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Definição da fórmula conceptual de Integração Regional: As organizações internacionais têm uma maior capacidade e eficiência do que os estados no sentido

de garantir a paz. Integração em sentido estrito (base nos indivíduos): processo de ser incluído ou de se incluir num todo, mantendo no entanto as suas características culturais. → Diferente de fusão. O que se pretende explicar é a ideia de integração como unidades separadas que se relacionam num todo, mas mantendo as suas idiossincrasias. A vertente que melhor explica esta integração é a vertente económica. Adam Smith: embora não fale directamente, dá a ideia precisa de interdependência económica. Se cada individuo de especializar e produzir os bens em que é melhor, automaticamente fica dependente dos outros para adquirir os bens que não produz. Ideia de egoísmo (produz aquilo que lhe gera mais riqueza, mas fica dependente dos outros por via dos outros bens). A interdependência económica gera-se devido a uma cadeia de actividades que se complementam e que por isso mesmo criam um problema de dependência cuja resolução se consegue através das operações de compra e venda, ou seja, de mercado. Interdependência Económica (Adam Smith) Integração Interdependência Discursiva (Sérgio Ribeiro) Integração discursiva: Através da tese aplicada à união europeia da criação de um mercado institucional, consolida-se como efeito de matriz constituído como um património jurídico que age em silêncio: instala-se, sanciona o consumo, sanciona os negócios, pretende sancionar a produção industrial recriando nos discursos individuais e colectivos uma semelhança formal; cria-se então uma comunidade de meios de tipo hayekiano que não tem paralelo ao nível dos interesses. Porque é que a dada altura passamos a uma lógica de integração entre Estados? A problemática que Coase desenvolveu foi a ideia de por que é que quando existe um mercado concorrencial que fornece as matérias de que uma empresa necessita, essa empresa decide nuns casos obtê-los através da sua própria expansão (promovendo a sua integração vertical), e noutros de os adquirir no mercado (promovendo a integração horizontal)? ↓

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Tem de haver uma certa regulação para que se evitem as externalidades negativas. como um dos factores. Questão dos direitos de propriedade: aquilo que adquirimos são os direitos sobre os bens que transaccionamos (custos de transacção). depende dos custos de transacção (os que se acrescem aos custos da produção dos bens em si). 2 . ↓ Para efeitos de organização das transacções devem-se construir mecanismos autónomos (tecnologicamente autónomos) que assegurem uma transferência eficaz dos direitos de propriedade para lá da regulação do mercado através do preço.Este facto tem a ver com os custos (a empresa vai optar pela via que lhe proporciona mais vantagens). Perspectiva mais clássica que aborda a questão do funcionalismo → Por detrás da construção teórica e aceitável da teoria do poder. regras que definam os preços de certos produtos. É necessário que haja uma organização jurídica do mercado com carácter de obrigatoriedade garantido pelo poder político. → Sistema judicial que funcione em que se crie uma segurança jurídica (condições para que possíveis erros sejam corrigidos em tempo útil). ↓ Mecanismos: regras contratuais. regras que definam as condições de mercado para compra e venda. Para que o mercado funcione correctamente e promova o bem-estar das empresas não é necessária apenas a mão invisível de Adam Smith. mas também uma regulação por parte dos sistema judicial e do próprio estado. Por detrás do cenário de integração regional está a salvaguarda dos interesses (no sentido egoísta de Adam Smith. da geração de riqueza) individuais de cada um. Teoria Política → Funcionalismo → Conceito de poder político (sentido aristotélico) ao nível internacional Funcionalismo como elemento central de uma teoria política internacional:  Elemento-chave para ir além da legitimidade dos estados. Quais são as aspirações naturais dos agentes económicos num qualquer país? A sua expansão de forma a retirar um maior número de dividendos.

a outra acentua a noção de legitimidade através dos output do sistema político. O pensamento democrático valoriza a análise feita pelos input. Há um problema internacional ao nível da legitimidade → não existe uma legitimidade substancial. Funcionalismo é aceite do ponto de vista teórico e prático como elemento estruturante de acção política ao nível internacional. O pensamento democrático valoriza a análise feita pelos outputs. põe em evidência a ideia de governo para o povo. mas envolva somente um questionamento sobre a validade objectiva dos resultados políticos que a envolve. ↓ O funcionalismo permite uma operacionalidade política que vai para além da teoria democrática clássica → através da ideia de poder associado à função é possível estabelecer uma operacionalidade política que gera uma relação de confronto face ao poder estatal. De um lado os estados-nação suportados por uma legitimidade democrática reconhecida por todos. chegando por vezes a inscrever-se numa lógica de confronto face a esse quadro mais tradicional (de acção política). uma acentua a noção de legitimidade através dos input do sistema político. sem que este facto envolva um questionamento sobre a legitimidade substancial da sua capacidade operacional.Enquanto conceito o funcionalismo permite uma operacionalidade política que vai além do quadro constitucional e democrático da acção política. desde o momento em que se possa aferir de forma objectiva a validade dos resultados políticos conseguidos. mas aceitámo-las em virtude da sua eficácia (quando os problemas são superados mais eficazmente no quadro internacional em detrimento do quadro nacional).” Governo pelo povo ↓ Input Participação → Governo para o povo Eficácia Processos Políticos → ↓ Output ↓ Povo A nível internacional vamos colmatar o défice de participação com um aumento da eficácia em relação ao nível nacional. sem pôr em causa a sua legitimidade. põe em evidência a ideia de governo pelo povo. “Na teoria democrática o exercício do poder é legitimado através de duas imagens distintas e complementares. 3 .

Do Funcionalismo de Mitrany ao Neofuncionalismo de Haas e Schmiter ↓ ↓ ↓ O aumento do poder próprio da instituição cria uma ramificação vertical Teoria de acção política internacional meramente estática (estados considerados como unidades preponderantes) → a ramificação é horizontal. lógica de principal Estado acreditador e de agente Funcionário acreditado. elites como variáveis preponderantes. ↓ Ausência de dinâmica integrativa endógena. transferência das lealdades políticas das elites do Estado para as Organizações Internacionais. ramificação horizontal e vertical (associa-se à ideia de spillover). Neste sentido. ausência de dinâmica endógena – pressupostos realistas.” Dinâmica burocrática endógena: “Trata-se de um grupo de burocratas da Organização Internacional e trata-se do conjunto dos interesses auto-organizados desses burocratas que procuram explorar o efeito inevitável das ramificações verticais e as consequências furtuitas que se produzem quando os estados aceitam atribuir um certo grau de responsabilidade política supranacional para preencher uma função específica e que depois esses estados descobrem que existem implicações noutros domínios cuja interdependência é notória. “Trata-se de uma situação na qual uma determinada acção ligada à concretização de um objectivo específico cria uma situação na qual o objectivo em causa só pode ser concretizado se se tomarem decisões complementares que por sua vez criam elas também uma necessidade de novas acções. Funcionalismo Estados como unidades preponderantes (são eles que atribuem poderes às Organizações).” (Schmiter) 4 . ramificação horizontal. mas no qual em condições de democracia e de representação plural os governos nacionais ficarão cada vez mais submersos pelas pressões da própria integração. dinâmica burocrática endógena. Spillover ou ramificação vertical: Neofuncionalismo Pressupostos liberais. a integração regional é um processo esporádico e conflitual.

as atitudes mentais. Aspecto material da operacionalidade política comunitária O poder comunitário é acéfalo. a geografia e as condições económicas de uma sociedade e.eficaz) União Económica e Monetária → moeda única. rege os seus comportamentos. Perspectiva política → Poder funcional → Conceito explicativo do poder comunitário. racionaliza as suas posições recíprocas e perante a vida colectiva como um todo. “Enquanto parcela do ornamento jurídico do Estado. ↓ Para que esta funcione de forma eficiente precisa de um âmbito que envolva todas as questões essenciais aos estados → União Aduaneira. pode ser agente. dispõe sobre os direitos e os deveres de indivíduos e dos grupos. simultaneamente.Eliminar barreiras (exemplo: zona de comércio livre) Negativa (+ eficaz) Integração União Económica Positiva (. as crenças. União aduaneira Livre circulação de Bens Serviços Capitais (+ transferência de soberania) Zona de comércio livre: trata-se um grupo de dois ou mais territórios aduaneiros entre os quais os direitos aduaneiros são eliminados nas trocas comerciais relativas aos produtos originários dos territórios constitutivos da zona de comércio livre. A União Económica implica que haja um certo grau de harmonização das legislações nacionais que tenham incidência no sistema económico. ora de conservação. Perspectiva jurídico-política → Dimensão material do poder → Fórmula explicativa do poder comunitário. ora de transformação. funciona como princípio de organização. a Constituição reflecte a formação.” Jorge Miranda 5 .

Agente de conservação transformação. construída e legitimada no respeito do que está inscrito na Constituição como reflexo do tipo de sociedade e como estrutura jurídico-política da sociedade.↓ Duas faces: explanação daquilo que é a sociedade e em respeito a isso organizar as múltiplas relações entre as pessoas e para com o Estado. Rege comportamentos. 6 . o poder comunitário só existe de forma legal em determinados sectores. ou seja. O que caracteriza o poder da sociedade não é uma capacidade geral de actuação. Racionaliza a relação entre as partes e entre as partes e o todo. mas sim a existência de espaços de poder. e Critérios de Validade das Normas (Kelsen) Norma: a) Temporal b) Espacial c) Material (regular) → diferente do comportamento humano. No caso das comunidades a dimensão material do direito é que permite atribuir e definir o seu poder na medida em que lhe dá uma efectividade legal. → Pegamos em determinadas áreas de poder e transferimo-las para a alçada da comunidade. O povo é uma sociedade com consciência política. A Constituição Montante A formação Crenças Reflecte Atitudes mentais Geografia Condições económicas Sociedade → Inscreve-se Jusante Princípio organizativo. Não havendo uma sociedade europeia. a ideia de Constituição europeia fica aquém do que seria expectável. A operacionalidade política dentro dos Estados é definida. dispõe sobre os Direitos Individuais.

Função reguladora. Função Redistributiva: Definição: Transferência de recursos dos grupos sociais economicamente mais fortes para os grupos sociais economicamente mais frágeis Metodologia: Constitui-se um bolo orçamental com base num princípio fiscal progressivo (directos sobre os rendimentos) e regressivo (indirectos sobre os produtos). despesas de saúde. Função de estabilização macroeconómica. Dimensão Reguladora da Racionalidade Política Comunitária Três funções estaduais de governação económica: 1. A ontogénese do poder comunitário não é política nem juridicamente constitucional. 1. 2. 3. Implementação: Necessita de grandes dotações orçamentais e é uma característica fundamental do estado social. Distribuição do bolo orçamental com base num princípio de igualdade e de uma certa justiça social. Dimensão material enquanto ferramenta heurística permite penetrar o núcleo ontogenético do poder comunitário. Função redistributiva. hospitais.Espaços de poder são áreas de intervenção com epicentro verificável e identificável através da sua dimensão material e com uma dinâmica de intervenção política cujo alcance é unicamente limitado pela necessidade de não quebrar o elo com esse epicentro. polícia. Condições de Acesso: 7 . estradas. mas é juridicamente material e politicamente funcional. Exemplo: Bens colectivos obrigatórios: educação elementar obrigatória.

o Manter uma taxa de desemprego baixa. 8 . Função de Estabilização Macroeconómica: Definição: Utilização de instrumentos políticos e financeiros para atingir um duplo objectivo: o Manter um crescimento económico mais ou menos constante. aumento ou diminuição da carga fiscal. racionalizando a produção (implementação de quotas). da política orçamental. Exemplo: Através de uma valorização ou desvalorização monetária. jurídicos e administrativos com vista a enquadrar o equilíbrio da actividade económica e da actividade comercial tendo em conta dois princípios ou objectivos: o Princípios meramente económicos: diz respeito ao incremento da concorrência no sentido de diminuir as situações de monopólio. da própria política de emprego. Metodologia: Através da política monetária. Implementação: Grandes dotações orçamentais. da política fiscal. saúde pública (proibindo o uso de determinados produtos no processo de fabrico e comercialização). 3. concessão de estímulos à indústria. Objectivação da concorrência económica: proibindo num dado espaço todas aquelas medidas públicas e privadas anti concorrenciais. da política industrial.Cidadania. 2. Função Reguladora: Definição: Utilização de instrumentos políticos. o Princípios não económicos: criando exigências jurídicas e específicas para enquadrar a legalidade das actividades económicas e comerciais no sentido de salvaguardar valores como: segurança (criando protocolos de identificação/enquadramento) de cada actividade. transparência dos processos produtivos. investimentos públicos.

Paradigma Keynesiano ↓ Controlo Público de sectores industriais estratégicos/não estratégicos Paradigma Regulador ↓ . Implementação: Não há grande necessidade dotações orçamentais (organiza-se a economia segundo dados critérios e isso só implica despesas administrativas → repercutidas no consumidor). Metodologia: Criação de entidades reguladoras independentes a montante e a jusante (verificar o impacto dessa legislação) dos processos legislativos.Monopólio > Concorrência ↓ Política Orçamental menos custosa ↓ Fiscalização semi-pública e sistémica Dimensão Orgânica da Regulação (exemplo: Portugal) Abertura à concorrência de sectores em monopólio ou controlados pelo Estado: Electricidade.Concorrência > Monopólio ↓ Política Industrial mais cara ↓ Fiscalização Administrativa → . não discriminação. Seguro.desenvolvimento sustentável. Regulação Gás Natural. Audiovisual. segurança e higiene no trabalho. Saúde. 9 .

Processo Legislativo Montante ↑↓ Jusante Agências de Assistência Técnica e Científica ↑↓ ← Comissão Europeia → Agências de Controlo/fiscalização: Análises do impacto ↑↓ Agência de Assistência Legislativa ↑↓ Objectivos Económicos Objectivos não-económicos ← Concorrência 10 .