Introduc¸ ˜ ao ` a

´
Algebra
Homomorfismos, isomorfismos, grupos c´ıclicos
– exerc´ıcios resolvidos
A1) Em cada caso, verifique se f : G −→ J ´ e um homomorfismo.
a) G = (, +), J = (, +), f (x) = 7x
b) G = (, +), J = (, +), f (x) = 7x + 1
c) G = (, +), J = (, +), f (x) = 7x
2
d) G = (, +), J = (, +), f (x) = |x|
e) G = (, ·), J = (, ·), f (x) = |x|
f) G = (, +), J = (× , +), f (x) = (2x, 3x)
g) G = (× , +), J = (, +), f (x, y) = 4x − 5y
h) G = (GL
2
(), +), J = (Z, +), f (X) = tr(X) = trac¸o de X
A operac¸ ˜ ao de adic¸ ˜ ao em × dos itens f) e g) ´ e definida da seguinte forma:
(a, b) + (c, d) = (a + c, b + d) para quaisquer a, b, c, d ∈ .
Soluc¸ ˜ ao: Se f for umhomomorfismo, devemos mostrar que f (x∗y) = f (x)∆f (y),
∀x, y ∈ G. Se f n˜ ao for homomorfismo, devemos mostrar um contra-exemplo, ou
seja, escolher valores particulares de a, b ∈ G tais que f (a ∗ b) f (a)∆f (b). Aqui, ∗
representa a operac¸ ˜ ao de G e ∆ ´ e a operac¸ ˜ ao de J.
a) Para quaisquer x, y ∈ , temos: f (x + y) = 7(x + y) = 7x + 7y = f (x) + f (y).
Logo, f ´ e um homomorfismo de em .
b) Neste caso, temos por exemplo que f (1) = 8, f (2) = 15, f (1+2) = f (3) = 22 e
f (1) + f (2) = 23. Logo, f (1 + 2) f (1) + f (2). Logo, f n˜ ao ´ e homomorfismo.
c) Por exemplo, f (1) = 7, f (3) = 63, f (1 + 3) = f (4) = 112 e f (1) + f (3) = 70.
Logo, f (1+3) f (1) + f (3) e da´ı temos que f n˜ ao ´ e homomorfismo de grupos.
1
d) Por exemplo, f (−2) = 2, f (2) = 2, f (−2+2) = f (0) = 0, f (−2)+ f (2) = 2+2 =
4. Logo, f (−2 + 2) f (−2) + f (2) ⇒ f n˜ ao ´ e homomorfismo.
e) Para quaisquer x, y ∈ , temos f (x · y) = |x · y| = |x| · |y| = f (x) · f (y). Logo, f
´ e um homomorfismo de G em J.
f) Sejam x, y ∈ . Temos que: f (x +y) = (2(x +y), 3(x +y)) = (2x +2y, 3x +3y).
Por outro lado, f (x) + f (y) = (2x, 3x) + (2y, 3y) = (2x + 2y, 3x + 3y). Logo,
f (x+y) = f (x)+ f (y) de onde conclu´ımos que f ´ e um homomorfismo de grupos.
g) Sejam (a, b) e (c, d) dois elementos gen´ ericos de × . Temos:
f (a, b) + f (c, d) = (4a − 5b) + (4c − 5d) = 4a + 4c − 5b − 5d. Por outro
lado, f ((a, b) +(c, d)) = f (a+c, b+d) = 4(a+c) −5(b+d) = 4a+4c −5b−5d.
Logo, f ((a, b) + (c, d)) = f (a, b) + f (c, d) ⇒ f ´ e homomorfismo de G em J.
h) Para quaisquer X =
_
a b
c d
_
∈ G e Y =
_
r s
t u
_
∈ G, temos: X + Y =
_
a + r b + s
c + t d + u
_
e f (X) + f (Y) = tr(X) +tr(Y) = (a +d) +(r +u) = a +d +r +u.
Por outro lado, f (X + Y) = tr(X + Y) = (a + r) + (d + u) = a + r + d + u. Logo,
f (X+Y) = f (X) + f (Y) ⇒ f ´ e um homomorfismo de grupos. (OBS.: O tra¸ co de
uma matriz quadrada ´ e definido como sendo a soma dos elementos da diagonal
principal).
A2) Considere G = × com a seguinte operac¸ ˜ ao de adic¸ ˜ ao: (a, b) + (c, d) =
(a + c, b + d). Mostre que f : G −→ G, f (x, y) = (0, 3x + 5y) ´ e um homomorfismo,
determine seu n´ ucleo e dˆ e alguns exemplos de elementos de N( f ).
Soluc¸ ˜ ao: Sejam (a, b), (c, d) ∈ G. Temos: f ((a, b) + (c, d)) = f (a + c, b + d) =
(0, 3(a + c) + 5(b + d)) = (0, 3a + 3c + 5b + 5d) = (0, (3a + 5b) + (3c + 5d)) =
(0, 3a + 5b) + (0, 3c + 5d) = f (a, b) + f (c, d). Logo, f ´ e um homomorfismo.
Se (x, y) ∈ N( f ), ent˜ ao f (x, y) = (0, 0) = elemento neutro do contradom´ınio de f
⇒ (0, 3x + 5y) = (0, 0) ⇒ 3x + 5y = 0, de onde conclu´ımos que
N( f ) = {(x, y) ∈ × | 3x + 5y = 0}.
Por exemplo, (0, 0), (5, −3), (−5, 3), (−10, 6) ∈ N( f ).
A3) Sejam G = (GL
3
(), ·), J = (, ·) e f : G −→ J definida por f (X) = det(X) =
determinante de X.
a) Mostre que f ´ e um homomorfismo;
b) Determine N( f ) e dˆ e exemplo de elementos do n´ ucleo de f .
2
Soluc¸ ˜ ao: a) Sejam X, Y ∈ G. Temos: f (XY) = det(XY) = det(X) det(Y) =
f (X) f (Y). Fica mostrado dessa forma que f ´ e um homomorfismo de grupos.
b) Seja A um elemento gen´ erico do n´ ucleo de f . Ent˜ ao, A ´ e uma matriz quadrada
3 × 3 tal que f (A) = det(A) = 1 = elemento neutro de J. Portanto,
N( f ) = {A ∈ GL
3
() | det(A) = 1}.
Assim, qualquer matriz 3 × 3 de elementos reais cujo determinante seja igual a 1
pertencem ao n´ ucleo de f . Por exemplo,
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
1 0 0
0 1 0
0 0 1
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
,
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
2 0 0
7 3 0
5 −4
1
6
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
e
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
−1 0 0
0 9 10
0 1 1
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
pertencem a N( f ).
A4) Mostre que um grupo G ´ e abeliano se, e somente se, f : G −→ G definida por
f (x) = x
−1
´ e um homomorfismo.
Soluc¸ ˜ ao: (⇒) Suponhamos G um grupo abeliano e sejam x, y ∈ G. Ent˜ ao,
f (xy) = (xy)
−1
= y
−1
x
−1
= x
−1
y
−1
= f (x) f (y). Logo, f ´ e um homomorfismo.
(⇐) Suponhamos que f seja um homomorfismo de G em G. Ent˜ ao, para quaisquer
x, y ∈ G, temos: f (xy) = f (x) f (y) ⇒ (xy)
−1
= x
−1
y
−1
. Calculando-se o inverso
de cada membro da igualdade anterior, obtemos: ((xy)
−1
)
−1
= (x
−1
y
−1
)
−1
⇒ xy =
(y
−1
)
−1
(x
−1
)
−1
⇒ xy = yx, e da´ı, conclu´ımos que G ´ e um grupo abeliano.
A5) Seja G um grupo e g ∈ G. Mostre que f : G −→ G definida por f (x) = g
−1
xg ´ e
isomorfismo de G em G (neste caso, f ´ e denominado automorfismo de G).
Soluc¸ ˜ ao: Sejam x, y ∈ G dois elementos gen´ ericos.
• f (xy) = g
−1
(xy)g = g
−1
xeyg = g
−1
x gg
−1
.,,.
= e
yg = f (x) f (y); logo, f ´ e um homo-
morfismo.
• Suponhamos f (x) = f (y). Ent˜ ao g
−1
xg = g
−1
yg. Multiplicando-se por g ` a
esquerda e por g
−1
` a direita, obtemos: gg
−1
.,,.
= e
x gg
−1
.,,.
= e
= gg
−1
.,,.
= e
y gg
−1
.,,.
= e
⇒ x = y;
logo, f ´ e uma func¸ ˜ ao injetora.
• Dado b ∈ G = contradom´ınio de f , considere o elemento a = gbg
−1
∈ G =
dom´ınio de f . Ent˜ ao, f (a) = f (gbg
−1
) = g
−1
(g
.,,.
= e
b g
−1
)g
.,,.
= e
= b; logo, f ´ e uma
func¸ ˜ ao sobrejetora.
Dos trˆ es itens mostrados acima, conclu´ımos que f ´ e um isomorfismo de grupos.
3
A6) Sejam G = {2
m
3
n
| m, n ∈ } e J =
__
m n
−n m
_
| m, n ∈
_
.
a) Mostre que (G, ·) ´ e um subgrupo de (

+
, ·);
b) Mostre que (J, +) ´ e subgrupo de (M
2×2
(), +);
a) Mostre que G ´ e isomorfo a J.
Soluc¸ ˜ ao:
a) Escolhendo m = n = 1, obtemos 6 = 2
1
· 3
1
∈ G o que implica que G n˜ ao ´ e
um conjunto vazio. Sejam x, y ∈ G. Existem m, n, r, s ∈ tais que x = 2
m
3
n
e y = 2
r
3
s
⇒ x · y
−1
= 2
m
3
n
2
−r
3
−s
= 2
m−r
3
n−s
. Como m − r ∈ e n − s ∈ ,
temos x · y
−1
∈ G de onde conclu´ımos que G ´ e um subgrupo de (
+
+
, ·).
b) Escolhendo m = 2 e n = 0 obtemos
_
2 0
0 2
_
∈ J ⇒ J ∅. Sejam X, Y ∈ J.
Existem m, n, r, s ∈ tais que X =
_
m n
−n m
_
e Y =
_
r s
−s r
_
⇒ X + (−Y) =
X−Y =
_
m n
−n m
_

_
r s
−s r
_
=
_
m − r n − s
−n + s m − r
_
. Como m−r ∈ , n−s ∈ e
−n+s = −(n−s) temos que X−Y ∈ J. Logo, J ´ e um subgrupo de (M
2×2
(), +).
c) Para mostrar que existe isomorfismo entre G e J, devemos ser capazes de en-
contrar uma func¸ ˜ ao f : G −→ J que seja bijetora e homomorfismo de grupos.
Seja f : G −→ J definida por f (2
m
3
n
) =
_
m n
−n m
_
.
◦ Sejam m, n, r, s ∈ tais que f (2
m
3
n
) = f (2
r
3
s
). Da´ı, temos
_
m n
−n m
_
=
_
r s
−s r
_
⇒ m = r e n = s ⇒ 2
m
3
n
= 2
r
3
s
. Isso mostra que f ´ e uma func¸ ˜ ao
injetora.
◦ Dado um elemento gen´ erico Y ∈ J, temos que Y ´ e da forma
_
a b
−b a
_
,
onde a, b ∈ . Escolhendo x = 2
a
3
b
∈ G temos que f (x) = f (2
a
3
b
) =
_
a b
−b a
_
= Y. Logo, f ´ e uma func¸ ˜ ao sobrejetora.
◦ Sejam x, y ∈ G. Existem m, n, r, s ∈ tais que x = 2
m
3
n
e y = 2
r
3
s
. Temos:
f (x · y) = f (2
m
3
n
2
r
3
s
) = f (2
m+r
3
n+s
) =
_
m + r n + s
−n − s m + r
_
=
_
m n
−n m
_
+
_
r s
−s r
_
= f (2
m
3
n
) + f (2
r
3
s
) = f (x) + f (y). Logo, f ´ e um homomorfismo
de grupos.
4
Como f ´ e injetora, sobrejetora e ´ e um homomorfismo, temos que f ´ e um iso-
morfismo de G em J, ou seja, G J.
A7) Descreva os seguintes grupos c´ıclicos:
• H = [−3] em (, +)
• J = [−3] em (

, ·)
• K = [
¯
3] em (
7

, ·)
Soluc¸ ˜ ao: Se o grupo for multiplicativo, ent˜ ao o grupo c´ıciclo gerado por x ´ e o
conjunto de todas as potˆ encias de expoente inteiro de x; se o grupo for aditivo, ent˜ ao
o grupo gerado por x ´ e o conjunto de todos os m´ ultiplos de x. Sendo assim, temos:
• H = [−3] = m´ ultiplos de −3 = {−3k | k ∈
}
= {. . . , −9, −6, −3, 0, 3, 6, 9, . . . }
• J = [−3] = potˆ encias de −3 = {(−3)
k
| k ∈ } = {. . . , 1/9, −1/3, 1, −3, 9, . . . }
• K = [
¯
3] = potˆ encias de
¯
3 em
7

. Como
¯
3
0
=
¯
1,
¯
3
1
=
¯
3,
¯
3
2
=
¯
9 =
¯
2,
¯
3
3
= 27 =
¯
6,
¯
3
4
=
¯
3
3
·
¯
3 = 18 =
¯
4,
¯
3
5
=
¯
3
4
·
¯
3 = 12 =
¯
5,
¯
3
6
=
¯
3
5
·
¯
3 = 15 =
¯
1 =
elemento neutro de (

7
, ·). Logo, K = {
¯
1,
¯
2,
¯
3,
¯
4,
¯
5,
¯
6} =
7

.
A8) Verifique se os grupos G e J s˜ ao isomorfos em cada um dos seguintes casos:
a) G = (
3
, +), J = (
6
, +)
b) G = (S
3
, ◦), J = (
6
, +)
c) G = (

, ·), J = (, +)
d) G = (, +), J = (, +).
Soluc¸ ˜ ao: Quando dois grupos s˜ ao isomorfos, eles tˆ em muitas propriedades em
comum. Por exemplo, se um deles tiver n elementos, ent˜ ao o outro tamb´ em tem
que ter n elementos; se um for abeliano, o outro tamb´ em ´ e abeliano; se determinado
tipo de equac¸ ˜ ao tem soluc¸ ˜ ao em um deles, ent˜ ao uma equac¸ ˜ ao equivalente tamb´ em
tem soluc¸ ˜ ao no outro. Desse modo, para mostrar que dois grupos n˜ ao podem ser
isomorfos, basta detectar alguma propriedade alg´ ebrica que um tenha e que o outro
n˜ ao tenha.
a)
3
tem 3 elementos, enquanto que
6
tem 6 elementos. Logo, n˜ ao pode existir
bijec¸ ˜ ao entre eles e, da´ı, G n˜ ao ´ e isomorfo a J.
5
b) S
3
´ e um grupo n˜ ao abeliano com 6 elementos e
6
´ e abeliano com 6 elementos.
Logo, n˜ ao podem ser isomorfos.
c) Em J, a equac¸ ˜ ao x + x = −1 tem soluc¸ ˜ ao x = −1/2 ∈ J. Em G, uma equac¸ ˜ ao
equivalente a essa seria x · x = −1 que n˜ ao tem soluc¸ ˜ ao em

. Logo, G n˜ ao ´ e
isomorfo a J.
d) ´ e um conjunto enumer´ avel, enquanto que ´ e n˜ ao enumer´ avel. Logo, n˜ ao
pode existir bijec¸ ˜ ao entre eles e, da´ı, conclu´ımos que os grupos G e J n˜ ao s˜ ao
isomorfos.
B1) a) Dˆ e exemplo de um isomorfismo do grupo G = (, +) em J = (

+
, ·).
b) Mostre que n˜ ao existe isomorfismo do grupo G = (, +) em J = (

+
, ·).
( Sugest˜ ao: Supondo f : G −→ J isomorfismo e x ∈ G tal que f (x) = 2, calcule
f (
x
2
+
x
2
) ).
Soluc¸ ˜ ao:
a) Considere a func¸ ˜ ao exponencial f : −→

+
, f (x) = e
x
. Temos que f ´ e
bijetora e f (x + y) = e
x+y
= e
x
· e
y
= f (x) · f (y). Logo, f ´ e um isomorfismo de
G em J.
b) Suponhamos que exista um isomorfismo f : −→

+
. Como f ´ e bijetora ⇒
f sobrejetora, escolhendo 2 ∈ J temos que existe x ∈ G = tal que f (x) = 2.
Como x =
x
2
+
x
2
temos que f (x) = f (
x
2
+
x
2
) = f (
x
2
) · f (
x
2
) = f (
x
2
)
2
⇒ f (
x
2
)
2
= 2
o que ´ e um absurdo porque f (
x
2
) ∈

+
e n˜ ao existe n´ umero racional positivo
que elevado ao quadrado dˆ e um resultado igual a 2. Logo, n˜ ao pode existir o
isomorfismo de G em J.
B2) Considere os elementos x =
_
0 −1
1 0
_
e y =
_
0 1
−1 −1
_
pertencentes ao grupo
multiplicativo GL
2
(). Calcule o(x), o(y) e o(xy).
Soluc¸ ˜ ao: Temos que xy =
_
0 −1
1 0
_ _
0 1
−1 −1
_
=
_
1 1
0 1
_
. Para calcular as
ordens de x, y e xy devemos calcular suas potˆ encias de expoentes inteiros e observar
se existe alguma potˆ encia que dˆ e igual ` a matriz identidade.
• x =
_
0 −1
1 0
_
⇒ x
2
= x · x =
_
0 −1
1 0
_ _
0 −1
1 0
_
=
_
−1 0
0 −1
_
⇒ x
3
= x
2
· x =
_
−1 0
0 −1
_ _
0 −1
1 0
_
=
_
0 1
−1 0
_
6
⇒ x
4
= x
3
· x =
_
0 1
−1 0
_ _
0 −1
1 0
_
=
_
1 0
0 1
_
. Assim, 4 ´ e o menor expoente
positivo n para o qual x
n
= elemento neutro, logo, o(x) = 4.
• y =
_
0 1
−1 −1
_
⇒ y
2
= y · y =
_
0 1
−1 −1
_ _
0 1
−1 −1
_
=
_
−1 −1
1 0
_
⇒ y
3
= y
2
· y =
_
−1 −1
1 0
_ _
0 1
−1 −1
_
=
_
1 0
0 1
_
. Assim, 3 ´ e o menor expoente
positivo m para o qual y
m
= elemento neutro, logo, o(y) = 3.
• xy =
_
1 1
0 1
_
⇒ (xy)
2
= (xy)(xy) =
_
1 1
0 1
_ _
1 1
0 1
_
=
_
1 2
0 1
_
⇒ (xy)
3
=
(xy)
2
(xy) =
_
1 2
0 1
_ _
1 1
0 1
_
=
_
1 3
0 1
_
⇒ (xy)
4
= (xy)
3
(xy) =
_
1 3
0 1
_ _
1 1
0 1
_
=
_
1 4
0 1
_
⇒ (xy)
5
= (xy)
4
(xy) =
_
1 4
0 1
_ _
1 1
0 1
_
=
_
1 5
0 1
_
. E assim, as
potˆ encias de x n˜ ao se repetem e nem coincidem com a matriz identidade. Logo,
o(x) = 0.
Observac¸ ˜ ao. Casos como esse s´ o ocorrem em grupos n˜ ao abelianos. Pode-se mos-
trar que se G for abeliano e x, y ∈ G, ent˜ ao o(xy) = mmc(o(x), o(y)).
Observac¸ ˜ ao. Observando-se o desenvolvimento do terceiro item, podemos chegar
` a conclus˜ ao de que (xy)
n
=
_
1 n
0 1
_
. Essa ´ e uma igualdade verdadeira, mas para
demonstr´ a-la ´ e preciso usar o Princ´ıpio de Induc¸ ˜ ao Finita.
B3) Mostre que todo grupo c´ıclico infinito possui exatamente dois elementos gera-
dores.
Soluc¸ ˜ ao: Suponhamos que G seja um grupo multiplicativo c´ıclico infinito.
• Existe x ∈ G tal que todo elemento de G ´ e da forma x
n
para algum n ∈ , ou
seja, G = [x] = {x
n
| n ∈ }.
• Como x
n
= (x
−1
)
−n
temos que todo elemento de G tamb´ em ´ e potˆ encia de x
−1
,
ou seja, G = [x
−1
].
• Neste caso, n˜ ao podemos ter x = x
−1
porque isso implicaria x · x = x · x
−1

x
2
= e ⇒ G = {e, x} o que seria um absurdo porque G ´ e infinito. Logo, x x
−1
o que significa que G tem pelo menos dois geradores: x e x
−1
.
• Se G possuir outro gerador, digamos G = [y], ent˜ ao x deve ser igual a alguma
potˆ encia de y e tamb´ em y deve ser igual a alguma potˆ encia de x, ou seja, y = x
r
e x = y
s
onde r, s ∈ ⇒ x = y
s
= (x
r
)
s
= x
rs
⇒ x
rs
· x
−1
= x · x
−1
⇒ x
rs−1
= e.
7
• Se rs − 1 0, ent˜ ao ter´ıamos uma potˆ encia de x com expoente inteiro dando
igual ao elemento neutro; isso limitaria a quantidade de elementos de G o que
seria um absurdo porque G ´ e infinito.
• Temos rs − 1 = 0. Como r e s s˜ ao inteiros, temos r = s = 1 ou r = s = −1.
Em um caso, temos y = x e no outro caso temos y = x
−1
. Portanto, y sendo um
gerador de G, y deve coincidir com x ou com x
−1
.
Fica mostrado dessa forma que G sendo c´ıclico infinito tem exatamente dois gerado-
res: x e x
−1
.
Observac¸ ˜ ao. Se tiv´ essemos usado a notac¸ ˜ ao aditiva, ent˜ ao ter´ıamos usado m´ ultiplos
de x no lugar de potˆ encias de x. No final, chegar´ıamos ` a mesma conclus˜ ao: que G
tem exatamente dois geradores, x e −x.
C1) Seja σ a seguinte permutac¸ ˜ ao de S
10
:
σ =
_
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
8 7 5 9 4 10 2 6 3 1
_
.
Calcule a ordem de σ e a potˆ encia σ
2010
.
Soluc¸ ˜ ao: Para calcular a ordem de σ,devemos calcular suas potˆ encias de expo-
entes inteiros e verificar se alguma coincide com a identidade.
σ
2
= σσ =
_
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
8 7 5 9 4 10 2 6 3 1
_ _
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
8 7 5 9 4 10 2 6 3 1
_
=
_
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
6 2 4 3 9 1 7 10 5 8
_
,
As composic¸ ˜ oes utilizadas no c´ alculo de σ
2
= σσ foram as seguintes:
• 1 −→ 8 e 8 −→ 6; logo, 1 −→ 6 (ou seja: “o 1 ´ e levado por σ para o 8, depois
o 8 ´ e levado para o 6; logo, o 1 ´ e levado na composi¸ c˜ ao σσ para o 6” )
• 2 −→ 7 e 7 −→ 2; logo, 2 −→ 2
• 3 −→ 5 e 5 −→ 4; logo, 3 −→ 4
• 4 −→ 9 e 9 −→ 3; logo, 4 −→ 3
• etc.
8
σ
3
= σ
2
σ =
_
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
6 2 4 3 9 1 7 10 5 8
_ _
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
8 7 5 9 4 10 2 6 3 1
_
=
_
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
10 7 9 5 3 8 2 1 4 6
_
,
σ
4
= σ
3
σ =
_
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
10 7 9 5 3 8 2 1 4 6
_ _
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
8 7 5 9 4 10 2 6 3 1
_
=
_
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
_
= e = identidade.
Logo, o(σ) = 4. Isso significa que as potˆ encias de expoentes inteiros se repetem de
4 em 4: σ
5
= σ
4
σ = eσ = σ, σ
6
= σ
4
σ
2
= eσ
2
= σ
2
, σ
7
= σ
4
σ
3
= eσ
3
= σ
3
,
σ
8
= σ
4
σ
4
= ee = e, etc. Se o expoente r for m´ ultiplo de 4, ent˜ ao σ
r
= e. Dividindo-
se 2010 por 4, obtemos quociente 502 e resto igual a 2, ou seja, 2010 = 4 × 502 + 2.
Da´ı,
σ
2010
= σ
4×502+2
= (σ
4
)
.,,.
= e
502
σ
2
= eσ
2
= σ
2
=
_
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
6 2 4 3 9 1 7 10 5 8
_
.
C2) Seja G um grupo multiplicativo com elemento neutro e. Sendo a, b ∈ G diferen-
tes do elemento neutro tais que a
5
= e e aba
−1
= b
2
, calcule o(b).
Soluc¸ ˜ ao: Para calcularmos a ordem de b, devemos de algum modo saber quais
s˜ ao suas potˆ encias de expoentes inteiros positivos.
• b
2
·b
2
= (aba
−1
)(aba
−1
) = ab(a
−1
a)ba
−1
= abeba
−1
= a b
2
.,,.
aba
−1
a
−1
= a(aba
−1
)a
−1
=
a
2
ba
−2
, ou seja, b
4
= a
2
ba
−2
.
• Temos tamb´ em que b
4
· b
4
= (a
2
ba
−2
)(a
2
ba
−2
) = a
2
b(a
−2
a
2
)ba
−2
= a
2
beba
−2
=
a
2
b
2
.,,.
aba
−1
a
−2
= a
2
(aba
−1
)a
−2
= a
3
ba
−3
, ou seja, b
8
= a
3
ba
−3
.
• De modo semelhante, calculamos b
16
= b
8
· b
8
e b
32
= b
16
· b
16
e obtemos os
seguintes resultados: b
16
= a
4
ba
−4
e b
32
= a
5
ba
−5
. Como a
5
= e, obtemos
finalmente que b
32
= ebe
−1
⇒ b
32
= b que multiplicando-se por b
−1
fornece:
b
−1
b
32
= b
−1
b, ou seja b
31
= e.
Temos da´ı que a ordem de b ´ e um divisor de 31. Como b n˜ ao ´ e o elemento neutro e
31 ´ e primo, temos finalmente que o(b) = 31.
9

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