DERIVADAS

Prof. Dr. Luis Felipe Dias Lopes
ORIGEM DO CONCEITO DE DERIVADA DE UMA FUNÇÃO
O conceito de função que hoje pode parecer simples é o resultado de uma lenta e longa evolução histórica iniciada na Antiguidade quando, por exemplo, os matemáticos Babilónios utilizaram tabelas de quadrados e de raízes quadradas e cúbicas ou quando os Pitagóricos tentaram relacionar a altura do som emitido por cordas submetidas à mesma tensão com o seu comprimento. Nesta época o conceito de função não estava claramente definido: as relações entre as variáveis surgiam de forma implícita e eram descritas verbalmente ou por um gráfico. Só no séc. XVII, quando Descartes e Pierre Fermat introduziram as coordenadas cartesianas, se tornou possível transformar problemas geométricos em problemas algébricos e estudar analiticamente funções. A Matemática recebe assim um grande impulso, nomeadamente na sua aplicabilidade a outras ciências - os cientistas passam, a partir de observações ou experiências realizadas, a procurar determinar a fórmula ou função que relaciona as variáveis em estudo. A partir daqui todo o estudo se desenvolve em torno das propriedades de tais funções. Por outro lado, a introdução de coordenadas, além de facilitar o estudo de curvas já conhecidas permitiu a criação de novas curvas, imagens geométricas de funções definidas por relações entre variáveis. Foi enquanto se dedicava ao estudo de algumas destas funções que Fermat deu conta das limitações do conceito clássico de reta tangente a uma curva como sendo aquela que encontrava a curva num único ponto. Tornou-se assim importante reformular tal conceito e encontrar um processo de traçar uma tangente a um gráfico num dado ponto - esta dificuldade ficou conhecida na História da Matemática como o “Problema da Tangente”. Fermat resolveu esta dificuldade de uma maneira muito simples: para determinar uma tangente a uma curva num ponto P considerou outro ponto Q sobre a curva; considerou a reta PQ secante à curva. Seguidamente fez deslizar Q ao longo da curva em direção a P, obtendo deste modo retas PQ que se aproximavam duma reta t a que Fermat chamou a reta tangente à curva no ponto P. Fermat notou que para certas funções, nos pontos onde a curva assumia valores extremos, a tangente ao gráfico devia ser uma reta horizontal, já que ao comparar o valor assumido pela função num desses pontos P(x, f(x)) com o valor assumido no outro ponto Q(x+E, f(x+E)) próximo de P, a diferença entre f(x+E) e f(x) era muito pequena, quase nula, quando comparada com o valor de E, diferença das abscissas de Q e P. Assim, o problema de determinar extremos e de determinar tangentes a curvas passam a estar intimamente relacionados. Estas idéias constituíram o embrião do conceito de DERIVADA e levou Laplace a considerar Fermat "o verdadeiro inventor do Cálculo Diferencial", contudo, Fermat não dispunha de notação apropriada e o conceito de limite não estava ainda claramente definido. No séc .XVII, Leibniz algebriza o Cálculo Infinitésimal, introduzindo os conceitos de variável, constante e parâmetro, bem como a notação dx e dy para designar "a menor possível das diferenças em x e em y”. Desta notação surge o nome do ramo da Matemática conhecido hoje como "Cálculo Diferencial". Assim, embora só no século XIX Cauchy introduzia formalmente o conceito de limite e o conceito de derivada, a partir do séc. XVII, com Leibniz e Newton, o Cálculo Diferencial torna-se um instrumento cada vez mais indispensável pela sua aplicabilidade aos mais diversos campos da Ciência.

c e n são constantes. u e v são funções da variável x. Derivada de uma constante d (c ) = 0 dx Ex.x n −1 dx Ex. é igual ao valor da tangente trigonométrica do ângulo formado pela tangente geométrica à curva representativa de y=f(x). ou seja.: f(x) = x3 Portanto: ( ) f’(x) = 2x2 d (x ) = 1 dx .: f(x) = 2 f’(x) = 0 Derivada da potência d n x = n.. dy ou f ' (x). b. dx A derivada de uma função f(x) no ponto x0 é dada por: f ( x) − f ( x o ) f ( x + h) − f ( x o ) df ( xo ) = f ' ( x o ) = lim = lim x → xo x →0 dx x − xo h Algumas derivadas básicas Nas fórmulas abaixo. no ponto x = x0. A derivada de uma função y = f(x). a.DEFINIÇÃO A derivada de uma função y = f(x) num ponto x = x0 . a derivada é o coeficiente angular da reta tangente ao gráfico da função no ponto x0. pode ser representada também pelos símbolos: y'.

4x3 + x4 .: f(x) = ( x + 2) 2 ou f(x) = ( x + 2) 2 = x2 +4x + 4 f’(x) = 2x + 4 + 0 = 2x + 4 f’(x) = 2 .Soma / Subtração d (u ± v ) = du ± dv dx dx dx Ex.: f(x) = x3 . 3x2 = 7x6 du dv −u d u dx dx  = dx  v  v2 v Ex.u n −1 dx dx Ex.: f(x) = x3 x4 f’(x) = x 4 .y3 Produto por uma constante f’(x) = 2x – 3y2 d (cv) = c du dx dx Ex. 1 = 2x + 4 ( ) .: f(x) = x2 . ( x + 2) .. x4 Derivada da divisão f’(x) = x3 .3 x 2 − x 3 . 2x2 = 4x2 d (uv ) = u dv + v du dx dx dx Ex.4 x 3 (x ) 4 2 = −1 − x6 = 2 8 x x Potência de uma função d n du u = n.: f(x) = 2x3 Derivada do produto f’(x) = 2 .

Derivada de uma função composta d (u o v ) = dv  du o v    dx dx  dx  A fórmula: d (u o v ) = dv  du o v    dx dx  dx  é conhecida como Regra da Cadeia. outra fórmula similar é a seguinte: = dx dv dx dx dx dv F ( x ) = g ( f ( x) ) Ex. f ' ( x ) −2 x F’(x) = ? y = f(x) = 7x2 – 2x z = g(y) = e y y’ = f’(x) = 14x . e 7 x 2 −2 x Derivada da função inversa A inversa da função y(x) é a função x(y): dx 1 = dy dy dx f(x) = 2x+1 f-1(x) = x −1 2 f’(x)= 2 f-1’= x 1 1 − = 2 2 2 .: F(x) = e 7 x 2 F ' ( x) = g ' ( y ). Ela pode ser escrita como: du du du dv du dv = .2 z’ = g’(y) = e y F’(x) = e y . (14x – 2) = (14x – 2) .

Se f(x) = x3 + 4. onde C é uma constante real. nos exemplos 2 e 3 podemos observar que tanto x3 quando x3+4 são integrais indefinidas para 3x2. Uma das antiderivadas ou integrais indefinidas de g(x) = 3x2 é f(x) = x3. então f'(x) = 3x2 = g(x). então f ' ( x ) = 5 5 x5 4 antiderivadas de f'(x) = g(x) = x é . Se f(x) = x3. ou seja. Dada uma função g(x). Propriedades das integrais indefinidas São imediatas as seguintes propriedades: 1ª ) ∫ [ f ( x) ± g ( x)]dx = ∫ f ( x)dx ± ∫ g ( x)dx . ou seja. a integral indefinida de 3x2 é x3+C. Uma das . 5 Se f(x) = 2. a integral da soma ou diferença é a ∫ k. qualquer função f'(x) tal que f'(x) = g(x) é chamada integral indefinida ou antiderivada de f(x). . f ( x)dx = k ∫ f ( x)dx . 2ª ) integrando. a operação inversa da derivação é a antiderivação ou integração indefinida. ou seja. A diferença entre quaisquer destas funções (chamadas funções primitivas) é sempre uma constante.INTEGRAIS INTEGRAIS INDEFINIDAS Da mesma forma que a adição e a subtração. a derivada da integral de uma função é a própria função. Uma das antiderivadas ou integrais indefinidas de g(x) = 3x2 é f(x) = x3 + 4. 3ª ) [∫ f ( x)dx]= f ( x) . 5x 4 x5 = x 4 = g ( x) é a derivada de f(x). Exemplos: 1. então f'(x) = 3x2 = g(x). a multiplicação e a divisão. 3. a constante multiplicativa pode ser retirada do soma ou diferença das integrais. d dx ou seja.

é um número real. INTEGRAIS DEFINIDAS Seja uma função f(x) definida e contínua num intervalo real [a. A integral definida de f(x). ∫ f(x)dx representa a área entre o eixo x e a curva f(x). 2 4 3 3 U du admitindo que se conhece ∫ g (u)du . b].1(24 = ∫ g (u)du = h(u) + C = h[ f ( x)] + C . du = f ' ( x ) . para a b .Integração por substituição Seja expressão ∫ g [ f ( x)]. f ( x)dx . vem: dx Através da substituição u=f(x) por u' = f'(x) ou f f ' x)dx ∫ g [1( x)]. Se a≤ x≤b. b é o limite superior de integração. de a até b. f ( x) ≥ 0. f(x) é o integrando. ou ainda. O método da substituição de variável exige a identificação de u e u' ou u e du na integral dada. du = f'(x) dx. e é indicada pelo símbolo: ∫ onde: • • • b a f ( x)dx a é o limite inferior de integração.

para a ≤ x ≤ b b a A = ∫ [ f ( x) − g ( x)]dx b a .A = ∫ f ( x)dx b a Se f ( x) ≥ g ( x ). ∫ [ f(x) − g ( x)]dx representa a área entre as curvas.

e é uma das formas de se apresentar a integral definida.A = ∫ f ( x )dx + ∫ g ( x)dx b b a a A = ∫ [ f ( x) − g ( x)]dx + ∫ [g ( x) − f ( x)]dx b b a a a integral definida. . representa uma área. nos exemplos vistos. o que ocorre em muitos casos.

(x1. a soma das áreas de todos os retângulos é: que nos fornece um valor aproximado da área considerada.. que pode representar a soma das áreas de infinitos retângulos de largura área f (h1 )∆x1 .xn=b.. Seja ∆x i = x i − x i −1 . portanto.. xi) tomemos um ponto arbitrário hi.. 1 ≤ i ≤ n . x2. a ≤ x ≤ b é dada por ∆x → 0 e cuja altura é o valor da função num ponto do intervalo da base: Subdividindo o intervalo [a.. Em cada intervalo (xi-1.. Simbolicamente.De forma geral.. para : . temos as bases superiores dos retângulos e a curva praticamente se confundindo e. Aumentando o número n de subintervalos ∆x i . f (hn )∆x n Então. b).. . f (h2 )∆x 2 . temos a área considerada.. tal que ∆x i tenda a zero (∆x i → 0 ) e o número n de subintervalos tenda a infinito ( n → ∞) . x1. para f ( x) ≥ 0 . De acordo com a figura.. x2). x1). obtemos os intervalos (a. escrevemos: Exemplo: Seja a área entre y = x e o eixo x... b] em n subintervalos através das abscissas x0=a. (xn-1. os retângulos formados têm ∫ b a f ( x)dx . a área limitada por f(x) e o eixo x.

. os pontos x1 = Como f(x) = x.. Dividindo o intervalo [0. n n Sejam. b] em n subintervalos.... n n . então.. f (x 2 ) = . f ( xn ) = b . então f (x1 ) = b 2b nb . x2 = . xn = =b. . cada um terá largura b−0 b = . n n n b 2b ..Esta área é dada por: podemos notar que o processo do limite nos leva ao resultado procurado.

CÁLCULO DA INTEGRAL DEFINIDA O método que temos para o cálculo da área ou da integral definida. pois encontraremos somas bem piores. A(b). consideremos a área das figuras quando movemos a extremidade direita: Se a área é dada por A(x). Já A(x) dá a área da figura 1. Para tal. pois não há área alguma. é ainda muito complicado. no caso. a área entre ou seja: . conforme vimos no exemplo anterior. então A(a) = 0.

Exemplos: Note que conseguimos uma forma de calcular integrais definidas e áreas sem calcular somas complicadas e usando apenas as antiderivadas. C = . portanto: ou ainda.F(a) e A(x) = F(x) .F(a). PROPRIEDADES DA INTEGRAL DEFINIDA .ou seja. Mas sabemos que se F(x) é antiderivada qualquer de f(x). A(x) é uma das antiderivadas de f(x). então A(x) = F(x) + C. temos: A(a) = F(a) + C = 0 (A(a) = 0) logo. Fazendo x = a.

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