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JORNALISMO CÍVICO E CIDADES: Análise das características dos principais jornais impressos de Minas Gerais

JORNALISMO CÍVICO E CIDADES: Análise das características dos principais jornais impressos de Minas Gerais

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Monografia apresentada ao Centro Universitário de Belo Horizonte como requisito parcial à obtenção do título de bacharel em Jornalismo.
Orientadora: Professora Adélia Barroso Fernandes
Belo Horizonte
2011
Monografia apresentada ao Centro Universitário de Belo Horizonte como requisito parcial à obtenção do título de bacharel em Jornalismo.
Orientadora: Professora Adélia Barroso Fernandes
Belo Horizonte
2011

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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BELO HORIZONTE – UNI - BH PÂMELA MOREIRA LORENTZ TRIVELLI

JORNALISMO CÍVICO E CIDADES
Análise das características dos principais jornais impressos de Minas Gerais

Belo Horizonte 2011

PÂMELA MOREIRA LORENTZ TRIVELLI

JORNALISMO CÍVICO E CIDADES
Análise das características dos principais jornais impressos de Minas Gerais
Monografia apresentada ao Centro Universitário de Belo Horizonte como requisito parcial à obtenção do título de bacharel em Jornalismo.

Orientadora: Professora Adélia Barroso Fernandes

Belo Horizonte 2011

Agradeço a Deus e aos familiares pelo apoio incondicional. Aos amigos e colegas de trabalho que acreditaram em mim e me ensinaram coisas incríveis. E aos meus mestres, que dentro e fora da universidade, sempre estiveram e estarão presentes em minha jornada!

“O correr da vida embrulha tudo A vida é assim: Esquenta e esfria, Aperta e daí afrouxa Sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é CORAGEM”. Guimarães Rosa

RESUMO
Partindo do conceito criado pelos americanos de jornalismo cívico propõe-se a presente pesquisa, em que a pergunta principal é se os mais importantes jornais mineiros têm praticado o jornalismo cívico em suas editorias de cidades, uma vez que, empiricamente, pode-se perceber que muitas notícias preocupam-se em apenas contar o fato. Para tornar essa pesquisa possível, o primeiro capítulo pretende destrinchar a história do jornalismo cívico e dos conceitos que cercam o próprio jornalismo e o jornalista. Entretanto, conhecer esses fatos não é o suficiente; faz-se necessário estudar e apreender questões de noticiabilidade. Para finalizar o estudo, o capítulo três ressalta as matérias que se enquadram, mesmo em um único parágrafo, nas características do jornalismo cívico. Será, ainda, acrescentada a conclusão, onde, junto aos autores, será feita a apresentação das características do jornalismo cívico nos cadernos de Cidades, Gerais e Minas dos jornais O Tempo, Estado de Minas e Hoje em Dia, respectivamente.

Palavras-Chaves: Jornalismo Cívico. Jornalismo Impresso. Noticiabilidade.

SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO ............................................................................................................ 07 1 JORNALISMO CÍVICO: A FAVOR DO CIDADÃO .................................................. 09 1.1 A função do jornalismo e o compromisso com o cidadão ............................................... 10 1.2 Surge um novo jornalismo .............................................................................................. 17 2 JORNALISMO IMPRESSO E SUAS FINALIDADES................................................. 24 2.1 A noticiabilidade de um jornal diário .............................................................................. 24 2.2 A criação das editorias ................................................................................................... 35 3 OS JORNAIS MINEIROS E O COMPROMISSO COM O CIDADÃO ...................... 38 3.1 Pequena história dos jornais mineiros ............................................................................. 38 3.2 Análise das notícias ........................................................................................................ 44 3.2.1 Polícia ......................................................................................................................... 46 3.2.2 Educação ..................................................................................................................... 49 3.2.3 Trânsito/Transporte/Estradas ....................................................................................... 51 3.2.4 Saúde .......................................................................................................................... 54 3.2.5 Prestação de Serviço .................................................................................................... 55 3.2.6 Urbanismo................................................................................................................... 56 3.2.7 Meio Ambiente ........................................................................................................... 57 3.2.8 Patrimônio Histórico ................................................................................................... 59 3.2.9 Datas Comemorativas .................................................................................................. 60 3.2.10 Cultura ...................................................................................................................... 61 3.2.11 Economia .................................................................................................................. 62 3.2.12 Demografia ............................................................................................................... 62 3.2.13 Política ...................................................................................................................... 63 3.2.14 Gastronomia .............................................................................................................. 64 3.2.15 Comportamento ......................................................................................................... 64 3.2.16 Sustentabilidade ........................................................................................................ 65 3.2.17 Direitos Humanos ...................................................................................................... 66 3.2.18 Turismo ..................................................................................................................... 66 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................. 67 REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 70

7 APRESENTAÇÃO Com o crescimento da mídia e o aumento da procura pela informação, os interesses econômicos partindo dos donos de jornais sobressaíram de tal forma que os leitores perderam a confiança nos veículos. Com isso, a credibilidade dos jornais americanos, no século XX, chegou ao nível mais baixo e as empresas jornalísticas eram muito influenciadas por pessoas e organizações, essa era a principal justificativa do público para a falta de confiança na mídia.

A partir deste momento, surgiu, nos Estados Unidos, um movimento jornalístico que teve como intuito propor que houvesse mais proximidade do jornalismo com os cidadãos. O novo jornalismo, como foi conhecido no país, faz uma tentativa de melhorar a comunidade através do enfrentamento de problemáticas, produzindo, assim, reportagens referentes a temas importantes para os cidadãos. O jornalismo cívico teve início na década de 1980.

Diante da percepção e discussão de que o jornalismo tem se esquecido que foi fundado para informar e criar fóruns de discussão entre a sociedade, e que a comunidade perdeu a confiança nos meios de comunicação, porque estes têm se vendido por dinheiro, percebe-se que o presente estudo é importante para elevar o grau de debate entre acadêmicos e interessados na ação do quarto poder em relação ao interesse público. Principalmente sobre a ação dos tradicionais veículos impressos de Minas Gerais a respeito do jornalismo cívico.

No Brasil, ainda há dificuldade, segundo Silva (2002), em praticar o jornalismo cívico. Este ainda não está consolidado, pois, diferentemente dos outros conceitos jornalísticos, este está emergindo com características próprias. A escolha das editorias/cadernos de Cidades como objeto de análise parte da percepção de que o espaço é utilizado para abordar temas como trânsito, saúde, educação etc. Por isto, deduz-se que este caderno é uma janela aberta para a prática do jornalismo cívico no Brasil, já que, como afirma Lustosa (1996), o caderno de Cidades pode ser considerado como uma “clínica geral”, pois aborda temas diferentes que não cabem nas outras editorias.

Para tanto, este estudo tem por intuito pesquisar o jornalismo cívico nos cadernos de Cidades, Gerais e Minas dos jornais O Tempo, Estado de Minas e Hoje em Dia, respectivamente. A intenção é perceber se há prática do jornalismo cívico nas reportagens, como os temas são

8 abordados e qual a frequência dos assuntos. Em suma, é importante entender como esse gênero jornalístico tem sido praticado em Minas Gerais.

A pesquisa bibliográfica leva em consideração os temas que abrangem a finalidade da pesquisa, que é perceber como os principais jornais de Minas praticam o jornalismo cívico nas editorias de cidades.

O estudo da noticiabilidade também se faz necessário, uma vez que a notícia é definida, de acordo com Lage (2000), como sendo um relato de vários fatos importantes e interessantes. A forma como um fato é contado é diferente de como ele acontece e a sequência é temporal, de acordo com o interesse.

O capítulo um abordará as questões históricas do jornalismo cívico, além dos conceitos de cidadania, democracia, ombudsman e do próprio jornalismo. Já o capitulo dois irá relatar os conceitos de noticiabilidade, newsmaking, editorias e jornalismo impresso. No terceiro capitulo, onde será feita a análise de conteúdo, apresentaremos breve história dos jornais estudados, Estado de Minas, O Tempo, Hoje em Dia, e faremos análise minuciosa das matérias que julgamos, após o estudo bibliográfico, serem versões de jornalismo cívico.

9 1 JORNALISMO CÍVICO: A FAVOR DO CIDADÃO Neste capítulo iremos abordar os conceitos de sociedade civil, cidadania, democracia, espaço público, ombudsman e, é claro, jornalismo cívico, sua história e aplicação. Para tanto iremos discutir as ideias e pesquisas de professores e estudiosos. Fernandes (1999) explica o conceito de mundo comum, o que permite a convivência do homem com o homem e que gera o interesse público. João Correia (2000) ressalta também o conceito de espaço público, além de fazer a discussão de que o jornalismo tem papel importante na estruturação desse espaço. Thompson (1998) também aborda esta questão da visibilidade da sociedade através da mídia. A partir dessa ideia os autores debatem a importância da mídia no espaço público e relação com a democracia. Mas para se entender corretamente esses conceitos é preciso definir também o que é sociedade civil e Vieira (1999) é quem discute o surgimento e a importância. Já Soares (2008) e Martins (2005) apresentam um breve histórico do aparecimento da cidadania e discutem a questão. Silva (2002) nos traz o tema do quarto poder que segundo ele é o poder do jornalismo de fiscalizar e dar visibilidade aos fatos. Partindo do compromisso permanente do jornalista com suas fontes e com o público, Bill Kovack e Tom Rosenstiel (2004) debatem sobre a finalidade maior do jornalista. Segundo os autores, a função do jornalismo é fornecer aos cidadãos as informações de que necessitam para serem livres e se autogovernar. Assim como Kovack e Rosenstiel (2004), Traquina (1999) também discute a importância da credibilidade. Gomes (2003) discute a questão de que o jornalismo, como sendo uma instituição, tem um discurso próprio de sua legitimidade social. Outro tema importante é a criação do ombudsman, que é abordado por Mendes (2002).

Nelson Traquina (2001) e Silva (2002) introduzem o jornalismo cívico como sendo um novo movimento que buscou reacender a credibilidade do jornalismo na década de 1980. Traquina (2001) explica os conceitos de jornalismo cívico a partir de sua criação nos Estados Unidos. Já Silva (2002) ressalta e analisa a prática deste gênero no Brasil.

Assim como Silva (2002), Márcio Fernandes (2002) retoma a comparação entre o jornalismo cívico praticado nos Estados Unidos e o exercido no Brasil. Fernandes (2002) também propõe

10 explicar a missão da mídia buscando responder perguntas sobre as ações dos jornalistas, sobre se devem continuar sendo apenas relatores de fatos ou devem ajudar no bom funcionamento da sociedade. 1.1 A função do jornalismo e o compromisso com o cidadão

O que difere o homem dos animais é a sua capacidade de se relacionar, e, segundo Fernandes (1999), a constituição da história do homem se dá graças à experiência de ser coletivo. A convivência social promove a criação de um espaço comum, chamado por Arendt (1995 apud Fernandes, 1999) de mundo comum, onde existe uma troca comunicativa entre os homens. A participação do homem no mundo comum faz com que ele saiba que faz parte de um mundo real. A convivência permite, ainda, que o homem tenha referências verdadeiras de viver o mesmo tempo e o mesmo mundo que os outros. O que prova essa realidade é que no mundo comum, afirma Arendt (1995 apud Fernandes, 1999), as pessoas podem ver, falar e ouvir as mesmas coisas que as outras pessoas. Fernandes (1999) explica as afirmações de Arendt (1995 apud Fernandes, 1999) como “a confirmação dada pelo testemunho do outro, mesmo que numa outra versão, um outro olhar, certifica-nos de que o fato aconteceu para "nós" e não só para "mim"” (FERNANDES, 1999, p. 3). Outro aspecto importante no mundo comum, explica Fernandes (1999), é a pluralidade humana que surge a partir da certificação de que todas as pessoas compartilham o mesmo real. A pluralidade humana nada mais é que a capacidade de cada um observar um acontecimento de forma diferente e torná-lo público a seu modo de ver. A partir destas experiências do mundo comum, nasce a esfera pública, que segundo a autora se dá
(...) através da ação, a liberdade de construir um novo, e do discurso, a liberdade de imaginar o novo, que os homens se apresentam no espaço comum para construir a sociedade. Assim, só o homem, por tais meios, é capaz de exprimir as pluralidades, as diferenças. Ao mostrarse, distingue-se com sua singularidade e provoca reações imprevisíveis, alterando as relações sociais, criando novas experiências, transformando a interpretação dos fenômenos e as maneiras de se ver o mundo (FERNANDES, 1999, p. 4).

Fernandes (1999) explicita ainda que apenas o que é de interesse comum é aceito no espaço da esfera pública. E que estes assuntos quando são expostos são transformados e adaptados, de modo a se tornarem de interesse público. É através da linguagem que a vida se torna real, pois é ela que expressa os conflitos,

11 divergências, ideais e esperanças do cidadão e da sociedade. É essa comunicação que fazem os homens construírem o mundo comum. A comunicação é, segundo Fernandes (1999), o que permite a existência de um espaço público. E que esta ideia de espaço público tem se modificado graças, principalmente, ao aparecimento das novas tecnologias de comunicação. O aparecimento da burguesia, a partir do século XVI, explica Fernandes (1999), permitiu a formação e a transformação do espaço público. Uma vez que eles passam a discutir a condução dos poderes políticos e o direito de falar sobre questões da sociedade, os debates e propostas levados à esfera pública receberam o nome de opinião pública. “A esfera pública, ao criar uma opinião pública, promove uma nova relação entre o Estado e a sociedade, pois o Estado tem que tornar suas decisões públicas, visíveis e enfrentar a opinião pública” (FERNANDES, 1999, p. 7). João Correia (2000) acrescenta que o espaço público atualmente deve ser chamado de espaço público mediatizado. O autor ressalta ainda que o jornalismo desempenha um papel decisivo na estruturação do próprio espaço público e principalmente do consenso social. Thompson (1998) explica que o desenvolvimento da mídia aumentou a visibilidade da sociedade. Segundo o autor, antes era possível apenas compartilhar as notícias quando se estava no mesmo local físico, e que hoje, com o avanço das tecnologias, é possível ler um jornal publicado em outro continente, e ainda saber de algum fato no mesmo minuto em que ele ocorreu mesmo estando distante do local. Por causa disso, os meios de comunicação de massa se tornaram necessários para a constituição da esfera pública atual. Fernandes (1999) explica que é nos espaços públicos contemporâneos, com a presença da mídia, que os movimentos sociais construirão os diversos sentidos de cidadania. A autora acrescenta que “as esferas públicas estão interconectadas e a mídia tem um papel de reflexividade central importante para essa interligação” (FERNANDES, 1999, p. 13). A autora debate ainda o papel da mídia na elaboração dos sentidos criados pela sociedade civil. A mídia promove, segundo Fernandes (1999), interação além do espaço físico, amplia a visibilidade dos temas e acontecimentos e contribui para a existência da democracia. “A mídia, como parte central da esfera pública contemporânea, liga as diversas esferas da

12 sociedade,” acrescenta (FERNANDES, 1999, p. 13). O conceito de sociedade civil, segundo Liszt Vieira (1999), surgiu das lutas e dos movimentos sociais contra autoritarismos e regimes militares. Esse conceito tem cada vez mais sido utilizado para identificar os lugares onde existe um potencial de expansão da democracia. Por este motivo, é importante pesquisar o conceito de sociedade civil, uma vez que essas organizações são compostas pelo direito conquistado da comunicação e do consumo e principalmente da cidadania. Habermas (apud FERNANDES, 1999) explica que existe um fluxo comunicativo que liga a sociedade civil e o cotidiano das pessoas:
é constituída por associações, organizações e movimentos, mais ou menos espontaneamente emergentes, que, sintonizados com a ressonância dos problemas societários nas esferas de vida privadas, destilam e transmitem as respostas ali gestadas de forma ampliada para a esfera pública. O cotidiano pode, assim, ser entendido como o âmbito da vida social em que são produzidos os fluxos comunicativos e realçados os assuntos relevantes, que vão sendo tematizados na esfera pública. Dada à fluidez e dispersão do fluxo comunicativo, a esfera pública tende a absorver aqueles fluxos que são tematicamente especificados. Uma vez tematizados, os problemas alcançam os fluxos comunicativos mais organizados do espaço público (FERNANDES, 1999, p. 10).

Soares (2008) apresenta um breve histórico do aparecimento da cidadania e discute a questão como é vista hoje. Em que a cidadania, ressalta Soares (2008), é tema central de debate entre vários movimentos sociais como sendo a porta de entrada para o espaço público.

Para Martins (2005) a cidadania está dividida em três elementos constitutivos: o primeiro se refere à comunidade política que está intimamente ligada a uma nacionalidade; o segundo diz respeito a participação que é a oportunidade de ajudar na vida política; o terceiro elemento são os direitos e deveres a serem cumpridos pelo cidadão na sociedade.

Partindo dos conceitos apresentados podemos, portanto, partir para o estudo do jornalismo, suas funções e influências na sociedade civil. Um dos papéis do jornalismo é fiscalizar o Estado que é dividido em três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Silva (2002) explica que com a existência do quarto poder, o jornalismo, a sociedade civil poderia então, praticar a democracia participativa, já que os outros poderes são constituídos de voto, ou carreira e mandato, portanto fazem parte da democracia representativa. Partindo desta ideia, a imprensa deveria, portanto, fiscalizar e dar visibilidade aos feitos do Estado. Silva (2002) acrescenta que seria inviável, por parte do cidadão, o exercício desta função, portanto esse papel é delegado à imprensa.

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Soares (2008) acrescenta que o jornalismo considera a informação como sendo um direito civil.
Para Gentile, [...] o direito civil à informação é um pressuposto necessário à realização dos direitos políticos, constituindo um dos direitos relativos à esfera pública, como a liberdade de opinião e de expressão, liberdade de imprensa, liberdade de reunião e de associação (SOARES, 2008, p. 4).

Já os autores Kovach e Rosenstiel (2004) explicam a função do jornalismo a partir de um fenômeno ocorrido na Polônia em meados dos anos 1980, quando o governo militar polonês decretou a lei marcial, que silenciava os meios de comunicação. A partir deste momento, os poloneses começaram a reagir de forma nunca vista antes, desligando seus televisores e colocando-os perto da janela com a tela negra virada para a rua como uma forma de protesto. Com a ditadura, a imprensa clandestina aumentou e as pessoas se reuniam às escondidas. “Para os poloneses e outros povos em democracias emergentes na região, essa pergunta [para que serve o jornalismo?] só tinha uma resposta: agir” (KOVACH; ROSENSTIEL, 2004, p. 29).

O jornalismo tem também a função de servir, construir a comunidade, a democracia e a cidadania. Segundo Kovach e Rosenstiel (2004), essas definições estão enraizadas na história da imprensa, e poucas pessoas ousam criticar. Portanto, fica difícil separar o conceito de jornalismo das teorias sobre a democracia. Os autores lembram que, para suprimir a liberdade ou implantar um golpe de Estado, sempre foi preciso censurar a imprensa. Relatam, ainda, que o jornalismo é fonte de liberdade e conhecimento e, para que haja um governo no qual a democracia seja verdadeiramente praticada, é preciso que exista um jornalismo sério que se preocupe em informar o cidadão e torná-lo consciente para que possa se autogovernar.

Silva (2002) complementa e coloca em debate a questão de que a imprensa precisa se manter íntegra para exercer sua função, caso contrário, ela será incompleta e imperfeita.
A imprensa, portanto, é um poder auxiliar do cidadão, mas, se se voltar contra os interesses do cidadão que, em suma, é o interesse público, também estará deslocado de sua principal razão de existir. A imprensa pode muito bem viver descolada da cidadania, servindo a um ou vários senhores. Poderá até renunciar ao papel de quarto poder. Será, no entanto, apenas um negócio, descolado das suas funções social e pública. Se, no entanto, a imprensa se desempenhar bem (de forma eqüidistante e plural) na sua vocação fiscalizadora, estará, assim, atendendo à expectativa mais tradicional que sobre ela recai: a de que seja, por delegação, um poder fiscalizador (SILVA, 2002, p. 50).

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Partindo do pressuposto de que a imprensa tem a função de fiscalizar, identificar e difundir na sociedade as falhas do poder público, o autor afirma que a fiscalização não será eficaz, uma vez que, a imprensa desvie seus ideais e permita-se ser comandada por interesses e influências dos outros três poderes e da economia.

Outra questão importante que demonstra as atuais dificuldades do jornalismo é ressaltada por Kovach e Rosenstiel (2004) que explicam que a definição de jornalismo ficou popularizada e, portanto, qualquer pessoa pode, com o auxílio da tecnologia, praticar o jornalismo. Ainda segundo os autores, as finalidades do jornalismo têm se modificado com a chegada da tecnologia.

Mas o fato é que a teoria e a finalidade do jornalismo, tão duradouros até aqui, são agora desafiadas de uma forma nunca vista antes – pelo menos nos Estados Unidos. A tecnologia vem formando uma nova organização econômica das empresas jornalísticas, dentro das quais o jornalismo acaba submetido a outros interesses. A ameaça hoje não vem da censura governamental. O novo perigo reside no fato de que o jornalismo independente pode ser dissolvido no meio da informação comercial e da sinergia da autopromoção (Kovach; Rosenstiel, 2004, p. 32).

A partir do começo do século XXI, Kovach e Rosenstiel (2004) esclarecem que a informação ficou tão acessível que a função do jornalista em definir o que o público deve saber ficou defasada. Agora, portanto, o jornalista deve ajudar o público à por em ordem as informações. Os autores acrescentam que “a primeira tarefa dessa mistura de jornalista e ‘explicador’ é checar se a informação é confiável e ordená-la de forma que o leitor possa entendê-la.” (KOVACH; ROSENSTIEL, 2004. p. 41). O jornalismo de hoje é bem parecido com o de quatrocentos anos atrás, e tem a mesma finalidade de verificação, somente são praticados de formas diferentes. Pode-se concluir que, esta questão levantada de que a tecnologia tem permitido o excesso de informações, pode contribuir ainda mais para a perda de credibilidade da imprensa.

Segundo Kovach e Rosenstiel (2004), existem três níveis de envolvimento público com o jornalismo. O primeiro, que é chamado de público envolvido, pressupõe um interesse pessoal e um bom entendimento sobre algum tema. O segundo é o público interessado, pelo qual o leitor que não participa diretamente no assunto, mas que se sente afetado de alguma forma e responde mediante alguma experiência relacionada ao tema. O terceiro é o público

15 desinteressado, formado pelo leitor que não possui qualquer interesse no assunto, mas que poderá algum dia conhecer melhor sobre o tema caso alguém já tenha aberto o caminho. No conceito da Participação Pública, todos os cidadãos são participantes dos três grupos, dependendo do assunto.

Gomes (2003) discute a questão de que o jornalismo, como sendo uma instituição, tem um discurso próprio de sua legitimidade social. E, por isso, este discurso tem duas principais funções, em que a primeira é configurar a identidade do grupo e a segunda de convencer que o jornalismo é uma instituição de suma importância para a sociedade e que, por isso, o cidadão deve protegê-lo e mantê-lo. Diante da explicação do discurso da autolegitimação da imprensa caímos novamente na questão da função principal do jornalismo. Gomes complementa que “haverá sempre quem responda, com grande anuência das plateias, que o jornalismo como instituição é imprescindível para sociedades democráticas justamente porque é capaz de servir ao interesse público” (GOMES, 2003, p. 31).

O princípio básico do jornalismo é dizer a verdade, afirma Kovach e Rosenstiel (2004). As pessoas procuram a informação devido a um instinto básico do homem, que é chamado de instinto de percepção. Portanto, a notícia é o material que permite que as pessoas aprendam e pensem sobre um mundo que vai além do que elas estão acostumadas. Para isso, é preciso que a informação seja verídica e confiável. Segundo os autores, a verdade causa uma sensação de segurança que é a essência das notícias. E, que com a chegada da tecnologia digital e eletrônica, a profissão do jornalismo tem se distanciado da ideia de responsabilidade cívica.

Os autores Kovach e Rosenstiel (2004) discutem o fato de que os jornalistas nem sempre sabem o que querem dizer com veracidade e que as teorias do jornalismo ficaram apenas nas cabeças dos acadêmicos. Às vezes, os praticantes da profissão se esquecem que os conceitos são imprescindíveis para uma carreira de sucesso. Segundo Kovach e Rosenstiel (2004), alguns críticos até comentam que o jornalismo se aprende praticando e que as escolas que ensinam a profissão são perda de tempo. A falta de teoria, que é comum aos profissionais do jornalismo, causam uma certa desconfiança por parte da população. Principalmente porque, ultimamente, as empresas de jornalismo têm se preocupado muito com os escândalos e se esquecem da função principal que é, segundo Kovach e Rosenstiel (2004), oferecer informação necessária para que o cidadão possa se autogovernar.

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Kovach e Rosenstiel (2004) explicam que o jornalismo deve promover fóruns onde o público possa comentar e criticar. Os autores acrescentam que “a capacidade da imprensa de criar um fórum é tão forte que permeia todos os aspectos do trabalho dos jornalistas, começando com a matéria inicial com a qual ele alerta o público sobre um fato ou uma situação.” (KOVACH; ROSENSTIEL, 2004, p. 206). Após o acontecimento deste fórum, a comunidade começa a reagir contra ou a favor, nutrindo, portanto, a comunidade de vozes públicas. Fernandes (1999) explica que a periferia tenta promover a discussão de vários setores para transformar a sociedade e que quanto mais intensos forem essas discussões, mais democrática é a sociedade.

A consciência moral, segundo Kovach e Rosenstiel (2004), é um fator que os jornalistas se preocupam, mas que cada profissional deve ter suas próprias normas e padrões. Os jornalistas devem levar em consideração, segundo os autores, que o público recebe as notícias da forma como elas são produzidas, e a forma com que investigam um caso leva o leitor a uma conclusão diferente em relação ao fato descrito pela reportagem. O público está à procura de informações, mas também precisa sentir confiança, autoridade e honestidade. Partindo para outro ponto da história, desta vez na Suécia e especificamente em 1713, surge um personagem no parlamento que tinha a função de ouvidor da sociedade, conhecido na época como representante do parlamento. Esse profissional, chamado em sueco de Ombudsman (junção da palavra ombud = representante e man = homem), tinha como função ouvir as queixas dos cidadãos contra o Estado e investigá-las, e quando necessário, requerer providências, explica Mendes (2002).

Mais tarde, esse profissional, migrou para outras instituições, entre elas o jornalismo, com a intenção de que a sociedade reconhecesse ali um ser comum, que entendesse e soubesse os problemas e que principalmente defendesse a opinião pública. Assim, o ouvidor da sociedade surge nas redações com o objetivo de representar o cidadão. Entre suas funções estão: ouvir o cidadão, fiscalizar as ações do jornal, investigar as denúncias, criticar os veículos, entre outras coisas. Entretanto, Mendes (2002) acrescenta que “o “representante do leitor” não é passivo e sem opinião. Quando ele toma uma posição contrária à da maioria dos leitores, esta também pode ser legitima” (MENDES, 2002, p. 17).

17 Pode-se concluir que o ombudsman é um jornalista, o que muda é apenas o nome e a forma como ele é selecionado para trabalhar no jornal. Afinal, como foi discutido, o jornalismo tem como função principal escutar a sociedade e discutir os interesses da opinião pública.

1.2 Surge um novo jornalismo

Ao final dos anos 1980, surgiu nos Estados Unidos um movimento que defendia a criação de uma nova perspectiva dentro das editorias dos jornais da época. O civic journalism foi arquitetado, segundo Traquina (2001), para suprir a lacuna deixada pelos jornais, uma vez que naquela época o jornalismo estava em crise e a democracia também.

Os idealizadores do civic journalism propunham que houvesse mais consciência do jornalismo para com os cidadãos. O movimento faz uma tentativa de mudar a vida das pessoas e melhorar o ambiente em que elas vivem pelo enfrentamento de alguns problemas relacionados ao cotidiano. Anthony J. Eksterowicz, Robert Roberts e Adrian Clark (2000) explicam que o civic journalism propõe a ligação dos jornalistas às comunidades, onde os cidadãos passam a fazer parte das principais preocupações jornalísticas e propõe ainda lutar pela mudança e reforma social. Já para o brasileiro Carlos Castilho, citado em Fernandes (2002) afirma que jornalismo cívico é “retomar contato com a comunidade, descobrindo o que os leitores querem e abrindo espaço para discussões de temas de interesse público” (FERNANDES, 2002, p. 96). Outra definição para jornalismo cívico é descrita por Jan Schaffer (apud Fernandes, 2002). Para o autor jornalismo cívico é “que ajude as pessoas a superarem sua sensação de impotência e alienação, desafiando-as a envolver-se e tomar para si a responsabilidade sobre problemas comunitários” (FERNANDES, 2002, p. 96).

Entre as reportagens comuns produzidas pelos jornais que aderiram a essa nova categoria no jornalismo, havia algumas que abordavam a importância de se cuidar das crianças, questões relacionadas aos adolescentes, tais como drogas, sexo e violência, além do retrato de aspectos envolvendo o racismo.

Fernandes (2002) ressalta que o jornalismo cívico é uma significação do jornalismo tradicional e que este necessita ser avaliado nas teorias da comunicação. Os autores Anthony J. Eksterowicz, Robert Roberts e Adrian Clark (2000), entretanto,

18 afirmam que a ideia de jornalismo cívico desafia a noção tradicional de jornalismo que como discutido até agora, tem como princípio promover fóruns de interesse público. E que o surgimento do cívic journalism não pode ser compreendido se não levarmos em conta as mudanças ocorridas na sociedade americana nas décadas de 1960 e 1970, quando houve profundas reformas sociais, políticas e econômicas.

Ainda segundo os autores Anthony J. Eksterowicz, Robert Roberts e Adrian Clark (2000), alguns acontecimentos como o movimento feminista, ambientalista e tantos outros fatos, fizeram uma modificação no cenário internacional e provocaram uma série de mudanças em longo prazo. Nos Estados Unidos a política passou por problemas que resultaram principalmente no escândalo de Watergate. Neste momento, as comunidades jornalísticas passam a adotar um perfil mais investigativo, enfatizando descobertas e escândalos públicos e seguindo o caminho do dinheiro das campanhas partidárias. Esses acontecimentos levaram a uma desilusão dos americanos em relação às instituições do país, tanto públicas quanto privadas.

Foi em 1988, ano de eleições presidenciais nos Estados Unidos, que o civic journalism teve início. O primeiro projeto, chamado de Wichita Eagle, a adotar o movimento decidiu discutir os problemas da sociedade e mostrar quais eram as propostas dos candidatos para solucionálos. A partir daí, vários jornais iniciaram seus próprios projetos que colocavam o cidadão como espécie de pauteiro dos veículos. Mas segundo os autores Anthony J. Eksterowicz, Robert Roberts e Adrian Clark (2000) outros interesses também circundavam os idealizadores do civic journalism.
Como observa Jay Rosen, um certo número de preocupações conduziram ao movimento do jornalismo público (19994, pp.371-372). Os jornalistas estavam preocupados com a diminuição do número de leitores de jornais, notavam uma brecha cada vez maior entre os cidadãos e os jornalistas, estavam preocupados com o aumento da indiferença relativamente à política por parte da população e notavam a dicotomia motivada pelo cafto de notícias públicas estarem a ser tratadas por uma indústria dedicada ao lucro privado. Todas estas preocupações levaram ao desejo por parte de alguns jornalistas de experimentar e de desafiar alguns dos principais princípios do jornalismo moderno (EKSTEROWICZ; ROBERTS; CLARK, 2000, p. 154).

Nestes anos de criação e idealização do novo jornalismo, vários militantes nomearam o movimento, de acordo com o que mais condizia com suas teorias. Denominações como “jornalismo comunitário” e “jornalismo de serviço público” podem ser traduzidos como

19 “jornalismo cívico”. Outra denominação comum dado ao novo jornalismo americano é “jornalismo público”, sendo todos sinônimos entre si.

Para Anthony J. Eksterowicz, Robert Roberts e Adrian Clark (2000), o jornalismo cívico teve suas origens no conceito do jornalismo Muckranking, que teve início nas primeiras décadas do século XX, também nos Estados Unidos.

O Muckranking é caracterizado pelas melhores características do jornalismo investigativo e reúne, ainda, a vontade de lutar pela reforma política. Os autores Anthony J. Eksterowicz, Robert Roberts e Adrian Clark (2000) acrescentam ainda que Muckrankers tentavam educar a sociedade e incentivá-la à participação cívica, para então conseguirem a reforma social e política.

Os autores Anthony J. Eksterowicz, Robert Roberts e Adrian Clark (2000) enfatizam que os modelos Muckranking e civic journalism têm pontos em comum como, por exemplo, o objetivo de transformação do jornalismo, a busca pela mudança e reforma e as parcerias de universidades, grupos cívicos, feitas para concretizarem seus objetivos. Apesar destas características comuns, eles se diferenciam, pois, um tem como foco investigar e denunciar e o outro procura contribuir com a sociedade de forma a resolver os problemas sociais, respectivamente.

Tanto para Traquina (2001) quanto para Silva (2002) o jornalismo cívico ainda está em construção. Traquina (2001) expõe que os próprios fundadores do movimento insistem em sublinhar que este novo jornalismo ainda está por ser inventado. Silva (2002) acrescenta que “como gênero, o jornalismo público ainda não adquiriu o status de outras especializações, a exemplo da crônica policial, do jornalismo esportivo, do jornalismo político, do jornalismo econômico e do jornalismo científico” (SILVA, 2002, p. 2).

O civic jounalism, segundo Silva (2002), praticado nos Estados Unidos, embora esteja muito associado a questões eleitorais, não se trata apenas de produzir uma série de reportagens sobre as propostas dos candidatos. É preciso mais que isso. É preciso uma doação de tempo e profissionais. Ele acrescenta que “o civic jornalismo caracteriza-se pela existência e manutenção de um vínculo social por parte do veículo, ou, como o definiu Carlos Eduardo

20 Lins e Silva (revista Impressa, janeiro de 1997), “o jornalismo cívico é um elo entre os cidadãos e os problemas da comunidade” (SILVA, 2001, p. 2). Para os autores Anthony J. Eksterowicz, Robert Roberts e Adrian Clark (2000), o jornalista que dedica seu tempo a praticar o civic journalism pode ser chamado de jornalista público.

O civic journalism vem evoluindo há décadas nos EUA e em outros países como, por exemplo, na Austrália, Chile e Canadá. No entanto, no Brasil o movimento ainda não tomou corpo e nem sequer conquistou uma tradução definitiva. Silva (2002) ressalta que, no Brasil, o jornalismo cívico tem emergido de forma diferente dos outros gêneros jornalísticos, que foram implantados na mídia brasileira com as mesmas características e jargões de outros países.
Dessa forma, pode-se dizer que, no Brasil, o jornalismo público está emergindo com características próprias e, ao contrário do que ocorreu nos Estados Unidos, não houve, aqui, intenções e ações visando especificamente fundar uma categoria jornalística (SILVA, 2003, p. 2).

Ainda segundo Silva (2002), as mutações sofridas no jornalismo do Brasil são causadas pelo “setor público” que, por sua vez, é associado a esferas estatais e governamentais. O autor ressalta que o jornalismo cívico não foi declarado como sendo parte das ações de alguns meios de comunicação de massa, pois há um desconhecimento da mídia brasileira sobre o tema.

Silva (2002) ressalta ainda que a sociedade atual se caracteriza pela necessidade de consumir notícias sensacionalistas, por isso, estas notícias acabam por tomar o espaço nos jornais. “[...] a sociedade é a maior produtora de fatos jornalísticos, notadamente os fatos cujos ingredientes de sensacionalismo despertam no cotidiano a atenção dos selecionadores [gatekeepers] de notícias.” (SILVA, 2002, p. 4).

Em contrapartida, Fernandes (2002) escreve, a partir dos pensamentos de Merritt, que o jornalismo tradicional precisa ultrapassar a missão de contador de notícias e se preocupar em ajudar o bom funcionamento da vida pública.

21 Silva (2003) explica que o jornalismo cívico tem por intuito não somente mostrar os dramas sociais, mas adicionar a eles valor/notícia para orientação do público quanto à solução de problemas, indicando a quem e quando recorrer.

[...] falta, teoricamente, caracterizar-se o lugar do jornalismo público, possivelmente, porque este ainda se encontra em fase emergente. Faltam projetos e parcerias entre organizações sociais e organizações de mídia, de forma a empresariar e a dar sustentabilidade a um mercado jornalístico que, como se procurou aqui demonstrar, tem um potencial muito promissor. Falta a contribuição do meio acadêmico, não só na pesquisa do assunto, quanto na preparação técnica de profissionais para esse mercado (SILVA, 2003, p. 17).

Anthony J. Eksterowicz, Robert Roberts e Adrian Clark (2000) vão ainda mais longe e apresentam sugestões para o crescimento do jornalismo cívico, a partir da inserção deste conceito nas grades curriculares das universidades, além de promoção do conceito em palestras e workshops.
Os licenciados em escolas de jornalismo ou de comunicação social dificilmente encontram disciplinas de jornalismo cívico no curriculum, sejam elas obrigatórias ou opicionais, dependendo assim os jornalistas interessados no jornalismo cívico, sejam eles da imprensa, da rádio ou da televisão, de uma rede dispersa de fundações ou de organizações profissionais para a aprendizagem das suas técnicas (EKSTEROWICZ; ROBERTS; CLARK, 2000, p. 169).

O jornalismo cívico, acredita Silva (2003), deve ainda se consolidar aqui no Brasil, ou por amadurecimento da mídia, ou ainda, por uma constatação de que não se deve ignorar os assuntos que interessam os cidadãos, a democracia e a justiça social, pois assim correm o risco de perder o público e a credibilidade, assim como aconteceu nos Estados Unidos durante o início do movimento que gerou o novo jornalismo.
Se isto [jornalismo cívico no Brasil] não acontecer, porém, as entidades públicas não terão outro caminho senão produzir factóides para chamar atenção. O risco, no entanto, é o de que ao produzirem sensacionalismo acabem não chamando atenção para as questões de fundo, para o âmago dos problemas, mas tão somente para a sua superfície. E, da mesma forma como há uma distinção clara entre campanha (passageira) e mobilização social (permanente), os problemas correm o risco de serem esquecidos após a sua dramatização nas manchetes, pelo simples fato de já não serem novidades. Talvez seja este o maior desafio do jornalismo público: agendar permanentemente assuntos que não são novos (SILVA, 2003, p. 18).

Silva (2003) comenta que os meios de comunicação noticiam tudo, e que todas estas notícias podem acabar no vazio da informação, pois elas não produzem nenhum significando para o leitor. Ainda para o autor o jornalismo precisa ter compromissos que ultrapassem os valores-noticias clássicos.

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Anthony J. Eksterowicz, Robert Roberts e Adrian Clark (2000) acrescentam que atualmente a ignorância e falta de consciência política dos cidadãos são agravantes que ameaçam a democracia. Apresentam ainda que o aumento do conhecimento e interesse político aconteceria entre as pessoas através do jornalismo cívico que, por sua vez, possui um ethos ligado à tradição democrática participativa ou comunitária. Não aceitando assim, a falta de participação popular, afinal o civic journalism visa o incentivo de uma sociedade emprenhada e participativa, principalmente nas questões que estão diretamente ligadas a elas, como os problemas sociais.

Dentre os objetivos do jornalismo cívico, os autores Anthony J. Eksterowicz, Robert Roberts e Adrian Clark (2000) enfatizam que todo este estreitamento das relações entre as comunidades, relacionado com a definição de democracia.

Entretanto, os media dominantes, segundo os autores Anthony J. Eksterowicz, Robert Roberts e Adrian Clark (2000), tentam promover apenas as coberturas de fatos e atividades das elites políticas, ignorando muitas vezes, os problemas sociais e obrigando a sociedade a serem simples espectadores.
Existe por isso uma separação fisiológica entre os participantes do jornalismo dominante e os do jornalismo cívico quanto à própria natureza da democracia. O jornalismo dominante aceita implicitamente as visões articuladas por Shumpeter (1943) e por Dahl (1956) segundo os quais a democracia pode ser definida em termos de factores como a existência de eleições competitivas e de liberdades cívicas. O jornalismo cívico, pelo contrário, baseia-se na premissa de que uma democracia viva exige igualmente um elevado nível de participação popular e que é dever dos media desempenhar um papel importante na busca desse objetivo (EKSTEROWICZ; ROBERTS; CLARK, 2000, p. 169).

Com a velocidade da mídia atual, pode-se concluir que a prática do jornalismo cívico fica ainda mais fácil, uma vez que
Esta nova visibilidade oferecida pela mídia faz com que os grupos, os políticos, os movimentos sociais, promovam ações e discursos que se adeqüem a este espaço público: passeatas, eventos espetaculares, roupas extravagantes, slogans fáceis de serem gravados, estratégias de entrevistas, etc. Os sujeitos apelam para vários recursos a fim de conseguirem entrar neste novo espaço e colocar suas questões, reivindicações e demandas à vista de todos (FERNANDES, 1999, p. 14).

Soares (2008) também discute a questão da mídia dominante, mas pelo ponto de

23 vista da mídia brasileira afirmando que
No entanto diferente do civic journalism, os grandes jornais brasileitos, ao invés de buscarem a participação direta dos cidadãos na resolução dos problemas, tendem a remeter a solução para as politicas públicas do Estado, o que parece adequado, em se tratando de questões estruturais (SOARES, 2008, p. 8).

No entanto, Soares (2008) ressalta que, atualmente, alguns veículos têm se mostrado mais sensíveis a problemas relacionados aos direitos individuais, como fatos de torturas, execução de policiais, problemas com menores, situação dos detentos e acompanhado de perto até que a solução para os problemas tenham sido, ao menos, anunciada pelos governantes. Voltando à questão da prática efetiva do jornalismo cívico nos Estados Unidos e no Brasil, Soares (2008) enfatiza que nos Estados Unidos foram criados cerca de 200 organizações que tentavam praticar o jornalismo cívico, já Fernandes (2002) diz que em 1997 haviam 400 programas em andamento. Silva (2001) sublinha que veículos como o Correio Braziliense, em campanhas como Paz no Trânsito e Eu quero Paz, a TV Globo com o programa Globo Comunicação, são pequenos exemplos de jornalismo cívico no Brasil e Fernandes (2002) lembra ainda que o jornal O Povo também faz essa prática. Infelizmente, pode-se concluir que pelo menos na pesquisa dos autores estudados neste ensaio que no Brasil o movimento além de não ser divulgado e conhecido ainda é praticado por pouquíssimos veículos.

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2 JORNALISMO IMPRESSO E SUAS FINALIDADES

Para o estudo da estrutura da notícia, Nilson Lage (2000) aborda a construção da notícia começando sobre sua origem. O autor constrói uma espécie de gramática para a construção de uma matéria jornalística, evidenciando as essências do Lead, por exemplo. Adriano Duarte Rodrigues (1999) se interessa por estudar o acontecimento, para o autor, quanto mais improvável é o fato, mais chance ele tem de se tornar notícia jornalística. Rodrigues (1999) oferece destaque para explicar quais são os registros comuns de notabilidade de um acontecimento como: excesso; falha e inversão. Mauro Wolf (1995) dá ênfase para a noticiabilidade fazendo uma análise dos efeitos provocados pelo mass media e ainda sobre a relação entre o funcionamento dos meios de comunicação e a qualidade da informação de massa.

Pena (2007) apresenta as questões da criação do jornalismo e da notícia com outros olhos, o autor faz uma relação da criação da notícia com a ideia do medo e a vontade de dominar o desconhecido. Outra perspectiva é apresentada por Correia (2011), em que as notícias ajudam o homem a deixarem a ilusão e passarem a fazer parte da história. Sobre a seleção das notícias, o autor Motta (2002) explica que existem vários critérios para que elas sejam publicadas ou não.

Para finalizar é preciso definir a função das editorias, Elcias Lustosa (1996) explica que, após a Ditadura Militar, os jornais brasileiros passaram a adotar repórteres especializados para os diversos temas ou setores dos jornais, assim cada tema jornalístico foi distribuído em cadernos por editorias. O autor apresenta em seu livro as características das editorias de política, economia, polícia, nacional e esportes, alem de apresentar também a editoria de cidades responsável por abordar todos os temas relacionados a cidade na qual o jornal está instalado. A editoria de Cidades, assim, envolve a comunidade como trânsito, greves, clima, má administração pública, lideranças políticas e polícia.

25 2.1 Noticiabilidade de um jornal diário

A linguagem, segundo Nilson Lage (2000), é mais que um instrumento de comunicação, é um espaço de organização do mundo chamado cultura. Afinal é a cultura que classifica a forma como o homem se dá com o todo, cada um vê de acordo com o que aprendeu, e quem ensina é a linguagem.

A notícia, segundo Lage (2000), não se refere apenas à linguagem, mas também às imagens. Porém, nem mil palavras traduzem uma imagem, mas uma palavra pode traduzir todo um conhecimento. Cada homem “conceitua as coisas por comparação e contraste, do ângulo da utilidade, da função (...)” (LAGE, 2000, p. 06).

Na Idade Média, explica Lage (2000), as informações recebidas pela população vinham por decretos, proclamações e sermões da igreja. Essas notícias demoravam muito tempo para chegar do outro lado da Europa e no século XIII e a expansão comercial da Revolução Burguesa, a notícia passou a ser mais rápida; com a chegada das mercadorias nas cidades, vinham também as informações.
A sociedade moderna européia, espaço da luta entre burgueses e proletários, passou a privilegiar a mudança sobre a preservação. As trocas de informações atingiram intensidade e amplitude antes difíceis de imaginar. E a notícia, antes restrita e controlada pelo Estado e pela Igreja, tornou-se bem de consumo essencial (LAGE, 2000, p. 08).

A partir da disseminação das notícias e o acúmulo de capital, quem tomava a frente na fabricação dos manuscritos eram banqueiros e comerciantes.

Após um declínio deste ciclo promissor da propagação da notícia, houve, então, um novo impulso gerado através do início da colonização da América e a expansão do comércio oceânico com o oriente. Segundo Lage (2000), foi neste contexto de acumulação capitalista e de muito ouro e prata que surgiu uma nova era em busca do poder. A primeira imprensa periódica surgiu neste período. “Nos primeiros jornais, a notícia aparece como fator de acumulação de capital mercantil (...). Mas a burguesia tinha que lutar em outras frentes e logo usou os jornais na sua arrancada final sobre os palácios (...)” (LAGE, 2000, p.

26 10). Neste cenário, a Igreja tentou censurar os jornais, mas a Revolução Industrial contribuiu para acabar com esta ação.

Após meados do século XIX, observa Lage (2000), três fatores foram importantes para contribuir com o fim desta Era e consolidar a imprensa. Estes fatores são: o surgimento de um mercado de massa, que cada dia mais sabia ler e procurava informação; a industrialização dos jornais, máquinas e organização de produção contribuíram para o trabalho nestas empresas; e a publicidade que começava a custear os gastos dos jornais. Lage (2000) comenta que o jornal-empresa, antes da difusão do rádio e cinema, lutava pelo aumento da tiragem e, para isso, os jornais começaram a ampliar os serviços oferecidos, anexando folhetins com história em quadrinhos e horóscopos para cativar o leitor.

Apesar de também associar a criação do jornalismo com a história da comunicação, Felipe Pena (2007) apresenta a origem do jornalismo e da notícia com uma perspectiva diferente. Para Pena (2007), o homem, desde a época de Aristóteles, Ptolomeu ou Newton, faz uma tentativa em organizar os acontecimentos desconhecidos, uma tentativa de dominar o caos. Ainda assim, com vários filósofos explicando os acontecimentos da natureza, o homem ainda possuía o medo do desconhecido, e, por isso, “tentamos ter o dom da ubiqüidade através da alteridade, pois a ilusão da onipresença é construída pelas informações produzidas pelo outro” (PENA, 2007, p. 22).

Entretanto, Pena (2007) afirma que não adianta apenas ter o conhecimento das leis da natureza, da geografia ou do cotidiano, é preciso que as novidades e os relatos dos novos conhecimentos cheguem para todas as pessoas, pois, só assim, elas também se sentirão seguras e estabilizadas. E para exercer essa função surge o jornalismo.

A notícia para Lage (2000) é definida como sendo um relato de vários fatos importantes e interessantes. Já Correia (2011) acrescenta que a notícia deve trazer novas informações que agregam a realidade social. Entretanto, esses critérios de importância muitas vezes são determinados pelas próprias mídias. Lage (2000) explica que a forma como um fato é contado é diferente de como ele acontece. A sequência é temporal de acordo com o interesse do jornal. Desta forma, existem três fases para o processo de uma notícia. A primeira é a seleção do evento. A segunda é a ordenação dos eventos que podem ser caracterizados quando a atenção

27 do interlocutor fixa-se na parte mais importante para ele. E a terceira é a nomeação, caracterizada pelas escolhas das palavras que definem os fatos.

Outro ponto importante, explica Correia (2011), é que as notícias preocupam em passar apenas os acontecimentos presentes, chamados pelos psicólogos de presente ilusórios, significando que os fatos contados nas notícias possuem um fim. Entretanto, a partir do momento em que a notícia alcança o leitor, estas deixam de ser ilusão e passam a fazer parte da história.

É importante também identificar a diferença de fatos atuais para novos. O autor Correia (2011) cita que, para Fidalgo (2004), a notícia atual representa algo que está acontecendo no momento presente, o que não quer dizer que ela seja novidade. Fidalgo (2004) acrescenta que o novo não quer dizer que está acontecendo no presente momento, e sim que ninguém possuía, até então, conhecimento do fato. Sendo, portanto tipos de notícias diferentes.

Lustosa (1996) faz um paralelo entre a notícia e a informação. Notícia é a técnica de relatar um fato, um produto que é vendido de acordo com as exigências do mercado. Já a expressão informação carrega consigo uma característica de juízo de valor, quando se acredita que os fatos relatados na notícia são de extrema importância, o que justificaria sua publicação.

Outra característica exposta por Correia (2011) é que o texto de notícia tem por finalidade trazer capítulos sequenciais de algum acontecimento, além de ressaltar apenas os episódios que modificam a sociedade naquele momento histórico.

Correia (2011) propõe, ainda, de acordo com Marconi Oliveira da Silva, que quando o jornalista escreve uma notícia, ou seja, descreve um fato, necessariamente ele não está descrevendo de forma direta. Entretanto, isso não quer dizer que o jornalista está dizendo mentiras ou inventando um fato, mas sim que ele está limitado a discursos próprios de descrição. Contudo, Correia (2011), esclarece ainda que a verdade é diferente para cada um e cabe ao autor definir seus critérios para repassar a informação. Quanto a esses critérios, vale ressaltar que deve ser avaliado o objetivo da notícia, qual o interesse do autor em contar o fato, entre outros. Para que haja veracidade na notícia, é preciso que o texto jornalístico, no caso a notícia, seja formulada por alguém que tenha o compromisso com a verdade.

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A informação é transformada em notícia através de técnicas jornalísticas, esclarece Lustosa (1996). Essas técnicas devem ser muito bem apresentadas para que alcance os objetivos propostos. “O essencial, no jornal, é a qualidade daquilo que coloca no mercado: a notícia.” (LUSTOSA, 1996, p. 85). O jornalista produz uma mercadoria que precisa ser de qualidade para que as pessoas possam consumir.

Para se tornar notícia, é preciso que um acontecimento passe por alguns critérios jornalísticos chamados de critérios de noticiabilidade. Segundo Wolf (2002), esses critérios estão ligados à cultura profissional dos jornalistas e às restrições da organização e trabalho.

Para que um acontecimento se transforme em notícia, os jornais devem:

1. tornar possível o reconhecimento de um facto desconhecido (inclusive os que são excepcionais) como acontecimento notável. 2. elaborar formas de relatar os acontecimentos que não tenham em conta a pretensão de cada facto ocorrido a um tratamento idiossincrásico; 3. organizar, temporal e espacialmente, o trabalho de modo que os acontecimentos noticiáveis possam afluir e ser trabalhados de uma forma planificada (WOLF, 2002, p. 189).

A partir desta definição Wolf (2002) acrescenta o conceito de valor/notícia como sendo um componente da noticiabilidade. Podendo defini-lo como um guia para decidir quais elementos e acontecimentos serão noticiados, além de mostrar qual será a notícia de maior destaque.

Pena (2007) acrescenta que a todo o momento chegam inúmeros acontecimentos nas mãos dos jornalistas, entretanto pequena parte é publicada. A partir desta questão Pena, (2007) afirma que o leitor pode-se perguntar qual é o critério do jornalista para avaliar o que deve ou não ser publicado e que esta questão é uma das mais importantes das Teorias do Jornalismo. E para Pena (2007) saber identificar como as notícias são produzidas é mais que uma oportunidade de compreender, é uma forma de aperfeiçoamento democrático da sociedade.

Para explicar como a notícia é produzida, Pena (2007) analisa a partir do olhar da teoria do newsmaking, que avalia o jornalismo como parte da construção social da realidade. Pena (2007) cita que para Breed além da pressão que o repórter sofre durante a produção da notícia, chega certo momento que o jornalista avalia o furo como forma de se autobeneficiar, entrando

29 na ideia da concorrência. Podendo classificar esses dois aspectos como constrangimento organizacional, que influenciam diretamente no trabalho do jornalista.
O tempo é o eixo central do processo. O jornalista está sempre submetido à pressão do deadline, do fechamento da matérias. Os fatos podem surgir em qualquer lugar, a qualquer hora. Entretanto, por mais paradoxal que pareça, é preciso colocar ordem a imprevisibilidade. É nesse momento que os critérios de noticiabilidade, usados como um conjunto de instrumentos e operações que possibilitam ao jornalista escolher os fatos que vão se transformar em notícia, evidenciam-se nos valores-notícia (PENA, 2007, p. 73).

Os critérios de noticiabilidade, afirma Pena (2007), são variáveis, pois existe um jogo de negociações entre o repórter, editor, diretor de redação e outros cargos, para que a matéria seja ou não publicada. Entretanto,
os próprios critérios estão inseridos na rotina jornalística, ou melhor, tornam possível essa rotina, pois são contextualizados no processo produtivo, em que adquirem significado, desempenham função e tornam-se elementos dados como certos, o conhecimento senso comum da redação (PENA, 2007, p. 73).

Pena (2007) cita que Alfredo Vizeu (2000) chegou à análise que os jornalistas constroem com antecedência a audiência do veículo a partir da cultura profissional, e de vários outros aspectos relacionados ao senso comum da redação.

Segundo Pena (2007), o jornalismo não é um reflexo do real, pois os jornalistas após sofrerem inúmeras pressões e negociações ainda são influenciados pelo senso comum das redações. Portanto, a imprensa apenas ajuda a construir a realidade. “A perspectiva da teoria do newsmaking é construtivista e rejeita claramente a teoria do espelho” (PENA, 2007, p. 129), segundo o qual o jornalismo reflete a realidade.

Pena (2007), citando o autor Tuchman, afirma que o processo de criação e produção da notícia funciona como um mecanismo e que embora o jornalista esteja envolvido com a criação da realidade não existe uma autonomia da técnica profissional.

Rodrigues (1999) explica que o acontecimento é um fato aleatório, que, quanto menos imprevisível, maior é a probabilidade de se tornar uma notícia jornalística. O acontecimento notícia é um fato de natureza especial, é caracterizado como algo fora das probabilidades normais do cotidiano.

30 A classificação dos acontecimentos jornalísticos, segundo Rodrigues (1999), acontece por vários registros de notabilidade dos fatos. Segundo o autor, qualquer fato que rompe a barreira do comum e se torna excessivo pode se tornar acontecimento jornalístico.

Assim, por exemplo, o massacre de uma aldeia pelas tropas regulares é acontecimento notável na proporção directa da excessiva forma como um corpo militar desempenhou uma das suas funções normais, que é fazer a guerra. O juiz que aplica a pena máxima prevista no Código Penal sem ter em conta as circunstâncias atenuantes, indo assim contra o aforismo summum jus, summa injuria, provoca um acontecimento notável de ser registrado. A embriaguez e a performance do desportivo, a longevidade e o ficar a dançar vários dias sem descanso são acontecimentos notáveis. (RODRIGUES, 1999, p. 28).

Outro fato de notabilidade de um acontecimento é por falha. Normalmente, os acidentes estão enquadrados nesta categoria. Para Rodrigues (1999), a falha acontece sempre quando há algo surpreendente, algo que não deveria acontecer, como a queda brusca da bolsa de valores, ou inundações, acidentes de trânsito e, até mesmo, uma morte fulminante.

Para explicitar o acontecimento de inversão, Rodrigues (1999) menciona como exemplo clássico, a história de que se o cachorro morde o homem isso não é notícia, mas se o homem morde o cachorro, isso, sim, é uma boa notícia. Rodrigues (1999) ressalta que a notícia vai além do previsível, do certo e do comum. Para o autor, a notícia pertence ao irracional, rompendo acidentalmente a ordem das coisas.

As características dos acontecimentos citados por Rodrigues (1999) e Wolf (2002) ajudam a diagnosticar o que pode virar notícia. Esses critérios de noticiabilidade ajudam o dia-a-dia dos jornalistas, por isso, essas metodologias estudadas são importantes, pois facilitam o trabalho diário do jornalista. Traquina (1999) explicita que nenhum jornalista pode chegar à redação e falar que hoje não se tem informação para noticiar.

Wolf (2002) e Lage (2000) apresentam o conceito de gatekeeper criado por Kurt Lewin em 1947. Lage (2000) explica que o gatekeeper é a pessoa responsável no jornal por decidir quais são as notícias serão veiculadas, que deve ter uma postura ética distinta e, portanto, definir as notícias de mais interesse do público ou importância dos fatos. Wolf acrescenta que as zonas de filtro das notícias são controladas por sistemas objetivos de regras ou pelo gatekeeper. Ainda segundo Wolf (2002) esse conceito foi utilizado para estudar as notícias que eram veiculadas ou não dentro das organizações midiáticas.

31

Wolf (2002) cita que o estudo clássico proposto por Breen (1955) discute que a manutenção da linha editorial e da política do jornal raramente são debatidas e que, muitas vezes, são impostas e aprendidas por osmose pelos jornalistas.

É preciso discutir a relação entre público e jornalista, e, segundo Lage (2000), essa relação é determinada pela circunstância, e que o fato é que define qual o código linguístico será usado. Lage (2000) ressalta ainda, que a limitação deste código ajuda na comunicação do jornalista com o leitor. Lustosa (1996) também apresenta a importância de seguir orientações técnicas no texto jornalístico. Para que este fique bem elaborado, Lustosa (1996) explica que o texto precisa trazer novidades para chamar a atenção e ao mesmo tempo precisa ser compreensível e utilizar as codificações de linguagem.

As características de uma notícia são ilustradas por Lage (2000) e o uso da terceira pessoa é obrigatório, a retórica usada deve ser no modo verbal indicativo, diferente da publicidade, que usa o modo verbal imperativo. Lage (2000) relata, ainda, que a subjetividade deve ser extinta das notícias.
Sendo construção retórica referencial, a notícia trata das aparências do mundo. Conceitos que expressam subjetividade estão excluídos: não é notícia o que alguém pensou, imaginou, concebeu, sonhou, mas o que alguém disse, propôs, relatou ou confessou. É também axiomática, isto é, se afirma como verdadeira: não argumenta, não constrói silogismos, não conclui nem sustenta hipóteses. O que não é verdade, numa notícia, é fraude ou erro. (LAGE, 2000, p. 25).

Segundo Correia (2011), a notícia deve seguir uma regra especial, designada a este tipo de texto, que carece, portanto, de ser informativo, descritivo dos acontecimentos e possuidor de título que caracterize a informação principal do fato. O texto notícia deve possuir também subtítulos e um parágrafo inicial chamado de lead em que o autor do texto pretende responder algumas questões mais importantes. Lage (2000) complementa dizendo que “O lead, na síntese acadêmica de Laswell, informa quem fez o que, a quem, quando, onde, como, por que e para quê. A documentação consiste em proposições adicionais sobre cada um desses termos” (LAGE, 2000, p.27). Correia (2001) acrescenta que as perguntas Como? e Por quê? podem ser respondidas no parágrafo seguinte. O lead, ensina Lage (2000), possui algumas restrições verbais para sua construção. Segundo o autor, o verbo utilizado deve ser perfectivo, ou seja, deve estar no pretérito perfeito, caso o fato da notícia já tenha acontecido. No futuro

32 ou futuro próximo, se a notícia anuncia algum fato que irá acontecer. E raramente a notícia vem escrita no presente.

Sobre a composição do segundo parágrafo em diante, Lage (2000) e Correia (2011) se contrapõem. Para o primeiro uma notícia pode ter vários leads e estes podem ser organizados junto a documentações de várias maneiras. Segundo Lage (2000) o primeiro lead deve ser o que concentra o maior número de informações importantes. Lage (2000) ressalta ainda que os jornais brasileiros distribuem as matérias de uma forma peculiar. Onde o primeiro parágrafo é o lead e o segundo é chamado de sublead, que corresponde aos eventos da notícia de segunda importância. Nesta sequência coloca-se o primeiro entretítulo e a primeira documentação, que são referentes às informações do lead. Em seguida se coloca o segundo entretítulo e a segunda documentação, que são referentes às informações do sublead. Já Correia (2011) afirma que o segundo parágrafo da notícia deve aplicar a regra de “pirâmide invertida” na qual se apresentam os fatos em ordem decrescente de importância. O autor acrescenta ainda que
o termo “notícia” é, pois, no sentido lato, aplicável às comunicações apresentadas periodicamente sobre aquilo que possa ser novo, actual e interessante para a comunidade humana. A notícia, no seu estrito sentido, constitui um gênero específico de entre o conjunto das vários gêneros jornalísticos (CORREIA, 2011, p. 29).

Motta (2002) explica que a seleção das notícias parte da decisão de comunicar e não comunicar certos acontecimentos. Esse pensamento é pertinente para os processos de comunicação de massa, uma vez que, inúmeros acontecimentos ficam fora dos noticiários e também pelos interesses envolvidos que resultam na inclusão ou exclusão do conteúdo.
A seletividade e o controle, inerentes a todas as práticas de comunicação, ganham, assim, relevância especial nos processos de comunicação realizados pela indústria cultural e trazem consigo a questão da ideologia como questão central nas análises dos processos de decisão editorial. O que é comunicado e o que é suprimido depende de casa situação histórica específica (MOTTA, 2002, p. 127).

Motta (2002) explicita ainda que, em cada situação, a inclusão ou não da notícia pode ser direta e coercitiva, ou indireta e sutil, ambas ideológicas, de acordo com a proposta do jornal. O autor engloba os estudos das influências sobre os processos de seleção das notícias em enfoques diferentes.

33 O primeiro chamado de Controle Social, também conhecido, segundo Motta (2002), de Sociologia Funcionalista da Comunicação. O que diz respeito ao controle direto exercido pelos proprietários e executivos da indústria da comunicação de massa até os estudos mais avançados que trabalham a teoria da conspiração manipuladora, que são genericamente conhecidos como os estudos do controle social da mídia.

A segunda corrente que estuda o processo de seleção da notícia, é a questão da própria produção da notícia chamada de newsmaking, desenvolvida na Inglaterra em 1960 pela universidade de Birminghan. A corrente do newsmaking nasceu fazendo forte crítica ao empirismo da sociologia da comunicação norte-americana. Motta (2002) cita que S. Hall (1973), um dos mais influentes pensadores do newsmaking, afirma que não é preciso se preocupar com a manipulação da mídia, proposta idealizada pelos americanos a partir da sociologia da comunicação, pois grande parte dos veículos de comunicação estão preocupados com o equilíbrio e neutralidade de seus produtos.

Motta (2002) cita ainda que os autores Cohen e Young, também representantes do newsmaking, esclarecem que a mídia fornece os mitos que norteiam a concepção do mundo e servem como importante veículo de controle social. Para os autores, “o efeito principal da mídia é o de reforçar as tendências de opinião, nunca mudá-las para direções opostas” (MOTTA, 2002, p. 131).

A terceira corrente apresentada por Motta (2002) diz respeito à ideologia e ao estruturalismo. Essa corrente reúne alguns estudos denominados de análise ideológica estruturalista e que geraram uma das análises mais estudadas nas escolas de comunicação chamada de análise do discurso. Que desenvolvida na Europa, concentra-se em analisar os conteúdos não publicados. As análises feitas pelos estudiosos da ideologia e estruturalismos concluíram que as influências na publicação das notícias não são exercidas pelos executivos e proprietários, mas sim “pela ideologia de classe presente na organização institucional dos aparelhos ideológicos e, por conseqüência, inerente à linguagem das notícias” (MOTTA, 2002, p. 134).

Para falar sobre a profissão do jornalista, Traquina (1999) explica que esta função é sobrecarregada pelo mito de que o comunicador desinteressado enxerga que é papel do jornalismo ser um observador neutro que não omite opinião. Segundo o autor, o

34 desenvolvimento deste mito tem dois momentos históricos. O primeiro aconteceu com o surgimento do jornalismo informativo, no século XIX, quando a ideia principal era informar os fatos separados das opiniões. Já o segundo momento aconteceu no século XX, mais precisamente nos anos 1920 e 1930 com o surgimento do conceito de subjetividade nos Estados Unidos. Em contra partida, Tuchman citado por Pena (2007) sintetiza a atividade jornalística como sendo uma atividade bem complexa, embora pareça ser simples. Já Correia (2011) cita que

segundo Michael Schudson (2003,p.6), a notícia é o que é publicamente notável dentro de um enquadramento de natureza social e cultural que inclui uma certa compreensão, variável de comunidade para comunidade, do que é ser público e ser notório. Ou seja, “é o produto de actividade jornalística de tornar público” (2003, p.12) (CORREIA, 2011, p. 30).

Para Traquina (1999), a ideologia da objetividade ainda reina no jornalismo, mas que os profissionais enxergam que a notícia emerge nos fatos do dia-a-dia. Com isso, o jornalista se sente apenas como um espelho que reflete os fatos. Em contrapartida, o autor defende que o jornalista não é apenas mediador da noticia, mas, sim, participante ativo na construção da realidade.

Traquina (1999) discute a influência das empresas no contexto da notícia que o jornalista irá escrever e faz um paralelo afirmando que a notícia é como uma matéria-prima. É preciso uma seleção, transformação desta matéria-prima, para que se torne digna de ser notícia.

Os acontecimentos constituem um imenso universo de matéria-prima; a estratificação deste recurso consiste na selecção do que irá ser tratado, ou seja, na escolha do que se julga ser matéria-prima digna de adquirir a existência pública de notícia, numa palavra noticiável (newsworthy). (TRAQUINA, 1999, p. 169).

Traquina (1999) também ressalta a importância da relação entre fonte e jornalista, explicando que, por lei, a fonte de informação é protegida e, mesmo em juízo, o jornalista deve manter a fonte em sigilo. Outro fator importante para Traquina (1999) é saber a credibilidade da fonte; esta precisa demonstrar que é segura e confiável. Outra característica, segundo o autor, é que quanto mais alto é o cargo da fonte mais credibilidade tem para falar sobre o tema.

Para Traquina (1999), existe uma importante relação entre o tempo e o jornalista. Os próprios veículos de comunicação escolhem seus nomes baseados no fator tempo. “Os próprios títulos

35 dos jornais ou de programas refletem esta ligação íntima com o tempo: o Diário, o Dia, o Semanário, 24 Horas, Sábado, e, claro, o Tempo.” (TRAQUINA, 1999, p. 174).

Traquina (1999) ressalta, ainda, que o jornalismo está tão preocupado com o atual que acaba não tendo tempo de falar sobre problemas da sociedade. Com isso, algumas datas comemorativas passaram a ser tratadas nos jornais como factuais, e assim surge um espaço significativo para falar sobre temas sazonais.

A organização do tempo e espaço, explica Traquina (1999), é importante para que os jornalistas consigam cobrir a maioria dos acontecimentos jornalísticos. O espaço, segundo Traquina (1999), é definido de acordo com a empresa jornalística, algumas têm sucursais para fazer a cobertura das regiões do interior, exemplifica o autor. Já a ordem do tempo é organizada por uma agenda que permite o jornalista prever algum evento e produzir reportagens especiais sobre aquele tema.

2.2 A criação das editorias

Na década de 1960, os veículos de comunicação, segundo Elcias Lustosa (1996), departamentalizaram as redações, ou seja, dividiram cada assunto em editorias. Com a criação destas editorias, o papel do secretário de redação foi substituído pelo editor-chefe, responsável agora por coordenar e supervisionar a produção de cada editoria.

Lustosa (1996) versa que com as modificações nas redações a figura do copidesque surgiu nos Estados Unidos. Os jornais criaram dois grupos de trabalho, um ficava responsável por apurar as pautas e o outro por escrever as matérias. Isto acontecia porque a maioria dos jornalistas americanos não dominava o inglês. No Brasil, a divisão foi diferente. O autor ressalta que a princípio tentou-se criar, assim como nos Estados Unidos, a figura do copidesque, mas que este formato não teve sucesso. Lustosa (1996) explica que os jornalistas brasileiros dificilmente não têm a capacidade de produzir uma matéria em condições de publicação, por isto cada repórter fica responsável por uma editoria de maior interesse e especialização.

O que acontece em alguns veículos no Brasil, segundo Lustosa (1996), principalmente em revistas, é que vários jornalistas vão às ruas e passam as informações sobre um mesmo

36 assunto para um redator que fica responsável por fazer uma matéria mais abrangente, mas isto não acontece com frequência.

Lustosa (1996) relata que a criação das editorias no Brasil se iniciou durante a Ditadura Militar. Como a censura tomava conta das redações, os jornais precisavam buscar temas diferenciados como economia, moda, etc. para escrever, pois não se podia mais falar de política.

Durante o regime militar, com o esvaziamento da esfera política, os jornalistas, mais do que nunca, foram obrigados a trabalhar com assuntos especializados, principalmente econômicos. O tecnocratas falavam difícil, citando sempre uma ou mais expressões em inglês, em cada cinco palavras que pronunciavam. O jornalista passou a se especializar ainda mais, a fim de traduzir a linguagem dos tecnocratas e, com isso, ampliou-se o espaço destinado aos assuntos econômicos. (LUSTOSA, 1996, p. 111).

Após a Ditadura Militar, os jornais passaram a adotar repórteres especializados para os diversos temas ou setores dos jornais. Assim, cada tema jornalístico foi distribuído em cadernos por editorias.

Surgiram assim, as editorias de política, economia, esportes, cultura, internacional e cidades. Lustosa exemplifica que, assim como a editoria de internacional, o cidades “[...] é a clínica geral da redação” (LUSTOSA, 1996, p. 141). Ou seja, a editoria de cidades é responsável por abordar todos os temas relacionados à cidade na qual o jornal está instalado, envolvendo temas relacionados à comunidade, como trânsito, greves, clima, má administração pública, lideranças políticas, e outros.

O autor ressalta que cada editoria utiliza codificações diferentes para formular suas notícias. E costumam também padronizar a narração dos fatos para que o leitor consiga mais facilmente identificar as informações.
A noticia é um produto simbólico destinado ao consumo da massa e, por isso, é feita para todo mundo a partir de uma técnica de produção capaz de ser absorvida por todos. A notícia procura uma padronização na forma e uma diversidade no conteúdo com o lide, por exemplo, constituindo-se em uma norma técnica formal de produção. (LUSTOSA, 1996, p. 112).

Lustosa (1996) explica que, em todo o jornal a notícia de um crime é escrita em um mesmo formato, o que muda é apenas o conteúdo da reportagem. O autor ainda ressalta que cada

37 mensagem passada pelas notícias somente será absorvida se o leitor tiver conhecimento do mesmo código de comunicação. Cada editoria, por mais que siga essa padronização para criar uma notícia, assume características e vocabulários únicos.

38 3 OS JORNAIS MINEIROS E O COMPROMISSO COM O CIDADÃO Para a criação deste capítulo, pesquisamos a história dos jornais que serão analisados. Itens como as editorias e os assuntos abordados e de maior interesse também serão apresentados abaixo. Após essa apresentação, será iniciada a análise de conteúdo dos cadernos de Cidades, Gerais e Minas dos jornais O Tempo, Estado de Minas e Hoje em Dia, respectivamente. A análise pretende mostrar a quantidade de matérias e assuntos que são publicados diariamente no caderno. Apresentaremos também uma descrição das matérias que julgamos que têm caráter cívico. 3.1 Pequena história dos jornais mineiros Criado por Pedro Aleixo, Álvaro Mendes Pimentel e Juscelino Barbosa o Jornal Estado de Minas (EM) teve sua primeira edição publicada no dia 07 de março de 1928. Após um ano de seu lançamento o jornal foi comprado por Assis Chateaubriand, um dos homens mais influentes da imprensa brasileira nas décadas de 1940 e 1950 a partir de então o jornal passou a integrar o Diários Associados fundado por Chatô. Segundo França (1998) o Estado de Minas foi durante décadas o principal jornal dos mineiros, detendo, assim, o monopólio do jornalismo e consequentemente se tornando o jornal de maior referência e prestígio de Minas Gerais.
Trata-se de um jornal eclético, que apresenta um conteúdo amplo – informações regionais, nacionais, internacionais, cadernos especializados – e se destaca sobretudo enquanto referencia local, a partir das informações do dia-a-dia da cidade, da agenda de serviços e da publicação dos pequenos anúncios (FRANÇA, 1998, p. 16).

Carrato (2002) ressalta que, na década de 1960 Belo Horizonte passava por um momento único em relação à imprensa com 11 publicações, em que nove delas eram diárias. No entanto, a autora levanta o histórico de que, na época, muitas publicações fraquejaram diante da modernização e passaram a não mais existir.
Esses fatos, no entanto, não explicam as razões pelas quais uma publicação específica, o Estado de Minas, conseguiu se transformar não no “grande jornal dos mineiros”, como apregoa seu slogan, mas na única publicação mineira diária, constituindo-se num verdadeiro monopólio, com graves conseqüências para a formação da chamada opinião pública (CARRATO, 2002, p. 470).

39 Atualmente, o grupo contém cerca de 50 veículos de comunicação em todo o Brasil com destaque para os veículos mineiros, entre eles o Portal Uai, Dzai, Vrum, Revista Ragga, Revista HIT, TV Alterosa, jornal Estado de Minas, jornal Aqui e Rádio Guarani. Com publicação diária superior a 73 mil e aos domingos de 119 mil exemplares e formato standard, o EM abrange todo conteúdo de notícias regionais, nacionais e internacionais, além de cadernos de suplemento. O Primeiro Caderno, com circulação diária, se divide nas

editorias de política, nacional, opinião, economia, internacional e ciência. Também são publicados diariamente outros cadernos como Cultura, com reportagens, entrevistas e entretenimento do cenário cultural mineiro, além de colunas sociais e crônicas. O caderno SuperEsportes apresenta cobertura sobre o futebol brasileiro com ênfase no mineiro, além de publicar informações de outras modalidades esportivas. Um dos cadernos de maior importância do jornal Estado de Minas é o Classificados. Com publicação diária o suplemento traz anúncios de empregos, venda de imóveis, veículos e todo o tipo de serviço. Segundo o site do Diários Associados, o Classificados “É apontado como a seção de classificados mais importante ou mais eficiente entre os jornais da Grande BH, com publicação de anúncios destacados e linha”(site diários associados). A cada dia da semana o Estado de Minas também publica cadernos de suplementos, que têm como objetivo aprofundar em assuntos específicos para o leitor. Ás segundas são publicados os cadernos Agropecuária, que presta serviço e aborda as técnicas para plantio e manejo animal, além de apresentar a agenda de cursos, congressos e o Direito & Justiça que informa as principais noticias do poder judiciário, seu público alvo são os profissionais de direito e estudantes da área. Com notícias sobre o viagens e destinos nacionais e internacionais, o Estado de Minas publica todas as terças-feiras o caderno Turismo. Prazer EM Ajudar é um caderno publicado sempre na última terça-feira de cada mês, e aborda temas voltados para a sustentabilidade, responsabilidade social e terceiro setor. Às quartas, sábados e domingo o suplemento Veículos traz as novidades e lançamentos de automóveis, caminhões e motocicletas. O Ragga Drogs é uma pequena amostra da Revista Ragga, também produzida pelo Grupo Diários Associados. Publicado às quintas, o caderno apresenta notas e matérias curtas voltadas para adolescentes e jovens. Outra publicação às quintas-feiras é o suplemento

40 Informática que apresenta informações sobre internet, hardware e software. A seção imóveis aborda as notícias sobre compra, venda, locação e construção do mercado imobiliário e é publicado todas às quintas e domingos. O Divirta-se com publicação às sextas-feiras, aborda cultura e gastronomia, o caderno traz também um guia completo de lazer em Belo Horizonte. Voltado para o público infantil Gurilândia é publicado aos sábados e fala sobre educação, sustentabilidade, cidadania usando uma linguagem infantil e divertida. Também com publicação diária o caderno Gerais ressalta notícias sobre saúde, educação, segurança pública, cultura religiosa, patrimônio, estradas, datas comemorativas, entre outros temas específicos da região. Segundo o site do Grupo Diários Associados, a editoria de Gerais
através do jornalismo-cidadão, (...) privilegia uma maior proximidade com o leitor, por meio da seção de cartas, que aborda temas ligados à relação das pessoas com a comunidade em que vivem. Além disso, o caderno procura retratar personagens interessantes, que fazem ações que emocionem ou que interessam à comunidade (SITE DIÁRIOS ASSOCIADOS).

A publicação de domingo bate o recorde de suplementos. O caderno Bem Viver é voltado para a saúde e qualidade de vida. O Feminino & Masculino traz assuntos sobre moda, comportamento, saúde, arquitetura e decoração, gastronomia, sexualidade. O Guia de Negócios apresenta como funcionam os pequenos empreendimentos e mostra oportunidades de negócio. Voltado para um público mais elitizado, o caderno Pensar aborda ensaios, artigos e críticas de variados temas como, por exemplo, história, política, economia, filosofia. Sabendo que o Brasil é muito ligado à televisão não poderia faltar um caderno que traz notícias da produção da tevê aberta e fechada. Com reportagens sobre o mercado de trabalho, há o caderno Emprego. Quanto à circulação do Hoje em Dia, Carrato (2002) ressalta que ao final da década de 1960 o Estado de Minas se torna o único jornal eclético do estado mineiro. E que, trocando em miúdos, aqueles que não estavam dentro do círculo de relacionamento ou dentro da própria administração, estavam à frente dos insultos que o jornal praticava. “... cada ano, agia com maior desenvoltura ao colocar em prática seu “índex de assuntos e de pessoas inimigas da “Casa”, que não deveriam ser notícia, salvo se pudessem receber tratamento negativo ou comprometedor” (CARRATO, 2002, p. 476).

41 Cansado desse monopólio, o então governador de Minas, Newton Cardoso (PMDB), cria, em 1988, o jornal Hoje em Dia que seguia o exemplo do jornal americano USA Today. Assim como o EM, o Hoje em Dia é uma publicação eclética, mas que segundo Carrato( 2002) revolucionou a publicação em Minas.
Em termos de planejamento visual e do uso de policromia nas capas e contracapas de seus cadernos, o Hoje em Dia revolucionou a imprensa mineira, acostumada ao preto e branco e à diagramação conservadora do Estado de Mina. O Hoje em Dia passou a fazer oposição aberta ao Estado de Minas. Seu slogan – “Um jornal de verdade” – deixava isso patente (CARRATO, 2002, p. 476).

Carrato (2002) afirma que ao final dos anos de 1980 o Hoje em Dia foi comprado pelo Bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, e faz parte do Grupo Record, entretanto, o ex-governador, Newton Cardoso ainda permanece como acionista minoritário. Atualmente o jornal Hoje em Dia tem passado por reformulações em sua editorias e suplementos semanalmente, por uma série de questões de mercado. Assim como os outros jornais, o Hoje em Dia possui diariamente as editorias de política, economia, minas, cultura, mundo, esportes, opinião, Brasil e ClassiHoje – caderno voltado para os classificados, mas sua primeira página traz sempre uma matéria sobre emprego e novas profissões. Às segundas, o caderno info.com e ciência são publicados com as novidades das áreas. Às quintas o caderno Turismo apresenta dicas de lugares para se viajar. Sempre na última quintafeira do mês o jornal publica também o suplemento Eu Acredito, voltado para informações do terceiro setor. Aos sábados o suplemento Veículo apresenta as novidades automobilísticas e um classificados do setor, além do caderno Programinha, voltado para o publico infantil e com temas totalmente voltados para educação e aprendizado. Às sextas o jornal apresenta o caderno Mosaico que como o próprio nome diz traz uma série de recortes e temas diferentes como, cultura, moda, cinema, mercado editorial e gastronomia. Com matérias sobre casos policiais, saúde, trânsito, patrimônio histórico e outras notícias, o caderno Minas, que é publicado diariamente, tem por interesse divulgar informações sobre o estado Mineiro. Segundo o setor de marketing do jornal a tiragem diária é de 55.320, a circulação atingida é de 48.647. O jornal é distribuído em Minas, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Com sucursais

42 em Ipatinga, Valadares e Montes Claros. O valor durante a semana é de R$ 1,00 e aos domingo de R$ 2,00. Após a criação da nova publicação diária (o jornal Hoje em Dia), o EM, portanto, decidiu investir em reformulações para reconquistar seu espaço entre os leitores. E acaba provocando mais uma vez, segundo Carrato (2002), a criação de outra publicação eclética diária, o jornal concorrente O Tempo. Carrato (2002) relata que após uma especulação do EM de que o político e empresário Vittório Medioli (PSDB) estava envolvido com negócios ilícitos, portanto, o político resolveu investir na criação do O Tempo. “Assim, no início de 1996, ele contrata uma equipe de consultores, tendo à frente o jornalista Herval Braz, com a responsabilidade de elaborar o projeto de uma nova publicação diária no estado, que seria O Tempo” (CARRATO, 2002, p.479). Um pouco antes da criação do Hoje em Dia e durante o processo de migração de alguns leitores do EM para o novo jornal mineiro foi realizada uma pesquisa, que segundo Carrato (2002), a partir dos anos 1980, o jornal mais lido em Minas era o Folha de S. Paulo. Partindo dos conflitos pessoais e desta pesquisa, Medioli decide recuperar os leitores de Minas que liam apenas jornais de outros estados. E para alcançar esse objetivo O Tempo reforça a cobertura de notícias nacionais e internacionais, sem se esquecer, é claro, de tratar os temas regionais. Outro diferencial trazido pelo O Tempo é o espaço para colunistas e comentaristas políticos e econômicos exclusivos, prática pouco adotada pelos concorrentes. Após cem dias de publicações, o jornal O Tempo publicou um caderno especial comemorativo, que circulou no dia 3 de março de 1997, com objetivo de apresentar aos leitores para o que veio. O jornal O Tempo faz parte do grupo Sempre Editora, que concentra ainda o jornal Super, O Tempo Betim, O Tempo Contagem e Jornal Pampulha. O Tempo também se divide em primeiro caderno, com as editorias de Brasil, mundo, opinião, esportes, política, cidades, interessa – que sempre apresenta novidades da ciência ou dicas de saúde e educação, o jornal traz também todos os dias o caderno magazine, que aborda temas culturais como cinema, literatura, teatro, astrologia, programação de televisão, bastidores das produções de TV. Além de suplementos como Final de Semana (FDS) publicado às sextas-

43 feiras com matérias curtas e leves sobre artes plásticas, música, exposições, e um guia dos eventos, restaurantes e ainda algumas receitas. O jornal O Tempo publica também o caderno Pandora, aos domingos, que traz todas as notícias de moda, gastronomia e feminino. Às terças e sábados uma página de tecnologia, apresenta as novidades do mundo online e as novas tendências. Na quarta é publicado o suplemento Carros & Cia que relata todas as novidades do mundo dos autos. Na quinta o caderno Imóveis & Construção. Terça o jornal oferece dicas de passeios no suplemento Viagens. O suplemento TV TUDO, apresenta as novidades das novelas e seus personagens e é publicado aos domingos. Publicado todos os dia, o caderno Cidades, além de colunas sociais traz também em sua maioria notícias policiais, além de apresentar telefones úteis, previsão do tempo e cartas dos leitores.

Segundo Ribeiro (2008), o “O Tempo provocou um acirrado clima de concorrência com o Estado de Minas, sobretudo no âmbito de planejamento gráfico, quando mudou sua identidade visual no dia 15 de maio de 2003” (ALVES, 2008, p. 47). Ainda segundo Ribeiro (2008), o jornal, na época, investiu fortemente na reestruturação do Parque Gráfico, localizado em Contagem/MG e em 24 de março de 2008 o jornal inovou mais uma vez apresentando o formato tablóide.

44 3.2 Análise das notícias

Para esta pesquisa, foram recolhidos os cadernos de Cidades, Gerais e Minas dos principais jornais mineiros de referência, O Tempo, Estado de Minas e Hoje em Dia, respectivamente. A intenção é saber se há prática do jornalismo cívico nas reportagens, como os temas são abordados e qual a frequência dos assuntos. A análise será dividida por assuntos como polícia, educação, trânsito/transporte/estradas, saúde, prestação de serviço, urbanismo, meio ambiente, patrimônio histórico, datas comemorativas, cultura, economia, demografia, política, gastronomia, comportamento, sustentabilidade, direitos humanos e turismo. A coleta do material foi feita durante uma semana composta, permitindo assim, que o material não seja influenciado por acontecimentos que ocupam varias edições diárias. Iniciando no dia 04 de outubro de 2010 e sendo finalizada no dia 14 de novembro de 2010.

Os jornais apresentamos assuntos na seguinte ordem:

Estado de Minas
25 20 15 10 5 0

EDUCAÇÃO

DATAS

SAÚDE

COMPORTAMENT

TRÂNSITO/TRANS

CULTURA

DEMOGRAIFA

SUSTENTABILIDAD

MEIO AMBIENTE

GASTRONOMIA

PREST. DE

URBANISMO

ECONOMIA

PATRIMÔNIO

TURISMO

POLÍCIA

POLÍTICA

DIREITOS

60 50 40 30 20 10 0

35 30 25 20 15 10 5 0

POLÍCIA

POLÍCIA SAÚDE URBANISMO TRÂNSITO/TRANSPO EDUCAÇÃO MEIO AMBIENTE PATRIMÔNIO CULTURA DATAS ECONOMIA DEMOGRAIFA PREST. DE SERVIÇO GASTRONOMIA POLÍTICA COMPORTAMENTO DIREITOS HUMANOS TURISMO SUSTENTABILIDADE
45

EDUCAÇÃO

PREST. DE SERVIÇO

TRÂNSITO/TRANSPO URBANISMO DATAS PATRIMÔNIO MEIO AMBIENTE

COMPORTAMENTO CULTURA DEMOGRAIFA ECONOMIA SAÚDE

Hoje em Dia

O Tempo

SUSTENTABILIDADE

DIREITOS HUMANOS GASTRONOMIA POLÍTICA TURISMO

46 3.2.1 Polícia

Do material coletado dos três jornais, 101 matérias abordavam assuntos policiais como, por exemplo, assassinatos, drogas, acidentes, investigações e apreensões. Destas matérias, 22 foram publicadas no Estado de Minas, 53 no jornal O Tempo e 29 no Hoje em Dia.

POLÍCIA

60 50 40 30 20 10 0 Estado de Minas Hoje em Dia O Tempo

Das matérias publicadas com temas policiais, poucas têm o perfil cívico. O repórter apresenta o caso policial e intercala as informações da polícia e dos acusados, ou cita os acidentes, quantos envolvidos e o que a polícia ou SAMU suspeitam ter acontecido. O jornal O Tempo publicou, no dia 12 de outubro, a matéria “Adolescente que queria jogar futebol decide voltar para casa”. A matéria, que ocupa 2/3 da página, conta a história de um menino de 12 anos que saiu do Espírito Santo, fugido de casa, para fazer um teste nos clubes de futebol mineiros. Durante os seis dias que ficou na capital o garoto foi abrigado pelo Conselho Tutelar, mas fugiu três vezes. No terceiro e quarto parágrafos da matéria, são apresentadas informações que acrescentam e informam as questões da lei que defende a criança e o adolescente, característica essa que acreditamos ser do jornalismo cívico, pois passa mais do que informações do fato em si.

Ainda durante a matéria a repórter Gabriela Sales acrescenta que, segundo o Conselho Tutelar, o garoto se mostrou bem agressivo, e aproveita o assunto para produzir uma retranca com as informações de uma psicóloga sobre o funcionamento e o perfil de garotos na mesma situação.

47 No mesmo dia, o jornal Hoje em Dia publicou quatro matérias policiais, mas a que mais se destaca é “2 morrem afogados no São Francisco” que ocupa 1/6 da página. A matéria que foi produzida pela sucursal do Hoje em Dia no Norte de Minas trata de mortes que acontecem no rio São Francisco. O segundo parágrafo se destaca, pois explica que o Corpo de Bombeiros reforça a equipe de prontidão, no período em que as pessoas tendem a ir nadar em rios, para tentar evitar acidentes. No dia 20 de outubro, o jornal O Tempo publicou a matéria “Golpe da compra ilegal de carros termina com 24 presos”, que relata a ação de uma quadrilha que falsificava documentos e compravam carros financiados e depois vendiam com 100% de lucro. A matéria utiliza o recurso do infográfico que, neste caso, acaba sendo educativo, explicando as duas formas como a quadrilha funcionava, uma forma de ensinar a população a se proteger. Assim como o jornal o Hoje em Dia e o Estado de Minas também publicaram sobre o assunto. Com um caráter também explicativo, a matéria utiliza os mesmo verbos e a maioria das informações que a citada acima; entretanto, não utiliza infográficos. Outra matéria em comum aos jornais é “Vigia é morto no Fórum de Contagem” (Hoje em Dia), “Morte expõe crise na segurança” (O Tempo) e “Homens armados invadem fórum e matam vigilante” (Estado de Minas). Apesar do título do jornal O Tempo parecer mais relacionado a um caso de denúncia ou acompanhamento de denúncia, a matéria não apresenta muitas novidade diferente que as do Hoje em Dia e Estado de Minas.

A capa do caderno Gerais, do Estado de Minas, apresenta uma matéria sobre a venda de medicamentos falsificados no Brasil. Com o título “Golpe no tráfico internacional” a matéria faz o uso de infográficos para ilustrar e utiliza recursos no texto para explicar, por exemplo, o nome da operação policial. O jornal Hoje em Dia também publicou uma matéria sobre o assunto, entretanto as abordagens são um pouco diferentes. O Hoje em Dia não informa que a operação também está sendo acompanhada pela Interpol, deduzindo assim que esta não faz parte do caráter cívico, já que não apresenta todas as informações e nem traz informações educativas. No dia 28 de outubro o jornal O Tempo publicou a matéria “agente facilitava fuga de presos”. A matéria também foi publicada nos outros jornais, mas o jornal O Tempo apresenta

48 informações de como funciona a lei que permite aos presos saírem da prisão durante o dia, podendo ser considerada como uma matéria que vai além dos fatos. Na matéria do Estado de Minas “Juíza sob fogo cruzado”, o repórter Thobias Almeida relata as várias opiniões sobre uma declaração feita por uma magistrada sobre o Caso Bruno. A matéria traz além das várias críticas um parágrafo onde explica a Lei Complementar que rege o excesso de linguagem do magistrado. No dia 05 de novembro, o jornal O Tempo a matéria “Menino que bebeu vodca pode ter morte encefálica” apresenta o fato de uma criança de 7 anos que bebeu uma garrafa de vodca e foi internada com suspeita de morte encefálica. A matéria além de relatar o fato traz uma retranca com o título “Risco” que relata o que os médicos dizem o que pode acontecer com uma criança que ingere qualquer quantidade de álcool. O jornal Estado de Minas também publicou sobre o incidente, mas trouxe apenas informações sobre o caso. No dia 14 de novembro, o Hoje em Dia traz a matéria “Policia Civil caça oito ‘terroristas’” o repórter Carlos Calaes apresenta uma nova técnica de assalto a bancos e joalherias, além de trazer a foto dos ladrões, a matéria apresenta também a forma como eles trabalham e quais são os seus crimes mais famosos. O que contribue para o reconhecimento da população desta pessoas e também denuncia a forma como os assaltantes têm trabalhado, assim as pessoas começam a ficar mais atentas.

O Hoje em Dia também publicou uma retranca falando sobre a situação da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Deroc’s). A matéria conta que a reportagem do jornal acompanhou o trabalho dos investigadores e descobriu que eles não possuem sistemas unificados para facilitar a busca pelos criminosos. O jornal também denunciou, que em período chuvoso, a sede do Deroc’s se enche de goteiras. Este tipo de matéria é interessante, pois chama a atenção para a sociedade sobre a situação das polícias mineiras.

49 3.2.2 Educação

Dos materiais coletados o jornal O Tempo publicou 13 matérias sobre educação, o Hoje em Dia fica em segundo lugar com 12 matérias, já o Estado de Minas publicou 11 matérias. Durante esse período o Enem – Exame Nacional do Ensino Médio foi aplicado para os estudantes do Ensino Médio do Brasil, entretanto houve problemas com as provas e, por isso, a maioria das matérias relatam essa “briga” da justiça com o MEC.

EDUCAÇÃO

13 12,5 12 11,5 11 10,5 10 Estado de Minas Hoje em Dia O Tempo

No dia 04 de outubro o jornal Estado de Minas publicou a matéria “Começa a entrega de cartões” que fala sobre a correspondência que os inscritos no Enem receberam em casa. A matéria escrita pela repórter Glória Tupinambás informa também onde o aluno deve recorrer caso não receba o cartão até o dia determinado, além de explicar como a prova será dividida e falar como as faculdades de Minas irão participar do exame. A matéria traz também um retranca que fala sobre a prova ENCCEJA que permita a pessoas que não concluíram o ensino fundamental a tirarem o histórico.

No dia 04 de outubro, o jornal Hoje em Dia publicou matéria sobre o Proerd, Programa Educacional de Resistência às Drogas e Violência, que foi implantado em Valadares. A matéria conta como o Proerd é aplicado nas escolas e sobre o histórico do programa. No dia 20 de outubro o jornal Hoje em Dia publicou a matéria “Demanda por braile cresce 76%”. A matéria escrita por Flórence Couto, conta que existe uma central dos correios que recebe cartas para cegos cadastrados e traduz para o braile e vice versa. A matéria tem a

50 intenção de divulgar essa central, que é pouco conhecida. Portanto, aborda a questão de como se cadastrar, e para onde enviar a correspondência.

O Hoje em Dia, dia 28 de outubro, publicou uma matéria sobre três estudantes que foram selecionados em Minas para irem participar de programa acadêmico nos EUA. A matéria além de contar o acontecimento faz um retranca que explica como outros adolescentes podem entrar no concurso. Dia 28 de outubro O Tempo publicou a matéria “Mais uma escola denuncia ordem contra reprovação” apresenta outro caso de escola orientada a não reprovar os alunos em Minas. A matéria tem caráter cívico, pois apresenta o caso de forma investigativa, onde o jornal liga para a escola para entender o caso e procura a justiça e o sindicato, além de explicar o primeiro caso ocorrido em uma escola na capital mineira.

No dia 05 de novembro, o jornal O Tempo publicou outra matéria de página inteira sobre o ENEM. Também com caráter informativo, a matéria apresenta infográficos que ilustram o que o aluno pode e não pode levar, além de horários e dicas de como marcar o gabarito e informações sobre a prova de língua estrangeira. A matéria traz também informações sobre um ajuizamento do Ministério Público do Espírito Santo para liberar que os alunos levem para a sala materiais básicos de estudo como lápis, borracha e apontador, materiais estes, que o MEC proibiu durante a prova.

A matéria apresenta também uma retranca que fala sobre a possibilidade da prova ser aplicada mais que uma vez ao ano, além de apresentar o número de inscritos e candidatos de Minas e a quantidade de universidades federais que usarão a nota do Enem para o vestibular. O jornal Estado de Minas também publicou uma matéria abordando o mesmo tema, além de trazer uma retranca dando dicas dos psicólogos e educadores para que os alunos desacelerem o ritmo antes da prova, para que no dia estejam descansados psicologicamente.

No dia 13 de novembro o jornal O Tempo publicou duas páginas sobre o Enem, as matérias abordam as ações ajuizadas pelo Ministério Público, além de protestos feitos pelos alunos. Aborda também quais são os planos do ministério da educação para o próximo ano, além de trazer as opiniões dos alunos, e falar sobre o cronograma da UFMG, que neste ano acatou o

51 Enem como primeira etapa do vestibular. A matéria traz também informações sobre onde os alunos prejudicados podem reclamar e recorrer.

No dia 14 de novembro, o jornal O Tempo publicou uma página inteira sobre o Enem, 0 Exame Nacional do Ensino Médio. A matéria traz a opinião de educadores e alunos, além de apresentar um histórico da aplicação do exame e ainda apresenta quais os benefícios principais da prova.

Neste dia, o Estado de Minas também publicou informações sobre o Enem, mas elas foram abordadas de forma totalmente diferente. O jornal informou sobre os vestibulares de universidades públicas que estavam acontecendo no final de semana e trouxe, também, informações das notas dos candidatos no exame para esses vestibulares, o que também podemos caracterizar como jornalismo cívico, uma vez que as matérias trazem informações importantes para os vestibulandos.

3.2.3 Trânsito/Transporte/Estradas

Ao todo, foram 4 matérias sobre transporte, todas publicadas no Hoje em Dia. Sobre Trânsito foram 11 no Estado de Minas, 4 no O Tempo e 5 no Hoje em dia, somando 2 matérias. Já as matérias sobre estradas somaram 12, em que 4 foram publicadas no Estado de Minas, 5 no O Tempo e 3 no Hoje em Dia.

TRÂNSITO/TRANSPORTE/ESTRADAS

15 Estado de Minas 10 Hoje em Dia O Tempo 5

0

52 No dia 04 de outubro, o jornal Hoje em Dia publicou três matérias relacionadas ao trânsito. A primeira fala sobre pessoas que se machucam dentro dos coletivos. Segundo a reportagem de Renato Fonseca, cerca de duas pessoas se machucam dentro dos ônibus por dia e as principais vítimas são os passageiros que estão em pé. A matéria apresenta também um infográfico com informações importantes como acionar o DPVAT e ainda um gráfico com o número de mortes, invalidez, despesas médicas com os acidentes. A segunda matéria é sobre o aumento de indenização por acidentes em transportes coletivos em Minas Gerais que aumentou em 7% em relação a 2009. a matéria relata que existe um Projeto de Lei na CMBH, aprovado em primeiro turno, que obriga as empresas de transportes a instalarem cintos de seguranças, encosto de cabeça e outras adaptações nos ônibus. A outra matéria, escrita por Jader Rezende, faz denúncias e apresenta reclamações dos cidadãos quanto à cobrança de 15 reais para a manutenção dos cartões BHBus e também quanto ao fato de a integração da tarifa nos domingos e feriados.

O Estado de Minas publicou uma matéria sobre os investimentos e as obras previstas para terminar com os congestionamentos das Avenidas Pedro I e Antonio Carlos até a Copa de 2014. A matéria de capa do caderno Gerais traz um infográfico que ilustra toda a área que será revitalizada. A outra matéria apresenta mais informações sobre o novo sistema de transporte coletivo em Belo Horizonte, o BRT (Bus Rapid Transit). A matéria apresenta uma retranca sobre a queixa de comerciantes para com a obra. Afinal, várias empresas e moradores das avenidas onde o BRT será instalado estão sendo desapropriadas e indenizadas.

No dia 20 de outubro, o jornal O Tempo publicou duas matérias. A primeira é voltada para segurança no trânsito, a matéria apresenta uma nova campanha proposta pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e que seria implantada em Belo Horizonte, Campo Grande, Palmas, Teresina e Curitiba. A Campanha Vida no Trânsito propõe a redução, em 10%, de mortes no trânsito por embriaguez. A outra matéria é sobre o tráfego de caminhões nas principais vias da capital mineira. A matéria escrita pelo repórter Thiago Nogueira fala sobre a nova regra para os arredores da região Hospitalar. A reportagem relata que, apesar de ser proibido em outras lugares, os caminhoneiros são flagrados durante todo o dia.

No dia 20 de outubro, o Estado de Minas publicou uma matéria sobre uma parceria entre a Prefeitura de Belo Horizonte, Estado e União, com a OMS, montam força-tarefa para reduzir

53 número de acidentes e conscientizar motoristas, passageiros e pedestre sobre barbárie no asfalto. O Hoje em Dia também publicou esta matéria.

No dia 05 de novembro, apenas o Hoje em Dia publicou matérias relacionadas ao trânsito. A reportagem “Multas de trânsito têm queda de 13,3% em Belo Horizonte” apresenta informações sobre o número de multas aplicadas após a decisão do STJ em proibir a BHTrans de multar. A matéria aborda também a questão do crescimento de números de carros na capital. A matéria traz uma retranca sobre o número de infrações com a faixa azul em Belo Horizonte e compara o número de vagas destinadas com outras capitais. No dia 13 de novembro o Estado de Minas publicou a matéria “chove mais que o esperado”. A matéria fala da previsão para o feriado de finados, além de alertar a população para acidentes durante a viajem.

No dia 12 de outubro de 2010 o jornal Estado de Minas publicou na capa do caderno Gerais uma matéria sobre as obras que não foram feitas nas estradas de Minas Gerais. A matéria apresenta informações sobre o porquê de obras como a revitalização e modernização do Anel Rodoviário não saíram do papel até hoje, uma vez que o orçamento já está garantido. Também no dia 12 de outubro o jornal Hoje em Dia publicou uma matéria sobre previsão de chuva exige cuidado redobrado nas estradas. A matéria chama a atenção dos motoristas para o perigo de acidentes durante o feriado.

Dia 28 de outubro, o jornal O Tempo publicou matéria sobre as rodovias estaduais. A matéria, que ocupa 2/3 da página, apresenta informações sobre os problemas causados pelas chuvas de 2009 e que ainda não foram resolvidos, além de falar sobre o período de chuvas e fenômeno que acontece em novembro e dezembro de 2010 e explica também qual a previsão de 2011. Além de trazer informações sobre quais são as primeiras ações da prefeitura nesta época. E telefones para reclamações com problemas de transportes rodoviários.

54 3.2.4 Saúde

SAÚDE

25 20 15 10 5 0 Estado de Minas Hoje em Dia O Tempo

No material analisado, 27 matérias são relacionadas à Saúde, em que 25 forma publicadas no Hoje em Dia e duas no Estado de Minas.

No dia 4 de outubro, o Hoje em Dia publicou duas matérias sobre leishmaniose, a primeira fala de um investimento da Fundação Bill Gates em pesquisas para produção de vacina, a outra fala sobre uma pesquisa que está sendo realizada pela Unimontes sobre o tipo visceral da doença.

Já no dia 20 de outubro, o jornal Hoje em Dia publicou matéria de página inteira sobre a psoríase. A matéria escrita por Renato Fonseca conta o que é a doença e fala sobre uma pesquisa do Ibope que afirma que 70% da população têm preconceito com o doente. Em um retranca o repórter conta que mais da metade dos doentes sofrem de depressão. No mesmo dia o jornal publicou uma pequena matéria sobre programa de doação de medula óssea que está precisando de doadores.

Ainda no dia 20 de outubro, o jornal Hoje em Dia publicou sobre surto de catapora. A matéria além das informações comuns aborda a informação que o final do inverno e inicio da primavera é época de surto da doença, o que faz um alerta à população. A matéria fala também sobre a vacina que previne a doença.

55 No dia 28 de outubro, o jornal Hoje em Dia publicou uma matéria sobre o Dia D em Poços de Caldas. A matéria faz uma chamada a comunidade para participar contra a Dengue. Também neste dia o jornal publicou uma matéria sobre o AVC e explica como a doença funciona e também fala sobre a parceria entre BH e Montes Claros para realizarem ações gratuitas.

No dia 05 de novembro, o jornal Hoje em Dia publicou uma matéria sobre o novo Centro de Cicatrização, e informa à comunidade como o Hospital vai funcionar, quantas pessoas vai atender e quais tratamentos vai oferecer. No dia 14 de novembro, o jornal Estado de Minas publicou a matéria “Peçonhentos à solta”. A matéria faz um alerta e informa à população sobre o aumento de ataques de escorpiões, aranhas, lagartas e cobras, principalmente em períodos chuvosos e de muito calor. A matéria mostra pesquisas sobre o aumento de casos em Minas Gerais e dicas do que deve ser e não deve ser feito quando um destes animais picam. Também no dia 14, o jornal Hoje em Dia publicou sobre a diabetes. A matéria escrita por Jaqueline Mata, aborda questões do crescimento da doença, programas públicos que ajudam o doente e a família, sobre os tipos de diabetes e quais as principais causas da doença. A matéria foi publicada neste dia, pois é o Dia Mundial de Controle do Diabetes.

3.2.5 Prestação de Serviço

SERVIÇO

20 15 10 5 0 Estado de Minas Hoje em Dia O Tempo

56 No total, foram vinte e seis publicações de prestação de serviço. No dia 12 de outubro, o jornal Hoje em Dia publicou uma matéria sobre o horário de verão. A repórter Nice Silva, além de abordar sobre o dia que irá iniciar o novo horário, também discute sobre a questão do sono, principal reclamação da população. E dá dicas do que fazer para acostumar seu corpo ao novo horário.

Os outros serviços publicados pelo Estado de Minas e no jornal O Tempo, dizem respeito à meteorologia, telefones úteis, e carta do leitor ao jornal.

3.2.6 Urbanismo

No total, foram vinte e três matéria sobre urbanismo, onde 3 foram publicadas pelo Estado de Minas, 4 pelo O Tempo e 16 pelo Hoje em Dia.

URBANISMO

20 15 10 5 0 Estado de Minas Hoje em Dia O Tempo

No dia 28 de outubro, o jornal O Tempo publicou a matéria “Prefeitura libera uso de calçada”, que fala sobre a regulamentação de bares e restaurantes a usarem as calçadas para colocar cadeiras e mesas. A matéria, além de falar sobre o antigo código de postura, explica sobre o novo código. A matéria traz também um pequeno gráfico sobre os limites de decibéis da lei do silêncio. O Hoje em Dia também publicou sobre a lei do silêncio. Escrita por Jader Rezende, a matéria fala sobre a fiscalização da prefeitura e aborda, também, como forma de informar o leitor, quais são as regras desta lei.

57 No dia 5 de novembro, o jornal O Tempo publicou na capa do caderno Cidades uma matéria sobre a verticalização do Vale do Sereno em Nova Lima. Na matéria principal, o repórter Rafael Rocha apresenta o caso e explica que o prefeito de Nova Lima recuou de liberar a verticalização do local após várias matérias do jornal denunciando o caso e também por causa de uma intervenção do Ministério Público Estadual (MPE). A matéria traz uma entrevista pingue-pongue com o prefeito da cidade e um infográfico com informações sobre as mudanças no vale do sereno e suas consequências.

No dia 13 de novembro de 2010 o jornal Estado de Minas publicou uma matéria sobre a história e abandono de duas famosas praças em Belo Horizonte, a Floriano Peixoto no Bairro Santa Efigênia e a Duque Caxias, no bairro Santa Tereza. A matéria apresenta também que a praça de Santa Tereza precisa ser revitalizada com urgência. E que as duas precisam de policiamento.

No dia 14 de novembro, o jornal Estado de Minas publicou uma matéria sobre as famílias que seriam removidas do Morro das Pedras. A matéria pode ser considerada, em alguns trechos, como jornalismo cívico, pois traz informações que vão além da notícia, por exemplo, o repórter Paulo Henrique Lobato conta o motivo pelo qual as famílias se instalaram no local.

Também no dia 14, o Hoje em Dia publicou uma matéria sobre o mapeamento da prefeitura que pretende reduzir a quantidade de queda de árvores em BH. A matéria, além de abordar as questões do plantio e vida das árvores informa ao leitor que a prefeitura irá arrecadar R$ 3 milhões do contribuinte Belo Horizontino, para fazer esse mapeamento.

3.2.7 Meio Ambiente
MEIO AMBIENTE

12 10 8 6 4 2 0 Estado de Minas Hoje em Dia O Tempo

58 Durante o período analisado, encontramos 19 matérias sobre meio ambiente. No dia 28 de outubro o jornal Estado de Minas publicou uma matéria que informa a população sobre a demarcação de terras e implantação de infraestrutura do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, no norte de Minas. A matéria traz informações sobre a lei que foi proposta em 1999.

No dia 05 de novembro o jornal Hoje em Dia publicou uma matéria sobre projeto de lei que proíbe o uso das sacolas plásticas em Ipatinga. A matéria, além de trazer informações sobre a lei, informa também os benefícios da diminuição do uso das sacolas plásticas. Também neste dia o jornal publicou uma matéria de página inteira que fala sobre instrumentos que mostram o nível da água em Valadares e que alertam os moradores quanto ao risco de enchentes. Com uma retranca, a matéria explica detalhadamente como as réguas funcionam. Também no dia 05, o Hoje em Dia publicou uma matéria sobre uma multa aplicada na prefeitura de Lontra, norte de Minas, por ter cortado uma pequizeiro. A matéria apresenta informações sobre a Lei Estadual, orientando assim a população.

No dia 14 de novembro, o jornal Estado de Minas publicou, em sua maioria, matérias sobre o meio ambiente. A matéria de capa do caderno Gerais fala sobre o estudo de ambientalistas em dobrar a área do Parque Nacional da Serra do Cipó. A matéria é bem explicativa e apresenta à população os motivos pelos quais o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) está tentando aumentar esses hectares, uma vez que os loteamentos e esgotos clandestinos têm causado contaminação da terra e água. A matéria de capa rende, neste dia, mais duas retrancas “Paraíso e águas turvas” e “Poluição de lixo, fossas e esgoto”. Podemos considerá-las como cívicas, pois as matérias mostram o que está acontecendo com um dos lugares turísticos de Minas Gerais e alertam a população para a preservação do local. A outra matéria ganha o título de “mobilização evita derrubada de mata”. Nela o repórter Luiz Ribeiro apresenta uma bela ação da comunidade em lutar pela preservação da Serra do Ibitutuna em Montes Claros.

59 3.2.8 Patrimônio Histórico

PATRIMÔNIO HISTÓRICO

10 8 6 4 2 0 Estado de Minas Hoje em Dia O Tempo

Em nosso material empírico encontramos 15 matérias sobre patrimônio histórico. Com duas páginas destinadas apenas a matérias sobre patrimônio Histórico, o jornal Hoje em Dia, publicado em 4 de outubro, aborda vários casos de estações ferroviárias mineiras que estão em processo de degradação ou fechadas. Mas a matéria aborda também exemplos positivos de estações que foram reformadas e hoje são centros culturais. No dia 20 de outubro, o jornal O Tempo publicou a matéria “Ministério Público entra com ação para salvar Capela” em que a repórter Tâmara Teixeira traz as informações sobre o ajuizamento de uma ação pública do MPF para a conservação e reparação da Capela de Nossa Senhora do Rosário em Santa Rita Duram, distrito de Mariana. A matéria em si traz apenas informações necessárias para contar o caso, mas apresenta ao final um pequeno box que conta a história da igreja, o que podemos considerar como jornalismo cívico, uma vez que a informação histórica do local também é importante para a população. No mesmo dia o jornal Estado de Minas e Hoje em Dia também publicou matéria sobre o caso.

No dia 28 de outubro, o jornal Estado de Minas publicou matéria sobre Ouro Preto. A matéria aborda questões que estão sendo discutidas e terão regras mais claras, quanto a modernização e preservação histórica da cidade. No mesmo dia o caderno Gerais trouxe informações sobre uma campanha iniciada em 2003 para recuperar tesouros desaparecidos das Igrejas e Capelas do estado, que será representada em um encontro sobre patrimônio cultural no Equador.

60 3.2.9 Datas comemorativas

Do material coletado dos três jornais onze matérias abordavam assuntos sobre datas comemorativas como, por exemplo, natal e dia das crianças. Destas matérias 3 foram publicadas no Estado de Minas, 2 no jornal O Tempo e 6 no Hoje em Dia.

DATAS COMEMORATIVAS

6 5 4 3 2 1 0 Estado de Minas Hoje em Dia O Tempo

No dia 12 de outubro todos os três jornais publicaram informações sobre o dia das crianças. O jornal O Tempo publicou a matéria “Capital e região oferecem opções para muita diversão”. O repórter Rafael Rocha apresenta vários eventos que serão promovidos durante o dia das crianças em Belo Horizonte, Inhotin e cidades históricas. O Hoje em Dia publicou um roteiro da programação do dia das crianças com atividades gratuitas e a preços populares. As dicas são de oficinas, exposições, brincadeiras e apresentações teatrais.

O jornal Estado de Minas apresentou três matéria sobre o dia das crianças. A primeira conta sobre o Hospital dos Brinquedos, uma loja onde se conserta brinquedos antigos e quebrados. A outra matéria traz o museu dos Brinquedos como foco principal. E a terceira apresenta, assim como os outros jornais, a programação da festa produzida pela TV Alterosa na praça da Estação.

No dia 20 de outubro o jornal Hoje em Dia publicou duas matérias sobre datas comemorativas. Uma sobre o Natal e outra sobre o Dia de Finados. A matéria escrita pela repórter Jaqueline da Mata relata que as crianças, menores de 10 anos, das escolas e creches públicas já começaram a escrever suas cartinhas para o “Papai Noel Dos Correios”. A matéria

61 apresenta os desejos das crianças e tenta incentivar para que este ano o número de padrinhos aumente. A matéria “Dia de Finados Mobiliza Alfenas” escrita pela sucursal do sul de Minas, traz informações sobre as ações das Secretária Municipal de Obras para que o Dia de Finados seja tranquilo. Segundo a matéria, eles estão recrutando vários trabalhadores para ajudarem as famílias a identificarem seus túmulos, além de dedetizarem o local contra insetos e mosquitos da dengue. Ainda segundo a Secretaria, após o feriado as equipes farão uma vistoria para localizar novos possíveis focos da dengue, uma vez que muitas famílias levam vasos de flores.

No dia 28 de outubro o jornal O Tempo publicou uma matéria sobre o Dia de São Judas Tadeu. A matéria traz informações sobre a quantidade de fies que irão participar da missa especial. Além de apresentar quais são os principais pedidos dos católicos e os horários das missas.

3.2.10 Cultura

Dos matérias coletados apenas o jornal Estado de Minas e o Hoje em Dia publicaram matérias relacionadas à cultura. Temas como eventos de música, fóruns de literatura e exposições foram abordados.

CULTURA

6 5 4 3 2 1 0 Estado de Minas Hoje em Dia O Tempo

62 Os jornais Estado de Minas e Hoje em Dia, dia 14 de novembro, publicaram duas matérias cada um sobre a programação do Fórum de Letras em Ouro Preto e a galeria e ateliê de artes promovido pelos artesãos nas ruas de São João Del-Rei. Ambos os jornais trazem apenas informações sobre o que são os eventos, o que pode ser encontrado, entretanto podem ser consideradas cívicas, pois divulgam eventos que promovem o conhecimento, caso do fórum das Letras, e a arte, caso da feira nas ruas. As outras matérias não se enquadram no jornalismo cívico.

3.2.11 Economia

Os jornais Estado de Minas e Hoje em Dia publicaram juntos 5 matérias voltadas para economia. Todas estas matérias que abordam feiras que movimentam o comércio, arrecadação de impostos e construção de empreendimentos com foco no lucro relatam o fato tal como o jornalismo econômico. As matérias de economia não se enquadram nos critérios de jornalismo cívico, pois apresentam apenas informações sobre o fato em si.

ECONOMIA

4 3 2 1 0 Estado de Minas Hoje em Dia O Tempo

3.2.12 Demografia

No período de coleta do material, em todo o Brasil, estava acontecendo a pesquisa do IBOPE, que tem por interesse mapear as cidades de todo o país. Entretanto, as cinco matérias publicadas nos jornais mineiros trouxeram apenas informações numéricas apresentadas pela instituição, portanto acredita-se que não se caracterizam como jornalismo cívico.

63

DEMOGRAFIA

3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 Estado de Minas Hoje em Dia O Tempo

3.2.13 Política

POLÍTICA

2 1,5 1 0,5 0 Estado de Minas Hoje em Dia O Tempo

No total foram publicadas três matérias relacionadas a política, uma no Estado de Minas e duas no Hoje em Dia. No dia 20 de outubro o jornal Estado de Minas publicou a matéria “Caminho livre para a Parceria Público Privada, conhecidas como PPP, do Hospital Metropolitano” a matéria escrita por Alice Maciel e Amanda Almeida fala sobre a votação da CMBH para aprovar a Lei que autoriza a prefeitura a criar parceria público-privada para a administração do Hospital Metropolitano do Barreiro. A matéria aborda questões como investimento e também informações sobre o Hospital, como número de pacientes que serão atendidos, local onde será construído, área de ocupação, além de como será feita essa parceria entre público-privado. A matéria traz uma retranca sobre outra lei que foi votada na Câmara e

64 que prevê a venda do mercado distrital do Barroca, a retranca fala sobre a previsão do valor e o que será feito com o dinheiro, além de contar a história do local.

3.2.14 Gastronomia

GASTRONOMIA

2 1,5 1 0,5 0 Estado de Minas Hoje em Dia O Tempo

No dia 5 de novembro o jornal Hoje em Dia publicou uma matéria sobre festival gastronômico de Bar em Bar. Escrita pela repórter Amanda Paixão, a matéria conta como funciona o festival e apresenta um roteiro dos bares inscritos. A outra matéria publicada dia 13 de novembro também fala sobre o mesmo evento.

3.2.15 Comportamento

Do material coletado apenas uma matéria se enquadra em comportamento. Publicada pelo jornal Hoje em Dia, no dia 13 de novembro, a matéria relata uma pesquisa coletada pela Estatística do Registro Civil de 2009 que mostra que em 23% dos casamentos a mulher é mais velha que o homem. A pesquisa também apresenta um infográfico que ilustra como ficaram os números em várias capitais e a média no Brasil. Podemos qualificá-la como jornalismo cívico, pois a matéria apresenta ao leitor um novo comportamento da sociedade.

65
COMPORTAMENTO

1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 Estado de Minas Hoje em Dia O Tempo

3.2.16 Sustentabilidade

SUSTENTABILIDADE

1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 Estado de Minas Hoje em Dia O Tempo

No dia 13 de novembro o jornal Estado de Minas publicou uma matéria contando a história de Clarinha, uma gari que montou uma usina de reciclagem de lixo e com a música tenta educar sua cidade para a consciência ecológica. Essa matéria pode ser considerada como jornalismo cívico, pois apresenta à população um bom exemplo.

66 3.2.17 Direitos Humanos

Apenas o Hoje em Dia, dia 13 de novembro de 2010, publicou matéria que se enquadra no tema Direitos Humanos. Escrita pela sucursal do Vale do Aço a matéria “Ipatinga instala telefone para surdo” conta como funciona o telefone público instalado na cidade para atender a demanda dos deficientes auditivos. A matéria além de informar sobre o novo aparelho, também ensina como ele funciona.

DIREITOS HUMANOS

1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 Estado de Minas Hoje em Dia O Tempo

3.2.18 Turismo

Apenas o Hoje em Dia publicou uma matéria sobre Turismo. Em que a repórter Flórence Couto afirma que as empresas de intercâmbio cultural estão investindo em promoções para idosos e esportistas.

TURISMO

1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 Estado de Minas Hoje em Dia O Tempo

67 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta pesquisa tentou investigar a prática do jornalismo cívico nas editorias de cidades dos três principais jornais de referência de Minas Gerais. Para isso, identificamos, primeiramente, se os jornais analisados praticaram o jornalismo cívico em seus cadernos. Desta forma, analisamos as características destes conteúdos, a frequência e o espaço que os mesmos ocuparam nos jornais. Também tentamos detectar a característica de abordagem de cada jornal, comparando, assim, pautas iguais publicadas nos jornais.

De modo geral, é possível concluir, a partir da leitura e análise dos cadernos de Cidades, Gerais e Minas, dos jornais O Tempo, Estado de Minas e Hoje em Dia, respectivamente, que assim como afirma Traquina (2001) e Silva (2003), o jornalismo cívico não conquistou ainda seu espaço, propriamente dito, nos jornais mineiros. Entretanto, é possível perceber que, em algumas matérias, existe a preocupação de informar elementos que vão além da notícia, mesmo que estes elementos ocupem apenas um parágrafo.

Assim como Lustosa (1996) define, foi possível compreender que as editorias de cidades estudadas são mesmo a “clínica geral” dos jornais, uma vez que foram encontradas matérias que abordavam temas como polícia, educação, trânsito/transporte/estradas, saúde, prestação de serviço, urbanismo, meio ambiente, patrimônio histórico, datas comemorativas, cultura, economia, demografia, política, gastronomia, comportamento, sustentabilidade, direitos humanos, turismo

Os autores estudados no capítulo um concordam entre si que o jornalismo cívico se preocupa em abordar questões de importância para a sociedade. Conclui-se, a partir da pesquisa, que o jornalismo cívico seria, portanto, uma questão de informar, buscar a concientização do leitor cidadão e dar bons exemplos de práticas cívicas.

Em alguns casos, os jornais apresentaram os fatos e fazem retrancas de serviço, como, por exemplo, a matéria “Adolescente que queria jogar futebol decide voltar para casa” do jornal O Tempo, publicada em 12 de outubro. Dos temas encontrados nos jornais os que mais se destacam nesta prática além da notícia e que buscam informar o leitor são, educação, saúde, trânsito e transporte. Os outros temas apresentam um ou outro parágrafo em suas matérias que

68 fazem esse serviço. Entretanto, alguns temas, como demografia, economia e gastronomia não trazem nenhuma característica cívica.

É possível detectar, também, notícias sobre ações voluntárias e de caráter de inclusão, como nas matérias de meio ambiente, direitos humanos e saúde. Partindo do pressuposto de que bons exemplos se multiplicam, acredita-se que a publicação de matérias que contam essas ações também podem ser consideradas como uma semente do jornalismo cívico.

Os autores Anthony J. Eksterowicz, Robert Roberts e Adrian Clark (2000) afirmam que o jornalismo cívico procura contribuir com a sociedade de forma a resolver os problemas sociais. No entanto, além das matérias de saúde, não é possível detectar essa característica de resolução de problemas nos jornais estudados.

Das matérias estudadas, os únicos assuntos abordados em sequência, durante vários dias, foram o Caso Bruno, no qual o goleiro do Flamengo é acusado de sequestro e assassinato de sua amante, Elisa Samúdio; e uma série de ações judiciais e dicas de prova publicadas sobre o Enem, para que o leitor acompanhe o desenrolar do caso. Nestes dois casos, apenas as matérias que abordam a prova do Enem se destacam com características cívicas.

É possível concluir também que, assim como afirma Silva (2002), o jornalismo cívico precisa produzir não apenas uma série de reportagens sobre o mesmo tema, mas também dedicar maior tempo, por parte do jornalista e do jornal, para esse tipo de matérias. Essa é outra questão que deve ser enfatizada. Afinal, é possível perceber que os repórteres das editorias de cidades escrevem mais de uma matéria por dia, o que dificulta a apuração e o desenvolvimento das reportagens. Isso amplia a dificuldade do jornalista em manter um vínculo social com o leitor, pois ele não tem tempo para se preocupar se está ou não praticando o jornalismo cívico.

Silva (2003) afirma que, no Brasil, ainda não se teve a intenção de fundar uma categoria parecida com o jornalismo cívico, como aconteceu nos Estados Unidos. E este talvez seja o motivo pelo qual os jornais mineiros não se sintam preocupados em produzir este tipo de matéria. Vale afirmar também que os jornais estudados não possuem, em sua redação, um ombudsman.

69 Também é possível detectar grande coerência na afirmativa de Anthony J. Eksterowicz, Robert Roberts e Adrian Clark (2000), de que a mídia dominante, no caso desta pesquisa, os jornais O Tempo, Estado de Minas e Hoje em Dia, tenta promover apenas as coberturas de fatos e atividades das elites políticas, ignorando, muitas vezes, os problemas sociais e obrigando a sociedade a ser simples espectadora.

As matérias de educação, saúde, trânsito e transporte apresentam mais preocupação quanto ao cidadão, também porque esses temas estão diretamente ligados ao dia-a-dia da sociedade civil. É importante enfatizar também que, assim como afirma Soares (2008), os jornais mineiros também estão mais sensíveis aos problemas relacionados aos direitos individuais. Neste ponto de vista, o tema polícia se destaca, pois várias matérias relatam questões de injustiças, denúncias, situação de detentos e outros assuntos relacionados.

Para finalizar, é possível afirmar que o jornal Hoje em Dia é quem se preocupa mais com informações além dos crimes e das informações meramente noticiosas. O jornal O Tempo, além de destinar poucas páginas para a editoria de cidades, apresentou característica policial, voltada para tráfico, assassinatos, acidentes e poucas destas matérias saíram do comum. O Estado de Minas destinou ainda menos páginas, em relação aos outros jornais, para o caderno. Entretanto, aborda menor número de questões policiais que o jornal O Tempo.

O jornalismo cívico está começando a transformar as coberturas, que, pouco a pouco, dão espaço para aspectos como direitos humanos, apelos educativos e transformação social. Ainda há um longo caminho, mas o primeiro passo já foi dado pelos próprios leitores, que vêm exigindo jornais mais comprometidos com a comunidade.

70 REFERÊNCIAS

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