P. 1
cartilha_tarifas_2010

cartilha_tarifas_2010

|Views: 2|Likes:
Published by Bruno Jácome

More info:

Published by: Bruno Jácome on May 25, 2012
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

05/25/2012

pdf

text

original

Tarifas de energia eleTrica

Conhecendo os Custos e Encargos Setoriais 2009

Tarifas de energia eleTrica Conhecendo os Custos e Encargos Setoriais 2009 .

....................................................5 TRIBUTOS E COMPONENTES EXTERNOS ÀS TARIFAS .......4.....1............. PIS/Pasep .........................................1.........................................13 2................................. Transporte de Itaipu.............5............................................1........18 2............................................ 5 2......... Cofins ........................ Material.. Reserva Global de Reversão – RGR .... CUSTOS DO SERVIÇO DE DISTRIBUIÇÃO ............ Quota de Reintegração ..........15 2..............................................................1....15 2............................ TRANSPORTE DE ENERGIA ......7......................................................................9 2...................................................................9 2.4....... ENCARGOS SETORIAIS......................1...............7 2....1....................................................... Conta de Consumo de Combustíveis – CCC .................................................... POR QUE AS TARIFAS DE ENERGIA ELÉTRICA DIFEREM DE ESTADO PARA ESTADO .........5...................................10 2............3..............8....................... Taxa de Custeio do Operador Nacional do Sistema – ONS ...1...12 2.............. Remuneração do Investimento ..... Contribuição de Iluminação Pública – CIP ........10 2...................................3..............................................................13 2.....3................................19 3......... Rede Básica ..........3....................... Conexão.... APRESENTAÇÃO ...................1.............. Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS .............. ENERGIA COMPRADA ............................. Pessoal............2..................................................23 ....18 2...1.......6....6 2...........................2....1.1............... TRATAMENTO REGULATóRIO DAS PERDAS DE ENERGIA ...........................................................3. Taxa de Fiscalização de Serviços de Energia Elétrica – TFSEE ................................................................ Conta de Desenvolvimento Energético – CDE .............................................................................22 4.............. Encargos de Serviço de Sistema – ESS ................................................... 11 2.........................................14 2....2...............2...............5................................................. Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica – Proinfa .............13 2...............................................19 3.2.... PRINCIPAIS COMPONENTES DAS TARIFAS DE ENERGIA ELÉTRICA ............................... Serviços de Terceiros e Outros ..............................................................5.................8 2..... 11 2............5....3..............3.......................1......................sUMÁriO 1......4...................................................4..................17 2...............................................................................................16 2......................... Pesquisa e Desenvolvimento – P&D .............3........................................................................................4.1.17 2..................7 2.......15 2...............1............................................17 2....................................................................................5.......5............4....... REAJUSTES E COMPOSIÇÃO DAS TARIFAS DE ENERGIA ELÉTRICA . Recomposição Tarifária Extraordinária – RTE...........................

Esperamos que ela seja útil. Conselho de Consumidores da Cemig 5 .1. Esta publicação tem o objetivo de reunir esse conjunto de informações. aPresenTaÇÃO É papel dos Conselhos de Consumidores levarem aos seus representados um conjunto mínimo de informações necessárias a uma discussão madura da questão tarifária. Pretendemos que ela seja um instrumento de difusão do conhecimento. poderá haver necessidade de ajustes no conteúdo agora apresentado. sem a pretensão de esgotar o tema. Em função das eventuais alterações na legislação do setor elétrico brasileiro e no ambiente econômico e político. sem paixões e oportunismos.

Seu valor anual equivale a 2. para financiamento de fontes alternativas de energia elétrica. 2. que é a gestora dos recursos arrecadados para esse fim. Entre os custos inerentes ao negócio de distribuição. Cofins e ICMS. a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). a Taxa de Fiscalização dos Serviços de Energia Elétrica (TFSEE). encargOs seTOriais 2. 7 34% 34% Distribuidora Energia Transporte Tributos/Encargos 28% Fonte: Levantamento feito em junho/julho de 2009 pelo Instituto Acende Brasil junto a 21 distribuidoras. existem os tributos que são pagos por todas as empresas do País: PIS/ Pasep. tratamos detalhadamente os componentes apresentados. destacam-se: pessoal. estendeu sua vigência até janeiro de 2010 e estabeleceu os objetivos desse encargo. É uma parcela cujo valor anual é estabelecido pela Aneel com a finalidade de prover recursos para reversão. PrinciPais cOMPOnenTes das Tarifas de energia elÉTrica Os clientes pagam quatro principais grupos de custos quando compram energia elétrica: • custos da energia. Reserva Global de Reversão – RGR Criada pelo Decreto nº 41. Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa) e custeio do Operador Nacional do Sistema (ONS).2. entretanto. que são pagos pelas empresas de energia. as empresas de distribuição de energia elétrica pagam encargos setoriais. expansão e melhoria do serviço público de energia elétrica. que representam 45% do mercado de energia do País. e para desenvolvimento e implantação de programas e projetos destinados ao uso eficiente da energia elétrica e combate ao seu desperdício. 6 . a Lei nº 9.438. A seguir. A figura a seguir ilustra a participação média de cada componente na conta do consumidor residencial: Faturamento Médio Brasil 4% Além dos custos diretamente relacionados à prestação do serviço.648/98 definiu que a RGR seria extinta em 1/12/2002. a Lei nº 10.1. que são específicos para o setor elétrico. de 26 de abril de 2002. Além dos encargos setoriais. para estudos de inventário e viabilidade de aproveitamento de potenciais hidráulicos.019.1. Entre os custos de energia elétrica destacam-se energia comprada e custos de transmissão e custos de distribuição. material e serviço de terceiros.5% dos investimentos efetuados pela concessionária em ativos vinculados à prestação do serviço de eletricidade e limitado a 3% de sua receita anual. encampação. Encargo de Serviço do Sistema (ESS). além da depreciação e remuneração dos ativos. A quota de RGR é paga mensalmente pelas concessionárias às Centrais Elétricas Brasileiras – Eletrobrás. • encargos setoriais. a Conta de Consumo de Combustível (CCC). de 26 de fevereiro de 1957. Os principais encargos são a Reserva Global de Reversão (RGR). • tributos e taxas (gerais e específicos dos consumidores de energia elétrica).1. • custos inerentes ao negócio de distribuição.

A Lei nº 9.438/2002. Conforme o art.1. A necessidade do uso de combustíveis fósseis para a geração termoelétrica é determinada com base em um planejamento feito pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). a partir de 1º de janeiro de 2006. que é a gestora dos recursos arrecadados para esse fim. nas áreas atendidas pelos sistemas elétricos interligados.2.13°.648/2002 e. mediante a fixação de valores anuais para cada concessionária de distribuição. à taxa esperada de crescimento do consumo para o ano corrente e aos preços esperados dos combustíveis. a geração termoelétrica é necessária nas regiões do País localizadas fora da área de atendimento pelo sistema interligado como na região Norte.4. de 26 de dezembro de 1996. organismo responsável pela operação do sistema elétrico brasileiro.5% do benefício econômico anual auferido pela concessionária. ficou extinto o benefício da sistemática de rateio de ônus e vantagens decorrentes do consumo de combustíveis fósseis para a geração de energia elétrica nos sistemas elétricos interligados. de 13 de agosto de 1998. ii) Sistema Interligado Norte/Nordeste. biomassa. Além disso. § 3º da referida lei. e pelo Grupo Técnico Operacional da Região Norte (GTON). 8 2.3. de 27 de maio de 1998. iii) promover a universalização do serviço de energia elétrica em todo o território nacional. A TFSEE fixada anualmente é paga mensalmente em duodécimos pelas concessionárias. quando gerar energia a partir de fonte termoelétrica tivesse um custo superior à geração a partir de fontes hidráulicas no sistema interligado.438/2002 mantiveram até 2022 a sistemática de rateio do custo de consumo de combustíveis para geração de energia elétrica nos sistemas isolados. e podem variar de acordo com a necessidade maior ou menor do uso das usinas termoelétricas. até o limite que não causasse incremento tarifário para o consumidor. a Lei nº 10. que é a entidade que movimenta os recursos arrecadados para esse fim. ii) promover a competitividade da energia produzida a partir de fonte eólica. é fixada anualmente e paga mensalmente pelas concessionárias à Eletrobrás. Taxa de Fiscalização de Serviços de Energia Elétrica – TFSEE Instituída pela Lei nº 9. estabeleceram que. de 7 de novembro de 1973.427. posteriormente.2. Os custos da geração termoelétrica são rateados por todos os consumidores do Brasil. Anualmente eram estabelecidas quotas de CCC para os seguintes sistemas elétricos: i) Sistema Interligado Sul/Sudeste/Centro-Oeste. na proporção do crescimento do mercado de cada agente. 2. Trata-se de parcela cujo valor anual é estabelecido pela Aneel com a finalidade de constituir sua receita e destina-se à cobertura do custeio de suas atividades. A quota da CCC fixada anualmente é paga mensalmente pelas concessionárias à Eletrobrás.648/98. A Lei nº 9. equivale a 0. pequenas centrais hidrelétricas. atualmente é paga somente a parcela de subsídio aos consumidores dos sistemas isolados. nos denominados sistemas isolados. em função do seu mercado. a partir de 2002. ou seja.1. Conta de Desenvolvimento Energético – CDE Criada pela Lei nº 10. o valor da quota de CDE seria reajustado anualmente. 9 . cuja duração é de 25 anos. iii) Sistemas Isolados. Conta de Consumo de Combustíveis – CCC Criada pelo Decreto nº 73. gás natural e carvão mineral.1. representa a parcela cujo valor anual é estabelecido pela Aneel com a finalidade de prover recursos para: i) o desenvolvimento energético dos estados. e a Resolução Aneel nº 261. Os valores da CCC são fixados anualmente pela Aneel com base nas informações prestadas pela Eletrobrás com relação às condições previstas de hidraulicidade. inicialmente era estimada como a despesa a ser gasta com compra de combustíveis fósseis para geração de energia.102. A CDE. Os consumidores dos Sistemas Isolados estão isentos desse custo.

biomassa e pequenas centrais hidrelétricas. as concessionárias e permissionárias de serviços públicos de distribuição de energia elétrica ficam obrigadas a aplicar. Esse encargo foi criado por ocasião do estabelecimento das “Regras de Mercado”. tem o objetivo de aumentar a participação de fontes alternativas renováveis na produção de energia elétrica no País. de 12 de agosto de 2004. no mínimo. com a instituição do atual modelo do setor elétrico. Anualmente. Pesquisa e Desenvolvimento – P&D De acordo com a Lei nº 9. Sua gestão fica a cargo da CCEE. 10 Representa o custo incorrido para manter a confiabilidade e a estabilidade do Sistema Elétrico. 0. de 24 de julho de 2000. para o atendimento do consumo. utilizadas para a elaboração da contabilização das operações de compra e venda de energia de curto prazo. o Operador Nacional do Sistema Elétrico (pessoa jurídica de direito privado. A gestão da taxa fica a cargo do ONS. 2.2. através da Resolução nº 290. • 40% para projetos de pesquisa e desenvolvimento segundo regulamentos estabelecidos pela Aneel. sem fins lucrativos) teve suas atribuições ratificadas pelo Decreto nº 5. no mínimo. os investimentos acima descritos devem ser realizados do seguinte modo: • 40% dos recursos devem ser depositados no FNCDT – Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. bem como administrar e coordenar a prestação dos serviços de geração e transmissão de energia elétrica.1. anualmente. Além dos encargos relativos ao uso das instalações da rede básica.991. de 4 de agosto de 2000. Conforme dispõe o art. Esse custo é apurado mensalmente pela CCEE e é pago pelos agentes da categoria de consumo aos agentes de geração.6. no âmbito da Câmara de Compensação de Energia Elétrica – CCEE. tal como geração de energia através de usinas termelétricas em horários de pico.1. 0. tais como: energia eólica (ventos). que substituiu o Mercado Atacadista de Energia – MAE. Encargos de Serviço de Sistema – ESS Com base no que dispõe o art.7.25% (vinte e cinco centésimos por cento) em programas de eficiência energética no uso final. 12 da Lei nº 10.655. 11 . 2. para atendimento a restrições de transmissão.1.848.438. de 2 de julho de 1998. A maior parte desse encargo diz respeito ao pagamento a geradores que receberam ordem de despacho do ONS. o montante de. 2.75% (setenta e cinco centésimos por cento) de sua receita operacional líquida em pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico. de 14 de maio de 2004. • 20% para o Ministério de Minas e Energia. e.1. de 26 de abril de 2002. o ONS submete à aprovação da Aneel seu orçamento e os valores das contribuições mensais de seus associados. de 15 de março de 2004. o que caracteriza uma contribuição compulsória. a Aneel homologou as regras de mercado relativas aos Encargos de Serviços do Sistema – ESS.8. Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica – Proinfa Instituído pela Lei nº 10.081. as distribuidoras pagam mensalmente valores relativos ao custeio das atividades do ONS. O atual estatuto do ONS foi aprovado pela Resolução Autorizativa nº 328 da Aneel.5. 18 do Decreto nº 2. que tem como missão coordenar e controlar a operação dos sistemas elétricos interligados. Esses recursos não serão necessariamente utilizados em projetos próprios. Taxa de Custeio do Operador Nacional do Sistema – ONS Em 2004.

de 6 de dezembro de 2004. 2. da barra de geração dessa usina até a rede de linhas e subestações em tensão igual ou superior a 230 kV. Esses contratos são compulsórios. o serviço de transporte da energia elétrica por longas distâncias é feito por essa rede.2. Rede Básica O uso das instalações da Rede Básica de Transmissão de Energia Elétrica refere-se aos valores pagos pelas concessionárias de distribuição às transmissoras. 2. firmados antes da Lei nº 10. com base nos valores de demanda de potência multiplicados por tarifa específica estabe13 2. mediante contratos (contratos iniciais e contratos bilaterais). a Aneel publica as quotas anuais de energia e de custeio a serem pagas em duodécimos. 2. os contratos anteriores estão classificados na modalidade Bilaterais e dependem de homologação da Aneel. denominada Rede Básica. Tais encargos são calculados mensalmente pelo ONS. existem dois ambientes de contratação de energia elétrica: o primeiro é o Ambiente de Contratação Regulada – ACR – e o segundo é o Ambiente de Contratação Livre – ACL. instituiu as bases para o novo modelo do setor elétrico. 3.163.2. Nesse modelo. Sua gestão fica a cargo da Eletrobrás. 4. Contratos Bilaterais: são os contratos de livre negociação entre agentes. ENERGIA COMPRADA Para atendimento a seu mercado de referência. TRANSPORTE DE ENERGIA 2. São excluídos desse rateio os consumidores integrantes da Subclasse Residencial Baixa Renda.848. Esses contratos são decorrentes de Leilões Públicos de montantes de energia.3.848. As quotas são calculadas com base na previsão de geração de energia das usinas integrantes do Proinfa e nos referentes custos apresentados no Plano Anual específico elaborado pela Eletrobrás. Conforme essa lei os agentes de distribuição só podem comercializar energia no Ambiente de Contratação Regulado – ACR. Contratos de Leilões – são os contratos de compra e venda de energia anterior ao Decreto nº 5. As distribuidoras de energia elétrica só podem comercializar energia no primeiro ambiente. 12 . CCEAR: são contratos de comercialização de energia elétrica no ambiente regulado.848/2004. A Lei nº 10. de 5 de julho de 1973.1. conforme Contrato de Uso do Sistema de Transmissão – Cust – celebrado com o ONS pelo acesso à rede básica de transmissão do sistema interligado. realizados no âmbito do antigo Mercado Atacadista de Energia – MAE (hoje Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).889.A cada final de ano. Portanto.3. decorrentes de leilões definidos com base no Decreto nº 5. Contratos de Itaipu – referem-se à energia comercializada pela Itaipu Binacional com as concessionárias de distribuição de energia elétrica que adquirem as quotas-partes da produção disponibilizada para o Brasil. estabelecendo regras para a comercialização de energia elétrica. conforme regra estabelecida pela Lei nº 5. Transporte de Itaipu O transporte da energia elétrica proveniente de Itaipu Binacional refere-se ao custo de transporte da quota-parte de energia elétrica adquirida pela concessionária.163/2004. com base na Resolução Normativa nº 127. a concessionária de distribuição compra energia elétrica de diferentes empresas de geração e sob diferentes condições. fixada pela Aneel em R$/MW. Os atuais contratos podem ser classificados nas modalidades a seguir: 1.3. de 15 de março de 2004. que regulamentou a Lei nº 10. por todos os agentes do Sistema Interligado Nacional (SIN) que comercializam energia com o consumidor final ou que pagam pela utilização das redes de distribuição e transmissão. No Brasil. A despesa com transporte de energia elétrica proveniente de Itaipu é o resultado da multiplicação do montante de demanda de potência (MW) adquirida pela tarifa de transporte de Itaipu. com consumo igual ou inferior a 80 kWh/mês.

têm que fazer uso de instalações e linhas de transmissão não integrantes da Rede Básica. 2. por sua vez. cobrar os encargos de uso das instalações de rede básica às concessionárias distribuidoras e creditá-los às transmissoras.3. na fiscalização desses custos (técnicos. está numa posição reconhecidamente prejudicada em relação ao acesso e ao tratamento dessas informações. Nessa parcela.4. também estabelecida pela Aneel.lecida pela Aneel. Essa tarifa.3. Quota de Reintegração A quota de reintegração regulatória ou depreciação refere-se aos recursos necessários para a recomposição dos investimentos realizados para prestação do serviço de fornecimento de energia elétrica ao longo de sua vida útil. Desde 2003. 15 14 . financeiros. para cobrir os custos decorrentes da atividade de transmissão. contábeis etc.4. aparecem efetivamente os custos da empresa com mão de obra própria e de terceiros. a componente relativa aos custos operacionais não considera os custos efetivos da empresa. todo o custo era pago pela carga. Serviços de Terceiros e Outros O regime de regulação por incentivo.4. Antes dessa data. que é o modelo adotado no setor elétrico nacional. mesmo possuindo o poder de fiscalização dos dados da empresa. Porém. Há ainda as parcelas de remuneração do capital e depreciação. entre outras. contudo. 2. Pessoal. mas também pertencentes às empresas transmissoras. No caso dos custos operacionais. além da leitura. por sua vez. administração. cabe ao ONS administrar os serviços de transmissão. de forma proporcional às suas quotas. destinados a remunerar os investimentos e a operação daquelas instalações. Material. que constitui uma empresa virtual onde são consideradas as melhores práticas de gestão de custos. arrecadação. as características físico-geográficas e sociais da área de concessão da distribuidora regulada. Os valores desses encargos são regulados pela Aneel e têm reajuste anual juntamente com as tarifas de fornecimento das distribuidoras. Por esse uso. A empresa possui acesso irrestrito a todos os dados gerenciais. CUSTOS DO SERVIÇO DE DISTRIBUIÇÃO São constituídos por despesas gerenciáveis da distribuidora. as distribuidoras. tem como princípio a definição de metas e parâmetros de eficiência em todos os temas concernentes à prestação do serviço público de energia elétrica. Como entidade executora das atividades de coordenação e controle da operação e transmissão de energia elétrica nos sistemas interligados. A distribuidora detentora das quotas-partes de Itaipu pagam também pelos Encargos de Uso da Rede Básica atribuídos à Itaipu Binacional. o pagamento dos custos da Rede Básica é dividido entre geradores e carga.2. 2. O regulador. assim como os recursos (materiais) necessários para executar a operação e manutenção dos serviços de distribuição de energia. faturamento. é função da receita anual permitida para as concessionárias detentoras da rede básica de transmissão (transmissoras). operativos. Assim. muitas vezes. são definidos parâmetros externos de eficiência para os custos operacionais por meio de uma empresa de referência. Portanto. de acordo com as medições mensais de demanda de potência efetuadas por estas. na determinação das tarifas dos serviços regulados. respeitando-se. 2. o regulador deve estabelecer um patamar de custos operacionais que seja adequado à prestação do serviço com qualidade. Esse procedimento define referências para orientar a gestão empresarial sem causar ingerências indevidas na empresa. elas pagam encargos denominados de Conexão. Conexão Para conectarem-se à Rede Básica de Transmissão.) verificam-se posições assimétricas entre a empresa e o regulador no que concerne ao acesso às informações.1.

9% para os consumidores integrantes das Classes Residenciais. Dessa forma. ao se ajustar a base de remuneração em valor correto. 2.9% para os demais consumidores. sendo o valor bruto. 2. incluindo o efeito dos impostos sobre a renda. O aumento de 2. reflete apenas os investimentos prudentes quando da definição das tarifas para os consumidores. busca recompor as perdas das distribuidoras com as variações de custos da parcela A e com a redução da receita verificada. geradoras e o Governo Federal. o pagamento dos dividendos aos acionistas e os juros dos empréstimos e financiamentos.5.5 TRIBUTOS E COMPONENTES EXTERNOS ÀS TARIFAS 2. às tarifas de fornecimento de energia elétrica. A RTE. essa taxa tem o valor líquido de 9. Esse acordo teve como objetivo recuperar as perdas econômicas e financeiras causadas pelo racionamento ocorrido no País de junho de 2001 a fevereiro de 2002.1. foi estabelecido pela Lei nº 5. A base de remuneração regulatória é composta dos ativos necessários para a execução das atividades inerentes ao negócio de distribuição.2. tal tributo é disciplinado pela Lei Complementar 87/96 (Lei Kandir). de 15. A remuneração e a reintegração do investimento são direcionadas para custear os investimentos em expansão. 17 16 .172.3. Rural e Iluminação Pública e 7.2.95%. Trata-se dos investimentos requeridos para que a concessionária possa prestar o serviço de distribuição cumprindo as condições do contrato de concessão (em particular os níveis de qualidade exigidos). A arrecadação dos valores a serem recuperados se dá por meio da aplicação.438/2002. ou seja. bem como demais características tributárias. avaliados a “preços de mercado” e “adaptados” através dos índices de aproveitamento definidos pela Aneel. Recomposição Tarifária Extraordinária – RTE A Recomposição Tarifária Extraordinária – RTE foi resultante do Acordo Setorial assinado em dezembro de 2001 entre distribuidoras. a qual regulamentou que sua aplicação incida sobre a comercialização de energia elétrica. a Aneel está adotando a metodologia internacionalmente consagrada do Custo Médio Ponderado de Capital (Weighted Average Cost of Capital – WACC).5.438. e vem sofrendo modificações ao longo dos anos. antes dos impostos (imposto de renda e contribuição sindical).9% não foi aplicado aos consumidores integrantes da subclasse Residencial Baixa Renda.4. Para o cálculo da taxa de retorno. O valor da base de remuneração regulatória é revisto a cada revisão tarifária das concessionárias e segue a metodologia definida pela Aneel nas Resoluções 234/2006 e 338/2008. A definição da base de remuneração é importante para que os investimentos necessários aos serviços da concessão sejam estimulados e justamente remunerados. o consumidor não pagará nem mais nem menos que a tarifa que produz o equilíbrio econômico-financeiro das concessionárias. 4º da Lei nº 10. Apesar da competência estadual. homologada através da Lei nº 10. Esse enfoque busca proporcionar aos investidores um retorno igual ao que seria obtido sobre outros investimentos com características de risco comparáveis. Cada estado disciplina sobre a alíquota a ser aplicada. dos índices de 2. Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS Imposto devido aos estados e Distrito Federal. e ainda repor o custo da energia gerada paga aos geradores livres pelas geradoras estatais e federais. de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional).08%. conforme o art. Remuneração do Investimento A remuneração sobre o capital investido é o resultado da aplicação da taxa de retorno adequada para a atividade de distribuição no Brasil sobre o investimento a ser remunerado ou base de remuneração. Atualmente.

com base de cálculo alterada. expansão. Cofins A Cofins. operação e manutenção das instalações de iluminação pública é da Prefeitura Municipal. possuíam alíquota de 0. sendo a forma mais usada a de alíquotas progressivas. 2. Imposto de Renda (IR) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). sendo que sua alíquota é ainda maior.65%. As despesas da Parcela A são comumente chamadas de custos não gerenciáveis pelas distribuidoras. de 30 de dezembro de 2002. 19 18 . conforme a Lei nº 10. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social.6%. as Prefeituras lançam mão da CIP – Contribuição para Custeio de Serviço de Iluminação Publica. A alteração do sistema para a não-cumulatividade resultou no mesmo problema já comentado em relação ao PIS/Pasep. 3% em 1999 e atualmente é de 7. o pagamento desse tributo embutido na compra e transporte de energia pode ser usado como crédito pela distribuidora. implantação. Cabe a cada município regulamentar. Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público. cujos principais componentes são os custos com PMSO (pessoal.3. possui a mesma base e metodologia de cálculo do PIS/Pasep. tais como Remuneração do Capital de Terceiros. Com o advento da nova lei.5. serviço de terceiros e outros). Para financiar tais serviços.637. quota de reintegração (depreciação/amortização) e a própria remuneração do capital (próprio e terceiros). destacam-se: • Parcela A. o sistema de arrecadação do PIS/Pasep passou a ser não cumulativo. Quando criados. a alíquota passou para 1.5. 2% no passado. 2. que são cobrados na conta de energia. conforme o consumo de energia. a partir da Lei nº 10. A Contribuição de Iluminação Pública – CIP foi instituída pela Emenda Constitucional nº 39.2. de 29 de dezembro de 2003. incluindo o ICMS. que é composta pelos encargos setoriais. 149-A da Constituição Federal. ficando a Prefeitura responsável pelas despesas decorrentes. sejam apropriados pela Distribuidora. • Parcela B.833. de 19 de dezembro de 2002. por meio de Lei Complementar Municipal. isto é.5. permitindo algumas compensações. O governo aumentou a alíquota para não reduzir a arrecadação. têm como base de cálculo a receita bruta das empresas. a cobrança da contribuição. mas. embora nem todos os custos da Parcela B. 3. a responsabilidade pelos serviços de elaboração de projeto. cuja base e fundamentação jurídica encontram-se no art. • Tributos como ICMS e Pasep/Cofins. e a Parcela B. ou seja.4. energia comprada e transmissão. Programa de Integração Social. A concessionária poderá prestar os serviços mediante celebração de contrato específico. como o Pasep. reaJUsTes e cOMPOsiÇÃO das Tarifas de energia elÉTrica Considerando-se os principais custos presentes em uma fatura de energia elétrica. de 29 de novembro de 2000. enquanto o Pasep é recolhido por empresas públicas.65% e. PIS/Pasep Tanto o PIS. A diferença básica entre eles é que o PIS é recolhido por empresas na iniciativa privada. ou seja. ela praticamente dobrou. material. mas não entram na composição de custos para os reajustes. de custos gerenciáveis. Contribuição de Iluminação Pública – CIP Segundo a Resolução Aneel nº 456.5. ao contrário do que se esperava.

que é um fator que mede a produtividade da concessionária no período entre revisões. os custos gerenciáveis. ou Parcela B. “tais regras estimulam a concessionária a reduzir os custos de operação (cobertos pela Parcela B da receita) ao longo do período anterior à próxima revisão tarifária. 20 receiTa aTUal – ra0 Parcela b vPb0 igPM±X repasse integral Parcela a vPa0 Parcela a vPa1 dra – anO 0 Período anual do reajuste drP – anO 1 Os reajustes tarifários anuais estão previstos no contrato de concessão não apenas como mecanismo de correção monetária. De acordo com a metodologia do reajuste estabelecida nos contratos de concessão. a remuneração da concessionária não está garantida. À Aneel. A segunda etapa da revisão consiste na definição do Fator X. Um novo percentual de remuneração do capital é definido pela Aneel e a base de remuneração regulatória é revisada considerandose os investimentos prudentes realizados no período entre revisões. A figura abaixo ilustra a metodologia de reajustes tarifários anuais. Conforme a Nota Técnica nº 040/2003 da Aneel. Parcela A. obtida pela diferença. conforme definido pela Lei nº 8. a variação dos custos não gerenciáveis pela empresa. cumpre regular o serviço público de distribuição de energia elétrica e efetuar as revisões e reajustes tarifários. é então reajustada pelo IGP-M dos 12 meses anteriores à data do reajuste menos o Fator X. Nas revisões tarifárias.987. Os custos operacionais da empresa são recalculados. das normas pertinentes e do contrato”. iii) revisão tarifária extraordinária. O processo de definição dos custos operacionais eficientes e da remuneração adequada do capital investido é chamado de reposicionamento tarifário. é repassada integralmente aos consumidores. Portanto.“Art. mas também para resguardar as concessionárias de distribuição de energia elétrica do aumento dos custos que não estão sob o seu controle. repassando para os consumidores os ganhos de produtividade. 29. Incumbe ao poder concedente: V – homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei. mas depende de uma gestão eficiente dos chamados custos gerenciáveis”. que são: i) reajuste tarifário anual. 21 receiTa necessÁria – ra1 É competência da Aneel homologar as tarifas de energia elétrica. são estimados os ganhos de produtividade da empresa no período tarifário subsequente. a partir do modelo da empresa de referência. ii) revisão tarifária ordinária. como titular das competências reservadas ao Poder Concedente. de 13 de fevereiro de 1995: Parcela b vPb1 . são obtidos pela diferença entre a receita (RA0) do período entre o reajuste anterior (DRA) e o reajuste atual (DRP) e o valor da Parcela A. Nos reajustes tarifários. Nos contratos de concessão foram estabelecidas as tarifas iniciais e seus mecanismos de reajuste. A Parcela B. sob a forma de maior remuneração do capital. uma vez que custos menores para um mesmo nível real de tarifas implicam maiores benefícios para a concessionária. Para cálculo do Fator X. cada componente da Parcela B é revisto.

3. As perdas técnicas correspondem às perdas associadas ao transporte da energia pelas redes de transmissão e distribuição. a concessionária deve comprar 1. Km de rede: a extensão da rede tem relação direta com o custo do fornecimento: a necessidade de extensas redes aumentará os ativos a serem remunerados. As perdas não técnicas correspondem à diferença entre as perdas totais e as perdas técnicas. Isso significa que. por meio da Resolução Normativa nº 234. Tendo em vista a capacidade de gestão da empresa sobre seu nível global de perdas elétricas. TRATAMENTO REGULATóRIO DAS PERDAS DE ENERGIA O regime de regulação por incentivo. estas são separadas em duas categorias: perdas técnicas e perdas não técnicas. Para tratamento das perdas de energia. e até nos custos da rede (por causa da topografia. os custos de operação e manutenção e as perdas técnicas. no tempo de deslocamento.100 kWh de energia. por sua vez. Como esses ganhos de produtividade não são obtidos por uma maior eficiência na gestão dos custos operacionais da empresa. cabe ao regulador definir uma meta global para as perdas de energia elétrica. custos de uma distribuidora de energia elétrica. O repasse se dá por meio do Fator X. E o atendimento desse mercado adicional é feito a custos decrescentes em relação aos definidos no reposicionamento tarifário. POr QUe as Tarifas de energia elÉTrica difereM de esTadO Para esTadO Área de concessão: as características sociais. deve fornecer parâmetros de eficiência em todos os temas relativos à prestação do serviço público de distribuição de energia elétrica. as regras para estabelecimento da meta regulatória para o nível de perdas. Para as perdas não técnicas.000 kWh/mês. o histórico. entre outros. as projeções e as propostas de combate às perdas não técnicas. preços dos terrenos de subestações. Para as perdas técnicas. a Aneel definiu. será estabelecido um nível ótimo de perdas considerando as características do sistema elétrico de cada concessionária. O aumento das perdas implica maior compra de energia para atendimento do mercado. Para o segundo ciclo de revisões tarifárias que se iniciaram em 2007. nos custos de materiais e serviços de terceiros. podem ser combatidas por meio de ações no combate aos furtos de energia e melhorias no sistema de faturamento. problemas na medição e faturamento. Como um exemplo hipotético. No entanto. econômicas e até geográficas da área de concessão interferem nos custos do fornecimento de energia elétrica: no preço da mão de obra. 23 . para atender um consumidor com consumo de 1. decorrentes de furto de energia. as concessionárias de distribuição possuem certa capacidade de gestão sobre o nível de perdas. como é o caso do modelo utilizado no Brasil. do aluguel das áreas de servidão. a Aneel avaliará as características socioeconômicas da área de concessão de cada empresa. maiores perdas elevam os custos que devem ser repassados aos consumidores. As perdas não técnicas. suponhamos que uma concessionária de distribuição verifique uma perda de 10% no transporte de energia. entre outros). Como a compra de energia faz parte da composição dos 22 4. devem ser repassados para o consumidor. que reduz a correção da Parcela B nos reajustes tarifários anuais.Esses ganhos de produtividade advêm do crescimento das vendas tanto pelo incremento no número de clientes quanto pelo aumento do consumo dos clientes existentes.1. As perdas técnicas podem ser reduzidas com investimentos na conservação e adequação do seu sistema elétrico ao perfil de sua carga.

Quantidade de consumidores da classe rural: os consumidores rurais também são subsidiados. isto é. Esse subsídio é coberto por um sobrepreço acrescido às tarifas plenas dos demais clientes. apesar dos esforços de combate. Quantidade de consumidores de baixa renda: os consumidores classificados como baixa renda têm direito a uma tarifa mais baixa. muitos custos fixos seriam rateados por maior energia. sem ganho de escala. por exemplo. Data do reajuste: cada concessionária de distribuição de energia possui uma data de reajuste e esse fato deve ser considerado nas comparações. 24 . portanto. as concessionárias que sofreram reajuste no primeiro semestre vão parecer mais caras que aquelas que ainda não foram reajustadas. é repassada às tarifas dos consumidores. Parte dessa energia furtada. o que permitiria redução da tarifa cobrada. Aumentando o consumo médio por consumidor. os diversos níveis de organização da sociedade incentivam ou inibem os furtos de energia (conhecidos como “gatos”). Perdas comerciais: a diversidade econômica e cultural. aumentando ainda mais os subsídios cruzados bancados pelo consumidores de tarifas plenas. implicam altos custos por energia vendida. dificilmente gerenciada pela concessionária. pois. mas que precisam ter capacidade para transportar nas horas de carga máxima. a altas tarifas. se uma pesquisa comparativa é realizada em julho. A conjugação de extensas redes para atendimento a pequenos consumos leva então a altíssimos custos e.Baixo consumo por consumidor: redes transportando pouca energia.

ClassifiCação: PúbliCo outubro/2009 .

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->