GOSTO SE DISCUTE, SIM.

Beatriz Cossermelli

A estética, palavra grega aisthetiké que significa “sensível”, surgiu na antiga Grécia, como uma reflexão sobre as manifestações do belo natural e sobre o belo artístico. A palavra estética, porém, só foi introduzida no vocabulário filosófico no século XVIII com a publicação do livro “Estética” (1750) onde o filósofo alemão Baumgartem procurou analisar a formação do gosto. Platão identificou a beleza com o Bem, com a Verdade e a perfeição e afirmou que a beleza de algo não passa de uma cópia da verdadeira beleza que pertence ao mundo das idéias. Na Idade Media passou-se a identificar a beleza com Deus, sendo as coisas belas feitas a sua imagem e por sua inspiração. Entre os séculos XVI e XVIII o conceito de beleza foi baseado no conceito aristotélico de estética quando procuraram definir as regras para atingir a perfeição na arte, conferindo ao artista verdadeiras dimensões de criador. Kant, o principal criador da estética contemporânea atribuiu ao sentimento estético as qualidades de prazer desinteressado e subjetividade universal. No século XX a arte moderna rompe com os conceitos e as convenções estabelecidas na arte e sobre a arte. Enfim, por mais que o problema da estética seja matéria de discussão infindável na filosofia, a crítica hoje não é bem-vinda pela população. Vivemos em uma época em que o juízo estético fundamentado é muitas vezes confundido com preconceito disso ou daquilo. É o “gosto não se discute”, é o “se foi feito com amor, porque não?”. Minha opinião é de que gosto se discute, sim. Afinal, se não há crítica não se avança. O público está se afogando cada vez mais nas incertezas desta realidade relativística e precisa de orientação. A crítica deve, de alguma forma, voltar.

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