C Í I A DA RAZÃO RTC TÜPINIQÜIM
Roberto Gomes
lOt EDIÇÃO ili

FTD

Filosofia . II.81 CDD-199. Brasil : Filosofia 199.A. Série.Brasil 2. 1944Crítica da razão tupiniquim / Roberto Gomes. 1990 Todos os direitos de edição reservados à MATRIZ Rua Rui Barbosa 156 (Bela Vista) São Paulo CEP 01326-010 Tel.81 2. Filosofia brasileira 199. Roberto.Chromo Digital. SP. 94-0590 índices para catálogo sistemático: 1. Design Gráfico Ilustrador: L u i z Carneiro Produção e Diagramação: Reginae C r e m a Editoração eletrônica: Paulo Lopes da S i l v a . Título. Filosofia brasileira I. — São Paulo : FTD. Brasil) Cmr Gomes.Roberto Soeiro Execução .5011 FAX (011)288 0132 EDITORA FTD S. 1994. — (Coleção prazer em conhecer) ISBN 85-322-0333-7 1.81 Editor: Jorge Cláudio Ribeiro Coordenador de revisão: Adolfo José F a c c h i n i Editor de arte: Cláudio Cuellar Capa: Criação . Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) ( â aa Brasileira do Livro. — 11.Copyright (c) Roberto Gomes. 253. ed.

ó Capitulo 9 .A Razão Ornamental Capitulo 10.Uma Razão que se expressa Capitulo 4 .í dc n ie Capitulo 1 .Filosofia e negação Capitulo 5 .A s ro a seriedade éi : Capitulo 3 .Razão Dependente e negação Sugestões de atividades dd tc s i ái a O autor Bibliografia 4 9 17 26 32 41 48 55 69 82 95 111 117 117 .O mito da c n ó da o jeito o cr i: Capitulo 7.A Filosofia e t en s nr .Um título Capitulo 2 .O mito da imparcialidade: o ecletismo Capitulo 6 .A Razão Afirmativa Capitulo 11 .Originalidade e jeito Capitulo 8 .

Cpo 1 atl u í Um título .

Ocorre que este tema jamais foi explicitado. Então.Um título 5 POESIA COM LAMENTAÇÃO DO LOCAL DE NASCIMENTO Tudo o que eu digo. na m sc popular e até . supõe-se que denuncie um tema. Uma Razão Brasileira. acreditem. r np r ç . precisaria antes do mais ser providenciada. na poesia. vindo à tona. embora seu título m osv l possa ser até sugestivo. M X R FERNANDES UÔ (Papáverum M O que pode significar isso: Razão Tupiniquim? Tratandose de título de um livro. Não é fácil escrever sobre algo que só existirá caso seja inventado. Fácil constatar que entre nós esta Razão estará adormecida ou pulverizada em mil manifestações que seria problemático reunir num ú i o nó com a virtude da síntese nc Talvez seja i p sí e o tema deste livro.nalguns livros de Filosofia. seguindo v sí i s espare tgo sos no romance. das duas uma: ou este livro não pode ser escrito ou s r eá uma tentativa de "inventar" esta Razão. teria mais solidez se em vez de carioquinha eu fosse um velho chinês. não existindo atualmente.pois é caúia paz de que mesmo aí t a s a e a . não existindo.

Gaba seu inimitável jeito piadístico. como as fúteis críticas sérias a Oswald de An de. Talvez uma posição existencial muito nossa. Há todo um espírito brasileiro que se delicia com a própria agilidade mental. Uma piada. tragédia e muito sangue . Queremos a coisa séria. palavras raras. Conseguimos rir de tudo. talvez. Hipótese que nos causaria grande prazer. amesquinha quem nos tortura. frase. nos movemos com facilidade gritante. creio. Uns reagem com dramaticidade. o nosso . aqui de n ú ta . Nada mais ilustrativo do que a série de piadas onde representantes de outros p íe são as s ridicularizados pelo desconcertante "jeitinho" de um brasileiro. dos dirigentes que deveriam representar nossos interesses. Chegamos a fazer piadas sobre nossa capacidade de fazer piadas. citações latina e é i p sí e qualquer piada em latim. E não é só. Das instituições que deveriam estar a nosso serviço. acusado de mero piadista. Gostamos muito de piadas. seja dito. eá Partamos de algo pacífico: mal sabemos o que seja uma Razão Tupiniquim. Segundo. muito bem-humorados. é absurda a pretensão m o sv l de "inventar". aqui. esta capacidade de ver o avesso das coisas revelado numa palavra. mas na hora das coisas "culturais" mergu lha num escafandro greco-romano. Do governo que cai e do governo que sobe. no momento de pensar não admitimos piada. Primeiro. j Creio que a existência de uma piada tipicamente brasileira deveria ser objeto de estudo mais aprofundado. Certamente sim. seu tema. P sur caracteos i á rísticas e p cfc s Que atitudes b sc s revela? Uma s u á e s e íi a ? ái a a d vl maneira de suportar um existir humilhado? Um modo de estar acima daquilo que amesquinha nosso dia a dia? Talvez sim. O riso .ocorreu-nos reagir com o riso. Frases na ordem inversa. tiraniza o tirano. Neste plano. esta. fato. . os brasileiros. Somos. Desta atitude seria útil extrair o avesso. exorciza nossas a g si s Não creio. Outra s r sua pretensão.nos salva. Embora tenhamos uma imensa mitologia c nt ud em cima de nosso jeito piadístio sr í a co. Isto criou situações m osv l constrangedoras. Estranha gente. me é i p s í e não escrever este livro.um certo tipo de riso.6 Um título Mas estas alternativas devem ser rejeitadas.

Tem sido na Filosofia que o espírito humano tem buscado sua auto-revelação. pois nos dois casos há um abandono . O conformismo brasileiro encontra aí seu terreno de eleição. por exemplo. analisa não. em variados "anauês". o brasileiro ainda não produziu Filosofia.que p dse o ter feito melhor. Assim.ar v s de um simples "o bra ta é sileiro é assim mesmo". já a bm que é de sua pretensão ser isso: uma forma de conhecimento. Justificar. é n c sá i ade es ro vertir que um pensamento brasileiro jamais esteve lá onde tem sido procurado: teses universitárias.dependência. t m é a piada deve ser essencialmente crítica. não esquentar a c b ç . Na verdade. cursos de graduação e p sg a ó. entre nós.embora não seja nem grego nem romano -. morre a atitude crítica. Desconhecendo-se. mal sabendo de uma Razão Tupiniquim. No bolor de nosso "pensamento oficial" não se encontra qualquer sinal de uma atitude que assuma o Brasil e pretenda p n ál em nossos e s -o termos. u ésm s Há um perigo. dáa ea se um jeito.e que outro ponto de vista poderia me importar? . sujeito séri oé .e uma ep r n a mági sá s ea ç ca . E o "jeito piadístico" estará a s r i o de nossa ina e vç tenticidade. proposta e assumida como nossa. A mesma piada que salva pode mascarar-se em alienação. Ora. P r m autocomplacente e conformista. quando o riso se perde em pura facilidade. Sempre há um perigo. Além do palavrório aridamente t c i o e estéril. Há indícios. sua própria condição . porém. Como qualquer criação humana. jogos de privilégios . das idéi é nc . o brasileiro aliena-se de dois modos: rindo de sua s mi p râ ca ou delirando em torno do " as do e -m o t n i pí futuro". o brasileiro foge de sua identidade.Um título 7 meu ponto de vista brasileiro .r duação."deixa como e t para ver como é que fica" .e logo se verá por quê. eis o que impede seja criada entre nós uma atitude tipicamente brasileira ao nível da reflexão crítica. revistas especializadas . conformismo e ausência de poder crítico. de tal coisa: deixar como e t sá pra ver como é que fica. em distração." ás um jeito". insolvência política. d -e Mergulhado num escafandro greco-romano .

Deve inventar seus temas. p r a e a em nç mos em nossos limites. mas de propor um projeto. E inventar seus pontos de vista. têm mais li o a nos dizer do que as m ç ne teses universitárias nas quais a Filo aa ts sofia se mascara no Brasil. Lima Barreto. linguagem. Noel. ritmo. como se é. eá Uma Razão não se faz com um livro. A questão de um pensamento brasileiro d v r brotar de e eá uma realidade brasileira . com uma série de advertên o ea cias. das teses que antecipadamente sabemos como vão concluir. aé daquilo que se tem lm feito no campo das ciências humanas nos útm s anos. pois. da porta-estandarte e do homem da rua em geral Mas não s r apenas isso que irá tornar viável este livro. das idéias bem pensantes. Oswald de Andrade.não do "pensamento" e da "realidade" oficiais. Chico Buarque. Provisoriamente. nada encontramos que possa denunciar a p ee ç de um pensamento brasileiro entre nossos "ióoo rsna fl s f s oficiais". Machado de Assis. Não se trata de "inventar" uma Razão Tupiniquim. . um certo tipo de pretensão certamente quixotesca e evidentemente absurda: pensar o que se é.8 Um título gerais. vítimas de um discurso que não pensa. Este livro inviável c m ç . O mesmo se diga do torcedor de futebol. S r i Buaré go que de Holanda. Obras como as de Mário de Andrade. delira.

Capítulo 2 A sério: a serieda .

Mas: conseguiremos pensar "a s ro ? Razão Tupiniquim? éi " Não é coisa no que se pense . Creio que isso fique claro se considerarmos estas duas ocorrências: "Fulano de Tal é um homem sério" e "Ful de Tal leva a sério seu trabalho". ta de nenhuma tese defendida na Sorbonne ou em Freiberg. É respeitador das normas e convenções sociais. jamais um tema "é i " Quer dizer: não conss ro . vemos que há vários empregos p s í es o sv i para a palavra "é i " e. No primeiro caso queremos dizer que Fulano de Tal é um homem que zela pela seriedade das japarências. Só pode ser brincadeira. Prestando atenção. Dele não se esperam coisas que fujam N . propõe-se ser sério. É n c sá i não d s e dç r título tão sugestivo.10 A séno: a serieda Aliás muito difícil nesta prosa saber onde termina a blague onde principia a seriedade. Nem eu sei. Mudou uaç o caráter da seriedade em questão. mas uma m d na de perspectiva e de acentuação.e sobretudo nestes termos. c ne ü ne e t . É tema que d v r ser "seriamente" considerae eá do. Quero que me entendam: não uma piada em seu sentido alienante. M RO DE ANDRADE ÁI (Prefácio Interessa o capítulo anterior levantou-se um tema para um título. vários sentidos par s ro o s q e t m ne a "seriedade". não uma piada. Entre os dois empregos não há apenas o a r s i o de uma c écm letra. Seria incapaz de "sair da linha". Cab e es ro ep r i a agora perguntar: trata-se de tema "é i " s ro ? Pelo que ficou dito.

sendo flagrante que o artista realiza um conjunto de valores que se chocam frontalmente com aqueles que são vigentes. Isto vale dizer: Fulano de Tal é um homem respeitador e respeitável.A séno: a seriedade 11 ao normal estatístico. Atividade desinteressada .não no sentido de alienação das questões de sua é o a mas em oposição à seriedade pc. caricato.tem recebido ao longo da história o rótulo de louco. não consiste no zelo pela vigência de normas sociais.ete sá i â io namente em questão -. se quiserem. Se levo a sério. me coisifico como objeto de seriedade. Não é sem motivo que hoje se busca no artista um modelo de ação não repressiva e de reerotização do agir. isto é algo que sai de mim em reção ao objeto da seriedade. Ao levar a sério. a ponto de voltar todas as minhas energias no sentido de sua realização . Na segunda ocorrência. Valores não convencion palavras e frases talvez extravagantes. quando fiel à sua vocação igualmente marginal . o caso do artista. E sua "loucura" consiste nisto: não é um homem sério. encontrado no a sério. Só aqui poderemos encontrar o germe revolucionário i ds e s v l à criatividade. E ó vo que aí encontramos uma figura muito disbi tante daquilo que se considera sério. de existir centrado externo. e o caráter de sa acabada e estéril da seriedade do sujeito objetificado. O protótipo do artista. daquilo que é vigente. Ao contrário. O artista . Sério. lugar ou um amor. . estou profundamente interessado em al ma coisa. por exemplo. nada parece ser levado tão a sério quanto o t balho artístico. O acento faz com que toda carga significativa recaia sobre o aspecto interno e virtualmente negador do socialmente admitido. Aí e t a diferença entre o que é dn mc . reduzo-me a objeto morto.outro não sendo o princípio de erotização do agir. a seriedade em questão remete-se a outra gama de significações. Por oposição. seja um trabalho. A séri revigoro o mundo com uma quantidade imensa de significações. um modo de vida que torce o nariz aos bem pensantes. O critério segundo o qual se orienta não é o lucro ou a dominação do outro.e o filósofo. Levar a sério. Mesmo quando isso exige "sair da linha". n ip ná e Fixemos. Se sou sério.

I Algumas conclusões são p s í es Antes de mais nada. consagradas pelo uso acadêmico. pouco ou nada importam as intuições que procedam do interior. É ambicioso. é o artista que. Ou: que me assume. acaba recebendo toda a carga de agressão sob o rótulo de "louco".coisas que cabem. No entanto. a imensa maioria composta por professores. Existem coisas sérias. seus próprios temas e maneiras de tratá-los .é uma sá e vç ác r isona que assumo. vio que o sério e t a s r i o de uma m s a a social . ao contrário. de bom tom e alta ilus ção. calculista. O artista. O mesmo se dá com aqueles que praticam a Filosofia entrenós. A partir disso. ser carrancudo e empertigado. apresentadas em congressos. E distribui prêmios literários. Isso só parecerá contraditório se deixar mos de considerar que existem duas maneiras de aniquilar com o artista: censurando-o ou promovendo-o a uma e p ce de ornamens éi to social. São coisas que vêm sendo discutidas na Sorbonne.12 A séno: a serieda No homem sério. nem tanto. publicadas em Paris ou Berlim. ao c cretizar estes valores.palavra agora utilizada em sua conotação menor: eu como objeto da seriedade. é óbo sv i .aqueles que convêm. este marginal. Falar num jargão convencional e altamente "erudito" . E é assim que o homem sério exorciza aquilo que teme. Casca normativa que nos vem do exterior e que nos dita o que c n é . Constituiu a Filosofia. Eis como existem coisas que um professor faz e outras que não faz. ficando nossa expressão mais pessoal e crítica eliminada. suportando a mesma agressiva ambivalência por parte do homem sério: amor e ód Aliás. c ls Afogar-se e suar desesperadamente num terno e gravata. poder. encontramos a perfeita en nação do "interessado" . visa lucro. seus sufocantes ternos e gravatas. duas são as coisas que o homem sério faz ao chegar ao der: instaura a censura e constrói suntuosos museus e teatros. esta a essência de o vm tal seriedade. E o triunfo do homem sério é atingido quando se ch . desta forma. organiza suas relações em termos de futuro proveito etc. Curioso notar que nada poderia estar tão distante dos valores idealmente apregoados pela tradição do pensamento ocidental do que o homem sério. Usar ó uo . Outras. é objeto de tabu. em Oxford. Quer dizer. que convêm.

a do brasileiro. vale dizer . onde ela mais profundamente aderiu ao rosto. da sabedoria do brasileiái o ro. que sempre foi a pretensão b sc da Filosofia quando soube ser fiel à sua misái a são marginal. mas a maneira de dizer dentro de padrões previamente consagrados. Assim. Obras sérias são feitas com arquivos. Isso tudo vem a ser ainda mais espantoso se observarmos que nossa atitude corriqueira . é desestruturar qualquer pomposidade. Quando já não importa o dito. perfeitamente sérias.não principalmente e não só . uma comunicação a um congresso pode ser absolutamente vazia e soberbamente tola . notas ao da p gn e num jargão que me aborrece.mas. cumprido o ritual. Assim.é de profunda aversão ao formal. como a piada. É esta m s a a sér ái a ác r que vem sufocando o pensamento brasileiro. e. A sério: a seriedade 13 Faz algum tempo. Um traço b sc do humor brasileiro. consi exatamente nisto: fala-se agora sobre temas adequados. portanto. Temos horror à pompa. A ritualização. l i uma entrevista de Nelson Rodrigues exemplo de típica inteligência brasileira cujos descaminhos só nos resta lamentar .em que dizia que o mais grave defeito dos personagens de romance brasileiro é serem incapazes de cobrar um escanteio.ga à completa ritualização. desarmando as tentati- . P ce evidente que Filosofia brasileira só existirá a partir do momento que vier a ser. o aspecto "sacrossanto" da cultura é preservado. pouco importando se importam.que o tema providenciado para este título exigiria sair do sério. triunfo do sério. uma investigação do avesso da seriedade vigente. perdeu-se a ligação e a referência crítica à realidade. Vale dizer: mesmo que se trate de especulações sem qualquer raiz na realidade que nos circunda. Eis aí coisas convenientes. uma intuição radical: en tre-nós perdeu-se o contato com a realidade em torno. Quero com isto dizer . Por detrás do efeito de espírito.

antes do mais. Um francês qualquer pode dizer: "Je vous en prie" ou "Je suis enchanté de faire votre connaissance". Não confere com nosso natural ceticismo.ó lm da natural aversão ao formalismo. o escrever e o pensar vieram a ser as coisas mais formalizadas e rígidas que se conhece. triunfa o sério . é no Brasil onde o falar. escrever um livro ou pensar -.14 A sério-. em terno e gravata. fuja da realidade brasileira. ao pé da letra. nossa oblíqua maneira de olhar. E falar sobre coisas para as quais nos custa encontrar referência na realidade em volta. por exemplo. que importe. na maior extensão. nada mais chocante do que uma exclamação. Em termos brasileiros. colocar-se na ponta dos pés e no alto de seus tamancos. A bem dizer. no caso. Este triunfo do externo não significa apenas a submissão ao vigente. determina que o discurso. Aé nr .apresentar uma aula. Significa mais. Todo sujeito que sobe numa tribuna julga essencial. semear generosos pontos de exclamação ao longo do que escreve. Em nós é ep nâ e a tendência a ver o avesso das coisas. nada p d r dizer de importante. a seried vas de empostação. com dois dias de Brasil. Entretanto. O melhor exemplo disto talvez seja o terno e gravata. No homem sério. Um escritor alemão pode. Apesar disto. Já as expressões da língua revelam isto. Não as vejo. Isto. triunfa a Razão Orn mental. uma série de coisas deixam de ser urgentes. é ridículo em português. Não são suficientemente sérias. as razões de clima: este é um p í onde. . Este uso revela e t en s muito mais do que se poderia supor. Essencial trocar todas as palavras usuais por palavras que estranham nosso modo. Construir frases numa ordem que jamais usaria para pedir um cafezinho. discursar. E ó vo que ninbi g é s b r cobrar um escanteio nestes trajes. No intelectual brasileiro que discursa. A roupa detero eá mina. o calor é brutal.expressão de uma classe privilegiada dia te da multidão analfabeta. já não seria mais levada a sério. um ato de seletividade que procede do vigente: a partir do momento em que a assumo. semas pre que se trata de realizar uma atividade "cultural" . Pelo mesmo moti um a e á vo. Se diz s o t na que qualquer personalidade mundial. o brasileiro sério mergulha num terno e gravata.

Só no momento em que.A s n . Este mesmo "pensador" não é capaz de cobrar um escanteio ou d n a um samba. capaz de pensar o s c l XIII ou as cosmo s ao é uo visões européias. a seriedade é o- 15 tão. abandonada a tirania do sério. Afinal. capaz de v o tão mirabolantes ôs no tempo e no e p ç . de enxergar um palmo diante do nariz . encontraremos condições de pensar o que e t sá diante de nosso nariz. urgente que assumamos a capacidade a séno do hum como forma de conhecimento. percebermos que nossa atitude mais profunda encontra-se em ver o avesso das coisas é que poderemos retirar de nossas costas o peso de s c l s de academismo. pela armadura na qual se encontra. o peixe é quem menos sabe da á u . não é capaz. penso. pensa? Eis o que desejaria mostrar: nossa aversão à pompa acaba convertendo-se em seu oposto . de terno e gravata. a fuga para um universo adequado ao traje: a fria Europa. pois.o que não é tão fácil nem tão inútil quanto muitos pensam. O que a çr levanta a questão fundamental sobre as condições de possibilidade de um juízofilosóficobrasileiro: a Filosofia. ga . Assim. E o que é Filosofia? É a tentativa. E. Se deslocarmos a acentuação do externo para o interno. o filósofo brasileiro. E só então é uo pensar por conta própria.o triunfo da cultura formalistica. de enxergar um palmo diante do nariz.

do papo desas contraído.16 A séno: a seriedade Creio ser isto suficiente para denunciar nossa inautenticidade intelectual. antes e acima de tudo. in íi o vestimos contra nossos deuses e fantasmas. do cafezinho. o país do jogo do bicho e da loteria esportiva. do funcionário público. por que nossos as personagens de romance não sabem cobrar um escanteio? Ou será o p í do eterno carnaval. do herói sem nenhum caráte do chope gelado. da praia. uma maleabilidade maior? Este é o p í das "revoluções sem as sangue"? De fato e historicamente? E o que significa isto? Um humanismo superior? Falta de caráter? Um deixar como e t pa sá ra ver como é que fica? Mito da conciliação? Fuga do a sério? Vejamos bem: se este é o p í do futebol. nossos sagrados preconceitos? Sempre damos um jeito? E o que quer dizer isto? Uma virtude. com um mnm de consciência crítica. pois o intelectual brasileiro só leva a sério o sério. Estes temas ainda não adquiriram o status de assunto sério. bi . ou.implícita nisto? Qual o pensar que daí decorre? Qual o projeto existencial que a tudo isso informa? Em suma: o que significa isto? Não sabemos. ó va inversão. Quando.se há . revivência dos mitos do bandeirante? Mas qual a Razão . Onde o hábito faz o monge.

Capítub 3 Umase expressa Razão que .

descobrir alguma coisa. Os encontros com são externos e superficiais. Mas no que consiste descobrir-se em sua originalidade? Temos aqui duas questões: sobre o que seja descobrir-se e sobre a natureza da originalidade. Se parto do suposto que descobrir-se é. S . que emerge a possibilidade de Filosofia. No momento em que encontrasse tal objeto. teria c n l í o minha tarefa. eu deva me encontrar para descobrir-me. inventa Filosofia. de algum modo. porque já descobri onde estava. Agora nâo me digam que ando à procura da originalidade. O que chamamos de Filosofia grega nada mais é do que o síreap-íease cultural que a Razão grega realizou de si mesma. MARIO DE ANDRADE (Prefácio Interessan empre que uma Razão se expressa. Achei. no qual uma Razão se descobre em sua originalidade e conhece seus mais í tm s ni o projetos.18 Uma Sazão que se expressa For muitos anos procurei-me a mim mesmo. Mas não existe de fato nada com o o cud que.mais simples do que gostariam de supor os pensadores tupiniquins -. é minha. pertence-me. desde logo me coloco em oposição a isto que deverei descobrir. É deste ato . ou com quem. E algo anterior: as condições desta descoberta.

Uma Sazão que se expressa

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De fato, descobrir-se é encontrar-se em, pelo simples fato de não haver um "outro" que eu deva descobrir - desde o início sou eu quem e t em questão. A descoberta é, pois, f n m n pri sá eô eo mário: um re-conhecimento. Se nos despimos de todas as artificialidades que providenciamos para nossa instalação no real, verificamos que a questão sobre o esíar permanece aé de todas. Assim, desde o início a ques lm tão a respeito do que eu sou remete-se à pergunta: "Onde es tou?" E onde estou? Num tempo, num lugar, entre coisas qu< me rodeiam, pessoas com quem falo. A consciência é primariamente este contato com a proximidade, com os contornos que imediatamente me chocam, exigem e perturbam. Estou em determinado lugar e, a partir dele, principio a ser. Antes estou, depois sou. A Filosofia, onde uma Razão se expressa, sempre se revelou pela fidelidade a este dado. Súbito, uma Razão descobre-se em. Em Mileto, por exemplo. Por mais abstrato que possa parecer um pensamento, sempre traz em si a marca de seu tempo e lugar. Ao inverso do comumente suposto, não é a desvinculação do lugar e do tempo que confere profundidade a um pensamento, como, por exemplo, o de Platão. Seu grande mérito é ser a expressão realizada do espírito grego num dado momento - pois este homem foi, sem dúvida, um grego. Compreendemos mal o que disse se quisermos conservar de sua obra aquilo que não se "mistura" impuramente com as atribulações de sua é o a A consciência pc. aguda, altamente diferenciada da Razão grega naquele momento, eis a raiz de sua profundidade e a natureza de sua lição. Seu pensamento torna-se i c m r e sv l se não levarmos em conta a íntin o p e ní e ma conexão que aí existe entre Política e Filosofia, sendo esta esclarecida por aquela, na medida em que reflete a seu respeito. O fracasso político na Sicília, as condições políticas perturbadoras, morte de S c ae o levaram ao postulado fundamental de seu ideaór ts lismo: o mundo material deve ser modificado - quer dizer: negado - a partir das verdades obtidas na intuição das idéias. Assim, ao postular a reforma da cidade, o "mundo das idéias" mostra-se como o não-ser negador do vigente, a sne e de sua crítica a seu í ts tempo. E só assim, visto em sua essência inegavelmente política,

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faz pleno sentido. Fora disso, parecerá construção vazia e "platônica" - o que de fato nunca foi. Quanto a T m s de Aquino - um dos autores, aliás, pelo o á qual devemos ter o m xm de piedade, pois foi vítima do pio ái o dos preconceitos, o preconceito a favor -, devemos notar que, "historicamente, o tomismo não surgiu como o sistema intemporal e 'sabe-tudo' que nos apresentam (...) era a resposta patente a um problema inadiável do momento".1 Encontrava-se em dada posição e dela buscava a resposta àquilo que era urgente questionar. Assim, tentar eternizá-lo, colocando-o acima do tempo, é desservilo - donde se conclui que, em matéria de d s e vç s os tomista es r i o, conseguiram mais do que os mais severos críticos de T m s d o á Aquino. "Isolada do contexto histórico que a viu nascer, a sne e í ts tomista aparece como a a r nc . 2 n c ô i a" Os exemplos poderiam continuar e toda uma história da Filosofia poderia ser escrita a partir daí. Fiquemos apenas com o essencial. Como entender Hegel sem a Revolução Francesa, sem referência à necessidade de reorganização do Estado e da sociedade em bases racionais? "Os ef r o hsó i o concretos para so ç s i t rc s estabelecimento de um tipo de sociedade racional haviam sido transpostos, na Alemanha, para o plano filosófico e transpareciam nos ef r o para elaborar o conceito de Razão. Tal conceito esso ç s tá no cerne da Filosofia de Hegel. Este sustenta que o pensamento filosófico nada pressupõe aé da Razão, que a história trata lm da Razão, e somente da Razão, e que o Estado é a realização da Razão. Estas afirmações não são c m r e sv i, porém, se a Ra o p e ní es zão for tomada como um puro conceito metafísico, pois a idéia que Hegel fazia da Razão preservava, ainda que sob forma idealística, os ef r o materiais no sentido de uma vida livre e racional. so ç s (...) A não ser que se apreenda com clareza o sentido de tais conceitos, e sua intrínseca correlação, o sistema de Hegel aparecerá

1. SCHOOYANS, Michel. Tarefas e vocação da filosofia no BrasiL Revista Brasüe de FúosoBa, São Paulo, 21(41):61-69, jan./fev./mar., 1961, p. 65. 2 Idem, ibidem.

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como a obscura m t fsc que de fato nunca foi."3 eaí i a Fora, portanto, das urgências de seu tempo, os pensadores não chegam a fazer pleno sentido. Mas não basta ressaltar que todo pensamento traz a marca de seu lugar e tempo - isto, de um modo ou de outro, muitos aceitam. O vital é reconhecermos que um pensamento é original não por superar sua posição - o que é i p s í e -, mas precisamente por dar forma e consistência a esm o sv l te tempo e apresentar uma revisão crítica das questões de sua época, aí tendo origem. O pensamento é superior não a despeito de ser situado, mas justamente por situar-se.

Desta forma, embora entre as pretensões da Filosofia - e também da ciência, no caso - encontremos a de querer ultrapassar o ep ç e o tempo, esta mesma possibilidade de superação radicas ao se no ato de assumir sua posição específica. Isto equivale a dizer que é justo esta pretensão que se encontra em jogo. Entre-nós, por exemplo, encontramos o apego extremo ao pensamento de outros por julgarmos que só os outros poderão nos dar qualquer chave do saber. Assim, queremos nos descobrir num encontro com um pensamento qualquer, seja medieval ou grego, de hoje ou de ontem. Aguardamos uma solução estrangeta sem nos darmos conta de que, sendo estrangeta, será precisamente isto: estranha. o pensamento, antes da pretensão de ser atemporal, deve ter a pretensão primária de não ser jamais estranho, o saber de um outro. Se exigirmos da Filosofia não ser apenas algo entre-nós, mas Filosofia brasileira, é claro que estamos supondo uma originalidade, a nossa. Um erro seria, portanto, apegar-se a uma resposta estranha, que aqui não tenha nascido. Outro, confundir originalidade com novidade. O novo é apenas um acidente do original. Quero dizer: dele decorre em alguns casos. Uma formulação qualquer é original não pelo fato acidental de ser nova ou inédita, mas pelo fato de esíar vinculada a determinadas origens. Produto de um
3. MARCUSE, Herbert Razão e Revolução. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1969, p: 17.

Criar um a t m v l sem moto uo ó e direção e lugares e .uma arte que se recusa a qualquer compromisso para bastarse num auto-envolvimento aos limites do narcisismo. A originalidade da Filosofia consiste em descobrir-se em determinada posição. como uma acusação ligeira e superficial poderia supor. vale lembrar que esta só faz sentiái a . Creio. Ver é. his s oál toricamente . A verdade. nada verei. Qualquer verdade é minha verdade . E só vejo de minha posição.e só o s r eá se vier a ser minha. é postulao sv l do intencionalmente na própria natureza do ato de pensar. a verdade não reside no juízo. sendo criação histórica. que sem nenhuma originalidade. ou envolve. Surge. m t v i. encontra-se no limite da direção para o qual apontam os juízos. O delírio novidadeiro e formalístico na arte.que não transporte.quer dizer: de fato e efetivamente -. c ne ü ne e t . Ocorre que a verdade não se encontra onde muitos julgam que esteja. Daí a refutabilidade indefinida do conhecimento. qualquer inexistência da verdade. no entanto. uma vez que.suprema novidade . um ato de seletividade. O original. em suma. por exemplo. de resto. Se quisermos ser fiéis à verdade. De fato isto revela tão-somente o vazio existencial. seria algo absolutamente novo. carecerei de um ponto de vista e. Daí a ilusão de e g t -o no juízo. da ú i a maneira nc p s í e: historicamente. tem produzido resultados deste tipo . ou estar-vendo. Não pretendo. situados. devemos supor que resida não em nossos juízos (históricos. a ausência de qualquer projeto criador. Viso insistir em que é preciso ver. rigorosamente inédito. o s q e t m ne E condição de visão estar em dada posição e dela vislumbrar os objetos. é o avesso do estranho e do novo: tem raízes aqui e de longa data.22 Uma Razão que se expressa ato do espírito que se enraíza em. num momento em que a arte perdeu a noção de qualquer papel histórico. assumindo-a reflexivamente. Coisas simples decorrem daí. seja filosófico. refutáveis). de resto. mas em sua projeção. O suposto da verdade. ma uá es no limite projetivo destes juízos. seja científico. Aé disso: se sua lm pretensão b sc é a verdade. Se não assumo minha posição.

sua linguagem. eu esteja inevitavelmente fazendo Filosofia. Ou: só o s r se eu o fizer meu. pois. que a verdade em si já se encontrava lá. a ue -a Urge.que eu possa utilizar como um roteiro ou e p ce de índice. O que envolve: seus temas e seu modo de abordagem. É imprescindível. perfeitamente. Esta. a condição de possibilidade anterior a toda e qualquer Filosofia. s ao Motivo pelo qual uma Razão só se expressa ao providenciar seus temas. antropofagicamente.Vaia Sazão que se expressa 23 do quando é minha. Estar no Brasil para poder ser brasileira.ó lizar a consciência de que o pensamento e seus objetos são pura . é r nr . Mesmo a verdade de um outro só p d r ser o eá verdade para mim se dela me apropriar. com relação aos temas e instrumentos "estranhamente" providenciados. Jamais posso dá-la como pressuposta. no sentido de fazer explodir toda uma construção séria da Filosofia que e t en s se instalou. E não se poderia objetar. Por um motivo simples: verdade em si não faz sentido algum.C. Eis por que uma Filosofia brasileira só terá condições de originalidade e existência quando se descobrir no Brasil. Desde sempre nosso pensar tem sido estranho. que eu verifique se me-importam. fazendo c que sejam efetivamente meus. Condição para que meu conhecimento seja um estar-vendo de minha posição . providenciado no estrangeiro. pode. A grande dificuldade. decorrência de encontrar-se em sua posição. Não há aqui um elenco de coisas anteriormente fixadas . não ser um problema para mim. a clara consciência de que um problema para um alemão do s c l XX ou um grego do s c l V é uo é uo a. de tal maneira que."estranhamente" . Fazer Filosofia é fazer a Filosofia. E isto não tem ocorrido.e não um abstrato ver fora do tempo e do e p ç . Só então terei condições de aproximar-me deles a sério. do ponto de vista de um pensamento rudimentar. portanto. E só poderei legitimamente fazê-lo eá meu se corresponder às i p râ ca e urgências diante das quais m ot ni s me encontro. como se bastasse m n s ál à maneira de um arquivo. ao tratar de cada s éi um destes assuntos.

tais elementos lá estivessem em estado latente à espera de uma e p ce de sucção reflexiva. sem nossa imagem de homens sério cheios de certezas. Talvez temendo nada encontrar por debaixo de nossos trajes europeus. o que se veio a perceber depois de ter sido inventado. Assim. Ao contrário. Seja por excesso de pudor. Com efeito. inventaram igualmente o que importava e destacaram o que era urgente.24 Uma Sazão que se expressa invenção. por medo. Assim. Não que. Daí a intuição original que gerou dado conjunto de idéias. Insista-se que os filósofos. assim como um m dc implanta . enfrentando a radical solidão da nudez. A noção de que o pensamento é uma e p ce de á i s éi pc reflexivo da consciência de seu tempo pode ser excessivamente rom ni a . assim como a IX? Sinfonia não estava em parte alguma antes que Beethoven a criasse. Nosso streap-tease cultural. porém. Invenção.um óré io gão ou tecido no corpo do paciente. Hegel. nosso infatigável terno e gravata. Não havia um "problema hegeliano" esperando por Hegel anteriormente a Hegel."estranhamente" . Sem m s a a ác r s de aplausos ou punições. Tales ou Marcuse não injetaram um problema na consciência de seu tempo. ao longo da história. geraram pensamento. Tiraríamos as roupas para descobrir.mas é inevitável. ao modo do em si acima referido. O que. afinal. E uma Filosofia brasileira precisaria ser o desnudamento desta Razão que viemos a ser. Ou talvez fosse para nós excessivamente doloroso descobrir-se em. E uma história da Filosofia que se r â tc cuse a ser um amontoado de dados terá por tarefa recuperar aquelas intuições que. isto sim. não havia um "problema" para a Filosofia grega antes que os gregos o inventassem.fórmula onde a palavra Razão comparece carregada de historicidade. que não se dá no vazio. inventá-lo no próprio ato de inventar um Filosofia brasileira. Urge. absurdamente. Filosofia é uma Razão que se expressa . que estamos nus. de Tales a Marcuse a Filosofia fez vir à consciência reflexiva da é o a coisas que pc urgiam ser providenciadas. o fato é que até hoje não nos despimos. não há um "problema" para a Razão Brasileira que nos esteja esperando. fazer de uma nudez que não aceitamos como nossa? . ao ins éi ventarem Filosofia.

Em resu nr . o ef r o da Filosofia. Cabe so ç perguntar se e t en s encontramos sinais de tal esforço. Urge ser inventada.Uma Sazão que se expressa 25 A questão se reduz a algo simples: não existe uma " r be á po lm tica"brasileira à nossa espera. Inventada e posta em questão .este.ó mo e didaticamente: há uma Filosofia brasileira? . desde sempre.

Capítulo 4 Filosofia e negação .

Não no sentido em que as ciências devem justificar-se. gerando progresso. A ciência nos importa. Justificá-la não é ainda a defesa de sua cidadania. mas algo anterior. Antes mesmo de determinado o lugar e a validade da ciência. o lugar do conhecimento que propõe. já damos por suposta sua importância. Quanto à ciência. admitida. Torna-se agora urgente justificar e assumir a Filosofia.Filosofia e negação 27 O passado é lição para se meditar. urge saber de sua validade. Não é o que ocorre com a Filosofia. Antes do mais. dispensado de defender a cidadania da ciência. das condições de construção de seus objetos e determinar. sendo ú seus resultados. mas não importa: o cientista é. As coisas mudam quando tratamos da Filosofia. A ciência e seu saber procedem de um movimento do espírito em direção ao real que nos circunda. no conjunto da cultura. MARIO DE ANDRADE (Prefácio Interessa Filosofia goza de um destino certamente trágico: deve justificar-se. impli- A . Ela já a tem. do ponto de vista do vigente. Antes mesmo de questionarmos a respeito de seus supostos e conseqüências. damos por admitido que os resultados do saber científico são d s j v i . não para reproduzir. Em nossos dias isto assumiu um caráter pragmático: seu valor é o de seus resultados em termos de técnica. É claro que e eá es mal sabemos o que seja progresso. real suposto independente de mim.

Mas só isto não concede importância a tais quest preciso que eu esteja envolvido num processo no qual tais questões emerjam como decisivas. nc não é tudo. aé do bolor acadêmico eá lm do qual se reveste e da busca de sucesso intelectual. . ainda que isso seja decisivo. m ot ni s Estes momentos .à espera de um tratamento adequado. sua projeção existencial no plano de nossas i p râ ca e urgências. na origem. deparamos com um modo de colocar a existência em questão. invenção. Por Sm. É levar o questionamento a seu limite: o limite de sua importância. S r que.a importância da Filosofia quando levada a sério emergência da consciência negadora. objetos que aí estejam . É verdade que qualquer executivo esbarra ao longo da vida com questões que constam entre aquelas problematizadas pelos filósofos. vindo a ser urgentes. sendo que antes convencionamos os limites e o valor de sua utilização. Na Filosofia.28 Filosofia e negação ca certa atitude geral diante do Universo . Sendo que este modo gera seus próprios objetos. Descobrimos para lá da importância da Filosofia dada pelo homem sério . isolados num ato de intuição. quando as levo a sério. Talvez isto signifique algo simples: pergunta-se aqui se a Filosofia é. justificação ideológica vigente .descrevem um ú i o processo. num jogo de palavras. Não há. status. projeção e determinação das urgências . Nesta lidamos com determinados objetos munidos de determinados instrumentos.e "brilhante". E preciso perguntar além. No entanto."filosoficamente" .atitude muito diversa daquela adotada pela ciência. brilho.erudição. Não basta estabelecermos os vícios de nossa costumeira posição intelectual. Ou seja: precisamos mesmo de Filosofia? Propor esta questão não é um mero perguntar-se acadêmico .atitude. Ocorre um momento paralelo: urge assumir a Filosofia. a Filosofia realmente nos importa? Responder a tal questão implica determinar a distância que vai da justificação da atitudefilosófica(crítica) ao uso da Filosofia para justificar atitudes (ideologia). para nós. Não ocorre a simples seleção de um objeto. mas sua invenção. Tais objetos são criados pelo espírito. importante. já foi visto.

ó que a grande tentação da Filosofia . a autenticidade e a cidadania de uma Filosofia nossa? Estas. esta importância a sério do filosofar? Onde. Em livro de introdução à Filosofia. E assim busca-se mostrar os b n fco informativos e formativos ."espirituais" e eí i s da Filosofia. pode conseguir tudo .o que equivale a dizer: destruir um mundo.e pede um pou co de sol. O conceito de responsabilidade é. já que é assumido como urgente). imortalidades acadêmicas -. quer dizer.verbas. Assim. "Pense" o que quiser. A partir do momento em que a Filosofia adquire respeitabilidade. já que não sabe do que precisa. Ao se ressaltar a utilidade da Filosofia . honrarias. criar um mundo . com pretensões sérias. q í oo sendo todo conhecimento interessado. Tal homem e t definitivamente comprometido com dado sistesá ma. eá Tal Filosofia ficará impossibilitada de.estaremos de imediato liquidando c eá esta Filosofia. o filósofo. Esta atitude dos manuais equivale a pedir um lugar ao sol para um pobre mendigo.versão séria da importância. é comum encontrarmos a insistência com relação à "utilidade" da Filosofia .Filosofia e negação 29 As questões decorrentes são as seguintes. molde e fim de seus atos. diplomas. s r sempre ideológica. as duas características anteriormente . e que cuida apenas das coisas do espírito . Desconfio que tal sujeito mendiga errado. aquele que impede o próximo. menos o essencial: espírito crítico. e já sabemos que o homem respeitável é o homem sé rio. Isto pornr . assim visto. P d r a partir de então reproduzir ideologicameno eá te o que é vigente. É apresentada como co to desinteressado (o que. o objeto preocupações referido ao que nos rodeia e inventado por ato de uma consciência crítica brasileira? Onde. de resto. Onde. as questões que e t en s foram extraviadas. só. por exemplo.é apresentar-se como "respeitável".e é uma importância séria que lhe s r dada . sério. entre-nós. ou é e uv c ou não existe. embora fosse melhor dizer inofensivo. essencialmente acrítico.algo que compartilha com a arte . Visará manter o mundo dado com to da a sua seriedade. antes de mais nada. Jura que é inofensivo.

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exigidas, autenticidade e cidadania, ficam prejudicadas. E a Filosofia p r a e e á e t en s como aquele agregado de Machad e m n c r nr - ó de Assis, o J s Dias, que aplaude e concede para sobreviver. oé A Filosofia não pode prescindir de sua missão primeira: destruir um mundo. Efetivamente, o que é Filosofia? A mim parece ser isto: dizer o contrário. Esta, a lição primária que uma história do pensamento deveria sempre ressaltar. Os grandes momentos do pensamento surgem no auge de uma curva, dando consistência e definição a um momento do processo histórico. E condensam isto numa intuição potencialmente criadora. Imediatamente a ó o período de criação ps surge a cristalização e a esterilidade - e aí encontramos os pretensos seguidores. É quando aquela intuição originária se perde nalguma escolástica. Só mais tarde surgirá o verdadeiro sucessor: aquele que disser o contrário, respondendo à intuição envelhecida em conceito com uma nova intuição. E o processo segue. Antes de mais nada, S c ae diz não a tudo que o precede, ór ts como Tales havia dito não às cosmogonias e como Platão dirá não a S c ae - encontrando em Aristóteles aquele que lhe diz o con ór ts trário. Os verdadeiros seguidores de Platão não são os neoplatônicos, pois estes festejam um c d v r P d ra o construir toda a á e . o eí m s uma história da Filosofia, que se recusasse a ser mero arsenal ilustrativo de dados históricos, mostrando que qualquer momento criador foi, na origem, uma negação. Isto não envolve, advirto, a idéia de uma n c sá i sucessão linear que conduzisse a um "progrese es ra so" c ní u para algo melhor - apenas envolve momentos legítio tn o mos de um processo que, embora produto humano, nos escapa em seu sentido globaL Oswald de Andrade, que e t en s representou um momennr - ó to de devastadora destruição e, portanto, de m xm criação, fez ái a bem em notar com relação à arte: "Essa necessidade de modernizar é de todos os tempos (...) Giorgio Vasari, o grande crítico do Renascimento, fala sempre e insistindo em exaltar, na 'maneira moderna' de Leonardo da Vinci, de Rafaelo Sanzio de Urbino, esses que são hoje os clarins supremos do classicismo. E o são justamente porque foram 'modernistas'. Se não o fossem, aguavam

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repetindo Giotto e Cimabue, em vez de produzir a Ln u nova íga da R n s e ç . 4 e ac n a" Qualquer conhecimento inicia sendo negação, ou seja, como essencialmente crítico. O que não é, e t visto, exclusividade da sá Filosofia. Das artes pá tc s à ciência, assistimos à sucessão de inl si a tuições criadoras degradando-se em estereótipos até serem recuperados por nova intuição. Há, no entanto, uma condição para este não. A crítica é algo a ser assumido, é uma posição do espírito. E não a assumo do ponto de vista da eternidade. Por um motivo simples: não estou na eternidade. Estou no tempo, num lugar. Ao assumir a postura crítica a partir deste tempo e lugar, deixa de haver distância entre o que digo e o que sou - inexistindo qualquer diferença entre estar e ser. Digo o que sou. Isto é Filosofia. Meu streap-tease cultural. Entre-nós, porém, encontramos atitude oposta, que chamare de "mito da imparcialidade". Queremos estar acima das oposições. Não no sentido de assumi-las e então resolvê-las. Mas no sentido de evitá-las e então dissolvê-las. Aguando, como diria Oswald de Andrade. E fato constante nossa tendência a evitar o choque de idéias e as tomadas de posição. Encontramos sempre um meio-termo entre, digamos, idealismo e realismo, subjetivismo e objetivismo, e houve mesmo quem e t en s encontrasse um meio-termo entre nr - ó positivismo e marxismo, disparate que me intriga. Tudo isto poderia consistir em empresa louvável, mas não do modo como a conduzimos: dissolvendo oposições. Cabe, a propósito, alertar que no meio não e t a virtude, como muitos pensam. No meio e t o sá sá medíocre. Eis por que, não assumindo uma posição nossa, um pensar brasileiro torna-se i p sí e - impossibilitado de criar por não m osv l aceitar destruir o passado que nos impuseram -, recusando assumir sua condição b sc : que seja nosso, negador do alheio. ái a

4. ANDRADE, Oswald de. Ponta de Lança. 3? ed., Rio de Janeiro, Civilização Brasi ra, 1972, p. 12.

CapüubS

O mito da imparcialidade: o ecletismo

História das Idéias Filosóficas no Brasil 1? ed. Antônio.). é atribuída ao estado de espírito que se identificava com o ecletismo. o ecletislm mo e o jeito. durante o Segun do Reinado. PAIM."5 5. quase universalmente.O mito da imparcialidade: o ecletismo Trazendo em seu espírito o reflexo das faces mercantil e feudal do domínio. com a denominação de esclarecido.. São Pa 1967. ceve a intelUgentsia nacional que conciliar t m é o liberalismo ecoa bm n mc e o instituto da escraô io vatura. pp. No meio s c l transcorrido entre as d c d s de 30 e 70 inserem é uo éa a se a formação. perde. Mais que isto. Sn nm de simples justaposiçã iôi o de idéias. procurando ajustá-lo à realidade do país. tudo a levava a uma ideologia da mediação. PAULO MERCADANTE (A Consciência Conservadora no Brasil) Brasil aconteceu ser o p r í o de algumas outras coisas. úi a a própria vitória da conciliação no plano político. Ademais. . qualificativo que visa sem d vd enobrecê-lo. a doutrina configura plenamente o espírito da elite dirigente constituída durante este período. "A corrente eclética representa o primeiro movimento filosófico plenamente estruturado no Brasil (. encontraram terreno r na fértil Se não chega a estruturar-se numa autêntica corrente filosófica. filósofo a çds oficial na F a ç de Luís Filipe (1831/1848). 75 e 104. no B aü toda e qualquer conotação negativa e rs . é adotado. o apogeu e o declínio do ecletismo no BrasiL As sementes l n a a sob o manto da autoridade de Cousin.. a as aé do futebol e do jogo do bicho.. Entre elas.

ou com os mitos da "cordialidade". dizia Cousin: "O que recomendo é um ecletismo ilustrado que. É manifestação de alguns t a o b sc s de nosso caráter intelectual e de nossa cond r ç s ái o ção política. aé de livrar-nos dos perigos dos sistemas.a c e ç de que a "verdade" pode ia. a c e ç tipicamente narcisisrna ta e imatura de que. as frouxas bases sobre as quais se fundou uma autêntica ideologia da conciliação.mito que seria notável relacionar com aquele da natural "bondade" do brasileiro. ou o simples reflexo de uma determinada situação política e social.34 O mito da imparcialidade: o ecletismo As idéias destefilósofomenor. porque optamos por ele.a d s o fa ç com os "sistemas". Civilização Brasileira. Me parece que o ecletismo não foi e t en s apenas um movimento. ainda encontradiço. prezado e vigente entre-nós. 2? ed.6 Quero outra coisa. e p ce de hegelianis s éi mo dissolvido aos limites da inconsistência. Não é minha pretensão desenvolver aqui as peripécias históricas descritas pelo ecletismo entre-nós. um desafio histórico-cultural. Saber como se manifesta. Seus t a o mais marcanrçs tes seriam: 1? .ef r a rna ria ser o resultado de um mosaico montado a partir de i ú e o n mr s pensadores. das "revoluções sem sangue". e continua vivo. Produto direto da indiferenciação intelectual brasileira. et ra o dando mostras de sa í m s "espírito aberto". 1965. Rio de Janeiro. aproveitando-se de cada sistema o "melhor" . sobretudo. o nr . que por sua vez é produto da dependência cultural que até hoje perdura. onde se faz uma análise de nossa característica "politica de conciliação" e a obra A Consciência Conservadora no Brasil. Sobre o tema.ó primeiro a se estruturar. mas. Civilização Brasileira. não-dogmático . de Paulo Mercadante. o que. além da obra de Antônio Paim acima referida. 3? . 1972 .. julgando com e üd d e inclusive com benevolência todas as escolas. que seriam caec ni n a ms sd -o ç do espírito. Rio de Janeiro. o livro de J s Honó oé rio Rodrigues: Conciliação e Reforma no Brasil. creio que no ecletismo tenhamos revelado muito mais do que normalmente se supõe. 2? . da "democracia racial".daí a qualificação de "esclarecido". 6.finalmente. qiae p ç -h s por e p étm o que têm de verdadeiro e elimine e al e m r si o que têm de falso". vieram a ser não apenas aquilo em que o espírito das elites dominantes se viram retratadas. lm permitiria um enriquecimento indefinido. assim agindo. "esclarecido". Cousin.

vindo a Corte para o Brasil. sem brincadeiras. Literatura e subdesenvolvimento. out.O mito da imparcialidade: o ecletismo 35 onde se encontra. num critério fraco e condescendente . quais um país não pode (sequer) pretender existir. Com a transformação histórica operada pela consciência da dependência. Resta. 7.há 476 anos . Reviste Argumento.e que teria ainda menos. E só em 1822 tornamo-nos formalmente independentes. eis algumas coisas que urgiriam ser respondidas. caiu em desuso.país colonizado passamos a fazer parte dos satélites dos i p ro que emergiam e. no ecletismo. Gostaria de c m ç r por uma afirmação ó va e altament o ea bi "ingênua": a de que o Brasil é um " as jovem". E a noção de " as subdesenvolvido" ganhou cidadania. pí que circulou com sucesso durante anos. de fato e materialmente. Compõe o que chamo de um mito brasileiro: o espírito da imparcialidade.mas que apenas em 1808. 1973. às vezes tão sutis que chegamos a pensar. Estes dados poderiam ser complicados para ganhar em consistência. São Paulo. Viso ressaltar tão-somente que este p í foi desas coberto em 1500 . ressalta nossa p j n a virua ç tual e grandeza ainda não realizada. assumindo diferentes formas. se ainda não criamos qualquer posição filosófica nossa. .7 pí Mas p ç licença para usar a expressão num sentido mais sim eo ples e elementar. 1:6-24. nossa m éi s dependência prolongou-se. a constatação de que este p í tem uns cenas to e poucos anos. portanto. que é a o lirms vres. demos variadas mostras de imaturidade intelectual. Fica claro neste mito que. Esta expressão. CANDIDO. e. prescindindo por ora das implicações da dependência para a devida compreensão da despersonalização em que nos encontramos. retratamos nossa hesitação em assumir um ponto de vista que nos permitisse uma sne e original De resí ts to. caso o critério viesse a ser mais severo. ganhou alguns favores mnm s sem os í i o. mas pretendo me limitar a isto: de. reflexo da dependência cultural que desde sempre nos acompanha. Antonio.

Se não as corre o risco da esclerose.como se isso não e e s ra dependesse de uma posição do espírito -. Mas há outro â g l . Desta forma. No que envelhece. a a e ç do passado. sua preservação. É neste contexto contraditório . de buscar perpetuar-se.com relação ao passado. no sentido de levar em conta . mas. Ma sa í m s r xm s com o que podemos contar? Já foi dito. a m m ra é o e ói potencial criador sempre ds o í e com o qual a história pode contar i p nv l O jovem está. Há. et ra o menos p ó i o dos perigos da esclerose. Na aparência . Em oposição. virtualmente.a infindável repetição daquilo que fo antes uma resposta criadora. não conta com o potencial criador da m m ra e ói . Caminhar em direção ao futuro é a característica do jovem. o risco é o hábito . O perigo é a tensão. num certo limite. Pode ser esclerose. o risco do incere s vl to. inerente ao passado. dele se fazendo sempre mais dependente. Não.o que não corresponde à verdade. de resto.na verdade apenas vital que se dá (ou não) o ato de assumir-se uma personalidade defini- . O tempo não é experiência. livre de um passado que ameace escravizá-lo . introduz a possibilidade da m m ra E se o hábito faz com e ói . Mas cuidemos da conclusão apressada: a de que o jovem seja por si mais criador do que o idoso.simplesmente por não existir ou por não ter atingido a intensidade n c s á i . envelhecer seria um caminhar no sentido do futuro . ser o Brasil um p í sem m m ra Nosso ceticismo destruiria esta consideração as e ói . O passa maa n uo do não se acumula somente sob a forma de hábito. oferecendo as mesmas respostas a questões que agora são outras. Parece que estamos condenados a sempre partir do zero. Esta.36 O mito da imparcialidade: o ecletismo O jovem leva uma vantagem: ainda não se cristalizou em posiçõesrígidase defensivas. Numa visão ligeira. que se repitam mecanicamente respostas caducas. sendo o Brasil um p í as jovem. ocorrendo envelhecimento quando se inicia o processo inverso: a volta ao passado. a disponibilidade indisp ná e ao trabalho criador: o gosto pelo novo. E cuidemos da facilidade oposta: a de que só o homem "experiente" seja capaz de criar. o passar do tempo se acumula sob forma de rigidez e fracasso na criação. no jovem. um p í jovem pode ser apenas infantil.

o presente e o futuro não são coisas dadas. ser adotada. precisamos atinar que o passado. em Filosofia. assumirmos a essencial temporalidade e contingência inerente ao processo de criação de um espírito brasileiro. extraindo de cada um o "melhor". justapondo subjetivismo e objetivismo.e isto cons o eá titui o mito da imparcialidade. é dado do ponto de vista em que nos encontramos.primeira condição de pensamento original. usufruir b n fco das mais diversas reflexões estrane eí i s geiras. um e es ro . Algumas constatações de fato. Assim. materialismo e idealismo. algo que seja uma posição brasileira. impunemente.O mito da imparcialidade: o ecletismo 37 da. racionalismo e empirismo .e esta envolve um critério. E pretensão ingênua querer tudo assimilar. mas criadas . Foi concretizando esta personalidade assumida que ao longo da história o espírito criou a si mesmo Por isso. dissolvendo oposições. nada sendo o eí m s E nada assimilamos. Para extrair o "melhor". Desde sempre visamos extrair do pensado por outros aquilo que p d r nos ser útil . Exige-se a p ee ç do fator originante do conhecimento: a posição rsna do sujeito. A condição mnm de assimilação é a existêníi a cia prévia de uma estrutura que assimile. Para que isso ocorra.como se tal atitude pudesse. imparcialmente. Há uma ilusão: a de que possamos. Logo. delas retirando o "melhor". tomaremos posse de uma das condições do pensar brasileiro: nossa posição. na qual só a objetividade bruta do conhecido importe. é n c sá i seletividade . Entre-nós. Não existe assimilação neutra. Não há. na aparência. assumindo ao mesmo tempo nossas contradições e alienações. nos falseamos. propondo uma Filosofia. Sem nos cobrar o preço daquilo que p d ra o ser. é atitude freqüente bus car dissolver oposições. a questão de uma Filosofia brasileira encontra-se com a urgência de ter que assumir uma Razão Brasileira. O passado. Mas ele mesmo é uma questão em aberto: foi feito e p d r ser recriado em i ú e o eá n mros sentidos se encarado como m m ra Só na medida em que e ói .

fazendo surgir um universo c g ocv L Só assim o n sí e h v r assimilação. Pois fazer Filosofia é colocar em questão os critérios. O vazio nada assimila. ao mesmo tempo. nenhum exagero . S r i Buarque de Holanda deu expressão é go a este f n m n : "E freqüente. Além de ingênuo.38 O mito da imparcialidade: o ecletismo posição. Ausência de critérios críticos. o ecletismo determi na um tipo de Filosofia enlouquecida. Se no ecletismo se fizer presente algum critério. simultaneamente. Não há. Basta que tais doutrinas e convicções se possam impor à imaginação por uma roupagem vistosa: palavras bonitas ou argumentos sedutores. de doutrinas dos mais variados matizes e com que sustentam. n lm pode ser confundida com abertura intelectual e menos ainda com "esclarecimento". que alguns se alarmariam e se revoltariam sinceramente quando não ah se o legítima sua capacidade de aceitá c ásm s las com o mesmo entusiasmo. algum critério. Como sem pre haverá. passando a ser uma posição caracterizada pelo critério existente. A distinção entre um conhecimento crítico e um conhecimento ingênuo como o praticado no Brasil é esta: a consciência clara dos critérios adotados. a posição do sujeito é quem organiza a seletividade. a facilidade com que se alimentam.que se tem praticado no Brasil. os pressupostos com os quais trabalho. por mais obscuro. deixa de ser ecletismo. ingênua e contraditória. talvez. Nosso sono d g ái o consiste em assumirmos uma posição que o m tc é. Essa indiferenciação intelectual gerou um monstrengo em termos de atitude filosófica: evitar oposições e dissolvê-las.numa estranha expressão . Só a partir da consciência de um critério é que deixo de me encontrar diante de um universo neutro. E despersonalização intelectual e produz o mais baixo dos produtos culturais: o ecletismo e seu pragmatismo cego. Uma Filosofia não filosofada. não havendo apenas coisas a serem assimilaa eá das. ao mesmo tempo. as convicções mais díspares. E o que determinaria o "melhor"? Fator originante do conhecimento. eis a estranha coisa . que não sabe de si. o ecletismo é impossível. ao i v s de en né frentá-las e resolvê-las. mas uma atividade criadora do sujeito que assimila. A contradição que porventura possa existir entre elas parece-lhes tão pouco chocante. aé de absurda e caótica. entre os brasileiros que se presu eô eo mem intelectuais.

o saber completo -. Sérgio. um ponto de vista. sendo i p s í e. São formados por algo p ó i o do meio-termo (on r xm de. atados a nosso dogma peculiar: a ingênua imparcialidade. ao contrário.. Ora. Um p í sem m m ra não pode ficar esperando que um pas as e ói sado caia do céu: precisa construí-lo. a tragédia e a força de todo pensamento criador. que não tenhamos m o sv l critérios seletivos. pois mesmo um passado se constrói .quando o f ç para mim. Rio de Janei Olympio. o momento em que passamos a conviver com a dúvida. pelo fato de sonharmos com a ilimitação. Assumir uma posição não significa embotamento. imutável. a essência do pensa- 8. E aqui emerge outra de nossas contradições: de célicos. e que eu prefiro chamar de "senso impensado".O mito da imparcialidade: o ecletismo 39 em dizer-se que quase todos os nossos homens de grande talento são um pouco dessa e p ce . BUARQUE DE HOLANDA. somo suas vítimas. não e t a virtude. qualquer coi sá sa que gostamos de chamar de bom senso. 113. p. Esta. O espírito da dúvida.querendo de tudo o "melhor". Platão é o ponto de vista de Platão . mas condição de realidade. ponderação. Raízes do BrasíL 7? ed. nos revelamos d g ái o. . 1973. O dilema não é assumirmos ou não uma posição. Não usamos nossos critérios. Este gesto nos faltou: apostar. É delírio pretender um conhecimento absoluto. já foi visto.nem poderia ser de modo diverso. condição de existência. E o paradoxo se dissolve: cons ao tniímos um passado voltando-nos para o futuro. Nosso ecletismo surgiu por não admitirmos limitao m tc s ções . sensatez. sem reflexão ao nível crítico. Mas são da pior e p ce sem consciência de si s éi. que sempre f quando a Filosofia soube ser fiel a si mesma. Lembremos que assumir uma posição não é fechar-se ao real. mas àssumi-la com espírito crítico. s é i "8 O que não quer dizer. O contrário é a despersonalização na qual nos encontra mos. É. Todo pensamento é parciaL A partir do momento em que se põe. escolhendo um projeto. Nossa posição. mas o medíocre).

Que ainda não conseguiu levarse a sério. pois a Europa novamente se curva diante do Brasil Na verdade isso não revela. A tentativa de dissolver oposições. portanto. Por medo. a pobreza filosófica de um p í não ape as nas jovem. nem o que tem a dias zer. mas nossa imatura alegria por termos sido reconhecidos e aceitos pela Grande Mãe. entre-nós. Não radicalizar. omissão.40 O mito da imparcialidade: o ecletismo mento. rei o eí m s vindicando nosso ser. E Filosofia. eá . na cifração do inconsciente . E só deste estar p d ra o extrair um critério seletivo nosso. no esporte e no teatro. covardia. corremos o risco de continuar sendo apenas um p í jovem que não sabe a que veio. preso a modelos de seriedade providenciados estran mente. A incapacidade de ver no conhecimento um empreendimento a mais. Se nada fizermos. não s r feita. Isso revela um dos elementos de nosso ceticismo: a autocrítica impiedosa e castradora de um personagem que ainda não se libertou do imprímatur europeu. No "mito da imparcialidade". Nosso folclore cultural e t sá na m sc e no romance. E jamais inventaremos nossa posição. Entre-nós. aplaudidos na Europa. medo de assumir nossa posição. nada vindo a ser. uma fraqueza primária: a ausência de risco. de momentos úi a em que. por detrás da m s ácara de isenção e objetividade. uma invenção a ser levada a termo. Daí o "mito da imparcialidade" revelar. Medo de desligar-se da cultura européia. Sem termos providenciado nossa exclusiva problematicidade. mas sobretudo imaturo. recusamos estar no Brasil. Dar um jeito. No fundo. dela suplicando reconhecimento.ou da má-fé. nos sentimos altamente satisfeitos. se quiserem -. a submissão da Europa ao Brasil.

Capítulo 6 O mito da concór o jeito .

Filosofia o ligião. o m xm ái o ridículo é ser apanhado "crendo". (Do povo) ufanismo brasileiro privilegia um objeto: o jeito.futebol posto de lado . nos afastamos das posições a assumir. Afinal. Envolver-se determina a perda daquilo que confundimos com espírito crítico: a imparcialidade da Razão Tupiniquim. não estão aí para serem levadas tão a sério Conciliador e obediente. nc a d vl Creio que o elemento constitutivo do jeito seja a não-radicalização Um distanciamento das posições a serem tomadas. Um p í que entra num processo revolucionário as não soube descobrir o "jeito" de evitar coisa tão desagradável É saber ver: para o brasileiro . do existencial ao político. seja pessoal ou social. E não paramos a ficamos muito satisfeitos em ser. o jeito. do físico ao metafísico. Nu ma atitude dissolvente que sempre nos acompanha. as coisas da existência. Um homem que se exalta perde a capacidade de "dar um jeito". o que combina com nosso modo o lq o de olhar as coisas e nosso pecubí u liar ceticismo. pelo que nos parece. o ú i o povo capaz de tão s u á e atitude.. Seja em política. nosso empenho num l um projeto. cordial. 0 . Nasce o espírito conciliador. o brasileiro jamais conduz as tensões àquele nível em que geram um limite sem retorno. Nunca nos sentimos mais et pd s do que no momento sú i o em que ag é aponta a nossa radicalização. É voz corrente que damos um jeito em tudo. ao modo de manter um pé atrás. Daí.42 O mito da concórdia: o A gente dá um jeito.

Aquele 3 por 4. Não posso ver a vida como e p t c l .' o jeito 45 O que fazer diante de uma condição. O reconheta é cimento da burocracia recai sobre o eu que não sou. se supusermos que soluções possam ser não-radicais. só sou este "eu" que afirmo se o nego ar v s de uma identidade. quando digo: eu sou eu. esquecendo e dissolvendo oposições. Posição é estar e pretender. exigida pela m q i a que hoje nos utiliza. a existência. exigindo que se assuma uma posição? Existir é radicalizar.fator inerente a seu processo -. num processo indefinido. não é apenas a mecanização . Necessariamente uma escolha e uma radicalização. mas algo ainda anterior: a d s o fa ç . que continuamente se apresenta como urgente. já que abominamos soluções radicais. Um exemplo: a burocracia. Esta lamentável coisa. .O mito da concórdia. mesmo a mais primitiva. O princípio da burocracia. Resta saber: a gente dá um jeito? Justificamos nosso abandono ao ecletismo como antídoto ao fanatismo. Louvável intenção. Burocraticamente. como não a posso ver do "ponto s eá uo de vista da eternidade". no entanto. O ec ni n a eâ io fator alienado na burocracia é minha veracidade. Radicalização que s r posterioreá mente negada. Jeitosamente buscamos a conciliação. Ou: a falência do humano diante do m c nc . exerce uma tirania quase compleá un ta.

Associado. Afinal. em última análise. O ascensorista dá um jeito e não vê o cigarro que acendi O guarda rodoviário dá um jeito se meu exame de vista e t vencido. porém. S r i Buarque de Holan n i s cá es é go da mostrou. Todos sa 9. Op. não me parece suficiente. p. introjetar a dependência. recebe como resposta o jeito. dos senhores de engenho. O extremo formalismo. que encontramos no social. À custa de sempre dissolvermos oposições. Sérgio. Nosso ceticismo guarda a noção essencial de que por detrás das formalidades se encontram valores mais respeitáveis do que um "eu" 3 por 4. "Na tão malsinada primazia das conveniências particulares sobre os interesses de ordem coletiva revela-se nitidamente o p e o í i do elemento emotivo sobre o racional"9 r d mno Embora a observação seja precisa. Analisar a partir do pressuposto de que "somos um povo pouco especulativo" é coisa perigosa e.. a própria institucionalização burocrática do jeito. ciL. das potências estrangeiras. 137. o fundamento desta crítica parece fraco. Esta indiferenciação existencial na qual nos encontramos talvez explique o tipo de vítimas d c i que nos habi ó es tuamos a ser dos colonizadores. que nada distinguia realmente os dois grandes partidos do tempo da Monarquia. falsa. BUARQUE DE HOLANDA. de resto. Representa. . vítimas disto que já identificamos: o senso impensado. F ç matrículas con sá ao dicionais. salvo rótulos. acabamos sem qualquer posição. o jeito. coisas i ds o i v i . o jeito nos tem conduzido a um vazio existencial dos mais estéreis. O jeito é. dos coronéis. A indiferenciação do senso impensado é tanto intelectual quanto política. uma maneira marota de desrespeitar a extrema formalidade em respeito a valores maiores.44 O mito da concórdia: o Diante disso. citando Holanda Cavalcânti . dos politiqueiros e dos regimes ditatoriais. ao muito nosso "deixa como e t para ve sá como é que fica". portanto."Nada há mais parecido com um saquarema do que um luzia no poder" . Embora a constatação esteja correta.

a discussão política e de idéias. a falta de identidade com o povo e a preocupação incestuosa com uma distinta e idealizada Europa fizeram com que as elites políticas. O que precisaria ser ressaltado é o estado de alienação destas mesmas elites . antes pelo contrário. entre-nós. Somemos a isso a "jeitosidade". através de seus representantes intelec tuais e cuidando de seus interesses. Daí a enxurrada verbalística que sempre envolveu. p. a hábil conciliação de uma teoria grandiloqüente com uma realida de simplesmente esquecida. Se um saquarema é idêntico a um luzia. as origens da Razão Ornamental. a indiferenciação denuncia a inconsistência de nosso ecletismo. as O resultado concreto foi a importação.do que.exceto quando se trata de legitimar o vigente. seja dito. Envolvidas em lutar por interesses internos e/ou externos. e voltaram-se para as q etú c l s metafísicas. assim como não é o povo que. As elites políticas. escreve obras de Filosofia. Pois a elite brasileira sempre teve horror ao que a circundava. O discurso brasileiro não apresen tou nunca aquela característica de buscar um desvelamento de nossas urgências e importâncias. porém.O mito da concórdia: o jeito 45 bemos que não é o povo o encarregado da direção política. pelas elites dominantes. 140. Nesta alienação.e intelectuais. e o ô i o e educacionais inteirament c n mc s estranhos às nossas condições e àquilo que somos e viemos a ser.ó ção mais estranha: nenhuma. Preferiram esquecer isso. ficassem inteiramente alheias a uma realidade brasileira. de modelos políticos. 10. que era feio e chocante. aos interesses destas elites. por consenso. produto de senso impensado. Não tão estranhos. Os partidos políticos têm apresentado e t en s a oposi nr . São elites. Idem. da teorização barroca e sem compromisso com o real . refugian u si n ua do-se "nó mundo ideal de onde lhes acenavam os doutrinadores do tempo. as elites mostram uma desvinculação tão mais s n í e quanto maior e sv l a teorização "ornamental" utilizada para justificar sua ação e poder. S r i Buarque de Holanda não esquece. . Criaram asas para não ver o e p t c l detestável que s eá uo 10 o p í lhes oferecia". O desapego é go da realidade em volta.

mostramos nossa verdadeira face: a intolerância. As igrejinhas de intelectuais são os PSDs lítero-musicais. a que a história batizou precisamente com o predicado próprio da Filosofia eclética. a expressão m xm de nosso pretenso espírito eclétiái a co e conciliador: o fanatismo do mesmo. Os grupos são lugares de privilégio das elites na partilha do poder. elogios. com suas trocas de favores.ó versário político é considerado pelo vencedor um verdadeiro outlaw". Aquela que constitui. por indiferenciação intelectu as igrejinhas de políticos. onde os partidos não representavam nada de substancial. Luís Washington. aa á fo dos governos."11 Inconsistente e indiferenciada. 1964.posto que o ecletismo suprime a noção de oposição -. g a a à inércia polí rçs tica daquela sociedade escravocrata e semipatriarcal. Nesta prisão primária 11. Esta. Oliveira Viana acerta ao dizer que e t en s "o ad nr . Se por um lado o brasileiro atura de tudo . Escorço de Filosofia no Brasil Coimbra. os ecléticos de espírito aberto. por essa é o a o Marquês do P r n formava o mais heterogêneo e amor pc. Não estando prevista a oposição real . como o Gabinete da Concilia ção.46 O mito da concórdia: o Obra de uma elite desvinculada das urgências históricas do pais. a aturar o próprio avesso da realidade séria -. 51 . os partidos políticos em nada se diferenciam. VITA. p. no carnaval. de modo p mário. grupos riió oo vais. fl s f s de academia. "No Império de D. os que se atrevem a radicalizar passam a ser olhados com hostilidade. exceto pelos interesses dos grupos que representam. pretensamente tolerantes e esclarecidos. sendo manejados displicentemente por um monarca bocejante e onde. aquilo que questiona seus comodismos de instalação. finalmente.chegando. Pedro II foi o ecletismo recebido com aplausos gerais. influências e idéias inevitavelmente vazias. Isso casa perfeitamente com a intolerância política. Uma intolerância séria. E nós. Não comportando em si o choque de idéias. por outro lado hostiliza. as divergências devem ser excluídas. artistas. onde a luta pelo poder não passava de intrigas palacianas. nossa posição política geraria um novo fanatismo: o da concórdia. Atlântida. buscando antes dissolvê-lo.

são mitos lm e apresentam algo comum aos mitos: estruturam uma visão de mundo e pretendem ser inquestionáveis. as mas àqueles que dizem falar em seu nome. sair do séri e eá coisas que vão contra predisposições assumidas ao longo de tanto tempo que.ó a cumprir a missão que lhe seria própria: ser o centro da consciência crítica. devedor do passado. não há como dar jeito. . são produto da indiferenciação intelectual Eis por que. repressão. ausente a crítica. sectarismo. partidarismo estéril. o inconsciente. é grave que e t en s tenha se recusado nr . radicalinr .e isso não se refere ao povo. Com efeito. ousar. a visão m gc emerge. Divergir é criá ia me. do espírito aberto e conciliador. ao nível de repressão difusa no todo social. A inexpressividade da Filosofia no Brasil se deve ao fato de ocorrer. já que vítima de uma história dependente. é o que mais atua e sob a forma mais arcaica. Se quiser sair do bolor universitário e acadêmico. Urgente.um campo fértil para a atuação da autoridade irracional e para os regimes que dela f ç m uso. a Filosofia precisa realizar e t en s a conquista de cidadania crítica. pois. nos aprisionam.ó zando nossa posição. ainda não pensada entre-nós. Discordar é subversão.O mito da concórdia: o jeito 47 que é o grupo fanatizado. hábito arraigado. do homem cordial. do carnaval eteras no. Se esse pensamento quiser existir. Aé da cordialidade. E país a e ç d de maa o envelhecimento precoce. não um p í jovem. o indiferenciado. mas apenas infantil . o real não apresenta a linearidade das distinções lógicas. E esta despersonalização. seu contrário emerge sob a forma de intolerância. que se faça a leitura aé das aparências dos lm mitos com os quais gostamos de nos revestir de modo narcisista. Quanto a isso. censura . sem revolta. Gerados pela ausência de uma posição crítica. Nele. que destrói a possibilidade de um pensamento nosso. aa Quanto à Filosofia. d v r traçar para si um caminho marginal. da negação de nossas falsificações existenciais. Isso no p í do jeitinho. Assim. Perguntar já é um ato de desobediência.

Originalidade e jeito Captiub 7 .

Somos incapazes de conviver e dialogar com ag é que discorde de nosso modo de ver l um embora sejamos capazes de conviver com autores e obras mutua- S . do o sv l praticante de Filosofia no Brasil . Neste retrato vemos ag é l um sempre disposto a encontrar analogias . de resto). de Marx e de estruturalismo. e p tc Há um retrato p s í e. OSWALD DE ANDRADE (Ponta de lança) e nos limitarmos à superfície. uma coisa estranha: o mesmo homem que realiza a mais dissolvente conciliação. tipos entre os quais predomina. urra de ó i contra os opositodo res.a imensa maioria composta de professores. onde. A maldosa crítica fora de propósito. porém. Mau mas eu. cruel mas verdadeiro. entra algo de tomismo e de Comte. o espírito mais retrógrado e legitimador do vigente. a despeito das alegóricas pretensões reformistas (idealizadas. fazendo sua tradicional salada filosofante. de Comte e de Marx.entre as teorias mais opostas e irreconciliáveis. o intelectual tupiniquim. o jeito é promotor de uma atitude de tolerância e de abertura intelectual Como expressão da Razão Conciliadora.as quais pretende brilhantes .Originalidade e jeito 49 Sempre enfezei ser eu mesmo. dirigida contra pessoas e não contra idéias. passa a ser então a arma de que se vale este curioso arrivista. um dos produtos mais lamentáveis. em proporções idênticas ou não. de estruturalismo e Marcuse. de potencial d s ói o e conservador. Ocorre.

A atitude conciliadora é ausente de critérios. E uv c total. O ef r o secular da Filosofia tem sido a tentativa. IndiferenI ciada e personalista.50 Originalidade e jeito mente excludentes. A razão desse nosso despotismo intelectual tavez seja esta: se um objeto qualquer é submetido à Razão Conciliadora apresentando contradições. I p sí e enfrentá-la. Pensar é unificar. Em suma: o filósofo é tido como o homem de muitas idéias. de intuições geradoras de pensamento. porém. O filósofo é o homem de uma idéia s q í oo Idéia que. Comumente . so ç continuamente renovada. a ú i a coisa a fazer é suprimir a oposição. se não sabe dar razões de suas alternativas. m osv l Daí a ocorrência de variados modismos entre-nós. nc Explica-se: se a Razão Conciliadora não dispõe de critérios explícij tos para pôr em questão situações que lhe escapam. adotando a todas com igual entusiasmo. só lhe resta se dirigir ao portador da idéia e não à idéia ela mesma. Há razão.e isto é ostensivo e t en s . re- . No que se percebe pouca razão. por sua virtualidade criadora.confundimos nr . é capaz de desenvolver no espírito uma visão unificada do mundo. nossa "Razão" saltita de galho em galho. Mesmo o irracional tem uma Razão através da qual podemos dele nos dar conta. de apreender o real num ú i o ato de nc saber.ó o filósofo com aquele sujeito que sabe muitas coisas e que discursa sobre tudo.

1969. não descendem umas das outras pela força lógica dos acontecimentos. novidadeiro e pernóstico. que vou estudando. Há muitos anos calada. A Filosofia no Brasil: ensaio crítico. Estas observações . nada têm a ver com qualquer urgência brasileira. a ausência de uma genética. (. talvez. tese já defendida por Sylvio Romero em 1878. antes equivale a uma vantagem". Idem. comentar ou pensar. nr . As idéias dos filósofos. a "inteligência" brasileira voltou-se para um formalismo delirante. desastradamente. a problemática filosófica no Brasil não se gera por uma problematização interna e vinculada às urgências do país. não dispondo de critérios assumidos criticamente. p. Sylvio Romero acrescenta: "Não é um prejuízo.. In: Obra Filosófica. R Janeiro. Mas busca este reconhecimento numa p s í e identificação com o sv l pensadores de nações "mais cultas". .. a grande crise do intelectual tupiniquim é viver mendigando consideração e reconhecimento. em dados momentos.. Sylvio. e uv c através do qual bus q í oo 12. "Na história do desenvolvimento espiritual no Brasil há uma lacuna a considerar: a falta de seriação nas idéias. um sistema não é uma conseqüência de algum que o precedeu. a origem real da constatação que fizera. como na recente moda estruturalista. Por outros termos: entre nós um autor não procede de outro.nos conduzem à seguinte característica da Razão Ornamental: a vigência e t en s de coisas que. e "esqueceu" o que a fazia calar. a ó fazer esta constaps tação de grande valia..Originalidade e jeito 51 produzindo posições que.ó são de bom tom ler. Tendo se furtado a responder a urgências históricas nossas. 32 oé 13. (. J s Otympio. já em 1878. a predileção por um livro de fora vem decidir a natureza das opiniões de um autor entre nós.) A leitura de um escritor estrangeiro.conciliação ou supressão do pensamento alheio .) É que a fonte onde nutriam suas idéias é extranacionaL"12 É bem verdade que. ROMERO. Mas seria pedir demais.13 E passa a fantasiar em torno de um "cosmopolitismo" que o impediu de determinar. Esquecimento que ocorre diretamente ligado ao fato de que. ibidem.

viríamos a ser fazedores de misturas ideológicas. posto que o real sobre o qual versam é o estrangeiro. Quer ser aceito sem perceber que ser aceito é morrer para a Razão. policia-se: o que pensar. não os fatos". p. esta é simples. Querendo ser sério . monta um quebra-cabeça: buscando o melhor ajuste (conciliação) p s í e e rejeitando o sv l (supressão) as p ç s mais rebeldes. PAIM. portanto. s r puro oreá namento.para então ser levado sério -.14 Desprezada a d s g a á e realidade que nos circunda. Dando um jeito. só me resta reagir primitivamente diante do que escapa à minha possibilida14.52 Originalidade e jeito ca aceitação. a razão pela qual. cit. em matéria de Filosofia. Consideranea do tão-somente os "verbos" e suas p sí es ajeitações. como seres em si. Antônio. 22R . Duas são as possibilidades de defesa desta Razão alienada: ou conciliar ou suprimir. Se não assumo com clareza posições vinculadas à situação em que me encontro. as idéias filosóficas no Brasil passaram a viver. como teria dito J s oé Maria Alkmim . Havendo conclusão. A Razão Conciliadora lida com razões anteriormente dadas do real não com o real enquanto taL O p l que centraliza nossa Razão óo são teorias enquanto verbalizações. a conciliação e a supressão não se realizam com relação às coisas circundantes. dentro da pirotecnia carnavalesca daquilo que chamo de Razão Ornamental. mas com as teorias que versam sobre o real. o que ler. Esta. Seu e quecimento consiste nisto: esqueceu-se de que pretende ser reconhecido pelo que não-é. Por exemplo: "A tarefa de conciliar Marx e Comte seria daquelas a que L ô i a de Rezene nd s de se entregaria de modo permanente e persistente". Ou. Expressões de seu abandono do real. Seu pensamento.aliás. restou ao intelecea r d v l tual brasileiro fazer Filosofia como quem. o que escrever. Tomadas osv i em lugar da realidade."importam as versões. concretização quase perfeita da Razão Ornamental . Op.

É através da tragédia que chegamos às urgên cias de nossa posição. Ela não tem qual- . uma delas pela simples afirmação. A supressão é carregada de emoção na medida em que representa o retorno de um conflito que foi esquecido pela Razão Ornamental. Me explico. devemos reconhecer que o jeito.objeto de eo hç nosso deslumbrado ufanismo . o que t m é me dispensa de faa bm zê-la. argumentos que se c e a á à Filosofia. eaí i o como se seu existir fosse óbvio. Deixada no esquecimento. O que se revela em nossa busca de s m l a ç s na tene eh n a.Originalidade e jeito 53 de de conciliação: suprimindo. uma originalidade anterior a qualquer erudição: a tragédia. Se as origens da Filosofia se encontram na tragédia.ainda não precisado. Ora. ou a afirmo sem mais. Aquilo que elas têm delas próprias.como retrato de uma alienação intelectual e política. Estas duas posições têm isto em comum: ambas exigem da Filosofia uma importância em si. se pode dar origem a um tipo de humanismo tipicamente brasileiro . Eis por que qualquer Razão. para vir a ser expressão brasileira. Existindo duas formas de supressão. Mas. de resto -. De fato. Nesta paixão pela "mesmidade". Fuga que procede pela supressão. quando é da essência do espírito apreender em tudo as oposições no interior de um processo. Por aí se percebe que não s r com o a ú uo de dados. R c n e o que seja irritante aceitar o jeito . Ou abandono a Filosofia como algo m t fsc e me dispenso de fazê-la. é t m é r s o s v l pela rudimentaridade de nossas a bm e p n á e posições. precisará dar-se conta desta ingenuidade: ver em tudo o "mesmo". pois já a encontro feita. teeá cml ses. Só levando isso em conta poderemos utilizar a oposição entre o "emocional" e o "racional" para compreendermos o caráter brasileiro. para aé de qualquer envolvimento emolm cional. filosofar é dar-se conta da Filosofia. a falta de consistência do pensar entre-nós. é fácil perceber por que tantas pessoas fogem dela. esta atitude nos impede de chegar ao irredutível das coisas. tativa de ver em tudo o "mesmo". chegamos à Filosofia através de algo mais simples e primitivo. Urge buscarmos suas hg r raízes noutra parte. Ou seja: o diverso. Dando razões de sua existência e assumindo os riscos seguintes.

Tida como prévia. E seria justamenao te nisso que consistiria dar-lhe existência. encontramos no tomismo e no neopositivismo. Conciliação é sempre do prévio. p d r ser dado como prévio. Não o novo. jamais s r original. qualquer ef r o de pensamento estará. óm l s estruturas e conceitos. a s r i o da Razão Ornamental. mais ou menos como me comporto diante da necessidade de cumprir à risca uma receita de bolo. ter origem. E inteiramente estranha à Filosofia uma atitude de conciliação que tome idéias como coisas dadas em si mesmas.54 Originalidade e jeito quer importância que possa se impor a mim antes do mo em que eu me importe. Ao darmos a existência da Filosofia como óbvia. pois é isso que a palavra originalidade significa. a tarefa do pensamento se empobrece. portanto. Irei julgar que ao menos virtualmente . reduzindo-se à busca de um bom ajuste entre f r ua e modelos. conciliando. Conciliar exige admitir algo como pressuposto. Se dou sua importância por suposta. ao modo de um arquivo de primeiros socorros existenciais. sá . Nada. não poderá. entreso ç nós. jamais tenhamos chegado à originalidade. jamais do original . Mais simplesmente: enquane vç to a Filosofia no Brasil não encontrar suas condições de originalidade.ela já se encontra lá. por exemplo. que existirá ou não. mas aquilo que lida com as origens.como o bolo da receita . Se a pressuponho feita. eá Uma Filosofia condenada a não ser original está condenada a não ir às origens. Sem a crítica desta questão. A supressão da questão a respeito da Filosofia ou a supressão da própria Filosofia. Daí a incompatibilid tal entre uma originação da Filosofia brasileira e a atitude de conciliação. Mas não se esgota aí a falência desta atitude. a tragédia. explicariam por que. por exemplo: uma importância em si. jamais a f ç minha. acabada. ela se vê transformada em sistema acabado. Tudo deve estar em questão o eá Esta. como. e t visto.não vendo sentido na aplicação da palavra conciliação no último caso.

Caputilo 8 A Filosofia entre- .

manifestando sua p e e ç . Há Filosofia no Brasil porque ela aqui se encontra entrenós. debates. como encontramos revistas e livros que versam sobre seus temas. entre-nós. mas consta. uma história da penetração do pensamento alheio nos recessos de nossa vida especulativa. em geral. encontros.56 A FUosoãa entre-nos Babei 'Filosofia latinoamericana' en el momento y en la medida en que el pensar l á o m rc n logre articular su a n a eía o propio discurso de lo universal situado. ao i v s de abrir rumos novos. e nos currículos universitários a Filosofia consta obviamente . Aqui realizam-se congressos. mais do que criativo. em suma. Como um parente distante. sá uma tia talvez. a narrativa do grau C . é assimilativo das idéias alheias. cumprindo seu destino e sua vocação. Esta p ee ç e seu caráter se evidenciam se procurarmos rsna extrair o negativo das seguintes palavras de L í Washington Vita: us "De fato. encontrar d lenguaje inhérente a su propia situation histórica. o pensamento brasileiro. e. Tudo isso indica que a Filosofia e t entre-nós. Não só contamos com documentos a respeito.cada vez menos. que chega e vai ficando -mas. documentos com data marcada. mas presente. Daí a história da Filosofia no Brasil ser. MARIO CASALLA (Razón y liberatio reio que possamos admitir pacificamente a existência de Filosofia no Brasil. clarificado o sentido deste termo. Talvez um corpo estrarsna nho. seja como for. limita-se a assimilar e a incorporar né o que vem de fora. ser.

vejo aí a confirmação de que. Op. Antonio. 9. há Filosofia entre-nós. seu avesso: os sinais de 15. p. nas camadas profundas da criação (as que envolvem a escolha dos instrumentos expressivos) sempre reconhecemos como natural a nossa inevitável dependência. curiosamente. extrair desta constatação o significado mais profundo: os modos de falsificação dos quais temos sido vítimas e co-autores. no entanto. Vita com nosso "grau de compreensão" do pensamento alheio. 8. . deixamos de observar que um pensamento alheio se enraíza e tem em mira uma situação histórica diversa daquela na qual nos encontramos. manifestação de um p í dependente. quando. p.nunca ter sido proposta revela que. Afirma que "cumprindo seu destino e sua vocação" . Luís Washington. caberia. reduzir a história da Filosofia no Brasil à narrativa de nossa "capacidade de assimilação" e de nosso "quociente de sensibilidade espiritual". no mais das vezes. CANDIDO."16 Com a naturalidade com que esquecemos de ser originais. Seja como for. Mas creio que Luís Washington Vita não conseguiu extrair do negativo que tinha nas mãos a revelação verdadeiramente significativa. da nossa capacidade de assimilação nas diferentes é o a e do nosso quociente de sensibilidade espiritual". que isso não esgota a problemática a respeito de uma Filosofia brasileira. cit. "O simples fato da questão (como ser original) . Lembro.nota Antonio Candido . Op. Introjetou-se aqui a função do dependente: compreender as idéias alheias e. Esquecemos igualmente que idéias vitais para um europeu ou norte-americano poderão ser aqui meros ornamentos intelectuais. perfeito. nossos inteas lectuais assumiram ao limite o papel que lhes reservou a condição de colonizados: serem assimflativos. O que se envidencia pela preocupação de Luís W. propondo. 16.o que equivale a dizer que existe inscrito em algum céu transcendental algo que seja o "destino" e a "vocação" do pensamento brasileiro. desfibrados e mambembes. VITA. à t . isto sim. Ao contrário.A Filosofia entre-nós 57 de compreensão.15 pcs Em termos de retrato. numa adequada compreensão histórica.

chega a concluir que "por isso podemos afirmar que há Filosofìa brasileira"16 sem o menor sobressalto. Este: confundir o valor ou existência de livros de Filosofia escritos por brasileiros com o valor ou existência de uma Filosofia brasileira. 19. 14.Filosofìa entre-nós e Filosofìa nossa . de modo vicioso. Vita a estarrecedora afirmação: "Há Filosofia num pafe quando existem nele filósofos".. confundindo os dois problemas. em alguns casos. Na verdade nunca se perguntou. encontr em nossos historiadores de idéias uma marca constante: a quase totalidade do que se escreveu sobre o tema baseia-se num equívoco primário. Elaborando em cima de e uv c s desta ordem. o e uv c b sc sobre o qual elaborou toda e p ce q í o o ái o s éi de ufanismo embandeirado ou pessimismo diluidor .. do melhor nível. quais as condições de uma Filosofia brasileira. Que existam autores de obrasfilosóficasentrenós não pode ser objeto de dúvida. 27(67):3004. jan. í7(65):5-9. também não pode ser contestado. Vilém./fev. juL/ago./mar.58 A Filosofia entrenó seu esquecimento. ibidem. . Pretendeu-se que a constatação de uma Filosofia entre-nós fosse critério suficiente para a inferência de que existe uma Filosofia brasileira. Basta consultar alguns catálogos. Lufe Washington. Carentes de melhor distinção entre estas duas questões . São Paulo. p. o valor de autores que aqui escrevem ou escreveram.17 O autor obscurece e embaralha a questão.conforme se julgue estarem as obras e t en s produzidas à altura ou não das nr . cit. 18. limitando-se a sondar. Há filosofia no Brasil? Demonstração em três pensadores expressivos./set. Que tais autores sejam. Assim. Op. 1967. Eis o que permitiu a Lufe W. a sério. Revista Brasileira de FÉosofia.ó estrangeiras. São Paulo. VITA. Este. Ocorre que isso não diz respeito à essência da questão aqui levantada. Idem. ocorreu nas q í oo p gn s da Revista Brasileira de Filosofìa19 um curioso debate enái a tre Vilém Flusser e Nelson Nogueira Saldanha que tem o valor 17. Revista Brasileira de Filosofia. 1967 e Há Filosofia no Brasil? Diálogo de Nelson Nogueira Saldanha e Vilém Flusser. FLUSSER.

sá Nada do que possa ser caracterizado como brasileiro foi precisado pelo autor. C mç emitindo conceitos que. Se na obra de Vicente Ferreira da Silva podemos encontrar uns lampejos de preocupação brasileira. voltando ao autor.A Filosofia entre-nos 59 de sintoma. já de si impreciso. a questão e t viciada. nn u m nota e nd s igé . um caráter latino em geral" ea ç Isso teria conduzido nossos trabalhos num sentido "desordenadamente eclético". preferiu apresentar o que seriam "três pensadores expressivos". L ô i a Hegenberg e Miguel Reale. De resto. juntar um p s í o svel existencialista com um neopositivista e um culturalista. Sequer pretene nd s do me ocupar em saber se estes são ou deixam de ser pensadores brasileiros.e chega ao disparate total: "é isto que distingue a Filosofia da maioria das outras disciplinas: essencialmente. Vilém Flusser publicou um artigo intitulado "Há Filosofia no Brasil? . Me importam coisas mais p ó i a. Diz ser a Filosofia uma so ç rebelião "independente do tempo e do ep ç " O que complica s ao . me parece bastante problemático. filosofamos. o que seria "uma h r n a de Portugal e é.Demonstração em três pensadores expressivos"."é absurdo falar na Filosofia de um país". Absurdo. ao i v s de tentar a revelação do negativo que tinha né em mãos. talvez. da estética. Mas. respectivamente.ó ça de um duvidar e um distanciar-se "indisciplinados". por exemplo . porque. sendo seres humanos. exigiriam longas justificativas . da teoria do conhecimento e da ética brasileira. o e ói sr. rebelar-se cons ao tra o quê? Bom. como representantes de uma mesma coisa. Por um motivo simples: colocada nestes termos. Nem me importa o valor do que escreveram. é claro. Há Filosofia entre-nós. o que não permite a conclusão de que estejamos diante de representantes. r xm s O sr. as coisas: se independente do tempo e do e p ç . no mínio ea mo. E haveria e t en s a presennr . E nos sumaria a obra de Vicente Ferreira da Silva. Flusser levanta em seguida alguns t a o que poderiam rçs caracterizar o e f r ofilosóficoentre-nós. Mas deixemos passar. houvesse escrito em inglês. ela não possui geografia nem história". um mnm de esforíi o ço de m m ra nos mostra que pelo menos um destes autores. L ô i a Hegenberg. É significativo do plano em que se costuma colocar a questão de um pensamento brasileiro.

Quer dizer: continuemos assimiladores e ornamentais. em cinco pensadores expressivos. Flusser acaba jogando tudo por terra no fundo numa atitude de conciliação . e e s ro para tanto. Desta questão fogem nossos fl s f s oficiais: saber se a Filoió oo sofia é para nós importante. q í oo O que salva . Preocupemo-nos com o pensamento". Fogem igualmente das questões seguintes: quais os objetos. A estética brasileira tem outros lados. Nelson Nogueira Saldanha mostra-se desastrosamente provinciano. "há t m é grandes pensadores. indiferenciada. um determinado clima filosófico que nos falta? Eis uma observação que importava levar adiante. eram urgentes. Julga uma ofensa não constar do rol dos "expressivos" nenhum representante de outros Estados. acima do tempo e do e p ç .60 A Filosoãa entre-nos ria diferença. o sr. e haverá. onde. quando percebemos que. estes senhores conseguiram apenas nos dar uma amostra de que não há Filosofia brasileira. o sr. E o desastre se consuma no desfecho. formam o elenco a ser respondido se quiser- . quais as condições desta Filosofia e as condições de nosso querer? Englobadas.é Vilém Flusser perguntar o sv l em sua réplica: "Bastam fl s f s exemplares para que se possa ió oo responder afirmativamente à pergunta? Ou não seria n c s á i . a questão não poderia conduzir senão a um brilhareco palavroso: "Portanto: há Filosofia no Brasil? Há. no s tm céu s ao éi o metafísico.ó ? e á mos. segundo diz. sendo a Filosofia importante para n s sob quais condições ó? poderemos fazer Filosofia? Extraviadas as questões que. Mas precisamente sobre isso ep r v m s que houvesse ess eá a o crito. sendo estas as questões que urgiam ser esclarecidas: onde há Filosofia? por que h v r Filosofia e t en s s r que quere a eá nr . a linguagem de uma Filosofia nossa?. se quisermos e se pudermos". a metodologia. Na resposta de Flusser. profes sor!" É o e uv c no auge do delírio. o p í tem a bm as outros metafísicos. No entanto.ao afirmar: "Não nos preocupemos demais com a brasilidade desse pensamento.no que é p s í e . no atropelo geral. Ficaria até mais adequado. sr.

. de que modo tal coisa nos importa. por que. O que poderiam parecer duas opções são dois modos de alienação. qualquer significado e importância ao passado europeu e delira-se num verde-amarelismo de bananeiras e jacas. os talheres n ú ta . os valores que constituem nosso horizonte intelectual. Em suma: descobrir nossa alienação específica. Só saberemos questionar uma Filosofia brasileira se formos capazes de saber como. Só a partir de rsna uma reflexão crítica a respeito de nosso modo de existir. as regras do jogo previamente determinadas. Uma significação que venha do exterior para conferir dignidade a nossas tarefas é como uma receita . obrigados a vencer por conta própria. isto se ponha para nós. Chato. A vantagem dessas atitudes que temos preferido ao longo da história são óbvias: dispensam-nos de pensar. somos bugres. colocar em questão nosso particular modo de estar e ser. Súbito. postos. Para tanto. Precisamos remontar a algo mais primitivo e elementar que os sinais de uma p ee ç da Filosofia entre-nós. por exemplo. Como um feto. "Tupi or not tupi". Mal sabemos dela. nos apegamos à Mãe-Europa . de nossas falsificações existenciais e históricas é que poderemos chegar aos limites de uma Filosofia nossa.A Filosofia entre-nos 61 mos realizar não apenas uma Filosofia entre-nós. o ufanismo isolacionista ou a mórbida dependência com relação ao passado se mostram mais c m ô o dos. O que só se tornará p s í e a partir de uma posição de dentro da qual. E vem o drama: fugimos de uma personalidade que seja nossa. Nega-se. E a tragédia.impede-nos todos os riscos e nos concede a paz reconfortante de uma mãe onipresente.o que nos livra de nossas a g si s servindo-nos um prato feito. noutro extremo.possuem em comum a patologia de um mesmo traço: a dependência. ou a par o sv l tir da qual. E traçar as peripécias do trajeto histórico que nos levou a ser o que somos. Pelados e verde-amarelos a correr pelo mato. Diante dessas exigências. de nossa linguagem. somos filhos abandonados. Tanto é infantil o filho que necessita da asa protetora da mãe quanto aquele que a hostiliza . Desconô o o brir nossas alienações dói e mutila. Pensar é i c m d . Nos permitem dissolver oposições e realizar a concórdia. Ou. já notou Oswald de Andrade.

355. em Álvaro Lins.62 A Filosofia entre-nos Aé do ufanismo e da submissão. entre um interesse sério e um interesse a sério. 1963. Por outro lad introspectivo não me parece ser condição para a reflexão . ordem. e. Me parece que assim procedendo perde a chance de ressaltar o ú i o que interessava nc investigar: o sentido de nossa fuga à Filosofia. em seguida. há um outro e uv c lm q í oo que cabe analisar. para mim. se bem que velada. aeeí m s de melhor aptidão intelectual. talvez comum aos latinos. ibidem. 25]. A primeira nega ao brasileiro espírito capaz de Filosofia. Caberia apenas distinguir. 21. Álvaro. de uma ln u adequada. p. uma afirmação ainda mais grave: "Talvez que se possa encontrar assim. Idem. No mnm . . A segunda afirma não ser a língua portuguesa capaz de adequada expressão filosófica. Idem. pode ser um aborrecimento para um alemão . a causa da ea ç ausência de um filósofo no Brasil. no segundo. Rio de Janeiro. são extrovertidos quase em estado puro. N íi o entanto.20 Julga esse autor que "nunca se explicará com suficiente exatidão o que determina a ausência de um verdadeiro filósofo no Brasil".não parecem muito habituais nos homens luso-brasileiros".e vice-versa. As faculdades especulativas e críticas. Esta questão pode ser desdobrada em duas outras. ao i v s de se propor esse tema.22 Creio ser coisa errônea supor o conhecimento filosófico como "desinteressado". o dom do estudo paciente. versando sobre o que importa. um tema. Quanto ao que seja um estudo paciente. h r n a especificamente portuguesa íga ea ç A primeira destas atitudes creio encontrar. como já foi feito aqui. Todo conhecer é interessado. Faz. [Cap. 20. LINS. a capacidade de tratar os problemas abstratos. 22.Aristóteles e Marx. no primeiro caso.21 Isso já é discutível. Me refiro à afirmação de que não é próprio ao espírito brasileiro o filosofar. desinteressado e introspectivo . C r c ra o. na h r n a portuguesa. por exemplo. Civilização Brasileira. o mesmo: o que é paciência. Os Mortos de Sobrecasaca. Álvaro Lins prefere su né por a impossibilidade de uma explicação. ibidem.

Assim. mas de evitar um abandono no passado.A Filosofia entre-nos 63 De fato. desses centros. A história é o f n m n da originalidade e a ciência corresponeô eo dente d v r lhe ser fiel. Trata-se de reconhecer. O pensamento alemão . mas do original .aquilo que cada um tem de si. a " e a ç filosófica" que nos deixou Portugal não hr na foi das mais ricas. Isso quer dizer que não podemos. Creio que o simples reconhecimento de tal fato nos livraria de uma multidão de e uv c s e q í oo falsos problemas que vimos acumulando. Acontece que " e a ç filosófica" é coisa que hr na não existe. eô eo Pretender sempre encontrar no passado a razão de atos do presente me parece mau modelo: esquecemos o que há de ato criador em cada nova situação histórica. os centros efetivos do projeto as s expansionista dos i p ro ibéricos . Não se trata de propor um esquecimento do passado. por exemplo. alheio. Nem sempre se encontra. ou Álvaro Lins é vítima aqui de uma análi se abstrata. nas relações de dependência. fazendo-a nossa. não "herdou" passado algum. Fosse a história coisa mecânica. justificar a ausência de Filosofia no Brasil pelo fato de não termos contado com uma boa influência de Portugal. mesmo porque nem sempre existe. tais influências teriam conduzido a uma Filosofia brasileira . desconhecendo a verdadeira dn mc da história. Antes do mais. Nada parece poder explicar retroativamente esta "invenção" do espírito grego. É problemático "reduzir" a histó i â ia ria. cumpre apropriar-se dela. meramente conceituai e idealista. Sabemos das dificuldades de se encontrar. pois aí encontra suas origens. modelos. Ainda mais se notarmos que a criação não é jamais do "prévio". que na Grécia lm Filosofia é um f n m n original. foi o que não faltou. fora de relações determinadas. ou muito me engano. Não se herda uma Filosofia. para aé de qualquer recurso ao que é prévio. que possa explicar as criações de um povo. algo que pudesse explicar por que aí se deu tal acontecimento. aquele elemento externo.mas isso não se deu.e. Dependência que foi menos de Portugal do que de outros p íe europeus. mecae eá nicamente. apropriou-se de um passado filosófico. anteriormente ao advento da Filosofia na Grécia. Por quê? Porque nos foi negada. porque esta influência deve ser entendida em termos de relação de dependência. a originalida- . influências m éi s exemplos.

Investigar o que nos levou às comodidades de tal esquecimento. não dispondo de instrumentos para a compreensão do que viam." (p. Diz mais adiante que Filosofia e poesia são afins. Como se isso não fosse algo a ser inventado.venha a se contradizer continuamente. de investigação do sentido do mundo. A Lufe W. Tobias Barreto. que nos impediram a realização dessa apropriação. O dito de Tobias Barreto tem sido repetido à exaustão. Por quê? Que fique sugerido: talvez porque a poesia sempre guardou seu potencial de rebeldia. chega aos limites da convulsão emocional ao escrever. eis o tema esquecido da Filosofia brasileira. coisificavam para além do e p ç e do tempo o s ao que deveria ser analisado no ceme de um processo histórico. sem pretender que sua escolha signifique mais do que outra . ed. por exemplo. 413) A análise de todos fracassa na medida em que. Instituto Brasileiro de Filosofia. a filosófica. Não chegamos a nos apropriar desse passado . "Não está no temperamento nem nas virtudes de nossa raça o culto da filosofia (. . como diria Machado de lm Assis. I e l g s na colônia. 23. João Ribeiro (A Filosofia no Brasil Revista Brasileira de Filosofia.e as condições. enquanto a Filosofia concedeu em servir de apoio i e l gc ao estabelecido. numa crítica arrasadora a Farias Brito e Tobias Barreto. se poesia e Filosofia têm raízes comuns.) Seja curteza de vista ou repugnância natural. O que fez com que entre-nós a Razão d oó i o Dependente e a Ornamental se tenham transformado em Razão Afirmativa do vigente. Vita já fizemos a ea referência no início deste capítulo. Luís W. não há raça mais retrataria à metafísica que a nossa. São Paulo 4(3):413-6).23 Como se isso fosse uma pesada e gorducha "coisa em si". e que no caso da poesia contamos com grandes representantes e dom de originalidade. a ser feito historicamente.64 A Filosofia entre-nos de: fazer desse passado uma diferença nossa.que aqui tomo aleatoriamente. Vita.. Aconteceu não nos apropriarmos de uma "forma" de especulação.. A mais pobre das argumentações é esquecer-se num fatalismo qualquer: o brasileiro não possuiria pendor para a Filosofia. externas e internas. creio problemática'a afirmação de que carecemos de espírito especulativo. seu caráter marginal. Encontramos esta forma equívoca de colocar a questão em autores de orientações as mais diversas: João Ribeiro. À vista disso. É inevitável que o autor . eis o que talvez possa responder à questão que Álvaro Lins crê irrespondível: o que determina a ausência de um verdadeiro filósofo no Brasil. "O Brasil não tem c b ç filosófica". nossos pensadores d óo o não puderam ir aé "das chinelas".

Me explico. A questão da língua. De fato jamais serão m ot ni s traduzidas .e nisso Álvaro Lins acerta: contamos com professores de Filosofia e não com fl s f s . Nasceram lá. • Diante disso. uma vez que uma língua tem por função exprimir o próprio. Ocorre aí um imenso e uv c : o de que o ú i o filosofar p s í e q í oo nc o sv consista em ser "assimilativo" e ter "sensibilidade espiritual" para com os problemas dos outros.cumpriria transplantar situações de lugar e tempo. não o alheio. O grande drama de nossos professores de Filosofia .A Filosofia entre-nos 65 E diria mais: "Decida o leitor entre o militar e o c n g . coisa impossível. isso em nada a desmerece. eu ó eo volto ao emplasto".mais recentemente. é mais uma das manifestações de nosso tipo particular de alienação.ó de flexibilidade.que explicaria por que ái o não chegamos ainda (e talvez não cheguemos jamais) à Filosofia. Tal argumento. francesas ou latinas.o por tuguês seria língua inferior quanto às possibilidades de filosofar. Haveria uma debilidade inerente ao português . Esquecemos que a situação dos outros é isto: deles. encontrariam uma multidão de coisas que. e trazem a marca de um momento. cristalização perfeita do esquecimento em que nos encontramos. Daí a avalanche de citações e de notas ao pé da p gn que dão a certos livros aquele cliái a ma de hermeticidade imbecil O esquecido por nossosfilósofosprofissionais é que as expressões alemãs ou latinas são justamente isto: originais. Como o português não traduz uma expressão de Hegel. ao delírio.é conseguir traduzir para o português ió oo expressões alemãs. ditas . suas i p râ ca e urgências. nossa atitude é lamentar a insuficiência da língua.língua adequada no m xm às piadas de botequim . Kant ou Aristóteles . Heidegger . Se nossa língua não é capaz de exprimir o alheio. lá foram criadas. O português que praticamos seria um entrave a nos afastar dos temas "elevados" que são objeto da reflexão. Se as inteligências que lidam com a Filosofia e t en s pudessem se alçar a este modesto grau nr .

Cabe a nós descobrir o que nos importa. por exemplo. uma prontidão imediata é urgente. ordenação exigida pela posição em que estou. Na palavra isolamos. A totalidade dos conceitos p s í es bem como a totalidade das coisas. concretizando. O que. Apenas mostra que os m ot ni s problemas dos uu ro dessas ln u s são outros. não são indiferentemente iguais para mim. Trata-se de questão mal colocada. Ao existir. Seria como transplantar o termo sem transplantar a intuição . um conceito. novamente. teremos a palavra adequada. . O que vier a ser para mim de alta significação é algo importante. o francês. mais ou men mr s nos significativos. o sv i . não as desmerece. ou seja: aqueles que urge isolar e concretizar numa palavra para que me permita o d mno do reaL O ato de pensar é este o íi movimento em direção à ordenação dos conceitos e das coisas. não debilita tais ln u s e as íga i p râ ca e urgências de seus falantes. São outras a s ái s íga coisas que importam. que serão coisas talvez intraduzíveis para o alemão.e na intuição e t a realidade. Me explico. com nossa preocupação específica. Para tais situações se voltam nossos atos de intelecção. por que não supomos que não temos linguagem por falta de pensamento? É alienada a busca obsessiva de termos que pudessem traduzir coisas estrangeiras. Precisamos entender que os termos alemães. Há conceitos que me importam mais que outros e há os que são absolutamente urgentes. de resto. Dita à nossa maneira. sua importância sá e urgência. Adequada ao que é nosso. O que me exigir. Mário de Andrade já a respondeu de modo definitivo: ao i v s de imaginarmos que não né temos pensamento por falta de linguagem. devido à sua alta importância. Busco apreender o importante e. designam realidades que passaram a existir para os alemães em determinado momento. não poderão ser traduzidas para i ú e a línguas n mr s O que. Descoberto isso. O problema de uma linguagem filosófica nossa não se dá em abstrato nem se reduz a uma simples questão de técnica de tradução. sendo para eles importantes numa posição.66 A Filosoãa entre-nos em português. preciso providenciar esta existência o que envolve: dar conta de acontecimentos i ú e o. E perceberemos. então. o grego.

Eis como a questão da linguagem filosófica entre-nós envolve uma revisão crítica de nossas i p râ ca e urgências.A Filosofia entre-nós 67 mais imediatamente. É historicamente que as palavras adquirem significados e uma língua reflete em sua organização a atitude existencial de seus falantes. Apenas mostra que aquilo que ali se encontra em questão não nos importa. Supor que uma seja superior à outra é supor um critério que paire acima delas e que as julgue . o que existe agora em português e o que existe em qualquer outra língua. É n c s á i levar em conta que cada língua realiza um mo e e s ro do de existência. isolando-o numa palavra. ocorre a materialização das importâncias e urgências de seus portadores. o urgente. o metro estará errado.e não o contrário. não representando qualquer deficiência. nada crio. estou fazendo algo como operar com c ní er s ree tm t o correndo a polegadas. . Sen do externo o critério.em nada acrescentaria o saber próprio de nossa língua.o critério seria externo e 2? . por exemplo. confrontando. Se questiono da urgência de se dar existência a um conceito. Por motivos simples: 1? .e nenhuma língua possui desde sempre uma estrutura "filosófica". Não se trata de opor.sem que áv r áv r isso seja igualmente importante para nós. A cada língua pertencerá um determinado tipo de ordena ção que lhe vem da visão de mundo para a qual foi historicamente providenciada. Uma coisa talvez seja certa: poderemos enriquecer nosso instrumental lingüístico desde que partamos de nossas i p râ ca m ot ni s e urgências para as palavras e a língua . a que conduziram as infindáveis citações: a infindáveis itálicos.o que parece absurdo. Já estarei dando como suposto o valor daquilo que é usado como metro. Pode ser importante para uma tribo qualquer distinguir " r o e grossa" de " r o efina". uma determinada criação do humano. Podemos agora precisar como não deveria ser colocada a questão da linguagem filosófica. nada acrescento. estou transformando o sistema de dentro para fora. Assim. As pala m ot ni s vras não estão aí desde sempre a "significar" . Se m ç o portuguê eo pelo inglês. na língua. Se me limito a transplantar palavras. Veja-se. coisa que não existe. fazendo-o criador.

como somos. partir de i p râ ca m ot ni s que evidenciarmos e de nosso particular esquecimento. buscar nr . negar que tenhamos capacidade de pensar por conta própria. Confundir autores e t en s com Filosofia nossa. . condena-se à esterilidade. Não termos percebido que estamos sempre partindo de teorias alheias. mas que não nos pensam . T ra o então a condição bás igé eí m s ca da apropriação de uma forma. E a palavra adequada surgirá irredutível. problemas alheios.ó dissolver a oposição entre o isolamento e o alheamento. tantos outros sinais de nosso esquecimento. Nada disso diz respeito à essência p s í e de um pensar o sv l brasileiro: são. Consiste na descoberta a ser realizada daquilo que temos a dizer. das i p râ ca e urgências para as palavras e a língua m ot ni s Caso contrário. Com efeito. parecemos ter pavor do que nos circunda. projetar nossa falta de pensamento numa p s í e insuficiência da língua portu o sv l guesa. em suma. palavras alheias. ao contrário.e através dos quais não podemos pensar. E a tarefa mnm da Filosofia é pensar o íi a que somos. de dentro para fora. Esse. pois não se ajusta aos moldes europeus que transplantamos. à erudição dos itálicos bem pensantes.68 A Filosofia entre-n Toda investigação neste sentido deveria ser interna. Destruir esses e uv c s é a condição i ds e s v l da pos q í oo n ip ná e sibilidade de um juízo filosófico brasileiro. nn u m o dirá. que só nós poderemos dizer e que. o apanhado de alguns problemas gerados pela falsa perspectiva em que nos colocamos quanto a uma Filosofia brasileira. Aí se encontra o esquecimento do pensar brasileiro. buscando aprisionar nossa expressão dentro desses moldes. ao contrário. se não o dissermos. É urgente. a filosófica: nossa originalidade.

Caputilo 9 A Razão Ornamental .

Quem de nós suporta um orador que se plante com não sei quantas laudas à nossa frente? Se é pra ler. S R I BUARQUE" DE HOLANDA É GO (Raízes do Br á algo de que gostamos: do homem brilhante. constante. O tipo de inteligência que nos agrada é aquele que sabe brilhar através das palavras. dedicado. seja e mtse o apenas um e f r a o so ç d . Como eeeá se p r iís m s que continuasse existindo. Quer so ç d " dizer: falta-lhe o brilho. Do orador quere- . nestas ocasiões. o jogo de palavras . Costumamos empregar. so ç d . leio em casa. coitado. por melhores que sejam suas contribuições. Nunca ter feito uma frase de efeito. o dito charmoso e desconcertante. mas é ef r a o . embora. sobretudo. eis a falta que intelectual brasileiro jamais cometerá.mas é e f r a o O ef r a o é. so ç d entre-nós. se não chega ao brilho. inteligência há de ser ornamento e prenda. lhe conferimos. uma das figuras mais depreciadas. a rapidez mental e o uso desenvolto da linguagem.70 A Razão Ornamenta/ Para bem corresponder ao papel que. por mais que produza. frases assim: "Fulano não é muito inteligente. não m r c r mais do que uma morna aceitação. a rapidez mental. mesmo sem o saber. não instrumento de ação e conhecimento. Agrada-nos. Não nos causa admiração ag é l um que seja organizado no trabalho intelectual. Ser algum dia chamado de brilhante é a glória à qual aspira o intelectual tupiniquim.

sobretudo se for o último "ismo" aparecido.e gerou o triunfo do bacharel. Na verdade. O dito bem bolado. Levi Strauss. Do primeiro ficou uma m g íi a colea nfc ção de frases que apresentam. o que lhe concede cidadania no universo do pensamento. Tanto é assim que vários au tores. mais nos deliciamos quando esta capacidade é dosada com pitadas de s ba malandragem. Num passado recente. ái O herói brasileiro é o esperto. da maneira mais disparatada. Do segundo se oé diz que não sabia falar e corre a anedota segundo a qual se elegeu porque jamais abriu a boca. Quase leva o ludibriado a agradecer ter sido vítima. Intelectual brasileiro que se preze adere a um "ismo" qualquer. as delícias da Razão Ornamental! Jamais em parte alguma o bacharel contou com uma platéia tão entusiasticamente dominada.e. Mas o brilhantismo da Razão Ornamental não envolve apenas aquelas ocorrências em que ag é é capaz de manipular palal um vras com especial esmero. Ag é que reunisse todas estas qualidades seria estrondosal um mente eleito presidente desta República .e que a tudo pode perdoar. entre outros menos votados. sei não. Queremos o improviso. Ah. Um brinquedo. Althusser. na m xm realização. Mounier. Isso revela uma de nossas alienações b sc s o deslumbrisái a: . chego a pensar que isso já aconteceu. a artimanha esperta. a frase marota. P d ra o ilustrar estas observações com dois mortos iluso eí m s tres: J s Maria Alkmim e Eurico Gaspar Dutra. tivemos a seguinte sucessão de modas: Sartre. O f n m n analisado sob o nome de populiseô eo mo mereceria entre-nós uma abordagem a partir deste â g l : n uo um povo fascinado pela Razão Ornamental e em busca de seus mais prezados arquétipos. E o esperto ludibria de maneira especial. Esta fascinação pelo cidadão bem falante conduziu à d s r ç (e à graça) algumas carreiras de políti eg a a cos e professores . sustenta uma ação inocente. eis o que nos fascina . McLuhan. Marcuse. Ao contrário. passam em certos momentos a conferir status entre-nós. Outra nota da Razão Ornamental é a adesão aos "ismos". os ideais do ái a homem brilhante. Teilhard de Chardin. E nada faz que choque moralmente.A Sazão Ornamental 71 mos algo distinto da importânica ou da consistência do que tem a dizer.

no entanto. Este e uv c assume entre-nós q í oo um caráter particularmente grave. . em literatura francesa.72 A Bazão Ornamental mo dos colonizados. Original é o que lida com as origens. Apurando bem. superpomos uma ornamentalidade de novidadeiros. A uma estrutura mental e social fechada e conservadora. algo cifrado e misterioso.. não necessariamente vigência. pp. Fal q í oo tando-nos originalidade verdadeira. Na origem. somos elites lidas e corridas. Mas não é nada disso. não o último no tempo. LINS. todo pensamento é crítica e negação. num leilão. A adesão frenética a uma corrente. norte-americana. da Inglaterra e dos Estados Unidos da América. Álvaro. sobretudo em cultura estrangeira. algo a ser arrebatado por quem desse o último lance. Enquanto não se ac n a uma linguagem herla ç mética. O dito por último pode ser perfeitamente repetitivo. o ea Confundimos. a e sv l só a iniciados. E preciso insistir: ser novo é um acidente do original. Inicia dizendo ser espantoso que "tantas pessoas ainda pratiquem a literatura neste p í como se f se o um s b r i Liter as ôs m s u ú bo rio da França. como se a verdade fosse. não s c sí e acredita ter atingido um nível de pensamento aceitável. e o limite de sua vitalidade encontra-se identificado com o limite de sua sistematização e vigência. pois esta costuma lhe ser conferida a partir do momento em que c mç a morrer. pensamento original com pensamento novidadeiro.. eis o resultado: não somos real24. 431 e segs. ciL.24 Que cito e vou comentando. O que constrói uma verdade é sua perspectiva. por outro lado. Op. Álvaro Lins fez um da n si o exato desta condição do inte i g ó tc lectual brasileiro num capítulo chamado "Ah. agarramo-nos à novidade na ilusão de que nela se encontre a verdade. Desejamos ser cultos. Eis por que o rótulo de "ultrapassado" é puro e uv c . logrados indígenas!". Trata-se de uma radical imaturidade. a um rótulo ou chavão constitui a morte do pensamento. inglesa. Eis no que é preciso cuidar: um pensamento deve ter validade.

aquele que vive fazendo o europeu como o personagem de Machado fazia o Alferes. não somos conhecedores de nós mesmos e nem dos outros. não há pequee m i . às vezes de valor equivalente ou mesmo de melhor categoria. pois . no Brasil. e não somos cultos em litee a o. Comentando. sem valor e significado na opinião literária dos seus próprios p í e . vivendo de 'transplantes literários' e 'enxertias culturais'. ou até de mau gosto.r s no ensaio de crítico inglês ou insignificante exercício para estudantes de qualquer crítico universitário norte-americano -. Berlim ou Nova Iorque.diz Álvaro Lins . para as quais.mas julgamos de alta erudição saber alemão ou latim. que deixe de receber aqui amplo noticiário. quem se dedique a coisas nossas .. sabe muito éi mais do que nós destas literaturas. ficam na sombra. não há autorzinho estrangeiro de segunda ordem com algum sucesso. E às vezes para elas voltados por intermédio de escritores e livros que são apenas produtos de exportação. sem publicidade e sem repercussão". Segundo: ser culto. porque um francês. o não-brasileiro. e o brasileiro é o colonizado por excelência. vivemos tão ansiosamente.A Razão Ornamental 73 mente cultos em nossa literatura porque a desdenhamos. E preciso esquecer o que e t à nossa volta. enquanto tantos trabalhos de autores nacionais. Julgamos apenas exótico. em nossas revistas e jornais. é avolumar erudição sobre um outro. raturas estrangeiras. estudando-a aos p d ç s em restos de tempo. Assim. de m da cultura na respectiva língua. Com efeito. não há nada. as áreas. voltando-nos para "a" sá cultura: aquilo que ocorre em Paris. de tudo isso.. tão parvamente voltados. sem nada que corresponda ao trata as s mento de autores incomuns ou singulares que recebem nos p íe as s de tolo colonialismo. Temos uma visão tipicamente arrivista da cultura: é chegar aonde outros estão. ou um norte-americano. entretanto.e. ou um inglês.a fascinação desses brasileiros letrados pelas últimas 'novidades' estrangeiras!" Terceiro: a Razão Ornamental pressupõe uma supressão. Primeiro: a posição de colonizado não se esgota em mera dependência e o ô i a generalizando-se para todas c n mc . As delícias de citar Proust ou Goethe! "Ah . não há movimentozinho de SaintG r and sP é ou do Boulevard Saint-Michel.

legitimador do vigente. um simples movimento do passado. e o positivismo.que não é.como se isso fosse p s í e sem nos o sv l cobrar um preço: o esquecimento do que somos.afigura-se um fen mn diferente ou oposto. passando pelo neopositivismo. Mas o panorama quanto à prática da Filosofia é. o intelectual tupiniquim vive num estado de dissociação: voltado para fora e de fora esperando reconhecimento. aliás. o pensamento afirm vo. a lamentação por não sermos bastante lidos. Fechando os olhos à realidade que o circunda. Quarto: Álvaro Lins refere-se à prática da literatura. a m g a áo. "Por outro lado . "E natural que desejemos ser projetados e valorizados para . em toda sorte de pronunciamento de autores brasileiros.que seja o índice . f e ü ne e t exr q e t m ne presso em livro. Em conseqüência.isto que se pode observar a olho nu: a revolta. Basta que se procure ler . Evidente que o pensamento brasileiro não poderia apresentar senão duas marcas das mais pobres: o ecletismo . traduzidos no estrangeiro. mas apenas isto: nossa. muito mais alienado.voltando a Álvaro Lins . conseqüência de nossa incapacidade de romper o cordão umbilical e "ser gaúche na vida".de alguma revista brasileira dedicada à Filosofia. conhecidos. é tão-só a segunda faô eo ce do mesmo 'complexo' de inferioridade. para correr atrás das últimas novidades.74 A Razão Ornamental é certo que os outros levam sobre nós uma vantagem decisiva: são eles próprios. colonialismo e provincianismo . que vai do tomismo ao estruturalismo. esquecer aqui e fora daqui obras que importam. Nos conduz a querer aplicar aqui "escolas" estrangeiras . A Razão Ornamental nos leva a abandonar tudo. de fato. entrevistas. em nossa edipiana e m r i a dependência afetiva e intelectual. de longe. condição de originalidade. mas um clima geral que a tudo envolve. não necessariamente melhor ou pior do que a Europa. Descentrados. mas. Com isso perdeó bd mos a oportunidade de ser alguma coisa qualquer.portanto estranhas . artigos. jamais encontraremos o n ce em torno do qual possamos dar coeúlo rência a nós mesmos." Desejamos ser reconhecidos pela Mãe-Europa. entre-nós. Um estado de alma.

A Razão Ornamental 75 aé das nossas fronteiras. fazendo de si o que se visa ser." e un A primeira tarefa na existência é chegarmos a ser o que somos. Sem isso. Depois. Me explico. tamanha lamentação por não nos conhecerem e admirarem bastante pelo mundo afora . Aí a Filosofia já c mç a ser problemática. partindo de nossa posição. eeá É dito e repetido que à Filosofia importa a verdade. pois seria o ea n c s á i antes do mais determinar o que se entende por verdae e s ro de . encontramos a preocupação prioritária com a verdade. condição de Filosofia. afinal.o que não é imediatamente claro ou evidente. mas em força interior." o fa ç "Bem. ou se chegar. E a p s í e Filosofia brasileira permao sv l n c r vítima da Razão Ornamental. devemos procurar fazer as nossas obras o melhor possível.se formos reconhecidos. deficiência de amor-próprio. A Razão Brasileira já foi aqui caracterizada com algumas notas: o ecletismo.. não tanto em qualidades formais ou habilidades técnicas. Aliás. e o resto (. algo pueril. isto é: quando estivermos para isto maduros e acabados. aqui não é urgente.. Num questionamento da Razão Tupiniquim como aqui se realiza. a Verdade. importa saber se. o momento próprio. a fascinação pelo brilho. entre as pretensões de uma Razão Ornamental. No entanto. ela aqui não se encontra em jogo. devemos ser o que somos. O discurso intes éi lectual brasileiro se dá num nível de manifestação clara: o de uma . A solução prévia desta questão envolve a possibilidade de seu desenvolvimento posterior. não obstante. seremos reconhecidos . a interiorização n c s á i ao surgir da Filosofia jamais ocorree e s ra rá entre-nós e a Filosofia continuará sendo apenas aquela tia dis tante que veio e foi ficando. o jeito. A essência da Razão Ornamental consiste numa e p ce de véu superposto ao real. ausência de e ua ç c ni n a em si mesmo.isto significa. essa â sa pelo brilho lm ni no estrangeiro.) já não é problema nosso. por mais importante que possa ser essa questão. e revela carência de s g r n a e estabilidade. Atingiremos a universalidade quando chegar. o deslumbrismo dos colonizados. g n í a e dominadora.

e como seus valores radicavam na Europa. não mais se encontrando em questão. quando interessada na verdade. Os objetos aos quais se refere estão encobertos e esquecidos. Como o ambiente não os podia acolher intelectualmente.) A penúria cultural fazia o escritor voltar-se necessariamente para os padrões metropolitanos e europeus em geral. na política. considerando-se equivalentes ao que havia lá de melhor. na crítica de arte. formando um agrupamento de certo modo aris- . em assumir sua própria identidade. (. "Flutuavam (os intelectuais brasileiros) . Não com a verdade. Penso que a raiz da alienação da Razão Brasileira numa Razão Ornamental se encontra na recusa. Em outros termos. Com efeito. encontramos alguns f n m n s que devem ser levados em conta. a do mazombo que em nós habita. quem a exerce? O pretendido intelectual Entre-nós.e c n l í o que entre a Razão Ornamental e a Filosofia não o cum s há possibilidade de conciliação.76 A Vazio Ornamental Razão comprometida.com ou sem consciência de culpa. na Filosofia. Se o brasileieô eo ro comum apresenta uma certa "saudade" e um pavor/temor totêmico com relação à Europa. Mazombo infeliz. o tecido de sonoridade palavrosa que nosso intelectual cria envolve a Razão Nacional . deixando de importar. o intelectual brasileiro leva tal condição a seu extremo. no direito e na economia . o brasileiro colonizado jamais se libertou de sua fascinação pela "estranja".com um véu suposto em si mesmo significativo. acima da incultura e do atraso. porém.diz Antonio Candido . certos de que estes não os poderiam contaminar nem afetar a qualidade do que faziam.seja na literatura. E claro que isso envolve uma longa história. tomando-a inconscientemente como ponto de referência a escala de valores. para lá se projetavam. Sabemos que uma das pretensões da Filosofia. desde sempre manifestada pelo intelectual brasileiro.. pod ra o dizer que a Razão Ornamental se caracteriza pela supreseí m s são da intencionalidade.. é erguer o véu que encobre o real . Atemorizado com a realidade em volta. na critica literária. senão em proporções reduzidas.

nada disso foi providenciado. Isto dava nascimento a obras que os autores e leitores consideravam requintadas. falsos problemas que somente à custa de verdadeira violência mental e grande alienação conseguimos revestir de "importância". Antonio Candido eu seria o inventor do sarcasmo pelo sarcasmo. podiam não passar de e e cco de mera alienação xríi s 25 cultural. O próprio Oswald. éo o. o apogeu do verdismo e o sr. o que desabou sobr q í oo o sv i .A Razão Ornamental 77 tocrático em relação ao homem inculto. ciL. porque assimilavam as formas e valores da moda européia. O intelectual brasileiro refugia-se numa constelação de conceitos esvaziados e de sonoras palavras que visam exorcizar isto de que tem tanto pavor e que julga de tão pouca classe: nossa brasilidade. a 'italiani rç tà' de Carlos Gomes. Eis como. Op. para nós. Com efeito. escrevia em 1943: "Segundo o sr. CANDIDO. G a a Aranha. 13 e 14. Que brincava co coisas sérias. ele escrevia como se na Europa estivesse o seu p bi o ideal. Meio s c l é uo de sarcasmo! Contra quê? (Olavo B a e Coelho Neto no auge üc da glória. Nossa realidade desde sempre foi suprimida. Plínio Salga25. o verbalismo de Rui Barbosa. sobre problemas europeus. pela falta de pontos locais de referência. de uma atrofia escandalosa. Mas. Coisas problemáticas para um europeu podem ser. muitos éo o e uv c s se tornam p s í es Entre eles. A realidade querida é coisa diversa daquela na qual nos encontramos. Se outra é a realidade." Essa dependência conduziu ao aparecimento. sujeito pouco séno. outros devendo ser os termos e m t d s No entanto. Antonio. consagrados m t d s e termos europeus. na medida em que não existia público local suficiente. outros são os problemas virtualmente existentes. Oswald de Andrade. utilizando termos e linguagem adequados àqueles problemas que estranham inteiramente nossa circunstância. ao nível da reflexão. Passou-se a discursar sobre uma realidade querida. Por quê? Fácil: não passaria de um fazedor de piadas. que não era de deixar bobagem sem respostas. . a européia. e assim se dissociava muiú lc tas vezes de sua terra. pp. Não há filosofante brasileiro que não se coloque superiormente diante de Oswald.

ANDRADE. não-silogística. ao contrário. O sr. ao mesmo tempo. como é fácil confirmar pela leitura de A crise da filosofia messiânica? Necessariamente diversa da europ vez que. Oswald o fazia de forma "desrespeitosa" do ponto de vista da Razão Ornamental. cit. p. alinhar coisas que nn u m igé suporta. Em função disso.as coisas sél si o rias. crítica. a piada de Oswald foi "esquecida" e se transformou uma inteligência claramente brasileira em mera fazedora de anedotas. Embora estivesse apontando alguma realidade brasileira. pretendemos sempre diminuir ag é ? Onde está l um dito que ofilósofoé "superior" ou "mais profundo" do que o humorista? Não representaria o humor.26 A questão vem a ser esta: e se Oswald estivesse tentando inaugurar outra Razão. abrir-se em tor a a éa í bl no do novo S m a bocarra primitiva do homem da caverna e o u é caminho florido das posições". 43. não-séria seria talvez uma tentativa de construir um discurso adequado ao que somos.do vige te. . Op. que o filósofo com freqüência teme assumir. exigiria outros termos e novos critérios.não sugiro que Oswald tenha sido. a mais alta expressão do espírito crítico? No homem sério verificamos o triunfo da certeza .) Tudo isso não passou de sarcasmo e pilhéria! Porque a vigilante construção de minha crítica revisora nunca usou a maquilagem da sisudez nem o guarda-roupa da profundidade. onde o bacharel de C n n i é um sm oo fecundo.não-linear. Em termos brasileiros. Esta nova Razão . um humorista? E mais: por que. Nn u m se perguntou: um filósofo que fosse verdaigé deira e visceralmente brasileiro . Oswald de. a visão do avesso das coisas. esquecendo-se nalguma ideologia? E desde quando o humor é a t g nc ao filosofar? Não será. aquela consciência desperta. Antonio Candido e com ele muita gente simples confunde 'sério' com 'cacete'. contra os cá sc s padrões acadêmicos . propondo outra posição. apenas isso . da ordem. ao chamar de humorista. é no humor que 26. tinha o estofo e a intuição. dos sistemas. Basta propedeuticamente chatear.78 A Razão Ornamenta/ do. con na ô i o trariamente.poderia deixar de ser. utilizar uma terminologia de 'in-folio' para nesta terra.

não a uma morte prematura. dedicamos. com efeito. A Razão Ornamental não só cria uma realidade à parte e que lhe c n é como enaltece ao delírio seu universo palavroso o vm Daí a freqüência de ressentimento nos intelectuais. de se n c ô i a í tc res etéreos e destinados.. ao . pouca estima às especulações intelectuais . que os antibióticos fizeram cair de moda. "O trabalho mental .a verdade é que. Esta pose de vítima não significa mais do que um lamentoso pedido de aceitação ao sistema vigente. A crítica que move ao sistema atua apenas enquanto este o rejeita. dada a importância do "caminho florido das posições". mas amor à frase sonora. neste o ç s m ne caso. pode constituir. Num p í onde o analfabetismo sempre as ganhou de goleada. Ao i v s de crítico.A Bazão Ornamental 79 temos encontrado a forma mais g n í a de assumirmos nossas ine un certezas. de modo geral. Julgam-se infelizes. ul m t o entre-nós. O intelectual é. numa a a r nc msi a romântica. adorando posar. não me parece grande vantagem. os comodismos de nossa instalação. ocupação em todos os sentidos digna de antigos senhores de escravos e dos seus herdeiros. embora presumindo o contrário. um individualista .diz S r i Buarque de Holanda .embandeira-se em rebeldia até onde ela pode ser um instrumento de afirmação. O que lhes permite assumir ares de superioridade face à massa inculta. mas algo que lhe é inerente.que é go não suja as mãos e não fatiga o corpo. mas ao sofrimento de não serem compreendidos. Não significa f r o a e t . tudo pode ser colocado em questão. o inte né lectual brasileiro é apenas um cidadão s n í e a seus próprios calo e sv l . fonte de qualquer pensamento a sério e criador. não lhe parecendo estranho que o sistema exclua de seus beneficiários um imenso contingente de brasileiros que se encontram a q iô er s da "intelectualidade". menos o principal e o que importaria: o vigente. A não-criticidade da Razão Ornamental não é. algo que uma dada cr u sâ ca lhe i c nt n i tenha acrescentado. portanto. amor ao pensamento especulativo . Do ponto de vista de uma Razão Ornamental.a versão palavrosa de Pedro Malasarte.

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verbo ep nâ e e abundante, à erudição ostentosa, à expressão s o t no rara. É que para bem corresponder ao papel que, mesmo sem o saber, lhe conferimos, inteligência há de ser ornamento e prenda, não instrumento de conhecimento e de ação."27 I Na medida de sua positividade, o pensamento produzido pela Razão Ornamental é essencialmente servil Curioso que isso ocorra precisamente num pais que tem no humor satírico uma de suas maiores manifestações - o que, de resto, evidencia a alienação da elite intelectual. Transformada em instrumento de afirmação social - como, em outros momentos, um título de nobreza, a posse das terras, um diploma universitário -, era preciso que toda a ênfase fosse transportada para o brilho, a erudição balofa, os estéreis malabarismos estilísticos. Sem o que dizer, só restava brilhar. Ser conciliador, cordial, jeitoso, servil, tudo isso não passa de reflexo de uma d e ç maior, o esquecimento da Razão entre-nós. ona O que S r i Buarque de Holanda diz dos políticos cabe perfeita é go mente para descrever o clima em que se viu envolvido o pensamento brasileiro: "Preferiram esquecer a realidade, feia e desconcertante, para se refugiarem num mundo ideal de onde lhes acenavam os doutrinadores do tempo. Criaram asas para não ver o espetáculo detestável que o p í lhes oferecia".28 as Cumprindo seu processo ao limite, só poderia acontecer o acontecido: o ecletismo como jeitosidade geral a contaminar uma autêntica posição intelectual; a p e o i â ca do positivismo e der d mn n i rivados; o apego obsessivo ao tomismo - três das mais flagrantes derrotas da Filosofia, pois ausentes de criticidade. "A persistência do positivismo e a hegemonia neotomista sobre o ensino da disciplina constituem a nota dominante de nosso acanhado universo fil s fc . 2 Paralelamente à constituição da mitologia brasileira: o o ói o"9 jeito, a conciliação, a c n ó da o homem cordial, as revoluções o cr i, sem sangue.
27. BUARQUE DE HOLANDA, Sérgio. Op. cit, pp. 50 e 51. 28. Idem, p. 140. 29. PAIM, Antônio. Op. cit, p. 253.

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Incapaz de pensar, exigindo brilhar, a Razão Ornamental conduz à fuga nos modismos, no último grito cultural, o leilão de idéias. Compreende-se assim o recente suicídio que foi representado pela moda estruturalista, refúgio de uma intelectualidade que busca um lugar qualquer no mundo da tecnoburocracia. E compreendemos t m é o sucesso absurdo e fora de propósito do neopositi a bm vismo e de seus cursos obtusos de estudos de lógica e teoria do conhecimento a contaminarem as universidades brasileiras - diante dos quais, de resto, todos se deslumbram. Ah, logrados indígenas! Além de c m d s - afinal, estas colocações simplistas e for ô oa malizantes nos oferecem um arsenal de certezas - , tais atitudes são perfeitamente inofensivas e servis. A nn u m incomodam. igé Representam o aspecto sério e útil da Filosofia - e ê imenso o sucesso. Seria impossível, portanto, compreender o sentido destas modas se as ioás m s do contexto político onde ocorrem. Des s l se o ta forma, ou a Filosofia se reduziu a um arquivo de respostas feitas, pronto-socorro para qualquer dúvida, ou se fez estudo preliminar, suntuosa propedêutica à ciência - onde, de resto, somos igualmente dependentes. Atado à c ms - ef r a que vem a ser o espírito afirmativo, a iad -o ç o pensamento pode exercer-se e t en s desde que se compromenr - ó ta a nada dizer, a não negar. Que seja apenas afirmativo. Ou seja: o pensamento pode existir e t en s sob a condição de não pennr - ó sar. Ou: de não existir.

Capítulo 10

A Razão Afirmativa

Vence na vida quem diz sim. 195. N 30.A Bazio Afirmativa Nem por isto compra a briga olha bem para mim. Idem. Indiferenciada e dependente. a Razão Afirmativa encontrou em nosso ambiente intelectual um campo de fácil penetração. nc que reivindicava a m t fsc ao mesmo tempo em que recusava eaí i a a volta à antiga Filosofia já superada etc. o ecletismo é o oposto do positivismo." 30 Com efeito. . CHICO BUARQUE/ RUY GUERRA. A Razão que diz sim.do positivismo nada mais fez do que desdobrar um componente já implícito no ecletismo anterior: a Razão Afirmativa. "Nas condições peculiares do pais . . o positivismo só poderia ter sido aceito em função dos interesses vigentes e da reprodução da hegemonia das classes dominantes. a ação antífilosófica dos positivistas estava fadada a ac n a resultados desproporciola ç r nais não só à sua força efetiva como à consistência mesma da doutrina. a verdade é que o aparecimento . olhando criticamente e face às urgências históricas que se apresentavam ao Brasil. fragmentação e dispersão do ú i o grupo..ausência de tradição filosó ca. Vence na vida quem diz sim. (Calabar) a aparência.e o triunfo . a Escola de Recife. p. precisando legitimar idéias e modelos providenciados estranhamente. Embora superficialmente tal oposição possa ser justificada.

ó em função do vazio cultural aqui havido do que por qualquer virtude e p cfc desta atitude. chamo de Razão Afirmativa .c n mc apenas correntes mas visões de mundo.. conses e íi a q e t e forte. em aparentes extremos.que pod ra o tranqüilamente considerar como o que de pior se produeí m s ziu em termos de alternativafilosóficano Ocidente. De sorte que outras manifestações de pensamento que aqui chegaram foram. Apesar dessa debilidade intrínseca. o pensamento positivista do contexto político no qual ocorre.84 A Razão Afirmativa Aliás. . 196. constituindo-se em modos de retenção histórica.envolvendo condições de dependência s coe o ô i a .que. gerou né e t en s o pensar a e t sc .que formaram não ó i . "acabou impondo-se e t en s mais nr .ó n sé i o mos ou choques. na ausência de critérios ou posições criticamente assumidas. em função de sua consciência política.que aqui. acabaria fatalmente por atuar neste meio sem conü ne sistência. o quê chegou a envolver mesmo o marxismo caboclo. mais cedo ou mais tarde. De resto. antagonis nr . muito útil porque não contamina nn u m igé . Plasmaram modos de ver. absorvidas e deturpadas por esse clima. p. sua influência foi tão decisiva . nem resistência. ampliando seu significado e extensão. Sempre com a marca do ortodoxo. ainda pertença a Sylvio Romero. Reconciliando ao nível verbal as mais desencontradas alternativas. Pelo simples fato de não dissociar. do modelo estrangeiro a seguir. em momento algum.31 Talvez a melhor explicação do sucesso do positivismo entrenós. Esta Filosofia dos pobres ou este neojesuitismo. Foi o que sucedeu ao positivismo aqui". Acerta Antônio Paim ao dizer que esta "forma mentis". gerou o pensamento esterilizado. deve optar pela simples afirmação. como Sylvio Rome31. o positivismo .o ecletismo e o positivismo . esse clima afirmativo casa bem com o caráter tirânico e impositivo do ecletismo . Idem. a afirigé matividade dos neotomistas e neopositivistas. Dissolvendo oposições. a resenha das idéias fl s fc s no Brasil marcaria a in io ói a fluência de duas correntes . E t igualmente ligado ao vício conciliador sá da Razão Eclética: ao i v s de gerar um confronto criador. Nn u m poderia negar. Quem fosse uma organização.

e acercaram-se do poder. 291. os feitos do partido militar. a verdade é que o positivismo serviu de apoio i e l gc ao grupo de militares que tramad oó i o va a queda da Monarquia e foi o positivismo. Doutrina contra doutrina: o evolucionismo e o positivismo no Brasil In: Obra Filosófica. Rio de Janeiro.diz J s Verísoé simo. Antônio. foram avisados e. os positivistas aproximaram-se de Benjamim Constant. 33. no entanto. cit. segundo informações correntes na época. quem se beneficiou com esta queda. em nossa malsinada República. Op. jamais teria condições de continuidade e vigência se não viesse. 1969. se recusaram a participar do plano de derrubada da Monarquia por meio de revolta. p. no processo histórico nacional. Tão logo porém o movimento saiu vitorioso. o positivismo foi quase uma religião do Estado. oé . Sylvio. 208. a se unir a grupos que passaram a exercer o poder a partir da d c d éa a de noventa do s c l passado. " r ç s à influência militar no primeiro goGaa verno da República e principalmente do governo Benjamim Constant. deveria associar aos feitos desse partido (os positivistas não negam que constituem um partido político). Tenha ou não participado imediatamente do movimento republicano em seus momentos decisivos. que com razão ou sem ela passava por decidido sectário de Augusto Comte."33 Esses dois "partidos" teriam exercido a maior influência no início da República como dois b a o de um mesmo organismo: os militares pasrçs saram a deter o poder. diz Sylvio Romero. com o qual tinham tantas divergências.32 Essa associação entre positivismo e militarismo já havia sido estabelecida por Sylvio Romero em 1894 nas p gn s de Doutriái a na contra doutrina: "Um estudo perfeito da ação do positivismo. ROMERO. Na verdade.A Razão Afirmativa 85 ro se refere ao positivismo. p. afinal. a qual não era porventura desvantajoso praticar" . os chefes do Centro Positivista. enquanto os positivistas providenciaram o 32 PAIM. J s Olympio. Quando se tramava o 15 de novembro. para ser perfeito. o papel desempenhaé uo do pelo positivismo no estabelecimento da República tem sido exaltado em demasia e talvez deva ser considerado mais modesto..

não teriam passado até hoje de um grupo insignificantíssimo. sob a inspiração do Sistema de Política Positiva de Comte. sem a mnm preponderância. essa influência. por outro lado. 37. o positivis mo. Sistema totalmente c tralizado. encontramos o regime totalitário de inspiração comtiana. Idem. esse valor não teria chegado para fazer. e que podem ser atribuídas "à má orientação positivista"37. transplantando para terras tupi niquins os modelos da sociocracia imaginada por Augusto Comte. 36.diz Sylvio Romero . dos militares um verdadeiro partido preponderante. ibidem. seria o de Júlio de Castilhos. dando as mais i e uv c s provas de abneganq í oa ção. A des34.esta diferença: até 15 de novembro a força armada apa recia a propósito. não passariam. se ao militarismo. o mais direto. por uma singular aberração. não se tivesse vindo juntar."3* Nas concepções que trouxeram prejuízo ao país. ibidem. E. ibidem.nos dias que correm. em íntima aliança. Idem."34 Sylvio Romero lamenta ter havido esta associação entre-nós.continuemos com Sylvio Romero . 35. entre nós. . p. intervinha em prol do mundo civil e retirava-se da cena política. 292. "Qualquer qu r a o ç d oó i o pudesse ser a influência do militarismo em nossa política . no Rio Grande do Sul. sob a forma de uma "ditadura republicana". esse regime ditatorial trazia ainda outras marcas. a despeito de suas preten-. porque "essa hibridação extravagante tem feito mal ao Exército e vai fazendo dano a este p í "3 Tais m l fco seriam devidos ao as . por uma esquisitice de nossa educação desorientada. "Note-se . cujo melhor exemplo.5 aeí i s fato de o positivismo ter revestido o movimento republicano com idéias conservadoras.86 A Razão Afirmativa a c b u o i e l gc de justificação desse poder. retrógradas. onde governou autocraticamente de 1893 a 1898. Idem. soes e ousadias. há pouco s í o da Escola Militar e da Escola Supead s rior de Guerra. se íi a não contassem entre seus adeptos os m ç s estudantes e os mooo cos oficiais. Idem. os positivistas.

186. cit. vem de Júlio de Castilhos. enquanto o poder Executivo absorveria o Legislativo. . p. 183. PAIM."o voto não é nem pode ser o o fa ç verdadeiro instrumento capaz de determinar precisamente o profundo trabalho de formação das opiniões". por sua vez. assumindo for as mas as mais variadas. p. uma vez que. vindo a ser o traço mais marcante em nossa formação política e filosófica. A isso o positivismo desde sempre esteve ligado. constituindo-se no f n m n eô eo 38. como diz Antônio Paim. e os exemplos não faltariam. "é difícil supor que exista na atual sociedade brasileira um grupo social onde a mentalidade positivista esteja mais arraigada que naquele constituído pela oficialidade". cedeu o posto a Getúlio Vargas. estaria presente em outros movimentos militares como. de uma insuficiência crítica total.e a personalização do poder. mesmo hoje. no Rio Grande. mas trazendo sempre a marca de uma Razão Afirmativa que se impunha sem admitir contestação.39 Eis como um pensamento retrógrado e débü. pois era suposto que o governo caberia a um "ditador institucional".A Razão Afirmativa 87 c ni n a com relação ao voto . 39. por exemplo. Todos estes poderes acumulados nas mãos de um só homem marcavam desde já o caráter antiparlamentar e antipartidário que. o tenentismo. passando por Borges de Medeiros que. a "ditadura republicana". podendo o chefe de governo demitir os ocupantes dos executivos municipais. dizia Júlio de CastUhos . conseguiu se impor ao país. Essas concepções totalitárias eram de todo coerentes com o que dizia Augusto Comte no Catecismo a respeito dos direitos humanos: "A noção de direito deve desaparecer do d mno político. Todo direito humano é tão o íi absurdo quanto imoraL" É fácil perceber. que esta visão política se perpetuou no p í a partir da República.38 O caminho descrito pelas idéias totalitárias do positivismo. "ao qual incumbiria transplantar o castilhismo para o plano nacional". Idem. como a o íi noção de causa do d mno filosófico. mais tarde. na medida em que poderia servir de instrumento nas mãos de grupos dominantes. Antônia Op.

não pode ser dissociada do processo paralelo que nos envolve: a cr u sâ ca de sermos um pais dependente. Pondo de lado a questão de sabermos se a p e uç não seria um dos valores com o qual poderíarg ia mos brindar uma humanidade desesperada (a Divina Pregui de Mário de Andrade). reconsiderar integralmente o ato de espirito que gerou esta atitude que chamamos de filosófica.refira-se isto ao positivismo. Vita. de mera p e uç mental .do que temos sido acusados.88 A Razão Afirmativa onde mais significativamente podemos encontrar as raízes de nossas alienações atuais. é muito mais c m d . acabou por optar pela simples afirmação desse prolongamento. Deve dizer sim . E o intelectual brasileiro . Não se trata. embrenharse em piruetas v r a si a e conciliar o inconciliável do que. como na ingênua posição de L í W. manual ou catecismo do que se fazer capaz de enfrentar um longo e penoso processo de reconstrução histórica da Filosofia. a fuga de uma revisão crítica da Filosofia que a Europa nos enviava. Não deve revisar criticamente.assumiu.que tem conseguido ser o protótipo de nossos defeitos mais chocantes . e até mais fascinante pelo conjunto de certezas que nos oferece. Procuremos agora encarar a Razão Afirmativa de um outro â g l . a Filosofia entre-nós. por amigos e inimigos. a partir das ilusões com que nos acena sua positividade. Sendo um proloni c nt n i gamento da cultura ocidental.àquilo que Uma Razão que dissesse não seria algo estranho ao papei que o p í deveria desempenhar face ao passado europeu. como erradamente muitos viriam a supor. Mais fácil. gostaria de ressaltar que o afastamento. na fascinação pelo passado europeu.acatar globalmente um conjunto de "verdades" resumidas em alguns poucos livros. n uo De fato. num e b ütc s processo de revisão crítica. Negar as . ô oo ao tomismo ou ao marxismo . us ser um "assimilador". às vezes na brinrg ia cadeira. o papel de ser-dependente. ausente de criticidade. Deve.reproduzindo . um continuador ou repetidor de idéias geradas em outras terras. ou seja. porém.

no caso. Qualquer positivista elimina a criticidade da Razão com quatro ou cinco argumentos. 89 Da indiferenciação do ecletismo ao espírito d g ái o do po o m tc sitivismo. Pois é isto que significa negação: para ser global e significativa . desligado de nosso contorno. Como isso seria realizável se o país.ó modelos e fins europeus. Apresentando-se como irrefutável. se todo o conjunto tupiniquim era dependente e se às produções intelectuais. Fascinados por um modelo de pensamento e de ciência atado ao espírito oitocentista. a Razão Afirmativa impediu o aparecimento da ú i a coisa que poderia gerar pensamento: nc a dúvida. A conseqüência é fu- .A Razão Afirmativa coroistiria. atado à camis . era exatamente isso que precisaria ter sido feito. a Razão Afirmativa só fez bloqueá-lo. colocar-se à margem.ef r a sumariada por Comte e seguidores em mui fáceis liad -o ç ções. socialmente. Dessa maneira. Ao i v s de favorecer o verdadeiro desenvolvimento do espíriné to científico. era um apêndice da Europa e tão bem se adaptara ao papel de filho edipianamente submisso? Como negar. deixa de existir.do que se passava em torno? No entanto. deve descentrar integralmente as razões do pensamento anterior. c í o em algun am s mitos e novas falsificações. Com a vitória da afirmatividade. onde a fé na afirmatividade é tão presente quanto o fanatismo nos santos guerreiros. o espírito da negação. quando brincamos de revolucionários -. O mito da certeza em geral e da certeza científica em particular.não apenas transformista como gostamos de ser. fora da visão (e da posição) de mundo européia que nos havia sido legada. r s r á a o o simples pa ee v v m s pel de refletoras .não de reflexão . Os caminhos de alienação da Razão Tupiniquim encaminham-se então no sentido de uma dependência ainda mais acentuada. Agora ao nfvel das justificações i e l gc s providenciadas para a manutend oó i a ção do vigente através da Razão Afirmativa. sem o qual não existe Filosofia. e o ô i a política c n mc . todo pensamento e t en s tem sido prisioneiro de nr . vítimas da Razão Ornamental. a distância era mnm e foi percorrida festivamente pe íi a la inteligência nacional.

p. com osv l mo f n m n geral. O que equivale a morrer para o pensamento. não nos resta senão ser "assimiladores". desdobramento.90 A Razão Afirmativa nesta: ausência de capacidade criadora. ausentes de qualquer posição negadora. É essencialmente tirânico e antidemocrático. ção do liberalismo anglo-saxão. se deu e t en s a opção pela certeza. expresso na incapacidade de aceitar o dáo o e o debate em qualquer plano". pois esa é antes do mais destruição e dúvida. arada e adubada nr . 40. aves so ao livre circuito de posições que se questionem radicalmente. Para termos como definitivo que o positivismo só fez acentuar pressupostos ecléticos. não sendo com relação ao ecletismo uma superação mas um desdobramento. Idem.movimento filosoficamente inconsistente . uma afinidade que explica como o segundo . . 208. Uma Filosofia brasileira passou a ser i p sí e a partir do momento em que. Já no pensamento eclético e c nr v m s a tendência a dis no tá a o solver oposições e a d s o fa ç com qualquer posição que contiec ni n a vesse traços de marginalidade: do ponto de vista eclético.foi capaz de encontrar e t en s uma terra de promissão. Nisso talvez a particularidade distintiva mais característica entre a mentalidade positivista e o cientificismo c ne p r n o este último visceralmente ligado à tradi o tm oâ e .40 ilg Não houve salto entre o ecletismo e o positivismo. Se a eô eo nr . A afirmatividade fez apenas acentuar quadros mentais que se impuseram acima do direito e da urgência de providenciarmos nossos próprios modos de ver e viver. "basta indicar que é solidário dessa mentalidade positivista o pressuposto antidemocrático de que na sociedade não deve ter lugar o livre jogo dos grupos e das facções. pois o ecletismo gera o fanatismo da mesmidade. mas pura continuidade. aquele que discorda é um criminoso. mas a tutela de agrupamentos que se atribuem semelhante privilégio a diversos pressupostos.ó pelo ecletismo. As duas atitudes prolongam a condição de dependência.ó verdade é patrimônio de um outro.

. o fizessem. este Pombal Que os poderes c n tt í o adotassem tal posição. p. estabelecida: e t en s o pensamento haveria de nr . inconscientemente ou por n mr s simples má-fé. pasec ni n a sou-se a uma declarada hostilidade contra qualquer coisa que pudesse representar debate político . "porquanto o povo português ainda não e t acostumado a ler no seu próprio idioma es sá te gênero de escritos". E a conseqüência. de resto.e optou-se por uma franca tecnoburocracia. Sylvio Romero já advertira quanto ao positivismo: "tal é o sistema que se propõe enfaticamente a acabar com os males da opinião d m c ái a e liberal.. nada a o siud s estranhar.ao modo das infindáveis "introduções à Filosofia" que se publicam e t en s ."41 e o r tc Aliás. as questões que deverão ser abordadas numa introdução a uma p s í e Filosofia brasileira.A Razão Afirmativa Tudo parece preparar o que e t en s aconteceria quando. Op. que domina no país!. criada por Pombal em 1776. Sylvio. Um precursor. Em suma. 41. Simples. sua incapacidade de maior compromisso com as urgências históricas que nos rodeiam e sua fuga para a sétima nuvem à direita.onde. que proibiu a tradução e difusão de Descartes. Essas. toda p s í o svel criação que questionasse nosso mundo estava condenada. ROMERO. portanto: o povo sempre tem culpa. 30& 91 . onde o que menos conta é esta caótica. revivificar os modos de alienação do pensamento brasileiro. Não é sem motivo que ainda se discute se estaremos "preparados" para a democracia. nr . embora muito a lamentar. onde se pensa "do ponto de vista da eternidade".. No momento em que desabou sobre nós a afirmatividade. mas investigando aquilo que nr . eis algo a estranhar e a lamentar. cit.ó ser "ornamento e prenda". Mas que os pretensos intelectuais.ó a Filosofia veio a ser e t en s e as condições que circundam tal nr . nossas urgências terminariam por surgir . E sobre isso exercer a consciência negadora. foi a Real Mesa Censória. Não apenas ao nível das te o sv l orizações abstratas . fantasiados de i ú e a maneiras.ó acontecimento.ó levada a d s o fa ç com relação à democracia a seu limite. vulgar e tropical "opinião do povo".

Ou: um levar a sério que busca extrair de si as últimas conseqüências. É de agarrar-se a tais limites que e t am s nossa débil s g r n a A dn mc b xr í o e ua ç . numa especialização de nossa existência.92 A Razão Afirmativa Com efeito. desequilibrando um sistema. Se o próprio homem é resultado de um ato de criação de si. modos de contornos bem definidos e práticos. o que faz a Filosofia? Sua pretensão parece ser clara: desde sempre pretendeu ser um pensar ao limite. as quais acabam plasmando nosso mundo. Ao con- . As certezas dos limites de nossas instalações. certeza e d vd . o viver social providencia .sendo o ato criador aquele momento que úi a faz romper algumas certezas. i â ia sica da existência oscila entre momentos de s g r n a e insegurane ua ç ça. Uma condição talvez nos leve a isso: o homem é um animal enraizado na i s g r n a o que faz com que nada nos fascine ne u a ç . É justo aqui que encontramos o entrave b sc a um pensar ái o brasileiro.nossos modos de instalação no real. mais do que a certeza.e nós providenciamos . objetivando manejar situações com a m xm s g r n a ái a e u a ç .

Que não incomoda nem arrisca. Equivale a agarrar-se ao dado na pretensão de perpetuá-lo. a vitória de uma dada visão de mundo tenderá a se trans formar em instituição. a encontrar soluções por conta própria. Me contaram ou li (ou inventei) que segundo os chineses "pensar dói". A face inquietante da Filosofia é a a e ç ao tranqüilo esquema de instalação que montára maa mos para enfrentar o real. nc Uma Razão Afirmativa é o mesmo que uma sem-razão. De fato. o t v m s vemos. fonte de todas as certezas . vigente. alegórico. Se devo pensar. tudo e t em jogo. . Exige colocar tudo em jogo. súbito. pensar dói. segura e sólida. Se a Razão Eclética perdia-se numa indiferenciação amorfa e despersonalizada. Ao menos antes de alienar-se nalgum sistema. É conduzir-se aos limites a despeito da i s g r n a É neste momento que o chão nos ne u a ç . A Filosofia não é salvação . desabar. Convida-nos a largar tudo. Dói.A Razão Afirmativa 93 trário.certezas que já não sabemos verdades caducas. Mas é a ú i a coisa que nos resta. E ambas encontram na Razão Ornamental a forma adequada à sua expressão: o pensamento não pensado. Em suma: pensar por si mesmo. a Razão Afirmativa tende a sacralizar o passado. Eis o convite que nos aterroriza e que nos põe nos limites de nossas certezas: pensar por conta própria. morta. já que pensar é o mesmo que duvidar. falta . O pensar a e t sc e esterin sé i o lizado. Logo. Equivale a expor nossas instalações ao perigo da dissolução.é perdição. aniquilando-o como coisa em sL O pensamento tenderá a explodir esta inércia do dado bruto ao qua nos a a r v m s C ná a o com comodismos de instalação qu g r á a o.e preferimos a burra paz dos que não sabem. Complemento desesperado do senso impensado da Razão Eclética. Um pensar ao limite só poderia nos atrapalhar. E um risco a assumir. sendo o pensar a sério um levar-se ao li sá te. E o que pretende a Filosofia quando a sério? Salvar-nos? Não. quando a função radical do pensamento é destruir a positividade do dado.

Isso se dá em função do estado de alienação no qual nos encontramos. formal ou matemática. a predomin n i da lógica. o neopositivismo. consentindo. são os lugares onde se rea â ca lizam aquelas intuições fl s fc s que se perderam. pelo menos.94 A Razão Afirmativa Por exemplo. o estruturalismo. Ou. Verdadeiras io ói a salas de operação: esterilizadas e inofensivas. preferimos jogos l gc s e epistemológió io cos àquilo que sabemos urgente. E úteis. .

Captíub 11 Razão Dependente e negação .

este sim. casas de caboclo e gente de nariz batatudo e lábios grossos. bastante nosso efetuamos a constatação do óbvio: à nossa volta não havia fog. Tornava-se p s í e criar. coqueiros.porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão nao tinham uma segunda oportunidade sobre a terra. Com exagero . O reo sv l sultado foi uma revolução... neve ou castelos medievais . O parnaso superrefinado. Mas uma nr p f gc coisa se ressalta: mudou o espírito. realizamos uma primeira tentativa de real independência cultural face ao passado europeu e aos modelos estrangeiros. nossos artistas retiraram de seus ombros a carga de um passado alheio e que lhes pesava. podemos dizer que com a Semana de Arte Moderna. De Mário e Oswald a Drummond e João Cabral de Mello Neto. o bom gosto oficial vieram abaixo.96 Razão Dependente e aegaçi . os traços suaves das madonas. a atitude.mas bananeiras. A partir daí uma reação em cadeia s r liberada. s bt percorremos os caminhos de ú io uma emancipação artística. É claro que a ái e detalhísticas encontrariam por detrás n ls s do Manifesto A t o oá i o o italianíssimo Marinetti. GABRIEL G R Í MARQUEZ A CA (Cem Anos de Solidão) e a função da consciência é explodir um mundo. em 1922. permitindo produzir uma arte cujo eá S . Os imensos pés das figuras de Portinari denunciam: encontrou-se um chão sobre o qual pisar.

Precisa mulatizar-se."42 O modernismo brasileiro instalava-se sobre o signo da negação. Lutando contra si mesmo.) Pois eu temia escrever bonito demais. "Confesso .) Não quero depreciar nenhuma destas altas expressões da mundial literatura. pelo africano do Sudão.assim como nas revoluções . do índio.diz Oswald de Andrade . "Nada podemos esperar da Europa européia. como diz Oswald. 11. Destruir as condições internas e subjetivas da dependência. Mau mas eu.era queimar os retratos e bustos dos tiranos. da A é i a Latina. Se eu não d sr ç se et o as todo o velho material lingüístico que utilizava. pois esta não é simples fato externo . Idem. o eí m s A ó a derrubada do ídolo .. 62 . minha literatura aguava e eu ficava parecido com D'Annunzio (.mas disposição internamente assumida: o escravo traz o senhor dentro de si.diz Oswald . Op.purista e recordista precisa ser educada pelo nosso mulato. pelo índio mais atrasado do Peru ou do México. "A Alemanha racista .. 43.se existem fatos puramente internos ou externos .que a revolução modernista eu a fiz mais contra mim mesmo (. pelo chinês. os modernistas sentiam a urgência de se libertarem dos vn uo que os mantinham presos a uma Euí c ls ropa idealizada. de nossos limites e possibilidades. aquilo que falsamente vé a o a ser: "A revolução modernista eu a fiz contra mim mesir m s mo". p. E o efeito de substituição: a tomada de consciência do mulato. amassasse-o de novo nas formas agrestes do modernismo.. Mas sempre enfezei ser eu mesmo. Precisa ser desfeita no melting-pot do futuro. E precisa ser misturada de uma vez para sempre. E a primeira coisa a fazer .saudavelmente barulhenta ps assistimos à aproximação de nossos valores. p. Havia que destruir. cit. A consciência m rc daquilo que nos constituía e sem o que nada p d ra o ser.Razão Dependente e negação 97 significado é flagrante: assumir nossa posição. Não contra os tiranos mas contra nós mesmos."43 Um mundo desabava.. contra seus próprios fantasmas. Temia fazer a carreira literária de Paulo Setúbal. para 4Z ANDRADE. Oswald de.

Mário nota. Não propõe um retorno. porém. que tinham sempre jogado "colonialmente certo". 45. na tentativa de recuperar a intuição revolucionária que se perdera. Idem." No entanto. Não se revolta por ter sido modernista. perdidos no esmagamento de uma fiança torpe ligada à fome dos imperialismos. 44. Havia que dar conta das "numerosas Cataguases". Mário de Andra ái a de deixou algumas lições que p e ia í m s recuperar. mas por não ter ido aé lm de suas pretensões. que o "es pírito modernista e suas modas foram diretamente importados da Europa". representava uma convulsão no panorama artístico e intelectual brasileiro. p. o movimento. . Mário de. essencialmente destruidor e com possibilidades de criar. associado à pesquisa estética. 231-55. mas a revisão crítica. de um internacionalismo modernista e um nacionalismo embrabecido.]. São Paulo. com a luz de Paris em nossos espíritos. de nossos pobres recursos civilizados. rçs certas restrições a seu passado modernista. às vezes nem tanto.98 Razão Dependente e negação onde vivemos por tanto tempo voltados. ANDRADE. foi um abandono de princípios e de t c i a c ne ü ne. a atualização da inteligência artística brasi leira. e a estabilização de uma consciência criadora nacional. "Era uma aristocracia do espírito."44 Nas p gn s de O Movimento Modernista*5. Martins [s/d. Foi uma é o a que terminou. O que ficaria expresso nos três princípios apontados por Mário: "O direito permanen te à pesquisa estética. Encontramos aí certos t a o de desgosto e arrependimento. O Movimento Modernista In: Aspectos da Literatura Brasileira. pp. Tn a o pelos lat pc í hms no-americanos um desprezo que participava do conhecimento de nós mesmos. 63. foi uma revolta contr é nc s o s q e t s o que era a Inteligência Nacional"." Isso permitiria uma reviravolta aos artistas brasileiros. já que a r cs ra o p s í e Filosofia brasileira muito teria a aprender com nossa Literao sv l tura. o que. Daí o aparecimento subterrâneo. de uma postura nitidamente aristocrática. O modernismo havia sido "uma ruptura.

Mas podemos servir de lição. quando muito lhe fizera. Tem o tm oâ e . aguda. "de longe. Mário aponta onde fora efetivamente renovador e onde fracassara . virtualmente pronto a reiniciar tudo. pal!" Vítima de seu próprio individualismo. denuncia o espírito num momento decisivo: o da consciência que explode um mundo. ao dar testemunho de si. creio: "Se tudo m d v m s em nós. superando-o. O homem atravessa uma fase integralmente política da humanidade. Mário crê não encon trar em suas obras e nas obras de seus companheiros "uma paixão mais c ne p r n a uma dor mais viril da vida. -a crítica. da inteligência brasileira. de maior revolta contra a vida como e t . antiacadêmica. talvez um levar-se a sério ainda mais comprometido.e dá testemunho deste fracasso. tendo sido capaz de negar mesmo seu passado. p r m não ma oé revoltada e destruidora. Seu lamento deve ser considerado como uma devastadora revisão crítica. Esquecera-se de seu tempo." Registremos agora a ausência de repercussão do modernis- . uma careta". que permitiria superar o próprio modernismo e vislumbrar o que deveria vir em seguida. é fácil encontrar nele t a o de uma Razão Eclética da rçs qual não conseguiu se libertar inteiramente. porque dava testemunho de um mundo seguinte.fora de toda Razão Ornamental . a meu ver. "D v ra o ter inundado a caducidade utilitária do nosso discurso eí m s de maior a g si do tempo. Essa consciência dolorosa. uma coisa nos esquecemos de mudar: a atituu áa o de interessada diante da vida c ne p r n a E isto era o princio tm oâ e . Este contato . Não tem. legítimo e indiscutível. recuperando-o criativamente. n úta sá" Revisando tudo. mais é uma antiquada ausência de realidade em muitos de nós". O momento da negação. Creio que isso possa explicar por que mesmo Mário de Andrade não tenha ficado livre. Falta algo." Mas onde o lamento e a lição maior? Aqui. "Essa normalização do espírito de pesquisa estética. ao final. "Eu creio que os modernistas da Semana de Arte Moderna não devemos servir de exemplo a nn u m igé . é a maior manifestação de independência e de estabilidade nacional.Razão Dependente e negação 99 pudesse representar o primeiro movimento de independência.com nosso contorno. legítima. Mas estava. do espírito conciliador.

no campo da Filosofia. "A partir da Semana de Arte Moderna e da Revolução de 30 . CORBISIER. poetas. facilmente redutíveis a um estado de ornamento social -. 46. A essa eclosão de valor úi o.coisas. ano 37:7. ocorreu no país uma significativa renovação cultural. para os praticantes da Filosofia. Ao nível das justificações ideológicas. . n i s cá veis. Rio de Janeiro. e s í t s etc. houve a retenção do espírito crítico aos limites permitidos pela ordem vigente e. possa ser encontrada no fato de ter sido na Filosofia onde se enraizou mais fortemente . houve uma reação de defesa por parte das idéias e ideais dominantes. não permitindo que se questionassem mais radicalmente as bases da visão de mundo vigente. desde sempre vítimas e bene ficiários da Razão Ornamental. 1975. aé de um mero questionamento ornamenlm tal das condições nacionais. na Filosofia ou em qualquer outra forma de expressão e conhecimento.100 Razão Dependente e negação mo na Filosofia praticada entre-nós.já pela primeira tentação alienante da Filosofia: pensar acima do tempo e do ep ç . Enquanto estas manifestações de libertação se davam ao nível das propostas artísticas e e s í tc s fazendo. podemos dizer que. de apartamento. Carência de Filosofia. assinalada pelo aparecimento de romancistas. como se a Semana não houvesse existido. creio. era fácil manter o seu controle.o caráter afirmativo da dependência cultural. Roland.. preferiram manter-se a distâ de questões mais delicadas. por outro. Mas pensemos no que ocorre sempre que se tenta ir. por um lado. arquitetos. n asa no campo da arte e do ensaio não correspondeu. porém. Foi. perduran s ao do aí a atitude " si ü d r " de prolongamento do universo euroasm a o a . da Filosofia diante de uma realidade nossa. m sc s críticos literários. Mais uma vez vemos aí denunciado o estado de alienação.. ao surgimento de valores equivalentes. Vista a questão de dois â g l s complementares e i ds o i n uo. permitindo-se flutuar no limbo das questões " eaíi a" m t fsc s . de resto. 21 a 27 abr.diz Roland Corbisier . absorvendo os seus golpes. Jornal Crítica. os praticantes da Filosofia entre-nós. caretas para o tempo ."4* A razão disso. peu. de long n asi a . pintores.

como no verso de Manuel Bandeira. a que cheiram a Europa. Rio de Janeiro. sempre delegamos à Europa nos dizer o que d v ra o e eí m s pensar.47 Não só por oposição à formação dos EUA mas até mesmo com relação ao que aconteceria na A é i a Espanhola.ó de desprezo face às questões efetivamente urgentes. 8? ed. Podemos agora equacionar a questão de um pensamento brasileiro.Razão Dependente e negação 101 Razão pela qual a Filosofia preservou e t en s uma atitude nr . 116. sete s c l s Sérios são estudos m ç íi o é uo . . e continuam. Sérias. o sonho de enriquecer depressa e voltar m rc em seguida fez com que a ação dos portugueses se caracterizasse e t en s por um mercantilismo selvagem. Bandeirantes e Pioneiros. nr . Vianna. considerando-as coisas pouco sérias. só teses secas e desinteressan montadas a partir de questões que foram vitais para homens que viveram há. era praticamente inexistente". no mnm . Por outro lado.quanto a isso não há como dar um jeito . paralelo entre duas culturas. MOOG.ó Os primeiros que se instalaram nestas terras mantiveram uma ligação permanente com Portugal e. não dignas das luzes de nossos pensadores. num desafio a nossas instalações. por comodismo. com o resto da Europa.resultou a impossibilidade de uma Filosofia brasileira.. Desde o início existiam as condições externas e 47. como expressão e afirmação de uma nacionalidade. Este p í foi iniciado por pessoas que para cá vieram sem a as pretensão de permanecer. por seu intermédio. A Filosofia representa. os praticantes da Filosofia continuaram. p. 1966. apesar dos t a o de emancipação rçs de uma inteligência nacional que podemos encontrar no modernismo. Assim. Tanto que até o início do s c l XVUJ é uo "o termo brasileiro. Deste irreconciliável choque . "macaqueando a sintaxe lusíada". uma exigência de questionamento radical. Civilização Brasileira. Ou não? A questão é irrespondível se não fizermos referências às peculiaridades de nossa formação histórica. ligação incestuosa e pela violência do projeto colonizador. por si só. delas se esquecendo.

ut r l mentos. mas a espiritual. Lá estavam o poder e o saber. no sentido da distinção feita por Hus e analisada por Mario Casalla."48 a bm Condição que contaminaria s c l s de Brasil De p í coloni é uo as zado. para atender exigências externas. 2? ed. O brasileiro. tornamo-nos formalmente livres . Civilização Brasileira. assim.sempre se mantiveram voltados com muitas saudades (já se pensou nas explorações dessa palavra entre-nós?) para as terras daé . a dependência lhe reservava apenas o papel de objeto de exploração. De um modo geral este centro sempre foi a "Europa". 5.e sempre saudosos. p. não a geográfica. "Numa produção transplantada. lá ' l mm r o destino do mundo era decidido. Buenos Aires. 1975. 49.no sentido que esta palavra tinha até meados do s c éu lo XVII: aquele que explora o pau-brasil ou aquele que fez fortuna nestas terras . se renovam os costumes. O primeiro traço a ser destacado na formação brasileira é a origem colonial.49 Lá se encontra o centro do mundo. l(l):16-50. Não possuindo uma geração interna. surge naturalmente uma cultura t m é transplantada. neste sentido.caracterizam a posição periférica do Brasil. se escrevem romances notáveis. É onde se fazem descobertas. se é fino e inteligente.atividade extrativa. os EUA t m é faa bm zem parte da "Europa". Vale dizer: não-brasileiro.102 Razão Dependente e negação internas da dependência: a força da metrópole e a mente do ban deirante . resultou de um transplante cultural Jamais sujeito da própria história. .. De lá vinham as notícias significativas. com toda sua produção voltada para o centro europeu. E para lá se voltaria algum dia. Síntese de História da Cultura Brasileira. e montada em grande escala. Nelson Werneck. 1972. os primeiros "brasileiros" . exigindo que assumisse o papel de assimilador. Mario. Revista de Filosofia Latinoamericana. mas sempre esteve nalguma parte fora de nossos limites.. Husserl Europa y la justification ontológica dei imperialismo.a . com seu característico alheamento. e jun. O que explicaria o incrível sucesso de uma viagem ou de estudos realizados na 48. SODRÉ. CASALLA. Assim. Liberación y Cultura. Ri Janeiro. O pólo de nossa dependência e o ô i oc lu a sofreu vários deslocac n mc . sempre desejou ser europeu. predatória e desinteressada do lugar .

nasceram de uma pretensão assumida: um novo mundo.o própio padre N b e a já ó rg notara: "Não querem bem à terra. Vale aqui um registro quanto ao verdadeiro perfeccionismo que empregamos ao falar uma língua estrangeira. Executores e vítimas desta situação de colonialismo cultural. IANNI.50 m rc Podemos dizer que tanto na Sociologia quanto na Filosofia a problemática é externa. Daí se concluir que falar mal uma língua estrangeira é sinal de amadurecimento cultural.para não falar do charme sempre desejável das maneiras européias. foram capazes de assumir-se culturalmente. Gostemos deles ou não. 1971. São o que são e querem ser o que são. que "a bm reflete as peculiaridatm é des da dependência estrutural e histórica que caracteriza as sociedades da A é i a Latina". referindo-se mais especificamente ao caso da Sociologia. Rio de Janeiro. É fácil observarmos que um norte-americano ou europeu costuma falar português com a fluência de quem cospe cascalhos. Civilização Brasileira. E não dão a isso a menor importância. 39. por exemplo. Octávio. importada. essa atituóo de se viu reforçada e acabou generalizando-se. As origens de nosso mazombismo têm data remota. Os norte-americanos. jamais nos conformamos e muito menos desejamos ser o que somos. p. . Sociologia da Sociologia Latino-americana.sendo permanente o desejo de voltar . o mazombo que habita em cada um de nós continua suspirando pela culta vida d'além-mar. Em gerações recentes encontramos o irresistível desejo de ser norte-americano. Com a sucessão de outros p l s de dependência.Sazão Dependente e negação 103 Europa . pois têm afeição a Portugal". Enquanto isso. Como a pretensão era a posse e a instalação provisória nestas terras . Estamos aqui em pleno d mno daquilo que Octávio Iann o íi chamou de "cultura da dependência". e traz consigo as implicações 50.

p.sem se dar conta do que nos é próprio. a reprodução do pensar europeu. Daí a dificuldade de aplicação de tais conhecimentos à realidade que nos circunda. 41 e 42 52. ciL. é que justamente esta Filosofia alegórica interessa à manutenção de nosso estado de dependência."52 O que Michel Schooyans não acrescenta. o que impede que venhamos a conhecer criticamente a superfície ideológica que en cobre nossas alienações.104 Razão Dependente e negação teóricas que dela resultam. ainda é freqüente que o prestígio de alguns s cóo o latino-americano oi l g s esteja relacionado com a informação sobre a última novidade sociológica norte-americana ou francesa.. francesa. alemã. Com efeito. senão para europeus e norte-americanos . "A Filosofia no Brasil se acha. muitas vezes entre duas tentações igualmente funestas: a de se entregar. SCHOOYANS. 51. na atualidade t m é a bm a produção científica e filosófica dos p í e da América Latina co as s tinua a revelar influências acentuadas da produção intelectual norte-americana. . Enquanto nos contentarmos com estudar problemas do passado ou do estrangeiro. "Da mesma maneira que no passado.ó ornamentalidade.que é. 78. Ocorre então à Filosofia optar por uma reprodução do pensar alheio . (.. Idem. Michel. no â bt do qual seremos mdefinidamente m io dependentes . enquanto. que o p í poderia even eeeá as tualmente dispensar.a Filosofia m r c r ser tachada como artigo de luxo. inglesa etc."51 O pensar latino-americano e particularmente o brasileiro se encontram presos a i p râ ca e urgências que não são nem imm ot ni s portantes nem urgentes. manifestarmos menosprezo pelos verdadeiros problemas do Brasil de hoje . de fato. ou a de confiar nos fl s f s estranió oo geiros. Op. Ou.motivo pelo qual a Razão e t en s se perdeu nas alegorias da nr . assim como nas artes. e do que pouca gente quer dar-se conta. a querer se refugiar no mato. pois. pp. como bugres. nas outras ciências sociais e na Filosofia. em última análise. abandonar-se cegamente ao passado.) Na Sociologia. em momentos de exaltação patrioteira.

É vigente. Estamos aqui às voltas com a oposição entre o passado e o futuro.como gostava de dizer Mário de Andrade. mas do questionamento do passado. internamente. sendo o futuro a possibilidade ainda existente de que possamos superar as amarras que nos atam a esse legado. notas para una filosofia latinoam 1? ed. É tão grave esquecer-se no passado quanto esquecer o passado. Argentina. na repetição do dito. Siglo XXI. . posto que instalado dentro de nós.no sentido estrito de Aufheben . 1973. da introjeção do papel de c n mc .. precisamos ter consciência de que estamos diante de uma estrutura de vida e pensamento. E grave."53 Não se trata de julgar conveniente qualquer tipo de ilhamento cultural. Mas sob uma condição: o exercício de uma impiedosa antropofagia. O que se isola. Razón y Liberación. É urgente devorar a "estranja" . "De tal maneira que a 'nova cosmologia' e a 'nova história' não são nem mais nem menos que a superação . morre. Passado representado pelo que nos legou a cultura européia-ocidental. Nos dois casos desaparece a possibilidade de história. Ed.de um passado histórico em direção a um f redefínidor. das pressões e o ô i oc lu as e. o futuro não se constrói a partir de um presente arbitrariamente fixado. Buenos Aires. O pensamento. que poderia e deveria ser essencialmente negador e libertário se atendesse a urgências históricas nossas.ut r i . no entanto. Mario. jamais no dizer. 71. p. Com relação ao passado europeu. dependente e "assimilador". torna se apenas mais um instrumento de domínio. Devorar sem culpa ou sentimento de inferioridade.Razão Dependente e negação 105 urge libertar o Brasil de dois modos: externamente. O contato continuado com o universo euro-ocidental é condição de nossa maturidade. a c e ç de rna que o verdadeiro pensar encontra-se nesta incestuosa ligação com os centros da Razão Européia. de um horizonte de sentido que é preciso desvendar para compre- si CASALLA.

"a metafísica . O futuro não é um simples desejo. com uma história que é fluidez no tempo. p. marginalidade. e sua reconciliação. A Razão Dualista que emerge desde as origens na Filosofia grega encontrou sua tragédia: a impossibilidade de conciliar uma consciência atemporal. Idem. é o levantamento definitivo da contradição à qual um modelo de vida-pensamento chegou. Batalha previamente perdida. p. Em tal contexto é c m r e sv l o desvario final de Husserl: é preciso "salvar o p e ní e a humanidade da crise". 80. Defender a perpetuidade de seus valores e a "missão civilizadora" da Europa face ao resto do mundo foi a tarefa à qual Husserl se dedicou. Expressão de uma civilização que morre. p. desespero. A solução do comps 54. nem um projeto d m g gc a mais. "O germe do novo mora na caducidade efetiva do velho. A Europa não precisou ser destruída por nn u m cheigé .agrade ou não a Husserl .55 Esta metafísica que nos foi legada hoje sofre as mesmas impossibilidades da civilização à qual deu forma e da qual é o reflexo. A possibilidade de redefinirmos um futuro existe na medida em que nos for p s í e estabelecer as cono sv l tradições a que se viu conduzida esta Razão Européia. 7R . Não nos iludamos. Nesta dualidade.106 Razão Dependente e negação endermos o que nos ocorreu. O s c l XIX express m o sv l é uo a última busca desesperada da reconciliação. vindo culminar no s c l XIX. dominação. exploração.terminou". não é e a ó io um novo produto para o mercado. Idem. gando por seus próprios pés ao limite de exaustão do qual encontramos os sinais por toda parte: guerras. universal. i p s í e. 55. sendo a "civiliza é uo ção euro-ocidental uma civilização metafísica". 73. a bipartição do homem residente nesta civilização tornou-se inevitável.56 A nós cabe a conquista da consciência de que só seremos livres a ó devorarmos o legado de nossos pais. quando a Razão Euro-Ocidental atinge sua maior grandeza e miséria. mas uma parcela da humanidade e seu modelo de vida e pensamento preocupava a Husserl."54 A Razão Euro-Ocidental é a Razão Metafísica que se gerou a partir da Grécia. violência. 56. Não a humanidade. Idem.

A Filosofia. nas gerais dos campos de futebol. interesses. aquelas pretensões radicais da Filosofia serão irrealizáveis entre-nós. zia. que eu não sei de onde veio: somos afinal uns mestiços luso-afro-tupiniquins com incríveis problemas de povo pobre. "Tudo aquilo que não cheira o bom perfume de nossa intelectualidade faz mal a nosso nariz. aquilo que e t diante de nós .o que ficou expresso no assassinato do pai primordial .e morre quando se volta para o passado. mas irredutível a eles. Enquanto a Razão EuroOcidental. A m xm fidelidade a um mestre é ái a a a d n -o É jamais deixar que seu pensamento vire fórmula vab n o ál . No todo da cultura as coisas se passam assim. nas sá ruas.numa assimilação profunda e. mas pensamos em termos de uma civilização cristalizada e que pode se dar ao luxo de pesquisar e divagar sobre problemas esotéricos antes de resolver os problemas da existência mais imediata: . mento noto o excesso de ec ú uo de nossos praticantes de Filosr p l s sofia. pois é o todo histórico-social que determina o p i oó i o Com grande aborreci sc l gc . não havendo verdade nossa. É preciso devorar o mestre e referir a lição restante a uma situação nossa. esmerando-se em permanecer fiéis aos textos. então. De uma condição de dependência e envolvimento com relação aos pais. propor nosso caminho. a eá já foi visto.Razão Dependente e negação 107 plexo de Édipo. porque tudo isto fede e fere o nosso chamado bom gosto. Devorar nossos pais . preocupações. é dizer o contrário. consiste nisto: a vida explode para fora . nos suburbanos.sem o que nunca sá h v r verdade para nós. mas o que faria se estivesse em nosso lugar. que Freud p o ô e milhões se recusaram a enten rps der. questões e sistemas dos mestres europeus. contiso ç s nuar sendo para nós a prisão intelectual que até aqui representou. Numa explosão para fora e para a liberdade. urge chegar ao ponto de introjetá-los. Fazer o que um mestre fez não é fazer o que fez. Não deixar que a originalidade de sua intuição morra na esterilidade de um conceito. A tentativa de enxergar um palmo diante do nariz. com seus fins. e f r o . Nós estamos tão cheios de uma importância de sabidice e de teorismos inúteis que não queremos nos aproximar daquilo que e t diante de nosso nariz. Inexplicável sem nossos pais. é negação do passado. nas conduções coletivas.

Quer dizer: não poderiam ser objeto de uma Filosofia esterilizada sem contaminá-la.e o vigente e t en s é a dependência . quer do ponto eo e d vl de vista do vigente . obrigando-a a assumir seu papel histórico entre-nós. de bom gosto s é tc . s ú e educação etc. O mesmo se dá com os problemas que d v ra o efetivamente problematizar. "Um Apanhador de Dados". Somos uns desluma d. 8:9. 1974. habitação. Contaminada. esta Filosofia viria a ser muito i c m d . O que não é r c m n á e. a s pi a refinada. "distanciamento". a consciência crítica voltada contra a introjeção do papel de "assim Dadores" que a condição de coloniza57. já não permitindo a nô o a infindável conciliação. São Paulo. brados daquilo que nem conhecemos: A é i a do Norte e Europa. não nos vemos a não ser de modo distorcido e sem chegarmos a nos assumir teórica e praticamente. Nosso modo e p cfc de abordar s e íi o o real.. Depoimento a Nelson Blecher sobre o papel do repórter no jornalismo. Jornal Ex-. Dedica-se de preferência ao puro jogo formal que a nn um incomoda ou contamina.108 Razão Dependente e negação alimentação.. João Antônio. Não se compromete nem suja as mãos. igé As condições de possibilidade de um juízo filosófico brasileiro se encontrariam na missão de demolir as condições subjetivas e objetivas da dependência. tornando-o importante. FERREIRA FILHO. pois e eí m s não se enquadram entre aqueles que possamos pensar com "isenção". nr .ó quer do ponto de vista das instalações que providenciamos para nos proporcionar certezas. dez."57 m rc O que impede o surgir de um pensar nosso é a recusa implícita de enfrentarmos algo brasileiro. e ornamental é na verdade "a voz do dono". Nossos temas são recusados por não serem de odor tão refinado quanto as questões européias. Esta Filosofia esterilizada. Se os modelos de ver que assimilamos são os de um outro. . é esquecido. de modo "neutro".

porquanto 'para que o pensamento não seja fantasia sem proveito . prever as suas diretrizes. interesses.úteis tão só a britharecos verbais diante de um povo adormecido . Para tanto. Negar p si a i p râ ca e urgê otç s m o t n i s providenciadas estranhamente e que não nos expressam.é fazer desabar as instalações sérias nas quais vivemos. outros fins. Aceitar que há uma dolorosa verdade no juízo segundo o qual somos "los macaquitos". é n c sá i (para Cruz Costa) filosofar sobre o Brasil.desveladas suas condições internas e externas -. Criar uma nova consciência com relação a nós mesmos e com relação à consciência que se veio gerando no Ocidente e da qual somos uma última expressão desfibrada e mambembe. inseparável da existência e dos problemas da vida. com os problemas reais da vida'. dar adeus ao mazombo que habita em nós. Saber que somos outra realidade. Duarte . superar a culpa e a inferioridade. Conceder a nós mesmos o direito de ser o que somos. Mas fora de todo contexto dependente. A condição prévia a qualquer Filosofia brasileira que não queira se ver reduzida. VITA.Razão Dependente e negação 109 dos nos reservou. Afinal. preocupações. O crivo severo com relação ao passado: reler nossa história. Resolvido nosso complexo de dependentes . analisar a sua natureza. . 81. é preciso ligar a nossa atividade mental aos destinos de nossa história. "Sendo a Filosofia uma atividade vital.como dizia el-rei D. o que de pronto exige outra consciência. Op. Luís Washington. p.é mister que não perca contato com a história. Em suma. a nosso modo."58 É preciso inventar as condições de nosso futuro: nossas importâncias e urgências. à mera assimilação ornamental e dependente . e es ro vestindo as idéias com os m s uo. o sangue. os nervos da realida úc l s de presenciada e apreendida: explicar sua gênese. E pior: macaquitos que julgam tão sem classe comer banana. como tem acontecido até hoje. deixando vir à tona as virtualidades efetivamente nossas para que estas mesmas i p râ ca e urgências não se vejam novamente m ot ni s vítimas da Razão Ornamental. não estamos fazendo um piquenique em Hampshire ou Saint-Germain. cit. encobrindo condições que poderiam liberar em nós um pensamento de fa58.

Pois o pensamento não é gerado pela certeza. Jamais esquecer-se nalgum sistema c m d de pensar. como o samba. fora de toda Razão Or mental. Mas que seja um pensamento comprometido.só na tragédia nasce Filosofia. Noel Rosa tem mais a nos ensinar do que o senhor Immanuel Kant. entre-nós. . na A é i a Latim rc na. Que nesta altura dos acontecimentos um soco na mesa. ô oo em qualquer arquivo de primeiros socorros existenciais. do pon to de vista de um pensar brasileiro. Antes disso.descobrir-se no Brasil. não se aprende no colégio. longe de qualquer certeza prévia. mas pela dúvida. é mais importante do que sabermos da validade dos juízos sintéticos a priori E que. a sério. Só a solidão gera pensamento . pura ingenuidade Aprendamos duas coisas. violento e sonoro. qualquer Filosofia será. Urge ser o que somos . Correr o risco de não saber coisa alguma.110 Razão Dependente e negação to criador. uma vez que a Filosofia. Essencialmente negador. Sem um "outro" ao qual possamos nos agarrar.

111 Sugestões de atividades dd tc s i ái a Um título Cap. Apresentar os resultados. mas na hora das coisas 'culturais' mergulha num escafandro greco-romano". 5. Pesquisar sobre o Movimento Modernista. 1 1. Em seguida analisar as relações entre os personagens. 3. Analisar as ilustrações do capítulo (o mesmo vale para os capítulos seguintes). Fazer uma sessão de apresentação/representação das melhores piadas que o grupo conhece. . Elencar algumas obras dos autores citados na p gn 12. Comentar a frase do texto: "Gaba seu inigualável jeito piadístico. 7. Montar p i és com reportagens e artian i gos sobre o caráter brasileiro. ái a 6. Apontar formas de conformismo nos vários campos da vida brasileira. apontar as piadas críticas e as alienantes. Oswald de Andrade e Mário de Andrade. 2. 4.

O que é erotizar o agir? 4. 6. um filósofo sobre sua atividade e sobre o poder demolidor do pensamento crítico. Cap. 4. sem querer. de título: "Viagem de um barnabé. Comentar a frase de Nelson Rodrigues sobre o escanteio. Analisar o conto "A hora e a vez de Augusto Matraga". oraa ganize uma audição e aponte as imagens que eles apresentam sobre o Brasil Ressaltar a visão oficial e a visão alternativa. Procurar a relação entre a arte de um conjunto de rock e a sua é o a O que é pc. 2 1. F ç uma coleção de sambas-enredo. a sério". 3. Comentar a frase do poeta brasileiro: "Cansei de ser eterno. 2. Comentar: " afinal. Sugestão o é i. Ao dizer que "o Brasil não é um p í séas rio". 3. sucesso e o que é impasse em arte? . a partir do texto: " Onde estou? Quem sou?" 2. que saiu do sério e rodou a baiana. de Guimarães Rosa. Responda. 7. o peixe é que menos sabe da á u " ga. 3 1. o general De Gaulle. Apontar pessoas ou atividades "é i s s ra" e "a sério". agora quero ser moderno". fez um elogio ou uma crítica? 8. Entrevistar um artista. Criar uma c m da "a sério".112 Sugestões de atividades didática A sério: a seriedade Cap. sobre a libertação da personalidade de uma pessoa. 5.

Escrever um texto sobre oé a figura dos agregados na família patriarcal brasileira. jovem ou infantil? as 5. Comentar: "O verdadeiro intelectual e o verdadeiro artista são sempre negadores". 0 Brasil é um p í velho.ó são revistas ilustradas antigas). 3. 4. Localizar em Machado de Assis o personagem J s Dias. modas) estrangeiras éo o. 6. 2. e t en s (uma boa fonte nr . Vantagens e desvantagens da d vd como atituúi a de mentaL . 4 1. Citar casos de soluções originais para alguns problemas brasileiros. 4 . 2. Comentar: " O espírito da d vd é o iní úi a cio e a essência do pensamento". O que é ser cásc ? O que é ser moderl si o no? Qual a relação entre as duas características? O mito da imparcialidade: o ecletismo Cap. 5 1. Sinais da dependência cultural do brasileiro. m t d s idéias. Dar exemplos de situações (equipamentos. Pesquisar artigos de jornal e revista sobre a Academia Brasileira de Letras e apontar as relações dessa instituição com o pensamento oficial. Filosofia e negação Cap. O que é ecletismo? Vantagens e desvantagens. mal adaptadas. O brasileiro é um ser cordial? 3.Sugestões de atividades didáticas Ili 5.

Originalidade e jeito Cap. 4. Ver como elas aparecem na musica popular. Entrevistar uma vítima da burocracia. passada e recente. Entrevistar um burocrata assumido. 7 1. Fazer uma pesquisa sobre as revoltas sangrentas na História brasileira. O mito da concórdia: 6 Cap. montar uma pequena p ç teatral. sobre o que ele considera a importância da burocracia. profundamente? . Fazer um cartaz (com colagens. o jeito 1.114 Sugestões de atividades didátic 6. 2. A partir dos depoimentos. desenhos) criticando a frase: "Mais uma vez. Pesquisar sobre as idéias de Sylvio Romero. S r i Buarque de Holanda. Apontar no cotidiano manifestações de jeitinho e de intolerância. Com o que os brasileiros se importam. 3. Fazer o levantamento das modas intelectuais que assolam o Brasil e dos r sd o eí u s que deixam. ea 5. a Europa se curva perante o Brasil". é go 3. 2.

2.Sugestões de atividades didáticas 113 A Filosofia entre-nós 8 Cap. 9 1. l si a 4. Comparar o bacharel bem-falante com o sofista da Grécia Cá sc . ou ambos. 3. 10 1. levantada por Mário de Andrade na p. . Cap. 2. Entrevistar um filósofo brasileiro sobre suas influências e sua originalidade. Aponte algumas pessoas "brilhantes" e outras " so ç d s . Entrevistar um professor de Português sobre os preconceitos a respeito da nossa língua. Analise nas campanhas eleitorais o parentesco entre "brilhantismo" e demagogia. 4. Comparar o positivismo e o ecletismo. 3. A Razão Ornamental Cap. um humorista.ó? 3. O brasileiro tem " a e a fl s fc " c b ç io ói a ? 5. 65. 2 Quais as principais correntes filosóficas e t en s nr . Diferença entre ser criativo e assimilativo. Estudar os livros e artigos de Millôr Fernandes. Comentar a relação pensamento-linguagem. Demonstrar sua conclusão com trechos das obras. 1. Pesquisar sobre Comte e o positivismo. que você c n e a ef r a a" o hç . Responda se ele é um filósofo. Comentar a opinião de Comte sobre o voto e os direitos humanos.

cartaz) que sintetize as principais idéias que você teve a partir das discussões deste livro. 11 1. 3. Qual a tarefa atual da filosofia no Brasil? 7. o e t ro 6. Comentar: "A Filosofia não é salvação. Comentar: " O escravo traz o senhor dentro de si". Fazer um levantamento das idéias de Benjamim Constant 5. nas reúi a lações cotidianas. Produzir um texto (redação. "O brasileiro sempre desejou ser europeu (ou norte-americano)" .levantar na m súi ca ou na poesia c m ná i s a essa situação. Apontar a p ee ç do lucro imediato e rsna o sucesso fácil e rápido na economia. Aé da Semana de 22. m súi ca. 6. Demonstrar a p ee ç da afírmatividarsna de e a d vd na educação. que outros movilm mentos culturais provocaram rompimento no Brasil? 2. . no sistema de trabalho.116 Sugestões de atividades didática A Razão Afirmativa 4. Razão Dependente e negação Cap. O que é "jogar colonialmente certo"? 4. política e cultura no Brasil 5. política e cultura. peça. é perdição" e "Pensar dói". religião.

aé de lm uns três ou quatro i é io . 5. 1972 4. J Olympio. quer dizer. revistas. Castaneda. 2. 1975. Aos treze anos. Rio de Janeiro. 1975. Um ponto a menos para os h r so o. contra a falsa cultura. Aos 16 anos./jun. Rio de Janeiro. jornais. Civilização Brasileira. "Método para una Filosofia de la liberación s g n Enrique Dussel" eú In: Revista de Filosofia Latino-Americana. escrevi contos. Castaneda. Foi uma libertação emocional e intelectual pela qual a r dç até hoje.. ANDRADE. Bibliografia . em 8/10/1944. romances. Do Pau-Brasü a antropofagia e às utopias: manifestos. 1 (1):5-15. Sérgio.]. chamado Cacaes. o que resultou r nc s numa imensa montanha de papel e em nove livros publicados. "O movimento modernista". c ô i a. In: Aspectos da literatura brasileira. contra a filosofia desfibrada e mole qüe se praticada) no Brasil. 6. cartazes. Mário de. 231-55. 1 (2):277-85. artigos. Maternidade Santa Isabel. nasci Mas.. ARDILES. só eu e um amigo de infância. juL/dic. 3? ed. teses de concursos e en Introd. Desde então vivo com uma porção tá de livros por perto e quase me transformo em personagem de Borges. Raízes do BrasiL 7? ed. até chegar ao micro que uso hoje. 1973. num domingo às 15 horas. folhetos. Buenos Aires. Rio de Janeiro. na cidade de Blumenau. Mas tm é investi contra mim mesmo. a escola e a universidade haviam feito de mim. pp. Nele eu investi contra a hipocrisia intelectual. com quem nunca mais cruzei na vida. Civilização Brasileira e Instituto Nacional do Iivro-MEC. regulamentos de h t i (desses qu e é is oés ficam pendurados ar s das portas). Ponta de lança. por culpa oóc p s de Mark Twain. —. bulas de r m do. Martins. reportagens. O livro Crítica da Razão Tupiniquim n dt s crito entre 1974 e 1977. Benedito Nunes. resolvi que ia ser escritor e gastei o primeiro s l ro de auaá i xiliar de desenhista da prefeitura na compra de uma m q i a de escreáu n ver usada. disparei a ler livros. São Paulo. [s/d. con a bm tra aquilo que o ensino. ANDRADE.. BAZAN. Nela e em mais três outras. Bernardo. 197 3. ene. BUARQUE DE HOLANDA. s ea ç c ne a Roberto O autor 1. receitas de bolo. ga eo A minha epr na é que o mesmo a o t ç com os leitores."Líneas básicas para um provecto de filosofar latinoamericano" In: Revista de Filosofia Latino-Americana. Buenos Aires. Osvaldo. Oswald de.117 Igual a todo mundo.

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1966. Rio de Janeiro. "Por uma história literária do Brasil e por uma literatura brasileira". GUILLOT.) 39. Hélio. MEMMI. Herbert Razão e revolução: Hegel e o advento da teoria social [Reason and revolution]. MOOG. dir. 46. Alfa-ômega. 1971. Grijalbo e EDUSP.. 1975. 1963. Brasil: Crise e alternativas. 42 PACHECO... Rio de Janeiro.. 1966. J. 43. lf ed. 31. —. 1 (l):81-9.) 36. 1974. São Paulo. 1966. Paz e Terra. 1967. Rio de Janeiro. Zahar. 44. LINS. Sete ensaios de interpretação da realidade peruana [Sieoé te ensayos de interprétation de la realidad peruana]./mar. JAGUARIBE. 8? ed. 37. pp. (CoL Idéias e Fatos Contemporâneos. 19 (Rev.. Antônio & MERCADANTE. 1971. Ivan. In: Revista Brasileira de Filosofìa.. —. In: Os mortos de sobrecasaca. Armando Correia. São Paulo. William. Instituto Brasileiro de Filosofia. São Paulo. Moacyr Felix. Pref. Instituto Brasileiro de Filosofia. 33. 1974. Paulo. jan. [Cap. A Filosofia da escola do Recife 1? ed. Fernando Mangando. 25]. Pinharanda Gomes boa. 2 a ed. Civilização Brasileira. J s Carlos. série 1?. Rio de Janeiro.. São Paulo. Trad./jun. MARIÂTEGUI. 196 45. Aspectos negativos da colonização portuguesa: um confronto com a colonização anglo-saxônica. Álvaro. Antônio. PAULA. Roland Corbisier e Marisa Coelho. 48. PRAÇA. 1? ed. Bue nos Aires. (CoL Filosofia e Ensaios) . 1. História das idéias filosóficas no Brasil 1? ed. 17 (65):45-51.. In: Os mortos de sobrecasaca. Rio de Janeiro. 1? ed. Civilização Brasileira. jan. 1? ed. Org. 11. São Paulo. 16(64):549-76. Civilização Brasileira. Marília Barroso. out. IANNI Octávio. v.). Instituto Brasileiro de Filosofia. Rio de Janeiro. "Professores de Filosofia em vez de filósofos". PAIM. pp. 22) 38.. MARCUSE. 1969. São Paulo. Tobias Barreto na cultura brasileira: uma reavaliação. Civilização Brasileira.) 40. Vianna. (Cot Perspectivas do Homem. Saga. Daniel E. J. 44. Rio de Janeiro. [Cap. Guimarães & Cia. História do Positivismo no Brasil 2 a ed.Bibliografia 119 30. LINS. Samuel de. In: Revista Brasileira de Filosofia.. 1? ed.) 35. Bandeirantes e pioneiros: paralelo entre duas culturas.. 30]. KILGORE. In: Revista Brasileira de Filosofia. Grijalbo. Civilização Brasileira. Roland Corbisier. Rio de Janeiro./mar. "Introdução à Filosofia contemporânea no Brasil: a mentalidade positivista". Paulo. 1972 47. 431-42 (CoL Vera Cruz. Sociologia da Sociologia latino-americana.L. Saga. Trad. (Série Ecumenismo e Humanismo. "Algumas considerações sobre o pensamento filosófico no Brasil".. A consciência conservadora no Brasil: contribuição ao estudo da formação brasileira. 34. Filosofia contemporanea europea y filosofia latinoamericana: sobre la posibilidad de una asunción crítica. 335-70. 1972 41. ene. Castafleda. MERCADANTE. 83. (CoL Esta América.. "Gilberto Freyre e o regionalismo na Filosofia". 1? ed. Editora Nacional. — . Rio de Janeiro. Retrato do colonizado precedido pelo retrato do colonizador [Portrait du colonisé précédé du portrait du colonisateur]. 1975. Lopes. Salvador Obiol de Freitas e Caetano Lagrasta. Paralelo. 1963.. 17 (65):52-5. aum. 1967. s. dir. 44. Pref. 1967. (CoL Vera Cruz.) 32.. Revista de Filosofia Latinoamericana... Florestan Fernandes. PAIM./dez. 1? ed. Trad. História da Filosofìa em Portugal. São Paulo. Albert.

68. 11 (41):61-89. 1976. 18 (69): 94-6. 2 a ed. Rio de Janeiro. 1967./ago. 13 (3):331-40. 343-69. Rio de Janeiro. . VITA. 63.. Darcy. "Filosofia brasileira". Instituto Brasileiro de Filosofia. 64. A Füosoßa contemporânea em São Paulo. [L'action graliste brésilienne: un mouvement de type fasciste des annés 30] Prêt Jo Costa. SODRÉ. 1969.. STEIN. REALE. VAZ. In: Revista Brasüeira de Filosofia. 3-160. 1972 51. 57.. Luis Washington. João Camilo de Oliveira. Henrique Claudio de Lima. Castaneda. Jessy.. In: Revista Brasüeira de Filos São Paulo. Stanley & STEIN. Integralismo: o fascismo brasileiro na década de 30. 58. 1964. Civilização Brasileira. 54. oé pp... Atlântida./mar. Rio de Janeiro.120 Bibliografia 49. 1967. —. ZEA. "Reflexões sobre 'autonomia cultural' no plano da história das idéias". "Tarefa e vocação da Filosofia no Brasil". "A Filosofia no Brasil". Univ. —. Difusão Européia do livro. 53. "Doutrina contra doutrina. 2 a ed. Leopoldo.. Conciliação e reforma no Brasil: um desafio histórico< oé tural Rio de Janeiro. TORRES. 69. 66. 1967.. A herança colonial da América Latina: ens dependência econômica [The colonial héritage of Latin America: essays o mie dependence in perspective]./mar. 61. 1975. 17 (65):42-4. Michel. juL/set. Teoria do Brasil 1? ed. "O pensamento filosófico no Brasil de hoje". In: Revista Brasileira de Fúosofia. Barbara. o evolucionismo e o positivismo no Brasil". —. abr. Rio de Janeiro./mar. Síntese da história da cultura brasüeira. Escorço de Füosoßa no Brasü. J s Olym oé EDUSP. Introd. São Paulo. 1 59. Tríptico de idéias. In: Obra filosófica. /mar. In: Revista Brasileira de Filosofia. J s Olymp oé 62 TRINDADE. —. 247-496. — . ed. São Paulo. RODRIGUES. 2?. 195a 65. João. ro. MigueL Füosoßa em São Paulo. Paz e Terra. Instituto Brasileiro de Filosofia. São Paulo. SANTOS. Rio de Janeiro. RIBEIRO. jul. "A Filosofia atual no Brasil". In: Revista de Füosoßa L no-Americana. "A influência de Bergson no Brasil".. 1975. RODRIGUES. Instituto Brasileiro de Filosofia. Introd. Tendências do pensamento estético contemporâneo no Brasü Rio d lização Brasileira. São Paulo. juL/dic. São Paulo. Grijalbo e EDUSP.. São Pauto. "Filosofia no Brasil". Coimbra.. —. e seleção de Luís Washington Vita. São Paulo. 1969. In: Revista Brasileira de Filosofia. 1969. J s Olympio e EDUSP.. Instituto Brasileiro de Filosofia. Editorial Grijalbo e EDUSP.. São P bo e Instituto Brasileiro de Filosofia. Nelson Wemeck. Paz e Terra. 1 (2):175-82. RIBEIRO. Instituto Brasileiro de Filosofia. e seleção de Luis Washington Vita. pp. 15 (58): 237-44. 1954. 67. 19 50. 1967. 21? ed. SAUDADE. Prof. jan. Hélio. 56. 1974. Porto Alegre. Buenos Aires. 1965. jan. jan. Instituto Brasileiro de Fúosofia. 70. 1? ed. SCHOOYANS. 1968. 17 (65):56-9. Gil M. In: Noções de história da Filosofia. 1973. 55. Civilização Brasileira. São Paulo. Geraldo Pinto. pp. Sylvia "A Filosofia no Brasil: ensaio crítico". "La Filosofia actual en América Latina". 52 ROMERO. In: Reviso Brasüeira de Filos São Paulo. Instituto Brasileiro de Filosofia. J s Honório. 4 (3):413-6.. Federal do Rio Grande do Sul. Miguel Reale. In: Revista Brasileira de Filosofìa./jun. In: Obra filosofica. 1972 60. Interpretação da realidade brasüeira: introduçã história das idéias políticas no Brasa 2 a ed. Rio de Janeiro.

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" Preocupado em reconstruir o modo como nós brasileiros nos apropriamos da tradição européia. são comum dos mortais. a filosofar. Roberto Gomes tem da Filosofia uma visão muito particular.O BOM SELVAGEM Luiz R. numanos. Salinas Fortes MARX . Darcy Ribeiro disse a p o ó rpablicação deste livro: "O Brasil volta. 10 que nos é p ó i o das formas que r xm . A preocumrt .A PAIXÃO PELA RAZÃO Mario S r i Cortella é go ROUSSEAU . desta C Í I A DA RAZÃO éio RTC .É PR0D3ID0 PROIBIR Fernando J s de Almeida oé GANDHI .o uma coleção de teorias que nas que. de tão profundos.OUSAR A UTOPIA Jorge Cláudio Ribeiro A I T T L S .razer estas questões para o solo 3 no dia-a-dia.•a particular usa para nos construir .O EQUILÍBRIO DO SER Otaviano Pereira RS Ó E E DESCARTES .TRANSFORMAR O MUNDO Moacir Gadotti SARTRE .P LTC DOS GESTOS P É I O Rubem Alves OÍIA O TC S C Í I A DA RAZÃO TUPINIQUTM Roberto Gomes RTC FTD .A Filor algo c* mães se Tf in' P er vista e apresentada como esquisitices de gregos e ale. finalj. Ela é uma crítica dos mecanismos por meio dos quais nos tornamos dignos ou indignos da Razão. Livros desta coleção: PLATÃO . fazendo da indagam questionamento que parte do co. .

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