Revista de Arquelogia romana

A IgrejA de S. gIão
(Nazaré)

Ano I - nº 1 - Abril 2012

oS SegredoS SuBAquÁtIcoS de cAllIPuS FuNdeAdouro dA BerleNgA e o Seu PoteNcIAl ArqueológIco o Projecto IPSIIS

Índice
Editorial pág. 4 pág. 6 pág. 16 pág. 23 pág. 24 pág. 28 pág. 32 pág. 36 pág. 42 pág. 50

Todos os investigadores que até à data estudaram S.Gião da Nazaré classificam esta igreja como sendo de origem visigótica. Terão sido levados a isso pela existência da parede que divide o cruzeiro da nave central da igreja, constituído por uma porta e duas janelas com arcos ultrapassados, iconóstase. Por Adriano Monteiro, Engº.

IgrejA de S. gIão dA NAzAré

Notícias Fundeadouro da Berlenga e o seu potencial arqueológico VISITE - Museu Arqueológico do Carmo Cortiçais História de um naufrágio romano em Peniche Transportando vinho pelo Mosela. O “barco do vinho” de Neumagen. O Projecto IPSIIS Uma Villa romana no Rossio da Pederneira? A igreja de São Gião da Nazaré Foto-reportagem

destaque

pág. 42

Mosaico de Cós – “Os relatos de J.L.Vasconcelos” pág. 56 FuNdeAdouro dA BerleNgA e o Seu PoteNcIAl ArqueológIco Por Alexandre Monteiro pág.16 O Acampamento romano de Alto dos Cacos (Almeirim) Os Segredos Subaquáticos de Callipus (Sado) “LUDI CEREALES” – Os ovos da pascoa o Projecto IPSIIS Por José de Sousa pág.32 O Desenho e a Ilustração na Arqueologia O mosaico Romano Sabia que... «As mulheres em Roma…» Lendas e Estórias Roteiro Arqueológico Romano do Concelho de Cascais pág. 94 pág. pág. 60 pág. 64 pág. 70 pág. 74 pág. 81 pág. 86 pág. 93 Uma peça um Museu – Museu Dr. Joaquim Manso pág. 63

pág.

2

oS SegredoS SuBAquÁtIcoS de cAllIPuS Por: Sónia Bombico pág.64

3

Índice

Proteger e gerIr A mudANçA
m Abril comemora-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, este ano sob o lema “proteger e gerir a mudança”, um tema proposto pelo ICOMOS (Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios) a que o (extinto) IGESPAR se associa, tendo como parceiras muitas entidades públicas e privadas. Do nosso ponto de vista, o tema seleccionado adequa-se na perfeição a este projecto «Portugal Romano» e à missão que diariamente tentamos levar a cabo, em prol do legado romano em Portugal. Os dias que correm em Portugal são difíceis, com resultados nefastos para o nosso património arqueológico que tem sido, em muitos casos, um alvo fácil para atentados à sua integridade. Será a altura de GERIR A MUDANÇA, “desenterrar” novamente este potencial de riqueza arqueológica e direccionar esforços para o seu enraizamento no turismo cultural, em franca expansão na Europa. Os Municípios e entidades governamentais devem e podem ajudar nesta mudança. Não é altura para nos escondermos, é hora de agir, criar e promover. A nossa história continua por contar em muitos recantos de Portugal. A divulgação deste sítios pode ser uma nova fonte de riqueza para as forças vivas dos Municípios e uma importante ajuda para ajudar todos os Portugueses a ultrapassar a Crise, pois permite sedimentar integridades culturais e encontrar novos recursos. “Faça férias cá dentro” dizia o slogan pág.

editorial

E

palestra no local sobre essa importante Villa Romana pelos arqueólogos responsáveis na sua escavação, Professor Doutor José d’Encarnação e o Mestre Arqueólogo Guilherme Cardoso. Em Maio, esperamos, com a adesão ao Dia dos Museus, poder também contribuir para a divulgação do Património Móvel romano. Em todos os projectos existe um objectivo, o nosso são as pessoas, portugueses, espanhóis, brasileiros, ingleses, um sem número de pessoas que nos acompanham, que partilham e recebem informação sobre o nosso património romano e que connosco querem colaborar nesta tarefa de conhecer e conservar uma herança comum. Hoje quero saudar um de vós e, com este acto simbólico, fazer saudação e agradecimento a todos, pela presença desde a primeira hora, pela colaboração, pelo incentivo e apoio. Obrigado Teresa Teresa Monteverde Plantier Saraiva! Espero que este Número 1 da Revista «Portugal Romano.com» seja do vosso agrado, pois tem sido para esta equipa um enorme prazer poder concebê-la e levar por diante a sua elaboração com o contributo de arqueólogos e de investigadores a quem aproveito também para saudar e agradecer. A partilha de conhecimento e divulgação é mais um passo para Proteger e gerir a mudança! Raúl Losada

direcção:

Ficha técnica

Director: Raúl Losada Dir. Científica e Redactorial: Filomena Barata Dir. de Imagem e de Arte: Miguel Rosenstok

contactos:

geral: portugal.romano@gmail.com publicidade: info@portugalromano.com

colaboradores externos neste número:

do Turismo de Portugal: hoje, mais que ontem, é a grande solução para a nossa economia familiar e nacional. No sentido de PROTEGER o nosso património, o projecto «Portugal Romano. com» vai desenvolver algumas iniciativas durante o mês de Abril, sendo esta a nossa forma de comemorar a data Mundial dedicada aos Monumentos e sítios. Destaco a iniciativa a realizar na Cidade Romana de Miróbriga, Santiago do Cacém, onde será apresentado novamente o projecto e excerto do documentário que nos encontramos a elaborar sobre este sítio arqueológico, em parceria com a Liga de Amigos de Miróbriga. Iremos também realizar um passeio arqueológico em Olisipo, “A Lisboa Romana”, porque o conhecimento dos locais e a sua divulgação são o caminho para a sua protecção e valorização. Para finalizar o mês de Abril teremos ainda uma acção de voluntariado na Villa Romana de Freiria em parceria com o Município de Cascais, que terá como objectivo colaborar na sua limpeza e corte de vegetação. Esta iniciativa será completada com uma

Alexandre Monteiro; Maria Duran Kremer; Guilherme Cardoso; José de Sousa; Adriano Monteiro; Carlos Fidalgo Sónia Bombico; Duarte Fernandes Pinto; César Figueiredo; João Pimenta.

1. A PortugalRomano.com é uma publicação bimensal, podendo vir a tornar-se mensal, que aborda várias temáticas relacionadas com a Arqueologia e a História, com especial ênfase para a ocupação romana do actual território português. Os princípios que aqui se descrevem também se aplicam ao site ou a qualquer outra extensão de marca PortugalRomano.com . 2. A PortugalRomano.com respeita os direitos e deveres constitucionais da Liberdade de Expressão e de Informação. 3. A PortugalRomano.com rege-se por critérios jornalísticos e científicos de Rigor e Isenção, respeitando todas as opiniões ou crenças. 4. Os jornalistas da PortugalRomano.com comprometemse a respeitar escrupulosamente o código deontológico de jornalistas e princípios éticos dos especialistas da área da História e Arqueologia. 5. Todos os textos e imagens veiculados pela PortugalRomano.com em qualquer suporte são de autoria reconhecida. 6. A PortugalRomano.com distingue, criteriosamente, as notícias do conteúdo opinativo, reservando-se o direito de ordenar, interp- retar e relacionar os factos e acontecimentos. 7. A PortugalRomano.com compromete-se a respeitar o sigilo das suas fontes de informação, quando solicitado, não admitindo, em nenhuma circunstância, a quebra desse princípio. 8. A PortugalRomano.com cumpre a Lei de Imprensa e as orientações definidas neste Estatuto Editorial e pela sua Direção. 9. A PortugalRomano.com, na sua revista, tem um Director, uma Direcção Científica e Redactorial e uma Direcção de Imagem e de Arte, podendo vir a sentir-se a necessidade de vir a ser criado futuramente um Conselho editorial.

estatuto editorial

4

pág.

5

APreSeNtAção eNcoNtrhArte

Os primeiros Encontros de História da Arte da

Antiguidade, Encontrharte, pretendem reunir um conjunto de estudiosos especializados em diferentes áreas de investigação (pintura, escultura, arquitectura, mosaico, cerâmica grega, entre outros) da História da Arte da Antiguidade Clássica e Tardia em Portugal e em Espanha. É sua ambição, igualmente, dar a conhecer o potencial metodológico da História da Arte através da sua articulação com áreas disciplinares distintas como a Arqueologia, a História, a Filososofia, a Literatura, a Geologia. O Encontrharte conta com o vigor da investigação científica na área da História da Arte da Antiguidade Clássica e Tardia em Portugal, herdeira dos trabalhos dos Professores Bairrão Oleiro e Justino Maciel, renovando-se numa geração de jovens investigadores. O tema deste 1º Encontrharte é Horizontes

D
Artísticos da Lusitânia organizado em três sessões que tratarão Abordagens e Metodologias, Espaços, Materiais e Formas e, finalmente, Iconografias. A inspiração para a investigação em História da Arte será sempre a importância inteligível do olhar, numa aprendizagem constante da leitura e compreensão da linguagem da obra da Arte.

“Foram encontrados 52 fragmentos de corpos, que serão da época romana”, confirmou ao CM Macário Correia, presidente da Câmara Municipal de Faro, acrescentando que está a ser feito um levantamento de tudo, no local, por uma equipa de técnicos esde finais de Dezembro que estão a de arqueologia da Estradas de Portugal. ser desenterradas ossadas, que se suspeitam ser da época romana, na zona da Ribeira da Lavadeira, em frente à Pista Na área, foram descobertas várias campas de Atletismo de Faro. Foram descobertas com ossadas humanas e a maioria delas quando estavam a ser realizadas escav- já foram abertas e os corpos foram transações para a construção da Variante Norte. portados para análise. Suspeita--se que os corpos descobertos datem da altura em que os romanos estiveram em Faro, quando a cidade se denominava Ossónoba, no período entre os séculos III a. C. e V d. C. Foram ainda desenterrados vários artefactos. Enquanto estiverem a decorrer as escavações, o que, ao que tudo indica, deverá demorar mais um mês, as obras da Variante Norte de Faro à Estrada Nacional 125 não vão poder avançar na zona. Macário Correia reconhece o impedimento das obras, mas lembra que aquela não é a única razão para que haja atrasos na construção da Variante. “Há vários troços, que não têm nada a ver com aquele local, que já poderiam ter sido construídos e ainda não o foram. O moAs obras estão paradas desde essa altura tivo por ainda não terem sido construídos e só deverão arrancar quando estiver feito prende-se com razões financeiras, e não todo o levantamento arqueológico, daqui a por essas escavações arqueológicas”, referiu o autarca farense. mais um mês. Fonte: Correio da Manhã (foto:Tiago Griff) pág.

deScoBertAS oSSAdAS romANAS juNto A FAro

Notícias

“A mulher romANA” No muSeu muNIcIPAl de VIlA PoucA de AguIAr
“A Mulher Romana nas moedas do Museu de Vila Real” é o tema da exposição actualmente patente no Museu Municipal de Vila Pouca de Aguiar até o próximo dia 4 de Maio. Trata-se de mais uma oportunidade para apreciar a importância das mulheres ao longo da história do Império Romano - mães, esposas, filhas, amantes, mais ou menos sérias, ardilosas, astutas, inteligentes... mulheres. Representadas nas moedas do Museu de Arqueologia e Numismática de Vila Real, em nome próprio ou como divindades. O espólio composto por 18 painéis e moedas insere-se na itinerância do Museu de Arqueologia e Numismática de Vila Real e pode ser vista de 3ª a 6ªfeira, 14H00 às 17H30, Sábado e Domingo, 15H00 às 17H30. Mais informações: Tel: 259403133 / 961537588 E-mail: geral@vitaguiar

pág.

6

7

INScrIção do cABeço dAS FrÁguAS No muSeu NAcIoNAl de ArqueologIA

al Arqueologia, Dr. Luís Raposo, na justificação geral da exposição, “(...) a pretendida eternidade da civilização latina (Roma aeterna) será nesta exposição confrontada com as fortes continuidades locais, que remontam à Pré-história e se manifestam até à actualidade na cultural popular portuguesa. Neste quadro, a Lusitânia emergirá como uma eternidade por si própria (Lusitania aeterna), incorporando valores indígenas e autóctones, de tal forma que as crenças do presente podem ser iluminadas por estas raízes profundas, de tão longa duração (...)”.
Fonte: Museu da Guarda Foto: Correio da Guarda

reABerturA do Núcleo muSeológIco cASA romANA do muSeu de mértolA

cursos livres 2012 - técnicas de registo em Arqueologia

cAmPo ArqueológIco de mértolA

No O molde da inscrição do Cabeço das Fráguas,
pertencente ao Museu da Guarda e executado pelo Instituto Arqueológico Alemão, integra, actualmente, a exposição temporária “Religiões da Lusitânia. Loquuntur saxa” do Museu Nacional de Arqueologia. Recorde-se que este molde foi apresentado pela primeira vez na exposição temporária “Porcom, Oilam, Taurom |Cabeço das Fráguas, o santuário no seu contexto” realizada a 30 de Maio de 2010. Trata-se de uma cópia, à escala natural, do texto epigrafado numa rocha, localizada no santuário do Cabeço das Fráguas, no ponto mais elevado de um recinto fortificado, ao qual se terão deslocado as populações das terras em redor para celebrar os seus ritos, desde o século VIII a.C ao final do século I d.C. O texto descreve um sacrifício de tipo suovetaurilia dedicado a várias divindades indígenas. Ao apresentar um texto religioso de língua indígena em alfabeto latino, esta inscrição é também um importante testemunho da romanização dos cultos indígenas, daí o seu perfeito enquadramento, na exposição temporária do Museu Nacional de Arqueologia. Tal como escreve o Director do Museu Nacion-

dIA INterNAcIoNAl doS moNumeNtoS e SÍtIoS
18 de ABrIl

âmbito da iniciativa da Câmara Municipal de Mértola “Lembrar Serrão Martins”, reabre no dia 27 de março, às 17h30, o núcleo museológico Casa Romana. Neste núcleo museológico, inaugurado há 24 anos, procedeu-se a uma remodelação total da exposição permanente que conta com a introdução de novos objetos representativos das intervenções arqueológicas realizadas em Mértola nos últimos anos, e com a alteração de conteúdos e do design gráfico dos suportes informativos. A remodelação deste núcleo museológico foi possível graças ao Projeto Rede Urbana para o Património, financiado pelo Programa Inalentejo, e à colaboração do Campo Arqueológico de Mértola no que respeita à atualização de conteúdos e conservação e restauro de objetos.
in Site Câmara Municipal de Mértola

Do Património Mundial ao Património Local: proteger e gerir a mudança Vários locais
Tendo por base a proposta do ICOMOS (Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios) para 2012, o IGESPAR convida todas as entidades, públicas e privadas, a associarem-se à celebração deste dia, subordinado ao tema Do Património Mundial ao Património Local – proteger e gerir a mudança. À semelhança das edições anteriores o IGESPAR apresentará uma programação geral das actividades que vierem a ter lugar, procedendo à respectiva divulgação.

o 1º Semestre de 2012, o Campo Arqueológico de Mértola realiza quatro Cursos Livres, relacionados com as Técnicas de Registo em Arqueologia. Este tipo de cursos livres inserem-se no plano formativo desta instituição, tendo como objectivo formar e diversificar o conhecimento intrínseco à matéria da Arqueologia e Património. Os destinatários destes cursos de livre configuração são sobretudo estudantes de Arqueologia e profissionais da área da Arqueologia e Património que sentem a necessidade de aprofundar conhecimentos em áreas pouco desenvolvidas na sua formação profissional ou até mesmo académica. Os cursos livres, segundo a temática, poderão ter a duração de um a três dias, com horário total de sete horas diárias, com sessões teóricas e práticas, segundo a programação destinada a cada curso. Desenho de Materiais Arqueológicos - por Guida Casella 30 e 31 de Março de 2012 Ilustração para Interpretação e Divulgação de Património - por Guida Casella 20 e 21 de Abril de 2012 Fotografia básica para arqueologia: estruturas e peças – por Rossana Torres – 18 e 19 Maio de 2012 Sistemas de Informação Geográfica em Arqueologia – Dados e Métodos – por André Mano -7, 8 e 9 Junho de 2012
Mais informações em: http://www.camertola.pt/article/cursos-livres-2012-tecnicas-de-registo-em-arqueologia

Para

pág.

8

pág.

9

localizado no Alto da Cividade. Pedro Alarcão. Sérgio Borges. este património. bastidores com sanitário e balneário e sanitários para público). Dominaram durante quatro séculos. denuncia. o aumento dos seus níveis de inteligibilidade e. da ruína ao edifício. da autoria do Arq. 10 pág. Sanitários para público e Cobertura).C. antes de mais.com T: (+351) 210 992 871 M: (+351) 919 853 537 pág. uma presença e uma ausência. simultaneamente.. permita dotar o espaço de condições mínimas para acolher espectáculos de pequena dimensão. procurando dar resposta à Carta de Verona e à Declaração de Segesta. Atravessaram meia Europa. como instrumento de concepção. deverá ter em conta a resposta aos seguintes requisitos: acessos e vedação. Produtos tradicionais portugueses.pt www. Porquê? Julgamos ter a resposta. reconstituição ou reabilitação do património arqueológico Entendido numa vertente arqueológica. Exposição e Apresentação das propostas de valorização das ruínas arqueológicas do “Teatro romano de Bracara Augusta” Tema – Conservação. A sua exigência de inteligibilidade é. tal como foi utilizado na origem. que será proposto aos estudantes através do desenho. diogo de Sousa xposição das Propostas de Valorização das ruínas arqueológicas do “Teatro romano de Bracara Augusta” realizadas no âmbito do Curso CEAPA-FAUP (Metodologias de Projecto – Semestre 1) sob a regência do Prof.pt www. em Braga.aroundfield. Praceta Fernando Valle. E Objecto de Intervenção: Vestígios do Teatro Romano de Bracara Augusta.de 30 de março a 22 de Abril de 2012 VAlorIzAção do “teAtro romANo de BrAcArA AuguStA” museu de Arqueologia d. fragmento de uma arquitectura do passado. 11 . mas no sentido inverso. percursos de visita. Directamente do produtor para si. que deverá integrar as construções de apoio à visita das Termas Romanas (Posto de Atendimento. como a ruína. A proposta. Travaram batalhas intermináveis. espaço para espectáculos (com lotação mínima de 500 espectadores.villaportucale. a sua fruição pública. edifício do inicio do século II d. 2º 1750-489 Lisboa comercial@aroundfield. dispositivo para exposição de vestígios do teatro. um convite à reconstrução. Programa da Intervenção: Pretende-se o estudo e desenvolvimento de uma solução que garanta a conservação dos vestígios arqueológicos. ou à cidade.

romano@gmail.com 12 pág. onde todos os visitantes poderão usufruir de grandes descontos em publicações técnicas e científicas ligadas ao património. temPoS dIFereNteS requerem SoluçõeS dIFereNteS DEDICA/VIT // [Q(uintus] · PORCI (vel POMPEI)]VS (hedera) Q(uinti) · PO[RCI vel MPEI] / [LIB (ertus)] · [H]EMERO[S] «Dedicou Quinto Pórcio (ou Pompeu) Hémero. filho do Quinto. como para todos os interessados em áreas como história. a «Festa do Livro». mais informações: portugal. através da realização de grandes descontos em publicações de referência.direção regional de cultura do Algarve promove «Festa do livro» PlAcA VotIVA de SAlAcIA “Epigrafia romana recentemente publicada e descoberta em Outubro de 2011 por Justino Pedro na área do Forum de Salacia (actual Alcácer do Sal). arquitetura e fotografia. que poderão adquirir livros a partir de 1 euro. que pretende sensibilizar os cidadãos para a diversidade e vulnerabilidade do património. seria aliciante pensar que PO (do O temos apenas a metade) pudesse desdobrar-se em POMPEI. A iniciativa associa-se à comemoração do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. liberto de Quinto Pórcio (ou Pompeu). bem como para o esforço envolvido na sua protecção. pág. uma designação atribuída por Sexto Pompeu. 13 . A iniciativa irá decorrer nas lojas da Fortaleza de Sagres (Vila do Bispo) e Villa Romana de Milreu. dito «o Magno». soluções de publicidade à sua medida. com o objetivo de potenciar a difusão de conhecimento nesta área. revista Portugalromano.com info@portugalromano.pt/fluc/iarq/pdfs/Pdfs_FE/ FE_93_2012 . 1 revista A direção regional de Cultura do Algarve promove. mas também a outros universos culturais.uc. arqueologia. referente a um Liberto Quinto Pórcio (ou Pompeu). entre os dias 1 e 22 de abril.por José d’Encarnação e Marisol Ferreira.» (1) excerto em http://www. Esta é uma excelente oportunidade não só para estudantes. “Atendendo ao facto de Salacia ter sido Imperatoria.com.

símbolo de fecundidade. 15 .uma iniciativa ludI cereAleS divulgação Vem decorar ovos para ceres! «Na Antiga Roma e nesta precisa época do ano. pelas 14. Dr. pois. todos vão compreender que muitos dos costumes actuais têm a sua origem nos festivais pagãos da Antiguidade Greco-Romana.» Hoje. a nossa Páscoa retoma e recupera essa tradição. Prof. Decorar ovos para Ceres será. que a deusa tinha de novo enriquecido com a germinação dos cereais.30 estamos á vossa espera Acesso: 4 euros mediante inscrição prévia no museu MORADA Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas Av. Sintra TLF (+351) 219 609 520 Divulgação e educação divulgacao-masmo@sintraquorum.pt pág. a actividade proposta! Público-alvo: dos 5 aos 12 anos Sábado. ofereciam-se a Ceres – a principal deusa que tutelava o «renascimento» da Natureza por ocasião do despertar da Primavera – ovos. São João das Lampas. de fertilidade e do próprio mundo. dia 14 de Abril. que remonta há 25 séculos! Assim. no final desta actividade. 14 pág. Fernando de Almeida. D. São Miguel de Odrinhas. e como esta velha prática passou a fazer parte de uma das mais importantes celebrações do Ano Cristão.

pág. PreSeNçA romANA No mAr dAS BerleNgAS Testemunho irrefutável da presença romana. o mar das Berlengas apresenta actualmente o maior conjunto. a sudeste do Carreiro do Mosteiro e a cerca de 23 metros de profundidade. aliás. vindos do Mediterrâneo. bolinando em condições que os levavam a navegar. entre 1984 e 1988 foram recuperadas cerca de uma dúzia de ânforas romanas. e deste até aos finais do século V. conhecido de ânforas provenientes de meio marítimo português – facto que tem. respectivamente. 16 pág. 17 .Fotografia Aérea pesar dos mitos sobre a perigosidade da navegação para além do Estreito de Gibraltar. para além do cabo de São Vicente. Destas duas eram do tipo Dressel 1 bem como algumas Lusitanas – tipos 2 e 4 – compreendidas entre a primeira metade do século I e os finais do século II. Com efeito. um complemento imediato nos achados de cepos de âncora em chumbo.FuNdeAdouro dA BerleNgA e o Seu PoteNcIAl ArqueológIco (Peniche) por: Alexandre monteiro foto: duarte Fernandes Pinto A A Terceira Dimensão . está implícita nos testemunhos dos geógrafos e historiadores da Antiguidade a evidência de uma navegação de rotina ao longo da costa atlântica da Península Ibérica tanto mais que as excelentes qualidades náuticas dos navios de tradição mediterrânica da época romana – designadamente dos próprios navios de carga de grande tonelagem – permitiamlhes remontar ao vento.

Alto e Baixo Império) que sugerem uma ocupação. A sua datação – compreendida entre os finais do século V e o início do século IV a. – a maioria dos quais recuperadas de uma zona. com um significado augural e auspicioso – e golfinhos – protectores dos navegantes pág.C. preservadas ou não. o PoteNcIAl ArqueológIco do ArquIPélAgo À semelhança do que ocorre com a ilha manente. se considera hoje que a sua utilização se terá generalizado a partir do século IV a. correspondendo a cerca de 50% das ânforas registadas.Em todo o caso. nomeadamente tegulae. definida e salvadores dos náufragos. símbolo por excelência da navegação tranquila. Alguns destes cepos apresentam motivos decorativos. o jogo mais popular da Antiguidade. qualidade e diversidade tipológica Já no que respeita a achados subaquáticos – para além das bocas de fogo assinaladas junto à fortaleza e a um esplêndido berço em bronze de tipologia manuelina. Complementarmente aos achados de ânforas. nomeadamente ânforas e cepos. o que permitiu determinar por radiocarbono o período da sua manufactura. em cota mais elevada.C. o mAIS ANtIgo cePo de âNcorA coNhecIdo de todA A ANtIguIdAde Curiosamente. foram encontrados. poderá indiciar a existência de estruturas construídas no local. o Melreu e a enseada de Flandres. do antigo Instituto Português de Arqueologia. cepos romanos do museu de Peniche toda a Antiguidade podendo mesmo fazer recuar a data em que se pensava ter ocorrido a generalização do uso de cepos em chumbo no Mediterrâneo. em quantidade. tenha atraído pescadores que se estabeleceram na ilha de uma forma mais ou menos per- e cronológica (República. Com efeito. o tipo Haltern 70 – datável de um período compreendido entre os meados do século I a. – faz com que este cepo pré-romano seja o mais antigo cepo de âncora conhecido de do Pessegueiro – em que escavações arqueológicas mostraram uma ocupação romana compreendida entre os séculos I e IV d. (Foto de leonel Silva) pela área compreendida entre o Carreiro do Mosteiro. Não é possível estabelecer com seguranpág. e os meados do século seguinte – surge como o mais bem representado. não só vestígios do Mosteiro. como também – e algo surpreendentemente – materiais arqueológicos romanos. pelo menos frequente. na realidade. a uma distância confortável da costa e rica em recursos naturais. – é de supor que um território deste tipo. um dos grandes cepos recuperados na Berlenga possuía ainda alguns fragmentos da alma de madeira. a Fortaleza. recuperado em 1982 e a 25 metros de profundidade por uma equipa do Museu do Mar de Cascais – destacam-se os vestígios da Antiguidade.C. se não continuada no tempo. na escavação arqueológica conduzida no passado pelas arqueólogas Jacinta Bugalhão e Sandra Lourenço. mergulhador Nuno tiago em registo subaquático nos cortiçais (costa sul de Peniche). 18 19 . à semelhança do que ocorre hoje em dia.C. ao largo. A presença de material de construção. nomeadamente ossinhos em relevo em duas faces alternadas dos braços – alinhados no lance da sorte representam o talus. foi localizada uma vintena de cepos de âncora em chumbo – habitualmente atribuídos à época romana quando.

Mas. M. (1999) Ânforas provenientes de achados marítimos na costa portuguesa. mas até à data nenhuma evidência arqueológica permite ainda fundamentar esta hipótese. Estamos em crer que o potencial arqueológico desta ilhas é imenso. Santiago de Compostela: Universidad de Santiago de Compostela. Tal hipótese poderá ser corroborada pelo facto de existir. Actas del 1º Congreso Peninsular de Historia Antigua. esta hipótese perde consistência pela até não verificação da existência de madeirame e pela dispersão dos achados. Anverso: hAdrIANVS AVgVStVS. para além de. FelIcItAtI / AVg em duas linhas em cima.C. mais uma vez. In Série Arqueológica. In Revista Portuguesa de Arqueologia. Quanto às ânforas – que.A Terceira Dimensão . Por outro lado. Vol. ocorreram tantos naufrágios. (1985) Memórias Históricas. L. série IV. 6/7. por força maior ocorreriam muitos mais nos séculos antecedentes – e o relativo desconhecimento dos fundos em volta. FERREIRO LOPEZ. 21 . ALVES. uma concorrida zona de abrigo. uma grande concentração de ânforas do tipo Haltern 70 a indiciar um naufrágio datável de cerca do século I a. Cascais: Câmara Municipal de Cascais. vol. se esta relativamente “elevada” taxa de localização de ânforas e cepos de chumbo é justificável por a Berlenga ser uma das áreas do país mais frepág. Relatório interno. enquanto carga de barcos nos permitem aferir cronologias por associação entre vários tipos e variantes de ânforas ou com outros materiais datáveis. tanto mais que a maioria dos fundos onde os achados se verificaram não é de molde a justificar. e até por ados neste artigo. perdas por prisão ou retenção.c à esquerda e à direita. assim como rotas de tráfico marítimo – estão muito longe de ter a importância de que à primeira vista se poderia pensar. Quem sabe que surpresas nos reservará o próximo mergulho nas Berlengas? moeda romana Sestertius 32mm emissão de roma em 131 d. Lisboa: Instituto Português de Arqueologia.ça as razões das perdas dos cepos descobertos nas Berlengas. 1. In MENAUT.Autor: Duarte Fernandes Pinto . Lisboa: INCM/Câmara Municipal de Óbidos. J. Com efeito. F. haver ainda uma zona de ancoradouro no apoio ao povoado insular. Naturalmente. S . coS III P P em baixo. SANTOS. nestas condições. (1994) As Berlengas e os Piratas. (1988) La campaña militar de Cesar en el año 61. J. como é óbvio. 2:1. quentada por mergulhadores amadores – facto naturalmente propício a uma maior frequência de descobertas – isso não impede que seja colocada a hipótese de se estar em presença de vestígios de naufrágios. trata-se de materiais de associação duvidosa e até mesmo de localização imprecisa. BUGALHÃO. Museu do Mar. et al (1989) Os cepos de âncora em chumbo descobertos em águas portuguesas – contribuição para uma reflexão sobre a navegação ao longo da costa atlântica da Península Ibérica na Antiguidade. Lisboa: Academia de Marinha TRINDADE. (1984) “Berço Manuelino” recuperado ao largo das Berlengas. A. nas proximidades dos quais foram achados fragmentos de cerâmica. Bairro dos Pescadores: relatório dos trabalhos arqueológicos. para além dos referenci- foto: Vista aérea de Peniche . S.Fotografia Aérea ALVES. renverso: embarcação com cinco remadores a navegar através das ondas. Lisboa: Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática BANDEIRA. de escala e de espera de condições de navegação propícias. Lisboa: Instituto Português de Arqueologia DIOGO. (2001) Ilha da Berlenga.c. antes como agora. In O Arqueólogo Português. terem existido cepos muito próximos uns dos outros. numa disposição consistente com existência de um fundeadouro milenar. Para tal contribuem as boas condições de preservação dos fundos arenosos. o que parece apontar para que as Berlengas tenham sido. & LOURENÇO. percentualmente. O que não quer dizer que não existam mais naufrágios.. a navegabilidade perigosa destas paragens – se em pleno século XX. F. G. aparentemente. Relatório. a relativa profundidade. Bibliografia 20 pág. ed. (1994) Os dois cepos de âncora em chumbo pré-romanos da ilha Berlenga. a hipóteses de provirem de naufrágios parece aliciante. J.

html horário: De Segunda a Sábado das 10h00 ás 18h00 (Outubro a Maio) De Segunda a Sábado das 10h00 ás 19h00 (Junho a Setembro) teatro romano de olisipo (lisboa) foto: raul losada pág.Visite muSeu ArqueológIco do cArmo INFormAçõeS morada: Calçada do Carmo 40 1200 Lisboa gPS: 38. 23 divulgação .140979 mapa no google: Site: http://g.712886. 22 pág.pt/p_museu.museuarqueologicodocarmo. -9.co/maps/bxx7t www.

pág. O material cerâmico recolhido nessas primeiras missões foi caracterizado por A.história de um naufrágio romano em Peniche limpeza de fragmentos de ânforas com sugadora foto: gonçalo de carvalho início da nossa história remonta à Primavera de 2004. M. pág. caçador submarino. foram realizadas missões subaquáticas de verificação do local sob a responsabilidade do arqueólogo Jean-Yves Blot. quando Luís Santos Jorge. No final do mesmo ano. 24 25 . Dias Diogo como fragmentos de ânforas romanas de tipo Haltern 70 provenientes da província romana da Bética (actual Andaluzia). do Clube Naval de Peniche e do próprio achador. O apoio da Câmara Municipal de Peniche. de Mário Jorge Almeida (Museu Nacional de Arqueologia) e de um conjunto de mergulhadores entusiastas da arqueologia subaquática permitiu a progressão dos trabalhos por mais dois anos. a colaboração do GEPS.O cortiçais . de alunos de Arqueologia da Universidade de Coimbra. convidado pela DANS (Divisão de Arqueologia Náutica e Subaquática) e com a participação de alguns mergulhadores do GEPS (Grupo de Estudos e Pesquisas Subaquáticas). avistou alguns fragmentos cerâmicos por entre o fundo rochoso dos Cortiçais (costa sul de Peniche).

com uma carga maioritária de vinho da Bética. realizadas no Verão de 2005 e 2006. produtores de ânforas. o mar de Peniche continuará a guardar os segredos de um dia de infortúnio para os marinheiros romanos.O sítio surge em perfeita relação com um conjunto de outros vestígios já documentados para a região. respectivamente. entre os quais os fornos romanos do Murraçal da Ajuda. a. nas águas ao largo de Peniche? A localização do naufrágio dos Cortiçais é evidência clara da utilização de uma rota atlântica de circum-navegação da Península Ibérica com destino às províncias setentrionais da Britannia e ao limes germânico. e os vestígios arqueológicos da ocupação romana da ilha Berlenga e utilização do seu fundeadouro. foto: jean-Yves Blot chegada ao cais das gaivotas após um dia de trabalho foto: jen-Yves Blot Desta forma. as sondagens arqueológicas efectuadas no sítio dos Cortiçais transformaram-no no primeiro caso confirmado de um naufrágio de época romana em águas portuguesas. enquadrável no período cronológico entre 15 pág. ainda. Arqueólogas Sónia Bombico e carla maricato em processo de escavação foto: gonçalo de carvalho Processo de inventariação de fragmentos cerâmicos. e 15 d. o sítio foi alvo de duas campanhas subaquáticas de sondagem e escavação. Ilha da Berlenga foto: duarte Fernandes Pinto A Terceira Dimensão . Enquanto aguardamos que novas campanhas tenham lugar. Mas o que faria uma embarcação romana. Para além das ânforas vinárias foram identificados fragmentos de cerâmica de paredes finas e terra sigillata itálica. Na sequência dos trabalhos submarinos foram. A recuperação de materiais romanos em alguns contextos do Tejo. 27 .C. No entanto. tem permitido caracterizálos como presumíveis locais de naufrágio. do Arade e na costa algarvia. abastecedora das populações romanizadas e dos exércitos aí acantonados. realizadas no período invernal.C. realizadas outras duas campanhas de tratamento de material.Fotografia Aérea 26 pág.

em parte). o rio Mosela foi. chamando à sua nova pátria “Treberis”. o “barco do vinho” de Neumagen. desce o rio Mosela até Koblência . dominando assim igualmente a tribo celta dos pág. Serpenteando por entre íngremes encostas cobertas de vinhas por quilómetros sem fim. quase 2000 anos a. plantadas num chão xistoso que armazena o calor do Sol durante o tempo suficiente para as uvas amadurecerem e poderem ser vindimadas lá para o Outono.C. partindo de Trier. Entre 58 e 50 a.atravessa certamente uma das mais belas paisagens da Alemanha. o caminho preferido para o transporte de mercadorias. expulso da pátria por Semiramis. ponto de referência e de eleição para o povoamento desta região. numa bela tarde de Verão. Diz a lenda que.trANSPortANdo VINho Pelo moSelA. sua madastra. texto e fotos: maria de jesus durAN Kremer Instituto de história de Arte . 28 pág. o filho mais velho do rei assírio Ninus. 29 . coube a Júlio César conquistar a Gália e fixar no rio Reno a fronteira leste do Império Romano.onde vai encontrar o Reno . Rodeado de montanhas em parte inóspitas. no passado ( e ainda o é. o vale do Rio Mosela continua a ser.C. ainda hoje. Trebeta.FcSh/uNl INtrodução O viajante que. veio fixar-se no vale do Mosela.

tal como os mausoléus. transportando todos aqueles que preferem reviver a viagem feita pelos seus antepassados há mais de 2000 anos. Thiele (K). 22 remadores). permitem-nos admirar ainda hoje numerosos exemplares de mausoléus decorados com motivos ligados tanto à produção de vinho quanto ao seu transporte por barco – geralmente em barris. em Trier. Gilles (K. não conseguiram apagar pelo menos esta última actividade: Trier é. ainda hoje. Dali partiam os barcos que. Auermann (S.). Rheinischen Landesmuseum. e sob Augusto.2007. para além de uma das mais importantes praças-fortes romanas. esta representação de um barco romano. a capital do vinho do Mosela. em 16 a. Bibliografia escolhida 30 pág. Glaube und Tod“. Archäologie in Deutschland.4. Com uma diferença: hoje. rodeada de muralhas com 4 torres de defesa pág. 7. No entanto. Uma simbologia expressa também pelas próprias proporções do navio: relativamente pequeno. 1987. os quais. nalguns casos em ânforas. 31 . Alltag.000 habitantes. fundou-se junto a um templo pagão a que é hoje a cidade mais antiga da Alemanha .). estes barcos constituíam por assim dizer o “remate” superior dos mausoléus. 2007. Stuttgart. chegados até nós graças à sua posterior utilização nos fundamentos de uma praça-forte tardo-romana – noviomagus – erigida em princípios do séc.C. Trier. Construído em Trier e reproduzindo o “barco do vinho de Neumagen”. Schwinden (L). por um barco ro- mano. datada por volta de 200 d. IV d. „2000 Weinkultur an Mosel-Saar-Ruwer“. olaria. a produção e exportação de vinho. seguros à frente por mais dois membros da tripulação.C. não pode deixar de ser interpretada como aquilo que sempre quis ser: uma alegoria à riqueza do proprietário do mausoléu. o stella noviomagi percorre desde então o Mosela. A riqueza que se desenvolveu com base na produção e comércio de vinho ficou espelhada para sempre nos mausoléus romanos de Neumagen. Geschichte. Reinhard Wez Vermittler.. Sonderheft 2007. GoethertPolaschek (K). pág. surgiu o maior centro vitivinícola de todo o vale. As convulsões da História. dispõem de pouco espaço de manobra entre o convés do barco e a carga do mesmo.a augusta treverorum do romanos. rio abaixo rio acima.. o rio Mosela foi de novo descido.).treverii. pela primeira vez desde há séculos. asseguravam o abastecimento de cidades. Kunst und Kultur.. 2004. Cüppers (H. Trier.J. o stella noviomagi é movido a motor. O exemplo mais conhecido desse tipo de decoração funerária é o chamado “barco de vinho de Neumagen” (Neumagener Weinschiff). mas restituindo-lhe as suas medidas originais (18 m de comprido. “Schifffahrt und Schiffbau in der Antike”. em blocos de arenito. Esculpidos. Encontrado igualmente nos fundamentos de noviomagus. A cidade cedo se transformou num centro económico muito importante. por sua vez. que reservaram a esta cidade momentos de apogeu e de destruição. „Leben der Römer und Germanen. 18 – 22. apresenta 22 remos para 6 remadores. No centro. cultura e fabrico de vinho. Mannheim. produto conhecido e apreciado em todo o Mundo. porém. Binsfeld (W. Depositados no Museu do Estado Federado da Renânia-Palatinado (Rheinischen Landesmuseum).).). Foi aqui que. Mas. a 34 km de Trier. de cada lado. chegando a contar com 60. concentrou-se num outro ponto do Mosela: em Neumagen. Bockius (R.. A 30 de Setembro de 2007. atrás o timoneiro que segura o leme. Residência do praeses da provincia belgica. e 4 portas – das quais a porta Norte se mantém intacta ainda hoje – Trier desenvolveu uma indústria florescente de tecidos. „Wo Römer Reben pflanzten“. em época romana. 4 barris bem alinhados.C. Mittelrheinische Zeitung. aldeias e acampamentos.

e objectos metálicos. têm sido efectuadas sucessivas dragagens nos estuários do rio Arade e da ria de Alvor. tendo-se generalizado a utilização de detectores de metais nessa pesquisa. esde 1970. consistindo numa tentativa de dar uma resposta adequada aos desafios de tentar salvar o maior número desses artefactos que têm vindo a ser arrojados e dispersos. e despejada no mar a várias milhas da costa. entre o Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática. No Ano de 2000. e de tentar aproveitar as sinergias resultantes da generalização do uso de detectores de metais. foi dado início a um projecto totalmente inédito no quadro da arqueologia portuguesa. na sua maioria fragmentos 32 pág. uma parte significativa. Foi nessas areias. prática usual em tais zonas desde há duas décadas. foi transportada em batelão. As areias das dragagens tiveram como destino a alimentação artificial de algumas praias dos municípios de Portimão e Lagoa. Como tal. que foram sendo recolhidos por numerosos populares. foi celebrado um acordo de colaboração. por fim. e um grupo de cidadãos que desde os anos 80 se D pág. que apareceram milhares de artefactos. ciclicamente desgastadas pelas tempestades invernais e a formação de depósitos de dragados que originaram um rentável negócio de exploração e venda de areias.o Projecto IPSIIS por: josé de Sousa fotos: projecto IPSIIS cerâmicos. para o desassoreamento do canal de navegação e da bacia de rotação. mas interdita pelo Decreto-lei nº 121/99 de 20 de Agosto. 33 .

patentes na exposição permanente do museu.Alberto Machado e José de Sousa). um tridente. e podem agora tornar-se referências importantes na bibliografia da especialidade. em chumbo: etiqueta rectangular. Parte desse espólio foi publicada nas Actas do 2º Encontro de Arqueologia do Algarve. O nome do Projecto e o logótipo foram baseados no reverso de uma moeda de Ipses. dos quais constam. Os Museus e o Património Náutico e Subaquático. como tal. cronologia: Período romano. a sua foto. cronologia: I Idade do Ferro . pelo processo da cera-perdida. muitas das peças são inéditas. achados efectuada periódicos enviados A figura de um touro é uma peça fundida em bronze.José de Sousa e Paulo Viegas). e decorações geométricas em ambas as faces. n. de 15 de Julho). O acervo resultante destes anos de pesquisa encontra-se depositado no Museu de Portimão. com nervura central. foi cedida informação solicitada por diversos estudiosos nacionais e estrangeiros para estudo e colaboração em trabalhos de investigação. Todos os participantes no projecto assinam um compromisso de honra. nomeadamente dos pontos de vista histórico-arqueológico. apresenta-se quebrada e com a ponta amassada. de artefactos de que se ignora o respectivo contexto arqueológico.º 270/99. e nas Actas do Seminário. o achador. Portimão. situado na área geográfica do Município de Portimão (Vila Velha. Ao longo dos anos.º 5.º 164/97. em bronze: ao CNANS. cronologia: II Idade do Ferro . Apesar de se tratar de arrojados e. n. que é assumido no quadro do Plano de Actividades do CNANS – e não no Plano Nacional de Trabalhos Arqueológicos – enquanto não dispuser de enquadramento arqueológico autónomo. resta incólume. de 27 de Junho e D. dedicavam à prospecção com detectores de metais nas áreas anteriormente referidas. a descrição e identificação do objecto. sinais de ritualização.dimensões 128mm x 69mm em exposição no museu de Portimão exposição permanente no museu de Portimão lâmina em cobre. apresentando como logótipo. n. tipológico e comparativo. 35 . Revista Xelb. portanto enquadrável no âmbito da legislação aplicável a este domínio (D. Baixo Império dimensões 115mm x 41mm em exposição no museu de Portimão estatueta Votiva.-L. em que se comprometem a cumprir rigorosa e integralmente todos os pressupostos do acordo de colaboração celebrado com o CNANS. a data e circunstancias do achado. Foram estabelecidas pela delimitação das pela declaração dos através de relatórios normas. Outubro de 2003. e a localização onde foi recolhido. identificando a oficina que fabricava o produto transportado. o seu potencial informativo residual. estando as peças mais importantes segundo os critérios dos responsáveis pela musealização. em cartografia georreferenciada. Outubro de 2004. L.dimensões 69mm x 24mm em exposição no museu de Portimão pág. este artefacto destinava-se a anilhar a asa de uma ânfora. passando zonas a prospectar. (Projecto IPSIIS . em Alvor). povoado pré-romano. Trata-se de um projecto de trabalhos arqueológicos.etiqueta para anilhar asa de ânfora. 34 pág. (Projecto IPSIIS Fragmentos de História nas Praias do Arade .

pouco se sabe desta estação e nem mesmo lográmos identificar a sua exacta localização. (9) Não nos parece que o Rossio da Pederneira. ordenando os lugares onde descobrimos vestígios romanos e os que nos foram indicados por bibliografia estranha. durante a presença romana. durante o período romano. contudo. (5) A villa do Rossio da Pederneira. mais conjectural do que factual. na periferia da extinta laguna. moedas. notáveis escriptores: d’entre estes o illustre antistite D. já fora do nosso território (5). pelo professor Luís Fontes(3). Porém. se pratica a agricultura.Nazaré por: miguel rosenstok é mencionado por vários investigadores como tendo sido uma villae romana.a. que não tiveram origem em trabalhos de arqueologia. (4) João Pedro Bernardes refere também sobre o local acima mencionado que. Defende-se. Boaventura. ou do Rossio da Pederneira (…). com quanto alguns auctores a remontem ao século IX. Freguesia e Concelho da Nazaré. cujo espírito investigador e minucioso nos assegura com razões sobejas a sua antiguidade. (…) Solos arenosos. E é assim que registamos: na Pederneira. uma vez que o mesmo se encontra à cota 85 acima do nível médio do mar e a mais de 2 kms a Norte da antiga entrada na lagoa. (7) As dúvidas sobre a localização do Rossio da Pederneira parecem dissipar-se à medida que vamos cruzando as fontes bibliográficas com as indicações orais e as visitas ao campo. poderá ter tido funções de villeggiatura. 37 . deixa de coincidir com o mesmo quando o autor refere que as villae de Martim Gil e Nossa Senhora das Necessidades (…) estariam em relação directa com o Lis. contribui também a tentativa de localização do local do Ros- pág. tornando . e de alguns registos bibliográficos. verificamos a sua valiosa quantidade.umA VIllA romANA No roSSIo dA PederNeIrA? por: carlos Fidalgo Vista do rossio da Pederneira . Frei Fortunato de S. ficava retirada do circuito das actuaes habitações no local chamado modernamente Rocio. Mina e Póvoa de Cós se situariam nas margens da antiga lagoa da Pederneira. proliferam os pequenos talhões onde em família. a existência de um povoado junto à lagoa mas numa época mais tardia que a romana. mais recentemente. como S. Esta villa é uma das mais antigas da Extremadura. sem receio de contestação fundada. na verdade. ao passo que as do Rossio da Pederneira. o Rossio da Pederneira e a possível ocupação durante a presença romana nesta zona. Gião. Toda a restante informação advém de achados fortuitos. Este facto acaba por condicionar qualquer abordagem sobre a caracterização da ocupação. (10) Para esta problemática. pág. de fraca aptidão agrícola. vasos de barro e de mármore. ambas nas margens da antiga lagoa da Pederneira. Bernardes refere que o mesmo fica num planalto e vertente virada a nascente formado por dunas e areias de dunas. Trata-se de um terreno onde existe ou persiste uma actividade agrícola de pouca relevância para o tecido económico da Pederneira. Localizado a sudeste da localidade da Pederneira. ocupados por casas e hortas. É neste âmbito que se considera pertinente abordar. a ponto de não estar ainda averiguada a data da sua fundação. Manuel Vieira Natividade refere que. ainda que de uma forma conjectural mas sustentada. e a egreja de então dedicada a Santo André. e para a família. assim. 36 que o terreno possui uma suave inclinação para nascente e uma zona com uma cota mais constante a poente. pelo rico espólio que apresenta. (6) A villa primitivamente estendia-se muito para o sul. desta forma. (8) Nas várias visitas ao local pode verificar-se A presença romana na periferia da Laguna da Pederneira encontra-se atestada pela estação arqueológica de Parreitas(1) e pelos trabalhos de arqueologia levados a cabo no local de São Gião por Eduíno Borges Garcia(2) e. alguma vez tenha estado junto às margens da extinta lagoa. estão implantadas em solos sem qualquer capacidade agrícola. só poderão radicar as suas actividades económicas na exploração dos recursos marinhos. se as villae. mosaicos. como nos afirmam. Sobre a localização do antigo Rossio da Pederneira. Embora a descrição do espaço por parte de João Pedro Bernardes se encontre de acordo com o existente no espaço físico hoje conhecido por Rossio da Pederneira.

Os achados arqueológicos levam a supor a existência de um local onde a presença romana se poderá ter feito sentir. Vista de Parreitas desde o rossio da Pederneira. mas analisar os factos que se nos deparam e sustentar as nossas opiniões com factos concretos.zona onde. defende-se a localização do Rossio da Pederneira nesse local. com beneficiados. Apesar da suspeita da existência de uma estação romana naquele local. o lugar do Rossio da Pederneira. e apesar do que ficou exposto. a ocupação romana na Pederneira continuará vinculada a relatos e alguns vestígios da época romana até se dar a conhecer através de alguma estrutura que se encontre no subsolo dos terrenos que compõem. Nesse mesmo percurso não se vislumbram quaisquer terrenos com actividade agrícola. pág. 38 to de povoados em épocas anteriores ao período romano. elevado. Parreitas Por: carlos Fidalgo (A) . trabalho de arqueologia preventiva. As únicas casas que encontrámos nesse percurso entre a várzea e o local do Rossio da Pederneira foram quatro pequenas casas em ruínas que. possuem uma localização que deverá estar ligada à migração que a população da Pederneira encetou após o assoreamento da lagoa. ortofotomapa: Possível limite do local conhecido como “rossio da Pederneira”. até 1834. no nosso entender. O Rossio da Pederneira. Rossio da Pederneira. segundo os registos documentais. mais recente. a laguna situava-se a sul da Pederneira. Também não é de descurar que esse mesmo local. (11) pinheiro. é uma das que se gaba de ter mais remota antiguidade. Joaquim Manso. Nesse sentido. tenha sido erigido. neste caso romanas ou mesmo anteriores uma vez que o local.sio da Pederneira a menção a uma igreja dedicada a São Pedro da Pederneira que. Por: carlos Fidalgo Como sabemos. para uma função estratégica de defesa na entrada da laguna. O facto é que este local contribuiu com uma maior quantidade de achados arqueológicos do período romano do que São Gião. na base sul da encosta do mesmo nome. deverá ter aparecido após a ocupação daquele espaço numa fase de transição entre o primitivo aglomerado urbano que deveria situar-se junto à lagoa e o ac- pág. 39 . actualmente. poderá ter concorrido com Parreitas. Nascente e Sul da sua implantação. indispensável e previsto por lei. séculos XIII a XVI. A partir da Pederneira se controlaria todo o movimento ao largo da costa e de Parreitas deveria controlar-se o movimento no interior da lagoa assim como toda a área terrestre a Norte. apenas sistemas dunares pejados de poderá/deverá acontecer no âmbito de alguma operação urbanística prevista para aquela zona e com o. cremos que o topónimo “Rossio da Pederneira”. O tempo que terá durado essa ocupação e a sua cronologia nos tempos históricos são Contudo. foram encontrados muitos objectos de cerâmica antiga. devido à altitude a que se encontravam. todos pertencentes. sobre possíveis estruturas pré-existentes. contudo a aferição da sua real existência apenas tual. pois afirmam alguns antiquários que já em 1195 ela tinha igreja paroquial e já em 1224 funcionava. eucalipto e variado tipo de vegetação infestante. total ou parcialmente. Os factos concretos são os achados arqueológicos provenientes do Rossio da Pederneira que se encontram depositados no Museu Dr. acaba por agregar todas as premissas para o estabelecimen- factores a investigar. entretanto desaparecidos. pelas razões evocadas anteriormente. segundo palavras do agricultor. a confirmar-se a sua ocupação romana. ao padroado do rico Mosteiro de Alcobaça. Não caberá neste pequeno artigo fazer qualquer tipo de conjectura.

Historial: Foi achado nas terras do Rossio da Pederneira. Apontamentos para a História dos seus mareantes. Impressa Nacional de Lisboa. COSTA. Lisboa. 4.GARCIA. considera-se que a actividade agrícola deveria existir nos terrenos localizados a Nascente. (2007:181) (9) . Norte e Sul. GARCIA. Tipografia Alcobacense. (2007:83) (7) .00cms. Trabalhos de Sondagem. Luís Fernando de Oliveira. Arqueologia e Património. Descrição da peça: «Máscara de barro coado bem cozido.COSTA. Dissertação de Mestrado em Estudos do Património. 14 a 19. Lisboa.muSeu dr. Contudo. a confirmar-se a existência de uma villae romana. II. pp. a arriba que dá para a actual praia da Nazaré que permitia a visualização de toda a costa desde o promontório da Nazaré até São Martinho do Porto. (2010) (4) . (8) . Vol. representando uma anciã.» [1] Estado de Conservação: Razoável. FIDALGO. A estação arqueológica de Parreitas (Bárrio). Volume VIII. Altura da face: 5. FONTES. ALMEIDA. (2010).COSTA (1943:1213). COELHO. BERNARDES. Lisboa. 41 . Alcobaça. Bibliografia BARBOSA. Lda. A sua vertente piscatória. pp.BERNARDES. Relatório Aprovado. Lisboa. A região de Alcobaça na época Romana. Separata da revista Arqueologia e História.aplique. Processo: S-00179. 18. p. Faro. Américo.O Rossio da Pederneira encontrava-se localizado no alto da Serra da Pederneira. joAquIm mANSo Concelho: Nazaré. Manuel Vieira. Carlos. pescadores. (1924) – A Pederneira. (1966:339 a 350) (3) . 08/08/2005 a 12/08/2005. (1943) – Diccionário Chorographico de Portugal Continental e Insular.aplique. Typographia Privativa do Diccionário Chorográphico. Vol. XV a XVII. p. XII. Função/Uso: Máscara de adorno? Proveniência: Rossio da Pederneira. A poente existiria. pela distância que existe do local. O Povoamento na área da lagoa da Pederneira (Da ocupação Romana até ao século XII). Departamento de história. Azurara. junto à actual localidade da Pederneira. NATIVIDADE. Dissertação de Mestrado em Estudos do Património.NATIVIDADE.00 cms. assim como existe.COELHO (1924:09). Esta máscara . Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve. é uma miniatura das máscaras de teatro trágico da Antiguidade. considerando-se para o Rossio da Pederneira. João Pedro. IPA.FONTES. na época romana.BERNARDES. Dimensões: Altura: 7. juntamente com vasilhame de cerâmica que foi completamente destruído. (2008) (2) . calafates e das suas construções navais no séc. MACHADO.Ficha de inventário do Museu Dr. Denominação: Máscara . (1906:194) (11) . em trabalhos de lavoura. Alcobaça)». Fernando de. (2007) – A Ocupação Romana na Região de Leiria. (2005) – PNTA/2000 – Estudo Arqueológico de São Gião da Nazaré. Carlos. Centro de Estudos de Património. Alcobaça. Categoria: Escultura. Época: Romano. feita à mão. não deveria ser muito activa. 18. (1960) – Mosteiro e Coutos de Alcobaça. 01 a 05. antiga entrada da lagoa de Alfeizerão. Pedro Gomes. Fonte documental: [1] . Vol. permitindo-nos colocar em causa tal actividade. * in FIDALGO. pág.BERNARDES.BARBOSA. 40 pág. um papel mais defensivo do que económico. 339 a 350. em 1941. Vila do Conde. 8ª Serie. pp. (1960:100) (5) .00cms. O Povoamento na área da lagoa da Pederneira (Da ocupação Romana até ao século XII). Os olhos são dois furos. Distrito: Leiria. Teria sido pintada de branco. Datação: Não estudada. (2008) – «A estação arqueológica de Parreitas (Bárrio. II. Joaquim Manso. Gião: Descoberta e Estudo Arqueológico de um Templo Cristão -Visigótico na Região da Nazaré». (2010). Largura: legenda do Artigo (1) . até à extinta lagoa da Pederneira. Laranjo. (1966) – «S. (2007:84) (10) . Servia como aplique porque tem no topo posterior do cabelo um furo de suspender. (6) . [1] Encontram-se actualmente na exposição permanente de Arqueologia no referido museu e identificada com o Nº25 da mesma exposição. Eduíno Borges ALMEIDA.

T SACR H. AD VORS. que hia em minha cõpanhia. que como coufa defe ftimada jazia entre hũns fyluados.D. eng. BRUT. IVN. BEL. D. Dom confagrado a Neptuno. Q. & bem laurada. & os montanhefes que lhe vierão em focorro. GESTVM. dom Abbade de Alcobaça. 42 43 . de quatro que achey em modo de fe poderem ler. COS. ver as antiguidades. Efta capella dedicou Decio Iunio Bruto fendo Couful. & Géral da noffa ordem. Cuja fignificação he a feguinte. SACEL. SERVAT. A Arcos de volta inteira suportados por colunas monoliticas foto: miguel rosenstok pág.Igreja de S. ET MONT. OB. que na Parte Primeira da Monarquia Lusitana escreve o seguinte: «E como no anno de nouenta & quatro [1594] me mãdaffe o Reuerendo Padre Frey Frãnfisco de fancta Clara. vi q dezião deftemodo. F. NEP. foy hum nas coftas da Igreija em hũa pédra comprida. gião da Nazaré por: Adriano monteiro. pella fellicidade com que acabou a guerra contra os moradores de Eburobricio. Bernardo de Brito.º tema de capa primeira descrição desta igreja deve-se a Fr. & letreiros que auia nefta capella. & também por refpeito de lhe ferem goarpág. EBVROBRIC. AVXILIARES. MIL. & tirando fielmente as letras diante de algũa gente.

O mais provável é que Gião fosse o nome primitivo que os letrados. descobrindo que eram os pais do marido. na Serra de S. foi encontrada a anforeta e que deveria servir para iluminação dos barcos. Síon. Neptuno instalou-se por sua vez onde existiam cultos anteriores de marinheiros. na ribeira de Vouga onde agora há hum lugarinho que fe chama Cacia na parte onde estã a igreja de fam Julião de que não ha mais que efta memoria. segundo Frei Agostinho e. Mas também seria a primeira vez (salvo erro) que o povo abrevia o nome dum santo tornando-o muito diferente. a exemplo. depois. ainda que o culto a São Julião e Victória se considerem de origem Fenícia. que segundo a tradição. 44 45 . ** as lápides referidas tanto mais que se tratava de um Deus gentio? Mas abordemos a igreja pelo próprio nome São Gião/Julião. Observemos esta lenda de S. Cesareia-Antioquia (na Síria-Fenícia) e. Julião era um jovem nobre que saiu para caçar e perseguiu um veado que. entre nós. neste caso fenícios ou púnicos. Julião. fugiu de casa em segredo e pôs-se a correr mundo até que um rei lhe ofereceu um castelo e o casou com uma viúva rica. converteram em Julião. se comemoram em Fevereiro. talvez a partir da pronúncia Xuião ou Xulião.dados fem perigo feus foldados neftes vltimos fins da terra. dedicando a sua vida a ajudar pessoas a atravessar um rio e a albergálas. em Setúbal. SANTO (2004: 302 a 303) Como constatamos o culto a Julião já vem dos Fenícios e na costa portuguesa ou nos rios navegáveis encontramos muito este topónimo. a condizer com os ditos populares ou estruturas antigas existentes nesses locais». junto a Aveiro. inventando depois lendas piedosas em conformidade com a ideia de viajantes fugitivos. informouo de que eram os seus próprios pais. Gião qual seria o seu interesse em dar a conhecer porta desse castelo. quando os eclesiásticos reverteram para Julião. Existem vários Santos e origens de S. deu-lhes guarida e ofereceu-lhes a própria cama onde eles logo adormeceram enquanto ela foi à igreja rezar. Podemos dizer que. notamos que o povo persiste em dizer Gião. com um intervalo de uma semana que coincidia com e que era a época da reabertura da navegação (como o São Brás. Gião. com duas estátuas a Neptuno. supondo. Aterrorizado. uma das quais de bronze1. 6 pág. foi templo romano dedicado a Neptuno. Gião d’Entre as Vinhas4. Julião – Talabriga. da Nazaré). abandonou tudo. Será este o São Julião do Litoral português. Os pais puseram-se a procurar o filho e ao fim de muitos anos bateram à pág. com a sua Fig. Chegou Julião e vendo um homem na sua cama e. Vitória próximo da Póvoa de Cós. Bernardo de Brito é algumas vezes acusado de forjar documentos para asseverar as suas afirmações. Note-se que os dois primeiros Julião do calendário católico. Mas quem foi e onde viveu São Julião? Não será uma identidade inventada para justificar um culto religioso relacionado com os naufrágios para converter uma Divindade pagã? Até foi a vocação duma versão do santo: «converter os sítios pagãos em templos de Cristo». (1597:244v a 245) O problema que se coloca é que Fr. Gião e Quinta de S. BRITO. Quanto aos nossos locais marítimos com capelas dedicadas a São Gião-Julião. Podíamos supor que Gião é uma abreviação popular de Julião. Neste caso das lápides de S. 1. que procuravam um homem assim e assim. partiu com a mulher para longe e fez-se barqueiro e hospedeiro. pegou na espada e matou os dois. onde havia um culto romano a Neptuno passou haver um São Gião-Julião: na Nazaré com uma inscrição-dedicatória a Neptuno.2 São várias as referências a São Julião no litoral português. Não se diz a época que tem o local onde isso se passou. Foram encontradas em Setúbal duas estátuas a Neptuno. é a única vez que se menciona um santo edicado (indicado) exclusivamente para esta tarefa à qual Jesus Cristo foi alheio). azares da vida e cultos marítimos. Cartago. estando Julião ausente. mulher. Regressada a mulher da igreja. voltando-se para trás falou ao caçador: Porque é que me persegues desta maneira? Matarás o teu pai e a tua mãe!. Julião 3. Os grandes senhores do mar haviam sido os fenícios de Tiro. S. A paróquia lisboeta (outrora sobre os pântanos do Tejo) é oficialmente de São Julião. (Que me lembre.5 As divindades Julião e Vitórias andam associadas a portos da nossa costa. na Atouguia da Baleia no convento das freiras agostinhas. e esta. em Torres Vedras existiu a igreja a S. Damos como exemplo: S. Na nossa região temos Paredes da Vitória. Ora. tidos como da costa Sírio-Fenícia (que serão um único). quis Deus. mas no passado era dita de São Gião. Próximo de Évora de Alcobaça. Anforeta luso romana* e mosaico ulisses e as sereias. expuseram à mulher a sua aventura. por ter sido um fugitivo e vagabundo desesperado (como o eram muitos embarcadiços) e que depois se converteu em nadador-salvador? A igreja de São Julião de Setúbal. N. da Vitória – Famalicão. construída sobre o que outrora foi um pântano do Sado comporta vários painéis de azulejos sobre um outro São Julião. Desgostoso.

A própria parede não liga estruturalmente com a do corpo da igreja. foi encontrado uma estatueta delicadíssima da Vitória. pág. opinião com a qual não concordamos. (NAtIVIdAde:1960) “parede que divide o cruzeiro da nave central da igreja. Considerando que a iconóstase da igreja de São Gião da Nazaré é posterior à igreja porque não admitir ser obra do Decio Bruno Bruto conforme refere Bernardo de Brito. na nossa opinião. e o vão de uma terceira do lado Poente. 9 Figuras. reconstituição de igreja de São gião segundo Adriano monteiro Na torre ainda se podem observar a janela virada a Nascente. 46 47 .7 Contudo.7 Todos os investigadores que até à data estudaram S. Uma tribuna apoiada nos cachorros existentes rebaixava em 20 cm a verga da porta já de si baixa. Baseamos a nossa opinião nas peças de arte que são nitidamente peças de recuperação.Além das questões anteriormente levantadas devemos relevar a hipotética existência duma tribuna referida por Schlunk sobre a porta de entrada. pág. Gião da Nazaré classificam esta igreja como sendo de origem visigótica. é posterior à própria igreja. esta parede. iconóstase. constituído por uma porta e duas janelas com arcos ultrapassados. acaba por ser semelhante à Placídia Gala em Ravena. a verga da janela do lado Norte. 3. como vimos no início deste artigo? Fig.” foto: miguel rosenstok Num planalto do Carvalhal próximo de Chiqueda. em particular com a nave central. iconóstase. assim como a existência da torre que se eleva ainda integralmente no cruzeiro que. o que poderia inviabilizar a entrada na nave central. constituído por uma porta e duas janelas com arcos ultrapassados. Apenas na parede do lado Sul não se vêem vestígios mas a simetria da torre garante – nos ter havido mais uma janela. a tentadora deusa da mitologia romana que a figura representa. 4. deusa Vitória. 2. 8 Terão sido levados a isso pela existência da parede que divide o cruzeiro da nave central da igreja. quanto a nós.

(5) – LEAL. pp. Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia. Cinco mil anos de cultura a Oeste de Moisés do Espírito Santo. Pinho. Colecção A. Ravena. 15 e Est. por Manuel Vieira Natividade. p. p. (2004). p.Bibliografia: BRITO. 3. Lisboa. 244v a 245. (9) – Conforme figuras N(os) 3. Atouguia da Baleia. e São Frutuoso de montélios. (1) – Segundo o Dicionário Geográfico do Padre Luis Cardoso. 2 – Vitória. 1964. 1960. em vias de publicação. 254. . ** Mosaico Ulisses e as sereias Época romana. Itália. (2) – LEÃO. ravena. Porto. de Manuel Vieira Natividade. Monteiro legenda pág. FCSH-UNI. Parte Primeira. Pinho. Torres Vedras. Assírio & Alvim. 4 e 5. 273. A Iconóstase foto: miguel rosenstok 48 pág.(1837). 50. Comissariado de Portugal para a Exposição Universal de Sevilha. Diccionario de Portugal Antigo e Moderno. L. Alcobaça. tese de Doutoramneto. (1597). Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia. Lisboa. p. Religiosidade Popular em Torno da Serra da Arrábida. XXII. Luis. Diccionario de Portugal Antigo e Moderno. (6) – Conforme figura Nº1. Descrição do Reino de Portugal. Impresso na tip. P. (8) – Entre outros. Bernardo de. Fr. In MOSTEIRO E COUTOS DE ALCOBAÇA Alguns capítulos extraídos dos manuscritos inéditos do autor e publicados no centenário do seu nascimento. Estremoz. Évora. Figuras: 1 – * Anforeta Luso-Romana. medio ambiente. Eduíno Borges Garcia. Lisboa. Frutuoso. Braga. SANTO. in Grutas de Alcobaça Material para o estudo do homem. in Ravena in Ravena Los mosaicos. Santa Vitória do Ameixial. 1901. Alcobacense.(1837). Duarte Nunez de. Impreffa no infigne mofteiro de Alcobaça por mandado do R. (3) – LEAL. Igreja de S. (4) – In Boletim da Estremadura. encontrado no vale do Carvalhal. (7) – Conforme figura Nº2. 14. Ed. Imprensa Moderna Porto.comparação com as igrejas de gala Placidia. (1785). Cartolibreria Salbaroli. 662. 2001. Estampa VIII. p. p. Fernando Almeida e Schlunk. 1992. clara com licença & priuilegio Real. Lisboa. citado por Marques. Lisboa.os 61/62. 28. Guia Historico – Artistica. Figura 5 .mo Padre Geral Frey Francisco de S. n. 49 . Braga. Moisés do Espirito. Montélios.da Alcobaça. los monumentso. 4 e 5 – Mausoleo de Gala Placidia. Monarchia Lvsytana. In Portugal a Formação de um País. 228-229. Aljubarrota.

Foto-reportagem pág. 50 por: miguel rosenstok pág. gião da Nazaré 51 . Igreja de S.

52 pág. 53 .pág.

pág. 55 . 54 pág.

» Do que li nesse officio. parti eu próprio para Alcobaça em 29 de Abril. No mesmo dia. ao local do apparecimento do mosaico. Vieira Natividade. Júlio Garcia. com os Srs. para se informar do que se passava. lugar de Pedrógão. em Póvoa. sobre o mesmo assunto. na tarde d* esse mesmo dia. vim a saber que no campo de Pedrógão. um empregado do Museu. de Alcobaça: « Venha já. fui.o moSAIco de cóS “os relatos de j. Administrador do concelho e ao Sr. freguesia de Cós. aquando da plantação de uma vinha na propriedade de Joaquim Neto Pires. Mosaico romano risco perderse. No dia 25 chegou-me um officio do Sr.l. Depois de ter escrito ao Sr. e do que me contou o empregado do Museu que foi a Alcobaça. 56 57 . conductor de obras publicas em serviço no Museu Ethnologico. junto da aldeia da Póvoa. de tarde. a cerca de 80 cm de profundidade. e tomar as providencias que fosse possível tomar. agradecendo-lhes as suas communica- foto de joaquim elias jorge foto de joaquim elias jorge m 1902. Administrador do concelho de Alcobaça. Enviei a Alcobaça. Urgente*.C. concelho de Alcobaça. havia apparecido um mosaico romano digno de conservação e estudo. nomeadamente uma Villa romana. Vieira Natividade. freguesia de Cós. pág. pág. çoes.. concelho de Alcobaça. no lugar do Pedrógão e onde foi encontrado um mosaico datável de finais do século II e inícios do século III d. E Este mosaico foi encontrado por acaso em Abril de 1902. foram feitas descobertas arqueológicas relevantes. Natividade e Garcia. levando em minha companhia o Sr. e dizendo-lhes o mais que julguei a propósito.Vasconcelos” por: raúl losada descrição de josé leite de Vasconcelos na publicação “o Arqueólogo Português” «No dia 24 de Abril de 1902 recebi o seguinte telegramma do Sr.

Em: «O mosaico romano de Alcobaça». em par. e também desenhos geométricos 4 . onde tantos vestígios das artes romanas se acham indubitavelmente enterrados no chão. por occamento artístico. Lisboa: Imprensa Nacional. quando por acaso se tem encontrado. volume VII. Não está ainda todo descoberto. Contudo.arqueologos.museuarqueologicodeodrinhas.pt O prior do Valado.80 abaixo do solo actual. 1902. e se fizessem as necessárias diligencias para se estudar a sua historia. alicerces.sião da construcção do projectado edifício. Pelo campo se encontram agora. muito merecimento histórico e resulte o descobrimento de outras antiguiarcheologico. como animaes. www. outras antiguidades romanas. que tentou adquirir este mosaico paro o futuro Museu de Alcobaça.» este. restos de imbrices.r.e. como Portugal. da mesma espécie. Porto de Mós jectos importantes. apparecidas por toda fragmentos de opus Signinum.html «É possivel que de uma excavação realizaAlem do seu valor geral como docu..pt pág. Os obaquella região (Alcobaça 8 . hão sido descuidosamente destruídas. mas infelizmente.amigosdetongobriga. taes relíquias. e em volta muitas figuras. já porque são muito poucos bertos no futuro. etc. fragmentos de ferro e restos de um forno. O mosaico é polychromico : tem ao centro.com Associação dos Arqueólogos Portugueses www. em troços grandes como dentro da casa. joaquim manso www. in O Arqueólogo Português.visitalentejo. poderiam ficar reunidos os mosaicos que.L.com museu dr.pt/p_aap. com coroa radiada. como em um medalhão. srº Poças Júnior. ji porque se relaciona com dades.Este occupa uma área de uns 100 metros quadrados. 146 – 149 turismo do Alentejo .ligadeamigosmirobriga. 58 59 Parcerias . algumas á superfície do chão. um vaso de flores. Leiria 4 ). sob orientação de José Carvalhais. por ventura lá desco3 . uma cabeça humana ou divina. Actualmente faz parte do acervo do Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa. tendo sido transportado para esse mesmo Museu apenas o painel central e alguns fragmentos.com/ museu Arqueológico de S. etc. pág. para se satisfazer a algum fim immediato».mdjm-nazare. e acha-se a uns 0. se olhasse com igual desvelo para os restos da antiguidade. e segurar a sua boa conservação.da nas vizinhanças do mosaico. e de mais a mais com figuras. inclusa num circulo. pág. ao pé do mosaico. O mosaico foi levantado nos fins de Junho de 1902. passou esta informação a Manuel Vieira Natividade. de Vasconcelos o local do achado: parcerias Portugalromano.com Associação de Amigos de tongobriga www. o mosaico tem. ticular.(…)» Infelizmente nada mais ficou conservado da Villa Romana… «Muito fora para desejar que num país. A par deste mosaico presenciaram-se vestígios de materiais de construção romanos. por effeito da ignorância provinciana.blogspot. existem em Portugal. preparador do Museu Etnológico.t. liga dos Amigos do Sítio Arqueológico de miróbriga www.blogspot. miguel de odrinhas www.blogspot. este acabou por ser comprado pelo Drº José Leite de Vasconcelos para o Museu Etnológico. Descrevia assim J.

o conjunto é bastante coerente. Os estudos em curso. paredes finas e ânforas Fotografia aérea da zona do acampamento romano do Alto dos cacos . com uma altitude média de 14m.C. Implantado nas imediações da Vala de Alpiarça e do Rio Tejo. modelação do terreno para a preparação para actividades agrícolas. A sua localização permite um contacto visual directo com espaços de ocupação romana e pré-romana da região: mesmo em frente do outro lado do Rio Tejo situase em posição de sobranceria a cidade de Santarém antiga urbe de Scallabis. dispondo de excelente visibilidade e apresentando apesar da sua escassa altura uma posição francamente dominadora sobre a zona envolvente. lucernas. possuindo uma plataforma relativamente plana de orientação NE-SE.google earth. no decorrer da realização de profundos trabalhos de ta e dos recentes trabalhos de prospecção. Apesar de estes carecerem de quaisquer coordenadas estratigráficas. as características topográficas do sítio favorecem a implantação humana. Fotografia do Alto dos Cacos com a Alcáçova de Santarém ao fundo. a partir do estudo dos materiais recolhidos no início dos anos oiten- levam-nos a sublinhar a homogeneidade do espólio. que julgamos pág. situando-se a cerca de 1. 60 pág. reportandose a uma fase de ocupação centrada no século I a. Enquadra-se administrativamente na Freguesia e concelho de Almeirim. É a esta fase que se reporta a maior parte dos materiais. o sítio não foi alvo de quaisquer trabalhos arqueológicos caindo praticamente no esquecimento até aos dias de hoje. É nesta fase que o antigo povoado pré-romano de Alto dos Cacos sofre uma brusca e profunda transformação. A descoberta do sítio ocorreu no início dos anos oitenta do século XX. Os dados aferidos.o AcAmPAmeNto romANo de Alto doS cAcoS . sendo desmantelado. constituída por baixas aluvionares alagadiças.AlmeIrIm. dos artefactos líticos e das cerâmicas importadas. por: joão Pimenta A um livro estação arqueológica do Alto do Cacos (Almeirim) implanta-se sobre uma área arenosa que constitui um extenso terraço plistocénico sobre a margem esquerda do paul de Vale de Peixes. em torno da colecção de metais. então efectuadas. capa e contracapa do livro.5 km a Este do centro histórico da Cidade. do conjunto numismático. na mesma margem a cerca de 2 km situa-se o antigo povoado do Cabeço da Bruxa e a 3 km o oppidum do Alto do Castelo – Alpiarça. elevando-se estes a várias centenas de artefactos dos mais diversos tipos. 61 . Esta interpretação algo temerária assenta em três traves mestres. levam a destacar a relevância que o sítio apresenta em época romana republicana. O projecto de investigação em torno desta estação decorre do estudo do numeroso espólio então recolhido e que se encontra à guarda da Associação de Defesa do Património Histórico e Cultural do Concelho de Almeirim. alguns quilómetros mais à direita mas em perfeito contacto visual ergue-se o povoado fortificado dos Chões de Alpompé. e sobre ele instalado um acampamento romano de traçado regular que em muito excede a dimensão do antigo oppidum indígena. Apesar de diversas diligências. nomeadamente: a cerâmica campaniense. recolhidos durante as destruições de 1981.

20 cm. presentes nas colecções depositadas na A. Joaquim Manso. que permitem verificar a existência de uma impressionante ocupação de época tardorepublicana. Largura: 3. Segundo nos artefactos bélicos. cabelo apanhado em “bando”. Poderemos assim. a peça (Número de Inventário MEAJM 4 Our. Representa. que hoje faz parte do acervo da Instituição. Tito Lívio Calixto. olhos bem marcados. estar perante um acampa- ciação de Defesa do Património Histórico e Cultural do Concelho de Almeirim e do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Almeirim. Para aquisição do Livro. rodeada de fossos e possivelmente com muralhas de talude em terra.C.). O livro “O Acampamento Romano do Alto dos Cacos Almeirim” pretende divulgar esta invulgar estação arqueológica que julgamos um caso impar para o estudo da romanização do Vale do Tejo.C. A dAmA romANA . a existência de uma antiga estrutura subrectangular regular de cantos arredondados.00 cm.H.D. julgamos defensável avançar-se com a proposta de estarmos perante uma ocupação de índole militar bem datada de inícios da segunda metade do século I a.. queixo redondo».com. A Apresentação pública do livro. A publicação do Livro teve o apoio da Asso- A dAmA romANA museu dr. do C. em prata. Valado dos Frandes. com túnica apanhada nos ombros e colar de contas à volta do pescoço.). onde se encontra em exposição. careça de confirmação estratigráfica. que atestam uma coesa e maciça presença de cariz militar em Alto dos Cacos. trata-se de uma estatueta. e seguindo a descrição do Museu um «Busto de dama romana. representando um busto de dama romana.museu dr. Histórico e C.C. que permitem vislumbrar. acrescido de dois euros para despesas de envio pelo correio. Nazaré.peça que selecionamos para esta revista. consonância com o que se vê no terreno. um museu . joaquim manso foto: miguel rosenstok pág. 63 uma peça. (50 a 40 a. mostrando rosto sereno. 62 pág. Apartado n. em 1945. correlacionado com os conflitos entre os partidários de César e Pompeio na Ulterior.P. Primeiro nos dados arqueológicos. e foi incorporada no Museu Dr. de Almeirim. um museu sólidas.º 29. em mento militar. brincos de arrecada em argola. foi encontrada no Bico do Frei António. os pedidos deverão ser endereçados à direcção da Associação de D. Ainda que a informação disponível. foto: guilherme cardoso. Espessura: 2. do P. atribuída ao Período Tardo Romano. Ou então para o email – euricohenriques@ gmail. Por último os dados da fotografia aérea.A. feições gastas. joaquim manso uma peça.C. Segundo a Ficha de Inventário. tendo sido adquirida a um particular. 2081-901 Almeirim. tardio. em 1980.00 cms. Sendo o valor unitário de 10€. Trata-se de uma estatueta de pequenas dimensões: Altura: 6. pois.

azeite da Bética e vinho itálico. “Cinco dias depois. apresou o embarque das ânforas piscícolas sadinas. sobretudo os que faziam parte de um mesmo acidente geográfico amplo. principalmente os produtos piscícolas de que são testemunho as cetariae. cuja navegabilidade permitiu amplas actividades náuticas durante toda a Antiguidade. explorado nas publicações de Maria Luísa Blot. vindo da Bética. a sua rede de intermediários era vasta e havia consumidores muito abastados na cidade.” O parágrafo anterior poderia pertencer a pág. Algumas horas depois. o Sado era navegável até ao interior do Alentejo. Pequenos portos.Portinho da Arrábida.. cuja acção se desenrolasse na época romana. A História e a Arqueologia dizem-nos que a realidade não terá sido muito diferente da ficção relatada. foi pela primeira vez defendido por Vasco Mantas e posteriormente. Por seu turno. há muito que o Mare Clausum havia terminado. aplicável à costa portuguesa em época romana. cidades com funções exportadoras. como um estuário ou uma ria.oS SegredoS SuBAquÁtIcoS de cAllIPuS texto e fotos por: Sónia Bombico do complexo portuário formado por todos os pequenos portos e embarcadouros do Sado. envasados em ânforas. No caso do estuário do Sado. acostou ao navio uma barca vinda de Tróia que trazia duas centenas de ânforas. 65 . era desdobrado pelo facto de funcionarem enquanto parte integrante de um complexo portuário. talvez altura. tardava. Segundo estes autores. assim. até Porto de Rei. tanques para a salga de peixe. Contemplando o imenso Callipus (rio Sado). Tinha acertado negócio com o proprietário da unidade de produção de preparados de peixe. serviam as unidades produtoras de manufacturas para exportação.” Em ambas as margens do Sado estão documentados vestígios da ocupação romana. Vestígios do complexo industrial produtor de preparados de peixe de tróia. estes pequenos portos funcionavam em regime de complementaridade e interdependência. pág. proporcionando o encaminhamento da produção local para os portos escoadores de maior amplitude de Caetobriga e Salacia. O navio deveria regressar a Gades o mais rapidamente possível. Caetobriga era o ponto de escoamento das produções tos. Lucius pensava para consigo se o navio havia já alcançado a baía de Sinus (Sines). O estuário do Sado conheceu uma forma antiga mais vasta. M. (BLOT. L. Vinha carregado com tecidos de Roma. Para montante. Lucius sabia que nos negócios tempo era dinheiro e. conjuntamente com Tróia. situados em áreas periféricas nas margens do curso interior do Sado. 64 um romance histórico. Decorriam os Idus de Quintilis do ano 43 d. Alcácer do Sal (Salacia) terá detido funções de terminus portuário fluvial. O navio que esperava. com navegação directa até ao litoral.C. de ilustrar este funcionamento recorrendo à nossa ficção romanceada. Caetobriga (Setúbal) terá assumido o papel de terminus oceânico. cetariae do creiro . o papel dos pequenos por- rio Sado visto da margem esquerda (tróia). É. N “ aquela manhã Lucius havia já percorrido toda a zona industrial de Caetobriga (Setúbal). depois de ter confirmado a chegada da encomenda de ânforas para o envase do garum. aportou finalmente no porto de Caetobriga o navio aguardado por Lucius. maioritariamente relacionados com as actividades marítimas e de exploração dos recursos marinhos. com um leito mais extenso. 2003) O conceito de complexo portuário. Lucius não teve dificuldade em redistribuir a mercadoria. estava completa a carga destinada à exportação.

as ânforas transportavam vinho.C. de entre os quais terra sigillata (cerâmica fina) e ânforas vinárias itálicas e oleárias do Norte de África. cujas ruínas se estendem por cerca de 2kms ao longo das margens do Sado.Era. (COELHO-SOARES. C.C. identificadas e escavadas cetariae em Tróia e no subsolo da cidade de Setúbal. Foram.C. onde se conhecem os formos do Pinheiro. que se situa entre o carregamento da embarcação e a perda da mesma. tão apreciado entre os romanos. nas zonas periféricas que se situavam as olarias produtoras do vasilhame destinado ao envase dos preparados de peixe.. A vocação portuária desta cidade parece relacionar-se não só com a exportação dos produtos piscícolas regionais. 1990) As escavações arqueológicas. Desde a década de 70 do século XX que se vêem registando materiais cerâmicos ao largo do complexo industrial de Tróia. igualmente e maioritariamente. (musée d’ histoire de marseille) “revolução” nas formas anfóricas produzidas e uma expansão dos centros produtores de conservas. O estudo dos centros oleiros da Lusitânia tem apontado a produção sadina como a mais antiga no território nacional. A generalidade destes centros produtores regista. também. A primeira espág. Barrosinha. terá correspondido ao pólo produtor mais importante de todo o complexo portuário. correspondem a um período relativamente curto. Da fase romana de Setúbal conhecem-se vestígios que nos permitem reconhecer uma ocupação contínua desde o século II a. no qual apenas a cidade de Setúbal manteve funções portuárias até aos nossos dias. provenientes da zona contígua ao castelo e da parte baixa da vila. tende-se dos inícios do século I d. os fornos romanos estão igualmente presentes no baixo curso do Sado. T. Abul. no Largo da Misericórdia. assim. mas também com a sua vocação enquanto porto de escoamento dos produtos agrícolas provenientes das explorações alentejanas romanizadas. Apresentados os principais centros produtores e portuários. correspondentes à vivência da antiga Salacia Urbs Imperatoria. de entre os quais o famoso garum. Um naufrágio é. 2004) Conhecem-se tanques de salga de peixe nos sítios do Creiro. duas fases distintas de produção. C. Veremos que. Contentores por excelência para o transporte marítimo. No entanto. Monte da Enchurrasqueira e Bugio. Ganha especial relevo o naufrágio pelo seu valor enquanto acontecimento pontual que encerra em si um espectro cronológico muito restrito. ao V.. a comercial e a industrial. pressupõem uma ocupação que não se restringe à zona elevada. detêm uma importância substancial para o conhecimento histórico da presença romana na província da Lusitânia. as ânforas. bem como no subsolo da cidade de Setúbal. Isto significa que os materiais associados à perda do navio. Tróia. onde se situavam as olarias e as cetariae. Estes vestígios indicam-nos que a malha urbana se apresentava dividida por áreas de especialização funcional. Os vestígios arqueológicos subaquáticos apresentam-se como fontes essenciais para o estudo da actividade económica na Antiguidade. situando o início da laboração de alguns fornos para os princípios do século I d. Mas a maioria dos vestígios romanos inventariados nas águas do estuário do Sado não constituem naufrágios comprovados. à semelhança do que acontece nas restantes regiões produtoras da Lusitânia (Estuário do Tejo.C. uma fonte directa para o estudo da economia romana. T. 66 67 . Ânforas importadas da Bética e peças de terra sigillata itálica e hispânica. azeite e todo o género de salgas e preparados de peixe. revelaram a presença de materiais cerâmicos de importação. Foram identificadas olarias produtoras de ânforas na área da desembocadura do Sado (Zambujalinho. Vale de Cepa. referida por Plínio no século I d. junto às praias da Arrábida. mas também à margem fluvial. na Travessa de Frei Gaspar (edifício do posto de turismo de Setúbal). Algarve. na zona de Alcácer do Sal. C. no centro urbano de Setúbal. A segunda iniciase em finais do século II e inícios do III. A habitacional. Comenda e Quinta da Alegria). à semelhança das produções dos fornos de Peniche. Costa Alentejana e Peniche). e SILVA. (FABIÃO. 1978) Vestígios idênticos foram recuperados das escavações do núcleo urbano de Alcácer do Sal. pág. aos finais do século II d.C. um dos mais importantes centros fabris conserveiros de salga de peixe do Império Romano Ocidental. nomeadamente a sua carga comercial. provenientes dos vários enclaves portuários identificados. A. época em que se verifica uma verdadeira representação de ânfora com ilustração de envase de peixe salgado. ainda assim. Rasca e Comenda. circulavam no amplo estuário do Sado. que coligavam o Atlântico ao Mar Mediterrâneo. (SILVA. Mas a verdadeira chave do conhecimento histórico parece manter-se oculta no fundo do estuário. podemos concluir que os materiais identificados nos contextos arqueológicos permitem integrar o complexo portuário do Sado nas redes comerciais imperiais.. Os produtos produzidos.

é talvez o mais emblemático da presença de vestígios arqueológicos subaquáticos no estuário. Unidad y diversidad en el Arco Atlántico en época romana. De entre esse material registam-se ânforas de várias proveniências e datáveis desde o século I a.O sítio conhecido como “fundão de Tróia”. (2000) .A Terra Sigillata do Fundeadouro de Tróia. a uma profundidade na ordem dos 20 a 25m. C.. que não se resumem aos materiais anfóricos mas que incluem em alguns casos elementos de âncoras. o que corresponde a uma boa parte do período de plena laboração do complexo industrial de Tróia. para além do qual existia um outro Mare Nostrum. int. ânforas de azeite e salgas de peixe importadas da Bética e do Norte de África. Trabalhos de Arqueologia 28. ainda que incipientes. Lisboa.. pp. O reconhecimento das potencialidades económicas oferecidas pela zona Atlântica é complementado com uma estratégica de apropriação e controle dos territórios metalíferos do norte. São fragmentos de ânforas de vinho itálicas. e SILVA. III Colóquio Internacional de Arqueología en Gijón. LASA.Portos Marítimos Romanos. acidente geográfico que marca a entrado no estuário mosaico do Fórum das corporações de ostia Antiga. y García Díaz.C. assinala igualmente achados subaquáticos isolados de ânforas que se relacionam com os contextos produtivos dos centros oleiros do Sado interior. FONSECA. beneficiária das rotas de retorno em direcção ao Mediterrâneo. C.). Os dados da arqueologia subaquática e as escavações nos complexos industriais. (2004) – “Centros oleiros da Lusitania. Ao largo do Cabo Espichel. in Fernández Ochoa. Ser. 17. por mergulhadores amadores do Centro Português de Actividades Subaquáticas com o apoio do então Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia. 68 pág. A diversificação tipológica das ânforas e a seu amplo espectro cronológico é perfeitamente relacionável com o período de ocupação e laboração do povoado industrial de Tróia. G. Junta Distrital 4. junto à área sob dependência da cidade de Salacia. nos fundos da zona contígua à costa de Sesimbra. localizadas nas margens do rio. que se estendeu até ao século V. MANTAS. p.C. gálicas e béticas. iniciada por Augusto. FABIÃO. surge-nos um grande fundeadouro de época antiga. ao IV d. Setúbal Arqueológica. A maioria dos materiais aí recuperados encontram-se depositados no Museu do Mar de Cascais e foram objecto de publicação por Guilherme Cardoso. (2003) – Os portos na origem dos centros urbanos: contributo para a arqueologia das cidades marítimas e flúvio-marítimas em Portugal. A.. C. COELHO-SOARES. C.C. M. ancoradouros são efectivamente os locais com maior registo de vestígios arqueológicos subaquáticos. 2. Cristóvão (2003) . B.63-78. têm-se revelado de extrema importância para o estudo da navegação atlântica romana. Talleres alfareros y producciones cerámicas en la Bética romana (ss. Trabalho de Seminário do curso de História. Conímbriga. de entre os quais fragmentos de terra sigillata e material anfórico. Para o conhecimento das origens da cidade”. Setúbal. local conhecido por Caldeira. V. 83-85. encontrando-se depositados nos acervos do Museu do Mar de Cascais e Sesimbra. É frequente a existência de materiais cerâmicos com ampla cronologia nos locais de fundeadouro. 2005 e MANTAS. p. P. ancorada no porto. Os fundeadouros e pág. forneceu materiais anfóricos importados idênticos aos registados no “fundão de Tróia”. 1266. do Sado. variante Arqueologia. Junto às imediações das olarias. p. Actas del Congresso Internacional Figlinae Baeticae. (1978) – Ânforas romanas do Museu do Mar (Cascais). Lisboa. p. após o consumo do seu conteúdo pelos tripulantes da embarcação. (Eds. de entre as quais o estuário do Tejo é o exemplo mais significativo. 445-468 SILVA.). Outras peças foram recolhidas. Oxford. principalmente no que concerne aos vestígios subaquáticos.R. (1990) – “Arqueologia de Setúbal. T. Coimbra. V. Para além disso são igualmente lançadas borda fora algumas ânforas vazias.171-201. 2002-2003) É neste âmbito que deveremos entender o desenvolvimento da produção de preparados piscícolas na faixa atlântica Lusitana. localizados nas margens do Sado. O interior do curso fluvial. Os dados recolhidos permitem inferir um funcionamento do complexo portuário sadino em tudo similar ao registado e apontado para as restantes regiões do litoral atlântico nacional. (FABIÃO. É fácil imaginar a perda de alguns elementos da carga durante as actividades de transbordo entre embarcações. da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Um outro sítio subaquático. As características dos materiais recuperados. Vasco Gil (2002-2003) – “O Atlântico e o Império Romano” Revista Portuguesa de História. A instalação e exploração económica das zonas litorais do território português parecem corresponder à “política atlântica” de Roma. CARDOSO. L. representando o transbordo directo das mercadorias de um navio para uma caudicaria (barca).C. Referências Bibliográficas: BLOT. C. a partir de 1973.A. Setúbal na História. cerca de 40 exemplares de cepos de âncora em chumbo típicos da época romana. sugerem um local de rejeição de vasilhame. Foram inventariados. Balanço dos conhecimentos e perspectivas de investigação”. T. A sua cronologia abarca o período compreendido entre o século I e o século III. (1978) – “Ânforas da área urbana de Setúbal”. 36. – VII d. II a. e ânforas piscícolas de produção local. na foz do Sado. têm vindo a ser identificados desde os anos 80 do século XX inúmeros exemplares de ânforas de produção local das duas fases de produção. C. em 1978. Academia da Marinha. (2005) – “Caminhos do Atlântico Romano: Evidências e Perplexidades”. IPA.107122. Alguns dos quais foram recuperados. MANTAS. 379-410. Gijón-2005. Universidad de Cádiz-2003. 69 . IPA. FABIÃO.

das sementes. há quem relacione a divindade Eostre com a Deusa grega Eos. era a deusa “Mãe-Terra”. a primeira celebração de Pessach ocorreu há 3500 anos. ou signo de totalidade inicial. Era uma divindade muito cultuada em Roma que lhe dedicava. Remete assim ao mesmo mito da criação cíclica. o céu e a terra (Urano e Geia). também ela deusa do amanhecer e ainda com a fenícia Astarte ou a babilónica Ishtar. despiciendo que. lhe ofereciam. De acordo com a tradição do Tora. quando Deus enviou as Dez Pragas do Egipto. a indonésia ou mexicana. São estas as suas palavras: «. cuja etimologia se liga ao verbo crescere. o ovo aparece aqui ligado à ideia de renovação periódica da natureza. o germe. continha os outros dois. Não é. o Profeta Moisés foi instruído de forma a pedir que cada família hebraica sacrificasse um cordeiro e molhasse os umbrais (mezuzót) das portas com o sangue do cordeiro. o mito do Andrógino. mãe de Proserpina. o andrógino era um género distinto e que. 70 Há informações que nos fazem concluir que a festa de passagem do Inverno para a Primavera era comemorada entre povos europeus desde épocas mesmo muito remotas. o macho e a fêmea. Efectivamente. tanto pela forma como pelo nome. irmã ainda Juno. desde o século III a. muitas vezes concebido como ovo cósmico. designadamente os ovos coloridos e de chocolate. ou Ludi Cerialis. Era filha de Saturno e de Cibele. Mas regressando à Páscoa de origem germânica. à libertação do povo de Israel do Egipto. a vida. nesta época do ano. indicia os atributos da divindade. referimos ainda que. os Hebreus comeram a carne do cordeiro acompanhada de pão de ázimo e. a exemplo do pão. Vesta. passagem) também conhecida como Páscoa Judaica. um cesto de flores e frutos e tinha uma coroa com espigas de trigo. sendo tão querida entre Romanos que. a exemplo da Antiga Grécia. integrando os dois corpos e os dois sexos. em Alemão. por isso mesmo. Neptuno e de Plutão. a deusa da fertilidade. na Antiga Roma. à meia-noite. pelas similitudes no que respeita aos rituais da fertilidade e às festividades do Equinócio da Primavera. com eles se presenteavam as pessoas. um festival chamado Cerealia. pág. como a egípcia. na mitologia anglo-saxã. da agricultura.“ludI cereAleS” . do Renascimento. cujo nome parece significar “Deusa da Aurora”. todos os primogénitos egípcios foram dizimados. naquele tempo. para além dos festivais referidos.os ovos da pascoa por: Filomena Barata C efeméride eres. quando se queria referir algo de esplêndido. motivo pelo que. Judeus e Arménios o hábito de tocar presentes de ovos coloridos. «apropriado a Ceres». amante e irmã de Júpiter. dos grãos e seus derivados.C. sendo celebrada por mulheres em rituais secretos. são reminiscências da Festa da Primavera em honra de Eostre. o nome romano da deusa grega Demeter. (do hebraico. segundo o Êxodo. a renovação e a criação. sendo comum a Persas. Por essas filiações. da Ressurreição. ainda hoje se designa a Páscoa por “Ostern” e em Inglês “Easter”. a indiana. Os ovos oferecidos a Ceres representam do ponto de vista simbólico. Pessach. Por sua vez. O seu próprio nome. designadamente na região do Mediterrâneo. também por isso mesmo. mantendo-se a crença de que comer ovos no Domingo de Páscoa traz saúde e sorte durante todo o resto do ano. a chinesa. bem como o coelhinho. represente a plenitude da unidade fundamental e primordial onde se confundem os opostos. o renascimento. a fenícia.. Esta deusa era representada com um cetro. círculo que contém o princípio e o fim. que são pouco conhecidos. Ainda na mitologia Grega aceitava-se que era através da partição desse ovo cósmico que se criou ou se diferenciou a noite e o dia. protetora da Fertilidade. dos cereais. associa-se. Essa mitologia é comum a muitas Civilizações e Culturas. desde Épocas remotas. ou seja.. a grega. Platão na sua obra «Banquete» relembra o mito do Andrógino. ao mesmo tempo macho e fêmea». estátua da deusa ceres pág. afirmando que o Homem original tinha a forma esférica. portanto. funcionando como algo de apotropaico contra as enfermidades.. para que os seus filhos não fossem tolhidos pela morte. O Cristianismo acabou por absorver esta tradição através da Páscoa e. da Luz crescente da Primavera. Alguns historiadores sugerem também que muitos dos símbolos ligados à Páscoa. Romanos. 71 . festividades essas que foram assimiladas a Pessach. ovos e se dizia. Antes da décima praga. da união de Urano e Geia nasceram os Titãs.

Apenas a título de exemplo. o capitel jónico datável do século III-IV. proveniente das Termae Cassiorum de Olisipo. os mosaicos de Milreu com faixas de óvulos representados. o friso decorado com óvulos e lancetas. entre tantos e tantos outros casos. da eternidade ou da ressurreição. acabam por pertencer. como é o caso dos larários de Pompeios ou de Delos. 73 . quer de bens de utilidade doméstica quer em elementos decorativos da Arquitectura — os óvulos — ou mesmo em pinturas domésticas.Fotografia de fresco com representação de ovos. portanto. a exemplo das lucernas com esse tema. em terri- tório nacional. 72 pág. capitel de Pax Iulia Museu regional de Beja foto: Raúl Losada Se os ovos. pág. que representam a fecundidade ou a força genésica primordial. Pompeia (Itália). referimos. já para não referir os casos conhecidos de utensílios de uso doméstico. o monumental capitel que pertence ao acervo do Museu de Beja e que é atribuído a um eventual templo de Pax Iulia. pelos mesmos motivos. a própria ideia da vida. pertencente a uma primeira fase de construção do teatro de Lisboa. a um dos mais motivos decorativos mais representados. publicado por Lígia Fernandes. no Universo Romano. o capitel da Villa de Frielas.

de um desejo que se torna na necessidade inata de transformar um pensamento em algo visível. O desenho arqueológico. p. de um conceito. “palpável” e visual.o deSeNho e A IluStrAção NA ArqueologIA texto e imagens por: césar Figueiredo destaque Descodificação de Desenho e Ilustração Arqueológica D esde sempre que a prática do desenho fez parte da essência humana. “Através do desenho é possível observar melhor. 75 . “A prática do desenho está intimamente ligada ao desenvolvimento do conceito de Ideia. 2006. É comum pensar-se no desenho como algo inteligível. p. 2008/2009. entender. de uma “visão mental”.” (MARQUES. 74 pág. registar e comunicar factos e conceitos da ciência” (SALGADO. bem como em outras áreas da ilustração científica.78). de forma acabada e em suporte próprio. Não é de todo comum julgar o desenho como forma de pensamento e de produção de conhecimento. continua a ser preferido em relação à fotografia pág.62).

77 . 76 pág.pág.

p. 2008/2009. os desenhos de animais representam apenas as espécies: significa. impossível “caricaturar” qualquer ruína ou qualquer elemento de espólio. Dentro do desenho científico existem. existem diferenças bastante significativas entre o conceito de desenho arqueológico e ilustração arqueológica. excluindo para isso todos os traços desviantes do indivíduo particular. metais entre outros. * O desenho e a ilustração arqueológica são vistas muitas vezes como áreas de apoio para o estudo ou suporte de transmissão de informação para a arqueologia. obedece a inúmeros critérios práticos e de ordem morfológica. evidenciando as formas e os traços marcados pela acção humana. Torna-se. materiais. porque. não será possível dividir em categorias “modelo” cada género de artefacto. por isso. Luís Fortunato Lima refere sobre o desenho na biologia o seguinte: “Por exemplo: na Zoologia. Ao contrário das ciências naturais que pretendem reppág. resentar tipos através das características mais comuns de cada espécie. a ilustração passa a ser um campo de acção muito mais alargado que contempla não só a representação de materiais como se expande à visualização do meio destes objectos na antiguidade. na arqueologia não existem dois artefactos iguais. permite um registo visual superior e capaz de se adequar à necessidades de representação. No entanto. etnografia. Deste modo. como na representação de um peixe. o desenho de materiais arqueológicos distancia-se da maior parte delas. vidros. Na verdade. paisagem e arquitectura na sua vivência activa do passado. Refiro-me mais concretamente à recriação dos ambientes históricos e arqueológicos como forma de possibilitar um entendimento acerca de uma determinada civilização histórica. de facto. tal como em outras áreas do desenho científico. apenas figurarem as características particulares da sua espécie. O desenho na arqueologia é descritivo. A prática do desenho de materiais arqueológicos.90). Ambas são desenho científico mas enquanto que o desenho se reporta à representação técnica de materiais arqueológicos. Digamos que a ilustração arqueológica privilegia a representação da interacção entre pessoas. A este propósito. 78 pág. transformando-o em indivíduo emblemático” (LIMA. muitíssimas variantes.no desenho arqueológico não se podem representar espécies. a ilustração pode conter a representação de materiais mas privilegia a visualização destes materiais no seu contexto em que foram usados. meio geográfico. tais como cerâmicas. Por isso mesmo. pelo facto de não representar tipos nem géneros. na maioria dos casos. líticos. 79 . animais.

Desenho Científico.O Desenho como Substituto do Objecto: Descrição Científica nas Imagens do Desenho e Materiais Arqueológicos. cujas cabeças haviam sido pintadas de vermelho. in “Margens e Confluências”. Rio de Janeiro: Ediouro. Pedro . 2000. Hoje. 1984. . GOLVIN. Éditions Errance. Yale: Yale University Press . Luís Carlos Fortunato . Tese de mestrado. STEINER. Para alguns investigadores. Universidade do Minho.La Construction Romaine: Materiaux et Techniques. de Fig. Edição policopiada. no 87. mosaico romano é.Arqueologia Urbana e Ambientes Virtuais: Um Sistema para BracaraAugusta. GOLVIN. Betty . Paris: Grands Manuels Picard. das colunas de Hércules ao Finisterra. LONTCHO. FBAUP. 2006. 2006. . Instituto de história de Arte . pp. Alban-Brice . Lisboa: IST Press. 2008/2009. 2003. Jean-Pierre . 2008. os mosaicos testemunham da presença romana intimamente ligada à terra em que se fixara. Arles: Éditions Errance.Voyage en Gaule Romaine. MARTINS.175. 1 . BERNARDES. . Mark Wilson . Gérard. Lisboa: Editoral Estampa.Desenhando com o Lado Direito do Cérebro. no 13+14.New Haven & London. 5-casa del Fauno. 80 pág. Fig.. Jean-Claude . CONNOLLY. Braga. Manuela . Jean-Claude. e onde deixou a sua marca indelével. o mosaico teria mesmo a sua origem não no revestimento e decoração de pavimentos da Grécia antiga mas sim. Juin 2005.Nanterre. Ana L.Urbanismo e Arquitectura em Bracara Augusta. Peter. do Norte de África aos confins da Bretanha. ADAM. Jean-Claude . Les Cahiers de Science & Vie. Mélanie . Facultade de Belas Artes da Universidade do Porto. neste caso. porém. trabalho de síntese: integrado na prova de aptidão pedagógica e capacidade cientifica. 73-87. 2002. 81 .Rome Antique Retrouvée. de geração para geração. RODRIGUES.Ancient Cities: Brought to Life.Vitrúvio: Tratado de Arquitectura. no revestimento e reforço de paredes e colunas na Mesopotâmia. “Pompei . Ludlow: Thalamus Publishing. Paulo José Correia . seja difícil falar de “mosaico” no sentido actual do termo. Oxford: Oxford University Press. pp. JONES. EDWARDS. 2004. New Jersey: Wiley & Sons Hoboken. Pompeia. Balanço dos contributos da Arqueologia Urbana. de cerca de 6 a 15 cm de comprimento. Hazel .The Ancient City: Life in Classical Athens & Rome.Guild Handbook of Scientific Illustration. chegaram até nós exemplos datados de 4000 a. O mosaico. Jorge S. os usos e costumes. DODGE. a mais de vinte séculos de distância. COULON. PIMPAUD. Elaine R. Année 1998-1999. a evolução económico-social das diferentes sociedades que constituiam o Império Romano.Principles of Roman Architecture. M. MACIEL. à partida. 2005. Guimarães.O Desenho ordem do pensamento arquitectónico.o moSAIco romANo Introdução por: maria de jesus durAN Kremer.templo de uruk (Iraque). 2007. 2007.As imagens do desenho: percepção espacial e representação. GUIMIER SORBETS. branco ou preto.Une Cité Reconstituée”. in Actas do Congresso Internacional “Simulacra Romae. Tese de Mestrado. 2001. HODGES.Les Applications de L’Infographie 3D a L’Archeologie. Frédéric .-M. De Leste a Oeste do Mediterrâneo. SALGADO. Third Printing 2009. uma das expressões artísticas que melhor sobreviveram à passagem do tempo e à acção do Homem. MARQUES. GOLVIN. Ainda que. e que testemunham da utilização de “pregos” de barro. os diferentes mosaicos encontrados um pouco por toda a parte constituem uma preciosa fonte de informação sobre o quotidiano. 149. 2006. Lda.FcSh/uNl O Bibliografia pág. Institudo de Ciências Sociais. sem dúvida. Tarragona. S. Mémoire de maîtrise d’histoire de l’art et d’archéologie dirigé par Mme A. Porto.Approaches to Archaeological Illustration: A Handbook.C. não é uma “invenção” romana. 2002. LIMA. Université Paris-X. York: Council for British Archaeology. Roma i les Capitals provincials de l’Occident”. Justino .

Delos são pontos de referência no aperfeiçoamento da arte musiva. Pella. Alexandria . os artistas gregos consideraram pela primeira vez a superfície a decorar como um todo. Pergamon. Cedo porém a tessera se tornou no material de eleição para a execução das composições musivas. Espetados numa massa argilosa ainda fresca. coexistindo ambos os materiais. tendo chegado até nós mosaicos Fig. O mosaico pavimental. ou o mosaico floral de Sykion. tal como o pág. adaptando A pouco e pouco. em Pella (Fig. que vemos surgir composições tão belas como a “caça ao leão”. É também nesta época que aparecem os primeiros mosaicos geométricos mais elaborados cobrindo toda a superfície a decorar numa sintaxe argumental resultante de um programa iconográfico – decorativo.C.C.forma a formarem motivos decorativos (Fig. Através dos séculos.C. em Creta. É no século IV a. 2 . testemunhos do mosaico helenístico no seu auge. sem porém individualizar qualquer motivo aparente. 8 a. micénica. o uso de tesselas abriu as portas a conceitos de decoração mais complexos tanto no que respeita à policromia quanto ao programa iconográfico que o mandatário da obra quer ver realizado. não só decoravam as colunas com diferentes motivos geométricos como reforçavam ao mesmo tempo as próprias fachadas. na Grécia e hetita. Datados do séc. por si só. Com o decorrer dos anos. na Ásia Menor: os seixos eram misturados com o reboco que iria cobrir o pavimento da sala a decorar. conhecemos hoje. onde o mosaico geométrico não constitui pano de fundo para composições figurativas mas constitui. a composição às características da sala e. 4 . constituiu um ponto de viragem na arte do mosaico: em Gordion. 3 .2). mo pavimento. espelhando cenas do dia-a-dia. animais e plantas. num mespág. na Turquia. madre-pérola e grés permitiu avançar para outro tipo de Fig.Pequeno “mosaico” de ur (Iraque). este tipo de decoração espalha-se um pouco por todo o Mediterrâneo Oriental.. também aos desejos do proprietário da mesma. a uma maior perfeição na expressão artística através do recurso a diferentes tamanhos e formas para as mesmas.4). o tema principal da decoração (Fig. a técnica da utilização de pequenas bolas de cerâmica ou de chapinhas de calcário. É bem mais tarde. decoração. teve origem nos pavimentos de calhau rolado das cultura minóica. esta técnica evoluiu: os motivos geométricos deram lugar a representações muito simples de pessoas. A destruição destas culturas pelas invasões dóricas e frígias por volta de 1.Pella de rara beleza. introduzindo pela primeira vez materiais mais preciosos como o ónyx e o lápis lazuli.C. foram descobertos os primeiros pavimentos de calhaus rolados a preto e branco numa composição de motivos geométricos. e usado sobretudo em pequenos objectos de luxo de uso pessoal. o calhau rolado vê-se substituido por pequenos cubos de pedra talhados pelo Homem. certamente.Pormenor do mosaico da “caça ao leão”. 3). já sob o domínio de Alexandre que o mosaico se vai transformar numa arte em si: ainda que continuando a recorrer a calhaus rolados colocados sobre uma camada de argila. Fig. sem que por isso assuma o papel autónomo de decoração de grandes superfícies que viria a ser o seu da Grécia clássica em diante.200 a. o mosaico torna-se o elemento decorativo per excelence so- 82 83 . mais cuidado. estes pavimentos decoravam certamente as casas de famílias abastadas daquela cidade. Nos séculos II e I a. Permitindo recorrer a uma maior gama de materiais e cores. por vezes. usados juntamente com terracota e conchas. Numa fase seguinte. 1). provavelmente reservados à classe nobre (Fig.

El Djem. De entre eles. podium. 6. Thuburbo Majus. assumindo características muito escolhidos para as composições quanto ao estilo e aos motivos usados para as mesmas foi sem dúvida a Africa proconsularis (a actual Tunísia). Augsburg Blanchard-Lemée (M.). composições geométricas mais ou menos complexas enriquecem a panóplia de temas que as oficinas de mosaicistas – locais ou itinerantes – executam com maior ou menor perfeição. pag. «Algumas considerações sobre a iconografia das estações do ano: a “villa” romana de Pisões». e que merecem um tratamento mais aprofundado. Hadrumete.J. Actas do V Congreso Internacional de Estudios Galegos. ©Foto da autora. pág. 1995. não só pelo elevado número de solos que ornamentam como também pelos programas iconográficos escolhidos. foram igualmente utilizados para revestir paredes e tectos. dá uma relevância ainda maior ao significado da renovação eterna da vida expresso pelas estações do ano. Muitos outros temas podemos encontrar ainda hoje nos mosaicos romanos de Portugal.).31. numa composição muito expressiva da ligação do proprietário da villa à terra e à actividade agrícola. Vigo. O mosaico na Antiguidade Tardia. “Corpus des Mosaïques de Cherchel ». Mansour (B. De uma execução cuidada (veja-se. 2008. A representação do Tempo e das estações do ano. É o caso da representação das estações do ano: encontramo-las em Conimbriga. Homenaxe a Ramón Lorenzo. não podia deixar de ocupar um lugar de relevo no programa iconográfico de uma região sobretudo agrícola.).M.D.). FCSH. tanto sob a forma de figuras de corpo inteiro ou bustos. Portugal)».). paralelamente aos pavimentos polícromos. « A arquitectura e os mosaicos do « Edifício de Culto” ou “Aula” da villa romana de Milreu”.).nas diferentes províncias do Império a arte musiva assume características muito próprias a cada uma delas. ou recorrendo apenas aos atributos característicos de cada estação.).). pag. Enquanto que. numa representação “clássica” sob a forma de bustos. I. 1997. Revista de História da Arte N. Um outro pavimento. em Itália. 1996. Rabaçal.). Conimbriga. o mosaico não foi apenas utilizado para o revestimento e decoração de solos: os mosaicos parietais. Études d’Antiquités Africaines. 8). preservados pela lava e pelas cinzas do Vesúvio. executavam não apenas cenas mitológicas como. na Casa dos Repuxos. 1994. Paris. No entanto.J. com as suas qualidades apotropeicas. jogos de circo.). estes mosaicos são expressão de um programa iconográfico muito cuidado. Dunbabin (K. de acordo com a vontade dos grandes propri- Fig.Villa cardilio. Lisboa. 2005. os mosaicos geométricos ocupam um lugar de relevo. Mas encontramo-las também em Pisões (Fot. Duran Kremer (M. Duran Kremer (M. pag. também aqui se pode assistir a uma interpretação muito própria desses mesmos temas. A influência africana está fortemente presente nos mosaicos romanos encontrados em Portugal. Sols de l’Afrique Romaine .M. Oudna. sobretudo de templos. 1992. 7). do último século da República em diante se desenvolvem. comummente considerados como cópias de quadros ou de mosaicos alexandrinos (Fig. Uma das regiões que mais influenciou a arte musiva tanto no que respeita aos temas 84 etários fundiários que lhes encomendavam a decoração dos solos das suas casas. “Conimbriga.milreu. Ben Abed (A. tanto no que respeita aos programas iconográficos escolhidos quanto à sua execução final. pag. outros decorados com mosaico bicolor . Dunbabin (K. cenas da vida quotidiana. é um extraordinário exemplo da beleza e da perfeição que alguns desses mosaicos podiam atingir (Fot. „Thuburbo Majus“ Vol. Torres Novas. Pessoa (M. e L. 2008. Revista de História da Arte N. 5). 1999. ainda que tenham chegado até nós em menor número. Arte sempre nova nos mosaicos romanos das Estações do Ano em Portugal. 445 – 454. pólos de uma economia florescente. Oxford. Milreu. Duran Kremer (M. 60 – 77. o mosaico espalha-se por todo o Império. Sala g (torres Novas). Soren (D. próprias de região para região. Corpus dos Mosaicos Romanos de Portugal. Studies in Iconography and Patronage. Ihre Einordnung in die musivische Landschaft der Hispania im allgemeinen und der Lusitania im besonderen. 1980 Bairrão Oleiro (J. Lisboa. Sousse.). Bibliografia Alexander (M. hauschild pág. a ceifa do trigo ou a vindima. Mosaics of the Greek and Roman World. A inserção da cabeça da Medusa. Casa dos repuxos”. espelhando na maior parte dos casos a prioridade dada pelos mandatários das obras aos diferentes aspectos da sua vida quotidiana: temas mitológicos. cenas representando o dia a dia desses proprietários: cenas de caça. no âmbito do qual a temática prioritária escolhida – a água.J.© Foto t. IHA. «Contribuição para o estudo de alguns mosaicos romanos da Gallaecia e da Lusitania».D.J. Bertelli (C).bretudo das salas mais representativas de uma casa.). este em Villa Cardilio. a perfeição e o pormenor na execução das escamas de alguns peixes). viram surgir oficinas de mosaicistas que. 17.). Trier 1999. 6). 1997. Paris. Tunis. Corpus des Mosaïques de Tunisie. Mosaiques romaines de Tunisie. De Itália. FCSH. no Algarve. «Die Mosaïken der villa cardilio (Torres Novas. «Mosaicos geométricos de villa cardilio. Trier. II. IHA. e sobretudo. Cambridge. Ferdi (S. II. símbolo de renovação e eternidade. 1999. 1978. Cidades como Cartago.M.III. onde se encontra a maior colecção de mosaicos romanos ainda existentes. por exemplo. Die Mosaïken von der Antike bis zur Gegenwart.). Algumas considerações».) 2005. Ennaïfer (M. De ali nos chegaram mosaicos de uma beleza requintada. 85 .).preto e branco . No entanto. Vol. I. 6. 1980.II. Vol.). Executado certamente por uma oficina “regional”. Os melhores exemplos chegados até nós vêm sem dúvida de Pompeia. a vida marinha – foi adaptada à sintaxe ornamental de cada uma das divisões ou paredes a que se destinava. Slim (H. nesse pavimento. 7 . O mosaico na Antiguidade Tardia. Vol. 8 . I. é expressão de um simbolismo profundo reforçado pela inscrição que o acompanha (Fot.A. Besrour (S. Duran Kremer (M. testemunha de uma interpretação mais complexa desta mesma temática. Vitória do Ameixial. Fradier (G). 509 – 519. Tunis Hauschild (T). dando origem por vezes a composições extraordinárias no seu simbolismo e expressividade. The mosaics of Roman North Africa. no Rabaçal e S. Fig.

e a Teresa Monteverde Plantier Saraiva. Roma não é. por excelência a materfamilia ou matrona. ou coze ao lume o doce mosto. era.AS mulhereS em romA. Se bem que a generalidade das meninas romanas recebesse apenas uma instrução básica. passeia no tear o pente de som harmonioso. S estátua sentada de lívia retratos romanos do museo Arqueológico Nacional. pois o esposo podia também decidir da sua vida. madrid (espanha) Foto: raul losada «Há quem. contudo. enquanto a esposa.. coniunctio maris et feminae. que suaviza com o canto o seu labor. minha colega e amiga. e no âmbito familiar. pois a sua função primordial era prepararem-se para ser esposas e mães. podendo decidir da vida ou morte dos seus filhos.C. criticada por Juvenal e pelo cristão Tertuliano. a mulher foi gradualmente adquirindo autonomia. Há também inúmeros casos de mulheres versadas em Literatura. É só ele que pode participar na vida política. pois assumia uma presença pública não se cingindo às actividades domésticas ou aos tempos livres entre bordados. omnipresentes em casa. Geniceu. 86 87 . ou seja «a união de um homem e uma mulher» a mulher passava a depender da família do marido. reclusa nos aposentos das mulheres.. como acontecia na Grécia Antiga.. nas heranças e na própria manutenção do seu nome de família. pág. no Senado. «Feio é o campo sem erva e o arbusto sem folhas e a cabeça sem cabelo» Ovídio in «Arte de Amar» abia que Roma é ancestralmente uma sociedade patriarcal. pág. Com o crescimento de Roma. comandava a casa. Tomava também conta dos escravos. Quando casada. saía (usando a “stola matronalis”). nas magistraturas. como se pode verificar no Banquete. ou seja. À cabeça de cada grupo estava um pater familias que exercia o seu poder até à morte. um mundo estanque e imutável e a condição da mulher vaise alterando ao longo do tempo. contudo. A vida política cingia-se ao universo masculino. sendo sabido que. por isso. a partir do século II a. nas assembleias. abique archotes com um ferro acerado. A mulher é.. a domina. podendo inclusivamente participar da herança dos bens paternos. era o homem que presidia e assumia juridicamente a função predominante. de facto “senhora da casa”. As Geórgicas: 290-295) Por concessão do marido ela assumia o governo da casa (cura) e passava a ter direito às chaves do cofre-forte. Brincos romanos de miróbriga encontrados junto do «templo de Vénus» Dedico este artigo a Maria de Jesus Kremer. houve muitos exemplos de mulheres que exerceram influentes profissões e que dirigiram negócios lucrativos. ficando submetida a um poder familiar semelhante ao que tinha em casa antes do matrimónio. no divórcio.. companheira assídua do «Portugal Romano» Filomena Barata Pelo casamento. (Virgílio. não sendo. sendo. é notório um processo de emancipação social e jurídica que se manifesta quer no casamento. tinha acesso aos tribunais e participava nos espectáculos públicos. e participava das refeições com o marido. e escuma com um ramo o líquido que ferve no tacho». para todos os efeitos. texto: Filomena Barata Sabia que. à luz que alumia os longos serões de inverno.

p. o elemento básico do vestuário. sendo comum o uso da henna importada do Oriente e socorriam-se de extensões ou perucas para os casos de insuficiência de cabelos. museu de Faro. . 282) chamar aos Romanos «os senhores do mundo. servindo também para cobrir a cabeça). «Partindo dos simples arranjos da primeira metade do século I a. No entanto. na época flaviana e no reinado de Trajano» (Bruno Ruiz-Nicoli in Rostos de Roma. As mulheres também recorriam a colorações. Évora: Museu de Évora. Criptopórtico de Aeminium. ao ponto de Virgílio na Eneida(I. que alcança a sua máxima expressão em finais do século I. 48). parcialmente oculto por véu. contrastando com a contenção verificada na Época de Augusto que se filia na tradição helenística. seja feminino ou masculino. criptopórtico de Aeminium. só os jovens e as cortesãs usam toga..C. Évora: Museu de Évora. Luciano «as mulheres dedicam a maior parte dos seus esforços à trança dos seus cabelos» Amores. As mulheres de condição mais elevada usavam tecidos ricos bordados e importados das várias partes do império. Os caracóis. terena.C. a Pátria pela cabeleira. Usavam também os cabelos presos em carrapitos. Museu Nacional Machado de Castro. sobretudo a partir da Dinastia julio-claudiana e que atinge o auge na época falviana e no reinado de Trajano que. já durante a República. a toga. retrato de lívia. chegamos. de algum modo. proveniente das ruínas de milreu. se bem que em público tivessem o costume de cobrir a cabeça. devido ao regresso à tradição que marca a época de Augusto. o povo da toga». São miguel da mota. assim como um sinal da sua idade. casada em 126 com o futuro imperador Antonino Pio de que existem várias representações. cobria os dois ombros. museu Nacional de Arqueologia. obtinham-se com o recurso ao calamistrum. 2010. sendo os penteados de Época Imperial caracterizados por uma enorme exuberância. posição social e função pública”. pp. Séculos I . em meados desse mesmo século. às modas de origem helenística que são muito contidas.Até determinada altura. Trocam. indica que se trata de um membro da família imperial que não é possível identificar com segurança.II. O rosto era embelezado e os cabelos tratados e penteados de diferentes formas. pág. foi. museu Nacional machado de castro. ”tótós” ou tranças. um instrumento metálico que se aquecia ao lume de forma a obter os efeitos desejados. a Maior. também dependendo das épocas e respectivas modas. sendo célebres as de Faustina. o vestuário foi-se sofisticando e. (grande mantilha pregueada sem costuras que. (Bruno Ruiz-Nicoli in Rostos Segundo o autor latino do século II d. por usa vez. gonhar-se da sua pátria. 61-62). As matronas utilizavam sobre a stola (túnica ou vestido comprido cingindo nas ancas) a palla Figura feminina vestida. de não terem nascido na Germância ou na Gália. assim. até determinada altura. mulher do imperador Augusto». «Um diadema. 38-41. embora apresente semelhanças com o retrato de Lívia. ao contrário da toga. 2010. Um vestido inferior com mangas era usado sob a stola. o cabelo e o seu arranjo eram considerados um elemento fundamental do atractivo de uma mulher. Coisa ruim. O século III assiste à moda do cabelo usado com “o risco ao meio” caindo para os 88 89 representação de Agripina. coisa péssima a si mesmas pressagiam com a sua cabeça da cor do fogo». de Roma. “Em Roma. Esta moderação mantém-se na época julio-claudina até à chegada de Nero e é a partir desse momento que se inicia um vertiginoso desenvolvimento dos penteados. mulher do imperador Augusto». Assim nos diz o moralista Tertuliano no seu «A Moda Feminina/Os Espectáculos»: «Vejo que algumas de vós que pintam os cabelos com açafrão chegam a enverpág.

Para prender os cabelos usavam alfinetes. colares em ouro. tos ligeiramente inclinada para a direita. o acabamento da modelação divina. cujo topo é «rematado por um busto feminino. madrid Os camafeus também estiveram muito em voga em Roma. 90 pág. Artigo elaborado a partir de: www. camafeus valendo a pena. essa deusa do amor e da beleza. O busto apresenta-se em posição frontal e cabeça a três quar- As mulheres não dispensavam os espelhos para os seus cuidados de embelezamento nem prenestinas.lados em ondas fortemente modeladas e apanhado depois numa série de tranças que ascendem até à parte superior do crânio. A propósito dos cuidados femininos. diznos ainda no século II Tertuliano «De facto. embora não se deva acusar a beleza – a qual é a graça do corpo. bracetes e diademas. (Informação obtida no Museu Nacional de Arqueologia. um agradável vestimento da alma – ela haverá. século I d. conhecer o acervo do Museu de Conímbriga. Esmeralda Gomes. proveniente da cidade de Ammaia (São Salvador da Aramenha) . ou seja. 2008. op. mNA. brincos.C. no entanto. proveniente das Ruínas de Tróia. Século II. Proveniência desconhecida. Cravinho. foi adoptado para definir o género feminino. Este símbolo.c. nem os seus perfumes e unguentos. cabeça de Ninfa. os acus crinalis.portugalromano. a exemplo de um alfinete de cabelo em osso. os cofres em bronze que continham os acessórios de embelezamento feminino. desde anéis.cit/ Matriznet)». De cornalina de cor de salmão escuro e de forma oval. colecção de ourivesaria. pulseiras.museu Nacional de Arqueologia. depositado no Museu Nacional de Arqueologia. retrato Agripina minor museu Arqueológico Nacional. 91 . referindo um exemplar publicado no «Portugal Romano». século I d. nem que seja por causa dos ultrajes e das violências daqueles que andam atrás dela» (p: 57). em Portugal. muitas vezes com pedras. talhada e túnica estilizada por meio de linhas incisas oblíquas». que representa a feminilidade. com toucado e cabelo bem definido e com face singelamente Eram usados múltiplos adereços. Trata-se de um «Camafeu com busto feminino em relevo. mNA. a cujo acervo pertence).com/2011/04/filomenabarata-as-mulheres-em-roma pág. camafeu com busto feminino em relevo. Defende-se mesmo que Vénus. Terra de Deusas. colares e pingentes. entre tantos outros. Poderá tratar-se de uma Ménade ou de Cassandra? (segundo G. (Ver «Alcácer. que na mitologia romana substitui a Grega Afrodite tem como seu símbolo ♀ (um círculo com uma pequena cruz equilateral) que parece ser a representação gráfica ou símbolo abstracto do espelho de Vénus. Câmara Municipal de Alcácer do Sal). Marisol Aires Ferreira e António Rafael Carvalho. Proveniente das ruínas da cidade romana de Ammaia . que ser temida.

Antes do acto se concretizar Salácia revoltou-se e escondeuse no fundo do oceano. a rainha dos oceanos. Rocha Martins em 1935) mosaico «triunfo Indiano de Baco» proveniente de torre de Palma. que foi profanado pelos africanos. e fundaram uma vila a que deram o nome de Salácia. 93 lendas e estórias a verdade. Neptuno mandou todas as criaturas marinhas do mundo em sua busca. isto é trinta anos antes de Cristo. um tempo dedicado à deusa Salácia (um dos nomes da deusa Diana). atrás o tridente Rev. entregando-a para casamento ao grande rei. . 92 pág. pondo as povoações a ferro e fogo. orla pontuada. . Alcácer do Sal foi fundada pelos lusitanos no ano Vlll de César. Séculos III-IV. perecendo no naufrágio a maioria dos invasores. monforte.cabeça de Neptuno à direita. invadiu a Lusitânia.Entre dois golfinhos à direita. ao que parece. mNA Foto: moeda romana de Salácia Anv. Foi bem-sucedido um golfinho que encontrou a ninfa. Salácia era uma ninfa. Neptuno. Quando estes se faziam ao mar.leNdA PoPulAr de SAlÁcIA (Alcácer do Sal) N “ Havia na região de Alcácer. o topónimo abreviado ImP-SAl. segundo a lenda. Há também uma corrente de opinião para quem o nome de Salácia se referia.” (Narrada pelo Dr. e perdendo-se as riquezas roubadas. porém. um grande temporal destruiu as embarcações. mas à abundância de sal existente na região. não à Deusa. Salácia é assim. prometida em casamento ao grande rei dos mares. Os lusitanos viram no acontecimento um milagre da Deusa. atribuindo-a a uma lenda que reza o seguinte: Bugud. califa africano. Segundo esta mesma lenda. . pág.

a região que agora corresponde ao Município de Cascais foi profundamente ocupada e explorada no período romano. em especial do Baixo Império. 95 . 94 queológico dedicado à Ocupação Romana do Município de Cascais. possibilitando o incremento do comércio com o resto do Império. que. da autoria de Guilherme Cardoso. tendo sido seleccionados os mais notáveis vestígios visitáveis no Concelho. roteiro pág. cultivando a vinha. As datações mais antigas de ocupação romana do Concelho apontam para o século I a. Na Villa Romana de Freiria comprovou-se pelos vestígios encontrados a existência de um lagar e um celeiro de grandes dimensões. está comprovada em Casais Velhos e no Bom Sucesso. ao longo dos últimos anos. a oliveira e o trigo. Exploraram-se também pedreiras de mármore em Porto Covo e São Domingos de Rana. e possivelmente lã e respectiva tintura. 35km INtrodução Trata-se de um primeiro esboço de roteiro ar- pág.C. Recorremos ao trabalho desenvolvido pelo Professor José d’Encarnação e Mestre Arqueólogo Guilherme Cardoso. A proximidade da Cidade Romana de Olisipo e do seu porto beneficiaram toda a região. A produção de tecidos em linho. valorizaram e editaram várias importantes publicações sobre este importante legado. estudaram. Através da Carta Arqueológica de Cascais. viajámos no tempo e fomos em busca dos vestígios romanos. de calcário em Freiria e de grés em toda a área de entre Abuxarda e Bicesse.roteIro ArqueológIco romANo do coNcelho de cAScAIS texto: raúl losada duração: 5 horas distancia: aprox. Os romanos desenvolveram a agricultura local. contudo os vestígios mais abundantes são dos séculos seguintes. . Segundo este arqueólogo. A pesca encontra-se documentada como actividade secundária no Alto da Cidreira e no centro da Vila de Cascais. através de escavações arqueológicas. não sendo significativos os dados ainda conhecidos que possam apontar a existência de uma indústria conserveira no litoral do Concelho.

em 1912. no entanto.. reportou em primeira mão a existência de vestígios de ocupação romana nesta zona do concelho de Cascais. estrutura do celeiro foto: miguel rosenstok 96 pág. com base revestida a opus signinum. como parece testemunhar um peso de sarilho semelhante aos usados nestas estruturas. localizado a sudeste. cobertos de mosaicos polícromos de motivos geométricos e paredes decoradas com estuques pintados. para além de determinados pavimentos. Peristilo (pátio interior) e impluvium circundado de “espelhos de água” e o envolvente corredor provido de colunas. podendo pág. Na área envolvente encontraram-se vestígios cerâmicos do período Neolítico o que documenta que. outeiro da Polima. 97 . de que foram identificados o hipocausto e dois tanques. foram descobertos: A Domus que revelou uma estrutura bastante delicada. entre outros aspectos.72050370024602 . sendo constituída pelo ustrinum (local de cremação dos corpos) e por mais de duas dezenas de enterramentos com urnas de incineração de inumação. e a área residencial. Nas várias campanhas arqueológicas. na Villa Romana de Monroy. a estrutura arquitectónica inicial da casa foi alvo de algumas remodelações pontuais. o Forno de cozer pão. contudo.C. que esperar pelo ano de 1980 para que a Villa de arquitectura civil romana construída no século II d. confirmar uma permanência humana no local desde o Calcolítico. sendo. Pela análise dos fragmentos cerâmicos recolhidos até ao momento. São domingos de rana gPS: 38. Um dos primeiros proprietários da Villa Romana foi certamente T(itus) Curiatius Rufinus. um Lagar para obtenção de azeite. A pars rustica seria abastecida de água proveniente de um tanque-represa. conduzidas pelos arqueólogos Guilherme Cardoso e José d´Encarnação. considerar-se um dos exemplos mais completos deste tipo de residência na Península Ibérica que se destaca por dois motivos: Pela monumentalidade e beleza do celeiro que só tem paralelo noutro exemplar da Península Ibérica. que é uma das raras peças do género achadas no território nacional. revestidos a opus signinum A pars fructuaria da Villa encontra-se bem estudada e era constituída por um celeiro. estas últimas sem qualquer espólio. fruto do decorrer dos tempos e das novas necessidades quotidianas que se impunham. de água fria e quente. tendo-se ainda encontrado um lajeado a circundá-lo. eventualmente pertencente a uma passagem coberta que estabeleceria a ligação entre a Villa fructuaria. Uma necrópole na margem oposta estava associada à Villa Romana. Trata-se de uma Villa Romana. foi possível identificar duas dessas fases construtivas. constituída pela Domus e pelo complexo termal. Houve. depois de ter encontrado uma sepultura romana junto a uma pedreira e numa tentativa de localizar uma necrópole. de destacar a presença de uma lucerna decorada com a figura da deusa Diana numa das sepulturas de cremação. incluindo o de um provável triclinium. pelas populações que os antecederam. erguido junto à ribeira que corre nas proximidades.322827458381652 Foi o arqueólogo Virgílio Correia Pinto da Fonseca (1888-1944) quem. pois foi achada uma ara com inscrição deste dedicada à divindade préromana Tribunnis. ocorridas entre os séculos I e VI dC. -9.VIllA romANA de FreIrIA local: rua de Freiria. ao qual estaria associada a parte inferior de um moinho. Pela existência de um quadrante solar. em Freiria. bem como alguns capitéis. composta do Celeiro e o Lagar. As Termas da Villa. com átrio. perto de Cáceres. uma vasta camada de telhas. durante milénios. depois de ter sido destituído da sua função inicial após o século IV d. permitindo. os Romanos vieram instalar-se num local já anteriormente ocupado. Tal como é comum acontecer.C. fosse encontrada e estudada sistematicamente pelos arqueólogos Guilherme Cardoso e José d´Encarnação. de que se encontraram diversas bases no seu local primitivo.

Quanto à pars rústica é de assinalar os tanques de que havia relatos dos princípios do século XX. Actualmente o sítio arqueológico escondese por entre uma densa vegetação. antiga Olisipo. que a identificaram em Setembro de 1985. infelizmente bastante descaracterizado pela contínua circulação de pessoas e veículos no sítio arqueológico. referiu.» Esta epigrafia é datada do século I d. adscrita pela tribo Galéria ao município de Lisboa. C.). representando um negro. E. referimos ainda a mini máscara de terracota (22 x 24 mm. localizados na encosta meridional (Bom Sucesso). Foi. com as respectivas condutas de água e hipocausto. a necrópole e algumas estruturas romanas e silos medievais. pequenas vasilhas e numa delas recolheuse uma espada muito oxidada. como se pode concluir pelas tesselae exumadas no local. um separador de tear decorado geometricamente e diversos fragmentos de agulhas.40804123878479 VIllA romANA do Alto dA cIdreIrA local: rua da cidreira. se poderiam referir a um complexo industrial.. pelo que será um monumento mandado fazer pela filha para o Pai e para si própria. Alcabideche gPS: 38. Um grande reservatório alimentava todo o complexo. ainda em vida «Aqui jaz Gaio Julio Rufo. destaque-se os utensílios ligados à tecelagem: uma tabuinha de tecelagem. porventura. Do espólio exumado. que actualmente se encontra exposta na mostra de arqueologia do Município no Museu dos Condes de Castro Guimarães. Provavelmente edificada durante o século I d. a reutilização do espaço ao longo dos séculos subsequentes Segundo o Guilherme Cardoso e José d’Encarnação. cascais gPS: 38. trata-se de mais um testemunho da gens Iulia. pela primeira vez. pelas descrições deixadas.ePIgrAFIA romANA de ruFo e FuNdANA local: Igreja matriz de Alcabideche largo de São Vicente.72153747530683 . a sul encontra a necrópole. em Cascais. da tribo Galeria. Foi também encontrado um tanque semicircular pertencente ao frigidarium. classificada em 1992 como “Imóvel de Interesse Público”. tanques esses que. 99 . encontra-se uma cupa funerária romana.7302507258494 . -9. Algumas continham mais do que um esqueleto e jóias. também a do “Alto da Cidreira” foi dotada de um complexo termal. a Domus desta Villa tinha dois andares e possuía alguns compartimentos pavimentados com mosaicos polícromos. reja Matriz de Alcabideche. possivelmente de tinturaria com duas pequenas tinas de cerca de 1 metro de profundidade. dos Serviços Geológicos. Oliveira. bem como o praefurnium. de mármore róseo de São Domingos de Rana. pelo que uma função idêntica não será.423442482948303 à sua construção inicial.C. filha de Gaio. quem. no entanto. -9. 98 pág. durante as obras de restauro do templo. Embutida na parede norte exterior da IgFoi o conhecido geólogo Francisco de Paula Como sucede com as demais Villae romanas. e aqui jaz Julia Fundana. de vinte cinco anos. O texto epigráfico refere dois defuntos. afigurando-se comparável ao dos Casais Velhos. a existência da Villa romana do Alto do Cidreira”. hipótese a menosprezar. em finais dos anos noventa do século XIX. Relativamente perto da Villa é de salientar a presença de uma necrópole tardo-romano/visigótica com sepulturas delimitadas por esteios de calcário. a assegurar. necessário esperar pelo final da década de setenta do século XX para que o sítio arqueológico fosse sistematicamente investigado pelos arqueólogos Guilherme Cardoso e José d’Encarnação. Foi identificado a Sudoeste da villa um aqueduto subterrâneo. pelo seu carácter singular. destinado ao aquecimento do ar que circulava sob o pavimento e da própria água dos tanques. tal como foram reconhecidos elementos atribuídos a períodos de ocupação humana anteriores à estrutura romana. pág. no fundo. No lado norte da vigia militar encontram-se pequenos fragmentos de cerâmica da Idade do Bronze e do Ferro.

Este era servido por um Aqueduto. De enorme importância. este molusco era de grande valia económica na Idade Antermas 100 pág. e com os corpos depositados em decúbito dorsal. As tinas serviriam para o tecido ser mergulhado na solução do corante e em seguida posto ao sol para que a cor aparecesse. como uns brincos de bronze. A villa possuía três locais distintos de enterramento tardo-romano. Esta afirmação é corroborada com a existência de compartimentos com tinas ou cubas com encaixe para tampas herméticas. que se adequavam ao propósito. Além disso. É provável que o povoado tivesse como actividade principal a preparação da púrpura. que mantém ainda o seu invólucro de tecido de linho. já que os Fenícios utilizavam o corante de púrpura (que era extraído de seu interior) como fonte de comercialização. António de Castelo Branco e Octávio Reinaldo da Veiga Ferreira. romano com complexo industrial possuidor de características únicas na Península Ibérica e integrando uma fábrica de preparação de púrpura. numa distância de 700 m. mas mantêm-se em aberto uma datação final de Povoado ocupação do local. bem como e descoberta numa lixeira do povoado. Para além destes vestígios de construção romana e de outros restos ainda indeterminados que afloram dentro do circuito amu- ralhado. esta descoberta torna o local único na península ibérica. Cerâmicas das quais. possivelmente o natatio. de que restam os vestígios da estrutura que transportava a água do nascente do Alto do Selão até à villa de Casais Velhos. 101 . Constantino e Arcádio). cascais gPS: 38. -9. encontra-se na reserva arqueológica do Município de Cascais e do qual se destaca: Algumas jóias. foi identificado um tanque de grandes dimensões. o que sugere uma ocupação mais intensa do local exactamente nos finais do Império Romano do Ocidente.725563614577226 . de abundantes conchas de múrex. voltados para Nascente. Nestes locais foram encontradas moedas datáveis de entre os anos 205 e 405 da nora era (do tempos dos imperadores Teodósio.eStAção luSItANA-romANA doS cASAIS VelhoS local: rua de São rafael. Constante. uma bilha com decoração no bojo. complexo de tinturaria pág. A pars urbana desta Villa era constituída pelo característico complexo termal composto do frigidarium (para o banho frio). de uma sala tépida de transição e do praefurnium. O espólio resultante das intervenções de D. dois a sul e um a poente com sepulturas do tipo “caixa”. tradicionalmente rasgado a céu aberto. são ainda de salientar.C. Constâncio II. destinado ao aquecimento do ar que circulava sob o pavimento e da própria água dos tanques de configuração semicircular. peça raríssima e do maior interesse histórico. e uma Lucerna. uma agulha de bronze. delimitadas por esteios afeiçoados em calcário. segundo o arqueólogo Guilherme Cardoso. Areia. os vestígios das muralhas e as necrópoles de inumação. Dado a pequena área escavada pode-se afirmar a sua ocupação no século II d.463434219360351 tiga. Descoberto em 1945 por Afonso do Paço e Fausto de Figueiredo com a ajuda de alguns trabalhadores do Município que iniciaram curtas escavações em redor da área descoberta. é ainda uma moeda encontrada numa sepultura.. molusco marinho de onde provem a púrpura. A existência de um edifício no complexo da villa identificado como sendo uma Tinturaria.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful