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O Yoga de Sri Aurobindo - Partes V a VII

O Yoga de Sri Aurobindo - Partes V a VII

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Os ensaios contidos neste livro compreendem partes V a VII, do Volume 3, das Obras Reunidas de Nolini Kanta Gupta, intitulada "The Yoga of Sri Aurobindo". Foram baseados nas palestras dadas pel’A Mãe, em francês, a seus discípulos do Ashram de Sri Aurobindo. Tra-duzidos livremente em inglês pelo autor, quase todas conservaram a
forma direta das narrativas na primeira pessoa, como era no original.
Este texto pode ser "baixado" e impresso para uso pessoal ou em grupos de estudo. Ele foi formatado para melhorar a impressão em frente e verso para economizar papel. Pode ser feito em copiadoras. Quem quiser, pode também imprimir pequenas quantidades e colocá-las em lugares onde possa haver leitores interessados (restaurantes vegetarianos, estúdios de Yoga etc.), onde seriam repassados pelo preço de custo. Só não vale imprimir e vender com o intuito de obter lucro.
Os ensaios contidos neste livro compreendem partes V a VII, do Volume 3, das Obras Reunidas de Nolini Kanta Gupta, intitulada "The Yoga of Sri Aurobindo". Foram baseados nas palestras dadas pel’A Mãe, em francês, a seus discípulos do Ashram de Sri Aurobindo. Tra-duzidos livremente em inglês pelo autor, quase todas conservaram a
forma direta das narrativas na primeira pessoa, como era no original.
Este texto pode ser "baixado" e impresso para uso pessoal ou em grupos de estudo. Ele foi formatado para melhorar a impressão em frente e verso para economizar papel. Pode ser feito em copiadoras. Quem quiser, pode também imprimir pequenas quantidades e colocá-las em lugares onde possa haver leitores interessados (restaurantes vegetarianos, estúdios de Yoga etc.), onde seriam repassados pelo preço de custo. Só não vale imprimir e vender com o intuito de obter lucro.

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08/03/2013

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A caridade, como é geralmente entendida, consiste em prestar auxílio mate-
rial aos semelhantes, dar esmolas aos pobres, remédios aos doentes, dinheiro
ou bens materiais àqueles que necessitam deles e também trabalho físico onde
for exigido. Tudo isto é bom e bem. O mundo está repleto de doenças e priva-
ções e calamidades. E se algo for feito que possa aliviá-lo, está tudo certo, e ati-
vidades nessa direção merecem total encorajamento. Mas isto não leva muito
longe, não toca a raiz do problema. Essa é a maneira humana de lidar com as
coisas e portanto, muito limitada em seu campo de ação e eficiência. Há uma
forma mais elevada e mais divina — o caminho do espírito — para a cura dos
males terrenos, cura e não meramente alívio. Esta era a inspiração secreta por
trás da mensagem de Cristo e de Buda.

Não é verdade que, quando nossas necessidades são resolvidas, ficamos ou
continuamos sempre felizes; nem todos os pobres são infelizes, nem são os ricos
invariavelmente felizes. Felicidade é uma qualidade que depende de algo mais e
vem de algum outro lugar: não é diretamente proporcional ao bem-estar mate-
rial. Também a infelicidade é uma entidade psicológica, e consiste de uma vibra-
ção especial da mente e da vitalidade — e consequentemente do ser físico —
devido a uma deformação da própria consciência, no âmago da personalidade
interior. As condições materiais servem apenas para manifestá-la, mantê-la ou
agravá-la, mas não a criam na verdade, são criadas por ela. É por isso que os
curadores espirituais sempre se referem à bem-aventurança do espírito como
único remédio para os males físicos, até para a doença, a miséria e a morte. E os
infelizes mortais são sempre chamados para voltar-se apenas para o Divino em
suas aflições — bhajasva mam.

A verdadeira caridade consiste em colocar o bálsamo curador sobre a chaga
que está escondida por trás de todas as misérias externas, que derivam daquela
fonte e sustentáculo. E ela é posse exclusiva apenas daquele que encontrou a
bem-aventurança do espírito, e vive sempre nela. Uma pessoa assim não requer
acessórios externos para seu trabalho de cura e conforto. Ele não precisa fazer
nada, aparentemente, pode mesmo parecer distante e indiferente. Mas sua
própria presença é um poder curador; o paciente sente-a e surpreende-se com a

VERDADEIRA CARIDADE

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calma e a felicidade que lhe vem como se fosse do nada. Muitos médicos têm
esta espécie de poder curador; na verdade, sem isso, um simples médico, com
sua farmacopeia, não é um médico. Pode não ser bem conhecido nem reconhe-
cido, mas é um fato que uma boa parte da eficácia dos remédios está na
influência sutil, na saúde vital que o médico adiciona a seu remédio ou mesmo
diretamente ao corpo do paciente. E no caso de um Bhishak (médico) espiritual,
o poder pode ser aumentado ao grau infinito. O curador não precisa nem mes-
mo estar presente fisicamente, perto do paciente, porque sua influência pode
muito bem agir à distância. É bastante natural e compreensível que seja assim.
O poder curador está na consciência espiritual, na felicidade inalienável do pró-
prio status no Espírito. Ele se torna identificado com todo objeto, pessoa ou coi-
sa, dentro de seu próprio eu, no verdadeiro ser e substância; e a luz e a felicida-
de que ele possui transferem-se num fluxo espontâneo para outros que não são
realmente outros, mas partes e porções integrais do mesmo eu.

Esta condição é alcançada, completa e soberanamente, quando há ausência
absoluta de ego, quando não há consciência de uma pessoa separada, a dual
consciência do que ajuda e do ajudado, o reformador e o reformado, o médico e
o paciente. O senso humano normal dos valores é baseado nessa divisão, no
egoísmo, mamatvam. Um filantropo ajuda outros através de um sentido de
simpatia, dando margem a um sentimento de dever e obrigação. Este sentimen-
to de piedade, de comiseração, é perigoso pois o coloca numa disposição de
mente que tende fazê-lo olhar de cima, a assumir um ar de superioridade em
relação a seu objeto de piedade. Você torna-se autoconsciente, com a consciên-
cia de seu eu inferior, pensando estar ajudando os outros, estar fazendo bem ao
mundo, fazendo algo que aumenta seu valor; este sentido de mérito pessoal é
apenas um outro nome para vaidade. Vaidade e ambição são os poderes que
motivam e que estão por trás do espírito filantrópico nascido da simpatia. Para
indicar uma nuance de sentido diferente daquele que é usualmente expresso
pela palavra "simpatia", a psicologia moderna achou uma outra palavra —
"empatia". Pode-se dizer que simpatia seja a relação ou contato entre dois egos;
é um vínculo ou ponte entre duas entidades separadas e independentes. Empa-
tia, por outro lado, significa penetrar no próprio ser e consciência do outro, tor-
nando-se aquele outro; é identificação e identidade e somente a consciência
espiritual pode fazê-lo. Simpatia leva à filantropia, empatia é a origem da verda-
deira caridade, a compaixão espiritual de um Buda ou de um Cristo. Filantropia é
humana, caridade (caritas) é divina.

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PARTE V

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