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Parem o universo

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Published by Ricardo Hayes
Um texto com uma visão menos ortodoxa sobre deus.
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Published by: Ricardo Hayes on Apr 18, 2012
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04/18/2012

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Como tudo o que conseguimos na vida, seja por mérito ou acaso, em algum momento requer um momento de reflexão, como

se uma voz imperceptível encanta-se a nossa consciência e nos obrigasse a comparecer a um tribunal invisível onde seremos condenados ou absolvidos. Como tudo na vida, seja por passividade ou impossibilidade, existem coisas de que nos orgulhamos e outras pelas quais conseguimos nutrir o sentimento mais hediondo que o Homem pode sentir: o ódio. Por isso conto-vos a história de um homem que teve a profissão mais infame e ao mesmo tempo glorificada que alguma vez existiu, odiado por uns, amado por outros, o seu nome foi mencionado vezes sem conta ao longo dos tempos. Umas vezes invocado pelos maiores feitos outras pelos acontecimentos mais catastróficos. Mas lembrem-se sempre: quem estará em posição para o julgar? Apenas Deus. Estava Ele sentado no seu imponente banco de mármore branco, no seu sempre e eterno banco de mármore branco, e com os seus olhos vigilantes perscrutava a sua magnifica obra em que trabalhava há milhões de anos. Pela primeira vez sentiu que algo estava errado com o seu fantástico trabalho. Depois de anos e anos a alterar e a modificar, a transformar e a criar, fez uma pergunta para si próprio, a única pergunta que temia que alguma vez a sua consciência o obrigasse a fazer: "Será que tudo isto valeu a pena?" Levantou-Se e observou a sua enorme mesa de trabalho procurando por argumentos que o convencessem que o trabalho de uma vida tinha culminado em perfeição e que nada mais tinha para modificar ou alterar, que nada mais podia recriar e transformar. Coçou a sua enorme e emaranhada barba branca, envelhecida pelas marés do tempo, e mais uma vez perguntou para si próprio: "O que fiz eu?" Concentrou-se, e procurou na sua memória de tempos mais remotos mais argumentos para responder à sua questão, mas nada lhe ocorria a não ser o orgulho por orgulho, de ter sido original e de ter criado algo que nunca antes ninguém tinha feito. Pela primeira vez em muitos anos apercebeu-se da verdadeira dimensão de tudo o que tinha acontecido. Tinha em suas mãos uma criação inconstante e instável que podia a qualquer momento explodir, destruindo-se a si própria e afirmando que tinha sido em nome do seu Criador. Para Ele era suposto toda esta gigantesca máquina funcionar em simbiose, ajudar-se a si própria para que cada mecanismo funcionasse com toda a sua eficácia, o que acontecia lá de vez em quando, mas maioria das vezes que Ele a observava toda ela era um caos com cada parte a tentar isolar-se de tudo o resto afirmando que era ela o arquétipo mais digno e a única que correspondia às expectativas do seu construtor. Ele voltou a sentar-se no seu banco de mármore branco, levou as mãos à cara e chorou, chorou também pela primeira vez em milhares de anos da sua existência e percebeu também pela primeira vez que a sua criação espelhava uma quantidade de emoções e actos que nunca tentou entender: guerra, fome, solidão, tristeza, cobiça, mentira… Faltou-Lhe a força e a motivação para recomeçar a sua obra e então sentiu o desespero a invadir a sua imponente existência, e então disse para si mesmo:

"Por favor parem o Universo, o meu Universo. Quero desaparecer pois já não tenho forças para continuar." Mas lembrem-se, como tudo na vida apenas a morte não é reversível, tudo o resto pode voltar a ser criado e recriado, transformado ou mudado e como tal Ele não desistiu e ainda hoje a Sua obra contínua por terminar.

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