Comparo relacionamentos (de que tipo for conjugal, familiar, profissional ou ami zade) com diamantes e laços de confiança.

Uns relacionamentos não chegam nem a ser identificados com o diamante por serem in icialmente brutos e parecerem, na primeira olhada, sem valor algum. Nestes não é pos sível fiar o laço, pois não há credito: nem as fitas chegam a serem escolhidas. Outros identificam a preciosidade da pedra, mas para sair do bruto e chegar no p recioso é necessário esforço e aí desistem. As fitas para o laço foram apenas idealizadas, muitas dúvidas surgem. Alguns encaram o esforço buscam o processo de lapidação e este se mostra doloroso: mud ar, ajustar, compreender, ceder, aprofundar doi. A superficialidade torna as pes soas reservadas e distantes como água e óleo, estão ali supostamente juntos, porém sem c ontato. E de novo a desistência. A escolha das fitas é feita sem certezas e o laço não c hega a ser pensado, falta conhecimento. Os que enfrentam o esforço, as dificuldades, os obstáculos, a superficialidade e ain da se deparam com a proximidade. O mesmo contato que serve como sinalizador de p ossíveis afinidades, que aproxima as pessoas, consequentemente as comprometem, que r seja na possibilidade em se mostrarem enquanto sujeitos falhos, quer seja pelo temor em ser afetado pelo outro, tocado em seus sentimentos, desvendado e desco berto em suas reais intenções ou pelo medo em ser decifrado. O comprometimento assus ta e de novo se desiste. Fitas escolhidas, mas o laço era apenas uma possibilidade, falta entrega. Há ainda os que apesar de tudo se comprometem, fazem escolhas, expõem suas opiniões, a ssumem riscos, saem do casulo, deixam serem tocados e se envolvem no tocar. Mas diante das suas expectativas não atendidas ou desistem ou se acomodam nos primeiro s esforços e com poucas lapidações aceitam serem apenas grafite, sem brilho, sem glamo ur, porém útil para escrever suas histórias. Fitas escolhidas e laços realizados, mas co m o tempo se transformam em nós ou são desfeitos, falta aceitação. Um ínfima parte das relações, nas quais há confiança, lealdade, verdade, honestidade, resp eito à individualidade,expectativas, anseios e desejos, comprometimento, sintonia, entrega, profundidade, proximidade, compreenção das fraquezas, maturidade emocional e apoio mútuo, estas sim se transformam em diamantes. São relações que sobrevivem às "lap idações" da vida, que não buscam esconder lodos ou pérolas que cada um guarda em seu in terior. Ao contrário, os participantes aceitam a oportunidade de se mostrar, de ab rir caminho para uma relação mais próxima e verdadeira reconhecendo fragilidades e tam bém cada esforço de crescimento. Nestas relações há espaço para o brilho, individual e do co njunto, para os valores e para o vínculo afetivo. Muito longe do amor romântico, imp ossível e fulminante, são relações fundamentadas em amores reais, que se deparam com cri ses, cotidiano, problemas, doenças, mudanças de planos, perdas e ganhos. As fitas são os braços que se multiplicam em cooperação e carinho e os laços são abraços e acolhimento, há entrega, aceitação, compreenção, abertura e conhecimento mútuos. Quero muito viver um relacionamento diamante e laços de muitos abraços, carinho, coo peração, entrega, ... e de confiança. Sei que não é fácil, exige muita "lapidação", mas estou disposta a isso ecom quem também est iver disposto. Tem uma frase que diz "a verdade de outra pessoa não está no que ela te revela, mas naquilo que não pode revelar-te. Portanto, se quiseres compreendê-la, não escute o que ela diz, mas antes, o que ela não diz" (Kahlil Gibran). As vezes não dizemos as coisas por medo da exposição, da proximidade e da intimidade q ue as palavras podem causar. E outras tantas por medo do afastamento, da reação que elas podem pedir. Hoje me livrei do medo para construir pontes e não mais medos, muros e distanciame ntos. O que escrevi aqui é um pouco de como penso, tudo negociável com boa argumentação, menos a confiança que não abro mão. Se não gostou fala, mas se gostou fala também.

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