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ATERRAMENTO

Prof. Liur Jorge Cusinato
(2004)

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 1 2. TIPOS DE ATERRAMENTO..................................................................................................... 1 3. ELETRODOS DE ATERRAMENTO......................................................................................... 2 4. FATORES QUE INFLUENCIAM O VALOR DA RESISTÊNCIA DE UM ATERRAMENTO.... 2 4.1. RESISTIVIDADE DO SOLO NAS ADJACÊNCIAS ............................................ ............2 4.2. DIMENSÕES E FORMA DOS ELETRODOS ................................................................ 3 5. TÉCNICAS UTILIZADAS PARA REDUZIR A RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO ............. 5 5.1. AUMENTO DE ELETRODOS EM PARALELO.............................................................. 5 5.2. APROFUNDAMENTO DOS ELETRODOS.................................................................... 6 5.3. TRATAMENTO QUÍMICO DO SOLO............................................................................. 6 5.4. TRATAMENTO FÍSICO DO SOLO ................................................................................ 6 6. ESQUEMAS DE ATERRAMENTO........................................................................................... 6 6.1. INTRODUÇÃO................................................................................................................ 6 6.2. ESQUEMA TN ................................................................................................................ 7 6.3. ESQUEMA TT ................................................................................................................ 8 6.4. ESQUEMA IT.................................................................................................................. 9 6.5. CONSIDERAÇÕES SOBRE ESQUEMAS DE ATERRAMENTO .................................. 9 7. VALOR DA RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO DE ACORDO COM O RIC ..................... 10 8. DISTRIBUIÇÃO DE CORRENTES E POTENCIAIS NO SOLO ............................................ 10 9. MEDIÇÃO DE RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO ............................................................. 12 9.1. INTRODUÇÃO.............................................................................................................. 12 9.2. MÉTODO DA QUEDA DE POTENCIAL ...................................................................... 13 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................................... 14

ATERRAMENTO
Liur Jorge Cusinato* 1. Introdução Toda instalação elétrica de alta e baixa tensão, para funcionar com desempenho satisfatório e ser suficientemente segura contra risco de acidentes vitais, deve possuir um sistema de aterramento dimensionado adequadamente para as condições particulares de cada projeto. Um aterramento elétrico consiste na ligação proposital de um equipamento ou componente de um sistema elétrico à terra, isto é, com o solo que pode ser considerado como um condutor através do qual a corrente elétrica pode fluir, difundindo-se. Uma conexão à terra apresenta resistência, reatância capacitiva e reatância indutiva, cada qual influindo na capacidade de condução de corrente para a terra. A perspectiva na qual o sistema enxerga o aterramento pode ser expressa através de sua impedância. Portanto, impedância de aterramento pode ser conceituada como a oposição oferecida pelo solo a passagem ou injeção de uma corrente elétrica alternada no mesmo. Expressa quantitativamente por meio da relação entre a tensão aplicada ao aterramento e a corrente resultante. Na maioria das situações de projeto, o aterramento é dimensionado para freqüencia de 60 Hz. Nestas condições de baixa freqüência, a impedância aproxima-se de uma resistência. Os Objetivos principais de um aterramento são: • Segurança de atuação da proteção; • Proteção do indivíduo contra contatos em partes metálicas da instalação energizadas acidentalmente; • Proteção das instalações e equipamentos contra descargas atmosféricas; • Uniformização do potencial em toda a área do projeto, prevenindo contra tensões perigosas que possam surgir durante uma falta fase e terra. 2. Tipos de aterramento Nas instalações elétricas são considerados três tipos de aterramento: • Aterramento funcional, que consiste na ligação do condutor neutro à terra e está relacionado com o funcionamento correto, seguro e confiável da instalação e do sistema de alimentação da mesma; • Aterramento de proteção, que consiste na ligação à terra das massas e dos elementos condutores estranhos à instalação. Visando a proteção dos indivíduos contra choques elétricos por contato indireto; • Aterramento de trabalho, cujo objetivo é tornar possível, sem perigo, ações de manutenção sobre partes normalmente sob tensão, colocadas fora de serviço para esse fim. Trata-se de um aterramento de caráter provisório que é desfeito tão logo cessa o trabalho de manutenção.

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Mestre em Engenharia, Professor dos Cursos de Engenharia Elétrica, Arquitetura, Engenharia Mecânica, Engenharia Civil e Engenharia de Produção da UNISINOS.

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3. Eletrodos de aterramento Os eletrodos de aterramento podem ter configuração muito diversificada. Basicamente, o eletrodo de aterramento se constituí em elementos metálicos enterrados que podem dissipar correntes elétricas para o solo. Os principais tipos utilizados são: • • • • • Condutores nus; Hastes ou tubos; Ferragens de fundações; Barras ou placas metálicas; Outras estruturas metálicas apropriadas.

Os eletrodos embutidos nas fundações dos prédios devem preferencialmente ser constituídos e interligados por um anel no fundo da escavação, executado durante a construção das fundações. As ferragens de concreto armado devem ser interligadas ao anel, assegurando a eqüipotencialidade do conjunto. Os diversos tipos de eletrodos de aterramento devem ser instalados de modo a garantir a melhor ligação com a terra. Principais disposições dos eletrodos: • • • • • • • Uma simples haste; Hastes interligadas e alinhadas; Hastes interligadas em cruz; Hastes interligadas formando um triângulo; Hastes interligadas formando um quadrado ou retângulo; Hastes interligadas formando um círculo; Malha.

A chamada “malha de terra” é constituída pela combinação de diversas hastes e condutores. Normalmente, apresentam a forma de um quadrado ou de um retângulo. As malhas são usadas principalmente quando a maior preocupação é o controle do gradiente de potencial na superfície do solo. Assim, são superados os problemas das tensões de passo e contato, muito perigosos nos casos de cabines de distribuição de média e alta tensão. É importante observar que as canalizações metálicas de fornecimento de água e outros serviços não devem ser utilizadas como eletrodos de aterramento, tendo em vista o uso muito difundido de componentes isolantes em tais canalizações. 4. Fatores que influenciam o valor da resistência de um aterramento Muitos fatores influenciam o valor da resistência de um aterramento. De uma forma geral pode-se resumir todos os fatores em dois grupos: 4.1. Resistividade do solo nas adjacências dos eletrodos Pode-se definir a resistividade do solo como a resistência elétrica medida entre duas faces opostas de um cubo de dimensões unitárias, preenchido com o referido solo. Sua unidade é o “Ω.m”. A seguir são indicados os principais parâmetros que influenciam no valor da resistividade do solo: a) Tipo de solo - O solo é um elemento totalmente heterogêneo, de modo que o seu valor de resistividade varia de uma direção a outra, conforme o material de que é composto, segundo a profundidade de suas camadas e idade de sua formação geológica. Contudo, é possível caracterizar faixas de valores típicos para os diferentes tipos de solos, nas suas normais condições de umidade, conforme mostra a tabela 1.

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Tipo de solo Solos alagadiços/pantanoso Lodo Húmus Areia argilosa Solo pedregoso Granito

Resistividade (Ω.m) 5 a 30 20 a 100 10 a 150 50 a 3000 1500 a 3000 100 a 10000

Tabela 1. Valores típicos de resistividade. b) Teor de umidade do solo - A resistividade de um tipo de solo qualquer é diminuída com o aumento da água nele retida. Na realidade, a água é o principal elemento de condução de corrente no solo. Por sua vez, esta quantidade de água é variável em função de uma série de fatores, tais como: estações do ano, temperatura, tipo de solo, existência de lençóis subterrâneos, dentre outros. c) Temperatura do solo - Para qualquer tipo de solo, mantendo-se todas as demais características, diminuindo-se a temperatura do mesmo a resistividade aumenta, ou seja, a resistividade do solo é inversamente proporcional a sua temperatura. Isto se deve ao fato de que a água contida no solo possui coeficiente de temperatura negativo. e) Compacidade do solo - A resistividade de um solo depende de sua compacidade, ou seja, um solo mais compacto apresenta uma maior continuidade física, o que ocasiona um menor valor de resistividade. d) Concentração e tipos de sais e ácidos dissolvidos na água - A resistividade do solo depende da qualidade e quantidade de água retido neste. Com isto, conclui-se que a resistividade do solo é influenciada pela quantidade e pelos tipos de sais e ácidos dissolvidos na água retido no mesmo. f) Granulometria do solo - A granulometria exerce uma reconhecida importância no estabelecimento da resistividade do solo. A presença de grãos de diferentes tamanhos influi na continuidade física do solo e ocasiona uma influência na capacidade de retenção de água nas camadas do solo. A presença de grãos de tamanhos variados tende a diminuir a resistividade, pois os grãos menores preenchem os vazios existentes entre os grãos maiores, provocando uma maior continuidade do solo e maior capacidade de retenção da sua umidade. g) Estratificação do solo - Os solos na sua grande maioria não são homogêneos. Na realidade, a composição do solo é geralmente estratificada em várias camadas superpostas de formações diferentes. Essas camadas, devido à formação geológica, são em geral horizontais e paralelas à superfície do solo. Como resultado da variação das camadas do solo, tem-se à variação da resistividade e consequentemente a variação da dispersão da corrente. 4.2 Dimensões e forma dos eletrodos O comprimento e o diâmetro de uma haste de aterramento, indicado na figura 1, exercem influência no valor da resistência de terra, conforme considerações a seguir: a) Aumento do comprimento da haste - Quanto maior o comprimento da haste menor a resistência de aterramento. Com efeito, é fácil verificar que, aumentando-se o comprimento as superfícies de passagem de corrente são maiores e a resistência diminui. Observa-se também, que ao aumentarmos o comprimento de uma haste efetivamente

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cravada no solo, atingiremos camadas mais profundas do solo, que normalmente apresentam resistividade menor que as camadas superficiais, isto ocorre devido à maior porcentagem de umidade nas camadas mais profundas. No entanto, não é prático colocar hastes muito longas, que não são tão simples de enterrar no solo. As mais usadas são de 2; 2,4 e 3 m.

Figura 1. Eletrodo constituído por uma haste enterrada com sua extremidade superior na superfície do terreno. A zona de dispersão de uma haste pode ser considerada como possuindo um raio que varia de 18 a 25 m. Ela cresce com o comprimento da haste, mas não em proporção direta, como mostra a Figura 2.

Figura 2. Zona de dispersão de uma haste de 3 e 6 metros. b) Aumento do diâmetro da haste - Aumentando-se o diâmetro de uma haste tem-se uma pequena redução na resistência de aterramento. Esta redução apresenta uma saturação ao aumentar-se em demasia o diâmetro da haste. Convém destacar que um aumento grande do diâmetro da haste, sob o ponto de vista de custo-benefício, não seria vantajoso. Na prática, o diâmetro que se utiliza para hastes, é aquele compatível com a resistência mecânica necessária para o cravamento no solo.

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5. Técnicas utilizadas para reduzir a resistência de aterramento Nem sempre, a instalação de um aterramento oferece o valor desejado. Nestes casos utilizam-se normalmente algumas técnicas capazes de melhorar o valor da resistência de terra. Será vista a seguir, a influência de alguns parâmetros, gerando assim, alternativas para reduzir a resistência do aterramento. 5.1. Aumento de eletrodos em paralelo A ligação de hastes em paralelo pode reduzir a resistência de aterramento. Nesse caso, se quisermos desfrutar plenamente a possibilidade de dispersão de uma haste é necessário cravá-la fora da zona de dispersão da outra, isto é, na região de potencial nulo. Essa distância deve ser teoricamente na faixa de 36 a 50 m; na prática, no entanto, podem ser consideradas ótimas distâncias entre 18 a 25 m. Para distâncias inferiores, a eficiência das hastes é bastante reduzida. Assim, por exemplo, duas hastes que isoladamente dariam resistências de aterramento de 10 ohms, se colocadas em paralelo a uma distância superior a 18 m darão uma resistência total de cerca de 5 ohms; se a distância for cerca de 8 m a resistência total será em torno de 7 ohms. Se as hastes forem cravadas muito próximas umas das outras ( de 1 a 2 m) não se obterá na prática nenhum efeito apreciável na resistência total do conjunto. O número de hastes ligadas em paralelo só influirá positivamente no valor da resistência de aterramento total, se as distâncias entre elas forem suficientes. Podemos definir eletrodos de aterramento eletricamente independentes como sendo eletrodos localizados a distâncias entre si tais que, quando um deles é percorrido pela corrente máxima para ele prevista, a variação do potencial nos demais eletrodos não ultrapassa um valor especificado (geralmente, adota-se o valor de 50 V). Na prática podemos dizer que, para dois eletrodos de aterramento sejam considerados independentes, não basta (como muitos supõem) que não possuam elementos (hastes, cabos etc.) comuns. De fato dois eletrodos próximos podem influenciar-se eletricamente, isto é, podemos encontrar em um deles uma tensão determinada pela passagem de corrente no outro. No exemplo da figura 3, o eletrodo “A” dispersa a corrente I e assume uma tensão de 300 V, e o eletrodo “B”, um pouco distante, assume nessa situação uma tensão de 70 V; “A” e “B” não são eletricamente independentes. No eletrodo “B”, situado na área de influência do eletrodo “A”, estabelece-se uma tensão devida à corrente que se dispersa por “A”.

Figura 3. Área de influência entre dois eletrodos.

Apenas eletrodos suficientemente afastados podem ser considerados independentes. Via de regra, considera-se a distância de cinco vezes a maior das dimensões do maior dos eletrodos como suficiente para garantir a independência.

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5.2. Aprofundamento dos eletrodos Muito influente na resistência de aterramento é a profundidade do eletrodo. De fato, observa-se facilmente que se o eletrodo for enterrado a uma grande profundidade a resistência diminuirá. Neste caso, vários fatores ajudam a melhorar a qualidade do aterramento. Estes fatores são: • • • • Camadas mais profundas apresentam resistividades menores; Temperatura do solo estável ao longo do tempo; Umidade do solo estável ao longo do tempo; Volume do solo maior para dispersão da corrente;

• Produção de gradientes de potencial menores na superfície, tornando os potenciais de passo desprezíveis. Observa-se que, a partir de um certo ponto, a resistência de um aterramento diminui pouco para grandes acréscimos da profundidade. 5.3. Tratamento químico do solo Um sistema de aterramento depende diretamente da sua integração com o solo. O tratamento químico do solo visa a diminuição de sua resistividade e, consequentemente, a diminuição da resistência de terra. É comum o emprego de alguns produtos químicos industrializados no tratamento do solo. Se o sistema de aterramento de uma instalação já esta definido e instalado, mas apresenta uma resistência fora do desejado e não pretende-se altera-lo, a única alternativa para melhorar a qualidade do aterramento é a realização de um tratamento químico do solo. O tratamento químico do solo somente deve ser empregado nos casos em que não existe outra alternativa possível, por impossibilidade de trocar o local do sistema de aterramento. 5.4. Tratamento físico do solo Os materiais mais utilizados são o carvão e sucatas metálicas, que devem ser colocados de maneira a envolver o eletrodo, proporcionando uma ampliação de sua área de contato com a terra adjacente. 6. Esquemas de Aterramento 6.1. Introdução De acordo com a NB-3, as instalações de baixa tensão devem obedecer, no que concerne aos aterramentos funcional e de proteção, a três esquemas de aterramento básicos (TN, TT e IT). Tais esquemas são classificados em função do aterramento da fonte de alimentação da instalação e das massas (carcaças) dos equipamentos, sendo designados por uma simbologia que utiliza duas letras fundamentais: • 1ª letra - Especifica a situação da alimentação em relação à terra, podendo ser: T - A alimentação (lado da fonte) tem um ponto diretamente aterrado; I - Isolação de todas as partes vivas da fonte de alimentação em relação à terra ou aterramento de um ponto através de uma impedância elevada. • 2ª letra - Especifica a situação das massas dos equipamentos em relação à terra, podendo ser: T - Massas aterradas com terra próprio, isto é, independente da fonte;

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N - Massas ligadas diretamente ao ponto da alimentação aterrado, geralmente o neutro. • Outras letras eventuais : S - Funções de neutro (N) e de proteção (PE) asseguradas por condutores distintos; C - Funções de neutro e de proteção combinadas em um único condutor (PEN). São considerados pela norma os esquemas TN, TT e IT, demonstrados nos itens a seguir: 6.2. Esquema TN Esquema no qual toda a corrente de falta direta “fase-massa” é uma corrente de curto-circuito. Os esquemas TN possuem um ponto da alimentação diretamente aterrado, sendo as massas ligadas a esse ponto através de condutores de proteção. São considerados três tipos de esquemas TN, de acordo com a disposição do condutor neutro e do condutor de proteção, a saber: • • • Esquema TN-S, no qual o condutor neutro e o condutor de proteção são distintos, conforme mostra a figura 4; Esquema TN-C-S, no qual as funções de neutro e de proteção são combinadas em um único condutor em uma parte da instalação, de acordo com a figura 5; Esquema TN-C, no qual as funções de neutro e de proteção são combinadas em um único condutor ao longo de toda a instalação (figura 6). A confiabilidade do esquema TN, particularmente quando a proteção contra contatos indiretos for realizada por dispositivos à sobrecorrente, fica condicionada à integridade do neutro, o que, no caso de instalações alimentadas por rede pública de baixa tensão, dependerá das características do sistema da concessionária.

Nota:

Figura 4. Esquema TN-S

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Figura 5. Esquema TN-C-S

Figura 6. Esquema TN-C. 6.3. Esquema TT O esquema TT possui um ponto da alimentação diretamente aterrado, estando as massas dos equipamentos da instalação ligadas a eletrodos de aterramento eletricamente distintos do eletrodo de aterramento da alimentação, conforme mostra a figura 7. Esquema no qual as correntes de falta direta “fase-massa” são inferiores a uma corrente de curto-circuito, podendo, todavia ser suficientes para provocar o surgimento de tensões perigosas.

Figura 7. Esquema TT

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6.4. Esquema IT O esquema IT possui um ponto da fonte de alimentação aterrado através de uma impedância elevada ou, em alguns casos, com isolação de todas as partes vivas da fonte em relação à terra. As massas dos equipamentos são aterradas com terra próprio, conforme ilustra a figura 8. No esquema IT a corrente resultante de uma única falta “fase-massa” não possui intensidade suficiente para provocar o surgimento de tensões perigosas.

Figura 8. Esquema IT 6.5. Considerações sobre esquemas de aterramento. No esquema TN-C considerado o TN original, há economia de um condutor. O condutor denominado PEN antes de mais nada é um condutor de proteção, no caso de rompimento do condutor PEN, há uma problema muito sério de segurança, pois neste caso, a massa fica num potencial igual ao do condutor fase. A NBR-5410 só admite o uso deste sistema em instalações fixas com condutores de até 10mm² em Cu e 16mm² em Al, e em instalações que não utilizam cabo flexível. No esquema TN-C não se admite o uso de dispositivos DR. No esquema TN-S não existem restrições, pode ser utilizado em instalações não fixas ou fixas, com condutores de todas seções e admite o uso dos dispositivos DR. Neste esquema não existe a economia de um condutor. Nos esquemas TN-S e TN-C as massas estão sujeitas as possíveis sobretensões do neutro do sistema de alimentação. No caso de sobretensão no esquema TN-C a tensão nas massas será maior que no esquema TN-S. Considerando que no esquema TN-S o percurso para a sobretensão atingir as massas é mais longo, com isto a queda da sobretensão nos condutores do trecho é maior. Em instalações alimentadas por rede pública em baixa tensão, devido à exigência de aterramento do neutro na origem da instalação (medidor), só podem ser usados os esquemas TN e TT. Em instalações alimentadas por transformador (ou gerador) próprio, em princípio, qualquer esquema pode ser utilizado, entretanto, dá-se preferência ao TN ( caso típico de instalações industriais e de certos prédios comerciais ou institucionais de porte) e, em alguns casos específicos ao esquema IT (como em certos setores de indústrias, de hospitais e instalações de mineração).

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7. Valor da resistência de aterramento de acordo com o RIC O condutor de aterramento deve ser de cobre, com isolamento para as tensões de 450/750V e atender as exigências da NBR 6148, tão curto e retilíneo o quanto possível, sem emendas, ou dispositivos que possam causar sua interrupção. O valor da resistência de aterramento não deve ser superior a 25 ohm. Em qualquer época do ano. No caso de não ser atingido esse limite com uma única haste, devem ser usadas tantas quantas forem necessárias, distanciadas entre si de dois metros, no mínimo, e interligadas através de condutor do mesmo tipo e seção do condutor de aterramento. A haste de aterramento pode ser do tipo cantoneira de aço zincada, haste de cobre, aço zincado ou aço revestido de cobre, de comprimento igual a 2 ou 2,4 metros. Não é permitido o uso de canalização de água, gás, etc., para aterrar o condutor neutro Nota: O ponto de conexão do condutor de aterramento ao eletrodo deve ser acessível por ocasião da vistoria da entrada de serviço. 8. Distribuição de correntes e potenciais no solo Os percursos das correntes no solo apresentam uma geometria complexa, por este motivo, ao analisar a terra como um condutor de corrente, não se consegue a mesma simplicidade de cálculo utilizada nos condutores elétricos metálicos lineares. A corrente elétrica ao ser injetada no solo tende a dispersar-se em todas as direções, espalhando-se radialmente. A figura 9 dá uma idéia da maneira como a corrente circula entre dois eletrodos colocados no solo.

Figura 9. Distribuição de corrente no solo.

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Para obtenção do gráfico da variação das tensões geradas no solo, em função da passagem de uma corrente entre dois eletrodos “A” e “B”, pode ser implementado o experimento indicado na figura 10.

Figura 10. Experimento para levantamento do perfil de potencial Entre os dois eletrodos é estabelecida uma tensão alternada, originando assim uma corrente entre os mesmos. Através do deslocamento da haste “h” ao longo do segmento de reta entre as hastes “A” e “B”, é possível traçar a curva dos potenciais medidos para as diferentes distâncias “x”, conforme mostra a figura 11.

Figura 11. Perfil de potencial na superfície do solo.

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Supondo diversas cascas ou fatias de solo entre a haste “A” e o ponto “x1”, a variação da curva na parte inicial é mais acentuada, pois a maior parte da resistência de aterramento localiza-se nas fatias mais próximas da haste “A”. A medida que se afasta desta haste, a área de condução de corrente vai se ampliando e a resistência da fatia do solo correspondente vai diminuindo cada vez mais. Para as distâncias entre os pontos “x1“e “x2“ a resistência torna-se desprezível. A região entre os pontos “x1“ e “x2“, onde o potencial é zero, é conhecida como patamar de potencial onde localiza-se o “terra remoto”. Entre os pontos “x2“ e “B” a curva apresenta um perfil semelhante ao trecho compreendido entre “A” e “x1”. Nota-se nesta curva uma separação bem definida entre as quedas de tensões no aterramento “A” e “B”, constituída pelo patamar de potencial. Este patamar, necessário para a correta medição da resistência de aterramento, ocorre somente quando os eletrodos “A” e “B”, estiverem suficientemente afastados entre si. A figura 12 mostra a curva dos potenciais entre dois eletrodos com afastamento insuficiente para a formação do terra remoto.

Figura 12. Curva dos potenciais entre 2 eletrodos com afastamento insuficiente.

9. Medição de resistência de aterramento 9.1. Introdução O valor da resistência de aterramento pode ser determinada por meio da razão entre o potencial do sistema de aterramento em relação ao terra remoto e a corrente que se faz fluir entre o aterramento e o terra remoto. Na medição de resistência de terra deve ser empregada corrente alternada, afim de evitar a interferência dos efeitos galvânicos muitas vezes presentes no solo. A corrente alternada adotada deve ter freqüência diferente de 60 Hz e seus múltiplos. Este cuidado é para eliminar a possibilidade de interferência das correntes parasitas de 60Hz, normalmente presentes na crosta terrestre. Durante a medição da resistência de terra de um sistema, recomenda-se que o mesmo esteja desenergizado por razões de segurança. Ainda nesta condição, são necessários cuidados, pois o operador que realiza a medição pode estar em contato com os condutores ou hastes de prova do sistema de medição. Evitar medição sob condições atmosféricas adversas, isto decorre da possibilidade de ocorrência de descargas atmosféricas. Utilizar calçados e luvas com isolação. As medição não deve ser realizada logo após uma chuva, pois o solo úmido apresenta um valor de resistência baixo. Recomenda-se a realização da medição quando o

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solo encontrar-se seco, pois neste caso o valor da resistência de aterramento terá possivelmente seu valor crítico. Evitar medição junto a elementos metálicos enterrados, pois os mesmos podem estabelecer falsos patamares que não correspondem ao verdadeiro terra remoto. Para uma maior precisão da medição de um sistema de aterramento, é necessário estabelecer a média das medidas realizadas em diferentes direções. Para cada direção considerada é importante que as hastes estejam alinhadas. Na impossibilidade de realizar a medição em diversas direções, deve-se pelo menos efetuar a medição na direção compreendida entre o ponto de aterramento e o aterramento da fonte de alimentação (transformador). É importante registrar as condições da realização da medições, tais como: umidade do ar, temperatura ambiente, profundidade dos eletrodos de prova, distâncias e direções das medições, dimensões dos eletrodos e forma do sistema de aterramento. 9.2. Método da queda de potencial ( 3 terminais) É o método mais conhecido na prática, sendo que o instrumento de medida mais utilizado é o terrômetro. Tornou-se hábito designar todos os aparelhos de medição de resistência de terra pelo nome do conhecido aparelho Megger. Este nome é na verdade marca registrada de um fabricante de aparelhos de medição. Nas medição de resistência de terra por este método, o terrômetro injeta uma corrente alternada, conforme mostra a figura 13. O eletrodo de potencial conectado em “P2“ é deslocado em uma série de pontos dispostos na superfície do solo, ao longo da reta que une a malha de aterramento e o eletrodo de injeção de corrente “C2”. Os afastamentos “x” devem ser crescentes em relação à malha (aproximadamente de 2 em 2 metros), objetivando o levantamento da curva de potenciais e a detecção do terra remoto (patamar de potencial zero) devido a corrente de teste. Na aplicação deste método, o eletrodo de prova de injeção de corrente “C2“ deve ser colocado em relação ao centro elétrico da malha a uma distância de aproximadamente 60 metros para pequenos aterramentos e a 100 metros no caso de malhas. O eletrodo de prova de potencial “P2“ deve ser deslocado em relação ao aterramento sob medição, até a estabilização dos valores de resistência medidos, o que significa que o terra remoto foi atingido. A figura 13 mostra as curvas típicas de medição de resistência de aterramento pelo método da queda de potencial, em função do arranjo dos eletrodos de corrente e de potencial.

Figura 13. Montagem para implementação da medição de resistência de terra com utilização de um terrômetro.

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A curva “A” corresponde a uma medição na qual a malha e o eletrodo de injeção de corrente estão suficientemente afastados para assegurar a formação de um patamar, que corresponde ao valor da resistência de aterramento. A curva “B” representa um resultado típico de medição efetuada com espaçamento insuficiente entre malha e eletrodo de corrente, em que a não formação de um patamar impossibilita a identificação do valor da resistência de aterramento. Neste caso, é possível o deslocamento do eletrodo de prova de potencial em sentido contrário ao do circuito de corrente, o que permite a formação de um patamar, conforme ilustra a curva “C”. É muito comum, nas instalações prediais, a existência de elementos metálicos enterrados próximos a malha sob medição, tais como: tubulações metálicas, ferragens de fundações e outros aterramentos próximos. Estes elementos, apesar de não estarem interligados à malha, alteram a distribuição das eqüipotenciais ao seu redor, o que pode resultar na formação de patamares que não correspondem ao valor da resistência de aterramento da malha. Este tipo de patamar é formado devido ao deslocamento do eletrodo de prova de potencial ao longo de uma eqüipotencial formada pelo elemento metálico enterrado. Desta forma, para a escolha da direção de deslocamento do eletrodo de potencial, é importante a obtenção de informações relativas ao posicionamento dos principais elementos metálicos enterrados próximos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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