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A PEQUENA HISTÓRIA DA MINHA LONGA HISTÓRIA

Vida de Dom Lefebvre contada por ele mesmo

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Sumário
Considerações iniciais ...................................................................................................... 3 Prefácio de Sua Exa. Dom Bernard Fellay ....................................................................... 3 Prólogo ............................................................................................................................. 4 A infância ......................................................................................................................... 4 A ambiência da vida no norte ........................................................................................... 5 Primeira Guerra Mundial.................................................................................................. 6 A vocação ....................................................................................................................... 10 Rumo ao sacerdócio........................................................................................................ 11 Primeira nomeação: Vigário........................................................................................... 17 Pouco depois religioso, missionário ............................................................................... 20 No noviciado .................................................................................................................. 21 Profissão e primeira nomeação....................................................................................... 22 No Gabão: professor e diretor ........................................................................................ 23 A doença, depois, a missão de N’djolé........................................................................... 24 A Guerra de 1939 – Mobilização ................................................................................... 25 Retorno à África – Desmobilização................................................................................ 26 Missão em Donguila....................................................................................................... 26 Outras missões – Nova designação ................................................................................ 27 Retorno à Europa ............................................................................................................ 28 Superior no Seminário de Mortain ................................................................................. 28 Roma chama, o episcopado ............................................................................................ 29 A Sagração Episcopal..................................................................................................... 30 Vigário Apostólico em Dakar......................................................................................... 31 Delegado Apostólico ...................................................................................................... 32 Desenvolvimento das Missões ....................................................................................... 34 Fim da Delegação Apostólica, Arcebispo de Dakar....................................................... 35 A demissão do arcebispado de Dakar............................................................................. 37 Bispo de Tulle................................................................................................................. 40 Superior Geral da Congregação dos Padres do Espírito Santo....................................... 41 O Capítulo Geral Extraordinário e a demissão............................................................... 44 Estrada de Marly............................................................................................................. 49 Uma doença estranha...................................................................................................... 50 Nunca se antecipar à Providência................................................................................... 51 Friburgo .......................................................................................................................... 52 La Vignettaz ................................................................................................................... 54 A Aprovação................................................................................................................... 56 Epílogo ........................................................................................................................... 57

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Considerações iniciais
Estas conferências foram proferidas por Sua Excelência Dom Marcel Lefebvre na Abadia São Miguel nos dias 07, 08 e 12 de fevereiro de 1990. A fim de preservar, nestas conferências, seu caráter próprio e pessoal, o estilo falado foi conservado, exceto algumas correções: os títulos e subtítulos são da redação.

Prefácio de Sua Exa. Dom Bernard Fellay

“Caro leitor,

Nossas irmãs aproveitaram a ocasião de uma passagem de Dom Marcel Lefebvre, seu fundador, por sua casa, a Abadia São Miguel, onde ele gostava de se retirar por alguns dias, para lhe pedir algumas conferências.

Como um bom pai, adivinhando os desejos secretos dos seus filhos, Sua Excelência lhes passou, em algumas conversas, um pequeno resumo da sua vida. Nele pode-se admirar a simplicidade do seu coração, a humildade que soube conservar, a despeito dos seus altos cargos, a doçura que sempre soube resplandecer através das adversidades de tantos anos de combate pela Igreja. Que as confidências que se seguem, das quais se tentou conservar todo o sabor, respeitando o estilo coloquial, ajudem a melhor compreender a alma magnífica desse arauto da fé e defensor do Sacerdócio Católico”.

Sydney, 17 de outubro de 1995. Festa de Santa Margarida-Maria + Bernard Fellay

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Prólogo
Perguntaram-me se poderia dar conferências às Irmãs. Oh! Se elas me pedem, eu lhes darei a pequena história da minha longa história. Eu lhes falaria um pouco daquilo que o Bom Deus fez por mim durante minha existência, com toda simplicidade.

Pensei como intitular essas conferências e achei que seria: “Os rumos da Providência no curso da minha vida e como é bom se entregar totalmente a Ela para agradar ao Bom Deus”. “Ut placeat tibi Domine Deus”. Esta é a prece que lemos no ofertório : “Nós Vos oferecemos este sacrifício”, nosso sacrifício em união com o Vosso para que ele vos agrade. “Ut placeat tibi Domine Deus”. Reconheço que meus oitenta ou oitenta e dois anos de vida consciente, - porque não falo muito dos anos da infância -, me ensinaram justamente a seguir a Providência, a buscar nas circunstâncias, nos acontecimentos da vida, qual é a vontade do Bom Deus, para tentar segui-la.

A infância
Passamos alguns anos de vida tranqüila em família, com nossos pais cristãos, profundamente cristãos. É verdade que a igreja paroquial não era longe, cinco minutos a pé. Todas as manhãs, meus pais lá chegavam cedo para comungar, e assistir à Missa quando podiam. Naquele tempo, na paróquia, um padre dava a comunhão a cada quarto de hora, de cinco e quinze da manhã até nove horas, creio. Era o costume daquele tempo, porque muitas pessoas iam para o trabalho e não tinham tempo de ficar para a Missa. Chegando, pois, à igreja alguns minutos antes do quarto de hora, ficava-se seguro de poder comungar. Alguns minutos para se preparar, outros tantos depois de comungar, e partia-se para o trabalho. Habitualmente, meus pais assistiam à Santa Missa, senão iam ao menos comungar.

Observando as leis de Deus, começaram por ter cinco filhos, ano a ano, depois três outros mais tarde. Três em 1903, 1904, 1905, os três primeiros (René em

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1903, Jeanne em 1904 e D. Marcel Lefebvre em 1905 – Nota do Editor); depois, em 1907, minha irmã Marie-Gabriel, em 1908 minha irmã Marie-Christiane, e, em 1914, bem às vésperas da guerra, Joseph. Depois, os dois outros após a guerra.

Vivemos felizes durante esses anos que precederam a guerra. Meus pais se casaram em 1902, eu nasci em 1905. Tinha, portanto, nove anos quando a guerra foi declarada.

A ambiência da vida no norte
A ambiência da vida no Norte era uma ambiência de trabalho. O trabalho é a usina que comanda tudo. Todos vão ao trabalho: patrão, empregado, operário; uns às seis da manhã, outros às sete e meia. O operário permanece no serviço até a batida do sino, e o patrão, algumas vezes até às nove ou dez horas da noite. E isso todos os dias, todos os dias.

Fábrica de tecidos: às cinco e meia – seis horas da manhã ouvia-se os teares começarem a funcionar. As chaminés começavam a soltar fumaça, porque tudo era alimentado a carvão; ainda não havia eletricidade. Era a vida regular, um tanto quanto monótona. Geralmente, o tempo está coberto, naquela região, um pouco cinzento, e isso não convida ninguém a passear. Por isso as pessoas amam o trabalho e ficariam infelizes se não pudessem trabalhar. Penso um pouco na Suíça alemã: é a mesma coisa – não vá me desdizer. Quando visitei Ibach na região de Schwytz, havia uma senhora, Mme Elsener, boa pessoa, que tinha uma metalúrgica, cutelaria. Ela empregava mil operários, se me faz o favor! Não é um pequeno negócio. Quando seu marido morreu, foi ela que virou patroa, passou a dirigir a fábrica com seus filhos. Todos eles trabalhavam: as moças no escritório, os rapazes na fábrica. Ela também trabalhava, de manhã à noite, e me dizia na sua simplicidade: “Você sabe, nossos operários ficam tristes nos Domingos, porque não podem ir trabalhar na fábrica… assim é a vida”.

sei lá. Essa era a fonte de energia de onde se retirava o carvão para tocar as fábricas. prestem atenção. praticamente. então. Convivemos com essas coisas tranqüilamente. Mais tarde. trabalhadora. era assim também. a terrível guerra. etc. então. Havia. com a eletricidade e o petróleo. elas nos diziam: “Não esqueceu de nada. as condições de vida.. não há mais quase fábricas de tecidos no Norte. a concorrência estrangeira: Japão. duas boas pessoas que ajudavam a mamãe a cuidar das crianças. por causa das novas condições. está morrendo por causa da concorrência estrangeira. a bacia mineira que corresponde a da Bélgica. Agora. praticamente. tínhamos. tudo mudou. Éramos cercados pelo afeto de três mamães. Veio. pela graça do Bom Deus. a cinco minutos de casa. da Argentina. não se esqueceu de pegar a merenda. Primeira Guerra Mundial Veio. as fábricas floresceram ali. As fábricas eram construídas junto dessa fonte de energia. pode-se dizer. É uma coisa assombrosa a guerra como essa de 1914-1918. As meninas iam às Ursulinas. Davam um beijo e ainda diziam: “Vão. regularmente. então. uma boa instituição. a indústria têxtil está falida. a lã da Austrália. numa época que já passou... a América do Sul. industrializada. perto de Sua Excelência. as Ursulinas. assim. Antes de sairmos. Hoje.. andem pela calçada. e não longe dos portos. Tínhamos um bom colégio.”. uma imensa bacia mineira que atravessa toda a Europa. a falência por toda a parte.6 No Norte. Às oito horas. todos se puseram a montar indústrias. Estados Unidos. e aquilo. pôs o lenço no bolso. do Egito. os meninos ao colégio e a vida corria. que se estende ao Ruhr. naquele momento. Apavorante! . na Alemanha. por causa das condições favoráveis. os transportes. até mais.”. Como era uma zona populosa. para receber o algodão. também pertinho. até a Inglaterra. não esqueceu isto. e isso causou. saíamos. Éramos crianças felizes naquela época.

ele não partiu logo em seguida: não era mobilizável porque tinha seis filhos. Nas paróquias. Os alemães ocuparam a cidade dois meses depois. das prisões. Restam alguns. Inglaterra e voltou à França para evitar ser abatido pela política alemã. de um dia para o outro. Até mesmo as meninas e as mulheres já um pouco idosas. É assustador quando se pensa em coisas como aquelas. os prisioneiros. a voltar para casa. sentiu que estava sendo perseguido pelos alemães. Meu pai. apavorante. pelos alemães. Tinha que fugir. Mas. Muitos. etc. cuidar deles.7 Houve a mobilização. supostamente. evidentemente: todos os homens partiram. Vimos hussardos. que chegavam de longe completamente podres e farinha. onde havia cinco ou seis. mobilizados. muitos prisioneiros. O papai tinha partido.. nos enviavam alimentos: galinhas. ao meio dia. desta vez. Como vão elas fazer para trabalhar. da gente do Norte. foram mobilizados e deveriam trabalhar para o exército alemão. como vão comer? O que acontecerá quando não houver mais homens em casa? Nas escolas é a mesma coisa: os professores partiram. então permanecemos lá durante a guerra. quis ajudar os prisioneiros ingleses e franceses a fugir das linhas inimigas. se não estivesse preso. as novidades que chegam do “front”: tantos mortos. A cidade distribuía. os vigários também são mobilizados. quatro anos de ocupação. a invasão. os mortos. todos aqueles que fossem capazes. Então ficou. E depois. . Holanda. com capacetes e lanças que mediam três metros de comprimento. Os americanos. sopas populares e nós íamos tomar sopa numa das salas da prefeitura. lanceiros. e que seria fuzilado com certeza. desfilar pelas ruas. foram feitos prisioneiros. não há mais que um ou dois padres. Saiu através da Bélgica. e as mamães ficaram sós com seus filhos. ocorreram os combates. dos campos onde estavam internados. Em janeiro de 1915. rapidamente. todos a cavalo naquele momento. era preciso alojar os militares. Eles ocuparam a cidade que foi mobilizada. fracos ou doentes. Era de se perguntar por onde tinha passado esse trigo. porque não se encontrava muito o que comer.

todas as paredes de todas as fábricas. farinha de grão preto ou farinha de batata. depois. de legumes. Não obstante os anos. na necessidade de engessá-la. Essa guerra causou. . porém. o estrondo dos obuses.. não sei. dentro da fábrica. do lado francês. seus os feridos que víamos. no sul da Bélgica. Via-se à tarde. o que certamente ocorria com os mais velhos. e era isso que se deveria comer. e. comprava-se na padaria. Era um pão. o que você quer! Foi verdadeiramente a privação e a miséria. por vezes certas coisas não podiam nos escapar. ela estava deitada na sala de jantar da casa. Ao lado de Ypres e do famoso Monte Kemel. a grande miséria. sofrimentos penosos. às centenas. e eram. Ouvíamos o ribombo. tudo isso foi muito emocionante. Para nós. sistematicamente. provavelmente. em frente a nós. etc. eu ainda a vejo.sem contar os mortos -. enfim. quatro metros. em conseqüência das privações da guerra. ela contraiu uma descalcificação da coluna vertebral que resultou. o céu estava em fogo. preto. as perseguições..8 pois quando o pão chegava estava preto. verdadeiramente. no fim da guerra. para evitar que os tomassem.. para ver se não havia esconderijos de lã. como do lado alemão. Era. sobretudo. em todos os porões. esses pobres feridos. via-se chegar ao hospital. cortejos de feridos. Por toda a linha de frente. estoques de lã. Era preciso comer. não secava. Descobriram em nossa casa. nas mãos de suas criadas que eram muitos gentis mas. Ela deixou seus filhos sós. que éramos crianças. Era medonho. Estávamos do lado ocupado pelos alemães. estava úmido por dentro e o miolo soltava a casca. não nos dávamos conta completamente. o horizonte completamente iluminado pelos obuses que explodiam numerosos e sem parada. No dia seguinte. também do lado aliado. Então. Eles furaram. escondidos nos porões. enfim. porque estávamos muito perto da linha de frente.. parecia betume. ela foi metida na prisão por causa disso. cada três. Os alemães descobriram. à noite. . Não me recordo mais se foram muitos meses ou muitas semanas. e minha mãe foi presa durante muitas semanas. onde se travaram batalhas terríveis.

As imagens ficaram gravadas na memória. e a igreja estava cheia. os sofrimentos morais. mas nós cinco ficamos marcados por esses acontecimentos. nas calçadas. prontos para partir. por aqueles que . tudo isso é muito duro. sobretudo de mulheres. era preciso sofrer. os jovens não estavam lá. não nos prenderíamos. Toda a paróquia enchia a vasta igreja. e adoração do Santíssimo Sacramento. a brutalidade. ainda bem me lembro. com certeza.. os ferimentos. não se deu conta. assistimos a esse desfile de pessoas que estavam lá. Mas. foi assustador. Éramos crianças. Então. de um bom número de homens velhos. tinham necessidade de pessoal. e. reza do terço.9 Como vêem. Todas as tardes. Essas coisas nos marcaram.. Então. pelos prisioneiros. e imediatamente. Joseph não tinha mais que um ano. a partir de dezesseis anos ou dezessete (veja. recolhendo as pessoas requisitadas e as levando sem que elas soubessem o que aconteceria. de pedaços de cobre. A guerra. porque lhe começava a faltar cobre para os obuses. etc. na calçada. nos amadureceram. o que pode ser a guerra. os alemães anunciaram a mobilização de todas as pessoas ainda válidas. enfim. dezessete anos!). não sei o que lá. pelo menos em parte. por minha fé. era preciso ir trabalhar nos centros de triagem.. portanto. os alemães passariam e retirariam uma ou outra. as separações. ordenaram a todas as pessoas de cada casa que se colocassem nas calçadas. Evidentemente. separações. as emoções contínuas. todos os sofrimentos. e todas as conseqüências dessa guerra. e as pessoas que nos serviam eram muito idosas para serem levadas. tudo isso gerou inquietações. Um dia. com sua bagagem. Não se pode imaginar o que é. dez ou onze anos. de balas. Os alemães passaram com caminhões. orava-se por todos que haviam partido. quem partiria e quem ficaria. e. dores. Mesmo que não se tivesse apenas nove. A crueldade. penso que nossa vocação deve-se a eles. Porque vimos que a vida humana é coisa pouca e que.. Orava-se. é uma coisa terrível. mas também. Não se sabia. Vimos que naquele tempo a piedade era grande. Rezava-se o terço todas as tardes. duro. era preciso sair. todas as pessoas válidas deveriam estar prontas. isso marcou nossa infância. a última dezena com os braços em cruz. de antemão. Todas as pessoas.

todos os que fossem capazes de fazer alguma coisa. Foi aceito. vocação. nem mais nem menos que o Pe. Como meu pai tivesse partido e se encontrasse em Versailles. ele era muito romano. Era possível evitar isso graças aos trens da cruz vermelha que passavam através da Suíça. tinha completado quinze anos em 1918. Temia-se que os alemães acabassem prendendo. terminou seis estudos no Grandchamp. estando em Versailles. . Não foi ao grande seminário para isso. Meu irmão René era o mais velho. meu irmão René atravessou a Suíça e depois o encontrou. até quinze anos. portanto. em Versailles. por causa da guerra. qualquer que fosse a idade. criava uma atmosfera especial. Somente o Norte e o Leste da França estavam ocupados. está claro que ele não teria ido fazer seus estudos em Versailles. que ele faria seus estudos em Roma. vejam. Se não tivesse acontecido a guerra. mas. cursar sua filosofia. Recolhiam as crianças. e se tivesse uma vocação missionária. no seminário Francês. A vocação Eis como a Providência conduziu. que tinham parentes na França livre que os recebessem. consultado René. minha própria existência. Quando meu pai lhe disse que achava que seu filho teria. Ele continuou seus estudos lá embaixo. eu diria. Ele.10 estavam no “front”. e a do meu irmão. porque a região de Lille ainda estava fechada. pediu ao meu pai para ir ao seminário de Grandchamp. autor de um livro de filosofia e. teria entrado diretamente nos Padres do Espírito Santo. Havia um fervor evidentemente muito grande naqueles momentos. onde fez curso completo. talvez. e seu professor de filosofia foi. ou nos Padres Brancos. adido ao seminário Francês. naquele momento suas portas estavam abertas para todos os que viessem das regiões ocupadas. Mas. Partiu em 1919. e terminar os estudos. Colin. Tudo isso. foi decidido. embora não tivesse declarado imediatamente que tinha vocação.

Meu pai não era de todo progressista. descobri os erros. nos reagrupar. convencido. Em 1919. . em Tourcoing. não. uma da figuras de proa do progressismo francês.” ele desconfiava um pouquinho do ambiente progressista do seminário e da reputação daquele que deveria ser o cardeal Liénart 1 . voltamos à casa da família.. padre. não. vigário. então. eu. Isso mudou completamente minha existência. Se a guerra não tivesse estourado. desejo ficar na diocese. pudemos nos reencontrar. em ir para o seminário da diocese de Lille. não. e que eu não tivesse seguido meus desejos... foi nomeado cura-deão da igreja de São Cristóvão. completamente.. e eu teria entrado na diocese de Lille. Em 1919. então “Não. Enfim. eu. irás juntar-te ao teu irmão! Teu irmão está em Roma. passar nos exames difíceis. voltou de férias. e tantos outros dos quais não estávamos sabendo. e agradeço ao bom Deus. porque desejo trabalhar na diocese.. como era 1 Achille Liénart. Terminada a guerra. o modernismo. foi o diretor do grande seminário antes da guerra. meu irmão teria ido para uma congregação missionária. Tanto insistiu que eu. já no seminário.. ele será. pensava eu ser padre na diocese. em Lille. Meu pai me disse: “Não. quando eu mesmo disse aos meus pais que “gostaria muito de ser padre”.11 Vejam como a Providência conduz as coisas. nascido em 1884. Roma será melhor”. Vejam como a Providência conduz as coisas. Ir para lá.. Roma foi uma revelação para mim: o Padre Lê Floch e os professores ensinavam como se deveria ver os acontecimentos da história atual. a diocese. cardeal em 1930. tu. não. Pensava. tu irás para Roma também. até o concílio Vaticano II. não era um grande intelectual e precisava estudar latim. num vilarejo. não vale a pena ir para lá”. não me via de nenhuma maneira. que meu pai tivesse essa vontade. não teria ido para Roma. Meu irmão René. Rumo ao sacerdócio Então desci para Roma. parti para o seminário Francês. “Não. E depois. Nomeado bispo de Lille em 1928. em 1923. o liberalismo. para o seminário Francês. cursar a Universidade Gregoriana. cura. com meu pai. partir para Roma. todos os dias..

as fontes dos erros e que nos dizem onde está a verdade. estava sob a direção do R. junto ao meu irmão. Isso foi uma revelação. confiado à Congregação doa Padres do Espírito Santo. Como podem ver. total. Perguntávamos: mas como os papas julgaram os acontecimentos. Então. Ficamos ligados a todas essas belas encíclicas dos papas que nos mostram o que é mau no mundo atual. onde estavam os erros. Isso esclareceu-nos verdadeiramente. as idéias. permaneceria na diocese.. como se deveria julgar os acontecimentos. para mim o Seminário Francês foi uma verdadeira revelação e uma luz para toda a minha vida sacerdotal e episcopal: ver os acontecimentos no espírito dos soberanos Pontífices que se sucederam. ficou em nós para sempre. em todos os seminaristas (éramos duzentos e vinte). que era adepto fervoroso de Roma e aconselhou meu pai a mandar meu irmão para Roma. Lê Floch. Como já lhes disse. Incrível como a providência conduz as coisas. posso dizer. por exemplo. onde estava a verdade. as fontes do mal. isso foi uma revelação.12 preciso buscar a verdade nas encíclicas dos papas e. mas particularmente os acontecimentos posteriores à Revolução . nas encíclicas de Pio X. Se meu irmão não estivesse estado lá onde estava. com toda certeza. eu. de Leão XIII e de todos os padres que os precederam. Para mim. exatamente as mesmas nas encíclicas. essa foi uma primeira etapa na minha vida que demonstra muito bem como o bom Deus me guia através de pequenos acontecimentos. nasceu em todos nós suavemente. particularmente. Eis o que se estudava no seminário. esse famoso Padre Colin. de o meu irmão ter estudado com o Padre Colin. P. como se deveria pensar.. as coisas do seu tempo. durante quase um século e meio. de sua época? E o Padre Lê Floch nos mostrava quais tinham sido as idéias e diretrizes desses diferentes papas. sempre as mesmas. nasceu em nós o desejo de conformar nosso pensamento com o dos papas. ora! não se teria orientado para Roma e. os homens. Esse seminário. mostrounos como se deveria julgar a história. não é mesmo? Fui conduzido. ao seminário Francês. a respeito das minhas apreensões. portanto. O fato.

e em conseqüência. Ele também. A verdade integral. Não podem mais suportar que se combata o erro. nós também deveríamos condená-los. nos três primeiros anos (1923-1924. e todos esses liberais que giram ao redor deles. firme. Gostei muito de ter recebido. Uma espécie de gente de duas caras. Mas. todos os erros que brotaram de todas essas correntes de idéias contrárias à doutrina da Igreja. que se combata o mundo e Satanás e os inimigos da Igreja e que se esteja. também. em estado de combate contínuo. de não assistir a essa operação monstruosa que foi a destituição do querido Padre Lê Floch. mas não condenemos os erros”. Nosso Senhor proclamou.1925-1926). quando em novembro de 1927 deixei o serviço militar para retornar ao seminário. como chegaram os defensores da Igreja. Está-se em estado de cruzada. os papas os condenaram. de como o Padre Lê Floch fora liquidado. de certa maneira. os defensores da verdade. Atiçaram a ira de todos aqueles que gostariam que se compusesse com o mundo. Por quê? Porque todos esses franco-maçons que já estavam no governo francês. e contra o mal. tive. sua vida.13 Francesa. por colegas e. os ensinamentos que nos foram dados pela Universidade Gregoriana de Roma. Essa gente não pode suportar a Verdade. Ocorreu que. 1924-1925. Não se poderia dizer que não o fosse. que não se necessitasse mais condenar os erros: “proclamemos a verdade. durante os anos de 1926 e 1927. antes de se comprometer com os pagãos. sempre em estado de cruzada. a Verdade. diretor do Seminário Francês. no combate contra o erro. os defensores da Tradição da Igreja a atiçar a ira contra eles. temiam que os discípulos do Padre Lê Floch. Sim! Ele o era. como diretor. Chamado ao serviço militar. Soube por cartas. pelos jesuítas. Os papas os denunciaram. Pois bem! Eles o mataram. contra Satanás. No . e que ao mesmo tempo pactuam com os inimigos da Igreja. absolutamente escandalosos. me dei conta dos detalhes. Trata-se de gente perigosa que se diz católica. Eles o mataram porque Ele proclamou a Verdade. os padres formados pelo Padre Lê Floch na Verdade. porque ele disse que era Deus. tive a sorte. o Padre Lê Floch. pode-se dizer eliminado. se tornassem bispos. E todos os mártires preferiram dar seu sangue. Passei seis anos em Roma (mais um ano de serviço militar).

o meio mundano. Poderiam. È um homem perigoso. Então. mas. muito fraco e. que infelizmente. o cardeal Billot foi destituído. Aliás. um professor extraordinário. quando do pedido dos bispos americanos. O Papa Pio XI era um homem que tinha uma bela inteligência.”O Padre Lê Floch pertence à Ação Francesa. é um. muitos. também. o Padre Lê Floch é um discípulo de Maurras.. temer que dentre esses duzentos e vinte seminaristas. Ele destituiu não somente o Padre Lê Floch. Muitos dos meus confrades tornaram-se bispos na França. Infelizmente. também ele um alvo do governo francês. tentou aliarse um pouco com o mundo. de uma maneira geral. uma grande fé também. a verdade firme e a luta contra os erros. muitos. muitos não tiveram a coragem de manter a Fé aos ensinamentos que receberam no seminário Francês. ultramontano”. mas. tudo isso é como se fosse um envenenamento lento. nada de compromissos com o erro. mais tarde.”. anticatólico. para . Eles pegaram em armas. o ambiente liberal no qual se vive. muitos deles poderiam ser escolhidos. sobretudo. na prática do seu governo foi fraco.. fascista. Foi o pobre Papa Pio XI que reinava por ocasião do massacre dos Cristeros no México. contra o liberalismo. Os católicos mexicanos se defendiam e queriam lutar contra o governo maçom e anticristão. com efeito. Emissários do governo vieram até o Vaticano e disseram: “não queremos mais o Padre Lê Floch à testa do seminário Francês. foi o caso. é fácil encontrar os termos descorteses para denegrir a situação. a maior parte dos bispos estudou em Roma. Pela mesma razão. mas era mais que verdadeiro então. isso é certo agora.. e que escreveu encíclicas maravilhosas. porque o cardeal Billot era um homem reto. uma grande inteligência. seguro. que era um professor eminente da Gregoriana. dos quais cento e oitenta seriam padres e retornariam à França. Oh! Vocês sabem os termos que se usam: “integrista. como São Pio X. Era um verdadeiro discípulo de São Pio X. como bispos. que sei lá. o Cardeal Billot. contra o modernismo.”. destituiu-o. Contaram-me como o fato se passou. A ambiência do mundo. o Padre Lê Floch é isso e aquilo.14 mundo inteiro. como o fizeram os vandeenses quando da Revolução Francesa.. mas.

Para o Padre Lê Floch. e. O governo mandou massacrá-los em massa. o Papa os encorajava. que o sucedeu. que se fosse. o governo americano franco-maçon que sustentava o México – sempre a Franco–maçonaria – insistiu junto aos bispos americanos para que fizessem cessar o combate. A investigação foi feita por D. da influência que tinha sobre os seminaristas. No início. e isso teve conseqüências enormes. Dom Schuster fez um elogio sem limites á ação do Padre Lê Floch.. e o Papa Pio XI deu ordem aos Cristeros para deporem as armas. Era muito tarde. à moral cristã. A Ação Francesa pregava uma reação sã. abade do mosteiro beneditino de São Paulo fora dos muros. . porque a Ação Francesa não era um movimento católico. tinha sido nomeado Visitador apostólico dos seminários da província eclesiástica da Lombardia (1926-1928). Eram os melhores católicos que faziam parte desse movimento e que tentavam endireitar a França. Foi encarregado. à moral. absolutamente horrível. do seu seminário. da fé que era a sua. para salvar a Fé católica. mas depois. assim por diante. insistiu junto ao Papa Pio XI para que condenasse a ação Francesa. 2 Dom Ildefonso Schuster. coisas que lhe fossem reprováveis. Oh! Seria feito um acordo com os católicos.15 salvar a religião. O mal estava feito. Foi beatificado em 1996. O Papa Pio XII. um retorno à ordem. Foi demasiado. definitiva. Schuster. levantou a condenação da Ação Francesa. seria nomeado arcebispo de Milão e cardeal. Portanto. na direção do seminário. seu secretário de Estado. era um movimento de reação contra a desordem que ameaçava a franco-maçonaria no país. isso não seria difícil. que eles não receassem! Então. em Roma. Resultado da investigação inteiramente favorável. e se faria o Padre Lê Floch compreender que seria melhor que ele pedisse sua demissão e. Eles depuseram as armas e foram todos massacrados. um belo dia. Em 1929. da direção. ademais. o governo descontente em ver esse movimento. sempre se encontra algo. à disciplina. Horrível. depois. um eminente beneditino 2 . Foi a mesma coisa com a Ação Francesa. de uma visita apostólica ao Seminário Francês de Roma. os bispos pressionaram o Papa Pio XI. Foi verdadeiramente uma traição a essa pobre gente. Empurraram o Papa Pio XI para a condenação da Ação Francesa. A Ação Francesa caíra por terra. (Nota do Editor).. Então. foi a mesma coisa: fez-se uma investigação para ver se se encontrava.

sobretudo mais tarde. comprometer o clero. logo são contra o papa. com os franco-maçons. Aí acabaram por encontrar um professor e um ou dois alunos do seminário que fizeram algumas observações: ele está muito à direita. Isso é inadmissível para a Igreja conciliar. condenamos o liberalismo. são contra o Concílio. muito maurrasiano. vocês sabem. Então. . com o mundo moderno. o que vocês são. com os comunistas. foi uma lição prática considerável. opostos uns aos outros porque há os liberais e os conservadores. o Padre Berthet estava nomeado. é o mesmo combate que travamos atualmente. pode ser... quando voltei em 1927. Vocês são contra.. pode-se encontrar um pouco disso por toda parte. etc.. Por que somos perseguidos hoje. os mesmos motivos. O concílio. quando fui bispo. Faz-se o ecumenismo com todo o mundo. logo. muito. agora. O pobre Padre Lê Floch. Sempre. conseguiram convencer o Papa a fazer uma contra-investigação nomeando alguém que tivesse verdadeiramente o encargo de dizer algo que pudesse jogar o Padre Lê Floch para fora. Imediatamente pensava: ah! Eles são. Ele era um homem de duas caras. passei a ser sempre desconfiado. condenados! Vão. o que somos na tradição? Porque afirmamos a Verdade e condenamos os erros. partiu. mudou tudo aquilo. sou desconfiado de toda essa gente que procuram sempre comprometer a igreja. furiosos com o resultado da investigação. ou quando visitava as dioceses e travava relações sobre isso e aquilo. com os modernistas. condenamos o modernismo. providencial na minha existência. comprometer os bispos com os erros modernos. Para mim. muito antiliberal. é o mesmo combate. Isso tudo me ensinou a ser vigilante quando recebia padres. condenados! É a mesma coisa. com todo o mundo. os tradicionalistas. então. e. Isso é. a mentira desses inimigos da Verdade. por que enxerguei a malícia. É absolutamente odioso. uma vez mais.16 Os adversários de Padre Lê Floch. Ora. de aparência tradicional. Isso bastou. Ele foi condenado e obrigado a sair. agora é necessário estar bem com os liberais.

Deixemos disso. como padre. Esses operários trabalhavam nas fábricas das vizinhanças porque não havia uma só no território da paróquia. o Cardeal Liénart nomeou-me vigário numa cidadezinha assaz importante do entorno de Lille. Mas. Quanto a mim. de combate aos erros. recebido minha nomeação. os últimos anos no seminário foram penosos. sejamos prudentes. Talvez dois mil ao todo assistiam a Missa aos domingos. em 1927. Contava com cerca de dez mil habitantes. quase todos operários. Então. Disponível para o ministério em 1930. costume fazer ainda mais um ano de estudos. que freqüentava. por causa disso. Fui ordenado em 1929. e que se amontoavam no Norte a fim de encontrar trabalho. Meu irmão.. contando as crianças.17 mas. Ele tinha um vigário. Eles ainda não tinham contato com a paróquia. Ai! Em dez mil habitantes. Liénart. Contudo.. Nada de condenações. tinha terminado seus estudos e partira para o Gabão no mesmo ano da sua ordenação. com casas construídas no mesmo modelo. Primeira nomeação: Vigário Já tinha. onde grassava o desemprego. o cura estava advertido. tendo ingressado em 1924 nos Padres do Espírito santo. Havia muita gente vinda da região de Boulogne. Procurei-o para dizer: . por D. ao mesmo tempo muito acomodado. Era preciso fazer amizade com essa gente. de lutas. Era necessário visitá-los. havia um grupo de uma vida paroquial mais fervorosa. no seminário. Tinha ruas compridas. Era uma cidade operária. houve um certo número de seminaristas que não pôde suportar a condenação do padre Lê Floch e deixou o seminário naquele momento. mas era. então. poucos eram praticantes. em Lille. portanto. voltei à minha diocese de Lille. a Marais de Lomme.

já tinha alguns conhecidos por lá. enfim. estais em casa. Desejei que fosse encarregado do ministério dessas visitas. Oh.18 -Bem. um tanto queixoso. por certo. desembuchou: -Oh! Vós sabeis. não conhecia toda a paróquia nem todas as pessoas. Ele tinha duas sobrinhas que se ocupavam da arrumação. eu já conhecia o vigário que foi um antigo aluno do Sagrado Coração. a essas pessoas. Ademais. . Para mim era novidade. de Tourcoing. não tinha necessidade. muito divertida. eu não pedi um segundo vigário.. O que fareis comigo? Eu era o segundo vigário. Pensava que não tinha necessidade de mais que um só! -Está bem! Ele disse: -Para uma paróquia como a nossa. não vejo necessidade de se ter um segundo vigário. evidentemente. mas. E eu respondi: -Se tentará trabalhar da mesma maneira! Ele replicou: -Mas. da cozinha. etc. estou aqui. etc.. Recebereis um quarto. e ele fez uma pequena reflexão. Eram pessoas de valor. Disse-me como que amavelmente. sois bem-vindo. das roupas. mas. havia pessoas de toda espécie. certamente. E depois. tudo bem quanto a elas.

havia comunistas que nos fechavam a porta na cara... Tentava-se saber um pouco qual era a situação das pessoas. os jovens. havia divorciados. Tal quarteirão era do cura. tanta coisa.. e o contato com uma população simples. Então.. não é um homem mau. era preciso visitar essa gente toda. o patronato das crianças. . de fato. mas digna – eram simpáticos. vou tentar arrumar as coisas. porque. Assim mesmo em pessoa não se podia regularizar todas as situações. as prédicas. muitas vezes. era-se bem recebido. era preciso levar toda essa gente para a paróquia. Mas. por isso não quis vos receber.. ia-se à vizinha e se perguntava: -Quem é aquele bom homem? O que ele é? Por que foi desagradável comigo? Então ela dizia: -Vós sabeis.. é um comunista ferrenho. no fundo. Não era sempre fácil. e. evidentemente. a providência. . Quando já tinha contato com os padres.não era gente culta.. Enfim. ele abria a porta. uma população operária. era necessário dar a eles ocasião de conhecer um pouco melhor a paróquia e os padres. não faltava trabalho. etc. não eram maus. do segundo vigário.. Colhia-se bons frutos. tal quarteirão. depois de uma segunda passagem. tal quarteirão era do primeiro vigário. As crianças não freqüentavam o catecismo. Então. o catecismo. estava tudo bem. vou tentar falar com ele. algumas vezes. E também as confissões. E depois. Então.19 A paróquia estava dividida em quarteirões. gentilmente recebidos. Mas. visitas regulares que eram interessantes. infelizmente. ele acabará vos recebendo. mas. Geralmente. havia a visita aos enfermos. não quis que eu ficasse lá. outros que viviam juntos sem serem casados. E. A providência.

recebi. ser cura. aprender novas línguas. ele me disse: “Oh! Sim. Ele me disse: “Sabeis. Por isso.. verdadeiramente.. dizendo-lhes que. Durante aquele ano que lá passei. tive uma vocação missionária de razão. De fato. Estava então. em 1930-1931. não podemos vos recusar este pedido”. tinha a impressão que tudo lá me excedia. com um cura e um primeiro vigário. eu vos recebo com agrado.. num mundo completamente estranho. lastimamos sempre ver partir um dos nossos padres. Não havia missionários suficientes. e conhecer todos. não era para mim. A despeito da insistência do meu irmão. mas. não fui feito para ser missionário lá longe. É claro que essa frase correspondia um pouquinho àquela que me disse o cura quando acabara de chegar. se verdadeiramente vós credes poder ser útil nas missões. depois à Congregação dos Padres do Espírito Santo. num vilarejo. se o Cardeal me desse autorização para deixar a diocese seria voluntário à Congregação dos Padres do Espírito Santo a fim de ser missionário. como vigário nessa paróquia do entorno de Lille. Então. Não sei porquê. não me sentia atraído pelas missões. Eram descrições do seu trabalho e do trabalho dos seus confrades. Então. cartas seguidas do meu irmão que já era missionário no Gabão. missionário Eu continuo a história. no meio dos indígenas. .. enfim. diferente do meu.20 Pouco depois religioso. no fim do ano.. ele insistia: “Por que você não vem? Considere que há abundância de padres na diocese de Lille”. fazer-lhes o bem. por que não? Por que não ir?”. Não. evidentemente. falta muito no mundo de lá. percorrer a selva. enfim. Teria preferido.. mas. à força de compreender os apelos do meu irmão. Eles estavam sobrecarregados. se. Pensei: ”Desde que não sou absolutamente indispensável aqui. em Marais de Lomme. certamente com prazer. isso não me atraía. o Cardeal respondeu favoravelmente. como lhes disse. mas não preciso de um segundo vigário”. Mas. eu não estava atraído. escrevi ao Cardeal Liénart. naturalmente. ou vigário.

reatamos uma amizade ainda mais profunda. mas não me destinava a eles. eles ficaram contentes em me receber. na diocese de Diego Suarez. Passou-se um ano de noviciado.21 No noviciado Os padres do Espírito Santo. penso que sim. também. Ingressei no noviciado em Orly. somente a sala de reuniões era aquecida. se pensar que a providência nos conduziria. o Sr. já que nos tornamos. ficaram contentes em receber um padre secular. e não dispúnhamos. Em todo caso. meu Deus! É possível fazer os noviços sofrer como sofremos? Inacreditável! Não sei se foi um ano excepcionalmente frio. Lá estava. no fundo de um corredor. Fui seu aluno no Seminário Francês. certamente. empilhava-se quatro. Quando se pensa em números como aqueles. mas para a diocese de Lille. agora que não há ninguém mais. naquela época. Éramos três padres. seis cobertas. um dia. Abbé Wolf. Contudo. ambos. portanto. Éramos. Tinha-se frio sempre. um ano frio. – De novo a providência! – Lá. que se tornou bispo em Madagascar. o confessor: muito bons padres os do Espírito Santo. Oh! É espantoso! Não sei como não morri de frio! . é verdade. três padres e cerca de oitenta noviços. bem próximo ao atual aeroporto. mas não esquentava.. neles de água encanada.. meu Deus. o que fazia peso. não tínhamos aquecimento nos nossos quartos. também. ao mesmo noviciado. cinco. nenhum para a França! É uma enormidade. Fomos amigos no seminário. Íamos buscar água nas bacias de uma torneira. O Padre Faure era o mestre dos noviços. Eles não tinham contribuído de maneira positiva para a minha formação. padres do Espírito Santo. Havia. os padres do Espírito Santo tinham uma propriedade para o noviciado. A água congelava na bacia! De manhã era preciso quebrar o gelo para poder se lavar um pouco. e o Padre Desnats. pergunta-se se é possível. Lá. o Padre Laurent. certamente. mesmo porque não precisariam cuidar da sua formação. todos antigos alunos do Seminário Francês.

irei para vossa casa. Respondi: -Se o Superior Geral está de acordo. mas. durante a aula. Festa da Natividade da Virgem Santíssima. um depois do outro. Ah! Assim foi o noviciado! Profissão e primeira nomeação Enfim. não se deve recusar. sim. o noviciado acabou. fiz profissão em 8 de setembro de 1932.. como fizestes vossos estudos em Roma. em quatro volumes: A perfeição Cristã. evidentemente. já tinha vindo me ver. no noviciado. isso depende do Superior Geral. estou certo. -Sim. E depois. a praça. e me tinha dito: -Vireis para nossa casa. fui designado para o Gabão. de modo algum! Vosso irmão está lá. estou certo. lendo. deveis seguir vosso irmão. Então ele prosseguiu: -E depois. Tardy. um jesuíta. sim.. . um após os outros. vós o sabeis. onde nos faziam ler o livro do Padre Rodriguez. ao ar livre!!! Fazia um frio terrível! Não se sentia os dedos que postavam o livro e ficava-se. Poderia ter sido designado alhures.22 E por cima. Eu disse: -Não sei de anda. Devíamos ler Rodriguez. sereis professor no seminário. como foi meu irmão que me chamou. D. o bispo do Gabão.

Dois anos mais tarde. ele insistiu: -Ah! Mas sim! Sim. não. Desde que naquele tempo não se dispunha de avião. então. Mas. Eu lhe disse: -Vos sabeis. oh! Não. Não deveria ver mais minha mãe. Como tocar todas essas classes? A fim de diminuir a carga horária dos cursos. os bispos do Gabão.. no Congo Médio. Fui designado para o seminário. com uma quinzena dos maiores. ah. ela morreu em 1938. não. Não pude mais revê-la. sim! No Gabão: professor e diretor O Superior Geral designou-me. Era coisa que eu mais temia. Mas. cujo diretor era o Padre Fauret. a fim de assegurar o funcionamento de todas as classes. agora. tinha outra quinzena de pequenos seminaristas.. infelizmente já morto. ainda me encontrava por lá. embarquei num navio. procedia-se por ciclos. Tinha como adjunto o Padre Berger. Tardy nomeou-me diretor. É dentre aqueles que se contam. . pois. não sou mais capaz que os outros! Não acrediteis que. não era possível! Gostava muito da pastoral.23 Oh!. para ter todos os seminaristas de uma vez. não. pelo fato de ter cursado em Roma seria um melhor professor. que gastou quinze dias para chegar ao Gabão. Dei adeus aos meus pais e parti em outubro de 1932. ano a ano. sentia-me feito para isso. não. Cuidei de todos esses jovens seminaristas. nos. para o Gabão.. e isso não foi pouco trabalho. professor. e eu viajei em outubro. gostava muito do ministério.... quando ele tornou-se bispo de Loango. Agora essa. professor do seminário.

d. e foi isso que. D. ao cabo de dois ou três anos. Felicien Makonaka 3 . D. a mosca tsé-tsé (a mosca D. A doença. e moverem uma verdadeira guerra contra mim. morto aos vinte e oito anos.e. que o governo nos teria impedido de fundar. que a Fraternidade São Pio X pudesse se estabelecer no Gabão.24 Lá estava D. aquilo que demos a esses bispos. a missão de N’djolé Passei. D. depois. a filariose. de tal maneira. uma graça particular do bom Deus. a chama se acende de novo. Makonaka é bispo emérito de Franceville. 4 D. lá no Gabão. não se teria podido jamais implantálo. que agora é bispo de Franceville.). que também foi meu aluno no Gabão 4 . é o que o Abbé Groche continua a fazer. Anguilé. Poucos padres. os vermes intestinais. que foram meus alunos. Obamba faleceu em 7 de julho de 1996 (N. nos enfins do Gabão! E mais. alguns morreram. bispo atualmente em Movilla. Ndong. Os bispos teriam feito pressão. O clima era dificilmente suportável. Naqueles tempos. É bem certo que. também foram meus alunos. Muitos missionários que foram enviados a esse país morreram. no Gabão. então. com certeza. morto aos vinte e sete anos. no Gabão. seis anos no seminário: dois como professor e quatro anos como diretor. Entre os pequenos seminaristas. Quando se ia ao cemitério. meu aluno que se tornou bispo de Oyem. que estão ainda vivos. Cyriaque Obamba. Foi o que fiz por eles. não foi meu aluno. e o clima terrível. Alguns me conheceram bem. Foi. foi difícil para esses bispos. graças a Deus. mal se podia defender contra os insetos e todas as doenças que havia: o impaludismo.d. as amebíases. é o que damos continuidade.). via-se as sepulturas dos nossos missionários: morto aos vinte e seis anos. que ressuscitam a Tradição.e. Para mim é uma grande consolação pensar que. se meu irmão e eu não tivéssemos sido missionários por lá. a casa dos sessenta e cinco. assim. O trabalho era duro. no entanto. Modibo – Nzockina sucedeu-o em novembro de 1996 (N. O arcebispo atual de Libreville D. 3 . setenta anos. Entretanto. os vivos passaram muito. facilitou a implantação do Padre Groche. perseguir-me. ao contrário. graças ao Abbé Groche e aos abbés que estão com ele. agora. Também.

todas internas. Ndong. E eu. hemorragias internas causadas por mal funcionamento do fígado em razão dos alimentos e do calor. e. tínhamos. Em Dakar. voltamos ao porto de Freetown. tínhamos oitenta meninos e sessenta meninas. cuidavamos da escola dos meninos. encontrei mais satisfação. Dois ou três navios de guerra acompanhavam cinco ou seus de passageiros para protegê-los. Foi permitido que voltasse em 1939. para camuflar o navio. também. fazíamos giros pela floresta. Fui muito feliz nessa missão de N’djolé. da Congregação da Imaculada Conceição. em princípio. . à morte. eventualmente. Já tinham afundado navios nas costas da Mauritânia. não deveria. A Guerra de 1939 – Mobilização Voltei à Europa em 1939. estava. sempre. Ele nos disse: “Creio que vai ser a guerra”. voltar à França senão a cada dez anos. fomos conduzidos em comboio.. isto é. e pudesse escapar dos submarinos que viessem torpedeá-lo. como vigário como o abbé Ndong. praticamente. eu tinha deixado o seminário antes. no fim do sexto ano. contra os ataques de submarinos. A biliose hemática era muito grave. Voltávamos à Europa. nos entendemos bem. o Padre Viril e eu. depois da declaração de guerra. uma escola. durante um ano. Em todas as nossas missões. o futuro D. Lá. Meu irmão sofreu muito ao cabo de dois anos. navios de passageiros. mortal. em Freetown. os padres. no momento em que a guerra começava. a guerra foi declarada. Nos demos bem. Naquele momento. esperamos algum tempo e. O comandante advertiu-nos. A guerra surpreendeu-nos na Guiné Inglesa..25 do sono). em N’djolé. a biliose hemática. E. Havia. era espantoso. que éramos dois amigos de infância. para que ele não tivesse luzes. em 1938. depois. e. que lá estavam como missionárias. nós. Havia religiosas de Castres. mas foi preciso aprender a língua. com segurança. Mas. fui para uma missão no interior. com efeito. Depois. Naquela época. As Irmãs se ocupavam com as meninas.

26 Chegamos sem transtornou em Bordéus. que viram os franceses lutar entre si. fomos mobilizados. Preso a bordo durante algum tempo. Tardy. etc. por D. Sim. como soldado! Tive. e também meus irmãos e irmãs que estavam lá. Tardy foi preso no navio mandado pelo general de Gaulle. foi preciso que eu partisse de novo para a África. em seguida. mas como estávamos em guerra. escandalizaram esses pobres pretos. ainda. Fomos reunidos. numa missão na selva. Até mesmo D. viagens inúteis. foi lamentável. até Dakar. evidentemente. Lá. Coisas inacreditáveis que. . E lá. Sofremos muito. tempo de ver meus pais durante alguns dias. Não foi um bom exemplo e não facilitou o nosso ministério. Passado um mês. Foi lamentável. o que trouxe ao Gabão “bagnards” e comunistas. Retorno à África – Desmobilização Precisei voltar a Bordéus e embarcar novamente num navio. enviado ao Chade. isso deu um exemplo péssimo aos indígenas. mas. Depois. acompanhado. no Gabão. Missão em Donguila Fui designado para Donguila. etc. até Libreville. era como se a guerra não existisse. o navio prosseguiu. de navios militares.. apenas. Foi preciso que fizesse tratativas para ser solto. porque ocorreu a invasão do Gabão pelas tropas do general de Gaulle. ajudado pelos ingleses. fui desmobilizado. fui de novo mobilizado.

Tardy. Oh! Asseguro a vocês que aquilo foi para mim uma enorme.27 Outras missões – Nova designação Num dia. ai. Ai. E a canoa se dirigiu para perto de nós Acostou. é isso mesmo. Ah! Eu não queria mais voltar à Europa. obrigado a deixar o Gabão!”. minha mãe estava morta. e que pedia insistentemente a D. numa pequena embarcação. Eu..um barquinho a motor.. meu pai num campo de concentração. sem jamais retornar à França. tenho uma carta urgente que chegou para o senhor. etc. meus irmãos e irmãs. estava aprontando um giro. -Meu Padre. é uma canoa da missão. As crianças têm bons olhos.. o Abbé Laurent.. que de boa vontade me dispensasse para que eu assumisse o cardo de Superior do Seminário de filosofia de Mortain! Ai! Ai! Ai! Oh! Eu chorava. É uma canoa que vem da missão. para visitar os vilarejos – quando vi chegar uma canoa de muito longe. esses. . que esteve comigo no noviciado. aquela não é uma canoa da missão. mas elas me disseram: -Ah! Padre. . perto do fim da guerra. com algumas crianças. eu queria ficar no Gabão definitivamente. enorme provação: “Eis que me vejo. E eu disse: -Da missão? Por quê? O que está havendo? O que eles vêm fazer? Há novidades? -Ah! Sim. as comunicações foram novamente restabelecidas. é certo. agora. ai! Estávamos em 1945. que se tornara Provincial da França. eu não a reconheci. e era o famoso Padre Laurent. estavam bem.

uma velha abadia do século XI. gastávamos três dias. para ser o escolasticado de filosofia. Agora. e a terceira etapa Argel. conseguiram embarcar-me num desses primeiros aviões que partiram de Libreville rumo à França. que estava um tanto doente. o que era muito. portanto. mas também bela. recebi a designação para o superiorato do escolasticado de Mortain. noutros tempos. no fim da guerra. Daqui para frente. um pouco mais estreita. dotada de uma casa que tinha sido. A primeira etapa até Donala. em 1945. depois. gastava-se seis ou sete horas para alcançar o Gabão mas. com bonitos transeptos. uma pequena estada na Europa. professores de filosofia e de . Os aviões não viajavam à noite e eram pequenos aviões que voavam muito lentamente. magnífico naqueles tempos. certamente. Foi a etapa do Gabão que terminou: treze anos de missão no Gabão. do Gabão. Os primeiros aviões militares que vieram retomar o contato com as colônias. assim. Era absolutamente magnífica. ou que tinham razões particulares para sair. doentes.. Comportava cento e dez alunos nos dois anos de filosofia. Escolesticado dos Padres do Espírito Santo. As autoridades da Congregação. Superior no Seminário de Mortain Lá. um tanto artística. retiraram. um corpo de professores. mesmo de avião. evidentemente. e. até Kano. Mortain era uma edificação muito bonita. as etapas se sucederam. Depois foi gentilmente entregue à Congregação dos Padres do Espírito Santo. Gostaríamos muito de ter o mesmo. a segunda. e. menor. Tinha sido desinfetada. Parti. o pequeno seminário da diocese. as pessoas mais velhas. no norte da Nigéria.28 Retorno à Europa Então. Argel-Paris. durante a guerra. Havia. voltamos à França. inteiramente reconstruída pelas Belas Artes.. daquela vez. Cinqüenta e cinco alunos por ano. adoentadas. serviu para recolher feridos. Eu parti com um dos meus confrades. nas primeiras viagens. parecida com a de Ruffec.

eu vos informo. Lê Hunsec me disse: -Sr.eu não tratei de nenhuma maneira. eu teria compreendido.. e D. Eu próprio dirigia e dava. vós estais nomeado Vigário Apostólico de Dakar. porém entre jovens. sem dúvida. Roma chama. de ser Vigário Apostólico ou de ser bispo. conhecia a língua. nada disso -.29 todas as matérias anexas. que se encontrava em Chevilly-Laure. o direitos adjunto veio ao meu encontro e me disse: -O superior geral nos chama ao telefone. Dessas conferências. Vigário Apostólico de Dakar! Isso quer dizer. que estavam em conseqüência. conferências espirituais. saíram livretos que mandei reproduzir. Passei dois anos lá. vós estais. Aos treze anos de missão. no mês de junho. muito diferentes daqueles do Gabão. conhecia os padres. cheios do zelo do noviciado. Do Gabão saí. . à noite. na verdade. . conhecia bem as pessoas. o episcopado No final do segundo ano. Padre. com os padres e toda a comunidade católica do Gabão. bem próximo a Paris. e sem dificuldades. bons jovens que saíram do noviciado. Se ele tivesse dito estais nomeado Vigário Apostólico do Gabão.. preparandose para seguir para o escolasticado de teologia. não busquei. Atendi. Teria entrado imediatamente em contato pleno. seja como fosse. Bispo de Dakar.

E depois. na minha paróquia natal de Nossa Senhora dos Anjos. mas. Excelência. e. considerando que ele era o bispo de Lille.. Disse a mim mesmo: “Que posso fazer?”.. muito mais numerosos. Lê Hunsec disse: “Sois religioso. era animista. Bispo. com os jovens. Sabia bem que ser missionário. não podeis responder sim ou não. de me ter ligado a Nosso Senhor até à morte. ou mesmo superior de seminário. então. Era preciso travar conhecimento com todos. não é fácil. as maiores responsabilidades. Enfim.” Oh! Passa-se a viver como se estivesse num pedestal. Excelência! Ide receber o bispo!. e de me ter feito compreender os dramas que a Igreja atravessava.. no mínimo. sem dúvida: a carga espiritual de toda uma diocese. D. precisava decidir quem me consagraria bispo. nem as congregações de irmãs: as Irmãs de Cluny e as Irmãs do Imaculado Coração de Castres. Deveis responder sim”. poucas obras católicas. não tinha escolha. você fica num plano superior.30 Mas. e foi decidido que a sagração seria em 18 de setembro. em Dakar! Quando passava por Dakar. no seminário Francês: como agradecia ao Padre Lê Floch de me ter passado princípios sólidos com respeito à fé. onde não conhecia ninguém. viver no meio dos muçulmanos.. era uma grande mudança. fiz alusão à formação que recebi do Padre Lê Floch.. No discurso de praxe. apresentar-me ao Superior Geral. não é mesmo? Não se têm mais relacionamentos. o simples fato de ser bispo põe uma distância entre as pessoas: “Tendes visto. O Cardeal aceitou. cerca de cinqüenta mil católicos. se aceitaria fazer a sagração. de Tourcoing. com os fiéis. os erros . era ter contatos diretos com a população. não tem mais contato senão com os missionários. e. a Paris. Em três milhões e meio de habitantes. Fui. só via muçulmanos e uns poucos padres. havia milhões de muçulmanos. o bispo que me ordenara padre.. nem os padres que lá estavam. Para mim. A Sagração Episcopal Pediu-se ao Cardeal Liénart. Ir para uma diocese como aquela. o resto. nada de contatos diretos com a população. deveis obedecer! Não tendes escolha. ao mesmo tempo.

superior da Província da França. que era D. onde as autoridades. Temos algo para as moças. contra Nosso Senhor. pensava me devotar como pudesse. segui viagem – acho que foi em meados de outubro -. e. nada me foi dito naquele momento. -Está certo. Roncalli. saí em campo. foi a fundação de um colégio para os rapazes. mas o Cardeal tinha escutado e não se encontraria ninguém melhor para ir contar essas coisas ao Núncio em Paris. todas as famílias. espero que façais alguma coisa para que tenhamos um colégio para os nossos rapazes. -Então. para Dakar. viajei novamente para a França. mas não temos ainda o que faz falta para os rapazes. em particular. porque faltava com certeza. me fizeram uma grande recepção. Pois é. com o padre Thomas. em seguida vieram ter comigo: . E me vi encarregado dessa diocese onde acreditava. os Padres. Aí. disse. conforme minhas possibilidades. Bem! Isso não se passou a sós.Excelência. que se encontrava em Saint-Brieuc. Uma das primeiras realizações que pensei. é surpreendente que não haja um colégio para os rapazes. um ano depois. o futuro papa João XXIII. Vigário Apostólico em Dakar Então. a fim de encontrar-me com os Padres Maristas. .31 contra a Verdade.

! -Não vades recusar! É uma honra para a congregação. Viajar. .. vinde.. os Padres Jesuítas. Será preciso que façais contatos. Sereis recebido pelo Papa e. tenho algo para lhe dizer.Vinde.O que há. Dirão o que tendes a fazer. É. percorrer toda a África! E as outras congregações? Os Padres Brancos. . de todas as dioceses de língua francesa na África. sou bispo da diocese de Dakar. Delegado Apostólico. ireis à burocracia de Roma.. os Padres das Missões Africanas de Lião. junto ao Papa. o Superior Geral me esperava. muito simples. a um parlatório.32 Delegado Apostólico Quando cheguei à Casa Mãe. que os vá visitar! Calma.Vinde. nós nunca tivemos um Delegado Apostólico! . Ele foi até à portaria: . o Papa vos receberá no mês de outubro. Excelência. -Ai! Meu Deus! Não se pode deixar-me tranqüilo. vinde. depois. contudo. Vão ficar com ciúmes de que seja um Padre do Espírito Santo.Não digais não! Vós fostes nomeado Delegado Apostólico pelo Papa. É preciso irdes a Roma.. Delegado Apostólico? O que significa? -Sereis encarregado. em setembro de 1948. O que desejais de mim ainda? . E disse-me: .Que história é essa? Sou Vigário Apostólico de Dakar.

disseramme. Vejam bem.33 Respondi: -Sim. Entrareis em contato com os superiores gerais das Congregações Religiosas. etc.). a fim de saber quais seriam os indivíduos mais aptos para o episcopado. “Veja. imediatamente.. meu Deus. senti que havia uma comunhão de pensamentos. também.. Deveria prestar contas do que visse. com precisão. e. percebo claramente. etc”. Isso implica em preparar dossiês. D. verdadeiramente. praticamente. que eu não teria. dois anos depois. do que soubesse. Meu Deus. e.. meu Deus. fui ver o Santo Padre.. que devereis visitar. com efeito. acrescentou. ocupando-me dos afazeres da minha diocese. Meu Deus. porque eu estava. também.. não era pouco -. verificar se não é necessário multiplicar.. Conversamos. Fui ter com o Cardeal Prefeito da Propaganda. sagrar novos bispos. Verdadeiramente fiquei emocionado em essa visita ao Papa Pio XII. etc. dividir essas dioceses.. encorajar os bispos. que me explicou a situação. dar sugestões para o desenvolvimento da evangelização. vocês. “Enfim.. que sagrei na catedral de Dakar. tudo isto lhe será dito pelo cardeal Prefeito da Propaganda. viajei. etc. Quando houver bispos que se resignem ou morram. de dirigir. que era preciso que eu viajasse constantemente – quarenta e seis dioceses. mas visitar. evidentemente. por certo. tendes quarenta e seis dioceses para visitar. depois. Guibert. em 1950. (Oh! É muito bom. e. uma comunhão de desejos de dilatar o Reino de Nosso Senhor. a vida cristã e a vida sacerdotal. O Santo Padre recebeu-me como um verdadeiro padre. sereis encarregado de apresentar os nomes a Roma para a nomeação dos bispos. era tudo . e de viver. ajudou-me um pouco na diocese. Tive um auxiliar. que. Então. eu que pensava ficar bem tranqüilo na diocese de Dakar.. “Tereis um auxiliar”. e. ficava claro... ele vos dará ordens muito precisas a esse respeito”. constituir as conferências episcopais nos diferentes territórios. ele me disse que confiasse na tentativa de desenvolver a evangelização por todo o território africano. sempre ausente..

onde todos eles se encontravam. Extraordinário! Foram construídos seminários. de um lado. no espaço de uma boa dezena de anos. assim. as irmãs Hospitalares. em atender aos pedidos dos bispos que desejavam receber irmãos docentes ou religiosos para sua diocese: importava o Bispado. Encontraram-se irmãs para os dispensários. Camarões. a partir de 1946. Fiz trazer as Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria para atender os hospitais. Foram anos muito. nos territórios de todas aquelas dioceses. não esquecer de ir à Congregação da Propaganda. a fim de encorajá-los a mandar irmãs para a África.. Muitas Congregações Religiosas vieram e. multiplicaram-se as missões. diria até mesmo entusiasmantes. eu não esperava que esses anos fossem tão encorajantes. a Delegação Apostólica. Deveria. Um magnífico desenvolvimento. as Irmãs de São Tomás de Villeneuve. quando havia padres. instituições de toda sorte. . pensem bem. portanto. também. devo confessar. os conventos. assim. Era necessário discutir o caso e.. e. Marrocos. toda a África Equatorial Francesa. era preciso que eu fosse ver o Superior Geral da Congregação. ir até Roma. Houve um desenvolvimento extraordinário das missões. para os hospitais.34 longe: Madagascar. buscava ligar-me com os superiores gerais das Congregações Religiosas. Foram grandes anos. Muitas irmãs docentes vieram para a África ajudar. Então.. sobretudo. porque assisti. quando havia um bispo a nomear. extraordinário.. muito. do outro. Eu lhes apresentava propostas. o desenvolvimento das missões. Para todas essas viagens eu precisava de semanas. e. entre a guerra e o Concílio. lá onde elas me tinham sido pedidas. os padres se multiplicavam. puderam ser enviados como missionários. Ilha da Reunião. Esforçava-me. quase quinze. Mas. que é um cargo diferente do da diocese. Era verdadeiramente estimulante. Fundaram-se. estabelecer a Delegação apostólica. muito trabalhosos. Desenvolvimento das Missões Depois. Djibuti.

havia uma espécie de desconfiança. Montini (o futuro Papa Paulo VI). particularmente o Papa. quanto a Congregação da Propaganda. em Roma. que apresentasse a situação das dioceses e. verdadeiramente. Sentia muito bem que havia quem me encorajasse. bom lugar. da Igreja. Vir a Roma e poder vê-lo era. nós mesmos. pela Academia dos Nobres. tanto a Congregação dos Religiosos. Era. era preciso que eu fizesse relatórios. havia certo número. da secretaria de Estado. os núncios. enfim. tudo isso. um homem de Deus.. me punha em contato com muitos cardeais. Fim da Delegação Apostólica. pam. como os núncios. eu dependia. o principal. por assim dizer. . secretário daquilo. é evidente. um intruso! Você veio tomar um lugar que gostaríamos de ocupar. foi o Papa Pio XII que tinha me nomeado e. também. posso dizer. Delegado Apostólico! É quase um núncio! E isso sem ter passado pela hierarquia normal de secretário de nunciatura. um grande estímulo.. uma grande consolação. na época. com o apoio do Cardeal Tardini. O Papa me encorajava muito. a Secretaria de Estado. entre os quais D. Estava obrigado a visitar. e outros monsignori da propaganda.. monsignori. que estava. da Secretaria de Estado. sem ter feito carreira! Você não passou. que julgavam que eu lhes tinha tomado um. com todo o mundo da Cúria Romana. Arcebispo de Dakar Cheguei ao fim do meu mandato de Delegado Apostólico em 1959. D. pelo qual me tinham dado um código secreto para correspondência. O Papa Pio XII morreu em 1958. Delegado Apostólico! Você é um intruso. o que me permitia travar contatos com muita gente da Cúria Romana. felizmente.. na Secretaria do Estado.35 Todos os anos eu ia visitar o Papa Pio XII. De improviso Arcebispo de Dakar e pronto. Martin. ora.. do Santo Ofício. depois. apoiado firmemente. que forma os futuros diplomatas. Então. Porém. porque eu o visitei todos os anos.. Foi um apoio considerável. Delegado Apostólico. Contei. E. quem me apoiasse.. secretário disto. para mim.

nem Delegado Apostólico. considerando que os dois cargos seriam separados. Parece-me que isso não é desejável. em 1958. Roncalli na nunciatura. Então. Respondi: “Não cabe a mim escolher. que eu permanecia no Arcebispado de Dakar. algumas vezes. Ah! Eles tiveram a audácia!”. tenham ainda mais o cargo de Delegado Apostólico.36 Quando eu era Delegado Apostólico. então era uma coisa bem simples: atribuir-me a escolha. ver-me a cada passagem. disse a mim mesmo: “Está bem! Isto não vai durar muito. receberei. quando ele foi eleito papa. Ele me convidava e queria. e a Delegação Apostólica.. não é mesmo? Mas. posto que não fui eu quem me nomeou nem Arcebispo de Dakar. e passasse por Paris. eu não estou de pleno acordo que arcebispos como vós. que elas me digam se devo permanecer Delegado Apostólico ou Arcebispo de Dakar. Continuei como Arcebispo de Dakar de . ele me havia transmitido esta reflexão: “Eu.. D. a carta. um convite: Deixai um cargo ou outro”. não sereis mais Delegado Apostólico”. evidentemente. revi. entendido. recebi uma carta de Roma. E isso não faltou. (. Então. Seja!. ainda.. com certeza. que têm uma diocese. de Roma.. ele me fez essa reflexão. Menos de um ano passado. e dizer: “já que escolheste o Arcebispado de Dakar”. seguramente. não estou de acordo com o Papa Pio XII”.. portanto.. pensei. em conseqüência submeto-me às autoridades que fizeram essas nomeações. Guardo. Não quiseram endossar a responsabilidade. mas que não era mais Delegado Apostólico. a diocese de Dakar). não é. em conseqüência permanecereis Arcebispo de Dakar. Isso não era da minha alçada. a resposta foi bem romana: “Desde que escolhestes ser Arcebispo de Dakar.) Ficou.” Aí. dizendo-me que deveria escolher entre o Arcebispado de Dakar (portanto. a resposta de Roma.

muitas vezes no ano. não sou contra os bispos africanos. Ouvi. Ele disse: "Se acreditais que são os bispos europeus que converterão. Meu auxiliar. que deveríamos deixar os lugares para os africanos.. Aproveitei para escrever uma carta à Propaganda. Do ponto de vista religioso. dizendo: “Aí está. A demissão do arcebispado de Dakar Os acontecimentos políticos tornam-se mais rigorosos. e sentia-se que era.. Independência de todas as maneiras: independência política. Como eu fazia parte da comissão preparatória do Concílio. independência queria dizer: substituir os bispos europeus por bispos africanos.. mas ainda falta que eles sejam capazes. posto que agora eu tinha o tempo todo para me ocupar da diocese de Dakar. GUIBERT. como os outros bispos também percebiam. Então. independência favorecida mesmo por muitos membros do clero. sempre em quantidade maior. esta frase. em Dakar. mas. mas não tinha mais o encargo de todas essas dioceses e de todas essas delegações apostólicas do passado. a África e esses países de missões. dito por D. geralmente vindo dos Estados Unidos. que me pareceu inverossímil. é bom. D. simplesmente. é preciso que haja bispos africanos". "Que haja bispos africanos". em meados de 1962. um vento de independência soprava. quis-se precipitar as coisas. de verdade. se desejais pôr um bispo africano no meu lugar. após a guerra. não de todo falsa. na Congregação da Propaganda. COSTANTINI. religiosa. estou pronto para .. era necessário que fosse a Roma freqüentemente. econômica. na minha opinião. Eu percebia.. senti isso. estais enganados.37 1959 a 1962. que pouco a pouco nos tornávamos indesejáveis. sem problemas. ainda falta-lhes os meios para prosseguir esse apostolado. igualmente. não sendo mais absolutamente necessário. se Roma concorda. Nas colônias.. desejo de Roma. foi nomeado bispo da Ilha da Reunião.

em Ecône. e. Tinha a intenção. . na congregação. etc. mas os bispos desconfiam deles. na França. era possível . “Não. publicaram um livro "Pour qu'il règne" (sua regra. Então.eu não desejava -. Não tenho dificuldades”. um dia. aceitamos vossa demissão e vós voltareis à Europa”. de viva voz. ao mesmo tempo. Vós os ajudaríeis se fosseis vê-los e dizer-lhes que estais de acordo com ele. imensos territórios de língua inglesa. antes de receber uma designação qualquer. desde então o era. de certa maneira. um livro grosso. paróquias demais na América. se eles quisessem nomear-me para algum lugar. integralista.”. um belo livro. e voltar à Europa. Como eu não falasse corretamente o inglês. fiz contatos com eles.apoiar essa brava gente. ainda agora. Ora. que sabia muito pouco. por assim dizer. eles são muito corajosos. em 22 de agosto de 1962. "La Cite Catholique". Eu o li. porque eu era o bispo. o prior de Solesmes me disse: “Excelência. um movimento de leigos. Eu fazia freqüentes visitas a Solesmes. algumas vezes. Nesses países. porque tinha apoiado a posição de Jean OUSSET. Jean OUSSET tinha fundado um movimento. de aperfeiçoar meu inglês. são militantes e se esforçam estabelecer ligações com os bispos. poder aguardar por seis meses. que valeu a pena ser lido. que os ajudareis no seu movimento para restaurar a Cidade Católica”. apoiados pelos bispos. devereis . tínhamos um ministério enorme. na verdade. um livro de fé na cristandade. de certa forma). esse retardo facilitaria minha tarefa. não. caso fosse realmente eleito. haveria nos Padres do Espírito Santo um Capítulo Geral. eles não são. Com efeito. no reino social de Nosso Senhor. segundo conversações que mantive com meus Confrades. um livro magnífico! Perguntaram-me se poderia fazer um prefácio. Mais tarde.eu estava ainda em Dakar . porque tínhamos. Pedi. Então. em Nosso Senhor.38 pedir minha demissão. mas era mesmo provável que eu seria eleito Superior Geral. tradicionalista. Calma! Quando soube a opinião dos bispos da França sobre mim! Eles me temiam. Deveis ser bispo na França. não. eles disseram: “Está bem.. não pode.. não pode. porque é um livro magnífico. muito fervorosos.

eram. Vejam a caridade episcopal dos bispos da França.Em segundo lugar. o de Sebi.E. LEFEBVRE bispo na França. de certo modo.39 Mandei uma carta. sendo eu arcebispo. os bispos da França impuseram uma condição: “Se tendes. que isso não abra um precedente. uma grande diocese. fiz o prefácio.. eu teria que fazer parte dessa assembléia.Em primeiro lugar. LEFEBVRE se metesse nos nossos assuntos e que viesse escrever uma carta para “La Cité Catholique”. isso faz.. Três condições! Li as cartas dos bispos enviadas ao Papa. A melhor prova é que João XXIII.Ah. que ele não tenha um arcebispado. Naquela época. estava claro. está bem”. Ora.” Então. que nomear D. Então. . dirigia o episcopado francês. Furor dos bispos da França que eram contra esse movimento da “La Cité Catholique”: . darme um arcebispado. somente. a Assembléia dos Cardeais e Arcebispos. ora! Uma pequena diocese está muito bom. . querendo firmemente que eu ocupasse uma diocese na França. e aquela. Não fui bem acolhido. tenho duzentos e vinte mil almas. . absolutamente. disse: “Bem. deveria. que ele não faça parte da assembléia dos cardeais e arcebispos. Eu poderia muito bem ser arcebispo de Sebi. que não é uma diocese excelente. Bolas! Para mim isso dá no mesmo. havia juntamente um arcebispado que estava vago. Porém. aí está! Era preciso ainda que D. mas apenas uma pequena diocese. certamente. não importa! Ademais. normalmente. Empresto uma frase de São Francisco de Sales: “Uma só alma é uma grande diocese. terceiro. sendo arcebispo. que atualmente reúnem todos os bispos existentes. isso me é completamente indiferente! Não fazer parte da Assembléia dos Cardeais e Arcebispos. vos pedimos”: . uma pequena diocese. as conferências episcopais. Eis aí! Eis como eles acolhiam seu confrade no episcopado.

não fiquei muito tempo. quase nenhuma vocação no seminário. então. elas são amadas pela população”. Elas se ocuparão de muitas paróquias . bem firme. Lá encontrei o velho bispo. a degringolada era geral: crise de vocações. Já estava um pouco habituado a dirigir. Porém.. aumentavam o número de paróquias com um só padre.como muitas outras dioceses da França -. Aí. Um bispo muito santo. estimulá-los e lhes dizer: “nem tudo está perdido. Esforcei-me a fim de reunir os padres. quando fosse o caso.40 Bispo de Tulle Fui. Elas prestam um serviço incrível... diminuíam os padres.de um pouco daquilo que já fazeis. um bom bispo que me recebeu gentilmente. nada mais que seis meses. Não tive dificuldades. Porém. essa pobre diocese . os dispensários. Tudo foi bem. se encontrava num estado de estrago inacreditável. Mas. ir vê-los. as irmãs abandonavam os hospitais. Os vigários gerais me receberam amavelmente também. as pequenas escolas primárias. era uma diocese perdida no Maciço Central. nomeado bispo de Tulle! Não conhecia ninguém. era possível fazer-se qualquer coisa. fundada na diocese. D. encorajava os padres lhes dizendo: “Mas. Enfim! Aí era necessário que eu tomasse contato. Era uma diocese que morria. mandar meninas para essa Congregação”. é nelas que encontraremos as crianças para as vocações. . CHASSAGNE. a fim de saber qual era a situação na diocese.. ajudando os padres nas paróquias. infelizmente. Eu não sabia exatamente onde se encontrava a cidade de Tulle. será necessário mandar vocações. ninguém da diocese de Tulle. vamos cuidar de fundar escolas católicas. três ou quatro vocações para a diocese. que fosse ver os vigários gerais. ou fechavam as escolas católicas. Ele pediu sua demissão. uma diocese. Tentaremos apoiar a única Congregação diocesana de freiras.

Faltava.. Um bispo não pode ser nomeado Superior Geral apenas por maioria absoluta. Então.. por sua vez. Eles passaram dois anos sem bispo. por favor. Não se assustar. e acredito que essa é uma lição que gostaria que vocês tomassem como exemplo: Quando se faz a vontade de Deus.. e não a nossa. Foi necessário telegrafar ao Secretário Geral para que ele. deixai-me na diocese de Tulle. sem dúvida. . Depois se acaba gostando da tarefa que o bom Deus nos deu.” Segundo escrutínio. levantei-me e disse: “Escutai. já eleito.. LEFEBVRE. o Papa João XXIII respondeu: “Abençôo a eleição de D. Deixai-me na diocese de Tulle. Ora. a aprovação do Papa. a Congregação não poderia me retirar da diocese sem a autorização do Papa. as obras da diocese.. as pessoas. mais uma vez. Considerando que eu era o bispo do Tulle. precisava que eu tivesse dois terços. Deus abençoa. setenta e dois.41 Superior Geral da Congregação dos Padres do Espírito Santo Aconteceu o Capítulo Geral em 22 de agosto e nos dias seguintes. Eram necessários dois terços dos votos. Superior Geral Padres do Espírito Santo”.. sessenta e sete por cento. no primeiro escrutínio eu estava a dois por cento do necessário..Larue... Primeiro escrutínio. estou começando a conhecer os padres.. ainda.. LEFEBVRE como Superior Geral dos Padres do Espírito Santo”. Oh! O que posso fazer? Vejam! Como o bom Deus me guiava a cada golpe! Sempre contra meus desejos! Bem! Tentei receber esse de boa vontade e depois.. enviasse este telegrama: “Peço confirmação da eleição de D. em Chevilly . se vão ficar sem bispo. Lá cheguei faz seis meses. foi o Papa João XXIII que me nomeou. Não bastava ter somente cinqüenta e um por cento dos votos. Então. com coragem.setenta por cento. ou seja...

mas não chegava a ser no mundo inteiro. em seguida. Sessenta bispos na Congregação que tinha dioceses na África. por outro lado os Padres do Espírito Santo e. Mas.. Tinha seis assistentes. Tinha-se bispos um pouco por toda parte.42 Bem! Tulle acabou. nós não entramos nesse bairro”. porque havia cinco mil e duzentos membros na Congregação.. os táxis não entravam! Quando você precisava ir a esse bairro. Agora. quando ocorrem acidentes. É assombroso. Ela não mata somente corpos.. e os acidentes acontecem a todo momento. não teria que fazer um ano de noviciado antes de partir. enfim. a que mata as almas. É por isso que a Congregação tinha cinqüenta e duas paróquias nos Estados Unidos. parece que alguns padres. vejam! Agosto de 1962. do Concílio. no Canadá. Suportei a Guerra de 1914 . são levados ao hospital e. Superior Geral dos Padres do Espírito Santo! No momento da abertura do Concílio. mata as almas! Então! Eis-me Superior Geral dos Padres do Espírito Santo. o taxista parava antes da entrada e lhe dizia: “Agora. pouco importa. Mas. onde a polícia não ousava entrar!. gente que vem de toda a parte.1945 e a guerra de 1962 .. ainda lá vão até o hospital que fica a quinhentos metros. creio que dois padres. Foi com os Padres do Espírito Santo que estudei em Roma.1965. dão facadas. E essa foi a pior no meu julgamento! A pior. naquele lugar. você vai a pé.. Se eu conhecia tão bem a Congregação. quando declaram ser . porque a congregação dos Padres do Espírito Santo era destinada à evangelização dos negros para justificar nossa presença. nós mantínhamos uma paróquia lá. a guerra de 1939 .. Tínhamos até uma no famoso bairro de Nova York. durante as brigas nos cafés. alguns se matam entre si. não conhecia. tinha muito bons assistentes. o seminário Francês não era um seminário da Congregação. são porto-riquenhos. em missão. os seminaristas voltavam às suas dioceses.. Então! Em plena confusão! A terceira guerra.. algumas vezes. na América do Sul. terminados os estudos. onde se formavam seus futuros membros. particularmente na Luziânia. o concílio começou em outubro de 1962. Mas. nos Estados Unidos. o bairro do Harlem. se ferem. Bem. Os negros.. então.1918. como digo. e sessenta bispos. e assim por diante.

no Estado do Rio.T. também. nas Antilhas. somente alguns italianos. muito estendida. A África evidentemente. posto que a Congregação fora fundada pelo Padre LIBERMANN. na Martinica. Ocupando-se especialmente dos negros.e também o Canadá com a América -. Há italianos.. impossível de se implantar. Atualmente. Tinha. mas na Suíça alemã. na Alemanha. na Irlanda.d. em seguida aos suíços alemães. mas foi assim. mais particularmente na França. Por certo. Enfim. era a região onde se podia recrutar vocações. ele leva todos os sobrinhos.. eles são muito "família". imensa. toda a família. para a China. Os italianos preferem as Congregações italianas... é muito difícil se implantar no país. onde houvesse negros. Quando um italiano se muda.. no Estado de Santa Catarina. porque podem morrer. muito curioso. na América do Sul. uma província na Bélgica. Na Suíça romande. pelo menos três ingressaram . como já disse. na Guiana Francesa. são obrigados a pedir um jipe da polícia para protegê-los. e por aí vai. vai-se buscar o Padre... suíços alemães vieram e. Num trajeto de quinhentos metros. de língua portuguesa. e vestem batina.. Inacreditável. na Trindade. uma província na Inglaterra. também. os italianos. mas traz toda a família para trabalhar. quando vai para os Estados Unidos. inacreditável! Então. não sendo roubados ou atacados. (onde se fala o Francês N. Não trabalha com as pessoas do país. Seria o mesmo para a Fraternidade? Embora não se tenha feito nada de especial. vejam! A Congregação do Espírito Santo é muito. em Guadalupe. são muito "bairristas". a Europa. Não havia província na Itália. nos países de língua francesa. na Amazônia. e é preciso lhes dar a Extrema Unção. na África do Sul. os Padres andam a pé. nos Estados Unidos. Como são padres. Para uma Congregação que não foi fundada na Itália. os primos.43 católicos. depois no Canadá. manter casas. ela está estendida por não poucos países. um judeu alsaciano.. no Sul do Brasil.) sim. . são respeitados. não muitos. na Suíça. de língua inglesa. era o campo de ação mais importante para os missionários. ou não importa onde. Encontrava-se. Muito família.. Chegou-se a ter não mais que suíços alemães. na África.

as Congregações deveriam propor a mudança de constituições à Congregação dos . pequenos transtornos. em Paris. nada fácil e perigoso. deparei-me com uma verdadeira revoluçãozinha dentro da congregação: membros do Capítulo Geral.. deveriam reunir esse capítulo. em Roma. Era bem vago. no cargo de Superior Geral. antes mesmo que fossem modificadas. principalmente os holandeses. dois anos depois. freqüentemente. Graças ao Bom Deus! A Congregação do Espírito Santo era. então. ela estava junto com a Casa Provincial. o que causava. sobretudo com todos os seus bispos. um acontecimento imenso dentro da vida da Congregação. a fim de adaptar suas constituições ao Concílio. onde a Casa Mãe se encontra hoje. todas essas regiões. o Papa exigiu que todas as congregações Religiosas fizessem um Capítulo Geral Extraordinário. inclusive a nossa. rua dos Pirineus. Certamente. todas as Congregações. portanto. com certeza. e. mas eu tinha sido nomeado justamente quando o Concílio começava. desde o início. Tendo sido eleito por doze anos. O Capítulo Geral Extraordinário e a demissão Após o Concílio. de mudar a Casa Mãe. como muitas outras congregações religiosas. Foi. além das visitas. durante os dois primeiros anos que deixamos a Casa Provincial e nos instalamos numa outra casa em Paris. muito perigoso. Tudo isso. evidentemente. fomos para Monte Mário. em 1968 a demitir-me: eu deveria permanecer como Superior Geral ainda por seis anos. e. não deu pouco trabalho. um trabalho considerável. e. Esta se encontrava. pois. Mesmo com esse Capítulo Geral. era preciso que eu visitasse todos esses países. E eu tinha ao mesmo tempo. Em 1968. Então o Capítulo Geral insistiu junto ao Superior Geral para que transferisse a Casa Mãe para Roma. de lá. de 1962 a 1974. naquele momento. muito importante. manifestaram seu desejo de que as constituições não fossem mais aplicadas.. Porém. nada me obrigaria. e isso foi. que as mudanças fossem aprovadas pela Congregação dos Religiosos. evidentemente. é maravilhoso. a rua LHOMOND. Era.44 neste ano em Flavigny. isto é. depois o Concílio.

Sobre o assunto. e. E pensar que. Então. lá. é preciso compreender.. praticamente. mesmo considerando que. LEFEBVRE quem. não vou nem mesmo discutir com esse secretário. espírito que eu não podia admitir.. segunda pessoa depois do Cardeal. veríamos . e foi o Secretário da Congregação. queriam que o capítulo fosse presidido por um triunvirato.. depois do Concílio... que era o Superior Geral. teria de assinar todos esses atos que. que me recebeu. como fosse ainda o Superior Geral. insensato. aconselhei ao Superior Geral que fizesse uma viagem à América e depois. as pessoas que dirigem o Capítulo Geral.. isso é insensato. quis-se mudar. Quando soube desse desejo.. se a votação fosse favorável a esse triunvirato. voltei à Casa Mãe.. Senti. saiba que o Superior Geral da Congregação dos Redentoristas veio ver-me pela mesma questão. Mas. por sua assinatura. Resultado: houve uma maioria a favor do triunvirato.45 Religiosos. quis fazer uma votação e. o qual três Padres para dirigir a reforma da Congregação conforme o espírito do Concílio.. completamente mudado. Segui para a . impondo. tomei meu carro. Eu. era o responsável: isso não poderia aceitar. não presidiria o Capítulo. que um espírito novo se instalaria na Congregação. estivesse bem regulado que cabia ao Superior Geral a direção de todos os trabalhos do Capítulo Geral. nas constituições. Expus-lhe o caso: “Estais de acordo. que a aprovaria ou não. no fundo. O Cardeal ANTONIUTTI não estava. Voltei para o carro. após votar.. praticamente. perfeitamente. como de qualquer maneira eles quisessem tomar o meu lugar. Então. contra o qual lutara no Concílio. eu. a eliminação do Superior Geral: seria o triunvirato que conduziria o Capítulo. Encontrava-se em visita à América do Sul naquele momento. ou não?” Ele respondeu-me: “Vós sabeis. consagravam a demolição da Congregação. dessa mudança radical no Capítulo Geral. Disse para comigo: “Agora essa. que tudo seria bagunçado. Antes. fui até a Congregação dos Religiosos para falar com o Cardeal Prefeito e perguntar a ele se estava de acordo com coisas como aquela. enfim. se era uma coisa admissível. abandonar o Capítulo Geral a si mesmo! Mas. o Superior Geral.. fui embora. que na história da Congregação se diria que foi D. bem.. abandonar minha congregação. é inútil!”.” Ele me aconselhava a fazer uma viagem à América. Se é assim. não! Mesmo sem nenhuma autorização da Congregação dos religiosos.

palavra de honra. bem. Fui. Fui visitar esse seminário interdiocesano. tudo tinha mudado. e que não me sentia capaz de tomar a responsabilidade de semelhante transformação. muito gentis. no Capítulo Geral e no Conselho Geral. pois chegou-se ao fundo.. porque depois. evidentemente. Não tem . que vieram do Estado de Santa Catarina. Aquilo me era absolutamente impossível. na Via Lituânia. não sei se vale a pena continuar com as conferências. Havia no meio delas algumas brasileiras.. dizendo que me demitia diante do que me era pedido. E me refugiei nos padres lituanos. durante esse tempo. cuidando da questão do catecismo na África. Mas. e. num meio revolucionário.. face à situação que se desenvolveu na Congregação. na qual ficavam os padres da Lituânia que vinham e. alguns padres residentes. São muito numerosas e aceitaram receber o encargo do seminário lituano e dessa hospedaria dos padres. uma espécie de hospedaria. do outro lado da rua. Muito gentilmente. O superior recebeu-me amavelmente. melhor ainda se eles freqüentem a universidade.. mas por breve tempo. depois da minha partida. procurei um endereço em Roma. Essas irmãs têm grandes hospitais em Friburgo e alhures. onde pudesse me abrigar. Eu me encontrava instalado lá. não tinha mais cargo. Esses padres lituanos tinham um seminário e defronte ao seminário. que trabalhavam em Roma. Eu não era mais Superior Geral e não podia mais ficar na Congregação. vocês conhecem os fatos. Então. Então. Minha demissão foi aceita. Mantive certas relações com os Padres que conhecia bem. muito dedicadas. recebemos estudantes leigos. Pedi se poderiam aceitar-me. eles me acolheram. queremos ainda alguns jovens seminaristas. Ele me disse: “Excelência. da qual se ocupavam as irmãs alemãs de Santa Catarina.46 Casa Mãe e redigi uma bela carta ao Papa. resolvi alguns negócios pessoais e instalei-me nessa hospedaria dos padres lituanos. A Congregação da Propaganda pediu-me que os ajudasse. Travei conhecimento com essas irmãs.

Pensei: “Volto a encontrar a mesma situação da casa dos Padres do Espírito Santo. Nós os alojamos. um leigo. por isso. agora. gostaria muito de me interessar por esses seminaristas. saiba bem que aqui não há nenhuma formação especial para os seminaristas. Sabendo que eu me ocupava com seminaristas. . Não há disciplina. podem. podem muito bem ter um regulamento e segui-lo. na capela. Respondi: “Estou com sessenta e cinco anos.. não é difícil.. não podeis deixar esses seminaristas assim. eu. dominicano. da nossa parte. depois.. Que fazer? Tinha que se encontrar uma solução. tudo o mais será mudado. eles fazem o que querem. até mesmo à noite. mas não fazemos mais nada”. Aqui é como uma pensão. alimentamos. se organizam como querem. o Padre Philippe. Isso não é possível! Não posso aceitar a responsabilidade da formação de seminaristas em tais condições”. uma liturgia nova. não esperem nada.. o Sr. não tenho intenção de deixar Roma. Bernard FAŸ e insistiram comigo. agora. Queriam conversar um pouco sobre essa questão da formação dos seminaristas. o Abade d'Hauterive. sem problemas. não vale a pena que eles vão para lá. Não gostaria de empreender mais nada”. juntos. quero muito ajudá-los. Então. é preciso que façais algo. Nós nos encarregaremos de vos mandar outros. conhecemos muitos outros que desejam ter uma formação séria”. Que encontrem um padre. quero muito orientá-los para que façam bons estudos. e um outro leigo.. Bernard FAŸ. um arrecadador que se dedique um tanto a eles. podem sair não importa quando. Mas. pediram para me visitar. A liturgia oficial será. Com certeza.. quero muito encontrar o dinheiro para lhes pagar a pensão.. ambos professores na universidade.47 problema. Disseram-me: “Excelência. Mas. praticar os exercícios de piedade entre eles.. fizeram-me ir à casa do Sr. é preciso recomeçar tudo!. também nosso amigo. algo assim eu desejo! Mas. estou em Roma. e. Eles se interessavam e indagaram se não haveria um meio de fazer qualquer coisa. que ensinavam em Friburgo. Bem. muito bem.

É preciso fazer alguma coisa por eles. com a Missa. verei se posso organizar alguma coisa para esses seminaristas”. ocupar-me. CHARRIÈRE. as coisas vão piorar. Então. etc. fazei. simplesmente. o bispo de Friburgo. Fui visitar D. Vou refletir. de maneira mais particular. para ver se poderíamos encontrar para alugar. Mas. um lugar na cidade onde pôr nossos seminaristas. e depois buscar se se pode encontrar um provedor”. vós sabeis. sim. vai se ver o que se pode fazer. não faço nada ou farei o que ele me disser”. que não me atrai de todo. então. . CHARRIÈRE quem decidirá.Ele me disse: “sim. Sem isso. vós insistis. ponde lá vossos seminaristas e vos ocupeis deles. Fazei. Se ele me encorajar.48 Diante desse projeto. não era ainda. uma obediência de seminário. alugai uma casa. com nossos amigos de Friburgo nos pusemos à procura. se D. é simples. será D. bem. desses “E depois. Não se deve abandoná-los”. uma vez mais ainda foi a providência que me obrigou a ir em frente. não terão formação. com um regulamento. mas com certeza. de modo nenhum. uma disciplina. com conferências intelectuais. vós vereis. a situação é muito grave. vou visitá-lo. Está bem! Respondi: “considerando que sois a voz da Providência. CHARRIÈRE e expus-lhe a questão. uma questão de se fazer uma Fraternidade: seminaristas. Conheço D. Buscai algo aqui na cidade. uma formação de seminaristas com uma capela. eu vos suplico. uma verdadeira formação. Eu disse: “Bem! Escutai. a fim de que eles estivessem numa disposição mais de acordo com a formação que desejávamos lhes dar. CHARRIÈRE não estiver de acordo.

que veio me ajudar por um certo período. não haveria curso de seminário. ficaram contentes. em me entregar completamente a essa obra. o Abbé TISSIER de MALLERAIS.. praticamente. Começou-se. eram nove. Seria. ainda não havia quase nenhuma vocação. tratando de ver quem viria. também. o Abbé PELLABEUF e mais seis outros. mandados pelo Padre PHILIPPE e outros amigos de Friburgo. os quartos. portanto. A Providência. Não pensava. Mas. aliás. Então encontrei o Abbé CLERC. com a Propaganda. sobretudo.. nessa Casa de Dom Bosco. o começo dessa pequena morada. os Padres Salesianos.. Esses seminaristas fariam seu estudo de filosofia.49 Estrada de Marly Encontramos algo nos Padres de Dom Bosco. eu os trilhei! . uma disposição espiritual para ajudá-los a tocar seus estudos e. se concordam. ali se poderia alojar uma dezena de pessoas. tivemos sempre bom entendimento com ele durante o ano que se passou lá. que o administravam sós. um pavimento da sua casa. o Abbé AULAGNER. o lar não estava lotado. nos dar um refeitório à parte. de teologia. Era. Aceitamos. como um lar de jovens que foram estudar na cidade. na estrada de Marly. certamente. na Universidade de Friburgo. sacerdotalmente. de fato. Mas. Ele recebeu-nos gentilmente. propriamente dito. Os Padres aceitaram me alugar. onde se poderia pôr uma capela. porém.. ao que parece os meus. Eles alojavam os estudantes na esperança de que um ou outro pudesse ter vocação Salesiana. ainda uma vez. se formar espiritualmente. Tentei encontrar um padre para me ajudar. de alugar uma parte do imóvel porque isso lhes dava renda para equilibrar seu negócio. me punha nos caminhos que não seriam. então. também. porque ainda estava ocupado em Roma. no começo. Em outubro de 1969 foi.

. não sei que doença contrai. tinha a língua completamente ressecada. Os doutores. mas antes. Então. não era possível. depois de um pouco de convalescença. emagrecia. da Colômbia. fui tratado e felizmente me curei. dessa vez tive que me internar num hospital. partir de 8 de dezembro. uma gripe horrível. Onde foi que contrai aquilo? Não sei dizer! Falaram. contando com o Abbé CLERC para cuidar dos seminaristas. eu não podia mais comer. Felizmente. suponho. Fui para a casa dos Padres do Espírito Santo. doía o corpo todo. Tudo era analisado: “Nada tendes. Estava em Roma. bem doente mesmo. Não podia beber mais nada. meu estado de saúde piorava. pode dar alta”. retomar um tanto. poderia dizer. Mas a África.. a gripe "Hong Kong". dormia mal. em Friburgo. então surgiu a resposta mais divertida.50 Uma doença estranha E depois. Pude. Vocês sabem como é: exames em cima de exames. o trabalho com os seminaristas. não poderia fazer de outra maneira. felizmente. e. ora! Na África. porque no estado que encontrava.. Fui obrigado a me tratar. nos porcos e que não se descobre senão após a autópsia! Oh! Estou bem arranjado! Ela ficou muito contente ao descobrir a coisa no LAROUSSE de medicina. Exames.. repousar um pouco. acreditava que o bom Deus não queria que eu fizesse essa obra. aí. da minha irmãzinha Marie-Thérèse. Mandaram analisar as amostras no Instituto Tropical de Bâle. doía o fígado. não tendes nada. é necessário que ele tome tal e tal medicamento para expurgá-los... estava indisposto. descobriu-se que eu tinha parasitas. E. e a resposta foi: “Estrangilóides. certamente.. Parasitas que estavam a ponto de me roer o fígado: estrongilíase. em todo caso. geralmente. Aí. já tinha se passado muito tempo que a deixara. resolveram fazer uma sondagem no estômago e no fígado. É uma teimosa! Foi buscar no dicionário médico Larousse a definição do termo "strougle": parasita que se encontra. no entanto. nada”. Mas. e. Foi a providência. mas. Porém.Então fostes envenenado! Por que não? Não sabia responder! Mas. eis que caio doente. durante algumas semanas. estava desanimado. Então. uma língua de madeira. . Não sei quem teve essa idéia. Não tendes nada. gripado. Acreditem. pensava que ia desaparecer! Não podia comer. não se descobriu isso após a autópsia..

. e eu tinha. não é necessário parar. não queremos ir para essa casa onde não tem nada. Reinava.. Não vou mais prosseguir como estamos.. Então. Estávamos em 1969.. esses jovens seminaristas insistiram para que eu fizesse alguma coisa por eles. eu tinha direito a fazer da mesma . e ao fim do meu périplo. . Não queremos ser formados como se faz lá. os seminaristas saindo à noite. não vale a pena. cada semana. “Meus caros amigos eu lhes disse. depois. os abbés que estavam no Seminário Francês em Roma. não era o momento para que eu recomeçasse qualquer outra coisa. não precisava reencontrar um trabalho.. Chega o fim de maio e não resta mais que o Abbé AULAGNER.tinha quase sessenta e cinco anos -. o Abbé Cottard. disseram: “Não! Ah não! Não. a experiência vai se acabar”. vieram me visitar e contar a situação do Seminário Francês. e outros. uma mudança na liturgia a cada semana.. Ao começo da fundação da Fraternidade. Pessoalmente. o Abbé AULAGNER e o Abbé TISSIER de MALLERAIS sobretudo. uns cinco ou seis. de inventar uma novidade.51 E novas provas aconteceram! Três seminaristas se foram. o Abbé TISSIER de MALLERAIS e o Abbé PELLABOEUF. uma desordem incrível nesse Seminário Francês que conheci próspero e do qual guardei tão boas lembranças. Tentareis vos organizar vós mesmos a fim de fazer um pouco de exercícios de piedade e outros. pode ser que alguns venham”. um quarto. onde tudo ia de mal a pior: nada de disciplina. não! Não! Vamos continuar. Nunca se antecipar à Providência Chegou-se ao fim.. então. Foi aí que padres. Muitas pessoas se aposentam aos sessenta e cinco anos. sabendo que daí para frente eu estava livre. verdadeiramente. Ao fim e ao começo. creio que no ano que vem ireis vos instalar no seminário interdiocesano que se visitou ultimamente. como o Abbé Aulagnier. Havia uma equipe litúrgica encarregada. Então. nada de batina. após a Congregação..

Excelência. não nos dão nada. nada. “Oh! Disseram eles: não se vai ficar muito tempo. não sei como as coisas vão mudar. o conhecia pessoalmente. e. pudessem encontrar moradia e uma certa formação. fui visitar D. Diante da insistência. resolvi cuidar deles. Charrière. cheguei até mesmo a mandar alguns imediatamente. Conhecia bem D. eu estou muito pessimista quanto ao futuro mesmo da diocese e da formação sacerdotal.52 maneira. temos. Então. usava-se trajes civis. lá também se fez “aggiornamento”. para que eles pudessem prosseguir seus estudos na universidade. Então. a situação atual é muito má. não se tem mais formação. onde os poucos seminaristas dos quais cuidava. mesmo em Friburgo que fosse melhor que essa Casa dos Padres do Espírito Santo. era possível um entendimento a fim de colocar esses poucos seminaristas no seminário dos Padres do Espírito Santo. não havia mais disciplina. absolutamente. Lá também se fizeram mudanças. piora a cada dia. sem nunca pensar em fundar nenhuma sociedade. Eles não se agradavam mais da comunidade dos Padres do Espírito Santo. E eu fui uma ou duas vezes a Friburgo. e com a província da Suíça que tinha uma casa destinada ao acolhimento de estudantes e para mandá-los cursar a universidade de Friburgo. . nem conferência espiritual. e perguntei a ele se não dispunha de algo. Vi ali a solução mais simples. Longe de mim tal idéia! Friburgo Quando era Superior Geral. Mas. em Friburgo. pensei. Ele me respondeu: “Sabeis. porque se estava em vias de mudar a liturgia. Não se pode ficar como aquilo lá”. Estou pessimista. naquele tempo. ele veio a Dakar quando eu era Arcebispo. a fim de retirá-los do meio no qual se encontravam. “Oh! Aquilo é aborrecido”. Com ele. para ver como andavam a coisas. Charrière. mas. mantive contato com a Suíça. Em todo caso.

De repente. um seminário interdiocesano. ficaria surpreso. os estatutos da sociedade e. próximo. como disse. e que recebe até mesmo estudantes civis. razão. vamos fazer os estatutos. Ele sabe que somos pela Tradição. . tenses.Mas.. no entanto. que Lea fosse aprovada. contudo. o que se vai fazer? -Pois bem. que serve a tosas as dioceses da Suíça. Mas. depois. recebi onze pedidos. vamos ver! . Primeiro. o Abbé Aulaigner e o Abbé Tissier de Mallerais. termina seu tempo. nossos amigos.. Em conseqüência. o que acontecerá depois? Quando se deixar o seminário. me disseram: -Excelência. Pois é. tentar encontrar um bispo que nos aceite e permita continuar a Tradição. ele. então. ao levá-los ao D. o que fazer? -Seria necessário que se continuasse juntos. Onze pedidos! Não é possível! Então. tudo bem. Não se pode fazer nada.53 sim. pode ser. os vossos estudantes. durante o mês de junho. vamos lá ver”. Enfim. Charrière me dizia: se D. que se criasse uma sociedade que nos reunisse. trabalhando juntos. voltareis às vossas dioceses e depois trabalhares nas vossas dioceses. -Está aí. seria preciso. Charrière aceita. talvez. E depois. então. Tentaremos fundar uma sociedade. ele não vai se engajar num caso como este. bem poderia receber. Redigi. também. não de outra maneira. é preciso que eu prossiga. deseja renunciar no mês de janeiro. de qualquer forma.

54 -Bem. Eles compreenderam que éramos pela Tradição. Havíamos nos reencontrado muitas vezes. pois.. dizem. era preciso prever uma espécie de noviciado. são tradicionalistas. para os onze novatos. Mas. Por quê? . Volte depois das férias. e os três seminaristas que ainda estavam lá? Os salesianos não queriam mais ficar conosco. que se fará com os onze jovens. Eu não conhecia Mestre Lovey. será visto. talvez. no fim do mês de junho. Estava difícil encontrar. fui a Fully visitar o cura Bonvin e lhe disse: -Conheceis o Mestre Lovey? -Certamente. por toda parte. procurar uma outra casa. o conheço. essa magnífica casinha de “Vignettaz”. me disseram: “Ide ver Mestre Lovey. uma casa que ele poderia. Mestre Lovey mora em Fully. a Missa Antiga. que lá. e. vindos por último.. da França. sempre. em Friburgo. Era necessário. posto que não queríamos adotar a Missa nova. disse-me. O Padre disse ao sei Provincial: “Vós sabeis. uma casa que pertenceu aos monges do Grande São Bernardo”. vou examinar isto. não se pode mantê-los em nossa casa. La Vignettaz Depois. Enquanto isso. pôr à sua disposição. no fim do ano. isso não é possível”. nos deu. era um dos meus antigos confrades do Seminário Francês. Informaram-nos. no Valais. Mas. então. Fully me lembrou de algo: conhecia bem o cura Bonvin. Onde alojá-los? Buscou-se ao redor de Friburgo. os seminaristas puderam prosseguir. Então. acabaria. o bom Deus. não querem a Missa Nova. Existe. Para lá transferimos nos afazeres. como tinham começado na casa dos Salesianos. lá também. E eis que.

. Cura de Riddes. Foi a primeira vez que encontrei o Sr. ireis embora. durante seiscentos anos. Rausis. Gostaria de saber se. Se fordes até lá. Vamos lá! Veremos se ele encontra uma destinação. conversareis. A idéia era boa. andar e encontrar padres para cuidar dos jovens que viriam para lá. pode-se ver. Então. Marcel Pedroni. Foi a primeira vez que o encontrei. Aconteceu que a Providência nos ultrapassou. Cura de Riddes ficou muito satisfeito em pensar que poderia ter. Sr. existem alguns beneficiados que estão lá dentro.. quando soube que queriam vender. Era preciso andar. Ssr. um ano de espiritualidade. e ele me disse: sim é verdade! Temos uma casa em busca de uma destinação. na capelinha de Nossa Senhora dos Campos. ao mesmo tempo ao noviciado. poderias ter sido. verdadeiramente.55 -Bem. enfim! As coisas se precipitaram. do seu lugarejo. mas a asa não conveio. mas. Mestre Lovey chegou. e decidimos formar uma associação e comprar essa casa do grande São Bernardo. almoçaremos juntos e. conversar com eles.. -É fácil. que era sua casa destinada à agricultura e. Genond... nos reunimos com cinco senhores do Valais: Sr. Vamos convidá-lo. Os monges do grande São Bernardo venderam sua casa em Ecône. uma casa dos religiosos do Grande São Bernardo. uma má casa. não longe de si. Então fomos visitar a casa dos beneficiados. Ainda não estava fechado. O Sr. que desejava se instalar por lá. Era quase uma ação de graças. não quisemos nada além dessa casa. Agora. Então. Enfim.. Visitou-se a casa e cantou-se um “Salve Regina”. que tinha sido.. Caso não vos convenha. Já tinha sido proposto ao Carmelo de Montélimar.. talvez. tenho a impressão que não ficarão. avalieis. seu irmão Alfhouse Pedroni e eu mesmo. parece que ele tem uma casa que poderia pôr à nossa disposição para uma espécie de noviciado. aí . até mesmo. Tinham lá a criação dos seus cachorros. está bem. depois.. Os beneficiados não permaneceram e Mestre Lovey me disse: “Bem. transformada numa casa de não sei o quê. seminaristas. seria possível.. realmente. mas.

sim. mas. E depois. concordo. Charrière. e a casa de Ecône. desse a sua assinatura a essa Fraternidade. o que somava quatro. Oh! Eles não acreditavam. é formidável! Porque três meses depois foi D. Sim ou não! Fui com muitas dúvidas e temendo muito que ele não aceitasse. de fato. em Vignetaz. Chamarei o secretário”. Já eram duas etapas importantes. Vejam. um outro veio se juntar.. Quando quiserdes podereis vos instalar. Não queria que D. sim. a assinatura de D. Disse comigo mesmo: “Não é possível!!! Estou sonhando! Isso não é possível!”. os estatutos da Fraternidade estão aprovados!”. Sim. depois.. uma casa em Friburgo. era preciso saber se D. Mamie que o sucedeu. aí está. e ele me disse: “sim. fundada por D. de pleno acordo. Ah. Ele não estava de acordo. Charrière estava de acordo com essa famosa sociedade. o Abbé Cottard. Já estava contra nós. o que fazia cinco. Três seminaristas de um lado. etc. e lhes dizer: “Bem.. foi o nascimento da congregação das Irmãs da Fraternidade São Pio X. No mês de outubro. depois. Estávamos em novembro. Foi o que fizemos. à vossa disposição.. para os seminaristas. acertaremos!”. é um sinal da Providência! Aprovados pelo bispo local. . Batei a máquina minha aprovação canônica dos estatutos da Fraternidade São Pio X. Charrière e a minha. o Abbé Waltz. estava feito.56 está. Eu me vi então. A Aprovação Entretanto. E depois. E ele disse ao secretário: “Preparai um documento. estou. Lefebvre. Já era um bom começo. viemos nos instalar. Cinco em Vignettaz e onze em Ecône. o que não era grande coisa. etc”. retornar com os estatutos. mas. do qual era o vigário geral.

pensava que a Fraternidade já existia. eu fui um peso. tinha pés de chumbo. como ele. seguida. Então. nos puxou. vejo. e tudo vai bem. E. Nesse caso. . Irmã Marie-Gabriel veio em socorro. etc. que o bom Deus abençoa. agora. isto será assim. eu antes resisto. é sempre a Providência que decide.. que toda a minha vida foi a mesma coisa. com uma outra moça. vocês conhecem a história da Fraternidade. fui arrastado.. estava preso. Que fazer? Não me sentia capaz de fundar uma congregação de Religiosas. assegurado a vocês. Epílogo A Providência. mas gostaria muito que houvesse uma. Então ela veio. depois. Madre Marie-Gabriel era a própria irmã de Sua Excelência. Constato. abençoa as coisas... Esperemos que continue assim. ela se apresentou: “Estava decidida. não sou inteiramente desejoso. Vocês a conheceram. um pouco mais. Eu. para ser Irmã da Fraternidade. Mas. Mas.. verdadeiramente.”. minha fé. depois. Depois.. e vejo que. Missionária do Espírito Santo. e penso que. Eu. é preciso crescer!”. e. A Fraternidade das Irmãs ainda não existia. quem dizia: “Vou fazer aquilo.. A primeira que se apresentou. não posso dizer que fosse eu. e vocês também puderam compreender. mas já existia na minha cabeça. com efeito. A cada momento. com toda certeza.57 Aí está a história de Ecône. queria entrar na Fraternidade! Nas Irmãs da Fraternidade.. foi a história das Irmãs. “Deo gratias!”. não sou inteiramente de acordo. arrastado. etc”. Eu. Não houve nada disso. ela me puxa mesmo assim: “Ah! Não. sempre um pouco mais.

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