Linguística e Língua Portuguesa Didática do Ensino Superior

Marília Godinho Hokama

UNIDADE 1 - A EDUCAÇÃO ESCOLAR NUM NOVO CENÁRIO ...................6 1.1 A relação escola e sociedade ........................................................................7 1.2 Atividade ....................................................................................................11 1.3 Reflexão ......................................................................................................12 1.4 Leituras Recomendadas: .............................................................................12 1.5 Referências Bibliográficas ..........................................................................13 1.6 Na próxima unidade....................................................................................13 UNIDADE 2 - DIDÁTICA: DEFINIÇÕES E CONCEITOS ................................14 2.1 A evolução da Didática ...............................................................................15 2.2 Atividade ....................................................................................................23 2.3 Reflexão ......................................................................................................23 2.4 Leitura Recomendada: ................................................................................24 2.5 Referências Bibliográficas ..........................................................................24 2.6 Na próxima unidade....................................................................................25 UNIDADE 3 - UMA NOVA DIDÁTICA PARA UMA NOVA EDUCAÇÃO ....26 3.1 Da didática instrumental à didática fundamental ........................................27 3.2 Atividades ...................................................................................................32 3.3 Reflexão ......................................................................................................33 3.4 Leitura Recomendada: ................................................................................33 3.5 Referências Bibliográficas ..........................................................................33 3.6 Na próxima unidade....................................................................................34 UNIDADE 4 - A DIDÁTICA E AS ABORDAGENS DO ENSINO NA EDUCAÇÃO ESCOLAR .................................................................................35 4.1 As tendências pedagógicas na prática escolar ............................................36 4.2 Atividades ...................................................................................................40

4.3 Reflexão ......................................................................................................40 4.4 Leitura Recomendada .................................................................................40 4.5 Referências Bibliográficas ..........................................................................41 4.6 Na próxima unidade....................................................................................41 UNIDADE 5 - O PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM .....................42 5.1 Aprendizagem e Ensino ..............................................................................43 5.2 Atividades ...................................................................................................48 5.3 Reflexão ......................................................................................................49 5.4 Leitura Recomendada .................................................................................49 5.5 Referência Bibliográfica .............................................................................50 5.6 Na próxima unidade...................................................................................51 UNIDADE 6 - FORMAÇÃO DOCENTE .............................................................52 6.1 A formação profissional do professor.........................................................53 6.2 A Formação do docente para o nível Superior .........................................56 6.3 Atividade ....................................................................................................60 6.4 Reflexão ......................................................................................................60 6.5 Leitura recomendada ..................................................................................61 6.6 Referências Bibliográficas .........................................................................62 6.7 Na próxima unidade....................................................................................62 UNIDADE 7 - PLANEJAMENTO DO ENSINO..................................................63 7.1 Planejamento do trabalho pedagógico ........................................................64 7.1.1 Planejando em vários níveis ......................................................................66 7.1.2 O registro do planejamento .......................................................................67 7.2 Elaboração de um plano de ensino ............................................................69 7.3 Atividades ...................................................................................................71 7.4 Reflexão ......................................................................................................72 7.5 Leituras recomendadas ...............................................................................73 7.6 Referências Bibliográficas ..........................................................................73

7.7 Na próxima unidade....................................................................................74 UNIDADE 8 - AVALIAÇÃO ................................................................................75 8.1 O sentido da avaliação escolar ....................................................................76 8.2 Atividades ...................................................................................................79 8.3 Reflexão ......................................................................................................80 8.4 Leitura Recomendada .................................................................................80 8.5 Referências Bibliográficas ..........................................................................80

A educação é um processo múltiplo e variado, do qual emergem desafios e compromissos cada vez mais complexos defrontados e com urgentes, que precisam ser

conhecimentos,

competência

profissional, decisão, vontade e criatividade. A busca de respostas alternativas inovadoras, que contribuam para o desenvolvimento da pessoa de um modo integral, com a formação de competências de diferentes tipos, adequadas às necessidades e expectativas educativas existentes na comunidade, é um dos grandes desafios dos educadores, no contexto de uma sociedade globalizada. Parte desses desafios diz respeito ao crescimento do ensino superior no Brasil. Uma vez que o corpo discente, nesse nível de ensino, é composto por jovens e adultos, prevaleceu por muito tempo à crença de que não é necessário uma atuação docente especializada, muito menos um preparo adequado para este professor. Hoje, porém, a demanda por estes cursos vem exigindo um outro posicionamento dos professores, diante das dificuldades percebidas no cotidiano destas salas de aula. A Didática, como disciplina que se propõe a realizar uma reflexão sistemática sobre a atividade de ensinar e aprender, buscando alternativas para melhorar a prática educacional, pode trazer uma grande contribuição aos docentes do ensino superior.

A EDUCAÇÃO ESCOLAR NUM NOVO CENÁRIO

Por que uma didática do ensino superior? Nosso estudo deveria começar com este

questionamento, afinal, este é o tema que vocês estão aguardando para conhecer melhor. Mas, antes, é importante que possamos refletir sobre a necessidade de repensar a educação, suas finalidades, objetivos e metodologias, em vista de um novo cenário social. Uma sociedade em mudança exige uma educação assentada em novas bases, adequada para as exigências e demandas do contexto atual. Mas, que contexto é esse? Vamos conversar um pouco sobre isso?

Objetivos da sua aprendizagem
Reconhecer que a escola está inserida num amplo contexto social, em constante interação com os elementos que compõem este contexto. Identificar os elementos de transformação da sociedade atual e analisar sua influência sobre as concepções e práticas educativas.

Você se lembra?
Como era a escola onde você iniciou sua educação básica? Com certeza, muitas mudanças aconteceram, mas você acha que as mudanças foram maiores na escola ou na sociedade? Vamos pensar sobre isto?

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1.1 A relação escola e sociedade
A escola é a instituição por meio da qual é transmitida, de forma intencional, a herança social. É, ao mesmo tempo, instituição responsável pelo desenvolvimento de novos conhecimentos. É ainda local de encontro e de convivência entre educadores e educandos: grupo que se reúne e trabalha para que ocorram as condições favoráveis ao desenvolvimento humano em diferentes áreas: cognitiva, afetivoemocional, motora, social e profissional (portanto, intencional). A instituição escolar é o espaço socialmente aceito e designado para o desenvolvimento global do educando, motivando-o e capacitandoo para um bom desempenho social. A historicamente escola como surge fruto da

necessidade de se preservar e reproduzir a cultura e os

conhecimentos da humanidade, crenças, valores e conquistas

sociais, concepções de vida e de mundo, de grupos ou de classes. Ela permaneceu e se modernizou à medida que foi capaz de se tornar instrumento poderoso na produção
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de novos valores e crenças, na difusão e socialização de conquistas sociais, econômicas e culturais desses grupos ou classes. Mas a escola não é uma instituição neutra, abstrata. Ao contrário, está inserida num contexto social determinado (num universo existencial), onde interagem aspectos políticos, econômicos e culturais.

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Ela é, na realidade, um fenômeno social. Isto significa que a prática educativa e o trabalho docente estão determinados por fins e exigências sociais, políticas e ideológicas. Tradicionalmente a escola tenta responder às questões da demanda social. Os educadores tem se dedicado, ao longo os tempos, a buscar formas eficientes de cumprir os objetivos que são atribuídos à escola. As questões que tem permeado esta busca são: quais são as demandas sociais? Que finalidades, objetivos e metas a sociedade espera que a escola cumpra? Estas são as questões que ainda permanecem como diretrizes do questionamento dos educadores na atualidade. O diferencial, segundo os estudiosos contemporâneos, é que a crise atual da educação não vem especificamente da forma “deficiente” como ela cumpre estes objetivos sociais, mas do fato de não sabermos mais que finalidades, que objetivos a escola deve cumprir e para onde deve orientar suas ações. O ponto de partida para enfrentarmos esta crise, segundo Tedesco (1998), é aceitar que vivemos num processo de profunda transformação social. Não se trata mais de uma das crises do modelo capitalista de desenvolvimento, mas do surgimento de novas formas de organização social, econômica e política, de uma nova estrutura social. Nas palavras de Tedesco, trata-se de uma revolução global. De acordo com este autor, processos importantes e radicais de mudança podem ser observados em três áreas: Modo de produção Tecnologias da comunicação Democracia política

Vamos entender um pouco melhor:

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Modo de produção => A partir da segunda metade do século XX presenciamos a passagem do modo de produção para o consumo de massas a um sistema de produção para um consumo diversificado, ou seja, para a produção de pequenas quantidades de artigos adaptados às diferentes clientelas. Ou que se tem chamado de fabrica flexível. Este modelo valoriza-se a capacidade da pessoa para trabalhar em equipe e adaptar-se à mudança. Ocorre aí, uma distribuição diferente da inteligência. Não mais a organização hierarquizada do trabalho, em forma de pirâmide, onde a criatividade e a inteligência concentram-se na cúpula, enquanto o restante das pessoas executa mecanicamente as instruções recebidas, mas uma organização mais plana, com poderes de decisão distribuídos de forma mais homogênea. Inovação e melhoria contínua passam a ser uma necessidade das organizações
Conexão: O filme FormiguinhaZ discute esta transformação, através de um divertido desenho animado. A formiguinha “Z” não se adapta ao modelo rígido, mecânico e hierarquizado de administração do formigueiro, propondo, ao final de uma série de aventuras, um modelo colaborativo, envolvente e coletivo. A produção é do estúdio:DreamWorks SKG / Pacific Data Images, distribuidora:DreamWorks Distribution L.L.C. / UIP. Confira no site oficial:http://www.pepsi.com/antz

modernas e o conhecimento e a informação tem um papel de destaque na produção e no consumo de bens e serviços.

Novas tecnologias da comunicação => A introdução das novas tecnologias da comunicação em todos os setores da sociedade vem
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causando um forte impacto na produção de bens e serviços e também nas relações sociais. Nesta área, há um grande potencial de transformação social, devido não só ao acumulo de informações acessível às pessoas de um modo geral, bem como à velocidade acelerada com que são veiculadas as informações. Estes fatores vêm exigindo de todos nós a superação das limitações espaciais até então conhecidas, modificando conceitos básicos como tempo, espaço e realidade. Com a utilização simultânea de multimeios na produção e disseminação das informações, o que se percebe é uma modificação nas bases de uma cultura baseada, até então, na leitura, na palavra escrita.

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Democracia

política

=>

Presenciamos

atualmente

novas

discussões sobre as formas de participação cidadã. Com a globalização, as fronteiras nacionais se diluem e os espaços nos quais se exerce a cidadania tendem a ampliar-se para uma cidadania sem fronteiras ou a reduzir-se ao âmbito local. Com estas profundas transformações em desenvolvimento na sociedade, a educação ganha maior ênfase e a importância do conhecimento é indiscutível. O que está em evidência nas discussões atuais é uma disputa pela apropriação dos lugares onde se produz e se distribui o conhecimento socialmente significativo, ou seja, onde se educa o cidadão?
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As novas questões que permeiam os debates na área educacional são, dentre muitos outros: Que conhecimentos são socialmente significativos? Que conteúdos devem ser selecionados? Como utilizar os conhecimentos científicos? As reflexões sobre o papel educação na sociedade e em seu desenvolvimento implicam abordar dois pontos fundamentais. O de definir os conhecimentos e capacidades que a formação do cidadão exige e a forma institucional pela qual este processo de formação deve ocorrer. Hoje é preciso nos perguntarmos se a escola será a instituição socializadora do futuro e se a formação das gerações futuras exigirá esse mesmo desenho institucional. Algumas propostas para superar esta crise vêm dos defensores da escola cidadã, que, segundo Tedesco (1998.), é a escola pública (para todos), estatal (na forma do seu financiamento) e democrática e comunitária (na sua gestão). A escola cidadã é voltada, em suas finalidades e métodos, para a transformação social mais do que para a transmissão cultural. É para esta nova sociedade que se exige uma nova educação, com novos objetivos, novos métodos, novas concepções e reflexões e críticas, enfim, com uma nova didática.

1.2 Atividade
1) Releia o material desta aula e atente para a relação entre a escola e o contexto social. Leia mais sobre o assunto, busque novas informações e elabore um texto acerca do papel da escola na sociedade atual.

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2) Nesta unidade estudamos um pouco das mudanças radicais que ocorreram em três aspectos da sociedade. Que mudanças são estas? De que forma elas afetam a educação?

1.3 Reflexão
As transformações que têm ocorrido nas sociedades em geral, nas últimas décadas, vêm redesenhando o papel da escola, impulsionando para que as modificações sejam realizadas de forma eficaz no que diz respeito aos seus processos de ensino e aprendizagem. Em uma sociedade dominada por um grande volume de informações e pela superficialidade do conhecimento, a educação tem um papel importantíssimo de formar cidadãos e pessoas comprometidas com a construção de uma sociedade mais justa e democrática.

1.4 Leituras recomendadas
TEDESCO, J. C. O novo pacto educativo: educação,

competitividade e cidadania na sociedade moderna. São Paulo: Ática, 1998. Trata-se de um livro, proveniente de pesquisas bibliográficas e opiniões do autor quanto à própria visão sobre a "revolução" pela qual passamos hoje. O livro retrata os dias de hoje na educação, afirmando que, uma vez que após grandes evoluções, temos também, ainda, grandes desafios, revelando, com intensidade, a crise gerada através da popularização de aparelhos de TV, por exemplo, e frisando valores do tipo família, socialização e democracia.

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TAVARES, W. R. Gestão Pedagógica: gerindo escolas para a cidadania crítica. Rio de Janeiro:Wak editora,2009. O livro mostra que a educação não deve ser padronizada nem limitada a compêndios traduzidos em planos de ação. Os vários artigos trazem conceitos importantes que contribuem para alavancar uma educação para o protagonismo de seus agentes.

1.5 Referências bibliográficas
CANDAU, V. M. (org). Rumo a uma nova didática. Petrópolis: Vozes, 2002.

COMENIUS. A Didática magna. São Paulo: Martins, 1997.

LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 28ª ed. 1990.

MASETO, M. Didática: a aula como centro. São Paulo: FTD, 1997.

TEDESCO, J. C. O novo pacto educativo: educação, competitividade e cidadania na sociedade moderna. São Paulo: Ática, 1998.

1.6 Na próxima unidade
Na próxima unidade, você vai conhecer um pouco mais sobre o conceito de didática através de uma retrospectiva histórica da disciplina, evidenciando seu surgimento e seus principais teóricos.

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DIDÁTICA: DEFINIÇÕES E CONCEITOS

Nesta unidade, vamos estudar o conceito de didática e suas características principais. Vamos refletir sobre o que é didática, de que assuntos ela trata e que contribuições vocês esperam dela para a sua formação. Para isto, vamos analisar o desenvolvimento histórico da Didática, contextualizando as ideias pedagógicas que marcaram esse desenvolvimento e influenciam, ainda hoje, as práticas escolares.

Objetivos da sua aprendizagem
Você conhecerá o desenvolvimento do conceito e das definições de didática ao longo do tempo. Poderá refletir sobre a contribuição que a didática pode dar à sua formação docente.

Você se Lembra?
Certamente a expressão: “aquele professor não tem didática!”, é familiar para todos nós, não é? Você já parou para pensar em seu real significado? Já refletiu sobre a importância da didática para a prática docente? Vamos estudar sobre isto nesta unidade.

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2.1 A evolução da didática
De alguma forma, com maior ou menor aprofundamento, é sabido que a didática vai tratar do ensino. Mas, na realidade, sua compreensão é muito mais complexa e há diferentes concepções de didática.
Conexão: Esta é a perspectiva que vamos adotar aqui também, ou seja, a Didática como reflexão sobre a prática educativa. A Didática como reflexão sistemática é o estudo das teorias de ensino e de aprendizagem aplicadas ao processo educativo que se realiza na escola, bem como dos resultados obtidos.

Resumidamente: a) O termo “didática” é conhecido desde a Grécia antiga e lá significava “ensinar, instruir, fazer aprender”. b) Em 1633, Comênio, um educador tcheco, escreveu um livro chamado Didática Magna, no qual definia Didática como sendo a arte de ensinar tudo a todos. c) O minidicionário Aurélio apresenta o verbete “didática” como sendo a técnica de dirigir e orientar a aprendizagem. d) Muitos compreendem a Didática como um compêndio de técnicas ou um receituário para um bom ensino. e) No decorrer do tempo, a Didática passou a reunir os conhecimentos que cada época valoriza sobre o processo de ensinar. f) Para Vera Maria Ferrão Candau, educadora da PUC do Rio de Janeiro, a Didática pode ser entendida como uma reflexão sistemática e busca de alternativas para os problemas da prática pedagógica.

Portanto, o objeto de estudo da didática é o processo de ensino, mas é imprescindível fazermos uma ressalva neste momento para considerar que o ensino não pode ser tratado como
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atividade restrita à sala de aula, como nos lembra Libâneo (1990). Para ele:
o trabalho docente é uma das modalidades específicas da prática educativa mais ampla que ocorre na sociedade. Para

compreendermos a importância do ensino na formação humana, é preciso considerá-lo no conjunto das tarefas educativas exigidas pela vida em sociedade. (LIBÂNEO, 1990, p.16).

A pedagogia é a ciência que estuda a teoria e a prática da educação nos seus vínculos com a sociedade. Para estudar a educação nos seus aspectos mais amplos, sociais, políticos, econômicos, psicológicos, a Pedagogia conta com a contribuição de outras áreas do conhecimento que pesquisam o desenvolvimento humano, como a Filosofia, a Sociologia, a Psicologia, a Antropologia, a História, as Teorias da Comunicação, entre outras. A Didática é a disciplina que estuda os objetivos, os conteúdos, os meios e as condições do processo de ensino tendo em vista as finalidades educacionais, que são sempre sociais. Com a contribuição daqueles conhecimentos é que se vai refletir sobre questões relacionadas à

educação e à sala de aula, como por exemplo: Como os alunos aprendem? Como é a atividade do professor em sala de aula?
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Como

os

alunos

se

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relacionam entre si e com o professor? Qual a influência dos governos e da sociedade sobre a escola? Como motivar os alunos? Etc.
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Portanto, como já vimos, há muito tempo a Didática vem pesquisando questões relacionadas a esta prática, organizando e sistematizando conhecimentos e usandoos para desenvolver a atividade pedagógica nas escolas. No entanto, a Didática não pretende ficar apenas nas teorias. Ela aplica os conhecimentos que produz para resolver problemas e questões que surgem no dia a dia das escolas e do espaço de aula. Em nossa atividade docente diária costumamos ter uma série de dúvidas:  Como fazer com que os alunos se interessem pela matéria?  Como motivar os alunos para que eles estudem?  Como resolver os casos de indisciplina ou descontentamento?  Como avaliar os alunos?  Como preparar bem uma aula?  Como utilizar as novas fontes de informação?
Conexão: A Didática é uma reflexão sistemática sobre a atividade de ensinar e aprender, buscando alternativas para melhorar a prática educacional.

Essas são apenas algumas das muitas e diferentes perguntas que nos fazemos cotidianamente. Como já dissemos anteriormente, elas não são novas e, ao mesmo tempo, continuam bastante atuais. Sobre elas, muitos estudos e pesquisas já foram e continuam sendo realizados. Os professores devem se colocar numa atitude reflexiva e questionadora, verificando se os resultados e sugestões que vem sendo apresentados respondem às suas indagações. De acordo com Maseto (1997):
a Didática nos oferece sugestões de como realizar o planejamento de um curso com a participação dos alunos; como envolver coresponsavelmente os alunos nessa atividade levando em conta os
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interesse deles e o programa da matéria a ser ensinada; como selecionar assuntos interessantes; como variar as técnicas das aulas a fim de que facilitem a participação dos alunos, a aprendizagem e a integração do grupo; como fazer a ligação entre a teoria e a prática, entre os conhecimentos científicos e a realidade do dia-adia do aluno; como fazer para que o processo de avaliação deixe de ser apenas amedrontador para o aluno, transformando-se em incentivo ao seu desenvolvimento, e assim por diante .(MASETO, 1997,p...).

Além destas, novas temáticas, relacionadas ao contexto atual da sociedade, tem motivado estudiosos da educação a pesquisar e desenvolver novas experiências, como por exemplo, a

interdisciplinaridade, as descobertas acerca do modo como os alunos aprendem, métodos alternativos de alfabetização, arte-educação, a diversidade e o multiculturalismo, questões de gênero, entre outros. Ainda de acordo com o autor, deve-se considerar que um outro aspecto importante na atividade docente é que ela deve ser seja resultados

gratificante para os educadores, ajudando-os a alcançar

positivos no trabalho educativo e nisso a contribuição da didática é fundamental, pois ela pode:  Colocar ao alcance do professor as pesquisas e os conhecimentos produzidos.  Incentivar os professores a pesquisarem a novidade dos problemas que afetam sua atividade.  Criar oportunidades para os professores trocarem entre si e com especialistas suas experiências, sucessos ou fracassos.

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 Orientar os professores a despertar o interesse dos alunos, contribuindo para uma aprendizagem eficaz.
O termo didática tem origem na palavra grega didaktiké, que significa a arte de ensinar. Porém, sua utilização como teoria de sistematização das formas de ensinar só vai se dar a partir do século XVII, mais especificamente, a partir da publicação, em 1657, da obra Didática Magna ou Tratado da Arte Universal de Ensinar Tudo A Todos, do pastor protestante e educador Tcheco, João Amós Comênio (1592-1670).

Para alcançar este estágio, a Didática passou por longo processo de debates, aprofundamentos, polêmicas e

construção de uma nova compreensão de seu papel. Comênio afirmava que a finalidade da educação é conduzir á felicidade eterna com

Deus. Para ele, o homem conserva a imagem do criador, ainda que corrompida. “sementes de saber, virtude e piedade” encontram-se em todos os indivíduos normais e podem ser cultivados. Ela acreditava, portanto, no poder da educação de salvar a humanidade e fazê-la retomar a sua divindade original. Afirmava ainda que:  O homem deve ser educado de acordo com o seu

desenvolvimento natural, considerando a idade e as capacidades individuais para o conhecimento. Assim, a tarefa da Didática seria a de estudar as características individuais e os métodos de ensino correspondentes, de acordo com a ordem natural das coisas.  A assimilação dos conhecimentos não se dá instantaneamente. Pelo contrário, os
Este é chamado método intuitivo, que consiste, primeiramente, na observação direta das coisas pelo uso dos órgãos dos sentidos, para que ocorra o registro das impressões na mente do aluno.

conhecimentos devem ser adquiridos pela observação direta das coisas e dos fenômenos, através da utilização dos órgãos dos sentidos.

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Decorre

daí,

que

o

planejamento do ensino deve obedecer o processo natural da criança, com o ensino de uma coisa por vez, partindo do conhecido desconhecido.
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para

o

Apesar das novidades de suas ideias,

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principalmente para uma época em que predominava uma educação intelectualista, verbalística e

dogmática, baseada na memorização e na repetição mecânica dos ensinamentos, as

propostas do grande educador não fugiram às crenças comuns à época. De acordo com Libâneo:
Embora partindo da observação e da experiência

Conexão: no site a seguir você encontrará uma resenha sobre o obra “Primeiras Lições de coisas” do professor norte-americano Norman Allison Calkins”, publicada pela primeira vez em 1861, que apresenta o método intuitivohttp://www.educaremrevis ta.ufpr.br/arquivos_21/resenha_gl adys.pdf

sensorial, mantinha-se o caráter transmissor do ensino; embora procurando adaptar o ensino às fases do desenvolvimento infantil, mantinha-se o método único e o ensino simultâneo a todos. (LIBÂNEO, 1990, p.59).

Neste período, ocorreram mudanças nas formas de produção, com o desenvolvimento da ciência e da cultura. Isto contribuiu para diminuir o enorme poder que o clero exercia na sociedade, ao mesmo tempo em que reforçou o poder da burguesia, que passou a disputar o poder econômico e político com a nobreza. A burguesia introduz nesse contexto novas exigências educacionais, reivindicando um ensino mais ligado às questões do mundo dos negócios e da produção e que privilegiasse o desenvolvimento das capacidades e interesses individuais dos alunos.
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Jean Jacques Rousseau vai ser o educador que melhor sintetiza, naquele momento, as novas aspirações, por meio da formulação de uma concepção de ensino baseada nas necessidades e interesses imediatos dos alunos. Para Rousseau: o A educação é um processo natural que se fundamenta no desenvolvimento interno do aluno. Os verdadeiros professores das crianças são a natureza, a experiência e os sentimentos. o A criança deve ser preparada não para a vida futura, mas devem ser atendidas suas necessidades e seus interesses no estágio atual em que ela se encontra. As ideias pedagógicas de Rousseau foram colocadas em prática pelo pedagogo suíço Henrique Pestalozzi (1746-1827). O educador, que se dedicava ás crianças pobres, valorizava o método intuitivo e a utilização dos fundamentos da psicologia na educação da criança, como fonte de desenvolvimento do ensino. Pestalozzi acreditava que a relação entre professor e aluno é baseada no amor e no respeito mútuo e que a finalidade da educação é favorecer o desenvolvimento físico, intelectual e moral no educando. As concepções e propostas destes educadores influenciaram o pedagogo alemão, John Friedrich Herbart (1766-1842), que exerceu grande influência na Didática e na prática docente e suas ideias são ainda muito presentes nas salas de aulas brasileiras, como aponta Libâneo (1990). Herbart formulou um método de ensino, em conformidade com as leis psicológicas do conhecimento, que pode ser expresso em quatro passos didáticos, a serem seguidos rigorosamente pelos professores:  Preparação e apresentação da matéria com clareza;

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  

Associação entre as ideias antigas e as novas; Sistematização generalização; Aplicação dos conhecimentos adquiridos através de exercícios. dos conhecimentos, tendo em vista a

Segundo Libâneo, os Herbatianos, discípulos ou seguidores de Herbart, ampliaram sua proposta para cinco passos: preparação, apresentação, assimilação, generalização e aplicação, “fórmula esta que ainda é utilizada pela maioria dos nossos professores.” (LIBÂNEO, 1990, p.61). As concepções e propostas destes teóricos foram o principal suporte pedagógico para a atividade docente na Europa, durante o século XIX e se difundiram pelo mundo, definindo as concepções pedagógicas conhecidas como Tradicional e Renovada. Pedagogia Renovada: correntes que se opõem à Pedagogia tradicional, preconizando a renovação da escola através de novas metodologias que colocam o aluno como sujeito da sua aprendizagem características. Os movimentos em torno da renovação da escola se espalham pela Europa e na América no início do século XX. Um de seus maiores representantes é o filósofo norte-americano John Dewey (1859-1952), que se opôs à concepção Herbatiana, de educação pela instrução, defendendo a educação pela ação. Um de seus conceitos centrais é a experiência, que impulsiona e dirige o conhecimento. A pedagogia de Dewey pode ser considerada inovadora, pois ressaltou a necessidade de se criar, nas escolas, as condições e os meios e agente do seu desenvolvimento, entre outras
Pedagogia Tradicional: em suas várias correntes, predomina a visão de uma educação com ênfase no papel do professor como transmissor de um saber constituído na tradição e nas grandes verdades acumuladas pela humanidade.

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para estimular o pensamento e a reflexão crítica nos alunos. Dewey enfatiza ainda a importância de se fazer da escola um lugar de vivência das tarefas exigidas para a vida em sociedade. Desta forma, o aluno e o grupo passam a ser o centro do trabalho escolar. A partir daí, mais especificamente entre as décadas de 1950 a 1970, predominou na Didática um enfoque instrumental, com ênfase nos métodos e técnicas de ensino, para garantir a eficiência da aprendizagem dos alunos. Nos anos de 1980, Candau (2002) afirma a necessidade de superação desse modelo para uma Didática fundamental, aquela que deve assumir a multidimensionalidade do processo ensino-aprendizagem, como veremos mais detalhadamente a seguir.

2.2 Atividade
1) Por que a Didática é importante para o professor?

2) Para reforçar seu estudo, sintetize as ideias dos teóricos da educação apresentadas nesta unidade.

2.3 Reflexão
Dos primórdios da Didática ao presente contexto, podemos perceber a evolução do desenvolvimento do conceito, embora isto não signifique necessariamente, uma mudança qualitativa nas práticas educativas que se realizam no cotidiano das escolas. O debate sobre a necessidade de ressignificação da Didática vem se intensificando, especialmente em decorrência dos novos desafios impostos pela

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sociedade contemporânea para a escola. Você está convidado para participar mais efetivamente deste debate.

2.4 Leitura recomendada
LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 28ª ed.1990. O livro apresenta a Didática como ramo de estudo da Pedagogia, partindo dos vínculos entre finalidades sócio-politicas e pedagógicas e as bases técnicas da direção do processo de ensino e aprendizagem.

VALDEMARIN, V. T. Estudando as lições de coisas: análise dos fundamentos filosóficos do Método de Ensino Intuitivo. São Paulo: Autores Associados, 2004. O livro dedica-se à análise dos fundamentos filosóficos do Método de Ensino Intuitivo, creditando ao Empirismo a influência determinante sobre os procedimentos didáticos e atividades de ensino produzidos e vulgarizados no século XIX sob a denominação de lições de coisas. Apoio Fapesp.

2.5 Referências bibliográficas
CANDAU, V. M. (org). Rumo a uma nova didática. Petrópolis: Vozes, 2002.

COMENIUS. A Didática magna. São Paulo: Martins, 1997.

LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 28ª ed.1990.

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VEIGA, I. P. A. (coord.) Repensando a Didática. Campinas, SP: Papirus, 2004.

2.6 Na próxima unidade
Na próxima unidade você vai conhecer um pouco mais sobre a proposta de uma nova didática, a Didática fundamental, que emerge como tentativa de superação da Didática instrumental.

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UMA NOVA DIDÁTICA PARA UMA NOVA EDUCAÇÃO

Até o final do século XX, a Didática era fundamentada nos conhecimentos filosóficos. A partir desta época, com as transformações decorridas da Revolução Industrial, e mais recentemente, no contexto da pós-moderndade, o quadro sócio-político-cultural das

sociedades foi significativamente alterado, exigindo da escola novas abordagens, num novo contexto de atuação. Da didática espera-se, agora, uma abordagem mais crítica e reflexiva e menos tecnicista. É o que vamos estudar nesta unidade.

Objetivos da sua aprendizagem
Você saberá diferenciar a concepção instrumental da Didática e a Didática fundamental e perceberá os indícios de persistência e de mudança de algumas questões relacionadas à Didática.

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3.1 Da didática instrumental à didática fundamental
Interessa à Didática tudo o que o aluno aprende na relação com o professor e com o grupo-classe, bem como o processo de aprendizagem através do qual isto ocorre. O processo de aprendizagem se desenvolve em três dimensões:
Por aprendizagem aqui estamos entendendo o desenvolvimento da pessoa como um todo: inteligência; afetividade; padrões de comportamento moral; relacionamento com a família, com o bairro, com a cidade e com o país; desenvolvimento da coordenação motora; capacidades artísticas; comunicação, etc. O aluno está em contínua evolução e fazendo parte da historia de seu povo, de sua nação.

Humana, político-social e técnica.

Dimensão humana
O processo de aprendizagem se realiza através do relacionamento

interpessoal muito forte entre alunos e professores, alunos e alunos, professores e professores, enfim, entre alunos, professores e direção. Cria-se, assim, um clima afetivo, responsável, em muitos aspectos, pelo sucesso (ou fracasso) do processo da aprendizagem. Esta dimensão humana do processo da aprendizagem interessa muito de perto à Didática, mesmo que em alguns momentos de sua história esta dimensão tenha sido completamente esquecida.

Dimensão político-social
O de que ensino-aprendizagem estamos falando

acontece numa escola que está situada em um local

determinado, numa certa época histórica, que segue
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orientações e diretrizes de profissionais da Educação e das políticas governamentais. Estas últimas têm uma influência muito grande através da legislação e normas que afetam a escola. Além disso, grande parte dos estabelecimentos de ensino básico está diretamente subordinada ao Estado. Sabemos que professores, diretores, alunos, pais, técnicos, funcionários, autores de livros didáticos, editores que produzem material pedagógico são pessoas reais, que vivem num tempo e numa cultura específica. Têm posições políticas e sociais que são transmitidas em seus trabalhos e nas suas relações com a escola. Esta pretende que as crianças, os jovens e os adultos se eduquem para serem membros participantes da sociedade, contribuindo para seu progresso e desenvolvimento. Daí o caráter político-social que a Didática assume quando considera os elementos que influenciam a aprendizagem do aluno.

Dimensão técnica
Por último, a aprendizagem é um processo intencional, isto é, orientado por objetivos a serem alcançados por seus participantes. Interessa a esse processo que os alunos consigam aprender bem o que se propõe, através da organização de condições apropriadas. Aspectos como definição de objetivos, seleção de conteúdos, técnicas e recursos de ensino, organização do processo de avaliação e escolha de técnicas avaliativas, planejamento de curso e de aulas constituem o núcleo da dimensão técnica do processo de aprendizagem. Esta é a terceira dimensão sobre a qual a Didática se debruça ao tratar do processo de ensino-aprendizagem que acontece na escola e na aula em particular.

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Estas dimensões, articuladas e integradas entre si, compõem a Didática fundamental, que na visão de Candau (2002), é a concepção que expressa às mudanças que estão ocorrendo na compreensão e nas práticas escolares, desde o final dos anos de 1970, com as críticas à Didática instrumental. Até este período, ou seja, entre os anos de 1950 e 1970, como vimos na unidade anterior, setores conservadores da educação faziam a defesa da neutralidade científica da didática, apoiados no tecnicismo pedagógico fortemente presente na legislação educacional vigente e no cotidiano das salas de aula. Os planos de ensino, a formulação de objetivos, a seleção de conteúdos, as técnicas de exposição e de condução de trabalhos em grupo e a utilização das tecnologias nas atividades educativas ganham relevância nesse cenário. Neste enfoque instrumental, o processo de ensino e aprendizagem é desenvolvido a partir de uma visão reducionista e neutra. Esta Didática Instrumental é definida por Candau como:
um conjunto de conhecimentos técnicos sobre o “como fazer” pedagógico, conhecimentos estes apresentados de forma universal e, consequentemente, desvinculados dos problemas relativos ao sentido e aos fins da educação, dos conteúdos específicos, assim como do contexto sociocultural concreto em que foram gerados. (Candau,2002, p.13-14).

A

Didática

instrumental

sofre
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inúmeras criticas a partir da década de 1970. Nesta ótica, a Didática é vista de uma
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forma global, sem vínculos com as questões que fazem parte dos sentidos e dos fins educacionais. Seus críticos defendem a necessidade de se definir um projeto de sociedade que contemple uma concepção de escola transformadora da realidade onde ela se insere. Em seus estudos, no início dos anos de 1980, Candau (2002) afirma a necessidade da superação desse modelo instrumental e coloca a urgência da adoção de um modelo mais crítico, que ela denomina de Didática fundamental. Em sua proposta, a Didática fundamental deve assumir a multidimensionalidade do processo ensino-aprendizagem e promover uma articulação entre as dimensões humana, técnica e políticosocial, vistas no início desta unidade. Enquanto a Didática instrumental concebe a Didática como conjunto de instrumentos e técnicas para um ensino eficiente, a Didática fundamental preocupa-se com a compreensão do processo ensinoaprendizagem e as formas de intervenção pedagógica, articulando o “fazer” com o sentido ético e político do projeto educativo como um todo. (CANDAU, 2002, p. 74). Atualmente há um consenso de que a Didática, como área de estudo, focaliza quatro pressupostos, de acordo com Veiga (2004, p.49):  

A educação como prática social é um processo construtivo e permanente de emancipação humana; Compromisso com a democratização da escola pública e, consequentemente, com o ensino de melhor qualidade voltado para os interesses das classes populares;

O professor, como agente social, que procura colocar em questão a lógica modernizadora;

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A metodologia de pesquisa como modo de apropriação ativa de conhecimento, bem como o desenvolvimento de habilidades básicas de investigação.

Muito embora estes estudos recentes demonstrem os avanços na compreensão da Didática, Veiga diz que algumas questões ainda permanecem, como a variedade de conceitos de didática, evidenciando que não há um conceito que satisfaça a todos, assim como não há um consenso sobre seu objeto de estudo, que pode ser apontado tanto como o processo ensino-aprendizagem ou o ensino, como a aula, a prática pedagógica ou o trabalho docente. (idem, p.52). Apesar disto, são muitos os indícios de mudança, ainda de acordo com a pesquisadora (2004, p.52): 

Ampliação dos debates em torno da questão da didática, buscando alternativas mais condizentes com a realidade educacional brasileira;

Envolvimento crescente de interessados no debate sobre a formação de professores e o papel nela desempenhado pela Didática;

Perspectiva metodológica para o desenvolvimento da pesquisa em Didática, apresentando novos rumos no sentido de empregar uma abordagem mais qualitativa, utilizando-se a etnografia, o estudo de caso, a pesquisa-ação;

 

Preocupação maior com a formação dos professores de didática; Tentativas de construção da didática baseada no cotidiano escolar;

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 

Preocupação com novos temas mobilizadores, emergentes e abertos à reflexão didática; Compreensão do ensino como processo complexo e

multirreferencial.

3.2 Atividades
1) Leia com atenção o trecho abaixo e depois esboce uma reflexão sobre a necessidade de uma nova didática para uma nova sociedade.
“Vê-se que a responsabilidade social da escola e dos professores é muito grande, pois cabe-lhe escolher qual concepção de vida e de sociedade deve ser trazida à consideração dos alunos e quais conteúdos e métodos lhes propiciam o domínio dos conhecimentos e a capacidade de raciocínio necessários à compreensão da realidade social e á atividade prática na profissão, na política, nos movimentos sociais. Tal como a educação, também o ensino é determinado socialmente..Ao mesmo tempo que cumpre objetivos e exigências da sociedade conforme interesses de grupos e classes sociais que a constituem, o ensino cria condições metodológicas e organizativas para o processo de transmissão e assimilação de conhecimentos e desenvolvimento das capacidades intelectuais e processos mentais dos alunos tendo em vista o entendimento crítico dos problemas sociais”. (LIBÂNEO, 1990, p. 22).

2) Defina a Didática instrumental e a Didática fundamental.

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3.3 Reflexão
Podemos concluir que o momento de crítica ao tecnicismo didático foi importante como marco inicial da elaboração de novas reflexões e propostas para uma Didática mais crítica, condizente com as perspectivas atuais de formação de educadores mais engajados e preocupados com uma prática docente consciente, politizada e responsável.

3.4 Leitura recomendada
VEIGA, I. P. A. (coord.). Repensando a Didática. Campinas, SP: Papirus, 2004. O livro, com uma série de artigos de renomados educadores da contemporaneidade que tem se dedicado aos estudos na área, propõe-se a repensar o papel da Didática na formação de professores do ensino fundamental e do ensino médio, contribuindo para ampliar e aprofundar as reflexões acerca da proposta de uma Didática voltada para a efetivação da prática pedagógica crítica.

3.5 Referências bibliográficas
CANDAU, V. M. A. revisão da didática. In: CANDAU, V. M. (org.). Rumo a uma nova Didática. 13. Ed. Petrópolis: Ed Vozes, 2002.

_____________ Da didática fundamental ao fundamental da didática. In: ANDRÉ, M. E. D. A; OLIVEIRA, M. R. N. S. (orgs.). Alternativas no ensino de Didátca. 5. Ed. São Paulo: Papirus, 2003.

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VEIGA, I. P. A. Didática: uma retrospectiva histórica. In: VEIGA, I. P. A. (coord.). Repensando a Didática. Campinas, SP: Papirus, 2004.

NETO, J.M. S. A eficácia da Didática no ensino superior. Disponível em <HTTP://www.meuartigo.brasilescola.com/educacao/a-eficacia-

didatica-ensino-superior>>

3.6 Na próxima unidade
Nossas ações são sempre embasadas em concepções, ideias ou teorias, embora nem sempre isto esteja claro para nós. Na educação também é assim. Na próxima unidade vamos explicitar as tendências pedagógicas que fundamentam as práticas dos professores no dia a dia das escolas.

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A DIDÁTICA E AS ABORDAGENS DO ENSINO NA EDUCAÇÃO ESCOLAR

Nesta unidade você vai estudar as diferentes abordagens pedagógicas que norteiam a ação docente nas escolas. Conhecer estas perspectivas de ensino e

aprendizagem que fundamentam a prática educativa é muito importante para a elaboração ou reelaboração da sua concepção de educação e construção de uma prática coerente e coesa.

Objetivo da sua aprendizagem
Você vai conhecer as principais abordagens pedagógicas e suas implicações para as ações desenvolvidas pelos professores nas escolas.

Você se lembra?
Você se lembra dos professores que marcaram sua formação escolar? Alguns podem ter deixado uma boa lembrança, outros, nem tanto. As atitudes dos professores estão relacionadas às abordagens de ensino que fundamentam suas práticas.

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4.1 As tendências pedagógicas na prática escolar
As concepções das práticas dos educadores estão intimamente relacionadas com o conhecimento e a reflexão sobre as abordagens pedagógicas que norteiam essas práticas no cotidiano das nossas escolas. Diversos estudos têm sido realizados acerca da Didática e suas relações com estas abordagens pedagógicas, que representam as concepções que os educadores têm a respeito do ensino. Em geral, os autores concordam em classificá-las em dois grandes grupos, como pode ser encontrado em Libâneo (1990):

Corrente Liberal Pedagogia tradicional Pedagogia renovada

Corrente Progressista Pedagogia Libertadora Pedagogia conteúdos crítico-social dos

Tecnicismo pedagógico

Mizukami (1986) apresenta uma classificação diferente, dividindo as concepções em cinco abordagens: tradicional, comportamentalista, humanista, cognitivista, sociocultural. Consideramos que esta divisão ganhando destaque, em função das modificações no contexto sóciopolítico pedagógico. Este é um tema bastante complexo que necessita de

aprofundamento e crítica, mas, vamos analisar, ainda que, brevemente, a classificação de Mizukami:

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Abordagem Tradicional  A ênfase é a sala de aula. Os alunos são instruídos pelo professor, os conteúdos e as informações devem ser adquiridos e os modelos, imitados;  A preocupação maior é com a quantidade de noções, conceitos e informações, do que com o desenvolvimento da capacidade reflexiva do aluno;    O ensino é predominantemente verbal e ao aluno cabe a memorização do conteúdo verbalizado; Os conteúdos são apresentados de forma acabada e as tarefas são padronizadas; Enfim, a abordagem tradicional enfatiza a transmissão de conceitos e a imitação de modelos aprendidos.

Abordagem Comportamentalista  Ênfase no arranjo de condições externas que podem levar a aluno a aprender. O professor é o responsável pela aquisição de conhecimentos do aluno;  Os comportamentos esperados dos alunos são instalados e mantidos por condicionantes e reforços arbitrários, como elogios, notas, prêmios, ou mesmo, o diploma, as vantagens da futura profissão, possibilidade de ascensão social, etc.;  A aprendizagem é garantida pelo programa estabelecido. Os elementos do processo ensino e aprendizagem são o aluno, um objeto de aprendizagem e um plano para alcançar o objetivo proposto;
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A abordagem comportamentalista visa, então, a obtenção de um comportamento que deve ser mantido.

Abordagem Humanista    O ensino é centrado na pessoa, o que implica orientá-la na sua experiência para que ela possa estruturar-se e agir; A atitude básica a ser desenvolvida é a de confiança e de respeito ao aluno; A aprendizagem tem a qualidade de um envolvimento pessoal. A pessoa é considerada em sua sensibilidade e sob o aspecto cognitivo é incluída de fato na aprendizagem. O sentido da descoberta vem de dentro, mesmo que o estímulo venha de fora;  A aprendizagem é significativa, suscita mudanças no

comportamento e nas atitudes e é avaliada pelo aluno, que aprende a buscar suas necessidades;  Portanto, nesta abordagem, a pessoa está incluída no processo de ensino-aprendizagem.

Abordagem Cognitivista  Enfatiza a forma de organização do conhecimento, do processamento das informações e dos comportamentos relativos à tomada de decisões;  A ênfase está, assim, na capacidade do aluno de integrar informações e processá-las. O que é priorizado são as atividades do sujeito, considerando-o inserido numa situação social;  O ensino é baseado na tentativa e erro, na pesquisa e investigação, na busca da solução de problemas pelo aluno, para desenvolver o

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raciocínio, e não no ensino de fatos. A ênfase é nos processos e não no produto;  A aprendizagem se realiza quando o aluno elabora seu conhecimento, porque para conhecer um objeto é preciso agir sobe ele;  Não existem currículos fixos, pelo contrário, os alunos devem ser colocados frente situações desafiadoras e novas, como os jogos, visitas, excursões, trabalhos em grupo, teatros, etc.

Abordagem sociocultural  A relação de ensino-

aprendizagem deve procurar a superação da relação através

opressor-oprimido

de atitudes como a de se colocar no lugar do outro,
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bem como a de transformar 

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a situação geradora de opressão; A educação deve ser problematizadora, buscando o

desenvolvimento da consciência crítica e da liberdade como meios de superar as contradições da educação tradicional;   Educador e educando são sujeitos do mesmo processo; A educação representa um esforço permanente de perceber criticamente o mundo, levando o indivíduo a assumir seu papel de sujeito criador.

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4.2 Atividades
1) Faça uma pesquisa bibliográfica para compreender melhor as características das abordagens pedagógicas, principalmente em relação aos seguintes aspectos: o que é aprender? O que é ensinar? Como conceber os métodos e técnicas de ensino?

4.3 Reflexão
O fenômeno educativo pode ser concebido de diferentes formas, uma vez que ele é multidimensional. Assim, não há uma única teoria que possa explicá-lo de forma absoluta. Por isto, é importante considerar as diversas perspectivas, abordagens ou tendências apresentadas como tentativas de compreensão deste complexo fenômeno que é a educação. Elas permitem um aprofundamento de aspectos relevantes, relacionados diretamente a pratica educativa, contribuindo para a construção de uma ação docente mais crítica e coerente com os fundamentos teóricos que a sustentam.

4.4 Leitura recomendada
MIZUKAMI, M. G. N. Ensino: As abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986. O livro analisa conceitos básicos de cinco abordagens do processo de ensino-aprendizagem a partir de categorias como: homem, mundo, sociedade/cultura, conhecimento, educação, escola, ensino-

aprendizagem, professor-aluno, metodologia e avaliação.

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FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1885. A obra é vista por muitos intelectuais como sendo a obra-prima freireana. O tema central da referida obra diz respeito à ideia de que deve existir um intercâmbio contínuo de saber entre educadores e educandos, com o escopo de que os últimos não se limitem a repetir mecanicamente o conhecimento transmitido pelos primeiros. Por meio do diálogo entre professores e alunos, estabelecem-se possibilidades comunicativas em cujo cerne está a transformação do educando em sujeito de sua própria história, traduzida em diferentes idiomas, a Pedagogia do Oprimido revela que a educação conscientiza os indivíduos sobre as diversas contradições e disparidades do mundo, de modo a incutir-lhes a demanda por mudanças na realidade social.

4.5 Referências bibliográficas
MAZETO, M. Didática: a aula como centro. São Paulo: FTD, 1997.

MIZUKAMI, M. G. N. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986.

LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 1990.

4.6 Na próxima unidade
A partir deste resumo sobre as abordagens de ensino apresentadas por Mizukami, poderemos refletir, na próxima unidade sobre algumas ideias importantes acerca do processo de ensino e aprendizagem.

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O PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM

Necessitar de aprendizado para desenvolver capacidades que lhes são próprias é uma característica especificamente humana. Este aprendizado pode se dar de várias formas, mas nos interessa aqui o aprendizado escolar, dada a sua intencionalidade

Você se lembra?
Na sua infância, quais eram os seus modelos de imitação? Você, com certeza, já observou como as crianças imitam o adulto, não é? Elas imitam para aprender, pois necessitamos de aprendizado para nos tornarmos pessoa humana.

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5.1 Aprendizagem e ensino
O ser humano, como uma entre as várias espécies animais sobe a Terra, também desenvolveu formas de convivência, reprodução, acasalamento e defesa. Mas, além desses processos, desenvolveu capacidades que dependem do aprendizado, e que, ao contrário das outras espécies, não são transmitidas aos seus descendentes por carga genética, mas por processos educativos. Essa característica especificamente humana de necessitar de aprendizado para atividades que lhes são próprias, só se tornou possível porque o ser humano é capaz de criar símbolos, como a linguagem, através dos quais dá significado às suas experiências e as transmite a seus semelhantes. Sem desconsiderar as diversas formas ou modalidades através dos quais esses processos educativos podem se dar, como a família, os meios de comunicação de massa, os grupos religiosos e políticos, etc., vamos enfatizar aqui a instituição escolar, pela sua expressa intencionalidade na concretização deste fim. Ou seja, “é através da sua capacidade de aprender que o aluno se desenvolve como ser humano e como cidadão”, como afirma Mazeto (1987, p.45). De acordo com ele, a escola e o professor trabalham com a perspectiva de uma aprendizagem permanente do aluno, um processo que não termina. “Aprende-se e sempre” (idem, p.45). Aprender envolve ações como: buscar informações, rever a própria experiência, adquirir conhecimentos, desenvolver habilidades, adaptar-se a mudanças, mudar comportamentos, descobrir o sentido das coisas, dos fatos, dos acontecimentos, ações enfim, relacionadas para o

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aluno enquanto agente responsável pela sua aprendizagem, ainda segundo Mazeto. Ensinar, por sua vez, está relacionado a ações como: instruir, fazer saber, comunicar conhecimentos, mostrar, guiar, orientar, dirigir, desenvolver habilidades, apontado para o professor como agente responsável pelo ensino. Estas ações, no entanto, são indissociáveis, porque o ensinar se define em função do aprender. Para Veiga, porém, este processo é mais amplo e envolve outras dimensões. Para ela:
O processo didático tem por objetivo dar respostas a uma necessidade: ensinar. O resultado do ensinar é dar resposta a uma outra necessidade: a do aluno que procura aprender. Ensinar e
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aprender envolvem o pesquisar. E essas três dimensões necessitam do

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avaliar. Esse processo não se faz de forma isolada. Implica interação entre sujeito ou entre sujeitos e objetos. (VEIGA, 2008,p.13).

Ainda de acordo com a autora, uma das tarefas mais representativas do processo didático é o ensino e para compreender um pouco melhor esta tarefa, vamos nos basear num trabalho desta autora, que diz respeito a uma pesquisa realizada por ela, em diferentes momentos de participação sua em eventos educacionais promovidos por secretarias estaduais e municipais de educação e instituições de educação superior, sobre as concepções de professores sobre o ensino.

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Veiga registrou e agrupou os diferentes significados de ensinar apresentados pelos docentes nos seguintes enunciados, conforme está em seu texto “Ensinar: uma atividade complexa e laboriosa” (VEIGA, 2008 p.13-33):      Ensinar é um ato intencional; Ensinar significa interagir e compartilhar; Ensinar exprime afetividade; Ensinar pressupõe construção de conhecimento e rigor

metodológico; Ensinar exige planejamento didático.

Ensinar é um ato intencional O ato de ensinar é carregado de intencionalidade. O ensino exige uma direção, um norte que remeta a uma diversidade de objetivos mais detalhados e complexos, que se refletem na tríplice dimensionalidade das finalidades da educação brasileira: pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para a cidadania e sua qualificação para o trabalho (LDBEN 9394/96, art. 2º). Esta intencionalidade ocorre no âmbito de uma organização escolar que é, muitas vezes, burocrática e fragmentada, e por outro lado, não é também, independente do contexto social, exigindo uma reflexão constante sobre o lugar do educando na instituição e na sociedade, nas relações entre os seres humanos. Para buscar a qualidade do ensino, é preciso ter em mente os objetivos socioculturais da educação e questionar-se: Que tipo de sociedade queremos? Que tipo de homem pretendemos formar? Que concepções de cidadania e de trabalho permeia nossa ação docente? Os professores devem, assim, ter clareza dos fins e objetivos que pretendem atingir com seu trabalho.

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Ensinar significa interagir, compartilhar A ideia que permeou muitas respostas é a de que ensinar significa trabalhar com seres humanos, sobre seres humanos, para seres humanos. É um ato que implica interações variadas com os alunos, com professores e outros profissionais, interações concretas entre pessoas. As respostas dos professores apontam que o ensino é uma das dimensões representativas do processo didático.

Ensinar exprime afetividade O ensino se expressa por meio da afetividade, que favorece as trocas entre professor e os alunos. Permear o ensino com afetividade é fortalecer o processo de conquista para despertar o interesse do aluno. O professor precisa contar com a colaboração e a confiança dos alunos para consolidar o sucesso de educar. A afetividade não é isolada da dimensão cognitiva, propiciando uma disposição do aluno para problematizar, conhecer, buscar, investigar, encontrar solução, dedicar-se com atenção, afeto, prazer e alegria. Para aprender, a aluno precisa ter desenvolvido não somente sua capacidade de pensar, mas também sua capacidade de perceber e sentir suas emoções, seus conflitos, suas alegrias, seus bloqueios afetivos. Ensinar envolve, portanto, disponibilidade para lidar com o outro. Envolve gosto e identificação com a docência.

Ensinar pressupõe construção de conhecimento e rigor metodológico A construção do conhecimento não é apenas do aluno, pois o conhecimento se constrói por meio da mediação social que pode estar mais ou menos presente. Por isso, na situação de ensino há necessidade da ação mediada pelo professor para articular as relações que compõem o

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objeto de estudo e o caminho para sua descoberta ou redescoberta, articulando também o conhecimento a ser trabalhado com a realidade social em que ele se originou. Além disso, é preciso que o professor proponha atividades estratégicas didáticas necessárias a esta construção e que o processo possa ser adequadamente acompanhado e avaliado. Os relatos permitem à autora afirmar que o papel do conhecimento é colaborar na formação do aluno na sua globalidade: como pessoa, como cidadão crítico e criativo e como futuro trabalhador. E o papel do professor é provocar a mediação entre aluno, conhecimento e realidade. Ensinar exige, assim, a determinação do como, do método a ser utilizado para o desenvolvimento do aluno.

Ensinar exige planejamento didático Ensinar é um trabalho planejado no contexto de uma organização escolar, significando pensar sobre algumas questões: Por que, para que e como ensinar? Quem ensina? Quem aprende? Quais os resultados do ensino? Mas não se pode conceber o planejamento como uma ação técnica e linear. Cabe ao professor a responsabilidade de planejar o ensino de forma participativa, considerando as outras dimensões do processo didático e as orientações do projeto pedagógico da escola.

A autora apresentou os eixos estruturais do ato de ensinar na ótica mas ela dos nos

professores,

lembra que há muitas outras maneiras de compreender o ensino, ressaltando que é uma
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prática social que se realiza não só através do professor, mas também pela compreensão de contextos sociais mais amplos, situando o ensino para além da sala de aula. Ao professor cabe, então, sensibilizar-se com as demandas sociais, dialogar coma realidade, buscando formas alternativas para o desenvolvimento de temas e estimulando o aluno com questionamentos, para ajudá-lo a chegar ás suas próprias elaborações. Mais do que isso, é desenvolver as potencialidades de uma pessoa.

É uma atividade profissional laboriosa, que exige preparo, compromisso e responsabilidade do professor para instrumentalizar política e tecnicamente o aluno, ajudando-o a constituir-se como sujeito social. (VEIGA, 2008, p.29).

5.2 Atividades

1) Leia o livro “Pedagogia da autonomia!”, do educador Paulo Freire, recomendado como leitura complementar nesta unidade, e sintetize suas ideias, destacando as exigências do ensino que você considera mais relevantes, de acordo com as proposições do autor na obra. 2) Leia o texto de Ilma Passos Veiga, “Ensinar: uma atividade complexa e laboriosa”, utilizado como referência para esta unidade e explique porque, segundo ela, o ensino é uma atividade formativa?

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5.3 Reflexão
A complexidade da tarefa de ensinar exige um esforço na constituição de um marco teórico que se apresente indagador e rigoroso, que investigue os fundamentos e as práticas formativas. Desta maneira, o ensino deve estabelecer relações com o contexto social mais amplo, refletindo sobre os valores da sociedade em geral, bem como sobre os valores, interesses e necessidades da comunidade local onde as unidas escolares estão inseridas. Se o ensino passar a ser concebido desta maneira, de acordo com Veiga, estará respondendo a três desafios: 1- É uma tarefa humana; 2- Tem o desafio da dimensão afetiva, do compartilhamento, da interação; 3- Tem o desafio de seu papel cognitivo, pelo fato de permitir que cada aluno construa seu conhecimento graças ao emprego de uma diversidade metodológica e tecnológica. E, finalizando com a autora: “O ensino é carregado de razão e emoção, é o espaço para a vida, para a vivência das relações entre professores e alunos, para ampliação da convivência socioafetiva e cultural dos alunos.” (idem, p.32).

5.4 Leitura recomendada
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia. Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 24ª edição, 2002. Nesse livro, Paulo Freire reflete sobre saberes necessários a uma prática educativa crítica, fundamentados nua ética pedagógica e numa

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visão de mundo alicerçadas em rigorosidade, pesquisa, criticidade, risco, humildade, bom senso, tolerância, alegria, etc.

VEIGA, I. P. A. Ensinar: uma atividade complexa e laboriosa. In: VEIGA, I. P. A. (org.). Lições de Didática. Campinas: São Paulo. 3ª Edição, 2008, p.13 -33. No artigo a autora apresenta uma síntese de algumas concepções sobre o ensino, apresentando uma revisão das teorias de ensino, seus fundamentos e suas características básicas. Em seguida, a autora discute os dados de sua pesquisa com professores a respeito do significado do ensino para eles.

5.5 Referência bibliográfica
MAZETO, M. Didática: a aula como centro. São Paulo: FTD, 1997.

VEIGA, I. P. A. (org.). Lições de Didática. Campinas: São Paulo. 3ª Edição, 2008.

HOKAMA, M. G. Pensando (bem) na escola: o lugar das habilidades de pensamento no planejamento das atividades de ensino e aprendizagem. Dissertação de mestrado. Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho. UNESP/Araraquara, 2000.

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Didática do Ensino Superior – Unidade 5

5.6 Na próxima unidade
As ideias de Veiga e dos autores estudados nesta unidade nos remetem à necessidade do aprofundamento a respeito da formação docente, tema que será analisado na próxima unidade.

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FORMAÇÃO DOCENTE

A formação de professores está passando por um momento de profunda revisão no Brasil. Entre outras questões, os pontos impulsionadores desta revisão se relacionam ao questionamento do papel exercido pela educação na sociedade, a falta de clareza sobre a função do educador e a redefinição dos cursos de licenciaturas em geral. A formação para a docência no nível superior é mais um dos grandes desafios que se fazem urgentes nesse momento e que analisaremos nesta unidade.

Objetivos da sua aprendizagem
Você irá refletir sobre a formação do professor, seus pressupostos e os novos desafios para uma atuação docente competente, especialmente no nível da docência para o ensino superior.

Você se lembra?
Durante a sua graduação, algum professor marcou a sua trajetória? Você diria que aquele professor tinha uma boa didática? Reflita sobre isto.

Linguística e Língua Portuguesa

Didática do Ensino Superior – Unidade 6

6.1 A formação profissional do professor
A formação profissional do professor é composta por um conjunto de disciplinas coordenadas e articuladas entre si e seus objetivos e conteúdos devem estar voltados para possibilitar uma unidade teóricometodológica do curso, qualquer que seja o nível de ensino para o qual este professor está se preparando para atuar. Ela é um processo pedagógico, intencional e organizado, de preparação teórico-científica e técnica do professor para dirigir competentemente o processo de ensino, como afirma Libâneo ( 1990, p. 27). Sendo assim, de acordo com o autor, a formação do professor abrange as dimensões teórico-científica, incluindo aí a formação acadêmica específica nas disciplinas em que o docente irá se especializar-se e a formação pedagógica – conhecimentos da Filosofia, Sociologia, História da Educação e da Pedagogia, que contribuem par o esclarecimento do fenômeno educativo no contexto histórico-social: e a formação técnico-prática, que visa à preparação profissional específica para a docência – Didática, as metodologias das matérias, Psicologia da Educação, Pesquisa educacional, etc. Esta maneira de organizar os conteúdos da formação de professores, em aspectos teóricos e práticos, não significa sua separação ou isolamento. Ao contrário, eles devem estar integrados e articulados. As disciplinas teórico-científicas referem-se à prática escolar e seus estudos, realizados no âmbito da formação acadêmica, devem estar em consonância com aqueles de formação pedagógica que tratam das finalidades da educação e dos condicionantes históricos, sociais e políticos da escola. Os conteúdos das disciplinas específicas também

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precisam estar relacionados com as exigências metodológicas dessas áreas. Com relação à formação técnico-prática, é importante enfatizar que seus conteúdos não podem ser reduzidos ao domínio de técnicas e regras, os aspectos teóricos devem ser considerados, ao mesmo tempo em que fornecem à teoria os problemas e desafios da prática. Como afirma Libâneo:
A formação profissional do professor implica, pois, uma contínua interpenetração entre teoria e prática, a teoria vinculada aos problemas reais postos pela experiência prática e a ação prática orientada teoricamente. (LIBÂNEO, 1990, p.28).

Para Candau (2005), esta interpenetração não ocorre e, aliada à saturação do mercado de trabalho e à falta de uma formação cultural geral consistente, entre outras questões, tem nos colocado diante de uma crise e da necessidade urgente de redefinição dos sistemas de formação docente, em todos os níveis. Para chegar a esta afirmação, a autora analisou a bibliografia sobre a formação docente e agrupou os estudos em quatro perspectivas: centrados na norma; centrados na dimensão técnica; centrados na dimensão humana; centrados no contexto. Centrados na norma: Partem da legislação vigente e analisam a adequação da realidade aos instrumentos legais, sem uma reflexão crítica e questionadora desses instrumentos. A ênfase recai sobre a verificação das dificuldades ou entraves para o cumprimento do estipulado e a proposição de medidas que superem os problemas encontrados. O educador é visto como o responsável pela observância da norma, muitas vezes de caráter formal. Centrados na dimensão técnica: A atenção é para a organização e operacionalização dos componentes do processo de ensino54

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aprendizagem: objetivos, seleção de conteúdos, estratégias e ensino, avaliação, etc. Estes estudam analisam a prática educativa, propondo experimentos comparando metodologias e verificando seus resultados na aprendizagem. São privilegiadas as variáveis processuais de natureza técnica. O educador é visto como um organizador de condições de ensino-aprendizagem que devem ser rigorosamente planejadas para garantir resultados “ótimos”. É um enfoque tecnicista de formação docente. Centrados na dimensão humana: Estes são os estudos que enfatizam a relação interpessoal dos processos formativos. O foco é nas condições que devem estar presentes para possibilitar a comunicação, direta ou indireta para que ela seja facilitadora da aprendizagem. São privilegiadas também as variáveis processuais, porém, mais

especificamente os componentes relativos á interação humana. O processo de formação prioriza a aquisição das atitudes necessárias para mobilizar a capacidade humana de autoaprendizagem, que possibilite o desenvolvimento pleno, intelectual e emocional. Centrados no contexto: Nestes estudos centralizam a preocupação com o contexto socioeconômico e político em que se situa a formação de educadores. É uma perspectiva crítica em relação às anteriores, que minimizam esta análise. Nesta perspectiva, a educação é vista como uma prática social diretamente relacionada com as questões do sistema social na qual ela se insere. Neste enfoque, a prática educativa nunca é neutra, está a serviço da manutenção do “status quo” ou da sua transformação, sendo esta uma questão central, ou seja, construir uma prática educativa transformadora. Candau afirma que a formação de professores a partir das perspectivas apresentadas nestes estudos, parece privilegiar determinados

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aspectos, ou processuais ou contextuais, ou ainda alguma das dimensões técnica, humana ou contextual, e acaba tendendo a um reducionismo. Para ela, a educação é um processo muldimensional, que apresenta as dimensões técnica, humana e político-social de forma articulada e coerente. O desafio é justamente construir esta visão, que parta da perspectiva da educação como prática social inserida num contexto determinado, sem deixar de lado os aspectos processuais.
A formação de educadores adquire assim uma perspectiva multidimensional. Trabalhar nesta perspectiva e traduzi-la em termos de currículos e dinâmica de formação, eis, para nós, o grande desafio do momento. (CANDAU, 2005, p.55).

6.2 A formação do docente para o nível superior
Reestruturar a formação de professores numa perspectiva multidimensional é também um dos grandes desafios do ensino no nível superior, como não poderia deixar de ser. A preocupação com a formação deste profissional do ensino pode ser constatada, de forma mais contundente nos últimos anos, não só no Brasil, como em diversos países, especialmente aqueles com notável desenvolvimento econômico. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional admite uma variedade de instituições de ensino superior. Universidade: Instituições de ensino superior que se caracterizam pela autonomia didática, administrativa e financeira e pelo objetivo tríplice de oferecer ensino, pesquisa e extensão à comunidade, necessitando para isto de um número considerável de mestres e doutores no seu quadro de docentes.
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Centro Universitário: Estas instituições atuam em uma ou mais áreas de formação superior, com autônoma para abrir ou fechar cursos e vagas de graduação e ensino de excelência. Faculdades Integradas: É a reunião de instituições de diferentes áreas do conhecimento que oferecem ensino superior, podendo oferecer também, extensão e pesquisa. Institutos ou Escolas Superiores: Oferecem ensino superior em áreas específicas do conhecimento, podendo fazer pesquisas. Dependem do Conselho Nacional de Educação para a criação de novos cursos.

A expansão da educação superior traz em seu bojo, a necessidade de maior qualificação do seu pessoal docente. A preocupação com a qualidade dos

resultados do ensino superior, sobretudo
HTTP://WWW .INSTITUTOINEC.COM.BR/SITE_V2/PHP/IMX_IMA GEM.PHP?W =280&FOTO=../IMG/BLOG/COTA.JPG

na graduação, demonstra a importância da preparação desses docentes no campo

específico e no campo pedagógico. Durante muito tempo permaneceu a crença de que um professor universitário necessitava apenas dos conhecimentos práticos e teóricos referentes à sua área de atuação e uma boa comunicação. Até recentemente não se verificava uma preocupação dos órgãos

governamentais com a formação docente em nível superior, a não ser com relação á formação do pesquisador. As novas demandas sociais, no entanto, vêm mudando estas percepções. O aprendizado está tomando novas dimensões no que diz respeito à pedagogia, enquanto ciência da educação e à Didática, enquanto arte de ensinar. Exige-se do professor universitário, hoje, além

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dos conhecimentos específicos, o domínio dos saberes pedagógicos necessários para tornar o ensino eficaz, além de uma formação geral ampla, que lhe possibilite um maior conhecimento de mundo, do ser humano, de ciência e de educação. Para alguns estudiosos, a preparação deste profissional está mais relacionada à andragogia do que à pedagogia. A pedagogia, na sua origem, refere-se à condução de crianças.
A palavra Pedagogia tem origem na Grécia, paidós (criança) e agogé (condução). O termo pedagogo, surgiu na Grécia Clássica, com o significado de preceptor, mestre, guia, aquele que conduz; era o escravo que conduzia os meninos até o paedagogium .,

Os alunos dos cursos universitários estão numa faixa etária mais próxima dos adultos do que das crianças, por isto, para estes estudiosos, os cursos desta natureza não atendem às necessidades desta formação e sim os cursos que se fundamentam nos princípios da andragogia, que se refere à arte e a ciência de conduzir adultos ao aprendizado.
HTTP://PT.WIKIPEDIA.ORG/WIKI/PEDAGOGIA

Princípios da Andragogia: Conceito de aprendente:
Em 1970 , Malcom Knowles publicou a obra “The Adult Learner - A Neglected Species" (1973), introduzindo e definindo o termo Andragogia - A Arte e Ciência de Orientar Adultos a Aprender. Daí em diante, muitos educadores passaram a se dedicar ao tema, surgindo ampla literatura sobre o assunto. (http://www.rautu.unicamp.br/nourau/ead/document/?view=2

alternativa ao conceito de aluno ou formando. O aprendente é responsável pela sua aprendizagem e estabelece e delimita o seu percurso educacional. Necessidade de conhecimento: O adulto, ao contrário da criança, sabe

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da importância e da necessidade de conhecer, por isto ele se responsabiliza pela sua aprendizagem. Motivação para aprender: Além das motivações externas, são consideradas as motivações internas, relacionadas com sua própria vontade de crescimento, reconhecimento, autoconfiança e atualização das potencialidades pessoais. Papel da experiência: Os adultos trazem para os cursos uma gama de experiências diversificadas que devem ser aproveitadas, valorizadas e partilhadas, servindo de base para a formação acadêmica. Prontidão para o aprendizado: O adulto estará pronto para aprender aquilo que ele decidir aprender. Ele se torna disponível para o aprendizado quando pretende melhorar seu desempenho em relação a determinado aspecto de sua vida. A retenção deste aprendizado decresce quando ele percebe que sua aplicação não é imediata.
Conexão: No texto “Andragogia: A Aprendizagem nos Adultos” do prof Roberto de Albuquerqe Cavalcanti você encontra mais informações sobre este conceito e sua utilização no ensino superior. Ela está disponível em http://www.rau-tu.unicamp.br/nourau/ead/document/?view=2

Uma educação baseada nos princípios da andragogia requer:      Elaboração de diagnósticos de necessidades e interesses dos estudantes; Definição de objetivos e planejamento das tarefas com participação dos estudantes; Estabelecimento de um clima cooperativo, informal e de suporte a aprendizagem; Seleção de conteúdos significativos para os estudantes; Definição de contratos e projetos de aprendizagem;

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   

Aprendizagem orientada para tarefas ou centrada na resolução de problemas; Uso de projetos de investigação, estudos independentes e técnicas vivenciais; Valorização da discussão e da solução de problemas em grupo; Utilização de procedimentos de avaliação diretamente

relacionados à aprendizagem. A adoção destes princípios, independentemente da origem do conceito, pode ser de grande valia para o professor universitário.

6.3 Atividade
1) Comente sobre cada um das perspectivas de formação docente no Brasil, bem como a proposta de Candau e reflita: Estas perspectivas tem contribuído para que tipo de prática docente nas nossas escolas? No nível superior, você percebe o predomínio de algumas delas? Comente.

2) Qual a contribuição dos princípios da andragogia professor universitário?

para o

6.4 Reflexão
Uma grande parte dos questionamentos feitos aos docentes universitários diz respeito à relação entre ensino e aprendizagem. Muitos destes professores se colocam a frente das salas de aula como especialistas na disciplina que ministram, cuidando para que os alunos tenham conhecimento do conteúdo, reproduzindo os processos pelos quais eles mesmos passaram em sua formação. Ou seja, o aluno recebe as

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informações, passadas coletivamente, e demonstra a assimilação através das tarefas ou avaliações individuais, que na grande maioria das vezes, ainda em um caráter quantitativo e classificatório. Há, entretanto, educadores que enxergam os alunos como agentes do processo educativo, considerando suas aptidões, suas necessidades e interesses, incentivandoos para que possam buscar as informações que lhes sejam de maior utilidade e que contribuam para o desenvolvimento de suas habilidades, bem como na modificação de atitudes e comportamentos e na construção de novos significados. Estes educadores estão centrados no aluno, em suas capacidades e possibilidades para aprender, atuando como agentes responsáveis pela condução do processo de ensino e aprendizagem, e comprometidos com uma educação para a mudança, como indica a nova perspectiva da Didática.

6.5 Leitura recomendada
BRANDÃO, J. E. A. A evolução do ensino superior brasileiro: uma abordagem histórica abreviada. In: MOREIRA, D. A. (org.). Didática do ensino superior: técnicas e tendências. São Paulo: Pioneira, 1997, p. 358. O artigo apresenta um panorama histórico da evolução do ensino superior no Brasil, lançando as bases para um entendimento das características, das disfunções e fragilidades do ensino superior brasileiro.

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Didática do Ensino Superior – Unidade 6

6.6 Referências bibliográficas
CANDAU, V. M. A. formação de educadores: uma perspectiva muldimensional. In: CANDAU, V. M. Rumo a uma nova didática. São Paulo, Vozes, 2005, p 49-56.

LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo:Cortez, 1990

MOREIRA, D. A. (org.). Didática do ensino superior: técnicas e tendências. São Paulo: Pioneira, 1997.

NETO, J. M. S. A eficácia da Didática no ensino superior. Disponível em <HTTP://www.meuartigo.brasilescola.com/educacao/a-eficacia-didaticaensino-superior>>

VEIGA, I. P A. (coord.). Repensando a didática. Campinas, SP: Papirus, 2004.

6.7 Na próxima unidade
Depois de refletir sobre a formação docente, vamos analisar alguns aspectos do trabalho do professor nas unidades seguintes, como o planejamento, tema da nossa próxima conversa.

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PLANEJAMENTO DO ENSINO

O trabalho docente é uma atividade consciente e sistemática, voltada para a

aprendizagem dos alunos. Já estudamos que esta é uma atividade complexa que não se restringe à sala de aula, ao contrário, relaciona-se com as demandas e realidades sociais, bem como às experiências vividas pelos alunos. É um processo que necessita, então, de organização, de coordenação de ações, enfim, de planejamento, para que haja efetivamente a articulação da atividade escolar com o contexto social.

Objetivos da sua aprendizagem
Você irá refletir sobre o planejamento escolar, em seus vários níveis e aspectos, reconhecer sua importância para o trabalho pedagógico e conhecer suas especificidades.

Você se lembra?
Você gosta de provérbios e frases poéticas? Lembra-se desta: se você não sabe aonde quer chegar, não importa o caminho a seguir. Ele nos faz pensar sobre a importância do planejamento.

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7.1 Planejamento do trabalho pedagógico
Na escola, planejar é prever e organizar ações tendo como referência as metas e objetivos da escola onde atuamos, o aluno real com quem trabalhamos, suas necessidades e expectativas, o contexto geral do mundo em que vivemos. Mas, para conversarmos sobre este assunto, é importantíssimo partirmos deste ponto: planejamento não é improvisação, nem “obrigação a ser cumprida”. Planejar poderia ser um momento de reencontro de pessoas que se dedicam a educar e instruir. Um momento agradável, de partilha de sonhos, opiniões. Transformar a realidade que se tem, criar algo de novo através do trabalho que se pode fazer na escola supõe conhecer bem as condições reais e enxergar um pouco à frente, estabelecendo o que se pretende atingir com os alunos. É preciso juntar objetividade e sonho, para ver o aluno com um olhar novo, como alguém que tem o direito de adquirir, na escola, as ferramentas que o ajudem no

processo de compreensão do mundo. Dentro dos limites da escola, cada educador tem alguma contribuição
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para esse processo. Assim, todos devem participar da decisão sobre os rumos do trabalho. Na reflexão coletiva, será possível prever e organizar o principal da ação, ou seja, realizar o planejamento do trabalho escolar, de uma forma viva.

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NÃO HÁ RECEITAS de planejamento, mas há aspectos importantes que não podem ser esquecidos:    

ter clareza de onde se quer chegar: as grandes metas da escola ; conhecer a situação da escola: alunos, comunidade, recursos internos e externos existentes etc.; priorizar necessidades ou problemas que sejam assumidos como desafios por um determinado tempo; decidir e preparar ações que serão executadas com acompanhamento e avaliação constante.

AS AÇÕES ASSUMIDAS COLETIVAMENTE são escolhidas para concretizar o melhor atendimento escolar aos alunos.

O planejamento participativo deve ser um dos princípios fundamentais da escola. De acordo com Lopes (2004):
No contexto escolar o planejamento participativo caracteriza-se pela busca da integração efetiva entre a escola e a realidade histórico-social, primando pelo inter-relacionamento entre a teoria e a prática. A participação de professores, alunos, pessoal técnicopedagógico e administrativo, bem como dos pais dos alunos, seria o ponto de convergência das ações voltadas para a produção de novos conhecimentos a serem propiciados na escola, tendo como referencial a realidade histórico-social. (LOPES, 2004, p. 59).

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7.1.1 Planejando em vários níveis
Quando a equipe escolar se reúne para organizar a ação geral da escola, o planejamento está voltado para o funcionamento das atividades de formação do pessoal, das relações intra e extraescolares, das atividades gerais com os alunos. Ou seja, todos estarão refletindo sobre a maneira de concretizar as grandes metas da escola, tendo a aprendizagem dos alunos como pano de fundo.

Nesse processo de reflexão e tomada de decisões gerais, cada participante do trabalho escolar colhe informações para organizar detalhadamente seus próprios serviços (atividade administrativa, apoio pedagógico, processo de ensino-aprendizagem).

Ao assumir sua classe, cada professor deve se apoiar nessa reflexão coletiva para se organizar, fazendo do planejamento um instrumento efetivo de trabalho. Nesse nível individual, o professor também precisa coletar dados, definir metas e organizar-se: 1 – Conhecer bem seus alunos, quanto à história escolar, nível de aprendizagem, interesse, aptidões e dificuldades. As informações sobre os alunos servem de base para definir pontos de partida na aprendizagem dos conteúdos; planejar materiais a serem oferecidos; agrupar crianças nas diferentes atividades; propor normas para organizar os trabalhos em classe; estabelecer expectativas e orientação necessárias. 2 – Definir suas metas e os conteúdos de ensino.

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A partir dos objetivos definidos coletivamente para o curso, apoiado nas características de seus alunos, o professor formula metas e conteúdos coerentes com a evolução do processo de aprendizagem dos alunos. 3 – Conhecer os recursos disponíveis na escola e na comunidade. Conhecendo-os, poderá utilizar materiais e locais para apoiar e enriquecer o trabalho e, também, criar vínculos e enraizar o programa na realidade dos alunos. 4 – Preparar as atividades e o aproveitamento do tempo dos alunos na escola. É importante levar em conta os vários aspectos da aprendizagem escolar e as diferentes dimensões pessoais envolvidas. Quem vai aprender – conceitos, habilidades, atitudes – é um aluno que não fica só sentado, quieto, pensando e escrevendo. É importante, pois, dosar, alternar tarefas – simples e complexas, de expressão e de reflexão, dirigidas e livres etc. – dosando também a atuação do aluno, prevendo trabalhos individuais, em grupos, ou para a classe como um todo.

Esse preparo das ações pode ser pensado com frequências diferentes. Há professores que planejam suas aulas diariamente, outros preferem o planejamento semanal. De qualquer forma, o que foi planejado deve ser registrado no PLANO DE ENSINO.

7.1.2 O registro do planejamento
Quando se pensa em registrar o planejamento, vem logo à cabeça o antigo modelo: objetivos gerais, específicos, conteúdos, métodos, processos, estratégias, recursos materiais, avaliação...

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Didática do Ensino Superior – Unidade 7

3) Bem, o importante no registro é que ele comunique o e permita se que de
Os registros são também chamados de PLANOS. Sua composição vai variar de acordo com a abrangência do que se planejou, o número de pessoas envolvidas na execução e acompanhamento das ações e a necessidade de maior ou menor detalhamento de cada ação. Qualquer que seja o tipo de plano, o importante é que seja completo, preciso e, ao mesmo tempo, fácil de consultar.

acompanhar planejou. expresse Ou os

que seja,

pontos

chegada, as ações e seus responsáveis, a duração

prevista para cada uma e os resultados esperados; e que permita

verificar se as ações estão indo na direção planejada, ou se será preciso replanejá-las. O PLANO DA ESCOLA – É o planejamento geral da escola e dessa forma, deve conter as atividades que serão desenvolvidas tanto pelos que exercerão atividades pedagógicas quanto

administrativas. Indica as grandes metas da escola, os pontos principais em torno dos quais a equipe decidiu atuar, a linha metodológica, o processo de avaliação, as atividades gerais para todas as séries. Ele é fruto da reflexão geral e orienta o planejamento de cada professor, por isto é importante que ele tenha sido elaborado com a participação de toda a comunidade escolar. O PLANO DE ENSINO – é parte constituinte do Plano da escola, por isto deve estar integrado a ele. É um roteiro organizado das unidades didáticas para um ano ou semestre. É o instrumento pessoal de organização de cada professor, a partir das metas gerais. Deve conter os aspectos essenciais do trabalho a ser desenvolvido com os alunos: o que, para que e como ensinar, além de indicar como o processo será acompanhado. Pode apresentar de forma detalhada o que será trabalhado

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ou ser mais resumido, como um conjunto de lembretes ou ideias-chaves. O modelo, o tamanho e o detalhamento não são as questões mais importantes do Plano de Ensino. O fundamental é que, ao elaborá-lo, o professor tenha clareza da situação em que vai agir, em relação às características dos alunos e aos recursos de que dispõe; e que faça do plano seu roteiro flexível e articulado ao planejamento mais geral da escola. PLANO DE AULA – É o detalhamento do plano de ensino. As unidades e subunidades que foram previstas no plano de ensino, em linhas gerais, são detalhadas e sistematizadas para uma situação real. É a organização sequencial do que será desenvolvido pelo professor no período escolar diário. Este planejamento é indispensável e deve ser considerado, como uma tarefa que servirá para orientar as ações docentes, como para a revisão e o aprimoramento a cada ano.
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7.2 Elaboração de um plano de ensino
FASES DO PLANEJAMENTO 1ª FASE: Fazer um planejamento inicial, partindo das informações prévias que o professor dispõe (classe, alunos), antes de entrar na sala de aula. 2ª FASE:

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Adequação do plano aos alunos que cursarão aquela série, ou semestre, ou período, conforme estipulado. Isto acontecerá nos primeiros encontros entre o professor e os alunos. Nessa fase é preciso tentar identificar as expectativas e necessidades dos alunos, o que conhecem das disciplinas que serão lecionadas...

3ª FASE: Avaliação da execução do plano de ensino. Essa avaliação deve ser feita periodicamente, a fim de verificar se o planejamento está sendo eficiente e tendo seus objetivos alcançados.

ELEMENTOS ou COMPONENTES DE UM PLANO DE ENSINO 1– IDENTIFICAÇÃO DO PROFESSOR E DA ESCOLA 2 – CURSO 3 – DISCIPLINA 4 – SEMESTRE/ANO 5 – CARGA HORÁRIA 6 – EMENTA 7 – OBJETIVOS – concretos e bem delimitados 8 – CONTEÙDOS - o tema ou temas da aula. Gerais: Fio condutor da disciplina. Específicos: Desdobramento do objetivo geral 9 – ESTRATÉGIAS – as atividades que serão desenvolvidas 10 – AVALIAÇÃO – instrumentos ou meios para verificar se os objetivos pretendidos serão alcançados 11 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

EMENTA: É uma descrição que resume o conteúdo de uma disciplina. Características:

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Os tópicos essenciais da matéria são apresentados sob a forma de frases nominais (sem verbos); A redação dos tópicos deve ser contínua. Exemplos de expressões: “estude de...”, “pesquisas de...”, “demonstração de...”, “orientação sobre...”, “explicitação de...”, “busca de compreensão de...”, “definição de...”, “exame de questões sobre...”, “reflexão sobre...” EXEMPLO: Didática: Análise dos efeitos das mudanças culturais, científicos e tecnológicas na educação e na Didática. Estudo da interdependência dos elementos constitutivos das situações de ensino e de aprendizagem. Estudo dos objetivos educacionais como norteadores da ação educativa. 

Pensar:

O QUE vai propor COMO vai propor DO QUE VAI PRECISAR para propor

7.3 Atividades
1) Visite uma escola da sua cidade e conheça Observe sua estrutura, sua apresentação, o plano escolar. as concepções

presentes, as propostas. Converse com alguns professores e peça para ver o seu planejamento pessoal. Observe as diferenças, as especificidades da disciplina, da turma e a individualidade presente na forma de expressar as propostas de trabalho. Reflita e elabore sobre a importância do planejamento para o trabalho docente.

2) Elabore um plano de ensino.

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7.4 Reflexão
O planejamento de ensino tem sido bastante questionado hoje, principalmente quanto ao seu papel de orientador de práticas que contribuam para a melhoria da qualidade do trabalho realizado nas escolas. Há muitas queixas com relação ao distanciamento dos objetivos propostos nos currículos dos cursos com a realidade social, os conteúdos são trabalhos de forma autoritária, sem a contribuição dos professores para a sua elaboração, deixando de ser um elo com as experiências de vida dos alunos, predominam ainda atividades com ênfase na transmissão de conhecimentos, com pouco espaço para a discussão e o diálogo, entre muitos outros desacertos percebidos. Dessa forma, o planejamento tem sido realizado de uma forma desvinculada do todo, do social, ao qual ele deveria estar integrado, dissociando-se do que se espera de uma perspectiva crítica da educação. Percebe-se, claramente, que o planejamento precisa ser repensado nas escolas. Se queremos uma educação transformadora, devemos utilizá-lo como arma fundamental para alcançar esta meta, adotando-o segundo os princípios da participação, da análise crítica e global do processo de ensino-aprendizagem, integrado dialeticamente ao concreto do educando, buscando sua transformação.

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Didática do Ensino Superior – Unidade 7

7.5 Leituras recomendadas
LOPES, A. O. Planejamento do ensino numa perspectiva crítica de educação. In: VEIGA, I. P. A Repensando a didática. Campinas, SP: Papirus, 2004, p.55-64. O artigo discute questões fundamentais sobre o planejamento nas escolas, não numa perspectiva instrumental, mas numa perspectiva crítica, como aponta no título, evidenciando a necessidade de se repensar sua prática e de se ampliar e aprofundar a discussão sobre o tema.

LUCK, H. A. aplicação do Planejamento Estratégico na escola Revista Gestão em Rede, n 19, abril 2000, p. 8-13. No artigo a autora discute a importância do planejamento na escola, ressaltando o seu significado e seu papel como elemento fundamental para subsidiar as ações docentes em vista dos objetivos almejados.

7.6 Referências bibliográficas
BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Raízes e Asas: projeto de escola, vol. 4. CENPEC- Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e ação Comunitária.

LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 1990

LOPES, A. O Planejamento do ensino numa perspectiva crítica de educação. In: VEIGA, I. P. A Repensando a didática. Campinas, SP: Papirus, 2004, p.55-64.

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Didática do Ensino Superior – Unidade 7

MAZETTO, M. DIDÁTICA: a aula como centro; São Paulo, FTD.

7.7 Na próxima unidade
Na próxima unidade vamos estudar a avaliação escolar, buscando seus pressupostos e analisando as diferentes concepções e tipos. A avaliação é um item fundamental no processo de ensino-aprendizagem.

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AVALIAÇÃO

Avaliar é uma tarefa complexa, que não se restringe à quantificação e valoração dos resultados obtidos pelos alunos. É uma tarefa didática necessária e permanente, e não pontual, como muitas vezes se apresenta. Ao contrário, ela deve acompanhar todo o processo de ensino e aprendizagem, para que, por meio dela, se possa constatar os progressos, as dificuldades e as reorientações que se mostrarem necessárias. Neste sentido é que afirmamos que ela é uma atividade essencialmente reflexiva, pois pode possibilitar um salto na qualidade da educação que se pretende oferecer.

Objetivos de sua aprendizagem Você se lembra?
Você se lembra das avaliações escolares que fazia durante os anos da educação básica? Você acha que elas estavam relacionadas com o currículo apresentado para vocês, alunos? Se a avaliação não estiver integrada ao currículo escolar, ela perde seu significado.

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Didática do Ensino Superior – Unidade 8

8.1 O sentido da avaliação escolar
Quando se pensa em avaliação, em geral, ela aparece relacionada ao ato de “medir”, ou quantificar os resultados obtidos pelos alunos, com a finalidade de selecionar e classificar. O sistema educacional apoia-se na avaliação classificatória com a pretensão de verificar aprendizagem ou competências através de medidas, de quantificações. Este tipo de avaliação pressupõe que as pessoas aprendem do mesmo modo, nos mesmos momentos e tenta evidenciar competências isoladas.

Infelizmente esta ainda costuma ser a referência para os gestores da educação, professores, pais e os próprios alunos. Como afirma Zabala (1998):
Basicamente, a avaliação é considerada como um instrumento sancionador e qualificador, em que o sujeito da avaliação é o aluno e somente o aluno, e o objeto da avaliação são as aprendizagens realizadas segundo certos objetivos mínimos para todos.

(ZABALA, 1998, p.195).

Esta visão se apoia numa trajetória histórica da educação, em que os processos avaliativos vêm servindo muito mais como instrumento de exclusão do que de inclusão do aluno na escola. Novos estudos na área e as declarações de princípios das reformas educacionais empreendidas em diferentes países e por educadores preocupados e envolvidos com as transformações que se mostram necessárias na educação, propõem formas de entender a avaliação sob outra perspectiva. A legislação vigente, expressa nas propostas curriculares diversas, tem se referido à importância da avaliação da aprendizagem escolar, reiterando que ela deve ser contínua, formativa e personalizada, devendo ser compreendida como mais um elemento do processo de ensino aprendizagem, o qual nos
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Didática do Ensino Superior – Unidade 8

permite conhecer o resultado de nossas ações didáticas para promover a melhoria da qualidade destas ações. Nesta ótima mais recente, o processo seguido pelos alunos, o progresso pessoal, o processo coletivo de ensino-aprendizagem, etc., aparecem como elementos ou dimensões da avaliação, ainda de acordo com Zabala. A avaliação é um instrumento que ajuda o professor a tomar decisões sobre o seu trabalho, o que implica mudanças fundamentais, especialmente nos conteúdos e nos processos avaliativos. Os conhecimentos que já adquirimos sobre como se produzem as aprendizagens revela a singularidade destes processos, impossibilitando o estabelecimento de propostas universais, principalmente se levarmos em conta o fato de que as experiências individuais são o valor básico de qualquer aprendizagem. Estas experiências devem ser o eixo dos processos avaliativos. Desta forma, o que se propõe é uma reestruturação interna na escola quanto à sua forma de avaliação. É preciso considerar a urgência, no cotidiano das escolas, de uma avaliação contínua, formativa, na perspectiva do desenvolvimento integral do aluno. É primordial que se estabeleça um diagnóstico correto para cada aluno para que se identifique as possíveis causas de seus fracassos e/ou dificuldades visando uma maior qualificação e não somente uma quantificação da aprendizagem.
Conexão: Conheça as diretrizes da LDBEN 9394/96 sobre a avaliação na educação básica . BRASIL. Senado Federal. Lei n° 9.394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília/DF, 1997.

Portanto, é necessário que o educador se questione: O que os meus alunos sabem em relação ao que quero ensinar? Que experiências tiveram? O que são capazes de aprender?

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Didática do Ensino Superior – Unidade 8

Quais são seus interesses? Quais são seus estilos de aprendizagem?

De acordo com Zabala (idem, p.199), a avaliação, nesta perspectiva formativa, compreende algumas fases: Avaliação inicial:

consiste em conhecer o que o aluno sabe, sabe fazer e, o que pode chegar a saber, saber fazer ou ser, e como
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aprendê-lo. Este é o ponto de partida que deve servir de referencia para a elaboração de atividades e tarefas que poderão favorecer a aprendizagem. No processo de aplicação das atividades pensadas anteriormente, será necessário adequar à realidade do aluno e da classe, ao conteúdo, ao tempo, ás formas de agrupamento, etc. Esta é a avaliação reguladora. Avaliação Reguladora: enquanto se desenvolve o plano previsto e de acordo com as respostas dos alunos, existe a necessidade de se introduzir novas atividades, gradativamente mais desafiadoras, assim como ir promovendo uma intervenção mais contingencial. Para a Avaliação Reguladora ou Formativa, é fundamental o conhecimento de como cada aluno aprende ao longo do processo de ensino-aprendizagem, para se adaptar ás novas necessidades que se colocam (idem, p.200). Avaliação Final ou Somativa: Para conhecer a situação de cada aluno e tomar as medidas educativas pertinentes, é preciso sistematizar o conhecimento do progresso seguido, o que requer apurar os resultados e

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analisar o processo e a progressão que cada aluno seguiu, para continuar sua formação. É preciso cuidado na utilização conjunta dos dois termos. O conhecimento dos resultados está mais diretamente associado a avaliação final e a análise dos resultados à avaliação somativa, que desta forma, é entendida como integradora, pois:
A partir do conhecimento inicial (avaliação inicial), manifesta a trajetória seguida pelo aluno,as medidas específicas que foram tomadas, o resultado final de todo o processo e, especialmente, a partir deste conhecimento,as previsões sobre o que é necessário continuar fazer de novo. (ZABALA, 1998, p.201).

O aperfeiçoamento deste processo é urgente, uma vez que ele visa o aperfeiçoamento do próprio trabalho educativo, que é o objetivo de cada educador. Conhecer e avaliar a intervenção pedagógica é uma das tarefas de todos que se preocupam com o oferecimento de uma educação de qualidade pra toda a população.

8.2 Atividades
1) Releia com atenção o material desta aula, pesquise em outras fontes e elabore uma redação com o tema: A importância da avaliação no processo de formação do aluno.

2) Para reforçar seu estude, explique os conceitos estudados aqui sobre as fases da avaliação.

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8.3 Reflexão
Você já pensou nas reais finalidades da avaliação? Para que avaliamos? De que forma podemos construir um instrumento que possibilite acompanhar o desenvolvimento do aluno e permitir a ele o seu progresso, intelectual, moral, afetivo e cognitivo? São muitos os questionamentos que surgem quando nos propomos a analisar a avaliação numa perspectiva formativa. Cabe ao professor realizar cotidianamente as reflexões sobre sua prática educativa e analisar os diferentes fatores que estão relacionados com esta problemática, na tentativa de melhorar os conhecimentos sobre a avaliação e sua utilização como elemento que pode auxiliá-lo o desenvolvimento de sua função pedagógica e social.

8.4 Leitura recomendada
LUCKESI, C. C. Avaliação da Aprendizagem Escolar São Paulo: Cortez, 14ª edição, 2002. No livro são apresentados estudos críticos sobre a avaliação da aprendizagem escolar e proposições para torná-la mais viável construtiva, numa abordagem sociológica, política e pedagógica.

8.5 Referências bibliográficas
LIBANEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez.

ZABALA, A. A. prática educativa: como ensinar. São Paulo: artmed, 1998.

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