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Direitos Humanos

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DIREITOS HUMANOS

BREVE EVOLUÇÃO HISTÓRICA E CONCEITOS DE DIREITOS HUMANOS

1. Introdução ao estudo dos direitos humanos 1.1. Conceito: o conceito de direitos humanos é impreciso, assim, tanto a doutrina como o direito positivo, se valem de outras expressões para designar a mesma categoria jurídica, tais como: “direitos fundamentais”, “direitos humanos fundamentais”, “direitos do homem”, “direitos individuais”, “liberdades fundamentais”. Nesse sentido, preleciona Celso Bastos: “Dá-se o nome de liberdades públicas, direitos humanos ou individuais àquelas prerrogativas que tem o indivíduo em face do Estado. É um dos componentes mínimos do Estado Constitucional ou Estado de Direito. Neste, o exercício de seus poderes soberanos não vai ao ponto de ignorar que há limites para a sua atividade além dos quais se invade a esfera jurídica do cidadão.” Apesar das diferentes denominações, a expressão mais utilizada é “direitos humanos” e como o próprio nome diz, os “direitos humanos” representam os direitos do homem. Esses direitos visam a resguardar os valores mais preciosos da pessoa humana, tais como, os direitos que visam promover a solidariedade, a dignidade da pessoa humana, a igualdade, fraternidade, liberdade, dentre outros. Em item específico será aclarada a distinção entre as expressões “direitos humanos” e “direitos fundamentais”, que possuem íntima relação. 1.2. Fontes: os direitos humanos possuem diversas fontes e reputase sua origem ao surgimento dos

direitos individuais. Segundo Fábio Konder Comparato, os princípios e diretrizes fundamentais da vida que vigoram até hoje se identificam com a própria evolução da humanidade. Alguns acontecimentos históricos relevantes e determinantes nos proporcionam uma adequada compreensão da importância e função dos Direitos Humanos no tempo e no espaço, merecendo destaque: a) Magna Carta Libertatum - A Magna Carta, documento constitucional dos ingleses de 1215, constitui-se na mais celebrada construção antiga dos direitos humanos. A Magna Carta era dirigida a um determinado segmento da sociedade inglesa, representativo de estamentos da organização social do Medievo. Resultante de negociações estabelecidas entre o rei e os nobres, a declaração representou um instrumento limitador do poder estatal, ou, mais precisamente, do poder monárquico; b) Distantes alguns séculos mas perseverando na mesma linha limitadora do poder do Estado da Magna Carta, surgem a Petition of Rights (1628), o Habeas Corpus Act (1679), o Bill of Rigths (1689) e o Act of Settlement (1707); c) Declaração de Independência dos Estados Unidos: as declarações de direitos dos diferentes Estados norte-americanos emancipados da tutela inglesa, a partir da pioneira Declaração de Direitos do Estado de Virgínia, em 1776, bem como as dez emendas à Constituição dos Estados Unidos da América – o Bill of Rights votado em 1789 – representam o derradeiro momento histórico de tais documentos. Neles, a idéia da inerência está quase sempre presente, bem como resulta sempre evidenciada e posta em relevo a liberdade do indivíduo; d) Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 26 de agosto

de 1789: sem a menor dúvida, foi o marco fundamental da moderna história dos direitos humanos.A Declaração desencadeou fortíssimo impacto na opinião publica da Europa, não somente por seu conteúdo revolucionário, mas, sobretudo, em decorrência de sua inspiração e de sua ambição universalista; e) Período Pós-Segunda Guerra Mundial: Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948. Esta Declaração, promulgada sob a égide das Nações Unidas, demarca o primeiro grande ciclo evolutivo dos direitos humanos da sua história moderna e contemporânea .A Declaração abre caminho para um novo ciclo evolutivo, o qual, além da consagração dos direitos sociais aponta para uma decidida fase de crescente internacionalização das fontes de direitos humanos, bem como de sua proteção. Este novo ciclo conduz ao desenvolvimento de direitos de solidariedade, por muitos autores denominados de direitos humanos de terceira geração, assim como para novos caminhos da internacionalização, a qual tende a se aperfeiçoar já não mais quantitativamente, mas, sim, qualitativamente. De todo este esboço histórico introdutório resultam, com muita clareza, determinados elementos caracterizadores dos direitos humanos que serão analisados em capítulo próprio. 2. Evolução dos direitos (Teoria das Gerações) Alguns autores adotam a tese de níveis ou geração de direitos. A teoria das gerações demonstra através da evolução histórica da humanidade a classificação de direitos fundamen-

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A nota distintiva desses direitos é justamente sua dimensão positiva. ao colocarem em risco a própria existência humana. e não a Norberto Bobbio. expressos naquela bandeira. entre elas: a) as manifestações de direito humanitário ou direito internacional de guerra: que visavam fixar limites à atuação estatal e assegurar o respeito as direitos fundamentais durante a ocorrência de conflitos armados (guerras). ao patrimônio comum da humanidade. São os direitos que conformam a relação entre o Estado e o indivíduo. A classificação foi formulada. São integrados. civil e politicamente considerada. Vale lembrar. paz e segurança internacional. e pela incorporação aos direitos humanos de outras categorias de direitos. especialmente o direito a informação. através do patrimônio genético. o direito de participar do bem-estar social. quando criada. impõem ao Estado uma conduta que forneça as condições materiais necessárias ao exercício de uma vida digna. a teoria apresentava a classificação em três gerações: os direitos de primeira geração relacionados à liberdade. presidente honorário do Instituto Brasileiro de Direitos Humanos. 2 (igualdade) e 3 (fraternidade). Para alguns autores. enquanto “ser”. à vida. à democracia. submisso a uma Constituição.Os direitos humanos no plano internacional historicamente não se desenvolveram nessa ordem de 1 (liberdade). embora traga uma facilitação para efeitos didáticos. 2. ao desenvolvimento econômico dos países. 3. A atual classificação. o direito à comunicação. à inviolabilidade de domicílio etc. muitas lutas ainda deverão ser desenvolvidas para dar eficácia às normas de proteção de direitos humanos. passando-se a destinação da proteção dos grupos. 2. 2ª crítica . requerendo uma visão mais ampla de indivisibilidade e inter-relação entre todos os direitos humanos. Direitos de terceira geração: ao final do século XX os direitos de terceira geração tendem-se a cristalizar-se. Para Paulo Bonavides quarta geração engloba: direitos da globalidade.geracionar direitos é justificar politicas publicas que não reconhecem indivisibilidade da dignidade humana. pelos direitos civis e políticos como o direito à liberdade. acontecimentos históricos já pontuavam a evolução dos direitos humanos no caminho da internacionalização e universalização. Fundamentam-se na liberdade. pelo crescimento dos sistemas de proteção dos direitos. não pode ser transposta para a realidade. 2. decorreria dos avanços no campo da engenharia genética. Direitos de quarta geração: é o resultado da globalização dos direitos fundamentais. A nota distintiva se dá pelo desprendimento da figura homemindivíduo como seu titular . impedindo-o de interferir na esfera individual.Antes mesmo da Declaração Universal dos Direitos do Homem. os direitos humanos pertencem a todos enquanto entes. segundo comenta o ilustre professor. inspirada na bandeira francesa. correlacionandose as gerações de direitos humanos aos ideais de liberdade. É o direito ao pluralismo. Para o professor Antonio Augusto Cançado Trindade. os direitos fundamentais consistiam essencialmente no estabelecimento de garantias fundamentais da liberdade. de cunho coletivo e impõem ao Estado uma conduta ativa em prol da realização de direitos sociais.2. segunda. à informação. Assim sendo. Críticas a teoria das gerações 1ª crítica . pois a 2ª geração nasceu 1ª que a 1ªgeração.3. etc. A moderna doutrina os agrupa entre os direitos difusos e coletivos. ao passo que os direitos civis e políticos foram instituídos no plano internacional em 1966. inaugurando a criação 2 . 3ª critica . b) a Liga das Nações: criada após a Primeira Guerra Mundial com a finalidade de promover a cooperação. alguns autores já defendem até mesmo a 5ª geração de direitos. igualdade e fraternidade. em conferência ministrada no Instituto Internacional de Direitos Humanos. baseando-se na ordem histórica cronológica em que foram reconhecidos.. a paz. 4. Representam uma evolução na proteção da dignidade da pessoa humana. A colocação dos direitos humanos em gerações acaba por passar uma ideia de que as primeiras gerações criadas já foram conquistadas e incorporadas à convivência humana. Formaram-se com a idéia de Estado de Direito. a classificação dos direitos humanos em gerações foi formulada pela primeira vez por Karel Vasak que a apresentou pela primeira vez em 1979. Assim. São conhecidos como direitos positivos. democracia. Concentram-se nas necessidades do ser humano. terceira e quarta gerações. compondo uma nova gama de direitos tais como o direito à paz no mundo. Há um resgate do fundamento da solidariedade e fraternidade voltadas para a proteção da humanidade. 2.em 1919 terminou a 1ª gerra mundial nasceu a OIT. quando são indivisíveis. o estágio atual do desenvolvimento dos direitos humanos – pode ser caracterizado: pela ampliação das fontes internacionais de produção dos direitos. em Estrasburgo. Embora já reconhecidos. cuja concretização só é possível se houver cooperação entre os povos. impõem um comportamento de abstenção do Estado.tais de primeira. em regra. como apresenta a doutrina. e é justificar também que os direitos humano são divisíveis. Direitos de segunda geração: foi o benefício que a humanidade recolheu a partir dos movimentos socialistas do século XIX. à intimidade. econômicos e culturais. Nesta fase. A internacionalização dos direitos humanos Originariamente.1. São as liberdades públicas negativas que limitam o poder do Estado. os de segunda geração à igualdade e os de terceira geração à fraternidade. em 1948. preservação ambiental.4. o que não corresponde à realidade. Assim esse esquema é infundado. que é complexa e dinâmica. Direitos de primeira geração: são os direitos de cunho liberal.

A perda do seu exercício não pode ser justificada pela prescrição. portanto. 9. no título II da Constituição Federal. ainda que gratuitamente. Imprescritibilidade: os direitos humanos não se perdem com o DIREITOS HUMANOS E FUNDAMENTAIS NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO 1. a outrem. 6. espécies do gênero direitos e garantias fundamentais. são titulares de direitos humanos e têm asseguradas todas as garantias desses direitos. Inalienabilidade: o titular dos direitos humanos não pode dele dispor. 4. 12. Efetividade: não basta o reconhecimento abstrato em regras ou tratados. Universalidade: todos os seres humanos. 5. apesar de estar expressamente referindo a direitos e deveres. Assim. além do qual se invade a esfera jurídica do cidadão. direitos à nacionalidade e direitos políticos. 8. A autorização do titular do direito não justifica ou convalida qualquer violação do seu conteúdo. caso violados. Esses instrumentos serão estudados em capítulo posterior. Porém. promovendo parâmetros básicos de bem estar social. transferir ou ceder. caput. livre e igual de todas as pessoas. Complementaridade: devem ser analisados conjuntamente com outras regras e princípios constitucionais. 3. Historicidade: os direitos humanos são construídos no decorrer do tempo. nunca taxativo. seja no plano internacional. b) aspecto formal: os são essenciais porque tem. São prerrogativas que os indivíduos têm em face do Estado Constitucional. isto é. a expressão residentes deve ser interpretada de forma ampla abrangendo estrangeiros não residentes e que estejam de CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS HUMANOS As principais características dos direitos humanos são: 1. Inexauribilidade: os direitos humanos podem ser expandidos. que conceitua direitos fundamentais como um conjunto de prerrogativas e instituições que o Direito Positivo concretiza em ga- 3 . 2. Localização: os Direitos Fundamentais estão localizados nos artigos 5º a 17. podendo sempre novos direitos serem acrescido. 7. Irrenunciabilidade: os direitos humanos não são passíveis de renúncia. como já estudado no item anterior. o artigo 5º trouxe também as garantias fundamentais. LINK ACADÊMICO 1 decorrer do tempo. 10. especial posição normativa dentro do sistema jurídico brasileiro. Vedação ao retrocesso: o Estado não pode retroceder na proteção aos direitos humanos. cor. direitos coletivos. raça. são necessários mecanismos coercitivos que tornem efetivos os direitos previstos. 11. direitos sociais. quando serão mitigados. independente de sexo.de limites à soberania dos Estados e impondo sanções no caso de descumprimento dos compromissos ou acordos assumidos. credo. Destinatários da proteção: o artigo 5º. 2. Qualquer tratado que verse sobre direitos humanos em um rol. A Carta Magna por sua vez classifica o gênero direitos e garantias fundamentais em cinco espécies: direitos individuais. 3. mesmo com o consentimento do titular. Diferenças entre Direitos Fundamentais e Garantias Fundamentais: o artigo 5º que está localizado no título II da Constituição trata dos direitos e deveres individuais e coletivos. Essencialidade: os direitos humanos são essenciais e apresentam sob um duplo aspecto: a) aspecto material: são essenciais porque tem o ser humano como fonte do direito e seu conteúdo possui valores supremos. portanto. Pedro Lenza explica que a diferença entre direitos e garantias fundamentais é que direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. 4. este será sempre exemplificativo. Sua natureza é histórica. Direitos anteriormente assegurados não podem ser diminuídos ou anulados por novas regras ou tratados. são os meios processuais disponíveis para fazer valer os direitos fundamentais dos seres humanos presentes naquele país. seja no plano interno. Inviolabilidade: os direitos humanos não podem ser afrontados por leis infraconstitucionais ou atos administrativos. prevalecendo a dignidade da pessoa humana. onde o exercício dos poderes soberanos não pode ignorar um limite para atividades. Os direitos humanos são. LINK ACADÊMICO 2 rantias de uma convivência digna. indisponíveis e inegociáveis. enquanto que garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos direitos ou prontamente os repara. etc. ressalvadas as limitações impostas expressamente em tratados internacionais com cláusulas de procedimentos perante cortes ou instâncias internacionais. Limitabilidade: os direitos humanos sofrem limitações em momentos constitucionais de crise ou em situações em que estejam em confronto com outros direitos mais importantes. da Constituição Federal de 1988 afirma expressamente que os direitos fundamentais são garantidos a brasileiros (natos e naturalizados) e estrangeiros residentes no país. c) a Organização Internacional do Trabalho (OIT): surgiu após a primeira guerra com a finalidade de regular a condição dos trabalhadores no âmbito mundial e. Conceito de Direitos Fundamentais: de toda a literatura doutrinária sobre a figura dos direitos e garantias fundamentais são válidas as palavras de José Afonso da Silva.

(liberdade de manifestação do pensamento. No Brasil o aborto é admitido. razão pela qual. igualdade e segurança são direitos protegidos em tratados internacionais de direitos humanos (estudaremos mais à frente) e também estão positivados na CF/88. liberdade. se tem vida (quando então seria aborto) ou não tem vida (quando então seria apenas interrupção terapêutica da gestação). da CF/88. Em muitos países admite-se aborto até a 12º semana. depende de autorização do CADE. Na perspectiva dos indivíduos. Em tempo de guerra e em situações como Estado de sítio.434/97. define o momento da morte para fins de transplante de órgãos. leis podem estabelecer restrições razoáveis em tempo de paz. a turismo. A posição do STF é a de que a redação do artigo 5º. o que ocorre a partir do 3 dia após a fecundação. com fundamento na idéia de que ate então não há vida. ou de liberdades publicas. 5. mas quem distingue normalmente os diferenciam nos seguintes aspectos: 5. contudo definir seu significado. uma vez que não há ser humano desenvolvido. Na ADPF 54 que está pendente de julgamento no STF. O sistema jurídico internacional não define claramente o momento do surgimento da vida. Liberdade de locomoção. 6. 139. A constituição assegura varias modalidades de liberdades: 6. pois é possível matar em nome da liberdade. Nos EUA a Suprema Corte (Roe x Wade 1972) reconheceu a possibilidade do aborto ate o 3 mês inclusive. quando se tratar de risco de vida para a mãe (aborto necessário ou terapêutico ou decorrente de estupro aborto legal ou sentimental). Prevista no artigo 5º. Assim em tempo de paz há varias figuras que limitam a liberdade de locomoção.2.Vida: a Constituição Federal proclama o direito à vida.1. Segundo o sistema de liberdade da Constituição Federal de 1988 a regra é a plena liberdade. de modo que as restrições devem ser expressas e interpretadas restritivamente.1. não exclui brasileiros e estrangeiros não residentes desde que em transito no território nacional. cabendo a cada Estado membro decidir se aceita ou não. Assim esses direitos são considerados direitos fundamentais e também direitos humanos. Assim. qual seja. O modelo básico dessa liberdade é o modelo repressivo.2.passagem pelo território nacional. Uma posição defende que a vida surge com a nidação que significa a fixação do óvulo com a parede do útero. A liberdade na perspectiva do poder público significa o caso de o poder público só fazer o que a lei autoriza (princípio da legalidade). A lei nº 9. Iremos analisar agora cada um desses direitos. caput.2. sendo a primeira relacionada ao direito de continuar vivo e a segunda de se ter vida digna quanto à subsistência. tais como: a) Expulsão: ordem discricionária do Presidente da Republica dirigida a estrangeiro que tem comporta- 4 . b) são direitos que abrangem pessoas humanas e também pessoas jurídicas. Como por exemplo. 6. permanecer e se deslocar no território nacional. o procedimento pelo qual a morte de uma pessoa é intencionalmente acelerada por motivos humanitários ou sentimentais. tanto que podem ser objeto de dano moral. o pacto do San Jose da Costa Rica fala em concepção sem. Contudo não é possível firmar que a vida é um direito superior a outros tidos com fundamentais.1. os direitos enunciados no artigo 5º da Carta Magna abrangem tanto as pessoas físicas (brasileiros e estrangeiros) e também as pessoas jurídicas. Já a ortotanásia é a suspensão de tratamentos médicos por decisão do profissional da área medica feita em situação nas quais a vida estará sendo prolongada artificialmente. embora seja possível a responsabilização posterior em caso de excesso (reparação por dano moral ou patrimonial). Assim não havendo norma expressa proibindo haverá liberdade. por exemplo: incorporação de empresas que possa levar a posição dominante no mercado. c) são restritas as pessoas humanas. O sistema jurídico brasileiro não admite a eutanásia. Discute-se o momento exato da formação encefálica mais é certo que ela não acorre antes de algumas semanas (7 ou 10). 6. levando com ele os seus bens. Direitos humanos na Constituição Federal de 88: o direito a vida. residentes ou não no território nacional.3. isto é. discute-se em caso de feto anencefálico (sem formação do encéfalo). Significa entrar. Diferenças e semelhanças entre Direitos Humanos e Direitos Fundamentais: parte da doutrina não distingue direitos fundamentais de direitos humanos. encontramse positivados na CF/88 ou em leis internas do Estado. Liberdade.2. A liberdade pode ser vista: 6. XV. cabendo ao Estado assegurá-lo em sua dupla acepção. revoluções libertárias ou guerras externas.2. ou seja.2. Esse ato não constitui crime. liberdade de religião). I). Outra corrente conceitua a vida a partir do conceito legal de morte. inclusive a honra. sair. sendo o qual o indivíduo pode livremente exercer suas prerrogativas sem licença ou censura prévia. b) referem-se à proteção do indivíduo no âmbito internacional. Direitos fundamentais: a) são direitos previstos no ordenamento jurídico interno. podendo ser chamada de liberdade privada. 6. De modo que considerando a morte legal com a encefálica. por exemplo: aborto decorrente de estupro. alcançando brasileiros e estrangeiros. resulta da necessidade humana de o indivíduo se movimentar. Muitos falam até mesmo em direitos humanos fundamentais. As pessoas jurídicas também são titulares de direitos e garantias fundamentais. Direitos humanos: a) são direitos previstos nos tratados internacionais e previstos também pelos costumes internacionais. enquanto não houver formação encefálica não haverá vida. Excepcionalmente admite-se o sistema preventivo segundo o qual o exercício de uma liberdade está condicionado a autorização estatal. 5. a morte encefálica. tais restrições podem ser maiores (art. Trata-se de norma de eficácia contida.

ensejando normas de proteção. para ser processada ou cumprir pena no país reclamante. Prevista genericamente no art. 6. d) Deficientes físicos: o art. V da CF/88 reconhecem que o consumidor é a parte fraca na relação de consumo. por desenhos. f) Minorias étnicas e culturais: o pluralismo do art 1º. seja nas relações inter pessoais. Em alguns casos excepcionais vítimas de agressões e até mesmo testemunhos são colhidos suprimindo-se a identidade em razão de fundado receio a integridade do depoente. 5º. o mesmo se aplica aos concursos públicos art. VII e VIII da CF/88. 5º. isto significa tratar o igual de modo igual.4. ficando contudo sujeito a obrigação alternativa prevista em lei. não configurando extradição. V da CF/88 assegura a diversidade que se reflete em vários outros preceitos constitucionais tais como: a proteção dos índios. cuja a entrada no território nacional é recusada pelas autoridades de imigração.mento nocivo ao interesse nacional. da Constituição Federal. XXXI (proíbe descriminação nos trabalhos e salários aos cidadãos que tem deficiência física. art. (por exemplo. b) Extradição: é medida aplicada pelo Presidente da Republica após julgamento pelo STF. Já convicção política é empregada no sentido de ideologia. gestos e etc. Liberdade de manifestação do Pensamento. e nem seus cultos à liturgia. geométrica ou re- lativa. art. 3º. XXXII e o art. Segurança: é uma das principais funções do direito. Contudo para todas elas há limites. e o desigual de forma desigual na medida da desigualdade. e gratuita). No caso de extradição para país que pode aplicar pena de morte ou prisão perpetua. § 5º (fala-se em poder familiar). pois. Estão previstas no art. 7º. Algumas atividades são dotadas de maiores garantias para a manifestação do pensamento. Há muitas referências à igualdade na CF/88. convicção filosófica e convicção política. (homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações). 6. o Brasil exige compromisso do país reclamante de que essas penas não serão aplicadas (o mesmo se dá com o Tribunal Penal internacional que tem prisão perpetua ). jornalistas (a liberdade de imprensa é essencial à democracia e etc. III (erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais). escrita. quem reclama é um organismo internacional reconhecido pela própria Constituição Federal de 88 e do qual o próprio Brasil faz parte. A liberdade de crença esta associada a religião mas também comporta crendices populares. Está prevista no artigo 5º. O Estado Brasileiro é laico. caput. È pressuposto da democracia. moral ou a imagem. Abrange o brasileiro nato. I. A constituição garante que ninguém será privado de seus direitos por motivo de crença religiosa. contudo no caso de obrigação legal imposta a todos o indivíduo que se sentir violado em suas convicções pode se eximir de cumprir tal obrigação. 6. 6. feita por instrumentos que não incluem meios de comunicação de massa. tais como: oral. destacando-se: a) Pobreza: art. de diversas maneiras. c) Deportação: medida aplicada pela polícia federal para estrangeiro que entra ou se encontra em situação irregular no território nacional. Convicção filosófica abrange diversas concepções do mundo. diferente de ateu que nega a religião. força armadas e 5 . VI. punindose qualquer medida discriminatória. No entanto não é possível restringir nem religiões. art. tais como segurança jurídica (garantia a irretroatividade).5. Igualdade. quanto para permitir a identificação de responsáveis em caso de excesso. cultural e etc. segurança a vida íntima (proteção a intimidade e a vida privada). ou de convicção filosófica ou política. o Habeas Corpus é o remédio constitucional que garante a liberdade de locomoção.2. tais como: os parlamentares (possui imunidade material em relação a palavras. crença religiosa. O Brasil adota a liberdade de religião. quem abusa das prerrogativas parlamentares configura falta de decorro). 5º. Embora seja vedada censura prévia a manifestação do pensamento. A liberdade de manifestação do pensamento é de cunho individual ou coletivo. 5º. segurança em matéria penal (reserva legal para os tipos penais) e segurança pública (poder de polícia. A constituição veda o anonimato tanto para evitar futilidades. na área econômica. segurança em matéria judiciária (garantia ao juiz natural). b) Homem e mulher: art.3. Não se extradita brasileiro nato e nem o acusado por crime político ou de opinião. 37. Abrange todas as formas de manifestação. de pedido de Estado estrangeiro que reclama pessoa que se encontra no território nacional. 170. art. 5º. LXXVI (são gratuitas aos pobres as certidões de nascimento e de óbito). d) Impedimento: medida aplicada a estrangeiro. a segurança é direito fundamental que se manifesta de diferentes maneiras. XXX (proibição de diferenças nos trabalhos e remunerações por conta de sexo). O sistema social democrata adotado pela CF/88. sendo direito essencial nas sociedades democráticas. reparação patrimonial por violação material. c) Raça e cor: art. seja nas relações com o Estado. 5º.2.4. uma vez que se preocupa com a estabilidade das relações da vida social. adota a igualdade substancial proporcional. VIII). IV. o que amplia a proteção para etnias). é possível sancionar aquele que se excede. LXXIV (assistência judiciária integral. e) Entrega: medida pelo qual o Brasil envia qualquer pessoa para ser julgado ou cumprir pena perante o Tribunal Penal Internacional. 226. nem seus templos. XLII (considera-se o racismo inafiançável e imprescritível. 7º. (art 231 da CF/88). por exemplo: direito de resposta proporcional ao agravo (comum em matéria eleitoral). opiniões e votos). Liberdade de consciência. sanção criminal. Consciência é o direito de uma pessoa pensar e acreditar no que quiser. sanção administrativa e etc. 5º. e) Relação de consumo: art. embora algumas religiões e cultos possam ser considerados a ordem pública e aos bons costumes. fundado no estado democrático de direito que visa justiça social.

etc). permite a aplicabilidade do direito fundamental à segurança jurídica (artigo 5º. XL e em matéria de multa tributaria. Há varias manifestações da irretroatividade. Como exemplo. segundo o qual. 106. XLVII. Como exemplo em nossa Constituição Federal temos a vedação à pena de morte. ou seja. como a União Européia por exemplo. III. elas são criadas com o objetivo de proteção de tais direitos. que tem como função afirmar a força normativa da constituição incluindo os direitos fundamentais. que não pode ser aplicada. que dispõe que “conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção. II). a jurisdição constitucional é exercida pelo Supremo Tribunal Federal (artigo 102. para a proteção de direitos humanos. Não existe proteção a direito adquirido a ato jurídico perfeito e a coisa julgada. Para que sejam protegidos pela irretroatividade. Já as emendas constitucionais não podem prejudicar o direito adquirido. 2. Com maior razão leis complementares e ato normativo também não podem retroagir para prejudicar. Outro exemplo de garantia nacional geral encontra-se consubstanciado nas cortes constitucionais. I da Constituição Federal). expressamente vinculados pelo constituinte. Convém salientar que para que o sistema internacional das garantias à proteção dos direitos fundamentais seja acionado deve-se ter omissão ou negligência nas vias internas. 5º. nem toda norma benéfica retroage. que com isso. LXVIII da Constituição Federal. podemos citar divisão orgânica de Montesquieu que em que as funções dos Estados são divididas entre órgãos distintos. mas não tem em si mesma essa finalidade. temos as Organizações das Nações Unidas (ONU). Garantias internacionais ou externas: são mecanismos que advêm de organismos internacionais de proteção a direitos humanos. 5º. ou seja. II.2. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. As normas benéficas podem retroagir. A Constituição Federal prevê em seu texto os seguintes mecanismos de proteção: a) Habeas corpus: encontrase disposto no artigo 5º. È manifestação do princípio tempus regit actum. b) Especificas: são garantias dirigidas a uns ou alguns dos direitos humanos. todo e qualquer ato normativo pode criar direitos e obrigações. A reserva legal esta identificada por expressões constitucionais tais como: “a lei estabelecerá”. c) Irretroatividade: trata-se de garantia a segurança jurídica. 3. do Estado em que ele repercutirá. LINK ACADÊMICO 3 MECANISMOS DE PROTEÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 1. XXXVI veda a retroatividade prejudicial. entende que “em virtude de lei” não exige que seja pela lei. Assim. outros atos normativos podem dispor a respeito. razão pela qual a questão está em saber quais os limites. mas não o fazendo outros atos normativos podem tratar em virtude de lei (art. As garantias internacionais subdividem-se em: a) Globais: abrangem praticamente todos os países. 6.1. bem como a Organização Mundial do Comercio (OMC). Subdividem-se em: a) Gerais: são as que de maneira indireta protegem os direitos humanos. A lei tem precedência ou preferência. especialmente nos temas mais importantes como tipificação de crimes. os organismos internacionais não são graus recursais da via interna ou nacional. razão pela qual deve ser expressa para que possa retroagir (salvo em matéria penal art 5º. do CTN). as prerrogativas devem derivar validamente das leis. Mecanismos de proteção dos direitos humanos: são previsões que visam assegurar ou efetivar os direitos humanos. podendo ser por outro ato normativo editado em virtude de uma lei. seu objetivo maior é concretizar a garantia fundamental que consiste no direito à vida. Garantias de proteção aos direitos humanos na Constituição Federal de 1988: 3. art. Segurança jurídica: a) Reserva legal: também chamada de estrita legalidade.4. uma vez que parte da doutrina (Jose Afonso da Silva). b) Regionais: vinculados a continentes ou grupos de países.1. a específica para a matéria penal do art. função legislativa e função judiciária. O art. II estabelece a legalidade ou reserva legal relativa. Classificação das Garantias dos direitos humanos: pode ser internacionais ou nacionais. por ilegalidade ou abuso de poder”. XL. Garantias nacionais ou internas: são aquelas concedidas por determinado Estado. mas se não cuidar dos temas. Outro exemplo insere-se na vedação a retroatividade da lei prejudicial. 5º. 2. para evitar o abuso no desempenho dessas funções.1. estabelecido em seu artigo 5º. Podemos verificar que no momento em que o Estado veda a aplicação da pena de morte. os atos são praticados com base nas normas jurídicas vigentes ao tempo em que se realizam. Com isso notamos que 6 . 150. Ainda assim. de forma prejudicial. advinda de atos ilícitos. b) Legalidade ou reserva legal relativa: abrange temas que a lei pode tratar. a de matéria tributária do art. No Brasil. 5º. somente lei deve tratar do assunto. ao mesmo tempo em que as leis devem ser constitucionais. Como exemplo. Assim. XXXVI da Constituição Federal). XXXVI. pois representa vedação a toda nova norma jurídica. Remédios constitucionais: são instrumentos processuais específicos. denominados de função executiva. pois a irretroatividade é clausula pétrea. a esse fenômeno dá-se o nome de princípio da subsidiariedade. 2. Nesses casos. alínea a. tais como a do art. 5º. as circunstâncias anteriores a sua edição. pois a vedação do art. As proteções específicas em nosso ordenamento jurídico são chamadas de remédios constitucionais. Não há direito adquirido obtido a partir de uma lei inconstitucional. “lei fixará”.

soberania e nacionalidade). Ocorre que essa norma regulamentadora pode nunca existir. nação. b) população: é formada por todos os habitantes de um local. primando por seu direito de ir e vir. pelo contrário. poderá ajuizar uma ação popular. LXIX da Constituição Federal assegura o direito líquido e certo não amparado por habeas corpus ou habeas datas quando o responsável pela ilegalidade ou abuso do poder for autoridade pública ou pessoa jurídica no exercício de atribuição do Poder Público. essa garantia. Para que possamos entender o alcance de tal norma inicialmente se faz necessária uma breve explicação do que se entende por norma regulamentadora. não fariam jus a tal direito. culturais. abrange tantos nacionais quanto estrangeiros. Isso porque quem define quais pessoas terão tal qualidade é o Estado Soberano. devemos delimitar o que é direito líquido em certo. à soberania e à cidadania (artigo 5º. unidos pelo vínculo da nacionalidade. Dessa maneira. XV. salvo quando a pessoa prefira fazê-lo por meio de processo sigiloso judicial ou administrativo. não necessariamente será considerada seu nacional. Como exemplo.”. podemos a polêmica discussão sobre a greve dos servidores públicos. a lei ainda não foi criada. a) povo: conjunto de pessoas que fazem parte de um Estado. precisam de uma norma que as regulamentem). sem a necessidade de dilação probatória . Entretanto. a defesa do meio ambiente e a defesa do patrimônio histórico e cultura (artigo 5º. diante da resistência do Poder Público. nacional e cidadão não se confundem. religiosos e lingüísticos. a defesa da moralidade administrativa. detalhadamen- 7 . d) Mandado de injunção: será concedido sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício de direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. LINK ACADÊMICO 4 NACIONALIDADE E DIREITOS POLÍTICOS A nacionalidade pode ser entendida como o vínculo jurídico-político que relaciona um indivíduo a um Estado. um funcionário público realiza atos lesivos ao patrimônio público. essa ação só poderá ser proposta por cidadão. cumpre salientar que tais garantias nacionais. Estudaremos agora. é seu elemento humano.d) nacional: é aquele que se vincula a um Estado por nascimento ou opção. distintos dos estrangeiros. a cidadania. e por conseqüência. Foi pensando nisso que o Constituinte inseriu tal garantia (para dar concretude aos direitos fundamentais. ou seja. fazendo dele um componente do povo. mas sim. Entretanto. os servidores públicos. Dessa forma. e por conseqüência. Em decorrência dessa omissão legislativa. mas que seu conteúdo pode. meio ambiente e patrimônio histórico e cultural). b) Habeas data: localiza-se no artigo 5º. moralidade administrativa. serve apenas às normas de eficácia limitada.. Como exemplo. Ao nascer em um determinado Estado. passe a se submeter a direitos e obrigações. Também tal ação serve para retificar dados. sejam elas específicas ou gerais. Vale lembrar que as expressões povo. Por meio dessa garantia assegura-se o direito de conhecer as informações constantes de registros dos bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público relativas à pessoa do impetrante. São os nacionais. como consequencia. c) Mandado de segurança: disposto no artigo 5º. LXXI da CF). para que possamos compreender tal garantia. LXXII da Constituição Federal. embora a pessoa seja ‘natural ‘ deste. A título exemplificativo podemos citar o caso de um cidadão que toma conhecimento de que em determinada repartição pública. que precisam de uma norma regulamentadora para terem aplicabilidade. podemos citar o caso de uma mãe que não consegue vaga em uma creche municipal para seu filho. população. futuramente. A Constituição Federal diz que a greve do servidor público será regulamentada por lei. sendo ele cidadão brasileiro. Nos dizeres do Professor Pedro Lenza. da dimensão pessoal do Estado e. a mãe. a rigor. Inequívoco o direito da criança à educação. A Constituição Federal em seu corpo possui uma série de normas que podemos classificá-las como normas de eficácia plena (que possuem aplicabilidade imediata). Notamos assim que essa garantia visa a tutela do direito ao acesso às informações e a retificação de tais informações à pessoa do impetrante intimamente ligada ao princípio da dignidade da pessoa humana. Porém. c) nação: conjunto de pessoas ligadas por uma origem comum e laços históricos. representando seu filho. um direito genérico que esteja de plano comprovado. LXXIII da CF). o direito tutelado por essa garantia não é específico como nas ações acima mencionadas. sendo este isento de custas e ônus da sucumbência. deve-se sempre buscar a coexistência de todas em busca da implementação dos direitos humanos. em seu livro Direito constitucional esquematizado “Direito líquido e certo é aquele que pode ser demonstrado de plano mediante prova préconstituída. verificamos que os direitos que essa garantia visa pro- teger são específicos (patrimônio público. o direito que decorreria dela também não existirá.tal garantia tem por escopo a liberdade de locomoção de um indivíduo. não excluem as demais garantias internacionais. Com isso. normas de eficácia contida (que possuem aplicabilidade imediata. Assim. poderá impetrar um mandado de segurança tendo em vista a implementação de tal direito. Por fim. ou seja. salvo comprovada má-fé. também assegurado em nossa Constituição Federal em seu artigo 5º. ser restringido) e normas de eficácia limitada (que não possuem aplicabilidade imediata. e) cidadão: é o nacional no gozo de seus direitos políticos. e) Ação popular: visa anulação de ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o estado participe.. foi impetrado no judiciário um mandado de injunção para que o direito de greve fosse viabilizado. Dessa forma.

Fazem parte da categoria de direitos públicos subjetivos que investem o indivíduo no status de cidadão. 54/07). b) referendo: é uma consulta ao povo sobre medida já aprovada. Observação 2: o parágrafo 2° do art. 12 da CF/88 veda o tratamento diferenciado entre brasileiros natos e naturalizados. desde que sejam registrados em repartição pública competente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem. 6. 3 da CF/88 e os casos de inelegibilidade no art. maiores de 70 aos e analfabetos. para a vedação de extradição (art. 5. são brasileiros natos: os nascidos na República Federativa do Brasil. Direitos Políticos: os direitos políticos devem ser entendidos como aqueles que regulam a forma de intervenção popular no governo. parag. desde que qualquer um deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil. pois no ordenamento jurídico brasileiro não está prevista a naturalização tácita. salvo alguns casos que estão previstos na própria Constituição. incorporação e extinção dos partidos políticos. Perda e suspensão dos direitos políticos: são taxativas as hipóteses de perda e suspensão dos direitos políticos (art. 4 da CF/88: cancelamento de naturalização ou naturalização voluntária. O processo de naturalização se divide em: naturalização ordinária e extraordinária. 5. 12. Está abrangido pelo direito de votar e ser votado. do processo legislativo e do controle da atuação estatal. 3 e art. Observação: o brasileiro não a perderá se houver reconhecimento da nacionalidade originária pela lei estrangeira. exige-se apenas a residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral. As condições de elegibilidade estão previstas no art. 1. VII). e os nascidos no estrangeiro. parag. Para sua aquisição os Estados soberanos costumam utilizar dois critérios: jus soli (da territorialidade) e o jus sanguinis (da ascendência). 14. 7. porém. A CF/88 não diferencia a perda da suspensão. Exceção: se originários de países de língua portuguesa. resguardados a soberania nacional. independentemente de onde nasçam. Consiste na possibilidade de o cidadão pleitear um mandato político. referendo e iniciativa popular. Vale destacar que a CF/88 veda expressamente a cassação dos direitos políticos. A previsão constitucional encontra-se nos arts. organizar e participar dos partidos políticos. inciso II da CF/88 enumera as formas de naturalização. 15). Partidos Políticos: é livre a criação. Nota: polipátridas são pessoas com mais de uma nacionalidade e apátridas ou heimatlos são pessoas sem nacionalidade. Observação: A CF/88 mesclou esses dois critérios e acrescentou outros requisitos. Assim. assim como os direitos políticos. 6. c) iniciativa popular: possibilidade conferida ao povo de encaminhar um projeto de lei para ser apreciado pelo Legislativo. Pelo critério do jus soli são considerados nacionais os que nascem em território nacional. Possui dois aspectos: a) Capacidade eleitoral ativa: direito de votar. Direito de sufrágio: o direito de sufrágio constitui o núcleo dos direitos políticos e consiste na capacidade de eleger e ser eleito. em conformidade com o inciso I do art. sendo que o art. a) plebiscito: é uma consulta ao povo sobre determinado tema. de pai ou mãe brasileiros. LI) e para a propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão de sons e imagens (art.te. 12. 13. caso haja imposição de naturalização pela norma estrangeira como condição de permanência ou para o exercício de direitos civis. a partir de uma análise sistemática do texto constitucional é possível fazer tal distinção. para que a ratifique ou rejeite. parag. 89. 8 e 9 do mesmo diploma legal. pouco importando se seus pais são nacionais ou estrangeiros. 222). 7. Para isso. 6. 3. desde que haja reciprocidade em favor dos brasileiros. em razão de atividades nocivas ao interesse nacional. 14 a 17. fusão. sempre se faz necessário requerimento da parte interessada. o qual depende de iniciativa do nacional que preencher os requisitos legais. 2. pela nacionalidade brasileira (acrescentado pela EC n. 5. do brasileiro residente em Estado estrangeiro. o regime 8 . O cancelamento de naturalização se dá por sentença judicial transitada em julgado. parag. o que lhe permite participar dos negócios políticos do Estado. as formas de aquisição e perda da nacionalidade. b) Capacidade eleitoral passiva: direito de ser votado. É obrigatório aos maiores de 18 anos e facultativo aos maiores de 16 anos e menores de 18. de pai ou mãe brasileiros. conferindo-lhe o atributo da cidadania. Perda da nacionalidade: as hipóteses de perda da nacionalidade estão insculpidas no art. tais como: para cargos privativos de brasileiro nato (art. Extraordinária: para estrangeiros de qualquer outra nacionalidade desde que residentes no país há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação criminal. depois de atingida a maioridade. 12. Aquisição originária da nacionalidade: é aquela que se adquire por força do nascimento. os nascidos no estrangeiro. Aquisição da nacionalidade secundária: a naturalização: o art. 4. Observação 1: aos portugueses com residência fixa no Brasil são atribuídos os mesmos direitos que aos brasileiros naturalizados. 14 dispõe sobre o exercício da soberania popular mediante três institutos: plebiscito. em qualquer tempo. Adquire-se por alistamento eleitoral. 12.815/80). Já pelo critério do jus sanguinis consideram-se nacionais os filhos dos nacionais. Ordinária: para os estrangeiros que residem no país e preencham os requisitos do Estatuto do Estrangeiro (Lei n. Já pela naturalização voluntária é quando o brasileiro adquire de forma voluntária e espontânea outra nacionalidade.

organização e funcionamento. Assim. Formação dos tratados sob o enfoque internacional: temos a fase da negociação e assinatura e posteriormente a ratificação. não receber recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou estar subordinados a estes. Formação dos tratados sob o enfoque interno: no plano interno teremos a negociação e assinatura. 52. após essa aprovação o Presidente da República o ratifica. na forma da lei. de forma que a adesão fica condicionada a aprovação interna desse tratado. e o segundo. depois esse tratado deverá ser aprovado pelo Congresso Nacional por meio de um decreto legislativo. salvo quanto aos tratados de direitos humanos que se desejam dar status de emenda constitucional. as partes discutirão sobre as matérias importantes e que deverão constar no tratado que será elaborado. necessária prestação de contas à justiça eleitoral e funcionamento eleitoral em conformidade com a lei (art. a ratificação terá efeitos ex nunc. quer conste de um instrumento único. independente de sua denominação. o Presidente da República volta a órbita internacional e confirma a adesão ao tratado internacional. os direitos fundamentais da pessoa humana. Ressalte-se que o Congresso Nacional não poderá oferecer emendas. A partir da EC n. Têm. Conceito de tratado: tratado significa um acordo internacional (excluí-se dessa forma os acordos internos) celebrados por escrito (são atos solenes) entre os Estados e regido pelo direito internacional. devendo os estatutos partidários estabelecerem normas de disciplina e fidelidade partidária. acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional (artigo 49.2. 3. Em caso de aprovação. Normalmente o nome do tratado está relacionado com o lugar em que esse foi celebrado. Notemos que para que um tratado tenha validade e eficácia no Brasil ele deve passar necessariamente 9 . e por fim teremos a promulgação e publicação. Disposições gerais sobre os tratados internacionais: a regulamentação dos tratados internacionais encontra-se disposta na Convenção de Viena. A grande importância desse conceito reside no fato de que se os sobre tratados. sendo vedada a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar. a) Negociação: nesse momento ainda não temos o tratado. não haverá mais a obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional. autoriza-se a ratificação. cingindo-se apenas em rejeitá-lo ou aprová-lo. bem como para adotar os critérios de escolha e o regime de suas coligações eleitorais. visto ser esse o responsável para resolver definitivamente INCORPORAÇÃO DOS TRATADOS INTERNACIONAIS NO DIREITO INTERNO 1. 17). que normalmente exigi-se sua aprovação por maioria simples de votos. ainda. Como regra os tratados internacionais serão aprovados pelo Congresso Nacional por meio de Decreto Legislativo. e precisam ser analisados pelos representantes do povo. sob o ponto de vista internacional. O primeiro. Após a discussão pelas partes. Assim. o tratado tem eficácia a partir da ratificação. 2. isto porque. e por meio da promulgação ele determina que aquele tratado deve ser executado no plano interno. convenção e pacto. o Congresso Nacional. Tratados internacionais: a formação dos tratados internacionais pode ser analisada sob dois enfoques.1. 3. visto que após sua determinação de executoriedade o Presidente da República publica-o no Diário Oficial dando ciência a todos sobre sua existência e obrigatoriedade em todo território nacional. acordo. Os partidos têm personalidade jurídica de direito privado e devem registrar seus estatutos no TSE. temos a Convenção de Genebra que foi celebrada em Genebra. c) Aprovação no Congresso Nacional: depois de assinado o tratado internacional o Presidente da República deve submetê-lo a apreciação do Congresso Nacional. Porém. o seja. f) Publicação: este é ato que segue a promulgação. distrital ou municipal. São eles: ter caráter nacional. elabora-se o tratado.democrático. sob o ponto de vista interno. De acordo com a Convenção de Havana desde a ratificação os Estados têm o dever de cumprir o tratado que aderiram. o pluripartidarismo. Os partidos políticos têm autonomia para definir sua estrutura interna. não retroage a data da assinatura. agora ele se volta a ordem interna. consiste apenas em uma expectativa. tais pactos criam obrigações ao nosso Estado. qualquer que seja sua denominação específica (artigo 2º da Convenção de Viena). Após a análise das fases de incorporação de um tratado no ordenamento jurídico brasileiro. direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito à rádio e televisão. d) Ratificação: nesta fase. Assim. resultante da comunhão do Senado Federal e da Câmara dos Deputados. desde que observados alguns preceitos. visto que por vezes encontraremos diversas designações como. Assim. ou seja. LINK ACADÊMICO 5 requisitos acima descritos forem preenchidos teremos então um tratado. b) Assinatura: é o ato pelo qual o Presidente da República (que em nosso Estado desempenha a função de chefe de governo e chefe de Estado) manifesta sua vontade em aderir àquele tratado. que estabelece normas sobre sua elaboração. I da CF). 3. estadual.e) Promulgação: a promulgação também é realizada pelo Presidente da República. o Presidente da República não pode sozinho aderir a tratados internacionais. porém. convém ressaltar um ponto importante. quer de dois ou mais instrumentos conexos. por exemplo. devem dispor mecanismos em seu ordenamento interno para implementação dos direitos consagrados no pacto. Como até este momento o Estado apenas possuía a intenção de celebrar o tratado.

posição adotado por Augusto Cançado Trindade e Flávia Piovesan. deve eles possuir o mesmo status no ordenamento jurídico. Apenas no final da Segunda Guerra Mundial e com a criação da ONU (Organização das Nações Unidas) e a Declaração Universal de Direitos Humanos. Com isso. cabe chamar atenção para o fato de que quando o executivo atua. Sistemas de proteção aos direitos humanos: ocorre por meio de documentos internacionais que garantem a aplicabilidade das garantias dos direitos do homem. Assim. § 3º da CF. como a inglesa de 1684. conforme explica o Professor Pedro Lenza. Posição encabeçada por Celso Duvivier de Albuquerque Mello. a proteção aos direitos do homem era praticamente restrita a algumas legislações internas. Hierarquia dos tratados internacionais no direito interno: para que possamos estudar a hierarquia dos tratados no ordenamento jurídico interno. que coincide com os requisitos de aprovação das emendas constitucionais. Até então. devemos dividir tais pactos de acordo com seu objeto. O “direito das gentes” não se esbarraria mais nos interesses nacionais particulares e os Estados soberanos passam a ter objetivos comuns. § 3º da Constituição Federal: aos tratados aprovados conforme o artigo 5º. tratando diretamente de questões ligadas à soberania Estatal. ou seja. dotados de mecanismos processuais eficazes para a salvaguarda dos seus direitos internacionalmente protegidos. terão status de normas constitucionais. pactos internacionais que dispõe sobre o comércio entre determinados países. hierarquicamente inferior à Constituição Federal. b) Tratados internacionais de direito humanos anteriores a Emenda Constitucional nº 45: tal emenda incluiu no artigo 5º da Constituição Federal o parágrafo 3º que assim dispõe: “Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados. para que eles sejam aprovados no Congresso Nacional (Decreto Legislativo) deve-se ter maioria simples de votos. Houve uma quebra de paradigmas e os tratados internacionais de proteção dos direitos humanos criaram obrigações e responsabilidades para os Estados. em dois turnos. notamos que para saber qual o status de um tratado de direito internacional em nosso ordenamento jurídico.pela função legislativa e pela função executiva. quais sejam: I) Natureza supraconstitucional: em que se reconhece aos tratados e convenções de direitos humanos status superior às normas constitucionais. III) Status de lei ordinária: pelo fato de tais tratados serem aprovados pelo mesmo quorum de leis ordinárias.1. por três quintos dos votos dos respectivos membros (artigo 60. teremos: a) Tratados internacionais que não são de direitos humanos: tais convenções são aquelas que não dispõem diretamente sobre Direitos Humanos. dúvida surge quanto ao status dos tratados de direitos humanos aprovados por quorum de maioria simples e anteriores a essa Emenda. os indivíduos passaram a ser considerados como sujeitos de direito internacional. Subdividem-se em: 2. devemos perquirir qual seu objeto. 2. LINK ACADÊMICO 6 da através de incessantes lutas históricas e consubstanciada em inúmeros tratados concluídos com esse propósito. Esse tipo de tratado tem força normativa equivalente a lei ordinária em nosso ordenamento jurídico. e no que tange a essa função. Ressalte-se que esse foi o recente entendimento no Supremo Tribunal Federal. protegendo o homem contra qualquer tipo de lesão ou ameaça de lesão sofrida pelo próprio Estado. IV) Caráter supralegal: em que tais tratados e convenções possuem status superior à lei ordinária. ele o faz na função específica de chefe de governo. a americana de 1778 e a francesa de 1789. pois os Estados eram os únicos sujeitos de direito internacional público capaz de proteger e amparar os direitos fundamentais dos seres humanos. por três quintos dos votos dos respectivos membros. As questões que tratavam de direitos humanos integravam a agenda internacional apenas quando ocorria uma determinada guerra. Assim. em seu livro Direito constitucional esquematizado. Com a criação da ONU. serão equivalentes às emendas constitucionais. A justificativa reside no fato de que eles são incorporados em nosso direito pátrio pelo mesmo sistema que as leis ordinárias. que se localiza no plano internacional. Sistema Global ou Internacional: alcançam todos os Estados que aderirem aos seus pactos ou PROTEÇÃO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS 1. ou seja. em cada Casa do Congresso Nacional. Como por exemplo. 4. independentemente de terem sido aprovados antes da emenda de nº 45 e pelo procedimento exigido no artigo 5º. mas inferior a Constituição Federal. qual lugar ele ocupa em nosso sistema escalonado de normas. houve a universalização dos direitos do homem. quais sejam: aprovação em cada Casa do Congresso Nacional. que teve como precursor o Ministro Gilmar Mendes c) Tratados internacionais de direito humanos posteriores à Emenda Constitucional nº 45 e que foram incorporados nos moldes do artigo 5º. que esses direitos começaram a desenvolver-se no plano internacional. serão equivalentes à emendas constitucionais”. II) Caráter constitucional: tais tratados. A grande conseqüência reside no fato de que todas as demais normas deverão ser interpretadas conforme esses tratados sob pena de se tornarem inconstitucionais. § 2º da CF). temos quatro posicionamentos. em 1948. porém a questão sempre esbarrava no incontestável e absoluto princípio de soberania estatal. § 3 da CF. Histórico: A proteção internacional dos direitos humanos foi conquista- 10 . Porém. ou seja. em dois turnos.

ou ao Tribunal Penal Internacional competente em relação às partes que reconheceram sua jurisdição. dos direitos humanos e das liberdades fundamentais. como um instrumento internacional voltado ao combate da discriminação racial. Exemplos: Declaração Universal do Direitos Humanos. ou b) especial: visam apenas a determinados sujeitos de direito. em igualdade de condições. gozo ou exercício em um mesmo plano (em igualdade de condição) de direitos humanos e liberdades fundamentais no domínio político. uma política de eliminação da discriminação racial e promoção da igualdade. comprometem-se a adotar. que visam à implementação do direito à igualdade. devendo seus agentes e cúmplices serem punidos. 3. Contou apenas oito abstenções. sendo. qualquer distinção.: Não há qualquer incompatibilidade entre os documentos de caráter geral e específico de proteção de direitos humanos. proteção e recursos eficazes perante os Tribunais nacionais. b) a realização da Primeira Conferência de Cúpula dos Países NãoAliados em Belgrado em 1961 e c) o ressurgimento de atividades nazifascistas na Europa.2. à violação dos direitos das crianças etc. Os Estados-partes deverão assegurar a todas as pessoas. que passam a integrar o chamado Direito Internacional dos Direitos Humanos. Ex: convenção americana de Direitos Humanos. econômico. c) recomendou uma cooperação entre os Estados para facilitar a prevenção e punição do crime de genocídio 3. Podem ter: a) caráter geral: tem por destinatário toda e qualquer pessoa. ou b) caráter específico: endereçado a um sujeito de direito concreto. Comprometem-se também a garantir a todos. a discriminação racial sempre tem por objetivo ou efeito anular ou restringir o exercício. ou a determinada categoria de pessoas. A dignidade humana como fundamento dos direitos humanos é recomendação que. punir e erradicar a violência contra a mulher. horrorizados com o extermínio em massa. liberdade e fraternidade. etnia. os Estados-Membros devem promover a proteção dos Direitos Humanos e liberdades fundamentais. sociais. uma vez que este documento não tem a estrutura de um tratado internacional. A Convenção sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial apresenta duas metas básicas. condenado pelo mundo civilizado. Convenção para prevenção e repressão do crime de genocídio (1948): após a Segunda Guerra Mundial. exclusão. São elas: a) o combate a toda e qualquer forma de discriminação racial e b) a promoção da igualdade.convenções. por motivos políticos. titular de direitos iguais e inalienáveis (inalienabilidade). Logo. destacamos: a) o ingresso de dezessete novos países africanos na ONU em 1960. considerando-se categorizações relativas ao gênero. vem a ser incorporada por todos os tratados e declarações de direitos humanos. social. Convenção Internacional sobre a eliminação de todas as formas de discriminação racial (1965): três relevantes fatores históricos impulsionaram o processo de elaboração desta Convenção na década de 60. descendência ou origem nacional ou étnica que têm por objetivo ou efeito anular ou restringir o reconhecimento. A Convenção prevê a criação do 1 1 . sendo que a Declaração Universal de 1948 elenca quais são os Direitos Humanos e liberdades fundamentais a serem tutelados. Estes fatores estimularam a edição da Convenção. não possuindo. portanto mera resolução da ONU. vale como recomendação de princípios. Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948): foi aprovada em 1948 pela unanimidade dos membros das Nações Unidas. indistintamente. Principais instrumentos de proteção internacional de caráter global 3. o exercício de direitos civis. força jurídica obrigatória e vinculante. à discriminação contra as mulheres. pelo Estado nazista. idade. Tem como objetivo a eliminação de todas as formas de discriminação racial. políticos. cor.. ao consagrar valores básicos universais.1. visto em sua especificidade e na concreticidade de suas diversas relações. portanto. b) convidou os Estados-Membros a promulgar leis competentes para a prevenção e punição de tais crimes. Seu objetivo foi o de delinear uma ordem pública mundial fundada no respeito à dignidade humana. posteriormente. em consequência: a) afirmou que o genocídio é um crime segundo o direito internacional. ou seja.3. restrição ou preferência. independente de regionalização. 3. reconhecendo. valores supremos como igualdade. Caberá a quem sofreu a lesão ou ameaça de lesão aos direitos humanos escolher o sistema mais célere e favorável. Exemplos: convenção interamericana para prevenir. Neste item surge uma discussão na doutrina doutrina sobre a natureza jurídica da Declaração Universal dos Direitos do Homem. por todos os meios apropriados. 2. De acordo com a Carta da ONU de 1945. Os Estados-partes da Convenção. Desde seu preâmbulo. assim como o direito à indenização justa e adequada por qualquer dano decorrente do ato discriminatório.. que estiverem sob a sua jurisdição. a Assembléia Geral da ONU. baseadas em raça. Exemplos: convenções internacionais de combate à tortura. é afirmada a dignidade inerente a toda pessoa humana (universalidade). e em igualdade de condições. sem distinção de raça. cultural ou em qualquer outro domínio de vida pública. econômicos e culturais. em âmbito internacional.. raça. Obs. Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos. cor ou origem nacional. à discriminação racial. Sistema Regional: consiste na implantação dos direitos humanos nos planos regionais e também possuem o a) caráter geral: atingem qualquer pessoa. Os acusados deverão ser julgados pelos tribunais competentes do Estado em cujo território o ato foi cometido.2. abstrata e genericamente considerada.

Convenção sobre os Direitos da Criança (ONU -1989): visa o desenvolvimento individual e social saudável da infância. Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher (1979): aprovada pela Assembléia Geral da ONU. Amplia o rol dos Direitos Humanos tutelados pela Declaração Universal dos Direitos do Homem. independentemente de seu estado civil. social. a igualdade perante a lei. Para tanto. responsável pelo monitoramento dos direitos constantes na Convenção. 3. incorporou à Declaração Universal dos Direitos do Homem uma nova série de direitos a serem tutelados. Para tanto. exclusão ou restrição baseada no sexo e que tenha por objetivo ou resultado. econômico. gozo. legislativas para a implementação dos direitos reconhecidos na Convenção. Os Estados-partes. composto de 18 (dezoito) peritos que realizarão o monitoramento dos direitos reconhecidos pela Convenção Apresenta três mecanismos de implementação de direitos: a) os relatórios. à segurança social. Para a Convenção.3. sexo. dentre outros. o direito de casar e formar família. 3. seja como uma obrigação vinculante. está a urgência em se erradicar todas as formas de discriminação contra as mulheres. os Estados-partes deverão tomar todas as medidas administrativas.5. como mecanismo de implementação dos direitos que enuncia. Ratificado o pacto. sem distinção de qualquer natureza (raça. Esta ainda estabelece. Prevê a criação do Comitê para os Direitos da Criança. limites menores para a maioridade. Trata do princípio da igualdade. que os Estados envolvidos. com base na igualdade do homem e da mulher. ressalvando aos Estados-partes a possibilidade de estabelecerem. objetivando garantir a proteção das crianças de qualquer forma de discriminação ou punição injusta. b) as comunicações interestatais e c) as petições individuais e d) impõe ao Comitê a competência de examinar os relatórios encaminhados pelos Estados-partes. língua. como importantes medidas a serem adotadas pelos Estados para acelerar o processo de obtenção da igualdade. o direito ao trabalho. Estatuto de Roma – Tribunal Penal Internacional (1998): é uma 12 . à liberdade. assim. obrigando os Estados-Membros à aplicação imediata a todos os indivíduos sobre sua jurisdição. prejudicar ou anular o reconhecimento. Existe a previsão de instituição de determinado ór- gão. Possui aplicação progressiva. dentre outros. e. 3. se submetam à competência do Comitê dos Direitos Humanos (formado por oito membros. 3. quando necessário. denominado “Comitê”. Além disto. Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (1966): aprovado unanimemente pela Assembléia Geral da ONU. especialmente com relação aos direitos econômicos. entretanto. busca eliminar/erradicar a discriminação e assegurar/garantir a igualdade. este é voltado ao Estado. cor. o direito de não ser submetido à tortura ou a tratamentos cruéis. mas à família. O descumprimento da convenção acarreta danos não somente às mulheres. assegurando efetiva igualdade entre eles.6. Enquanto o Pacto dos Direitos Civis é direcionado aos indivíduos. a sistemática dos relatórios. à igualdade. assumem o compromisso de. dependendo de ações afirmativas do Estado. à imagem. e não imediata. seja como um objetivo. lhe é facultado alegar a violação de Direitos Humanos por parte de outro Estado devendo. Os direitos fundamentais da criança são: direito a vida.7. que evidenciem o modo pelo qual a Convenção está sendo implementada e quais as medidas legislativas. as comunicações inter-estatais e as petições individuais. Sociais e Culturais (1966): seu objetivo primordial é a incorporação e expansão dos dispositivos que tratam dos direitos sociais. desumanos ou degradantes. Conceitua criança. prestigiando. Pacto Internacional dos Direitos Econômicos. de manifestação de pensamento. cuja função é analisar os relatórios encaminhados). 3.Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial. tomarão tais medidas no alcance máximo de seus recursos disponíveis e. religião. no âmbito da cooperação internacional. por meio da implementação de direitos econômicos e sociais. o direito a um julgamento justo. o direito à vida. os direitos à liberdade e à segurança pessoal e a não se sujeitar à prisão ou detenção arbitrárias. ao ratificar a convenção. a fim de que se garanta o pleno exercício de seus direitos civis . convicções filosóficas ou políticas origem étnica ou social etc). à privacidade e à honra. à integridade física e moral. o direito a não ser escravizado. dos direitos humanos e das liberdades fundamentais nos campos político.4. econômicos e culturais estabelecidos na Declaração Universal dos Direitos do Homem. educação e cultura. através de uma declaração em separado. políticos. à saúde física e mental. Protege o direito do homem de se ver livre da miséria. como sendo o ser humano menor de 18 anos de idade. sociais e culturais. o direito a uma nacionalidade. Os Estados-partes têm que encaminhar relatórios ao Comitê das Nações Unidas. através de lei. exercício pela mulher. eliminar todas as formas de discriminação no tange ao gênero. o direito de expressão. o Estado-Membro se obriga a enviar relatórios acerca de medidas tomadas para sua implementação em seu território. Dentre suas previsões. progressivamente. a discriminação contra a mulher significa “toda distinção. estabelecendo diretrizes para adoção e efetivação de medidas que garantam estes direitos por parte dos Estados convencionados. cultural e civil ou em qualquer outro campo”. que analisará os relatórios sobre as medidas que os Estados-partes adotaram para tornar efetivos os direitos reconhecidos pelo pacto. nem submetido à servidão. a Convenção prevê a possibilidade de adoção de medidas afirmativas (“ações afirmativas”). a liberdade de movimento. econômicos e culturais. administrativas e judiciárias adotadas para este fim.

com sede na Haia. Foi incorporada ao direito brasileiro através da promulgação do Decreto nº 4. Sociais e Culturais compreende um Preâmbulo. Este pacto foi incorporado ao direito brasileiro através da promulgação do Decreto nº 592/92. já se encontram ratificados. Surgiu para dar maior eficácia aos direitos fundamentais do homem. não declara direitos sociais. posição econômica. Este Pacto garante fundamentalmente a proteção da integridade física do indivíduo. expressão. como por exemplo. consagrados inicialmente na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Convenção Internacional para Eliminação da Discriminação Racial. origem nacional ou social. “sem discriminação alguma por motivos de raça. 4. liberdade sindical e direito de greve. proteção. embora se limite a instar os Estados a alcançá-los progressivamente. baseados no respeito à diferença. cor.convenção multilateral. Pessoa é todo o ser humano. americano. liberdade de imprensa. sociais e culturais das pessoas. nascimento ou qualquer outra posição social” . a ser alcançado com reafirmação nas instituições democráticas dos direitos humanos fundamentais. através da Convenção sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial busca-se proteger os valores da igualdade e tolerância. obedecem uma tendência de integração entre o sistema regional e o sistema universal de proteção destes direitos. O Brasil é parte de quase todas as convenções e tratados de direitos humanos celebrados no âmbito das Nações Unidas. a proteção por motivos de gênero. como assinala a Convenção. direito a participar na vida cultural. Sociais e Culturais. a liberdade individual de crença. os crimes de genocídio. Os direitos reconhecidos pelo pacto são: direito a trabalhar e livre eleição de emprego. incluídos os direitos trabalhistas e os direitos à saúde. direito à saúde. Proteção regional dos direitos humanos: aqueles pertencentes aos sistemas europeu. etc. que assegura direitos políticos e civis. crimes esses imprescritíveis. Convenção Americana sobre Direitos Humanos. através da celebração da Convenção Européia de Direitos Humanos (1953). contra a humanidade. Cria a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e a Corte Interamericana de Direitos Humanos. 4. celebrada com o propósito de constituir um tribunal internacional. econômicos ou culturais. seis partes e 53 artigos. tendo sido aprovada em 22 de novembro de 1969. foi adotado também na América esta tendência .810/69. direito à educação. O sistema americano possui como principal instrumento: 4. religiosos. Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher. Pacto Internacional de Direitos Econômicos. a equidade processual na lei. o sistema regional pode ser geral ou específico. Foi incorporada ao direito brasileiro através da promulgação do Decreto nº 65. Vejamos: 1. A Convenção estabelece primeiramente a obrigação de respeitar os direitos e liberdades reconhecidos nela e garantir seu livre e pleno exercício a toda pessoa sujeita a sua jurisdição. Somente os Estados-membros da Organização do Estado Americanos têm direito a aderir à Convenção Americana de Direitos Humanos. raciais ou outras formas de discriminação. É um tratado que reconhece direitos de segunda geração e estabelece mecanismos para sua proteção e garantia. Os países que fazem parte deste Pacto comprometem-se a trabalhar para a concessão dos direitos econômicos. cinco partes e 31 artigos. proteção da família e os menores. Sua competência é de julgar os crimes mais graves que afetem o conjunto da comunidade internacional. Seu propósito consiste na consolidação no Continente Americano da aplicação de um regime de liberdades pessoais e justiça social. direito à segurança social. religião. a Convenção Americana de Direitos Humanos. com jurisdição complementar às jurisdições penais nacionais. crimes de guerra. O Pacto Internacional de Direitos Econômicos. a educação e um nível de vida adequado. 2. opiniões políticas ou de qualquer outra índole. Em seu artigo 1º. também conhecida como Pacto de San José da Costa Rica: com a sistematização regional dos direitos humanos na Europa. Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos. Tem origem nos tribunais ad hoc da Bósnia e da Ruanda. sexo. dotado de personalidade jurídica própria. direito a condições de trabalho eqüitativas e satisfatórias. o direito a celebrar assembléia e 13 . Uma delas é que se trata de um tribunal independente e permanente. estando dessa forma já incorporados ao direito brasileiro. desenvolvimento e difusão da ciência e a cultura. LINK ACADÊMICO 7 direito à participação política. Assim. Os princípios que servem de base para o Pacto de San José da Costa Rica.377/2002. de agressão. exclusão ou restrição feita em base ao sexo que tenha o PRINCIPAIS DOCUMENTOS INTERNACIONAIS DE PROTEÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS DE QUE O BRASIL FAZ PARTE NO SISTEMA GLOBAL Nesse capítulo iremos estudar quais são os principais tratados internacionais de direitos humanos que o Brasil faz parte no sistema global. Consagra-se a idéia de que a diversidade étnico-racial deve ser vivida como equivalência e não como superioridade ou inferioridade. O Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos compreende um Preâmbulo. a Convenção define a discriminação contra a mulher como: qualquer distinção. asiático e africano. associação. Portanto. os mais importantes tratados internacionais de proteção aos direitos humanos. Do mesmo modo como ocorre no sistema global. língua. 3.1. porém possui características distintas. direito a um nível de vida adequado e à melhora contínua das condições de existência. Todavia.

386/89. necessitando de cuidados e assistência especiais. direito à educação. de pensamento. “Estar plenamente preparada para uma vida independente na sociedade”. 5. Convenção contra a Tortura e outras Penas ou Tratamentos Desumanos ou Cruéis. Foram garantidos a elas direitos como: liberdade de expressão. ratificada pelo Brasil em 25. a Carta da O. principalmente em seu ambiente familiar.2.E. físicos ou mentais. por isso.efeito ou propósito de diminuir ou nulificar o reconhecimento.Os Estados devem tomar medidas legislativas para aplicação da Convenção. são infligidos intencionalmente a uma pessoa a fim de obter. informações ou confissões. cultural. di- reito à proteção e assistência especiais do Estado. “crescer no seio da família. definidora e regulamentadora. 6.Garante direito à vida desde a concepção. Além de definir o crime de tortura. Em 1948. ao afirmar que a criança deve. Convenção sobre os Direitos da Criança.A em 1945 e seu objetivo era o de implementar a paz nos Estados Americanos. Desumanos e Degradante. esta foi adotada e aberta de discussão na Conferência Especializada sobre direitos humanos realizada em San José da Costa Rica em 22. O apenado poderá pleitear anistia. Somente os Estados-membros da Organização dos Estados Americanos (O. onde sua educação deve seguir os ideais proclamados na Carta das Nações Unidas. civil ou em qualquer outra esfera. definindo também sua filosofia. Principais aspectos e direitos garantidos pelo tratado: 1º . e esses considerarem isso imprescindível. a Convenção também prevê a punição para aqueles que o cometerem e constitui um Comitê contra a Tortura. de intimidar ou coagir esta pessoa ou outras pessoas.1969. 2º .11. em um ambiente de felicidade. juntamente com um clima de paz. 3º . a Parte II estabelece o órgão e a forma de monitoramento de sua implementação. amor e compreensão” e. 1. A criança se mostra em uma condição especial.Reconhece a personalidade jurídica. o qual tem por finalidade analisar e fiscalizar a proteção contra esse crime nos diversos países que fazem parte da referida Convenção. não se poderão alegar circunstâncias excepcionais para justificar a prática da tortura. O Preâmbulo explicita a base jurídica da Convenção.E. nem mesmo em caso de guerra ou instabilidade interna. sendo que. dispõe em substância sobre os direitos da criança. onde foi criada uma Comissão de Direitos Humanos que tinha como função promover esse conjunto de direitos. Também estabelece um programa de ação para pôr fim à discriminação por razão de sexo. fez-se necessário o reconhecimento de direitos próprios da criança e do adolescente. LINK ACADÊMICO 8 PRINCIPAIS DOCUMENTOS INTERNACIONAIS DE PROTEÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS DE QUE O BRASIL FAZ PARTE NO SISTEMA INTERAMERICANO 1. O artigo 1º define juridicamente a criança como “todo ser humano como menos de dezoito anos de idade”. liberdade. tolerância. quando tais dores ou sofrimentos são infligidos por um funcionário público ou outra pessoa no exercício de funções públicas.os Estados devem respeitar o Tratado bem como garantir o livre exercício sem qualquer discriminação. tem-se o conceito de tortura no seu artigo 1º que diz: “O termo tortura designa qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos. de castigá-la por ato que ela ou terceira pessoa tenha cometido ou seja suspeita de ter cometido. Ainda segundo a Convenção. tem direito de aderir a presente convenção. ou por sua instigação. direito de serem protegidas contra o uso ilícito de drogas. exceto aos menores de 18(dezoito) anos e maior de 70 (setenta) anos no momento do delito e a mulher gravida. direito de gozar do melhor padrão de visa possível.1992. direito à pensão alimentícia. Caso não exista tal tratado entre dois Estados partes. E declara que a tortura é crime extraditável em qualquer tratado de extradição. 5º . quando comparada aos adultos. dos direitos humanos e liberdades fundamentais nas esferas política. ou com o seu consentimento ou aquiescência”. social.A foi reformada pelo protocolo de Buenos Aires. sendo que. Foi incorporada ao direito brasileiro através da promulgação do Decreto nº 99. de consciência e de crença. Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica): principal instrumento de proteção regional . ou por qualquer motivo baseado em discriminação de qualquer natureza. a Parte III traz as posições regulamentares do próprio instrumento. sobre a base de igualdade do homem e a mulher.09. econômica.E.A).Considera pessoa todo ser humano. por um lado. por outro. Foi incorporada ao direito brasileiro através da promulgação do Decreto nº 98. Países que 14 . divulgando-os entre os Estados Americanos. goze e exercício por parte das mulheres. de modo que sejam levadas em conta a evolução de sua capacidade mental. Esse sistema nasceu a partir da Carta da O. Com a Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis. direito à proteção contra a tolerância econômica e contra o desempenho de qualquer trabalho que possa interferir no seu desenvolvimento físico e mental. A Convenção é composta de um Preâmbulo e 54 artigos divididos em três partes: a Parte I. somente em 1969 é que nasceu a presente convenção.710/90. dela ou de terceira pessoa. tendo como finalidade o desenvolvimento pleno e harmônico de sua personalidade. poderão considerar a Convenção como base legal para proceder à extradição com relação a tais crimes. 4º . indulto ou comutação de pena. a pena de morte só é admitida em crimes graves e desde que haja sentença penal condenatória com transito em julgado e proferida por tribunal competente e imparcial. independentemente de seu estado civil.

Proíbe trafico de escravos e mulheres. se necessário.Garante igualdade perante a lei e a proteção judicial. h) As sentenças da Corte devem ser notificadas às partes e transmitidas aos Estados-parte. 22º . e é assistida pela secretaria do Secretariado Executivo. um juiz pode ser reeleito apenas uma vez. 1. 18º . EUA. salvo quando imposto legalmente. b) O juiz que for nacional de algum Estadoparte envolvido em caso submetido a Corte. não fazer prova contra si ou confessar-se culpado).Direito à liberdade de consciência. 12º . A competência da comissão poderá ser reconhecida na ratificação ou posteriormente por meio de declaração e pode se dar: por tempo indefinido.Garante direitos políticos. Observações: a) Os juízes permanecerão no cargo até o final de seus mandatos. somente 13 das 35 nações assinaram a jurisdição facultativa). 6º . 17º .Garante direitos de circulação e residência. A Comissão está sediada em Washington. a Comissão e a Corte por intermédio do secretário geral da O. veda prisões arbitrárias. posteriormente. 16º . c) O quorum para deliberações da Corte é de 5 (cinco) Juízes.As sentenças da Corte são definitivas e inapeláveis.E.a aboliram não podem restabelecêla. observa claramente que “obedecer ordens” não será considerado como desculpa justificada para infringir tortura. 20º . religião. direito a recursos. psíquica e moral. É sediada em San José (Costa Rica). É composta por 7 (sete) membros. EUA. podem submeter à assembleia geral proposta de emenda a essa Convenção. por meio de declaração. que são eleitos para um mandato de quatro anos pela Assembléia-Geral.1989. O objetivo principal da comissão é promover a observância e defesa dos direitos humanos nos países americanos. formular recomendações aos Estados-partes. 2. Mecanismos de Proteção do Tratado 1.3. retificação ou resposta.Prevê garantias judiciais (direito de ser ouvido. a pessoa presa deve ser conduzida à presença do Juiz e ninguém deve ser detido por dividas. nem 15 . e) O reconhecimento da competência da Corte poderá ser feito na ratificação ou. 14º . receber petições de pessoas ou entidades não governamentais. direito de ser considerado inocente até a sua culpa.. a) Atribuições da Comissão: estimular a consciência dos direitos humanos nos povos da América. 15º . cabendo apenas pedido de esclarecimento no prazo de 90 (noventa) dias a contar da notificação da sentença.Garante a proteção da família. assistência de um defensor.Os processados devem ser separados dos condenados. A Corte somente pode atender casos em que o Estado envolvido a) tenha ratificado a Convenção Americana de Direitos Humanos. reunião.Direito à honra e dignidade.A. 13º . assessorar os Estados. é composta por 7 (sete) juízes que são cada qual nomeados e eleitos para um mandato de seis anos pelos integrantes da Convenção Americana. expressão.Apresenta a chamada Cláusula Federal que é a inserção dos direitos da presente convenção nas legislações de Estados que venham a ser criadas por meio de adição. A Comissão está sediada em Washington. bem como veda trabalhos forçados. Comissão Interamericana de Direitos Humanos: foi uma das principais instituições criadas pela Carta da OEA para a proteção e promoção dos direitos humanos.3. 11º . foi uma das principais instituições criadas pela Carta da OEA para a proteção e promoção dos direitos humanos. solicitar relatórios dos Estados. A convenção salienta que nenhuma circunstância excepcional. quando o caso foi apresentado à Corte ou pela Comissão ou pelo Estado envolvido no caso dentro de três meses após a promulgação do relatório da Comissão.07.Garante direitos à criança. f) A corte emite sentenças que deverá ser fundamentada.Garante o direito a liberdade pessoal ( garantia de segurança.1. Corte Interamericana de Direitos Humanos: foi criada em 1978 com a entrada em vigor da Convenção Americana. 21º . e é assistida pela secretaria do Secretariado Executivo. d) Somente os Estados-parte e a Comissão têm direito de submeter casos a Corte. associação. j) Qualquer Estado-parte.A pena não pode passar da pessoa do condenado.Garante direitos relativos as integridades físicas. 10º . 8º . 9º .2. salvo pela inadimplência de obrigação alimentar). Um indivíduo ou peticionário não pode independentemente levar o caso a ser considerado pela Corte. b) tenha aceito a jurisdição facultativa da Corte (até 1992. i) Os Juízes da Corte e os membros da Comissão gozam desde o momento da eleição e em quando durar seus mandatos de imunidade reconhecidas aos agentes diplomáticos. Convenção Interamericana para prevenir e punir a tortura: essa Convenção foi adotada em 1985 pela assembleia geral da organização dos Estados Americanos e ratificada pelo Brasil em 20. diretamente. a comissão comparecerá em todos os casos perante a Corte. 23º . g) As sentenças se transformarão em títulos executivo judicial a ser executado nos países de destino.Proíbe a escravidão e a servidão. 7º . entretanto.3.Garante direito a nacionalidade e a propriedade privada. 7º .Direito à indenização por erro judiciário. por período determinado ou para casos específicos. também declara quem pode ser processado enquanto torturador. pensamento. 24º . manterá o direito de conhecer do mesmo.Os menores devem ser separados dos adultos. 1. na fase de sentença esse período poderá ser prorrogado. c) caso a Comissão Interamericana tenha completado sua investigação e d). 19º . A jurisdição da Corte é limitada.Veda a aplicação de tortura e os custodiados deverão ser tratados com respeito. separação e etc. Ela define os atos de tortura e os dá como ilegais. bem como não pode ser aplicada a crimes políticos ou conexos.

por qualquer meio ou processo.mesmo tempos de guerra ou potencial periculosidade do prisioneiro.memesjuridico. afetando o bem-estar físico.1. sexual ou psicológico nos campos da vida pública ou privada”. segurança pessoal. consultora jurídica em incorporadoras e construtoras em São Paulo. religião. um relato sobre o tratamento dispensado às mulheres dentro de seus territórios. Penal.Define violência contra a mulher: “ É todo ato que lhe cause morte. Mestranda em Direito Político e Econômico da Universidade Presbiteriana Mackenzie.11.Os Estados devem apurar as denúncias de tortura. pode justificar o uso da tortura. sofrimentos físicos. Somando-se a isso. intimidação. medida preventiva ou pena. pode ocorrer dentro da família. acesso às funções públicas. local de trabalho. Professora de Direito Tributário. instituições educacionais. São Paulo-SP. direito de acesso aos procedimentos jurídicos em relação à mulher. também. sexual e psicológico da mulher. Sendo. Principais aspectos e direitos garantidos pelo tratado: 1º . assédio. ao assinarem a Convenção. advogada. serviços de atendimento especializados. sem prejuízo das sanções civis cabíveis. 6º . Advogada em São Paulo. 8º . Fabiana Marini. associação. também apresenta medidas legais disponíveis para as vítimas de tortura. igualdade perante a lei. 6º .Os Estados são responsáveis em criar programas educacionais. as partes da Convenção concordam em incluir a tortura dentro da lista de crimes que concorrem à extradição.Os estados devem tomar medidas legislativas para transformar tortura em crime. especialista em Direito Público pela Faculdade Damásio de Jesus. castigo.O Estado responsável em erradicar a violência contra a mulher e punir esse tipo de conduta. 2. com o fim de investigação criminal. Além disso.br Todos os direitos reservados. bem como criar programas de reabilitação social para as vítimas de violência.1995.Veda abusos sexuais.Define tortura: “Todo ato infligido intencionalmente a uma pessoa (físico ou mental). de prevenirem a ocorrência dessa violência. Principais aspectos e direitos garantidos pelo tratado: 1º .O Estado deve garantir a indenização. incluir em seus relatórios anuais. Advogada graduada pela Universidade São Judas Tadeu. considerados métodos que anulem a personalidade da vitima ou as capacidades física ou mental”.Os direitos previstos nesta Convenção poderão ser incorporados progressivamente. tortura.2010 Autores: Djane Pereira Lima. psíquica e moral da mulher. proteção à família. também. É terminantemente proibida a reprodução total ou parcial desta publicação. Endereço eletrônico: www. 5º . 4º .Não serão considerados torturas as sanções legalmente constituídas. pós-graduada lato sensu em advocacia empresarial.As vítimas de tortura têm direito a indenização. 7º .As provas obtidas por meio de tortura não serão admitidas em processo.Os Estados devem incluir em seus tratados de extradição o crime de tortura. direito de proteção contra o agressor. Analista de pesquisa jurídica e desenvolvimento de conteúdo acadêmico e dos cursos preparatórios do portal Memes Jurídico. Os Estados signatários devem. de oferecerem às mulheres recursos legais justos para os casos de violência e de promoverem a conscientização social e a aceitação cultural desses direitos das mulheres.Garante direitos à vida. Processual e Prática Penal. 8º . Analista de pesquisa jurídica e desenvolvimento de conteúdo acadêmico e preparatório para o Exame da OAB. Ela lista os direitos das mulheres. Advogada.A violência contra a mulher. para a Comissão Interamericana das Mulheres.1. Professora Universitária e Coordenadora de pesquisa jurídica e desenvolvimento de conteúdo acadêmico e dos cursos preparatórios do portal Memes Jurídico. assim considerada.com. 3. qualquer indivíduo de um Estado membro pode encaminhar uma petição à Comissão Interamericana de Direitos Humanos relativa à violação do Artigo 7 da Convenção que dispõe sobre os direitos das mulheres. concordam em adotar legislação nacional seguindo as diretrizes traçadas por esse tratado. 2º . A coleção Guia Acadêmico é uma publicação da Memes Tecnologia Educacional Ltda. 4º . 3º . transformando qualquer forma de tortura ilegal sob qualquer circunstância. estabelecimentos de saúde ou locais onde tenham pessoas custodiadas. LINK ACADÊMICO 9 A coleção Guia Acadêmico é o ponto de partida dos estudos das disciplinas dos cursos de graduação. Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher (Convenção de Belém do Pará): essa Convenção foi adotada em 1994 pela Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos e ratificada pelo Brasil em 27. bem como as defende da discriminação.Os Estados são responsáveis pelo treinamento de policiais ou funcionários que terão pessoas sob sua custódia. devendo ser complementada com o material disponível nos Links e com a leitura de livros didáticos. A violação dos direitos autorais caracteriza crime. para que haja proibição de tortura. maus tratos. 3. acionando uma legislação apropriada e relevante coibindo tal violência. Direitos Humanos – 1ª edição . Vanessa Soares Leão. Ela define a violência contra as mulheres baseada no gênero. 16 . Analista de pesquisa jurídica e desenvolvimento de conteúdo acadêmico e dos cursos preparatórios do portal Memes Jurídico Maria Deusilene Teixeira Alves. Pós-graduanda em direito previdenciário pela UNISAL e em direito imobiliário pela FADISP. Os Estados. 3º . Os Estados partes tomam a responsabilidade de não cometerem violência contra as mulheres. tráfico de mulheres. 5º . Convenção Interamericana para Prevenir. o autor desse delito não será encaminhado a país que tenha risco de ser torturado. e garante as integridades física. membro do GPDS da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Advogada. sem a expressa autorização do autor e da editora. livrando-as da violência tanto na esfera pública quanto na esfera privada. Analista de pesquisa jurídica e desenvolvimento de conteúdo acadêmico e dos cursos preparatórios do portal Memes Jurídico Helena Romeiro de Araújo. 7º . 2º .

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