Sobre “A Poética” de Aristóteles. Grupo de Estudos de Filosofia Antiga (UFSM). Aluno: Juliano Gustavo Ozga.

Tema: Estética em “A Poética” de Aristóteles (Tradução: Eudoro de Souza. Ed. Victor Civita. São Paulo. 1984; “A Poética”, Aristóteles. Prefácio de MARIA HELENA DA ROCHA PEREIRA. Tradução e notas de ANA MARIA VALENTE. EdiçãoFundação Calouste Gilbenkian. Lisboa.2004). Apresentação baseada no livro “Aristóteles”. Reale, Giovanni. Ed.: Loyola, 2010. Conceito de Ciências poiéticas: a. Mimese; b. Catarse; a. Mimese poética: imitação de coisa/fenômeno (Poética, 9, 1451. a36- b11). Poesia é universal “sob o aspecto da possibilidade e da verossimilhança”; Poesia: intrínseca e pessoal. b. Catarse (2º Livro da Poética [perdido]). “A arte não nos carrega, mas alivia da emotividade, e o tipo de emoção que ela oferece, não só nos prejudica, mas nos beneficia”, A Política. I. Dois problemas sobre a origem da tragédia: 1. Morfologia histórica do poema trágico: Problema filológico; 2. Fenomenologia religiosa da representação dramática: Fenomenológico. II. Seis partes, ou elementos estruturais da poesia dramática: 1. Fábula: a alma da tragédia; 2. Caráter; 3. Pensamento; 4. Elocução; 5. Espetáculo; 6. Melopéia. III. Ação de imitar e ação imitativa: mithos/fábula. a. Mito (tradicional): seria a matéria-prima que o poeta transformará em fábula (trágica), e elaborando-a conformemente às leis de verossimilhança e necessidade. O Mito pertence à história, enquanto a fábula pertence à poesia (que é coisa mais filosófica do que a história);
b. A história como mito tradicional é particular, enquanto a poesia como fábula

Problema

trágica é universal. A catarse se efetiva pela paixão (pathos) que alguém experimenta. “O mistério da catarse podia consistir, simplesmente, na sua original afinidade com a catarse dos Mistérios.”. Tópicos e Definições de cada capítulo.

outros versos jâmbico. Essas artes imitam com o ritmo. Com os mesmos meios um poeta pode imitar os mesmos objetos na forma de narrativa. “este é tal”. Sobre os comediantes. alguns poetas antigos produziram versos heróicos (imitação de ações nobres dos mais nobres personagens). podendo ser homens melhores. quer metrificado ou não. O metro jâmbico (de iánbizom [injuriar]) foi introduzido por Homero nos poemas Margites e outros semelhantes. Duas causas naturais geram a poesia. e outra pelo fato de os homens se comprazem no imitado. O termo drama é conseqüente do fato de tais composições imitarem agentes (dróntas). . ou mediante todas as imitações. porque é evidente que os metros são partes do ritmo). usando esses elementos separada ou conjuntamente. e aquela. Cap. Cap. sendo que o jambo é o metro que mais se conforma ao ritmo natural da linguagem corrente. por exemplo. os dórios do Peloponeso dizem que eles derivam seu nome de andarem de aldeia em aldeia (komás). A poesia pode ser definida como imitação. É através das imagens que os homens aprendem e discorrem sobre o que seja cada uma delas. o engenho natural logo encontrou o metro adequado. por não serem tolerados na cidade. A epopéia é a arte que apenas recorre ao simples verbo. Os gêneros poéticos podem usar como meio. melhores do que eles ordinariamente são. os objetos e o modo. III. Homero foi o primeiro que traçou as linhas fundamentais da comédia.Cap. No estagio em que a tragédia alcançou e desenvolveu o diálogo. a linguagem e a harmonia. Tanto tragédia como a comédia havia nascido de um princípio improvisado (a tragédia. IV. ou porque imitam objetos diversos ou porque imitam por modos diversos e não da mesma maneira. II. piores ou iguais a nós. Assim sendo a imitação é própria da nossa natureza (e a harmonia e o ritmo. bem como a epopéia e a tragédia. I. diferindo-se em três aspectos: ou porque imitam por meios diversos. dramatizando o ridículo. a linguagem em prosa ou em verso. As espécies de poesia imitativa diferem devido ao objeto de sua imitação. uma sendo o imitar congênito no homem (por imitação aprende as primeiras noções). Sendo assim a imitação possui três diferenças: segundos os meios. Cap. O que separa a tragédia da comédia é a diferença de que esta procura imitar os homens piores. a comédia dos solistas dos cantos fálicos). Cap. dos solistas do ditirambo. V. de modo que.

VII. devido à sua falta de harmonia e proporção. por isso as ações e o mito constituem a finalidade da tragédia.A comédia é considerada imitação de homens inferiores. porém nem todas as partes da poesia trágica intervêm na epopéia. Sobre a relação entre poesia épica e a tragédia podemos citar que. não se sabendo quem introduziu as máscaras. definiu-se como a imitação de ações. se dê o transe da infelicidade à felicidade ou da felicidade à infelicidade. pois a tragédia não é imitação de homens. em linguagem ornamentada e com as várias espécies de ornamentos distribuídos pelas diversas partes não por narrativa. não uma qualidade. pelo seu metro único e a forma narrativa. reside na ação. mas felicidade] ou infelicidade. como um ser vivente ou o que quer que se componha de partes. todas as partes daquela se encontram na tragédia. Daqui se segue que. e por melopéia. espetáculo e melopéia. Cap. Através da melopéia e da elocução que os atores efetuam a imitação. Com isso. Cap. o elemento mais importante é a trama dos fatos. onde predomina o ridículo. ele consiste na grandeza e na ordem. elocução. mas mediante atores. pensamento. porém difere-se a epopéia da tragédia. O limite suficiente de uma tragédia é o que permite que nas ações uma após outra sucedidas. O “todo” que possui certa grandeza na tragédia é aquilo que possui princípio. o organismo vivente pequeníssimo e o grandíssimo. na tragédia. ambas. conformemente à verossimilhança e à necessidade. O mito. O que se manifesta primeiro na tragédia é o espetáculo cênico. Cap. onde elocução é definida como a mesma composição métrica. . a tragédia pode ser dividida em seis partes: mito. em verso. e a finalidade é de tudo o que mais importa”. onde o terror e a piedade possuem por efeito a purificação dessas emoções (catarse?). Caráter é definido pelo o que os personagens possuem de tal ou tal qualidade. Assim sendo. completa e de certa extensão. aquilo cujo efeito a todos é manifesto. mas são bem ou mal-aventurados pelas ações que praticam. de felicidade [e infelicidade. A tragédia é definida como imitação de uma ação de caráter elevado. mas assumem caracteres para efetua certas ações. As duas causas naturais que determinam as ações são o pensamento e o caráter. e a própria finalidade da vida é uma ação. Sobre a comparação entre tragédia e epopéias essas mesmas concordam apenas em serem. VIII. Porém. mas de ações e de vida. meio e fim. os mitos bem compostos necessitam se conformarem aos princípios anteriormente mencionados. “32. e é nas ações que se origina a boa ou má fortuna dos homens. Ora. entendido como a composição de atos. excluindo assim. Outrora o coro da comédia era constituído por voluntários. imitações de homens superiores. VI. prólogo e número de atores. caráter. não agem as personagens para imitar caracteres. os homens possuem tal ou tal qualidade conformemente ao caráter. aquilo que os personagens dizem para demonstrar o quer que seja ou para manifestar sua decisão. devido ao fato de que a tragédia é a imitação executada por atores. e por pensamento. Sobre o belo.

mas compôs em torno de uma ação uma a Odisséia. Simples pelo fato de que. como imitação de ações. e também o haver ou não haver praticado uma ação. Assim sendo. Podemos considerar os mitos em simples ou complexos. coral (párodo e estásimo). pelo fato de que. uma ação sendo uma e coerente. Complexo pelo fato de que. pelo fato de haver acontecido uma dessas coisas (ter sido ferido no Parnaso e o simular-se louco no momento em que se reuniu o exército). e todos os acontecimentos se devem suceder em conexão tal que. A tragédia também é a imitação de casos que suscitam o terror e a piedade. XII. não poetou todos os sucessos da vida de Ulisses. ou seja. Também se segue que o poeta deve ser mais fabulador que versificador. resultados dos sucessos antecedentes. Cap. uma vez suprimido ou deslocado um deles. O episódio é uma parte da tragédia entre dois corais. provenientes de ações paradoxais. nada impede que alguma das coisas que realmente acontecem sejam. o mito. êxodo. sendo essa uma ação perniciosa e dolorosa. sem peripécia ou reconhecimento. a mudança se faz pelo reconhecimento ou pela peripécia. efetua a mutação de fortuna. donde o reconhecimento com peripécia resulta o terror e a piedade. verossímil e necessariamente. Cap. Cap. episódio. Cap. e a tragédia é a imitação de tais ações. por natureza. A terceira parte do mito é a catástrofe. A poesia se refere ao universal entendido como a atribuição a um indivíduo de determinada natureza pensamentos e ações que. XIII. verossímeis e possíveis. mas não por se referir a uma só pessoa. IX. O ofício do poeta é o de representar o que poderia acontecer. Cap. XI. o que é possível segundo a verossimilhança e a necessidade. e sim como o fez Homero ao compor a Odisséia. O êxodo é a parte à qual não sucede canto do coro. O párodo é o primeiro entre os corais. As partes quantitativas da tragédia são o prólogo. . convêm a tal natureza. donde resulta a boa ou a má fortuna. X. ou necessária ou verossimilmente. por liame de necessidade e verossimilhança. e o estásimo é um coral desprovido de anapestos e troqueus. Definimos peripécia a mutação dos sucessos no contrário. O reconhecimento é a passagem do ignorar ao conhecer. não se seguia necessária e verossimilmente que a outra houvesse de acontecer. também se confunda ou mude de ordem do todo. que resultam em maior espanto do que os feitos do acaso e da fortuna. O prólogo é uma parte completa da tragédia que precede a entrada do coro. deve imitar as que sejam unas e completas.Uno é o mito.

. devido ao fato de que o reconhecimento surpreende. A quarta espécie “provêm de um silogismo. onde é necessário que a personagem no drama seja incoerente coerentemente. XVI. e que. e em toda categoria de pessoas é possível essa bondade. sinais e colares. Cap.”.” O irracional de ser banido do desenvolvimento dramático. A segunda espécie é “o reconhecimento urdido pelo poeta”.. Sobre os caracteres devemos distinguir quatro pontos: 1) que os mesmos devem ser bons é o mais importante. que é distinta da bondade e da conveniência. quando a surpresa resulta de modo natural. ou nos futuros.. Entre as situações mais trágicas. “as palavras e os atos de uma personagem de certo caráter devem justificar-se por sua verossimilhança e necessidade. XV. A primeira e menos artística das espécies de reconhecimento é que se efetua por sinais (congênitos. logo quem veio foi Orestes. pelo seguinte raciocínio: alguém chegou. onde se passa da dita para a desdita. que me é semelhante. mas que o poeta deve usar artisticamente os dados da tradição. então o caráter é bom. que necessitam ser preditos ou prenunciados – pois que aos deuses atribuímos nós o poder de tudo verem. Por isso é necessário que um mito seja simples.” . As sim a tragédia é imitação de homens melhores que nós. 2) a conveniência é a segunda qualidade. Sobre o “deus ex machina.. exceto se for fora da ação. ou nos do passado. pelo fato de que a piedade tem lugar a respeito do que é infeliz sem o merecer. Porém os melhores reconhecimentos “são os que derivam da própria intriga. não se deve recorrer senão em acontecimentos que se passam fora do drama. Melhor é o caso do que age ignorando. 4) a coerência é a quarta qualidade. O procedimento mais digno do poeta é o que apresenta o terror e a piedade derivados da íntima conexão dos atos. Só os reconhecimentos desta espécie dispensam artifícios. vem a conhecê-la.. donde seu infortúnio é decorrente de algum erro. Essas ações que resultam em terror e piedade podem acontecer entre amigos. ou nos que ao homem é vedado conhecer.Sobre a composição das tragédias mais belas. por causa de algum erro de uma personagem da qual antes propenda para melhor do que para pior. sendo conhecida alguma propensão através de palavras e ações. adquiridos). anteriores aos que se desenrolam em cena. inimigos e indiferentes.. tal como nos mitos os sucessos de ação para ação. 3) a semelhança é a terceira qualidade. Cap. Os “melhores são os que resultam de uma peripécia”.”. Cap. mas ninguém se me assemelha senão Orestes. A situação intermediária é a do homem que não se distingue muito pela virtude e pela justiça. o pior dos casos é o do sabedor que se apresta a agir e não age. Em segundo lugar vêm os que provêm de um silogismo. Sobre os mitos tradicionais. A terceira espécie “efetua-se pelo despertar da memória sob as impressões que se manifestam à vista”. podemos dizer que os mesmo não devem ser alterados. Assim. e deve imitar casos que suscitam o terror e a piedade. XIV. ela é complexa. perpetrada a ação.

Em referência aos argumentos. uma explicitação. tendoas à vista o mais que for possível. descobrirá o que convém e não lhe escapará qualquer eventual contradição. uma pergunta. XX.”.”. “devem resultar somente da ação e sem interpretação explícita. XVIII. Sobre a estrutura. dividindo-se o mesmo em demonstração.”. porque desta sorte. 2.”. Na epopéia os episódios adquirem maior extensão. XVII. os efeitos de despertar as emoções de piedade e de terror. constituído por muda e soante. como se estivesse presente aos mesmos sucessos. constituída pelos respectivos modos.a tragédia de caracteres. por isso o coro deve ser considerado como um dos atores. desenvolvem-se os episódios. O pensamento pertence à retórica pelo fato de possuir todos os efeitos produzidos mediante a palavra. a aceitação de algo como verossímil.Sílaba: “é um som desprovido de significado próprio.Letra: “é um som audível que possa gerar um som composto”.”.”. ou o acrescimento de certas impressões. Cap. 3. cujo conhecimento é próprio do ator e de quem faça profissão dessa arte. as letras são divididas em: a) vogais. Posteriormente as letras são divididas conforme as competências da métrica. O poeta deve “ordenar as fábulas e compor as elocuções das personagens. enquanto nos dramas o resultado do desenvolvimento seria contrário à experiência. Sobre a elocução. XIX. Cap.”. Cap. . “O nó é constituído por todos os casos que estão fora da ação e muitas vezes por alguns que estão dentro da ação. “e que são iguais quando o sejam o nó e o desenlace. c) mudas. 2. Porém o mito estabelece a igualdade ou a diferença entre as tragédias. refutação. bem como quatro são as suas partes: 1. majorar e minorar o valor das coisas.as tragédias episódicas. uma ameaça. O coro deve fazer parte do todo e da ação. “na epopéia. a uns porque plasmável é a sua natureza.a tragédia complexa (constituída totalmente de peripécia e reconhecimento). “deve o poeta [dispô-los assim em termos gerais] e só depois introduzir os episódios e dar-lhes a conveniente extensão. uma resposta. O nó e o desenlace fazem parte de toda a tragédia. A elocução é dividida em sete partes: 1. O desenlace consiste da “parte que vai do início da mudança até o fim. suscitação de emoções. que consiste em saber o que é uma ordem ou uma súplica. vendo as coisas claramente.Cap. a extensão que é própria a tal gênero de poesia permite que as suas partes assumam o desenvolvimento que lhe convém.”. 4. “há uma parte dela. Na poesia. Após as personagens serem denominadas. há quatro tipos de tragédia. enquanto [na retórica] resultam da palavra de quem fala. b) semivogais. Ao mesmo tempo o poeta deve reproduzir os gestos das personagens. Assim sendo “o poetar é conforme a seres bem dotados ou a temperamentos exaltados.”.”. Assim. a outros por virtude do êxtase que os arrebata.a tragédia catastrófica.

composto. ou os modos de expressão de quem fala. maior ainda é sua importância. Sobre a elocução poética podemos citar o caso de que há nomes simples e duplos. mas que é o próprio poeta forjou.Flexão: “tanto pertence ao nome como ao verbo. Nome abreviado: “é omitida uma parte da palavra. . fora do conjunto não têm significado nenhum. “e revela portanto o engenho natural do poeta. [O ornato.”. a estar nos extremos ou no meio. Nome inventado: “é o nome que ninguém usa.. adunando-as. e indica as relações de casos.”.”. por outro lado. XXII. enquanto. 8. enquanto os termos correntes lhe conferem clareza. e que se destina. Posteriormente “ou são compostos de uma parte não significativa e de uma parte significativa. A poesia é elevada quando usa vocábulos peregrinos e se afasta da linguagem vulgar. e.. devido ao fato de que as mesmas não se aprendem nos demais. ou uma sílaba a mais. por natureza.. Sobre os alongamentos e abreviações. ou de partes ambas significativas.”.”. seja significativa per si. e também “Nenhum nome termina em muda ou vogal breve. ou são masculinos... Também deve ser considerado que “pelo demasiado evidente destes modos. as “alterações dos nomes contribuem em grande parte para a clareza e elevação do discurso. Nome corrente: “aquele de que ordinariamente se serve cada uma de nós. 7. 5.]. se incorre no ridículo. ou pelo liame que reúne muitas coisas.”.”. ou da espécie para o gênero.. uma proposição pode ser uma de duas maneiras: ou porque indica uma só coisa. XXI.. Sobre o emprego das metáforas. ou do gênero para a espécie. ou o singular e o plural. fazem esses nomes que a linguagem não seja banal. ou por analogia.”... 4... 7.”.Verbo: “é o som composto. afastados da forma e do uso vulgar. Sobre a elocução poética é afirmado que a sua qualidade essencial é a clareza sem baixeza. Nome estrangeiro: “aquele de que se servem os outros. 2. no princípio de uma proposição.. Cap. como parte do todo.Proposição: “é o som composto e significativo.. que não tem nenhuma parte que. 6.”.”. 6.”. ou de gênero intermédio. porém.. Cap. Será necessária a mistura de “palavras estrangeiras.Nome: “é um som significativo. e cujas partes. do qual algumas partes são de per si significantes. 4. Nome alterado: “é o vocábulo do qual uma parte é mantida e outra transformada. subsistirá a clareza”. ou da espécie de uma para a espécie de outra. como as do nome. a moderação também é necessária nas outras partes do discurso”. Os nomes são divididos em oito partes: 1. Assim os nomes “Considerados em si mesmos. 5. que exprime o tempo.. pela parte que mantêm do uso vulgar. significativo.Conjunção: “é a palavra destituída de significado próprio. nunca.”. 3.. ornatos e todos os outros nomes. Nome alongado: “o nome tem uma vogal mais longa do que a própria. sem determinação de tempo.”. ou femininos.. metáforas..3. A metáfora: “consiste no transportar para uma coisa o nome de outra.

é necessário. bem como possuir “peripécias.com efeito. ou como dizem e parecem.”. tal como um ser vivo único e inteiro. pelo contrário. “imita sempre necessariamente uma de três coisas possíveis: ou as coisas como eram ou são realmente. e também as mesmas partes. Cap.”. “o irracional deve ser justificado por aquilo que as pessoas . os duplos são os mais apropriados aos ditirambos. “a epopéia tem uma característica muito importante para aumentar a extensão. “a epopéia difere da tragédia na extensão da composição e no metro. se tiverem. que seja fora do enredo. mas na epopéia é mais possível o irracional. não se devem compor-se enredos com partes irracionais mas. aconteceu a uma ou várias pessoas. na tragédia. donde “se aumenta a elevação do poema.”. ao passo que. principal fonte do maravilhoso. a saber. produza um prazer próprio”. e as metáforas aos versos jâmbicos”. não é possível imitar muitas partes da acção que se desenrolam ao mesmo tempo. Referente “à elocução. nas quais é forçoso que se faça a exposição não de uma só acção mas de um só período de tempo. Cap. meio e fim.”. para que. Ao mesmo tempo.”. deve ser trabalhada. o impossível deve justificar-se em relação ou ao objectivo da poesia ou ao que é melhor ou à opinião comum.”.”. XXIV. Cap.”. ou como deveriam ser. Referente “imitação através da narração e em verso. Posteriormente haverá o caso em que. bem saber descobrir as metáforas significa bem se aperceber das semelhanças”. construir enredos dramáticos e em volta de uma acção única e completa que tenha princípio.”. Disso decorre que “realmente nas tragédias deve-se criar o maravilhoso. nesse tempo. à excepção da música e do espetáculo. uma vez que. nas partes estáticas e que não têm nem caracteres nem pensamento. “é possível apresentar muitas acções realizadas simultaneamente”. XXV. onde “o maravilhoso dá prazer. de tudo o que. não devem ter absolutamente nada de irracional e. com especial cuidado.”. “deve preferir-se o impossível verosímil ao possível inverosímil. ou simples ou complexa ou de carácter ou de sofrimento. “de uma forma geral. Assim sendo.”.”. mas apenas a parte representada em cena pelas actores. reconhecimentos e cenas de sofrimento. E para finalizar sobre a tragédia e a imitação que se efetua mediante ações. Sendo assim. cada uma das quais se liga às outras como o acaso determinou. como nas tragédias. “dos vários nomes. No entanto. onde “a sua estrutura não deve ser igual à das narrativas históricas.”. os vocábulos estrangeiros aos versos heróicos. XXIII. ao mesmo tempo em que “a elocução demasiado brilhante asombra os caracteres e o pensamento. Outra necessidade referente à epopéia é “que a epopéia tenha as mesmas espécies que a tragédia. e ainda beleza de pensamento e elocução. por ser a epopéia uma narrativa. Com respeito à imitação de imagens do poeta.

“a tragédia. é evidente que será inferior.”. é evidente superior.”.”. Neste momento indaga-se. Cap. dizem que a epopeia é para espectadores distintos.”. “em segundo lugar. mesmo sem nenhum movimento. XXVI. produz o seu efeito próprio: de facto. quais as causas de serem boas ou não e sobre os problemas e soluções. No entanto. Posteriormente levante-se a posição de que “na verdade. Com efeito. “a acusação é feita não à arte do poeta mas do actor”. através dos quais se produzem os mais vivos prazeres. Ao final consta que. é verosímil que possa acontecer alguma coisa contra a verosimilhança.”. como a música [e o espetáculo]. “sobre a tragédia e a epopéia. às vezes. Também a tragédia “realiza o objectivo da imitação numa extensão menor. é por demais evidente que a que imita todas as coisas é extremamente vulgar. no entanto. se é vulgar. e a tragédia para espectadores vulgares. “se a tragédia se distingue em todas estas coisas e ainda no efeito próprio da arte (pois estas imitações devem produzir não um prazer qualquer mas o que já foi referido). Porém primeiramente. quer sobre elas em si. . e essa é sempre a que se dirige ao melhores espectadores. nem todo o movimento é reprovável. tal com a epopeia. quantas são e em que diferem. a sua qualidade é visível através da leitura. disse o suficiente.”. -que.”. elas “provêm de cinco espécies: coisas impossíveis ou irracionais. Ao mesmo tempo. Portanto. a imitação épica ou a trágica”? No entanto. a tragédia “tem tudo que a epopéia tem e tem ainda um elemento que não é de menos importância. “se a forma menos vulgar é a melhor.”. ou impróprias ou contraditórias ou contrárias ao que é correcto em relação à arte. como nem toda a dança. uma vez que atinge o seu objectivo melhor do que a epopeia. “a imitação dos poetas épicos tem menos unidade”.dispensam completamente os gestos. “qual das duas é melhor. mas apenas o dos maus actores.dizem e ainda porque. não é irracional.”. Sobre as censuras. quer sobre as suas espécies e partes.”.

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