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Memorando sobre os Doutoramentos no ISA

O número de doutorandos no ISA estagnou nos últimos anos (ver Tabela 1). A
questão da evolução põe-se quanto à atractabilidade, empregabilidade e qualidade.
Numa análise muito sumária é evidente que o ISA mantém atractabilidade em
resultado do prestígio, do volume de investigação e da ligação desta à sociedade
portuguesa, bem como um número apreciável de orientadores potenciais. O
emprego de Doutores em empresas é ainda uma raridade no País e a situação
actual caracteriza-se pelo decréscimo de doutorandos com emprego garantido nos
institutos politécnicos. Subsiste então uma parcela, agora maioritária, de bolseiros.
Quanto à qualidade, não há indicadores compilados. Depende em grande parte do
orientador.
Tabela 1.
Doutoramentos 2003 2004 2005 2006 2007
Total de alunos que estão inscritos 150 156 149 135 137
Total de graus concedidos 21 15 18 21 17

Qual é a evolução previsível? Na ausência de forte empregabilidade, os candidatos


ao grau de Doutor vão continuar a fazer as suas inscrições no ISA na estreita
dependência das bolsas FCT e dos financiamentos para a investigação. Entretanto
a mobilidade acrescida dos estudantes vai colocar o ISA numa posição de
concorrência com escolas de referência estrangeiras (ou nacionais). Se o ISA tem a
seu favor a acessibilidade (maior concentração urbana do País) e o enquadramento
nacional (proximidade com a realidade portuguesa), pode não ser um forte
competidor em muitas áreas científicas ou tecnológicas essenciais.
Deste modo, e assumindo que o ISA pode continuar a ter preponderância nas áreas
em que oferece doutoramentos mas num contexto de competição internacional, há
que zelar pela qualidade. Nesse sentido, há que definir critérios relativos à oferta
das áreas de Doutoramento, perfil dos orientadores, nomeação dos júris, ensino do
3º ciclo e conteúdos das teses. Em particular:
1) A Comissão Coordenadora do CC, por sugestão do Senhor Reitor, tomou uma
decisão em 13 de Janeiro de 2008 que implica a aplicação estrita do Artº 28 d)
do Decreto Lei nº74/2006. Assim, foi decidido que as teses apresentadas 1 ano
após essa data (13 Janeiro 2008) devem conter resultados da investigação que
tenham merecido divulgação internacional em pelo menos uma publicação com
comité de selecção, sem prejuízo do estipulado no Artº 12.3 do Regulamento
Geral dos Doutoramentos no ISA.
2) Também é razoável estabelecer certos requisitos de qualidade, actualização e
enquadramento científico dos orientadores. Seria desejável que os orientadores
fossem autores de um número mínimo de publicações ISI/SCOPUS nos últimos
5 anos e estivessem integrados em Unidades de Investigação com classificações
mínimas de BOM ou equivalente.
3) Nos ramos do conhecimento em que o ISA não tenha “massa crítica” (e.g., um
número mínimo de doutorados (e.g. 20) em regime de tempo integral no ramo do
conhecimento em causa ou áreas afins, integrados em unidades de investigação
com classificação mínima de BOM), seria vantajoso adquirir “massa crítica” em
associação com outras escolas ou universidades.
4) Procurar activamente a participação em programas de 3º ciclo específicos em
parceria com escolas ou universidades nacionais ou estrangeiras (art.ºs nº 1 e
nº6 do regulamento dos doutoramentos do ISA).
5) Nos ramos do conhecimento do ISA mas que são comuns a mais do que uma
escola da UTL, o ISA deverá participar nos colégios integrados destinados à
designação dos júris de doutoramento, bem como à coordenação dos cursos
nesses ramos do conhecimento.
6) Incentivar os Doutoramentos em empresas.
7) Garantir que os candidatos ao doutoramento pelo ISA usufruem de uma oferta
diversificada de ensino no âmbito da UTL para a sua formação.
8) Garantir que o funcionamento da unidade curricular de seminário, prevista no
Regulamento Geral dos Doutoramentos no ISA como unidade integrante dos
cursos de doutoramento, e em particular a constituição do júri a que se refere o
Artº 8 g), permita uma efectiva avaliação do desempenho do candidato.

É claro que o estabelecimento de critérios não assegura por si só a qualidade


desejável. A transparência da concretização prática é que poderá ter o impacto
desejável.
Conselho Científico do ISA, 20 de Fevereiro de 2008

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