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FICHA BARROCO

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BARROCO    O que você deverá saber ao final desse estudo: Por que a Reforma e a Contrarreforma influenciaram o surgimento do Barroco

. O que foi o Barroco Quais são as marcas da produção barroca no Brasil No século XVII, o ser humano vive em conflito, atormentado por dúvidas existenciais, dividido entre uma postura racional e humanista e uma existência assombrada pela culpa religiosa. Conheça como o Barroco, um movimento artístico ainda com alguns vínculos com a cultura clássica, ma que buscava caminhos próprios, condizentes com as necessidades de expressão daquele momento.       1. Contexto histórico Reforma da Igreja Católica; Reação católica: Concílio de Trento; Ressurgimento do Tribunal do Santo Ofício (Inquisição); Índice dos livros proibidos; Companhia de Jesus. A reação católica ao protestantismo terá grande influência na definição das características do Barroco. Na origem dessas características, há uma tensão que nasce da tentativa de fundir visões opostas: a perspectiva antropocêntrica, herdada do Renascimento, e a teocêntrica, resgatada pela Contrarreforma. Desse conflito surge um movimento artístico e cultural que tentava conciliar teocentrismo e antropocentrismo ao mesmo tempo. Isso significa que a estética barroca há o convívio de duas mentalidades que entram em conflito: uma humanista e outra de caráter religioso. 2. O projeto literário do Barroco A chave para compreender as características da literatura barroca é aceitar que ela foi escrita com o objetivo de desencadear uma reação em um leitor de perfil muito específico. 2.1 Os agentes do discurso Criação das Academias. Circulação de textos literários restritos à corte, centro do poder. Poemas em folhetins manuscritos. Era uma poesia feita por poetas para poetas. Havia disputas nas Academias, o que estimulava a sofisticação dos textos, pois o objetivo era mostrar domínio da retórica clássica. Quanto mais elaborado o texto, maior a distinção conferida ao leitor capaz de compreendê-lo. À fragilidade da vida Esse baixel nas praias derrotado Foi nas ondas Narciso presumido; Esse farol nos céus escurecido Foi do monte libré, gala do prado. Esse nácar em cinzas desatado Foi vistoso pavão de Abril florido; Esse Estio em Vesúvios encendido Foi Zéfiro suave, em doce agrado.

erotismo/espiritualidade. Galhardias apresta. nau vistosa De que importa. Os traços hiper-realistas dão às obras de arte um caráter mais exagerado. antagônicas. tarde a rosa? . eclipse. Francisco de Vasconcelos (1665-1723). ferro a planta. FÉNIX RENASCIDA III 2. algumas imagens simbolizam a indefinição resultante dos contrastes. o Barroco tende a aproximar os opostos. ser rosa. que de abril favorecida Por mares de soberba desatada. com ambição dourada. estrago. como o crepúsculo (transição entre dia e noite) e a aurora (transição entre noite e dia). incêndio. o que revela o desejo de criar um discurso para convencer o público da glória de Deus.3 O pessimismo e o feísmo Um olhar pessimista sobre o mundo sobressai nas obras de arte. baixel. 2. Muitas obras exploram a miséria da condição humana. a crítica à vaidade (a beleza é sempre destruída pela tempo).4 Dinamismo e teatralidade O artista barroco deseja criar a sensação de movimento.5 Reflexão sobre a fragilidade humana Vários temas abordam a fragilidade humana. alento preza: Mas ser planta. 2. a fugacidade do tempo. e considera Que és rosa. 2. É planta. Sol. Como consequência da dualidade na maneira de ver o mundo. Primavera. navega destemida É nau enfim.Se a nau. Para ser cinza.2 Fusionismo e culto do contraste Fusão das visões medieval e renascentista. o Sol. teatral. destinado a chocar o observador. Florida galeota empavesada. Desenganos da vida humana metaforicamente É a vaidade. a rosa. ao mesmo tempo que tenta conciliar extremos como pecado/perdão. Rosa. Sulca ufana. cinza. eclipse. as contradições do amor. que da manhã lisonjeada. Airosa rompe. arrasta presumida. que em breve ligeireza Com a presunção de Fênix generosa.4 Rebuscamento Exploração de jogos de palavras e figuras de linguagem manifestando o gosto pela ornamentação excessiva. que representa a instabilidade. destacando o contraste. 2. a Primavera Estrago. Fábio. ardor cruel Sentem nos auges de um alento vago. nesta vida. Púrpuras mil. Na literatura. Olha. se aguarda sem defesa Penha a nau. cego mortal.

analogias e imagens que pudessem ser vistas como agudezas. fonte. na luz Aurora. No Barroco. Carpe diem.. que arminhos desacata. A linguagem do Barroco Os participantes das disputas literárias avaliavam a qualidade dos escritores pela agudeza com que criavam e pelo engenho que demonstravam ao promover associações inesperadas entre ideias. que púrpuras desata. O filme Sociedade dos poetas mortos introduz brilhantemente o tema do carpe diem quando o professor de literatura. ao desejo de aproveitar a vida enquanto ela dura. pergunta a seus alunos: “Estão vendo todos esses alunos das fotos. Jasmim na alvura foi. Fénix Renascida) 3. representado pelo ator Robin Williams.(Gregório de Matos . Essa fonte. Troca em cinza voraz lustrosa prata. Essa rosa. “colhe o dia”. ( Francisco Vasconcelos. séc XVII) Carpe diem: aproveita o tempo A consciência da efemeridade do tempo já existia na poesia clássica anterior ao Barroco. que parecem fortes. mas quase sempre revestido de culpa e conflito. Fonte na graça. ou seja. pranto. que nácares aviva. Pois a ser cinza. Muda em luto infeliz tersa escarlata. TOME NOTA: a agudeza é a capacidade de dizer algo de modo imprevisto e inteligente. barro e luto.1 Recursos da poesia barroca: . o que quase sempre resultava num convite amoroso e sensual à mulher amada. o carpe diem também se fez presente. os poetas do Barroco se esforçaram para criar metáforas. E ela geralmente levava os poetas ao carpe diem (em latim. rosa no atributo.. rosa. Essa heróica deidade que em luz repousa. que aljôfares deriva. Esse jasmim. Essa aurora. Por esse motivo. O engenho é a capacidade de promover correspondências inesperadas entre ideias e conseguir sintetizar um pensamento em “palavras brilhantes”. “aproveita o diem”). aurora. eternos? Estão todos mortos. Nasceu jasmim. À morte de F. em virtude do forte sentimento religioso da época. Porém fora melhor que assim não fora. Profana em turvo pez prata nativa.” 3. Brota em pranto cruel púrpura viva.

Se és fogo. grande número de figuras de linguagem e vocabulário sofisticado. Rio de neve em fogo convertido:” e) hipérbole: traduz a ideia de grandiosidade. pompa. d) paradoxo: corresponde à união de duas ideias contrárias num só pensamento. Essas palavras refletem a desarmonia do mundo em oposição à harmonia da época clássica. Permitiu parecesse a chama fria. o mar suspiros. Quando fogo. Rio de neve em fogo convertido: Tu. tais como cor. Como quis que aqui fosse a neve ardente. Púrpuras mil. “Vês esse sol de luzes coroado? Em pérolas a aurora convertida? Vês a lua de estrelas guarnecida? Vês o céu de planetas adorado?” (Gregório de Matos) 4. que em um rosto corres desatado. que da manhã lisonjeada. (Gregório de Matos) c) antítese: revela o contraste que o escritor vê em quase tudo. forma. imagens violentas e fantasiosas. Tu. Incêndio em mares de água disfarçado. Rosa. com ambição dourada. Se és neve. perfumes e sensações táteis.a) conhecimento da realidade por meio dos sentidos: decorre daí o emprego de palavras que designam cores. “É a vaidade. Airosa rompe. “Ardor em firme coração nascido. Da tempestade é o estrondo efeito: Lá tem ecos a terra. nesta vida.” (Gregório de Matos) b) metáfora: Ardor em firme coração nascido. como passas brandamente. e pela exploração de efeitos sensoriais. que andou Amor em ti prudente! Pois para temperar a tirania. Pranto por belos olhos derramado. Correntes do Barroco a) cultismo ou gongorismo: gosto pelo rebuscamento. Fábio. em cristais aprisionado. auditivas e visuais.” f) emprego de muitas frases interrogativas. que um peito abrasas escondido. arrasta presumida. como queimas com porfia? Mas ai. caracterizado por jogos de palavras. volume. em chamas derretido. Pranto por belos olhos derramado. . sonoridade. Incêndio em mares de água disfarçado. “Ninguém sufoca a voz nos seus retiros. Quando cristal.

Quais são os dois elementos da natureza que se opõem e representam as contradições que o sentimento amoroso desperta no eu lírico? ________________________________________________________________________________ a) O que cada um deles simboliza no poema? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ b) Nas duas primeiras estrofes. há mister luz. Se és neve. Permitiu parecesse a chama fria. como queimas com porfia? Mas ai. espelho e luz. a) Qual é a figura de linguagem que indica a tensão entre os opostos? Explique. não se pode ver por falta de luz. se tem espelho e olhos. Como quis que aqui fosse a neve ardente. Em lugar de investir no rebuscamento linguístico. Quando fogo. não se pode ver por falta de olhos. (Gregório de Matos) 1. Rio de neve em fogo convertido: Tu. o escritor conceptista procura seduzir o leitor pela construção intelectual. em cristais aprisionado. Se és fogo. Logo.b) conceptismo ou quevedismo: predomina nos textos em prosa. ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ b) Há outros exemplos dessa figura no poema? Quais? . quais as imagens e metáforas utilizadas pelo eu lírico para fazer referência a esses elementos? 2. Tu. que em um rosto corres desatado. são necessárias três coisas: olhos. (Pe. e lágrimas. há mister espelho e há mister olhos”. Incêndio em mares de água disfarçado. Pranto por belos olhos derramado. e é de noite. Antônio Vieira) EXERCÍCIO Aos afetos. como passas brandamente. Se tem espelho e é cego. Quando cristal. em chamas derretido. Rio de neve em fogo convertido”. valorizando o conteúdo. que andou Amor em ti prudente! Pois para temperar a tirania. derramadas na ausência da dama a quem queria bem Ardor em firme coração nascido. a essência da significação. Releia: “Incêndio em mares de água disfarçado. que um peito abrasas escondido. “Para um homem ver a si mesmo.

Qual é o questionamento feito pelo eu lírico nos versos do poema ao seu interlocutor? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 4. De que maneira isso foi feito? Por quê? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ O BARROCO BRASILEIRO 1. como queimas com porfia?” “Como quis que aqui fosse a neve ardente. como passas brandamente. Eles encerram o mesmo sentido? Por quê? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ c) Considerando que a neve simboliza a prudência/o controle e o fogo. fogo X neve. O eu lírico afirma que o Amor “temperou” sua tirania.  Surgimento de pequenos grupos com formação intelectual em Portugal – geralmente advogados. ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ b) As expressões destacadas nos dois últimos versos são paradoxos. Se és neve. qual é o significado. no contexto do poema. Permitiu parecesse a chama fria. vemos a habilidade de Gregório de Matos em trabalhar a linguagem para conciliar os opostos. o eu lírico apresenta a oposição entre o calor e frio.  O Brasil é o grande celeiro da cana-de-açúcar. a paixão e a contenção (ou refreamento). Como ela pode ser observada nos versos transcritos? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 3. observando os trechos destacados em negrito e em itálico. Contexto histórico  Século XVII. a paixão.” a) No início do poema.________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ c) O Barroco apresenta não apenas o confronto dos opostos. No soneto. Releia os versos a seguir.  Centro de comércio. “Se és fogo. religiosos ou homens de letras. das expressões “neve ardente” e “chama fria”? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 5. construídos a partir da oposição dos mesmos elementos: frio X calor. na maioria filhos de comerciantes ricos ou fidalgos instalados no Brasil. o fogo e a água. .  Poucos colonos sabiam ler e escrever. Explique de que maneira os dois primeiros versos transcritos acima encaminham a fusão que ocorrerá entre esses elementos opostos no fim do poema. mas também sua fusão ou aproximação.

2. as manifestações literárias não chegam a constituir um bloco homogêneo. Aliando sua formação jesuítica à estética barroca em voga. apresentavam alguma organização. Por esse motivo. Argumentação: o pregador expõe a tese com exemplos bíblicos. quando se estudam as obras dos escritores que viveram no período colonial. embora não apresente grandes qualidades literárias. Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda: proferido na Bahia em 1640. Sermão de Santo Antônio (aos peixes): proferido no Maranhão em 1654. Esse texto costuma ser considerado o marco inicial da literatura barroca brasileira. relembrando uma passagem da bíblia. Tema: vieira sempre começa seus sermões. era lá que se encontravam os principais artistas e escritores. como Salvador e Recife. tematiza a arte de pregar. 4. os poucos escritores que surgiram viviam isolados. pronunciou sermões que se tornaram ao mesmo tempo a expressão máxima do Barroco em prosa sacra e uma das principais expressões ideológicas e literárias da Contrarreforma. O domínio incomum das palavras garantiu ao jovem jesuíta entrada nas cortes mais importantes da Europa e a influência junto ao rei de Portugal. Vieira. Entre a vasta produção do autor. Introito: o sermão é exposto de maneira geral para todos que irão ouvi-lo. que represente o tema que será pregado. com destaque para Salvador. Invocação: quem vai pregar o sermão pede ajuda e inspiração Divina. Como a vida econômica estava concentrada na região Nordeste. Por isso. Sermão do mandato: proferido na Capela Real de Lisboa em 1645. 3. o que dificultava muito sua circulação. Essa mesma habilidade tornou-o vítima da perseguição pelo Tribunal do Santo Ofício. Apenas alguns centros urbanos. Utiliza o método parenético que lança o argumento e pensa em todas as possibilidades de contestação do ouvinte-leitor. entre outros motivos. 3. • Na divisão em cinco partes: 1. destacam-se: Sermão da sexagésima: proferido na Capela Real de Lisboa em 1655. diz-se que elas caracterizam manifestações literárias. que foi capital do Brasil de 1549 até 1763. Manifestações literárias Devido às características locais apontadas anteriormente. Os textos dependiam de uma difusão oral ou manuscrita. . Conheça um pouco dos textos de cada um. mas isso não acontecia com frequência. Os maiores e melhores escritores barrocos em língua portuguesa no Brasil surgiram na Bahia: padre Antônio Vieira e Gregório de Matos. As obras que escreviam raramente chegavam a ser publicadas. o engenhoso pregador português Vieira destacou-se. pela argumentação engenhosa e pela retórica perfeita. escrito por Bento Teixeira. • Na unidade do assunto: o tema é estudado em todos os aspectos. • Na circularidade do desenvolvimento: através da retomada constante das premissas iniciais que são repetidas até o fim do sermão. 2. ataca a escravização dos índios. Passos da argumentação: Os sermões de Vieira tinham tanto o “poder” de convencer quem ouvia tanto pela razão quanto pela emoção. que conta com mais de duzentos sermões e quinhentas cartas. desenvolve o tema do amor místico. caracterizando-se pela diversificação. Como tudo começou Em 1601 surgiu o poema épico Prosopopeia. coloca-se contra a invasão holandesa.

Para uma alma se converter por meio de um sermão. porque um entendimento agudo pode-se ferir pelos mesmos fios.5. há mister luz. há de haver três concursos: há de concorrer o pregador com a doutrina. mas nasceu até nos espinhos. percebendo. nasce nas pedras. “Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo. há mister espelho e há mister olhos. ou da parte de Deus. A palavra de Deus é tão fecunda. Se tem espelho e é cego. mas de indústria deixou no campo as pedras e os espinhos. e apesar da dureza. que é o conhecimento. se são maus. não é por parte dos ouvintes. espelho e luz. Logo. ou da parte do ouvinte. faz efeito. as pedras se quebraram para lhe fazerem aclamação. pois. E se a palavra de Deus até dos .. que nos maus. Os ouvintes de entendimentos agudos são maus ouvintes. se são bons. que é a doutrina. que. Ouvintes de entendimentos agudos e ouvintes de vontades endurecidas são os piores que há. que. Que coisa é a conversão de uma alma. do pregador e do ouvinte. ou por parte de Deus? Primeiramente.. E por quê? . É tanta a força da divina palavra. é necessária luz e é necessário espelho. Provo. Os ouvintes ou são maus ou são bons. mas nasceu até nas pedras. Peroração ou Epílogo: o pregador então faz uma conclusão de tudo o que havia falado e ressalta os fatos mais importantes da pregação. nasce entre espinhos. Pudéramos arguir ao lavrador do Evangelho de não cortar os espinhos e de não arrancar as pedras antes de semear. tanto mais facilmente se despontam na pedra. não se pode ver por falta de olhos. E com os ouvintes de entendimentos agudos e os ouvintes de vontades endurecidas serem os mais rebeldes. que. EXERCÍCIO Leia a seguir um trecho de o Sermão da Sexagésima. Os piores ouvintes que há na Igreja de Deus são as pedras e os espinhos.Os espinhos por agudos. mas virá tempo em que essas mesmas pedras o aclamem e esses mesmos espinhos o coroem.. faz efeito. o autor. a esperar alantarias. e no nosso Evangelho a temos[. persuadindo. e às vezes também a picar quem os não pica. nasce nas pedras. porque vêm só a ouvir sutilezas. e os espinhos teceram para lhe fazerem coroa. Por qual será? Os pregadores deitam a culpa aos ouvintes. sem arrancar nem abrandar pedras.] Sendo. e é de noite. não se pode ver por falta de luz. lançada nas pedras não frutificou. por qual deles devemos entender que falta? Por parte do ouvinte. faz neles grande fruto a palavra de Deus. discorre sobre a arte de pregar por meio de sermões. por parte de Deus. o homem concorre com os olhos. senão entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo? Para esta vista são necessários olhos. mas contra vontades endurecidas nenhuma coisa aproveita a agudeza. Se fora por parte dos ouvintes. porque quanto as setas são mais agudas. pode proceder de um de três princípios: ou da parte do pregador. ainda que não faça fruto. Mas os de vontades endurecidas ainda são piores. Nesse sermão. O pregador concorre com o espelho. não falta nem pode faltar. certo que a palavra divina não deixa de frutificar por parte de Deus. que é a graça. alumiando. ao mesmo tempo em que desenvolve a temática religiosa. ainda que não faça neles fruto. é tanta a força da divina palavra. antes dana mais. que nos bons faz muito fruto e é tão eficaz. apesar da agudeza. nasce nos espinhos. Ora suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus. Quando o semeador do Céu deixou o campo. há de concorrer Deus com a graça. não fizera a palavra de Deus muito grande fruto. para que se visse a força que semeava. saindo deste Mundo. e vencer-se uma agudeza com outra maior. lançada nos espinhos não frutificou. definida no Concílio Tridentino. Esta proposição é de fé. segue-se que ou é por falta do pregador ou por falta dos ouvintes. se tem espelho e olhos. ou por parte do pregador. são necessárias três coisas: olhos. Deus concorre com a luz. as pedras por duras.. a avaliar pensamentos. (. Para um homem se ver a si mesmo. É tanta a força da divina palavra. mas não fazer nenhum fruto e nenhum efeito. há de concorrer o ouvinte com o entendimento. sem cortar nem despontar espinhos.) Tomai exemplos nessas mesmas pedras e nesses espinhos! Esses espinhos e essas pedras agora resistem ao semeador do Céu. mas não é assim.

se a palavra de Deus até nas pedras. Sabeis. não triunfar dos alvedrios hoje a palavra de Deus. pregadores. Que possíveis causas Vieira atribui ao pouco fruto da palavra de Deus. nem por parte de Deus. E assim é. como meio de conduzir o raciocínio de seu ouvinte. iluminando para um homem se ver olhos espelho luz Releia o primeiro parágrafo do texto e estabeleça as relações: a quem correspondem os elementos olhos. ao fato de a pregação religiosa não fazer efeito nos ouvintes? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 2. persuadindo ouvinte com o entendimento. o orador faz várias perguntas e ele mesmo responde. Sabeis. nem por parte dos ouvintes. nem nascer nos corações. isto é. não fica. até nos espinhos nasce. Supostas estas duas demonstrações. segue-se por consequência clara. percebendo Deus com a graça. suposto que o fruto e efeito da palavra de Deus. Que argumento ele utiliza para isso? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ . ele constrói correspondências alegóricas. Logo no 1º parágrafo do texto. Vieira costuma desenvolver seus sermões por meio de raciocínios complexos e lógicos. por exemplo. espelho e luz? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 3. comparações e alegorias. que podem ser assim esquematizadas: Sempre é necessário: para converter uma alma pregador com doutrina. em que faz uso frequente de metáforas. cristãos. Na busca de identificar o responsável pelo pouco fruto da palavra de Deus. que fica por parte do pregador. Vieira apresenta na forma de pergunta o tema a ser desenvolvido: Por que a palavra de Deus faz pouco fruto? Como é comum em sermões. Nesse sermão. por quê não faz fruto a palavra de Deus? . não é por culpa. por que não faz fruto a palavra de Deus? – Por culpa nossa. nem por indisposição dos ouvintes. 1. o autor de imediato inocenta a Deus.Por culpa dos pregadores.espinhos e das pedras triunfa.

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