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O Batalhão Sagrado de Tebas

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O Batalhão Sagrado de Tebas

O Batalhão Sagrado de Tebas foi uma tropa de soldados escolhida a dedo: cento e cinqüenta duplas de guerreiros, que formavam a elite do exército da cidade-estado de Tebas, no século 4º a.C. Duplas, não; casais. A característica que fazia desse batalhão o mais feroz de toda a Grécia era que cada soldado era amante de um companheiro – e, assim, acreditavam os tebanos, o exército lutaria com muito mais garra.

Banquetes e amantes A inspiração teria vindo do filósofo Platão. Segundo um de seus personagens no livro “O Banquete”, “um soldado preferiria morrer mil mortes do que ser visto por seu amante abandonando o posto ou se rendendo. E quem desertaria seu amado ou falharia em ir em seu socorro? ”. O batalhão era tido como “sagrado” porque, para Platão, um amante era “um amigo inspirado pelos Céus”. Em 378 a.C., o comandante Geórgidas resolveu apostar na idéia. Percorrendo as tropas do exército de Tebas, selecionou aqui e ali todos aqueles soldados reconhecidamente pederastas – e aqui cabe um parêntese. Estamos falando de Grécia Antiga, ou seja, a pederastia não só era aceita, mas incentivada. As famílias ficavam realmente entusiasmadas quando homens mais velhos e experientes se tornavam amantes de seus filhos. Era a garantia de que o jovem aprenderia, na prática, as “coisas da vida”. Muitos desses adolescentes amantes de soldados se tornavam soldados também. Fecha parêntese. O Batalhão Sagrado de Tebas logo se tornou a mais poderosa força de ataque do exército grego. Já em 375 a.C., os guerreiros-amantes derrotaram o temido exército de Esparta, que tinha três vezes mais soldados. Também tiveram participação decisiva na Batalha de Leuctra, em 371 a.C., considerada a mais importante já travada entre exércitos gregos.

Morte e reconhecimento

Eles foram invencíveis por 40 anos. Entretanto, em 338 a.C., a Grécia, dividida entre cidades-estados cujas nobrezas disputavam o poder entre si, já vinha perdendo terreno rapidamente para os macedônios, liderados pelo rei Felipe II. Naquele ano, na Batalha de Queronéia, as falanges gregas – uma coalizão formada pelos exércitos de Atenas e Tebas – não foram páreo para os soldados de Felipe e Alexandre, seu filho, que mais tarde se tornaria o famoso Alexandre, o Grande. Todos bateram em retirada, menos o Batalhão Sagrado. Reconhecendo o valor do batalhão, Felipe enviou Alexandre, de apenas 18 anos, para liderar pessoalmente o ataque final contra os tebanos, que se recusavam a se render. Os 300 não arredaram pé de onde estavam e lá caíram, dois a dois, pelas mãos do príncipe e de seus soldados. Quando Felipe II viu os corpos, uns sobre os outros, entendeu quem eles eram e ordenou que fosse morto “todo aquele que suspeitar que esses homens sofreram ou fizeram algo indevido”. Eles foram enterrados ali mesmo, e, em sua homenagem, os macedônios ergueram a estátua de um leão, que pode ser vista até hoje.

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