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PROCESSOS FERMENTATIVOS

PROCESSOS FERMENTATIVOS

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  • 1- USO DE MICRORGANISMOS NA FERMENTAÇÃO
  • 2- DEFINIÇÃO DE FERMENTAÇÃO
  • 3- METABOLISMO MICROBIOLÓGICO
  • 3.1- FERMENTAÇÃO ETANÓLICA
  • 3.2- FERMENTAÇÃO DE ÁCIDO LÁCTICO
  • 3.3- FERMENTAÇÃO DO GLICEROL
  • 3.4- FERMENTAÇÃO ACETONA-BUTANÓLICA
  • 3.5- FERMENTAÇÃO BUTANOL-ISOPROPANÓLICA
  • 3.6- FERMENTAÇÃO ACETONA-ETANÓLICA
  • 3.7- FERMENTAÇÃO DO ÁCIDO PROPIÔNICO
  • 3.8- FERMENTAÇÃO DO ÁCIDO CÍTRICO
  • 4- CULTIVO DE CÉLULAS MICROBIANAS
  • 4.1- BACTÉRIAS
  • 4.2- FUNGOS
  • 4.3- LEVEDURAS
  • 5- CULTIVO DE CÉLULAS ANIMAIS E VEGETAIS
  • 6- APLICAÇÕES DA FERMENTAÇÃO
  • 6.1- PRODUÇÃO DE ALIMENTOS
  • 6.2- PRODUÇÃO DE ANTIBIÓTICOS
  • 6.3- PRODUÇÃO DE ENZIMAS
  • 6.4- PRODUÇÃO DE ANTICORPOS
  • 6.5- PRODUÇÃO DE INOCULANTES
  • 6.6- TRATAMENTO AMBIENTAL
  • 6.7- PRODUTOS RECOMBINANTES
  • 7- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
  • 8- ANEXO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ SETOR DE TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA

PROCESSOS FERMENTATIVOS

Trabalho acadêmico apresentado à disciplina Processos Fermentativos Industriais da Universidade Federal do Paraná ministrada.

CURITIBA 2008

1

SUMÁRIO

1- USO DE MICRORGANISMOS NA FERMENTAÇÃO....................................

2

2- DEFINIÇÃO DE FERMENTAÇÃO.................................................................. 8 3- METABOLISMO MICROBIOLÓGICO............................................................ 10

3.1- FERMENTAÇÃO ETANÓLICA................................................................. 15 3.2- FERMENTAÇÃO DE ÁCIDO LÁCTICO................................................... 3.3- FERMENTAÇÃO DO GLICEROL............................................................ 3.4- FERMENTAÇÃO ACETONA-BUTANÓLICA........................................... 19 20 22

3.5- FERMENTAÇÃO BUTANOL-ISOPROPANÓLICA................................... 24 3.6- FERMENTAÇÃO ACETONA-ETANÓLICA.............................................. 3.7- FERMENTAÇÃO DO ÁCIDO PROPIÔNICO........................................... 3.8- FERMENTAÇÃO DO ÁCIDO CÍTRICO................................................... 4- CULTIVO DE CÉLULAS MICROBIANAS...................................................... 4.1- BACTÉRIAS............................................................................................. 4.2- FUNGOS.................................................................................................. 25 26 27 28 28 29

4.3- LEVEDURAS............................................................................................ 29 5- CULTIVO DE CÉLULAS ANIMAIS E VEGETAIS.......................................... 31

6- APLICAÇÕES DA FERMENTAÇÃO.............................................................. 35 6.1- PRODUÇÃO DE ALIMENTOS................................................................. 6.2- PRODUÇÃO DE ANTIBIÓTICOS............................................................ 36 39

6.3- PRODUÇÃO DE ENZIMAS...................................................................... 40 6.4- PRODUÇÃO DE ANTICORPOS.............................................................. 6.5- PRODUÇÃO DE INOCULANTES............................................................ 6.6- TRATAMENTO AMBIENTAL................................................................... 40 41 42

6.7- PRODUTOS RECOMBINANTES............................................................. 43 7- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................... 46 8- ANEXO............................................................................................................ 49

2

1- USO DE MICRORGANISMOS NA FERMENTAÇÃO

A utilização de microrganismos na biotransformação da matéria vem desde a antiguidade. Através da observação do ambiente ao seu redor, o ser humano passou a perceber que certos processos se desenvolviam devido à presença de microrganismos no meio. A descoberta de microrganismos que podiam modificar um determinado substrato possivelmente foi feita ao acaso, como ao perceber que a carne seca resistia a deteriorização; ou que ao deixar o leite azedar era possível retirar o líquido do coalho para fabricar queijo; ou ainda que ao secar os grão antes da estocagem era possível evitar o aparecimento de fungos. (TORTORA et al., 2006) A partir dessas observações, foi possível estudar mais a fundo e utilizar esses microrganismos de forma a atender da melhor forma as nossas necessidades. Os babilônios e os sumérios usavam leveduras na produção de álcool antes de 6000 AC (NAJAFPOUR, 2007). Já os egípcios, em 2000 AC, utilizavam leveduras para a produção de pães. Na Ásia, antes do nascimento de Cristo, utilizava-se Penicillium rouquefortii na produção de queijos. A 2500 anos atrás, na China, o fungo Aspergillus oryzae era usado no processo de fabricação de koji, que foi levado também para o Japão no século VII (PANDEY et al., 2007). Na metade do século XIX, Luis Pasteur estudou a função de microrganismos na produção de vários produtos como alimentos fermentados, vinho, cervejas, queijo, leite, iogurte, combustíveis e química fina. Ele identificou muitos processos microbiológicos e descobriu um dos principais princípios da fermentação: a utilização de substratos por microrganismos para a produção de metabólitos primários e secundários de interesse ao homem (NAJAFPOUR, 2007). Através do isolamento de alguns microrganismos e cultivo em meio adequado, Pasteur também conseguiu desvendar a base do que hoje recebe o nome de biotecnologia. Para se conseguir um bom rendimento muitas vezes é necessária presença de um cultivo puro com somente um microrganismo isolado e evitar o aparecimento de microrganismos indesejados, que podem alterar o processo. Além disso, uma vez terminado o processo, é necessário que os microrganismos presentes também sejam “desativados”. Para isso, Pasteur desenvolveu em 1864 o processo de pasteurização, que consiste em aquecer um determinado meio a uma temperatura de 60ºC por 30 minutos (SCHWARTZ, 2001).

3

Durante a Primeira Guerra Mundial começou-se a utilizar microrganismos para a produção de substâncias como etanol, acetona e ácido cítrico. Foi durante esse período que foi feito pela primeira vez um cultivo microbiológico asséptico em larga escala, quando Chaim Weizmann usou um fermentador líquido para a produção de acetona por Clostridium acetobutylicum (STANBURY et al.,1995). A partir da Segunda Guerra Mundial, os microrganismos tiveram importância na produção em larga escala de antibióticos. (TORTORA et al., 2006) As usinas de bioprocessos são muito importantes na indústria de alimentos, química fina, e farmacêutica. Apesar de que a produção de produtos como cervejas, vinhos e queijos já vêm acontecendo desde a antiguidade, atualmente a produção é muito mais controlada e eficiente (NAJAFPOUR, 2007). Por exemplo, primeiramente, os pães eram fermentados com leveduras presentes no meio ambiente. Mais tarde passou-se a manter uma cultura própria de leveduras, guardando uma parte da produção anterior para servir de inóculo para a próxima. Atualmente pode-se comprar o fermento produzido industrialmente de forma padronizada. (TORTORA et al., 2006) Processos como a produção de pães, vinhos e queijos, que antes eram realizados em casa ou pequenas propriedades, passaram a ser realizados em grades indústrias, evidenciando a grande vantagem que a microbiologia pode dar à indústria (PRESCOTT et al., 1959). Exemplificando, pode-se citar a ação de leveduras em extratos de frutas ou grãos, fazendo fermentação alcoólica, onde os carboidratos são reduzidos a piruvato e então ocorre a reoxidação da forma reduzida da nicotinamida adenina dinucleotídeo (NADH) e a produção de moléculas de etanol. Outro tipo de fermentação inclui o cultivo de bactérias acéticas na produção de vinagre. Bactérias lácteas são responsáveis pela preservação do leite, produção de iogurte e queijo. Num cultivo pode-se visar também à produção de biomassa, onde as células estão em meio nutritivo que favorece a multiplicação, como na produção de fermento (NAJAFPOUR, 2007). A tabela 1 mostra alguns produtos de fermentação.

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Tabela 1- Produtos de origem fermentativa Produto da fermentação Etanol (não utilizado em bebidas) Ácido 2-cetoglucônico Pectinase, protease Amilase bacteriana Protease bacteriana Dextrano Sorbose Cobalamina (vitamina B12) Ácido Glutâmico Ácido glucônico Ácido Lático Ácido cítrico Acetona-butanol Insulina, interferon Início de cultura Microrganismo Saccharomyces cerevisiae Pseudomonas sp. Aspergillus niger, A. aureus Bacillus subtilis B. subtillis Leuconostoc mesenteroides Gluconobacter suboxydans Streptomyces olivaceus Brevibacterium sp. Aspergillus niger Rhizopus oryzae Aspergillus niger, A. wentii Clostridium acetobutylicum Aplicação Química fina Intermediário para o ácido Daraboascórbico Agente clarificante em sucos de frutas Amido modificado, tratamento de papel Tratamento de fibras, removedor manchas Estabilizante alimentício Manufatura de ácido ascórbico Suplemento alimentar Aditivo alimentar Produtos farmacêuticos Alimentos e produtos farmacêuticos Alimentos, medicamentos Solventes, intermediários químicos Terapia humana Produção de pães, queijo e iogurte Suplemento alimentar Antibióticos Antibióticos Antibióticos

E. coli recombinante Levedura de pão, Lactobacillus bulgaricus Proteína microbiana Candida utilis Penicilina Penicillium chrysogenum Cefalosporina Cephalosparium ecremonium Eritromicina Streptomyces erythreus Fonte: NAJAFPOUR, 2007

Os microrganismos utilizam uma fonte orgânica e produzem metabólitos primários como o etanol, que são formados durante a fase de crescimento exponencial, ao mesmo tempo em que as novas células são produzidas, e a curva de produção do metabólito segue a curva de crescimento celular quase que paralelo, como mostra o gráfico esquerdo da figura 1. Outros produtos como a penicilina e polissacarídeos são considerados metabólitos secundários, sendo produzidos durante a fase estacionária. A fase de crescimento exponencial anterior a produção de metabólitos secundários é camada de trofofase, e a etapa estacionária em que há produção é chamada de idiofase, como mostra o gráfico da direita da figura 1.

o bagaço de cana). Os bioprocessos vêm substituindo uma série de processos que antigamente só podiam ser feitos quimicamente. o processo pode ser desenvolvido sob pressões e temperaturas normais (evitando sistemas pressurizados caros e perigosos). ainda existe a possibilidade de utilizar um outro processo microbiológico no tratamento do resíduo). Figura 1. transferência de calor e massa. Eles apresentam algumas vantagens como a possibilidade de utilizar matéria-prima barata e disponível no mercado (como por exemplo. além de tentar minimizar os custos de produção (PURICH & ALLISON. e não há a produção em quantidade de resíduos tóxicos (e quando há a produção. 2006) Os processos desenvolvidos no cultivo de microrganismos se desenvolvem geralmente em equipamentos denominados biorreatores. concentração de reagentes. promovendo um melhor rendimento em biomassa e/ou produto. Eles consistem em um sistema aberto ou fechado. (TORTORA et al..Metabólito primário e secundário. 2006..5 Um metabólito secundário pode ser a simples conversão de um metabólito primário ou também pode ser originado de outros compostos. onde há a manipulação dos parâmetros físicos (pH. 2007. TORTORA et al. 2006).. 2000). Eles . Fonte: TORTORA et al. mas pode necessitar uma quantidade suficiente de células ou metabólitos primários acumulados (NAJAFPOUR. aeração) de forma a regular a catálise.

Devem ser promovidas condições adequadas de agitação e areação para satisfazer as condições metabólicas dos microrganismos.      O consumo de energia deve ser minimizado.1995) O cultivo dos microrganismos pode ocorrer em diferentes tamanhos. de forma a melhorar a qualidade do processo dependendo do tipo de célula a ser cultivada (bactérias. Inicialmente utiliza-se biorreatores menores para se investigar qual é o melhor microrganismo a ser utilizado. tecidos animais ou vegetais. Isso . São feitos estudos sobre parâmetros como: transferência de massa. Biorreatores de escala laboratorial variam de 2 à 100 litros. devem ser utilizados. entre outros. Não deve haver perdas excessivas devido à evaporação. temperatura. qual meio de cultivo proporcionará um melhor crescimento e quais condições operacionais são mais favoráveis para a formação do produto desejado. formação de espuma. mas também podem ser um simples erlenmeyer. células ou enzimas imobilizadas. mas que ainda propiciam um rendimento desejado. pH. fungos. energia necessária. taxa de cisalhamento. etc. a maioria dos requisitos listados abaixo:   O recipiente onde ocorrerá o cultivo deverá permanecer em condições assépticas durante um grande período de tempo.) (DORAN. Não deve haver a necessidade de uma grande quantidade de trabalhadores para a sua operação. Ao se utilizar um biorreator. (STANBURY et al. 1995). Deve haver um controle de temperatura e pH. minimizando assim os custos com relação à mão-de-obra. Deve haver uma forma de retirar amostras do fermentado para o controle do processo. se não todos.  Materiais mais baratos. forma e tamanho do biorreator. agitação. limpeza e manutenção do tanque de fermentação. mas sem haver danificação mecânica das células dos mesmos devido ao processo.6 geralmente são tanques cilíndricos que apresentam ou não sistema de agitação. taxa de diluição.. mas durante operações em larga escala na indústria eles podem chegar a 100000 litros. piloto ou de planta industrial. Novos modelos de biorreatores aparecem constantemente. como em escala de bancada. procura-se atender.

Esses parâmetros seriam:      Número de Reynolds ou fatores de momento semelhantes. Coeficiente volumétrico de transferência de massa constante. Velocidade da pá de agitação constante. Nessa etapa também deve-se observar se o processo se desenvolve melhor em batelada. Isso propicia uma análise mais cuidadosa de alguns parâmetros e um controle maior sobre o processo do que o cultivo em erlenmeyer. Figura 2. 1995). Devem-se preservar alguns parâmetros de forma a continuar tendo um bom processo. 2007). passa-se para um biorreator de bancada com capacidade de 1 a 2 litros.7 deve ser feito em pequena escala porque não seria vantajoso fazer esses testes em larga escala. Mistura do líquido e tempos de recirculação semelhantes. O processo de mudança de escala está exemplificado esquematicamente na figura 2. pH e aeração. correndo o risco de perder grandes quantidades de material e ter um prejuízo econômico (NAJAFPOUR. o qual é normalmente equipado com sensores de ajuste de temperatura. a etapa final seria um biorreator de escala industrial (DORAN. Consumo de energia constante por unidade de volume de líquido. Após a fase de testes em frascos de 250mL a 1L e análise dos fatores de produção. Próximo passo é o cultivo em um biorreator em escala piloto de 100 a 1000 litros. A cada processo de aumento de escala deve-se observar se há alguma alteração na resposta celular com relação ao rendimento do processo. 1995 Mas ao mudar de escala laboratorial para escala industrial não ocorre somente a mudança do tamanho em proporção. Se tudo estiver correto. .Processo de aumento de escala Fonte: Adaptada de DORAN. semibatelada ou contínuo.

Isso é bastante viável no cultivo de microrganismos...”. Por exemplo. 2007). 2001) Atualmente. ela era definida de forma diferente do conceito aceito atualmente. sendo o bagaço de cana. é um processo vivo. Também cabe ao biotecnologista otimizar o processo procurando recursos mais econômicos. a putrefação de substâncias vegetais que se realiza sem que haja a liberação de nenhum odor.” (SCHWARTZ. deve-se estudar as melhores condições ambientais que propiciam um melhor crescimento e uma melhor produção. A produção de álcool e solventes orgânicos muitas vezes utiliza resíduos como fonte de carbono ou nitrogênio. 2. em 1839...DEFINIÇÃO DE FERMENTAÇÃO Antes de se elucidar o papel dos microrganismos na fermentação. fermentação.. O artigo em anexo mostra a função de um engenheiro de bioprocessos e os conceitos básicos que um profissional dessa área deve ter para o desenvolvimento de um bom trabalho. o termo “fermentação” pode apresentar diferentes significados dependendo o setor do conhecimento que o utiliza. mas já no cultivo de células animais isso já não é possível devido ás várias exigências da célula. 2007). bem importante na indústria alcooleira. ou pelo menos nenhum desagradável. (NAJAFPOUR. por exemplo.. Liebig definiu o termo fermentação como sendo “. o que geralmente encarece o processo de cultivo de células animais (NAJAFPOUR. O sentido geral do termo .8  Manter todos os fatores ambientais constantes para o microrganismo. Após. longe de ser o fenômeno sem vida. muitas vezes podendo ser resíduos de outros processos. Já Luis Pasteur tentou associar o processo de fermentação com o desenvolvimento de organismos: “. 2007) O cultivo de microrganismos pode ser feito utilizando substratos de baixo valor comercial. as quais eu preparei e estudei em estado puro e isolado. todo fenômeno de fermentação é correlacionado com o desenvolvimento de células micodérmicas e plantas. mas que ainda produzam um rendimento satisfatório (NAJAFPOUR. O papel de um engenheiro de bioprocessos é entender o mecanismo de produção e selecionar o melhor biocatlisador (microrganismo ou enzima) para tal.

. 2006) Durante uma fermentação. como acontece na respiração anaeróbia. A fermentação ocorre como uma forma de reoxidar as coenzimas reduzidas NADH e NADPH que são formados durante a glicólise. (TORTORA et al. Ele primeiramente foi utilizado para descrever os tanques onde ocorria o cultivo. 2007). fornecendo NAD + e NADP+ suficientes para a continuação da glicólise. O significado bioquímico da fermentação é o processo metabólico onde o substrato orgânico atua como doador e como receptor final de elétrons. Por exemplo. Como a maioria dos cultivos realizados nesses tanques era de forma aeróbica. 1967) O tipo de fermentação realizada vai depender da espécie de microrganismo utilizada.9 significa qualquer processo de cultivo microbiológico que ocorre com ou sem ar. propôs-se um novo nome para não contradizer a definição bioquímica de fermentação. A figura 3 mostra o tipo de fermentação que segue alguns microrganismos. (TORTORA et al. mas sem a utilização de uma cadeia respiratória. no caso do ácido pirúvico. 2006) O termo “fermentador” também pode gerar alguma discordância devido a esses conceitos. O termo “biorreator” então começou a ser usado para descrever o local onde eram realizados cultivos de microrganismos em condições aeróbicas e anaeróbicas (NAJAFPOUR. (CROCOMO. ele pode sofrer uma oxidação formando ácido acético ou pode sofrer uma redução e formar ácido láctico. . de forma a manter o balanço de redução-oxidação dentro da célula.. realizando testes bioquímicos. Os elétrons são transferidos das coenzimas para um composto orgânico. do substrato que está sendo fornecido e dos tipos de enzimas que ele possui e estão ativas. ocorrendo em condições anaeróbias. A análise do tipo de produto final formado na fermentação também pode ser utilizada como forma de identificação de microrganismos. um mesmo composto orgânico pode sofrer uma oxidação ou outras a redução dependendo do microrganismo.

10 Figura 3 – Produtos finais de fermentação dependendo do microrganismo Fonte: TORTORA et al. há as reações de quebra do substrato. que geralmente é a glucose.. Essa via recebe o nome de “glicólise” ou via de Embden-Meyerhof. onde a glucose é catabolisada a piruvato e a energia livre liberada é estocada na forma de ATP e NADH.METABOLISMO MICROBIOLÓGICO Antes do processo metabólico que inclui a fermentação. 2006 3. .

Glicólise Fonte: LEHNINGER et al.. 2006 .11 Figura 4.

e depois o grupo fosfato em C-3 é transferido para a enzima. a cada molécula de glucose metabolizada. Primeiramente um grupo fosfato presente no sítio ativo da enzima se liga ao C-2 do substrato. Essa molécula já está pronta para sofrer uma quebra em duas moléculas de três carbonos. a glicólise pode ser dividida em duas etapas. dois ATP e dois NADH formados. sendo que a transferência ocorre em duas etapas. com a formação de mais uma molécula de ATP por PEP. Considerando inicialmente uma molécula de glucose e desconsiderando desvios para outras vias. e por isso ela se chama glicólise. Um dos fósforos do 1.3bifosfoglicerato. inicialmente ocorre a fosforilação da glucose em C-6 através da enzima hexoquinase. diferentemente da fosforilação ligada a respiração que ocorre na cadeia respiratória. formando 3fosfoglicerato. e nesse ponto acontece mais uma fosforilação a nível de substrato. a molécula sofre outra fosforilação.12 Como mostra a Figura 4. a fase preparatória e a fase de pagamento.3-bifosfoglicerato será transferido para uma molécula de ADP através da ação da enzima fosfoglicerato quinase. para que depois essa energia armazenada possa gerar lucros energéticos. Para isso deve haver o gasto de uma molécula de ATP. Aqui termina a etapa de preparação. A enzima fosfoglicerato mutase irá então fazer uma transferência reversível do grupo fosfato do C-3 para o C-2. formando fosfoenolpiruvato (PEP). A diidroxiacetona é isomerizada em outro gliceraldeído-3-fosfato. mas agora em C-1. A partir desse ponto acontecerá a liberação de energia. O resultado final é a formação de piruvato. Há então uma conversão entre glucose-6fosfato em frutose-6-fosfato através da fosfoexose isomerase. Esta enzima requer a presença de íons K+ e Mg2+ ou Mn2+. Na fase preparatória. onde a molécula de glucose é preparada com o gasto de 2 ATP. e isso ocorrerá com a ação da enzima piruvato quinase. tem-se no final duas moléculas de piruvato. . formando 1. as quais são oxidadas e fosforiladas por fósforo inorgânico. Essa molécula irá então sofrer uma desidratação através da enolase. uma diidroxiacetona fosfato e um gliceraldeído-3-fosfato. formando frutose-1. É nesse passo que ocorre a lise da molécula.6-bifosfato. Após. Depois desse processo tem-se 2-fosfoglicerato. O PEP é uma molécula de alto potencial de transferência do grupo fosforila. onde o “pagamento” é feito na forma de produção de ATP através da fosforilação à nível de substrato. A fase de pagamento inicia-se com duas moléculas de gliceraldeído-3-fosfato.

No entanto.(TORTORA et al. No entanto. a glucose-6-fosfato é então transformada em ácido 6fosfoglucônico por uma enzima desidrogenase. 2006) Figura 5: Via de Entner-Doudoroff H+ + NADPH ATP ADP NADP+ Glucose Glucose-6-P Ácido 6-fosfoglucônico H2O Etapas 6 a 10 da glicólise Ácido Pirúvico GA-3P CDGP Fonte: Adaptada de TORTORA et al. a via das pentoses-fosfato (ou ciclo da hexose monofosfato) pode ser feita ou não por esses organismos (RATLEDGE & KRISTIANSEN. 2006 . A Figura 5 mostra a via Entner-Doudoroff. Esse ácido é então transformado em piruvato através de duas reações: -HOH 6-P-gluconato  2-ceto-3-desoxi-6-P-gluconato (CDGP) CDGP  piruvato + gliceraldeído-3-fosfato (CROCOMO.. Azotobacter. 2001). alguns microrganismos procariotos utilizam a via de Entner-Doudoroff.6-bifosfato. pois não apresentam fosfofrutoquinase-1 e não pode converter frutose-6-fosfato em frutose-1. 1967) A gliceraldeído-3-fosfato irá seguir o resto da via glicolítica normal até chegar a piruvato.13 Essa é a via pela qual a maioria dos organismos realiza a quebra da glucose.. Essa via é geralmente realizada por organismos como Pseudomonas. Inicialmente. Enterococcus faecalis e Zymomonas mobilis. Rhizobium.

onde o aceptor final é o oxigênio.. em condições aeróbias ocorrerá o ciclo de Krebs. a célula não conseguirá manter o balanço adequado de NAD+/NADH. Figura 6: Ciclo de Krebs (ou ciclo do ácido cítrico) Fonte: LEHNINGER et al. em condições de anaerobiose. esse ciclo de reações gera muitos NADH os quais seguem para a cadeia respiratória e há a transferência de elétrons. 2006 . No entanto. Mas como se pode observar. como mostra a Figura 6.14 Depois de ocorrida a transformação de glucose até piruvato. pois não poderá utilizar essa cadeia.

conseguem reoxidar NADH suficientemente para manter o funcionamento celular. . pois há uma grande disponibilidade de matéria-prima (LIMA et al. por via sintética (a partir de hidrocarbonetos não saturados e de gases de petróleo e da hulha) e por via fermentativa. as quais.15 Portanto. 2001). 3.FERMENTAÇÃO ETANÓLICA É possível obter etanol de três formas: por via destilatória.. A forma fermentativa é uma das mais vantajosas aqui no Brasil. A Figura 7 mostra algumas das possíveis vias de fermentação. em condições anaeróbias evita-se o ciclo do ácido cítrico (exceto nos casos de produção de metabólitos para biossíntese). apesar de não gerar tantas moléculas de ATP como o ciclo de ácido cítrico.1. e utiliza-se as vias fermentativas. Figura 7.Vias Fermentativas * Reações em que há reoxidação de NADH Fonte: RATLEDGE & KRISTIANSEN. 2001 A seguir serão discutidas em maiores detalhes algumas dessas fermentações.

O acetaldeído é então reduzido a etanol através da ação da enzima desidrogenase alcoólica. No entanto. 2001). ocorrendo também nessa etapa a reoxidação de um NADH (Figura 8).. Essa propriedade foi chamada de Efeito Pasteur. o restante ia para a via fermentativa do etanol. Já leveduras cultivadas em meios sem nitrogênio utilizavam 25 a 100% dos açúcares metabolizados para respiração.. .. Até a formação de piruvato a reação segue exatamente igual a glicólise. (CROCOCOMO. Essa etapa da reação é um processo irreversível que exige a presença da enzima carboxilase.16 O processo reacional do etanol já começou a ser descrito em 1815 por Gay Lussac através da equação: C6H12O6  2 CH3CH2OH + 2 CO2 ∆G=-56000 cal/mol (CROCOMO. e após o seu consumo por leveduras. o efeito Pasteur é somente observado em culturas quimioestáticas quando a concentração de substrato limita o crescimento ou quando o cultivo é feito na ausência de fontes de nitrogênio (LAGUNAS et al. mas sim uma perda da função fermentativa devido à inativação dos sistemas de transporte de açúcares (LAGUNAS et al. foram elucidados os mecanismos reacionais intermediários da produção de etanol a partir de glucose. diminuindo o consumo de açúcar pela levedura e aumentando o crescimento celular. verificou-se que havia carbono radioativo na molécula de etanol. Lagunas e colaboradores fizeram experimentos aeróbicos e observaram que S. cerevisiae cultivada na presença de fonte de nitrogênio usava somente 3 a 20% do açúcar metabolizado para respiração. 1967). O ácido pirúvico formado é descarboxilado a acetaldeído e dióxido de carbono. 1982). da coenzima difosfato de tiamina e de íons magnésio. utilizando glucose com carbono marcado radiativamente em C1. e se realiza através de uma fermentação em condições anaeróbias (LIMA et al. mais especificamente nodo grupo metil (CROCOMO. 1967) O francês Luis Pasteur provou que a natureza dessa reação é microbiana. 1967) No entanto. Com o avanço dos estudos. Ele observou que a presença de O2 no meio inibia a formação de etanol. O conjunto de reações que resultam na formação de álcool etílico e CO 2 à partir de um carboidrato recebe o nome de via de Embden-Meyer-Parnas. 1982). isso não significava que ouve um aumento da respiração. Essa via metabólica foi demonstrada in vitro pela primeira vez em 1950 por Koshland e Westheimer.

ácidos orgânicos (como ácido succínico. mas são formados quatro ATP (na reação de formação de ácido 3-fosfoglicérico e na formação de piruvato). ellipsoideus. como mostra a figura 9. S. entre outros (LIMA et al. Estima-se que 95% dos açúcares metabolizados tem como destino a produção de etanol e CO2. álcoois superiores. que por sua vez é transformada em frutose-6-fosfato pela isomerase de manosefosfato. Os outros 5% são desviados para a formação de glicerol. sendo que as leveduras são os microrganismos mais utilizados na indústria. Já a galactose sofre uma transfosforilação. A fermentação alcoólica é realizada normalmente por leveduras como Saccharomyces cerevisiae. formando galactose-1-fosfato (CROCOMO. carlbergensis e S. pois são gastos dois ATP na reação da hexoquinase.. acetaldeído. . S. como manose e galactose. e endógenos como glicogênio e trealose. e bactérias como Zymomonas mobilis. butilenoglicol. A manose sofre uma fosforilação através da hexoquinase.. Também podem ser utilizados açúcares exógenos como maltose e sacarose. acético e pirúvico). formando manose-6-fosfato. As leveduras podem consumir além da glucose outros açúcares. pode ocorrer também a formação de produtos secundários através de outras vias metabólicas realizadas para a o crescimento celular e produção de biomassa. Durante o cultivo. acetoína. possibilitando assim a sua entrada na glicólise.17 Figura 8 – Transformação de piruvato a etanol Fonte: LEHNINGER et al. 1967). warum. 2001). 2006 Nesse tipo de fermentação há um rendimento de 2 ATP por molécula de glucose consumida.

Utilização de outros carboidratos na fermentação por Saccharomyces Fonte: LIMA et al.18 Figura 9. 2001 ..

casei. Evitar essas outras vias e direcionar os compostos de carbono somente para a produção de lactato é uma forma de otimizar a sua produção. 2006 O ácido lático pode ser produzido através da fermentação de bactérias como os bactérias homofermentativos (Lactobacillus delbrueckii. 1959). leichmannii.FERMENTAÇÃO DE ÁCIDO LÁCTICO O ácido lático foi isolado pela primeira vez a partir do leite azedo por Scheele. L. pode ser incubado em 45-50ºC. e também de algumas algas. L. pentosus.L-lactato a partir de piruvato Fonte: LEHNINGER et al. através da hidrólise da lactonitrila (LIMA et al.2. bulgaricus. L. L. 1959).convertendo açúcares em lactato. L.19 3. Ele também verificou que nessa fermentação o produto principal é o ácido láctico. já L. e Streptococcus lactis podem ser cultivados em 30ºC (PRESCOTT et al. álcool e manitol. Figura 10. de fungos como leveduras e ficomicetos. Durante a fermentação são formadas as duas formas. devido ao carbono quiral presente. O ácido lático pode apresentar duas formas esterioquímicas. deve haver um fermento que produza ácido láctico . Ele também pode ser produzido de forma sintética. Lactobacillus delbrueckii cresce bem à temperatura de 45ºC. Streptococcus lactis).. mas também é possível encontrar no caldo fermentado outros produtos como ácido butírico. Pasteur também realizou estudos com relação à fermentação láctica. formando uma mistura racêmica (PRESCOTT et al. . pentosus. A fermentação ocorre em temperaturas relativamente altas e dependerá do microrganismo utilizado. Ele observou que assim como é sempre encontrada levedura na produção de cerveja.a levedura láctica . L. 2001).. 1857). casei. sendo que suas proporções podem variar (PASTEUR. bulgaricus. onde o fermento promove a conversão de açúcares em álcool e dióxido de carbono.

ao tentar elucidar a fermentação alcoólica através da suplementação do meio de cultivo com sulfito de sódio. a produção de glicerol pode ser feita de quatro maneiras: fermentação alcoólica normal. ao se alterar o pH através da adição de sais alcalinos (carbonato de amônio. 2001). Ele também é utilizado na preparação de meios nutritivos biológicos e na produção de nitroglicerina. (CROCOCOMO. Segundo os trabalhos de Neuberg. 1967). 1959). reduzindo um NADH e formando glicerol 3-fosfato. No primeiro caso (Figura 11). Neuberg. adesivos. constituinte de loções. presença de sulfito. . borracha sintética e massa de modelar (PRESCOTT et al. produz-se cerca de 3% de glicerol durante a fermentação alcoólica. geléias. transformado em diidroxiacetona fosfato. acetato de sódio ou fosfato dissódico). bicarbonato de sódio. tintas.3. 1959).. soluções alcalinas ou soluções neutras. Luis Pasteur observou que leveduras regularmente formavam glicerol.Produção de glicerol durante a fermentação alcoólica Fonte: Adaptado de CROCOMO. agente anti-congelante. Um pouco antes da Primeira Guerra Mundial. pode ser desviado um pouco de gliceraldeído 3-fosfato. Ao estudar vinhos e cervejas. sofre a ação de desidrogenase de glicerofosfato. por sua vez. adoçante. 3.FERMENTAÇÃO DO GLICEROL O glicerol é usado amplamente como solvente. Esta. A enzima fosfatase retira o fosfato desse composto e forma o glicerol. anti-sépticos.. Normalmente. é possível obter de 9 a 16% de glicerol (CROCOMO. 1967. acabou descobrindo que dessa forma havia um incremento na produção de glicerol por leveduras (PRESCOTT et al. xaropes e sucos de frutas (LIMA et al.. durante a fermentação alcoólica.20 O ácido lático é bastante utilizado na indústria de alimentos como acidulante e conservante de refrigerantes. 1967) Figura 11. mas.

uma outra molécula faz o papel de aceptor de hidrogênio do NADH. 1959). 1967). através da reação: CH3-CHO + Na2SO3 + H2O  CH3-CHO-HSO3Na + NaOH (PRESCOTT et al. Nessas condições. glicerol e CO 2. mas sim sofre a ação da mutase aldeídica. a formação do glicerol a partir de diidroxiacetona fosfato é favorecida (CROCOMO. Isso faz com que a via de formação de glicerol seja favorecida (PRESCOTT et al. sendo acumulados glicerol e ácido pirúvico. Quando a fermentação ocorre em meio alcalino. mas como ele está sendo fixado e a redução a etanol não acontece. ácido acético. hidrazidas e oxalato de fenilhidrazina.21 Já na presença de sulfito. 1967) . mas é representada como: C6H12O6  CH3-CO-COOH + CH2OH-CH2OH-CH2OH (CROCOMO. como carvão. Figura 12. desde que não haja impedimento de outras reações in vivo (CROCOMO. Essa reação ainda não está muito bem elucidada. 1959) Normalmente o acetaldeído é transformado em etanol. Isso ocorre devido a fixação do acetaldeído pelo sulfito de sódio. formando ácido acético e etanol (Figura 12). A última forma de fermentação seria em meio neutro. haverá acúmulo maior de glicerol. Como não ocorreu a reoxidação do NADH. A fermentação utilizando sulfito foi utilizada pelos alemães durante a Primeira Guerra Mundial. Outros agentes que impeçam a transformação de aldeído a álcool também podem ser utilizados. o acetaldeído não é reduzido a etanol. há uma alteração no curso normal da fermentação. 1967. gerando a produção de etanol. Nesse caso não haverá produção de etanol nem CO2.Ação da mutase aldeídica Fonte: CROCOMO. 1967).

Durante a Primeira Guerra Mundial a Inglaterra precisou de grandes quantidades de acetona. Elas são geralmente encontradas em associação com plantas como batatas. As bactérias freqüentemente utilizadas para a fermentação acetona-butanol são do gênero Clostridium.22 3. e foi o microrganismo isolado por Weizmann que propiciou um aumento na produção. A produção desses solventes em escala industrial era feita antigamente na forma de batelada. foi somente em 1905 que Schardinger notificou a produção de acetona através da fermentação (JONES & WOODS. Entre 1912 e 1914 Weizmann isolou várias culturas.” (PRESCOTT et al. ele foi estocado em grandes quantidade. Pasteur. O dióxido de carbono também era borbulhado antes e depois da inoculação para facilitar a mistura (JONES & WOODS. croit pouvoir affirmer que l’alcool butylique est um produit ordinaire de la fermentation butyrique. sendo ele posteriormente a guerra muito utilizado como solvente na indústria automobilística (JONES & WOODS.4. Como durante esse período não houve necessidade de butanol. usando fermentadores sem agitação mecânica e com capacidade de 50000 a 200000 galões.. Devido a esses fatores o isolamento dessas bactérias é relativamente fácil. 1986). 1986). A partir de 1910. (JONES & WOODS. o químico Chaim Weizmann trabalhou junto com outros pesquisadores no processo de fabricação de borracha sintética.FERMENTAÇÃO ACETONA-BUTANÓLICA Pasteur foi o primeiro pesquisador a mostrar que o álcool butílico era um produto direto da fermentação. A maioria dessas culturas é utilizada em processos já . raízes de legumes e cereais. através dos seus experimentos da fermentação butírica do ácido lático e do lactato de cálcio em 1861: “M.. Os fermentadores eram enchidos de 90 a 95% de sua capacidade e o restante era preenchido com uma camada gasosa de dióxido de carbono estéril. apresentam uma forma de bastão e são sacarolíticos (fermentam açúcares). 1986). Esses microrganismos são esporulados. 1959). Cada empresa que produz esses solventes pode possuir uma cepa de bactérias diferente. No entanto. Em 1910 eles acharam um microrganismo capaz de produzir butanol quando cultivado em batatas. 1986). as quais ele chamou de BY (e que atualmente são classificadas como bactérias da espécie Clostridium acetobutylicum). que seriam produzidos através de microrganismos.. Para isso seriam necessários compostos como butanol e isoamil.

A via metabólica de produção de acetona e butanol está presente na figura 13. mas ao invés de acetona produz isopropanol. Durante a fase inicial de crescimento (também chamada de fase acidogênica). mas é preferível utilizar a amônia acompanhada de outros compostos nitrogenados mais complexos.3ºC tomando as devidas precauções de controle do processo. 1952). e também ocorre a reassimilação dos ácidos produzidos na primeira fase. butylicum) produz solventes na mesma proporção que C. e também produtos finais de degradação como amônia e seus sais. A temperatura ótima para a fermentação aceto-butanólica é em torno de 30. O pH pode variar de 5 a 7. dióxido de carbono. aurantibutyricum produz tanto acetona quanto isopropanol junto com butanol. resultando na diminuição do pH do meio. a bactéria produz hidrogênio. . 1952). beijeirinckii (C. Os microrganismos são estritamente anaeróbios e tem um maior rendimento em condições anaeróbias. A maioria das bactérias desse gênero necessita de nitrogênio de proteínas degradadas no meio nutritivo para otimizar o processo fermentativo. acetobutylicum. Essa fonte de nitrogênio inclui produtos intermediários de degradação de proteínas. Quando o cultivo entra em fase estacionária (chamada também de fase solventogênica). caso as fontes de carbono utilizadas (como melaço ou bagaço) não contenham quantidades mínimas necessárias (BEESCH.2 (BEESCH. podendo variar de 28. Os sais de amônia e a própria amônia dão resultados satisfatórios. Usualmente utiliza-se um pH inicial de 5. tetanomorphum produz quantidades equimolares de butanol e etanol (JONES & WOODS. 1952). ocasionando a elevação do pH (JONES & WOODS.23 patentiados (BEESCH.9 até 33. Elas também precisam de uma fonte de fosfato. 1986).5 e final de 5. por exemplo: C.6ºC. 1986). acetato e butirato. C. como polipeptídeos e aminoácidos.5-6. como.2-6. dependendo da cepa. As diferenças que as cepas de Clostridium podem apresentar podem ser com relação à proporção de solventes que produzem. o metabolismo passa a produzir solventes como acetona e butanol. já C.

que é uma bactéria anaeróbia formadora de esporos. hidrogênio.. 1959). dióxido de carbono. Durante a Segunda Guerra Mundial utilizava-se Clostridium toanum para esse processo. 1981. isopropanol. flagelada e Gram-positiva em culturas jovens (podendo ser Gram-negativa em culturas mais velhas). 1-24% de acetona e 3% de etanol (LIMA et al. pequenas quantidades de ácido acético e butírico. e possivelmente traços de acetona e ácido fórmico (PRESCOTT et al. 2001). Morikawa também isolou um microrganismo que produzia isopropanol e butanol denominado Bacillus technicus (PRESCOTT et al. 19-44% de isopropanol. Em 1926. O rendimento da fermentação é de aproximadamente 53-65% de butanol.FERMENTAÇÃO BUTANOL-ISOPROPANÓLICA A formação de butanol e isopropanol como produtos principais ocorre através do microrganismo Clostridium butyricum. Os produtos finais da fermentação incluem butanol. com temperatura ótima de 37ºC.24 Figura 13. O caminho metabólico seguido até a formação de isopropanol e butanol está exemplificado na figura 14. 1959). .Produção de Acetona-Butanol Fonte: RHEM & REED. 3.5.

3. 2001).FERMENTAÇÃO ACETONA-ETANÓLICA A produção de acetona e etanol em conjunto acontece por microrganismos como Bacillus macerans e Bacillus acetoethylicus. Certas substâncias podem inibir a formação de alguns produtos. 2001). A adição de acetona ou de outros aceptores de hidrogênio aumentam o teor de isopropanol no meio fermentado (LIMA et al. principalmente o isopropanol.Fermentação Butanol-isopropanólica Fonte: Adaptada de RHEM & REED. pirúvico e fórmico (LIMA et al. peptonas. o ácido acético e o ácido fórmico (LIMA et al. formando mais sais de ácidos acético. O microrganismo por ele isolado era o Bacillus ..6.25 A fermentação é otimizada quando o suprimento de nitrogênio é feito através de proteínas parcialmente hidrolisadas (como no caso anterior) e a adição de malte. 2001) Figura 14. A adição de bicarbonato de sódio durante a fermentação pode inibir a formação de solventes. lático. 1981. extrato de leveduras. o etanol. água de maceração de milho ou glúten. No final da fermentação pode-se ter como produtos a acetona. Schardinger em 1905 foi o primeiro a descobrir a acetona como produto de uma fermentação bacteriana.

. galactose. 1967). No entanto. como pentose. sorbitol. glicerol. arabinosum e P. lactato. P. imóveis. e excreta de gado (PRESCOTT et al. Abaixo há a estequiometria de algumas dessas fermentações a partir de diferentes substratos: 3 ½ glucose  2 propionato + acetato + CO2 + HOH 3 lactato  2 propionato + acetato + CO2 + HOH 3 piruvato + HOH  propionato + 2 acetato +2 CO2 glicerol  propionato + HOH (CROCOMO. P. Já a figura 16 mostra em mais detalhe a formação de propionato e acetato a partir de ácido lático. e aeróbicas facultativas. zeae. .0 há estímulo da produção de solventes (LIMA et al. esporulada. P. peterssonii. jensenii.FERMENTAÇÃO DO ÁCIDO PROPIÔNICO Bactérias produtoras de ácido propiônico. Micrococcus lactilycus (Veillonella gazogenes) e Clostridium propionicum também fazem esse tipo de fermentação (CROCOMO. piruvato. em geral. A temperatura ideal para a fermentação varia entre 40 e 43ºC e a fermentação dura aproximadamente 6 dias. Em pH elevado há a formação de mais ácidos voláteis e menos etanol. 2001). solo. 2-cetogluconato. P. rubrum. As bactérias que produzem ácido propiônico podem fermentar um grande número de carboidratos. O pH do meio influencia o produto formado. Elas podem ser isoladas de fontes como leite. aceoethylicus é 8-9. polióis e ácidos orgânicos.. Alguns exemplos são: Propionibacterium freudenreichii. lactose. 1959). enquanto em pH 5.26 macerans.8-6. P. technicum. thoenii. maltose. P. malato. podem ser caracterizadas como Gram-positivas. Ao meio de cultura é geralmente adicionado carbonato de cálcio para neutralizar os ácidos formados. pentosaceum. shermanii. (PRESCOTT et al. Gram-negativa e anaeróbia facultativa (PRESCOTT et al. queijo. o pH ótimo de crescimento para B. P. 1959). P.7. não-esporuladas. raffinosaceum. glucose. catalase positivas. entre outros. manitol. 3. 1967) A figura 15 mostra a formação de propionato a partir de glicerol ou glucose. silagem. 1959). Essa é uma bactéria móvel. P.

a . podem aparecer como subprodutos de fermentação o acetato e o dióxido de carbono.Produção de Propionato Fonte: CROCOMO.Produção de Propionato Figura 16. o ácido cítrico era obtido a partir de citrato de cálcio. pêras. abacaxis. 3. figos e pêssegos. Wehmer em 1893 demonstrou a ocorrência de ácido cítrico como metabólito microbiano de Citromyces pfefferianus e C. Além da produção de propionato. Mollinard descobriu culturas de Aspergillus niger que produziam ácido cítrico em condições de deficiência de fosfato.FERMENTAÇÃO DO ÁCIDO CÍTRICO O ácido cítrico é normalmente encontrado em frutas cítricas. 1981. Com a descoberta de microrganismos capazes de produzi-lo. Em 1922. Até 1953. passou-se a utilizar a via fermentativa.8. Há três processos fermentativos que podem ser utilizados: o processo Koji (em substrato sólido utilizando uma cepa específica de Aspergillus niger). Fonte: RHEM & REED. 1967.27 Figura 15. glaber em meio contendo sacarose e carbonato de cálcio (PRESCOTT et al. 1959).

clavatus. quando as bactérias ainda não se multiplicam e sofrem somente pequenas variações para se adaptar ao novo meio de cultivo. como bacilos. Nesse período os mecanismos de reprodução encontram-se amplamente ativos e são bastante sensíveis a mudanças ambientais. podendo levar de horas a dias. citrinum. 1959). e a taxa de divisão se torna equivalente a taxa de mortalidade. niger cresce sobre um meio de cultura estático. são procarióticos. P. 2001). 4. ou crescimento exponencial.. As espécies Aspergillus niger. Uma cultura bacteriana apresenta inicialmente uma fase lag. ou seja. Um pH mais baixo favorece a formação de citrato e suprime a formação oxalato. A. O pH influencia fortemente a produção de ácido cítrico. e não com o aumento do volume de uma célula. Elas se reproduzem normalmente por divisão binária.. além de minimizar as chances de contaminação (PRESCOTT et al. sendo o produto recolhido do meio) e a fermentação submersa (meio de cultura líquido sob agitação) (LIMA et al. Depois de um longo período de crescimento ocorre a fase estacionária. a cultura passa para a fase log. mas algumas podem fazer brotamento. cocos ou espirilos. Após determinado tempo.CULTIVO DE CÉLULAS MICROBIANAS 4. Elas se encontram em um estado de latência. Paecilomyces divacatum. Mucor piriformis e Ustilina vulagris são usadas em laboratório ou comercialmente para a produção desse ácido. 2006).28 fermentação em superfície (o micélio de A. O crescimento bacteriano ocorre com o aumento do número de células.1. Penicillium luteum. Isso pode ocorrer devido ao término de nutrientes. Elas são envolvidas por uma parede celular peptidioglicana. Outras podem ainda se fragmentar e a partir de cada fragmento se inicia uma nova célula (TORTORA et al. niger. A partir do controle do pH com sais inorgânicos é possível variar a proporção de ácido cítrico e oxálico formados. ao acúmulo de produtos de degradação ou a mudanças no pH .. mas a importância maior cabe ao A. sendo que elas podem apresentar várias formas.BACTÉRIAS Bactérias são organismos unicelulares e sem compartimentalização interna por um sistema de membranas.

Os fungos filamentosos suportam ambientes que poderiam ser hostis a bactérias. a identificação de leveduras pode ser feita através de testes bioquímicos. 2006) . Eles conseguem suportar uma variação de pH maior que as bactérias. Eles são mais resistentes à pressão osmótica. não filamentosos. Substratos com atividade de água muito baixa também podem favorecer o crescimento de fungos. 2006). A maioria deles possui metabolismo aeróbico. Os fungos multicelulares são classificados com relação a sua morfologia da colônia e dos esporos reprodutivos (TORTORA et al..5). Esses organismos estariam entre as bactérias e os macro-fungos (PRESCOTT et al.29 danosas à célula. e de forma oval que pertencem ao reino dos fungos. sendo que alguns podem crescer em concentrações relativamente altas de sais e açúcares. Em determinado momento.2. A maioria das bactérias cresce em pH perto da neutralidade (6. mas os valores ótimos se encontram geralmente em pH 5-6... sendo que poucas delas (as acidófilas) conseguem crescer em pH 4.LEVEDURAS Leveduras são organismos eucarióticos. 2006).. 4. 4. Assim como as bactérias. multicelulares (exceto leveduras). por exemplo. quando o número de mortes excede a produção de novas células (TORTORA et al. 2006).FUNGOS Os fungos pertencem ao reino Fungi e são organismos eucarióticos. através de esporos sexuais. e também a reprodução sexuada. e com parede celular formada de glicanas. como. Elas podem ser cultivadas tanto em meio sólido quanto em meio líquido (TORTORA et al.3. (TORTORA et al. 2006).. degradar a lignina (TORTORA et al. unicelulares. Eles também conseguem metabolizar carboidratos mais complexos que as bactérias já não têm capacidade. No seu ciclo de vida pode acontecer a reprodução assexuada. a população microbiana entra em fase de morte celular (ou declínio).5-7. mananas e quitina. 1959). através da fragmentação de suas hifas ou pela formação de esporos assexuais. quimioheterotróficos.

como Schizosaccharonyces (PRESCOTT et al. magnésio. uma vez que o genoma de leveduras já foi inteiramente seqüenciado (BADOTTI et al. Leveduras como Saccharomyces cerevisiae são utilizadas em vários processos. como Candida albicans. proteínas. 2006).. A maioria deles consiste em uma formulação que dispõe dos nutrientes necessários para o crescimento de leveduras e ingredientes que inibem o desenvolvimento de bactérias e bolores. 2001). zinco. Em algumas espécies. como a produção de fermento de pão. as células de levedura formam colônias semelhantes às de bactérias (TORTORA et al. iodo e outros elementos traço (LIMA et al. sendo que algumas podem sofrer fissão binária.. enxofre. (TORTORA et al. Em meio sólido. e produtos de interesse farmacêutico através da manipulação de novas vias metabólicas e do aumento da produção com a engenharia genética. potássio.. ferro. As leveduras da espécie Saccharomyces cerevisiae utilizam nitrogênio na forma amoniacal (NH4+).. o broto pode não se separar da célula mãe. 1959). cálcio. 2006) As células de levedura são capazes de realizar metabolismo anaeróbico facultativo. 2008). de nitrogênio. extrato de levedura. não . cerveja. Também pode ser necessária a adição de vitaminas (tiamina e ácido pantotênico). fósforo. cobalto. proteínas heterólogas (vacinas e outros componentes terapêuticos). sendo então consideradas como modelo metabólico. Para se cultivar leveduras pode-se utilizar vários meios de cultivo. enzimas). formando o que pode ser chamado de pseudo-hifa. amídica (uréia) ou amínica (na forma de aminoácidos). Sendo organismo saprófitos. molecular e genético para os eucariotos assim como a bactéria Escherichia coli é considerada como modelo para os procariotos (BADOTTI et al. aditivos alimentícios (vitaminas. Elas vêm sendo bastante estudadas por serem organismos eucarióticos relativamente fáceis de manipular.30 Elas podem apresentam como forma de propagação vegetativa o brotamento (gemulação). cobre. as leveduras exigem a presença de uma fonte de carbono elaborada para conseguir energia. 2008).. podendo utilizar tanto o oxigênio quanto outros compostos orgânicos como aceptor final de elétrons.. manganês. Um dos meios bastante indicados para o isolamento de leveduras é o YM (yeast malt extract medium).

que atualmente apresenta uma demanda bastante elevada. tripsina. fatores sangüíneos VII.. folículo estimulante) e de células para testes toxológicos.Histórico de cultivo de células animais Ano 1949 1954 1955 1962 1963 1964 1967 1969 Evento Crescimento de vírus em cultura de células. e com pH ótimo por volta de 4 a 5. 2001). citocromo P450. e o enxofre na forma de sulfato.. enzimas (asparaginase.a)Vacinas humanas experimentais (varicela. colagenase.CULTIVO DE CÉLULAS ANIMAIS E VEGETAIS Apesar da utilização de proteínas recombinantes em bactérias como Escherichia coli.31 conseguindo metabolizar nitrato ou proteínas do meio. 1974 b)Várias vacinas veterinárias. pepsina. com temperatura ótima em aproximadamente 26 a 35ºC.) Vacina inativada Salk contra poliomielite (com células de rim de macaco) Vacina atenuada Sabin contra poliomielite (com células de rim de macaco) Estabelecimento de uma linhagem de células diplóides humanas – WI-38 (Hayflick) Vacina contra sarampo (com células de embrião de galinha) Vacina contra raiva (com células WI-38) Vacina contra caxumba (com células WI-38) Vacina contra rubéola (com células WI-38) 1970. Elas são microrganismos mesófilos. bioensaios ou fabricação de tecidos artificiais (LIMA et al. hormônios de cadeia longa (luteinizante. algumas modificações estruturais pós-traducionais só podem ser feitas eficientemente em outros tipos de célula. VIII e IX. A manutenção dessas condições evita a contaminação do cultivo por outros microrganismos (LIMA et al. (Enders e col. 2001). Tabela 2. O fósforo é absorvido na forma de H2PO4-. O cultivo de células de mamífero tem grande importância na produção de estruturas específicas como anticorpos. A Tabela 2 mostra o desenvolvimento de processos que utilizam células animais. 5. coriônico. sulfito ou tiosulfato. renina. 2006) Também é de grande importância na produção de vacinas virais. uroquinase). citomegalovírus. citocinas. como de mamíferos e insetos. bioinseticidas (como o baculovírus). e outros).. . (SCHEPER et al.

2001 Os processos de manipulação. Licença para produção de OKT3 – anticorpo envolvido na imunologia de transplantes 1987 1988 1989 Licença para a produção de tPA recombinante (ativador de plasminogênio) Testes clínicos de eritropoetina 1990. c)Vacinas contra poliomielite e raiva produzidas com células VERO. diversas citocinas. apresentam necessidades nutricionais mais complexas. ocorre o descolamento das mesmas com o auxílio de enzimas e as células são diluídas em meio de cultivo fresco para originar novas culturas (LIMA et al. ampliação de escala e formação do produto são semelhantes aos de bactérias. nos quais células vindas diretamente de tecidos animais são cultivadas em meio e dissociadas cuidadosamente em células individualizadas.. Quando o crescimento in vitro acontece e as células formam uma monocamada aderida ao suporte. anticorpos monoclonais. Os meios de cultivo utilizados para o cultivo de células animais eram originalmente oriundos em fluidos biológicos. são mais frágeis (não suportando grandes taxas de agitação).. Por isso são feitos cultivos primários. Isso é realizado através da fragmentação do tecido em pedaços suficientemente pequenos. 2001). Devido à falta de uniformidade. em muitos casos. 2001). Fonte: LIMA et al. Originalmente. alguns cuidados especiais devem ser tomados. anticorpos envolvidos na imunologia de transplantes. e. as células animais não conseguem crescer livres no meio de cultivo assim como os microrganismos. muitas vezes o cultivo de células animais pode ser muito mais caro (LIMA et al. fatores sangüíneos VIII e IX. e outros). No entanto. b)Testes clínicos com vários produtos resultantes da tecnologia do DNA recombinante. necessitam de um suporte de adesão para o crescimento. pois células animais apresentam um crescimento mais lento. controle de qualidade.. quantificação. . (Kohler e Milstein) Primeira linhagem de células recombinantes Ampliação da escala de produção para 8000L (vacina contra a febre aftosa e interferon) 1981 1982 1986 Primeiro kit de diagnóstico com anticorpo monoclonal Primeiro produto farmacêutico resultado da tecnologia do DNA recombinante (insulina) a)Licença para a produção de γ-Interferon linfoblastóide. fungos e leveduras. Devido a essas peculiaridades. esterilização.Testes clínicos de diversos produtos oriundos da tecnologia de recombinação do 1995 DNA (antígeno da hepatite B.32 1975 1979 1980 Produção de anticorpos monoclonais.

2001) A maioria das células animais se desenvolve bem entre 35 e 37ºC. Sistemas de tampão bicarbonato/CO 2. . e de tampões orgânicos do tipo HERPES (ácido 4-(2 hidroxietil)-1-piperazina-N’-2 etanossulfônico) e do tipo TRIS (2-amino2-hidroximetil-1. evitando a desregulação osmótica. Cada tipo de linhagem celular requer um tipo diferente de meio.  Suplementação com soro sangüíneo (complexo de proteínas para a nutrição. estreptomicina (50 μg/mL) e anfotericina B (25 μg/mL).8 (LIMA et al. sendo que algumas linhagem podem suportar extremos como 6. Para evitar isso. ele também pode ser fonte de contaminação por parasitas. protoplastos (células sem parede) podem ser fusionadas de forma a produzir novos híbridos. A figura 17 mostra algumas das utilidades do cultivo de células vegetais. mas morrem em temperaturas mais altas. succinato de sódio/ácido succínico. 2001). bactérias. podendo tolerar temperaturas mais baixas. Através da manipulação genética também pode-se fazer um melhoramento de plantas.   Antibióticos como penicilina (100UI/mL). o que pode encarecer o processo. adesão e crescimento celular.2 e 7. (LIMA et al. tenta-se substituí-lo por outras composições. Como os soros utilizados são geralmente de origem bovina ou eqüina. Já as cultivo de células vegetais tem como objetivo a produção de metabólitos secundários em processos em biorreatores ou a produção de mudas padronizadas através das técnicas de micropropagação. destilada e isenta de pirogênio.33 começou-se a formulação de meios semi-sintéticos. e células transgênicas podem ser desenvolvidas a plantas inteiras (WALKER & GINGOLD. mas a maioria deles apresenta característica como:    Glucose e glutamina como fontes de carbono para o catabolismo. Sais que garantem a isotonicidade do meio. 1997).3 propanodiol).. Água desmineralizada. fungos ou vírus. O pH ótimo se encontra entre 7.4. para a proteção biológica – antioxidantes e antitoxinas – e para proteção mecânica durante a agitação e aeração)..8 e 7.

1997). onde as células são imobilizadas na forma de agregados celulares em matrizes inertes como géis. e o produto é coletado de forma contínua ou semicontínua (WALKER & GINGOLD. Através do cultivo in vitro de plantas é possível obter condições ambientais específicas. O cultivo é feito em meios estéreis. ou ainda em biorreatores de leito fixo. as quais são livres de enfermidades e pragas. . e depois ocorre extração do produto. Figura 17. é possível obter um cultivo sem alteração do material genético. espumas ou fibras ocas.Utilidades do cultivo vegetal Fonte: VOGEL & TODARO.34 Com plantas. 1997. onde o crescimento celular ocorre até a fase estacionária. ou células únicas. 1997). permitindo posteriormente a obtenção de plantas inteiras. e o cultivo pode ser realizado continuamente. podem ser realizados cultivos com plantas inteiras. tecidos. contendo sais. Quando há o cultivo de tecidos organizados. Já um cultivo de células desorganizadas ou que passaram por um processo de manipulação. fontes de carbono e reguladores de crescimento vegetal. é possível regenerar uma planta inteira modificada através da biotecnologia (WALKER & GINGOLD. parte delas. A produção pode ocorrer em fermentadores. vitaminas.

já a biomassa da microalga Spirulina pode ser utilizada no enriquecimento de alimentos. a maioria desses compostos é produzida em baixas concentrações. a instabilidade de expressão gênica durante o cultivo (WALKER & GINGOLD. alimentícia e agricultural. 6.35 Células vegetais. pigmentos e agentes químicos de utilidade na agricultura. mas a produção por microrganismos pode fornecer uma maior rendimento.  Produção de enzimas: são os produtos celulares mais usados na indústria. perfumes.APLICAÇÕES DA FERMENTAÇÃO Os produtos biotecnológicos estão presentes em vários setores da economia. Os metabólitos secundários que podem ser produzidos por plantas podem ser divididos em fármacos. como na área química.  Biotransformação de compostos: há a transformação de substâncias do meio em outras. farmacêutica.   Produção de metabólitos celulares: visa à produção em larga escala de produtos de metabolismo celular. Eles podem ser intra ou extracelulares. energética. tecidos e cultura de órgãos podem ser cultivadas tanto em meio sólido quanto em meio líquido. Os tipos de serviços que uma indústria de bioprocessos pode oferecer podem ser classificados em:  Produção de biomassa: onde o objetivo é a produção em grande quantidade de biomassa de bactérias. leveduras ou fungos. A biomassa de levedura pode ser utilizada no processo de panificação. No entanto. sendo que a cultura em meio líquido facilita o aumento de escala de laboratório para a indústria. biorreatores de cultivo vegetal em escala piloto no Japão tinham capacidade de 20 000L (VOGEL & TODARO. essências. 1997). Esse recurso é bastante útil principalmente na área ambiental. 1997). . devido. entre outros fatores. Elas podem ser extraídas de animais ou plantas. Recentemente. Produção de proteínas recombinantes: através da engenharia genética é possível manipular genes e introduzi-los em microrganismos de forma a chegar a produtos que antes eram produzidos em outras células ou ainda melhorar a especificidade de uma enzima.

Aqui serão discutidos alguns exemplos de produtos de fermentação na indústria alimentícia. É adicionado um pouco de óleo vegetal para agir como plastificante. Na produção de queijos é necessária a formação do coalho. onde eles são consumidos na forma de chá. e a biomassa é moldada na forma de blocos e embalada para comercialização (NAJAFPOUR. a produção de pães era feita guardando-se um pouco das sobras da última formada para servir como inóculo para a próxima. principalmente asiáticos.PRODUÇÃO DE ALIMENTOS Os microrganismos são amplamente utilizados na produção de alimentos. 2007). sendo selecionadas as cepas mais produtivas para tal atividade.. O tipo de bactéria lática inoculada também pode fornecer um sabor e odor característico. encontra-se levedura (fermento) comercialmente. tanto para consumo humano como animal. No entanto um pré-requisito básico para utilização de biomassa de microrganismos como alimento e medicamento é a aprovação de sua segurança toxicológica. Alguns microrganismos podem produzir toxinas que podem fazer mal ao organismo de quem a ingerir (SILVA et al. Já queijos como o Limburger são maturados por bactérias e outros microrganismos contaminantes que crescem na superfície. Queijos como o blue e o Roquefort são maturados pelos fungos Penicillium inoculados no queijo. Seu uso é bastante difundido em vários países. Derivados do leite como a manteiga. Atualmente.1. Ao final do cultivo as células são recuperadas por centrifugação e filtração. 2006). Cogumelos são um dos tipos de organismos utilizados na alimentação. que é causada pela ação da renina sobre a caseína do leite. extratos ou em conjunto com outras ervas. 6..36 onde é possível fazer com que microrganismos retirem substâncias tóxicas do meio e convertam a produtos de toxicidade menor. Queijos como o Cheddar e o suíço são maturados através do crescimento anaeróbico de bactérias láticas em seu interior. Seu uso se . A produção de biomassa de levedura para a panificação é feita em meio líquido contendo melaço ou licor de milho. Pode ocorrer também de o próprio microrganismo ser o alimento. o iogurte. Antigamente. 2007). o kefir e o kumiss também são produzidos através da fermentação (TORTORA et al. com pH 4-5 e aeração.

antiviral e antifúngica (SILVA et al. antibacteriana. antiinflamatórias. antivirais. Inonotus obliquus (Chagas). (LIMA et al. Lentinus edodes (Shiitake). antioxidante. lipídeos.. imunomoduladoras. Leuconostoc spp. Lactobacillus bulgaricus.. Tabela 3. antiaterogênico e antitumoral. 2007) Outra biomassa de poder nutritivo e terapêutico é das cianobactérias como a Spirulina sp. 2007). Iogurte Produtos de Carne e Peixe Presuntos curados Salsichas Molho de peixe Presunto de porco Porco. esteróides. antifúngicas. L. Pedicoccus cerevisiae Bacillus spp halofílicos Leite. mas somente 25 delas são as normalmente usadas na alimentação.Alimentos fermentados Alimentos e Produtos Laticínios Queijos (maturados) Coalho de leite Streptococcus spp. sólidos do leite S.. Compostos que apresentam atividade biológica estão presentes na biomassa desses fungos ou então são excretados. Esses compostos incluem argenina. As tabelas 3 e 4 mostram alguns dos principais alimentos e bebidas que utilizam a fermentação. frondosa (Maitake). Penicillium spp. Daqueles que apresentam atividade biológica comprovada então o Ganoderma lucidum (Reishi). hipolipidemica e hipoglicemica. Agaricus brasiliensis (Cogumelo do Sol). antialergênicas. (LIMA et al. Compostos por elas produzidos podem apresentar ação anticancerígena.. podem produzir importantes compostos bioativos como metabólitos secundários que podem ser constituintes de complementos alimentares ou ainda a biomassa ser utilizada como um novo alimento. sendo esse último importante na ação antitumoral e imunomoduladora. 2007) Existem aproximadamente duas mil espécies de cogumelos que podem ser consumidas por humanos. thermophilus. Kumis Leite de água L. bulgaricus Ingredientes Crus Microrganismos Fermentadores .37 dá principalmente devido a propriedades antibacterianas. L. bulgaricus. Candida spp. carne de gado Pequenos peixes Aspergillus. lectina e polissacarídeos. Kefir Leite Streptococcus lactis. leichmannii. Candida spp. G.

Saquê Vinho. 2006 . espumante (champanhe) Bebidas destiladas Rum Conhaque Uísque Levedura selvagem S. Kimchi Repolho e outros vegetais Missô Grãos de soja Aspergillus oryzae. A levedura cresce no fundo do recipiente. Lactobacillus delbrueckii Pães Bolos. Z. cerevisiae S.. cerevisiae Converter açúcar em álcool e CO 2. cerevisiae Converter açúcar em álcool. exiguus. Erwinia dissolvens. ale S. A. cerveja lager Saccharomyces cerevisiae Cerveja. S. pães e outros Pão azedo de Farinha de trigo São Farinha de trigo Saccharomyces cerevisiae S. natural Vinho. A levedura cresce no topo do recipiente. Lactobacillus plantarum Molho de soja Grãos de soja A. A levedura assenta rapidamente. Converte açúcar em álcool.. Converter açúcar da uva em álcool. rouxii. oryzae. soyae. 2006 Tabela 4. Converter açúcar em álcool e CO 2. cerevisiae Converte açúcar em álcool. cerevisiae S. Saccharomyces spp. cerevisiae S. Geotrichum spp. Na fermentação secundária produz CO 2. Zygosaccharomyces rouxii Azeitonas Azeitonas verdes Leuconostoc mesenteroides. Converte açúcar em álcool. Lactobacillus plantarum Poi Repolho azedo Raízes de taioba Repolho Bactérias lácticas Leuconostoc mesenteroides.Bebidas fermentadas Bebida Cerveja e vinho Cerveja.38 Produtos de Plantas Cacau (chocolate) Grão de café Fruto do cacau Fruto do café Candida krusei. Lactobacillus sanfrancisco Bactérias lácticas Francisco Fonte: TORTORA et al. Levedura Função da levedura Fonte: TORTORA et al.

As etapas de produção consistem basicamente em: 1. pois assim há a formação de uma maior quantidade de produto (aproximadamente 1000 vezes mais). somente 123 são produzidos por fermentação. Já antibióticos como a estreptomicina são produzidos por Actinomicetos. (LIMA et al. Inoculação do meio no fermentador.39 6. 6. A venda mundial dos três principais grupos de antibióticos (penicilina. em contato com outros microrganismos. Extração e purificação da penicilina. 2001) Dos antibióticos de origem microbiana. A produção se dá de forma não ribossomal. A benzilpenicilina é produzida no intercâmbio de L. podem ser utilizados resíduos industriais como melaço. por meio de um dipeptídeo composto de L-α-aminoadípico (Lα-AAA) e L-cisteína ou um produto de degradação da cistationina. As bactérias . Atualmente. Para a produção de penicilina. 3. tetraciclina e eritromicina) gera US$ 4. O produto da ciclização do tripeptídeo é a isopenicilina N. a qual inviabilizou a cultura de Staphylococcus aureus. Preparação do inóculo. Após. um dos principais é a penicilina. ela se conecta a L-valina através de uma epimerização. podem inibir o crescimento do mesmo.2 bilhões por ano (NAJAFPOUR.. Após a fermentação há a remoção do micélio formado. 2007). No início dos anos 40. 2007). A penicilina é produzida a partir da L-cisteína e L-valina.αAAA com ácido fenilacético ativado. onde há a produção de praticamente 33 milhões de toneladas métricas anuais movimentando praticamente US$ 400 milhões. Alexander Fleming notou a produção de penicilina pelo fungo Penicillium notatum. No ramo dos antibióticos. a produção desse antibiótico é feita por uma outra espécie. Preparação e esterilização do meio. Aeração forçada com ar estéril durante a incubação. 2.PRODUÇÃO DE ANTIBIÓTICOS Antibióticos são produtos secundários do metabolismo que. O cultivo submerso também favoreceu a produção de antibióticos em larga escala (NAJAFPOUR. 5.2. 4. cefalosporina. o resto é produzido de forma sintética ou semi-sintética. Penicillium chrysogenum.

Culturas como a de Aspergillus. 2006).. indústrias resolveram se especializar somente na produção de enzimas (TORTORA et al.40 produzem um número de 950 antibióticos.PRODUÇÃO DE ANTICORPOS Anticorpos são proteínas da família das imunoglobulinas.. E para isso. Mucor e Rhizopus são bastante utilizadas na indústria (NAJAFPOUR. Isso foi obtido através da procura de células com alto coeficiente de produtividade (SCHEPER & HU. pode-se utilizar o microrganismo inteiro para o processo ou somente a enzima. 2006).3. embora em países orientais chega-se a utilizar fermentação semi-sólida (LIMA et al. na produção de papéis e na produção de glicose de amidos. O cultivo em batelada é raramente utilizado nesse caso. e os fungos 1600 (LIMA et al. 2006). 6. as plantas de produção têm aumentado em tamanho e quantidade nas últimas décadas.PRODUÇÃO DE ENZIMAS As enzimas são amplamente utilizadas na indústria. 2007). Elas podem ser separadas do meio de cultivo após a fermentação através de solventes como etanol ou adição de sais inorgânicos como sulfato de amônio (NAJAFPOUR. pois sua demanda é bastante elevada. Vários fungos sintetizam e excretam grandes quantidades de enzimas no meio de cultivo. 2001). 6. já os actinomicetos pruduzem 4600 antibióticos. Percebendo isso. Também nessa época houve o desenvolvimento de anticorpos recombinantes que são produzidos in vitro em grande quantidade como se fossem produzidos por células in vivo. exceto em escala laboratorial. Penicillium. É mais freqüente o uso de batelada alimentada ou cultivo contínuo com retenção de células (SCHEPER & HU. É necessário haver uma grande produção de anticorpos.4. 2001). No entanto. 2007). que são sintetizadas normalmente pelo corpo de animais de forma a responder a moléculas estranhas. . Como exemplo pode-se citar o uso de amilases para a produção de xaropes do amido de milho. A produção de enzimas em larga escala se dá principalmente através da fermentação submersa.

se multiplicando de forma significativa nos tanques cultivo. inviabilizando o seu desenvolvimento. É também bastante importante a técnica de produção de inoculantes agrícolas. reduzindo os danos causados por doenças. Pode ocorrer também uma competição entre bactérias do inóculo e bactérias naturais do solo. estimulando o crescimento vegetal e reduzindo a carga de inseticidas que podem eventualmente permanecer no solo. mas atualmente é possível produzir alguns tipos em Escherichia coli através de técnicas de DNA recombinante (SCHEPER & HU. são utilizadas culturas isoladas de bactérias (usualmente Rhizobium) que consigam formar nódulos de fixação nas raízes de leguminosas.5. Outra característica importante da linhagem a ser usada é que as células microbianas devem suportar as condições de produção industrial. Ela consiste na utilização de microrganismos para melhorar o solo em que ocorrerá o cultivo. 2006). 6.41 A produção de anticorpos monoclonais tem sido bastante estudada. câncer (HerceptinTM) e doenças autoimunes (RemicadeTM). Para a fixação de nitrogênio. auxiliando na fixação e crescimento de mudas no ambiente (LIMA et al.. e Eucaliptus sp. anticorpos monoclonais tem sido utilizados no tratamento de doenças infecciosas (Synagis TM).PRODUÇÃO DE INOCULANTES A biotecnologia não é utilizada na agricultura somente através de organismos vegetais geneticamente modificados. esses tratamentos ainda continuam sendo muito caros devido ao processo de produção. Eles eram prduzidos antigamente em camundongos. Fungos são utilizados na micorrização das raízes de Pinus sp. No entanto. Dentro da farmacoterapia. auxiliando na fixação do nitrogênio atmosférico. As características do solo onde ocorrerá o plantio também é importante para selecionar uma cepa que seja adequada para aquelas condições de temperatura e pH. propiciando a fertilização natural do solo. .. principalmente a potencialidade de seu uso como uma droga terapêutica devido a sua especificidade de ligação. 2001). Bactérias como Bradyrhizobium e Rhizobium são importantes na simbiose com leguminosas como soja e feijão. É bastante utilizado nessa área o fato de que algumas bactérias e fungos podem fazer simbiose com vegetais.

utilizou esse princípio para modelar uma biorrefinaria integrada. como endomicorrizas (quando há penetração na raiz) ou 6.6. 2001). Dependendo do tipo de colônias formadas nas raízes. algas). formando associações com raízes de vegetais superiores. Com a constante preocupação da população com relação à preservação do meio ambiente. 2007.. ZANETE. 2001). por exemplo. pois podem suportar quantidades um pouco mais elevadas. A utilização de biofiltros no tratamento de gases tóxicos também tem sido bastante estudada (MOOYOUNG & CHISTI. deve-se prestar muita atenção aos resíduos industriais a providenciar tratamento adequado para cada tipo.TRATAMENTO AMBIENTAL Um processo industrial geralmente apresenta a produção de alguns produtos indesejáveis. O primeiro tipo apresenta problemas quanto ao controle de pH. Um modelo de industria ideal seria aquele em que não haveria nenhum resíduo e ocorreria uma integração de todos os processos (o resíduo de um processo poderia servir de substrato pra outro). sólidos e gasosos com relação aos outros processos discutidos anteriormente é que a escala de . temperatura e disponibilidade de oxigênio e substrato. os fungos podem ser classificados ectomicorrizas. Essas condições já podem ser melhor ajustadas durante o cultivo submerso (LIMA et al. A produção em grande quantidade na indústria ocorre através de cultivos em estado sólido ou submerso. um resíduo como bagaço de cana poderia ser utilizado tanto na produção de energia quanto no cultivo de microorganismos para a produção de etanol. a fim de se encontrar o organismo que propicia uma melhor associação.. onde. 1994). onde microrganismos fazem a decomposição de compostos.42 Sobre os inoculantes a base de fungos. Outra utilização é o fenômeno de absorção de metais tóxicos do ambiente por microrganismos (por exemplo. Para compostos biodegradáveis pode-se fazer uso da biodegradação. e esses resíduos devem ser descartados de uma forma apropriada para não danificar o ambiente. A diferença do tratamento biológico de efluentes líquidos. desde que eles tenham a maquinaria enzimática necessária (LIMA et al. A seleção de microrganismos pode ocorrer de espécies naturais. são utilizados microrganismos de ação mutualística.

como:    Modificações pós-traducionais. tecido animal. Modo de secreção do produto. são inseridos em microrganismos através de técnicas de biologia molecular. 1997).PRODUTOS RECOMBINANTES Através da tecnologia do DNA recombinante foi possível aumentar a quantidade de produtos resultantes da fermentação realizada por microrganismos.Produção de plasmídio recombinante Fonte: Adaptado de DORAN. Um exemplo de processo recombinante está na figura 18. 6. Minimização da degradação do produto. de hormônio do crescimento e de interferon pela bactéria Escherichia coli (WALKER & GINGOLD. como. células cultiváveis de eucariotas superiores. 1994). muitas vezes sem esterilização (MOO-YOUNG & CHISTI. onde os genes de origem externa. como de inseto e de mamíferos. As bactérias da espécie E. 1995 Os organismos mais utilizados nesse processo são Escherichia coli. Existem alguns fatores importantes durante uma fermentação que utiliza um gene recombinante. Figura 18. Por essa técnica consegue-se induzir em um microrganismo a produção de uma proteína heteróloga que originalmente pertencia a outro organismo. coli são amplamente utilizadas devido à facilidade de crescimento e produção. . por exemplo. Bacillus subtilis. Alguns exemplos bem sucedidos são a produção de insulina humana.7. leveduras.43 operação é geralmente muito maior e os microrganismos são utilizados em culturas mistas.

é possível achar bactérias que realizam processos metabólicos de interesse que são . (WALKER & GINGOLD. que é a análise genômica de comunidades microbianas independentes de cultivo. Muitos microrganismos não conseguem se desenvolver bem em meios de cultivo artificiais. Através de um “screening” seletivo das bactérias recombinantes. fazendo uma fragmentação das seqüências. como o código genético é degenerado (apresentando mais de um códon codificando o mesmo aminoácido). é necessária a utilização de vetores genéticos. coleta-se uma porção do meio ambiente e extrai-se o DNA de todos os microrganismos ali presentes. cada organismo utiliza um códon preferencialmente em relação a outro. ou seja. Outros fatores a serem observados são a freqüência de códons utilizados pelo organismo (codon usage bias).44   Proteção da expressão do gene estrangeiro. Bacteriófagos já aceitam seqüências maiores (de 20 a 40 kb). Proteínas originárias de organismos eucarióticos podem não ter sua produção exata em microrganismos também devido à presença de algumas modificações pós-traducionais. Em seguida contrói-se uma biblioteca genômica de todos os segmentos de DNA obtidos. A inserção de material genético exógeno por meio de vetores de clonagem é muito importante na metagenômica. o que não é feito por muitas bactérias. 1997) Para conseguir a expressão de genes eucarióticos em bactérias. Plasmídios são pequenos segmentos de DNA circulares que apresentam replicação autônoma. mas ao mesmo tempo podem conter seqüências gênicas importantes para o desenvolvimento de alguns processos. dentro dos quais podem ser inseridas seqüências gênicas pequenas (até 10kb). fosmídios e cromossomos de levedura artificiais (YAC). pois. como glicosilação. Existem também os cosmídios. Para que o gene de interesse seja inserido na bactéria de interesse. inserindo os pedaços em E. Existe um vetor mais recomendado dependendo do objetivo desejado. Controle do início de sua síntese durante a fermentação. Para se fazer uso delas pode-se fazer uma extração do DNA ambiental. Portanto deve-se modificar a seqüência de modo a ter somente os códons que devem ser codificados em aminoácidos. coli através de plasmídios eselecinando aquelas bactérias que sofreram transformação. deve-se levar em conta que esses genes possuem seqüências de exons e introns.

e existem regras como a GILSP (Good Industrial Large-Scale Practice) que estipula que o organismo que irá receber a seqüência gênica exógena deverá ser não patogênico. A utilização de microrganismos é bem controlada. caso contrário ele morrerá). No caso de ser um organismo patogênico ele deve ser manuseado com muita cautela e deve ser conhecido um tratamento eficiente para a doença caso haja algum escape (VOGEL & TODARO. A figura 19 mostra de forma esquematizada esse processo: Figura 19. que foi publicado pelo ministério de troca internacional e indústria do Japão (VOGEL & TODARO. O local de manipulação desses microrganismos também deve ser observado de acordo com as características por ele apresentadas. técnicas de operação e local adequado para manipulação de determinados microrganismos estão presentes em “Guideline for Industrial Application of Recombinant DNA Technology”.45 realizados de forma mais eficiente ou que antes só podiam ser realizados no meio natural. Equipamentos.Montagem de uma biblioteca genômica através de DNA do ambiente Fonte: Figura montada pelo autor. . não deve conter elementos patogênicos como vírus. ele necessita de uma condição ambiental controlada industrialmente para crescer. 1997). 1997). fagos e plasmídios. deve ter uma longa história de uso seguro na indústria ou ter limitações ambientais de crescimento (ou seja.

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49 8.ANEXO BIOCHEMICAL ENGINNERING IN BIOTECHNOLOGY (Technical Report) M. CHISTI . MOO-YOUNG and Y.

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