a rapariga repele grosseiramente. A índia não está hi? Que quero eu de mi aqui? Melhor será que me va..Apeei na casa do Chico..). mandando-o bugiar. i. O pobre moço. v. é absolutamente defeso à gente educada . (V. despois de tê apinchado a ferramenta num canto da sala.

pássaro da fam. que dificilmente se deixa pegar. .. pra descobri quem me fizesse êsse sirviço"." (F. | Tupi. s. ARARA. ARARIBÁ. s.certa abelha do mato. "Cotingidae". | Tupi. ARAPONGA.. de bico preto. | Tupi. hame(m). . feita de pequenos paus arranjados horizontalmente e em forma de pirâmide. s.papagaio grande.espécie de papagaio pequeno. . . . da qual nos terá vindo boa parte dessa multidão de termos em re e arre. . ARAGUARI. ". v. ARARA-UNA . | Cast. ora. palavras nas quais o som o se muda em â.diz-se do cavalo espantadiço. que já então lhe iamos fugindo. | Tupi. .armadilha grande.. m. . | Cp. re-velho. ARATACA.empregado figuradamente no mesmo sentido que as expressões "suar o topete". . Pinto). | Tupi. do nheengatu.. APÓS. e os outros foram logo apos ele e lhas tornaram. (Garrett). ARAPUÁ. re-si. re-milhor.). APÔS. sem dúvida. f. | Tupi "aratag". . URUPUCA. armad. e correndo apoz nós. mais foi de barde"." (Carta de Caminha). s. sinhara.: ". "ver-se em apuros ': "Cos diacho! arei. de cauda longa. também chamado "ferreiro". ARÁ(R). "para pássaros" (Mont. ARAPUCA. que colhe e mata a caça. q. ARA. prep. e outros poetas d0 seu tempo. re-tanto. "Receio que a minha classe vá após d'esses fantasmas com que a iludem".. nos quais se encontra até re-não. ARAGANO. APÔS. que a língua possui. Refletiam eles. i.. | B. O uso de tais expletivos era comum em Gil V. M. f.certa árvore de boa madeira.lhe mais energia. Rodrigues regista "arapuca" e "urapuca".. uma tendência popular então bem viva. f.espécie de tucano pequeno. com o mesmo valor: "Andei após disso muito tempo".. haragano. e intj.arara inteiramente azul. ARAÇARI. APÓS DE. s. | Tupi. m. . f. . m. | É de uso antigo na ling.armadilha para apanhar pássaros. s. conj. s. vacê. s.no encalço de: "Saí no mesmo instantinho após êle. f.

part. Tá choveno daqui um poquinho e êle tá banhado de suór. f. . AREJA(R).muito limpo. arco-da-velha.boião de barro vidrado em que se guardam doces em calda. carnívoro da fam. coloca este termo entre os que cumpre evitar. Paulo. O "Novo Dic. por "coisas extraordinárias. cauda longa com pontas brancas. | Do tupi? ARIRANHA. Cp. "O Bituca arranchô na casa do cumpadre. hoje raro. s. v. no Brasil. m. .arco-iris.ARCO-DA-VÉIA. caip. ARFENETE. areia... P. castanho-parda. m. vêa. S. q. para que o animal. alfinete.). AREÃO.constipar-se (o animal): "Desincie o cavalo e recôia no paió. não de súbito. . .limpar cuidadosamente (qualquer objeto). AREADO. . . "alma de caboclo". f. . . . trazia tudo areadinho.")..larga extensão de solo coberta de areia: "Assim falavam o Chico Gregório e o Bertolomeu..") ARMA-D~GATO. "Mustelidae" e semelhante à lontra.Tupi. m.) | Em Mato Grosso e outras regiões há. . AREÁ(R). i. s. m. não ficasse airado. s. f.ave da fam. I. hospedar-se sem cerimônia (com alguém): "No fim do segundo dia fumo arranchá na bêra do Mugi". V. de "arejar". pequeno povoado. "rabo-de-palha". t.part. mas com cautela e lentidão. e "tinguassu". | É nome de uma localidade do Estado de S. é corrente a frase "coisas do arco-da-velha". revirava de sol a sol na labuta das donas. Port. (R. AREJADO. cinzenta na parte inferior. s. i. da Língua" (séc. fig. "airar": "Virou os arreios. e outrora povo (contraído em arreal. "Auto Past. ARRANCHÁ(R). Não m'arrarão alfenetes E tamísem enxaravia.. encalmado como estava. ou "rancho". s. alma de g. ARÊA. ARIMBÁ. .. Também se lhe chama. sem mais nem menos"." (C. s. m. | Cp.No Brasil. estabelecer-se provisoriamente. surpreendentes". v..." só o regista em sua última ed. pode arejá!" (C. "Cuculidae". | É forma arc. v. de arear .)." (V. esta palavra.populacho. em estado de perfeito asseio: ". arraial. igualmente arcaicos mas persistentes no dial. s. s. (Gil V.armar barraca. Parece ter havido aqui contaminação da idéia de "arraia" peixe. etc. XVIII). P. real). | Paiva.). "Inoc. .. ARRAIA-MIUDA. com o mesmo sentido. (Taunay.. no areão da estrada do Abertão. v. chêo. nas "Inferm. sob uma sombra.

f. Arc. ASPEREJÁ(R).) eram intjs. uxte e uxtix (que todas se encontram em Gil V. a só por só cumigo. . (F. ARTÊRO. invar. . i eu ti vo compra u"a de cartuche (espingarda). de ALCANÇADOR . mudou-se em ar.usar de linguagem ou de modos ásperos (com alguém): "Não aspereje ansim co a pròvezinha da criança"." (Ad. arre lá. q. no passo acima citado. responder: "Cum pôca demora ela me arrespondeu falando sussegado. É ascançadêra?" (C. Coelho. usadas pelos arrieiros para estimularem os animais (se bem que." (C. "Crest. | "Arteiríce caiu em desuso depois que do latim se tirou a sinônima astúcia. J.. Ocê já tá cum déiz ano i coisa. XV. Há de ascançá longe. ad.") ARRESPONDÊ(R). ardil. se acha em Gil V. ASPRE. "A Líng. . mas trata-se de uma rapariga do povo a quem o diabo quer levar na sua barca). morena! Arre.. q. t. Elísio. que muié aspre pra lidá cos póvre!" . ASCANÇADIERA. J... v. em as... áspero. q.: "Nossa. intratável. Nunes. que tem na loja do Bismara. loc."): Arre lá! uxte.irritadiço. ASCANÇÁ(R)..) | A sílaba al.. P. de acordo com a fonética roceira. intj. s. como arre: "Não me aborreça! Arre lá!" | Esta intj. | Cuido que o vejo erguer-se arruminado Lá da campa onde jaz seco e moído.ardiloso. ARREMINADO. Port."Aminhã nóis vai na vila." regista-o sem essa menção. por influência do som sibilante de ç.ARRE LÁ.."É do cano cumprido! Bem mais cumprido do que a minha! A vareta num chega no fundo." (V. ("Auto da Barca do Purg. e depois. ASCANÇADO... S. .". alcançar. palavra que era nova no séc." (V.astúcia.de enfado ou cólera. regista arteiro como fora de uso corrente. equivalente a "a sós": "Eu sempre maginei. . f. . 59).. ARTERICE. . O "Novo Dic. que não encontramos registada em dicionário. O meu Garção.Que bão!.). S.. | Expressão clássica. reI. não se dá esse caso.).)..". P.. v. q. alcançador. A Só POR SÓ. que não hai coisa mais triste que andar um cristão pro mundo. astuto. p. "Arte Poet.

v.estugar (o passo). pois o caipira usa constantemente de "tribulado". açoriano e antigo. o ital..usado na loc.escutar refletindo. v. que o dá como "o mesmo que acimar": "concluir. ASSOMBRADO. M.fazer uma cavidade (por dentro da cangalha. executar.. "mal assombrado". s. em linguagem polida. ASSUNTÁ(R). Nhô. "Auto da Barca da Gl. v. fantasma.. atalhar.. Veis aquelios azotar Con vergas de hierro ardiendo Y despues atanazar? (Gil V.importunar. equivalente de "ultimar". t. De tenaz. . Mas assunte bem.. obra. . ATAIÁ(R). (A. Acha-se em Vit." registra atimar. instante. m. avolumaram-se e começaram a secar". . considerar. SOMBRAÇÃO."). dos Rem. part. "tribulação".. e até em frases muito semelhantes à citada. apressar (algum serviço ou negócio). S. O diabo me atentou. ATABULADO. apoquentar. de Gil Vic. feita a descarga. no gloss. q. v. aposto à sua ed. que rio terceiro dia de viagem ficará decidido quem é "cavoqueiro" e embromador". attimo. em cujas peças o verbo aparece muitas vezes. . Freire registou-o. ói que o diabo atenta!" | Esta última acepção se encontra também em Port. t. dando a tais palavras um grande elastério. num abrir e fechar de olhos: "E as espigas desenvolveram-se num átimo. (Taun.. num instante. em lugar correspondente a uma pisadura no animal): "Ao pouso arribava à boquinha da noite. t. J.diz-se do lugar ou casa onde se crê haver assombração. . alma do outro mundo." (C. f. . J. . ÁTIMO. . irritar: "Não me atente mais. | De atribular? A hipótese não é gratuita.) | O "Novo Dic. i. define-o quase nos mesmos termos. v. s. como t. ATENTÁ(R). .") F. "Inoc. ou façanha". Delf. de ATABULÁ(R). .tentar. t. observar: "Pois ensilhe o seu 'bicho' e caminhe como eu lhe disser. Ram.Cp. "num átimo". que eu tô no fim da paciença!" (V.). levar a cabo alguma empresa.ASSOMBRAÇÃO. afofadas e atalhadas as cangalhas pisadoras. atenazar.) ATANAZÁ(R). Moreira colheu em Armamar um trecho de romance onde há estes dois versos: Puxei pela minha faca.. "Num brinque cum revorve.aparição..

ÁGUAS. sem causa explicável: "Eles brigaram à tôa". ATROADO. lindeza? . e ainda aribu. loc. O mesmo processo se observa. de atroar. como "entendido". isto é. loc..À toinha!" ATORÁ(R). . mas especializado aqui nesta acepção. siturdia.desprezível. | É t. q. avaliar.que fala com estrondo e de pressa. outro-dia. q. . e atorei pra casa".inutilmente. "Essa hora eu tava longe". com significação ativa. pois o aparelhador cortou as águas da madeira". viérum à tôa. sinhara.À TOA. Tenho le visto na rua cum gente atoa. de tempo: "Atrudia estive em sua casa não le achei". ao lado de urubu.. arapuca. .) é comum em quase todo o Brasil. ÁUA-MÓRNA. ÁUA(S). | Forma arc."no outro dia".o mesmo que a toa. que. Também há isturdia. sem receio nem cuidado: "Você é capáiz de cortá aquêle pau antes da janta? Corto à tôa! | De à tôa. pl.separar (cereais da casca. q. loc. adv. "Num havia percisão de virem. ÀTOINHA. "viajado". atirando-os ao ar com peneiras ou pás). f. "Meu Sertão"). . AVALUÁ(R). João eu vô le visitá". (Cai. v.). no emprego de outros complementos de tempo. mande o desgraciado fazê uma viaje sem chapéu!" (V. por troça". escarninho ou jocoso: "Vai dansá um pôco.: "Dia de S. "Não custumo brigá por quarqué quistã atoa . . t. com variantes (siturdia. "Chegô a somana passada". Quanto à sintaxe. adv. com um sentido irônico. . ara. fraco: "Não seja água mórna. etc. notadamente no Nordeste: Bem me disse. ÁGUA-MÓRNA. . (V. | Não é caso único esta mudança de o em a: Cp. . . a reboque.direção das fibras da madeira: "Esta bengala não tem resistência. insignificante: "Aquilo é um tipo atôa". que dispensam prep. . à sirga. ÁTRU-DIA. S. urupuca. t. hame.irresoluto. adv. sem razão. cumpre notar a diferença em relação à frase port. | Part.sem delonga. port. de acordo com o uso clássico. ATÔA. AVENTÁ(R). i.). v. v. nem se intende o que êle fala". Daqui se tirou. embrulhando as palavras: "Aquilo é um atroado. s. S. mecê num faça isso". a Josefa Caprimbu que esse passo era afiado de curuja e de aribu. .partir a pressa: "Passei a mão na ferramenta c'a pobre da minha cabeça a mó que deleriada.

certo doce de ovos. . i. q. em 1853. (V. de Minas.atordoado. meu amigo. E pergunta se terá relação com ozoar. essa noite: era um voar sem parada em riba da minha testa. . importuno.AVINHADO." (V. provavelmente. f. AZUCRINÁ(R). rubra." regista azucrinar como brasil.eqüivale a "acabou-se!" . . etc. AZUCRINADO. e aponta-lhe o étimo tupi "mbau". tira de fazenda. s. com este nome. . morde o babado da vermelha blusa. .pássaro da fam. t. avuasse. quano eu fui atrais dêle. colheu-a na Amazônia. sem sorte. Em Pernamb. | De voar com a explet. v. Paulo e. avuê. importunar. . AZARADO. mais comprida que grossa. um doce feito de coco da Bahia". BABADO." regista "azoratado.º v. BABA DE MOÇA. significando "acabou-se. "Se subesse vancê quanto lhe estimo. ozorates."lá se foi!" -"agora é tarde!". citado pelo precedente.. avuô. s. Exemplo: "Porque não veiu mais cedo. avuava. confuso: "As corujas do campo a mó que tavam malucas. (C.nome de vários pássaros azuis. "Fringilidae". "Stephanophorus leucocephalos" e um pássaro da família "Fringilidae".O "Novo Dic.fugir. etc. acabar. m. de uns três palmos de extensão.) azoratado vem de zorate (ou orates. v. E a caipirinha lânguida e confusa. AZULÊGO. ... s. Sentido irônico ou burlesco: "O tar sojeito.Atormentar com impertinências. f.. ouvindo.. como: o sanhaço. m. s. AZULÁ(R). | O "Novo Dic. com que se enfeitam vestidos. ao menos de S.. pra comê os doce? Agora. Rub. Moreira ("Estudos". . É também a explicação de Leite de Vasc. Segundo J. S.).folho. pregueada. o zorate). Também é do Sul. P. também conhecido por papa-arroz. erguera-se da várzea. AZORETADO. a confissão do primo.) BABAU!. Conjuga-se: avua. i.) . . interj. babau!" | Cherm.o que "está de azar". que me deixava azoretado". mencionava. q. curió. v. esgotou-se". AZULÃO. já tinha azulado". de azucrinar. part. . AVUÁ(R). doidivanas ou estroina". S. . infeliz. há "azucrim". do Norte e com o mesmo significado.azulado (com referência a qualquer objeto. | No Norte dá-se aquele nome ao virabosta. 2. pintalgado de preto e branco) : "É que uma língua de fogo azulêgo. em especial ao cavalo escuro. q.

Tupi. .nome de vários peixes de água doce e salgada. . da fam. BACUPARI. m.arvore de madeira branca. . dos Rem.diz-se do animal eqüino de cor amarelada. . s. BAGRE. m. .") | Deduzido de babar.). bacalhau. port. m. . s. franzindo a testa. .Diz M. algures. que badana significa "propriamente a ovelha velha" e "carne magra. BACABA. | É t. . BACURAU... BAIO. antigamente usado para castigar escravos. Gloss. o anim. . m.. . . f. com várias significações.. P. o amarelo vivo. s. cheia de peles". f. o de tom escuro e brilho apagado. BADANA. (Obras de Gil V. ficando-lhe na barba um fio meloso de babo.INCERADO. s. . . . | Tupi. port. em linguagem jocosa. s. na Europa e no Brasil. "Ê a deferença que hai. s. . .. também chamada caguaçu. q.Dão-no como derivado do ar. . "Siluridae". | Em outras regiões do Brasil designa diferentes espécies de árvores frutíferas. BAIACÚ.GATEADO. m. BAGUAÇÚ.CAFÉ-CUM-LEITE. (C. .AMARI(LH)O. m. BACAIAU.mil réis. geralmente com cauda e crina brancas.CAMURÇA.arbusto que dá um fruto muito ácido.nome de várias espécies de peixe de couro. méde-léguas: "Nyctidromus albicollis". de cor brilhante e clara. . BAGARÓTE. | Do cast. m. | T. bitana. s.certa árvore. m.azorrague de couro trançado. s. Bolieiro cuspiu para um lado. . s. de um tom avermelhado.couro macio que se põe sobre os arreios da cavalgadura.bava: "Fazendo uma careta de nojo. explicando certo passo. Comumente se usa no plural.pássaro também chamado curiango e. s.BABO.

liteira com teto e cortinados.ave aparentada com o papagaio: "Baita'cas em bando. a sumiremse num capão d'angico". q.. .) -Tupi. s. escorrendo gordura".pensar aparvalhadamente em qualquer caso impressionante. MAITACA. pequena porção de açúcar resfriado em ponto de espelho e envolvida num quadrado de papel. e a usança também são do R. balaio do coração - | O t. BANGÚê. . G. a mesma "bala". que parece extinta. m. sem tampo.DE OVOS. BANGUR. . tem muitas significações pelo resto do Brasil. PONTO DE -. f. s. meu bem balaio.espécie de cesto de taquara.rebuçado. . . | É port.DE LIMÃO. BANHADO. m. BANDÊ(I)RA. intr. levada por muares. f. do S. na roça.). queimado. (C. 5. m. Dela se conservam reminiscências em algumas trovas: Balaio.BAITACA. . v.certa dança popular. . que antigamente se usava. bulhentas. Dir-se-ia simples corrupção . s. s. . é velho. m. m. Caldo de cambuquira.Paiva incluiu-o nas "Infermid. . BALÊ(I)RO.que tem falta dos dentes da frente. s. destinado a depósito ou condução de variadíssimos objetos. DE LARANJA. BALAIO2. já registado no vocabulário de Rub. L. (M. IBANANINHA. como se pode ver em Romag. conforme a essência adicionada. f. um feijão virado alumiando de gordura e. Origem controvertida. s. como se pode ver em Macedo Soares e outros vocabularistas.". . P. Pouco usado. BANGUÉLA..campo encharcado. o estado em que se deixa esfriar a calda de açúcar para fazer balas. BANZÀ(R).pequenos bolos de farinha de trigo. . mas principalmente usado pelas mulheres para guardar apetrechos da costura. s. com uma forma semelhante à das bananas: "Chegara a hora da ceia. . Este t. O t. ponto de espelho. . BALAIO1. para fechar. etc. f. e Estados vizinhos dizem "bola". . com recheio de ovo batido com açúcar. um café com bananinhas de farinha de trigo. sem explicar o sentido. s. (1853). tudo indigesto. BALA. | Em Pernamb.vendedor de balas (rebuçados).monte de espigas de milho.

grandes árvores velhas por cujo tronco e galhaça trepam cipós. querem doutos que seja voz proveniente do quimbundo "cubanza".) BARRIADO. s. (C..laçada com que se prende o queixo da cavalgadura rebelde.revestido de barro (muro ou parede) . s. . não ocorre jamais ouvir-se o subst. Pouco usado.lugar onde há barro salgado." regista sob este nome ainda outra planta. que já esteve na vila e até na escola. . borboleta. escorre barba de pau e aderem musgos". P. s. revestir. L. muito procurado pelos veados e outros animais do mato. s.cordão com que piões e viajantes a cavalo prendem o chapéu sob o queixo: carnosidade ou pele pendente sob a queixada de um animal. cheguei pórva no uvido da trovão. de colmo longo e resistente (Garcia). salpicar (de bagos de chumbo): O catinguêro num me feis carêta.O "Novo Dic.Aqui. s. de casca adstringente. BANZÊ(I)RO. . (M. . i.árvore da fam. barbela. flexíveis e esbranquiçados. com alguma substância meio líquida) . BARBA DE PAU. barrear.: Vai no domingo e vai de calça preta. Em Pernamb. m. Nees Kunth). s. "banzo".filamentos parasitários que dão na casca das árvores do mato: ". . muito usada em curtumes. de BARRIÁ. das Legumin. .) BARRÊRO. (C.o que está a banzar. v. barrear . m.barrar. . Mas. . é o de fios longos. f. s. partic. P.africana (ou feita ao jeito do linguajar dos pretos) do verbo pensar. f. esta de jardim. . BARRIÁ(R). BARBA DE BÓDE. barriei de chumbo o bicho na palêta. e cujo aspecto.espécie de capim de touceiras abundante em campos de má terra. q.. paletó de algodão de grande gola. visitar o seu bem sua barrbuleta. m... quando maduro. BARBÉLA.). BARBULÊTA. m. f. besuntar (qualquer coisa. dáse este nome a uma gramínea ("Sporabulus argutus". revestir de barra (muro ou parede): cobrir. . BARBATIMÃO. BARBICACHO.

Port. f. s.o produto do parto de uma cadela. amiga.. ou qualquer animal multíparo. simplesmente. coberto. | A frase "botar o barro à parede" está registada nas "Infermid.certa árvore. Se comeis toda a vida - "E se tendes já barriga". . BATÁIA1. s. isto é. que a regista como pernambucanismo. de Rubena". q. | Cast. vol. genuíno. se sois agastadiça. se estais de novo grávida. BARRIGUÊRA. solo cheio de covas (C.". qualquer outro gênero de pedido ou proposta arriscada.) Por analogia. do Br. besuntado. E se tendes já barriga. Lus. como se vê da "Rev. Garcia. ou. ." BARRÔSO. . Em port. s. BARRO. s. s. verruma.fartadela (de riso) : "Tomei u"a barrigada de riso no circo". com as mesmas acepções principais. . f. | Cast. . como chumbo de caça: "barriado de chumbo". f. BASTO. f. f.Aplica-se mesmo falando de coisas sólidas. IX. firmando a sela."Botá(r).serigote ou lombilho de cabeça de pau. o que importava saber para avaliar a qualidade do leite.tira de couro ou de tecido grosso que passa por baixo da barriga da cavalgadura. s. amarelo pálido. nota que é corrente em Baião. BARRIGADA2. Que dias há que me eu sei. revestido. em Gil V. sujo. "O chapêu do minino caiu no tacho e saiu barriado de carda". eqüivale a fazer pedido de casamento e. .Eis a casa de um homem das florestas: as paredes apenas barriadas. P. pop. E. f. .. | Com o mesmo sentido. quando a Feiticeira interroga a ama a quem vai confiar a criança: Primeiro eu saberei Que leite he o vosso. BARRIGADA1. | Parece geral na ling. s. às vezes.gravidez: "Fulana tá cum barriga".diz-se do boi acinzentado ou branco. . m. . pregá(r) o barro na parede". m. "Com." e também se vê na "Eufros.. s. e Port. BARRIGA. "pregá o barro". BARRUMA. barrado. barriguera. batalha. salpicado (de coisa meio líquida) : "Fiquei barriado de lama".

P. . a verdade é que o povo roceiro fez.certo jogo de cartas.". ele é sinon. BÊBUDO. órfo de órfão. BATAIÁ(R).. sc.. folia (em sentido depreciativo) : "Na sala grande. s. pândega. tambor."Quando oiei no chão tava um bêbudo caído!" (C. | Desnasalizou-se a sílaba final como em Istêvo. bendito por "bem-dito". no terreiro. s. em Port. e no finar das conta. Serm. DaIg. a aglutinação dos elementos do voc.) "Dança de pretos. s.. que rima "benção" com coração". 2. do Sábado quarto). mas é africano. nada tem com bater. III). V.." ato 1. "concrusão". P. .certo pássaro. "Musa Caip. bêbado. como pronunciam os que se prezam de bem-falantes.) | Segundo Mons. que cantam em coro os últimos versos do "cantador". P. lutar (por conseguir alguma coisa) : "O próve de nhê Chico! bataiô tuda a vida pra desimpenhá aquela fazenda. . o cururu.lidar. v. de "bem").papel contendo uma oração escrita. há muito.. Dalg. diz o mesmo Mons.) | Cp sábudo. e ao som dos "tambus" requebram e saltam homens e mulheres. ou bataria?" ("Eufros. s. Na Índia. só ." BATARIA. BATE-BÔCA. . f. BENTINHO. e. passou. | Nome onomatopaico. f. . m. o t. encapando-o em pano. v.".dança de pretos. os "modistas" contadores de façanha. BATUIRA. . m. (J. o antigo bárboro de onde "brabo". i. s. depois de o fazer . 178). | Quanto à forma: "Quem defender vossa casa de hum saco. (C. BENÇA. q. trabalhar. Formam roda de sessenta e mais pessoas. o ditongo nasal (ein. reduzindo. e que se dobra muitas vezes. baile.. BA(I)XÊ(I)RO. etc. m. ato I. | "Minha amiga entendamos como há ser isto? avemos hoje bautizar este filho se o he? ("Eufros. Mor. Embora se costume grafar "bem-te-vi". s.º v. m. dando violentas umbigadas uns contra os outros" (C. s. "Estudos".. III). . | Esta forma oxítona se ouve às vezes (segundo cremos.discussão violenta. para onde o vocáb. "Quando cessam as batarias. t. de Estevão. p. na salinha de fóra. ni. cágudo dissimilações semelhantes e na língua d'alem-mar. f. então se fabricam as máquinas". BENTEVI. . o batuque da negrada e o samba dos caboclos". .rosário de bombas que se queima nas festas de igreja.em versos). f. Cf. benção. provavelmente do ladim "batchuque". f. esta palavra.. . (Vieira. e assim se traz pendurado ao pescoço por um fio. BAUTIZÁ(R) batizar. BENÇÃO. de "gumate". instrumento de música. batalhar. BATUQUE. Encontra-se em Gil V. . s. s. s.BATÁIA2.manta que se põe por baixo da sela.Ê forma pop. sc.pássaro muito conhecido. batalha.

aiai! o meu fio sumiu. L. frutas. s.. se diz "caba".R. é corrente o ditado "Laranja na bêra da estrada. BESTÁ(R)." (C.Dão-lhe orig. . BICHARADA. v. nu"a noite de luá.). . VESPÊ(I)RA. a fruta. P.. tomou certa errada. D. Rodr. Coitadinho! Achei no barranco só um bentinho que dei pr'êle quano era criança. f.benzer por um padre "Um dia. . .. BÉRNE. casinhola: "Tudo isto afim de que não falte aos soletradores de tais e tais bibocas desservidas de trem de ferro o pábulo diário da graxa preta em fundo branco.quantidade de bichos.criar bichos (o queijo. s. BIBÓCA. . em Minas: "Laranjeira carregada. consigna uma variante parecida com essa. Paulo. fazer fortuna.). "À excepção da Prov. P. P. da terra. n'as quais se substitui "vespa" por "maribondo". | Em outras partes se diz "peréba". homem alto e gordo. o termo port. .") significa também ganhar dinheiro. 171 e 206.asneira. à beira das estradas. em plena mata. e no Vale do Amaz. Afr. m. q..dizer asneiras. f. "Oestridae".casa de vespas. .).) | Mac. .. buraco do chão. Alex. f. "babóca". Soares dá. v. BERNENTO.. que diz peculiar a S. L. . BÉSPA. em nhengatú e língua geral. vespa. 'Vespa' é geralmente desconhecido da gente rústica". "boboca". ou tem maribondo ou frutas azedas".. tupi em "ybybóca". . p. BERTOLAMEU. principalmente na cabeça. ou é azêda ou tem bêspa". BESPÊ(I)RA. BICHADO. fam.. "abelheira". . f. n. BICHÃO. colheu. que se desenvolve na pele dos animais e às vezes mesmo na do homem. q. grota. a de casinhola de palha. Bartolomeu. f. Em outros Estados existem variantes. s. s.. P. . dá esta forma. . s.que tem bichos (feijão. Segundo o mesmo autor.erupção de pele. m. bundo. BESTÊRA. em "Fruta do Mato". | nas outras terras: "maribondo". diz B. no livro "Quem conta".Em S. f.larva de mosca "Dermatobia cyanciventris"... s. foi ter à biboca de um negro velho. porém. "pereua" significa úlcera.cheio de bernes. s. | C. Peixoto.. Usa-se mais no plural: "Urtimamente me aparecero u"as beréba pro corpo". BERÉVA. i.. entre outras acepções.Registam-se outras formas pelo Br.. t.aumentativo de BICHO: animal grande. lugar apartado e invio. . .. etc. "A meio caminho. . o mesmo que veiêra.) | Em M. etc. colhida na Bahia." (M. s.Segundo B.quebrada." (M. i. Grosso ("Inoc. p. BICHÁ(R). fenda. de S. no Mar..

BIJU. ..ave da fam.. ou porque realmente se guarda a tradição d'a sua origem indígena. m. nem pela forma.cada um dos ângulos salientes de uma renda ou bordado. roceiro abrutalhado. m. f. s. indivíduo metido consigo.nome de várias espécies de passarinhos da fam. verme. nhengatú. . de brabo!" . língua geral. BICHO. s. BICUIBA. m.o mesmo que bicharada.pústula."Ih! minha Nossa Sinhora. destreza. animal selvagem.certa árvore silvestre.Serre o baraio. BICHÊRA. papéis para guarnecer bandejas e prateleiras. B.Bamo vê? . . B. | Existe em todo o Br. ou mandioca. P. larva. Em frases interjectivas. o conjunto dos recortes angulares com que se enfeitam toalhas.BICHARIA. e outros apontam vocábs. Entretanto. m. inseto. lençóis. s.qualquer animal. regista "beyu". m. Escreve-se geralmente "beijú". . "Pulex penetrans". que dizem ser a verdadeira. "Fringilidae". BIGUÁ. nem pelo sentido. com especialidade os não domésticos.árvore espinhosa. . tornar-se repentinamente violento. que ataca os animais de criação (especialmente bois). .Tire a sorte. . ao fazer-se a farinha. implica a idéia de corpulência. cheia de larvas de mosca. "beijinho".Dêxe pro pé. s. Tonico. . s. tupinambás. com significados vários.placa de farinha de milho. f. ficar zangado. que se despega do fundo do "forno".DE CONCHA. que não se distancia muito do nosso biju.DO MATO. BICO1. . s. etc. Rodr. no plur. aquêle hóme é um bicho. . "Carbonidae". BICUDO. . m. s. . sem se esfarelar com o resto desta. . e também do "Pitylus fulginosus". Dê vance. há em port. força.-R. . que produz uma noz oleosa. que dá um fruto semelhante ao bico do pato. f. e "meyu". . s.) BICO2.carta de somenos valor no jogo do truque (os "dois" e os "três): . .m. ou por ligá-lo a "beijo".DE PÉ. semelhantes.Truco in riba dêsse bico! (C. s. s. etc. . VIRÁ(R) -. BICO DE PATO.DE PÊLO. ferocidade: "Isto é que é cavalo bão! Êta bicho!" .DE PENA. . sob essa forma e sob a forma beju.

(A. . em que há estes dois versos: E viva o noivo ca noiva. Vê-se. s. e acende-o vagarosamente". bobear é fazer... s. Pouco usado. p. do bundo. pois. f. . "o povo usa bizarro com a significação principal de 'generoso' e bizarria com a de 'generosidade'. diz G.palerma: "Parece coisa que inda tô vendo o Tibúrcio. f. Viana. BISÔRRO.). que o sentido de bizarria no nosso dial. BIZARRIA..árvore de grande porte. partindo e voltando. s. "Palestras .o mesmo que guariba. BOBÓ. . f. | Em Port. que andava esfarrapado pro meio dessas ruas. s. Só conhecemos uma quadra popular. .. s. f. s. . | Na Bahia significa simplesmente chifre. P.). bilro. q. t. f. é puro vernáculo. boa para lenha. s. f. S.BINGA. BIRIBA.certo pássaro: "O engenho desmanchava-se aos poucos e a casa ia-se tornando um taperão.. bate a binga...V. BOCAGE(M)." (V. s. BOBÍCIA..isqueiro de chifre: "Enrola o cigarro. Aquerditá nessa bobiciada! (C. BOBICÍADA. empulhar: "O Fermino cunsiguiu levá os inleitô do ôtro lado. BIRIVA.. cum tuda sua bizarria. s. 31. BIRIBÁ. que se introduziu por via literária.palavrada. P.quantidade de bobices: "Quá o quê!. . ." (C.. BIRRO.). m. divergindo da significação afrancesada. m.enganar.-R. ou dizer bobices. besouro. PIRI. s. . Atribui-se-lhe o étimo "mbinga". porque bobiô êles".). expressões baixas e indecentes. . v. B.. seg. piavam. . m. Em Port. m. sobre o qual os bilros implicantes. BIRI2. amarra-lhe uma palhinha para que não desaperte. liberalidade. s. S. Ocêis são bobo. m. bobice. BOBIÁ(R). chifre.generosidade. . aquêle negrão meio bobó. BIRI1. .árvore de pequeno porte.

m. Diminut.fogo fátuo.mulato. m. | Também se diz bocó de móla.BOCAINA. . s. s. "bandoque". . | No Norte.cobra-coral. prostrar. falando-se de moléstia. BOITATÁ. . etc. .derrubar subitamente (pessoa ou animal) em sentido figurado. BOCÓ2. BODÓQUE. que significaria "coisa de fogo".arco. . . usado para arremessar pelotas de barro. .saco (geralmente. e "biatatá" da Bahia. s. . -R. regista a corrupt. que dá passagem. bòdarrão. Nunes não cabia em si. | C. baseados em Anchieta. Percorria as roças contente da vida. mas de pequenas proporções (cinco. p. pasmado. s. e. PELÓTE. rematando com gosto de artista a obra. s. P. BOCÓ1. s. B. de ter ouvido também boicorá. . cobra. e i. de lona) que se traz a tiracolo na caça. apalermado. Tem noutros pontos do país significações um tanto diversas . . colheu bitati ("Quem conta"." dá como ant.. P. desde o cabo até a malha". a frase "andar de boca aberta". bódarrona.palerma. ou de ar imponente. .árvore que dá um fruto oleoso.Dão-lhe uns. q. f. m. alusão rápida e áspera. bem raspado com um caco de vidro que levou da cidade. que é corrupt. s. "bogó" designa coisa semelhante. .. t. BOLIÁ(R).V. mulato corpulento. 30)."Mboi". porém. regista "boi-tatá". | Af. dá "batatão" da Par. s. BOIADO. unhando os caules polpudos já em pleno arreganhamento da dentuça . . m. m. bacorá. | De boia? BOICORÁ s. remoque. BOI-VIVO.boca de rio. . encordoando-o com corda de linha "clark" encerada a capricho. BODOCADA.De boca. Cp.. como pela analogia da imagem com o objeto. bòdinho.. Taun. BOCUVA. foz. m. "Vieram as chuvas a tempo. "boqueirão". do N. o étimo "mbaétatá". significando "bola de barro. .. f. | Cf. fem. . BÓDE. que se atirava com besta" e aponta-lhe o étimo no ar. (C.diz-se do anzol empatado (encastoado) . cair para trás (o animal) depois de empinar. q. a língua geral dá para tudo. Parece. BATÀTÁ. enfim.tiro de bodoque. Rub. BITÀTÁ. de boi. tanto morfologicamente.. lembramo-nos.em linha comprida. muito medrado de espigas. "cabra". Figuradamente. de modo que em Janeiro o milho desembrulhava pendão. parece que acertam. à caça de passarinhos: "E o caboclo perdeu meio dia de serviço para fazer o bodoque. s.) | O "Novo Dic. BONECA. oito palmos).espiga de milho nova. v. quase idêntico ao com que os índios atiram frechas. entrada de canal. dito ferino.guisado de test. Aument. . bódête. porque. seis. Outros apontam "mboi-tatá" cobra de fogo. f.depressão numa serra. f.

qualidade do que é brabo.. Na frase vá bostiá. denso.. . (Ag Silv. "de bóta e espora".usado para indicar indivíduo antipático. Na Índia existe "bostear". o despeito ou irritação. montam-nos em pêlo. L.fenda profunda. BOTÁ(R). selvagem (mato). v. m. zangadiço. conforme usança da terra (Mons. Dalg. Eqüivale. Sorocaba n. botar o feijão no fogo. entre centos de outras vulgaríssimas em S. Diz S. m.). s. sujeito . com elásticos neste. . é bostar. i botô-se por essas estrada". f. i. v. f. | Mais ou menos corrente no Bras. s. "Fulano? Aquilo é um bôrra". como se vê.). registam braveza. Lopes. rasgada no solo pelas enxurradas: E mortas. P. de bota e esporos. q. de pôr. | Na "Inoc. etc. p. t. colérico. eqüivale a "pentear macacos". em completa solidão.. s. | Parece ser o "pium" do Norte. Cf. bostear. do S. de trato difícil. . mas aplica-se ao homem por jocosidade. . a "bolas".). jazem as ruas desta pobre aldeia. G. (V. | A forma port. exprime antes o estado de alma de quem fala. esta pal." de Taun. s. BÓTA.zangado. BOSSORÓCA. . todo.certa abelha silvestre. Que as bossorocas engulindo vão. BORÁ.Sinon. . se não mostramos energia. . s. Refere-se mais aos animais. Ramos).defecar. BOTÁ(R)-SE. "tipo". de bôrra ("doutor de bôrra". bravio (animal). v. BORRACHUDO.mosquito do gênero "Simulium". no conto "Trezentas onças" (R." (C.na Ioc. .vermelha e palpando as bonecas tenrinhas a madeixarem-se duma cabelugem lourotranslúcida": (M. Não tem significação precisa. f. "coisa". perfeitamente aplicável aqui: "E. de uso preponderante em todas as acenções: botar a mão.. corrente na linguagem culta. BOTINA. BÔRRA. botar ovo (a ave). depara-se a expressão "botar-se a caminho". pron.): ".) | Acreditamos que também corre a forma soróca. . "Pidi pro Tonico u"a ajuda na roça e o bôrra não apareceu". BRABO. | Parece deduzido da loc. botar as tripas pela boca. botar dinheiro no banco. BOSTIÁ. pôr-se: "O home ficô desesperado ca demora da noticia. .lançar-se. BRABÊZA.calçado fechado até à extremidade do cano. s. mas significa revestir de bosta as paredes e pavimentos das casas.) Os dicions. cuja picada é dolorosa. f. Exemplo goiano. desagradável.

"pequeno saco de coiro que usam os tropeiros de Minas". . de S. dá-o como corrente no Sul de S. t. saco de couro de caldeireiros ambulantes. Bárboro encontra-se nos antigos. em D. s. s. que. f. . definindo-a "alforge de couro para condução de diversos objetos em cavalgaduras". . e italiana por outro. "o casamento do Chico ainda leva a bréca". s. f. i. BRACUÍ. que facilitou o encurtamento do vocáb. de bárbaro. | Encontra-se em "Inoc. de farinha de trigo. BRANCO MELADO. barganhar. . s. . s.. ingovernável. Encontra-se em C. João de Castro: "E asi me sertifiquei da longura que ha do brazil ao cabo da boa esperança e nisto estou tão costamte que me atreverey a o fazer confesar a omens barboros e a outros de gramde enjenho".de contas mui limpas e brabo como uma manga de pedras. colhido em M. Taun. desenvolvendo-se na casca das laranjeiras e outras árvores. | Rub.De periclitar? BRÓCA. BRÉCA. t.. diretamente. BREGANHA. em "Dom J. s.diz-se do animal eqüino de cor branca. 147. P. forma idêntica à paulista.. desobediente. comum no vale do Paraíba. ouvir o bramido que solta a rez retida no atascal. endemoninhado. que é de importação francesa por um lado. se encontra na Eufros. BREGANHÁ(R). G. onde embalde briquitaram em roda com o laço os campeiros para livrá-la. q. f. desmanchar-se. . Lass." regista o port.. Tirou-a talvez a língua. saco de couro trazido por viajantes a cavalo. dá "buraca". v. se relaciona com essa. . colheu no R.Esta forma não parece mera variante de "bravo". | Af. BRUACA. BRÓCHA. desfazer-se: "levô a bréca o negócio".surrão..tira de couro que prende as extremidades dos canzis por baixo do pescoço do boi de carro. insultuosamente. de origem cast. de C.".lidar (com algum serviço). penetra profundamente no lenho e assim danifica as plantas.certa palmeira. BREJAÚVA. Ramos (Goiás): "E é um espetáculo que corta o coração. f. s.árvore de grande porte. levar a bréca (isto é.". barganha." ("Tropas". BREVIDADE. v. por ex. p. . burjaca. BRIQUITÁ(R). mas como explicar o desaparecimento de j? . f.larva de um inseto. mas com um tom particular. . A própria forma brabo." . através da forma bárboro. p. É claro que a forma brasil. (Carta ao Rei.usado nas frases: levado da bréca. Pinto). a mulheres. Também se aplica. f.espécie de bolo doce. do S. "levá-lo a bréca"). . terrível. com dissimilação do segundo a." por M. . s. 155). Grosso. f.O "Novo Dic. tal qual. m.

S. pois o nome. é volantim.B. . q. espiga: "levei bucha nesta compra".". s. s. v. Cp. | É t. é ignorada do vulgo. BURRAGE(M). não seja senão o francês bougre. embora não seja desusado em outras partes do país. f.designa o indivíduo português. m. e os bulantins eram esperados com ansiedade nas povoações". BUGRE.. . .índio. introduzido pela gente de Villegagnon. BUÇALÊTE. f. certa palmeira. onde é popularíssimo. m. registada por F. . | Há também imbuáva. . de S. .companhia de cavalinhos: "Naqueles tempos os cinemas não haviam ainda dominado as praças. Deve ser comezinha alter.. s.logro.espécie de buçal pequeno. nem sempre com intuito depreciativo. . . (C.". m. Tem-se-lhe atribuído origem em buço. q. semelhante a um pepino e cheio de um tecido reticular resistente. m.Dic. evidentemente.estúpido. BURRÊGO.quantidade de bugres.. . hoje. o que parece engano. ."tribu de aborígenes que dominava na prov. s. toleirão: "É tão burrego o Galeno. BUGRADA.A forma literária "emboaba". define . seg. P.. bolantim. BUÇÁ(L). s.R. f.quantidade de buracos. é que criou raízes em S. o cast. s. t.BUÁVA. que retifica a pronúncia vulgar de seu tempo. P. BURAQUÊ(I)RA.arbusto que produz um fruto alongado. BULANTIM. julga que o t. o que. .. f. é um pouco ousado. s. m. no Norte do Estado.De bursa? BUÇALÁ(R). puré? BURITI.cabresto forte com focinheira.. se aplica indiferentemente a quaisquer indígenas. .). que se adapta ao focinho dos animais para que não cômam as searas". BUCHA1. que. BURÊ. gemeu o doente com cara desconsolada". . indig. do S. G. BUCHA2. . L. corda delgada. s. s. grafia antiga do voc. .papas de milho verde. f. o "Novo . P. Freire. s. vulgar no R. significa "rêde de corda. O vocábulo.) . no Alentejo. sim. | Rub. (M. e que nada impede tivesse outros significados correlatos. J. de boçal. m.A forma port. | Do fr.burrice. . .colocar o boçal (no animal).

CABEÇÃO. s. estranhas a S.furúnculo. corrente em S. s. CABORTE(I)RICE. m. m. coberto de vergonha. P. "cabouculo".ação de caborteiro. m. . batia o Mandinga desesperado na porta do casarão. f..BURRO. acha-se "caborgeiro". " (C. búzio.soldado de polícia: "Olharam-se de banda. por "feiticeira".. s. f. "seco". . depois granaram os olhos de frente. Ramos emprega "comborgueira". . CABÔCRO. | Seg. a gente cabocla. P. "Cabórge" é nome de um peixe do rio Paraíba. estar com artes. s.pequeno pássaro do gên. CAVORTEÁ(R). num dos seus contos goianos: ". 1. v.mestiço de branco e índio..feitiço. siô?" "Num dô sastifa pra cabeça-sêco. certa parte dos gomos da cana de açúcar. Garc. vivia a penar enredado nos embelecos traidores da comborgueira. que se dependura ao pescoço: "Às três horas da manhã.R. encantamento. B. BUTIÁ.jogo de azar. .) Esta palavra evidentemente se liga a "caborteiro". feitiço. De "curiboca"? De cabouco? CABÓRGE.. | Liga-se sem dúvida a cabórge.quantidade de caboclos. | Os vocabularistas registam outras formas.. e outras zonas.". . O soldado estava com os olhos estanhados no adversário. "cabôco". f. ." Talvez haja aí confusão com candongueira". em que fazem as vezes de dados pequenas conchas ou grãos de milho. (R. m. . m. "Inoc. s. CABOCRADA. CABORTEÁ(R). s. . s. s. lia "cabóge". P.. CAVORTE(I)RICE. CABORTÊ(I)RO.fazer ação de caborteiro. Taunay. etc. m. CAVORTE(I)RO.. em vez de "seca". há duas espécies com esse nome..aparelho usado para torcer o fumo em cordas.. saquinho com uma oração escrita. m. .". . escreve mesmo "caborgeiro . feiticeiro. está determinando o gênero do nome. q. . seg. BÚZO. que tanto pela forma como pelo sentido mais clara torna aquela relação. por analogia."Nunca me viu. .) | O adj. desapontado. "Sporophila". v. . I.). P.Em Pernamb. Alag.palmeira que produz uns cocos cuja polpa é muito apreciada. CABEÇA-SÊCO. . s. Em Taunay.a parte da camisa de mulher que fica sobre o peito e onde geralmente se fazem ou se aplicam bordados.velhaco. "cabôclo". s. Papa-capim.. figuradamente. CABEÇA DE PREGO. "Tirô o cobórge?" "Credo in crúiz!" (C. m.. arteiro. humilhado. . s. ou manhas (o animal). . .C. . CABOCRINHO. "Inoc.

. .o filho mais novo. m. q. registra "cassula" e "cassulé". grupo de cães de caça. s. L.homem que trata e conduz cães de caça. CABRIÚVA. do pais este t. . . CABRITO.mas deixa estar que há de chorar muita lagrima p'ramor disso". CAÇULA.Contração de "caboréuba". .. CACHORRADA. . s. CACHORRÊRO. s. CACHAÇA. CACHÔRRO DO MATO.. CACHUMBA.mulato moço.quantidade de cães. .mulato ou mulata. esperteza reles. T. | A forma literária é "cabreuva. mas o povo da roça.caçoador. "Specthos" Guarachaim. que meu pai mandô fazê. CAÇUISTA. . diz como vai aqui registado. . e por influência desta haverá quem assim pronuncie. f. ação má e baixa. .concluía Pedro. s. salvo o de alguma zona que não conhecemos.). s. CACHAÇO." (C P.varrão. m.mulato ou mulata jovem. origem africana. ou criança. cachaceiro. i e de cabriúva.R. a sua madeira: ". atribui ao t. com ligeiras variantes. . o moço embasbacou.."Cacuéra! mas isto e' raro!" (M. com e. . m.Do tupi. CACHÔRRO. . cachorrice. árvore da coruja? CABRÓCHA. .).abrange três espécies indígenas de "Canis" e também as duas do gen. m. L. s.árvore leguminosa. . m.aguardente de cana. . é de uso mais corrente.certa árvore comum na zona do Norte de S. s. s. s. CACUÉRA. apontou os padrões. . "Você fica com o pau. m. f. f. m. m. s. CACHACÊRO.CABRA.cão..parotite. f. B. Citando Capello e Ivens.: "Quando Moreira. . injurioso. (M. s. . . s.bebedor habitual de cachaça. . nos trechos mistilicados. f. q. | No Nord.) | A grafia comum é "caquéra". . P. eu inda tenho a Santa Luzia do tempo da escola. s.

". CAGALUME. m. s. s. escreveu no seu conto "O Comprador de Fazendas". . CÁGUDO. . "Tyramnidae". (V. . . s. cravar. há "fundo". como querem outros? CAÇUNUNGA.De Cayenne.certa vespa cuja picada é muito dolorosa.costas: ". afric. m. CAFUNDÓ. CAÈTÊ.que tem as cadeiras ou quadris largos (mulher). (Garcia). . pirilampo. se lhe não escurece a propriedade natural. m. m.De cogular. Lobato.certa árvore que é considerada padrão de boa terra.vagalume.. ou simples corrupt. s. cágado. q. . m. | Em Pernamb.. s. com o mesmo sentido. significando abarracamento. enterrar.lugar muito retirado e deserto. . CÁUGDO. . "caheté". arraial. t.encher a transbordar (a medida). CAIAPIÁ. s. de corcunda. | Sempre ouvimos pronunciar caiana. | Cp. M.CACULÁ(R).certa espécie de cana de açúcar. cuja picada é muito dolorosa. . s. mas no plural. | Grafia usual. das pessoas cultas. m. com a mesma significação. que é como dormia quase que a noite inteirinha". f.. ("Pal. cayena. CADE(I)RUDA. mulher de gênio irritável e violento. | É port. talvez '"cufúndu".vegetal medicinal e que dá umas sementes de que se fazem rosários. bêbudo por bêbado. deslustra-lhe o resplendor civil. escrevia Leitão Ferreira na sua "Nova Arte de Conceitos" O vocábulo com que o nomeamos. m. q. . "Polybia vicina". f. CAÈTÉ. . .). CAGACÊBO. .o que ultrapússa os bordos do vaso. A propósito do inseto.. L. m. ."Para dôr de peito que responde na cacunda.. s. s. p.vespa social. CAGO. para que aí se assente uma criança. CACUNDA. (M.brinquedo que consiste em se agarrarem duas pessoas pelos pulsos. .nome de vários pássaros da fam. Orig. observador atento destas coisas. 238-9). CADE(I)RINHA. . CAIANA. há "cucular". f. cujo radical entende G. | Usa-se também na linguag. .codorniz.e ela se ponhou outra vez de cacunda. CADÓRNA. CAGAFOGO.".Em Port. e "cucúlo" . s. passando por carcunda. como querem alguns. sábudo por sábado. S. . entretanto. cataplasma de jasmim de cachorro é porrete.). v. Viana que há de ser banto. s. É possível que na zona do Norte assim se diga.

P. . malandro. CAÍDO(S).. o "Novo Dic. f. nas festas populares: "À noite. s. é nome de um jogo popular.CÃIBRA DE SANGUE. . É o Caipora. v.Mal cortejava as mocinhas curiosas. tem fornecido largo pasto à imaginação dos etimologistas. há cerca de um século. acende-se a caiêra. t. em acepção que não se depreende bem do contexto: "Aglomeravam-se aí duas Bragas . .. subjugando o Mingo.. s. CAIMENTO. se é possível. .forte inclinação amorosa.). | Ô ano triste e cainho.rendido.habitante da roça.diz-se do indivíduo mesquinho. sem se dar o trabalho de explicar a transformação.certo gênio habitador do mato: "Nas noite de vento. Em Ponte do Lima. P. q. real ou aparente. Camilo empregou na "Brasil.fogueira de grandes paus arranjados em quadrilátero. desbriado: "Carancho.). . . de Vasc. .. m. m. pelo menos. . carinhos: "Andava c'uns caídos co'a noiva.. C.O port. com a bainha. Porque nos fazes pagãos? exclama Maria Parda no seu "Pranto" (Gil V. colhera significados semelhantes.. . significa "forno constituído pelos próprios tijolos a queimar". de Prazins". s. caieira designa fábrica de cal.. CAIPÓRA1. s. tirou o facão. jogou-o para um lado e.quantidade de caiçaras.afagos. digno de gente rústica: "Você é um menino caipira". CAINHÁ(R).. q. entendia que era ligeira alteração de "caa-pira". após a reza. que se joga com um dado único (Garcia). s. avarento. . Deus te livre!" (C. já L. s. segundo Garcia." CAIÇARADA. mondador de mato. o mesmo que caldos. de Mag.. pletórica de fidalgos. no plur..a fiel.".q.. esse que mandou fazer!" | Este voc. Em 1828-1834 designava os constitucionais em luta com os realistas. que inté injuava"." (C. (C. a caipira. cainho. que não gosta de dar nada do que é seu.próprio de matuto. CAINHA.).Qual a origem? Como todas as palavras de aspecto indígena. namorado: ". P. referindo-se à falta de vinho. | De cair. m. seg.vagabundo. rústico. s. . CAÍDO. | Em Pernamb. . CAIÊRA.. é usado em Portugal. negar-se a ceder a outrem qualquer coisa sem importância: "Muiézinha miseráve cumo esta nunca vi: magine que cainhô uas laranja pras criança!" CAIPIRA." Em Pernamb.."Que vestido tão caipira. s. m. m. . cámaras ele sangue.). homem sovina. a gente óve uns grito à meia noite. de "caapora". que julgava caídas por êle". deu uma surra no caiçarínha desarmado. outros. m.. ..' o que é ainda mais extravagante. .fazer mesquinharias. No Minho. . - CAIÇARA. do arto do Samambáia. f. Uns derivam-na de "currupira".

P.. CAIPÓRA2.. pelo menos. etc. | V.pedaço de pau com corretas nas extremidades. nas fazendas. s. protuberância.inchação.Superstição pouco espalhada hoje. o saci. onde também dizem "caapora". porém.Infelicidade. f. só nos recordamos de o ter ouvido uma vez. (Cherm. das Compositas. CAMBETEÁ(R). má sorte. i. dando. tomando e deixando formas. . CATETO. | Seg. cavalos. teimosa. CALOMBO. CAJÚZINHO. para jungir dois cães. o bitatá. CAMARINHA. está encarregado de vários serviços. montado no seu porco. v. há cambão designando a mesma coisa. designa um pau delgado que se suspende ao teto para nele pendurar esteiras. m.Tupi. tumor. Em Port. o que é vitima da desdita.aposento. m. Os caipiras fazem uma grande confusão entre os seus demônios. atributos e manhas uns dos outros. desastre. trabalhador de roça. s.indivíduo que. s. perna fina. . CAMBITO. etc. TATETO. "Dicotyles torquatus". e comum a quase todas as outras regiões do Brasil.aparelho para cochar o tabaco de corda. . CAMBAU.o mesmo que "caipora"2. há muitos anos. . tinha a particularidade de fazer infeliz quem o encontrasse. gênio silvestre. s. s. P. CÀITITÚ. idéia de má sorte continuada. o currupira. | O "caapora". m. . . m. CAMBITO. Soares é usado com esta acepção no Norte do Br. s. m. m. s. como a perder o equilíbrio. m. a correr pelo mato. s. . CAMBARÁ. às vezes. m. . | Na Amaz. . . para fixá-la. em S. Acreditamos que já não corresponde. CAMBARÁ-PÓCA. .espécie de porco do mato. pernil de porco. a qualquer entidade definida. Em S. f. mais de acordo com a etimologia.arbusto do campo. e q. CAMARADA. o caipora.árvore da fam. . os quais vivem no vago e na incerteza. s. Daí o novo sentido que o t. cordas. s. eu le peço por favor. pau com que se torcem as corretas sobre a carga de um animal. adquiriu. . CAIPORISMO. aqui.árvore semelhante ao cambará. s.) em .andar aos pulos. me ponhai no corredor. me tirai da camarinha. m. Mac. quarto de dormir(?). de madeira frágil ("póca"). com estes versos: Ó senhora Miquelina.

CAMBUCI.Cherm. ligar-se a cambau. CAMPEÁ(R). m. municipal). cana-fístula.caixa revestida de couro. . . . f.. Em Port. voei na dita galinha. CANASTRA1. s. m. que. S. s. . . CAMPÊRO1. câmara. . a fruta dessas árvores. CANA-FRISTA. s. CANA-TACUÁRA. CAMBUÍ. m. cambetear. cambota.árvore também chamada cambuí.designa várias plantas do gên. galho. CAMPÊRO2. s. P. municipal). em figura de segmento de círculo.Ver TATU-CANASTRA. m. s. Caldo de cambuquira. f. CAMBRA. CAMBUQUIRA.árvore do gên. f.. s. f. (Garcia).homem que lida com gado. mas parece. das Leguminosas. CANASTRA2.. . m. s. vocs. CAMBÓTE. CAMBÓTA. etc. CÂMERA. com o meão. q.. f. na qual se guardam roupas brancas e outros objetos. s. . Mirtáceas.. que se dá aos animais. .. s.Pernamb. . um feijão virado alumiando de gordura. nos quais há uma idéia comum e persistente de curvatura.Tupi.).designa certa espécie de veado que vive nos campos. . forquilha que se põe sobre o lombo de um animal para segurar a carga de canas. nas fazendas. f. t.grelos de abóbora: "Chegava a hora da ceia.brinquedo que consiste em pôr a cabeça no chão e virar o corpo até que os pés toquem novamente o solo: "virá(r) cambote".cada uma das duas peças. mais simplesmente. lenha. "Eugenia".. "Eugenia". . . câmara. s. CAMBUISÊRO.árvore da fam. formam a roda do carro de bois. s.v.. cesta tecida de vêrga ou material semelhante. forquilha. fam. etc." (C. deriva-o do tupi "acambi". . das Mirtáceas. etc.espécie de cana de açúcar muito dura." (V. .(C.procurar: "Virei pra trás de supetão: campeei um cacete.) . cambão. . volta. s. q.(C. f. . .

lamparina de lata. já preparado. | Ê cast. . CANHIMBORA. das Linantéias. CANELÊRA. P. m. não parece ter significação definida. | O nome provém de que o pau é facilmente combustível. oriental (Mons. onde. P.indivíduo. e mais dezenas deles. | Cruzamento de cogóte e canga." (V. este de orig. CANHAMBORA.R. alcatifar. P. para se comer cozido. .árvore da fam.cânfora: ". com torcida. f.arteirice.. do S. CANDONGUÊRO. S. e isto com ou sem os determinantes sassafraz. . CANGÓTE. m. (A. . CANGAPÉ.. CANDONGA. s. a servir de guia.. de "cangueiro". | Tem outras acepções. tentação. . . s. no Brasil. regista as variantes "caiambola.a região occipital. que geralmente vivia em quilombos ou malocas pelos matos. como aliás pelo resto do país. s. CANDIÊRO2. m. | Cast.:" A Tudinha era a chinoca mais candongueira que havia por aqueles pagos ". Nesta última acepção empregou-o S. cambapé. "candonguero".). CANGICA2. s. | T.CANDEIA. . primitiva de "caldo de arroz".designa muitas espécies de árvores pertencentes a diversas famílias. . pouco usado em S.o mesmo que canela: ". . outros o derivam de canja. CANGICA1. ameixa. f.Dão-lhe alguns procedência indígena.. Dalg. . f. o mesmo.) com a signif. CANELA. s.. manha." (C. .. voc. m. de tábua do pescoço tão fina. a um lado a mata distante uivava e os jequitibás. CANDIÊRO1. f. f. . o carreiro verifica as arreiatas a ver se não falta alguma peça . que seguia o homem num trote cangica.escravo fugido.diz-se do trote duro e martelado das cavalgaduras: "Não pude até hoje saber de quem era aquele bragado tão esquisito. f. dando uma luz viva..(C. s. q. . de cola tão rala. e que também lida com os bois: "Enquanto o candieiro ajouja os bois. s. as perobeiras e caneleiras se balouçavam num acenar desesperado para o levante". Lopes no Rio G. s. e que se alimenta com azeite ou querozene. B.intrigante. Há grande e mirim.) CANFRÔ. s. arteiro.. que vai adiante do carro. f. fomentação de querozene ou de pinga com confrô. antã. s. geralmente menino. CANHEMBORA. s. calhambola. intriga. Oscila entre as idéias de feitiçaria. q. . . m. amarela.milho quebrado.espécie de lebre. . s. Ou simples metáfora? CANDIMBA. S. com uma aguilhada.).) | Talvez altr.

Talvez se dissesse. falso. na roça.). J. f. "Colubridae". f. regista ainda o sinon. CAPADÊTE. isto é. CANJARANA. isto é. CANIVETE. "kapanga" é uma Ioc. (M. determinando todas as variantes em ala. s. s.porco castrado. subir ao morro. "hacanea". . (M. f. m. | O mesmo que canudo? CAPAÇÃO. | H. da fam. canhembora.). ora.. este correspondendo ao cast. podendo explicar-se a nasalidade do primeiro a por influência do terceiro. caiambora". CANINHA. . que "tem cabêlo no apá". Neste caso. . Taunay colheu-o em Mato Grosso ("Inoc. das Flacourtiáceas. L.. CANTO CHORADO . s. que é justamente a parte do ombro correspondente à axila. CANUDO. mulher má: "A caninana envolvia no mesmo insulto a inocência ignorante e a nobreza de um sentimento puríssimo. que "tinha cabelo no sovaco". ou por influência de canja. m.cobra sem peçonha da fam. a aguardente que dela se faz. L. m. citado pelo mesmo. o tupi "canhembara" significava fugido e fugitivo.ato e efeito de castrar.porco castrado. .F. CANIÇO. parecido. s. . m.expressão usada na frase "trazer de canto chorado".tomar da foice. m. . "guarda-costas". antes de entrar para a ceva: "Teve égua. muito boa para aguardente. acha-se "faca" e "facanea". s. m. regista. do indivíduo forte e valente. CANUDO DE PITO. cavalo pequeno de corpo. comum no vale do Paraíba.espécie de cana de açúcar. canhambora. cortar a canjerana. árvore de pau óco. debaixo de rigorosa vigilância. CAPANGA. na pá. . s. m.).") . s. o que torna aceito o étimo "acajá" "rana".. adv.: no sovaco. P. | H. s. a forma exata será cajarana. L. recalcado no fundo do meu ser".árvore da fam. atorá-la. que ficam consignadas.arvore de pau mole e oco. | Em bundo. f. .canhambola. baldeá-la às costas e especar a parede.. CAJARANA. pau canudo e canudeiro. além desse nome. como se diz ainda hoje. . de exigências despiedadas. . acentuado. Em Gil V. mas barganhou-a por um capadete e uma espingarda velha". Segundo Anchieta. .Houve talvez alguma confusão com "quilombola". CANJERANA. "pau de santo"." (M. P.cavalo pequeno.cobertura de taquaras sobre a mesa do carro de bois.indivíduo assalariado para guarda e defesa de alguém. s. s. A árvore dá um fruto em forma de cajá. s. das Meliáceas: ". CAPADO. nesse idioma. CANINANA. . Freire regista "faca".

designa qualquer estabelecimento agric. e o t.).mato pequeno e isolado. catingueiro. Do tupi "caapituba".caniço de beira de água. | De capinar. | É provável que outrora tivesse significação um tanto diversa. do N. m. Santo. CAPINÁ(R).bocado de feijão com farinha. s. . melado. mas ainda tenras. ou até certa altura. fino. f.bando de bugios. caxingó. s. membeca.homem que capina. dando-lhe uma forma alongada. v. usado em todo a Brasil e não desconhecido mesmo em Portugal. s.. casa mal construída e arruinada.cambaio.R. Cp. m. . f. CAPÉLA. gramínea alta de beira de rios e lagoas. q.árvore da fam. s. capinzal. CAPITÃO. CAPIVARA. . | Tupi.grande roedor da fam. . antigo mato virgem. assimilada a palavra já existente na língua. f. .mato que nasceu em lugar de outro derrubado ou queimado. s. CAPIXINGUI. s. limpar de ervas e mato (a solo. CAPUÊRA. . . . CAPENGA. "Caviidae". CAPINADOR. mondadura com enxada.designa. . citando Paula Sousa. P. f. muito capim. CAPUAVA. das "Euforbiáceas". No Esp. capiangar. s. . e i. angola. CAPITUBA. Talvez seja a forma mais próxima da orig. Rámos colheu em Goiás "capetão". m. e R. para cultura de cereais. m. (B.R. copínaçãa. etc. m.parte de um sítio. s. Dão-lhe orig. pronuncia-se capuaba. guassú.A forma culta é capoeira. de perna torta. . feijões. . as plantações).CAPÃO. . s. que se prepara entre os dedos. | De "caapuanuera" mato isolado que foi. | Muitas espécies: c. designa cabana. capixaba é o mesmo que a capuava paulista. . ao fazenda. quaisquer gramíneas rasteiras. CAPINZÁ(L). s.lugar onde há muito capim. f. mandioca e outros mantimentos. mimoso. afric. f. onde se fazem anualmente plantações de cereais e outras.. B. | Tupi "caapuan". t.mondar. branco. papuan. . | C. m.Na Par. CAPINA. | T. s. do N. jaraguá. . | Talvez de orig. gordura.limpa. . s. diz que em S. G. . os brasileirismos pengá. especial ou coletivamente. . tupi. CAPIM.

escamas ou películas rebentadas (pele.que se junta a aranha. f. com dois dedos de uma das mãos.). cast. ao mesmo tempo que eleva e abaixa repetidamente os braços. s. (M. | Há quem identifique cará com inhame. CARAQUENTO.carpinteiro ordinário: ". s. CARAPINHÉ1. Este brinco. s. . qualquer superfície). | É o "maracá" do Norte.nome jocoso que se dá ao indivíduo de nacionalidade italiana.brinquedo infantil que consiste em pegar uma pessoa. tem ainda. | Voc. f. ou crianças maiores. . | Cap.. puxando-a.. ao menos em S. mencionada na "Cron.CAPUERÃO.bromeliácea vulgar.. "carachento". m. s. CARÁPINHE2. m. s.capuêra baixa. carraca. CRAUATÁ. para divertir as pequeninas. o que não é exato. a pele das costas de outra mão. para designar certas espécies grandes e escuras. no cast.). esse termo na costa da Galiza. q.. o rapinante". servindo para designar os contrabandistas. s. q.nome de várias plantas rasteiras e trepadoras que dão um tubérculo comestível. sarnoso. f. m. m. | Cp. de Rui de Pina. CARÁ. P. CAPUERINHA. CARACACHÁ. grande embarcação antiga. fruto. o ganzá" ou "canzá" do Nordeste.chocalho de lata. . dizendo: cara. s. s. fazem-no os adultos. CARACARÁ. ou "do diabo".capuêra alta e densa. ou existiu.que tem grânulos. . L. . . sob a forma "carcaman". cobertas de pelos. que vivia de biscates e remendos". m.. . . evidentemente. m. mau e pesado". s. onomatopaico. a significação de "navio grande. s. . m. Existe. CARCAMANO. GRAVATÁ. m. cara. m.usado na frase "levado da carépa".. um arremedo dos movimentos do gavião a arrebatar a vítima no bico. . o Teixeirinha Maneta era um carapina ruim inteirado.. CARANGUEJÊRA. popularíssimo em todo o Estado.. CARAPINA. carestia. s. (M. carapinhééé!. CARÉPA. dos Falconidas: "Só um caracará resiste à soalheira num esgalho de peroba: está de tocaia aos pintos do Urunduva. o port. Duarte". .certa espécie de gavião. s. . ..ave de rapina da fam. . L. | É. CARAGUATÁ. CARÊSTIA. equivalente de "levado da bréca". de D.

. da Ling. das Protáceas. s. . | B. aspre por áspero.peça composta geralmente de dois couros quadrangulares iguais. com a diferença. guspe por cuspo. . Motta. CARREADÔ(R). s. estar morre não morre.árvore da fam. | Romag. | Tupi. CARNEGÃO. v. . m.esfolar e espostejar uma res. sul-americano.º 3. CARRÊRA1. cartucho. CARNEÁ(R). . s. . . v.caminho estreito."Compro uma espingarda que nem aquela de seu padrinho: de botá cartuche (C. f. ultimamente. s. . m. s. CARPIÇÃO.). CARNE-DE-VACA. essas próprias plantas. CARRÊRO. s. Também há quem descubra procedência indígena de vário feitio. . . P.corrida de cavalos. CARTUCHE.o mesmo que capinar.doença que ataca as maçãs do algodão. m. s. . porém. que se emprega mais carpir quando se trata de plantações (ex. .. CARRÊRA2. em quase todo o Brasil. Frase usada também no R. CARREIRINNO. f. na "Rev. fixe por fixo. . s.ato ou efeito de carpir. consigna como "esfolar" apenas e dá como voc. andar pelas caronas . o cafezal: limpá-lo do mato que nasce entre os arbustos) e capinar quando se trata de um terreno qualquer (capina-se o solo para plantar). Port.semente espinhosa de várias plantas. DE -: a correr. . f. nas cavalgaduras. La carona. "carpir o café". m. | De carnicão? CARÔNA. e nas repúblicas do Prata. s.". ANDÁ PRAS CARÔNA. f. CARRAPICHO.ato de correr. | É usado. G. e que se coloca em baixo do lombilho. . CARPI(R). t. en que mil flores Bordò un paisano ladino (Granada). s. m. isto é.caminho entre plantações. do S.achar-se em estado de saúde extremamente precário. m. e i. CARPA. n. f. trilho. com variantes. | Cp.matéria endurecida que se forma na raiz de um furúnculo. por Ot.CARIMÁ. hipótese reforçada. s.R. t. aponta a possibilidade de um étimo latino.

G. m. camarões ou peixe. .)..CARURÚ 1.nome de várias espécies de erva. TATAPÓRA. mineira e fluminense. "falatório. castelhano. "besta grande e velha.. s. s. mexerico" (Garcia). P. das Meliáceas. que existem até hoje. m.pequeno. s. Espírito Santo. s. essencialmente paulista. João e Senhora da Conceição. Há graúdo e miúdo. . . CATINGÁ(R).). discussão. | Paiva consigna-o entre os termos condenados. CASCA DE ANTÁ. etc. Em Trás-os-Montes.diz-se de certa espécie de arroz. no jogo do truque: "Cuidado. excitar (alguém) a casar-se com determinada pessoa: "O Pedro anda casamenteando a Maria co Rocha" ... de roupa suja. momento: "Certa casião. a roupa suja.." (C. Em Goiás designa carta de baralho. Em Pernamb. etc. pros parente(s)". f.oportunidade. das Rutáceas. | Tupi. S. baixo (homem). f. CATERETÊ.varicela. P. (H.. s.árvore da fam. de animais. Na Bahia. q. algumas comestíveis. .mau cheiro de gente." (C. sem o definir. (C. com a mesma acepção. s. s. da fam. CATAPÓRA. pessoa velha e magra. Gonçalo. | Tupi? Africano? CASAMENTEÁ(R). (H. s. a sarro. . CATAGUÁ..). CATINGA. S.cheirar mal (a suor. | ". desde piqueno(s). é o cateretê. . ocasião. q. i.. no tempo das guerra c'os castelano paraguaio. etc. do S. Conf. avisou alguém. Há branco e rajado.De catira-ete"? CATÊTO. m. P. . f."O Juáo e a Tudica foram casamenteado(s) um cum ôtro.) . CASIÃO.tão profundamente honesta (era dança religiosa entre os tupis) que o padre José de Anchieta a introduziu nas festas de Santa Cruz..).a (dança) brasileira. s.filho das repúblicas do Prata. m. . "Gente da gleba"). quiabos.. Também no R. m. . CATIGUÁ. .". e de certa espécie de milho. v.animar.pequena árvore da fam. Mag. das Magnoliáceas. segundo o "Novo Dic. minha gente. mistura de ervas. R. ao lado de cagião (em escritores mais antigos. Encontra-se em Gil V. .dança de roceiros. . temos aí cabra que truca sem zape nem catatau". compondo para elas versos em tupi. f. v. . relat. . cajom): Mas que sei eu s'eIla mesma Deu casião para isso? CASTEIANO. t. eu percisei i tira cipó. CATATAU. castigo.árvore de campo. pancada". .

com o cotovelo) . (M.. . t.. no seu poemeto nortista "Quinca Micuá". de reduzir as formas estranhas aos tipos correntes da língua.. . e. CATUNDUVA. L. S. "cotucão". . . f.... | Encontra-se em Gil V. sondar. .. | Forma antiq.CATINGUDO. esvoaçar. m. ("Estudos". geralmente. etc. P.. um espinho. deixando-o quase na superfície da água. Catarina. por causo de = por causa de. CATANDUVA. | De "caatàdyba" (T. CUTUCÃO. . a fim de abrir buracos no chão.). insinuar.R.era o Zico.Dá-se-lhe origem no tupi. num despique entre o Biscoito e o Tacuara". p. CATUCÃO. s. CATINGUENTO.. anedota: "Vô le contá um causo". CATUCADA. p. s. ainda mês e tanto atrás. a loc. "me insinuou que fugíssemos. caso.).fato.peça de ferro. . diz J. em terra inferior. Uma pedra.) com idêntico ou semelhante sentido. q.". 2. isto é. para sementes. com uma acepção corrente em S. Mor. . f.. (C. part. beijei. q. P. f.dança caipira: "João Penso levava pau no piolho. | O port.. s. com a isca." | Cat.mato baixo e áspero. uma cutucada . me deu a entender que fugiria comigo". ferir de leve (com uma agulha. TATUCÁ(R)." (V. saíra cinza num catira. alcatruzado emprega-se freqüentemente. ocorrência.encurvado.. | Escreve-se. "cutuca". mas também já descobrirata. adejar. .ato ou efeito de catucar: "Nha Veva quieta. muitas vezes. n.me catucô pra fugi.). Esta grafia não corresponde à pronúncia. sobretudo no Algarve. repuxando a boca. CATUÊRO q. .o Ástolfo cutucou o Manèzinho com o cotovelo. caiso. chorei. CAVADÊRA.: ". . uma faca) : ".. 209). com gume. CATIRINA. e certa espécie de capim.. onde há o verbo "cutuca" (B. Caterina. sabe? Olhei pra êle. alquebrado (pela magreza): "Esse boi está catuzado e bambo". CATUZADO. mais o diacho se fêiz de desintendido.Figuradamente.que tem catinga.diz-se do anzol encastoado (ou empatado) que se coloca numa vara.. Caí em cima da menina. que se adapta à ponta de um pau. Sampaio). ou tratar-se-á de mera influência de causa? Cp. Nisto. longe da tatorana".o mesmo que catingudo. s. mas ao vezo. s. Não disse nada. com a significação de "corcovado". CATUCÁ(R). . Terá a nossa forma dialetal relação com a vicentina. de alcatruzar-se . aliás natural e explicável. fez geito de me falar lá fora. aquele negrinho. . CAUSO. alcatruzado. v. emprega este verbo. CUTUCÁ(R).serve de designar certa espécie de veado pequeno do campo.tocar (com o dedo. no bundo. que cheira mal. CUTUCADA. excitar: "Cutuquei o hóme sôbre aquela proposta. CATINGUÊRO.. como se encontra aito por auto. q. por amor dela. "cotucar"... TUTUCÁ(R).º vol. f. CATIRA.

.. | "Dar o cavaco" tem. q. cicica".lugar onde se faz ceva para habituar a caça a freqüentá-lo: "O tar crube é um bão cevêro. CERTO. .lugar onde se põem grãos ou outros engodos para a caça. cavidad? CAXERENGUENGUE. ou diziam outrora os meninos do pinhão menor que os outros. m. P.árvore bignonácea. caxirengue. CAVAQUEÁ(R).nome de várias espécies de meliáceas. s. velha faca empregada na raspagem da mandioca. . s.orifício que fica nos muros de taipa depois de retirados os andaimes. . das Leguminosas.). e não só entre os caipiras. f. s. CAVAQUISTA.dizem. | Do cast. na expressão . P. m.. P. significação diferente da que lhe dão os portugueses: vale o mesmo que cavaquear. regista-o como t. . f. ou brincadeira).irritar-se. CABIÚNA. s." (C. CERÊJA.designa o grão de café com sua casca. caxirenga. . de madeira muito forte. em S.R. CAVODÁ. que não tolera brincadeiras.mato baixo e denso. . P. "axiri. . com que jogavam. m. o mesmo que "em coco". CAVIÚNA. . pelo resto do Brasil."café em cereja". cacerenga. s. abespinhar-se (com alguma desatenção. . .. CAXÊTA.).diz-se do animal adestrado. | B.designa várias árvores da fam. "Caxiri". | De S.que se irrita facilmente. f. m. (B. m. que obedece à rédea. designando. quicê. m. inda co essa manquêra de má feição por nòveta!" (C. CEVÊRO. i. Certo de boca: "Adonde já se viu um cavalo que num tá nem certo de bôca. .faca velha sem cabo. f. s. é uma espécie de alimento preparado com beijú diluído em água.). CAVIRITA. q. . CERRADO. para o sul é usual esta forma.. s.duende também chamado mula-sem-cabeça: "Num sei quem foi que viu um cavalo-sem-cabeça pinotiando co demônio im riba no meio dos bitatá e sortano fogo pras venta. v. . . que cavaqueia sem grande motivo. s.. s. q.) CÉVA.R. no Pará.CAVALO-SEM-CABEÇA." (C. geralmente. . s. CÉDRO. matogrossense e goiano. . P. qulcê-acica.

usado a todo o momento e por toda a gente. bater como chocalho: "O supliciado. .qualquer indivíduo. de chocalhar. É voc. . P..CHACRA. Só aparece em literatura nos fins do séc. CHAMPUNHA.propriedade rural próxima de povoado. CHARQUEADA. uma corda presa. | É t. para com o seu canto atrair outro da sua espécie. s.. dos ingleses que.) | No R. por via do muito que chacoalhavam. nas extremidades de uma rédea de couro: ". citado em Romag. que a planta e zela. charuto. . . s. . m. m. s. . s.remate. do tupi "che rêra". Do araucano.revolver. e i. "chêro".pássaro que se coloca perto de um alçapão armado. . ou do quechua. . CHAMA. CHACOAIÁ(R). .. .carne seca salgada.. | No extremo Sul. G. m." (M. chama-se "chasqueiro" a certo trote largo e duro (Romag. com quintal grande e plantado. s.certo vestido de criança. seg. e. segundo Zorob.cama de varas. f. L. terreno cultivado nos arredores de uma povoação. ..Segundo Cherm. CHASCO. manejando a sovela e os tentos finos..) | É t. junto ao palanque. CHACRÊRO. reproduzindo o tamul-malaiala "charuttu". CHARRÔA. s.o ato de puxar subitamente. CHUMBALÉ. CHARÔTO.Alter. corrente em todo o sul do Brasil. em relação a outro de igual nome. Zorob.homem que tem a seu cargo uma chacra. com o fígado e mais víceras fora do lugar.).o velhinho pai do Jéca. na Índia. diziam "cheroot". o italiano zampogna. s. passado. sobre as mãos postas no solo.. m. | Corre em todo o sul do Brasil.. s. CHARÁ.giro do corpo. no Amaz. t. do S. A forma "chácara" só é usada pela gente culta. s. s. . | Cp. de procedência quechua. v. armada sobre estacas fincadas no chão. Rodrig.lugar ou estabelecimento onde se prepara a carne de vaca. meu nome. .. | Segundo Mons. CHARQUE. f. . no ar. m. CHAMBALÉ. f. espécie de camisola.. . f." (C. Dalg. salgando-a e secando-a ao ar livre. um pano pendente. m.. | De chamar.. sul-americano. m. "tocaio".. os portugueses receberam este t. trançava um laço ou fazia a charrôa de um par de rédeas. etc. s. Apenas os mais "civilizados" preferem dizer "chacoalhar". m. sob a forma cheruto e charuto. como fazem os ginastas. s. Rodr.). para obrigá-lo a parar. CHALO. residência de arrabalde. num gesto de arrancar (a rédea de um cavalo.

CHICOLATE. CHERATA. sêo. q.) | Parece tirado de desinxavido. diminutivo de chibo.erva com que se condimenta a comida. vêa. CHAVIÉ.o Bismarque (cão) chateô no chão. há chibato. dizerem por brinco desinxa. mecê nêsse tranquinho num chega hoje na vila". "Inoc. ." (C. Freqüentemente. assumindo ligeiras modalidades conforme se pronuncia mais rápida ou mais longamente. J. homem mestiço de sangue negro. jocosa que se usa a guisa de "viva!" quando alguém espirra. (burlesco) . comprimir. P.. Nunes. intj. com maior ou menor energia: "Ché! nho Joaquim. de dúvida mais ou menos equivalente a qual!. m. . entre o povo. . q. s. e i. . t. . chocolate. | Cp. juntam-lhe outra exclamação.CHATEÁ(R).". envergonhado: Responde Pedro. Grosso com significação semelhante: café com leite e ovos batidos. Entretanto.achatar. e ouve-se.ovos batidos com leite.peça de madeira que prende a canga à tiradeira. processo às vezes motivado por "derivação regressiva (paixa. com chavié. (Gil V.veja só que faro de alimá! . em M. pôr-se rente com o solo: "Quano nu"a vorta do caminho .Sarou bem? . f. esmagar. às vezes por simples divertimento momentâneo. CHÊRO. arêa. que tem parentesco de sentido. Desinxavido. que esperança!: ".desapontado. "O Velho da horta") CHIBA! intj. e já chavié: "Pampa perdeu.bode. CHÉ!. q. colheu. não raro. seg. cheio. CHIBARRO. CHÊO. v. que era uã buniteza. s. s. m..metediço. P. CHAVÊTA. amarrano. L). m. Taun. tornar-se chato. Panarício é uma festa!" (M. (C. há também javéva e javevó. etc. intruso... | De cheirar. ou calado e triste por timidez. formas que também subsistem no Algarve. Envolve alusão ao espirro da cabra. s. xavi. . por um processo muito grato ao povo. cêa. que esperança! Melhorzinho.). e talvez de forma.Ché. | Em port. bravo. Vinha ao vosso hortelão Por cheiros para a panela. foi porque eslava aguado". J. . de paixão). se diz daquele que está corrido ou magoado por alguma contrariedade.

. m. geralmente usada para aquecer café. G. a primeira forma é tupi. . . derivado de enchiqueirar . CHIMBICA. v. e outros Estados meridionais. s. seg. t.correia que prende um a outro. s. .dar com os chifres.espora de grande roseta. . os bois de uma junta. CHILENA. chocolateira. .certo jogo de cartas. o ponche na garupa pendurado (C.certo peixe de rio. f.vasilha de lata. v. s. q.um dos compartimentos do curral de peixe.que tem o nariz chato. | No R. CHIMBÉVA. CHIFRADA. . s. s. .R. cinchar. t. f. do S. CHIQUÊRO. CHIFRÁ(R). s. G.que tem grandes chifres.. s. do S. .Subst. m. s."meter no . CHIFRADÊ(I)RA. uma casa). - CHINCHÁ(R). um baile. f. CHINCHA. - CHINFRIM. a chilena ao pé. escornar. Laço nos lentos. ordinário. golpe de chifres. e dos respectivos indivíduos. .) |Também usado no R. CHINA.diz-se de certa raça bovina.marrada. f. chá ou leite. . f. CHIFRUDO. m.sem graça. B. a outra guarani ("timbéva" e "timbé). | No E. CHIMBURÉ. . pelas pontas dos chifres. . CHIQUERADÔ(R). q. chué (um vestido.relho composto de um pau com uma tira de couro ligada a uma das extremidades.CHICOLATÊRA. q. mal arranjado. dizem "chimbé". marrar. s. m. Segundo B. q. -"chiqueirá". cincha. . . P. do Rio.

bico de borracha. . e portanto alteração de "enchiqueirador". I). CHUPÊTA. CHUÉ.T. ..R.. s. (R. s. CHUBEÁ(R).lugar onde a caça atravessa habitualmente um caminho. t. CHUPIM.chiqueiro".. .contemplar demoradamente. s. seringa. m. CILADA. este último. Étimo: syringa.certo pássaro. . "chico-preto" no Piauí. aplicase de preferência ao gado vacum. . do S. à italiana . para carregar frutas. | Segundo B. . casa chué. s. G.| É curioso notar a casualidade de ser esta forma pop. . f. CHUBEADO. . Dãono como de origem peruana. .cinto ou cilha com que se fixa o lombilho sobre a cavalgadura. usado na América espanhola sob a forma "chúcaro".Do cast. . f. v. s. s.atingido por tiro de espingarda. s. f. no R. . | Cast. paulista idêntica. .ferir com tiro de chumbo. CHUCRO. . G. chocho: festa chué. "caraúna" em Pernamb. . CHUMAÇO.. m. ligeiramente embriagado. m.não domado (animal cavalar ou muar).Do tupi "japii". v. f. s. referido a pessoa . s. . CHORORÓ. | Cp. que se dá às crianças novas para chupar. de cipó. do S. desgracioso. na pronúncia.aquele que recolhe ao chiqueiro os animais. . CHOCÁ(R) v.pedaço de madeira mole metido entre os cocões do carro de bois.peso de chumbo que se põe nas linhas de pesca. Tanto "enchiqueirar" como "enchiqueirador" são usados no R. f. t. pensar em alguma coisa que se deseja. namorado.ordinário. | Segundo Romag. pessoa chué. CHIRINGA. ou de pano.sciringa. das vacas leiteiras. CINCHA. "vira-bosta" no Rio. CHUAN. etc. q. . . m. . q. porém. CINCÊRRO.pequeno cesto cônico. | Usado em todo o sul do Bras. q. . m. s.campana que se coloca ao pescoço das madrinhas de tropa. "Icteridae". chavié. com desejo ou inveja. CHUMBADA. cencerro.nome de vários pássaros da fam.

(Cherm. presunção. sensaboria: "Meu Deus.nome de várias espécies da fam.lugar onde há grande quantidade de cipós. v. que esse fenômeno só se tenha dado com uma das acepções do voc. preocupação. "Colubridae": cobras compridas. em boca de portugueses. figur. CISMÁ(R). delgadas e ágeis. CIPÓ. | Do tupi "ycipô" (B. trazer preso (um animal) por corda ligada à cincha. v. CISCÁ(R). COARÁ(R). m.). s.. s.CINCHÁ(R). . assim pela forma com outro t. que dia estúpido! Que cinismo!" Parece ter sido. refugiar-se no mato. m. Diz-se também corá(r). m.). f. etc.. . CIPOÁ(L). . o home anda de cisma comigo". CISMADO. .remexer o cisco."Não sei porquê. COBRA-CIPÓ.. puxar com força por um laço ou corda. . e que vem do grego skisma. espalhando poeira e detritos (a galinha). em geral. "scisma". . t. Escreve-se. soa corar". . art. CISMA.designa muitas espécies de vegetais sarmentosos e de trepadeiras delgadas e flexíveis. assunto emaranhado. TIRÁ(R) -. dissidência religiosa. primitivamente. s. É curioso. arranhar o chão.quantidade de cipós. t. termo de gíria de estudantes. tédio. CINZA... barulho. COARADÔ. . . s. f. presumir. f. prevenido. com a significação de mania.monotonia. CINISMO.desconfiado.R.pôr a chincha. P.. . sarilho: ". . num despique entre o Biscoito e o Tacuara. s. e mais curioso ainda quando se sabe que o mesmo fato se observa no extremo Norte do Brasil. v. m. corar. s.Coará apresenta evidentemente um caso de desdobramento de uma vogal aberta: corar. coradouro. CIPOADA. identificando-o. s. figurad.na frase "sair cinza" que significa haver conflito. .. m. s. negocio cheio de complicações. q.ainda mês e tanto atrás saíra cinza num catira. . i. e i. t..desconfiar. . v. contudo." (C.. prevenção. | É port. | Esta forma só se refere à roupa lavada posta ao sol. mas com referencia a vermelhidão das faces. "Coradouro"). que designa separação. desconfiança: "O Juca tem cisma de valente". devaneio. chicotada com cipó.

pequena pancada na cabeça com o nó do dedo médio: carolo. | Usado em Port com a significação de pequena pancada na cabeça com vara ou cana". que se coloca sobre a sela. do fr.forro de linho felpudo. . CÓCHA. s. COICÊRO. porém. s. afundo na sertania. vara com gancho. s. COBRÊRO. . regista "cocorote" com a mesma significação do t. COIRAÇÃO. .ato de cochar. m. de croque. s. . ou coisa semelhante. f. sem a restrição que lhe assinalamos em parêntese. m. q. e em cujas extremidades se sentam meninos.chocho. v. CORAÇÃO.que costuma escoucear. m.": Viro terra.. s. o fumo). m.CÓBRA D'ÁUA. s.aparelho composto de um pau que gira horizontalmente sobre o topo de outro especado no chão. ou. croc.. COCHONI(LH)O. e não como simples lapso individual. . viro mundo. . | Nunca ouvimos a primeira pronúncia. . . merece toda fé o testemunho de Valdomiro Silveira. Entre outros.Cócre deve ser simples alter. mas como forma aceite e corrente. s. paulista. à brasileira. há. t. . no conto "O que é de raça. cojinillo: El cojinillo. Deve haver aí influência de "cocoruto".| A definição acima. parece convir a acepção lusitana do t. COCHÁ(R). fazendo-o rodar com os pés. . . m. mais meu coiração tá preso neste bairro do Garcia -. cobrêlo.torcer e apertar como corda (o tabaco. f. . quem ateste conhecê-la. e de Cornélio Pires. possibilidade de cochar: "não dá cocha". | Do cast.R. CURAÇÁO. COCHÓ. "EI Recao"). q. B.nome de várias espécies da fam. . através de seus contos regionais. f. más fino Que de una mujer el pelo (Granada. COCADA.D'AGUA. s. CÓCRE.doce de coco em tijolinhos. COCHIMPIM. "Colubridae".

ou coisa parecida: ". a atribuía à fantasia do poeta.. | A expressão parece mais ou menos generalizada pelo Brasil. criança traquinas. m. . de D. foi empregada por Faria e Sousa nas suas églogas de estilo rústico.o diabo. disse ela. de cola tão rala.certa festa de negros. Devia ser."Quem inteira?" (C. ainda é usado em Port.).diz-se da pessoa ou animal de membros curtos.Cola e lúiz nas treis quadra! Quem mais qué? .. grosso e forte. e mais havendo ahi suspeita que alli sentia cousa má". passei a mão na espingarda.. f. s. | Diz Garcia de Rez. s. . mato seco. | Comúa. João II". um envenenamento: ".feitiço.O que é mais interessante é que essa mesma forma. . aqui." (V. na saída... que têm por título "A Montanha". de táboa do pescoço tão fina.". não a conhecendo. COMÚA."E eu fiquei colerado. indivíduo malvado.. Luz é geralmente usado na linguagem do "turf" para designar o espaço que fica entre um cavalo e outro que corre atrás: . CUSA-RÚIN.).)." (V. P. m.. como. s. e luz.paus meio carbonizados que restam de uma queimada: "Assaltava. que não punha. porém. ao animal contrário. .. o diabo: "Já." (C.). um monte de coivara velha. nem lhe achando jeito de coisa real... c. COLA E LÚIZ. . nhor sim. mal praticado às ocultas. CONCHEGADO. COISA-FEITO.. . f. L. de comum. descrevendo uma cena de assombramento. bastante rara em Port. s. COLERADO. . s. mas sabia desmanchar feitiço e as coisa feito. com acento no u. espécie de auto. COMÕA. o afamado Benedito Macaia. S. COISA-RÚIN. CUISA-MÁ. Entretanto. ENCOLERiZADO. nada se nos afigura mais explicável do que essa forma pop. q. CONGADA.Trata-se a carreira. ordinário. XVIII. tal qual. COISA-MÁ. 2.ª parte.. Do tupi "co-ybá". por ex. . o dianho do Barão inté parece que tinha o coisa ruim no corpo!" (A. f. e é no Pampa!" .. se encontra isto: "Aquele rapaz nasceu em mau dia. | Pronuncia-se rúin. f. Antiga forma femin. curador às direitas. "A Raia"). P. ou então aquilo é cousa que lhe fizeram: do contrário não pode ser". o sapé. s.cauda (de animal cavalar ou muar): "Não pude até hoje saber de quem era aquêle bragado tão exquisito. q. S. cap. Garcia recolheu-a em Pernamb.FEITA."Eu dô lambuja"! . gravetos? CÓLA. por influência de coiro ou coiraça.."Déis por cinco. de Mil. . s.expressão usada nas carreiras de cavalos para designar certa vantagem que se concede.latrina. S. . COIVARA. já quase inteiramente em desuso. além. . neste sentido.Já nas "Memórias de um Sarg. pois o erudito sr. . na "Cron. . de Vasc. f.

das Leguminosas. mais geral que o que tem hoje. quantia. da ling. s.couro largo. s. quaresma. | "E auendo este recado: o meestre mandou logo o Almada a Nunalurez com quorenta". .. | Arcaísmo de forma e de sentido. | No Maranhão ("Dic. CORENTA. s. e pondo-a de surpresa sobre a pele de outra pessoa. .. . s.ato de coroar (o cafeeiro). CORONHA. em que se conduz bagaço. de Castro" de M. f.. m. f." Também se usa substantivamente: "uma coroca". córrego. . que se extrai de uma vagem silvestre.fazer um círculo de pedras. v. s.": . arrastando: "Fora era o bagaceiro. CÓRGO. XXVI).. s. Quanto à forma. CORÓ. de acordo com o uso clássico. s. também se observa nos clássicos.. Pinto. couro. e equivalente 'a "regueiro". P.. t. na "Ling. Freire preferia. m. J.). roído pelos corós.quantidade qualquer. Que quantia de cavalos que passa! COPAIBA. Brincam com ela os meninos.semente dura e lisa. .bicho de pau podre: "Um galho grosso. num. . s. adj. Elísio. e pop. se desprendera da árvore morta. s. sobre a manga. f. na "Arte Poét.". . era esta a que F. CORESMA." (De uma "Relação" do tempo de D. | F. João III. . que êle veiu que veiu avoano!" CORO DE ARRASTO.. P. COROCA. m. no "Dom J.riacho. com seus montes brancos trazidos pelo couro de arrasto..). f. q.. geralmente aquecendo-a por atrito. P. Ad. | H. . Coelho. etc. CÓRO. 13-14. É de F. p. m.. de S. Parece ter aplicações de medicina caseira. . CONTIA." (C. relho: "Preguei o córo e cheguei a espora no bicho..muito idosa. Forma arc. caduca (mulher). terra e detritos vegetais em roda do cafeeiro. . quarenta.. COROÁ(R). m. Quanto ao sentido. do Cond. como antiq. f.. regista diversas variantes: copaúva. J. COROANHA.árvore da fam. s. COROAÇÃO. Freire dá o t. (Cr. O qu em vez de c obedece a preocupação etimológica. .o mesmo que congada.mil e corenta e sinco corpos d'armas brancas.".chicote. nota). ." (C.CONGADO. encurvada. geralmente junto a "velha": "Era uma véia coroca. dá esta palavra entre as que "estão realmente caídas em desuso ou vivem só como termos provinciais". em que os crioulinhos se equilibravam sôbre o bagaço. copaúba.

persegui-lo. agarra-agarra. & detem-se com gosto. | "Do terreiro. CORRE-CORRE. CURRIQUERISMO.qualidade. COSQUENTO. correcção. - .lugar onde as águas de um rio precipitam a marcha. ou ato de pessoa presumida. v.na frase "trazer alguém num cortado". s. CORREDÊRA. péga-péga. apoquentá-lo. (A. idêntica (Cherm. Também se usa no Amaz. ato de correr muito repetidamente. s. prol. isto é. v. para ouvi-las". Dá-se-lhe étimo tupi: "curóca".. . CURRIQUERO. Delf. Ali entra a fradalhada Qual formiga em correição Dizendo que à casa vão Manter a honra da casa.desfilada de. COSTEÁ(R). (Arraiz. s. m. metendo inveja. t. tem signif. com despiques. (Greg. dos "Dial. CORRIQUÊRO. P.agitação de pessoas que correm em várias direções. | No R. s. m.. t.castigar. G.) CORREIÇÃO1. CORTADO. custear. gente vinha e ia. s. do S. etc. "coç'quento". afetada. f. com signific. CORRIQUERISMO. .) - A viuva autorisada Que não possue vintera Porque o marido de bem Deixou a casa empenhada. formigas em trabalho. G.. semelhante e mais o de "arrebanhar" (o gado). q. . COSTEÁ(R). & daqui vem q. como uma correção (sic) de formigas.que é muito sensível a cócegas. . . | "Coç'guento". que grafa "córóca"). caduco. q. sem distinguir sexo. . "Justiça") CORREIÇÃO2. f. | Forma arc.Tupi". corrompe o juizo. . & empede a correição". m.: "He a lisonja manjar doce. s. "quebrar o topete". | Cp. de M.presumido. f."). . Dias) o povo diz dos velhos adoentados. afetado. devido a uma diferença mais forte de nível: Poitei na correclêro do Zé Bento (C. fazer sofrer (alguém).

designava os pretos criados em determinada fazenda. custeio. . monótona. q.Ah.). q. | Em Port.que tem o rabo cortado (animal).crescido. . CREÇUDO. COVANCA. . sem um trovão ou corisco (C.espécie de cesto de taquara para apanhar peixes.a oração que começa: "Creio em Deus Padre.fragmento.carabina.diz-se da chuva prolongada e mansa. que cresce muito: "Esse minino é tão creçudo que daqui a pôco tá igualano o pai". Em Port. trabaiadêra. . que já F. CRIÔ(U)LO. de espanto. - COTÓ1. Freire emendava. "chuva criadora".. aconteceu que os da Etyopia destruirom huma parte do Egito. q. s. caiu lenta. rezei um cremdospadre. J. . m. E o trigo era creçudo E foi-se a ella. . localidade. etc. cantadêra. udo era a terminação regular do part. | É alteração de carabina... . CÓVO. s. credo! . m.Jisúis. há a expr. m. abridêra.grota descoberta. ah! credo! CREMDOSPADRE. intj. m. e a mó que já miorei". .. com um estreitamento no terço mais próximo à boca. muito usada isoladamente. s. CRÉDO!. de semana.Credo im crúiz! . . Nos primeiros tempos da língua. de espanto. d'abreviado Test. que tem falta de um pedaço (membro). CRAVINA. m. "O Juiz da Beira"). clavinóte. credo! . faca pequenina e insignificante. P. e junto com outras palavras: Maria. designa também "cesto comprido de vime para pesca". s. | Foram ambos a mondar. s.Intj. que rega profundamente o solo: "Pela madrugada um ventinho frio começou a entrar pelas frestas da parede e uma chuvinha criadeira.. mas o nosso povo não gosta da desinência dora: criadêra.COSTEIO. clavina. s. (Gil V. s. "Moysés sendo já creçudo de ydade. CRAVINÓTE. m. . s." ("Hist. f. . em Port.certa espécie de carabina pequena. COTÓ2. equival. pedaço. etc. CRIADÊRA. f. faladêra. pass.": "Naquela hora. Velho").

| É port. são "côca" e "côco".cuati macho. "Cóca". Do tupi.. espécie de feiticeira. f. curumba". sai daqui para cima do telhado. CUATI. levou-a o "Cuca". Gomes): Vai-te. como a primeira. 'ticuca". ao "negro velho" de Minas. m. de D. . rolo de mato (Garc. que vive solitário. num pé de vento.entidade fantástica. eclipse.. por L. que a cuca j'ei vem - diz uma cantiga de adormecer.carnívoro da fam. Na procissão de Passos. ao "bicho" e ao "tutú" de vários Estados. m. escreveu C. das terras do Norte.MUNDEU. Viana ("Pal. port. | Escreve-se geralmente coati ou quati.).. citada por G.. .. deixa dormir o menino um soninho descansado. deixa dormir o menino o seu sono sossegado. ainda mais próxima da port. visivelmente aparentada com a precedente: Olha o "negro velho" em cima do telhado. Outra. em Portimão. s. m. . As formas port.: "Ah. CUCA. quer o menino o assado. Essa. regista as variantes "corica". B. significa mulher velha e feia. Diz uma quadrinha mineira. esta quase de todo delida já em S. e é também o mesmo que "quicuca". de certo.CRISO. s. ameaça. Vai-te embora de cima desse telhado. havia um indivíduo vestido de túnica cinzenta e coberto com .a quantia. de 400 réis.. "curuca". P. m. sim.. meu bemzinho. | Em Rui de Pina. CRUZADO. . Diz uma quadrinha pop. Por ext. e também de Minas (citada. a bruxa.. "Cron. Num dos seus contos goianos. existem espalhadas pelo Brasil.R. R. . . . atos destinados a atemorizar: "Eu cá não tenho medo de cucas!" | A palavra e a superstição. s. Vê-se desse exemplo que em Minas se diz "cóca". à hora da meia noite. com que se mete medo às criancinhas: Durma. Duarte"." Em Pernamb. "Procynidae". crys = eclipsado. s.A cuca paulista é em tudo semelhante ao vago "papão" luso-brasil. Ele está dizendo."): Vai-te "papão". entre adultos. s.

f. Lê-se no "S. que se julga habituada a devorar criaturas humanas. desmembram-se. principalmente como farinheira.. cabra. limpo. ÇUCRE. ágil. "côco". G.um capuz. . a origem do nosso t. o que tem "cuêra". há também "mala cuca". ferida produzida por maus lombilhos. em S. québra. ficavam apavoradas.. Paulo ant. duro. e na dos Passos. como o "papão".). . e há "cuerudo". turuna: quebra o chapeu na testa o tal Faé. Aí está.. P.) | No R. serpente de papelão que. cast. e define identicamente "boitatá". corrente em todo o Brasil com ligeiras variações de sentido. | T.. .Em Espanha há "coca". s.o que faz pensar no celebre epigrama: "Il a bien changé sur la route". tupi-guar. . citado por G. o "farricôco".. constantemente. P. Veja-se esta série de sinônimos. . parece que até o ano de 1856. cruzam-se. P. açúcar. em Minas (L. o melhor vate um "papão". em S. com dois buracos nos olhos.. CUIA. que é o piso mais cuero e mais desempenado. caibra. CUÉRA. Gomes). pois umas choravam e outras tapavam com as mãos os seus olhos". seg.Rub. (C. Viana: O melhor poeta um "côco". G. cuéba. malicioso. cutuba.: "Oi que toicinho tá caro e o çucre não tá barato". Os vocábs. a quem chamavam "côca" (L. flutuam.A sinonímia entre "papão" e "côco" ou "côca" está estabelecida no seguinte dístico das "Orações acadêmicas" de frei Simão. respeitado.) há "cuêra". ir o pregoeiro.Dão-lhe orig. parece que d'ava a "côco" a significação geral de entidade fantástica."côco para meter medo às crianças". forte. sai no dia de "Corpus Christi". a semelhança com cuéba. provavelmente. Gomes). tutumcuéba. sendo que as crianças.metade de um fruto de cabaceira. s. Viana ("Pal.. ao avistarem esse feio personagem. "Côco" encontra-se ainda em Gil V.: "iacui". definindo "bitu". onde se vislumbra um curioso entrançamento de formas: cuéra. m. cumba. de Vasç. usado como vasilha. chamado Farricôco ou a Morte . "Cuêra" deve ser forma abrasileirada de cueira. L.") refere-se ainda a uma pal. destorcido. (C. A essa figura correspondia. derivado de cu. cuêba. ou cuietê. na boca do povo.vestido de uma camisola de pano de cor preta.": "Adeante dessa solenissima procissão era costume. chama-lhe . de ordinário substantivado .É possível que tenha contribuído para a abertura do e. que lhe cobria o rosto. destabocado. . e o "côco" está ali. q.. de má índole. . no "Auto da Barca do Purg. forte. contaminam-se. do S. nas antigas procissões do Enterro.valente. temido." onde parece indicar o diabo: Mãe. e lhe caía sobre o peito. . na Galiza e outras províncias. tendo na cabeça um capuz do mesmo pano. (Romag. P. entidade fantástica..

m. a habitação dos cupins. . utilizado para vasilhas. f.Do tupi.. s. m. f. certa substância vegetal aromática do Oriente. m. fam. para o Norte dizem "cuité" para designar o fruto. P... é um vaso grande. .papas de milho verde. intrometer-se (alguém) em conversa ou negócio onde nada tem que ver: "Pras muié não botá a cuié torta. m. a que se dá também o nome de cupinzê(i)ro. . cemitério. CUMBA. P."Triste anoitecer o daquele dia. s.. regitra "cumarim". CURAU. . familiar ou jocosa. ao fim dos trinta e seis mil metros de caminheira. de boca muito pequena. (C. bamo levá êle no arrosá. sem se lembrar de largar o milho.. | De S. onde se põe milho. Lop.). .ave noturna do gen. CUPIM.). s." (M. inocente de tam torpe culpa".R. P. . entre os quais o de armadilha para apanhar macacos. .a extremidade da espinha dorsal das aves. s. derreado com o curanchim em fogo. por ext. Isto se conta geralmente. m. colher-torta. . Maria e do inf. m. o provérbio . das Solaneas. CURANCHIM.R. "cuitezera" e "cuietra".na frase "botá a cuié torta".). "Caprímulgus": "A noite caía devagarinho e os curiangos começavam a cantar pelas estradas". CÙIETÉ. m. calambuco.designa varias espécies de térmitas.). forma bastante semelhante ao cast.CUIÉ-TORTA. CURIANGÚ.certo bicharoco mole. Cp. CULIDADE. Neste caso. se emtom fora tua mercee de botares aquell cruel cuytello que nom dampnara o seu alvo corpo. qualidade.árvore que produz um fruto grande. . episódio de D. | B. mas não pode retirar a mão cheia. port. João)."macaco velho não mete a mão em cumbuca". forte. . f. s. P. m. (C." (C. CUITÉLO.destro."Eu vou simbora! Sombração de ótra culidade eu pego". CUMBARI. no mato. mas não conhecemos ninguém que o houvesse testemunhado em pessoa. s. "Capsicum". (Fem. . e em linguag. e que se coloca em lugar conveniente.beija-flor. s. que serve a vários fins. MUCURANCHIM. para designar a árvore. do gen. O macaco mete a mão pelo orifício e agarra um punhado de grãos. CUMBUCA. .cabaça esvaziada.. s. ordinariamente substantivado . s. f. como sanguessuga. . que constróem grandes "casas" de terra. L. callambuco e à ant. | B. D. q. valente. CURIÂNGO. CUMBÉ. ÇUMITÉRIO.designa certa espécie conhecida de pimenta. regista "cuiambuca". s. . CUMARI. a mesma região nos indivíduos humanos: "Mal apeia-se. | É forma antiga de cutelo do lat. . esse mesmo fruto.. de casca rija. e debate-se preso á cumbuca. cultellu(m): "Oo piedade do muy alto Deos. s. s. .

a certa moléstia. m. arc. entre os quais um desânimo e abatimento profundos. e diz que o duende "é descrito como um pequeno índio.picado a espaços pelo revôo surdo dos curiangos. com os calcanhares virados para diante. s... CURRUÍRA D'ÁUA. P. cremos indubitável que currução nada tem que ver com corrupção. corrida. | Deu-se este nome. . . m. no conto "As Cruzes do Mato-dentro". J. s. | Curso e cursar são "muito usados dos clássicos". m.R. corrê(r)..Há um voc. f. nas proximidades de Sorocaba. dá como o dois de paus em alguns jogos. que significa "diarreia". no seu conto "Assombração". C. . de Greg. | É superstição mais do Norte do pais.).. d'água. com o. ao passo que pronuncia correição. . que faz perder o caminho aos que viajam". carregando ninhos de curruíra d'agua. escreve curupira. . Rib.": Caganera que te venha." (C. há esta. Gomes). a qual se caracterizava por vários efeitos. e está em Gil V. com u na primeira sílaba.Duende ou trasgo da mata. mas deriva. (L.. . Como todas as entidades da mitologia indígena em dissolução. "currença". O mesmo escritor cita um morro. muitos anos atrás. (Conf. diz o sr. "corrimaça". . m. s. f. C.. | M.). B. Também Gil. é figura amorfa e vaga. Má currença que t'acuda. Anch..). de M.. CURRUÍRA. lá se vai rio abaixo.. s. S. de correr. também chamada "macùlo". P. não abandonando o ninho.. diarréia. "Barca do Inf. com um só r no principio. com um curso danado". s. P. | Cherm. no "Fabordão".preguiça extrema. regista "curiangú" como paulista. ..certo pássaro. CURIÓ. entre muitas outras que ele desfia: . CURRUÍLA. V.certo pássaro: ". da F. curso." (M. de O. s. Lobato escreve "corruila (do brejo)" em "Bóca-torta". Cp.Na poesia "Verdades". f. dá "curiangó". . avezinha que. que do Sul. CURRUÍRA DO BREJO. mas ainda se lhe notam traços em S. com perdão da palavra.a carta mais forte em certos jogos. vulgar no interior do país. como "currença".Em Minas dá-se a este pássaro o nome de "cambaxirra" (L. . O mesmo que o precedente? CURRUPIRA. cita-o numa lista de entidades irmãs. P. confundindo-se com outras.guapés tranquilos e verdes que rodam nas cheias. f. . etc. s.C. escreveu "currença".certo pássaro (avinhado): E lá no brejo o canto do curió e os jassanãs avivam-me a lembrança. CURSO. (C. L.diarréia "Andei meio vexado uns pares de dias. Mag.).) CURRUÇÃO.. Convém notar que o povo pronuncia currução. CURINGA.Contudo. . . .certo pássaro. que conserva esse nome.

Logo sereis aviado.cabecear com sono. pescar. afric. .dae-me outro cruzado. m. "passar pelo sono". mas o povo desconhece em absoluto essa pronúncia. m.assalto (por bando armado de bugreiros) a um aldeamento de índios. Que. s. m. descuido. atirando os seus desafios mútuos". ("Musa Caip. tendo portanto a forma de cone truncado.fôrma de lata. cozinhado em fôrma ao bafo da água quente. Porque aquelle que me destes Em cuz-cuz o comeo ella. cuscus. alcuzcuz. por alusão aos movimentos bruscos de cabeça. .. . ("Juiz da Beira"): . . DADA."). vai caindo em desuso.Coscus. q. s.? Ou simples alter. aportuguesadamente. prazendo a Madanela. para se fazer cuscuz. s. cuzcuz. muito prestes. denominação tirada.espécie de bolo de farinha. são formas que se acham nos antigos escritores da língua ("Cron. Freire regista o t. .. por graça.agitação de peixes à flor d'água. s. formando roda e cantando cada um por sua vez. Mede cerca de um palmo ou pouco menos de altura. Fazia outrora as vezes de pão. F. CUTUBA. s m. na época da desova.fortíssimo. gloss. | Encontra-se em Gil V. | Costuma-se escrever. Ianguas define: "genero de hormiguillo que hacen los moros de massa deshecha em granos redondos". CUSCUZ.o ato de cuxilar. da fôrma acima descrita. dormir um pouco e de leve. s. palmito e vários temperos. J. peixe ou galinha. alcuzcuzu. v. "cochilar" e "cochilo". CRUQUERÊ. CUXILÁ(R). CURURÚ 2. s. como significando "chapeu de copa alta e aguda". CURURÚ 1.). . m.). A origem da palavra e da coisa é árabe. s. O cuscuz simples. . i. descuidar-se.O fazer "curso" é purgar - CURUCA.certa dança em que tomam parte os poetas sertanejos (diz C. . . P. excelente. CUXILO. f. CUSCUZIERO. f. vinte centímetros de boca e um terço menos no fundo. do Inf. só de farinha.uma espécie de sapo. Deus querendo. valentíssimo. .Orig. | Do tupi? CURUQUERÊ.inseto que ataca as maçãs do algodoeiro. Santo". feitos por quem cuxila sentado? Com o mesmo sentido de "cabecear com sono se emprega às vezes. . . Freqüentemente se adicionam à farinha camarões. m. . naturalmente. de acutilar.

. derecho". m. etc. DEFERENÇA. Registado também em Pernamb. DECUMENTO. q.o mesmo que danado.. f. DE-CUMÊ(R). E diz J. ato próprio do daninho. a julgar pela pronúncia atual de direito. DANISCO. de Castro". . | No Nord.grande quantidade: "Lá im casa tem um delúvio de laranja madura".. teimoso. DERDE.fazer diabruras (a criança). devia soar a ouvidos rudes como um apelativo: Dar de comer a alguém. É de crer que a influência erudita tenha tido parte na transformação do e em i. arcaica: "A forma corrente era dereito. diferente. diferença. se vê dos versos de Cat. . v. fazer estragos (animal): "Este minino só sabe daninhá dia entêro!" DANINHEZA. i. DEREITO. q. etc. estremecimento. DEFINIÇÃO. de experto. DANINHO. do país. de brabo. farnel. entregar. mas com um valor irônico. referindo-se a i átono proveniente de i breve latino: "na linguagem desafetada. desde. que levô daqui minha faca. P. provisão de comida: "Eu ganho dois mi-réis i mais o de-cumê". DICUMENTO. Taun. m.inimizado. | Af. ágil. regista "decomer". . g. s.Cp. s. s. DILÚVIO. há tendência para pronunciar e: assim se diz imperador e emperador. | Diz L. v. seg. . há de me dá definição dela hoje mesmo".. DELÚVIO. . imbigo e embigo. João de Castro. em "D. s. encontrar. m. . nas suas "Lições". desposto. DEFERENTE. s. prep. na loc. embora se escreva i. há a forma "dende". f." (Carta de D. s.Muito compreensível esta substantivação de uma locução que.zangado.comida. estremecido com: "Vacê parece que anda meio deferente cum seu Pedro?" | Ver DEFERENÇA.. . por Garc. Acrescenta-se freqüentemente um modificador: "danado de bão. forte. q. esp. abonado com o romance "Luzia Homem". | ". furioso.DANADO.qualidade do que é daninho. malvado. esperto. e a arcaica dereito". .descobrir. duro. como t. cearense. . "dar definição" (de alguma coisa) : "O Juca.diz-se da criança que gosta de brinquedos em que há perigo ou que resultam em estragos. o que faz muito ao caso pera as deferenças que ouve entre Vossa Alteza e o emperador. representada hoje na voz do povo em algumas regiões por "dreito". J. hábil. de teimoso". .desacordo.). q. mas é também paulista. . cf. p. . em certas frases. DANINHÁ(R). documento. endereitá(r). Nunes. referindo-se à linguag. finório. infusa e enfusa. dereitura. J. direito. q.. f.: "Derd'aí num tive mais alivio!" (C. de Vasc. 21). etc.

declive (de morro). DERRAME. desmentir. DESCOIVARÁ(R). desamparar. . descocham. . desmunhecar.que está de novo exercitado e ágil (o cavalo) depois de longo descanso. ou. em port. . t. v. na ling. | T. t. desmoralizado. . que se desacocham. v. t. Taun. . DESACOCHÁ(R). | Arc. cp. DESCABEÇÁ(R). v. p. paulista. . DESEMPARO.induzir (alguém) a proceder mal. q. DESENCABEÇÁ(R).vertente. . q. t. q. DESABOTINADO. DESEMPARADO. DESBOCADO. | Af.limpar (um terreno) da coivara resultante de uma queimada. DESEMPARÁ(R). . t. s. . v. DESAGUAXADO. como t.perder (alguém) a compostura altiva. ficar desorientado e envergonhado. Envolve em metáfora a idéia da corda cujas pernas se afrouxam e desenrolam.DEREITURA.. destabocado. DERMENTI(R). Assim os teus derivados.limpar de touceiras e tocos (um terreno). s.que usa de linguagem torpe. m. t.. DESAGUAXÁ(R). .. admiravelmente expressivo. arreminado. 2. t. .envergonhado. de Port. . desamparado. liter. q.quebrar a força do braço. insubordinado. ou presunçosa.diz-se do indivíduo meio doido. regista derrama. 221) e é popular em Port. | Esta troca de s por r resulta da influência da labial m. DESCANHOTÁ(R). part. mas ainda popular também na Europa. f. verbal de desempará(r). DESACOCHADO. fantarma. t. v. espalhafatoso. num far má ("faz mal"). "Estudos". por exercício (um cavalo que esteve por muito tempo desocupado e porisso engordou ou tornou-se preguiçoso). v. | Ocorre em Camilo (J. direitura..fazer correr. desorientado. Ver AGUAXAR. . etc.Ver ACOCHÁ(R). mermo. v. s.º v. Mor. v.

sem atrativo. na frase: "Inté despois" . e i. separar-se dos companheiros (pessoa) etc. DESINCAIPORÁ(R). DESPENCÁ(R).) diz uma roceirinha agastada a um importuno que a corteja." ("Cron. desenredar.. f | ". P. DESIMPENADO. do Cond. (C. q. disposição.. ou mesmo nenhuma. javevó.tirar a caipora. Romag. .). envergonhado: "Disinxavido. extraviar-se: "Fazia u"a proção de dia que u"a perdiz andava desguaritada. de "recensarado". . . desfazer o entusiasmo. perder a caipora: "Num hai geito de desincaiporá êste jogo". regista no R. se acha rezente = recente. É de notar-se que em Rui de Pina. v. galhardia. DESPOSIÇÃO. destemido: ". dizedor. desgracioso. t. DESPOIS. .que ainda está mal restabelecido de qualquer moléstia. q. adv. de D..Freqüentemente se apocopa: despoi. DESINXAVIDO. . a confiança: "O Antonico não quiz mais trabaiá prá festa: ficô desmoralizado co a farta de corage dos cumpanhêro". entre outros clássicos...asy de ventos prosperos e mares bonançosos como de saude e boas desposyções que nosso Senhor deu a todollos soldados que o ymos servir (Carta de Dom J. t. p. P. s. há desempeno = vigor.tirar a energia moral. DESPACHADO. 21). G. | Em port. v. t. piano no pasto" (C. já em concorrência com a que veio a prevalecer. também não e raro aferesar-se: espois. da pressa com que se fala.som desposto pera ficar na terra. de Castro ao rei. destabocado. DESIMBRAMÁ(R) v. Duarte". DESINSARADO. com pequena diferença.DESGUARITÁ(R). DESMORALIZÁ(R). | Cp. tudo depende. o pião mais cuéra e mais desimpenado".perder-se. DESPOSTO. XX). galhardo. Desempenado parece que só se aplica em sentido material. disposto. . que se encontra em Camões. saltar do alto: "Quano o diabo me viu lá de cima da teipa. em M. apenas. Num dê cunfiança.... | ". e da posição do voc.separar do cacho (bananas. cair. ou outra fruta) . "desguaritar-se" desgarrar-se do rebanho ou tropa (um animal). como em tantos outros casos. q.franco. a má sorte. Despois é forma arcaica. | Deve ser corr. e i. P. q. não se usa aqui pronominadamente. despencô!" | De penca. xavi. . .forte. cap. etc. xavié. t. . Pinto.. como se entende em S. aberto. e às vezes dão-se os dois fatos conjuntamente: espoi. | De guarita. de S. P. É.). desenxabido.insípido. etc..." (C.". q. do S. "Cron.."Espoi mais vô lá". . v.. . corrido.desembaraçar.

L. ninguém mais lhe bota a vista em riba. . | B. | Esse exemplo. v.lhe inflamara o braço. que em viagem se traz de sobressalente: ". De fato. tô misiurano o dinhêro. DESPERPÓITO." n.R. sacudido: "Aquele negro tem sorte. adv. após o despropósito de sulfato que ingerira". v.de dextra. DESTRATÁ(R). DESTABOCADO. na loc. decidido. do Br. m.o macho crioulo que vinha a destro não duvidou em meter-se naquela perdição. (G. destabocado. s. . e ainda por cima destabocado e bem falante como aquele (M. Aqui é ponto de reunião.DESPOTISMO. (C. Mexa. destorcido: "O pai. DESUNHÁ(R). Santo". .fugir velozmente.". maltratar com palavras.. dez-tostões.)."). (C. com o mesmo valor: "E foy entregue a quarta feira xvj dias doutubro ya bem tarde a Çala-bem-çala que o reçebeu em encima de huu cavaílo. pronto. s.: ". cabocrada. ("Cron. i. DESPROPOSITAR. mexa. t. onde Taunay o colheu ("Inoc. "A Premessa": Um tropero acarbimbado. . . mostra que o brasileirismo é também do seu Estado. a destro. despropósito. . esse babava-se d'orgulho. m.lépido. R. do Inf.. desprepositei co diabo do home".. empregados um e outro por D. 12). Nota de M. como é ainda de Mato Grosso. s. DESPERPÓSITO. . Cabra destorcido!" (C. . já viuvo por essa época.descompor.).. . pondo-lhe a cabeça a zunir. Duarte no "Leal Cons. q.haplologia e despluralização. "O Oráculo". Filho médico. dá como t.grande quantidade: "E esperá que os otro já vem.".grande quantidade: "nuvens que depois o vento toca para cá. DESPREPÓSITO.. é desperpósito! . Rangel.desempenado. que eu num respeito truquêro: jugo a dèstão a parada. P. DISTROCIDO. | O exemplo é de Goiás. falador. esquerdo. cum as barba co de timbó um cabra distabocado - DÈSTÃO.expressão que se usa exclusivamente falando do animal de sela. de um escritor mineiro. | É expressão antiquíssima. direita. R.) DESTORCIDO. m. cap. Ante do sór cabá de entrá na bôca da noite. 41). caindo no mundo. DESTRO. . cearense. i..perder a cabeça. sextro. v. brincalhão. abalar. encontra-se em Cat. dos Rem. "Rev. P. forma analógica a seestro. que trazia comsigo a deestro". dizia Joaquim da Tapera.). dando em resultado esse despotismo de águas"." (C. q. DESPREPOSITÁ(R). . irar-se e dizer palavradas: "Não pude levá o causo im paciença..). mas representa justamente a acepção paulista.

. diabada! um dia vacêis me paga!" DIACHO.Em Port... | L. de Rub.) Contudo. diciasette. . f. antipáticas: "Deixa está. . que essa "é a pronúncia vulgar de todo o país". tirado de Virgílio Várzea. s. numer. Não é alter. num.. depois aos pássaros. s. estás em seco - DIZ-QUE-DIZ-QUE. escreveu. com a fórmula consagrada: Diz que. de Vasc. maôr. seu bôrra: eu num quero sabê de diz-que-dizque aqui cumigo. (que é a de Lisboa e a de S. . palavra cuja pronunciação perfeita. linhoso.": Esta noite é dos pastores E tu. . por onde se vê que o t. dicianove.forma supersticiosa de diabo. a qual só se explica bem por contração de dezaoito. "Barca do Purg. a acepção que o t. cumpre notar que M. apenas com uma reduplicação a mais. (L. girar (V.. dianho. f. primeiro aplicada aos próprios sinos. e também existe em cast. ou que tal se presume. . evita cuidadosamente esse "erro". decho. adj. além de que aparece em numerosos documentos antigos. m. dos Rem.Em S. diciaseie. P. DEZÓITO. encontrou dezeseis na "Cron. Isto vem de longe. no seu "Vocabulário analog. do Br.cantar (o pássaro). etc. malvadas. sujo. Diz que era un escudero - O nosso diz-que-diz-que é. s.. pois."): Quieroos decir un cuento. se evita. adi. na língua. s.: dice que.mexerico. de dezesseis. Gil V. uma substantivação semelhante ao on-dit dos franceses.fazê-lo dar volta. | Cp. o it. P. dezasséte.mulher má. intriga: "Óia. t. Firmino Costa cita. cp. que existe em galego.). .") daí se originou. considere-se também a pronúncia "dezóito". DOBRAR. ("Lições") sustenta que o certo é com a. v. .quantidade de diabos. DEZASSÉTE. | Forma antiga .. aportuguesadamente. . de pessoas ordinárias. ou mesmo imperfeita. rabudo.Parece que é corrente também em Port. onde houve ainda uma forma.. "Novo Dic. que se encontra em Gil V.diáboa. demo.. soar (o sino)." ("Rev. num. num. está generalizado mesmo fora de S. P. adj. de Vasc. adj. contração de dizem que. o povo da roça diz dezasseis..") um exemplo da primeira acepção. etc. DEZASSEIS. corno mór proveio do arc. m. diz-se "dobrar o sino" por . tá uvino?" | É freqüentíssimo começarem-se os contos e narrações que correm à boca pequena. tomou aqui. Santo". DIABA. do Inf. de certo. co-dialeto do port. ao passo que a gente culta. numa das suas tiradas espanholas ("Com. isto é. escritor catarinense. decho. DIABADA.DEZANOVE.

!. na "Cron. questão. v. eigleyga.o ato de dobrar (soar. senhora: "Sentei numa volta de cipó.DÓBRE. | Este arcaismo se acha igualmente em M. intj. mais afinar amarrárum o negoço".questionar. significando volta. i. gente! num é que m'esquici do recado?" Como se vê desses exemplos. de admiração. . de Vasc. provavelmente. s. DONA. Um exemplo do poeta Paay Soares. ("Lições"): Como morreu quen amou tal dona. Isto. giro do sino (V. porém.: Eu sou um quebra largado."Escuite. DÚVIDA. com valor aproximado ao de um "sem dúvida!" enfático. usadíssima em S. DORDÓIO. s. f. . s. indicará apenas que já em época afastada começara a luta . corrente no R.Diz uma quadrinha pop. do S. .") e. f. puis vacê inda está aqui?" . q. DO(U)RADI(LH)O. . .. do R. Descasco logo o facão. e outras de mais ou menos hesitante grafia. . dor d'olhos.. s. . corrente. que eu le deço o cacete!" "I sabe o que mais? Não me duvide muito. XII. citada no "Vocabulário" de Romag. . Grosso ("Inoc. do S. S. espanto: "Eah! nho Chico. BOA . s. abundante no Piracicaba. . QUE . em todo o Brasil. do Inf. Santo".inflamação nas pálpebras. EAH! intj."). DO(U)RADO. G." (V.animal cavalar ou muar de certa cor acastanhada.. | Este subst. mostrando a ditongação da primeira sílaba de ecclesia. outra intj. m. É verdade que também se acham formas nas quais não aparece o ditongo. DUVIDÁ(R).disputa. | É t.. como egreya. do séc. m. egreia.!.). verbal existe em Port.mulher. citado por L. seu moço: vacê não duvide. abusar: "Os home duvidárum. s.grande peixe de rio. maginando coisas exquisitas a respeito daquela dona tão estúrdia. esta!" EIGREJA. discordância. cantar). munto tempo. não brinque comigo. "Novo Dic. que senão sai cinza!" | O último exemplo pode traduzir-se pôr: não abuse de mim. P."Eah. duvidárum. Por Deus! e um patacão! E. que lhe nunca fez ben -. G.. | Em antigos documentos encontram-se as formas eigreya. f. m. se me duvidam. corresponde mais ou menos a "ora.

L. ESCANDECÊNCIA. A pronunciação pop. "Lições"). do S. outro castelhanismo. entremear. . i. regular de Agnes. ENTREVERÁ(R). sugeriu-lhe uma traça mistificatória: entreverar de caètés. EIRADO. prisão de ventre.velho. endêz. . "Auto da Índia": . é. v. aplicado a facções adversas em combate. G. q.V. . etc. ESCÔlA. part. f. p. ESCOMUNGADO. ou coincide com a arc. com seus alimentos e bebidas quentes e frios. s. n. q.em estado de escandecência: "ando meio escandecido êstes dia. | É forma arcaica. a única que o dial. m.diz-se do porco na idade da engorda. . Alter. m. peso de cabeça. que escandece". Também lá se usa entrevero. irmão. q.diz-se do café baixo. . . i. s. unhas de vaca e outros padrões transplantados das vizinhanças a fímbria das capoeiras. na segunda forma e vem de indicii.produzir escandecência. misturar: "O redomoinho do Moreira. q. (L. por "mixturar". escolha. s.alternar. ERMANDADE.pela fixação de uma forma definitiva. de Vasc. ERMÃO. . EINÊS. de guerrilhas. . mas como t. ERADO. | O mesmo que ERADO? ENDÊIZ. | É corrente no R. ESCANDECÊ(R). idoso: "boi erado". irmã. de manêras que não quero tomá melado e outras coisa quente".. e faz duvidar se representará uma persistência arcaica. Paulo. ERMÃ..). se mera coincidência. Escandecê(r). | É port. | Encontra-se com c mesmo sentido em Gil V. ESCANDECIDO.. (M. cambarás. de que se separaram os grãos melhores. "Não coma carne de porco nem farinha de mio. conhece e que se prende às idéias da velha medicina. s. f. a cabo de coçadelas.muito usado como insulto. EIRADO..o conjunto dos irmãos numa família. e uma ou outra entrada acessível aos visitantes". | É t. | Encontra-se esta forma em antigos documentos da língua. de que ainda muito se fala em S. | De era? V. . s. Inês. mas os dicionários não registam esta acepção. v.. de Port.ovo que se coloca no lugar onde a galinha deve fazer a postura. f. i. . paulista é interessante.

"Estudos". que consiste num fio ao qual se ligam a espaços diversas linhas com anzóis. . ou contrariedades. mais vacê escóra o serviço?" . meio esverdeado. s. L. . q. mais não pude sabê de nada"." acha-se escuytas = espias. t. ." ("Regra de S. t. ESCORÁ(R). porque isso é andá esparramando dinhêro à toa". m. esse assunto")."Tudo ia munto bem: a purcissão im orde. pra vê se ganho uns cobres". que sinão ainda faço um esparramo".Comerciar: "Ando espiculando com fumo na praça. sentinelas. rolar. "Duma feita que viajava de escotêro com a guaiaca empanzinada de onças de ouro. do Cond.Cp. perguntar insistentemente: "Espiculei. Mor. "de escotêro". | Port. depois de uma esfréga de maleita.). | Os dicionários registam como brasileirismo.perguntador. . Camilo usou-o. P. sofrimento prolongado: "João Lino andava desanimadão. ascuyta os preceptos do mestre."Filho. espinel. introd. de Vasc. sujeitar a grandes trabalhos.. (L. indiscreto: "Nunca vi home tão espicúla". v. esparralhar. .espargir. munta gente. Do cast.aparelho de pesca.: tombar pesadamente. Paulo.surra. v. Não espicule êsse negócio" (i.ato ou efeito de esparramar. . . escomungada. 2. t. era S. t.V. t. ESPARRAMO. especular. . ESPICULÁ(R). esparramar. dispersar: "A ventania foi tão forte que esparramô laranja pro pomá intêro".).º v.aturar. séc. esparrimar. . v.usado na loc. num me atente. torta.. chuva! Aquilo esparramô o povo num instantinho". q. | Forma arc. ESCOTÊRO. verbal . confusão: "Vacêis num me atente. . fazer perguntas indiscretas: "Não me espicule. desordem.maluco.. . . e i.Fazer frente a alguém: "Êle veiu pra cima de mim. pensando de certo que eu fugia: escorei êle no lugá". desparramar. . s. XIII-XIV). amarelo.surrar. Na "Cron. | Esta forma é antiga e ainda hoje pop. ESPINHÉ(L).. q. (J. quando o brasão subir da tenda ao sport. veiu varar aqui neste mesmo passo (S.) A forma culta é especular. ESCUITÁ(R). indagar. mas não é corrente: "Passarei também ás coudelarias. trabalho penoso. espapaçar-se (no sentido material e no figurado): "O diacho do home se esparramô". Bento". "Emblemas". ESFREGÁ(R). é. m. s. e derivar dos especieiros esparramados ás bestas elegantes". no Sul de Port. p. tonto. pr. uma prova de força ou de valentia) : "vacê quê trabaiá na roça." (C.. muntas irmandade.. ESPARRAMÁ(R). uma agressão.. v. 227"). ESPICÚLA. De repente. ."Num jogo na lotaria. ESFRÉGA. fazer frente (a um trabalho pesado. ESPELOTEADO. que quer dizer "sem bagagem". escutar.Má nova venha por ti Perra. v. . numa acepção que apenas se compreenderá.

queria que se dissesse. s. dos "Dialog. .. despótico. ra. s.") Estâmago era como F. m. no seu exagerado culto pela prática dos clássicos.º v. "alacranado". prender de pés e mãos a estacas (um homem). prol."O Mandú.). J. espécie de jirau.. 2. . rude: "Aquilo é um sojeito espótico. o furta-passo de Port. .cabide pregado na parede. f. B. D. | "Mordido do tavão" (cp.. nem forão do meu estamago". ..estouvado.armação de madeira para plantas que trepam. estômago.". s.. . mordido de alacrã). f. (Arraiz. s. 229.ribeirão que corre em leito raso.. em que nunca achei sabor. desagrada tudo o mundo". a enorme faca -.. P. imóvel e de pé: "No chegá no chapadão do pasto véio. . m. s. ESTAQUÊRA. como abóboras. m.R. q. plantar estacas." (Carta de Cam. modo ostentoso de vida: "Aquela gente sustenta um estadão". . P. Nunes. e já da estaca despendura a espingarda e põe de lado a aguçada lapeana. geralmente de areia..marcha esquipada. s. significava pompa ou aparato.) ESTADÃO.". qualidade do que é estabanado: "Nossa! mecê quage me derruba! Que estabanamento!" . | De estaca. (C.série de cabides de madeira. ESTAMO. "Estudos". aparato. e os vazios com a barriga e estamego era da sua própria cor. estavanado. parar de repente. m. . ou dela suspenso: Entra furioso o Chico. cõsonancias de clausulas. q. | ". ESTAQUEÁ(R). e o amble francês. e i. êle estaqueô". Freire.pompa. Mor.diz-se de certa marcha do animal equ. s. .. ESQUIPADO. mandão cumo êle só".ESPÓTICO. t. antigo. . ESTOMBO. ordinariamente pregados na parede ou nos portais. cura aquêle estabanamento dêle. ESTACA. Consiste em andar o animal erguendo a um tempo o pé e a mão do mesmo lado | É. segundo J. .autoritário. "Orig. s. ESTABANAMENTO. ESTÂMEGO. a que se dá também o nome de guini (lh)a. ESPRAIADO.ato próprio de um estabanado. ESTALÊRO. p. v. || Estado. ESTABANADO.) . ESTÂMAGO. ESQUIPADA. . em port. Cf. (C. seg. . q..espichar em estacas (um couro). m.

em relação aos pontos cardeais: "face de nacente"..ferir-se com estrepe.aborrecido." (Fern.. diabrete: "Sai daqui.Além da signific. especial de arma defensiva. geral citada. ..grande amofinação. estopada. importuno. v. "face de sur". tem mais as seguintes. em Port.). FACE.ativar os cães na caça com ruídos. . desordem: "O dianho do macaco escapuliu e fêiz estrepulia na casa". "sterpe" tem sentido parecido: "rebento de uma raiz ou toco de árvore cortada ou partida pelo vento". | De estopa? Cp..affirmaram todos os presentes que chovera cinza. v. f. . ESTÓRIA. ESTREPA(R) (se -). . e chama-se estorea geral. de Oliv." (V. 2. Mor. Mor. m. m.. . assovios. s...De estimular? ESTÚRDIO. tarefa penosa. abrolho.. s. ESTOPENTO. (Greg. f. "Gram. s.º v. e da signific. f. ESTREPE1. Coelho). Sobre isto e mais sobre a etimologia. e foy era tanta cantidade. ESTREPE2. Mor. . (obra cit. . . pr. ser mal sucedido em questão ou luta. porém é menos geral. p.. Esta significação está de acordo com o sentido vernáculo de púa..): pedúnculo da abóbora (em Lousada) e cana de milho depois de colhidas as espigas (no Minho)... . estapafúrdio: "Sentei numa volta de cipó. qual. f. trabalho duro.cada um dos lados de uma casa. espinho. 273-5). s. (J.travessura.".. ESTREPULIA. Estimando-lhe um cão pecheuiigue O demo do gato botou o ceitil. "Estudos". q. . ESTUMAR. | ". Francisco Xavier": ". mas necessária para bem limitar a significação especialíssima do voc. 2. "Marinicolas"). desfigurando um outro cuja forma própria se ignora? Cf. segundo J. etc. que só temos encontrado envolvendo a idéia de ferimento atual ou provável. .º v. segundo Ad. ESTREPULIA.menino importuno. s. de M. | Sinão quando na horta do Duque Andando de ronda um certo malsin. usual no tempo de Lucena. t. Quadra perfeitamente ao que lhe dá Lucena na "Vida de S. o voc. maginando coisas exquisitas a respeito daquela dona tão esturdia. "Estudos".esquisito. que além de cobrir e entulhar o campo dos estrepes.lasca ou ponta de pau em que pessoa ou animal se fere.ESTOPADA. . porque cumigo se estrepa". história.. Em italiano. ou pode ferir-se. ver J. estrépe!" | Simples desenvolvimento do sentido material de estrepe1? Ou haverá apenas contaminação desse termo...per seu mandado foy o liuro que digo escrito e está no moesteiro de Pera longa. encontrar homem pela frente: "Ele que não continue. s. S. etc. 274). de maneira que sem nenhum perigo se podia correr e saltar por cima d'elles". | A definição é longa.

f. v. omissão. s. | Ad. FACERICE. e mesmo na Europa tem acepções que se aproximam da brasileira. FÁIA.. Também entre nós se escreve fachina. . etc. s. P. e Faxina. s. | Usa-se mais no feminino.. aqui feita a cada passo: "Fáiz óito dias que viajo: saí de casa na térça-fêra da somana passada. que parece paulista (e brasileira). o verbo não se refere senão aos indumentos. de serviço.orientar (uma casa. não acertar. que gosta de se vestir bem. Em S.R.. . f. FACÊRO. .falta.B.exibir boas roupas. q.FACEÁ(R). . principalmente com a aplicação a "dias".)..faltar. Aqui se usa a cada passo com referência a dias (de viagem. onde também se diz "fachinal". com. FALANTE. FALADÔ(R). . seu moço. apesar de se tratar de vocábulos irmãos. . i. . abrangendo outras acepções. s.É t.filho: "Tenho cinco famia.. FACERÁ(R). lacuna. . m. i. P.festa ruidosa. não se realizar. | Sul de S. no Brasil. de servir como sinônimo de dizer: "Falei pra o home que não contasse cumigo". | Temos visto definições mais amplas. dois home e treis muiér". fachina e feixe. FAMI(LI)A. paus esguios. (Atos dos Apóstolos"). etc. port. q. ostentar elegância. mostrando que não seria difícil a evolução realizada. indiscreto. por causo de um carguêro que deu de ficá duente". t.De facê(i)ro.Apresenta a particularidade. e Estados meridionais. | Às vezes empregam-no de preferência com relação às filhas. f. na chamada "ortografia mista ou usual". que nem falemos o que vimos. faiei sábudo e dumingo na vila. eu só quiria pra minha filicidade. mas entre nós parece ser o seu uso muito mais freqüente. que ostenta elegância e luxo. t.). Além de outras acepções castiças (negar fogo. v. ostentação de vestidos. Escreve-se.mato delgado.taful. tem esta de "faltar". ao que sabemos. nome de uma cidade paulista.) -"Falo palavras de verdade e de mesura". . f. .. . Coelho cita estes exemplos do uso antigo: "Nós nora podemos estar. além de diferir em algumas aplicações. que é um arcaísmo. port. ."Dá aos teus a falar a tua palavra cora feuza". FAIÁ. Assemelha-se muito ao lucir cast. v. e ouvimos". .maldizente. Faceiro é t. em relação aos pontos cardeais): "Vacê num sôbe faceá sua casa: se fosse eu. mais tive dois dia de fáia no caminho. s. . escoía a face de nacente". era que há danças: Ai.): "Vim certo de chegá na somana passada. falhar. subst. v.. FACHINA." FALÁ(R). FANDANGO. já notara a freqüência deste emprego particular do t. adaptado facilmente a um aspecto da nossa natureza. falha. um bão fondongo por dia . . . | Com estas mesmas acepções se usa era Port.. caminhei inté sexta.garridice. (Ibid. (Ibid.

P. em Port. na segunda acepção. (C.fêmea (de pássaro). FÊA. FESTÁ(R). ." (C.bando de pessoas. FARRUMA. assistir a festa: "E quando nóis ia festá na cidade. dá como sinon. que o saibamos só com a aplicação restrita. Empregou-o nessa acepção M. P. FEIÇÃO. ato ou efeito de fiar (de algo ou alguém): "Daí a instante está tudo pronto.) FARRANCHO..mulher da vida airada. formosura.). arrumaram tudo o que tinham levado era cestos e puzeram-se a caminho. Rub. FIANÇA. como: "O home ficô feito lôco cum a notícia".a maneira de. . f. a planta que a produz. . FEDEGOSO. | É voc.). s.certa semente a que se atribuem virtudes medicinais. . fêmea é de uso corrente e vulgaríssimo no Estado. | Arc. | Arc.o "Dourado" com o "Monarca". FERMOSO. de boos rostos e boos narizes bem feitos. . q. | O uso atual da língua pede plural. conj. f.. acompanhando o Leonardo o farrancho". i. que eram as juntas da fiança. FEITO. t. s.. f. s. de feio. s.nome de um arbusto do campo. . s. FAVA DE SANTO INÁCIO. . bando de romeiros.. S. de Alm. arc. A. fisionomia.). f. adv. | É antiq. | Esta curiosa contração do voc. era um estadão. farfanteria." (Carta de Cam. FERMOSURA. . acima indicada. . na acepção acima. mas. . f. f. s. de "guapeva". farronca. v. s. s. aum. formoso." (A. m. . o mesmo que feiarrâo.e um pala de qualidade.: "Levantaram-se então. port. s. .tomar parte em festa."Esse minino véve feito vagabundo. FEANCHÃO. na língua culta.confiança. Um exemplo antigo: "A feiçam deles he serem pardos. f. maneira d'avermelhados. e na guia o "Letrado com o 'Pimpão".estardalhaço. | É t. mexê-mexêno pra rua".traço fisionômico. usado na expressão acompanhar farrancho que quer dizer: ir com os outros deixar se levar. farronfa.. colocados os bois do coice . m. FÊMIA. e significa rancho divertido..

Freire: "Folia não é qualquer dança. . com e. na fiuza de que a grandeza de Deus e a bondade do clima farão por nosso amor o que não cuidamos de fazer enquanto é tempo disso". conforme qual seja a carta maior. Geralmente se diz "folia do Divino". f. p. verifica-se deste relanço do "Auto da Feira". 1. T. FIRIDENTO. de Vasc. Como diz também fitiu = feitio. na acepção restrita de fio tênue. ou com valete". e que consiste era reunir cinco figuras. . gente do povo. na fiuza de. . costuma haver certo divertimento. Univ. com a bandeira do Divino" (Div... do Cond. Pois sabe que eu te ganhei. | É arc. fitiçaria. a que se dá o nome de "foliá" ("Novo Dic. mas aquela em que se fazem movimentos extravagantes para causar riso. . J. e de prosperidade individual.esta fiuza ouue eu sempre em vós e ey porque eu pera mais vos tenho. Convém notar que o caipira pronuncia fitiço. s. que também se usa aqui.: ". D. LXXXI) e ficticiu (m) ("Novo Dic. (Refl. Dias ("Expos. FIUZA. Eis aqui flux dum metal. Muito usado no diminut. fosse apenas uma dança. FOGO SARVAGE. feitiço. no Algarve. tal como neste passo de G. selvagem. ao passo que diz claramente feito. Costuma-se dizer: "fazer flux com rei. violas e cantigas. primitivamente.. Esp. o costume é antigo.cheio de chagas. etc.")."). | É port. | Ainda hoje. etc. Mostra se tens jogo tal. . No "Leal Conselheiro" há feuza. onde dialogam o diabo e um taful: D. FITIÇO. s.certo efeito alcançado no jogo do poker e semelhantes. Santo. . Por outro lado. FLÚIS. Tu perdes o enxoval. que se acha em Gil V. composta de diversos dançantes.Diz F. s. m. afirma ser ainda forma pop. fiapico. entregue inteiramente nas mãos da ventura. | Trata-se de t. Meu bem e meu cabedal! Vós irmão ireis comigo Que não temeste o perigo Da viagem infernal.").. e até com intuitos devotos.FIAPO. | De ferida.ª). flux. No Brasil. compare-se afito = mau olhado e a expressão "deitar o fito". T. parece que se pode atribuir o primeiro i de fitiço a alteração do ditongo ei sob a influência do segundo i.. Nunes. f. vale o mesmo que "fazer bonito". ("Liv. mas que foi também canto. "brilhar".grupo de pessoas que. m."): ".. FOLIA. s." ("Cron. acentuado. ao som de pandeiros. feição. Santo). na Extremadura. percorre as casas dos povoados e campos. m. Não é isto flux com rei. "Fazer flux".L. s.pequena quantidade. e frase arc.confiança: usado na loc. q.. pedindo esmolas para alguma festa em louvor do Espírito Santo. f. | Dois étimos são propostos: facticiu(m) (J.: . ("Barca do Purg. . por ocasião da festa do Esp. ínfima porção: "Tomei só um fiapo de leite". figuradamente.certa erupção cutânea. e que é acompanhada do ruído de vários instrumentos. talvez principalmente canto. s. J. m. fiticêro. de Gil V.não seria prudente deixar-se este ramo de riqueza pública. Esta explicação faria supor que "folia". Ó meu socio e meu amigo.. de Esopo")."). . feitorizá(r). como se vê do seguinte passo de Gil V. D.. e. T.

corrente no R. esta da "Vida" de Nóbrega. DE . | É a forma corrente: "suór fria". FORA. s. Ramos aplica-o numerosas vezes nos seus contos. C. | É t. Nós vimos com devação A cantar-lhe hua folia. | É t. O próprio Nobrega escrevia da Bahia para Port. do lat. s. FÔRNO. Outra referência. Cherm. do S. os meninos cantando na língua. seu cunhado. em português."). | B. Grosso e Goiás. já registou esta acepção. . (C. fula por fulo. Franco (1719): "Em um destes lagares lhe aconteceu entrando em uma igreja ver alli uma folia com bailes e musicas malsoantes com que o sagrado se profanava. i. Cp.divertir-se com danças: "Os escravo dêle vivium gordo.faca de ponta.R. f. s. FORGÁ.). há flame. dando glórias a Nosso Senhor. . a cidade da Franca. m. cantigas a seu modo. v. . frio. . "Houve muitos desposados e fizemos a procissão mui solene. talvez. que outrora se fabricava na cidade da Franca. SALA DE -: sala de visitas. Cheio de zelo reprehendeu tamanho desacato". folgar.. colheu-a na Amaz. flamen. FRIA. q. de bordos curtos. q. "café fria". . que geralmente fica sobre a rua.. corrente. em M. FREME.E porque a graça e alegria A madre da consolação Deu ao mundo neste dia. q. porque veiu folia da cidade que Simão da Gama ordenou a Bastião da Ponte. | Em Port. bunito. que tirou o nome da terra de sua procedência. FRANQUÊRO. e na moage tamem". . G. porque a cerca já tava trançadinha de guaimbê. (V." (Carta XIX). o que toma parte em batuques ou fandangos. de lado a lado: "A mana viu que eu tinha largado mão do serviço. . S.) FORGADÔ(R). de fóra a fóra .o que gosta de "folgar". m. . f.. ("Novo Dic. s.certa variedade de gado bovino.instrumento de ferro com que se cortam tumores ou inflamações nos animais.A -: de um lado a outro.espécie de taxo. FRANQUÊRA. P. ainda mais. e misteres semelhantes. de onde se espalhou pelo sul do Br. forgávum no batuque despois da carpa e da coieita. que serve para torrar a farinha de milho ou mandioca. por A.

. daqui a pôco havemo de i pro mato à percura dela". m. cora sentido semelhante.desconfiado. como se vê de numerosos passos de Cat. s.doce de cidra com rapadura.). ex. FULA. Grosso. | É curioso que. espantadiço (cavalo). com significações semelhantes e mais amplas. fandango. s.o mesmo que fuá.A forma é arc.. | Cp. FUNÇÃO. referir-se especialmente à jaboticaba: "Estamo no tempo das fruita. Também se usa. com signif. FUBÁ. tupi.MIMOSO: fubá fino. fruta. q. corre-corre. .: ". . m. FURRUNDUM1. um furundú dos seiscentos diabo!" | Cp. confusão: "Não imagina o que foi aquilo. parecida ("Inoc. | Existe em port. bolos mais delicados. "forrobodó".lugar ermo e longínquo.: Era um dia de fonção. ou açúcar mascavo. os castellãos sayá fora da frota a colher uvas e fruita porque era entã tenpo della". que se usa para biscoitos. no Norte. um bautisado.FRUITA. fria por frio.farinha de arroz ou de milho cru. na casa do Chico da Encarnação Em M. f. se conserve esta palavra com idêntica significação. . e apenas alterada para "fonção". corre o t.barulho. . objetos frágeis)."). e gengibre. | É t. . q. fulo. da mesma língua.dança. Taun. s. . etc. FUNDÃO.. sensível a cócegas. s. | Este t. faniquito. no plural."). com idêntica signif. e parece que até a "aruá". . m. m. FURRUNDÚ.-R. | De fugaz? Ou simples onomatopéia? Já o quiseram ligar a "apoaba". f. com que se fazem várias papas. q. sem determinante. . . . FUSO. FURRUNDUM 2. t. s. FURRUNDÚ.. do Cond. FUÁ. . FUAZADO. em outras regiões do Br. bolos e outras confecções culinárias. colheu "fonçanata".esmagar entre os dedos (panos. apresenta a curiosa particularidade de poder. | Sob essa e sob a forma "futicar".baile de gente baixa e viciosa. FUCHICÁ(R). s. Hôve pancadaria. "futricar".. s. afric. (B. ("Cron. v. t. m. .

) "I tudo in roda daquêle garrava gritá. GANGA.. G."Num garre cum molação cumigo!" (C. . dá-lhe étimo tupi-guarani. Em Angola.designa vários marsúpios. com mais vantagem que o outro". preso por um espigão ou por um prego servindo de eixo. É. q. entrar.) .Tem estes animais a fama de gostarem extraordinariamente de cachaça.. seguindo a B. G.. GANJA. agarrar. s. com ligeiras variantes.. . terreiro. colheres de cozinha. Capelo e Ivens. v.. é voc. P.principiar. galheiro. e Sinhá. . está satisfeito por se sentir garantido. GARRÃO. não le dê munta ganja.. viado. GUARAPA." (C. para designar uma espécie que se caracteriza pelas grandes armas era forma de galhos. t. . dar motivo para que alguém se julgue necessário. GANJENTO. . No Piauí. do S. designa uma espécie de cerveja de milho e outras gramíneas. do S. especialmente do equino. etc. P. . citados por B. grappa..R. etc. s. parece indicar que é de importação lusitana. P.). | É usado. com a mesma acepção."Garrei magrecê de fome.. . f. . seg.. garrei o mato porque num gosto munto de guerreá."I nóis ia rezano. . espalhado pelo sul do Br. e que o sr.tomar (uma direção. botem pauzinho no uvido pra não uvi. P. m. (C. GANJA.. grappe. e. também corrente no Norte do Br. protegido. f.R. . picadeiro. Caetano. | É t. GANGORRA. | Parece indubitável que é alter. "Abrir ou dar cancha (escreve o mesmo Romag. f. protegido.. Zorob. Consiste num pau colocado transversalmente no topo de um outro e girando sobre este. um caminho).. s.) quando ele se acha no lugar onde está acostumado a correr. . por conseguinte. P. garrava chingá nóis. que êle fica perdido".. Garcia. . s. GAMBÁ. . de que usam meninos para se divertir.: "Ói o diabo cumo ficô gangento despois que o majó tirô êle da cadeia!" | V. ou do it. quechúa.Figura também numa "pega" infantil e popular: "Sabe de uma cousa?. ou empregar-se em locuções como esta: "bêbado como um gambá".. s. GARAPA." (C.árvore do gênero "Ficus". no meio da reza. conhecido há séculos no Br. razoavelmente adotou). . porisso.usado na frase "dar ganja". isto é.. necessário. ("Péga" é o nome que dão os folcloristas espanhóis a esta espécie de brinquedos. u tampem a boca dêle. seg.caldo de cana de açúcar." (C. | É t.o que tomou ganja.: "Cuidado cura esse minino. Talvez originado do fr." (C. q. Filho de gambá é raposa". mais a minha pió agonia era a sodade". enveredar: ". P.GAIÊRO.) ..que se Junta. GARRÁ(R). João Rib. como determinante."Se o negro garrá cum choradêra. "Diz-se que um parelheiro está na sua cancha (escreve Romag.) . Parece que a idéia central é a de bebida melosa.) é dar passagem ou caminho: Abra cancha que quero passar".. s.jarrete de animal.Seg. freqüente aplicar-se este nome como sinon. arena..série de partidas em diversos jogos. GAMELÊRA. . . de "cancha". designa uma armadilha de caça. no R. etc. s.) . f. ao subst. etc. no R.. e também na África. B. O fato de ser o t. cuja madeira é geralmente empregada no fabrico de gamelas.aparelho conhecido. m. de "bêbado". f.

os coletivos pe(i) zarada. . f. desanimar. m. "godero".. m. GOLOSO. parasito. . m. perder a energia. com a signif. q. e "goderar". filante.filante.. . q. s. que nos foi comunicado. espécie de pistola de cano longo: "Cheguei lá. P." (C. do S. | Garc. .diz-se do equídeo de certa cor amarelada."Gaudério" é também nome de um pássaro. GAUDÉRIO. | Tupi.". que fornece boa madeira. q. s. s. (C. . foices afiadas e brilhantes..árvore da fam. das Rubiáceas. GIQUITÁIA. colheu em Pernamh. acima. Acha-se em D. GATEADO.certo aparelho de apanhar peixe. ." ("Orig. brincalhão.. m. parasito: ". gavião gasto e "arvado" bem imbutido. s. usual em todo o Br. GENTARADA. gaúcho como que.Cf.vivedor. talvez de gouvir. | Nunca ouvimos empregado este t. dá bom fruto comestível e tem várias aplicações medicinais. GOIVÊRO. GARRUCHA. chuvarada.. | É t.molho de pimentas.. | Cp.a parte cortante da foice: ".vivedor. . . sinônimo arcaico de gozar. botei a garrucha in baxo do travessero.. s. | Tupi.. com outras e várias significações.MOLEÁ(R) o -. q. s. q.). um grande filante de leitoas e frangos. parasito. . mas registamo-lo. G. sob reserva. por ser muito curioso. sugerindo proveniência antiga. .tinha uma secção de botica às escondidas do fiscal da Camara.qualidade ou ato de quem é gaúcho.. reunião de gente. Existem na língua garrucha e garruncha.." (C. s. etc. f. isto é. expressão semelhante na forma e com o mesmo sentido: "afrouxar o garrão" GARROTE.bezerro novo. s. GIRA. inzaminei a casa.grande quantidade de pessoas.De gaudium? De gaudere? GAVIÃO. bicharada.). GIQUI.doido.). f. . . m. afrouxar. .. P. GENIPAPO. . P. m.. Em Gil V.: . VII). . guloso. GAÚCHO.Forma arc. GAÚCHISMO. Nunes: "de cuja carne he mui goloso. Usa-se no R. .. s. gaudério.

.. o caipira abriu a guaiaca da cinta e puxou um massuruca. pois esse voc. f.árvore da fam. t. s. GRANDÓTE. dos Rem. a par de grandinho: "Eu já era minino grandote quano mea mãe morreu". GRUMIXAMA. | Existe em cast. Refl. s. s. corbata (mais próximo da origem comum. Zorob. GRANADO. viajava de escoteiro. gravata. para pagar a despesa". "huayaca". culta é completamente desusada entre os caipiras. das Mirtáceas. 7.) aparece este qualificativo repetido muitas vezes.:. ("Barca do Purg. . seg. q. (C. Golodice encontra-se em Vieira (F.fruto de uma Mirtácea muito comum. Freire. das Euforbiáceas.árvore da fam. de "grande". Rodr. s. enleado numa pelega de cera. Lá ia a cepa e a cepeira. f. | A 2. do S. GROSSÊRO.Do quech. . f. . a arvoreta que o produz. f. que fazem derivar gravata do francês cravate.º) GRANÁ(R). s. goiabada.. ." (S. das Mirtáceas. GURUMIXAVA. f. GRUMIXABA. aquela moça quano deu cumigo granô os óio ira riba di mim". goiaba. .) .. v.doce de goiabas. s."). Nos versos de sóror Maria do Céu ("Escritoras doutros tempos" M. . O mesmo que grumizaba? GRUVATA. f. GUAIÁCA. | Tupi.Era a mor mexeriqueira Golosa. s.fruto da goiabeira.. GUAIARÚVA. muito usado. L. com a guaiaca empanzinada de onças de ouro. GUABIRÓBA.. P. . acender (os olhos) : "Num sei porquê.É interessante esta forma (a única usada pelo povo inculto do interior). . Se não andavão sobre aviso. s. não é mais que uma variante do gentílico croata). Parece mais curial que se houvesse tomado do cast. . f.ligeira erupção cutânea. porque abala a etimologia consagrada pelos dicionaristas. J.) | Também corre no R.diz-se do milho cujas espigas estão desenvolvidas. .chegar a ter os grãos formados (o milho). GUAIÁVA. GUAIAVADA. G. | Tupi.ª forma adotada na líng. . f. que d'improviso.cinto com bolsos que se usa em viagem: "Assim falando. diminut. s.árvore da fam. m.

GUAIAVERA, goiabeira, s. f. - nome de várias árvores e arbustos frutíferos, do gen. "Psidiura", fam. das Mirtáceas.

GUÀINXÚMA, GUANXIMA, s. f. - arbusto da fam. das Malváceas, cuja fibra é muito resistente, e do qual usa o povo para fazer umas vassouras grosseiras. | Garc. regista, em Pernamb., guaxuma". - Tupi.

GUAIUVIRA, s. f. - árvore alta, de madeira resistente e flexível, da fam. das Euforbiáceas. | Tupi.

GUAJIÇÁRA, s. f. - árvore da fam. das Leguminosas, que se considera padrão de boa terra. | Tupi.

GUAMIRIM, s. m. - certa árvore que se encontra no chamado "Norte" do Estado. | Do tupi "gua" = árvore, "mirim" = pequena.

GUAMPA, s. f. - chifre de boi; o chifre em que os carreiros guardam a graxa, nos carros de bois; espécie de copo feito de chifre:

Laço nos tentos, a chilena ao pé, o ponche na garupa pendurado, o pala ao ombro - indispensável é o facão, a garrucha e a guampa ao lado. (C. P.)

- "João, mecê ponhô graxa na guampa?" (A. S.). | Usado no Sul do Br., até o R. G. do S., de onde provavelmente veio, pois é também das repúblicas espanholas da América do Sul. No Chile, "guámparo".

GUAMPUDO, q. - insulto corriqueiro: "O barbantinho engrossa todo o dia... e acaba virando tronco de árvore e matando a mãe, como este guampudo..." (M. L.).

GUANDÚ, s. m. - usado em aposição com o t. "feijão" (fejão-guandú) para designar um arbusto da fam. das Leguminosas, que produz uma ervilha apreciada. | Parece t. africano. No Rio, seg. B. - R., chama-se "guando" à vagem e "guandeiro" à planta. Em Pernamb., seg. Garc., ao nosso feijão-guandú corresponde "cuandú", também chamado "ervilha de Angola".

GUÁPE, s. m. | V. AGUAPÉ.

GUAPERUVÚ. BACURUBÚ, s. m. - grande árvore da fam. das Leguminosas.

GUÀPÉVA1, s. f. - árvore da fam. das Sapotáceas.

GUÀPÉVA2, JAGUAPEVA, q. - baixo, pequeno (cão). S. L. colheu "guaipéva" no R. G. do S.: "Eu também fiquei-me rindo, olhando para a guaiaca e para o 'guaipeva' arrodilhado aos meus pés..." É voc. tupi e já de si quer dizer "cão baixo, ou pequeno"; registamo-lo, contudo, como qualificativo, porque na realidade como tal é usado geralmente: "um cachorrinho jaguàpéva". "Jaguá", cão; "peba", chato, baixo.

GUAPÓ, vapor, s. m. - locomotiva de estrada de ferro. | Sobre a mudança de v em gh, v. "Fonética" e, aqui adiante, GUMITÁ(R).

GUARÁ, s. m. - ave pernalta, "Ibis rubra". | Talvez alter. de goraz, nome port. de uma pernalta. Parece isto mais plausível, à falta de outros elementos de averiguação, do que o fazerem derivar, como já fizeram, do tupi "guyra-piranga". O desdobramento de o em ua tem um exemplo em cuará(r), coará(r); a queda do som s-z, em final de vocábulos, é uma das características salientes do dialeto.

GUARÀIÚVA, s. m. - certa árvore. | Tupi.

GUARAPUAVA, q. - cavalo fraco, de pouco valor. | Tupi.

GUARATAN, s. m. - árvore da fam. das Rutáceas. Tupi.

GUARECE(R), v. i. - sarar. | Nunca ouvimos empregado este termo, que nos foi comunicado. A ser na verdade usado, representa um dos mais curiosos arcaísmos do dial. Guarnecer, guarniçom, são vocs. há muito envelhecidos. Encontra-se o segundo na "Demanda do Santo Graal"; "...e aquella fonte será de tam gram virtude, que todo homem que fôr chagado e dela beber logo seerá são; e por aquela virtude averá nome fonte de guariçom".

GUAREROVA, s. f. - palmeira do gen. "Cocos", cujo palmito, muito apreciado, tem um sabor amargo. | B. - R. regista "guariróba". Em S. P. poderá, alguma vez, pronunciar-se com b, pois quase todos os vocábulos indígenas que terminam em ava, iva, ova, etc., se pronunciam tanto com v como com b; mas com i é que não. - Tupi.

GUARITÁ, s. m. - grande árvore de bela madeira.

GUARÚ-GUARÚ, s. m. - certo bichinho fluvial pequeníssimo ("Lebites poeciloides"), que vive aos cardumes. | Dessa circunstância de aparecer em grandes cardumes se originou provavelmente a duplicação, processo corrente no tupi para denotar quantidade ou repetição.

GUASCA, s. f. - tira de couro cru; a fita de couro do relho: "E o Jéca mediu tres passos para trás, pegou o cabo do relho com a mão direita, segurou a guasca pela ponta com a esquerda, e a açoiteira nova assobiou no ar..." (C. P.). É t. sul-americano; segundo Zorob. Rodr., alter. do quechúa "huasca".

GUASCADA, s. f. - relhada; golpe com guasca, ou coisa parecida: "...era quem pagava quando o filho, na venda d'a estrada, levava umas guascadas dos campeiros do bairro". (C. P.).

GUÀTAMBÚ, s. m. - árvore da fam. das Apocináceas, muito usada para porretes, cabos de enxada, etc.; fig., a enxada: "Eu quero é vê vacê no cabo do guatambu, seu prosa!" | Tupi.

GUÀTAPARÁ, s. m. - certa espécie de veado. | Tupi.

GUÀXATONGA, AÇATONGA, AÇATUNGA, etc., s. f. - árvore da fam. das Flacourtiáceas, cujas folhas e casca são consideradas como poderoso remédio, em infusão, para feridas e queimaduras. | Tupi.

GUÁXE, s. m. - pássaro ("Cassicus haemorrhous"). | "Japira", "japi", "japu", "xexeu", etc., em outros Estados do Br.

GUINI(LH)A, s. f. - andadura rasteira, que rende bastante; o mesmo que esquipado.

GUMITÁ(R), vomitar, v. t. | É forma pop. também em Port. (J. J. Nunes, p. LXXX). Cp. "goraz", de vorace(m), "golpelha", de vulpecula, "gastar" de vastare; aqui mesmo, em S. P., guapô, "vapor".

GUNGUNÁ(R), v. t. e i. - rosnar, resmungar. | Africanismo?

GUSPE, cuspo, s. m. | Cp. fixe (fiche) por fixo, aspre por áspero, cartuche por cartucho.

GUSPI(R), cuspir. v. i.

HAME, intj. indicativa de reflexão momentânea, de admiração, de censura: "Hame... - o meió é a gente disisti disto". - "Hame, cos diabo! não esperei por esta, nho Jusé!" - Um exemplo de C. P.:

"- Mais o potro é novo e vancê curano... - Se sará... - ... vai pissuí um alimá de premêra. - Hame, não...

| Alter. de homem.

HÁSTEA, s. f. - o mesmo que "haste". | Forma clássica.

HERVADO, q. - diz-se do animal que adoece por ter ingerido alguma planta venenosa.

HÉTICO, q. - tísico; magro e fraco em excesso. | Não é brasileirismo, mas não deixa de ser curiosa a conservação deste voc., quase de todo desusado na língua culta:

. A intj. m. em penúria extrema.certa árvore do mato. alguns. . usada literariamente até que se introduziu "umbigo".. ..Qu'eu quando casei com ella Dizião-me . percisa tomá cuidado!" . s. ante meió bamo vortá pra casa". IMBAÚVA. homen!" HÓMIESTA. | Também usado no R. De "imbira uçú". f. s. E fez-me hétego a mim. colheu ainda a forma "ailhapa". IMBIRUÇÚ. HÓME(M). Às vezes o voc. onde Romag. .receio: "Hóme."Embigo" é forma pop.árvore da fam. ilhapa. . aparece completamente desfigurado. (Gil.. as coisa tão ficano rúin.tira de couro na extremidade do laço. E ella anda ainda em pé. presa à argola. "llapa".espanto: "Hóme!. parece ser uma condensação de "olhai. mostra que foi voc. s.. f. No Rio da Prata. HAME.Muito usado como intj. do S. s. m.hétega he. G. agastamento. . IMBIRA. nunca vi coisa dêsse geito. seg.. representa o nosso vulgar "homem. para denotar: ... pop. s.. s.fibra vegetal que se emprega como corda. ESTAR NAS -: estar em péssimas condições de vida. E porque era hétega assim Foi o que m'a mim danou: Avonda qu'ella engordou. também em Port. lAPA. "Auto da Feira"). f. muito vulgar.. antiga. e já alterado para "hétego". E eu cuidei pola abofé Que mais cedo morresse dia. e que denota impaciência. mais chegada à latina. V.reflexão súbita: "Hóme. f. UÉI-ME!." . O fato de ser posto na boca de um rústico por Gil V. esta!" V. IMBIGO. . soldando-se com outros. das Artocarpáceas. Do quechúa "yapana"..

IMBOLÁ(R). "Com. . asy desapousentauã se emborilharom com o corregedor. E é curioso que.. .. e que o t. . de S. como se verifica em Camilo: ". (Herc.embaraçado. se aplique a outras coisas abundantes. de Rub.IMBIRRÂNCIA. ."Acabada a dansa e a musica. f."A febre imbolô o coitado do nho Fidêncio!" Cp. v. IMBURÚIO.É possível que se ligue a MUNDO = quantidade."). s. Grosso ("Inoc.. fazer cair inerte. IMITANTE. E huãs emburilhadas (Gil. IMBRAMÁ(R).deitar por terra. . bolear. . . João de Castro. V. . IMBURUIÁ(R). t.. s. embrulho. f. IMPACADÔ(R). s. IMBURUIADA.") . f.") IMBURUIADO.| "." ("Cron."...." ("Peregrin... enroscar (fios. matar. t. s. f. embrulhado. IMBRAMADO.árvore cuja madeira é preciosa em marcenaria: "Nectandra speciosa".m. os seis desembarulhão os envoltorios que traziam.. part. IMUNDÍCIA. antigo. s. embirração.caca miúda. embrulhar. em M. cap. v. acinte. conservado com a sua força participal. ("Brasileira de Prazins"). de "imitar": "uma coisa imitante ferro". não encontrara caso imitante". enroscado: "Esse barbante está muito imbramado. João de Ornellas".." (D. pres. .. embrulhada. cordas). de brusco. . berros clangorosos imitantes a mugidos de bois".. . justamente o mesmo. descrição dos templos de Elefanta. . Assim o colheu Taun.. q.embaraçar. | Acreditamos que a idéia predominante é a de quantidade. . É este um dos poucos exemplos do part. XV).Apesar das emburilhadas e demandas em que frequentes vezes o mettia D. não me serve IMBÚIA. v. e q. t.tendo lido trezentos volumes de novelas."..e loguo no seisto tem hum vaso como escudela e nele emborilhado huma cadea de cabeças de meninos e huma cobra.."E os escudeyros q.que costuma empacar (animal de sela). pres.teimosia. Pinto). "Imundicie" soaria ao caipira como uma simples ampliação formal desse termo. em M. se conserve também literariamente. "Imbolei o tar sujeito c'um pontapé na barriga". | ". part.. q. do Cond.) Mistura o ceo com cebolas.

v.tolhido."empanemado". incumbir: "Incomendei pra meu fio que me truxesse uma bassôra da vila". etc. desdita. acrescentar um pedaço (a uma corda. cheio de emplastros. . que se usa em recintos destinados a festas. INCAMBOIÁ(R).. no uso popular.). v. | De canoa.. | "Encomendouos e mandouos que êste regimento cumpraes e goardeys. v. esse mesmo significado e mais estes: que tem edemas. Não é brasileirismo. | Do cast. t. Pinto).).tornar (alguém) caipora. . | Tupi. P. desditoso.vibrar.tapume de galhada e folhagem. signifique também "opilado" e outras coisas." (Regimento expedido a Dom João de Castro quando comandante da expedição contra os piratas..) : ". | V. "Crypturus". unidos os homens restantes. teriam força para levar as embarcações encamboladas". P. q. bater sobre alguma coisa (relho. mas não o conhecemos senão na acepção registada acima. O "Novo Dic.Também no sertão dos lados de M. . . t. e dá-lhe o sentido de emplastrado. . em S.. como um loro. pau) "Incoste o cacete nêsse disgraciado".recomendar. o t. achacadiço.". .. t. INCARANGADO. dar maior comprimento (a uma peça dobrada ou afivelada. por via de razões que desenvolve longamente.IMPALAMADO. INCOSTÁ(R). INCOMPRIDÁ(R). cap. escaveirado: "Nho Chico. v. v. perder a "sorte". v. (Taun." descobre-lhe. "lnoc. (C. . cap. em M. . designa doente de opilação. ficô impalamado que nem difunto". s. "empalamado" significa. INCOMENDÁ(R). mas não lhe aponta étimo. XIX) que o t. despois que teve sesão."Eu estô com a cara impipocada de bertoeja". | Usado de norte a sul do país. m.. uma laçada.Diz J. doente de opilação. e i. . essa doença. . empalemado.pálido e magro. .prender juntamente (dois ou mais indivíduos. caipora.encurvar no sentido do comprimento. . de certo porque o rebóque foi mar feito". t. de S. . t. IMPIPOCAR. o sentido de outro qualificativo . NAMBU. . | Vacilara muito os dicionaristas e vocabularistas na etimologia deste t. fam. tornar-se (alguém) caipora. mormente nas regiões do Norte. aqui. t. Grosso. de "erapanemar" que por sua vez deflui de "panema". e.Não duvidamos que. . q. etc. e "moléstia de epalamado". port. uma rédea). diz-se que uma tabua incanôa quando empena de modo a apresentar uma concavidade longitudinal. Morais tira-o de empelamado. IMPALIZADO. PIPOCÁ(R). s. v. | De cambau? De comboi? INCANOÁ(R). borbulhas ou coisa parecida: "A parede impipocô. das Perdíceas. 1542. f. Rib.designa várias aves do gen. entrevado: "O véio ficô incarangado co friu". ("Folklore". ou significou outrora. ser-lhe funesto. no Brasil. pensa esse autor que "empalamado" absorveu.. ligariam os batelões um ao outro e assim. t. . INHAMBÚ. apesar de figurar como tal em diversos vocabulários. veículos. INCAIPORÁ(R). XVI).aumentar. INAMBÚ.criar pipocas.

INDAIÁ, s. m. - palmeira, "Attalea indaiá". | Tupi.

INDAGUAÇÚ, s. m. - palmeira.

INDAS, ainda, adv. | Esta forma só aparece quando seguida de que, formando conj.: "Indas que fosse verdade..."

INDEREITÁ(R), ENDEREITÁ(R), indireitar, v. t. e i. - tornar direito, destorcer, corrigir; emendarse: "Esse sujeito não endereita". "... eu a endereitarey". ("Eufros.").

INFERNO, s. m. - Vasadouro onde verte a água que passa pelo monjolo: "Destapada a bica, um gorgolar d'enxurro escachoou no cocho, encheu-o, desbordou para o inferno". (M. L.).

INFERNAÇÁO, s. f. - ato de infernar, isto é, aborrecer, importunar.

INFICIONADO, q. - sujo; mal cheiroso; atacado de ferida brava. | "Bem o experimentais na força daquelas hervas, com que inficionados os poços e lagos, a mesma água vos mata..." (Vieira).

INFRENÁ(R), v. t. - enfreiar. | Castelhanismo corrente no R. G. do S., de onde veio de certo.

INGÁ, s. m. - árvore da fam. das Leguminosas; a vagem adocicada e refrigerante que ela produz.

INGAZÊRO, s.m. - árvore do ingá. | Seg. T. Samp., o indígena chamava a esta árvore "ingahiva".

INGAMBELÁ(R), v. t. - enganar, atrair com engodos. É t. de todo o Brasil, ou quase todo. - Alter. de engavelar, isto é, enfeixar, como a gavelas. Cp. empacolar, embrulhar, sinons. de "lograr".

INGIRIZÁ(R), v. t. - encolerizar, aborrecer. Alter. de ogerizar?

INGÜENTO, s. m. | Encontra-se nos antigos, notadamente em Gil V. "... a paciência que he milhor ingoento que ha hi para as chagas da paixam". (D. Joana da Gama).

INHAME, s. m. - designa plantas semelhantes à taióva, e a própria taióva. | Há quem o pretenda identificar com cafá, mas, em S. P., são coisas bem distintas. Encontra-se na carta de Caminha: "... e que lhes davam de comer daquela vianda que elles tijnham, saber mujto jnhame, e outras sementes que na terra ha, que eles comem". - Africanismo?

INHATO, q. - o que tem o maxilar inferior saliente. | Romag. registou no R. G. do S. como sinon. de chimbé, o que tem nariz arrebitado e curto, e dá-lhe etimol hispano-americana. em S. P., tem a signif. apontada. Não será alter. de prognata?

INJUÁ, enjoar, v. i. - aborrecer-se, sentir-se farto: "Cumi tanta jabuticaba, que injuei (delas)".

INJUADO, enjoado, part. - saciado, aborrecido: "Tô injuado desta terra". Assume a signif. ativa de impertinente, cerimonioso, antipático: "Aquilo é sojeito injuado, que ninguém aguenta".

INJUAMENTO, enjoamento, s. m. - qualidade ou ato de quem é injuado, isto é, cerimonioso, melindroso, arredio: "A Maruca, despois que tratô casamento co Jovino, anda injuamento insoportave".

INLEIÇÃO, eleição, s. f. | "E rreteue pera sy e pera todos seus sobcessores o consetimento da inleiçom que fezessem das abadesas quando alguã ouvessem d'enleger em abadesa d'esse mosteiro". ("Chronica breve", séc. XIV).

INORÁ, ignorar, v. t. - estranhar, censurar: "Ele inorô muito de eu ir bater na sua porta àquelas horas". (V. S.). | A forma é antiga: "...tome Vossa Alteza minha inorancia por boa vontade (Cam.).

INQUIZILÁ(R), v. t. - encolerizar, aborrecer: "Aquêle negócio me inquizilô de tar geito, que nem quero que me falem nêle." | De qizilia, ou, melhor, quizila, do afr. "quigila = repugnância, antipatia. - em Port. há quizilar, que é absolutamente desconhecido do nosso povo.

INREDÊRO, q. - enredador, mexeriqueiro.

INREDÊRA, q. - que faz enredos, mexeriqueira.

INSIÁ. ensilhar, v. t. - selar. | Escreve-se também "encilhar", como se derivado de cilha; acreditamo-lo antes derivado de silha (sedicula), talvez pelo cast. "ensilhar

INTE, até, prep. e adv.

INTÊRO, ENTERO, inteiro, q.

INTERADO, q. - completo, acabado (falando-se do malandro, do sujeito ordinário) : "É ruim inteirado, dizia o povo". (M. L.).

INTICÁ(R), v. i. - "implicar", mostrar má vontade ou birra: "Aquêle sojeito anda inticando cumigo". | O "Novo Dic." regista inticar como t. açoriano e brasileiro, mas dá "enticar-se" como transmontano. Cp. impeticar", com sentido muito aproximado, neste passo de Camilo: "Marta ía nos quatorze, quando o pai a quiz tirar da mestra. Chegara-lhe aos ouvidos que os estudantes, má canalha, lhe impeticavam com a filha". (J. Mor.. "Estudos", 2.º v., 238).

INTIJUCÁ(R), v. t. - fazer tijuco em: enlamear.

INTIJUCADO. q. - sujo de lama.

INTIMÁ(R), v. i. - proceder com espetaculosa arrogância, com soberba, com exibicionismo e aparato: "A Ginoveva bota vistido de seda na cidade. Só pra intimá!" | É verbo trans. e intr. na língua culta, tendo, entre outros, a acepção de falar com intimativa, com energia, com autoridade. Daqui, naturalmente, a evolução de sentido no dialeto.

INTIMAÇÃO, s. f. - ação de INTIMAR.

INTIMADÊRA, q. - fera. de INTlMADÔ(R).

INTIMADÔ(R). q. - o que INTIMA (ver este verbo), o que gosta de exibir a sua autoridade, a sua força, a sua riqueza: "Nunca vi sojeito mais intimado do que seu coroné Perêra".

INVEREDÁ(R), v. i. - entrar com ímpeto, caminhar apressadamente (através de uma casa; entre um grupo de pessoas; para determinado ponto): "Ele foi chegando e inveredando lá pra a cuzinha". - "Mar me viu, inveredo pro meu lado". | T. port., com acepções diversas.

INZEMPRO, exemplo, s. m. | "E porque he cousa muy proveitosa seguir o enxempro desta honrada senhora..." ("Castelo Perigoso". séc XIV).

INZERCÍCIO, exercício, s. m. "E tãobem foi per mym muito enxercitada a levação do polo..." (Carta de D. João de Castro, em M. de S. Pinto).

INXUITO, q. | Forma antiga do partic. irreg. de enxugar.

Nos saudosos campos do Mondego De teus fermosos olhos nunca enxuito ("Lus.")

INVERNADA, s. f. - pastagem onde se deixam descansar e refazer os animais eqüinos e bovinos, após viagem extensa ou longo tempo de serviço.

IPÊ, s. m. - Designa várias espécies de uma bignonácea do gen. "Tetoma": ipê amarelo, cascudo, roxo, jabotiá, etc. (H. P.) | Tupi.

IRÁRA, s. f. - mamífero do gen. "Galictis". | Do tupi: comedor de mel (?).

ISCÁ(R)1, v. t. - prover de isca (o anzol): "...isquei o anzó lavei a tripaiada". (C. P.).

ISCÁ(R)2, v. t.- atiçar (o cão): "Se contá prosa, isco o Fidargo im riba dêle". | Quando se estimulam cães, pronunciam-se, entre cliques e estalos de língua e de beiços: "busca! busca!"

R. e trazem com ela a pedra de fogo e o fuzil. ITÉ.. Não conhecemos a palavra com tal acepção. . ITÊ.arbusto medicinal. que geralmente se escreve "jaboticabeira". enleger. | Tupi? IXE!. s. | Tupi: "yabutiguaba". arredia e ité como a fruta do gravatá". s.." | É mais ou menos geral no Brasil. m.. onde se guarda a isca de algodão para fazer fogo: usam-na os fumantes. "Micteria americana".. tanajura. . m. Há várias espécies domésticas e do mato. ISSÁ. comida de cágado. . de desprezo ou desdém: "Você é que há de bardeá essa tremzama. INZEMPRÁ(R). . com que acendem à isca. o anus. m. . fig.Formiga saúva do sexo femin. forma regular. Alt. | De inzempro = exemplo. s. ácido: ". m. . s. e às masculinas "sabitú".morro cortado a pique. s. (M. m. s. enxame. INZEMPRO. regista como insípido.. Daí o iscar aqui registado. v.certo jogo de cartas. ITAIMBÊ. q. JABORANDI. | Às saúvas fêmeas chamavam os tupinambás "issá". num disse um isto". . f. encontra-se enxempro. substantivado: .fruto da jabuticavêra. enxuto.certa ave pernalta. L. e dá como exemplos: uma comida ité. despenhadeiro. . JABUTICAVÊRA.). | Tupi. cura êsses bracinho? Ixe!.). | Em Rui de Pina. exemplo. f. ISTO.pequena caixa de chifre ou de metal.. enxaguar. B.castigar: "Êle tava inzemprando o fio quando eu cheguei". | Tupi. .Este verbo freqüentemente se reduz a "'sca! 'sca!". pron. s. . (B. t. s. JABURÚ2. como em outros escritores antigos. constituindo sílaba. que soa quase como "isca! isca!".R.mirtácea cujo fruto é muito apreciado. de "jabuticabeira". . . | Tupi. ISQUÊRO. sem gosto". se nasalou. m. JABURÚ1. JABUTICAVA. Cp. enxada. nos quais o e inicial. intj. e outros vocs. uma fruta ité". m."Eu escutei tudo quieto.adstringente. Forma literária: "jaboticaba". muito semelhantes umas às outras. . ITAMBÉ. "Pilocarpus sennatifolius". s. quando deveras não soa assim.

.) descreve . . | Tupi. geleia. .designa várias árvores da fam.espécie de crocodilo ("Crocodilus sclerops"). JAÓ. JACATIRÃO.espécie de pombo selvagem. f. do Br. etc. . (R. Dáse. . s. . s. s. do S.árvore frondosa. f.designa várias espécies do gên. | Do tupi "aijacá" JAÇANÃ. JACUBA. citado por B. .cesto de taquara. f.galináceo do gên. JANTA. s. f. das Leguminosas: j.ave ribeirinha. . Freire. JAGUÀTIRICA s. . J. JACÚ. Contudo. . usado para o transporte de galinhas e frangos. f. JACARANDÁ. . s. Firmino Costa ("Rev. notadamente. | É forma pop. esse nome a um cesto estreito e comprido de metro e meio a dois metros.Forma registada já por F.espécie de onça pequena ("Felis mitis"). | Tupi yacu-tinga".Há em tupi "iaguanê". s. em questão. f. JANTÁ. m. | Tupi. "Parra". Sarapaio). s. m. f. Há ainda uma espécie denominada jacarandazinho.mistura de açúcar. s. é t. s. . roxo. "Penelope".m. "Zabelê" de outros Estados. | Tupi. geralmente. | Tupi. "Crypturus noctivagus" | Voz onomatopaica. . | Tupi. . m. do gên. Romag. JANGADA. até no extremo norte. s. s. Seg.jantar. JALEIA. NHAÇANÃ. .Há-os de diferentes dimensões e formas. branco. o Barão Homem de Mello. melastomácea. | Tupi. . ou rapadura com farinha e água. também em Port. que a condenava.diz-se do boi malhado de certa maneira. s. rosa. dir-se-ia também por aqui jaguanés. . .. m.") escreve "jaguaney". preto. JAGUATIRÃO. q. os lados das costelas preto ou vermelho. usado em quase todo o Br.árvore de capoeirão. o que está mais de acordo com a forma chilena "aguanés".fio do lombo branco. JACARÉ. . para vários usos. jacú branco. barriga branca. significando "fétido de onça" (T. f.. JAGUANÉ. "Penelope". mas provavelmente sem relação alguma com o t. G. de madeira vermelha.JACÁ. Com variantes de sentido. s. e. JACÚTINGA.R.m.espécie de balsa feita com paus amarrados entre si.

s. janela. JETAÍ.. . P. f.ofídio do gên. s. J. m. . sal ardente.Tupi. "Boa". s. óleo de jataí.mirtácea de grande altura. s. .). duas ou mais espécies com este nome.pimenta em pó.espécie de capa de baeta. seg. s. s. JATOBÁ. . JUTAÍ.capim muito estimado para pasto. . f. JAÚ.R.. Diz T. | Seg. s. . Sampaio dá "yará-raca". sendo alter.m. | Seg. m. JARARÁCA.m. . . .JAPONA. o nome dessa abelha vem da sua predileção pela árvore assim chamada. m. "Cocos". Sampaio que. B. Gabriel Soares os indígenas diziam "gereraca" (B. m. "Caryca" c fam. . s. JIQUITIBÁ. m.abelha selvagem.R.desengraçado. todas do gên. JARACATIÁ. | Parece provir de nome próprio de lugar.R. "Mellipona".palmeira do gên.. JERIVÁ. . | Segundo T. s. s. há no Br. | Esta forma veio por "jenela". insulso. já registada por F. Sarapaio. vermelho. JATAÍ1.jararaca grande. s.) . H. JATAÍ2.grande peixe de rio. f. JARARACUÇÚ.designa diversas espécies de serpentes ("Bothrops"). s. q. B. de lenho mole. .leguminosa muito semelhante ao JATAÍ1. de "yataybá". branco e vermelho. JAVEVÓ. Freire. pessoa colérica. chamam-lhe também.R. JINÉLA. s. JATEÍ. . em tupi. f. amarelo. | Do tupi "juquitaia". JARAGUÁ. das Papaiáceas. jatobá designa apenas o fruto do jataí. .leguminosa das nossas matas. .árvore leitosa.O leite de jaracatiá é empregado pelos curandeiros da roça. . s. . T. | É a maior árvore da flora e das maiores do mundo (B. . cujo mel é muito apreciado. JIBÓIA. f. como bertoejas. | Tupi. . m. JERÈRÊ.Há j. JIQUITÁIA. s. JARIVÁ. antiga em Port. .Costuma-se escrever "jequitibá". | Seg. em S. f. f. .Tupi. Há ainda jatai-peba e j. Mart. .erupção cutânea. . corrido (falando-se de pessoa). "Hyraoenea stigonocarpa". P.

ou na parte superior de uma parede. Dalg. cheias de palhas ou de trapos. .encolhido. JURURÚ.: "Em Goa judeu é. comestível.fruto de um arbusto espinhoso da fam. JUQUIÁ. bravo e j. | Tupi.judiaria. em sentido restrito. . .os pêlos da cana de açúcar. m.j. e ao sol posto queimam e batem com paus.estrado de varas ou tábuas. . e não ao veneno. "Columba".Tupi "yú-á". de cobra. | Tupi. . . s. Sampaio). f. feito geralmente com velhas roupas de homem ou mulher. s. s. JUÁ. para que o rapazio. s. m. em sábado de aleluia. s.s. cigarra-cobra.certo peixe fluvial. f. f. é o fruto do "juàseiro" árvore do gên. f. JISSARA.pássaro que constrói uma casa de barro com repartições internas. indisposto. vestem grotescamente. f.ladinice. s. | Tupi "jaquirana-boy". m. clamando: judeu! judeu!" JUDIAÇÃO . esse mesmo arb. . m. Costumavam colocar-se vários exemplares no alto de postes. JIRAU. ou para se fazer algum serviço. a figura humana que os rapazes fazem de palha nas vésperas de S. | Diz Mons. q. . colocado sobre esteios. . mas com especialidade de aves). os descesse. . JURUPÓCA. s.galináceo do gen. s.espécie de cesto para apanhar peixes. que demande altura para o competente manejo. das Solanáceas. JUÃO-DE-BARRO. dependurada a um galho de árvore. LADINEZA. . m. JUDA(S). de sabor doce e agradável.inseto de feio aspecto. . espécie de rôla. A lenda ter-se-ia pois originado de uma interpretação errada do nome. escarnecem por algumas horas.palmácea cujo coco é comestível. que não tem" (T. s. . "alusão à forma e manchas do inseto. arrastasse e destruísse debaixo de grande alarido. e há outras que são tidas por nocivas . s. .boneco de grandes dimensões.m. pelas esquinas. "Zizyphus".JIQUITIRANABÓIA. JOÇÁ. após a cerimônia da ressurreição. JAQUIRANABÓIA. | Tupi. como de serra. Na Bahia e outros Estados do Norte juá é coisa diversa. Sarapaio). triste (falando-se de quaisquer viventes. Há uma esp. fruto de espinho (T. JITIRANABÓIA. m. s. JURUTI. JURTÍ. . tido por terrivelmente venenoso. para nele se depositarem objetos quaisquer. João Batista.

. P.. . "Serm.R. cócica.. . regista-o como t. | Ainda não ouvimos usado este t. m. de Sto.. P. de "paulada".lanho. LAMBANÇA. lambugem. como vantagem. f.espingarda de cano comprido. Inganum a gente. P. m. LAZARINA. . LAMBUJA.Trata-se a carreira. s. s." (C. palreiro: "Voceis são tudo lambanciro. . a enorme faca. provavelmente. s. com significações essencialmente idênticas.farroma. LAPIANA.Cola ô lúiz nas trêis queda! .o que faz lambança: jactancioso. (C. do feitio de uma pequena laranja e cheia de água. com que se fazia outrora o jogo do entrudo.". conversa fiada.) LAPO." dá-o como sinon.. Ant. s.faca de ponta: Entra furioso o Chico.Quem mais qué? (C. LÁTICO.. f. o sentido é idêntico ao que tem em S. de látego.LAMBADA. Em Pernamb.aquilo que se dá. jactância. segundo Garc.Eu dô lambuja! .correia que prende a barrigueira à argola do travessão. que de má vontade lhe dá para mortalha o lançol mais velho da casa. s. B. LARANJINHA. | ". despois pinxum pr u"a banda que nem tareco véio. s. | Do cast. O "Novo Dic. Lázaro. f. . alabanza. LAMBANCÊRO.. e vai de alcance atrás do "amardiçoado". Segundo o "Novo Dic. do Norte. . . s f. m.golpe de chicote. numa aposta. roncador. .. . lençol. .".. . e já da estaca despendura a espingarda e põe de lado a aguçada lapeana. o que diverge da signif..comer a mesma mulher. f. sendo também paulista: o que apenas mostra a extensão que teve no pais o uso desse e quejandos brincos carnavalescos. . vem do nome de um antigo armeiro de Braga. .). s. náfico. mas foi-nos comunicado por pessoa conhecedora dos nossos sertões.) | Lambugem pertence à língua. corte de faca. s. q. brasileira. e ainda se aplica a uma contrafação fabricada na Bélgica e exportada de lá para os pretos da África. IV). que parece envolver a idéia de flexibilidade do instrumento. cp.bola de cera oca. ou cousa semelhante. LANÇÓ(R).. | Alter. e sem dúvida o é. f." (Vieira. P.

| Forma arc. q. . refere-se ao edifício. gloss. s.couro de boi com que cobrem cargas levadas por animais. do S. | Em Port. G.. nível. livél. .. Também se diz loja de armarinho. em port. J. s." (Caminha). .raspar (um couro).tornar-se momentaneamente lerdo. aqui tomou-se o conteúdo pelo continente. luta. de libelum". s.. f. LUITA. .. t.. de orig. (M.Temos uma vaga reminiscência de haver também ouvido. ou à parte dele que fica ao rés do chão. LUNA. s." (CLIX).F. . Freire preferia a forma com n (sem dizer nada da acentuação) por mais conforme ao francês "niveau". M. s. LIGÁ(R). dos Rem. f. LOJA. de onde julgava oriunda.. LIVÉ(L).. s. regista-se "lobuno". .LERDIÁ(R). s.derreamento. . . ALUITÁ(R). v.: ". f. LOMBÊRA.. lutar. . P.Do it. v. em que o i representa o c primitivo: lucta(m). m. i. LONQUEÁ(R). m. LIVIANO.. "liviano". m. lua. apatetar-se. . provindo de "lobo".. v.) Cast. s. preguiça: "." | (C. Herculano usou livél. | Forma arc.).que nos ajudavam deles a acaretar lenha e meter nos batees e lujtavam com os nosos..).diz-se do animal eqüino cor de chocolate. afrouxar a atividade. No R. loita.couro cujos pêlos foram raspados a frio: "Manheceu duro no pasto e eu num quiz nem proveitá o côro pra tirá lonca." (V. encontra-se nivél. em meio de alguma ocupação: "Lerdiô tanto qu'ia perdêno o trem". há muitos anos. . LONCA. | O t. era só lombeira pr amor da calma do dia.casa comercial onde se vendem fazendas a retalho. . em F. Obras de Gil V. LIBURNO. forma e sentido idênticos. | Em cast. . loja de ferragem.. q.. "Deste muro para dentro tem um terrapleno que vera ao livel com as ameias. intermediária: luna(m) -> lu"a -> lua.. e arc. tendo a outra variante por deturpação.. Em Gil V. que é livianinho"..leve: "Carregue esse pacote.negociante estabelecido com LOJA. S. i. corre também esta forma pop. que é outra forma arc. LUITÁ(R). "loggia". lonja. Os cornos ajuntou da eburora lu"a Com força o moço indomito excessiva. "mais fiel ao seu étimo. (Camões). f.. Pinto. cast. LOJISTA. | Forma arc. f. a energia.

de M. uma comida. MANGUÊRO. mangueiro.diz-se do fumo. .. | É t. f.árvore sapotácea. . s. . Pois se lá fala de siso E não é terra de manja. bundo. f. ? . Empregou-o. s. . s. forte. | No Rio de J. na poesia "Verdades": Tabaco pobre é macaya. MAÇARANDUBA. MACÓTA.a amarela. . q. | Não se encontra nos vocabulários de brasileirismos que consultamos. entre os sons da viola e do pandeiro. s. lunanjo. MANHÊRA. f. MANGUÊRA. e s. s.grande.capinzal do campo. de que há três espécies .. s. | Do cast. "Tinamidae". o samba ferverá. samba macóta. q. no terreiro. MANHA.. lombilho. porém. s. . importante: "Seu coroné Tinoco e macóta aqui na terra". . f. m. com variantes de sentido. (C. há muito. MACUCO. e algures. q. Em antigos escritores encontra-se manja e manjua: Não é aquela a tua granja. ou tabaco ordinário: "Fumo é cumigo". Greg. na Bahia. (Sá de Mir.LUMBIO. .) T.recinto fechado onde se recolhe gado. f. LUNANCO. m. port. quitute. MACAIA. designa um peixe miúdo. MACEGA. com que os pretos designam o conselheiro do soba.diz-se do equídeo que tem um quarto mais baixo.choro sem motivo (especialmente de criança). P. "Extrangeiros"). a vermelha e a de leite.espécie de basto ou selim. m. MANJUBA. . . excelente. .pranto prolongado e sem motivo.designa várias espécies da fam. f.comida boa. s. - Na sala o cururu e.

costureira. .ente fantástico: superstição aborígene. f. indica. MANDIOCA. meio magro. s. mala cara? MALACAXETA. atribui-se-lhe o papel de geradora do ouro: "Os véio dizium que a Mãe de Ôro morava ali no poço. MADRINHA. de S.mica. era o nome que os escravos africanos davam aos que tinham vindo com eles na mesma embarcação. . f. t. s. MAGINÁ. q. . da testa abaixo. camarada: "O preto Tibúrcio era malungo dos Pereiras". J.. vacê tá magruço. MÂMÁ.modorra. como o t. ."Manihot utilissima". s.: "um sojeito magrução". mal-empregar. . Freire como autorizada e como preferida dos autores.. v. f. q. f. levando cabeçada e guizos. m. isto é. vago e informe como todos os que restara da mitologia aborígene. MÃE D'ÁUA."Nha Chica vive malimpregando o dinhêro que deu pras fia". . .diz-se do animal que tem mancha branca na cara. t. P.d'água. MADÓRNA. s. s. f. parteira.. MÃE DE ÔRO. mais magro que gordo. Forma e sentido são de época recuada do idioma: ". .. . | Seg.amigo.mulher estrangeira. 21).. geral em todo o pais. João de Castro. . B. f. . sonolência. e i. . . a servir de guia aos outros animais. f. . MAGRUÇO. Às vezes se usa o aumentat.R.nome com que outrora se designava a preta que servia de ama de leite. de caboclos e sertanejos. s. . | De malha = mancha e cara.. f. MALUNGO.um tanto magro: "Rapáiz. em M.meditar. . | Forma registada por F.MADAMA.. f. .PUBA. pensar insistentemente. Pinto. s.ente fantástico. até ora nem foi sabido nem maginado algum segredo que nesta parte alcamcei. . imaginar. s.de ouro. polvilho fermentado. s. MALACARA. p.lamentar o destino que teve alguma dádiva.). . s." (Carta de D. percisa tomá remédio". ou coisa considerada valiosa: "Eu mal-imprego o tempo que gasto cum êste servicinho atôa". ou do cast..planta que dá umas raízes semelhantes às da mandioca." (C. MANDIÒQUINHA.égua que vai à frente de uma tropa. MALIMPREGÁ(R). v.

MAMANGAVA, s. f. - vespídeo zumbidor, cuja ferretoada é dolorosa. | Será o "mangangá" do Norte?

MAMINHA DE PÓRCA, MAMICA DE -, s. f. - árvore da fam. das Rutáceas.

MAMONA, s. f. - rícino, especialmente a respectiva baga.

MAMONERO, s. m. - a planta do rícino.

MAMÓTE, s.m. - bezerro que ainda mama.

MAMPÁ(R), v. t. - comer.

MAMPARRA, s. f. - vadiação, delonga injustificada, subterfúgio. | Existe em cast. "máncharras", "cháncharras", que significa "rodeios, pretextos para deixar de fazer alguma coisa". É, evidentemente, por aí que se deve rastrear o étimo do nosso t., e não na esquipática formação "mão + parar", algures proposta.

MAMPARREÁ(R), v. i. - vadiar, estar com delongas sob falsos pretextos.

MANCÁ(R), v. i. - manquejar.

MANDAÇÁIA, s. f. - certa casta de abelha.

MANDAGUARI, s. f. - certa abelha silvestre.

MANDÍ, s.m. - certo peixe de rio.

MANDINGA, s. f. - feitiçaria: "Foi êle que botô mandinga na sua casa por orde do vendêro novo da incruziada do Sapupema..." (C. P.) | Mandinga designava a região da África ocidental que compreende os povos das margens do Niger, Senegal e Gambia. Acha-se em Camões.

MANDINGUERO, q. - fazedor de mandingas, feiticeiro.

MANDOROVÁ, s. m. - designa várias lagartas peludas, cujo contato produz dores vivas. | Af. Taun. regista "marandová", que nunca ouvimos; Romag. colheu, no, R. G. do S., "maranduvá". Do guar. "marandobá" (B. R.).

MANDUCA, diminut. carinhoso de Manuel. Outros: Mandú, Mané, Maneco. Todos admitem nova desinência diminutiva: Manduquinha, Manequinho, etc.

MANEJA, s. f. - correia com que se manietam animais eqüinos; espécie de peia.

MANÊRA, s. f. - abertura na saia, contígua e perpendicular ao cós, para facilitar a passagem pelo corpo no ato de vestir ou despir.

MANGABA, MANGAVA, s. f. - fruto da mangabeira. | Do tupi.

MANGABÊRA MANGAVÊRA, s. f. - árvore da fam. das Apocináceas.

MANGAÇÃO, s. f. - ato de MANGAR.

MANGÁ(R), v. i. - vadiar, estar com delongas e evasivas em algum serviço: "Se não tivesse mangado tanto, já estava pronta a róça".

MANGARITO, s. m. - planta da fam. das Aroideas, que dá uns tubérculos comestíveis; o tubérculo por ela produzido. | Dimin. de "mangará". Primitivamente se lhe chamava mangarámirim", seg B. - R.

MANGUARI, s. m. - indivíduo alto e corpulento: "O João, que parecia tão fraquinho, agora está um manguari". | Também usado no R. G. do S. Do guar. "moaguari", garça, ave pernalta (Romag.).

MANQUÊRA1, s. f. - epizootia dos bovídeos, carbúnculo sintomático.

MANQUERA2, s. f. - ação de mancar, estado do que é manco.

MANTA, s. f. - usado na expressão "passar a manta", lograr, empulhar (em negócio). | Cp. "capóte", t. de jogo.

MANTEÁ(R), v. t. - enganar (alguém) em alguma venda ou aposta. | De MANTA.

MANTEÚDO, q. - diz-se do animal eqüino bem conservado:

Montado no manteúdo pangaré (C. P.)

| Garc. colheu-o em Pernamb. - É forma arc. do particípio passado de manter.

MÃOZINHA PRETA, s. f. - ente fantástico em que acredita a gente da roça.

MARACUJÁ, s. m. - designa muitas espécies do gên. "Passiflora". | Do tupi "murucujá" (B. - R.).

MARCHA, s. f. - andar suave ou macio da cavalgadura.

- BATIDA, quando a passos curtos, levantando o animal as mãos;

- VIAJERA, também a passos curtos, própria para longas caminhadas;

- TROTEADA, mais áspera que as precedentes.

MARCHADÊRA, q. - V. MARCHADÔ(R).

MARCHADÔ(R), q. - diz-se do cavalo que marcha bem.

MARDADE, s. f. - pus, matéria: "Rangei um talo de fôia de bananêra, ingraxei co azeite i destampei a garganta: foi um mundo de mardade". (C. P.).

MARIA-CONDÊ, s. f. - designa um brinquedo de crianças. | No R. G. do S., "Maria-mucurabé"; no Rio, "M.-mocangué". Em Goiás, C. Ramos colheu "Maria-longuê" num estribilho de "congado". É muito possível que, se não o brinquedo, ao menos a palavra tenha ligação com esse divertimento de pretos.

MARINHÊRO, s. m. - grão de arroz com casca ou com película, que escapou ao beneficiamento".

MARTELO, s. m. - certa medida de vinho ou aguardente, para sumo: cálice grande, dos usuais.

MASCATE, s. m. - vendedor ambulante de fazendas ou quinquilharias.

MASCATEÁ(R), v. i. - levar vida de mascate, vender qualquer coisas de porta em porta.

MAIS PORÉM, mas porém, loc. conj.: "Mais porém é perciso vancê sabê que o potro tá cum manquera..." (C. P.). É de uso clássico.

MASSAPÉ, MASSAPÊ, s. f. - argila que resulta da decomposição de rochas graníticas, e muito boa para a cultura do café.

MASSURUCA, s. f. - masso, pacote, manolho (de papéis, de dinheiro-papel, de fios, etc.) Cp. massaroca.

. . forma átona proclítica de "minha": "Ela falô pra mea ermá que num fartava".gramínea considerada como praga. ocê.. Existem na língua antiga as duas formas melhor e milhor. "melhor". chegando a sufocá-la completamente. . | Liga-se evidentemente a "matelot".) | Encontra-se em documentos arcs. vancê. vacê. L.. . . | De vossa mercê.vegetal que se desenvolve agarrado a uma árvore. e matéria. desafiando os outros parelheiros (C. s. mas como? MATAPASTO. considera normal a segunda. MATAPAU.. .. minha a "mienne". m. m. . tropel. s. f. i. MIÓ. invariavelmente.cavalo de serviço. porém. sob a forma "mha". de Vasc. ou surdo.um cancro fervendo em bichos. "Década" III). loc. MATUNGO. de Vasc. v. (Hercul. .. nem sempre usadas. de Barros. Este último é mais respeitoso do que vacê ou vancê. farnel. s.. vamicê. entusiasmado.. e estes o são mais do que ocê. manando podridão.) MEA. comparat." (J. MEIA JÓRNA. e a primeira atribuia a influência do lat.saiu na mea frente o diabo de um sacizinho preto. adj.apetrechos de viagem."Tudo isto que produzira a matinada e revolta que soava do lado da catedral". cavalo ordinário: Vai puxando o matungo." (Vieira) MATINADA. que. f.. P. pron. P. | "Com grande matinada de atabaques e buzinas. . etc. mais usado pelos pretos que por outra qualquer gente. um e brando. bateria de cozinha. sendo.. | . s.bulha. umas pelas outras: vossuncê.). a. mecê.pensar muito. "Monge de Cister". f. de tratamento da 3. MEIÓ.MATALOTAGE(M). P. (C. MATINÁ(R). grita. A gente educada diz... . Temos aqui meió e mió entre caipiras.m. vassuncê. melior. usada com referência a cavalgaduras cansadas. MECÊ. A pronunciação caipira é a que deixamos acima indicada: com e. MATÉRIA. ou fracas: "um cavalinho de meia jorna".Dá-se aqui o que se deu no francês: mea corresponde a "ma". XVIII). não fala nôtra coisa". melhor.ª pess. indiferentemente. que se reserva para crianças e íntimos. s." (C. segundo L. que deu toda uma série de formas. ". . equivale a "mia".pus.. preocupar-se em excesso: "Tá só matinando cum êsse negocio. pron.

mó que). mole. nesse caso (o animal eqüino). G.Eu não intendo nho Jusé: a gente fala nêsse negócio.m. reduzida. "deu mostra de querer parar". s. mézinha. s. e usa-se no R. a mod'que. . f. . no engenho." MELÁ(R). oiô im roda. êle meio que não gosta. i cuntinuô". por ext. f. BRANCO -. i. MÊIZÍNHA. mel de pau.". aça. Em esto meeo chegarom novas a Santarem de como o meestre matara o conde Johã Fernãdez. | "E elle pagou bem o corrigimeto da espada como se adiante dira em seu lugar. | Releva notar que a 1. MITRA.. sangue que se derrama: "Tomô uma pancada na cabeça. MÉR DE CACHÔRRO. uma gramínea que se usa para enchimento de cangalhas. do Cond.. foi só melado. "a modo que" (loc. aposto a capim..avaro. albino. .. que é a caipira. MISERÁVE(L). usado com uma sintaxe especial em frases como esta: "Ele vinha vindo pro nosso lado. possivelmente.ª forma. Tais proposições se ligam. s. q.caldo de cana engrossado. representando. de repente. além de outras aplicações.na expressão neste meio. MEMBÊCA.mel de abelhas que vivem nos troncos das árvores. . "a modo que não gosta. m. MÉ DE PAU. MÉR DE PAU. MEMÓRIA. parece não gostar muito"... pois que o empregaram. às expressões "ficar meio parado". . s. . de J. a geral pronunciação antiga. MELADO. também designa a própria abelha. | Teria sido de uso geral na língua. mais ou menos. "Meio que parô" vale. está mais próxima ao étimo (medicina(m)). q. há muito. pela forma..MEIO1. .humilde. . "entreparou". .m. . q. ao tipo das construídas com a loc. isto é. "meio desgostoso e. isto é.que tem mancha na cabeça abrangendo os olhos. v. "como que parou". . inofensivo.anel. XVII). MELADO. s. onde o vemos empregado por S. m. meio que parô. em geral avermelhados. | Tupi "merabéca". entrementes. como se vê do livro "O Ceará". pelo sentido. nesta ou nessa ocasião.. s.. q.tirar mel." ("Cron. no dialeto. . do S. no Norte. Lopes. Brígido. MEIO2.mel de uma casta de abelha que o fabrica dentro da terra.designa.

cada dia pela menhã vos saluem. dimin."Cumia um fiapico só. ger. MINGAU. far má = "faz mal". do S. que é a legitimamente paulista..) | Dissimil. i. L. . porém.". ." . v.. s.. Admite desin." (C.certa dança que se costuma encartar numa "quadrilha".. Usa-se. s. s.. m. s. não envolve aqui a mínima idéia de posição social ou de profissão. MOÇA." (Regimento real a Dom J. ... . enfim. isso mermo a força. . anda miqueado". cp. MINGO. adj. no plural.. sc. s.espécie de papas de farinha. e caso mermasse a conta.). defender-me - . ato III. segundo B. além da registada. amendoim. f.. A palavra podia designar outrora até criança: Ante tua presença." ("Eufros. teus netos. como uma das suas "marcas". anedotas. MOÇO. as formas "mendobi".. afeiçoando o voc.. p. manhã. MICAGERO.diz-se de quem perdeu ou gastou todo o dinheiro que trazia. 381. não acaba aquela obra. de Castro." (S. f. G. q. . II).. freqüentemente." .... "Arachis hypogoea" | São correntes no Br. Do tupi. ou micagens. . possam Estes moços. Mingóte. MOÇÁ(R). MENHÃ.....momice..m. nota). de S. a uma forma que lhe era familiar.. f. L.. visagem: "Sua moeda corrente eram. MINDUIM.. havia se ver o geito a dar. no que está de acordo com o uso antigo: "Irei ver da ponte sobre o rio as moças que vem por agoa. pilhérias. O voc.").objeto pequeno. | Da ling.). MIUDINHO. s.. q. MERMO. . ..indivíduo jovem. Rodr. P.. det.fazer-se moça. em M. s. etc. No R. "mandubi' "mudubim". mesmo. m. MINHÃ. micagens.leguminosa conhecida. deixar de ser menina. ou que possuía: "F. Pinto..: "Conto mermo pra nho pai." ."." (M.avemolo de fazer muyto galante.que tem o hábito de fazer momices. .Já Gabriel Soares escrevia "amendoï". diminutiva: Minguinho. negócio ínfimo. MICAGE(M). . & mandálo à terra namorar todas as moças.. f.se ajuntem comvosco todolos dias pela menhã. carinhoso de Domingos. MIQUEADO. prostituir-se. | ". corre o verbo "mermar" = "mesmar": "Isso havia de chegar.MIUDEZA.prostituta. folgado.

"bandeira".bambear. s. trabáia. "puxirum". no país. s.diz Inês. da F..certa espécie de abóbora chata. q.cantiga. v. MORINGUE.cada um dos postes laterais da porteira. volumoso: "Mais dois dourados morrudos. MUCAMA. danças e descantes. "puchirão" e "ajutório". s. em Pernamb. afrouxar.grande. MOCOTÓ. .mão de boi. amolecer: "Trabáia. m. t. exteriormente dividida em gomos.assar a fogo brando. do N. s.o GARRÃO. s. A expressão. nada de moleá!" .vaso de barro com gargalo. para água. | A forma "moringa" é estranha ao dial. "pichurum".reunião de roceiros para auxiliar um vizinho nalgum trabalho agrícola . MORRUDO. se refere a acidente a que estão sujeitas as cavalgaduras. a forma "mucamba". . .) Ligar-se-á a multidão. ou os animais de carga. na Bahia e Sergipe. "adjunto". q. . na Par. . P." (C. | Era vulgar. "mumbanda". .). no Pará. Do tupi "mocambuara" = ama de leite? Ou ligado ao bundo "mim'banda" = mulher? MUCHIRÃO. . de "moganga"? MO(I)RÃO. colheita terminando sempre em festa. para se conservar (a carne). s. "bandeira". referindo-se aos seus filhos. . do S. . t. MORANGA.. com as pontas claras. se empregava em serviços domésticos. m. MUTIRÃO. B. G. ou comenta os acontecimentos. MÓDA. a .. MOQUEÁ(R).. na "Castro". f. "mutirum".. | Do tupi "mocaê". f. .diz-se d9 animal eqüino cujo pelo é escuro. em parte de Minas. desanimar. composta geralmente de várias quadras ou estâncias. | No R. .. "potirum". deixar-se vencer pela preguiça ou pelo temor no meio de uma empresa. s.Do guar. "potyrom" = pôr mãos a obra? (Mont.escrava que. seg. f. uma piracanjuba-ripiada. v.roçada. como lembrou C. R.. antigamente. . m. e em parte. assar.. m. com grande jantar ou ceia. "mutirão". no sentido próprio. MOLEÁ(R). secar. nas quais o poeta rústico exprime os seus sentimentos de amor. . gente. "batalhão". MODISTA. em Pernamb. e i. poste a que também se chama palanque. MÔ(I)RO. | Alter. f. ou. ato IV. "potirom". plantio.cantador de modas. s.

agregado. | A forma corrente entre a gente culta é "monjôlo". fojo. s. Musgo gaitero!. MULA-SEM-CABEÇA. monte. MUSGA. . MUNDÉU. m. MUNDO.grande quantidade: "mundo de gente". também lhe chamam "cavalo sem cabeça".? MUMBAVA.). . . m. | Esta alter. P. .ato de muleque. de certo feitio. f. s. .. f. rapaz brincalhão. . do bundo "mulundu".O sr.. "Sou musgo!.negrinho novo. ao tempo do tráfico dos africanos. | Alter.armadilha para caça. MULÉQUE. MUTUCA. MULEQUÊRA. MURUNDÚ. s. MULECADA.o mesmo que MULECAGEM. m. Foneticamente. um caboclinho enxota as mutucas e toda a mosquitada junto à figueira esplêndida e remota. menino vadio e mal educado. L. (M. f. MUNJÓLO. nada se lhe opõe. s. importados no Br. f. parasito. ou quase todo o país.) . em todo..onde."muchedumbre"? Ou terá relação com botirão = nassa de pesca. (C. m. s.engenho rústico. | Do tupi "mimbaba". sentado. usada em parte de Port. .mosca cuja picada é dolorosa: É o caminho da ceva disfarçado . s. s. ou q. f. "mundo de frutas". Sílvio de Almeida aventou. .ente fantástico da mitologia popular.montão de coisas. .quantidade de muleques. resta verificar se há traços reais dessa evolução. f. . s. "mundo de dinheiro". s. movido por água e destinado a pilar milho." (Cat. s.). precipício. há tempos. m. . construção que ameaça cair: "Des'que caí naquela peste de mundeu da ponte preta fiquei assim como quebrado por dentro". é pop. m. o étimo mulineolum. .indivíduo que vive em casa alheia.Dava-se outrora este nome aos pretos de certa nação. MULECAGE(M). música. s. . s. ou próprio de muleque.

f. órfão da vítima e afilhado do sitiante". q. NHO. formas proclíticas de "senhor". ." (C. "jaçanã". f.MUXIBA. P. s.. . f. "nervos" da carne. NAPÊVA. no mais. . NARILÃO.).doença dos cães. . m.. receio: "Me dá inté ni nervosa quano vejo um moço cumo mecê andá pescano por aqui.espécie de saracura.de pernas curtas (falando-se. .. trêmulo. SINHÁ. nha-dona". NO MAIS1. e vai saindo . pelancas. . NARIGADA. s. pitada: "Deitou duas narigadas mais de sal no caldeirão. NHA. Apesar de se escreverem geralmente com acento agudo. "nervoso". s. P. inhambú. MUXIBENTA. NHAPINDÁ. um caboclinho nhaio e chimbéva. apreensão. | Em outras regiões.). . f..nervosismo. NERVOSA. m. s. . foi empurrando a porta e entrando. NEGRADA.pequena porção (de sal ou outra substância em pó) que se toma entre o polegar e o indicador. aumentat. . desprezo. diz simplesmente "orelha". q. NHA e SINHÔ. para exprimir pouco caso. no mais". a um canto. m. são átonas.de orelha cortada. s.. em guar.V. s. . formas proclíticas de "senhora": "nha-Maria. f. NHANÇANÃ. . e quase sempre terminando por um estalido.artérias. s. m. INHA.. equivalente a "não mais": "Êle nem disse nada. P. NAMBÚ.)." (C. de "nariz". especialmente. colet. q. (C.quantidade de negros.o mesmo que inambú. . | O t. NAMBIÙVÚ. desdém. NHATO. MUXOXO. ."Aquilo é que é muié despachada: bota um chalinho. s.V. . loc. NAMBI. q..diz-se da carne que tem muita muxiba. . INHO. de aves ou de cães). f.arbusto do campo. .que tem o maxilar inferior saliente: "Vendo-se. s. que se caracteriza por hemorragia nas orelhas. s.trejeito com os beiços esticados.

sem mais . (Gil V. vós que me quereis? Nesta feira que buscais? . Poderia estender-se muito esta exemplificação. colher. . nó mais? (Gil V.. eqüivalia. gamelinhas. NOVIÇO. .") Não vedes meu afanar. NUM. Porem ama sem engano. canto X). . em cujas obras é freqüente. (V. (Gil V. "de resto": "Nenhum talher. i. mercê de um crescente esquecimento do valor etimológico da expressão.. "Juiz da Beira"). de Rub. | Este no mais é. evidentemente. nó mais.novo. parece ter sido vulgar no tempo de Gil V.De um annosinho.pra a rua". nó mais. intj. E elle folgar. as frases: "ninguém num me disse" e "já respondi que não". que o caipira não usa. ed. lê-se: . Exemplos antigos: No mais.). falando-se de entes animados: "Isso é bom pra criança noviça e pra negro mina". "Auto da Feira"). Esta ave tem seus amores Co'as flores Dous meses. equivalente a "óh". no anno. não sendo aquele no senão uma forma pop. sob a grafia "hou". aberto. com o valor de "simplesmente". desenvolvimento do primeiro. garfo é faca a um tempo? No mais umas cuias. uma pote esbeiçado. Cp. (Camões. "unicamente".No mais.. de Hamburgo.Mulheres. | "Ôh". em tudo. Não é a munheca um talher completo. . loc.. fechado.Na "Farsa de Inês Pereira". L. De que tempo sois parida? . NO MAIS2. (Gil V. é.Queremo-la ver. a pichorra e a panela do feijão".). q. equivalente a "quanto ao mais". "Auto das Fadas"). em suma. proclítica de não. no mais. Musa. | Tendo-se perdido a consciência do valor etimológico da expressão. ÔH. forma proclitica de "não". que a lira tenho Destemperada. só se usa de acordo com os exemplos acima. S.. "Com. (M. a não mais. nó mais.

J. ORÊIA. p. OSSAMA. 2.. senão eu. que nos quereis? OPINIÃO.º v. n. ao nosso povo repugna o ditongo eu em começo de voc. vêa. (J. | Como em Port. Em Camões: Oulá. Todas vem e todas vão Onde querem. ORÊIA DE ONÇA. s. . f. ÔTA. Mendes": Hou de lá. Eugênio. Hai! e que peccado é o meu. . Ou que dor do coração? J. ÔH DE CASA! . | Cp. "hou". Veloso amigo. sempre com o fechado. aquele outeiro - Em Gil V. opiniático. . Nunes. etc. gentama. Mor.Todas folgão. f.. etc. dando razão à conjectura de J. Mor. OGÊNIO. dinherama. em exclamações como "Hou dôr!". de Gil V. f. chêo. quando deita as duas primeiras folhas. ORÊA. Saco Arce. orelha.pé de café muito novo. intj. p.vocativo usado quando se bate a uma porta.teimosia. que Gil Vicente emprega em outros lugares e que ainda hoje se usa na Galiza. | A forma sem i está moldada por outras onde a ausência dessa vogal tem explicação histórica: arêa. acrescenta: "Hou era uma antiga interjeição.quantidade de ossos. . e eu não. firmeza numa idéia. dos Rem. 215). intj.. "Gramática galega". ("Estudos".. "Hou vergonza!" (cf. f. Cp. Corresponde à interjeição moderna oh!" . colet. s. no "Glossário" da sua ed. s. Orópa. LI). s. cita numerosos passos nos quais se encontra a intj. Osébio. "Mof. quase equivalente a hêta: .pequena travessa na extremidade exterior do cabeçalho do carro de bois. ÔLÁ.M.) propõe uma correção aos dois últimos versos: Hui! e que pecado e o meu? Hou que dor de coração! Justificando-se. de admiração. | Cp.

PACUERA. m.. espantado: "A Ogusta. | A forma é portuguesa. m. amendoim pilado com farinha e açúcar. PADRÃO. S.mamífero do gên. s.carne pilada com farinha. talvez seja simples alter. das Bombáceas. f. provavelmente. f. do port. levando-lhe as armas. Usa-se substantivamente: "Estalou uma relhada com a língua e o oveiro abalou". P.. É verdade que também "banana" é sinon. | É t.. | É t. .fibras finíssimas e sedosas. port. em tempo de guerra. s.morrer. PAIÓ(L).Ôta povo! mais que terno! Tudo era ali bem tratado. s. . aquêle pacova. O nosso voc. q.tulha de milho. vigiar (criança) "Carolina foi quem pageô o nosso caçula".toleirão. pateta: "Tá pensano que eu só aquêle bocó. BATER A . f. . a de mancebo que acompanhava rei ou pessoa nobre. OVÊRO. ordem dos roedores. s. PAÇOCA. | "Pacova é t. entre outras acepções. confusão de coisas amarfanhadas. . obtuso?. aquêle palerma?" (C. q.). PAGE(M). . PAGEÁ(R). misturada. .. como. pacóvio sob a influência daquele. port. a nossa primeira variante.fressura de animal.carregar. S. | Tupi.árvore da paina. P.) | Talvez se grafasse melhor com h inicial. . tupi e significa banana. f.espécie vegetal pela qual se conhece a qualidade de uma terra para determinado gênero de cultura: "O pau d'alho é padrão de terra boa para café". tendo tido. especialmente do boi.). v. . contidas nas cápsulas da paineira. de "pacóvio". rendas ou panos revolvidos. s. m. (C. . (V. Daqui saiu. s.estupefacto. s. que nunca me tinha visto de semelhante geito. s. OTUSO. "Coelogenyo".). PAINÊRA. | Tupi.criado que acompanha alguém em viagem a cavalo. com outras signifs. PACA. fitas. fig. . f. PACÓVA. t. . por ex. (V.diz-se do animal eqüino ou bovino que tem pequenas manchas pelo corpo. .ama seca. da fam. q. PAINA. a restrição de sentido é que é paulista. ficou meia otusa". . . f.

. com ligeira especialização de sentido. aquele cujas manchas são azulegas. burlescamente. PALAVRA DE DEUS loc intj . s. palerma. | Tirado. feita ao fogo. s.mourão sólido. (palanque.frase. . às vezes. em regra. m. cp. . s. É acepção castiça. m. s. chama-se a este objeto "poncho pala". sastifa.m. . expressão: "Mecê disse que num punha mais os péis na mea casa: eu nunca me esqueci dessa sua polavra". s." (V.. P. PALAVRA.PAIXÃ.espécie de bolo de milho envolto em folhas de bananeira. tirado de "satisfação". palanca).animal eqüino de cor escura com grandes malhas na cabeça. de um tecido especial. pregava os olhos em mim (eu tremia palavra de Deus). e continuava no passeio. de farinha com feijão. m. de empanzinar? PANÁSIO.equivalente a palavra de honra. s. no próprio dial. dito. estas com vários matizes. s. com listras brancas e amarelas. q. .) PALETÓ. do S. É. PAMONÁ. fig. S. misturas.AZEDA. . PAMPA. "palio"? PALANQUE. . PALA.) PALETA. entreparava um pouquinho. | Caso de derivação regressiva. .. designa coisas diversas. | Em outros Estados o t.. m. G.estrondo de arma de fogo: . f. PAMONHA. PAN.TOBIANO. palelot. m. . s. s. pessoa inerte. .empachação.pá.. f. .Do cast. | Forma port. apalermada. s. . . a que se amarram animais de sela. | Do tupi "aiapamonã".paixão amorosa. "Ela.espécie de capa: consiste numa peça quadrangular com uma abertura ao centro. por onde se enfia a cabeça. região do omoplata (em animal): "Barriei de chumbo o bicho na paleta! (C.mistura. PALETÓR. | No R. f. f. carne e outras comidas.

o mesmo que siriri. .) | É t.Contr. PANGARÉ. etc. . e zonzo. PANQUECA. . L. apontado. Gomes registou-o também em Minas.. "papa" é desconhecido do povo. condensando a idéia expressa pela frase.diz-se do cavalo amarelo tirante a cor de café. no R. como rezava o programa". "Apermophila ornata". q.diz-se do cavalo que pisa com os pés voltados um para o outro. s. etc. PAPAGAIO. .. fazer suar o topete: "Aquela perobêra deu panca pra se botá ela ira baxo!" | Em port. s.: "Rematou a festa a pantomina. . PANDELÓ. PANTOMINA. . PANTUFO2.R. m. q. tenha.pássaro canoro. . q.casa. f. e fam. s. o de "pancada dada de prancha" com espada ou coisa parecida. s.. q. . . San-Joâo. | É forma pop. PAPAI. boa vida. PANCA." (C. m. ao Sul e ao Norte. ou depósito de larvas. É port. (B. e Romag. atarracado. também em Port.m.na frase "dar panca" . f. mancheia. s. corrente na Argentina. de pai. bofetada. gordo."Êle há de uvi o panásio do trabuco. | É a única usada em todo o Br. PAPACAPIM. sem dúvida. dar água pela barba. se extraiu o t. port. sul-americano. etc. nos formigueiros de saúva. | É t. onde o port. Diz-se de um indivíduo adoidado que "tem pancada na bola".). forma infant. (M. . s. PANTUFO1.. desequilibrado. pantomima.diz-se do indivíduo grosso. e é branco. É curioso que tenha tomado entre nós o sentido acima. s. P. daí.espécie de capim bom para pasto. Cf. igualmente. Grande e em Pernamb. no Uruguai. há "andar em pancas" = andar muito atarefado. que são subterrâneos. pão-de-ló. m. de palanca? PANCADA. . f.maluco.dar que fazer. s.vadiação regalada. o cupim quando ainda não tem asas. PAPUAN. | L. significando pontapé.). . e mais curioso ainda que. PANÉLA. f.. .

caçadores de paca... no seio das populações rurais. este t. leviano. (M.cão treinado na caça de pacas.Tonica. isto é." que. s. q.).que é amigo dos parentes.inquieto. PARANÁ. . semelhante. | O "Novo Dic. de S..frase na qual "parte" parece estar por "pacto". .: ". citando este exemplo do séc. s. e as suas partes e virtudes eram tamanhas. P. (Serm. P. f.m.) | O t. PAREIO2. tirou um rolete de fumo da algibeira.faca com cabo e bainha de prata: "Quelemente enfiou uma ponta da fralda da camisa dentro das calças. | Tupi. .. no plural. PARÊJA.cessar: "Ele parô de pitá.Lê-se numa carta da Índia. f. o prior escolherá sempre aquelles que forem menos parenteiros". PARÁ(R). q. Cast. comparável. (C. s. XVI: ". Pinto).. (M. PAREIÊRO.). um trás em uso e outro na barrela".antigamente a primeira parte do pregador em boa voz. mesmo entre o nosso povo. | Diz o "Novo Dic. q." (C. PAQUÊRO.cerca para pegar peixes. PAREIO1. .) . não constitui brasileirismo. morena sem pareia. artes: "Êste malandro tá cum parte mais eu curo êle. f. . s." dá como desus.. parelho.igual.... . PERERÉCA.PAQUERADA. que gosta de conhecer os parentes e ter com eles relações. mas Vieira emprega o sing. f. . p.manha. | De parelha. PARENTÊRO. Paraná. "pareja".corrida de cavalos. e bom peito". L. | Cp. PARTE1. PARTE2. . como muitos outros. ou apenas calças e casaco: "Se tem dois parêlhos. PAREIADA. falador.. . s.terno de roupa. parelha. v. q. que raramente se poderiam achar tantas numa só pessoa". aparelhada. s. s. ao passo que caiu em completo desuso entre as pessoas doutas ou semi-doutas. m.qualidade (de um indivíduo). . n. desembainhou a pareiada e pediu ao tropeiro que fizesse "passeá" o malacara". Desse dito deve provir a acepção aqui indicada..eleitores. PARARACA. que forma ou pode formar um par com outro: ". PARI. prendas. parelheiro.. i. de Castro ao rei: era um dos gentis cavalleiros que se podião achar em nosso tempo.diz-se do cavalo de corridas.." | O povo costuma dizer de indivíduos malfazejos que "tem parte com o diabo" . da Sexag. . . se conserva em sua perfeita acepção castiça. significa qualidades. q. f. parelho. . mas é interessante notar que.coleção de pães "paqueiros". É essa a lição do bom uso. de Dom J. . | É de uso corrente em todo o Estado. e oiô pro meu lado".

. sem ação em momento em que era necessária atividade. pegar: "Passei a mão na espingarda.. . s. desde o fósforo até o querozene". questão ou pleito. s.A MANTA: enganar em negócio. DE PATENTE: de primeira ordem.. com quem morava. fam. s.). m. | Morais cita uma obra port. .). ou em enganar a outrem. PASSARINHERO. sofrer contrariedades. s.assustar-se. m. s. PASSARINHÁ(R). PATENTE. . em negócio.na loc. PASSAMENTO.ESTREITO. v. PATETEÁ(R). . pássaro.espantadiço (cavalo). (C.ficar atônito. pasmado. não é mais aquela criança linda que você conheceu: está num passamento triste. sem cigarro.rede redonda e pequena. fixa num arco. se entende como nós ao nosso "passarinheiro". desta para a adolescência) : "A Marica. q. . descuidar-se. jeitosamente. isto é. no México. . PATATIVO.pelotica.A MÃO. mas outros dicions.PASSAGUÁ.. a dão como brasileira. s. PATATIVA. patetar . P. pòbrezinha.m.Nos países hispânicos da Am. esperteza.320 réis.nas locuções: . fazer movimentos bruscos (o cavalo). que consiste em se apropriar alguém hàbilmente de coisa alheia.. privações: "Mascava andava passando estreito. O nosso patetear é coisa inteiramente diversa e não "o mesmo que patetar". .estado de quem se acha numa época de transição (da infância para a meninice. f. t. . furtar: "Quem foi que me passô o gato nas laranjas que dexei aqui?" . S.pássaro canoro. como vassuncê sabe. tino. ótimo: "A Ogusta era u"a mulher de patente. m. | O Novo Dic. em que figura a palavra. e saí". . . PASSO. - PATACA..O GATO. i. e f. v. dos Fringilidas. . valendo "espantadiço"." PASSA-MULEQUE. do S. na ponta de um pau. usase "pajarero" para significar "fogoso". de 1673." (V. . define o port."fazer ou dizer patetices". i. e destinada a tirar da água o peixe preso no anzol. m. esse mesmo voc. v. . como diz aquele dic. filando da comadre. s. f. PASSÁ(R).

" | O t.Também se diz de a cavalo. subsiste ainda até fora de S. varado por seis bagos de chumbo paula-sousa." (C. de batoteiro? PATRONA. significando cesto. P. . . a olhar para o que os outros fazem. sem se ocupar em nada e sem tomar uma resolução: "Nho Lau. | "E logo ambos se ajuntárão. P.. fam. moleirão. sensível.. s.e começarom a saltar e dançar. contendo orações. pelos Estados vizinhos.fração de tempo (ou espaço): "Estive à espera dêle um pedaço. m. . q. uma espingarda de pica-pau e a patrona de couro de jaguatirica. (Vieira. | "Tanto coche. port. e tornárão a acommetter o golfão."Saiu d'aqui há um pedacinho". s.negócio aladroado... de batota? PATOTÊRO. s. depreciativo . equivalente à mesma sem de: "A eigreja é perto. tanto cavalo (que os de apé não fazem conto.estacas de guarantam sustendo uma viola.certo tipo de chumbo grosso de caça. . m.. PATUÁ. m. .homem preto: "Fique queto. mais descorçoei e vim-me imbora". | ". etc. pau-de-fumo!" (C. d'alho. ou em viagem: ". fracalhão. IM . introduzido outrora pelo conselh.. P. abobado que é uma tristeza".." (Caminha). 3. anda só im pé im pé por drento de casa. PATÓTA. ou para as coisas em redor. Paula Sousa: "Levando as mãos ao peito.grande árvore. bamo lá de apé". das Quar. s.maleta de couro que se traz à cintura. PÉ.pusilânime. (C. . f. Sendo entrados bom .. q. IX). depois de empanturrado. PEDAÇO.pequena mala para cartuchos dos soldados de infantaria" ("Novo Dic.IM -. | Genuíno paulistismo de sentido. s. m. huum pedaço. s.PATIFE. f. objetos considerados mágicos. Gastão. a negociatas. . na caça. tanta liteira. . nem deles se faz conta)". P. . | Alter. um corote. andar apatetado.) | É t.bentinho.diz-se do indivíduo habituado a patotas. PEDAÇO.breve espaço de tempo: "Estive cum êle um pedacinho". m.). s. dês que o fio caiu de cama..). UM BÃO -. de "patiguá". sousa. PAU-DE-FUMO. t. V. e roupas velhas". m. saquitel que se traz ao pescoço.").. um bom trecho de tempo (ou espaço) : "Estive na casa do cumpadre um bão pedaço". um pala. .nas locuções: DE A -. ..: "O Mandinga. caia estatelado o dr. PAULA-SÔSA. PAU-D'AIO. s. | Alter. | Contr.ª Dom. tupi. . enfiou o rosário no pescoço. apalpou o patuá que lhe saia pela abertura do peito da camisa. das Fitolaceáceas. m.. PEDACINHO. s. .

pequeno tijolo de açúcar mascavo com amendoim.". conjunto de várias laranjas pendentes do mesmo galho e juntas umas às outras...pedregoso.árvore das matas. s. f.. m. . ditado que por aqui se conhece e repete sob a forma: "Céu pedrento. m.pele de carneiro curtida com a lã. s. "Pal. . que se arremessa com uma espécie de besta chamada bodoque. chuva ou vento". remoque. . Taun. q. pequena porção arredondada de qualquer substância mole... que dá boa madeira e cuja casca é utilizável em curtume. v. . PENCA. a que às vezes se junta gengibre. fig. certa espécie de borboleta (?) | Af. é port. | Com referência a céu. alusão ferina. cheio de incidentes e dificuldades: "Pra botá meu fio na escola. semelhante a pedra. | Tem signifs. PEDRENTO. s. . PELÓTE. | Paiva registou pendanga. mas com signifs. PENAMBI.bofetão. como .. cera. | O voc. rixa. PEITO-D~POMBA. s. Viana. PÊLO-DE-RATO. e andou la huum boom pedaço. | V. corresponde talvez ao escamento port. f. etc.que tem pelo novo. PÉ-DE-MULEQUE. .cada um dos grupos em que as bananas aparecem dispostas no cacho.discussão azeda. PELOTADA.tiro de bodoque: fig. com pequeninas nuvens juntas em larga extensão. | Substantivação da loc. 99). m.". negócio trabalhoso. m. M. . s. e não passa de um caboclo pelichado". em geral.bola de barro endurecida ao fogo.mudar de pelo (o cavalo). PELICHÁ(R). do cast. que está luzidio (o cavalo). . PELICHADO. | Alter. o qual se foy. parece um figurão. s. ou chuva ou vento" (G. qualquer acumulação de objetos que pendem conjuntamente de um mesmo suporte. . de Castro ao rei.diz-se do animal eqüino ou muar que tem o pelo parecido com o do rato.pedaço por elle dentro. s. m. . (Caminha). muito diferentes. PENDENGA. que se encontra neste ditado: "Céu escamento. lhes tornou a dar outro tempo muito rijo. . com aparência de pedra: "Céu pedrento". "ao pé do ouvido". porção de biscoitos pegados uns aos outros. Pinto). PELÓTE. . s.. q. como barro. s. q. .." (Carta de Dom J. de S. isto é. | V. .. m. PELÊGO. f. pessoa que se puliu em contato com outras de melhor educação: "F. foi uma pendenga".borboleta em geral (?). PELICHAR. que se usa colocar sobre o lombilho. i. PÉ-D'OVIDO. diversas em outras regiões do país. de "pelechar". define: "pequena mariposa frutívora".

e não tenho mesmo pensão nem u"a. q. PERERA. . PENGÓ.de costume. PRECURÁ(R).travessura. PERERÉCA. Hoje. . no maior calor da escripta viérão pendangas mais urgentes". a julgar pelo seguinte passo de Filinto. . f. . q. precisar.que não tem vintém. f.. êle pinta no bairro! (C. s. usado impessoalmente "Pra viajá por essas estrada percisa corage" PERCURÁ(R). PEPUIRA.Cp. o t. Teschauer colheu no R. .árvore da fam. vermelha e outra amarela. s. s. vou vêr de perto aquêle mestiço. t. adjetivou-o. S. em S. q.": ".). PERARTO.fazer travessuras.) | O p. Há uma esp.. i. que tá percurando a última hora!" (V. . sem definir. . aqui só se diz "galo ou galinha pepuíra". q.diz-se de pessoa que tem os pés tortos ou deformados. PÉ-RAPADO. mas trata-se da mesma palavra. "pongó" = tolo. v... PÊPÉ. PERCISÁ(R). mas o uso.. PENSÃO. CURÁ(R). PERARTAGE(M). das Leguminosas. . é brasileirismo. do S.Do tupi. v. "caxingó". .travesso. P. | Cp. . preocupação grave: "Des que já acabei minha tarefa. .capenga. PERARTEÁ(R). | É geralmente apontado como subst. G. P. "capenga".saltitante: "Tenho um pião perereca".obrigação séria. f. citado pelo "Novo Dic. meio pengó. e i. peralta. t. . moleirão: Puis aquêle sojeito é um desgraçado! Co aquele geito ansim. v.galinha pequena. TERERÉGA e PARARACA. q. procurar.. .

em nheng. etc. quando êle se espantô" .. s. e só por extensão. pêssego. PETECÁ(R). s. PETEÁ(R). bater como a peteca. i. e munida.. | É t.cóç(e)ca.pequena árvore da fam. f. que a arremessam ao ar. geralmente feita de palha de milho. esta passagem de C. cócega). desde que se lhe junte a idéia de movimento ansioso e repetido. de Goiás. do S. PEROBÊRA. s. s. P. tem acepção semelhante..objeto composto de uma rodela de uma a duas polegadas de diâmetro. maçador. P. t. PESCOCEÁ(R). s. Goiás. pois quer dizer "irascível. P. fig. q.. PERÒVINHA. das Apocináceas. um chapéu. m. PESTEÁ(R).jogar a peteca. agarrar um animal. como livrar-se de um perigo. porque esse bicho pesteia com facilidade espantosa".saltitar. Para esta transformação influiu sem dúvida a palavra "rengo". há o testemunho de Romag. .."pregar petas". (C. t. f. imprestável (homem): "O garrafão de pinga dali a pouco era levado por um velho perrengue.PERERECÁ(R). . f. birrento". de algumas penas dispostas em corola: serve para jogo entre duas e mais pessoas.. num dos lados.peroba. PERÓBA. "perereca" é "bater as asas"."Ando pererecando pra arranjá uns cobre. Já houve até quem quisesse explicar "perrengue por "pé + rengo".). significa justamente o contrário do que exprime aqui.. tupi. Seria esta a compreensão do "perereca" aborígene? PERNADA. (C. etc. fig. tio Ambrósio recolheu-se tropeçando ao abrigo da varanda. . -encher de adornos. . contrair doença mal definida. cósca (<. G. moleirão.. PEROVÊRA. debater-se em dificuldades para conseguir qualquer fim: "Este pião pereréca demais" . Em S. nome de varias árvores da fam. R. G. e língua geral. v. s. etc. importuno. fitas. a indivíduos humanos.alquebrado. a própria perobeira. v. incumbido do tratamento de porcos e lida de terreiro".. rendas ou flores (um vestido. PERÒBlNHA. f.madeira da perobeira. mentirolas.dar pescoção: "Quelemente pescoccou a Mariona". Em Pernamb. | Cp. i: . PERÓVA... . Rodr. que faz definhar: "É muito trabalhoso criar perus. O valor atual do verbo pode compreender perfeitamente essa noção. v. v. B. . v. dar saltos e fazer movimentos de quem luta por conseguir alguma coisa.. . i.. a espertar o corpo perrengue no último gargarejo da queimada". tanto em cast. . mais tá difice!" | Seg. PETÉCA. Ramos: ". encanzinado. Emprega-se com referência a animais. PÊSCO. das Leguminosas. f.. Do R.) | O voc. . como em port. como o da ave que se agita para escapar. com a palma da mão.ser atacado de peste. PERRENGUE.caminhada fatigante: "Daqui lá é uma boa pernada"."Pererequei pra agarrá o diabo do cavalo. . . excepcionalmente. i. tornou um sentido geral que gira em torno da definição acima. v.).

. m.dar PIALO. PICAÇO2. PIABA. . um chapéu. e que as crianças. P.. etc. . de peão. que lhe dá a vaga aparência de um pássaro. . PIALO. . e onde há milho. do S. . v. "homem que anda a pé". . (C. PICADÃO." o regista como colhido pela primeira vez. s. "Picidae". | Alter. a picapau de um cano. PICAPAU1. f. ." (C. PIALÁ(R).PETECADO. Entre nós é de emprego comuníssimo.domador: quebra o chapeu na testa o tal Faé.) | Alter.certo peixe de rio. PICADA. o laço a que um animal vai preso. que é o pião mais cuéra e mais desempenado. m. .cheio de adornos acumulados (um vestido. s... . s.De "pião"? PIÃO. f.ato de puxar.É monossílabo. . com uma curiosa evolução de sentido. que vem a dizer justamente o contrário do que outrora se entendia. repentina e violentamente. P. o que mostra que não será usual.espingarda de um só cano e de carregar pela boca: "Na fresta praticada na parede que dá para o riacho..diz-se do cavalo escuro com a frente e os pés brancos. m. s.coração. m. .espécie de carrapato grande. s.passagem aberta através do mato. pedaço de papel dobrado de certo modo. PIÁ. a correr.picada larga. m. mas o "Novo Dic. isto é. . q. G. | É port. t. m. Corrente no R. s. m. s. segurando com a mão . | Tupi "piá" .menino.) PICAPAU2. PICAÇO1. de onde acreditamos que nos veio. . .designa diversas aves da fam. s.). q. PIAVA.s. de pigarço.

. que o colheu do "Cancion. Na ling. e com sentido muito aproximado. porém. seja de genuína formação portuguesa. ger. . Freire. Pode estar certo. antigo existisse o voc. (G. . feito das faiscas e do mel que se desprendem do fumo em corda comum. cacareus. por meio de pequenos sopros. Já temos. PINDUCA 1. Caet. seg.". | Tupi? PICUÁ. q. de PIDONHO. de Mat. do nheng. B. pelo tipo de tristonho. m. O "Novo Dic." regista "pida". seg. ato de pedir esmola. que obsta a que tivéssemos também o simples "pinicar"? O que é possibilíssimo. s. alentejano. "tatàticuãá". PINGUÇO. q. .pedinchão. .direita. PINDUCA 2.beliscar. J.dimin. m. provincian. . B. . | Como quase todo voc.. v. é que nós no Br. de orig. e que se colocam sobre a cavalgadura à maneira de cangalhas. PIDONHO. PIDONA. há muito. de Rez. t. ger. que no port. registado por F.. . q. picar de leve. incerta. "A' Brites"). q. É muito provável. os sentidos afins de "picar" e "beliscar". PINICÃO. aguardente de cana. m. etc.bebedor de pinga. | O mesmo que SAPICUÁ. este também já teve quem lhe atribuísse proveniência indiática. dimin. s. PINICÁ(R). aponta-lhe o étimo "pinica" = beliscar. Tendo o composto "repinicar".o mesmo que pinguê(i)ro. .fuligem. . Rodr. geralmente de algodão. e da ling. perdi a bolsa... por ser fato ordinário da vida das línguas. Não há real em palácio: Ando baldo. trastes e utensílios velhos.jogo de dois sacos. "repinicar". . ligados um ao outro por uma larga tira do mesmo pano. forma a que corresponde "taticumã". Que saio os modos com que Se despede uma pidona.. bater com o bico na unha do polegar da mão esquerda. . vernáculo como tudo que mais o seja. fazem.fera. e temos por mais provável. PINGUÊRO. De "pida" poderia derivar-se facilmente "pidonho". carinhoso de Pedro.Rodr.fumo forte. PICUMÁ. de pinhão. ao lado de pedigonho. PICHUÁ. s. mas também pode ser. no Pará. | Do tupi "ape + cumã" . s. que o voc. tenhamos associado a este t.ato de PINICAR. s.Em Pernamb. em essência. B. senão idêntico. m. . m..

PIÔIO-DE-COBRA. .arrojar.. proezas. . que passou aqui a designar o gral. . q. em que se pila a cangica.PINTÁ(R). v. PILEQUE. onde se conservam por pouco tempo animais em serviço. port. s.Pilão.nome com que se designam varios miriápodos. . de piqueno. f.certo peixe do Tietê. PINDAIPÁ. usado em todo o Br. . s. q. de piqueno. tupi. PIRACANJUBA. bom para comer estalado. estalejar: "O rojão pipocô no ar" -"Quando as moça se encontra. . dimin. PIPÓCA. A este chamam aqui mão de pilão. dimin. m. f. . m.."Pinchar. para comer. PINDACUÊMA. piquitito.milho que se faz estalar ao fogo. | Tupi. P. . t..árvore da fam. . bolha.. a manta. etc. espécie de milho pequeno.bebedeira. . arremessar: "Pinche fora êsse cigarro. J. i. | Tupi. . | Veja-se APINCHAR. v. s. PIQUINITATE.)."Pinchô na orêia in riba da cabeça. m. aos cardumes.pequeno (cavalo). PIQUITITO. PRACANJÚ. s. em antiga linguagem. s. das Anonáceas. s. s. m. o caneco". . a paçoca.... e pite êste charôto". t. Freire). i. | Do tupi. é propriamente o pau com que se pila. . valia o mesmo que expulsar com violência. PINCHÁ(R). PILÃO.pasto pequeno e fechado. s. .época em que o peixe remonta o rio. que consiste numa linha amarrada a um pau colocado à margem do rio. borbulha. | Cp. . pepuíra e piqueno. m.instrumento de pesca. v.s. . f. piolho. PIRACEMA. é um pipocá de beijoca que deixa um cristão meio zonzo. | Tupi. s. (um cão)" (C. f. PIQUIRA. | T.certo peixe fluviátil. | Redução da frase "pintar o sete. .estourar. PIPOCÁ(R). PIRACAMBUCÚ. f. q.." (F. ." PIQUÊTE. .gral de madeira. etc.fazer diabruras.

buliçoso. por ex. . s. PIRÃO. . Para exprimir a idéia do nosso "possuir". . com a forma do nome próprio "Pery". esse acreditamos que resultou de evolução realizada aqui.alter. s. . tem também entre nós. m.papas de farinha de mandioca. de uma superfície cheia de pequenas borbulhas ou escamas).rolo de cabelo que as mulheres fazem no alto da cabeça. a aceitar-se como documento válido um verso de Cat. s.designa o habitante das margens do Paraíba. q. q. é corrente na África ocid.Nas proximidades de S.. PISCA-PISCA..R.certo peixe de rio. . por inadvertência. . . | Quanto a forma. significando "áspero como lixa". de Vasc. s. | De PIRIRICA.espécie de peixe do Tietê. .PIRACUARA.. f .encher-se de pequeninas borbulhas ou escamas. t. inquieto. PISADÊRA.adquirir. | Tupi.). possuir. BIRI.R. PIRANGUÊRO. .V. i. PIRICICA. s. PIRICÓTE. PIRIRICÁ(R).... do vale do Amaz. . Mas. tremer. . .bago de milho pipoca que não estalou. PIRIRICA. PISSUÍ. S. dá como t. daninho (falando-se de criança).. v. . . PIRACUAXIARA. seg. m.espécie de junco que se cria em quantidade em lagoas e margens de rios e que dá uma paina delicada. B. m. apaixonado da pesca fluvial. Quanto ao sentido. PIRANHA. PURURUCA. haja vista ao galego "pessuir" (L. q. . Lobato ("Urupês") escreve "pery". . "Textos"). acreditamos que se trata de simples identificação. usa o caipira de "ter" ou de algum circunlóquio. m. s. . Paulo (capital) há uma estação com o nome de "Pirituba" (muito piri). q.V. senão quando u"a galinha já esporuda que eu pissuí no levantá aquêle rancho.que tem o sestro de piscar continuamente. v. | M. comprar: ". o que exprime regularmente a significação que o t. . o verbo conserva o sentido castiço: . s." (V. f. Capelo e Ivens. Ignoramos se o e da primeira sílaba corresponde a uma outra pronuncia real. citados por B. | Dão-lhe origem tupi em "ypirô". Ao Nordeste.. PIRI. m. de Port.pescador adestrado. . muito provavelmente.áspero (falando-se.Do tupi "piriri". PIRUÁ.. m. PURURUCAR. de pesadelo. s. veio ela.

). cacête. PODE (R). . do tupi "iapixaim". de "piôrra". Caet. . é voc.cavalo pequeno. . Note-se que a mudança de l final em r e conseqüente queda do fonema é fato corriqueiro da fonética brasileira. v.constatação muito interessante por oferecer talvez um elo evolutivo capital. . q. de que. fig. apois pissuia uma furtuna de gado. preparado de modo a produzir um som agradável quando gira. cheiro desagradável: pixé de fumaça. ..enjoativo. tal qual. mas parece assentado que é americanismo. s. ("Quinca Micuá") PITÁ(R). dá como pernambucan. ..enrolado (diz-se do cabelo do negro). o port.R. PITÔRRA. picher. de pito. m. apitar.. pùthemn pitar. aborrecido. .pião de madeira. O u do chillidugu creio que é exatamente o y do abaneenga". fig. há entre nos um correspondente. significando "anelar". L.. PIXAIM.quantidade enorme: "De Minas tem descido um poder de capadaria que mete medo"..Seg.. pau. PIÚVA. ger. Af. da ling. . na hipótese da origem portuguesa. o dá.. m. | Dir-se-ia mera e explicável adaptação de um verbo hispanoportuguês (pitar. como t. q. Cp.. Taun.. é nome indígena da Nicotina (tabaco) e o verbo brasiliense pitar vem evidentemente de pety-ar "tomar ou chupar o petym" diz B. ger. B. PITIÇO. pixé de sangue (Cherm. PIXÉ. cujo caule e galhos são ocos) .). | De petiz? PITO. B. q. porém. e significa "bolor".. peróba. | B. . . m. s. e alter. crespo. . adiante: "É de notar-se que no chillidugu há pùthem tabaco. . | Na Amaz. repreensão. porrête. (M. s. fumar (tomar o tabaco) e puthen queimar-se. t. s. sinon. | Em port. e i. piché"). f.fumar.cachimbo cujo pipo é feito de barro e está munido de um canudo (geralmente de certa planta chamada canudo de pito. | A primeira acepção é de uso vulgar no país. f. da ling. s.Era rico. ("Pichel. fantasias. pichelar. a segunda é usada.parolagem. s. f. em pixerar. POAIA. POETAGE(M). f. pião pequeno. . Usa-se também adjetivado: "pau piúca". apito). indivíduo importuno. s. seg. "Pety ou petym ou petyma e também petum. em Pernamb. ..pau podre. Rodr.árvore bignonácea. e. talvez entre outras regiões ou Estados. | Tupi.diz-se do leite ou doce esturrado. . Rodr. ou com gosto de fumaça. de madeira dura e resistente. PIÚCA.

o ponche na garupa pendurado. POITÁ(R). m. . s. s. v.) PONTEÁ(R). se destina a dormitório de viajantes. sob a forma "bombear. POMBEÁ(R). . espreitar.) | No R. t. . produzindo sons unidos e longos: . guspe. . com signífs. pois na língua tem também a signif. . aspre. nas fazendas ou à beira das estradas.ação ou efeito de pontear (a viola): Ôh viola véia! Ôh mocinho! num ponteado é destimido! (C. do S.espécie de soco de tijolo ou pedra. P. P. do S. cartucho. | E t. s. . espiche. m. e assim também corre nas republicas espanholas da Amer.pousada. . a um canto. PONTA. PONTEADO. i. além do poiá. de hospedar-se. a chilena ao pé. s. que consiste em passar as pontas dos dedos sobre as cordas. cartuche. v. espicho. assistir.espia. áspero. mas com ligeira especialização de sentido. do S. (C... cp. port." (C. da qual julgamos a paulista mera alter. t. O objeto igualmente difere. m. . m. a forma é poncho".. | É port. há pôita. e onde se coloca o pote de água.tanger (a viola).POIÁ(L).espiar. s. pois pelo feitio corresponde melhor ao que aqui chamamos pala. s. ligeiramente diversas. . | Em outras partes. e em Pernamb.lançar a pôita (falando-se de canoa e outras embarcações fluviais). não o encontramos. .. POISÁ(R).Talvez do bundo "pombe".).manada. m.passar a noite: "Onte não poisei im casa". POMBÊRO. i." o forno. v. quase sempre ficam. | Em port. . bombeiro" V. vigiar de longe. . casa que. POMBEÁ(R). cuspo. lote (de gado vacum). G. fogão constituído de tijolos: "Na cozinha ampla... o verbo. geralmente a um canto. f. tirando sons destacados: opõe-se a rasgar (talvez alter. PONCHE. | Usa-se no R. v. mensageiro. de "rascar").espécie de capa de baeta: Laço nos tentos. P. POISO. G.Quanto ao e final. junto a parede.

cacetada. no sentido material. Pórva. s. .altura (falando-se de pessoa. f. (C.. sujeito importuno. por ex. dêste pórte. em "Quinca Micuá" (poema cearense): . P.pancada com porrete. se erguem.. e logo densa polvadeira. | É curioso notar que. . Empregou-o Taunay. polvadeira. um facão fala-verdade (C. f.pensa na guapa e vai ponteando a viola.. m. de passagem (numa casa): "Fui pra o sítio e.. ou em quase todo o Br. P. sem a signif. pólvora. PORTAR.. caceteação. PÓRVA. v. G. de onde importamos muitos termos relativos a animais. f.. quano fui pra o Paranã". .Temos por provável que nos viesse do R. maçador.porcaria (em sentido figurado)... etc. PORQUÊRA. f. deve ser alter. no fig. remédio enérgico.) PORVADÊRA. . P. rolos de terra pulverizada no chão.grande poeira. s. ou seu homônimo. bastão tosco. PORRÊTE.. animal ou vegetal): "Eu era mulecóte ansinzinho. PORRETADA.. s. . do S.borbulha de água. . em "Céus e Terras": "Passa uma tropa de animais.a Cunceição insinava pra falá tanta porquêra - Paiva registou este t. i. | Usado em todo o Sul do Br.. piúva. m. fig. pau.. formado de "porco" como besteira de "besta". não vale justamente o mesmo que. .cacete. sujeira de "sujo".) PORORÓCA. envolvem os grupos e os vão seguindo na jornada.. "polvareda". geral no Br. s. importunação. portei no rancho do Garcia"..parar. . s. porquê(i)ra. tropas e viagens. Parece geral no Br. s. . rúbida nuvem que intercepta e quebra os fulgores do sol ardente". m. se prefere usar "porcaria". e. cacete. de caminho. Empregou-o Cat. mas. em S. na sua forma culta (a segunda acima registada). rebojo (de rio). onde designa um fenômeno próprio do grande rio.. s. PÓRTE. peróba. espingarda e cutia. do cast. de efeito seguro. | E t. fig. no Amazonas.

Luis de Sousa: ". não". povoado: "Êste ano pertendo fazê casa na praça". umas vezes desconfiando dos sujeitos vidrentos e para pouco: outras com medo de lhes faltar quem aturasse nos mosteiros que estavam ermos". no Brasil. por ext. fem. | Há grande discussão entre os sabedores sobre a etimologia do port. e. PREGUNTÁ (R). PRICURA. s. a confusão é igualmente grande.." ("Eufros. m. PERmitir. PRAÇA." dá como colhido pela primeira vez. como ficou notado acima. PRECURA. PRA-PÔCO. procurar.Não foi ainda registada.)..PORVARINHO. polvorinho. entre a gente culta. que é praceano.. v.moleirão. | O "Novo Dic. PRANCHEÁ(R). qualquer outro animal. (S. L. PERCURÁ(R). de potro. PREcisar. . v. entre os roceiros. De prancha.. precurá." regista-o como provincianismo extremenho. PRANCHÁ(R). | ". loc. PRALIZIA. v. etc. "perguntar (como alguns querem) ou "preguntar" (como querem outros). PRtCURÁ(R). t. G. que pronuncia sempre de um só modo: "PERguntar. | Usou-a fr. t. quem faz casa na praça huns dizem que é alta. POTRANCA.que é próprio da praça. Isto não se dá.ser atacada de praga (a planta) : "Tudo o feijão que prantei êste ano praguejo". isto é. paralisia. Também no R. m. do S. perguntar. do S.. uma grande incerteza na pronunciação das sílabas per e pre. do povoado. para-pouco. PRAGUEJÁ(R). procura. incapaz (indivíduo). | No R. . s. "potranco". também se usa a forma do masculino. e continua a haver. fazendo supor que não será vulgar em Port. etc. PROGUNTA. assim também. PREGUNTA.. por muito que desejavam acudir ao desemparo espiritual não se atreviam a uzar da força que viam ser necessária.cidade. f. G. v.cair para um lado (a cavalgadura. i.grande quantidade de povo. perguntar. Aliás. . POVARÉU. PERCURA. . f.: "Pois à carreira essa tinha acudido um povaréu imenso". adj. f. s. preguntá e proguntá. pra mim. | O "Novo Dic. no falar dos portugueses.. s.. s. Entre nós é de uso corrente. Os caipiras dizem. . ou mesmo pessoa). que vive na praça: "Esse chapêu tá bão pra mecê."). . i. sempre houve. PRACEANO. outrós que he baixa. mas. PREtender". percurá e pricurá. q. s. PRECURÁ(R). . f. PROCUNTÁ(R). . A verdade é que já em remotos tempos da língua se encontram as duas formas.

uma árvore) : ". PERPÓSITO. q. v. se é que não está em "praeda". a rua pretejô". (Caminha). o certo é que o engenho ganhou fama de assombrado e tirou a prosa de muita gente".. | Tupi. que não vemos registado. m.". num. em certos jogos familiares de salão.PREMÊRO.. | Este valor de penhor ou sinal.)."Quando parê a prucissão.) . de A. PRENDA. . em cujo centro está fixada uma vareta. (C.. v. era para significar os mutuos presentes dos esposos.. . que provavelmente se liga a "praevenire". . pretensão. s.na frase "estar na -". PRÓSA1. s. A isto se chama "pagar prenda".. . que se puxa e fricciona com a mão cerrada.Diz F.. à pessoa que os chefia. sendo cativo com outras pessoas. lhe deu o seu cordão. f.. parolagem. aquelas árvores pretejavam de jaboticabas". . de frutas escuras... .. Ad..o qual foi traslado em tempo do mui esforçado rey dom Iohão de boa memorea o premeiro deste nome em Portugal.objeto que se entrega. palrar. Pedro). e em sinal e prenda de que assim o faria. que não o achando se tornaria à sua prisão de Cambaia a certo tempo e dia que lhe assinou el-rei Mamudio. roncador. constante de um cilindro com uma das bocas fechada por um couro.. uma praça. primeiro. Freire: "Os bons antigos quando usavam do dito termo. . foi enviado por ele a Gôa em busca de resgate para ele e seus companheiros. paroleiro: "Você é um prosa. (T. | Africanismo. Coelho). fumaças: "Houvesse ou não um plano qualquer. estar muito bem vestido e ataviado.conversar. i. isto é. i. "Auto da Feira"). diz lá o exemplo velho (Gil V. det. s..encher-se (de gente. PREPÓSITO.diz-se da mandioca fermentada. "estar no trinque".." (Fern. f. e apresentado a el-rei Mamudio. (lnf. . f. que o bárbaro recebeu. s.conversa." Esta signif. Antonio Loureiro.falador. com tal condição. como penhor de que se cumprirá a pena que for imposta. P. PUBA2. "Paralelos de Príncipes": "O padre Fr. PRÓSA2.. de Oliv. talvez facilite a indagação da etimologia. D. J. PUBA1. e ainda hoje neste sentido dizemos com toda a propriedade Prendas". propósito. se encontra no seguinte trecho de Soares Toscano. | Preposito Frei Soeiro. s.. . a qual veo muyto a preposito e fez muyta devaçom". .."E eu vos disse que ia era fyndo segundo preposito e tençom primeira que eu ouuera en o começar". q. f.instrumento músico. PUÍTA. seu Chico!" PROSEÁ(R). PRETEJÁ(R). | ". . seg.. .

do S. P. A. purunca e moringa. PURUNGO. pururuca.. . (C. m. . "Meu pae que devia ser o primeiro a punir pela minha honra. poleiro.) PUNHO. que diz que não tem pungas nem poleiros.. "Arte poet. leves. feito de uma cabaça oca: Ergue o purungo dágua e vai. porongo. feitas de cordões compostos de fios da mesma fazenda e rematados em argola. f. que estala . PURUNGA.cada uma das extremidades da rede caseira. . m.. (C.cavalo ordinário. . q.. s. por ext. etc. . secas e quebradiças. como pretendem alguns? Como quer que seja. (M. parece muito provável que haja qualquer parentesco entre purungo. . s. por cruzamento.). moringue (talvez por boringa.) | No R. de uso clássico: vós que punis pela pureza do materno vulgar. de Almeida: "É melhor não se meter nisto. mas cumpre distinguir: piririca se refere de preferência às superfícies com aparência de lixa. s. vaso de boca estreita. com que também se qualifica o cavalo imprestável. m. Do quechua "puruncca". torresmo seco. esforçar-se em defesa: "A mãe pune pelo filho".. v. sobre o qual até os urubus pousam impunemente. (C. sem préstimo: vão procurar o Tico do Salgado. a coisas de comer.o mesmo que PURUNGO. G. P. PUNI(R). boninga. | Empregou-o M. etc. | É muito aparentado com. . piririca.lutar em favor de.) | Parece originar-se da frase "poleiro de corvo"."). q.PULÊRO. de Figueiredo. é o primeiro a embaraçar-me". aliás. e ela há de punir pelos seus". se diz "porongo". indivíduo moleirão. P. PUNGA.De pugnar e punir. PURURUCA. que diz que não tem pungas nem poleiros. É. moringa).. "Passaro Bisnao"). o compadre é seu official (da justiça).cabaça. matando a sede.. (Filinto.quebradiço (couro torrado.). i. s. sequioso. . de gargalo comprido (que é o nosso moringue. No Chile e no Peru dá-se esse nome a um cântaro de barro.cavalo doente e trôpego: vão procurar o Tico do Salgado. como o couro torrado.

árvore da fam. o mesmo que choro. QUAGE. e isto é da língua e é do dial. s. f. tuntum-cuéba. mas reduzida.transportar (coisas em grande quantidade. S. Diz-se.que tem manchas claras acima dos olhos (o cão. produto de uma colheita. . "quebrar" e em certos casos sinôn. também com freqüência. que se referiria de certo ao aspecto que tem o couro torrado e outras coisas de superfície áspera. PUXÁ(R). f.porco do mato. QUATRÓIO. das Melostomáceas.bala de açúcar. e s. QUÉBRA 2. f. . Aqui há. caibra. . a uma compensação prévia ao comprador. A quebra. ainda corrente. s. geralmente do lado dos fundos. . q. f. certa ou provável. pass. s. quase. . m. QUE(I)XADA.). . ao subst. QUARTA-FÊRA. dá lugar. PUXADO1. s. em muitos negócios. ativa. que mocinha puxada pra falá!" Part. valente. m."Êle tinha obrigação de puxá a lenha na bêra da estrada". s.Tupi.certa formiga. dai a expressão de quebra. sempre instável e caprichosa. v. QUEIMADO. .nos dentes.tonto. com signif. tratando-se de peso ou medida. . "Tibouchina mutabilis". . - "Pescou muito. nho Antonio?" . . PUXADO2. por ex.. como lenha.indivíduo forte."Quage nada".) "Eu vô puxá o café do majó pra a cidade" . ou diminuição. . . quatrolhos. . adv. q. principalmente). s. "A criançada gosta de puxa-puxa".aquilo que se recebe a mais da conta ou medida. atoleimado: "Também. s. t. de gíria local. | A pronúncia mais vulgar é coresma. O v. f. o que é que faz um pobre dum quarta-feira no meio dos que tenham juizo?" (V.calda de açúcar quando começa a solidificar-se: "A carda já tá puxapuxa". descascado. de "diminuir". QUARESMA. QUÉBRA 1. mera extensão do sentido primitivo. P. etc.afetado no falar: "Arre. q. (C. . m. QUENQUEN. numa compra. etc. cuéra.). | Acreditamos que seja antes um t. provavelmente. do que aquisição definitiva da linguagem geral do povo. q.acréscimo feito a uma casa. que o arroz. naturalmente. PUXA-PUXA. quebra tanto por litro.

de "conventilho".mato baixo e espinhento. "olhe que chove. f. | Afric.espécie de tambor grosseiro que se usa nas festas e danças. . do sing. ou irritação dos "humores".. Pouco us. mas . QUILOMBÓLA. Num sabe que é quente? | Às substâncias quentes opõem-se as frias: são compreendidas como tais as "refrigerantes" e outras que se julgam indicadas para certos estados inflamatórios. por ext. 2. enumera este entre os muitos processos pelos quais a fraseologia pop. e serem boas para constipações e resfriamentos: "Mecê anda cum tanta bertoeja. talvez tenha a sua genealogia transatlântica. s. tupi houvesse influído para a forma daquele derivado de quilombo QUINGENGUE. posposta ao infinitivo "estar". s. m. nunca não vi dizer que êle manducasse coisa de peso noutras querências. da sua "Musa": "semelhante ao tambu tendo interiça a metade do volume".. q.diz-se de certas substâncias alimentares que se julga produzirem escandecência." (V. | Diz C. que a fórmula mais comum não é a que aí fica registada. QUIBÊBE. QUERÊNCIA. .Como se vê. | O mesmo que "mocambo". f. aplica-se também à pessoa: ". . . s. de onde se derivou querençoso: "El Rei Dom Fernando era muy querençoso do caça e monte.ª p. .aguardente aquecida com gengibre e açúcar. . e é de uso vulgaríssimo: "Aquela torre parece que tá quereno caí". isto é. desusado em S. cit. ou contraindicadas em casos de constipação ou resfriamento. no glos.Nas repúblicas hispânicas da América do S. indica a probabilidade. s. m. . s. que aí vem chuva". f. e fam. em que se conduz o café em grão do cafezal para a tulha.). É t.). QUENTE. e come farinha de mio e carne de porco.. s. v.. e cita este exemplo: "Parece que quer chover". m. de fundo estreito. É muito possível que este voc.. nem sangria.. acrescentando: "Compare-se em inglês o emprego do auxiliar will para a formação do futuro".jacá de taquara.R. literário de que o povo nunca usou empregando em seu lugar canhembora. P. s. "designa a possibilidade ou probabilidade de que um fato se dê". escravo fugido. prisão de ventre. | Em port. junta a um infinitivo de outro verbo. | Alter.Afric. S. significando acampamento (Capêlo e Ivens." (Fem. .nome que se dava às habitações de escravos fugidos.abóbora pisada e cozida. bundo. .. "Estudos". também é. . Lopes). Mor. É de notar-se. porém.. por ex. porque isso tudo são coisas frias. m.QUENTÃO. o receio de que se dê o fato designado pelo infinitivo: "Oi que já qué chovê". port.. É t..lugar a que um animal está habituado. situadas em lugares ermos e distantes. .a forma do gerúndio. ainda este brasileirismo.º v. parecendo original. P. cuidado. por B.habitante de quilombo. .. . de "caçamba"? QUILOMBO. | J. nem comer abacate. m.. s.A forma da 3. QUIÇAMBA. que tem o mesmo sentido. a quase certeza. . capoeira de paus tortuosos e ásperos. .. querença. t. de orig. está afetado de bronquite não deve tomar limonada. QUIÇAÇA. Quem. QUERÊ(R). ou foi já usado como sinôn.

s. q. m. brasileira de "quitanda": Vendo dessa marmelada. s. s. por ext. Formado talvez pelo tipo de nambi. ... . nas cidades.. E ás vezes grãos torrados. guisado bom. RABI. v. QUITUTE. designa também pequenas casas de comercio de frutas e verduras. | T. pelas ruas. RABÊRA. | Do tupi "curuéra"? É de notar-se que há no nheng. m. RABO-DE-TATÚ. RABACUADA. f. dos fogões a . à beira das estradas.. geralmente em tabuleiros. QUITANDA. G. seg. QUITUTÊRO. "rebaja"? RABEÁ(R). geral no Br. G. significando "casca". biscoitos. casa pobre. trançado de modo que se assemelha ligeiramente à coisa que lhe deu o nome. . o t.que sabe fazer quitutes. m.a parte traseira de um veículo. m.: ". f. s. | Modernamente. sem orelha.que tem grande rabo..) "piera". do S. quintalada. Viana. RANCHO. . em Gil V. e veio-nos de Port. s.gente ordinária. que. .cabana. m. que gosta deles. quando se tem de fazer uma curva muito viva. parece ter a mesma signif. ger. | De rabo? Do cast. . f.designa coletivamente os doces. ou frutas e legumes expostos à venda. RAIA. s. s. .É curioso observar que há em port. f. . onde também é corrente com acepção ligeiramente diversa.O voc.QUIRÉRA.erguer pelo traseiro (um veículo) para o colocar na direção desejada. ("Auto da Feira"). . . t. mas isto já não é dialeto caipira. . RABUDO.relho cujo cabo é feito do mesmo couro das talas. que se faz nas roças para abrigo de trabalhadores. geralmente de sapé. arroz ou outro cereal. Rodr.lugar que se adota como pista para carreiras de cavalos. Isto não releva nada: E em todolos mercados Entra a minha quintalada. casa rústica sem compartimentos. QUITANDÊRO.o diabo. s.indivíduo que vende ou faz quitanda. q. s. (B. . e na ling.acepipe. . broas. que ficam na peneira: mistura de cascas quebradas e fragmentos de grãos. s. f. . Usa-se no R. telheiro ou cabana para abrigo de viajantes. . . q.de rabo cortado. é bundo.resíduos de milho.

s. que as ligam a outras argolas de ferro. | B. REBORDÓSA.fazer travessuras. s. Pela argola formada dos cordões passam-se cordas fortes. . abandonado.Liga-se provavelmente a renhir. récova. J. . a "saruê" ou "sarigùê" de outros Estados. RÉFE. que se enfeixam nas extremidades. REINÁ(R)... REBENQUE.." (S. e em cast. réfle. Alter. . . "rebem". de récua. (Cp. . No Norte e no Centro do país substitui a cama. "Didelphus". "rifle".. | É t. . | Em S. ou nos alpendres. maciço que se destaca entre a vegetação.R. m.espécie de relho. que se oferece às visitas respeitáveis.capão de mato. formando uma espécie de argola. q. mas com outra rebordosa dessas.marsupial do gên. q. Consiste num retângulo de tecido de malha. f. faz as vezes de espreguiçadeira. RÊDE. vai-se". s. f. estevemos sobre isso hum pouco rijnando. v. | De REINAR. .). . REDOMÃO. cujos lados maiores são enfeitados com franjas. L. mau acontecimento: "Está sarando. Esses cordões constituem os punhos da rede.doença. . "redomon". s.).. de "reprensão". é o assento de honra." (Caminha). ou de pano grosso de algodão. regista-o com a signif.. Usa-se no Nordeste: Na barranca do raminho. Rib. i. de certo. | ". f. REBOLÊRA. RAPÔSA.espécie de balanço que se arma dentro das casas. f. s. | O "Novo Dic. fixos a portas. .De revoltosa? RÉCULA. súcia. . ." regista com acepção diversa.bando. sem a contestar. f .travesso. chamadas varandas." (M. mas que já sofreu alguns repasses. (Cat. P. e estas são suspensas a escápulas ou ganchos. dos povoados que atravessou. A forma fixada na carta do escrivão da armada deve-se. antiq. L. "rebenque". caterva: "O resto era uma récula de famílias mulheres. | Há em port. s. que não lhe conhecemos. REINADÔ(R)..que se aqueceu..diz-se do animal de sela ainda não domado de todo. .Do ingl. e de cujos lados menores partem cordões com cerca de meio metro de comprimento. ou moirões. dos ranchos em que cantou. .. a uma das muitas hesitações ortográficas que transparecem desse docum.. s. m. "Fabordão"). um ranchinho entre o mato entonce viu. hispano-americano. janelas.).sabre-baioneta.

dentre as diversas que o voc. (M. . REPASSE.. REPONTÁ(R)." (V. s. ("Cron. fig. do Cond.RÉIS. f. .. me representa escuitar uns guinchos finos.cercar pela frente e fazer voltar (o gado). . RELAMPEÁ(R). | De ralar. . s. por todo ou quase todo o pais. S. pop. REPASSO.. v. Deve-se provavelmente a influência de "réis". DAR UM -. RELANCINA.De relampo. tocar de raspão: "O cavalo deu uma arrancada para o mangueiro."Evem vindo o reis! exclamou a atalaia".na loc. i. . . tem ("relampaguear.. | E port..: DE -. obediência às prescrições do médico.") REPRESENTÁ(R). | De passar. rei. e i. RELAMPO. submeter a uma nova corrida (o animal redomão). de revés. . . é o castiço representar-se (pronom. de fugida. | Corrut."Êle passou relando por mim". s. DE -.). L. i. . m. fugazmente. disciplina.. S.apareceram relâmpagos. como em Port. ..voltar pelo mesmo caminho (a caça). s. . v. rapidamente. i. RELÁ(R) v. t. de relance. v. m. m. . entre a gente inculta."A bala me relô no braço". relou os cascos na ferragem do portão. f. REPOSTA. . v. s. relampejar").cada uma das vezes que o domador monta um animal chucro..) = afigurar-se. | Este verbo. t. s. mas não deixa de ser curioso notar que é esta a única forma usada no dial. generalizada. submeter a uma nova prova. relampadar." (V.parecer: ". relampago. tanto no Br. m. | "E como Nunalurez com elles esto fallou: e delles ouue a rreposta que lhe derõ". RÉlVA raiva. s.| Cp téipa por taipa.. com pref.roçar. brilhar fugazmente. REJUME. deslizar sobre.).. f. usadíssimo entre o povo. REMONTÁ(R).). quase focinhou com o abalo. regime.

. s.plantação.. . RINGIDÊRA. m. | É o réco-réco de outras regiões. e como alter.recoberto de uma capa que se ajusta à superfície: ". . REQUIFIFES.. RODADA 2. | Muito usado no R. do S.queda do cavalo para a frente: "levar rodada". . ROÇÁ(R).. q.aquilo ficô retovado que nem chifre de viado". RETACO. . Em todo caso. Tem signifs.. f. antigo e muito usado em S.pescaria em canoa.Cast.. de "espingarda curta e de fusil". sementeira em terreno roçado. dentado.cortar com foice (um mato)." regista com a signif. é t. f. em que o tocador passa compassadamente uma palheta do mesmo vegetal.De rei. f. seco. m. deixando-se esta rodar ao sabor da corrente. .. f. t. s. REZÃO. q. lavoura: roça de milho." (C. REÚNO. G. ou couro).que ringe (botina). s. | Part. consignando-o como de velho uso. v."gomo de bambu.. designando primitivamente o que era do Estado. RESTINGA. s.. e também no Norte do pais: com efeito. . q. " (V. v. . | O "Novo Dic. de raiúna. s. q. RODADA 1. f. . . por ex. RÓÇA. P. . o que não tinha dono certo e concreto. de cordões de ouro cheios de emblemas e enfeites. do S. J. s. razão.cobrir de um revestimento ajustado (uma bola.baixo e atarracado. REÚNA. . de meio metro.um poldro que a gente larga no campo reúno e véve sem lei nem freio. . . f.fanfreluches. . f. aproximadas em port. RETOVADO. t..RÉQUE-RÉQUE.carabina de soldado.tira de mato à beira de um rio.ação ou efeito de roçar. fita ou cordão. s. s. S. roça de mantimento. curto e forte (indivíduo). | Provavelmente de requife. Brigido o apanhou no Ceará. . notas finais da "Musa"). s.. vagabundo (animal) : ".. hoje desusada. RETOVÁ(R). que se revista de tecido. adornos complicados. que nos parece improvável.De roçar.sem dono. "retobar". P. G. limpar de mato com a foice (um terreno). de RETOVAR.: lugar onde se roça o mato. . pI.) | Corrente no R. com a signif. ROÇADA. .

reunião do gado vacum criado em campo. s. para se fazerem curativos.). s. não é local. Usou-o Vieira num sentido material e restrito: ". É de notar que o nome de rojão se aplicaria melhor ao que aqui e lá chamamos "busca-pé".. | É port. v. J. SABÃO. o que faz supor uma terceira acepção portuguesa. vem. destinado a salvas. RÚIM. que não é mais do que um buscapé ligado a uma cana? ROMINHÓ(L). m. 23). Em qualquer delas. m.Nome de uma antiga peça de artilharia. e 1. Também se usa em Pernamb. | "Roncador e fanfarrão" chamou Diogo do Couto a Dom J. Assustando na grota a caça e o passaredo. m. que arremessava pedras. roim. . . p. com pequenas rodas desta última cor. | . Antônio) RONCADOR. ROQUÊRA. s. mas está espalhada por grande parte do país. . | "Diz que sois ronca" ("Aulegrafia"). Freire. V. no plural. . ROJÃO. q. Gil. botá a ronca": falar mal. f. . s.. registam-se duas acepções: torresmo.vasilha de lata na ponta de um pau. naturalmente. . (C. | Encontra-se geralmente. . bras. (Sermão de Sto. . esquecida em Port. Pinto. q. com "sentis": Hi de homens ruis Mais mil vezes que não bõs. ruim.fanfarrão. escreveu-o com u e rimou-o. de Castro (M. s. m.RODADO. e no Ceará. etc. de rojar. o voc.diz-se do cavalo cujo pelo é branco e preto. sois as roncas do mar". nos antigos escritores. A signif. s. no "Auto da Feira". P. de S.foguete.. Como vos mui bem sentis.repreensão. f. para tirar o melado quente da tacha. . t. RONCÁ(R). em festividades religiosas e populares: Ressôa pela mata o estrondo da roqueira. q. e vara com choupa para picar os touros. exemplo colhido por F. para se marcar.na frase "metê. difamar. RODEIO. . passando depois a designar o foguete.bravatear.tubo cheio de pólvora e pedras ou ferros. E quem sabe se de fato não se aplicou outrora. RONCA. | Em port. valentão.

Caet. .desenvolto: "Uma das moças. soluço. s. como se fosse madre de cada huum delles. ligando-se ainda. | Tupi. SABIÀCI. B. está sujeito. q..indivíduo que se presume sabedor. muito saída e semostradeira. s. Saci.pássaro. chavelhos e olhos de fogo. P. . como é bem de ver.. | Diminutivo de sábio. .forte. s. q. .Em Port. . diz o povo que é para chamar o sol. "Turdidae" e "Mimidae". designa ao mesmo tempo um pássaro (saci ou sem-fim) e uma entidade mítica que tem algo do caipora e do currupira.. de saber. | Tupi.. s. "Cron. . m.entidade fantástica. matinta-perêra. . SACI1.. ao referido pássaro. o viajante respira mais animado. . do tupi "haã-pyi-har". m. m. . em S.. e regiões convizinhas. matim-taperê. O voc. SAÍRA. Que os saluços e lagrimas aumenta - É popular em todo o Brasil. esfiapado e ralo. quando canta." (Fem. etc. | Tupi. geralmente apresentada sob a forma de um negrinho com uma perna só. m.") Foi usada até Camões (Canto II): E co seu apertando o rosto amado. esse pássaro é considerado como o próprio Saci pererê. . Couto de M. tomando-se. | Seg. . q. SAÍDO. saci-pererê em S. P. m. como dimin. valente. de D. SACI2. Encontra-se em Cat. matula afrancesada No sabão que vos vai pelos bigodes (F. de papagaio pequeno..Diz-se de terreno esgotado: ". saci-sererê..esp.. em outros Estados. é feminino. SABERÊTE. L. s. saci-taperê.árvore da fam. também chamado Sem-fim." (M. SAFADO." (M.É forma arcaica: ". instruído...). s.Reparai bem.Em Pernamb.. m.). deixando a terra safada onde vegeta. como a cousa. e no resto do país.. pois. Elísio. s. SALUÇO. III). conhecimento imperfeito... | É superstição africano-tupi. . criaturinha requintada de malícia. m. e salluços. significa pouco saber. SABIÁ. Lopes.certo pássaro.designa várias espécies das fams. e. SACUDIDO. SAGUARAGÍ. m. ("A Promessa") . o capinzinho que nem o gado aceita.. Fern. a muitas variações e flutuações. | Seg. s. L. das Ramnáceas.e nem se podiam teer de lagrimas. .

s. m. SAMEADO. s. SANHARÃO. v. outro branco sameado de preto. m. no meu lar.espécie de feto.diz-se de uma qualidade de terra.tolo. .. Com dous ratos. flores ou pássaros. SANGÙÊRA. . SAMBURÁ. t. palerma. | Arcaísmo. foi de uso clássico. com u soante. J. SAMEÁ(R).. de coloração roxa viva. s. sacristão. m.designa várias espécies da fam.um pampa grande. t. e talvez mesmo em algum ponto de S. SANHAÇO. s. | É forma antiga: Bolo de trigo alqueivado...cestinho de taquara para conduzir frutas. .: ". .. O mesmo que saranga. P. | Em outras regiões do país.Minha viola soluça cum tudo o teu coração. como faz notar F. q. sangueira. ... se diz sanhaçú ("sanhassú").cumprimentar com o chapéu. SANGRADÔ(R). s. sobre o mucuranchim. q. rego que se abre nos caminhos para desvio de águas pluviais.glândula oleosa da galinha. | Tupi. adj. . em Port. . SALVAR. f. semeado. s.certa abelha do mato. onde se fere o animal a ser morto. m. um picaço. SALMORÃO. uropígio. . "Auto das Fadas"). s. um pangaré. SANGUE-DE-TATÚ.A notar a pronúncia. "Tanagridae". f. SAMBIQUIRA s. pop. v. Freire. SAMBANGA.região entre o pescoço e o peito. | Tupi. . .qualidade de terra pedregulhosa. s. salmourão. P. SAMAMBAIA. loc." (C. . f. Forma arc.. .). | Tupi. m. SANCRISTÃO. m. Per minha mão sameado (Gil V. semear. e no Br.

A signif. s. aldeiola.gramínea do gên. SARACÚRA. v. senzala. mas é provável que outrora tenha tido a. s. Gonçalo de Amarante. m. . surra. (C. é de orig. na roça. e sonhar com os preparos para a festa. mediante a introdução de um c. s. Os cantos são entremeados e acompanhados de sapateados e palmas. s. e traduz-se por "olhos esfolados". Daí se teria formado sapecar. | A forma pop. s. . f. | Tupi. P. . f. das Leguminosas. quando se trata de chamuscar. SAPÉ."Pra pelá o porco. basta o olhar. ou forma mais próxima da origem? SAPESÁ(L).. s. . em honra de S. extra-eclesiástico. .habitação dos escravos nas antigas fazendas. de protetor de namorados. "Gallinula". do gên. e de certo modo o patrocina: Nada de frases. "petecar". SAPIRÓCA. Como esse voc. "Saccharum". .Na Amaz. SAPÉCA. . Influência de "pererê". onde significa pequena reunião de casas. m. empregar o sapé como combustível. s. | A sua forma clássica de subst. f. .). . com que se abrem covas para semear milho. A parte cultual dessas festas consta de uma espécie de ladainha em que. só resta buscar pra São-Gonçalo algum parente. se cantam quadrinhas. m.campo de sapé.Na acepç. . t. é usado nos Açores. em louvor do milagroso santo.árvore da fam. .Do bundo. f. (Blefarite ciliar). s. | Tupi. SÃO-GONÇALO. fig. | Tupi. como o porco antes de ser retalhado. à guisa de orações. s. .ação ou efeito de sapecar. a segunda é preferida pela gente que se preza de bem-falante. mais geral. e até quadrinhas alegres e picantes. etc. . chamuscar: "Cheguei tão perto do fogo que a labarêda me sapecô a rôpa". SAPUVA.pau espontado numa das extremidades. é a primeira. SARACUÁ. dê queimar superficialmente alguma coisa. Não virá simplesmente de sapé? Note-se que é costume.. "saperê". percisa sapecá premêro".queimar ligeiramente.inflamação que ataca os bordos das pálpebras. de descompostura. se diz "saberecar". .indivíduo que faz um pedido de casamento para outrem.SANZALA. m. "sabrecar" e "sabererecar". atual é a que aí fica exarada. | Querem que derive do tupi "sapec". tupi.. pelo modelo de "pererecar". verbal mostra que é tirado de SAPECAR.visível importação portuguesa. f. .designa várias aves pernaltas. SAPECÁ(R). | É a "sapiranga" (= olhos vermelhos) de outros Estados. descompostura. | Tupi. Até hoje os caipiras celebram a cada passo certas festas especiais de sabor nitidamente popular. .

SEM-VERGONHICE. ação torpe. . em Outubro. "formiga de roça". m. "f. satisfeito.Tupi. O "Novo Dic. satisfação. | Sinônimos. de que o Cancioneiro de Rezende faz menção. SAMBANGA. satisfação. | Na língua antiga. para que. (M. q.) | Tupi. Ele diz sempre. L. Freire). q. s. .: "Num dê sastifa pra cabeça-sêco. bolacha doce. m. sambanga. s.) | No Sul se usa uma espécie de fandango a que dão o nome de "saramba". no Brasil. simplório. SASTIFEITO. por via literária. SEQUI(LH)O. em outros Estados: "tanajura".formiga que constitui terrível praga das lavouras ("Ecodoma cephalotes"). q. s. . SAVITÚ. simplório: "Eu nunca vi Moreira que não fosse palerma e sarambé". SE. f. É sem-vergonha". f. SEM-FIM. deduzido de paíxão. se toldasse o céu de nuvens de içás em saracoteios amorosos com enamorados savitús".doce seco.) Cp. q. s.). Não a ataca a formiga.toleirão. carregadeira". inventado por gramáticos e popularizado entre a gente culta. .diz-se da planta que pega facilmente: "O plantio (da mandioca) se faz com um palmo de rama fincado em qualquer terra. quanto ao sentido. paixa. de "dança de pretos".formiga saúva do sexo masc. . s. e s.V. Quanto à forma. SEM-VERGONHISMO. talvez sirva de confirmar a hipótese. do S.diz-se do perdigueiro branco com pequenas pintas escuras. | Também usado no R." (C. f. Bem apurado isso. (M. SARAMBÉ: q.toleirão. onde se viu um aumentativo.SARAGOÇO. É possível que haja ligação entre "saramba" e "sarambé". G. L. SEM-VERGONHA. provável de "sarabanda". . e bem claramente. (M. s. P. . | Releva notar que o nosso povo rústico desconhece o desagradável "si". . não há base para se conjecturar. . J. pouca vergonha. SASTIFAÇÃO. s. SACI 1. L. pode dever-se a alteração à influência de "sarambeque". se. m. SARANGA. alter.. f." regista essa última palavra com a vaga signif. SAÚVA. Qual o processo. SASTIFA. dia e noite entregues á tosa dos capins. .: "Por todos os cantos imperava soberano o ferrão das sauvas. de fabricação doméstica. SARANGA. Não pede cuidados. falta de vergonha. sarangue significava piloto e guarda de proa (F.Cp. conj. m. antigo penteado. sarambé.. .

| Senhor. Todas estas distinções. a pouco e pouco. sinhôr" . SITIÊRO. seu padre. Sinhôr. As primeiras podem seguir-se outras palavras: "Já vô. em mais de um ponto. da fonética popular dominante. 29). SINHARA. . SINHÔZINHO. mas diferem no uso. e mais raro se torna a medida que se afasta no passado a época da escravidão. de Castro: ". formas proclíticas. | Já houve quem o quisesse tirar de celer. SINHÔ. . s. m... siôr!" Siô usa-se em próclise. J. formas proclíticas de senhor. tônicas e átonas de senhora. sim. malino. f. sofreu grandes alterações e se cindiu cm formas proclíticas e enclíticas. de SINHÁ. . de uso constante. SEÁ. is. a roça. É caso isolado. à parte o que ficou indicado. SITIANTE. como minha e outros vocs.Adendo: sinhô.propriedade rural menor que a fazenda. SIA. em regra. sinho e siôr são formas enclíticas e pronominais. t. . É claro que o emprego de tal expressão é hoje raro. o campo. de SINHÔ. A terceira. de SINHARA. porém. se devem aos antigos escravos negros (cuja fonética especial. SINHÔ. Seu usa-se anteposto imediatamente a nomes de pessoa: seu Juaquim. V. sem seguimento: "Sim. SINHÁ. s. de S. SÍTIO. . s. ou caipira) e foram adotadas geralmente para designar os senhores em relação aos seus cativos: "Vá dizê pra seu sinhô-moço que eu espero êle". gloss. aparece em próclise nas fórmulas sinhô-moço e sinhô-véio. em M. pedis. . SEA. e pes. m. m. foram estabelecidas.J. sem explicar. formas enclíticas e pronominais de Senhora. Exemplo de Dom J. fig. SINHÁZINHA.soberbice. como já assinalamos em outro lugar. v. formas enclíticas de senhor. tais como se acham grafadas. pelo uso. e também encliticamente. como sinhô e siôr. ágil. determinadas simultaneamente pelas diferentes posições e pelos vários empregos gramaticais.caxinguelê. SINHÔR. como senhora. SI(G)NIFICÁ(R)."Quero falá c'o sinhô" "O sinhô bem viu que eu tinha rezão". (Descrição do edif.SERELÉPE. . manifica. SOBERBIA.proprietário de SÍTIO.Cp. como pôde uma expressão latina ser adotada popularmente para designar um animal indígena. P. é inútil dizer. seu mestre.". Nunes ("Crestomat. pessoa esperta. devido já a outro gênero de influência. formas arcaicas ainda populares em S. SIÔR. s. dimin. . só se emprega em fórmulas "fechadas". p. SIÔ.) regista seneficar. por oposição à cidade: "Gósto mais do sítio do que da praça". SIÁ. SEÔ.. Essas fórmulas. diferia. SIÔ. SEU. por meio de constantes ações e reações das tendências fisiológicas sobre o senso gramatical. Pinto. d0 pagode. SINHÔR. e em cima huma grande bola que deve senificar o mundo". morar. dimin. como seu. dimin. SINHÀRINHA. e vice-versa. V.

usado na loc. do Cond. . em sentido depreciativo. m. | É mais comum assojeitá(r). s. f.).". SOCADO. no bairro do Riu Cumprido. . Ramos colheu-a em Goiás: ". em sentido depreciativo.Da "Eufros. no mesmo momento. f.De sob flagrante? SOJEITÁ(R).. ." (V. | B. . I).a terra seria de todo perdida e sugiguada a elrey de Castella" (XX)." (I. . s. subjugar. m.) -"Sojeita ao cruel jugo" ("Castro".mulher. crescem de novo.. mas de fato admirativo ou carinhoso: Lá na festa do nho Zinho.V. às vezes aparentemente depreciativo. s. sujeitar. .: ". s. SOQUERA. s. pareceu um sojeitinho que é cabocro destrocido.a parte que se opõe ao LÁTICO. . depois de se terem cortado uma vez. SOFRAGANTE.) | Usado na Beira com a mesma acepção ("Novo Dic. Diz-se de uma planta que ela "dá boa sóca".SÔBRE-CINCHA. s.sojeito por tantas..peça conexa à cincha. SÒCÓ.. I. & tam sobejas razões corrome dizervolo". "no sofragante". quando supunha já ser ocasião de sujigá-lo nas esporas e tacadas de rabo de tatú aplicadas a preceito.) A forma é arc. m. m..lombilho de cabeça alta. (C. v. P."). | E t... Paiva registou o t. .": "Mas que farey triste. . isto é. caiu nos pés da cama do filho.. (C. pois amor me sogiga.) Da "Crori. scena I. v.a segunda produção de certas plantas. SOJEITO. t. SOJIGÁ(R). ou "não dá sóca". mais ou menos geral.ave pernalta ("Ardea brasiliensis") Os pios dos nambús e das batuíras e os socós na lagôa.. imediatamente: "A Ogusta saltou no chão. s.": ". I). no Br. | Formas arcaicas. s. entre os condenáveis. ("Eufros. SUJIGÁ(R). . t.. conforme permite ou não mais de uma colheita regular. C.homem. . SOJEITA. "Sojeito a brandos rogos" ("Castro".. adv. que. S. P. regista "látego" e sobre-látego SÓCA. m. saiu correndo inté na porta da rua.. f. na barrigueira. ainda populares em quase todo o Br. . mas porêm voltou no mesmo sofragante. como a cana de açúcar." . SÔBRE-LÁTICO. Paiva regista "sofregante". R.

. Sermão do sab.Não na vi esta somana. É também arc. no Nordeste: Cheguei há cinco "sumana" nesta grande capitá -. seg.. que confia em homem.dar sopapos em (alguém). descr.). (Gil V. de Rez. de Santarem . para que torne a crescer e dê nova colheita. VII). . .. . da Serra da Estr.. SOPAPEÁ(R). t.a sós. | Tupi.linha grossa e longa para se pescar com anzol. t. e me levou p'r aquêle rumo.SOMANA.º da Quar. onomatopaico com que se designa o rumor produzido ordinariamente pela respiração dos moribundos. v. (Vieira. e i. v. ou quase todo. s. . só consigo.Esta foi a maior ventura daquella alma e esta a melhor hora daquelle dia: aquelle breve tempo. | Teria provindo. s. f. e bendito o homem.) . -. alguns. SUVERTÊ(R).).. ibid.vacê que é tão estudado. por "linha de sondar". Colheu-o Cat. q. | É clássica: "Maldito o homem. e muito só por só com este Homem trata do que lhe convém. e só neste Homem. sumir-se: ". f.desaparecer como por encanto. me diga por que foi que me apareceu a tal moça. Canc.: A novilha vou buscar: Viste-ma tu ca andar? . do tupi "araçoc". SONDÁ. "En termho de Santarem há terra tam frutiffera que do dia que semeam o pam ataa sete somanas o segam". subverter.. em todo o Br. SOVERTÊ(R). (Idem.voc. . ("Estoria geral". semana. | De sondar. S.") Seria muita costura Para toda esta somana (Joham Gomes de Abreu. SOQUÊ(I)RA. 4. loc. XIV-XV). (V. s. só por si. em que só por só com Christo".séc. planta cortada (notadamente a cana de açúcar) de que se deixa na terra uma parte do caule. s. SÓ POR SÓ. sumir de repente. que confia neste Homem. . e suverteu de repente".não padreada (vaca ou égua). f. SORORÓCA. adv. "Tragicom. SORTÊRA. f. | É pop.

aptidão.festa familiar... . de duas pernas. m. das Leguminosas.. t. e saber.. SULIMÃO. pagode. Salomão. a. e correu". se acharia presente". . soveiro. s.. 1) . como por ser aleijado duma perna por serviço de v. | Existem pelo pais muitas variantes deste nome: "sucuriú. ... sucurujú. do bundo "cusunga".apto. s. | Usa-se dependurar num saquinho. a mirim e a açu. s. e queria ter grande roda e boa companhia." (Carta de Dom J.puxar. teria sido por efeito de analogia com o prefixo so. puxar. | Tupi. citados por B. sojeitar. A. pequena e grande. . q. m. . para afugentar as cobras. e por este impedimento não ter suficiência para saltar paredes. (M.. f. SUNGÁ(R). s. pareceu-me cousa mui importante mandar lá uma pessoa sufficiente.. | Há na língua soveu. . sucuriúba.corda de couro torcido. ." SUINAN. ... experiencia. e trazião muita gente. de que há duas espécies. e cremos que de acordo ainda com o uso atual em Port. | "Quem dava uma sucia em sua casa..assi soverteu Por manha a grande alteza Do sprito. s. Quanto à queda de b. P. su.. SÚCIA. etc.espécie de coruja.sublimado corrosivo. significando correia grossa. assim porque para o caso cumpria pessoa de suas qualidades.ofídio do gên. V) SOVÉU.como neste passo do mesmo documento acima citado: ". . e existiu fora de S. Cp. SUCUPÍRA. soveio.. O exemplo mostra que o significado é relativamente velho. s.forcei-o a isso. . Como não sovertestes tal ministro? ("Castro". Em Port.árvore da fam. suficiência = capacidade. ." | "E porque erão muitos. etc. bastava sòmente anunciar aos convidados que o Teotónio. escrita na Índia).. f. com alteração do final por influência de Suliman. cuja madeira se emprega no fabrico de gamelas. isto é.R. SUFICIENTE. f. soverter. com sentido idêntico ao dos antigos escritores. s. e de muito sizo.. de sub...Ó montes de Coimbra. SUCURI. "Boa".. ("Castro". de Almeida). mais cumo vancê tinha cunfiança nêle.Também se usa. f. . capaz: "Eu logo vi que o tar não era suficiente pra fazê o que vancê queria. | Segundo Capêlo e Ivens. v. suspender: "A moça sungô o vistido pra riba. sucurijuba". existe superstição semelhante.Tupi. ao pescoço dos cães de caça. . .. de Castro ao rei. f. Também se aplica à gente.. .leguminosa. | Tupi. SUINDÁRA.A forma resultou de certo da queda de b em sublimado (sublimado).

e o adv. . de supetão. com troca de b por p.. V. mas os que presumem bem conhecer a língua pronunciam e escrevem "sopetão" (com o). m. e ainda pop. L. que se encontra em Camões: Não tinhamos ali medico astuto. L). q. "Dec. s. | Com este sentido. da qual se depreende que também lá se observa o fenômeno. 39. encontra-se súpito no livro "Afonso de Albuquerque". SURTUM. no Br. já trinam gaturamos . deste tamaño. | É expressão usual em todas as camadas sociais. se um par de olhos creoulos não o fizessem trocar a negrura do saioto pelo estridente escarlate de um surtum profano. m. súbito.diz-se do indivíduo sujeito a repentinos acessos (súpitos) de ira. em Port.. . Baiâo. P. citado pelo mesmo Freire.("Lus.Liga-se a súbito e a de súbito. cirurgião. Lusit. "Insulana". adv. .". "Mon. de Brito. supitamente. supitamente. s. | A forma registada.SUPETÃO. . (Granada). "Trogon": Já cantam surucuós. m. SUPIMPA. explica-se pela forma antiga "sururgião".espécie de jaleco de baeta.. atreito a tomar deliberações inopinadas e enérgicas.) | Tupi. . SUPITOSO. Apesar disso. de supito. . dizendo ser Albuquerque homem mui aspero de condição e muito supito (impulsivo). de M. de Ant. . . é arcaica. pág. m. Sururgião sutil menos se achava . sertum. aqui registada. de brusco. só nos ocorre um exemplo de Chagas. provenha de longe.(C." (M. s. m. Tomás.repente assomo: "O véio tem cada súpito.designa varias aves do gên. q. "Obras espirituais". | Do Port.". SÚPITO. supetão. Gomes colheu a expressão "num súbito" (com b).É corrente no castelhano da Argentina: Habia sido fierazo Hailarse de sopeton Em medio a una poblacion Ansina... que fica que nem lôco". Cp. | Esse encurtamento do voc... de repente. . SURUCUÁ. achase supita. Encontra-se em Diogo do Couto. adv. isto é. em cita de documento antigo: ". é de crer que a substantivação. supitania (subitânia). s. usado na loc... Veja se SÚPITO.Como subst. SURJÃO. delicioso: "Uma festa supimpa". muito usado antigamente: ". Em Minas.": "Ruy Gonçalves ficou triste de ver esta tão supita mudança.excelente. assertoar. s. Freire cita a loc. no tempo e no espaço. Cp. 82). Em Gil V. superior.

TACURÚ. s. .. f.? .SURUIÁ.fogão improvisado. | É variante de frase port. desiludir. do "bambu". barro branco (B. atabucar.o mesmo que TACURÚ. TÁBUA.planta aquática de grandes e largas folhas. .). f.certo peixe de rio.peneira grossa. f. f. com que se dá cor à louça de barro fabricada na roça. com razão aproxima do antigo port. SUSTÂNCIA. SURURUCÁ(R). m. . s. . . pedra quebrada? TACURUVA. f.pequena rede de lanço. tacuara do Reino. | Tupi "taguá". s. s. s. . | Será a mesma "Colocasta esculenta" registada por B.). s. m. TABATINGA.terra branca azulada.R. se diz "levar tabóca" para exprimir logro. s.vigor corporal. f. . TAUÁ. s. s. | Seg. . f. | É pronúncia castiça.terra amarela azulada. TABARANA. . TAIÓVA. . m. TABÔA. . s.Tupi. | Tupi. verbo esse que B.fazer movimentos peneirados com o corpo. . f.R. . TACUARÁ(L). fixa em duas hastes de pau dispostas em ângulo. s. tacuaratinga. mineral branco (T. não ser aceito em proposta de casamento. v. tacuara-póca.certa casta de formigas.designa várias espécies de gramínea. . . TAGUÁ. i. s. B. TACUARA. s. f. . s. tacuari. nome que se reserva para as espécies importadas e de grande diâmetro. m.na frase "tomar tábua".R. . . . amarelo. TAÇUIRA. Há tacuàruçu.certa planta aquática de que se fazem esteiras. . Em outras regiões do Br. Do tupi "itacurub".Do tupi "itab + atinga". do mesmo gên. . ou "levar tábua". S. vasar. desapontamento. e "taboquear" por lograr. etc. derramar. que se emprega no fabrico de louça rústica e de pelotas de bodoque. SURURUCA.mato onde há muita taquara. com três pedras ou tijolos. do verbo tupi "sururu". f.R. ou "tobatinga".

m. ni. em lugar ermo. e em cuja boca se colocou um couro bem esticado. . etc. Parece mais ou menos geral. s. . . sobre o qual se bate com ambas as mãos: objeto usado em festas e danças das populações rurais. TAPERA.mamífero desdentado. TAMBURI. TAPERÁ.o mesmo que chabó. m.espécie de andorinha. TALENTO. no qual se bate com as mãos. do gên. espécie de grande tamanho. ou trata-se de simples traição do ouvido? TAMBÚ. tambor.casa abandonada. s. palerma. | Também usado em Pernamb. . das Moráceas.tira de couro. destreza: "Isto é um cavalo de talento". s. Alter. TARAÍRA. . TALA. esteios. s. geralmente empregada em relhos.TAIÚVA. . s. atabaque. m. .vegetal da fam. . . . m.BANDÊRA. TAMBIÚ. e. Haverá relação entre uma coisa e outra. | Alter. s.certo peixe conhecido. . s.tolo. das Verbenáceas. s. que se distingue também por uma enorme cauda de longos pelos.força. f. s.leguminosa de grande altura e frondosa. f. | Tupi. q. é port. f. TAMBAQUE.instrumento músico que consiste numa seção de um tronco de árvore. TRAÍRA. | Tupi. mas sem essa especialização de matéria. m. | Tupi. TAPERÁ-GUAÇÚ. que dá madeira para marcenaria. das Lauráceas. vigas. | O vocáb. s. m.certo peixe de rio.árvore da fam. e. . f.árvore da fam. . e. Escreve-se às vezes "tamboril".. cavada profundamente no sentido longitudinal. m. TAPINHOÁ. TAMANDUÁ. de tabaque. | Tupi. . .tambor feito de um tronco. s. no Br. m. TARUMÁ. "Myrmecophaga". TARIRA. . de tambor com influência de guatambú? TANTAN. . | Tupi. m.

TERRÃO.. ou qualquer outro objeto: Laço nos lentos. TER1. v. discussão acalorada.diz-se do indivíduo buliçoso."gusano colorado". | Cp. m. s. TÉIPA. (V.designa várias espécies de desdentados. f. m. en la mano". mas a discussão ainda está longe de ser esclarecida.oficina de ferreiro. . s. . | Tupi. e. réiva."nêste mundo tem cada coisa. s. f. P. m. taipa. . que inté assusta".TATORANA.). t. deste voc. nos seus "Cuadros del campo" (Uruguai): ". . | Cp. particularmente. . . | Existe também em Port. | Muito se tem já escrito sobre a orig.tiras de couro. as tiras de que estão providos os lombilhos dos campeiros. S. mais genuinamente caipira do que taturana. m. | Mont. de cuatro tientos."tem gente que pensa ansim" . .brinco infantil. sem dúvida alguma. f. TENDA. . coisa bonita: "aquela moça é uma tetéia" .parede de terra batida.) | É t. "Sintaxe") TER2. TEMPO-SERÁ. s.brinquedo de criança. TETÉIA. TERNO. com forte ardor. Usou-o Manuel Bernardes. TATÚ.lagarta cujo contato produz irritação na pele. a chilena ao pé . . (V. m. .. do gên. TERERÉCA. torrão. com o. . como se ouve às vezes. é o Astolfo". s. que define .. TEMPO-QUENTE. .O ditongo au explicará a pronúncia pop. . q. m. um terno de amimais: "E qual é o durão dêste terno? O durão.el lazo trenzado. falador.grupo: um terno de meninos. v. s.R. f. em lugar de "haver": "tem dia que não posso trabaiá" . s.dar à luz: "Ela teve o Juca antes do Tonico". PERERÉCA. usado impessoalmente. as quais se amarra o laço enrolado. s. versátil. dá "tataurã".(C."Ele arranjou a casa de geito que ficou uma tetéia". sul-americano. como escreveu Bernardo Guimarães (poesias) e como registou B. mais vulgar. "Dasypus".distúrbio. TENTOS. . s. PARARACA.

TETERÊ-TETÊ, int. que, intercalada na oração, vale quase por um advérbio de tempo, como "freqüentemente", "a cada momento", "a todo instante": "Aquilo é home perigoso: teterê-tetê, tá armando barúio!" -"Nunca vi gente como esta: teterê-tetê, um bailinho; teterê-tetê, um pagóde!" | Sem muitos elementos para julgar, quer-nos contudo parecer que esta curiosa onomatopéia (porque evidentemente disso se trata) tenderia dantes a dar idéia do rumor de um rápido discurso ou discussão. Assim, o primeiro exemplo poderia ser interpretado: "Aquilo é homem perigoso: uma troca de palavras, uma ligeira discussão, e ei-lo a provocar desordem". Depois, com o uso, ter-se-ia ampliado a aplicação desse meio expressivo a outras circunstâncias, em que a sua interpretação se torna menos fácil. Eis a explicação que nos ocorre. Não esquecemos, porém, que resta explicar porque se popularizou tanto, e não só em S. P., essa curiosa onomatopéia. Cherm. colheu na Amaz. com idêntico sentido, tétété, de cujo emprego dá este exemplo: "O Manuel Domiciano tétété está na taberna do alferes Luís bebendo cachaça".

TICO, s. m. - uma pequena quantidade, um bocadinho: "Me dê um tico de fumo pr'um cigarro" | Mais freqüente no diminut.: tiquinho, usado em todo ou quase todo o Br. "Mas não se vá, homem de Deus, espera aí um tiquinho..." (C. R.).

TIÈTÊ, s. m. - avezinha do gên. "Euphone". | Decompõe-se em "tiê + etê". Tupi.

TIGUÉRA, s. f. - lugar onde houve roça, depois da colheita:

- Intão, compadre, como foi de caça? - Ara, nem diga! Abaxo da tigùéra bem pra riba do rumo do Colaça, dexei sòzinbo o Sarvadô de espera. (C. P.).

TIJUCADA, s. f. - grande quantidade de TIJUCO.

TIJUCO, s. m. - lama. | Tupi.

TIJUQUÊRA, s. f. - muito TIJUCO.

TIMÃO, s. m. - casaco curto e singelo, geralmente de baeta e sem forro, usado, há tempos, pelos escravos, e também pelas crianças. | Do clássico quimão, queimão (hoje substituído pelo anglicizado "kimono"). - G. Viana define: roupão amplo que usam os japoneses. Diz M. Dalg. que tal definição quadra ao roupão que usavam muitos indivíduos em Goa, e que agora vai rareando e tomando o nome de "cabaia". Mas o t. continua a aplicar-se ao casaco curto e largo, de raparigas pobres e inuptas, feito de chita ou chêla. No dialeto de Macau (diz sempre Dalg.) "queimão" é casaco, assim de homem, como de mulher. - J. Brígido regista o t. como de uso antigo no Ceará.

TIMBÓ, s. m. - nome de vários vegetais empregados por pescadores de rio para tontear o peixe. | Daí atimbòado, zonzo, tonto.

TINGUÍ, s. m. - várias espécies vegetais dos gêns. "Phaecarpus", "Magonia" e "Jacquinia", também usadas, como o timbó, na pesca fluvial.

TIPITÍ, s. m. - cesto ou outro receptáculo em que se espreme a mandioca ralada.

TIRA-CISMA, s. m. - aquele ou aquilo a que se pode recorrer com toda a confiança: "Aquêle dotôr é tira-cisma em negócio de devogacia". | Cisma, no caso, eqüivale a pretensões, fumaças. Tira-cisma quer dizer, pois, literalmente, - o que desfaz pretensões, o que acaba com alheias jactâncias. Sinônimo: TIRA-PRÓSA.

TIRADÊRA, s. f. - pau que, nos carros de bois, serve de suplemento ao cabeçalho, ao qual se liga com tiras de couro.

TIRADÔ(R), s. m. - pequeno avental de couro que os laçadores põem de lado, por cima da virilha, para sobre ele firmar o laço.

TIRIRICA, s. f. - designa varias ciperáceas que constituem praga dos arvoredos.

TIRIVA, s. f. - ave da fam. dos papagaios, menor do que estes:

E as patativas cantando sôbre o junco! E os bons caipiras... e um bando barulhento de tirivas! (C. P.).

TISIU, s. m. - pequeno pássaro. | Voz onomatopaica.

TITIA. forma pronominal de tia.

TITICA, XIXICA, s. f. - excremento de ave.

TITIU, titio, forma pronominal de tio.

TITUBIÁ(R), v. i. - ficar perplexo, apatetar-se. | São mais vulgares as formas tutubíá(r), turtuviá (r).

TOBIANO, q. - diz-se do animal cavalar pampa com manchas azulegas. | De Tobias (brigadeiro Tobias de Aguiar), segundo informações.

TOCAIA, s. f. - esconderijo onde o caçador aguarda a passagem da caça, ou o agressor a da vítima escolhida. Daí as expressões:

DE -, à espreita; de emboscada. FAZÊ(R) - pôr-se à espera, fazer emboscada. | Do tupi, seg. uns; do guar., seg. outros.

TOCAIÁ(R), v. i. - fazer TOCAIA. | Garc. colheu essa forma e mais "atocaiar", em Pernamb.

TOMBADÔ(R), s. m. - lugar onde há queda de água; essa mesma queda. | Alter. de tombadouro. Na Bahia, encosta íngreme (B. - R.).

TÓPE, s. m. - pião posto no centro do círculo, no jogo da corrióla, servindo de alvo às ferradas dos outros piões.

TOPETUDO, q. - que tem topete; audacioso.

TÓSSE-CUMPRIDA, s. f. - coqueluche.

TÓSSE-DE-CACHÔRRO, s. f. - acesso de tosse rouca e impetuosa, na coqueluche, ou em qualquer outra afecção de garganta. No Pará, chamam à tosse-comprida "tosse de guariba" (B. R.).

TOVÁCA, s. f. - pássaro formicaroide. | Tupi.

TOVACUÇÚ, s. f. - variedade de TOVACA.

TRAIBÁIO(S), s. m. pl. - padecimentos. | É acepção castiça.

TRABUCÁ(R), v. i. - trabalhar esforçadamente: "Quem não trabuca não manduca" (adágio pop.). Acidentalmente trans.: "... nunca deixei de não trabucar a minha obrigação nas horas certas (V. S.) | Cp. o cast. "trabajar", com a pronuncia peculiar do j.

TRABUCO, s. m. - espécie de espingarda de um só cano, de grosso calibre, empregada geralmente em salvas, nas festas da roça. | Trabuco era nome de certa "máquina de guerra que teve uso antes da artilharia" diz F. J. Freire (3.º v., p. 57). -

Não lhe aproveita já trabuco horrendo, Mina secreta, aríete forçoso (Camões, III, 79).

TRAMA, s. f. - trato, negócio.

TRANCA, q. - malandro, ordinário: "Aquilo é um tranca".

TRANCO, s. m. - chouto, andar (de animal de sela); encontrão. | Em port., salto.

diz-se do cano de espingarda que é feito de uma fita de aço em espiral. . f. TROCÊ(R) v. trela.) TRAQUEÁ(R). trele.De tresler? De trela? TRELENTE. | Conjuga-se trelo. que viaja com eles. "trolley". m. .soltar gases intestinais com estrondo. de patifes. | Com esse nome se designou outrora um lavor de seda. de TRANCO. TRAQUE.: Quando eu. intrometer-se: "Não trêla no que não é de sua conta". passei pr'o sobrado.desviar-se. e i.caravana de bestas de carga. fazer volta. s. q. f. . v. .negociante de animais equídeos.) TROCHADO. o que gosta ou tem o hábito de. corja. s. v. com dois assentos. . dimin. trela. como se vê no "Foguetário". em duas tábuas cruzadas sobre quatro rodas. trela(s). . com que brincam as crianças. manada de equídeos. m. quantidade desses animais. . S. etc. Freire.pequena b6mba de forma cilíndrica. resumidamente.TRANQUINHO. de estúpidos). e i. indiscreto.ato ou efeito de trelê(r). TROMBETEÁ(R). s. por vós vou Todolos traques que dou São suspiros de saudade ("Pranto de Maria Parda". . comboio. intrometido. fig. TROPÊRO. esbarrei logo c'a dita moça".. | Do ingl. um dos quais para o bolieiro. q. trelemo. ramerrão: "Como lhe vai?" "Ora! sempre no mesmo tranquinho". TRELÊ(R). . seg. tocar em coisas ou assuntos que não são da sua conta. s.veículo muito usado no campo. trele(s).assoalhar (alguma coisa). i. . v.carne esponjosa nas gengivas dos equídeos. | Em ambos os sentidos é de velho uso na língua. TRÓPA. Consiste.. dar à língua. . para transporte de pessoas. rua. TRÓLE. cambada (de marotos. TRAVÁGE(M). condutor de tropa de equídeos.. m. Exemplo de Gil V. explosão de gás intestinal. i. .mexer. .o que tréle. mudar de rumo em caminho: "Troci um pouco. de ladrões. t. (V. . s. f. TRELÊNCIA. s. desviar o corpo. t.

fig. port. ("Eufros. f.. . o quatro-pau (quatro de paus). s. P. variedade que se joga entre duas pessoas. o sete-oro (sete de ouros). ou sob a pressão de necessidade urgente: "Coitado. Eu tenho as unhas cortadas. corrida.fazeme a barba farteey a trosquia". ". m. Faz parte da pragmática do jogo levá-lo sempre com pilherias e bravatas. o séte-cópa (sete de copas). sc. III. s. . tosquia.").. . E mais estou trosquiada (Gil V. & venhais trosquiado". ("Eufros. m. moçada.). já escol meu cumpanhéro: quem é bão nua trucada. despachar-se. sc.animal que trota. q. tava tão quéto im casa. f. . . cada um dos quais dispõe de três cartas. rebusque quarqué parcêro! (C. no interior de S. s. e de quase todo o Br. -"Hivos embora. os três (bicos). umas e outras geralmente acondicionadas em fórmulas estabelecidas.. i.andar a trote (a cavalgadura). | ". o ato de TRUCAR: Cheguei agora.ª). "Rubens")." (Caminha). .uma vez. . TRUQUE.. sob alheia instigação. & olhay não vades por lãa.". e de repente teve que troteá!" | A forma port.". etc. Em S. m.. I. e andavam trosqujados de trosquya alta.. bolear.2. Difere da signif. mas o nosso povo da roça tem decidida preferência pelas formas freqüentativas: trotear. andar de pressa.jogo entre quatro parceiros.caminhada a trote.jogador de truque.os cabelos seus são coredios. v. a espadia (espadilha).ª). s.andar duro e cadenciado (de animal equídeo). TRUCADA. pela ordem dos valores: os dois. joga-se com as seguintes cartas. "Inês Per.. uma jogada ou mão de truque.. | É este o mais popular dos jogos de cartas. é trotar. P. P. viagem rápida a cavalo. TRÓTE. . Dous porquinhos trosquiados Coinchar não nos ouvistes? (Gil V. s. TROTEADA. barrear. f. TRUQUÊRO.. .DE MANO. ou zápe. 2.TROSQUIA. TROTEÁ(R). s. TROTÃO. "andamento natural dos cavalos".

que Moreira e com ele o "Novo Dic. TURTUVIÁ(R). | Derivado. TITUBIÁ(R). feijão cozido que se mistura com farinha de milho ou de mandioca. quantia insignificante. f. ao passo que a forma corrente em S.sem e entre os dois elementos e com é aberto em meia. | É a "tucumã" do Norte.pequeno valor. porém. TUCANO. isto é. Se tem a certeza de ganhar. . Convém notar. em regra: truco! O adversário manda. TUIM. f. . e como vai indicada. s. são muito empregadas em cordoaria rústica. alegar fatos não verdadeiros. ao fogo. (C. ou pretende amedrontar o outro.TRUCÁ(R). dos papagaios. ou corre.Seis. . 1. . s. no jogo do truque.pequena ave da fam. responde com ênfase.designa várias palmeiras dos gêns. às vezes aos gritos: Toma seis! . fazer citação falsa. P. . . gentarado. TUTÚ. "Bactris" e "Astrocaryum"." escrevem tuta e meia.E diga porque não qué!" e outras bravatas por esse estilo.ficar perplexo. m. só para amedrontar o adversário. m. é ainda uma importação.). q. . pasmar. cujas fibras. m. v.) de "uma pequena moeda de cobre da África Port. . "Não faça quistã por essa tuta-méia". segundo J.o ato de provocar o adversário. "Ramphastos". fig. tonto.). TUBUNA. P.Tupi. TURTUVIADO.º vol.designa diversas aves trepadoras do gên. s. . pasmado. TUCUM. Se manda. TUTÚ-DE-FEJÃO. na dúvida de fazer a vasa.feijão virado. i.Bâmo vê. TUTA-MÉIA. . . no momento de servir.perplexo. hesitar: "Cuidado cum esse muleque: se tutuviá. (C. Moreira ("Estudos". Eta barúio do inferno! Fiquei meio turtuviado..". de grande resistência. TUTUVIÁ(R).abelha silvestre. | O que truca exclama. papudo! . s. ou . Paiva regista titubiado entre os seus termos condenáveis: indício de que este curioso voc. hesitante: Fico meio turtuviado. . carro. s.DE FARSO: trucar sem carta que assegure o lance. . antes de uma jogada. v. | Tupi. P.Jogue. é geralmente com a frase . bonde e em toda parte um sordado. s. m. i. êle tomô conta de vacê!" TUTUVIADO.

. intj. (C.. . s. servindo de caixa de ressonância. esticado num arco. | B. de olhai. nesta horinha. . dá como t.ave noturna da fam.O t.instrumento músico usado por pretos africanos: consiste num fio qualquer. origem africana. . URUCURANA. gente! Passei a mão. alter. uma. UÉ! UÊ! intj. do guar. UNTANHA. Cp. HAME. s. adj. . é a forma pop. aparição menos esperada. de homem. s.) | Deve ser alter. Caet. ORINDIÚVA. s. | T. URUCUNGO. . uéime!" A última sílaba é muito rápida. intj. m. URUTAU.ave da fam. de surpresa ou espanto: "Houve. é tupi e. URUTÚ. f. maginem lá no que?" (V. . fruto azedo. | Tupi. . . URÚ.. usado também pelos guaranis do Paraguai. | É a única forma conhecida do caipira e.certa cobra venenosa. e dos mais vulgares. É quase ave-maria. há quem dê a esta intj.espécie de sapo. . também usada como intj. de impaciência: "Aquerditá nessa bobiciada! Vacêis (es)tão que nem criança. porém. | Segundo B. com uma cabaça numa das extremidades. f. m. mas é também paulista. . s. | Tupi.R. à maneira de arco de seta. f. das Perdíceas: Sobre a folhagem sêca da floresta cantam urus. .R. s. f. UVÁIA. UÉI-ME!.). P. réiva. | Tupi. .Uai. s. URUNDÚVA. formas estas existentes todas no falar caipira. m. de espanto. UnA. | A lenda do urutau é das mais conhecidas do folclore regional. "ybá" + aia". na língua.Contudo. m. Sobre esse fio o executante bate a compasso com uma pequena vara.fruto de uma mirtácea de grande e belo aspecto. S. do Paraná. africano. segundo B. de que se conhecem duas ou mais espécies. a árvore que o produz.grande e bela euforbiácea. e clássica. e tem sido contada por vários escritores. | Talvez provenha de olhai por oiai -> uiai -> uai -> uéi -> uêi. "Caprimulgidae". s. De troca de ai em éi há exemplos: téipa. num.UAI! UIAI!.certa árvore do mato. que habita o mato virgem. .

VEIAQUIÁ. VASSO(U)RINHA. | Voc. depois da conquista do México. VARANDA(S). . VEIÊRA1. VEIÊRA2. VARÁ(R).diz-se da cavalgadura que tem manchas. seg. VARANDA.vegetal da fam. resolutamente: "Fronteemo aquêle primeiro capão da chacra do Chico Manuel. f. velhaco. f. f.caminhar direito. fomo varando". VOSSUNCÊ. . VARIEDADE. . suncê. (V. i. pl. . f. q. usado nas repúblicas hispano-americanas e. s.indivíduo que conhece minuciosamente determinada porção de território. v.locomotiva de estrada de ferro. s. s. VARIÁ(R).vara comprida com que se impelem canoas e botes. das Sapindáceas.casa de abelhas indígenas. f.UVAIÊRA. aos soldados velhos que nela haviam tomado parte. s. VACÊ. nome que os espanhóis deram. VAPÔ(R). mecê. do S. m. . VAREJÃO. VARRIÇÃO. velheira. S. . Ha outras: vamicê. alterações de vossa-mercê. v. geralmente em "filet". . m. i. abelheira. as outras. . f.corcovear (a cavalgadura). . .). | Também usado no R.ato de VARIAR. s. s. veiado e manchado de preto.. i. de lenho escuro. s. s. .pessoa muito velha. mais respeitosa. .a árvore da UVAIA. VAQUEANO. VANCÊ. v. A primeira forma é mais familiar. s. . habituada a dar corcovos. ainda mais cerimoniosas do que essa. . com franjas. . . locomóvel. vancê.R. f. como o você de uso culto. s.guarnições laterais das redes de descanso. s. G.ato de varrer. por efeito de delírio. f. VEIACO. velhaquear. VASSUNCÊ. m. vem de "baquia".proferir frases e vocábulos desconexos. . B. | Também usado no Norte.sala de jantar.

eqüivale a dir-se-ia.. Com o tempo. VÊ(R). VERDEGÁIS. . . | "Dizemee Nunalurez de verdade faziees vos esto que asy começastes?" ("Cron. se diz "velado" o coco cuja amêndoa está solta. "de verdade".. e até simplesmente vê: "Aquele que vem lá não é o Chico? . há avelar .misturar. transformar. f. . seg. ter-se-ia perdido a consciência do valor lógico dessas palavras.."A gente do sítio virô o triato nua estrivaria" "Padre José.. No Ceará. talvez se verificasse que o "bubuiar" amazônico.nas frases que começam por é vê(r). pôr em desordem. vesícula. | Só conhecemos o t. E de notar-se que. afigura-se. se diz "burbuio": viu um "burbuio" de sangue do tronco véio corrê! Colhidas todas as variantes possíveis.. de borbulha. . . percorrer em todos os sentidos: "O minino virô tudo naquela gaveta".borbulhar. t. "de vereda" e semelhantes: de seguida. de uma vez: "Passô por aqui numa vereda. vevúia de boi.corda de viola.tendo ao ombro o bornal de iscas. talvez se ligue ao primeiro. VEVÚIA. do Cond. | Alter.. .. viagem: "Pra não voltar c'as mãos abanando e não perder a viajada. VIRA-BOSTA. s.VELÁ(R). VERÊDA.na loc. v. Xl). m."O Pedro não pára.Vê que não". depois de morto.. m. VERDADE. aplicado à batata. | Por mais estranho que tudo isto pareça.". na verdade.). Atesta-o o uso que se faz deste último voc. atesta-o a existência de vevuiá(r) .caminhada.pôr ao relento (batatas doces). v. E de notar-se que também se diz evê. VIAJADA. S.Em port. s.) "O Antónho é vê que tá doente". .. f. P." (V. onde se quer ver um radical indígena. . com o primeiro e ensurdecido. O nosso t.bexiga. s. A principio. explica-se facilmente. em frases como as seguintes: "Olhe aquele pobre rapaz: é ver um fantasma". s. nem oiô pra tráis". ." (C. . velar de vigilare e velar de velare. anda. na sua acepção de bolha. entendi de romper pro cafesal. VIRÁ(R). s. desanda. parece: "É vê que veio da invernada do Xavié. . corre.pássaro conhecido. f. tratarse-ia de um circunlóquio muito natural. minhocucu". transformar-se. Dai a grande ampliação de seu emprego. e i. pequenos lambaris. no Br. t. passarinho sapecado. .na loc. t. usada em varas de pesca. no Norte. . s. . é vê(r) que.. não passa de simples alteração do mesmo borbulhar.encarquilhar (como avelã?). tripas de animal: ". sem interrupção.. v. Cat. com translação de sentido."Já virei esse sertão de tudo geito".é ver um macaco". sob aquela mesma forma. f. equivalente à moderna em verdade.. sendo elas tomadas como um só vocábulo (évê) com função igual à de parece. "Mecê é vê seu avô". vira santo" -"Essa muié há de virá mula sem cabeça" .

q. VIRADINHO. "tocayo". "xera". visco. Do tupi. .indivíduo que tem o mesmo nome de outro. XARÁ. do S. VIRGE(M).No R. com farinha: virado de feijão. se usa. VISGUENTO. etc. s. volta. m. ********** . poste de moenda. . . . f. s. ou de qualquer de suas variantes. XERGÃO. s.VIRADO. | De enxergão. por baixo da carona.comida que se mexe ao fogo. f.paleta. em vez de xará. . VISGO. . m. s. .mourão. para o Norte: "xarapim". G. q.viscoso. VÓRTA DA PÁ. s. | Há outras formas.espécie de manta de lã ou pele que se coloca sobre a cavalgadura. m. o cast. virado de couves.

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