ORGÃOS DE MÁQUINAS 1 de 24

PEÇAS CILÍNDRICAS



Introdução

Neste capítulo vamos analisar o comportamento das peças cilíndricas submetidas a
carregamentos axissimétricos uniformemente distribuídos. A Figura Nº 1 mostra a
configuração geral destas peças com as solicitações axissimétricas consideradas, a orientação
do sistema de eixos e a designação das variáveis. O objectivo essencial da análise consiste em
determinar o estado de tensão em qualquer ponto do cilindro. Este tipo de problema é
conhecido por problema do tubo de paredes espessas ou do anel de paredes grossas, e foi
resolvido, pela primeira vez, por Lamé, pelo que também é conhecido por problema de Lamé.

b
t a
p
a

p
b

dz
dr r
σ
z


σ
z

b
t a
z
θ
r


p
b







p
b


dr
r
p
a




Solicitações axissimétricas:
• Pressão interior, p
a
• Pressão exterior, p
b

• Tensão longitudinal, σ
z






Figura Nº 1
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O sistema de coordenadas considerado é o sistema de coordenadas cilíndricas. Neste sistema,
as direcções consideradas e os símbolos que as representam são os seguintes:
• Radial, r
• Circunferencial (ou tangencial), θ
• Longitudinal, z

Alguns exemplos de órgãos mecânicos e de componentes estruturais que se enquadram nesta
categoria de problemas são:
• Os corpos dos cilíndros hidráulicos;
• As tubagens destinadas a conduzir fluidos;
• As virolas cilíndricas dos reservatórios de pressão;
• Os veios, casquilhos e discos, ligados entre si por aperto.

Considerando as condições de simetria que são impostas - ver a Figura Nº1 - o estado de
tensão instalado no interior destes corpos também deve ser axissimétrico e, portanto, as
tensões originadas pelas acções exteriores serão independentes da variável circunferencial θ.
Por outro lado, porque a peça em análise é cilíndrica (o que significa ter uma secção normal
constante ao longo do eixo) e porque as únicas forças exteriores aplicadas na direcção
longitudinal só existem nas extremidades do cilindro (σ
z
na Figura Nº1), então também as
tensões instaladas no interior do corpo serão independentes da variável z. Assim, o problema
da determinação das tensões no interior do cilindro resume-se à questão de ficar a conhecer a
variação das tensões ao longo da espessura da parede, o que significa que a única variável
relevante do problema é a variável radial r.

Cilindros de Paredes Finas

No caso dos reservatórios - e mesmo em grande parte das tubagens industriais - verifica-se
com frequência que o valor da espessura da parede é de uma ordem de grandeza muito
inferior à do valor de um dos raios do cilindro, isto é, verifica-se que (ver ainda a Figura Nº1)
b (1) , a a b t << − =
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Nestas circunstâncias, pode considerar-se a hipótese de que a distribuição de tensões ao longo
da espessura da parede é uniforme. Esta hipótese, que será posteriormente confirmada como
uma consequência da condição expressa por (1), vai-nos permitir obter um conjunto de duas
expressões bastante simples para o cálculo das tensões instaladas.

Consideremos então - ver a Figura Nº 2(a) - um cilindro de comprimento L, de raio interior a,
de parede fina com espessura t (com t<<a) e submetido somente a uma pressão interior p.

D
L
z
a
t
p
F/2
D=2a t
F/2
R
p
t








Figura Nº 2(a) Figura Nº 2(b)

Consideremos as condições de equilíbrio do sistema de forças que actua sobre a metade
inferior do cilindro que é obtida cortando o mesmo por um plano horizontal que contém o
eixo longitudinal z, ver Figura Nº 2(b). A resultante das forças de pressão que actuam na
superfície interior deste meio cilindro é uma força vertical descendente cujo valor é,
L (2) a 2 p R ⋅ ⋅ =
A força resultante R deverá ser equilibrada pelas 2 forças verticais ascendentes F/2 que
constituem as resultantes das tensões normais exercidas na secção cortada do cilindro.
Designando essas tensões normais por σ (que por hipótese são uniformemente distribuídas)
e sendo a secção cortada constituída por 2 rectângulos iguais cujos lados são
θ
t e L, então é,
L (3) t 2 F ⋅ ⋅ σ =
θ
Igualando, pela condição de equilíbrio estático, os valores de R e F definidos pelas expressões
(2) e (3), respectivamente, e resolvendo em ordem a σ , obtém-se a importante expressão,
θ
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t
a p
= σ
θ
(4)

Além destas tensões normais, que existem na direcção circunferencial, podem existir ainda
tensões normais segundo a direcção longitudinal, que são devidas à acção da pressão sobre os
topos do cilindro, os quais existem, geralmente, dada a necessidade de fazer a contenção do
fluido interior.
A força R' resultante das pressões sobre qualquer um dos dois tampos extremos - ver a Figura
Nº 3 - pode expressar-se, independentemente da forma do tampo, por


(5)
2
a p R π ⋅ = ′
D
F '
F '
R'
z
a
t
p




Figura Nº 3

A força resultante R' deverá ser equilibrada pela resultante F' das tensões normais exercidas
sobre a secção normal ao eixo do cilindro. Designando essas tensões normais por (que por
hipótese são uniformemente distribuídas) e sendo a secção normal ao eixo z uma secção com
a forma de uma coroa circular de raio interior
z
σ
a e raio exterior , então é, t a +
| |
2 2
z
a ) t a ( F π − + π ⋅ σ = ′ (6)
Igualando, pela condição de equilíbrio estático, os valores de R' e F' definidos pelas
expressões (5) e (6), respectivamente, e resolvendo em ordem a σ , obtém-se,
z

) t a 2 ( t
a p
2
z
+
= σ (7)
Considerando agora a hipótese de paredes finas, a espessura t que constitui a segunda parcela
da soma entre parêntesis do denominador da expressão (7) pode ser desprezada quando
comparada com o valor 2a. Nestas circunstâncias, a expressão (7) simplifica-se para,
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t 2
a p
z
= σ (8)
As duas expressões (4) e (8) são as importantes fórmulas dos tubos (também conhecidas por
fórmulas das caldeiras). Estas fórmulas aparecem algumas vezes em função do diâmetro
interior D do cilindro, em vez do raio a. Assim, fazendo D=2a, ficamos com as seguintes
expressões para as fórmulas dos cilindros de paredes finas:

¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
= σ
= σ
θ
t 4
D p
t 2
D p
z
(9)
A Figura Nº 4 mostra a orientação destas tensões
normais num elemento infinitesimal do corpo
cilíndrico. Recordemos que σ é a tensão normal
segundo a direcção circunferencial e que é a
tensão normal segundo a direcção longitudinal.
Note-se ainda que o valor de é o dobro do valor
de .
θ
θ
σ
z
σ
z
σ
r
σ
θ

σ
θ

σ
z

σ
z

Figura Nº 4
Para o caso dos cilindros de paredes finas, as tensões normais segundo a direcção radial têm
pouco significado. Por razões de equilíbrio estático, a tensão radial num ponto situado sobre a
superfície interior do cilindro deve ser uma tensão de compressão de valor igual ao da pressão
interior p. Por outro lado, admitindo a hipótese de não haver pressão exterior, num ponto
sobre a superfície exterior a tensão radial deverá ser nula. Temos assim que,
(10)
¹
´
¦
+ = = = σ
= − = σ
) t a b r ( 0
) a r ( p
r
r
Note-se que os valores das tensões circunferenciais e longitudinais obtidos por intermédio das
expressões (9) são de uma ordem de grandeza muito superior à das tensões radiais, uma vez
que, por hipótese, é . t a 2 D >> =

Na prática, considera-se que um cilindro é de paredes finas quando se verifica a relação
. 20 t / D ≥
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Deslocamentos e Deformações

Voltamos à análise do problema geral axissimétrico do anel de paredes grossas - recordar a
Figura Nº 1 - abandonando, assim, as hipóteses de parede fina e de distribuição de tensões
uniforme ao longo da espessura da parede. Para iniciar o estudo necessitamos, antes de mais,
de estabelecer as expressões das deformações em função dos deslocamentos.
Consideremos - ver a Figura Nº 5 - a posição inicial (ABCD) e a posição deformada
(A'B'C'D') de um elemento volúmico infinitesimal, representativo de um ponto interior do
corpo cilíndrico. Nesta Figura Nº5 mostra-se somente a face relevante do elemento, vista
segundo o eixo z. Em virtude da existência de simetria axial, os deslocamentos no plano
normal a z só existem segundo a direcção radial. Designemos por u o deslocamento radial
genérico de um ponto.











(z)
D'
C'
A'
D
C
B
B'
A

u
dr
r
u+du
Figura Nº 5

A deformação linear (ou extensão) segundo a direcção radial é dada por,

dr
du
dr
dr ) u du u dr (
AD
AD ' D ' A
r
=
− − + +
=

= ε (11)
e a deformação linear segundo a direcção circunferencial é dada por,

r
u
d r
d r d ) u r (
AB
AB ' B ' A
=
θ
θ − θ +
=

= ε
θ
(12)

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Lei de Hooke

Como se sabe, as tensões e as deformações encontram-se relacionadas, no regime elástico,
pela Lei de Hooke. A Lei de Hooke estabelece uma relação de proporcionalidade entre as
tensões - ver a Figura Nº 6 - e as correspondentes deformações lineares ε , e , que se
pode expressar, conforme foi visto no capítulo Análise de Tensões e Deformações, da
seguinte forma, adaptada às notações do caso presente:
r θ
ε
z
ε


| |
| |
| |
¦
¦
¦
¹
¦
¦
¦
´
¦
ε + ε ν + ε ν −
ν + ν −
= σ
ε + ε ν + ε ν −
ν + ν −
= σ
ε + ε ν + ε ν −
ν + ν −
= σ
θ
θ θ
θ
) ( ) 1 (
) 1 ( ) 2 1 (
E
) ( ) 1 (
) 1 ( ) 2 1 (
E
) ( ) 1 (
) 1 ( ) 2 1 (
E
r z z
z r
z r r
(13)
σ
z

σ
θ

σ
r

σ
r

σ
z

σ
θ

z



Figura Nº 6

No que respeita às condições impostas para as tensões/deformações segundo o eixo z do
cilindro, vamos considerar agora as seguintes duas hipóteses:
(A) Hipótese de tensão constante ⇒ (caso particular, ) (14a) . const
z
= σ 0
z
= σ
(B) Hipótese de deformação constante ⇒ (caso particular, ) (14b) . const
z
= ε 0
z
= ε

Tendo em vista a hipótese (A), podemos explicitar na terceira expressão de (13) o valor de
em função de , e e substituir esse valor nas duas primeiras expressões de (13). Como
resultado desta operação e após simplificação, podemos obter as seguintes duas expressões
que nos dão a tensão radial e a tensão circunferencial em função das respectivas extensões
(radial e circunferencial), tendo como parâmetro o valor de :
z
ε
r
ε
θ
ε
z
σ
z
σ
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¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
σ
ν −
ν
+ ε ν + ε
ν −
= σ
σ
ν −
ν
+ ε ν + ε
ν −
= σ
θ θ
θ
z r
2
z r
2
r
1
) (
1
E
1
) (
1
E
(15)

Tendo agora em vista a hipótese (B), podemos re-escrever as duas primeiras expressões de
(13) na forma das seguintes duas expressões que nos dão a tensão radial e a tensão
circunferencial em função das respectivas extensões (radial e circunferencial), tendo agora
como parâmetro o valor de :
z
ε

¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
ε
ν + ν −
ν
+ ε
ν −
ν
+ ε
ν + ν −
ν −
= σ
ε
ν + ν −
ν
+ ε
ν −
ν
+ ε
ν + ν −
ν −
= σ
θ θ
θ
z r
z r r
) 1 ( ) 2 1 (
E
)
1
(
) 1 ( ) 2 1 (
) 1 ( E
) 1 ( ) 2 1 (
E
)
1
(
) 1 ( ) 2 1 (
) 1 ( E
(16)

Podemos notar agora que os dois conjuntos de expressões (15) e (16) das duas hipóteses (A) e
(B) se podem exprimir na forma comum,
(17)
¹
´
¦
+ ε + ε = σ
+ ε + ε = σ
θ θ
θ
z r 1 0
z 1 r 0 r
k ) k ( k
k ) k ( k
em que k
0
, k
1
e k
z
são constantes cujas expressões se resumem na Tabela Nº 1.

Hipótese (A)

z
=const.)
Hipótese (B)

z
=const.)
k
0

2
1
E
ν −

) 1 ( ) 2 1 (
) 1 ( E
ν + ν −
ν −

k
1
ν
ν −
ν
1

k
z

z
1
σ
ν −
ν

z
) 1 ( ) 2 1 (
E
ε
ν + ν −
ν


Tabela Nº 1
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Equilíbrio de Tensões

Consideremos - ver Figura Nº 7 - o equilíbrio das forças de tensão que actuam sobre as faces
do elemento infinitesimal dr × (r⋅dθ) × dz.
(z)
r
dr

σ
θ

σ
θ

σ
r
+dσ
r

σ
r

eixo de
projecções









Figura Nº 7

Vamos estabelecer a equação de equilíbrio das projecções das 4 forças sobre o eixo de
projecções indicado na figura, não esquecendo que as forças se obtêm pelo produto das
tensões pelas respectivas áreas infinitésimais. Temos, assim, que
(18) 0
0
0
) 2 / d ( sen dz dr 2 dz d r dz d ) dr r ( ) d (
r r r
= θ σ − θ σ − θ + σ + σ
θ
Dividindo todas as parcelas pelo factor comum dz e tendo em conta que ,
obtém-se,
2 / d ) 2 / d ( sen θ = θ
(19) d dr d r d ) dr r ( ) d (
r r r
= θ σ − θ σ − θ + σ + σ
θ
Dividindo agora todas as parcelas pelo factor comum dθ e desenvolvendo o produto entre os
dois binómios da primeira parcela, obtém-se,
(20) dr r dr d d r dr r
r r r r r
= σ − σ − σ + σ + σ + σ
θ
Desprezando o infinitésimo de 2ª ordem, , face às outras parcelas, que são infinitésimos
de 1ª ordem, obtemos,
dr d
r
σ
0 (21) dr d r dr
r r
= σ − σ + σ
θ
e dividindo pelo diferencial dr obtemos,
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0
dr
d
r
r
r
= σ −
σ
+ σ
θ
(22)
que é equivalente à expressão final de equilíbrio das tensões,
0 ) r (
dr
d
r
= σ − σ
θ
(23)


Equação dos Deslocamentos

Substituindo as extensões obtidas pelas expressões (11) e (12) nas expressões (17) da Lei de
Hooke, e posteriormente substituirmos as tensões na equação (23) de equilíbrio das tensões,
obtemos,
0 k )
dr
du
k
r
u
( k k )
r
u
k
dr
du
( k r
dr
d
z 1 0 z 1 0
= − + −
)
`
¹
¹
´
¦
(
¸
(

¸

+ + (24)
expressão esta que, após sucessivas operações de simplificação, pode transformar-se na
seguinte equação diferencial de 2ª ordem,
0 ) r u (
dr
d
r
1
dr
d
=
(
¸
(

¸

⋅ ⋅ (25)
cuja solução geral é,

r
C
r C u
2
1
+ = (26)
sendo C
1
e C
2
duas constantes. Deixa-se como exercício para o aluno, a verificação de que a
expressão geral (26) satisfaz a equação diferencial (25).

Solução para as Tensões

Levando em conta a solução geral obtida para os deslocamentos, as expressões (11) e (12) das
extensões podem agora escrever-se na forma,

¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
+ = = ε
− = = ε
θ
2
2
1
2
2
1 r
r
C
C
r
u
r
C
C
dr
du
(27)
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e substituindo estas nas expressões (17) das tensões, obtém-se,

¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
+
(
¸
(

¸

− + + = σ
+
(
¸
(

¸

− − + = σ
θ z
2
2
1 1 1 0
z
2
2
1 1 1 0 r
k
r
C
) k 1 ( C ) k 1 ( k
k
r
C
) k 1 ( C ) k 1 ( k
(28)
A operação que se segue consiste em determinar as duas constantes C
1
e C
2
em função das
condições de pressão impostas nas faces interior e exterior do cilindro. Concretamente, e
recordando as notações da Figura Nº 1, a expressão da tensão radial tem que verificar as
seguintes condições:
(29)
¹
´
¦
− = σ ⇒ =
− = σ ⇒ =
b r
a r
p b r para
p a r para
Deste modo, têm que se verificar simultâneamente as seguintes equações,

¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
− = +
(
¸
(

¸

− − +
− = +
(
¸
(

¸

− − +
b z
2
2
1 1 1 0
a z
2
2
1 1 1 0
p k
b
C
) k 1 ( C ) k 1 ( k
p k
a
C
) k 1 ( C ) k 1 ( k
(30)
Resolvendo este sistema de 2 equações nas incógnitas C
1
e C
2
, podemos obter, após diversas
operações de simplificação,

2 2
b a
1 0
2 2
2
z
2 2
2
b
2
a
1 0
1
a b
p p
) k 1 ( k
b a
C
k
a b
b p a p
) k 1 ( k
1
C




=
|
|
.
|

\
|




+
=
(31)
Substituindo os valores de C
1
e C
2
, agora obtidos, nas expressões (28) e simplificando, obtêm-
se as seguintes expressões finais para as tensões,

¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
(
¸
(

¸

− + −

= σ
(
¸
(

¸

− − −

= σ
θ
) p p (
r
b a
) b p a p (
a b
1
) p p (
r
b a
) b p a p (
a b
1
b a
2
2 2
2
b
2
a
2 2
b a
2
2 2
2
b
2
a
2 2
r
(32)
que, note-se bem, já não dependem das constantes k , e . Isto significa que as
expressões (32) são válidas para ambas as hipóteses (A) e (B) de tensão ou de deformação
longitudinal constante.
0 1
k
z
k
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Soluções para os Deslocamentos

Substituindo as constantes C
1
e C
2
, obtidas pelas expressões (31), na equação (26) dos
deslocamentos, pode obter-se a seguinte expressão geral,
r
) k 1 ( k
k
r
1
) k 1 (
) p p ( b a
r
) k 1 (
b p a p
) a b ( k
1
u
1 0
z
1
b a
2 2
1
2
b
2
a
2 2
0

+

(
¸
(

¸




+ ⋅
+


= (33)

Ao substituirmos, nesta expressão dos deslocamentos, as constantes em função
das constantes elásticas E e ν e das variáveis σ
0
k ,
1
k e
z
k
z
ou ε
z
, conforme o definido na Tabela Nº 1, as
expressões resultantes referentes às hipóteses (A) e (B) irão ser, agora, diferentes. Se
procedermos com as devidas substituições, podemos finalmente obter as seguintes expressões
para os deslocamentos,

Hipótese (A) . (caso particular, ): const
z
= σ 0
z
= σ
r
E r
1
) p p ( b a r ) b p a p (
1
1
) a b ( E
1
u
z b a
2 2 2
b
2
a
2 2
⋅ σ
ν

(
¸
(

¸

⋅ − + ⋅ −
ν +
ν −

ν +
= (34)

Hipótese (B) . (caso particular, ): const
z
= ε 0
z
= ε
r
r
1
) p p ( b a r ) b p a p ( ) 2 1 (
) a b ( E
1
u
z b a
2 2 2
b
2
a
2 2
⋅ ε ν −
(
¸
(

¸

⋅ − + ⋅ − ν −

ν +
= (35)


Análise de Casos Particulares

1º Caso - Cilindro só com Pressão Interior ( p ) p p ; 0
a b
= =

As expressões (32) das tensões ficam, neste caso, simplificadas para a seguinte forma,
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¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
|
|
.
|

\
|
+

= σ
|
|
.
|

\
|


= σ
θ
2
2
2 2
2
2
2
2 2
2
r
r
b
1
a b
a p
r
b
1
a b
a p
(36)
Os diagramas de distribuição destas tensões ao longo da espessura da parede do cilindro são
os indicados na Figura Nº 8.


p
a b
a b
2 2
2 2

+
p
a b
a 2
2 2
2

p
r = a
p
r = a
σ
θ

r = b
-p
0
σ
r

r = b












Figura Nº 8

Os deslocamentos, para este caso, ficam reduzidos às seguintes expressões:
• se σ ⇒ 0 . const
z
= =
|
|
.
|

\
|
+ ⋅
ν +
ν −

ν +
=
r
b
r
1
1
) a b ( E
a p ) 1 (
u
2
2 2
2
(37)
• se ε ⇒ 0 . const
z
= =
(
¸
(

¸

+ ⋅ ν −

ν +
=
r
b
r ) 2 1 (
) a b ( E
a p ) 1 (
u
2
2 2
2
(38)

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ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 14 de 24
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2º Caso - Cilindro de Paredes Finas só com Pressão Interior ( ) p p ; 0 p
a b
= =

Este caso é igual ao anterior, com a condição adicional do cilindro ser de parede fina. O
objectivo da presente análise é o de confirmar a expressão (4), deduzida no início deste
capítulo, que nos indica que as tensões circunferenciais são uniformes ao longo da espessura
da parede e de valor igual a
t
a p
. A condição de parede fina consiste em fazer b convergir
para a mas considerar, contudo, que possui um valor finito. t a b = −
Por observação do diagrama de distribuição das tensões circunferenciais σ na Figura Nº 8
podemos verificar que,
θ

2 2
2
a b
a 2
p ) b r ( ) a r (

= = σ → = σ
θ θ
quando b (39) a →
Este resultado significa que é válida a hipótese de distribuição uniforme de tensões ao longo
da espessura de uma parede fina. Por outro lado, atendendo a que,
(40) t ) a b ( ) a b ( ) a b ( a b
2 2
+ = − + = −
e que
quando (41) at 2 t ) a b ( → + a b→
então, quando , verifica-se que a b→

t
a p
at 2
a 2
p ) b r ( ) a r (
2
= = = σ = = σ
θ θ
(42)
que coincide, de facto, com a expresão (4) da fórmula dos cilindros de parede fina.


3º Caso - Disco Infinito com Orifício Submetido a Pressão Interior ( ) ∞ = = = b ; p p ; 0 p
a b

Este caso obtém-se do caso nº 1 considerando que . Para obtermos as expressões das
tensões para o limite indicado, transformamos primeiro as expressões (36) para a seguinte
forma equivalente,
∞ → b
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ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 15 de 24
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¦
¦
¦
¹
¦
¦
¦
´
¦
|
.
|

\
|
+

= σ
|
.
|

\
|


= σ
θ
2 2
2
2
2
2 2
2
2
2
r
r
1
b
1
b
a
1
a p
r
1
b
1
b
a
1
a p
(43)
sendo agora fácil comprovar que, quando é, ∞ → b ,

¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
+ = σ
− = σ
θ
2
2
2
2
r
r
a p
r
a p
(44)
Na Figura Nº 9 mostram-se os diagramas de distribuição destas tensões em função de r.


p

p
- p
r = a
σ
θ

σ
r



0

0




Figura Nº 9

De forma análoga, podemos calcular os limites das expressões (37) e (38), referentes a
deslocamentos, quando . Pode verificar-se que o limite é o mesmo para ambas as
expressões, isto é, quer seja quer seja ε , obtemos sempre,
∞ → b
z
σ 0 . const = = 0 . const
z
= =

r E
a p ) 1 (
u
2
ν +
= (45)
e, no caso específico de um ponto situado sobre o bordo do orifício, em que , obtemos, a r =

E
a p ) 1 (
) a r ( u
ν +
= = (46)

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ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 16 de 24
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4º Caso - Cilindro só com Pressão Exterior ( ) p p ; 0 p
b a
= =

As expressões (32) das tensões ficam, neste caso, simplificadas para a seguinte forma,

¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
|
|
.
|

\
|
+

− = σ
|
|
.
|

\
|


− = σ
θ
2
2
2 2
2
2
2
2 2
2
r
r
a
1
a b
b p
r
a
1
a b
b p
(47)
Os diagramas de distribuição destas tensões ao longo da espessura da parede do cilindro são
os indicados na Figura Nº 10.















p
a b
a b
2 2
2 2

+

p
a b
b 2
2 2
2


0
p
r = a
p
r = a
σ
θ

r = b
-p
σ
r

r = b
Figura Nº 10

Os deslocamentos, para este caso, ficam reduzidos às seguintes expressões:
• se σ ⇒ 0 . const
z
= =
|
|
.
|

\
|
+ ⋅
ν +
ν −

ν +
− =
r
a
r
1
1
) a b ( E
b p ) 1 (
u
2
2 2
2
(48)
• se ε ⇒ 0 . const
z
= =
(
¸
(

¸

+ ⋅ ν −

ν +
− =
r
a
r ) 2 1 (
) a b ( E
b p ) 1 (
u
2
2 2
2
(49)
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ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 17 de 24
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5º Caso - Disco (Veio) Maciço Submetido a Pressão Exterior ( ) 0 a ; 0 p ; p p
a b
= = =

p
b
Este caso - ver a Figura Nº 11 - pode ser obtido do
caso anterior considerando que a . Efectuando
esta substituição nas expressões (47) das tensões,
obtém-se,
0 =
p (50)
r
− = σ = σ
θ
que representa um estado biaxial de tensão uniforme
Figura Nº 11 (estado hidrostático de tensão).

Quanto aos deslocamentos, fazendo também nas expressões (48) e (49), obtém-se 0 a =
• se σ ⇒ 0 . const
z
= =
E
r p ) 1 (
u
ν −
− = (51)
• se ε ⇒ 0 . const
z
= =
E
r p ) 2 1 ( ) 1 (
u
ν − ν +
− = (52)


Aperto entre Dois Casquilhos

As expressões deduzidas anteriormente vão-nos ser muito úteis para fazer a análise do
problema de dois casquilhos montados, sob pressão, um no interior do outro. Este tipo de
ligação é muito comum em órgãos mecânicos. A situação é mostrada na Figura Nº 12.

B
A
B
A
Casquilhos após a
montagem
Casquilhos antes da
montagem







Figura Nº 12
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ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 18 de 24
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Para que este tipo de ligação seja eficaz é necessário que se exerça uma certa pressão entre as
duas superfícies que passam a ficar em contacto após a montagem. Para garantir esse efeito,
os casquilhos são fabricados de tal modo que, à mesma temperatura, o diâmetro exterior do
casquilho interior (A) seja ligeiramente maior que o diâmetro interior do casquilho exterior
(B). Para realizar a montagem usa-se normalmente um destes dois processos:
• O casquilho (A) é forçado a entrar no interior do casquilho (B) sob a acção de uma força
axial. Esta operação pode, por exemplo, ser realizada na prensa.
• Aquece-se o casquilho (B) de tal modo que, sob o efeito da dilatação térmica, o seu
diâmetro interior aumente para um valor superior ao do diâmetro exterior do casquilho
(A). Nestas condições o casquilho (A) é introduzido facilmente no interior do casquilho
(B). A operação termina deixando arrefecer o conjunto.

Note-se que a situação final do conjunto após montagem é a mesma, independentemente do
processo utilizado para a realizar, desde que a temperatura final também seja a mesma e que
no processo de deformação dos casquilhos não ocorram deformações plásticas, isto é, que
todo o processo se desenrole no domínio de comportamento elástico dos materiais.

As questões mais importantes da análise deste tipo de problemas são:
• Que excesso se deve dar ao raio exterior de (A) relativamente ao raio interior de (B)?
• Como calcular o valor da pressão entre as superfícies de contacto após montagem?
• Com que distribuição de tensões vão ficar os casquilhos?

δ + = a d
b
a
d
c
B
A
Para iniciar a análise, consideremos - ver Figura
Nº 13 - que a e b são os raios interior e exterior,
respectivamente, do cilindro (B) e que c e d são os
raios interior e exterior, respectivamente, do
cilindro (A), medidas estas todas consideradas no
fabrico dos casquilhos, portanto, antes de qualquer
deformação havida após o processo da montagem.

Figura Nº 13
Vamos ainda considerar que δ é a interferência do raio d relativamente ao raio a, isto é, que
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ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 19 de 24
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(53) δ + = a d
Na prática, os valores de δ são de uma ordem de grandeza muito inferior à dos valores dos
raios dos casquilhos (mais adiante vamos perceber a razão). A título de exemplo, para
casquilhos em aço corrente de raio a=20mm, δ poderá ser um valor da ordem de grandeza de
uns poucos centésimos de mm. Uma proporção típica entre os valores de δ e a é de 1:1000.

A chave para a solução do nosso problema consiste em compatibilizar os deslocamentos
radiais dos dois casquilhos, considerando que, após montagem, actua sobre cada um deles a
força de pressão que se desenvolve entre as superfícies de contacto - ver a Figura Nº 14.

Estado
final
p
p
u
B

u
A

B
A
a
d
Estado
inicial
B
A
δ
b
a
d
c








Figura Nº 14


Tendo em conta que, após montagem, o raio exterior de (A) deve igualar o raio interior de
(B), então a expressão de compatibilidade é,
(54) δ = − = + ⇒ + = − a d u u u a u d
B A B A
em que os deslocamentos, nesta expressão, deverão ser tomados em valor absoluto. Para
facilitar, daqui em diante vamos utilizar as expressões dos deslocamentos referentes somente
à situação em que σ . Registemos ainda que, de acordo com o que já foi
referido, os valores dos raios
0 . const
z
= =
d e a são quase iguais, uma vez que - ver a expressão (53) - δ é
um valor muito pequeno. Nestas condições, para efeitos de cálculo dos deslocamentos radiais
iremos sempre considerar que d é igual a. Assim, as variáveis geométricas que definem o
problema ficam reduzidas, para além do δ, às variáveis a, b e c.

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ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 20 de 24
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Para obter a expressão de , vamos usar a anterior expressão (48) do 4º caso particular
(cilindro só com pressão exterior), tendo o cuidado de efectuar as substituições de variáveis
e , fazendo ainda e tomando o valor absoluto. Deste modo obtém-se,
A
u
c a → a b → a r =

|
|
.
|

\
|
+ ⋅
ν +
ν −

ν +
=
a
c
a
1
1
) c a ( E
a p ) 1 (
u
2
A
A
2 2
A
2
A
A
(55)
em que E
A
e ν
A
são, respectivamente, o módulo de elasticidade e o coeficiente de Poisson do
material de que é feito o casquilho A.

Para obter a expressão de , vamos usar agora a anterior expressão (37) do 1º caso
particular (cilindro só com pressão interior), fazendo r . Note-se que, para este caso, as
variáveis
B
u
a =
a e b mantêm o mesmo significado. A expressão que se obtém é,

|
|
.
|

\
|
+ ⋅
ν +
ν −

ν +
=
a
b
a
1
1
) a b ( E
a p ) 1 (
u
2
B
B
2 2
B
2
B
B
(56)
em que E
B
e ν
B
são, respectivamente, o módulo de elasticidade e o coeficiente de Poisson do
material de que é feito o casquilho B.

Substituindo os valores de definidos pelas expressões (55) e (56) na condição de
compatibilidade (54), obtemos,
A
u e
B
u
δ =
(
¸
(

¸

|
|
.
|

\
|
+ ⋅
ν +
ν −

ν +
+
|
|
.
|

\
|
+ ⋅
ν +
ν −

ν +
2
2
B
B
2 2
B
B
2
A
A
2 2
A
A
a p
a
b
a
1
1
) a b ( E
1
a
c
a
1
1
) c a ( E
1
(57)

Uma vez conhecidas as dimensões dos casquilhos e as propriedades elásticas dos materiais, a
expressão (57) permite calcular a pressão de contacto p em função da interferência δ dos
raios, ou vice-versa.

No caso do material dos dois casquilhos ser o mesmo, isto é, considerando que
e que , a expressão (57) pode sofrer bastantes simplificações. Nestas condições, é
possível demonstrar que a relação entre p e δ se pode exprimir na forma,
E E E
B A
= =
ν = ν = ν
B A

a 2
E
) c b ( a
) a b ( ) c a (
p
2 2 2
2 2 2 2
δ


− −
= (58)
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ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 21 de 24
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A distribuição de tensões circunferenciais nos dois casquilhos obtém-se dos 1º e 4º casos
particulares, já analisados anteriormente, sendo p o valor determinado por (58) ou (57). A
Figura Nº 15 mostra a forma dessa distribuição das tensões circunferenciais.

b
σ
θ

p
a b
a b
2 2
2 2

+
p
a b
a 2
2
2

2
p
c a
c a
2 2
2 2

+

a
c
a
2

− p
c
a 2
2
2















Figura Nº 15


Do mesmo modo, pode obter-se a distribuição de tensões radiais nos dois casquilhos a partir
dos 1º e 4º casos particulares. O resultado final é o apresentado na Figura Nº 16.







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b
σ
r

a
0
0
c
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Figura Nº 16


Ligação de Veios por Aperto

Em muitas situações, o cilindro exterior (B) do
problema anteriormente analisado é constituído por
um disco de grande diâmetro (polia ou roda
dentada) e o cilindro interior (A) é um veio de
transmissão de potência - ver a Figuar Nº 17.

Verificando-se que b>>a, podem obter-se
expressões simplificadas para o cálculo da pressão
de contacto entre o veio e o furo, fazendo b nas
expressões (57) ou (58). Considerando a expressão
(58) - que só é válida para materiais do veio e do
disco iguais - façamos primeiro a sua transformação
para a seguinte forma equivalente:
∞ =
e
Mt
b
a
c
B
A
Figura Nº 17

a 2
E
b
c
1
)
b
a
1 ( )
a
c
1 (
p
2
2
2
2
2
2
δ


− −
= (59)
Agora é fácil deduzir que o limite de p quando , ∞ → b é
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ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 23 de 24
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a 2
E
)
a
c
1 ( p
2
2
δ
⋅ − = (60)
sendo esta a fórmula a utilizar quando o veio é oco. Se o veio for maciço, então , e a
expressão (60) reduz-se à forma ainda mais simples,
0 c =

a 2
E
p
δ
= (61)

O momento torsor Mt que pode ser
transmitido numa ligação por aperto deste
tipo depende das forças de atrito t que se
desenvolvem tangencialmente ao longo da
superfície cilíndrica de raio a - ver a Figura
Nº 18. Estas forças de atrito dependem, por
sua vez, da pressão de contacto p e do
coeficiente de atrito µ entre as superfícies.
Designando por t as forças de atrito por
unidade de área de contacto, então é,
Mt
a
A
B
t
Figura Nº 18
(62) p t µ =

O momento resultante das forças de atrito tem que equilibrar o momento torsor Mt. Sendo e a
largura do disco (roda dentada ou polia) - ver a anterior Figura Nº 17 - então a condição de
equilíbrio de momentos expressa-se por,
(63) Mt a e a 2 t = ⋅ ⋅ π ⋅
donde se conclui, considerando também a relação (62), que o momento torsor se pode calcular
por intermédio da expressão,
(64)
2
pa e 2 Mt πµ =

Como observação final, vamos confirmar, baseando-nos na análise da expressão (61), que o
valor de δ da interferência dos raios deve ser, na prática, um valor muito pequeno quando
comparado com o raio a. Assim, considerando que as tensões instaladas (sejam as
circunferenciais, sejam as radiais) são da mesma ordem de grandeza da pressão de contacto, e
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ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 24 de 24
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que essas tensões devem situar-se sempre abaixo da tensão de cedência do material, isto é,
que , e considerando que a proporção entre a tensão de cedência e o módulo de
elasticidade E é geralmente muito alta, isto é, que E , então verifica-se que .
Nestas condições, e tendo em conta que, de acordo com a expressão (61), se verifica que
ced
p σ < σ ≈
ced
σ >> p E >>
E
p 2
=
a
δ
, então concluimos que deverá ser . A título de exemplo, considerando que o
material é o aço macio corrente com E=210GPa, que a pressão de contacto é p=100MPa e que
o raio é a=20mm, então obtém-se,
a << δ
019 , 0 20
E
p 2
= ⋅ =
10 210
10 100
9
6

×
× 2
a
×
= δ mm, quantidade esta
que é muito inferior ao valor do raio a.

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ORGÃOS DE MÁQUINAS

Peças Cilíndricas

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O sistema de coordenadas considerado é o sistema de coordenadas cilíndricas. Neste sistema, as direcções consideradas e os símbolos que as representam são os seguintes: • • • Radial, r Circunferencial (ou tangencial), θ Longitudinal, z

Alguns exemplos de órgãos mecânicos e de componentes estruturais que se enquadram nesta categoria de problemas são: • • • • Os corpos dos cilíndros hidráulicos; As tubagens destinadas a conduzir fluidos; As virolas cilíndricas dos reservatórios de pressão; Os veios, casquilhos e discos, ligados entre si por aperto.

Considerando as condições de simetria que são impostas - ver a Figura Nº1 - o estado de tensão instalado no interior destes corpos também deve ser axissimétrico e, portanto, as tensões originadas pelas acções exteriores serão independentes da variável circunferencial θ. Por outro lado, porque a peça em análise é cilíndrica (o que significa ter uma secção normal constante ao longo do eixo) e porque as únicas forças exteriores aplicadas na direcção longitudinal só existem nas extremidades do cilindro (σz na Figura Nº1), então também as tensões instaladas no interior do corpo serão independentes da variável z. Assim, o problema da determinação das tensões no interior do cilindro resume-se à questão de ficar a conhecer a variação das tensões ao longo da espessura da parede, o que significa que a única variável relevante do problema é a variável radial r. Cilindros de Paredes Finas No caso dos reservatórios - e mesmo em grande parte das tubagens industriais - verifica-se com frequência que o valor da espessura da parede é de uma ordem de grandeza muito inferior à do valor de um dos raios do cilindro, isto é, verifica-se que (ver ainda a Figura Nº1) t = b − a << a , b (1)

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ISEP - Dep. Eng. Mecânica

J.S.D. / 08-04-03

ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 3 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________ Nestas circunstâncias. então é. F = σ θ ⋅ 2t ⋅ L (2) e (3). (3) Igualando.S. vai-nos permitir obter um conjunto de duas expressões bastante simples para o cálculo das tensões instaladas. R = p ⋅ 2a ⋅ L (2) A força resultante R deverá ser equilibrada pelas 2 forças verticais ascendentes F/2 que constituem as resultantes das tensões normais exercidas na secção cortada do cilindro. de parede fina com espessura t (com t<<a) e submetido somente a uma pressão interior p. obtém-se a importante expressão. t F/2 z p a D t D=2a p F/2 t L R Figura Nº 2(a) Figura Nº 2(b) Consideremos as condições de equilíbrio do sistema de forças que actua sobre a metade inferior do cilindro que é obtida cortando o mesmo por um plano horizontal que contém o eixo longitudinal z. pode considerar-se a hipótese de que a distribuição de tensões ao longo da espessura da parede é uniforme. / 08-04-03 . respectivamente. os valores de R e F definidos pelas expressões __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP .um cilindro de comprimento L.Dep. A resultante das forças de pressão que actuam na superfície interior deste meio cilindro é uma força vertical descendente cujo valor é. de raio interior a. Designando essas tensões normais por σ θ (que por hipótese são uniformemente distribuídas) e sendo a secção cortada constituída por 2 rectângulos iguais cujos lados são t e L. Mecânica J. Esta hipótese. que será posteriormente confirmada como uma consequência da condição expressa por (1).ver a Figura Nº 2(a) . e resolvendo em ordem a σ θ . pela condição de equilíbrio estático. Eng.D. ver Figura Nº 2(b). Consideremos então .

os quais existem. então é. / 08-04-03 . A força R' resultante das pressões sobre qualquer um dos dois tampos extremos .D. pela condição de equilíbrio estático. que são devidas à acção da pressão sobre os topos do cilindro. a expressão (7) simplifica-se para. podem existir ainda tensões normais segundo a direcção longitudinal. que existem na direcção circunferencial. geralmente.pode expressar-se. por t F' R' p a D R ′ = p ⋅ πa 2 z (5) F' Figura Nº 3 A força resultante R' deverá ser equilibrada pela resultante F' das tensões normais exercidas sobre a secção normal ao eixo do cilindro. os valores de R' e F' definidos pelas expressões (5) e (6). __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP . Eng.Dep. obtém-se. dada a necessidade de fazer a contenção do fluido interior.S. respectivamente. Designando essas tensões normais por σ z (que por hipótese são uniformemente distribuídas) e sendo a secção normal ao eixo z uma secção com a forma de uma coroa circular de raio interior a e raio exterior a + t .ver a Figura Nº 3 . Nestas circunstâncias. σz = pa2 t (2a + t ) (7) Considerando agora a hipótese de paredes finas.ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 4 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________ σθ = pa t (4) Além destas tensões normais. independentemente da forma do tampo. Mecânica J. a espessura t que constitui a segunda parcela da soma entre parêntesis do denominador da expressão (7) pode ser desprezada quando comparada com o valor 2a. e resolvendo em ordem a σ z . F′ = σ z ⋅ π(a + t ) 2 − πa 2 [ ] (6) Igualando.

fazendo D=2a. Na prática. __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP . as tensões normais segundo a direcção radial têm pouco significado. / 08-04-03 . admitindo a hipótese de não haver pressão exterior.Dep. Eng. uma vez que. Estas fórmulas aparecem algumas vezes em função do diâmetro interior D do cilindro. Para o caso dos cilindros de paredes finas. considera-se que um cilindro é de paredes finas quando se verifica a relação D / t ≥ 20 .ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 5 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________ σz = pa 2t (8) As duas expressões (4) e (8) são as importantes fórmulas dos tubos (também conhecidas por fórmulas das caldeiras).  σ r = −p (r = a )  (r = b = a + t )  σr = 0 (10) σθ Figura Nº 4 r σz σθ σz (9) Note-se que os valores das tensões circunferenciais e longitudinais obtidos por intermédio das expressões (9) são de uma ordem de grandeza muito superior à das tensões radiais. num ponto sobre a superfície exterior a tensão radial deverá ser nula. é D = 2a >> t . ficamos com as seguintes expressões para as fórmulas dos cilindros de paredes finas: pD   σθ = 2 t    σ = pD  z 4t  A Figura Nº 4 mostra a orientação destas tensões normais num elemento infinitesimal do corpo cilíndrico. em vez do raio a.S. por hipótese. Por outro lado. Note-se ainda que o valor de σ θ é o dobro do valor de σ z . Por razões de equilíbrio estático. a tensão radial num ponto situado sobre a superfície interior do cilindro deve ser uma tensão de compressão de valor igual ao da pressão interior p. Temos assim que. Recordemos que σ θ é a tensão normal segundo a direcção circunferencial e que σ z é a tensão normal segundo a direcção longitudinal. Assim.D. Mecânica J.

representativo de um ponto interior do corpo cilíndrico.Dep. os deslocamentos no plano normal a z só existem segundo a direcção radial.a posição inicial (ABCD) e a posição deformada (A'B'C'D') de um elemento volúmico infinitesimal. Designemos por u o deslocamento radial genérico de um ponto. Consideremos . de estabelecer as expressões das deformações em função dos deslocamentos. εr = A' D' − AD (dr + u + du − u ) − dr du = = dr dr AD A' B' − AB (r + u ) dθ − r dθ u = = AB r dθ r (11) r u dr D D' u+du e a deformação linear segundo a direcção circunferencial é dada por.S.D. C' C B' B A' A dθ (z) Figura Nº 5 A deformação linear (ou extensão) segundo a direcção radial é dada por. antes de mais.ver a Figura Nº 5 .abandonando. Nesta Figura Nº5 mostra-se somente a face relevante do elemento.recordar a Figura Nº 1 . vista segundo o eixo z. εθ = (12) __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP . assim.ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 6 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________ Deslocamentos e Deformações Voltamos à análise do problema geral axissimétrico do anel de paredes grossas . Eng. Em virtude da existência de simetria axial. as hipóteses de parede fina e de distribuição de tensões uniforme ao longo da espessura da parede. / 08-04-03 . Mecânica J. Para iniciar o estudo necessitamos.

ε θ e σ z e substituir esse valor nas duas primeiras expressões de (13). podemos obter as seguintes duas expressões que nos dão a tensão radial e a tensão circunferencial em função das respectivas extensões (radial e circunferencial).D.e as correspondentes deformações lineares ε r . que se pode expressar.ver a Figura Nº 6 . podemos explicitar na terceira expressão de (13) o valor de ε z em função de ε r . ε θ e ε z . no regime elástico.Dep. Como resultado desta operação e após simplificação. σ z = 0 ) ⇒ ε z = const.S. Eng. vamos considerar agora as seguintes duas hipóteses: (A) Hipótese de tensão constante (B) Hipótese de deformação constante ⇒ σ z = const. conforme foi visto no capítulo Análise de Tensões e Deformações. A Lei de Hooke estabelece uma relação de proporcionalidade entre as tensões . pela Lei de Hooke. as tensões e as deformações encontram-se relacionadas. da seguinte forma. tendo como parâmetro o valor de σ z : __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP . / 08-04-03 . Mecânica J. (caso particular. (caso particular.ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 7 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________ Lei de Hooke Como se sabe. adaptada às notações do caso presente: z σz σr σθ  E  σ r = − ν + ν [ (1 − ν) ε r + ν (ε θ + ε z )] (1 2 ) (1 )   E [ (1 − ν) ε θ + ν (ε r + ε z )]  σθ = (1 − 2ν ) (1 + ν )   E [ (1 − ν) ε z + ν (ε r + ε θ )]  σz = (1 − 2ν) (1 + ν)  (13) σθ σz Figura Nº 6 σr No que respeita às condições impostas para as tensões/deformações segundo o eixo z do cilindro. ε z = 0 ) (14a) (14b) Tendo em vista a hipótese (A).

) k0 E 1− ν2 ν ν σz 1− ν Hipótese (B) (εz=const. k1 e kz são constantes cujas expressões se resumem na Tabela Nº 1. Mecânica J. Eng.Dep.S.ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 8 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________ ν E  σr = (ε r + ν ε θ ) + σz 2   1− ν 1− ν   σ = E (ε + ν ε ) + ν σ r z  θ 1− ν2 θ 1− ν  (15) Tendo agora em vista a hipótese (B). tendo agora como parâmetro o valor de ε z : E (1 − ν) Eν ν  σr = εθ ) + εz ( εr +  (1 − 2ν) (1 + ν) 1− ν (1 − 2ν) (1 + ν)   E (1 − ν ) Eν ν σ = εr ) + εz ( εθ + θ  (1 − 2ν ) (1 + ν ) 1− ν (1 − 2ν) (1 + ν)  (16) Podemos notar agora que os dois conjuntos de expressões (15) e (16) das duas hipóteses (A) e (B) se podem exprimir na forma comum. / 08-04-03 . (17) Hipótese (A) (σz=const.D. podemos re-escrever as duas primeiras expressões de (13) na forma das seguintes duas expressões que nos dão a tensão radial e a tensão circunferencial em função das respectivas extensões (radial e circunferencial).  σ r = k 0 (ε r + k 1 ε θ ) + k z   σ θ = k 0 (ε θ + k 1 ε r ) + k z em que k0.) E (1 − ν) (1 − 2ν) (1 + ν) ν 1− ν Eν εz (1 − 2ν) (1 + ν) k1 kz Tabela Nº 1 __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP .

Mecânica J. σ r r + σ r dr + r dσ r + dσ r dr − σ r r − σ θ dr = 0 (20) Desprezando o infinitésimo de 2ª ordem. Eng.Dep.ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 9 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________ Equilíbrio de Tensões Consideremos . dσ r dr . obtém-se. σ r dr + r dσ r − σ θ dr = 0 e dividindo pelo diferencial dr obtemos. (21) __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP . assim. que (σ r + dσ r ) (r + dr ) dθ dz − σ r r dθ dz − 2 σ θ dr dz sen (dθ / 2) = 0 (18) Dividindo todas as parcelas pelo factor comum dz e tendo em conta que sen (dθ / 2) = dθ / 2 .S. σθ eixo de projecções σr +dσr σr dθ (z) σθ dr r Figura Nº 7 Vamos estabelecer a equação de equilíbrio das projecções das 4 forças sobre o eixo de projecções indicado na figura. obtém-se. obtemos.D. / 08-04-03 . que são infinitésimos de 1ª ordem. não esquecendo que as forças se obtêm pelo produto das tensões pelas respectivas áreas infinitésimais. face às outras parcelas.ver Figura Nº 7 . Temos.o equilíbrio das forças de tensão que actuam sobre as faces do elemento infinitesimal dr × (r⋅dθ) × dz. (σ r + dσ r ) (r + dr ) dθ − σ r r dθ − σ θ dr dθ = 0 (19) Dividindo agora todas as parcelas pelo factor comum dθ e desenvolvendo o produto entre os dois binómios da primeira parcela.

d   du u u du  r  k 0 ( + k 1 ) + k z   − k 0 ( + k 1 ) − k z = 0 dr   dr r r dr  seguinte equação diferencial de 2ª ordem.D. a verificação de que a expressão geral (26) satisfaz a equação diferencial (25). pode transformar-se na sendo C1 e C2 duas constantes. Eng. Mecânica J. obtemos.ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 10 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________ σr + r dσ r − σθ = 0 dr (22) que é equivalente à expressão final de equilíbrio das tensões. C du  εr = = C1 − 22   dr r  ε = u = C + C 2 1  θ r r2  (27) __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP . Solução para as Tensões Levando em conta a solução geral obtida para os deslocamentos. Deixa-se como exercício para o aluno.S. as expressões (11) e (12) das extensões podem agora escrever-se na forma. / 08-04-03 . e posteriormente substituirmos as tensões na equação (23) de equilíbrio das tensões. u = C1 r + C2 r (26) (25) (24) expressão esta que. d 1 d   r ⋅ dr (u ⋅ r ) = 0 dr   cuja solução geral é.Dep. após sucessivas operações de simplificação. d (r σ r ) − σ θ = 0 dr (23) Equação dos Deslocamentos Substituindo as extensões obtidas pelas expressões (11) e (12) nas expressões (17) da Lei de Hooke.

Eng.D. têm que se verificar simultâneamente as seguintes equações.ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 11 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________ e substituindo estas nas expressões (17) das tensões. obtêm- (32) que. obtém-se. e recordando as notações da Figura Nº 1. / 08-04-03 . agora obtidos. C1 =  p a 2 − pbb2  1 ⋅ a 2  b − a2 − kz   k 0 (1 + k 1 )     + k z = −p a    + k z = −p b  (29) (30) Resolvendo este sistema de 2 equações nas incógnitas C1 e C2. Concretamente. podemos obter. já não dependem das constantes k 0 .  C2   σ r = k 0 (1 + k 1 ) C1 − (1 − k 1 ) 2 r     σ = k (1 + k ) C + (1 − k ) C 2 0  1 1 1  θ r2     + kz    + kz  (28) A operação que se segue consiste em determinar as duas constantes C1 e C2 em função das condições de pressão impostas nas faces interior e exterior do cilindro. Isto significa que as expressões (32) são válidas para ambas as hipóteses (A) e (B) de tensão ou de deformação longitudinal constante.   a 2b2 1  (p a a 2 − p b b 2 ) − 2 (p a − p b )  σr = 2  2  r b −a      a 2b2 1  σ = (p a a 2 − p b b 2 ) + 2 (p a − p b )   θ b2 − a 2  r    (31) Substituindo os valores de C1 e C2. a expressão da tensão radial tem que verificar as seguintes condições: para r = a ⇒ σ r = − p a  para r = b ⇒ σ r = −p b Deste modo. Mecânica J. após diversas p − pb a 2 b2 C2 = ⋅ a k 0 (1 − k 1 ) b 2 − a 2 se as seguintes expressões finais para as tensões. k 1 e k z .S. __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP .Dep.   C2  k 0 (1 + k 1 ) C1 − (1 − k 1 ) 2 a     k (1 + k ) C − (1 − k ) C 2 1 1 1  0 b2   operações de simplificação. nas expressões (28) e simplificando. note-se bem.

σ z = 0 ): u= 1+ ν 1 ν 1 − ν (p a a 2 − p b b 2 ) ⋅ r + a 2 b 2 (p a − p b ) ⋅  − σ z ⋅ r 2 2  r E E (b − a ) 1 + ν (34) Hipótese (B) u= ε z = const. nesta expressão dos deslocamentos. simplificadas para a seguinte forma.Cilindro só com Pressão Interior ( p b = 0 . pode obter-se a seguinte expressão geral. __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP . p a = p ) As expressões (32) das tensões ficam.D.Dep. (caso particular. obtidas pelas expressões (31). podemos finalmente obter as seguintes expressões para os deslocamentos. (caso particular. conforme o definido na Tabela Nº 1. k 1 e k z em função das constantes elásticas E e ν e das variáveis σz ou εz. ε z = 0 ): 1+ ν 1  (1 − 2ν) (p a a 2 − p b b 2 ) ⋅ r + a 2 b 2 (p a − p b ) ⋅  − ν ε z ⋅ r 2 2  r E (b − a )  (35) Análise de Casos Particulares 1º Caso . diferentes.S. Mecânica J. as constantes k 0 . neste caso. as expressões resultantes referentes às hipóteses (A) e (B) irão ser. / 08-04-03 . Eng. Hipótese (A) σ z = const. na equação (26) dos deslocamentos. agora. Se procedermos com as devidas substituições.  paa 2 − pbb2 a 2 b 2 (p a − p b ) 1  kz u= ⋅r + ⋅ − ⋅r 2 2  (1 − k 1 ) r  k 0 (1 + k 1 ) k 0 (b − a )  (1 + k 1 ) 1 (33) Ao substituirmos.ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 12 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________ Soluções para os Deslocamentos Substituindo as constantes C1 e C2.

Mecânica J. Eng.Dep.S. = 0 ⇒ (1 + ν) p a 2  1 − ν b2  u= ⋅r + r E (b 2 − a 2 )  1 + ν  u=     (37) • ⇒ (1 + ν) p a 2  b2  (1 − 2ν) ⋅ r +   r  E (b 2 − a 2 )  (38) __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP . / 08-04-03 . para este caso.ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 13 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________  p a 2  b2  1 − 2  σr = 2  r  b − a2      2 2  σ = p a 1 + b     θ b2 − a 2  r2     os indicados na Figura Nº 8. ficam reduzidos às seguintes expressões: • se σ z = const.D. = 0 se ε z = const. (36) Os diagramas de distribuição destas tensões ao longo da espessura da parede do cilindro são r=b r=a r=b b2 + a 2 p b2 − a 2 r=a σr 0 p 2a2 p b2 − a 2 p σθ -p Figura Nº 8 Os deslocamentos.

2a2 σ θ ( r = a ) → σ θ ( r = b) = p 2 quando b → a b − a2 da espessura de uma parede fina. deduzida no início deste capítulo. p a = p ) Este caso é igual ao anterior. b = ∞ ) Este caso obtém-se do caso nº 1 considerando que b → ∞ . Por outro lado.S.ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 14 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________ 2º Caso . quando b → a . atendendo a que.Cilindro de Paredes Finas só com Pressão Interior ( p b = 0 . p a = p .Disco Infinito com Orifício Submetido a Pressão Interior ( p b = 0 . __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP . que nos indica que as tensões circunferenciais são uniformes ao longo da espessura da parede e de valor igual a pa . Eng. com a condição adicional do cilindro ser de parede fina. b 2 − a 2 = (b + a ) (b − a ) = (b + a ) t e que (b + a ) t → 2at quando b → a então. transformamos primeiro as expressões (36) para a seguinte forma equivalente. O objectivo da presente análise é o de confirmar a expressão (4). Para obtermos as expressões das tensões para o limite indicado. verifica-se que σ θ ( r = a ) = σ θ ( r = b) = p 2a 2 p a = 2at t (42) (41) (40) (39) Este resultado significa que é válida a hipótese de distribuição uniforme de tensões ao longo que coincide. Por observação do diagrama de distribuição das tensões circunferenciais σ θ na Figura Nº 8 podemos verificar que. 3º Caso . A condição de parede fina consiste em fazer b convergir t para a mas considerar. que b − a = t possui um valor finito. Mecânica J. contudo. / 08-04-03 . com a expresão (4) da fórmula dos cilindros de parede fina.D. de facto.Dep.

obtemos. é. u (r = a ) = (1 + ν) p a E (46) __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP .Dep.  pa2  σr = − 2  r  2  σ = + pa  θ r2  Na Figura Nº 9 mostram-se os diagramas de distribuição destas tensões em função de r. Mecânica J. quando b → ∞ . (43) (44) p σθ p 0 0 r=a σr -p Figura Nº 9 De forma análoga.S. isto é. podemos calcular os limites das expressões (37) e (38). no caso específico de um ponto situado sobre o bordo do orifício. em que r = a . Pode verificar-se que o limite é o mesmo para ambas as expressões. obtemos sempre. = 0 .ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 15 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________  pa2  1 1 σr = − 2  2  2 r  a b  1− 2  b  2  σ = pa  1 + 1     θ a 2  b2 r 2  1− 2  b  sendo agora fácil comprovar que.D. = 0 quer seja ε z = const. quer seja σ z = const. referentes a deslocamentos. Eng. / 08-04-03 . quando b → ∞ . u= (1 + ν) p a 2 Er (45) e.

Dep. Eng. p b = p ) As expressões (32) das tensões ficam.S. simplificadas para a seguinte forma.Cilindro só com Pressão Exterior ( p a = 0 . / 08-04-03 . (47) Os diagramas de distribuição destas tensões ao longo da espessura da parede do cilindro são p r=b r=a p r=b r=a σr 0 − -p b2 + a 2 p b2 − a 2 σθ − Figura Nº 10 Os deslocamentos. para este caso. = 0 ⇒ u=− (1 + ν) p b 2  1 − ν a2  ⋅r + r E (b 2 − a 2 )  1 + ν      2 b2 p b2 − a 2 (48) • ⇒ u=− (1 + ν) p b 2  a2  (1 − 2ν ) ⋅ r +   r  E (b 2 − a 2 )  (49) __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP . neste caso.  p b2  a 2  1 − 2   σr = − 2 r  b − a2      2 2  σ = − p b 1 + a     θ r2  b2 − a 2     os indicados na Figura Nº 10.ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 16 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________ 4º Caso . ficam reduzidos às seguintes expressões: • se σ z = const.D. Mecânica J. = 0 se ε z = const.

um no interior do outro. Mecânica J. a = 0 ) Este caso . = 0 ⇒ ⇒ u=− u=− (1 − ν) p r E (51) (52) (1 + ν) (1 − 2ν) p r E Aperto entre Dois Casquilhos As expressões deduzidas anteriormente vão-nos ser muito úteis para fazer a análise do problema de dois casquilhos montados.ver a Figura Nº 11 . Eng. / 08-04-03 . obtém-se • • se σ z = const.pode ser obtido do caso anterior considerando que a = 0 . Este tipo de ligação é muito comum em órgãos mecânicos. sob pressão.ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 17 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________ 5º Caso .Dep. σ r = σ θ = −p Figura Nº 11 (estado hidrostático de tensão). Efectuando esta substituição nas expressões (47) das tensões. p a = 0 .D. Casquilhos antes da montagem A Casquilhos após a montagem A B B Figura Nº 12 __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP .Disco (Veio) Maciço Submetido a Pressão Exterior ( p b = p . b obtém-se. (50) p que representa um estado biaxial de tensão uniforme Quanto aos deslocamentos. fazendo também a = 0 nas expressões (48) e (49).S. A situação é mostrada na Figura Nº 12. = 0 se ε z = const.

D. Aquece-se o casquilho (B) de tal modo que. do cilindro (B) e que c e d são os raios interior e exterior. Mecânica J. independentemente do processo utilizado para a realizar.S. As questões mais importantes da análise deste tipo de problemas são: • • • Que excesso se deve dar ao raio exterior de (A) relativamente ao raio interior de (B)? Como calcular o valor da pressão entre as superfícies de contacto após montagem? Com que distribuição de tensões vão ficar os casquilhos? B A Para iniciar a análise. isto é. / 08-04-03 .Dep. respectivamente. do cilindro (A). portanto.que a e b são os raios interior e exterior. medidas estas todas consideradas no fabrico dos casquilhos. sob o efeito da dilatação térmica. antes de qualquer deformação havida após o processo da montagem. Para garantir esse efeito. Note-se que a situação final do conjunto após montagem é a mesma. ser realizada na prensa. que todo o processo se desenrole no domínio de comportamento elástico dos materiais. Para realizar a montagem usa-se normalmente um destes dois processos: • • O casquilho (A) é forçado a entrar no interior do casquilho (B) sob a acção de uma força axial. respectivamente. por exemplo. d =a+δ Figura Nº 13 d c b a Vamos ainda considerar que δ é a interferência do raio d relativamente ao raio a. Esta operação pode. A operação termina deixando arrefecer o conjunto. que __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP . desde que a temperatura final também seja a mesma e que no processo de deformação dos casquilhos não ocorram deformações plásticas.ver Figura Nº 13 . o seu diâmetro interior aumente para um valor superior ao do diâmetro exterior do casquilho (A). isto é.ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 18 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________ Para que este tipo de ligação seja eficaz é necessário que se exerça uma certa pressão entre as duas superfícies que passam a ficar em contacto após a montagem. os casquilhos são fabricados de tal modo que. Eng. o diâmetro exterior do casquilho interior (A) seja ligeiramente maior que o diâmetro interior do casquilho exterior (B). Nestas condições o casquilho (A) é introduzido facilmente no interior do casquilho (B). à mesma temperatura. consideremos .

A chave para a solução do nosso problema consiste em compatibilizar os deslocamentos radiais dos dois casquilhos. Uma proporção típica entre os valores de δ e a é de 1:1000.ver a Figura Nº 14.Dep. as variáveis geométricas que definem o problema ficam reduzidas. para além do δ. Estado inicial Estado final δ B b d uA p B d c A a A uB p a Figura Nº 14 Tendo em conta que. Para facilitar. nesta expressão. os valores de δ são de uma ordem de grandeza muito inferior à dos valores dos raios dos casquilhos (mais adiante vamos perceber a razão). uma vez que . / 08-04-03 . às variáveis a. daqui em diante vamos utilizar as expressões dos deslocamentos referentes somente à situação em que σ z = const. Eng. actua sobre cada um deles a força de pressão que se desenvolve entre as superfícies de contacto . d − uA = a + uB ⇒ uA + uB = d − a = δ (54) em que os deslocamentos. o raio exterior de (A) deve igualar o raio interior de (B). Mecânica J. considerando que. δ poderá ser um valor da ordem de grandeza de uns poucos centésimos de mm. para efeitos de cálculo dos deslocamentos radiais iremos sempre considerar que d é igual a. deverão ser tomados em valor absoluto.δ é um valor muito pequeno.D. para casquilhos em aço corrente de raio a=20mm. após montagem. de acordo com o que já foi referido. = 0 . então a expressão de compatibilidade é. b e c.ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 19 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________ d =a+δ (53) Na prática. A título de exemplo. Assim. __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP .S. após montagem. os valores dos raios d e a são quase iguais.ver a expressão (53) . Nestas condições. Registemos ainda que.

isto é. Note-se que. para este caso. (1 + ν A ) p a 2  1 − ν A c2  uA = ⋅a + a E A (a 2 − c 2 )  1 + ν A      (55) em que EA e νA são. A expressão que se obtém é.S.ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 20 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________ Para obter a expressão de u A . Substituindo os valores de u A e u B definidos pelas expressões (55) e (56) na condição de compatibilidade (54). Nestas condições. obtemos. a expressão (57) pode sofrer bastantes simplificações. No caso do material dos dois casquilhos ser o mesmo. Deste modo obtém-se. as variáveis a e b mantêm o mesmo significado. o módulo de elasticidade e o coeficiente de Poisson do material de que é feito o casquilho B.Dep. Mecânica J. a expressão (57) permite calcular a pressão de contacto p em função da interferência δ dos raios. tendo o cuidado de efectuar as substituições de variáveis a → c e b → a . Eng. fazendo r = a . ou vice-versa. respectivamente. é possível demonstrar que a relação entre p e δ se pode exprimir na forma. uB = (1 + ν B ) p a 2  1 − ν B b2  ⋅a + a E B (b 2 − a 2 )  1 + ν B      (56) em que EB e νB são. o módulo de elasticidade e o coeficiente de Poisson do material de que é feito o casquilho A. considerando que E A = E B = E e que ν A = ν B = ν . vamos usar a anterior expressão (48) do 4º caso particular (cilindro só com pressão exterior). fazendo ainda r = a e tomando o valor absoluto. / 08-04-03 .  1+ νA 1− νA c2  ⋅a +  2 2  a  E A (a − c )  1 + ν A  1− νB 1+ νB b2 +  E (b 2 − a 2 )  1 + ν ⋅ a + a  B   B  2  p a = δ   (57) Uma vez conhecidas as dimensões dos casquilhos e as propriedades elásticas dos materiais. Para obter a expressão de u B . respectivamente.D. vamos usar agora a anterior expressão (37) do 1º caso particular (cilindro só com pressão interior). (a 2 − c 2 ) ( b 2 − a 2 ) E δ p= ⋅ 2a a 2 (b 2 − c 2 ) (58) __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP .

b a c σr __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP . já analisados anteriormente. b b2 + a 2 p b2 − a 2 a c 2a2 p b2 − a 2 σθ a 2 + c2 p − 2 a − c2 2a2 − 2 p a − c2 Figura Nº 15 Do mesmo modo.S. A Figura Nº 15 mostra a forma dessa distribuição das tensões circunferenciais. Mecânica 0 0 J. Eng. sendo p o valor determinado por (58) ou (57).D. / 08-04-03 .ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 21 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________ A distribuição de tensões circunferenciais nos dois casquilhos obtém-se dos 1º e 4º casos particulares. pode obter-se a distribuição de tensões radiais nos dois casquilhos a partir dos 1º e 4º casos particulares.Dep. O resultado final é o apresentado na Figura Nº 16.

Eng. Mt Verificando-se que b>>a.que só é válida para materiais do veio e do disco iguais . Considerando a expressão (58) .façamos primeiro a sua transformação para a seguinte forma equivalente: p= (1 − a2 c2 ) (1 − 2 ) b ⋅ Eδ a2 2 2a c 1− 2 b e Figura Nº 17 (59) Agora é fácil deduzir que o limite de p quando b → ∞ é.ver a Figuar Nº 17.Dep.ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 22 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________ Figura Nº 16 Ligação de Veios por Aperto Em muitas situações. Mecânica J. / 08-04-03 .S. __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP .D. o cilindro exterior (B) do problema anteriormente analisado é constituído por um disco de grande diâmetro (polia ou roda dentada) e o cilindro interior (A) é um veio de transmissão de potência . fazendo b = ∞ nas expressões (57) ou (58). podem obter-se A B b a c expressões simplificadas para o cálculo da pressão de contacto entre o veio e o furo.

Estas forças de atrito dependem. t = µp (62) Figura Nº 18 Mt t a A B O momento resultante das forças de atrito tem que equilibrar o momento torsor Mt. baseando-nos na análise da expressão (61). vamos confirmar. / 08-04-03 .Dep.ver a anterior Figura Nº 17 .então a condição de equilíbrio de momentos expressa-se por. que o valor de δ da interferência dos raios deve ser. e __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP . e a expressão (60) reduz-se à forma ainda mais simples. Sendo e a largura do disco (roda dentada ou polia) . p= Eδ 2a (61) O momento torsor Mt que pode ser transmitido numa ligação por aperto deste tipo depende das forças de atrito t que se desenvolvem tangencialmente ao longo da superfície cilíndrica de raio a . sejam as radiais) são da mesma ordem de grandeza da pressão de contacto. um valor muito pequeno quando comparado com o raio a. Mt = 2πµe pa 2 (64) (63) donde se conclui.ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 23 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________ c2 E δ p = (1 − 2 ) ⋅ 2a a (60) sendo esta a fórmula a utilizar quando o veio é oco. Assim. então c = 0 . da pressão de contacto p e do coeficiente de atrito µ entre as superfícies.ver a Figura Nº 18. Se o veio for maciço. então é. Mecânica J. que o momento torsor se pode calcular Como observação final. na prática. Designando por t as forças de atrito por unidade de área de contacto. t ⋅ 2πa ⋅ e ⋅ a = Mt por intermédio da expressão. considerando também a relação (62).D.S. considerando que as tensões instaladas (sejam as circunferenciais. por sua vez. Eng.

então obtém-se. que a pressão de contacto é p=100MPa e que 2p 2 × 100 × 10 6 o raio é a=20mm. / 08-04-03 . se verifica que δ 2p = . considerando que o a E material é o aço macio corrente com E=210GPa. Nestas condições. quantidade esta E 210 × 10 9 que é muito inferior ao valor do raio a.ORGÃOS DE MÁQUINAS Peças Cilíndricas 24 de 24 __________________________________________________________________________________________________________________ que essas tensões devem situar-se sempre abaixo da tensão de cedência do material. e considerando que a proporção entre a tensão de cedência e o módulo de elasticidade E é geralmente muito alta. A título de exemplo. de acordo com a expressão (61).Dep.D. então concluimos que deverá ser δ << a . isto é. __________________________________________________________________________________________________________________ ISEP .S. e tendo em conta que. que E >> σ ced . isto é. que p ≈ σ < σ ced . δ = ⋅a = ⋅ 20 = 0. Mecânica J.019 mm. então verifica-se que E >> p . Eng.

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