02 - Poderes Administrativos

Capítulo 02 - PODERES ADMINISTRATIVOS

1. Noções: A Ordem jurídica confere aos agentes públicos certas prerrogativas para que estes, em nome do Estado, persigam a consecução dos fins públicos. Essas prerrogativas são outorgadas por lei, exigem a bservância dos princípios administrativos e destinam-se a atingir o fim maior da Administração Pública: a satisfação do interesse público. Essas prerrogativas consubstanciam os chamados Poderes do Administrador Público. Por outro lado, a lei impõe ao administrador público alguns deveres específicos e peculiares para que, ao agir em nome do Estado e em benefício do inter1esse público, execute bem a sua missão. São os chamados Deveres Administrativos. Os poderes e deveres do administrados público são atrinuídos à autoridade para que ela possa remover, por ato próprio, as resistências particulares à satisfação do interesse público. Essa é a idéia: conceder à administração pública certas prerrogativas para a melhor satisfação dos interesses públicos. 2. DEVERES DO ADMINISTRADOR PÚBLICO: 2.1. Poder-dever de agir Enquanto no direito privado o poder de agir é uma mera faculdade, no Direito Administrativo é uma imposição, um dever de agir, para o agente público. 2.2. Dever de eficiência: Mostra-se presente na necessidade de tornar cada vez mais qualitativa a atividade administrativa, no intuito de se imprimir à atuação do administrador público maior celeridade, perfeição, coordenação, técnica, controle, etc. É um dever imposto a todos os níveis da administração pública. Como prova desta postura adotada pela CF, que elevou este dever ao status de princípio constitucional, o princípio da

estabelecendo o motivo e escolhendo. pode-se citar a possibilidade de perda do cargo do servidor público estável em razão de insuficiência de desempenho. atue sempre em consonância com os princípios da moralidade e honestidade administrativas.. finalidade e forma. Poder Vinculado . É limitado pelos princípios da razoabilidade 3. de avaliação especial de desempenho.. Na prática de atos vinculados. o estabelecimento. 3. estipulando todos os requisitos e elementos necessários à sua validade. e. podendo valorar a oportunidade e conveniência da prática do ato discricionário.4. A regra é universal: “quem gere dinheiro público ou administra bens ou interesses da comunidade.2.Quando a lei confere à Administração Pública poder para a prática de determinado ato. dentro dos limites legais.(ver lei 8. estão vinculados à existência e legitimidade dos motivos que levaram à sua prática. PODERES DO ADMINISTRADOR PÚBLICO São instrumentos que. Dever de prestar contas: Decorre da função do administrador público. seu conteúdo. ainda. utilizados isolada ou conjuntamente. . como gestor de bens e interesses alheios. É bom lembrar que mesmo os atos discricionários apresentam-se vinculados à estrita previsão da lei quanto a seus requisitos: competência. será nulo e caberá à Administração ou ao Poder Judiciário declarar a sua nulidade. em se tratando de atos discricionários motivados.249/92) 2. da coletividade. Dever de probidade: Exige que o administrador público.eficiência. no desempenho de suas atividades.1. permitem à administração pública cumprir suas finalidades. é mínima ou inexistente a liberdade de atuação da administração. se desvie dos requisitos minuciosamente previstos na lei. o ato que. como condição de aquisição de estabilidade. Poder Discricionário – É aquele em que a Administração dispõe de uma razoável liberdade de atuação. 3.3. deve prestar contas ao órgão competente para a fiscalização”. 2. minimamente.

3. 3. cabendo ao Executivo expedir regulamentos e decretos de caráter geral e de efeitos externos. nele não se exaure. Poder Hierárquico – Permite à Administração distribuir as funções de seus órgãos e agentes conforme o escalonamento hierárquico.6. . em benefício da coletividade. Poder Regulamentar . Poder de Polícia – É a faculdade de que dispõe a Administração Pública para condicionar e restringir o uso e gozo de bens. fiscalizar. Poder Disciplinar .6. rever. Do exercício do poder hierárquico. atividades e direitos individuais. decorrem as prerrogativas.5. É inerente ao Poder Executivo.3. Necessidade  o Poder de policia só deve ser adotado para evitar ameaças reais ou prováveis de pertubações ao interesse público. de dar ordens. Eficácia  a medida deve ser adequada para impedir o dano ao interesse público. do superior para o subordinado.É conferido à Administração para apurar infrações e aplicar penalidades funcionais a seus agentes e demais pessoas sujeitas à disciplina administrativa.(proibição do excesso) e proporcionalidade (proporção entre os meios e os fins almejados). 3. Proporcionalidade  é a exigência de uma relação entre a limitação ao direito individual e o prejuízo a ser evitado. 3.4. delegar e avocar (poder de o superior chamar para si a execução de atribuições delegadas a seus subordinados).Embora a atividade normativa caiba predominantemente ao Legislativo. Limitações Do Poder De Policia 3. como é o caso das que por ela são contratados.1.

3. das normas que cuidam de tal poder. na escolha dos meios adequados para exercer o poder de policia. Atributos Do Poder De Policia • Discricionariedade  Consiste na razoável liberdade de atuação.Devido Processo Legal – todos têm direito à ampla defesa. bem como.6. = é regida Administrativo pelo Direito Policia Judiciária = incide sobre as pessoas = destina-se à responsabilização penal . dentro dol limites impostos pela Lei. • Auto-Executoriedade  Possibilidade efetiva que a Administração tem de proceder ao exercício imediato de seus atos. 3. sem necessidade de recorrer.. quando houver resistência por parte do administrado. da Administração Pública. previamente. ao Poder Judiciário. Segmentos Policia Administrativa = incide sobre bens. • Coercibilidade  É a imposição imperativa do ato de policia a seu destinatário.2. direitos e atividades.3.6. admitindo-se até o emprego da força pública para seu normal cumprimento. na opção quanto ao conteúdo.

4. sem utilidade pública. embora dentro de sua competência. com liberdade de escolha de sua conveniência e oportunidade. afastada do interesse público. estipulando todos os requisitos e elementos necessários à sua validade. ABUSO DE PODER Ocorre quando a autoridade.  cabe ao Executivo expedir regulamentos e outros atos de caráter geral e de efeitos externos.2. Pode decorrer de duas causas: 4.Ação do agente público fora dos limites de sua competência. Excesso de Poder . embora competente para praticar o ato. sem amparo da lei. nulo. ultrapassa os limites de suas atribuições ou se desvia das finalidades administrativas. . Desvio de Poder – Ação do agente público. interesses ou liberdades Poder de Polícia individuais. 4. estabelecer a relação de subordinação entre seus agentes. devendo assim ser declarado pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário.1. É inerente ao Poder Executivo  distribuir e escalonar as funções dos órgãos públicos. regula a prática do ato ou abstenção de fato.  poder para a prática de determinado ato. O fim mediato almejado por todo ato administrativo é o interesse público e qualquer ato praticado pelo agente público com outra finalidade será nulo. É aplicado aos particulares. de forma desproporcional. . O emprego do poder público. invadindo a competência de outros agentes ou praticando atividades que a lei não lhe conferiu. em razão do interesse público.  poder para a prática de determinado ato. praticando atos por motivos ou com fins diversos daqueles estabelecidos na lei. evidentemente será ilícito.  apurar infrações e aplicar penalidades funcionais a seus agentes e demais pessoas sujeitas à disciplina administrativa Vinculado Discricionário Normativo Hierárquico Disciplinar  limita ou disciplina direitos.

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