Os PRÉSOCRÁTICOS
FRAGMENTOS, DOXOGRAFIA E COMENTÁRIOS
Seleção de textos e supervisão: Prof. José Cavalcante de Souza Dados biográficos: Remberto Francisco Kuhnen Traduções: José Cavalcante de Souza, Arma Lia Amaral de Almeida Prado, Ísis Lana Borges, Maria Conceição Martins Cavalcante, Remberto Francisco Kuhnen, Rubens Rodrigues Torres Filho, Carlos Ribeiro de Moura, Ernildo Stein, Arnildo Devegili, Paulo Frederico Flor, Wilson Regis

Os PRÉ-SOCRÁTICOS VIDA E OBRA
Consultoria: José Américo Motta Pessanha

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Fundador VICTOR CIVITA (1907 - 1990)

Editora Nova Cultural Ltda., uma divisão do Círculo do Livro Ltda. Copyright © desta edição, Editora Nova Cultural Ltda., São Paulo, 1996 Alameda Ministro Rocha Azevedo, 346 - 2° andar -CEP 01410-901 - São Paulo, SP. Texto publicado sob licença de The Macmillan Press Limited, Londres (Filosofia Grega, cap. IV, "Leucipo") Direitos exclusivos sobre todas as traduções deste volume, Editora Nova Cultural Ltda., São Paulo. Direitos exclusivos sobre Os Pré-Socráticos - Vida e Obra, Editora Nova Cultural Ltda., São Paulo. ISBN 85-351-0694-4

I. Do MITO À FILOSOFIA

QUE

TERÁ LEVADO

o homem, a partir de determinado momento de sua

história, a fazer ciência teórica e filosofia? Por que surge no Ocidente, mais precisamente na Grécia do século VI a.C., uma nova mentalidade, que passa a substituir as antigas construções mitológicas pela aventura intelectual, expressa através de investigações científicas e especulações filosóficas? Durante muito tempo o problema do começo histórico da filosofia e da ciência foi colocado em termos de relação Oriente - Grécia. Desde a própria Antigüidade confrontaram-se duas linhas de interpretação: a dos "orientalistas", que reivindicavam para as antigas civilizações orientais a criação de uma sabedoria que os gregos teriam depois apenas herdado e desenvolvido; e a dos "ocidentalistas", que viam na Grécia o berço da filosofia e da ciência teórica. Interessante é observar que os próprios gregos dos séculos V e IV a.C., como Platão e Heródoto, estavam ciosos da originalidade de sua civilização no campo científico-filosófico, embora reconhecessem que noutros setores,

particularmente na arte e na religião, os helenos tivessem assimilado elementos orientais. Nos gregos do período alexandrino ou helenístico, porém, desaparece essa pretensão de absoluta originalidade: a perda da liberdade política e a inclusão da Grécia nos amplos impérios macedônio e romano alteram a visão que os próprios gregos têm de sua cultura. Já não se sentem — como pretendia Aristóteles — dotados de uma "essência" própria e completamente diferente da dos "bárbaros" orientais. Assim é que Diógenes Laércio, em sua Vida dos

Filósofos, já se refere à fabulosa antigüidade da filosofia entre persas e egípcios. Foi, porém, entre os neoplatônicos, os neopitagóricos, com Filo, o Judeu, e com os primeiros escritores cristãos que surgiu, mais definida, a tese da filiação do pensamento grego ao oriental. Em nome de afirmações nacionais ou doutrinárias, passou-se a atribuir ao Oriente a condição de fonte originária da tradição filosófica, que os gregos teriam apenas continuado e expandido. Ainda no século XIX os historiadores se dividem a respeito do começo histórico da filosofia e da ciência teórica. Ao orientalismo de Roth e de Gladisch opõe-se, por exemplo, o ocidentalismo de Zeller ou de Theodor Hopfener. As disputas continuariam indefinidamente em termos da relação "empréstimo" ou "herança" entre Oriente e Grécia, examinada freqüentemente com bases apenas conjeturais, se dois fatores não viessem, a partir do final do século XIX, deslocar o eixo da questão: a expansão das pesquisas arqueológicas e o interesse pela natureza da chamada mentalidade primitiva ou arcaica. A arqueologia veio substituir muitas das elucubrações por indicações bem mais seguras e convincentes, demolindo preconceitos e, às vezes, propondo hipóteses novas de trabalho. O interesse pela mentalidade arcaica veio, por sua vez, mostrar que o principal aspecto da questão da origem histórica da filosofia reside na compreensão de como se processa a passagem entre a mentalidade mito-poética ("fazedora de mitos") e a mentalidade teorizante. Embora a questão do início histórico da filosofia e da ciência teórica ainda contenha pontos controversos e continue um "problema aberto" — na dependência inclusive de novas descobertas arqueológicas —> a grande maioria dos historiadores tende hoje a admitir que somente com os gregos começa a audácia e a aventura expressas numa teoria. Às conquistas esparsas e assistemáticas da ciência empírica e pragmática dos orientais, os gregos do século VI a.C. contrapõem a busca de uma unidade de compreensão racional, que organiza, integra e dinamiza os conhecimentos. Essa mentalidade, porém, resulta de longo processo de racionalização da cultura, acelerado a partir da

demolição da antiga civilização micênica. A partir daí, a convergência de vários fatores — econômicos, sociais, políticos, geográficos — permite a eclosão do "milagre grego", que teve na ciência teórica e na filosofia sua mais grandiosa e impressionante manifestação.

O NASCIMENTO DA EPOPÉIA
A chegada dos dórios, no século XII a.C, às circunvizinhanças do mar Egeu constitui momento decisivo na formação do povo e da cultura grega. Na península e nas ilhas — cenário natural da Grécia em gestação — está então instalada a civilização micênica ou aqueana, que se desenvolvera em estreita ligação com a civilização cretense e em contato com povos orientais. A sociedade micênica apresenta-se composta por grande número de famílias principescas, que reinam sobre pequenas comunidades. Essa pluralidade, decorrente da originária divisão em clãs, é fortalecida pelas próprias características físicas da região: o relevo, compartimentando o território, torna alguns locais mais facilmente interligáveis através do mar. Assim, muito antes que as condições geográficas contribuam para que as cidades-Estados venham a se desenvolver como unidades autônomas, já são motivo para que, desde suas raízes micênicas, a cultura grega se constitua voltada para o mar: via de comunicação e de comércio com outros povos, de intercâmbio e de confronto com outras civilizações, ao mesmo tempo que incentivo a aventuras reais e a construções imaginárias. Chegando em bandos sucessivos, vindos do norte, os dórios dominam a região. Embora da mesma raiz étnica dos aqueus, apresentam índice civilizatório mais baixo. Possuem, porém, uma incontestável superioridade: o uso de utensílios e armas de ferro, fator decisivo para a vitória sobre os micênicos, que permaneciam na Idade do Bronze.

tentando preservar suas tradições. com predominância do último. . TEMPOS DE DEUSES E HERÓIS Da vida de Homero praticamente nada se sabe com segurança. as epopéias incorporaram relatos mais ou menos fabulosos sobre expedições marítimas e elementos provenientes do contato do mundo helênico. Homero é freqüentemente descrito como velho e cego. enquanto prepara o futuro advento da era científica e filosófica que a Grécia conhecerá a partir do século VI a.C. escritos entre o século X e o VIII a. embora dados semilendários sobre ele fossem transmitidos desde a Antigüidade. Desses numerosos poemas. Sete cidades gregas reivindicam a honra de ter sido sua terra natal.C. Entremeando lendas e ocorrências históricas — relatando particularmente os acontecimentos referentes à derrocada da sociedade micênica —. As novas condições de vida das colônias e a nova mentalidade delas decorrente encontram sua primeira expressão através das epopéias: em poesia o homem grego canta o declínio das arcaicas formas de viver ou pensar. com culturas orientais. suas instituições e sua organização social de cunho patriarcal e gentílico. que se transferem para as ilhas e as costas da Ásia Menor e aí fundam colônias. em sua fase de formação. "ciclos" que cantam principalmente as duas guerras de Tebas e a Guerra de Tróia. assim. perambulando de cidade em cidade. A língua desses primeiros poemas da literatura ocidental é uma mistura dos dialetos eólio e jônico. Resultantes da fusão de lendas eólias e jônicas. Constituídos por seqüências de episódios relativos a um mesmo evento ou a um mesmo herói. surgem então cantos e sagas que os aedos (poetas e declamadores ambulantes) continuamente foram enriquecendo.As invasões dóricas acarretam migrações de grupos de aqueus. apenas dois se conservaram: a Ilíada e a Odisséia de Homero. surgem.

as epopéias homéricas são a primeira expressão documentada da visão mito-poética dos gregos. da mesma maneira que exclui do culto as práticas mágicas. as formas monstruosas. mundo dos deuses. Com efeito. Chegou-se mesmo a duvidar de sua existência e de que a Ilíada e a Odisséia fossem obra de uma só pessoa. Na medida em que essa interferência permanece incerta ou obscura. essas formas populares de designação das potências superiores e misteriosas tendem a assumir forma definida. ela é designada por palavras vagas. dos deuses está no âmago da psicologia dos heróis de Homero e comanda suas ações. de contornos definidos porque feito à imagem do homem. "Zeus" e principalmente "dáimon". Sobrepondo-se a arcaicas formas de religiosidade. esse antropomorfismo atribui-lhes aspecto familiar e até certo ponto inteligível. . conseqüentemente. a Ilíada e a Odisséia apresentam-se marcadas pela presença constante de poderes superiores que interferem no desenrolar da luta entre gregos e troianos (tema da Ilíada) e nas aventuras de Ulisses ou Odisseu (tema da Odisséia). quando excepcionalmente despontam. substituindo-as pela visão de um divino luminoso e acessível. Homero exclui do Olimpo. abrindo caminho à compreensão da divindade e. benéfica ou maléfica. Nas epopéias homéricas. afastando os terrores relativos a forças obscuras e incontroláveis. Mesmo quando representam forças da natureza os deuses homéricos revestem-se de forma humana. ainda que tenha existido um poeta chamado Homero que realizou a ordenação desse material e enriqueceu com contribuições próprias. Além de informar sobre a organização da polis arcaica. Poderiam ser coletâneas de cantos populares de antigos aedos e.a declamar seus versos. alijando do plano divino o caráter de inescrutabilidade e de misteriosa ameaça. o certo é que essas obras contêm passagens procedentes de épocas diversas. servem justamente para comprovar o trabalho realizado pelas epopéias homéricas no sentido de soterrar concepções sombrias e aterrorizadoras. porém. A intervenção. Esses aspectos primitivos. como "théos".

o pressuposto de uma legalidade universal. por outro lado. filosófica ou científica exigirá. abolindo-se a atuação de vontades divinas divergentes. em última instância. semelhante à dos mortais: os deuses são também animados por sentimentos e paixões humanas. que servirá para justificar as tradições e instituições da cidade-Estado. Desse modo. a suserania de Zeus introduz na família divina um princípio de ordem. que já na visão mitológica expressa pelas epopéias. um universo de valores morais já hierarquizados. . Essa religiosidade "apolínea" permanecerá como uma das linhas fundamentais da religião grega: a de sentido político. mas.A racionalização do divino conduz a uma religiosidade "exterior". que mais convém ao público a que se dirigem as epopéias: à polis aristocrática. chegar-se-á a um divino neutro imparcial: a divina arché das cosmogonias dos primeiros filósofos. que tende a unificar e a neutralizar as preferências discordantes dos vários deuses. à imagem da sociedade patriarcal. A humanização do divino aproxima-o da compreensão dos homens. mais tarde. Os deuses homéricos são fundamentalmente deuses da luz (de díos provém tanto "deus" quanto "dia") e seu antropomorfismo não diz respeito apenas à forma exterior. portanto. Zeus fundamenta na força sua preeminência e organiza finalmente o Olimpo como pai poderoso. a revelar. de Zeus soberano. deixa o universo — em cujo desenvolvimento os deuses podem intervir — suspenso a comportamentos passionais e a arbítrios capazes de alterar seu curso normal. É bem verdade. O politeísmo homérico não exclui. chegando afinal a admitir certa unidade na ação divina. essa suserania estabelece uma diferença marcante entre a Ilíada (obra mais antiga) e a Odisséia: nesta. a fidelidade de Penélope e os esforços de Ulisses acabam premiados. Então. como pressuposto. exercida impessoal e logicamente. a idéia de uma ação ordenada por parte dos deuses. Do ponto de vista ético. porém. sob o controle e a garantia. Isso limita o índice de racionalização contido nas epopéias homéricas: uma formulação teórica.

Os heróis. de revelar sua ascendência genealógica. manifestando as mesmas qualidades — valentia. esta sim. atributo dos nobres. portanto. Em Homero. fazem questão. é que Homero identifica areté com qualidades morais ou espirituais. representa um atributo que o indivíduo possui desde seu nascimento. uma sociedade imortal de nobres celestes. Só algumas vezes. por isso mesmo. Identificada a atributos da nobreza. ainda não atenuada por seu posterior uso puramente moral. significava o mais alto ideal cavalheiresco aliado a uma conduta cortesã e ao heroísmo guerreiro. Essa demonstração do valor inato ocorria sobretudo nos combates singulares. Escapam à morte. está indissoluvelmente ligada aos deuses que. Os aristoi — os possuidores de areté — são uma minoria que se eleva acima da multidão de homens comuns: se são dotados de virtudes legadas por seus ancestrais. os deuses são princípios celestes. a areté. habilidade — que caracterizaram seus antepassados. valor heróico intimamente vinculado à força física. a manifestar que descende de ilustres antepassados. mas não são eternos nem estão fora do tempo: em princípio pode-se saber de quem cada divindade é filho ou filha. A virtude em Homero é. em seu mais amplo sentido. nas justas . como a força dos deuses ou a rapidez dos cavalos nobres. nos livros finais das epopéias. a noção de virtude (areté). designava não apenas a excelência humana.OS HOMENS E OS DIVINOS IMORTAIS É por oposição aos homens que os deuses homéricos se definem: ao contrário dos humanos. força. à diferença dos mortais. significa força e destreza dos guerreiros ou dos lutadores. Em geral. escapam à velhice e à morte. são freqüentemente designados de "os imortais" e constituem. como também a superioridade de seres não-humanos. em sua organização e em seu comportamento. quando se apresentam. seres terrenos. garantia de seu valor pessoal. Estreitamente associada às noções de honra e de dever. os aristoi. por outro lado precisam dar testemunho de sua excelência. por oposição aos humanos mortais. A imortalidade.

Se isso corresponde aos ideais aristocráticos da época. assim. A essa concepção de uma dupla existência do homem — como corporeidade perceptível e como imagem a se manifestar nos sonhos — está ligada a interpretação homérica da morte e da alma (psyché). as sombras vagantes do Hades não interferem na vida dos homens. Humanizando os deuses e afastando o temor dos mortos. semelhante na aparência ou corpo em que esteve abrigada. Só que — sinal de outros tempos — naqueles pensadores a aristocracia de sangue será substituída pela "aristocracia de espírito". mas carece de consciência própria. comum a várias culturas primitivas. que conduzirá à visão filosófica e científica de um universo governado pela razão: séculos mais tarde. Homero parece participar da crença. sensibilidade etc. . não há por que lhes render culto ou buscar seus favores. A morte não representaria um nada para o homem: a psyché ou "duplo" desprender-se-ia pela boca ou pela ferida do agonizante.cavalheirescas: as "aristéias" dos grandes heróis épicos. um outro eu. pois nem sequer conserva as "faculdades" espirituais (inteligência. na ética aristocrática dessa Grécia arcaica expressa nas epopéias homéricas. o filósofo Heráclito de Éfeso fará de Zeus um dos nomes do Logos. A existência desse "duplo" seria atestada pelos sonhos. a razão universal. em grande parte. descendo às sombras subterrâneas do Erebo. Impotentes. baseada no cultivo da investigação científica e filosófica. o pensamento ético e pedagógico de Platão e de Aristóteles estará fundamentado. Desligada definitivamente do corpo (que se decompõe). Séculos mais tarde. as epopéias homéricas descrevem um mundo luminoso no qual os valores da vida presente são exaltados. a psyché passa então a integrar o sombrio cortejo de seres que povoam o reino de Hades. de que o homem vivo abriga em si um "duplo". inclusive envolvendo outros "duplos".). Permanece como uma imagem ou "ídolo". quando o outro eu parece sair e realizar peripécias. representa também o avanço de um processo de racionalização e laicização da cultura.

conjugando as conquistas da nova mentalidade surgida nas colônias da Ásia Menor com os temas extraídos de sua gente e de sua terra. situadas em regiões mais distantes pelo intercâmbio comercial e cultural com outros povos. dedicou-se às atividades . a partir do século VI a. atravessou o mar Egeu e retornou à Beócia. como símbolos morais. Seu pai habitava Cumes. berço de sua raça. da religião.C. mas também quanto à própria mentalidade e suas manifestações nos campos da arte. sobretudo a partir do socratismo dos cínicos. As aventuras e o périplo de Ulisses. Entre esses dois momentos de manifestação do processo de racionalização por que passava a cultura grega. as primeiras formulações filosóficas e científicas dos pensadores de Mileto. é narrado por ele próprio em seus poemas. de áreas bastante diferenciadas. serão tomados. contrapunham-se as colônias da Ásia Menor. O Ulisses que retorna à pátria depois de arrostar e vencer inúmeros perigos e tentações seria o próprio símbolo dos esforços que a alma humana teria de realizar para voltar à sua natureza originária. sobre a vida de Hesíodo. Arruinado. de Éfeso. em Ascra. dentro do mundo helênico. mais presa às tradições da polis arcaica. não apenas para buscar modelos poéticos: temas e personagens homéricos serão freqüentemente utilizados pelos pensadores para servir de paradigmas ou de recursos argumentativos. não só quanto às atividades econômicas e às instituições políticas. a Homero os gregos antigos voltarão sempre. onde possuía uma pequena empresa de navegação. de Samos. situa-se a obra poética de Hesíodo — voz que se eleva da Grécia continental. A Grécia continental. do pensamento. O CAOS O complexo processo de formação do povo e da cultura grega determinou o aparecimento. Tudo o que se sabe. à sua essencialidade — essa pátria. a Beócia.Na verdade. Aí. com segurança. por exemplo. NO COMEÇO. na Eólia. Da Jônia surgem as epopéias homéricas e.

continuaram com esforço a cultivar. viveu e morreu Hesíodo (meados do séc. Ao morrer. a luz sob a forma de outro par: Éter e Luz do Dia. Com Hesíodo — como mostra o historiador do helenismo Werner Jaeger — dá-se a aparição do subjetivo na literatura. que coordena e enriquece. Na épica mais antiga. A polêmica com Perses serve de tema para uma das duas grandes obras de Hesíodo: Os Trabalhos e os Dias. VIII a. já Hesíodo "assina" sua obra. a abrir caminho para as posteriores cosmogonias filosóficas. em seguida. O conteúdo desse "belo canto" é o relato da origem dos deuses. Hesíodo traça uma genealogia sistemática das divindades. Terra . "criador de toda vida". Nessa genealogia sistemática percebe-se o esboço de um pensamento racional sustentado pela exigência de causalidade. que teria comprado os juízes venais.) Foram elas que. o pai deixou a Hesíodo e a seu irmão Perses as terras que. Da sombra sai. refere-se a si próprio no começo da Teogonia: "(.. Hesíodo tornou-se aedo sob inspiração das Musas. ambos filhos da Noite. devido ao clima rude da região. a Terra e o Amor (Eros). Hesíodo mostra que primeiro teve origem o Caos — abismo sem fundo — e. Dele provém a idéia de que os seres individuais que constituem o universo do divino estão vinculados por sucessivas procriações. De Caos sairá a sombra. além de cultivar os campos e apascentar rebanhos. quando ele apascentava suas ovelhas ao pé do Hélicon divino". Pois. Logo depois de exaltar as Musas inspiradoras. a Teogonia. Na partilha dos bens. ensinaram a Hesíodo um belo canto. que os prendem aos mesmos antecedentes primordiais. com a apresentação das entidades primordiais: adotando implicitamente o postulado de que tudo tem origem. o poeta era o simples veículo anônimo das Musas.campesinas e aí nasceu. por sua vez. Tomando como ponto de partida velhos mitos.C). usando Os Trabalhos e os Dias e o proêmio da Teogonia para fazer história pessoal. sob a forma de um par: Erebo e Noite. como relata na outra grande obra.. Hesíodo considerou-se lesado pelo irmão. certo dia. em Hesíodo. O drama teogônico tem início.

E a mulher deixa de ser exaltada. guardiões dos mortais. que teria vivido livre de cuidados e sofrimentos. de Os Trabalhos e os Dias. . a da raça de ouro. Na jarra. destampada. como presente de todos os habitantes do Olimpo. A VIRTUDE A Teogonia de Hesíodo enumera três gerações de deuses: a de Céu. fica apenas a esperança. Cronos. para ser caracterizada por esse camponês como mais uma boca a alimentar e a exigir sacrifícios: "Raça maldita de mulheres. deixa escapar e espalhar-se entre os mortais todos os males. que triunfará sobre seu pai. de prata. NO TRABALHO.dará nascimento ao céu. dos filhos da sombra e da descendência da Terra — até o momento do nascimento de Zeus. O mesmo pessimismo transparece no mito das idades ou das raças. perseguida pela animosidade dos deuses. A história é aí vista como a perda de uma idade primeira. Segue-se a apresentação dos filhos da luz. irmão de Prometeu. Zeus condena Prometeu à tortura de ter o fígado permanentemente devorado por uma águia. terrível flagelo instalado no meio dos homens mortais". cujos indivíduos vivem uma longa infância de cem anos. depois às montanhas e ao mar. Essa primeira raça foi transformada nos gênios bons. prisioneira. como na visão aristocrática de Homero. Começará então a era dos olímpicos. a Epimeteu. Aos mortais Zeus reserva não menor castigo: determina a criação de um ser à imagem das deusas imortais e entregao. a de Cronos e a de Zeus. As duras condições de trabalho de sua gente sugerem assim a Hesíodo uma visão pessimista da humanidade. Depois surge uma raça inferior. Pandora — a mulher — leva em suas mãos uma jarra que. A interpolação dos episódios de Prometeu e de Pandora na seqüência da Teogonia — episódios depois retomados em Os Trabalhos e os Dias — serve a Hesíodo para justificar a condição humana: Prometeu rouba o fogo de Zeus para dá-lo aos homens e atrai para si e para os mortais a ira do suserano do Olimpo.

para eles Zeus reservou uma morada na Ilha dos BemAventurados. "sem deixar nome sobre a terra". que combateram em Tebas e Tróia. mais tarde. distantes dos mortais. onde vivem felizes. Por isso. a meditação filosófica. entregam-se a excessos e recusam-se "a oferecer culto aos imortais". nem o filho ao pai. os chamados bem-aventurados. segundo Hesíodo: o homem da idade de ferro está movido pelo instinto de luta (eris). Na verdade. Zeus cria então uma "terceira raça de homens perecíveis. se a luta se transforma em trabalho. Esse tipo de admoestação que Hesíodo lança a seu irmão Perses inaugura. mas quando "ainda alguns bens estão misturados aos males". misérias e angústias. tempo de incessantes fadigas. assim como nenhuma raça pode evitar a justiça. Violentos e fortes. surge a raça dos heróis. "quando o solo os recobriu". .mas. nem o irmão a seu irmão". bem diferente da raça de prata". raça de bronze. crescendo. ao contrário. o mito das idades ilustra a idéia de justiça: nenhum homem pode furtar-se à lei do trabalho. o hóspede não será mais caro a seu hospedeiro. manifesta-se por meio de violência. A essa raça aguardam dias terríveis: "O pai não mais se assemelhará ao filho. acaba sendo a perdição do próprio homem. torna-se emulsão fecunda e feliz. Em seguida. esses dois temas são complementares. Com Hesíodo surge a noção de que a virtude (areie) é filha do esforço e a de que o trabalho é o fundamento e a salvaguarda da justiça. se. Do mesmo modo que o mito de Prometeu ilustra a idéia de trabalho. nem o amigo a seu amigo. munidos de armas de bronze. Finalmente advém o duro tempo da raça de ferro — o tempo do próprio Hesíodo. depois da ética aristocrática e cavalheiresca de Homero. foram transformados em gênios inferiores. a outra grande corrente de pensamento moral que irá alimentar. os indivíduos dessa raça acabaram sucumbindo nas mãos uns dos outros e transportados para o Hades.

enquanto se intensificam as relações com outros povos. Aí os jônios fundarão cidades. o comércio e o artesanato. repeti-la e sobretudo ensiná-la apresenta-se como um processo de .C. muitos aqueus são forçados a emigrar para as ilhas e as costas da Ásia Menor. as novas condições de vida das colônias gregas da Ásia Menor acentuam-se devido à revolução econômica representada pela adoção do regime monetário. A técnica que o homem consegue compreender e dominar a ponto de realizá-la com suas próprias mãos. a partir do século XII a. marcando definitivamente a decadência da organização social baseada na aristocracia de sangue. da navegação e do artesanato. As principais atividades econômicas das colônias gregas da Ásia Menor tornam-se. Durante o século VII a.II. que se transformarão em grandes centros econômicos e culturais. E. por força mesma de sua localização geográfica. fruto da valorização das individualidades que se afirmam nas circunstâncias e iniciativas presentes. com sua estrutura de base agrária. facilitando as trocas. Os PRÉ-SOCRÁTICOS O RESULTADO DAS invasões dóricas. A acelerada dinâmica social das cidades-Estados jônicas corrói as antigas instituições e os valores arcaicos. A partir de então e sobretudo no decorrer do século VII a. A moeda. a expansão das técnicas — já desvinculadas da primitiva concepção que lhes atribuía origem divina — passa a oferecer ao homem imagens explicativas dotadas de alta dose de racionalidade. a navegação. vem fortalecer econômica e socialmente aqueles que vivem do comércio.C. como Mileto e Efeso. Fugindo aos invasores e tentando salvaguardar suas tradições. cada vez mais distantes vão ficando as velhas tradições remanescentes da sociedade micênica.C. fazendo emergir uma nova mentalidade. conduzindo à progressiva rejeição e à substituição da visão mítica da realidade.. patriarcal e gentílica. é a ruína dos reinos micênicos.

depois de produzir as epopéias homéricas (entre os séculos X e VIII a. que não partia da tradição mítica. sob a forma de ciência teórica e filosofia. È bem verdade que. nas colônias da Ásia Menor. buscando integrá-los numa visão compreensiva e globalizadora. "quente". já no século VIII a. que ocorressem nas colônias gregas da Ásia Menor as primeiras manifestações de um pensamento dotado de tamanha exigência e compreensão racional que. portanto. que coordenou racionalmente os dados da experiência sensível. Dentro desse espírito surgiram na Jônia.C). a partir do século VI a. Fruto da progressiva valorização da "medida Humana" e da laicização da cultura efetuada pelos gregos. que ele viveu no período compreendido entre o final do século VII e meados do século VI a. despontou.C. "o quente" etc. Segundo uma tradição. os pensadores de Mileto propuseram sucessivas versões de uma física e de uma cosmologia constituídas em termos qualitativos: as qualidades sensíveis (como "frio". porém.C. eclodiu.). assim. "pesado") eram entendidas como realidades em si ("o frio". o primeiro filósofo teria sido Tales de Mileto. esse tipo de construção cedeu lugar a uma nova e mais radical forma de pensamento racional. o processo que teria produzido o universo atual e dentro dele continuaria a operar mudanças? Natural. mas de realidades apreendidas na experiência humana cotidiana. com segurança. como um conjunto ou um "campo" no qual se contrapunham pares de opostos. Mas. no século VI a. alguns historiadores consideram que sua colocação pelos . que remonta aos próprios gregos antigos. vinculando-os pelo nexo causai das genealogias que ligavam deuses e mortais. O universo apresentava-se. Procurando reduzir a multiplicidade percebida à unidade exigida pela razão. As datas a respeito de sua vida são incertas. Por que não seria semelhante àquele. uma nova mentalidade. Famoso como matemático. propostas pela escola de Mileto. sabendo-se. Hesíodo expusera em suas obras poéticas uma síntese de relatos míticos tradicionais. "leve".transformação e de criação. as primeiras concepções científicas e filosóficas da cultura ocidental.C.C.

que. Assim. que "aristoteliza" Tales. os gregos. no vocabulário da época. mas simplesmente a idéia de que o universo é dotado de animação. e de mitos cosmogônicos. Assim é que. que laicizou. Para a história da filosofia. "o surgir da água" significaria um processo geológico. Historiadores modernos. sua evaporação permitiu que as coisas aparecessem. alguns intérpretes consideram que outra sentença atribuída a Tales — "tudo está cheio de deuses" — representa não um retorno a concepções míticas. a importância de Tales advém sobretudo de ter afirmado que a água era a origem de todas as coisas. no intuito de fortalecer o mundo helênico diante das ameaças de invasões de povos orientais. Um dos aspectos fundamentais da mentalidade científico-filosófica inaugurada por Tales consistia na possibilidade de reformulação e correção das teses propostas. já nos meados do século VI a. há quem afirme (Paul Tannery) que Tales foi importante apenas como introdutor na Grécia de noções da matemática oriental. Segundo a interpretação que dará Aristóteles séculos mais tarde. a chefia da escola de Mileto passa . sem acepção metafísica: tudo estaria originariamente encoberto pela água. Noutra interpretação (Olof Gigon).C. particularmente egípcios. propõem uma nova visão de mundo cuja base racional fica evidenciada na medida mesma em que ela é capaz de progredir.antigos entre os "sete sábios da Grécia" deveu-se principalmente a sua atuação política: teria tentado unir as cidades-Estados da Ásia Menor numa confederação. teria tido início com Tales a explicação do universo através da "causa material". correspondendo perfeitamente a "gênese". dando-lhe sustentação racional. a partir de Tales. porém. atribuindo-lhe preocupação de cunho metafísico. que ele mesmo desenvolveu e aperfeiçoou. de que a matéria é viva (hilozoísmo). A água seria a physis. Por outro lado. abrangia tanto a acepção de "fonte originária" quanto a de "processo de surgimento e de desenvolvimento". rejeitam essa interpretação. ser repensada e substituída. A estabilidade dos mitos arcaicos e à estagnação das esparsas e assistemáticas conquistas da ciência oriental.

que ocasionaria a separação dos pares de opostos. como indeterminação qualitativa. Certo é que. além de se identificar qual a physis. ou se envolve os dois aspectos. O último representante da escola milesiana foi Anaxímenes. de inumeráveis mundos. Anaxímenes afirmava que todas as coisas seriam produzidas através do duplo processo mecânico de rarefação e condensação do ar infinito. a partir da arché única. em grande expansão na Mileto de sua época. o frio seria compensado dos excessos cometidos pelo calor durante o verão). discute-se se o ápeiron pode ser interpretado como infinitude espacial. No único fragmento que restou de sua obra. assim. Aproveitando — segundo Farrington — a sugestão oferecida pela técnica de fabricação de feltro (produzido por aglutinação de materiais dispersos). foi também o primeiro a traçar um mapa geográfico. Como Anaximandro. o universo resultaria das transformações de um ar infinito (pneuma ápeiron). Introdutor na Grécia e aperfeiçoador do relógio de sol (gnomon). também a Anaxímenes os doxógrafos — escritores antigos que recolheram ou transcreveram as opiniões dos primeiros filósofos — atribuem a doutrina da constituição. Para ele. Desde a Antigüidade. O pensamento milesiano adquiria. . consistência. o universo teria resultado de modificações ocorridas num princípio originário ou arché.a Anaximandro. gerados de maneira sucessiva e/ou simultânea. o ápeiron estaria animado por um movimento eterno. Para Anaximandro. ao longo do tempo. mostrava-se um processo capaz de tornar compreensível a passagem da unidade primordial à multiplicidade de coisas diferenciadas que constituem o universo. pois. Para alguns intérpretes isso significaria a afirmação da lei do equilíbrio universal. para Anaximandro. os opostos pagam entre si as injustiças reciprocamente cometidas. de origem babilônica. no inverno. que se pode traduzir por infinito e/ou ilimitado. garantida através do processo de compensação dos excessos (por exemplo. Anaximandro afirma que. Esse princípio seria o ápeiron.

mas. para a qual contribuiu. Dentre as religiões de mistérios. O orfismo — de Orfeu. uma teve então enorme difusão: o culto de Dioniso. sob a forma de poemas musicais — era uma religião essencialmente esotérica. uma revivescência da vida religiosa. A alma aspiraria. inclusive. já que ela foi objeto de uma série de relatos fantasiosos. a transmigração da alma através de vários corpos. a fim de efetivar sua purificação. realizou uma modificação fundamental na religiosidade órfica. para se libertar do ciclo das reencarnações. como os referentes a suas viagens e a seus contatos com culturas orientais. Da vida de Pitágoras quase nada pode ser afirmado com certeza. que se tornou figura legendária já na própria Antigüidade. transformando o sentido da "via de salvação": no lugar de Dioniso colocou a matemática. fugindo à tirania de Polícrates. em certas regiões do mundo grego. e que passou a constituir o núcleo da religiosidade órfica. cuja finalidade era a de descobrir a harmonia que preside à constituição do cosmo e traçar.A SALVAÇÃO PELA MATEMÁTICA Durante o século VI a. ou seja. os tiranos favoreciam a expansão de cultos populares ou estrangeiros. por sua própria natureza. lá fundou uma confraria científico-religiosa. o homem necessitava da ajuda de Dioniso. às estrelas.C. de caráter iniciático. deus libertador que completava a libertação preparada pelas práticas catárticas. que primeiro teria recebido a revelação de certos mistérios e que os teria confiado a iniciados. que ele teria deixado Samos (na Jônia). Transferindo-se para Crotona. Pitágoras de Samos. Criou um sistema global de doutrinas.C. originário da Trácia. verificou-se. das divindades "oficiais". na segunda metade do século VI a. Os órficos acreditavam na imortalidade da alma e na metempsicose. de acordo . que se supunha descendente dos deuses protetores da polis. a linha política adotada em geral pelos tiranos: para enfraquecer a antiga aristocracia. Parece certo. a retornar a sua pátria celeste. contudo.

de natureza divina. dentro de tal concepção. na religiosidade órfica foi a transformação do processo de libertação da alma num esforço inteiramente subjetivo e puramente humano. será qualificada como uma "harmonia". essa similitude profunda entre os vários existentes era sentida pelo homem sob a forma de um "acordo com a natureza". assim. descobre que há uma dependência do som em relação à extensão. A grande novidade introduzida. esse "intervalo" seria resultante da respiração do universo. o mal seja sempre entendido como desarmonia. beleza. que. Pitágoras teria chegado à concepção de que todas as coisas são números através. inalaria o ar infinito (pneuma ápeiron) em que estaria imerso. o pitagorismo pressupunha uma identidade fundamental. em harmonia. Pitágoras concebe a extensão como descontínua: constituída por unidades invisíveis e separadas por um "intervalo". Partindo de idéias órficas. . as unidades comporiam os números. quando os pitagóricos falam que as coisas imitam os números estariam entendendo essa imitação (mímesis) num sentido perfeitamente realista: as coisas manifestariam externamente a estrutura numérica que lhes é inerente. portanto — como virão a ser mais tarde —. proporção. que o som produzido varia de acordo com a extensão da corda sonora. sobretudo depois do pitagórico Filolau. Natural que. as regras da vida individual e do governo das cidades. vivo. no monocórdio. que descobre a estrutura numérica das coisas e torna. certamente pelo próprio Pitágoras. são a própria "alma das coisas". são entidades corpóreas constituídas pelas unidades contíguas.com ela. A purificação resultaria do trabalho intelectual. da música (tão importante como propiciadora de vivências religiosas estáticas) em relação à matemática. de uma observação no campo musical: verifica. Mínimo de extensão e mínimo de corpo. Assim. garantida pela presença do divino em tudo. a alma semelhante ao cosmo. que. Os números não seriam. entre todos os seres. meros símbolos a exprimir o valor das grandezas: para os pitagóricos. Ou seja. inclusive. Segundo a cosmologia pitagórica. eles são reais.

10) quadrado e retângulo. na verdade. Utilizando uma versão puramente geométrica do gnomon introduzido na Grécia por Anaximandro — versão que o transforma esquematicamente em esquadro —. oposições cosmológicas (à direita/à esquerda — relativas ao movimento das "estrelas fixas" e ao dos "astros errantes").Os pitagóricos adotaram uma representação figurada dos números. o dois determina a linha (. ou seja. a tábua de opostos que manifestam aquela oposição fundamental: 1) finito e infinito. enquanto a série dos ímpares cresce como um quadrado. 8) luz e obscuridade. que permitia explicitar sua lei de composição. que determinaria a própria existência das unidades numéricas: a oposição do limite (feras) e do ilimitado (ápeiron). 2) ímpar e par. representados dessa forma. A partir desses fundamentos matemáticos.). 6) repouso e movimento. como um campo em que se contrapõem o Mesmo e o Outro.. E podem estabelecer. seriam. O principal impasse enfrentado por essa aritmo-geometria baseada em números inteiros (já que as unidades seriam indivisíveis) foi a relativa aos irracionais. 4) à direita e à esquerda. Tanto na .). E verificam que o crescimento gnomônico da série dos números pares determina sempre uma figura oblonga retangular. 5) macho e fêmea. bastavam para justificar o que há de essencial no universo: o um é o ponto (. na matemática. o número par pode ser visto como a expressão aritmo-geométrica da alteridade. 3) unidade e multiplicidade. variações da oposição fundamental. o três gera a superfície . 7) reto e curvo. A primitiva concepção pitagórica de número apresentava limitações que logo exigiriam dos próprios pitagóricos tentativas de reformulações. enquanto o ímpar seria a própria manifestação básica. mínimo do corpo. os pitagóricos investigam as diferentes séries numéricas. embora aumente de tamanho. como um quadrilátero que conserva seus lados sempre iguais. éticas (bem/mal) etc. 9) bem e mal. da identidade. Assim. unidade de extensão./. os pitagóricos podem então conceber todo o universo. Assim._. enquanto o quatro produz o volume: . Os primeiros números. categorias biológicas (macho/fêmea). para os diferentes níveis da realidade.

podem ser vistas como variações do monismo corporalista: a diversidade das coisas existentes provindo de uma única physis corpórea (seja água. quanto na base mesma da matemática surgem grandezas inexprimíveis naquela concepção de número. o pensamento pitagórico evoluiu e expandiu-se. como o V2. na tradução aritmética da relação entre elas. O "escândalo" dos irracionais manifestava-se no próprio "teorema de Pitágoras" (o quadrado construído sobre a hipotenusa é igual à soma dos quadrados construídos sobre os catetos): desde que se atribuísse valor 1 ao cateto de um triângulo isósceles. Em parte a difusão do pitagorismo deveu-se à própria destruição do núcleo primitivo de Crotona (talvez por razões políticas). a hipotenusa seria igual a 4% Ou então. expressos matematicamente. Todavia. ou unidade numérica). de valores sem possibilidade de determinação exaustiva. Os pitagóricos se dispersaram e passaram a atuar amplamente no mundo helênico. quando se pressupunha que os valores correspondentes à hipotenusa e aos catetos eram números primos entre si. o que se evidencia pelo aparecimento.relação entre certos valores musicais. a própria divergência entre os pensadores — cada qual apontando um tipo de arché e um tipo de processo . ou ar. Apesar desses impasses — e em grande parte por causa deles —. acabava-se por se concluir pelo absurdo de que um deles não era nem par nem ímpar. influenciando praticamente todo o desenvolvimento da ciência e da filosofia gregas. levando a todos os setores da cultura o ideal de salvação do homem e da polis através da proporção e da medida. propostas pelos milesianos e pelos pitagóricos. A UNIDADE DO DIVINO As primeiras cosmogonias filosóficas. Assim. a relação entre o lado e a diagonal do quadrado (que é a da hipotenusa do triângulo retângulo isósceles com o cateto) tornava-se "irracional": aquelas linhas não apresentam "razão comum".

Historiadores modernos — como Werner Jaeger — recusam essa versão. teria deixado — e essa seria justamente a parte mais importante de sua obra — poemas satíricos. é que teria inaugurado explicitamente tanto a problemática lógica quanto a ontológica: as especulações sobre o conhecer e sobre o ser. o que a crítica moderna geralmente rejeita. Outros autores antigos situavam entre os eleatas também Xenófanes e Górgias. atribuindo esse papel a Parmênides. Zenão e Melisso como os representantes do eleatismo. expondo idéias filosóficas próprias. 580475 a. os silloi. Platão e Aristóteles consideravam Parmênides. A semelhança de Pitágoras. Apoiado na visão do universo como constituído a partir de uma única origem (a arché.C. o famoso sofista.capaz de transformá-la em tantas e tão diferenciadas coisas — suscitou a necessidade de se investigarem os recursos humanos de conhecimento. O eleatismo. em nome das novas idéias filosóficas. segundo a maioria dos historiadores. afirmando que em seus poemas Xenófanes teria tão-somente narrado fatos sobre a invasão dos medas e sobre sua vida pessoal. Durante muito tempo pensou-se que Xenófanes teria escrito um poema (Sobre a Natureza). Na Antigüidade. Xenófanes (c. passando a difundir a nova concepção do universo forjada pelas escolas filosóficas. Nascido em Colofão. buscando-se um caminho de certeza que superasse as opiniões múltiplas e discrepantes. mas foi sobretudo marcada pela escola de Eléia. Além disso. que os pensadores . Chegou-se mesmo a considerar Xenófanes como o fundador da escola. particularmente quanto à concepção do divino. o binômio unidade/pluridade deslocou-se da esfera cosmológica para reaparecer sob a forma de oposição entre verdade única e multiplicidade de opiniões. Assim. criticando.) foi para o sul da Itália — então chamada Magna Grécia — quando sua terra natal caiu nas mãos dos medas. a mentalidade vulgar. Essa encruzilhada do pensamento — que fecundou toda a investigação filosófica posterior — manifesta-se em Heráclito de Éfeso. levou para essa parte ocidental do mundo helênico os frutos da efervescência intelectual que caracterizava a Jônia. colônia grega da Ásia Menor.

C. sendo "o que é". A distinção fundamental entre os dois caminhos está em que. "os mortais de duas cabeças". o homem se deixa conduzir apenas pela razão e é então levado à evidência de que "o que é. impensável e indivisível. pois significaria atribuir existência ao não-ser. tratando essa noção com estrito rigor racional. nem em seu pensamento é igual aos mortais". descreve uma experiência de ascese e de revelação. "O que é". diferente dele. permanecendo no nível instável das opiniões e das convenções de linguagem. é — e não pode deixar de ser" (primeira formulação explícita do princípio lógicoontológico de identidade). centralizado na noção de unidade. Eléia. "o que não é" — o que seria absurdo. mostra que ela parece incompatível com a multiplicidade e o movimento percebidos. Ao mesmo tempo. o que Parmênides faz é extrair do fundo das primeiras cosmogonias filosóficas seu arcabouço lógico. rico em metáforas. pelo fato de atentarem para os dados empíricos. Historicamente. O QUE É — É O QUE É Não há segurança quanto às datas de nascimento e morte de Parmênides. no primeiro. terá de ser único: além do "o que é" apenas poderia existir.jônicos já qualificavam de "divino"). Pelo mesmo . nem em sua forma. Já na segunda via. herdados da tradição homérica. as informações dos sentidos. a primeira parte apresenta o conteúdo principal dessa revelação mostrando o que seria a "via da verdade". apresentando suas idéias filosóficas. O poema de Parmênides divide-se em três partes: o proêmio. Começava o combate aos deuses antropomórficos. E que deixou um poema. Xenófanes proclama: "Um deus é o supremo entre os deuses e os homens. Sabe-se que viveu no final do século VI e começo do século V a. a segunda parte caracteriza a "via da opinião". e que foi legislador em sua cidade natal. não chegariam ao desvelamento da verdade (aletheia) e à certeza.

pleno. exprimindo uma constante na concepção da realidade até esse momento — e que justamente então começa a entrar em crise. como o pitagorismo. Contrapunha-se não apenas ao senso comum. Zenão sistematizou o método de demonstração "pelo absurdo" e foi considerado por Aristóteles o inventor da dialética. ocultavam contradições internas insuperáveis. Particularmente os caracteres da imutabilidade. Aos adversários da escola responde Zenão. Zenão teria deixado quarenta argumentos dos quais apenas nove foram conservados pelos doxógrafos e por Aristóteles. contudo. imóvel. Atrás de todas as aporias.motivo — simples desdobramento do princípio de identidade —. através de argumentos que constituem verdadeiras aporias (caminhos sem saída) e procuram mostrar que as teses dos opositores do eleatismo. A verdade proclamada pela primeira parte do poema de Parmênides era a manifestação de uma razão absoluta. identificada por isso mesmo com o discurso de uma deusa. contínuo. móveis e mutáveis. imobilidade e unidade contrariavam frontalmente o depoimento dos sentidos. finito. além de estarem também em desacordo com a experiência sensível. poder-se-ia surpreender uma questão básica. Rey. em todas . J. o ser tem de ser eterno. homogêneo e indivisível. A recusa de que os sentidos pudessem conduzir à verdade e a rejeição da legitimidade racional da multiplicidade e do movimento suscitaram críticas ao eleatismo. Zafiropulo) procuraram mostrar que aquela argumentação pode ser disposta em torno de certos problemas fundamentais: o da grandeza ou o da multiplicidade. imutável. como os pitagóricos. o da percepção sensível. A esses atributos Parmênides acrescenta o da corporeidade. o do movimento. o do espaço. de argumentação combativa que parte das premissas do próprio adversário e delas extrai conclusões insustentáveis. Cerca de quarenta anos mais jovem que seu mestre e conterrâneo Parmênides. Alguns historiadores (A. como também a doutrinas filosóficas correntes na época. que percebem um mundo de coisas diversas. em sua acepção erística.

em nome da razão. De sua vida muito pouco se sabe com certeza. Pertencia à família real de sua cidade e conta-se que teria renunciado à dignidade de se tornar rei em favor de seu irmão. a crítica filosófica reconheceu que se tratava. sempre se acaba diante de impasses insuperáveis. Dos argumentos de Zenão. denuncia e renega. que já na Antigüidade tornou-se conhecido como "o Obscuro". é e será um fogo eternamente vivo. Nos quatro argumentos que restaram sobre o tema (o da dicotomia. quer se concebam espaço e tempo como divisíveis finitamente (dotados. de unidades últimas. Assim. a . tornaram-se mais famosos os que visam diretamente ao problema do movimento. Modernamente. colônia grega da Ásia Menor.C). A obra que deixou está constituída por uma série de frases isoladas. nenhum dos deuses ou dos homens o fez. indecomponíveis). na verdade. ou da flecha que permanece parada em todos os pontos de sua trajetória conseqüentemente impossível. teria "florescido" (o que parece. sempre a noção de movimento conduzirá a absurdos como o de Aquiles que jamais alcança em sua corrida veloz a lenta tartaruga. fonte dos equívocos que o eleatismo. portanto. durante muito tempo consideradas como fragmentos de um suposto texto original. que é o mesmo para todos. o de Aquiles e a tartaruga e o do estádio). que se acende com medida e se apaga com medida" — nessa frase muitos vêem uma das chaves para a decifração do pensamento de Heráclito de Efeso. Nascido em Efeso. o da flecha.elas glosada: a da multiplicidade. significava para os gregos atingir o auge de sua produtividade) por ocasião da 69 a Olimpíada (504/3-501 a. de aforismos. Zenão mostra que quaisquer que sejam os pressupostos em que se baseie uma concepção sobre o movimento. mas foi sempre. que se tenha por base uma noção de espaço e tempo como infinitamente divisíveis. O FOGO ETERNAMENTE VIVO "Este mundo. posteriormente.

do mesmo modo que esquecem o que fazem durante o sono" (D 1). do contrário teria instruído Hesíodo e Pitágoras. na medida em que se apresenta como crítico implacável de idéias e personagens de sua época ou da tradição cultural grega). Noutro aforismo Pitágoras é acusado de possuir uma polimatia (conhecimento de muitas coisas) que não passava de uma "arte de maldade" (D 129).. como também faz acerbas acusações à mentalidade vulgar desses homens que "não sabem o que fazem quando estão despertos. Para a solução do "problema heraclítico" dois pontos parecem oferecer bases mais seguras: a) o confronto das proposições de Heráclito com seu contexto cultural (o que o próprio filósofo parece indicar. portanto. Mas nem alguns dos nomes mais reverenciados na época são poupados: "O fato de aprender muitas coisas não instrui a inteligência. Se há aforismos de Heráclito que não manifestam obscuridade são justamente os de cunho crítico. A apresentação aforismática de seu pensamento e o estilo intencionalmente sibiliano fazem de Heráclito um dos pensadores pré-socráticos de mais difícil interpretação. Aristocrata. que a história da filosofia apresente uma sucessão de versões de seu pensamento dependentes sempre da perspectiva assumida pelo próprio intérprete. se é o melhor" (D 49). A religiosidade popular é também vergastada: "Os mistérios praticados entre os homens são mistérios profanos" (D 14 b). b) o estilo de Heráclito. de Diels (o que justifica a letra B ou D que aparece comumente junto ao número do aforismo)." (D 68/5). Natural. Heráclito não afirma apenas que "um só é dez mil para mim.seqüência desses aforismos é apresentada segundo duas numerações: ou a inglesa. E explica: "E em vão que eles se purificam sujando-se de sangue. os homens pensam que ele sabia muitas coisas.. devida a Bywater. a revelar um uso peculiar da linguagem. do mesmo modo que Xenófanes e Hecateu" (D 40). ou a alemã. como um homem que tivesse andado na lama e quisesse lavar os pés na lama. . "o mestre da maioria dos homens. enquanto Hesíodo.

na verdade. Percebe-se.. já estava expressa pelo menos desde Anaximandro de Mileto. dessa maneira. mas que "atinge com sua voz para além de mil anos.. entretanto. Essa é "a natureza que gosta de se ocultar" (D 123). O exemplo do deus de Delfos e da Sibila parece mostrar a Heráclito a diferença que separa as palavras do pensamento (logos). mas o faz ver através de um sinal" (D 93). a "vigília" daquele que se eleva acima dos muitos conhecimentos e reconhece "que todas as coisas são Um" (D 50)." (D 12 a 22). "que com seus lábios delirantes diz coisas sem alegria. subjacente à multiplicidade aparente. Esta teria sido sua grande descoberta: existe uma harmonia oculta das forças opostas. A UNIDADE DOS OPOSTOS O que diz o Logos. "como a . Mas a noção de unidade fundamental. todas as coisas pereceriam. sugestiva — para comunicar seu pensamento: "O mestre a que pertence o oráculo de Delfos não exprime nem oculta seu pensamento. é isto: a unidade fundamental de todas as coisas. Heráclito abre. Nem Homero escapa: "Homero errou em dizer: 'Possa a discórdia se extinguir entre os deuses e os homens!' Ele não via que suplicava pela destruição do universo. a mesma que distancia a inteligência privada — o "sono" em que está imersa a mortalidade vulgar — da inteligência comum. porque. uma exceção: para a Sibila. Em meio a tantas críticas. que nele encontra a vida adequada — indireta. em considerar aquela unidade como uma unidade de tensões opostas. que a adoção do estilo oracular é intencional em Heráclito. se sua prece fosse atendida. sem ornatos e sem perfume". graças ao deus que está nela" (D 92).ele que não conhecia o dia ou a noite" (D 57). do qual Heráclito se faz o anunciador e em nome do qual condena o torpor da multidão ou a polimatia dos supostos sábios. A novidade trazida por Heráclito — e que lhe permite julgar tão duramente seus antecessores e contemporâneos — está.

de alguns. mas ele assume formas variadas. neste último sentido."). é apenas um dos pólos de uma tensão permanente ("Deus é dia-noite. é denominado segundo os perfumes de cada um deles" (D 67). no plano político. o biológico. e confessar que todas as coisas são Um" (D 50). A harmonia não é aquela que Pitágoras propunha. de opor o Um ao Múltiplo. A Razão (Logos) consistiria precisamente na unidade profunda que as oposições aparentes ocultam e sugerem: os contrários.do arco e da lira" (D 51). guerra-paz.. em todos os níveis da realidade. inverno-verão. de supremacia do Um. a extinção dos conflitos e das tensões através da compensação dos excessos de cada qualidade-substância em relação a seu oposto. inverno-verão. Mas ver a realidade como fundamentalmente uma tensão de opostos não significa necessariamente optar pela guerra. não diretamente mas por via de sugestões sibilinas — aquela simultaneidade do múltiplo (mostrado pelos sentidos) e da unidade fundamental (descortinada pela inteligência desperta. Proclama Heráclito: "E sábio escutar não a mim. O Logos seria a unidade nas mudanças e nas tensões a reger todos os planos da realidade: o físico. de alguns. do mesmo modo que o fogo. para perdurar. Não se trata. Daí a insuficiência do uso corrente das palavras: somente o logos (razão-discurso) do filósofo consegue apreender e formular — não ao ouvido mas ao espírito. ou seja. o moral. a própria unidade. guerra-paz. superabundânciafome. que constitui a verdadeira harmonia. "guerra". o psicológico. "o conflito é o pai de todas as coisas: de alguns faz homens. E essa tensão. seriam aspectos inerentes a essa unidade. homens livres" (D 53). nem a verdadeira justiça é a que Anaximandro havia concebido. o político. quando misturado a arômatas. em "vigília"). E a unidade nas transformações: "Deus é dia-noite. . como Xenófanes e o eleatismo: o Um penetra o Múltiplo e a multiplicidade é apenas uma forma da unidade. Por isso Homero errara em pedir que cessasse a discórdia entre os deuses e os homens: "O que varia está de acordo consigo mesmo" (D 51). pois.. escravos. de ambos os opostos. necessita. mas a meu discurso (logos). ou melhor. A justiça não significa apaziguamento: pelo contrário.

Numa série de aforismos. essa "harmonia oculta" que "vale mais que harmonia aberta" (D 54). A consciência da fugacidade das coisas gera uma nota de pessimismo que atravessa o pensamento de Heráclito: "O homem é acendido e apagado como uma luz no meio da noite" (D 26). impõe medida ao fluxo: "Este mundo (.. repetindo uma tese que já surgira nos mitos arcaicos e. Mas o pessimismo advém. o discurso (logos) do filósofo. exprime-se como . ignorantes da lei universal que tudo rege. O Logos-Fogo exerce uma função de racionalização nas trocas substanciais análoga à que a moeda vinha desempenhando na Grécia. porque novas águas correm sempre sobre ti" (D 12). que se acende com medida e se apaga com medida" (D 30). Por isso. A regularidade e a medida são garantidas pela simultaneidade dos dois caminhos de transformação que compõem o fluxo universal: é ao mesmo tempo que ocorre a troca do fogo em todas as coisas e de todas as coisas em fogo. e metade do mar é terra e metade vento turbilhonante" (D 31 a).. embora pretendendo ser a manifestação da Razão universal (Logos). pois "o caminho para o alto e o caminho para baixo são um e o mesmo". desde os milesianos. Isso permite então afirmar: ". que são "em primeiro lugar. e metade do mar é terra e a metade vento turbilhonante" (D 31).. como as mercadorias se trocam por ouro e o ouro é trocado por mercadorias" (D 90). as transformações que integram o fluxo universal não significam desgoverno e desordem. o Logos-Fogo é também Razão universal e. Heráclito enfatiza o caráter mutável da realidade. mar. Assim. Mas em Heráclito a noção de fluxo universal torna-se um mote insistentemente glosado: "Tu não podes descer duas vezes no mesmo rio. é e será sempre um fogo eternamente vivo.) foi sempre. pelo contrário. por isso. Todavia. o que garante a tensão intrínseca às coisas é aquilo mesmo que as sustenta: a medida imposta pelo Logos.. desde o século VII: "Todas as coisas são trocadas em fogo e o fogo se troca em todas as coisas. de reconhecer o torpor em que vive a maioria dos homens. O império do Logos em sua feição física aparece então como as transformações do fogo. sobretudo. com dimensão filosófica.

ou igualdade perante a lei. a instauração do regime democrático em algumas cidadesEstados gregas — ou a luta por sua instauração — oferecia novas sugestões ao pensamento filosófico: ao universo também poder-se-ia aplicar o princípio legalizador da multiplicidade política. e vivido cerca de sessenta anos. Já na Antigüidade a vida de Empédocles suscitou relatos diversos e. . o múltiplo contido que racionaliza e explica a multiplicidade inumerável das coisas móveis percebidas.um solitário monólogos.C). exigia o abandono de uma das premissas sobre as quais vinham se construindo as diferentes cosmogonias filosóficas: ou o monismo ou o corporalismo. acima dos homens comuns. em aproximadamente 490 a. a isonomia. naquele momento da cultura grega. AS QUATRO RAÍZES O eleatismo e. E como não havia ainda possibilidade. Concebido à imagem da polis democrática. o cosmo pode então ser explicado como o jogo regulado de "iguais": as quatro raízes de Empédocles. recusados pela razão eleatica. na Magna Grécia. Ao mesmo tempo. O que se sabe de mais seguro provém de Diógenes Laércio (século III d. Revalorizar a multiplicidade e o movimento. as aporias de Zenão de Eléia tinham mostrado as conseqüências extremas a que conduzia o monismo corporalista. a solução para o impasse levantado pelo eleatismo teve de provir da substituição do monismo pelo pluralismo. que afirma ter Empédocles nascido em Agrigento. Mas a tradição conservou também notícia de suas convicções democráticas e fala de sua intensa participação na vida política de Agrigento. de se defender a tese da incorporeidade. em particular.C. à semelhança da de Pitágoras. foi envolvida numa atmosfera de lendas. "esses loucos que quando ouvem são como surdos" (D 34).

O primeiro apresenta uma visão do processo cosmogônico que constitui um desenvolvimento e uma modificação da linha de investigação iniciada pelos milesianos. e. filho posterior da democracia. a uma outra consciência: "Escuta. O poema Sobre a Natureza exprime uma nova concepção de verdade e de razão. porém aplicada aos dados fornecidos pelos sentidos. Empédocles expôs seu pensamento: em Sobre a Natureza e nas Purificações. mas toma conhecimento de cada coisa da maneira que a torna clara". porém uma verdade proporcional à "medida humana". conseqüentemente. Não atribua mais crença a tua vista do que a teu ouvido. o conhecimento se democratiza: todos os recursos de apreensão da realidade são igualmente legítimos e devem ter sua parte na constituição da verdade. negava a legitimidade racional da multiplicidade e do movimento. Aconselha Empédocles: "Examina de todos os modos possíveis de que maneira cada coisa se torna evidente. a teu ouvido que ressoa mais do que às claras indicações de tua língua.. o segundo é um poema religioso. que. Pausânias. Abre-se o caminho para o socrático diálogo. Para ele. . a aletheia não é mais a revelação de uma verdade absoluta. Isso significa que a evidência procurada não é a do intelecto puro: é a exigência de clareza racional. mas discurso dirigido a um ouvinte. afirmava a unidade do ser.Em dois poemas. na medida em que eles apresentam ainda um meio de conhecer.. declarando em seu poema que pretende apresentar "apenas o que pode alcançar a compreensão de um mortal". Empédocles altera essa concepção de verdade." — assim começa o poema Sobre a Natureza. Desaparece a monarquia da razão. Resultado dessa democratização do processo gnosiológico é também a natureza do logos de Empédocles: não mais o solitário e pessimista discurso heraclítico. O eleatismo havia identificado a via da verdade com o uso exclusivo da razão. apresentada como deusa soberana e absoluta no poema de Parmênides. Não recuses a teus outros membros a tua confiança. pois. contendo uma das primeiras exposições da doutrina órfico-pitagórica.

afasta as raízes. concebendo a cada qual uma satisfação (limitada) de suas reivindicações. as raízes são concebidas por Empédocles como imóveis. conduz à substituição do monismo corporalista pelo pluralismo: o universo pode ser entendido então como o resultado de quatro raízes — a água. o fogo. Empédocles estabelece paridade entre Amor e Ódio e as quatro raízes: são também corpóreos (são "fluidos-forças") e têm a mesma "idade" das raízes (o que exclui qualquer preeminência por anterioridade). A diversidade das coisas delas resultantes advém de sua mistura em diferentes proporções. proposta por Empédocles. por exigência dos sentidos. Da alternância da supremacia ora . O processo cosmogônico repete-se indefinidamente e representa. uma perene tensão entre o Um e o Múltiplo. o movimento percebido no universo não pode ser tido como mera ilusão. há somente mistura e dissociação dos componentes da mistura. O primeiro age como força de atração entre os dessemelhantes (as raízes). Nem há mudança substancial: as raízes permanecem idênticas a si mesmas. Para resolver esse impasse gerado pelo eleatísmo e conciliar democraticamente as duas exigências. mas. nenhuma mais primitiva. Nascimento é apenas um nome dado a esse fato pelos homens". O AMOR E O ÓDIO Por exigência da razão. nenhuma é mais importante. não há fim pela morte funesta. todas eternas e imutáveis. regendo a atuação do Amor e do Ódio. o ar. a terra.A conciliação entre razão e sentidos. Empédocles apela para mais dois princípios cosmogônicos: o Amor (Philia) e o Ódio (Neikos). assim. enquanto o Ódio exerce ação contrária. que oscila entre um estado de máxima junção (obra do Amor) e de máxima separação das raízes (obra do Ódio). Essas raízes estão governadas pela isonomia: são "iguais". Proclama Empédocles: "Não há nascimento para nenhuma das coisas mortais. O princípio de igualdade. resulta num processo cíclico.

. a da terra e a do fogo. Nesse ponto. resulta na adoção da doutrina do eterno retorno — doutrina que contém em si a idéia do equilíbrio relativo entre as forças do universo e a da conservação perfeita de sua energia. ora do Ódio. na segunda. determina a existência de um todo homogêneo e contínuo. integrando-a na lei universal.do Amor. à semelhança do ser de Parmênides. a do ar. O princípio de isonomia. surgem as quatro fases que Empédocles descreve em Sobre a Natureza: a primeira. Por isso. as raízes. Empédocles teria seguido a linha médica de Alcméon de Crotona. também o organismo humano estaria sustentado pelo equilíbrio entre os opostos. já em parte distanciadas. constituem um todo onde se defrontam forças antagônicas e equivalentes. e formado pela completa fusão das raízes. Mas Empédocles vai além: para ele a igualdade democrática era o princípio que dirigia todo o cosmo. a formação do universo atual como resultado da progressiva separação das raízes leva Empédocles a formular uma concepção evolucionista. Do ponto de vista estritamente físico. pleno domínio do Amor. A constituição do universo sendo toda ela regida pelo princípio de isonomia. enquanto a doença seria devida à preponderância monárquica de um dos elementos que integram o corpo. que estabelece quatro províncias perfeitamente distintas — a da água. na qual já aparece a noção de "sobrevivência dos mais aptos". a terceira fase é a do domínio pleno do Ódio. na quarta fase o Amor vai reconquistando a supremacia que perdera e o conjunto volta a ser uma unidade em tensão (como a concebida por Heráclito). o principal papel do filósofo seria o de lutar por democratizar a polis. que explicava o organismo humano à semelhança de um Estado no qual a isonomia das forças em oposição corresponderia à saúde. a concepção de Empédocles é da maior importância. devido à atuação crescente do Ódio. Além disso. pitagórico. desde sua gênese. que impõe a compensação cíclica das ações de Amor e Ódio.

a filosofia despontara. conciliar a doutrina eleática de uma substância corpórea imutável com a existência de um mundo que apresenta a aparência do nascimento e da destruição. aproximadamente em 500-496 a. Ali. nessas fronteiras políticas e culturais que separavam o mundo helênico de outros povos e outras tradições. primeiro nas regiões periféricas. Nascido em Clazômena.C. Historicamente começou com Anaxágoras o processo que Atenas moveu contra a filosofia e que concluirá.Relatos fantasiosos apresentam diferentes versões sobre a morte de Empédocles. Em Atenas tornou-se amigo do grande líder político Péricles. na Jônia ou na Magna Grécia.. E ainda perseguiu aquele que primeiro para lá se transferiu: Anaxágoras. como já o fizera Empédocles. mas nem essa amizade livrou-o do processo que acabou por forçá-lo a abandonar a cidade. Enquanto isso. em prosa. em cidades-Estados mais recentes e dinâmicas questiona-se a mentalidade arcaica. Um deles diz que o filósofo ter-se-ia lançado à cratera do vulcão Etna. Reformulando a linha de pensamento jônico. é que. com a condenação à morte de Sócrates. Aos olhos dos atenienses. Anaxágoras levou para Atenas as idéias novas que estavam sendo produzidas na Jônia. uma obra que tentava. na Grécia. por motivos políticos. mais tarde. logo nos primeiros fragmentos que restaram de seu livro (segundo a ordenação dada por . porém. Anaxágoras escreveu. indo acabar seus dias no Peloponeso. a novidade filosófica pareceu um escândalo e uma impiedade. tenha sido banido de sua cidade. Para isso. Mais provável. EM TUDO UMA PORÇÃO DE TUDO Fruto de uma ousadia intelectual que para existir requeria a libertação do jugo da tradição — para negá-la ou reinterpretá-la racionalmente —. a península grega desenvolvia-se política e socialmente alicerçada em valores que apenas indiretamente recebiam o influxo da novidade filosófica nascida nas colônias: Atenas chegou à fase democrática sem ter gerado um único filósofo.

o homem se destaca como o mais sábio. A tese de que "em cada coisa existe uma porção de cada coisa" (frag. porque o pequeno era também infinito". mas da estrutura do corpo a . que. Todavia. O movimento e a diferenciação só surgem nesse conjunto aparentemente homogêneo devido à interferência do Espírito (Nous). O universo atual constitui-se. o Nous é uma corporeidade sutil e sua ação é de natureza mecânica: move e separa os opostos (frio-quente. Afirma Anaxágoras: "Em todas as coisas há uma porção do Nous e há ainda certas coisas nas quais o Nous está também" (11 D). Essa idéia. que lhe garante a pureza. Anaxágoras introduz a noção do infinitamente pequeno: "Todas as coisas estavam juntas. é o mesmo em todos os seres animados. o Nous exerce apenas uma função motora inicial (o que será criticado pelo Sócrates do Fédon de Platão). para Anaxágoras. Mas sua forma de conhecer não pode depender do Nous. "há coisas nas quais o Nous está também" — o que marcaria a distinção. segundo Anaxágoras. que se expande por razões meramente mecânicas e ocasiona o surgimento do universo.Diels). Dentre os seres animados. torna-se fundamental na cosmogonia e na cosmologia de Anaxágoras. contrária à concepção da extensão no pitagorismo primitivo (que admitia a extensão como composta de unidades indivisíveis). na verdade. Mas. animais e vegetais. entre seres animados e seres inanimados. produzindo na mistura original composta por todas as coisas juntas um movimento rotatório. pesado-leve etc. a partir de um todo originário no qual todas as coisas estavam juntas e "nenhuma delas podia ser distinguida por causa de sua pequenez". Devido a essa ação é que surgem os seres diferenciados. infinitas ao mesmo tempo em número e em pequenez. A posição de Anaxágoras diante do problema do conhecimento revela então grande originalidade: os graus de inteligência manifestados pelos seres animados dependem não do Nous presente neles.) que inicialmente estavam juntos. Sobre uma matéria divisível ao infinito. sempre idêntico a si mesmo. A ação do Nous decorre de uma característica que lhe é peculiar: a imiscibilidade. 11) sustenta-se na divisibilidade infinita.

quando se intensificar. ÁTOMOS. Esse intervalo só poderia ter. Mais tarde. VAZIO. no mínimo. no período helenístico da cultura grega. na sociedade grega. Isto é. mas conheceu a plena aplicação de seus postulados com Demócrito de Abdera. geralmente atribuído a escravos. particularmente a de "intervalo" entre as coisas e entre as unidades que as comporiam. dependia não apenas da descoberta de um processo racional de geração das coisas. MOVIMENTO As concepções cosmológica e matemática do pitagorismo primitivo eram dependentes da noção de número entendido como sucessão de unidades descontínuas. Quase nada se sabe sobre a vida de Leucipo: alguns autores chegaram mesmo a pôr em dúvida sua existência. como também da modificação de certas noções fundamentais. assim. Segundo o depoimento de Aristóteles. uma tradição que remonta a . o número das unidades de extensão "crescia" e cada coisa tendia a tornar-se infinita.que o Nous está ligado sem se misturar. Essa reformulação foi. Anaxágoras teria afirmado que "o homem pensa porque tem mãos". a escola teve início com Leucipo (de Mileto ou de Eléia). a principal contribuição da escola atomista ao desenvolvimento do pensamento científico e filosófico. desde Tales. o preconceito contra o trabalho manual. Segundo a tradição. por certo. Todavia. tese que mais tarde será combatida (inclusive pelo próprio Aristóteles). Mas permanecia uma questão que comprometia a coerência da visão pitagórica e que Zenão de Eléia assinalou: a do "intervalo" que separaria as unidades. estava a exigir a reformulação da noção de espaço. as teses atomistas irão ressurgir com Epicuro e Lucrécio. Essa aporia que Zenão formula ao pitagorismo parece sugerir que a coerência que se buscava para as cosmogonias. o tamanho de uma unidade (mínimo de extensão e de corpo). discretas.

nos quais os corpos maiores (átomos ou agrupamentos de átomos) tenderiam para o centro. o não-ser (corpóreo) existe. que vinha sendo um pressuposto das diversas cosmogonias e cosmologias gregas. tamanho. Os átomos apresentavam ainda outras características: seriam plenos (sem vazio interno). E nesse vazio é que se moveriam os átomos. a existência do vazio. invisíveis (devido à pequenez). E é lógico que assim fosse. se uma réstia penetra num ambiente escuro. partículas corpóreas. sem nenhuma distinção qualitativa. Afirma-se. eles não apenas se chocariam como também poderiam se engatar. Todo o universo estaria. assim. pela primeira vez. posição (como N se distingue de Z) e. Rompe-se. já que. portanto. de vórtices ou turbilhões. os átomos não teriam nenhuma direção preferencial. Parece certo que Leucipo e Demócrito admitiam que o movimento primário dos átomos seria em todas as direções. constituído por dois princípios: o contínuo incorpóreo e infinito (o vazio).Aristóteles atribui a esse contemporâneo de Empédocles e Anaxágoras (meados do século V a. Seria esse o começo de um . produzindo agrupamentos. desse modo. o monismo corporalista. embora divisíveis matematicamente). em vários pontos. Leucipo e Demócrito teriam concluído que exatamente porque o movimento existe (como mostram os sentidos).C) a criação da teoria atomista. A movimentação dos átomos no vazio faria com que os maiores ficassem mais expostos aos impactos dos demais. dispersos no vazio. A continuação dos impactos poderia então ocasionar o aparecimento. em número infinito. distintos pelo arranjo (como AN se distingue de NA). apenas distintos por atributos geométricos — de forma. insecáveis (indivisíveis fisicamente. Partindo de colocações do eleatismo — particularmente de que a afirmação do movimento pressupõe o não-ser —. e o descontínuo corpóreo (os átomos). à semelhança de redemoinhos. sendo dotados das mais diversas formas. como o da poeira que se vê flutuar no ar. móveis por si mesmos. além disso. quando agrupados.

Demócrito parece considerar. o homem . mediante a distinção entre dois tipos de conhecimento: o "bastardo". seria restrita: a liberdade de convencionar estaria limitada pelo tipo de átomo que compõe o objeto. em 370 a. amargo. por convenção há o quente e o frio. Contemporâneo de Sócrates. que seria a compreensão racional da organização interna das coisas. Vivia ainda. considerava a "ignorância do melhor" como a causa do erro. porém. 387 a. na medida em que "traduz" qualitativamente (doce. Seu nascimento em Abdera é situado em cerca de 470 a.C. que afirmava que "o homem é a medida de todas as coisas". que seria o conhecimento sensível. sempre devido a causas mecânicas. Demócrito também busca uma resposta para o relativismo dos sofistas. a exprimir na verdade as disposições do sujeito antes que a realidade objetiva. Guiado pelo prazer. porém. A defesa de um conhecimento da physis e independente da "medida humana" é feita. ou seja. portanto. aproximadamente. Outros poderiam ser produzidos — sucessiva ou simultaneamente. Sabese. e sua morte. a compreensão de que a physis do universo fragmentava-se na multidão de átomos corpóreos que se moviam no vazio infinito. do mesmo modo que Sócrates.C).C. Aquela autonomia. que. além de contribuir para a formulação do atomismo físico. aplicou-se principalmente à solução dos dois problemas que animavam a filosofia de sua época: o do conhecimento e o da ética. Daí afirmar: "Por convenção (nomos) existe o doce. Quanto à ética. e o conhecimento "legítimo". particularmente para o de seu conterrâneo Protágoras. frio. que o sujeito tem certa autonomia no ato de conhecer. portanto. quente) o que no próprio objeto é determinada constituição atômica. A ÉTICA DO MECANICISMO Muito pouco se sabe sobre a vida de Demócrito.universo. por Demócrito. Mas na verdade há somente átomos e vazio". quando Platão fundou a Academia (c. Demócrito.

1962. ao adotar a física atomista como sustentação para sua ética. buscando em sua conduta a harmonia capaz de lhe conceder a calma do corpo — que é a saúde — e a da alma — que seria a felicidade. Paris. porém. Paris. São Paulo. BUFFIERE. BROCHARD. 1954. . J. duas ordens de preocupações. BIBLIOGRAFIA AXELOS. BEAUFRET. Vrin. ameaçando valores e instituições e a anunciar novos tempos e novas idéias. Lisboa. que se empenha em traçar normas para a ação humana.: Études de Philosophie Ancienne et de Philosophie Moderne. o desvio nas trajetórias atômicas) no interior do jogo das forças mecânicas. Séculos mais tarde. Paris.: Le Poème de Parménide. Muitos intérpretes do pensamento de Demócrito indagam como o determinismo mecanicista do atomismo pode pretender abrigar uma ética normativa. 1955. Edições 70. F. Epicuro introduzirá certo arbítrio (o clinamen. tentando refrear a vaga de relativismo e de individualismo que envolvia a sociedade grega. 1956. assim. Minuit. Em Demócrito isso. Presses Universitaires de France.deveria saber distinguir o valor dos diferentes prazeres.: Les Mythes d'Homère et Ia Pensée Grecque. que prescreve como deve ser a conduta humana. Presses Universitaires de France. J. Paris. BRUN. V. de índole conservadora. não acontece: parece simplesmente justapor a uma física estritamente mecanicista uma ética que pressupõe valores norteadores da conduta humana.: Héraclite et Ia Philosophie. não necessariamente interligadas e coesas: a do cientista que procura uma explicação racional para os fenômenos físicos e a do moralista. Paris. port.: Les Présocratiques. no Brasil por Livraria Martins Fontes. Les Belles-Lettres. Ed. Trad. Em seu pensamento parecem coexistir. K. J. 1968. distr.

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O destes primeiros escritos. conforme um velho hábito que em si abriga a possibilidade da dissertação erudita. em lermos. PARA LER OS FRAGMENTOS DOS PRÉ-SOCRÁTICOS I — Os primeiros filósofos gregos em geral escreveram pouco.: Empédocle d'Agrigente. Les Belles-Lettres. Por exemplo. é.-P. Paris. vol. sem exagerar. 1950. 1961. Lawrence & Wishart. talvez não corresponda também ao "peri" dos gregos. J. Presses Universitaires de France. 1965. Paris. não sabemos como intitularam seus escritos. entendemos por "natureza". Foram eles que em parte criaram essas circunstâncias. que é concretamente um "em torno de". é um só. II: The First Philosophers.: Anaxagore de Clazomène. Uma . pelas quais um livro naturalmente se apresenta com o título. com nossa ciência e nossa tradição. Lawrence & Wishart. Paris. J. com as exceções correspondentes a uma incipiente variedade de produção. E mesmo. com relação ao escrito. ZAFIROPÜLO. THOMSON. François Maspero.: Mythe et Pensée chez les Grecs.-P. Les Belles-Lettres. 1948. talvez generalizado pela tradição: "Peri Physeos". J. 1962. em circunstâncias que não eram certamente as de uma publicação regular. ZAFIROPULO. ou mesmo se os intitularam. e portanto designa. Paris. VERNANT. G. Isto é.: Studies in Ancient Greek Society. 1955. i. uma aproximação em círculo. Londres.: UÉcole Éléate. VERNANT. Pois é muito provável que o que os gregos entendiam por "physis" absolutamente não coincide com o que nós. G. e em condições que a rigor nos são mal conhecidas. ZAFIROPüLO. J. "Sobre a Natureza". e ao que está escrito.THOMSON. 1953.: Studies in Ancient Greek Society — The Prehistoric Aegean.: Les Origines de Ia Pensée Grecque. o nosso "sobre" que inadvertidamente colamos a "natureza". Londres. J. Les Belles-Lettres. Paris.

E sobretudo sobrou. oficial. alguns por acaso. inseridos em textos que séculos depois (IV séc. uma interpretação que logo se tornou definitiva. II — Os escritos desses primeiros filósofos na íntegra se perderam todos. às vezes o correspondente a uma página.) se escreveram e que. as vezes pedaços de frases. O que sobrou deles foram pequenos trechos. superioridade dos que vieram depois deles. pois secretamente minado pela orgulhosa convicção. de um natural adiantamento. inspirando movimentos literários. Os estudos clássicos do Renascimento iniciaram um processo de investigação que a longo prazo faria estremecer as linhas nítidas desse quadro. os humanistas descobriram os textos gregos que estavam marginalizados numa cultura unificada e homogênea (podemos dizer planificada?) como a da Idade Média cristã. Descobriram e editaram.C. um mérito um tanto suspeito. nos que o reconheciam. no âmbito das academias e universidades. e traduziram e comentaram. a que abrange o nosso comportamento e o dos gregos com a linguagem. III — Essa perspectiva se cristalizou no fim do mundo antigo e durou cristalinamente até a época moderna. que implica outra maior. como a maior parte da riquíssima literatura grega. Num impulso paralelo ao dos navegadores. onde vagamente se lhes reconhecia o mérito de terem começado. O seu trabalho prosseguiu metodicamente. podemos dizer assim. às vezes uma palavra.C. numa física e numa metafísica. Nessa perspectiva de uma história da filosofia. mas sobretudo . e que fixou a posição desses pensadores na história da filosofia: enquanto primeiros filósofos.pequena diferença. provocando reações. eles começaram um discurso racional.VI séc. progresso. por exemplo na obra de Aristóteles. d. a. com a fala. . se salvaram. que justamente por estar no início forçosamente não se desenvolveu em todos os planos e articulações. numa ética. Sobraram lambem muitas notícias sobre a vida e a doutrina deles. eles ficaram numa espécie de galeria de honra. e portanto vantagem. que ele só veio a alcançar numa época de maturidade. já devidamente articulada numa lógica.

garantida pela ciência. científico. ela pôde exercer-se livremente. e mostrados em sua solidariedade profunda com a . ao lado dos poetas trágicos. Nietzsche redescobriu os pré-socráticos. paulatinamente circunscrito numa pedagogia humanista a serviço de uma classe. que começou sua carreira como professor de filosofia clássica. o da pesquisa filológica.conquistando um terreno próprio. traçado pelo hegelianismo recente. ele nos deu do mundo grego. aqueles pensadores avultaram. Deslocada de uma posição honrosa mas esterilizante. Nas últimas décadas do século XIX um grande filósofo. numa zona franca donde inclusive ela contribui para o devido questionamento de novo ideal formador. A filologia tem continuado e ampliado extraordinariamente. que denunciavam o modelo clássico em nome de uma construção própria do saber. cuja importância na formação de uma atitude crítica moderna ainda está por ser historiada. que a condenava a uma atividade mais ou menos apologética. a psicologia e a antropologia. que por sua vez é ameaçado de esclerosamento e entra em crise. sobretudo do século XIX para cá. eles são invocados por Nietzsche em sua polêmica contra a cultura da época. Um descobrimento em conexão com a história. e muitas vezes em luta contra o esclerosamento do próprio ideal de educação. IV — A pesquisa filológica clássica paradoxalmente lucrou com essa nova situação. Numa nova visão que. nem mesmo no perspectivismo histórico mais amplo. a filosofia. com dimensões que absolutamente não cabiam no quadro tradicional de um desenvolvimento filosófico culminante em Aristóteles. Pois o ideal de uma cultura livre do espírito. passou a ser também invocado e talvez mais bem servido em outros setores e atividades intelectuais. a teoria literária. cujas raízes ele procura seguir até o racionalismo socrático e platônico. na esteira do romantismo. Friedrich Nietzsche. Libertados desses esquemas. o processo de descobrimento dos textos gregos iniciado pelos humanistas da Renascença. ao lado de outras ciências humanas. que com ele se tornou possível. contribuiu decisivamente para essa virada benéfica dos estudos clássicos.

que estava encoberta por uma literalidade opaca ou por um relacionamento enganoso. e que enfim nos acena com a possibilidade de um pensamento original. de um Nietzsche. um mundo inteiramente deformado pelas lentes de nossa visão tradicional. de historiadores da filosofia e de filósofos. Heidegger tem insistido particularmente a respeito de alguns daqueles primeiros pensadores. outro helenista alemão. sempre dele dependente. que os tem feito com a mesma radicalidade de um Hegel. Em relação . coligiu todos os documentos antigos que se referiam à vida e à doutrina dos pré-socráticos ou que continham alguma citação deles. e sob o impulso de uma reflexão poderosa sobre a essência do pensamento ocidental. para ser grande e original. Martin Heidegger. que por essência é maior que qualquer desenvolvimento. V — As intuições geniais de Nietzsche. Entre esse bons comentários. cabe ressaltar os de outro filósofo alemão.espiritualidade agonística do mundo grego. A rica profusão destes tem o seu preço e a sua glória. e afinal uma obra de epígonos — uma idéia que subverte os nossos critérios de avaliação. que aponta para a evidência de que todo pensamento. e publicou então o seu monumental Os Fragmentos dos Pré-Socráticos. afetando a ortodoxia de pontos de vista tradicionais sobre os primeiros pensadores gregos. estimularam por isso mesmo a investigação filológica. contra um conhecimento digerido e condicionado pela grande organização do saber contemporâneo. que se tornou uma obra de consulta básica para os numerosos trabalhos de interpretação crítica. cristã e racionalista. No começo deste século. E n glória é o valor de algumas obras e comentários de filólogos. O preço é a própria massa de comentários que mais se amontoa sobre os fragmentos do que os esclarece. tem de se situar na árdua posição de princípio. numa sedimentação residual de repetições e inutilidades. na grandeza própria de princípio da filosofia. que às vezes conseguem fazer falar esses fragmentos tom uma linguagem inesperada. desde então aparecidos. de inspiração e tendências diferentes. Hermann Diels.

Para cada pensador distribui-se a matéria textual em quatro itens. diretamente. os fragmentos estão à mercê das pesquisas e comentários. que persegue uma filiação subterrânea destas à tradição metafísica do Ocidente. A doxografia e os fragmentos foram extraídos da obra de Diels. ou quase. alétheia e lógos. Ambos foram traduzidos diretamente do grego. Outras muitas seriam necessárias. ainda que isso implique geralmente o risco de orientar demais uma primeira leitura. em páginas densas de reflexão sobre o que mais de perto nos concerne. cujo superamento se impõe desde então como um tema necessário. Que se confrontem esses textos entre si na diversidade dos seus enfoques. que em geral traduzimos por ser. Por isso mesmo se pensou na conveniência de acrescentar ao acervo antigo alguns textos modernos. e de fazer ver assim. verdade e razão. têm apenas a pretensão imediata de justificar a composição em certo sentido heterogênea do presente volume. que a tradução em geral dissimula.o que de entrada nos desvia do acesso àquele pensamento. a projeção do que à primeira vista parece insignificante. VI — As considerações precedentes. quase para cada fragmento. E essas análises se incorporam numa reflexão profundamente atual. e a numeração dos últimos corresponde à desse.com essa idéia. aos fragmentos e por fim aos textos modernos. mas que ele mostra não corresponder a essas traduções. Que se tente fazer uma ponte entre o . ele analisa algumas noções do pensamento pré-socrático. que mal esboçam alguns aspectos de nina problemática de interpretação dos fragmentos. Definitivamente desalojados de seu contexto original. correspondentes n uma pequena notícia biográfica. limitadas a problemas semânticos importantes. como as de on. à doxografia antiga (os textos antigos referentes i) doutrina de cada um). e para alguns dos fragmentos sentiu-se a necessidade de notas explicativas. que com elas interroga sobre o sentido último da ciência e da técnica modernas.

Assim somos feitos. Ele nos faz tropeçar porque justamente está ao nosso pé. ainda se faz pela intervenção dos nossos próprios membros. disse Heráclito. Através desses confrontos e percursos. tão pronta a se equivocar diante do óbvio. em nosso destino e em nossa vida. inclusive da própria fonte desse aparecer. O que ele disse continua válido e talvez mais ainda num mundo de copernicianos e astronautas. Que o leitor saiba encontrá-las e explorá-las. mais nobres (método em grego é caminho). 23 de abril de 1973 José Cavalcante de Souza 1 Cf. Herdeiros de Copérnico e contemporâneos dos astronautas. no horizonte de nossas ilustres cabeças. o óbvio não está aí. levantar o pé e medir: do tamanho do nosso pé. São Paulo. se evitará pelo menos a bisonha atitude de auto-suficiência. . Assim começa a filosofia. e podemos até nos dar ao luxo de uma meditação edificante sobre os começos veneráveis de uma ciência nascente. e em vez de um entendimento fácil e digerido descobrirá em si uma indagação sobre o que há de mais radical em nossa cultura. como também está nos fragmentos. O jogo do aparecer e desaparecer das coisas. 1972. a interpretação de Jean Bollack. o sol em sua forma visível desaparece! Pelo detalhe dessa operação vê-se bem que Heráclito não está formulando algo como o embrião de uma hipótese científica. E preciso respeitá-los! Entretanto. lemos hoje o fragmento como o turista rico vê um pedaço de coluna do templo desfeito. a uma distância de milênios. Situações como esta podem configurar-se a cada aparente banalidade no dizer dos fragmentos. "A largura do sol é a de um pé humano". a doxografia antiga. nem sempre fáceis.conjunto deles e. Paris. em Héraclite ou Ia S paration. e séculos mais tarde um doxógrafo mal conhecido citou o seu dito. apesar de nossa educação. em geral dependente de poderosa interpretação aristotélica ou de uma parenética cristã.1 Para dizermos que o sol tem a largura deste é preciso nos deitar. Com o bom pé dos caminhos habituais também palmilhamos outros.

. do A. DE ASCENDÊNCIA fenícia. Aquilo de que todos os seres são constituídos. e de que primeiro são gerados e em que por fim se dissolvem. A.C. conservou-se a numeração de Diels-Kranz. (N. sentido figurado. Tales. o fundador de tal filosofia. 3. 2 Florescimento (florescer) -vida)..DOXOGRAFIA3 Trad. do E) . I. no entanto. Floresceu2 pelo ano de 585 a. Metafísica. enquanto a substância subsiste mudando-se apenas as afecções. é o primeiro físico grego ou investigador das coisas da natureza como um todo. como se tal natureza subsistisse sempre. o ponto mais alto (da é o período de máxima atividade de um filósofo. Segundo a tradição. nem todos dizem o mesmo. mas continuando ela a mesma. Quanto ao número e à natureza destes princípios. ponta. Sua doutrina só nos foi transmitida pelos doxógrafos.) 3 A numeração da Doxografia é desta edição. tal é. donde as outras coisas se engendram. Também não se conhecem fragmentos seus. pouco se conhece. MAIOR PARTE DOS primeiros filósofos considerava como os únicos princípios de todas as coisas os que são da natureza da matéria. cidade famosa pelo florescente comércio marítimo. ou mais do que uma. ARISTÓTELES. nem há certeza de que tenha escrito um livro. De suas idéias. 983 b 6 (DK 11 A 12). o elemento (stokheion). na Ásia Menor. tal é o princípio dos seres. Quanto aos Fragmentos. (N.TALES DE MILETO (CERCA DE 625/4-558 A. a flor (da idade) em grego. acmé: literalmente. era natural da Jônia. para eles. de Wilson Regis 1. pátria também de Anaximandro e Anaxímenes. dando-se a numeração de Diels-Kranz entre parênteses. A . e por isso julgam que nada se gera nem se destrói.C. Pois deve haver uma natureza qualquer.) DADOS BIOGRÁFICOS TALES.

Por tal observar adotou esta concepção. e a água é o princípio da natureza para as coisas úmidas. 22 (DK 11 A 13). 3. disto se alimenta naturalmente: água é o princípio da natureza úmida e é continente de todas as coisas. o seu princípio). (N. E afirmam alguns que ela (a alma) está misturada com o todo. as sementes de todas as coisas são úmidas e todo alimento é suculento. pois o quente vive com o úmido. pois o mais venerável é o mais antigo. por isso supuseram que a água é princípio de tudo e afirmaram que a terra está deitada sobre ela. levado sem dúvida a esta concepção por ver que o alimento de todas as coisas é úmido. SIMPLÍCIO. Os que supõem um só elemento afirmam-no ilimitado em extensão. chama-os de físicos — consideram que ele é limitado. e pelo fato de as sementes de todas as coisas terem a natureza úmida. que parece ter sido ateu. também Tales pensou que todas as coisas estão cheias de deuses. ora.diz ser água [o princípio] (é por este motivo também que ele declarou que a terra está sobre água). Parece também que Tales.) . talvez. Física. Cf. as coisas mortas ressecam-se. e os primeiros a tratar dos deuses. É por isso que. pelo que se conta. Alguns há que pensam que também os mais antigos. supôs que a 4 Em grego. 422 a 7 (DK 11 A 22). Donde é cada coisa. como Tales diz da água.4 teriam a respeito da natureza formado a mesma concepção. do E. 2. Platão Leis. o juramento é o mais venerável. e que o próprio quente dele procede e dele vive (ora. afirmavam que água é o princípio. Alguns dos que afirmam um só princípio de movimento — Aristóteles. bem anteriores à nossa geração. X. e Hipão. theologésantas = tendo teologizado. ARISTÓTELES. chamada pelos poetas de Estige. assim Tales de Mileto. Pois consideram Oceano e Tétis os pais da geração e o juramento dos deuses a água. 899 B. propriamente. tendo sido levados a isto pelas (coisas) que lhes apareciam segundo a sensação. Da Alma. 23. aquilo de que as coisas vêm é. 5. filho de Examias. para todos.

sem unidade simples. infinitamente colorida. o pensamento de que apenas um é. honrandoos como deuses. Os gregos consideram o sol. de Ernildo Stein A PROPOSIÇÃO DE Tales de que a água é o absoluto ou. como diziam os antigos. de Homero. é filosófica. conscientes. apenas algo acidental. elevados pela fantasia a seres ativos.) . a intuição simples e sem fantasia. toda esta representação de que um objeto singular é algo que verdadeiramente subsiste para si. ao mesmo tempo. as montanhas. móveis. o princípio. uma modificação. em relação com o singular. Georg W. B . Mas 0 estado de coisas afirmativo é que do um emerge todo o resto. que o um permanece nisto a substância de todo o resto. como forças autônomas. o verdadeiro. sendo unicamente uma 5 Original alemão: aufgehoben.alma é algo que se move. com a existência do mundo. com a aparição. com ela. um afastar-se deste ente imediato — um recuar diante dele.CRÍTICA MODERNA 1. etc. F. dotados de vontade. que é uma força para si. se é que disse que a pedra (ímã) tem alma. Isto gera em nós a representação da pura criação pela fantasia — animação infinita e universal. os rios. o universal ser em si e para si. (N. autônoma e acima das outras. Começa aqui um distanciar-se daquilo que é em nossa percepção sensível. é sobressumida5 e assim está posto que só há um universal. porque move o ferro. Hegel Trad. porque através dela chega à consciência de que o um é a essência. do E. O primeiro estado de coisas que reside no que foi dito é o fato de que a existência singular não possui autonomia alguma. não é nada de verdadeiro em si e para si. Com esta proposição está aquietada a imaginação selvagem. a Filosofia começa. figuração. este dissociar-se de uma infinidade de princípios. o único que é em si e para si. Este universal está.

Aqueles princípios são figuras singulares. portanto. Aquela separação do absoluto do finito é. um mundo sensível e um supra-sensível da mesma dignidade. isto é. mas a água também é uma coisa singular. um ponto essencial e ele entra na determinação da atividade: para isto existe então a necessidade. O segundo aspecto a considerar é que o princípio entre os filósofos antigos possui. enfrentada: mas ela não deve ser tomada assim que o um se situe do lado de lá e aqui o mundo finito — como ocorre muitas vezes na representação comum de Deus. o que vem por último. Isto é o elemento filosófico. A forma deve ser totalidade da forma. uma força física universal. . O ponto de vista filosófico é que somente o um é a realidade verdadeiramente efetiva: real deve ser tomado aqui em sua alta significação — na vida cotidiana chamamos tudo de real. também a situação de que toda existência singular é passageira. Aqui está a falha. Temos esta consciência — a necessidade da unidade nos impele para isso — de reconhecer algo universal para as coisas singulares. água. que a forma se tenha elevado pelo esforço para a forma absoluta — o princípio do espiritual. que o um seja o verdadeiro. mas a diferença mesma deve ser de natureza universal. aquilo que deve ser verdadeiro princípio não precisa ter uma forma unilateral e singular. que perde a forma do singular e novamente torna-se universal. mas outra coisa é que a água seja uma existência singular como todas as outras coisas naturais. assim. o aspecto falho. por conseguinte. um momento no todo em geral.determinação casual e exterior pela qual a existência singular se torna. uma forma física determinada. primeiro. portanto. Vê-se certamente que a água é um elemento. em que muitas vezes se representem dois tipos de uma realidade. representação em que se atribui ao mundo uma constância. isto é a atividade e a autoconsciência mais alta do princípio espiritual. Isto é o mais profundo e. e isto é. A passagem do universal para o singular é.

são filósofos trágicos". falsa. o que o impeliu a esta foi um postulado metafísico.) " E o que se fez nesta edição. no máximo. em virtude da terceira. vol. Se tivesse dito: "Da água provém a terra". em todos os 6 Os Filósofos Trágicos. está contido o pensamento: "Tudo é um". (N. destacando cada parte para o respectivo pré-socrático comentado. embora apenas em estado de crisálida. mas dificilmente refutável.I). porque faz sem imagem e fabulação. porque nela. E notável a violência tirânica com que essa crença trata toda a empiria: exatamente em Tales se pode aprender como procedeu a filosofia. Os cinco primeiros pertencem ao ensaio A Filosofia na Época Trágica dos Gregos. do E. Tales não superou o estágio inferior das noções físicas da época. e enfim. A razão citada em primeiro lugar deixa Tales ainda em comunidade com os religiosos e supersticiosos. Mas ele foi além do científico. de 1873 (edição Krõner. a segunda o tira dessa sociedade e no-lo mostra como investigador da natureza. com a proposição: a água é a origem e a matriz de todas as coisas. Friedrich Nietzsche6 Trad. que deve ser tomado estritamente em sentido nietzschiano. Empédocles. porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas. que diz: "Os filósofos antigos. As parcas e desordenadas observações da natureza empírica que Tales havia feito sobre a presença e as transformações da água ou.(Preleções sobre a História da Filosofia. não é de Nietzsche: apenas obedece a uma indicação do autor. A filosofia grega parece começar com uma idéia absurda. ao lado dos esforços sempre renovados para exprimi-la melhor — a proposição: "Tudo é um". Também não se trata de um livro de Nietzsche. os eleatas. uma crença que tem sua origem em uma intuição mística e que encontramos em todos os filósofos. do T. mais exatamente. 203-205) 2. mas. pp. Tales se torna o primeiro filósofo grego. em terceiro lugar. (N. em segundo lugar. Ao expor essa representação de unidade através da hipótese da água. mas. do vol. XIX das Obras Completas* (edição de 1903). Assim prevenido de que este é um livro artificial. o leitor poderá também desmontá-lo* e aproveitá-lo em pelo meros dois sentidos muito fecundos: como suplemento ao estudo dos pré-socráticos ou como via de acesso à compreensão de Nietzsche. seriam o que menos permitiria ou mesmo aconselharia tão monstruosa generalização. saltou por sobre ele. do úmido.) . Os três últimos são notas e planos de curso. Heráclito. mas de uma reunião de textos sobre os pré-socráticos. Este título. de Rubens Rodrigues Torres Filho III. teríamos apenas uma hipótese científica. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a sério? Sim. e por três razões: em primeiro lugar.

detém-se desamparado. de possibilidade em possibilidade. então. a reflexão vem trazer seus critérios e padrões e procura substituir as semelhanças por igualdades. precisa antes construir fundamentos que sustentem seu passo pesado e cauteloso. então. aqui e ali. salta por sobre ele. ao qual sua companheira mais divina já chegou. um resto. quando queria elevar-se a seu alvo magicamente atraente. usando as pedras e apoiando-se nelas para lançar-se mais adiante. sempre. ainda que. que corre rodopiando pedras. e precisamente nesse resto há uma força propulsora e como que a esperança de uma futura fecundidade. a fantasia tem o poder de captar e iluminar como um relâmpago as semelhanças: mais tarde. mesmo que estejam rompidos todos os esteios quando a lógica é a rigidez da empiria quiseram chegar até a proposição "Tudo é água". Mas. Alçado por esta. pois seu pé é alçado por uma potência alheia. em particular. lógica. Dir-se-ia ver dois andarilhos diante de um regato selvagem. transpondo as cercas da experiência. com pés ligeiros. leva o pensamento filosófico tão rapidamente a seu alvo? Acaso ele se distingue do pensamento calculador e mediador por seu vôo mais veloz através de grandes espaços? Não. as contigüidades por causalidades. depois de destroçado o edifício científico. afundem bruscamente nas profundezas. ele mesmo apanha certezas em vôo. Sobre leves esteios. Um pressentimento genial as mostra a ele e adivinha de longe que nesse ponto há certezas demonstráveis. ela salta para diante: a esperança e o pressentimento põem asas em seus pés. o filosofar indemonstrável tem ainda um valor. mesmo que isso nunca seja possível. O outro. que por um momento são tomadas por certezas. atrás dele. não há deus que possa auxiliá-lo a transpor o regato. a todo instante. mesmo no caso de Tales. Pesadamente. o primeiro. o entendimento calculador arqueja em seu encalço e busca esteios melhores para também alcançar aquele alvo sedutor. por vezes isso não dá resultado e.tempos. Mas. . ele salta adiante. O que. fica ainda. a fantasia.

ele começa a acreditar na natureza. em um grau ainda superior a ele: mas estes só chegaram a exprimi-lo na forma da alegoria. falésias. ao contrário. Talvez os admiráveis órficos possuíssem a capacidade de captar abstrações e de pensar sem imagens. oscila. pelo menos. entre os quais Tales subitamente destacou tanto. conserva ainda. e ele vê. por exemplo. entre os quais mesmo o mais pessoal se sublima em abstrações. mas a água. Os gregos. na medida em que. em todo caso. entre os gregos de seu tempo. por exemplo. Também Ferécides de Siros. tem seu valor — mesmo depois do conhecimento de que é indemonstrável — em pretender ser. ninfas. para ele. ao inverso dos modernos. com todos os protótipos possíveis: de tal modo que. se aventura a comparar a Terra com um . todo o resto apenas aparência e jogo ilusório. acredita na água. plantas. naquela região intermediária em que o mito se casa com a alegoria: de tal modo que. talvez. grifos e. Como matemático e astrônomo. com corpos de homens e de animais. não-místico e não-alegórico.Naturalmente não quero dizer que o pensamento. uma espécie de "verdade": assim como. a realidade das coisas". máscaras. Mas Tales dizia: "Não é o homem. ele era. em geral. contudo. mascaramento e metamorfose desses homens-deuses. pois propriamente só acreditavam na realidade dos homens e dos deuses e consideravam a natureza inteira como que apenas um disfarce. um jogo artístico e prefigurador da água. que está próximo de Tales no tempo e em muitas das concepções físicas. quando se pensa em um artista plástico diante de uma queda d'água. nas formas que saltam ao seu encontro. a proposição "Tudo é água" estaria confirmada. O pensamento de Tales. uma estranha raridade. eram o oposto de todos os realistas. Justamente por isso era tão incrivelmente difícil para eles captar os conceitos como conceitos: e. em alguma limitação ou enfraquecimento. ao exprimi-las. O homem era para eles a verdade e o núcleo das coisas. se não logrou alcançar a sobriedade da pura proposição "Tudo é um" e se deteve em uma expressão física. ou como alegoria. entre eles o mais abstrato sempre confluía de novo em uma pessoa. ele se havia tornado frio e insensível a todo o místico e o alegórico e.

sem esse refinamento de gosto. isso é igualmente um caráter típico da cabeça filosófica. Se para isso se serviu. assombroso. ela refreia esse impulso: ainda mais por considerar o conhecimento máximo. que. se chamamos de prudente àquele que. divino. . que mal se deixa traduzir em imagens visuais. suspenso no ar com as asas abertas. Pelo conceito de grandeza. dos conhecimentos importantes e grandes. etimologicamente. difícil. eu saboreio. o homem do gosto mais apurado. na cega avidez de querer conhecer a qualquer preço. sem fabulação fantástica. ao preferir o inútil. e que Zeus. a sapio. marca o limite que a separa da prudência. da ciência e do demonstrável. da essência e do núcleo das coisas. Ao escolher e discriminar assim o insólito. mas inútil. começou a ver a natureza em suas profundezas. do mesmo modo que. A ciência. enquanto o pensar filosófico está sempre no rastro das coisas dignas de serem sabidas. águas e rios. onde bordou. de seu impulso ao conhecimento. assombroso. "Isto é grande". desenfreada. precipita-se sobre tudo o que é possível saber. como alcançável e alcançado. segundo a consciência do povo. um apurado degustar e distinguir. a filosofia marca o limite que a separa da ciência. em seus assuntos próprios. Este não é prudente. sabe descobrir o bem. reveste de um faustoso manto de honra. e com isso eleva o homem acima da avidez cega. sapiens. pois.carvalho alado. Mas o conceito de grandeza é mutável. a ela se prende uma doação de nomes. o homem estremece e se ergue do tatear e rastejar vermiformes das ciências isoladas. difícil. tanto no domínio moral quanto no estético: assim a filosofia começa por legislar sobre a grandeza. Aristóteles diz com razão: "Aquilo que Tales e Anaxágoras sabem será chamado de insólito. um significativo discernimento. o degustador. divino. Tales é um mestre criador. Quando Tales diz: 'Tudo é água". sem dúvida. com sua própria mão. porque eles não se importavam com os bens humanos". sem essa seleção. depois de sobrepujar Kronos. constitui. A palavra grega que designa o "sábio" se prende. diz ela. mas logo saltou por sobre eles. as terras. Contraposto a esse filosofar obscuramente alegórico. a arte peculiar do filósofo. sisyphos.

mas um meio raquítico. compassivo como o religioso. no fundo uma transposição metafórica. Assim contemplou Tales a unidade de tudo o que é: e quando quis comunicar-se. contudo.pressente a solução última das coisas e vence. O que é o verso para o poeta. só poderia anunciar pelos gestos e pela música. decerto. § 3) . para o dramaturgo. para petrificá-lo. por um lado. falou da água! (A Filosofia na Época Trágica dos Gregos. para dizer nela o que viveu e contemplou e que. E assim como. assim a expressão daquela intuição filosófica profunda pela dialética e pela reflexão científica é. sabe projetar essa transformação para o exterior. o único meio de comunicar o contemplado. O filósofo busca ressoar em si mesmo o clangor total do mundo e. expô-lo em conceitos. essa lucidez que tem o artista dramático quando se transforma em outros corpos. palavra e verso são apenas o balbucio em uma língua estrangeira. aqui. à espreita de fins e causalidades como o homem de ciência. em versos escritos. diretamente. com esse pressentimento. em uma esfera e língua diferentes. enquanto se sente dilatar-se até a dimensão do macrocosmo. fala a partir destes e. totalmente infiel. é para o filósofo o pensar dialético: é deste que ele lança mão para fixar-se em seu enfeitiçamento. conserva a lucidez para considerar-se friamente como o reflexo do mundo. de si mesmo. o acanhamento dos graus inferiores do conhecimento. enquanto é contemplativo como o artista plástico.

do tempo". mas algo diferente. e dela nascem os céus e os mundos neles contidos: "Donde a geração. os relatos doxográficos nos dão conta de que escreveu um livro. 13 (DK 12 A 9). mas alguma natureza diferente. sucessor e discípulo de Tales. Geógrafo. astrônomo e político. Foi o primeiro a introduzir o termo princípio.. Ampliando a visão de Tales.C. 16. praticamente nada se sabe. p. Anaximandro.. intitulado Sobre a Natureza. Infelizmente o livro se perdeu. não achou apropriado fixar um destes como substrato. foi o primeiro a formular o conceito de uma lei universal presidindo o processo cósmico total.ANAXIMANDRO DE MILETO (CERCA DE 610-547 A. Em compensação. observando a transformação recíproca dos quatro elementos. disse que o ápeiron (ilimitado) era o princípio e o elemento das coisas existentes. de Wilson Regis 1. ilimitada. DENTRE OS QUE AFIRMAM que há um só princípio. restando-nos apenas um fragmento e noticias de filósofos e escritores posteriores. SIMPLÍCIO. mas à separação dos . DISCÍPULO e sucessor de Tales.DOXOGRAFIA Trad. (É o fragmento 1. De sua vida.) Assim ele diz em termos acentuada-mente poéticos. de Mileto. Diz que este não é a água nem algum dos chamados elementos. Física. tido pelos gregos como a primeira obra filosófica no seu idioma. É manifesto que. a introdução na Grécia do uso do gnômon e a medição das distâncias entre as estrelas e o cálculo de sua magnitude (é o iniciador da astronomia grega). matemático.) DADOS BIOGRÁFICOS CONCIDADÃO. 24. A . Atribui-se a Anaximandro a confecção de um mapa do mundo habitado. filho de Praxíades. Não atribui então a geração ao elemento em mudança. móvel e ilimitado. fora estes.

como afirmam os que não postulam outras causas além do ilimitado. portanto. depois uma parte da umidade por ação do sol evaporava-se e disso se originavam ventos e órbitas do sol e da lua. a umidade e região) fizessem as órbitas. Por isso. é. — Alexandre de Afrodísias. que o mar se torna menor por estar secando e. depositada nos lugares côncavos da terra. como se por essas evaporações e exalações também aquelas (i. seria seu limite. seco e úmido e outros. Contrários são quente e frio. é mar: por isso ele . — Aristóteles. os contrários. deve também ser não-engendrado e o indestrutível.1. Ao ser ressecada pelo sol. para a passagem 67. pois. da unidade que os contém. mas parece ser princípio das demais coisas e a todas envolver e a todas governar.24. toda a região em volta da terra. no princípio. Mas a outra parte dela. porque o que foi gerado necessariamente tem fim e há um término para toda destruição. finalmente.353 b 6 (DK 12 A 27).contrários por causa do eterno movimento. Física. Cf. I 4. E ainda: sendo princípio. sendo úmida a região em volta da terra. por divisão. É por isso que Aristóteles o associou aos da escola de Anaxágoras. Física. da umidade primeira) é diretriz para a deles (do sol e da lua). mas do ilimitado não há princípio: se houvesse. 4. Estes fazem proceder tudo da mistura por divisão.3: Alguns deles afirmam ser o mar resíduo da primeira umidade. donde a evolução desta (i. é. Outros afirmam existir a unidade e multiplicidade dos seres. o que sobra é mar. Pois tudo ou é princípio ou procede de um princípio. Pensam. 150. 3.187 a 20. pois é "imortal e imperecível" (Fragmento 3). como Empédocles e Anaxágoras. um dia secará de todo. ARISTÓTELES. como dizem Anaximandro e a maior parte dos físicos. 2. a parte em evaporação origina os ventos e as revoluções do sol e da lua. Segundo uns. como diz Anaximandro. Meteorologia. assim dizemos: não tem princípio. procedem. como seria Espírito (Anaxágoras) ou Amizade (Empédocles). ARISTÓTELES. volvendo eles em torno nesse sentido. E é isto que é o divino. 11. Era úmida. 203 b 6 (DK 12 A 15). III.

já a imagem de seu grande sucessor nos fala muito mais claramente. o primeiro escritor filosófico dos antigos.... O pensamento e sua forma são marcos de milha na senda que conduz àquela sabedoria altíssima. ali também devem ir ao fundo. escreve como escreverá o filósofo típico. segundo narra Teofrasto. C . como que apenas se delineia de neblinas.se torna menor sempre que é ressecado pelo sol e por fim um dia ele será seco.6. e imperecível (o ilimitado enquanto o divino). diz Anaximandro uma vez: "De onde as coisas têm seu nascimento. Nessa concisão lapidar. 1. Anaximandro e Diógenes..1...CRÍTICA MODERNA 1.. Esta (a natureza do ilimitado. enquanto solicitações alheias não o despojaram de sua desenvoltura e de sua ingenuidade: em inscrições sobre pedra. Princípio dos seres. Imortal. de Cavalcante de Souza 1. Pois donde a geração é para os seres. 111. 4. ARISTÓTELES. 24. estilo grandioso. Física. Refutação. Anaximandro de Mileto. 3. SIMPLÍCIO. segundo a ordenação do tempo. cada uma testemunha de uma nova iluminação e expressão do demorar-se em contemplações sublimes. Desta opinião foram. de Rubens Rodrigues Torres Filho IV. ENQUANTO O tipo universal do filósofo. na imagem de Tales.FRAGMENTOS Trad.13. 2. ele diz que) é sem idade e sem velhice. Friedrich Nietzsche Trad. 203 b. frase por frase. pois concedem eles mesmos justiça e deferência uns aos outros pela injustiça. ele disse (que era) o ilimitado. B .. é para onde também a corrupção se gera segundo o necessário. (Em DISCURSO DIRETO:) . Física. HIPÓLITO. segundo a .

quer na água.7 Enunciado enigmático de um verdadeiro pessimista. é bem humano e. por transferência. ao caráter universal de toda existência. em todo caso. também perece outra vez. "nas alturas dos ares hindus". pelo morrer. está no estilo do salto filosófico descrito antes. como Schopenhauer. a palavra sagrada do valor moral da existência. suplemento à doutrina do sofrimento do mundo. depõe sobre nosso coração uma consideração similar. do T. conforme a ordem do tempo". apêndice aos textos conexos).necessidade. em segundo lugar. sobre a dignidade do homem — quem. "O verdadeiro critério para o julgamento de cada homem é ser ele propriamente um ser que absolutamente não deveria existir. dificilmente poderá ser impedido de fazer um metáfora altamente antropomórfica e de tirar aquela doutrina melancólica de sua restrição à vida humana para aplicá-la. Tudo o que alguma vez veio a ser. para compreender sua interpretação. além disso. nos Parerga (volume II. pois têm de pagar penitência e de ser julgadas por suas injustiças. como te interpretaremos? O único moralista seriamente intencionado de nosso século. considerar agora. como uma injustiça que deve ser expiada pelo sucumbir. mas. quer no quente e no frio: por toda parte. e mais favoravelmente. onde podem ser percebidas 7 As citações dos pré-socráticos são todas traduzidas do alemão: interessa reproduzir fielmente a tradução que Nietzsche lhes dá. com Anaximandro. (N." Quem lê essa doutrina na fisionomia de nossa sorte humana universal e já reconhece a má índole fundamental da cada vida humana no simples fato de nenhuma delas suportar ser considerada atentamente e mais de perto — embora nosso tempo habituado à epidemia biográfica pareça pensar de outro modo. mas se penitencia de sua existência pelo sofrimento multiforme e pela morte: o que se pode esperar de um tal ser? Não somos todos pecadores condenados à morte? Penitenciamonos de nosso nascimento. ouviu. todo vir-a-ser como uma emancipação do ser eterno. inscrição oracular sobre a pedra limiar da filosofia grega. Pode não ser lógico. digna de castigo. capítulo 12. quer pensemos na vida humana. em primeiro lugar. pelo viver e.) .

o ser originário tem de ser indeterminado. e consiste nelas. de 8 Esta tradução de ápeiron — habitualmente: o sem-limite. mas em ser destituído de qualidades determinadas. não entendeu nosso filósofo: o mesmo se pode dizer dos que perguntam seriamente se Anaximandro pensou sua proto-matéria como mistura de todas as matérias existentes. (N. Como pode perecer algo que tem direito de ser! De onde vem aquele incansável vir-a-ser e engendrar. o que é verdadeiramente. pode ser origem e princípio das coisas. ou talvez entre ar e fogo. que ele traz o nome de "o indeterminado". uma soma de injustiças a ser expiadas. garante a eternidade e o curso ininterrupto do vir-a-ser. também. como algo a que não pode ser dado nenhum predicado do mundo do vir-a-ser que aí está. Se ele preferiu ver. por isso. conclui Anaximandro. Nunca. se é porventura uma coisa intermediária entre ar e água. matriz de todas as coisas. e teria de ir ao fundo. senão teria nascido. Para que o vir-a-ser não cesse. de dirigir nosso olhar ao ponto de onde podemos aprender que Anaximandro já não mais tratou a pergunta pela origem deste mundo de maneira puramente física. e de orientá-lo segundo aquela proposição lapidar apresentada no início. de acordo com uma monstruosa prova experimental. pelo menos. Temos. um ser que possui propriedades determinadas. Repare-se que é essa indeterminação que permite aproximá-lo da coisa-em-si de Kant. que levam a sucumbir: e é por isso. por certo só pode ser designada negativamente pelo homem. 8 O ser originário assim denominado está acima do vir-a-ser e. Essa unidade última naquele "indeterminado". não pode possuir propriedades determinadas. na tradição do idealismo pós-kantiano.) . que estabelece a estrita equivalência entre determinação (Bestimmung) e limite (Grenze). podemos profetizar o sucumbir dessas propriedades. e poderia. ser tomada como equivalente à "coisa-em-si" kantiana. A imortalidade e eternidade do ser originário não está em sua infinitude e inexauribilidade — como comumente admitem os comentadores de Anaximandro —. na pluralidade das coisas nascidas. antes. do T. o ilimitado ou "o infinito" (Diels) — legitima-se. foi o primeiro grego que ousou tomar nas mãos o novelo do mais profundo dos problemas éticos. justamente por isso. portanto. como todas as outras coisas.propriedades. E certo que quem é capaz de se pôr a discutir com outros sobre o que tenha sido propriamente essa proto-matéria.

Com a morte tereis de expiá-la. cujo pensar arrebatado rompe constantemente as malhas empíricas para logo lançar-se no mais alto vôo supralunar. Também seu pensamento emigrou. Anaximandro refugiou-se em um abrigo metafísico. Anaximandro o ultrapassa em dois passos. Vivia como escrevia. a água. elevava a mão e pousava o pé como se esse estar-aí fosse uma tragédia em que ele teria nascido para tomar parte como herói. os mares se retraem e secam. e fundou colônias: em Efeso e Eléia não se desvencilharam dele e. destrói vosso mundo. para enfim. nem todo modo de viver pode ter sido bem-vindo. do qual se debruça agora. no fim. de novo. voltará a edificar-se um tal mundo de inconstância: quem seria capaz de livrar-vos da maldição do vir-a-ser?". desde já. Tales mostra a necessidade de simplificar o reino da pluralidade e reduzilo a um mero desdobramento ou disfarce da única qualidade existente. se nada vale. Vede como murcha vossa Terra. Seus concidadãos elegeram-no para conduzir uma colônia emigrante — talvez se alegrassem de poder ao mesmo tempo venerá-lo e desvencilhar-se dele. demorais-vos nessa existência.onde vem aquela contorção de dor na face da natureza. falava tão solenemente quanto se vestia. Para um homem que faz tais perguntas. que. da primeira vez: "Mas. do insolente declínio da unidade originária das coisas. depois de um silêncio meditativo. Pergunta-se. de onde vem o infindável lamento mortuário em todo o reino do existir? Desse mundo do injusto. sem ele. a concha sobre a montanha vos mostra o quanto já secaram. sabiam. se não puderam decidir-se a permanecer onde ele estava. dirigir a todos os seres a pergunta: "O que vale vosso existir? E. Mas sempre. contudo. De bom grado aceitamos a tradição de que ele se apresentava em indumentária particularmente cerimoniosa e mostrava um orgulho verdadeiramente trágico em seus gestos e hábitos de vida. se esvairá em vapor e fumo. se dispunham a prosseguir. . o fogo. observo eu. deixa o olhar rolar ao longe. para que estais aí? Por vossa culpa. Em tudo ele foi o grande modelo de Empédocles. que foram guiados por ele ao lugar de onde agora.

em seguida. e deduz a resposta do caráter contraditório dessa pluralidade. § 4) . como é possível aquela pluralidade?". tudo o que veio a ser já não foi ao fundo há muito tempo. em geral. por declínio.se há em geral uma unidade eterna. pode nascer. do justo a injustiça —. uma vez que já transcorreu toda uma eternidade de tempo? De onde vem o fluxo sempre renovado do vir-a-ser?" Ele só sabe salvar-se dessa pergunta por possibilidades místicas: o vir-a-ser eterno só pode ter sua origem no ser eterno. ficou nas sombras profundas que. que consome e nega a si mesmo. Aqui ficou Anaximandro: isto é. (A Filosofia na Época Trágica dos Gregos. Quanto mais se procurava aproximar-se do problema — como. perpetuamente. Mas. ocorre-lhe a pergunta: "Por que. as condições para o declínio daquele ser em um vir-a-ser na injustiça são sempre as mesmas. mas se penitencia. do indeterminado o determinado. maior se tornava a noite. pelo sucumbir. do eterno o temporal. então. deitam-se sobre a montanha de uma tal contemplação do mundo. a constelação das coisas tem desde sempre uma índole tal que não se pode prever nenhum término para aquele sair dos seres isolados do seio do "indeterminado". que não se legitima. como gigantescos fantasmas. Sua existência se torna para ele um fenômeno moral.

filho de Eurístrates. como aquele (diz). mas é evidente que também os outros se serviam (das noções) de rarefação e condensação. Diferencia-se nas substâncias. — Pois só a respeito deste (Anaxímenes) Teofrasto. mas definida. SIMPLÍCIO. . que supõem o elemento único e ilimitado em grandeza.DOXOGRAFIA Trad. Sobre a Natureza. Rarefazendo-se. dizendo que ela é ar. companheiro de Anaximandro. 24. condesando-se. e outra coisa é o ilimitado e limitado em grandeza. e as demais coisas (provêm) destas. água. E preciso saber que uma coisa é o ilimitado e limitado em quantidade. depois terra.. Escreveu sua obra. 9. depois nuvem. o que era próprio dos que afirmavam serem muitos os princípios. na História. como aquele. ANAXÍMENES DE MILETO. depois pedras. 26 (DK 13 A 5). afirma também que uma só é a natureza subjacente. A . Foi o primeiro a afirmar que a Lua recebe sua luz do Sol. não porém indefinida. por rarefação e condensação. Também ele faz eterno o movimento pelo qual se dá a transformação 22.ANAXÍMENES DE MILETO (CERCA DE 585-528/5 A. torna-se fogo. — Dedicou-se especialmente à meteorologia. falou da rarefação e condensação. que é ilimitada.. e diz. também em prosa. e ainda mais. Física. — Os antigos consideravam Anaxímenes a figura principal da escola de Mileto. o que precisamente. se adapta ao caso de Anaximandro e Anaxímenes. de Wilson Régis 1.C) DADOS BIOGRÁFICOS ANAXÍMENES FOI discípulo e continuador de Anaximandro. vento.

porém. F. assim também todo o cosmo sopro e ar o mantém. Plutarco determina a maneira de representação de Anaxímenes. 3. Ernildo Stein E. e o ar possui. Das Sentenças dos Filósofos. com certeza. houlos arkhèn aéra eípe kaí tò cípeiwn. Da Natureza dos Deuses. C . soberanamente nos mantém unidos.. I.B .CRÍTICA MODERNA Georg W. Mas Simplício12 diz expressamente que "para Anaxímenes o ser originário foi uma natureza infinita e una. 2.FRAGMENTOS Trad. Dele tudo emana e nele tudo se dissolve. a saber o ar". 947 F.3. põe ele novamente um elemento determinado da natureza (o absoluto numa forma real) — em vez da água de Tales. pode-se também tomar arkhèn ka) ápeiron como sujeito e aéra como predicado da frase. que do 9 Plutarco. que para a matéria era necessário um ser sensível. que é ar. o ar. 1. só não. 2a. 10. Porém. que ele. de José Cavalcante de Souza 1. 4. De Prim.11 como se fossem dois princípios. O sol largo como uma folha. I. ao mesmo tempo. I.10 Diógenes Laércio diz que o princípio é o ar e o infinito. 7. de. PLUTARCO. Comentário a Aristóteles. uma natureza infinita. 22. II. Física. 6.M LUGAR DA MATÉRIA indeterminada de Anaximandro. IDEM. apenas experimentamos seu movimento. O CONTRAÍDO E condensado da matéria ele diz que é frio. Ele é menos corpo que a água. e o ralo e o frouxo (é assim que ele se expressa) é quente. Frig. como para Anaximandro. AECIO. não o vemos. parece ter concebido como algo animado. Ele achava. como para ele.9 Ele o determinou igualmente como infinito. Hegel Trad. Cícero. Como nossa alma. 10 11 12 . a vantagem de ser o mais liberto de forma. mas uma determinada.

ele é tão ativo quanto passivo. espírito e ar significam a mesma coisa". Expresso de maneira mais determinada. é esta natureza do ser originário pelo discípulo de Anaxímenes. dispersando-as e sobressumindo-as e presente a si mesmo em sua infinitude — significação negativa positiva. (Preleções sobre a História da Filosofia. desapareçam — e seu desaparecimento e surgimento. pp. continuidade. Anaxágoras. a) tanto sua realidade. ele como que caracteriza a passagem da filosofia da natureza para a filosofia da consciência ou a renúncia ao modo objetivo do ser originário. Mas como a alma (assim o ar) é este meio universal: uma multidão de representações sem que esta unidade. negativa. b) enquanto o infinito é um além da consciência. nos mantém unidos (syncratei). ou também o ar. mais precisamente assim: "Como nossa alma. A natureza do ser originário era antes determinada de maneira estranha. a água. Anaxímenes demonstra muito bem a natureza de seu ser pelo exemplo da alma. e não apenas para fins de comparação.ar (posteriores chamaram-no éter) tudo se produz e nele se dissolve. assim um espírito (pneuma) e o ar mantêm unido (periékhei) também o mundo inteiro. que é ar. fazendo sair de sua unidade as representações. 214-215) . com relação à consciência.

— Ao pitagorismo posterior — com escritos — pertencem Filolau e Arquitas (ver neste vol. 201 e 206). onde morreu em 497 ou 496. . Esta figura cedo foi envolvida pelo legendário. Régio e Siracusa. — Pitágoras não deixou nenhum documento escrito. Síbaris. o pitagorismo exerceu profunda influência na filosofia grega.CRÍTICA MODERNA Friedrich Nietzsche Trad. A . Heráclito. Metaponto. No entanto.C. estabelecendo-se na Magna Grécia (sul da Itália). provocaram a revolta dos crotonenses.) DADOS BIOGRÁFICOS É MUITO POUCO o que conhecemos sobre a vida de Pitágoras. Pitágoras então abandona Crotona. rival comercial de Mileto. Parmênides. Daí a grande dificuldade em reconstituir o pensamento do pitagorismo primitivo e ainda mais o do próprio Pitágoras. de Rubens Rodrigues Torres Filho OS PITAGÓRICOS ParA COMPREENDER seus princípios fundamentais. Tarento.PITÁGORAS DE SAMOS (CERCA DE 580/78-497/6 A. Nasceu em Samos. Como é possível uma pluralidade? Pelo fato de o não-ser ter um ser. é preciso partir do eleatismo. Pelo ano de 540 deixou sua pátria. quer pelos elementos positivos que passaram aos pensadores posteriores. Seus ensinamentos transmitidos oralmente eram rigorosamente guardados em segredo pelos primeiros discípulos que também nada escreveram. p. Em Crotona fundou uma espécie de associação de caráter mais religioso que filosófico. distinguindo-o do de seus discípulos. quer pela reação polêmica que provocou (Xenófanes. Seus adeptos logo criaram novos centros. Zenão). cujas doutrinas eram mantidas em segredo. de modo que é difícil separar nela o histórico do fantástico. refugiando-se em Metaponto. Participantes ativos da política.

O ponto de partida me parece ser a apologia da ciência matemática contra o eleatismo. bastava-lhes que fosse afirmada a existência da Unidade para deduzir dela também a pluralidade. identificam o não-ser ao Apeiron de Anaximandro. E acreditavam discernir a essência verdadeira das coisas em suas relações numéricas. depois os números geométricos ou grandezas (formas espaciais). fogo . e a delimitação etc. do qual se pode dizer que é ímpar.Portanto. portanto. é dito da Unidade (supondo que não existe pluralidade): 1) que ela não tem partes e não é um todo. Mas. as superfícies e os corpos. não quantidades de elementos (água. se o Uno existe. portanto. 3) portanto. tudo é uma unidade". inqualificado e qualificado. é uma especulação totalmente insólita. e o número. não-ser e. Os eleatas dizem: "Não há não-ser. também uma pluralidade". delimitado e ilimitado. que não está em parte nenhuma. pois. há também uma pluralidade. Nela. Os matemáticos pitagoricos acreditavam na realidade das leis que haviam descoberto. Desde que se têm o ponto. Portanto. e as partes múltiplas. Mas ambos compõem o Uno. A primeira vista. portanto. não há nada além de quantidades. foi em todo caso formado por dois princípios. o número é a essência própria das coisas. logo. impossível. há também uma pluralidade. que. portanto há. e a pluralidade do ser. a Unidade veio a ser. um conceito contraditório. pois. por outro lado. o Veras. portanto a diversidade. da unidade procede a série dos números aritméticos (monádicos). nesse caso. contra o eleatismo. têm-se também os objetos materiais. ao absolutamente Indeterminado. o Ser e a Unidade dão a Unidade existente. Lembramo-nos da dialética de Parmênides. Os pitagóricos: "A própria unidade é o resultado de um ser e de um não-ser. a linha. É um procedimento análogo: ataca-se o conceito da Unidade existente porque comporta os predicados contraditórios e é. a isso opõe-se o absolutamente Determinado. não há qualidades. Dizem. 2) que tampouco tem limites. Portanto. em todo caso. àquilo que não tem nenhuma qualidade. 4) que não pode nem mover-se nem estar em repouso etc.

se se trata de sua qualidade. múltiplo. masculino. trevas. ablongo. nesse sentido. dualismo.etc.). As qualidades nasciam por . trevas. 5): delimitado. Nossa ciência é. quente. uma invenção extremamente importante: a significação do número e.] A música. aqui. Na química. [Teoria das cordas sonoras. exclusivamente com o auxílio de números. frio. agitado. Assim. portanto. ativo. mas delimitações do ilimitado. estritamente. ímpar. direita. fora de nós ou em si mesma (no sentido de Locke). denso. é o melhor exemplo do que queriam dizer os pitagoricos. e quanto à tonalidade. para a qual Ecphantus na Antigüidade passa por ter aberto o caminho. modo dórico. têm-se. relação de intervalos. compõe-se somente de relações numéricas quanto ao ritmo. A contribuição original dos pitagoricos é. uno. quadrado. esquerda. o domínio da química e das ciências naturais. esquerda. E tal é. múltiplo. ímpar. como tal. tratava-se sempre de elementos e de sua combinação. Trata-se de encontrar fórmulas matemáticas para as forças absolutamente impenetráveis. toda coisa nasce de dois fatores opostos. A música. curvo. O ser é luz e. do Apeiron. uno. luz. com efeito. ilimitado. mau. Nos outros sistemas de física. direita. De outro lado. ilimitado. agitado. do qual a música é. portanto: delimitado. imóvel. quadrado. curvo. par. só existe em nossos nervos e em nosso cérebro. poder-se-ia exprimir o ser do universo. bom. Isso lembra o quadro-modelo de Parmênides. Notável quadro estabelecido por Aristóteles (Metaf. De novo. sutil. reto. mau. pitagórica. portanto. De um lado. temos uma mistura de atomismo e de pitagorismo. a imagem. pelo menos em certo sentido. este é análogo ao ser potencial da hyle de Aristóteles. O ponto de partida que permite afirmar que tudo o que é qualitativo é quantitativo encontra-se na acústica. bom. I. reto. a possibilidade de uma investigação exata em física. feminino. o não-ser é noite e. passivo. imóvel. conforme se considere o elemento harmônico ou o elemento rítmico. par. pois. se se trata de sua quantidade. masculino. No mesmo sentido. feminino. luz. oblongo. portanto.

dois a opinião. que é representada inteiramente destituída de qualidade. pai de todas as coisas. Mas estes são apenas. delimitado e movido pelo fogo de Heráclito. dois é a linha. Chamar o Ápeiron de Par é sua grande inovação. que fazia nascer todas as coisas de uma dualidade. agora. afirma-se que as qualidades residem na diversidade das proporções. A harmonia das esferas. que reaparece aqui pela última vez. Sua idéia fundamental é esta: a matéria. O Universo e os planetas esféricos. depois.combinação ou por dissociação. problemas secundários. é essencialmente uma força calculadora. Mas identificam esse limite com o fogo de Heráclito. Simbolizava a gênese de todas as coisas a partir da oitava. Contentou-se. a Anaximandro.. a essa força. Cosmogonia. evidentemente. Parmênides chamava Aphrodite. tiveram de erigir a noção de número. inicialmente. | quatro a justiça. agora. somente por . três a superfície. ponto de vista inteiramente novo. Decompuseram os dois elementos de que nasce o número em par e ímpar. como o Veras fixa o limite). provisoriamente. e da Harmonia que une as qualidades opostas. dissolver o indeterminado em tantas relações numéricas determinadas. Mas esse pressentimento estava ainda longe da aplicação exata. enfim. os números quadrados. foi preciso que também a Unidade tivesse vindo a ser. teriam entendido por ela a proporção (aquilo que fixa as proporções. [Simbolismo dos números pitagóricos: um é a razão. o primeiro sistema de Parmênides. Identificaram essas noções com termos filosóficos já usuais. retomaram então a idéia heraclitiana do pólemos. o Ápeiron de Anaximandro. na origem há a descoberta das analogias numéricas no universo. quatro o volume. cinco o casamento. cuja tarefa é. davam nascimento a uma série limitada de números. dez a perfeição etc.] Se se pergunta a que se pode vincular a filosofia pitagórica. encontra-se. Para defender essa idéia contra a doutrina unitária dos eleatas. com analogias fantasiosas. isso porque os ímpares. assim. Remetem-se. um é o ponto. os gnómones. Se houvessem tomado emprestado de Heráclito a palavra lógos.

relações numéricas adquire tal ou tal qualidade determinada. em O Nascimento da Filosofia na Época da Tragédia Grega. Isso lembra a palavra de Leibniz. têm filhos e os alimentam. Sua conexão com Eléia parece duvidosa. Pitágoras e Epimênides). tornados amigos. casam-se. quando ainda jovem. cantando seus poemas através da Grécia.C. Xenófanes nasceu em Colofão. como se fôssemos crianças. Em oposição aos filósofos de Mileto. outro diz que há dois. A . de Wilson Regis 1.] É uma espécie de mito que cada um parece contar-nos. Sofista. sábio e rapsodo. pp. de onde se viu forçado a emigrar. úmido e seco ou quente e frio.) DADOS BIOGRÁFICOS SEGUNDO APOLODORO. na Jônia. mas combatem às vezes entre si alguns deles. (Obras. Um dizendo que são três os seres. 242 cã (DK 21 A 29). Os pitagóricos teriam podido dizer o mesmo do universo. 141-144) 1 O exercício de aritmética oculto do espírito que não sabe calcular. levando então vida errante. a começar . XENÓFANES DE COLOFÃO (CERCA DE 570-528 A. ml. Fez-se famoso com os ataques aos poetas (Hesíodo e Homero) e aos pensadores (Tales. PLATÃO. pp. 214-224. fá-los coabitar e casar-se. XIX.DOXOGRAFIA Trai. ao dizer que a música é exercitium arithmeticae occultum nescientis se numerare animi. e outras. só escreveu em verso. E entre nós a gente eleática. Tal é a resposta dada ao problema de Anaximandro. — Foi poeta. Passou parte de sua vida na Sicília. mas sem poder dizer quem faz o cálculo. [FALA o ESTRANGEIRO de Eléia. O vir-a-ser é um cálculo.

não falando estes de um elemento físico. mas do ser em sua essência. 16 cd). 3. 27: Porfírio afirma que Xenófanes considera princípios o seco e o úmido. e se é um só. devem ser deixados na presente investigação. Por isso aquele diz que o um é limitado. (DK 21 A 31). ARISTÓTELES. é necessário que de modo igual o poder seja de Iodos. nos versos em que diz: "Mas que vós todos água e terra vos torneis"? 2. Física. Xenófanes e Melisso. Física. Filebo. ou é imóvel ou móvel. que o princípio seja ou um só ou não um só. segundo o conceito. Desta opinião do fragmento não parece ser também Homero. filho de Pireto. I. Metafísica. pois. o qual ele mostra que é um por ser o mais poderoso de todos. (3) Este um total dizia Xenófanes que era o deus. Xenófanes. e este. dirigindo o olhar a todo o céu. como parece afirmar Melisso de Samos. nada esclareceu. segundo a matéria. 5. eu digo que ele considera a terra e a água. e se é imóvel. 986 b 18 (DK 21 A 30). que é ilimitado. por ser necessário que o . de todos. 125. ou é ilimitado. pois se há muitos seres. — Filópono.de Xenófanes e ainda de mais longe (Cf. sobretudo dois dentre eles. por serem um tanto ingênuos. como dissemos. diz que o um é o deus (cf. e Melisso ao um. SIMPLÍCIO. mas. Pois Parmênides parece referir-se ao um. reconhecendo que sua fama provém mais de outro tipo de estudo do que da investigação sobre a natureza. o mestre de Parmênides. diz ele. o mais forte e o melhor é deus. ou limitado. supõe único o princípio ou único o ser e o todo (e nem é limitado nem ilimitado. nem móvel nem estático). Portanto.12 ss. (1) E necessário. não vê senão a unidade no que chamamos de "todas as coisas". o primeiro a postular a unidade (de Parmênides diz-se que foi discípulo dele). o que é mesmo que dizer muitos. fragmento 23). como afirma Parmênides de Eléia. 22. (4) Ele o mostrava inengendrado. mas. (2) Teofrasto afirma que Xenófanes de Colofão. e assim nos explica em seus mitos. nem parece que vislumbrou nenhuma dessas duas naturezas. a saber. Dele circula uma citação que revela isto: (B 29).

e se do semelhante se gerasse. E assim mostrava que ele é inengendrado e imortal. vinho doce. nas jarras cheirando a flor. ergue-se uma cratera. diz ele. 462 C. revela atos nobres . o ser seria a partir do não-ser. se não fores muito idoso. pelo meio perpassa sagrado aroma de incenso. bebendo. um cinge as cabeças com guirlandas de flores. agradável e pura.engendrado se engendre ou do semelhante ou do dessemelhante.FRAGMENTOS Trad. Depois de verter libações e pedir forças para realizar o que é justo — isto é que vem em primeiro lugar — não é excesso beber quanto te permita chegar à casa sem guia. Mas o semelhante. que promete jamais falar. fresca é a água. Prado ELEGIAS (DK 21 B 1-9) 1. as mãos de todos e as taças. X. canto e graça envolvem a casa. A. à mão está outro vinho. plena de alegria. É preciso que alegres os homens primeiro cantem os deuses com mitos piedosos e palavras puras. de Anna L. no centro está um altar todo recoberto de flores. pois absolutamente não convém mais gerar do que ser gerado o semelhante do semelhante. E de louvar-se o homem que. não 6 afetado pelo semelhante. Agora o chão da casa está limpo. ATENEU. de A. B . outro oferece odorante mirra numa salva. ao lado estão pães tostados e suntuosa mesa carregada de queijo e espesso mel.

X. obteria nos jogos lugar de honra visível a todos.como a memória que tem e o desejo de virtude. ou na luta. Mas se alguém obtivesse a vitória. pois mais que a força física de homens e de cavalos vale minha sabedoria. Pequeno motivo de gozo teria a cidade. Ter sempre veneração pelos deuses. 413 F. sem nada falar de titãs. nem justo é preferir a força física à boa sabedoria. nem de gigantes. 2. se alguém. vencesse às margens do Pisa. ou no pentatlo. muito sem razão é esse costume. não é por isso que a cidade viveria em maior ordem. isto é bom. pois isso não enche os celeiros da cidade. ou de lutas civis violentas. nem na luta ou pela rapidez dos pés. ATENEU. ou pela rapidez dos pés. competindo. Ainda que fosse com cavalos. ou na rude disputa a que chamam pancrácio. nas quais nada há de útil. ficções criadas pelos antigos. os cidadãos o veriam mais ilustre. que mais que a força física merece honra entre as ações dos homens nos jogos. Pois nem havendo entre o povo um bom pugilista. embora não fosse digno como eu. tudo isso lhe caberia. lá onde está o recinto de Zeus perto das correntes do Pisa em Olímpia. receberia alimento vindo das reservas públicas dado pela cidade e também dons que seriam seu tesouro. . Ora. nem de centauros. ou mesmo no penoso embate do pugilato. nem havendo um bom no pentatlo.

respingando perfume de ungüentos artificiais. p. 782 A. IX. 8. reconheci-a ao ouvir sua voz. ATENEU. 19. soberbos. IX. dizem. mas a água e por cima o vinho puro.3. XI. Os lídios foram os primeiros a cunhar moedas 5. recebeste gordo pernil de boi cevado. Tendo mandado uma coxa de cabrito. 9. 36. 526 A. 6. Sobre as Longas. 7. IDEM. (N. SÁTIRAS (DK 21 B 10-2 a) 10. 6. XII. 296.) .. e falou o seguinte: Pára! Não batas mais! pois é a alma de um amigo. IDEM. As delicadezas inúteis aprenderam13 dos lídios. orgulhosos de seus cabelos bem tratados. DIOGENES. 368 E. passando por um cãozinho que espancavam. se é que eu sei falar com verdade sobre isso. iam à agora vestindo túnicas purpúreas. quinhão que honra um homem cuja glória atingirá toda a Hélada e não passará enquanto viver a raça dos aedos helenos. 13 Os homens de Colofão. enquanto estavam longe da odienta tirania. 18. Agora passarei de novo a outro assunto e indicarei o caminho E uma vez. 18. Desde o início todos aprenderam seguindo Homero. e. 83. apiedou-se. em geral. 4. IX. do meu nascimento até então vinte e cinco a mais. em número não inferior a mil. ATENEU. Já sessenta e sete anos se passaram fazendo vagar meu pensamento pela terra da Hélada. Ninguém temperaria o vinho vertendo-o primeiro na taça.. Etimológico Genuíno Magno Do que um homem envelhecido muito mais fraco. do T. VIII. POLUX. HERODIANO GRAMÁTICO.

IDEM. Noites Aticas. IX. 17. ESTOBEU. 13. roubo. Não. tudo quanto entre os homens merece repulsa e censura. Muitíssimas vezes mencionaram atos ímpios dos deuses. com o tempo. Contra os Matemáticos. procurando. os trácios. Ramos de pinho circundam a casa firme. Tudo aos deuses atribuíram Homero e Hesíodo. os cavalos e os leões e pudessem com as mãos desenhar e criar obras como os homens. de início. 110. Tapeçarias. 22. V. 2. 12. Mas se mãos tivessem os bois. que eles têm olhos verdes e cabelos ruivos. Xenófanes admirava Tales por ter predito eclipses solares. estes descobriram o melhor. 1. mas. IDEM. 15. Xenófanes diz que ouviu dizer que Epimênides alcançou a idade de 154 anos. 20. 16. VII. adultério e fraude mútua. os bois semelhantes aos bois.11. Cavaleiros. que como eles se vestem e têm voz e corpo. I. I. 109. 193. Os egípcios dizem que os deuses têm nariz chato e são negros. AULO GELIO. Escólios in ARISTÓFANES. Contra os Matemáticos. desenhariam as formas dos deuses e os corpos fariam tais quais eles próprios têm. SEXTO EMPÍRICO. 408. V. adultério e fraude mútua. 289. roubo. III. os deuses não desvendaram tudo aos mortais. 11. 14.111. DIOGENES LAERCIO. IDEM. CLEMENTE DE ALEXANDRIA. . Eclogas. 8. Tapeçarias. IDEM. 19. Mas os mortais acreditam que os deuses são gerados. I. 18. os cavalos semelhantes aos cavalos. Tapeçarias. 23. Homero é anterior a Hesíodo.

5. ora para cá. lambiscando grão-de-bico: Quem és afinal entre os homens? Quantos anos tens. 40 Erykos PARÓDIAS (DK 21 B 22) 22. 27.Oxyrrh. ATENEU. 24. ibidem. 34. Pois tudo vem da terra e na terra tudo termina. Escólios in HOMERO. 1087. II p. no inverno. e não lhe convém ir ora para lá. IX. AÉCIO. IDEM. Física. 23. É ao pé do fogo que tais palavras deves dizer. IV. 109. 25. 11. em nada no corpo semelhante aos mortais. meu caro? Que idade tinhas quando o Medo chegou? SOBRE A NATUREZA (DK 21 B 23-41) 23. o inferior dirige-se para o infinito. CLEMENTE DE ALEXANDRIA. Introdução. todo inteiro pensa. 21 A. 54 E. Contra os Matemáticos. 26. entre deuses e homens o maior. deitado em cama macia e saciado. 28. 697. todo inteiro ouve. Este limite superior da terra é visto aos nossos pés em contato com o ar. SÍMPLICIO. Um único deus.21. Tapeçarias.10. bebendo doce vinho. 4 p. Mas sem esforços ele tudo agita com a força do pensamento. V. SEXTO EMPÍRICO. nem no pensamento. Xenófanes chama Simônides de avarento. 23. . AQUILES. Paz. Sempre permanece no mesmo lugar sem nada mover. Escólios in ARISTÓFANES. 144. Todo inteiro vê.19.

44. ibidem. 4. Alegoria de Homero. SIMPLÍCIO. IDEM. A quem chamam íris. 5. Física. 296. nem as correntes dos rios. p. 32. AECIO. não haveria a força do vento que sopra para fora. Ilíada. IDEM. Sobre Particularidades da Linguagem. 7. XI. é fonte do vento. a respeito de tudo existe uma opinião. X. diriam. Julga que estas coisas são análogas às verdadeiras. por sua natureza também é nuvem. O sol lançando-se por sobre a terra e aquecendo-a. rubra e esverdeada aos nossos olhos. 188. Pois todos nascemos da terra e da água. 35.. Sobre as Longas. nem haverá alguém que conheça sobre os deuses e acerca de tudo que digo. 110. HERÁCLITO. 41.. purpúrea. Tudo quanto aos mortais parece ser visto. são os figos. 31. nem a água chuvosa do éter. 9. 30. 33.. 4. 49. sem o grande mar. portanto. Vil. Se Deus não tivesse feito o dourado mel. 32. . ele próprio não saberia. 34. muito mais doces. 30. E o que é claro. pois. O mar é fonte da água.. 37. nas nuvens. 324. pois. Contra os Matemáticos. Terra e água é tudo quanto vem a ser e cresce. Questões de Convivas. 38. É o grande mar que engendra as nuvens. ainda que no máximo acontecesse dizer o que é perfeito. IX. III. 36. IDEM. Escólios BLT de EUSTÁTIO a HOMERO. HERODIANO GRAMÁTICO. SEXTO EMPÍRICO. Sobre Particularidades da Linguagem. PLUTARCO.29. 30. 746 B. ventos e rios. E em certas grutas a água goteja. 27. c. nenhum homem viu.

deixa valer o outro e então dele se acerca — esclarece que ele então concebe o outro. que carrega em si mesmo (a dialética propriamente dita). 40. depois de fortalecido. b) o pensamento de início tímido — o qual. 940. da intuição — diferenças expressas na forma do que é qualitativo e não como conceitos puros. em sua simplicidade e auto-identidade paralisadas — e a todo o resto como o sem importância.CRÍTICA MODERNA Georg W. Se refletirmos previamente sobre como a marcha do puro pensamento deveria constituir-se. 1010. Etimológico Genuíno Magno Rã (forma dialetal).39. de Ernildo Stein a. ou através de algo que é pensado e movimento do conceito ou do pensamento. A expressão do ser absoluto através daquilo que é um conceito puro. (N. o um. do mesmo 14 Inclui Xenófanes. F. do E. 41.) . e na essência objetiva a contradição. PÓLUX. captando puramente para si o pensamento e o movimento do pensamento em conceitos. é o seguinte elemento que veremos necessariamente surgir. VI. Parmênides. imediatamente. Armadilha. e com isto a oposição do pensamento e parecer ou do ser sensível — daquilo que é em si oposto ao que é para um outro deste em si. A ESCOLA ELEÁTICA14 A FILOSOFIA PITAGÓRICA não possui ainda a forma especulativa da expressão para o conceito. mas à maneira da representação. Cerejeira. TZETZES. Nela vemos o pensamento tornar-se ele mesmo livre para si mesmo — nisto que os eleatas enunciam como o ser absoluto. p. uma mistura de ambos. resulta que a) o puro pensamento (o puro ser. V. C . e isto encontramos na Escola Eleática. Números são o conceito. A Dionísio Periegeta. o neoúmenon) põe-se. 46. Melisso e Zenão. Hegel Trad.

IX. transformações. que ele é supra-sensível. nem quanto à figura nem quanto ao espírito". Assim veremos a formação dos eleatas na história. são momentos necessários que nela devem aparecer. só é o ser. aquelas determinações fazem apenas parte da representação sensível. 14. meio e fim. e não é comparável aos mortais. como fluido. é trivial. O um é. pelo contrário. Estas proposições eleáticas interessam ainda agora à Filosofia. como nada. o número. mas. imóvel. Aqui. ao lado de todos os outros. § 144. .16 Na filosofia física. pensa em toda parte e ouve em qualquer lugar". XENÓFANES No que se refere à sua filosofia. A determinação do ser nos é conhecida. como um surgir e desaparecer. aqui. 714. por isso. Designou isto também Deus. o produto imediato do puro pensamento. palavras a que Diógenes de Laércio ainda acrescenta: "Tudo é pensamento e razão". Sexto Empírico. pág. (Preleções sobre a História da Filosofia. em sua imediaticidade é o ser. imutável. Com isto Xenófanes negou a verdade às representações de surgir e desaparecer.modo em sua simplicidade. § 19. mostrando neste mesmo a sua nulidade. Xenófanes determinou primeiro o ser absoluto como o um: "O todo é um". movimento etc. O princípio é: só é o um. Contra os Matemáticos. afirmou que Deus está implantado em todas as coisas.. Stromata (Miscelâneií) V. c) afirmando o outro na multiplicidade de suas determinações. transforma-se. ser é um verbo auxiliar na gramática. ed. Os pitagóricos tampouco refletiam sobre estes conceitos. colocamo-los como determinação singular. Mas. como agora a mudança é concebida em sua mais alta abstração. sem começo. "Um Deus é o maior entre os deuses e os homens. mas usavam também seu ser. se tais coisas sabemos de ser e de um. Em alguns de seus versos diz Xenófanes. IX. significa 15 16 Clemente de Alexandria.15 e: "Ele vê em toda parte. vimos representado o movimento como um movimento objetivo. pp. 275-276) b. Diógenes Laércio. passa para o lado da consciência e a essência torna-se imóvel. este movimento objetivo num subjetivo. Potter.

sem dúvida. o verdadeiro somente é que Deus é o um — não no sentido de que haja um Deus (isto é. e o pensamento está assim. o resultado é o mesmo. devemos deixar desaparecer todas as determinações. porém. estes deuses na fantasia. sobre nós. Mas os gregos tinham apenas o mundo sensível diante de si. Como. E. não está contida outra determinação que na afirmação da Escola Eleática. não só através de representações filosóficas e predicados de Deus — até esta abstração que a tudo destrói. Zenão e Górgias. em que Deus é apenas concebido como o ser mais alto. falta o começo em que se diga de quem é o 17 Sobre Xenófanes. Este raciocínio encontra-se em Aristóteles. 1. porém. A reflexão moderna percorreu. esquecer nossas representações. assim que não tinham. da maneira mais precisa. nisto. também é o último a que o entendimento retorna — como o demonstra a modernidade. (Esta explicação pertence precipuamente a Zenão. cap. A isto se vincula. Então. estavam aí isolados. Pois foram eles que demonstraram mais detidamente que nada surge e nada desaparece.) Que a mudança não é ou se contradiz mostraram-no de um modo que é atribuído a Xenófanes. Devemos. o raciocínio dos eleatas. obras que tratam de Xenófanes. . a não ser que ele é. mas o conteúdo. Se dizemos de Deus que este ser supremo está fora de nós. ZenSo e Górgias. Isto representa um progresso espantoso. mas de que ele é apenas este igual a si mesmo. na Escola Eleática propriamente e pela primeira vez. uma outra determinação). nada mais alto ante si. jogam tudo isto fora como algo não verdadeiro.que todo o resto não tem realidade efetiva nem ser como tal. Assim como isto é o primeiro. isto é. apenas aparência. Soubéssemos nós de uma determinação. o privado de determinação. sabemos de Deus como espírito. já que nisto não encontram satisfação. no mundo sensível. como identidade abstrata. ao pensar isto. pois. manifestado livre para si. assim. isto seria um conhecimento. chegando assim ao pensamento puro. um caminho mais longo.17 em suas obras cheias de lacunas e em algumas passagens cheias de corruptelas. que nada podemos conhecer dele.

originar-se-ia ou do nada ou do ser. em ambos os casos viria do nada. Já que Aristóteles expressamente diz que Xenófanes ainda não tinha determinado nada claramente.raciocínio. pois no menos não está contido seu mais. deve ser negado de Xenófanes. enquanto na realidade aqui se trata do eterno (aídion) como o igual a si mesmo. caso o que precede. nome algum é citado. Ao menos tanto é conhecido que Xenófanes mesmo ainda não era capaz de exprimir. então este um. Lá. como aliás também muitas vezes sugere o título. nela há mais reflexão que a que se poderia esperar dos versos de Xenófanes. tomar-se-ia mais e maior. sem que interviessem representações de tempo. Pois. e é citado por Aristóteles. o puramente presente. do nada de si mesmo. E uma dialética mais acabada. E. 'do qual todo o resto (que aparece) surgiria'. portanto. eterno (aídion)]. Outros manuscritos trazem outros títulos. E se apenas algumas coisas fossem e delas todo o resto se originasse. nem no menor seu maior. imutável. "E impossível que algo venha do nada. se algo surgisse. O texto começa por: "Ele diz". fosse por este atribuído a Xenófanes. nele misturamos passado e futuro. antes nada poderia ter sido. E possível que Melisso ou Zenão estejam aí em questão. desta maneira. de maneira tão ordenada e definida. contido em Aristóteles. Xenófanes é citado neste escrito de maneira tal (uma opinião dele) que tenha que parecer que iria falar disto de outro modo. Eterno é uma expressão canhestra. se tudo tivesse surgido. Mas quer tudo tenha surgido. pois ao ouvir o termo logo pensamos no tempo. seus pensamentos como no texto de Aristóteles vem indicado. surgir e devir estão excluídos. afirmase: "Se algo for (ei ti esti). Mas o mais e o maior se originariam. é eterno" [supra-sensível. então o raciocínio mais culto. Deve-se observar que apenas o título sugere que Aristóteles esteja expondo a filosofia de Xenófanes. como um tempo infinitamente longo. quer apenas nem tudo seja eterno. só restam conjeturas para atribuí-lo a Xenófanes." — "Tampouco . não suscetível de transformação.

porém. a multidão de coisas. portanto.pode algo surgir do ente. pág. o que é impossível. mas — suspenso entre ambos — parece ter limitado o conhecimento da verdade. quando se fala de surgir e desaparecer. O um é. adviria deste nada. não existe passagem para o desigual. pois. Diógenes Laércio. pois este é impossível — não para o vazio tampouco. a esta verdade opõe Xenófanes agora a opinião. que entre dois tipos de saber opostos dever-se-ia preferir a opinião mais 18 19 Simplício. para a consciência. se fossem dois ou mais. seu surgir e desaparecer e sua mistura. Xenófanes não parece ter-se decidido por um ou por outro. não mais seria o um. já que não passa para outra coisa (mè és ti hypokhorésan). uma contradição. portanto. pois não se move. onde desapareça. um seria o nada do outro. para alguém que opina. Pois todas estas determinações implicariam o fato de o não-ente surgir e o ente desaparecer. princípio e fim. sua mudança. não tem verdade. teriam. Comentário à Física (22) de Aristóteles. "O infinito todo é um. não é localizado nem muda de figura. 156): "Porque achou o surgir incompreensível". Com isto. mas seriam postos muitos. pois este é o nada. I. A mudança eliminada da essência e a multiplicidade passam para o outro lado. "Este um é igual a si mesmo. "Enquanto eterno. teria que movimentar-se para o pleno ou o vazio: não para o pleno. A este elemento verdadeiro. a supressão destes momentos." Aponta-se. não é. isto é. Este um é também imóvel. pois não possui começo a partir do qual pudesse ser. aquele primeiro saber passa para o lado deste segundo aspecto. § 19. pois o ente já é. e não surge desde o ente"18 — já pressuponho o ente. E necessário dizer isto que Xenófanes diz — se apenas é retido o lado negativo."19 Tennemann diz (vol. pois. nem fim. tanto indolor quanto sadio (ánoson). se fosse desigual. . por isso. o qual possui tanta certeza para a consciência comum como o primeiro". o ente também é ilimitado. IX. passando. nem se mistura com outra coisa. limitar-se-iam um ao outro". a saber. o absoluto sem predicados: "Na intuição sensível está presente o oposto.

segundo ele. e não o seguro e certo. mesmo que fosse bem sucedido e dissesse o mais perfeito Ele mesmo não o saberia. 110. Assim se expressa Aristóteles sobre ele. Sexto22 explica que Xenófanes não suprime todos os conhecimentos (katálepsin). Porém. Claro seria somente ninguém saber o verdadeiro que com isto dizia. §§ 47-52. o critério é a opinião. 113." Generalizando. mesmo que eles a encontrassem. De maneira tal que. às escuras. mas somente os científicos e que não podem enganar (adiáptoton). Pois. que não deveria ser vista como a verdade. vários procurassem.. provável. o ouro. Isto ele afirma quando diz: "Em tudo se cola a opinião". As expressões indeterminadas de Xenófanes poderiam também significar que ninguém sabia o que ele (Xenófanes) aqui anunciava. 4 § 18. Contra os Lógicos. cada um pensaria ter encontrado o ouro. deixando.provável. Da mesma maneira.21 "Ninguém jamais soube algo claro. Parmênides. Sexto explica isto assim: "Como se nos representássemos que numa casa. para procurar a verdade. não teria ele sabido que isto era a 20 21 22 Sobre Xenófanes . pois a tudo se cola a opinião. 1. como numa grande casa. mas. Qmtm os Matemáticos. E Sexto cita algumas vezes versos com este sentido. não o saberia com certeza. nem jamais o saberá Do que eu digo. Esboços Pirrônicos. contudo. contudo. mesmo que o tivesse realmente encontrado. § 326. onde se encontram muitas coisas preciosas. é a supressão das representações que ele realiza de maneira dialética. mesmo que um tal pensamento lhe tivesse passado pela cabeça.20 Céticos viram nisto o ponto de vista da incerteza de todas as coisas. sobrar o saber da opinião (tèn doxazén). I. não poderiam saber se realmente a encontraram". de acordo com seu um. cap. porém. VIII. condenava a opinião. os filósofos entram neste mundo. . mas que este preferido mesmo só era a opinião mais forte.. contudo. isto é. "Unicamente conseqüente. 110. no que precedeu. II. seu amigo.. tanto dos deuses como do universo. VII.

adultério e engano mútuo". porém. I. também não deveriam possuir maior significação especulativa que valor junto a nossos físicos.verdade — pois que a opinião a tudo se colava. ele diz: "Se os touros e leões tivessem mãos para realizar obras de arte como os homens. Simplício. por outro lado. que. sobressumindo-o. diz. Quando ele. Ibid. ele determinou o ser absoluto como o simples. 68. em parte. IX. 275-276) 23 24 25 Brandis. contra as representações mitológicas que os gregos tinham de seus deuses. mas sobre isso foram-nos transmitidas apenas coisas fragmentárias em parte. Aristóteles diz expressamente que ninguém considerou a terra como princípio absoluto. Comentário à Física (41) de Aristóteles. perpassa o que é e nele está imediatamente presente.23 Também invectiva contra as representações dos deuses de Homero e Hesíodo: "Homero e Hesíodo aos deuses atribuíram tudo o que junto aos homens merece vergonha e reprovação. (Preleções sobre a História da Filosofia. e seria para um tal também apenas uma opinião. . Sexto Empírico. §§ 313. § 193. como roubo.. X. 314. Contra os Matemáticos." Vemos aqui em Xenófanes uma dupla consciência: uma consciência pura e consciência da essência e uma consciência da opinião. de um lado. pp. aquela era-lhe a consciência do divino e é a pura dialética que se comporta de modo negativo em face de tudo que é determinado. assim filosofa ele. se proclama contra o mundo sensível e as determinações finitas do pensamento. como na água de Tales. Estudos Eleatas. "de terra é tudo e tudo termina em terra". atribuindo-lhes corpos tais como a figura que eles mesmos possuem". neste sentido. por isso. desenhariam da mesma maneira os deuses. da maneira mais forte. sobre os fenômenos. pág. Se ele. fala então.25 isto não possui o sentido de que nisto deveria estar expressa a essência (os princípios físicos).24 Assim como. Entre outras coisas. tais opiniões físicas também não possuem grande interesse.

Sem ter tido mestre.C). segundo outra tradição. 83). IX. como transparece também em seu livro. Estabeleceu a existência de uma lei universal e fixa (o Lógos). Recusou-se sempre a intervir na política. — Heráclito é por muitos considerado o mais eminente pensador pré-socrático. por formular com vigor o problema da unidade permanente do ser diante da pluralidade e mutabilidade das coisas particulares e transitórias. Desprezava a plebe. em prosa. orgulhoso e cheio de desprezo pelos outros.C. cidade da Jônia. regedora de todos os acontecimentos particulares e fundamento da harmonia universal. era natural de Efeso. mas de forma tão concisa que recebeu o cognome de Skoteinós. Seu caráter altivo. Era homem de sentimentos elevados.) DADOS BIOGRÁFICOS HERÁCLITO NASCEU em Éfeso. contra os filósofos de seu tempo e até contra a religião. no dialeto jônico..HERÁCLITO DE ÉFESO (CERCA DE 540-470 A. de família que ainda conservava prerrogativas reais (descendentes do fundador da cidade). o Obscuro. de tudo" (é o . de Wilson Regis 1.DOXOGRAFIA Trad. "como a do arco e da lira". Hecateu" (é o fragmento 40.. V. A . FILHO DE Blóson.. Manifestou desprezo pelos antigos poetas.. Heráclito escreveu o livro Sobre a Natureza. onde diz: "Muita instrução. 1-17 (DK 22 A 1) (1) HERÁCLITO. ou. Floresceu em 504-500 a. "Pois uma só. harmonia feita de tensões. misantrópico e melancólico ficou proverbial em toda a Antigüidade. DIÓGENES LAÉRCIO. Tinha uns quarenta anos por ocasião da 69â Olimpíada (504-501 a. de Heronte. p.C.

por fim. (2) E dizia também: "A insolência. O livro que lhe é atribuído é em geral Sobre a Natureza e se divide em três partes: Do Universo.. expelir a água. foi a si próprio que se procurou e tudo aprendeu de si mesmo. (3) Retirado no templo de Ártemis. e. porque já era a cidade dominada por mau regime político.. dizia. (5) Desde criança era alvo de admiração. e de propósito o escreveu obscuramente. em seu livro Sobre Heráclito. E por isso. Neantes de Cizico afirma que. afirma que. irreconhecível pela putrefação. desdenhou o pedido. teria sido ele ouvinte de Xenófanes. 83). (Segue Epigrama de D. p. Censura os efésios. conta que ele perguntava aos médicos se alguém podia. p. como eles não o compreendessem. p. Aristão. 90). tornado um misantropo e retirando-se. 83). feito homem. desceu à cidade e pôs-se a perguntar enigmaticamente aos médicos se podiam fazer de um aguaceiro uma seca. Nada conseguindo assim. Quando ainda jovem. E. Laércio. para que só homens capazes . incêndio" (é o fragmento 43. V. e "E preciso. segundo uma tradição. perguntoulhes: "De que vos admirais. Política e Teologia. vivia nas montanhas. acercando-se dele os efésios. muralhas" (é o fragmento 44. perversos? Que é melhor: fazer isso ou administrar a República convosco?". declarou que sabia tudo. deitou-se ao sol e pediu aos criados que o cobrissem com estéreo. V.. V. (6) Depositou-o no templo de Arte-mis. Como negassem. 83). alimentado-se de ervas e plantas. V. 83). faleceu no dia seguinte e foi sepultado na praça pública. p. porém..fragmento 41..) (4) Hermipo. V. como asseveram alguns. O mesmo diz Hipóboto. lá permaneceu. mas. foi devorado pelos cães. tendo falecido de outra enfermidade.. igualmente" (é o fragmento 42. tendo sido impossível retirá-lo de sob o estéreo. foi enterrar-se num estábulo e esperou que a água fosse evaporada pelo calor do estrume.. p. De ninguém aprendeu. divertia-se em jogar com as crianças e.. acometido de hidropisia. findou a vida aos sessenta anos. Socião. esvaziando-lhe o ventre. Como lhe pedissem que elaborasse suas leis. escreve que ele foi curado da hidropisia. "Homero. porém. com outros" (é o fragmento 121. na passagem em que diz: "Merecia. dizia que não sabia nada. Assim deitado.

Tamanha reputação alcançou seu livro que se formaram adeptos seus e passaram a chamar-se heraclitianos. Em seu livro por vezes é lúcido e seguro. e com mais consistência torna-se água. 83). solidificando-se. originadas por rarefação e condensação. Teofrasto atribui à sua melancolia que partes da obra sejam imperfeitas e outras tenham contradições. p. 91). "Entre eles. Dos contrários. concórdia e paz. ela tem" (é o fragmento 45. e este é o caminho para cima. V. Antístenes dá prova de sua nobreza de alma ao citar nas Sucessões que ele abdicou de um título real em favor de seu irmão. passa a terra. A concisão e densidade de sua interpretação são incomparáveis. E isto se processa segundo o destino. nasce ele de fogo e de novo é por fogo consumido. fragmento 80). 83). (7) Eis. V. p. mas nada explica com clareza. tudo está cheio de almas e demônios. fragmentos 12. Timão o caracteriza nestes termos. por toda a eternidade. a terra se derrete e se transforma em água. e segundo ela se origina o cosmo. e este é o caminho para baixo.. engana" (é o fragmento 46..pudessem abordá-lo e não fosse facilmente exposto ao desprezo público. e a mudança é um caminho para cima e para baixo. (8) Os pontos particulares de sua doutrina são os seguintes: fogo é o elemento e "todas as coisas são permutas de fogo" (fragmento 90). com voz de cuco injuriando a turba. Dizia ainda: "Limites. "A presunção. Tudo se origina por oposição e tudo flui como um rio (cf. o que leva a gênese chama-se guerra e discórdia (cf. (9) Condensado o fogo se umidifica. e esta. enigmático surgiu Heráclito". tudo se origina segundo o destino e por direções contrárias se harmonizam os seres. Discorreu também sobre as afecções que se articulam no mundo e afirmou que o sol é tão grande quanto parece. E se . em linhas gerais. e limitado é o todo e um só cosmo há.. sua doutrina: tudo se compõe a partir do fogo e nele se resolve.. em períodos determinados. e o que leva a conflagração. a tal ponto que mesmo o de inteligência mais lenta aprende facilmente e sente impelida sua alma. e desta se formam as outras coisas que ele refere quase todas à evaporação do mar. Inversamente.

produzem evaporações a partir da terra e do mar. Alguns o intitulam As Musas. e outras tenebrosas. nos quais. e quando da evaporação brilhante nasce o calor faz verão. Diódoto o designa: "Um seguro leme para a conduta da vida". entretanto. De modo análogo ele explica os demais fenômenos. anos. (10) A mais brilhante é a chama do sol. afirma que certo Cróton escreveu no Mergulhador que foi um certo Crates quem primeiro introduziu na Grécia a obra de Heráclito. outros Sobre a Natureza. (12) O gramático Seleuco. e a mais quente. meses e estações. chuvas. não esclarece sua natureza. (11) Pois a brilhante evaporação inflamando-se no círculo do sol produz o dia. há nele barcos voltados em sua concavidade para nós. não é por isso. mas a lua. mas por não se encontrar num espaço puro. ao que envolve o mundo. E ele teria afirmado que era preciso ser um mergulhador de Delos quem nele não se quisesse submergir. E outros o chamam Ciências dos Costumes e também Ordem Única da Direção de Todas as Coisas. umas brilhantes e puras. O sol. As fases mensais da lua ocorrem quando o barco que a encerra se volta aos poucos. recolhidas as evaporações brilhantes. ventos e fenômenos semelhantes procedem das diferentes evaporações. segundo diz Aristão. que são os astros. Os demais astros distam mais da terra e é por isso que seu brilho é menos vivo e menos quente. E estas são as suas doutrinas. É por isso que mais aquece e mais ilumina. Dia e noite. Dizem que. Os eclipses do sol e da lua provêm de que as concavidades dos barcos se voltam para cima. tendo-lhe alguém perguntado "por que . e quando a contrária prevalece produz a noite. está contado por nós no livro sobre Sócrates. que está bem próxima à terra. mas quando da sombra o úmido prevalece faz inverno. formam-se chamas. Mas. No que se refere a Sócrates e tendo o que ele teria dito quando chegou a conhecer o livro que lhe passou Eurípides. E é aumentado o fogo pelas brilhantes e o úmido pelas outras. entretanto. está em região clara e pura e dista de nós num intervalo conveniente. Mas sobre a natureza da terra nada revela nem também sobre a dos barcos.

se calava". tenham ouvido" (é do fragmento 1. Entre os gramáticos. perecível aos perecíveis. Crátilo. PLATÃO. Muitos são os comentadores de seu livro: Antístenes. (16) Jerônimo diz que o poeta jâmbico Cítino tentou pôr em versos esse livro. 23. 2. o que é a mesma coisa. p.) (15) Demétrio conta-nos em seus Homônimos como também desdenhou os atenienses. V. ARISTÓTELES. 645 a 17 (DK 22 A 9). e atribuía movimento a todos os seres. fragmento 91.12). 4. afirma que não poderia entrar duas vezes num mesmo rio (cf. 111. — Aécio. 1407 b 11 (DK 22 A 4). Demétrio de Falereu refere-se a ele. embora desprezado pelos efésios.. Heráclides do Ponto. chamado o "heraclitista". e mais ainda. Pois é incerto saber pela pontuação a que se liga o aei sempre.. e como preferiu viver junto aos seus concidadãos. (. ARISTÓTELES. Pois pontuar os escritos de Heráclito é um trabalho. 79).. E. E o que se dá quando há muitas conjunções e não se dá quando há poucas ou quando não é fácil pontuar como nos escritos de Heráclito. Também na apologia de Sócrates. Das Partes dos Animais. 5. e que as partes sobre a natureza se encontram a título de exemplo. Cleantes. Muitos epigramas circulam a seu respeito. 1. 3. Nicomedes e Dionísio.. I. 7: Heráclito retira do universo a tranqüilidade e a estabilidade. Heráclito diz em alguma passagem que todas as coisas se movem e nada permanece imóvel. embora tivesse entre eles o mais alto renome. o estóico Esfero. Pausânias. eterno aos eternos. 402 A (DK 22 A 6). ao comparar os seres com a corrente de um rio. ele respondeu: "Para vocês poderem tagarelar". por ser incerto se tal pontuação se liga a uma palavra anterior ou posterior como no começo do seu escrito: "Deste logos. quando estrangeiros vieram visitá-lo e o encontraram aquecendo-se junto à lareira. ordenou-lhes que entrassem sem . Convém absolutamente que o que se escreve seja fácil de ler e compreender. Tal como se diz que Heráclito. pois é próprio dos mortos. Retórica. p. 5. Diódoto assevera que o livro é não sobre a natureza mas sim sobre a política.

94.. A percepção ele critica. não uma qualquer. V. mas a comum e divina. Concordam todos em que o mundo foi gerado.205 a 3: Como afirma Heráclito: Um dia tudo se tornará fogo. 6. pela sensação e pela razão (logos). uma vez gerado. quando diz na sentença: "Más testemunhas. pois ali também havia deuses. do mesmo modo deve-se abordar sem aversão o estudo de cada espécie de animal: pois em todos se manifesta algo de natural e de belo. que. Desta opinião foram também posteriormente os estóicos. alguns afirmam que é eterno e outros que é perecível. 4: Parmênides e Heráclito afirmam que o céu é de fogo. segundo determinados períodos de tempo. alternadamente é ora assim. Do Céu. mas segundo a reflexão. — Aécio. — Simplício. eles têm" (é o fragmento 107. 5. II. pois também lhe parecia que o homem é dotado de dois órgãos para o conhecimento da verdade. 279 b 22 (DK 22 A 10). deve-se mostrar em poucas palavras. que a sensação não é digna de confiança.10. (127) Revela que a razão (logos) é critério da verdade. como qualquer outra coisa que por natureza se forma. III. ora de outro modo. SEXTO EMPÍRICO. e a razão ele supõe como critério. (126) E Heráclito. 4. ARISTÓTELES. 2: Heráclito: O cosmo é uno. 1. — Idem. Que razão é esta. Do Céu. 4: Também Heráclito assevera que o universo ora se incendeia. destruindo-se. Outros. p. 3: Heráclito afirma que o universo é gerado não segundo o tempo. fragmento 30). ora de novo se compõe do fogo. 89). como Empédocles de Acragas e Heráclito de Efeso. o que era igual a essa: "É próprio das almas bárbaras confiar em sensações sem razão (logos)". pela sensação da verdade. VII. na passagem em que diz: "Acendendo-se em medidas e apagando-se em medidas" (cf. 1. destes considerou aproximadamente como os físicos anteriormente citados. (DK 22 A 16). Compraz-se o físico em que o que nos envolve seja racional e dotado de .. — Idem. ainda. Contra os Matemáticos. Física. 126 ss. mas. 11.temor. 5. — Idem.

por alterações tornam-se ígneos. p.. estando fechados durante o sono os condutos sensoriais. Do mesmo modo então que os carvões. separada. V.. mas pela coesão através dos muitíssimos condutos ela se constitui de forma semelhante ao do todo. (129) Aspirando por meio da respiração. ela reveste-se de sua faculdade racional. eu te dirijo uma prece". Por isso. pouco depois prosseguindo. necessidade da natureza ou mente dos mortais. esta razão divina. acrescenta: "Por isso. e o que incide em um só não é digno de confiança. (132) Em todo caso. quando diz: "Tal é a mente dos homens sobre a terra. a mente perde a capacidade de lembrar que tinha antes.pensamento. V. pela causa contrária. em lugar difícil de se ver.. através dos condutos sensoriais. E também Eurípedes (Troianas. (133) Por estas palavras tendo explicitamente exposto que por participação da razão divina tudo fazemos e pensamos. assim também. e na medida em que . como se fosse uma raiz. dormindo" (é o fragmento 1. p. o referido autor diz o seguinte: "Deste logos. por cuja participação nos tornamos racionais. o que outra coisa não é senão uma explicação da maneira como tudo é dirigido. segundo Heráclito. donde o que em comum se manifesta a todos é digno de confiança. pela separação quase se torna irracional. Arquíloco também afirma que os homens pensam de acordo "com o que Zeus traz cada dia". aproximados do fogo. entrando em contato com o meio ambiente. estamos na verdade. na medida em que comungamos da lembrança dela. 89). 89). a nossa mente separa-se do convívio com o que nos envolve. ó Zeus. tornamo-nos inteligentes e durante o sono esquecidos. que lhes manda cada dia o pai dos homens e dos deuses" (Odisséia. pois. 163).. XVIII. 885): "Quem quer que sejas. (130) Mas na vigília de novo. que Heráclito diz ser critério da verdade. mas na vigília de novo refletidos. e de algum modo mostrando o meio ambiente. começando o seu livro Sobre a Natureza. somente conservando-se a aderência natural pela respiração. hospedada em nossos corpos a parte do meio ambiente. particular" (é o fragmento 2. como se fossem janelas. (131) E esta razão comum e divina. (128) E mostra mais ou menos isso muito antes Homero. e. e afastados se apagam.

estamos no erro. Cf. por ser discernido pela razão comum. n. II. vivem os homens como se tivessem uma inteligência particular. . Cf. i. fragmento 16. (Sobre a grandeza do sol) sua largura é a de um pé humano. 3. não-esquecimento) = verdade. No grego xynós. pois. tal como esquecem quanto fazem dormindo. literalmente "que-não-se-Iançam-com". ibidem. 111.30 (isto é. É "palavra". 115. 2. é uma forma a se aproximar de axynctoi (ver nota 3). 127). Fica mantida a falta de pontuação. e que só é dotado de pensamento o meio ambiente (cf. sinônimo de koinós = comum. Aos outros homens escapa29 quanto fazem despertos. 39. De Vegetatione. L/ESTE LOGOS 26 sendo sempre27 os homens se tornam descompassados28 quer antes de ouvir quer tão logo tenham ouvido. Cf. fragmento 34 e aqueles em que aparece a noção de "comum". 5) e "corrigida" em geral pelas traduções. ibidem. 18: Heráclito. o logos sendo o-que-é-com. 2. 31. fragmentos 2. tornando-se todas (as coisas) segundo esse logos. dizer. VI. 108. criticada por Aristóteles (Retórica. 132. Cf. 133. IDEM. 113 e 114. VII. 45. — Idem. 72. de José Cavalcante de Souza SOBRE A NATUREZA (DK 22 b 1-126) 1. 50. SEXTO EMPÍRICO. 26 27 28 29 30 Logos é o nome correspondente ao verbo lesem = recolher. "linguagem". 286: E na verdade explicitamente diz Heráclito que o homem hão é racional. "razão".FRAGMENTOS Trad. fragmentos 79. No grego lanlhánei. 21. No grego axynetoi. — Apolônio de Tiana. ALBERTO MAGNO. o comum. 4. AÉCIO. VII. 4. e que o que em comum se manifesta é digno de confiança.particularizamos. Por isso é preciso seguir o-que-é-com. p. B . de "o-que-é-com". afirmou que por natureza o homem é irracional. a inexperientes se assemelham embora experimentando-se em palavras e ações tais quais eu discorro segundo (a) natureza distinguindo cada (coisa) e explicando como se comporta. Ep. do mesmo tema de léthe (= esquecimento). Contra os Matemáticos. que forma a-léthein (lit. o físico. VII. "discurso". (134) E de fato com a maior clareza que nestas palavras ele revela a razão comum como critério. 77. V. Mas. e-. VIII. 401. pois o comum é o-que-é-com). mas o que particularmente se manifesta a cada um é falso. "que não compreendem".

Diverso é o prazer do cavalo. como se alguém. em lama se lavasse. 6. 12. 68. I. Tapeçarias. 2. e de todas as coisas um e de um todas as coisas. ORIGENES. II. em EUSÉBIO. o nariz distinguiria. ARISTÓTELES. . Contra Celso. VIII. Conjunções o todo e o não todo. 5. 5. X. tal como Heráclito diz que asnos prefeririam palha a ouro. Ética a Nicômaco. IDEM. CLEMENTE DE ALEXANDRIA. 443 a 23. 5. Aos que entram nos mesmos rios outras águas afluem. 9. Meteorologia. Purificam-se manchando-se com outro sangue. 20. se algum homem o notasse agindo assim.Heráclito disse que se felicidade estivesse nos prazeres do corpo. o consoante e o dissoante. XV. E louco pareceria. e tudo segundo a discórdia. é novo cada dia. 5. 7. 62. entrando na lama. do homem. quando encontram ervilha para comer. 396 b 7. diríamos felizes os bois. do cão. mais do que em água limpa. 1176 a 7. ARIO DÍDIMO. Da Sensação. 2. ARISTOCRITO. como alguém que falasse a casas. Porcos em lama se comprazem. Teosofia. 11. E também a estas estátuas eles dirigem suas preces. IDEM. almas exalam do úmido. Heráclito (dizendo que) o contrário é convergente e dos divergentes nasce a mais bela harmonia. IDEM. 1155 b 4. O sol não apenas. Se todos os seres em fumaça se tornassem. Preparação Evangélica. ibidem. como Heráclito diz. Do Mundo. 6. 10. IDEM. VII. mas sempre novo. ibidem. 401 a 8. de nada sabendo o que são deuses e heróis. 8. Pois tudo que rasteja é preservado a golpe. 2. como diz Heráclito. continuamente. IDEM. 13. 355 a 13. o convergente e o divergente.

aos iniciados. 21. 22. IDEM. IDEM. 18. 22. IV. todos os que as encontram.33 ou antes repousar. Por outro lado. pois os considerados mistérios entre os homens impiamente se celebram. 14. significa "parte ruim. 32 33 Cf. 15. mas é o mesmo Hades31 e Dioniso. No fragmento joga o duplo sentido. Muitos não percebem tais coisas. sendo indescobrível e inacessível. ibidem. 19. A quem profetiza Heráclito de Efeso? Aos noctívagos. nem quando ensinados conhecem. III. Do que jamais mergulha como alguém escaparia?32 17. a quem deliram e festejam nas Lenéias. 20. mas a si próprios lhes parece (que as conhecem e percebem). ibidem. fragmento 25. o que no grego corresponde a "às partes vergonhosas desavergonhadamente" é aidoíoisin anaidéstata. IDEM. 8. Se não fosse a Dioniso que fizessem a procissão e cantassem o hino. Se não esperar o inesperado não se descobrirá. IDEM. 87 No grego. Tapeçarias. 24. e atrás de si deixam filhos a se tornaram partes. ibidem. IDEM. 16. ibidem. IDEM. Nascidos querem viver e deter suas partes. desgraça. e com os adjetivos aidés = invisível e aídelos = que torna invisível. 34. III. II. (então) às partes vergonhosas desavergonhadamente se cumpriu um rito. ibidem. IDEM. com as formas do tema de eidéttaí = saber. II. Cf. Pedagogo. móros. aos magos. aos bacantes. Morte é tudo que vemos despertos. a estes profetiza o fogo. A forma grega Aídes sugeria aproximações etimológicas com aidó = eu canto. 11.14. nota 4. Homens que não sabem ouvir nem falar. a estes ameaça com o depois da morte. 4. morte". Exortação. da pág. IDEM. . II. ibidem. 99. e tudo que vemos dormindo é sono. além deste sentido original. que. 21. Todas estas aliterações compõem com as palavras e as frases o sentido do texto. 17. IDEM. às mênades. 31 O deus dos mortos.

ordem. IV. V. ibidem. IDEM. IDEM.Pois ouro os que procuram cavam muita terra e o encontram pouco. literalmente arranjo. IV. 16. 10. IV. ibidem. mas vivo ele acende do morto quando dorme. ibidem. nenhum homem o fez. V. extinta a vista. . 27.35 o mesmo de todos os (seres). ibidem. 105. 105. 31. IDEM. e contudo certamente a Justiça captará os artesãos e testemunhas de falsidades. extinta a vista. 23. O que para os homens permanece quando morrem (são coisas) que não esperam nem lhes parece (que permaneçam). Pois uma só coisa escolhem os melhores contra todas as outras. mas era. 26. 28. 30. 34 35 No grego os correspondentes a "mortes" e "sortes" são respectivamente môroi e moirai. ibidem. No grego kósmos. ibidem. acendendo-se em medidas e apagando-se em medidas. 143. morto. se não fossem estas (coisas). IV. IV. 29. 60. 50. V. V. 146. IDEM. 24. Os que Ares mata honram-nos deuses e homens. é e será um fogo sempre vivo. O homem de noite uma luz acende para si. IDEM. e quando desperto se acende do que dorme. Mortes maiores maiores sortes34 recebem. IDEM. mas a maioria está empanturrada como animais. Este mundo. 25. ibidem. ambos do tema de meíromai = reparto. IDEM. nenhum deus. ibidem. IDEM. Nome de Justiça não teriam sabido. um rumor de glória eterna contra as (coisas) mortais. Pois é o que se estima que o mais estimado conhece e guarda. IDEM. ibidem. 9.

e para água é morte tornar-se terra. (Tales) parece segundo alguns ter sido o primeiro a estudar os astros. DIÓGENES LAÉRCIO. 1. Terra dilui-se em mar e se mede no mesmo logos. 116. o ditado lhes concerne: presentes estão ausentes. Cf. nota 3 da pág. VIII. 116. V. . nota 1 da pág. IDEM. e do mar metade terra. IDEM. V. Por outro lado. 39. 87. ibidem. 33. 35. IX. V. tal qual era antes de se tornar terra. fragmentos 41. 23. Em Priene nasceu Bias. 16. 36. 87. pois teria ensinado Hesíodo e Pitágoras. VI. ibidem. IDEM. A seu respeito atestam Heráclito e Demócrito. 88. Muita instrução não ensina a ter inteligência. I. filho de Teutames. mas do gênero neutro (coisa sábia). Xenófanes e Hecateu. 108. IDEM. e de terra nasce água. metade incandescência. 141. 32. IDEM. 34. 116. Lei (é) também persuadir-se à vontade de um só. e de água alma. não se trata da noção abstrata "sabedoria". a forma passiva de légeiri. Para almas é morte tornar-se água. 36 37 38 Não se trata do gênero masculino (homem sábio). 37. Porcos banham-se em lama e aves domésticas em poeira ou em cinza.Direções do fogo: primeiro mar. ibidem. 4.. ibidem. IDEM. 38. IDEM. 1. No grego legesthai.. Pois é preciso que de muitas coisas sejam inquiridores os homens amantes da sabedoria. V. Uma só (coisa) o sábio36 não quer e quer ser recolhido37 no nome de Zeus. Ouvindo descompassados38 assemelham-se a surdos. Cf. Cf. cujo logos é maior que o dos outros. ibidem. 40. COLUMELA.

42. IX. 2. 49. 7. 48. Observar a relação logos-homologar. 24. 46. De Dignoscendis Pulsibus. IX. IDEM. 45. mais que o incêndio. 7. IX. É preciso que lute o povo pela lei. 733. IDEM. 51. 50. ibidem. possuir o conhecimento que tudo dirige através de tudo. mas do logos tendo ouvido é sábio homologar40 tudo é um. O componente "homo-" significa "junto". HIPÓLITO. Não conjeturemos à toa sobre as coisas supremas. . Limites de alma não os encontrarias. 9. Pois uma só é a (coisa) sábia. s. A insolência é preciso extinguir. Nos mesmos rios entramos e não entramos. 2. e Arquíloco igualmente.v. IDEM. VIII. tal como pelas muralhas. Do arco39 o nome é vida e a obra é morte. 73. JX. 47. 1. Um para mim vale mil. 44. 43. 2. 39 40 No grego biós. Homero merecia ser expulso dos certames e açoitado. tão profundo logos ela tem. IX. IX. Alegorias. ÍX. todo caminho percorrendo. Etymologicum Genuinum. 49a. forma homônima de bíos = vida. IX.41. Não de mim. bíos. IDEM. A presunção ele dizia que é a doença sagrada e que a visão engana. IDEM. IDEM. HERÂCLITO. IDEM. somos e não somos. se for o melhor. IDEM. GALENO. Refutação. IX. 9.

aprendizagem. IX. ainda reclamam um salário que não merecem. esperma. ibidem. IX. por efetuarem o mesmo que as doenças. 9. pois este reconhecem que sabe mais coisas. ibidem. 58. harmonia de tensões contrárias. de todas rei. que posteriormente se associou aoaevum latino: o segundo é o de "medula espinhal. ibidem. IDEM. 60. Os médicos. 10. outros. IDEM. ÍX. suor". um nome próprio. mais ou menos como Homero. de uns fez escravos. A entidade alegórica pode consistir nos dois sentidos. jogando. 9. filho de Cronos e "Filira". 55. 10. IDEM. IX. IDEM. Mestre da maioria é Hesíodo. IX. substância vital. homens. ibidem.Não compreendem como o divergente consigo mesmo concorda. IX. ibidem. como de arco e lira. A rota do parafuso do pisão. A rota para cima e para baixo é uma e a mesma. Por outro lado. que foi mais sábio que todos os helenos. é uma e a mesma. ibidem. de uma entidade alegórica. ele que não conhecia dia e noite. 57. reta e curva. IDEM. Estão iludidos os homens quanto ao conhecimento das coisas visíveis. pois é uma só (coisa). ibidem. 56. 41 No grego Aiôn. de criança o reinado. 9. há dois sentidos de aiôn como nome comum: o primeiro é o de "tempo sem idade. quando cortam. 52. Pois enganaram-no meninos que matando piolhos lhe disseram: o que vimos e pegamos é o que largamos. 10. ibidem. de outros livres. ÍX. 54. 53. eternidade". 10. IX. audição. Harmonia invisível à visível superior. 9. IX. As (coisas) de que (há) visão. só estas prefiro. e uns ele revelou deuses. IDEM. queimam e de todo torturam os pacientes. . e o que não vimos nem pegamos é o que trazemos conosco. IDEM. IDEM. 59. ibidem. 9. IDEM. Tempo41 é criança brincando. O combate é de todas as coisas pai.

saciedade fome. vivendo a morte daqueles. 10. como diz Heráclito. IDEM. guerra paz. ÍX. Mar. ÍX. 68. 10. 10. ibidem. mas se alterna como fogo. Da Alma [ESTOBEU. 10. 67. IDEM. 69. para os peixes potável e saudável. . ibidem. como se fossem para curar os males e afastar as almas das desgraças da geração. ibidem.61. ÍX. ibidem. e outros são materiais. IDEM. qual poderia ocorrer raramente em um indivíduo. IDEM. água mais pura e mais impura. O deus é dia noite.11. ÍX. ibidem. e se denomina segundo o gosto de cada. ibidem. Imortais mortais. IDEM. E o chama (ao fogo) de fartura e indigência. Jogos de crianças Heráclito considerou as opiniões humanas. IÂMBLICO. Pois todas (as coisas) o fogo sobrevindo discernirá e empolgará. 63. IDEM. 15.16]. 66. inverno verão. 10. Dos Mistérios. E por isso Heráclito com razão os chamou (a alguns ritos) de remédios. quando se mistura a incensos. mortais imortais. De sacrifícios há duas espécies: uns oferecidos por homens inteiramente purificados. 1. 64. Éclogas. ibidem. ibidem. 65. morrendo a vida daqueles. 1. 70. para os homens impotável e mortal. ou em alguns poucos. IDEM. 62. 10. IDEM. De todas (as coisas) o raio fulgurante dirige o curso. ÍX. Diante do ali-presente erguem-se e tornam-se guardiães em vigília de vivos e mortos. IDEM. fáceis de contar. ÍX. ÍX. V. II. 10.

ar vive a morte de fogo. IV. 46. ibidem. estas lhes aparecem estranhas. que passou a significar "caráter". VI. XII. — Plutarco. 80. e que todas (as coisas) vêm a ser segundo discórdia e necessidade. 42. IDEM. NUMÊNIO. O modo42 humano não comporta sentenças. IDEM. E preciso saber que o combate é o-que-é-com. Philosophoúmena. 79. 72. . Vive fogo a morte de terra. nota 5 da pág. VI. Em outra passagem ele diz que vivemos nós a morte delas e vivem elas a nossa morte. Morte de fogo gênese para ar. IDEM. ORÍGENES. 18. IDEM. e (as coisas) que encontram cada dia. fragmento 119. MARCO AURÉLIO. Os que dormem. Lembrar-se sempre do dito de Heráclito. 78. De E apud Delphos. Cf. 76. — Marco Aurélio. e vice-versa. E preciso lembrar-se também do que esquece por onde passa o caminho. O homem como uma criança ouve o divino. Do logos com que mais constantemente convivem. água vive a morte de ar. Donde também Heráclito dizer que para as almas é prazer ou morte tornarem-se úmidas. TV. 46.71. morte de água é tornar-se ar. 75. 73. ibidem. creio que chama Heráclito de obreiros e colaboradores das (coisas) que no mundo vêm a ser. Não se deve agir nem falar como os que dormem. Prazer seria para elas a queda na geração. IDEM. que morte de terra é tornar-se água. IV. IV. deste divergem. IV. 42 43 No grego éthos. MÁXIMO DE TIRO. tal como a criança o homem.43 e justiça (é) discórdia. 4. Cf. terra a de água. Contra Celso. 77. 12. 46. fragmento 35. 46. 46. 87. morte de ar gênese para água. morada". mas onginalmente é "assento. mas o divino comporta. de ar fogo.

Hípias Maior. 8. tal como por ouro mercadorias e por mercadorias ouro. desperto e dormindo. IDEM. PLUTARCO. . 41 A. c. IDEM. Um homem tolo gosta de se empolgar a cada palavra. mas os que estão no leito cada um se revira para o seu próprio. tombados além. 166 C. ibidem. 392 B. Retórica. são aqueles e aqueles de novo. 86. IDEM. 106 E. 1. Da superstição. Transmudando repousa (o fogo etéreo no corpo humano). 91. Por fogo se trocam todas (as coisas) e fogo por todas. IDEM. IDEM. 90. IDEM. 84b. pois o que ele quer compra-se a preço de alma. Do que se deve ouvir. 88. Lutar contra o coração é difícil. IV. 388 E. O mais belo símio é feio. FILODEMO. 18 p. 38. Heráclito diz que para os despertos um mundo único e comum é. PLOTINO. Fadiga é pelos mesmos (princípios) penar e ser governado. Ancestral dos charlatães (Pitágoras). em sabedoria. são estes. 22. segundo Heráclito. beleza e tudo mais. Consolação a Apolônio. A maior parte das (coisas) divinas.81. 10 p. 289 a. De E apud Delphos. 89. 57. 82. í. IDEM. O mesmo é em (nós?) vivo e morto. O mais sábio dos homens em face de deus se manifestará como um símio. 7 p. 8 p. por desconfiança esquivam-se de modo a não se conhecerem. Coriolano. 85. 289 b. 84a. tombados além. Enéadas. 3 p. pois estes. 87. PLATÃO. IDEM. ibidem. a se confrontar com o gênero humano. ibidem. 83. novo e velho. ibidem.

mas pela intensidade e rapidez da mudança dispersa e de novo reúne (ou melhor. 669 A. segundo Heráclito.Em rio não se pode entrar duas vezes no mesmo. 92. Do Exílio. Mas é trabalhoso no desaperto e com vinho. são para se jogar fora. Pois cadáveres. 93. 787 C. 111. 28 p. mais do que estéreos. . IDEM. Destes (os períodos anuais) o sol sendo preposto e vigia.4p. 98. velando por uma justa distribuição de partes. 404 D. sem belezas. nem mesmo de novo nem depois. 7 p. 95. 21 p. IDEM. 44 Divindades infernais. Questões Platônicas.l 007 D. IDEM. define. ibidem. descobrirão. IDEM. aproxima-se e afasta-se. 97. 7 p. Da Face da Lua. com os outros astros seria noite. Dos Oráculos da Pitonisa. Ver notas 1 e 2 da pág. O senhor. as quais traz em todas (as coisas). 44 servas da Justiça. nem substância mortal tocar duas vezes na mesma condição. mas ao mesmo tempo) compõe-se e desiste. 100. Pois Hélios não transpassará as medidas. 90. An Seni Res Publica gerenda sit. IDEM. IV. pr. pelo deus nela. mas dá sinais. 99. segundo Heráclito. Pois cães ladram contra os que eles não conhecem. E a Sibila com delirante boca sem risos. 8. dirige. 6 p. 96. 1. A divindade Hélios é o Sol. Banquete. senão as Erínias. 94. sem perfumes ressoando mil anos ultrapassa com a voz. 3. que vingam os mortos. IDEM. Pois ignorância é melhor ocultar. As almas farejam no (invisível) Hades. Não fosse o sol. IDEM. 4. 644 F. ibidem. 11 p. 397 A. 604 A. p. de quem é o oráculo em Delfos. IDEM. 957 A. IDEM. nem diz nem oculta. revela e expõe à luz as transmutações e horas. p. 943 E. Aquane an Ignis sit utilior.

PROCLO. eu afirmo. 87. SEXTO EMPÍRICO. se almas bárbaras eles têm. assim como daquela em que o poeta diz "do destino. AT XVIII. Ilíada. 1 118 C. outras (como) justas. 110. PORFÍRIO. Questões Homéricas. VII.101. 7. I. mas homens umas tomam (como) injustas. 21. 126. 104. De quantos ouvi as lições45 nenhum chega a esse ponto de conhecer que a (coisa) sábia é separada de todas. 103. . Florilégio. 105. não sabendo que "a maioria é ruim. IDEM. 101a. 20. = 95. IDEM. jamais homem algum escapou". Para o deus são belas todas as coisas e boas e justas. 174. Contra Colotes. Dessa passagem Heráclito afirma que astrólogo foi Homero. ibidem. Pois comum (é) princípio e fim em periferia de círculo. Comentário ao Alcibíades I. IDEM. IV. Ver nota 1 da pag. Escólios Homéricos. Procurei-me a mim mesmo.176. 109. XII. 1. 251. p. 45 No grego lógous. XIV. XII. 4. SÊNECA. Pois que inteligência ou compreensão é a deles? Em cantores de rua acreditam e por mestre têm a massa. 200. 27. dizendo que ignorava como a natureza de cada dia é uma e a mesma. Epístolas. e poucos são bons". POLIBIO. Histórias. Pois os olhos são testemunhas mais exatas que os ouvidos. Com razão Heráclito censurou Hesíodo por fazer uns dias bons c outros maus. 108. Contra os Matemáticos. 102. ESTOBEU. 107. 106. 525. Más testemunhas para os homens são olhos e ouvidos. ibidem.

é permitida. O que está em primeiro lugar pode ser predicativo e o que está em segundo pode ser sujeito. Ou antes. ibidem. Brilho seco (é a) alma mais sábia e melhor. 179. IV. ibidem. Um homem quando se embriaga é levado por criança impúbere. I. De alma é (um) logos que a si próprio se aumenta. IDEM. 177. 40. . Doença faz de saúde (algo) agradável e bom. nota 5 da pág. IDEM. ibidem. que não determina pela posição o sujeito e o predicativo. V. Cf. 7. segundo a leitura de Stephanus: Alma seca (é) a mais sábia e melhor. Pensar sensatamente (é) virtude máxima e sabedoria é dizer (coisas) verídicas e fazer segundo (a) natureza. IDEM. sugerida pelo que indiquei entre parênteses. 6.Para homens suceder tudo que querem não (é) melhor. IDEM. fadiga de repouso. A todos os homens é compartilhado o conhecer-se a si mesmos e pensar sensatamente. domina tão longe quanto quer. 115. se não exigida. não sabendo por onde vai. IDEM. e é suficiente para todas (as coisas) e ainda sobra.47 46 47 No grego nóôi. Heráclito dizia que o ético no homem (é) o demônio (e o demônio é o ético). 8. 180 a. A reversão de sentido. V. 1. a divina: pois. (Os) que falam com inteligência46 é necessário que se fortaleçam com o comum de todos. ibidem. 112. I. 116.179. 113. V. IDEM. 118. cambaleante. ibidem. A expressão xyn nóôi (= com inteligência) se aproxima foneticamente do adjetivo xynoi = "o-que-é-com. e muito mais fortemente: pois alimentam-se todas as leis humanas de uma só. I. ibidem. pela estruturação da frase grega. 111. IDEM. ibidem. 119. comum". ibidem. 117. 114. 178. fome de saciedade. 87. Comum é a todos o pensar. IDEM. escutando. tal como a lei a cidade. IDEM. ibidem. porque úmida tem a alma. 23.

Metafísica. 2.v. De Vertigine. porém. situando-se. p. 1. 15 p. efésios. XIV. 121. a fim de que seja provada a vossa ruindade. ESTRABÃO. Suda. s. 124. eles que a Hermodoro. de Ernildo Stein HERÁCLITO CONCEBE o próprio absoluto como processo. IX. IDEM. IDEM. 25. como a própria dialética. "ankhibátein " e "amphisbátein ". F. úmido seca. Comentário ao "Plutão" de Aristófanes. 88. b) dialética imanente do objeto. Escólios para Exegese da Ilíada. Merecia que os efésios adultos se enforcassem e aos não-adultos abandonassem a cidade. p. DIÓGENES LAÉRCIO. quente esfria. Que não vos abandone a riqueza. 125. Limites de aurora e crepúsculo (são) a Ursa e em face da Ursa a baliza do fulgurante Zeus. C . 125a.CRÍTICA MODERNA 1.120. As (coisas) frias esquentam. senão que se vá alhures e com outros. Georg W. . um raciocinar de cá para lá e não a alma da coisa dissolvendo-se a si mesma. segundo Heráclito. TEMÍSTIO. Aproximação. TEOFRASTO. A dialética é a) dialética exterior. IDEM. p. Oratío V. 126. se não for agitado. 69. (Como?) coisas varridas e ao acaso confundidas (é?) o mais belo mundo. Hegel Trad. c) objetividade de Heráclito. expulsaram dizendo: que entre nós ninguém seja o mais valoroso. Também o "cyceon"48 se decompõe. o melhor homem deles e o de mais valor. Natureza ama esconder-se. 123. 3. TZETZES. 9. 48 Uma espécie de mingau de aveia. seco umedece. na contemplação do sujeito. 7 a 10. 6. 642. 122.

muito contraditório. à primeira vista. I. O verdadeiro é apenas como a unidade dos opostos. desta maneira. E Platão ainda diz de Heráclito: "Ele compara as coisas com a corrente de um rio — que não se pode entrar duas vezes na mesma corrente". o segundo é o devir — até esta determinação avançou ele. nem permanece o mesmo". Seus sucessores dizem até que nele nem se pode mesmo entrar. portanto. 1. IV. Além disso. 5. o absoluto enquanto nele se dá a unidade dos opostos. Afeta/. nos eleatas. 1. Platão. em Heráclito. XIII. ao mesmo tempo já novamente não é. 7. a idéia filosófica em sua forma especulativa. O ser é o um. não existe frase de Heráclito que eu não tenha integrado em minha Lógica. Nele encontra-se. i Sobre o Céu.50 o rio corre e toca-se outra água. o raciocínio de Parmênides e Zenão e como tal criticado. O que nos é relatado da filosofia de Heráclito parece. Dizemos. Aristóteles diz que Heráclito afirma que é apenas o que permanece. em lugar da expressão de Heráclito: O absoluto é a unidade do ser e do não-ser. não parece. isto é. que apenas o ser é. nem é menos. 402.49 a essência é mudança. Metafísica. 3. Aqui vemos terra. mas nela se pode penetrar com o conceito a assim descobrir. 6. ou ser e nada são o mesmo. IV. porém. ainda uma outra expressão que aponta mais exatamente o sentido do princípio.. Temos. o infinito. Crálilo. Pois Heráclito diz: "Tudo flui (panta rei). O PRINCÍPIO LÓGICO O princípio universal. Este espírito arrojado pronunciou pela primeira vez esta palavra profunda: "O ser não é mais que o não-ser". . temos apenas o entendimento abstrato. Aristóteles. Aristóteles. Se ouvimos aquela frase "O ser não é mais que o não ser". o primeiro..51 pois que imediatamente se transforma. o que é. Isto é o primeiro concreto. 4. 49 50 51 Aristóteles. aquilo que é. um homem de profundos pensamentos. pela primeira vez. apenas destruição universal. nada persiste. produzir muito sentido. e é aquele que Heráclito fez. É o progresso necessário. Afeta/. então. ausência de pensamento.isto é. Ele é a plenitude da consciência até ele — uma consumação. compreender a própria dialética como princípio. III.

Os eleatas diziam: só o ser é. mas são idênticos.disto todo o resto é formado. Sexto observa: Heráclito parte. e o não-ser é. E isto que Heráclito expressou com suas sentenças. é o verdadeiro. este devir é o princípio. por isso é o ser. Esboços Pírrômcos. ao mesmo tempo. como. "o mel é doce e amargo"52 — ser e não-ser ligam-se ao mesmo. que nada se demora. Isto está na expressão: "O ser é tão pouco como o nãoser. isto é a verdade da identidade de ambos. que todo o resto fora deste um flui. Heráclito também diz que os opostos são características do mesmo. princípio. é ainda abstrato. como os céticos. por exemplo. II. o todo. por isso é o não-ser. a verdade do ser é o devir. mas. E uma grande convicção que se adquiriu. As determinações absolutamente opostas estão ligadas numa unidade. o absoluto deve ser determinado como o devir. Heráclito diz: Tudo é devir. que num está contido seu outro — e assim. a primeira unidade de determinações opostas. Estas estão inquietas nesta relação. das representações correntes dos homens. O ser não é. transformado. Dela faz parte não apenas o surgir. mas também o desaparecer. a razão. I. seu princípio é essencial e encontra-se em minha Lógica. ser é o primeiro pensamento enquanto imediato. quando se reconheceu que o ser e o nada são abstrações sem verdade. este movimento é aqui. o verdadeiro é o devir. 29. reconhece um no outro. logo depois do ser e do nada. §§ 210-211. modificado. também é o primeiro concreto. O entendimento separa a ambos como verdadeiros e de valor. que o primeiro elemento verdadeiro é o devir. . pelo contrário. 6. agora mesmo. não o ser — a determinação mais exata para este conteúdo universal é o devir. ambos não são para si. o devir é e também não é". que nada é firme. no começo. Assim esta filosofia não é passada. ninguém negará que os sãos dizem do mel que é doce. nela temos o ser e também o não-ser. Com isto está preenchido o vazio que Aristóteles apontou nas antigas filosofias — a falta de movimento. nela está o princípio da vida. § 63. e os que 52 Sexto Empírico. É um grande pensamento passar do ser para o devir. isto é.

mas é também o mesmo que o todo é. a substância é o todo e a parte. O fato de Deus ter criado o mundo. Heráclito expressou de modo determinado este pôr-se numa unidade das diferenças. do mesmo modo. Em Heráclito. o "que se une e se opõe".53 por exemplo. o objetivo somente é o devir subjetivo. . Este um não é o abstrato. de objetivo e subjetivo. Aristóteles diz. nada vem. numa forma bem imediata e universal. 5. Zenão começa a sobressumir os predicados opostos e aponta no movimento aquilo que se opõe — um por limites e um sobressumir os limites. também Heráclito concebeu as oposições de maneira mais determinada. Contra os Malemtílkos." Em Heráclito o momento da negatividade é imanente. Primeiro tivemos a abstração de ser e não-ser. assim o puro ser é o pensamento simples. "o que concorda e o dissonante". e de um tudo. na verdade. Este verdadeiro é o processo do devir. da pura oposição. E esta unidade de real e ideal. mais exatamente. cíip. que Heráclito "ligou o todo e o não-todo" (parte) — o todo se torna parte e a parte o é para se tornar o todo —. Zenão só exprimiu o infinito pelo seu lado negativo —. ser e não-ser. Sexto Empírico cita54 o seguinte que Heráclito teria dito: A parte é algo diferente do todo. ao qual Zenão não chegou! "Do nada. disto trata o conceito de toda a Filosofia. é a unidade dos opostos e. dos universalmente opostos. que é em si e para si. não a representação do ente. do pleno. a morta infinitude é uma má abstração em oposição a esta profundidade que vemos em Heráclito.sofrem de icterícia que é amargo — se fosse apenas doce. IX. por causa de sua contradição. 53 54 Sobre o Mundo. e de que de tudo (que se opõe) resulta um. porém. não poderia modificar sua natureza através de outra coisa e assim também para os que sofrem de icterícia seria doce. como o não verdadeiro. a atividade de dirimir-se. vemos o infinito como tal expresso como conceito e essência: o infinito. Tomamos nós o ente em si e para si. § 337. em que todo o determinado é negado. passagem absoluta para o oposto. o absolutamente negativo — nada é o mesmo. apenas este igual a si mesmo —.

o subjetivo e objetivo. na medida em que seu outro em si esteja consigo. relação de ambos a um. deve ser seu outro. Este é o grande princípio de Heráclito. OS MODOS DA REALIDADE Heráclito não ficou parado. não de um pedaço de papel — o absurdo disto logo se mostra —. transformar-se — não devir outro. O espírito relaciona-se na consciência com o sensível e este sensível é seu outro. — todos estes elementos concretos estão contidos nesta determinação. mas de seu outro. ou sua forma é mais a forma natural. no puro lógico. mas é especulativo. Assim também no caso dos sons. que justamente quer isto. gerado seu Filho etc.ter-se dividido a si mesmo. como na harmonia das cores. vemos. mas de tal maneira que também possam ser unidos — e isto os sons são em si. A subjetividade é o outro da objetividade. a repetição de um único som não é harmonia. assim cada coisa é o outro do outro enquanto seu outro. seu oposto. "como a harmonia do arco e da lira". o não ser. Mudança é unidade. o real e o ideal. mas da unidade pela arte da música. deu à sua idéia também uma expressão real. na qual expôs seu princípio. a unidade essencial. sobre o princípio de Heráclito: "O um. Da harmonia é precisamente o absoluto devir. O simples. agora este. diferenciado de si mesmo. Mas isto não contradiz Heráclito. Esta figura pura é precipuamente de natureza cosmológica. é . devem ser diferentes. critique o fato de a harmonia ser desarmônica ou se componha de opostos. sempre obscuro. Platão diz. cada particular seja diferente de um outro — mas não de um abstrato qualquer outro. e nisto reside sua identidade. 2. em sua exposição. em seu conceito. pensamos a mudança. que fala no Banquete. em seu Banquete (187). une-se consigo mesmo" — este é o processo da vida. mas além desta forma universal. para o entendimento que segura para si o ser. pode parecer obscuro. depois aquele. cada um apenas é. um ser. Deixa então que Erixímaco. Da harmonia faz parte determinada oposição. Na harmonia e no pensamento concordamos que seja assim. pois que a harmonia não se formaria de altos e baixos. este e o outro. nesta expressão em conceitos. O essencial é que cada diferente. e isto é.

Afeto/. Mas. esta dificuldade desaparece.incluído ainda na Escola Jônica. .56 outros dizem que antes o vapor que o ar. o tempo é a intuição abstrata do 55 56 57 58 Aristóteles. na confusão de seu modo de expressão. como o exprime Sexto. contudo. Os céticos escolhiam muitas vezes as expressões mais grosseiras ou tornavam os pensamentos grosseiros para mais facilmente liquidá-los. 3. como Tales. que não falam destas formas de passagem. mas de modo bem determinado. Uma outra razão mais próxima parece-nos resultar da obscuridade do escrito de Heráclito. 8. poderia dar motivos para mal-entendidos. Ibid. e com isto deu novos impulsos à filosofia da natureza.. disse que o tempo é o primeiro ser corpóreo.58 "Corpóreo" é uma expressão inadequada. considerando mais detidamente.57 como o primeiro ser do ente.. § 233. § 216. portanto. mas a água enquanto se transforma. no conceito profundo de Heráclito acha-se a verdadeira saída deste empecilho. X. por exemplo.. a) Processo abstrato. a água. a essência absoluta que é não pode surgir nele como uma determinidade existente. A maioria diz que ele teria posto a essência ontológica como fogo. e não o podia afirmar como um primeiro donde emanaria o outro. mesmo o tempo é citado. não estão de acordo entre si. no entanto. § 231-232. pois as testemunhas são as melhores. "Corpóreo" significa sensibilidade abstrata. que a água ou o ar ou coisa semelhante seria a essência absoluta. portanto. § 360. Ibid. em Sexto. esta mostrase mais para uma análise superficial. Sexto Empírico. Sobre esta forma real de seu princípio os historiadores. sem. tempo. como Aristóteles e Sexto Empírico. ou apenas o processo. A questão é a seguinte: Como compreender esta diversidade? Não se deve absolutamente crer que se deva atribuir estas notícias à negligência dos escritores.. IX. X. I. chamar a atenção para estas diferenças e contradições. Contra os Matem. Heráclito. De maneira alguma podia Heráclito afirmar. Assim.55 outros dizem que como ar. o qual. na medida em que pensou ser como idêntico com o não-ser ou no conceito infinito.

do mesmo modo. Além disso. é. isto é expressar ambos os momentos como uma totalidade para si. é a essência verdadeira. é o puro conceito. E a abstrata contemplação desta mudança. é o processo. fogo. O tempo. visto de maneira objetiva. então levanta-se a questão: que ser físico corresponde a esta determinação? O tempo. assim isto se liga ao princípio do pensamento de Heráclito. Enquanto intuído. este conceito abstrato. o tempo é o puro devir. b) A forma real como processo. pois ele é. o simples. compreender a . por conseguinte. nesta pura forma em que ele o reconheceu. sem outra determinação — ser puro e abstrato nãoser. Se quisermos representar-nos o que ele é. o tempo é o primeiro que se oferece como o devir. mas inteiramente abstrata. Não como se o tempo fosse e não fosse. O tempo é puro transformar-se. passado — e este não-ser passa. Se tivéssemos que dizer corno aquilo que Heráclito reconheceu como a essência existe para a consciência. Mas este puro conceito objetivo deve realizar-se mais. que é harmônico a partir de absolutamente opostos. mas deu a seu princípio a forma de um ente. portanto. para o ser. mas o tempo é isto: no ser imediatamente não-ser e no não-ser imediatamente ser — esta mudança de ser para não ser. No tempo estão os momentos. diz que ele é o primeiro ser sensível. ser e não-ser. Heráclito determinou o processo de um modo mais físico. é. dotado de tais momentos. está logo destruído. somente o agora.processo. O tempo é intuição. deduz-se disto que primeiro tinha que oferecer-se a forma do tempo. para não ser. não haveria outra que nomear a não ser o tempo. postos apenas negativamente ou como momentos que imediatamente desaparecem. porém. Na medida em que Heráclito não parou na expressão lógica do devir. no sensível. como subsistente. de modo real. enquanto é para nós. e este é. No tempo não é o passado e o futuro. absolutamente certo que a primeira forma do que devêm é o tempo. pois precisamente. postos imediatamente numa unidade e ao mesmo tempo separados. é a primeira forma do devir. no que se pode ver. Sua essência é ser e não-ser.

O fogo. ele é para si o processo real. pois eles mesmos não são (isto é o próximo) o processo. transformação do determinado. então. segundo sua exposição. sua realidade é o processo todo no qual. logo compreendemos que Heráclito não podia dizer que a essência é o ar ou a água ou coisas semelhantes. 2) os momentos da oposição subsistente. o princípio era a alma. Por isso compreendemos (é inteiramente conseqüente) por que Heráclito pode nomear o fogo como o conceito do processo. Este é o elemento verdadeiro de Heráclito e o verdadeiro conceito. c) O fogo está agora mais precisamente determinado. os momentos são determinados mais exata e concretamente. por isso. o retorno para a unidade. o pôr desta oposição. O fogo é o tempo físico. o queimar da oposição subsistente. Justamente no processo distinguem-se os momentos. Para este processo Heráclito utilizou uma palavra muito singular: evaporação (anathymíasis) (fumaça. por ser ela a evaporação. evaporação. O fogo. transformação em fumaças. evaporação é aqui apenas a significação superficial — é mais: passagem. mais explicitado como processo real. água e ar. seria o . mas também de si mesmo. ele não é permanente. enquanto o metamorfosear-se das coisas corpóreas. absoluta dissolução do que persiste — o desaparecer de outros. vapores do sol). destes momentos — e a unidade negativa. porém. não tanto o ar como antes a evaporação. Sob este ponto de vista. como no movimento: 1) o puro momento negativo. é mudança. e este evaporar-se.natureza significa apresentá-la como processo. devir. A vida da natureza é o processo destes momentos: a divisão da totalidade em repouso da terra na oposição. no processo. o momento abstrato do mesmo. a terra. ele é esta absoluta inquietude. Aristóteles1 diz de Heráclito que. e 3) a totalidade em repouso. é o processo: assim afirmou o fogo como a primeira essência — e este é o modo real do processo heracliteano. o emergir de tudo. a alma e a substância do processo da natureza. partindo de sua determinação fundamental. pois ele é.

4. Devem ser compreendidos essencialmente assim: a divisão como realização. As determinações mais próximas deste processo real são.59 De mais a mais. o realizar-se como tal. Tudo é trindade. § 8. 2.) "Destes dois a inimizade. Clemente de Alexandria. . em seus momentos abstratos. a luta é aquilo que é princípio do surgir dos diferentes.. terra. falhas e contraditórias. porém. determinou ele o processo real. da unidade para a divisão. da luta (pólemos. IX. primeiro. éris) e da amizade. "o caminho para cima (hodòs áno) e o caminho para baixo (hodòs káto)" — um a divisão."61 No caso da inimizade entre os homens.incorpóreo e sempre fluido. essencial unidade. o raio"62 — o fogo em sua eclosão. a natureza é isto que jamais repousa e o todo é a passagem de um para o outro.14. V. A terra torna-se então novamente fluida (derretida) e dela vem a 59 60 61 62 João Filopão sobre Aristóteles. persistir dos opostos. Este é universal e muito obscuro. distinguindo dois lados nele. o fogo apagado é a água. eiréne)" — divisão e posição na unidade. Diógenes Laércio diz (IX. é o fogo que passa para a indiferença. amor60 etc. amizade e paz. Aristóteles. metade disto. (Isto também é mitológico. que Heráclito teria determinado o processo assim: "As formas (mudança) do fogo são. da divisão para a unidade. Isto também aplica-se ao princípio fundamental de Heráclito. afirma-se. Stromala (Miscelânea). Sob este ponto de vista. o outro: a reflexão da unidade em si. I. é sair do ser-para-si e imergir na impossibilidade de distinção ou na não-realidade. do ódio. em algumas notícias. 1. o mar e. Diógenes Laércio. Metaf. um se afirma como autônomo em oposição ao outro ou é para si — divisão. Para isto apelou para as determinações "da inimizade. "a água endurecida torna-se terra e este é o caminho para baixo. o outro a unificação. o sobressumir destas oposições subsistentes. harmonia (ontologia. Sobre a Alma. mas o que conduz à combustão é harmonia e paz. em parte. então. e metade. § 9): "O fogo se condensa em unidade (pyknoúmenon pyr exygraínesthai) e paralisado (synistámenon) torna-se água".

torna-se fogo e se incendeia na esfera solar. E. V. Diógenes Laércio. 2. este processo do mundo que a si mesmo se move. parte I. Portanto na totalidade realiza-se a metamorfose do fogo. não devem ser tomadas em sentido grosseiro e sensível. brilhante. IX. segundo nossa representação. por ser a evaporação.. § 8. "A água divide-se em escura evaporação. o fogo é a alma. do fogo na água. irrompe como chama. isto é. XIV. portanto. Estas expressões orientais. em eterna geração. ela novamente passa a ser fogo. mas são a natureza destes elementos. perenemente. 3. . íbid. seus sóis e planetas. mas vistas como no devir. Neste sentido ouvimo-lo dizer: "Nem um deus nem um homem fabricou o universo mas sempre foi e é e será um fogo sempre vivo. do retroceder da oposição de volta para a unidade e o despertar novamente do mesmo. este processo geral do extinguir-se. o fim do mundo) o mundo terminaria no fogo.unidade (o mar) e dela a evaporação (anathymíasis) do mar. e da água a alma". Preparação Evangélica. para a água a morte é tornar-se terra.63 Compreendemos o que Aristóteles cita. do emergir do um. torna-se terra — e em evaporação pura. pág. 14. que após determinado tempo (como. "este é o caminho para cima". Eusébio. A natureza é assim esse círculo. do qual então tudo surge". E mais um produto da fantasia que Heráclito teria falado de um incêndio do mundo. Aqui toma sentido uma outra expressão que se encontra em Clemente de Alexandria:64 "Para as almas (os vivos) a morte é tornarem-se água. como se estas transformações tivessem lugar de maneira tal que fossem perceptíveis aos sentidos. alguns comentam65 como a combustão do mundo. que segundo suas próprias leis (metro) se acende e se apaga". 218. que o princípio é a alma. planetas e constelações. e de modo inverso: da terra se gera então água. Tennemann. figurativas. O extinguir-se da alma." Estas não são estrelas paradas e mortas. 63 64 65 íbidem. o elemento ígneo torna-se meteoros. a terra gera para si mesma. a combustão que se torna produto. VI.

Estofos Pirrônicos. água é água. não são mais simples essências.. separam-se a comum investigação sensível da natureza e a filosofia da natureza. Plutarco. a substância simples se metamorfoseia em fogo e nos outros elementos.Nós. fogo etc. III. um momento. pág. porém. do ponto de vista especulativo. terra e fogo. a alma. 24.. I. vemos imediatamente. Se aquele ponto de vista afirma a transformação. com base em passagens bem definidas. Extratos de Física. Estobeu. toda passagem está supressa. sobre a imutabilidade dos elementos. Estes são os momentos principais do processo real da vida. que a alma mais seca é a melhor. mas os decompõe em hidrogênio. se morrermos. Demoro-me. mas a própria vida. Em si. isto é. Ela é processo em si mesma. encontra-se uma expressão que pode parecer bizarra. mas pelo contrário. pág. . § 230. este crê poder demonstrar o contrário.68 Nós certamente não tomamos a alma mais molhada como a melhor. Neste conceito. esta última posição afirma. ressurgem e vivem nossas almas. "Heráclito diz que tanto o viver como o morrer estão unidos. pois. mas. um momento. nisto aqui em que vem expresso todo o conceito da consideração especulativa da natureza (filosofia da natureza). o processo universal do universo. sob o outro ponto de vista. que água. 995. devir da amizade — a vida universal."67 No que se refere ao fato de Heráclito afirmar que o fogo é o vivificante. Sobre o Comer Carne. a mais viva. mas sim a esta constante combustão. nossas almas estão mortas e sepultadas em nós. oxigênio etc. 22. e este não é a negação do vivo. Sexto Empírico. 454. Existe uma velha polêmica sobre a transformação. um elemento passa para o outro: fogo torna-se água.66 que Heráclito não se refere a este incêndio do mundo. seco quer dizer cheio de fogo: assim a alma mais seca é o fogo puro. fogo é fogo etc. não há movimento absoluto. uma separação exterior do que já está presente. mas apenas o emergir é. quando vivemos. cap. sem dúvida. tanto na nossa vida como na nossa morte. — não há conceito. — mas insiste na 66 67 68 Cf. Neste conceito.

mas da oposição do conceito limitado e fixo contra o conceito absoluto. Ferro torna-se magneto não quando o torno incandescente. Lavoisier69 fez experiências exatas. porém. então ele também deve estar presente assim. Mas tanto lá como aqui fixam apenas um processo unilateral e cheio de falhas e o apresentam como um processo absoluto. Se os escutamos. é claro que há circunstâncias sob as quais permanece o mesmo. até tempos muito próximos a nós a transformação foi afirmada — destilando-se água. uma casa pode ser decomposta em pedras e traves. mas isto não é verdadeiro. e vapor sempre se condensa novamente em água". sob o ponto de vista especulativo. Neste sentido. Existe um processo superficial que não é superação da determinidade da substância: "Água não se transforma em ar. mas quando esfrego um pedaço de ferro no outro ou quando o seguro de determinada maneira. 1743-1794. também deve ter a verdade da realidade efetiva. . pesou todos os recipientes — mostrou-se um resto terroso. mas na comparação mostrou-se que provinha dos recipientes. dizem apenas o que vêem. químico. devido a seu conceito limitado. descobrimos que apenas observam. através do conceito. inconscientemente transformam imediatamente o que viram. pois. Como se dissesse: O processo da natureza é uma totalidade de condições. da água em terra. Eles mostram as transformações como não existentes. falam 69 Antoine Laurent Lavoisier. mas só em vapor. isto é. E o conflito não resulta da oposição entre observação e conceito absoluto. estas estão presentes como pedras e traves. se o elemento especulativo tem por fim ser a natureza e a essência de seus momentos. resulta algo diferente que quando preencho todas as condições. não se sabe onde.impossibilidade de sua transformação em outras. por exemplo. os investigadores da natureza cerram. atacou a teoria do flogisto.) Mas o elemento especulativo está também assim presente. seus olhos para isto. sobrava um resto terroso. Esta posição afirma com razão que aquilo que deve ser em si. Divisão apenas mecânica é sempre possível. (A gente se representa o elemento especulativo como se apenas fosse real no pensamento ou no interior. se algumas delas faltam.

Eles necessariamente deparam com seu limite. mas antes já estiveram presentes como tais. tornada terra. Pois justamente ele é a essência. renascido na consciência. no real. o cristal revela água. portanto: "Não surgiu como água. no ar. Mas realizam a experiência. que se mostra surgindo. Eles. mas só para a consciência educada torna-se conceito absoluto. passa a ser vapor e chuva etc. não numa determinidade como aqui. assim é sua cruz não encontrar hidrogênio no ar. mas eles corrompem toda percepção das transformações por causa do conceito fixo. como partes de que se constitui a água". latentes. da constituição de partes. garrafas cheias de ar trazidas por balões de regiões elevadas. mas que o ar permanece inteiramente limpo ou que o hidrogênio desaparece totalmente no ar puro. já se manifesta em tudo isto um conceito — nem se pode impedir que aí esteja. dizem. pois já trazem consigo. do já-ter-estado-presente daquilo como tal. porém. Experimentam também que ar bem seco. água. A água de cristal não é mais que água — transformada.da relação entre o todo e as partes não como de momentos ideais — que atingiriam como em si. Esta é a experiência. torna-se duro — água-cristal. . O mesmo se dá com a "matéria latente do calor". mostra hidrogênio e oxigênio: "Estes não apareceram. Dissolvido. para encontrar hidrogênio no ar atmosférico. em condições externas. invisíveis. quando vão realizar a experiência. nem oxigênio e hidrogênio na água. mas em vão. não podem mostrar água no cristal. Despenderam bastante esforço. no processo da natureza. sempre se conserva ao menos um traço leve de universalidade e de verdade. verificam que a evaporação da terra não pode ser encontrada em forma de vapor. separada em seu processo. mas antes nele já estava". os conceito fixos do todo e das partes. Em toda enunciação da percepção e experiência e sempre que o homem fala. não positivos (enquanto momentos) mas aqui ainda obtidos como representação. higrômetros. não mostram sua existência. no qual não podem descobrir nem umidade nem hidrogênio. verificando que o cristal dissolvido dá água e que no cristal se perde água.

é o processo em repouso — o gênero 70 71 Diógenes Laércio. que sua essência. 58-60.70 E o conceito de necessidade não é outro que o fato de o ente. apenas o um permanece. Física (6). . spérma tes tou pantòs genéseos). enquanto determinado nesta determinidade. 3. como a essência.71 Isto é para ele a idéia. Plutarco. O PROCESSO COMO UNIVERSAL E SUA RELAÇÃO COM A CONSCIÊNCIA Falta apenas isto na idéia. é o conceito da unidade existente na oposição. ele é a idéia permanente. Das Sentenças dos Filósofos. esta unidade na oposição — ser e nãoser como o mesmo — denominou-o Heráclito "destino (heimarméne). Pode-se sentir. O processo não é ainda concebido como universal. como processo dos diferentes que volta a si mesmo. Mas também isto pode ser encontrado em Heráclito.Para retornar a Heráclito: ele é aquele que primeiro expressou a natureza do infinito e que compreendeu a natureza como sendo em si infinita. Não há dúvida que Heráclito diz que tudo flui. a semente do devir de tudo" (aithérion soma. cap. que é a mesma em todos os filósofos até os dias de hoje. é o universal. mas por isso relaciona-se com seu oposto — a absoluta "relação que perpassa o ser da totalidade" (lógos ho diá tes ousías tou pantòs diékôn). com o processo dos indivíduos. sua essência como processo. entendimento ou o conceito simples em sua infinitude. assim como foi a idéia de Platão e Aristóteles. em repouso. Este universal. Mas com isto ainda não está enunciada a verdade. necessidade". Heráclito o denomina "o corpo etéreo. O universal é a imediata e simples unidade na oposição. nada é constante. isto é. E a partir dele que se deve datar o começo da existência da Filosofia. universal como tal. Simplício. a universalidade. o gênero. 28. como tal ainda deve ser determinada a idéia — o nous de Anaxágoras. IX. I. § 7. Extratos de Física. e não da unidade refletida. como universalidade seja reconhecido. Este um na unidade com o movimento. ser o que é (esta constitui sua essência enquanto indivíduo). como Aristóteles. 3. como pensamento. pág. que não há nada de duradouro. sua simplicidade como conceito.

é algo constante. Absoluta necessidade é que o verdadeiro esteja na consciência — mas não qualquer pensamento em geral que visa o individual. 3. Sua filosofia é como um todo de caráter cosmológico. Vil. não qualquer relação onde é apenas forma e possui o conteúdo da representação. com o pensamento. que na verdade não é desta maneira. o ser pensado. e o que vemos dormindo é sonho". Pois ela é justamente aquilo para quem o que é. Sexto Empírico. §§ 126-127 . o pensamento — e o ser recebe aqui a forma da unidade. na medida em que possuem almas bárbaras. o fato de ele esclarecer que a certeza sensível não possui verdade alguma. espontânea e inocente. o processo simples que se reconcentra (o que recolhe em si). é certo — esta certeza é aquilo para a qual algo subsiste. mas é concebido em seu modo natural. é uma bela maneira. ao que é). mas apenas a divina e universal"..animal é o que permanece. Heráclito diz sobre a percepção sensível: "Más testemunhas são para os homens os olhos e os ouvidos. de que tudo o que é ao mesmo tempo não é. mas é a absoluta mediação. III. A razão (logos) é o juiz da verdade. "Morto é o que vemos em vigília. na medida em que vemos. não há dúvida. No que se refere a afirmações sobre o conhecimento.73 esta medida. este ritmo que perpassa a essencialidade do todo. Resta agora ainda considerar qual a relação com a consciência. uma figura fixa. é lógica. como existente. foram conservadas diversas passagens de Heráclito. Stromata. Decorre imediatamente de seu princípio. que Heráclito atribui a esta essência (ao mundo. mas não a mais próxima e melhor (hopoiosdépote). o princípio. consciência 72 73 Clemente de Alexandria. Sob este ponto de vista. Contra os Matem. Este ser imediato não é o ser verdadeiro. mas o entendimento universal. Como chega o logos à consciência? Qual a sua relação com a alma individual? Analiso isto mais detidamente aqui.72 porque. como processo universal da natureza. de falar o verdadeiro da verdade — aqui o universal e a unidade da essência da consciência e do objeto e a necessidade da objetividade.

"Pois no sono". adequada às circunstâncias das coisas. § 1."74 Sexto expõe mais detidamente a relação da consciência subjetiva. é como se comparasse a reflexão com o homem que sonha ou que é doido. Esta vigília. A universalidade possui a forma da reflexão. g 127. dormindo estamos no esquecimento. esta consciência do mundo exterior que faz parte desta sabedoria. sou a objetividade da consciência. da razão singular. O um é reconhecer o que é sábio — a razão. consciência deste contexto. Contra os Matem. Se e na medida em que eu. diz-se. "os caminhos da sensibilidade estão fechados e o entendimento que está em nós é separado de sua união com aquilo que o cerca (tes prós tò periékhon symphyías). O homem em vigília relaciona-se com as coisas de maneira universal. não há dúvida. mas somos assim apenas enquanto estamos em vigília. e mantém-se apenas o contexto (prósphysis) da respiração como se fosse uma raiz" do contexto do estado de 74 75 Diógenes Laércio. na finitude — como finito estou num contexto exterior. a forma da objetividade. identidade do subjetivo e objetivo. pela respiração aspiramos esta essência universal. "Muito conhecimento não ensina o entendimento. tornamonos inteligentes. mas apenas entendimento. por isso não — com consciência. IX. Isto tem ainda uma forma muito física. como os outros também se relacionam com elas. Sexto75 cita-nos a determinação disto. pois.desenvolvida da necessidade. é o modo necessário deste contexto. a idéia na finitude. estou. com este processo universal da natureza. VII. permaneço no sonho e na vigília na área deste contexto —. a objetividade compreende.. "Quando nós. que em tudo é o que domina. se assim fosse. no contexto objetivo-compreensivo desta reflexão." Esta forma de sabedoria é o que chamamos de vigília. é antes um estado. também teria ensinado a Hesíodo. mas é aqui tomada pelo todo da consciência racional. sem sono. da seguinte maneira: "Tudo que nos cerca é lógico e compreensível por si" — a essência universal da necessidade. Xenófanes e Pitágoras. reflexão. . a essência objetiva.

mas o que cabe como parte ao indivíduo não possui poder de persuasão em si. § 129 Ibid. mas dele separado se apaga. § 349. "Mas. Por isso o que aparece a todas possui poder de persuasão. objetiva.. porém. é a essência da verdade em Heráclito. mas abstrato. se o que acontece. como que olhando pelas janelas e unindo-se ao que o cerca (symbãllôn). pois tem parte no logos universal e divino. ser para si. no sonambulismo.vigília. Contra os Matem. narro explico). distinguindo tudo conforme a 76 77 78 Ibid. no contexto com os muitos caminhos. Pois. acontece segundo esta razão. "Nos que estão de vigília. o entendimento universal e divino em união com o qual somos lógicos. do que é.. § 130 Tennemann põe curiosamente na boca de Heráclito: "O fundamento do pensar. tanto antes de ouvir como quando primeiro ouvem.78 "Esta totalidade. No começo de seu livro sobre a natureza. distingue-se do respirar (symphyía) em geral. Este respirar. portanto. contudo. Pelo fato de não estarmos ligados ao contexto com o todo. . isto é. os homens são irracionais. saber do universal. mantém ele (o entendimento). a razão é este processo com o objetivo. isto é. assim a parte (moira) — a necessidade (vide supra) — "que do que nos cerca é abrigada em nossos corpos torna-se quase irracional pela separação". pela razão contrária." Da mesma maneira como o carvão que se aproxima do fogo torna-se ele mesmo incandescente.. ele não é universal na particularidade — pensamento que se tem a si mesmo como objeto.77 Estar de vigília é consciência real. ele diz: "Pelo fato de que o que nos cerca é a razão (logos). e nisto. ela se torna da mesma natureza que o todo" (ho moeidès tõ hólo kathístatai). são eles ainda inexperientes quando ensaiam os discursos e obras que eu anoto (diegeumai. VII. discuto. Para isso ele cita Sexto Empírico. "Assim separado. que Deus daria a sabedoria no sono. através das vias da sensação. a força lógica" — o idealismo em sua ingenuidade. a força do pensar está" além do ser humano". sonhamos apenas. do ser de um outro para nós. a objetividade. isto é o contrário daquilo que muitos pensam. que permanece mesmo no sono — não um elemento especificado. o entendimento perde a força da consciência que antes possuía" 76 — o espírito apenas como particularidade individual.

quando devem pensar algo. m. corolário 2. Muitos..natureza e dizendo como se comporta. parte II. 44. estamos na verdade. existente. VII. porém. Por mais que Heráclito afirme que no saber sensível não há verdade. como esquecem o que fazem no sono". O engano. Contra os Matem. é a essência do pensamento. E a mesma consideração da verdade que Espinosa81 denomina "uma consideração das coisas sob a forma de 79 80 81 Sexto Empírico. consiste na particularização do pensamento — o mal e o engano residem no fato da separação do universal. §§ 131-132. Ética. uma originalidade. vivem como se tivessem um entendimento próprio (idían phrónesin). na medida em que tomamos parte no saber dele (autou tes mnémes koinonésômen). o entendimento. que se torna característica do conteúdo e da forma. enquanto é. individual. determinado. mas consciência da particularidade e ação como individual. porém. isto teria que ser alguma coisa singular. Somente a consciência como consciência do universal é consciência da verdade. a convicção) dos modos de ordenação (exégesis tou trópou) (organização) do todo. o ser da certeza sensível não é. isto é a ilusão. Por isso. é necessário o modo objetivo. estamos na ilusão". do mesmo modo como é a essência do mundo.80 Palavras muito grandes e importantes! Não é possível expressar-se de modo mais verdadeiro e mais espontâneo sobre a verdade. a exposição. Por isso devemos seguir apenas a este entendimento universal.. enquanto sensível. no saber. porém (he dè). O racional. . não é outra coisa que a interpretação (o tomar-consciência. Os homens acham em geral que. o verdadeiro que eu sei é certamente um retroceder e sair do objetivo. com a mesma força afirma ele que. portanto. não sabem o que fazem quando acordados. § 133. mas.79 Heráclito diz ainda: "Tudo fazemos e dizemos segundo a participação do entendimento divino (logos). Mas o que a razão em si sabe é também a necessidade ou a universalidade do ser. na medida em que temos coisas particulares (próprias) (idiásômen). prop. é o não-verdadeiro e o mau. Os outros homens. porque tudo o que é flui.

transformado por mim em objeto. enquanto este sujeito — não como objeto. é este objeto de maneira alguma imaginado. de eu ter algo em mim. então devemos ao menos dizer que aquilo que nos foi transmitido de Heráclito valeu sua conservação. pelo pensamento. enquanto neste sujeito. . homens imortais. e eu sou para mim livre da subjetividade de mim. sendo para todos o mesmo. III. 319-343) 82 Fabrício sobre Sexto Empírico. Na verdade. este. o objeto é para mim. mas um saber que é para si — mas de maneira tal que este ser para si seja desperto ou que seja objetivo e universal. algo livre de mim. 24. se quisermos ter o destino por tão justo que sempre conserva. sentenças avulsas etc.. o morrer é a vida dos deuses. acima da pura natureza. O divino é o elevar-se. podemos conjeturar que foi da mesma excelente qualidade. Do mesmo modo a sensação é a maneira de algo ser apenas para mim. (Preleções sobre a História da Filosofia. daquilo que foi perdido para nós. O imaginar e coisas semelhantes são também um tal sonhar. Ou. o melhor. O ser para si da razão não é uma consciência sem objeto. existem ainda muitos outros fragmentos de Heráclito. por mais sublimes sentimentos que se tenham. enquanto é livre em si. e. §230. Além disto. mas em si universal. do mesmo modo.eternidade". viver é-lhes morte e morrer é-lhes vida".82 A morte dos deuses é a vida. porém. Esboços Pirrônicos. para os pósteros. esta faz parte da morte. O sonhar é um saber de algo de que somente eu sei. é essencial que aquilo que sinto seja para mim. por exemplo: "Os homens são deuses mortais e os deuses. dizer de Heráclito o que Sócrates disse: O que ainda nos sobrou de Heráclito é excelente. um sonhar. efetivamente. pp. Podemos.

Floresceu por volta de 500 a.. na segunda. Em Atenas. hoje Vaia.) DADOS BIOGRÁFICOS PARMÊNIDES NASCEU em Eléia. raciocinar com mais penetração. 5. combate a filosofia dos jônicos. 1. enquanto Melisso.C.. neste ponto. forçosamente admite que só uma coisa é. — A atitude polêmica de Parmênides levanta-se tanto contra o dualismo pitagórico (ser e não-ser... ibid.. cheio e vazio. III. Kuhnen 1.. Fogo e Terra. PARMENIDES PARECE estar vinculado à unidade formal (katà tòn lógon). Provavelmente também seguiu as lições do velho Xenófanes. com Zenão. Mas. ARISTÓTELES. na Itália. estabelece duas causas e dois princípios: quente e frio. à unidade material (katà tèn húlen).C.. o ser. Metafísica. vale dizer. Destes (dois princípios) ele ordena um (o quente) ao ser. Foi discípulo do pitagórico Amínias e mostra conhecer a doutrina pitagórica.) como. e nenhuma outra. A . Remberto F. da opinião. Julgando que fora do ser o não-ser nada é. . o outro ao não-ser.DOXOGRAFIA Trad. como seres admitia só as coisas sensíveis. Conservamse numerosos fragmentos da primeira parte e alguns da segunda. constrangido a seguir o real (tois phainoménois). Esta obra compreende um preâmbulo e duas partes.PARMÊNIDES DE ELÉIA (CERCA DE 530-460 A. Na primeira trata da verdade. ibid.. em versos: Sobre a Natureza. b 27: Parmenides parece. — Escreveu um poema filosófico. 5. admitindo ao mesmo tempo a unidade formal (katà tòn lógon) e a pluralidade sensível (katà tèn áistesin). 986 b 18 (DK 28 A 24). a saber. 1010 a 1: Examinando a verdade nos seres. — Id. — Id. segundo alguns intérpretes. contra o mobilismo de Heráclito.

III. e os primeiros naquilo. semelhante opinião parece-se com uma loucura. ao conceberem a existência apenas para a substância das coisas sensíveis. Teeteto. ARISTÓTELES. não faziam mais que transferir aos seres sensíveis as razões só válidas para as realidades. crendo plenamente nisso. Contra os Matemáticos. . pois o limite só poderia limitar em relação ao vazio. i. Mas estes (filósofos). doutrina que. 6. alguns (pensadores) ensinam que o todo é um. os chama de imobilistas e não-físicos. a não ser em aparência para nós. se se tomam em conta fatos. e. Da Geração e Corrupção I. 3. 325 a 13: Partindo desses raciocínios. 46: (O movimento) não existe segundo os filósofos da escola de Parmênides e de Melisso.. Pois. Do Céu. Uns negam absolutamente geração e corrupção.298 b 14 (DK 28 A 25). Tais são as causas pelas quais esses (pensadores) desenvolveram as teorias sobre a verdade. PLATÃO. afirmando que nada se move. X. ARISTÓTELES. num de seus diálogos relacionados à posição de Platão. e anterior a ela. 4.2. 111. Certamente. Tal é a doutrina da escola de Melisso e de Parmenides. segundo este raciocínio. 1. 181 a (DK 28 A 26). por excelente que seja. deixando de lado o testemunho dos sentidos e negligenciando-o sob o pretexto de que se deve seguir a razão. Aristóteles. — Id. e não-físicos porque a natureza é princípio de movimento. pois nenhum dos seres nasce ou perece. — Sexto Empírico. que eles negam. 207 a 9 (DK 28 A 27). parece suceder assim com estas coisas: mas. se existem seres engendrados e absolutamente imóveis. não pode ser tida como fundada sobre a natureza das coisas. Mas se os partidários do imobilismo do todo nos parecem dizer mais a verdade. imobilistas porque são partidários da imobilidade. 8. havemos de procurar junto deles nosso refúgio contra os que fazem mover-se o imóvel. pertencem mais a ciência outra que não à da natureza. imóvel e ilimitado.. que sem tais naturezas imóveis não pode haver nem conhecimento nem sabedoria. Física.

como nas coisas individuais. o não-ser é nada. a não ser o que foi revelado nele de cada um como o homem dentre os homens". pois este proclama "o todo infinito". Por isso se deve julgar que Parmênides tinha razão contra Melisso. se todos os seres fossem belos e nada fosse tomar o que não é belo. a saber. o termo é o limite. portanto. a palavra do ser subsiste em todas as coisas como uma e ela mesma. Segundo Alexandre. assim é o todo em sentido absoluto. não sei dizer. é um". e na verdade não é um só o belo mas muitos (pois a cor será bela em relação à familiaridade. ninguém leve a mal se Parmênides seguiu palavras não merecedoras de fé e se foi enganado pelas que então ele não soube explicar claramente — pois ninguém o disse de muitos . Da mesma maneira. a respeito de Parmênides. Mas nada é perfeito (téleios) se não tiver termo (telos). assim também os seres todos serão. mas não um nem o mesmo. Mas nos Físicos. um. E dando em detalhe as palavras. escreveu o seguinte. assim. 5. todo e perfeito são absolutamente da mesma natureza ou estão bem perto. 215. Mas aquilo a que falta alguma coisa que permanece fora não é um todo (por menos que lhe falte). o fogo. portanto. Ora. mas belas serão todas as coisas. Se Eudemo escreveu isso em alguma outra parte com tanta sabedoria. relata assim o raciocínio de Parmênides: "O que está fora do ser não é ser. Por conseguinte. é o ser". o homem é um todo ou um cofre. E. pois um é a água e outro. SIMPLÍCIO.11 (DK 28 A 28). E Eudemo (conta) da seguinte forma: "O que está fora do ser não é ser.Pois definimos o todo como aquilo de que nada está ausente. ora. no primeiro livro de sua Física. e só de uma maneira se chama o ser. Teofrasto. nem se alguém com ele concordaria em chamar o ser de uma forma. enquanto aquele o diz finito "igualmente distante dum centro". o todo fora do qual nada há. donde é igualmente possível deduzir o que foi dito: "Parmênides não parece demonstrar que um é o ser. por exemplo. aos costumes ou por outro motivo qualquer). Física. o ser. como a do animal nos animais.

ao contrário. 6. 557. que atribui a sensação também ao contrário em si.. . Da Sensação. o silêncio e os contrários. do predomínio de um sobre o outro depende o conhecimento. em geral. Os antecessores. todo ser tem certo conhecimento.FRAGMENTOS Trad. 111 e ss. e SIMPLÍCIO. atribuem-na ao semelhante. apenas afirmou que. de José Cavalcante de Souza SOBRE A NATUREZA (DK 28 B 1-9) 1.modos. o afirmaram sem provas. Mas. E acrescenta que. Pois. Com efeito. se não parecesse forçoso. pois não concordava. (3) Parmênides não definiu absolutamente nada. outros. ao contrário. Do Céu. Parmênides considera a sensação e a inteligência a mesma coisa. Parece que ele foi totalmente enganado por elas (as palavras). Por isso também a memória e o esquecimento se originam destas devido à mistura. A respeito da sensação. haverá pensamento ou não? E qual será sua índole? Nada ainda esclareceu. E isso que foi observado das suas palavras e contradições e o raciocinar (syllogízesthai).. 2 ss. 28-32). 20 (vv. (versos 1-30). por haver só dois elementos. no caso de haver igualdade de mistura. e a voz devido à deficiência de fogo. SEXTO EMPÍRICO VII.. e os da escola de Anaxágoras e Heráclito. Mas. a inteligência será outra. ver p. melhor e mais pura é aquela que (procede) do quente: todavia. Parmênides. as numerosas opiniões em geral se reduzem a duas: uns com efeito. Empédocles e Platão (atribuem-na) ao semelhante. se prevalecer o quente ou o frio. B . o calor. mas que percebe o frio. (DK 28 A 46). 145).. pensamento". também esta precisa de certa proporção (equilíbrio): "Pois como. torna-se manifesto de sua afirmação de que o cadáver não percebe a luz. porém. e foi Platão o primeiro que introduziu o duplo (sentido). (E o fragmento 16. TEOFRASTO. nem o (sentido) em si nem o por casualidade.

que por todas as cidades leva o homem que sabe. por esta eu era levado. e estas. E lá que estão as portas aos caminhos de Noite e Dia. A esta. mas lei divina e justiça. e as moças a viagem dirigiam.As éguas que me levam onde o coração pedisse conduziam-me. em que não há fé verdadeira. como as aparências deviam validamente ser. tu que assim conduzido chegas à nossa morada. das cabeças retirando com as mãos os véus. E a deusa me acolheu benévola. No entanto também isto aprenderás. me levaram as éguas o carro puxando. os brônzeos umbrais nos gonzos alternadamente fazendo girar. 2. Comentário ao Timeu. persuadiram habilmente a que a tranca aferrolhada depressa removesse das portas. companheiro de aurigas imortais. dos batentes. O eixo nos meões emitia som de sirena incandescendo (era movido por duplas. salve! Pois não foi mau destino que te mandou perlustrar esta via (pois ela está fora da senda dos homens). e assim dizia e me interpelava: O jovem. deixando as moradas da Noite. e na sua a minha mão direita tomou. e as sustenta à parte uma verga e uma soleira de pedra. destes Justiça de muitas penas tem chaves alternantes. em cavilhas e chavetas ajustados. falando-lhe as jovens com brandas palavras. tudo por tudo atravessando. e de opiniões de mortais. pois à via multifalante me impeliram da deusa. por lá. do âmago inabalável da verdade bem redonda. 18. I. 345. pelas portas logo as moças pela estrada tinham carro e éguas. por este. é preciso que de tudo te instruas. . muito sagazes. e elas etéreas enchem-se de grandes batentes. quando se apressavam a enviar-me as filhas do Sol. para a luz. um vão escancarado fizeram abrindo-se. turbilhonantes rodas de ambos os lados). PROCLO.

Pois bem, eu te direi, e tu recebe a palavra que ouviste, os únicos caminhos de inquérito que são a pensar: o primeiro, que é e portanto que não é não ser, de Persuasão é o caminho (pois à verdade acompanha); o outro, que não é e portanto que é preciso não ser, este então, eu te digo, é atalho de todo incrível; pois nem conhecerias o que não é (pois não é exeqüível), nem o dirias... 3. CLEMENTE DE ALEXANDRIA, Tapeçarias, VI, 23. ...........pois o mesmo é a pensar e portanto ser. 4. IDEM, Ibidem, V, 15. Mas olha embora ausentes à mente presentes firmemente; pois não deceparás o que é de aderir ao que é, nem dispersado em tudo totalmente pelo cosmo, nem concentrado... 5. PROCLO, Comentário a Parmênides, I, p. 708, 16. .......................para mim é comum donde eu comece; pois aí de novo chegarei de volta. 6. SIMPLÍCIO, Física, 117, 2. Necessário é o dizer e pensar que (o) ente é; pois é ser, e nada não é; isto eu te mando considerar. Pois primeiro desta via de inquérito eu te afasto, mas depois daquela outra, em que mortais que nada sabem erram, duplas cabeças, pois o imediato em seus peitos dirige errante pensamento; e são levados como surdos e cegos, perplexas, indecisas massas, para os quais ser e não ser é reputado o mesmo e não o mesmo, e de tudo é reversível o caminho.

7-8. PLATÃO, Sofista, 237 A (versos 7,1-2); SEXTO EMPÍRICO, Vil, 114 (vv. 7, 3-6); SIMPLÍCIO, Física, 114, 29 (vv. 8, 1-52); IDEM, ibidem, 38, 28 (vv. 8, 50-61). (7.) Não, impossível que isto prevaleça, ser (o) não ente. Tu porém desta via de inquérito afasta o pensamento; nem o hábito multiexperiente por esta via te force, exercer sem visão um olho, e ressoante um ouvido, e a língua, mas discerne em discurso controversa tese por mim exposta. (8.) Só ainda (o) mito de (uma) via resta, que é; e sobre esta indícios existem, bem muitos, de que ingênito sendo é também imperecível, pois é todo inteiro, inabalável e sem fim; nem jamais era nem será, pois é agora todo junto, uno, contínuo; pois que geração procurarias dele? Por onde, donde crescido? Nem de não ente permitirei que digas e pense; pois não dizível nem pensável é que não é; que necessidade o teria impelido a depois ou antes, se do nada iniciado, nascer? Assim ou totalmente é necessário ser ou não. Nem jamais do que em certo modo é permitia força de fé nascer algo além dele; por isso nem nascer nem perecer deixou justiça, afrouxando amarras, mas mantém; e a decisão sobre isto está no seguinte: é ou não é; está portanto decidido, como é necessário, uma via abandonar, impensável, inominável, pois verdadeira via não é, e sim a outra, de modo a se encontrar e ser real. E como depois pereceria o que é? Como poderia nascer? Pois se nasceu, não é, nem também se um dia é para ser. Assim geração é extinta e fora de inquérito perecimento. Nem divisível é, pois é todo idêntico;

nem algo em uma parte mais, que o impedisse de conter-se, nem também algo menos, mas é todo cheio do que é, por isso é todo contínuo; pois ente a ente adere. Por outro lado, imóvel em limites de grandes liames é sem princípio e sem pausa, pois geração e perecimento bem longe afastaram-se, rechaçou-os fé verdadeira. O mesmo e no mesmo persistindo em si mesmo pousa. e assim firmado aí persiste; pois firme a Necessidade em liames (o) mantém, de limite que em volta o encerra, para ser lei que não sem termo seja o ente; pois é não carente; não sendo, de tudo careceria. O mesmo é pensar e em vista de que é pensamento. Pois não sem o que é, no qual é revelado em palavra, acharás o pensar; pois nem era ou é ou será outro fora do que é, pois Moira o encadeou a ser inteiro e imóvel; por isso tudo será nome quanto os mortais estatuíram, convictos de ser verdade, engendrar-se e perecer, ser e também não, e lugar cambiar e cor brilhante alternar. Então, pois limite é extremo, bem terminado é, de todo lado, semelhante a volume de esfera bem redonda, do centro equilibrado em tudo; pois ele nem algo maior nem algo menor é necessário ser aqui ou ali; pois nem não-ente é, que o impeça de chegar ao igual, nem é que fosse a partir do ente aqui mais e ali menos, pois é todo inviolado; pois a si de todo igual, igualmente em limites se encontra. Neste ponto encerro fidedigna palavra e pensamento sobre a verdade; e opiniões mortais a partir daqui aprende, a ordem enganadora de minhas palavras ouvindo.

Pois duas formas estatuíram que suas sentenças nomeassem, das quais uma não se deve — no que estão errantes —; em contrários separaram o compacto e sinais puseram à parte um do outro, de um lado, etéreo fogo de chama, suave e muito leve, em tudo o mesmo que ele próprio mas não o mesmo que o outro; e aquilo em si mesmo (puseram) em contrário, noite sem brilho, compacto denso e pesado. A ordem do mundo, verossímil em todos os pontos, eu te revelo, para que nunca sentença de mortais te ultrapasse. 9. SIMPLÍCIO, Física, 180, 8. Mas desde que todas (as coisas) luz e noite estão denominadas, e os (nomes aplicados) a estas e aquelas segundo seus poderes, tudo está cheio em conjunto de luz e de noite sem luz, das duas igualmente, pois de nenhuma (só) participa nada. 10. CLEMENTE DE ALEXANDRIA, Tapeçarias, V, 138. Saberás e expansão luminosa do éter e o que, no éter, é tudo signo, do sol resplandecente, límpido luzeiro, efeitos invisíveis, e donde provieram; efeitos circulantes saberás da lua de face redonda, e sua natureza; e saberás também o céu que circunda, donde nasceu e como, dirigindo, forçou-o Ananke a manter limites de astros. 11. SIMPLÍCIO, Do Céu, 559-20. ...................Como terra, sol e lua, éter comum, celeste via láctea, Olimpo extremo e de astros cálida força se lançaram. 12. IDEM, Física, 39,12. Pois os mais estreitos encheram-se de fogo sem mistura, e os seguintes, de noite, e entre (os dois) projeta-se parte de chama; mas no meio destes a Divindade que tudo governa; pois em tudo ela rege odioso parto e união mandando ao macho unir-se a fêmea e pelo contrário

o macho à fêmea. 13. PLATÃO, Banquete, 178 B. Primeiro de todos os deuses Amor ela concebeu. 14. PLUTARCO, Contra Colotes, 15, p. 1116 A. Brilhante à noite, errante em torno à terra, alheia luz. 15. IDEM, Da Face da Lua, 16, 6 p. 929 A. Sempre olhando inquieta para os raios do sol. 16. ARISTÓTELES, Metafísica, III, 5. 1009 b 21. Pois como cada um tem mistura de membros errantes, assim a mente nos homens se apresenta; pois o mesmo é o que pensa nos homens, eclosão de membros, em todos e em cada um; pois o mais é pensamento. 17. GALENO, in Epid., VI, 48. A direita os rapazes, à esquerda as moças. 18. CÉLIO AURELIANO, Morb. Cron., IV, 9, p. 116. Mulher e homem quando juntos misturam sementes de Vênus, nas veias informando de sangue diverso a força, guardando harmonia corpos bem forjados modela. Pois se as forças, misturando o sêmen, lutarem e não se unirem no corpo misturado, terríveis afligirão o sexo nascente de um duplo sêmen. 19. SIMPLÍCIO, Do Céu, 558, 8. Assim, segundo opinião, nasceram estas (coisas) e agora são e em seguida a isso se consumarão, uma vez crescidas; um nome lhes atribuíram os homens, distintivo de cada.

C - CRÍTICA MODERNA
1. Friedrich Nietzsche Trad. de Carlos A. R. de Moura IX. ENQUANTO EM todas as palavras de Heráclito exprime-se a imponência e a majestade da verdade, mas da verdade apreendida na intuição, não da verdade galgada pela escada de corda da lógica; enquanto ele em um êxtase

sibilino vê, mas não espia, conhece mas não calcula, aparece ao lado seu contemporâneo Parmênides, como um par; igualmente com o tipo de um profeta da verdade, mas como que formado de gelo, não de fogo, vertendo em torno de si uma luz fria e penetrante. No fim da sua vida, provavelmente, Parmênides teve um momento da mais pura abstração, purificada de toda efetividade e completamente exangue; este momento — não-grego como nenhum outro nos dois séculos da época trágica —, cujo produto é a teoria do ser, foi para sua própria vida um ponto de demarcação que a dividiu em dois períodos; este mesmo momento separa igualmente o pensamento pré-socrático em duas metades, sendo que a primeira pode ser chamada anaximândrica e a segunda parmenídica. O primeiro e mais antigo período do próprio filosofar de Parmênides ainda carrega igualmente a rubrica de Anaximandro; este período produziu um sistema físico-filosófico efetivo como resposta às perguntas de Anaximandro. Quando mais tarde ele foi acometido daquele calafrio de abstrações glaciais e formulou a mais simples proposição referente ao ser e ao não-ser, lá estava o seu próprio sistema, entre as muitas teorias antigas que sua proposição reduzia a nada. Todavia, ele parece não ter perdido toda a piedade paternal em relação à criança forte e bem formada de sua juventude; e por isto diz: "Verdadeiramente existe apenas um caminho correto; mas, querendo dirigir-se por outro caminho, o único correto é o da minha antiga opinião, por seus bens e sua conseqüência". Protegendo-se com essa locução, deu ao seu antigo sistema físico um importante e extenso espaço naquele grande poema sobre a natureza, o próprio poema que devia proclamar o novo conhecimento como o único itinerário para a verdade. Esta consideração paterna, exatamente quando através dela um erro poderia insinuar-se, é um resto de sensibilidade humana numa natureza quase transformada em uma máquina de pensar, inteiramente petrificada pela intransigência lógica.

Parmênides, cujas relações pessoais com Anaximandro não me parecem inverossímeis, que não apenas verossimilmente mas evidentemente teve na teoria de Anaximandro seu ponto de partida, tinha as mesmas suspeitas em relação à perfeita separação entre um mundo que apenas é e um mundo que apenas vem a ser, suspeita que também Heráclito apreendera e que o conduzira à negação do ser. Ambos procuravam uma saída, fora daquela oposição e separação de uma dupla ordem do mundo. Aquele salto no Indeterminado, no indeterminável, através do qual Anaximandro escapara de uma vez por todas ao reino do vir-a-ser e de suas qualidades empíricas dadas, não era fácil para duas cabeças tão independentes e diferentes como as de Heráclito e Parmênides; eles primeiramente procuraram andar tão longe quanto podiam e reservaram o salto para aquele lugar onde o pé não encontra mais apoio e onde se precisa saltar para não cair. Ambos viam repetidamente aquele mesmo mundo que Anaximandro tão melancolicamente condenara, explicando-o como o lugar do crime e simultaneamente da expiação para a injustiça do vir-a-ser. Como já sabemos, em sua visão Heráclito descobria que maravilhosa ordenação, regularidade e certeza manifestam-se em todo vir-a-ser; daí concluía ele que o vir-a-ser não poderia ser injusto nem criminoso. Parmênides teve uma visão completamente diferente; ele comparava as qualidades umas com as outras e acreditava descobrir que elas não seriam todas idênticas, mas precisavam ser ordenadas em duas classes. Por exemplo: ele comparou a luz e a obscuridade e, assim, a segunda qualidade era manifestamente apenas a negação da primeira; e assim ele diferenciava qualidades positivas e negativas, esforçando-se seriamente por reencontrar e assinalar esta oposição fundamental em todo o reino da natureza. Seu método era o seguinte: ele tomava alguns opostos, por exemplo, leve e pesado, sutil e denso, ativo e passivo, e os remetia àquela oposição modelo entre luz e obscuridade; o que correspondia à luz era a qualidade positiva e o que correspondia à obscuridade, a qualidade negativa. Ele tomava por exemplo o

delgado. o vira-ser e o não-permanecer universais. quente. das positivas. ele descrevia também a esfera onde faltavam as qualidades positivas como obscura. mas apenas pode interpretar um perecer de tal maneira que nele o não-ser precise ter uma culpa. e assim o pesado valia para ele apenas como negação do leve. cada um apenas como negação do outro. Da mesma forma ele indicava a terra em oposição ao fogo. As últimas exprimem propriamente apenas a falta. o que não detinha Parmênides em marcá-lo com uma negação. por si mesmo. que este nosso mundo contém algo de ser e sem dúvida também algo de não-ser. O pesado parece oferecer-se insistentemente aos sentidos como qualidade positiva. Entretanto. Neste método já se revela uma aptidão ao procedimento lógico abstrato. todo salto equivalesse a uma queda. Enfim. segundo sua visão. o passivo em oposição ao ativo. fria. o frio em oposição ao quente. o denso em oposição ao sutil. ígneo. o feminino em oposição ao masculino.pesado e o leve: o leve ficava ao lado da luz. terrestre. em todo vir-a-ser está contido algo de ser e em atividade. ele tomava os rígidos termos "ser" e "nãoser" e chegava com isso à tese. como Heráclito. resistente e fechado às insinuações dos sentidos. espessa e em geral com caracteres passivo-femininos. o pesado do lado obscuro. em contradição a Anaximandro. talvez até mesmo na mitologia. Parmênides vê. talvez. o nascer precisa igualmente realizar-se pelo auxílio do não-ser: pois o ser está sempre presente e não poderia. nascer . Não se deve procurar o ser fora do mundo e como que acima do nosso horizonte. nosso mundo empírico cindia-se em duas esferas separadas: naquela das qualidades positivas — com um caráter luminoso. restava para ele a tarefa de dar a resposta correta à pergunta: "O que é o vir-a-ser?" E este era o momento em que ele precisava saltar para não cair. de tal maneira que. Pois como podia o ser ter a culpa do perecer! Entretanto. na mística das qualitates occultae. para tais naturezas como a de Parmênides. caímos no nevoeiro. Ao invés das expressões "positivo" e "negativo". este valendo como qualidade positiva. a ausência das outras. masculino — e naquela das qualidades negativas. ainda que. pesada. ativo. deve-se — buscá-lo diante de nós.

nem explicar nenhum nascer. Mas como colaboram o positivo e o negativo? Eles não deviam ao contrário repelir-se constantemente como contraditórios. através de suas viagens. através da conhecida relação mútua e empírica entre masculino e feminino. então resulta um vir-a-ser". o ser e o não-ser. se eles agem conjuntamente. o ódio e o conflito interno impulsionam novamente o ser e o não-ser à separação — e então o homem fala: "A coisa perece". Parmênides lança mão de uma qualitas occulta. por isso Heráclito o contava entre os poli-historiadores e em . Houve um dia em que Parmênides teve uma estranha idéia. Assim. Xenófanes de Colofão. pressupõe que as qualidades positivas — isto é. que sabia interrogar e narrar. Quando o desejo está satisfeito. tanto o nascer como o perecer são produzidos pelas qualidades negativas. Mas ninguém se engana impunemente com abstrações tão terríveis como são o ser e o não-ser. cantor de uma mística divinização da natureza. um homem muito instruído e muito instrutivo. O fato de ter um conteúdo o que nasce e perder um conteúdo o que perece. fazendo assim todo vira-ser impossível? Aqui. Supõe-se habitualmente que na invenção daquele dia teve influência não apenas a conseqüência interna de tais conceitos como ser e não-ser mas também uma impressão externa. Um desejo une os elementos que conflituam e se odeiam: o resultado é um vir-a-ser. de uma mística tendência dos contraditórios a aproximarem-se e atraírem-se. simbolizando aquela oposição pelo nome de Afrodite. de forma que ele tinha prazer de jogá-las de lado como se joga um saco de moedas sem valor. aquele — participem igualmente de ambos os processos: "Ao vir-a-ser é necessário tanto o ser quanto o não ser. O sangue se coagula pouco a pouco quando se toca nelas. que parecia invalidar todas as suas combinações anteriores. Xenófanes vivia uma vida extraordinária como poeta nômade e tornou-se. X. O poder de Afrodite é ligar os contraditórios. o conhecimento da teologia do velho e errante rapsodo.

ela é talvez a concepção de um homem que finalmente se tornou velho e sedentário. nesta fuga quase sem limites de todas as convenções. teve em suas peregrinações sempre os mesmos impulsos e inclinações: curar. pertence com efeito ao VI século. com aquela unidade mística. Em sua ousada condenação dos costumes vigentes ela não tem par na Grécia. pela sua admiração ruidosa por Homero. retirando-a dos conceitos de ser e não-ser. Se Parmênides chegava à unidade do ser puramente através de uma suposta conseqüência lógica. exatamente no mesmo lugar. parece-me puramente casual que. conviviam dois homens. nada que um pudesse ter aprendido do outro e então ensinado. não como um Térsites discordante. ninguém pode verificar. nesta tradução se perderia exatamente o específico da outra teoria.geral entre as naturezas "históricas" no sentido mencionado. Pois a origem da concepção da Unidade é num completamente diferente. mesmo oposta à do outro. purificar e melhorar os homens. ele está mais próximo de Parmênides do que naquela suprema . e. em uma época posterior ele teria sido um sofista. pela sua inclinação apaixonada às honras dos festivais de ginástica. por isso não se recolhia de maneira alguma à solidão. em Eléia. apenas para entendê-la. Xenófanes é um místico religioso e. mesmo assim. cada um trazendo na cabeça uma concepção da Unidade. e. No restante. traduzi-la primeiramente em sua própria linguagem. ele precisaria. como Platão e Heráclito. eles não formam nenhuma escola e não têm nada em comum. Ele não era uma personalidade tão transformadora como Pitágoras. mas colocava-se. Ele é o moralista. De onde e quando lhe veio o impulso místico ao Uno e eternamente Imóvel. se um tivesse aprendido a teoria do outro. mas ainda na categoria dos rapsodos. exatamente diante daquele público que ele condenava com cólera e ironia. que após o movimento de sua odisséia e após um aprender e investigar infatigáveis concebe o maior e o supremo na visão de um repouso divino. por sua adoração pelas pedras com forma humana. Com ele a liberdade do indivíduo está no seu ponto mais alto. na permanência de todas as coisas e uma paz panteística originária. Em todo caso.

Algo que não é pode ser um qualidade? Ou. A = não A: o que somente a mais completa perversidade do pensamento poderia formar. os jogos de antinomias de Heráclito tinham que ser profundamente odiosos. "Ser e não-ser são e não são os mesmos". o ser e o nãoser. ao conceito de qualidade negativa. formalmente expresso.. proposições através das quais tudo o que ele tinha destrinchado e esclarecido se tornaria novamente opaca e inexplicável. é!" Repentinamente ele sentiu pesar sobre sua vida um monstruoso pecado lógico. ele sempre havia suposto sem escrúpulo que existiam qualidades negativas. não-seres em geral. Este mesmo conhecimento tautológico lhe dizia implacavelmente: "O que não é. ele desce agora ao abismo das coisas. vendo as coisas de perto. e então ele se prendeu repentinamente. levaram-no ao furor. a chave para o mistério universal.unidade divina que ele viu uma vez. interrogado no plano dos princípios: algo que não é. proposições como: "Nós simultaneamente somos e não somos". Mas. Mas o mesmo momento que o acusa deste crime ilumina-o com a glória de uma descoberta: ele encontrou um princípio. pode ser? Mas a única forma do conhecimento que nos oferece imediatamente uma segurança incondicional e cuja negação iguala a loucura é a tautologia A = A. que tinha colocado tudo na mais rigorosa separação entre o ser e o não-ser. No caminho ele encontra Heráclito: um encontro infeliz! Para ele. como ele mesmo percebeu. na firme e terrível mão da verdade tautológica sobre o ser.. do não-ser. toda a grande maioria dos homens julgava com a mesma perversidade. em um daqueles estados de visão dignos de seu século. desconfiado. não é! O que é. . Naquele dia e nesse estado ele examinava aquelas oposições cooperantes cujo desejo e ódio constituíam o mundo e o vir-a-ser. as qualidades positivas e negativas. Foi antes em um estado de espírito oposto que Parmênides encontrou as teoria do ser. separado de toda ilusão humana. que tem em comum com a visão do ser de Parmênides apenas a expressão e a palavra mas não certamente a origem. ele mesmo tinha apenas tomado parte do crime geral contra a lógica. havia suposto que.

não é. acabado. como toda diminuição. ele é igualmente impossível. Mas não podem existir vários seres. do ser. "ele será". imóvel. Mas. gritava ele. era para ele uma vivência dolorosa e ininteligível. se agora Parmênides voltava seu olhar ao mundo do vir-a-ser. Do ser? Isto não seria senão produzir-se a si mesmo. como todo aumento. em fluxo. em todos os pontos igualmente perfeito como uma esfera. não siga o ouvido ruidoso ou a língua. como toda mutação. pois para onde ele devia movimentar-se? Ele não pode ser nem infinitamente grande nem infinitamente pequeno. nunca pode ser dito "não é". mas não em um espaço. Assim. O ser não pode vir-a-ser: pois de que ele teria vindo? Do não-ser? Mas o não-ser não é e não pode produzir nada. pois ele é acabado e um infinito dado por acabado é uma contradição. existe apenas a Unidade eterna. E válida em geral a proposição: tudo do que pode ser dito "foi" ou "será". dele não pode ser dito "ele era". Assim limitado. pois caso contrário este espaço seria um segundo ser. também seu pensamente. cuja existência ele antes tinha procurado compreender através de combinações tão engenhosas. mas examine tudo somente com a força do pensamento". pois para separá-los precisaria haver algo que não fosse um ser: o que é uma suposição que se suprime a si mesma. Com isto ele operava a primeira crítica do aparelho do . Ele mergulhava então no banho frio de suas terríveis abstrações."Fora com os homens que nada sabem e parecem ter duas cabeças". como o vir-a-ser. O mesmo acontece com o perecer. Seu imperativo agora era: "Não siga os olhos estúpidos. entretanto. em equilíbrio. glorificada através dos jogos de antinomias e exaltada como o cume de todo conhecimento. Eles admiram as coisas perenemente mas precisam ser tão surdos quanto cegos para misturarem assim os contrários!" A compreensão da massa. por ouvi-lo. "Junto deles está tudo. ele zangava-se com os seus olhos por verem o vir-a-ser e com seus ouvidos. O ser é indivisível. ele paira. pois onde está a segunda potência que devia dividi-lo? Ele é imóvel. O que é verdadeiro precisa estar no presente eterno.

Queremos guardar-nos de interpretar este fato notável segundo falsas analogias. a razão. para passear os olhos nos protótipos imaculados. forma-se um ódio em não poder livrar-se desta eterna fraude dos sentidos. e luta enclausurado em fórmulas. o ser. a ordenação de seus altos e baixos. como Platão. e sua ilusão fundamental é simular que o não-ser é. nulo e alcançado através dos sentidos. não. como num castelo de teias de aranha. E ele era um grego. nas caixas vazias das mais indeterminadas palavras. extremamente importante e funesta em suas conseqüências. Fugir. não há nada para aprender dela. para o país das idéias eternas. Quem pensa desta maneira. para a oficina do artesão do mundo. A aranha quer o sangue de suas vítimas. como o fez Parmênides. pesa sobre a filosofia como uma maldição. pensa Parmênides. desintegrou o próprio intelecto e animou aquela divisão completamente errônea entre corpo e espírito que. suprime a possibilidade de ser um investigador da natureza. dão apenas ilusões. seu interesse pelo fenômeno cai. Toda aquela multiplicidade e variedade do mundo conhecido pela experiência. e ao lado de uma tal "verdade" senta-se o filósofo.conhecimento. o sangue da empiria por ele sacrificada. Todas as percepções dos sentidos. especialmente desde Platão. Aquela fuga não era uma fuga . Através disso ele repentinamente separou os sentidos e a capacidade de pensar abstrações. Era então possível a um grego fugir da profusa efetividade como de um puro e impostor esquema da imaginação. por exemplo. XI. igualmente exangue como uma abstração. cujo "florescimento" é aproximadamente contemporâneo à eclosão da revolução jônica. se bem que ainda muito insuficiente. a troca de suas qualidades. está perdido todo trabalho que se tem com este mundo mentiroso. foram postas de lado impiedosamente como uma ilusão e pura aparência. e inquebráveis das coisas — mas para o rígido sossego da morte do mais frio e inexpressivo conceito. como se fossem duas faculdades inteiramente distintas. Agora a verdade apenas pode habitar nas mais desbotadas e pálidas generalidades. mas o filósofo parmenidiano odeia justamente o sangue de sua vítima. que o vir-a-ser tem um ser.

que a existência nunca pertence à essência. concedei-me apenas uma certeza! E que ela seja uma tábua sobre o mar da incerteza. concluir uma existentia do ser. para ela não era exigida a profunda convicção religiosa da perversidade. contra. ele concluía que ele precisava existir: uma conclusão que repousa sobre o pressuposto de que nós temos um órgão de conhecimento que vai à essência das coisas e é independente da experiência. O pensamento de Parmênides não traz em si nada do perfume sombrio e embriagante dos hindus. se não pode ser dado o objeto subjacente. não era aspirada como o mergulho místico em uma representação totalmente satisfatória e encantadora que.universal no sentido dos filósofos hindus. é um enigma e um escândalo. apenas larga o suficiente para permanecer sobre ela. todas as deduções análogas. Aristóteles já fizera valer. florescente. para aquele tempo. A oração de Parmênides é: "ó deuses. que o ser-aí nunca pertence à essência das coisas. aquela meta final. do fato que podia pensá-lo. Segundo Parmênides. o incolor. fantástico e sumamente móvel. a partir do conceito "ser" — cuja essentia é apenas o ser —. é antes o inodoro. o repouso do ser. o elemento de nosso pensamento não está presente na intuição mas é trazido de outra parte. a falta total de sangue. perfume que talvez não seja totalmente imperceptível em Pitágoras e Empédocles. para os homens comuns. o esquematismo abstrato — em um grego! O milagroso é antes de tudo a terrível energia da aspiração à certeza em uma época de pensamento místico. mas. Exatamente por isso não se pode. A verdade lógica daquela oposição entre o ser e não-ser é completamente vazia. se não pode ser dada a intuição . o deformado. excitante e vivo. de um mundo extra-sensível ao qual nós temos um acesso direto através do pensamento. mutabilidade e infelicidade da existência. e daime apenas a única. pobre e vazia certeza". o que é exuberante. enganador. Tomai para vós tudo o que vem-a-ser. o inanimado. A experiência não lhe apresentava em nenhuma parte um ser tal como ele o pensava. de religiosidade e de calor ético. o milagroso naquele fato. Na filosofia de Parmênides preludia-se o tema da ontologia. multicolorido.

através da qual esta oposição é deduzida por abstração; sem este retorno à intuição, ela é apenas um jogo com abstrações através do qual nada é conhecido de fato. Pois o puro critério lógico da verdade, como Kant ensina, isto é, a concordância de um conhecimento com as leis formais e gerais do entendimento e da razão, é apenas o conditio sine qua non, portanto a condição negativa de toda verdade: a lógica não pode ir mais longe nem descobrir, através de nenhum procedimento, o erro que se refere não à forma mas ao conteúdo. Assim, quando se procura o conteúdo para a verdade lógica da oposição: "O que é, é; o que não é, não é", não se encontra, de fato, nem uma única efetividade que lhe seja rigorosamente conforme; de uma árvore eu tanto posso dizer "ela é", em comparação com todas as coisas restantes, como "ela vem a ser", em comparação com ela mesma num novo momento do tempo, ou finalmente, também, "ela não é", "ela ainda não é árvore", por exemplo, enquanto eu considerava o arbusto. As palavras são apenas símbolos das relações das coisas entre si e conosco, elas não fundam em parte alguma a verdade absoluta; e a palavra "ser" indica apenas a relação mais geral que liga todas as coisas, igualmente como a palavra "não-ser". Mas, se a própria existência das coisas não é demonstrável, então a relação das coisas entre si, o chamado "ser" e "nãoser", não pode ajudar a aproximarmo-nos nem um passo do país da verdade. Através de palavras e conceitos nós não chegamos jamais a penetrar a muralha das relações, nem mesmo a algum fabuloso fundamento originário das coisas; e mesmo nas puras formas da sensibilidade e do entendimento, no espaço, no tempo e na causalidade, nós não ganhamos nada que se assemelhe a uma veritas aeterna. É incondicionalmente impossível, para o sujeito, querer conhecer e ver algo acima de si mesmo; tão impossível que conhecimento e ser são, de todas as esferas, as mais contraditórias. Se Parmênides, na ingenuidade ignorante da crítica do intelecto de então, podia presumir chegar a um ser-em-si a partir de um conceito eternamente subjetivo, hoje, depois de Kant, é uma ignorância atrevida colocar aqui e ali, como tarefa da filosofia, particularmente junto aos

teólogos mal instruídos que querem brincar de filósofos, "apreender o absoluto com a consciência", aproximadamente na forma: "O absoluto já está presente, senão como ele poderia ser procurado?" — como se exprimiu Hegel. Ou na direção de Beneke: "O ser precisa estar dado de alguma maneira, ele precisa de alguma maneira estar acessível, sem o que nem mesmo o conceito do ser poderíamos ter". O conceito do ser! Como se ele já não mostrasse na etimologia a mais pobre origem empírica. Pois, no fundo, esse quer dizer apenas respirar; e, quando o homem o emprega em relação a todas as outras coisas, ele transfere a convicção que ele mesmo respira e vive às coisas, através de uma metáfora, isto é, através de algo ilógico, compreendendo a existência destas coisas como um respirar, segundo a analogia humana. Logo, confunde-se o significado original das palavras, permanecendo sempre o fato de que o homem representa o ser-aí das outras coisas segundo a analogia com seu próprio ser-aí, portanto, antropomorficamente, em todo o caso, através de uma transposição ilógica. Mesmo para os homens, portanto, à parte aquela transposição, a proposição "eu respiro, logo existe um ser" é completamente insuficiente: pois contra ela pode ser feita a mesma objeção que contra o ambulo ergo sum ou ergo est. XII. O outro conceito, de maior conteúdo que o do ser e igualmente já encontrado por Parmênides, é o de Infinito, se bem que ainda não tão bem manejado como por seu discípulo Zenão. Não pode existir nada de infinito acabado. O fato que nossa efetividade, nosso mundo presente, traga em si o caráter daquele acabado, significa segundo sua essência uma contradição contra o lógico, em conseqüência contra o real, e é ilusão, mentira, fantasma. Zenão usava sobretudo um método de demonstração indireta; ele dizia, por exemplo: "Não pode existir nenhum movimento de um lugar para outro, pois, se existisse um tal movimento, estaria dado um infinito acabado, o que é uma impossibilidade". Na corrida, Aquiles não pode alcançar a tartaruga que tem uma pequena vantagem. Pois, apenas para alcançar o ponto de onde a tartaruga partiu, ele já precisaria ter percorrido uma inúmera quantidade de espaços,

quantidade infinita; primeiramente metade daquele espaço, depois a quarta parte, depois a oitava, a décima sexta e assim ao infinito. Se ele de fato alcança a tartaruga, este é um fenômeno ilógico, em todo o caso, não é nem uma verdade, nem uma realidade, nem um ser verdadeiro, mas apenas uma ilusão. Pois nunca é possível terminar o infinito. Uma outra forma popular de expressão desta teoria é a da flecha que está em movimento e entretanto em repouso. Em cada momento de seu vôo ela ocupa um lugar, neste lugar ela repousa. Seria a soma dos infinitos lugares de repouso idêntica ao movimento? Seria o repouso, repetido infinitamente, o movimento, logo, seu próprio oposto? Aqui, o infinito é utilizado como o solvente da efetividade; junto a ele, ela se desfaz. Todavia, se os conceitos são rígidos, eternos e existentes — e ser e pensar coincidem para Parmênides —, se, portanto, o infinito nunca pode estar acabado, se o repouso nunca pode tornar-se movimento, então em verdade a flecha não voou; ela não saiu de seu lugar e de seu repouso, não fluiu nenhum momento temporal. Ou, expresso de outra maneira: não existe nesta chamada efetividade, nesta efetividade apenas suposta, nem tempo nem espaço ou movimento. Finalmente a própria flecha é apenas uma ilusão: pois ela descende da multiplicidade, da fantasmagoria do não-uno produzida pelos sentidos. Supondo que a flecha tivesse um ser, então ele seria imóvel, intemporal, rígido, eterno e estaria fora de vir-a-ser — uma representação impossível! Supondo que o movimento fosse realmente verdadeiro, então não haveria repouso, logo não haveria nenhum lugar para a flecha, nenhum espaço — uma representação impossível! Supondo que o tempo fosse real, então ele não poderia ser infinitamente divisível; o tempo de que a flecha necessita consistiria em um número limitado de momentos temporais, cada um destes momentos precisaria ser um átomo — uma representação impossível! Todas as nossas representações, enquanto seu conteúdo empiricamente dado, seu conteúdo extraído deste mundo intuitivo é suposto como ventas aeterna, conduzem-nos à contradição. Se existe o movimento absoluto, então não existe nenhum espaço; se existe o espaço

absoluto, então não existe nenhuma multiplicidade; se existe a multiplicidade absoluta, então não existe nenhuma unidade. Aqui deveria ficar claro o quão pouco nós, com tais conceitos, tocamos o coração das coisas ou desatamos os nós da realidade; e entretanto, ao invés disto, Parmênides e Zenão fixam-se na verdade e validade universal dos conceitos, repudiam o mundo intuitivo como o contrário dos conceitos verdadeiros e universalmente válidos, como uma objetivação do que é ilógico e completamente contraditório. Em todas as suas demonstrações eles partem do pressuposto completamente indemonstrável, mesmo inverossímil, segundo o qual nós temos naquela faculdade de conceitos o mais alto e decisivo critério sobre o ser e o não-ser, isto é, sobre a realidade objetiva; não se deve confirmar ou corrigir aqueles conceitos junto à efetividade, como indubitavelmente derivados dela, mas, ao contrário, eles é que devem dirigir e medir a efetividade e, em caso de uma contradição com o que é lógico, condená-la. Para poder conceder-lhes esta competência diretora, Parmênides precisava lhes conferir o mesmo ser do que ele em geral admitia como o ser. Agora não era mais para serem tomados como dois modos diferentes do ser, o pensamento e aquela esfera do ser perfeita e fora do vir-a-ser, pois não podia existir nenhuma duplicidade. Assim, tornou-se necessária a idéia ousadíssima de explicar o pensamento e o ser como idênticos; aqui não podia vir em auxílio nenhuma forma de visibilidade, nenhum símbolo, nenhuma metáfora; a idéia era completamente irrepresentável mas era necessária; e ele até mesmo festejava, nesta falta de toda possibilidade de representação, o maior triunfo sobre o mundo e as exigências dos sentidos. O pensamento e aquele ser nodular e esférico, completamente morto e maciço, imóvel e imutável, precisavam, segundo o imperativo de Parmênides e para o terror da imaginação, coincidir e ser totalmente um e o mesmo. Esta identidade pode contradizer os sentidos! Exatamente isto é a garantia de que ela não toma deles nada emprestado. XIII. No restante, poder-se-ia apresentar contra Parmênides poderosos argumentos ad hominem ou ex-concessis, através dos quais não viria à luz a

verdade, mas sim a inverdade daquela separação entre mundo dos sentidos e mundo dos conceitos e daquela identidade entre ser e pensar. Primeiramente, se é real o pensamento da razão por conceitos, então a multiplicidade e o movimento também precisam ter realidade, pois o pensamento racional é móvel, é em verdade um movimento entre conceitos, logo entre uma quantidade de realidades. Contra isso não existe nenhum subterfúgio, é completamente impossível qualificar o pensamento como um rígido permanecer, como um eterno e imóvel pensar-se-a-si-mesmo da unidade. Em segundo lugar, se dos sentidos vem apenas engano e aparência, e se em verdade existe apenas a identidade real entre ser e pensamento, então o que são os próprios sentidos? De qualquer modo, eles certamente também são apenas aparência, pois não coincidem com o pensamento e o seu produto, o mundo dos sentidos, não coincide com o ser. Mas se os próprios sentidos são aparência, para quem eles o são? Como eles podem, como irreais, ainda iludir? O não-ser pode enganar. O problema de onde procede a ilusão e a aparência permanece um enigma, mesmo uma contradição. Nós chamamos estes argumentos ad hominem: a objeção da razão móvel e a objeção da origem da aparência. Do primeiro seguiria a realidade do movimento e da multiplicidade; do segundo, a impossibilidade da aparência parmenídica, supondo que a teoria fundamental de Parmênides, a teoria sobre o ser, seja admitida como fundada. Esta teoria fundamental diz apenas que somente o ser tem um ser e que o nãoser não é. Mas, se o movimento é um tal ser, então vale para ele o que vale para o ser em geral e em todos os casos: ele está fora do vir-a-ser, é eterno, indestrutível, não é suscetível de aumento nem de diminuição. Se a aparência deste mundo é negada com o auxílio daquela pergunta pela origem da aparência, fica ao abrigo da condenação de Parmênides o palco do chamado vir-a-ser, a mutação, nossa existência incansavelmente multiforme, colorida e rica; então é necessário caracterizar simultaneamente este mundo da alternância e da mutação como uma soma de tais seres verdadeiros, essencialidades existentes em toda a

eternidade. Com esta suposição não se pode falar naturalmente em uma mutação no sentido rigoroso, em um vir-a-ser. Mas agora a multiplicidade tem um ser verdadeiro, todas as qualidades têm um ser verdadeiro e o movimento não menos; e de cada momento deste mundo, mesmo se estes momentos arbitrariamente escolhidos fossem separados por milênios, precisaria ser dito: toda as essencialidades verdadeiras presentes neles existem simultaneamente sem exceção, imutáveis, irredutíveis, sem aumento, sem diminuição. Um milênio mais tarde elas são as mesmas, nada se transformou. A despeito disto, se o mundo parece uma vez completamente diferente do que em outra, isto não é nenhuma ilusão, não é nenhuma aparência, mas conseqüências do movimento eterno. Os seres verdadeiros são movimentados ora de uma maneira, ora de outra, ora um em direção ao outro, ora em direções contrárias, ora para cima, ora para baixo, ora juntos, ora confundidos. (A Filosofia na Época Trágica dos Gregos, §§ 9, 10, 11, 12 e 13)

ZENÃO DE ELÉIA (CERCA DE 504/1-? A.C.) DADOS BIOGRÁFICOS
ZENÃO
FLORESCEU

cerca de 464/461 a.C. Nasceu em Eléia (Itália). Ao

contrário de Heráclito, interveio na política, dando leis à sua pátria. Tendo conspirado contra a tirania e o tirano (Nearco?), acabou preso, torturado e, por não revelar o nome dos comparsas, perdeu a vida. — Escreveu várias obras em prosa: Discussões, Contra os Físicos, Sobre a Natureza, Explicação Crítica de Empédocles. — Considerado criador da dialética (entendida como argumentação combativa ou erística), Zenão erigiu-se em defensor de seu mestre, Parmênides, contra as críticas dos adversários, principalmente os pitagóricos. Defendeu o ser uno, contínuo e indivisível de Parmênides contra o ser múltiplo, descontínuo e divisível dos pitagóricos.

A - DOXOGRAFIA
Trad. de Remberto F. Kuhnen 1. ARISTÓTELES, Física, IV, 3. 210 b 22 (DK 29 a 24). POR
OUTRO LADO,

a dificuldade que Zenão aponta, dizendo que, "se o

lugar é alguma coisa, ele está em alguma coisa", não é difícil resolver; pois nada impede que em outra coisa esteja o primeiro lugar, mas seguramente não como naquele lugar etc. — Idem, ibidem, IV, 1. 209 a 23: A dificuldade de Zenão exige uma reflexão; com efeito, se todo ser está num lugar, é claro que haverá também um lugar do lugar, e isto vai ao infinito. — Eudemo, Física, fragmento 42 (Simplício, Física, 563, 17): A isto mesmo parece levar também a dificuldade (aporia) de Zenão. De fato, julga ele que todo ser está em algum lugar; se o lugar é dos seres, onde estaria ele? Certamente em outro lugar, e aquele, por sua vez, em outro, e assim por diante... Para Zenão, diremos que o "onde" se diz de muitas maneiras: se ele julgou estarem os seres num lugar, não

que não admite mover-se ou atravessar o estádio. nem mesmo. é por infinitos. como o de Zenão. VI. 4. Física. também o lugar seria onde. se se tocam infinitos. seja com relação aos extremos. Com efeito. E a conseqüência da suposição de . se a grandeza sucessivamente acrescentada é bem dividida. mas os infinitos em divisão. No primeiro. 239 b 14 (DK 29 A 26). chamam-se infinito em dois sentidos. e em geral todo conteúdo. ora. ARISTÓTELES. Física. 9. Física. que acabamos de mencionar.julgou bem. coragem e outras coisas mil estão num lugar. sendo o lugar tal como se afirma. Sem dúvida. 8. pois é o extremo. uma vez que o próprio tempo também é infinito dessa maneira. seja em divisão. sem razão. pois ninguém diria que saúde. O segundo (argumento) é o que leva o nome de Aquiles. VII. ARISTÓTELES. os infinitos em quantidade não podem ser tocados num tempo finito. 160 b 7: Pois temos muitos argumentos contrários à opinião comum. ao ser projetada. VI. E o mesmo argumento que o da dicotomia: a única diferença está em que. a extensão e o tempo. pois o que persegue deve sempre começar por atingir o ponto donde partiu o que foge. sobre isso discorremos nos argumentos anteriores (a saber. a impossibilidade do movimento é deduzida do fato de que o móvel transportado deve chegar primeiro à metade antes de alcançar o termo. pretende que a flecha. esteja em repouso. E o seguinte: o mais lento na corrida jamais será alcançado pelo mais rápido. 239 b 9 (DK 29 A 25). Por conseguinte. e. 239 b 30 (DK 29 A 27). 9. 3. sim. é claro. Se de outra forma se diz "o onde". 2. Há quatro argumentos de Zenão a respeito do movimento. 2. O terceiro (argumento). que oferecem dificuldades a quem queira resolvê-las. que os infinitos não podem ser percorridos ou tocados sucessivamente num tempo finito. — Tópicos. VI. não o é mais em dois. ARISTÓTELES. o limite do corpo é o onde do corpo. 9. 233 a 21): Por isso o argumento de Zenão supõe. é no tempo infinito e não no tempo finito que se pode percorrer o infinito. não por finitos.

só metade do tempo. Conseqüências: o primeiro B está na extremidade ao mesmo tempo que o primeiro C. iguais àquelas em número e tamanho e de mesma velocidade que as dos BB. as que partem do meio dos AA e são iguais a essas em número e tamanho. outras do meio. Mas isso é falso. 9. porque os dois passam em tempo igual ao longo dos AA. CC. Sejam AA as de massas iguais que estão imóveis. as que partem da extremidade. para os grupos tomados dois a dois. BB. o que é projetado está sempre no momento presente (e toda coisa num lugar a si mesmo está no momento presente). se movimente num tempo igual. Mas ao mesmo tempo os BB passaram diante de todos os CC. 1019. em extremidades opostas. ao mesmo tempo. metade do intervalo ao longo dos AA. com velocidades iguais. visto que se movem paralelamente. Doutro lado. com velocidade igual. 239 b 5: Zenão comete um paralogismo: pois.que o tempo seja composto de instantes. e os BB. como diz Eudemo (fragmento 68). sendo o tempo para cada um dos BB — diz ele — o mesmo que para os CC. os CC percorreram todo o intervalo ao longo de todos os BB. se se recusa esta hipótese. 32: Este é o argumento. ARISTÓTELES. pelo fato de o paralogismo ser evidente. por conseguinte. Física. pois as (massas) que se movem em sentido contrário umas às outras afastam-se com . O quarto (argumento) trata de massas iguais que se movem em sentido contrário no estádio ao longo de outras massas iguais. e o mais conveniente. a conseqüência pretendida é a de que metade do tempo seja igual a seu dobro. não há mais o silogismo. O paralogismo consiste em se pensar que uma grandeza igual. pois o primeiro B e o primeiro C estão. com efeito. umas a partir do fim do estádio. há igualdade do tempo de passagem diante de cada A. a flecha projetada está sempre imóvel. se toda coisa — diz ele — está num dado momento em repouso ou em movimento (mas nada está em movimento) quando está num espaço igual a si mesmo. 239 b 33 (DK 29 A 28). tanto ao longo do que está em movimento como ao longo do que está em repouso. — Simplício. VI. 5. CF.

ibidem. se múltiplas são (as coisas). se existe. necessariamente são tantas quantas são. então. e distância uma da outra. Assim. a outra em nada diminuir. não poderia existir. Mas se. Física. subtraída (uma grandeza). 27. pois. Se múltiplas são (as coisas). necessariamente cada (parte) tem certa grandeza e espessura. necessariamente são pequenas e grandes. pequenas a tal ponto que não têm grandeza. e. nem mais. também não poderia existir. 240. IDEM.dupla distância no mesmo tempo em que o que se move ao longo do que está imóvel se afasta pela metade. é evidente que o acrescentado nada era. em nada a aumentaria. devem ser limitadas (em número). . Borges SOBRE A NATUREZA (DK 29 B 1-4) 1. se fosse acrescentada a uma outra coisa. (Diz Zenão que) uma coisa que não tem grandeza e espessura. Pois nenhuma parte dele (do ser) será limite extremo. de Ísis L. nem o subtraído. Mas. acrescentada (uma). E o mesmo. 240. E assim já o acrescentado nada seria. se são tantas quantas são. nada pode ganhar em grandeza (esta última). (a outra) não aumentar. B . nem menos. nem estará uma parte sem relação com outra. Pois. IDEM. dizer isso uma vez apenas e dizê-lo sempre. ao contrário. 5. grandes a tal ponto que são infinitas.FRAGMENTOS Trad. 3. nem massa. 239. Pois esta também terá grandeza e uma outra estará diante dela. 34. SIMPLÍCIO. E a respeito da (parte) que está diante dela o mesmo se diz. 2. mas. e será de igual velocidade à daquelas. ibidem. se uma grandeza que nada é (a uma outra) se acrescenta. 3E O SER NÃO TIVESSE grandeza.

DIÓGENES LAÉRCIO. pleno para aquela mudança. diz: "Afirmai vossa mudança: nela enquanto mudança. pelo contrário. começar com esta afirmação. naquilo que é afirmado como sendo sua destruição. Também Zenão era um eleata. Este o amava muito e o adotou como filho. Seu pai verdadeiro chamava-se Teleutágoras. Pois até agora só vimos nos eleatas a proposição: "O nada não possui realidade. Ele é o mestre da Escola Eleática. e entre estas novamente outras. mas somente é ser. Assim. não é. é a razão que realiza o começo — ela aponta. pois na mudança seria posto o não-ser daquilo que é. IX. O móvel nem no espaço em que está se move. 4. Em Zenão. mas também em geral era célebre e muito respeitado . Hegel Trad. tranqüila em si mesma. no 'não-ser é' se contradizem sujeito e predicado".CRÍTICA MODERNA Georg W.Se são múltiplas. nela seu puro pensamento torna-se o movimento do conceito em si mesmo. C . ilimitadas (em número) são as coisas. mas não o vemos. também descobrimos tal afirmar e sobressumir daquilo que o contradiz. a pura alma da ciência — é o iniciador da dialética. de Ernildo Stein A CARACTERÍSTICA DE Zenão é a dialética. Nisto consistia o movimento determinado. pelo contrário. F. pois entre elas sempre há outras. Parmênides afirmou: "O universo é imutável. 72. Zenão falou e voltou-se contra o movimento como tal ou puro movimento. ao mesmo tempo. Em sua vida não apenas era alvo de muito respeito em seu Estado. nem naquele em que não está. é o nada para ela. e aquilo que é surgir e desaparecer cai fora". é o mais jovem e viveu particularmente em convívio com Parmênides. Zenão. ilimitadas (em número) são as coisas. ou ela não é nada".

para lhe mostrar que dele nada arrancaria. para arrancar-lhe a confissão dos nomes dos outros conjuradores. Dessa maneira. . Outros narram que teria ferrado os dentes em seu nariz. Atribui-se-lhe orgulhosa autosuficiência. Zenão delatou primeiro todos os amigos do tirano como participantes da conjuração. 126-127. que os momentos e as oposições são expressos mais 83 84 Parmênides. porém. tendo suas respostas sido seguidas de enormes torturas. no entanto. 26-27. IX. ele cortou a língua com os próprios dentes e a cuspiu no rosto do tirano. depois disso teria sido triturado num pilão. em seu conteúdo. Segundo muitas lendas. Outros ainda dizem que. para lá colher fama. De diversas maneiras é narrado particularmente o modo de seu último aparecimento — o modo violento e furioso de sua reação. e ao perguntar pelos inimigos do Estado. pelo fato de (exceto sua viagem a Atenas) ter sua residência fixa em Eléia. Diz-se que ele se postou como se quisesse dizer ainda algo aos ouvidos do tirano. §§ 28. sacrificando da seguinte maneira sua vida: Teria participado de uma conjuração para derrubar o tirano. para caírem sobre o tirano. esta sido traída84 Quando o tirano. inteiramente igual à que vimos em Xenófanes e Parmênides. negando-se a viver por mais tempo na grande e poderosa Atenas. Diógenes Laércio. chamando então o tirano mesmo a peste do Estado. Platão83 o lembra: de Atenas e de outros lugares vinham homens a ele para entregar-se à sua formação. segurando-o assim. diante de seu povo. 1) Segundo seu elemento tético. tendo. o fez torturar de todos os modos.como professor. liquidá-lo e assim libertar-se. a fortaleza de sua alma tornou-se célebre pela sua morte. apenas com esta diferença fundamental. Ela teria salvo um Estado (não se sabe se sua pátria Eléia ou se Sicília) de seu tirano. as poderosas admoestações ou também as torturas horríveis e a morte de Zenão ergueram os cidadãos e levantaram-lhes o ânimo. a filosofia de Zenão é. a orelha é cerrando os dentes até ter sido trucidado pelos outros. mordendo-lhe.

Já em seu elemento teuco85 vemos progresso. portanto. inversamente. pois o igual não é nem pior nem melhor que o igual — ou não se distingue dele. mas assim já é.. impossíveis.. Em Xenófanes e Parmênides tínhamos ser e nada. surja" (ele relaciona isto com a divindade). na medida em que dele houvesse dois ou ainda mais. estes diferentes não são expressos como diferentes. ou se. quando algo é. não seriam. sem que sua unidade seja concebida como a de diferentes. deuses. é demonstrada a unidade de Deus: "Se Deus é o mais poderoso de tudo. do ser." Com a aceitação da igualdade. "Tampouco pode surgir o desigual do desigual. houvesse mais deuses. "que. Em seguida. . a reflexão em si. igualdade como igualdade pressupõe o movimento do pensamento e a mediação. Ser é a igualdade expressa como imediata. 3. que dele se produza mais do que deve ser produzido. "É impossível". mas enquanto lhe faltasse o poder sobre os outros não seria Deus. Sobre Xenófanes. portanto. pelo contrário. o pior viesse do melhor. pois não se pode atribuir. ele não teria poder sobre eles. desaparece a diferença entre o que produz e aquilo que é produzido. então lhe é próprio que seja um. Do nada é imediatamente nada. Se. Se. Deus é externo. ele já está mais avançado no sobres-sumir das oposições e determinações. ser. pois faz parte da natureza de Deus não ter acima de si nada mais poderoso. já que os iguais devem ter entre si as mesmas determinações." Isto foi denominado panteísmo (spinozismo). "pois teria que surgir do igual ou do desigual. Ser e não-ser situamse assim. diz ele. Deus é e se ele é de tal natureza. o que é impossível. Em Zenão a desigualdade é o outro membro em oposição a igualdade. ao igual. 85 Aristóteles. portanto. lado a lado.. que repousaria sobre a proposição ex nihilo nihil fit. eles seriam mais poderosos e mais fracos um em face do outro. originar-se-ia o não-ser do ente. Ambas as coisas são. pois. pois se do mais fraco se originasse o mais forte ou do menor o maior ou do pior o melhor. porém.como conceitos e pensamentos. por conseguinte.

possui ele a forma esférica. Como Deus é em toda parte igual." Do fato de nada poder provir. não fosse assim. Como. não seria capaz de tudo o que quisesse.então só há um Deus. como é apenas um. com a falta de movimento estaria posto o não-ser ou o vazio. mas. pois não se parece nem com o não-ente nem com o múltiplo. pois um dever-se-ia mover para o outro". cap. Pois imóvel é a) o não-ente" (no não-ente não se realiza nenhum movimento). o imóvel é negativo. pressupõe-se uma multiplicidade de tempo. os outros sentimentos. b) Dar-se-ia delimitação mútua. nem é imóvel. nem uma parte — tal coisa é o ilimitado. uma dialética que se pode denominar de raciocínio metafísico. idêntico a si mesmo e esférico. "pois para ele nenhuma outra coisa advém. mas em toda parte igual. nem fim. as partes de Deus dominariam uma sobre a outra" (uma estaria onde a outra não está. um e esférico. nem em repouso nem em movimento. é o não-ente. quer do igual quer do desigual. se houvesse mais deuses". b) Movido. nem vai para coisa alguma. ele não é limitado". . portanto. é em toda parte igual. O ilimitado é o indeterminado. reprimi-la-ia. Em tudo isto. pois ele é eterno e um. pois. Aristóteles86 conclui que. a supressão do ser. Vemos. "O um. "o que é impossível. porém. em tal tipo de raciocínio. ou tudo é eterno. pois este não possui nem meio. o negativo. não está nem em repouso nem se movimenta. vê e possui também. em outra parte de outro modo. Pois. porém. ouve. pois não é aqui assim. 4. uma parte teria determinações que faltariam às outras). nem ilimitado nem limitado. se houvesse diversos. ele não é nem infinito (ilimitado) nem limitado. ele mesmo. seria o não-ente. Assim Zenão também mostra: "O um não se move. O princípio da identidade lhe serve de fundamento: "O 86 ibid. espaço. "Sendo um. Movido só é o que é diferente de outro. determinado como algo unilateral." Diz ainda: "Já que é eterno. somente é o múltiplo. em toda parte. Deus se comporta assim.. e é assim. nem começo. assim não é o ente. ou nada existe fora de Deus. a) ilimitado é o não-ente.

não utilizamos a dialética que usa a Escola Eleática. negando-se predicados. . e deixamos. terem mostrado que. é apenas afirmativamente. o negativo de lado. Ou também partimos das coisas finitas para as espécies. O ser. A isto vemos ligada uma outra espécie de raciocínio metafísico: são feitas pressuposições. mas sem nenhuma determinação. o mais antigo. assim. por exemplo. pelo fato de terem posto mãos à obra de maneira especulativa — o especulativo tem lugar no fato de afirmarem que a mudança não é — e pelo fato de. enquanto limitado. de um lado temos. só que nós deixamos valer como ser também o finito. enquanto o ser supremo. Esta a maneira comum de nós raciocinarmos. No que se refere às determinações. Este modo. Para ir a esta abstração fazemos um outro caminho. Nós dizemos que Deus é imutável.nada é igual ao nada. nada pode provir". a mudança apenas se atribui às coisas finitas (isto como que sendo uma proporção empírica). não passa para o ser. deve-se observar que elas. passo a passo. de argumentar é ainda. de nosso modo de refletir comum. que deixa o finito de lado. E a mesma separação. Ou passamos do finito para o infinito. raciocinando-se. até o dia de hoje. devem ser mantidas afastadas do ser positivo e apenas real. nas assim chamadas demonstrações da unidade de Deus. nem vice-versa. como no modo como o infinito se manifesta no finito? Os eleatas distinguem-se. tanto no um mesmo. que. e o gênero mais alto é então Deus. desta maneira. válido. deve ter seu fundamento no infinito. a imutabilidade nesta unidade abstrata e absoluta consigo mesma. este afundar-se no abismo da identidade do entendimento. a partir daí. as coisas finitas e a mudança. o que os eleatas desprezaram. como deve ela ser concebida. o poder de Deus. portanto. Em todas estas formas que nos são bem familiares está contida a mesma dificuldade da questão que se levanta no que diz respeito ao pensamento eleático: De onde vem a determinação. gêneros. dizendo que o finito. em seu pensamento. nosso caminho é trivial e mais óbvio. do igual. por exemplo. o um da Escola Eleática é apenas esta abstração. de outro lado. enquanto algo negativo.

algo incompreensível: pois do um. e ao nada se atribuem os mesmos predicados que ao ser: o puro ser não é movimento. mas ambas as negações que se opõem. Isto. de que esta negação mesma é novamente uma determinação. como em breve veremos. em seu Parmênides.assim como se pressupõe o ser. supresso. o vazio. em breve. já há a consciência mais alta de que uma determinação é negada. avançando até a afirmação de que só o um é e de que o negativo não é — conseqüência que. assim. é o nada do movimento. e. e então é puramente infinita. contudo. Sendo a essência absoluta posta como o um ou o ser. a multiplicidade está sobressumida. ainda que deva ser por nós admirada. a realidade do mundo finito. ou é negada enquanto finita. Esta dialética mais alta encontramo-la em Platão. ela é posta através da negação. Particularmente digno de nota é o fato de que. não menos. não ser negada apenas uma determinação. Isto pressentiu Zenão. O um é igualmente o não dos muitos: tanto no nada como no um. devendo então. pois o poder é também o não-ser absoluto de um outro. Antes é negado o movimento e a essência absoluta aparece como em repouso. assim negou ele do um o que deveria dizer-se do nada. na negação absoluta. em Zenão. Do mesmo modo. uma grande abstração. porém. Mas o mesmo deveria acontecer com o resto. em nossa representação. como o nada. os eleatas foram mais conseqüentes. é determinada como o negativo e. também é determinação. também isto veremos. Enquanto nós deixamos valer. a mudança é em si contradição. da multiplicidade. do ser. O um é o mais poderoso e nisto determinado propriamente como o destruir absoluto. é. está afastada a determinação do negativo. . Aqui isto surge apenas referido a algumas determinações não com referência às determinações do um e do ser mesmo. também o ser em oposição ao não-ser é uma determinação. porque previu que o ser é o oposto do nada. também ela finita.

não de maneira que se suprima a si mesma. sua nulidade não aparece nela mesma. ou seja. através de minha afirmação. o oposto. como a essência. Xenófanes. Assim a coisa é facilitada: "O outro sistema não possui verdade. porque não concorda com o meu". ou o igual (como diz Melisso) é a essência. o movimento. através da distinção que faço de que um lado é verdadeiro. o nada não é. por exemplo. Mas uma outra consciência não verifica aquilo. a outra consciência tem razão em afirmar uma outra coisa como imediatamente verdadeira. Mas. se não é ele propriamente. que contenha em si uma contradição. Zenão põem como fundamento a proposição: Nada é nada. mas apenas o ser para o outro é. Como movimento: Verifiquei algo e vejo que é o nulo. Eu não devo demonstrar sua não-verdade através de um outro. 2) Já lembramos que também encontramos a verdadeira dialética objetiva igualmente em Zenão. o descobridor da dialética em sua plenitude. Parmênides. eu declaro isto como imediatamente verdadeiro. ao menos é quem está em seu começo. mas o outro sistema tem o mesmo direito de dizer assim. parte em Heráclito e. Zenão possui o aspecto importante de ser o descobridor da dialética. onde encontram. suprimem com isto essa determinação. esta somente se suprime através de um outro. eles afirmam um dos predicados que se opõem. isto é. a certeza da consciência individual e a certeza como refutação — o lado negativo da dialética. no que vimos. Portanto. ser-em-si. o primeiro sistema é posto como fundamento e a partir dele se entra em debate contra o outro. demonstrei isto. isto se dá. segundo o pressuposto. mas em si mesmo. De nada .A consciência mais alta é a consciência sobre a nulidade do ser enquanto algo determinado em face do nada. Como sempre é o caso quando um sistema filosófico refuta o outro. isto é. que ele é o nulo. o outro sem importância (nulo) (parte-se de uma determinada proposição). nos sofistas. com isto não permanece verdade alguma. portanto. no movimento. pois ele nega predicados que se opõem. assim. então. numa determinação. conclui-se. Eles põem-no fixamente.

b) não é um movimento apenas de nossa intuição. que o múltiplo não é. porém. antes contra aqueles que procuram tornar ridícula (komodein) a proposição de Parmênides. Platão fá-lo falar assim sobre isto: faz Sócrates dizer que Zenão afirma em seu escrito o mesmo que Parmênides. algo exterior. Diz que combateu aqueles que afirmam o ser do múltiplo. esta dialética é muito bem descrita. fortalecido. desta dialética falaremos mais em nossa análise dos sofistas.ajuda demonstrar meu sistema ou minha proposição e então concluir: portanto. é a . Sócrates diz que Parmênides afirma em seu poema que tudo é um: Zenão. de neles apontar razões e aspectos. pelo contrário. este movimento distinto do compreender deste movimento. Nesta dialética não vemos afirmar-se o pensamento simples para si mesmo. ligação através da mediação. isto é. Esta convicção racional vemos despertar em Zenão. mas a partir da coisa mesma. para demonstrar que disto resultariam muito mais coisas discordantes que da proposição de Parmênides. mas em si mesmo. através dos quais se torna vacilante o que em geral vale como firme. Conforme a representação corrente da ciência. quando mostram quantas coisas ridículas e que contradições contra si mesmos resultam de suas afirmações. mas ela deve ser considerada também de seu lado positivo. procurando dar a impressão de que está dizendo algo de novo. demonstrada para o puro conceito do conteúdo. No Parmênides de Platão (127-128). Este lado possui a dialética na consciência de Zenão. que tudo é um. Isto é a determinação mais exata da dialética objetiva. mas. Podem ser então razões bem exteriores. mas que nos procura enganar com uma expressão. isto é. A dialética como tal é a) dialética exterior. para esta proposição aquela sempre parecerá algo de estranho. A outra dialética. é a demonstração o movimento da convicção. Aquela dialética é uma mania de contemplar objetos. em que proposições são resultado da demonstração. levar a guerra para território inimigo. o sistema que se opõe está errado. Zenão responde que escreveu isto. O falso não deve ser apresentado como falso porque o oposto é verdadeiro.

A gente se põe inteiramente dentro da coisa. o outro não seria por isso diminuído. torna-se norma quando se concede: "No correto está o incorreto e no falso também o verdadeiro". segundo a grandeza" (tò mégethos). ele se demonstra a si mesmo. o que é infinito não é mais grande. nem massa (ónkos). A dialética verdadeira não deixa nada sobrando em seu objeto. também não é.consideração imanente do objeto: ele é tomado para si. sem pressuposições. a essência do compreender. Física (30). nem espessura. . deve-se ultrapassar a multiplicidade. para passar para o infinito. A dialética subjetiva. enquanto limite indiferente. nada poderia acrescentar ao tamanho do outro. o negativo. idéia. Nesta consideração. "pequeno. "Ele demonstra que. baseando-se em razões exteriores. de tal modo que apresentaria falhas apenas de um lado. leis. infinito é o negativo do múltiplo. A dialética da matéria de Zenão não foi até hoje ainda refutada. assim o múltiplo é infinito. mas ele se dissolve segundo sua natureza inteira. nem mais múltiplo. O mesmo aconteceria ao ser retirado. O resultado desta dialética é zero. Mas junto a eles ainda não vingou a determinação. átomos. não é."87 87 Simplício. "Aqui mostra ele que o que não tem tamanho. não segundo circunstâncias exteriores. assim o que foi acrescentado não é nada. razões. de maneira que não tem mais grandeza". então é grande e pequeno: grande. pois. que raciocina. não se conseguiu ainda passar além dela e a questão fica esquecida no indeterminado. dever-ser. nada. o afirmativo que nela se esconde ainda não aparece. quando é o múltiplo. Pois se fosse acrescentado a um outro não aumentaria a este. mostra que possui determinações opostas. portanto. A esta dialética verdadeira pode juntar-se o que os eleatas fizeram. o não-ente. ficaram parados na idéia de que através da contradição o objeto se torna nulo. que se suprime (sobressume): esta dialética encontramos precipuamente junto aos antigos. considera o objeto em si mesmo e o toma segundo as determinações que possui. se não tem tamanho e grandeza.

) Os aspectos mais exatos desta dialética nos conservou Aristóteles. Mas não se deve entender isto assim como se o movimento não fosse — como nós dizemos. Aristóteles afirma que Zenão teria negado o movimento pelo fato de possuir contradição interna. 1) Primeira forma: Zenão diz que o movimento não tem verdade alguma. Os argumentos repousam sobre a infinita divisão do espaço e do tempo.. A coisa tem. pois ele é contradição. mas o movimento é nãoverdadeiro. de maneira objetiva e dialética. Isto deve ser compreendido de maneira mais universal. Que o movimento existe. . não há elefantes. o movimento possui certeza sensível. O que se move deve atingir uma determinada meta.. VI. sobressumir-se. é pressuposta a continuidade do espaço. este caminho é um todo... sua dialética mesma em si. que ele é fenômeno. na medida em que combate o movimento sensível. Zenão nem teve a idéia de negar o movimento.. 9. O fato de a dialética ter tido atraída sua atenção primeiro para o movimento é a razão de a dialética mesma ser este movimento ou o movimento mesmo ser a dialética de todo ente. Vemos desaparecer para a consciência de Zenão o simples pensamento imóvel para tornar-se ele mesmo movimento pensante. Para percorrer o todo. seu questionar vai em busca de sua verdade. Aristóteles diz isto de maneira tão breve por ter tratado antes amplamente o objeto e tê-lo exposto detidamente. não há rinocerontes. Mas o caráter exaustivo que vemos no Parmênides de Platão não lhe corresponde. enquanto se move. ele o dá a si. e o movimento é: tornar-se outro. como existem elefantes.(.88 o movimento foi tratado particularmente por Zenão. porque o movido deveria atingir primeiro metade do espaço como sua meta. Neste sentido. isto nem está em questão. Zenão mostra então que a representação do movimento contém uma contradição e apresenta quatro modos de refutação do movimento. Pelo contrário. Com isto quer ele dizer que não se lhe deveria atribuir verdadeiro ser. o que é 88 Física.

o momento no tempo contínuo seja posto ou que seja afirmado o agora do tempo como uma continuidade. levantou-se em silêncio e caminhou de cá para lá — ele as refutou pela ação. III. . do mesmo modo. portanto. (consideramos a forma dos momentos) em suas diferenças da pura igualdade consigo mesmo e da pura negatividade — do ponto contra a continuidade. um posto segundo sua essência. se o professor havia discutido com argumentos. O movimento que seria o percurso destes momentos infinitos nunca termina. nunca se pode parar com a divisão. e assim até o infinito.89 Mas a história é continuada também assim: a um aluno que se contentara com esta refutação. Na nossa representação não parece contraditório que o ponto no espaço ou. portanto. o Cínico. Agora a meta é o fim desta metade. o que é movido nunca atinge sua meta. E conhecido como Diógenes de Sínope. A igualdade consigo mesmo. Mas esta metade é novamente um todo. Esboços Pirrônicos. a saber. ter atingido antes metade desta metade. Vemos aqui desenvolvido o infinito aparecer. de maneira muito simples. mas é preciso compreender. Da mesma maneira a gente não deve satisfazer-se com a certeza sensível. primeiro em sua contradição — uma consciência dele.movido deve antes ter percorrido metade. este espaço possui assim uma metade. § 66. a 89 Diógenes Laércio. ele só poderia deixar valer uma refutação também com argumentos. mas seu conceito contradiz-se a si mesmo. deve. § 39. o puro aparecer em si mesmo é o objeto e surge como um pensado. VI. Pelo fato de espaço e tempo serem absolutamente contínuos. 8. mesmo onde colocamos um espaço o menor possível. Diógenes o castigou pela simples razão de que. ano). Cada grandeza — e cada tempo e espaço sempre tem uma grandeza — é novamente divisível em duas metades. sempre surge este mesmo estado de coisas. refutou tais provas da contradição do movimento. O movimento. Zenão toca aqui na divisibilidade infinita do espaço. Sexto Empírico. estas devem ser percorridas e. uma duração (dia.

e. a contradição. o oposto é também posto para a representação. Parece. de continuidade para negatividade. Mas estes dois estão postos numa unidade. mas presente no conceito — um passar além de uma determinação oposta para outra. de todo negativo. que não pode ser atingido. elas estão diante de nós. mas põe o oposto nela — limite que divide ao meio. o puro ser para si. E um inacabado ultrapassar. O mais fácil é mostrá-la no movimento. É a continuidade de um espaço. entretanto. é eliminação de toda diferença. Mas o limite que divide ao meio não é limite absoluto em si e para si. continuidade. mas é algo limitado. fora da representação que não pode atingi-lo. portanto. metade ainda é continuidade e assim até o infinito. a realidade do tempo e do espaço. Destes dois momentos. que. de todo ser para si. no processo. o absoluto distinguir-se e a supressão de toda igualdade e homogeneidade com outro. no movimento. no espaço e no tempo. Mas esta continuidade também novamente nada é de absoluto. não actu. E para esta contradição que Zenão chama a atenção. Pois o movimento é a essência. é posta. de outro modo. um determinado — nenhum espaço limitado. mas apenas divisíveis. pode. o ponto é. e nele o limite que o divide ao meio. ou Zenão afirma o avanço neste limitar. dynámei. é o positivo que é posto. também já o fenômeno da contradição. pois. também devem estar efetivamente divididos infinitamente. portanto. de negatividade para continuidade.continuidade é absoluta homogeneidade. pois. enquanto esta aparece. A resposta geral e a solução de Aristóteles é que espaço e tempo não são divididos infinitamente. energeía). Até o infinito — com isto nos representamos um além. espaço e tempo. pelo contrário. ser afirmado um deles como o essencial. Primeiro. é novamente continuidade. mas com isto novamente não é posto o limite da continuidade. Zenão põe o progresso contínuo de maneira tal que não se atinge nada igual a si. enquanto são divisíveis (potentia. não poderiam ser .

elle contient un nombre infini de parties. c'est un infini. senão um infinito virtual. que si lon tirait une infinilé de lignes sur un pouce de matière. Porém. qu'un infini virtuel. mais ilyfait néanmoins une division. Ce n'est donc point un infini en puissance. que réduirait en infini actuel ce qui n'était selon lui. ainda que se tome por verdadeiro que este infinito potencial se tornará um infinito pela divisão atual das suas partes.divididos ao infinito — uma resposta geral para a representação. et je ne crois pas qu'Aristote eut voulu nier. contém um número infinito de partes.. qui deviendrai un infini par Ia division actuelle de ses parties. em ato. e não creio que Aristóteles quisesse negar que. qui dèsignassent tous demi-pouces? II ne brise pas Ia table em demi-pouces. movendo-se.. diz: "O mais vagaroso nunca poderá ser alcançado nem mesmo pelo mais rápido". (N. car le mouvement est une chose qui a Ia même vertu que Ia division. porém.) . Bayle diz por isso da resposta de Aristóteles que ela é pitoyable. do E) E fazer pouco caso do mundo aceitar esta doutrina. é um infinito que existe realmente. sabemos que o segundo alcançará o primeiro. car si Ia matière est divisible à l’infini. não introduziríamos uma divisão que reduziria em infinito atual o que não era. et il les touche toutes les unes aprés les autres. on ne perdrait pas ses avantages. e isto ele demonstra assim: o que segue necessita de uma determinada parte do tempo para "alcançar o lugar de onde partiu o que está em 90 91 Deplorável. não se perderão as suas vantagens. dos quais um está na frente e outro o segue numa determinada distância.. De dois corpos que se movem numa direção. on ríy introduisit une division. do E. II touche une partie de Vespace sans toucher 1'autre. Os antigos gostavam de vestir as dificuldades com representações sensíveis. todavia faz uma divisão que marca a distinção atual das partes. Mais quand-même on accorderait cet infini en puissance. se a matéria é divisívei ao infinito. Ele toca uma parte do espaço sem tocar a outra. mais rapidamente que aquele. (N.. porque. segundo ele. Zenão.. Este não é absolutamente um infinito potencial. o homem dos pés velozes. qui existe réellement. N'est-ce pas les distinguer actuellement? N'estce pas faire ce que ferait un géomètre sur une táble en tirant des lignes. actuellement. porém. e as toca todas umas após as outras.91 Este "si" é bom! (.) 2) "O segundo argumento" (que também é pressuposição da continuidade e posição da divisão) chama-se "argumento de Aquiles". qui marque Ia distinction actuelle des parties. se traçarmos uma infinidade de linhas sobre uma polegada de matéria. Não é isto distingui-las atualmente? Não é fazer o que faria um geômetra sobre uma mesa traçando linhas que marcassem todas as meias polegadas? Ele não parte a mesa em meias polegadas. pois o movimento é algo que possui a mesma virtude que a divisão.90 C’est se moquer du monde que de se servir de cette doctrine.

) Zenão apenas faz valer o limite. igualmente. e assim ao infinito. o movimento mais rápido nada ajuda ao segundo corpo para percorrer o espaço intermediário que o separa do outro... este já avançou para mais longe. pois o rápido. vencido por A. a divisão. e "com isto ele já sempre conseguiu uma vantagem". que trata disto. o tempo de que necessita. ao contrário." A resposta é correta e contém tudo. Desta maneira. B percorre numa hora duas milhas. são limitados.fuga". por isto surge a contradição. de maneira tal que dois pontos do tempo ou dois pontos de espaço se relacionam entre si de maneira contínua. diz brevemente sobre o mesmo: "Este argumento representa a mesma divisão infinita" ou o infinito ser dividido através do movimento. no mesmo tempo. Aristóteles. Se estão separados entre si por duas milhas. será percorrido por B em metade de uma hora. e assim se vai até o infinito. O pensamento produziu a queda original. se lhe for permitido ultrapassar o limite. o momento da separação de espaço e tempo em sua total determinação. então B chegou numa hora onde A estava no começo da hora. quando o homem comeu da árvore do conhecimento do bem e do .. também o mais vagaroso sempre tem à sua disposição. Se. A. "E algo não verdadeiro. O que gera a dificuldade sempre é o pensamento. alcançará o vagaroso. uma milha. contudo. Mas o espaço (uma milha).. (. deixou atrás de si novo espaço que o segundo novamente deverá percorrer numa parte desta parte do tempo. são limites um para o outro. o limitado. porque separa em sua distinção aqueles momentos de um objeto. então eles são. se admite que tempo e espaço são contínuos. na realidade unidos. na medida em que são dois também não dois — são idênticos.. Nesta representação são admitidos dois pontos de tempo e dois de espaço que estão separados entre si — isto é. no começo desta determinada parte do tempo. Durante o tempo em que o segundo atingiu o ponto onde o primeiro se achava.

se dois corpos giram. mas repouso: o que sempre está no aqui e agora. Cada lugar é lugar diferente — portanto. o aqui é sempre o mesmo aqui. Assim que dizemos que sempre é o mesmo. mas também ressarce este prejuízo. conforme uma proposição de Newton. o mesmo. um momento. não conquista um outro espaço. um ponto é tão bem um aqui como o outro. Para determinar qual deles se move é preciso mais de dois lugares. E uma dificuldade superar o pensamento e é somente ele que causa esta dificuldade. contudo. o olho repousa ou se move. katà tò íson). Isto acontece também na mecânica. Aqui o tornar-se outro foi sobressumido. Newton quer decidir isto por uma circunstância exterior. isto é. é inteiramente o mesmo. os fios estendidos (tensio filorum). No espaço. Ou deve-se dizer da flecha que sempre está no mesmo espaço e no mesmo tempo. se. por exemplo. porém. No aqui agora como tais. 3) O terceiro argumento tem a forma que Zenão descreve assim: "A flecha em vôo repousa". o ser limitado é posto como tal. não chamamos movimento. pergunta-se qual se move de dois corpos. a isto. surge a pergunta se um repousa ou se ambos se movem. repousa. e. um espaço maior ou menor. no espaço absoluto. a diferença é apenas aparente. Se num navio caminho na direção oposta da direção em que se move o navio. isto aqui e isto aqui e mais um outro etc. no "não-distinguível" (en tõ nyn. . não consegue ultrapassar seu espaço. e aqui e aqui. mas o limitar é. a igualdade do aqui é afirmada aqui contra a opinião da diferença. ele está aqui.mal. ao menos três. Não é neste estado de coisas. contudo. não são distintos entre si. Mas uma coisa é correta: o movimento é absolutamente relativo. um em torno do outro. o mover-me é movimento com relação ao navio. em círculo. não há diferença. mas repouso com relação a outra coisa. Ou. e isto porque "o que se move sempre está no mesmo agora" e no aqui igual a si mesmo.. A continuidade. mas no mundo do espírito que se manifesta a verdadeira e objetiva diferença.

ainda que tenha andado quatro pés. a coisa percorre uma mesma extensão em tempo igual. b) é apenas posto como verdadeiro (como sendo) o que cada parte faz para si. não saí do ponto em que estava. 92 93 Aristóteles. 9. mas apenas continuidade absoluta. O erro da conclusão consiste no fato de admitir que. . um a partir do fim do estádio. No argumento agora em questão é retido o aspecto inverso. que deve ser atribuído inteiramente a cada parte. pois pelo movimento de ir para a frente e para trás há aqui coisas opostas que se suprimem. ambos são positivos. porém.. o comum. disto se deveria concluir que metade do tempo é igual ao dobro.."93 (. A oposição possui aqui uma outra forma: a) mas também novamente o universo. assim estamos distantes um do outro quatro pés — aqui ambos devem ser somados.Nos dois primeiros argumentos a continuidade no avançar é o que predomina: não existe limite absoluto. VI. O movimento é. a interrupção da continuidade. Sobre este terceiro argumento diz Aristóteles que ele se origina do fato de se aceitar que o tempo consiste em "agoras". o absoluto ser-limitado.. nulo. é falso. Ou avancei e retrocedi dois pés — no mesmo ponto. portanto.. pois. um em direção do outro. isto. na distância de ambos. caminha dois pés para o oeste. Física. nenhuma passagem para outro. transgredir todos os limites. no que se move e no que está em repouso. com velocidade igual. Aqui a distância de um corpo é a soma do afastar-se de ambos. nem espaço limitado. enquanto realiza para si apenas uma parte.) Esta quarta forma diz respeito à contradição no movimento oposto. o outro a partir do meio. partindo do mesmo ponto. se não se concede isto. Ibiàem. com velocidade igual.92 4) "O quarto argumento é tomado de corpos iguais que se movem no estádio ao lado de um igual. a saber. é o que acontece quando caminho dois pés para o leste e outro. não se pode tirar a conclusão a que Zenão chegou..

portanto: "O verdadeiro é apenas o um. porque é obra nossa. No todo é o mesmo princípio: "O conteúdo da consciência é apenas um fenômeno. segundo Zenão. O mundo torna-se não-verdadeiro pelo fato de lhe jogarmos em cima uma massa de determinações. porém. ele as tinha em sua consciência e nelas mostra o aspecto contraditório. todo o resto é nãoverdadeiro". voltando-se para ele. As antinomias de Kant nada mais são do que aquilo que Zenão aqui já fizera. Não é. Isto é então a grande diferença. nada vale. a proposição universal da escola eleática foi. Na Bíblia diz Cristo: "Pois não sois melhores que os pardais?" Nós o somos enquanto pensamos — enquanto seres sensíveis. é o mundo. quando o pensamento se dirige para o mundo exterior (para o pensamento também o mundo dado no interior é algo exterior).Isto é então a dialética de Zenão. Só nosso conhecimento é fenômeno. é nosso pensar. o que aparece em si que é não-verdadeiro. isto que pensa Kant. nosso acréscimo o arruína para nós. Segundo Kant. determinações de reflexão etc. só nossa aplicação. em Kant. é a atividade de nosso pensamento que atribui ao exterior tantas determinações: o sensível. o mundo é em si absolutamente verdadeiro. com suas formas infinitamente diversas — este lado não possui verdade em si mesmo". O sentido da dialética de Zenão possui maior . tão bons ou tão maus como os pardais. a atividade de nosso espírito o elemento mau — é uma enorme humildade do espírito não ter confiança no conhecimento. Este conteúdo também é nulo em Zenão. mas. o que acrescentamos. fazemos dele um fenômeno. mas nisto também reside uma diferença. O elemento universal da dialética. nada verdadeiro". Ele captou as determinações que contém nossa representação do espaço e tempo. como a filosofia kantiana chegou ao resultado: "Conhecemos apenas fenômenos". Pois Zenão e os Eleatas afirmaram sua proposição com a seguinte significação: "O mundo sensível é em si mesmo apenas mundo fenomenal. Ele afirma: Voltando-se para o mundo. Em Kant é o elemento espiritual que arruína o mundo.

(Preleções sobre a História da Filosofia. tornou-se universal.objetividade que esta dialética moderna. 295-318) . com os sofistas. A dialética de Zenão ainda se conteve nos limites da metafísica: mais tarde. pp.

desempenhou papel de relevância na política grega. ausência de unidade e vazio.DOXOGRAFIA Trad. Kuhnen ARISTÓTELES. o não-ser. de Remberto F. Do seu poema Sobre o Ser ou Sobre a Natureza conservamse poucos fragmentos. Não há nenhuma diferença — dizem eles — em pretender que o todo não seja contínuo. se ele se movesse. NASCIDO em Samos (ilha do mar Egeu). 325 a 2: Com efeito. e nele não poderia haver movimento. Física. se o todo é divisível numa parte e indivisível noutra. e o vazio é um não-ser. I. Se o ser é divisível em toda parte. — Aristóteles. Da Geração e Corrupção.MELISSO DE SAMOS (FLORESCEU CERCA DE 444/1 A. de maneira que também não há pluralidade.C. IV 6. esta estrutura parece ter alguma coisa de artificial. derrotando os atenienses. que o todo é imóvel. o vazio é. A . em 441. alguns dos antigos julgavam que o ser é necessariamente um e imóvel. 8. forçosamente haveria vazio. com a esquadra que comandou. 213 b 12 (DK 30 A 8). mas que os corpos particulares nos quais ele está dividido se tocam. Mas.) DADOS BIOGRÁFICOS MELISSO. ou em afirmar que há pluralidade. — E outro polemista e defensor de Parmênides contra os pitagóricos e sobretudo contra Empédocles. E só o que se sabe de sua vida. não há unidade. visto que não existe vazio separado. mas vazio é o todo. pois até que ponto e por que razão uma parte do todo se comporta assim e está cheia. segundo eles. além de filósofo. partindo desses argumentos. pois — diz ele —. enquanto a outra está dividida? Então — . MELISSO TAMBÉM demonstra. Acrescentam que também não pode haver pluralidade porque não há nada que separe as coisas umas das outras.

imóvel e ilimitado.FRAGMENTOS Trad. IDEM. alguns (pensadores) ensinam que o todo é um. uma vez que nem principiou. Nada que tem princípio e termo é eterno ou infinito. vindo a ser. 5. Se não fosse um. SIMPLÍCIO. teria princípio (pois. sempre era e sempre será e não tem princípio. 4. necessariamente nada seria (existiria). 2. de modo algum algo viria a ser de nada. mas. de Ísis Lana Borges SOBRE A NATUREZA ou SOBRE O SER (DK 30 B 1-10) 1. IDEM. sempre era. IDEM. Partindo desses argumentos. B . se tivesse vindo a ser. nem termo. nem terminou. 29. 20. assim também em grandeza é necessário que sempre seja infinito. 3. 557. nem termo. . 14. do mesmo modo. se nada fosse. antes de vir a ser. Pois. 6. Sempre era o que era e sempre será. teria um limite com outro. 5. Por conseguinte. ibidem. se tivesse vindo a ser. 109. Do Céu. ibidem. teria principiado) e termo (pois teria terminado. deixando de lado os sentidos e negligenciando-os com o pretexto de que só se deve seguir a razão. pois limite (se existisse) não poderia limitar a não ser contra o vazio. ibidem. Física. Uma vez. que não veio a ser. Pois. se tivesse vindo a ser). é forçoso negar a existência do movimento. 22. IDEM. IDEM. 262. 110. 4. 210. portanto. é. 2. Mas.dizem eles —. pois não é exeqüível ser sempre o que não totalmente é. 29. mas é infinito. tal como sempre é. sempre será e não tem princípio. 109. ibidem.

(4 E não sente dor. (5) O sadio não poderia sentir dor. não poderiam ser infinitos. se sentisse dor. mas. Pois não é exeqüível o raro ser pleno da mesma maneira que o denso. se experimentasse um desses sofrimentos. pois a ordem (cosmos) que existi anteriormente não perece. o que de fato nada é. pela subtração o acréscimo de algo. pois. não é pleno. sentiria dor. pois pereceria o sadio e o que é. (3) Mas também não é exeqüível' que em sua ordem seja transformado. Do Céu. se se altera. pois. afastar-se-ia para o vazio. infinito. portanto. Se então contém ou aceita algo. não tem para onde afastar-se. nem perece. não poderia ser.19. mas se não contém. (9) A seguinte distinção necessariamente se faz do pleno e do não-pleno. Física. e já não seria o mesmo. E não se move. nem aceita. se fosse vazio. nem transformar-se. mas perece o que era antes e o que não era vem a ser. se não há vazio. 8. mas teriam limites um com outro. E não seria o mesmo.Se fosse (infinito). mas o raro torna-se já mais vazio que o denso. IDEM. (1) Assim. e o que não é viria a ser. não se move. s viesse a ser algo diferente. e não vem a ser a que não existe. uno e o mesmo todo ele. 222. ele seria (existiria)? Pois. se é pleno. Portanto. (8) Denso e raro não poderia ser. . 558. 7. já não seria uno. em que modo dos seres. nem se altera. pois o vazio nada é. pois não seria totalmente. então se transformaria em sua ordem. pois não pode afastar-se para lugar algum. se sentisse dor. mas é pleno. necessariamente é pleno se não é vazio. (7) Também não há nada vazio. (2) Não poderia perecer. (6) E sobre o sentimento de desgosto o mesmo se di sobre o da dor. não poderia algo que sente dor ser sempre. é eterno. uma vez transformado. se por um só fio de cabelo em dez mil anos ele viesse a ser diferente. necessariamente o ser não é o mesmo. pois. Uma vez que não recebe nenhum acréscimo. (10) Por conseguinte. Pois. nem vir a ser maior. pois. pereceria todo na totalidade do tempo. é pleno. 118. IDEM. nem sentir dor ou desgosto. seria um. Também não possui força igual à do sadio. se fossem dois. Pois.

deve ser uno. e se nós corretamente vemos e ouvimos. e tudo isso se altera. Se. (o ser) é. o vivo morre e vem a ser do não vivo. (4) Por conseguinte. necessariamente seriam tais como o um. se tivesse espessura. sendo uno. quente. necessariamente seriam tais como afirmo ser o um. IDEM. ferro e ouro. esse argumento a mais importante prova de que (o ser) é apenas um. (6) Mas. pois. mole e o mole. o que era e o que agora (é) em nada são semelhantes. Se o ser se divide. e preto e branco. pois nada é mais forte que o ser verdadeiro. embora seja duro. não deve possuir corpo. dizemos que vemos. IDEM. 32. Ora. pois. sem mudar. o que é perece e o que não é vem a ser. move-se. eternas (?). pois não mudariam se fossem verdadeiras. 34. se algo muda. mas o ferro. Assim. duro. e. (3) e parece-nos que o quente se torna frio e o frio.(1) É. mas cada uma seria precisamente tal qual parecia ser. (5) Por conseguinte. gasta-se ao contato com o dedo. essas coisas não concordam entre si. dotadas de forma e solidez. e. ibidem. água. Física. movendo-se. ar. Mas. . pois. e um vivo e outro morto. Pois. 209. pedra e tudo mais que parece ser duro. mas também (há) as seguintes provas: (2) Se múltiplas fossem (as coisas). e ouro. 10. assim resulta que não vemos. nem alterar-se. embora afirmemos que são múltiplas. e todas as demais coisas. tudo nos parece alterar-se e mudar pelo que é visto cada vez. necessariamente cada coisa é tal como primeiramente nos pareceu. se múltiplas fossem (as coisas). e de água tanto terra como pedra vêm a ser. 9. ouvimos e compreendemos corretamente. não poderia ser. é evidente que não vemos corretamente e que aquelas coisas não corretamente nos parecem ser múltiplas. mas sempre é cada uma precisamente como é. 109. o duro. Pois se há terra. teria partes e já não seria uno. nem conhecemos os seres.

Mas foi desterrado quando do triunfo da reação. terra. 25. salvo no que tange ao aumento ou diminuição.). Sua doutrina pode ser vista como uma primeira síntese filosófica. e a separação. de pitagórico e de órfico. EMPÉDOCLES CONTA como elementos94 os quatro (corpos simples).EMPÉDOCLES DE AGRIGENTO (CERCA DE 490-435 A. do T. (N. Trícot. — Escreveu dois poemas em jônico: Sobre a Natureza e Purificações. — Cedo virou figura legendária: ele mesmo se atribuía poderes mágicos. Física. a terra. de alcmeônida. água e ar. combina ao mesmo tempo o ser imóvel de Parmênides e o ser em perpétua transformação de Heráclito. Kuhnen 1. do T. de místico. Substitui a busca dos jônicos de um único princípio das coisas pelos quatro elementos: fogo. Provavelmente morreu no Peloponeso. 984 a 8 (DK 31 A 28). de Remberto F.C) DADOS BIOGRÁFICOS EMPÉDOCLES ERA natural da colônia de Agrigento. fragmento 17). opôs-se à oligarquia. fogo. água e terra. água.) . ar. àqueles de que acabamos de falar (a saber. Preferimos a de J. Estes elementos subsistem sempre e não são gerados. mediante a ação do Ódio. na Sicília. Empédocles era um misto de cientista. A — DOXOGRAFIA Trad. defendendo a democracia. Metafísica. 1. ARISTÓTELES. ar e fogo). salvando ainda a unidade e a pluralidade dos seres particulares. que são eternos e que mudam aumentando e diminuindo mediante mistura e 94 95 Empédocles não emprega o termo elementos (stoikheía). tomando em conta a doutrina de Empédocles (cf. segundo a qual a união dos elementos se produz mediante a ação do Amor. 21: Este (Empédocles) estabelece quatro elementos corporais. para provar que era um deus. Conta a lenda que ele se teria suicidado atirando-se na cratera do Etna. ajuntando um quarto. Passagem de difícil interpretação. Na política. 3. unindo-se para (formar) uma unidade ou dividindo-se a partir desta unidade95 — Simplício. (N.

(E o fragmento 17. úmido e seco ou quente e frio. no seu emprego. 2. dá força criadora ao Ódio e ao Amor. ora é muitos. Seu próprio desacordo é um acordo eterno:97 assim dizem. há três seres. inimizade) e philla (amor. em algum lugar. sendo ora misturados pelo Amor. os faz coabitar e os casa também. 229. a raça dos eleatas. vv. Pois é preciso que os elementos permaneçam alternadamente em movimento. para ele. cada um o seu. Também Empédocles se serve de causas. não consegue evitar a incoerência. mas na verdade não o faz suficientemente e. mais do que Anaxágoras. e a si mesmo é hostil sob a ação de não sei que Discórdia. p. o Ódio como o Amor96 fazem sua coesão. ora o Todo é um pelo amor que por ele tem Afrodite. ao dizer: "Ora de novo. só vê uma unidade no que se chama de Todo. 7 e 8 V. p. (N. do T. como faríamos a crianças.) . do T. 3. (N.. ora separados pelo Ódio. Posteriormente. enquanto Aristóteles neikos e philía.. certas Musas da Jônia e da Sicília (Heráclito e Empédocles) refletiram que o mais seguro era entrelaçar as duas teses e dizer: o ser é ao mesmo tempo um e muitos. o Amor separa e o Ódio98 96 97 98 Platão emprega os termos ékhlhra (ódio.. Eles me parecem contar um mito.) Literalmente. Outro. (É o fragmento 17.29). tornando-se amigos. e continua a expor neste sentido seus mitos. Segundo um. Metafísica. são o Amor e o Ódio..separação. apresentam seus esponsais. 242 c d (DK 31 A 29). Com efeito. I. que ora se entreguerreiam uns aos outros de algum modo. e largura". do T.) Neikos e phUla: Discórdia e Amizade ou Ódio e Amor. partos e criação de filhos. pelos quais aqueles são movidos. Em muitos casos pelo menos. conforme Empédocles. vv. (N. "discordando. ora. Entre nós. Cf. As vozes mais fracas afrouxaram o eterno rigor desta lei: na alternância que eles pregam.) 2. Sofista. as vozes mais fortes. amizade). mas os princípios propriamente ditos. desde Xenófanes e mesmo antes ainda. de Neikos". Por conseguinte. afirmando que há dois (seres). entre essas Musas (DK 22 B 10). V. 17-20. seis são. ARISTÓTELES. 985 a 22 (DK 31 A 37). os princípios. PLATÃO. nota 1. 4. ao dizer: "Ora por Amizade. sempre concorda". e outra vez combina os quatro como sendo da mesma ordem.

talvez acerte. Com efeito. se se acompanha o raciocínio de Empédocles. Visto que também os contrários do bem aparecem na natureza. e de todos os males. Física. Assim. quando de novo sob a ação do Amor. e não só a ordem e o belo mas também a desordem e o feio. considerados como uma natureza única. Pode-se tomar conhecimento disso. portanto. possuindo alternadamente o Amor e o Ódio. um outro (filósofo) introduziu Amor e Ódio. não se serve deles como se fossem quatro. o mal. cada um causa (contrária) de efeitos (contrários). há redução ao um. Destarte. Fazer partir a geração de (corpos) separados e em movimento não é conforme à razão. examinando-lhe o poema. atendendo mais ao sentido do que à forma balbuciante (de se exprimir). Do Céu. VIII. e o feio maior do que o belo. comparado a seus predecessores. uma vez que a causa de todos os bens é o próprio bem. mas como se fossem dois apenas: o Fogo. quando o Todo se dissolve em seus elementos sob a ação do Ódio. 2. mas dois diferentes e contrários. bem como o repouso no tempo intermediário. e opostos a ele. a terra. 6. encontra-se que o Amor é causa do bem e o Ódio. 111. sem fazer do princípio do movimento um princípio único. Inversamente.252 a 7 (DK 31 A 38). Empédocles parece dizer que o poder e a força motriz. 301 a 14 (DK 31 A 42). ARISTÓTELES. sustentando que Empédocles afirmou. ARISTÓTELES.une. 5. tomado em si. Pois. sendo o mal maior do que o bem. Por isso é que Empédocles omite mencionar a geração sob o . foi o primeiro a introduzir a divisão na causa. pertencem às coisas por necessidade. Ainda foi o primeiro a afirmar que quatro são os elementos atribuídos à natureza material. ARISTÓTELES. 4. 984 b 32 (DK 31 A 39). I. o ar e a água. Contudo. 1. e as partes são forçadas a se separarem outra vez de cada (elemento). Empédocles. e afirmou por primeiro. 4. serem o mal e o bem princípios. o fogo se une em um todo e cada um dos outros elementos. Metafísica. do mal.

mas. 7. Da Geração e da Corrupção. Que o fogo. os corpos da terra. do sol. não poderia constituir o céu organizando-o a partir de corpos já separados. com efeito. por divisão. ou por arte.reino do Amor:99 com efeito. origina-se necessariamente do um e da agregação. o quente com o frio. pela natureza e pelo acaso. a terra e o ar são todos (produzidos) pela natureza e pelo acaso é o que dizem (os seguidores de Empédocles). I. a água. reuniram-se ajustando-se como convinha. 4. da lua e dos astros se formaram desses elementos inteiramente privados de vida. e o outro (Anaxágoras). levados ao acaso pela força própria de cada um deles. (N. o primeiro estabelece uma infinidade de homeomerias e contrários. 99 Aqui Aristóteles. e o céu inteiro com todos os corpos celestes. forçosamente se misturou junto. Mas distinguem-se entre si pelo fato de que um (Empédocles) estabelece um ciclo destes (contrários). 187 a 20 (DK 31 A 46). e não — dizem eles — por uma inteligência. e tudo o que. (Estes primeiros elementos). e todas as estações originadas dessa mistura. 2 ss. 9. Da Sensação. Segundo outros. 7.334 a 5: Ao mesmo tempo Empédocles diz que o cosmo no regime atual do Ódio tem a mesma natureza que tinha anteriormente no regime do Amor. TEOFRASTO. emprega philótes. PLATÃO. um sentido único. Física. segundo o acaso. 8. ou por uma divindade. Leis. 889 b (DK 31 A 48). Dos (elementos) separados constitui o cosmo. do T. (DK 31 A 86). Assim. — ARISTÓTELES. o seco com o úmido. também Amizade ou Amor. acharam-se formados desta maneira. o mole com o duro. mediante a mistura dos contrários. e que. //. que nenhum deles o é pela arte. fazendo-lhes a agregação pela ação do Amor. X. os contrários que estão no um saem. como o dissemos. o segundo. somente o que se chama de elementos. ARISTÓTELES. os animais e todas as plantas. depois disso então.) . em vez de philía. da mistura também estes fazem sair por divisão as outras coisas. como afirmam Anaximandro e todos quanto advogam a unidade e a pluralidade (dos seres). como Empédocles e Anaxágoras.

os outros praticamente as negligenciaram.. e nos contrários. aumentando ainda. para outros. Os poros estão dispostos alternativamente. Na composição de partes iguais consiste a melhor mistura e a mais . é formado de fogo. fogo e água. durante a noite. durante o dia. pois não há adaptação para um como para o outro (sentido). pelos primeiros. Por este motivo. Além disso. o interior. uns têm vista mais aguda de dia. pois este elemento. Pois. o contrário é o remédio. (8) Constituem-se os olhos não do mesmo modo. tomamos conhecimento do branco. todos os que têm mais do contrário. outros.(1) Parmênides. terra e ar que o fogo sutil pode atravessar como faz a luz duma lanterna. para os que têm água (demais). cada um deles (reage) inversamente. afirmando que se tem sensação ao adaptarem-se os poros de cada sentido. porém. de noite. de maneira que os objetos sensíveis podem ter grande força (penetrando) sem tocar ou não podem absolutamente entrar. Empédocles. pois a insuficiência será plenamente preenchida também para eles. e para uns o fogo está no centro e para outros no exterior. Empédocles e Platão atribuem a sensação ao semelhante. enquanto os da escola de Anaxágoras e de Heráclito (atribuem-na) ao contrário. E isto sucede até que água seja separada. mas uns dos semelhantes e outros dos contrários. o fogo seja separado pelo ar. pois para eles a luz interior é plenamente compensada pela exterior. (7) Empédocles fala de todos os sentidos de modo semelhante. tenta referi-las à semelhança. Todos os que têm menos fogo. pela luz exterior. durante o dia. do preto. pelos segundos. em cada caso. de água. há um movimento de eflúvios de cores ao olho. porque de certo modo os poros de um são largos demais e os de outro estreitos demais para as coisas percebidas. o exterior. o mesmo se dá de noite. segundo Empédocles.. para uns. pois o fogo é obstruído pela água. (2) A respeito de cada uma delas em particular. ocupa e obstrui os poros da água. A vista é fraca também para os que têm pouco fogo. Por isso um também não pode julgar os objetos do outro. também entre os animais. Tenta igualmente explicar o que é o olho.

Após haver enumerado como cada coisa é conhecida pelo semelhante. se são. a ignorância. 100 Em grego. broto ou rebento carnoso. pois sobretudo por ele é que se misturam os elementos das partes. em seguida vêm em proporção os que disso se aproximam. Os elementos em partículas grosseiras e espaçadas fazem os homens lerdos e desajeitados.. — Quanto ao paladar e ao tato: não faz distinção entre um e outro. aliás. acrescenta no fim: "Pois destes.100 Ao mover-se. dos corpos sutis e leves. os que. em maior quantidade. Do mesmo modo Empédocles se exprime com relação à sabedoria e à ignorância. a que ele chama osso (?) carnoso.) Por isso também conclui que é próprio sobretudo o pensar. quando <o homem> é excitado pela voz. (N. V. aqueles para os quais a mistura se faz igualmente e entre partículas que sejam de dimensões iguais e convenientemente espaçadas.excelente visão. a não ser o que é comum. Pois. — O olfato tem origem na respiração. estes são os mais inteligentes. a dor (na adaptação) aos contrários. (11) Portanto. O odor deflui. nem grandes demais nem pequenas demais. e dor". é pouco mais ou menos o que diz Empédocles. nem (determina) como nem por que surgem. dos dessemelhantes. A respeito da vista. (10) A sabedoria seria própria dos semelhantes. p.) . Haveria como que um guizo batendo dentro. 240. a saber. e seus sentidos são os mais perfeitos. não sendo. segundo Empédocles. o ar bate contra corpos sólidos e os faz ressoar. se afastam o mais (deste estado) são os menos inteligentes. (9) A audição. do T. ao contrário. origina-se dos sons vindos de fora. ao contrário. ela ressoa dentro dele. Por isso sobretudo sentem odor aqueles para quem o movimento da respiração é o mais intenso.. (É o fragmento 107. sárkinon ózon. de sorte que a sabedoria é para ele a mesma coisa que a sensação ou está muito próxima. que a sensação consiste na adaptação aos poros: o prazer (na adaptação) aos semelhantes segundo as partes e segundo a mistura.

e quando fosse verdadeiro. Enfim. sendo melhor a mistura nas mãos de uns e na língua de outros. são por esta (mistura) os diversos sábios.condensados e reduzidos a partículas muito diminutas. ele se contradiz a si mesmo. visto que em geral Empédocles explica a mistura pela proporção dos poros. pois é claro que o enchimento teria lugar pela adaptação do semelhante. se um não pode encher os poros. Por conseguinte. A objeção subsistiria de resto. tudo sentirá. (14) Alguém poderia continuar com a mesma dificuldade. pois nega em geral a existência do vazio. pois ele faz tudo mediante a proporção de poros. empreendendo muitas coisas sem contudo chegar ao fim. Por isso o óleo e a água não se misturam. enfim. nos próprios seres animados. o mesmo se dá com relação às outras faculdades. se há entre eles adaptação recíproca? A proporção e a similitude existem. (13) Em segundo lugar. os poros estão cheios ou vazios? Se estão vazios. por que é que o fogo interior sentirá mais que o exterior. os movimentos do sangue são mais vivos. os seres viventes sentirão sempre. como diz Empédocles. se estão cheios. a mistura é conveniente numa parte do corpo. Mas é necessário que haja uma diferença. e mistura. para empregar suas expressões. o que faz o outro entrando de fora. A primeira dificuldade que se pode levantar contra a sua afirmação é a de saber em que os seres animados diferem dos outros no tocante à sensação. (12) E assim que Empédocles admite que se produzem a sensação e o pensamento. e o próprio homem será mais disposto e ágil. portanto. Se. Aqueles para os quais. mesmo quando fosse possível que heterogêneos tivessem dimensões permitindo sua adaptação. daí os bons oradores e os artistas. caso não acrescente alguma diferença. que os olhos cuja mistura não é proporcional se tornem menos . sensação e aumento não serão mais que a mesma coisa. pois há também adaptação aos poros dos seres inanimados. não poderia haver sensação. ao contrário dos outros líquidos de que enumera as combinações particulares. houvesse similitude completa o universal.

quando da sensação. que não produzem sensação nem têm mudança especial para os que os produzem. como ele diz: "Hostis. é assim que ele diz que não há sensação recíproca.. ele não o distingue. vv. mas. como o diz Empédocles. e é por isso que ele fala de adaptação: desta maneira. Portanto. ou a falta de percepção não é devida a uma certa desproporção. ou dizer que os animais sentem sempre todas as coisas. se não há adaptação completa do semelhante. mas somente contato. em tese geral. (15) Enfim. e é necessário que os sentidos e os objetos sentidos sejam sempre da mesma natureza. a similitude não exerce nenhuma função e basta a só proporção. ou supor uma adaptação de corpos de natureza diferente. pois a estes dois atribui o conhecimento. . que o eflúvio seja semelhante ou dessemelhante. 231. de todos os lados há dificuldades: é preciso. como e onde. não seriam sempre produzidas pelos semelhantes. de maneira aceitável. ou admitir o vazio. segundo Empédocles. segue-se que a sensação será produzida em todos os casos. a segunda à dos contrários. em cada". do prazer e da dor. Assim. visto que ele atribui à mesma causa a sensação e o prazer. p. e se os poros estão cheios de corpos de uma outra natureza. se são sobretudo os corpos de mesma natureza que produzem o prazer por seu contato. portanto. se há proporção desta maneira. De outro lado. (16) Ele também não tratou. haverá sensação.) O prazer e a dor produzidos desta maneira são acompanhados ou não de sensações. deve-se concluir que. se há contato do menor ao maior. "hostis". Doutra parte. ao mesmo tempo à similitude e ao contato. 6 e 7. porque os poros não estão em proporção. V. sairão estes corpos? É. pois. (E o fragmento 22. então os que são incorporados juntos é que deveriam experimentar o máximo de prazer ou em geral sentir do melhor modo. quando atribui o primeiro à ação dos semelhantes. necessário explicar que mudança é esta. Pois..penetrantes porque ora o fogo ora o ar obstruiriam os poros. ou a sensação não é produzida pelo semelhante. estas.

odor no nariz. que o sentido não seja ainda afetado. Por conseguinte. deveriam todos. pois não haveria sensação sem sofrimento. ou se. não há exceção a não ser para um pequeno número de animais. enquanto o contrário põe obstáculo e dissipa. mas antes. como perceberemos pelo semelhante? O semelhante é indeterminado. como diz Empédocles. o semelhante aumenta de intensidade. outros de noite. muitas vezes. E necessário. ver melhor o branco de dia. isto aconteceria sempre. uns de dia. (18) O que Empédocles diz dos animais. podemos conhecer bem o branco e o preto pelos semelhantes. os dois elementos devem aumentar alternadamente. se temos som nos ouvidos. segundo Anaxágoras. para dizer a verdade. e o preto de noite. é como aqueles cuja superfície é mais luminosa durante a noite. de fato todos vêem melhor todas as coisas. todavia. Outra objeção particular: se o conhecimento é produzido pelo semelhante. não poderia nisso haver grande diferença entre as vistas.(17) Todavia. mas como perceber o marrom e as outras cores mistas? Ele não o atribui nem aos poros do fogo nem aos da água. Não percebemos o ruído pelo ruído. nem o odor pelo odor. (19) Enfim. Ora. sabor na boca. pelo contrário. sentindo sofremos a própria sensação. todavia. se o excesso de um impede de ver. quando ele compõe o olho de fogo e do contrário. não vemos menos estas cores do que as outras (as simples). pois o fogo menor é dissipado pelo fogo maior. nem aos outros comuns a estes dois elementos. em suma. para os olhos cuja mistura é de partes iguais. os animais a que falta luz deveriam ver menos bem de dia. Quanto às outras sensações. nem em geral o homogêneo pelo homogêneo. não é menos estranho. e. sempre que tenham mais ou menos luz própria. todos esses sentidos se tornam mais obtusos e o são tanto . e é provável que seu fogo próprio tenha bastante força para isso. Mas é difícil examinar todas as afecções da vista. o que faz com que não possamos olhar diretamente nem para o sol nem em geral para o fogo puro. que vêem melhor. de maneira que. de dia.

ser admitido em determinada medida para alguns sentidos. seria. entre os elementos. imaginando este ruído de dentro como o de um guizo. por que ouvimos sua ressonância? E o que Empédocles deixou de procurar. A muitos sucede estarem cegos e absolutamente nada verem. . quando Empédocles o explica pelos ruídos internos. visto que então a tendência à composição impede os eflúvios. não haveria em geral sensações. (É o fragmento 102. não dá uma causa geral. de outro lado. o fogo parece emitir eflúvios e nenhum dos outros. Se é pelo guizo que ouvimos os ruídos de fora. sob o reino do Amor. portanto. é grato dizer que os que aspiram o máximo sentem o melhor. pois é então que inspira o máximo de ar. e se os odores provêm de eflúvios. é pouco mais ou menos contrário que acontece.mais quanto são mais enchidos pelos semelhantes. ou a menos que elas seriam mais fracas. Como discerniremos o áspero e o liso pelo eflúvio ou pela adaptação aos poros? Pois. primeiro.. é tudo o contrário o que acontece. (21) Mas. Seria. no trabalho ou no sono. para nada serve. que ele indica como sendo o sinal mais geral. Se. seria necessário que as coisas que têm o máximo de odor se dissipassem o mais rápido. pois o que há de mais odorante nas plantas ou nos outros seres é também o que há de mais durável. ora. embora insuficientemente indicado. pois há animais que sentem e absolutamente não respiram. Em segundo lugar. é o que prova o exemplo de outros animais e o das afecções de que falamos. pode. mas há dificuldades para o tato e o paladar. tiveram". ora. (20) O que diz respeito aos eflúvios.. se o sentido não está em bom estado e bem aberto. necessário que na dispnéia. E o que diz do olfato não é menos estranho. é aos eflúvios que é preciso atribuir a perda. a gente sentisse melhor os odores. porém. e no fim diz de novo como que insistindo: "Assim. quanto ao ouvido. portanto. mas por acidente. Dever-se-ia concluir também que. Mas Empédocles a reconhece como sendo a verdadeira causa deste. é estranho que areia fazê-lo claramente. (22) A respiração por si mesma não parece ser a causa do olfato. necessário uma distinção a este respeito.

além disso. Pois o ar e o fogo são o que há de mais sutil. entre os eflúvios. portanto. Atribuir o pensamento ao sangue é. de preferência à mistura do sangue. que Empédocles cometeu numerosos erros. que é à parte do pensamento. 76 c (DK 31 A 92). a sensação e o prazer. seria necessário que os ossos e os cabelos também sentissem.) Também não é verdade que se sentem sobretudo as coisas sutis. — Sócrates: Mas. mas sem terem articulação de órgão. (23) Pode-se também levantar objeções a propósito do pensamento. Mas como é possível que o pensamento se dê ao mesmo tempo com uma mudança e pela ação do semelhante? O semelhante não é alterado pelo semelhante. é necessário que além disso elas tenham odor. portanto. para que tu possas seguir-me com mais facilidade? — Meno: Quero. visto que também são bem compostos de todos os elementos. como se a língua fosse a causa da eloqüência. Mas ele confunde de um lado o pensamento. todas as coisas terão parte nele. 10. como não? — Sócrates: Não dizeis vós. segundo Empédocles. uns são exatamente proporcionais aos poros. PLATÃO. Sócrates: Queres que te responda à moda de Górgias. que eflúvios escapam de todos os seres? — Meno: Certamente. pois assim é também com os outros animais. (24) Também é estranho que as faculdades se originem para cada um pela mistura do sangue nas partes. de acordo com as teorias de Empédocles. Se. como a sensação. com efeito. visto que produz estes dois últimos pelos dessemelhantes. Parece. mas não produzem a sensação do odor. enquanto outros são ou menores ou maiores? — Meno: . Enfim. há muitos animais que não têm sangue. p. de outro o sofrimento e a ignorância. Seria melhor atribuir a causa à forma.V. e naqueles que o têm são os órgãos dos sentidos que são dele os menos providos. completamente absurdo. ele se produz. ou as mãos a da habilidade artesanal. 239. — Sócrates: Que há (nos seres) poros nos quais entram e pelos quais saem esses eflúvios? — Meno: Perfeitamente. Meno. seria necessário que o sofrimento se originasse na ignorância e o prazer no pensamento.

se dissipam. aqui usado com o sentido de meios de agarrar. aprenderás não mais do que mortal inteligência viu. a loucura destas (coisas) afastai-me da língua e de santificados lábios deixai correr pura fonte. filho do sábio Anquitas.101 como disse Píndaro: a cor é um eflúvio de coisas proporcionais à vista e sensível. de alvos braços. IDEM. Pausânias. 2. e. 3. deuses.E isso mesmo. 124. E breve parte de vida em suas vidas tendo visto. 60. SEXTO EMPÍRICO. escuta. eu te peço. a tudo impelidos. cada um. de José Cavalcante de Souza 1. — Sócrates: Posto isso.15. E tu. e o todo se orgulha103 de ter descoberto. B . Pois bem estreitas mãos102 por membros estão difusas. I. apenas convencidos do que encontrou cada um. ibidem. de muita memória. VII. DIÓGENES LAÉRCIO. SOBRE (A) NATUREZA (DK 31 B 1-111) 1. vermelho e amarelo.. 122. . de apreender. palámai. e muitas são misérias que embatem. VII. do que é lícito a efêmeros ouvir 101 102 103 A referência lembra um conselho em forma de mito dado por Píndaro (poeta lírico grego que viveu de 521 a 441 a.C) a Hierâo. ó virgem Musa. E a ti. pois assim te retiraste. do verso anterior. preto. Mas vós. — Sócrates: Doutra parte. Quatro são iguais em número para todos os elementos: branco. palmas de mão. 3: Empédocles afirmava que a cor é o que é proporcionado aos poros da vista. Contra os Matemáticos. logo mortos. — AECIO. "compreende minha palavra". lit.FRAGMENTOS Trad. assim nem são visíveis estas (coisas) a homem nem audíveis nem por mente apreensíveis. VII. e embotam cogitações. Tu então. 1. não há uma coisa que também se chama vista? — Meno: Sim. No grego. como fumaça erguidos.

respectivamente fogo. mas pensa por onde (é) clara cada (coisa). PLUTARCO. 22. physis. Nem te será forçado flores de bem acolhida honra de mortais receber. 5. nascer. e criação isto se denomina entre homens. palamai. Mas vai. Inengendrados: elementos. 9. Physis é propriamente ação de phyesthai = brotar.. 8. e além da santa (ordem?) falar com audácia — e então nos cimos do saber tomar assento. tu. 6. X.. nem dos outros membros. o dócil carro. 18. Pois as quatro raízes de todas (as coisas) ouve primeiro: Zeus brilhante e Hera portadora de vida. Mas para os maus muito importa desconfiar dos que dominam. ibidem. terra e água. . nem tendo alguma vista confia mais que por ouvido. AÉCIO. a mesma palavra da nota 1. em Empédocles. mas somente mistura e dissociação das (coisas) misturadas é o que é. CLEMENTE DE ALEXANDRIA. nem algum fim em destruidora morte. 325. que em geral se traduz por natureza. retira a confiança. por onde (é) caminho ao pensar. Aidoneus e Nestis. 10. No grego. ar. 2. 3. 104 105 106 No grego. SEXTO EMPÍRICO. do reino de Piedade trazendo. HESÍQUIO. conhece. 8. Tapeçarias. ou no ouvir ressoante mais que no claro gosto da língua. Outra te direi: não há criação106 de nenhuma dentre todas (as coisas) mortais. Mas eles quando em forma de homem misturados à luz chegam. . 7. Contra Colotes. VII. Essas quatro divindades representam os quatro "elementos". articulado nas entranhas o discurso. V. PLUTARCO.envia.105 que de lágrimas umedece fonte mortal. como ordenam as fiéis lições da nossa Musa. 4. IDEM.abrigar em recolhido peito. atenta com todo manejo104 por onde (é) clara cada (coisa). porém. Questões de Convivas.

onde um sempre (o) firmar.. entendida como sede dos sentimentos e da reflexão. pois não são de longo pensar suas cogitações eles que vir-a-ser o que antes não esperam. Um homem sábio em tais (coisas) no peito108 não adivinharia que só enquanto vivem. thémis. 12. Phrénes. . e jamais.. e quando se separam. IDEM. [ARISTÓTELES] De Melisso Xenófanes Górgias. VIL Pois como antes eram.18. 13. donde então algo sobreviria? 15. o que justiça107 não chamam. pois será sempre lá.. por costume falo também eu... estabelecer. então isto dizem que se gerou.. Da Eternidade do Mundo. Do todo nada (é) vazio. Contra Colotes... 14. ibidem. então que houve infausta morte. parte do corpo em torno do diafragma. não são. também serão. 2 p. 16.morte. e antes que se fixaram mortais e quando dissolvidos. :í Mythos = palavra. 12. [ARISTÓTELES] De Melisso Xenófanes Górgias. 6... 1113 d. destruir-se o que é (é) impossível e impensável. Pois do que de nenhum modo é. "ser sensato". 10. uma velha noção religiosa. Crianças. . Nem algo do todo se encontra vazio nem excessivo.ou em espécie de animais selvagens. Refutação. FILON. 17.. impossível é vir-a-ser. 11.. 3.. ou de plantas.. 22.. IDEM.. 2. os que agem sobre as quatro raízes das coisas.. 28. 1. De phrén deriva-se phroncin = "pensar". ou de pássaros. 157. penso. Amor e Ódio. PLUTARCO.. cujo sentido está associado ao do tema de títheinni = pôr... e presentes lhes (são coisas) más e boas. 2.vingadora. 22. eles são.. p.. Física... SIMPLÍCIO. ibidem. HIPOLITO. destes dois109 ficará vazio o interminável tempo. ou algo perecer e portanto destruir-se de todo. AÉCIO.. o que assim chamam de vida. Duplas (coisas) direi: pois ora um foi crescido a ser só de 107 108 109 No grego...

nota 1. 181. Assim. Mas vai. e Ódio funesto fora deles. fogo e água e terra. pois estudo aumenta o peito. 110 111 112 113 Cf. cresce e se dissipa. .muitos. ora por Amizade convertidas em um todas elas. Pois uma a convergência de todos engendra e destrói. E estas (coisas) mudando constantemente jamais cessam. ela entre mortais se considera implantada111 em seus membros. e de ar a infinita altura. de peso igual em toda parte. No grego. Dupla é a gênese das (coisas) mortais. mas tu ouve do discurso113 a seqüência não enganosa. duplas (coisas) direi: pois ora um foi crescido a ser um só de muitos. dupla a desistência. e Amizade dentro deles. Pois como já antes disse. por aí é que nascem e não lhes é estável a vida. ver nota 1 da pág. do mesmo tema de phyesthai. Ela por entre eles se enrolando não a viu nenhum mortal. ora de novo divergidas em cada por ódio de Neikos. émphytos. Pois estes todos são iguais e de mesma idade. por eles pensam112 (coisas) de amor e obras ajustadas fazem. physis. Logos. ora de novo partiu-se a ser muitos de um só. igual em comprimento e largura. do mito110 escuta. de Alegria chamando-a pelo nome. Ver nota 2 da pág. Phronébusi. e a outra. mas por onde mudando continuamente jamais cessam. contempla-a co'a mente. ora de novo partiu-se a ser muitos de um só. e de Afrodite. e com os olhos não te sentes pasmo. de novo (as coisas) partindo-se. por onde um de muitos aprenderam a formar-se. por aí é que sempre são imóveis segundo o ciclo. revelando o alcance do mito. 180. e de novo partido o um múltiplos se tornaram.

De Prim. e assim mesmo é com árvores e peixes nas águas. Sobre Ísis e Osíris.... erram eles à parte cada um na ressaca da vida.. .. se é que nos anteriores havia algum resíduo sem forma. 19. E além deles115 nada mais vem a ser nem deixa de... sol luminoso para ver e quente em toda parte. 13.enlaçante amizade.114 e em turnos prevalecem no circuito do tempo.... 18... mas originalmente "assento.. PLUTARCO... ibidem. estes ganharam corpo. e este todo que (coisa) o acresceria? Donde vindo? E por onde se extinguida. . 2224. IDEM.Mas honra. e cada um tem seu modo. dois versos mais adiante. 114 115 Éthos "caráter". IDEM.amizade. com feras nas montanhas e aves que em asas navegam. 259.. auge..... p. e chuva em todas (as coisas) nevoenta e friorenta. pois destes nada é vazio? Porém estes são eles mesmos. morada". e imortais quantas (coisas) se banham em sua forma e brilho. SIMPLÍCIO. a que também se referem o "destes" e "estes'. a vida florescendo em ora de novo por malignas Querelas dispersados. Os quatro "elementos"...... . 9... Física. e correndo uns pelos outros tornam-se outros em outras vezes e continuamente os mesmos..... 21. Isto de mortais membros (é) bem visível volume: ora por amizade convergidos em um todos os membros. Vai. 16. isto como prova de anteriores colóquios contempla. 20.... cada um mede outra.. Frig. 48.. pois se continuamente perecessem não mais seriam. 370 D.

e também céu e mar. e mesmo deuses de longa vida em honra supremos. deles formas a todas (as coisas) semelhantes produzem. Articulados são estes. mistura e forma impressas em cada. Hostis o mais das vezes umas das outras mais se distanciavam em origem. em harmonia tendo misturado uns mais e outros menos. IDEM. de todo em conviver insólitas e muito lúgubres por conselhos de Ódio. Pois destes (são) todas (as coisas). mas convergem na amizade e umas às outras se desejam.e de terra prorrompem (coisas) firmes e sólidas. os quais quando tomam em mãos pigmentos multicores. quantas deles em mortais (coisas) desgarradas existem. quantas eram. 259. que lhes forjou a geração. todos eles com suas partes. e mesmo deuses de longa vida e em honra supremos. Como quando pintores quadros votivos pintam coloridos. 26. ibidem. semelhadas por Afrodite. e feras e pássaros e peixes que se criam n'água. 160. tanto por mistura se permutam. IDEM. 23. e também homens e mulheres. e feras e pássaros e peixes que se criam n'água. . 27. são e serão. árvores estatuindo e também homens e mulheres. radiante de sol e terra. e correndo uns pelos outros tornam-se de outra espécie. umas às outras se amam. 22. homens em arte bem entendidos por seu talento. ibidem. Em ódio diferidas de forma e à parte todas volvem. e árvores germinaram. Pois estes são eles mesmos. E assim mesmo quantas em mistura melhor se correspondem.

.. . mas por onde mudando continuamente jamais cessam.... Em turnos prevalecem no circuito do ciclo. até que em um crescidos. Da Face da Lua.... submissos se tornem. Assim... por onde um de muitos aprenderam a formar-se e de novo partido o um muitos se constituem. 24. 26. 181. 18. nota 3 da pág.. p. de um deus (o) mito117 tendo ouvido. ora de novo à parte movidos cada um por ódio de Neikos. . Cf.. 25.. nota 3 da pág. Ali nem de sol são distinguidos ágeis membros.mesmo duas vezes o devido é belo dizer. por aí é que sempre são. de tal modo em cerrado invólucro de Harmonia está fixado Esfero118 torneado.. sphairos. 116 117 118 Plirám. alegre em sua solidão circular. 12. PLUTARCO. por aí é que nascem e não lhes é estável a vida. ora por Amizade convergidos em uma só ordem. . 15 p. o todo.. Física. nem tampouco de terra força hirsuta. Da Deficiência do Oráculo. 27. PLUTARCO..cimos uns aos outros ligando de mitos não perfazer um só caminho. imóveis segundo o ciclo. mas claramente sabe isto.. 926 d.. Pois estes são eles mesmos e correndo uns pelos outros tornam-se homens e espécies de outros animais.. 498 e.. perecem uns nos outros e crescem em seu turno fixado...assim não te vença engano (com) o senso116 de que outra é de mortais (coisas) a fonte. 182.. Cf. SIMPLÍCIO. Escólio aos Górgias de Platão.. Trata-se de uma personificação da esfera.. nem mar. 33. 418.. no grego. quantas infinitas se mostraram.

. IV. 28.. ARISTÓTELES. mas esférico era e de todo lado igual a si mesmo. 528. 2. ESTOBEU. 32. . 777 c. Como quando suco de figueira o alvo leite coagula e liga. Pois todos seguidamente se agitavam os membros do deus.. mas queridas compondo-se uma de cada canto. Não. nem ágeis joelhos.. 35. 34. de seu dorso não irrompem duas ramificações.. 2254..... 30. Mas o de todo lado igual a si mesmo e todo infinito Esfero torneado.. não de vez. 4. Éclogas. virei à trilha de hinos que antes percorri. p. nem partes genitais. Do Céu.pois duas coisas liga juntura.. PLUTARCO.. 2. Refutação. 381 b 31. 30.. 29. 29. pois não perfeitamente ... 972 b 29. Mas quando ficou grande Neikos nos membros nutrido e a honra se lançou. 31. p. quantas ainda Ódio retinha suspenso. c.. HIPÓLITO.. SIMPLÍCIO.. 95 a.. nem pés. 11. PLUTARCO. princip. dulos. De Amic. Farinha com água aglutinando. 4. l. Vil.. Mas eu.. Multít... Nem levante nem disputa inconveniente em seus membros. ARISTÓTELES. alegre em sua solidão circular..... 15. Metafísica. De Linea Insecabile. muitas porém sem mescla ficavam por entre as misturadas... SIMPLÍCIO.. E elas se misturando fundiam-se mil raças de mortais. esse diss. e que em pleno torvelinho Amizade fica. ARISTÓTELES. 5 p. 33. de volta me lançando. Física. de um discurso derivando aquele: quando Neikos chegou ao mais fundo abismo do vórtice. completando-se o tempo que alternado lhes cabe pelo grande pacto.27a. nela todas estas (coisas) convergem a ser um só. Meteorologia. 2 ab.

. As (coisas) convergindo. 2. Do Céu. terra e também mar de muitas ondas. mas terra seu próprio corpo. e éter éter. PLUTARCO. I. 42. Aumenta. p. e temperados os antes puros. eu te direi primeiro os iguais em princípio. 40. Livros das Saturnais.. Da Face da Lua. ESTOBEU. Sobre os Deuses.. ARISTÓTELES.intercepta-lhe raios 119 Lua. Se infinitos (fossem) profundezas de terra e abundante éter como.. 46. Da Face da Lua.. . ARISTÓTELES. p.. E eles se misturando fundiam-se mil raças de mortais. PLUTARCO... 38. Hélios de agudo dardejar e propícia Selene. Da Geração e Corrupção. 294 a 21.. 39. Hélios = Sol. dos quais nasceram claras as (coisas) que agora vemos todas. Mas quanto ele sempre se excluísse. tanto sempre afluía clemente de Amizade impecável imortal corrente.119 41. em MACRÓBIO. 17... II. . 920 c. logo mortais nasciam os que sabiam ser imortais.. V. Mas ele concentrado em volta do grande céu circula. 37. II. extremo se deslocava Ódio. 13. 6. e úmido ar.. prodígio de se ver. em parte dos membros saíra.. CLEMENTE DE ALEXANDRIA. se espalhou de bocas (dos) que pouco viram do todo.. permutando caminhos.. 48. 16.10. Pois bem. 36... em variadas formas combinados. 929 c. 1.delas se retirara todo a extremos limites de ciclo. APOLODORO. Éclogas. Tapeçarias. por língua de muitos vindo inutilmente. mas em parte ficava dentro... e Titã éter que envolve em círculo todas as coisas..

Anedotas Gregas. II. 22.. p. 43.. Mas noite a terra põe escondendo-se às luzes do sol. Do céu. Sal ficou sólido. HEFESTO.. de olhar cego. Como de um carro o meão gira. Dos Oráculos da Pitonisa. Mas éter pela terra mergulha com longas raízes. PROCLO. 50. 400 B. Pois assim se encontrou em seu curso. Torneada em volta à terra circula estranha luz. 56... Assim o raio tendo atingido o largo círculo da lua.. IDEM. 356 a 24. 54. 1. 46. e muitas vezes de outro modo. 29. 26. mar. 1006 f. IDEM..... II 3. 46.. p.. AQUILES. 47. Reflete-se no Olimpo com impávido semblante.. 720... 586. Muitos fogos porém sob o solo se queimam. Da face da Lua.... 3. 337. Manual. 2. Comentário ao Timeu. Da Geração e Corrupção. PLUTARCO. Behker.. 83. e obscurece da terra tanto quanto a largura de sua face de olhos claros. I.. II. 45. Introdução. TZETZES.. FILON. 13. SIMPLÍCIO.. 70. p. Pois ela olha do senhor em face o sagrado ciclo. o qual pelo extremo. 6. 49. 55. II.enquanto ele vai por cima.. Questões de Convivas. 334 a 5. p. Da Providência.. ed. 53.suor de terra.. 44. 48.. 57. ... Mas íris do alto mar traz vento ou grande chuva.. VIU 3.. XV. 7. PLUTARCO. 51. batido por raios de sol. HERODIANO. Em noite solitária. II. PLUTARCO. p. IDEM. ARISTÓTELES.1 p. 925 b. Ilíada. 334 a 1. Rapidamente elevando-se (o fogo). .. ibidem.. Meteorologia. Alegorias. Questões Platônicas. 9. 8. 52. Schematismi Homeri. 16.

18. e outras muitas além delas seguidamente surgiram.. híbridos em parte de homens. 66. o membro próprio dos homens. Agora vem. Inteiriços primeiro (os) tipos de terra surgiam. de água e de forma brilhante. bovinos de figura humana. ibidem. 1123 B.. ARISTÓTELES. 17. 65. e olhos sozinhos vagueavam privados de fronte. ARISTÓTELES. pois não é mito sem alvo e sem ciência. 587.18.. Mas está dividida a geração de membros: uma em masculino. Questões Físicas.. (tal) qual. PLUTARCO. 381.. Solitários erravam membros. estas (coisas) caíam junto. E fundiram-se em puros ventres. (monstros) de pés torcidos e inumeráveis mãos.. 29. 587. 723 a 23. 58.Nela muitas cabeças sem pescoço germinaram. 59. nem voz nem. XVI. e nus erravam braços desprovidos de ombros.917 C. Física. Da Geração dos Animais. 63.. p... Escólio às Fenícias de Eurípides. Contra Colotes. Mas quando cada vez mais se uniam divindade a divindade. l. Fendidas campinas de Afrodite.. por onde cada se encontrou. 28. e como de homens e mulheres de muitos prantos noturnos rebentos trouxe à luz separando-se o fogo.. 61. 60. ibidem. 21. destes ouve. 64. Sobrevém-lhe o desejo pela vista relembrando(-lhe). tendo parte.. SIMPLÍCIO. Muitos de ambíguo rosto e de ambíguo peito nasciam.. estes fogo faziam subir querendo ao semelhante chegar. IDEM. Natureza dos Animais. em parte raça de mulher de umbrosos membros ornada. de ambos. 18. IDEM. PLUTARCO. Da Geração dos Animais. nem ainda de membros amável forma mostrando (eles). uns se fizeram mulheres com frio deparando-se.. ELI ANO.. /. 62.. 20. 29. . e ao contrário surgiam humanos de cabeça bovina. 722 b 10.

.. 70.. GALENO. 73.... Part.. I. E como outrora Cipris a terra. quando a molhou em chuva. 8. 48. ibidem.. 34....... ad Hippocratis Epidemias... 75.. e por isso são negros e de membros mais fortes os homens. 334 B. V... PLUTARCO.. VIII. De quantos por dentro se fez denso e por fora ralo... 2.. .. 10.. formas diligenciando. em mãos de Cipris tal flacidez tendo encontrado. 25. 5. Hom.. como é que grandes árvores e em mar salgado peixes... ATENEU. e tartarugas de pétrea carapaça.. neles verás terra em cima de pele habitando..... 8. II. RUFO DE ÉFESO. 77-78.67. VI. tantas quantas agora existem conjugadas por Afrodite. 68.. ...pele de cordeiro... como é que de água....... PROCLO... de éter e de sol misturados nasceram formas e cores de mortais (coisas). 5.. SIMPLÍCIO... 28... ARISTÓTELES. Isto (é o que se dá) em pesadas conchas de habitantes do mar. PLUTARCO.. Comentário à República. Do céu. SIMPLÍCIO. a espécie sem voz conduzindo dos prolíficos peixes. De Nom.. No décimo dia do oitavo mês vira um branco pus. 2 p. Questões de Convivas. 4. 69... Pois no mais quente é gerador de macho o ventre. e mais peludos. 529. Questões de Convivas. de caracóis. 74. Do Céu.. Do Céu.. III. 530. 76. 229. 649 C. IDEM. 777 a 7. 71.. SIMPLÍCIO. ao rápido fogo deu para firmar.. Mas se sobre estas (coisas) era falha tua certeza.de duplo parto. de terra. Da Geração dos Animais. IV. ... 530. 72.. 2.

Vinho é a de casca. Por isso são tardias as romãs e suculentas as maçãs. ARISTÓTELES. 9.. 683 D. pelo ar temperado todo ano.. 731 a 1. e estas o sopro dos ventos impelidos dispersam. 82. V.. 98 D. mas a luz atravessando fora.. E assim põe ovos120 primeiro as grandes oliveiras.. . em madeira apodrecida água. quanto mais sutil é. Mas a flama propícia pouca terra I. . 8. 2 p... 23. por tormentosa noite flama de fogo brilhante. recebeu. I. 912 C. Destes formou infatigáveis olhos a divina Afrodite 120 SIMPLÍCIO. dispondo contra os ventos todos transparentes placas. PLUTARCO.. Do Céu. Da Geração dos Animais... 79. 3 p. IV. 85.. 2 p.. PLUTARCO. De Fortuna.. 331. rebrilha na soleira com infatigáveis raios. Meteorologia.. 84. 81. 86. Física. ARISTÓTELES. Questões Físicas. Trata-se de explicar que as árvores se reproduzem por si mesmas. maravilhosas. 21.mas em ouriços pontiagudas comas sobre o dorso se eriçam. 2 p. 437 b 23. PLUTARCO. e por passagens eram perfurados. Como quando um pensando em sair apronta uma lanterna. e... 3. As mesmas (coisas) cabelos e folhas e de aves penas cerradas e escamas vêm a ser sobre enrijecidos membros. ARISTÓTELES. SIMPLÍCIO... 80.Arvores sempre folhudas e sempre carregadas florescem com abundância de frutos. Da Sensação. 387 b 4. assim então em membranas retido primitivo fogo em finos tecidos emboscava-se. 529. Questões de Convivas.. 83. deitam grãos. menina em redoma...

87. SIMPLÍCIO, Do Céu, 529, 24. Ela em cavilhas de amor trabalhando, Afrodite... 88. ARISTÓTELES, Poética, 21. 1458 a 4. ...............uma só é de dois (olhos) visão. 89. PLUTARCO, Questões Físicas, 19 p. 916 D. Sabendo que de quantas (coisas) nasceram há emanações K). PLUTARCO, Questões de Convivas, IV, 1, 3 p. 663 A. Assim doce de doce se apossa, e amargo sobre amargo corre, azedo sobre azedo vai, e quente monta em quente. K ALEXANDRE DE AFRODÍSIAS, Questões, //, 23. Com vinho (água) é mais bem combinada, mas com óleo não quer. 92. ARISTÓTELES, Da Geração dos Animais, II, 8. 747 a 34. ... ao estanho o cobre misturado... 93. PLUTARCO, Da Deficiência do Oráculo, 41 p. 433 B. ao linho claro mistura-se o brilho da cochinilha. 94. PLUTARCO, Questões Físicas, 39. E a negra cor em fundo de rio provém de sombra, e é igualmente o que se vê em cavernosos antros. 95. SIMPLÍCIO, Do Céu, 529, 26. Em mãos de Cipris, quando eles primeiro cresceram juntos. 96. SIMPLÍCIO, Física, 300,19. Mas a terra amorosa em amplos recipientes, duas partes das oito recebeu de Nestis brilhante, e quatro de Hefesto; e os ossos brancos nasceram, pelo cimento de Harmonia divinamente ajustados. 97. ARISTÓTELES, Das Partes dos Animais, 1,1. 640 a 18. .................a espinha dorsal... 98. SIMPLÍCIO, Física, 32, 3. Mas a terra com estes quase igual encontrou-se, com Hefesto, com chuva e com éter resplendente, de Cipris ancorando nos perfeitos portos, quer um

pouco maior, quer entre maiores menor; destes sangue nasceu e várias espécies de carne. 99. TEOFRASTO, Da Sensação, 9. ............sino... ramo carnoso... E assim todos inalam e exalam: em todos há, sem sangue, canais de carne à superfície do corpo estendidos, e sobre os bocais destes com muitos poros está perfurada a extrema superfície da pele, de modo que o sangue contém-se, mas ao éter fácil passagem através se abre. Daí então quando sai precipitado o fino sangue, o éter borbulhante precipita-se em onda impetuosa, mas quando remonta, de novo exala-se ar, como uma criança com clepsidra brincando, de reluzente bronze: quando, o bocal do gargalo sobre a mão bonita pondo, no mole corpo ela mergulha da água prateada, nenhum líquido no vaso penetra, mas o impede a massa de ar, de dentro caindo sobre os muitos orifícios, até que ela destampa o fluxo comprimido; e em seguida, desde que o ar cedeu, penetra em parte igual a água. Assim também quando água ocupa o bojo do vaso de bronze, e é fechado o bocal por mão humana, e então a passagem, o éter de fora, dentro querendo passar, retém o líquido nas portas do gargalo estridente forçando os extremos, até que ela deixa com a mão, e aí de novo, ao contrário de antes, I enquanto ar invade retira-se em parte igual a água. Assim também o fino sangue agitando-se pelos ombros, quando refluindo sai precipitado para dentro, logo uma corrente de éter introduz-se em onda se lançando, mas quando remonta, de novo exala-se ar igual ao de antes. 101. PLUTARCO, De Curiós., 11 p. 520 E.

Partículas de membros mortais com o nariz farejando, quantas (seres vivos) deixavam dos pés sobre a relva tenra... 102. TEOFRASTO. Da Sensação, 31 A 36. Assim portanto respiração e olfato todos tiveram. 103. SIMPLÍCIO, Física, 331,10. Assim por querer de Fortuna todos (os seres) têm pensamento... 104. SIMPLÍCIO, Física, 331,13. E na medida em que os mais tênues se encontraram na queda. 105. PORFÍRIO, Do Estige, em ESTOBEU, Éclogas, 1, 49, 53 p. 424. Nutrido em mares de sangue que contra se precipita, e por onde mais se chama pensamento para os homens; pois sangue em volta do coração dos homens é pensamento. 106. ARISTÓTELES, Da Alma, III, 4. 427 a 21. De acordo com o presente inteligência cresce nos homens. 107. TEOFRASTO, Da Sensação, 10. Pois, destes,121 todos se constituíram harmonizados, e por estes é que pensam, sentem prazer e dor. 108. ARISTÓTELES, Metafísica, III, 5. 1009 b 18. Quanto se tornaram diferentes, tanto neles, sempre, o pensar diferentes (coisas) ocorre... 109. IDEM, Da Alma, /, 2. 404 b 8. Pois com terra vemos terra, com água vemos água, com éter divino, e com fogo aniquilante, afeição com afeição, e ódio com ódio lúgubre. 109a. Papyrus Oxyrhinchus, 2609, X/7/, 94. ... emanações... nos olhos como se fossem imagens. 110. HIPÓLITO, Refutação, VII, 29. Pois se, sob entranhas cerradas tendo-as firmado, bem disposto as contemplares com puros cuidados,
121

I, e., os elementos. Cf. fragmento 109.

estas (coisas) serão todas para ti pela vida presentes, e outras muitas a partir delas terás; pois de si mesmas crescem estas, cada uma ao (seu) modo, por onde é natureza de cada. Mas se a (coisas) alheias aspirares, quais entre os homens aos milhares se encontram, misérias que embotam seus cuidados, bem logo elas te deixarão revolvendo-se o tempo, à sua própria amiga origem desejando voltar; pois todas, sabe, têm consciência122 e de pensamento partilham. 111. DIÓGENES LAÉRCIO, VII, 59. E quantas drogas existem, defesa contra males e velhice, aprenderás, pois só para ti cumprirei tudo isto. Cessarás de infatigáveis ventos a força, os quais sobre a terra irrompendo em lutadas aniquilam os campos; e de novo, se quiseres, de volta os sopros retrarás; tu farás de uma chuva sombria uma oportuna seca para os homens, mas também farás de uma seca de verão aguaceiros que alimentam árvores, e do éter fluem, e de volta trarás do Hades a força de um homem morto. 2. PURIFICAÇÕES (DK B 112 — 148) 112. DIÓGENES LAÉRCIO, VIII, 62. Amigos, que a grande cidade na borda do louro Acragas habitais, na parte alta, em boas obras ocupados, abrigos veneráveis, a estrangeiros ignorantes, de maldade alegrai-vos; eu para vós um deus imortal, não mais mortal caminho entre todos cumulado de honras, como é minha imagem, de fitas coroado e de guirlandas floridas. Quando com estas venho às cidades florescentes, por homens e mulheres sou venerado; e eles me seguem,
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Phonesin. Cf. nota 1 da pág. 181.

milhares a se informar por onde é o caminho ao lucro, alguns carecendo de oráculos, e outros com doenças de toda espécie consultam para ouvir palavra de cura, longamente traspassados de pesadas dores. 113. SEXTO EMPÍRICO, Contra os Matemáticos, I, 302. Mas por que nisso insisto, como se grande coisa eu fizesse, se sou mais que os mortais, a muitas destruições sujeitos? 114. CLEMENTE DE ALEXANDRIA, Tapeçarias, V, 9. Amigos, eu bem sei que a verdade é presente em palavras que vou proferir; mas muito trabalhosa ela é construída para os homens e difícil contra o peito o impulso da fé. 115. HIPOLITO, Refutação, VII, 29; PLOTINO, Enéadas, IV, 8,1. É de Necessidade oráculo, de deuses antigo decreto, eterno, bem selado com amplos juramentos: quando um, por loucura, com sangue amigos membros manchou, e por ódio o que um falso juramento tenha feito, demônios que tiveram de partilha uma longa vida, dez mil estações eles longe dos abençoados erram, nascendo pelo tempo em toda espécie de formas de mortais, que penosos caminhos de vida permutam entre si. Pois força de éter os persegue em direção de mar e mar em solo de terra os vomitou, e terra em raios de sol luminoso, e este os atirou em turbilhões de éter; outro de outro os recebe, e os odeiam todos. Destes também eu agora sou, dos deuses banido, errante, em furioso ódio tendo confiado. 116. PLUTARCO, Questões de Convivas, ÍX, 5 p. 754 C. ...........Graça odeia intolerável Necessidade. 117. DIÓGENES LAÉRCIO, VIII, 77.

Já com efeito eu outrora fui menino, menina, arbusto, passarinho e, do mar saltando, mudo peixe. 118. CLEMENTE DE ALEXANDRIA, Tapeçarias, III, 14 Eu chorei, e gemi quando vi insólito lugar. 119. IDEM, ibidem, IV, 12. De que honra e de quanta grandeza de sorte... (fui exilado) 120. PORFÍRIO, De Antro Nymph., 8. Chegamos sob este antro coberto... 121. HIEROCLES PYTHAGOREUS, ad. c. aur. ....................terra sem alegria, onde Assassínio, Rancor e demais raças de Keres,123 ressecantes Doenças, Podridões, obras dissolventes sobre a campina de Ate pelas trevas andam errantes 122. PLUTARCO, Da Tranqüilidade da Alma, 15 p. 474 B. Lá estavam Subterrâneas e Vista-de-Sol que ao longe vê, Batalha sanguinolenta e Harmonia de manso olhar, e Belíssima e Feia, Rápida e Demorada, Infalível amorosa e, de negras pupilas, Incerteza. 123. CORNUTO, Epidrom, 17. E Crescença e Decrescente, Bem-

dormida e Vigília, Movida e Inamovível, e de muitas coroas Máxima e Baixeza, Silente e Dotada-de-Voz. 124. CLEMENTE DE ALEXANDRIA, Tapeçarias, III, 14. Ai, ai, mísera raça de mortais, desafortunada, de tais contendas e de tais gemidos nascestes! 125. IDEM, ibidem, III, 14. Pois de vivos ele punha cadáveres, formas trocando. 126. PLUTARCO, Sobre o Comer Carne, 2, 3 p. 998 C; Porfírio, em ESTOBEU, Éclogas, I, 49.
123

Divindades da morte.

De uma túnica de carne revestindo que lhes é estranha. 127. ELIANO, N. H., XII, 7. Entre animais, leões em monte recolhidos, a dormir no chão, eles se tornam, e loureiros entre árvores e belas copas. 128. PORFÍRIO, Da Abstinência, II, 20, em TEOFRASTO, Da Piedade. Nem para aqueles era algum deus Ares, nem Kydoimos, nem Zeus soberano, nem Cronos, nem Posidão, mas Cipris, rainha.................... Esta com piedosas oferendas propiciavam, com pinturas de animais e perfumes de rica fragância, com oblações de mirra pura e de incenso perfumado, libações de mel dourado derramando sobre o solo; e com puro sangue de touros não se aspergia altar, mas isto era uma mácula, a maior entre homens, arrancar uma vida e devorar nobres membros. 129. PORFÍRIO, Vida de Pitágoras, 30. E vivia entre aqueles um homem de extremo saber, que o maior tesouro adquiriu de entranhados pensamentos, em toda espécie de obras sábias altamente capaz; pois sempre que se retesava em todas as entranhas, fácil ele de todos os seres se punha a ver cada um, não apenas em dez, mas em vinte tempos de vida humana. 130. Escólio a Nikandros, Theriaka, 452 p. 36, 22. E mansos eram todos e inclinados para os homens, feras e pássaros, e amizade sentida era acesa. 131. HIPÓLITO, Refutação, VII, 31. Pois se por um dos seres efêmeros, imortal Musa, nosso empenho te empenhaste em que por senso fosse, ao que agora suplica de novo assiste, Calíope, que sobre deuses venturosos bom discurso à luz expõe. 132. CLEMENTE DE ALEXANDRIA, Tapeçarias, V, 140.

nem com nossas mãos pegá-lo. antes que em horríveis atos pensasse. e surdo aos próprios clamores. IX. 22.1. erguendo-o. grande tolo. degola fazendo uma prece. De forma mudado o próprio filho o pai.Feliz o que de entranhas divinas adquiriu tesouro. Ai de mim. ágeis. nem vergonhas peludas. 31. nem pés. SEXTO EMPÍRICO. as próprias carnes devoram. de com lábios devorar. 127. 136... e mísero o que sobre deuses obscura opinião mantém. e se perturbam o suplicante sacrificando. Não ireis parar com matança de sinistros ecos? Não vedes que uns aos outros vos devorais em desmazelos de mente? 137. Retórica. IX. 129. feita a degola. 13. IDEM. E assim mesmo o filho agarra o pai e as crianças a mãe. ARISTÓTELES. Da Abstinência. ibidem. Comentário à Da Interpretação. 134. PORFÍRIO. nem ágeis joelhos. por onde justo a mais larga via de persuasão para os homens cai no peito.. IDEM. com o bronze lhes . mas peito sagrado e inefável ele se volve só. Pois nem com humana cabeça ligada em membros avulta. ARISTÓTELES. prepara em casa infame festim. 2457 b 13.. em pensamentos pelo mundo todo lançando-se.. AMÔNIO. 133. 81. II. 249. tirando. 138. 1373 b 6. 135. I. nem a partir de um dorso dois ramos irrompem. 139.. Não é (possível) acercar-se (o divino) nos olhos chegado. Mas o que é lei de todos por éter que vasto domina continuamente estende-se e por imensurável luz. e a vida lhes arrancando. Poética. ibidem. que não mais cedo me destruiu inelutável dia. V.

PLUTARCO.. 646 D.. bem como expressões parenéticas. ibidem. médicos e príncipes entre os homens sobre a terra se volvem. IDEM.. GEORG W. de Ernildo Stein No QUE SE refere à sua filosofia. indestrutíveis. Volumina Hercul..ser jejuno de maldade. De Como Coibir a Ira.. 150.. pobres míseros... Tapeçarias. TEO DE ESMIRNA. 2 p. 144. 11. IV. . na mesma mesa sendo.. versados em canto. C — CRÍTICA MODERNA 1. 142. 2012 col. E por isso que em penosas maldades agitados jamais de míseras dores aliviareis o peito. N.. CLEMENTE DE ALEXANDRIA.. 18.. p.. foram-nos conservados muitos pensamentos singulares sobre a física.. 122.. 27. 146. Míseros... 464 B. 9. 145.. .2 p. V. Este.. PLUTARCO. Exortação. IDEM. 683 E. não o acolhe nem o paço de Zeus porta-égide nem jamais o de Hades. 143. 7. De folhas de loureiro totalmente abster-se. De cinco fontes cortando em bronze inflexível.. E por fim adivinhos. IV... AULO GELIO. HEGEL Trad. 147. Questões de Convivas. 16 p. donde renascem como deuses em honra supremos. 8.. V.140.. F.. longe de favas ter as mãos.terra que envolve homem.. PLUTARCO.. Questões de Convivas. de humanas dores isentos.. Noites Aticas.. 15. III... nele . 141. 2. 1. Dos outros imortais no mesmo lar. 148.

água. de sua filosofia não se pode fazer grande coisa. sob o ponto de vista sensível. seu pensamento geral:124 "Empédocles acrescentou aos três elementos" (fogo. 124 Metafísica. Sofre a Geração e a Corrupção." Carbono. nisto não se esconde nenhuma intenção metafísica. água.. provindo também de uma unidade. antes o pensamento concebido como o universal. segundo o mais e o menos. Ele é a causa da representação corrente que chegou até nós e que considera como elementos fundamentais os quatro elementos físicos — fogo. metais etc. 3. não são entes em si e para si. .1. ar. assim os quatro elementos não são mais aceitáveis. No que se refere ao conceito determinado que a domina e nela começa a surgir de um modo essencial. Em Empédocles. 1. isto não é o caso: ele diz que cada coisa surge de algum modo da combinação dos quatro. A unidade dos opostos (o conceito que se revela em Heráclito) em seu repouso é para a representação como mistura. síntese. porém. Nele encontramos menos profundidade especulativa que em Heráclito. dizendo que estes elementos são os que sempre permanecem e nunca devêm mas que são unidos e separados. Vou expor agora brevemente seu pensamento. Primeiro se oferece a mistura como unidade dos opostos. pois. terra. que permanecem e não devêm.parece que a penetração do pensamento na realidade e o conhecimento da natureza chegaram a uma maior amplitude. ar. que antes eram considerados como princípio disto ou daquilo) "ainda a terra. Os químicos entendem por elemento algo quimicamente simples. 1. Estes quatro elementos em nossa representação comum não são aquelas coisas sensíveis quando os consideramos como elementos universais. mas 0 conceito mais se aprofunda na perspectiva real — uma formação da filosofia da natureza ou da consideração da natureza. Aristóteles resume assim. como o quarto elemento. em poucas palavras. trata-se da mistura. numa unidade. Os muitos aspectos fragmentários que nos são relatados juntaremos na unidade de um todo.

torna-se imediatamente evidente que são elementos de outra natureza: são propriamente algo universal. e não apenas como Empédocles disto fala. Sob o conceito de bem deve-se entender aquilo que é fim em si e para si mesmo. o que é absolutamente firme em si mesmo. por exemplo. Isto. ele diz que 125 Metaf. Por isso gostaria de tê-lo encontrado em Empédocles. I. a falta de um princípio do movimento. nos antigos. deve-se então dizer que a amizade é o princípio do bem. aparecerá apenas em Anaxágoras. Aristóteles já sentiu a ausência do princípio do bem em Heráclito. . e em primeiro lugar. diz ainda Aristóteles125 que Empédocles (bem como Heráclito). a) "Se se quiser tomar isto em suas conseqüências e segundo o entendimento. como na unidade de forma do ser e do não-ser). reside nisto o sobressumir da representação sensível no pensamento. Cito as observações que sobre isto faz Aristóteles. de maneira tal que se poderia dizer que Empédocles é o primeiro que afirma que o mal e o bem são princípios absolutos porque o bem é o princípio de todo bem e o mal o princípio de todo mal. mas para um outro. é apenas o conceito ou o pensamento que é imediatamente para si em si mesmo (o que é em si não é para si. além disto. Já vimos estes dois elementos em Heráclito.existem ainda outras coisas sensíveis. 1. não apenas utilizou os quatro elementos como princípios." Aristóteles aponta nisto os vestígios do universal. enquanto uma simples e pura terra não é. Ao ouvirmos falar dos quatro elementos. mas a inimizade é o princípio do mal. terra enquanto uma. mas também "amizade e inimizade". Mais de uma vez já observamos que Aristóteles sente. um tal princípio ainda não vimos.. Pois a ele importa o conceito de princípio que é em si e para si mesmo. porém. mas ela é enquanto múltiplas determinações. é de outra natureza. No que se refere ao conceito abstrato de sua relação mútua. Nele aparecem os quatro elementos naturais como os reais e como os princípios ideais à amizade e inimizade. possui ele assim seis princípios. Tudo que é orgânico.

do que permanece igual a si. Mas Aristóteles nomeia um princípio ainda mais profundo. sem fim. fixo em si e para si. O tornar-se um é. unir e separar. o absolutamente para si. torna-se necessário que. o que se imobilizou num lado. se o todo se separa nos elementos pela inimizade. do conceito. Este princípio nós o encontramos em Heráclito no movimento do devir. O fim é o conceito. o conceito. Mas Aristóteles diz ainda sobre a relação mais próxima e a determinação destes princípios. a amizade separa e a inimizade une. são determinações muito importantes do pensamento. que assim se objetiva e em sua objetividade é idêntico consigo mesmo. o fim. do que se autoconserva. possui ele ainda a determinação da atividade. pois." Pois eles são quatro: tudo está. O separado. ele . diz ele que Empédocles apenas titubeia. muitas vezes. ao mesmo tempo. mas. nele. se concentra novamente numa unidade. ele polemiza desta maneira contra Heráclito com bastante violência porque nele só encontra mudança. o bem é aquilo que é em vista de si mesmo. do realizar-se do fim em si mesmo. portanto.não se pode conceber a mudança a partir do ser. é ele mesmo algo unido em si — é sua autonomia. através da amizade. Se expressarmos o fim (o bem) como o verdadeiro. porém. o fogo se unifica em um. "Se tudo. pois. b) Estes dois princípios universais. nem retém neles mesmos sua determinação (exeurískei tò homologoúmenon). ao mesmo tempo. através disto. que estão unidos no universo. que é em si e para si — fim que se determina para si mesmo e assim é. através do qual todo o resto é. é união entre si das partes de cada elemento. A separação dos elementos. Aristóteles nota em Heráclito a falta do princípio do fim. A separação é. o em vista de. com a mesma necessidade. lamentando que "Empédocles nem faz uso destes princípios da amizade e inimizade de maneira penetrante. bem assim como cada um dos outros elementos". que a si mesmo determina. Isto ele pensa encontrar agora aqui. assim ele é o verdadeiro. numa relação diversa. união. sem um retorno. é ele assim a idéia. as partes novamente sejam separadas. de cada elemento autônomo. a atividade de autoproduzir-se.

o concentrar-se em um é ao mesmo tempo um separar-se. . o fogo. Mas Aristóteles ainda acrescenta: "Ele não utiliza a estes como quatro". § 120. 4. como uma natureza (hos mia physei) — terra. que nos conservaram tanto Aristóteles como Sexto:128 Com a terra vemos a terra. e com fogo.. aliás. Este ainda observa: "Empédocles foi o primeiro" (Empédocles é mais moço que Heráclito) "que afirmou tais princípios quando pôs o princípio do movimento. III. XII. E assim que os vemos muitas vezes enumerados. um separado. de maneira alguma. d) No que se refere à relação dos dois momentos ideais amizade e inimizade. o amor. a luta. Sexto Empírico.. ar. I. com a triste luta. 10. Acontece isso. I. como entes da mesma dignidade. com a água. c) Já dissemos que os momentos reais são os quatro elementos conhecidos. com toda determinação: ela deve ser o oposto em si mesma e deve apresentar-se como tal. E uma consideração profunda que. § 303. Com o amor. Ele não os distinguiu devidamente. separação sem união. § 10. e aos quatro elementos reais (modo como este ideal se realiza).. mas é óbvio por si mesmo que Empédocles 126 127 128 Aristóteles. e os outros. em si. Contra os Matem. colocados um ao lado do outro. possa haver união sem separação. 1. § 92. VII. assim que nele aparecem seis elementos (como Sexto127 muitas vezes fala dos seis elementos de Empédocles) em versos. mas como diversos e opostos". um ao lado do outro. "mas em oposição como dois. água". a água. IX. como Aristóteles se expressa. Com ar. X. um múltiplo. sem relação recíproca. Contra os Matemáticos. É uma crítica de Aristóteles que reside na natureza das coisas. § 317. O mais interessante seria a determinação de sua relação. indiferentes. III. mas não podem ser separadas. identidade e não-identidade são tais determinações do pensamento. o eterno fogo. 121.mesmo. Metaf. mas os coordenou126 — nenhuma relação racional. sobre isto ele titubeou. 8. VII. portanto. como quando nós dizemos quatro. Metaf. Aristóteles. divino ar. não como um.

segundo o princípio da terra. I. a alma mesma. mas o elemento característico é justamente o fato de ele ter representado sua unidade como mistura. ao processo deste três elementos. mesmo em sua diversidade. segundo sua opinião. Sobre a Geração e Corrupção.105-108.também distinguiu ambos os modos. ser-relacionado.1. segundo o princípio da água. na qual estariam como elementos. por exemplo. e afirmou o pensamento como a relação deles. a mesma tonalidade dos elementos129 — relacionando-se com a terra. mas a unidade determinada do mesmo. não o tendo. 4. de passagem. 1. sua separação — não a unidade universal. 1. que é o verdadeiro fogo. compreendido mais profundamente. como a oposição dele. sua universalidade — isto é algo simples.130 União e separação são as relações absolutamente indeterminadas. Aristóteles cita131 a): "Não é uma natureza una. segundo o princípio do amor. . não chamamos ainda natureza. a mistura de elementos 129 130 131 Aristóteles. mas apenas uma mistura e separação do misturado. imediatamente um. Nisto reside a representação de que o espírito. a natureza de um animal é sua determinação permanente e essencial. é a unidade. em parte. e em sua unidade imediatamente separados. II. 2. é para este fogo que está em nós. em parte. permanecem separados. 6. Empédocles. no outro lado. Mas a natureza neste sentido é supressa por Empédocles. os outros três. 1. E chamada natureza apenas pelos homens". já dissemos que ele coloca o fogo de um lado e. Física. Referindo-nos à relação destes momentos reais. é posta a unidade dos elementos. Pois cada coisa é. o real e o ideal. seu gênero. porém. Quando vemos o fogo. Estratos de Física. mas ambos estes elementos. Pela participação neles tornam-se para nós. Pois aquilo de que algo se constitui enquanto seus elementos ou partes. do mesmo modo. e de outro. Da Alma. Referese também. Nesta ligação sintética — relação superficial sem conceito. Aristóteles. com o amor. com a água. também não-ser-relacionado — manifesta-se então necessariamente a contradição: de um lado. unidade e diversidade.

a multiplicidade. porém. o verdadeiro. o simples em si — não como nós o expressamos. eles são enquanto passam para o outro. outra fogo etc." Pois aquilo de que se originam os elementos é. um. portanto. III. por exemplo. Enquanto o um não é um. b) Enquanto esses elementos. e. sua unidade. é posta.. são. quando o designamos natureza. mas sim. Eles não são em si. do mesmo modo água em sua unidade. ele também 132 133 Aristóteles. que uma coisa se torna água. ela mesma. deste modo. Este um.132 Aristóteles designa natureza o fato de algo mover-se segundo o seu fim próprio. assim também não deve ser. tempos depois. Se retirarmos estas diferenças determinadas (e elas podem ser retiradas. É com razão que Aristóteles133 diz que Empédocles contradiz a si e aos fenômenos. Sobre a Geração e Corrupção. mas. não estaria posto propriamente nenhum processo dos mesmos. pois num processo são. portanto. "de maneira que não é claro (ádelon) se ele afirmou propriamente o um ou o múltiplo como essência". aquilo através do qual água é água. nisto mesmo. "É assim que. mas isto contradiz o fato de que são elementos absolutos. através destas diferenças determinadas e destas qualidades. portanto. 3. como a terra. pois uma vez ele afirma que nenhum elemento emana do outro. Enquanto se tornam um. . já que se originaram — não em si). é posto por ele: as coisas constituem-se destes elementos. Melaf. provindo desta unidade. deixa que se torne um todo através da amizade. esta representação tem sido. que dela surge. através da luta. apenas momentos que desaparecem e não elementos que são em si. ao mesmo tempo. mas. contra a origem destes. seriam imutáveis. em si. entes em si. ao mesmo tempo. mas que todo o outro provém deles. sem dúvida. então se torna manifesto que a água surge na terra e vice-versa. não é o universal. ou de que são em si. sua determinação. lentamente perdida. I. a água + terra + ar + fogo. simultaneamente. Assim. ou não podem constituir-se em um. não é em si. pois no um sua subsistência (ou seu ser em si) se suprime. Considerava as coisas reais como uma mistura de elementos. é.simples. emana da água. 1.

não estão na realidade. (Preleções sobra a História da Filosofia. ofereceu um touro feito de farinha e mel. Esta é a natureza da representação sintetizadora como tal. aparentemente. Sempre se fazia acompanhar de servidores. sou venerado por todos. tratava-se apenas de uma reforma dos ritos sacrificiais. 346-353) 2. não é de grande interesse. mas os momentos singulares não existem como conceitos que se opõem. em Olímpia fez sensação. outros fórmulas que curem tantas doenças das quais sofreram os cruéis . não conseguindo unir ambos os pensamentos. A síntese de Empédocles pertence a Heráclito como uma complementação da relação. mal chego às cidades florescentes. Em sacrifício de vitória. para não infringir seus princípios. para aprender o caminho da salvação. me seguem. um processo. Tentou. O conceito de síntese de Empédocles ainda se faz valer até os dias de hoje. na realidade como tal. mas é como deus imortal que passo entre vós. evidentemente. venerado por todos. Apresentavase vestido de púrpura. aos milhares. E. homens e mulheres. Empédocles é mais poético que claramente filosófico. ora a multiplicidade. Em Olímpia incumbiu um rapsodo de cantar seus catharmes que começavam por uma apóstrofe a seus amigos de Agrigento: "Adeus! Não é mais como mortal. alguns pedindo oráculos. Usava os cabelos longos. ornado de bandeirolas e de verdes guirlandas. de Rubens Rodrigues Torres Filho EMPÉDOCLES É DE família agonal. Friedrich Nietzsche Trad. Estes são os momentos mais importantes.novamente pensa que tudo se origina do um através da amizade e inimizade. com sandálias de bronze nos pés e uma coroa délica na cabeça. como é justo. pp. um é supresso e também não um. seu rosto era imutavelmente sombrio. converter todos os gregos à nova maneira de viver e filosofar dos pitagóricos. A idéia especulativa de Heráclito é também. cingido de ouro. que a falta comum de capacidade de pensar ora procura reter a unidade.

Mas por que demorar-me nessas coisas. depois de ter fracassado em Agrigento. pois. proclamar num mundo de ódio o pensamento da unidade e levar um remédio a todos os lugares onde aparece a dor. a derrota dos pitagóricos está manifestamente em relação com o banimento de Empédocles e com sua morte no Peloponeso. o contemporâneo de Esquilo. A unidade dos viventes é o pensamento parmenidiano da unidade do ser. pois. deve ter cometido. quando estou tão acima dos miseráveis mortais!" Procurou. escolheu a vida de profeta errante. como se tivessem importância. Ele é o filósofo trágico. Ele sofre por viver neste mundo de tormento e contradição. seu pensamento básico é levar os homens à "sociedade de amigos". uma simpatia profunda com toda a natureza e uma compaixão transbordante aliam-se a ele. dos pitagóricos. um perjúrio. conseqüência do ódio. Em 440. Queria fazer os homens passarem por uma purificação inaudita. é bem possível que ele não tivesse relação direta com os pitagóricos. Além disso. ele está na mesma relação com o misticismo pitagórico e . a reforma social e a abolição da propriedade. que se desenvolveram nessa época (mas não na Sicília). Sua existência em tal mundo só pode ser o resultado de uma culpa. o assassínio do que nos é próximo. explicando que comer carne é uma espécie de autofagia. os pitagóricos. A finalidade de sua existência parece-lhe ser sanar os males causados pelo ódio.tormentos. retiram-se em Rhegium. Com efeito. os deuses. mas um pessimismo ativo e não quietista. Sua influência está no domínio das influências pitagóricas. expulsos de toda parte. Se suas opiniões políticas são democráticas. foi acusado de ter traído o segredo essencial da seita. quer. os homens e os animais. inculcar em todos a unidade de tudo o que vive. um crime. um assassinato. só pode explicar-se sua presença nele pelo efeito de uma culpa. O que mais surpreende nele é seu extraordinário pessimismo. mais tarde. Sua eloqüência se resume no pensamento de que tudo o que vive é um. sob uma forma infinitamente mais fecunda. Para fundar o reino exclusivo do amor fraternal. em alguma época desconhecida.

Maldiz o dia em que tocou com os lábios o alimento sangrento. sua mácula pelo assassinato. Physo e Phtimesse (natureza e destruição). Empédocles põe toda a sua virulência na descrição dessa ignorância. o mar os repeliu para a terra. a mais forte resistência ao instinto da discórdia. e este os lança de volta ao éter. Déris e Harmonia. ser deuses decaídos e punidos. de que discórdia. E nesta que aparece com a maior evidência a tendência das partes .órfico que Anaxágoras com a mitologia helênica. mas todos os odeiam. Os homens são fracos. A vida sexual lhe parece o que há de melhor e de mais nobre. isso parece ser seu crime. Eles parecem. Só consideram como verdadeiro o obstáculo contra o qual se batem. mas cada um se vangloria de ter encontrado o todo. de sofrimento e de conflito. E racionalista e. Vincula esses instintos religiosos a explicações científicas. Está fundada sobre o antagonismo de uma turba de demônios. Descreve o sofrimento dos criminosos primitivos: a cólera do éter os precipitou no mar. ele só descobre um princípio que lhe garanta uma ordem do mundo inteiramente diferente: é Afrodite. das doenças. A terra é uma caverna sombria. morada do assassínio. oh vaidade! Pois o todo não está destinado a ser visto nem entendido pelos homens. Debatem-se ao longo de um pequeno fragmento de uma vida invisível. tornar-se mortais: "O raça infeliz e desafortunada dos mortais. a soma da infelicidade os ameaça e os aturde. Assim cada um os recebe das mãos do outro. em cuja realidade acredita tanto quanto na dos homens. mas não como princípio cósmico. nem captado pela inteligência. Thoosa e Dénaie. de onde caiu: "Eu chorava e me lamentava quando vi esse lugar insólito". todos a conhecem. Nesse mundo de discórdia. Calisto e Aischré. da podridão. pensa e suspira pelos cimos de honra e felicidade. por essa razão. odiado pelos crentes. a terra os atira para as chamas do sol. do rancor e das outras Keres. Nemerte e Asapheia. enfim. portanto. de que lamentações provieste!" Os mortais lhe parecem. a pradaria da infelicidade. depois um destino prematuro os carrega e os dispersa como uma fumaça. Ele mesmo se sente um deus no exílio. Sem contar que admite ainda todo o mundo dos deuses e dos demônios.

comparando-o com Anaxágoras. ele não tem cabeça erguida acima dos membros. é assim que ele crê em todos os deuses. como pensa Anaxágoras. desde que seja afetado de ódio ou de amor. mas também uma força hostil que as separa brutalmente. o amor por meio do amor. esses dois instintos estão em luta. Storge. Mas basta para tornar compreensível todo movimento. peixe. A mola íntima dessa tendência é a nostalgia do semelhante. Harmonia. A philía quer triunfar sobre o império do neikos. o éter por meio do éter. o ódio por meio do ódio. arbusto. A migração através de todos os elementos corresponde. O que o torna difícil de compreender é que nele o pensamento mítico e o pensamento científico avançam lado a lado. Ora. rapaz e moça. na medida em que o ser experimenta a terra por meio da terra. a união dos semelhantes engendra a alegria. a expressão mítica dos pitagóricos. não tem ramos brotados do tronco dos pés nem joelhos rápidos nem sexo: foi criado somente como um espírito. ele monta dois cavalos de uma vez. Vemos aqui. ele a chama de Philotes. que ele tende a admitir um . Cypris. Sua interpretação de Apoio é a mais notável de todas. Esse espírito não é o motor do movimento. o verdadeiro pensamento de Empédocles é a unidade de tudo aquilo que se ama: há em todas as coisas um elemento que as impele a se misturar e a se unir. Aqui e ali a alegoria já é perceptível no lugar do mito. Todos os deuses. phrén. Aphrodite. vieram a ser e não são eternos (são apenas makraiónes). E um castigo terrível estar sujeito ao ódio. o próprio Empédocles se lembra de ter sido pássaro. à metempsicose de Pitágoras. em tais casos.separadas a se reunirem para engendrar outro ser. Essa luta produz todo o vir-a-ser e toda a destruição. saltando de um para outro. além de tudo. Ele usa. pois ele vê neste o espírito: "Não é possível aproximarse dele nem tocá-lo com as mãos. a união dos díspares engendra a dor. santo e indizivelmente grande. na ordem da natureza. a água por meio da água. mas são os elementos da natureza que ele designa desse modo. cujos pensamentos rápidos percorrem o mundo". Aquilo que se pertencia foi separado e aspira a se reunir.

o prazer e a dor. de atos psíquicos. O amor. um ser rígido. sempre guiados pela afinidade dos semelhantes. seja ele qual for. Empédocles substitui o Nous indistinto pela philía e pelo neikos. tudo resulta deles. Somente eles podem mover. os fenômenos últimos da vida lhe bastam. mas constantemente e em toda parte. invariáveis. não uma vez. mesmo o pensamento. enquanto Anaxágoras atribuía ao Nous somente o desencadeamento do movimento e concebia os movimentos subseqüentes como efeitos indiretos. para explicar o movimento. Tais são as forças motrizes. mas em unir. cria corpos de touro com cabeças humanas. Os sistemas materialistas jamais abandonaram essa idéia. Sem dúvida suprime assim todo movimento mecânico. só é possível explicá-lo a partir de impulsões. nas uniões que realiza. Pouco a pouco os membros se reúnem mais harmoniosamente. Empédocles encontra somente quatro realidades verdadeiras: a terra. seres ao mesmo tempo machos e fêmeas e todos os monstros possíveis. homens com cabeças de touro. pois como poderia uma coisa morta. Enquanto Anaxágoras admitia que todas as qualidades são reais. o Nous lhe parece ainda demasiado complexo e demasiado pleno. o fogo. indestrutíveis. agir sobre outro ser rígido? Não há explicação mecânica do movimento. de nenhum Nous. Esses quatro elementos primordiais contêm em si toda a . Mas seu problema capital consiste em fazer nascer o mundo ordenado destes instintos opostos. portanto eternas. Temos uma aplicação particular dela na teoria de Darwin. não se preocupa em adaptar. Quando se apoderam dos elementos. Isso era lógico. a água e o ar. mas aquilo que é movido são os seres tais como os imagina Parmênides: que não vieram a ser... Acasala tudo. ele se contenta aqui com o pensamento grandioso de que. mais precisos. a boa adaptação determina o número dos seres existentes. por serem os resultados dos instintos de atração e de repulsão. pode-se encontrar algumas que sejam bem formadas e aptas para a vida. entre as inumeráveis formas monstruosas e impossíveis da vida.mínimo de Nous. sem o auxílio de nenhum fim.

o semelhante deseja o semelhante. só então a philía se produz.matéria. quando um corpo nasce de outro. E preciso que os corpos sejam misturados ou conformados de tal modo que sejam análogos e se correspondam. aquilo que não se pode misturar se odeia. Em seguida. Pois Empédocles viu com razão que dois seres absolutamente diferentes não podem exercer um sobre o outro nenhum efeito de choque. há apenas um amálgama de partículas. somente philía e neikos . A física se prendeu a isso durante dois mil anos. admitido por Anaxágoras. mas só levam a um resultado mecânico. curiosa mistura de noções materialistas e idealistas. mas as substâncias se desprendem de sua combinação primitiva. não mais em número infinito. diz ele. que penetram nos orifícios do outro corpo. Vemos aqui uma sobrevivência de Anaxágoras: todas as coisas são somente uma amálgama de matérias primordiais. Mas ele não foi bem sucedido em reencontrar em toda espécie de movimento ulterior essa força motriz primordial. Mas o que forma as coisas é. que não pode aumentar nem diminuir. Todos os movimentos. os corpos de mesma espécie e fáceis de misturar são corpos amigos. apesar disso. em direção ao que lhe é semelhante. mais eles serão capazes de se misturar. Nenhuma combinação pode alterar suas qualidades. Os verdadeiros motores são sempre philía e neikos. mas somente de quatro homeomerías. Se dois corpos estão substancialmente separados um do outro e se. isso se produz pelo destacamento de partículas minúsculas e invisíveis. Quanto mais os orifícios de um corpo correspondam exatamente aos eflúvios e às partículas de um outro. anánke e não inteligência. agem um sobre o outro. Inversamente. nasceram de maneira não mecânica. segundo Empédocles. só conhece uma tendência. isto é. mesmo quando a mistura é total. eles só se misturam quando as partículas de um corpo penetram nos interstícios que separam as partículas de um outro. ação dos Nous e movimento de choque. há uma relação necessária entre seus efeitos e a forma das coisas. A philía também é obtusa. na origem. uma tentativa de abolir esse dualismo do movimento. assim. não se transforma nesse outro.

pai de toda ação simultânea. No Sphairos reinam. ou a philía se produz na analogia? De onde vem. pois. a harmonia e o repouso. Esse pensamento absolutamente não está de acordo com o de uma época paradisíaca da humanidade. ele o nega. isto é. Se se imagina o neikos agindo sozinho. A conclusão é que. depois o ódio começa a se agitar e tudo se dispersa em todos os sentidos. por exemplo a teoria das formações fortuitas. O domínio do acaso não é definido. não se produzirá de novo nenhum movimento. depois de uma separação absoluta tudo voltará à imobilidade. no princípio. em seguida. no fundo. nem mesmo com a cosmogonia de Empédocles. de todas as combinações absurdas possíveis entre os elementos. não explica nada: não se sabe nem qual das duas forças prevalece nem quanto prevalece. das quais algumas são bem adaptadas e viáveis. Como a força da philía e dos neikos não se deixa medir. A teoria das aporrhoai supõe um espaço vazio. Mas nem tudo ficou claro: a analogia é uma conseqüência da philía. sua grandeza consiste em ter preparado o atomismo estrito. como Anaxágoras. depois de um curto movimento simultâneo tudo se imobiliza de novo. se imagina a philía agindo sozinha. forma-se um turbilhão em que os elementos se misturam e produzem os diversos seres naturais. Aliás. então. como únicos princípios motores. que esses dois princípios estejam em luta. Certamente é pessimismo pensar que a terra é apenas o campo de ação do neikos. não há um verdadeiro acordo entre as diversas concepções de Empédocles: a pluralidade das coisas é atribuída tanto à philía quanto ao neikos. É preciso então que se alternem os períodos de preponderância de um ou de outro. a analogia? Há evidentemente germes de uma concepção puramente atomística e materialista em Empédocles. E preciso. Pouco a pouco o ódio diminui e dá lugar ao amor etc. Ao contrário. o amor age. ele ultrapassou de longe Anaxágoras. Empédocles.agindo. glorificando o pólemos. ora. Ele se aproxima aqui de Heráclito. .

prolongada metodicamente. e quase sempre oferece esse rosto equívoco. Empédocles mantém-se constantemente nesse limite. à inclinação e à aversão. tendo inventado as aporrhoai. Demócrito considerava suficiente admitir o peso e a forma. impenetrável. vol. Empédocles descobriu todas as concepções fundamentais do atomismo. em O Nascimento da Filosofia na Época da Tragédia Grega. democrata. inexplicável. Médico ou mago. da hipótese fundamental das ciências naturais dos antigos que. ele flutua entre dois. A hipótese da gênese da adaptação era particularmente brilhante. assim como a vimos nas ciências modernas da natureza. 113-121) . pp. Anaxágoras havia recorrido somente uma vez ao reino inexplicável do Nous. homem de ciência. Somente em um ponto desafiou Anaxágoras sem vencê-lo. Se se remete todo movimento à ação de forças impalpáveis. deus ou homem. o homem agonal. (Obras. do orgíaco. ele é. isto é. ao propor seus princípios da philía e do neikos para eliminar a dualidade do movimento. É a figura mais matizada da filosofia antiga. Dois séculos se defrontam nele. orador. Do mesmo modo. e mesmo assim não se satisfaz. põe fim à idade do mito. criador de alegorias. ultrapassa a si mesma. 189-201. dos pés à cabeça. homem de Estado ou sacerdote. da tragédia. Pitágoras ou Demócrito. como fez Demócrito. era preciso admitir o vazio.Faltava ainda deduzir uma conseqüência natural: remeter esse poder da philía a uma força latente nas coisas. E assim que. racionalista. mas ao mesmo tempo surge nele a imagem do grego mais moderno. Empédocles admite constantemente um tal reino. irracional. a ciência se dissolve em magia. poeta ou retórico. ele leva decididamente a melhor. XIX. pp. sábio ou artista. na rivalidade com Anaxágoras.

porque os fragmentos que chegaram até nós representam o mais antigo testemunho escrito sobre a doutrina pitagórica. Pois delas as (constituídas) de (elementos) limitados . 2. VIU. ESTOBEU. Foi mestre de Demócrito e de Arquitas. pelos meados do século V a. Borges SOBRE A NATUREZA (DK 44 B 1-19) 1. nem do ilimitado. 21. é claro então que do limitado e do não limitado o cosmos e as coisas (existentes) nele são constituídos. Evidenciam-no também as (coisas que são) nos atos. A . fato que se reveste da máxima importância. DIÓGENES LAÉRCIO. 7 a. e floresceu pelo fim do século. obrigado pela pobreza. Mas limitadas somente (ou apenas ilimitadas) não poderiam ser.C. 85. que o teria adquirido por quarenta minas. escreveu um livro sobre a doutrina pitagórica. ou limitadas e ilimitadas. V A.C) DADOS BIOGRÁFICOS SABEMOS MUITO pouco deste pitagórico do sul da Itália. como evidentemente não são na totalidade nem do limitado. Diz-se que. Filolau nasceu em Crotona.FRAGMENTOS Trad. Esse livro exerceu profunda influência no pensamento de Platão. de Ísis L. 1.FILOLAU DE CROTONA (NASCEU PELOS MEADOS DO SÉC. Necessariamente todas as coisas existentes são ou limitadas ou ilimitadas. Portanto. tanto o cosmos como um todo quanto todas as coisas nele (existentes). A NATUREZA FOI construída no cosmos de (elementos) ilimitados e de limitados. Éclogas.

o intervalo de lá a si é de um tom. E realmente tudo que é conhecido tem número. Idem. 3. de harmonia. 6. e do lá ao mi agudo. De princípio. mas as desiguais. que é eterna. nem de iguais famílias.21. Cada uma das fontes tem muitos aspectos. Nicômaco. são necessariamente fechadas em tal harmonia que se destinam a se conter numa ordem. Mas. e do si ao mi grave. se não se acrescentasse a harmonia. as de (elementos) limitados e ilimitados são limitadas e ilimitadas. a quinta é maior que a quarta por um tom inteiro. e seria absolutamente impossível que alguma das coisas existentes se tornasse conhecida por nós. do mi agudo ao si. uma quinta. e uma terceira resultante da mistura de ambas. do mi agudo ao si. e a própria natureza requerem conhecimento divino e não humano. uma quinta. pois nada é possível pensar ou conhecer sem ele. não de famílias iguais e não igualmente dispostas. e as de (elementos) ilimitados mostram-se ilimitadas. tanto das limitadas como das ilimitadas. p. já seria impossível criar-se um cosmos com eles. 4. ESTOBEU. a par-ímpar. uma quinta. 1. e do si ao mi grave.7 c. a quarta está na relação de 3:4. visto que estes princípios (1 e 2) não são iguais. que cada coisa por si revela. 1. de qualquer maneira que ela tenha vindo a ser. com efeito. se não existisse a essência das coisas das quais se constitui o cosmos. uma quarta. ibidem. JÂMBLICO. dá-se o seguinte: a essência das coisas.7 d. As coisas iguais e de iguais famílias em nada precisam. A harmonia (oitava 1:2) abrange uma quarta (3:4) e uma quinta (2:3).21. a . Com natureza e harmonia. uma quarta. 7. Éclogas. 5. nem o para ser conhecido haverá. Realmente o número tem duas formas particulares. 21. I. ibidem.são limitadas. Pois do mi grave ao lá há uma quarta. Idem. 24. 7 b. se tudo for ilimitado. pois. ímpar e par.

se qualquer coisa é duvidosa e ignorada. obscuras e imperceptíveis. 19. Por natureza e não por lei. dando-lhes corpo e dividindo as relações das coisas. capaz de dirigir e instruir todo homem. NICÔMACO. 77. na de 1:2. 2. nem em relação consigo mesmas. p. 8. chama-se lar (fogo interno). não só nas (coisas) sobrenaturais e divinas. /. o número.. Idem. cada uma por si. torna-as conhecidas e relacionadas entre si. 10. Éclogas. Pois não seria evidente a ninguém nenhuma das coisas. todas as coisas são ilimitadas. potência também do dez. harmonizando todas as coisas na alma com a percepção. TEO DE ESMIRNA. 11. nem relacionadas entre si. Mas pode-se ver a natureza do número e sua potência em atividade. é o-que-tudo-cumpre e o-que-tudo-efetua. Aritmética. que está no centro da esfera. p. e princípio tanto da vida divina e celeste quanto da humana. mas ainda em todos os atos e palavras humanos. pois ele é grande. Mas.10. ESTOBEU. se não houvesse número e sua essência. e a oitava. 22. a harmonia (oitava) (abrange) cinco tons e dois semitons. em todas as produções técnicas e na música. A harmonia é a unificação de muitos (elementos) misturados e a concordância dos discordantes. Nicômaco. e a quarta. 206. 7. Assim. JÂMBLICO. 9.. O primeiro constituído. o um. p. as ilimitadas assim como as limitadas. 115. O um (unidade) é o princípio de todas as coisas. . de fato. ibidem. Deve-se julgar as atividades e a essência do número pela potência que existe no dez. 19. em qualquer parte. Participa. Sem este. 9. II. de acordo com a natureza do "gnomon". a quinta.quinta na de 2:3. Causa de conhecimento é a natureza do número. 21. três tons e dois semitons. dois tons e um semitom. 8.

coração. IDEM. e os órgãos genitais.15. umbigo. coração. III. Arithmetica.) . VAurore de h Philosophies Grecque. Há certos pensamentos mais fortes que nós. O cérebro (indica) o (princípio) do homem. água. 7. I. e o navio134 da esfera. Bumet. e fez-se a comparação com a estrutura do navio e não com seu movimento. Mas testemunham também os antigos teólogos e adivinhos que por certas punições a alma está ligada ao corpo e. CLEMENTE DE ALEXANDRIA. 25. EUDEMO. enquanto a verdade é própria e inata à família do número. da emissão do sêmen e da criação. o do animal. como num túmulo. 15. pois para o (que 134 Holkas—A palavra significa "navio". O cosmos é um e começou a vir a ser a partir do centro. são guardados pelos deuses e constituem um de seus bens). (Há quatro princípios no ser racional: cérebro. umbigo e órgãos genitais). 12. Fédon. 14. B 8. terra e ar. J. Payot. (N. da alma e da sensação. Tapeçarias. Cf. e do centro para cima. o da planta. 17. 18. Cabeça (é o princípio) da inteligência. o de todos eles. A natureza do ilimitado. PLATÃO. (Os homens estão numa prisão. o umbigo. p. Paris. Falsidade de modo algum se insinua no número: pois adversa e hostil à sua natureza (é) a falsidade. nos mesmos intervalos (de distância) que os de baixo. Pois o (que está) acima do centro se encontra em oposição ao que está abaixo. do insensato e do irracional pertencem a falsidade e a inveja.Nenhuma falsidade acolhem em si a natureza do número e a harmonia. o coração. 5 W. 17. ESTOBEU. do T. E os corpos (elementos) da esfera são cinco: os (quatro existentes) na esfera: fogo. p. Éclogas. Ética. e os órgãos genitais. 13. 1970.1225 a 30. porque não é própria delas. 16. 339-340. Theologumena. nele está sepultada. 62 b. pp. o quinto. 17. pois tudo floresce e cresce de um sêmen. do enraizamento e crescimento do embrião.

) 19. a doutrina pitagórica e Filolau. PROCLO. Euclides. ensinam teologia através das figuras matemáticas. (Citação sobre o sol omitida. Pois com o centro ambos estão nas mesmas relações.) . I. (Platão. 9. 22. apenas invertidos. 18. p. ibidem. 8.está) muito baixo o que está no centro constitui o mais alto. na obra Bancantes. e assim o restante. IDEM. 25.

Borges 1. p. os que se movem em direção oposta. Harm.FRAGMENTOS Trad. também sobre geometria. Mas choque. ciência dos corpos celestes e não menos sobre música. Restam-nos fragmentos de sua Harmonia e das Diatribes ou Conversas.) DADOS BIOGRÁFICOS ARQUITAS FOI discípulo de Filolau e amigo de Platão. mas os que se movem na mesma direção. transmitiram-nos claros conhecimentos. afirmavam. Pois. deviam também ter uma excelente visão das coisas separadas. sobre mecânica e geometria..C.ARQUITAS DE TARENTO (CERCA DE 400-365 A. Ptolem. referentes a problemas de matemática e música. de Ísis L. Por suas excelentes qualidades de homem de Estado foi eleito sete vezes consecutivas governador de Tarento. pois. sobre a velocidade dos astros. quando se encontram. batidos pelos . produzem um som quando são atingidos. Atribuem-se-lhe muitas obras perdidas. Pois essas ciências parecem ser afins. se não houve choque entre corpos. uma vez que obtiveram excelente discernimento sobre a natureza do todo. filosoficamente filiado ao pitagorismo. HARMONIA (DK 47 B 1-3) 1. Primeiramente consideravam. mas com velocidade desigual. De fato. sua ascensão e declínio. pois ocupam-se de coisas afins: as duas formas primeiras do ser (número e grandeza). sendo considerado o iniciador da mecânica científica. ocorre quando (os corpos) que se acham em movimento se encontram uns com os outros e se chocam. EXCELENTE DISCERNIMENTO parecem ter os matemáticos e não é de maneira alguma estranho que pensem corretamente sobre a natureza de cada uma das coisas. que é impossível haver som. produzem um som por relaxação simultânea. 56. A . PORFÍRIO.

emitimo-lo com forte respiração. dar-nos-á um tom grave. e outros ainda por sua excessiva força. por causa da grande força. Pois. será fraco e grave. agudo. Mas o mesmo acontecerá também com os tons: emitido com respiração forte será alto e agudo e. mas também porque quando nós. nem de perto. nas flautas. Assim é evidente que o movimento rápido produz o som agudo e o lento. Mas certamente também. nada se derrama. (emite um) mais grave. emite um som mais agudo. de longe poderíamos ouvi-lo. mas. e parecem-nos ser graves.que vêm atrás. se lenta e fracamente. se baixo. um (som) agudo. se (se soprar) na sua parte média ou num outro lugar. Não só poderíamos sabê-lo por este meio. Mas podemos também vê-lo na seguinte prova que é de muito valor: se o mesmo homem tivesse emitido um som alto. o ar lançado da boca chegando aos orifícios perto da boca. girando-o em torno de uma corda. Muitos desses sons não é possível à nossa natureza reconhecer. se se fechar sua extremidade inferior e soprar-se. Assim também com a flauta. Quanto aos sons que chegam aos nossos sentidos. com o choque produzirá um som grave. Movidos lentamente. mas. Mas também nos "rombos"135 que giram nas cerimônias dos Mistérios o mesmo acontece. parecem-nos agudos os que pelos choques chegam a nós rápida e (fortemente). Pois aos lançados com força o ar cede mais. mas (se a mover) rápida e fortemente. mas. e aos (lançados) sem força. se alguém tomar uma vara e a mover lenta e fracamente. menos. com respiração fraca. 135 Rombo — instrumento que se faz soar. uns por causa da fraqueza do choque. o grave. pois o mesmo ar passa fracamente pelo espaço longo e fortemente pelo menor. quando se derrama muito. Ainda isso também acontece com os projéteis: os que são lançados com força são arremessados longe. falando ou cantando. fortemente. produzem um som grave. durante os Mistérios. . outros pela grande distância de nós. mas (chegando) aos orifícios longe (da boca). emitirá um tom agudo. os sem força. pois não penetram em nosso ouvido os fortes sons como também nos recipientes de boca estreita. perto. queremos emitir um som alto e agudo.

pois com ele nos reconciliamos com nossas obrigações. dá em resumo a explicação seguinte): Que os sons agudos se movem depressa. procurando. quando ele surge. O raciocínio. quando (os termos) são assim: o primeiro excede o segundo por tanto de si mesmo quanto o termo médio excede o terceiro. se não se tem conhecimento é impossível procurar. faz cessar a discórdia e aumenta a concórdia. E nessa proporção acontece que é menor a razão dos termos maiores e maior a dos menores. Ptolem. 1. pois. e os graves mais lentamente. Dessas proporções os maiores termos têm a mesma razão que os menores. crendo ambos que terão através disso a igualdade. PORFÍRIO. a contraposta. quando três termos apresentam a mesma diferença proporcionalmente: o primeiro excede o segundo tanto quanto o segundo excede o terceiro. nesta proporção. detém os que sabem raciocinar antes de cometerem injustiça. uma é a aritmética.. O que é aprendido. ou aprendendo de outro. 3. 92. os ricos dão aos necessitados. ESTOBEU. p. e menor a dos menores. Acontece que. A aritmética. a segunda é a geométrica e a terceira é a contraposta que chamam de harmônica. Harm. A geométrica. quando o primeiro está para o segundo tal qual o segundo para o terceiro. Deve-se. IV. tornar-se conhecedor do que não se conhece. 139. por muitos exemplos. 2. pois excesso de recursos não há. quando encontrado.(Tendo dito também outras coisas sobre o movimento da voz ser proporcional. Por sua causa então os pobres recebem dos poderosos. e igualdade existe. persuadindo-os de que não . é maior a razão dos números maiores. ou por investigação própria. (vem) de um outro e por auxílio alheio. mas. o que é investigado (vem) da própria pessoa e por auxílio próprio. encontrar sem procurar (é) difícil e raro. A música tem três médias. claro se tornou para nós. que chamamos de harmônica. Florilégio. é acessível e fácil. Se há regra e empecilho dos injustos.

quando vêm contra ele. nisso mostra que cometem injustiça.poderão ocultar-se. 8. E parece que a aritmética. se é que há uma ciência das formas. ESTOBEU. I pr. . e os impede de cometê-la. CONVERSAS (DK 47 B 4) 4. em relação à sabedoria.. 4 p. 2. aos que não sabem (raciocinar). 18. é bem superior às demais artes. mas também à geometria. a aritmética apresenta provas e igualmente a exposição das formas. por mais claramente tratar do que quer. E naquilo que falha por sua vez a geometria.

A — DOXOGRAFIA Trad. Anaxágoras passou uns trinta anos em Atenas. era uma terra). Anaxágoras foi encarcerado mas conseguiu fugir. Sobre a Natureza. refugiando-se em Lâmpsaco (Jônia). por exemplo. SIMPLÍCIO. ANAXÁGORAS DE Clazômenas. na Jônia (Ásia Menor). — Os tratados (um de perspectiva.ANAXÁGORAS DE CLAZÔMENAS (CERCA DE 500-428 A. de Paulo F. uma pedra incandescente) e da Lua (para ele. 2 (DK 59 A 41). seu protetor e discípulo. dando-nos porém toda a base do sistema de Anaxágoras. fazendo infinitas as corpóreas. outro sobre a quadratura do círculo. fogo ou ouro. Anaxágoras foi o filósofo pré-socrático que deu origem a maior número de discussões ou a interpretações as mais variadas. filho de Hegesibulo. Flor 1. professando em comum a filosofia de Anaxímenes. matemático. não gerados e . e um livro de problemas) atribuídos por autores tardios a Anaxágoras não parecem obras genuínas suas. água. que cunharam moedas com sua efígie e puseram elogioso epitáfio em seu túmulo. Física. Mereceu alta estima dos lampsacenses. que gozou de grande reputação como físico. como. onde fundou outra escola. parece ter sido um tratado pequeno. sob os auspícios de Péricles.) DADOS BIOGRÁFICOS NATURAL DE Clazômenas. de que nos restam uns vinte fragmentos. 27. Em 431 foi acusado de impiedade por negar a divindade do Sol (para ele. Segundo parece. astrônomo e meteorologista. foi o primeiro a mudar as teorias dos princípios e supriu a causa que faltava.C. fundando a primeira escola filosófica dessa cidade. pois todas as homeomerias.

na verdade. por exemplo. mais contém".. 3. gerava-se terra. e assim se evidencia que ele faz os elementos corpóreos aproximadamente como Anaximandro. III. Anaxágoras diz o contrário de Empédocles a respeito dos princípios. 302 a 28: Entretanto. 984 a 11 (DK 59 A 43). se alguém compreendesse que a mistura de todas as coisas é uma só substância indefinida quanto à forma e quanto à grandeza. Do Céu. embora todas as coisas nele estejam. mas permanecem eternas. diz Teofrasto. ele estaria com isso afirmando que dois são os princípios: a substância do infinito e o espírito. o espírito. Diz ele em todo caso que "As outras. de Clazômenas. e porque no todo havia ouro.incorruptíveis. pois este afirma que o fogo e os com este alinhados são princípios dos corpos e tudo é composto deles. 3. mas posterior na produção de obras. V. gerava-se ouro. Ouro. p. ARISTÓTELES. Metafísica. e porque havia terra. Mas Anaxágoras sustenta o contrário. pois aquele (Anaxágoras) diz que na separação do ilimitado as coisas de origem comum eram levadas umas às outras. pelo qual as (coisas) separadas engendraram os mundos e a natureza das outras coisas. E como causa do movimento e da geração Anaxágoras propôs o espírito. afirma que os princípios são infinitos. pareceria que Anaxágoras faz infinitos os princípios materiais e única a causa do movimento e da geração. e de outra maneira não são geradas nem destruídas. parecem engendrar-se e destruir-se apenas pela combinação e dissolução. diz Teofrasto. formadas de partes semelhantes (como a água e o fogo). . Anaxágoras. parece aquilo no qual existe muito ouro. mas já antes eram subjacentes. diz ele que são geradas e destruídas unicamente por combinação e dissolução. que não se engendravam.) E isto. estando todas as coisas em todas as coisas e caracterizando-se nelas o predominante. e assim também cada uma das outras coisas. 2. afirma Anaxágoras aproximadamente como Anaximandro.. a saber. Compreendendo-se assim. Quase todas as coisas. anterior a Empédocles na idade. (É o fragmento 12. — Idem. 1. 269-270. pois princípios são os homeomeros como. mas.

pois cada um dos dois é composto de invisíveis homeomeros. a casca e o fruto. terra. — Cf. Mas Anaxágoras chegou a tal suposição considerando que nada é gerado do não-ser e que tudo é nutrido pelo semelhante. A isso o levava talvez o fato de. como. Por isso. mas também cada homeomeria. 4.4: E desde que. o segundo com a total disseminação das figuras. 203 a 19 (DK 59 A 45). como princípios. E Anaxágoras diz que qualquer das partes é uma mistura semelhante ao todo. . muitas coisas dessemelhantes dele se formam: carne. osso e cada coisa desse gênero. ARISTÓTELES. nervos. por ver que qualquer coisa procede de qualquer coisa. fogo. tomado o mesmo. pedra. afirmam que pelo contato o infinito é contínuo. todas as coisas ele dizia que estão misturadas em todas e a geração é engendrada pela separação. Por essas coisas na alimentação. conforme o caso. de pedra. Física. cabelos. ossos. o tronco. como por exemplo pão. chifres. o primeiro com os homeomeros. embora não imediatamente mas em ordem (pois de fogo provém ar. mas infinitas vezes infinitas. pois o fogo e o éter ele diz que é o mesmo. 3. supôs que elas também estão na água. penas e. investigando primeiro a teoria de Anaxágoras ele (Aristóteles) nos ensina a causa pela qual Anaxágoras chegou a uma tal suposição. e ar e fogo são misturas deles e de todas as outras sementes. semelhantemente ao todo. outras se gerarem delas. enquanto o alimento. e de todos. Simplício. III. e que não apenas são infinitas. e é o semelhante acrescido do semelhante). Mas aqueles que fazem infinitos os elementos. e de água fervente. Por isso todas as coisas se originam destes. água. de ar. como Anaxágoras e Demócrito. Vendo portanto que tudo se forma de tudo. contém todas as coisas já presentes. se com esta nutrem as árvores. Anaxágoras as homeomerias e Demócrito os átomos. de terra. cada um impõe infinitos em quantidade. e mostra que não apenas a mistura total necessariamente ele concebe infinita em grandeza. ar. veias.carne. Observando então que de cada uma das (coisas) agora discernidas todas as coisas se separam. 460. persistindo algumas coisas. de água. novamente fogo. de pedra. unhas.

como. Certo dia ouvi alguém ler de Anaxágoras. Encantado com essa causa e. Parece que Anaxágoras dizia que junto sendo todas as coisas e em repouso no tempo antes infinito. explanaria a causa e a necessidade. supunha a partir desses fatos que também todos os seres estavam outrora misturados em conjunto. e. introduziu nelas o movimento. de modo que "qualquer coisa". quanto à sua velocidade relativa. como se todas ao mesmo tempo estivessem presentes nele. osso e as demais (substâncias do corpo). 4. Pois eu jamais pensaria que ele. por exemplo.. dizendo o melhor e por que era melhor ela ser assim. misturadas em conjunto.. ao contrário. 268). antes de terem sido separados. E assim eu já me sentia disposto a me informar igualmente sobre o Sol.." (é o fragmento 1. PLATÃO. que ele chama de homeomerias. e de que modo é melhor cada uma produzir ou sofrer os efeitos que sofre. eu pensava que o comum a todos ele explicaria como bom. 21. Por isso foi assim que começou seu tratado: "[tinto todas as coisas eram. como dizia. a mente coordenadora organiza tudo e estabelece cada coisa da melhor forma possível. às suas revoluções e às outras propriedades. carne. — 1 123. semelhantemente ao todo. que uma mente é a coordenadora e a causa de tudo. se ele me revelasse isso. a Lua e os outros astros. p. V. Fédon. com este pão. parecendo-me bem que a mente fosse a causa de tudo. e por muito dinheiro eu não teria vendido as minhas esperanças. 97 b (DK 59 A 47). era uma mistura desta carne e deste osso. e que ele me explicaria primeiro se a Terra é plana ou redonda. tomando com ardor os livros. eu me sentiria disposto a não mais reclamar outra espécie de causa. Se então a cada um ele atribuía a causa e a todos em comum o ser melhor para cada um. do pão. querendo o espírito criador discernir as formas. de certa maneira. e quando explicasse. dizendo que estão coordenados pelo espírito. introduzisse neles alguma outra causa senão que é melhor eles se comportarem assim como se comportam. mas. Imaginei ter encontrado em Anaxágoras um mestre da causa dos seres de acordo com minha índole. li-os o mais . pensei: "Se isto é assim..

por isso então vemos com acuidade. mas Hermótimo de Clazômenas tem a fama de a ter formulado antes. ele põe o espírito acima de todas as coisas. I. Da Sensação. para alguns durante a noite. Pois. logo me afastava. 3. Mas Anaxágoras diz que o justo é espírito. 984 b 15 (DK 59 A 58). Vemos pelo reflexo na pupila. E há reflexo durante o dia porque a luz é . Aristóteles. com efeito. quando prosseguindo na leitura vejo que o homem não fazia uso do espírito. mas não há reflexo ao que é da mesma cor mas ao diferente. 7. 5. 405 a 15: Como princípio. Ora. E atribui ao mesmo princípio ambas as funções: o conhecer e o moverse. I. Da Alma. nem o assinalava em certas causas para ordenar as coisas. mas nos outros casos assinalava como causa do que vem a ser qualquer outra coisa que não o espírito. o éter. a água e muitas explicações desconcertantes". Metafísica. 413 c (DK 59 A 55). coordena as coisas percorrendo-as todas. Em geral a noite é mais da mesma cor para os olhos. 4. TEOFRASTO. 2. existe o que é de cor diferente. Metafísica. se alguém diz que o espírito está presente nas coisas assim como nos animais e na natureza. PLATÃO. pois este. diz ele. pois é o único dos seres.depressa possível a fim de que o mais depressa possível conhecesse o melhor e o pior. então o introduz. afirmando que o espírito movimenta tudo. I. mas sim o ar. desta maravilhosa esperança. ó companheiro. Anaxágoras afirma que a sensação nasce dos contrários. antes dele. Pois. serve-se do espírito como de um recurso para a criação do mundo e. que é simples. puro e sem mistura. sendo independente e com nada se misturando. — Aristóteles. 27 ss (DK 59 A 92). 6. Ele tenta tratar de cada sensação em particular. Sabemos. como a causa do universo e de toda a ordem. parece um homem sóbrio em contraste com aqueles que falaram. ARISTÓTELES. pois o semelhante não é afetado pelo semelhante. — Cf. quando está em dificuldade para demonstrar de que causa alguma coisa procede necessariamente. 985 a 18: Anaxágoras. com efeito. Crátilo. para muitos durante o dia. que Anaxágoras claramente professou esta doutrina. ao acaso.

Mas são mais sensíveis os maiores seres vivos e sua sensação corresponde naturalmente ao tamanho (de seus órgãos dos sentidos). (pois) o ar sutil tem mais odor. mas o frio pelo quente. mas o pequeno (absorve) o próprio rarefeito. por meio da aspiração e pela penetração do ruído até o cérebro. mas dispersando-se torna-se fraco. pois o igualmente quente e frio nem aquece nem esfria aproximando-se. porque é o grande sentido.concausa dele e a cor dominante reflete-se sempre mais sobre a outra. Salvo que. absorve o denso. E o mesmo se dá com o ouvido. não percebem os grandes o ar rarefeito. (30) Os animais grandes ouvem os ruídos grandes e de longe. limpos e brilhantes enxergam melhor e de longe. juntamente com o rarefeito. portanto. Pois os que têm os olhos grandes. embora não esclareça as . nem os pequenos. como foi dito. ao se tornar quente e rarefeito. exala odor. são inerentes a nós. propriamente. o denso. e os pequenos animais ouvem os ruídos pequenos e de perto. (28) Da mesma maneira também o tato e o paladar discernem (seu objeto). pois todo dessemelhante proporciona dor pelo contato. afirma ele. pois. Pois as cores brilhantes e os ruídos excessivos produzem dor e não se pode permanecer durante muito tempo sob seu efeito. E quase. e para os que os têm pequenos o contrário acontece. E esta dor se manifesta pela longa duração do tempo e por um excesso de sensações. pois o osso periférico em que penetra o ruído é oco. o potável pelo salgado. principalmente sobre a vista. Por isso os grandes percebem mais. discorre sobre todos os sentidos. E da mesma maneira a respeito do olfato. nem o doce e o amargo se percebem por si mesmos. por assim dizer. o doce pelo ácido. é mais forte do que estando longe. (37) Anaxágoras. o animal grande. respectivamente. (29) Toda sensação é acompanhada de dor. pelo fato de ser mais denso. pois todas (as coisas). o que parece ser uma conseqüência da hipótese. estando perto. e os ruídos menores lhes passam despercebidos. Pois também o odor. segundo a deficiência de cada um (termo contrário). retoma esta opinião de certa forma comum e antiga. Quando aspira. E assim também sentimos cheiro e ouvimos.

M. E que se compuseram homens e os outros animais. 136 137 Sempre que. 28. ibidem. J UNTO TODAS AS coisas136 eram. E é igual ao pequeno em quantidade. 255. e o circundante é infinito em quantidade.sensações mais corpóreas. Pois nem do pequeno há o mínimo. é preciso admitir que muitas e de toda espécie são contidas em todos os compostos e sementes de todas as coisas. mas sempre um menor (pois o que é. SIMPLÍCIO. e sol eles têm e lua e os demais astros. sendo ambos infinitos. . No grego ápeira. 255. de Maria C. (N. 34. propriamente sem limites (do privativo a. IDEM. 264. 4. Ar e éter ocupavam todas. propriamente (coisas) disponíveis.. Física. pois o pequeno era infinito. do T. e quanto a si mesma cada (coisa) tanto é grande como é pequena. 3. do qual se formou também o composto homônimo aparos. E que os homens em comum habitam cidades e organizam trabalhos. sendo todas junto.e o tema péras = limite).FRAGMENTOS Trad. 1. 16. as cores). 30. infinitas137 em quantidade e em pequenez. em quantidade e grandeza. quantos têm alma. 21-22). 2. Cavalcante SOBRE A NATUREZA (DK 59 B 1-19. nenhuma era visível por pequenez.pois ar e éter se separam do muito circundante. ter ã mão). B . ele corresponde ao grego khrémaia. IDEM. o termo "coisas" não está entre parênteses. E. 23. como entre nós. pois estes são os maiores no conjunto de todas.) . (59) Pois Anaxágoras falou naturalmente sobre elas (a saber. Estas (coisas) sendo assim. ibidem. IDEM. que formas de toda espécie têm. utilizáveis (do verbo khráomai = utilizar. e cores e sabores. não é possível não ser) mas também do grande há sempre o maior. Notar que esse mesmo tema aparece em peira = experiência. inexperiente. nos fragmentos de Anaxágoras. ibidem..

nenhuma só. também agora (são) todas juntas. 256. E antes de terem sido separadas estas (coisas) quando todas eram juntas. IDEM. Estas assim se comportando no conjunto. Assim das (coisas) separadas não (podemos) conhecer a quantidade. . do quente e do frio. 6. E desde que iguais partes são quantidade do grande e do pequeno. 5. 8. 608.como entre nós. 264. Mas tal como em princípio eram. ibidem. Do Céu. nem é (possível) serem separadas. mas todas (são) iguais sempre. 7. que não somente entre nós poderiam ter sido separadas. que todas em nada são menores nem maiores (pois não é exeqüível ser mais que todas). também assim seriam no todo todas (as coisas). e terra se encontrando muita e semente em quantidade infinita em nada se assemelhando umas às outras. IDEM. nem na teoria nem na prática. Estas (coisas) assim separadas é necessário saber. mas todas têm parte do todo. e a terra para eles produz muitas (coisas) e de toda espécie. nem mesmo cor era evidente. Estas (coisas) portanto por mim estão ditas sobre a separação. Desde que o mínimo não é (possível) ser. 275. SIMPLÍCIO. do luminoso e do sombrio. pois o impedia a mistura de todas as coisas. 25. do úmido e do seco. não poderia ser separado. SIMPLÍCIO. Física. 23. 22. 9. nem sobre si mesmo gerar-se. Em todas (as coisas) são (incluídas) muitas (componentes) e das separadas igual quantidade (é) tanto nas grandes como nas pequenas. Física. Pois tampouco das outras (coisas) nenhuma é semelhante a outra. é preciso admitir que são contidas todas as coisas. mas também por outras partes. das quais as mais úteis eles recolhem para a habitação e utilizam.

participaria de todas se estivesse misturado com uma. ibidem. mas também são (umas coisas) em que o espírito é incluído. os quais se apartavam. E as coisas que se misturavam e se apartavam e distinguiam. A própria . mas é um absolutamente muitas vezes rápido. exceto do espírito. As outras (coisas) têm parte de tudo.. e quantas agora são e quantas serão. a lua. in Gregor. de modo que revolveu do princípio. todas espírito ordenou e também esta revolução em que agora revolvem os astros. XXXVI.13. mas estivesse misturado com outra (coisa). 164. e sobre quantas coisas têm alma. todas espírito conheceu. 12. . E força é a rapidez que produz.. de modo a nenhuma coisa (ele) poder dominar tal como se fosse só por si mesmo. 35. mas só ele mesmo por si mesmo é. 10. das maiores às menores ele tem poder. mas espírito1 é ilimitado. pois em tudo é contida uma parte de tudo. de não cabelo viria a ser cabelo e carne de não carne? 11. E a rapidez delas não se assemelha à rapidez de nenhuma coisa das que agora são coisas entre os homens. o éter. SIMPLÍCIO. Em tudo é incluída parte de tudo. autônomo e não está misturado com nenhuma coisa. IDEM. ibidem. nem o frio do quente. E o teriam impedido as coisas com (ele) misturadas. diz ele. 22. E como haviam de ser e como eram quantas agora não são. E sobre toda a revolução ele teve poder. assim como está dito por mim em passagens anteriores. Schol. se ele não fosse por si. 14. IDEM. o sol. E primeiro a partir de um pequeno começou a resolver e resolve ainda e resolverá ainda mais. Pois. o ar. 9. Física. É a mais sutil de todas as coisas e a mais pura e todo conhecimento de tudo ele tem e força máxima. nem o quente do frio.assim estas (coisas) se revolvendo e se separando por força e rapidez. 264.Não estão separadas umas das outras as (coisas) neste único cosmos e não estão umas das outras recortadas por machado. 911 (Migne) Como.

5. pois das nuvens água se aparta.138 E desde que o espírito começou a mover. 27.18. E absolutamente nenhuma (coisa) se aparta nem se distingue uma da outra. movidas e separadas (as coisas). 300. IDEM. O compacto e fluido e frio e o sombrio ali se colocaram onde agora (é) a terra. os gregos não consideram corretamente. Espírito é todo ele homogêneo tanto o maior quanto o menor. 929. 6. mas de coisas que são se mistura e se separa. SIMPLÍCIO. que sempre é. PLUTARCO. IDEM. 547. E quanto o espírito moveu. Mas o nascer e perecer. 19. tudo isto foi separado. Hom. ibidem. 279. pedras se condensam pela ação do frio. a P. exceto espírito. Mas as partes são muitas de muitas (coisas). Schol. 15. E assim corretamente se poderia chamar o nascer misturar-se e o perecer separar-se. Da Face da Lua. (N. 138 No grego nous. 17. 163. Física. Física. pois nenhuma coisa nasce nem perece. do frio o quente. IDEM. no muito circundante nas (coisas) que lá se aglomeraram e nas que de lá estão separadas. também agora deveras é onde são também as outras (coisas) todas. E se aparta do ralo o denso. mas o ralo e o quente e o seco se deslocaram para o longe do éter. B. 3. O espírito. ibidem. 18. do úmido o seco. Mas nenhuma outra (coisa) é homogênea com qualquer outra mas cada uma é e era manifestamente o que mais contém. da terra. ibidem. SIMPLÍCIO. da água. 14. de todo movido operava-se uma separação. 179. do sombrio o luminoso. p. 13. 16. e estas se deslocam mais do que a água. T. O sol põe na lua seu clarão. 157.) . 16. nome correspondente a noein = perceber pela inteligência. tanto mais a revolução fazia com que se separassem.revolução os fez apartar-se. terra. Destas (coisas) separadas se condensa terra. do T.

Por causa da fraqueza deles (os sentidos). mas não segundo as regras da arte. disse. O que se chama "leite de pássaro" é a clara do ovo. 21.140 "devem ser comparados a esgrimistas que chamamos naturalistas. Os filósofos antes de Anaxágoras. I. 140.CRÍTICA MODERNA 1. SEXTO EMPÍRICO.Chamamos arco-íris o que nas nuvens brilha contra o sol. Visão das (coisas) inaparentes (são) as aparentes. C . Mas em todas estas (coisas) somos mais desprovidos que os animais e utilizamos experiência. 57. . 3. De Anaxágoras já diz Aristóteles: 1 "Mas aquele que disse que a razão. 22.) Metafísica. apareceu como um lúcido em face daqueles que antes falavam às cegas (eikei)". não há dúvida): o entendimento é reconhecido como princípio. particípio presente de phaincsthai = aparecer. F. E portanto sinal de tempestade. 90. tanto entre os vivos como na natureza em geral. vir à luz (= phcíos). PLUTARCO. IDEM. memória. sabedoria e arte. do T. não somos capazes de distinguir o verdadeiro. (N. ibidem. O primeiro que teve esta consciência foi 139 140 No grego tà phainómena. Hegel Trad. Vil. de Ernildo Stein APENAS AQUI começa a nascer uma luz (ainda é fraca. 3 p. ATENEU. Assim como estes muitas vezes em sua agitação dão golpes bons. assim também estes filósofos parecem não ter consciência daquilo que dizem". segundo Anaxágoras. 21a. Epit. Da Sorte. diz Aristóteles.139 21b. pois a água correndo em volta da nuvem produz vento ou precipita chuva. é a causa do mundo e de toda ordem. Georg W. B p. 98 F.

O UNIVERSAL COMO PRINCÍPIO DO PENSAMENTO A ligação de sua filosofia com as anteriores é a seguinte: Na idéia heraclitiana. enquanto puro processo. I. ou universal. 1. antes de sua vida como Pitágoras. porém. Empédocles reúne este movimento na unidade. A unidade retorna a si enquanto universal. em Empédocles. 2) Temos uma história de Hermotimo: pois ele teria possuído o dom de. saindo da oposição (no ato de sintetizar. o primeiro que enunciou a essência absoluta como entendimento. Aristóteles e depois outros142 após ele citam sem comentários o fato de que um tal Hermotimo também de Clazômenas deu ocasião para isto. como movimento. Mas isto de pouco serve. 3 Sexto Empírico. livre em si mesmo. água etc. Em Anaxágoras abre-se um reino absolutamente diferente.Anaxágoras. quando diz que o pensamento é o universal que é em si e para si. os momentos desta unidade são os elementos existentes de fogo. pensamentos. mas também seu golpe ainda se perde bastante no vazio. IX. como pensamento (não como razão). bem como Leucipo e Demócrito — mas de maneira tal que. é posta imediatamente a universalidade. já que nada mais podemos saber da filosofia de Hermotimo. todos os momentos desaparecem absolutamente. Aristóteles diz:141 "Foi Anaxágoras quem primeiro começou com estas determinações" — é.. como alma. mas nestes são puras abstrações. os tivera sido. 1) Nós já o citamos na lista daqueles dos quais se conta que Pitágoras. mas Anaxágoras tê-lo-ia feito de maneira clara e determinada. os opostos ainda estão separados dela. Este nome aparece mais uma vez. com isto. o universal que a si mesmo determina. Anaxágoras apareceu como um sóbrio entre ébrios. § 7: .. o puro pensamento é o verdadeiro. 141 142 Metaf. portanto. não é o pensamento mesmo o ser) — o pensamento. muito não terá sido. essências sendo em si. pois os opostos não possuem mais apoio sensível. Outros fizeram muitas investigações históricas sobre este Hermotimo. não diferenciado do pensamento consciente. mas numa unidade sintética. Contra os Matemáticos.

eu = eu. VII.. como de Ferécides. assim. mas a mesma unidade pura permanece — não movimento. . Epimênides. assim que a diferença é imediatamente sobressumida e posta esta identidade. Existe também como natureza.abandonar seu corpo. I. como o absoluto. mas puramente para si: eu sou eu. Pensar é. como morto. separado. ar. particularidade — reflexão determinada em si e para si. este universal. isto é. terra determinada. como a essência simples do mundo. é para si. mas tendo em si a singularidade enquanto algo imediato. o mais ideal. mostrou este corpo abandonado pela alma a seus conhecidos. a gente podia ser levada a pensar em encanto. mas universalidade (unidade). Este universal para si. tão pouco como a matéria. mas então não mais puramente para si.143 Mas isto levou-o a um fim desastroso. que não é diferenciada. quando o pensamento possui um conteúdo determinado. pensamento ou entendimento como tal. mas este universal tem imediatamente em si a singularidade — espaço. por exemplo. como essência objetiva. pois sua mulher. portanto. Diógenes Laércio. por exemplo (um dorminhoco). esta certamente se terá admirado muito. História Natural. existe puramente apenas como pensamento. 143 144 Plínio. teria dormido 57 anos. O universal é simples e diferenciado de si — mas. uma diferença. e ele foi queimado antes de a alma ter retornado. qual o modo como queremos encarar a coisa. 53. não se pode mostrar um espaço puro. ser para mim. Temos uma quantidade bem grande de tais histórias de velhos filósofos. sendo a essência não um brilhar em si. I. que este último. Eu distingo um de mim. 493-494. § 109. isto é meu pensamento — eu tenho consciência de mim neste objeto.144 O princípio de Anaxágoras era que ele reconheceu o Nous. o mais universal da natureza como tal. E em tudo o que penso. nota. com quem se desentendera e que bem sabia o que acontecia. etc. Brucker. Mas não existem espaço e tempo e movimento puros. espaço e tempo. Não vale a pena examinar o que há de verdade nesta velha história. A simplicidade do Nous não é um ser.

e 2) o universal. 1) ser puro movimento. exceto o processo de Heráclito que é o terceiro princípio do movimento. empenhar-se em apontar o princípio do movimento — que este é o que move a si mesmo e que este é o pensar (enquanto existindo para si). . I. opõe-se. a ir mais longe em busca do princípio a ele vinculado (tèn exoménen arkhén). Pois. Enquanto os princípios até agora afirmados têm caráter substancial (Aristóteles é o primeiro a distinguir qualidade. os filósofos foram obrigados. o simples. também em Anaxágoras ela ainda não recebeu seu retalhamento. E preciso. o em repouso. como ela é posta enquanto unidade absoluta. justamente fim como positivo e negativo. já que não são suficientes para gerar (genesai) a natureza das coisas.). "Nous é para ele (Anaxágoras) a mesma coisa que a alma. é o primeiro que se transforma em resultado — para os antigos é o bem e o mal. mas. como universo. o Nous é o universal. este conceito puro não o devemos esperar. Isto é o concreto em si. realizando-se como sistema organizado. como ele dá o conceito do mesmo. 2. surgiu então em quarto lugar o aquilo por quê. e depois de tais causas (água. poión. Como Anaxágoras explica o Nous. determinado igualmente ao individual — ou o pensamento ao que é. de um lado. Esta determinação é algo muito importante. explicar o fato de tudo se comportar bem e 145 Sobre a Alma. como já dissemos." Assim distinguimos a alma como o que se move a si mesmo. pela própria verdade. O entendimento. mas certamente isto não se encontra entre os antigos — compreender o próprio conceito. Aristóteles aponta mais diretamente:145 o universal tem os dois lados. a determinação final com o Nous. O pensamento move por causa de algo. entre matéria e substância). porém. Aristóteles acrescenta à passagem acima citada: "Depois destes (os jônios e outros). enquanto simples. Aqui se deveria agora considerar a unidade especulativa deste universal com o individual. a finalidade é o primeiro simples (o gênero é fim). isto é. o imediatamente individual. para. por isso. fogo etc. Isto nos diz Aristóteles.Este universal que é assim para si.

como fim construir uma casa. Nós temos um fim. pode realizar-se ou também não. ainda que não seja expressa de maneira formal. Não devemos pensar nisto na forma do fim. ele é passagem para o outro. por isto atuo. nem parece que aqueles pensaram isto. não é ainda aquilo que se determina independente e autonomamente. retorno ao fogo. o bem. ele é minha representação. No fim reside a atividade do realizar. nós realizamos esta determinação. que se conserva em ambas as formas. Na objetividade se conservou o fim. como resultado surge a casa. a mudança exprime o conceito em seu movimento. Nisto reside 3) o fim. de outras coisas serem geradas — para isto não é suficiente nem a terra nem qualquer outro princípio. . o objeto não deve conter outra coisa que o fim. E uma passagem da subjetividade para a objetividade: eu estou descontente com o meu fim pelo fato de ser apenas subjetivo. se conserva como o universal. ela é para si. 2) Nisto já reside uma determinação da universalidade. nem é boa solução (kalõs ekhei) abandonar uma tal obra ao automovimento e ao acaso (autômato kai tykhei)" Bom e belo exprimem o conceito simples e em repouso. O devir de Heráclito. o igual a si mesmo. O fogo (o processo segundo Heráclito) morre. Ainda recentemente chamei atenção para o conceito de fim. não é independência. por exemplo. nela o fim está realizado. Tenho. mas o princípio não se conserva em suas determinações. como está em nós que somos conscientes. tudo permanece na relação consigo. Na atividade que a si mesma determina está igualmente contido o fato de que a atividade. que é apenas processo (heimarméne). Ele também é círculo. isto faltava até agora. E apenas posta a passagem para o oposto — não o universal. minha atividade consiste em suprimir-lhe esta falta e torná-lo objetivo.belamente. na determinação. e o produto deve estar de acordo com o fim — se a gente não é desajeitado. enquanto produz o processo. Com este princípio surgem agora as seguintes determinações: 1) entendimento como tal é a atividade que se determina a si mesma.

Não devemos. é. assim se torna outra. existem independentes. ambos são o mesmo. estes instintos são os seus fins. portanto. tem instintos. e o que é depois. é apenas vivo — são primeiras determinações que são fixas. O ser vivo oferece o maior exemplo disto. rege segundo fins. conservase na realidade a primeira determinação. através do qual nada de novo surge — retomada da atividade para a produção de si mesmo —. ele se conserva assim. mas esta é feita objetiva. dar-lhe existência. O ser vivo existe. de maneira tal que o . como comumente o fazemos. para atingir o fim. Autoconservaçao é produzir constante. o resultado é o começo — começo e fim são iguais. o químico não se conserva. Mas o elemento universal do fim consiste no fato de ser para si uma determinação firme e que então esta determinação. O bem dá-se conteúdo a si próprio. sempre apenas o antigo. Deus. No fim. que põe uma primeira determinação como subjetiva. isto é. é fim em si. Na relação mecânica e química. enquanto é ativo com este conteúdo. mas esta oposição é sempre novamente sobressumida. o fim. O animal trabalha. como sábio. e não surge qualquer outro conteúdo. ele nada sabe destes fins. aquelas relações mecânicas e químicas são nisto destruídas e transformadas. o animal mesmo. porém. o resultado é um outro. trabalha. que é posta pela determinação da atividade. procurando realizar o fim. ficar parados na representação deste fim subjetivo. relaciona-se com as coisas exteriores. nisso aí está a representação de que o fim é para si num ser que representa e é sábio. e isto é o fim. Mas a relação de sua atividade não permanece mecânica e química. eu e o fim. produz sua atividade apenas a si mesmo. em parte quimicamente. a alma de uma coisa. o resultado. trabalha para satisfazer estes instintos. O que antes já existia. continua a ser ativa. Este é o fato que o fim é o verdadeiro. pelo contrário. O produto. Isto é. pelo contrário. E o Nous é esta atividade. enquanto este conteúdo se volta para o outro. mas esta existência é dominada pelo fim. e ele é nela conservado. em parte mecanicamente. porém. Por exemplo. quando o conteúdo já passou para a exterioridade. onde ambos. porque é fim em si.

Mostram isto os exemplos mais corriqueiros. que então também atua sobre o outro. que põe uma medida. O desenvolvimento destes momentos ocupa. cf. 146 lbid. Isto são determinações da atividade simples que a si mesma determina. pomos o elemento subjetivo objetivamente e o tomamos novamente de volta. a Filosofia.. o Nous. é idêntica consigo. não é igual a outrem. que passa para o oposto (se põe). o pensar. Se olharmos mais de perto até onde se chegou com o desenvolvimento deste pensamento em Anaxágoras. se procurarmos o sentido concreto ulterior do Nous. Além disto. o desenvolvimento não vai mais longe que até a determinação da medida. sem ser determinado exteriormente por outra coisa. porém. Deste modo. esta relaciona-se apenas consigo mesma. Anaxágoras não nos dá nenhum desenvolvimento. 10. uma determinação. 5. mas que o Nous não é para ele muitas vezes mais que a alma. não encontramos nada mais que a atividade determinando-se a partir de si. sem sofrimento. Metnf. esta atividade que se determina a si mesma. Sobre a determinação mais precisa do Nous em Anaxágoras. de agora em diante. VIII. não temos ainda nada mais que a determinação abstrata do concreto em si. mas é justamente disto que se trata.. O entendimento é aquilo que se conserva em sua autodeterminação. destruindo-o. Satisfazendo instintos. de novo. refletindo-se nisto em si mesmo — é o fim. em seu agir. a alma seria aquilo que apenas move. Portanto. Física.objetivo nada mais é que o subjetivo. nenhuma determinação mais concreta do Nous. diz Aristóteles1 que ele não distingue sempre de maneira determinada alma e Nous. . isto é. é aquela que. Que muitas vezes ele fala efetivamente do Nous como causa do belo e justo (tou kalõs km orthõs) — de que algo se apresenta como belo e justo. XII. dominando-o. Enquanto ele ou outros dizem que o Nous move tudo. "não misturado e não em comunidade com qualquer outro". simples. Aristóteles cita a determinação de Anaxágoras:146 que o Nous é puro.

porém. ao mesmo tempo. não sensíveis (aídia). ainda que Anaxágoras "não se explique claramente sobre isto". .. Este outro aspecto da filosofia de Anaxágoras parece. XII. I. nem outra qualquer cor. que a esperança que em nós justifica um tal princípio é muito diminuída.. Devemos agora considerar o sair do Nous de si para outras determinações. o universal é a possibilidade. pois só este não é misturado e é puro (amigé kai katharón). opõe-se a este universal o ser. mas o universal como aquilo que se move a si mesmo é. a matéria (a multiplicidade como tal) — a possibilidade (dynamis) contra aquilo como enérgeia. não existe nem branco. 4. é também determinado como possibilidade. Na representação de Aristóteles. e por isto é o nome geral 147 148 Aristóteles. aí não existe nada diferente. ao passivo. mas isto seria absolutamente exato. mas que assim. Pois o bem.). homoiomerés é o que se constitui em partes iguais. 8." Este outro princípio é conhecido sob a expressão: homeomerías (homoiomerés). 6.147 Aristóteles diz. pelo contrário. "Anaxágoras diz originalmente: tudo é misturado. na passagem principal:148 "Se alguém disse de Anaxágoras que ele aceitou dois princípios". já que a representação geral é que o Nous é seu princípio. seguiria ele. isto significa que o que existe. à primeira vista.permanece igual a si mesma — predicados que efetivamente são ditos. Tudo está misturado fora do Nous. o fim. nem quantidade (posón). à possibilidade. AS HOMEOMERIAS Isto é um lado no princípio de Anaxágoras. cinza. isto poderia soar paradoxalmente. mas a ausência de cores: nenhuma qualidade (poión). suas palavras. a matéria individual (os ossos. 2. De outro lado. nem determinação (ti). preto. se constitui em si a partir de si mesmo de partes iguais que são. Onde nada foi separado. por si. de maneira tal. Metaf. também são novamente unilaterais. carne etc. Ibid. IV. metal. efetivamente real em si (enargés) — o ser-para-si oposto ao ser-em-si. para o desenvolvimento. realmente.

As partículas. simplesmente "uma mistura destes elementos originários". Toda 149 150 151 Sexto Empírico. ou o absoluto como essência objetiva. .151) Afirma que é contra Empédocles quando este "aceita. pelo contrário. o individualizado. como homoioméreiai. terra e água". Afeto/. aceita muitos princípios. 4 § 33. a matéria originária".para isto. assim determinada: os átomos simples — neste os quatro elementos. nenhuma negação de opostos é possível: "Do nada nada vem". "por exemplo. quatro entes simples. (Riemer traduz he homoioméreiai: "A semelhança das partes individuais com o todo". fogo. 3.149) Isto se mostra. (Numa outra passagem. composições são as coisas existentes. III. Aristóteles diz sobre isto mais exatamente:150 "Anaxágoras afirma sobre os elementos o oposto de Empédocles".. originários. 3. não há passagem para o oposto. como princípios originários. o ouro de pequenas partes de ouro etc. naqueles infinitamente muitos — eram postos como diferentes apenas segundo a figura cujas sínteses. fogo" etc. como ele próprio. a mistura infinita de tudo que existe e que contém em infinitas pequenas partes. diz ele que Anaxágoras. tais coisas como água. sendo. 7. Esboços Pirrônicos. não misturados. Esta matéria. já vimos em Leucipo e Demócrito. ao contrário. tendo em vista as coisas materiais. pelo contrário. de modo mais determinado. Tinha como válido o princípio que os eleatas também esposavam: O igual se compõe apenas de igual. III. Sobre o Céu. e efetivamente "infinitamente muitos princípios". "através de cuja combinação surgem todas as coisas". concebia os elementos (a determinação fundamental da essência) de tal maneira que o existente. I. bem como em Empédocles. que a carne simplesmente é o originário. que subsistem em si e para si. ar. o diferente. (o em-si do existente ou o elemento universal). Anaxágoras. A carne se compõe de pequenas partes de carne. se o comparamos com as representações de Leucipo e Demócrito. parecem ser uma palavra posterior. o determinado qualitativamente. imutáveis. e hai homoioméreiai: "Os elementos.

155 O que Aristóteles ainda acrescenta refere-se à diferença entre Empédocles e Anaxágoras:156 Aquele aceita uma mudança (peníodon) destes estados. I..157 A digestão nada mais é que absorção do homogêneo após sua 152 153 154 155 156 157 Aristóteles. Fís. O surgir das coisas concretas se realiza para que surja a divisão destes princípios infinitamente muitos — para que o igual se separe de um tal caos e encontre o seu igual.. A alimentação contém tais partículas.154 Diz que o Nous é o que move. mas nele a determinação dos princípios fundamentais aparece de maneira tal que contém aquilo que para o que foi formado não é.4. este apenas um único surgir. I. é para nós imperceptível. "O que devêm já era antes".. que o surgir é apenas um somar. § 6. porém. que sua uniformidade é apenas aparente. que. Ibid. O surgir. partículas de carne e de ouro seriam princípios — átomos perfeitamente individualizados. o aspecto simples para si. portanto. Aristóteles. que. 18. VIII. Diógenes Laércio. absolutamente. Por exemplo. Sobre a Geração e a Corrupção. não separado como num caos. a mudança como verdadeira mudança seria um devir do nada de si mesmo. Aristóteles. apenas invisível em si. com a carne. 4. § 6. "o Nous separou-o então e dele formou as figuras distintas". Assim disse ele. . formam aquilo que aparece como figura. Contra os Matem. I. pensa-se. partículas que são homogêneas com o sangue. Sexto Empírico. portanto. 3. Fís. IX. no início de sua obra:153 "Simultaneamente (homou) foi tudo (pánta khré-mata en)" — homou é sem dúvida indeterminado —.. Aristóteles. Isto é. 1. por causa de sua pequenez. o desaparecer apenas separação."152 Diz que aqueles elementos provêm deste caos misturado. Melaf. A representação compreende isto facilmente. A representação de Demócrito é semelhante à de Anaxágoras. separação do não igual. que recolhe o igual e novamente o separa.transformação é-lhe daí apenas uma separação e união do igual. através de sua concentração. 1. é apenas "um devir do que já é e existe. na medida em que um infinitamente múltiplo é a origem. diz que não existe surgir e desaparecer. II.

óxidos. que platina se constitui de três a quatro metais. Aquilo que produz a separação do que é de natureza igual. por exemplo.separação e eliminação do heterogêneo. por exemplo. Os elementos químicos são: oxigênio. aquilo que nós temos por concreto é para ele um qualitativamente determinado (o . e então se admite que o resto se constitui apenas pela união destes elementos simples. carbono. verdadeiramente. isolamento. a química. sob o ponto de vista químico. hidrogênio. corpos etc. as suas partes. Isto é a representação comum e é bem coincidente com aquela que reina. o homem é uma quantidade determinada de carbono. que o fígado teria um nariz. do caos e a junção do igual. se deverá apresentar suas simples partes componentes. das diversas ervas.. Sem dúvida. carbono. que cada órgão tomaria apenas suas partes singulares. intransformáveis. de maneira pura e formal. metais enquanto relativamente simples etc. Durante tanto tempo se pensou que a água e o ar fossem simples. Segundo esta opinião. etc. Esta representação comum diz que. oxigênio. Aqui. É uma representação preferida dos físicos afirmar que na água há ar. A atividade é simples. os princípios das coisas naturais são admitidos como qualitativamente determinados e assim imutáveis. porém. os decompôs agora. E bem este o ponto de vista da filosofia de Anaxágoras: o determinado infinita e qualitativamente é o simples. Dizem que toda a alimentação e aumento de peso não seria verdadeira assimilação.. é o Nous. quando se quiser saber o que é carne. madeira. nos novos tempos. A representação comum também concorda que muita coisa é apenas relativamente simples. hidrogênio. um pouco de terra. sendo assim para si sem conteúdo. pedra. como também novamente a dissolução disto que é de natureza igual. fósforo etc. relaciona-se consigo mesma. A alimentação é assim apenas multiplicação. que se tornam autônomos — apenas pela separação. também esta representação de Anaxágoras é distinta daquela da moderna química. de maneira que o animal selecionaria. estas seriam as últimas. na química. a morte é a separação do igual e o misturar-se com o heterogêneo.

se pode obter que a água se transforme em tempo. 5. . No processo de Heráclito a base reside na possibilidade de estas mesmas diferenças qualitativas poderem transformar-se em outra coisa. retrocede Anaxágoras. Se entre os antigos se fala de transformação. onde não apenas a possibilidade. por exemplo. ossos. em espaço. toma-se isto como se se pensasse na transformação segundo a existência. As homeomerias. portanto. por exemplo.originário). Não é nas retortas que. frutas etc. fora desta unidade — que a vida da natureza é que um se 158 Aristóteles. das quais um tipo se concentra mais em determinado lugar. cada coisa conteria todas as outras: água. na qual. segundo a existência e segundo o conceito. fazem com que o todo nos apareça como este determinado. ali então a química finita tem seus limites. Outra coisa. de modo que em tudo há de tudo. Sim. através de processos químicos. pode ser transformada em terra. ele já concorda que nem todas as partes são iguais. Ocorre em cada idéia filosófica que a água se transforma em ar — isto significa que esta é a última união no conceito: que um não pode ser sem o outro.. porém. mas esta passagem de uma qualidade para outra é a que justamente é visada nestas filosofias. destilação etc. mas também a realidade.158 Este ponto de vista é bem diferente da representação de Tales e Heráclito. ar. esta transformação é uma determinação interessante. um tipo de partículas possui uma preponderância. então. a água conteria carne enquanto carne. a água. e vice-versa. que o outro lhe é necessário e que nada pode subsistir independente. é a transformação segundo 0 conceito e este é o sentido em Heráclito e em todos os filósofos antigos. como calor. examinando-se então se. IV. Mettlf. mas diz que se chama carne por causa do número maior de um tipo de partículas que se misturaram com outras. No caso da carne. Transformar deve ser tomado num duplo sentido. 4. Até a esta multiplicidade de princípios.. ossos etc. está na base da transformação de uma coisa em outra.. Fís. I. O sensível surgiu apenas pela combinação de todas aquelas partículas..

De um lado. esta é a necessidade interna. mas consiste segundo sua essência em homeomerias. na representação mais exata. é ela mesma universal. . mas é também uma mistura de tudo. então ela é transformada. sem dúvida. cada figura é original. mostra-se logo a confusão desta representação. a carne. Uma tal representação se confundirá mais ou menos em si mesma. mas para este o outro ser é uma mistura do simples que não é carne nem peixe. não podendo ser transformada. O em-si não é ser propriamente sensível. assim como o cérebro só é na unidade com os outros órgãos. mas o ente é para ser visível. carne — tiremos o que não é carne. O objetivo é Nous. O primeiro elevar-se sobre o ser sensível é o negativo do mesmo. as plantas e os animais passariam mal — mas as pedras poderiam permanecer. mas elas são conservadas. aí as coisas acontecem de maneira diferente. estas são tão pequenas que não podem ser percebidas. Isto também se pode observar nos seres vivos. — esta é a maior elevação dos físicos em geral ao não-sensível como simples negativo do ser-para-nós. O fato de serem pequenas não suprime sua existência. As homeomerias infinitamente pequenas desaparecem. pois aí o conceito chega à existência: arrancando-se o coração também se arruína o pulmão etc.relacione com o outro. o não-audível etc. isto é. Mas o positivo é que a essência que é. segundo o conceito. se poderia. diz-se que cada coisa é qualitativamente para si. A natureza só existe desta maneira na unidade. é ela mesma. o não-sensível. segundo seus elementos principais. mas este simples não é simples em si. ser cheirado etc. Isto se pode mostrar com facilidade empiricamente. quando se retira a água. permaneceriam. por exemplo. mas este terá que ter em si tudo. contudo. e estas partes juntas compõem um todo corpóreo. retirar o azul e o verde e o vermelho. por exemplo. Imagina-se comumente que. da mesma maneira. quer dizer. estão apenas misturados. Mas isto ocorre apenas segundo a existência. nem vermelho nem azul. ou permanece. Continuando a análise. o não-visível. não é simples. Vemos que Anaxágoras — enquanto determina a essência absoluta como universal — abandona aqui a universalidade e o pensamento na essência objetiva ou na matéria.

O Nous é então apenas o que liga e separa, o que "diacosmiza".159 Baste-nos isto. A gente pode confundir-se facilmente com as homeomerias de Anaxágoras; mas as determinações principais devem ser, contudo, retidas. As homeomerias são uma estranha representação. Como se liga esta ao outro princípio de Anaxágoras? Se referimos isto ao princípio do entendimento, então vemos que estas representações sobre o individual são mais conseqüentes do que parecem à primeira vista. Na medida em que o entendimento é o que se determina a si mesmo, o conteúdo é fim, conserva-se na relação com o outro; ele não surge nem desaparece, ainda que esteja em atividade. A representação de Anaxágoras de que os princípios concretos subsistem e se conservam é, portanto, conseqüente. Ela sobressume surgir e desaparecer; só há mudança que é junção ou dissolução de elementos individuais. Os princípios são concretos, plenos de conteúdo — desta maneira, muitos fins; na mudança que se processa, conservam-se, pelo contrário, os princípios. A mudança é exterior — combinação ou separação; igual só se junto com igual. A mistura caótica é, sem dúvida, a união de desiguais; isto, porém, é apenas justaposição, não uma figura individual e viva: esta se conserva, ligando igual com igual. Por mais grosseiras que sejam estas representações, elas, contudo, correspondem ainda propriamente ao Nous. 3. RELAÇÃO DE AMBOS OS LADOS No que agora se refere à simples relação do Nous com esta matéria, devemos dizer que ambos, sob o ponto de vista especulativo, não estão postos numa unidade. Pois esta não é posta como um e o conceito não penetrou nela mesma. Aqui, em parte, os conceitos tornam-se superficiais. O Nous é a alma que a tudo move; "ele está como alma nos animais, tanto nos grandes como nos pequenos, nos bons e nos maus".160 Mas como alma do mundo, como sistema orgânico do todo — o entendimento no real permanece, em Anaxágoras, pura
159 160

Original grego: âiakosmdtí = formar, construir. (N. do E.)

Aristóteles, Dn Alma, I, 2.

letra. Para o vivo enquanto vivo, no qual a alma era concebida como princípio, os antigos não exigiam mais outro princípio (pois ela é aquilo que se move a si mesmo), mas exigiam para a determinidade que é o animal como momento no sistema do todo, novamente o elemento universal da determinidade. Anaxágoras nomeia o entendimento como tal princípio; efetivamente, deve o conceito absoluto ser reconhecido como tal, enquanto é a essência simples, o igual a si mesmo em suas diferenças, aquilo que se divide em dois, que põe a realidade. Não se encontra sinal algum de que Anaxágoras tivesse apontando o entendimento no universo ou que o tivesse compreendido como um sistema racional; os antigos dizem expressamente que deixou estar isto assim; como se nós disséssemos que o mundo, a natureza é um grande sistema; que o mundo está sabiamente instalado ou que existe universalmente a razão. Com isto nada vemos ainda na realização desta razão, nem captamos a compreensibilidade do mundo. O Nous de Anaxágoras é ainda formal, ainda que tenha reconhecido a identidade do princípio, com sua explicitação. Aristóteles161 reconhece a insuficiência do Nous de Anaxágoras: "Não há dúvida de que Anaxágoras precisa do Nous para formar seu sistema do mundo (kosmopoiían): a saber, quando está num impasse para demonstrar a necessidade de uma coisa (quando deve apontar as razões da necessidade), apela a ele; de resto usa ele para a explicação qualquer outra coisa antes que o Nous". Que o Nous de Anaxágoras permaneceu algo formal não foi apontado em parte alguma de maneira mais completa como na conhecida passagem do Fédon de Platão, passagem que é digna de nota para a filosofia de Anaxágoras. Em Platão, Sócrates aponta de maneira mais definida o que importa aos dois, o que lhes é o absoluto e por que Anaxágoras não lhe basta. Cito isto porque nos pode introduzir de modo geral no conceito principal que reconhecemos na consciência filosófica dos antigos. Sócrates possui uma relação muito próxima com o Nous;
161

Aristóteles, Afeto/., 1, 4.

as determinações do Nous são-lhe atribuídas. Platão faz Sócrates narrar (isto é também um exemplo de sua prolixidade e que torna a coisa meio longa) o que lhe acontecera com Anaxágoras. As formas principais que se manifestam em Sócrates vemos também nisto. "Quando um dia ouvi a leitura de um texto de Anaxágoras, em que ele diz que o entendimento é o ordenador do mundo e a causa", o determinado em si e para si que produz a realidade, "alegrei-me com uma tal causa; e eu imaginei que se as coisas fossem de tal modo que o conceito distribuísse toda a realidade, pondo cada coisa como fosse o melhor" — o fim estaria demonstrado. "Se alguém quisesse encontrar a causa do indivíduo, como se torna, como desaparece e como é, então teria que procurar em cada um como melhor fosse para ele, para ser ou de alguma maneira ser passivo ou ativo." Que o entendimento seja a causa ou que tudo seja feito da melhor maneira possível significa a mesma coisa: isto se determinaria mais a partir da oposição. E mais: "Por esta razão o homem não deveria contemplar (skopein), tanto a partir de si como a partir de todo o resto, apenas aquilo que é o melhor e o mais perfeito; e seria também necessário que este também soubesse o pior, pois a ciência de ambas é uma e a mesma. Pensando assim alegrei-me por poder acreditar ter encontrado em Anaxágoras um mestre da causa do ente (tõn ónton) — do bem —, bem como eu esperava (katà noun etnautõi)". Portanto, "esperava que ele me dissesse se a terra era plana ou redonda, e, tendo-me dito isto, me explicasse a causa e a necessidade deste fato, mostrando que uma ou outra seriam o melhor; e se me dissesse que ela estava no centro do universo, que me explicasse então que era melhor que ela estivesse no centro" — isto é, seu fim, que é determinado em si e para si, e não a utilidade como fim determinado exteriormente. "E, depois de ter-me mostrado isso, preparei-me para que ele não me viesse com outras espécies de causas (outras causas eu não queira); a mesma explicação eu esperava para o sol, a lua e outras estrelas, suas velocidades relativas, revoluções e outros movimentos característicos. Enquanto para coisa particular e para tudo em comum mostrava a causa, pensava eu que ele explicaria de cada um o melhor

e de tudo o melhor para todos" — a idéia livre, sendo, em si e para si, o absoluto fim último. "Por nada eu teria abandonado esta esperança e tomei entusiasmado estes escritos; li-os o mais depressa possível, para, com a maior rapidez, chegar a conhecer o bem e o mal. Esta bela esperança, no entanto, muito cedo me deixou, quando vi que o homem nem usa o pensamento (Nous) nem quaisquer outras razões para formar (diakosmein) as coisas, recorrendo, em vez disso, ao ar, ao fogo, à água e a muitas outras coisas absurdas." Vemos aqui como se opõe ao melhor, ao que é segundo o entendimento, aquilo que chamamos de causas naturais, como em Leibniz as causae efficientes e finales. Isto explica ainda Sócrates, na prisão, uma hora antes de sua morte, da seguinte maneira: "A mim parecia que ele procedia da mesma maneira como se alguém dissesse que Sócrates faz tudo o que faz com inteligência e se então procurasse indicar os motivos de tudo o que faço, dissesse primeiro que aqui estou sentado porque meu corpo se constitui de ossos e tendões, que os ossos são sólidos e que estão articulados (diaphyás), e que os tendões são capazes de se estender e contrair, que os músculos circundam os ossos com a carne, e a pele envolve tudo; e se ainda recorresse, para explicar as causas de nosso diálogo, a causas como os sons e o ar e o ouvido e mil outras coisas, mas esquecesse de apontar a verdadeira causa (a livre determinação para si a que se subordina o puramente exterior e mecânico), a saber, que, pelo fato de os atenienses considerarem melhor condenar-me, também eu considerar como melhor e mais justo ficar aqui sentado e suportar a pena que eles decidiriam" (devemos lembrar que um de seus amigos tudo preparara para a fuga de Sócrates, mas que este descartara isto), "pois há quanto tempo então já meus ossos e tendões estariam em Mégara ou na Beócia, levados pela opinião do melhor, se eu não considerasse por mais justo e melhor submeter-me ao castigo que o Estado me impõe, em vez de fugir e ir-me embora". Platão contrapõe, aqui, de maneira acertada, os dois tipos de razão e causa: a causa resultante de fins e a causa exterior (explicação química, mecanicismo etc.), para descobrir a falsidade que aqui se põe, no exemplo de um

homem com consciência. Anaxágoras tinha a impressão de determinar aqui um fim, de dele querer partir; deixa isto, porém, novamente de lado e passa para causas inteiramente exteriores. "Chamar, porém, aquilo (os ossos e tendões) de causas é inteiramente inadequado (errado). Se, porém, alguém vem e me diz que, sem ter tais ossos e tendões e todo o resto que tenho, eu nada poderia fazer daquilo que tenho por melhor (tà dóxantá moi), tem ele toda razão. Mas que faça por tais causas o que faço e que com inteligência faço, que eu não o faça por escolha do melhor (tei tou beltístou hairései) — afirmar isto é uma grande leviandade; isto significa não saber fazer a diferença entre a verdadeira causa (tò aítion toi ónti) e aquilo sem o qual a causa não poderia ativar-se" — a condição. E isto que Platão diz de Anaxágoras, que o Nous é apenas formal e que assim permanece. Isto é um bom exemplo que nos mostra que sentimos a falta do fim em tais tipos de esclarecimento. Mas, de outro lado, não é um bom exemplo, porque foi tomado do domínio do arbítrio consciente de si — consideração e não fim sem consciência. 1) Neste julgamento do Nous de Anaxágoras podemos ver expresso, de modo geral, que Anaxágoras não aplicou na realidade o seu Nous. Mas, 2) o elemento positivo no julgamento de Sócrates parece-nos também, de outro lado, insuficiente, enquanto passa para o extremo oposto, exigindo causas para a natureza que não parecem estar nela, mas que estão fora dela, na consciência como tal. Pois o que é bom e belo é, em parte, pensamento da consciência como tal; fim e agir segundo um fim é primeiro um agir da consciência, não da natureza. Ou, na medida em que fins são postos na natureza, o fim enquanto fim situa-se fora dela; como tal não está ele nela mesma (isto faz parte de nosso juízo), mas na natureza estão apenas aquelas que chamamos causas naturais e para compreendê-la precisamos procurar e indicar apenas causas imanentes a ela. Conforme isto, distinguimos, por exemplo, em Sócrates o fim e a razão de seu agir com consciência e as causas de seu agir real; este último o procuraríamos, sem dúvida, em seus ossos, tendões, nervos etc.

Enquanto condenamos a consideração da natureza segundo fins — como nossos pensamentos, e não como ser da natureza —, afastamos da consideração da natureza, portanto, a consideração teleológica em geral arbitrária; por exemplo, o capim cresce para que os bichos o devorem — e estes são e devoram capim para que nós o devoremos. O fim das árvores seria que seus frutos fossem consumidos e que dessem lenha para a calefação; muitos animais possuem pêlos para vestidos quentes; o mar em climas nórdicos arrastaria troncos para a praia, porque essas praias não têm lenha; os habitantes, portanto, a obteriam assim etc. Representado assim, o fim, o bem situa-se fora da coisa mesma. A natureza da coisa não é então considerada em si para si, mas apenas em relação a um outro com que nada tem a ver. A árvore, o capim são para si como seres naturais; e a finalidade, por exemplo, que o capim seja devorado, nada tem a ver com o capim enquanto capim — como nada tem a ver o animal com o fato de o homem vestir suas peles. E esta consideração da natureza como tal que Sócrates parece não encontrá-la em Anaxágoras. Mas este sentido de bem e de finalismo que nos é costumeiro, em parte, não é o único e não é o sentido de Platão; em parte, também este é necessário. Nós devemos, 1) representar o bem ou o fim de maneira tão unilateral que nós, uma vez postos no ser como tal que os representa, os pomos em oposição aos entes; mas devemos, uma vez libertados desta forma, tomá-los segundo a essência deles — então é universal, gênero, a idéia da essência inteira. Esta é a verdadeira causa, mas causa que se volta sobre si: fim, enquanto universal, como algo primeiro que é em si, de onde parte o movimento e que se torna em resultado — não apenas fim na representação antes que seja sua realidade efetiva, mas também na realidade. O devir é o movimento pelo qual se torna a realidade e a totalidade; no animal, na planta, sua essência é o gênero — é como o universal que começa seu movimento e o que produz. Esta totalidade é todo (planta, animal etc.), mas este todo não é produto que vem de estranho, mas seu próprio produto; é o que primeiro está

presente, o primeiro, o que se produz a si mesmo. Assim chama-se fim; é como universal, como em seu devir enquanto ente. A idéia não é uma coisa particular que tivesse um conteúdo outro que a realidade ou que parecesse bem diferente. Este universal, a), enquanto ainda não produzido é fim: germe, semente, criança, não é ainda como fim realizado — universal como tal; b) o que produz seu movimento, a realização é o mesmo: torna-se o que já em si é — planta, animal. A oposição é apenas oposição formal da possibilidade e da realidade efetiva; a substância em ação que impulsiona e o produto são a mesma coisa. Esta realização, este movimento, passa através da oposição; o negativo neste universal é este processo, este movimento mesmo. O gênero, o universal se opõe como individual ao individual e ao universal. Assim o gênero se realiza no que é vivo, na oposição dos sexos opostos; sua essência, porém, é o gênero universal. Eles, enquanto indivíduos, visam sua autoconservação como indivíduos, comendo, bebendo etc., mas o que com isto realizam é o gênero. Os indivíduos se sobressumem, apenas o gênero é o que sempre é produzido; a planta produz apenas a mesma planta — o universal é a razão (o motivo). 2) De acordo com o que foi exposto, é preciso determinar o que simplesmente foi chamado de causa natural, daquilo que se chamou causa final. Se isolo a individualidade e apenas a olho como movimento e os momentos da mesma, então aponto o que são causas naturais. Por exemplo: de onde surgiu este ser vivo? Pela sua geração através de pai e mãe. Qual é a causa destas frutas? A árvore que assim destila os sucos para que precisamente resulte tal fruta. Respostas deste tipo apontam a causa, isto é, a individualidade oposta à individualidade; mas sua essência é o gênero. Mas a natureza não pode produzir a essência como tal. O fim da geração é o sobressumir da individualidade do ser; mas a natureza, que na existência realiza este sobressumir da individualidade, não põe, em seu lugar, o universal, mas uma outra individualidade. Os ossos, tendões etc., produzem um movimento; são causas, mas são através de outras causas, e assim ao infinito. O universal, porém, capta-os como momentos que,

ele mesmo um gênero determinado. fechada em si. E círculo. o animal no ser consciente. como semente que constitui o começo e o fim. autônoma das coisas. b) o bem universal — isto é. isto é a limitação delas como gênero. seu universal (o bem comum). completo em si. mas cuja complementação é. Que as plantas são devoradas por animais parece uma finalidade exterior. aparecem como causas no movimento. então o conceito é a consideração independente. mas é isto a fim de. um passar para um outro círculo — uma espiral. portanto. assim como a terra na planta. mas de maneira tal que a razão destas partes mesmas é o todo. a idéia da planta se relaciona com a idéia de animal. porém. Se considero o animal apenas como tendo finalidade exterior. relacionase essencialmente a um outro. ele é essência. Sócrates fala sempre do melhor. O gênero da planta possuía totalidade absoluta de sua realização no animal. cujo ponto central para onde retrocede se localiza imediatamente na periferia de um círculo mais alto que o enlaça. na imbricação com os outros. a essência. como no surgir em que apenas aparece como produto. em Sócrates. é a mesma. feito para outro. universal em si e para si. do mesmo modo. Mas é também unilateral que a planta seja apenas em si e para si. O fim (o bem) é. mas um outro indivíduo. porém. é o primeiro. 3) Um tal gênero é. Eles não são o primeiro. mas o resultado. Isto é o sistema todo — cada momento passando para o outro. Ele realizase a si mesmo.sem dúvida. Esta forma do fim é aquilo em que aparece. animal. O conceito é aquilo que as coisas são em si mesmas e para si mesmas. aquilo que chamamos Nous. fim em si mesma. é bom. Se dissermos que a natureza das coisas deve ser reconhecida segundo o conceito. Isto é o duplo modo de considerar: a) cada idéia é círculo em si mesma — planta. ao mesmo tempo. produto da natureza. modifica-se. o momento ali dentro. . ser vestimenta etc. no qual se transformam os sucos das plantas etc. O universal move-se para diante. sou unilateral.. o bem de sua espécie. por exemplo. aquele universal. do fim. apenas voltando-se sobre si — também não nesta particularidade de ser devorada.

que ordeno. mas uma determinação que lhes é estranha. Ele contém a relação das causas naturais. Mas. Até à invisibilidade do sensível (supra-sensível) chega. o pensamento. "Universal" é uma determinação precária. Mas esta determinação não é própria delas. É este o sentido em questão quando nos representamos que o entendimento.conservar-se a si mesmo. Mas ser. devemos evitar que terminemos acreditando que com isto abandonamos o ser e passamos para a consciência como oposta ao ser — deste modo o universal perderia inteiramente sua significação especulativa —. opondo-se a mim. Nesta passagem. oposta ao ser. parece ser pouco. Assim falamos em fim último do mundo. mas dele não sabe enquanto é essência. puro pensamento. sem esta oposição. cada um sabe do universal. matéria que eu formo. Pois. ponto até ao qual chegou a representação . é ele mesmo universal. possui a significação daquilo que se opõe a este ser-refletido em si mesmo. o pensamento deve permanecer na Filosofia. — como é a atividade da consciência individual. situação na qual eu estou aqui num lado. deste ponto de vista. Este conceito é o fim. ordenando-o etc. assim. ele é o imanente. Estas elucidações são aqui necessárias. o universal tem a reflexão imediatamente em si mesmo. uma realidade efetiva. se nisto temos presente que ser é absoluta abstração. mas não até à determinação positiva — o absoluto sem predicado é o puramente negativo —. pode-se pensar isto de maneira exterior. são para um fim. Ser. Do mesmo modo. porém. assim as coisas são úteis. mas o universal é imanente à natureza. O fim é primeiro determinação (segundo a representação) que se situa fora das coisas. enquanto é assim posto como ser. mas o universal. vemos a idéia especulativa passar mais para o universal — antes enunciada como o ser e os momentos e movimento também enunciados como sendo. ao pensamento. Até aqui propriamente chegaram os antigos. sem dúvida. o pensamento (Nous) faz o mundo. puro ser. que divido desta e daquela maneira. a lembrança é nossa. No fim não devemos representar-nos alguma coisa a que o fim fosse exterior. e em minha frente.

pois as homeomerias são infinitamente pequenas. de maneira tal. pois o ser existente é um amontoado de homeomerias. reconheceu o pensamento enquanto essência. o Nous como o universal. Assim vemos. precárias. Assim. não perdura. Esta relação da consciência é determinada pelo modo como ele determinou a essência. pois nesta estão as homeomerias e elas mesmas são em si. já que ele. 162 Contra os Matem. Sobre isto nada de satisfatório pode ser encontrado. o pensar possui aqui apenas poucas determinações e estas não podem perdurar. Mas o pensar ainda é jovem. sem. b) que esta é sem pensamento para si. o universal deve surgir para si. a) de um lado. do número etc.. mas que assim é o ser sensível. a) em Sexto. VII. Com este achado do pensamento encerramos a primeira seção. A safra do primeiro período não é muito grande. as determinações são ainda pobres. sem dúvida.. portanto. absoluto.162 que o entendimento (logos) é o critério da verdade: "Os sentidos não podem julgar a verdade. do ser. Alguns pensam. não sabem que devem ser algo ideal.dos dias atuais. realizar este pensamento mesmo na realidade. O mesmo caráter múltiplo pode ter a relação da consciência com a essência. que põe conteúdo por si mesmo e nele se conserva. isto é. Anaxágoras pode também dizer que a verdade está apenas no pensamento e no conhecimento racional — mas do mesmo modo a percepção sensível. . por causa de sua fraqueza" — fraqueza. em Anaxágoras. porém. mas não até ao positivo em que realmente é pensado como universal. abstratas. enquanto uma multidão imensa de homeomerias. Com este princípio penetramos no segundo período. Devemos ainda considerar a relação do universal enquanto oposto ao ser ou à consciência como tal. que nisto há ainda uma sabedoria particular. Apenas em Anaxágoras vemos determinado o universal como a atividade que a si mesma se determina. em sua relação com o ente. enquanto uma infinita multidão de seres-em-si sensíveis. os sentidos não conseguem captá-las. §§ 89-91. Assim encontramos dele. O princípio da água.

Esta é apenas o ser. podemos ver na tão criticada sabedoria do mundo dos sofistas. no qual a essência passa inteiramente para o lado da consciência. Aristóteles. Assim. mas o que é. portanto. tudo seria não-verdadeiro. portanto. ele colocou aqui.. E conhecido. não há dúvida. Mas com isto não se pode fazer muita coisa.164 Assim.pensado. é apenas no conhecer. § 33. pois. O espírito não deve mais procurar a essência em algo estranho. 13. de tal modo que. Com isto. portanto. . Um conhecido exemplo disto deu ele. em outra passagem. isto é. 7. Este desenvolvimento do universal. IV. Afeta/. mas o universal. por conseguinte. 5. Aqui. O espírito progrediu até expressar a essência como pensamento. mas em si mesmo. ou não há outro ser que o ser do conhecimento da consciência.. porém. pois o que de resto parece estranho é pensamento. mas também na consciência. e somente esta é a essência: o saber a respeito dela. começa um desenvolvimento mais determinado da relação da consciência com o ser. o nãoindividual. a consciência tem esta essência em si mesma. 163 164 165 Sexto Empírico. a percepção sensível toma as coisas como na verdade são. na medida em que a consciência a conhece. nada é verdadeiro. afirmando "que a neve é preta. enquanto os lados da oposição estão misturados. Ibid. a verdade num fundamento. enquanto o ser existente é um amontoado de homeomerias que são a essência existente. é a essência enquanto é na consciência como tal — em si. como eles as percebem (como lhes aparecem).163 b) Anaxágoras teria dito que algo estaria entre a oposição (antipháseos). IV. o em-si está sobressumido. I. Esboços Pirrònicos. o desenvolvimento da natureza do conhecimento enquanto conhecimento do verdadeiro. efetivamente. Isto pode referir-se ao fato de que. o que foi misturado não é nem bom nem mau e. cita Aristóteles165 que um de seus apotegmas contra seus alunos teria sido que as coisas seriam (para eles) assim. pois o ser-em-si é o não-oposto. pois é água e a água é preta". Mas esta consciência oposta é uma consciência individual.

369. 379-404) .Podemos tomá-lo como sendo isto o fato de que a natureza negativa do universal agora se desenvolve. pp. (Preleções sobre a História da Filosofia.

-FLORESCEU CERCA DE 430 A. É contemporâneo de Anaxágoras. A.) DADOS BIOGRÁFICOS LEUCIPO NASCEU provavelmente em Mileto (segundo outros. E freqüentemente associado a Demócrito. a Melisso. de José Cavalcante de Souza 1. 1788 (DK 67 B Ia). unidades). em Eléia ou Abdera).. Papiro Hercul. turbilhão (termos encontrados num papiro restaurado. 166 No grego.C. e. segundo outros. Diz (Leucipo) no livro Sobre o Espírito: Nenhuma coisa se engendra ao acaso.. 1. GRANDE ORDEM DO MUNDO (título de um livro atribuído a Demócrito em Aquiles. I.. (N. Introdução.FRAGMENTOS Trad.) . Ia. 2. depois desenvolvida e elaborada por Demócrito. AÉCIO. não-cortáveis). Segundo uns. logos. seção. pode ter sido apenas uma seção da primeira. 13 (DK 67 B 1). 2. direção. contato. no entanto. A . forma). Átomos (i.C. entrelaçamento. — Atribui-se-lhe a autoria de duas obras: A Grande Ordem do Mundo e Sobre o Espírito. 4 (DK 67 B 2).LEUCIPO DE MILETO (NASCEU CERCA DE 500 A. dos sofistas e de Sócrates. Aristóteles considera Leucipo o criador da teoria dos átomos. e. 24. e. A última. em que Demócrito é acusado de plagiar A Grande Ordem do Mundo de Leucipo). do T. teve como mestre a Zenão. ritmo (i. Introdução. 13). AQUILES. mas todas (a partir) de razão166 e por necessidade. grande vazio. maciços (i.

o peso. o não-ser não é. Para o lado do não-ser cai tudo que é negativo enquanto tal. a essência são justamente as determinações universais. novamente despertado em tempos bem recentes. Hegel Trad. efetivamente de modo universal. sem dúvida. Ao corpo nada resta enquanto tal para a essência que a pura individualidade — sendo esta a determinação da essência. F. distinguido as qualidades universais dos corpos das coisas sensíveis. e a unidade enquanto unidade destes predicados constitui sua essência. de Ernildo Stein LEUCIPO É FUNDADOR do célebre sistema atomístico. a figura. Mas deve ser atribuído como grande mérito a Leucipo o fato de ele ter. mas de maneira especulativa. ele é. a impenetrabilidade. como o movimento.CRÍTICA MODERNA 1. sob o ponto de vista especulativo. ou elas são essencialidades — os conceitos universais são essência ou são entes em si. por exemplo. Ser ainda não é a unidade a caminho do retorno a si ou já definitivamente retornado.B . como é expresso em nossa física corrente. valeu como o princípio da pesquisa natural racional. ou elas são o conteúdo abstrato e a realidade da essência. A qualidade universal chama-se especulativa. Mas. pelo fato de ele ter determinado o elemento corpóreo através do conceito ou pelo fato de ter determinado a essência do corpo. quando se afirma que apenas o ser é. então a gente imagina que a representação indeterminada "corpo" é a essência e sua essência algo diferente que estas qualidades. o pensar etc. e pouca coisa nele pode ser encontrada. Mas ele é unidade de opostos. precário. Georg W. Do . Leucipo concebeu a determinidade do ser não daquele modo superficial. como o movimento de Heráclito e o universal. a mudança. — tudo isto são determinações que são suprimidas. Lembremo-nos de que já vimos que na filosofia eleática o ser e o não-ser se apresentam como oposição: só o ser é. o qual. Se tomarmos este sistema por si. Quando se diz que o corpo possui esta qualidade universal.

Leucipo afirma como sendo ente. pode ser dito que a afirmação de que é apenas o ser tanto contradiz aos olhos como ao pensamento. estava presente nos eleatas.. Não apenas os átomos. apenas sensível. em Heráclito. a mudança. mais exatamente. ser e não-ser são o mesmo. ambos expressos com a determinação de algo objetivo ou como são na intuição sensível. e isto eles determinaram como o negativo. esta determinação não tínhamos ainda. em Leucipo. Isto esclarece a significação seguinte. o ente-em-si-e-para-si. isto é uma determinação importante. caem a diferença. 1. então. na verdade. o pleno. o movimento etc. 4. E isto que afirma Leucipo. são. é o ser. a oposição do pleno e do vazio (tò pléres kaì tò kenón). suas determinações. mas o não-ser. por exemplo. O vazio é o nada posto como ente. ainda que precária. suas significações. como o vazio. este nada. encontramos agora a determinação do um. é o processo. o universal abstrato. na percepção sensível imediata. não determinado em si. como falamos. se a separarmos novamente desta unidade: O ser é. na idéia de Heráclito. como nós o representamos. Ou. o que. também é do mesmo modo. Metafísica. E isto então a primeira manifestação do sistema atomístico. porém. ou ser é tanto predicado do ser como do não-ser. é que o átomo e o vazio são o verdadeiro. a ele oposto. Pois é este nada que os eleatas suprimiram. Deste princípio em si mesmo devemos apontar agora. flutuando no ar — o que está "entre" é do mesmo modo necessário. não apenas este um sozinho. a determinação do ser-para-si. O absoluto é o átomo e o vazio (tà átoma kai tò kenón). porém. possuem estes dois momentos. o ser posto como objeto enquanto tal.lado do qual se afirma que. Isto são essências fundamentais e produtos e todos167 — ser-para-outro e reflexão-em-si. pois o pleno é igual a si mesmo como o vazio. possui o átomo como seu princípio. já que é um com o ser. a) O primeiro é o um. ambos têm valor igual. O princípio. O ser e o não-ser. . O pleno é indeterminado. Em Parmênides. portanto. do ser167 Aristóteles.

é relação consigo. 3. mas o fato de algo ter sido posto. Lógica. parte 5. O princípio atomístico não passou. 372 ss. Parmênides diz que o nada não é. liv. este é ser. excluo-o de mim enquanto aparece como exterior. liv. que do mesmo modo é resultado. seção 2. porém. Quando digo eu sou para mim. como eu designo. do ser é então aquela segundo a qual o um é o ser-para-si. vem então primeiro o existir. mas nego em mim todo o resto. cap. é ser. mas uma mediação que igualmente foi sobressumida. 2. devir. afirmativa. Eu sou para mim. então não apenas sou. de ambos serem. I. cf. isto é o princípio do ser-para-si que em Leucipo se tornou consciência. por este lado deve sempre ser. da unidade. 115 ss. em Heráclito. assim. a negatividade absoluta. o ser e o nada estavam num processo. afirmação.169 Este é. seção 1. cf. E o processo do ser. pág. determinação absoluta. a aparência. . através da negação do ser-outro. O devir é apenas a passagem do ser para o nada e do nada para o ser. faz parte da esfera do fenômeno e não pode assim tornar-se princípio da Filosofia. I. nisto está contida a mediação. É a negação do ser-outro — isto é negação contra mim. O ser-para-sí é uma determinação essencial e necessária do pensamento. O um é agora e é sempre e deve aparecer em cada filosofia lógica. O desenvolvimento da Filosofia na história deve corresponder ao desenvolvimento da Filosofia lógica. esta negação da negação é. Mas também é importante que o ser-para-si seja também determinado de maneira mais rica. simples relação consigo mesmo. então nego o ser-outro. A determinação concreta do um. parte 5. Leucipo tem também o positivo como o um que-é-para-si o negativo como o vazio.para-si. mediado através de um outro — mas através da negação do outro. Assim o ser-para-si é negação da negação e esta é. como momento essencial. O ser-para-si é um grande princípio. simplesmente junto a si. cap. o negativo.168 mas não como último. Esta relação comigo no ser-para-si é. onde tudo é negado. enquanto ser. mas nesta deve haver 168 169 Lógica. Ao nível lógico. o que aparece. portanto. pág.

O princípio do um é totalmente ideal pertence inteiramente ao pensamento. é a categoria de nossa consciência destituída de pensamento. indivisível. infinitamente pleno. diz-se. Por exemplo. ainda que tenda a tornar-se concreto. sem dúvida. O Estado deve repousar sobre a vontade universal. Em Leucipo vemos então aquele princípio. os átomos de Leucipo não são as moléculas. a representação de que "os átomos são invisíveis" . na lei e na vontade. no direito.passagens que. esta é a vontade que é em si para si ou a vontade do particular. da subjetividade. estas são relativas. mas. Em Leucipo o um é ainda o um abstrato. desaparecem. O átomo pode ser tomado de modo material. Se se quisesse. quando também se reconhece no concreto. estas são as grandes determinações e a gente apenas sabe o que possui nestas determinações precárias. Estas são as teorias mais novas sobre o Estado que também se fizeram valer praticamente. aparece também no mundo do espírito. um. as partes minúsculas da Física. que também aí são a coisa mais importante. O princípio é. O espírito também é átomo. assim o Contrato Social de Rousseau. mas nisto as coisas caminham ainda muito precariamente. Em Leucipo e Demócrito esta determinidade permaneceu física. no desenvolvimento na história. enquanto um em si. em outra forma. Aparece assim. na liberdade. é isto que importa. é o absoluto. são finitas e possuem uma relação uma com a outra. a determinação da subjetividade) — o universal em face da individualidade. por exemplo. do ser. o último é atomístico. E disto que se trata em todas as coisas. em Leucipo. puramente intelectual. enquanto átomo. então seria aquilo que nós temos na consciência: São coisas. mas ele é não-sensível. elas estão aí. trata-se apenas desta oposição de universalidade e particularidade. transformar a existência num princípio. A determinação essencial é o um em face da unidade. ainda muito abstrato. a individualidade (o átomo é o individual. Na esfera da vontade pode surgir o ponto de vista de que no Estado a vontade particular. Tudo isto provém da determinação do pensamento do um. mesmo se se quisesse dizer que os átomos existem.

Todas as outras categorias têm seu lugar aqui. O princípio do um é. investigar. mas assim que o pensamento é a verdadeira essência das coisas. Sua combinação constitui o originar-se" — isto é. Leucipo também o entendeu assim. Mas isto é apenas um subterfúgio. porém. 8. .170 — como nos tempos atuais se fala das molécules. mas é algo infinitamente múltiplo. pelo contrário. o interior — a alma —. ele reconhece o mundo da experiência como o único real objetivo e os corpos como a única espécie de seres". inteiramente ideal. b) "Indivíduo" é a tradução de "átomo". mas seu contato não faz com que se tornem um. através do microscópio. Tennemann diz. mas o aspecto insuficiente se manifesta. imediatamente um singular concreto. Estes princípios devem ser altamente respeitados. particularmente vê-lo e senti-lo. e sua filosofia não é. Assim quer-se. não. pois constituem um progresso. Sobre a Geração e Corrupção. ainda que assim apenas nos representemos. Mas o átomo e o vazio não são coisas da experiência. como se estivesse apenas na mente. o que se mostra é sempre matéria que é composta. na cabeça. portanto. atingi-lo no elemento orgânico. nisto. "A atividade e passividade consistem no fato de tocarem-se. Estes infinitamente muitos movemse no vazio. tão logo avancemos mais com eles. pois. de maneira alguma. pois o vazio é. de uma coisa existente que é para os sentidos — "a dissolução e separação constituem o desaparecer". A outra representação de tudo que é concreto e efetivamente real é: "O pleno não é algo simples. Leucipo diz: Não é pelos sentidos que tomamos consciência do verdadeiro — idealismo no sentido mais alto. em tempos recentes. 170 Aristóteles. I. de que não podemos vê-los "por causa da pequenez de sua corporalidade". porque é um elemento abstrato do pensamento. não idealismo subjetivo. Com lentes e medidores não se pode mostrar o átomo (o mesmo acontecendo com as qualidades sensíveis do ver e ouvir).(aórata). daquilo que é realmente (abstratamente) um. 0 um não se pode ver. empírica. bem erradamente: "O sistema de Leucipo é o oposto do sistema eleático.

é um e infinitamente muitos um. 3) Fixados ambos. o estranho para eles.não se origina uma multidão. desta maneira. três moedas etc. o ser e o não-ser. Isto são suas proposições. isto não é atividade destas moedas nem uma passividade. estes entes que são em si e para si ainda permanecem separados — nenhuma relação neles mesmos. é. O vazio. são ligados como independentes. nada é mais admissível para a representação que deixar flutuar. mas a pura continuidade. na continuidade que é. independentes. não é uma relação entre elas.. quando conto uma. em si e para si. no fundo. estão relacionados entre si. os átomos movem-se no vazio. isto é. duas. e isto é como que uma solicitação deles a preencher este vazio. enquanto um ser-para-si-mesmo um outro para si. em sua multiplicidade. saímos deles. os átomos. a negatividade em si. por exemplo. sendo assim apenas 171 Ibiáem. entes. de maneira tal que sua unificação é apenas uma relação superficial. isto é. Os átomos. mas isolamento. uma síntese que não é determinada pela natureza do que foi unido. pelo vazio. Este vazio é também o princípio do movimento." Ou: "Não são efetivamente nem passivos nem ativos. e não absolutamente muitos. porém. onde se deveria falar de relação. como já foi lembrado. 1) Primeiramente o pensado é. pois. sua relação é algo diferente que eles. mesmo na união aparente daquilo que chamamos coisas. nem daquilo que é realmente (abstratamente) múltiplo se origina um. mas onde. porém. do mesmo modo. e representados como distintos em relação recíproca (pois em si não possuem diferença) o pleno e o vazio — o ser e o não-ser postos para a consciência. ora separados ora unidos. permanecem o que são. a negá-lo. portanto. mas a relação e separação. que exclui o resto. Mas isto é comportamento inteiramente exterior. quer dizer. 2) O pleno tem. o vínculo da atividade e passividade são unicamente o vazio" — algo puramente negativo para eles. permanecem independentes. não é o que exclui. . Assim. um e continuidade são as oposições. são um entre si. estão separados.171 Vemos que estamos imediatamente nos limites destes pensamentos.

existe a representação do em-si da natureza como tal. pois o fato é. os átomos unificados permanecem reciprocamente exteriores. é para si. o laço que os une é apenas exterior — é uma pura justaposição. pelo fato de não precisar aceitar uma causa do mundo. porém. A atomística opõe-se como tal à representação de uma criação e conservação do mundo por um ser estranho. é simples. a natureza tem a razão em si mesma. Na representação da atomística. Justamente este é o lado satisfatório que a investigação da natureza encontrou em tais pensamentos. como tal ele não tem fundamento. sem necessidade e sem conceito em si. pequenas partículas etc. Mas o mais grave é que assim se dá independência aos átomos. tornando-se a unidade apenas mecânica. foi renovada esta representação de átomos. Tudo que é vivo. isto é. o mundo é contigente. O átomo e o vazio . A investigação da natureza sente-se primeiro libertada. que houve um vazio cheio de átomos. Nos seres abstratos. espiritual etc. se o mundo é representado como criado e conservado. Pois. molécules. e pô-lo como conceito. Mesmo ainda bem recentemente. o pensamento encontra-se a si mesmo nele. assim. não devemos nós I acrescentar o que é afirmado ultimamente. que nisto o ente é em sua oposição como pensado e é pensado enquanto oposto. na atomística. isto é. é. O ser sensível determinado. isto é. apenas unificação. Por mais precária que seja esta representação. só sendo compreensível a partir da vontade de um outro. ainda agora e sempre.. que então depois se combinaram e ordenaram de tal modo que disto tenha surgido este mundo. deve ter uma razão: a causa é o oposto. e com isto é pensado como ente que é em si e para si. que um dia houve no tempo um tal caos. principalmente através de Gassendi.uma união mecânica. que o que-é-em-si é o vazio e o pleno.. Aqui mostra-se logo toda a precariedade. a razão da unidade desta oposição — sua própria determinação. assim como é. ele é representado como não sendo em si e tem seu conceito fora de si. ele possui uma causa estranha a ele. e isto é o que traz satisfação para o conceito justamente compreendê-lo. oposto a um ou enquanto oposto à consciência. isto é.

ou o fato de a essência ser algo pensado em si — mais que este aspecto formal nele não se pode ver nem achar. e isto de modo imediato. A oposição de continuidade e descontinuidade é o primeiro. Donde vem esta determinidade. são. a satisfação logo termina. surgiu assim a relação. Pois estes negativos. isto é. Mas em si é preciso logo ultrapassar estes pensamentos. mantém-nos separados. sem dúvida. magnéticas. forma? Isto é algo inteiramente exterior e casual. para. é determinado concretamente. Se se admitem diversas matérias. . momentos do puro pensamento que este também deve logo ultrapassar. Donde vem a determinação? Como se quer conceber a diferença a partir destes princípios? (No mundo político vem da vontade particular. então não se tem 1) preocupação alguma pela unidade. o um. 2) não se diz palavra alguma racional sobre a passagem dos fenômenos — apenas restam tautologias. vê-se logo o inconseqüente. Que se queira explicar uma planta. ou sua essência é posta como pura continuidade — eles juntam-se. porém. de seu ser-em-si-e-para-si. enquanto ser-para-si. Se partirmos de uma visão da natureza mais ampla. matéria de luz. sendo a pura continuidade — o mesmo que é o vazio. c) Leucipo e Demócrito queriam ir mais longe. num amontoado. procurou introduzir a distinção. o insuficiente. elétricas. iguais em si. Sente-se a falta da distinção determinada. surgiu então a necessidade de uma diferença mais determinada que esta superficial diferença de união-separação. estes um. girar mecânico das molécules.são conceitos simples. os átomos são indistinguíveis. A representação. mais rica e exigirmos que também ela seja compreendida a partir da atomística. na natureza. a oposição do um e da continuidade. mas são iguais. muito mais que este aspecto formal — o fato de terem sido levantados princípios simples absolutamente universais. o fato de o pensamento neles se encontrar. de algum modo. Mas o que é.) Em Leucipo. perde toda determinidade. pelo contrário. dá-lhes um ser representado sob o ponto de vista sensível. como cor. Porém. com ela poder progredir. a supressão destes átomos. não são em si para si.

comparados entre si. indiferentes dos mesmos. também é em si. do ente que é em si e para si. quando avança e diz que o átomo tem forma em si. mas não do conceito. portanto. afirmando que o nada tanto é como o ser. 2) pela ordem (lugar). Vemos que também isto são novamente determinações exteriores. são entre si plenamente iguais. do simples. E preciso avançar em direção da figuração. "e ele representou assim como ente. a essência da intuição sensível. o movimento. como uma separação e união dos átomos. o ser. nos átomos mesmos. l. 4. porque eles são puramente autônomos e sua essência não é o processo. Os átomos são o um absolutamente simples. 3) pela posição. de figura e ordem nem se pode falar aqui. É por isso que justamente são postos como desiguais e sua diferença é afirmada também como infinita. se estão em posição ereta ou se estão deitados.. Aristóteles cita172 que ele teria dito que os átomos são distintos 1) segundo a figura. . como A de N. Daí viriam todas as diferenças. Estas determinações. nem são capazes de uma tal diferença. posição são relações não essenciais — relações que não atingem a natureza da coisa em si. mas até lá há 172 173 Afeto/. ordem. Mas isto não acontece. assim. são. 8. mas o simples é. e isto está necessariamente no conceito. enquanto aceito como independente — em matérias.acrescentando mais determinações aos átomos. como AN de NA. mas cuja unidade e relação estão apenas em um outro — indiferentes. ele também consegue aproximar. não pelo conceito. com efeito. mas em algo estranho neles. perfeitamente iguais. Sobre a Geração e Corrupção. o surgir e o desaparecer. como Z e N. I. Figura. Para si esta distinção já é inconseqüente. Aristóteles diz de Leucipo173 "que ele queria aproximar o pensamento do fenômeno e da percepção sensível". sua posição não é diferença. Leucipo procura determinar esta diferença mais claramente de três maneiras. Mas. determinações indiferentes. relacionado com sua essência. devir que também é para a intuição sensível.

todas as outras determinações devem ser compreendidas a partir destas. só a maneira é falsa. É o impulso da razão.. Todas as qualidades sensíveis "são reduzidas à figura". Leucipo limita a isto qualquer outra determinação. estão deste lado. por convenção existe a cor. (. Assim vemos. . um tal arranjo de molécules é uma generalidade indeterminada que nada diz. por exemplo. por convenção existe o frio. os franceses. pois reduzem tudo ao sentido do tato". segundo a verdade 174 Sobre a Sensação. 4.. Este princípio material é mecânico. O preto e o branco são tão diferentes. Disse ele: "Por convenção (nómôi) existe o quente. que torna algo passível de ter gosto. na medida em que querem tornar palpável tudo o que pode ser sentido.ainda um longo caminho. dizem eles. à diversa combinação de moléculas. o caminho da determinação da continuidade e da separação.. Aristóteles diz:174 "Demócrito e a maioria dos antigos filósofos são muito desajeitados quando falam do sensível. uma das quais aquelas também parecem que dizem que a matéria é autônoma e que tem peso. Mas com isto pouco se pode fazer. de poder ser cheirado. porque: "O preto é o áspero e o branco é o liso" — tentativa que também fez a atomística dos novos tempos. Vemos ainda que Leucipo ousou uma construção do mundo a partir destes princípios dos átomos e do vazio que parece estranha.) Já foi lembrado que Demócrito assumiu inteiramente o sistema de Leucipo. aduzida a determinação da figura. o doce e o amargo. Todo concreto é apenas justaposição exterior.. vazia e sem sentido. Nestas determinações desta filosofia reside a distinção entre qualidades essenciais e inessenciais — primárias e secundárias —. não há nenhuma determinidade imanente. cap. a passagem para mais determinações mecânicas não é possível ou mostra-se precária. desde Descartes. a não ser constatar sua precariedade..

a origem das sensações. IV. 354-368) 2. pp. entre outras coisas. minha. ao mesmo tempo.177 Mas nada se diz sobre como os momentos — a figura. o fundador do atomismo. visto ter sido ele quem realmente respondeu à 175 176 177 Sexto Empírico. existe apenas o que é indivisível e o vazio". as portas para o mau idealismo. enquanto outros apenas falam de ilusão. Mas com isto se abrem. não há dúvida. na forma do ser. Pois em si é apenas o vazio e indivisível e suas determinações: para um outro é ser indiferente. da sensação. idealismo que pensa ter resolvido o problema do objetivo quando o consegui pôr em relação com a consciência e dele apenas diz: é minha sensação. a diferença dos momentos do ser-em-si e do ser-para-outro. ordem e posição que são as únicas determinações do que é-em-si — são percebidos como cor e cores distintas etc. Da Alma. Com isto."176 Sabemos ainda que se ocupou com o estado de coisas da consciência. (Preleções sobre a História da Filosofia. Contra os Matemáticos. 2. mas permanece ainda a mesma multiplicidade sensível. 8.(eteei). Aristóteles. mas não vale a pena citá-la.175 Narra-se. VII. I. que ele teria ampliado o pensamento de Leucipo. está sobressumida a particularidade sensível. Com ele também começou a idéia de que das coisas se depreendem tênues superfícies que penetram nos olhos e nos ouvidos etc. Plutarco. Das Sentenças dos Filósofos. Burnet Trad. destituída de conceito. de Arnildo Devegili PARÂGRAFO 76 — A última parte de nossa história encerra-se com Leucipo. na qual não há nada de razão. sobre isto se conservou alguma coisa. "A alma se constitui de átomos esféricos. e 2) que a aspiração da razão é compreender os fenômenos. § 135. sem dúvida. aquilo que foi percebido. o calor etc. Vemos que Demócrito expressou. . e com esta multiplicidade este idealismo não mais se preocupa. de modo mais determinado. procurando explicar. 0 que aqui apenas se vê é que 1) a realidade fica com seu direito. é posta uma multiplicidade sensível. J.

entre as doutrinas de Leucipo e Demócrito. donde se deduziu serem impossíveis a multiplicidade e o movimento. Tem-se a impressão de que ele estava ansioso para fazer uma declaração mais estritamente histórica do que a usual. §§ 171 e ss. a sua existência real. Teofrasto mostrou-se indeciso ao afirmar se Leucipo era natural de Mileto ou de Eléia. em alguns pontos. apresenta um relato perfeitamente claro e inteligível da maneira como surgiu. com certa probabilidade. na verdade. originou-se do fato de os eleatas negarem o vazio. tendo sofrido influência de Parmênides em Eléia ou em qualquer outra parte. especialmente. Tem-se a impressão de que escritor algum. não parece fazer alusão à teoria. de Zenão.178 Quase nada se sabe a respeito da sua vida. . após Teofrasto. Leucipo achou ter descoberto a teoria que evitaria esta conseqüência. Parágrafo 77 — Aristóteles. segunda edição. porquanto não há indícios de que a teoria atômica bem conhecida em Atenas até a época de Aristóteles. embora ela lhe teria. que na falta de Platão é a nossa autoridade principal no que diz respeito ao atomismo. que fez distinção. pois na Academia muito pouco se conhecia sobre o atomismo. fora capaz de diferençar o ensinamento dele do de seu discípulo mais famoso. É certo que Aristóteles e Teofrasto o consideravam como o verdadeiro autor da teoria atômica. e é impossível que tenham se enganado em tal assunto. seu livro parece ter sido inserido nas obras colecionadas de Demócrito.questão de Tales. com certeza interessado se a tivesse conhecido. e podemos inferir. particularmente Teofrasto. que ele era de Mileto. Chegou-se a negar. em particular. A última alternativa alicerça-se sem dúvida na afirmação de que ele fora discípulo dos eleatas e. embora sobre fundamentos totalmente insuficientes. Segundo ele. Platão. Veremos que isto é confirmado plenamente por tudo o que sabemos sobre a origem da sua doutrina. Não é provável que tenha estado em Atenas. Admitiu que não poderia haver 178 Aurora da Filosofia Grega.

no sentido de Parmênides. ao passo que o vazio de Leucipo era realmente um vácuo. Em primeiro lugar. a existência do espaço vazio. Estava pleno (nastón). tanto quanto pudesse. cada uma delas deveria ser tal como ele julgou o Uno realizável. Entretanto. Em outras palavras. especialmente por Gomperz. foi afirmado de um modo lógico e coerente. salvar. Isto. porém. ou.179 Além do espaço havia corpo. os epicureus afirmavam que todos os átomos estão caindo eternamente pelo espaço infinito. mas cada um possuindo todos os sinais do real único dos eleatas. Conforme vimos (parágrafo 68).movimento se não houvesse o vazio. a filosofia de Anaxímenes. foi possível afirmar que havia um número infinito de tais reais. Teofrasto afirmou claramente que Leucipo foi membro da escola de Parmênides e Zenão. pelo menos. Em época posterior. ao qual Leucipo atribuiu todas as caraterísticas do real dos eleatas. em particular. Melisso já havia insinuado que. Não há necessidade de atribuir esta concepção não científica aos primeiros atomistas. O pluralismo. O que não é (tò mè ón). devido à aceitação da hipótese do espaço vazio. É verdade realmente que Leucipo de Mileto estava preocupado em defender a antiga cosmologia jônica e. tencionou com isso levar a uma reductio ad absurdum do pluralismo. O vazio dos pitagóricos era identificado mais ou menos com o "ar". em segundo lugar. se as coisas são muitas. e as suas combinações podem dar origem às coisas que percebemos com os sentidos. Movem-se no espaço vazio. não reputavam o peso como uma propriedade primária dos átomos. é exatamente tanto quanto o que é (tò ón). Leucipo foi o primeiro filósofo a afirmar. com plena consciência do que estava fazendo. como veremos. mas não era único. não existia nele espaço vazio. não tem relação com o ponto em questão. Parágrafo 78 — A natureza do movimento original que Leucipo atribuiu aos átomos foi muito discutida. mas Leucipo o acatou e fundamentou sobre ele o seu sistema. Anaxágoras agiu da mesma maneira (parágrafo 61). . dispomos de 179 A origem aristotélica do atomismo como proveniente do eleatismo tem sido contestada. e em particular cada um indivisível (átomon) como este. invisíveis por serem de tamanho diminuto. e por isso era difícil para eles explicar como os átomos poderiam estar em contato uns com os outros. em outras palavras. e concluiu que era falso identificar o vazio com o não-existente.

mesmo quando não há vento. Para os primeiros atomistas. Diógenes Laércio. Tal átomo seria a mesma coisa que a Esfera de Parmênides. naturalmente. meio ou fim no vazio infinito.provas de que Demócrito afirmou que não havia em cima ou embaixo. mas são fisicamente indivisíveis.181 e. a verdade é que todos os átomos são invisíveis. 17. teve o mérito de prescindir da teoria da leveza absoluta de Aristóteles. mas não considerou o peso como uma propriedade primária dos corpos. Da Alma. Porém. não fosse por causa do espaço vazio fora dela e a pluralidade de universos. mas apenas ao peso e leveza relativos. Podemos. Parágrafo 79 — Os átomos não são matematicamente indivisíveis como as mônadas dos pitagóricos. pois há lugar para uma variedade infinita de tamanhos aquém do limite do minimum visibile (mínimo visível). 180 181 Cícero. Isto não quer dizer. não há motivo por que um átomo não possa ser tão grande como um universo. . 44. conforme o caso. 403 b. Aristóteles. então. Sobre os Fins. resultando nos "movimentos naturais" dos elementos para cima e para baixo. é de supor que ele considerou o movimento original dos outros átomos de idêntica maneira. 31. Leucipo explicou o fenômeno do peso de acordo com o tamanho dos átomos e as suas combinações. considerar que o movimento original dos átomos ocorre em todas as direções e veremos que isto só será tomado em conta para a formação dos universos. que todos eles sejam do mesmo tamanho. com razão. pelo fato de não existir neles espaço vazio. Teoricamente. o peso é somente um fenômeno secundário. porém. I. Mesmo Epicuro. Aristóteles afirma claramente que nenhum dos seus predecessores disse algo com referência ao peso e leveza absolutos. Demócrito comparou os movimentos dos átomos da alma com as partículas no raio de sol que se movem rápida e bruscamente para cá e para lá em qualquer direção. IX.180 Aristóteles criticou tudo isto do ponto de vista da sua própria teoria do peso e leveza absolutos. e a doutrina de Epicuro é provavelmente um resultado desta crítica. sendo Epicuro o primeiro a atribuir peso aos átomos. por conseguinte.

Parágrafo 80 — As diferenças entre os grupos de átomos são devidas à combinação e à posição. que ninguém. não conhecia nada de atomismo. "implicitamente representam todas as coisas também em números e as produzem a partir de números. De qualquer forma. diz ele. jamais o utilizou. "Leucipo e Demócrito". neste caso é ainda mais surpreendente que Demócrito tenha chamado os átomos de "figuras" ou "formas" (ideai). então. para de uma certa maneira ser explicado. até aqui. mas. creio eu. tal parece ser a opinião de Aristóteles. pois a physis (natureza) de todos os átomos é idêntica e cada átomo é um continuum (série contínua). Parágrafo 81 — O primeiro efeito do movimento do átomo é que os átomos maiores se retardam. antes de Aristóteles. os pontos de semelhança entre o pitagorismo e o atomismo haviam sido apontados já por Aristóteles. e é realmente um dos mais notáveis exemplos do verdadeiro talento científico dos filósofos gregos. A concepção de peso absoluto não existe em ciência. do excesso de grandeza182 Note-se que a respeito os primeiros atomistas eram de longe mais científicos do que Epicuro e mesmo do que Aristóteles. e isso encontra-se em Platão que. . enquanto Platão o rejeitou expressamente. é provavelmente de origem pitagórica. embora. Não é certo se o exemplo das letras do alfabeto cotizado por Aristóteles foi dado por Leucipo ou Demócrito. extremamente difícil dizer que os átomos são mônadas pitagóricas dotadas das propriedades da realidade de Parmênides." Não vejo como esta afirmação possa ter algum sentido. não porque são "pesados". mas pelo fato de 182 Não pode haver dúvida de que se trata de massa. e que os elementos que surgem das várias posições e combinações dos átomos são. e. a não ser que consideremos os números pitagóricos como modelos ou "números figurados". É. seja como for. pois explica satisfatoriamente o emprego da palavra stoikheion no sentido de elemento. como vimos. que chegou a ter um conhecimento imediato sobre o assunto. Porém. como os "números" dos pitagóricos.A idéia do vazio também é pitagórica. se bem que teríamos ficado satisfeitos se ele mesmo tivesse dado uma explicação mais completa. não foi formulada com precisão antes de Leucipo.originando-se. isto é provável.

a menos que algo aja sobre ele. Até aqui muito bem. retardando-o ou fazendo-o parar. De modo particular. há um número infinito de lugares onde se estabelece. e a verdade teve de ser redescoberta e firmemente fundamentada por Galileu e Newton. porém ele estudara o assunto muito mais atentamente do que o seu antecessor. de modo geral. um movimento em turbilhão. e. como fazem mais tarde os escritores. foi um desenvolvimento da antiga doutrina jônica. por outro lado. Antes da época de Parmênides. Não é correto atribuir isto à casualidade. foi-lhe possível dar novamente atenção à concepção mais antiga. mas tudo por uma razão (logos) e por necessidade". Note-se que a teoria do turbilhão derivou daquela de Anaxágoras (parágrafo 60). Quando isso ocorre. no qual um número infinito de átomos de incontáveis formas e tamanhos está constantemente se chocando um contra o outro em todas as direções. Os átomos menores e os mais redondos. como uma propriedade. Leucipo não tomou em conta o peso. Para Aristóteles isto lhe parecia inacreditável. verificamos que Leucipo era de Mileto. e estes são os átomos dos quais é composto o fogo. mantêm melhor os seus movimentos originais. Parágrafo 82 — Em um vazio infinito. Notese que é simplesmente tomado por certo que o movimento original há de persistir. agora que Leucipo descobrira um meio para desvencilhar-se da conclusão de Parmênides. mas se origina apenas quando o turbilhão . pelo seu impacto. Decorre necessariamente das pressuposições do sistema. por sua vez. temos o começo de um universo. Anaxágoras pensou que a analogia de um estilingue pudesse aplicar-se e que os corpos maiores ou mais "pesados" por isso pudessem ser impelidos para a distância mais afastada do centro. O único fragmento de Leucipo que possuímos sobre isso afirma que "nada acontece em vão. Foi realmente a suposição de toda a filosofia grega mais primitiva. que. os átomos de forma irregular se envolvem uns com os outros e formam grupos de átomos que estão ainda mais expostos a se chocar e a conseqüente retardamento.estarem mais expostos a se chocar do que os menores. era o repouso e não o movimento o que exigia explicação. a qual não é primordial.

simplesmente porque eles são maiores e. Este processo foi ilustrado pela imagem da peneira que reúne todos juntos os grãos de painço. trigo e cevada. Desta maneira. Uma outra imagem é aquela das ondas separando os seixos numa praia e amontoando as pedras alongadas com as alongadas e as arredondadas com as arredondadas. Como esta imagem se encontra também no Timeu de Platão (52 e). que não é uma "qualidade oculta". então. Esta é a explicação do peso. devemos ter em mente que todas as partes do turbilhão entram em contato (epípsausis) umas com as outras. Neste processo os átomos mais leves são impelidos para a periferia. não puderam lhe oferecer algo melhor. por isso. e é deste modo que o movimento das partes externas é transmitido às internas. contudo. provavelmente é de origem pitagórica. Seus mestres eleatas. natural que ele se voltasse para as teorias do seu concidadão Anaxímenes. Rejeitou deliberadamente a descoberta dos pitagóricos de que a terra era esférica. como Anaxágoras houvera feito antes dele. Parágrafo 83 — O primeiro efeito do movimento em turbilhão assim estabelecido é agrupar aqueles átomos semelhantes em forma e tamanho. Os corpos maiores oferecem mais resistência (antéreisis) a este movimento transmitido do que os menores. a saber. o ar. ao passo que os corpos menores são espremidos rumo à periferia onde o movimento é maior. Para compreender. eles forçam o seu caminho em direção ao centro onde o movimento é menor. mais expostos a impactos em diferentes direções que neutralizam o movimento em turbilhão. observou antes o que acontece no caso de corpos num redemoinho de vento ou água. sem dúvida. fizeram-no desistir do conceito de cosmologia dos pitagóricos. Parágrafo 84 — Quando entramos em detalhes.já se tenha formado. por isso. mas é originário de causas puramente mecânicas. e o pouco que sabemos sobre o seu sistema mostra que assim o fez. o fogo. enquanto os maiores para o centro. e verificou que os corpos maiores tendiam rumo à parte central. a terra e a água. cuja . Ele. e esta é a origem dos quatro "elementos". Era. verificamos que Leucipo se revelou um verdadeiro jônio.

repousando no ar. os quais tinham aversão às vastas generalizações dos cosmólogos e afirmavam o direito de cada ciência ocupar-se com o seu campo específico. que finalmente se estabeleceu a nova conceituação. em contraste com as teorias médicas de então da escola de Empédocles e outros). e foi somente graças à fusão entre a cosmologia oriental e ocidental. e a explicação atômica da sensação e do conhecimento é melhor retê-la até falarmos de Demócrito. levou a ciência a uma paralisação durante certo tempo. De uma parte. que agora tinha sido dada. menos capaz de sustentá-la. nunca lhe ocorreu duvidar da forma esférica dela. especialmente a medicina. e ensinou que tinha forma "de um tamborim". Parágrafo 85 — Não vale a pena acompanhar em pormenores a aplicação da teoria atômica aos fenômenos particulares. O motivo por que ela se inclinou para o sul foi que o calor lá tornou o ar mais rarefeito.descoberta não ignorava. Embora Aristóteles achasse que a terra estava no centro do universo. e provocou também uma revolta contra a cosmologia. diziam eles. Tudo o que temos mais a dizer aqui é que Leucipo respondera à pergunta de Tales no sentido em que Tales havia formulado a pergunta. foi devido aos peritos nas ciências particulares. em Atenas. Medicina Antiga (cujo sentido é a arte da medicina baseada na experiência e observação. Antes que isso pudesse ocorrer. a quem é devida principalmente. e nenhum progresso ulterior foi possível nesta linha. e. A elaboração completa da teoria mecânica do universo. De outra parte. por isso. que importância têm para nós? Estas duas questões . os atomistas recusaram a teoria da terra segundo os pitagóricos. O tratado de Hipócrates. é a melhor prova disto. Como podemos saber se estas coisas são verdadeiras. foi necessário dirigir a atenção para os problemas afins do conhecimento e do comportamento. e veremos no livro seguinte como isto aconteceu. e mesmo que o sejam. havia uma revolta contra as ciências que procediam de homens cujo interesse principal estava na vida prática. Com efeito.

IV. (Filosofia Grega. "Leucipo") . cap.somente podem ser tratadas através de uma teoria do conhecimento e uma teoria do comportamento.

1 OUÇAS NOTAS marginais da obra de Aristóteles De Demócrito mostrarão a opinião destes homens. E julga que as substâncias são tão pequenas que fogem às nossas . (DK 68 A 37). Do Céu. numa das quais também chegou a Atenas. Pelas fontes. deixou umas noventa obras. dos discípulos da escola. A . enquanto as outras. Para estas admite um outro lugar infinito em grandeza. sua filosofia foi ignorada por muito tempo.C. Segundo Diógenes Laércio. — Proverbial na Antigüidade era o sorriso contínuo de Demócrito. Atribuem-se-lhe muitas viagens. de Paulo F. Da Forma. Demócrito julga que a natureza das coisas eternas são pequenas substâncias infinitas em grande quantidade. Do Entendimento e outras (de conteúdo teórico).DEMÓCRITO DE ABDERA (CERCA DE 460-370 A. 33 Heib. Vurnet pensa que muitas das obras atribuídas a Demócrito formavam como que o corpus da escola. E chama o lugar com estes nomes de vazio. de nada. Demócrito deve ter sido um dos escritores mais fecundos da Antigüidade. (de conteúdo moral). de infinito e cada uma das substâncias com os nomes de algo. Restam-nos fragmentos da Pequena Ordem do Mundo. não podemos distinguir com suficiente segurança o que se deve a Demócrito e o que a Leucipo. Preceitos etc.DOXOGRAFIA Trad. E considerado o sistematizador da doutrina atomista. A Grande Ordem do Mundo seria da autoria de Leucipo. Mas mesmo assim. nesta cidade.) DADOS BIOGRÁFICOS DEMÓCRITO NASCEU em Abdera (colônia jônica da Trácia). SIMPLÍCIO. 294. Foi discípulo e sucessor de Leucipo na direção da escola de Abdera. p. Do Bom Ânimo. de sólido e de ser. Flor 1.

em admitir se isso é possível. até o infinito. pois é deveras ingênuo que o duplo ou o múltiplo se tornem um. Destas. arrebatadas. que se mantêm a si mesmas e se coordenam até que alguma mais forte por uma necessidade surgindo do ambiente as agite e disperse.326 a 13 (DK 68 A 48 b). ocos. nem mesmo quando fosse dividida inúmeras vezes. tombam-se e se enlaçam num entrelaçamento tal que faz com que elas se toquem e estejam próximas umas das outras. E em geral se naturalmente é de todo divisível. embora talvez ninguém a divida assim. a geração seria uma alteração. embora não seja dividido efetivamente ao mesmo tempo. Assim também acontece em relação à metade. pois. e diferenças em grandeza. Julga. Pois há dificuldade se se põe um corpo.ARISTÓTELES. a concepção é uma separação. portanto. E. outros em forma de anzol. com mundos e. com todos os corpos sensíveis. Se. e todavia uma só natureza a partir delas verdadeiramente. então ao mesmo tempo poderia ser dividido inteiramente. portanto. E lhes são inerentes formas de toda espécie. 2. Desde que. curvos. e. efetivamente.í. figuras de toda espécie. (o) nada seria impossível. e se fosse dividida (o) nada resultaria impossível. se isto acontecesse. em suma. Pois alguns deles são oblíquos. (o) nada seria impossível. Que .2. e. Mas parece que Demócrito se persuadiu com argumentos próprios da Física. Pois que será o que escape à divisão? Se de todo fosse divisível e isso fosse possível. que seja dividido. como de elementos. Da Geração e Corrupção. ele atribui aos ajustes e correspondências dos corpos. o corpo tem tal propriedade de divisão total. uma grandeza de todo divisível. conforme Demócrito. e ele não engendra qualquer uma. Ficará claro o que dizemos no que segue. E estas se agitam e são arrebatadas no vazio por causa da semelhança e das outras diferenças mencionadas. e mais outros de inúmeras diferenças.percepções. E a causa de se coordenarem as substâncias umas com as outras até certo ponto. E afirma que a geração e a separação que lhe é contrária se processa não apenas com animais mas também com plantas. a geração é uma combinação dos átomos. engendra e combina todos os volumes visíveis e perceptíveis.

E evidentemente é assim mesmo que eu corte a madeira em qualquer ponto. eu componho madeira ou qualquer outro corpo. ademais. qualquer que seja. não seria menor nem maior que antes. seguem estas conseqüências. — Cf. pois será algo não dividido. e assim se destaca da grandeza como um corpo. da divisão e do ponto. com efeito. primeiros e insecáveis. ela é totalmente dividida em potência. havendo pois algo além do contato. se fosse a partir de pontos. novamente serão o mesmo e um só. Pois. quando estes se tocassem e fossem uma grandeza e fossem juntos. não haveria quantidade. Por causa do vazio há movimento. Pois.33: Isto é. Mas. ARISTÓTELES. 265 b 24 (DK 68 A 58). mas uma forma separável ou uma afecção o que se destacou e a grandeza são pontos ou tatos assim afetados. e sem grandeza será aquilo de que se compõem as coisas. como o corpo se dissolve nessas afecções. então. em nada tornariam maior o todo. se é impossível à grandeza constituir-se de tatos ou de pontos. se nada for mais corpo nem grandeza e a divisão persistir. ou então não será absolutamente nada. Física. se. e como delas se forma? Ou como estas se separam? Logo. é totalmente divisível. E eles. os corpos naturais. E igualmente. afirmam que de um movimento local movimenta-se a natureza. Se então alguém puser um corpo. pois este. de modo que todos os pontos reunidos não constituiriam nem uma grandeza. esta ou será a partir de pontos. onde estariam os pontos? E seriam imóveis ou movimentados? E o tato é sempre um entre duas coisas. E ainda. VIII. . e o todo nada mais seria senão aparência. é necessário que haja corpos e grandezas indivisíveis. dizem. de modo que do nada nasceriam e se constituiriam. Assim. como aquela grandeza é divisível? Se não foi um corpo. é a mesma questão. 3. tendo dividido. Que há então além da divisão? Se o que há é alguma afecção. E. Simplício.restará então? Uma grandeza? Não é possível. 1318. e a grandeza era (teoricamente) de todo divisível. dividido em dois ou mais pontos. é absurdo que uma grandeza provenha de não-grandezas. 9. E mesmo se de um corpo dividido algo se engendra como serragem.

são mais pesados. seja mais leve. — Do Céu. e faz com que os maiores apresentem menos peso. 309 a 1: Para os que dizem sólidos os primeiros elementos é mais admissível que o maior é o mais pesado deles. ARISTÓTELES. não apenas tem mais espaços vazios mas também é menos sólido. E dos compostos. que uma grande quantidade de ouro. mas é preciso acrescentar aos que assim discorrem que um corpo. IV. por conseguinte. pois são agitados em círculo. Da Geração e Corrupção. pois. se não tiver o sólido tantas vezes mais. encerrado nos corpos. portanto. como os que a fazem vazia e plena. 326 a 9 (DK 68 A 60). E eles fornecem este não somente primeiro mas também único movimento aos elementos. Demócrito diz. não será possível saber por que causa os intermediários entre os absolutamente pesados e os absolutamentes leves são mais pesados e mais leves em relação uns aos outros e em relação aos simples. na verdade. E sendo a matéria uma oposição. Afirmam. alguns afirmam e julgam que a causa é outra. como por exemplo o bronze em relação ao algodão. 2. Nem há nada . por ser o mais vazio. já que cada um deles não parece ser assim. 1. por causa do vazio que cede lugar e não resiste. pois têm maior número de vácuos. Pois dizem que o vazio. se o sólido exceder a proporção do vazio. com maior número de vazios do que uma pequena quantidade de fogo. torna-os mais leves. menores em volume. deste modo. Falam. que os corpos crescem e se consomem e mudam e se formam e perecem por causa da combinação e da separação dos corpos primários. o corpo não será mais leve. mas ao contrário observamos que muitos. Por isso dizem que o fogo é o mais leve dos corpos.Pois aqueles os chamavam de natureza e afirmavam que eles se movimentam localmente pelo peso neles. e os outros movimentos àqueles corpos procedentes dos elementos. portanto. quando mais leve. 4. 8. Poderá acontecer. O definir por grandeza e por pequenez se parece mais com uma ficção do que as definições anteriores. que cada um dos elementos indivisíveis é tanto pesado quanto maior.

muitas vezes não perceberam. — Epicuro. 330. sendo realmente causa a natureza ou a inteligência ou alguma outra coisa de tal gênero (pois não surge do acaso o que nasce de cada semente. //. Sobre a Natureza. Pois este parece que teria utilizado a noção de sorte em sua cosmologia. daquela um homem). que facilitaram ao dizer que a necessidade e o acaso tudo podem.. 5. mas há uma causa determinada de tudo quanto dizemos que provém do acaso ou da sorte. 196 a 24 (DK 68 A 69). para eles. porém. mas desta uma oliveira. . Gomperz): Os que desde a origem trataram das causas suficientemente. embora em muitos pontos fossem grandes. I. duvidam realmente da existência da sorte e do acaso. Pois. 14: Mas o verso "Como o antigo dito que proscreve a sorte" parece ter sido feito para Demócrito. 2. Afirmam que os animais e as plantas não são nem foram engendrados pelo acaso. Alguns. e semelhante causa não admitem para os animais e as plantas.. 6.absolutamente leve nem absolutamente em ascensão senão por conseqüência ou por impulso e muitas coisas pequenas são mais pesadas que poucas grandes. e não apenas das primeiras se ocupando mas também das segundas. Papiro 1056 (ed. Pois assim narra Eudemo. Física. de achar um tesouro é o cavar ou o plantio da oliveira. Dizem que certamente nada é engendrado pela sorte. por exemplo. do acaso formou-se o turbilhão e o movimento que separou os elementos primitivos e que estabeleceu o todo na ordem atual. II. ARISTÓTELES. e de quebrar-se o crânio do calvo é a águia quando deixou cair a tartaruga para quebrar-lhe a carapaça. — Simplício. p. 195 b 36 (DK 68 A 68). com efeito. mas nos escritos mais especializados afirma que de nenhuma coisa a sorte é causa. 7. 404 a 27 (DK 68 A 101). ARISTÓTELES. Física. Da Alma. reportando-se a outras causas como. 4. o céu e os mais divinos dos seres visíveis foram gerados pelo acaso. 4. alguns que encaram como causa deste céu e de todos os mundos o acaso. ARISTÓTELES. entretanto. Há.

a verdade. disse. alma e mente representam a mesma realidade. não exatamente incorpóreo (pois nenhum deles disse isto). B . Sobre o que Há no Hades 1. FILODEMO. p. 29. de Anna L.Anaxágoras. porém. a mais fácil de mover-se é a esférica. Das formas. e esta atribui à mente e ao fogo. Prado ESCRITOS AUTÊNTICOS ENCONTRADOS NA EDIÇÃO DE TRASILO DAS TETRALOGIAS I — II — ESTUDOS ÉTICOS (DK 68 B Oa — OC. portanto. 28 A 45). 83. movimentado-se por causa de suas pequenas partículas e de sua forma. mas diz que alma e mente são a mesma coisa. Para ele. é movimentado e movimenta os outros elementos. Sobre o Hades Ia. pois este é composto das partículas mais sutis e é o mais incorpóreo dos elementos e ainda. E esta é dos primeiros e indivisíveis corpos. Ele realmente não se serve da mente como uma faculdade capaz de descobrir a verdade. com efeito. de A. 223. primitivamente. Pitágoras Ob. pois este simplesmente considera idênticas alma e mente (cf. 27: Incorpóreo. Sobre o Caráter do Sábio Oc. falou com mais habilidade ao dar a conhecer a razão de cada uma dessas duas propriedades.FRAGMENTOS Trad. . incorporai por causa da composição de suas delgadas partículas. 1 . não concorda plenamente com Demócrito. mas. 6. declara. é a aparência. Sobre a Morte. Por isso apoiou inteiramente a Homero quando disse que Heitor jazia com a mente desgarrada. Demócrito. — 405 a 5: A alguns pareceu que a alma se identifica com o fogo.4a). na realidade. é o fogo. Oa. PROCLO. A. 27. 11. Cf. Comentários à República. como nos corpos. Filópono.

não conseguem escrever seu testamentos e. Tritogênia 2. Tritogênia. II. porém. mesmo que a sorte lhe seja hostil e. 1. p. 2. Atena. Grande Ordem do Mundo (de LEUCIPO) 4c. 4. Pequena Ordem do Mundo 5. e que aquilo que faz não assuma além de sua força e natureza. o falar bem e o fazer o que é preciso. quer dizer sabedoria. tenha cuidado bastante para renunciar e não procurar mais que suas forças permitem. 5. CLEMENTE DE ALEXANDRIA. ao dar a etimologia da palavra (Tritogênia). lb. encontra-os despreparados. falar sem erros e fazer o que é preciso. E preciso que aquele que quer sentir-se bem não faça muitas coisas nem particular nem publicamente. Etimológico de Orion. 41. pela aparência. Sobre a Coragem ou Sobre a Virtude 2b. é preciso que. Surpresos. segundo Demócrito. Ao contrário. 153. quando ela chega. Notas Éticas III — VI — ESTUDOS FÍSICOS (DK 68 B 4b — 11 k). Da Tranqüilidade da Alma. 465 C. .111: Demócrito. segundo as palavras de Demócrito. DIÓGENES LAÉRCIO. Têm origem no saber estas três coisas: deliberar bem. 4b. 130. Pois o prazer e o desprazer são o limite (das coisas vantajosas e desvantajosas). Sobre a Boa Disposição ou Bem-Estar 3. o leve pouco a pouco ao excesso. PLUTARCO. diz que da sabedoria nascem: o calcular bem. Escólios de Genebra. O Chifre de Amaltéia 2c. 2a. são forçados a carregar um duplo (fardo). p.Os homens recusam-se a pensar na hora da morte e. 4a. Tapeçarias. pois uma plenitude razoável é coisa mais segura que uma superplenitude. IX.

Sobre as Mudanças de Direções 8b. 135. segundo a disposição do corpo e das coisas que nele penetram e chocam. Sobre a Natureza II (ou Sobre a Natureza do Homem ou Sobre a Carne) 5e. VII. tendo-as ele assumido de outros. Ridicularizou sua obra sobre a ordem do universo e da inteligência. Fundamentos 9. ibidem. na realidade. Demócrito diz: E é preciso que o homem aprenda segundo a regra seguinte: Ele está afastado da realidade. 5a.. mas em mudança. mas um afluxo é para cada um a opinião. Por convenção existe o doce e por convenção o amargo. Sobre as Percepções 5g. era jovem quando Anaxágoras era velho e mais moço quarenta anos. 137. 7. Sobre as Cores 5i. Sobre os Planetas 5c. 35. átomos e vazio. Cosmografia 5b. SEXTO EMPÍRICO. porém. VII. Compôs a Pequena Ordem do Mundo 730 anos após a tomada de Tróia. Sobre a Inteligência (de LEUCIPO) 5f. mas antigas. 8. Sobre os Sabores 5h. mal disposto com Anaxágoras. por convenção o quente. porque este não lhe dera acolhida. . No Sobre as Formas. Sobre a Natureza I (ou Sobre a Natureza do Cosmos) 5d. E novamente: Também este discurso mostra que em realidade nada sabe sobre nada. Contra os Matemáticos. 34. porém. por convenção o frio. (136) Nós. Favorino diz nas Histórias Variadas que Demócrito afirmou sobre Anaxágoras que não eram deste as opiniões sobre o sol e a lua. realmente nada de preciso apreendemos. Sobre as Diferentes Formas (dos Átomos) ou Sobre as Formas 6.. como ele próprio diz na Pequena Ordem do Mundo.Demócrito. por convenção a cor. IDEM.

Causas dos Sons 11g. olfato. VII. Ha. outro obscuro. Sobre Linhas Incomensuráveis e Sólidos I. vista. Causas Relativas aos Animais I. paladar e tato. Números 11p. Há duas espécies de conhecimento. Causas do Fogo e do que Existe no Fogo 11 f. Ao conhecimento obscuro pertencem. II. 138. Sobre as Imagens ou Sobre o Prognóstico 10b. 10a. Sobre a Lógica ou Cânon I. então apresenta-se o genuíno. ibidem. um genuíno. audição. Sobre a Divergência de Entendimento ou Sobre o Contato do Círculo com a Esfera 11m. Sobre a Geometria 11n. Sobre o Imã VII — IX — ESTUDOS MATEMÁTICOS (DK 68 B 111 — 15b) 111. nem perceber pelo tato. Causas do Ar 11 d. nem sentir cheiro e sabor. que possui um órgão de conhecimento mais fino. porém. das Plantas e dos Frutos 11h. mas é preciso procurar mais finamente. nem ouvir. III 11. Sobre os Problemas Geométricos 11o. II . II. IDEM. no seu conjunto. Causas Mistas 11k. Quando o obscuro não pode ver com maior minúcia. Causas das Sementes. E diz novamente: Que na realidade não compreendemos como cada coisa é ou não é ficou muitas vezes demonstrado.10. Causas do que Está na Superfície 11 e. III 11i. O conhecimento genuíno. Controvérsias ESCRITOS NÃO CLASSIFICADOS: 11b. Causas do Céu 11 c. está separado daquele.

15. aquelas cujo nascente e ocaso podemos notar e contemplar com nossos olhos. Sobre os Pronomes. Pitágoras de Samos. Projeções 11r. de acordo com Demócrito. Eudoxo. Grande Ano ou Astronomia Calendário 12. 14. CENSORINO 18. Idem. com o método dos calendários. 5. IX. p. APOLÔNIO DÍSCQLO. 13. Demócrito de Abdera descobriram as regras segundo as quais eles são governados pela natureza das coisas e o modo pelo qual vêm a existir. 6. a partir da astrologia. VITRUVIO IX. Tales de Mileto. Anaxágoras de Clazômena.C. 8. Hiparco. Introdução (Calendário do séc. Filipe. PARTES SUPERSTITES DO CALENDÁRIO DA "ASTRONOMIA" 1. Arte Astronômica. Calipo. 91 dias. Solstício de inverno no 19° ou 20° dia. O ano de Filolau e de Demócrito consta de 82 anos com 28 meses intercalares. 3. Arato e outros descobriram o nascimento e ocaso dos astros e o significado das tempestades. 3. Sobre os fenômenos da natureza. Xenófanes de Colofão. 22. Euctemon. col. apenas. as figuras que no mundo dos astros são modeladas e formadas pela natureza e pela mente divina. 65. e deixaram este mão do explicado aos pósteros. 4. Meton. EUDOXO. Descrevi. II a. . 21. GÊMINO. Do equinócio de outono ao solstício de inverno. 2. Tendo prosseguido as descobertas deles. porém. Ferécides na Teologia e ainda Demócrito no Sobre a Astronomia e nas obras supérstites usam a forma contrata e não contrata do genitivo do pronome pessoal da primeira pessoa do singular. que contém extratos do Calendário de Demócrito).11q.

O vento leste começa e continua a soprar. durante aproximadamente nove dias. 18. os chamados dias de Halcíone. Demócrito e Eudoxo concordam. os chamados ventos dos pássaros. Filipe.dia 4º dia Peixes 14º dia Carneiro Gêmeos 10º dia 29º dia as Plêiades se põem com a aurora. Demócrito que foi o primeiro deles a fornecê-las e o romano Varrão. Tempestade. raios. Ventos invernais e. p. Clódio diz isto textualmente a partir dos sacerdotes tuscos. ou ambos. Em geral sopra vento sul. em geral.dia 16º . Apolônio de Rodes. Em geral o ar é frio. 4. 231. Dia nefasto. 43 dias a contar do solstício.dia 3º. 6. o que é raro. chuva ou vento. XVIII. e Arato. As folhas das árvores começam a cair. Escólios. B 1098. Sopram os ventos frios. Em geral. mas também Eudoxo mais extensamente. da mesma forma o verão será como o solstício de verão. 312. . PLÍNIO. História Natural. Começam os dias de clima variado. Calendário de Clódio. Sobre os Presságios.dia 12°. 5.dia 16°. Chuva Orion começa a nascer. no Sobre a Astronomia. As Plêiades se põem com a aurora e permanecem invisíveis durante quarenta noites. Águia nasce com a aurora. Não unicamente ele. Lira nasce com a aurora. no nascer da Ursa caem chuvas violentas. 157. Como dizem Demócrito. trovões. Demócrito julga que o inverno será como foram o solstício de inverno e os três dias que o precederam e seguiram. em dizer que Cabra nasce com a aurora. frio e geada. in JOÃO LIDO.Escorpião: 4° dia Sagitário: Capricórnio Aquário: 13°.

6 8 24 Março. Tempestade em terra e mar Em geral. Mudança de tempo com chuvas e ventos. depois forte vento norte durante sete dias. Frio ou geada.. Sopra o vento leste. 275. 7 18 27 Abril. Tempo de semeadura. 4 20 24 Fevereiro. Trovões. Mudança de tempo. Demócrito na Macedônia e na Trácia. 14 26 Outubro. 28 Junho. vento sul Chuva... 13 27 Dezembro. os chamados dias de Halcíone. 16 — 26 — Agosto. in JOÃO LIDO.. Por isso poder-se-ia aplicar as variações de tempo mencionadas pelos egípcios às regiões próximas a esta zona.. Chuva. Dositeu. Mudança de tempo. Apparit. o dia mais longo é o 15 9 dia depois do equinócio. 1. (e) Demócrito. Sobre os Presságios. Copiei destes as variações de tempo e classifiquei-as segundo os egípcios. chuva matinal. céu e mar perturbados. chuvas e vento. Chuva e ventos desencontrados. Vento leste. Segundo ele.. Ventos frios. vento tempestuoso.7.. Dias de clima variado. Julho. Epileq. Dia bom. e as de Demócrito. Ventos dos pássaros durante nove dias Mudança de tempo. Mudança de tempo Em geral. PTOLOMEU. 3 22 28 — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — Partida das andorinhas. 5 10 27 29 Janeiro. Chuva. Chuva. Vento frio. Os egípcios fizeram suas observações em nosso meio. Vento sul e calor. Setembro. Tempestade. 24 Maio. Grande tempestade... raios. Começa a soprar o vento leste. Grande tempestade. Tempestade. 19 — ..8 29 Novembro.

foi o primeiro a ver a terra com a forma de um retângulo cujo comprimento equivale a uma vez e meia a sua largura. Sobre os Ritmos e a Harmonia 16.1. 589. Nascer da Cabra. Descrição dos Pólos 15b. no centro desta. escreveu um "Périplo". 20.8. em geral. Agatêmero. Um após outro. Demócrito que foi Museu. 2 — Outubro. Eudoxo e alguns outros ocuparam-se com viagens em torno da terra e périplos. tendo copiado a maior parte dos escritos de Hecateu. Sol em Sagitário 14a. Sobre a Métrica. mudança de tempo. Delfim se põe e. Descrição da Terra 15. Os antigos descreveram a terra como redonda. Janeiro. Sopra vento sul. Crítias afirma que o primeiro a inventar o hexâmetro dactílico foi Orfeu. 16a. Disputa de Clepsidra 14b. Ocaso de Peixes. Sobre a Poesia . 1. pois em Delfos estava o umbigo da terra. Demócrito. Descrição do Céu 14c. Demócrito. IV 16 ss. sopra o vento norte. Sobre os Meses. 2. 25 — Vento sul com chuva. Damastes de Sigéia. VI. Mudança de tempo e predominância de chuva. tendo a Grécia no centro e. Descrição dos Raios X — XI — ESTUDOS LITERÁRIOS (DK 68 B 15c — 26a) 15c. O peripatético Dicearco concordou com ele. 15 — 18 — 23 — Março. 15a. Delfos. JOÃO LIDO. 6 — Novembro. MÁLIO TEODORO. homem de grande experiência. 17 — Setembro.

22. 18a. Ilíada. Escólios. Demócrito acreditou que o gênio é mais fecundo que uma arte pobre e excluiu do Helicão os poetas saudáveis. 274. belo. 9 (a Ilíada.. Muitas vezes ouvi dizer que não pode existir (afirmação atribuída a Demócrito e Platão) nenhum bom poeta sem entusiasmo da alma e sem um sopro como que de loucura. VI. Arte Divinatória.15. Demócrito diz sobre Homero o seguinte: Homero. Arte Poética. 80.. 370. afirmação idêntica à de Platão. tudo o que ele escreve com entusiasmo e sopro sagrado é. Pois Demócrito diz que nenhum poeta pode ser grande sem loucura. mas nas obras de Demócrito são declinados. I. DIO CRISÓSTOMO. 21.17. p. 20. II. 295. uma vez que também eles estariam irados contra Alexandre ou as fala . 38. Os jônios e Demócrito pronunciam g(u)ema a letra gama e mô a letra mu. Tapeçarias. 184. Sobre o Orador.. As palavras: "Oxalá tivesse ele morrido antes!" o arauto diz ou para ser ouvido também pelos gregos para tomá-los benévolos para com os outros troianos. Um poeta. 18. porque recebeu uma natureza divina. Sobre a Beleza das Palavras 18b. Sobre as Palavras Bem e Mal-Soantes 19. PORFÍRIO. 111. Também Demócrito informava sobre a águia que seus ossos eram negros. 194. 36. Os nomes das letras são indeclináveis. Homero A. 23. CLEMENTE DE ALEXANDRIA. 46. 252). Questões Homéricas. 1. CÍCERO. HORÁCIO. XXI.. 390. Dionísio Trácio. sem dúvida. pois ele diz déltatos e thétatos. 1. construiu uma estrutura ordenada de versos variados. 1. Escólios. 168. Comentário à Ilíada. Vil. p. uma vez que não seria possível sem uma natureza divina e demônica realizar versos tão sábios e belos. EUSTÁTIO.

Prognóstico 26c. ela era a Pobreza. p. 1784. p. Assim pensa também Demócrito.. que falassem de sua mãe. XV. PROCLO. para Euforíão. Dânae. a terceira. 25a. ibidem. a segunda. ambrosia. Fará Demócrito. Sobre as Palavras 26. Outros entendem que o sol é Zeus e os vapores que alimentam o sol. Pantéia. 25. IDEM IX. anonímia. Causas das Coisas Intempestivas e Tempestivas 26f. III. 376. 6. 26a. Há uma dissensão antiga sobre a localização geográfica mais favorável às vinhas. Sobre a Dieta 26d. Conhecimento Médico 26e. 5.) . E notável que os antigos tenham tido tanta consideração por este escravo. IDEM. do T. equilíbrio183. COLUMELA. Chamou a primeira prova polissemia. (N. e. 1713.25. 14. 12. por acaso equivale a por convenção e equilíbrio equivale a honionímia. XII. Demócrito e Magon louvam a região norte porque julgam que as vinhas dessa região se tornam muito produtivas e são superiores pela qualidade do vinho. Assim julga Demócrito que não as considera apropriadas para serem ditas abertamente. (Demócrito afirmava) que os nomes existem por acaso e não por natureza. 27a. Onomástico XII — XIII — ESTUDOS TÉCNICOS (DK 68 B 26b — 28c) 26b. Comentário ao Crátilo 16. EUSTÁTIO.. Sobre a Agricultura ou Geórgicas 27. 62.sozinho consigo mesmo. Sobre o Canto 25b. 24. para Filóxeno. 183 Segundo o comentário de Proclo. o bom Eumeu. 5. e a quarta. metonímia. p. Comentário à Odisséia.

28a. A união sexual é uma pequena apoplexia. 6. I. 29. pois precisará de um patrimônio. 92. chamamos ar e disseram: "Tudo Zeus fala e tudo ele sabe. CLEMENTE DE ALEXANDRIA. porque um muro. APOLÔNIO. IV. 94. 68. feito de pedras. cit. p. Sobre os Pronomes. p. IDEM. Sobre a Pintura 28b. XI. Tapeçarias. 29a. I 6. 30. Magon e Vergílio também escreveram que abelhas podem ser geradas de um novilho morto. 2. dá e tira.. APOLÔNIO DÍSCOLO. 3. Educador. julga que agem com pouca prudência os que cercam suas hortas. 151.Demócrito. vós. 31. Demócrito usou as formas contratas dos pronomes nós. Segundo Demócrito. a sabedoria livra a alma das paixões. a medicina cura as doenças do corpo. IDEM. no livro que chamou Sobre a Agricultura. hoje. pois o homem sai do homem e dele se arranca apartando-se como que por um golpe. e é ele o rei de todas as coisas". não poderá durar anos e. eles. Lutas com Armas Pesadas FRAGMENTOS AUTÊNTICOS DE ESCRITOS NÃO IDENTIFICADOS (DK 68 B 29-34) 29. em Hipp. 33. Exortação. Dos homens sábios poucos estenderam as mãos em direção ao lugar que nós helenos. Demócrito chamou de circuito a borda que circunda a concha do escudo. IDEM. 20. . 32. construído com tijolos e batido por chuvas e tempestades na maior parte do tempo. Demócrito. Educador. 28. IDEM. Estudos Táticos 28c. exigirá gastos superiores ao valor da propriedade. quem quiser construir muros de grande extensão.

Quem escolhe os bens da alma. E preciso ou ser bom ou imitar quem o é. ou melhor. Coisa grande é. = 187 37. mas. 2) a presença de certas formas do velho ático não é razão suficiente para impugnar a autoria de Demócrito. mesmo no infortúnio. Não por medo. GALENO. não de participar da injustiça dele.A natureza e a instrução são algo semelhante. IDEM. para um pseudojônico. escolhe os divinos.) . 5. um microcosmo. Quem ouvir de mim estas sentenças com inteligência.p. o nome do autor aparece sob corruptela. refutando essa hipótese. 38. IDEM. (N. 8. lembra que: 1) na tradição manuscrita sírio-árabe do Georgicon de Demócrito. 42. 3. Do Uso das Partes. 9. do T. pensar naquilo que é preciso. IDEM. Diels (cf. Arrependimento de atos vergonhosos é salvação da vida. IDEM. evitai os erros. 40. 36. SENTENÇAS DE DEMÓCRATES1 (DK 68 B 35-115) 35. posteriormente. 4. pois a instrução transforma o homem. IDEM. cria-lhe a natureza. in Diels — Kranz. E belo. mas por dever. escolhe os humanos. O homem. senão. transcritas para o jônico.opor obstáculos a quem comete injustiça. = 225 184 Alguns comentadores negam que as sentenças 35 a 115 sejam da autoria de Demócrito e as atribuem a um Demócrates de Afidna. Teriam sido escritas em dialeto ático e. 39. 153-154). realizará muitos atos dignos de um homem e não realizará muitos atos vis. 41. Não é pelo corpo. 34. 43. uma vez que elas ocorrem tanto em inscrições quanto em obras literárias jônias. Die Fragmente der Vorsokratikcr. p. Demócrates. IDEM. IDEM. nem pela riqueza que os homens são felizes. transformando-o. 6. 7. DEMÓCRATES184. mas pela retidão e muita sabedoria. III. 10. 44. quem escolhe os do corpo. III.

22. IDEM. IDEM. Quem comete injustiça é mais infeliz que o que sofre injustiça. praticando os atos mais vergonhosos. ao chefe e ao mais sábio é pôr-se em seu lugar. 22. 52. Quem adverte aquele que pensa ser inteligente. IDEM. quando infelizes. Muitos. 49. sem ter aprendido a razão. 19. 16. Muitos. vivem segundo a razão. 15. IDEM. IDEM. 17. 18. 51. IDEM. IDEM. 21. É duro ser governado por um inferior. trabalha em vão. 14. IDEM. 56. 54. 20. À censura dos maus o homem bom não dá atenção. Reconhecem as coisas belas e as invejam os bem dotados para elas. IDEM. elaboram os mais excelentes discursos. 57. 13. não palavras. IDEM. 11. Os tolos. Quem fosse totalmente submisso ao dinheiro jamais poderia ser justo. Ceder à lei. 47. 50. IDEM. 46. . 48. 55. IDEM. É magnanimidade suportar com doçura a falta de tato. são sábios. 53. 23. Para a persuasão a palavra freqüentemente é mais forte que o ouro. Obras e ações de virtude. é preciso invejar. 53a.45. IDEM. IDEM.

deve-se confiar. 33. Um homem é digno de fé ou não o é. Aqueles cujo caráter é bem ordenado vivem na boa ordem. nem sabedoria é algo acessível. As esperanças dos que pensam retamente são viáveis. 24. 68. as dos tolos impossíveis. IDEM. a dos homens. 62. IDEM. . 34. IDEM. IDEM. mas nem mesmo querer fazê-lo. a outra do sábio. 64. Elogiar por atos belos é belo. 32. não muitos conhecimentos. 58. IDEM. E melhor acusar as próprias faltas que as alheias. 59. 65.A boa natureza dos animais é a força do corpo. pois fazê-lo por atos vis é próprio de um falso e enganador. a excelência do caráter. 60. 63. 66. 30. 67. 27. 29. 26. IDEM. IDEM. Deliberar previamente antes de agir é melhor que arrepender-se. Nem arte. IDEM. não somente pelo que faz. O belo não é não cometer injustiça. 23a. 25. IDEM. se não há aprendizado. Não em todos. 28. mas apenas nos dignos de fé. 69. mas também é pelo que quer. IDEM. 61. IDEM. Muitos eruditos não têm inteligência. 31. uma coisa é própria do simplório. É preciso forjar muitos pensamentos. IDEM.

IDEM. IDEM. Prazeres intempestivos geram aversão. E triste imitar os maus e não querer imitar os bons. 43.Para todos. é o pior de tudo. . IDEM. 79. É agradável recusar algo que não é útil. IDEM. 82. 74. 78. IDEM. IDEM. 38. 81. mas. Desejar algo violentamente cega a alma para o restante. IDEM. 45. através da injustiça. 37. E vergonhoso ocupar-se muito das coisas alheias e ignorar as próprias. Fama e riqueza sem inteligência não são aquisição segura. 42. 47. 40. não do homem. 71. 80. desejar desmedidamente. Para os tolos é melhor ser governado que governar. Conseguir bens não é sem utilidade. O sempre adiar torna sem fim as ações. IDEM. IDEM. o belo e o verdadeiro são a mesma coisa. 73. IDEM. 76. mas o infortúnio é o mestre. Dos tolos não a palavra. E amor reto desejar sem desmedida as coisas belas. 39. É próprio da criança. 75. 41. IDEM. 36. mas o agradável é diferente para cada um. 35. 77. 72. IDEM. 44. 46. IDEM. 70.

54. 57. . O ódio dos parentes é muito mais penoso que o dos estranhos. Quem se contradiz e paira muito. 55. E preciso guardar-se do mau. Inimigo não é quem comete injustiça. não tem boa disposição para aprender o que é preciso. para que ele não aproveite uma ocasião propícia. 58. 90. não venha ele. Ao prestar um favor. E preciso que quem comete atos vergonhosos tenha em primeiro lugar vergonha de si mesmo. IDEM. mas cuidadoso e seguro. 86. como se fosse um inimigo. 91. mas o que quer cometê-la. E cupidez falar sobre tudo e não querer ouvir nada. Causa de erro é a ignorância do melhor. IDEM. 92. por ser falso. 89. IDEM. traz sofrimentos para si mesmo. 53. 83. 87. Quem inveja. pagar um bem com o mal. IDEM. 52.Falsos e bons na aparência os que de boca fazem tudo. 50. 51. 88. IDEM. Não sejas desconfiado com todos. 93. IDEM. IDEM. IDEM. 49. Deve-se receber favores com a intenção de corresponder com outros maiores. mas nada na realidade. examina quem o recebe. IDEM. 59. 85. 84. IDEM. IDEM. 56.

60. IDEM.94. 63. 62. mas não. A amizade de um só homem inteligente é melhor que a de todos os tolos. 69. 66. IDEM. embora não pareçam. não são e. embora pareçam bons amigos. 67. 104. IDEM. o excesso e a carência. 101. 95. 71. quando passam da abastança à pobreza. IDEM. 99. Muitos. 96. 68. se sob ela não está a inteligência. 64. 72. Pequenos favores prestados no momento oportuno são os maiores para quem os recebe. 103. A beleza do corpo é beleza animal. IDEM. Velho agradável é aquele que é insinuante e sério no falar. Parece-me que nem por uma só pessoa é amado quem não ama ninguém. são. IDEM. Benfeitor não é quem visa à retribuição. 100. 98. IDEM. 97. IDEM. 105. 102. IDEM. tem temperamento difícil. 61. Aquele a quem os amigos a toda prova não perduram. IDEM. Não merece viver quem não tem um só amigo. IDEM. 70. . Muitos põem em fuga aos amigos. 65. As honras valem muito para os bem pensantes porque eles percebem que estão sendo honrados. Em tudo é belo o equilíbrio. 106. mas quem optou pela boa ação. IDEM. IDEM. parece-me.

mas os que estão de acordo sobre o vantajoso. Não se exercite a mulher na palavra. 115. mas os males vêm ao encontro também dos que não os procuram. Os que gostam de censurar não têm disposição natural para a amizade. IX. pois isso é coisa perigosa. Causam grandes prejuízos os que louvam os tolos. 36. Vim para Atenas e ninguém tomou conhecimento de mim. mas chorá-los. pensa que estás sendo adulado. IDEM. É coisa digna. 79. IDEM. IDEM. Amigos não são todos os parentes. IDEM. mas. OUTROS FRAGMENTOS (DK 68 B 116429a. 83. . DIÓGENES LAÉRCIO. IDEM.Na fortuna. 78. 82. Ser governado por uma mulher é. 73. 113. 76. E próprio de inteligência divina sempre discutir algo belo. 112. É melhor ser elogiado por um que por si mesmo. 74. 108. 107a. IDEM. 114. 107. IDEM. IDEM. A custo os bens vêm ao encontro dos que os procuram.) 116. 81. 77. Se não entendes os louvores. é a coisa mais difícil. 111. 117. encontrar um amigo é fácil. 75. IX. a extrema violência. 109. não rir dos infortúnios dos homens. IDEM. no infortúnio. IDEM. sendo homem. IDEM. 72. 110. para o homem.

11. Pois se nem é capaz de começar sem a evidência. EROTIANO.Na realidade nada sabemos. imagina os sentidos respondendo à inteligência: Pobre . Demócrito chama a pulsação venosa o movimento das artérias. Ibidem. a emanação é igual às coisas. 27. 190. Ibidem. XIV. como poderia ser digno de fé fundamentado-se naquela que lhe fornece os princípios? Ciente disso. 122a. Comentário à Odisséia. por convenção há o doce. EUSTÁTIO. pois a verdade jaz num abismo. Os homens plasmaram uma imagem da sorte como desculpa para sua falta de julgamento. 121. 122. p. IDEM. também Demócrito. mas na realidade os átomos e o vazio. a palavra mulher é derivada de semente. na vida o olhar penetrante e inteligente mostra o caminho reto. 124. Em Demócrito. Demócrito emprega a palavra adequadíssimo. Demócrito dizia que preferia descobrir uma etiologia a possuir o reino dos persas. 4. IDEM. por convenção há o amargo. Representação. 439. 123. 1259. ibidem. Demócrito chama lápathos as covas que os caçadores abrem no solo e recobrem com terra e folhas secas para apanhar lebres. Sobre a Nomenclatura Médica. em EUSÉBIO. pois raramente a sorte conflita com a inteligência e. quanto à forma. Preparação Evangélica. XÍV. 27. 90. 119. Segundo Demócrito. 5. Sobre a Medicina Empírica. 120.18. GALENO. p. (?) 125. bispo de Alexandria. no mais das vezes. Etimológico Genuíno Magno. 118. B. 1551. Homens um só será e homem todos. DIONÍSIO. quando ataca as aparências dizendo: Por convenção há cor.

Metamorfose. Mudança de disposição. an. em TEOGNOSTO. 134. 1766. IDEM. . HERODIANO GRAMÁTICO.inteligência. PALAVRAS RARAS CITADAS POR GRAMÁTICOS (DK 68 b 130 — 168) 130 a 137. 428. 79. Recoberto. /. -en. IDEM. Mudança de cor. 126. Com a mente pensam coisas divinas. 133. 129. Demócrito usa a forma kékli(n)tai (estão inclinados) sem o -n-. Comentário à Odisséia. Portanto. Inacessível (citada como composto malformado). Sobre as Declinações. 137. Não há palavras que sejam só do gênero neutro e terminem em -on. 296. 131. ibidem. 139a. ao caminhar. 135. Reunião. em EUSTÁTIO. 127. -en. Sobre as Declinações. in Etimológico Genuíno Magno. p. Receptáculos. ondulantemente se deslocam. 11. Todos os animais quantos. 136. 25. Regras da Prosódia Comum. HESÍQUIO: 130. IDEM. Aros. XIV. 139. Macia. em nós encontras as provas e nos derrubas! Para ti derrubar-nos é cair. os homens têm prazer e sentem o mesmo que ao fazer amor. IDEM. 138 a 139. 129a. 128. Coçando-se. Equilátero. Citadas em obras não identificadas: 138. -in ou -yn. a palavra tò ithytren encontrada em Demócrito é um termo forçado. p. Correia. Sobre a Distinção das Pulsações. 132.

1. IDEM. 31. O umbigo é firmado primeiro no útero como ancoragem contra a agitação e o deslocamento. FÓCIO. p. mas veio a existir a partir do supérfluo. IDEM. p.5. IDEM. 146. 14. FILODEMO. Demócrito diz que a música é (a arte) mais recente. IDEM. segundo Demócrito. IDEM. 246. 500 D. Dos Progressos na Virtude. OLIMPIODORO. Sobre a Ira.140. causadores de muito sofrimento. Sobre a Educação dos Filhos. Todos os males quantos podem ser imaginados. f. IDEM. 495 E. PLUTARCO. 141. Léxico. 147. 28. HESÍQUIO. encontrarias dentro de ti um celeiro de males diversos. Forma (= átomo) 142. Pois a palavra é sombra da ação. 81 A. 144a. Questões de Convivas. 17 G. A 106. Preceitos sobre a Saúde. Os nomes dos deuses são imagens tônicas. 1. 14. 9 F. Se tu te abrisses. Sobre o Amor dos Filhos. . 148. ele próprio acostumado a tirar de si mesmo o prazer. 614 D E. 143. (Pela temperança manifesta-se) o espírito que se alimenta interiormente está enraizado nele próprio e segundo Demócrito. e um tesouro. p. 3. São mais graves as doenças da alma ou as do corpo? 2. Sobre a Música. justifica sua afirmação dizendo que não a criou a necessidade. p. 149. cabo e pedúnculo do fruto que está sendo gerado e virá a existir. 145. em PLATÃO. p. 10. Bem-estar. Voltarei ao inicio. Filebo. IV. 129 A. Os porcos se comprazem na sujeira. IDEM. 144. 23. 150.

IDEM. 152a. (Crisipo) fez frente a Demócrito deixando-o sem saída: Se um cone fosse cortado junto à base por um plano. Talvez sejamos ridículos quando nos vangloriamos de ensinar os animais. 8. 155a. (N. p. aqueles que torcem o verdadeiro sentido das palavras. IDEM. IDEM. 2. como diz Demócrito. 20. por meio da imitação. 153. Não há luz enviada por Zeus que não encerre a pura luz do éter. 2. nem desprezará a fama evitando agradar ao próximo. III. vê ainda como. IDEM. 821. farão irregular o cone. as partes cortadas serão iguais e o cone terá a aparência de um cilindro. 10. IDEM. ARISTÓTELES. p. o que se deveria pensar sobre a superfície das partes cortadas? Seriam iguais ou desiguais? Sendo desiguais. do T. das aves canoras. 974. p. ibidem. 643 F. 665 F. 1079 E. porque constituído de círculos iguais e não desiguais. segundo Demócrito. Sendo iguais. 152. = A 77. 185 Isto é. Do Céu. Pois num peixe de que muitos partilham não há espinhos. IV. II. 6.185 151. 307 a 17.) . somos discípulos nas coisas mais importantes: da aranha no tecer e remendar. com recursos das ciências físicas e com sucesso. Deles. 154. deve-se deixar de lado. 4. cisne e rouxinol no cantar. 155. da andorinha no construir casas. Reflexões Comuns contra os Estóicos. Preceitos Políticos. p.Se as pesquisas fáceis movem as almas de modo conveniente. as palavras de quereladores e enrola-dores de corda. pois nele haveria muitas incisões em forma de degraus e muitas asperezas. prova-o Demócrito. 39. O homem político não desprezará a verdadeira honra e a gratidão baseada na benevolência e disposição dos que são lembrados. Ora. 28. coisa que é absurdo muito grande. Sobre a Solércia dos Animais. ibidem.

alegando que. homens que dia a dia pensam coisas novas. já que este também possui uma certa natureza e substância própria. o destruiu e dilacerou . 4. afirmando que cada uma das coisas não é mais assim do que assim. p. Colotes diz contra Demócrito que ele. 2. como os que estão sobrecarregados com pesada carga. É natural que o corpo tenha esta antiga acusação contra a alma a respeito das paixões. Sobre a Vida Oculta. também a esfera corta porque de certo modo é um ângulo. 159. 5. o sol impulsionou com sua luz as ações e os pensamentos de todos. autor de tal afirmação. e a procurar sofrimentos de onde nascem para os homens bens maiores e mais brilhantes. diz: Se o corpo instaurasse um processo contra ela pelas dores que padeceu e pelos maltratos que sofreu e se fosse eu o juiz da acusação. com prazer condenaria a alma. como diz Demócrito. Não tendo conhecimento dessas obras nem em sonho. imputando à alma a causa da infelicidade. ibidem. Colotes errou sobre o enunciado do homem (isto é. 1129 E. 158. Mas Demócrito está tão longe de pensar que cada uma das coisas não é mais assim do que assim que lutou contra Protágoras. de outro. 32. com impulso mútuo estimulam-se uns aos outros para as ações.1 São eles que Colotes injuriou. E Demócrito. 1126 A. confunde a vida. fragmento de Sobre o Desejo e a Dor. 156. p. por ser a maior. Ao nascer. e contra ele escreveu obras numerosas e convincentes. IDEM.Para Demócrito. IDEM. de Demócrito) no qual há uma definição: o "ada" não existe mais que o "nada". PLUTARCO. 1108 F. Que me critiquem sobre isso os que viveram como administradores e cidadãos. Demócrito exorta-nos a ensinar a arte política desses homens. de um lado. chamando de "ada" o corpo e de "nada" o vazio. p. Contra Colotes. ela fez perecer o corpo por suas negligências e o exauriu com a embriaguez e. IDEM. 157.

não refletida. mas ir morrendo durante muito tempo. como se a semelhança entre as coisas tivesse força para reuni-las. 533. 1 Parmênides e Melisso. Pois os animais. grãos de cevada aos de cevada. 21. 137. destas. Ilíada.com o amor do prazer. IDEM. eu acusasse quem o emprega sem cuidado. IX. Demócrito diz que certas imagens se aproximam dos homens e que. Isto falo sobre o todo. entre os outros irracionais. pombas com pombas. areias oblongas são impelidas para junto de oblongas. os de trigo aos de trigo. 164.) 163. 265. Por isso desejava encontrar imagens favoráveis. Pois viver mal. cá. III. in APOLÔNIO DE RODES. VII. com o turbilhão da peneirada há uma separação e lentilhas se ajuntam a lentilhas. Demócrito chama o cilindro de rolo. Escólios. Vil. grous com grous. IDEM. 161. Por isso até mesmo à época de Demócrito muitos chamavam de descensão aos eclipses. de acordo com o movimento das ondas. Antigamente julgavam que as feiticeiras faziam descer o sol e a lua. estando um instrumento ou utensílio em mau estado. Contra os Matemáticos. redondas para junto de redondas. ibidem. 166. como se pode ver entre sementes peneiradas e areias das praias: lá. 165 IDEM. 53. Escólios. e. VII. dizia Demócrito. não é viver mal. 19. ibidem. SEXTO EMPÍRICO. sábia e piedosamente. — Homem é o que todos sabemos. 160. umas são benfazejas e outras malfazejas. 116. IV. Assim também entre os inanimados. ibidem. XIII. se arrebanham com os animais da mesma espécie. HOMERO AB. 162. como se. . O coríntio Xeníades a quem Demócrito menciona. do T. diz Demócrito. (N. PORFÍRIO. Sobre a Abstinência. acontece o mesmo.

e. Não desejes saber tudo. pois há o perigo de afogar-nos. 327. II. 2. A felicidade é a alma e a infelicidade também. para que não te tornes desconhecedor de tudo. 168.divindade) ê um dos elementos da palavra eudaimonía (= felicidade).) . IDEM. 174. ESTOBEU. quem não faz conta da justiça e não realiza 186 Impossível traduzir o jogo de palavras que é evidente no texto grego: daímott (. (N. ibidem. 171. 9. por outro lada. FRAGMENTOS CONSERVADOS NA OBRA DE ESTOBEU (DK 68 B 169 — 297) 169. 7. do T.167. a alma é a moradia da divindade. II. dia e noite está alegre. água funda é útil para muitas coisas e. II. 3i. 9. IDEM. não é justo contar tais coisas entre as más. mas por elas poderíamos também escapar aos males. II. Portanto. II. mas entre as boas. Para os homens os males nascem dos bens. 173. 2318. Inventou-se. um recurso: ensinar a nadar. A estas coisas (i. IDEM. pois diziam que elas estão aspergidas em todas as direções. 3. os átomos) eles (i. Física.. ÍI. caso não se saiba dirigir os bens com correção. IDEM. 170. 7. 3i. os discípulos de Demócrito) chamavam natureza.1. seguro e despreocupado.12.. 34. 24. se se quiser. Um turbilhão de todas as espécies de formas (= átomos) se separou do todo. IDEM. mas.186 172. e. Por exemplo. (depois de 170). Das mesmas coisas de onde nascem para nós os bens poderíamos também tirar os males. para os homens é possível usar os bens também como ajuda contra os males. má. SIMPLÍCIO. 1. IDEM. A felicidade não mora em rebanhos nem em ouro. 9. Quem de boa vontade se lança a obras justas e lícitas. portanto.

que é conduzido ao dever pela persuasão. IDEM. 177. entedia-se com coisas tais. sente medo e atormenta-se a si mesmo. 179. 180. 57. nem as lutas. Mais eficiente para levar à virtude mostrar-se-á quem emprega exortação e persuasão pela palavra do que quem usa lei e coação. nem uma ação boa é enxovalhada por uma calúnia. A sorte é generosa. aquele. 40. pois é sobretudo desses estudos que costuma nascer o sentimento de honra. por isso vence com o que tem de menor e seguro o que a esperança tem de maior. 59. II. mas para infortunados é lugar de refúgio. com efeito. II. Se as crianças tivessem liberdade de não trabalhar. prejudiciais e inúteis. 9. 32. tanto antigamente quanto agora. mas insegura. os deuses não dão aos homens nem antigamente. IDEM. que às ocultas erre quem a lei afasta da injustiça. às ocultas ou às claras. auto-suficiente. íí. Um discurso nobre não encobre uma ação má. pois é ela que gera aqueles prazeres de que nasce a perversidade. nem o sentimento de honra que é a principal condição para a virtude. nem a música. II. A educação para afortunados é adorno. IDEM. 31. não é provável que. 176. IDEM. 31. O pior de todos os males é a leviandade no educar a juventude. IDEM. 9. porém. II. 4. 178. nem as letras aprenderiam. quando se lembra de alguma delas. 175. mas são eles próprios que as procuram por cegueira da mente e insensatez. II. Apenas as coisas quantas são más. 58. 9. 66. 5. 181. íí. 31. porém. IDEM. Os deuses dão aos homens todos os bens. nem agora. .o que é preciso. IDEM. E provável. a natureza.

mas a instrução precoce e a natureza. 189. 191. IDEM. O melhor para o homem é levar a vida com o máximo de ânimo e o mínimo de desânimo. IDEM. 46. 31. pois o tempo não ensina a pensar. íí. 31.. 182. IDEM. 1. em nada faz melhor a alma. 186. IDEM. íí.. a força do corpo. 210. íí. 188. III. IDEM. 31. Acordo no pensar engendra amizade. Isso aconteceria. IDEM. São melhores as esperanças dos homens educados que a riqueza dos ignorantes. sem inteligência. íí. 27. 72. 90. franco. 91. IDEM. II. III. 33. 111.cometa uma falta. ao mesmo tempo. se não se baseassem os prazeres nas coisas mortais. III. 1. 187 A seguir. 185. 66. 31. Os belos objetos o aprendizado constrói com o esforço. Para os homens é mais acertado dar valor à alma que ao corpo. E agindo corretamente com perspicácia e saber que se vem a ser corajoso e.. 1. 187. 9. 190. o texto está corrompido. pois. mas os feitos se oferecem de si mesmo sem esforço. Limite das coisas vantajosas e desvantajosas é o prazer e o desprazer. IDEM.187 183. se a perfeição da alma corrige a maldade do corpo. IDEM. O convívio contínuo dos maus faz crescer a disposição para o vício. 47. III. 1. . De obras vis deve-se afastar também as palavras. 184. 94. Há perspicácia entre jovens e ausência de perspicácia entre velhos. IDEM. 1.

mas de insensibilidade não vingar-se da sofrida. sempre é forçado a empreender uma nova tarefa e a lançar-se. portanto. 4. porém. 194. por desejo de algo. ter ânimo comparando a própria vida com a dos que vivem pior e dar-se por feliz pensando no que eles sofrem e no quanto é melhor a tua condição e a tua vida. ííí. As almas que oscilam entre pontos extremos nem são estáveis. 43. na realização de uma ação irremediável que as leis proíbem. É mostra de sabedoria guardar-se da injustiça iminente. nem animosas. voltar o pensamento ao que é possível e satisfazer-te com o que está à mão. IDEM. . com base nestas. é preciso não ficar pensando muito naquelas coisas. IDEM. IDEM. 196. 3. por desejares mais do que tens. 4. 111. 2. 192. 36. As coisas que faltam e as que sobram costumam sofrer mudanças e produzir na alma grandes comoções. sofrimentos para tua alma. 111. IDEM.Para os homens o bom ânimo vem a existir com a moderação de alegria e comedimento de vida. 195. inveja e animosidade. lembrando pouco dos que são invejados e admirados e sem ficar pensando neles. continuamente. 70. para que aquilo que tens à mão e aquilo que possuis te pareçam grandes e invejáveis e não mais sobrevenham. 46. Deves. mas. olhar para a vida dos que pensam. IDEM. refletindo sobre o que os faz sofrer muito. Deves. 69. mas vazias de coração. Tendo isso em mente. Imagens belas de se ver pelas vestes e adornos. mas fazer uma e outra coisa é próprio de caráter mau. Por isso. Quem admira os que possuem e são chamados felizes pelos outros homens e os têm presentes a toda hora em seu pensamento. 3. E mais fácil elogiar e censurar o que não é preciso. 111. viverás com melhor ânimo e afastarás durante a vida não poucas maldições: malevolência. Os grandes prazeres nascem do contemplar as belas obras. 193. 11.

mas desperdiçam as presentes ainda que mais valiosas que as passadas. Os homens. 71. 4. 74. IDEM. IDEM. 111. Insensatos desejam as coisas ausentes. 76. Insensatos desejam a vida temendo a morte. 4.O esquecimento dos próprios males engendra a coragem. 4. 72. Insensatos. Insensatos. O animal. IDEM. IDEM. III. ffl. 199. III. IDEM. 75. III. IDEM. 4. 4. 206. 205. 5. . pelos da sabedoria. 111. 25. ffl. Insensatos a ninguém agradam durante a vida inteira. III. 73. 203. Não todo prazer. 208. 5. 200. 201. 207. 197. quando precisa de algo. quando precisa. ao fugir da morte. 204. não tem consciência disso. 4. IDEM. 80. IDEM. 4. 5. Os insensatos são moldados pelos dons da sorte. 202. 22. sabe de quanto precisa. 198. 209. IDEM. 24. 77. 4. IDEM. mas o homem. querem envelhecer. ffl. temendo a morte. Insensatos desejam longevidade sem tirar prazer da longevidade. IDEM. mas o que está no belo é preciso escolher. III. 4. 111. IDEM. odiando a vida. perseguem-na. IDEM. 111. 4. 79. 78. Insensatos vivem sem tirar prazer da vida. III. por temer o Hades querem viver. O comedimento do pai é a melhor proclamação para os filhos. os que têm entendimento para tais coisas.

IDEM. pois os desejos maiores fazem maiores as carências. O comedimento multiplica as alegrias e faz maior o prazer. 10. 25. 216. mas o temor do infortúnio é limite da injustiça. 217. 74. 43. 7. A coragem faz pequenos os golpes do destino. 27. mas quem supera também os prazeres. IDEM. IDEM. 10. IDEM. IDEM. IDEM. ííí. ííí. é muito mais penoso que a miséria extrema. 31. 30. Só são amados dos deuses aqueles a quem é odioso cometer injustiça. ííí. 214. A sabedoria intrépida é digna de todas as coisas. 5. IDEM. Sonos diurnos significam perturbação do corpo ou inquietude ou preguiça ou falta de instrução. III. ííí. Fama de justiça é coragem e intrepidez de julgamento. IDEM. mas mesa suficiente. IDEM. Maus lucros trazem perda de virtude. 7. o comedimento. Riqueza que nasce de ato mau possui muito nítida uma mácula. 27.Para os auto-suficientes na alimentação nunca há noite curta. ííí. 36. 221. 6. . 10. 58. ííí. Alguns são senhores nas cidades. 9. IDEM. 21. 220. que não é delimitado pela saciedade. 213. 7. 212. mas são escravos de mulheres. 218. 10. A sorte proporciona mesa suntuosa. 7. Corajoso não é apenas quem supera os inimigos. 219. 215. IDEM. III. III. 26. O desejo de riquezas. 5. 211. 210. 44. III. ííí. III. IDEM.

IDEM. só havendo espaço para os pés. IDEM. também os gastos. IDEM. As coisas de que o corpo precisa estão à disposição de todos facilmente. costumam perder-se. são como os dançarinos que saltam sobre punhais. IDEM. sem pena e sofrimento. Os filhos dos avaros. não.19.17. Se eles. 10. 10. . ííí. 22. A vida sem festas é um longo caminho sem hospedaria. 227. mas a má constituição do pensamento. 12. morrem. 64. 223. 10. falar muito. no momento certo. IDEM. ííí. 68. 47. mas perigo é a avaliação do momento oportuno. Os avaros têm o destino da abelha: trabalham como se fossem viver sempre. É preciso falar a verdade. IDEM. Mas reconhecer isso é próprio do homem bom. lll. 222. lll. 225. 16. Assim também para aqueles: Se perdem de vista o modelo do pai zeloso e avaro. E difícil. ííí.13. 226.Esperança de lucro mau é começo de perda. lll. Avareza e fome são benéficas e.18. IDEM. ///. O acúmulo excessivo de riqueza para os filhos é disfarce de avareza que nisso denuncia o seu modo próprio de ser. 229. tudo quanto precisa de pena e sofrimento e torna dolorosa a vida não é o corpo que deseja. 230. como para o cão de Esopo. Sinal próprio da liberdade é a linguagem aberta. quando crescem na ignorância. 16. atingir esse lugar único. 228. IDEM. 13. 224. 16. 65. IDEM. porém. 16. ííí. não atingem o único ponto em que devem colocar os pés. ao pular. O desejo de ter mais destrói o que está à mão. 777.

ao ter em vista o prejudicial para o inimigo. 239. 777. O desejo por essas mesmas coisas continua presente e. IDEM. 18. rapidamente o prazer se vai. 13. 62. nada de útil resta. 235. 17. 777. 25. 38. Pela intemperança. Toda belicosidade é insensata. IDEM. Sensato é quem não sofre pelo que não tem. 28. IDEM. 238. 20. mas as dores são numerosas. 35. 234. Termina com má fama quem quer medir-se com o mais forte. Se alguém ultrapassasse a medida. Dentre os prazeres. são traidores da saúde. mais raros são os que mais causam alegria. pois. 20. A todos quantos consideram prazeres os que vêm do estômago. não vê a vantagem própria. lll. . 232. 42. 22. IDEM. ultrapassando a medida certa na comida. IDEM. IDEM.18. lll. ííí. IDEM. se dela escapam. mas se alegra pelo que tem.231. 236. 111. 777. 37. IDEM. quando têm aquilo que desejam. senão o curto gozo e. IDEM. 30. 111. duram o tempo) em que comem e bebem. 233. fazem o que é adverso e. na bebida ou nos amores. pelas paixões. 17. mas vencê-lo é próprio do homem de bom senso. precisam das mesmas coisas. E duro lutar contra o desejo. 777. 56. os prazeres são curtos e momentâneos (isto é. Os juramentos que fizeram em situação de necessidade os maus não mantêm. 237. Os homens em suas preces pedem saúde aos deuses e não sabem que possuem em si mesmos o poder sobre ela. outra vez. 17. as coisas mais agradáveis tornar-seiam as menos agradáveis.

III. 29. IV. 63. pois a inveja é o início da luta. 29. se cada um não prejudicasse o outro. 29. A lei quer beneficiar a vida dos homens. o trabalhar faz sofrer e penar. 7. 249. 1. 111. 244. IV. 33. 40. pois o mundo inteiro é pátria da alma boa. 111. mesmo que esteja sozinho. Aprende a respeitar mais a ti que aos outros. IDEM. 243. O trabalho continuado torna-se mais leve com o hábito. 7. 34. porém. Mais numerosos são os que vêm a ser bons pelo exercício do que pela natureza. 88. lll. 53. IDEM. 31. 246. Para o homem sábio toda a terra é acessível. Por ocasião de cada insucesso. pois indica para os que o querem a virtude que lhes é própria. 245. IDEM. 29. IDEM. Nada de vil. IDEM. IDEM. 111. A vida no estrangeiro ensina a auto-suficiência: o pão de centeio e a cama de palha são o remédio mais doce para a fome e o descanso. 247. 242. fales ou faças.240. 248. 111. IDEM. 1. IDEM. Todos os trabalhos são mais agradáveis que o descanso. 6. IDEM. 64. 66. . quando se atinge o fim pelo qual se trabalha ou se sabe que será alcançado. III. Os trabalhos aceitos de bom grado fazem mais leve a carga dos impostos a contragosto. 31. 40. 241. IDEM. mas ela pode fazê-lo quando eles querem receber o benefício. As leis impediriam que cada um vivesse de acordo com seu próprio gosto. III.

Os maus. IV. corre risco de criar má reputação e até vir a sofrer algo. atente contra o direito. 255. de outra maneira. quanto mais são indignos de procurá-los. IDEM. também (não) descuidando e (não) cometendo injustiça. passa a ter má reputação. para vencedor e vencidos. 253. Mas. IV. para que sejam bem dirigidos sem armar contendas contrárias ao direito e sem assumir para si um poder contrário ao bem comum. em nada. 1. pois. IV. IDEM. 252. E preciso julgar de maior importância que tudo o mais os interesses da cidade. 1. a destruição é igual. Na democracia a pobreza tanto mais é preferível à chamada felicidade entre os autocratas quanto a liberdade à escravidão. ainda que não roube nem. pois as próprias ficariam mal. 250. IV. 254.46. Quando os poderosos ousam adiantar dinheiro aos que nada possuem. 40. tudo está destruído. haverá . 251. Entretanto. defendê-los e prestar-lhes favores. IDEM. quando procuram os cargos oficiais. aí já está incluída a compaixão: os homens não estarão sozinhos e tornar-se-ão amigos. 45. 1. 43. 1. para as cidades. destruída a cidade. tanto mais são despreocupados e estão cheios de insensatez e segurança. 1. realizar outras.A guerra civil é um mal para ambas as partes. ajudar-se-ão mutuamente. 44. tudo está salvo. IDEM. 41. IV. IDEM. não. as guerras. E inevitável errar. IDEM. 1. se alguém descuida dos bens públicos. IV. Aos homens probos não é vantagem. Uma cidade bem dirigida é o maior apoio e tudo nela está contido: salva a cidade. mas não é fácil aos homens perdoar. descuidando-se das tarefas deles. Pela concórdia torna-se possível realizar grandes obras e.

262. ou através de outros ou por um voto. antes fazê-lo que não fazê-lo. Quem matasse um ladrão ou pirata ficaria impune ainda que o fizesse com as próprias mãos. Agir assim é justo e bom. também entre os homens parece-me que é preciso fazer: Segundo as leis de nossos pais. Justiça é fazer o que é preciso.concórdia entre os cidadãos e haverá outros bens quantos ninguém poderia enumerar. Como sobre raposas e serpentes inimigas ficou escrito. 14. IV. IV. eis como fica a questão: "Quem matarás ou não matarás?" — Quem mata o que comete injustiça ou quer cometê-la fica impune e. mas deixá-lo de lado. 2. Quem o fizer terá maior quinhão de ânimo. de justiça e de posses em toda sociedade organizada. IDEM. 44. guardará isso dentro de si. as divindades locais. IDEM. os tratados e os juramentos. 2. IV. Proíbem-no. 5. IV. 261. para o bem-estar. Quem os absolve. 18. 257. 259. dentro do possível. 260. E aos que praticam atos dignos de exílio. dando a sentença por visar lucro ou prazer. 256.17. não fazer o que é preciso. . IV. IDEM. IDEM. deve-se condenar a não absolver. em cada sociedade organizada. 43. 4. 258. matar o inimigo público em toda a sociedade organizada na qual a lei não o proíbe. 2. 2. 15. IV. mas não fazê-lo é injusto e mau. É preciso a todo custo matar todos os seres vivos que. fazem mal a outrem. IV. comete injustiça e. necessariamente. Entre alguns seres vivos. transgredindo a justiça. Aos que sofrem injustiça é preciso. ou de prisão ou de punição. 5. 16. vingar e nisso não ser omisso. IDEM. IDEM. injustiça. IDEM.

quer ninguém vá ver. Por natureza o governar pertence ao mais forte. 267. Como não é preciso louvar quem devolve os depósitos que lhe foram confiados. Participa de maior quinhão de justiça e virtude quem decide as honras maiores (aos mais dignos). IDEM. 19. 45. 268. agora em vigor. 6. 7. 266. respeitar principalmente a si mesmo e estabelecer para sua alma esta lei: nada fazer de inadequado. nem fazer algo mau. IV. IDEM. para impedir que os governantes cometam injustiça. com efeito. mas não obtém benevolência. 23. mas uma lei ou outra coisa qualquer defenderá quem pratica atos justos.263. IV. IDEM. 5. IV. não um outro. IV. 10. 47. mesmo quando eles são muito bons. 265. 46. 269. IV. 264. 5. 19. pois assim é justo. 5. 270. com efeito. IV. IDEM. IDEM. 48. IDEM. O temor produz lisonja. também isto ficar disposto assim: Quem não cometer injustiça alguma. assim também o governante. mas para agir bem. IDEM. Não foi escolhido. 5. para agir mal. de alguma forma. . quer todos os homens. mas a sorte é a senhora do fim. Ao contrário. mas é preciso que quem não devolve tenha má fama e sofra punição. IDEM. Os homens lembram-se mais dos erros do que dos acertos. Nenhum recurso tem a constituição. Em nada respeitar mais os homens que a si mesmo. A ousadia é início da ação. não virá a ficar sob aqueles. 28. 45. É preciso. IV. ainda que examine a fundo os atos dos que cometem injustiça. mas ele próprio. E de esperar-se. que em situações diferentes ele venha a ser o mesmo. IV.

como se deve. i. IDEM. IDEM. 271. IDEM. IV. Uma mulher é muito mais fina que um homem para maus pensamentos. 24. 277. 299. 275. 22. parece-me. criar um dos de seus amigos. 276. Aos homens o ter filhos parece estar entre as necessidade que derivam da natureza ou de um preceito antigo. IV. A educação dos filhos é coisa escorregadia: o sucesso que tem é cheio de luta e preocupação. . Não me parece preciso ter filhos. Falar pouco é adorno para a mulher. 29. Se alguém gera um filho de sua própria carne. encontrou um filho. magra e pobre. IDEM. 24. E o que lhe parecer adequado também o acompanhará por inclinação natural. pois vejo no ter filhos muitos e grandes perigos e muitos sofrimentos. 23. pois será forçoso conviver com o filho que engendrar. pois é-lhe possível escolher tal como quer. Quem teve sorte com o genro. 278. 24. de um em vista de outro. IDEM. IV. 33. E há nisso uma diferença. 31. mas colheita pouca e. 31. 24. na medida em que é possível escolher dentre muitos o filho de seu coração.. 38.Dos servidores da casa deves usar como partes do corpo. e ao insucesso nenhuma outra dor supera. IV. os riscos são muitos. mas é belo também a parcimônia de adorno. 20. IDEM. 273. e. IV. IV. perdeu também uma filha. Uma censura de amante a amada a elimina. IDEM. 272. 274. quem não a teve. Este filho será tal qual ele deseja. será melhor. IV. 108. Para quem for uma necessidade gerar um filho. 33. 22. Isto é evidente quanto aos outros seres vivos. IDEM. mesmo essa. IV.

mais cobiçosos de ganho. pois o que se gasta em comum não incomoda como a despesa particular. 31. IDEM.188 282. sem gastar muito do que é seu. IV. labutam e alimentam-nos como podem. 281. 280. 31. 26. Pobreza e riqueza são nomes para carência e saciedade. pesado imposto exigido dos ricos a quem a cidade encarregava de pagar os elementos que formavam o coro de uma tragédia. Aos filhos. IDEM. IV. 188 189 Não se conservou o final da sentença. zelar por eles para que. é um imposto 189 pago continuamente. . 25. IV. tanto quanto é possível. 49.. nem pobre o não carente. 24. IV. 279. E nesse mesmo momento que eles vêm a ser mais parcimoniosos com o dinheiro. não cometam um desatino. 33. 25. assim também para as propriedades. Mas quando os filhotes nascem. IV. e lutam uns com os outros. Entre os homens. 26. mas muito menos. Tal é a natureza de todos os seres quantos têm alma.Todos eles têm filhotes obedecendo à natureza. feito com inteligência. ficam tristes. portanto. O uso do dinheiro. IV. tendo-o nas mãos. Assim como entre as feridas o câncer é a pior doença. ao mesmo tempo.. IDEM. No texto grego. 23. 283. choregía. educar os filhos e construir à volta de sua propriedade e das pessoas deles uma muralha protetora. 284. se lhes acontece algo. já se criou a expectativa de que dos filhos advirá também um proveito. é preciso distribuir o dinheiro e. IDEM. 120. IDEM. rico o carente. zelam muito por eles enquanto são pequenos e. sem por certo visar a vantagem alguma. nem as novas aquisições animam. porém. pode contribuir para a generosidade e para o bem do povo. E possível. Não é. 26. sem inteligência. IDEM.

A dor incontrolada de uma alma entorpecida afasta-a com o raciocínio. 294. para que haja preocupação por uma posse moderada e a labuta se meça pelas necessidades de cada um. . 295. 40. 288. 285. 290. Força e beleza são bens da juventude. 39. IDEM. IV. 44. 48. E falta de razão não aceder às necessidades próprias da vida. IV. 287. 292.19.10. 291. Há doença do lar e da vida como há a do corpo. IDEM. IDEM. IDEM. 70. 46. 24. 44. as poucas julgarás muitas. IDEM. 67. IV. 22. infortunado quem sofre pelo muito que tem. comedimento. pois não lhe resta a esperança de ajuda. IDEM. IV. 286. IV. 40. IDEM. pois o pequeno apetite faz a pobreza equivalente à riqueza. IV. 20. IDEM. IV. IDEM. A falta de recursos da comunidade é mais dura do que a de cada um. Irracionais são as esperanças dos tolos. Afortunado quem deseja com medida. IDEM. IV. pouco duradoura e misturada com muitos cuidados e dificuldades. 17. 50. IV.Se não cobiçares muitas coisas. 65. 293. 20. 50. IDEM. 44. 22. IV. 64. 289. IV. a flor da velhice. Aqueles a quem dão prazer os sofrimentos do próximo não compreendem que as vicissitudes da sorte são comuns a todos e lhes falta uma alegria que seja sua. E preciso reconhecer que a vida humana é frágil. Suportar com brandura a pobreza é próprio do homem sensato.

Mas o ponto de partida de Demócrito é acreditar na realidade do movimento porque o pensamento é um movimento. Alguns homens. Georg W. IV. sua solidão. inventando histórias falsas sobre o tempo após o fim. Portanto.CRÍTICA MODERNA 1. Friedrich Nietzsche Trad. Viagens extraordinárias. a ruína material. não pode haver movimento. pois o pleno não pode acolher em si nada . 243. Se o espaço é absolutamente pleno.. mas. IDEM. seu grande poder de trabalho. DEMÓCRITO DE SUA VIDA sabem-se poucas coisas seguras. 296. penam durante o período de vida em meio de perturbações e temores. quanto ao jovem. 40. IDEM. mas conhecendo os sofrimentos que ocorrem na vida. IV. 297. 2. Com efeito: 1) o movimento espacial só pode ter lugar no vazio. C . F. o que equivale a dizer que o não-ser é tão real quanto o ser. Esse é seu ponto de ataque: o movimento existe porque eu penso e o pensamento tem realidade. 76. Hegel Ver artigo sobre Leucipo à p.. Velhice é mutilação total: tudo tem e de tudo é carente. Uma tradição tardia afirma que ele ria de tudo. 52. mas muitas lendas. Mas se há movimento deve haver um espaço vazio. as honras que recebeu de seus concidadãos. 50. é incerto se ele chegará à velhice. de Rubens Rodrigues Torres Filho a. não conhecendo a dissolução da natureza mortal. Demócrito e Leucipo partem do eleatismo. o bem realizado vale mais que o que está ainda por vir e é incerto.O velho foi jovem.

nastóm (de nosso. Mas o movimento demonstra o ser. Se somente o não-ser existisse. pesado. haveria um não-ser. 2) a rarefação e a condensação só se explicam pelo espaço vazio. AN de NA pela ordem. um ser. o peso deve pertencer igualmente a todos. A principal diferença está na forma. Todas as qualidades são nómo. O ser não pertence mais a um ponto de que a outro. É preciso. poderia haver uma infinidade deles. O peso pertence a cada corpo (como medida de todas as quantidades). skhéma). o stereón. O que resta são os átomos. pela ordem (diathigé'. tanto quanto o não-ser. portanto. Elas só se distinguem pela forma (rhysmós. não haveria mais ser. Temos aqui a distinção que reaparece em Locke: as . não haveria mais nenhuma grandeza. pois. O ser é a unidade indivisível. Demócrito afirma. é definido como pleno. se esses seres devem agir uns sobre os outros pelo choque. Como todos os seres são da mesma natureza. remeter todas as qualidades a diferenças quantitativas. é preciso que sejam de natureza idêntica.que lhe seja heterogêneo. a cinza desaparece nos interstícios vazios da água. táxis). não haveria movimento. é preciso que a divisão não possa ir ao infinito. thésis). isto é. Somente nossos sentidos nos mostram coisas qualitativamente diferentes. 3) o crescimento só se explica porque o alimento penetra nos interstícios do corpo. que o ser deve ser semelhante a si mesmo em todos os pontos. portanto. A difere de N pela forma. isto é. O ser. Z de N pela posição. os corpos são idênticos a esses predicados. se dois corpos pudessem ocupar o mesmo lugar no espaço. pois o menor poderia acolher em si o maior. o mesmo peso. Se toda grandeza fosse divisível ao infinito. Se deve subsistir um pleno. São chamadas também ideai ou skhémata. Se um átomo fosse o que o outro não é. O não-ser é. à mesma massa. dotado de uma forma. eu aperto). O pleno é aquilo que não contém nenhum kenón. Mas. pela posição (trope'. também o pleno. que indica diferença de grandeza e de peso. 4) em um vaso cheio de cinza pode-se ainda derramar tanta água quanta se ele estivesse vazio. os seres só diferem pela quantidade. portanto. como Pitágoras. o que é uma contradição.

com Empédocles. desaparece quando esse grupo se desfaz. dureza. Ele retorna ao primeiro sistema de Parmênides. a terra e o ar podem nascer um do outro por dissociação. Demócrito esforçou-se por caracterizá-los a partir de seus átomos da mesma natureza. Anaxágoras reconhecia quatro elementos. é este que domina todas as suas concepções fundamentais. que Empédocles foi utilizado a fundo. que somente o semelhante age sobre o semelhante. Todas as outras qualidades são secundárias. pois este havia discernido o dualismo do movimento em Anaxágoras e recorrido à ação mágica. Cresce quando lhe são acrescentados novos átomos. segundo o qual o mundo se compunha de . Uma coisa nasce quando se produz um certo agrupamento de átomos. tem em comum os ápeira ou matérias originais. Demócrito adota uma posição adversa. Com Anaxágoras. a realidade do movimento. dos quais são apenas as impressões: cor.qualidades primárias pertencem às coisas em si mesmas. a impermeabilidade. Demócrito pensa. A teoria dos poros e das aporrhoaí preparava a do kenón. não se pode fazer abstração delas. os elementos distinguem-se apenas pela grandeza de suas partes. polido. rugoso etc. a forma. Percebe-se. provavelmente também sua dedução a partir da realidade do pensamento. E por isso que a água. fora de nossa representação. nos outros elementos estão misturados átomos diversos. produzidas pela ação das qualidades primárias sobre os órgãos de nossos sentidos. o número. lhe é comum com Anaxágoras e Empédocles. gosto. se há separação no espaço. são: a extensão. fazer abstração da natureza dos corpos na medida em que é apenas a ação dos nervos sobre os órgãos sensoriais. moleza. Pode-se. portanto. recorre-se à teoria das aporrhoaí. odor. O ponto de partida de Demócrito. pois. Toda ação de uma coisa sobre outra se produz pelo choque dos átomos. Naturalmente. é antes de tudo de Parmênides que ele procede. O fogo é feito de átomos pequenos e redondos. som. muda quando muda a situação ou a disposição desse grupo ou quando uma parte é substituída por outra.

da espécie mais comum. 48. todo esse universo cheio de ordem e de exata finalidade. pelo choque. não procura logo de início.ser e de não-ser. parte das qualidades reais da matéria. Rosenkr. sem muita imprudência: 'Dai-me a matéria. p. perpetuamente agitados. com o auxílio de um pensamento cego. Parece-me que se poderia dizer aqui. Leucipo. E um grande pensamento reconduzir às manifestações inumeráveis de uma força única. tem muita analogia com a minha. enfim. História Natural do Céu. Sinto o prazer de ver um todo bem ordenado nascer sem o auxílio de fábulas arbitrárias. como a hipótese do Nous ou as causas finais de Aristóteles. em certo sentido. Só então o pensamento se desprende de toda a concepção antropomórfica do mito. e eu vos farei um mundo"'. não há nem interrupção brusca nem intervenção estranha no curso natural das coisas. efeitos que parecem os desígnios de uma sabedoria suprema. a idéia de que todo movimento pressupõe uma contradição e de que o conflito é o pai de todas as coisas. censurou-se desde a Antigüidade esse ponto de partida. V. Eis como Demócrito se representa a formação de um mundo dado: os átomos flutuam. o materialismo. Vejo as substâncias se formarem em virtude de leis conhecidas de atração e modificarem. É a concepção mais terra-a-terra. esta hipótese. De todos os sistemas antigos. dizendo que o mundo teria sido movido e . seu movimento. Fr. sempre foi da maior utilidade. Epicuro. tem-se. Leia-se Kant. Não contestarei então que a teoria de Lucrécio ou de seus predecessores. e esse todo é tão semelhante ao universo que temos sob os olhos que não posso impedir-me de tomá-lo por ele mesmo. ultrapassar as forças mais simples. Lange. no espaço infinito. o de Demócrito é o mais lógico: pressupõe a mais estrita necessidade presente em toda parte. História do Materialismo. Alb. Toma emprestado de Heráclito a crença absoluta no movimento.: "Admito que a matéria de todo o universo está em um estado de dispersão geral e faço dele um perfeito caos. Demócrito. uma hipótese cientificamente utilizável. pelo efeito de leis mecânicas bem conhecidas. A matéria que se move segundo as leis mais gerais produz.

concursu quodam fortuito. Os átomos pesados caem e fazem subir os átomos leves com sua pressão. mas um conjunto de leis rigorosas. bem entendido. Estes nasceram e perecerão. entrelaçando-se e formando uma espécie de conglomerado. Esse turbilhão aproxima.. não se pode indicar sua velocidade. os mais leves são repelidos para o vazio exterior. Esse invólucro vai-se tornando cada vez mais fino. que o "acaso cego" reinaria entre os materialistas. a massa entra em rotação. O movimento original é. a velocidade sendo desigual. certas partes sendo atraídas para o centro pela rotação. vertical. não há medida para essa velocidade. Cada um desses conglomerados que se separam da massa dos corpos primitivos é um mundo.teria nascido por "acaso". o que é de mesma natureza. sob o efeito combinado de forças opostas. o fogo. Quando os átomos em equilíbrio são tão numerosos que não podem mais se mover. pois. Cada vez que nasce um mundo. mas o ar que os leva é por sua vez levado em um rápido turbilhão. eles se encontram. aqueles que se elevam formam o céu. é que uma massa produzida pelo choque de átomos heterogêneos se separou. como se fossem expulsos. alguns são repelidos. O que é preciso dizer é que há uma causalidade sem finalidade. Esta é uma maneira muito pouca filosófica de se exprimir. as partes mais leves são empurradas para o alto.. Como os átomos vieram a operar movimentos laterais.. ananke sem intenções... neste eles secam pouco a . os elementos repelidos para fora depositam-se no exterior como uma película. como o espaço é infinito e a queda regular. uma queda regular e eterna no infinito do espaço. os outros permanecem juntos. a formar turbilhões na regularidade das combinações que se faziam e se desfaziam? Se tudo caía na mesma velocidade. Não há acaso. isso seria equivalente ao repouso absoluto. produz-se um movimento giratório.. o ar. Alguns formam massas espessas. embora não racionais. primeiramente. há infinitos mundos. Demócrito deduz todo movimento do espaço vazio e do peso. Os átomos centrais formam a terra.

O sono — morte aparente. A alma deve. disso nasce a representação das coisas. ser feita da matéria mais móvel. lisos e arredondados (de fogo). Por causa de sua sutileza e de sua mobilidade arriscamse a serem arrancados do corpo pelo ar circundante. Teoria das percepções dos sentidos. Somente o semelhante sente o semelhante. Disso resulta a morte. Duas condições são necessárias: uma certa força da impressão e a afinidade do órgão que a recebe. em um estágio antigo de sua formação. foram apanhados pelas massas que se moviam em torno do núcleo terrestre e desse modo viram-se atraídos para nosso sistema sideral. Estas penetram no corpo pelos sentidos e espalham-se por todas as partes. Isso não acontece em um instante. pois. que nos traz constantemente de fora novos átomos de fogo e de alma para substituir os átomos desaparecidos e que prende no interior do corpo aqueles que queriam escapar.. Nascimento dos seres animados. Do mesmo modo. no começo. Pouco a pouco ela tomou uma posição fixa no centro do universo. movia-se de um lado para outro. A percepção é idêntica ao pensamento. Se a respiração cessa. pode ocorrer que a vida seja restaurada depois da desaparição de uma parte da alma. as partículas do corpo terrestre são pouco a pouco arrancadas pelos ventos e pelos astros e se acumulam em água nos ocos. se a alma é levada por esse movimento à . entre todos os átomos corporais se intercala um átomo de alma. Estas partículas de fogo estão espalhadas por todo o corpo. percebemos as coisas por meio das partes de nosso ser que lhes são análogas. o fogo interior escapa.pouco e se inflamam pela rapidez do movimento (astros). de átomos sutis. opera-se por meio das aporrhoaí.... Estes se movem perpetuamente. O contato não é imediato. Assim a terra se solidifica. é esta que move os seres animados. O sol e a lua. A essência da alma reside em sua força animadora. É disso que nos preserva a respiração. quando ela era ainda pequena e leve. O pensamento é um movimento. Uma e outro são modificações mecânicas da matéria da alma.

Trata-se do mundo que é o nosso. e todos os seus resultados permanecem verdadeiros para nós. pp. Por outro lado. Assim. Tudo o que é objetivo. a representação. em O Nascimento da Filosofia na Época da Tragédia Grega. é uma representação cômoda nas ciências naturais. todo dado objetivo é determinado de várias maneiras pelo sujeito pensante e desaparece totalmente quando se faz abstração do sujeito. 204-213. comparou-se o materialismo ao Barão de Crac (sic). Se o movimento a aquece ou a esfria excessivamente. 127-134) b. mesmo depois que se descobriu o prõton pseudos. O absurdo consiste em partir do dado objetivo. que puxava para cima. as representações são falsas e o pensamento é mal-são. que. . deduzir o único dado imediato. E de um tal dado que o materialismo quer. o materialismo é uma hipótese preciosa e de uma verdade relativa. E uma prodigiosa petição de princípios. portanto material. é raro que um escritor considerável tenha tido de sofrer tantos ataques devidos a razões diversas. extenso. porque ele próprio começa a sentir seu prõton pseudos. na verdade. pp. vol. graças às quais se apresenta como extenso no espaço e agente no tempo. E aqui que começam as verdadeiras dificuldades do materialismo. Com efeito. ANOTAÇÕES SOBRE DEMÓCRITO DEVERÍAMOS A Demócrito muitos sacrifícios fúnebres. não passa de um dado extremamente mediato. se não no absoluto. simplesmente para reparar os erros do passado para com ele. o último elo aparece como o ponto de partida de que já dependia o primeiro elo da corrente. agora. agente. para cuja produção cooperamos sempre. quando atravessava o rio a cavalo. XIX. o pensamento é sadio. suspendia sua montaria apertandoa entre as pernas e se suspendia a si mesmo por meio de sua peruca. enquanto. (Obras. que passou pelo mecanismo do cérebro e acomodou-se às formas do tempo. do espaço e da causalidade.temperatura conveniente. de repente. percebe exatamente os objetos. um concreto extremamente relativo. tudo aquilo que o materialismo considera como seu fundamento mais sólido.

Se este é o inventor da idéia principal. Mais tarde. XIX.. vol. Não recendem a estoicismo nem a platonismo. os obscurantistas da Antigüidade se vingaram dele. 368. p. é por não conhecer a natureza. 327. introduzindo. vol. (Obras. Assim o Sistema da Natureza1 começa nestes termos: "O homem é infeliz porque não conhece a Natureza". o contrabando de seus escritos de magia e de alquimia. como a encarnação do paganismo. sob sua marca. vol. se o homem é infeliz. (Obras. p. 134-135) Os fragmentos de Moral (= Estudos Éticos) têm. assim como os de Epicuro. XIX. foi reservado à nossa época negar também a grandeza filosófica do homem e atribuir-lhe um temperamento de sofista. Junta-se a isso a obscuridade em que nos encontramos a respeito de Leucipo. um tom desenvolto de homem do mundo e uma bela forma. Não são indignos de Demócrito. Todos esses ataques se desenrolam em um terreno que não podemos mais defender. que o veneno já estava por demais alastrado. p. em O Nascimento da Filosofia na Época da Tragédia Grega. enfim. 135) Todos os materialistas pensam que. O divino Platão chegou mesmo a considerar seus escritos tão perigosos que pretendia destruí-los em um auto-de-fé privado e só foi impedido disso por considerar que já era tarde demais. em O Nascimento da Filosofia na Época da Tragédia Grega. p.. podemos entretanto atribuir também a Demócrito uma grande diversidade de concepções. logrou executar o enérgico desígnio de Platão. mas aqui e ali. e sem dúvida um século anticósmico devia considerar os escritos de Demócrito.Teólogos e metafísicos acumularam sobre seu nome suas acusações inveteradas contra o materialismo. em O Nascimento da Filosofia na Época . 369. A tradição não aprova nada. Enfim. E um problema psicológico saber se foi ele que os escreveu.. pp. O cristianismo nascente. por um lado. (Obras. o que imputou ao pai de todas as tendências racionais uma reputação de grande mágico. lembram Aristóteles e sua metropathía. XIX.

resultado do estudo científico. pp. Demócrito é perfeitamente claro. pp. Característica do pensamento de Demócrito: Gosto pela ciência. O Mal excluído de seu sistema. Aitíai. 135-136) Sobre a questão da criação do mundo. igualmente. ele foi. Sentimento de um progresso poderoso. É o que prova sua própria descrição. Uma plena virilidade do pensamento e da investigação aparece em Demócrito. vol. Paz de espírito. Não acreditamos nos contos. XIX. que considera como profetas da verdade (isso lhe parece um fato natural). 371-372. a cada mil anos uma pedrinha é juntada às outras. Viagens 1 Cf. 136). de uma completa clareza. ele não perde o senso da poesia. A ética de Demócrito é conservadora. Inquietações políticas: quietismo. seu juízo sobre os poetas. Arrojo poético (poesia do atomismo). Inquietações míticas: racionalismo. "Contenta-te com o mundo tal como é". Sobre o problema da origem do mundo. Fé absoluta em seu sistema. Entretanto. Uma seqüência infinita de anos. O materialismo é o elemento conservador na ciência como na vida. Aversão ao bizarro. e a terra acaba por ser o que é. p. Pitágoras. Lange. Simplicidade do método. . mas sentimos sua força poética. é o cânon moral que o materialismo produziu. Clareza. em O Nascimento da Filosofia na Época da Tragédia Grega. (Obras. Geschichte des Malerialismus (História do Materialismo). Inquietações morais: ascetismo.da Tragédia Grega.

. aquilo que lhe era homogêneo. aquilo que lhe parecia inteligível e simples. Sentir-se liberto de todo Incognoscível. sem dúvida. Eis por que ele procurou remeter tudo àquilo que é mais fácil de compreender. pois. esse Humboldt do mundo antigo. É que sua vontade é a mola de sua investigação. Demócrito. de seus raros predecessores. Ele se atrela a este. Demócrito. Queria sentir-se no mundo como em um quarto claro. acomodava à sua maneira os deuses. Os problemas mais profundos lhe permanecem ocultos. como um mendigo. pai do racionalismo. E na moral que está a chave da física de Demócrito. Sua cidade natal o toma por um pródigo. conservou. quase morrera de fome. Vauvenargues diz com razão que os grandes pensamentos vêm de coração. Ainda não havia notado. e é isso que lhe dá sua segurança e sua confiança em si. Ele se desempenha com excessiva rapidez dos encargos de construir o mundo e a moral. A meta é o otium litteratum: "ter a paz". a queda e o choque. Os sistemas anteriores não lhe davam isso. Raciona-lista encarnado. . uma abundância infinita de pontos de vista diversos. o que quer é terminá-la e atingir o conhecimento último. um racionalista confiante.Inquietações conjugais: adoção de filhos. ao passar em revista os sistemas anteriores. Retorna pobre e sem recursos. É. a viver das esmolas de seu irmão. pois deixavam subsistir um elemento irracional. deve igualmente ser incluído entre os melancólicos. — É a meta de sua filosofia. Recusam-lhe uma sepultura honrada. até o dia em que seus parentes tomam as dores do morto e em que se elevam monumentos em honra daquele que. crê na capacidade liberadora de seu sistema e elimina dele tudo aquilo que é mau e imperfeito. desprezado em vida. o espetáculo dos sacrifícios etc.. reduzido. e condenou sem indulgência a intrusão de um mundo mítico. Sente-se impelido a correr o mundo.

por pouco que houvesse de poesia em jogo. O mundo e os homens. era contrário a uma cultura harmoniosa. Acreditava ter encontrado na vida científica a meta de todo eudemonismo. Pensava então. É preciso explicar do mesmo modo o entusiasmo dos pitagóricos pelo número. Ele dedica então toda a sua vida ao esforço de penetrar toda espécie de coisas por meio de seu método. uma bela natureza grega. a uma média feliz. nos momentos difíceis. em seu grande predecessor Empédocles e em sua sombria mitologia. mas cheio de um fogo secreto. um valor moral.É. para terminar. acreditava ele. que consiste em explicar de maneira coerente uma multidão de fenômenos. por isso repudiava os véus e os limites que outros impõem a essa razão. que produz uma vida errante e inquieta. cheia de privações. Explicava o sofrimento e os males da humanidade pela vida não científica que ela leva e. desse ponto de vista. Essa crença o tornou poeta. dava mais valor a uma descoberta científica do que ao império persa. pois. um deus ex machina. acreditava que os homens seriam felizes se seu método científico fosse posto em obra. frio em aparência. e Demócrito se comportava como apóstolo entusiasta da doutrina nova. que nos parece um pouco ostentoso. os primórdios do conhecimento científico foram contemplados pelos gregos com olhares cheios de embriaguez. Tinha uma confiança absoluta na razão. assim. O próprio Demócrito sentia que havia nisso um novo princípio da vida. sem dúvida. mas na fé que ele põe nesse sistema. naquela época. sobretudo. Esse tipo novo impressionou os gregos. A poesia não está no seu sistema. Foi assim o primeiro a explorar sistematicamente todas as ciências. Condenava. lhe haviam sido desvendados. semelhante a uma estátua. o primeiro grego a realizar o caráter do espírito científico. . e. a vida do vulgo e a dos filósofos antigos. Daí o ardor poético de seu discurso. por seu temor aos deuses. uma velhice indigente. O método de pensamento de Demócrito tinha. Tal devotamento à ciência. Uma vida científica era. nisso ele faz pensar em Augusto Comte. sem introduzir. um paradoxo. Demócrito.

(Obras. XIX. pp. e de longe. Aristóteles admira sua universalidade. eclipsou seu mestre e fundou sua grande escola. Epicuro negava a existência de Leucipo. Seus fragmentos de Moral o protegem. (Obras. sua vida tem algo de pitagórico.Costumamos menosprezar um pouco os democritanos de nossos dias. Que o deixem em paz levar sua tranqüila vida de sábio.. Se. pp. 376. Em todo caso. pp. Sua . Demócrito é. 139-140) Demócrito e Leucipo.. 139) Demócrito é o primeiro que excluiu rigorosamente todo elemento mítico. vol. os "duplos". é seu ideal. ultrapassou seu mestre. com certeza. em O Nascimento da Filosofia na Época da Tragédia Grega.. XIX. Considera os diversos lados pelos quais os homens podem ser inquietados. Seu entusiasmo pela ciência é pitagórico... Uma chuva eterna de pequenos corpos dispersos que caem com movimentos muito variados e caindo entrelaçam-se de maneira a formar um turbilhão. A calúnia não o atinge. 377-378. É natural que ele tenha admirado Pitágoras. Não podem ser ambos inovadores. p. E provável que ele fosse matemático e músico. E o primeiro racionalista. o discípulo. p. Essas obras morais mostram que o núcleo de sua filosofia está na moral. 372-375. p. e de almas secas. e com razão. deve ter tido razões para isso. A sutileza da aitología caracteriza Demócrito. Foi Newton que triunfou sobre o princípio de Demócrito. vol. Empédocles unia os átomos pelo amor e pelo ódio. E nesse conjunto que se situam suas obras morais. (Obras. Assim. em O Nascimento da Filosofia na Época da Tragédia Grega. vol. Sinal de impertinência. O atomismo em si comporta uma poesia grandiosa. entretanto.. XIX. em O Nascimento da Filosofia na Época da Tragédia Grega. 136-139) O que caracteriza o atomismo de Demócrito é a qualidade concreta e inteligível dos fenômenos naturais. Pois são pessoas que nada aprenderam.

viagens são sinal de uma curiosidade universal. A Athaumastía para com a ordem física e o mito caracteriza todos os materialistas. 380. como Lucrécio. 140) . p. Pense-se em todos os sistemas materialistas. 377. São dessa ordem seus escritos éticos. O caráter de sua filosofia é a transparência dos elementos e a clareza. Nesse caso. vol. Demócrito deu à doutrina uma forma bela. como o de Américo sobre o do verdadeiro descobridor.. Por acréscimo. Demócrito é o primeiro a excluir severamente todo elemento mítico. o arrojo poético. e o nome de Demócrito prevaleceu sobre o de Leucipo. (Obras. É um poeta. É por isso que a doutrina seguiu adiante.. Seria surpreendente se Demócrito não tivesse percebido a orientação moral de seu sistema. Nesse arrojo se manifesta o entusiasmo por seu sistema. o mais universal dos dois é aquele que estendeu o sistema a novas esferas. XIX. em O Nascimento da Filosofia na Época da Tragédia Grega. pp. E o primeiro racionalista. Todos acreditam ter resolvido o enigma do universo e assim tornado felizes os homens.

Simplício. Física. 1 (DK 12 B 2) 3.203 b 6 (DK 12 A 15) 3. II. Física. 24. Aristóteles. 13 (DK 12 A 9) 2. Simplício. Hipólito. Meteorologia. Física. 5. 3. III. 4. Física. Friedrich Nietzsche ANAXIMANDRO DE MILETO DADOS BIOGRÁFICOS A — DOXOGRAFIA 1.ÍNDICE OS PRÉ-SOCRÂTICOS — Vida e Obra I. 6. 411 a 7 (DK 11 A 22) B — CRÍTICA MODERNA 1. Georg W. Física. Simplício.203 b (DK 12 B 3) C — CRÍTICA MODERNA 1. 4. 24. 13 (DK 12 B 1) 2. I.353 b 6 (DK 12 A 27) B — FRAGMENTOS 1. Do Mito à Filosofia II. Aristóteles. Aristóteles. Da Alma. I. Friedrich Nietzsche ANAXÍMENES DE MILETO DADOS BIOGRÁFICOS . Metafísica. III.983 b 6 (DK 11 A 12) 2. F. Os Pré-Socráticos Bibliografia PARA LER OS FRAGMENTOS DOS PRÉ-SOCRÁTICOS TALES DE MILETO DADOS BIOGRÁFICOS A — DOXOGRAFIA 1. Hegel 2. Aristóteles. 23. Refutação. 1. Aristóteles. 21 (DK 11 A 13) 3.

22. 2. 22 (DK 13 B 2 a) C — CRÍTICA MODERNA Georg W. 5. (DK 13 B 2) 2a. Aécio. F. 3. Os Pitagóricos XENÓFANES DE COLOFÃO DADOS BIOGRÁFICOS A — DOXOGRAFIA 1. Platão.A — DOXOGRAFIA 1. 26 (DK 13 A 5) B — FRAGMENTOS 1. Metafísica. Sofista. Simplício. Física.986 b 18 (DK 21 A 30) 3. I. Sátiras (DK 21 B 10 — 21 a) Paródias (DK 21 B 22) Sobre a Natureza (DK 21 B 23 — 41). F. Plutarco. C — CRÍTICA MODERNA Georg W. Hegel PITÁGORAS DE SAMOS DADOS BIOGRÁFICOS A ~ CRÍTICA MODERNA Friedrich Nietzsche. II. I. Simplício. 24. 7. (DK 21 A 31) B — FRAGMENTOS Elegias (DK 21 B 1 — 9). De Primo Frigido. Aristóteles. Idem. 242 cd (DK 21 A 29) 2. Hegel — a) A Escola Eleática b) Xenófanes HERÁCLITO DE ÉFESO DADOS BIOGRÁFICOS A — DOXOGRAFIA . Física. 4. 22 ss.947 F (DK 13 B 1).

115. Contra os Matemáticos. Aristóteles. 5. I. VII. 10. Crátilo.645 a 17 (DK 22 A 9 5. Teofrasto. Platão. Das Partes dos Animais. III. IV. 6.279 b 12 (DK 22 A 10) 6. 126 ss (DK 22 A 16) B — FRAGMENTOS Sobre a Natureza (DK 21 B 1 — 126) C — CRÍTICA MODERNA 1. p. Física. Georg W. Do Céu. Do Céu.986 b 18 (DK 28 A 24) 2. F. 181 a (DK 28 A 26) 4. IX. . III. Platão. Aristóteles. 1 ss (DK 28 A 46) B — FRAGMENTOS Sobre a Natureza (DK 28 B 1 — 19) C — CRÍTICA MODERNA 1. Retórica. III. Teeteto. Sexto Empírico. Diógenes Laércio. Aristóteles.1. Aristóteles. I. 1 — 17 (DK 22 A 1) 2. Física. 3. Aristóteles. Física. Metafísica. Aristóteles.298 b 14 (DK 28 A 25) 3. Aristóteles. 402 A (DK 22 A 6) 4. Da Sensação.1407 b 11 (DK 22 A 4) 3.210 b 22 (DK 29 A 24). Simplício. I.207 a 9 (DK 28 A 27) 5. Hegel PARMÊNIDES DE ELÉIA DADOS BIOGRÁFICOS A — DOXOGRAFIA 1. 5. 5. Friedrich Nietzsche ZENÃO DE ELÉIA DADOS BIOGRÁFICOS A — DOXOGRAFIA 1. 1. 11 (DK 28 A 28) 6.

VI. Metafísica. Física. VI. 8. Do Céu. F. 6.239 b 33 (DK 29 A 28). I. I. Aristóteles. VI. Física. I. 1. Da Geração e Corrupção. Aristóteles. 984 b 32 (DK 31 A 39) 6. X. Aristóteles. 4. 252 a 7 (DK 31 A 38). VIII. Sobre a Natureza (DK 31 B 1 — 111). Sofista. Leis.239 b 14 (DK 29 A 26). 3. 9. Hegel MELISSO DE SAMOS DADOS BIOGRÁFICOS A — DOXOGRAFIA Aristóteles. Aristóteles. Platão. Aristóteles.2. Da Sensação. Metafísica. 9. 5. Platão. Aristóteles. Física. I ss (DK 31 A 86) B — FRAGMENTOS 1. 187 a 20 (DK 31 A 46) 8. I. 325 a 2 (DK 30 A 8) B — FRAGMENTOS Sobre a Natureza ou Sobre o Ser (DK 30 B 1 — 10) EMPÉDOCLES DE AGRIGENTO DADOS BIOGRÁFICOS A — DOXOGRAFIA 1. 3. 301 a 14 (DK 31 A 42) 7. Teofrasto.239 b 30 (DK 29 A 27) 5. 4. 3. 4. 242 c d (DK 31 A 29). Metafísica. 4. Física. 213 b 12. 889 b (DK 31 A 48) 9. 984 a 8 (DK 31 A 28) 2. VI. Física. Aristóteles. 9. Aristóteles. 2. 9. I. Física. Aristóteles. Física. B — FRAGMENTOS Sobre a Natureza (DK 29 B 1 — 4) C — CRÍTICA MODERNA Georg W. Aristóteles. III. . 985 a 21 (DK 31 A 37) 4. IV.239 b 9 (DK 29 A 25).

Teofrasto. 27. 21 — 22) C — CRÍTICA MODERNA 1. Da Sensação. 4. Metafísica. Harmonia (DK 47 B 1 — 3). 97 b (DK 59 A 47) 5. 984 b 15 (DK 59 A 58) 7. Purificações (DK 31 B 111 . 984 a 11 (DK 59 A 43) 3. I. Georg W.2. Aristóteles. Aristóteles. 413 c (DK 59 A 55) 6. 3. Platão. Platão. Física.148) C — CRÍTICA MODERNA 1. Metafísica. 2. Conversas (DK 47 B 4) ANAXÁGORAS DE CLAZÔMENAS DADOS BIOGRÁFICOS A — DOXOGRAFIA 1. A — FRAGMENTOS Sobre a Natureza (DK 44 B 1 — 19) ARQUITAS DE TARENTO DADOS BIOGRÁFICOS A — FRAGMENTOS 1. Simplício. Friedrich Nietzsche FILOLAU DE CROTONA DADOS BIOGRÁFICOS. F. F. Hegel LEUCIPO DE MILETO DADOS BIOGRÁFICOS. Hegel 2. . 27 ss (DK 59 A 92) B — FRAGMENTOS Sobre a Natureza (DK 59 B 1 — 19. Física. 2 (DK 59 A 41) 2. Georg W. 203 a 19 (DK 59 A 45) 4. III. Fédon. Crátilo. Aristóteles. 3. I.

Da Geração e Corrupção. Física. Da Geração e Corrupção. 33 Heib. Estudos matemáticos (DK 68 B 11 1 — 15b) X — XI. 6. Estudos técnicos (DK 68 B 26b — 28c) Fragmentos autênticos de escritos não identificados (DK 68 B 29 — 34). 195 b 36 (DK 68 A 68). 2. Da Alma. p. Aristóteles. Aristóteles. Estudos físicos (DK 68 B 4b — llk). Física. Hegel 2. Do Céu. Aristóteles. J. (DK 68 A 37) 2. 8. I. 1 — 4a) III — VI. VIII. 4. II. Aécio.265 b 24 (DK 68 A 58) 4. Aristóteles. I. 5. 24. 2.A — FRAGMENTOS 1. Simplício. Aristóteles. Aquiles. Estudos éticos (DK B Oa — Oc. 1. Estudos literários (DK 68 B 15c — 26a) XII — XIII. F. I. 294. Aristóteles. 196 a 24 (DK 68 A 69). 1788 (DK 67 B Ia) 2. Leucipo DEMÓCRITO DE ABDERA DADOS BIOGRÁFICOS A — DOXOGRAFIA 1. II. Burnet. 326 a 9 (DK 68 A 60). 13 (DK 67 B 1) Ia. Papiro Hercul. 404 a 27 (DK 68 A 101) B — FRAGMENTOS Escritos autênticos encontrados na edição de Trasilo das Tetralogias I — II. Georg W. 7. 316 a 13 (DK 68 A 48 b) 3. VII — IX. 4 (DK 67 B 2) B — CRÍTICA MODERNA 1. Física. 4. . 9. I. Introdução.

Após sua leitura considere seriamente a possibilidade de adquirir o original. Outros fragmentos (DK 68 B 116 — 129a) Palavras raras citadas for gramáticos (DK 68 B 130 — 168). a venda deste e-book ou até mesmo a sua troca por qualquer contraprestação é totalmente condenável em qualquer circunstância.google. http://groups.com/group/Viciados_em_Livros.google. A generosidade e a humildade é a marca da distribuição. CRÍTICA MODERNA 1. Dessa forma. Fragmentos conservados na obra de Estobeu (DK 68 B 169 — 297). portanto distribua este livro livremente.Sentenças de Demócrates (DK 68 B 35 — 115). de maneira totalmente gratuita. Anotações sobre Demócrito Esta obra foi digitalizada e revisada pelo grupo Digital Source para proporcionar. o benefício de sua leitura àqueles que não podem comprá-la ou àqueles que necessitam de meios eletrônicos para ler.google. será um prazer recebê-lo em nosso grupo.com/group/Viciados_em_Livros http://groups. artigo sobre Leucipo. Friedrich Nietzsche — a.com/group/digitalsource . F. Se quiser outros títulos nos procure: http://groups. pág. 303) 2. pois assim você estará incentivando o autor e a publicação de novas obras. Hegel (V. Demócrito b. Georg W.

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