HOMENAGEM

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389-413 . 29/30 (2003).388 Afro-Ásia.

realçado na qualidade da técnica. membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte Afro-Ásia. nasceu a 9 de fevereiro de 1911. Nasceu em Lanus. não de galera e bastão. Pai cigano. e opiniões de alguns amigos mais ligados a ele. Carybé tinha seis meses quando a família foi para a Itália. Em 1920 passaram a viver no * Crítica de arte. pelo que a obra desse grande artista representa. de alma. “num dia de chuva miúda e tão perto da meia-noite que não se sabe ao certo se nasci no dia que nasci ou no anterior”. Brasil.A BAHIA VISTA POR CARYBÉ (1911-1997) Matilde Matos* P articipar de homenagem a Carybé é obrigação feita com devoção. que se tornou famoso com o nome de Carybé. andou pela Argentina. a arte de Carybé adquiriu significado maior ao exaltar a nossa herança racial. Venezuela. Itália. dormitório de pistoleiros e guardacostas de políticos”. agraciados pelas palavras do artista proferidas em entrevistas. 29/30 (2003). onde ficaram nove anos. Origem Hector Julio Paride Bernabó. 389-413 389 . “espécie de subúrbio de Buenos Aires que tem o Riachuelo no meio: aquele mesmo rio da famosa batalha separa Buenos Aires de Lanus. Acrescento aos comentários atuais. De grande penetração no exterior pela expressividade do seu estilo original. conquistando a admiração geral da nossa gente. alguns que escrevi para o Jornal da Bahia entre os anos 60 e 90.

vemos que o único ponto em comum é o olho para o detalhe. mas todos dois são muito fechados. “No inicio tinha um desenho comum. 29/30 (2003). De cartunista resolveu passar às tintas e pincéis e em 1936 fez sua primeira exposição. exato e bem humorado tendo colaborado com diversos jornais e revistas de Buenos Aires e do Rio.Rio. Bahia para sempre A primeira vez que veio à Bahia foi em 1938 e em 1950 voltou para ficar. Fazia cartuns. são lugares de caldeamento. tive influência de outro artista: fiz desenho à moda de Grosz (famoso artista gráfico alemão radicado em Buenos Aires. e o crítico 390 Afro-Ásia. Por que a Bahia? “Porque gostei. charges. foi inclusive estivador e pandeirista no grupo que acompanhava Carmem Miranda. intitulada “Revolução na Bahia – O Movimento que Renovou as Artes Plásticas Brasileiras”. Comi e digeri Grosz.texto conciso. com fotos de Pierre Verger. como. Procurei pra burro na América do Sul (o México eu ainda não conhecia) e encontrei o Peru e a Bolívia. Aos 21 anos Carybé começou a desenhar. retornaram à Argentina para ficar. 389-413 . esculpiam e trabalhavam em publicidade. ilustrações e escrevia . Senhor de muitas andanças e vivências. Fala as três línguas de infância sem sotaque. que mudou-se para Nova York e foi absorvido pela ‘jungle’. Quando ele completou 19 anos. A Bahia é alegre e por isso a escolhi”. fez de quase tudo. “Como estudante sempre fui ruim e tomei carinho às arvores. Naqueles primeiros desenhos já se percebia a marca pessoal do seu estilo. dono de um desenho cáustico e irônico). não sei”. Aprendeu a desenhar em casa. em Bonsucesso. Dele saí eu. campinas. Mas olhando um desenho de Carybé daquela época e comparando-o ao de Grosz. vendo os irmãos mais velhos Arnaldo e Roberto que eram desenhistas. fato que seu amigo e colega Mirabeau Sampaio sempre pôs em dúvida. Como acho que todo mundo faz no começo de carreira. Em 1951 Odorico Tavares publicava reportagem na revista O Cruzeiro. que como aqui. ao sol e à vagabundagem”. pintavam. às praias. sem nada de especial. nunca mais fez nada. muito sérios.

Genaro. . nem paradoxal. Rubem Valentim. e a arquitetura e murais do Hotel da Bahia — fulcro do histórico movimento que introduziu o modernismo na Bahia no começo dos anos 50. não. que era calculista mas se interessava muito. Empurrando o carro estavam Odorico e José Valladares e também tudo aconteceu no governo do velho Mangaba (Otávio Mangabeira). Poty. E tempo nublado também. Depois coincidiu também que havia um grupo de arquitetos muito bons: Levi Smarschewski. A vinda de Mario dos Estados Unidos coincidiu com a de Carlos Bastos e Genaro da Europa. falava do grande movimento artístico baiano. 29/30 (2003). 389-413 391 . Maria Célia Amado. Jenner Augusto. Qualidade mais paradoxal – Qualidade eu não acho nenhuma não. Mola mestra – Não sei não. Rebouças.Numa flash-entrevista de 1962 para a “Revista de Domingo” do Jornal da Bahia. Conseguimos assim fazer obras públicas. Poty e eu vínhamos do Sul. O que mais gostaria de fazer – Pintar. O público comentava às vezes meio estranhado. Heitor Santana. Afro-Ásia. roubar santo de Mirabeau. que pela sua própria arquitetura chamou muita atenção na época. Seu forte – Jogo de xadrez. O cadinho mesmo foi o atelier de Mario. com Anísio Teixeira à frente da Secretaria de Educação e na Reitoria o Magnífico Edgard Santos. no Correio da Manhã. quando os artistas da famosa Geração 45 ali se reuniam. respondia assim: Linha de trabalho – Pintor.de arte Geraldo Ferraz. Ponto de ebulição – Mau humor dos outros me enche. Carybé relembrou: Ninguém sabia que estava movimentando nada. tenho fraco por tudo que é canto. murais. Seu fraco – Eu sou todo fraco. liderado por Mário Cravo. mas não houve agressão nem mal estar. Todos éramos amigos. mas cada um trabalhava para o seu lado. estava todo mundo trabalhando com entusiasmo. Carlos Bastos. Foi quando Genaro fez o mural do Hotel da Bahia. mas não digo não. sabe? Ponto vulnerável – Tenho vários. com Carybé. destacando os grandes murais que começavam a enfeitar os novos prédios. conversávamos muito. ali onde hoje é o Hotel da Barra.

me surpreendi diante de alguma cena popular. participações em bienais e trabalhos em museus das mais importantes capitais do Primeiro Mundo. mas raras são as pessoas predestinadas a cumprir alguma missão muito importante. o alcance da sua obra para os baianos. casa de amigo. Carybé expressou na linguagem plástica os costumes. Até lá vou pelejando. 29/30 (2003). sou supersticioso pra cachorro. parece que é a Bahia que se inspira em Carybé. as crenças e os folguedos do povo baiano.O remédio – Vagabundar. Superstição que persiste – Todas. os ofícios.1 1 Citado na apresentação que Rubem Braga fez para o álbum de Carybé. Aquelas 50 aquarelas estão seguramente entre as melhores que ele criou. A simbiose perfeita do artista com a nossa cidade e nossa gente. Carybé foi uma delas e a arte foi o seu meio de expressão. exaltando neles a beleza e dignidade da raça negra. amplamente reconhecidas pelo mundo afora como atestam as centenas de murais. Temor infundado – Da guerra atômica. a imaginar se aquela gente não estava imitando os desenhos de Carybé”. que venha mudar preconceitos e atitudes. BASF Química da Bahia. fingindo que a meta não é essa. eu vou e endireito. 389-413 . Até chinelo emborcado que vejo. que é a de todo mundo. Salvador. O Artista e o Homem Artistas há muitos. como o de Jorge Amado na literatura e Caymmi na música. Se as qualidades do seu poderoso estilo original e inconfundível eternizaram a sua arte. ir a antiquário. 1981. Satisfação secreta – Ter uma rede no estúdio e não é secreta. Neste álbum estão pranchas das aquarelas que o artista produziu na cidade de Cipó. Meta – A cova. ao ir à Bahia. onde fora tratar da alergia nas mãos provocada pela tinta a óleo. é uma grande satisfação. 392 Afro-Ásia. Cipó: Usos e Costumes. vem assim resumida pelo cronista Rubem Braga — seu grande amigo e um dos responsáveis por sua permanência em Salvador: “Carybé não se inspira na Bahia. famosa como estação de água. como nenhum artista baiano jamais fizera. Há coisa de uma semana. extrapola a própria arte.

minha estadia nesse vale de alegria”. a partir do motivo amplo. Em Carybé. Odebrecht. todos os instantes. vida sendo vivida. na variedade de seus próprios ambientes. Nunca se interessou pela vida ou pelos hábitos das classes elevadas. mulheres e crianças. seguramente um dos melhores livros de arte editados no Brasil. representada pela gente do povo da Bahia. Carybé colocava assim o seu propósito na arte: “O que eu buscava retratar. José Cláudio da Silva. É a vivência desses homens. arte e vida são uma coisa só.Outro grande amigo. conforme pode ser 2 Declaração reproduzida no livro Carybé. amam. diz: “Para Carybé. guiado por uma privilegiada percepção visual e apurado numa síntese absoluta. Seu motivo é a vida. Afro-Ásia. vida se fazendo. mostrando como são e como vivem. 1989. 389-413 393 . inesgotável e estuante de humanidade que escolheu como fonte de tudo que criou na arte. é o meu trânsito por esse mundo. até a chegada de Carybé”. 29/30 (2003). por isso. não existia um negro. antevia o começo de um tardio reconhecimento aos negros. regidas pela simplicidade e autenticidade. que Carybé leva o espectador a conhecer. a partir da arte exemplar que Carybé apresentava: “Nasci e me criei aqui em Salvador e posso lhe afirmar: na Bahia. era coisa que ninguém tinha visto aqui. trabalhando com ele no atelier e acompanhando-o nas andanças pelo interior. destacado artista e escritor pernambucano que no início da sua carreira foi aprendiz e colaborador do artista. um dos primeiros lugares que visita em qualquer cidade são as feiras e mercados. popular significa atual. vida que tem o que dar e está desabrochando em mil surpresas. Só depois é que vai aos museus”. trabalham. Salvador.2 Separar o artista do homem é impossível. na sua típica maneira exagerada de se expressar. como o que eu busco até hoje. o artista plástico Mirabeau Sampaio. se divertem ou fazem suas devoções. O Desenho A arte maior de Carybé era o seu desenho. o contrário do intelectualismo estéril. O que o atraía era a afabilidade do homem do povo que conheceu de perto.

mas soube utilizar na pintura os recursos de vários estilos que se sucederam no século XX. no desenho. um jeito especial do povo baiano de sentar. atento a tudo que se relaciona aos afazeres da nossa gente. o que não me lembro é porque não precisava”. deixou documentados a cara e o jeito do baiano. Nunca vi Carybé se preocupar se o estilo do momento era o abstracionismo. A mesma percepção que Jorge Amado tinha para a maneira de falar do nosso povo. sua intenção passava clara no clima especial que criava para cada quadro. chegando a sentir a temperatura e o cheiro naquele lusco-fusco onde se misturavam vento. e no papel. na elegância natural de sua autenticidade. numa síntese incomparável. 389-413 . responsável por uma infinidade de informações. na tela. O artista ressaltava sempre a expressão corporal dos motivos. e as linhas inacabadas eram o suficiente para se imaginar a que faltava. Carybé teve para o visual. estavam todos lá. escultura ou qualquer outra das varias técnicas que dominou. Nunca se baseava em fotografias ou modelos. Passadas algumas dezenas de anos. 394 Afro-Ásia. do feirante ao capoeirista. neblina e maresia. na madeira ou na pedra. deixando um resto de claridade. o espectador sabia que o sol acabara de mergulhar no mar. Do pescador ao vaqueiro do sertão. Nunca desenhava os traços exatos do rosto mas se reconhecia seus aspectos físicos. Os sentidos colaboravam com o olho perspicaz. se sabia de suas índoles e intenções. de deitar. exemplificando com a de um baba de meninos na praia. a sola do pé de encontro ao muro. 29/30 (2003). de se apoiar nas costas com uma perna dobrada. na pintura ou nos entalhes. só desenhava de memória e “só me lembro do que é importante. O seu desenho já nasceu como a síntese de quem vai ao âmago das coisas. Em dois ou três traços essenciais mostrava um gesto. Muitas vezes dava-se ao luxo de usar o espaço branco não completando o desenho. Sem qualquer outra indicação além das cores e da luz mágica que o artista pintara em torno deles. posso lembrar perfeitamente várias das telas de Carybé que vi então. A Pintura Na pintura. qualidade assegurada na pintura.visto nas páginas deste número de Afro-Ásia. o geométrico ou o hiper-realismo. de levantar os braços.

aparecia como um milagre. fora definitivamente enterrada nas duas grandes guerras. As tensões que a mudança do ritmo. as mulheres e os negros que. com o sentimento e a emoção prevalecendo sobre a razão. a pessoas humildes. que prevaleceu em quase todos os estilos do século. chamava atenção para a atmosfera meio mágica que a sua pintura assumira. 29/30 (2003). alguns dos seus seguidores. empreenderam suas lutas nos conturbados anos 60 para reformular conceitos. entendeu e curtiu a América Latina e todo o seu mistério. Foram os jovens. cheio de lendas e superstições de natureza fantástica. Foi o artista que respeitou suas origens e no seu trabalho deu uma dignidade especial aos negros. na abertura da entrevista “Carybé e o Naturalismo Fantástico Latino Americano”. A ressurreição do romantismo em termos mais lúcidos e menos otimistas no flower power dos 60 foi tanto uma reação natural à massificação. Esse realismo fantástico que no Brasil começou com Mário de Andrade. como uma necessidade quase que de sobrevivência. defendendo a liberdade individual e a vida em contato com a natureza. aos índios. acelerado pelas novas descobertas. Escrevi então que a visão romântica vigente na arte do começo do século XX. Em 1971. e nunca se desviou do seu caminho para ingressar em movimentos artísticos e pretensas vanguardas. otimista. O homem percebeu o erro em se desligar da natureza e procurou reencontrar o que perdera em lugares como a América Latina. A literatura deste mundo ainda em parte tradicional. faziam-se visíveis na arte exacerbada do expressionismo. Glauber Rocha. 389-413 395 . que fiz para o Jornal da Bahia. revoltando-se contra os preconceitos estabelecidos num comportamento moral estratificado. provocavam no comportamento do homem moderno. e pura abstração no verde/azul do mar em seus diversos tons. sejam quais fossem as situações em que os colocava.Podia fazer seu impressionismo particular num céu ameaçando chuva. Carybé foi o artista que olhou. retomando alguns que o romantismo defendia. Um daqueles raros artistas que não se classifica e atravessa qualquer fase pela força do seu estilo e pela sua autenticidade. Carybé. a evolução Afro-Ásia. observou. a ponto de não se saber onde acaba o real e entra o imaginado. teve em Guimarães Rosa.

Paulo completou 22 anos. em 1940.da arte de Carybé aconteceu dentro do seu estilo particular. Não foi a toa que. no realismo cortante da transvanguarda. envoltas numa atmosfera fantástica que nas artes plásticas do final dos 80 entrava como um neo-expressionismo. ele ilustrou Macunaíma. vai ver como os detalhes chegaram a um mínimo essencial. quando sua ‘A Galeria’ de S. um homem totalmente desvinculado de ambições financei396 Afro-Ásia. da mesma corrente e falaram a mesma linguagem. seguindo sua tradição de encerrar o ano com uma mostra muito importante. do Escritório de Arte da Bahia. o cachorro. quando ele se generalizou no mundo. ocasião em que declarou: Escolhi Carybé porque é um artista com quem trabalho há 25 anos. as formas de pessoas e bichos tornaram-se compactas. algumas até antropomórficas. seguidas das crianças e alguns animais como os cavalos. acrescentando-lhe o sentido irreal e poético do fantástico. galos e pássaros. como Mário de Andrade. se antecedeu a outros que no início dos anos 70 tanto nas letras como nas artes. Quem quiser comparar um quadro seu dos anos 40 a um dos anos 70. vinham beber na mesma fonte. o claro/escuro das figuras e fundo diminuiu surgindo texturas relacionadas ao motivo. Olharam com sensibilidade e equilíbrio o drama circundante. Foram irmãos do mesmo sangue. e foi essa vida que ele captou de modo tão singular. Entre os anos 70 e 80 foi acrescentando aos tons suaves cores mais fortes. Paulo Darzé. a técnica do dripping e as manchas substituíram as sombras. quando não usou o contraste claro/escuro das formas e fundo. O artista nunca se interessou em fazer o abstracionismo. e se essas suas telas nos remetem ao realismo fantástico é porque. e foi o artista escolhido no Brasil para ilustrar Garcia Marques. As mulheres tiveram lugar especial na sua predileção. Em 1989. Exposições A evolução do trabalho de um artista pode ser melhor aquilatada numa retrospectiva. as manchas substituíram as sombras. trouxe parte da mostra retrospectiva que Valdemar Szaniecki fizera no MASP. 29/30 (2003). 389-413 .

o que inegavelmente ele faz tão bem quanto um Rugendas ou um Debret. Há mudanças perceptíveis na pintura de Carybé. Em ‘Temporal’ e ‘O Vento’. que trabalha exclusivamente voltado para a sua criação e que curte a natureza. Na exposição baiana foi lançado o livro Carybé. se acentua mais nas mulheres nas redes da mostra de 1989. as mulheres se banhando num regato. 389-413 397 . tudo envolto nas cores e no mistério da noite. Em 1994 Carybé fez outra grande exposição em Salvador. como era do gosto dele. merecedor de toda a pompa e circunstância que envolveu o vernissage. com os três homens chegando nos seus cavalos. a vegetação em volta. o ser humano. maior nos quadros de 1989 (a mostra apresentou também trabalhos de 1984 a 87 que Waldemar disse ter levado três anos para reunir). tem poderosa carga de magia e presságios que não havia nos trabalhos mais antigos. para ele quase Afro-Ásia. Essa mostra impressionante transmitia a força do compromisso deste artista. seus amigos. sem prejuízo do seu estilo inconfundível que se mantém intacto. o naturalismo fantástico vem do céu que de repente vira chumbo e a água começa a cair. as pessoas saem em disparada e o espectador começa a sentir os pingos caindo na pele. numa chuva enviesada pegando as pessoas desprevenidas. mas como um artista que documentou a sua época. me fazendo sentir um ator de TV e eu fico morrendo de vergonha”. o cheiro da chuva. disse Carybé. Sobretudo é um homem que você sente que fala a verdade quando diz que não quer ficar como um mito.ras. e chega a ouvir os trovões. A entrega do livro foi feita numa cerimônia muito simples. e do encontro dos traços verticais da parede de palha com as horizontais do chão e o teto. acentuado nas cores duplas e linhas retas. através do qual se pode sempre ver a evolução do trabalho do artista. “Waldemar e Darzé é que ficam fazendo este estardalhaço todo. há mais de meio século se dedicando à sua aspiração estética particular. “Cavaleiros da Noite”. A sensualidade que sempre acompanhou sua pintura. para inaugurar o novo espaço do Escritório de Arte. 29/30 (2003). onde o artista exibe seus corpos nus em contraste com a geometria dos ângulos das próprias redes. Carybé joga com a geometria. Os cavalos abaixam as cabeças.

variando as nuances. enquanto a crueza expressa no cachorro enraivecido. mosaico. 29/30 (2003). em Salvador. as tábuas do teto. Criou para cada quadro o clima que o motivo pedia. enfrentou o porte monumental de vários painéis e murais com entusiasmo. banco. num resultado alegre “para distrair as pessoas que vão viajar e têm medo. falava de tempos menos amenos. para resistirem impávidas à vibração constante dos jatos. pintadas a óleo sobre telas de linho. de Nova York. perto de uma centena. como eu sempre tenho”. encáustica fria e a fogo. Seu desenho gráfico ganhava formas compactas esculturais e ele buscava nas figuras um valor mais profundo. mais solto e mais cru. mosaicos e espelhos. Kennedy. memorial ou simplesmente estão na rua onde os passantes podem ver a sua arte.uma missão: a de pintar nossa gente sem jamais perder a marca registrada do seu estilo. Carybé unia à criatividade a qualidade. fez para 398 Afro-Ásia. pedra. umas varas cruzadas ou vãos de escada – era motivo para realçar o apelo poético da sua interpretação. madeira. projetado por Niemeyer na Barra da Tijuca. Tudo na composição – uma esteira. aplicadas sobre placas metálicas recobertas de massa. muitas vezes com prejuízo da própria saúde. Neles aplicou moedas de prata mexicana. hotel. e a natureza foi usada para espelhar seu sentimento. F. trabalhando as tintas com folhas de ouro e prata. cerâmica. fez dois painéis de 18 por 6 metros. nas várias técnicas que dominou com segurança — têmpera. Murais e painéis Seus murais e painéis. madrepérola. que não percebiam como sua pintura evoluíra no tempo. No Hotel Nacional. Naqueles quadros dos últimos quatro anos podia-se ver o pintor no apogeu de sua carreira. mostrando as danças nas três Américas. No aeroporto J. na carne exposta em “Os Magarefes”. na briga de galos. África (Lagos) e Bahia. Isto chegava a confundir os desavisados. alcançaram enorme destaque no Brasil e no exterior: Europa (Londres). metal. Tremendo trabalhador braçal. Os painéis adornam aeroporto. criou um mural de 55 por 3 metros e na Rua Chile. 389-413 . porque “me sinto feliz em poder chegar assim ao povo”.

sua obra-prima é sem dúvida o famoso Mural dos Orixás. que mede 21 por 5 metros. como em São Paulo também não. no Museu de Arte Moderna da Bahia. quando chega a potência do progresso. Paulo. Carybé declarou: A sintetização natural que aconteceu no meu trabalho. em 1988. foi talvez pelo fato de que não desenho do natural. 389-413 399 . O mural do Memorial da América Latina. feito sob encomenda para o Banco da Bahia. o resto ela elimina. uma sala especial na Bienal e uma exposição individual de óleos em “A Galeria”. acompanhado de fotos dos seus murais mais importantes. num esforço de Hércules. A outra obra que engrandece Salvador e grava definitivamente sua lembrança no coração dos baianos. mas que está por aí. em S. em Nova York não tem. numa das entrevistas que me deu. do Centro de Estudos Afro-Orientais. conseguiu terminar. da Universidade Federal da Bahia. situado no Terreiro de Jesus. conseguem. exposto em 1971 no Museu de Arte Moderna do Rio. na espuma. É um estágio da civilização. Afro-Ásia. às vezes numa forma ou numa cor também. As do Campo Grande ele não chegou a ver. e as que cercam o jardim da Piedade. no pêlo de um cavalo. são as magníficas grades com aquele portão majestoso tendo como fundo o mar. Tem na América do Sul. Confirmando o amor pela Bahia. Se vão conseguir um dia acabar com isto aqui na Bahia? Ah. o mistério. apóio-me na memória visual e esta só retém o essencial.o edifício Bráulio Xavier um painel em concreto. Sobre sua arte. usando formas de madeira. acaba com tudo. 3 O Mural dos Orixás se encontra atualmente exposto no Museu Afro-Brasileiro. a não ser nos subúrbios. foi dos últimos de grande porte que fez. que percorreu o país de norte a sul. 29/30 (2003). Em Buenos Aires não. mesma técnica que usou no da antiga fábrica Willys de Recife. dentro do mar. em madeira. ambas de 1997. está. na mostra “Arte Mural de Carybé”. Centro Histórico de Salvador.3 Em São Paulo Carybé teve três mostras simultâneas: a dos murais no MASP. O mágico está nas coisas: num vestido vermelho. a magia. já doente de enfisema pulmonar. Foi o último trabalho de Carybé que. Por isso que me botam pra documentar candomblé.

Carybé era um homem simples. um pouco de samba. Vai dar uma religião de samba fabulosa. mistura com Umbanda. “nunca fui batizado e me sinto desamparado e meio nu sem as minhas contas”. “o que mais me emocionou até hoje”. 400 Afro-Ásia. Era também Oba do Axé Opô Afonjá. prêmios e salas especiais em bienais de São Paulo. entre eles duas gravuras originais de Don Pablo Ruiz Picasso. Carybé era de Oxossi e de Aquário. Lisboa. uma série enorme de livros ilustrados e três livros de sua autoria. 29/30 (2003). um negócio lindo. Hamburgo.porque sabem que daqui a uns 15 anos não vai ter mais. um colar de coral e outro de turquesas. essa é que vai acabar e no seu lugar vai entrar uma outra assim feliniana. 389-413 . essa magia de que falo não é a do candomblé mas a magia das coisas em lugares como o nosso. em 1962 foi concedido a Carybé o título de Cidadão Baiano. quadros nos famosos museus de arte moderna de Nova York. Paris e Nova York. a sacerdotisa vai ser quem rebola melhor. Lagos (Nigéria). casa de Mãe Stella de Oxossi. Daqui a pouco ele vai estar botando um pouquinho pra Exu. trabalhos aceitos na Bienal de Veneza. amigo das coisas simples. Seattle. também muito bacana. Hoje já não se vai mais a um candomblé que não tenha um frade ou um padre. Brasileiro naturalizado desde 1957. Mas enfim. com chuva de farofa amarela. exposições nas mais importantes capitais do mundo como Londres. Washington. Era pagão. San Francisco. O único luxo que se dava era o de ter uma magnífica coleção de livros de arte e bons trabalhos de colegas seus. Um pouco de ioga. Tokyo. Alan Kardec e aquelas coisas da Índia que os meninos de hoje querem trazer pra cá. O grande mestre é o compositor da escola e os passistas serão os coroinhas. Com perto de uma centena de murais espalhados pelo mundo afora.

onde fica até os oito anos. com seis meses de idade. em Buenos Aires. 29/30 (2003). que abandona no segundo ano. Zora e Delia — para a Itália. Relatos de la Tierra Verde. Editorial Tiempo Nuestro. Rio de Janeiro. Em Agosto. Como ajudante de foguista. de Bernardo Kordon. * Organizada segundo dados fornecidos pelo Núcleo de Arte do Desembanco e por Nancy Bernabó. 1940 Ilustrações do livro Macunaíma. traduz Macunaíma para o espanhol. indo morar no bairro de Bonsucesso. 1930 Retorna para Argentina e trabalha no jornal Notícias Gráficas. chegando até Belém. 1938 Visita Salvador pela primeira vez. Afro-Ásia. onde também está Julio Cortazar. 1919 Segue com a família para o Brasil. segue com seus pais e os quatros irmãos — Arnaldo. em Lanús. 389-413 401 . de Mário de Andrade. percorre de navio várias cidades do litoral norte. Ilustração do livro Macumba. Não foi possível identificar referências completas (local e editora) de todos os livros ilustrados por Carybé. Solange Bernabó e Maria Auxiliadora dos Santos Guimarães. de onde retorna ao Rio de Janeiro e depois a Buenos Aires. no Museu Municipal de Belas Artes. filho de Constantina Gonzáles e Eneas Bernabó. 1939 Exposição conjunta com o artista Clemente Moreau. em Buenos Aires. Junto com Raul Brie. 1927 Cursa a Escola de Belas Artes no Rio de Janeiro.CRONOLOGIA DE UM ARTISTA* 1911 Hector Julio Paride de Bernabó – Carybé – nasce em 9 de Fevereiro. a serviço do jornal Pregón. Província de Buenos Aires. Buenos Aires. 1935-36 Trabalha como desenhista no jornal El Diário. Roberto. que fecha durante sua estada na Bahia.

Buenos Aires. pela ilustração de Juvenília. Manaus.1941 Desenha o “Almanaque Esso”. e em seguida Cuiabá. Ilustração do livro Los quatro Gigantes del Alma. Editorial Viau. Ilustração do livro Luna Muerta. no 1. Exposição individual “Motivos de América”. Primeiro prêmio do XXIX Salón de Acuarelistas y Grabadores. Ilustração do livro Amores de Juventude. de Newton Freitas. Antonio (Bolívia). patrocinada pelo Instituto do Brasil nos Estados Unidos. Buenos Aires. Belém. La Plata. Buenos Aires. Fortaleza. passando por Juazeiro do Norte. motivos típicos y carnavalescos. de onde continua em caminhão para Cochabamba. Buenos Aires. Buenos Aires. Buenos Aires. alcançando a estrada de ferro Madeira-Mamoré até Guajaramirim. Galeria Amauta. de Walt Whitman. cujo pagamento lhe permite fazer uma longa viagem. Argentina. Buenos Aires. Embarca para Trinidad. 1945 Exposição individual “Amigos del Arte”. de Montevidéu a Corumbá. Juazeiro da Bahia e Salvador. de Henrique Amorim. onde passa alguns meses. Buenos Aires. 1943 Primeira exposição individual. Primeiro Prêmio da Camera Argentina del Libro. Editorial Schapire. na Galeria Nordiska. Salta. seguindo até o Porto Sto. de onde segue de caminhão para os garimpos de Pochoréu. Editorial El Ateneo Buenos Aires. Editorial Schapire. Argentina. Publica e ilustra “Me voy al Norte”. Sucre e La paz. de Daniel Defoe. Rio de Janeiro. Daí regressa a Salta e finalmente a Buenos Aires. Daí vai para Uberaba. Ilustração do livro Maracatu. Ilustração do livro Robson Crusoe. de Mira y Lopez. de Manuel Castilho. 389-413 . Ilustração do livro Poesías Completas. de Casanova Caballero de Seiglat. Editorial Pigmaleon. Lajeado e Cassununga. em Libertad Creadora – Revista Trimestral. Visita com Maurício Costa o Norte e o Nordeste. 29/30 (2003). 1944 Exposição individual no Consejo General de Educación. 1942 Ilustração do livro La Carreta. de Miguel Carré. Salta. 402 Afro-Ásia. Buenos Aires Exposição individual no Instituto dos Arquitetos do Brasil.

Trabalha no jornal O Diário Carioca. 1951 Participa do Terceiro Salão Baiano de Belas Artes. Editora José Olympio. Chega ao Rio de Janeiro e ajuda a montar o jornal Tribuna da Imprensa. Argentina. Executa dois painéis para o Centro Educacional Carneiro Ribeiro (Escola Parque). 389-413 403 . Exposição coletiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Este livro recebeu a Medalha de Ouro da I Bienal Internacional de Livros e Artes Gráficas. Exposição individual na Secretaria de Educação. até então. Ediciones Botella al Mar. Participa. Salvador. Anísio Teixeira. de Odorico Tavares. 1950 Exposição individual no Museu de Artes de São Paulo. junto com o artista Cesar Lopez Claro. Galeria Kraft. Convite do Secretário da Educação da Bahia. 1948 Exposição coletiva “Artistas da Argentina”. Texto e ilustração para o livro Coleção Recôncavo. Afro-Ásia. Buenos Aires. onde foi apresentado todo trabalho realizado em Salvador. Washington D. Participa do Segundo Salão Baiano de Belas Artes.1946 Exposição coletiva “Desenhos de Artistas Argentinos”. Texto e ilustração para o livro Ajtuss. Bahia. Participa do primeiro Salão de Belas Artes em Salvador. em 6 de maio. em Buenos Aires. Exposição individual na boite Anjo Azul. 1949 Exposição conjunta com a artista Gertrudes Chale. onde passa a residir. Imagens da Terra e do Povo.C. Galeria Viau. Casa-se em 7 de maio com Nancy Colina Bailley. Salvador. Tipografia Beneditina. em Salta. Buenos Aires. Ilustração do livro Bahia. 1947 Nasce seu filho Ramiro Bernabó. Salvador. Rio de Janeiro. de exposição na Galeria Kraft. para trabalhar na Bahia. Pan-American Union. Buenos Aires. 29/30 (2003).

Editora Manú. Participa. Coletiva “Artistas Modernos da Bahia”. Confirmado Obá de Xangô do Terreiro Axé Opô Afonjá. 1957 Exposição individual na Galeria Bonino. Exposição individual na Galeria Oxumarê. Rio de Janeiro. de Rubem Braga. 29/30 (2003). Exposição individual na Bodley Gallery. Editora Oxumarê.1952 Exposição individual no Museu de Arte Moderna de São Paulo. de Wilson Lins. editado pela Sociedade dos 100 Bibliófilos do Brasil. Desenhos. Isenção de Júri do VI Salão de Arte Moderna do Rio de Janeiro. 1953 Nasce sua filha Solange. de Lima Barreto. Coletiva “Nós e as Artes Populares”. 389-413 . Itália. Salvador. Nova York. Recife. cenografia e direção artística para o filme “O Cangaceiro”. Salvador. III Bienal de São Paulo. 1956 Participa da XXVII Bienal di Venezia. juntamente com o artista Mario Cravo Junior. Salvador. Ilustração do livro Rosa da Noite. de José Pedreira. Ilustração do livro O Torço da Baiana. Participa da II Bienal de São Paulo. de Carlos Vasconcellos Maia. em 28 de agosto. 1954 Medalha de Bronze do IV Salão de Belas Artes. e permanece seis meses. Águas-fortes. 404 Afro-Ásia. Salvador. Ilustração do livro A Borboleta Amarela. Ilustração do livro O Cavalo e a Rosa. Visita os Estados Unidos pela primeira vez. Museu do Estado da Bahia. Salvador. Galeria Oxumarê. com desenhos originais do livro Macunaíma. Coletiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Ilustração do livro O Médio São Francisco. Progresso Editora. de Mário de Andrade. de exposição no Teatro Santa Isabel. Galeria Oxumarê. 1955 Primeiro Prêmio Nacional de Desenho. Naturaliza-se Brasileiro. Buenos Aires. Editora José Olympio. Salvador. a convite do Departamento de Estado.

Guatemala e Peru. de Jorge Amado. Buenos Aires. Rio de Janeiro. Editora Cultrix. Nova York. Kennedy . Editora Martins.D. A. Estados Unidos (Nova York) e Canadá. & R.. F. São Paulo. São Paulo. 1961 Sala Especial na VI Bienal de São Paulo. 1959 Coletiva “30th Internacional Exhibition”.. de M. Buenos Aires. M. Viaja para o México. S. Editorial Rola S. IV Colóquio Luso Brasileiro. Nova York. edição infantil. Exposição individual na Bodley Gallery. Viaja para Nova York a fim de executar os painéis da American Airlines no Aeroporto J. F. Seattle Art Museum. editado pelo Ministério da Educação e Cultura. Seattle (EUA).R. no Museum of Modern Art of Nova York. Ilustração do livro Jubiabá. Coletiva na Pan-American Union of San Francisco. Boggs. Rio de Janeiro. 389-413 405 .1958 Coletiva “Trabalhos de Artistas Brasileiros”.R. Coletiva no The National Arts Club. Ilustração para o livro Robson Crusoé. Ilustração do livro As três Mulheres de Xangô.C.. Kennedy. Nova York. de Zora Seljan. The Vanguard Press Inc. Estados Unidos. Viagem à Bolívia.A. de Newton Braga. Washington D. Exposição individual “Works by Brazilian Artists”.L.. 1960 Ganha o concurso da American Airlines para executar painéis no Aeroporto J. Salvador. Jagandorf. Coletiva no Museum of San Francisco. 29/30 (2003).L. Afro-Ásia. Editora G. Coletiva “Artistas Modernos da Bahia”. Editorial Rola S. na Pan-American Union.R. Ilustração do livro Cidade do Interior. Ilustração do livro Ali Babá y los 40 Ladrones. Ilustração para o livro The King of the Mountains. Ilustração do livro Carybé – Coleção Mestres do Desenho.

em A Galeria. Texto e ilustração para As Sete Portas da Bahia. Editora Cultrix. Rio de Janeiro. Coletiva “Artistas da Bahia”. Fundação Gonçalo Moniz. Editora Civilização Brasileira. Galeria Bonino. São Paulo. Ilustração do livro Bahia Boa Terra Bahia. Exposição individual na Galeria Santa Rosa. Editora Record. Rio de Janeiro. 1965 Exposição individual. Recebe o Prêmio Odorico Tavares. Nigerian Museum. 1964 Coletiva “Exposição de Natal”. Bahia. São Paulo. 1963 Exposição individual na Galeria Bonino. 389-413 . Exposição individual na Galeria Astrea. Salvador. Madrid. Rio de Janeiro. Ilustração do livro A Aeromoça e Outras Novelas Regionais. 1966 Participa da I. de Margarette Andrade. Charles E. Coletiva “Brazilian Contemporary Artists”. Texto e ilustração para Olha o Boi. de Jorge Amado e Carybé. Rio de Janeiro. Instituto de Cultura Hispânica. Rio de Janeiro. Coletiva “Artistas da Bahia”. Tuttle Co. Bahia. Rutland e Tóquio. Bienal Nacional de Artes Plásticas. 406 Afro-Ásia. Editora Raymundo de Castro Maia. 1967 Coletiva junto ao XIX Congresso Brasileiro de Gastrenterologia. São Paulo. Lagos (Nigéria). Rio de Janeiro. Iraque. Salvador. Salvador. Salvador. Galeria Convivium. no Grau de Comendador. de João Felício dos Santos.1962 Exposição individual no Museu de Arte Moderna da Bahia. Ilustração do livro Brazilian Cookery. Rio de Janeiro. do Governo do Estado da Bahia. Recebe o título de Cidadão da Cidade do Salvador. Coletiva patrocinada pela Fundação Calouste Gulbenkian. em Bagdá. “Melhor Artista Plástico de 1967”. Coletiva “Desenhistas da Bahia”. Recebe a Medalha Comemorativa de nascimento de Lauro Muller. Ilustração do livro A Muito Leal e Heróica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Editora Image. Galeria Querino. Participa da VII Bienal Internacional de São Paulo. Rio de Janeiro. Ilustração do livro Ganga Zumba. de Estácio de Lima. 29/30 (2003)..

Coletiva “Panorama de Arte Brasileira”. Ilustração do livro Carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei Dom Manuel. Galeria Marte 21. Museu de Arte Moderna de São Paulo. Editora Itapoã. Embaixada do Brasil. Galeria Irlandin. de Waldeloir Rego. São Paulo. Rio de Janeiro. 389-413 407 . Coletiva na Galeria Panorama. Coletiva “Pintores da Bahia”. Nova York. Liverpool. Londres. de Judith Gleason. Biblioteca Pública de Curitiba e Casa de Cultura de Belo Horizonte. Editora Sabiá. Afro-Ásia. A Galeria. 1970 Exposição individual. de Gabriel Garcia Márquez. Texto e ilustração em Candomblé da Bahia. de Gabriel Garcia Márquez. Ilustração do livro Agõtime: Her Legend.1968 Coletiva “Artistas Baianos”. Sala Especial na XI Bienal de São Paulo. Assembléia Legislativa de Porto Alegre. Inglaterra. Museu de Arte Moderna de São Paulo. na Harkness House. Grosman Publishers. Editora Brunner. Ilustração do livro Brazilian. São Paulo. Rio de Janeiro. São Paulo. 1969 Exposição individual. Porto Alegre. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Zurique. Londres. 29/30 (2003). Editora Sabiá. Coletiva “Art of Bahia”. Suíça. Salvador. A Galeria. Ilustração do livro O enterro do Diabo. São Paulo. Rio de Janeiro. Coletiva “12 Artistas Contemporâneos Brasileiros”. Coletiva “Exposição de Natal”. de Gabriel Garcia Márquez. Museu de Arte Moderna de Brasília. Galeria da Praça. Editora Sabiá. Editora Sabiá. Galeria Portal. Rio de Janeiro. Exposição individual. Ilustração do livro Ninguém Escreve ao Coronel. Assembléia Legislativa de Florianópolis. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. de Fulvio Roiter. Exposição Conjunta com os artistas Mario Cravo Junior e Carlos Bastos. 1971 Exposição Itinerante do Painel dos Orixás: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Ilustração do livro Capoeira Angola. Rio de Janeiro. Bahia. Coletiva “Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo”. Editora Atlantid. Ilustração do livro Os Funerais de Mamãe Grande. Coletiva na Tryon Gallery.

Rio de Janeiro. Editora Sabiá. Rio de Janeiro. Flávio de Carvalho e Maria Martins. Coletiva “Arte Baiana Hoje”. Rio de Janeiro. Brasília. Exposição conjunta com Aldemir Martins. Individual no Teatro Santa Isabel. Individual no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará. no Hotel Miramar. Coletiva “50 Anos de Arte Moderna no Brasil”. São Paulo. Osaka. de Gabriel Garcia Márquez. 29/30 (2003). São Paulo. Texto e ilustração para Visitações da Bahia. Museu de Arte Moderna da Bahia. São Paulo. Editora Record. Participação na XII Bienal de São Paulo. Mini Gallery. 1972 Exposição Itinerante do Painel dos Orixás. Coletiva. Tóquio. Salvador. A Galeria. 1975 Coletiva “2a Exposição de Arte Brasil/Japão”. Sala Especial em homenagem a Tarsila do Amaral. A Galeria. Fortaleza. Editora Sabiá. Recife. 1974 Coletiva “Artistas Plásticos da Bahia”. Rio de Janeiro. Medalha de Ouro da “1a Exposição de Belas Artes Brasil/Japão”. A Galeria. A Galeria. Tóquio. Coletiva “150 Anos de Pintura na Bahia”. com apresentação e texto de Jorge Amado e introdução de Waldeloir Rego. Texto e ilustração para Nureyev. AMI Galeria de Arte. Recife. livro sobre o mural do mesmo nome do Banco da Bahia Investimentos S/A. Rio de Janeiro e Brasília. Rio de Janeiro. Ilustração do livro A Casa Verde. Bahia. Editora Sabiá. Centenário do Diário de Notícias. Publicação de Mural dos Orixás. 1973 Exposição conjunta com o artista Ramiro Bernabó. 408 Afro-Ásia. São Paulo. Rio de Janeiro. Xilografias. São Paulo. Participa do I Salão de Arte do Clube de Engenharia da Bahia. Salvador. São Paulo. Belo Horizonte. 389-413 .Ilustração do livro Cem Anos de Solidão. Ilustração do livro A Incrível eTriste História de Cândida Erendira e Sua Avó Desalmada. Atami. Editora Onile. de Gabriel Garcia Márquez. Exposição individual. Coletiva “Jorge Amado e os Artistas de Teresa Batista Cansada de Guerra”. Atami. de Mario Vargas Llosa.

Singapura e Peru. São Paulo. Participa do III Concurso Nacional de Artes Plásticas. 1978 Ilustração de A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água. São Paulo. Rio de Janeiro. Parque da Catacumba. parque da Catacumba. 1980 Coletiva. Exposição individual. de Godofredo Filho. Participa da “Semana da Bahia”. São Paulo. Xangô das Pedrinhas. Fortaleza. Dakar. Salvador. Ilustração do livro Sete Lendas Africanas da Bahia – Xilogravuras. Exposição conjunta com Luis Pretti. Salvador. Coletiva “Pintores Baianos”. Caixa Econômica de Goiás.1976 Exposição individual na Pousada do Convento do Carmo. Ilustração do Poema de Feira de Santana. Escultura “Oxossi”. Rio de Janeiro e Brasília. Goiânia. Galeria Bonino. de Jorge Amado. Osaka. 3 x 2 metros. Turquia. 389-413 409 . em concreto. Rio de Janeiro. Cassino Estoril. Galeria Grossman. Rio de Janeiro. 1979 Coletiva ao ar livre. Lisboa. 1977 Coletiva “3a Exposição de Belas Artes Brasil/Japão”. Banco da Bahia Investimentos. Viaja para Inglaterra. Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará. Egito. A Galeria. Rio de Janeiro. Tóquio. Viagem aos Estados Unidos. ao Obá de Xangô do Axé Opô Afonjá. Coletiva. Coletiva. Rio de Janeiro. Ceilão. Diploma de “Honra ao Mérito Espiritual”. Executa duas esculturas em bronze para o hall da Sala VIP do Aeroporto do Galeão. Edições Alumbramento. Coletiva “Onze Artistas da Bahia”. Editora Record. Afro-Ásia. Galeria Grifo. Salvador. São Paulo. 29/30 (2003). Recebe o título de Cavaleiro da Ordem do Mérito da Bahia. Senegal. Ilustração do livro O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá. Editora Onile. Índia. de Jorge Amado. Fundação Cultural do Estado da Bahia.

Escritório de Arte da Bahia. 1982 Participa da Semana Afro–Brasileira. 1983 Exposição individual “Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia”. depois de 30 anos de pesquisas. Nova York. Ilustração do livro Cipó. 1984 Exposição individual no Museu Nacional de Las Culturas. Coletiva “Três Artistas da Bahia”. Rio de Janeiro. Participa do IX Salão de Arte de Ribeirão Preto. 410 Afro-Ásia. Porto Alegre. Exposição individual. Viaja para Portugal e Dinamarca. Salvador.Participa da “13a Exposição de Arte Contemporânea”. São Paulo. Editora Corrupio. Exposição individual. Salvador. Cenografia e figurinos para o ballet “Quincas Berro D’Água”. México. Coletiva “Artistas Amigos do Bistrô do Luiz”. Coletiva. Londrina. Coletiva no Brazilian-American Cultural Institute. Iconografia dos Deuses Africanos no candomblé da Bahia. Ilustração “Gabriela” nos bilhetes da Loteria Federal nº 1847. Salvador. Editora Raízes. Fundação Museu Carlos Costa Pinto. 29/30 (2003). Brasília. Exposição individual. Recebe o Título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia. Salvador. Philadelphia Arts Institute. Menção Honrosa da Gazeta da Bahia – Turismo S/A. de Pierre Verger. Viaja para o Equador e Estados Unidos (Nova York). EUA. Viagem a Portugal. Lisboa. A Galeria. The Caribbean Cultural Center. Teatro Municipal. Galeria de Arte André. São Paulo. Publica. São Paulo. Exposição individual. Bahiarte Galeria. Prefácio para Retratos da Bahia. Casa Thomas Jefferson. 1981 Exposição individual no Cassino Estoril. Salvador. Washington D. Salvador. Coletiva “Gravuras da Coleção Antonio Celestino”. Nigéria. Chapel Art Club. Editora Raízes. Executa painel para a embaixada Brasileira em Lagos. Bistrô do Luiz. Coletiva.C. 389-413 . Espanha e Egito.

Exposição Retrospectiva (1936–1986). Casa da Manchete. HongKong e Beijin. Viagem ao Peru. 389-413 411 . 1986 Exposição de 39 desenhos da Coleção Recôncavo. Cenografia e figurinos para a ópera “La Bohéme”. 29/30 (2003). Editora Corrupio. Bahia. Shoping Center Iguatemi. Editora Record. 1988 Mural para o edifício Mansão Pedro Calmon. Teatro Castro Alves. Ilustração de um capítulo de Tocaia Grande. 1987 Exposição coletiva “Modernistas Baianos”. Coletiva de Artistas Baianos. Salvador. Fundação Edson Queiroz – Universidade de Fortaleza. Salvador. San José de Porto Rico. Escultura “Homenagem à Mulher Baiana”. São Paulo. Salvador. Museu de Arte da Bahia. Medalha do Mérito Castro Alves. Borneo. Salvador Bahia. 1985 Exposição individual. Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Ilustração do livro O Sumiço da Santa. Ceará. texto de Pierre Verger. Museu de Arte da Bahia. de Jorge Amado. Salvador. Exposição individual. Java. Sumatra. Japão. Museu de Arte Moderna da Bahia. Coletiva “Arte Bahia”. Filipinas. Núcleo de Artes do Desembanco. Cenografias e Figurinos para o balé “Gabriela”. Coletiva “Artistas da Bahia”. Salvador. nº 121.30m. de Jorge Amado – Revista Status. Afro-Ásia. Rio Janeiro.Coletiva “Influência de Mãe Menininha na Cultura Baiana”. São Paulo. Salvador. A Galeria. bronze. Singapura. Brasília. Comenda Jerônimo Monteiro no Grau de Cavaleiro. Ilustração de Lendas Africanas dos Orixás. Bahia. Galeria 2000. 3. Espírito Santo. Murais para o Memorial da América Latina. Escritório de Arte da Bahia.

1992 Exposição coletiva “Jorge Amado e as Artes Plásticas”. 389-413 . Exposição na Galeria de Arte do Cassino do Estoril. Hamburgo Coletiva de 10 painéis pertencentes ao Banco da Bahia. Salvador. 20 anos da Bahiarte.1989 Lançamento do livro Carybé. Exposição comemorativa dos 22 anos da A Galeria. 412 Afro-Ásia. Exposição na Casa de Cultura Encol. Galeria de Arte do Casino do Estoril. com apoio da Odebrecht. e Memorial da América Latina. Salvador. Curitiba: Fraletti Rubbo Galeria de Arte. Ricardo Heaegler. 1991 Exposição coletiva de artistas baianos. Galeria Documenta. Rio de Janeiro. em comemoração aos 80 anos de Jorge Amado. em São Paulo. Campinas: Croqui Galeria de Arte. Exposição individual Arte Bahia. Rio de Janeiro. Exposição de quatro artistas brasileiros. 1990 Exposição conjunta com Pierre Verger dos originais do livro Iconografia dos Deuses africanos no Candomblé da Bahia. Coletiva em comemoração aos 80 anos de Jorge Amado. Portugal. Casa França Brasil. 29/30 (2003). sobre toda a obra do artista. Artebela Galeria de Arte. São Paulo. São Paulo. Exposição coletiva de ilustrações de autores sulamericanos da Editora Fondo de Cultura Económica do México. Museu de Arte da Bahia. Escultura para residência do Sr. produzido por Bruno Furrer. Museu do Vaticano. óleo sobre tela. 1995 Exposição individual itinerante de gravuras realizadas nas seguintes galerias: São Paulo: Casa das Artes Galeria. Documenta Lar Center. 1993 Exposição individual. Hotel Sofitel. 1994 Exposição Escritório de Arte da Bahia. Anarte Galeria. Rio de Janeiro. Centro Georges Pompidou. Portugal. Galeria de Arte do Shopping Center Fashion Mall. Quadro “São Sebastião”. Coletiva no Internacionales Sommertheartre Festival. Londrina.

2001 Inauguração do mural em mosaico veneziano copiado de uma gravura do artista. 29/30 (2003).IRDEB. 2002 Exposição no Espaço Alfa Romeu de São Paulo de desenhos de caráter humorístico realizados num cruzeiro a bordo do navio Eugênio Costa. por ocasião da comemoração dos 500 Anos do Brasil. Salvador. Fortaleza: Casa D’ Arte. Inauguração da Roberto Alban Galeria de Arte. 389-413 413 . Goiânia: Época Galeria de Arte. Salvador. Museu de Arte Moderna.Xunta de Galícia. Salvador: Oxum Casa de Arte. Museu de Arte Moderna.Belo Horizonte: Nuance Galeria de Arte. Morre o artista em 1 de outubro no Terreiro Axé Opô Afonjá. 2000 Exposição de várias obras no Museu de Arte Moderna de São Paulo. com exposição de quadros e vinis do acervo do galerista e da família. Cuiabá: Só Vi Arte Galeria. da companhia italiana Costa Croceira. Salvador. Mural em grades de ferro para a Praça da Piedade. Porto Alegre: Bublitz Decaedro Galeria de Arte. Exposição individual na Casa de Galícia . no navio Costa Marina. 1997 Mural em grades de ferro. Madri. Foz do Iguaçu: Ita Galeria de Arte. 1996 Desenhos para Vinhetas da TV Educativa de Salvador . Afro-Ásia. Mural de concreto.

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