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Alexandre Herculano

Alexandre Herculano

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Alexandre Herculano, figura marcante da historiografia portuguesa, quer no seu tempo, como em tempos coevos.

O que se pode dizer deste marco da história? Antes de mais convém referir que fôra director da Torre do Tombo, isto pode parecer pouco, mas foi muito. Com este cargo teve acesso directo a documentos de vários níveis que, mais tarde, acabaria por beneficia-lo nas suas publicações: os Portugaliae Monumenta Historica, que abarca a documentação medieval, de vários quadrantes: tais como as inquirições, os livros de linhagens do Conde D. Pedro, os scriptorios, bem como as Leges. Tudo isto, compreendido desde o século IX/X ao XII. Isto surge das tendências alemãs, diga-se, os Gemania Monumenta Historica, que foram bem mais longe que as nossas edições. Antes de Herculano, os níveis de erudição não eram visiveis, ou totalmente visieis. Quero com isto dizer que a sua historia de Portugal foi completamente revolucionária, comparando-a com as demais publicadas, antes e depois. Pena que peca por não abranger temas como o social ou económico, ou também como a cultura: esses temas seiam posteriormente complementados, não por ele, mas por outros historiadores que tentavam brilhar à sombra desta sumidade; tanto que muitos deles não conseguiram não mais que o repetir ou resumir: falava-lhes os elevados graus de erudição crítica de Herculano e diga-se que muitos deles não estariam ao nível da sua prodigiosa memória que em muito ajudou este Autor incansavel, que se repartira em esforços multiplos: carreira política, administração da TT, redação da História de Portugal, que à partida seria para ser bem mais ampla do que a que nos legou, tanto que o título do primeiro dos volunes assim o indica: História de Portugal: desde o começo da Monarquia até ao final do Reinado de Afonso III. Mas, apesar de ter pontos fortes, como pontos fortes – nenhuma obra desta envergadura é perfeita, não existem oraculos de Delfos, por muito que se queira –, ela fôra elogiada em terras da Velha Europa e do Novo Mundo, tanto que Herculano acabaria por ser membro de várias academias de ciências, quer em Portugal (que lhe incumbiu a edição dos PMH), como em Espanha, Austria, EUA, entre outras. Temos assim presente o génio de um Autor, de uma nação que mostrava claros atrasos relativamente ao fazer história além-fronteiras, mas com ele, tivemos um brilhante arranque: a nossa historiografia apróximou-se a passos largos das demais, contudo o trabalho não ficou acabado. À morte deste nosso génio pouco mais de brilhante foi escrito, a historiografia teve um ligueiro retrocesso, que anos mais tarde seria alvo de um novo arranque, com estudos brilhantes de Virginia Rau, Baquero Moreno e José Mattoso, que em 1985 escrevera

e até mesmo de dentro. em parte. tal como o exemplo que vos digo. Para finalizar digo que este nosso génio teve inspirações: além dos designios vindos da Alemanha de Rank. pois seus adversários calaram-se até à sua morte. fôra a última. nem mesmo os ramancistas. mantendo ainda hoje uma posição inatacável. em 1383. não podemos dizer que são da incapacidade de Herculano. que retrata as intrigas no inicio do reinado do de Avis. mais renomeados do século XIX (quem ia ombrear com um erudito fortemente conhecedor de latim e do português arcaico?) o fazem: os seus ramances eram não mais que a continuação da história de Portugal que não escervera na sua História de Portugal. o Monge de Cister. Temos os historiadores do Direito a elevarem-no ao pedestal. Graças a historia de Herculano. Nenhuma outra obra ocidental conseguiu tal proeza. todavia não consegue destrunar a Oitocentista. pois tentam preencher as suas lacunas. ele redige a sua obra com relativa rapidez. mas sim do relativo atraso das ciências auxiliares da História. o que. altamente cientifizados. Vai direito ao essencial. temos também os franceses Tierry e Guizot a inspira-lo. Abordam-se outras áreas deixadas imaculadas por ele. tanto que derrubaram mitos. Elogios. como já referi: ele multiplica-se em esforços. etc. esses. fortemente alicerçados em fontes documentais. elas são usadas por Herculano como uma temivel arma. a historiografia progrediu. apesar de terem dedicado toda uma vida à construção de uma obra histórica. não. como disse. ao passo que o nosso Autor. periodização feita por reinados. Economia. a fonte é o seu grande pilar de sustentabilidade. que conta com mais de 130 anos. que acabaria por levar a uma acesa discussão com Vilhena Saldanha. Herculano inaugura uma nova era da historiografia. Os erros. entre outras. tal como a arqueologia. entre eles o de Ourique. faz com que dure mais que outras. em várias áreas de actividade. Autores como Oliveira Martins (este ficara com uma boa obra de filosofia da história ou da história do seu tempo) e Paulo Mêrea ficam completamente aquém de Herculano. não ousavam disputar com ele no campo da erudição. vêm de todos os lados. Cultura. Como é possível uma obra centenária ser ainda tão actual? Tudo se deve ao facto de ser eruditamente crítica. .a Identificação de um País: oposição e composição – obra esta consagrada como uma ao nível da de Herculano. É um predestinado: a sua capacidade de retirar todo ou quase toda a informação de um documento é notavél – algo que nem muitos dos nossos actuais historiadores têm tal faculdade. contudo. A obra tem um plano bem definidos. esses.

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