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ISSN 1516-781X Outubro, 2005
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Centro Nacional de Pesquisa de Soja Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Documentos 260
A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo
Elemar Voll Dionísio Luiz Pizza Gazziero Alexandre Magno Brighenti Fernando Storniolo Adegas Celso de Almeida Gaudêncio Cristiano Elemar Voll

Londrina, PR 2005

Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na: Embrapa Soja Rodovia Carlos João Strass - Acesso Orlando Amaral Caixa Postal 231 86001-970 - Londrina, PR Fone: (43) 3371-6000 - Fax: 3371-6100 Home page: http://www.cnpso.embrapa.br e-mail (sac): sac@cnpso.embrapa.br Comitê de Publicações da Embrapa Soja Presidente: João Flávio Veloso Silva Secretária executiva: Regina Maria Villas Bôas de Campos Leite Membros: Alexandre Magno Brighenti dos Santos Antonio Ricardo Panizzi Clara Beatriz Hoffmann-Campo Décio Luiz Gazzoni George Gardner Brown Ivan Carlos Corso Léo Pires Ferreira Waldir Pereira Dias Supervisor editorial: Odilon Ferreira Saraiva Normalização bibliográfica: Ademir Benedito Alves de Lima Editoração eletrônica: Neide Makiko Furukawa Capa: Danilo Estevão 1a Edição
1a impressão 10/2005 - tiragem: 500 exemplares Todos os direitos reservados. A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei no 9.610). A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo / Elemar Voll ... [ et al.] . – Londrina: Embrapa Soja, 2005. 85p. ; 21cm. - - (Documentos / Embrapa Soja, ISSN 1516781X; n.260).

1.Erva daninha. I.Voll, Elemar. II.Gazziero, Dionísio Luiz Pizza. III.Brighenti, Alexandre Magno. IV.Adegas, Fernando Storniolo. V.Gaudêncio, Celso de Almeida. VI.Voll, C.E. VII.Título. VIII.Série. 632.5

 Embrapa 2005

Postal 231 86001-970 .Londrina. Manejo de Plantas Daninhas Embrapa Soja Cx. Manejo de Plantas Daninhas Embrapa Soja Cx. Dr. PR Fone: 43 3371-6252 voll@cnpso. PR Fone: 43 3371-6270 gazziero@cnpso.embrapa.Londrina. Manejo de Plantas Daninhas Embrapa Soja Cx. Dr. Dr. Postal 231 86001-970 .br Dionísio Luiz Pisa Gazziero Engº Agrº.br Alexandre Magno Brighenti Engº Agrº.embrapa. PR Fone: 43 3371-6277 brighent@cnpso. Postal 231 86001-970 .Autores Elemar Voll Engº Agrº.embrapa.Londrina.br .

Fernando Storniolo Adegas Engº Agrº.net Cristiano Elemar Voll Engº Agrº. Antares 13416-130 .Piracicaba. SP Fone: 19 3402-1916 elemarcv@aol.Londrina.com .br Celso de Almeida Gaudêncio Engº Agrº. 280/71 . Mestrando em Plantas Daninhas ESALQ/USP Av. 804 . PR Fone: 43 3371-6112 adegas@cnpso. MSc Manejo de Culturas Rua Belo Horizonte. São João.Ed.15o andar 86020-060 . PR Fone: 43 3323-4538 celso@garoa. Manejo de Plantas Daninhas Emater-PR Cx.embrapa. Dr.Londrina. Postal 231 86001-970 .

complementados com outros da literatura. soja orgânica. emergência e reinfestação) de algumas espécies daninhas e suas habilidades em competir com a cultura da soja. sobrevivência. busca-se contribuir para o entendimento e a adoção de práticas como semeadura direta. integração lavoura-pecuária ou o uso da agricultura de precisão. Espera-se contribuir para um melhor entendimento dos problemas relacionados à biologia (germinação. rotação de culturas. João Flávio Veloso Silva Chefe Adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento Embrapa Soja . Desse modo. aliado à sistemas de manejo. são apresentados e discutidos resultados de pesquisa obtidos em experimentos conduzidos na Embrapa Soja.Apresentação Neste documento.

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.................................. 10 Parte I .............................................................................................................................................................................. 26 Influência da cobertura morta no controle de plantas daninhas ....................................................................................................................................................................................... 11 Planta daninha .... 38 Manejo da época de semeadura e controle de plantas daninhas .......................................................................... 22 Efeitos de manejo sobre bancos de sementes ......... 12 A dinâmica de populações de plantas daninhas ........................................Sumário Resumo .. 25 Efeitos do tipo de manejo sobre a emergência de plantas daninhas .................................... 11 Introdução ....... 23 Variações anuais de emergência ..... 18 Banco de sementes no solo ........................................................................................................................................................................................... 12 Ocorrência................................................. 20 Fatores ligados à germinação e dormência das sementes .................................. 21 Estratégias de dormência ................................................... 36 Manejo da cobertura de aveia..................................... 39 Períodos de interferência .......................................................... importância e características de algumas espécies daninhas .............................. 40 ....................................................................................... 19 Comportamento de banco de sementes ............ 9 Abstract ....................................................

........................................................................... 65 Produção de soja orgânica .......................................................................................................... 52 Parte II ..............................Perdas por competição ......................... 70 Controle de plantas daninhas em soja transgênica ........................... 61 Integração lavoura-pecuária ............................................................. 53 Casos de ocorrência prática em lavouras ....................................................................... 66 Agricultura de precisão ................................................... 48 Estratégias de controle da competição .......................................................................................................................................................................................... 71 Referências ............................................... 46 Alelopatia ................ 51 Resistência de plantas daninhas à herbicidas ..... 72 . 41 Manejo do solo e relações com as plantas daninhas ........................ 53 Controle de plantas daninhas na lavoura ...................

à emergência e à competição com a cultura da soja. O trabalho aborda ainda. São apresentados resultados de pesquisa obtidos na Embrapa Soja e outros das regiões Sul e Central do Brasil. maiores considerações sobre o controle de plantas daninhas. discutindo seus efeitos alelopáticos. Tendo em vista a importância da integração lavoura-pecuária foram considerados os seus efeitos sobre o . são apresentadas algumas estratégias de controle das infestações e considerações sobre a resistência de plantas daninhas. As diversas práticas visam o seu controle a níveis de maior eficiência econômica e menor impacto ambiental. são realçadas a importância das coberturas mortas que antecedem a cultura da soja no sistema de semeadura direta. Sobre o manejo das plantas daninhas.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo Resumo A dinâmica de plantas daninhas em sistemas de produção agrícola. a descrição de algumas espécies daninhas quanto a seus aspectos vegetativos. O trabalho apresenta. é influenciada pelo manejo do solo e da cultura. Também. envolvem a discussão sobre fatores relacionados à dormência das espécies. como a da soja. necessitando-se para isso conhecimentos para determinar ações adequadas. na 1ª parte. São apresentados também aspectos relativos de competição e perdas de produção. que alteram o banco de sementes e a competição das plantas daninhas com uma cultura. Considerações gerais sobre bancos de sementes. o programa de manejo integrado (MIPD) e casos de ocorrência prática de campo. na 2ª parte. e de efeitos da aplicação de corretivos. comportamentos ambientais. como do calcário. Foram feitas considerações sobre a época de controle em relação ao momento da semeadura e seus problemas. à germinação. acrescido de mais informações bibliográficas. incluindo os herbicidas. distribuição geográfica e importância econômica.

Also. Aspects related to weed competition. as well as crop yield losses and importance of limestone application. more general considerations on weed control practices.10 Embrapa Soja. . 260 controle de plantas daninhas. environmental behaviors. the importance of cover crops in soybean no tillage was enhanced. The work also presents. in the 1st part. its importance on weed control was considered. are presented. about the integrated weed management program (IWM) and cases of practical occurrence. Abstract Population dynamics of weeds and management practices The dynamics of weeds in crop production systems. The management practices seek to control for higher economical efficiency and lower environmental impact. In view of farming-livestock integration. geographical distribution and economical importance. The work presents. emergence and competition with the soybean crop. including herbicides. The production of organic soybean crop is discussed. in the 2nd part. as well as the importance of precision agriculture uses and weed control in transgenic soybeans crop were considered. some control strategies and considerations about weed resistance are presented. agricultura de precisão e o controle de plantas daninhas em soja transgênica foram considerados. the description of some harmful species related to vegetative aspects. obtained at Embrapa Soja and all over Brazillian country. as to the allelopathic effects. is influenced by soil and crop managements. In respect to weed management. Research results. Aspectos de produção de soja orgânica. Considerations were made about timing of control as to sowing and related problems. as in soybeans. germination. affecting seedbank species and its competition hability with the crop. General considerations on seedbanks. needing for that to have knowledge to determine appropriate actions. involve the discussion about factors related to dormancy. Documentos. are presented and joined with literature references.

baseando-se em trabalhos de dinâmica do estabelecimento de plantas daninhas. num período de quase 20 anos. além da semeadura direta. Assuntos de importância. principalmente na região Centro-Oeste do Brasil. e seus benefícios para o controle de plantas daninhas. juntamente com informações importantes da literatura.” .pode ser definido como a seleção e integração de métodos de controle de plantas daninhas. Os trabalhos envolvem apresentação e discussão de dados sobre biologia. para manejar adequadamente os fatores de produção nas lavouras. como integração lavoura-pecuária. “O manejo integrado de plantas daninhas . Não foram deixados de considerar a importância do uso de herbicidas. econômico e ecológico. É necessário que se disponibilize informações que melhorem as condições de gerenciamento do produtor.MIPD . favoráveis do ponto de vista agronômico. também é muito importante o levantamento das condições de produção e registros ordenados sobre a condução da lavoura. competição e manejo de plantas daninhas. foram acrescentados.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 11 PARTE I Introdução O Documento apresenta resultados de pesquisa obtidos sobre manejo de plantas daninhas na Embrapa Soja. produção de soja orgânica e agricultura de precisão. Não se pretendeu fazer uma apresentação exaustiva de plantas daninhas e de problemas de manejo. que possam complementar conhecimentos úteis ao agricultor. o que deverá permitir a integração de toda a tecnologia disponível para obter uma produção agrícola rentável. A abrangência de informações apresentadas sugere a necessidade de pesquisas complementares a serem conduzidas. Por sua vez. associados às condições de manejo das culturas. em função de diferentes manejos da cultura da soja.

No entanto. Documentos. rizomas. água. 260 Planta daninha Conceito geral: São plantas que crescem onde não são desejadas. além de permitirem a identificação. A capacidade de sobrevivência da planta daninha é atribuída aos seguintes atributos ou mecanismos: grande agressividade competitiva. grande longevidade das sementes. importância e características de algumas espécies daninhas Levantamentos de espécies daninhas. Podem apresentar problemas por ocasião da colheita. por nutrientes. podendo ser apoiadas pelo uso com procedimentos de agricultura de precisão. Ocorrência. podem servir para adequar manejos de solo e da cultura e resultar na racionalização do uso de herbicidas. apresentam benefícios como plantas apícolas e na redução da erosão do solo.12 Embrapa Soja. quantificação e a evolução da flora infestante numa área. onde são indesejáveis. . tigüera e outros. germinação escalonada e mecanismos diversos de reprodução (sementes. inços. Denominações: Vários são os termos usados para denominar essas plantas. bulbos. Crescem espontaneamente em todos os solos agrícolas e em outras áreas de interesse do homem. espaço e luz. como a soja. como: plantas daninhas. Taxas de emergência das espécies obtidas a partir de um banco de sementes. facilidade de dispersão das sementes. grande produção de sementes. também podem ter aplicação na predição da eficiência de controle das espécies nas lavouras. ervas daninhas. invasoras. numa cultura. estolões). dificultando a operação de máquinas colhedoras e aumentando problemas de impureza e umidade nos grãos. Problemas: Competem com culturas econômicas.

cheirosa (Hyptis suaveolens). b) folhas largas: carrapicho-rasteiro (Acanthospermum australe). em semeadura direta de soja (Embrapa Soja. surgem novas espécies daninhas a cada ano. com infestações intensas. caruru (Amaranthus spp. c. falsa-serralha (Emilia sonchifolia). amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla). Levantamentos e observações feitas nas regiões produtoras de soja.-marmelada (Brachiaria plantaginea). Algumas dessas espécies não são comuns na Região Sul. Suas sementes germinam durante o verão. O balãozinho (Cardiospermum halicacabum). erva-quente (Spermacoce latifolia). c.) e trapoeraba (Commelina benghalensis). 2002 – Resultados de Pes- . joá (Solanum spp. c. da integração lavoura-pecuária e a produção de soja orgânica. É bastante freqüente em todo o país.-carrapicho (Cenchrus echinatus). Avaliações de bancos de sementes e de emergência indicaram uma taxa de emergência de 54%. no Brasil.). guanxuma (Sida rhombifolia).A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 13 Tais conhecimentos podem viabilizar o uso da semeadura direta. Nas regiões produtoras de soja no Cerrado (13. Uma descrição geral do comportamento de algumas espécies é apresentada a seguir: s Amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla). principalmente em lavouras sob semeadura direta. Germinações esparsas ocorrem durante o ano todo. ou nos Cerrados. mantendo-se viáveis por vários anos (67).-colchão (Digitaria spp. É uma planta daninha temida pelos sojicultores devido à dificuldade de controle. ocorrendo em lavouras anuais e perenes. 78). corda-de-viola (Ipomoea spp. braquiária (B. decumbens). mentrasto (Ageratum conizoides) e o desmódio (Desmodium tortuosum).). poaia-branca (Richardia brasiliensis).). picãopreto (Bidens pilosa). principalmente plantas daninhas de folhas largas. emergindo de até 12 cm de profundidade. é uma espécie muito temida no sul. indicam como mais freqüentes e abundantes as seguintes invasoras: a) gramíneas: capim-custódio (Pennisetum setosum).

Suas sementes podem apresentar elevado grau de dormência. A disperesão das sementes ocorre por um mecanismo explosivo das plantas no campo. reduzindo-se a 12 cm (20%) (18) (33). infestações das lavouras de soja das regiões do Planalto Médio. Suas sementes apresentam formas angulares e são de cor pretoacinzentadas. as dificuldades na separação mecânica das sementes em peneiras e o comportamento biológico. não germinam a -1. com baixo suprimento de umidade. mucilaginosa.14 Embrapa Soja. No Rio Grande do Sul. apresentando essas uma viabilidade de 95% (33). têm aumentado em cerca de 30% a 40% (100). s Balãozinho (Cardiospermum halicacabum). são alguns dos fatores que facilitam a propagação da espécie. Maior emergência (80%) pode ocorrer a 2-4 cm de profundidade no solo. sem reinfestações. A falta de um controle eficaz. Essas condições de sobrevivência a tornam um sério problema. 260 quisa. Determinações feitas nessa planta indicam que a produção de frutos varia em número de 14-16. É uma planta daninha trepadeira. Alto Uruguai e das Missões. A perda de rendimento de grãos de soja pela convivência de 1 planta de . Têm se tornado um sério problema também na cultura da soja no sul dos Estados Unidos (57). Lavouras infestadas não tem sido elegíveis para produção de semente certificada. Sua ocorrência tem aumentado significativamente na região Sul do país e pode atrapalhar as condições de colheita (67). podendo não apresentar um período de dormência (77). comparado a outras sementes daninhas. Em outro experimento conduzido em semeadura direta a sobrevivência de sementes no solo foi de três anos (35). Entretanto pode ser eliminado em condições ambientais que favoreçam o ataque de míldio (Peronospora farinosa) (111). ou seja. Doc. que facilita a germinação. sendo máxima a 35ºC. Mantida a taxa de redução anual. O balãozinho apresenta significativa capacidade de infestação e competição com a soja. Quando umedecidas. Tem viabilidade de 95-98% (77). Documentos. 214). as sementes se envolvem com uma substância higroscópica. estima-se um período sobrevivência do banco de sementes de sete anos. não requerem luz e germinam em temperaturas de 20-40ºC.5 Mpa de umidade no solo. com 43-49 sementes.

Para as não dormentes. s Capim-custódio (Pennisetum setosum). Diferentes manejos de solo não tem afetado o seu período de sobrevivência no solo. com temperatura ótima de 35°C. associado a outras práticas culturais. principalmente no Sul e Sudeste do país. pode variar entre 1 e 2. As sementes respondem positivamente à luz. Sua alta agressividade competitiva. onde já provocou grandes perdas na cultura da soja. Na fase de pós-semeadura da soja. Há disponibilidade de herbicidas.5% (99. 111). É uma das principais invasoras na cultura da soja da região dos cerrados. A germinação máxima ocorre na profundidade de 1-3 cm e é reduzida após os 6 cm (57). a sua emergência pode variar entre 1% em semeadura direta e 10% em semeadura convencional (117). tem resultado em significativas perdas de produção (67). É particularmente importante. sendo especialmente não desejada em lavouras de algodão (67). Pode apresentar alta porcentagem de sementes viáveis. s Carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum). Sementes dormentes não germinam a temperaturas entre 10 e 40ºC. Com a eliminação do tegumento. Geralmente forma infestações densas. a germinação aproxima-se de 80%. s Cheirosa ou mata-pasto (Hyptis suavolens). É uma das plantas daninhas anuais freqüentes nos solos cultivados das regiões Centro e Sul do Brasil.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 15 balãozinho/m2 durante o ciclo da soja. 46). Poucos herbicidas tem dado bons resultados de controle (19). Tem se alastrado no sudoeste goiano. É uma séria infestante de lavouras. exceto aquelas coletadas mais próximas da época de semeadura da soja. que facilitam o controle dessa espécie. prejudica inclusive a colheita (13). estimado em 10 anos (119). Dificulta a colheita e . porém são dormentes imediatamente após coletadas. O balãozinho é capaz de germinar entre 15°C e 40°C. Em conseqüência da sua capacidade de perfilhamento e infestação. a melhor germinação ocorre entre 20-25ºC. A cor das sementes não tem relação com a viabilidade ou dormência (45. A resposta depende do teor de água das sementes. em lavouras anuais de soja e milho. s Capim-marmelada (Brachiaria plantaginea).

comum nas sementes de leguminosas (23). permitindo o seu rebrotamento e a reposição contínua do banco de sementes. Ocorrem duas espécies de importância em lavouras: I. onde . Herbicidas de contato. não tem apresentado uma ação efetiva de controle. 83). Mato Grosso. de ocorrência comum na região Centro-Sul do Brasil. sua sobrevivência no solo pode atingir em torno de 10 anos. A partir da década de 80 ganhou importância no Brasil.4% e 7. É uma espécie nativa da América tropical. de modo especial. o que motiva a reaplicação anual de herbicidas.6%. É de fácil disseminação (13). 260 aumenta a umidade dos grãos e o teor de impurezas da soja colhida. sem germinar. impermeável. devido à dificuldade em absorver água ou oxigênio. em semeadura convencional e direta. As sementes de plantas deste gênero apresentam dormência decorrente da impermeabilidade do tegumento. Embora a absorção de água ainda aumente após 24 h de embebição. característica que proporciona maior sobrevivência (24. 102) e é uma das causas da dormência. pelas dificuldades causadas por ocasião da colheita.0%. Produz uma grande quantidade de sementes. 60% das sementes podem continuar duras. Sudeste e Sul do país. As exigências em temperatura variam com as condições fisiológicas das sementes (75. Documentos. Planta daninha anual.).16 Embrapa Soja. como planta infestante de lavouras de soja nos estados de Mato Grosso do Sul. de aplicação pós-emergente. A taxa de emergência tem variado entre 4. São consideradas plantas daninhas muito prejudiciais às culturas anuais e perenes de verão das regiões Centro-Oeste. no ano seguinte entre 0. ou ambos. s Desmódio (Desmodium tortuosum). Causa o embuchamento das colhedoras (67). Baseado num dado de germinação de 34%. 79). respectivamente. indicam baixa intensidade de emergência. Goiás e Minas Gerais (12. As sementes apresentam tegumento duro. Preocupa. O desmódio estabelece-se em cultivos de soja. grandifolia e I. Observações sob condições de campo. s Corda-de-viola (Ipomoea spp.4 e 1. purpurea. Sementes escarificadas submetidas a temperaturas alternadas de 20/ 35ºC alcançaram 98% de germinação (71).

seja incomum ver plantas de picão em áreas de cultivo de arroz inundadas. devido ao seu profundo sistema radicular. Muito prolíficas e de ciclo curto. S. B. Após 28 dias de imersão. As temperaturas ótimas de germinação de B. S. pilosa e B. Ambas germinam mais do que 75%. rhombifolia e S.). De modo geral. Talvez. spinosa germina à 35 ou 40ºC. em regiões de clima temperado (54). subalternans é hospedeira de nematóides (67). com até três gerações por ano. por um período de um dia. Bastante comuns em lavouras de todo o país (67). s Picão-preto (Bidens spp. respectivamente. Pode apresentar uma sobrevivência de até quatro anos no solo (122). Uma espécie. spinosa. rhombifolia germina à temperaturas de 35ºC e. durante a noite e o dia. A imersão das sementes em água. Em experimento conduzido em semeadura direta a sobrevivência de sementes no solo foi de três anos (35).). a germinação foi nula (84). Uma planta de picão-preto pode . são desfavoráveis à germinação. por isso. reduziu a germinação de 56% para 25%. tem-se observado a presença de altas infestações e germinação escalonada. pilosa variam de 25/20ºC e de 35/30ºC. s Guanxuma (Sida sp. São infestantes altamente competitivas com as culturas agrícolas. subalternans. Ocorrem duas espécies: B. spinosa e suporta um maior estresse de água (98). a outra. A temperatura mínima exigida para a germinação pode ser o fator responsável pela sua emergência tardia. sem controle herbicida. que se estende até o período de fechamento da cultura. especialmente nas condições de milho safrinha. Ocorrem duas espécies principais. S. No entanto pode reinfestar facilmente.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 17 pode atingir uma altura de cerca de 180 cm e produzir intensa quantidade de sementes. Os percentuais de germinação variam entre 78-90% e a emergência máxima ocorre preferencialmente com as sementes a 1 cm de profundidade e nenhuma a 10 cm. S. Temperaturas abaixo de 15/10ºC e acima de 45/40ºC. São sérias infestantes de lavouras anuais e perenes do Centro-Sul do país. Em lavouras. rhombifolia germina melhor do que S. Formam infestações densas.

A dinâmica de plantas daninhas envolve aspectos da biologia e ecologia das espécies e pode ser alterada pelas condições de manejo da cultura. Em áreas sob o estabelecimento e competição intensa do capim-marmelada. Sementes armazenadas por 3 a 5 anos ainda podem apresentar germinação de 80% (53). É a espécie de trapoeraba mais comum de lavouras (67). fatores de manejo e meio ambiente. as sementes aéreas. maiores. é possível observar os diversos componentes da dinâmica das plantas daninhas. As taxas de germinação aumentam com o tamanho das sementes (124). as pequenas germinaram 33% e as grandes 90%. em relação a uma cultura. Também são afetadas pelas condições de manejo da cultura.18 Embrapa Soja. s Trapoeraba (Commelina benghalensis). varia. Este benefício pode ser melhor explorado com a introdução de uma pastagem de braquiária em lavouras de soja. A dinâmica de populações de plantas daninhas O conhecimento da dinâmica de plantas daninhas envolve o estudo da biologia das espécies. . As sementes do solo respondem melhor à luz do que as aéreas (125). incluindo informações do ciclo de vida e suas interações com as plantas cultivadas. A profundidade ótima para a germinação varia de 0 a 5 cm. tem mostrado reduções do banco de sementes maiores do que a verificada com o uso de herbicidas (121). e as sementes do solo. Para as sementes do solo. A germinação. Para as sementes aéreas. as pequenas germinaram de 0 a 3% e as grandes de 20 a 35%. É uma planta daninha infestante de lavouras anuais e perenes. Na Figura 1. espaço e nutrientes. esquematizada a seguir. pelo período de alguns anos. A maioria germina logo após a maturação. a partir de um banco de sementes no solo. apenas 1 a 3%. que alteram o meio ambiente. 260 produzir de 3 a 6 mil sementes. logo após a colheita. com as quais compete por água. num esquema de integração lavoura-pecuária. Documentos. As sementes aéreas são menores e representam 73 a 79% do total. 19 a 22%. A trapoeraba apresenta sementes aéreas e subterrâneas. luz.

Figura 1. sendo afetadas também pelas próprias densidades e envelhecimento.1+$6 12 62/2 • • Linhas pontilhadas indicam interações entre as plantas daninhas e o meio ambiente Linhas cheias indicam ciclo de vida das plantas daninhas. O banco de sementes no solo pode variar em quantidade e em qualidade de sementes. Fatores componentes da dinâmica de plantas daninhas. .0$ 62/2 &ROKHLWD (PHUJrQFLD 3OkQWXODV 6REUHYLYrQFLD 3URGXomR GH VHPHQWHV 'LVVHPLQDomR 5HLQIHVWDomR 0RUWDOLGDGH 'HQVLGDGH (QYHOKHFLPHQWR %$1&2 '( 6(0(17(6 '( 3/$17$6 '$1. das culturas e dos meios de controle. A existência de um banco de sementes no solo dá-se em função de espécies já existentes na área e de outras introduzidas pelo cultivo da terra. Grande quantidade de sementes morre no solo devido ao ataque de diversos agentes biológicos (fungos. que podem ou não estar dormentes. insetos). Essas populações se estabelecem em função de variadas condições de manejo do solo. em função de diferentes manejos do mesmo. afetam as condições de germinação das sementes. alterados pelas condições de manejo. O clima e o solo. Outra parte germina e emerge. variáveis em número. Banco de sementes no solo Representa a diversidade de espécies de plantas daninhas no solo. a intensidade variáveis. dispersas no seu perfil.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 19 &8/785$ 0DQHMR &RPSHWLomR &/.

o meio ambiente e os fatores de manejo. dependendo da espécie. 260 As plântulas estabelecidas produzem quantidades variáveis de sementes maduras conforme a espécie e podem ser disseminadas anterior. germinando a maior parte no primeiro ano. em períodos de tempo variáveis. Para saber das expectativas de reinfestação numa dada área é necessário conhecer as porcentagens de germinação.20 Embrapa Soja. . Esses comportamentos devem ainda estar relacionados com as causas que produzem as alterações. Outras. controle químico e operações de colheita (39). de modo geral. durante ou posteriormente aos procedimentos de colheita da cultura. como a de trapoeraba. de emergência e a expectativa de sobrevivência de sementes não germinadas ou dormentes das espécies mais importantes do banco de sementes. Comportamento de banco de sementes A composição qualitativa e quantitativa da flora daninha de um determinado local reflete o sistema de cultivo em uso. com a introdução de novas espécies de plantas daninhas. As sementes sobreviventes germinam durante vários anos. podem sobreviver no solo por cerca de 40 anos (121). reduzem a disseminação. ou o aumento das já existentes (29). altas taxas de germinação e emergência. Documentos. Mudanças nas espécies presentes podem variar entre locais. na ausência de reinfestação (122). rotação de culturas. a reinfestação e seus períodos de sobrevivência no banco de sementes. Programas eficientes de controle de plantas daninhas. Sementes como as de amendoim-bravo e picão-preto apresentam. tais como as condições internas das sementes. como as de preparo do solo. É necessário relacionar o comportamento das espécies daninhas com as várias práticas culturais executadas. exaurindo-se no solo em cerca de três a quatro anos.

Vários procedimentos são usados para determinar as causas dessa limitação. tratamentos com ácido sulfúrico e envelhecimento das sementes (tegumentos impermeáveis a água e ao oxigênio). de ano para ano. Ao final de um . as populações declinam mais rapidamente (2 a 3x) em solos cultivados do que em solos não cultivados (89). em semeadura convencional. e das alterações ambientais introduzidas num sistema de produção agrícola. no período de aumento das temperaturas. Em geral. O grau de dormência das sementes de Chenopodium album mostrou-se inversamente relacionado ao seu tamanho e espessura da camada do tegumento (60). Ocorrem também variações nas produções de “sementes duras”. A taxa de decréscimo varia com o manejo de solo.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 21 Apenas parte das sementes germinam e emergem do solo para competir com a cultura. compostos nitrogenados (suprem a deficiência de nitratos. Fatores ligados à germinação e dormência das sementes A germinação das sementes de plantas daninhas pode estar ligada a diversos fatores de dormência. Certas sementes recém coletadas ou armazenadas secas como as de picão (Bidens tripartita). primariamente. em geral 5 a 7% na safra. Êsses valores são variáveis em função de diversos fatores. fitohormônios (ácido giberélico). períodos de embebição em água (sementes como as do amendoim-bravo apresentam gomas envoltórias. observa-se um decréscimo exponencial no número de sementes viáveis. que não germinam. requerem tiouréia e luz (vermelha) para a quebra de dormência e germinação. influenciadas pelo ano de produção das sementes (101). que facilitam a absorção de água e a germinação sob baixas condições de umidade do solo). incluindo todas as espécies. suprimentos adequados de luz e temperatura. A periodicidade de emergência anual relaciona-se. Germinam melhor à profundidades de até 1 cm (14). em média de 32% em solo cultivado e de 12% para solo não cultivado. por exemplo. ou seja. A sobrevivência de um banco de sementes de plantas daninhas é função das condições ecológicas em que as mesmas se encontram. promovendo a germinação). com a ocorrência de chuvas.

Em pesquisa. formas e cores) e carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum) (sementes claras e escuras). 48. Outras vezes. deve ocorrer a predominância de sementes menores e mais dormentes. Para sementes com baixo grau de dormência. Em geral. a profundidade não afeta a sobrevivência de modo amplo. também respondem pelo estado de dormência das mesmas. ou uma relação favorável de níveis de oxigênio no solo. 128) e químicas. Ambas as substâncias parecem funcionar como barreiras à invasão microbiana (37). . na superfície ocorre maior chance de emergência e menos morte de sementes. Características físicas das sementes. uma vez que estas sementes absorviam água tão rápido como as sementes dormentes (48). é necessária uma chuva de alta intensidade. para a germinação ocorrer. 37. Em capim-colchão (Digitaria sanguinalis) observou-se que a dormência não era devida à permeabilidade do tegumento à água. Documentos. e os teores de lignina da cariopse e tanino das glumas. Ciclos de secagem e umidecimento e o envelhecimento das sementes também causam a quebra de dormência. A sobrevivência de sorgo (Sorghum bicolor) no solo correlaciona-se positivamente com a firmeza das glumas. Aquelas que não germinam prontamente. como para corda-de-viola (Ipomoea purpurea). Exemplos da existência de polimorfismo somático são as espécies como trapoeraba (Commelina benghalensis) (variados tamanhos. como presença de glumas e firmeza. permeabilidade do tegumento e sua embebição (20. que contém inibidores de germinação solúveis em água (14). 260 certo período de controles sucessivos. decrescendo a maiores profundidades (52). 55.).22 Embrapa Soja. perdem a viabilidade. como teores de lignina da cariopse e de tanino das glumas (37). deve-se observar também a ocorrência possíveis diferenças polimórficas nas espécies em teste. como para amendoim-bravo (Euphorbia sp. Estratégias de dormência As estratégias de dormência e germinação inerentes a cada uma das espécies daninhas contribuem para a perpetuação de suas sementes no solo.

efeitos de luz. 89. 122). A competição intensa do capim-marmelada e seus efeitos alelopáticos podem ter sido responsáveis por essa maior redução. num período de cinco anos (111. 96) interferem no processo de dormência das sementes. na ausência do uso de herbicidas. as sobrevivências foram menores em semeadura direta da soja. respectivamente. populações e anos devem ser levados em conta nas avaliações de germinação de uma espécie e na modelagem da dinâmica de bancos de sementes (7). As estimativas de sobrevivência do banco de sementes foram de 5. a localização das sementes no perfil (30.reguladores de plantas. os efeitos de práticas agronômicas (níveis de fertilidade do solo. nos sistemas convencional e direto. Efeitos de manejo sobre bancos de sementes Na Tabela 1 são apresentados resultados de redução anual do banco de sementes de capim-marmelada e as estimativas de sobrevivência (em anos). numa seqüência de trigo-soja. 95. respectivamente.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 23 Variações de dormência entre plantas mãe. Para a trapoeraba (121). 120. 116. 88. 64. sob a palha. efeitos de cultivos e outras interações). fisiologia e bioquímica (fitohormônios . 105) e o cultivo do solo (81. O capim-marmelada (116) apresentou reduções anuais do banco de sementes de 31. 118. Os dados indicam melhores condições de germinação das sementes na superfície do solo. ocorreram reduções adicionais do banco de sementes. 34. Nos ciclos anuais de dormência fazem parte. por alterarem o meio ambiente. genética e biologia molecular) e modelos de germinação e bancos de sementes (32). 119. A estação do ano. Este fenômeno deve ser melhor explorado com . obtidos em experimentos conduzidos em Londrina.2 e 12 anos para os sistemas de semeadura direta e convencional. na ausência de reinfestação.7% e 58. 121. De modo geral. PR.9%. para esta e outras espécies. farmacologia.

7DEHOD  Redução anual do banco de sementes de capim-marmelada e estimativas de sobrevivência para esta e outras espécies de plantas daninhas. picão e o amendoim-bravo.0 Estimativa sobrevivência Espécies de plantas daninhas CapimCapimCarrapicho. podem contribuir para reduzir problemas futuros de infestação. A produção de soja orgânica também deverá ser facilitada. em rotação com a soja.6 58. Substâncias alelopáticas. por períodos iguais ou maiores aos de sobrevivência de plantas daninhas. Documentos.PicãoBalãozinho Trapoeraba marmelada colchão de-carneiro bravo preto (anos) 12.0 – 5. como o capim-marmelada.Amendoim. liberadas pelas raízes das braquiárias.2 – 8 – 6 – 42 21 22 13 10 10 12 10 4 – 3 – 4 – 4 – 6 – 7 – 24 Manejo de solo Convencional O estabelecimento de pastagens. Embrapa Soja. como o ácido aconítico. 260 . A integração lavoura-pecuária deverá ser útil para contornar problemas de resistência à herbicidas.9 46. Redução anual Manejo de Capimherbicidas marmelada (%) Com Sem Semeadura direta Com Sem 31. podem controlar a germinação de espécies problema e estimular microorganismos do solo na destruição das sementes dormentes.7 32.

A emergência das plantas daninhas aumenta com os enterrios superficiais e. o cultivo afeta a emergência e a sobrevivência das sementes das espécies daninhas.6% na semeadura convencional e de 56. 101).4% na direta. a redução média anual foi de 61. Variações nas produções de “sementes duras” são influenciadas pelo ano de produção das sementes. em substituição a soja. eficiência dos herbicidas. que provocam a sua compactação. respectivamente. Tais espécies apresentam elevada capacidade germinativa e emergência no solo. com a integração lavoura-pecuária. 1531 e 4346 m2. ataque de fungos. para zero no terceiro ano (35). Variações anuais de emergência Certas espécies anuais de plantas daninhas são abundantes em alguns anos e menos comuns em outros. O cultivo do solo acarreta redistribuição vertical das sementes daninhas e modificações nas propriedades físicas do solo. Em conseqüência. respectivamente (111). como variação no tipo de cultura. Outros dados indicam que após três anos de semeadura direta. Sementes de Setaria lutecens apresentaram menos que 18% de sementes duras em 1969. Considerando o banco de sementes de balãozinho.) declinaram de 590. Vários fatores são citados. devido às mudanças que provoca nas condições do solo e também pela redistribuição das sementes no perfil (73). bactérias e insetos e a taxa de emergência anual da espécie (42). correspondendo à sobrevivências de seis e sete anos. produção anterior de sementes. . por um período de cinco anos. Menores períodos de sobrevivência foram observados para o amendoimbravo e o picão-preto (122). As porcentagens de emergência variam entre as espécies e nos anos (90. Assim. a sobrevivência das sementes aumenta com a profundidade. exponencialmente. em 1967 (101). amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla) e caruru (Amaranthus spp. sementes viáveis de guanxuma (Sida spinosa).A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 25 a introdução da pastagem de braquiária. ou seja. a maiores profundidades. porém mais que 54%. época de preparo do solo. decresce.

num período de cinco anos. onde as sementes foram incorporadas à profundidade de 0-15 cm. 129). 61. no período. e 923% no segundo ano. foram maiores em semeadura direta do que em semeadura convencional. Londrina. nos sistemas de semeadura convencional e direta (Tabela 2). estão disponíveis para algumas espécies daninhas. com base na temperatura do ar. no período de aumento das temperaturas (101). as emergências no 2º ano são menores do que no primeiro. independente do manejo usado (20. a diferentes taxas. variaram entre 61-88% no primeiro ano. As emergência da cordade-viola e caruru. 55. O declínio da emergênia foi exponencial (82). Efeitos sobre capim-marmelada Na fase de pré-semeadura da soja (Figura 2). Documentos. em Londrina. Efeitos do tipo de manejo sobre a emergência de plantas daninhas Os resultados apresentados neste ítem relacionam-se com pesquisas conduzidas na Embrapa Soja. 64). PR. PR (117. Níveis anuais de emergência. As estimativas da temperatura do solo. podem ser de grande utilidade nos trabalhos de simulação (2). as emergências anuais de capim-marmelada foram variáveis com os anos e com os sistemas de . Porcentagens de emergência são importantes para investigações econômicas. As emergências totais de plantas daninhas. 121). A periodicidade relaciona-se primariamente com a ocorrência de chuvas. Os experimentos foram conduzidos na Embrapa Soja. Geralmente. em pré e pós-semeadura. visando a tomada de decisões de manejo (103).26 Embrapa Soja. Cultivos repetidos e profundos resultam em declínios exponenciais da emergência de plântulas. 260 Taxas de germinação são afetadas por temperatura e disponibilidade de água no solo (60. em diferentes períodos de anos.

1 1. Manejos Convencional Semeadura direta 1 2 A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo Capim-marmelada Pré-s1 Pós-e2 Anual 5.0 Pré-semeadura.5 1. * Plantas daninhas se caracterizam pela grande agressividade competitiva com as culturas.9 1.8 8.9 2. Em alguns casos.6 7. Apresentam grande capacidade de produzir sementes e variam em tempo de sobrevivência no solo. as sementes podem apresentar baixa dormência.7DEHOD  Emergências anuais (%) de capim-marmelada. como por exemplo. trapoeraba e amendoim-bravo.0 Amendoim-bravo Pré-s Pós-e Anual – 28. o amendoim-bravo (ou leiteira) e o picão-preto. grande capacidade germinativa e alta infestação das lavouras.6 Trapoeraba Pré-s Pós-e Anual Emergências anuais (%)* 0.0 – 32.3 6. 27 .0 2.9 2. Pós-emergência.1 0.0 – 60. que são reduzidas sob maiores níveis de fertilidade do solo.

As emergências anuais de capim-marmelada (Figura 4). 260 25 SDIR EGR CONV AIV  20 È  à h 15 v p  r t … 10 r € @ 5 0 89/90 90/91 91/92 92/93 93/94 Qr…t‚q‚Ãh‚† Figura 2.8 e 3. na safra 91/92. a taxa de emergência (25%) foi maior que nos demais manejos. No início do experimento. com o aumento das . manejo (117). Nos anos seguintes. Devido à condições climáticas favoráveis. decresceram inicialmente na ausência de controle herbicida. especialmente em semeadura direta da soja. dados de emergências de capim-colchão (Digitaria horizontalis) estas variaram entre 0. ocorreu alta porcentagem de emergência. convencional (CONV) e aiveca (AIV). porcentagens de emergência foram menores nos manejos com menor movimentação do solo e onde permaneceu a cobertura de palha de trigo. Na semeadura direta. Emergências anuais (%) de capim-marmelada. não houveram diferenças significativas entre os manejos. De modo geral. as infestações nessa fase foram baixas.28 Embrapa Soja. escarificação e grade rome (EGR). nos manejos de semeadura direta (SDIR). respectivamente (120).5%. É muito importante nessa fase reduzir o período entre as operações de manejo e a semeadura. na fase de pré-semeadura da soja. nos sistemas direto e convencional. Emergências anuais (%) de capim-marmelada. visando atrasar a emergência e competição das espécies daninhas com a cultura. Documentos. Comparando. na fase de pós-semeadura da soja (Figura 3) variaram entre 4 e 10%.

nos manejos de semeadura direta (SDIR). Emergências anuais (%) de capim-marmelada. escarificação e grade rome (EGR). com e sem controle herbicida. Emergências médias anuais de capim-marmelada (%) nos manejos. . convencional (CONV) e aivéca (AIV). 10 Emergência (%) 8 6 4 2 0 89/90 Sem herbicidas Com herbicidas 90/91 91/92 Período (anos) 92/93 93/94 Figura 4.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 29 12 SDIR EGR CONV A IV  È  à h v p  r t … r € @ 10 8 6 4 2 0 89/90 90/91 91/92 92/93 93/94 Qr …t‚q‚Ãh‚†  Figura 3. na fase de póssemeadura da soja.

18/11 e 12/12/91). A semeadura da soja foi feita em três diferentes épocas (18/10. trigo e aveia. Em outro experimento (Tabela 3. quando prescedida pelas culturas de inverno. as emergências aumentam com a redução do banco de sementes e a perda de dormência das sementes no solo. Os dados confirmam resultados de menor emergência de plantas daninhas sob sistemas de manejo com menor movimentação do solo. Emergências de capim-marmelada (%) nos manejos. trigo ou aveia-preta. 12 Sem herbicidas 10 Emergência anual (%) 8 6 4 2 0 CONV EGR Manejos SDIR AIV Com herbicidas Figura 5. esta rolada no estádio de grão leitoso. Maior emergência de plan- . com controle e sem controle herbicida. comparado ao convencional e com aivéca. prescedendo a cultura da soja. sendo intermediário na escarificação e grade rome. Figura 6) foram estabelecidos tratamentos de pousio. tendendo a se estabilizar. sob controle com herbicida. Ao contrário. a perder a dormência. Documentos. a medida que os anos passam. As emergências tendem a aumentar. 260 reinfestações no solo. Os resultados (Tabela 3) indicam menores infestações de plantas de capim-marmelada emergidas por metro quadrado em semeadura direta da soja. As emergências de capim-marmelada variaram com os manejos (Figura 5) e são menores em semeadura direta.30 Embrapa Soja.

tas de capim-marmelada ocorreu na primeira época de semeadura. no qual resultou em diferenças não significativas de infestação de capim-marmelada. Conv = convencional). . O nível de controle de capimmarmelada pela culturas assemelha-se e é significativamente maior no sistema direto do que no convencional (47). sem cobertura vegetal.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 31 7DEHOD  Efeitos de manejo do solo e da época de semeadura na infestação de capim-marmelada (%UDTXLDULD SODQWDJLQHD). Conv = convencional). com maior infestação no sistema convencional. Época de semeadura da soja 18/out 18/nov 12/dez Trigo Sdir 61 25 51 Conv Sdir 2 Nº de plantas/m 472 143 188 21 26 19 Aveia Conv 319 276 143 (Sdir = semeadura direta. Efeitos do manejo do solo e de palhas na infestação de capim-marmelada (Braquiaria plantaginea). incluindo o tratamento pousio. Aveia rolada no estádio de grão leitoso Capim-marmelada Sdir 300 2 Plantas infestantes (nº/m ) 268 246 Conv 250 200 150 100 50 0 Trigo Aveia Culturas de inverno Pousio 46 22 118 128 Figura 6. (Sdir = semeadura direta. Na Figura 6 é apresentada a média das infestações.

260 Efeitos sobre a trapoeraba As emergências médias de trapoeraba nos diferentes tipos de manejo. o capim-marmelada tem se estabelecido em detrimento das outras espécies. nas fases de pré e pós-semeadura da soja. As taxas anuais de emergência foram insignificantes em pré-semeadura e maiores em pós-semeadura da soja (121). foram baixas e variáveis.32 Embrapa Soja. Emergências médias de trapoeraba (%) nos diferentes tipos de manejos. o problema tende a não se estabele- . Os levantamentos de plantas daninhas emergentes e o conhecimento de suas taxas de emergência permitem a identificação e quantificação da flora infestante e sua evolução numa área de lavoura. Documentos. nas fases de pré e pós-semeadura da soja. atingindo no máximo 4% (Figura 7). Efeitos sobre o balãozinho Embora os produtores do norte do Estado do Paraná estejam preocupados com a ocorrência do balãozinho. como de trapoeraba e carrapicho-de-carneiro. Em áreas com altas infestações de plantas daninhas. O cultivo do solo tem aumentado a intensidade de emergência das espécies. 5 PRÉ PÓS Somatório 4 È  à h3 v p  r t2 … r €1 @ 0 89/90 90/91 91/92 92/93 93/94 Qr…t‚q‚Ãh‚† Figura 7.

abundantes chuvas poderiam facilitar a germinação (57).8%.4%. As densidades de plantas de balãozinho decresceram de ano para ano (em Londrina. e de 56. A redução anual do banco de sementes de balãozinho foi de 61. na semeadura direta. na ausência de reinfestações.2% e . foram maiores em semeadura direta (17. No entanto. o que pode indicar ausência de maiores problemas na Região Central do Brasil (111). PR). com projeção de sobrevivência. em razão das diferenças ambientais. As emergências anuais. em razão do ataque de míldio (Peronospora farinosa). respectivamente. Redução anual do banco de sementes de “balãozinho” nos manejos de semeadura convencional (¨) e direta (n) da soja. As estimativas dos períodos de sobrevivência foram. 9. não ocorrendo reinfestações. 120 Banco de sementes (%) 100 80 60 40 31 20 12 0 0 1 2 3 Anos 4 5 6 7 19 40 100 81 Figura 8.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 33 cer com a mesma gravidade do que no sul do Brasil (RS). na semeadura convencional. merece atenção o fato de que a temperatura ótima de germinação da semente é alta (ótima aos 35°C) em relação a outras espécies e.6%. eliminada a barreira do tegumento no processo de germinação (eleva-se a 80%). de seis e sete anos (Figura 8). Ocorreu uma tendência a maior infestação em semeadura direta. em pós-emergência da cultura. provavelmente.

5 Figura 9.1%) do que na convencional (14. Perdas de produtividade de soja foram estimadas em 8. Emergência anual de “balãozinho”.5 Anos 2 2.805e 2 R = 0.214e 2 R = 0. 32. No 3º ano.2 4. as sementes remanescentes seriam “sementes duras”.8% e 0.5 3 Yconv= 91.7%). em pós-emergência da cultura.5 1 1.6697x Ysdir = 45.6%. somadas as de pré e pós-emergência da cultura. 4. a partir de um banco de sementes inicial.34 Embrapa Soja. nos manejos de semeadura convencional (¨) e direta (n). na ausência de reinfestações. tendendo a ser eliminado por condições ambientais que favoreçam o ataque de míldio (Peronospora farinosa).98 9. Documentos.1 3. Emergência de balãozinho (%) 25 20 17. . Nestas condições não ocorreu a reinfestação com nova produção de sementes.9%.5 3.8 -0.8739x 14. 260 3. O balãozinho apresenta significativa capacidade de infestação e de competição com a soja. As emergências anuais. 10. numa seqüência de três anos. com a presença de 10 plantas/m2 de balãozinho.1%. em 3549 kg/ha de soja. foram maiores também em semeadura direta (42.0% e 5.1%.96 -1. Uma maior porcentagem de germinação das sementes é observada no 1º ano. nos três anos.9% e 0. com maiores restrições à germinação (Figura 10).0%) do que na convencional (29.1 0. nos três anos (Figura 9).8 15 10 5 0 0 0.5%).

A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo

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30 Emergência (%) 25 20 15 10 5 0 SC . SD

Ano 97/98 Ano 98/99 Ano 99/00

SC Manejos

SD

Pré-semeadura

Pós-semeadura

Figura 10. Emergência de balãozinho (%) na cultura da soja, determinada em função do banco de sementes, em pré e pós-semeadura da soja, nos manejos de semeadura convencional (SC) e direta (SD).

Determinações de emergência em outras espécies de plantas daninhas como, corda-de-viola (Ipomoea spp.) e caruru (Amaranthus spp.), num período de cinco anos, foram maiores em semeadura direta do que em semeadura convencional, em que as sementes foram incorporadas a profundidade de 0-15 cm no solo. A emergência total de plantas daninhas no período variou entre 61-88% no primeiro ano, e 9-23% no segundo ano. O declínio da emergência no período foi exponencial.

Efeitos da distância entre linhas de semeadura
A integração de práticas de manejo para o controle de plantas daninhas, como associar a redução do espaçamento entre linhas, possibilita reduzir as quantidades utilizadas de herbicidas. Resultados de um experimento conduzido (19) são apresentados na Figura 11. Observa-se que a meia dose do herbicida (graminicida + latifolicida) resultou em produção máxima de soja em todos os espaçamentos. Na ausência de capina, ocorreram reduções significativas de produção, com o aumento dos espa-

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Embrapa Soja. Documentos, 260

4000 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 0

a ab a b a a a b

a a a b Dose recomendada Meia dose Testemunha Capinada Testemunha sem capina

Produtividade (kg/ha)

20

40 Espaçamentos (cm)

60

Figura 11. Controle cultural associado a doses reduzidas de herbicidas.

çamentos. O espaçamento de 20 cm, sem herbicidas, resultou numa perda menor de produção, comparado com a grande capacidade competitiva da infestação presente, no maior espaçamento. Em cultivos de soja orgânica, onde não é permitido o uso de herbicidas, a utilização de espaçamentos menores (20 cm) seria uma alternativa para o controle das plantas daninhas. Áreas com menores infestações são mais indicadas.

Influência da cobertura morta no controle de plantas daninhas
Na quantidade de “sementes”
A cobertura morta de plantas faz parte do sistema de semeadura direta. Essas coberturas são formadas pelas restevas ou resíduos vegetais das culturas de inverno, como trigo, aveia, centeio, cevada, leguminosas, nabo forrageiro, milheto ou plantas daninhas mantidas na superfície do solo.

A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo

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Resultados obtidos com aveia-preta têm demonstrado que quantidades de 4,5 a 9,0 t/ha de matéria seca na superfície do solo tem reduzido populações de capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) de 700 plantas/m2, na área de pousio, para 5 a 20 plantas/m2 (43). Em outro experimento, uma cobertura de matéria dessecada de aveia de 5,4 t/ha reduziu de modo exponencial uma emergência de 44,7 plantas/m2 para 1,8 plantas/m2 (104). Medidas de controle com herbicidas poderiam até ser dispensadas sob menores infestações, após avaliação do custo/benefício de uma aplicação, ou ter a eficiência de controle aumentada.

Na qualidade da flora ou espécies
Uma pesquisa conduzida por nove anos, num esquema de rotação de 1/3 de milho e 2/3 de soja, mostrou uma redução na densidade de folhas largas e aumento na densidade de gramíneas (93). Isto indica que em áreas infestadas com gramíneas, o controle das mesmas normalmente é suficiente para evitar perdas no rendimento do milho, porém poderá ocorrer germinação tardia, deixando a lavoura “suja”. Este fato proporcionou aumento da densidade de gramíneas na cultura da soja, no verão seguinte. Por outro lado, após a colheita do milho, o capim-marmelada pode ser aproveitado como pastagem para bovinos. Neste caso, o referido “escape” tardio da gramínea seria desejável (“Sistema Santa Fé” de introdução de pastagem). Áreas com a cultura da cana-de-açúcar, após determinado período de cultivo, têm sido cultivadas com soja. Dois decretos-lei (1997) proibem a queima da palhada após a retirada da cana. Resultados de campo indicam que espécies daninhas, como picão-preto, amendoim-bravo, cordade-viola e guanxuma têm suas infestações controladas com quantidades de palha iguais ou superiores a 6 t/ha (69), bem como beldroega, caruru (A. deflexus), capim-colonião (P. maximum), capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) e capim-colchão (D. horizontalis) (67). Existe certa distinção entre as plantas daninhas infestantes que germinam após diferentes palhadas de plantas para cobertura de solo, no inverno. Predominâncias de folhas largas ocorrem após gramíneas e de

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Embrapa Soja. Documentos, 260

folhas estreitas, após as leguminosas ou crucíferas. A aveia preta tem sido a mais eficiente na redução de espécies daninhas de folhas largas e estreitas (5). As diferenças devem-se a diferentes substâncias alelopáticas liberadas pelas palhadas e suas interações com as infestantes.

Na retenção de herbicidas nas palhas
A perda de eficiência de herbicidas residuais, quando interceptados pelas coberturas mortas, é uma possibilidade. Herbicidas como o atrazine, interceptados por resíduos de aveia-preta, não mostraram diferenças significativas com os teores encontrados no solo descoberto, após uma chuva de 20 mm, o que permitiu também uma redução na dose do produto (43). Com procedimento semelhante, praticamente todo o imazaquin foi lixiviado para o solo (92); com o herbicida trifluralin, apenas traços do produto foram detectados no solo e na palha, tanto antes como após a irrigação (91).

Outros efeitos
Áreas descobertas, sem aveia, podem resultar em maior germinação (quebra de dormência de sementes) anterior a instalação da cultura da soja e resultar em menores infestações em pós-semeadura. Por sua vez, sob a palhada de aveia, baixas temperaturas na época anterior à semeadura podem resultar em maior emergência, na fase de pós-semeadura da soja.

Manejo da cobertura de aveia
Manejo mecânico ou químico da aveia-preta não diferiram com relação à taxa de decomposição e o controle de plantas daninhas na colheita, em semeadura direta de milho (8) (Tabela 4). As combinações dos controles também não resultaram em benefícios distintos. O manejo mecânico é uma boa opção nos cultivos orgânicos.

Isso. para evitar problemas de eficiência de controle e de reinfestação.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 39 7DEHOD  Efeitos dos manejos mecânico e químico em aveia-preta. deste modo.5 b 19. o que pode implicar em possíveis efeitos fitotóxicos dos herbicidas à cultura. ** Tukey 5%.5 b** 8. as perdas de rendimento (74). necessidade de reaplicar o herbicida. podem ser necessárias aplicações antecipadas de herbicidas pós-emergentes. Quando o preparo do solo. é de enorme importância prática para reduzir problemas de aplicação de herbicidas pós-emergentes. diminuindo. em relação à época de semeadura da soja. em relação à data de dessecação da cobertura vegetal. ou de manejo de herbicidas não seletivos no sistema direto. A competição exercida pela cultura pode ser usada na redução do crescimento das plantas daninhas e aumento da mortalidade delas.0 a 878* 601 912 Dessecante sulfosate (1. Constatou-se também que o efeito da densidade de plantas . ou o manejo. bem como.5 L ha ) Rolo-faca Triturador * Diferenças não significativas. aumenta as perdas de grãos decorrentes da interferência de capim-marmelada (40) ou de guanxuma e picãopreto (86). Resultados de perdas por competição indicam que atrasos na época de semeadura da soja. 63* 40 50 Manejo da época de semeadura e controle de plantas daninhas A época de preparo do solo e aplicação de herbicidas residuais. Redução de fitomassa de aveia aos 68 dias (%) -1 Tratamento Plantas daninhas Cobertura Massa na do solo colheita (%) (kg/ha) 10. e a semeadura incorrem num período relativamente largo. no sistema de semeadura direta. para atender controle nos estádios adequados de desenvolvimento das espécies daninhas.

perdas econômicas na produção (80). A quantidade de sementes produzidas por picão-preto ou pela guanxuma é elevado. O controle das plantas daninhas até o surgimento do 4º nó do estádio de crescimento da soja (V4). Mesmo sob “baixas” densidades dessas espécies. em que não ocorrem perdas. menor será também a produção de sementes pelas plantas daninhas. assim. 260 daninhas na sua produção de sementes depende da época de emergência da soja. e o período total de prevenção da interferência (PTPI). resultou numa pequena perda de produção (<2. composição. O curto período livre de competição indica a necessária duração do efeito residual de um herbicida na cultura da soja e suporta o uso de herbicidas pós-emergentes e das capinas mecânica (1). podem ocorrer perdas de produção a níveis econômicos de dano na cultura da soja. o período crítico varia entre locais e anos. Documentos. Na soja. em relação à dessecação da cobertura vegetal. densidade e epóca de emergência de espécies daninhas. Entretanto.40 Embrapa Soja. esse período inicia em torno de 25 a 30 dias após a semeadura e corresponde ao momento em que se faz a capina ou se aplica herbicidas pós-emergentes. O PCPI representa o período durante o qual a cultura deve ser mantida na ausência das plantas daninhas. foi observado entre o estádio de florescimento (R1) e o estádio do enchimento de vagem (R5) (86). situa-se após um período anterior à interferência (PAI). como estádio de desenvolvimento da cultura. com perda de produção.5%). em relação às mesmas. Esse período de interferência ou competição. . associado a outros fatores. evitando-se. no qual as perdas assumem dimensões crescentes. Quanto mais cedo a soja for estabelecida. Períodos de interferência As perdas de produção devidas às plantas daninhas dependem de um período crítico de prevenção da interferência (PCPI). Um período de maior interferência. aproximadamente 30 dias após a emergência.

intensidade e época em que se estabelecem em relação à cultura. PR. aproximadamente. luz. A variedade mais produtiva e de ciclo vegetativo mais longo (Embrapa 36) sofreu maiores perdas de produção (115). nutrientes e espaço. A escolha varietal e a melhor época de semeadura de uma cultivar também interferem na competição. indicou a seguinte órdem crescente de competição: capimmarmelada < corda-de-viola < amendoim-bravo < fedegoso (115). Cultivar de soja Embrapa-1 Embrapa-36 Produção (kg/ha) 2500 3200 Amendoim-bravo (25 pl/m ) 10% de perdas 25% de perdas 2 As intensidades relativas de competição variam com a espécie de planta daninha (Tabela 6). Em estudo realizado em Londrina. Por exemplo. . A idéia de que as gramíneas são mais competitivas talvez esteja ligado à sua maior capacidade de infestação nas lavouras. Manejos culturais. a comparação de capacidade competitiva entre quatro espécies. o efeito de apenas uma planta de fedegoso corresponde ao de três plantas de capim-marmelada. Na Tabela 5 observa-se os diferentes efeitos competitivos de amendoimbravo (25 plantas/m2) sobre duas cultivares de soja (precoce e semi-precoce). redução de espaçamentos nas entrelinhas e aumento da densidade de semeadura. em função das práticas de manejo. A competição é variável em função da cultura e suas características varietais e da espécie daninha presente. favorecendo um melhor desenvolvimento da cultura. como fertilização. são os principais fatores que podem ser adotados na redução da competição. A descompactação do solo (subsolagem) também auxilia na redução da competição. nas densidades de 5 plantas/m2.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 41 Perdas por competição As perdas de produção são devidas à competição das plantas daninhas com a cultura por água. 7DEHOD  Perdas relativas de produtividade de distintos cultivares de soja em função de uma determinada infestação de amendoim-bravo.

na intensidade de 10 plantas/m2. foi observado elevado grau de dormência das sementes e a melhor profundidade de germinação foi entre 2 e 5 cm. como o lactofen e o fomesafen propiciaram controle do balãozinho entre 70% e 90%. já são suficientes para redu- . Menor capacidade de competição foi observada para o balãozinho. respectivamente.1% (111).42 Embrapa Soja. Em experimento conduzido com essa espécie no Rio Grande do Sul (99). Soja cv.22 3.5% e 35. Em semeadura direta.773 1. Aplicações de herbicidas.46 2. Os vários resultados de competição com a cultura da soja mostram que espécies como o amendoim-bravo. indicam variações nas intensidades de perdas entre as espécies. 10 plantas de amendoim-bravo. convivendo com a soja por 115 dias. Planta Daninha Capim-marmelada Corda-de-viola Amendoim-bravo Fedegoso Perdas por planta (%) 1. Os resultados foram obtidos em experimentos instalados no mesmo período e com a mesma duração. com mesmos níveis de infestação.0%. Comparações ao nível de 10 plantas/m2. foram estimadas em 8.000 Perdas comparativas de produção de soja devido à competição com algumas espécies de plantas daninhas. induzem uma variabilidade muito ampla na redução da produção. causaram reduções na produção de 12. também podem ser observadas na Tabela 7. em relação ao amendoim-bravo e desmódio. pela competição com o balãozinho. 260 7DEHOD  Perdas relativas de produção por competição de espécies de plantas daninhas e respectivos coeficientes de perdas (CP). A perda de rendimento de grãos de soja foi de 26% pela convivência de 10 plantas/m2 durante o ciclo da soja. Condições que contribuem para tais resultados são a intensidade e a época de emergência da espécie. em sistemas de manejo convencional e direto. Perdas de produtividade de soja. em dois sistemas de manejo.90 Coeficiente de perdas (%) 0. Embrapa-48.372 0.02 3. Outros trabalhos conduzidos no RS (25) mostram que 12 plantas/m2 de leiteiro. Documentos.567 0. nas safras de 97/98 e 98/99.

26 r = 0.7DEHOD  Perdas comparativas de produção de soja.0 6.8 Balãozinho (Médias de 3 anos) Scon Sdir Perda de produção (%) 0.4 41.9 38.2 20.83 1 2 r = 0.1 17.0 8. média de 2 anos).8 7.0 11.0 6.3 32.0 3.7 25.90 r = 0.4 24.3 40.0 3.4 16.8 34.1 21.94 Scon = semeadura convencional. 43 .3 30.4 0.7 29.73 r = 0.= 3805 kg/ha. Número 2 plantas/m 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 Amendoim-bravo (Médias de 2 anos) 1 2 Scon Sdir 0.1 26. Sdir = semeadura direta Grande variabilidade nos dados para semelhantes produções nos dois anos (Testemunha. hiperbólica retangular: r = 0. em dois sistemas de manejo.2 21.3 10.0 11. sob competição com algumas plantas daninhas.9 0.6 A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 1997/98 12.0 Ajuste à Eq.2 6.5 16.2 15.78 r = 0.2 9.1 Desmódio (Médias de 3 anos) Scon Sdir 0.6 35.5 1998/99 35.6 38.6 14.3 27.5 13.0 33.8 31.5 12.

perdas de 12% numa densidade de 42.73. Estimativas de perdas de rendimento de soja. haveria retorno econômico pela aplicação de herbicidas pós-emergentes. Pode causar dificuldades na colheita da soja e transmitir umidade aos grãos (58). PR. se estabelece com algum atraso na cultura. ao nível de oito plantas/m2. O picão-preto reduziu mais o rendimento da soja do que o leiteiro.Dados não publicados). Trata-se de uma espécie daninha que.7 pl/m2 de capim-marmelada. como 60 plantas/m2. 260 zir o rendimento da cultura. Também se estima (59) que seriam necessárias mais de 11 plantas/m2 de picão-preto para interferir no rendimento da soja cv. BR-29 e que 8 pl/m 2 de corda-de-viola (Ipomoea aristolochiaefolia) reduzem aproximadamente 1000 kg/ha no rendimento da soja cv. Em outro trabalho. Nesse nível de infestação outras espécies daninhas podem ser mais competitivas do que a trapoeraba. a partir de qual densidade de amendoim-bravo ou de picão-preto. Observa-se que altas infestações.5 pl/m de amendoim-bravo (ou leiteiro) e de 42% numa densidade de 16. devidas à competição com a trapoeraba. Pode-se estabelecer uma relação de equivalência de perdas entre picão-preto e amendoim-bravo de 1:1. durante o ciclo da cultura. por ocasião da maturação. obtidas em Londrina. Por exemplo. normalmente. foram constatadas no rendimento de soja cv. Esta tabela permite determinar.44 Embrapa Soja. só seria indicado seu controle em áreas com mais de 8 plantas/ m2. Documentos. Esta relação auxilia na estimativa da densidade quando ocorrem estas duas plantas daninhas no campo. são apresentadas na Figura 12. devido ao maior acúmulo de massa seca no picão.00/ha. BR-16 (58). Aplicações de calcário (Tabela 9) podem aumentar as produções de soja. se para o controle de leiteiro gastam-se U$ 20. são capazes de causar perdas de grãos em cerca de 15%. BR-16. Estimativas de redução de rendimento por infestações de amendoim-bravo (ou leiteiro) e picão-preto também são apresentadas na Tabela 8 (FUNDACEP / Programa MIPD-1996/97 . Apresenta um comportamento mais rasteiro sob a folhagem da soja e manifesta-se mais luxuriante com a caída das folhas da soja. . reduzindo infestações de plântulas de amendoim-bravo (97).

2 57. 2 Y = 0.0 2.0077 X2-lÃ.0 29.1 42.8 38.4 17.5 9.2 31.86 (R2 = 0.7 46.3078 X + 230.2 7.8 72. pela interferência de (XSKRUELD KHWHURSK\OOD (amendoim-bravo) e %LGHQV SLORVD / (picão-preto).2 17.0 4. Densidade de plantas daninhas 2 (m ) 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 1 A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo Amendoim-bravo Rendimento de Redução de soja (kg/ha) soja (kg/ha) 2309 2296 2283 2270 2258 2245 2233 2221 2209 2197 2186 2174 2163 2152 2141 2130 2119 2109 2098 2088 2078 0 13 26 39 51 64 76 88 100 112 123 135 146 157 168 179 190 200 211 221 231 Perdas em U$/ha 0.2915 X +232.0158 X 2 .8 22. 1996/97. 45 .87).7 5.9 61.3 30.6 79.0 22.4 24.30/60 kg.81 (R2 = 0. Y é o rendimento de grãos (g/m2) e X é a densidade (pl/m2). 3 Cálculo com base no preço médio da soja de 1987 a 1997: U$ 11.7 42.5 34.6 38. Cruz Alta (RS).6 50.2.3 12.5 33.0 Y = 0.0 40.8 15.0 13.2 44.8 10. onde.7 27.2 75.1 26.81).4 54.2 68.6 65.7DEHOD  Estimativas de redução no rendimento de grãos e na receita bruta da soja. Fonte: FUNDACEP.7 35.6 20.2 Rendimento de soja (kg/ha) 2328 2305 2283 2261 2239 2217 2196 2175 2155 2135 2115 2095 2076 2057 2038 2020 2002 1984 1967 1950 1933 Picão-preto Redução de soja (kg/ha) 0 23 45 67 89 111 132 153 173 193 213 233 252 271 290 308 326 344 361 378 395 Perdas em U$/ha 0.2 46.

na emergência de amendoim-bravo e perdas de produção por competição. bravo 2 (plantas/m ) 31 16 0 Produção de soja (kg/ha) 3. 89. Níveis de competição da trapoeraba e perdas de rendimento da cultura da soja.076 4. 88. Tratamentos Sem calcário/sem herbicida Com calcário/sem herbicida “ /com herbicida Emergência de a. 129). Documentos. Maiores intensidades de germinação po- . 7DEHOD  Efeitos de aplicações de calcário. em condições de semeadura direta da soja.284 Perdas de produção (%) 23 5 0 Manejo do solo e relações com as plantas daninhas As intensidades de germinação e emergência do banco de sementes no solo variam com a distribuição das sementes no seu perfil e com o manejo usado (20.303 4. de onde germinam ou são incorporadas no perfil do solo pelo manejo. Sementes produzidas no ano tendem a acumular-se na superfície do solo. 260 100 Redução de rendimento (%) 2000 70 59 51 1500 1000 500 0 0 60 120 Plantas/m2 180 240 Produção de soja (kg/ha) 85 Figura 12.46 Embrapa Soja.

Manejos da cultura.5 e 19. respectivamente (97). em semeadura convencional ou direta. entre 83 e 92%. como tipo de solo e disponibilidade de água. p. No entanto. após determinado tempo. Em função dos diferentes níveis de germinação e das medidas de controle adotadas. O cultivo do solo pode aumentar (16. em semeadura direta.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 47 dem ocorrer na superfície. 142. podem ser tão baixas quanto 4.0%. ou atingir valores de 47. em semeadura convencional.3%.7% e 12. podem alterar as emergências de espécies daninhas. e 12. a emergência e o estabelecimento de espécies de plantas daninhas é restringido pelos efeitos alelopáticos. ou mesmo não afetar (16) a intensidade de emergência das plantas daninhas. A proporção de plantas daninhas emergidas pode variar em torno de 7. na semeadura convencional. respectivamente (97). Dados de pesquisa indicam que os sistemas de manejo que causam pouco distúrbio no solo permitem a formação de um banco de sementes maior e mais diverso (36).3%. Em semeadura direta.7%. ou provirem de maiores profundidades. com a incorporação de sementes ao solo conforme resultado da pesquisa de 1999 (Doc. causados pelas coberturas de diferentes palhadas de culturas. reduzir (81). em semeadura direta. Taxas de emergência de amendoim-bravo. 88). na semeadura direta (87).3 e 35. em semeadura direta. independente do manejo usado (20. 127). 55. a presença de biomassa de culturas anteriores tem sido muito importante na redução de emergência de espécies daninhas (65) e aumentado outras (20) . 81. com a movimentação do solo.138). . uma espécie pode dominar a outra (108). Variações na intensidade de emergência ocorrem em função da data de semeadura e das condições de manejo (127). e em 0. tem mostrado que bancos de sementes de amendoim-bravo no solo podem apresentar reduções muito acentuadas numa safra de soja. Fatores.6%. nas fases de pré e pós-semeadura da soja.

tem sido citado como eficiente no controle de corda-de-viola. pertencentes ao grupo dos ácidos fenólicos. os dados obtidos permitem estimar perdas econômicas e períodos de sobrevivência. Efeitos alelopáticos têm sido relatados para diversas plantas. resultantes de níveis de infestação de espécies daninhas. 2000) ocorreram variações de germinação de 28 e 32%. que só favorecem a emergência dessa espécie. principalmente. 260 Em área de semeadura direta de soja (Londrina/PR. a liberação dessas substâncias por decomposição de resíduos de plantas ou lixiviação de substâncias solúveis. encontrado em palhas de trigo. que aborve água facilmente. o crescimento ou o desenvolvimento de outra espécie de planta. tem inibido o crescimento e reduzido as produções de plantas daninhas (17). O ácido ferúlico. Alelopatia Por definição. em pré e pós-semeadura. exsudação radicular. Em situações de lavoura. como o ácido cumárico. resultando em germinação das sementes sob a palhada de trigo. alterando-lhes o padrão e a densidade. através da liberação de substâncias químicas. A alelopatia é um fenômeno que ocorre largamente em comunidades de plantas. são efeitos detrimentais de espécies de plantas superiores sobre a germinação. respectivamente. Com o conhecimento de perdas de produção de uma cultura. incluindo-se qualidade e dificuldades de colheita. e o ferúlico. picão-preto. As emergências anteriores à semeadura foram altas. É um mecanismo através do qual determinadas plantas interferem no desenvolvimento de outras. em função de condições de tempo sêco e de chuvas de pequena intensidade. Isso porque as sementes possuem envoltas uma substância mucilaginosa.48 Embrapa Soja. decomposição e lixiviação dos resíduos de plantas (85). são encontrados em resíduos maduros de plantas como aveia e trigo (concentração . capim-colchão e guanxuma (65). Extratos de resíduos de plantas. Caracteriza-se pela produção e liberação de compostos químicos para o meio ambiente por volatilização. Documentos. produzidas por plantas vivas ou de plantas em decomposição (72).

a de tremoço. a de colza. Estudos com extratos aquosos de palhas de diversas coberturas mortas mostram que palhas de trigo e aveia afetam o crescimento de amedoim-bravo. As substâncias alelopáticas podem afetar a fotossíntese. por outros fatores ambientais. capim-marmelada e carrapicho-de-carneiro. que impedem o seu estabelecimento (123). pode-se contar com a competição das plantas já estabelecidas com as espécies daninhas. picão-preto. que destruíram. a síntese de proteínas. capim-carrapicho e amendoim-bravo. afetou a germinação de capim-marmelada. Efeitos de palhas sobre plantas daninhas. 96% e 59% as populações de guanxuma. respectivamente (107). a palha de centeio afeta a germinação de picãopreto e o crescimento de capim-marmelada e amendoim-bravo. com estímulo a fungos internos das sementes.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 49 menor). afetou a germinação de capim-marmelada e picão-preto e o crescimento de capim-marmelada. não afetou o amendoim-bravo. A fitotoxicidade pode ser liberada pela lixiviação ou produzida por microorganismos decompositores (85). 2. Além disso. encontrados no interior de sementes de espécies daninhas (endofíticos). São diversas as fontes de que derivam os efeitos alelopáticos: 1. que funcionam como predadores de sementes dormentes no solo. A substância apresenta efeitos alelopáticos e energéticos para fungos do solo (Fusarium. Aspergillus. Penicillium e outros). Extratos de capim-marmelada apresentaram efeitos alelopáticos sobre a trapoeraba e o amendoim-bravo. O estado de decomposição deve ser considerado. capim-carrapicho e amendoim-bravo (4). a de nabo-forrageiro. ou outras funções da planta (4). A substância química. as sementes dormentes (123). sorgo e milho (maior) (49). bem como as diferenças varietais. Efeitos de palhas sobre culturas. A influência das coberturas mortas sobre as culturas nas quais são instaladas tem sido mencionadas por . conhecida como ácido aconítico. a respiração e a permeabilidade da membrana celular. de modo complementar. é produzida pelo metabolismo das plantas e exsudada pelas raízes. capim-marmelada e picão-preto. Palhas de sorgo ou milheto (4 t/ha) reduziram em 91%.

não afetaram a germinação. com evolução do fungo. a não ser quando atingiu um período de irrigação cumulativo (aos 45 dias). Documentos. mostrando efeitos alelopáticos e estímulos no desenvolvimento de fungos endofíticos de sementes de trapoeraba (Commelina benghalensis) (113) e de amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla) (123). Os microorganismos endofíticos de sementes. esses tornam-se predadores das sementes dormentes. porém mostraram efeitos mais acentuados sobre a radícula e o caulículo. trigo ou centeio não afetaram a germinação de soja. nabo-forrageiro e tremoço. A introdução da cultura da soja em áreas de pastagem. A nodulação das raízes também foi afetada. Ensaios de laboratório com AA confirmaram resultados de campo. 260 diversos autores. porém reduziram os comprimentos da radícula e do caulícolo. Assim. Efeitos de plantas vivas sobre plantas daninhas. As reduções também estavam relacionadas com a ocorrência de precipitação e quantidade de resíduos anteriores (27). que penetra via solução do solo no interior das sementes. cafêico e outros). Os efeitos do AA . no sistema de integração lavoura-pecuária. Extratos de capim-marmelada aplicados sobre sementes de soja não afetaram a emergência e o crescimento inicial.50 Embrapa Soja. É excretado pelas raízes das plantas para o solo. uma análise cromatográfica da parte aérea de capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) indicou a presença de ácido aconítico (AA). porém a estrutural modificada. 3. Estimulados a crescer pelo ácido aconítico (energético). são considerados patógenos latentes (9). Extratos aquosos de plantas de aveia. O ácido aconítico resulta do metabolismo do açúcar na planta. apresentando a mesma fórmula molecular. como fungos. milho ou feijão. resultados de campo não mostraram efeitos inibitórios da palha sobre o crescimento aéreo ou radicular da soja ou sobre a nodulação (4). Diferente das substâncias alelopáticas derivadas por decomposição de palhas (ácidos cumárico. foi observado que produções de trigo eram inferiores às obtidas em semeadura convencional e atribuíram esse fato à ação de aleloquímicos contidos na matéria vegetal da cobertura morta (70). inibem a sua germinação e. A predominância de espécies de fungos varia com as espécies de plantas daninhas. exceção feita a azevém. No entanto. deve ser avaliada. ferúlico.

nível crítico de predição (baseado na correlação entre o número de sementes do banco e emergência) 6. nível crítico estatístico 3. etc. visual e subjetivo (com base em resultados de máxima eficiência técnica e eliminação de infestações futuras). nível crítico econômico (custo/benefício) 4. como da trapoeraba. maiores do que aqueles obtidos com o uso de herbicidas (113. Na prevenção são usados todos os meios para impedir a entrada de alguma espécie daninha na área. limpesa de máquinas. as decisões de controle são estabelecidas por limites de perdas. supressão e erradicação (28). São os seguintes os critérios de risco: 1. 106. competição crítica mínima (sem perdas) 2. 123). 126). de algum modo. arroz e trigo. Estratégias de controle da competição Quatro tipos distintos de manejos de plantas daninhas são reconhecidos: exclusão. de espécies daninhas de difícil controle e alta incidência de danos à produção econômica de uma cultura. seria possível eliminar-se a ocorrência de um problema. econômico ótimo (retorno econômico durante o maior número de anos) 5.. Outros relatos sobre o AA indicam sua presença em pastagem de Agropyron sp. . estimulado pela adubação potássica (44) em milho. Na exclusão. tendo importantes funções fisiológicas (94. Na estratégia de supressão. prevenção. variáveis com o grau de infestação e de competição das plantas daninhas. 7. sorgo.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 51 traduzem-se na redução do período de sobrevivência do banco de sementes. A erradicação consiste na eliminação exaustiva. nível crítico de segurança (risco dividido à metade) e. amparada por leis. como através do uso de sementes certificadas. cevada.

e manejos da cultura e do solo mais adequados. como adubação. em reboleiras. 260 Resistência de plantas daninhas à herbicidas O surgimento de plantas daninhas resistentes (biótipos) a certos herbicidas tem ocorrido em áreas onde é comum o uso repetido de herbicidas com o mesmo mecanismo de ação. o amendoim-bravo e o picão-preto. O levantamento visou esclarecer os cooperados a respeito da eficiência da tecnologia de aplicação dos herbicidas. antes de qualquer exposição aos herbicidas. Ficou evidenciado que apenas 10% do problema estava relacionado com êrros na aplicação dos herbicidas e que 90% da falta de controle era devido ao problema de resistência aos herbicidas. 28(323):8-9. em freqüências variáveis e bastante baixas. espaçamento. Campo Mourão. As principais espécies daninhas com problemas de resistência à herbicidas.52 Embrapa Soja. fisiológicas. morfológicas ou fenológicas. . nov. bem como degradar ou conjugá-lo a componentes menos tóxicos (26). 2003). caracterizam a ocorrência da resistência. densidade de semeadura e época de semeadura. com diferentes mecanismos de ação. Um mecanismo importante de seletividade dos diferentes biótipos é baseado no metabolismo diferencial das plantas. na ausência de falhas de aplicação e de condições climáticas desfavoráveis. É provável que tais biótipos resistentes já estejam presentes nas populações de campo. A identificação de falhas de controle de um herbicida na lavoura. Trabalho da COAMO mostra a evolução de plantas daninhas resistentes à herbicidas nas lavouras dos cooperados (Jornal da COAMO. A resistência pode resultar de plantas com diferenças bioquímicas. A redução do período entre o preparo do solo. na forma de manchas. PR. A prevenção da resistência à herbicidas em lavouras de soja faz-se adotando algumas práticas de manejo. atualmente aplicados em lavouras de soja são: o capim-marmelada. relacionado à capacidade de absorver e translocar um herbicida na planta. ou o manejo herbicida. Documentos. no entanto. como aplicação de herbicidas alternativos. em relação à semeadura evita o controle antecipado das plantas daninhas e os demais problemas resultantes. implementação de rotações de culturas.

aveia. Sabe-se que com aplicação de procedimentos que favoreçam o cres- . o que redunda em problemas de resistência. principalmente. anotálas através de meios adequados de computação. Fazer o levantamento da flora daninha envolve uma capacidade de gerenciamento do agricultor. Essas perdas são reduzidas por atividades de manejo numa cultura. Essas. Um maior número de espécies podem ocorrer em semeadura direta do que no modo convencional. possibilidades de hospedar pragas e moléstias. que culturas como trigo. redução da qualidade dos produtos. a emergência de um grande número de espécies é acentuadamente reduzida pela cobertura de palhas. cumárico. Portanto. espécies que não são controladas por determinado herbicida e uso de herbicidas de mesmo mecanismo de ação. No entanto. e propor soluções diferenciadas é da maior importância. que inibem a germinação das plantas daninhas não dormentes do banco de sementes. Introduções de novas espécies ocorrem com a aquisição de sementes de procedências não confiáveis. É necessário considerar que devido a alterações nas sequências de culturas e manejos. Outras vêzes ocorrem problemas de controle devido à ocorrência de condições climáticas desfavoráveis. localizar os problemas por glebas diferenciadas. liberam substâncias alelopáticas (ácidos ferúlico. observam-se diferenças de infestações entre glebas de uma lavoura.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 53 PARTE II Controle de plantas daninhas na lavoura As espécies de plantas daninhas que ocorrem numa lavoura são variadas e ocorrem em diferentes intensidades. fazer o levantamentos de plantas daninhas. em áreas comparativas. que envolvem avaliações de custo/benefício das aplicações corretivas. bem como aumentar gastos com a limpeza e secagem da produção. milheto e nabo deixam sobre o solo. cafêico e outros). com a sua decomposição no solo. água e luz principalmente. As plantas daninhas causam perdas de produção variáveis (10 a 90%) pela competição por nutrientes (NPK e outros). que ocorrem com o tempo nas áreas de cultivo. por exemplo.

nas entressafras. permitem a redução ou mesmo a eliminação de aplicações herbicidas em determinados momentos. ou se distribuídas de modo esparso ou por áreas livres. rotação de culturas. com o computador é possível fazer anotações e fazer uso programas de gerenciamento de propriedades. sem controle. Níveis de controle obtidos numa safra anterior e registrados para distintas áreas da lavoura.5 ha cada. Atualmente. Estas consistem em localizar duas ou três áreas de cerca de 0. as finalidades de uso e atender aos cuidados descritos na bula. ajudam nas decisões de manejo. Estimativas de infestação podem ser feitas através de levantamentos que usam o método visual. nas quais são identificadas e anotadas as principais espécies de importância econômica e sua intensidade. Uma área será conduzida com o manejo do produtor e outra próxima. 260 cimento duma cultura. Os agricultores sabem identificá-las nas lavouras e devem estabelecer junto com a assistência técnica os manejos mais adequados em cada gleba. pequeno. uma terceira poderá ser usada para testar uma nova . atenção a época de semeadura mais adequada e redução das infestações em períodos de pousio. para estabelecer a relação entre graus de infestações médias por espécie/área. Como fazer o levantamento da flora daninha? Todo agricultor. incluindo as características de herbicidas a serem usados. De modo prático. médio ou grande produtor. As indicações das necessidades de controle e dos produtos podem ser feitas limitadas pelas curvas de nível. são estabelecidas áreas amostrais dentro da lavoura. dentro de áreas maiores com problemas. A divisão em glebas de uso homogêneas e de casos diferenciados de espécies de plantas daninhas e intensidades de infestação deve ser feito. deve instruir-se em procedimentos de gerenciamento da propriedade. perdas na colheita e vantagens econômicas do manejo em lavouras de soja junto a agricultores. Consistem na identificação de glebas com sistema de manejo uniforme. Documentos. junto com observações de dificuldades na colheita.54 Embrapa Soja. A intensidade da infestante presente é identificada pela ocorrência de amontoados freqüentes.

Os de período mais curto podem ser controlados de modo mais eficaz sob sistemas de rotação que incluem pastagem. o desmódio. onde se conseguirá identificar áreas com diversos graus de infestação e estabelecer níveis de controle localizados.5 m x 0. . No entanto. como algumas gramíneas. a umidade dos grãos.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 55 tecnologia de manejo.4-D. as impurezas e os possíveis problemas das colhedoras. a produção de soja orgânica. o controle de algumas espécies daninhas tende a dar lugar a outras com seus problemas. As perdas de produção. são determinadas nas áreas por ocasião da colheita e avaliados os aspectos econômicos do manejo realizado. como o amendoim-bravo (leiteira). Nesse caso. com controle eficiente. Por sua vez. citando-se as braquiárias. No futuro. mostrando dificuldades de controle na dessecação. em números variáveis de 10 (baixa ou alta infestação) a 20 (média infestação) repetições. provavelmente deverá ocorrer a identificação da necessidade de controle feita através do uso da tecnologia de Agricultura de Precisão. Com o passar do tempo. constata-se que o banco de sementes de algumas dessas também apresentam períodos de sobrevivência no solo bastante curtos (amendoim-bravo e picão) e outros mais longos (trapoeraba). baixa dormência e alta capacidade competitiva com a(s) cultura(s). num sistema de integração lavoura-pecuária. em função da possibilidade de deriva desse produto e sensibilidade de outras culturas próximas. o picão-preto. a área não manejada é mantida. tem sido limitante a aplicação de 2. No caso. em sistemas de manejo de semeadura direta. o capim-custódio e outras folhas largas. coletando-se anualmente os mesmos dados. o joá-de-capote e a trapoeraba. posteriormente. Essa última espécie tem sido uma preocupação ampla. O levantamento consiste na casualização e contagem de quadrados de ferro de 0. as espécies-problema apresentam grande capacidade produtiva de sementes. muitas se distinguem pelos problemas que causam por apresentarem uma distribuição regional ampla e grande capacidade de multiplicação.5 m. podem ser melhor resolvidos também problemas de resistência de espécies daninhas e mesmo proporcionar. por espécie daninha. Caso o manejo de controle seja desfavorável à relação custo/benefício. De modo geral. bem como a do produtor.

a competição e a reinfestação. feita sob condições favoráveis à sua germinação. Os herbicidas a serem usados podem ser de pré-emergência (residuais) ou de pós-emergência da cultura. 30% do custo de produção. em reboleiras.) Atualmente. O uso continuado de herbicidas de mesmo mecanismo de ação. mas chegaram a ser. No entanto. Isso favorece uma emergência imediata da cultura e provê um período mais amplo para o surgimento das plantas daninhas.56 Embrapa Soja. Aplicações de pós-emergência permitem uma melhor avaliação das necessidades de controle. segundo a identificação das necessidades de controle e o conhecimento do modo de aplicação. O manejo de herbicidas deve ser feito próximo da época de semeadura convencional ou direta da soja. baseado em dados de perdas por unidade de planta daninha. tamanho das lavouras. dosagem de produto. pode ser indício da ocorrência de resistência. A escolha dos herbicidas. reduzindo a ocorrência de efeitos fitotóxicos à cultura com a aplicação de herbicidas. As plantas daninhas nem sempre exigem controle total. disponibilidade de equipamentos e de condições climáticas. em média. A escolha deles vai depender de condições próprias de cada lavoura. 260 Como fazer o controle de plantas daninhas (época correta de aplicação. por espécie. considerando-se custos. assim como ler a bula e usar equipamento de proteção. etc . a sua redução pode ser adequada às infestações reduzidas e . evitam criar problemas futuros.. pode levar a posterior manifestação de resistência de algumas espécies. Atualmente. mesmo num sistema de rotação de culturas. uma vez que a cultura da soja consegue suportar certa densidade de plantas. na cultura da soja transgênica os gastos com o controle químico de plantas daninhas (herbicidas) foram reduzidas. Documentos. ainda faltam maiores informações de quando não aplicar.. A identificação de áreas de espécies não controladas. com o uso de herbicidas pós-emergentes ficou mais fácil determinar visualmente essa necessidade de aplicação do controle. Quanto às doses a serem usadas para os herbicidas pré ou pós-emergentes. tendo em vista a relação de custo/benefício da aplicação de herbicidas.

em semeadura direta. evitando ainda atingir áreas livres e reduzir problemas de poluição ambiental. taxas de emergência. com os subseqüentes problemas de controle e aumento de custos. Futuramente. Agrônomo. que provocam deriva acentuada e atingem alvos não desejados. considerando também a sensibilidade das espécies presentes e boas condições de aplicação. principalmente sob altas densidades e de plantas já mais desenvolvidas. apoiado por um Engº. sobrevivência e competição) das plantas daninhas irão contribuir para a realização de controles de máxima eficiência econômica (MEE). . reduzindo-se dessa forma uma passagem de trator na área. estudos de dinâmica populacional (bancos de sementes. o uso de bicos adequados à operação e a substituição de bicos gastos com problemas de vazão (com desvios de até 10%. uma vez que erros de aplicação ocorrem. Devem ser evitadas pulverizações nos períodos mais quentes do dia. A aplicação mal feita é causa de grande parte dos problemas. Aplicações únicas de herbicidas pós-emergentes em doses normais e feitas precocemente. podem resultar em reinfestações parciais. A ocorrência de chuvas logo após a aplicação de herbicidas de pós-emergência pode reduzir sua eficiência de controle. com o uso da tecnologia de Agricultura de Precisão. Além disso.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 57 antecipadas. pretende-se atingir as plantas daninhas com maior eficiência. pode economizar uma aplicação seguinte ou resultar num controle mais efetivo das reinfestações. superiores a 8 km/h. como a trifluralina. Herbicidas aplicados em pré-plantio incorporado requerem um bom preparo do solo e sua incorporação. considerando herbicidas bastante voláteis. é necessária a regulagem adequada do equipamento de pulverização. em aplicações seqüenciais. Em relação à combinação de herbicida dessecante e residual. A redução de dose e a conseqüente falta de controle das espécies infestantes pode ser ruim. facilitam as decisões sob diferentes condições ambientais. esse modo de aplicação pode ser mais adequado sob baixas infestações de plantas daninhas. O parcelamento de doses. em relação a bicos novos). umidade relativa do ar menor do que 60% e condições de ventos fortes. Possivelmente. Experiências do administrador. Monitorar essa operação com pessoal treinado é da maior importância.

com a divisão da lavoura em áreas diferenciadas de manejo e com sucessões culturais programadas. . entupidos e gastos.não ler a bula com cuidado. Agrônomo. associado a baixa umidade relativa do ar <60% UR (intervalo das 10h às 16 h). após o uso de produtos hormonais (2. De modo complementar. que muitos apenas vêem sob o aspecto de melhorar a fertilidade do solo e. é possível reduzir aplicações de inseticidas. muito importante.regulagem incorreta da dosagem do pulverizador. . é o uso do sistema de Semeadura Direta.aplicação em horas de sol muito intenso. . aumento da lotação de gado por área. .falta de limpeza de tanques e geral. que inclui pastagem por um período de uso da área. posteriormente. fungicidas e herbicidas por um período suficientemente longo de anos .ventos acima de 8 km/h.bicos não recomendados.58 Embrapa Soja. Essa facilidade em muitas situações é proporcionada pelos serviços de fomento (Cooperativas/Empresas) e pelos serviços de extensão (EMATER).4-D). No entanto. existe a possibilidade de se fazer a Integração Lavoura-Pecuária. Em segundo lugar.erros no cálculo das doses no tanque. . possibilitando obter controles mais eficientes em relação à semeadura convencional. reduz a emergência de muitas espécies de plantas daninhas e o período de sobrevivência do banco de sementes no solo. segundo proposições na Tecnologia de Produção de Soja (EMBRAPA).descaso com o equipamento de proteção individual do aplicador de herbicidas. O que existe de mais inovador no controle de plantas daninhas? Inicialmente. 260 Todas essas orientações devem ter o acompanhamento do Engº. Documentos. Quais os maiores erros cometidos no controle de plantas daninhas? Os principais êrros são: . O aplicador de herbicidas deve ser bem treinado e ter o seu trabalho supervisionado. . que proporciona a cobertura do solo com culturas de rotação e evita os grandes problemas de erosão. .

A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 59 para reduzir períodos de sobrevivência de espécies.6 .4 14. mecânico e químico.8 28. através de imageamento aéreo. deverá permitir. reduzir ou eliminar problemas de resistência e mesmo. Em terceiro lugar. Cruz Alta. diferentes culturas e redução no uso 7DEHOD  Custo médio comparativo das áreas demonstrativas do programa MIPD. Em quarto lugar. O manejo envolveu práticas de controle preventivo.0 41. a aplicação localizada de herbicidas. no futuro. a tecnologia da Soja Transgênica. Área demonstrativa Produtor Manejada (MIPD) Retorno econômico * R$ 1. ou de posicionamento por satélite.7 13.1 Média 37. Alguns programas adotados no controle de plantas daninhas que apresentaram bons resultados No Rio Grande do Sul. Mais específicamente semeadura direta. após isso. favorecer a produção de soja orgânica.9 1993/94 1994/95 R$*/ha 36. que atualmente permite orientação das aplicações herbicidas nas lavouras através de GPS. cultural.1 14.8 15. com a introdução da soja resistente à certos herbicidas.00 = US $ 0. em que se ressalta a importância da análise criteriosa de cada propriedade. os resultados de um Programa de Difusão de Manejo Integrado de Plantas Daninhas-MIPD (Tabela 10) mostraram a viabilidade econômica da implantação do manejo.93 1992/93 34. 1995). (FUNDACEP/FECOTRIGO. baseado em mapas de tratamento.4 21. o sistema de Agricultura de Precisão. Levantamentos de áreas infestadas e aplicações de controle deverão ser feitas apenas em áreas em que os níveis de infestação causem perdas econômicas numa cultura.5 19. com amplas possibilidades de manejo e de controle de plantas daninhas.1 22. em diferentes anos.

Custos médios comparativos foram calculados. Os restos culturais deixados cobrindo o solo tem sido importantes na redução das infestações por espécies da- . emergência de plantas daninhas. atender as condições de melhor época de semeadura da cultura. Documentos.15 Média 39. A correção da acidez do solo e a administração de adubos nas culturas.91 1998/99 37. como na soja.68 28.92 14. favoráveis do ponto de vista agronômico.soja. rendimento da soja.60 Embrapa Soja. Área demonstrativa Produtor Manejada (MIPD) Retorno econômico 1995/96 37. os resultados de semelhante programa constou do levantamento de bancos de sementes. num grande número de lavouras (112).27 24. umidade dos grãos. econômico e ecológico. onde fosse aceitável.71 12. são práticas culturais muito importantes para se obter bons resultados. bem como suprir a cultura com um nível adequado de fertilidade do solo. aos espaçamentos entrelinhas e densidade de plantas/linha.19 24.19 1996/97 39.MIPD . 260 de herbicidas. tem favorecido aumentos de produtividade e reduzido o número de plantas daninhas sobreviventes em competição.90 25. impurezas e avaliações econômicas dos manejos.27 1997/98 R$/ha 44. no Paraná (EMATER-PR/Embrapa Soja).” Como se observa a adoção de um conjunto de práticas de manejo é a melhor opção para reduzir a instalação das plantas daninhas e seus efeitos competitivos com a cultura.pode ser definido como a seleção e integração de métodos de controle de plantas daninhas.76 25. 7DEHOD  Custo médio (R$/ha) do controle de plantas daninhas nas áreas assistidas do MIPD . No Paraná (Tabela 11).88 O MIPD “O manejo integrado de plantas daninhas .88 13.12 13.77 15. Assim.

. evitando-se. Casos de ocorrência prática em lavouras Caso 1: Controle em níveis técnicos ou econômicos O controle de plantas daninhas feito baseado em nível técnico pressupõe o uso de toda a tecnologia disponível para obter um controle eficiente. 2001. ocorre uma grande reinfestação de capim-marmelada.. no norte do Estado do Paraná. bem como evidenciar melhores alternativas para o controle de algumas espécies. Nesses casos. a competição com a cultura e a reinfestação numa seguinte (112). apresentam baixas infestações de capim-marmelada na cultura da soja. na Região Sul. Como informativo complementar indicamos as considerações feitas no documento referido como “As plantas daninhas e a semeadura direta” (Circular Técnica/Embrapa Soja. A alternância de herbicidas residuais com os de pós-emergência permite avaliar melhor os níveis de infestação atuais. bem como controlar infestações maiores em culturas de safrinha e em áreas de pousio. com o uso de subsolador. Os inversos foram observados para os controles de folhas largas. assim. n. trigo/soja ou trigo/milho ou a introdução de culturas safrinhas tem resultado em diferentes problemas de controle. Melhores condições de desenvolvimento da cultura e de competição com as plantas daninhas são obtidas também com a descompactação da camada superficial do solo. com a inclusão da cultura do milho no sistema de produção. na seqüência. tem mostrado diferentes resultados no controle das espécies daninhas. Sistemas de rotação com milho ou soja. Por exemplo. sem competição e sem reinfestação posterior. por ex. Assim. 33). é necessário controlar com mais eficiência espécies de folhas largas ou de gramíneas. em semeadura direta.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 61 ninhas e na maior eficiência de controle dos herbicidas. sendo aumentadas infestações com o cultivo do milho safrinha. os cultivos trigo-soja. com maiores gastos.

ou milho safrinha sem aplicação de herbicidas.4-D (plantas com cerca de 25 cm de altura). ocorreu uma grande reinfestação de picão-preto resistente ao controle por imazaquim. Documentos. provavelmente até por mais anos. Desse modo. cultivada anteriormente com trigo. 260 O controle feito a níveis econômicos determina a aplicação baseada em custo/benefício das tecnologias. Outras decisões. Concluiu-se que nessa área não seria possível deixá-la intensamente infestada sem controle. O sistema de rotação que alterna com milho. Baseia-se em infestações e perdas relativas possíveis de serem causadas à produção e consisderações a problemas futuros de colheita e de reinfestação. sem sucesso também naquelas condições. onde ocorriam infestações de amendoim-bravo (17 plantas/m2). PR (2001/02). Avaliações na época da colheita resultaram em menores produções de soja e com certo grau de impureza. Sem controle. foi tentado o controle com 2. as plantas receberam a complementação da aplicação de metsulfuronmethyl. no ano de 1995 estabeleceu-se em lavoura de produtor. duas áreas de cultivo próximas. sem o controle da infestação. houve condições para a germinação de picão e . no período de outono seco. após trigo. enquanto que na outra não foi aplicado nada. proporciona altas infestações de gramíneas e menores de folhas largas (112). foi pulverizada com imazaquim. Caso 2: Controle de picão-preto resistente Na localidade de Sertanópolis. No ano seguinte. em algumas lavouras conduzidas na época. avaliações econômicas de custo/benefício não indicaram ganhos com o controle. em pós-emergência. Nenhuma cultura foi implatada até a semeadura da soja semeada tardiamente. porém a outra poderia ser deixada sem controle. na área sem o controle anterior da infestação. A área do produtor. No ano seguinte.5 ha cada. No entanto. de 0. em fins de novembro. Para chegar-se a esse tipo de decisão.62 Embrapa Soja. foram observadas uma média de duas plantas de amendoim-bravo na área controlada e em torno de 110 plantas/m2. foi a não aplicação de herbicidas graminicidas em áreas de semeadura direta. após a colheita da soja.

Por sua vez. isso pode obrigar o produtor a entrar mais cedo na área para fazer o seu controle. que preparos de solo no modo convencional ou aplicações de herbicidas de manejo. Grandes quantidades do banco de sementes ainda podem germinar e emergir após a semeadura e competir com a cultura. São feitas. feitas com maior antecedência em relação à época de semeadura.. discutiu-se com um produtor. que propiciem condições de germinação. No caso. Caso 3: Manejo de controle e de preparo do solo em relação à época de semeadura Em 2004. é importante para as tomadas de decisão na escolha do herbicida e do modo de aplicação. que controlam a germinação e apresentam efeitos residuais no período inicial da cultura.. em semeadura direta. melhores opções de controle foram sugeridas com aplicações seqüenciais de herbicidas pós-emergentes. podem ocorrer maiores danos fitotóxicos à cultura e causar reinfestações para o ano seguinte. intensidades de infestação e possibilidades de resistência.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 63 controle anterior a semeadura. então. num estádio mais adequado. bem como. Caso 4: Manejo sob condições de altas e baixas infestações de espécies daninhas Considerar as espécies presentes nas lavouras. competição com a cultura e perdas de rendimento. que . manejos de solo anteriores à semeadura. o que daria maior eficiência de controle e também da reinfestação de espécies daninhas. No caso de “altas” infestações de amendoim-bravo. O controle foi eficiente com a aplicação do manejo feito e resultou numa boa produção de soja. Com o uso de herbicidas pós-emergentes. de surgimento posterior. aplicações de herbicidas residuais. podem favorecer a emergência antecipada das espécies em relação a da soja. por motivos de seca na semeadura. torna mais eficiente o seu controle posteriormente. por ex. pode ser melhor solução. associado à problemas na colheita. os controles tardios podem causar controles menos eficientes. O uso de herbicidas préemergentes. favorecida pelas condições climáticas do ano. por ex.

porém reinfestam a área para o ano seguinte. A mortalidade de sementes no solo ocorre devido a destruição do banco de sementes por microorganismos do solo e a da emergência. amendoimbravo e picão-preto Os períodos de sobrevivência dos bancos de sementes de capim-marmelada na lavoura de soja. Sob “baixas” infestações. 260 realizam o seu controle a partir da semeadura. O amendoim-bravo e o picão-preto apresentam uma sobrevivência no banco de sementes do solo de cerca de 3 a 4 anos. garantindo condições de germinação. por ex. Caso 5: Controle das espécies capim-marmelada. O amendoim-bravo pode germinar sob a palhada deixada em semeadura direta da soja. ou aplicações posteriores seqüenciais de herbicidas pós-emergentes. contrastando alta germinabilidade com baixo período de sobrevivência. as que apresentem problemas de resistência à herbicidas. originados da palhada em decomposição. Estas servem para controlar as possíveis reinfestações. Documentos. . aumenta-se as necessidades de controle no ano seguinte. aplicações de combinações de herbicidas dessecantes e residuais podem ser tentadas e o controle das plantas daninhas em pós-emergência podem ser mais eficientes. Tem-se observado que sob altas infestações e uma aplicação pós-emergente é feita.. antecedendo precocemente o fim da emergência total da espécie. de modo especial. por efeito da cobertura do solo (sombreamento) e efeitos alelopáticos. O controle e a reinfestação dependem dos herbicidas e da época de controle. que embora menores. não favorável às demais espécies. podem não interferir nas perdas de produção. levam a metade do tempo necessário (6 anos) para controle em relação ao modo convencional (12 anos). respectivamente. sob condições favoráveis de temperatura.64 Embrapa Soja. Condições proporcionadas por uma pastagem por alguns anos pode reduzir o potencial de infestação dessas espécies e. A semente apresenta mucilagem higroscópica que a recobre. em semeadura direta. enquanto que a infestação pode ser de 3 para 60 plantas emergidas. sob baixa intensidade de chuva.

redução de problemas com plantas daninhas infestantes (Figura 13) e muito importantes economicamente. A diversificação dos sistemas de produção e a superação dos problemas advindos dos cultivos anuais sucessivos. Na Região do Brasil Central a integração lavoura-pecuária tem sido testada através do manejo das culturas de soja. Além disso. tem despertado o interesse de agricultores em melhorar seus sistemas. planejamento de propriedades e sugestões de rotação de culturas anuais e pastagem. consiste na semeadura da braquiária nas entrelinhas por ocasião da instalação das culturas. observado no controle da trapoeraba. A prática. Também deve-se considerar as contribuições na redução do uso de poluentes num período considerável de tempo. Deve-se observar as vantagens das rotações no sistema sustentável de produção. O sistema tem sido vantajoso para as culturas de milho e sorgo. espécies. que não afetam sementes dormentes. com menor ou igual período de sobrevivência no solo (amendoimbravo. como alicerce da sustentabilidade da agropecuária no Cerrado (Direto no Cerrado. ano 10. em semeadura direta. em que se aplica metade da dose do herbicida graminicida. picão-preto. mar. cujos bancos de sementes no solo podem ser reduzidos de modo mais acentuado do que com herbicidas. 40. as possibilidades de melhoria de pastagens e de aumento de carga animal de gado nas áreas. existem possibilidades de reduzir ou eliminar problemas de resistência de algumas espécies daninhas. as quais permitem .A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 65 Integração lavoura-pecuária Em publicações anuais da Embrapa Soja/MAPA . favorecer a introdução da produção orgânica de soja em áreas de maior extensão. e a dose normal para o controle das folhas largas. milho. A Embrapa aponta a integração lavoura-pecuária. no sistema tradicional de cultivo. n. APDC. como a degradação das pastagens e pragas. são abordados aspectos gerais de rotação de culturas.Tecnologias de Produção de Soja para o Paraná/Região Central do Brasil (2005) e Sistemas de Produção para os estados do RS e SC (2004/05). 2005). trapoeraba e gramíneas) e mesmo. já referido (Tabela 1). milheto e sorgo nas quais é feita a semeadura da braquiária no denominado “Sistema de Produção Santa Fé” (56). para deter o crescimento da braquiária.

cafêico Outros (VSpFLHV GH 3ODQWDV 'DQLQKDV 76I8PÃ9@ÃT@H@IU@T Diagrama de componentes principais no controle de trapoeraba e seus efeitos sobre o banco de sementes no solo. o Paraná é um dos maiores produtores orgânicos do País (EMATER-PR. 2003 e SEAB/DERAL). uma colheita sem perdas de produtividade e o rápido estabelecimento da pastagem posteriormente. Documentos. 260 Semeadura direta T‚wh Qhyuh†Ãqr U…vt‚ Rotação Qh†‡htr€Ãqr %UDFKLDULD 6yry‚ƒh‡vh Ac. verificada nos últimos anos. Atualmente. principalmente pelo mercado japonês e europeu. atingindo 12. no controle do banco de sementes de trapoeraba (111). Produção de soja orgânica A grande expansão da área de soja orgânica. expandiu 25% em dois anos.890 ha. A área de soja orgânica. alelopatia e predação de sementes de plantas daninhas por fungos. ferúlico Sombreamento Sombreamento Competição ÃÈpvq‚ ÃÃÃÃÃhp‚t‡vp‚  Alelopatia )XQJRV GLYHUVRV Substâncias tóxicas ferúlico Ac. resultando em ganhos significativos do sistema. a soja orgânica foi a cultura que ocupou área de 5. Sistema de produção trigo/aveia-soja-pastagem e manifestação dos efeitos de sombreamento. sendo 70% desta área . em 2002 (76). Figura 13.66 Embrapa Soja.000 ha em 2000 (50). cumárico cumárico Ác. que era estimada em 10. Na safra 2002/2003. deve-se a crescente demanda por esse produto. no Brasil.516 ha.

No Paraná 86% das propriedades rurais têm área inferior a 50 ha. acredita-se que através da implementação de uma é possível chegar-se mais facilmente à outra. contribuindo para a competitividade e a sustentabilidade da agricultura orgânica no País. propõe-se executar atividades que visam gerar informações relativas ao manejo de espécies daninhas em soja orgânica. contra 863 da olericultura. 2003). A soja orgânica foi a segunda atividade desenvolvida pelo maior número de agricultores. colocar a soja orgânica como mais uma opção economicamente sustentável. Londrina. a produção de soja orgânica e o uso de um sistema de integração lavoura e pecuária são descutidos a nível nacional. existe uma grande dificuldade em implementar as duas coisas. Cascavel e Toledo). No entanto. a rentabilidade é 31% maior (Deral. existe um mercado demandante e uma possibilidade bastante promissora de incremento tecnológico no sistema que permitirá. sendo importante incentivar atividades que permitam obter maior rentabilidade por área. em curto espaço de tempo. Capanema. a preservação ambiental e a produção de alimentos de melhor qualidade. A produção de soja orgânica num Sistema de Integração Lavoura-Pecuária Atualmente. aproximadamente 768 na safra 2002/2003. . Os resultados obtidos neste plano de ação serão passíveis de adaptação e utilização racional dos recursos. a proposta intitulada “Tecnologias Agroecológicas de Manejo de Plantas Daninhas na Cultura da Soja” da Embrapa Soja. Não obstante esses gargalos. Por sua vez. Francisco Beltrão. No caso da soja orgânica. Os maiores problemas enfrentados pelos agricultores no momento de conversão das suas lavouras do sistema convencional para o orgânico está no manejo de espécies daninhas e pragas. Nesse sentido. mesmo a produtividade média sendo menor que a convencional.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 67 localizada nas regiões Oeste e Sudeste (Pato Branco.

A introdução da soja orgânica. no estabelecimento da pastagem pode-se incrementar a fertilidade do solo com fosfatos de rocha e sulfato de potássio. Tem sido constatado que coberturas do solo como de braquiária. Ao mesmo tempo. por exemplo. possivelmente de cinco anos. A pastagem pode oferecer grandes vantagens no período. Como conseqüência. fungicidas ou herbicidas. após o qual se poderia reintroduzir o esquema anterior de cultivo. para satisfazer o sistema de integração. devido ao uso repetido dos mesmos herbicidas. que tem-se tornado um grande problema de controle em culturas anuais. ou do estabelecimento da cultura da aveia e sua rolagem em época apropriada e. entre outras alternativas. como se propõe para a região dos Cerrados. Assim. num período de cinco anos. podem reduzir a sementeira de plantas daninhas com maior intensidade do que aplicações anuais eficientes de herbicidas. como a soja. a lotação de gado nas pastagens (Figura 13). Com esse procedimento. podemos quase eliminar espécies daninhas como amendoim-bravo (ou leiteira). posteriormente. eliminamos por um período o uso de insumos pesticidas e reduzimos a possível ocorrência de todos os fa- . poderia ser feita através do preparo convencional do solo. possivelmente. como certamente eliminar a aplicação de produtos inseticidas. 260 Perguntados por agricultores sobre tecnologias disponíveis para a produção da soja orgânica. ou outros com mesmos mecanismos de ação. tem-se um período de pastoreio em área com braquiária. estaremos também eliminando o problema de resistência dessas espécies. da introdução de uma cultura como o milheto ou sorgo. pode-se evitar a ressementação da gramínea na reintrodução das culturas já citadas. permite aumentar. picão-preto e capim-marmelada. segundo resultados de pesquisa sobre a sobrevivência de bancos de sementes de plantas daninhas no solo. sendo importante iniciar o sistema em áreas com baixos níveis de problemas. Documentos. ou introduzir a melhoria de pastagens com adubações e corretivos da fertilidade do solo.68 Embrapa Soja. após a pastagem (Figura 14). é provável que introduzir pastagens em áreas de cultivo do sistema soja-trigo em semeadura direta. No estabelecimento da soja orgânica. Com um pastoreio racional. ou corte.

no sistema de semeadura direta da soja. no sistema convencional de preparo do solo. As plantas daninhas. Numa avaliação de infestação de plantas daninhas. adequado nível de fertilidade do solo pela reciclagem de nutrientes. Além do mais. Convencional (?) . podem ser controladas com restos vegetais de culturas de inverno. Outras possibilidades são o uso de meios culturais favoráveis à produção.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 69 Sqyqgp‡„gÂpu„q†g Svg Pgxtg…Âpq T„us R†gÁº à Pg…†gsqyÂpqÂ6„gitug„ug 7€†„xqÂpq Ppg€u€tg…( Âi‡x†‡„gx Âyqi¸€ui à 5p‡hgÁº( „sg€uig Âyu€q„gx ÂÂÂÂÂÂÂÂÂr…rg†…Âpq Â„itg Âˆ…Â…xՈqu… ÂÂÂÂÂESI . poderia eliminar a aplicação de herbicidas. . e seus demais componentes de produção. o controle de lagartas. tores negativos que podem afetar a cultura da soja. em semeadura direta. como sistema de semeadura direta. pelo uso continuado de capinas mecânicas em áreas menores e da cobertura contínua do solo com plantas úteis. rotação de culturas.Milheto. Sistema de produção de soja orgânica. Tal situação. O controle de doenças. algumas das principais espécies. registrou-se a emergência de 60 plantas/m2 de capim-marmelada e. a partir de um sistema de semeadura direta ou de pastagem. melhor época de semeadura. com baculovírus e os percevejos. etc Âg„ygpuxtg… Âhgi‡xˆu„‡… ˆq…‚u€tg… 7€†„xqÂpq u€…q†…( TPE6ÃPSBÆID86 7€†„xqÂpq pq€Ág…( Âi‡x†‡„gx ˆg„uq†gx @†ƒppvr†ÃqrÃQyh‡h†Ã9hvuh†Ã 76I8PÃ9@ÃT@H@IU@T Figura 14. com vespinhas distribuídas nas lavouras. pode ser feito com o uso de variedades resistentes.Aveia/Rolada .Prep. o controle de insetos pode ser feito com o uso de armadilhas. apenas 3 plantas/m2.

Publicações anuais dos “Tecnologias de Produção da Embrapa Soja” apresentam sugestões de manejo envolvendo rotações de cultura nessa integração. exigindo graus de acurácia e níveis de confiança para o padrão de distribuição da infestação presente e.70 Embrapa Soja. Outras sugestões de uso da terra são apresentadas em publicações regionais do Sul e Central do Brasil. conseqüentemente. proporções de 50% e 65% das áreas podem ser mantidas com culturas anuais de trigo/soja. Isso requer a integração de algumas tecnologias-chave. uma grande amostragem (6 ). tem sido proposta para o gerenciamento de outros problemas. intercalando um período de anos de produção de culturas e pastagem. tais como sistema de posicionamento global (GPS). Documentos. como a divisão da área em diversas glebas. No Paraná. Agricultura de precisão Agricultura de precisão é “um conjunto de técnicas que permite o gerenciamento localizado de diversas operações nas culturas”. 260 uso do melhor espaçamento e densidade de semeadura. 109). para melhorar o controle e redução da poluição ambiental. como na aplicação geral de insumos agrícolas. mensuração das populações das espécies alvo para posterior aplicação de medidas de controle localizado das infestações. A agricultura de precisão necessita de conhecimentos de dinâmica de plantas daninhas. bem como o uso de variedade com maior habilidade competitiva quando na presença de plantas daninhas. Para estimativas mais precisas das infestações. de modo a obter melhores resultados de custo/benefício da exploração agrícola. sistema de informações geográficas (GIS) e equipamentos para aplicação de insumos a taxas variáveis. . Além disso. em se fazendo levantamentos aéreos. O uso da tecnologia tem sido proposta para identificação. localização. colheita ou de planejamento da lavoura. através de estimativas de tamanhos (31. é necessário apoiar com amostragens complementares da área local.

resulta em variações na obtenção de mapas de localização das infestações. especialmente a soja. usando levantamento de bancos de sementes no solo (22. têm sido alvo de estudo para transformá-las em resistentes a determinados herbicidas. 2000). em pós-emergência.A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo 71 Esforços tem sido feitos para estimar a composição e a densidade das infestações de plantas daninhas para fins de controle. em semeadura direta de soja (Fazenda Couro-do-Boi. envolvendo Agricultura de Precisão. Somam-se todas as demais considerações de manejo feitas anteriormente para o controle das plantas daninhas na cultura da soja. consolidando-se como mais uma alternativa no manejo integrado de plantas daninhas. exigindo um levantamento da emergência das plantas daninhas por ocasião do seu controle. longevidade e periodicidade é muito útil em predizer que espécies são prováveis de emergirem numa determinada lavoura (63). através do processo de transgênese ou mutagênese. A área com soja geneticamente modificada. resistente a herbicidas “não tradicionais” à cultura. . sob condições de chuvas mínimas. Controle de plantas daninhas em soja transgênica Recentemente as principais culturas de interesse econômico mundial. podem apresentar baixa correspondência entre áreas mapeadas de bancos de sementes e emergências nas fases de pré e pós-semeadura. enquanto que uma relação quantitativa entre o banco de sementes e sua intensidade de emergência é difícil de estabelecer (38). 63). teve grande aumento nos últimos anos. O conhecimento do número de sementes no solo e sua dormência. variando com as condições da superfície do solo. apresenta sementes com tegumentos mucilaginosos (130). como outras Euphorbiaceas. Amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla). que facilita a hidratação e a germinação parcial da espécie em diferentes épocas. Isso. para os quais são originalmente sensíveis. Londrina-PR. Isto tem sido realizado através da engenharia genética. Estudos iniciais de dinâmica de populações.

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