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CURS SHEL YVRYT CURSO DE HEBRAICO
MORÉH: Pr. SANDRO G. G. NOGUEIRA Diretor Geral
Pastor Presidente da Igreja Batista Vida Abundante em Santa Maria DF. Mestrado em Teologia pela fatesp – São Paulo. Juiz Arbitral pelo TJAEM - Tribunal de Justiça Arbitral e Mediação dos Estados Brasileiros. Teólogo e Professor na FATADEB - Faculdade Teológica da Assembléia de Deus de Brasília. Professor na FAETEB - Faculdade de Educação Teológica de Brasília. Professor na FATEN - Faculdade Teológica Nacional de Luziânia - GO. Professor no STEMM - Seminário Teológico Evangélico de Missões Mundiais. Registrado no CFT - Conselho Federal de Teólogos do Brasil - N° 000.083/061. Registrado no COPEV - DF - Conselho de Pastores Evangélicos do Distrito Federal. Registrado na ORMIBAN -DF - Ordem dos Ministros Batistas do Distrito Federal. Registrado na C.B.N – Convenção Batista Nacional - DF Registrado no CFECH – DF - Conselho Federal Evangélico de Capelania Hospitalar do DF. Membro da Academia Nacional de Doutores, Mestres e Teólogos do Brasil. Contatos
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História da Teologia Definição e Conceito - teologia A teologia não foi criada por si mesma, no sentido que a revelação e a fé tenham-na criado ou construído. Foram utilizadas duas palavras gregas para indicar o seu objetivo ou tarefa: Theo(deus, um termo geralmente usado no mundo antigo para seres que têm poder ou conferem benefícios que estão além da capacidade humana) e logos (palavra que revela) ou também Theologós, que significa Palavra de Deus; não é o vocábulo, mas uma linguagem que encerra a ideia, isto é, ensino a respeito dos deuses ou das coisas relacionadas ao divino. Tem pessoas que pensam não ser importante estudar teologia e nem as línguas originais das Escrituras Sagradas, e é por isso que o pensamento Pós-Moderno está esvaziando o seio do cristianismo histórico, e semelhante a um cupim, está deteriorando os alicerces históricos do cristianismo ortodoxo, favorecendo o analfabetismo bíblico, onde o ensino das Escrituras está sendo substituído nos cultos por livros e estratégias de apóstolos e bispos. A Pós-Modernidade, está causando uma ruptura no pensamento teológico histórico, e no uso das Escrituras Sagradas, dando ao fenômeno neopentecostal a alcunha de religião da lábia, do engano e da corrupção, onde tudo é relativo e sem culpa gerando um cristianismo sincretista, cheio de feitiçaria ''cristã'' e apropriação indébita por parte dos líderes, para construir seus impérios particulares com os recursos da igreja, pois foram comprados com dízimos e ofertas dos membros e não pertence a nenhum Apóstolo, Bispo, Pastor, Ancião ou Patriarca, é por isso que os que assim agem tem pavor de assembleia geral e prestação de contas. E o que é ainda pior, tudo isso firmado em citações bíblicas. O pensamento Pós-Moderno, paulatinamente está enraizando misticismo e superstição na alma evangélica brasileira. Hoje, há um crescimento espantoso, entre setores evangélicos, do uso de relíquias com poderes sobrenaturais, toque de shofar para chamar o Espírito Santo, idolatrias com réplicas da Arca da Aliança (Aron Habrit), Festas Judaicas dentro do templo cristão, pagamento de primícias em dinheiro para o líder e em troca ganha a salvação dos familiares e a colocação do nome do ofertante no talit ungido (xale de oração judaico) do apóstolo, práticas que deixariam Martinho Lutero perplexo e de cabelos arrepiados, com tantas vendas de indulgências modernas, temos bíblia de 911 reais, aparições de anjos, Moisés, Elias, objetos ungidos e santificados, lascas da cruz de Cristo, água benta, copo com água, água do Jordão, rosa ungida, caneta ungida para passar em concurso, lâmpada ungida para ter a luz de Deus em sua casa, sal grosso, descarrego, pulseiras abençoadas, lenço molhado com o suor do missionário milagreiro, carnê do céu, oração violenta dos revoltados, pente santo do kit de beleza da rainha Ester, peças de roupas de entes queridos, oração no monte do fogo puro para a revelação do sucesso, óleos de oliveiras de Jerusalém, sal do Vale do Sal, trombetas de Gideão, cajado de Moisés, cimento da casa própria, martelão da fé, garrafada do poder, pó consagrado, perfume ungido para casamento instantâneo, shows, estrelas, pop stars, cerveja e danceteria gospel, sites com curso que forma pastores em três meses, egocentrismo do tipo, ''dez passos para fazer sucesso'', ''oito passos para ficar rico'', sorteios de brindes com rifas para chamarem as pessoas ao templo, pois Deus já não é mais suficiente, festas idólatras do tipo arraiá santo, e pasmem até tiro profético com revólver calibre 38 dentro do templo para matar o diabo, estão fazendo... e assim segue o supermercado evangélico, onde nada disso é de WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 2

graça, tudo é cobrado com "ofertas" que vão de dez à um milhão de reais, é infindável e sem limites a imaginação dos apóstolos, patriarcas, bispos, pastores e líderes, que exploram a miséria e a credulidade medíocre dos apátridas denominacionais. Esse fenômeno só pode ser explicado, pela falta de estudos sérios das línguas originais das Escrituras Sagradas, em especial a língua Hebraica, pois um dos problemas mais surpreendentes da atualidade no seio cristão é o desinteresse e o descaso pelo conhecimento do hebraico e do grego , línguas originais da Bíblia (sem falar do aramaico). É de conhecimento geral que a Palavra de Deus surgiu no contexto histórico do povo judeu. A verdade bem conhecida é que cerca de três quartos da Bíblia foram escritos na língua hebraica. E apesar de quase todo restante das Escrituras ter sido escrito em grego koinê, o raciocínio subjacente à ampla maioria dos documentos do Novo Testamento é nitidamente hebraico. Isso quer dizer que embora as palavras sejam gregas, o pensamento é semítico, hebraico. Portanto, sem dúvida alguma, se há uma língua e cultura importante para os estudos bíblicos conscientes e mais profundos, trata-se do hebraico clássico e moderno. Podemos inclusive afirmar que, sem o conhecimento das línguas originais, não é possível construir uma boa teologia Cristocêntrica e exegética das Escrituras Sagradas. De acordo com o dicionário da igreja católica, pode-se defini-la da seguinte forma: Teologia é a ciência que diz respeito a Deus conforme ele é revelado, e às suas relações com as criaturas. Pode ser dividida da seguinte maneira, entre outras: (1) dogmática: o que se exige que acreditemos; (2) moral: vida de acordo com as leis de Deus e da igreja; (3) pastoral: cuidado das almas pelo clero; (4) ascética: prática da virtude; (5) mística: graus elevados de vida espiritual; (6) natural: conhecimento de Deus e dos deveres do homem para com ele, conforme pode ser deduzido apenas pela razão, sem a ajuda da REVELAÇÃO. O conceito de teologia aparece pela primeira vez no pensamento grego, através de Platão (379 a.C.). Entretanto, Platão entendia que a teologia era relacionada aos mitos, às lendas, aos deuses e suas histórias, que eram criticados filosoficamente, desmitificados e interpretados conforme as normas da educação política e purificados de toda inconveniência. Então, segundo Platão, a teologia representa o caminho do mito ao logos. Apesar de Anaximandro (filósofo que viveu entre 610-09 e 547-46 a.C. e escreveu uma obra Da Natureza, de que ficou um fragmento textual) e Heráclito (filósofo que viveu na Ásia Menor, Éfeso, era de estirpe real, solitário e desdenhoso (VI e V a.C.) e expôs o seu sistema numa obra filosófica intitulada Da Natureza) já terem delineado este sentido, concluem que com Platão havia chegado à perfeição. A função do logos consistia em descobrir a verdade que estava escondida pelos deuses, utilizando a forma da revelação, alhqeia (verdade, fidedignidade, confiabilidade, justiça). Aristóteles chama os poetas Hesíodo e Homero de criadores de mitos, e os filósofos jônicos da natureza, de físicos. Através dessas e outras afirmações de Aristóteles surgiu a conhecida metafísica (parte da filosofia, que com ela muitas vezes se confunde, e que, em perspectivas e com finalidades diversas, apresenta as seguintes características gerais ou algumas delas: é um corpo de conhecimentos racionais (e não de conhecimentos revelados ou empíricos) em que se procura WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 3

determinar as regras fundamentais do pensamento (aquelas de que devem decorrer o conjunto de princípios de qualquer outra ciência, e a certeza e evidência que neles reconhecemos), e que nos dá a chave do conhecimento do real, tal como este verdadeiramente é (em oposição à aparência) ), a qual também é um conceito de teologia. Entretanto, logo a seguir ele construiu a teologia ontológica, que tem como significado: O deus (dos filósofos) torna-se fim e meta de uma filosofia primeira que tem por objetivo o ser enquanto ser o que é estudado nas suas relações e causas primeiras até provar que existe um ser absolutamente primeiro de quem dependem o céu e a Terra. Com base nessas reflexões filosóficas cria-se um diálogo aberto com a religião, com o tema Deus e com a divindade filosoficamente possível. Esta linha de pensamento se aplica diretamente ao campo religioso e faz surgir um local para a teologia e para os teólogos utilizarem. A princípio os teólogos são os anunciadores de Deus e a teologia é o tema religioso dos deuses, isto é, a forma especial dos deuses falarem no culto. Com o passar dos tempos o termo teologia sofreu muitas qualificações negativas, até que a fé cristã aceitou o termo teologia, de modo claro e definitivo, nos séculos IV e V. Nessa viagem histórica alguns nomes são importantes em relação à definição e ao conceito da teologia. Entre estes pode-se citar: Agostinho, Abelardo, Henrique de Gand, Tomás de Aquino e outros. Tomás de Aquino, foi quem distinguiu a teologia natural dos filósofos, na qual Deus pode ser conhecido como princípio e fim do conhecimento do mundo e de si, da teologia relativa à Santa Doutrina, na qual Deus é o sujeito de todos os enunciados. Isto ocorre porque a Santa Doutrina parte da automanifestação sobrenatural de Deus na sua revelação, atestada pela Bíblia (Sagrada Escritura). Na escolástica (doutrinas teológico-filosóficas dominantes na Idade Média, dos séculos IX ao XVII, caracterizadas sobretudo pelo problema da relação entre a fé e a razão, problema que se resolve pela dependência do pensamento filosófico, representado pela filosofia greco-romana, da teologia cristã. Desenvolveram-se na escolástica inúmeros sistemas que se definem, do ponto de vista estritamente filosófico, pela posição adotada quanto ao problema dos universais, e dos quais se destacam os sistemas de Santo Anselmo, de São Tomás e de Guilherme de Ockham ) encontra-se várias vezes o termo sacra pagina ou sacra scriptura por causa disso. No entanto, Tomás de Aquino mostra que há uma discussão entre a teologia e a filosofia e por serem diferentes não há vínculos entre elas. Ele mostra que toda discussão que existia e vinha caminhando desde a antiguidade, em relação à controvertida concepção da teologia (mítica, cultural, política e filosófica) está resolvida. Tomás de Aquino conclui que a teologia mítico-cultual é uma entidade que pertence à história e é substituída pelo verdadeiro conhecimento de Deus, que é revelado através da sua plenitude em Jesus Cristo. Todavia não se pode eliminar a teologia filosófica, pois esta deve ser considerada como parceira, porém a pressupõe e a completa e também lhe dá o verdadeiro sentido. Então, voltando à pergunta inicial: O que é a teologia? Qual o significa desta palavra? É lógico que WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 4

para entender é preciso compreender o conceito de teologia. Ao ter uma clara e correta definição deste conceito, há uma melhor compreensão do que vem a ser o exercício teológico e teologizar. Como já foi dito no início, através de um rápido exame etimológico, a palavra teologia vem do grego e significa discurso, ensino sobre Deus ou ciência das coisas divinas. Conforme todo cristão aprende, a teologia necessita de uma revelação, afinal é a revelação de Deus aos homens. Então, Deus é o assunto da teologia; assim como Jesus Cristo, o Deus-homem; e também o Deus-espírito, o Espírito Santo. O bom disso tudo é saber que Deus é quem se revela ao homem e o ponto máximo da revelação de Deus é Jesus Cristo. Só a Bíblia revela todo esse conteúdo relativo à pessoa de Deus. A Bíblia é a auto-revelação de Deus aos homens através dos escritos. Portanto o cristão crê num Deus revelatus. O Conceito de Religião. Barth denunciou todas as artimanhas de tentar aprisionar a Palavra de Deus nas sutilezas da razão humana. Salientou que existe uma distância infinita e qualitativa entre ser humano e Deus. Além da distância, existe uma oposição substancial entre Deus e tudo aquilo que é humano: a razão, a cultura, a filosofia. Com sua pretensão de tornar a fé popular com recursos do método históricocrítico, da cultura e da filosofia, os teólogos liberais injuriaram a transcendência de Deus. Barth salientou que Deus é ―o Totalmente Outro‖, sendo inútil tentar captá-lo com a razão, com a cultura e com a filosofia. ―Deus é o Deus desconhecido. A excelência de Deus sobre todos os deuses, a sua característica como Deus, como Criador e Redentor, está no fato de que nós não podemos saber nada de Deus, no fato de que nós não somos Deus, no fato de que o Senhor deve ser temido. Por isso, é legítima a rebelião contra o Deus que é fruto de uma religião que, como a liberal, transforma Deus em ídolo. Ela, porém, não atinge a Deus, mas somente sua caricatura humana .... Contra Zeus, o não-Deus que tomou o seu lugar, Prometeu revolta-se com toda razão‖. Por si mesmo o homem nada pode saber e dizer a respeito de Deus. A pessoa que pretende falar de Deus a partir de seus sentimentos e raciocínio, está na verdade falando de um ídolo. O verdadeiro Deus é ―Totalmente Outro‖ em relação ao ser humano – em tudo o que ele pensa, sente, deseja, elabora e compreende. Atento à revelação, Barth descobriu nas Sagradas Escrituras a grande ruptura: a separação entre Deus e o homem, entre o Reino de Deus e o mundo. Barth salientou que todo empreendimento humano não passa de vaidade, fraqueza, insuficiência e pecado. O Deus do Evangelho - o desconhecido, o Totalmente Outro, e absolutamente transcendente - revela-se e diz ―não‖ a todos os empreendimentos da cultura e do espírito, mediante os quais o ser humano se esforça para afirmar sua autonomia e seu poder. De todos os empreendimentos humanos, a religião é o mais pernicioso. O homem religioso é aquele que quer captar Deus para seu proveito próprio, e desse modo se afunda na mentira e na idolatria. Nenhum outro empreendimento estimula mais a mentira e a idolatria do que a religião. A vivência da fé foi transformada em cristianismo, e a igreja cristã passou a se comprometer com o mundo, com a civilização e com a história. Com esta vinculação perversa, cristian-ismo e igreja recusaram o ―não‖ que Deus pronuncia sobre toda a humanidade. Quando nós percebermos este ―não‖, é porque o Deus oculto - o Totalmente Outro - está se revelando. Deus quer falar ao homem pecador e estabelecer uma relação salvífica com ele. Ao encontrar o homem, Deus o chama a uma decisão existencial da fé. Todo o empreendimento humano deve reduzir-se a nada na presença da Palavra de Deus. A revelação de Deus invade a existência humana, levando o homem a uma decisão existencial. O único contato possível entre o divino e o humano é por intermédio da encarnação em Jesus Cristo. O ―sim‖ de Deus atinge verticalmente o homem e o mundo. O ―sim‖ de Deus foi pronunciado em Jesus Cristo - o momento central e decisivo desta revelação vertical. É Deus quem estabelece o relacionamento. Não há caminho que se dirija da terra para o céu. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 5

TEOLOGIA Em seu sentido literal, é o estudo sobre Deus (do grego theos, "Deus" + , logos, "palavra", por extensão, "estudo"). Como ciência tem um objeto de estudo: Deus. Entretanto como não é possível estudar diretamente um objeto que não vemos e não tocamos, estuda-se Deus a partir da sua revelação. No Cristianismo isto se dá a partir da revelação de Deus na Bíblia. Por isso, também se define "teologia" como um falar "a partir de Deus" (Karl Barth). Este termo foi usado pela primeira vez por Platão, no diálogo A República, para referir-se à compreensão da natureza divina por meio da razão, em oposição à compreensão literária própria da poesia feita por seus conterrâneos. Mais tarde, Aristóteles empregou o termo em numerosas ocasiões, com dois significados: da revelação e da experiência humana. Estes dados são organizados no que se conhece como Teologia Sistemática ou Teologia Dogmática. O QUE É UM TEÓLOGO Um teólogo procura a tempo e a hora tornar a religião em um saber racional, no caso, um saber chamado teologia (estudo de Deus: teo = Deus; logia = estudo). Sua atitude diante da religiosidade é quase sempre objetiva, uma vez que a religião em si e mais precisamente a fé tem caráter subjetivo. Uma coisa é termos fé, outra é estudarmos os fenômenos da fé. Para o primeiro caso, basta crer, acreditar num dogma ou numa doutrina como verdade a ser vivida. No outro, esta mesma fé será interpretada, relativizada e, conseqüentemente, racionalizada. O teólogo, então, é aquele que deseja ser os olhos da razão dentro de uma experiência que normalmente só pode ser vivida sem questionamentos, ou seja, na fé, que não questiona, não interroga, apenas crê. Por isso nada impede que um teólogo venha a ser um religioso fervoroso ou uma pessoa completamente descrente de Deus. Uma coisa não impede a outra. No exercício ou não da fé, crente ou descrente. No exercício da profissão, teólogo sempre. DIA DO TEÓLOGO 30 NOVEMBRO ( LEI Nº4.504.... DE JANEIRO, EM 1991 ) A imagem que algumas pessoas fazem de um teólogo é de alguém que está constantemente enclausurado no último aposento de uma casa, às voltas com obras raras, escritas em dialetos desconhecidos do grande público ou com livros pesados e grossos. Algo assim como no filme o Nome da Rosa, não? Mas, na verdade, um teólogo é uma pessoa bem mais próxima de nós do que pensamos. Ele presta serviços de consultoria a escritores, por exemplo, que estejam usando a religião para contar alguma história ou fornece orientação a grupos religiosos em geral, principalmente organizações não-governamentais. Outra confusão que é feita com freqüência: um padre ou um pastor podem ser um teólogo, mas um teólogo nem sempre é um religioso. Podemos encontrar um teólogo dando aulas em cursos universitários da área de ciências sociais, como Letras, Antropologia, Sociologia. Aliás, é cada vez maior nos meios acadêmicos a intertextualidade entre as disciplinas. E em relação à teologia isso é sentido de forma evidente. Trata-se de um fenômeno recente a redescoberta da leitura teológica do mundo nas áreas de ensino voltadas para o conhecimento do comportamento humano em geral. O QUE O TEÓLOGO ESTUDA Basicamente o teólogo formado estuda e analisa as diversas religiões do mundo e sua influência sobre o homem do ponto de vista antropológico e sociológico. Sua principal fonte de pesquisa são WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 6

os textos sagrados e as doutrinas e dogmas religiosos. Com isso procura explicar de que forma as crenças, com o decorrer do tempo e da história modificam ou eternizam as maneiras do homem interagir na sociedade. Nos cursos de teologia, a grade curricular varia de instituição para instituição. Algumas dão maior importância à análise das religiões em si, enquanto outras se debruçam mais sobre os textos sagrados.De qualquer forma, um estudante de teologia ou futuro teólogo deverá ler muito e participar de muitos debates em sala de aula sobre as bases e a história das religiões. Porque precisamos estudar teologia? A pergunta acima parece merecer mesmo um "não" como resposta. E creio que 90% das pessoas que leem tem a mesma resposta de imediato na ponta da língua: Não! E o dizem por duas razões: Primeira razão: A palavra seminário está fortemente ligada a teologias filosóficas, exigente de infinitos livros, o que está longe do alcance dos irmãozinhos que falam em línguas estranhas em cima do púlpito. As inúmeras críticas aos seminários, oriundas de algu ns pregadores neopentecostais, são muitas vezes movidas por um íntimo sentimento de defesa, pelo pesar de não poder ter feito. No mais profundo de sua consciência ele sabe que o estudo da Palavra de Deus se faz necessário, e a cada dia de sua jornada cristã isso lhe pesa mais. Sua única saída é disparar críticas à "teologia". Nem sempre o irmãozinho que pula, fala em línguas, entrega profecias e revelações, pode estar servindo a Deus realmente, e as Escrituras já nos alerta sobre isso: "Muitos me diräo naquele dia: Senhor, Senhor, näo profetizamos nós em teu nome? e em teu nome näo expulsamos demónios? e em teu nome näo fizemos muitas maravilhas? E entäo lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade". (Mateus 7:22) Segunda razão: O raciocínio de alguns sobre servir a Deus, é ligado aos tempos bíblicos em que "não existia seminário" e nem por isso os servos de Deus foram desqualificados. É lógico que nào existia o termo "seminário", nem as estruturas que hoje se encontram (apostilas, livros, vídeos, etc). O que poucos procuram se informar é que o estudo da Palavra de Deus era DIÁRIO. "E todos os dias, no templo e nas casas, näo cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo". (Atos 5:42) No Antigo Testamento os seminários eram práticas evidentes haja vista as famosas Escolas dos Profetas dirigidas por Elias e Eliseu. Estes seminários eram verdadeiros muros, baluartes contra os que ameaçavam destruir a Casa de Israel. Aos 12 anos de idade Jesus foi encontrado em meio aos sábios no templo. "E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo -os, e interrogando-os". (Lucas 2:46). O versículo acima revela que Jesus não somente falava, mas também OUVIA os doutores no templo. Claro que Jesus, o Filho de Deus, não dependia de aprender daqueles doutores. Mas porque a Bíblia Sagrada nos registra esta passagem? Nós somos imitadores de Cristo, como disse o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 11:1: "Sede meus imitadores, como também eu de Cristo". O Senhor Jesus nos deixou o exemplo a seguir. Paulo não largava os estudos dos pergaminhos e dos livros: "Quando vieres, traze a capa que deixei em Tróade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos". (2 Timóteo 4:13). Portanto, o nome seminário não existia nos tempos bíblicos, como não existia a "escola dominical", como não existia caixas-de-som, microfone, violão, etc...

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A TEOLOGIA, tão criticada por muitos, nada mais é que o estudo acerca de Deus. Theo=Deus Logia=Estudo. A falta de preparação com base na Palavra de Deus, levam milhares de irmãos a criarem os ísmos da fé evangélica. São criadas doutrinas, costumes, rituais, crendices, supertições evangélicas, ler o salmo 91 sete vezes para proteção, clamar "O Sangue de Jesus Tem Poder" para expulsar demônio (Jesus disse que em seu nome expulsaríamos os demônios - Marcos 16:17). "O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento". (Oséias 4:6) Grupinhos "de fogo" paralelos a igreja vão crescendo longe do conhecimento do pastor. Geralmente iniciam na casa de algum irmão (vaso) que é visto como um "mistério" entre os que nada entendem e saem destas orações sem entenderem menos ainda. Ao serem questionados sobre qualquer assunto relativo ao movimento, a resposta que têm é única e imperativa: "-É mistério, irmão!" Sinceramente, não pode haver mistério para quem está na luz. Para quem está sob a luz as coisas tem que estar claras. Só fica escuro, confuso, misterioso, para quem está em trevas. "Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho". (Salmo 119:105) As drásticas conseqüências não demoram a vir. Confusões, disputas de vasos, revelações que não se cumprem, etc. Como pastor pentecostal quero deixar bem claro que creio nos dons espirituais, e gosto das reuniões de oração onde o Poder de Deus se faz presente, porém a Palavra de Deus ainda é o maior Poder de Deus que recebo em minha vida. "Porque näo me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus". (Romanos 1:16a) Não é difícil encontrar casos de irmãos e irmãs, que eram vasos-de-fogo na igreja, e caíram, se desviaram, casos de adultérios, fornicações, embolados com profecias, visões, e outras manifestações "misteriosas". O alicerce desse povo era o "pula-pula" pentecostal, e não viver o Evangelho de Cristo. "Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá -lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha". (Mateus 7:24,25) Uma das maiores aberrações que ouvimos constantemente é que não se estuda teologia porque "a letra mata". Quando o apóstolo Paulo afirma em 2 Coríntios 3:6 que a letra mata, ele se referia a LETRA DA LEI, que os judeus queriam viver. Basta ler todo o texto para compreender o que Paulo diz. A letra da palavra de Deus jamais poderia "matar" um cristão. O próprio Jesus ensinou: "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam". (João 5:39). Uma das provas da importância do ensinamento está claramente relatado em Atos 8:30,31: "E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes tu o que lês? E ele disse: Como poderei entender, se alguém não me ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se assentasse". Felipe ouviu que o Eunuco lia o livro do profeta Isaías, e perguntou se ele entendia o que lia, o Eunuco disse que não, e ele o explicou. Isso é o que faz um seminário! "Portanto ide, ensinai a todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo". (Mateus 28:19) O erro na vida do cristão deve-se a falta de conhecimento da palavra de Deus: "Errais, não conhecendo as Escrituras, e nem o poder de Deus". (Marcos 12:24) Não conhecendo as Escrituras, logo não conhece o Poder de Deus, porque são as Escrituras que testificam de Jesus, lembra-se? João 5:39: "Examinais as Escrituras... são elas que de mim testificam". A capacitação para a obra é um fator de real importância para a vida do obreiro quer realmente WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 8

estar na Seara do Senhor. Veja o que diz a Bíblia: "E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um SEGUNDO A SUA CAPACIDADE". (Mateus 25:15) Se não nos esforçarmos em aprender a nos capacitar para a obra de Deus, não receberemos talentos além da nossa capacidade, como nos mostra o versículo acima. O tempo de cristão pode ter seu valor, pois a experiência tem seu lado essencial. Mas o conhecimento é de vital importância. "Sou mais prudente do que os velhos, porque guardo os teus preceitos". (Salmo 119:100) Veja a importância do conhecimento na vida de Moisés: "E Moisés foi instruído em toda a ciência dos egípcios; e era poderoso em suas palavras e obras". (Atos 7:22) Ele estava capacitado a ir diante de Faraó. Ele era PODEROSO em suas palavras e obras porque foi instruído. O versículo de Atos 7:22 é claro: instrução=poder. Muitos, vivendo ainda uma preguiça mental de se aprofundar mais nas escrituras, ainda tentam se escorar em João 14:26, que diz: "Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito". Sim, nos ensinará. Mas como? Se ficarmos com os braços cruzados e a Bíblia fechada ? Qual a razão de se existir a Bíblia, então? Porque razão então não ensinou ao Eunuco, precisando Felipe o explicar?? Realmente, Deus nos ensinará todas as coisas, através do seu Santo Espírito, a partir do momento que nos esforçamos a buscar o conhecimento. Assim como Deus fala nos dias de hoje, usando os seus servos que se esforçam a cada dia em pregar a Palavra. O exemplo de Pedro, como pescador humilde, sem muita cultura, é o que alguns dos neopregadores tentam se desculpar a sua ausência nos seminários. Mas se esquecem que os estudos da Palavra de Deus nos dias de Pedro eram TODOS OS DIAS. (Atos 5:42). O próprio Pedro aconselhou: "Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo". (2 Pedro 3:18) "E estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós". (1 Pedro 3:15) Os motivos para estudarmos teologia é para aprendermos a pensar. Vivemos dias em que se aceita " tudo " em termos de mensagens e ensino de todos – pregadores, mestres e leigos – sem qualquer questionamento. E quando aprendemos a pensar, questionar e tirar conclusões das verdades bíblicas estamos como que a "filtrar" o que ouvimos ( 1Ts 5.21 ) e assim, amadurecemos como cristãos. Pensar por si só sem a ajuda de outrem, exceto do Espírito Santo, me parece um bom método para se interpretar e estudar as escrituras. Interpretar à luz do Espírito Santo se acautelando de depender de comentários ( usar os trabalhos e estudos de outros é bom, economiza-nos o tempo mas, depender deles é mortal ) é um bom príncipio a ser seguido. A razão mais importante para estudar teologia é que ela nos capacita a obedecer à ordem de Jesus de ensinar os crentes a observar tudo que ele ordenou : "Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que lhes ordenei. E eu estarei com vocês sempre, até o fim dos tempos" ( Mt 28.19-20 ). Ensinar todas as coisas que Jesus ordenou significa mais que meramente ensinar as palavras que ele falou enquanto andava neste mundo. Lucas sugere que o livro de Atos dos Apóstolos contém a história do que Jesus continuou a fazer e a WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 9

ensinar por intermédio dos Apóstolos, após a ressurreição ( At 1.1s ). Tudo que Jesus ordenou também pode incluir as cartas, visto que elas foram escritas sob a supervisão do Espírito Santo e também foram consideradas "mandamento do SENHOR" ( 1Co 14.37; v.tb.Jo 14.26; 16.13; 1Ts4.15; 2Pe 3.2; Ap1.1-3 ). Assim, em sentido mais amplo, tudo o que Jesus ordenou inclui todo o N.T. Além disso, quando consideramos que os escritos do N.T. provam a absoluta confiança que Jesus e os escritores do N.T. tinham na autoridade e confiabilidade das escrituras do A.T. como palavras de Deus, torna-se evidente que não podemos ensinar tudo o que Jesus ordenou sem também incluir tudo do A.T. A tarefa do cumprimento da grande comissão inclui, portanto, não somente a evangelização, mas também o ensino . E a tarefa de ensinar tudo o que Jesus nos ordenou é ensinar o que a totalidade da bíblia nos diz hoje. Aqui é onde a TEOLOGIA se torna necessária: para que aprendamos eficazmente e ensinemos outros o que a totalidade da bíblia diz, é necessário coletar e sintetizar todas as passagens da escritura sobre um assunto específico . Pelo fato de que ninguém terá tempo para estudar o que a bíblia toda diz a respeito de uma questão doutrinária que possa ser levantada, é muito útil ter o benefício do trabalho de outros que têm pesquisado a escritura e descoberto respostas para vários tópicos. Portanto, a TEOLOGIA é necessária para ensinar o que a bíblia diz porque, em primeiro lugar , somos finitos em nossa memória e no tempo que temos disponível. Em segundo lugar, porque ela nos capacita a ensinar a nós próprios e a outros sobre a totalidade do que a bíblia diz, cumprindo assim a segunda parte da Grande Comissão. OS BENEFÍCOS DA TEOLOGIA PARA A NOSSA VIDA Embora a razão básica para estudar teologia seja que ela é um meio de obediência à ordem de nosso Senhor, há alguns benefícios adicionais que surgem de tal estudo. Primeiro, estudar teologia ajuda-nos a derrotar nossas idéias erradas. Por haver pecado em nosso coração e porque temos conhecimento incompleto da bíblia, todos nós de vez em quando resistimos ou nos recusamos a aceitar certos ensinos da escritura. Por exemplo, podemos ter somente um entendimento vago a respeito de certa doutrina, o que torna mais fácil resistir a ela, ou talvez saibamos apenas um versículo a respeito do tópico e então tentamos atenuá-la. É de grande ajuda para nós sermos confrontados com o peso total do ensino da escritura sobre um assunto de forma que sejamos prontamente persuadidos mesmo contra nossas inclinações iniciais erradas. Segundo, estudar teologia ajuda-nos a ser capazes de tomar decisões melhores mais tarde sobre questões doutrinárias que possam surgir. Não podemos saber que novas controvérsias doutrinárias trarão a tona no futuro. Essas novas controvérsias algumas vezes poderão incluir perguntas que ninguém havia enfrentado antes. Para responder de maneira apropriada a essas questões, os cristãos deverão perguntar : "o que a totalidade da bíblia diz sobre o assunto ?" quaisquer que sejam as novas controvérsias doutrinárias nos anos futuros, os que tiverem aprendido bem a TEOLOGIA SISTEMÁTICA serão muito mais hábeis para responder as novas questões que surgirão. Isso se deve à grande consistência da bíblia; tudo o que a bíblia diz é de alguma forma relacionado a tudo mais que ela diz. Assim, as novas questões serão relacionadas a muito do que já tem sido aprendido WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 10

da bíblia. Quanto mais minunciosamente o material anterior tiver sido aprendido, mais capazes seremos de tratar essas novas questões. Esse benefício se estende de maneira mais ampla . Enfrentamos problemas em aplicar a escritura à vida em muito mais contextos que as discussões doutrinárias formais .O que a bíblia ensina a respeito do relacionamento entre marido e mulher ? A respeito de como criar os filhos ? A respeito de testemunhar a um colega de trabalho ? Que princípios a escritura nos dá ao estudarmos psicologia, economia e ciências naturais ? Como ela nos orienta em relação a gastar o nosso dinheiro, poupá-lo ou dizimá-lo ? A bíblia nos dá princípios que se aplicam a cada área de nossa vida, e os que aprenderem bem os ensinos teológicos da bíblia serão muito mais capazes de tomar decisões que agradem a DEUS nessas áreas práticas da ética também. Terceiro, estudar teologia sistemática nos ajudará a crescer como cristãos. Quanto mais conhecemos a respeito de DEUS, a respeito de sua palavra, a respeito de seu relacionamento com o mundo e a humanidade, maior será a nossa confiança nele, mais plenamente o louvaremos e mais profundamente obedeceremos a ele. Estudar teologia sistemática de maneira correta nos fará cristãos maduros. Se isso não acontecer, é porque não estamos estudando do modo que DEUS quer. De fato, a bíblia muitas vezes conecta sã doutrina com maturidade na vida cristã. Paulo fala de " ensino que é segundo a piedade " ( 1 Tm 6.3 ) e diz que sua obra como apóstolo é " levar os eleitos de Deus à fé e ao conhecimento da verdade que conduz à piedade " ( Tt1.1 ). Por contraste, ele indica que toda espécie de desobediência e imoralidade é contrária à sã doutrina ( 1 Tm 1.10 ). REFERÊNCIAS GRUDEM, Wayne.Manual de Teologia Sistemática.São Paulo:Ed.Vida,2001. FINNEY, Charles Grandison.Uma Vida Cheia do Espírito.Belo Horizonte:Ed.Betânia,1998. 40 RAZÕES PARA ESTUDAR TEOLOGIA 40 Razões para um leigo (a) fazer um curso de TEOLOGIA Provérbios 9:9 1. Para saber dar as ―razões da sua esperança‖. 2. Crescer na direção de uma ―fé inteligente‖. 3. Capacitar-se para uma melhor atuação pastoral. 4. Crescer na espiritualidade. 5. Conhecer com maior profundidade a Palavra de Deus. 6. Entender as raízes históricas do cristianismo. 7. Preparar-se para o diálogo com as outras religiões. 8. Entender de modo científico e sistemático a fé cristã. 9. Ler e interpretar os documentos da Igreja (Magistério). 10. Conhecer as belezas da Tradição cristã. 11. Preparar-se para ser um ótimo catequista. 12. Fazer um curso superior com validade civil na área das ciências humanas e estar habilitado pra ingressar em qualquer mestrado. 13. Prepara-se para ser futuramente um pesquisador na área da Teologia, inclusive com apoio WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 11

dos órgãos de fomento, por exemplo o CNPQ. 14. Encaminhar sua carreira para a docência em alguma das áreas da Teologia. 15. Ter um curso superior em seu curriculum vitae e com isso melhorar sua empregabilidade. 16. Ser reconhecido como especialista em ética cristã. 17. Melhorar a sua auto-estima por ter realizado o sonho de toda uma vida. 18. Muitos fazem da teologia sua segunda faculdade. A primeira foi feita para garantir a sobrevivência (pão nosso) a segunda para o cultivo pessoal (Pai nosso). 19. Ter um amplo leque cultural, inclusive com o conhecimento de línguas como grego, hebraico e latim. 20. A teologia exercita o raciocínio lógico e equilibra mente e coração, inteligência racional e inteligência emocional. 21. É difícíl encontrar um teólogo desempregado pois são poucos os profissionais formados nesta área. 22. Ser contratado por uma paróquia para administrar o setor de pastoral. 23. Ser contratado por alguma editora cristã. 24. Ser contratado por alguma escola confessional para a pastoral escolar. 25. Avançar para mestrado e doutorado em teologia com bolsa da CAPES. 26. Requalificar sua atuação dentro de um movimento de Igreja. 27. Satisfazer inquietações religiosas. 28. Discernir sua vocação. 29. Atuar nos meios de comunicação social. 30. Contribuir na transformação da sociedade. 31. O teólogo tem condições de ser uma intância crítica dos diversos discursos sobre Deus, a Igreja e o fenômeno humano. 32. Ser contratado por empresas para atuar no departamento de Recursos Humanos, por ter esta sensibilidade desenvolvida em sua formação teológica. 33. Ser assessor(a) dicocesano(a) de pastoral. 34. Ajudar as pessoas por meio de aconselhamento. 35. Prestar assessorias (cursos nas áreas de Bíblia, Liturgia, Pastoral, Catequese, etc. 36. Pregar retiros espirituais com qualidade. 37. Atuar em ONGs a serviço da promoção humana e defesa da vida. 38. Exercer algum ministério na Igreja. 39. Preparar-se para elaborar uma Teologia do Laicato. 40. Simplesmente avançar para águas mais profundas!

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MAPA DA ESTRUTURA TEOLÓGICA ÁREA HISTÓRICO-SISTEMÁTICA TEOLOGIA SISTEMÁTICA TEOLOGIA DOGMÁTICA
Pneumatologia Teologia (Deus) Cristologia ou paracletologia Teologia Protestante Teologia Evangélica Teologia Católica Teologia da Reforma Teologia Reformada Teologia pósReforma Teologia Arminiana Teologia na América Teologia da Libertação e de Minorias Diálogo: Fé, Filosofia, Ciência História História no Brasil e na América Latina Bibliologia Escatologia Soteriologia e Hamartiologia Angelologia Eclesiologia (anjos, demônios)

Teologia Teologia Denominaciona Dispensacional l Teologia na América Latina Teologia Secular Teologia no Brasil Teologia da prosperidad e Pósmodernidad e

HISTÓRIA DA Teologia Teologia Patrística Medieval TEOLOGIA TEOLOGIA Teologia CONTEMPORÂNE Teologia Fundamentalist Liberal a A CIÊNCIAS DE Metodologia da Filosofia APOIO E Pesquisa RESULTANTES HISTÓRIA DA IGREJA
História Antiga História Medieval

Teologia Neoortodoxa

Teologia da Esperança

Teologia do Processo

Filosofia da Religião

Fenomenologia da Religião

Apologética

Religiões e Seitas

História Moderna

História

Contemporâne Denominaciona a l

ÁREA BÍBLICA GERAIS LÍNGUAS BÍBLICAS ANTIGO TESTAMENTO
Introdução à Bíblia Hebraico Introdução ao AT Geografia Bíblica Grego História de Israel Temas Teológicos AT Arqueologia História do Mundo Bíblico Crítica Bíblica Teologia Bíblica Hermenêutica Exegese Geral

Aramaico História dos povos Antigos Teologia AT Específica: (Salmos)

Exegese do AT Exegese do NT Comentários Bíblicos do AT

Crítica do AT

Teologia do AT

NOVO TESTAMENTO

Introdução ao História do Comentários Crítica do NT NT Mundo do NT Bíblicos do NT Temas teológicos NT Teologia NT Específica: (Lucas)

Teologia do NT

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ÁREA PRÁTICA PASTORAL
Homilética Teorias da comunicação Vocação pastoral o pastoral Antropologia Missionária Sociologia Sermão Oratória Ilustrações Material de Apoio Ferramentas Lingüísticas de Apoio

Ministério

Papel pastoral Psicologia e Teologia Modelos Missionários Realidade Brasileira

Aconselhament Aconselhament Aconselhament Psicologia da o Introdução à Missiologia Ciências de Apoio o bíblico História de Missões Antropologia religião Biografias Missionárias Sociologia da religião

MISSÕES

PRÁTICA ECLESIÁSTICA

Liderança Eclesiástica Administração Eclesiástica Modelos Eclesiásticos Igreja Social

Liderança Bíblica Secretaria Igreja com propósitos Igrejas Comunhão Cristã

Liderança Secular Contabilidade Grupos pequenos Evangelização Ação Social Informática e Igreja Igrejas em células Modelos de evangelização Ministério a Carentes Recursos Humanos Rede Ministerial Marketing e Igreja

Crescimento de Implantação de

ESPIRITUALIDAD Espiritualidade E e CULTO
Adoração

Avivamento

Oração Música na Igreja

Santidade

Renovação e Espiritualidade Dons Adoração e Teologia s Distintas

Liturgia

Arte e Culto

EDUCAÇÃO CRISTÃ

Educação na Igreja Ciências de Apoio

Escola Dominical Pedagogia Geral

Discipulado cristão Didática

Modelos educacionais Material

Material de Apoio

Recursos audio-visuais

SÉCULO I PAULO DE TARSO (Nome original - Saulo) ou São Paulo, o apóstolo, (cerca de 3 - c. 66) é considerado por muitos cristãos como o mais importante discípulo de Jesus e, depois de Jesus, a figura mais importante no desenvolvimento do Cristianismo nascente. Paulo de Tarso é um apóstolo diferente dos demais. Primeiro porque ao contrário dos outros, Paulo não conheceu Jesus pessoalmente. Por outro lado, Paulo era um homem culto, freqüentou uma escola em Jerusalém, tinha feito uma carreira no Templo (era Fariseu), onde foi sacerdote. Destaca-se dos outros apóstolos pela sua cultura. A maioria dos outros apóstolos eram pescadores, analfabetos. A língua materna de Paulo era o grego. É provável que também dominasse o aramaico. Educado em duas culturas (grega e judaica), Paulo fez muito pela difusão do Cristianismo entre os gentios e é considerado uma das principais fontes da doutrina da Igreja. As suas Epístolas formam uma secção fundamental do Novo Testamento. Alguns afirmam que ele foi quem verdadeiramente transformou o cristianismo numa nova religião, e não mais uma seita do Judaísmo. Foi a mas destacada figura cristã a favorecer a abolição da necessidade da circuncisão e dos estritos hábitos alimentares tradicionais judaicos. Esta opção teve a princípio a oposição de outros líderes cristãos, mas, em conseqüência desta revolução, a adaptação do cristianismo pelos povos gentios tornou-se mais viável, ao passo que os Judeus mais conservadores, muitos deles vivendo na Europa, WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 14

permaneceram fiéis à sua tradição, que não tem um móbil missionário. A multidão estava em silêncio total. Apenas alguns instantes antes, quase tinha matado o apóstolo Paulo. Este, também conhecido como Saulo de Tarso, fora resgatado por soldados romanos e se encontrava então diante do povo no alto duma escadaria, perto do templo em Jerusalém. Acenando com a mão para pedir silêncio, Paulo começou a falar em hebraico, dizendo: ―Homens, irmãos e pais, ouvi agora a minha defesa perante vós. . . . Eu sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas educado nesta cidade, aos pés de Gamaliel, instruído segundo o rigor da Lei ancestral, zeloso por Deus, assim como todos vós sois neste dia.‖ — Atos 22:1-3. Com a vida em perigo, por que iniciou Paulo a sua defesa dizendo que tinha sido educado por Gamaliel? Quem era Gamaliel e o que estava envolvido em ser ensinado por ele? Influenciava esse treinamento a Saulo mesmo depois de ele se tornar o apóstolo cristão Paulo? Quem era Gamaliel? Gamaliel era um bem-conhecido fariseu. Era neto de Hilel, o Velho, que fundara uma das duas grandes escolas de pensamento dentro do judaísmo farisaico.[1] O método de ensino de Hilel era considerado mais tolerante do que o do seu rival, Shamai. Depois da destruição do templo de Jerusalém em 70 EC, Bet Hilel (Casa de Hilel) era preferida a Bet Shamai (Casa de Shamai). A Casa de Hilel tornou-se a expressão oficial do judaísmo, visto que todas as outras seitas desapareceram com a destruição do templo de Jerusalém. As decisões de Bet Hilel servem muitas vezes de base para a lei judaica na Míxena, que se tornou o fundamento do Talmude, e a influência de Gamaliel, pelo visto, era um grande fator na sua predominância. Gamaliel era tão estimado, que foi o primeiro a ser chamado de raban, título superior ao de rabino. De fato, Gamaliel tornou-se uma pessoa tão respeitada, que a Míxena diz a seu respeito: ―Quando Raban Gamaliel, o velho, faleceu, cessou a glória da Tora, e pereceram a pureza e a santidade [lit. ―separação‖].‖ — Sotah 9:15. Gamaliel, o Ancião, ou rabino Gamaliel I, foi o neto do grande educador judeu Hillel, o Ancião. Líder dentre as autoridades do Sanhedrin ou Sinédrio no meio do século I, reconhecido mestre e Doutor da Lei (Torah). Morreu vinte anos antes da destruição do Segundo Templo em Jerusalém. Gamaliel também foi conhecido gnóstico, com o nome de Barnabé, segundo os Evangelhos Gnósticos- vide Nag Hammadi (manuscritos).

Como Rabban
No Talmud, Gamaliel tem o título de "Rabban", um título dado ao rabino superior (presidente) do Sinédrio, da qual ele é o primeiro dos sete nomeados líderes da escola de Hillel, que tiveram este título. Na Mishna ele é considerado como o autor de alguns decretos legais que afetam o bem-estar da comunidade, e que regulam certas questões relativas a direitos conjugais. Gamaliel ("recompensa de Deus") era fariseu e mestre da lei naquela época, tendo muitos discípulos, inclusive Saulo, que mais tarde se converteu e conhecemos como o apóstolo Paulo (cap. 22:3). Ele era um dos membros do Sinédrio, assim como José de Arimatéia (Marcos 15:43) e provavelmente Nicodemos (João 3:1).

No cristianismo
Gamaliel é citado no discurso do apóstolo Paulo, em Atos dos Apóstolos 22:3, como sendo o seu mestre. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 15

Lucas, autor do Atos dos Apóstolos, em 5:34-39, refere-se a Gamaliel como um estudioso da Lei de Moisés. No episódio quando defende os apóstolos, a sua autoridade no Sinédrio foi tão grande que eles aceitaram o seu conselho. Nesta ocasião, quando Pedro e os outros apóstolos foram trazidos perante o Sinédrio, Gamaliel ilustrou a sabedoria de não se interferir na obra dos apóstolos, e então acrescentou: ―Se este desígnio ou esta obra for de homens, será derrubada; mas, se for de Deus, não podereis derrubá-los... podereis talvez ser realmente achados como lutadores contra Deus.‖ — Atos 5:34-39. A "Epístola aos Hebreus", cuja autoria é desconhecida, por alguns teólogos atribuída a Paulo, acredita-se que teria semelhanças com os discursos proferidos por Gamaliel. Não há qualquer confirmação histórica que Gamaliel se tornou um cristão. No entanto, a tradição da igreja católica admite que supostamente Gamaliel abraçou a fé cristã, e que permaneceu secretamente por um tempo como membro do Sinédrio com a finalidade de ajudar seus companheiros-cristãos (Clemente I.65, 66). Aparentemente, esta suposição foi baseada na atitude tolerante de Gamaliel na defesa dos primeiros cristãos. De acordo com Photius, ele foi batizado por Pedro e João, juntamente com seu filho e com Nicodemos. Seu corpo foi dito ser conservado em Pisa, Itália. Ele era antigamente enumerado como santo da igreja católica, entretanto foi excluido recentemente devido à falta de provas e improbabilidade de seu batismo. Registros judaicos o mantém como membro do Sinédrio o que seria altamente improvável, se ele tivesse sido um convertido ao cristianismo. Como foi instruído por Gamaliel? Quando o apóstolo Paulo disse à multidão em Jerusalém que tinha sido ‗educado aos pés de Gamaliel‘, o que queria dizer com isso? O que envolvia ser discípulo dum instrutor tal como Gamaliel? Referente a esse treinamento, o professor titular Dov Zlotnick, do Seminário Teológico Judeu da América, escreve: ―A exatidão da lei oral, portanto, sua confiabilidade, depende quase que inteiramente do relacionamento entre mestre e discípulo: do cuidado do mestre no ensino da lei e da presteza do discípulo em aprendê-la. . . . Por isso, instava-se com os discípulos a sentar-se aos pés dos eruditos . . . ‗e beber as suas palavras com sede‘.‖ — Avot 1:4, the Mishnah. Emil Schürer, no seu livro A History of the Jewish People in the Time of Jesus Christ (História do Povo Judeu no Tempo de Jesus Cristo), lança luz sobre os métodos dos instrutores rabínicos do primeiro século. Ele escreve: ―Os rabinos mais famosos muitas vezes reuniam em sua volta grande número de jovens desejosos de instrução, com o fim de familiarizá-los cabalmente com a ‗lei oral‘ muito ramificada e verbosa. . . . A instrução consistia num contínuo e persistente exercício de memória. . . . O instrutor apresentava aos seus alunos diversas questões legais para as resolverem, e deixava-os responder ou ele mesmo as respondia. Permitia-se também aos alunos fazer perguntas ao instrutor.‖ No conceito dos rabinos, para os alunos estava em jogo muito mais do que apenas serem aprovados. Advertia-se os que estudavam sob tais instrutores: ―Quem se esquecer de uma única coisa do que aprendeu — a Escritura o considera como pondo a vida em jogo.‖ (Avot 3:8) O maior louvor era dado ao estudante que era como ―um poço rebocado, que não perde uma só gota de água‖. (Avot 2:8) Este foi o tipo de treinamento que Paulo, então conhecido pelo seu nome hebraico, Saulo de Tarso, recebeu de Gamaliel. O espírito dos ensinos de Gamaliel Em harmonia com o ensino farisaico, Gamaliel promovia a crença na lei oral. Dava assim maior ênfase às tradições dos rabinos do que às Escrituras inspiradas. (Mateus 15:3-9) A Míxena cita WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 16

Gamaliel como dizendo: ―Arruma para ti um instrutor [um rabino] e livra-te da dúvida, porque não deves dar um dízimo excessivo por mera conjectura.‖ (Avot 1:16) Isso significava que, quando o A.T não especificava o que fazer, não se devia usar o próprio raciocínio ou seguir a própria consciência para tomar uma decisão. Em vez disso, devia-se achar um rabino habilitado, que tomaria a decisão por ele. Segundo Gamaliel, só assim se podia evitar o pecado. — Note Romanos 14:1-12. No entanto, Gamaliel, em geral, era conhecido pela atitude mais tolerante e liberal nos seus decretos jurídicos, religiosos. Por exemplo, ele tinha consideração para com as mulheres, ao decidir que ele ―permitiria a uma esposa casar-se de novo à base da atestação [da morte do seu marido] por uma única testemunha‖. (Ievamot 16:7, the Mishnah) Além disso, para proteger a divorciada, Gamaliel introduziu diversas restrições na emissão da carta de divórcio. Esse espírito é também percebido na maneira de Gamaliel tratar os primeiros seguidores de Jesus Cristo. O livro de Atos relata que, quando outros líderes religiosos procuravam matar os apóstolos de Jesus, os quais eles tinham prendido por pregarem, ―levantou-se certo homem no Sinédrio, um fariseu de nome Gamaliel, instrutor da Lei, estimado por todo o povo, e mandou que pusessem os homens para fora por um pouco de tempo. E ele lhes disse: ‗Homens de Israel, prestai atenção a vós mesmos quanto ao que pretendeis fazer com respeito a estes homens. . . . Digo-vos: Não vos metais com estes homens, mas deixai-os em paz; . . . senão podereis talvez ser realmente achados como lutadores contra Deus.‘‖ Eles acataram o conselho de Gamaliel e soltaram os apóstolos. — Atos 5:34-40. O que significou para Paulo? Paulo fora treinado e educado por um dos maiores instrutores rabínicos do primeiro século EC. Sem dúvida, o apóstolo mencionar Gamaliel induziu a multidão em Jerusalém a dar atenção especial ao seu discurso. Mas ele falou-lhes de um Instrutor muito superior a Gamaliel — Jesus, o Messias. Foi então como discípulo de Jesus, não de Gamaliel, que Paulo se dirigiu à multidão. — Atos 22:4-21. Será que o treinamento que Paulo recebeu de Gamaliel influenciou o ensino de Paulo como cristão? É provável que a instrução rigorosa nas Escrituras e na lei judaica tenha sido útil para Paulo como instrutor cristão. No entanto, as cartas divinamente inspiradas de Paulo, encontradas na Bíblia, mostram claramente que ele rejeitava a essência das crenças farisaicas de Gamaliel. Paulo orientou seus conterrâneos judeus e todos os outros não para seguir os rabinos do judaísmo, nem para adotar tradições humanas, mas para seguir a Jesus Cristo. — Romanos 10:1-4. Se Paulo tivesse continuado a ser discípulo de Gamaliel, ele teria usufruído grande prestígio. Outros do círculo de Gamaliel ajudaram a definir o futuro do judaísmo. Por exemplo, Simão, filho de Gamaliel, talvez colega de estudos de Paulo, desempenhou um grande papel na revolta judaica contra Roma. Após a destruição do templo, o neto de Gamaliel, Gamaliel II, restabeleceu a autoridade do Sinédrio, transferindo-o para Jabneh. O neto de Gamaliel II, Judá ha-Nasi, foi o compilador da Míxena, que se tornou a base do pensamento judaico até o dia de hoje. Saulo de Tarso, como aluno de Gamaliel, poderia ter obtido grande destaque no judaísmo. Mas Paulo escreveu a respeito de tal carreira: ―As coisas que para mim eram ganhos, estas eu considerei perda por causa do Cristo. Ora, neste respeito, considero também, deveras, todas as coisas como perda, por causa do valor superior do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele tenho aceito a perda de todas as coisas e as considero como uma porção de refugo, para que eu possa ganhar a Cristo.‖ — Filipenses 3:7, 8. Por deixar para trás a carreira de fariseu e tornar-se seguidor de Jesus Cristo, Paulo fez uma aplicação prática do conselho do seu instrutor anterior, de prevenir-se para não ‗ser realmente WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 17

achado como lutador contra Deus‘. Por cessar de perseguir os discípulos de Jesus, Paulo deixou de lutar contra Deus. Em vez disso, por se tornar seguidor de Cristo, tornou-se um dos ―colaboradores de Deus‖. — 1 Coríntios 3:9. A mensagem do verdadeiro cristianismo continua a ser proclamada nos nossos dias. Muitos, iguais a Paulo, fizeram mudanças dramáticas na sua vida. Algumas até mesmo renunciaram a carreiras promissoras, a fim de ter maior participação na pregação do Reino de Deus, que é deveras uma obra ―de Deus‖. (Atos 5:39) Como nos sentimos felizes de ter seguido o exemplo de Paulo, em vez de aquele do anterior instrutor dele, Gamaliel! SÉCULO II POLICARPO DE ESMIRNA 23 de Fevereiro Policarpo de Esmirna (c. 70 — c. 160) foi um bispo de Esmirna (atualmente na Turquia) no segundo século. Morreu como um mártir, vítima da perseguição romana, aos 87 anos. É reconhecido como santo tanto pela Igreja Católica Apostólica Romana quanto pelas Igrejas Ortodoxas Orientais. O santo deste dia é um dos grandes Padres Apostólicos, ou seja, pertencia ao número daqueles que conviveram com os primeiros apóstolos e serviram de elo entre a Igreja primitiva e a Igreja do mundo greco-romano. São Policarpo foi ordenado bispo de Esmirna pelo próprio São João, o Evangelista. De caráter reto, de alto saber, amor a Igreja e fiel à ortodoxia da fé, era respeitado por todos no Oriente. Com a perseguição, o Santo bispo de 86 anos, escondeu-se até ser preso e assim foi levado para o governador, que pretendia convencê-lo de ofender a Cristo. Policarpo, porém, proferiu estas palavras: "Há oitenta e seis anos sirvo a Cristo e nenhum mal tenho recebido Dele. Como poderei rejeitar Aquele a quem prestei culto e reconheço o meu Salvador". Condenado no estádio da cidade, ele próprio subiu na fogueira e testemunhou para o povo: "Sede bendito para sempre, ó Senhor; que o Vosso nome adorável seja glorificado por todos os séculos". São Policarpo viveu o seu nome - poli=muitos, carpo=fruto - muitos frutos" que foram regados com suor, lágrimas e, no seu martírio nos anos 155, regado também com sangue. SÉCULO III CLEMENTE DE ALEXANDRIA Tito Flávio Clemente, nome de Clemente de Alexandria (150 - 215), escritor grego, teólogo e mitógrafo cristão nascido em Atenas, pesquisador das lendas menos compatíveis com os valores cristãos, defensor da rebelião contra a opressão, que levou ao conceito de guerra justa, considerado o fundador da escola de teologia de Alexandria. Combateu também o racismo, que via como base moral da escravidão. De pais pagãos, convertido ao cristianismo por seu mestre patrístico Panteno (século II), abraçou a nova fé e sucedeu-lhe como líder espiritual da comunidade cristã de Alexandria, onde permaneceu durante vinte anos, tornandose um dos mais inteligentes e ilustrados dos padres primitivos. Entre suas obras de ética, teologia e comentários bíblicos destaca-se a trilogia formada por Exortação, Pedagogo e Miscelâneas. Do período de formação da patrística e pré-nissênico com nomes da escola cristã de Alexandria, combateu os hereges gnósticos. Embora ele tenha sido instruído profundamente na filosofia neoplatônica, decidiu voltar-se ao cristianismo. Estabeleceu o programa educativo da escola catequética alexandrina, que séculos mais tarde serviria de base ao trivium e ao quadrivium, grupos de disciplinas que constituíam as artes WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 18

liberais na Idade Média. Defendeu a teoria da causa justa para a rebelião contra o governante que escravizasse seu povo. Em O Discurso escreveu sobre a salvação dos ricos e sobre temas como o bem-estar, a felicidade e a caridade cristã. Durante a perseguição aos cristãos (201) pelo imperador romano Sétimo Severo transferiu seu cargo na escola catequética ao discípulo Orígenes e refugiouse na Palestina, junto a Alexandre, bispo de Jerusalém, lá permanecendo até sua morte. Como se vê, Clemente de Alexandria teve um papel importantíssimo na história da interpretação bíblica entre os judeus e os cristãos no período patrístico. Em Alexandria a religião judaica e a filosofia grega se encontraram e se influenciaram mutuamente criando a escola que influenciou a interpretação bíblica. Esta escola influenciada pela filosofia platônica, encontrou um método natural de harmonizar religião e filosofia na interpretação alegórica da Bíblia. Clemente de Alexandria foi o primeiro a aplicar o método alegórico na interpretação do Antigo Testamento. A interpretação bíblica alegórica acreditava que era mais madura do que o interpretação no sentido literal. Datam do período helenístico as primeiras aproximações do budismo com o mundo ocidental. Mercadores indianos que viviam em Alexandria propagaram sua fé budista pela região. Clemente de Alexandria foi o primeiro autor ocidental a citar em suas obras o nome de Buda. Inspirados em Orígenes e na Escola de Alexandria, muitos escritores cristãos desenvolveram suas obras: Júlio Africano, Amônio, Dionísio de Alexandria, o Grande, Gregório, o Taumaturgo, Firmiliano, bispo de Cesareia, na Capadócia, Teognostos, Pedro de Alexandria, Pânfilo e Hesíquio Held. SÉCULO IV ATANÁSIO DE ALEXANDRIA (295-373), considerado santo pela Igreja Ortodoxa e Católica (esta última reverencia-o também como um dos seus trinta e três Doutores da Igreja) e ainda um dos mais prolíficos Padres da Igreja Orientais. Foi um dos defensores do ascetismo cristão, tendo inaugurado o género literário da hagiografia, com a Vida de Santo Antão do Deserto, escrita primeiramente em grego e logo traduzida para latim, tendo-se difundido com grande rapidez pelo Ocidente do Império Romano. Este género baseava-se nas Vitæ de autores romanos pagãos (v. g., as Vidas dos Doze Césares, de Suetónio); porém, o que Atanásio procura fazer é tornar as Vitæ um modelo a ser seguido por todo o rebanho cristão, e é nesse sentido que é visto como criador do género; o que relata não tem que ser necessariamente verdadeiro, antes deve infundir no crente cristão a vontade de cultivar esse mesmo modelo de vida. Do ponto de vista doutrinal, foi perseguido e exilado devido às acesas discussões que manteve contra partidários do Arianismo; para além disso, defendeu a consubstanciação das três pessoas divinas na Santíssima Trindade, tal como definido pelo Concílio de Niceia, em 325, no Credo Niceno. SÉCULO V AURÉLIO AGOSTINHO (Do latim, Aurelius Augustinus), Agostinho de Hipona ou Santo Agostinho foi um bispo católico, teólogo e filósofo que nasceu em 13 de Novembro de 354 em Tagaste (hoje Souk-Ahras, na Argélia); morreu em 28 de Agosto de 430, em Hipona (hoje Annaba, na Argélia). É considerado pelos católicos santo e doutor da doutrina da Igreja. Santo Agostinho cresceu no norte da África colonizado por Roma, educado em Cartago. Foi professor de retórica em Milão em 383. Seguiu o Maniqueísmo nos seus dias de estudante e se converteu ao cristianismo pela pregação de Ambrósio de Milão. Foi batizado na Páscoa de 387 e WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 19

retornou ao norte da África, estabelecendo em Tagaste uma fundação monástica junto com alguns amigos. Em 391 foi ordenado sacerdote em Hipona. Tornou-se um pregador famoso (há mais de 350 sermões dele preservados, e crê-se que são autênticos) e notado pelo seu combate à heresia do Maniqueísmo. Defendeu também o uso de força contra os Donatistas, perguntando "Por que . . . a Igreja não deveria usar de força para compelir seus filhos perdidos a retornar, se os filhos perdidos compelem outros à sua própria destruição?" (A Correção dos Donatistas, 22-24). Em 396 foi nomeado bispo assistente de Hipona (com o direito de sucessão em caso de morte do bispo corrente), e permaneceu como bispo de Hipona até sua morte em 430. Deixou seu monastério, mas manteve vida monástica em sua residência episcopal. Deixou a Regula para seu monastério que o levou a ser designado o "santo Patrono do Clero Regular", que é uma paróquia de clérigos que vivem sob uma regra monástica. Agostinho morreu em 430 durante o cerco de Hipona pelos Vândalos. Diz-se que ele encorajou seus cidadãos a resistirem aos ataques, principalmente porque os Vândalos haviam aderido ao arianismo, que Agostinho considerava uma heresia. SÉCULO IX JOÃO ESCOTO ERÍGENA (810, Irlanda - Paris, 877) [também conhecido como Escoto de Erigena, John Scotus Erigena ou Johannes Scotus Eriugena]. Filósofo, teólogo e tradutor escocês da corte de Carlos, o Calvo, nascido na Scotia (hoje Irlanda), expoente máximo do renascimento carolíngio, no século IX, que escolheu como tema principal de seus estudos as relações entre a filosofia grega e os princípios do cristianismo. Convidado pelo rei franco Carlos, o Calvo (845), viveu na corte onde ensinou gramática e dialética. Sua obra caracterizou-se por sua poderosa síntese filosófico-teológica e pela obscuridade estrutural. Seus principais livros foram De praedestnatione (851), obra condenada, em concílio, pelas autoridades eclesiásticas, e De divisione naturae (862-866), sua obra mais conhecida e também a mais importante, mostrava sua visão sobre a origem e a evolução da natureza, na tentativa de conciliar a doutrina neoplatônica da emanação com o dogma cristão da criação, também um livro posteriormente condenado. Também desenvolveu inúmeras traduções de textos de outros autores, principalmente atendendo pedidos do rei, Carlos. Suas traduções de Pseudo-Dionísio, o Areopagita, São Máximo, o Confessor e São Gregório de Nissa tornaram acessíveis aos pensadores ocidentais os escritos dos fundadores da teologia cristã. SÉCULO XII BERNARDO DE CLARAVAL (O. Cist.), conhecido também como São Bernardo, era oriundo de uma família nobre de Fontaineles-Dijon, perto de Dijon, na Borgonha, França. Nasceu em 1090 e morreu em Claraval em 20 de Agosto de 1153. Aos 22 anos foi estudar teologia no mosteiro de Cister (fr. Cîteaux). Em 1115 fundou a abadia de Claraval (fr. Clairvaux), sendo o seu primeiro abade. Naquela época enfrentou inúmeras oposições, apesar disto, acabou reunindo mais de 700 monges. Fundou 163 mosteiros em vários países da Europa. Durante sua vida monástica demonstrava grande fé em Deus serviu à igreja católica apoiando as autoridades eclesiásticas acima das pretensões dos monarcas. Em função disto favoreceu a criação de ordens militares e religiosas. Uma das mais famosas foi a ordem dos cavaleiros templários. Ao morrer o papa Honório II em 1130, Bernardo apoiou o papa Inocêncio II, que assim conseguiu se impor ao antipapa Anacleto II. Sempre influenciou os sucessivos pontífices com seu apoio. O rei WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 20

Luís VII da França e o papa Eugénio III, em 1147, encomendaram a Bernardo a pregação da segunda cruzada. Porém, não aceitava as motivações políticas e econômicas subjacentes à iniciativa dos soberanos, mas mesmo assim apoiou. Durante toda sua vida monástica escreveu numerosos sermões e ensaios externando o seu espiritualismo contemplativo. Sua obra mais conhecida foi Adversus Abaelardum. Nela combateu as teorias do teólogo e filósofo Pedro Abelardo, por não aceitar as interpretações racionalistas que, segundo Bernardo, desvirtuavam a fé exigida pelos mistérios de Deus. Foi canonizado em 1174 pelo papa Alexandre III com o nome de São Bernardo. Em 1830 recebeu o título de doutor da Igreja Católica. SÉCULO XIII SÃO TOMÁS DE AQUINO OP, (perto de Aquino, Itália, 1227 - Paris, 7 de Março 1274), tido como santo pela Igreja Católica, foi um frade dominicano e teólogo italiano. Nascido numa família nobre, estudou filosofia em Nápoles e foi depois para Paris, onde se dedicou ao ensino e ao estudo de questões filosóficas e teológicas. Aos 19 anos fugiu de casa para se juntar aos dominicanos. Conseguiu entrar na Ordem fundada por São Domingos de Gusmão. Foi mestre em Paris e morreu na Abadia de Fossa nova quando se dirigia para Lião a fim de participar do Concílio de Lião. Seus interesses não se restringiam a religião e filosofia, mas também interessou-se pelo estudo de alquimia, tendo publicado uma importante obra alquímica chamada "Aurora Consurgens". O mérito transcendente de São Tomás consistiu em introduzir aristotelismo na escolástica anterior. A partir de São Tomás a Igreja tem uma teologia (fundada na revelação) e uma filosofia (baseada no exercício da razão humana) que se fundem numa síntese definitiva: fé e razão. São Tomás é considerado um dos maiores mestres da Igreja pois conseguiu alcançar um profundo entendimento da espiritualidade cristã.É também conhecido como o Doutor Angélico. SÉCULO XIV JOHN DUNS SCOT, OU SCOTUS (Escócia ca. 1266 - 8 de Novembro 1308) foi membro da Ordem Franciscana, filósofo e teólogo da tradição escolástica, chamado o Doutor Sutil, mentor de outro grande nome da filosofia medieval: William de Ockham. Foi beatificado em 20 de Março de 1993, durante o pontificado de João Paulo II. Formado no ambiente acadêmico da Universidade de Oxford, onde ainda pairava a aura de Robert Grosseteste e Roger Bacon, posicionou-se contrário a São Tomás de Aquino no enfoque da relação entre a razão e a fé. Para Scot, as verdades da fé não poderiam ser compreendidas pela razão. A filosofia, assim, deveria deixar de ser uma serva da teologia, como vinha ocorrendo ao longo de toda a Idade Média e adquirir autonomia. Um dos grandes contributos de Scot para a história da filosofia, afirmam os historiadores, está no conceito de estidade ( haecceitas ). Por esta teoria, valoriza a experiência, e distancia a preocupação exclusivista da filosofia com as essências universais e transcendentes. SÉCULO XV TOMÁS DE KEMPIS OU THOMAS HEMERKEN (Também conhecido como Thomas a Kempis, Thomas de Kempen, ou Thomas von Kempen) nasceu em 1379 ou 1380 em Kempen na Renânia e faleceu no dia 25 de julho de 1471, no mosteiro WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 21

de Saint Agnetenberg perto de Zwolle, na Alemanha. Foi um monge e escritor místico alemão. Lhe são atribuídas cerca de 40 obras, o que o tornam o maior representante da literatura devocional moderna. Um dos textos que lhe são atribuídos é o da Imitação de Cristo, obra de inegável influência no cristianismo. MARTINHO LUTERO (Eisleben, 10 de Novembro de 1483 — Eisleben, 18 de Fevereiro de 1546) foi um teólogo alemão. É considerado o pai espiritual da Reforma Protestante. Martinho Lutero, cujo nome original em alemão era Martin Luther era filho de Hans Luder e Margarethe Lindemann. No ano seguinte ao seu nascimento (1484), sua família mudou-se para Mansfeld, onde seu pai dirigia várias minas de cobre. Tendo sido criado no campo, Hans Luther deseja que seu filho viesse a tornar-se um funcionário público, melhorando assim as condições da família. Com este objetivo, enviou o jovem Martinho para escolas em Mansfeld, Magdeburgo e Eisenach. Aos dezessete anos, em 1501, Lutero ingressou na Universidade de Erfurt, onde tocava alaúde e recebeu o apelido de "O filósofo". O jovem estudante graduou-se em bacharel em 1502 e o mestrado em 1505, o segundo entre dezessete candidatos. Seguindo os desejos paternos, inscreveuse na escola de Direito dessa Universidade. Mas tudo mudou após uma grande tempestade, com descargas elétricas, ocorrida neste mesmo ano (1505): um raio caiu próximo de onde ele estava, ao voltar de uma visita à casa dos pais. Aterrorizado, gritara então: "Ajuda-me, Sant'Ana! Eu me tornarei um monge!" Tendo sobrevivido aos raios, deixou a faculdade, vendeu os seus livros com exceção dos de Virgílio, e entrou para a ordem dos Agostinianos, de Erfurt, a 17 de julho de 1505. A TEOLOGIA DA GRAÇA DE LUTERO O desejo de obter os graus acadêmicos levaram Lutero a estudar as Escrituras em profundidade. Influenciado por sua formação humanista de buscar ir "ad fontes" (às fontes), mergulhou nos estudos sobre a Igreja Primitiva. Devido a isto, termos como "penitência" e "honestidade" ganharam novo significado para ele, já convencido de que a Igreja havia perdido sua visão de várias das verdades do cristianismo ensinadas nas Escrituras - sendo a mais importante delas a doutrina da chamada "Justificação" apenas pela fé. Lutero começou a ensinar que a Salvação era um benefício concedido apenas por Deus, dado pela Graça divina através de Jesus Cristo e recebido apenas com a fé. Mais tarde, Lutero definiu e reintroduziu o princípio da distinção própria entre o Torá (Leis Mosaicas) e os Evangelhos, que reforçavam sua teologia da graça. Em consequência, Lutero acreditava que seu princípio de interpretação era um ponto inicial essencial para o estudo das Escrituras. Notou, ainda, que a falta de clareza na distinção da Lei e dos Evangelhos era a causa da incorreta compreensão dos Evangelhos de Jesus pela Igreja de seu tempo, instituição a quem responsabilizava por haver criado e fomentado muitos erros teológicos fundamentais. SÉCULO XVI JOÃO CALVINO (Noyon, 10 de Julho de 1509 — Genebra, 27 de Maio de 1564) foi um teólogo cristão francês. Calvino fundou o Calvinismo, uma forma de Protestantismo cristão, durante a Reforma Protestante. Esta variante do Protestantismo viria a ser bem sucedida em países como a Suíça (país de origem), Países Baixos, África do Sul (entre os Afrikaners), Inglaterra, Escócia e Estados Unidos da América. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 22

Nascido na Picardia, ao norte da França, foi batizado com o nome de Jean Cauvin. A tradução do apelido de família "Cauvin" para o latim Calvinus deu a origem ao nome "Calvin", pelo qual se tornou conhecido. Calvino foi inicialmente um humanista. Nunca foi ordenado sacerdote. Depois do seu afastamento da Igreja católica, este intelectual começou a ser visto, gradualmente, como a voz do movimento protestante, orando em igrejas e acabando por ser reconhecido por muitos como "padre". Vítima das perseguições aos protestantes na França, fugiu para Genebra em 1536, onde faleceu em 1564. Genebra tornou-se definitivamente num centro do protestantismo Europeu e João Calvino permanece até hoje uma figura central da história da cidade e da Suíça. FRANCISCO TURRETINI (Também conhecido como François Turretini) era filho de Francesco Turrettini, que saiu de sua Lucca em 1574 e se estabeleceu em Genebra em 1592. Turretini nasceu em Genebra (17 de Outubro de 1623) e ali morreu, em 28 de Setembro de 1687. Educou-se em Genebra, Leiden, Utrecht, Paris, Saumur, Montauban e Nimes. Retornou à sua cidade de nascimento e, em 1648, foi ordenado pastor da igreja italiana que lá existia. Além disso, tornou-se professor de teologia em 1653.

SÉCULO XVIII JONATHAN EDWARDS Jonathan Edwards, nasceu em East Windsor, Connecticut, EUA, sendo seu pai um ministro do evangelho que militou na Igreja Congregacional. Criado em um lar evangélico, isto o estimulou sobremaneira desde o início de sua vida a um grande fervor espiritual, tendo já desde a meninice grande preocupação com a obra de Deus e com a salvação de almas. Ele começou a estudar o latim aos seis anos de idade e aos 13 já era fluente também em grego e hebraico. Com 10 anos, escreveu um ensaio sobre a imortalidade da alma e aos 12, escreveu um excelente texto sobre aranhas voadoras. Em 1720 obteve o bacharelado no Colégio de Yale,de fundação dos Congregacionais em New Haven, iniciando em seguida os seus estudos teológicos nesta mesma instituição, obtendo o mestrado em 1722. Em seguida, assumiu uma cadeira de professor assistente em Yale, cargo que ocupou por dois anos. Após ser professor em Yale, sentiu o chamado para o ministério e pastoreou um Igreja Presbiteriana em Nova York em 1722 (por um período de oito meses), em 1726, então aos 23 anos, assumiu o posto de segundo pastor na Igreja Congregacional de Northampton, Massachussetts; igreja esta que era pastoreada por seu avô Solomon Stoddard (1643-1729), e a segunda maior da região, com mais de seiscentos membros, o que era praticamente toda a população adulta daquela localidade. Em julho de 1727 casou-se com Sarah Pierrepont, filha de James Pierrepont, pastor da Igreja de New Haven, e bisneta do primeiro prefeito de Nova York, com quem teve 11 filhos, sendo que um deles foi pai do vice-presidente Aaron Burr. Em 1729 com a morte do seu avô, Jonathan se tornou o pastor titular da Igreja Congregacional de Northampton, na qual cinco anos depois ocorreria um grande avivamento, entre 1734-35, chamado de O Grande Despertamento, que se iniciou entre os presbiterianos e luteranos na Pensilvânia e em Nova Jersey, e que teve seu apogeu por volta do ano de 1740, através do trabalho de George Whitefield. Foi nessa cidade que pregou seu sermão mais famoso: Pecadores nas Mãos de um Deus Irado. Em 1750, depois de pastorear a Igreja Congregacional de Northampton por 23 anos, Jonathan Edwards foi despedido pela Igreja por ser contrário à prática de se servir a Ceia do Senhor a pessoas não convertidas, pratica instituída por seu avô, e que era do gosto da Igreja. Em seu sermão de WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 23

despedida disse: Portanto, quero exortá-los sinceramente, para o seu próprio bem futuro, que tomem cuidado daqui em diante com o espírito contencioso. Se querem ver dias felizes, busquem a paz e empenhem-se por alcançá-la (I Pedro 3:10-11). Que a recente contenda sobre os termos da comunhão cristã, tendo sido a maior, seja também a última. Agora que lhes prego meu sermão de despedida, eu gostaria de dizer-lhes como o apóstolo Paulo disse aos coríntios em II Coríntios 13.11: "Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados, sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco." SÉCULO XIX CHARLES GRANDISON FINNEY (1792-1875) foi um pregador, teólogo e avivalista estado-uinense. Seu ministério é mais conhecido por incluir novas medidas na pregação e mudar o entendimento teológico do avivamento. Sua pregação converteu milhares de pessoas, embora creiam que poucas perseveravam na fé. Finney foi ordenado em uma Igreja Presbiteriana. Após discordar do calvinismo, Finney aceitou o arminianismo (embora alguns o identifiquem como seguidor de Pelágio), ganhando a oposição deles. Fundou um colégio em Oberlin, Ohio, cidade onde morreu em 1875. Deixou dezenas de sermões e uma obra de Teologia Sistemática. Sua teologia influenciou o pentecostalismo, especialmente sobre o Batismo no Espírito Santo após a conversão. SÉCULO XX CLIVE STAPLES LEWIS (29 de Novembro, 1898 - 22 de Novembro, 1963), conhecido como C. S. Lewis, foi um autor e escritor norte-irlandês, que se salientou pelo seu trabalho académico sobre literatura medieval e pela apologética cristã que desenvolveu através de várias obras e palestras. É igualmente conhecido por ser o autor da famosa série de livros infantis de nome As Crônicas de Nárnia. Nascido em Belfast, Irlanda do Norte, Clive Staples Lewis, cresceu no meio dos livros da seleta biblioteca particular de sua família, criando nesta atmosfera cultural um mundo todo próprio, dominado por sua fértil imaginação e criatividade. Os seus pais, Albert James Lewis e Flora Augusta Hamilton Lewis eram protestantes, mas não particularmente religiosos. Mais especificamente eram de origem metodista. Quando Clive tinha três anos decidiu adotar o nome de "Jack", nome pelo qual ficaria conhecido na família e no círculo de amigos próximos. Quando adolescentes, Lewis e seu irmão Warren (três anos mais velho que ele), passavam quase todo o seu tempo dentro de casa dedicando-se a leitura de livros clássicos, e distantes da realidade materialista e tecnológica do século XX. Aos 10 anos, a morte prematura de sua mãe, fez com que ele ainda mais se isolasse da vida comum dos garotos de sua idade, buscando refúgio no campo de suas estórias e fantasias infantis. Na sua adolescência encontrou a obra do compositor Richard Wagner e começou a interessar-se pela mitologia nórdica. Sua educação foi iniciada por um tutor particular, e mais tarde no Malvern College na Inglaterra. Em 1916, aos 18 anos de idade, foi admitido no University College, em Oxford. Seus estudos foram interrompidos pelo serviço militar na I Guerra Mundial. Em 1918, retornou a Oxford. Durante a I Guerra Mundial ele conheceu um outro soldado irlandês chamado Paddy Moore, com que travou uma amizade. Os dois fizeram uma promessa: se algum deles falecesse durante o conflito, o outro tomaria conta da família respectiva. Moore faleceu em 1918 e Lewis cumpriu com o seu compromisso. Após o final da guerra, Lewis procurou a mãe de Paddy Moore, a senhora Janie WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 24

Moore, com quem estabeleceu uma profunda amizade até à morte desta em 1951. Lewis viveu em várias casas arrendadas com Moore e a sua filha Maureen, facto que desagradou o seu pai. Por esta altura Clive já tinha abandonado o Cristianismo no qual fora educado na sua infância. Ensinou no Magdalen College, de 1925 a 1954 e deste ano até sua morte em Oxford. Foi professor de Literatura Medieval e Renascentista na Universidade de Cambridge. Tornou-se altamente respeitado neste campo de estudo, tanto como professor como escritor. Seu livro A Alegoria do Amor: um Estudo da Tradição Medieval, publicado em 1936, é considerado por muitos, seu mais importante trabalho, pelo qual ganhou o prêmio Gollansz Memorial de literatura. Em Oxford conheceu vários escritores famosos, como Tolkien, T. S. Eliot, que ajudaram a voltar à fé cristã, e Owen Barfield. Lewis voltou ao fé cristã no início da década de 1930 e dedicou-se a defendê-la e permaneceu na Igreja Anglicana (o conhecido téologo evangélico J. I. Packer foi clérigo na igreja onde C. S. Lewis freqüentava). Tem sido chamado o porta-voz não oficial do Cristianismo que ele soube divulgar de forma magistral, através de seus livros e palestras, onde ele apresenta sua crença na verdade literal das Escrituras Sagradas, sobre o Filho de Deus, sua vida, morte e ressurreição. Isto foi certamente verdade durante sua vida, mas de forma ainda mais evidente, após a sua morte. Foi chamado até de "Elvis Presley evangélico" devido à sua popularidade. SÉCULO XXI MARTIN LUTHER KING JR. (1929-1968) Pastor norte-americano, prêmio Nobel, líder do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, partidário da não-violencia na luta contra o racismo. foi um pastor e ativista político estadunidense. Pertencente à Igreja Batista, tornou-se um dos mais importantes líderes do ativismo pelos direitos civis (para negros e mulheres, principalmente) nos Estados Unidos e no mundo, através de uma campanha de não-violência e de amor para com o próximo. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1964, pouco antes de seu assassinato. Seu discurso mais famoso e lembrado é "I Have A Dream (Eu Tenho Um Sonho)". RUBEM ALVES (Boa Esperança, 15 de setembro de 1933) é um psicanalista, educador, teólogo e escritor brasileiro, é autor de livros e artigos abordando temas religiosos, educacionais e existenciais, além de uma série de livros infantis. Durante sua infância, enfrentou os problemas comuns ocasionados pelas freqüentes mudanças de estados e de escolas. Tais mudanças influenciaram sua atitude de introspecção que o levou à companhia dos livros e ao apoio da religião, base de sua educação. Bacharel e Mestre em Teologia, Doutor em Filosofia ( Ph.D.) pelo Princeton Theological Seminary (EUA) e Psicanalista. Lecionou , na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro e na UNICAMP, one recebeu o título de Professor Emérito. Tem um grande número de publicações, tais como: crônicas, ensaios e contos, além de ser ele mesmo o tema de diversas teses, Dissertações e monografias. Muitos de seus livros foram publicados em outros idiomas, como inglês, francês, italiano, espanhol, alemão e romeno. Com formação eclética, transita pelas áreas de teologia, psicanálise, sociologia, filosofia e educação. Após ter lecionado em Universidades, hoje tem um restaurante (a culinária é uma de suas paixões e tema de alguns de seus textos), vive em Campinas, onde mantém um grupo que encontra-se semanalmente para leitura de poesias; o grupo chama-se Canoeiros. Autor do livro Da Esperança (Teologia da Esperança Humana), Rubem Alves é tido por muitos estudiosos como uma das mais relevantes personalidades no cenário teológico brasileiro; o fundador da reflexão sobre uma teologia libertadora, que em breve seria chamada de Teologia da Libertação. Via no Humanismo um messianismo restaurador e assim, desde os anos 60 participou do WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 25

movimento latino-americano de renovação da teologia. Sua posição liberal logo lhe trouxe graves problemas em seu relacionamento com o protestantismo histórico e especificamente presbiteriano. Foi questionado desde cedo por suas idéias e sofreu uma verdadeira caça-às-bruxas. Foi dessa experiência que surgiu o livro Protestantismo e Repressão, que busca elucidar os labirintos do cotidiano histórico deste movimento religioso. Escreveu ainda um livro em Inglês que falava do futuro da humanidade, Filhos do amanhã, onde tratou de como um futuro libertador dependia de categorias que a ciência ocidental havia desprezado. Lançou ainda um livro chamado Variações sobre a vida e a morte, onde trata de construir uma teologia poética, preocupada com o corpo, com a vida em sua dimensão real. LEONARDO BOFF pseudônimo de Genésio Darci Boff, (Concórdia, 14 de dezembro de 1938) é um teólogo brasileiro. Ex-frade da Igreja Católica, grande opositor dos papas João Paulo II e Bento XVI, foi excomungado pela Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, após defender a Teologia da Libertação com idéias contrária à doutrina católica , quando então era prefeito o Cardeal Joseph Ratzinger, atual papa. Na verdade ele não foi excomungado. O Leonardo Boff foi imposto o silêncio obsequioso, não concordando com a punição, o frade se desligou da Igreja. TEOLOGIA CONTEMPORÂNEA BERNARD LONERGAN (1904-1984) Bernard Joseph Francis Lonergan nasceu em 17 de dezembro de 1904 em Ontário, no Canadá. Foi um padre jesuíta canadense. Ele foi um filósofo e teólogo de tradição tomista e também um economista, formado em Buckingham, Quebec. Lonergan era professor do Colégio Loyola, de Montreal, da Universidade de Toronto (Regis College), da Pontifícia Universidade Gregoriana, em Harvard e do Boston College. Durante vários anos as suas idéias foram estudadas nas mais variadas áreas do saber: ciências naturais, economia, sociologia, filosofia e teologia. O seu pai era um engenheiro de ascendência irlandesa, e a família da mãe era inglesa. Aos 13 anos, trocou a casa pela Faculdade de Loyola, uma escola jesuíta em Montreal, e de lá entrou para o noviciado na cidade de Guelph. Frederick Crowe, S.J., diretor emérito do Instituto Lonergan, da Universidade de Toronto, descreve os primeiros anos de aprendizagem de Lonergan, esse estranho mundo anterior ao Concílio Vaticano II. Havia, diz, «leituras sobre a vida de Cristo e dos santos, a Imitação de Cristo, sobre documentos jurídicos e espirituais jesuítas, o velho fiel Afonso Rodriguez, a prática da perfeição e virtudes cristãs. Havia as instruções do mestre aos noviços... as "exortações" pregadas por austeros sacerdotes na comunidade, e assim por diante. Havia as penitências, publicação das faltas - admitidas voluntariamente ou indicadas pelos companheiros em ágapes transbordantes - e havia muita oração... a mais lenta de todas as práticas a aprender». Era uma vida que ensinava a paciência, a disciplina, e o estudo sério, embora de modo um pouco rígido e restritivo; serão marcas do trabalho de Lonergan. Em 1926, Lonergan foi para Inglaterra estudar filosofia, regressando ao Canadá para ensinar na sua velha escola, em Montreal. De 1933 a 1937 licenciou-se em Teologia em Roma. Não tinha sido um aluno premiado, mas desenvolveu em Roma as ambições intelectuais exemplificadas por uma carta de 1935 a um superior: «Consigo elaborar uma metafísica tomista da história que ofuscará Hegel e Marx, apesar da enorme influência WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 26

deles nessa obra. Tenho já escrito um esboço, disso como de tudo o mais. Examina as leis objetivas e inevitáveis da economia, da psicologia (ambiente, tradição) e do progresso... para encontrar a síntese superior destas leis no Corpo Místico.» Hegel e Marx, não eram exatamente leituras recomendadas para um jovem sacerdote em Roma e, ainda mais, na Itália fascista. Mas fica bem claro como ele era já o indivíduo audaz, capaz de pensar sem imprimatur. E também fica claro que o corpo místico de Cristo, é desde S. Paulo, um dos conceitos mais integradores da teologia. A originalidade do seu trabalho está sobretudo em ter proposto, através de um profundo estudo da mente em ação, um método de inter-relação entre todos estes ramos do saber e da experiência humana. ―Sê atento, sê inteligente, sê razoável e sê responsável‖. São os traços que marcam, para Lonergan, a atitude fundamental da pessoa que é autêntica. Máximas do gênero "Trata os outros como queres ser tratado" não podem, em última análise, ser fundamentais porque não há uma máxima superior que nos leve a aderir a elas. Nem tão pouco as autoridades nos podem dar os nossos valores últimos, porque não há uma autoridade superior que nos diga que autoridades seguir. O que Lonergan nos diz é, no fundo, que todos nos guiamos por critérios como ―sê atento, sê inteligente, sê razoável e sê responsável‖, independentemente do modo como se manifestam em nós, e é por eles que escolhemos as máximas e as autoridades pelas quais reger a nossa vida. Toda a originalidade de Lonergan, reside em oferecer um instrumento hermenêutico da consciência humana que permite elaborar uma nova interpretação tanto do trabalho do teólogo quanto do objeto da teologia. O seu método empírico generalizado clarifica as operações que se dão no sujeito no que diz respeito à escolha de valores. É uma busca das normas morais inatas e de um possível sentido para a objetividade moral. Num mundo em que há tanta incompreensão e diversidade cultural, ética, etc, Lonergan parte do pressuposto de que o desenvolvimento da verdadeira moralidade só será possível se os jogadores "puserem as cartas na mesa". Este método dá-nos a possibilidade de conhecer as categorias explicativas da nossa moralidade e do nosso modo de valorizar, o que nos permite conceptualizar o que se passa em nós a nível de valores, e também justificar perante os outros as nossas opções fundamentais, como por exemplo a nossa fé. Profundo conhecedor do pensamento de Tomás de Aquino, sempre pessoal e original na sua interpretação, tem brindado o público com obras de grande valor. Uma das suas principais obras é: Insight: A Study of Human Understanding (1957). O "Insight" é um ponto de partida para a metafísica, é uma nova concepção da metafísica, é uma introdução à Teologia, é como diz o seu título, "um estudo do conhecimento humano". Analisando outras correntes filosóficas ou discorrendo sobre ciências físico-matemáticas e sobre psicologia profunda, Lonergan evidencia uma cultura científica impressionante, pouco comum num filósofo, e menos ainda, pela própria natureza das coisas, num professor de Teologia Dogmática. Bernard Lonergan faleceu em Pickering, perto de Toronto, em 26 de novembro de 1984. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 27

Lonergan é autor, entre outras obras, de Insight: A Study of Human Understanding (1957) e de Method in Theology (1973), trabalhos que estabeleceram os lineamentos daquilo ele denominaria Método Empírico Generalizado (Generalized Empirical Method - GEM). PENSAMENTOS DE BERNARD LONERGAN "A dificuldade surge na segunda etapa, a expansão básica. Os moralistas responsabilizam a ganância, a avidez. Mas a causa principal é a ignorância. Poucos percebem e poucos ensinam a dinâmica da produção. E quando as pessoas não compreendem o que está a acontecer, não se pode esperar que actuem de modo inteligente. Quando a inteligência desaparece, a primeira lei da natureza é a auto-preservação. São esses esforços frenéticos que transformam a recessão em depressão, e a depressão em falência." ―Ser enamorados por Deus, enquanto experiência, é ser enamorados de uma maneira que não conhece limite algum. Cada amor é doação de si, mas ser enamorados por Deus é ser enamorados sem limites, nem restrições, nem condições, nem reservas. Como a nossa capacidade ilimitada de questionar constitui a nossa capacidade de auto-transcendência, assim o ser enamorados de forma ilimitada constitui o cumprimento próprio de tal capacidade‖. ―Na assimilação do passado dá-se a primeira busca, que descobre e torna disponíveis os dados. Há uma teologia ‗in oratione recta‘ na qual o teólogo, iluminado pelo passado, enfrenta os problemas do seu tempo‖. ―Assim como alguém levanta espontaneamente o braço para golpear a cabeça de alguém, pode espontaneamente estender o braço para alcançar e salvar alguém da queda. Percepção, sentimento e o movimento corporal são envolvidos, mas a ajuda dada a outra pessoa não é deliberada, mas espontânea. Alguém só se dá conta disso não antes mas durante o fato. É como se ‗NÓS‘ assumíssemos ser membros uns dos outros antes de nossas distinções nos afastarem uns dos outros‖. ―Existe o amor da intimidade, do marido e da mulher, dos pais e dos filhos. Existe o amor aos próprios semelhantes, que tem como fruto a realização do bem-estar humano. Existe o amor de Deus com todo o próprio coração e com toda a própria alma, com toda a própria mente e com todas as próprias forças (cf. Mc 12,30)‖. ―O significado dessas declarações (infalíveis) da Igreja vai além das vicissitudes do processo histórico humano. Mas os contextos em que tal significado é colhido e, portanto, o modo em que tal significado é expresso, variam tanto segundo as diferenças culturais como segundo o grau de diferenciação da consciência humana‖. ―A especialização funcional da fundação determina que concepções representam as posições que procedem da presença da conversão intelectual, moral e religiosa e que concepções representam as contraposições que revelam ausência de conversão. Em outras palavras, cada teólogo julgará da autenticidade dos autores das várias concepções e o fará sobre a pedra de toque que é a própria autenticidade‖. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 28

―As doutrinas da Igreja e as doutrinas teológicas pertencem a contextos diferentes. As doutrinas da Igreja são o conteúdo do testemunho da Igreja a Cristo; elas exprimem o conjunto dos significados e valores que informam a vida cristã, individual e coletiva. As doutrinas teológicas fazem parte de uma disciplina acadêmica, que se fixa no objetivo de conhecer e compreender a tradição cristã e de favorecer seu desenvolvimento. Como os dois contextos dirigem-se para fins bem distintos, assim também são desiguais quanto à extensão. Os teólogos levantam muitas questões que não são mencionadas nas doutrinas da Igreja. E também os teólogos podem diferir entre eles, mesmo pertencendo à mesma Igreja‖. ―A teologia medieval voltou-se para Aristóteles em busca de um guia e um auxílio tendo em vista esclarecer o próprio pensamento e torná-lo coerente. Segundo o método por nós proposto, a fonte do esclarecimento de base será a consciência segundo a diferenciação interior e segundo a diferenciação religiosa‖. ―A purificação das categorias... é efetuada na medida em que os teólogos alcançam a autenticidade mediante a conversão religiosa, moral e intelectual. Não se deve esperar a descoberta de qualquer critério, experimento ou controle ‗objetivo‘. Semelhante significado de ‗objetivo‘ não passa na realidade de uma ilusão. A genuína objetividade é fruto da subjetividade autêntica. Buscar e usar qualquer sustentação ou muleta como alternativas conduz invariavelmente, em uma ou outra medida, ao reducionismo‖. VLADIMIR LOSSKY (1903-1958) Vladimir Lossky é filho do célebre filósofo russo Nicola O. Lossky. Nasceu em Gottingen, Alemanha, em 8 de junho de 1903, pois seu pai lá se encontrava para completar sua formação universitária. Realizou seus estudos superiores na Universidade de Petersburgo, seguindo com grande interesse os cursos do historiador da filosofia Leon Karsavin. Dos seus ensinamentos, recebeu um impulso determinante para suas futuras pesquisas sobre os teólogos ocidentais e sobre a tradição patrística grega. Em 1923 foi expulso da Rússia juntamente com seu pai. Como a maior parte dos russos exilados, Vladimir também se estabeleceu inicialmente em Praga, onde o pai fora nomeado professor de filo. Lá seguiu os cursos de N. P. Kondakov, o célebre pesquisador de bizantinismo e historiador da arte iconográfica. Um ano depois, transferiu-se para Paris, iniciando seus estudos na Sorbonne, onde continua e aprofunda seus estudos sobre o pensamento medieval, sob a direção do maior especialista católico no assunto, Etienne Gilson. Com sua assistência, empreende em 1927 o estudo da doutrina mística de Mestre Eckhart, que deveria ser a sua tese de mestrado. Uma forte amizade o une a Eugraf Kovalevsky e entra na Confraria São Fócio com vistas a uma ortodoxia universal, capaz de revivificar as tradições ortodoxas da França dos onze primeiros séculos. Sua vocação já se encontra cristalizada: é a do encontro entre a tradição cristã do Oriente e a cultura ocidental da Idade Média. De modo particular, pretende prestar testemunho da Igreja dos seus pais na França. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 29

Ao mesmo tempo, engaja-se também na vida eclesiástica da Ortodoxia no Ocidente. Em contraste com a maior parte dos exilados, em 1931 ele se pronuncia a favor do Patriarcado de Moscou. Em 1935, coloca-se entre os opositores de Bulgakov a propósito de sua "sofiologia". Depois de uma intervenção sua junto ao metropolita de Moscou, Sérgio, a doutrina de Bulgakov é condenada. Casou em 1938, e teve quatro filhos Em 1939, Lossky torna-se cidadão francês. Durante a Segunda Guerra Mundial, participa dos sofrimentos de sua pátria de adoção e da resistência contra o invasor. Os acontecimentos ligados à guerra, todavia, não o impedem de prosseguir suas atividades de estudioso. Em 1944, publica a sua obra-prima, A Teologia Mística da Igreja do Oriente. Em 1945, começa sua carreira de professor universitário. Ministra uma série de conferências na "École des Hautes-Études" da Sorbonne sobre a doutrina da visão de Deus na teologia bizantina, as quais seriam publicadas postumamente sob o título Vision de Dieu. Trabalhador incansável, continua suas pesquisas sobre Mestre Eckhart, que depois seriam reunidas numa obra também publicada postumamente, organizada por seus amigos, em especial Gilson, dois anos depois de sua morte. Depois da Grande Guerra, o engajamento na vida de sua Igreja leva-o a dedicar-se também à atividade ecumênica. Em 1947, entra em contato com o mundo anglicano. No mesmo ano, participa da assembléia realizada em Oxford reunindo católicos, anglicanos e ortodoxos, e profere a memorável conferência intitulada "The Procession of the Holy Spirit in the Orthodox Triadology", na qual sustenta que o Filioque não é absolutamente um simples theologoumenon, como afirmara Bulgakov, mas sim a razão fundamental da divisão entre as Igrejas Ortodoxa e Latina. Expressão de suas preocupações ecumênicas são ainda diversos artigos sobre as propriedades da Igreja (sobretudo a catolicidade), publicados na revista do patriarcado de Moscou na França. Em 1956, sua atividade em favor da Igreja Ortodoxa é premiada publicamente: é convidado pelo Patriarca de Moscou, Alexis, a visitar a Rússia, terra de seus antepassados. Lossky atendeu ao convite com grande júbilo. Em 7 de fevereiro de 1958, morre inesperadamente com a idade de 55 anos, quando o seu talento estava maduro para a produção de excelentes obras teológicas, tanto no campo histórico como no dogmático. TEOLOGIA A missão à qual os teólogos russos da Diáspora sentiram-se chamados foi a de conservar e transmitir ao Ocidente o grande e precioso tesouro do pensamento teológico da Igreja Ortodoxa, do qual eles eram os principais depositários. Entre aqueles que souberam cumprir mais brilhantemente essa missão importante deve-se colocar Vladimir Lossky. Ele é autor de uma síntese teológica mais completa e sistemática do que a de Florovsky e, ao mesmo tempo, mais "ortodoxa", ou seja, mais fiel à tradição oriental, do que a de Bulgakov. À sua síntese Lossky deu o nome de "teologia mística". WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 30

Lossky, como seu amigo íntimo Georges Florovsky, se opôs às teorias sofiológicas de Sergei Bulgakov e Vladimir Soloviev. A obra teológica de Lossky parte dos mesmos princípios inspiradores da teologia de Florovsky: ela quer contrapor à "sofiologia" de Bulgakov o pensamento autêntico da teologia ortodoxa. Só que alcança resultados mais satisfatórios, na medida em que explicita mais claramente os princípios sobre os quais pretende edificar sua síntese e, em segundo lugar, na medida em que dá a essa síntese um desenvolvimento sistemático e completo. O significado teológico de Lossky está ligado a uma exegese do misticismo da Tradição Ortodoxa. Ele afirmou em Teologia Mística da Igreja do Oriente que a Igreja Ortodoxa manteve suas dimensões místicas enquanto o ocidente perdeu-as depois do cisma Ocidente-Oriente. Ele cita muito do misticismo da Igreja Ortodoxa como expresso nas palavras da Filocalia, São João Clímaco, A Escada Divina, e vários outros como Pseudo-Dionísio Areopagita, São Gregório de Nissa, São Basílio Magno, São Gregório Nazianzeno, e São Gregório Palamas. Georges Florovsky nomeou a Teologia Mística da Igreja do Oriente de Lossky como uma "síntese neopatrística". Os princípios fundamentais - os pilares em que se baseia a construção teológica de Lossky - são os seguintes: 1. A "apofaticidade": que justifica a qualificação "mística" que o autor dá à sua teologia. Lossky descreve assim a apofaticidade: "É um caminho constante do pensamento, que elimina progressivamente do objeto que quer alcançar qualquer atribuição positiva, para desembocar finalmente numa espécie de possessão por ignorância total daquele que nunca poderia ser um objeto de conhecimento. Pode-se dizer que é uma experiência intelectual da derrocada do pensamento diante daquilo que está além do pensável‖. 2. As energias divinas, distintas realmente da essência divina sem estarem separadas dela: essas energias permitem a Lossky salvaguardar a transcendência absoluta de Deus e, ao mesmo tempo, manter intactas as doutrinas da graça incriada, da imago Dei, da visão de Deus e da "deificação". Segundo Lossky as energias divinas tratam-se de forças, ou seja, expressões dinâmicas da realidade divina, que representam o modo de existir do próprio Deus em relação ao que está fora dele. Elas são realmente distintas da essência divina, mas, ao mesmo tempo, são absolutamente idênticas a Deus. Por essa razão, conhecendo-se as energias divinas, conhece-se Deus; recebendo as energias divinas, recebe-se Deus. 3. A dupla economia (do Filho e do Espírito Santo): essa tese permite ao autor elaborar uma doutrina pneumatológica bem mais rica e substancial do que conseguiram os teólogos ocidentais, tanto católicos como protestantes. Lossky faz a distinção de suas economias na história da salvação: a do Filho e a do Espírito Santo. No sistema teológico de Lossky encontramos dois centros: Jesus Cristo e o Espírito Santo. Com efeito, segundo ele, nossa salvação é operada em parte pela Segunda Pessoa da Santíssima Trindade e em parte pela Terceira. Há, portanto, uma economia soteriológica WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 31

do Verbo Encarnado e uma outra do Espírito Santo. As duas economias "encontram-se na base da Igreja, ambas necessárias para que possamos obter a união com Deus". A economia do Verbo Encarnado refere-se somente à natureza humana, não às pessoas individualmente. Já a economia do Espírito Santo refere-se diretamente às pessoas em particular. 4. O conceito de pessoa: entendida como capacidade de renunciar à própria vontade, às inclinações da própria natureza. Com esse conceito, nosso teólogo ilumina os mistérios da Encarnação de Cristo e de nossa santificação. Um conceito-chave da teologia de Lossky, que propicia a solução de alguns problemas fundamentais de cristologia, pneumatologia, antropologia, eclesiologia e teologia trinitária, é o conceito de pessoa. Lossky conclui que a única definição satisfatória é aquela que descreve a pessoa em termos de kénosis. Com efeito, aquilo que mais caracteriza a pessoa é sua capacidade de subtrair-se aos instintos da natureza, às paixões e aos impulsos egoístas da vontade. "A perfeição da pessoa se realiza no abandono total, na renúncia a si mesma. Cada pessoa que procura se afirmar acaba somente na fragmentação da natureza, no ser particular, individual, que cumpre uma obra contrária à de Cristo". OBRAS A produção científica de Lossky não é muito vasta. Além de um certo número de artigos, ela abrange quatro livros: Teologia Mística da Igreja do Oriente (1944); Teologia Negativa e Conhecimento de Deus em Mestre Eckhart (1960); Visão de Deus (1962); À Imagem e Semelhança de Deus (1967). Dessas obras, a mais significativa é sem dúvida a primeira: ela contém uma brilhante e vigorosa síntese do sistema teológico de Vladimir Lossky, o qual, sendo construído sobre o princípio da "apofaticidade", é chamado pelo autor de "teologia mística". As três outras obras também abordam os problemas da teologia mística, mas não mais em termos sistemáticos e sim em termos históricos. A segunda, como diz o próprio título, é um penetrante estudo da teologia negativa de Mestre Eckhart. A terceira, Vision de Dieu, propõe-se a estudar o problema do conhecimento de Deus como ele foi colocado pela teologia bizantina. Seu objetivo é verificar se a distinção entre a "apofaticidade" da essência de Deus e a "catafaticidade" das energias divinas é uma invenção de Gregório Palamas ou uma doutrina que já tinha precedentes na Sagrada Escritura e na Patrística. Através de uma acurada análise dos textos da Escritura e do pensamento de alguns dos maiores Padres gregos, Lossky consegue estabelecer que a distinção entre a essência e as energias das operações divinas, tal como é ensinada por Palamas e pelos concílios do século XIV, "é a expressão dogmática da Tradição relativa aos atributos cognoscíveis de Deus que encontramos nos Capadócios e mais tarde em Dionísio, em sua doutrina sobre as uniões e distinções divinas, sobre as virtudes ou raios da treva divina, cuja distinção da essência dá lugar a dois caminhos teológicos: o caminho afirmativo e o negativo; um revela Deus, o outro conduz à união na ignorância". A última obra, À L'Image et à la Ressemblance de Dieu, é uma coletânea de artigos em que o autor WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 32

retoma e desenvolve alguns dos temas que mais lhe são caros (a "apofaticidade", o conceito de pessoa, a processão do Espírito Santo, a catolicidade da Igreja), investigando sua validade através do estudo do pensamento dos Padres orientais. De capital importância é o ensaio intitulado La Procession du Saint-Esprit dans la Doctrine Ortodoxe, tradução da conferência mantida em Oxford em 1947: contém a quintessência do pensamento de Lossky. PENSAMENTOS DE VLADIMIR LOSSKY "A distinção entre a essência e as energias - fundamental para a doutrina ortodoxa sobre a graça permite que conserve seu sentido real a expressão de São Pedro: «partícipes da natureza divina». A união a que estamos chamados não é nem hipostática como para a natureza humana de Cristo, nem substancial como para as três pessoas divinas: é a união com Deus em suas energias ou a união pela graça que nos faz participar na natureza divina, sem que nossa essência se converta por isso na essência de Deus. Na deificação se possui pela graça, quer dizer nas energias divinas, tudo o que Deus tem por natureza, salvo a identidade de natureza, segundo o ensino de São Máximo. Se permanece criatura, convertendo-se simultaneamente em Deus pela graça, como Cristo seguiu sendo Deus ao converter-se em homem pela encarnação". ―A via negativa do conhecimento de Deus é uma démarche ascendente do pensamento, que elimina progressivamente do objeto que quer alcançar toda atribuição positiva para realizar finalmente uma espécie de apreensão pela ignorância suprema Daquele que não poderia ser um objeto de conhecimento. Pode-se dizer que é uma experiência intelectual do fracasso do pensamento diante de um além inconcebível. Com efeito, a consciência do fracasso do entendimento humano constitui o elemento comum a tudo que se pode denominar apofasia ou teologia negativa, quer seja dentro dos limites da intelecção, constatando simplesmente a inadequação radical entre nosso pensamento e a realidade que quer alcançar, ou quer deseje superar os limites do entendimento, prestando à ignorância daquilo que Deus em sua natureza inacessível o valor de um conhecimento místico superior ao intelecto hyper noun‖. "A existência de uma atitude apofática, de uma superação de tudo aquilo que provém da finitude criada, está implicada no paradoxo da revelação cristã: o Deus transcendente torna-se imanente no mundo, mas também na imanência de sua economia, que leva à encarnação e à morte na cruz, ele se revela como transcendente, como ontologicamente independente de qualquer ser criado. Essa é a condição sem a qual seria impossível conceber o caráter voluntário e absolutamente gratuito da obra redentora de Cristo e em geral de tudo aquilo que é 'economia' divina, começando pela criação do mundo, a respeito da qual a expressão ex nihilo deve assinalar justamente a ausência de qualquer necessidade ex parte Dei, uma certa contingência divina, se podemos assim dizer, no ato da vontade criadora". "É a diversidade absoluta das três hipóstases que determina as diferentes relações e não o contrário. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 33

Aqui, o pensamento se detém diante da impossibilidade de definir uma existência pessoal na sua diferença absoluta e tem que adotar uma atitude negativa para declarar que o Pai privado de início (ánarkos) não é nem o Filho nem o Espírito Santo; que o Filho gerado não é nem o Espírito Santo nem o Pai; que o Espírito Santo oriundo do Pai não é nem o Pai nem o Filho. Não se pode falar aqui de relações de oposição, mas apenas de relações de diversidade. Seguir nessa questão um caminho positivo e conceber as relações de origem de outro modo que como sinais da diversidade inexprimível das pessoas significaria suprimir o caráter absoluto dessa diversidade pessoal, ou seja, relativizar a Trindade e, de certo modo, despersonalizá-la". "Se se quisesse introduzir aqui, em conformidade com a fórmula latina (do filioque), uma nova relação de origem, fazendo o Espírito Santo proceder do Pai e do Filho, a 'monarquia' do Pai, essa relação pessoal que cria a unidade e a trindade ao mesmo tempo, cederia lugar a uma outra concepção: a da substância una, na qual as relações interviriam para basear a distinção das pessoas, e a hipóstase do Espírito Santo seria apenas um laço recíproco entre o Pai e o Filho. Se se percebeu a tônica diferente das duas doutrinas trinitárias então se compreenderá porque os orientais sempre defenderam o caráter inefável, apofático, da processão do Espírito Santo do Pai, fonte única das Pessoas, contra uma doutrina mais racional que, fazendo do Pai e do Filho um princípio comum do Espírito Santo, colocava o comum acima do pessoal, uma doutrina que tendia a enfraquecer as hipóstases, confundindo as pessoas do Pai e do Filho no ato natural da expiração e fazendo da pessoa do Espírito Santo o laço entre ambas". "Se Deus é verdadeiramente o Deus vivo da revelação e não a essência simples dos filósofos, então ele só pode ser Deus-Trindade. Essa é uma verdade primária que não pode estar baseada em nenhum raciocínio, porque toda razão, toda verdade e todo pensamento se apresentam como posteriores à Trindade, fundamento de qualquer ser e de qualquer conhecimento". "A vida terrestre de Cristo foi um contínuo abaixamento: a sua vontade humana renunciava incessantemente àquilo que lhe era próprio por natureza e aceitava aquilo que era contrário à humanidade incorruptível e deificada: a fome, a sede, o cansaço, a dor, os sofrimentos e, por fim, a morte na cruz. Assim, pode-se dizer que, antes do fim da obra redentora, antes da ressurreição, a pessoa de Cristo tinha em sua humanidade como que dois pólos diversos: a incorruptibilidade e a impassibilidade naturais próprias de uma natureza perfeita e deificada e, ao mesmo tempo, a corruptibilidade e a sujeição voluntariamente assumidas, condições às quais a sua pessoa 'quenótica' submeteu e submetia sem pausas a sua humanidade livre do pecado". "Assim, toda a realidade de nossa natureza decaída - inclusive a morte -, todas as condições essenciais que eram resultado do pecado e, como tais, tinham um caráter de pena, castigo e maldição, foram transformadas pela Cruz de Cristo em condições de salvação". "Precisaríamos muito mais dizer que o Espírito Santo se cancela, enquanto pessoa, diante das pessoas criadas às quais ele dá a graça. Nele, a vontade de Deus já não nos é mais externa: ela nos dá a graça desde o interior, manifestando-se em nossa própria pessoa, até que nossa vontade humana permaneça de acordo com a vontade divina e coopere com ela na obtenção da graça, WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 34

fazendo-a nossa. É o caminho da 'deificação' que termina no Reino de Deus, introduzido nos corações pelo Espírito Santo desde a vida presente. Isso porque o Espírito Santo é a unção régia que repousa sobre Cristo e sobre todos os cristãos chamados a reinar com ele no século futuro. Então, essa pessoa divina desconhecida, que não tem sua imagem numa outra hipóstase, se manifestará nas pessoas 'deificadas': sua imagem será a multidão dos santos". "A kénosis é o modo de ser da pessoa divina enviada ao mundo, pessoa na qual se cumpre a vontade comum da Trindade, da qual o Pai é a fonte. As palavras de Cristo 'o Pai é maior do que eu' expressam essa renúncia 'quenótica' à própria vontade". "Para que a teologia trinitária se tornasse possível, foi necessário que a apófase presidisse ao despojamento do pensamento, forçado a elevar-se a uma noção de Deus que transcende toda relação com o ser criado, absolutamente independente, naquilo que é, da existência das criaturas". "O ponto final a que chega a teologia apofática (se é que se pode falar de fim e de chegada onde se trata de uma elevação para o infinito) não é uma natureza ou uma essência, nem tampouco uma pessoa, mas algo que supera ao mesmo tempo toda noção de natureza e pessoa: é a Trindade". "A perfeição da pessoa se realiza no abandono total, na renúncia a si mesma. Cada pessoa que procura se afirmar acaba somente na fragmentação da natureza, no ser particular, individual, que cumpre uma obra contrária à de Cristo". "Enquanto ser criado à imagem de Deus, o homem apresenta-se como ser pessoal, como pessoa que não deve ser determinada pela natureza, mas que pode determinar a natureza, assimilando-a ao seu Arquétipo divino". "É-nos mais fácil imaginar a pessoa que quer, que se afirmar, que se impõe com sua vontade. Entretanto, a idéia de pessoa implica a liberdade diante da natureza; a pessoa é livre por natureza, não é determinada por ela. A hipóstase humana só pode se efetivar na renúncia à vontade própria, àquilo que nos determina e nos subjuga a uma necessidade natural. O individual - a afirmação de si na qual a pessoa se confunde com a natureza e perde a sua verdadeira liberdade - deve ser despedaçado. É o princípio fundamental do ascetismo: a livre renúncia à própria vontade, a um simulacro de liberdade individual, para recuperar a verdadeira liberdade, a liberdade da pessoa que é a imagem de Deus, própria de cada um". GUSTAVO GUTIERREZ MERINO (1928- ) Gustavo Gutiérrez Merino nasceu em Lima, Peru, em 8 de junho de 1928. É é um teólogo peruano e sacerdote dominicano, considerado por muitos como o fundador da Teologia da Libertação. Sofreu de osteomielite na infância e adolescência, permaneceu em cadeira de rodas dos doze aos dezoito anos. Ao recuperar a mobilidade, estudou medicina e letras na Universidad Nacional Mayor de San Marcos. Foi militante da Ação Católica, o que o motivou a aprofundar os estudos teológicos. Decidido pelo sacerdócio, entrou para o seminário em Santiago do Chile. Estudou Filosofia e Psicologia na Universidade Católica de Louvain, Bélgica. Seus estudos de Teologia foram efetuados na Universidade Católica de Lyon, França, na Universidade Gregoriana de Roma e no WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 35

Instituto

Católico

de

Paris,

chegando

ao

grau

de

doutor.

Foi ordenado sacerdote em 1959. Gutierrez, na década de 60, foi o primeiro a falar na igreja dos pobres e, na década seguinte, elaborou o conceito teológico propriamente dito. É considerado por muitos o pioneiro na sistematização da Teologia da Libertação na década de 70, quando lançou o livro Teologia da Libertação. Na obra Teologia da Libertação, focaliza que o nosso Deus é o Deus da Aliança com os marginalizados e desclassificados. No livro, Gutierrez afirma que o cristianismo da misericórdia não devia ser apenas da assistência pela esmola, mas do compromisso com a superação das desigualdades sociais. Dessa forma, a Teologia da Libertação oferecia uma nova espiritualidade para o engajamento paroquial, comunitário e religioso. Isso se manifestou num "novo jeito de ser Igreja", que se concretizou nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Nos anos 80 sofreu processo da Cúria Romana, que acusava sua obra de reduzir a fé à política. Gutiérrez cria, no fim dos anos 60, um método teológico desde e para a América Latina pobre e oprimida. Deu a essa reflexão da fé a partir do reverso da história o nome de Teologia da Libertação. Seu raio de projeção tem sido verdadeiramente impressionante: desde a teologia negra, índia, asiática, feminista, ecológica e das religiões até a teologia judaica e palestina da libertação. Gustavo é o primeiro latino-americano a se situar de igual para igual entre os grandes criadores dentro da história da teologia. Em 1998 ingressou como noviço na Ordem dos Pregadores. Possui 23 títulos de Doutor Honoris Causa outorgados por universidades de diversos países: 5 no Peru, Argentina, Holanda, Suiça, dois na Alemanha, dez nos Estados Unidos, dois no Canadá e também na Escócia, obtidos entre 1979 e 2006. Ganhou o Prémio Príncipe das Astúrias em 2003 na Categoria Comunicação e Humanidades. Atualmente Gutierrez vive e trabalha entre os pobres em Lima. Em seus livros, Gutiérrez explica sua visão da pobreza cristã, como um ato de amor e solidariedade com os pobres e um protesto libertador contra a pobreza. Gutiérrez continua tendo responsabilidade pastoral na Igreja do Cristo Redentor em Rimac. Gutiérrez é também professor de teologia na Pontifícia Universidade Católica de Lima. No movimento da Teologia da Libertação, Gustavo Gutiérrez ocupa um lugar em destaque. A ele deve-se a primeira obra sistemática de reflexão crítica a partir da práxis histórica da libertação em confronto com a palavra de Deus, acolhida e vivenciada na fé. Em sua ótica, a teologia é representada com um ato segundo, que supõe como ato primeiro não uma práxis qualquer, mas a práxis da fé, isto é, uma espiritualidade caracterizada pelo compromisso com o outro - que no contexto latino-americano é o empobrecido - e, então, pela luta em prol da justiça que o Deus da vida não só comanda mas compartilha. Trata-se de uma teologia "do avesso da história", que se deixa provocar pela indentificação de Cristo com os oprimidos e leva os cristãos a "descer do inferno deste mundo", e a "comungar com a miséria, com a injustiça, com as lutas e com as esperanças dos condenados da Terra, porque deles é o Reino dos Céus". Nesse sentido, o objetivo WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 36

da teologia é "apologético" no significado mais elevado: dar testemunho do Deus da vida que escuta o grito do pobre. Obras: Beber Teologia O A no força próprio poço PENSAMENTOS Deus histórica Itinerário DE da da dos espiritual GUSTAVO de libertação vida pobres um povo. GUTIERREZ

"Vivemos numa época dominada pela economia liberal, ou, se se preferir, neoliberal. O mercado irrestrito, chamado a regular-se com as suas próprias forças, passa a ser o princípio, quase absoluto, da vida económica. O célebre e clássico "deixar fazer" do início da economia liberal postula hoje de forma universal – pelo menos na teoria – que toda a intervenção do poder político, mesmo para atender a necessidades sociais, prejudica o crescimento económico e redunda em prejuízo geral. Por isso, se se apresentam dificuldades nos rumos económicos, a única solução é mais mercado." "Não há duas histórias, uma da filiação e outra da fraternidade, uma em que nos fazemos filhos de Deus e outra na qual nos tornamos irmãos entre nós. É isso o que o termo ´libertação` quer destacar". "Na raiz de nossa existência pessoal e comunitária se acha o dom da auto comunicação de Deus, a graça de sua amizade enche de gratuidade a nossa vida. Faz-nos ver como um dom nossos encontros com os outros homens, nossos afetos, tudo o que acontece". "Assim, desprendidos de nós mesmos, chegamos ao outro libertos de toda tendência de impormos uma vontade que lhe seja alheia, respeitosos de sua própria personalidade, de suas necessidades e de suas aspirações. Dado que o próximo é o caminho para chegarmos a Deus, a relação com Deus será a condição necessária para o encontro, para a verdadeira comunhão com o outro". "A verdade é que um cristianismo vivido no compromisso com o processo libertador, apresenta problemas próprios que não se podem descurar e encontra escolhos que importa superar. Para muitos, o encontro com o Senhor, nessas condições pode desaparecer em benefício do que ele próprio suscita e alimenta: o amor do homem. Amor que desconhecerá, então, toda a plenitude que encerra". "Neste contexto, a teologia será uma reflexão crítica a partir de e a respeito da práxis histórica diante da palavra do Senhor acolhida e vivida na fé". "Mais do que o pai da Teologia da Libertação, eu gostaria de ser conhecido como um daqueles que contribuíram para libertação da Teologia". "Senti-me muito tocado pela fundamentação do júri que outorgou o prêmio, por sua referência ao mundo pobre e à América Latina, aos quais escolhi dedicar minha vida. Pode ser que a Teologia da WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 37

Libertação não esteja mais atual. Infelizmente, porém, desgraçadamente, permanece atual a realidade da pobreza que suscitou o seu nascimento". "Conversão significa transformação radical de nós mesmos, significa pensar, sentir e viver como Cristo presente no homem despojado e alienado." "O discurso sobre Deus vem depois do silêncio da oração e do compromisso." "Precisamos conceber a história como um processo de libertação de homens e mulheres no qual este vão assumindo conscientemente seu próprio destino..." "A fé não é coisa que se conserve num cofre-forte para a proteger, é vida que se exprime no amor e na dedicação aos outros. Nos Evangelhos ter medo equivale a não ter fé... A parábola dos talentos ensina-nos que uma vida cristã, baseada não na formalidade, na auto-proteção e no medo, mas na gratuidade, na coragem e no sentido do outro, constitui a alegria do Senhor. E a nossa". "Para mim fazer teologia é escrever uma carta de amor ao Deus em que eu creio, ao povo ao que pertenço e a Igreja da que formo parte" "Além de qualquer dúvida, a vida do pobre é marcada pela fome e pela exploração, cuidado médico inadequado, ausência de habitação digna, dificuldade em alcançar alguma educação, salários injustos e desemprego, lutas por seus direitos e também repressão. Ma não é tudo. Ser pobre é também uma forma de sentir, conhecer, pensar, fazer amigos, amar, crer, sofrer, celebrar e rezar. O pobre constitui um mundo em si mesmo. Compromisso com o pobre significa entrar e, por vezes permanecer neste universo, com uma consciência muito mais clara; significa ser um dos seus habitantes, olhando para ele como local de residência e não só de trabalho. Não significa ir a este mundo pontualmente, para testemunhar o Evangelho, mas antes, dele emergir, cada manhã, com o propósito de proclamar as boas novas a todo ser humano… Vemos com clareza crescente que se exige uma imensa dose de humildade para que as pessoas se comprometam com os pobres dos nossos dias". "Uma espiritualidade é uma forma concreta, movida pelo Espírito, de viver o Evangelho. Maneira precisa de viver 'diante do Senhor' em solidariedade com todos os homens, 'com o Senhor' e diante dos homens" "Aos países pobres não interessa repetir o modelo dos países ricos, entre outras coisas, porque estão cada vez mais convencidos de que a situação daqueles é fruto da injustiça, da coerção. Para eles, trata-se de superar, é certo, as limitações materiais, a miséria, mas para chegar a um tipo de sociedade que seja mais humana". "Uma teologia que não se situe no contexto de uma experiência de fé corre o risco de converter-se numa espécie de metafísica religiosa, numa roda que gira no ar sem mover o carro" "A espiritualidade é uma aventura comunitária, passo de um povo que percorre o próprio caminho, em seguimento a Jesus Cristo, através da solidão e das ameaças do deserto. Experiência espiritual que é o poço do qual teremos de beber. Ou, quem sabe, na América Latina de hoje, o nosso cálice, promessa da ressurreição". "Situar-se na perspectiva do Reino é participar da luta pela libertação dos homens oprimidos por WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 38

outros homens. Isto é o que começaram a viver muitos cristãos, ao comprometer-se com o processo revolucionário latino-americano. Se esta opção parece afastá-los da comunidade cristã, é porque muitos nela, empenhados em domesticar a boa-nova, olham-nos como membros agressivos e até perigosos" "Uma espiritualidade da libertação deve estar impregnada de vivência de gratuidade. A comunhão com o Senhor e com todos os homens, é antes de tudo, um dom. Daí a universalidade e a radicalidade da libertação trazida por Ele" "Mais do que teologias, os testemunhos vividos é que assinalarão e já estão assinalando o rumo de uma espiritualidade da libertação". MARIE-DOMINIQUE CHENU (1895-1990) Marie-Dominique Chenu, OP (1895-1990), foi teólogo francês com grande influência no Concílio Vaticano II. Nascido em Soisy-sur-Seine, França, a 7 de janeiro de 1895, e falecido a 11 de fevereiro de 1990, com 95 anos. Entrou para a Ordem dos Pregadores em 1913 e concluiu os seus estudos, em Roma, em 1920, tornando-se professor no convento de Le Saulchoir. Especialista em história da Idade Média, foi efetuando também estudos teológicos. Um dos seus primeiros livros Une école de teologie (1937), foi em 1942 colocado no Index, o índice dos livros proibidos da Igreja Católica. Soube da notícia pela rádio e profundamente afeta, tanto mais que era superior do seu convento, nessa mesma noite demitiu-se do seu cargo directamente ao arcebispo de Paris, que lhe disse para ter calam, pois «dentro de 20 anos todos falaremos como você». Depois da II Grande Guerra, entre 1946 e 1952 foi professor na Universidade da Sorbone, em Paris. Reabilitado, ainda que não de forma completa, pois apenas pode participar no Concílio Vaticano II como consultor de um bispo de Madagascar, veio a ser reconhecido como um dos mais influientes teólogos do século XX. Foi diretor do Bulletin thomiste de 1924 a 1934; diretor da Revue des sciences philosophiques et théologiques de 1928 a 1934; fundador do Institut d'études médiévales, anexo à Universidade de Montreal (em 1932); membro da Société de philosophie, de Lovaina; presidente da Société thomiste; colaborador de numerosas revistas de teologia, filosofia e história; consultor do Secretariado para os não-crentes. Foi fundador da revista teológica Concilium. Grande especialista em Santo Tomás de Aquino. Um primeiro olhar aos escritos de Chenu pode dar a impressão de haver um certo dualismo em sua obra: parece que de um lado está o historiador, de outro o teólogo; de um lado, como disse o próprio Chenu em uma conferência a um grupo de seminaristas, parece estar "um velho medievalista de certa fama, imerso na leitura de textos antigos, estofado de erudição, ligado aos velhos séculos da cristandade, em uma tradição que se obstina a manter-se em meio ao mundo contemporâneo; do outro, um jovem que se lança indócil na confusão do mundo contemporâneo, extremamente sensível aos seus apelos, pronto a enfrentar os problemas delicados do mundo e da Igreja. E, por isso, discutido e até mesmo suspeitado junto a certas pessoas". Na realidade, assegura-nos o próprio WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 39

interessado, há um só e idêntico Chenu; nele, o historiador da idade Média e o teólogo moderno constituem uma só coisa. Foi o historiador que ensinou ao teólogo, a distinguir nas coisas, aquilo que é perene daquilo que é mutável, e que o tornou sensível aos sinais dos tempos. Somente um profundo conhecedor da história da Igreja, da humanidade e da teologia, poderia delinear as soluções que ele elaborou para os difíceis problemas da natureza e das tarefas da teologia, da missão da Igreja no momento presente, do valor da matéria, das realidades terrestres, do trabalho, da socialização e de outros aspectos típicos do nosso tempo. A produção de Chenu no campo especulativo não é muito vasta. Ele excluiu conscientemente a hipótese de reescrever a teologia do início ao fim, como se tudo o que foi feito pelos teólogos do passado carecesse de valor. Chenu não compartilha o parecer daqueles que consideram a teologia de nossos antepassados como totalmente envelhecida e morta. Segundo ele, no que se refere a certos problemas, ela pronunciou uma palavra que vale para sempre e cunhou uma linguagem teológica que não é defeituosa nem incompreensível. Ao contrário, ele fez ver que a teologia medieval possui um repertório linguístico inexaurível, além de doutrinas de valor perene. Chenu não concebe a teologia como uma empresa individual, que cada qual pode tentar por conta própria, mas sim como um trabalho da Igreja inteira, um trabalho que se realiza lenta e continuamente, através da obra dos teólogos em particular. Coerente com essa concepção, ele assumiu a tarefa de ampliar o saber teológico em algumas direções ainda inexploradas, mas de capital importância, dada a situação em que se debate atualmente a humanidade. E, assim, enfrentou os problemas do valor da matéria, do trabalho, da socialização, das tarefas do laicato, da natureza da teologia. E foi nesses pontos que sua contribuição ao desenvolvimento da teologia tomou-se determinante. PENSAMENTOS DE DOMINIQUE CHENU "Dado que a palavra de Deus se exprimiu em linguagem humana, moldando-se às palavras, frases, imagens, estrutura, géneros literários da palavra humana, essa ‗escrita divina‘ encontrará as suas vias de inteligibilidade através da interpretação das palavras, das frases, das figuras, dos géneros literários da linguagem humana." "Aquilo mesmo mediante o qual a teologia é ciência é aquilo pelo qual ela é mística". "O cristianismo é sem dúvida, o mistério de Cristo que vive, morre e ressuscita em mim. Porém, como se realizou este mistério? Numa encarnação, isto é, numa vinda de Deus no tempo e na história. O cristianismo a partir daí não mais é uma evasão; mas uma recapitulação, segundo a própria expressão de S. Paulo. Um retomar e um recuperar de toda a criatura em Cristo, até à divinização através do homem". "Historia est magistra vitae: máxima admirável que condensa, ao mesmo tempo, uma experiência milenar e um princípio de elevada cultura. É urgente que, contra as reivindicações infantis de uma espontaneidade que se afirma a única criadora, se medite sobre as lições e as leis da História (...). O enraizamento inteligente no passado é a garantia da projeção do futuro; o presente não é mais que o ponto nevrálgico desta dialética." WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 40

"Por causa de um errado sobre naturalismo, alguns teólogos – católicos e protestantes, estes em maior numero – dividiram a realidade ao reduzir a profissão à natureza para enaltecer a vocação com a graça". "O fato social humano não permanece exterior à encarnação, é até o lugar privilegiado da consumação da encarnação. A humanidade é uma expressão muito simples, porém, vejamo-la em toda a sua força: a humanidade é o corpo místico de Cristo e a entrada na posse do mundo pela qual o homem realiza o destino de toda a criatura, marca, nas suas etapas económicas, o desenvolvimento místico do empreendimento divino". "O cristianismo situa-se no tempo vinculando-se assim à história. É uma força histórica na transformação do mundo e isto, não somente em virtude de quaisquer benefícios esporádicos, mas como um fermento que faz levedar a massa. A salvação é sem dúvida pessoal e realiza-se numa comunhão exclusiva e íntima com Deus. Não se pode porém efetuar fora da comunidade humana". "Deus é a verdade substancial, fim plenificador de todos os meus desejos. Não é um conceito, nem são proposições, nem um sistema de pensamento, mas aquele em quem reconheço agora o todo de minha vida, o objeto deleitável de minha felicidade". GHIORGHIU VASILIEVICH FLOROVSKI (1893) Ghiorghiu V. Florovsky foi um teólogo e sacerdote Ortodoxo. Nasceu nos arredores de Odessa em 28 de agosto de 1893. Na época, seu pai Basílio era capelão e professor de religião num colégio da cidade. Sua mãe, Cláudia Poprouzhenko, descendia do meio clerical. Recebeu a educação inicial de seus pais; herdou deles profunda piedade e um conceito muito elevado do que fosse religião. Assimilou de seus pais um sentido de profunda piedade e um conceito muito elevado de tudo aquilo que diz respeito à religião: a Igreja, os ícones, a liturgia, a Tradição, o clero. Ingressou na Universidade de Odessa, onde inicialmente estudou história e filologia e depois filosofia, psicologia e ciências naturais (química e fisiologia). Teve duas celebridades entre seus professores: o filólogo e psicólogo N. N. Tange, seguidor de W. Wundt, e o biólogo B. Babkin, discípulo de I. P. Pavlov. Em 1919, obteve o Philosophiae Magister e a livre docência em filosofia na Universidade de Odessa. Nesse meio tempo, os comunistas haviam tomado o poder e se aproximavam tempos difíceis para o clero. Em 1920, toda a família Florovsky refugiou-se na Bulgária, juntamente com uma centena de sacerdotes e intelectuais. No ano seguinte, Florovsky deixou e rumou para Praga, onde se estabelecera uma grande colônia de emigrados. Prestou novos exames para obter a livre docência em filosofia. De 1922 a 1926, lecionou Filosofia do Direito na Universidade de Praga. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 41

Durante esse período, Florovsky submeteu todas as suas convicções filosóficas a uma análise crítica: abandonou o idealismo, o kantismo e o racionalismo e voltou à filosofia cristã oriental. Expressão dessa conversão filosófica foi o ensaio intitulado As astúcias da Razão, um severo exame de todos os sistemas filosóficos do século XIX, do hegelismo ao marxismo, ao cientismo de Comte, ao determinismo freudiano ou darwinista, ao naturalismo de Bergson, ao antipsicologismo de Husserl, ao neo-escolasticismo protestante e à tendência acentuadamente jurídica dos católicos romanos. Em todos esses sistemas, Florovsky denuncia a esterilização da espontaneidade criadora do homem, a coisificação da vida e o matematismo dos mistérios. Em seu lugar, propõe uma reabilitação da Tradição cristã oriental, a única, segundo ele, capaz de salvaguardar o sentido do mistério e os direitos da pessoa. Em 1925, realizou-se um sonho que os teólogos da Diáspora cultivavam há anos: a criação em Paris do Instituto Ortodoxo de São Sérgio, para a formação do clero ortodoxo destinado a prestar assistência às comunidades dos exilados e defender a Ortodoxia. A direção do Instituto foi confiada a Bulgakov; Florovsky assumiu a cátedra de Patrologia. E, assim, nosso teólogo transfere-se de Praga para Paris, onde, em 1932, foi ordenado sacerdote. Florovsky encontrou no ensino da patrologia o estímulo necessário para redescobrir aquela "Tradição cristã oriental" que se tornara o seu novo modo de "teologar" depois de seu repúdio às filosofias ocidentais, e que a polêmica em torno da visão "sofiológica" de Bulgakov, na década de trinta, tornava tanto mais urgente. Não participou diretamente da violenta polêmica que se desencadeou em torno da "sofiologia", por razões de respeito para com o diretor de sua escola. Mas ofereceu uma alternativa à teologia de Bulgakov com a publicação de dois livros, Os Padres Orientais do Século Quatro (1931) e Os Padres Orientais dos Séculos Cinco ao Oito (1933). Tais livros contêm o núcleo da "síntese neo-patrística" (ou "sacro-helenismo") com a qual se identifica a visão teológica florovskyana. Confirmando as teses apresentadas nesses dois livros, em 1937 Florovsky publicou uma obra magistral, Os Caminhos da Teologia Russa, na qual demonstrava que do século XVII em diante a teologia ortodoxa se afastara da tradição patrística, sofrendo profundas infiltrações por parte das teologias católica e protestante. O ecumenismo vinha sendo favorecido pela Igreja Ortodoxa Russa desde a Primeira Guerra Mundial. Florovsky, porém, só começou a se interessar por ele quando se estabeleceu em Paris. Naquela cidade, Berdiaev fundara um círculo ecumênico abrilhantado por nomes ilustres, como Bulgakov, Zenkovsky, Boegner, Maury, Maritain, Marcel e Gilson. Florovsky inscreveu-se no círculo logo que se transferiu para o Instituto São Sérgio. Em 1931, Karl Barth convidou Florovsky para pronunciar uma conferência sobre a Revelação na Universidade de Bonn. Foi um acontecimento memorável na história do ecumenismo. Em 1937, participou da Conferência Ecumênica de Edimburgo e causou uma forte impressão. Ao término do encontro, foi escolhido para participar do Comitê dos Catorze, encarregado de preparar o Conselho Mundial das Igrejas. Desde então, sempre esteve presente em todos os grandes encontros ecumênicos. E desses WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 42

encontros nasceram alguns dos escritos mais significativos do nosso autor. Criticou vigorosamente a expressão "Conselho Mundial das Igrejas". Para Florovsky, o plural "Igrejas" era inadmissível. "Ainda que a desgraça das divisões cristãs", declarou o teólogo de Odessa, "nos obrigue a reconhecer muitas confissões, só há uma única Igreja, a Igreja Ortodoxa, que tem uma função missionária no seio do Conselho Mundial." Em 1950, na Conferência de Toronto, lutou até o fim pela inserção no relatório final do esclarecimento de que a participação no Conselho Mundial das Igrejas não implica para qualquer Igreja-membro a obrigação de reconhecer às outras Igrejasmembros o título de Igreja no verdadeiro sentido da palavra. Nessa questão da definição eclesiológica do Conselho Mundial, Florovsky mostrou-se inarredável, fazendo dela uma conditio sinequanon para a participação da Ortodoxia. Na Conferência de Evanston (1954), lançou uma conclamação a um novo tipo de ecumenismo: "Ao ecumenismo no espaço deve-se acrescentar também um ecumenismo no tempo", ou seja, uma nova tomada de contato com os grandes momentos da Tradição apostólica, essencialmente salvaguardados pela Ortodoxia. São especialmente memoráveis dois relatórios que leu diante do Congresso Teológico PanOrtodoxo de Atenas (1936), Westliche Einflüsse in der Russischen Theologie e Patristics and Modern Theology. O primeiro trata da "pseudomorfose" da teologia oriental sob as influências latinas e protestantes; o segundo apresenta o programa de "re-helenização da Ortodoxia". Durante a Segunda Guerra Mundial, nosso teólogo buscou refúgio inicialmente na Suíça, depois na Iugoslávia e finalmente na Tchecoslováquia. Depois da guerra, retornou a Paris. Em 1949 ingressou na Faculdade de Teologia da Universidade de Harvard, na qualidade de professor de História da Igreja Oriental. No ambiente sereno e acolhedor de Harvard, passou a se dedicar novamente à pesquisa científica. Desenvolveu e aperfeiçoou sua "síntese neopatrística" e organizou um grupo de estudos sobre o tema "Teologia e História". Quando do anúncio da convocação do Concílio Vaticano II, embora se alegrando com o acontecimento, Florovsky manifestou algumas reservas ao convite enviado por Roma à Igreja Ortodoxa para que enviasse alguns de seus membros da hierarquia como observadores. Pareceu-lhe um sistema muito triunfalista e paternalista. Segundo ele, o convite devia ser endereçado somente aos teólogos. Em 1964, alcançado o limite de idade, deixou a cátedra de Harvard e ingressou na Universidade de Princeton, na qualidade de visiting professor. PENSAMENTOS DE FLOROVSKY "Um corpo, em suma, o corpo de Cristo; esse excelente paralelo de que se serve são Paulo nos vários textos em que descreve o mistério da existência cristã é ao mesmo tempo o melhor testemunho que se possa prestar da experiência íntima da Igreja apostólica. Não é absolutamente metáfora acidental: é muito mais um resumo da fé e da experiência". "As outras imagens e analogias de que se vale são Paulo e o resto do Novo Testamento acentuam do mesmo modo a unidade orgânica entre Cristo e os crentes; o alicerce construído com pedras WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 43

múltiplas e vivas, que no entanto se apresenta como uma única pedra; a vinha e seus ramos, e muitas outras imagens, todas elas servem ao mesmo objetivo principal. Dentre elas, a imagem do Corpo é a mais forte e a mais expressiva" "A Igreja é o Corpo de Cristo porque e na medida em que (pour autant) ela é o seu complemento... Noutros termos, a Igreja é a extensão e a 'plenitude' da Encarnação, ou melhor, da vida encarnada do Filho, 'junto a tudo aquilo que foi feito por nossa salvação: a Cruz e o Sepulcro, a Ressurreição ao terceiro dia, a Ascensão aos céus, o estar à direita do Pai' (São João Crisóstomo)". "A Igreja, portanto, é o lugar e o modo da presença salvífica do Senhor, glorificado no mundo ou na humanidade que ele salvou" "Os cristãos não são apenas unidos entre si; antes de mais nada, eles são uma unidade em Cristo e só essa comunhão com Cristo torna possível a comunhão dos homens, nele. O centro da unidade é o Senhor e o poder que opera essa unidade é o Espírito Santo". "Católico não é um nome coletivo. A Igreja ... é católica em todos os seus elementos... Cada membro da Igreja é e deve ser católico. Toda a existência cristã deve ser organicamente 'catolicizada', ou seja, reintegrada, concentrada, centralizada interiormente". "Cristo é o mesmo, ontem, amanhã e sempre. Nele todas as gerações cristãs estão unidas". "A função principal da Igreja no mundo é precisamente reunir os indivíduos dispersas e separados, incorporando-os numa unidade orgânica e viva, em Cristo" "É através do seu bispo ou, mais exatamente, no seu bispo que cada igreja local ou particular se inclui na totalidade da Igreja católica. Através do seu bispo, ela é colocada em contato com as fontes primeiras da vida carismática da Igreja, ligada a Pentecostes" "Aquilo que realmente se exige não é uma linguagem nova ou novas visões gloriosas, mas unicamente uma melhor vida espiritual que nos torne novamente capazes de discernimento no âmbito da plenitude da experiência católica". "A primeira tarefa para a geração atual de teólogos ortodoxos é restaurar em si mesmos a capacidade de sacrifício que lhes permita não tanto exprimir as próprias idéias ou as próprias visões, mas unicamente prestar testemunho da fé imaculada da Mãe Igreja. Cor nostrum sit semper in Ecclesia!" BERNHARD HÄRING (1912-1998) Nasceu em 1912 em Böttingen (Alemanha). Ordenado sacerdote em 1937, participou como soldado enfermeiro na frente russa na II Guerra Mundial (1940-1945). Terminada a guerra, obteve o doutorado em teologia em Tubinga. Desde 1949 dedicou-se ininterruptamente ao estudo e à docência da teologia moral. Ao final do curso acadêmico, 1987-1988, deu sua última lição na Academia Alfonsiana de Roma. Desde 1988, residiu em Gars, povoado próximo de Munique. O nome de Häring está vinculado, indissoluvelmente, à renovação da teologia moral católica. O que fizeram, em princípios do séc. XX, P. Lippert, R. Guardini, K. Adam no campo da teologia dogmática, fez ele uns anos mais tarde no terreno da teologia moral. Sua tentativa foi redescobrir WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 44

uma moral bíblica em torno da idéia da imitação de Cristo. O repúdio a uma moral casuísta e ao juridicismo foi o que o guiou em seu esforço para recriar uma moral católica. Esse repúdio é dirigido contra o moralismo e propõe uma superação do formalismo e do legalismo para dar a primazia ao amor, que é a vida com Cristo e em Cristo. Resgata para a moral cristã o personalismo como relação da pessoa com o tu, com o tu absoluto: Deus. Realiza essa volta ao enfoque essencial da moral em sua obra fundamental A lei de Cristo Teologia moral para sacerdotes e leigos (1954), que o transforma num dos pais da nova teologia moral católica. Por sua concepção, estrutura e estilo, a obra conseguiu interessar a grandes setores do mundo eclesiástico, apesar de seus três grossos volumes. As edições sucederam-se ininterruptamente ao longo desses 40 anos, tanto em alemão quanto em suas traduções para as línguas cultas. Seus esforços para conseguir uma síntese vital entre a moral e a vida, partindo da superação da dicotomia existente entre o dogma e a moral, cristalizam-se nestas coordenadas: 1. Uma moral do credo. Häring parte do mistério da salvação, que ele resume na palavra central da Bíblia: ―Basiléia‖, o reino. Este expressa tanto o domínio quanto o reinado de Deus, não pela força, mas pelo amor. A autenticidade bíblica deste conceito, seu conteúdo existencial, universal, missionário e escatológico, dá estrutura e forma à moral de Häring, tranformando-a em ―boa notícia‖, termo que repete constantemente. Dentro desta síntese destaca a espiritualidade no esquema da teologia moral. O objeto da moral não são os pecados; seu núcleo central deve ser o amor direcionado à perfeição ou à ―imitação de Cristo até copiá-lo‖. 2. Uma moral da vida. Na moral de Häring, fé e vida estão sempre unidas. Sua teologia moral tem muito de existencial, porque a encarna como ciência de ―Deus em relação comigo‖. A moral ―não pode ser exercida‖ em forma neutra ou sem se comprometer. Daí: a) seu conceito integral da pessoa. O homem deve ser visto inserido na realidade de seu ―contexto social‖: ambiente e comunidade; b) da responsabilidade. O homem é pessoa. Por isso lhe vem o que por si e de si responda. 3. O chamado de Cristo. Somente há uma resposta quando antes há um chamado. A partir desta ideia central de responsabilidade, ramifica-se a teologia moral de Häring em torno de dois grandes núcleos: o chamado de Cristo e a resposta do homem. Em torno deste chamado de Cristo e à resposta do homem, oferece Häring todos os temas cristãos da moral cristã: a consciência, a liberdade, a lei, o pecado, a conversão, os mandamentos etc. Esse magistério de Häring através de sua obra central A lei de Cristo (Herder, 1960), ampliada e refundida em suas últimas edições sob o título de Livres e fiéis em Cristo (Paulinas), ampliou-se ao longo dos anos em quatro frentes fundamentais: a) Publicações de livros e colaborações em revistas científicas e populares. Häring escreveu mais de 40 obras sobre os diversos problemas morais. Mencionamos algumas: Força e fraqueza da religião; Cristão e o mundo; O matrimônio em nosso tempo; A mensagem cristã e a hora presente etc. b) Cursos e conferências a grupos especializados e a religiosos e seculares de toda classe e WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 45

condição,

praticamente

em

todas

as

partes

do

mundo.

c) Seu trabalho docente na ―Academia Alfonsiana‖, em contato direto com milhares de sacerdotes e educadores ao longo de 40 anos. d) Finalmente, mas não em último lugar, Häring foi um impulsor do espírito e da obra do Concílio Vaticano II. Sua participação ativa e direta no Concílio, em concreto na redação da Gaudium et Spes, posteriormente no debate gerado em torno da Humanae Vitae de Paulo VI, e em geral em toda a renovação pós-conciliar da teologia moral fazem dele o pioneiro e o impulsor do movimento renovador no campo moral do espírito do concílio. Somente resta dizer que, apesar do reconhecimento unânime e universal que seu trabalho obteve, ou talvez por isso, sua pessoa e sua obra viram-se submetidas recentemente a um ―processo doutrinal‖ por parte da Congregação da Doutrina da Fé (1975-1979). Conta os pormenores em seu último livro de caráter autobiográfico: Fé, história e moral. Esse processo doutrinal é a raiz da crise da Humanae Vitae em 1968. Recrudesce quando em janeiro de 1989 escreveu um artigo, pedindo ao papa uma reconsideração da doutrina oficial sobre a contracepção. Bernhard Häring faleceu no dia 03 de julho de 1998, na Alemanha. PENSAMENTOS DE BERNHARD HÄRING "Para viver uma existência autenticamente pessoal, a pessoa deve estar presente em si mesma, no seu próprio eu. Sem isso ser-lhe-á impossível encontrar o tu do outro" "Não existe meio mais certo e eficaz para exercer influência direta sobre o próximo do que o bom exemplo, a força e o prestígio de uma personalidade modelar" "O primeiro grito da consciência concentra-se no Eu (sem por isso se revestir de egoísmo). Simplesmente o Eu ferido grita. Mas logo que, movido pela primeira dor de sua consciência, o ser humano se abre novamente aos valores, não é mais só pela dor da ferida tão bruscamente aberta que ele chora os valores perdidos, mas é também pelo abalo que lhe causa o som da trombeta do Anjo do Juízo, que proclama altamente a sua rigorosa exigência. Sentença de condenação e apelo ao arrependimento misturam-se à dor do Eu dilacerado. Uma consciência que estremece em meio às dores, percebe com agudeza este apelo que a incita a seguir o bem, apelo que significa para ela uma sentença de vida ou de morte, conforme a decisão que ela adotar... Diferente é a situação na consciência moral sã (boa consciência). Assim como a pessoa humana que desfruta de boa saúde não pensa em suas forças, não obstante elas transbordarem de plenitude, também a pessoa humana voltada inteiramente para os valores, não pensa continuamente com uma reflexão atual, naquilo que o bem proporciona ao seu bem-estar espiritual, mas rejubila-se com o bem e pratica-o por amor" ―O importante é deixar a solidariedade na perdição para entrar na solidariedade da salvação‖. "É sempre fácil encontrar um alibi para justificar a negligência de estudos mais sérios e exigentes" "O suicídio é um sintoma de perda de consciência do sentido da vida" "A vaidade absorve-se na alegria que advém das mínimas vantagens pessoais, sem se dar conta dos WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 46

verdadeiros

valores

morais"

"No centro da Sagrada Escritura não estão as normas, mas Cristo, Filho Unigênito do Pai, que se fez homem para ser um de nós! Nele temos a vida. É o seu Espírito que nos dá alegria, tornando-nos livres. A nossa relação com Cristo não é algo exterior, baseada na simples imitação; aquilo que muda a nossa vida é o fato que Jesus nos dá o seu Espírito, porque quer continuar a sua vida conosco, ou melhor, em nós‖. "Para sermos livres em Cristo e libertados por Cristo, devemos fazer a escolha fundamental de seguir o Mestre e de ouvir a sua voz. A escolha da liberdade implica, intrínseca e fortemente, a fidelidade à opção fundamental: colocar Cristo no centro da nossa vida‖. ―É preciso estar no ‗seguimento‘ do Mestre, como outros ‗Cristos‘ vivos no momento presente. Neste sentido. os elementos fundamentais de uma moral baseada no seguimento são: rejeição do moralismo, superação do formalismo e do legalismo, primado do amor, vida com Cristo e em Cristo e, sobretudo, personalismo segundo o qual a pessoa é relação com o tu. E age plena e somente em relação com o Tu absoluto, Deus‖. "Na medida em que a verdade e os valores objetivos estiverem envolvidos, a consciência humana certamente nunca será infalível. O Concílio reconhece que o erro na avaliação acontece bastante frequentemente... Porém, quase sempre sem culpa pessoal e sem que a consciência perca a sua dignidade. Acontece isto sempre que as intenções são retas e que a consciência está procurando sinceramente a melhor solução... O mal maior se dá quando a consciência se torna insensível e cega" "Atrás do apelo da consciência vemos, em última análise, o Deus três vezes Santo. Por certo, não é mister que se veja em cada juízo da consciência uma intervenção de Deus. Não é por revelações imediatas, ao menos habitualmente, mas através de seus dons, que o Espírito Santo nos fala. Eles aguçam a sensibilidade da nossa consciência e lhe infundem a necessária perspicácia, para que à luz da revelação divina projetada sobre as circunstâncias possamos identificar com maior facilidade a vontade de Deus... Deus fala à consciência, mas fá-lo de tal maneira que não fica poupado o esforço de formarmos juízos corretos por nós mesmos. Permanece, pois, aberta a hipótese de formularmos juízos desacertados. Na sua qualidade de voz de Deus, a faculdade da consciência estimula-nos a agir segundo aquilo que conhecemos. Neste sentido ela é infalível. Mas, o juízo como tal, pode ser defeituoso, e suas determinações emanadas da inteligência, podem ser errôneas". "A característica mais própria da consciência é estimular a concordância da vontade com a verdade conhecida e impeli-la a procurar a verdade antes de tomar uma decisão. Assim, a consciência é verdade objetiva ou, em outros termos: consciência e autoridade de Deus que nos guia, prestam-se mútuo apoio. A própria consciência requer ensinamento e guia. Já na harmonia da criação e, sobretudo na plenitude maravilhosa de Cristo e de seu Santo Espírito que instruem a Igreja e pelos quais a Igreja nos instrui, encontra a consciência luz e direção. Para qualquer um a consciência é a suprema norma subjetiva de sua atuação moral; mas esta norma deve, por sua vez, conformar-se a uma norma objetiva. Para ser reta e autêntica, deve ela procurar por si mesma a sua norma no WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 47

mundo

objetivo

da

verdade".

"O dogma da infalibilidade da Igreja (ou do Papa) em nada fere a função da consciência moral, mas ao contrário, garante-lhe uma orientação segura nas questões fundamentais e decisivas. Ademais, uma justa determinação da infalibilidade eclesiástica indica a esfera, no interior da qual a consciência moral recebe uma direção absolutamente segura, o terreno, no qual a consciência e a autoridade não infalível, embora autêntica da Igreja, podem entrar em conflito‖. ―A consciência acha-se duplamente vinculada à autoridade civil. É uma autoridade legítima de conformidade com a lei natural, a qual confirma e determina a revelação sobrenatural. Em muitíssimos casos, a consciência necessita do concurso da sociedade e da autoridade social para conseguir um juízo bem fundamentado‖. "Não se pode falar de liberdade absoluta para a consciência, uma vez que, longe de eximir da lei, ela tem, ao contrário, a finalidade de vincular à lei do bem. Sem dúvida, cada um deve obedecer à sua consciência, isto é, fazer o bem que sua consciência, após um sincero exame, lhe indica como obrigatório. Mas existem princípios morais que todos devem conhecer. Ninguém pode apelar para a própria consciência para justificar lhes a transgressão. Um dos maiores males de nosso tempo está em que os povos só reconhecem um número muito restrito de princípios gerais em moral. Em consequência disto, prepondera uma margem exagerada de liberdade a consciência culpadamente errôneas e cientemente más. O Estado tem o dever de garantir a liberdade à consciência sã e boa, mas não a licença à consciência má. Caso contrário, verificar-se-á inevitavelmente, que os bons acabam sendo submetidos à violência dos maus". "A pessoa prudente e cônscia de suas limitações, saberá investigar e tomar conselhos; valorizará espontaneamente a submissão devida ao Magistério eclesiástico, e, acima de tudo, será humilde e dócil ao Espírito Santo. Esse é o caminho que nos leva à prática da virtude da prudência e ao exercício dos dons a ela correspondentes... O dinamismo da consciência encontra-se particularmente ameaçado no tipo de pessoa fraca que se compraz em considerar o bem ideal, mas na prática não assume nenhum compromisso com ele. É de grande importância para a cultura de uma consciência íntegra, estudarmos não somente os mandamentos e sobretudo o Bem no seu valor ‗em si‘, mas de maneira semelhante ou mesmo preferencial, no apelo que eles nos dirigem. A ruína infalível da consciência é causada, antes de tudo, pela desobediência habitual e voluntária às suas exigências e pelas faltas multiplicadas sem nenhuma contrição" ―O escrúpulo é uma incerteza doentia que afeta o juízo moral. O escrupuloso vive perturbado por um medo constante de pecar. Vê em toda a parte deveres e perigos que ameaçam induzi-lo a pecar gravemente. A norma capital para o escrupuloso é obedecer incondicionalmente ao confessor, porque a consciência escrupulosa é uma consciência doente e tem absoluta necessidade de guia e de médico‖. ―A fonte mais comum de nossos erros e de nossas incertezas é a ignorância mais ou menos culpável das coisas religiosas e morais... Uma consciência moral suficientemente madura não escolherá inconsideradamente o caminho mais fácil. Ela saberá atender à voz da graça e da ‗situação‘ e WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 48

enfrentar as asperezas de um compromisso que exija maior coragem, toda vez que uma atitude lhe pareça consultar melhor os interesses do Reino de Deus‖. "Nota peculiar do ser humano é que ele tenha história, ele é história e faz história. Os animais carecem deste tipo de memória e de consciência que permite fazer história. O indivíduo humano e a comunidade humana têm memória... somos conscientes do desenvolvimento e do declínio das culturas. Além disso, vemos a consciência da pessoa humana numa perspectiva de psicologia evolutiva" "Sempre que penso ou falo sobre a liberdade, brota em meu coração a palavra ‗fidelidade‘ a Cristo‖. ―A adoração não é algo que se acrescenta ao resto da vida moral. É o coração e a força desta vida. É a expressão mais elevada de submissão fiel a Deus, fonte da liberdade criadora‖. "São Paulo nos ensina que o amor é a plenitude da lei. Mas nos ensina também que Cristo nos libertou para que sejamos livres no amor. Somos salvos por meio de uma fé que implica um firme auto empenho pelo bem e por Deus e uma busca sincera da verdade como propósito de ação. A liberdade religiosa é condição essencial na qual se explica o empenho do cristão a dar testemunho, a convencer alguém a favor de Cristo e a servir para a salvação da humanidade inteira" ―Eu sofro com a Igreja quando vejo partes dela escravizadas por tradições mortas, em contradição com nossa fé num Deus vivente que age com seu povo em todas as épocas... Deveremos nos perguntar a nós mesmos, como povo deste tempo e desta época, como podemos chegar a uma melhor inteligência da primitiva lei de liberdade‖. "O termo ‗consciência‘ deriva do latim cum (juntos) e scientia, scire (conhecer). A consciência é a faculdade moral da pessoa, o centro e o santuário íntimo onde se conhece a si mesmo no confronto com Deus e com o próximo. Mesmo que a consciência tenha uma voz própria, a palavra que ela diz não é dela: vem da Palavra na qual todas as coisas são criadas, a Palavra que se fez carne para viver, ser e existir conosco. E esta Palavra fala através da voz íntima da consciência, o que pressupõe a nossa capacidade de escutar com todo o nosso ser" Consciência significa também reflexão sobre si, conhecimento de si, estar em paz consigo mesmo, experimentar a própria totalidade que cresce ou que a ameaça. Mas, o genuíno conhecimento de si e a autêntica reflexão de si não são existencialmente possíveis sem a experiência do encontro com o outro. A pessoa alcança a sua integridade e a sua identidade somente na reciprocidade de consciências. Conhece se a unicidade do próprio eu somente através da experiência da relação entre o ‗tu‘ e o ‗eu‘ que conduz à experiência do ‗nós‘" ―Segundo São Paulo, é evidente que não podemos honrar a Deus do íntimo de nossa consciência se não somos agradecidos e também cheios de respeito diante do impacto de nossa ação sobre a consciência vacilante de nossos irmãos‖. "A mutualidade de consciência tem suas raízes nas nossas relações de fé com Cristo. Se vivemos pelo Senhor, vivemos também um pelo outro na atenção e no respeito pela consciência do outro (Rm 14,7-8). E, uma das dimensões mais importantes da reciprocidade das consciências é o pleno reconhecimento da liberdade de consciência, e ainda mais especificamente da liberdade religiosa. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 49

Portanto, a focalização na pessoa e na reciprocidade das consciências é a base da vida comunitária e da evangelização". ―Possuímos uma consciência distintamente cristã quando nos achamos profundamente enraizados em Cristo, atentos à sua presença e aos seus dons, prontos a nos unirmos a ele em seu amor por todo o seu povo‖. ―A aguda consciência dos cristãos pela justiça social, o seu empenho não violento e ativo e uma Igreja que escuta os sinais dos tempos deverão ser um símbolo real da nossa esperança com relação ao mundo que virá‖. ―A vigilância resulta da tensão criativa entre o já e o ainda não que são percebidos e que recebem resposta na gratidão e na esperança. Quando se pratica a vigilância, a consciência especificamente cristã vem plasmada pela riqueza e pela tensão da história da salvação‖. "A Bíblia nos mostra a relação entre pecado e falta de saúde, sendo que as destruições internas e externas causadas pelo pecado são confirmadas de uma forma concreta. Como pode uma pessoa considerar-se saudável a nível humano se tem falhado na busca da sua verdadeira identidade e integridade? O pecado se opõe à nossa fé e, portanto, a nossa liberdade em Cristo. Especialmente o pecado habitual e a falta de arrependimento provocam feridas que atingem o nosso eu mais profundo, enquanto a consciência não cessa de invocar a totalidade da saúde". "O ser humano é de tal maneira uma boa criação de Deus que mesmo depois de um pecado mortal, nele subsiste ainda resquícios da imagem e da semelhança de Deus, uma aspiração natural à totalidade sobre a qual a graça pode fundar-se e construir. O renascimento não é possível, porém, sem uma profunda dor, sem uma contrição na qual toda a alma é sacudida com a tomada de consciência da terrível injustiça cometida contra Deus e contra o bem". "A Igreja e o mundo necessitam de uma consciência crítica. A palavra ―critica‖ vem do grego krínein, que se aproxima do nosso ―díscernimento‖. Numa sociedade e num mundo pluralistas, os cristãos deveriam ser um fermento atuante da virtude da crítica de acordo com a visão de Deus. Cumpre também estarmos prontos para aceitar a crítica de outros, e para reconhecer nossos malogros e nossas faltas. Devemos escutar os profetas, pois eles nos sacodem e desmascaram os nossos erros". YVES MARIE-JOSEPH CONGAR (1904-1995) Yves Congar foi um dos grandes teólogos do Concílio Vaticano II e autor de uma obra ecumênica e teológica considerável. Yves Congar é um teólogo dominicano francês, nascido em Sedan, em 1904. Foi ordenado em 1930. Esteve preso em 1940-1945 nos campos de concentração de Golditz e Lübeck. Foi fundador e diretor da coleção Unam Sanctam, e professor de teologia na faculdade de Le Saulchoir. Foi um sólido eclesiólogo, aberto ao ecumenismo e à reforma da Igreja, precursor e consultor do Concilio Vaticano II. Professor em La Saulchoir, o seu livro "Verdadeira e falsa reforma de Igreja" foi objeto de duras WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 50

censuras. O seu apoio aos curas obreiros e a sua solidariedade com a causa da justiça social não fez mais que complicar a sua situação. Durante 10 anos é afastado do ensino, sancionado, marginalizado de toda atividade pública e tem que exilar-se a Jerusalém. Surpresamente, João XXIII lhe encomendará trabalhar nos mais importantes documentos do Concilio Vaticano II, junto com outros teólogos naquele momento considerados abertos como Joseph Ratzinger ou Henri de Lubac. Como compensação pela incompreensão que sofreu e aos anos de sofrida obediência e silenciamento Congar foi elevado à dignidade cardinalícia por João Paulo II em 30 de outubro de 1994, recebendo o barrete de cardeal em 8 de dezembro do mesmo ano. Vítima de uma enfermidade neuronal acabou os seus dias impedido fisicamente porém intelectualmente ativo. Yves Congar faleceu em 1995, em Paris. Entre suas obras, cabe destacar Verdadeira e falsa reforma da Igreja (1950), Jalones para una teologia del laicado (1954), Cristãos em diálogo (1964), Tradição e tradições (1961-1963) e O Espírito Santo (1980). Congar é a ponta de lança de uma equipe numerosa de teólogos dominicanos franceses que renovaram a teologia católica ao longo dos últimos cinqüenta anos. Basta citar teólogos como Chenu, Liégé, Lelong, Cardonnel, Schillebeeckx etc. Duas atividades fundamentais ocupam a vida de Congar: 1. O estudo da Igreja sob todos os seus aspectos. Fruto desse estudo são seus primeiros Ensaios sobre o mistério da Igreja (1952); Verdadeira e falsa reforma da Igreja (1950) onde ataca, pela primeira vez, o tema da reforma da Igreja; Balizas para uma teologia do laicato (1953), onde aborda o tema dos leigos na vida e na atividade missionária da mesma Igreja. Em 1964, formula os princípios do diálogo entre as diferentes Igrejas cristãs com Cristãos em diálogo, continuação de obras anteriores como Cristãos desunidos e Princípios para um ecumenismo católico (1957). Complemento e expressão de seu trabalho e estudo sobre o tema da Igreja é a grande coleção sobre teologia da Igreja, ―Unam Sanctam‖, fundada e dirigida por ele. 2. Mas Congar não tem sido apenas um homem de estudo; mas, fundamentalmente, o homem que ―preparou o clima do Concílio Vaticano II‖. Como teólogo do Concílio, influenciou decisivamente nos novos enfoques da teologia, na preparação de novos teólogos e, finalmente, na redação e orientação dos documentos do Concílio Vaticano II, de um modo especial, a Constituição Dogmática sobre a Igreja, A Igreja no mundo de hoje e o documento sobre o Ecumenismo. O mesmo Papa Paulo VI agradeceu publicamente a Congar pela sua colaboração ao Concílio Vaticano II. Congar utilizou o método especulativo, próprio da escolástica como método histórico. Buscou uma aproximação com o protestantismo afirmando que a Biblia é regra para a Tradição e para a Igreja. Pero sustenta que é sob a luz da Tradição e na proclamação na comunidade eclesial que a Escritura adquire o seu sentido. Nos seus estudos sobre o Espírito Santo, parte dos escritos dos Pais da Igreja gregos como Atanasio de Alexandría e Basilio o Grande com fim de aproximar-se a posições aceitáveis para a Igreja WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 51

ortodoxa, e une, como esta, eclesiologia e pneumologia. Para Congar o Grande Cisma, desde o ponto de vista dogmático é fruto de perspectivas filosóficas diversas, porém expressam uma mesma fé. Congar enfatiza que a Igreja é santa, não em sí mesma, ou como qualidade dos seus membros, senão como âmbito da presença de Deus que se aproxima da mesquinhez e miséria humana (pecado), presente na comunidade eclesial. A extensão da vida divina é gratuita (graça) sem mérito por parte da hierarquia e dos fieis que participam dela. No que atinge à catolicidade, esta há de consistir na capacidade da Igreja de assimilar e desenvolver os valores autênticos humanos e culturais, tanto de outras igrejas, como de outras religiões e de todas as culturas. Busca também fazer finca-pé na relação fundamental dos leigos, através do seu compromisso com as causas justas da humanidade. A salvação cristã assume e engloba a libertação social, política, económica, cultural e pessoal dando-lhe totalidade e plenitude na transcendência. Aqui o compromisso, desde um imperativo cristão orientador, ha de ser radical, porém as opções do crente podem ser opináveis e falíveis e, logo, plurais. A Congar preocupa o papel da hierarquia na Igreja e não oculta críticas sinceras. Os bispos, para ele estão encurvados absolutamente na passividade e o servilismo a Roma. Defende um conceito profundo e radical de obediência frente ao simplismo insincero tipo autoridade-súdito. A atividade de Congar continuou depois do Concílio: Situação e tarefas atuais da teologia (1967) e A Igreja desde Santo Agostinho até a época moderna (1970) são contribuições geniais deste homem que, já numa cadeira de rodas, confessava que sua teologia não vale mais do que a vida de um simples cristão em pé.

PENSAMENTOS DE YVES CONGAR ―Diz-se que a Igreja não interessa mais a ninguém, que a maioria dos homens deixou de esperar dela algo que tenha o peso do real. Isso não é exato. Uma decepção dá a medida de uma esperança, um despeito a medida de um amor. Se não se esperasse mais nada da Igreja, não se falaria tanto dela...‖ "Vocês não deveriam dizer que um sapateiro fabrica sapatos; mas, sim, que ele calça os cristãos... 'Fabricar sapatos' indica apenas a profissão e insinua que o único objetivo do fabricante é seu lucro pessoal". "Aqui está o que Jesus nos deixa: o Espírito e a Noiva. Tal como Eva foi formada a partir do lado de Adão que dormia, assim o foi a Igreja, a nova Eva, formada pelo lado de Cristo crucificado. Em ambos os casos, os símbolos significaram a unidade de duas pessoas chamadas para formar uma única carne, um único corpo, no amor dos esposos destinado para a fecundidade da maternidade" "Toda vida cristã é fundada na possibilidade melhor, na realidade de um apelo (…). Esta WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 52

possibilidade de ouvir um apelo e de responder-lhe atualiza-se no máximo na conversão. O homem é capaz de modificar-se, de dar outra direção, outro sentido a sua vida (…). É, em dúvida, por isso que Jesus reconhece uma espécie de primazia para o pecador: é sempre ao vazio e ao defeituoso que ele se dirige; é somente o pobre que ele quer enriquecer. Mas, no fundo, é o único que pode ser enriquecido, porque ‗não são os que tem saúde que precisam de médico, mas os doentes‘". "O sábado era o dia da criação terminada e, por isso, é o sétimo e último dia; era a festa e o repouso do homem criado a imagem de Deus e constituído assim seu colaborador pelas suas obras; ele referia-se aos dias úteis que cumulava pelo repouso, pelo louvor, pela ação de graças. O domingo é a celebração, a aplicação ou a separação da nova criação, a dos filhos e já não a dos servos, que a ressurreição de Cristo inaugura. Por isso o domingo não está, como o sábado estava, em relação direta com os outros dias da semana ; por isso, a interrupção do trabalho se torna um elemento relativamente secundário: o domingo não é uma festa desta criação, pertence à criação nova, a do Filho, cujo princípio é este Espírito vivificador que é a realidade própria dos últimos tempos e do qual se disse que não tinha sido totalmente dado enquanto Jesus não fora glorificado. Assim, o domingo já não é o sétimo dia, o dia do repouso do trabalho deste mundo, mas o primeiro, ou então o oitavo, e recebeu nomes sensivelmente equivalentes para marcar que era o início de uma nova semana, se um novo mundo e, para além da consumação cósmica, o princípio da vida eterna, que é a dos filhos de Deus, dos que vivem a vida eterna n'Aquele que, ressuscitado dos mortos, vive doravante ―para Deus‖ (Rm 6,10). Na medida em que os fiéis participam deste mistério, têm já em si a vida, a vida eterna, a vida filial e bem-aventurada; mas esta vida está escondida com Cristo em Deus e espera a manifestação dos filhos de Deus". ―A Palavra e sacramentos têm, aliás, uma união orgânica: a pregação é litúrgica e a celebração deve ser profética, toda esclarecida espiritualmente pela palavra, comunica seu sentido à fé dos fiéis. Mas, destas duas formas do Pão da vida, a Palavra é logicamente a primeira‖ "No Evangelho, palavra e sinais caminham juntos. O sinal não toma todo o seu valor de sinal senão iluminado pela palavra‖. PAUL JOHANNES TILLICH (1866-1965) Paul Johannes Oskar Tillich nasceu em 20 de agosto de 1886, em Starzeddel, Alemanha. Foi um teólogo alemão-estado-unidense. Tillich foi contemporâneo de Karl Barth, e um dos mais influentes teólogos protestantes do século XX. Estudou sucessivamente a filosofia e a teologia em Berlin, Tübingen e Halle, sendo contemporâneo de Karl Barth e Rudolf Bultmann. Suas teses foram dedicadas à filosofia religiosa de Schelling. Ordenado em 1912, foi pastor da Igreja luterana evangélica de Brandeburgo; participou da Primeira Guerra Mundial como capelão de guerra. Até 1933, lecionou em Berlin, Marburg, Dresden, Leipzig e Frankfurt. Em 1929 sucedeu Max Scheler na cátedra de filosofia e psicologia de Frankfurt. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 53

Desempenhou um papel importante na fundação da Escola de Frankfurt, tendo orientado a tese de doutorado de Theodor Adorno. Foi fundador, com um grupo de amigos, do movimento intelectual do "socialismo religioso". Tendo perdido sua cátedra por causa de suas posições anti-nazistas, Tillich emigrou para os Estados Unidos em 1933, a convite dos amigos Reinhold e Richard Niebuhr. De 1933 a 1955, foi professor de Teologia Filosófica no Union Theological Seminary e na Columbia University (New York). Nacionalizou-se americano e lecionou nas universidades de Harvard e de Chicago. Nesta última cidade, coordenou importantes seminários de estudos da religião com Mircea Eliade. Depois da Segunda Guerra, fez frequentes viagens a Europa para cursos e conferências. Recebeu o prêmio da paz dos editores alemães em 1962. Harvard e Chicago ocuparam os últimos anos de sua docência como teólogo protestante. Paul Tillich foi casado com Hanna Tillich e tiveram dois filhos. Paul Tillich faleceu em Chicago, em 22 de outubro de 1965. As pesquisas de Paul Tillich contribuíram também para o existencialismo cristão. Tillich é tido, ao lado de Karl Barth, como um dos mais influentes teólogos protestantes do século XX. Tillich deixou uma densa obra e numerosos discípulos, que seguiram e aplicaram sua doutrina. Seu pensamento aparece como uma ponte entre o sagrado e o profano. Não confunde as duas esferas, mas tende a explicitar o sentido religioso, implícito nas profundezas do ser, de todo ser. A tentativa apóia-se nestes conceitos-base: o limite, a ruptura, a correlação e o abismo. É um pensamento no limite, porque é onde se definem as coisas. O ser no limite significa não um ser estático, mas uma posição de ruptura entre o ser e o não-ser. A ruptura segue a correlação, categoria básica de Tillich, resposta aos problemas do homem e da história. E finalmente o abismo, que permite a Tillich superar a oposição da moderna teologia protestante entre o Deus da razão e o Deus da fé. No abismo de todo ser reúnem-se e harmonizam-se unitariamente o ser em si e o Uno-Trino da Bíblia. Paul Tillich defendeu o exame da religião pela razão, assim como valorizou o auxílio do conhecimento secular para a compreensão do cristianismo, embora afirmasse que o critério supremo da revelação residia em Jesus. Sobre essa base filosófica de fundo hegeliano, Tillich constrói sua teologia, que pode ser resumida nestes pontos: Insistência em que a Bíblia não é a única fonte da teologia. Esta deve ser predominantemente apologética e querigmática, isto é, deve interessar-se pelas diferentes formas de cultura e ser uma tarefa essencialmente racional para chegar à compreensão do especificamente cristão. Em sua Teologia sistemática (3 vols., 1951-1957), Deus é apresentado como ―aquele que nos concerne, em última instância‖ ou ―a essência de nosso ser‖. Deus não é um ser, mas o próprio ser. A linguagem da teologia e da religião é essencialmente simbólica. A única exceção é Deus que, como vimos, define como o mesmo ser. ―O homem desta infinita e incansável profundidade de todo ser é Deus.‖ ―Talvez se esqueça tudo o que se aprendeu sobre Deus, inclusive a própria palavra, para desta WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 54

maneira saber que conhecendo que Deus é o profundo, conhecemos muito sobre ele. Neste sentido, ninguém pode chamar-se ateu ou não crente. Somente é ateu quem seriamente afirma que a vida é superficial.‖ Com relação ao fato cristão, afirma que Cristo, ―enquanto símbolo da participação de Deus nas situações humanas‖, é a resposta necessária para a situação existencial do homem pecador. Com ele mudou-se a existência, pois revelou-nos um Deus libertador. Para Tillich, o Novo Testamento somente se refere à história de Jesus para elevá-lo a valor simbólico universal, cujos momentos decisivos são a cruz, símbolo do encadeamento do homem ao finito e negativo da existência, e a ressurreição, símbolo da vitória. Fiel a seu método da ―correlação‖, Tillich insinua e demonstra, em termos arduamente exequíveis, que não existe contradição entre o natural e o sobrenatural e que, portanto, o Deus da razão e o Deus da fé e a revelação são dois aspectos de uma mesma realidade. Corrige assim o sobre naturalismo de Barth, demasiado preocupado em identificar a mensagem imutável do Evangelho com a Bíblia ou com a ortodoxia tradicional. Sua teologia apologética destina-se a responder aos problemas da situação de hoje. ―Deve-se lançar a mensagem como se lança uma pedra sobre a situação de hoje.‖ Pelo princípio da correlação os elementos relacionados só podem existir juntos. É impossível que um aniquile a existência do outro. Com o princípio da correlação a reflexão teológica desenvolve-se entre dois pólos: a verdade da mensagem cristã e a interpretação dessa verdade, que deve levar em conta a situação em que se encontra o destinatário da mensagem. E a situação não diz apenas respeito ao estado psicológico ou sociológico do destinatário, mas "as formas científicas e artísticas, econômicas, políticas e éticas, nas quais [os indivíduos e grupos] exprimem as suas interpretações da existência". A situação é o que se deve levar a sério. Com fundamento nas ideias de Schelling e no existencialismo de Kierkegaard, Tillich elaborou uma teologia que engloba todos os aspectos da realidade humana em função da situação histórica do homem. Seu método teológico baseou-se no chamado princípio da correlação, descrito em Systematic Theology (1951-1963; Teologia sistemática). Esse princípio transforma a teologia num diálogo que relaciona as perguntas feitas pela razão às respostas obtidas mediante a fé, como experiência reveladora. Para Tillich, a teonomia - lei interior dada por Deus, em harmonia com a natureza essencial do homem - dá força e liberdade ao homem para reconstruir a sociedade de forma criativa. A teonomia contrapõe-se à heteronômica, lei imposta ao homem de fora para dentro, e à autonomia, que o deixa frustrado e sem motivação para a vida. A vida é definida por Paul Tillich como sendo a atualização do ser potencial. Em todo processo vital ocorre essa atualização. Os termos "ato", "ação", "atual" denotam um movimento com centralidade dirigida para diante, um sair do centro de ação. Mas esse sair-de-si ocorre de tal forma que, para Tillich, "o centro não se perde nesse movimento centrífugo. Permanece a auto identidade na auto alteração." O outro, no processo de alteração se dirige tanto para fora do centro como para dentro dele novamente. Dessa forma distingue três elementos no processo da vida: auto identidade, WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 55

auto alteração, e volta para si mesmo. "Potencialidade se torna atualidade somente através desses três elementos no processo que chamamos vida". A influência de Tillich cresceu ainda mais depois de sua morte. Seu pensamento com relação ao conceito de Deus foi seguido e popularizado por John Robinson, autor de Honest to God (1963). Mais recentemente, Don Guppitt iniciou um duro ataque à doutrina tradicional cristã sobre Deus em sua obra Tomando o lugar de Deus (1980), na qual advoga por um conceito cristão-budista de Deus similar ao de Tillich. Entre suas obras, cabe destacar Se comovem os fudamentos da Terra (1948), Teologia sistemática (1951, 1957 e 1963), Coragem de ser (1952) e O eterno agora (1963). Grande renovador da teologia, seu tema principal é a reconciliação entre ciência e fé e entre cultura e religião. PENSAMENTOS DE PAUL TILLICH "A cura pela fé no sentido não pervertido da palavra é a recepção da salvação/saúde no ato da fé, isto é: na entrega a algo que nos diz respeito incondicionalmente, ao sagrado que não pode ser forçado a se colocar a nosso serviço. De tal entrega deriva a cura no centro da personalidade, integração das forças contraditórias que se subtraem ao centro e querem então se apossar dele". "A integração do si mesmo pessoal só é possível mediante a sua elevação até aquilo que chamamos simbolicamente de si mesmo (ou personalidade) divino. E isso só é possível graças à irrupção do Espírito divino no espírito humano, isto é, pela presença do Espírito divino". "Chegamos assim à conclusão que cura e salvação se pertencem mutuamente de modo indissociável, que os múltiplos aspectos do curar/salvar devem ser claramente diferenciados, que eles são produzidos por uma força suprema de cura e que seus portadores devem lutar juntos a favor da humanidade. Nenhuma separação, nenhuma confusão mas um objetivo comum de todo "curar": o ser humano salvo, em totalidade". "Uma religião que não possui um poder de curar e salvar é desprovida de sentido". "A razão não resiste à revelação. Ela pergunta pela revelação. Pois revelação significa a reintegração da razão". "É a finitude do ser que conduz à questão de Deus". "... o termo 'Novo Ser', quando aplicado a Jesus como o Cristo, indica o poder que nele vence a alienação existencial ou, expresso em forma negativa, o poder de resistir às forças da alienação. Experimentar o Novo Ser em Jesus como o Cristo significa experimentar o poder que nele venceu a alienação existencial em si mesmo e em todos aqueles que têm parte com ele". "A teologia sistemática necessita de uma teologia bíblica que seja histórico-crítica sem quaisquer restrições, mas que seja, ao mesmo tempo, interpretativo-existencial, levando em conta o fato de que ela trata de assuntos de preocupação última" "Nossa preocupação última é aquilo que determina o nosso ser ou não-ser. Só são teológicas aquelas afirmações que tratam de seu objeto na medida em que possa se tornar para nós uma WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 56

questão

de

ser

ou

não-ser"

"O homem está dividido dentro de si. A vida volta-se contra si própria através da agressão, do ódio e do desespero. Estamos habituados a condenar o amor-próprio; mas aquilo que pretendemos realmente condenar é o oposto do amor-próprio. É aquela mistura de egoísmo e aversão por nós próprios que permanentemente nos persegue, que nos impede de amar os outros e que nos proíbe de nos perdermos no amor com que somos eternamente amados. Aquele que é capaz de se amar a si próprio é capaz de amar os outros; aquele que aprendeu a superar o desprezo por si próprio superou o seu desprezo pelos outros". "Na nossa tendência para maltratar e destruir os outros existe uma tendência, visível ou oculta, para nos maltratarmos e nos destruirmos. A crueldade para com os outros é sempre também crueldade para com nós próprios. Deste modo, o estado de toda a nossa vida é o distanciamento dos outros e de nós próprios, porque estamos distanciados da Razão do nosso ser, porque estamos distanciados da origem e do objetivo da nossa vida". "A teologia levanta necessariamente a questão da realidade como um todo, a questão da estrutura do ser. A teologia suscita necessariamente a mesma pergunta, pois aquilo que nos preocupa de forma última deve pertencer à realidade como um todo; deve pertencer ao ser". "O objetivo da teologia é aquilo que nos preocupa de forma última. Só são teo-lógicas aquelas afirmações que tratam do seu objeto na medida em que ele pode se tornar questão de preocupação última para nós" "―Um sistema teológico deve satisfazer duas necessidades básicas: a afirmação da verdade da mensagem cristã e a interpretação desta verdade para cada nova geração‖. "Se a ―Palavra de Deus‖ ou o ―ato de revelação‖ é considerado a fonte da teologia sistemática, devemos enfatizar que a ―Palavra de Deus‖ não está limitada às palavras de um livro e que o ato de revelação não se identifica com a ―inspiração‖ de um ―livro de revelações‖, mesmo que esse livro seja o documento da ―Palavra de Deus‖ final, plenitude a critério de todas as revelações". "O sentido ontológico da experiência é uma conseqüência do positivismo filosófico. O que é dado positivamente é, segundo esta teoria, a única realidade da qual se pode falar de modo significativo. E positivamente dado significa dado na experiência. A realidade é idêntica à experiência" ―A Bíblia como um todo nunca foi a norma da teologia sistemática. A norma tem sido um princípio derivado da Bíblia num encontro entre ela e a igreja‖. ―Já que a norma da teologia sistemática é o resultado de um encontro da igreja com a mensagem bíblica, podemos considerá-la produto da experiência coletiva da igreja‖ "A Bíblia é a Palavra de Deus em dois sentidos: É o documento de revelação final e participante na revelação final da qual é documento. Provavelmente nada contribuiu mais para a interpretação errônea da doutrina bíblica da Palavra do que a identificação da Palavra com a Bíblia" ―O Cristo não é o Cristo sem a Igreja, e a Igreja não é Igreja sem o Cristo. A revelação final, como toda revelação, é correlativa‖. São ao todo mais de dois mil anos de história, e são anos repletos de tramas complexas, fatos emocionantes, pessoas interessantes e uma série de idéias fascinantes, que WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 57

marcam e registram a História da Teologia Cristã. Uma história feita de pequenas histórias, e todas com um denominador comum, como numa única narrativa descrevem o desenvolvimento do pensamento Cristão. Por isso ela se faz tão importante para nós, porque não podemos discutir nosso presente e muito menos nosso futuro teológico sem olhar para aquilo que já foi "estabelecido no passado" em meio a tantas dificuldades e perseguições, e talvez, podemos até afirmar, que um dos maiores erros que um teólogo possa cometer em nossos dias é dar as costas para o nosso passado, pois é impossível fazer teologia como se isso nunca tivesse sido feito antes. Karl Barth expressa essa idéia de uma forma contundente à medida que nota, nos debates teológicos do presente, a continua importância das grandes celebridades teológicas do passado: "Não podemos permanecer na igreja sem assumir tanto a responsabilidade pela teologia do passado, quanto pela teologia do presente. Agostinho, Tomas de Aquino, Martinho Lutero, Schleiermacher e todos os demais não estão mortos, mas vivem. Eles ainda falam e exigem ser ouvidos como vozes vivas, tão certo quanto sabemos que, eles como nós, pertencemos a mesma igreja". Outro fato importante da História da Teologia cristã, é que ela exige, inevitavelmente, certa consideração sobre a filosofia e as influências filosóficas. A partir do século II, quando começa a nossa história, a filosofia torna-se a principal interlocutora da teologia, e mesmo com a oposição de alguns pais da Igreja, como por exemplo, o teólogo cristão norte-africano Tertuliano, quando perguntou retoricamente: "O que Atenas tem que ver com Jerusalém? E o que a Academia tem que ver com a igreja?", querendo protestar contra o uso crescente da filosofia grega (Atenas/academia) pelos pensadores cristãos que deveriam ter se fundamentado exclusivamente nas escrituras e em fontes cristãs (Jerusalém/igreja). O Pai da igreja e apologista, Justino Mártir referiu-se ao cristianismo como a "Filosofia verdadeira", ao passo que o mestre cristão do século III, Clemente de Alexandria, identificou o pensador grego Sócrates como um "cristão antes de Cristo", já tempos mais tarde, no século XIII, o pensador católico, Blaise Pascal, asseverou que o "deus dos filósofos não é o Deus de Abraão, isaque e jacó!" O relacionamento entre a reflexão cristã e a filosofia constitui uma parte muito importante da história da teologia cristã, e fornece algumas das tensões mais emocionantes dessa história. E para seu melhor estudo, a teologia cristã foi dividida em períodos, os quais são:
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O período Patrístico, c. 100 - 451; A idade Média e o Renascimento, c. 1050 - c.1500; Os períodos das Reformas e da pós-Reforma, c. 1500 - c. 1750; O período Moderno e o pós-Moderno, c. 1750 - até os dias atuais;

Fica evidente a dificuldade de traçar linhas divisórias nítidas entre muitos desses períodos, por exemplo, as relações entre a idade média, o renascimento e a reforma são controvertidas, e alguns acadêmicos entendem que os dois últimos períodos são uma continuação do primeiro, embora outros os vejam como períodos totalmente distintos um do outro. O que podemos afirmar é que a história da Teologia Cristã começa no século II, cerca de cem anos depois da morte e ressurreição de Cristo, com o inicio da confusão entre os cristãos no Império Romano, tanto dentro quanto fora da Igreja. Os desafios internos principais eram semelhantes a cacofonia de vozes que muitos cristãos em nossos dias chamariam de "seitas", ao passo que os WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 58

desafios externos eram semelhantes as vozes que muitos hoje chamariam "céticos". É dessas vozes desafiadoras que surgiu a necessidade e os primórdios da ortodoxia - uma declaração definitiva daquilo que é teologicamente correto. Estaremos postando neste site, artigos sobre alguns dos Teólogos que marcaram esta história, com intuito de não só demonstrar o conhecimento e os pensamentos de cada um deles, mas também de evidenciar sua importância para reflexão teológica em nossos dias, onde a fé cristã é cada vez mais atacada pela pós-modernidade em nossas igrejas e Centros Acadêmicos Teológicos! Hevelton R. Domingos - Graduando em Teologia Pela Faculdade de Educação Teológica e Ciências Humanas Logos. Referencias Bibliográficas: OLSON, Roger E. História da Teologia Cristã: 2000 anos de tradição e reformas. Tradução Gordon Chown. 4ª Impressão - São Paulo: Editora Vida, 2001, pág. 668. O evangelicalismo brasileiro apresenta características apreciáveis e preocupantes. Entre estas últimas está o gosto por novidades. Líderes e fiéis sentem que, para manter o interesse pelas coisas de Deus, é preciso que de tempos em tempos surja um ensino novo, uma nova ênfase ou experiência. Geralmente tais inovações têm sua origem nos Estados Unidos. Assim como outros países, o Brasil é um importador e consumidor de bens materiais e culturais norte-americanos. Isso ocorre também na área religiosa. Um movimento de origem americana que tem tido enorme receptividade no meio evangélico brasileiro desde os anos 80 é a chamada teologia da prosperidade. Também é conhecida como ―confissão positiva‖, ―palavra da fé‖, ―movimento da fé‖ e ―evangelho da saúde e da prosperidade‖. A história das origens desse ensino revela aspectos questionáveis que devem servir de alerta para os que estão fascinados com ele. Ao contrário do que muitos imaginam, as idéias básicas da confissão positiva não surgiram no pentecostalismo, e sim em algumas seitas sincréticas da Nova Inglaterra, no início do século 20. Todavia, por causa de algumas afinidades com a cosmovisão pentecostal, como a crença em profecias, revelações e visões, foi em círculos pentecostais e carismáticos que a confissão positiva teve maior acolhida, tanto nos Estados Unidos como no Brasil. A história de seus dois grandes paladinos irá elucidar as raízes dessa teologia popular e mostrar por que ela é danosa para a integridade do evangelho. Essek W. Kenyon, o pioneiro Embora os adeptos da teologia da prosperidade considerem Kenneth Hagin o pai desse movimento, pesquisas cuidadosas feitas por vários estudiosos, como D. R. McConnell, demonstraram conclusivamente que o verdadeiro originador da confissão positiva foi Essek William Kenyon (1867-1948). Esse evangelista de origem metodista nasceu no condado de Saratoga, Estado de Nova York, e se converteu na adolescência. Em 1892 mudou-se para Boston, onde estudou no Emerson College, conhecido por ser um centro do chamado movimento ―transcendental‖ ou ―metafísico‖, que deu origem a várias seitas de orientação duvidosa. Uma das influências recebidas e reconhecidas por Kenyon nessa época foi a de Mary Baker Eddy, fundadora da Ciência Cristã. Kenyon iniciou o Instituto Bíblico Betel, que dirigiu até 1923. Transferiu-se então para a Califórnia, onde fez inúmeras campanhas evangelísticas. Pregou diversas vezes no célebre Templo Angelus, em Los Angeles, da evangelista Aimee Semple McPherson, fundadora da Igreja do Evangelho Quadrangular. Pastoreou igrejas batistas independentes em Pasadena e Seattle e foi um pioneiro do evangelismo pelo rádio, com sua ―Igreja do Ar‖. As transcrições gravadas de seus programas serviram de base para muitos de seus escritos. Cunhou muitas expressões populares do movimento da fé, como ―O que eu confesso, eu possuo‖. Antes de morrer, em 1948, encarregou a filha Ruth de WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 59

dar continuidade ao seu ministério e publicar seus escritos. Quais eram as crenças dos tais grupos metafísicos? Eles ensinavam que a verdadeira realidade está além do âmbito físico. A esfera do espírito não só é superior ao mundo físico, mas controla cada um dos seus aspectos. Mais ainda, a mente humana pode controlar a esfera espiritual. Portanto, o ser humano tem a capacidade inata de controlar o mundo material por meio de sua influência sobre o espiritual, principalmente no que diz respeito à cura de enfermidades. Kenyon acreditava que essas idéias não somente eram compatíveis com o cristianismo, mas podiam aperfeiçoar a espiritualidade cristã tradicional. Mediante o uso correto da mente, o crente poderia reivindicar os plenos benefícios da salvação. Kenneth Hagin, o divulgador O grande divulgador dos ensinos de Kenyon, a ponto de ser considerado o pai do movimento da fé, foi Kenneth Erwin Hagin (1917-2003). Ele nasceu em McKinney, Texas, com um sério problema cardíaco. Teve uma infância difícil, principalmente depois dos 6 anos, quando o pai abandonou a família. Pouco antes de completar 16 anos sua saúde piorou e ele ficou confinado a uma cama. Teve então algumas experiências marcantes. Após três visitas ao inferno e ao céu, converteu-se a Cristo. Refletindo sobre Marcos 11.23-24, chegou à conclusão de que era necessário crer, declarar verbalmente a fé e agir como se já tivesse recebido a bênção (―creia no seu coração, decrete com a boca e será seu‖). Pouco depois, obteve a cura de sua enfermidade. Em 1934 Hagin começou seu ministério como pregador batista e três anos depois se associou aos pentecostais. Recebeu o batismo com o Espírito Santo e falou em línguas. No mesmo ano foi licenciado como pastor das Assembléias de Deus e pastoreou várias igrejas no Texas. Em 1949 começou a envolver-se com pregadores independentes de cura divina e em 1962 fundou seu próprio ministério. Finalmente, em 1966 fez da cidade de Tulsa, em Oklahoma, a sede de suas atividades. Ao longo dos anos, o Seminário Radiofônico da Fé, a Escola Bíblica por Correspondência Rhema, o Centro de Treinamento Bíblico Rhema e a revista ―Word of Faith‖ (Palavra da Fé) alcançaram um imenso número de pessoas. Outros recursos utilizados foram fitas cassete e mais de cem livros e panfletos. Hagin dizia ter recebido a unção divina para ser mestre e profeta. Em seu fascínio pelo sobrenatural, alegou ter tido oito visões de Jesus Cristo nos anos 50, bem como diversas outras experiências fora do corpo. Segundo ele, seus ensinos lhe foram transmitidos diretamente pelo próprio Deus mediante revelações especiais. Todavia, ficou comprovado posteriormente que ele se inspirou grandemente em Kenyon, a ponto de copiar, quase palavra por palavra, livros inteiros desse antecessor. Em uma tese de mestrado na Universidade Oral Roberts, D. R. McConnell demonstrou que muito do que Hagin afirmou ter recebido de Deus não passava de plágio dos escritos de Kenyon. A explicação bastante suspeita dada por Hagin é que o Espírito Santo havia revelado as mesmas coisas aos dois. Reflexos no Brasil Os ensinos de Hagin influenciaram um grande número de pregadores norte-americanos, a começar de Kenneth Copeland, seu herdeiro presuntivo. Outros seguidores seus foram Benny Hinn, Frederick Price, John Avanzini, Robert Tilton, Marilyn Hickey, Charles Capps, Hobart Freeman, Jerry Savelle e Paul (David) Yonggi Cho, entre outros. Em 1979, Doyle Harrison, genro de Hagin, fundou a Convenção Internacional de Igrejas e Ministros da Fé, uma virtual denominação. Nos anos 80, os ensinos da confissão positiva e do evangelho da prosperidade chegaram ao Brasil. Um dos primeiros a difundi-lo foi Rex Humbard. Marilyn Hickey, John Avanzini e Benny Hinn participaram de conferências promovidas pela Associação de Homens de Negócios do Evangelho Pleno (Adhonep). Outros visitantes foram Robert Tilton e Dave Robertson. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 60

Entre as primeiras manifestações do movimento estavam a Igreja do Verbo da Vida e o Seminário Verbo da Vida (Guarulhos), a Comunidade Rema (Morro Grande) e a Igreja Verbo Vivo (Belo Horizonte). Alguns líderes que abraçaram essa teologia foram Jorge Tadeu, das Igrejas Maná (Portugal); Cássio Colombo (―tio Cássio‖), do Ministério Cristo Salva, em São Paulo; o ―apóstolo‖ Miguel Ângelo da Silva Ferreira, da Igreja Evangélica Cristo Vive, no Rio de Janeiro, e R. R. Soares, responsável pela publicação da maior parte dos livros de Hagin no Brasil. Talvez a figura mais destacada dos primeiros tempos tenha sido a pastora Valnice Milhomens, líder do Ministério Palavra da Fé, que conheceu os ensinos da confissão positiva na África do Sul. As igrejas brasileiras sofreram o impacto de uma avalanche de livros, fitas e apostilas sobre confissão positiva. Ricardo Gondim observou em 1993: ―Com livros extremamente simples, [Hagin] conseguiu influenciar os rumos da igreja no Brasil mais do que qualquer outro líder religioso nos últimos tempos‖. Além de apresentar ensinos questionáveis sobre a fé, a oração e as prioridades da vida cristã, e de relativizar a importância das Escrituras por meio de novas revelações, a teologia da prosperidade, através dos escritos de seus expoentes, apresenta outras ênfases preocupantes no seu entendimento de Deus, de Jesus Cristo, do ser humano e da salvação. A partir dos anos 80, várias denominações pentecostais norte-americanas se posicionaram oficialmente contra os excessos desse movimento (Assembléias de Deus, Evangelho Quadrangular e Igreja de Deus). Autores como Charles Farah, Gordon Fee, D. R. McConnell e Hank Hanegraaff, todos simpatizantes do movimento carismático, escreveram obras contestando a confissão positiva e suas implicações. Eles destacaram como, embora essa teologia pareça uma maneira empolgante de encarar a Bíblia, ela se distancia em pontos cruciais da fé cristã histórica. No Brasil, três obras significativas publicadas em 1993 -- ―O Evangelho da Prosperidade‖, de Alan B. Pieratt; ―O Evangelho da Nova Era‖, de Ricardo Gondim; e ―Supercrentes‖, de Paulo Romeiro -alertaram solenemente as igrejas evangélicas para esses perigos. Tristemente, vários grupos, principalmente os que têm maior visibilidade na mídia, estão cada vez mais comprometidos com essa teologia desconhecida da maior parte da história da igreja. Ao defenderem e legitimarem os valores da sociedade secular (riqueza, poder e sucesso), e ao oferecerem às pessoas o que elas ambicionam, e não o que realmente necessitam aos olhos de Deus, tais igrejas crescem de maneira impressionante, mas perdem grande oportunidade de produzir um impacto salutar e transformador na sociedade brasileira. Introdução à História da Teologia Ortodoxa Os estudiosos não estão de acordo sobre a divisão da história da teologia ortodoxa. Segundo Jugie, não existem na teologia oriental escolas teológicas e sistemas que possam oferecer um "fundamentum divisionis" 1. Segundo outros estudiosos, ao contrário, há razões de tempo, lugar e outros gêneros que justificam sua divisão em dois ou mais períodos. Também somos dessa opinião, parecendo-nos justo dividir toda a história bi-milenar da teologia oriental em sete grandes períodos: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. Período patrístico; Era de Justiniano; Período de Fócio e Cerulário; Período de Gregório Palamas; Período da Diáspora depois da ocupação turca; Escola de Kiev; Renascimento moderno.

1. Período Patrístico (Séculos I-VI) WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 61

O primeiro período da teologia oriental coincide com o da teologia ocidental: é o período patrístico. Nessa época, as Igrejas do Oriente e do Ocidente ainda estão unidas, dando origem a um patrimônio teológico único, para cuja formação contribuem tanto os Padres latinos (Tertuliano, Cipriano, Agostinho, Hilário, Ambrósio, etc.) como os gregos (Orígenes, Clemente, Basílio, Gregório Nazianzeno e de Nissa, João Crisóstomo etc.).Durante essa primeira fase da história da ciência sagrada, as principais características da reflexão teológica são as mesmas tanto no Oriente como no Ocidente. Ela tem caráter bíblico (inspira-se diretamente nos textos sacros), apofático (coloca preferencialmente a ênfase na incognoscibilidade e na inefabilidade de Deus e dos seus mistérios), assistemático (estuda os problemas que são impostos pelas circunstâncias, não se preocupando em abordá-los ordenadamente em seu conjunto) e platônico (adota como instrumento conceptual a filo de Platão, aplicando à divisão entre mundo natural e mundo sobrenatural a ruptura que Platão coloca entre mundo sensível e mundo inteligível).Essas características permanecem constantes em toda a história da teologia oriental e com o tempo tendem a se acentuar em favor do misticismo e do intuicionismo. Já na teologia latina, depois da época patrística, essas características se eclipsam pouco a pouco, cedendo lugar a características contrárias: menor contato com a fonte bíblica, preocupação catafática e sistemática, aristotelismo como instrumento conceptual. Daí ter ocorrido um progressivo afastamento entre as teologias oriental e ocidental durante a Idade Média e a Época Moderna, um afastamento destinado a se aprofundar em virtude do cisma, até estender-se não só à forma, mas também ao conteúdo da reflexão teológica. "Os primeiros cinco séculos constituem a idade de ouro dos grandes Mestres, Padres e Doutores da Igreja, que transmitem às futuras gerações a herança da Paradosis, já formada em suas grandes linhas"2. Os nomes inesquecíveis daqueles que mais contribuíram para a formação da teologia oriental são: Justino, Clemente, Orígenes, Atanásio, Cirilo, Basílio, Gregório Nazianzeno, Gregório de Nissa, João Crisóstomo, Nestório, o PseudoDionísio. II. A Era de Justiniano (Séculos VI-VIII) Na era de Justiniano (527-565), os teólogos empenham-se na luta contra dois excessos: o monofisismo e o nestorianismo. A figura mais ilustre desse período é João Damasceno (+ 749), que supera a controvérsia através da explicitação dos conceitos de natureza e hipóstase. Sua principal obra é o De Fide Orthodoxa, uma grandiosa síntese da Tradição. Ela "encerra a era patrística e abre a época das cadeias enciclopédicas, em que a criação é substituída pelas citações e pelas justificações baseadas no consensus patrum" 3. Outro teólogo de primeira grandeza foi Máximo, o Confessor (+ 638), que em suas viagens e seus contatos em Jerusalém e Roma, sobretudo com o papa Martinho I, combateu tanto o monofisismo como o monotelismo. O seu Florilegium revela visivelmente a influência do Pseudo-Dionísio e da filo neoplatônica, na qual são Máximo vê "o meio técnico mais apropriado para exprimir a ortodoxia" 4. Durante a época justiniana foi que nasceu a famosa controvérsia do Filioque. Falando da processão do Espírito Santo, o III Concílio de Nicéia (787) utilizara a fórmula "ex patre per filium". Essa fórmula não foi recebida favoravelmente pelos teólogos ocidentais (por exemplo: Alcuíno) que nela viam ambiguidade e o perigo de que o Espírito Santo fosse considerado uma criatura. Daí a áspera e longa disputa, que, como é sabido, foi uma das principais causas da separação entre as Igrejas de Constantinopla e de Roma. III. Período de Fócio e Cerulário (Séculos IX-XIII)

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Fócio é geralmente recordado por sua participação no cisma do Oriente. Mas frequentemente são ignorados os seus méritos no campo teológico, muito embora tenha sido o maior cultor da ciência sagrada em seu tempo. O elemento que mais distingue a sua especulação teológica é o lugar absolutamente novo que nela ocupa a filo aristotélica. Ele utiliza a lógica do Estagirita com grande habilidade para defender a validade do "per Filium". Geralmente, interpreta a Sagrada Escritura em sentido histórico e literal. Tem grande estima pelos Padres da Igreja (menos os latinos e João Damasceno), vendo neles os autênticos intérpretes do Evangelho. Antes da separação da Igreja latina (867), "não ensinou nada em contrário à fé da Igreja de Roma, mesmo ressaltando algumas diferenças nos usos litúrgicos e disciplinares. Então, Fócio admitia claramente o primado de Pedro"5. A ruptura com Roma foi de breve duração, devendo-se mais a razões disciplinares do que dogmáticas. No século X, a cena teológica é dominada pela figura de são Simeão, chamado o "Novo Teólogo". Segundo Vladimir Lossky, ele merece amplamente tal título, porque foi ele quem impôs um novo rumo à teologia bizantina. Com efeito, ela, que antes tinha uma orientação essencialmente "cristológica", passa a assumir uma orientação predominantemente" pneumatológica": "Os problemas relativos ao Espírito Santo e à graça são agora o núcleo central em torno do qual gravita o pensamento teológico" 6. Nesse meio tempo, tornavam-se sempre mais tênues as relações de Constantinopla com Roma, em virtude das péssimas condições políticas em que se encontrava o Ocidente naquela época por causa das invasões dos húngaros, normandos e árabes. Por isso, quando Miguel Cerulário anatematiza o papa de Roma, em 1054, mais do que criar uma situação nova, ele está apenas selando o estado de fato de uma separação que já perdurava há alguns séculos. O exemplo de Bizâncio foi depois seguido pouco a pouco por todas as igrejas de rito bizantino. Como Fócio, Cerulário também foi um dos maiores teólogos de seu tempo, tendo contribuído com seus escritos para escavar um fosso ainda mais profundo com a Igreja latina. Em duas cartas, Epistula ad Petrum Antiochenum e Epistula Leonis Achridensis, bem como nos Panoplia, acusa os latinos de se terem afastado da Tradição apostólica nos seguintes pontos: os ázimos, o jejum do sábado, a abstinência, o rito do batismo, o culto das imagens, o filioqüe e o primado romano. Outro grande teólogo desse período foi Miguel Psellos (+ 1078), poeta, historiador e filósofo, além de teólogo. Como Fócio, utiliza tanto a filo platônica como a aristotélica. Entre as suas doutrinas, as mais dignas de nota são: a processão "ex patre tantum", uma certa substância material nos anjos, a santidade da Mãe de Deus no momento de sua concepção, a sua função medianeira. Psellos teve inúmeros discípulos de valor, entre os quais João Ítalo (+ 1084) e Teofilato, prelado da Bulgária (+ 1108). No século XIII, a teologia bizantina se polarizou em torno do Concílio de Lião (1274), que se propunha a restabelecer a união entre Constantinopla e Roma. Mas os esforços daqueles que procuravam dissipar as razões do conflito não tiveram êxito. Os resultados positivos do Concílio não foram bem acolhidos pelos monges e pelo povo e o cisma continuou. IV. O Período de Gregório Palamas (Seculos XIV-XV) Por volta do fim da Idade Média, a teologia ortodoxa é dominada pela figura de Gregório Palamas (+ 1359). Escritor muito fecundo e original, Palamas efetuou uma síntese do pensamento patrístico na teologia da Glória de Deus. Suas teses mais características são três: WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 63

a) O homem não pode conhecer a essência de Deus transcendente; b) Pode, porém, conhecer suas ações, suas operações, seus atributos; c) Portanto, em Deus deve haver uma distinção real entre essência incognoscível e atributos cognoscíveis. Em 1351, a doutrina palamita foi canonizada pelo Sínodo de Constantinopla como a expressão mais autêntica da fé ortodoxa. Gregório Palamas teve numerosos discípulos, entre os quais Nilo Cabasilas (+ 1363), sucessor de seu mestre na cadeira de Tessalônica e autor, entre outras coisas, de Regula Theologica, De Causis Dissentionum in Ecclesia e De Papae Imperio, e Filóteo Coccinus (+ 1376), primeiro abade do monte Athos e mais tarde patriarca de Constantinopla, autor de um Encomium sobre Gregório Palamas. Mas, Palamas também teve muitos adversários. Os mais dignos de nota são: Nicéforo Gregoras (+ 1360), que escreveu Onze Orações contra Gregório Palamas, e Prócoro Cydones (+ 1368), cujo nome está ligado sobretudo às traduções em grego de santo Agostinho e são Tomás. Do Aquinense, ele traduziu parte da Summa Theologiae e toda a Summa Contra Gentes. Durante esse período, nasceu a controvérsia em torno da Epíclese (a oração que se dirige ao Pai depois da consagração, para que ele mande o Espírito Santo para transformar os dons divinos do pão e do vinho no corpo e no sangue do Salvador). A historiografia recente pôde estabelecer que a fórmula "ea transmutans" foi introduzida na liturgia ortodoxa somente no século XV. De qualquer modo, a Epíclese torna-se um novo motivo de discórdia com os latinos. Com efeito, enquanto estes afirmavam que a consagração ocorre no momento em que se repete as palavras de Cristo "este é o meu corpo" e "este é o meu sangue", os ortodoxos sustentavam que, além dessas palavras, é preciso também a Epíclese, ou então que a Epíclese basta por si só. V. A Teologia da Diáspora (Séculos XVI-VII) Em 1453, quando os turcos ocuparam Constantinopla, a teologia ortodoxa recebeu um golpe mortal: as escolas teológicas fechadas, muitas bibliotecas foram destruídas, muitos teólogos exilados. Foi então que se constituiu a teologia ortodoxa da Diáspora. Essa teologia é marcada pelos sinais do ambiente em que se desenvolve: denota influência do catolicismo quando se desenvolve em países católicos e mostra influência do protestantismo quando se desenvolve em países protestantes. No início, obviamente, é mais forte a influência católica (dado que os protestantes nasceriam somente no século XVI), mas depois a influência protestante também adquire um considerável peso. Dentre os teólogos influenciados pelo catolicismo, podemos recordar Melésio Figas, um cretense que realizou seus estudos na Universidade de Pavia. Em 1590, foi nomeado patriarca de Alexandria. A formação católica não o impediu de protestar energicamente quando, em 1595, os ucranianos subscreveram a reunião com Roma. Então, escreveu um ensaio intitulado Sobre o Primado do Papa, em que conclamava os ucranianos a desfazerem o acordo com Roma. Em seu escrito, Figas repete WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 64

sem grande originalidade os argumentos tradicionais dos ortodoxos contra o primado romano e contra os pretensos erros dos latinos. Seguindo o exemplo de Figas, um outro teólogo, Máximo de Peloponeso, elaborou um Enchiridion Contra o Cisma dos Papistas. Entre os teólogos mais sensíveis à influência protestante, podemos recordar Cirilo Lucaris (+ 1638), fervoroso promotor do calvinismo na Grécia. Em 1629, publicou em Genebra o seu Orientalis Ecclesiae Confessionem Christianae Fidei, uma obra profundamente impregnada de calvinismo. O Sínodo de Constantinopla de 1638 condenou as suas doutrinas. Os desvios "catolicizantes" e "protestantizantes" não tardaram em provocar a reação de diversos teólogos, que, preocupados em salvaguardar a integridade da fé ortodoxa, marcaram seus escritos por uma forma fortemente polêmica. Entre os polemistas ortodoxos, podemos ressaltar Melésio Syrigos (+ 1667), cuja maior obra é intitulada Confutação Ortodoxa dos Capítulos e das Questões da Confissão de Cirilo Lukaris, e Dositeu, patriarca de Jerusalém (+ 1707), autor do Enchiridion Contra os Erros de Calvino. VI. A Escola de Kiev (Séculos XVII-XVIII) Enquanto a teologia da Diáspora se apagava lenta e fatalmente, o primeiro lugar no mundo da cultura ortodoxa passava para a Rússia, único país da Ortodoxia que conseguira furtar-se ao domínio turco. No século XVII, a Rússia torna-se o centro de gravidade da ortodoxia, sobretudo graças à escola de Kiev. Esta fora fundada por Pedro Moghila (+ 1647), que a estruturara pelo modelo das universidades dos jesuítas: língua latina e método escolástico. O seu texto oficial, A Confissão Ortodoxa da Fé, era calcado no esquema do catecismo de Pedro Canísio. E mesmo na liturgia freqüentemente eram imitadas as práticas católicas 7. A obra-prima de Moghila, A Confissão Ortodoxa da Fé, muito embora refletisse uma clara romanização da ortodoxia, gozou de elevadíssimo prestígio durante uns dois séculos. Sobre ela o patriarca de Moscou, Adriano (+ 1700), escreveu: "O reverendíssimo metropolita Pedro, dito Moghila, homem de grande inteligência e vasta erudição, elaborou esse livro inspirado por Deus... Tudo aquilo que corresponde ao juízo desse livro é indubitavelmente ortodoxo. Já aquilo que não concorda com ele, mas está em conflito, não faz parte da doutrina da nossa Igreja e, portanto, não merece ser escutado" 8. Durante todo o século XVIII, A Confissão foi classificada entre os Livros Simbólicos da Igreja Ortodoxa, sendo-lhe atribuída a mesma autoridade dos decretos dos primeiros concílios. A escola de Kiev produziu numerosos teólogos, entre os quais Lasar Baranovich (+ 1693) e Antônio Radivilovski (+ 1688). VII. O Renascimento Moderno (Séculos XIX-XX) Nos séculos XIX e XX, a teologia ortodoxa se renova sobretudo em duas nações, Grécia e Rússia. Neste último país, nem mesmo a revolução bolchevique, com todas as suas dolorosas conseqüências WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 65

para a Igreja, conseguiu impedir o grande florescimento teológico em curso no início do nosso século, ainda que tenha obrigado quase todos os mais insignes cultores da ciência sagrada a buscarem refúgio no exterior, pois eles reconstituíram em Paris e Nova York dois centros de teologia ortodoxa dotados de uma prodigiosa vitalidade. Podemos dividir a história contemporânea da teologia ortodoxa em três partes: russa, grega e da Diáspora. Vamos examiná-las uma por uma, começando pela russa. 1. O renascimento russo No início do século XIX, o epicentro da teologia ortodoxa desloca-se de Kiev para Moscou. A faculdade de teologia da capital começa a ascender durante o patriarcado de Filarete Drozdov (+ 1867). As principais causas do renascimento foram duas: um maior contato com as fontes bíblicas e patrísticas (em 1812, foi fundada a Sociedade Bíblica Russa) e a introdução da língua russa em lugar do latim. Com o desaparecimento do latim, decai também a influência escolástica. Os maiores artífices da renovação antes da Revolução Russa foram quatro: o metropolita Macário, Khomiakov, Svetlov e Soloviev. O metropolita Macário (o seu nome de nascimento era Mikhail Petrovic Bulgakov) é o autor de uma famosa História da Igreja Russa em doze volumes e de uma Teologia Dogmática Ortodoxa, sendo que esta última chegou a ser premiada pela Academia de Ciências de Moscou. Ela é considerada por N. Glubokovski, um historiador da teologia russa, como "uma grandiosa tentativa de classificação científica do material teológico acumulado no passado" 9. A obra foi adotada não só como manual para a formação de padres ortodoxos na Rússia, mas também como critério de ortodoxia. Com efeito, as posições de Macário correspondiam exatamente às do Santo Sínodo de Moscou no rígido conservadorismo, na interpretação literal da Escritura, no tom apologético e numa forte intolerância para com as outras confissões. Por esse motivo, além da escassa originalidade da obra, os teólogos russos deste século julgam-na bem menos favoravelmente do que seus colegas do século passado 10. Enquanto o metropolita Macário é o expoente máximo da teologia "oficial", Alexis Khomiakov (+ 1860) é o teólogo mais representativo do movimento eslavófilo. Esse movimento nasceu como reação contra a ocidentalização da intelectualidade. Para combater esta ocidentalização os "eslavófilos" recorriam ao velho mito do messianismo russo e ao pan-eslavismo religioso, rujas raízes haviam penetrado na consciência nacional desde os tempos dos grandes tzares do século XVI. Teórico e teólogo do "eslavofilismo", Khomiakov afirma que a antropologia, a sociologia e a teologia orientais estão separadas do "racionalismo cristão" do Ocidente por uma oposição radical. Contra o caráter jurídico dos latinos, exalta a Sobornost' eslava. A nova eclesiologia de que ele é fundador baseia-se toda na idéia da comunidade unânime de todos os fiéis, isto é, a Sobornost'. Em sua opinião, é nela que residem a unidade e a infalibilidade da Igreja. Conseqüentemente, não pode haver nenhuma diferença essencial entre Igreja docente e Igreja discente, entre hierarquia e povo: toda decisão da hierarquia, para tornar-se autorizada e infalível, deve ser aceita por todo o povo. Assim, segundo Khomiakov, viria a realizar-se na Igreja Ortodoxa aquela perfeita harmonia entre liberdade e união que não seria possível no catolicismo nem no protestantismo; no primeiro, porque WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 66

a união suprime a liberdade; no segundo, porque a liberdade suprime a união. No século passado, essas teorias de Khomiakov foram duramente criticadas e condenadas pela hierarquia ortodoxa e seu autor foi asperamente censurado. A publicação de suas obras só foi autorizada vinte anos depois de sua morte. Hoje, porém, a teologia de Khomiakov é muito difundida entre os teólogos ortodoxos. Pavel I. Svetlov (+ 1942) foi quem mais contribuiu para consolidar e difundir as doutrinas de Khomiakov. Suas obras mais importantes são: A Doutrina Cristã Apresentada em Forma Apologética e A Idéia do Reino de Deus no seu Significado Relativo à Concepção Cristã do Mundo. Ele assume uma posição conciliatória nos pontos controversos entre ortodoxos e latinos, como por exemplo na questão da processão do Espírito, em que ele não encontra nenhuma diferença substancial entre as doutrinas grega e latina, e na questão da Imaculada Conceição. Svetlov critica particularmente os teólogos ortodoxos que consideram que as confissões não-ortodoxas não pertencem à Igreja de Cristo. Contra essa tese, afirma que "as Igrejas Oriental e Ocidental não são dois corpos completamente separados um do outro e mutuamente estranhos, mas simplesmente partes do único e verdadeiro Corpo de Cristo: a Igreja universal; ambas as comunidades cristãs estão da mesma forma unidas a Cristo através da sucessão apostólica, da verdadeira fé e dos sacramentos. Portanto, em conseqüência da aparente divisão, a Igreja universal parece subsistir em dois corpos, enquanto que de fato é uma só. O obstáculo à sua reunião é constituído pela idéia errada, profundamente radicada em ambas as partes da cristandade, de que depois da divisão só uma parte se identifique com o todo, com a Igreja universal... As diferenças entre as duas Igrejas não são de substância, mas foram aumentadas pela inimizade e pela polêmica; freqüentemente, são apenas aparentes" 11. Soloviev (+ 1900), além de grande filósofo, foi um dos mais válidos representantes do renascimento teológico ortodoxo. Sua obra mais importante são as Lições sobre a Divino-humanidade, um profundo ensaio cristológico no qual a Encarnação é concebida como um evento que tem lugar no próprio coração do ser, sendo o seu evento interior, e depois, por extensão, se amplia a tudo o que é humano, colocando a história sob o signo da "cristificação" universal. De tal modo, o Cristo-DeusHomem se cumpre no Cristo-Deus-Humanidade. Em harmonia com esse "teandrismo", Soloviev elaborou uma "sofiologia" que, através das malhas do idealismo alemão e de um misticismo por vezes equívoco, tenta reler as afirmações da Bíblia e de Orígenes sobre a Sabedoria, que ele vê sair da Trindade para criar o mundo, divinizá-lo e reintegrá-lo em sua fonte. Florensky e Bulgakov retomariam depois por sua conta os elementos essenciais dessa teoria, esforçando-se por libertá-la dos seus elementos cabalísticos e gnósticos. 2. Teologia ortodoxa da segunda diáspora A Revolução Bolchevique eclodiu no momento em que a teologia russa estava para atingir o ápice, por obra de Bulgakov, Florovsky, Lossky, Berdiaev, Zernov e outros. O triunfo do comunismo obrigou todos esses jovens a abandonarem a Rússia, passando a residir em nações ocidentais, na Tchecoslováquia, França, Inglaterra e Estados Unidos. Mas sua dispersão não marcou o fim da teologia ortodoxa russa. Superando enormes dificuldades, eles se reorganizaram e, em Paris e Nova York, fundaram dois centros de estudos teológicos, o Instituto de São Sérgio e o Seminário de São Vladimir, que não tardaram a conquistar fama internacional. Ao instituto de Paris ligaram seus nomes Bulgakov, Lossky, Afanassieff, Florensky e Evdokimov. Ao seminário de Nova York emprestaram o prestígio de sua obra Florovsky, Schmemann e Meyendorff. Berdiaev e Zernov, porém, permaneceram isolados, desenvolvendo suas atividades fora daquelas instituições. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 67

Mais adiante, em três capítulos diferentes, trataremos amplamente dos três expoentes máximos da teologia russa da Diáspora, Lossky, Bulgakov e Florovsky. Aqui, nos limitaremos a examinar brevemente as outras duas maiores figuras, Berdiaev e Zernov. Nikolai Berdiaev (+ 1948) é o mais célebre dos convertidos russos deste século: passou do positivismo e do ateísmo da intelectualidade à fé ortodoxa dos seus pais. Com sua forte personalidade e com suas obras originais, contribuiu mais do que qualquer outro para o conhecimento do pensamento religioso russo além das fronteiras de sua pátria e em ambientes habitualmente fechados à religião. Durante o exílio, tomou parte ativa na vida da Igreja Ortodoxa. Participou também das conferências do Movimento Ecumênico, mas fazendo questão de frisar que não era representante oficial de sua Igreja, porque queria conservar o direito de julgar e criticar a ação dos seus chefes desde o ponto de vista de um pensador independente. Quanto ao seu pensamento, uma das características que o distinguem é a desconfiança em relação à razão, tanto em filo como em teologia. Segundo Berdiaev, a razão despreza o aspecto misterioso da vida e do universo. "O mistério", afirma ele, "permanece sempre, sendo inclusive acentuado pelo conhecimento. Este, com efeito, só resolve os falsos mistérios, criados pela ignorância. Mas existem outros mistérios que se nos apresentam quando alcançamos o fundo do conhecimento. Deus é um mistério e o conhecimento de Deus é comunicado no mistério (teologia" apofática" ). A teologia racional é uma falsa teologia, porque nega os mistérios que envolvem Deus" 12. Nikolai Zernov (nascido em 1898) deixou a Rússia logo depois da Revolução. Inicialmente, se estabeleceu na Iugoslávia, onde foi laureado em teologia em 1925. Depois passou para a Universidade de Oxford, onde, depois de se ter doutorado em filo, foi nomeado professor de cultura ortodoxa em 1947. Escreveu muitas obras de caráter histórico e eclesiológico, com as quais contribuiu bastante para o conhecimento da teologia russa no mundo anglo-saxão. Entre as suas obras em inglês, podemos recordar: The Church of the Eastern Christians (Londres, 1942); The Russians and their Church (idem, 1945); The Reintegration of lhe Church (idem, 1952) e Easterns Christendom (idem, 1962). 3. O renascimento grego O ponto de partida do renascimento da teologia ortodoxa na Grécia foi a fundação da Universidade de Atenas, poucos anos depois da expulsão dos turcos. A Faculdade de Teologia ocupava o lugar de honra entre as quatro faculdades com que teve início a nova universidade. Num primeiro momento, a principal função da faculdade foi a formação do clero e dos mestres de religião no novo Estado. Em seguida, contudo, passou-se a cuidar sempre mais da pesquisa científica. Essa orientação favoreceu consideravelmente o despertar da ciência teológica. Já no século XIX surgiram alguns autores de valor, como Constantino Kontogonis e Nicola Damalas. Este último é autor de um livro, Princípios Científicos e Eclesiásticos da Teologia Ortodoxa, que ainda hoje goza de grande fama. Mas foi sobretudo neste século que a Grécia produziu uma série respeitável de grandes teólogos. O primeiro de todos foi Christos Antroutsos (+ 1935), do qual Bratsiotis escreveu: "Em minha opinião pessoal e interpretando também a opinião de todos os cientistas imparciais, posso assegurar que nossa escola teológica ainda não viu um teólogo tão capaz e genial e nunca ouviu um mestre tão metódico e atraente como ele" 13. Suas inúmeras obras teológicas e a qualidade de suas monografias, estudos e discursos científicos constituem a demonstração mais eloqüente da fecundidade de seu gênio. No Simbolismo do Ponto de Vista Ortodoxo, uma de suas obras mais originais, através de um penetrante estudo da Sagrada Escritura e dos Padres, ele procura identificar e descrever as diferenças entre as principais Igrejas e precisar o pensamento da Igreja Ortodoxa. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 68

Outros teólogos importantes são Amilcas Alivizatos, Panaghiotis Bratsiotis, Panaghiotis Trembelas, João Karmiris e Nikos Nissiotis. Amilcas Alivizatos, além de teólogo, é também um personagem bem conhecido tanto na Grécia como no resto da Europa. Ocupou numerosos e variados cargos nos governos do seu país. Teve um papel determinante na preparação da Carta Constitucional de 1923. Participou ativamente de muitas assembléias ecumênicas. Suas maiores obras são: A Continuidade Ininterrupta da Igreja Ortodoxa Grega com a Igreja Indivisa (1934); Posição Contemporânea da Teologia Ortodoxa ( 1931 ); O Culto na Igreja Ortodoxa (1952). Quanto ao pensamento, "Alivizatos é o descendente espiritual da tradição patrística liberal dos tempos em que florescia o cristianismo helênico, da Ortodoxia e do espírito ecumênico da Igreja antiga" 14. Panaghiotis Bratsiotis é eminente sobretudo como exegeta. De 1929 a 1960, ocupou a cátedra de Introdução e Interpretação do Antigo Testamento. Suas principais obras são: O Judaísmo Palestino na Palestina (192O); João Batista como Profeta (1921); Estudos sobre os LXX (1926); Introdução ao Antigo Testamento (1937); Comentário a Isaías (1956). Panaghiotis Trembelas, talento multiforme e fecundo não negligenciou nenhum campo do saber teológico, da apologética à teologia fundamental, da exegese à liturgia, da moral à dogmática. Neste último campo, sua principal obra é A Dogmática da Igreja Católica Ortodoxa, em três volumes, publicados entre 1959 e 1961. Nela, o autor se propõe a dar a conhecer o espírito dos Santos Padres; na realidade, entre suas qualidades, a sua dogmática tem a qualidade de ser verdadeiramente patrística. Um mérito de Trembelas foi ter renovado a exposição da teologia dogmática grega, aprofundada de há muito pelos trabalhos de Androutsos, os quais, porém, já se encontravam um pouco ultrapassados. João Karmiris é um teólogo que se formou no Ocidente, nas universidades de Berlirh e Bonn, tendo começado a conquistar fama nos ambientes internacionais com a tradução neo-helênica da Summa Theologiae de são Tomás de Aquino. São bastante numerosas suas publicações no campo históricodogmático. A sua obra-prima é A Tradição Histórica e Simbólica da Igreja Católica Ortodoxa, em dois volumes, publicados respectivamente em 1952 e 1953. Seus estudos "esclareceram a posição da Igreja Ortodoxa diante das várias tentativas dos Reformadores e fortaleceram o zelo e a altivez dos ortodoxos" 15. Nikos A. Nissiotis (nascido em Atenas em 1925) está exercendo considerável influência especialmente nos ambientes ecumênicos. Atualmente, exerce o cargo de diretor do Instituto Ecumênico de Bossey (Suíça). Sua atividade teológica inspira-se constantemente nas exigências de sua função: o estudo dos problemas ecumênicos mais importantes do momento. Durante e depois do Concílio Vaticano II, granjeou apreço por suas penetrantes análises dos documentos conciliares desde o ponto de vista ortodoxo. Sua principal obra intitula-se O Problema da Fé em Kierkegaard e no Existencialismo Moderno. E assim concluímos nossa visão panorâmica da história da teologia oriental. Breve síntese que, no entanto, não nos impediu de constatar como essa história é rica e variada. É bem verdade que ela teve momentos de pausa e declínio, como qualquer outra história, mas também teve longos períodos de grande esplendor, principalmente o período patrístico e neopatrístico e, depois, o período moderno e contemporâneo.

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Neste século, a teologia ortodoxa registrou um reflorescimento semelhante ao das teologias irmãs, a católica e a protestante. Seus Bulgakov, Berdiaev, Florovsky e Lossky não são menores do que os nossos Rahner, Congar, Guardini, de Lubac e Chenu. Esse é um fato bastante prometedor para o futuro da Cristandade. Faz brotar a esperança de que, por meio do diálogo entre os grandes teólogos e mediante o confronto de suas posições, as Igrejas Católica, Protestante e Ortodoxa possam reencontrar a unidade na fé.

Notas: * Capítulo 10 da Obra "Os Grandes Teólogos do Século Vinte" - Vol. 2 - Os Teólogos protestantes e ortodoxos 1. M. JUGIE, Theologia Dogmatica Christianorum Orientalium ab Ecclesia Cathotica Dissidentium, Paris, 1926-1935, v. 11, p. 18, nota. 2. P. EVDOKIMOV, L'Ortodossia, Bolonha, 1965, p. 17. 3. Ibid., p. 31. 4. Ibid., p. 19. 5 V. MALANCZUK, "Byzantine Theology, I (to 1500)" em New Catholic Encyclopedia, v. lI, p. 1019. 6 V. LoSSKY, La Teologia Mistica delta Chiesa d'Oriente, Bolonha, 1967, p. 385. 7 G. Florovsky julgou muito severamente a orientação da escola de Kiev, acusando-a de "compromisso", de "cripto-catolicismo romano", de "barroquismo teológico". Cf. FLORcOVSKY, "Westliche Einflüsse in der Russischen Theologie" em Proces-Vetbaux du ler Congres de Théologie Orthodoxe à Athenes, 29 nov.-6 dez. 1936, Atenas, 1939, pp. 214-215; Puti Russkovo Bogoslovi;a (em russo), Paris, 1937, pp. 4ss. 8 Citação de J. CHRYSOSTOMUS, "Die Tbeologie der Russisch-orthodoxen Kirche em Vorabend der Revolution von 1917" em Una Sanefa, 1968, p. 100. 9 N. GLUBOKOVSKI, Russische Theologische Wissenschaft in lhrer Geschichtlichen Entwicklung uni lhren Heutigen Zustand, Varsóvia, 1928, p. 4. 10 G. FLOROVSKY mostra-se severo em relação a Macário na obra Os Caminhos da teologia Russa (em ruSSO). Cf. pp. 222ss. 9 . Os grandes teólogos... . Vol. 2 11 Citação em J. CHRYSOSTOMUS, O.c., pp. 105-106. 12 N. BERDIAEV, Autocoscienza, Esperimento di Autobiografia Filosofica, Paris, 1949, p. 99. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 70

13 Citado por P. DUMONT, "La Teologia Greca Odierna" em Oriente Cristiano, 1966, n. I, pp. 3637. 14 G. KONIDARIS, citado por P. DUMONT, "La Teologia Greca Odierna" em Oriente Cristiano, 1967, n. 4, p. 20. 15. Idem, ibidem, n. 4, p. 53. Obs.: Caixa alta para os nomes dos teólogos, do editor. 1 - INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA TEOLOGIA SISTEMÁTICA: 1.1 Definição da Teologia: “Teologia é a ciência de Deus e das relações entre Deus e o universo”. (Strong) “Teologia é o estudo de Deus e de todas as suas obras”. (Gruden) “Teologia não é somente "a ciência de Deus" nem mesmo " a ciência de Deus e do homem". Ela também dá conta das relações entre Deus e o universo”. ( Hodge) ―Uma ciência que segue um esquema ou uma ordem humana de desenvolvimento doutrinário e que tem o propósito de incorporar no seu sistema a verdade a respeito de Deus e o Seu universo a partir de toda e qualquer fonte‖ (Lewis Sperry Chafer). ―Teologia sistemática pode ser definida como a coleção, cientificamente arrumada, comparada, exibida e defendida de todos os fatos de toda e qualquer fonte referentes a Deus e às Suas obras. Ela é temática porque segue uma forma de tese humanamente idealizada, e apresenta e verifica a verdade como verdade‖ (Lewis Sperry Chafer). ―Uma ciência que se preocupa com o infinito e o finito, com Deus e o universo. O material,portanto, queabrange é mais vasto do que qualquer outra ciência. Também é a mais necessária de todas as ciências‖ (W.G. T. Shedd). 2 - A TEOLOGIA SE DIVIDE EM: 2.1 - A teologia Bíblica tem como alvo ordenar e classificar os fatos da revelação limitando-se às Escrituras quanto ao seu material e tratando a doutrina só na medida em que ela se desenvolveu até o fim da era apostólica. 2.2 - A teologia Histórica traça o desenvolvimento das doutrinas bíblicas desde o tempo dos apóstolos até os nossos dias e dá conta dos resultados deste desenvolvimento na vida da Igreja. 2.3 - A teologia Sistemática toma o material fornecido pelas teologias Bíblicas e Históricas e, com esse material, busca edificar um todo orgânico e consistente do nosso conhecimento de Deus e de suas Vejamos outras definições do que vem a ser a Teologia Sistemática: 2.4 - Teologia Natural: Estuda fatos que se referem a Deus e Seu universo que se encontra revelado na natureza. 2.5 - Teologia Exegética: Estuda o Texto Sagrado e assuntos relacionados, através do estudo das línguas originais, da arqueologia bíblica, da hermenêutica bíblica e da teologia bíblica. 2.6 - Teologia Dogmática: É a sistematização e defesa das doutrinas expressas nos símbolos da igreja. Assim temos "Dogmática Cristã", por H. Martensen, com uma exposição e defesa da doutrina luterana; "Teologia Dogmática", por Wm. G. T. Shedd, como uma exposição da Confissão de Westminster e de outros símbolos presbiterianos; e "Teologia Sistemática", por Louis Berkhof, como uma exposição da teologia reformada. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 71

Teologia Prática: Trata da aplicação da verdade aos corações dos homens. Ela busca aplicar à vida prática os ensinamentos das outras teologias, para edificação, educação, e aprimoramento do serviço dos homens. Ela abrange os cursos de homilética, administração da igreja, liturgia, educação cristã e missões. 3 – FONTES DA TEOLOGIA SISTEMÁTICA: No seu intuito de sistematizar os ensinamentos a respeito de Deus, a Teologia Sistemática se vale, como já vimos das mais variadas fontes. As principais são as seguintes: 1. - Revelação de Deus de ordem geral (para todos os homens de uma forma geral); 2. - Revelação de Deus de ordem particular (quando Deus se revela de forma individual, como foi o caso de Moisés); 3. - Revelação através da Bíblia; 4. - Revelação através da Pessoa de Cristo. 3.1 – AS COSMOVISÕES: A TEOLOGIA E A FORMA DE ENXERGAR O MUNDO: 3.2 – A TEOLOGIA E A FORMA DE ENXERGAR A BÍBLIA: 4 – ASSUNTOS QUE SERÃO ABORDADOS EM TEOLOGIA SISTEMÁTICA: 4.1 – A DOUTRINA DE DEUS ? Existência ? Cognoscibilidade ? Ser de atributos ? Nomes ? Atributos em geral ? Atributos incomunicáveis ? Atributos comunicáveis ? Trindade santa ? As obras de Deus: -Decretos -Predestinação -Criação em geral -Criação do mundo espiritual -Criação do mundo material -Providência 4.2 – ANTROPOLOGIA ? O Homem em seu estado original: -A origem do Homem -A natureza do Homem -O Homem como a imagem de Deus -O Homem na aliança das obras ? O Homem no estado de pecado: -A origem do pecado -Caráter essencial do primeiro pecado -A transmissão do pecado -O pecado na vida da raça humana -A punição do pecado ? O Homem na aliança da graça: -Nome e conceito -A aliança da redenção -Natureza da aliança da graça WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 72

-O aspecto duplo da aliança -Diferentes dispensações da aliança 4.3 – CRISTOLOGIA ? A doutrina de Cristo na história ? Nomes e naturezas de Cristo ? A uni personalidade de Cristo ? Os estados de Cristo -Humilhação -Exaltação ? Os ofícios de Cristo -Profético -Sacerdotal -Expiatório -Intercessório -Real 4.4 – SOTERIOLOGIA ? Soteriologia ? Operações do Espírito ? Graça comum ? União mística ? Vocação geral e externa ? Regeneração e vocação eficaz ? Conversão ? Fé ? Justificação ? Santificação ? Perseverança 4.5 – ECLESIOLOGIA ? Doutrina da Igreja na história ? Natureza da Igreja ? Governo da Igreja ? O poder da Igreja ? Os meios de graça -Geral -Palavra -Sacramentos -Batismo -Ceia 4.6 – ESCATOLOGIA ? Escatologia individual -Morte física -Imortalidade da alma -Estado intermediário ? Escatologia geral -A segunda vinda de Cristo -Correntes milenistas -A ressurreição dos mortos ? Juízo final ? Estado final. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 73

5 – A TEOLOGIA NO PERIODO PATRISTICO: 100 A 451 DC TEÓLOGO CONTRIBUIÇÃO JUSTINO MÁRTIR (C100 – C165 DC) Apologia em defesa da fé cristã frente ao paganismo Teologia do logos spermatikos Relacionou o evangelho a filosofia grega IRINEU DE LION (C130 – C200 DC) Apologia da fé cristã em face do gnosticismo ORÍGENES (C185 –C254 DC) Apologista. Contribuição em duas áreas: Interpretação alegórica e Cristologia (heresia ariana) Apocatastasis (todos serão salvos inclusive sa tanás) TERTULIANO (C160 – C225 DC) Pai da teologia latina. Unidade do VT E NT Bases da doutrina da trindade. Suficiência das Escrituras. ATANÁSIO (C296 – C373 DC) Cristologia – a Encarnação. AGOSTINHO DE HIPONA (C354 – C430 DC) TEologiacomo disciplina acadêmcia Pai da fé cristã depois de Paulo. Sintese da fé cristã: a cidade de Deus. Doutrinas: da Igreja; dos sacramentos; da graça PROGRESSOS CRUCIAIS DA TEOLOGIA Ampliação do Canon do NT Processo de fixação do Canon. O papel da tradição Significava uma interpretação tradicional das Escrituras. Refletindo-se nos credos. A relação da teologia cristã com a cultura secular. A filosofia e a cultura do mundo antigo poderiam ser apropriadas pelos cristãos, naquilo em que fossem corretas, e assim, poderiam servir à causa da fé cristã. Definição dos credos ecumênicos Credo apostólico, Credo Niceno. Reafirmar as duas naturezas de Cristo, trindade, Igreja, graça. 6 – A TEOLOGIA NA IDADE MÉDIA – O RENASCIMENTO: ( C1050 – C1500 DC) TEÓLOGO CONTRIBUIÇÃO ANSELMO DE CANTUÁRIA (C1033 -1109 DC) Provas da existência de Deus – argumento ontológico. A interpretação racional da morte de Cristo na cruz TOMÁS DE AQUINO (C1225- 1274 DC) Fundamentos da teologia cristã Argumentos em favor da existência de Deus. Base teológica para o conhecimento de Deus através da criação. A relação entre fé e razão. ERASMO DE ROTERDÃ (C1469 – 1536 DC) Escritor humanista do renascimento. Produção do primeiro texto impresso do NT Bases da Reforma: Manual do soldado cristão. Para leigos. PROGRESSOS CRUCIAIS DA TEOLOGIA Exploração da razão na teologia Escolástica Desenvolvimento de uma teologia dos sacramentos Amparar os atos litúrgicos em bases intelectuais sólidas. Desenvolvimento da teologia da graça Consolidam a doutrina da graça através de aprofundamento nos estudos. O papel de Maria no plano de salvação Co- redentora? Polêmica entre os maculistas e os imaculistas. Retorno as fontes da teologia cristã Humanismo – retorno ao Novo Testamento. 7 – A TEOLOGIA DA REFORMA E DA PÓS-REFORMA (C1500 – C1750 DC) WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 74

TEÓLOGO CONTRIBUIÇÃO LUTERO Resgate da Palavra ao invés dos dogmas CALVINO O teólogo da Reforma – AS institutas. Teologia sistemática PROGRESSOS CRUCIAIS DA TEOLOGIA Fontes da teologia Palavra ao invés da tradição. Doutrina da graça de Deus Predestinação e justificação Sacramentos Cristo não está corporalmente presente. Igreja Povo de Deus a serviço de Deus. Somos todos sacerdotes. As obras de teologia sistemática As institutas Movimentos pós reforma Catolicismo –Pietismo - Puritanismo 8 – A TEOLOGIA MODERNA(C1750 DC ATÉ OS DIAS ATUAIS) A Interpretação Bíblica: DESLOCAMENTO DO SENTIDO AUTOR TEXTO LEITOR REFORMA E ORTODOXIA PROTESTANTE Busca da intenção do AUTOR. MODERNIDADE Busca da intenção do TEXTO. PÓSMODERNIDADE Foco na intenção do LEITOR. 8.1 A Interpretação das Escrituras na Modernidade: Impacto do Iluminismo na Interpretação da Bíblia ? Rejeição dos Relatos Miraculosos Os relatos bíblicos envolvendo a atuação miraculosa de Deus como a criação do mundo, os milagres de Moisés, etc, passaram a ser desacreditados e frequentemente explicado como naturais. Já que milagres não existem, segue-se que foram fabricações do povo de Israel e depois da Igreja, que atribuem a eventos sobrenaturais coisas que nunca aconteceram historicamente. O racionalista Heinrich Puniu a importância dos milagres de Cristo, argumentando: ―A coisa verdadeiramente miraculosa a respeito de Jesus é ai pureza e santidade serena de seu caráter, o qual é genuinamente adaptado para ser imitado pela humanidade.‖ ? Distinção entre Fé e História Os relatos na Bíblia passaram a ser vistos como criação da fé da Igreja primitiva e não como fatos históricos. Os críticos negam inclusive a ressurreição de Jesus, pilar central da fé cristã. ? Erros nas Escrituras A reação contra o dogmatismo que, segundo os racionalistas, havia prevalecido no período do escolasticismo da pós- Reforma, se fez sentir especialmente na área da interpretação das Escrituras. Estudiosos racionalistas começaram a insistir que o "dogma" da inspiração divina da Bíblia deveria ser deixado fora da exegese, para que a mesma pudesse ser feita de forma "neutra". Eram contra qualquer dogma em geral como pressuposto de leitura da Bíblia, pois entendiam que todas as convicções de caráter teológico tendem a viciar os resultados da pesquisa bíblica. Eram especialmente contrários à doutrina da inspiração pois a mesma impedia que a Bíblia recebesse tratamento crítico, como um livro humano. Para se interpretar corretamente a Bíblia, seria necessária uma abordagem "não religiosa", desprovida de conceitos do tipo "Deus se revela", ou "a Bíblia é a revelação infalível de Deus" ou ainda, "a Bíblia não pode errar". Gradativamente, o conceito que a Bíblia é a infalível Palavra de Deus foi sendo abandonado. Os próprios críticos "cristãos" começaram a vê-la como um livro cheio de erros e contradições. Em um dos Wolfenbüttel Fragment, Reimarus afirma: WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 75

Nenhum milagre pode provar que dois mais dois fazem cinco, ou que um círculo tem quatro cantos. E milagres, por mais numerosos que sejam, poderão remover a contradição que jaz na superfície e registros do Cristianismo. ? Mito. O conceito de "mito" começa a ser aplicado aos relatos miraculosos do Antigo e Novo Testamentos. Mito era a maneira pela qual a raça humana, em tempos primitivos, articulava aquilo que não conseguia compreender. Segundo os intérpretes críticos, as fontes que os autores bíblicos usaram estavam revestidas de mitos. Surge o termo "alta crítica" para se referir à essa tarefa de "criticar" o relato bíblico e "limpá-lo" dos acréscimos mitológicos. Outros estudiosos preferiram usar o termo "saga" para se referir às lendas criadas por Israel sobre suas origens e pela Igreja apostólica sobre Jesus. Um dos pioneiros em explicar os Evangelhos consistentemente como sendo mitológicos foi David Strauss. Para ele, nenhum Evangelho foi escrito por uma testemunha ocular. Portanto, são misturas de História e mito ? Separação dos Dois Testamentos Houve ainda uma reação dos estudiosos críticos contra a interpretação do Antigo Testamento feita do ponto de vista do Novo, que era a interpretação cristológica defendida e desenvolvida pelos Reformadores. Argumentavam que não se podia usar o Cristianismo como pressuposto para entendimento dos escritos do Antigo Testamento, o qual deveria ser lido como um livro judaico. Os críticos insistiam na separação dos Testamentos para que o Antigo pudesse ser lido sem a interferência do Novo e para que o Novo fosse lido sem a interferência das doutrinas e dogmas da Igreja. Disseram que só assim poderiam fazer justiça aos autores bíblicos. 8.2 - A Chegada da Pós-modernidade na Interpretação Bíblica ? A Pluralidade da Verdade O pensamento pós-moderno rejeita o conceito da modernidade de que existam verdades absolutas e fixas. Toda verdade é relativa e depende do contexto social e cultural onde as pessoas vivem. Isso inclui verdades religiosas. ? A Morte da Razão Os pós-modernistas rejeitam o ideal do pensamento moderno de que a verdade pode ser alcançada através da análise racional. Consideram que o esforço do Iluminismo de encontrar a verdade, com base na razão falhou completamente. A pós-modernidade abandonou a busca de verdades absolutas e fixas, que caracterizam o período anterior, rejeitando igualmente o conceito de dogmas e doutrinas. ? O Abandono da Neutralidade Os pós-modernos chegaram à conclusão de que não é possível pesquisa ou análise totalmente neutras, isentas de neutralidade. Esse ideal era apenas mais uma ilusão do homem moderno, O homem analisa as coisas de acordo com o que pensa e o que crê. Não existe qualquer possibilidade de se fazer uma pesquisa analítica de forma absolutamente isenta. O cientista, de qualquer área de pesquisa, traz para sua análise o conjunto de dados de suas experiências e seu mundo, e tais coisas acabam por influenciar todo seu trabalho. ? A Defesa do Inclusivismo O pós-modernismo busca uma sociedade pluralista, onde haja convivência amigável entre visões diferentes e opostas. Isso é pluralismo inclusivista. Espera-se que as opiniões cedam umas as outras, particularmente aos pontos-de-vista marginalizados que foram calados por gerações pelas vozes dominantes da sociedade. É o caso do ponto-de-vista feminista, dos homossexuais, das minorias| das culturas desprezadas. Isso abriu o campo para as hermenêuticas das minorias, como a hermenêutica feminista, a hermenêutica da raça negra e a hermenêutica homossexual. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 76

? O Conceito do "Politicamente Correio" Nessa sociedade pluralista e inclusivista, a opinião e as convicções têm de ser respeitadas — algo com que o cristão bíblico, a principio concordaria. Mas, para os pluralistas, a razão para esse "respeiteto' é que a opinião de um é tão verdadeira quanto a opinião do outro. 8.3 – A interpretação bíblica na ortodoxia protestante: Não se pode interpretar o significado de um texto com certa precisão sem as análises históricocultural e contextual. Os dois exemplos abaixo mostram a importância dessa análise: PC3: Provérbios 22:28 ordena: "Não removas os marcos antigos que puseram teus pais." O que Significa este versículo: a. Não efetuar mudanças na forma como sempre fizemos as coisas. b. Não furtar, c. Não remover os marcos que orientam os viajantes de cidade para cidade. d. Nenhum dos casos acima, e. Todos eles. PC4: Hebreus 4:12 afirma: "A palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração." Este versículo: a. Ensina que o homem é tricotômico, visto que fala de uma divisão de alma e espírito? b. Ensina que a verdade contida na Palavra de Deus é dinâmica e transformadora, em vez de morta e estática? c. Faz uma advertência aos crentes professos? d. Incentiva os cristãos a usar a Palavra de Deus de maneira agressiva em seu testemunho e aconselhamento? e. Nenhum dos casos acima? A resposta ao PC3 é (b). Se a sua resposta foi (a) ou (c) é provável que você tenha chegado ao texto subconscientemente indagando: "Que significa este texto para mim?" A pergunta importante, porém, é: "Que é que este texto significava para o seu autor e para o seu primeiro auditório?" Neste caso o marco refere-se ao poste que indicava o fim da propriedade de certa pessoa e o começo da do seu vizinho. Sem as modernas técnicas de agrimensura, era uma coisa relativamente fácil aumentar a área da gleba mudando os marcos. A proibição é dirigida contra um tipo específico de furto. O objetivo desses exercício» é demonstrar que se não tivermos conhecimento do ambiento cultural da formação do escritor, fornecidos pelas análises histórico-cultural, teremos problema na interpretação correta das Escrituras. 8.4 – Como analisar e interpretar de forma correta as Escrituras: 1. Analise histórico-cultural Que considera o ambiente histórico--cultural do autor, a fim de entender suas alusões, referências e propósito. A análise contextuai considera a relação de uma passagem com o corpo todo do escrito de um autor, para melhores resultados da compreensão provenientes de um conhecimento do pensamento geral. 2. A análise léxico-sintática Revela a compreensão das definições de palavras (lexicologia) e sua relação umas com as outras (sintaxe) a fim de se compreender com maior exatidão o significado que o autor tencionava transmitir. 3. A análise teológica Estuda o nível de compreensão teológica na época da revelação a fim de averiguar o significado do texto para seus primitivos destinatários. Assim sendo, ela leva em conta textos bíblicos relacionados, quer dados antes, quer depois da passagem em estudo. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 77

4. A análise literária Identifica a forma ou método literário usado em determinada passagem com vistas às várias formas como história, narrativa, cartas, exposição doutrinal, poesia e apocalipse. Cada uma tem seus métodos únicos de expressão e interpretação. 5. A comparação com outros intérpretes Coteja a tentativa de interpretação derivada dos quatro passos acima com o trabalho de outros intérpretes. 6. A aplicação É o importante passo que traduz o significado de um texto bíblico para seus primeiros ouvintes com o mesmo significado que ele tem para os crentes em época e cultura diferentes. Em alguns casos a transmissão se realiza com razoável facilidade; em outros, como as ordens bíblicas, obviamente influenciadas por fatores culturais (e.g., saudar com ósculo santo), a tradução através de culturas se torna mais complexa. Neste processo de seis passos, os de um a três pertencem à hermenêutica geral. O quarto passo constitui hermenêutica especial. O sexto — transmissão e aplicação da mensagem bíblica de determinada época e cultura a outra — geralmente não é considerado parte integrante da hermenêutica per se, mas está incluído no texto por causa de sua óbvia aplicação ao crente do século XX, tão distanciado, no tempo e na cultura, dos primeiros destinatários da mensagem. 8.5 PRINCIPAIS TEÓLOGOS DA MODERNIDADE E PÓS-MODERNIDADE. Teologia Dialética – Karl Barth Teologia Existencial – Rudolf Bultmann Teologia Hermeneutica – Schleiermacher Teologia da Cultura – Paul Tillich Teologia e Modernidade – Dietrich Bonhoeffer Teologia da Secularização – Friedrich Gogarten Teologia Católica – Chardin Teologia da História – Oscar Cullmann Teologia da Esperança - Teologia Política Teologia Política Teologia da Libertação Teologia e Experiência Teologia Negra Teologia Feminista Teologia do Terceiro Mundo Teologia Ecumênica BIBLIOGRAFIA A TEOLOGIA DO SECULO XX DE ROSINO GIBELLINI EDITORA VOZES OS GRANDES TEÓLOGOS DO SECULO VINTE DE BATTISTA MONDIN EDITORA TEOLOGICA RAIZES DA TEOLOGIA CONTEMPORANEA DE HERMINSTEN MAIA PEREIRA DA COSTA EDITORA CULTURA CRISTÃ TEOLOGIA SISTEMÁTICA DE GRUDEM EDITORA VIDA NOVA A TEOLOGIA DO SECULO VINTE DE STANLEY GRENZ E ROGER OLSON EDITORA TEOLOGICA TEOLOGIA MODERNA DE SCHLEIRMACHER A BULTMANN DE MACKINTOSH EDITORA NOVO SECULO WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 78

TEOLOGIA SISTEMATICA HISTORICA E FILOSOFICA UMA INTRODUCAO A TEOLOGIA CRISTA DE ALISTER MCGRATH EDITORA SHEDD TEOLOGIA SISTEMÁTICA DE LOUIS BERKHOF EDITORA CULTURA CRISTÃ Introdução Todo saber tem seu mistério. E no mistério deve-se ser iniciado. O saber teológico vê-se envolvido, mais que qualquer outro, por véu misterioso, por tratar-se, em última análise, de conhecimento a respeito do mistério dos mistérios: Deus. ―Tira as sandálias de teus rés, porque este lugar em que estás é uma terra santa‖ (Ex 3,5) soa aos ouvidos de quem pensa aproximar-se do estudo da teologia. Só nessa atitude de reverência religiosa consegue-se penetrar o mundo da teologia. Nisso ela difere grandemente das outras ciências. O halo sagrado envolve-a, e, se ele se desfaz, termina-se por praticar teologia secularizada. E esta, por sua vez, acaba passando atestado de óbito si mesma. O estudo da teologia hoje navega por mares bravios, mas fascinantes. Talvez pudesse ter sido mais fácil estudar teologia em outras épocas, em que a nau da Igreja quase parara nas calmarias da cristandade ou neocristandade. Depois que os ventos da modernidade e pós modernidade açoitam o pensamento religioso, ora ferindo-o em sua raiz, ora espalhando suas sementes por todas as partes, a teologia, ao mesmo tempo, viu-se postergada à condição de produto supérfluo da sociedade industrial burguesa e sumamente desejada por novo mercado religioso. Em relação aos espaços do descaso, a teologia necessita renovar, vestir-se com roupas novas para tornar-se atraente e cobiçada. A teologia pode, às vezes, parecer vestida com paramentos religiosos antigos e produzir mais riso que interesse. Trajar a roupa do momento histórico sem trair sua vocação de fidelidade à tradição persiste desafiante. O aluno de teologia é chamado, desde o início, a esta tarefa exigente e ingente no sentido de continuamente refazer esquemas mentais e linguagens defasadas para falar com maior contemporaneidade a si próprio e a seus coetâneos. Labor que acontecerá no interior de cada um, mas lhe extravasará do coração em novos temas e linguagem. Não menor desafio lhe vem de outros arrabaldes. Estes, sim, frequentados pelos sedentos de teologia. O despertar da consciência do leigo na Igreja, a reação às pretensões secularistas das ciências e da tecnologia, a sede provocada pela sequidão do anonimato urbano arregimentam sempre maiores curiosos e amadores da teologia. Esse novo marketing pode tentar o teólogo a embrulhar — com rapidez suspeita, mas compensada por embalagem atraente produtos teológicos de pouco valor. A pressa é inimiga da perfeição. Estudar teologia significa dois momentos antagônicos, cujo equilíbrio dinâmico instável deve submeter-se a contínua avaliação. Ora o estudante deve estai envolvido até o âmago do coração com a realidade angustiante e questionadora dos irmãos, captando-lhes as perguntas, as interrogações, as dúvidas, as incompreensões. Ora necessita do recôndito silencioso de seu quarto para ruminar o lido nos livros, ouvido nas aulas, rezado nas orações. Assim a teologia descerá às profundidades de sua vida, para daí sair em gestos e palavras, em símbolos e ritos, em falas e escritos, em direção àqueles com os quais vive a aventura da existência ameaçada. Destarte, ora enfrentando os ambientes hostis ou indiferentes, ora visitando os espaços religiosos desejosos de teologia, o estudante equilibra-se entre o desânimo preguiçoso em face do descrédito e o afago fácil de situações gratificantes. A tenacidade, a seriedade, a constância silenciosa do estudo, de um lado, e a inserção consciente, a presença participada junto às pessoas, de outro, tornam-se exigência incontornável de um estudo de teologia nos dias de hoje. Dessa feliz conjugação pode-se esperar a nova feição da teologia. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 79

Que é fazer teologia hoje? ―Sugeriram-me, entre outros, o tema ‗Como estudar teologia hoje?‘ É este tema que gostaria de tomar, mudando-o um pouco. Não diria ‗Como estudar teologia hoje?‘, mas ‗Como fazer teologia?‘ Para mim, a diferença é muito importante. Quando se diz ‗estudar ou aprender teologia‘, está-se, de certo modo, considerando que a teologia é uma coisa fixa, morta; uma coisa que se pode pegar, que se pode conhecer, que se pode adquirir como se adquire um quadro ou uma fortuna. E dizer que a teologia é um saber, que se pode, simplesmente, transmitir. Ora, teologia não é isto! A teologia é uma coisa viva; uma coisa que escapa, que se movimenta, que avança. Tempos atrás, quando eu era estudante como vocês, ‗estudando teologia‘, muitos professores me ‗ensinaram teologia‘, isto é, expuseram-me soluções completas. Deram-me respostas a questões que eu não levantava. E muito importante compreender que teologia não é isto. É mais ou menos como o catecismo. Não sei se no Brasil o catecismo é como na Europa: são apenas perguntas e respostas. ‗Quantas pessoas há em Deus? 1-há três pessoas em Deus‘. Isto não é uma pergunta! A pergunta não é verdadeira. A pergunta está aí unicamente para obter a resposta. Dão-se respostas, mas não se levantam verdadeiras perguntas. E isto não é fazer teologia. Por outro lado, antigamente, muitas vezes se estudava teologia porque estava no programa. Se alguém quer ser padre, tem de fazer filosofia, tem de fazer teologia. Isto não empolga a todos. E para os professores todo saber está situado. Ensina-lo fora do contexto aliena. CONTEXTO ATUAL SINAIS DE ESPERANÇA PARA A TEOLOGIA Todo saber está situado. Ensiná-lo fora de contexto aliena. Na era da teologia de e para leigos H. C. de Lima Vaz anunciara profeticamente a virada de nossa Igreja latino-americana da condição de Igreja-reflexo para Igreja-fonte. Esse fenômeno assume as formas mais diversas, O campo da teologia não ficou alheio. Toda Igreja, em momento de vigor, expande-se em produções teológicas. A teologia estabelece relação de vida com os leitores. Estes a exigem, a consomem, mas também a provocam, a criticam, a condicionam. E, por sua vez, a teologia se revitaliza, se enriquece. A nova onda teológica manifesta-se em um fato estatístico e um fato qualitativo. O dado estatístico significativo verifica-se no aumento de leigos e leigas que estudam teologia, quer em instituições acadêmicas com titulo oficial, quer em cursos de extensão teológica dos mais diversos níveis. Multiplicam-se os cursos de teologia para leigos nas dioceses, regiões e até mesmo paróquias, com boa frequência e assiduidade por parte dos participantes. As estatísticas revelam estar esse fenômeno em crescimento, de modo que se pode prever realisticamente o crescimento do número de leigos a estudar teologia. Sob o aspecto qualitativo, o fenômeno acusa significativo deslocamento do interesse pela teologia. Está a aparecer mais forte e consistente entre leigos que entre aqueles que a devem estudar em vista do sacerdócio. A teologia transfere-se assim das mãos do clero para estudiosos leigos e leigas. Tal fenômeno pode revelar maioridade intelectual do cristão leigo. Até então dependente das explicações dos teólogos, em sua quase totalidade pertencentes ao clero, ele começa a buscar inteligibilidade mais profunda para sua fé. Os embates do mundo moderno com filosofias alheias ao WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 80

pensar cristão, com valorização excessiva da subjetividade individualista, com afã praxístico, com mentalidade histórica, com pluralismo religioso e de valores, estão a exigir do cristão atitude mais crítica e reflexiva a respeito de sua fé. Esta nova conjuntura desperta-lhe o desejo de estudos teológicos mais profundos que os catecismos aprendidos na infância e adolescência. O cristão sente-se hoje, mais do que nunca, companheiro de muitos homens e mulheres que já não partilham de sua fé. Cabe-lhe dar razão para si e para outros, que o interrogam, de sua crença cristã. A vida veste-se de aventura, tecida de crises, dificuldades e perguntas, que, em determinado nível, esperam da teologia alguma palavra de esclarecimento. A complexidade e dificuldades dos problemas assinalam situações cada vez mais problemáticas para a fé do cristão médio. Sem avançar nos estudos de sua fé, ele se sentirá cada vez menos capaz para dar conta desse novo contexto cultural. No reino do pluralismo A fé bíblica, desde o início, caracterizou-se por sua dimensão histórica. E a história, por sua natureza, rompe com a uniformidade essencial da matriz filosófica da natureza. Destarte, a fé bíblica manifestou-se de maneira pluralista. E a fé cristã na esteira da fé bíblica veterotestamentário herda a dimensão histórica pluralista. O mesmo fato-pessoa Jesus Cristo encontra quatro versões bem diferentes nos evangelistas e a interpretação original de Paulo. Na Patrística e na Idade Média, as diferentes escolas teológicas continuaram a mostrar essa pluralidade da única fé cristã. No entanto, o pluralismo da modernidade, aguçado na pós-modernidade, adquire qualidade nova e diferente. A medida que se tornaram independentes do domínio da cristandade religiosa, as esferas culturais ganharam fôlego e desenvolveram-se consistentemente até mesmo em formas de sistemas autônomos de verdade e de expressões religiosas diferentes. Em outros termos, subjazia ao pluralismo tradicional certa homogeneidade filosófica, que se construíra à base do platonismo e aristotelismo. Doravante, com a irrupção de diferentes matrizes modernas de filosofia e de ciências humanas, a teologia nutrir-se-á dessa diversidade, de modo que o pluralismo lhe atinge a própria estrutura interna do refletir. Não se consegue reduzir as filosofias e Ciências humanas a um denominador comum que permita homogeneidade teológica. Além disso, passa-se de uma Sociedade tradicional para uma sociedade liberal, marcada pela liberdade subjetiva das pessoas também em relação ao mundo dos valores e verdades últimas. Até então a religião católica cumprira a função de norma e integração social de todos os membros da Cristandade Ela oferecia carta de cidadania e referência de valor e ação para todos. Com a irrupção da Sociedade liberal, as diferentes esferas culturais rompem com a religião católica que as tinha coberto com seus ramos. Translada-se para a consciência pessoal a decisão livre no campo religioso Ela se dava até esse momento no interior de uma tradição garantida pela cultura e autoridade religiosa dominante Surge, portanto, o fato de Possíveis decisões pessoais religiosas configurar o novo pluralismo religioso. A modernidade, na expressão de seus maiores representantes humanistas assumiu formas hostis, fustigando a religião católica que fora durante séculos dominantes. Sobrou-lhe pouco ar para vicejar. Ficou plantada unicamente nos jardins eclesiásticos em sinal de defesa e rejeição da modernidade. A reconciliação veio praticamente com o Concílio Vaticano II. A pós modernidade fez-se mais generosa a respeito da religião. Abriu-lhe de modo especial, espaço mais amplo. Com este estímulo, a teologia deixou o horto reservado dos seminários para frequentar alegre as praças da publicidade pós-moderna. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 81

Deste modo, o pluralismo apresenta-se para a teologia cristã como chance e desafio. Chance por permitir-lhe expor seus produtos nos mais diversos mercados. Desafio por esperar dela a capacidade de falar com sentido a interesses, buscas e gostos tão estranhos e diversificados, sem trair sua fidelidade fundamental à revelação. As formas autoritárias de teologia desacreditam-se totalmente nesse mundo do pluralismo. Acostumadas a basear a verdade na autoridade extrínseca do poder, desconhecem o diálogo interno da verdade. Por sua vez, teólogos sensíveis a essa irrupção pluralista alegram-se de poder oferecer a originalidade de seus pensamentos, a provisoriedade de suas reflexões, a despretensão de suas propostas teológicas à espera do retorno do interlocutor e em espírito de diálogo. Uma teologia na cultura pluralista necessariamente faz-se dialógica. Abre-se de dentro para o diálogo e faz-se e refaz-se tantas vezes quantas o diálogo lhe for ensinando esse refazimento. Se tal processo antes resistia séculos, depois décadas, hoje o teólogo considera um ano de literatura teológica tempo suficiente e longo para muitas revisões. Esta agilidade produtiva oferece à teologia chances inauditas de acompanhar o pensamento atual em suas vicissitudes com produções sempre novas e renovadas. O envelhecimento rápido dos produtos teológicos não permite a preguiça hermenêutica de ninguém. Do contrário, o risco de perder a condução da história agiganta e a teologia acaba ocupando logo alguma estante de museu, frequentado por curiosos do passado, mas não por interessados de sua força evangelizadora presente. O pluralismo avançou mais ainda. Já não se reduz a diferentes posições religiosas exteriores à teologia católica. Albergou-se em seu interior. No seio da Igreja, da própria teologia católica, proliferam posições teóricas e pastorais muito diversificadas. O leque amplia-se desde posições extremamente conservadoras até aquelas mais avançadas dentro do quadro ocidental na forma liberal e da libertação. Apesar de reações normais e naturais das instâncias burocráticas da Igreja, o pluralismo interno prossegue e toma-se irreversível. Na esteira do pluralismo, ou, mais exatamente, como seu fator, a teologia assiste ao surto de inúmeras teologias genitivas do sujeito — da mulher, do negro, do índio e teologias genitivas do objeto — do trabalho, da matéria, do desenvolvimento, do progresso etc., ao avanço da atitude moderna de tudo interpretar, ao crescimento da tendência de descobrir em tudo um sentido religioso, à coragem teórica criadora de igrejas particulares, à liberdade do pensar, abandonando as trilhas tradicionais e enveredando por novas, ao encontro de outras crenças e religiões. E em íntima relação com este encontro estão as questões do ecumenismo no sentido amplo e a da enculturação. No reino do ecumenismo e do diálogo inter-religioso de fato, ultimamente o pluralismo tem-se deslocado para outros quadros e tradições culturais estranhas à versão ocidental. Rompe-se, pela primeira vez, na história da teologia a possibilidade de verdadeiras teologias não ocidentais de consistência que respondam a outras tradições culturais e religiosas, tais como as teologias indiana, africana, afro-ameríndia. Elas navegam nas mesmas águas do pluralismo teológico. Desafio e esperança para tantos cristãos e para o diálogo inter-religioso. Este novo pluralismo surge do reclamo não simplesmente do ecumenismo em sua forma tradicional Inter cristã, mas também do macro ecumenismo com religiões e tradições não cristãs. Visto de outro ângulo, defrontamo-nos aqui com a exigência de enculturação da fé e da teologia. Este duplo fato ecumenismo no sentido amplo e enculturação vem trazendo oxigênio novo para a teologia e transformou-se nas últimas décadas em promissora primavera teológica, sobretudo no Terceiro Mundo. O ecumenismo europeu entre as igrejas cristãs enriqueceu muito a teologia e deulhe possibilidades únicas. Mas hoje parece já patinar. O espaço da esperança teológica deslocou-se para o Terceiro Mundo da Índia, da África e das Américas no diálogo com as grandes tradições religiosas orientais e com a tradição afro-indígena WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 82

de nosso continente. Desponta esperançosa teologia. Novo contexto para que a criatividade teológica deslanche e rompa o marasmo em que muitas teologias se encontram. Em estrita conexão com essa temática, avulta a questão da enculturação. Sem dúvida, destacou-se na Conferência de Santo Domingo como tema central e prenhe de perspectivas futuras. Aponta-se aí uma das novas e promissoras tendências teológicas. Uma pastoral mais exigente A complexidade do cenário religioso e as transformações sociais do capitalismo industrial avançado sob a forma neoliberal estão a provocar situações novas e desafiantes à pastoral. Destarte, a busca da teologia surge da necessidade de lucidez em tal contexto. Exige-se do cristão maior preparo intelectual, antes de tudo, a respeito de sua própria fé. Na verdade, J. L. Segundo, ao referir-se aos primórdios da teologia da libertação, explica-a como proposta de procurar libertar a teologia dos entraves conceituais, que impediam o cristão de tomar decisões corretas no campo da prática pastoral. Teologia cristalizada em outro contexto social, em que interesses de grupos dominantes conseguiram plasmar-lhe conceitos inibidores de ação libertadora, deve passar por processo de purificação conceitual. Esta exigência supõe reflexão teológica mais aprofundada por parte dos agentes de pastoral. O contexto de percepção das maiores demandas intelectuais dera-se em nosso continente no momento em que se passou de uma sociedade tradicional, fechada, agrária para uma sociedade industrial, urbana, moderna. Desenhavam-se no horizonte problemas novos, situações inéditas. Mas, a bem da verdade, na linguagem de A. Toffler, estava-se ainda na passagem da primeira para a segunda onda, a saber, da revolução agrária para a industrial. Como de fato a teologia cristã se tematizara no horizonte agrário e conservara durante séculos o imaginário, custou-lhe muito sofrimento hermenêutico a transposição para o mundo industrial, ainda que este se venha construindo há já trezentos anos. Com muito maior gravidade impõe-se a situação atual da terceira onda que faz poucas décadas mina a civilização industrial, gestando nova civilização altamente tecnológica. As relações e método de poder, o modo de vida, o código de comportamento, o papel do Estado-nação, o tipo de economia, o universo da informação, os meios de comunicação de massa e inúmeros outros fatores na sociedade modificam-se profundamente. Nesse contexto, a pastoral toma-se ainda muito mais exigente para responder à enorme presença da mídia, como espaço novo para pensar e realizar a evangelização, em vista da qual se faz teologia. Acrescentem-se ainda outras profundas transformações por que a sociedade humana está passando sobretudo depois do colapso do socialismo. Já desponta outra nova onda? O mesmo autor da Terceira Onda avança suas ideias explicitando a questão do deslocamento do poder, em que a flexibilização se torna a qualidade decisiva, a modo dos ―móbiles de Alexander Calder‖, em que peças são substituídas, retiradas ou adicionadas à medida que a realidade o pede e, por isso, adaptam-se maravilhosamente a ela. Esta pastoral mais exigente realizar-se-á máxime em universo de sempre crescente rapidez de informação, saltando os escalões médios da burocracia de modo que tanto o pároco como o bispo não serão somente informados por seus círculos burocráticos mais íntimos, mas poderão receber a cada momento do qualquer fiel informações preciosas para a pastoral, possibilitadas pelo uso inteligente da informática. Além disso, deslocar-se-á para o campo da permanente reciclagem das pessoas com cursos e habilitações o peso que se atribuía à rotina institucional da pastoral. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 83

E os sistemas de reciclagem podem assumir as mais variadas formas. O futuro da pastoral e da teologia vai depender de sua capacidade de criar novas formas de interação de informações, de saber, de conhecimentos. A modo de exemplo, basta ver com que rapidez já mesmo no Brasil milhões de jovens manuseiam os computadores sem que tenham seguido alguma escolaridade formal. Como aprenderam? Assim se aprenderão muitos outros saberes no futuro pelas vias mais diversas e informais. Abre-se este novo caminho para a teologia fora dos rituais institucionais. “TEOLOGIA CONTEMPORÂNEA: Uma análise do desenvolvimento do pensamento teológico no século vinte” Unidade I – Panorama das Fases Antecedentes INTRODUÇÃO A pós-modernidade não tem influenciado apenas os teólogos em sua maneira de pensar, mas também os pastores e líderes das nossas denominações. A Bíblia tem sido abandonada, e quando aparece, é permutada. Que ao examinar as correntes teológicas que serão apresentadas nessas páginas, ninguém assuma uma postura indiferente. Nosso propósito é que ao ler o conteúdo programático dessa dissertação, o seminarista, seja apenas para melhor se preparar como teólogo, seja pastor ou ainda leigo, possa assumir uma postura de apologeta e atentar para a necessidade de ser mais um também a lutar pela manutenção da ortodoxia bíblica, por aquela unidade fundamental que havia em nossos irmãos primitivos. AS LINHAS TEOLÓGICAS 1 Pedro 3:15 “antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós"... Vivemos em um momento de grande marasmo teológico, onde ideologias e novas concepções surgem a cada momento atacando e afrontando as maneiras tradicionais de se crer no divino. Diante dessa conjuntura é preciso que sejamos objetivos quando somos abordados acerca da razão de nossa esperança cristã; por que cremos assim? Qual a nossa concepção de Deus? Qual a cosmovisão em que estamos estribados? Enfim, qual é a definição teológica dos evangélicos em contraste com as demais, pois se soubermos distinguir desse marasmo o que realmente acreditamos teremos como levar avante o verdadeiro evangelho de Jesus. Por isso exporemos abaixo algumas das mais expressivas linhas de pensamentos teológicos. Linhas Teológicas Teologia Católica Romana: A Teologia Católica está estribada em um tripé - A Bíblia, incluindo os apócrifos; A Tradição e o ensino dos Pais da Igreja e a autoridade Papal, ex-cathedra, onde o Papa decide questões doutrinárias e morais. Com esse tripé teológico a Igreja Católica concatenou novas doutrinas, sem criar constrangimentos por tais doutrinas estarem além ou aquém da Bíblia. A Bíblia tem um papel secundário em detrimento da própria Igreja que é superior a qualquer outra fonte de autoridade eclesiástica. Essa conjuntura ideológica da cosmovisão teológica gerou os sete sacramentos: batismo, crisma ou confirmação, penitência, eucaristia ou missa, matrimônio, unção de enfermos ou WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 84

extrema-unção e santas ordens. Segundo o catecismo de 1994, "a Igreja afirma que para os crentes os sacramentos da nova aliança são necessários à salvação." Os sete sacramentos são nada menos que uma série de boas obras que os católicos crêem que precisam fazer para alcançar a salvação. (A deterioração da doutrina católica iniciou-se por volta de século IV). Teologia Natural A Teologia Natural Baseia-se somente na razão em detrimento da fé e a iluminação do Espírito Santo e seu mover. Os atributos de Deus são aqueles comuns a todos os indivíduos, ou seja, criação, raciocínio lógico, etc... O conhecimento de Deus é obtido pelo relacionamento com o universo por meio da reflexão racional, sem se voltar a vaticínios e meios sobrenaturais. Teologia Luterana Sola Escriptura - Somente a Bíblia, Sola Gratia - Somente a Graça e Sola Fide - Somente a Fé formam o fundamento da Teologia Luterana. A Bíblia é a bandeira pela qual o exército de Cristo deve marchar, Ela não fala apenas de Deus, mas é a própria Palavra de Deus. O centro das escrituras é o Cristo revelado a humanidade. Na questão salvífica o indivíduo em nada contribui, sendo destituído do livre-arbítrio, Deus é a causa eficiente da obra redentora. (Século XVI) Teologia Anabatista A Teologia Anabatista preconizou o batismo somente para adultos, testificando assim o rompimento do cristão em relação ao mundo e o seu comprometimento em obedecer a Jesus Cristo. Opunham-se ao controle da religião pelo o estado e nutriam um enorme zelo missionário. Devido a maneira pragmática como viam a vida não deram ênfase aos estudos teológicos sistemáticos. Teologia Reformada Como na Teologia Luterana, a Teologia Reformada tem como principal bandeira "sola scriptura". A Bíblia é a Palavra de Deus e isenta de erros. Deus é soberano sobre todas as coisas, tudo está sob o domínio de Deus, como criador e soberano de universo Ele não pode ser limitado por nada. Deus predestinou um certo número de criaturas caídas para serem reconciliadas com Ele mesmo. A salvação pode ser resumida nos cinco pontos do Calvinismo: Depravação Total, Eleição Incondicional, Expiação Limitada, Graça Irreversível e Perseverança dos Santos. Teologia Arminiana A Teologia Arminiana divergiu do calvinismo, argumentando que os benefícios da graça são oferecidos a todos, em oposição ao princípio calvinista da condenação predestinada. A ênfase desta Teologia gira em torno da presciência divina, da responsabilidade e livre arbítrio do indivíduo e do poder da Graça capacitadora de Deus. Teologia Wesleyana A Teologia Wesleyana era praticamente de cunho arminiana, embora a principal doutrina destacada por Wesley fosse a da justificação pela fé através de uma experiência súbita de conversão. Também se destacava a doutrina da perfeição cristã ou do perfeito amor, segundo a qual era possível a perfeição cristã absoluta ainda nesta vida... Wesley deixou claro que não propunha a perfeição sem pecado nem a perfeição infalível, mas, antes, a possibilidade da santidade no coração. Teologia Liberal A Teologia Liberal é recheada por convicções contemporâneas de novas ideologias filosóficas e culturais. A humanidade não é pecadora e nem caída por natureza, não precisa de uma conversão pessoal, apenas o aperfeiçoamento sociológico. Jesus não sofreu vicariamente na cruz, ele não é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, nem Deus, mas simplesmente um representante de WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 85

Deus, um modelo a ser seguido. A Teologia Liberal segue a visão unitária da pessoa de Deus, Jesus estava cheio de Deus, mas nunca foi Deus. O Espírito Santo é simplesmente a atividade de Deus no Mundo. Os registros bíblicos são falíveis. Teologia Existencial Os teólogos existenciais explicam tudo o que é sobrenatural como sendo um mito. Deus atua no mundo como se não existisse, e não se pode conhecê-lo de nenhum modo objetivo. A Trindade, os milagres de Jesus Cristo e sua historicidade, o Velho e o Novo Testamento, as atuações do Espírito Santo, tudo isso, não passam de mitologia religiosa, sendo que pouco se aproveita como conteúdo histórico fidedigno. Encontrar o nosso verdadeiro eu e desmistificar a Bíblia é a maneira pela qual a humanidade poderá ser salva. Teologia Neo-Ortodoxa Essa teologia foi uma reação contra a concepção liberal implantada no final do século XIX e houve a tentativa de preservar a essência da teologia da Reforma ao mesmo tempo em que se adaptava a questões contemporâneas. Deus não pode ser conhecido por doutrinas objetivas, mas por meio de uma experiência de revelação. O Cristo importante é aquele experimentado pelo indivíduo, o Cristo bíblico não teve um nascimento virginal. A Bíblia apenas contém a Palavra de Deus, sendo humana e falível. O relato da criação não passa de um mito. Não existe nenhum pecado herdado de Adão, o homem peca por concepção, e não por causa da sua natureza. O inferno e o castigo eterno não são realidades. Teologia da libertação A experiência cotidiana das comunidades cristãs latino-americanas que combatem as injustiças econômicas, sociais, culturais e políticas, está na origem da chamada teologia da libertação. A teologia da libertação constitui uma nova interpretação da mensagem evangélica, à luz da injustiça social. Apesar do nome, não é propriamente uma teologia, no sentido de reflexão sobre Deus. Suas raízes podem ser encontradas no movimento denominado teologia política, surgido na Europa na década de 1970, depois que o Concílio Vaticano II (1962-1965), examinou o problema das relações entre a igreja e o mundo moderno. A característica mais inovadora do movimento foi encarar os problemas políticos como base para a interpretação dos textos bíblicos... A mensagem de salvação é interpretada à luz das mazelas sociais de que o homem precisa ser libertado. Ao narrar a libertação dos hebreus do cativeiro no Egito e sua marcha para a Terra Prometida, o Êxodo é a imagem bíblica da mensagem da salvação, e a história sagrada não é algo distinto da história da humanidade ou superposto a ela, mas sim a intervenção de Deus. Um outro elemento importante da teologia da libertação é o método de análise marxista . Conclusão Mas enfim qual é a concepção teológica dos Evangélicos? A Soberania de Deus, Ele está acima da sua criação e de tudo o que há, não é limitado por nada. A Bíblia é a única fonte de autoridade, inerrante, verdadeira, ela não contém mas é a Palavra de Deus (II Tm. 3:16). Jesus Cristo é o centro das Escrituras; a sua pessoa e obra, principalmente sua obra vicária, são o fundamento de nossa fé cristã e da mensagem da salvação (Jo. 5:39). O Espírito Santo é uma pessoa, que atua por intermédio da Palavra de Deus convencendo o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo. 16:8). A salvação é somente pela graça mediante a fé (Ef. 2:8-9), a fonte da salvação é a graça de Deus manifestada pela obra de Cristo, o fundamento da salvação. A concepção trinitariana é a única maneira de compreender o Deus revelado na Bíblia (Mt. 28:19; II Co. 13:13). O batismo é simbólico, para quem já tem consciência do que é pecado, mostrando a decisão de se separar do mundo em compromisso para com o Senhor Jesus (Cl. 2:12). A Igreja é o WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 86

corpo de Cristo na terra, composta pelos filhos de Deus (I Co. 12:27; Ef.4:15.16). O cristão deve sempre procurar a santificação em sua vida diária (I Ts. 4:3). A Ceia do Senhor é em memória da obra de Cristo (I Co. 11:24) e todos os batizados devem participar da mesma (Mc. 16:16; Jo. 6:54). Em linhas gerais, o que concluímos no fim desse estudo comparativo é a teologia professada pelos protestantes evangélicos atuais. Vertentes que influenciaram a teologia do séc. XXI As ideias que ajudaram a modelar o pensamento teológico do século vinte e um Teologia é um vocábulo que encontra sua origem na junção de duas palavras gregas: ―Theos‖, que significa Deus, e ―logos‖, que significa discurso ou razão. Logo, a teologia é o estudo de Deus e de sua relação com o universo. Ela é também o estudo das doutrinas religiosas e das questões de divindade. Toda dissertação ou raciocínio sobre Deus constitui uma teologia. O estudo de Deus é da máxima importância. Como disse o reformador João Calvino: ―Quase toda sabedoria que possuímos, ou seja, a sabedoria verdadeira e sadia consistem em duas partes: o conhecimento de Deus e de nós mesmos‖. O homem é irremediavelmente um animal religioso. Desde a antiguidade, Deus tem sido a principal preocupação do escrutínio humano. Sócrates, Platão, Aristóteles e todos os pensadores gregos importantes formularam teorias teológicas especulativas sobre Deus. A existência de Deus para esses homens era algo totalmente racional e necessário. As primeiras controvérsias surgiram quando o cristianismo ainda era uma religião recente: Primeiro os judaizantes, depois os docetistas, no século segundo foram os gnósticos, no século terceiro, Ário, e nos séculos seguintes também não faltaram homens controversos cujo exacerbado intento era comprometer a ortodoxia. O auge da controvérsia ocorreu na idade média e no início da era moderna quando o romanismo, em seu afã de arrecadar fundos para a construção da basílica de São Pedro, espoliou o povo europeu sob promessa de livrar as pobres almas do purgatório, e isso sem falar na comercialização de ícones, tais como espinhos da coroa de Cristo, pedaços da cruz na qual ele morreu, crânios (isso mesmo, plural – crânios) de João Batista, e tantas outras invencionices humanas que o ―infalível‖ Papa e a ―Santa‖ Igreja Católica homologavam sem nenhuma inibição, tal era o abandono da Bíblia. Caso a situação continuasse assim, seria realmente o fim da ortodoxia. Porém, nesse mesmo tempo houveram homens impulsionados pelo zelo ardoroso da verdade, que assumiram a tarefa de lutar pela manutenção da ortodoxia. Foi então que surgiram nomes como Martinho Lutero, João Calvino, Felipe Melanchton e Zuínglio, que não temendo a fúria de Roma, expuseram os abusos do clero católico e iniciaram o movimento que hoje conhecemos como a Reforma. Sua alcunha era Sola Fide, Sola Gratia, Sola Scriptura e Soli Deo Gloria. Desde então o movimento protestante, oriundo da Reforma religiosa, tem sido o principal preservador da ortodoxia. Desde a época da Reforma, o mundo passou por uma série de transformações, e porque não dizer, pelas maiores transformações de toda a nossa história. Das caravelas ao ônibus espacial, da bússola ao GPS, o mundo sentiu o impacto da tecnologia e essa mudança teve grande influência no pensamento ocidental. O Renascimento no século dezesseis, o Racionalismo do século dezoito, o Romantismo do século dezenove e todas as mudanças pela qual o mundo passou tiveram seu impacto sobre a teologia. O Renascimento trouxe de volta a ortodoxia, o Racionalismo, por sua vez, introduziu a crítica, a teologia liberal e o deísmo, e o Romantismo foi o portão de acesso para o existencialismo cristão, ou neo-ortodoxia. Todo pensador está de certo modo envolvido com as idéias do seu tempo. Esse é um axioma antigo, porém válido. O contexto sócio-cultural, os conceitos filosóficos, o progresso tecnológico, a economia e os conflitos mundiais interferem indubitavelmente na maneira de pensar, e desde a WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 87

Reforma até os nossos dias, não faltaram mudanças. Isso ocorreu de tal maneira e em tão grande quantidade que, se fossemos enumerá-las uma a uma, milhares de páginas seriam escritas, e isso não é nenhuma hipérbole. PENSADORES QUE EXERCERAM INFLUÊNCIA NO CENÁRIO TEOLÓGICO CONTEMPORÂNEO Embora não seja possível listar de forma exaustiva os pensadores que exerceram maior influência no cenário teológico contemporâneo, faz-se necessário mencionar ao menos três deles: Immanuel Kant, Charles Darwin e Karl Marx. O pensamento de Immanuel Kant é, sem dúvida, o grande divisor de águas da filosofia moderna, de modo que seu nome representa para a filosofia o mesmo que Copérnico representa para a ciência. Sua formação é um pouco eclética, para não dizer estranha: começou seu estudo dentro do pietismo, sendo depois influenciado pelo Iluminismo, em especial por Jean-Jacques Rousseau e Christian Wolff. Um dos filósofos da sua época, G.E. Lessing, propôs que ―os eventos contingentes da história não podem servir de base para o conhecimento do mundo transcendente, eterno‖. Segundo essa concepção, existe um abismo intransponível entre nós e Deus, e nós simplesmente não podemos passar para o outro lado e conhecê-lo. Ele é Todo-Transcendente. É nesse contexto que Kant aparece. A própria idéia de Deus como ―Todo-Transcendente‖ ocorre inúmeras vezes em sua obra, sendo um dos principais postulados da sua filosofia. Essa idéia se transformaria no paradigma principal da neo-ortodoxia.

Charles Darwin O nome Charles Darwin (1809-1882) é comumente associado à teoria evolucionista. Embora já houvesse muitos modelos evolucionistas antes dele e tenham surgido muitos outros depois, é quase impossível ouvir seu nome sem associá-lo a teoria da evolução das espécies. Charles Robert Darwin (Shrewsbury, 12 de Fevereiro de 1809 – Downe, Kent, 19 de Abril de 1882) foi um naturalista britânico que alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da evolução e propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da seleção natural e sexual. Esta teoria se desenvolveu no que é agora considerado o paradigma central para explicação de diversos fenômenos na Biologia. Foi laureado com a medalha Wollaston concedida pela Sociedade Geológica de Londres, em 1859. Darwin começou a se interessar por história natural na universidade enquanto era estudante de Medicina e, depois, Teologia. A sua viagem de cinco anos a bordo do brigue HMS Beagle e escritos posteriores trouxeram-lhe reconhecimento como geólogo e fama como escritor. Suas observações da natureza levaram-no ao estudo da diversificação das espécies e, em 1838, ao desenvolvimento da teoria da Seleção Natural. Consciente de que outros antes dele tinham sido severamente punidos por sugerir ideias como aquela, ele as confiou apenas a amigos próximos e continuou a sua pesquisa tentando antecipar possíveis objeções. Contudo, a informação de que Alfred Russel Wallace tinha desenvolvido uma ideia similar forçou a publicação conjunta das suas teorias em 1858. Em 1831 Darwin partiu para uma viagem ao redor do mundo para fazer observações científicas, levando na viagem o livro de Charles Lyell, Princípios de Geologia. Em 1839 ele começou a WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 88

escrever a obra que se tornaria o seu legado, concluindo-a em 1844. Não se sabe ao certo por que, mas o fato é que Darwin levou 15 anos para imprimi-lo. É possível que a razão da demora resida no temor da indignação que seu livro poderia lançar. Em Origem das Espécies, Darwin faz a polêmica afirmação de que todos nós procedemos de um ancestral comum e animalesco, não havendo essencialmente nada que confira dignidade ao homem. O acaso nos gerou, portanto, não há Deus. Essa é a consequência lógica da sua cosmovisão. Filho de judeus, Karl Marx nasceu em Trier, na Alemanha, em 1818. Foi, sem dúvida, um gênio intelectual, obtendo seu doutorado em filosofia aos 23 anos. Ele foi muito influenciado pelas ideias de Ludwig Feuerbach, o qual dizia que o homem não foi criado à imagem de Deus, mas Deus foi criado à imagem do ser humano. Sua filosofia lançou as bases do Socialismo. O pensamento de Marx é um pensamento voltado para o trabalho. Para Marx, não é o conhecimento espiritual que transforma a existência e, consequentemente, a vida social, mas exatamente o contrário: com a revolução, o corpo social transforma também a sua subjetividade. Esse pensamento servirá de base do movimento da ―teologia da libertação‖, na segunda metade do século vinte. Embora seja útil apontar todos os ascendentes do pensamento teológico do século vinte, tal tarefa seria muito pesarosa e fugiria ao escopo da nossa pesquisa. Certamente há muitas outras vertentes que influenciaram o pensamento teológico no século passado e contribuíram para o abandono da teologia ortodoxa no século vinte. Mas não foi só o pensamento renascentista, iluminista ou evolucionista que exerceu influência sobre a teologia do século passado: a intempérie do início do século vinte também contribuiu para as diversas variações ocorridas na teologia contemporânea. Só na sua primeira metade, houve duas guerras mundiais. Esse processo de guerras consecutivas contribuiu de certo modo para uma perda de identidade do homem do século vinte. Essa perda de identidade e falta de objetividade resultante do pós-guerra foi a coluna principal do existencialismo. Em um mundo desorganizado e desumanizado, a única certeza que o homem tem está relacionada a sua própria existência. Desde então houve um grande desenvolvimento da uma filosofia centrada no ―Eu‖, e nomes como Martin Heidegger e Jean-Paul Sartre ganharam projeção mundial. Os pressupostos existencialistas destes pensadores também tiveram grande influência no pensamento teológico contemporâneo. CRISTIANISMO ORTODOXO Por ortodoxo, entende-se o bojo essencial do cristianismo histórico. Essa visão ortodoxa das Escrituras foi preservada ao longo dos anos, embora em alguns períodos da história não faltassem grupos para elaborar uma teologia diferente, apresentando novos e estranhos pressupostos sob os quais a Bíblia deveria ser interpretada. Algumas das características do cristianismo ortodoxo se baseiam nos seguintes pontos: • Manter fidelidade incondicional à Bíblia, que é inerrante, infalível e verbalmente inspirada; • Acreditar que o que a Bíblia diz é verdade (verdade absoluta, ou seja, verdade sempre, em todo lugar e momento); • Julgar todas as coisas pela Bíblia e ser julgado unicamente por ela; • Afirmar as verdades fundamentais da fé cristã histórica: a doutrina da Trindade, a encarnação, o nascimento virginal, o sacrifício expiatório, a ressurreição física, a ascensão ao céu, a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo, o novo nascimento mediante a regeneração do Espírito Santo, a ressurreição dos santos para a vida eterna, a ressurreição dos ímpios para o juízo final e a morte eterna e a comunhão dos santos, que são o Corpo de Cristo. • Ser fiel à fé e procurar anunciá-la a toda criatura; • Denunciar e se separar de toda negativa eclesiástica dessa fé, de todo compromisso com o erro e de todo tipo de apostasia; WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 89

• Batalhar firmemente pela fé que foi concedida aos santos. Diferentemente da Teodicéia Socrática, Platônica ou Aristotélica, o cristianismo apresenta-se como religião revelada. Há pouca necessidade de especulações e elucubrações metafísicas, pois ele (o cristianismo) já parte do pressuposto de que Deus se revelou em sua Palavra, e na plenitude dos tempos nos falou por meio do seu filho Jesus, que andou entre nós pregando e fazendo milagres, sendo crucificado no tempo em que Pôncio Pilatos era governador da Judéia. Os apóstolos, encarregados por ele de pregar a sua mensagem ao mundo, escreveram sua biografia e eventos relacionados ao cristianismo. Esses registros documentais começaram a surgir após um breve hiato, não maior que trinta anos. É interessante notar que quando os primeiros relatos começaram a circular, muitas das testemunhas oculares dos fatos por eles narrados ainda estavam vivas. Ora, caso a narrativa apresentada por eles fosse considerada fantasiosa ou mítica, não faltariam pessoas para desmascará-los. No entanto, nos dias apostólicos não houve alguém que pudesse por em dúvida a historicidade de Jesus. Nem mesmo o Talmude, em todo o seu zelo judaico, nega que Jesus de Nazaré tenha feito milagres. Ainda segundo a narrativa bíblica, esse Jesus nasceu de uma virgem, exatamente como vaticinara o profeta Isaías cerca de setecentos anos antes do seu nascimento. Ele era da descendência de Davi, e ressuscitou ao terceiro dia, havendo aparecido aos seus apóstolos e a uma multidão de mais de quinhentas pessoas (1Coríntios 15.6). Sua morte não foi um evento fortuito, contingente – ela foi providencial. Através do seu sacrifício, todos nós podemos chegar perto de Deus e, confessando as nossas iniqüidades, receber o Seu imerecido perdão. Os dois últimos parágrafos são um resumo do cristianismo bíblico e ortodoxo. Por ortodoxo, entende-se o bojo essencial do cristianismo histórico. Essa visão ortodoxa das Escrituras foi preservada ao longo dos anos, embora em alguns períodos da história não faltassem grupos para elaborar uma teologia diferente, apresentando novos e estranhos pressupostos sob os quais a Bíblia deveria ser interpretada. ILUMINISMO No século XVIII, uma nova corrente de pensamento começou a tomar conta da Europa defendendo novas formas de conceber o mundo, a sociedade e as instituições. O chamado movimento iluminista aparece nesse período como um desdobramento de concepções desenvolvidas desde o período renascentista, quando os princípios de individualidade e razão ganharam espaço nos séculos iniciais da Idade Moderna.

René Descartes No século XVII o francês René Descartes (1596-1650) concebeu um modelo de verdade incontestável. Segundo este autor, a verdade poderia ser alcançada através de duas habilidades inerentes ao homem: duvidar e refletir. Nesse mesmo período surgiram proeminentes estudos no campo das ciências da natureza que também irão influenciar profundamente o pensamento iluminista. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 90

Isaac Newton Entre outros estudos destacamos a obra do inglês Isaac Newton (1643-1727). Por meio de seus experimentos e observações, Newton conseguiu elaborar uma série de leis naturais que regiam o mundo material. Tais descobertas acabaram colocando à mostra um tipo de explicação aos fenômenos naturais independente das concepções de fundo religioso. Dessa maneira, a dúvida, o experimento e a observação seriam instrumentos do intelecto capazes de decifrar as ―normas‖ que organizam o mundo. Tal maneira de relacionar-se com o mundo, não só contribuiu para o desenvolvimento dos saberes no campo da Física, da Matemática, da Biologia e da Química. O método utilizado inicialmente por Newton acabou influenciando outros pensadores que também acreditavam que, por meio da razão, poderiam estabelecer as leis que naturalmente regiam as relações sociais, a História, a Política e a Economia.

John Locke Um dos primeiros pensadores influenciados por esse conjunto de idéias foi o britânico John Locke (1632-1704). Segundo a sua obra ―Segundo Tratado sobre o Governo Civil‖, o homem teria alguns direitos naturais como a vida, a liberdade e a propriedade. No entanto, os interesses de um indivíduo perante o seu próximo poderiam acabar ameaçando a garantia de tais direitos. Foi a partir de então que o Estado surgiria como uma instituição social coletivamente aceita na garantia de tais direitos. Essa concepção lançada por Locke incitou uma dura crítica aos governos de sua época, pautados pelos chamados princípios absolutistas. No absolutismo a autoridade máxima do rei contava com poderes ilimitados para conduzir os destinos de uma determinada nação. O poder político concentrado nas mãos da autoridade real seria legitimado por uma justificativa religiosa onde o monarca seria visto como um representante divino. Entretanto, para os iluministas a fé não poderia interferir ou legitimar os governos.

Montesquieu WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 91

No ano de 1748, a obra ―Do espírito das leis‖, o filósofo Montesquieu (1689-1755) defende um governo onde os poderes fossem divididos. O equilíbrio entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário poderia conceber um Estado onde as leis não seriam desrespeitadas em favor de um único grupo. A independência desses poderes era contrária a do governo absolutista, onde o rei tinha completa liberdade de interferir, criar e descumprir as leis.

Voltaire Essa supremacia do poder real foi fortemente atacada pelo francês Voltaire (1694 – 1778). Segundo esse pensador, a interferência religiosa nos assuntos políticos estabelecia a criação de governos injustos e legitimadores do interesse de uma parcela restrita da sociedade. Sem defender o radical fim das monarquias de sua época, acreditava que os governos deveriam se inspirar pela razão tomando um tom mais racional e progressista.

Jean-Jacques Rousseau Um outro importante pensador do movimento iluminista foi Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), que criticava a civilização ao apontar que ela expropria a bondade inerente ao homem. Para ele, a simplicidade e a comunhão entre os homens deveriam ser valorizadas como itens essenciais na construção de uma sociedade mais justa. Entretanto, esse modelo de vida ideal só poderia ser alcançado quando a propriedade privada fosse sistematicamente combatida. Esses primeiros pensadores causaram grande impacto na Europa de seu tempo. No entanto, é de suma importância destacar como a ação difusora dos filósofos Diderot e D‘Alembert foi fundamental para que os valores iluministas ganhassem tamanha popularidade. Em esforço conjunto, e contando com a participação de outros iluministas, esse dois pensadores criaram uma extensa compilação de textos da época reunidos na obra ―Enciclopédia‖. A difusão do iluminismo acabou abrindo portas para novas interpretações da economia e do governo. A fisiocracia defendia que as produções das riquezas dependiam fundamentalmente da terra. As demais atividades econômicas era apenas um simples desdobramento da riqueza produzida em terra. Além disso, a economia não poderia sofrer a intervenção do Estado, pois teria formas naturais de se organizar e equilibrar. Ao mesmo tempo, o iluminismo influenciou as monarquias nacionais que viam com bons olhos os princípios racionalistas defendidos pelo iluminismo. Essa adoção dos princípios iluministas por WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 92

parte das monarquias empreendeu uma modernização do aparelho administrativo com o objetivo de atender os interesses dos nobres e da burguesia nacional. Unidade II – Liberalismo Teológico TEOLOGIA LIBERAL Teologia liberal (ou liberalismo teológico) foi um movimento teológico cuja produção se deu entre o final do século XVIII e o início do século XX. Relativizando a autoridade da Bíblia, o liberalismo teológico estabeleceu uma mescla da doutrina bíblica com a filosofia e as ciências da religião. Ainda hoje, um autor- que não reconhece a autoridade final da Bíblia em termos de fé e doutrina - é denominado, pelo protestantismo ortodoxo, de "teólogo liberal".

Friedrich Schleiermacher Oficialmente, a teologia liberal se iniciou, no meio evangélico, com o alemão Friedrich Schleiermacher(1768-1834), o qual negava essa autoridade e igualmente a historicidade dos milagres de Cristo. Ele não deixou uma só doutrina bíblica sem contestação. Para ele, o que valia era o sentimento humano: se a pessoa "sentia" a comunhão com Deus, ela estaria salva, mesmo sem crer no Evangelho de Cristo. Meio século depois de Schleiermecher, outro teólogo questionou a autoridade Bíblica, Albrecht Ritschl (falecido em 1889). Para Ritschl, a experiência individual vale mais que a revelação escrita. Assim, pregava que Jesus só era considerado Filho de Deus porque muitos assim o criam, mas na verdade era apenas um grande gênio religioso. Negou assim sistematicamente a satisfação de Cristo pelos pecados da humanidade, Pregava que a entrada no Reino de Deus se dava pela prática da caridade e da comunhão entre as pessoas, não pela fé em Cristo. Ernst Troeschl (falecido em 1923) foi outro destacado defensor do liberalismo teológico. Segundo ele, o cristianismo era apenas mais uma religião entre tantas outras, e Deus se revelava em todas, sendo apenas que o cristianismo fora o ápice da revelação. Dessa forma, tal como Schleiermacher, defendia a salvação de não-cristãos, por essa alegada "revelação de Deus" em outras religiões. Unidade III – A Neo-Ortodoxia Surgimento da Neo-Ortodoxia, com Karl Barth DIALÉTICA DE KARL BARTH

A teologia dialética de Karl Barth e a revolta contra o Liberalismo Teológico WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 93

Tendo já comentado a influencia da filosofia kantiana para a teologia do século vinte, passemos agora a discorrer sobre a teologia contemporânea em si. Em 1919, um jovem pastor de uma pequenina igreja da Suíça escreveu um comentário tão radical que certo escritor disse que Karl Barth pegou uma carta escrita em grego do primeiro século e transformou em uma carta urgente para o homem do século vinte. Um teólogo católico disse que esse comentário aos Romanos foi uma revolução copernicana na teologia protestante que acabou com o predomínio do liberalismo teológico. Ele foi, de fato, uma bomba que Barth lançou no cenário teológico contemporâneo. Diz-se da segunda versão do comentário aos Romanos, totalmente revisada e publicada em 1921, que ela foi ainda mais revolucionária que a primeira. Porém, de qualquer forma, 1919 tem sido para muitos o ponto de partida da teologia contemporânea. A influência da obra de Karl Barth nessa nova era da teologia é enorme. Ele transformou a teologia do século vinte em teologia da crise. Foi ele quem dominou o ambiente teológico, formulou os problemas e apresentou as hipóteses de maior relevância, e desde então tem estado no centro da teologia moderna. Não há nenhuma dúvida de que o pensamento de Barth dominou o pensamento teológico do seu tempo. Ele produziu um impacto tão grande na teologia protestante, que todo teólogo do nosso século que quiser estudar teologia a sério, pode se opor à sua teologia ou acolher suas idéias, mas não pode jamais ignorá-la se quiser conhecer a situação teológica contemporânea. O que havia nesse comentário do pastor Barth que sacudiu os alicerces teológicos do século vinte? Quais foram os princípios que Barth apresentou e que se converteram no legado de uma nova era teológica? Harvie M. Conn, aluno do Dr. Cornelius Van Til, esboça alguns princípios que emanam do comentário de Karl Barth aos Romanos e que parecem ter desempenhado o papel mais influente na formação das novas variantes teológicas. Esses princípios serão abordados nos tópicos a seguir. 3.1- A revolta teológica contra o liberalismo teológico foi uma das mais notórias características da teologia barthiana. Barth havia aprendido teologia aos pés de dois grandes teólogos liberais, à saber: Harnack e Herrmann. O Jesus do mentor de Barth, Harnack, não era o filho de Deus único e sobrenatural, mas a encarnação do amor e dos ideais humanistas. A Bíblia do mentor de Barth, Herrman, não era a Palavra infalível de Deus, e sim um livro extraordinário, ainda que ordinário, cheio de erros e que exigia uma crítica radical para encontrar a verdade. A medida de toda a verdade era a experiência, o sentimento. A teologia desses dois mestres e também a de Barth era o Idealismo teológico, caracterizado por uma profunda veia de pietismo e de preocupação pela prática da experiência religiosa cristã. Em 1919, e com muito mais força em 1921, Barth se encarregou de repudiar grande parte desse liberalismo clássico. A primeira guerra mundial e seus horrores acabaram por soterrar o idealismo teológico liberal. A culta Alemanha, a liberal Inglaterra e a civilizada França lutavam como animais ferozes. Nesse ínterim, os mestres liberais de Barth se uniram com outros teólogos para declarar seu apoio à Alemanha, o que demonstrou que eles eram mestres de uma religião atada a uma cultura, e não a Deus. O comentário de Barth aos Romanos surgiu então como repúdio de seus antigos mestres liberais. O liberalismo fazia de Deus algo imanente ao mundo; Barth se opôs a isso e apresentou Deus como ―Totalmente Outro‖. O subjetivismo do liberalismo do século 19 havia colocado o homem no lugar de Deus; Barth exclamou: ―Seja Deus, e não o homem!‖. O liberalismo havia exaltado o uso aculturado da religião; Barth condenou a religião como o pecado máximo. O liberalismo edificou a teologia sobre a base da ética, Barth quis edificar a ética sobre a base da teologia. 3.2- O comentário de 1921 de Barth propôs uma nova idéia de revelação. Em oposição ao antigo liberalismo, Barth enfatizou a necessidade que o homem tem da revelação, e chamou suas idéias de Teologia da Palavra de Deus. Barth, porém, insistiu na distinção entre a Bíblia e a Palavra de Deus. Este era seu legado kantiano. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 94

Segundo Barth, pode-se ler a Bíblia sem ouvir a Palavra de Deus. A Bíblia é simplesmente um livro, mas, pelo menos, um livro através do qual nos pode chegar a Palavra de Deus. A relação entre Deus e a Bíblia é real, porém indireta. A Bíblia, diz Barth, ―é a Palavra de Deus enquanto Deus fala por meio dela [...] a Bíblia se transforma em palavra de Deus nesse momento‖. Para ele, até que a Bíblia se torne real para nós, até que ela nos fale da nossa situação existencial, ela não é Palavra de Deus. Esse é o conceito barthiano de revelação. 3.3- A dialética de Barth, ou teologia do paradoxo. O comentário de Barth também introduziu um novo método para explicar a teologia: a dialética. Esse termo ficou rapidamente associado à obra de Barth, ainda que o método tenha sido tomado por empréstimo do teólogo existencialista Soren Kierkegaard. Kierkegaard havia dito que toda afirmação teológica era paradoxal, não podendo ser sintetizada. O homem devia somente conservar ambos os elementos do paradoxo. É esse ato de sustentação do paradoxo que Kierkegaard chama de ―salto de fé‖.

Soren Kierkegaard Tal conceito influenciou muito a teologia barthiana, de maneira que quando preparava o comentário aos Romanos, Barth afirmava que ―enquanto estamos na terra, não podemos fazer outra coisa em teologia a não ser utilizar o método de afirmação e contra-afirmação. Não nos atrevemos a pronunciar em forma absoluta a palavra definitiva [...] O paradoxo não é acidental na teologia cristã. Ele pertence, em certo sentido, ao coração do pensamento doutrinário‖. A própria natureza da revelação, segundo Barth, é um paradoxo: Deus é o oculto que se revela; conhecemos a Deus e conhecemos o pecado; todo homem é escolhido e também reprovado em Cristo; o homem é justificado por Cristo, mas ainda é pecador. Certo comentarista observou que, segundo a teologia dialética de Barth, a revelação que vem de cima para o homem, ao encontrar a contradição do pecado e finitude humana, só pode ser assimilada pela mente humana como sendo um paradoxo. 3.4- O comentário de Barth veio reafirmar a transcendência absoluta de Deus. Um dos pressupostos de Barth, que também é um legado kantiano, é que Deus é sempre sujeito, nunca objeto. Deus não é simplesmente uma unidade no mundo dos fenômenos; ele é infinito e soberano, ―Totalmente Outro‖, e só pode ser conhecido quando nos fala. ―Ele não pode ser explicado como qualquer outro objeto pode ser, apenas podemos nos dirigir a Ele [...] Por esta razão, não cabe à teologia medi-lo em uma forma de pensamento direto ou unilinear‖. Não podemos falar a respeito de Deus. Apenas falamos a Deus. Segundo Barth, a própria natureza de Deus exige que as afirmações que lhe dirigimos sejam revestidas de contradição: ―Não podemos considerá-lo perto, a não ser que o consideremos longe‖. Sem dúvida o grande tema de Barth, em oposição declarada ao liberalismo, foi a ―infinita diferença qualitativa‖ entre eternidade e tempo, céu e terra, Deus e o homem. Não se pode identificar Deus com nada no mundo, nem sequer com as palavras da Escritura. Deus chega ao homem como a tangente que toca o círculo, mas na realidade não o toca. Deus fala ao homem como a bomba explode na terra. Depois da explosão, tudo o que resta é uma cratera abrasada no terreno, e essa cratera é a igreja. 3.5- O comentário de Barth também demarcou a fronteira entre a história e a teologia. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 95

A teologia do século dezenove se dedicou a procurar o Jesus histórico por detrás do Cristo sobrenatural da Bíblia. Os liberais clássicos como o professor de Barth, Harnack, se dedicaram a buscar nos evangelhos – os quais eles condenavam como não-confiáveis – os fatos históricos sobre Jesus. Barth asseverou que essa busca é uma busca sem importância, pois, segundo ele, a revelação não entra na história, apenas a toca como uma tangente toca um círculo. Segundo Barth, não há nada na história sobre o que possamos basear a fé. A fé é um vazio preenchido não pela história, mas pela revelação.

Franz Overbeck Profundamente influenciado pelos conceitos de história de Kierkgaard e de Franz Overbeck, Barth dividiu a história em dois níveis: Historie e Geschichte. Ainda que ambos os termos possam ser traduzidos por história, no alemão, a conotação que essas duas palavras têm é bem diferente. Historie é a totalidade dos fatos históricos do passado, podendo ser comprovada objetivamente. Geschichte se ocupa daquilo que une essencialmente, que exige algo de mim e requer meu compromisso. Segundo Barth, a ressurreição de Jesus pertence ao âmbito de Geschichte, não de Historie. Para ele, o âmbito da Historie de nada vale para o crente. Jesus deve ser confrontado no âmbito de Geschichte. Mais uma vez a influência do pensamento de Immanuel Kant sobre a teologia de Karl Barth, principalmente no que concerne ao mundo dos fenômenos e dos números é muito grande, podendose até dizer que a teologia contemporânea tem sua raiz em Konigsberg, na Prússia. Ao longo do desenvolvimento da teologia contemporânea, as idéias kantianas de fenomenal e numenal ―volta e meia‖ reaparecem com uma nova roupagem. Alguns tomam o tema e o ampliam, porém sua influência continua sendo grande a ponto de podermos designar o século dezoito e o pensamento de Kant como protótipo da teologia contemporânea. 3.6- Objeções à teologia dialética de Karl Barth. Há, sem dúvida, algumas críticas que se pode fazer à obra de Barth. Ele mesmo reconheceu alguns de seus excessos e poliu boa parte dos argumentos que enfatizou a princípio, e até certo ponto, pode-se dizer que ele suavizou algumas idéias mais incisivas. O que passamos a expor agora, são algumas críticas que se podem fazer ao pensamento de Barth. Em primeiro lugar, ainda que as idéias de Barth representem uma revolta contra o liberalismo clássico, suas idéias podem ser chamadas de novo liberalismo. Barth não conseguiu se livrar do ponto de vista crítico liberal das Escrituras. Por causa dos seus pressupostos liberais, Barth não aceita a inerrância da Bíblia, chegando mesmo a afirmar que toda a Bíblia é um documento humano falível e que buscar partes infalíveis nas Escrituras é ―simples capricho pessoal e desobediência‖. A inerrância das escrituras é uma das diferenças cruciais entre o liberalismo e o cristianismo ortodoxo, e o posicionamento de Barth nada mais é que uma opção por ficar em cima do muro. Sua idéia de revelação, em última instancia, é puramente subjetiva. Para Barth, a diferença entre a Bíblia como meramente um livro e a Bíblia como a Palavra de Deus depende exclusivamente da reação humana frente a este livro. Embora em uma atitude de revolta contra o liberalismo ele tenha exclamado: ―Seja Deus e não o homem‖, na prática, dentro da sua teologia dialética, o homem é entronizado no centro da experiência religiosa. O resultado final da dialética de Barth é a destruição da verdade objetiva. Se toda comunicação histórica e toda experiência direta com Deus se encaixa em uma concepção pagã de Deus, como WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 96

poderemos aproximar-nos da verdade sobre Deus? Também a sua insistência em descrever Deus como ―Totalmente Outro‖ faz de Deus um ser indescritível. Como Deus não é um objeto no tempo e no espaço, e visto que a ―inescrutabilidade e recondidez formam parte da natureza de Deus‖, o homem não pode conhecê-lo diretamente, afirma ele. A questão é: se Deus é assim tão indescritível e insondável, de que maneira o homem pode conhecê-lo? A separação que Barth faz da Historie e da Geschichte, traz à tona a problemática concernente à historicidade da obra redentora de Cristo como fundamento do cristianismo. Ela argumenta na tradição de Nietzche e Overbeck, separando o cristianismo da história, e ao fazê-lo, acaba por solapar a base do cristianismo. É claro que o propósito de Barth foi tirar do liberalismo o monopólio quanto ao método de interpretação, mas ao fazê-lo, também privou o cristianismo do seu lugar na história. Ao que vemos, embora a teologia de Barth tenha sido responsável por uma prática religiosa em que os valores evidenciam a religiosidade do cristão, ele jamais conseguiu se libertar completamente do liberalismo teológico de seus mestres Herrmann e Harnack. Ele revoltou-se contra o liberalismo teológico, argumentou contra ele, mas não pode livrar-se de seus pressupostos. Tal como Kant, Barth confina Deus ao mundo dos números e apresenta a dialética – a teologia do paradoxo – como sendo à única teologia possível. Ele exclui a razão a priori e deixa a porta fechada à percepção humana. Sua teologia é de suma importância para o século vinte e, de fato, quase todo o pensamento teológico moderno até a década de setenta envolverá a perspectiva de Barth. Podemos aceitar seus pressupostos ou acirrar-nos contra ele, mas nenhum teólogo de nossa época poderá jamais ignorar a teologia dialética de Karl Barth e sua influência no cenário teológico contemporâneo. NEO-ORTODOXIA, EMIL BRUNNER

Neo-ortodoxia: Analisando os pressupostos teológicos do novo liberalismo Karl Barth havia desencadeado uma tremenda revolução com seu comentário aos Romanos, e nos anos que se seguiram, a revolução se ampliou consideravelmente, se avolumando sob a égide de um novo movimento teológico denominado ―neo-ortodoxia‖. Emil Brunner talvez tenha sido um dos nomes mais conhecidos dessa nova escola, depois, é claro, de Barth. Brunner foi um teólogo suíço residente nos Estados Unidos que também teve participação importante no desenvolvimento da teologia neo-ortodoxa. Nascido em 1889, estudou em Zurich, Berlim e também no Union Theological Seminary, em Nova Iorque. Tornou-se professor de teologia em Zurich em 1924, e em 1953 deixou a Suíça para tornar-se professor na Universidade Cristã do Japão. Desde os primeiros anos do comentário aos Romanos, a neo-ortodoxia – às vezes chamada de barthianismo – cruzou muitas fronteiras, tendo exercido influência no oriente. No Japão, por exemplo, apesar da influencia de Brunner, foi Barth quem foi apelidado de ―o papa teológico‖. Enquanto nos Estados Unidos ele era recebido como um dos mais importantes teólogos, no Japão ele era conhecido como o único teólogo. Essa influência de Barth no Japão deve-se principalmente aos escritos de Tokutaro Takahura, por volta de 1925. Na verdade, o mundo inteiro sentiu o abalo WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 97

da teologia barthiana, tanto que ao final da década de cinqüenta, as três principais correntes teológicas já eram mencionadas como sendo a conservadora ou ortodoxa, liberal e neo-ortodoxa. Temos que reconhecer que existe muita rivalidade no movimento. A ferrenha diferença de opiniões entre Barth e Brunner quanto à realidade do nascimento virginal e da revelação geral, as criticas de Barth à Bultmann e as críticas que Bultmann devolveu à Barth, a discordância de Pannenberg acerca do conceito barthiano de história, são indicativos de que as vozes dentro do movimento neoortodoxo nem sempre foram unânimes. Emil Brunner aceita a revelação geral, e a mesma é negada por Barth. Barth aceita o nascimento virginal, conceito que é negado por Brunner. Ele foi duramente criticado por Barth por afirmar que a imagem de Deus se encontra ainda no homem pecador e que Deus se revela na natureza, mas se defendeu argumentando que se o homem pecador não é mais a imagem de Deus e se não há nenhuma revelação de Deus na natureza, então o homem não pode ser responsabilizado pelo pecado que comete. A teologia de Brunner, assim como a de Barth, é extremamente subjetiva. Buscando inspiração nos escritos dos filósofos Martin Bubber e Soren Kierkgaard, ele define o cristianismo e a teologia em termos mais relacionais que racionais. Ele argumenta que Deus não pode ser tratado como um objeto de estudo, ou um ―isso‖, mas devemos nos relacionar com ele apenas como um ―Tu‖. Essa insistência em que Deus é sempre sujeito e nunca objeto será um tema bastante recorrente na teologia contemporânea. Em um capítulo anterior, indicamos alguns dos pressupostos, bem como a metodologia da estrutura teológica neo-ortodoxa. Agora, cabe a nós destacarmos os temas comuns. O esboço que demonstraremos a seguir está baseado principalmente na obra Dogmática da Igreja, de Barth. 4.1- O tema mais debatido pela neo-ortodoxia é o conceito de revelação. A revelação, segundo Barth, é uma perpendicular que vem de cima, e que por isso não pode se comparar com as melhores intuições humanas. A revelação é um evento no qual Deus toma a iniciativa. Também é dito que a revelação não pode comparar-se com a Bíblia, pois é superior a ela. A Bíblia e suas afirmações são testemunhas, são sinais indicadores da revelação, mas não é a revelação em si. A Escritura não é a Palavra de Deus, e nem as afirmações da Escritura são revelação. Segundo Barth, comparar a Bíblia com a Palavra de Deus é objetivar e materializar a revelação. Nesse mesmo terreno, Brunner definiu a revelação como sendo uma ocasião de diálogo em que Deus se encontra com o homem. Não se pode dizer que a revelação tenha acontecido, a não ser que ambos os participantes do encontro – a saber, Deus e o homem – se encontrem. 4.2- O coração da revelação da Palavra de Deus, segundo a perspectiva neo-ortodoxa, é Jesus Cristo. De fato, Barth insiste tanto nessa idéia que chega ao ponto de negar a existência de qualquer outra revelação, à parte de Cristo. Para ele, a história da revelação e a história da salvação vêm a ser a mesma coisa. No Cristo de Barth, Deus revelou que não queria deixar o homem existir em pecado. Por isso, Barth insiste em que nunca deveríamos mencionar o pecado, a não ser que agreguemos imediatamente que o pecado foi derrotado, esquecido e vencido por Jesus. A reconciliação entre Deus e o homem se efetua por meio de Cristo. Jesus Cristo é o próprio Deus, isto é, é Deus que se humilha a si mesmo. Em sua liberdade, Deus cruza o abismo aberto e mostra que ele é verdadeiramente Senhor. Na encarnação, Deus se humilha a si mesmo. Barth não quer admitir a humilhação do homem Jesus. Segundo ele, dizer que a humilhação se refere ao homem é uma mera tautologia. Que sentido haveria em falar de um homem humilhado? A humilhação é algo natural no homem. Porém, dizer que Deus se humilhou a si mesmo, segundo Barth, é entender o verdadeiro significado de Jesus Cristo como Deus. Ele é o Deus que se humilha, que se revela, e é também a própria essência da revelação. 4.3- Barth afirma que Cristo, embora haja se humilhado como Deus, foi exaltado como homem. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 98

Ele se nega a admitir a idéia tradicional dos dois estados de Cristo, humilhação e exaltação, referindo-se à totalidade do Deus-homem em ordem cronológica. Para Barth, Deus se humilhou a si mesmo e o homem (a humanidade de Jesus) foi exaltada. Dizer que o estado de exaltação se refere a Deus também é mera tautologia. Que sentido haveria em falar em um Deus exaltado? A exaltação é algo natural em Deus. Segundo Barth, ―em Cristo, a humanidade é humanidade exaltada, assim como a divindade é divindade humilhada. E a humanidade é exaltada com a humilhação da Divindade‖. 4.4- A doutrina de Barth traz implícito o universalismo. Outro problema bastante polêmico dentro da neo-ortodoxia é a ambigüidade de seus proponentes no que concerne à possibilidade de salvação universal. Barth desde o início repudiou o conceito supralapsariano – que é a dupla predestinação – afirmando que a eleição não diz respeito a pessoas, e sim à Cristo. Ele afirma que a tarefa da igreja é proclamar que os homens já foram eleitos em Cristo, e que portanto, devem viver como escolhidos. Para Barth, a eleição não é um estado que adquirimos em Cristo, e sim uma vida de ação e serviço a Deus. Esse conceito barthiano implica em universalismo? Barth não afirmou, mas também jamais negou essa hipótese. Em uma de suas últimas conferências sobre a humanidade de Deus, ele disse que ―não temos o direito teológico de estabelecer quaisquer limites à misericórdia de Deus que se manifesta em Jesus Cristo‖. 4.5- Objeções à neo-ortodoxia. Como se pode observar, muitos pressupostos da neo-ortodoxia são resultantes da influência do liberalismo, o que torna algumas de suas propostas inaceitáveis para os teólogos ortodoxos. Há ainda muita polêmica dentro da neo-ortodoxia, não sendo difícil levantar objeções a essa corrente teológica. O que apresentamos a seguir são algumas objeções mais freqüentes que são levantadas contra a neo-ortodoxia. Primeiramente, a neo-ortodoxia coloca a experiência subjetiva acima da revelação objetiva. Para a neo-ortodoxia, a revelação não é simplesmente uma declaração de Deus ao homem, e sim um encontro divino-humano, uma confrontação e um diálogo existencial. De acordo com essa premissa, a Bíblia não pode ser a Palavra de Deus. Ela se transforma em Palavra de Deus à medida que Deus fala conosco por meio dela. Reconhece-se nessa premissa a dívida que a neo-ortodoxia tem com a escola de filosofia existencialista. A neo-ortodoxia conserva a linguagem teológica ortodoxa, porém a reinterpreta, e muitas vezes o resultado desta reinterpretação é tão nocivo quanto veneno no leite. As doutrinas do pecado original, da queda de Adão, da redenção, da ressurreição e da segunda vinda de Cristo são chamadas de mitos por Brunner e de saga por Barth. A interpretação que a neo-ortodoxia dá a essas passagens é acima de tudo existencial, quase nunca literal, sob alegação de que essas doutrinas não descrevem eventos na história, e sim condições históricas sob as quais todos os homens vivem. Gênesis 3, por exemplo, não deve ser tomado como história literal, sendo apenas uma forma simbólica de explicar a realidade do pecado e do orgulho na vida humana. Esse conceito de teologia não deixa nenhuma porta pela qual possa entrar a pregação da vinda do Filho de Deus como evento a ocorrer na história, por exemplo. A insistência de Barth em Jesus Cristo como o coração da revelação é tão forte que o leva a negar a existência de qualquer outra revelação de Deus. Essa idéia é contrária a Bíblia, pois esta afirma que Deus se revela através da sua criação (Atos 14.17 e Romanos 1.19-20). O conceito barthiano e neoortodoxo de revelação também é contrário à doutrina bíblica da inspiração, e acaba por destruir o caráter bíblico de revelação canônica. Alguns acusam Barth de fazer uma interpretação dualista da encarnação de Cristo, pois ele parece fazer distinção entre as duas naturezas, repudiando por completo o credo da Calcedônia. Ora, Cristo não nos salvou apenas por meio da sua divindade, mas também por meio da sua humanidade. Nós WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 99

temos paz por meio do sangue da cruz (Colossenses 1.20, Efésios 2.16) e não há nada mais humano que o sangue de uma pessoa. Ainda que Barth diz que nem afirma e nem nega a teoria da salvação universal, sua idéia de ―eleição universal em Cristo‖ parece uma espécie de neo-universalismo. Além disso, seu repúdio pelas descrições do céu e do inferno parecem um conceito de salvação bem diferente do que é apresentado nas Escrituras. O resultado dessa postura ―neo-universalista‖ é a destruição da gravidade da incredulidade, e deste modo a neo-ortodoxia destrói as advertências bíblicas contra a apostasia, bem como o chamado ao arrependimento e à fé. Por várias razões, muitos teólogos têm entendido mal a neo-ortodoxia. Essa corrente teológica pretende, entre outras coisas, ser um retorno ao ensino dos reformadores. A razão de ser da neoortodoxia é atacar o otimismo do liberalismo clássico e as corrupções da teologia católica romana. É sua intenção por em evidência a centralidade absoluta da pessoa de Cristo, a transcendência de Deus e a necessidade de revelação. Naturalmente, todos esses pontos básicos estão em harmonia com o conceito evangélico. Apesar disso, como se pode observar, a neo-ortodoxia se separa da fé cristã histórica não somente em algumas esferas pouco relevantes, mas também em seus conceitos básicos. Recomendamos as obras de Barth, Bultmann e Brunner – bem como de outros teólogos neo-ortodoxos – por sua influência e contribuição para o cenário teológico contemporâneo, mas a apreciação dessas obras deve ser feita com cautela e com espírito crítico. O Método da Desmitologização – Rudolf Bultmann

Crítica da Forma: O método investigativo de Rudolf Bultmann No mesmo ano em que Karl Barth publicou seu comentário aos Romanos, apareceram mais dois livros acerca de temas neotestamentários que anunciavam uma nova mudança nos estudos críticos. O livro Die Formgeschichte des Erxrngeliums, de Martin Dibelius (1883-1947), foi o responsável por popularizar o jargão teológico crítica formal. Outro livro, Der Ráhmen der Geschichte Jesus (1919), de Karl L. Schimidt, pretendia ser o golpe de misericórdia dos liberais contra a confiabilidade do Evangelho de Marcos. Porém, mais que a estes dois nomes, a coluna vertebral dessa nova mudança estaria associada a um outro nome: Rudolf Bultmann. O livro de Bultmann que revolucionou a história dos estudos da Bíblia foi History of the Synoptic Tradition (História da tradição dos Sinóticos), escrito em 1921. A influência de Bultmann no campo da crítica sobrepujou a de Dibelius.

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Oscar Cullmann O método crítico de Bultmann é de fato, importante. Até mesmo os seus críticos, tais como Oscar Cullmann e Joachim Jeremias, ao refutar as conclusões de Bultmann, usam uma adaptação do seu método crítico. Aos poucos, Inglaterra e Estados Unidos, bem como outros países com tradição no estudo da teologia, ainda que receosos quanto à nova matéria que estava associada principalmente ao nome de Bultmann, acolheram vários pressupostos da crítica formal. 5.1- O método investigativo da crítica formal. O labor do crítico formal é mostrar que a mensagem de Jesus, tal como temos nos sinóticos, é em grande parte espúria, tendo sofrido acréscimos por parte da comunidade cristã primitiva. Com respeito à confiabilidade da Bíblia, Bultmann vai mais além, e afirma que a Bíblia não é a Palavra inspirada de Deus em nenhum sentido objetivo. Para ele, a Bíblia é o produto de antigas influências históricas e religiosas, e deve ser avaliada como qualquer outra obra literária religiosa antiga. A premissa fundamental da crítica formal é que os evangelhos são o produto do labor da igreja primitiva. Os autores dos evangelhos procuraram unir várias tradições orais independentes e contraditórias que existiam na igreja antes que fosse escrito o Novo Testamento. Essas tradições orais também não são dignas de confiança, consistindo basicamente de ditos e relatos individuais referentes a Jesus e aos seus discípulos. A igreja ajuntou essas tradições e usou em forma de narrativa, inventando lugares, tempos e enlaces para unir as tradições independentes. Frases como as dos Evangelhos, ―em um barco‖, ―imediatamente‖, ―no dia seguinte‖, ―em uma viagem‖ – são apenas meros recursos literários usados pelos compiladores dos Evangelhos para unir todas as narrativas, inclusive histórias independentes acerca de Jesus. Como disse K.L. Shimidt, um dos pioneiros no campo da crítica, nós ―não possuímos a história de Jesus, temos apenas histórias sobre Jesus‖. O propósito da crítica formal é encontrar o Evangelho por detrás dos Evangelhos. Segundo os seus proponentes, os quatro Evangelhos que dispomos servem apenas como ―matéria prima‖ na nossa busca pelo verdadeiro Evangelho, que teria sido anterior aos quatro Evangelhos canônicos e diferente dos mesmos, partindo da premissa de que a igreja primitiva compilou, editou e organizou os livros canônicos de forma artificial, de acordo com seus próprios propósitos apologéticos e evangelísticos. Para dar aos Evangelhos um detalhe harmônico, teriam sido acrescentados detalhes quanto à seqüência, cronologia, lugares, etc. Segundo a crítica formal, tais detalhes não são confiáveis. A Bíblia, tal como a temos hoje seria apenas uma compilação de lendas e ensinos isolados que foram ardilosamente inseridos como sendo parte da história original. Milagres, histórias controvertidas e profecias cumpridas seriam nada mais que uma tradição proveniente de uma fonte tardia e menos confiável. Por fim, o resultado dessa metodologia é essencialmente anti-sobrenaturalista. Para Bultmann, o que temos nos Evangelhos canônicos são apenas resíduos do Jesus histórico. Não há dúvida que Jesus viveu e realizou muitas das obras que lhe são atribuídas, mas ele se mostra extremamente cético, principalmente quanto à possibilidade do sobrenatural e do chamado ―Jesus histórico‖. Ele disse: ―Creio que não podemos saber quase nada acerca da vida e personalidade de Jesus, já que as fontes cristãs primitivas não se interessam por isso, sendo fragmentadas e lendárias, e não existem outras fontes acerca de Jesus‖. É claro que o comentário de Bultmann é preconceituoso e tendencialista, pois há menção da pessoa de Cristo nos escritos dos Pais apostólicos, Flávio Josefo e Tácito, entre outros. 5.2- Consenso com os cristãos ortodoxos. Os cristãos ortodoxos aceitam, de forma quase consensual, alguns dos pontos sustentados pela neoortodoxia, e até mesmo com alguns pressupostos de Bultmann. A crítica formal nos lembra que o evangelho se conservou oralmente durante pelo menos uma geração, antes de adquirir a forma escrita do Novo Testamento. Ela também nos recorda que os WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 101

Evangelhos não são relatos neutros ou imparciais, sendo antes disso um testemunho da fé dos crentes. Além disso, por maiores que foram os esforços de Bultmann, ele não conseguiu demonstrar objetivamente o Jesus ―não-sobrenatural‖. Todos os documentos do Novo Testamento, não importa a forma em que a crítica formal os selecione, continuam refletindo o Jesus sobrenatural, filho de Deus. A crítica formal também nos recorda o caráter ocasional dos Evangelhos. Cada um deles foi escrito com uma idéia, em uma ocasião histórica específica, como por exemplo, Mateus para os judeus, e Marcos e Lucas para os gentios. Como tais, expressam em primeiro lugar uma preocupação vital com a problemática da época. E por último, a crítica formal nos lembra que os Evangelhos não se interessavam grandemente por detalhes geográficos e cronológicos, como a comunidade cristã ortodoxa havia pensado e praticado anteriormente. 5.3- Objeções ao método crítico de Rudolf Bultmann. É claro que esses pontos consensuais são superficiais. Assim como a teologia dialética de Barth, o método crítico de Rudolf Bultmann é demasiadamente injusto com a natureza do Novo Testamento. Há várias objeções que se pode fazer ao criticismo de Bultmann, dentre as quais destacaremos cinco, por considerá-las principais. A primeira delas está relacionada com a história. Não há embasamento sólido para a teoria da inconfiabilidade histórica dos Evangelhos. Os críticos da tradição de Bultmann argumentam que, por se tratar de uma crônica de contínuos sucessos, eles não podem ser um esquema historicamente confiável sobre a vida de Cristo. O que eles não levam em conta é que dentro dos limites de um esquema histórico amplo, cada evangelista distribuiu seu material histórico de acordo com seus propósitos. Eles também ignoram que o Novo Testamento, a pesar dos muitos sucessos, narra também alguns fatos embaraçosos, como a ausência de sinais de Cristo em sua terra natal (Mateus 13.54-58) e a sua agonia no Getsêmani. Além disso, a crítica de Bultmann é exagerada porque exige dos escritores dos Evangelhos algo que eles não quiseram fazer. Eles eram testemunhas oculares, mas não eram historiadores treinados. Porém, apesar disso, várias vezes eles se mostram cautelosos com os dados históricos, como no prólogo de Lucas (Lucas 1.1-4). A crítica formal também é injusta com os escritores dos relatos evangélicos. Eles reduzem Mateus, Marcos e Lucas a meros compiladores de documentos, e os Evangelhos a relatos contraditórios. Isso tudo viola injustamente a unidade do relato evangélico. Os Evangelhos possuem uma unidade básica de testemunhos confiáveis de Cristo, e ainda nos apresentam marcos diferentes da vida de Jesus. Na verdade, cada Evangelho é um marco histórico de certos aspectos da vida de Cristo, mas a crítica formal não reconhece a diversidade de transmissão oral dentro da unidade dos relatos evangélicos. O método crítico de Bultmann separa o cristianismo de Cristo. A grande premissa deste método de estudo é que a comunidade cristã, e não Cristo, exerceu o papel mais importante na produção dos Evangelhos. A verdade, porém, é que a mensagem neotestamentária está centrada na pessoa de Cristo e no que ele fez (2Coríntios 4.5), e não na comunidade cristã. A igreja a qual Paulo e seus companheiros testemunharam não foi criadora (2Coríntios 4.1-2), mas apenas receptora da verdade. Sua maior responsabilidade não foi a criação de novas tradições, e sim a preservação e proclamação das antigas tradições. Segundo a crítica formal, o cristianismo dos apóstolos não passava de versões falhas sobre Cristo e sua mensagem. Diferente do que dizem estes críticos, os apóstolos eram uma fonte autorizada de informação com respeito dos atos e doutrinas de Cristo. Em Atos 4.1.21-22, está claro que os apóstolos exerciam um controle estratégico da mensagem oficial da igreja durante os anos de transmissão oral. Sua presença tinha como finalidade impedir que surgissem versões deturpadas do Evangelho, e não criar uma versão mitológica e deturpada do Evangelho. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 102

A crítica formal parece esquecer que o lapso de tempo entre os fatos históricos e os documentos escritos é mínimo. Quando Bultmann e outros críticos da Bíblia dizem que a narrativa evangélica está repleta de fábulas que se acumularam durante o período entre a tradição oral e a palavra escrita, eles esquecem que o intervalo entre os fatos acontecidos e o registro desses fatos é muito pequeno. O primeiro relato documental foi feito por Marcos e as evidências demonstram que ele foi escrito cerca de vinte e cinco anos após os eventos por ele narrados. O problema em dizer que o NT está repleto de material lendário é que vinte e cinco anos é muito pouco tempo para se formar uma lenda. Quando as primeiras versões evangélicas começaram a circular, muitas das testemunhas oculares estavam vivas e poderiam facilmente desmascarar os escritores, caso estes fossem impostores e estivessem inserindo mitos na narrativa. O que ocorre, porém, é justamente o contrário: os Evangelhos foram recebidos com muita alegria e divulgados pelas igrejas. De tudo isso, segue-se irrefragavelmente que a crítica da Bíblia tal como aparece em Rudolf Bultmann, é uma analise preconceituosa do relato evangélico, está demasiadamente comprometida com os pressupostos do liberalismo para que possa ser considerada uma analise imparcial dos fatos, como os críticos desejam que seja. Mas a crítica formal não foi a única contribuição de Bultmann à teologia contemporânea. Outras idéias dele também permearam o cenário teológico do século vinte, entre as quais está a desmitologização, assunto que abordaremos com maior amplitude no próximo capítulo.

DESMITOLOGIZAÇÃO, DE BULTMANN Desmitologização: O método interpretativo de Rudolf Bultmann Uma das palavras chaves para entender a teologia do século vinte é a ―desmitologização‖. Essa palavra cacofônica é uma terminologia que foi popularizada por Bultmann em um ensaio escrito em 1941, tornando-se a partir daí um jargão teológico. O impacto desse conceito na Europa foi tremendo, e se por um lado a Alemanha perdeu pouco a pouco o interesse pelos pressupostos da desmitologização, a idéia recebeu um novo estímulo quando o John Robinson discorreu sobre o tema em seu livro Honest to God, de 1963.

Não é possível sintetizar todo o pensamento de Bultmann em uma única palavra. No capítulo anterior, apresentamos uma parte muito importante da influência atual de Bultmann. Apesar disso, a teologia da desmitologização é sem dúvida uma parte importantíssima da teologia contemporânea e merece destaque entre as idéias que Bultmann ajudou a preconizar, além de ser ainda hoje a parte de sua formulação teológica mais controversa. O que será que há de tão controverso e ao mesmo tempo tão atraente nesse conceito de Bultmann, a ponto de instigar consideravelmente os teólogos dos Estados Unidos, Europa e da Ásia, e continuar exercendo influência no pensamento teológico contemporâneo ocidental? É isso que estaremos analisando neste capítulo. 6.1- O programa de desmitologização. No centro do programa de desmitologização de Bultmann consta na afirmação de que no Novo Testamento encontram-se duas coisas: WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 103

O Evangelho cristão, por um lado. A cosmogonia do século primeiro, de índole mitológica, de outro lado. Sendo assim, o teólogo contemporâneo precisa separar o kerigma (transliteração da palavra grega que significa ―conteúdo da pregação‖), de sua envoltura mitológica. O kerigma seria a entranha irredutível na qual o homem moderno deve crer. A idéia de mito, para Bultmann, tem sua origem no pensamento pré-científico do século primeiro. O propósito do mito seria expressar a maneira como o homem vê a si mesmo, e não apresentar um quadro objetivo e histórico do mundo. O mito emprega imagens e termos tomados deste mundo para transmitir convicções acerca do enfoque que o homem tem de si mesmo. No século primeiro, o judeu entendia o seu mundo como um sistema aberto a Deus e aos poderes sobrenaturais. Nessa era pré-científica, acreditava-se que o universo tinha três níveis, com o céu acima, a terra no centro e o inferno debaixo da terra. Bultmann insiste que essa é a visão de mundo encontrada na Bíblia. Esta inserção mítica, segundo Bultmann, também foi utilizada para transformar Jesus. A pessoa histórica de Jesus, segundo esse professor, se converteu rapidamente em um mito do cristianismo primitivo, e é por isso que Bultmann argumenta que o conhecimento histórico de Jesus não tem valor para a fé cristã primitiva, pois o quadro apresentado pelo Novo Testamento é de índole essencialmente mítica. Os fatos históricos acerca de Jesus se transformaram em uma história mítica de um ser divino e preexistente que se encarnou e expiou com seu sangue os pecados de todos os homens, ressuscitando também dentre os mortos e subindo ao céu e, segundo se cria, regressaria rapidamente para julgar o mundo e iniciar uma nova era. Esta história também foi embelecida com histórias milagrosas, vozes celestes e triunfos sobre demônios. Bultmann afirma que toda essa apresentação que o Novo Testamento faz de Jesus não passa de mito., isto é, do reflexo do pensamento pré-científico das pessoas do século primeiro, que criaram esses mitos para entenderem melhor a si mesmos. Esses mitos, segundo ele, não tem nenhuma validade para o homem do século vinte, que acredita em hospitais, e não em milagres; em penicilina, e não em orações. Para transmitir com eficácia o evangelho ao homem moderno, devemos despojar o Novo Testamento dos mitos e encontrar o Evangelho por trás dos Evangelhos. É este processo de descobrimento que Bultmann chama de desmitologização. O processo de desmitologização, segundo o próprio Bultmann, não significa negar a mitologia, e sim interpretá-la existencialmente, em função da compreensão que o homem tem de sua própria existência. Bultmann busca fazer essa interpretação existencialista dos mitos utilizando conceitos do filósofo existencialista alemão Martin Heidegger (1889). Assim, ele afirma que o suposto nascimento virginal de Cristo é uma tentativa humana de expressar o significado de Jesus para a fé. A cruz de Cristo também perde seu significado expiatório. Cristo na cruz não está fazendo nenhuma substituição vicária: ela tem significado apenas como símbolo de que o homem assumiu uma nova existência, renunciando toda a segurança material por uma vida que se vive apoiado no transcendente. 6.2- Características básicas da mitologia do Novo Testamento. Em ultima análise, Bultmann diz que as características básicas da mitologia do Novo Testamento se concentram em duas categorias de autocompreensão: a vida fora da fé e a vida de fé. A vida fora da fé. Nesse sentido, os termos conhecidos como pecado, carne, temor e morte são apenas explicações míticas da vida fora da fé. Em termos existenciais, pode-se dizer que significam uma vida escrava das realidades tangíveis, visíveis e que perecem. A vida de fé. A vida de fé, por outro lado, consiste em abandonar completamente esta adesão às realidades tangíveis. Significa ainda a libertação do próprio passado e a abertura para o futuro de Deus. Para Bultmann, essa abertura ao futuro de Deus é o único significado real da escatologia. A implicação WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 104

desse pensamento é que o viver escatológico genuíno é viver em constante renovação através da decisão de obedecer. 6.3 – Objeções à doutrina de Bultmann. A teologia de Bultmann é anti-cristã e herética, e o nosso juízo sobre ela deve ser negativo por vários aspectos: Primeiro, a desmitologização, assim como a neo-ortodoxia, tem grande dívida com a filosofia existencialista, que está em desacordo com o Novo Testamento. No existencialismo, assim como na neo-ortodoxia e na teologia da desmitologização, o enfoque central é o próprio homem, quando na Bíblia o enfoque é Deus. Sob influência do existencialismo, Bultmann coloca o homem no centro das atenções, cometendo uma injustiça e porque não dizer, sendo desonesto para com o caráter teocêntrico do Novo Testamento. O verdadeiro propósito do Novo Testamento é proclamar que o Deus soberano veio ao mundo na pessoa de Jesus para restaurar a natureza humana e resgatar a humanidade. O coração do Novo testamento continua sendo Deus, e não o Homem. A desmitologização destrói a objetividade do Novo Testamento, portanto, é anti-cristã. Ela converte a Bíblia em uma religiosidade baseada no irreal e pré-científico. A religião cristã se transforma em um aglomerado de mitos e a historicidade dos eventos milagrosos é logo descartada. Herman Riddebos nota que, segundo Bultmann, Jesus ―não foi concebido pelo Espírito Santo, nem nasceu da virgem Maria. Sofreu sob Pôncio Pilatos e foi crucificado, mas não desceu ao hades, não ressuscitou dos mortos e nem subiu aos céus. Também não está assentado à direita de Deus Pai e não voltará para julgar os vivos e os mortos‖. Segundo Bultmann, ressurreição, inferno e nascimento virginal são palavras desprovidas de significado real, não sendo literais. São dogmas mitológicos e não expressam nenhuma realidade objetiva. O mesmo ocorre com a trindade, com a expiação vicária e com a obra do Espírito Santo. O cristianismo primitivo está marcado pelo impacto da pessoa e da obra de Cristo. Não existe outra justificativa capaz de explicar o nascimento da igreja e da sua teologia, porém Bultmann reduz sua influência à zero. Ele preconceituosamente assume uma postura anti-sobrenaturalista e presume, com base em seus conceitos tendenciosos e sem nenhuma evidência plausível, que todos os relatos confiáveis acerca de Jesus ficaram suprimidos ou destruídos no breve período que transcorreu entre sua vida terrena e o início da pregação evangélica. Seu ceticismo é insustentável. Será que 50 dias é tempo suficiente para que os discípulos viessem a esquecer tudo o que ouviram e viram?

David Hume Não foi só Heidgger que influenciou a teologia de Bultmann. As idéias de David Hume, o cético escocês, haviam influenciado o mundo e seu legado se estendia à época de Bultmann. É injustificável a negação de Bultmann dos relatos sobrenaturais e a classificação arbitrária desses relatos como sendo essencialmente mitológicos. Também podemos perceber várias pressuposições do liberalismo clássico na obra de Bultmann, razão pela qual tanto o seu método crítico como sua teologia da desmitologização ganharam o apelido de neo-liberalismo. Bultmann é totalmente incoerente ao basear suas idéias nas Escrituras, pois o que ele chama de mito, a Bíblia chama fato. Seu antropocentrismo pode estar bem de acordo com a filosofia existencialista, mas é totalmente oposto ao caráter teocêntrico do Novo Testamento. O desvendamento das Escrituras pela desmitologização é herético. Ao contrário do que Bultmann pretende, não é a desmitologização que desvendará de modo compreensível as Escrituras para o WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 105

homem moderno, e sim o Espírito Santo. Somente ele, segundo a Bíblia, é que pode dissipar as trevas da incredulidade levando o pecador a ver o Evangelho. Com seu método interpretativo, Bultmann nos desafia a compreender o homem moderno, quando pregamos a ele. Esse enfoque é digno e necessário, mas não é “desmitologizando” o Evangelho e interpretando-o existencialmente que nós solucionaremos os problemas da humanidade. Ao apresentar a mensagem cristã ao homem moderno, devemos ter em mente que por mais moderno que ele seja, ele ainda é homem natural, e portanto ―não pode compreender as coisas que são do Espírito de Deus, porque lhe parece loucura‖ (1 Coríntios 2.14). Creio que esse versículo, mais que qualquer outro, pode ser aplicado ao método interpretativo de Rudolf Bultmann.

O Método Correlação TEOLOGIA DO SER, DE PAUL TILLICH

Teologia do Ser: Paul Tillich e a fronteira entre o liberalismo racionalista e a teologia existencialista Há pelo menos três grandes vultos teológicos do século vinte. Já apresentamos dois deles, à saber: Barth e Bultmann. Queremos agora apresentar o terceiro deles, Paul Tillich. Tendo fugido da tirania de Hitler em 1933, Paul Tillich se tornou professor do Union Theological Seminary, em Nova Iorque. Embora fosse um homem de grande erudição, sua intelectualidade não o privou de prestar importantes serviços sociais e religiosos. Exerceu capelania durante os quatro anos da Primeira Guerra Mundial e participou do Movimento Socialista Religioso na Alemanha. Sua experiência como capelão no período da guerra fez com que ele tivesse uma vívida impressão dos problemas sociais. Há quem pense que seu existencialismo teológico tenha surgido nesse período e especificamente por causa dos horrores da guerra, mas tal comentário será sempre especulação. Ao chegar nos Estados Unidos, dedicou seu tempo para ajudar os refugiados da Europa. Tillich é mesmo uma figura controversa. Na Europa ele é considerado um liberal e ferrenho opositor de Barth e Brunner. Na América do Norte, no entanto, ele é considerado como pertencendo a escola neo-ortodoxa e em alguns círculos teológicos, ele é mencionado em conjunto com Barth e Brunner. Porém, apesar das semelhanças, Tillich desenvolveu um sistema teológico que resiste a qualquer rótulo, e talvez, por essa razão, não formou especificamente uma escola teológica específica. O fato é que Tillich se valeu das elucubrações de ambas as partes, neo-ortodoxa e liberal, coletando ―supostamente‖ o que havia de melhor nessas duas escolas. O teólogo Willian H. Hordern define a teologia de Paul Tillich como sendo ―a fronteira entre o liberalismo e a neoortodoxia‖, e é isso mesmo que ela é. Ele se situa exatamente no centro, entre a crítica destrutiva da desmitologização e o existencialismo neo-ortodoxo. Apesar de não ter formado uma escola específica, é provável que somente Rudolf Bultmann tenha exercido uma influencia igual no cenário teológico mundial. Sua profunda erudição e seus conhecimentos de história, filosofia, psicologia, arte e análise política, além de sua especialidade, a teologia, lhe renderam o título de ―teólogo dos teólogos‖, apelido pelo qual é conhecido hoje nos círculos acadêmicos. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 106

14.1 – Pressupostos da teologia de Paul Tillich. Parte da popularidade de Tillich nos círculos acadêmicos deve-se a sua profunda preocupação em encontra alguma forma de relacionar a mensagem da Bíblia com as necessidades do século vinte. Falando do ―princípio de correlação‖, ele argumenta que deve haver uma correlação entre os problemas do homem e a fé cristã. Se por um lado a filosofia naturalista não pode responder os questionamentos do homem, por outro lado, segundo ele, o ―sobrenaturalismo do cristianismo histórico‖ é muito transcendente para que o homem possa encontrar nele a resposta. A mensagem do cristianismo surge como ―um conjunto de verdades sagradas que apareceram em meio à situação humana como corpos estranhos procedentes de um mundo estranho‖. Como encontrar a verdade? E de que modo podemos construir uma teologia? Para Tillich, começamos definindo a religião. A religião não é apenas uma questão de ter determinada crença ou praticar certas ações. Para Tillich, o homem é religioso quando está ―essencialmente preocupado‖. A preocupação essencial é aquela que tem prioridade sobre todas as preocupações da vida. Essa preocupação, segundo ele, tem o poder de elevar o homem sobre si mesmo. Ela se resume na entrega total de nosso ser. Essa preocupação essencial é o que determina nosso ser ou o não-ser. Nós nos preocupamos essencialmente quando ponderamos sobre aquilo que tem o poder de destruir ou de salvar-nos. Nossa preocupação é essencial quando ponderamos sobre aquilo que é a soma da nossa realidade e a estrutura e objetivo da nossa existência. O essencial é o próprio Ser, ou aquilo que tradicionalmente chamamos de Deus. Este Ser (com maiúscula), paradoxalmente não é nem uma coisa nem um ser. Ele esta além do ser ou das coisas. Deus não é apenas o Ser, mas também o poder de Ser por si mesmo, e isso foge a nossa compreensão. Não podemos compará-lo a nada a fim de defini-lo, pois mesmo que o considerássemos como o ser mais elevado, o estaríamos reduzindo a um objeto e uma criatura. Por isso, para Tillich, afirmar a existência de Deus é tão ateu quanto negá-la, isso porque o Ser transcende à existência. Ele é a resposta simbólica do homem para a sua busca de bravura para superar as situações que o limitam, tais como o ser e o não-ser que tanto o angustiam. Quanto ao pecado, Tillich o define em função do ser e da alienação do Ser. A responsabilidade pelas tensões da vida moderna não está relacionada a um conceito clássico de pecado, o que seria uma explicação superficial e simplória. O pecado é a alienação do fundamento do nosso ser. Em sua cristologia, ele define Jesus como o símbolo no qual se supera a alienação, em que se rompe a distância. Cristo é o símbolo do ―Novo Ser‖, no qual se dissolve toda alienação que tenta diluir a unidade do homem com Deus. A palavra ―símbolo‖ é resultado do repúdio de Tillich por qualquer interpretação ortodoxa acerca da pessoa e da obra de Cristo. Segundo ele, a afirmação ―Deus se fez homem‖ é uma afirmação não apenas paradoxal, mas também sem sentido. O relato da crucificação é mencionado como lendário e contraditório. A ressurreição, segundo ele, significa simplesmente que Jesus foi restituído à sua dignidade na mente dos discípulos. As descrições da salvação em seus aspectos, tais como justificação, regeneração e santificação também estão sujeitas à reinterpretações. A regeneração é descrita por ele como ―ser incorporado na Nova Realidade manifesta em Jesus‖, como portador do ―Novo Ser‖. A justificação também não é um ato soberano de um Deus pessoal, e sim uma palavra simbólica que indica que o homem é aceito apesar de si mesmo. A santificação é o processo através do qual o Novo Ser transforma a personalidade e a comunidade fora da igreja. 14.2 – Objeções à teologia de Paul Tillich. Quando nos deparamos pela primeira vez com a obra de Paul Tillich, temos a impressão de estar diante de um incrível tratado teológico produzido por uma mente enciclopédica, precisa, sutil e tremendamente criativa. No entanto, sua teologia não é especificamente cristã, e sim uma ―tradução‖ da linguagem teológica em termos teosóficos e ontológicos. As vezes essa tradução WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 107

nos ajuda a ver as coisas sob uma luz mais clara e profunda, porém na maioria das vezes, sua tradução faz violência tanto ao Espírito quanto à letra que ele traduz. Há várias objeções que se pode fazer à teologia de Tillich, entre elas a sua rejeição da Bíblia como palavra de Deus. Seguindo os moldes neo-ortodoxos e liberais, ele argumenta que a Bíblia, interpretada da maneira tradicional, não é aplicável aos problemas da nossa época. Por esta causa, Tillich utiliza a filosofia para analisar os problemas mais profundos da existência do homem contemporâneo. No entanto, a maior falta dele não foi substituir a teologia pela filosofia. Como escreveu o crítico Kenneth Hamilton, ―sua maior falha foi substituir a Palavra de Deus pela palavra do homem‖. O ―princípio da correlação‖ de Tillich afirma que a filosofia pode dar-nos uma analise adequada da situação humana. A Bíblia, nesse caso, pode até aparecer, mas estará sempre em plano secundário. Sua doutrina definitivamente não é doutrina bíblica. Não entendemos o porquê Paul Tillich insiste em empregar a palavra Deus com sentido cristão. Sua idéia de Deus não é trinitária e nem pessoal. Deus é um poder racional que penetra a profundidade do ser, mas não é uma pessoa que se comunica ou com quem possamos ter comunhão. O conceito de ―Ser‖ que Tillich apresenta se assemelha muito mais a um aspecto desse mundo do que existe por si só e independe de sua criação. No sistema dele, não há mais distinção entre Criador e criatura. Também não conseguimos entender que tipo de Deus pode estar além da transcendência, e que não é nem sobrenatural nem natural. Sua cristologia também é uma fraude. Tillich reduz Jesus a um mero símbolo, o que faz dele um absoluto nada. Essa teologia diluída poderia ser bastante aceitável para um budista ou um hindu. Religiosos de ambos os grupos certamente abraçariam com alegria seus pressupostos, exceto pela sua afirmação de que só ele foi e é o Cristo. A soteriologia de Tillich não tem significado concreto, exceto como um símbolo a mais para descrever uma situação existencial que não tem relação com o Deus Vivo. Vemos em Paul Tillich um sério compromisso com a filosofia existencialista, ao mesmo tempo em que podemos perceber seu particular descaso para com a Palavra de Deus. Ao negar a historicidade dos fatos narrados no Novo Testamento, a ocorrência literal dos milagres e o maior milagre do cristianismo: a ressurreição, Tillich remove o fundamento e a esperança da fé cristã. Imagino o que diria o apóstolo Paulo a um pregador como Paul Tillich: ―E, se não há ressurreição de mortos, então, Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé; e somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens‖(1Coríntios 15.13-19). Não sei ao certo como Paulo argumentaria com Tillich, mas creio que seria algo assim. Se por um lado Tillich é considerado excelente erudito (e eu diria até um bom filósofo), sua interpretação meramente existencial do cristianismo faz dele um teólogo ruim, da perspectiva ortodoxa. Assim como Bultmann, ele lança tantas dúvidas acerca dos milagres e da ressurreição que de nenhuma maneira, segundo os princípios paulinos, sua teologia pode ser chamada cristã. Prove e veja Na Universidade de Chicago, Divinity School, em cada ano eles têm o que chamam de ―Dia Batista‖, quando cada aluno deve trazer um prato de comida e ocorre um piquenique no gramado. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 108

Nesse dia, a escola sempre convida uma das grandes mentes da literatura no meio educacional teológico para palestrar sobre algum assunto relacionado ao ambiente acadêmico. Certo ano, o convidado foi Paul Tillich, que discursou, durante duas horas e meia, no intuito de provar que a ressurreição de Jesus era falsa. Questionou estudiosos e livros e concluiu que, a partir do momento que não existiam provas históricas da ressurreição, a tradição religiosa da igreja caía por terra, porque estava baseada num relacionamento com um Jesus que, de fato, segundo ele, nunca havia ressurgido literalmente dos mortos. Ao concluir sua teoria, Tillich perguntou à platéia se havia alguma pergunta, algum questionamento. Depois de uns trinta segundos, um senhor negro, de cabelos brancos, se levantou no fundo do auditório: ―Dr Tillich, eu tenho uma pergunta, ele disse, enquanto todos os olhos se voltavam para ele. Colocou a mão na sua sacola, pegou uma maçã e começou a comer... Dr Tillich... crunch, munch... minha pergunta é muito simples... crunch, munch... Eu nunca li tantos livros como o senhor leu... crunch, munch... e também não posso recitar as Escrituras no original grego... crunch, munch... Não sei nada sobre Niebuhr e Heidegger... crunch, munch... [e ele acabou de comer a maçã] Mas tudo o que eu gostaria de saber é: Essa maçã que eu acabei de comer... estava doce ou azeda? ―Tillich parou por um momento e respondeu com todo o estilo de um estudioso: ‗Eu não tenho possibilidades de responder essa questão, pois não provei a sua maçã‘. ―O senhor de cabelos brancos jogou o que restou da maçã dentro do saco de papel, olhou para o Dr. Tillich e disse calmamente: ‗O senhor também nunca provou do meu Jesus, e como ousa afirmar o que está dizendo?‖. Nesse momento, mais de mil estudantes que estavam participando do evento não puderam se conter. O auditório se ergueu em aplausos. Dr. Tillich agradeceu a platéia e, rapidamente, deixou o palco‖. É essa a diferença! É fundamental considerar que tudo o que engloba a fé genuinamente cristã está amparado em um relacionamento experimental (prático) com Deus. Sem esse pré-requisito, ninguém pode seriamente afirmar ser um cristão. Seria muito bom se os críticos se atrevessem a experimentar este relacionamento antes de tecerem suas conjeturas. Se assim fosse, certamente se lhes abriria um novo horizonte para suas proposições e, quem sabe, entenderiam que o sobrenatural não é uma brecha da lei natural, mas, sim, uma revelação da lei espiritual.

O Cristianismo Secular TEOLOGIA SECULAR, BONHOEFFER, COX E BUREN

Martin Van Burer Teologia Secular: Robinson, Cox e Buren: Uma teologia do mundo para o homem moderno. Na idade média houve uma forte tendência eclesiástica de sacramentalizar a sociedade, de tal forma que o pensamento teológico acerca do Reino de Deus se mesclou com as pretensões do papado. A WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 109

intenção era trazer o Reino de Deus através da força militar e plantar suas idéias na sociedade. Em meados do século vinte, a tendência parecia ser a oposta. Desde Karl Barth, havia um forte clamor por um cristianismo menos dogmático e mais vivenciável, e no período pós-guerra esse clamor se intensificou e se homogeneizou com algumas idéias extremamente sociais e humanistas. Começava a nascer então a teologia da secularização. Poucos sabem, mas o secularismo tão presente e difundido em nossa era, já esteve organizado em um forte sistema religioso. A princípio, os secularistas conservaram alguma forma moderada de religião, talvez por medo de se oporem ao amor e ao culto cristão, mesmo quando pensavam que a idéia de Deus era obsoleta. Esse tipo de concessão, porém, está mudando vertiginosamente, tanto que se cumpre hoje o que foi dito por certo comentarista: ―no fim do século vinte, os cristãos consagrados serão uma minoria consciente no ocidente, rodeados por um paganismo agressivo e arrogante, que é o desenvolvimento lógico da nossa tendência secularista‖. De fato, o final do século vinte e início do século vinte e um, foram marcados por uma forte tendência secular, apostasia deliberada e oposição aberta ao sagrado. Uma das manifestações mais abertas e nocivas dessa ―deserção secularista de Deus‖ que caracteriza a apostasia, encontra sua versão religiosa no que passou a chamar-se teologia secular. Sendo esse um movimento com muitas posições extremas, resiste a toda definição, ainda que exige atenção. O conhecido movimento da morte de Deus talvez tenha já morrido como moda teológica, porém, como ramificação da teologia secular, ele continua influenciando a igreja e seus ensinos sadios. Esse radicalismo ateológico ganhou proporções gigantescas no best-seler de John Robinson, Honest to God (1963). O livro de Robinson começa com o convencimento de que a idéia de um Deus ―lá em cima‖, tão transcendente como na teologia de Kierkgaard, de Barth e na filosofia de Kant deve ser deixada de lado por se tratar de uma idéia antiquada e errônea. O problema é que ao invés de buscar a moderação entre a transcendência e a imanência de Deus, ele parte para a idéia de um Deus no nosso interior, algo totalmente imanente. Robinson reafirma que Deus é o fundamento do nosso ser, e acrescenta que a igreja nunca deveria ser uma organização para homens religiosos; não deve haver uma distinção entre igreja e mundo. O lema desses novos ―crentes‖, cristãos secularistas é ―ama a Deus e faça o que quiser‖.

A Cidade Secular - Harvey Cox Em outro livro, escrito em 1965, se percebem as mesmas exigências teológicas. A Cidade Secular, de Harvey Cox, apresenta o secularismo não como inimigo da igreja, mas como fruto do evangelho. Por secularismo, Cox entende o processo histórico pelo qual a sociedade se liberta do controle da igreja e dos sistemas metafísicos fechados. O centro de interesse dessa nova teologia não é a igreja, mas sim o mundo e as suas necessidades. O Deus da Bíblia, segundo ele, deve ser redefinido como sendo o Deus deste mundo (cf. 2 Coríntios 4.4). 8.1- A postura da teologia secular. Quais seriam os pressupostos dessa teologia do mundo? Que idéias os chamados teólogos seculares defendem? O que apresentamos à seguir são as principais idéias esposadas pela teologia do mundo. Em primeiro lugar, os teólogos seculares estão de acordo que os problemas deste mundo deveriam ser uma das preocupações vitais da igreja.Eles reclamam que a igreja tem se esquivado e WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 110

racionalizado quanto as suas falhas em não enfrentar-se com os males sociais e políticos. Com respeito a isso, a voz mais eloqüente foi Dietrich Bonhoeffer, pastor alemão executado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial por participar de um complô contra a vida de Hitler. O espírito ativista de Hitler é o espírito da teologia secular, e talvez seja essa a razão pela qual ele chegou a ser considerado uma espécie de patrono do secularismo teológico. Muitos dos valores desse movimento teológico foram retiradas do diário e das cartas de Bonhoeffer, escritas na prisão, enquanto este aguardava a execução.

Dietrich Bonhoeffer A conduta de Bonhoeffer é reprovável e anti-cristã. A Bíblia nos instrui a amar nossos inimigos (Mateus 5.44), não a assassiná-los; a orar pelas autoridades (1 Timóteo 2.2), e não lutar contra elas. Porém, seus pressupostos nos trazem à mente uma verdade que foi expressa pelo próprio Bonhoeffer, a de que ―não se pode encerrar a Cristo na sociedade sagrada da igreja‖. O campo é o mundo, e a nossa teologia não deve ser confinada às quatro paredes da nave de um templo. Os teólogos seculares também afirmam que nossa teologia deve expressar um espírito de secularização. Harvey Cox diz que devemos deixar de falar da ontologia antiquada para começarmos a falar de funções e de ativismo dinâmico. Nas palavras de Robinson, a pergunta ―Como posso encontrar um Deus benigno?‖ deve ser substituída por ―Como encontrar um próximo benigno?‖. Sem dúvida, o mais radical dos teólogos seculares é Paul Van Buren. Buren, em seus razoamentos teológicos afirma que o próprio Deus deve ser excluído do cenário teológico. O cristianismo, segundo ele, deve ser reconstruído sem Deus, e Cristo deve ser visto como o paradigma da existência humana. Na teologia secular, não há espaço para o Jesus salvador. Ele é, no máximo, um bom exemplo. A terceira objeção diz respeito à possibilidade do sobrenatural. Existe na teologia secular um esforço para minimizar o sobrenaturalismo. A idéia liberal de que Jesus foi apenas um homem bom que viveu perto de Deus ganhou vida dentro da teologia secular. Robinson fala da expiação como ―a entrega completa de Jesus em amor‖, no qual ele ―revela que o fundamento do ser humano é o amor‖. Ele, assim como Cox e Buren, repudia a idéia de uma expiação sobrenatural e perdoadora. É uma teologia totalmente naturalista, cujo Deus é literalmente o Deus deste mundo (2 Coríntios 4.4). Assim também, os teólogos seculares rejeitaram totalmente o reino sobrenatural e a segunda vinda de Cristo. O único mundo real é o aqui e agora, e a idéia do céu é chamada por eles de ―escotilha de escape‖. 8.2- Avaliação da teologia secular. Há quem creia que a teologia da secularização tenha trazido apenas prejuízo à teologia ortodoxa, mas, apesar do prejuízo causado ter sido maior que o bem que ela tem feito, uma da suas contribuições para a teologia ortodoxa foi plantar algumas perguntas que os teólogos, encerrados em seus sistemas dogmáticos, não tinham pensado em fazer, e muitas delas têm repercussão missionária e verdadeira importância na contextualização da mensagem cristã para o mundo. Qual deve ser a reação da igreja perante essas doutrinas? Certamente reconhecemos que esses homens captaram o espírito de nosso tempo. O problema é que eles não somente captaram, senão que deixaram dominar-se por ele. A teologia secular é radical e anti-bíblica. É verdade que Jesus recomendou que preocupássemos com os males do nosso mundo e buscássemos corrigi-los (Mateus 25.31-46), mas os teólogos seculares confundem o serviço no mundo com serviço para o mundo; WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 111

estamos no mundo para servir nele, e não para servir a ele. Além do mais, eles esquecem que o amor de Deus escolhe filhos, e não apenas servos. A vida cristã é um viver com Deus, é uma vida em adoração e não somente uma vida de trabalhos humanitários. Os teólogos seculares vestem seu humanismo de jargões teológicos e nos ensinam a viver no mundo de Marta, quando uma coisa só é necessária. A teologia secular, em seu repúdio pela metafísica e a ontologia, demonstram seu preconceito quanto ao mundo fenomenal. Eles não querem uma Bíblia sobrenaturalmente inspirada, não querem crer em um Deus ativo na criação, e não esperam um reino futuro. Tal como Bultmann, eles ignoram o sobrenatural. Sua teologia é a essência da apostasia descrita na Bíblia como característica do tempo do fim. A teologia secular fala de um reino centralizado na obra e no futuro de um homem autônomo. O único reino que a Bíblia conhece está centralizado no poder e na obra de Cristo, nunca no homem (cf. Mateus 11.11 ss.; 12.22 ss.). A teologia secular demonstra o desejo de uma reformulação do cristianismo em termos que sejam aceitáveis para o pensamento moderno e que possa ser traduzido em termos compreensíveis para o homem do século vinte. A teologia secular é uma teologia mundana elaborada para responder à incredulidade arrogante de um homem que não ama a Deus, mas a si mesmo. Unidade IV – Movimentos Teológicos Contemporâneos TEOLOGIA DA ESPERANÇA, DE MOLTMANN

Jurgen Moltmann Teologia da Esperança: Jurgen Moltmann e a análise escatológica existencial Em 1965, um jovem teólogo alemão da Universidade de Tubinga fez ressoar a sua voz através de seu livro The Theology of Hope (A Teologia da Esperança), que saiu em inglês em 1967, cujo teor repercutiu grandemente no mundo acadêmico. Há quem relacione ao movimento outros dois nomes: Wolfhart Pannenberg, de Munique, e Ernst Benz, de Marburg, porém, em nosso estudo, entendemos que Pannenberg se encaixa melhor em outro movimento, que apresentaremos no capítulo seguinte. Porém, ainda que seja possível fazer essa distinção, não há como negar que esses homens possuem muitos aspectos em comum. No ano de 1969, foi publicada a sua segunda obra, Religion, Revolution and the Future (Religião, revolução e o Futuro). Os teólogos receberam entenderam o livro de Jurgen Moltmann como sendo um chamado refrescante a uma maior valorização da escatologia, dentro da teologia cristã, além de ser um ataque devastador aos teólogos existencialistas que argumentavam na linha de Bultmann. 10.1 – Entendendo a teologia futurista de Moltmann. A chave central para entender a teologia futurista de Moltmann é sua idéia de que Deus está sujeito ao processo temporal. Neste processo, Deus não é plenamente Deus, porque ele é parte do tempo que avança para o futuro. No cristianismo tradicional, Deus e Jesus Cristo aparecem fora do tempo, no atempo. Na teologia de Moltmann, a eternidade se perde no tempo. Para Moltmann, o futuro é a natureza essencial de Deus. Deus não revela quem ele é, e sim quem ele será no futuro. Desta forma, Deus está presente apenas em suas promessas. Deus está presente na esperança. Todas as afirmações que fazemos sobre Deus, são produto da esperança. Nosso Deus será Deus quando cumprir suas promessas e com isso estabelecer o seu reino. Deus não é absoluto; ele está determinado pelo futuro. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 112

Segundo Moltmann, toda teologia cristã deve modelar-se através da escatologia. Acontece que a escatologia para ele não significa a previsão tradicional da segunda vinda de Jesus. Moltmann interpreta como aberta ao futuro, aberta à liberdade do futuro. Deus entrou no tempo, e consequentemente o futuro se tornou algo desconhecido tanto para o homem como para Deus. O cristianismo evangélico relaciona intimamente a ressurreição de Cristo com a escatologia. O Cristo ressuscitado é ―as primícias‖ da ressurreição (1Coríntios 15.23; At 4.2). A morte e ressurreição de Cristo são a garantia que Deus dá de que haverá ressurreição futura, e por isso, o começo da ressurreição final. A ressurreição de Cristo é um fato histórico que atribui pleno significado ao nosso futuro. Porém, para Moltmann, a questão da historicidade da ressurreição corporal de Jesus não é válida. Jesus ressuscitou dentre os mortos há quase dois mil anos com seu corpo físico? Para Moltmann essa é uma questão sem importância. Não devemos olhar desde o Calvário para a Nova Jerusalém, e sim olhar o nosso futuro ilimitado para o Calvário. Afirma-se tradicionalmente que a ressurreição de Cristo é a base histórica da ressurreição final. Moltmann porém diria que a ressurreição final é a base da ressurreição de Jesus. Ainda quanto ao futuro, Moltmann diz que o homem não deve olhá-lo passivamente; ele deve participar ativamente na sociedade. A tarefa da igreja é não é apenas se informar sobre o passado para mudar o futuro. É também ―pregar o Evangelho de tal forma que o futuro se apodere do indivíduo e lhe impulsione a agir de modo concreto para mudar o seu próprio futuro. O presente em si mesmo não é importante. O importante é que o futuro se apodere da pessoa no presente‖. Para que o futuro se realize na sociedade, as categorias do passado devem ser descartadas, pois não existem formas ou categorias fixas no mundo. O futuro significa liberdade e liberdade é relatividade. O principal propósito da igreja é ser o instrumento por meio do qual Deus trará a ―reconciliação universal e social‖. A participação da igreja na sociedade poderá utilizar a revolução como meio apropriado, mesmo que ela não seja necessariamente o único meio. Neste avançar para o futuro, o problema da violência versus não-violência recebe o nome de ―problema ilusório‖. A questão não é a violência em si, e sim se o uso da violência foi justificado ou injustificado. Essa tendência pragmática em que os fins justificam os meios é uma tendência muito forte dentro da Teologia da Esperança. Assim como na ―Teologia Secular‖, aqui também pode ser vista uma profunda consciência para com o mundo. A idéia de Moltmann de considerar a Bíblia desde o começo como um livro escatológico pode parecer um atrativo para o cristão ortodoxo. Realmente um assunto tão importante quanto a escatologia não deveria ocupar as últimas páginas em nossos livros de teologia sistemática. Porém, qualquer conservador certamente saberá reconhecer os erros patentes de Moltmann, bem como os horrores que traria a sua visão ética. 10.2- Objeções à Teologia da Esperança. Moltmann critica muitos conceitos neo-ortodoxos, mas ele acaba levando os conceitos barthianos muito mais longe. Barth havia transcendentalizado a escatologia por meio do emprego da distinção entre Historie e Geschichte, mas Moltmann foi ainda mais além, e rejeitou todo o conceito objetivo da história. Se por um lado a dialética de Barth acabou com a possibilidade da relação entre história e fé, a teologia de Moltmann destruiu até mesmo a possibilidade de haver história. Ainda que Moltmann revista sua escatologia de conceitos bíblicos, seu sistema está mais fundamentado no marxismo do que em Cristo. O primeiro livro de Moltmann, ―Teologia da Esperança‖ nasceu de um dialogo com o ateu alemão Ernst Bloch, e quando lemos o seu segundo livro, vemos que nesse intercâmbio, Moltmann assimilou muitas idéias de Bloch. A idéia que Moltmann tem da escatologia é destituída de base bíblica. Apesar de todo esforço de Moltmann para produzir uma teologia bíblica, no final, seu sistema nada mais é do que uma teologia centralizada no homem, em um homem que observa o futuro e age na sociedade. A meta WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 113

do futuro de Moltmann não é a plena manifestação da glória de Cristo; ela é a edificação da utopia na terra. Para ele, o Reino de Deus se introduz na terra por meio da política e da revolução. Para o apóstolo Paulo, no entanto, o Reino de Deus é, e será introduzido por meio da proclamação do poder salvador de Jesus Cristo (Atos 28.30-31). Para Moltmann, esse reino é também uma realidade terrenal e tangível; o Reino de Deus, no entanto, é descrito na Bíblia como celestial. Para Moltmann, o Reino de Deus é trazido por meio da revolução; no entanto, segundo a Bíblia, o Reino de Deus traz a paz, e não a guerra (Romanos 14.7). Quanto ao conceito de Deus, ele não admitia nenhum Deus eterno ou infinito. Ao entrar no tempo, segundo ele, Deus se tornou finito e aberto a um futuro desconhecido. O Deus da Bíblia existe de eternidade a eternidade; o de Moltmann, porém, só existe no futuro, pois no presente ele sequer é Deus. Como observou certo escritor: ―No monte sinai, Deus disse a Moisés: Eu sou o que sou, mas Moltmann não permitua que Deus lhe dissesse o mesmo. A teologia de Moltmann tem maior dívida com Nietzche, com Overback e com Feurbach do que com Paulo, Pedro ou João. Ela é mais marxista que bíblica, e mais filosófica que teológica. Em seu afã de refutar as teologias não-ortoxas do seu tempo, Moltmann ultrapassou o limite do bom senso e acabou por propor uma teologia quase tão nociva quanto aquela a que ele se dedicou a refutar. Essa teologia do Deus finito e temporal, e que ainda incita a rebeldia e a revolução, não pode ser teologia bíblica. Ela é antes, um tropeço, um escândalo e uma nociva ameaça à sã doutrina. TEOLOGIA DA HISTÓRIA, DE PANNENBERG

Wolfhart Pannenberg Teologia da história: Wolfhart Pannenberg e a teologia histórica da ressurreição No final da década de cinqüenta se podia facilmente perceber o surgimento de uma nova escola de interpretação teológica. Esta nova ênfase podia ser claramente percebida nas teses de doutorado de jovens professores como Ulrich Wilckens, Klaus Koch e Rolf Rendtorff. Porém, o maior nome dessa nova escola foi sem dúvida o de Wolfohart Pennenberg, tanto que esse grupo de jovens teólogos e a nova escola ganhou o epíteto de ―círculo de Pannenberg‖. Wolfhart Pannemberg, jovem professor de teologia sistemática da Universidade de Mainz, na Alemanha, foi o responsável por dar uma forma mais sistemática ao que posteriormente se convencionou chamar Teologia da História, ou Teologia da Ressurreição. Apesar do caráter particular da sua obra, há quem associe a este círculo o nome de Jurgen Moltmann. É verdade que Pannenberg compartilhem algumas idéias comuns, como o interesse pela relação entre a história e a fé, o desejo de uma orientação teológica escatológica e principalmente a ressurreição de Cristo, além do esforço por refutar os pressupostos existencialistas de Bultmann. Porém, mesmo com tal similaridade de interesses, seria incorreto agrupar os dois na mesma escola de pensamento, isso porque, se por um lado há um ponto de contado entre os dois, por outro lado há diferenças importantes entre esses dois esquemas teológicos. Por exemplo: Moltmann não está tão interessado em alicerçar a fé na história. Outra diferença entre ambos está no modo de entender a fé: Para Pannenberg, a fé está relacionada com o passado, enquanto Moltmann a relaciona com o futuro. Neste sentido, Moltmann está muito mais vinculado a Bultmann que a Pannenberg. Os dois WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 114

também falam da ressurreição de cristo como um tema central da fé cristã, porém, enquanto Moltmann descarta qualquer interesse pela ressurreição corporal como sendo algo impertinente, Pannenberg reconhece a realidade histórica da ressurreição como algo crucial para a compreensão do Novo Testamento. Pannenberg também não compartilha dos pressupostos marxistas de Moltmann, nem com suas idéias de revolução social. 11.1- A questão da fé relacionada à história. Em sua teologia, Pannenberg apresenta uma forte resistência às idéias de Rudolf Bultmann, principalmente por seu conceito de redução da história à experiência individual. Ele também se opõe à Karl Barth, acusando-o de proteger sua teologia, escondendo-a dos ataques da história. As idéias de Pannenberg foram revolucionárias em seu tempo, ao ponto de certo crítico afirmar que ele foi o primeiro teólogo alemão contemporâneo a romper totalmente com os pressupostos dialéticos barthianos. Ele não consegue assimilar as idéias dialéticas. As supostas diferenças entre Historie e Geschicthe, entre o Jesus histórico e o Cristo Kerigmático, e ainda os dois mundos propostos por Kant: o dos fenômenos e o mundo numenal , na visão de Pannenberg são ―um clamor sem sentido‖. A pregação da ―Palavra de Deus‖ é uma afirmação vazia se não estiver relacionada com aquilo que realmente aconteceu. A fé não pode ser separada de sua base e conteúdo histórico. 11.2- O conceito de revelação e fé em Pannenberg. Pannenberg insiste em que a revelação de Deus não chega ao homem de forma imediata, e sim mediata, por meio dos sucessos históricos. Ele afirma ainda que esta história na qual se dá a revelação, não é uma revelação especial que só pode ser compreendida pela fé, como afirma a escola Heilsgeschichte. Segundo ele, não devemos fazer distinção entre história salvífica e história secular ou profana (distinção comum tanto na Heilsgeschichte como nas teologias existencialistas contemporâneas), uma vez que os atos salvíficos de Deus realmente aconteceram e tem o seu lugar na história. Para ele, a revelação se dá exclusivamente por meio de atos históricos. Não existem partes específicas na história, ou ramificações dentro da história, antes, toda história é algo plenamente conhecido e até mesmo ordenado por Deus. Esta revelação histórica está ao alcance de todo aquele que tenha olhos para ver. O conhecimento histórico é a única base da fé. A fé é, portanto, o conhecimento da verdade histórica. 11.3- Pannenberg e a ressurreição de Cristo. Diferente de Moltmann e dos outros teólogos existencialistas, Pannenberg não busca desmitologizar a ressurreição, isso porque, para Pannenberg, a ressurreição foi um fato histórico. Ele diz estar convencido não só de que a crença da igreja na ressurreição não é um mito pré-fabricado, como ensinou Bultmann, como também de que ela é historicamente demonstrável, em oposição clara e aberta com a escola Heilsgeschichte. Ele se recusa a explicar os relatos evangélicos da ressurreição como fruto da imaginação dos apóstolos, pois estes estavam muito desanimados após a morte de Cristo para chegarem sozinhos à conclusão de que Cristo ressuscitou. Eles também não teriam nenhum benefício em inventar uma mentira de tamanha proporção. A única explicação satisfatória para a repentina mudança que ocorreu nos apóstolos é exatamente a ressurreição corporal de Cristo. Além disso, a comunidade cristã primitiva não teria conseguido sobreviver, caso o túmulo de Jesus não estivesse, de fato, vazia. A explicação inventada pelos judeus para refutar a ressurreição é que os discípulos roubaram o corpo, mas ninguém se atreve a questionar a realidade do túmulo vazio. O túmulo vazio é um fato histórico e aliado à mudança repentina que ocorreu nos discípulos, é uma forte evidência de que Jesus realmente ressuscitou corporalmente. 11.4- Objeções à teologia de Wolfhart Pannenberg. Ainda que Pannemberg ataque as posições de Barth e Bultmann no que concerne à relação entre fé e história, há muitos aspectos em que ele parece mais um herdeiro da neo-ortodoxia que seu oponente. Ele não confere à toda Bíblia o status de revelação divina, dando a entender que algumas partes são mais importantes que outras. Embora o mesmo ocorra no pensamento de Agostinho e até WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 115

mesmo de Lutero, essa visão que ele possui da Bíblia tem levado muitos a relacionar o seu nome com a crítica histórica e com o próprio Bultmann. Uma e outra vez ele insiste em que o nascimento virginal é um mito. Ele também está de acordo com Bultmann em que os títulos que expressam a divindade de Jesus foram criados pela igreja primitiva. Ao fazer que a fé dependa exclusivamente da história, Pannenberg leva-nos a concluir que as pessoas simples e sem condições para efetuar uma pesquisa investigativa, não são capazes de crer por si mesmas; elas apenas podem crer quando ouvem e confiam no relato de um perito em história cristã. Com isso, ele parece tirar a fé das mãos do crente simples e colocá-la nas mãos do teólogo experiente, que garante a confiabilidade da informação. Os críticos de também parecem indicar que, sobre esta base, Pannenberg não pôde explicar de modo satisfatório a razão da incredulidade. Se a fé está baseada exclusivamente no conhecimento da história e esta é o seu único fundamento, Porque foi que quando Paulo pregou em Atenas uns creram e outros zombaram? A teologia de Pannenberg é muito mais do que uma simples escola de interpretação. Ela é uma brilhante defesa apologética em favor do cristianismo histórico. Seu sistema é mais ortodoxo que o proposto pelos existencialistas e nos faz lembrar que, embora Barth e Bultmann hajam tido debates acirrados, não existe grande diferença entre seus sistemas. Ambos advogam uma teologia dialética que sufoca tanto a revelação histórica como o caráter universal do cristianismo. Além disso, Pannemberg também ressalta que a falta de uma revelação objetiva da neo-ortodoxia é, de fato, uma ameaça à própria revelação. Sua teologia também é importante porque ressalta ao mundo que a fé cristã é a única verdade universal. Ao refutar a idéia neo-ortodoxa de que a revelação só se transforma em verdade para as pessoas por meio de uma aceitação pessoal, Pannenberg destaca que a revelação não se torna revelação quando é compreendida, ela é revelação, mesmo quando o homem não se interessa ou busca compreendê-la.

TEOLOGIA DA EVOLUÇÃO, DE CHARDIN

Teologia da Evolução: Teilhard de Chardin e o darwinismo teológico Um dos acontecimentos religiosos que mais despertaram o interesse dos teólogos no fim da década de cinqüenta foi a popularidade póstuma do cientista e místico jesuíta Pedro Teilhard de Chardin (1881-1955), fundador de um sistema teológico que ficou conhecido como teologia da evolução. Durante sua vida, este teólogo foi impedido de publicar seus livros, considerados pela igreja católica como sendo nocivos e de conteúdo herético. Porém, quinze anos depois da sua morte, esses livros suprimidos durante toda a sua vida começaram a aparecer. Embora ele tenha sido um teólogo católico, alguns dos seus comentaristas mais apaixonados são cientistas e teólogos protestantes. Sua influência pode ser percebida até mesmo nos países que compõem o nosso terceiro mundo. Francisco Bravo, estudioso equatoriano, publicou uma obra meticulosa sobre Teilhard. Suas idéias lograram arrancar elogios até mesmo de Dom Hélder Câmara, arcebispo do Recife. Muitos fatores ajudam a explicar a repentina popularidade que alcançou a teologia de Teilhard. Sua destacada personalidade e seu caráter humanitário podem ser percebidos por qualquer pessoa que o tenha conhecido ou lido algo acerca da vida deste destacado sacerdote católico, que apesar das WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 116

restrições que o Vaticano impôs aos seus livros, permaneceu fiel a sua ordem durante toda vida. Seus conhecimentos de geólogo e paleontólogo são grandes atrativos para o mundo científico. 12.1- Conhecendo a proposta teológica de Teilhard de Chardin. O ponto de partida do pensamento teológico de Telhard é a evolução, a qual ele chama de ―luz que ilumina todos os fatos, curva a que devem seguir todas as linhas‖. A terra, segundo ele, foi formada ente cinco e dez milhões de anos e desde então vem se desenvolvendo através da evolução. Este processo evolutivo avança segundo o que Teilhad chama de ―lei da consciência e da complexidade‖, com o que ele alude que na evolução existe uma tendência por parte da matéria, que a faz tornar-se cada vez mais complexa. O processo, segundo ele, pode ser resumido como consta no seguinte esquema: Partículas elementares (chamadas de Ponto Alfa) => Átomos => Moléculas => Células Vivas => Organismos Pluricelulares. Ele admite que a terra veio a existir por meio de um lento processo, que pode ser descrito na seguinte ordem: Barisfera (época da ―terra derretida‖) => Formação da crosta => Formação da água e do ar => Formação da atmosfera. Esta é a fase da história evolutiva da terra aparece a vida biológica na terra, ou biosfera. Para descrever a etapa seguinte, em 1920, Chardin criou o termo noosfera, que significa a ―camada mental‖ da terra. Essa noosfera nada mais é do que o surgimento do homem pensante sobre a terra. Esta é a etapa mais importante na história do mundo, e também é chamada de hominização. Nesta fase, o processo evolutivo adquire consciência de si mesmo. Nessa etapa de sua teoria evolutiva, Teilhard começa a se apoiar na teologia para predizer o futuro da evolução. Ele vê todo o processo evolutivo que começa com as partículas, o ponto Alfa; e converge no que ele chama de Ponto Ômega, ou seja, a união sobrenatural de todas as coisas em Deus. Assim sendo, Deus vem a ser a causa final, mais que a causa eficiente do universo, dando a perfeição a todas as coisas. Nesta etapa, Deus será tudo em todos (1Coríntios 15.28), numa forma superior de panteísmo, a expectativa da unidade perfeita, na qual cada um dos elementos alcançará sua consumação, ao mesmo tempo que o universo. Na teologia darwiniana de Teilhard, Cristo é o centro do processo evolutivo e o seu princípio básico. O Cristo de Teilhard é o reflexo no coração do processo do ponto Ômega, e se encontra no final do processo. Por meio de um ato pessoal de comunhão, Cristo incorpora em si o ―psiquismo‖ total da terra, e o universo se auto-realiza em Cristo. Esse movimento para o centro, para Teilhard, é o processo de amor. O amor, segundo ele, não é exclusividade humana, e sim propriedade geral de toda a vida, sendo ele a afinidade do ―ser‖ com o ―ser‖. Movidos pelas forças do amor, os fragmentos do mundo se buscam para que o mundo possa chegar a ―ser‖. 12.2- Principais objeções a teologia evolucionista de Chardin. Os princípios de Teilhard de Chardin apresentam várias dificuldades para o crente ortodoxo. Sua linguagem é obliqua e seu esforço hercúleo para fazer de Cristo o centro da evolução é desonesto e contraditório. Sua teologia é o reflexo do pensamento naturalista do seu tempo. Sua ênfase na personalidade autônoma que, desde Kant aparece e reaparece na teologia contemporânea, é também contrária a Bíblia. Dessa síntese filosófico/naturalista procedem as demais divergências de Teilhard com a teologia ortodoxa. Assim como as teorias evolutivas seculares, a teologia evolucionista deste teólogo descaracteriza a criação, tal como aparece na Bíblia. Há muitos teólogos contemporâneos que concordam com a teoria da antiguidade da terra, e com a evolução das espécies à partir das espécies criadas por Deus (Gênesis 1.21-25), fazendo diferenciação entre microevolução e macroevolução. Microevolução é a mutação que ocorre dentro das espécies e seria o fator responsável pelas diferentes raças de cães, diferentes tons de pele, etc., mas nenhuma dessas concessões desabilita o esquema de criação conforme narrado em Gênesis. Ao contrário disso, a teoria de Teilhard é macroevolucionista e negligencia completamente o ponto mais básico da criação que é Deus fazendo todas as coisas do nada pela sua palavra, e criando cada ser em conformidade com a sua WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 117

espécie. Assim como todas as teorias evolucionistas seculares, a teologia de Teilhard Chardin parte do pressuposto de que o homem alcança sua verdadeira dignidade e plenitude espiritual por meio do processo evolutivo. Isso também é contrário a doutrina da graça, segundo a qual o aperfeiçoamento advém da comunhão com Cristo Jesus. Como todas as teorias evolucionistas, a teologia da evolução de Teilhard é demasiado otimista. Ele divaga pela senda do universalismo e do panteísmo, prometendo um final feliz para todos, sem fazer nenhuma alusão à graça de Deus. Talvez essa seja uma das razões da sua difusão rápida. O homem moderno está disposto a aceitar qualquer tipo de droga entorpecente que se apresente sob o pseudônimo de ciência. A teologia de Chardin não permite que a graça seja graça, e nem permite que o pecado seja pecado. A proclamação da evolução constante por parte de Chardin nunca se vê alterada pela realidade bíblica do pecado no homem. Por essa mesma razão, a doutrina bíblica do juízo quase não se vê na obra de Teilhard. O mal, para ele, é uma superabundância da estrutura de um mundo em evolução, que se manifesta em planos diferentes, através da desordem material, morte, solidão e angústia. A idéia de Teilhard de união do universo com Cristo, sendo que o universo representa o corpo orgânico de Cristo ainda em evolução, apresenta dois grandes inconvenientes: Primeiro, tal união tem como conseqüência lógica a deificação da criação (panteísmo). Em segundo lugar, a cristologia de Chardin transforma o Cristo da Bíblia em um Cristo cósmico. Em última análise, o resultado de tal união é a perda tanto do mundo, como de Cristo. A teologia da evolução, bem como as teorias evolucionistas seculares, é antagônica a Bíblia. Não há como sustentar esse sistema teológico sem perder a identidade cristã. Teilhard foi um homem totalmente deslumbrado com as teorias científicas do seu tempo, chegando ao ponto de afirmar que a evolução é ―o sucesso mais prodigioso que a história jamais se referiu‖. Ele se emociona tanto com a evolução que se esquece que, segundo a fé cristã, o maior sucesso da história é a vinda de Cristo, e não a teoria da evolução.

Teologia da Morte de Deus Origens e Principais Teólogos Gott ist tot — decerto esta é uma das frases mais conhecidas e citadas de Nietzsche. Aparece em seus livros A Gaia Ciência (1882) e Assim Falou Zaratustra (1883). Eis a citação completa: ―Deus está morto. Deus permanece morto. E nós o matamos. Como poderemos nós, os assassinos entre os assassinos, nos consolarmos? O que foi mais santo e poderoso de tudo que este mundo jamais possuiu sangrou até à morte sob nossas facas. Quem removerá este sangue de nós? Com que água nos purificaremos?‖ A frase ―Deus está morto‖ tem sido não raro entendida como uma exultação. Na verdade, não é assim que ela deve ser compreendida. Nietzsche não se apresenta como assassino de Deus. Em A Gaia Ciência, a frase aparece nos lábios de um louco, que corre em um mercado gritando ―Deus está morto‖, mas as pessoas ali presentes riem e não lhe dão atenção. Para entender o que o infeliz Nietzsche (ele morreu louco, à semelhança de seu personagem) disse, não se deve considerar a frase em sentido puramente literal. Ao mesmo tempo, há que se reconhecer que de fato o filósofo está rejeitando uma visão tradicional de Deus. Se Deus não existe, existe o homem — ou, para usar outra expressão famosa do mesmo Nietzsche, o ―super-homem‖. A idéia do super-homem foi muito influente algumas décadas depois de Nietzsche, na formulação do programa da ―raça superior‖ do nazismo alemão. A frase ―Deus está morto‖ também aponta para uma constatação, a saber, a morte de valores absolutos na sociedade. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 118

Mais tarde, a teologia da morte de Deus (ou teologia radical ou ateísmo cristão) é a forma como ficou conhecido um movimento teológico, relacionado ao conceito de secularização, que foi buscar na obra de Nietzsche inspiração para reacender tal teologia. Nos anos 60 surgiu nos Estados Unidos uma formulação teológica conhecida exatamente como ―teologia da morte de Deus‖. A repercussão na época foi grande, a ponto de a popular revista Time, na edição de 8 de abril de 1966, fazer do assunto matéria de capa, com o título Christian Atheism: The "God Is Dead" Movement (em inglês, "Ateísmo cristão: o movimento 'Deus está Morto'"). Quatro teólogos foram agrupados no movimento: Thomas Altizer, Paul van Buren, William Hamilton e Gabriel Vahanian. No entanto, apenas Hamilton e Altizer se enquadram em todas as características do movimento. Hamilton e Altizer distinguiram dez acepções distintas para a expressão "morte de Deus". As duas primeiras são: "Que Deus não existe e jamais existiu. Esta é a posição do ateísmo tradicional." "Que outrora existiu um Deus; adorá-lo, glorificá-lo, crer nele, não era somente possível, mas até necessário; hoje, porém, esse Deus não existe mais. Esta é a posição da morte de Deus, quer dizer, da teologia radical." A idéia da morte de Deus certamente tem implicações para todos as áreas da vida. Como acertadamente afirmou o escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881): ―Se Deus não existe, tudo é permitido‖. Muitos preferem pensar que Deus não existe. Outros até admitem sua existência, mas por variados motivos preferem matá-lo em suas vidas. Assim, ficam mais confortáveis para viver sem temer o que consideram apenas uma autoridade arbitrária e caprichosa que dá uma série de mandamentos sem sentido, ou então envia desastres aleatoriamente. Eles acham que é melhor viver sem Deus. O problema é que, quem pensa assim mata na verdade uma caricatura ou algum estereótipo de Deus. Falta-lhe uma experiência e um relacionamento com o Deus vivo da revelação bíblica. Uma anedota que não faz muito tempo era bastante popular em púlpitos evangélicos brasileiros conta que Friedrich Nietzsche (1844-1900) escreveu no muro de sua casa: ―Deus está morto‖ e assinou. Alguns anos após a morte do filósofo, teria aparecido no muro a seguinte frase: ―Nietzsche está morto‖ e, logo abaixo, a ―assinatura‖: ―Deus‖. No mundo de língua inglesa muitos usam camisetas com essas duas frases estampadas. Quando entrevistado sobre essa teologia, o evangelista Billy Graham disse: ―Deus não está morto. Falei com ele esta manhã!‖

PENTECOSTALISMO, DE SEYMOUR

Willian Seymour Pentecostalismo: Parham, Seymour e o avivamento místico-pietista do século vinte Segundo o Dr. Gary B. McGee, teólogo pentecostal das Assembléias de Deus, pelo menos dois reavivamentos do século XIX podem ser considerados precursores do moderno movimento pentecostal. O primeiro teria ocorrido na Inglaterra, ao redor de 1830, tendo como caudilho o ministério de Edward Irving, e o segundo teria ocorrido no sul da Índia, sob a liderança de J. C. Aroolappen. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 119

O movimento também tem suas raízes na Doutrina da Perfeição Cristã, de John Wesley. Em seu livro A Short Account of Christian Perfection, em 1760, Wesley conclama os crentes à buscarem uma segunda obra de graça, posterior à conversão, que livraria os crentes de sua natureza moral imperfeita. Essa doutrina chegou na América do Norte, e inspirou o Movimento de Santidade, cuja ênfase estava voltada à vida santificada. Porém, quando o pregador Wesleyano radical da Santidade, Benjamin Hardin Irwin começou, em 1895, a ensinar sobre três obras de graça, a dissidência teológica começou a surgir. Segundo Irwin, a segunda obra de graça iniciava a santificação e a terceira trazia o ―batismo do amor ardente‖, que é o batismo no Espírito Santo. A maior parte do Movimento de Santidade condenou essa terceira obra da graça como sendo heresia. Mesmo assim, porém, a noção que Irwin possuía de uma terceira obra de graça, o revestimento de poder para o serviço cristão, firmou-se como alicerce do Movimento Pentecostal. Outros três livros que proporcionaram as bases sobre a qual foi construído o movimento pentecostal foram Guia para a Santidade e A Promessa do Pai, da irmã Phoebe Palmer, uma das principais líderes metodistas, e Tongue of Fire (Língua de Fogo), de William Arthur. Aos que procuravam receber a segunda obra de graça, era ensinado que cada cristão precisa esperar pela promessa do batismo no Espírito Santo, fazendo uma interpretação pessoal de Lc 24.49. A crença na segunda obra de graça não ficou confinada ao metodismo. O advogado e pregador cristão Charles G. Finney, por exemplo, acreditava que o batismo no Espírito Santo provesse revestimento de poder para se obter a perfeição cristã. Outros pregadores de renome, tais como Dwight L. Moody e R.A. Torrey, também acreditavam que uma segunda obra de graça revestiria o cristão com o poder do Espírito. Dois eventos marcaram definitivamente a chegada do moderno movimento pentecostal. O primeiro deles é datado de 1º de Janeiro de 1901, quando Agnes Ozman, aluna da Escola Bíblica Betel de Charles Fox Parham, em Topeka, no estado americano do Kansas, teve uma experiência mística e começou a falar em outras línguas. Charles Parham era um pregador do Movimento de Santidade, que influenciado por Irwin e convencido pelos seus próprios estudos dos Atos dos Apóstolos, testemunhou um grande reavivamento na Escola Bíblica Betel. Depois de Agnes Ozman, muitos outros alunos foram batizados com o ―novo‖ batismo, e falaram em outras línguas (xenolalia). Aqueles que presenciavam esses acontecimentos, faziam rapidamente um paralelo com os eventos do livro de Atos dos Apóstolos, e muitos diziam que o movimento era a restauração da fé apostólica. De fato, quando Bennett Freeman Lawrence escreveu a primeira história do movimento pentecostal, em 1916, deu ao movimento o título de The Apostolic Faith Restored (Fé Apostólica Restaurada). À princípio, os cristãos pentecostais achavam que as línguas faladas por eles eram, de fato, xenolalia, isto é, línguas inteligíveis – idiomas pátrios. Depois de 1906, porém, cada vez mais pentecostais estavam de acordo em que as línguas por eles faladas eram glossolalia, isto é, línguas desconhecidas e não identificáveis pela inteligência humana. Parham, porém, continuava crendo que as línguas faladas pelos pentecostais eram xenolalia e que essas línguas eram expressões idiomáticas de outras nações. Sendo assim, o fenômeno das línguas auxiliaria como uma ferramenta nas mãos dos missionários transculturais, que seriam capacitados sobrenaturalmente para falarem outros idiomas. Essa tese perdeu força com o decorrer dos anos e hoje é crença quase comum em círculos pentecostais que as línguas faladas por eles não são idiomas estrangeiros. A grande contribuição teológica de Parham ao movimento acha-se na sua insistência de que o falar noutras línguas é a evidência bíblica vital da terceira obra de graça: o batismo no Espírito Santo. Suas asserções estão baseadas nos relatos de Atos dos Apóstolos, capítulos 2, 10 e 19, e desde então o falar em outras línguas tem sido destacado pelos pentecostais como sendo a evidência física inicial do batismo no Espírito e a prova cabal do mesmo. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 120

Posteriormente, Parham mudou-se para Houston, e um de seus alunos, um homem negro chamado William Seymour, após ter passado pela mesma experiência mística, tornou-se líder de uma igreja na rua Azuza, em Los Angeles, no ano 1906. Foi então que o movimento pentecostal explodiu. A partir da rua Azuza, a mensagem pentecostal, que incluía o falar noutras línguas como sinal do batismo no Espírito Santo, divulgou-se pelos Estados Unidos e pelo resto do mundo. Na verdade, experiências semelhantes, incluindo o falar noutras línguas, já haviam ocorrido em fins do século XIX, tanto nos Estados Unidos quanto no exterior, em lugares bem distantes entre si, como na já mencionada Índia e na Finlândia, porém até então esses eram apenas casos isolados. Foi à partir do início do século vinte que o pentecostalismo ganhou projeção mundial. O Dr. Gary B. McGee também menciona as conferências de Keswick, na Grã-Bretanha como tendo uma grande influência sobre o Movimento de Santidade na América do Norte, e consequentemente sobre o pentecostalismo. Os conferencistas de Keswick acreditavam que o batismo no Espírito Santo produzia uma vida contínua de vitória, uma vida mais profunda, caracterizada pela plenitude do Espírito. Essa sentença está alicerçada no conceito wesleyano, que afirmava que o batismo no Espírito produzia a perfeição cristã. 16.1 – Os principais pressupostos da doutrina pentecostal. No início do movimento houve muitos debates acerca da doutrina, e logo nos primeiros dezesseis anos de existência, houve quatro grandes controvérsias. A primeira, sobre o valor teológico da literatura narrativa, em especial o livro de Atos e os últimos versículos de Marcos, para fundamentar o falar noutras línguas como a evidência inicial do batismo no Espírito Santo. A segunda controvérsia já foi mencionada, e diz respeito à natureza das línguas faladas. Um grupo acreditava tratar-se de expressões idiomáticas inteligíveis (línguas pátrias) enquanto outro acreditava que as línguas faladas eram expressões de mistério, portanto, ininteligíveis por meios naturais. Outro debate girava em torno da segunda obra da graça: a santificação. Seria ela progressiva ou instantânea? Os pentecostais de tendências wesleyanas asseguravam que a santificação era uma obra instantânea, enquanto os pentecostais de tendências reformada defendiam a santificação progressiva. A quarta controvérsia é de ênfase cristológica. Em um sermão pregado em Arroyo Seco, R.E. McAlister observou que os apóstolos batizavam apenas em nome de Jesus (At 2.38) ao invés da fórmula trinitariana (Mt 28.19). Os que deram crédito à pregação de McAlister foram ―rebatizados‖ em nome de Jesus. Houve então uma cisma no movimento e os que enfatizaram o batismo apenas no nome de Jesus acabaram por propor uma doutrina modalística da trindade, que é uma variação do unitarismo. As Assembléias de Deus, no entanto, não acompanharam as tendências modalísticas. Vemos, portanto, o quanto resulta difícil fazer generalizações doutrinárias acerca do movimento. Apesar disso, destacamos à seguir aquilo que consideramos ser as crenças mais universais dos pentecostais. A lista não é exaustiva, podendo haver outros itens não relacionados nessa pesquisa. Todos os cristãos pentecostais crêem: a) No Batismo no Espírito Santo como experiência subseqüente e distinta da salvação. b) Na atualidade dos dons espirituais, tais como cura, profecias, línguas e interpretação de línguas e operação de milagres. c) Que o batismo pentecostal reveste o crente com poder do alto capacitando-o para exercer seu ministério ao mundo. Além disso, a maioria dos cristãos pentecostais também crê: a) Na vinda de Jesus pré-milenista e pré-tribulacionista. b) No falar em línguas como evidência física inicial do batismo no Espírito. c) São dispensacionalistas. 16.2 – Razões que contribuíram para crescimento do Movimento Pentecostal. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 121

No final do século dezenove e início do século vinte, a medicina avançava à duras penas e oferecia pouca ajuda aos que se achavam gravemente enfermos. Consequentemente, a fé no miraculoso para a cura física começou a ressurgir nos círculos evangélicos. Na Alemanha do século dezenove, os ministérios que ressaltavam a importância da oração pelos enfermos atraía a atenção dos crentes estadunidenses, ao mesmo tempo que a teologia pietista, com sua crença na purificação instantânea do pecado ou no revestimento do poder do Espírito produziu um ambiente receptivo aos ensinos da cura mediante a fé. No Brasil, na época em que Daniel Berg e Gunnar Vingren aportaram em nosso país, a medicina era ainda mais precária, havia em nossas terras um grande número de leprosos e muita gente morria apenas por falta de higiene ou por efeito de uma disenteria. A promessa de uma cura instantânea veio de encontro com as necessidades básicas do nosso povo, de modo o movimento teve ampla aceitação. A crença mística do povo brasileiro, sobretudo no norte do país, também foi um fator decisivo para a recepção das doutrinas pregadas pelos missionários suecos. Não queremos dizer com isso que o pentecostalismo somente se instaurou no Brasil por causa da influência dos cultos afros e do xamanismo. Lembremos que o mundo greco-romano nos dias apostólicos também tinha suas religiões de mistério, e ainda que isso tenha contribuído para a aceitação do evangelho, esse não foi o fator decisivo. 16.3 – Objeções à doutrina pentecostal. Muitos cessacionistas têm se empenhado para desacreditar o pentecostalismo e a atualidade dos dons espirituais. Porém, nenhuma exegese por eles apresentada justifica o anti-sobrenaturalismo presente em sua teologia. Os cessacionistas argumentam que se a inspiração profética é atual, então teremos duas fontes inspiradas: a Bíblia e a profecia. Os restauracionistas pentecostais, por outro lado, dizem que as profecias só são válidas se estiverem em comum acordo com a Bíblia sagrada e terão valor apenas após o seu cumprimento. Outra questão diz respeito aos milagres. Alguns cessassionistas dizem que a ocorrência de sinais fantásticos seria mais que persuasão e violaria incondicionalmente o livre-arbítrio humano. A isso os pentecostais dizem que Jesus e os discípulos também faziam sinais, e nem por isso aqueles que se convertiam tinham seu livre-arbítrio violado. Muitos presenciaram a multiplicação dos pães, mas nem por isso se tornaram crentes. Muitas foram as contribuições do pentecostalismo. Em meio ao cenário árido da teologia do início do século vinte, surgiu um movimento com ênfase na santificação, na leitura e pregação devocional da Bíblia e com uma visão de ministério às nações. As Assembléias de Deus, filha desse reavivamento espiritual, tornou-se uma das maiores denominações do mundo. É interessante perceber que nesses cem anos de controvérsias teológicas, enquanto os teólogos alemães e norte-americanos patenteavam jargões como geschichte, desmitologização, faziam estudos sobre o Jesus histórico desassociando-o do Jesus da fé, criavam teologias com ênfase em teorias naturalistas e evolucionistas, surgiu também um movimento de restauração da fé apostólica. Talvez minha observação pareça arrebatada ou até mesmo apaixonada demais, mas o fato é que o pentecostalismo foi uma das principais reações contrárias ao secularismo teológico que surgiu no século vinte. Se por um lado os demais movimentos estavam associados ao desejo de amoldar a fé cristã aos padrões filosóficos e científicos do homem moderno, o pentecostalismo por sua vez surgiu do desejo de reencontrar a fé cristã primitiva e de desassociar-se do sistema secular. Não faltam, porém, objeções às práticas do movimento, entre as quais destacamos algumas. Em muitas igrejas evangélicas, a excessiva ênfase na inspiração sobrenatural da fala, ou dom de profecia, tem substituído a pregação da palavra de Deus. É comum em nossos dias ver pregadores pentecostais trazendo novas e estranhas revelações acerca de anjos, visões e da conduta cristã, a ponto de ter se tornado praxe de certo pregador televisivo, invocar serafins antes de fazer sua preleção. Essa prática definitivamente não é cristã. Jamais vimos Jesus ou os seus apóstolos invocando a presença de anjos antes de trazer uma mensagem aos fiéis. E WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 122

os exageros não param por aí: a Bíblia também, volta e meia desaparece dos púlpitos nos congressos, e quando reaparece, é permutada. Esse mesmo pregador gosta de dizer a Deus em suas ―fervorosas‖ orações: ―se tenho crédito no céu…‖. Crédito no céu? Onde está a mensagem da graça, do favor de Deus? Outro pregador pentecostal que há anos se identificava como homem ortodoxo tem se rendido fatalmente às práticas neo-pentecostais, mercadejando as bênçãos de Deus e enfatizando muito mais o presente que o porvir. Virou já um ícone do evangelho da prosperidade. De modo quase geral, a pregação catequética e com embasamento escriturístico tem sido substituída por empolgados shows evangélicos, promovidos por pregadores que mais parecem animadores de auditório. A busca ostensiva pelo ―falar em línguas‖: Precisamos lembrar que falar em línguas é um dos DONS dados por Deus. Portanto Deus concede àqueles que julgar melhor receberem, desde que isto vá contribuir para o Corpo de Cristo. O homem em sua pequenez jamais conseguirá dom algum se não for vontade do Pai. Os Dons do Espírito são capacidades extraordinárias que Deus dá aos membros do corpo de Cristo: QUEM CONCEDE OS DONS ESPIRITUAIS? (1Co.12:4-6) - o Deus Triúno, Pai, Filho, Espírito Santo. - o critério é a graça, Rm 12:6, Ef 4:7, 1Pe 4:10, não o mérito da pessoa. - a administração da distribuição é motivada pelo prazer de Deus, 1Co 12:11 - a distribuição individual e diversificada preserva a unidade do corpo (1Co 12:25) - e evita a arrogância e subserviência, (1Co 12:14-18) QUEM PODE RECEBER OS DONS DO ESPÍRITO? - ―cada um‖ que nasce de novo: Rm 12:3,6; 1Co. 12:11; Ef 4:7; 1Pe 4:10; - não há exceção - nenhum membro de Cristo foi deixado sem dom. QUAL O PROPÓSITO DOS DONS DO ESPÍRITO? Paulo fala de: a) fim proveitoso, 1Co 12:7 b) aperfeiçoamento, Ef 4:12 Pedro fala de ―servir uns aos outros‖, 1Pe 4:10 Conclui-se que todo e qualquer dom tem por finalidade contribuir para fortalecer os discípulos de Cristo de modo a cumprirem a Grande Comissão e amadurecerem como enquanto Corpo de Cristo. A utilização de um dom espiritual em proveito próprio foge à natureza e ao propósito dos dons espirituais. Veja que a Bíblia ensina a procurar com zelo os dons, principalmente o de profecia: “Segui o amor; e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar.” 1Co 14:1 Isso, porém, não significa que não haja pentecostais sérios e ortodoxos. Há muitos que ainda prezam pela pregação bíblica e que mantém o perfeito equilíbrio entre a unção, a erudição e o conhecimento teológico. Enquanto existirem esses, cremos que o movimento contará com certa credibilidade. No entanto, o atual quadro do pentecostalismo, sobretudo no cenário nacional, faznos pensar na necessidade e porque não dizer, urgência de uma nova reforma religiosa dentro do próprio movimento: uma nova restauração da fé apostólica. O pentecostalismo surge no cenário contemporâneo na contramão da teologia moderna liberal e neo-ortodoxa. Enquanto Barth, Bultmann, Tillich e Brunner agitavam o cenário teológico mundial com inovações e com suas tendências filosóficas, obviamente influenciados pelo existencialismo de Kierkgaard, pelo ceticismo de David Hume e pelos apelos filosóficos de Immanuel Kant, surgiu no cenário mundial um movimento que buscava justamente o oposto. Se por um lado Paul Tillich buscava amoldar a Bíblia às necessidades do homem, William Seymour e os demais pregadores do movimento pietista pentecostal instavam para que os homens se amoldassem à Palavra de Deus. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 123

Enquanto Barth apresentava Deus como ―Totalmente-Outro‖, os pregadores pentecostais insistiam na possibilidade de um relacionamento pessoal com Deus e definiam-no como aquele que habita os céus e que paradoxalmente, vive em nós. Muitos excessos têm sido cometidos desde então, mas isso não desqualifica o movimento. Na verdade, esses excessos ocorrem bem na fronteira de dois movimentos contemporâneos com muita força em nosso país: o pentecostalismo e o neo-pentecostalismo. Apesar da semelhança semântica, queremos ressaltar que a dissimile é maior que qualquer afinidade que estes dois nomes possam sugerir.

TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO

Leonardo Boff Teologia da Libertação: Uma resposta teológica à crise econômica e social Latino-Americana Passamos agora a examinar uma corrente teológica cuja presença é marcante no Brasil, e cujos pressupostos tem de alguma maneira modelado a forma de fazer teologia em nosso país: é a Teologia da Libertação. 15.1 – Contextualizando a teologia da libertação. Nas décadas de 60 e 70, o ambiente teológico da América Latina passou por sérias transformações. O ambiente no Brasil e na Argentina era de ditadura. Os teólogos que viveram esse período foram levados a formular uma teologia que fosse menos acadêmica e teórica, e mais laica e prática, que pudesse sanar os problemas sociais e econômicos de então. Em meio a uma estrutura social em que um homem velho morre aos vinte e oito anos, onde quinhentos em cada mil crianças morrem antes de completar um ano de idade, onde os estudantes que protestam são torturados, e oitenta por cento da população vive com uma renda de oitenta dólares por ano, a voz revolucionária começou a clamar em favor das massas. Católicos romanos como Juan Luís Segundo, Hugo Assman e Gustavo Gutiérrez Merino, animados pela política mais aberta do Vaticano II; protestantes como Rubem Alves, Emílio Castro, José Míguez Bonino e o então missionário no Brasil, Richard Shaull, se empenharam em buscar uma teologia que pudesse resolver os conflitos sociais da América Ibero Hispana. As palavras chaves para entender essa teologia social são ―revolução‖, ―libertação‖, ―exploração‖, ―dominação estrangeira‖, ―capitalismo‖ e ―proletariado‖. Qualquer semelhança com os conhecidos jargões do comunismo não é mera coincidência. Ele foi a maior fonte de inspiração e o impulso motor dessa nova tendência teológica. Sob a palavra ―libertação‖, não está subentendida a obra de Cristo por nós, e sim os ideais do marxismo. A palavra, dentro desse movimento teológico significa: Libertação política das pessoas e setores socialmente oprimidas. Libertação social para melhores condições de vida, uma mudança radical nas estrutura, resultante da criação contínua de uma nova maneira de ser e de uma revolução permanente. 3. Libertação pedagógica para uma consciência crítica através do que o pedagogo brasileiro Paulo Freire chamou de ―conscientização‖, sendo o cerne dessa conscientização o despertar da consciência das massas miseráveis que vivem a cultura do silêncio, para se interarem da dominação social, política e econômica que lhes é imposta. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 124

15.2 – A teologia da libertação e a revolução social. Os teólogos da libertação se declararam várias vezes favoráveis a luta armada, ao ponto de alguns considerarem Camilo Torres, sacerdote colombiano que morreu em um tiroteio como membro da guerrilha de Che Guevara, como o santo patrono da causa. O padre Camilo costumava dizer que ―cada católico que não é revolucionário e não está do lado da revolução comete pecado mortal‖. Na questão da violência, como se pode deduzir dessas linhas, os teólogos da libertação são bem pragmáticos. Para eles, o problema da violência e da não-violência é um problema ilusório. Apenas existe a questão do uso justificado ou injustificado da força, e se o fim é nobre, os meios se fazem necessário. Essa atitude violenta foi de fato uma proposta aberta aos religiosos para que tomem lugar nas barricadas e lutem em prol do desenvolvimento social e econômico da América Latina. No Brasil, Dom Hélder Câmara, então arcebispo do Recife, promove uma revolução pacífica, por não se contentar com as reformas triviais. 15.3 – Leonardo Boff, a principal voz do movimento no Brasil. Embora Hugo Assman e Dom Hélder Câmara sejam dos nomes que representam o pensamento da teologia da libertação no Brasil, atualmente é o Dr. Leonardo Boff que está no centro do debate sobre a teologia da libertação. Como membro do conselho editorial da Editora Vozes entre 1970 e 1985, Boff participou da coordenação e publicação da coleção ―Teologia da Libertação‖. Em 1984, em razão de suas teses ligadas à teologia da libertação, apresentadas no livro ―Igreja: Carisma e Poder‖, foi submetido a um processo no Vaticano. Em 1985, foi interrogado pelo cardeal Joseph Ratzinger (o atual papa Bento XVI), então prefeito da Congregação da Doutrina e da Fé, órgão herdeiro da Inquisição, e condenado a um ano de ―silêncio obsequioso‖, sendo também deposto de todas as suas funções editoriais e de magistério no campo religioso. Dada a pressão mundial sobre o Vaticano, a pena foi suspensa em 1986, podendo retomar algumas de suas atividades. Em 1992, sendo de novo ameaçado com uma segunda punição pelas autoridades de Roma, ―apostatou‖ de sua condição de padre e da própria Igreja Católica para se unir com uma mulher. ―Mudou de trincheira para continuar a mesma luta‖: continua como teólogo da libertação, escritor, professor e conferencista nos mais diferentes auditórios do Brasil e do exterior, assessor de movimentos sociais de cunho popular libertador, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e as Comunidades Eclesiais de Base (CEB‘s), entre outros. Curiosamente a cúpula da CNBB parece continuar com boas relações com Boff, apesar de sua ―apostasia‖ e de seu marxismo. 15.4- Os pressupostos da Teologia da Libertação e as objeções à doutrina. O ponto de partida para a elaboração da teologia da libertação, segundo o peruano Gutiérrez, ―é o esforço do ser humano para ser parte do processo através do qual o mundo será transformado‖, o que faz da teologia da libertação mais um movimento político que um movimento netamente teológico. Tal ponto de partida deve ser contextual, com raízes na dimensão humana e política, e a teologia deve ser elaborada à partir de elucubrações sócio-políticas. Como movimento político, ela tem sido um brado a favor da dignidade humana, de uma sociedade mais justa e fraterna. Porém, o que eles admitem na teoria, foi negado por eles mesmos muitas vezes na prática. A salvação, dentro da cosmovisão libertária, se resume em ―um processo que abarca o homem e a história‖, e o evangelho, em nossa época, deve ter uma transcrição e aplicação política. O encontro com Deus é descrito como ―o compromisso com o processo histórico da humanidade‖. Essa concepção de salvação talvez corresponda à idéia judaica de messianismo na época de Cristo, mas pouco tem a ver com o conceito tal como utilizado por Jesus e por Paulo. A responsabilidade social é um dever do cristão, mas a salvação não se restringe a essa responsabilidade: salvação significa perdão e cancelamento dos pecados cometidos contra Deus (Hebreus 9.28, 1João 3.5). Nesse processo de teologia libertária, a missão da igreja acaba por confundir-se com confrontamento político e adesão e exposição de idéias sociais, mas a missão do cristão, segundo a Bíblia, é proclamar que o filho de Deus ressuscitou e tem poder de perdoar pecados. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 125

É preciso ressaltar que as afirmações de violência não são de nenhum modo característica de todos os teólogos da libertação. Toda rotulação é pobre, e nesse sentido, há de se admitir a classificação do movimento da teologia da libertação como um movimento violento é falha. Ainda assim, não podemos deixar de aludir que, ainda que não totalmente, a teologia da libertação é fortemente um movimento violento. Como disse, Rubem Alves, também teólogo libertário, ―a violência se converte na força que move a história no caminho para conduzir à sociedade perfeita‖. Em outras palavras, é justo empregar a violência contra a violência, pois neste caso, os fins justificam os meios. Ele também afirma que o ―amor para os oprimidos significa cólera contra os opressores‖. Como é difícil associar todo esse discurso com as palavras de Jesus no Sermão da Montanha! Como o evangelicalismo deve responder a essa ―revolução teológica‖? É óbvio que o cristão não deve viver alienado de qualquer idéia política ou deva se conformar a uma mentalidade status quo. O problema é que, conforme temos exposto em tese, a tendência da teologia cristã é polarizar: Ou a experiência, ou a razão; ou a história, ou a fé; e no caso da Teologia da Libertação, ou o marxismo, ou não somos cristãos. Não é preciso polarizar para ter responsabilidade social, nem é preciso forçar a exegese ou fazer ―eisegese‖ para defender pressupostos sociais. Devido à repressão ao movimento, hoje não há muitos grupos ou indivíduos que mantém a Teologia da Libertação. Atualmente o movimento se reduz a algumas ―comunidades de base‖, que tentam colocar em prática as idéias sociais da mesma, mas a influência nas faculdades ainda é grande. A teologia da libertação está fundamentada em uma postura na qual a presente práxis histórica se transforma em norma canônica para descobrir a vontade de Deus. Ao refletir algo parecido com a ética situacional, a teologia da libertação não pode escapar das mesmas acusações levantadas contra ela: moralidade relativista e pragmática. Ela foge totalmente a ortodoxia reformada, e não há nenhuma possibilidade de um crente evangélico sustentá-la sem cair em contradição, isso porque a ―Sola Scriptura‖ não admite nenhum ―somado a‖, ou ―junto com‖.

NEO-PENTECOSTALISMO, DE KENYON E HAGIN

Kenneth Hagin Neo-pentecostalismo: Misticismo, pragmatismo e culto à Mamom Na década de 70, chegou no Brasil o movimento que ficou conhecido como neo-pentecostalismo. Este movimento se originou a partir de denominações históricas, tais como a Igreja Presbiteriana Renovada, em 1975; as Igrejas Pentecostais Livres: Sinais e Prodígios, fundada em 1970, e Socorrista, em 1973; as Igrejas com pouca estrutura eclesiástica, como a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), fundada em 1977; e os Pentecostais Carismáticos, Renovação Carismática, originária da Igreja Católica Romana, fundadas em 1967. Como já foi dito no capítulo anterior, embora seja possível estabelecer uma símile entre o pentecostalismo e o neopentecostalismo, as diferenças entre esses dois grupos protestantes são maiores que qualquer semelhança que possam ter. Nos nossos dias, juntamente com as doutrinas neopentecostais têm surgido muitas doutrinas paralelas, como a chamada Confissão Positiva (Evangelho da Saúde e da Prosperidade, Quebra de Maldições, Maldições Hereditárias, Maldição de Família e Pecado de Geração, Nova Unção); WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 126

apregoadas por supostos avivalistas em acampamentos cristãos, em congressos, em escolas bíblicas de férias e na televisão; e por mentores católicos carismáticos no exercício do Toque do Dom, da Cura Diferencial e do Exorcismo. Todos estes, evangélicos ou não, sem nenhuma consulta à exegese bíblica, alicerces ou filtro teológico, ensinam sempre sob a orientação filosófica de seu pai, Essek William Kenyon e de seus principais porta-vozes, Kenneth Hagin, Marilyn Hickey, Kenneth Copeland, Robert Schüller, Jorge Tadeu e outros. Temos buscado nessas páginas, além de apresentar as principais doutrinas do século vinte, defender com muita submissão os valores do Evangelho e a imaculada Igreja de Nosso Senhor Jesus, à qual fomos chamados. Muitos obreiros e ministérios são envolvidos em assuntos aparentemente simples como os que temos abordado, pensando estar fazendo o melhor para Deus, quando na verdade estão sendo instrumentos para erosão perniciosa contra a vida espiritual da Igreja. Estes, sejam pregadores ou leigos, vivem em busca de ―sinais‖ de Deus, de novas manifestações, mas lembremonos: o sinal sempre foi sinal para incrédulos! Em toda a história, homens e mulheres no decorrer de sua incansável busca por um toque religioso, sempre buscaram um sinal e uma materialização do imaterial. Jesus chamou essa multidão que de um lado para o outro em busca de uma experiência, de multidão má e incrédula (cf. Mateus 12.38-39). 17.1 – História do Movimento Neopentecostal

Essek Willian Kenyon Muitas pessoas no movimento da confissão positiva consideram Kenneth Hagin como o pai do movimento, de tal forma que muitos pregadores da prosperidade – inclusive os brasileiros – se consideram discípulos de Hagin. Porém, quando se investiga o desenvolvimento histórico do movimento, chega-se à conclusão de que o verdadeiro pai da confissão positiva é Essek William Kenyon. Kenyon nasceu no condado de Saratoga, Nova York, Estados Unidos, em 1867. Em 1892, mudouse para Boston, onde freqüentou várias escolas, entre elas a Faculdade Emerson de Oratória, fundada por Charles Emerson. Ésse Charles Emerson, segundo se sabe, foi uma mente muito confusa e sincretista, e chegou a abraçar inclusive muitos ensinos de seitas heréticas, como por exemplo a Ciência Cristã, que à bem da verdade, não é nem ciência nem cristã. É muito importante saber quem foi Charles Emerson para se compreender a hermenêutica de Kenyon. Em Super Crentes, O professor do Makenzie e apologista do ICP, Paulo Romeiro, escreve o seguinte acerca de Emerson: Charles Emerson foi uma figura um tanto controversa. Em seus 40 anos de ministério, a teologia de Emerson evoluiu do congregacionalismo para o universalismo, para o unitarismo, para o transcendentalismo, para o Novo Pensamento (Nova Idéia), e terminou, finalmente, nas mais rígidas e dogmáticas de todas as seitas metafísicas, a Ciência Cristã. Emerson uniu-se à Ciência Cristã em 1903 e nela permaneceu envolvido até sua morte, em 1908. Sua conversão à Ciência Cristã foi a última progressão lógica na sua evolução metafísica do ortodoxo para o sectário‖. No dia 19 de março de 1948, faleceu Kenyon, com a idade de 80 anos. Antes de sua morte, encarregou sua filha Rute de continuar o seu ministério e publicar os seus escritos, o que ela WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 127

cumpriu fielmente. Mais tarde, alguém utilizaria as idéias e os escritos de Kenyon para dar forma ao que viria a ser um dos maiores e mais controvertidos movimentos dentro do corpo de Cristo da atualidade. Esta pessoa é Kenneth Erwin Hagin. Duas experiências polêmicas teriam afetado toda a sua vida e ministério. A primeira foi Hagin ter sido ―levado ao inferno‖, onde supostamente viu e sentiu coisas que o deixaram perplexo. Hagin conta ter descido outras duas vezes ―ao inferno‖ para ali contemplar os seus horrores, sendo assim levado a tomar uma decisão quanto a sua vida espiritual. Depois da terceira ―visita ao inferno‖, Hagin aceitou a Cristo como seu Salvador. No início do seu ministério, Hagin foi um jovem pregador batista (1934-1937) e pastoreou uma igreja da comunidade onde morava. Devido à sua crença em cura divina, começou a associar-se com os pentecostais e em 1937, recebeu o batismo com Espírito Santo e falou em línguas. Neste mesmo ano foi licenciado como ministro da Assembléia de Deus (1937-1949) e pastoreou várias igrejas dessa denominação no Estado do Texas. Tendo passado por essas duas denominações, finalmente fundou, em 1962, seu próprio ministério. O ministério de Kenneth Hagin é hoje um dos maiores do mundo e sua influência tem se espalhado por muitas partes do globo. Fundou em Tusla, em 1974, a Escola Bíblica por Correspondência Rhema e o Centro de Treinamento Bíblico Rhema em Tulsa. Segundo o professor Paulo Romeiro, a Escola Bíblica de Hagin já formou cerca de 6.600 alunos. A revista Word of Faith (Palavra da Fé), que também pertence ao movimento, é enviada para 190 mil lares mensalmente e calcula-se que cerca de 20 mil fitas cassete de estudos são distribuídas a cada mês. Já foram vendidos cerca de 33 milhões de cópias de seus 126 livros e panfletos. Os bens da organização estão avaliados em 20 milhões de dólares. R. R. Soares, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus, responsável pela publicação da maioria dos livros de Kenneth Hagin no Brasil. Além de Essek W. Kenyon e Kenneth Hagin, os nomes mais conhecidos ligados à confissão positiva são Ken Hagin Jr. (filho de Kenneth Hagin), Kenneth e Glória Copeland, T. L. Osborn, Fred Price, Hobart Freeman, Charles Capps, Jerry Savelle, John Osteen, Benny Hinn e Lester Sumrall. Outra pessoa que tem influenciado muitos no Brasil é o engenheiro Jorge Tadeu, hoje pastor e líder das igrejas Maná, em Portugal. Pode ser citado ainda o ministério de Miguel Ângelo da Silva Ferreira, pastor da Igreja Evangélica Cristo Vive, no Rio de Janeiro, o já mencionado Edir Macedo, e mais dois dissidentes da IURD: o líder da Igreja Internacional da Graça de Deus, R.R. Soares e o líder da Igreja Mun dial do Poder de Deus, autodenominado Apóstolo, Valdemiro Santiago.. 17.2 – Pressuposições da Doutrina da Prosperidade.. É muito difícil enumerar os pressupostos do neopentecostalismo, visto que existem diversas denominações neopentecostais e todas possuem sistema doutrinario eclético. Nos limitaremos, portanto, a destacar algumas práticas dos principais grupos neopentecostais. A marca registrada das igrejas neopentecostais no Brasil tem sido a avidez por dinheiro. Escândalos envolvendo o Bispo da IURD, Edir Macedo e recentemente com o bispo Estevão Hernandes e com a sua esposa, a também bispa Sônia Hernandes, da igreja Renascer, têm se tornado corriqueiros. Não é nossa intenção inquirir até que ponto a arrecadação feita nas denominações é lícita. Apenas queremos chamar a atenção para algo que se tornou o principal enfoque do neopentecostalismo: a teologia da prosperidade. Segundo essa abordagem teológica, pobreza e enfermidade são características de uma vida sem fé. A doença tem sua origem na falta de comunhão com Deus, de modo que um indivíduo realmente convertido nunca deve ficar doente, baseando a cura divina na expiação e usando para isso o texto de Isaías 53.4-5. A prosperidade financeira também é um direito do crente, sendo a pobreza uma maldição. Para justificar o disparate, afirmam que Jesus era rico – bem como os seus discípulos – mas até onde sabemos, o Filho do Homem muitas vezes não tinha sequer onde reclinar a cabeça. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 128

Para o Dr. Serafim Isidoro, em seu pequeno, porém inteligente livro Considerações à Doutrina da Prosperidade, o Novo Testamento traz em seu cerne uma mensagem de abnegação, enquanto no Antigo Testamento a promessa é de prosperidade advinda da obediência. Ele também diz que ―a busca do sensacionalismo e da prosperidade fácil afasta o homem da ordem antiga: Comerás o pão do suor do teu rosto‖. Os porta-vozes da doutrina da prosperidade não medem esforços para conseguir arrecadações. Bob Tilton, que já esteve no Brasil acompanhado de Rex Humbard, é uma figura extremamente controvertida hoje nos Estados Unidos, principalmente pelos seus métodos de levantamento de fundos, chegando até mesmo a chorar e a profetizar enquanto pede dinheiro no seu programa de televisão. Não há dúvida de que o movimento da fé tem em Benny Hinn, pastor do Centro Cristão de Orlando, na Flórida, é um de seus nomes mais famosos. Seu livro, Bom Dia, Espírito Santo, é um dos mais vendidos hoje na América do Norte. Porém, tanto o livro de Hinn como seus ensinos têm levantado muita polêmica, como, por exemplo, o estudo acerca do ―corpo‖ do Espírito Santo. Não faz muito tempo, Hinn levou os membros de sua igreja a repetir depois dele a seguinte frase: ―Eu sou um deus-homem‖. O vídeo consta nos arquivos do ICP e o episódio é citado por Paulo Romeiro em Super Crentes. O boletim The Berean Call (O Chamado dos Bereanos), de Oregon, em setembro de 1992, publicou os seguintes comentários de Hinn a respeito de Adão e Eva: ―Adão era um ser sobre-humano quando Deus o criou. Não sei se as pessoas chegam a saber disso, mas ele foi o primeiro super-homem que já existiu. Adão não só voava [como os pássaros], mas também voava para o espaço (…) com um pensamento ele estaria na Lua (…) podia nadar [debaixo d'água] sem perder o fôlego, e sua esposa fazia o mesmo (…) Ambos eram sobre-humanos‖. A capacidade imaginativa de Hinn é tão perspicaz que não hesitaríamos em recomendar sua ―história‖ à Walt Disney Pictures. No ano de 1992, o jornal Mensageiro da Paz publicou uma nota sobre Benny Hinn: ―O livro Bom Dia, Espírito Santo, de Benny Hinn, está causando celeuma nos Estados Unidos. Ele passa a idéia de que existem nove deuses na Trindade. O autor se justifica afirmando que não soube explicar bem o que queria dizer. A confissão positiva já alcançou repercussão significativa nos meios de comunicação, especialmente na televisão. Na Igreja Universal do Reino de Deus, fundada pelo bispo Edir Macedo, podemos encontrar muitos pressupostos do ―movimento da fé‖. A ênfase sobre a prosperidade financeira é bastante acentuada, mas a semelhança com as práticas iconoclasticas da idade média é evidente: Substituindo a idolatria por metodologias visuais e palpáveis, a denominação faz uso de rosas, copos com água, medalhas com inscrições, cruzes, lenços, retalhos dos ternos usados pelos pastores (será que eles rasgam o Armani do Bispo Macedo também?), lenços, portais da felicidade, réplicas da Arca do Concerto, além de objetos sem nenhum valor financeiro, supostamente importados de Israel, tais como água do Jordão e azeite para unção. Valnice Milhomens também tem aderido à muitas práticas neopentecostais. Entre seus ensinos mais controversos está o seu comentário de Is 53:9, onde afirma que Jesus morreu duas vezes, física e espiritualmente; bem como a afirmação de que o número dos salvos será maior do que o número dos perdidos; a guarda do sábado. Ela também defende a maldição de família e a necessidade de ruptura das mesmas. Além destas, há ainda questões escatológicas, como a volta de Jesus num dia de sábado no ano 2007, quando a Bíblia diz que ―aquele dia e hora ninguém sabe‖. Os pregadores neopentecostais também ensinam que a fé e o recebimento das bênçãos de Deus está relacionada com a confissão que fazemos, de modo que a fé é reduzida à uma mera confissão positiva. Por causa disso, muitos membros dessas igrejas vivem frustrados, pois temem pronunciar maldições que interfiram em seu progresso espiritual. A cura física também deve ser pronunciada, ou ainda, utilizando um jargão próprio do neopentecostalismo, ―decretada‖. É comum assistir na TV WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 129

pregadores da Prosperidade ensinando os crentes a dar ordens em Deus. O Senhor Soberano foi substituído por um Deus vassalo, sempre disposto à acatar ordens e tudo sem reclamar. O QUE É A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE A teologia da prosperidade une o fútil ao desagradável, ou seja, é uma mistura de ganância e comodismo. Os adeptos da teologia da prosperidade acham que nós temos direito de reivindicarmos o que quisermos de Deus, esquecendo da soberania divina. As idéias de Hagin que levaram ao estabelecimento da teologia da prosperidade podem ser divididas em três pontos principais: 3.1 Autoridade Espiritual Segundo K. Hagin, Deus tem dado autoridade (unção) a profetas nos dias atuais, como seus porta-vozes. 3.2 Bênçãos e Maldições da lei K.Hagin diz, com base em Gl. 3.13,14, que fomos libertos da maldição da lei, que são: 1) Pobreza; 2) doença e 3) morte espiritual. Segundo essa doutrina, o cristão tem direito a saúde e riqueza; diante disso, doença e pobreza são maldições da lei. Eles ensinam que "todo cristão deve esperar viver uma vida plena, isenta de doenças" e viver de 70 a 80 anos, sem dor ou sofrimento. Quem ficar doente é porque não reivindica seus direitos ou não tem fé. E não há exceções. Pregam que Is. 53.4,5 é algo absoluto. Fomos sarados e não existe mais doença para o crente. Os seguidores de Hagin enfatizam muito que o crente deve ter carro novo, casa nova própria, as melhores roupas, uma vida de luxo. Utilizando a Bíblia fora de contexto, alegam, dentre outras conclusões, que: O pecado de Adão fez com que ―o homem perdesse a produtividade, José era um empresário madeireiro, Jesus se rodeou de amigos e damas ricas e que dispunha de tanto dinheiro que necessitou de um tesoureiro‖. 3.3 Confissão Positiva É o terceiro ponto da teologia da prosperidade. Ela está incluída na "fórmula da fé", que Hagin diz ter recebido diretamente de Jesus, que lhe apareceu e mandou escrever de 1 a 4, a "fórmula". Se alguém deseja receber algo de Jesus, basta segui-la: a) "Diga a coisa" positiva ou negativamente, tudo depende do indivíduo. ―De acordo com o que o indivíduo quiser, ele receberá‖. Essa é a essência da confissão positiva. b) "Faça a coisa". "Seus atos derrotam-no ou lhe dão vitória. De acordo com sua ação, você será impedido ou receberá". c) "Receba a coisa". Compete a nós a conexão com o dínamo do céu". A fé é o pino da tomada. Basta conectá-lo. d) "Conte a coisa" a fim de que outros também possam crer". Para fazer a "confissão positiva", o cristão dever usar as expressões: exijo, decreto, declaro, determino, reivindico, em lugar de dizer : peço, rogo, suplico; jamais dizer: "se for da tua vontade", pois isto destrói a fé. Características da versão brasileira adaptada O Papel do ―Diabo‖ Um importante ponto dentro da doutrina da IURD, assim como na maioria das outras igrejas neopentecostais brasileiras é a intervenção do Diabo na vida do homem. Ele, o Diabo, é o elemento perturbador que está entre a graça de Deus e os pedidos do crente. As bênçãos estão ao alcance de todos mediante a fé, inclusive com a alteração radical de realidades miseráveis em vidas prósperas; porém, se alguém tiver qualquer envolvimento direto ou indireto com o Diabo ou não estiver disposto a "sacrificar" para a obra de Deus, não será agraciado. Não é primordialmente o pecado (individual ou social) que impede a posse dos bens, mas o Diabo, que age segundo seu próprio arbítrio, contra quem o crente deve lutar. Uma vez que a responsabilidade fica por conta do fiel e do WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 130

Diabo, cria-se uma linha de tensão entre a posse da bênção e a atuação diabólica. Este mecanismo permite explicar porque muitos fiéis não alcançam a graça. Ao longo do ano de 2001, a IURD passou a utilizar o vocábulo ‖encosto‖ que na linguagem popular corresponde aproximadamente à ―obsessor‖ na nomenclatura espírita. O encosto passou a ser a entidade que ―pessoalmente‖ provoca todo e qualquer tipo de mal ao homem, aparentemente a serviço do Diabo. Provavelmente, essa mudança estratégica se deva a dois fatores: Primeiro o de sugerir ao crente que ele pode vencer mais facilmente o inimigo, já que não se trata do próprio Diabo em pessoa; e segundo pelo aprendizado prático dos pastores que perceberam que não estão tratando sempre com a mesma entidade durante as seções onde supostamente o Diabo se manifestava através de alguns fiéis. A este propósito devemos lembrar, mais uma vez, que segundo a doutrina da IURD, o indivíduo não é exatamente a sede do pecado, o que exigiria dele o arrependimento, mas uma vítima da ação maligna: o ato de pecar não deriva de sua escolha, mas o Mal é fruto do encosto que atrapalha a sua vida, em especial a financeira, que consideram um sinal de bênção. Doutrina da Reciprocidade Na busca da bênção, o fiel deve determinar, decretar, reivindicar e exigir de Deus que Ele cumpra sua parte no acordo; ao fiel compete dar dízimos e ofertas. A Deus cabe abençoar. Ao estabelecer esta relação de reciprocidade com Deus, o que ocorre é que Ele, Deus, fica na obrigação de cumprir todas as promessas contidas na Bíblia na vida do fiel. Torna-se cativo de sua própria Palavra. Macedo ensina como proceder: ―Comece hoje, agora mesmo, a cobrar d'Ele tudo aquilo que Ele tem prometido (...) O ditado popular de que 'promessa é divida' se aplica também para Deus. Tudo aquilo que Ele promete na sua palavra é uma dívida que tem para com você (...) Dar dízimos é candidatar-se a receber bênçãos sem medida, de acordo com o que diz a Bíblia (...) Quando pagamos o dízimo a Deus, Ele fica na obrigação (porque prometeu) de cumprir a Sua Palavra, repreendendo os espíritos devoradores (...) Quem é que tem o direito de provar a Deus, de cobrar d'Ele aquilo que prometeu? O dizimista! (...) Conhecemos muitos homens famosos que provaram a Deus no respeito ao dízimo e se transformaram em grandes milionários, como o Sr. Colgate, o Sr. Ford e o Sr. Caterpilar. (MACEDO, Vida com Abundância, p. 36) E prossegue: ―Ele (Jesus) desfez as barreiras que havia entre você e Deus e agora diz ―volte para casa, para o jardim da Abundância para o qual você foi criado e viva a Vida Abundante que Deus amorosamente deseja para você‖ (...). Deus deseja ser nosso sócio (...). As bases da nossa sociedade com Deus são as seguintes: o que nos pertence (nossa vida, nossa força, nosso dinheiro) passa a pertencer a Deus; e o que é d'Ele (as bênçãos, a paz, a felicidade, a alegria, e tudo de bom) passa a nos pertencer‖. (MACEDO, Vida com Abundância, pp. 25,85-86) O Neo-pentecostalismo se caracteriza exatamente por este tipo de relacionamento do fiel com Deus, inspirada na Teologia da Prosperidade: o cristão tem direito a tudo de bom e de melhor neste mundo. Nas palavras de Macedo: A Bíblia tem mais de 640 vezes escrita a palavra oferta. Oferta é uma expressão de fé. Se Deus não honrar o que falou há três ou quatro mil anos, eu é que vou ficar mal. (MACEDO, O Globo, 29/4/1990). Cabe ao fiel demonstrar revolta diante de Deus e "de dedo em riste" exigir que as promessas bíblicas se cumpram. Sacrifícios Torna-se impossível não evidenciar que essa relação agrega um forte simbolismo ao dinheiro: o fiel propõe trocas com Deus para conseguir a bênção desejada. Neste discurso, a soberania de Deus é compartilhada pelo fiel na relação de troca. É incentivado que o fiel se WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 131

acomode ao mundo das novas tecnologias, acumule riquezas, more melhor, possua carro e não tenha sentimento de culpa por não negar o mundo; pelo contrário, a conduta ascética tem diminuído entre os pentecostais desde a década de 70. Na relação de troca o fiel dá o dízimo, ofertas, participa das campanhas: É necessário dar o que não se pode dar. O dinheiro que se guarda na poupança para um sonho futuro, esse dinheiro é que tem importância, porque o que é dado por não fazer falta não tem valor para o fiel e muito menos para Deus. (MACEDO, Isto É Senhor, 22/11/1989). E tem a garantia dos pastores iurdianos de que Deus cumprirá sua parte: Ele ficará na obrigação de cumprir Sua Palavra. (MACEDO, Mensagens, p. 23). E ainda, O ditado popular de que 'promessa é dívida' se aplica também a Deus. (CRIVELLA, 501 Pensamentos do Bispo Macedo, p. 103). A ênfase na necessidade de dízimos e ofertas é explicada pelos líderes da IURD: caso o fiel não alcance o sucesso almejado, a responsabilidade e a falha são suas. As doações em dinheiro ou bens são presentes colocados no altar de Deus, logo, para uma grande bênção, um valioso presente! A fé é um instrumento de troca; uma mercadoria, e nesta relação "toma lá, dá cá", a imagem de Deus torna-se mais próxima e trivializada, em oposição à doutrina difundida pelo protestantismo histórico e pelo catolicismo tradicional, a partir da qual reverência e submissão são enfatizadas. Dependendo do grau de interesse do ofertante, o presente, por mais caro que seja, ainda assim se torna barato diante daquilo que está proporcionando ao presenteado. Quando há um profundo laço de afeto, ternura e amor entre o que presenteia e o que recebe, o presente nunca deve ser inferior ao melhor que a pessoa tem condições de dar. (MACEDO, O Perfeito Sacrifício: o significado espiritual do dízimo e ofertas, p. 12) O fiel deve sacrificar o "seu tudo". A IURD tem uma campanha em que estimula o fiel a doar o máximo que puder na espera da bênção. Muitas pessoas dão tudo o que têm naquele momento de sua vida: uma caderneta de poupança, o dinheiro para comprar comida, o dinheiro para o ônibus, e assim por diante. Aqueles que vêem as doações das ofertas com maus olhos, ou seja, do ponto de vista meramente mercadológico, principalmente do lado da Igreja, também têm dificuldades para compreender a razão da vinda do Filho de Deus ao mundo. (...) haja vista que a oferta está intimamente relacionada com a salvação eterna em Cristo Jesus. (MACEDO, O Perfeito Sacrifício: o significado espiritual do dízimo e ofertas, p. 14) O adepto é conclamado a concorrer por melhores condições num mundo de extrema desigualdade social. E ainda tem de assumir uma responsabilidade a mais: a de ter sucesso, senão sua vida pode estar comprometida com as forças malignas ou com sua própria incapacidade de gerenciar suas possibilidades. Há muitas oportunidades para aqueles que vivem nos bolsões de pobreza? É onde se encontram muitas igrejas da Universal. Mas, mesmo assim, é preciso "sacrificar" diante de Deus e, de preferência, em dinheiro: Aqueles que examinam o custo do sacrifício jamais sacrificarão uma grande oferta, e aqueles que não sacrificam para a obra de Deus jamais conquistarão qualquer vitória. (CRIVELLA, 501 Pensamentos do Bispo Macedo, p. 21). Colocado nestes termos, é o fiel quem decide: Tudo depende de você. Se perseverar, automaticamente conquistará as bênçãos de Deus. E assim, entrará na terra prometida. (MACEDO, Mensagens, p. 21). E a igreja administra a sua doação: A árvore proibida, no paraíso, representava o dízimo, isto é, a parte de Deus na qual o homem não podia sequer tocar, embora pudesse regá-la e fazê-la crescer. (CRIVELLA, 501 Pensamentos do Bispo Macedo, pp. 99-100). Já ao fiel cabe expulsar Satanás, participar das correntes de prosperidade, ler sobre como muitos irmãos conseguiram resultados exigindo de Deus o que têm direito. De resto, aquele que não alcançar uma bênção, não dará testemunho nem será citado nos livros. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 132

Auto ajuda ―É certo que muitas pessoas neste mundo são ricas, mesmo sem possuírem Deus no coração. Vencem, entretanto, porque confiam na força do seu trabalho, e por isso, são possuidoras de uma riqueza honesta e digna. (...) Reafirmo que nossa vida depende de nós mesmos‖. (MACEDO, Mensagens, pp. 27, 22). Algumas das características do discurso ―iurdiano‖ denotam a recomendação de autoconfiança; o fiel deve crer nele mesmo, em sua capacidade individual. A estratégia oferecida pela IURD, baseada na Teologia da Prosperidade, estimula o membro da igreja a ser participativo nos cultos em relação a ofertas e dízimos e reivindicar perante Deus aquilo que lhe pertence por direito. Se todo o discurso sobre espiritualidade vem atrelado à intervenção do Diabo, quando se trata de dinheiro, o fiel tem de ir à luta e buscar a Deus com revolta, que neste caso, assume um sentido de inconformidade com a própria situação: doença, pouco dinheiro, ser empregado assalariado, etc., e é Deus quem tem que assumir Sua posição diante do fiel: a IURD assim o exige. Porque Deus é obrigado, como em um contrato, a fazer sua parte! Depende apenas de você o que será feito de sua vida, pois quem decide nosso destino somos nós mesmos. Não são as outras pessoas; não é Deus, nem o Diabo. (...) Não adianta ficar só jejuando ou orando. É preciso buscar o que você quer; fazer a sua parte, e então falar ousadamente com Deus, revoltado com a situação. Você deve dar o primeiro passo, pois Deus não o fará por você. (MACEDO, Mensagens, p. 28) OS ENSINOS DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE À LUZ DA BÍBLIA AUTORIDADE ESPIRITUAL. Os profetas, hoje Segundo K. Hagin, Deus tem dado autoridade (unção) a profetas nos dias atuais, como seus portavozes. Ele diz que "recebe revelações diretamente do Senhor"; "...Dou graças a Deus pela unção de profeta...Reconheço que se trata de uma unção diferente...é a mesma unção, multiplicada cerca de cem vezes" (Hagin, Compreendendo a Unção, p. 7). O QUE DIZ A BÍBLIA: O ministério profético, nos termos do AT, duraram até João (Mt 11.13). Os profetas de hoje são os ministros da Palavra (Ef 4.11). O dom de profecia (1Co. 12.10) não confere autoridade profética. Autoridade das revelações Essa autoridade deriva das "visões, profecias, entrevistas com Jesus, curas, palavras de conhecimento, nuvens de glória, rostos que brilham, ser abatido (cair) no Espírito", rejeição às doenças, ordenando-lhes que saiam, etc. Ele diz que quem rejeitar seus ensinos "serão atingidos de morte, como Ananias e Safira" (Pieratt, p. 48). O QUE DIZ A BÍBLIA. A Palavra de Deus garante autoridade aos servos do Senhor (cf. Lc 24.49; At. 1.8; Mc 16.17,18). Mas essa autoridade ou poder deriva da fé no Nome de Jesus e da Sua Palavra, e não das experiências pessoais, de visões e revelações atuais. Não pode existir qualquer "nova revelação" da vontade de Deus. Tudo está na Bíblia (Ver At. 20.20; Ap. 22.18,19). Se um homem diz que lhe foi revelado que a mulher deveria ter filhos pelos lados do corpo, isso não tem base bíblica, carecendo tal pessoa de autoridade espiritual. Deveria seguir o exemplo de Paulo, que recebeu revelação extraordinária, mas não a escreveu (cf. 2 Co 12.1-6). Homens são deuses Diz Hagin: "Você é tanto uma encarnação de Deus quanto Jesus Cristo o foi..." (Hagin, Word of Faith, 1980, p. 14). "Você não tem um deus dentro de você. Você é um Deus" (Kenneth Copeland, fita cassete The Force of Love, BBC-56). "Eis quem somos: somos Cristo!" (Hagin, Zoe: A Própria WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 133

Vida de Deus, p.57). Baseia-se, erroneamente, no Sl 82.6, citado por Jesus em Jo. 10.31-39. "Eu sou um pequeno Messias" (Hagin, citado por Hanegraaff, p. 119). O QUE A BÍBLIA DIZ Satanás, no Éden, incluiu no seu engodo, que o homem seria "como Deus, sabendo o bem e o mal" (Gn 3.5). Isso é doutrina de demônio. Em Jo. 10.34, Jesus citou o Sl. 82.6, mostrando a fragilidade do homem e não sua deificação: "...Todavia, como homem morrereis e caireis, como qualquer dos príncipes" (v. 7). "Deus não é homem" (Nm 23.19; 1 Sm 15.29; Os 11.9 Ex 9.14). Fomos feitos semelhantes a Deus, mas não somos iguais a Ele, que é Onipotente (Jó 42.2;...); o homem é frágil (1 Co 1.25); Deus é Onisciente (Is 40.13, 14; Sl 147.5); o homem é limitado no conhecimento (Is 55.8,9). Deus é Onipresente (Jr. 23.23,24). O homem só pode estar num lugar (Sl 139.1-12). Diante desse ensino, pode-se entender porque os adeptos da doutrina da prosperidade pregam que podem obter o que quiserem, nunca sendo pobres, nunca adoecendo. É que se consideram deuses! Saúde e Prosperidade Esse tema insere-se no âmbito das "promessas da doutrina da prosperidade". Segundo essa doutrina, o cristão tem direito a saúde e riqueza; diante disso, doença e pobreza são maldições da lei. Bênção e Maldição da Lei Com base em Gl 3.13,14, K.Hagin diz que fomos libertos da maldição da lei, que são: 1) Pobreza; 2) doença e 3) morte espiritual. Ele toma emprestadas as maldições de Dt 28. contra os israelitas que pecassem. Hagin diz que os cristãos sofrem doenças por causa da lei de Moisés. O QUE DIZ A BÍBLIA Paulo refere-se, no texto de Gl. 3 à maldição da lei a todos os homens, que permanecem nos seus pecados. A igreja não se encontra debaixo da maldição da lei de Moisés. (cf. Rm 3.19; Ef 2.14). Hagin diz que ficamos debaixo da bênção de Abraão (Gl 3.7-9), que inclui não ter doenças e ser rico. Ora, Abraão foi abençoado por causa da fé e não das riquezas. Aliás, estas lhe causaram grandes problemas. Muitos cristãos fiéis ficaram doentes e foram martirizados, vivendo na pobreza, mas herdeiros das riquezas celestiais (1 Pe. 3.7). Os teólogos da prosperidade dizem que Cristo, na Cruz, "removeu não somente a culpa do pecado, mas os efeitos do pecado" (Pieratt, p. 132). Mas isso não é verdade, pois Paulo diz que "toda a criação geme", inclusive os crentes, aguardando a completa redenção. O cristão não deve adoecer Eles ensinam que "todo cristão deve esperar viver uma vida plena, isenta de doenças" e viver de 70 a 80 anos, sem dor ou sofrimento. Quem ficar doente é porque não reivindica seus direitos ou não tem fé. E não há exceções (Pieratt, p. 135). Pregam que Is. 53.4,5 é algo absoluto. Fomos sarados e não existe mais doença para o crente. O QUE DIZ A BÍBLIA "No mundo, tereis aflições" (Jo. 16.33). O apóstolo Paulo viveu doente (Ver 1 Co. 4.11; Gl. 4.13), passou fome, sede, nudez, agressões, etc. Seus companheiros adoeceram (Fp 2.30). Timóteo tinha uma doença crônica (1Tm. 5.23). Trófimo ficou doente (2 Tm 4.20). Essas pessoas não tinham fé? Jesus curou enfermos, e citou Is 53.4,5 (cf. Mt 8.16,17). No tanque de Betesda, havia muitos doentes, mas Jesus só curou um (cf. Jo. 5.3,8,9). Deus cura, sim. Mas não cura todos as pessoas. Se assim fosse, não haveria nenhum crente doente. Deve-se considerar os desígnios e a soberania divina. Conhecemos homens e mulheres de Deus, gigantes na fé, que têm adoecido e passado para o Senhor. John Ankerberg e John Weldon nos ajudam a interpretar o texto de Isaías 53:4-5 com o seguinte comentário: ―No hebraico a palavra ―sarar‖ (em hebraico, rapha), pode-se referir à cura física ou à cura espiritual. O contexto deve determinar se um dos sentidos ou ambos são empregados. Por exemplo, em 1 Pedro 2:24, Pedro se refere à cura espiritual (citando a Septuaginta), e em Mateus 8:17, Mateus se refere à cura física (citando o texto hebraico massorético). Segundo Paulo Romeiro, WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 134

do ICP (Instituto Cristão de Pesquisas), ―não podemos esquecer também que, quando Jesus curou a sogra de Pedro (Mateus 8:14-17), a expiação de Cristo ainda não havia acontecido. Portanto, usar esta passagem para dizer que a cura divina, total e perfeita, está garantida na expiação com base em Isaías 53:4, 5 é forçar o texto e não reflete uma boa exegese‖. Ele também afirma que dizer que a enfermidade é conseqüência da falta de fé ou pecado na vida do crente constitui-se numa falácia bíblica. ―Basta examinar as Escrituras para notarmos que verdadeiros servos de Deus passaram privações e dificuldades em suas trajetórias a serviço do Senhor‖. Para ratificar sua asserção, ele menciona o profeta Eliseu, que apesar de ter sido um grande profeta de Deus e de ter tido um ministério marcado por muitos feitos sobrenaturais, morreu em conseqüência de sua enfermidade. Será que ele não tinha fé ou estava em pecado? Muito pelo contrário, pois a Bíblia diz que um soldado morto, após ser colocado na sepultura de Eliseu, tocou em seus ossos e ressuscitou (2 Reis 13:14-21). Um outro exemplo citado por ele é o de Jó. Seu sofrimento não foi causado por confissões pessimistas, pecados ocultos ou falta de fé, nem tampouco foi o diabo quem decidiu provar Jó. A iniciativa partiu de Deus. Muitos pregadores da confissão positiva declaram que toda enfermidade procede do diabo. O pastor Jorge Tadeu, líder das igrejas Maná, em Portugal, afirma que ―Deus só pode dar o que Ele tem. Para Deus lhe dar uma doença teria que pedi-la emprestada ao diabo, o que é uma idéia absurda‖, mas o ensino de Jorge Tadeu é contrário ao que diz a Bíblia. Por acaso Deus teve que tomar a lepra emprestada do diabo para colocá-la em Miriã? A lepra de Miriã foi provocada por Deus (cf. Números 12:10). Existe nos Estados Unidos muitos casos documentados de mortes causadas pela pretensa fé. Supostamente baseados nas promessas de Deus, muitos pais perderam seus filhos para enfermidades que poderiam ser facilmente medicadas. O ministério das igrejas Maná, não tem escapado das críticas da imprensa em Portugal. O jornal Tal & Qual, na edição de 30 de agosto a 5 de setembro de 1991, faz uma séria denúncia, na primeira página, sobre as circunstâncias que levaram ao falecimento do pequeno Nelson Marta, de oito anos, ocorrido em 13 de maio de 1991. ―Mas que Grande Seita! Deixem de tomar remédios! — aconselha a seita religiosa Maná. Mas a morte de uma criança acaba de pôr em causa o insólito ―mandamento‖. O cristão não deve ser pobre Os seguidores de Hagin enfatizam muito que o crente deve ter carro novo, casa nova (jamais morar em casa alugada!), as melhores roupas, uma vida de luxo. Dizem que Jesus andou no "cadillac" da época, o jumentinho. Isso é ingênuo, pois o "cadillac" da época de Cristo seria a carruagem de luxo, e não o simples jumentinho. Na teologia da prosperidade, o céu é aqui e agora! Claro, com sucesso financeiro, prosperidade material, caro importado, roupas de grife, casa em certos lugares... Verdadeiro sinal de que alguém "repousa na benção de Deus". Nesta ótica "God is fashion", a concepção de sacrifício é deturpada. Ricardo Mariano, sociólogo que estuda há oito anos o fenômeno pentecostal brasileiro, crê que essa remuneração é aceita com naturalidade pelos membros da igreja pois eles vêm projetado na liderança seu próprio anseio, como fruto da teologia da prosperidade. O sociólogo acredita que a imagem propagada pela sociedade de que o pastor é sempre um homem rico foi criada a partir de alguns exemplos na história recente da igreja no Brasil e nos EUA. "Líderes pentecostais de igrejas bem-sucedidas tendem a ter um excelente padrão de vida, pois a administração da obra está integralmente em suas mãos. É fácil observar quem tem este poder totalitário, pois a coisa é tratada como negócio de família, e passa de pai para filho", explica o estudioso. (http://www.icmbrasil.org/index.htm?teoprosp.htm~principal - acessado em 10.10.07 - 17h13m) Morando em luxuosas mansões nos melhores bairros da cidade, ou mesmo em prósperos balneários no exterior, incorporando personagens criados por seus assessores de marketing e até ostentando jóias caras, eles mais se parecem com os emergentes jogadores de futebol ou artistas de Hollywood. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 135

E, na maioria dos casos, é assim que são tratados pelos fiéis, que os vêem como figuras míticas e exemplares, enquanto o Filho do Homem, não tinha onde reclinar a cabeça (cf. Mt 8,20 e Lc 9,58). (http://www.icmbrasil.org/index.htm?teoprosp.htm~principal - acessado em 10.10.07 - 17h13m) O QUE DIZ A BÍBLIA A Palavra de Deus não incentiva a riqueza (também não a proíbe, desde que adquirida com honestidade, nem santifica a pobreza); Paulo diz que aprendeu a contentar-se com o que tinha (cf. Fp 4.11,12; 1 Tm 6.8); Jesus enfatizou que só uma coisa era necessária: ouvir sua palavra (Lc 10.42); Ele disse que é difícil um rico entrar no céu (Mt 19.23); disse, também, que a vida não se constitui de riquezas (Lc 12.15). Os apóstolos não foram ricaços, mas homens simples, sem a posse de riquezas materiais. S. Paulo advertiu para o perigo das riquezas (1 Tm 6.7-10). Confissão Positiva É o terceiro ponto da teologia da prosperidade. Ela está incluída na "fórmula da fé", que Hagin diz ter recebido diretamente de Jesus, que lhe apareceu e mandou escrever de 1 a 4, a "fórmula". Como já mencionamos acima, se alguém deseja receber algo de Jesus, basta segui-la: a) "Diga a coisa" positiva ou negativamente, tudo depende do indivíduo. ―De acordo com o que o indivíduo quiser, ele receberá‖. Essa é a essência da confissão positiva. b) ―Faça a coisa". "Seus atos derrotam-no ou lhe dão vitória. De acordo com sua ação, você será impedido ou receberá". c) "Receba a coisa". Compete a nós a conexão com o dínamo do céu". A fé é o pino da tomada. Basta conectá-lo. d) "Conte a coisa" a fim de que outros também possam crer". Para fazer a "confissão positiva", o cristão dever usar as expressões: exijo, decreto, declaro, determino, reivindico, em lugar de dizer: peço, rogo, suplico; jamais dizer: "se for da tua vontade", segundo Benny Hinn, pois isto destrói a fé. Mas Jesus orou ao Pai, dizendo: "Se é da tua vontade... faça-se a tua vontade..." (Mt 26.39,42). ―Confissão positiva‖ se refere literalmente a trazer à existência o que declaramos com nossa boca, uma vez que a fé é uma confissão‖ (Romeiro,1993, p. 6). Logos e Rhema, a polêmica da semântica. Segundo Michael Horton, não existe nenhuma grande diferença entre estes dois vocábulos, que seriam como os sinônimos ―enorme‖ e ―imenso‖ no português. Ele declara que ―os ensinadores da fé inventavam uma falsa distinção de significado entre essas duas palavras gregas. Rhema, dizem eles, é a ―palavra‘‖ que os crentes usam para ―decretar‖ ou ―declarar‖ a fim de trazer prosperidade ou cura para esta dimensão‖. Em uma linguagem mais coloquial, o vocábulo rhema é o ―abracadabra‖ que os neopentecostais pronunciam para materializar o objeto desejado. Depois vem logos, ou ―a palavra de revelação‖ que é a palavra mística, direta, que Deus fala aos iniciados. O termo pode-se referir também à Bíblia, mas é geralmente empregado no contexto de sonhos, visões e comunicações particulares entre Deus e seu ―agente‖. Dessa forma, podemos perceber no movimento neopentecostal duas fontes de autoridade: uma objetiva – a Bíblia, e outra subjetiva, a revelação ou palavra da fé. Assim, quando alguém lê uma referência na literatura do pregador da fé à ―Palavra de Deus‖, ou ―agir sobre a Palavra‖ e outras, o autor pode não está mais se referindo à Palavra de Deus escrita, a Bíblia, mas ao seu próprio ―decreto‖ (rhema) ou uma palavra pessoal de Deus para ele (logos). Os apologistas da confissão positiva fazem um cavalo de batalha sobre as palavras gregas logos e rhema que significam palavra, dizendo que há uma distinção entre eles no sentido de que logos é a Palavra escrita, revelada de Deus, e que rhema é a palavra dita, expressa de Deus, que faz com que as coisas sejam realizadas. A palavra rhema seria uma espécie de ―vara de condão‖ capaz de materializar o objeto da nossa cobiça. Desta forma, eles afirmam que podemos usar a palavra rhema WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 136

para realizarmos no mundo espiritual e físico tudo aquilo que desejamos. Entretanto, na Palavra de Deus não há sequer uma distinção teológica entre estes dois termos. O Dr. Russel Shedd afirma que Pedro não fez distinção sobre estes termos em sua primeira carta, capítulo 1.23-25: “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra (Gr. Logos) de Deus, viva que permanece para sempre. Porque toda a carne é como a erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; Mas a palavra (Gr. Rhema) do Senhor permanece para sempre; e esta é a palavra (Gr. Rhema) que entre vós foi evangelizada”. Como se pode ver, na mente do apóstolo não havia distinção entre estas palavras. Sendo assim fica desfeita a pretensão daqueles que querem forçar uma interpretação e aplicação errônea destes termos. A VERDADEIRA PROSPERIDADE A Palavra de Deus tem promessas de prosperidade para seus filhos. Ao refutar a "Teologia da Prosperidade", não devemos aceitar nem pregar a "Teologia da Miserabilidade". A PROSPERIDADE ESPIRITUAL Esta deve vir em primeiro lugar. Sl 112.3; Sl 73.23-28. É ser salvo em Cristo Jesus; batizado com o Espírito Santo; é ter o nome escrito no Livro da Vida; é ser herdeiro com Cristo (Rm 8.17); Deus escolheu os pobres deste mundo para serem herdeiros do reino (Tg 2.5); somos co-herdeiros da graça (1 Pe 3.7); devemos ser ricos de boas obras (1 Tm 6.18,19); tudo isso nos é concedido pela graça de Deus. PROSPERIDADE EM TUDO Deus promete bênçãos materiais a seus servos, condicionando-as à obediência à sua Palavra e não à "Confissão Positiva". BÊNÇÃOS E OBEDIÊNCIA. Dt 28.1-14 São bênçãos prometidas a Israel, que podem ser aplicadas aos crentes, hoje. PROSPERIDADE EM TUDO (Sl 1.1-3; Dt 29.29) As promessas de Deus para o justo são perfeitamente válidas para hoje. Mas isso não significa que o crente que não tiver todos os bens, casa própria, carro novo, etc, não seja fiel. CRENDO NOS SEUS PROFETAS (2 Cr 20.20) Deus promete prosperidade para quem crê na Sua palavra, transmitida pelos seus profetas, ou seja, homens e mulheres de Deus, que falam verdadeiramente pela direção do Espírito Santo, em acordo com a Bíblia, e não por entendimento pessoal. PROSPERIDADE E SAÚDE (3 Jo 2) A saúde é uma bênção de Deus para seu povo em todos os tempos. Mas não se deve exagerar, dizendo que quem ficar doente é porque está em pecado ou porque não tem fé. BÊNÇÃOS DECORRENTES DA FIDELIDADE NO DÍZIMO (Ml 3.10,11) As janelas do céu são abertas para aqueles que entregam seus dízimos fielmente, pela fé e obediência à Palavra de Deus. O JUSTO NÃO DEVE SER MISERÁVEL. (Sl 37.25) O servo de Deus não deve ser miserável, ainda que possa ser pobre, pois a pobreza nunca foi maldição, de acordo com a Bíblia. As Heresias de Benny Hinn Na verdade este é um pseudônimo. Seu nome verdadeiro é Tofik Benedictus Hinn. Nasceu na cidade de Jaffa em Israel, no dia 3 de dezembro de 1952. É um dos mais conhecidos "televangelistas" do mundo na atualidade. É um dos maiores propagadores do "Movimento da Fé", difundindo suas heresias através da TV, cruzadas ao redor do globo e livros, como: Bem-vindo Espírito Santo, Bom dia Espírito Santo, Este é o dia do seu milagre, entre outros. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 137

No ano de 1989, Hinn afirmou que estava diante do trono de Deus (Deus falava através dele), e que lhe comunicou que iria destruir a comunidade homossexual com fogo entre 1994-95, e que uma doença originária da América do Sul chegaria aos EUA, porém nada disso aconteceu. No ano de 1990 afirmou que os EUA seriam assolados por terremotos e outros eventos destruidores. Afirmou, ainda, que um colapso econômico destruiria a economia dos EUA, porém, nada disso também aconteceu. De acordo com a instrução bíblica isso já seria mais que suficiente para classificar Benny Hinn como um falso profeta, todavia, não é o que acontece, já que milhares de pessoas dãolhe credibilidade, adquirem seus livros como se estes representassem uma literatura cristã saudável e o seguem, como se fosse um genuíno representante de Cristo. Iremos analisar aqui, a luz da Palavra de Deus, algumas afirmações de Benny Hinn feitas em programas de TV, em suas viagens "evangelísticas" e em seus livros. Seus ensinos deixam bem claro que estamos tratando de um falso profeta. "Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores" Mt 7.15. 1) "Cristãos são pequenos messias, são pequenos deuses" (Benny Hinn, Praise-a-thon (TBN), Novembro 1990). Os cristãos são "pequenos deuses"? Absolutamente não! O texto bíblico de Romanos 11:33-36 nos diz: "Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque, quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém". 2) "Jesus na sua morte se tornou um com satanás" (Benny Hinn, transmissão de Benny Hinn, 15/12/90). Em Sua morte, Jesus não se tornou um com satanás. O que aconteceu foi exponencialmente o oposto. Jesus venceu, triunfou de satanás. Vejamos: "E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo" (Cl 2:15). 3) "Pobreza vem do Inferno. Prosperidade vem do Céu. Adão teve domínio completo sobre a terra e tudo que nela contém. Adão podia voar como um pássaro. Adão podia nadar embaixo d'água e respirar como um peixe. Adão foi para a lua. Adão caminhou sobre as águas. Adão foi um superser [este não é o termo de um autor esotérico?], ele foi o primeiro super-homem que viveu. Adão teve domínio sobre o sol, lua & estrelas. Cristãos não têm Cristo em seus corações. Semeia uma grande semente, quando você a confessa, você está ativando as forças sobrenaturais de Deus". (Benny Hinn, Praise-a-thon (TBN), Novembro 1990). Adão podia voar como um pássaro?; Adão podia nadar embaixo d'água?; Adão podia respirar como um peixe?; Adão foi para a lua?; Adão caminhou sobre as águas?; Adão foi um super-ser?; Adão foi o primeiro super-homem que viveu? Gostaria de ver Benny Hinn, ou qualquer outra pessoa nos mostrar esse ensino na Bíblia! Todo ensino que vai além do que está escrito na Bíblia deve ser considerado como amaldiçoado. Vejamos: "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema (amaldiçoado). Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema (amaldiçoado)." (Gl 1:8). 4) "Quando você não dá dinheiro (para a igreja), mostra que tem a natureza do diabo" (Benny Hinn, Praise-a-thon (TBN), 4/21/91) Em primeiro lugar, o ensino bíblico nos alerta para o fato de que aquele que não é dizimista está roubando a Deus. Ele não está roubando a igreja, mas a Deus. Em segundo lugar, não está escrito em nenhuma parte das Escrituras Sagradas que aquele que não dá dinheiro à igreja tem a natureza do diabo. Seria muito bom, outra vez, que o Sr. Benny Hinn nos mostrasse na Bíblia em que lugar isso está escrito. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 138

5) "Algumas vezes eu desejaria que Deus me desse uma metralhadora do Espírito Santo para explodir a cabeça deles" (Falando sobre nós, "os caçadores de heresias") O desejo do Sr. Benny Hinn de explodir a cabeça dos bereanos caçadores de heresia se dá pelo fato dele ser continuamente desmascarado pelos tais. A instrução bíblica é que examinemos os ensinos, ponhamos à prova os ensinadores, comparamos toda instrução com a escritura e notemos (destaquemos, revelemos) os hereges, para que sintam vergonha. 6) "Quando você diz que está salvo, o que está dizendo? Está dizendo que é um cristão. O que essa palavra significa? Significa que você é um ungido. Você sabe o que a palavra ungido significa? Significa Cristo. Quando você diz que é um cristão, está dizendo que é um Mashiyach, em hebraico, sou um pequeno messias caminhando na Terra, em outras palavras. Essa é uma revelação chocante! ... O espírito dele e nosso espírito-homem são um, unidos. Não há separação, é impossível. A nova criação é criada com base em Deus em justiça e verdadeira santidade. O novo homem é como Deus, divino, completo em Cristo Jesus, a nova criação é exatamente como Deus. Posso dizer assim, você é um pequeno deus caminhando na Terra". "Embora nós não sejamos o Deus Todo-Poderoso, apesar de tudo, nós agora somos divinos" (Benny Hinn, 12/1/90, TBN). "Se você está preparado para algum conhecimento revelado... você é deus" (Benny Hinn, "Our Position In Christ", tape # AO31190-1) O homem é um ser criado. E aquele que é salvo continua sendo um ser criado, todavia regenerado, nascido de novo. Na verdade, o desejo de se tornar igual a Deus tem origem no coração de Satanás. Observe que foi o inimigo que semeou esse ensino no coração de Eva, e hoje este continua no coração de muitos, inclusive do Sr. Benny Hinn. Nós, jamais seremos divinos. Jamais seremos deuses. Jamais seremos iguais a Deus. Nós somos criaturas. "E quanto menos o homem, que é um verme, e o filho do homem, que é um vermezinho" (Jo 25:6). 7) "Se vocês me atacaram, suas crianças pagarão por isso" (Benny Hinn, TBN "Heresy Hunters" 23/10/92). Um exemplo claro de como ele tenta intimidar as pessoas para que estas não julguem seus métodos. 8) Benny Hinn falando em "línguas": "Demônios, demônios... glória, glória"; "Senhor Jesus, dê a eles pecado... por gargalhadas sagradas [a chamada benção de Toronto / unção do riso] às pessoas, eu oro" (Benny Hinn, TBN) Benny Hinn orando aos demônios? Benny Hinn dando glória aos demônios? Benny Hinn pedindo que Deus dê pecado as pessoas? Benny Hinn pedindo a unção do riso? Ora, em que lugar da Bíblia nós podemos encontrar respaldo para tais práticas? Orar a demônios; glorificar demônios; pedir pecado para Deus; ensinar a unção do riso? 9) "Deus, o Pai, é uma pessoa. Deus, o Filho, é uma pessoa. Deus, o Espírito Santo é uma pessoa. Mas cada um deles é um ser triúno por si mesmos! Se posso chocá-lo, e talvez eu deva chocá-lo, existem nove deles... Deus, o Pai, é uma pessoa com seu próprio espírito pessoal, com sua própria alma pessoal, e seu próprio corpo espiritual pessoal. Você diz, "Eu nunca ouvi isso antes". Bem, você acha que está nesta igreja para ouvir coisas que já ouviu nos últimos cinqüenta anos? Você não pode discutir com a Palavra, pode? Está tudo lá na Palavra." (Benny Hinn). Espere um pouco! Nove deuses? Isso sim, pode ser classificado como politeísmo. Isso nunca foi cristianismo bíblico. Deus, o Pai, possui um corpo físico? Como pode alguém ensinar tal doutrina se a própria Bíblia nos ensina que O Pai não tem corpo físico? "Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade" (Jo 4:24). 10) "Você acha que está nesta igreja para ouvir coisas que já ouviu nos últimos cinqüenta anos?". Ora, um falso profeta sempre se apresenta como sendo o detentor de uma nova revelação. Foi assim com Joseph Smith (Mórmons), Charles Russel (Testemunhas de Jeová), William Branham (Tabernáculo da Fé), Ellen White (Adventismo), e agora com o Sr. Benny Hinn. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 139

Como pode-se descartar tão rapidamente 200 anos de história, para se defender heresias de perdição tão claras e aberrantes? "Não removas os antigos limites que teus pais fizeram" (Pv 22:28). Benny Hinn ainda teve a ousadia de dizer: "Você não pode discutir com a Palavra, pode? Está tudo lá na Palavra". Gostaria, mais uma vez, de saber em que lugar da Escritura está esse ensino? Aqui podemos entender com a mais absoluta clareza que aqueles que seguem tais ensinos não se dão ao trabalho de ler a Bíblia, muito menos de estudá-La. A afronta contra a natureza divina de Cristo e Sua obra vicária na cruz é apresentada por Benny Hinn, quando ele diz: "Senhoras e senhores, a serpente é um símbolo de Satanás. Jesus Cristo sabia que o único modo de ele parar Satanás seria tornando-se um em natureza com ele."O que você disse? Que blasfêmia é esta?' Não, você ouviu isto mesmo! Ele não levou meus pecados, ele tornouse meu pecado. O pecado é a natureza do inferno. O pecado é que fez Satanás. Você se lembra, ele não era Satanás até que o pecado foi encontrado nele. Lúcifer era perfeito até que, Ezequiel diz, o pecado foi encontrado nele. Foi o pecado que criou Satanás. Jesus disse, "Serei o pecado, irei aos lugares mais baixos. Irei à origem do pecado. Não irei apenas tirar parte dele; serei a totalidade dele". Quando Jesus tornou-se pecado, ele o tirou de A a Z e disse não mais. Pense nisto. Ele tornou-se carne para que a carne possa tornar-se como ele. Ele tornou-se morte para que os homens moribundos possam viver. Ele tornou-se pecado para que os pecadores possam ser justos nele. Ele tornou-se um com a natureza de Satanás para que todos aqueles que tinham a natureza de Satanás possam participar da natureza de Deus." Benny Hinn afirma que Jesus falou: "Serei o pecado, irei aos lugares mais baixos. Irei à origem do pecado. Não irei apenas tirar parte dele; serei a totalidade dele". Mais uma vez fazemos a mesma pergunta: Em que lugar da Bíblia Jesus disse isso? Jesus não se transformou em um pecador, e muito menos se transformou em pecado. Ele carregou, levou sobre si os nossos pecados. Basta ler Isaías 53. Os Ensinos de Benny Hinn Vamos examinar as palavras reais e então olhar as Escrituras buscando os fatos bíblicos sobre cada assunto. Pedimos que você seja muito cuidadoso ao ler as palavras dele para que não haja malentendidos. Lembre-se da advertência de Paulo que apenas um pouco de erro doutrinário arruína todo um movimento [1 Coríntios 5:6]. Você não encontrará apenas uns "pequenos erros doutrinários com Benny Hinn, mas encontrará um amontoado enorme de erros terríveis. 1. A Pessoa de Deus: "Deus, o Pai, é uma pessoa. Deus, o Filho, é uma pessoa. Deus, o Espírito Santo é uma pessoa. Mas cada um deles é um ser trino por si mesmos! Se posso chocá-lo, e talvez eu deva chocá-lo, existem nove deles... Deus, o Pai, é uma pessoa com seu próprio espírito pessoal, com sua própria alma pessoal, e seu próprio corpo espiritual pessoal. Você diz, "Eu nunca ouvi isso antes". Bem, você acha que está nesta igreja para ouvir coisas que já ouviu nos últimos cinqüenta anos? Você não pode discutir com a Palavra, pode? Está tudo lá na Palavra." (Benny Hinn). Como Benny Hinn pode fazer graça das "coisas que você ouviu nos últimos cinqüenta anos"? Afinal, a verdade da Bíblia é eterna, e o próprio Deus exorta: "Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos nele." [Jeremias 6:16]. Marque bem isto: se alguma vez você ouvir um pastor dizer que os "caminhos antigos" não são mais válidos, saia fora desse lugar imediatamente! Se uma pessoa negar a eternidade da Palavra de Deus, essa pessoa negará outras doutrinas-chave também. Esse ponto é uma daquelas questões que devem ser o "teste do anil" para os cristãos verdadeiros e genuínos. Benny Hinn reconheceu esse falso ensino e aparentemente não o ensina mais. Mas, como pôde esse lapso ocorrer, especialmente desde que Hinn disse que aquilo que ele estava ensinando "estava tudo na Palavra"? Os seguidores dele não são como os nobres bereanos, que diariamente conferiam nas WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 140

Escrituras para ver se aquilo que o apóstolo Paulo dizia estava realmente fundamentado nas Escrituras. [Atos 17:10-11]. Esse falso ensino sobre a Trindade diz algo sobre Hinn e seu ministério que precisa ser admitido e contemplado com cuidado. Nenhum assunto é de maior importância para a igreja cristã que a pessoa de Deus. Deus é um, representado na pessoa de Deus, o Pai, Deus o Filho, e Deus o Espírito Santo. O discípulo amado João escreveu sob a inspiração do Espírito Santo, "Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um." [1 João 5:7] As Escrituras testificam da trindade de Deus em perfeita unidade em todos os escritos sagrados. Falar de Deus o Pai (o Filho de Deus e o Espírito Santo) cada tendo um espírito pessoal, uma alma pessoal e um corpo pessoal está totalmente contra a Palavra de Deus. O Espírito Santo é o Espírito de Deus e o Espírito de Cristo, e como poderiam o Pai, o Filho e o Espírito Santo terem todos os três seus próprios espíritos, corpo espiritual e alma? Vemos bem no início que idéias paranormais e psíquicas influenciam as doutrinas ensinadas por Benny Hinn. Os ensinos de Benny Hinn sobre Jesus Cristo são similares aos de Kenneth Hagin e Kenneth Copeland, mas na verdade vão para um nível acima de Copeland. Hinn ensina: "Senhoras e senhores, a serpente é um símbolo de Satanás. Jesus Cristo sabia que o único modo de ele parar Satanás seria tornando-se um em natureza com ele. "- O que você disse? Que blasfêmia é esta?' Não, você ouviu isto mesmo! Ele não levou meus pecados, ele tornou-se meu pecado. O pecado é a natureza do inferno. O pecado é que fez Satanás. Você se lembra, ele não era Satanás até que o pecado foi encontrado nele. Lúcifer era perfeito até que, Ezequiel diz, o pecado foi encontrado nele. Foi o pecado que criou Satanás. Jesus disse: "Serei o pecado, irei aos lugares mais baixos. Irei à origem do pecado. Não irei apenas tirar parte dele; serei a totalidade dele. Quando Jesus tornou-se pecado, ele o tirou de A a Z e disse não mais. Pense nisto. Ele tornou-se carne para que a carne possa tornar-se como ele. Ele tornou-se morte para que os homens moribundos possam viver. Ele tornou-se pecado para que os pecadores possam ser justos nele. Ele tornou-se um com a natureza de Satanás para que todos aqueles que tinham a natureza de Satanás possam participar da natureza de Deus." [ênfase adicionada]. Que doutrina satânica é essa, que Jesus não tinha poder inerente para derrotar Satanás, mas teve de recorrer ao expediente de "tornar-se um em natureza com ele" para poder derrotá-lo? Essa é outra mentira direta do poço do abismo! Essa doutrina nega a onipotência de Jesus Cristo. O assunto do poder de Jesus e sua natureza é igualmente importante com aquela da natureza da divindade. Os seguidores da Nova Era estão dispostos a aceitar que Jesus foi um dos grandes mestres. Quase todas as religiões colocam Jesus alinhado com outros iluminados, ou avatares, como Buda, Maomé, e Krishna. Mas a pura fé cristã ensina que Jesus Cristo é a eterna Palavra de Deus, divino em sua pessoa e não poderia tomar qualquer natureza que contaminasse sua pessoa. Até o corpo do Filho do Homem foi santificado antes de ele ser enviado ao mundo. "Aquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus?" [João 10:36]. Jesus Cristo não se tornou um pecador, mas levou nossa culpa como um sacrifício vicário. Sem questão, ele "tornou-se pecado" pelo ato da substituição, mas não em seu caráter pessoal. Paulo disse: "Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus." [2 Coríntios 5:21]. Jesus não "se tornou pecado de A a Z", como diz Benny Hinn. Ele morreu como nosso substituto exatamente como se tivesse sido o culpado, mas não assumiu a natureza de Satanás nesse processo. Ser um substituto para alguém é muito diferente de tomar sua natureza. Lembre-se, ele não foi um substituto para Satanás de modo algum. Ele foi um substituto para você e para mim por causa do ato de rebelião e o engano de Satanás e nossa servidão ao pecado. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 141

A morte de Cristo foi pré-figurada nos grandes sacrifícios do templo no Antigo Testamento. Esses grandes atos foram dados como um padrão para o vindouro Messias e para purificar o povo uma vez por ano de seus pecados acumulados. Jesus Cristo cumpriu todos esses tipos em sua morte. Veja a completa explicação dada de forma tão excelente pelo autor da Epístola aos Hebreus. "E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão. De sorte que era bem necessário que as figuras das coisas que estão no céu assim se purificassem; mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes. Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no santuário com sangue alheio; de outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação." [Hebreus 9:22-28]. Todo o ensino de Benny Hinn sobre esse assunto é profundamente furado e apresenta uma perfeita base para um movimento religioso ocultista e paranormal. A idéia dele da "teologia dos pequenos deuses" é bem reveladora. Em vez de você e eu sermos elevados, o Senhor Jesus Cristo é na verdade degradado. Veja novamente as idéias de Benny Hinn: "- Quando você diz que está salvo, o que está dizendo? Está dizendo que é um cristão. O que essa palavra significa? Significa que você é um ungido. Você sabe o que a palavra ungido significa? Significa Cristo. Quando você diz que é um cristão, está dizendo que é um Mashiyach, em hebraico, sou um pequeno messias caminhando na Terra, em outras palavras. Essa é uma revelação chocante!... O espírito dele e nosso espírito-homem são um, unidos. Não há separação, é impossível. A nova criação é criada com base em Deus em justiça e verdadeira santidade. O novo homem é como Deus, divino, completo em Cristo Jesus, a nova criação é exatamente como Deus. Posso dizer assim, você é um pequeno deus caminhando na Terra." [Ênfase adicionada]. Esse ensino é padrão da Nova Era, da Maçonaria e da Sociedade Rosa-Cruz! Todos esses grupos ocultistas falsos ensinam que o homem tem um "pequeno deus" dentro dele! Esse movimento carismático Palavra da Fé está agora se identificando como de Nova Era! Verdadeiramente, todos os falsos grupos estão se unindo neste ponto na história mundial; a única diferença aqui é que o movimento de Hagin/Copeland/Hinn está ensinando doutrina ocultista padrão sob o disfarce de cristianismo. Você sabe que essa é a verdadeira definição do Anticristo? Veja: "Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora." [1 João 2:18a]. Assim, esse ensino de Hagin/Copeland/Hinn pode ser seguramente identificado como sendo do Anticristo! Não há absolutamente nenhuma dúvida sobre isso. Poucas coisas causaram mais agitação, pró e contra, que esse ensino do homem se tornar um pequeno deus. Hinn parece dar a esse ensino uma distorção que muitos outros proponentes não deram. Hagin e Copeland (juntamente com muitos outros) criaram uma nova cosmo visão entre seus seguidores com toda essa idéia, gerando uma arrogância e uma mentalidade egoísta naqueles que aderem a esse falso ensino. Em vez de humildade e um espírito contrito (que o Senhor ama e abençoa), esse ensino criou uma classe de crentes professos que não querem que nada lhes seja ensinado. As pessoas dizem, "Não me importo com o que o apóstolo Paulo disse ou fez." A própria natureza desse ensino é o orgulho, a arrogância e todo espírito da natureza adâmica pecaminosa. Benny Hinn ensina que somos "como deus em espírito, não na carne", o que parece ser até pior do que a idéia anterior. Eis aqui outra descrição dessa idéia de Hinn: WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 142

"- Eles acham que estamos dizendo que nós na carne somos Deus; não somos Deus na carne. Somos como Deus em espírito! Somos completos em Cristo em espírito. Nosso homem espiritual é como deus. Ele foi gerado de Deus. É um ser espiritual. É sobre isso que estou falando [a voz no fundo diz, 'Assim, aqueles que rejeitam esse ensino querem que tenhamos um início e um fim. Sim! a voz no fundo diz, "Este é Satanás, não é?] Aqueles que tentam nos fazer calar são um bando de imbecis. Glória a Deus! Glória a Deus!" Esse conceito é claramente gnosticismo, contra o qual Paulo e os outros apóstolos combateram na igreja primitiva. Observe também o espírito não cristão está chamando aqueles que discordam com eles de "imbecil". A palavra "imbecil" é definida no meu dicionário como "estúpido". Chamar alguém de imbecil é exatamente o que Jesus advertiu que seria pena no inferno: "Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno." [Mateus 5:22]. Portanto, Benny Hinn está se colocando sob o risco do fogo do inferno por essa descuidada afirmação! O simples fato que ele está falando as palavras de Satanás e ao mesmo tempo afirmando ser cristão e servir a Jesus é típico de muitos no movimento carismático da Palavra da Fé. Quando você assistir a esse vídeo, ficará assombrado ao ver diversas vezes como as pessoas podem receber todos aqueles demônios em seus corpos, como podem se contorcer como os pagãos dos tempos antigos, e como podem manifestar todos os sinais da possessão demoníaca, e ainda acreditar que estão servindo a Jesus Cristo! Todo esse movimento é insidiosamente do Anticristo em sua natureza. Exortamos você a comparar o gingado das multidões nesse vídeo sobre Benny Hinn com o gingado das multidões no nosso vídeo They Sold Their Souls For Rock and Roll. Você descobrirá que as pessoas na audiência estão nas mãos do mesmo espírito demoníaco. Observe também que muitos dos astros do Rock gritam e fazem gestos para o público de forma muito parecida como faz Benny Hinn, pois é por esses meios que os demônios são passados do "receptáculo" para o público, tornando toda a multidão possessa por demônios. Lembre-se, apenas por participar em um desses encontros, você está dando aos demônios permissão para pelo menos afligir você, se não possuírem você. Quando Benny Hinn pede que a multidão grite "Fogo", ao contar até três, todos os que gritam dão aos demônios permissão para possuí-los. Essa questão é realmente muito séria. A tentativa de Hinn de divisão da personalidade humana é perigosa. O homem é uma pessoa unificada e não pode experimentar alguma coisa no espírito sem afetar sua carne ou sua alma. Se somos "nascidos de novo", toda nossa personalidade é transformada. Não pecamos na carne sem contaminar nossa alma e espírito. Também não podemos ser como um deus em espírito sem ser como um deus na carne. A verdade é que somos salvos pela ação do Espírito Santo no nosso espírito humano, o que põe Deus em controle de toda a vida física. Paulo orou para que fôssemos santificados no corpo, na alma e no espírito e preservados irrepreensíveis. "E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo." [1 Tessalonicenses 5:23]. Qualquer doutrina que eleve o homem a se tornar uma criatura carnal, orgulhoso e arrogante não vem da Palavra de Deus. Deus está nos chamando para a humildade e um espírito quebrantado, não um espírito orgulhoso. Somos repetidamente instruídos a não confiar na carne. "O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus." [Salmos 51:17]. "Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne." [Filipenses 3:3]. O Crente e um "Espírito-Homem" WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 143

O reverendo Hinn coloca grande ênfase nessa idéia de um espírito-homem no crente. Aqui, ele indica que isso ocorre quando nascemos de novo. Se recebemos um novo espírito-homem, então não somos realmente "nascidos de novo". Em vez disso, é uma transformação paranormal. Benny Hinn diz: "- Quando você nasceu de novo, Deus lhe deu esse novo ser, esse novíssimo ser foi criado antes da fundação do mundo. Efésios 1 diz que Deus literalmente nos escolheu antes da fundação do mundo e ali fala sobre nosso espírito-homem... O seu espírito, senhoras e senhores, é como Deus; ele é como Deus em todos os aspectos... No instante em que esse espírito-homem vem para o nosso ser — entra no nosso corpo — nascemos de novo. Ele é espírito; o que nasce do espírito é espírito.. Digam comigo, "Dentro de mim há um Deus-homem". Digam novamente, "Dentro de mim há um Deus-homem'. Agora vamos dizer até melhor do que isso, vamos dizer, "Sou um Deus-homem". Quando você diz que é um Deus-homem, não está falando sobre sua carne ou sua alma; está falando sobre seu espírito-homem. Agora, lembre-se, tudo o que Jesus fez, ele fez para que possamos receber o oposto! O que ele deu, ele estava dizendo, 'Você deve receber aquilo que eu entreguei" Agora é assim, Tenho o nome dele na Terra! Não está certo? O que é ter o nome de Jesus? Significa ter seu ofício!... O apóstolo Paulo disse que Jesus está diante do trono como o Filho do Homem. Ele o chamou de "homem-cristo!' Agora, você está pronto para a revelação real de conhecimento? OK, agora observe isto. Ele colocou de lado sua forma divina. Agora, esses são os sete passos da glória para a cruz. Ele colocou de lado sua forma divina! Por quê? Para que um dia eu pudesse me vestir com a forma divina!" Esse ensino parece ser tão novo que deixa qualquer um imaginando de onde ele veio. Leia com atenção, pois ele está dizendo que quando nascemos de novo, um espírito-homem separado de nós mesmos — que Deus criou antes da fundação do mundo — "entra no nosso corpo". Em vez de o Espírito Santo renovar nosso espírito humano e nos unir com o corpo de Cristo, ele nos diz para recebermos esse espírito-homem extraterrestre que toma o controle do nosso espírito interior. O uso da palavra extraterrestre é meu, mas acho que é exatamente com o que estamos lidando. A possibilidade de atividade demoníaca é muito real quando você começa a sugerir que uma atividade espiritual adicional à parte do Espírito Santo. Na realidade, um espírito demoníaco simplesmente "entra no seu corpo". A atividade na alma de um pecador arrependido é a obra do Espírito Santo. Sugerir qualquer outra coisa é contrário às Escrituras. Na verdade, parece que Benny Hinn está usando essa idéia do "espírito-homem" para lançar um fundamento para seu ensino dos "pequenos deuses". Se Deus criou um espírito-homem extra que o crente recebe, então estamos sendo transformados nesse novo ser, mais elevado que o ser que acaba de ser redimido do pecado. Benny Hinn sugere isso em outro comentário dizendo o seguinte: "- Quando Jesus veio, ele não nos deu de volta o ofício de Adão. Ele nos deu o seu próprio ofício. É por isso que os anjos até este dia não podem repreender Satanás. Judas diz que o próprio Miguel não trouxe acusação contra o Diabo. Por quê? Por que os anjos hoje estão em uma posição inferior a Satanás, que exerce o ofício de Adão. Mas nós, como co-herdeiros com Cristo nos lugares celestiais, estamos mais elevados do que Adão [a voz no segundo plano diz 'e que os anjos'] e os anjos. Assim, hoje, os anjos não podem repreender Satanás, mas nós podemos, por que estamos no mesmo nível que o Filho na Terra. Não somos Deus, somos os filhos de Deus. Somos como deus no nosso espírito-homem, não na nossa carne. Graças a Deus, nossa carne perecerá e vamos ter um novo corpo. A Bíblia diz que quando nós o virmos, nossos corpos serão como ele, mas nosso espírito-homem já é como ele." Aqui, vemos Benny Hinn citando erroneamente as Escrituras! A passagem que ele está citando está em 1 João 3:2. Vamos analisá-la para que você possa ver como Hinn está deliberadamente citando WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 144

as Escrituras de forma distorcida para adequá-la à sua teologia distorcida. Não pode haver outro pecado mais sério do que citar erradamente a Palavra de Deus. "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos." Observe que não há aqui qualquer menção de termos um "espírito-homem". Na verdade, esse termo não é encontrado em parte alguma das Escrituras! Benny Hinn está fabricando sua própria escritura, exatamente como faz qualquer líder de seita. Parece que todo cristão poderia reconhecer esse tipo de ensino como aberrante à nossa fé. O esforço de Hinn de citar como texto de prova Efésios 1 falha miseravelmente. Observe o que diz a Escritura: "Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor." [Efésios 1:4]. Não há absolutamente base alguma nessa Escritura para tal ensino. Essas idéias são normalmente defendidas como sendo "palavras de ciência" ou uma "palavra de profecia". As palavras de Paulo a Timóteo são claramente aplicáveis aqui: "Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade." [2 Timóteo 3:6-8] Benny Hinn e a Palavra de Ciência — Falhando no Teste Bíblico de um Verdadeiro Profeta — 100% de Precisão A doutrina da Palavra de Ciência é uma grande idéia no movimento carismático da Nova Onda. Aqui está as admissões do reverendo Benny Hinn sobre o assunto: "- Eu me lembro quando Deus me dava palavras de ciência quando iniciei este ministério. Eu errava nove de cada dez. Ninguém sabia, exceto eu. '- Mas Benny Hinn, eu pensava que quando o Espírito Santo...' — santos, o Espírito Santo está usando um vaso imperfeito. Você estão ouvindo? Não somos infalíveis. Ou, quando você entrega uma profecia, às vezes pode estar errado. Você precisa admitir que erra. '- O que? Ele errou? Então é um falso profeta!' Não, ele errou por que os homens de Deus erram o tempo todo. Paulo errou; Moisés errou; até Elias errou! Todos eles erraram. Talvez não com profecias, mas erraram em todos os tipos de situações. Elias disse, 'Deixe-me morrer! Quero morrer!' Aquilo foi um grande erro! Pedro decidiu retirar-se do meio dos gentios; ele errou feio! Todos erramos e, se você não erra, não é humano. Não se esqueça, o homem que não usa a borracha de apagar não é bom! O homem com uma borracha de apagar limpa — não toque nele. O homem que não sabe como dizer, "Eu errei", você não pode confiar nele. Ouviu isto? Assim — mas você vê, quando o dom começa... quando o dom começa ele começa de forma bruta, mas então à medida que você continua com ele, fica cada vez melhor e mais limpo e mais puro com ele. Portanto, hoje, com a palavra de sabedoria — estou sendo franco com você, eu raramente erro. Por quê? Porque reconheço como operar com ele." [Benny Hinn estala seus dedos; ênfase adicionada]. Nada nos ensinos de Benny Hinn é mais perigoso que seu suposto uso dos "dons do Espírito Santos" sem o compromisso absoluto da confiabilidade. Ele diz que errava nove em cada dez vezes quando estava "aprendendo" a usar esses dons. Agora, ele diz, "Agora, raramente eu erro". O Espírito Santo não brinca e nunca deixa de estar absolutamente correto. Hinn está aparentemente sugerindo que os dons são aprendidos por homens manipuladores em vez de dados pelo Espírito Santo. Isso nunca é ensinado ou sugerido nas Escrituras. Vamos imaginar que ele profetizou para cem pessoas no início e agora noventa delas estão vivendo sob as instruções de uma falsa profecia, que aceitaram como verdadeira. Elas não são importantes, para este homem que diz, "Não me julguem; ainda estou aprendendo?" Agora, ele diz, "Raramente erro alguma coisa", mas e as pessoas que têm suas vidas arruinadas quando ele erra? São elas WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 145

apenas pessoas descartáveis pelas quais ele não tem a menor consideração enquanto alcança a fama? Deus é bem claro e firme sobre o assunto de um profeta predizer um evento. Veja, Satanás começou imediatamente a levantar falsos profetas, que agiam como Benny Hinn age, proferindo profecias supostamente de Deus, mas sendo em grande parte erradas. Veja o que diz a Palavra de Deus sobre esse importante assunto: "Porém o profeta que tiver a presunção de falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá. E, se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o Senhor não falou? Quando o profeta falar em nome do Senhor, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele." [Deuteronômio 18:20-22]. Benny Hinn tem a sorte de não estar proferindo suas falsas profecias nos tempos do Antigo Testamento, pois senão seria apedrejado até a morte. Ele fala com presunção e, antes de aprender a se tornar realmente bom em sua fraude, errava nove de cada dez predições! Agora, porém, você conhece o padrão bíblico para julgar uma "Palavra de Profecia" — precisão de 100%. O "profeta" não pode apresentar desculpas para sua falha! Os verdadeiros profetas que estão realmente falando sob a unção do Espírito Santo nunca erram; se eles errassem, não poderíamos colocar nossa confiança na Bíblia Sagrada em nenhum assunto, incluindo a salvação e a segurança eterna, por que o Espírito Santo é quem está por trás disso tudo! Dependemos absolutamente de 100% da fidelidade do Espírito Santo; devemos identificar imediatamente como falso profeta qualquer homem que diz falar sob a unção do Espírito Santo mas que admite que erra na maior parte das vezes. Onde está o seu discernimento? Agora, vamos retornar a Benny Hinn para ouvir mais de seus absurdos sobre esse assunto. Hinn pronuncia um rápido julgamento sobre aqueles que o questionam. Aqui estão suas palavras: "- Todos nós cometemos erros; todos estamos propensos ao erro. Mas ai do homem, e ai da emissora de televisão, e ai do grupo que expõe a nudez do homem de Deus ao mundo. Vou lhe dizer uma coisa, eu não deveria fazer isto, mas o Espírito Santo está sobre mim e acho que devo dizer. Virá o dia em que aqueles que nos atacam cairão mortos... Digo isto sob a unção do Espírito. Posso lhe dizer uma coisa? Não toque nos servos de Deus — é mortal. 'Não toqueis nos meus ungidos.' (Benny Hinn)" Você observou que Hinn referiu a si mesmo e ao seu ministério como "nudez"? Essa é uma revelação surpreendente do próprio Benny Hinn que seu ministério é espiritualmente cego, nu e falso. Você sabia que há uma ocorrência na Bíblia em que Deus forçou um dos fariseus ímpios — que estavam para decidir a condenação de Jesus à morte — a proferir verdades proféticas? Veja, pois o próprio Espírito Santo nos dá a explicação completa sobre como o sumo sacerdote Caifás pôde proferir tal surpreendente profecia, vinda dos lábios do homem que foi usado para originar o plano de matar Jesus: "E Caifás, um deles que era sumo sacerdote naquele ano, lhes disse: Vós nada sabeis, nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação. Ora ele não disse isto de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação." [João 11:49-52]. O mesmo Espírito Santo que fez o sumo sacerdote Caifás dizer que Jesus deveria ser o sacrifício pelos pecados de toda a nação, levou Benny Hinn a admitir que seu ministério inteiro está em um estado de "nudez"! Quando o Espírito Santo fala isso claramente às vítimas de um ministério, os seguidores desse ministério são estúpidos se não derem ouvidos. Além disso, Benny Hinn está elevando a si mesmo acima da Palavra de Deus. Paulo diz, "E falem dois ou três profetas, e os outros julguem." [1 Coríntios 14:29]. Toda profecia dada por alguém está sujeita ao julgamento e discernimento dos líderes da igreja. Isso protege a todos nós da imaturidade WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 146

e das imaginações malignas de indivíduos indisciplinados na igreja. Poderíamos discutir os atos extravagantes que Benny Hinn chama de operação do Espírito Santo. Um único evento deve ser suficiente. Qualquer atividade no corpo da igreja deve ser julgada pelo precedente das Escrituras no Novo Testamento. Quando homens sopram sobre outros para dar-lhes o Espírito Santo, devemos perguntar, "Este é o método bíblico para receber o batismo do Espírito Santo?" Toda atividade na igreja deve apontar para Jesus Cristo e deve seguir claramente o padrão da Bíblia Sagrada. Na verdade, como dissemos anteriormente, esse "sopro" nos outros para "dar-lhes os Espírito Santo" somente pode ser compreendido quando você entende a feitiçaria de Magia Negra. Um xamã torna-se mais poderoso convidando deliberadamente os demônios a virem para seu corpo; um xamã muito poderoso literalmente torna-se um "reservatório de demônios". Ele pode "soprar" esses demônios sobre outras pessoas, e os demônios literalmente saem pela sua boca e entram nas pessoas na audiência; ou, ele pode apontar seu dedo e, por meio de uma exclamação, faz os demônios saírem de seu corpo e entrarem no corpo das vítimas. Parece que é exatamente isso que Benny Hinn faz quando assopra sobre as pessoas e quando aponta seu dedo e grita "Fogo". As pessoas para quem Benny Hinn aponta tornam-se então possessas por demônios, como você pode ver claramente no vídeo. Quando Benny Hinn pede para as pessoas gritarem bem alto "Fogo" quando ele contar até três, está lançando demônios reais em cada pessoa que respondeu, dizendo "Fogo". Essa questão é realmente muito séria, pois toda pessoa possessa durante uma dessas reuniões deu permissão para as hordas demoníacas possuí-las simplesmente por estar presente no recinto ou por ter gritado "Fogo", ou por ir à plataforma. A vinda de Jesus Cristo e o aparecimento do Anticristo estão bem diante de nós. Os próprios eleitos estão correndo risco à medida que testemunhamos a confusão nos círculos religiosos. Pouquíssimas pessoas estão dispostas a falar publicamente sobre as evidências desse Movimento da Nova Onda Carismática. Existem muitos formadores de tendências que parecem estar ensinando um novo modo que eles chamam de "mudança de paradigma". A igreja da Nova Ordem Mundial está sendo formada e se unindo diariamente, e Benny Hinn, Kenneth Hagin e a Rede Trindade de Comunicações (Trinity Broadcast Network) estão contribuindo poderosamente para esse esforço. A última parte desse vídeo da Paw Creek Ministries mostra um surpreendente componente de Benny Hinn, seu "misticismo católico". Como a igreja global referida anteriormente está sendo liderada pelo papa católico romano e os Illuminati escolheram o papa para ser o Falso Profeta em 1991 não devemos estar surpresos em saber que existe essa conexão. Entretanto, chegamos ao limite de tamanho para este artigo, de modo que trataremos desse assunto no próximo artigo. O misticismo e a prática da feitiçaria de Magia Negra que Benny Hinn exibe sob o disfarce de cristianismo é exatamente o tipo de acontecimento que devemos esperar à medida que o mundo se aproxima cada vez mais do fim dos tempos. Que Deus tenha misericórdia daqueles que têm, inocentemente, se deixado levar pelas heresias propagadas pelo falso profeta do Movimento da Fé, o Sr. Benny Hinn. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. Mateus 7.2223

CONCLUSÃO É evidente que esta teologia tem conseguido, até o momento, um grande sucesso, tendo em vista o objetivo da expansão do número de fiéis e da área de abrangência das igrejas, inclusive a nível internacional. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 147

Todavia, o que podemos observar, na prática, é que a tal Teologia da Prosperidade funciona... Essencialmente para os líderes destas Igrejas. A Bíblia não nos ensina a fazermos uma barganha com Deus. Não somos ensinados a ter que dar ―tanto‖ para receber ―tanto‖. Deus não se condiciona aos nossos caprichos: quando nos abençoa é pela sua misericórdia e tudo que recebemos é por sua infinita graça. O poder da fé é um dos mais contundentes ensinamentos de Jesus, basta lembrar que segundo ele, se tivermos fé do tamanho de um grão de mostarda poderemos ordenar e a montanha se moverá. É evidente que se trata de uma figura de linguagem, e é claro que devemos condicionar a realização dos nossos desejos às leis e a ―vontade‖ de Deus. ―Pai seja feita a tua vontade‖ - Disse Jesus. Este argumento refuta a idéia da confissão positiva, se tomada como algo absoluto. Os sacrifícios se apóiam principalmente nos textos do antigo testamento. A prática de sacrifícios remonta o tempo das sociedades agrárias, onde eram realizados com o objetivo de pacificar os deuses e solicitar boas colheitas. Apoiada nessa idéia, a ―reciprocidade‖ de Deus não dá para ser levada a sério. Aliás, os movimentos da fé conhecem pouco acerca da doutrina da graça, uma doutrina tão defendida pelos reformadores. O Deus Todo Poderoso, que conhece tudo e que faz infinitamente mais do que pedimos ou pensamos, está sendo trocado por Aladim, o gênio da lâmpada, que só é buscado quando precisam de algum favor. Um Deus que tem que cumprir com todos pedidos dos pregadores da Fé. Uma leitura mesmo superficial dos evangelhos mostra a total despreocupação de Jesus pelos bens materiais. Mesmo o seu reino, não era desse mundo. A Quem quisesse seguí-lo aconselhava a vender seus bens e dá-los aos pobres. Disse que a riqueza dificultava a entrada no reino de Deus. Aos pobres, famintos e sofredores recomendou paciência. ―Não ajunteis riquezas na terra, onde a traça e a ferrugem as corroem, e os ladrões assaltam e roubam. Ajuntai riquezas no céu, onde nem traça nem ferrugem as corroem, onde os ladrões não arrombam nem roubam. Pois onde estiver vosso tesouro, aí também estará o coração‖ (Mt 6,19-21). Quem vive apegado a riqueza termina por ser seu escravo: ―Pois onde estiver vosso tesouro, aí também estará o coração‖ (Mt 6,21 e Lc 12,34). Que tesouro Deus quer para nós? Estas distrações e falsos deuses da terra, onde tudo é passageiro e corruptível? ―Ninguém pode servir a dois senhores. Pois ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e abandonará o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas‖ (Mt 6, 24). Amar e servir a Deus no próximo, nos pequenos (cf. Mt 25), procurar o Reino de Deus... é esta a mensagem do Evangelho. E como tal, tudo tem que ser posto a seu serviço, incluindo as riquezas. Quando um fiel doa à Igreja, não pode ser como quem resolve uma equação matemática, esperando que na outra ponta, como resultado final e imediato, Deus lhe garanta juros e dividendos de retorno. De fato, nesta vida se cumpre o que Cristo disse: "E quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim" (Mt 10,38). Não são os bens e os ―tesouros desse mundo‖ que anima o cristão e a cristã, mas a fé e a esperança nas promessas de Cristo. A felicidade plena e absoluta foi prometida para a outra vida, quando da nossa Ressurreição, em que veremos Deus "face a face", e onde finalmente a alma humana encontrará alegria e gozo total. Assim, torna-se evidente que essa doutrina apregoada por Jesus é diametralmente oposta à teologia da prosperidade. Isso não significa que a riqueza, a saúde e o bem estar devam ser repudiados pelo cristão, pois que são necessárias, mas não pode fazer disso a razão principal da sua vida: Buscai, em primeiro lugar, construir o reino de Deus dentro de vós! O crente em Jesus tem o direito de ser próspero espiritual e materialmente, segundo a bênção de Deus sobre sua vida, sua família, seu trabalho. Mas isso não significa que todos tenham de ser ricos WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 148

materialmente, no luxo e na ostentação. Ser pobre não é pecado nem ser rico é sinônimo de santidade. De um lado, não devemos aceitar os exageros da "Teologia da Prosperidade", mas, por outro, igualmente também não devemos aceitar a "Teologia da Miserabilidade". Ora, sabemos que Deus é fiel em suas promessas! Na vida material, a promessa de bênçãos decorrentes da fidelidade nos dízimos aplica-se á igreja. A saúde é bênção de Deus. Contudo, servos de Deus, humildes e fiéis, adoecem e muitos são chamados á glória, não por pecado ou falta de fé, mas por desígnio de Deus. Curiosa é a conclusão a que chegou a pesquisadora de religiões Mary Schultz, citada por Belvedere Neto, em artigo publicado pelo CACP - Centro Apologético Cristão de Pesquisas, que nos mostra como terminaram alguns dos grandes pregadores da prosperidade e da saúde perfeita. De se observar: 1. E. W. Kennyon faleceu vitima de um tumor maligno. 2. John Wimber e seu filho Chris morreram de câncer. 3. A . A. Allen morreu de alcoolismo. 4. John Lake morreu de um colapso. 5. Gordon Lindsey morreu do coração. 6. O cunhado de Kenneth Haigin morreu de câncer. 7. O mesmo aconteceu à sua irmã. 8. Sua esposa foi operada e o próprio Haigin usou óculos até morrer. 9. Kathryn Khulmann morreu do coração. 10. Daisy Osborne morreu de câncer, jurando que havia sido curada. 11. Jamie Buckingham morreu de câncer. 12. Fred Price conseguiu uma quimioterapia para a sua esposa. 13. John Osteen procurou ajuda médica para curar o câncer da esposa. 14. A esposa de Charles Capps fez tratamento médico de câncer e também Joyce Meyer. 15. Mack Timberlake está se tratando de um câncer na garganta. 16. R. W. Shambach fez quatro pontes safenas. 17. O Profeta Keith Greyton morreu de AIDS. http://www.cacp.org.br/estudos/artigo.aspx?lng=PTBR&article=453&menu=7&submenu=4 - acessado em 10.10.07, às 17h07m Isso é uma prova convincente não são bem assim como pregam entusiasticamente esses ―profetas‖ do materialismo. Por ai percebe-se que não vivem o que pregam!Assim, que o Senhor nos ajude a entender melhor essas verdades!

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MOVIMENTO G-12: UMA NOVA REFORMA OU UMA VELHA HERESIA?

Governo dos 12 ou Visão 12 ou G12 ou ainda grupo dos 12 é um controvertido movimento religioso que teve seu surgimento no meio evangélico neopentecostal, cujo principal objetivo é o de promover o crescimento da igreja. I. História Todos os proponentes do modelo G-12 admitem que o movimento teve seu início com a visão recebida por César Castellanos Domínguez. Castellanos é pastor da Missão Carismática Internacional, que ele fundou depois de um período de frustração com o seu próprio ministério. Desiludido com os resultados do seu trabalho, ele aplicou o modelo de igrejas em células de Paul Young Choo, alcançando resultados mais satisfatórios. Porém, em 1991, segundo as suas próprias informações, ele recebeu uma visão que iria mudar definitivamente o seu ministério e a sua igreja. Conforme ele relata: Em 1991, sentimos que se aproximava um maior crescimento, mas algo impedia que o mesmo ocorresse em todas as dimensões. Estando em um dos meus prolongados períodos de oração, pedindo direção de Deus para algumas decisões, clamando por uma estratégia que ajudasse a frutificação das setenta células que tínhamos até então, recebi a extraordinária revelação do modelo dos doze. Deus me tirou o véu. Foi então que tive a clareza do modelo que agora revoluciona o mundo quanto ao conceito mais eficaz para a multiplicação da igreja: os doze. Nesta ocasião, escutei ao Senhor dizendo-me: Vais reproduzir a visão que tenho te dado em doze homens, e estes devem fazê-lo em outros doze, e estes, por sua vez, em outros! Quando Deus me mostrou a projeção de crescimento, maravilhei-me. Após ter implantado o modelo, a Missão Carismática Internacional experimentou um surpreendente surto de crescimento. Isto chamou a atenção de líderes no Brasil, os quais, movidos pelo interesse de alcançar crescimento semelhante, implantaram o modelo em suas comunidades e o têm difundido entre as igrejas evangélicas brasileiras. Dois aspectos precisam ser observados quanto à implantação do movimento no Brasil. Primeiro, a chamada Igreja em Células, como estratégia de crescimento da igreja, não é nova no Brasil, tendo sido aplicada há vários anos. Então, qual seria o fator determinante para o crescimento? Aponta-se WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 150

como elementos distintivos e, portanto, determinantes, o número exato de doze discípulos e os encontros de três dias. Nota-se assim porque tais elementos do modelo são os mais enfatizados. Em segundo lugar, é importante observar que, ao ser implantado no Brasil, tanto o Modelo G-12 como o Encontro foram adaptados, passando por modificações como, por exemplo, o sigilo do Encontro (ou Pacto de Legalidade e Silêncio), que é característica peculiar ao modelo brasileiro. Os principais proponentes do G-12 no Brasil são Valnice Milhomens e Rene Terra Nova, ambos considerando-se legítimos discípulos de César Castellanos. Valnice afirma ter recebido autoridade por delegação de Castellanos. Terra Nova, semelhantemente, diz exercer tal autoridade espiritual por delegação do mesmo Castellanos. II. Funcionamento Apesar das diferenças existentes no movimento, alguns pontos básicos são comuns. O modelo é estruturado a partir de uma dinâmica definida como Escada do Sucesso. Em suma, o processo pode ser resumido em quatro etapas: Evangelização Consolidação Treinamento Envio A Evangelização acontece nas células, que têm como referencial o número 12. Assim, quando uma célula alcança o número de 24 pessoas em suas reuniões, ela se subdivide. A outra característica é que, a princípio, a célula ocupa o papel de ensino e formação da igreja, restando ao culto comunitário o papel de celebração. Consolidação é a etapa na qual a fé do indivíduo é alicerçada ou definitivamente assegurada. É nesta etapa do processo que o Encontro é realizado. Desta forma, fica evidente que o propósito do Encontro não é primariamente a evangelização, sendo inclusive recomendado que se certifique a conversão do candidato antes de sua participação.8 Basicamente, o Encontro tem dois objetivos. Primeiro, efetivar a fé do novo convertido, através de libertação e quebra de maldições. Em segundo lugar, conduzir à visão aquele que se converteu por métodos anteriores ao G-12, ou seja, fazer a transição do modelo eclesiástico antigo para o G-12. A isto denominam transicionar ou receber a visão. O Encontro é um retiro de dois dias e de natureza homogênea que ocorre durante um fim de semana, sendo precedido e seguido de quatro reuniões, normalmente semanais (pré e pós-encontro). São nove horas de palestras acompanhadas de extremo rigor disciplinar, inclusive com proibição de intercomunicação, o que provoca uma forte reação emocional e resultados aparentemente surpreendentes. O Treinamento é realizado pela escola de líderes de cada igreja. Aqui são preparados os discipuladores que irão dirigir as células e executar o programa de discipulado. A tendência é de cursos breves de baixa qualidade. O objetivo é que cada participante ou seguidor do G-12 alcance os seus 144 discípulos. Por fim, ocorre o Envio, quando os líderes treinados assumem a liderança de grupos em células, sempre de 12 pessoas, as quais estarão em treinamento para assumirem liderança. Quanto ao funcionamento, é importante observar ainda que o G-12 é um movimento que não propõe a filiação de seus participantes à igreja realizadora do evento. É possível ser um dos doze de algum discipulador e permanecer membro de uma igreja histórica que não tenha se enquadrado no modelo, por exemplo. Dessa forma, o movimento, através de seus Encontros, tem uma penetração mais eficiente no seio das igrejas, e permite aos líderes da região exercer controle sobre membros de outras igrejas sem que eles se desvinculem das mesmas. III. Interpretação Bíblica, Revelações e Experiências Místicas O movimento segue as tendências contemporâneas de interpretação, mais especificamente a subjetividade e relatividade na interpretação e aplicação dos textos bíblicos. De fato, tanto o Modelo como o Encontro parecem bíblicos, se considerarmos o volume de citações e alusões a textos bíblicos neles contidos.11 Naturalmente, os participantes e proponentes do modelo também afirmam WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 151

que a sua base teológica é a inerrância das Escrituras, que são aceitas como regra de fé e prática. A diferença está em seus princípios de interpretação. Três princípios podem ser observados. O primeiro implica na ambigüidade do entendimento dos textos. Em outras palavras, os textos são tratados de forma relativa, podendo adquirir significados múltiplos. Não se trata de um sensus plenior da passagem, mas de diversos sentidos dados a uma mesma passagem, que é entendida, assim, de forma ambígua. Por exemplo, em Habacuque 2.2 a palavra visão é entendida de diferentes maneiras, significando ao mesmo tempo a visão recebida pelo profeta Habacuque, visões literais recebidas atualmente pelas pessoas, e visões não-literais, mas que implicam em um desejo ou uma forte convicção, frutos da capacidade de projetar o futuro. Estes dois últimos sentidos são usados e justificados pelo texto de Habacuque e outros. Portanto, não é simples entender o que significa adquirir a visão conforme propõe o movimento. Pode significar o entendimento correto da Escritura, bem como desenvolver a capacidade de buscar objetivos ainda não concretizados ou, finalmente, abraçar a visão recebida por César Castellanos. O Encontro e suas fases não são só para os novos crentes, mas também para líderes que querem implantar a visão de células de multiplicação e de grupos de 12. Para essa visão é necessário uma grande disciplina, disposição e acima de tudo experiência com o Senhor Jesus. O segundo princípio pode ser definido como uma espécie de hermenêutica freudiana. Mais que alegórica, ela é simbólica. Com base em um subjetivismo extremado, as passagens bíblicas são aplicadas dando-se aos detalhes significados teológicos e práticos, como vemos no Manual do Encontro: ―...Saíram, pois, da cidade e foram ter com ele‖ (Jo 4.30). É necessário sair para encontrar-se com Jesus... Saímos da cidade para termos um encontro com Ele. Abraão, Moisés, Jesus saíram da cidade. Nós precisamos sair da agitação para nos encontrarmos com Ele.16 Observe-se que, na tentativa de justificar o Encontro, o texto bíblico não foi apenas alegorizado, mas ganhou além de um significado teológico um sentido simbólico que expressa desejo, obediência e até mesmo fé. O Encontro incentiva, portanto, uma utilização simbólica da Escritura e reúne em torno de si um conjunto de ritos, práticas e procedimentos entendidos como bíblicos, mas de natureza mística. O terceiro princípio é a subjetividade na aplicação, uma espécie de interpretação romântica da Bíblia.17 Por esse princípio, as perspectivas históricas e literárias são abandonadas e o centro da interpretação passa a ser a experiência subjetiva, intimista e mística do intérprete. Por esta via, todos os textos se aplicam a todas as pessoas, sob qualquer aspecto. Nessa ocasião ouvi a voz de Deus, quando me disse que fosse ao Jordão para me batizar novamente, e inclusive me mostrou quem deveria fazê-lo: um missionário mexicano que logo me compartilhou que, quando sua mãe estava grávida, um profeta orou mostrando: Este menino que vai nascer terá o ministério de João Batista. Quando saí das águas, senti literalmente no espírito que os céus se abriram e que Deus enviava seu Espírito.18 Essas práticas são comuns no movimento e demonstram uma aplicação da Escritura que cede sua objetividade à subjetividade pessoal e tendenciosa do intérprete. Neste caso, observamos que a Escritura é afastada de sua posição de única regra de fé e prática, e agora tal autoridade é compartilhada com as revelações recebidas pelos proponentes do G-12. As mesmas regras de interpretação são aplicadas às revelações contemporâneas. A única base do Modelo G-12 é a visão e a revelação dadas a César Castellanos. Daí, tanto a fé como a vida cristã são conduzidas por revelações recebidas pelos líderes. Decisões práticas, como casar-se ou não, são tomadas por meios de visões ou revelações. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 152

Recordo-me de situações tão concretas como a revelação do dia em que ela se converteria à vida cristã e o momento em que depois de pedir outros sinais, o Senhor me disse com voz audível...19 Desde aí tive o convencimento de que realmente Deus lhe falava (a César), que era um homem de fé, a quem o Espírito Santo comunicava as coisas de forma direta... Sempre desejei escutar a voz de Deus, da mesma maneira que meu esposo conseguia... Tais decisões são chamadas de decisões transcendentais21 e regem a vida cristã. A natureza mística das mesmas é definida de maneira precisa por César Castellanos: ―A Missão Carismática Internacional é uma igreja eminentemente profética. Teria que sê-lo por duas razões: a primeira, seu início foi determinado por uma palavra profética dada diretamente por Deus a este seu servo...‖ Essa subjetividade subjuga a Escritura aos critérios humanos. As pretensiosas visões e revelações diretas determinam a doutrina da igreja e a conduta pessoal. Não há limites para a imaginação humana. Como afirma Valnice: ―Deus trabalha com visões; onde não há visão não há obra. Todas as realizações começam com visões.‖ A este arsenal de revelações cotidianas, seguem-se inúmeros casos de experiências inexplicáveis de natureza mística. Ressurreições, arrebatamentos e cerimônias são detalhadamente descritos em obras dos líderes do movimento. Fazem parte do dia-a-dia da fé proposta pelos agenciadores do G12. Não nos surpreende o dualismo presente nessas revelações, bem como nas suas interpretações. A surpresa advém do fato de que os líderes avocam para si uma credibilidade acima de qualquer crítica. O questionamento de suas experiências é quase sempre descrito como incredulidade e oposição a Deus. Observe-se a avaliação que Valnice faz de uma de suas visões, quando, segundo ela, Deus lhe mostrou duas igrejas, a fiel – Jerusalém – e a infiel – Roma. Jerusalém representa o lugar onde a Palavra de Deus é integralmente obedecida, sem questionar, e o Espírito é o Senhor Absoluto na Igreja. Roma é o lugar da lógica, da razão, onde a filosofia vai construindo uma estrutura de raciocínio que leva ao questionamento da Palavra de Deus. Além de promover a separação entre a fé e a razão, fica evidente que a visão do líder é inquestionável. Em qualquer outra situação essa posição seria classificada como fanatismo. IV. A Teologia do Modelo G-12 Como já dissemos a teologia do movimento e do encontro não nos trazem muitas novidades em termos de propostas, mas reeditam o conjunto de doutrinas propaladas pelo neopentecostalismo. Duas observações podem ser feitas a título de introdução. Em primeiro lugar, a inconsistência ou incoerência de suas doutrinas sequer é observada pelos seguidores do movimento, o que demonstra mais uma vez a fragilidade das igreja evangélicas. Em segundo lugar, o mérito do G-12 talvez seja ter levado algumas doutrinas do neopentecostalismo às últimas conseqüências. A. Antropologia Um bom ponto de partida para a análise do movimento é a sua antropologia. Sob a influência pósmoderna, o homem preconizado pelo G-12 é fruto do que David Herrero chama de espírito romântico,25 como ele mesmo descreve: ―O Homem Romântico não é apenas inerentemente bom, mas é também divino. De acordo com a filosofia que permeia a antropologia romântica, entre Deus e o homem há uma identidade básica.‖ Pelas suas afirmações, César Castellanos deixa claro que a sua perspectiva do ser humano é fatalmente comprometida com esse antropocentrismo, se não dos demais, pelo menos de si mesmo. Ele afirma: Experimentei meu espírito se desprendendo do corpo. Lutei; porém uma força invisível manejava minha alma. De repente, veio à minha mente a prova do mês anterior e recordei-me das palavras ―não é hora!‖ Apropriei-me delas e disse: Senhor não é possível que tu permitas esta morte, não é hora, Tu precisas de mim na terra, dá-me forças para regressar ao meu corpo e poder levantá-lo em teu nome. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 153

Em outra ocasião o Espírito Santo lhe diz, após ele ter orado entregando a direção da igreja ao próprio Espírito: E por que tardaste tanto para decidi-lo? Porque até agora tu eras o pastor e Eu teu auxiliar? Tu me dizias Espírito Santo abençoa esta pessoa e esta obra, abençoa o que vou pregar, abençoa a igreja e eu tinha que fazê-lo. Maior arrogância encontramos nas afirmações de Valnice: ―Tudo que sai da boca de Deus é um decreto, pois emitido por uma autoridade, cuja palavra tem força de lei, seus decretos são acompanhados de seu cumpra-se.‖ Tal ensino é seguido por sua própria experiência pessoal. Ao referir-se à atitude que tomou ao avaliar o horário das 18:00 h como momento de adoração a Maria, ela declara: Pai, como autoridade espiritual nesta nação, revogo o decreto de Roma e estabeleço um outro decreto... O milagre ocorre quando eu libero o poder do Espírito Santo. E então ocorrem milagres, pois as pessoas são transformadas. Esta não é uma característica isolada, mas é notada nos vários líderes que aderiram ao movimento, demonstrando ser um espírito da época. Contudo, não são apenas aqueles que estão com Deus que parecem gozar desse status. Quanto aos que se opõem ao G-12, afirma-se: Pode-se dizer que o pastor que não entre nesta dimensão está matando o progresso do evangelho em sua área... Quem não se reproduz está afetando a possibilidade de conversão de milhares de vidas. É óbvio que os proponentes afirmam crer na soberania de Deus; contudo, suas propostas são inconsistentes com as doutrinas mais elementares da Escritura, como por exemplo a onipotência de Deus. Por esse caminho, a independência divina fica prejudicada e Deus se torna dependente da vontade humana. Além da relação com Deus, um outro aspecto no qual os líderes do G-12 expressam a sua divinização é quanto aos espíritos malignos. As ações dos espíritos malignos dependem da conduta humana: ―Todo pecado é uma quebra de comunhão com Deus. Cada nível de pecado libera uma quantidade de demônios, cada pecado atrai uma maldição.‖ Assim, meus atos têm o poder de liberar (não se sabe bem de onde) demônios que estavam presos (não se sabe por quem ou para quê). B. Soteriologia A conseqüência final dessa exaltação humana é a descaracterização da pessoa e obra redentora de Deus e, por contraditório que pareça, a exaltação do homem e de Satanás. A segurança do crente é reduzida ao acaso, ou, na melhor das hipóteses, à sua conduta e autoridade espiritual. O fato de a Escritura nos ensinar que somos guardados por Deus (Sl 121) e que Jesus nos guarda (Jo 17.12) é totalmente negligenciado. Diante da perspectiva de guerra espiritual35 exarada pelos ensinos do G12, os demônios alcançaram poder e posição de destaque, em algumas ocasiões acima de Deus. Quando peco, abro uma porta de legalidade para que satanás entre com seu propósito, MATAR, ROUBAR E DESTRUIR... A maldição se infiltra por uma legalidade e abre a porta para que demônios venham sobre a vida da pessoa. É importante notar aqui que esta citação refere-se ao Encontro, onde se pressupõe que o participante, também chamado de encontrista, é convertido. Isso significa que Satanás tem poder para entrar na vida daquele que foi salvo por Cristo. Mais do que isso, a conduta pecaminosa é considerada uma obstrução ou impedimento para que Deus abençoe os seus filhos. Por algum motivo, o modelo G-12 descreve o crente como um ser dividido entre Deus e o diabo. Pertencemos a Deus, mas o diabo exerce domínio sobre nós. O manual ainda afirma: ―Para que haja cura interior são necessários dois passos: Romper o domínio de satanás sobre nós e tomar posse do que é nosso por direito. Isto nos conduz ao verdadeiro caráter da doutrina do movimento G-12, ou seja, seu dualismo, onde Deus e os demônios contendem em condições de igualdade. Em uma narrativa no mínimo pitoresca, WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 154

Valnice descreve o projeto ―Palácio da Rainha.‖ Em sua argumentação e pretensa interpretação bíblica, ela entende que Paulo não venceu a entidade pagã em Éfeso (Atos 19), mas apenas a enfraqueceu. Contudo, segundo ela, seguindo dados históricos, coube a João derrotar aquela entidade e conquistar Éfeso para Cristo. Esse domínio geográfico de Deus durou 200 anos, sendo depois a cidade conquistada por tal entidade. Ao explicar a razão para esse domínio, ela afirma: ―Hoje Éfeso fica na Turquia, um país muçulmano. Há apenas cerca de 500 cristãos nascidos de novo naquele país. O que teria acontecido? Diana reconquistou seu trono.‖ Tomou-o das mãos de quem? Assim a obra redentora de Cristo é maculada pelo G-12, tornada sem efeito, uma vez que somos submetidos a uma salvação que depende de uma libertação posterior e de quebra de pactos e maldições não desfeitos na cruz de Cristo. Essa visão dualista nos dispõe a situações que fogem ao controle de Deus, e vivemos assim sob constante atuação demoníaca em nossas vidas. Tais afirmações aproximam o G-12 mais do pré-gnosticismo do primeiro século que do cristianismo bíblico. Evidenciam a natureza sincrética do movimento e sua total incapacidade de mostrar a soberana obra redentora de Deus. A salvação é despida de seu caráter gracioso, e tanto ela como a vida cristã dependem dessa aventura humana no mundo espiritual. Tais pessoas não possuem autoridade para falar do evangelho da soberana graça de Deus. Além de negar a obra redentora de Deus, o ensino do G-12 ainda se opõe à pessoa de Deus. Seus atributos são menosprezados, inclusive sua bondade, amor e justiça. Em um sessão de regressão, o ministrador do Encontro é orientado a conduzir seus encontristas a perdoar aqueles que os fizeram sofrer: Em cada faixa etária, desde a infância até a vida adulta, o ministrador deverá instruir os encontristas a se lembrarem de momentos difíceis, amargos, traumatizantes, etc. Eles precisam liberar perdão às pessoas envolvidas em cada fase e até mesmo a Deus. Tal afirmação se baseia na hipótese de alguém estar magoado com Deus. Contudo, ela ignora a natureza santa e justa de Deus, bem como a sua imutabilidade, e acentua o caráter meritório do sofrimento humano. C. Eclesiologia Por se tratar de um movimento que se propõe ser o modelo eclesiástico do próximo milênio, podemos definir este ponto como uma escato-eclesiologia. É notório que a motivação do G-12 é o crescimento vertiginoso da igreja. Isto a transforma em uma instituição ensimesmada, auto-centrada e escrava do pluralismo e pragmatismo religioso. Três pontos podem ser destacados nessa escatoeclesiologia. Em primeiro lugar, usando os termos do próprio movimento, a igreja do século XXI será sobrenatural. Por sobrenatural entende-se o caráter místico e supersticioso dado ao movimento pelo neopentecostalismo. Aguarda-se para o próximo século o surgimento de sinais em abundância e o retorno aos milagres neotestamentários. Conforme as previsões de um líder: Creio que brevemente seremos revestidos com a unção dos grandes e maravilhosos prodígios do Espírito Santo e nossa sombra curará com a de Pedro, e pela nossa palavra de ordem, mortos ressuscitarão e grandes fenômenos ocorrerão pela fé, em nome de Jesus. Além dos sinais miraculosos, espera-se um período de inúmeras revelações rotineiras, vistas como o ―mover” de Deus. Isto implica em que no próximo milênio a igreja deverá abandonar seus dogmas, suas doutrinas, visto que será conduzida pelas revelações. Em segundo lugar, a igreja do século XXI é vista como um cumprimento escatológico. O modelo G-12 se vê como o cumprimento profético. Como esperado, tais profecias não são encontradas nas escrituras, mas provém das revelações recebidas pelos proponentes do movimento. Senão vejamos:

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Temos recebido a palavra no sentido de que nos anos vindouros haverá gente faminta por conhecer a mensagem da salvação; milhões e milhões correrão pelas ruas demonstrando seu desejo de saber de Cristo, e a única estrutura que permitirá estar preparados para isto é a igreja em células. As congregações do tipo paroquial, nas quais não há mais que 200 pessoas, não estarão no modelo, porque cada igreja será de no mínimo cem mil pessoas. Além de Castellanos, outros líderes do movimento e seus discípulos têm a mesma visão profética, a mesma expectativa triunfalista para o próximo século: Tendo a convicção de que o modelo de Bogotá era a base para o modelo que Deus tem para nós, temos retornado às convenções para beber da fonte. Cremos que Deus deu ao Pr. César Castellanos o modelo dos doze que há de revolucionar a igreja do próximo milênio. Como filhos que somos de Deus Todo-Poderoso, seremos conhecidos nos céus como a geração das maiores conquistas e das maiores colheitas para o Reino de Deus. Hoje estamos reformando a eclesiologia... Por isso creio que esse movimento é a complementação da primeira reforma. Creio que ele está varrendo os quatro cantos da terra hoje, numa proporção e numa velocidade muito maior que a reforma protestante do século XVI. Fica claro que o movimento se vê como um cumprimento profético, contudo, não das Escrituras, e sim das projeções e previsões feitas pelos seus proponentes. Em terceiro lugar, a visão eclesiástica do movimento sofreu uma influência empresarial, e por essa razão aproximou-se de conceitos liberais. A divisão da igreja em ministérios administrativos e espirituais assemelha-se à visão liberal de Adolf Harnack acerca da igreja. Ele idealizou a divisão entre ministério religioso e ministério administrativo ou local. Castellanos afirma: A igreja é a empresa mais importante de uma nação, pelo que o mesmo crescimento exigirá que haja dois setores no interior da igreja: um de caráter administrativo e outro relacionado ao ministério pastoral. Isto revela mais do que uma proposta teológica: expressa a influência empresarial da estrutura eclesiástica montada por Castellanos. Sua eclesiologia está mais próxima de um marketing de rede que do evangelho. O número 12 é a único elemento nessa estrutura que se relaciona com o evangelho. Mesmo assim, nenhuma parte do relato dos evangelistas nos ensina que os discípulos tiveram por sua vez exatos doze discípulos. Seguindo uma tendência atual, a administração de Castellanos é centralizadora e sua eclesiologia é personalista. Negando evidências bíblicas, tanto do Novo como do Antigo Testamento (Dt 1; At 15; 1 Tm 1.6-16), Castellanos defende o fim de colegiados e assembléias, e propõe um sistema de governo totalitário e personalista: A época das assembléias e dos comitês de anciãos para dar passos importantes na Igreja, já passou na história. Estou convencido de que Deus dá a visão ao pastor e nessa medida é a ele que o Espírito Santo fala, indicando-lhe até onde deve mover-se. Conclusão O G-12 está longe de ser uma reforma, muito menos protestante. Esse movimento não protesta, mas se acomoda e se amalgama à filosofia da época. Surge como proposta inovadora, mas traz consigo doutrinas antigas. De fato, o G-12 e o Encontro tem prestado um tremendo desserviço à igreja evangélica no Brasil. Finalizando, gostaria de mencionar o que podemos concluir acerca desse movimento. Em primeiro lugar, temos a certeza de que o movimento irá passar, como outras ondas neopentecostais. Todavia, como as demais ondas, é provável que muito de suas doutrinas e práticas permaneça em nosso meio. É necessário discutir o G-12; contudo, a discussão deve ir além das questões metodológicas do Encontro. Com ou sem regressão, o Encontro continuará a ensinar a necessidade de perdoar a Deus e outras coisas questionáveis. Devemos debater de forma mais ampla a presença das teologias neopentecostais e sua influência na vida e fé das igrejas evangélicas. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 156

Em segundo lugar, é importante lembrar que o movimento revela a fragilidade do ensino nas igrejas evangélicas. Um vento de doutrina, com ensinos tão destoantes da Escritura, sequer é notado por membros dessas igrejas. O problema se agrava ao considerarmos que novas ondas nos esperam. Que Deus nos conduza à fidelidade à sua Palavra e à responsabilidade de lutar pela fé evangélica (Judas 3-4). Glossário: Anabatistas: ("re-batizadores") são cristãos da chamada "ala radical" da Reforma Protestante. São assim chamados porque os convertidos eram batizados em idade adulta, desconsiderando o até então batismo obrigatório da igreja romana. Assim, re-batizavam todos os que já tivessem sido batizados em criança, crendo que o verdadeiro batismo só tem valor quando as pessoas se convertem conscientemente a Cristo. A Reforma Protestante do século XVI reacendeu os princípios bíblicos da justificação pela fé e do sacerdócio universal foram novamente colocados em foco. Contudo, enquanto Lutero, Calvino e Zuínglio mantiveram o batismo infantil e a vinculação da igreja ao Estado, os anabatistas liderados por Georg Blaurock, Conrad Grebel e Félix Manz ansiavam por uma reforma mais profunda. Deísmo: é uma postura filosófico-religiosa que admite a existência de um Deus criador, mas questiona a idéia de revelação divina. É uma doutrina que considera a razão como uma via capaz de nos assegurar da existência de Deus, desconsiderando, para tal fim, a prática de alguma religião denominacional. Docetistas: Nos dias do apóstolo João, uma classe de pessoas, conhecidas como docetistas, superenfatizava a divindade de Cristo, a ponto de negar a real humanidade do Filho de Deus. Eles eram fortemente influenciados por pressupostos filosóficos de origem platônica ou aristotélica. Embora se reconheçam diferenças entre as duas correntes ambas sustentam que o mundo material, visível, físico é algo inerentemente mau. Sendo assim, era-lhes impossível aceitar a idéia de que Deus – espírito puro, perfeito, essencialmente bom, santo – pudesse de alguma forma, unir-Se com a matéria, essencialmente má. O Deus transcendente não poderia, de forma alguma, ter-Se unido com algo tão corrompido. Além disto, sendo impassível e imutável, Deus não poderia ter experimentado modificações em Sua natureza, algo que necessariamente deveria ter acontecido no caso de uma genuína encarnação. Para os docetistas, Maria foi apenas o canal mediante o qual Jesus veio ao mundo, mas nada contribuiu em Sua formação enquanto no estado fetal, pois isto teria pervertido Sua moral perfeita. Fisiocracia: A escola fisiocrática surgiu no século XVIII e é considerada a primeira escola de economia científica. Surgiu como uma reação iluminista ao mercantilismo, um subproduto do absolutismo que dava ênfase à indústria e ao comércio voltado para a exportação. Ao contrário, os fisiocratas consideravam a agricultura como fonte original de toda riqueza, porque somente ela permitia larga margem de lucros sobre um investimento pequeno. A terra era a única verdadeira fonte das riquezas. As outras formas de produção estavam meramente transformando produtos da terra, com menor margem de lucro. Os produtos da agricultura deveriam ser valorizados e vendidos a alto preço e os proprietários de terras reconhecidos com os verdadeiros promotores da riqueza do país e respeitados como tal. Gnosis: é um conhecimento superior, interno, espiritual, iniciático. Para os Gnósticos a Gnosis é um conhecimento que brota do coração de forma misteriosa e intuitiva. É a busca do conhecimento, mas não o conhecimento intelectual mas aquele que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado, porque permite o encontro do homem com sua Essência Eterna. O objeto do conhecimento da Gnosis seria Deus, ou tudo o que deriva d'Ele. Para os seguidores, toda Gnosis WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 157

parte da aceitação firme na existência de um Deus absolutamente transcendente, existência que não necessita ser demonstrada. "Conhecer" significa ser e atuar (na medida do possível ao ser humano), no âmbito do divino. O termo "Gnosis " designa um conjunto de tradições do aspecto espiritual do Universo e do Homem, mais a possibilidade de salvação por um conhecimento secreto. Gnosticismo: Gnosticismo designa o movimento que se originou provavelmente na Ásia menor, e tem como base as filosofias pagãs, que floresciam na Babilônia, Egito, Síria e Grécia. O gnosticismo combinava alguns elementos da Astrologia e mistérios das religiões gregas, dentre outras, com as doutrinas do Cristianismo e do Sufismo. Em seu sentido mais abrangente, o Gnosticismo significa "a crença na Salvação pelo Conhecimento". O Gnosticismo usa de explicações metafísicas e mitológicas para falar da criação do universo e dos planos espirituais, mas nunca deixa de relacionar esse mundo externo e mitológico a processos internos que ocorrem no homem. Num texto hermético lemos que a gnosis da Mente é a "visão das coisas divinas". G.R.S.Mead acrescenta que "Gnosis não é conhecimento sobre alguma coisa, mas comunhão, conhecimento de". Este é o grande objetivo, conhecer "Deus", a Realidade em nós. Não é a crença, a fé ou o simples conhecimento o que importa. O fundamental é a comunhão interior, o religar da Mente individual com a Mente universal, a capacidade do homem "transcender os limites da dualidade que faz dele homem e tornar-se uma consciência divina". Judaizantes: são pessoas que, não sendo etnicamente israelita ou passado por uma conversão formal, seguem parte da religião e tradição judaica. O termo foi usado no Novo Testamento para referir aos cristãos hebreus que requeriam que os cristãos gentios seguissem as leis mosaicas. Numenal: A coisa em si, sem atributo fenomenal (por opos. a fenômeno), na filosofia de Kant. Pura idéia, a que não corresponde nenhum objeto material. Pietismo: foi um movimento surgido no final do século XVII dentro do Luteranismo, como oposição à negligência da ortodoxia luterana para com a dimensão pessoal da religião. O Pietismo influenciou o surgimento de movimentos religiosos independentes de inspiração protestante tais como o pentecostalismo, o neo-pentecostalismo e o carismatismo, todos de caráter Anabatista. O Pietismo combinava o Luteranismo do tempo da reforma (como o Calvinismo) e o Puritanismo, enfatizando a piedade do indivíduo e uma vigorosa vida cristã. Puritanismo: designa uma concepção da fé cristã desenvolvida na Inglaterra por uma comunidade de protestantes radicais depois da Reforma. Trata-se tanto de uma teoria política como de uma doutrina religiosa. A Revolução Puritana foi um movimento surgido na Inglaterra no século XVI, de confissão calvinista, que rejeitava tanto a Igreja Romana como a Igreja Anglicana.As críticas à política da Rainha Isabel partiram de grupos calvinistas ingleses, que foram denominados puritanos porque pretendiam purificar a Igreja Anglicana, retirando-lhe os resíduos de catolicismo, de modo a tornar sua liturgia mais próxima do calvinismo.Desde o início, os puritanos já aceitavam a doutrina da predestinação. Talmude: O Talmude é um registro das discussões rabínicas que pertencem à lei, ética, costumes e história do judaísmo. É um texto central para o judaísmo rabínico, perdendo em importância apenas para a Bíblia hebraica. Teodicéia - é um ramo da teologia que trata da coexistência de um Deus todo-poderoso de bondade infinita com o mal. OS ISMOS TEOLÓGICOS Ebionismo WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 158

Ebionismo (do hebraico ‫ ,אביונים‬Evyonim, "pobres") é o nome de uma das ramificações do Cristianismo primitivo, que pregava que Jesus de Nazaré não teria vindo abolir a Torá como prega a doutrina paulina. Desta forma, pregavam que tanto judeus como gentios convertidos deveriam seguir os mandamentos da santa Torá, o que levou a um choque com outras ramificações do Cristianismo e do Judaísmo. As informações sobre os ebionitas ficaram registradas nos escritos dos pais da igreja. Pelas informações que constam nos escritos dos pais da igreja, vemos que os ebionitas diziam que é necessário obedecer a todos os mandamentos da Lei judaica, inclusive ao mandamento de fazer a circuncisão, e que os gentios que se convertem a Deus devem fazer a circuncisão, e devem obedecer a todos os mandamentos da Lei, e que Jesus Cristo é o Messias, mas não é Deus, e que Jesus Cristo não nasceu de uma virgem, mas sim foi gerado por José, e que Paulo de Tarso foi um apóstata da Lei e não foi um verdadeiro apóstolo de Jesus Cristo, e que as Escrituras Sagradas são somente o Antigo Testamento e um único evangelho (chamado de Evangelho dos Ebionitas), que era considerado como sendo o Evangelho segundo Mateus, e era escrito em hebraico, e era menor do que o Evangelho segundo Mateus em grego que é usado pelos católicos, pois os católicos o consideravam como sendo incompleto e truncado. Origens As origens do ebionismo ainda são obscuras. Crê-se no entanto que o ebionismo é o cristianismo original, ou uma das ramificações primitivas do cristianismo. Em oposição à doutrina paulina, o ebionismo deve ter surgido entre os seguidores de Jesus e Tiago, o Justo, que buscavam conciliar a crença messiânica com o cumprimento das leis da Torá. O choque entre os dois grupos : judaizantes e antijudaizantes já é aparente no livro de Atos, onde a discussão entre os dois grupos obriga à convocação da assembléia dos apóstolos (Atos 15 ), e em Atos 21:17-26, onde consta que havia na Terra de Israel dezenas de milhares de judeus que criam em Jesus Cristo e eram zelosos observadores da Lei (Atos 21:20), e que houve uma situação de confronto entre eles e Paulo, considerado por eles como apóstata, pois haviam sido informados de que Paulo pregava a desobediência aos mandamentos da Lei. Embora os judeus cristãos mencionados em Atos 15:1 e Atos 21:20 não fossem ainda chamados ebionitas, pois esta denominação somente começou a ser usada mais tarde, eles eram ebionitas, pois sua crença e prática era igual à dos ebionitas. O confronto entre os judaizantes e os antijudaizantes aparece também em Gálatas 2:11-21, onde consta que Cefas ( Pedro), seguindo orientação de Tiago, obrigava os gentios a judaizarem, e Paulo não concordava com isso. O movimento ebionita enfatizaria a natureza humana de Jesus, como filho carnal de Maria e José, que teria se tornado Filho de Deus quando de seu batismo, e sendo descendente de David, tornar-seia o rei do povo de Israel e seu último grande profeta. Desprezado por cristãos e judeus, o ebionismo constituiu uma ramificação separada e organizou sua própria literatura religiosa. Literatura ebionita

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Consta nos escritos dos pais da igreja que os ebionitas usavam somente um evangelho, o qual era escrito em hebraico, e era considerado como sendo o Evangelho segundo Mateus, mas era menor do que o Evangelho segundo Mateus em grego, que é usado pelos católicos, pois os católicos o consideravam como sendo incompleto e truncado, e que este evangelho era também chamado de "Evangelho segundo os Hebreus" (Eusébio de Cesaréia, História Eclesiástica, 3:27[1], e Epifânio de Salamina, Panarion, 30:3:7 e 30:13:1-2). No entanto, é necessário distinguir entre o Evangelho segundo os Hebreus usado pelos ebionitas e o Evangelho segundo os Hebreus usado pelos nazarenos, pois, embora ambos fossem considerados como sendo o Evangelho segundo Mateus em hebraico, o Evangelho segundo os Hebreus usado pelos nazarenos era uma versão expandida, que continha todos os trechos que são encontrados no Evangelho segundo Mateus em grego usado pelos católicos, e continha mais alguns trechos que não são encontrados no Evangelho segundo Mateus em grego usado pelos católicos, enquanto que o Evangelho segundo os Hebreus usado pelos ebionitas, ao contrário, era menor do que o Evangelho segundo Mateus em grego usado pelos católicos (Epifânio, Panarion, 30:13:2). O Evangelho segundo os Hebreus usado pelos nazarenos é citado várias vezes por Jerônimo. O Evangelho segundo Mateus contém a doutrina ebionita, principalmente em Mateus 5:17-19, onde consta que Jesus Cristo disse que não veio abolir a Lei nem os Profetas, mas sim cumprir, e que a Lei nunca será abolida, e que devemos obedecer a todos os mandamentos da Lei, e em Mateus 7:2123, onde consta que Jesus Cristo disse que nem todos os que crêem nele entrarão no Reino de Deus, mas sim somente aqueles que fazem a vontade de Deus, e que muitos que pregam o evangelho e fazem milagres em nome dele não entrarão no Reino de Deus, porque praticam a iniqüidade. Isto explica por que este evangelho era o único que era aceito pelos ebionitas. Os pais da igreja escreveram que Mateus escreveu o seu evangelho em hebraico, e que cada um o traduzia como podia (Eusébio, História Eclesiástica, 3:24:6 e Papias, citado por Eusébio, em História Eclesiástica, 3:39:16 e Ireneu, em Contra as Heresias, 3:1:1 e Orígenes, citado por Eusébio em História Eclesiástica 6:25:4 e Epifânio, em Panarion, 30:3:7 e Jerônimo, Epístolas, 20:5 e Comentários sobre Mateus 12:13 e Vidas de Homens Ilustres, capítulo 3). Ebionismo moderno Há atualmente diversos movimentos religiosos que em maior ou menor grau compartilham a visão ebionita. Dentre elas, podemos mencionar o movimento criado por Shemayah Phillips,que em 1985 fundou o movimento conhecido como a Ebionite Jewish Community. Esta comunidade, estritamente monoteísta, reconhece Jesus como um profeta justo, e defende uma interpretação judaica do Tanakh e que tal sirva como meio de união entre judeus e gentios para implantação de uma sociedade justa. Citações Os trechos dos livros dos Padres da Igreja que falam sobre os ebionitas são os seguintes: 1. Inácio de Antioquia, Epístola aos Filadélfos, capítulo VI 2. Ireneu, Contra Heresias: WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 160

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1:26:1-2 3:11:7 3:21:1 4:33:4 5:1:3

3. Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica 3:27 4. Tertuliano, Apêndice, Contra Todas as Heresias, capítulo III 5. Hipólito de Roma, Contra Heresias 7:22 6. Orígenes, Filocalia 1:24 7. Orígenes, Comentário sobre Mateus 11:12 8. Orígenes, Contra Celso:
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5:61 5:6

9. Jerónimo de Strídon, Carta para Agostinho:
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4:13 4:16

10. Agostinho de Hipona, Carta para Jerônimo, 3:16 11. Epifânio, Panarion:
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30:3:7 30:13:1,2

Judaísmo messiânico Judaísmo Messiânico é uma ramificação religiosa que segue as tradições religiosas judaicas, e que também acredita na figura de Yeshua (Jesus) como sendo o Messias esperado pela tradição profética judaica. Pode-se distinguir dois tipos de messianismo deste tipo: Sinagoga messiânica Baruch Hashem, Dallas, Texas

Nos primeiros séculos as seitas dos nazarenos e os ebionitas, que tratavam-se na maioria de judeus que aceitavam a crença em Jesus como Messias, e não compartilhavam da crença na divindade de Jesus. Criam que os gentios (não-judeus) que se convertessem deveriam aceitar as tradições religiosas judaicas. Porém, a entrada cada vez maior de prosélitos de origem não-judaica acabou por desencadear o processo que separaria de vez a seita dos nazarenos do Judaísmo, separação esta concretizada definitivamente com o Concílio de Niceia, no ano 326 EC. O Moderno Judaísmo Messiânico é um movimento surgido no século XX nos EUA, originado do Hebreu-Cristianismo nascido na Inglaterra no século XIX. A grande maioria dos modernos judeus messiânicos aceita as diversas tradições do Judaísmo, julgando-as, no WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 161

entanto, incompletas em seu significado, de certa maneira. O significado completo, segundo eles, só pode ser obtido a partir do entendimento e aceitação de Jesus como sendo o Messias. O Judaísmo em geral rejeita o Judaísmo Messiânico/Nazareno como sendo um ramo do Judaísmo, embora, em sua origem no século I EC, tenha sido considerado como tal. Ao mesmo tempo, a despeito de ser considerado apenas como uma ramificação cristã com o propósito de converter judeus aos cristianismo, como por exemplo a organização Judeus para Jesus, apenas uma pequena parte das denominações cristãs, geralmente protestantes, aceita o atual movimento judaicomessiânico, especialmente por conta de questões doutrinárias divergentes. História do Judaísmo Messiânico Origens do messianismo judaico Um conceito do Judaísmo, o Messias (do hebraico ‫ ,משיח‬Mashiach, Ungido) refere-se, principalmente, à crença do Judaísmo posterior da futura vinda de um descendente do Rei David que iria reconstruir a nação de Israel e restaurar o reino de David, trazendo, desta forma, a paz ao mundo. Ainda que a tradição religiosa judaico-cristã diga que o Messias já era uma profecia predita desde os tempos dos Patriarcas, este ensino veio a tomar mais forma após a destruição do Templo de Jerusalém. O retorno do Cativeiro, aliado a eventos históricos serviu para o aumento de um nacionalismo judaico, despertando uma esperança judaica pela reconstrução de sua nação e pelo governo de um rei levantado por D-us, que submeteria todos os povos à legislação da Torá. Esta esperança messiânica aumentou ainda mais com o Domínio Romano sobre a Judéia no primeiro século. As diversas ramificações judaicas, pacíficas ou revolucionárias (como os zelotes), pretendiam obter sua independência do domínio romano, e inspirados pelo ideal da independência, acabaram por desenvolver ainda mais a crença no Messias libertador. Os antigos nazarenos e o surgimento do Cristianismo De acordo com a tradição cristã geralmente aceita, Jesus de Nazaré seria o Messias esperado pela tradição profética judaica (Mateus 2:1-6, Lucas 2:1-32, baseando-se, entre outros, no texto de Miqueias 5:2). Teria sido crucificado, ressuscitado e elevado aos céus (Mateus 28:7, Atos 2:22-34, 4:10, 5:30). Inicialmente, seus seguidores foram de fato judeus que não abandonaram suas tradições religiosas judaicas, mas as praticavam acrescentando-lhes a crença em Jesus como Messias (Atos 20:7-8; 21:20). Estes eram chamados de notzrim (nazarenos), devido à cidade de origem de Jesus ou cristãos, pelo público não-judaico. No entanto, com o aumento da difusão dos ensinos de Jesus, muitos não-judeus passaram a aceitar e acreditar nestas doutrinas. Por este fato surgiu a primeira crise entre os seguidores de Jesus : os gentios que criam em Jesus deveriam ou não ser submetidos às normas do judaísmo ? O grupo judaizante acreditava que Jesus não teria vindo abolir a Torá. Desta forma, pregavam que tanto judeus como gentios convertidos deveriam seguir os mandamentos da Torá. Ainda não é possível determinar se este grupo judaico era uma variação dos ensinos de Jesus ou se era a doutrina original de Jesus. No entanto se acreditarmos no sucesso inicial do movimento de Jesus dentro da religião judaica, deve-se crer que o ensino original não tenha sido muito diferente disto. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 162

Já o grupo antijudaizante, cujo principal expoente era Paulo de Tarso, defendia que Jesus viera trazer salvação de Deus à humanidade, abolindo os preceitos da Torá, que seriam desnecessários para se obter a salvação.O choque entre os dois grupos : judaizantes e antijudaizantes já é aparente no livro de Atos, onde a discussão entre eles obriga à convocação da assembléia dos apóstolos (Atos 15 ). Os antijudaizantes cujo principal expoente era Paulo de Tarso conseguiram impôr sua visão contra os judaizantes, apoiados pelo apóstolo Pedro : aqueles que eram gentios não precisavam submeter-se aos dogmas do judaísmo e aqueles que eram judeus poderiam prosseguir com seu judaísmo desde que não impusessem seu modo de viver aos gentios: "...devemos escreverlhes [aos gentios] uma carta para informá-los de que se devem abster das coisas contaminadas por ídolos, da fornicação, do que foi estrangulado e do sangue. [Os judeus não necessitam disto] Porque, desde os tempos antigos, Moisés é anunciado em todas as cidades, e suas palavras são lidas nas sinagogas, a cada sábado" (Atos 15:20-21).[1] (comparar com as Leis de Noé). O sucesso da pregação paulina fez com que ambos os lados se afastassem. Ainda que tenham sido aceitos a príncipio pelo judaísmo como mais uma ramificação, os seguidores de Jesus acabaram com o tempo sendo identificados com o ensino de Paulo que causava controvérsias na comunidade judaica, a respeito da questão do Messias e principalmente da aceitação livre de não-judeus. Além disso, o sofrimento dos judeus sob domínio romano passou a ser imputado aos seguidores de Jesus e a isto somou-se a recusa por parte da maioria destes a ajudar na Revolta Judaica, que culminou na destruição do segundo Templo de Jerusalém, e à fuga dos cristãos para Pela. Após a destruição do Templo de Herodes e o início da Diáspora, os cristãos espalharam-se ainda mais pelo império, bem como os demais judeus. Entretanto, a entrada cada vez maior de gentios na comunidade cristã iniciou de vez o processo de rompimento de suas ligações com o Judaísmo, especialmente porque estes gentios passaram a assimilar-se cada vez menos às práticas da Torá, como proposto no Concílio de Jerusalém, e com isso mantinham algumas de suas práticas pagãs, misturando-as apenas às primeiras doutrinas dos então nazarenos. A invasão dessas práticas pagãs, aliada ao prestígio agora dado à seita pelo império, graças ao crescimento surpreendente da mesma, culminou no desenvolvimento e no surgimento dos princípios que originaram o chamado Cristianismo. Os choques entre cristãos e judeus serão mais ou menos leves até a adoção do Cristianismo como religião oficial do Império Romano. O Concílio de Niceia, realizado no ano 325 EC, tratou de separar definitivamente o agora Cristianismo do Judaísmo, estabelecendo definitivamente as doutrinas da Trindade e da divindade de Jesus, entre outras, que dão base ao Cristianismo até os dias atuais. E, com a posterior adoção do Cristianismo como a religião oficial do Império Romano no ano 380 EC, graças aos dogmas estabelecidos em Niceia, passou-se a tentar converter os judeus e a impor-lhes diversas sanções que dariam origem ao antissemitismo religioso da Idade Média. Este sentimento foi posteriormente compartilhado inclusive pelas diversas ramificações cristãs protestantes tradicionais, que viam nos judeus um povo retrógrado que teria matado seu Messias e que se recusava a converter-se ao Cristianismo. Os judaizantes acabaram sendo segregados tanto pelos cristãos como pelos judeus. Estes judaizantes foram reconhecidos como ebionitas (do hebraico evionim "pobres"), organizando sua própria literatura religiosa e com o passar do tempo foram virtualmente extintos. Mesmo assim encontra-se uma gama de relatos históricos desses pequenos grupos cristãos que datam aproximadamente do século XIV e XV. Há diversos movimentos religiosos que em maior ou menor grau compartilham a visão ebionita. Dentre elas ,podemos mencionar o movimento criado por WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 163

Shemayah Phillips,que em 1985 fundou o movimento conhecido como a Ebionite Jewish Community. Esta comunidade, estritamente monoteísta, reconhece Jesus como um profeta justo, e defende uma interpretação judaica do Tanakh e que tal sirva como meio de união entre judeus e gentios para implantação de uma sociedade justa. Judaísmo Messiânico Moderno O Judaísmo Messiânico moderno ou Movimento Messiânico é um movimento recente iniciado no século XIX. Embora já em 1718 John Toland, em sua obra "Nazarenus", tenha feito a sugestão de que os "cristãos entre os judeus guardassem a Torá", somente no início do século XIX nasceu o Movimento Cristão-Hebreu na Inglaterra. E, em 1886, foi fundada em Chişinău, na atual Moldávia, a primeira Congregação Judaico-Messiânica moderna, por Ioseph Rabinovich. Na Inglaterra, o movimento conhecido como Hebreu-Cristianismo iniciou-se com o princípio básico de reunir cristãos de origem judaica, tendo em vista o propósito de conscientizá-los de sua identidade judaica e reavivá-la, tendo sido a Hebrew-Christian Alliance of Great Britain finalmente organizada em 1866. Nos Estados Unidos, uma organização similar foi fundada em 1915, a Hebrew-Christian Aliance of America, cujo nome foi mudado para Messianic Jewish American Alliance em 1976. Em 1925, uma organização internacional foi criada com o mesmo propósito, a International Hebrew-Christian Alliance, posteriormente chamada International Messianic Jewish Alliance. Em 1979 foi fundada a Union of the Messianic Jewish Congregations (UMJC). O moderno Judaísmo Messiânico, finalmente "estabelecido" a partir da década de 60, intitula-se como um movimento originalmente judaico, fundado por membros judeus e para judeus, embora não seja reconhecido como tal. É essencialmente diferente do movimento Judeus para Jesus (Jews for Jesus), movimento este reconhecidamente protestante e com a finalidade única da conversão dos judeus ao Cristianismo (e que teve, por esta razão, uma resposta por parte do Judaísmo através do movimento Jews for Judaism (Judeus para o Judaísmo). Estes grupos messiânicos são apoiados por igrejas evangélicas que atualmente tem promovido uma aceitação das tradições judaicas como o uso de músicas e orações em hebraico, adoção de festas religiosas judaicas, itens como kipá e tefilin, além de uso de nomenclatura e termos de origem judaica (como Rabino) mas negando muitas vezes outras tradições essenciais do judaísmo como a brit milá e outros mandamentos sob a visão de que estes mandamentos teriam sido abolidos por Jesus. O governo de Israel a partir de 2009 passou a reconhecer os judeus messiânicos como judeus, sendo que antes eram classificados pelo Ministério do Interior de Israel como cristãos. Teologia A teologia judaico-messiânica estuda a divindade e as Escrituras segundo uma perspectiva judaicomessiânica. Cânon Os judeus messiânicos comumente reconhecem o Antigo Testamento como sendo divinamente inspirado. O teólogo David H. Stern, em seu "Comentário do Novo Testamento Judaico", WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 164

argumenta que Paulo é completamente coerente com o Judaísmo Messiânico, e que o Novo Testamento deve ser tomado pelos judeus messiânicos como sendo também a inspirada "Palavra de D-us". Entretanto, esta é apenas a principal visão dentro do movimento, pois, como em todas as religiões, há diversas correntes de pensamento. Alguns poucos judeus messiânicos não aceitam os escritos de Paulo, chegando a rejeitá-los completamente, ou então deixando-os "abaixo" dos Evangelhos. Frequentemente, a ênfase se dá na ideia de que o Antigo Testamento eram as únicas Escrituras de que os primeiros crentes em Jesus dispunham (e de fato a maioria dos estudiosos concorda que não havia um cânon estabelecido do Novo Testamento até o século IV), e que, exceto pelas palavras registradas de Jesus, o Novo Testamento se pretendia apenas como um comentário inspirado do Antigo Testamento. Desta forma, no entanto, o cânon judaico-messiânico difere do cânon judaico tradicional essencialmente pela inclusão dos livros do Novo Testamento (ou conhecido como Brit Chadashá). O cânon judaico-messiânico, em suas diferentes ramificações, geralmente contêm os seguintes livros: 1. Torá [‫" ,]הרות‬a Lei", "Instrução", ou "Ensino". Também chamada Chumash [‫" ,]שמוח‬os cinco", referência aos 5 livros de Moisés; o Pentateuco. 2. Neviim [‫ ,]םיאיבנ‬os "Profetas". 3. Ketuvim [‫ ,]םיבותכ‬os "Escritos". 4. Besorot [‫ ,]תורושב‬os "Evangelhos". 5. Ma'ase Hashelichim [‫ ,]םיחילשה ישעמ‬os "Atos dos Apóstolos". 6. Igarot Shaul Hashaliach [‫ ,]חילשה לואש תורגא‬as "Epístolas de Paulo". 7. Igarot Hashelichim [."solotsópa sod salotsípE" sa ,[‫אגרות השליחים‬ 8. Chazon [‫ ,]ןוזח‬a "Revelação". Stern produziu recentemente uma versão Judaico-messiânica da Bíblia, chamada A Bíblia Judaica Completa. Talmude e comentários bíblicos Algumas comunidades judaico-messiânicas consideram os comentários rabínicos, como a Mishná, no Talmude como historicamente informativos e úteis no entendimento da tradição, embora não os considerem normativos, especialmente nas questões nas quais o Talmude diverge das escrituras messiânicas. Alguns outros grupos messiânicos, no entanto, consideram "perigosos" os comentários rabínicos do Talmude. Estes grupos defendem a ideia de que os que seguem as explicações e os comentários rabínicos e halaquicos não são crentes em Jesus como Messias. Além disso, negam a autoridade dos Fariseus, crendo que estes foram substituídos e contraditos pelo messianismo. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 165

Há um número grande de comentários messiânicos sobre diversos livros da Bíblia, tanto do Tanakh quanto do Novo Testamento. David H. Stern publicou em volume único seu Comentário Judaico do Novo Testamento, mas ele limita-se a apenas fornecer notas explanatórias de um ponto de vista judaico, deixando de lado muitas das questões sobre a composição, história, data e contexto dos livros do Novo Testamento. Outros comentaristas notáveis do Novo Testamento são Joseph Shulam, que escreveu comentários de Atos, Romanos e Gálatas, e Tim Hegg, que escreveu sobre Romanos, Gálatas e Hebreus, e atualmente está estudando o evangelho de Mateus. Doutrinas principais Nesta seção estão listadas algumas das principais crenças e doutrinas do Judaísmo Messiânico 1. Deus - Os judeus messiânicos crêem no Deus do Tanakh, Adonai, e que ele é todo-poderoso, onipresente, eterno, existente à parte da criação, e infinitamente importante e benevolente. Os judeus messiânicos creem no Shemá, que significa "ouve", oração fundamental do Judaísmo, do texto de Deuteronômio 6:4 - "Ouve, ó Israel, o Eterno nosso D-us é Único D-us -, texto que mostra a unicidade do Deus de Israel, sendo ele único e infinito, e unicamente soberano. Quanto ao entendimento desta unicidade, porém, os grupos messiânicos divergem. Alguns refutam a ideia da Trindade, entendendo o Shemá como a declaração literal de que Deus é um, apenas, além de considerar textos do próprio Novo Testamento que eventualmente desmentem o conceito de uma entidade triúnica - portanto, relegam a Trindade a algo quase que idolátrico. Outros, porém, são abertos aos conceitos trinitarianos. 2. Jesus como o Messias - Jesus (Yeshua) é, para os judeus messiânicos, o Messias judeu. O principal movimento messiânico crê em Jesus como sendo "a Torá (palavra) feita carne" (referência a João 1:14). Quanto à divindade de Jesus, no entanto, os grupos divergem. Alguns negam que Jesus seja Deus, refutando a Trindade (pelos motivos resumidamente expostos acima) e considerando o fato de que claramente não há referências no Tanakh de que o Messias seria o próprio Deus. Entretanto, consideram-no como um ser essencialmente divino, provindo de Deus e por ele munido de toda autoridade - mas não o próprio. Outros, porém, acreditam que Jesus de fato é o próprio Deus, sem qualquer ressalva ao conceito cristão tradicional. 3. A Torá escrita - Os judeus messiânicos, com algumas poucas exceções, tomam a Torá escrita (o Pentateuco) como sendo completamente válida (ao contrário da visão cristã), e portanto creem nela como uma aliança sagrada, perpétua e insubstituível, que deve ser observada tanto moral e ritualmente por aquelas que professam fidelidade a Deus. Eles acreditam que Jesus não somente ensinou como reafirmou a Torá (como no trecho do evangelho de Mateus 5:17-20), e não que ele a revogou. 4. Israel - Creem que as tribos de Israel foram, são, e continuarão a ser o povo escolhido do Deus de Jacó. Todos os messiânicos, judeus ou não, rejeitam a chamada "teologia da substituição", a visão de que a Igreja cristã substituiu Israel na mente e nos planos de Deus. 5. A Bíblia - O Tanakh e o Novo Testamento (chamado "Brit Chadashá") são geralmente considerados pelos messiânicos como as escrituras inspiradas por Deus. 6. Escatologia bíblica - A maioria dos judeus messiânicos detêm as crenças escatológicas do "fim dos tempos", da segunda vinda de Jesus, como Mashiach ben David, o descendente do rei Davi que WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 166

restituirá Israel, da reconstrução do Templo de Jerusalém, da ressurreição dos mortos para o Juízo e do Shabat milenar, o período do reinado do Messias. 7. A Torá Oral - As opiniões dos judeus messiânicos a respeito da Torá oral, codificada no Talmude, são diversas e muitas vezes conflitantes inclusive entre as congregações. Algumas delas acreditam que aderir à "Lei oral", como abrangida no Talmude, é contrário aos ensinamentos messiânicos e, portanto, completamente perigoso. Outras congregações, porém, são seletivas nas aplicações das leis talmúdicas. Outras, ainda, encorajam a uma séria observância da halachá. Contudo, virtualmente todas as congregações e sinagogas judaico-messiânicas veem as tradições orais como sendo subservientes à Torá escrita, notando que Jesus observou algumas tradições orais (como a observância de Chanucá), e se opôs a outras. Arianismo O arianismo foi uma visão Cristológica sustentada pelos seguidores de Arius, bispo de Alexandria nos primeiros tempos da Igreja primitiva, que negava a existência da consubstancialidade entre Jesus e Deus, que os igualasse, fazendo do Cristo pré-existente uma criatura, embora a primeira e mais excelsa de todas, que encarnara em Jesus de Nazaré. Jesus então, seria subordinado a Deus, e não o próprio Deus. Segundo Ário só existe um Deus e Jesus é seu filho e não o próprio. Ao mesmo tempo afirmava que Deus seria um grande eterno mistério, oculto em si mesmo, e que nenhuma criatura conseguiria revelá-lo, visto que Ele não pode revelar a si mesmo. Com esta linha de pensamento, o historiador H. M. Gwatkin afirmou, na obra "The Arian Controversy": "O Deus de Ário é um Deus desconhecido, cujo ser se acha oculto em eterno mistério"[1] História Por volta de 319 Ário começou a propagar que só existia um Deus verdadeiro, o "Pai Eterno", princípio de todos os seres. O Cristo-Logos havia sido criado por Ele antes do tempo como um instrumento para a criação, pois a divindade transcendente não poderia entrar em contato com a matéria. Cristo, inferior e limitado, não possuía o mesmo poder divino, situando-se entre o Pai e os homens. Não se confundia com nenhuma das naturezas por se constituir em um semi-deus. Ário afirmava ainda que o Filho era diferente do Pai em substância. Essa ideia ligava-se ainda ao antigo culto dos heróis gregos, dentre os quais para ele Cristo sobressaía com o maior, embora apenas possuísse uma divindade em sentido impróprio. Como meio de difusão mais abrangente de suas ideias, fê-lo sob a forma de canções populares. Um primeiro sínodo, em Alexandria, expulsou Ário da comunhão eclesiástica, mas dois outros concílios, fora do Egito, condenaram aquela decisão, reabilitando-o. Árius procurou o apoio de companheiros que, como ele, haviam sido discípulos de Luciano de Antióquia, em especial Eusébio, bispo de Nicomédia (atual İzmit). A luta que se seguiu chegou a ameaçar a unidade da Igreja e, ante o perigo de fragmentar também o império, levou o imperador Constantino a enviar Ósio, bispo de Córdoba, seu conselheiro particular, como mediador. O insucesso da missão levou-o a convocar, em 325, um concílio universal em Niceia (atual İznik).No Primeiro Concílio de Niceia (325) a maioria dos prelados, corroborada pelo próprio Constantino graças à influência de Santo Atanásio (criador do termo "homoousios", siginificando "de substância idêntica" – para descrever a relação de Cristo com o Pai), condenou as propostas arianas, e declarou-as heréticas, obrigando à queima dos livros que as continham e promulgando a pena de morte para quem os conservasse. Definiu ainda o chamado "Símbolo de Niceia".[2] WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 167

As inúmeras dúvidas suscitadas pelo Sínodo de Niceia reacenderam as lutas, com os prelados acusando-se mutuamente de hereges. Várias fórmulas dogmáticas foram ensaiadas para complementar a de Niceia, acentuando ainda mais as divisões, num conflito que expôs cada vez mais as diferenças entre o Ocidente latino e o Oriente grego, envolvendo disputas de primazia hierárquica e de política. Desse modo, num novo sínodo geral, celebrado na fronteira dos dois impérios, os ocidentais se congregaram em torno do símbolo de Niceia e excomungaram os herejes. Os orientais, a seu apoiaram as ideias de Ário e excomungaram não apenas os bispos apoiantes de Niceia como também o próprio bispo de Roma. Ário retornou a Constantinopla em 334, a chamado de Constantino e, segundo a lenda, faleceu em 336 quando a caminho de receber a comunhão novamente. As ideias de Ário foram adotadas por Constâncio II (337-361) sem que, entretanto, se impusessem à Igreja. Difundiram-se entre os povos bárbaros do Norte da Europa, quando da evangelização dos Godos, pela ação de Ulfila, missionário enviado pelo imperador romano do Oriente. Os Ostrogodos e Visigodos chegaram à Europa ocidental já cristianizados, mas arianos. Uma carta de Auxentius, um bispo de Milão do século IV, referindo-se ao missionário Ulfila, apresentou uma descrição clara da teologia ariana sobre a Divindade: Deus, o Pai, nascido antes do tempo e Criador do mundo era separado de um Deus menor, o Logos, Filho único de Deus (Cristo) criado pelo Pai. Este, trabalhando com o Filho, criou o Espírito Santo, que era subordinado ao Filho e, tal como o Filho, era subordinado do Pai. Segundo outros autores, para Ário o Espírito Santo seria uma criatura do Logos (Filho). A questão só seria debelada quando, em fins do reinado de Teodósio, ao tornar-se religião oficial do império, o cristianismo ortodoxo-romano afirmou-se em definitivo. Após o século V, graças às perseguições, o movimento desapareceu gradualmente. Séculos mais tarde, o nome "Arianos" foi usado na Polónia para referir uma seita Cristã Unitária, a irmandade polaca (Frater Polonorum). Eles inventaram teorias sociais radicais e foram precursores do Iluminismo. Paralelos modernos "Semi-arianismo" tem sido um nome aplicado a outros grupos não-trinitários, desde então como as Testemunhas de Jeová e a Associação dos Estudantes da Bíblia Aurora. Por exemplo, muitas vezes tem-se dito que as Testemunhas de Jeová e a Associação dos Estudantes da Bíblia Aurora, estariam seguindo uma forma de arianismo, visto que também não crêem na Trindade, e consideram Jesus como O Filho de Deus. Mas as Testemunhas de Jeová discordam deste ponto de vista, afirmando que suas crenças não se originam dos ensinamentos de Ário, e que, não adoram o “Deus desconhecido” de Ário.[3] A doutrina espírita também compreende em Jesus o ser humano mais iluminado, que serve de guia e modelo à humanidade, mas não o confunde com Deus. Na pergunta 17 do Livro dos Espíritos se afirma que "Deus não permite que tudo seja revelado ao homem neste mundo." WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 168

Semi-Arianismo Semi-Arianismo é um nome frequentemente dado à posição trinitária da maior parte dos conservadores da Igreja cristã oriental no século IV dC, para distingui-la do arianismo propriamente dito. Mais precisamente, ele é reservada (como pode ser visto no capítulo 73 de Panarion, de Epifânio) para o partido reacionário liderado por Basílio de Ancira durante a controvérsia ariana, em 358 dC. História O arianismo foi o ponto de vista de Ário e seus seguidores - chamados arianos - de que o Filho (Jesus) teria uma posição subordinada ao Pai, sendo inclusive de uma substância (ousia) diferente. Os arianos contrariaram o ponto de vista ortodoxo de que as três partes da Trindade seriam da mesma substância. Após o Primeiro Concílio de Niceia ter condenado o arianismo como heresia, muitos cristãos adotaram posições intermediárias que lhes permitiram se manter em comunhão com os arianos sem que fosse necessário adotar o arianismo. Várias fórmulas diferentes foram propostas como alternativas intermediárias entre os ensinamentos de Ário (heteroousia) e a doutrina da consubstancialidade (homoousia) pregada pelo credo de Niceia. Após o concílio em Niceia em 325 dC ter derrotado o arianismo, a maior parte das igrejas orientais, que tinham concordado com a deposição de Atanásio de Alexandria no Concílio de Tiro em 335 dC e receberam os arianos em comunhão em Jerusalém quando eles se arrependeram, não eram arianos, ainda que estivessem bem longe de serem ortodoxos também. O Concílio de Antioquia em 341 dC propôs um credo que nada tinha de excepcional, exceto por sua omissão da fórmula niceana "da mesma substância que o Pai" (Génitum, non factum, consubstantiálem Patri). Mesmo alguns dos discípulos de Ário, como Jorge de Laodiceia (335 - 347 dC) e Eustátio de Sebaste (ca. 356 - 380 dC), se juntaram ao partido moderado (Homoiousianos), e, após a morte de Eusébio de Nicomedia, os líderes como Ursácio de Singidunum, Valente de Mursa e Germínio de Sirmium não se prenderam à nenhuma fórmula em especial (conhecidos como Homoianos), uma vez que o imperador Constâncio II odiava o arianismo, mas odiava Atanásio ainda mais. Quando Marcelo de Ancira foi deposto em 336 dC, ele foi sucedido por Basílio de Ancira. Marcelo foi depois reconduzido à função pelo Concílio de Sardica pelo Papa Júlio I em 343 dC. Em 350 dC, Basílio voltou ao cargo por ordem do imperador Constâncio, sobre quem ele tinha ganho considerável influência. Ele foi então o líder do Concílio de Sirmium em 351 dC, convocado para condenar Fotino, que tinha sido um diácono em Ancira, e os cânones deste sínodo começam condenando o arianismo, ainda que terminem sem concordar completamente com o padrão niceano. Basílio depois entrou em conflito com os anomoeanos liderados por Aécio de Antioquia. Após a derrota do usurpador Magnêncio em Mursa em 351 dC, Valente, bispo da cidade, se tornou o conselheiro espiritual de Constâncio. Em 355 dC, Valente e Ursácio conseguiram aprovar o exílio de alguns dos que professavam o ponto de vista ocidental (Eusébio, Lúcifer, Libério e, logo em seguida, de Hilário. Em 357 dC, eles propuseram o segundo credo de Sirmium, ou "Fórmula de Ósio", em que tanto o termo homoousios quanto homoiousios foram rejeitados. Eudóxio, um ariano fervoroso, tomou a sé de Antioquia e passou a apoiar tanto Aécio quanto seu discípulo, Eunômio de Cízico, também arianos. Na quaresma de 358 dC, Basílio, que celebrava a festa de dedicação de uma nova igreja que ele havia construído em Ancira juntamente com muitos outros bispos, recebeu uma carta de Jorge de WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 169

Laodiceia relatando como Eudóxio havia aprovado Aécio e implorando à Macedônio I de Constantinopla, à Basílio e aos demais bispos reunidos que decretassem a expulsão de Eudóxio e seus seguidores de Antioquia, caso contrário a grande sé episcopal poderia ser considerada como perdida. Em consequência, o Concílio de Ancira publicou uma longa resposta endereçada à Jorge e os outros bispos da Fenícia, na qual eles recitam o credo de Antioquia (de 341 dC), complementando-o com explicações contra a "falta de similaridade" do Filho em relação ao Pai pregada pelos arianos e anomoeanos (de anomoios) e mostrando que o próprio nome do Pai implica um filho de "substância similar" (homoiousia, ou homoios kat ousian). Anátemas foram incluídos no final, onde o anomoeanismo foi explicitamente condenado, enquanto que a tese da "substância similar" foi considerada obrigatória. O décimo-nono destes cânones proíbe o uso também das formas homoousia e tautoousia, embora isto possa ser creditado a uma reflexão tardia devida à influência de Macedônio, uma vez que Basílio não parece ter insistido no assunto em discussões posteriores. Diversos legados foram despachados para o Concílio de Sirmium: Basílio, Eustátio de Sebaste (um asceta sem princípios dogmáticos), Elêusio de Cízico (seguidor de Macedônio) e o padre Leôncio, um dos capelães imperiais. Eles chegaram em cima da hora, pois o imperador havia dado ouvidos para um eudoxiano, antes de mudar de opinião e emitir uma carta[1] declarando que o Filho era de "substância similar" à do Pai e condenando os arianos em Antioquia. O relato dos autores patrísticos Na metade do século IV dC, Epifânio disse: “ Semi-arianos...mantém o verdadeiro ponto de vista ortodoxo sobre o Filho, que ele esteve sempre com o Pai...mas foi criado sem começo e fora do tempo... Mas todos eles blasfemam contra o Espírito Santo e não o contam na Divindade com o Pai e o Filho." — Panarion, Epifânio de Salamis[2] De acordo com Sozomeno, neste ponto o Papa Libério já havia sido liberado do exílio ao assinar três fórmulas combinadas por Basílio. Basílio persuadiu Constâncio a convocar um concílio geral, com propostas de sede em Ancira e, depois, Nicomedia (ambas na Ásia menor), mas como esta última acabou sendo destruída num terremoto, Basílio acabou novamente em Sirmium em 359 dC, onde os arianistas já tinham reconquistado seu espaço. Juntamente com Germínio, Jorge de Alexandria, Ursácio, Valente e um bispo (depois santo) Marcos de Aretusa, ele realizou a conferência, que se estendeu até à noite. Uma confissão de fé, ridicularizada sob o apelido de "credo obsoleto", foi proposta por Marcos em 22 de maio[3]. O arianismo foi rejeitado, mas a forma homoios kata ten ousian (substância similar) não foi admitida e a expressão kata panta homoios (similar em tudo) foi substituída. Basílio ficou desapontado e assinou a explicação de que as palavras "em tudo" significavam não apenas a vontade, mas também a existência e a realidade (kata ten hyparxin kai kata to einai). Ainda insatisfeito, Basílio, Jorge de Laodiceia e outros publicaram uma explicação conjunta[4] onde "em tudo" deveria incluir "substância". O partido contrário fez o possível para que dois concílios fossem convocados em Ariminum e em Selêucia. Em Selêucia, em 359 dC, os semi-arianos estavam em maioria, sendo apoiados por personalidades como Cirilo de Jerusalém, seu amigo Silvano de Tarso e até mesmo por Hilário de Poitiers, mas eles foram incapazes de atingir seus objetivos. Basílio, Silvano, Elêusio, portanto, compareceram como enviados à Constantinopla, onde um concílio se realizou em 360 dC, e que seguiu as diretrizes de Ariminum em condenar homoiousios juntamente com homoousios, WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 170

permitindo apenas a forma homoios, sem nenhuma adição. Esta nova frase fora invenção de Acácio de Cesareia, que agora havia deposto e desterrado os arianos extremados e se tornado líder dos novos homoianos. Ele tentou exilar Macedônio, Elêusio, Basílio, Eustátio, Silvano, Cirilo e muitos outros. Constâncio morreu no final de 361 dC. Sob Juliano, o Apóstata, os exilados retornaram. Basílio provavelmente já tinha morrido. Macedônio organizou um partido que propunha que o filho seria kata panta homoios (em tudo similar) e que o Espírito Santo seria um ministro e servo do Pai, uma criatura. Elêusio se juntou a ele, assim como Eustátio por um tempo. Este grupo realizou sínodos em Zele e em outros lugares. A ascensão do imperador Joviano, um ortodoxo, estimulou o "versátil" Acácio, juntamente com Melécio de Antioquia e vinte e cinco outros bispos, a aceitar o credo de Niceia, adicionando uma explicação de que os "padres de Niceia" entendiam que o significado de homoousios apenas homoios kat ousian - Acácio havia adotado a fórmula original dos semi-arianos. Em 365 dC, Macedônio reuniu um concílio em Lampsacus sob a presidência de Elêusio e condenou os concílios de Ariminum e Antioquia (de 360 dC)., afirmando novamente a similaridade na substância. Mas as ameaças do imperador ariano Valente fizeram com que Elêusio assinasse um credo ariano em Nicomedia, em 366 dC. Ele retornou então para sua diocese cheio de remorso e implorou que outro bispo fosse eleito, o que foi negado por seus fiéis. Em 381 dC, o Primeiro Concílio de Constantinopla foi reunido para atentar lidar com os binitarianos, os semi-arianos de então. Porém, tão logo o trinitarismo foi sendo oficializado, os semi-arianos deixaram a discussão. "Semi-arianimos...Eles rejeitaram o ponto de vista ariano de que Cristo era uma critura e que tinha uma natureza diferente de Deus (anomoios dissimilar), mas eles também não aceitaram o credo de Niceia, que afirmava que Cristo era "da mesma substância [homoousios] que o Pai.". Os semi-arianos ensinavam que Cristo era similar (em grego homoios) ao Pai, ou de uma substância parecida (homoiousios), ainda que subordinada[5]. Crenças similares Atualmente, grupos como as Testemunhas de Jeová e os Adventistas do sétimo dia já foram - no exterior - chamados de "semi-arianos"[6]. Referências 1. ↑ Sozomeno. História Eclesiástica: Letter of the Emperor Constantius against Eudoxius and his Partisans. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 14, vol. IV. 2. ↑ Epifânio de Salamis (Epif). Panarion, livros II e III (seções 47 - 80) 3. ↑ Hilário, Fragmentos, XV 4. ↑ Epifânio de Salamis (Epif). Panarion, lxxiii, 12-22 5. ↑ PFANDL, Gerhard. The Doctrine of the Trinity Among Adventists (em inglês). Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, June 1999. 6. ↑ Daniel Janosik. Arius is Alive: A Comparison between Arian and Jehovah-Witness Christology (em inglês). University of Columbia, International University. Página visitada em 26/11/2010.

"Semiarians and Semiarianism" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 171

Antitrinitarismo Antitrinitarismo, conjuntos de doutrinas de origem cristã que, de uma forma ou de outra, negam a validade do dogma da Trindade, que afirma a existencia de três pessoas distintas no Deus cristão, geralmente por terem sua base na bíblica ou por serem adeptos à razão. As congregações religiosas antitrinitarias não são consideradas como cristãs pelo Conselho Mundial das Igrejas trinitaristas, âmbito de diálogo entre protestantes e ortodoxos e ao que a Igreja Católica comparece como observadora, pois o credo mínimo que esta formulou inclui a crença em Jesus como Senhor e Salvador compartilhado com o Pai e o Espírito Santo. São doutrinas antitrinitárias o arianismo, o modalismo, o monarquianismo, o patripassianismo, o servetismo, o socinianismo, as Testemunhas de Jeová e o unitarismo (denominação que pode englobar por extensão as anteriores), entre outras. Monarquianismo Monarquianismo, ou Monarquismo como é algumas vezes chamado, é uma série de crenças que enfatizam a Unidade Absoluta de Deus. A crença conflita com a doutrina da Trindade, que vê em Deus uma unidade composta pelo Pai, Filho e Espírito Santo. Os modelos propostos pelo monarquianismo foram rejeitados como heréticos pela Igreja Católica. O Monarquianismo por si mesmo não é uma doutrina completa, mas um gênero do qual decorrem algumas espécies doutrinárias teológicas. Há basicamente dois modelos, contraditórios:

O Modalismo, ou Sabelianismo considera que Deus seja uma pessoa, manifestando-se e operando em diferentes "modos", como Pai, Filho e Espírito Santo. O proponente desta visão foi Sabélio. A crença foi rotulada Patripassianismo por seus oponentes, por subentender que Deus, o Pai, teria sofrido na cruz. O Adocionismo entende que Deus é um ser, superior a tudo e completamente indivisível, defendendo a idéia de que o Filho não foi co-eterno com o Pai, mas que foi revestido de Deus (adotado) para os seus planos. Diferente versões do Adocionismo divergem quanto à hora da adoção por Deus, como a hora do seu batismo, ou de sua ascensão. Um antigo expoente desta crença foi Teodósio de Bizâncio.

De acordo com a Enciclopédia Católica, Natálio foi um patripassionista primitivo. Ele foi um Antipapa (bispo rival de Roma), logo antes do Anti-papa Hipólito. De acordo com Eusébio, citando o Pequeno Labirinto de Hipólito, depois daquele ser "flagelado toda a noite pelos anjos santos", vestiu-se de sacos, e "após alguma dificuldade", ele submeteu-se à autoridade do Papa Zeferino Outro defensor do Monarquianismo foi Paulo de Samosata, que todavia não se fixou entre nenhum dos dois modelos. História e Evolução Monarquianismo era um ‗levante‘ da cristandade contra a Trindade. O pensamento trinitário predominava, segundo os escritos dos Patriarcas da Igreja, entretanto o dogma da Trindade ainda não estava escriturado em um credo. O Monarquianismo defende a existência de um só Monarca WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 172

contra a divindade de Jesus, que segundo seus defensores não poderia ser também o Monarca. Inicialmente o monarquianismo foi contra a divindade de Jesus, entretanto surgiram monarquianos que aceitaram a divindade de Jesus, contudo não a divindade plena. O termo Monarquianismo foi inicialmente usado por Tertuliano quando os "defensores" de Deus (o Monarca) foram contra a unidade Trina (Pai, Filho e Espírito Santo). Eles aclamavam Monarchiam tenemus (temos monarquia). Considerando-se que o surgimento do termo deu-se com um escrito contra Praxeas, atribui-se a ele a introdução do monarquianismo em Roma. Contudo alguns acreditam que fora de Roma o pensamento era mais antigo por satisfazer o ebionismo. Dividia-se em monarquianismo dinâmico e o monarquianismo modalista. O modalista, no terceiro século tornou-se mais conhecido por sabelianismo, e concebia as três Pessoas da Trindade como os três modos pelos quais Deus se manifestava aos homens. Alguns afirmam que o ensino modalista teria sido levado para Roma e Cartago (África) por Noeto de Esmirna, dando origem ao patripassianismo que, querendo preservar a doutrina da salvação, chegou a promover a idéia de que o Pai é que teria morrido na cruz e não Jesus. O patripassianismo teria contribuído com o surgimento de um pensamento gnóstico que nada tinha com o modalismo. Os gnósticos teriam evoluído daí que Jesus sendo Deus, não poderia sofrer, portanto ali na cruz não se teria visto uma forma carnal e humana, contudo um ser espiritual. Era como se na cruz estivesse um fantasma de Deus, mas Deus não poderia sofrer ou morrer. Originalmente o modalismo teria surgido com o ensino do modalismo dual. Sabélio no século três evoluiu esse pensamento para o Espírito Santo, surgindo o modalismo trino, mas tal afirmação ainda aceita por muitos teólogos é controversa pela afirmação de Tertuliano contra Praxeas, no século dois, que disse: "Ele tinha expelido a profecia e introduzido a heresia, tinha exilado o Paracleto e crucificado o Pai". O modalismo é atribuído a Sabélio, porque o mesmo é que teria ‗desenvolvido‘, e não ‗criado‘, tal conceito trino. Seus ensinos se confundiam com a Trindade e muitos aderiram sem a negação do dogma. Sabelianismo tornou-se uma das mais conhecidas vertentes monarquianas. De Sabélio evoluiu a vertente para o monarquianismo moderno, devido a essa ambigüidade, onde os três modos que Deus se apresenta ao homem se confunde com o dogma da Trindade. Nessa vertente, numa tentativa de expurgar a idéia patripassianista, seus defensores aprimoraram o conceito. No caso o Pai não teria morrido na cruz, mas Jesus teria morrido na cruz, e Jesus seria o Pai quando na posição de monarca, e seria o Espírito quando se manifesta invisivelmente ao homem de hoje. Caminhando em sentido inverso, a explicação monarquiana moderna procede de Jesus. Jesus seria a encarnação de Deus, ou a manifestação de Deus. Jesus, ao se despir a corrupção da carne, resplandece a visão de quem ele realmente é: o próprio Deus. A grosso modo, essa idéia unicista (unicidade), quando posta no papel, é muito parecido com o dogma trinitário. A diferença é que os mesmos salientam em dizer que não são pessoas distintas. Os monarquianos da atualidade não aceitam de um modo geral serem denominados unitários, pois o termo tornou-se uma forma pejorativa de sincretismo religioso, assim os monarquianos modernos excluem-se das igrejas estabelecidas em qualquer variação histórica, seja Católica Romana, Católica Ortodoxa, ou Gnóstica. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 173

O monarquianismo dinâmico estava alinhado com o ebionismo, e mantinha a unidade de Deus. Criam que Jesus fora tomado pelo Logos de Deus, e merecedor de honras divinas, contudo inferior a Deus. Seu fundador, Teódoto de Bizâncio, erudito de cultura grega, foi excomungado em 190 d.C. Asclepiódoto e Teódoto o jovem, seus discípulos, nomearam um bispo chamado Natal, que fora o primeiro anti-papa, contudo, arrependido, retornara à igreja Romana. A derivação mais conhecida do monarquianismo dinâmico foi o adocionismo, onde Jesus teria sido adotado por Deus quando o Espírito de Deus sobre ele desceu na forma de uma "pomba" do céu, no batismo de João. Nesse momento teria se tornado o Cristo e fora revestido de poder (dynamis) para seu ministério, mas não era ainda inteiramente Deus, passando a ser com a ressurreição. Era uma tentativa de explicar as naturezas divina e humana de Cristo e sua relação entre si. Adocionismo Adocionismo, também chamado de adocianismo, é uma visão teológica do Cristianismo Primitivo, que professa que Jesus nasceu humano, tornando-se posteriormente divino por ocasião do seu batismo, ponto em que foi adotado como filho de Deus. Esta é uma das duas manifestações do monarquianismo; a outra é o modalismo, que trata o "Pai" e o "Filho" como dois modos do mesmo sujeito. O adocionismo entende que Cristo, como Deus, foi feito Filho de Deus pela geração e pela natureza, mas Cristo, como homem, é o Filho de Deus apenas pela adoção e graça, dispensada no momento de seu batismo. O adocionismo é próprio do pensamento cristão primitivo. Havia, ao menor, duas concepções mais ou menos semelhantes (não necessariamente opostas) as quais devem emanar do seguinte:

No pensamento judeu, o Messias é um ser humano eleito por Deus para levar adiante sua obra: tomar os hebreus (um povo até então derrotado várias vezes por inimigos poderosos) e elevá-los por sobre todas as nações em uma espetacular inversão da história. Neste sentido, o Messias não é um Filho de Dues. Na tradição grega existiam heróis elevados à condição divina depois de extraordinárias proezas ou façanhas, por meio da apoteose. O mais importante exemplo disto é Heracles, que depois de ser queimado vivo, é tomado por seu pai, Zeus, para governar ao seu lado. Devido ao predomínio do Império Romano, cuja orientação cultural era predominantemente grega na época dos primeiros cristão, é altamente provável que este exemplo estivera ao seu alcance.

Ao mesmo tempo, o adocionismo era psicologicamente interessante para os mesmos cristãos, já que estes eram uma comunidade pobre e atrasada, sendo fácil identificar-se com um herói como Jesus, ser humano qualquer que é eleito ("adotado") por Deus, e que dava esperanças de salvação aos próprios cristãos, tão humildes diante de Deus quanto seu herói máximo. Um dos adocionistas mais famosos foram Teódoto o Curtidor, habitante de Bizâncio, que levou a pregação desta doutrina a Roma no ano de 190. ambém durante o século II, Paulo de Samosata e os seguidores do Monarquianismo expressaram visões semelhantes. A crença foi declarada herética pelo Papa Vítor I. Uma segunda onda do adocionismo, chamada Hispanicus error, no final do século VIII, foi sustentada pelo Califato de Córdova e por Félix, bispo de Urgel, nas planícies dos Pirineus; Alcuin, WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 174

líder intelectual da corte de Charlemagne foi chamado a refutar ambos os bispos. Contra Félix, ele escreveu: "Como o Nestorianismo impiedosamente dividiu Cristo em duas pessoas por causa das duas naturezas, o vosso desconhecimento temerariamente dividiu-O em dois filhos, um natural e um adotivo". O monge espanhol Beato de Liébana, junto o bispo de Osma, Etério, combateram o adocionismo, altamente defendido por Elipando. O credo foi condenado pelo segundo concílio ecumênico de Nicéia (em 787). Nos anos 794 e 799, os papas Adriano I e Leão III, condenaram o adocionismo como heresia nos sínodos de Frankfurt e Roma, respectivamente. Uma terceira onda se deu com o "Neo-adocionismo" de Abelardo, no século XII. Posteriormente, vários modificaram as teses adocionistas no século XIV. Duns Scotus (1300) e Durandus de SaintPourçain (1320) admitiram o termo Filius adoptivus, num sentido qualificado. Em mais recentes tempos, o Jesuíta Vasquez e os luternos G. Calixtus e Walch, defenderam os adocionistas como essencialmente ortodoxos. Sabelianismo No cristianismo, sabelianismo (também conhecido como modalismo, monarquianismo modalista ou monarquianismo modal) é a crença não-trinitária de que o Deus Pai, Deus Filho e o Espírito Santo são diferentes "modos" ou "aspectos" de um Deus único percebido pelo crente ao invés de três pessoas distintas de Deus. O termo sabelianismo deriva de Sabélio, um padre e teólogo do século III d.C. e defensor da tese. Ele foi um discípulo de Noeto, motivo pelo qual os seguidores desta crença são chamados nas fontes patrísticas de Noecianos. Já Tertuliano batizou-a de Patripassianismo. Significado e origens O sabelianismo histórico ensinava que Deus Pai era a única existência verdadeira de Deus, uma crença conhecida como Monarquianismo. Um autor descreveu o ensinamento de Sabélio assim: A verdadeira questão, portanto, se torna esta, o que constitui o que chamamos de 'pessoa' na Divindade? É original, substancial, essencial à própria divindade? Ou é parte dos desenvolvimentos e formas de aparecer que a Divindade criou para si para suas criaturas? A primeira opção, Sabélio negava. Esta última ele admitia completamente.[1] Os modalistas afirmam que o único número atribuído a Deus na Bíblia é "Um" e que não existe nenhuma trindade inerente atribuída a Deus explicitamente nas Escrituras [2]. O número três nunca é mencionado na Bíblia com relação a Deus, e as duas únicas exceções possíveis são Mateus 28:1620 (chamado de "Grande Comissão), 2 Coríntios 13:14 e o Comma Johanneum, que muitos consideram como uma passagem espúria interpoolada em 1 João 5:7, conhecida principalmente pela tradução do rei James e em algumas versões do Textus Receptus e que não é incluída na maior parte das versões críticas modernas[3]. Eles acreditavam que Deus teria três "faces" ou "máscaras" (em grego: πρόζωπα - prosopa; latim personae)[4]. Já os trinitários acreditam que os três membros da Trindade estavam presentes como seres aparentemente distintos no batismo de Jesus e acreditam que há outras evidências nas escrituras para a crença trinitária (veja Trinitarismo). WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 175

Modalismo tem sido principalmente associado com Sabélio, que ensinava uma forma dele em Roma no século III d.C. como um discípulo de Noeto e Práxeas[5]. Hipólito de Roma conheceu Sabélio pessoalmente e o mencionou na Philosophumena e sabia que Sabélio não gostava da teologia trinitária, mas ainda assim atribuiu a heresia à Calisto e Noeto, mas não a Sabélio, que ele diz ter sido pervertido[6]. O sabelianismo foi adotado pelos cristãos da Cirenaica, a quem Demétrio, Patriarca de Alexandria escreveu cartas argumentando contra a crença [carece de fontes?] . Acredita-se também que o termo grego homoousia ou "consubstancial", que era o favorito de Atanásio de Alexandria na controvérsia ariana, foi de fato um termo proposto por Sabélio e, por isso, era utilizado com ressalvas pelos seguidores de Atanásio. A objeção ao termo era a de que ele não existe nas escrituras e tem uma "tendência sabeliana" [7]. Derivação da filosofia grega O Monarquianismo modal originou-se da influência filosofia grega pagã, incluindo as teses de Euclides e Aristóteles[8], que baseavam a sua lógica no Monismo e nos argumentos aristotélicos sobre o conceito da energeia (energia) chamada metafísica[9]. Como o conceito que a ontologia (também chamada de metafísica) podia ser reduzida ou para uma única substância detectável (chamada de teoria da substância) ou um único ser (o conceito do Absoluto)[10], a lógica aristotélica foi a forma com que, ontologicamente (via metafísica)[nota a], o filósofo helênico (pagão) Aristóteles pôde racionalizar para desconstruir a consciência humana, sua existência e o próprio ser para conseguir representar o seu ponto de vista da Mônade ou "unicidade" (unidade de todas as coisas), como unidade ou unicidade na "ideia" de Deus e a substância de Deus (ousia) como essência ou categoria universal acima do ser finito[11]. Modalismo é a ideia de Deus como esta única substância ou ser chamado em grego de ousia (São João Damasceno dá a seguinte definição do valor conceitual dos dois termos em sua dialética: Ousia é a coisa que existe por si própria e que não precisa de mais nada para sua consistência. Novamente, ousia é tudo que 'subsiste' por si e que não tem sua existência em outra coisa.)[4]:pg. 5155 . Esta ousia que então emana sequencialmente várias realidades infinitas (hypostasis) e nãocriadas. Sabélio foi um dos primeiros teólogos cristãos que aplicou este raciocínio metafísico pagão (lógica aristotélica) no Cristianismo. Ele tentou reduzir cada uma das hipóstases de Deus a simples "modos" da essência de Deus [4]:pg. 44-67, uma única essência ou ousia, removendo assim qualquer distinção entre as existências de deus e a essência de Deus[4]:pg. 44-67. Posteriormente, estas realidades foram novamente representadas pelos filósofos não cristãos após o aparecimento do Cristianismo, como o neo-platonismo que as representou como se amalgamando e fundindo uma na outra. Para Plotino, a Mônade ou Um (o dynamus, dunamis, potencial, potentia) e o Díade (criador, energeia, ato) ambos emanam a Tríade, Trindade (Espírito ou Anima Mundi). Plotino então reconciliando Aristóteles e Platão em suas obras, as Enéadas. Plotino ensina ainda que a energia ou ato tem que ter força ou potencial para emanar[12] (dunamis ou potential definido como uma vitalidade indeterminada de acordo com A. H. Armstrong[13]). Estas realidades se fundem em um mundo material (cosmos) ou Universo. Assim, Tomás de Aquino, em seu "Cinco Provas da Existência de Deus", inicia sua prova a partir de raciocínios de filósofos pagãos sobre a existência de um deus criador (demiurgo)[14] WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 176

Críticas históricas ao Sabelianismo As nossas principais fontes para o monarquianismo inicial do tipo modal são Tertuliano (Adversus Praxean), Hipólito de Roma (Contra Noetum - fragmento) e a Philosophumena. Contra Noetum e a perdida Syntagma foram usadas por Epifânio de Salamina (Haer. 57 "Noecianos"), mas as fontes dele para o capítulo 62 (Sabelianos) são menos claras[15]. O maior crítico do sabelianismo foi Tertuliano, que o chamou de "Patripassianismo" em Adversus Praxeas (cap. I), das palavras latinas pater ("pai") e passio do verbo "sofrer", pois o movimento pregava que Deus Pai teria sofrido na cruz. É importante notar que as nossas únicas fontes que sobreviveram sobre o sabelianismo são de autoria de seus detratores. Acadêmicos hoje em dia não concordam sobre o quê exatamente Sabélio e Práxeas ensinaram. É fácil supor que Tertuliano e Hipólito tenham exagerado ou interpretado maliciosamente as opiniões de seus adversários[15]. Tertuliano parece afirmar que a maioria dos crentes naquele tempo favoreciam o ponto de vista sabeliano da unicidade de Deus[16]. Epifânio de Salamina (Adv Haeres 62), por volta de 375, relata que os aderentes do sabelianismo ainda podem ser encontrados em grande quantidade, tanto na Mesopotâmia e em Roma[1]. O primeiro Primeiro Concílio de Constantinopla (381), no cânone VII, e o Terceiro Concílio de Constantinopla (680), no cânone XCV, declararam que o batismo de Sabélio era inválido, o que indica que a crença ainda existia na época[1]. Outras

Em 225, Hipólito de Roma citou-os sob o nome de "Noecianos" em sua obra Refutação de todas as heresias: E alguns deles concordam com a heresia dos Noecianos e afirma que o próprio Pai é o Filho e que Ele é que foi gerado e sofreu e morreu. Sobre estes, eu voltarei para oferecer uma explicação de maneira mais exata, pois esta heresia deles já deu motivo para muitas maldades.[17]. Dionísio de Roma escreveu uma obra chamada "Contra os Sabelianos", na qual ele afirma:"Na verdade seria justo lutar contra aqueles que, ao dividir e rasgar a monarquia, que é o mais augusto dos anúncios da Igreja de Deus em, como se fossem três poderes e distintas substâncias (hipóstases) e três divindades, destruindo-a. Pois eu ouvi que alguns que pregam e ensinam a palavra de Deus entre vocês professam esta opinião, que de fato é, por assim dizer, diametralmente oposta à opinião de Sabélio. Pois ele blasfema ao dizer que o próprio Filho é o Pai e vice-versa."[18] Tertuliano também escreveu uma obra inteira contra os sabelianos, chamada "Contra Práxeas", onde ele defende ferozmente o trinitarismo, contrapondo suas ideias às de Práxeas, a quem ele faz a seguinte afirmação: "Não, mas você de fato blasfema, pois você alega não somente que o Pai morreu, msa que Ele morreu a morte na cruz. Pois amaldiçoados são os que são enforcados numa árvore - uma maldição que, seguindo a Lei, é compatível com o Filho (no sentido de que Cristo foi feito uma maldição para nós, mas certamente não o Pai); mas como, porém, você converte Cristo no Pai, você também é culpado de blasfêmia contra o Pai."[19]

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Influências Tanto Michael Servetus quanto Emanuel Swedenborg tem sido interpretados como sendo proponentes do modalismo. Ambos descreveram deus como sendo "Uma Pessoa Divina", Jesus Cristo, que tem uma "Alma Divina de Amor", "Mente Divina de Verdade" e "Corpo Divino de Atividade". Jesus, por um processo de união de sua forma humana com o Divino, se tornou inteiramente um com sua alma divina do Pai a ponto de não haver mais distinção de personalidade[20]. Pentecostais do Nome de Jesus Os Pentecostais do Nome de Jesus ensinam que o Pai (um ser divino) está unido com Jesus (um homem) como o Filho de Deus. Porém, há diferenças significativas com o modalismo sabeliano, pois eles rejeitam o sequencialismo modal e aceitam completamente a crença de que a humanidade do Filho foi criada (e não é eterna), que foi o homem Jesus que nasceu, foi crucificado e ressuscitou. Esta denominação cristã acredita portanto que Jesus foi "Filho" apenas quando se tornou humano na terra, mas que era o Pai antes de ser feito homem. Eles se referem ao Pai como "Espírito" e ao Filho como "Carne". Mas eles acreditam que Jesus e o Pai era essencialmente uma pessoa operando como diferentes "manifestações". Eles rejeitam ainda a doutrina da Trindade como sendo "pagã" e não prescrita na Bíblia e acreditam na "doutrina do Nome de Jesus" no que diz respeito aos batismos. Eles são frequentemente referidos como "modalistas" ou "sabelianos" ou "Só Jesus". Porém, não é certo que Sabélio tenha ensinado um modalismo dispensacional ou ensinado o que hoje é a doutrina do Pentecostalismo do Nome de Jesus uma vez que todas as suas obras se perderam. Referências 1. ↑ a b c Views of Sabellius (em inglês). The Biblical Repository and Classical Review, American Biblical Repository. Página visitada em 12/02/2011. 2. ↑ MOSS, C. B. The Christian Faith: An Introduction to Dogmatic Theology (em inglês). Londres: The Chaucer Press, 1943. 3. ↑ Veja por exemplo METZGER, Bruce M. A Textual Commentary on the Greek New Testament [TCGNT], 2nd Edition (em inglês). Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 1994. 647-649 p. 4. ↑ a b c d Vladimir Lossky. [1] The Mystical Theology of the Eastern Church] (em inglês). [S.l.]: SVS Press, 1997. ISBN 0-913836-31-1:pg. 51-55. Também editora James Clarke & Co Ltd (1991), ISBN 0-227-67919-9. 5. ↑ LATOURETTE, Kenneth S. A History of Christianity: Revised Edition: Beginnings to 1500 (em inglês). [S.l.]: HarperCollins, 1975. 144-146 p. vol. Volume I. ISBN 0060649526, 9780060649524 6. ↑ Hipólito de Roma. Refutação de todas as heresias: Conduct of Callistus and Zephyrinus in the Matter of Noetianism; Avowed Opinion of Zephyrinus Concerning Jesus Christ; Disapproval of Hippolytus; As a Contemporaneous Event, Hippolytus Competent to Explain It. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 6, vol. IX. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 178

7. ↑ John Henry Cardinal Newmann. Select Treatises of St. Athanasius: In Controversy With the Arians (em inglês). [S.l.]: Longmans, Green, and Co., 1911. rodapé, p. 124 p. 8. ↑ Hipólito afirma que eles discutiram as escrituras de forma silogística. Euclides, Aristóteles e Teofrasto tinham a admiração deles, sendo que Galeno era por eles adorado. "Monarchians" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público. 9. ↑ HASTINGS, James. Encyclopedia of Religion and Ethics (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 14, 535 p. ISBN 978-0-7661-3690-8 10. ↑ Aristotle's Logic (em inglês). Stanford Encyclopedia of Philosophy. Página visitada em 12/02/2011. 11. ↑ BRADSHAW, David. Aristotle East and West (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press, 2004. Capítulo: Epilogue, 263-277 p. ISBN 978-0-521-82865-9 12. ↑ HANCOCK, Curtis L. Negative Theology in Gnosticism and Neoplatonism (em inglês). [S.l.: s.n.]. 13. ↑ MANCHESTER, Peter. The Noetic Triad in Plotinus, Marius Victorinus, and Augustine (em inglês). [S.l.: s.n.]. 14. ↑ Tomás de Aquino. Razões na Prova da Existência de Deus: Deus e suas criaturas (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 13,, onde ele diz "Nós iremos colocar priemiro as razões pelas quais Aristóteles procede em sua prova da existência de Deus pelas considerações que se seguem.". 15. ↑ a b "Monarchians" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público. 16. ↑ Tertuliano. Contra Práxeas: Sundry Popular Fears and Prejudices. The Doctrine of the Trinity in Unity Rescued from These Misapprehensions (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 3, 17. ↑ Hipólito de Roma. Refutação de todas as heresias: The Montanists; Priscilla and Maximilla Their Prophetesses; Some of Them Noetians. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 12, vol. VIII. 18. ↑ Dionísio de Roma. Contra os Sabelianos (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: I.1, 19. ↑ Tertuliano. Contra Práxeas: It Was Christ that Died. The Father is Incapable of Suffering Either Solely or with Another. Blasphemous Conclusions Spring from Praxeas' Premises. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 29, vol. I. 20. ↑ DIBB, Andrew M.T. Servetus, Swedenborg and the Nature of God (em inglês). Lanham, Maryland: University Press of America Inc, 2005. Unitarismo O unitarismo (ou unitarianismo) é uma corrente de pensamento teológico que afirma a unidade absoluta de Deus. Há dois ramos principais do unitarismo, os Unitários Bíblicos que consideram a Bíblia como única regra de fé e prática, assemelhando as demais religiões cristãs evangélicas, exceto, claro, pela concepção unitária de Deus, e os Unitários Universalistas, surgido recentemente nos Estados Unidos, que pregam a liberdade de cada ser humano para buscar a sua própria Verdade e a necessidade de cada um buscar o crescimento espiritual sem a necessidade de religiões, dogmas e doutrinas. Os unitários não devem ser confundidos com os unicistas. Os primeiros entendem que Deus é um e único, o Pai de Jesus Cristo [1].Já os Unicistas entendem que o Pai, o Filho e o Espírito são apenas manifestações diferentes do mesmo Deus.[2] WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 179

Apesar de sua origem em igrejas Cristãs, é geralmente identificado com as correntes de combate ao Trinitarianismo, teve diversas manifestações ao longo da História, com apoio por vezes parcial ou total com outros movimentos que compartilham seu comum desacordo com o dogma da Trindade, como o subordinacionismo, o arianismo, o serventismo ou o socianismo. Desde o século XIX, uma ala do unitarismo contemporâneo, conhecido atualmente nos Estados Unidos como unitarismo universalista, deixou de impor credos ou de fazer provas de doutrina como critério de participação, enquanto a ala mais antiga, conhecido como unitarismo bíblico ou restauracionista procura seguir os preceitos cristãos conforme ensinados na Bíblia Sagrada. História Antecedentes: O debate cristológico dos primeiros séculos e a controvérsia ariana Dado que a palavra e o conceito de Trindade, tal como se entende no sentido cristão, não constam no Novo Testamento, os unitários argumentam que o unitarismo teria seu início com o próprio Jesus, que, defendem, tinha consciência de ser simplesmente um homem enviado de Deus ao Mundo para transmitir Sua vontate, sem, todavia, ser divino, nem compartilhando da natureza do Pai. Ao longo dos três primeiros séculos do cristianismo aparecem diversos autores que afirmam a natureza "mais que humana" de Cristo e atribuem-lhe um caráter divino, ou semidivino, como filho de Deus. Os subordinacionistas afirmavam que o Filho estava subordinado ao Pai e submetido a sua vontade (essa era a linha era defendida por praticamente todos os primeiros cristãos),enquanto que outros pensadores cristãos começavam a trabalhar com a idéia do caráter divino de Jesus Cristo e sua identificação com a Divindade. Em outro extremo se situavam os que identificavam totalmente o Pai ao Filho, entendendo que o Pai também havia sofrido e morto na cruz (patripassianismo) e que Pai, Filho e Espírito Santo, não eram mais que modalidades ou manifestações de uma única realidade divina (Sabelianismo ou modalismo). O primeiro a utilizar a palavra "Trindade" foi Tertuliano. Ao chegar o século IV e o Edito de Milão, todas estas discussões teológicas vieram definitivamente à tona e começou-se a defendê-las adversamente. Constituíram-se dois grandes grupos: os que afirmavam que o Filho havia sido criado por Deus no princípio, e que, portanto, não podia identificar-se com Ele, que se agruparam ao redor de Ario e de Eusébio de Nicomédia, e os que afirmavam que o Filho era consubstancial (homoousios) com o Pai, liderados pelo Bispo Alexandre de Alexandria e especialmente por seu sucessor, São Atanásio. No Concílio de Nicéia (325) se aprovou oficialmente o dogma da Trindade e se condenou o arianismo como herético; uma decisão que, com os distintos caminhos dos anos seguintes, acabaria sendo confirmada pelo Concílio de Constantinopla (381). Não obstante, o Arianismo perduraria pelos reinos Godos que ocuparam o Império Romano do Ocidente, em meados do século VI. Miguel Servet e as primeiras igrejas unitárias Ao iniciar-se a Reforma Protestante no século XVI, numerosos intelectuais começaram a publicar seus próprios pontos de vista acerca da doutrina cristã, sem esperar o beneplácito de Roma, dentro do espírito protestante de livre exame da Bíblia. Um destes foi Miguel Servet, médico e teólogo espanhol. Em seus livros De Trinitatis Erroribus (1531), Dialogorum de Trinitate (1532) e Christianismi Restitutio' (1553), questionou a base bíblica e racional da doutrina trinitária. Suas opiniões heterodoxas e sua liberdade de espírito, fizeram-no ser perseguido como herege pela WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 180

Inquisição. Em Genebra foi preso pelos seguidores de Calvino e condenado a morrer na fogueira por negar a Trindade e condenar o batismo infantil (27 de outubro de 1553); Servet influenciou vários de seus contemporâneos. O estudioso lituano Piotr de Goniadz admitiu a validade de seus argumentos e convenceu uma parte da nascente Igreja Calvinista da Polônia, que formou a chamada Igreja Reformada Menor, mais conhecida como Irmãos Poloneses sobre os postulador antitrinitários. De outra parte, o reformado liberal Sebastião Castellio reprovou duramente Calvino sua intolerância e seus fanatismo e proclamou a liberdade de consciência em assuntos de fé, um princípio que logo foi postulado pela tradição Unitária. Alguns anos depois, o reformador humanista italiano Fausto Socini (1539-1604) desenvolveu sua própria obra teológica, marcada pelo antitrinitarianismo e o uso da racionalidade. Para Sozzini, a religião evocava quesões que estavam "além da razão" (contra rationem), pelo que os credos deviam concordar com a razão humana. Sozzini encontrou refúgio na Polônia, onde foi recebido pelos Irmãos Poloneses, onde nunca chegou a ser membro oficial do grupo, por negar-se a ser batizado de novo. Na cidade de Racóvia, próximo à Cracóvia, os Irmãos Poloneses desenvolveram um grande centro de estudos que atraiu numerosos eruditos e intelectuais de diferentes países. Em 1605, um ano depois da morte de Sozzini, os sozzinianos da Igreja Menor publicaram o Catecismo Racoviano, resumo das doutrinas de seus mestre e que teve uma grande influência nos anos posteriores na Alemanha, nos Países Baixos e na Inglaterra. A Igreja Reformada Menor desapareceu em 1640 pela crescente intolerância na Polônia em decorrência do início da ContraReforma. Entretanto, o reformado húngaro Ferenc Dávid havia abandonado o Calvinismo para pregar o Cristianismo Unitário na Transilvânia (região que atualmente se encontra na Romênia), influenciado pelo médico italiano Giorgio Blandrata, seguidor das idéias de Servet. O rei João Sigmundo da Transilvânia aceitou o unitarismo e ditou o primeiro Edito de Tolerância religiosa da história moderna da Europa, em 1568, para permitir a livre prática religiosa em seu país, incluindo o Catolicismo. Este status especial perdurou, com dificuldades por conta da invasão da Transilvânia pela Áustria no século XVIII e o domínio mais ou menos efetivo do Império Austro-Húngaro e, posteriormente do Itália fascista, após a Primeira Guerra Mundial, hoje existe entre os magiares as Igreja Unitária Húngara e Igreja Unitária da Transilvânia na Romênia. O unitarismo na Inglaterra e nos Estados Unidos Na Inglaterra, o impulso religioso radical da Reforma premaneceu entre os Dissenters, nome que englobava às Igrejas Livre opostas à hegemonia da Igreja Anglicana. O pensador John Biddle foi muito influenciado pelo Socinianismo, e a filosofia de John Locke conjuntamente com os racionistas do Iluminismo ganharam muitos adeptos, tanto entre o clero anglicano quanto entre pensadores e cientistas ingleses da época. Por fim, o pastor anglicano Theophilus Lidsey fundou a primeira igreja unitária inglesa em Londres, com Joseph Priestley, cientista (descobriu o Oxigênio e outros gases) e político (apoiava abertamente a Revolução Francesa, o que lhe acarretou numerosas antipatias ao ponto de ter que emigrar para a América, após terem incendiado sua casa). Posteriormente, Priestley ajudou a fundar a primeira igreja unitária da Filadélfia, EUA, em 1796). Entre os protestantes puritanos que haviam emigrado às colônias da América do Norte, se produziu uma evolução similar à ocorrida na Inglaterra. Os pastores puritanos se cindiram em dois grupos, WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 181

um conservador e evangélico, de convicções calvinistas, e outros liberal, racionalista e de idéias arminianas e arianas. No princípio do século XIX, os pastores liberais das igrejas da Nova Inglaterra reconheciam como seu líder a William Ellery Channing de Boston, cidade que se converteu no núcleo do Unitarismo norte-americano, até o ponto que se dizia que a fé dos unitários se baseava na unidade de Deus, na humanidade de Jesus e na vizinhança de Boston. Os cristãos unitários dos países anglo-saxões, que eram de orientação principalmente ariana, acabaram negando não só ao dogma da Trindade, como afirmando que Jesus Cristo não fosse nada mais que um homem, ainda que vendo nele ao profeta que havia sido eleito por Deus para transmitir sua revelação aos homens, como provavam seus numerosos milagres. Os milagres de Jesus eram, pois, a demonstração empírica de sua eleição divina como Salvador. Os unitários rejeitavam as manifestações espiritualistas ou emocionais de fervor religioso do Grande Avivamento que estava produzindo-se nas igrejas ortodoxas do Puritanismo anglo-saxão. Muitos deístas, como Thomas Jefferson, se manifestaram favoráveis à doutrina. R.W. Emerson e o transcedentalismo Em 15 de julho de 1838, Ralph Waldo Emerson, que havia sido ministro Unitário em Boston, pronunciou um discurso (The Divinity School Address) na Universidade de Harvard com resultado decisivo para a história do unitarismo norte-americano. Influenciado pelo Romantismo alemão e o hinduísmo, Emerson propôs uma via intuitiva a Deus, baseada na capacidade inata da consciência individual, sem a necessidade de milagre, hierarquias religiosas ou mediações. Esta filosofia espiritual recebeu o nome de Transcedentalismo. Apesar da ideologia liberal de Harvard, o incidente foi considerado um escândalo, mas, muitos pastores e teólogo unitários, particularmente os mais jovens, descobriram na via transcedentalista de Emerson uma forma de superar a rigidez intelectual imperante no unitarismo e desenvolver uma fé individualista e renovadora, além dos limites da revelação bíblica. Theodore Parker foi o grande renovador do unitarismo norteamericano, seguindo as linhas definidas por Emerson. O principal defensor do Unitarismo tradicional de base bíblica foi Andrews Norton. A divisão entre transcedentalista e unitários bíblicos se manteve até finais do século XIX. O unitarismo universalista Em 1933 divulgou-se nos Estados Unidos um documento chamado Manifesto Humanista, subscrito por um grande número de cientistas e intelectuais, entre esses vários líderes Unitários, que significou o início de uma nova maneira de entender a religião do tipo naturalista em que conceitos como "Deus" ou "vida depois da morte biológica" deixavam de ser centrais. Segundo os humanistas, a religião devia deixar de especular sobre realidades metafísicas e concentrar-se exclusivamente na trasformação do mundo e no aperfeiçoamento moral do ser humano. O humanismo teve um impacto notável nas Igrejas Unitárias do âmbito anglo-saxão, chegando inclusiva a tornar-se a corrente majoritária do unitarismo norte-americano. Todavia, o unitarismo cristão de base bíblica e o panteísmo transcedentalista mantiveram-se coexistindo com a nova doutrina. Assim, desde meados do Século XX, o unitarismo norte-americano foi deixando de ser uma igreja exclusivamente cristã e protestante para converter-se progressivamente em uma igreja liberal sem credo e cada vez mais multiconfessional, o que alguns atualmente chamam de unitarismo universalista. Recentemente, esta tendência se incrementou com a existência nas Igrejas Unitárias anglo-saxãs de pessoas que, além de unitárias, definem-se também como judeus, budistas, neopagãos ou de outras religiões. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 182

Os unitários norte-americano de fundiram com a Igreja Universalista da América para fundar em 1961 a Associação Unitária Universalista, cuja sede central encontra-se em Boston. Unitarismo contemporâneo Em 1995 constituiu-se o Conselho Internacional de Unitarios e Universalistas (ICUU) para coordenar as diversas igrejas e associações Unitárias e Universalistas no Mundo. Atualmente, calcula-se que existem cerca de 800.000 unitários em 25 países do mundo, principalmente nos Estados Unidos, Romênia, Hungria, Canadá, Grã-Bretanha e Irlanda e minoritariamente em outros países. Dentro das comunidadades unitario-universalistas há unitários cristãos, universalistas trinitários e pessoas de outras convicções religiosas. Também existe grupos unitários cristãos que não são ligados à Associação Unitária-Universalista e suas congêneres nacionais. O modelo de organização das congregações unitárias é democrático e participativo, tendo como base a autonomia de cada grupo local. Os membros da congregação se reúnem periodicamente em assembleia para discutir os assuntos da comunidade e eleger os cargos eletivos. Esta forma de organização deriva de suas origens protestantes. As associações nacionais estão baseadas na união federal das congregações locais. Os dignitários nacionais são eleitos por procedimentos democráticos pelos delegados das congregações e são renovados periodicamente. O presidente da associação nacional de congregações (que em Transilvânia e Hungria tem hierarquia de bispo) não tem autoridade doutrinária e costuma ser mais bem uma figura representativa que atua como porta-voz da Igreja perante a sociedade e os meios de comunicação. Algumas Igreja Unitárias têm clero e outras não, conforme a tradição histórica de cada país. Nos países onde há ministros cada congregação é livre para decidir se quer uma gestão totalmente laica ou se deseja ter um ministro, durante quanto tempo e quando decide substituí-lo por outro. Podem ser ministros tanto homens como mulheres sem importar seu sexo, estado civil nem orientação sexual. O trabalho de um ministro se centra em dirigir os serviços religiosos e as cerimônias públicas, prestar assistência pastoral aos membros da congregação que solicitem sua ajuda e conselho, e periodicamente deve prestar contas de sua gestão ao comitê diretivo da congregação. Outros Não-Trinitários contemporâneos Outras igrejas cristãs, também têm uma teologia antitrinitária, sem conexão história direta com o unitarismo histórico. Entre essas se destacam as Testemunhas de Jeová, a Mensagem de William Branham, os Cristadelfianos e os Unitários Bíblicos. Estas igrejas combinas o rechaço da doutrina da Trindade (com distintas variantes), com uma interpretação rigorista e, em certos casos, fundamentalista dos textos bíblicos, o que as distingue muito claramente das Igrejas Unitárias, que sempre têm se inclinado ao liberalismo teológico. Outros grupos liberais de inspiração cristã, como a Igreja da Unidade e outras correntes do Novo Pensamento também mostram uma inclinação às idéias unitaristas.

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Rituais e celebrações das igrejas unitárias universalistas As igrejas Unitárias têm sua origem na Reforma Protestante, pelo que muitas de suas tradições e celebrações refletem este legado cultural. Sem embargo, uma das características principais desta tradição religiosa é sua enorme variedade e sua tendência a experiências e inovações. Serviços de culto Os serviços de culto normais ocorrem tradicionalmente no domingo de manhã. Habitualmente são encontros semanais ainda que os grupos menores possam optar por reunirem-se quinzenalmente ou mensalmente. É o momento em que toda a congregação se reúne para celebrar sua fé em comunidade. Os serviços costumam iniciar com uma peça musical enquanto os assistentes tomam assento e centram seus pensamentos no ato que vão compartilhar. Desde os anos 1960 do século passado é cada vez mais freqüente que o ministro ou um membro da congregação acenda uma chama num cálice ou taça enquanto recita umas palavras relativas à fé que compartilham todos os assistentes (que são geralmente distintos em cada sessão, sem seguir nenhuma norma fixa). O Cálice Aceso se converteu no símbolo de identificação compartilhado pela maioria dos grupos Unitários de todo o mundo e costuma ser utilizado também como logotipo em suas páginas Web e em suas publicações. Após a leitura das comunicações das distintas comissões, grupos de discussão e meditação, ou outras atividades de estudo, fraternidade e recreação vinculadas à vida cotidiana da congregação, o serviço de culto continua com a leitura de textos religiosos ou filosóficos. Também costuma haver cânticos (geralmente da tradição cristã protestante, ainda que cada vez se publiquem mais hinos exclusivamente unitaristas). Também se costuma realizar atos para os mais pequenos, que em seguida são conduzidos por seus monitores às salas de aula onde se dá formação religiosa para crianças e jovens. O núcleo da celebração é, habitualmente, o sermão ou exposição oral do ministro ou do líder laico que dirige o serviço religioso. Ocasionalmente, principalmente se a congregação é pouco numerosa, se abre um espaço para o debate entre os assistentes sobre as idéias apresentadas pelo ministro em seu sermão. Ritos e cerimônias Nas igrejas Unitárias celebram-se habitualmente cerimônias de dar nome ou bênção às crianças (não se pode falar propriamente de batismo), bodas e funerais. Estes atos não são restritos aos membros da congregação, podendo ser solicitados, também, por outras pessoas. Em sociedades multi-culturais como os Estados Unidos e o Canadá, são muitos os casais de duas tradições religiosas distintas que decidem casar-se em uma igreja Unitária devido ao seu caráter ecumênico e pluralista. As igrejas unitárias celebram, também, regularmente e com normalidade, uniões matrimoniais entre pessoas do mesmo sexo.

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Celebrações experimentais As congregações Unitárias mais inovadoras são propensas a organizar em certas ocasiões celebrações pouco ortodoxas, nas quais se pode utilizar teatro, dança e outras expressões artísticas em substituição ao sermão habitual. As igrejas Unitárias desenvolveram, também, rituais originais próprios, como a Comunhão das Flores, criada pelo pastor Norbert Čapek, da República Tcheca. Essas novidades nas celebrações são sinal da progressiva diferença entre as igrejas Unitárias, com relação aos ofícios religiosos, e outras confissões de origem protestante. Também é relativamente freqüente a celebração de festividades específicas de outras religiões, como a Hanukkah judía, ceremônias budistas, Shinto, etc. Nos Estados Unidos se percebe, também, uma influência crescente do neopaganismo e das religiões nativas americanas. Essa pluralidade se percebe de forma ambivalente, em ocasiões, como riqueza na diversidade e, em outras ocasiões, como desvirtuação das essências do unitarismo. Assim, apareceram recentemente grupos que discordam do excesso de pluralismo e sincretismo que percebem no unitarismo moderno, geralmente reivindicando um regresso às suas raízes cristãs. Um exemplo é a Conferência Unitária Americana (AUC). Subordicionalismo O subordicionalismo era a crença cristã primitiva de que Jesus Cristo era subordinado a Deus, o Pai. Esta ideia não é aceita hoje pelas igrejas ortodoxas, pois ela contraria a doutrina da trindade. Dogmas A subordinação de cristo ao Pai no novo testamento Existem vários versículos no Novo Testamento que dão a ideia de subordinação de Cristo ao Pai e de superiodade do Pai (1 Coríntios 11:3; 15:24, 27, 28, João 14:28) O ensino da subordinação dos Pais da Igreja Na verdade de um modo ou de outro todos os teólogos da primitiva igreja ensinavam que o filho era subordinadado ao Pai. Apologistas (os pais da igreja) como Justino, Irineu, Clemete de Alexandria e outros, consideravam Jesus como servo subordinado a Deus, o Pai. eles jamais ensinaram a crença em um Deus trino, porque essa doutrina ainda não existia na igreja cristã. Para eles Deus era só a pessoa do Pai. A Didaque A idéia de Jesus ser subordinado a Deus se encontra também na Didaque que é uma primitiva catequese cristã, nela Jesus é chamado de servo do Pai.

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Rejeição a doutrina da Subordinação Foi somente no Primeiro Concílio de Niceia (325 D.C) que a doutrina da subordinação de Cristo ao Pai que era defendida pelo padre Ário, foi rejeitada pela Igreja em favor da ideia da igualdade entre o Pai e o filho que daria origem a doutrina da trindade que se tornaria mais tarde doutrina ortodoxa. Hoje as ideias subordinacionalistas são encontradas em Igrejas Cristãs como as Testemunhas de Jeová, Cristadelfianos e pelos Unitarios Bíblicos. Cristadelfianos Cristadelfianos (do grego Christou Adelphoi, "Irmãos de Cristo"[1][2] constituem uma denominação cristã unitária que se desenvolveu no Reino Unido e América do Norte no século XIX. Existem aproximadamente 50.000[3] cristadelfianos em muitos países do mundo[4] quer em grupos quer isolados (120 países[5]). Estimativas dos centros principais de população cristadelfiana são como se segue: Reino Unido (18000),[6] Austrália (9987),[7] Malawi (7000), Moçambique (5300), Estados Unidos (6500),[8] Canadá (3375),[9] Nova Zelândia (1782),[10] Quénia (1700), Índia (1300) e Tanzânia (1000).[11] Isto coloca o número de cristadelfianos acima dos 55.000. Crenças Os cristadelfianos afirmam basear as suas crenças inteiramente na Bíblia e não aceitam outros textos como sendo inspirados por Deus. Acreditam que Deus é o criador de todas as coisas e o Pai dos verdadeiros crentes. Deus e Jesus Cristo não são um ser, mas dois. Entendem que o Espírito Santo não é uma pessoa, mas sim o poder de Deus usado na criação e para a salvação, tendo sido concedido a certos crentes, para propósitos específicos, em algumas épocas da história. Crêem que Jesus é o prometido Messias, no qual as profecias e promessas do Antigo Testamento (particularmente aquelas feitas a Abraão e David) são cumpridas. Encaram-no como Filho do Homem, pois herdou a natureza de sua mãe, e também Filho de Deus por virtude da sua concepção milagrosa pelo poder de Deus, conforme referido na Bíblia. Embora tentado, não cometeu pecados, tornando-se um perfeito sacrifício representativo para trazer salvação à humanidade pecadora. Conforme entendem da Bíblia, Deus ressuscitou Jesus à imortalidade, tendo ascendido ao céu, à morada de Deus. Os cristadelfianos acreditam que Jesus irá voltar à Terra, em pessoa, para estabelecer o Reino de Deus, cumprindo assim as promessas feitas a Abraão e ao Rei David. Crêem que esse Reino estará centrado em Israel, mas que Jesus reinará sobre todas as nações da Terra sendo Jerusalém a sua capital. Os cristadelfianos ensinam que alguém só pode tornar-se discípulo de Cristo por crer nos seus ensinos, por meio do arrependimento e através de imersão total em água. Para eles, o batismo não deve ser administrado a bebés mas apenas aos que têm idade suficiente para perceber as suas acções. Embora salvos pela fé na graça de Deus, a fé verdadeira manifestar-se-á em obras, e assim espera-se que os crentes vivam uma vida consistente com o ensino da Bíblia. Crêem que, depois da morte, os crentes estão num estado de não-existência (também chamado de sono da alma), não tendo conhecimento de nada até à Ressurreição, quando Jesus voltar. Depois do Julgamento, os que forem aceites recebem o dom da imortalidade, e vivem com Cristo na Terra restaurada, ajudando-o a estabelecer o Reino de Deus e a reinar sobre a população mortal durante WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 186

um período de mil anos, também conhecido por Milénio. Os cristadelfianos vêem o futuro Reino de Deus como o ponto fulcral do Evangelho ensinado por Jesus e pelos apóstolos. Apontam para as profecias da Bíblia que se cumpriram, particularmente aquelas relativas às nações, como prova de que se pode confiar nas Escrituras. Os cristadelfianos rejeitam um número de doutrinas tradicionalmente aceites pelas denominações Ortodoxas Cristãs, nomeadamente a imortalidade da alma, a Trindade, a preexistência de Cristo e a possessão dos dons do Espírito Santo nos nossos dias. Acreditam que, na Bíblia, onde aparecem as palavras "diabo" ou "Satanás", devem ser entendidas como o mal inerente na humanidade, ou pecado, e à inclinação dos seres humanos para desobedecerem ao Eterno Criador. Estes termos podem-se aplicar também a sistemas políticos ou a indivíduos em oposição ou conflito. O inferno é entendido como sendo simplesmente a sepultura para onde todos os homens vão, em vez de ser um lugar de tormento eterno. Os Cristadelfianos acreditam que as doutrinas que rejeitam foram introduzidas na Cristandade depois do primeiro século e que não podem ser demonstradas usando a Bíblia. Os cristadelfianos são objectores de consciência, mas não pacifistas. Abstêm-se do envolvimento na política, de prestar serviço militar, entrar nas forças policiais e outros grupos organizados, tais como sindicatos. Dão grande ênfase à leitura e estudo da Bíblia, à oração e à moralidade. A adoração da congregação, que geralmente acontece aos Domingos, centra-se na lembrança da morte e ressurreição de Jesus Cristo, sendo que os presentes partilham o pão e vinho. História Houve pequenos grupos de crentes ao longo dos séculos, particularmente desde a Reforma Protestante, que mantinham pontos de vista não ortodoxos. Grupos como os anabaptistas, valdenses, socinianos, racovianos e a Irmandade Polaca partilharam algumas ou até muitas crenças que vieram a ser mantidas pelos Cristadelfianos. Enumeram personalidades como Isaac Newton, Joseph Priestley, John Locke, William Tyndale como tendo tido crenças similares às dos actuais cristadelfianos acerca da unidade de Deus, mortalidade do homem e o papel dos Judeus no propósito de Deus. A partir de meados do Século XIX, surgiram grupos em muitas partes do Reino Unido e Estados Unidos da América que possuíam crenças similares às acima descritas e que mantinham alguma forma de relacionamento uns com os outros. De importância significativa foi a publicação em 1849 da obra de John Thomas, intitulada "Elpis Israel", onde expôs o seu entendimento das principais doutrinas da Bíblia. Até à Guerra Civil Americana, grupos associados com ele reuniam-se sob variados nomes, incluindo Crentes, Crentes Baptizados, a Real Associação de Crentes Baptizados, Crentes no Reino de Deus e Ântipas. Nessa altura, para se obter o estatuto de objector de consciência era necessário estar afiliado a uma igreja. Assim, em 1865, John Thomas para efeitos de registo escolheu o nome "Cristadelfiano". Este nome é derivado do Grego para "Irmãos em (ou de) Cristo". No Século XIX, as igrejas cristadelfianas cresceram rapidamente no Reino Unido, na América do Norte e através do mundo, nos locais onde se falava a língua inglesa. Desde os primeiros dias dos cristadelfianos, muitos têm lido a Bíblia por conta própria e então entram em contacto com os Cristadelfianos, juntando-se a eles. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 187

Cismas Os Cristadelfianos sofreram quatro divisões no início da sua história quando quatro grupos separam-se do corpo principal.

Em 1873 um certo número separou-se seguindo Edward Turney de Nottingham, e vieram a ser conhecidos como Irmandade dos Nazarenos. Após a morte de Turney, em 1879, a maioria de seus seguidores voltou para o grupo principal.[12] Entre 1884 e 1885 surgiu uma disputa acerca da inspiração da Bíblia. Robert Ashcroft, um membro de vulto, escreveu um artigo onde desafiava a crença acerca da inspiração divina das Escrituras. Na controvérsia que se seguiu, a eclésia de Birmingham desassociou-se de Ashcroft. Alguns membros, embora não concordassem com o ponto de vista de Ashcroft acerca da inspiração, não aprovaram a forma como a aquela eclésia lidou com a situação. Este grupo veio a abandonar a eclésia de Birmingham e formou uma nova que veio a tornarse conhecida como a eclésia de Suffolk Street. As eclésias espalhadas pelo mundo que os apoiaram tornaram-se conhecidas como a Irmandade de Suffolk Street. A terceira divisão ocorreu em 1898 e centrou-se na doutrina do julgamento. Debatia-se se o julgamento se limitava aos crentes baptizados ou se era aplicado a todos os que ouviram a mensagem do Evangelho. A maioria, que aceitava que todos os que ouviram a mensagem do Evangelho eram responsáveis perante o Julgamento, emendaram a Declaração de Fé. Os que não aceitaram a emenda tornaram-se conhecidos como a Irmandade não emendada, do inglês Unamended Fellowship. O grupo proveniente das Irmandade de Suffolk Street e Unamended, das quais se separaram, tornou-se conhecido como Irmandade Temperance Hall. A quarta divisão ocorreu em 1923, motivado por questões relacionadas com o serviço militar e outros assuntos. Isto resultou na formação da Irmandade Cristadelfiana de Beréia. Em 1942 este grupo dividiu-se posteriormente devido a debates relacionados com o divórcio e o casar novamente, sendo que a maioria tornou-se conhecida como Cristadelfianos da Aurora, do inglês Dawn Christadelphians.

Na década de 1950 ocorreu uma série de reuniões na América do Norte, Inglaterra e Austrália:
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Em 1952 a maioria dos Bereanos na América do Norte voltaram à Irmandade Temperance Hall, embora nem todos os Bereanos tenham concordado. Em 1957 na Grã-Bretanha, e 1958 na Austrália, houve mais um grupo que voltou, a Irmandade de Suffolk Street que, por essa altura, já tinha incorporado muitos membros da Irmandade não emendada existentes fora da América do Norte. Este grupo, que agora incluía a maioria dos Cristadelfianos, tornou-se conhecido como Irmandade Central, nome adotado por causa da eclésia de Birmingham, que se designava "Central". Alguns Cristadelfianos não aceitaram esta reunião já que continuavam a crer nas razões que tinham levado aos cismas. Estes vieram a formar a Irmandade dos Velhos Caminhos, do inglês Old Paths Fellowship.

Na Irmandade Central existe alguma diversidade no que diz respeito ao estilo de adoração, procedimentos e alguns pontos doutrinários, sendo que alguns sub-grupos não confraternizam com outros. Para alguns Cristadelfianos isto parece incorrecto e é visto como desunião, enquanto outros vêm esta diversidade como um ponto forte ou, pelo menos, um beneficio. No entanto, a maioria dos WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 188

Cristadelfianos afirmam que a Bíblia é o único padrão para a Verdade e assim, embora não em irmandade, aceitam que cada grupo individual actue segundo a sua consciência. Apesar de esforços periódicos para a união, a Irmandade Amended (tal como é conhecida a Irmandade Central nos Estados Unidos) e a Unamended da América do Norte ainda estão divididas. As Irmandades Beréia, Dawn e Old Paths também continuam a existir actualmente. Estimativas de números:
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Irmandade central = 55.000 (120 países)[13] Irmandade não emendada = 1.850 (sul e oeste do E.U.A.)[14] Igreja de Deus da fé de Abraão = 400 (Ohio, Flórida, E.U.A.)[15] Dawn (ou seja, Irmandade Aurora) = 670 (Reino Unido 200, África 200, Austrália 200, Canadá 50, Polónia e Rússia 20)[16] Old Paths (ou seja, Caminhos Antigos) = 400 (Reino Unido 250, Austrália e Nova Zelândia 150)[17] Irmandade Bereana = 330 (Texas, E.U.A. 200, Quênia 100, País de Gales 30)[18] Pioneiros-Maranatha = 40 (Austrália) Outros grupos muito pequenos = 150 ~ 200 total.[19]

Os Cristadelfianos de diferentes irmandades comunicam entre si sobre variados assuntos, usam algumas publicações uns dos outros e persistem continuadas tentativas para resolver as áreas em que então em desacordo. O nome Cristadelfianos é um título genérico descrevendo um grupo de pessoas que partilham origens similares, mas como a história revela, têm origens e percursos bem diferentes. Para mais informação acerca das irmandades, é recomendado aos leitores lerem as entradas relevantes na Wikipédia em Inglês. Organização Os cristadelfianos geralmente chamam às sua congregações "eclésias"(Salões alugados ou em casas particulares(como acontecia com os cristãos do primeiro século). Eclésias dizem vem directamente da palavra grega que é normalmente traduzida Igreja. Uma eclésia não é o edifício onde se congregam mas sim o conjunto dos crentes. Os Cristadelfianos resolveram usar a palavra Eclésia porque a palavra igreja veio a conotar um lugar físico e não os crentes ao contrário da palara quando usada no seu contexto Bíblico..) Não existe uma organização central ou hierarquia. As eclésias são autónomas até certo ponto e a cooperação entre elas é baseada numa comum aceitação da Declaração de Fé Emendada de Birmingham. A Irmandade Unamended usa a Declaração de Fé Não Emendada. Quem quer que seja que publicamente concorda com as doutrinas descritas nesta declaração e têm um bom relato da sua eclésia anterior é bem-vindo a participar nas actividades de qualquer outra eclésia dentro da própria irmandade. Os cristadelfianos não têm ministro pagos. A maioria dos membros masculinos podem ensinar e ter outras actividades normalmente distribuídas de forma rotativa, em vez de existir um pregador definido. O governo da eclésia tipicamente segue o modelo democrático, com um comité eleito para WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 189

cada eclésia. Este comité, não remunerado, coordena o funcionamento diário da eclésia e é responsável perante os membros da dela. Os cristadelfianos, baseados no seu entendimento da Bíblia, fazem distinção entre o papel dos membros masculinos e femininos. Na maioria das eclésias, as mulheres não podem ensinar nas reuniões formais quando membros masculinos estão presentes e não têm lugar nas reuniões do comité de gestão da eclésia. No entanto, elas participam nos outros comités da eclésia e em comités inter-eclésias, como por exemplo, no trabalho com os jovens, evangelismo e bem-estar dos membros. As mulheres participam também nos debates, no ensino de crianças, tocam instrumentos musicais, votam e discutem assuntos sobre negócios, pregam, ensinam os não crentes e participam na maioria das actividades. As eclésias cristadelfianas pregam activamente aos seus vizinhos e cooperam a nível regional, nacional, e internacional na pregação. A Missão Bíblica cristadelfiana (CBM) na Inglaterra apoia a pregação na Europa e África - incluindo Portugal e na África lusófona. A Missão Bíblica Cristadelfiana das Américas (CBMA), na Califórnia, apóia atividades na América Latina.[20] Existem também os comités responsáveis pelo trabalho com a juventude e Escola Dominical, problemas com o serviço militar, cuidados com os idosos e trabalho humanitário. Estes comités não tem qualquer autoridade legislativa e estão dependentes do apoio da eclésia. Eclésias de uma mesma área podem regularmente ter actividades em conjunto, combinando grupos de jovens, fraternização, pregação, e estudo bíblico. Alguns países têm escolas cristadelfianas, embora sejam mais populares na Austrália. Centros Cristadelfianos para cuidar de idosos existem em vários países, fundados pelos próprios residentes e pela comunidade Cristadelfiana. Existem variadas revistas Cristadelfianas para membros espalhados pelo mundo incluindo "The Christadelphian",[21] "The Testimony",[22] "The Tidings"[23] e "Glad Tidings".[24] Trabalho com os jovens Somente os membros baptizados, que se tratam por irmãos e irmãs, são considerados membros das Eclésias Cristadelfianas. Tanto nas reuniões de crentes ao Domingo como em outras actividades para todas as idades, os Cristadelfianos mostram interesse especial nos filhos dos membros. Em muitas igrejas existem escolas dominicais, nas quais os professores, de ambos os sexos, são membros baptizados. Escolas Dominicais geralmente têm lugar no salão da eclésia, quer durante quer depois do serviço principal de Domingo, apesaer de algumas serem realizadas apenas depois do serviço principal. Muitas eclésias têm reuniões de grupos de juventude, uma vez por semana à noite. No Reino Unido estes grupos são chamados de CYC‘s (Christadelphian Youth Circles), embora o nome não seja igual em todo o mundo. A maioria dos grupos de jovens devotam algum tempo ao estudo da Bíblia e o resto do tempo à recreação. Quando a distância não é muita os grupos de jovens com regularidade juntam-se para competir no desporto, charadas, adivinhas, entre outras actividades. Em alguns países as eclésias têm dias ou fins-de-semana especiais para a juventude. Nestes dias um membro baptizado dá várias exortações bíblicas, especialmente aos jovens que vêm de diferentes eclésias para estarem juntos. Os jovens costumam ficar hospedados nas casas dos membros baptizados da eclésia que os convidou. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 190

Férias de grupos de jovens e Escola Dominical e fins-de-semana de estudo bíblico são também populares, reunindo jovens Cristadelfianos de todo o país. A diferença entre um fim-de-semana da juventude e férias de grupo de jovens ou semana de estudo bíblico é que o primeiro geralmente tem lugar na eclésia que acolhe o acontecimento e os últimos têm lugar em qualquer parte. Existem também algumas revistas cristadelfianas para jovens, incluindo "Give and Take", para idades compreendidas entre os sete e os onze anos, "The Word" e "Faith Alive". Adoração Os cristadelfianos são uma denominação não-litúrgica. As eclésias Cristadelfianas são autónomas e livres para adoptarem qualquer tipo de estilo de adoração que escolherem. No entanto, há uma tendência para grande unidade em assuntos como a ordem do serviço e cânticos. Isto é sem dúvida resultado da influência de um livrinho de Robert Roberts que foi escrito no inicio da história dos Cristadelfianos chamado "Um Guia para a Formação e Conduta das eclésias cristadelfianas" (A Guide to the Formation and Conduct of Christadelphian Ecclesias), editado em 1883, comummente chamado "O Guia Eclesial" (The Ecclesial Guide) que, entre outras coisas, sugeriu uma ordem para o serviço nas reuniões da eclésia. Este modelo foi adoptado por muitas eclésias e ainda é o modelo prevalecente. A ordem de serviço sugerida no Guia Eclesial incluía quatro cânticos, Leitura da Bíblia, tanto do Antigo como do Novo Testamento, orações, uma exortação ou Sermão, o Partir do Pão (Ceia), bem como anúncios do bem estar dos membros e das actividades da eclésia. Este modelo de adoração parece ter sido influenciado em certa medida pelas tradições das denominações de onde o cristadelfianismo obteve os seus membros. A adoração Cristadelfiana é assim muito similar a dos presbiterianos, baptistas, congregacionais, metodistas, Discípulos de Cristo, bem como aos dos adeptos das Igrejas de Cristo. Hinários e outras manifestações artísticas Os hinários cristadelfianos fazem uso considerável dos hinários das tradições Anglicana e Protestante, o que explica que mesmo nas eclésias da América do Norte os hinários são tipicamente mais Britânicos que Americanos. Em muitos hinários, a grande maioria de hinos são tirados do Saltério, possivelmente reflectindo as raízes Presbiterianas de John Thomas e Robert Roberts. O primeiro livro de hinos foi publicado especificamente para uso dos "baptizados crentes no Reino de Deus", o nome original dos cristadelfianos, por George Dowie, em Edinburgo, em 1864. Cinco anos mais tarde Robert Roberts, também escocês, publicou uma colecção de salmos escoceses e hinos chamado "A Harpa Dourada". A revista "The Christadelphian" e Associação de Publicações (antigamente chamada de "O gabinete cristadelfiano") publicou livros de hinos em 1884, 1932, 1964 e 2000. Enquanto alguns hinos nestes livros foram escritos por cristadelfianos, a maioria dos hinos são da autoria de religiosos Protestantes incluindo Isaac Watts, Charles Wesley, William Cowper e John Newton. O autor cristadelfiano com mais hino publicados foi David Brown com seis hinos na edição de 1964. Algumas irmandades cristadelfianas publicaram os seus próprios livros de hinos, como por exemplo o "The Berean Christadelphian Hymn Book", e algumas ainda usam a edição de 1932. As eclésias que continuam a usar as edições antigas do Livro de Hinos Cristadelfianos fazem-no mais por motivos doutrinais do que devido ao estilo musical.

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Mais recentemente tem havido um movimento em alguns círculos cristadelfianos para formas de adoração mais contemporâneas. A publicação e uso generalizado de Praise the Lord, publicado por Hoddesdon Christadelphians, em 1993, permitiu aos cristadelfianos ter acesso fácil a cânticos e hinos contemporâneos que estão de acordo com a teologia cristadelfiana. Isto facilitou também o uso mais frequente de instrumentos musicais para além de pianos e órgãos, e o envolvimento de mais músicos, vocalistas e líderes de adoração na adoração congregacional. Algumas agrupamentos musicais, tal como a banda cristadelfiana de folk rock Fisher‘s Tale também surgiu em anos recentes. Na Austrália, a instituição "Christadelphian Arts Trust" foi estabelecida em 1995 com o propósito de apoiar artes visuais, dramática, musicais e de representação assim como conduzir seminários sobre adoração e autoria de canções. Referências 1. ↑ Ver Colossenses 1:2 - "irmãos em Cristo". 2. ↑ Bíblia Aberta. Os Cristadelfianos (Irmãos em Cristo), introdução (em inglês) - Carter, John (Maio 1955). "Our name". The Christadelphian 92:181. 3. ↑ (em inglês) - "Christadelphians", The Columbia Encyclopedia. Disponível online 4. ↑ (em inglês) - Ecclesias Around the World Christadelphia World Wide 5. ↑ (em inglês) - CBM Worldwide Guide 2006, Christadelphian Bible Mission(Reino Unido), 2006. 6. ↑ (em inglês) - UK Christian Handbook 2004, as quoted in 'Focus on Christadelphian Community', Multicultural Matters, Outubro de 2004 (Londres: Building Bridges, 2004). Disponível online 7. ↑ (em inglês) - Religious Affiliation—Australia: 2001 and 1996 Census 8. ↑ (em inglês) - 'Christadelphians', The Columbia Encyclopedia. Disponível online 9. ↑ (em inglês) - 'Christadelphians', The Canadian Encyclopedia. Available online 10. ↑ (em inglês) - 2006 Census figures from Zealand Statistics 11. ↑ As Estatísticas para Malawi, Mozambique, Quénia, e Tanzânia: (em inglês) Christadelphian Bible Mission (UK); estatísticas da Índia: (em inglês) - CBM Worldwide Guide 2007, Christadelphian Bible Mission (UK), 2007 12. ↑ Este grupo ficou à beira da extinção durante a maior parte de sua existência, mas o nome foi revivido várias vezes por indivíduos que deixaram o grupo principal.(em inglês) Introdução (acedido a 09-02-2008) 13. ↑ Simplesmente identificada pelo nome Cristadelfianos na maioria dos países do mundo. Algumas vezes conhecida na América do Norte como "Irmandade emendada". 14. ↑ Algumas secções deste grupo está actualmente procurando a unidade com o grupo principal. 15. ↑ Actualmente procurando a unidade com o grupo principal. (em inglês) http://cotbh.org/belief.php http://www.abrahamicfaithinniles.org/belief.php 16. ↑ Se separaram dos Bereanos em 1942, tomando uma posição muito rigorosa a respeito do divórcio e novo casamento. 17. ↑ Principalmente descendentes dos conservadores no grupo central que deixaram o grupo principal como um protesto contra as reuniões no Reino Unido e na Austrália em 1957. 18. ↑ Principalmente, descendentes dos conservadores na Irmandade emendada que que não aceitaram a reunião na América do Norte em 1952 19. ↑ Principalmente cismas entre os Bereanos, Irmandade Aurora, ou Caminhos Antigos: Companion = 40 (Austrália), Remnant = 30 (Londres, Reino Unido), Eclésia de Cristo = 20 WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 192

(Nottingham, Reino Unido). Também a Irmandade dos Nazarenos = 5 (Reino Unido 2, Austrália 3) 20. ↑ (em inglês)http://www.cbma.net/pages/activities.php 21. ↑ (em inglês) http://www.thechristadelphian.com 22. ↑ (em inglês)http://www.testimony-magazine.org/ 23. ↑ (em inglês) http://www.tidings.org 24. ↑ (em inglês) http://www.gladtidingsmagazine.com/ Bibliografia
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(em inglês) - Obras de John Thomas e de outros autores Cristadelfianos (em inglês) - Stephen Hill, The Life of Brother John Thomas – 1805 to 1871 (2006). (em inglês) - Peter Hemingray, John Thomas, His Friends and His Faith (2003: ISBN 817887-012-6). (em inglês) - Andrew R. Wilson, The History of the Christadelphians 1864-1885 The Emergence of a Denomination (Shalom Publications, 1997 ISBN 0-646-22355-0). (em inglês) - Charles H. Lippy, The Christadelphians in North America (Lewiston/Queenston: Edwin Mellen Press, 1989). (em inglês) - Harry Tennant, The Christadelphians: What they believe and preach (Birmingham, England: The Christadelphian, 1986 ISBN 0-85189-119-5). (em inglês) - Bryan R. Wilson, Sects and Society: A Sociological Study of the Elim Tabernacle, Christian Science and Christadelphians (London: Heinemann, 1961; Berkeley/Los Angeles: University of California Press, 1961). Os três (Deus Pai, Jesus Cristo e Espírito Santo) separados

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias também prega a separação de Deus que é pai, Jesus Cristo que é filho literal na carne e Espírito Santo que é o que testifica aos homens as coisas de Deus. Em consonância com a regra de fé (Primeira Regra de Fé) Joseph Smith Jr. o primeiro profeta da igreja teve uma visão em que viu Deus e Jesus Cristo lado a lado, no que é conhecido como a primeira visão. Existem outros que viram Deus e Jesus Cristo como seres separados, um exemplo bíblico é Estevão, no qual é dito (na tradução de João Ferreira de Almeida): "Mas ele, estando cheio de Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus; E disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus." (Atos 7:55-56) A Igreja da Unificação (Associação do Espírito Santo para a Unificação do Cristianismo Mundial) fundada pelo Reverendo Sun Myung Moon, também prega e crê na separação entre as pessoas de Deus, Jesus e o Espírito Santo. Segundo a Teologia Unificacionista, Deus, o Criador encerra em si mesmo as dualidades masculina e feminina, e que Jesus representa a masculinidade perfeita de Deus, enquanto que o Espírito Santo representa a femininidade perfeita de Deus. Se Jesus não tivesse sido rejeitado pelos seus contemporâneos, Ele constituiria a primeira família perfeita (livres do Pecado original), como Adão e eva restaurados e aperfeiçoados. Sua esposa seria a femininidade divina em substância assim como Ele é a masculinidade divina em substância refletindo a perfeita imagem de Deus na terra. Como ele morreu sem constituir uma família substancial, Jesus permaneceu como a substância da masculinidade divina em espírito somente e o Espírito Santo assumiu o papel da femininidade substancial em espírito somente, ficando a realização no plano WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 193

físico por conta da Segunda vinda do Cristo. Portanto para os unificacionistas, não é errado a crença de que Jesus é Deus e o Espírito Santo é Deus, ou que ambos são Deus, já que isto pode ser dito de um casal que substancialize as características duais de Deus de forma substancial aqui na terra (que era o ideal de Deus para com Adão e Eva). Por isto Jesus era chamado o último adão, e também Ele dizia que ele mesmo era Deus, ao mesmo tempo que O chamava de Pai. Controvérsia ariana A Controvérsia ariana é um termo que agrupa um conjunto de controvérsias relacionadas ao Arianismo que dividiram a Igreja cristã desde um pouco antes do Concílio de Niceia até depois do Primeiro Concílio de Constantinopla em 381 dC. A mais importante destas controvérsias tem a ver com a relação entre Deus Pai e Deus Filho.

História Primórdios em Alexandria A história inicial da controvérsia ariana pode ser recontada com base em aproximadamente 35 documentos encontrados em diversas fontes. O historiador Sócrates Escolástico conta que Ário iniciou a controvérsia sob o Patriarca de Alexandria Áquila de Alexandria, quando ele fez o seguinte silogismo: “ "Se o Pai gerou o Filho, ele que foi criado teve um início na sua existência. Daí é evidente que houve um tempo em que o Filho não existia. Segue necessariamente que sua substância veio do nada — Ário, Disputa com Alexandre de Alexandria O bispo Alexandre de Alexandria foi criticado por sua reação lenta contra Ário. Como seu predecessor, Dionísio de Alexandria, ele foi acusado de vacilar neste assunto. A questão que Ário levantou havia sido deixada em aberto duas gerações antes. Portanto, Alexandre permitiu que a controvérsia continuasse até que ele achou que ela tinha se tornado um perigo para a paz na Igreja. Ele convocou um concílio de bispos e procurou aconselhar-se com eles. Uma vez que eles decidiram contra Ário, Alexandre não demorou mais e depôs Ário de sua função e o excomungou, assim como a seus seguidores. O conflito entre as duas facções iniciou abruptamente quando Alexandre declarou a unidade da Trindade em um dos seus sermões. Ário respondeu imediatamente rotulando a afirmação de Alexandre de sabelianista, que já havia sido rejeitado naquele tempo. A controvérsia rapidamente escalou e Ário conseguiu aumentar constantemente o apoio para as suas posições, conseguindo o apoio de diversos diáconos e de pelo menos um presbítero. Ário continuou então a atrair ainda mais atenção e apoio, a ponto de Alexandre ter sido obrigado a convocar duas assembléias separadas de WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 194

seus padres e diáconos para discutir o assunto. Nenhuma delas, porém, chegou à alguma conclusão ou ajudou a limitar a propagação das ideias de Ário[1]. Alexandre então convocou um sínodo da Igreja de Alexandria e da província vizinha de Mareótis em 320 dC, com a única intenção de decidir que ação seria tomada sobre o assunto cada vez mais complicado. No sínodo, trinta e seis presbíteros e quarenta e quatro diáconos - incluindo Atanásio concordaram em emitir uma crítica ao arianismo e assinar um documento formalizando-a. Ário continuou tendo sucesso em propagar a sua nova crença em outros lugares, principalmente Mareótis e na Líbia, onde Ário convenceu os bispos Segundo de Ptolemaida e Tomé de Marmarica a se juntarem a ele. O sucesso de Ário em dividir os líderes da igreja tornou a possibilidade de um cisma formal uma realidade[1]. Em 321 dC, Alexandre convocou um concílio geral de toda a igreja do país (Concílio de Alexandria). O concílio reuniu menos de cem participantes. Nele, Ário continuou a argumentar suas posições iniciais, de que o Filho não poderia ser co-eterno com o Pai, chegando a afirmar que o Filho não era similar ao Pai em substância. Esta última afirmação foi recebida com horror pela assembléia do concílio, que colocou Ário sob anátema até que ele se retratasse de suas posições[1]. Ário partiu para a Palestina, onde ele recebou apoio de um grande número de bispos, que expressaram sua opinião sobre o assunto à Alexandre. Um destes, Eusébio de Nicomedia, tinha conexões muito próximas com a corte imperial em Bizâncio e ajudou a propagar as ideias de Ário para ainda mais longe. O crescimento amplo deste movimento e a reação a ele da igreja estabelecida, levaram próprio imperador a escrever uma carta às partes envolvidas clamando pelo retorno à unidade na igreja e o fim desta amarga disputa sobre o que ele chamou de argumentos mesquinhos sobre minúcias ininteligíveis[1]. Os seguidores de Ário em Alexandria passaram então a se dedicar à violência em defesa de suas crenças, o que estimulou Alexandre a escrever uma encíclica à todos os bispos do Cristianismo, na qual ele relatou a história do arianismo e sua opinião sobre as falhas no sistema ariano. Ao fazê-lo, ele foi obrigado a indicar-lhes as ações de Eusébio de Nicomedia, que tinha convocado um concílio provincial da igreja da Bitínia para discutir Ário. Este corpo reviu as ações de Alexandre e de seus antecessores e, baseados nesta revisão, formalmente admitiram Ário na comunidade cristã siríaca. Outras personalidades, incluindo Paulino de Tiro, Eusébio de Cesareia e Patrófilo de Citópolis também indicaram seu apoio à Ário, permitindo a seus seguidores se juntarem para o Ofício Divino da mesma forma que tinham feito antes em Alexandria[1]. Acredita-se que Ário tenha escrito sua Thalia por volta desta época, o que ajudou a angariar ainda mais apoio para sua causa. Este livro, combinado com as outras obras de Ário e as obras de Alexandre em oposição, exacerbaram a disputa entre os que apoiavam e os que criticavam Ário. Nesta atmosfera, aconselhado por Atanásio, Alexandre escreveu uma confissão de fé em defesa de sua própria posição. Ele enviou este tomo para todos os bispos do Cristianismo pedindo-lhes que endossassem a sua posição colocando a sua assinatura nas cópias. Ele recebeu de volta 250 assinaturas de sua obra, incluindo umas cem de sua própria diocese, além de 42 da Ásia, 37 da Panfília, 32 da Lícia, 15 da Capadócia e várias outras. Ele também mantinha correspondência com Alexandre de Constantinopla, protestando contra a violência dos arianos e contra a promulgação das visões de Ário sobre a influências das mulheres e muitos outros assuntos do arianismo.

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A disputa sobre o arianismos tinha se tornado um problema que já ameaçava danificar a paz e unidade da igreja e do império. Constantino, agora o único reclamante ao trono após a exececução de Licínio, escreveu uma carta "para Atanásio e Ário". Constantino escreveu da Nicomedia, de modo que alguns concluíram que Eusébio de Nicomedia, bispo da Nicomedia e apoiador de Ário, possa ter sido envolvido na composição da carta. Ela foi passada à Hósio de Córdoba, um respeitado e idoso bispo, para que fosse entregue aos competidores em Alexandria. Na carta, Constantino exige que Alexandre e Ário terminem sua disputa[1]. Logo após ter recebido a mensagem de Constantino, Alexandre convocou outro concílio geral de sua diocese, que parece ser confirmado sua concordância com a profissão de fé que Alexandre tinha circulado como sendo um acordo sobre o uso do termo teológico "consubstancialidade". Ele também reafirmou a excomunhão de Ário e dos seguidores de Melécio, o quê, é claro, enfureceu os arianos de Alexandria ainda mais. Ário pessoalmente reclamou ao imperador sobre o tratamento que Alexandre havia lhe dado. Na sua resposta, Constantino conclamou Ário a se defender perante um concílio ecumênico da Igreja que seria realizado em Niceia, na Bitínia, em 14 de junho de 325, o primeiro deste tipo na história[1]. O Concílio de Niceia (325 dC) Ariminum, Selêucia and Constantinopla (358-360 dC) Em 358 dC, o imperador Constâncio II solicitou dois concílios, um dos bispos ocidentais em Ariminum e um dos orientais em Nicomédia[2][3]. Em 359 dC, o concílio ocidental se reuniu em Ariminum. Ursácio de Sindidunum e Valente de Mursa declararam que o Filho era como o Pai "de acordo com as Escrituras", seguindo um novo credo (Homoios - homoiano) esboçado em Sirmium (em 359 dC). Muitos dos mais ativos apoiadores do credo de Niceia deixaram o concílio, que acabou adotando o novo credo, inclusive com o apoio de alguns que antes defendiam o antigo [2][3]. Após o concílio, o Papa Libério condenou o credo de Rimini ao mesmo tempo que o seu riva, o Antipapa Félix II o apoiou[4]. Um terremoto atingiu a Nicomédia, matando o bispo Cecrópio de Nicomédia e, em 359 dC, o concílio oriental acabou mudando a sede e acabou se realizando em Selêucia. O concílio estava profundamente dividido, não tinha procedimentos regulares e os dois partidos acabaram se reunindo separadamente e chegando a decisões opostas. Basílio de Ancira e seu partido declararam que o Filho era de substância similar à substância do Pai, seguindo o credo de Antioquia de 341 dC (Homoiousia - homoiousiano) e depôs o partido opositor. Acácio de Cesareia declarou que o Filho era como o Pai, introduzindo um novo credo (Homoios - homoiano)[4][5] Dada a indefinição, Constâncio solicitou um terceiro concílio, em Constantinopla (359 dC), reunindo tanto os bispos ocidentais quanto os orientais, para resolver a divisão criada em Selêucia. Acácio desta vez declarou que o Filho seria igual ao Pai "de acordo com as Escrituras". Basílio de Ancira, Eustátio de Sebaste e seu partido declararam novamente que o Filho era de substância similar à do Pai, como na decisão majoritária de Selêucia. Máris de Calcedônia, Eudóxio de Antioquia e os diáconos Aécio e Eunômio declararam que o Filho era de uma substância diferente da do Pai (Anomoios - credo anomoeano ou heteroousiano)[6][7]. Os heteroousianos derrotaram os homoiousianos num debate inicial, mas Constâncio baniu Aécio[6]. Depois disso, o concílio, incluindo Máris e Eudóxio[7] concordaram como o credo homoiano de Ariminum com mínimas modificações[6][7]. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 196

Após o Concílio de Constantinopla (360), o bispo homoiano Acácio de Cesareia depôs e baniu diversos bispos homoiousianos, incluindo Macedônio I de Constantinopla, Basílio, Eustátio, Elêusio de Cízico, Dracôntio de Pérgamo, Neonas de Selêucia, Sofrônio de Pompeiópolis, Elpídio de Satala e Cirilo de Jerusalém[8][9]. Ao mesmo tempo, Acácio também depôs e baniu o diácono anomoeano Aécio [8]. Em 360 dC, Acácio indicou Eudóxio de Antioquia para substituir Macedônio e Atanásio de Ancira para o lugar de Basílio, assim como Onésimo de Nicomédia para o lugar de Cecrópio, que tinha morrido no terremoto[8]. A controvérsia na década de 360 Em 361 dC, Constâncio morreu e Juliano, o Apóstata se tornou o único imperador romano. Ele logo demandou que diversos templos pagãos que os cristãos tinham se apoderado ou destruído fossem restaurados[10]. De acordo com Filostórgio, os pagãos mataram Jorge de Laodiceia, bispo de Alexandria, permitindo que Atanásio de Alexandria retornasse para a sé episcopal[11]. O Concílio de Constantinopla de 381 dC Concílios envolvidos Partidos Homoousianos - os que prevaleceram Os homoousianos ensianvam que o Filho é da mesma substância que o Pai, ou seja, ambos são nãocriados. A forma sabeliana foi condenada já no século III dC. A forma atanasiana foi declarada ortodoxa no Concílio de Constantinopla de 383 dC e se tornou a base do trinitarismo moderno[12]. Os principais aderentes eram:
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[20] Alexandre de Alexandria, bispo de  Papa Júlio I, bispo de Roma (337-352) . [13] [21] Alexandria (313-326).  Asclepas, bispo de Gaza . Ósio de Córdoba, bispo de Córdoba (?-  Lúcio de Adrianopla, bispo de Adrianopla (359).[14] (?-351).[22]. Eusébio de Cesareia, bispo de Cesareia  Máximo II de Jerusalém, bispo de (ca. 313-339).[15] Jerusalém (333-350)[23]. Eustátio de Antioquia, (possivelmente  Paulino, bispo de Treveris, que apoiou sabeliano) bispo de Antioquia (ca. 325Atanásio em Milão[17]. [16] 330) .  Dionísio de Alba, bispo de Alba, que Dionísio de Alba, bispo de Alba, que apoiou Atanásio em Milão[17]. [17] apoiou Atanásio em Milão  Eusébio de Vercelli, bispo de Vercelli Ciro de Beroe, (possivelmente sabeliano) (340-371), que apoiou Atanásio em bispo de Beroe (atual Stara Zagora)[16]. Milão[17]. Atanásio de Alexandria, bispo de  Angelius, (Novaciano) bispo de Alexandria (326-373), futuro rival dos Contantinopla.[24] arianos Gregório da Capadócia e Jorge de Laodiceia).[18] Paulo I de Constantinopla, bispo de Constantinopla (336-351), futuro rival de WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 197

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Eusébio de Nicomédia e de Macedônio I de Constantinopla[19]. Marcelo de Ancira e Fotino de Sirmium De acordo com o historiador Sócrates Escolástico, Marcelo de Ancira e Fotino de Sirmium ensinaram "que Cristo era apenas um homem."[25]. Seus oponentes associaram os ensinamentos de Marcelo de Ancira e de Fotino de Sirmium com os de Sabélio e Paulo de Samósata, que já tinham sido amplamente rejeitados antes da controvérsia[26].
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Marcelo, bispo de Ancira (?-336 e ca. 343-c. 374) e crítico de Astério, o Sofista[27]. Fotino, bispo de Sirmium (?-351) e, no exílio, (351-376). De acordo com Sócrates e Sozomeno, Fotino foi um seguidor de Marcelo[28] Em 336 dC, um julgamento eclesiástico em Constantinopla depôs Marcelo e condenou suas doutrinas[29]. Papa Júlio I apoiou Marcelo e apelou por sua restauração[20]. Em 342 ou 343 dC, o majoritariamente ocidental Concílio de Sardica restaurou Marcelo ao mesmo tempo que o majoritariamente oriental Concílio de Filipópolis manteve sua deposição[30]. Sob pressão de seu co-imperador Constante, Constâncio II inicialmente apoiou a decisão de Sardica. Porém, após a morte de Constante, ele reverteu sua decisão[31]. Em 351 dC, um julgamento eclesiástico no Concílio de Sirmium depôs Fotino e condenou seus ensinamentos[32]. Homoiousianos

A escola homoiousiana ensinava que o Filho era de uma substância similar à do Pai [33][34]. Os principais expoentes desta corrente eram:
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Basílio de Ancira, bispo de Ancira (336-360)[35][36]. Macedônio I de Constantinopla, bispo de Constantinopla (342-346 e 351-360)[37][38]. Jorge de Laodiceia, bispo de Alexandria (356-361, rival de Atanásio de Alexandria)[35][39]. Eudóxio de Antioquia, bispo de Germanícia (?-358), Antioquia (358-359), e Constantinopla (360-370), que apoiou o Macrostich)[40][41]. Eustátio de Sebaste, bispo de Sebaste[35][42]. Sabino de Heracleia, bispo de Heracleia[43].

Homoianos Os homoianos ensinavam que o Filho era similar ao Pai, tanto "em todas as coisas" ou "de acordo com as escrituras", sem se jamais se referir à substância[34]. Diversos membros de outras escolas, como Ósio de Córdoba e Aécio, também aceitavam a fórmula homoiana[44]. Esta fórmula foi rascunhada no Concílio de Sirmium e efetivamente proposta no Concílio de Ariminum, ambos em 359 dC[1]. Os principais expoentes deste partido foram:

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Ursácio de Singidunum, inicialmente um homoiousiano e posteriormente um homoousiano e, finalmente, um homoiano, bispo de Singidunum (atual Belgrado), que foi um oponente de Atanásio[45]. Valente de Mursa, inicialmente um homoiousiano, depois um homoousiano e finalmente um homoiano bispo de Mursa, também oponente de Atanásio[45]. Germínio de Sirmium[3]. Auxêncio de Milão (m. 374), bispo de Mediolanum[3]. Demófilo de Constantinopla, bispo de Berae (?-370) e Constantinopla (370-380)[3][46]. Acácio de Cesareia, bispo de Cesareia (340-366).[47].

Heteroousianos Os heteroousianos ensinavam que o Filho é de uma substância diferente do Pai, ou seja, criado. Ário ensinava assim no início da controvérsia e Aécio ensinaria a forma final do Anomoeanismo[48][49]
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Ário, presbítero em Alexandria.[50][51]. Eusébio de Nicomedia, um dos mais fervorosos seguidores de Ário, morto no auge de seu poder em 342 dC. Teófilo, o indiano, que posteriormente apoiou Aécio[52][53]. Aécio de Antioquia, que fundou a tradição anomoeanista , posteriormente bispo (361?).[54][55]. Eunômio de Cízico, bispo (anomoeano) de Cízico (360-361) e bispo exilado (361c. 393).[55][56]. Teódolo, bispo (anomoeano) de Chaeretapa (? - ca. 363) e da Palestina (ca. 363-c. 379)[4][53][57]. Paemênio, bispo (anomoeano) de Constantinopla, (ca. 363 - ?, contemporâneo de Eudóxio de [53] Antioquia .

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Cândido, bispo (anomoeano) da Lídia, (ca. 363 - ?)[53]. Arriano, bispo (anomoeano) de Jonia, (ca. 363-?)[53]. Florêncio, bispo (anomoeano) de Constantinopla, (c. 363 - ?, contemporâneo de Eudóxio de [53] Antioquia) . Talus, bispo (anomoeano) de Lesbos, (ca. 363 - ?, contemporâneo de Eudóxio de Antioquia)[53]. Eufrônio, bispo (anomoeano) da Galácia, do Mar Negro e da Capadócia, (ca. 363 ?)[53]. Juliano, bispo (anomoeano) da Cilícia, (ca. 363 - ?)[53]. Serras, Estevão e Heliodoro, bispos (anomoeanos) do Egito, (ca. 363 - ?)[53]. Filostórgio, historiador.

Referências 1. ↑ a b c d e f g h ATIYA, Aziz S.. The Coptic Encyclopedia (em inglês). New York: Macmillan Publishing Company, 1991. ISBN 0-02-897025-X 2. ↑ a b Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Bishops assembled at Antioch, on the Refusal of Eusebius of Emisa to accept the Bishopric of Alexandria, ordain Gregory, and change the Language of the Nicene Creed. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 10, vol. II. 3. ↑ a b c d e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Synod at Ariminum, and the Creed there published. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 37, vol. II. 4. ↑ a b c Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Acacius, Bishop of Cæsarea, dictates a new Form of Creed in the Synod at Seleucia. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 40, vol. II. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 199

5. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 11, vol. IV. 6. ↑ a b c Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 12, vol. IV. e Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 1, vol. V. 7. ↑ a b c Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: On the Emperor's Return from the West, the Acacians assemble at Constantinople, and confirm the Creed of Ariminum, after making Some Additions to it. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 41, vol. II. 8. ↑ a b c Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 1, vol. V. 9. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: On the Deposition of Macedonius, Eudoxius obtains the Bishopric of Constantinople. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 42, vol. II. 10. ↑ CHADWICK, Henry. History of the Early Church (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 9, 11. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 2, vol. VII. 12. ↑ LOHSE, Bernhard. A Short History of Christian Doctrine (em inglês). [S.l.: s.n.]. 56-59 & 63 p. e Peter Heather & John Matthews. Goths in the Fourth Century (em inglês). [S.l.: s.n.]. 127-128 p.. 13. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Dispute of Arius with Alexander, his Bishop & Division begins in the Church from this Controversy; and Alexander Bishop of Alexandria excommunicates Arius and his Adherents. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 5&6, vol. I. 14. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Emperor Constantine being grieved at the Disturbance of the Churches, sends Hosius the Spaniard to Alexandria, exhorting the Bishop and Ariusto Reconciliation and Unity. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 7, vol. I. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of Hosius, Bishop of Cordova. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 31, vol. II.. 15. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Defense of Eusebius Pamphilus. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 31, vol. II. 16. ↑ a b Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Presbyter who exerted himself for the Recall of Arius. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 25, vol. I.. 17. ↑ a b c d Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Synod at Milan. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 36, vol. II.. 18. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Diversos (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 23, 27-32 & 34-35, vol. I. 19. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Diversos (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 67, 12 & 16, vol. II. 20. ↑ a b Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Athanasius and Paul going to Rome, and having obtained Letters from Bishop Julius, recover their respective Dioceses. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 15, vol. II. 21. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Constantius, being Afraid of his Brother's Threats, recalls Athanasius by Letter, and sends him to Alexandria. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 23, vol. II. 22. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Constantius, being Afraid of his Brother's Threats, recalls Athanasius by Letter, and sends him to Alexandria. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 23, vol. II. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: After the Death of Constans, the Western Emperor, Paul and Athanasius are again ejected from their Sees: the Former on his Way into Exile is slain; but the Latter escapes by Flight. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 26, vol. II. 23. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Athanasius, passing through Jerusalem on his Return to Alexandria, is received into Communion by Maximus: and a Synod of Bishops, convened in that City, confirms the Nicene Creed. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 24, WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 200

vol. II. & Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Cruelty of Macedonius, and Tumults raised by him. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 38, vol. II. 24. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Cruelty of Macedonius, and Tumults raised by him. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 38, vol. II. 25. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of Marcellus Bishop of Ancyra, and Asterius the Sophist. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 36, vol. I. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Emperor of the West requests his Brother to send him Three Persons who could give an Account of the Deposition of Athanasius and Paul. Those who are sent publish Another Form of the Creed. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 18, vol. II.. No livro I, capítulo 36 de sua História Eclesiástica, Sócrates afirma que Marcelo "ousou afirmar, como os discípulos de Paulo de Samósata fizeram, que Cristo era apenas um homem" e no livro 2, capítulo 18, diz que "Fotino afirmou que o Filho de Deus era apenas um homem". 26. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of Marcellus Bishop of Ancyra, and Asterius the Sophist. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 36, vol. I. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Heresiarch Photinus. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 29, vol. II. 27. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of Marcellus Bishop of Ancyra, and Asterius the Sophist. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 36, vol. I. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Council at Sardica. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 20, vol. II. 28. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Emperor of the West requests his Brother to send him Three Persons who could give an Account of the Deposition of Athanasius and Paul. Those who are sent publish Another Form of the Creed. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 18, vol. II. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Heresiarch Photinus. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 29, vol. II. Sozomeno. História Eclesiástica: Photinus, Bishop of Sirmium. His Heresy, and the Council convened at Sirmium in Opposition thereto. The Three Formularies of Faith. This Agitator of Empty Ideas was refuted by Basil of Ancyra. After his Deposition Photinus, although solicited, declined Reconciliation. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 6, vol. IV. 29. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of Marcellus Bishop of Ancyra, and Asterius the Sophist. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 36, vol. I. e Sozomeno. História Eclesiástica: Marcellus Bishop of Ancyra; his Heresy and Deposition. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 33, vol. II. 30. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Council at Sardica. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 20, vol. II., Sozomeno. História Eclesiástica: The Long Formulary and the Enactments issued by the Synod of Sardica. Julius, Bishop of Rome, and Hosius, the Spanish Bishop, deposed by the Bishops of the East, because they held Communion with Athanasius and the Rest. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 11, vol. III. e Sozomeno. História Eclesiástica: The Bishops of the Party of Julius and Hosius held another Session and deposed the Eastern High Priests, and also made a Formulary of Faith. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 12, vol. III. 31. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Constantius, being Afraid of his Brother's Threats, recalls Athanasius by Letter, and sends him to Alexandria. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 23, vol. II. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: After the Death of Constans, the Western Emperor, Paul and Athanasius are again ejected from their Sees: the Former on his Way into Exile is slain; but the Latter escapes by Flight. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 26, vol. II. Sozomeno. História Eclesiástica: Constantius again ejects Athanasius, and banishes those who represented the Homoousian Doctrine. Death of Paul, Bishop of Constantinople. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 201

Macedonius: his Second Usurpation of the See, and his Evil Deeds. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 2, vol. IV. 32. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Heresiarch Photinus. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 29, vol. II. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Creeds published at Sirmium in Presence of the Emperor Constantius. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 30, vol. II. Sozomeno. História Eclesiástica: Photinus, Bishop of Sirmium. His Heresy, and the Council convened at Sirmium in Opposition thereto. The Three Formularies of Faith. This Agitator of Empty Ideas was refuted by Basil of Ancyra. After his Deposition Photinus, although solicited, declined Reconciliation. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 6, vol. IV. 33. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 9, vol. IV. 34. ↑ a b Peter Heather & John Matthews. Goths in the Fourth Century. [S.l.: s.n.]. 128 p., que lida principalmente com a controvérsia posterior. 35. ↑ a b c Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 17, vol. VIII. 36. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of Marcellus Bishop of Ancyra, and Asterius the Sophist. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 36, vol. I. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: On the Deposition of Macedonius, Eudoxius obtains the Bishopric of Constantinople. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 42, vol. II. 37. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 9, vol. IV. e Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 17, vol. VIII. 38. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 16, 27, 38 & 42, vol. II. 39. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Synod held at Antioch, which deposed Eustathius, Bishop of Antioch, on whose account a Sedition broke out and almost ruined the City. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 24, vol. I. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Funeral of the Emperor Constantine. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 40, vol. I. 40. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 4 & 12, vol. II. 41. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 19, 37 & 40, vol. II. 42. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Heresy of Macedonius. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 45, vol. II. 43. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Synod which was held at Nicæa in Bithynia, and the Creed there put forth. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 8, vol. I. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Athanasius and Paul going to Rome, and having obtained Letters from Bishop Julius, recover their respective Dioceses. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 15, vol. II.. 44. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 3, vol. IV. para Ósio; Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 8, vol. IV. para Aécio. 45. ↑ a b Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Arius having returned to Alexandria with the Emperor's Consent, and not being received by Athanasius, the Partisans of Eusebius bring Many Charges against Athanasius before the Emperor. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 27, vol. I. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 12 & 37, vol. I. 46. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 19, vol. IX. 47. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 4, 39 & 40, vol. II. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 202

48. ↑ Filostórgio, em Fócio, Epítome da História Eclesiástica de Filostórgia, livro 3, capítulo 5; livro 4, capítulo 12 e livro 6, capítulo 5 se referem à "substância diferente"; livro 4, capítulo 12 se refere à "substâncias dissimilares" e livro 4, capítulos 4 & 12 e livro 5, capítulo 1 se referem à "diferentes em substância" ou "diferenças na substância." 49. ↑ Peter Heather & John Matthews. Goths in the Fourth Century (em inglês). [S.l.: s.n.]. 127128 p.. Este último discute principalmente a parte final da controvérsia e menciona apenas o Anomoeanismo, sem utilizar o termo Heteroousiano. 50. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Dispute of Arius with Alexander, his Bishop. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 5, vol. I. 51. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Division begins in the Church from this Controversy; and Alexander Bishop of Alexandria excommunicates Arius and his Adherents. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 6, vol. I. 52. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 5, vol. 3. 53. ↑ a b c d e f g h i j Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 2, vol. VIII. 54. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 6, vol. 7. 55. ↑ a b Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of Aëtius the Syrian, Teacher of Eunomius. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 35, vol. II. 56. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 3, vol. 5. e Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 1-3, vol. 6. 57. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 18, vol. 9. Ligações externas

Documentos do início da controvérsia ariana (em inglês). fourthcentury.com. Página visitada em 18/10/2010..

Notas 1. ↑ The Arian Controversy in 2. ↑ Nele se afirmava que o Verbo era o verdadeiro Deus, consubstancial ao Pai, possuindo em comum com Ele a natureza divina e as mesmas perfeições. 3. ↑ Despertai! 8 de fevereiro de 1985, página 17 Bibliografia

SPINELLI, Miguel. Helenização e Recriação de Sentidos. A Filosofia na Época da Expansão do Cristianismo – Séculos II, III e IV. Porto Alegre: Edipucrs, 2002 pp. 237 a 292 Docetismo

Docetismo (do grego δοκέω [dokeō], "para parecer") é o nome dado a uma doutrina cristã do século II, considerada herética pela Igreja primitiva. Antecedente do Gnosticismo, defendia que o corpo de Jesus Cristo era uma ilusão, e que sua crucificação teria sido apenas aparente. Não existiam "docetas" enquanto seita ou religião específica, mas como uma corrente de pensamento que atravessou diversos estratos da Igreja. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 203

Esta doutrina é refutada pela Igreja Católica e pelos protestantes com base no Evangelho de São João, onde no primeiro capítulo se afirma que "o Verbo se fez carne". Autores cristãos posteriores, como Inácio de Antioquia e Ireneu de Lião deram os contributos teológicos mais importantes para a erradicação deste pensamento, em especial o último que, na sua obra Adversus Haereses defendeu as ideias principais que contrariavam o docetismo, ou seja, a teologia do Cristocentrismo, a recapitulação em Cristo do Homem caído em pecado e a união entre a Criação, o pecado e a Redenção. A origem do docetismo é geralmente atribuída a correntes gnósticas para quem o mundo material era mau e corrompido e que tentavam aliar, de forma racional, a Revelação disposta nas escrituras à filosofia grega. Esta doutrina viria a ser condenada como heresia no Concílio Ecumênico de Calcedônia. Bibliografia

PINHO, Arnaldo de. Docetismo in Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira da Cultura, Edição Século XXI, Volume IX, Editorial Verbo, Braga, Abril de 1999. Gnosticismo

Gnosticismo [1] - (do grego Γνωζηικιζμóς (gnostikismós); de Γνωζις (gnosis): 'conhecimento') é um conjunto de correntes filosófico-religiosas sincréticas que chegaram a mimetizar-se com o cristianismo nos primeiros séculos de nossa era, vindo a ser declarado como um pensamento herético após uma etapa em que conheceu prestígio entre os intelectuais cristãos.[2] De fato, pode falar-se em um gnosticismo pagão e em um gnosticismo cristão, ainda que o pensamento gnóstico mais significativo tenha sido alcançado como uma vertente heterodoxa do cristianismo primitivo. Alguns autores fazem uma distinção entre "Gnosis" e "gnosticismo". A gnose é, sem dúvida, uma experiência baseada não em conceitos e preceitos, mas na sensibilidade do coração. Gnosticismo, por outro lado, é a visão de mundo baseada na experiência de Gnose, que tem por origem etimológica o termo grego gnosis, que significa "conhecimento". Mas não um conhecimento racional, científico, filosófico, teórico e empírico (a "episteme" dos gregos), mas de caráter intuitivo e transcendental; Sabedoria. É usada para designar um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem, que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o encontro do homem com sua essência eterna, centelha divina, maravilhosa e crística, pela via do coração. É uma realidade vivente sempre ativa, que apenas é compreendida quando experimentada e vivenciada. Assim sendo jamais pode ser assimilada de forma abstrata, intelectual e discursiva. O movimento originou-se provavelmente na Ásia Menor, difundindo-se da região do Irã à Gália, exercendo a sua maior influência sobre o cristianismo entre os anos de 135 e 200. Tem como base elementos das filosofias pagãs que floresciam na Babilônia, Antigo Egito, Síria e Grécia Antiga, combinando elementos da Astrologia e mistérios das religiões gregas como os do Elêusis, do Zoroastrismo, do Hermetismo, do Sufismo, do Judaísmo e do Cristianismo. Num texto hermético lê-se que a gnosis da Mente é a "visão das coisas divinas". G.R.S.Mead acrescenta que "Gnosis não é conhecimento sobre alguma coisa, mas comunhão, conhecimento de Deus". Este é o grande objetivo, conhecer "Deus", a Realidade em nós. Não é a crença, a fé ou o simples conhecimento o que importa. O fundamental é a comunhão interior, o religar da Mente WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 204

individual com a Mente universal, a capacidade do homem "transcender os limites da dualidade que faz dele homem e tornar-se uma consciência divina". A posse da Gnosis significa a habilidade para receber e compreender a revelação. O verdadeiro Gnóstico é aquele que conhece a revelação interior ou oculta desvelada e que também compreende a revelação exterior ou pública velada. Ele não é alguém que descobriu a verdade a seu respeito por meio de sua própria desamparada reflexão, mas alguém para quem as manifestações do mundo interior são mostradas e tornaram-se inteligíveis. O início da Perfeição é a Gnosis do Homem, porém a Gnosis de Deus é a Perfeição aperfeiçoada. "Aperfeiçoamento" é um termo técnico para o desenvolvimento na Gnosis, sendo o Gnóstico realizado conhecido como o "perfeito", "parfait". A entrada na senda da Gnosis é chamada 'voltar para casa'. Como vimos, é um retorno, um virar as costas ao mundo, um arrependimento de toda natureza: "Devemos nos voltar para o velho, velho caminho". "Somente o batismo não liberta mas sim, a gnosis, o conhecimento interior de quem somos, o que nos tornamos, onde estamos, para onde vamos. O que é nascimento, o que é renascimento". "Gnosis sobre quem éramos e no que nos tornamos; onde estávamos e onde viemos parar; para onde nos dirigimos e onde somos redimidos; o que é a geração, e o que é a regeneração". (Extratos de Theodotus) Ingressar na Gnosis é um despertar do sono e da ignorância de Deus, da embriaguez do mundo para a temperança virtuosa. "Pois o mal [ilusão] do não conhecimento está inundando toda a terra e trazendo total ruína à alma aprisionada dentro do corpo, impedindo-a de navegar para os portos da salvação." Doutrina Gnóstica O pré-requisito essencial da filosofia gnóstica é o postulado da existência de uma "entidade imortal", que não é parte deste mundo, que pode ser chamado de Deus interno, Centelha divina, Crístico, divina essência etc, que existe em todos os homens e é a sua única parte imortal. Os gnósticos consideram que o estado do homem neste mundo é "anti-natural", pois ele está submetido a todo tipo de sofrimentos. Para eles, é necessário que o homem se liberte deste sofrimento, e isto só pode ocorrer pelo conhecimento. Os gnósticos, de um modo geral, acreditam que o Universo manifestado principia com emanações do Absoluto, seres finitos chamados de Æons que se reúnem no Pleroma. No princípio tudo era Uno com o Absoluto, então em um determinado momento, emanaram do Absoluto estes æons (éons), formando o pleroma. O pleroma dos gnósticos é um plano arquetípico, abaixo do qual está o plano material, manifestado. Assim, o que antes era Uno e vivia no pleroma, se despedaça em partes. Este estado de infelicidade, pela descida no pleroma (e separação do Todo Uno), é o que ocasiona o sofrimento do homem neste mundo. Um dos éons (Sophia) deu à luz o Demiurgo (artesão em grego), que criou o mundo material "mau", juntamente com todos os elementos orgânicos e inorgânicos que o constituem. Os gnósticos ensinavam que a salvação vem por meio de um desses éons, geralmente apresentado como o décimo terceiro éon (identificado com o Cristo), distinto dos doze éons que regem o mundo decaído. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 205

Segundo a doutrina, Cristo se esgueirou através dos poderes das trevas para transmitir o conhecimento secreto (gnosis) e libertar os espíritos da luz, cativos no mundo material terreno, para conduzi-los ao mundo espiritual mais elevado. Segundo algumas linhas gnósticas, Cristo não veio em carne e nunca assumiu um corpo físico, nem foi sujeito à fraqueza e às emoções humanas, embora parecesse ser um homem, enquanto a principal linha de gnosticismo cristão, a Valentiniana defende a tese próxima do nestorianismo, doutrina cristã nascida no Século V, segundo a qual há em Jesus Cristo duas pessoas distintas, uma humana e outra divina, sendo Cristos (o ungido) o éon celestial que a um tempo se une a Jesus. Alguns historiadores afirmam que o apóstolo João se refere a esse assunto quando enfatiza que "o Verbo se fez carne" (Jo l .14) e em sua primeira epístola que "todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus..." (l Jo 4.3). Os escritos joaninos são do final do primeiro século, quando nasceu o gnosticismo. No entanto, muitas comunidades gnósticas tinham o Evangelho de João em alta conta. Dualismo e monismo - Normalmente, os sistemas gnósticos são vagamente descritos como sendo "dualistas" em natureza, o que significa que tem a visão do mundo constituído ou explicável como duas entidades fundamentais. Hans Jonas escreve: "A característica central do pensamento gnóstico é o radical dualismo que rege a relação de Deus e o mundo e, correspondentemente, do homem e o mundo. " Dentro desta definição, que funcionam a gama do dualismo radical dos sistemas de maniqueísmo, do dualismo mitigado de alguns movimentos gnósticos; a evolução Valentiniana indiscutivelmente aborda uma forma de monismo, expresso em termos anteriormente utilizados de forma dualista. O dualismo radical - ou dualismo absoluto que postula duas forças divinas co-iguais. O Maniqueísmo concebe dois reinos anteriormente coexistente da luz e da escuridão que se envolveu em conflito, devido à caótica ações deste último. Posteriormente, alguns elementos da luz tornaramse aprisionados dentro da escuridão, o propósito da criação material é para decretar o lento processo de extração destes elementos individuais, a fim de que o reino de luz prevalece sobre as trevas. Esta mitologia dualista do zoroastrismo , no qual o espírito eterno Ahura Mazda é a oposição de sua antítese, Angra Mainyu, os dois estão envolvidos em uma luta cósmica, a conclusão de que será ver Ahura Mazda triunfante. A criação no mito Mandeano, emanações progressivas do Supremo Ser de Luz, com cada emanação provocando uma corrupção progressiva que resulta no aparecimento eventual de Ptahil, o deus das trevas, que teve uma mão na criação de regras e passam a constituir o reino material. Além disso, o pensamento gnóstico geral, comumente incluíam a crença de que o mundo material corresponde a algum tipo de intoxicação provocada pelo mal os poderes das trevas para manter elementos da luz aprisionada dentro dele, ou, literalmente, para mantê-los no escuro ", ou ignorantes, em um estado de distração bêbado. Dualismo mitigado - quando um dos dois princípios é, de alguma forma inferiores aos outros. Tais movimentos gnósticos clássicos como o Sethiniano concebeu o mundo material como sendo criado por uma divindade menor do que o verdadeiro Deus, que era o objeto de sua devoção. O mundo espiritual é concebido como sendo radicalmente diferente do mundo material, co-extensivo com o Deus verdadeiro, é a verdadeira casa de alguns membros iluminados da humanidade, portanto, estes sistemas foram expressivos de um sentimento agudo de alienação do mundo, e seu objetivo era permitir um resultado da alma, para escapar das limitações apresentadas pelo reino físico.

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Monismo Qualificado - Elementos das versões do mito gnóstico Valentiniano sugerem para alguns que a sua compreensão do universo podem ter sido monista. Elaine Pagels afirma que " gnosticismo Valentiniano difere essencialmente do dualismo, enquanto, de acordo com SCHOEDEL "um elemento básico na interpretação dos Valentinianos é o reconhecimento de que elas são fundamentalmente monistas. Nesses mitos, a malevolência do demiurgo é mitigada; sua criação de uma materialidade falha não é devido a qualquer falha moral da sua parte, mas devido a sua imperfeição em contraste com as entidades superiores de que ele desconhece. Como tal, os Valentinianos já tem menos motivos para tratar com desprezo a realidade física do que um gnóstico Sethiniano Para que o homem possa se libertar dos sofrimentos deste mundo, segundo os gnósticos, ele deve retornar ao Todo Uno, por ascensão ao pleroma, e isto só pode ser alcançado pelo Conhecimento Verdadeiro (representado pela Gnose). Este despertar só pode ocorrer se o homem se descobre, "conhecendo-se a si próprio". Para o Gnosticismo existem três níveis de realização. No nível mais elevado estão aqueles que eram chamados eleitos, ainda que sem um sentido elitista de exclusão. Entre os gnósticos, eles eram conhecidos como pneumáticos, que significa espirituais. O grupo seguinte, os intermediários, são os psíquicos ou religiosos. E, finalmente, os homens comuns, os muitos, na linguagem de Jesus, eram chamados pelos gnósticos, de ílicos ou materiais, pois aqueles que só estão voltados para os prazeres da vida material imediata, sem nenhum interesse pelo objetivo último da vida. Os textos gnósticos também tratam estes níveis como descendentes de Sete, Abel e Caim. Assim, o ensinamento do Mestre Jesus, o Cristo - Aeon da Salvação, foi estruturado para atender as necessidades desses três grupos de pessoas. Para o povo em geral, para aqueles que estão voltados exclusivamente para a vida neste mundo, a ênfase eram os ensinamentos sobre a ética e a vida diária. Para os homens intermediários, que os gnósticos chamavam de religiosos, eram ensinamentos mais abrangentes sobre a vida e a prática espiritual, sendo esses ensinamentos encontrados nas escrituras cristãs. E é interessante lembrar que esse grupo intermediário, eram aqueles que nesta vida, em função de suas decisões, determinações e postura de vida poderiam cair no grupo dos muitos, os materialistas, ou então, elevarem-se e entrar no grupo dos eleitos, daqueles que poderiam vir a ser salvos ou libertos. E, finalmente, para o grupo dos assim chamados espirituais, os poucos, a tradição oferece ensinamentos sobre o caminho acelerado. O caminho acelerado, com suas naturais exigências de purificação e dedicação, só está aberto a poucos. "As Escrituras Sagradas têm um sentido que é aparente à primeira vista, e um outro que a maioria dos homens não percebe. Porque são escritas em forma de certos Mistérios, e à imagem de coisas divinas. A respeito do que há uma opinião em toda a Igreja, que toda a Lei em verdade é espiritual, porém que o sentido espiritual da Lei não é conhecido a todos, mas apenas aqueles que receberam a graça do Espírito Santo na palavra de sabedoria e conhecimento". Orígenes " De Principiis" Assim, os primeiros cristãos sabiam que dois tipos de pessoas se achegariam ao cristianismo, um tipo sem o toque pneumático, e, portanto, incapaz de aproximar-se da salvação pelo conhecimento e WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 207

pela sabedoria dos Mistérios, mas possuindo apenas capacidade de assimilar pela fé o lado superficial da Lei; o outro tipo, tocado pelo dom pneumático, pela centelha-espírito, que possuiria plena capacidade de assimilar os conhecimentos e a sabedoria dos Mistérios divinos e descer ao nível profundo e espiritual da Lei, podendo gozar de completa iluminação e redenção. Grandes escolas gnósticas e seus textos As escolas do Gnosticismo podem ser definidas de acordo com um dos sistemas de classificação como membros de duas grandes categorias. São elas as escolas "Orientais/Persas" e as escolas "Siríacas/Egípcias". As escolas da primeira categoria possuem tendências dualistas mais pronunciadas, refletindo a forte influência das crenças do Zorastrismo Zurvanista persa. Já as escolas síriaco-egípcias e os movimentos que elas deram origem têm tipicamente uma visão mais Monista. Notáveis exceções existem, incluindo movimentos relativamente modernos, que parecem ter incluído elementos de ambas as categorias, como os cátaros, os bogomilos e os carpocracianos. Gnosticismo persa As escolas persas, que apareceram na província da Babilônia e cujos escritos foram produzidos originalmente em dialetos aramaicos falados na região na época, representam o que se acredita serem as formas mais antigas do pensamento gnóstico. Estes movimentos são considerados pela maioria como religiões por si sós e não seitas emanadas do Cristianismo ou do Judaísmo.

Mandeísmo é ainda praticado por pequenos grupos no sul do Iraque e na província iraniana do Khuzistão. O nome do grupo deriva do termo Mandā d-Heyyi, que significa "Conhecimento da Vida". Embora a origem exata deste movimento não seja conhecida, João Batista eventualmente se tornaria uma figura chave nesta religião, assim como ênfase no batismo se tornou parte do cerne de suas crenças. Assim como no Maniqueísmo, apesar de certos laços com o Cristianismo, os mandeanos não acreditam em Moisés, Jesus ou Maomé. Suas crenças e práticas também tem poucas sobreposições com as religiões fundadas por eles. Uma quantidade significativa das Escrituras originais Mandeanas sobreviveram até a era moderna. O texto principal é conhecido como Genzā Rabbā e tem trechos identificados pelos estudiosos como tendo sido copiados já no século II dC. Existe também o Qolastā, ou "Livro Canônico de Oração" e o sidra ḏ-iahia, o "Livro de João Batista". Maniqueísmo, que representa toda uma tradição religiosa e que agora está quase extinto, foi fundado pelo profeta Mani (216-276 dC). Embora acredite-se que a maior parte das Escrituras dos maniqueístas tenha se perdido, a descoberta de uma série de documentos originais ajudou a lançar alguma luz sobre o assunto. Preservados agora em Colônia, Alemanha, o Codex Manichaicus Coloniensis contém principalmente informações biográficas sobre o profeta e alguns detalhes sobre seus ensinamentos. Como disse Mani, "O Deus verdadeiro não tem nada a ver com o mundo material e o cosmos", e "É o Príncipe das Trevas que falou com Moisés, os judeus e seus sacerdotes. Portanto, cristãos, os judeus e os pagãos estão envolvidos no mesmo erro quando adora este Deus. Pois ele os leva para perdição através dos desejos que lhes ensinou".[3][4].

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Gnosticismo siríaco-egípcio A escola siríaca-egípcia deriva muito de sua forma geral das influências platônicas. Tipicamente, ela apresenta a criação numa série de emanações de um fonte primal monádica, finalmente resultando na criação do universo material. Como consequência, há uma tendência nestas escolas em ver o "mal" (ou a maldade) como a matéria, inferior à bondade, sem inspiração espiritual e sem bondade, ao invés de retratá-lo como uma força igual. Podemos dizer que estas escolas gnósticas utilizar os termos "bem" e "mal" como sendo termos "relativos", pois se referem aos relativos apuros da existência humana, aprisionada entre estas realidades e confusa na sua orientação, com o "mal" indicando a distância extremada do princípio e fonte do "bem", sem necessariamente enfatizar uma negatividade inerente. Como pode ser visto abaixo, muitos destes movimentos incluíram fontes relacionadas ao Cristianismo, com alguns inclusive se identificando como cristãos (ainda que de forma distintamente diferente das chamadas formas ortodoxas ou católica romana). Escrituras siríaco-egípcias A maioria da literatura nesta categoria nos é conhecida ou foi confirmada pela descoberta da Biblioteca de Nag Hammadi.

Obras Setianas, assim chamadas em homenagem ao terceiro filho de Adão e Eva, Sete (ou Seth), que eles acreditavam possuir e ser o disseminador da gnosis. As obras tipicamente setianas são:
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O Apócrifo de João O Apocalipse de Adão A Hipóstase dos Arcontes, também conhecido por "A Realidade dos Regentes" Trovão, Mente Perfeita Protenóia trimórfica Livro Sagrado do Grande Espírito Invisível também conhecido por "Evangelho Copta dos Egípcios" Zostrianos Alógenes As Três estelas de Sete O Evangelho de Judas

Obras Tomistas, assim chamadas por causa da escola de Tomé Apóstolo. Todos são pseudepígrafos. Os textos geralmente atribuídos a ela são:
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Hino da Pérola, também conhecido como "Hino de Tomé Apóstolo Dídimo no país dos Indianos" Atos de Tomé O Evangelho de Tomé Livro de Tomé o Adversário

Obras Valentianas são assim chamadas em referência ao Bispo e professor Valentim (ca. 153 dC). Ele desenvolveu uma complexa cosmologia fora da tradição setiana. Em certo ponto chegou a estar próximo de ser nomeado o Bispo de Roma, naquela que hoje é a Igreja WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 209

Católica Romana. As obras geralmente atribuídas a eles estão listadas abaixo, sendo que os fragmentos que podem ser diretamente relacionadas a elas estão marcados com asterisco:
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A Divina Palavra presente na Criança (Fragmento A) * Sobre as Três Naturezas (Fragmento B) * A Habilidade de falar de Adão (Fragmento C) * Para Agathopous: O Sistema Digestivo de Jesus (Fragmento D) * Aniquilação do Reino da Morte (Fragmento F) * Sobre Amizade: A Fonte da Sabedoria Comum (Fragmento G) * Epístola sobre Conexões Sentimentais (Fragmento H) * Colheita de Verão * Evangelho da Verdade * A versão Ptolemaica do Mito Gnóstico Prece do apóstolo Paulo Epístola de Ptolomeu à Flora Tratado sobre a Ressurreição, ou Epístola a Reginus. Evangelho de Filipe

Obras Basilidianas, assim chamadas por causa do fundador da escola, Basilides (132–? dC). Quase todas as obras são conhecidas por nós principalmente através da crítica de um de seus oponentes, Ireneu de Lyon, no seu livro Adversus Haereses. Outros trechos são conhecidos através das obras de Clemente de Alexandria, principalmente a Stromata[5]:
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O Octeto das Entidades Subsistentes (Fragmento A) A The Singularidade do Mundo (Fragmento B) Ser Eleito Naturalmente requer Fé e Virtude (Fragmento C) O Estado da Virtude (Fragmento D) Os Eleitos Trascendem o Mundo (Fragmento E) Reincarnação (Fragmento F) O Sofrimento Humano e a Bondade da Providência (Fragmento G) Pecados Perdoáveis (Fragmento H)

Gnosticismo posterior e grupos influenciados pelo Gnosticismo

Outras escolas e movimentos relacionados; estão apresentado em ordem cronológica.

A cruz circular, harmônica era um emblema utilizado pelos cátaros, uma seita medieval relacionada ao Gnosticismo.

Simão Mago e Marcião de Sinope: ambos tinham tendências gnósticas, mas as ideias que eles apresentaram estavam ainda em formação; por isso, eles podem ser descritos como pseudo- ou proto-gnósticos. Ambos desenvolveram um considerável conjunto de seguidores. O pupilo de Simão Mago, Menandro de Antióquia também

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pode ser incluído neste grupo. Marcião é popularmente identificado como gnóstico, porém a maior parte dos estudiosos não entende assim[6]. Cerinto (c. 100 dC), o fundador de uma escola herética com elementos gnósticos. Como gnóstico, Cerinto mostrou Cristo como um espírito celeste separado do homem Jesus e citou o Demiurgo como criador do mundo material. Porém, ao contrário dos gnósticos, Cerinto ensinava os cristãos a observar a lei judaica; seu demiurgo era sagrado e não inferior; e acreditava na Segunda vinda de Cristo. Sua gnosis era um ensinamento secreto atribuído a um apóstolo. Alguns estudiosos acreditam que a Primeira Epístola de João foi escrita em resposta a Cerinto[7]. Os Ofitas, assim chamados por reverenciarem a serpente do Gênesis como um fonte de conhecimento. Os Cainitas, que como o nome implica, veneravam Caim, assim como Esaú, Korah e os sodomitas. Há pouca evidência sobre a natureza deste grupo; porém, é possível inferir que eles acreditavam que indulgência no pecado era a chave para a salvação, pois dado que o corpo é intrinsecamente mau, é preciso denegri-lo com atitudes imorais (veja libertinismo). O nome 'cainita' não é utilizado aqui no sentido bíblico de "descendentes de Caim" (que segundo a Bíblia foram exterminados no Dilúvio). Os Carpocracianos, uma seita libertina que acreditava unicamente no Evangelho dos Hebreus. Os Borboritas, uma seita libertina gnóstica, que acredita-se ser uma derivação dos Nicolaítas Os Paulicianos, um grupo adocionista, também acusado por fontes medievais como sendo gnóstica e quasi-maniqueísta. Eles floresceram entre 650 e 872 na Armênia e nas províncias (ou temas) orientais do Império Bizantino. Os Bogomilos, a síntese (no sentido do sincretismo) entre o Paulicianismo Armênio e o movimento reformista da Igreja Ortodoxa Búlgara, que emergiu durante o Primeiro império búlgaro entre 927 e 970, e se espalhou pela Europa. Os Cátaros (Cathari, Albigenses ou Albigensianos) são tipicamente vistos como imitadores do Gnosticismo. Se os cátaros possuíam ou não uma influência histórica direta do antigo Gnosticismo ainda é tema disputado, embora alguns acreditem que numa transferência de conhecimento dos bogomilos[8]. Embora as concepções básicas da cosmologia gnóstica possam ser encontradas nas crenças cátaras (principalmente a noção de um deus criador inferior, satânico). Catarismo é a religião do Espírito (do Paracleto). Eles se separaram dos outros gnósticos deixando de lado os éons, os arcontes, os diagramas e os números cabalísticos [carece de fontes?].

Conceitos e termos importantes Note que o texto a seguir é formado por resumos das várias interpretações gnósticas existentes. Os papéis de alguns seres mais familiares, como Jesus Cristo, Sophia e o Demiurgo geralmente compartilham os temais centrais entre os vários sistemas, mas pode haver algumas diferentes funções ou identidades atribuídos a eles em cada uma. Æon Em muitos sistemas gnósticos, os aeons são várias emanações de um deus superior, que também é conhecido por nomes como Mônada, Aion teleos (grego: "O Perfeito Aeon"), Bythos (grego: Βυθος - 'profundidade') e muitos outros (veja o artigo principal). Deste ser inicial, também um Aeon, uma WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 211

série de diferentes emanações ocorreram, começando em alguns textos gnósticos com o hermafrodita Barbelo[9][10][11] de quem sucessivos pares de Aeons emanam, frequentemente em pares masculino-feminino chamados de sizígias[12]; o número destes pares varia de texto para texto, embora alguns identifiquem seu número como sendo trinta[13]. Os Aeons como uma "totalidade" constituem o Pleroma, a "região de luz". As regiões mais baixas do Pleroma estão mais perto da escuridão, ou seja, do mundo material [carece de fontes?]. Dois dos Aeons mais frequentemente emparelhados são Jesus e Sophia (em grego: sabedoria). Ela se refere a Jesus como seu 'consorte' em Exposição Valentiana[14]. Sophia, emanando sem o seu parceiro resulta na criação do Demiurgo (em grego: "construtor público")[15] também chamado de Yaldabaoth (ou variações) em alguns textos[9]. Esta criatura está escondida fora do Pleroma [9], em isolamento, e acreditando-se sozinha, ela cria a matéria e uma horda de co-atores, referidos como Arcontes. O Demiurgo é reponsável pela criação da humanidade, pois assim ele pode aprisionar as fagulhas do Pleroma roubadas de Sophia em corpos humanos[9][16]. Em resposta, o Mônada emana dois Aeons salvadores, 'Cristo e o Espírito Santo; Cristo então se incorpora na forma de Jesus para poder ensinar aos homens como alcançar a gnosis, pela qual eles poderão retornar ao Pleroma[9]. Arconte No final da antiguidade, algumas variantes do Gnosticismo utilizaram o termo "Arconte" para se referir aos diversos servos do Demiurgo[16]. Neste contexto, eles podem ser entendidos como tendo o papel dos anjos e demônios do Antigo Testamento. De acordo com Contra Celso, de Orígenes, a seita dos Ofitas (veja acima Gnosticismo posterior e grupos influenciados pelo Gnosticismo) propuseram a existência de sete arcontes, começando com o próprio Yaldabaoth, que criou os próximos seis: Iao, Sabaoth, Adonaios, Elaios, Astaphaios e Horaios[17][18]. Assim como o Chronos mitráico e o Narasimha védico (uma forma de Vishnu), Yaldabaoth tem a cabeça de um leão (embora tenha o corpo de uma serpente de acordo com o Apócrifo de João)[9][19][20]. Abraxas / Abrasax

Gravura de uma pedra de Abraxas.

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Os gnósticos egípcios seguidores de Basilides se referiam frequentemente à uma figura chamada Abraxas, que estava no topo dos 265 seres espirituais (segundo Ireneu, Contra Heresias, I.24[21]); não está claro como interpretar o uso que Ireneu faz do termo 'Arconte', que pode significar apenas 'governante' neste contexto (veja Arconte). Nem o papel e nem o significado de Abraxas para esta seita estão claros. Textos encontrados na Biblioteca de Nag Hammadi, como o Livro Sagrado do Grande Espírito Invisível, se referem a Abrasax como Aeon morando com Sophia e os outros Aeons na Totalidade Espiritual, sob a luz do luminar Eleleth[22]. Demiurgo

Uma divindade com face de leão encontrada numa gema gnóstica em L'antiquité expliquée et représentée en figures de Bernard de Montfaucon pode ser uma representação do Demiurgo; porém, veja também Chronos [23] O termo Demiurgo deriva da forma latinizada do termo grego dēmiourgos (δημιουργός), significando literalmente "servidor público ou trabalhador habilidoso" e se refere à uma entidade responsável pela criação do universo e de todo o aspecto físico da humanidade. O termo dēmiourgos ocorre em diversas outras religiões e sistemas filosóficos, principalmente o Platonismo. Julgamentos morais sobre o demiurgo variam de grupo para grupo dentro da grande categoria do Gnosticismo - estes julgamentos geralmente correspondem ao julgamento de cada grupo sobre o status da materialidade como sendo intrinsecamente má, ou meramente falha e tão boa quanto a passiva matéria que a consitui permite. Como Platão faz, O Gnosticismo apresenta uma distinção entre uma realidade supranatural, incognoscível e a materialidade sensível, da qual o Demiurgo é o criador. Porém, em contraste com Platão, os diversos sistemas gnósticos apresentam o demiurgo como um antagonista do Deus Supremo: seu ato de criação, seja ele inconsciente e uma imitação fundamentalmente falha do modelo divino (veja o Mito da Caverna), ou formado com a intenção maligna de aprisionar aspectos do divino "na" materialidade. Portanto, nestes sistemas, o Demiurgo age como uma solução para o problema do mal. No Apócrifo de João, o Demiurgo - ali chamado de Yaldabaoth - se proclama como Deus: “ Agora o arconte que é fraco tem três nomes. O primeiro nome é Yaldabaoth, o segundo é Saclas e o terceiro é Samael. E ele é ímpio em sua arrogância, que está nele. Pois ele disse: 'Eu sou Deus e não há outro Deus além de mim', pois ele é ignorante de sua força, do lugar de onde veio. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 213

— Apócrifo de João[9], "Samael", na tradição judaico-cristã, se refere ao anjo mau da morte e corresponde ao demônio cristão de mesmo nome, atrás apenas de Satã[carece de fontes?]. Literalmente, pode significar "deuscego" ou "deus dos cegos" em aramaico (siríaco sæmʕa-ʔel); o outro título, Saclas, aramaico para "tolo" (siríaco sækla "o tolo"). No mito de Sophia, sua mãe, Sophia, também um aspecto parcial do Pleroma (ou "Totalidade"), desejava emanar de si algo sem a autoridade do Espírito Supremo. Neste ato abortivo e imperfeito, ela deu à luz ao monstruoso Demiurgo. Envergonhada com seu ato, ela o envolveu numa nuvem com um trono no meio para que os demais Aeons não percebessem. O Demiurgo então, isolado, sem ver sua mãe e ninguém mais, concluiu que era o único que existia e, ignorante, criou o mundo material, a humanidade e uma hierarquia de "poderes" (Arcontes) para governá-lo[9][16]. Os mitos gnósticos descrevendo estes eventos são cheios de nuances intrincadas retratando a declinação de aspectos do divino até a forma humana; este processo acontece através do trabalho do Demiurgo que, tendo roubado um pouco do poder de sua mãe, passa a trabalhar na criação de uma imitação inconsciente do reino superior do Pleroma (como sombras das imagens). Assim, o poder de Sophia (as "fagulhas" ou "sopro" divino) fica aprisionado dentro das formas materiais da humanidade, também presa dentro do mundo material: o objetivo de todos os movimentos gnósticos era tipicamente acordar esta fagulha, o que permitiria o retorno do indivíduo à realidade superior, não material onde estava a fonte primal[9][16] (veja Setianismo). Alguns filósofos gnósticos identificam o Demiurgo com Yahweh, o Deus do Antigo Testamento, em oposição e contraste ao Deus do Novo Testamento. Ainda outros o igualam com Satã. Os cátaros aparentemente herdaram sua idéia de Satã como o criador do mundo maligno diretamente ou indiretamente do Gnosticismo. Gnosis (ou Gnose) Gnosis vem da palavra grega para "conhecimento", gnosis (γνῶζις). Porém, gnosis em si se refere a uma forma muito especial de conhecimento, derivada tanto do significado exato do termo grego quanto seu uso na filosofia de Platão[24]. O grego antigo era capaz de discernir entre diversas formas diferentes de "conhecer". Essas formas podem ser descritas em língua portuguesa como sendo conhecimento proposicional, indicativo de um conhecimento adquirido "indiretamente" através de reportes de outros ou por inferência (como em "Eu sei que Lisboa está em Portugal"), e o conhecimento conhecimento empírico, adquirido através de "participação direta" (como em "Eu sei que Lisboa está em Portugal pois estive lá") [carece de fontes?] . Gnosis (γνῶζις) se refere ao conhecimento do segundo tipo. Portanto, em um contexto religioso, ser 'gnóstico' deve ser entendido como confiar não em conhecimento no sentido geral, mas como sendo especialmente receptivo às experiências místicas ou esotéricas de participação direta com o divino. De fato, na maior parte dos sistemas gnósticos, a causa suficiente para salvação é este "conhecimento do" ('ser familiar com') divino. Isto é geralmente identificado com o processo de conhecimento interno ou de auto-exploração, comparável com o que foi encorajado por Plotino. Porém, como se pode ver, o termo 'gnóstico' tem um uso precendente em diversas tradições WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 214

filosóficas que precisa também ser levado em consideração para que seja possível entender as implicações sutis que este epíteto tem para diversos grupos religiosos antigos[24]. Mônada Em muitos sistemas gnósticos (e heresiológicos), o Ser Supremo é conhecido como Mônade, o Uno, o Absoluto Aiōn teleos (O Perfeito Aeon, αἰών τέλεος), Bythos (Profundidade, Βυθός), Proarchē (Antes do Início, προαρχή, Hē Archē (O Início, ἡ ἀρχή) e Pai inefável. O Uno é a fonte primal do Pleroma, a região de luz. As várias emanações do Uno são chamados "Aeons" [carece de fontes?] . A cosmogonia setiana como está no famoso Apócrifo de João (ou Livro Secreto de João) descreve um deus desconhecido, muito similar à Teologia negativa ortodoxa, embora muito diferente dos ensinamentos do credo ortodoxo de que existe um deus assim que também seja o criador do céu e da terra. Teólogos ortodoxos, quando descrevendo a natureza do deus criador associado aos textos bíblicos, muitas vezes tentam defini-lo através de uma série de afirmações explícitas e positivas (cataphrasis), por si sós universais, e que associadas ao divino se tornam superlativas: ele é onisciente, onipotente e verdadeiramente benevolente. Já na concepção setiana do deus trascendente e escondido descrita no texto[9], ele é definido, por contraste, através da teologia negativa (apophasis)[25]: ele é imóvel, invisível, intangível e inefável[9]. Geralmente, 'ele' é visto como uma sendo hermafrodita[9], um símbolo potente para um ser, pois ele é o que 'tudo contém'. Uma abordagem apofásica na discussão da Divindade pode ser encontrada por todo o Gnosticismo, nos Vedas, nas teologias de Platão e Aristóteles e em algumas fontes judaicas . Pleroma Pleroma (em grego: πληρωμα geralmente se refere à totalidade dos poderes de deus. O termino significa "plenitude" e é usado em vários contextos teológicos cristãos: tanto gnósticos em geral, como também no cristianismo (como em «Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade» (Colossenses 2:9)[26]). O Pleroma celeste é o centro da vida divina, uma região de luz "acima" (o termo não deve ser entendido espacialmente) do nosso mundo, ocupado por seres espirituais como os Aeons e, às vezes, por arcontes. Jesus é interpretado como sendo um aeon intermediário que foi enviado do Pleroma e cuja ajuda seria fundamental para que a humanidade recupere o conhecimento perdido (ou esquecido) das suas origens divinas. O termo é, portanto, central na cosmologia gnóstica[9][27]. Pleroma também é utilizado na língua grega comum e é utilizado pela Igreja Ortodoxa Grega na sua forma geral pois a palavra aparece em Colossenses. Proponentes da visão que Paulo seria na verdade gnóstico, como Elaine Pagels da Universidade de Princeton, enxergam a referência em Colossenses como algo a ser interpretado no sentido gnóstico[28]. Sophia Sophia (em grego: Σοθία) é aquilo que detém o "sábio" (em grego: ζοθός; "sofós"). Na tradição gnóstica, Sophia é uma figura feminina, análoga à alma humana e simultaneamente um dos aspectos femininos de Deus. Os gnósticos afirmam que ela é a sizígia de Jesus (veja a Noiva de WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 215

Cristo) e o Espírito Santo da Trindade. Ocasionalmente é referenciada pelo equivalente hebreu Achamōth (em grego: Ἀταμώθ) e como Prouneikos (em grego: Προύνικος, "A Libidinosa"). Nos textos da Biblioteca de Nag Hammadi, Sophia é o mais baixo dos Aeons ou a expressão antrópica da emanação da luz de Deus[24]. Cristãos gnósticos Nos séculos I e II o gnosticismo produziu manifestações dentro da cristandade, sobretudo no Egito, onde se destacaram líderes como Carpócrates, Basílides, Isidoro e Valentim, este último fundador de uma importante escola em Roma. Os Cristãos Gnósticos constituíram, nos primeiros anos dessa nossa era, uma comunidade fechada, iniciática, que guardou os aspectos esotéricos dos evangelhos, principalmente das parábolas de Jesus, o Cristo, apresentando um cristianismo muito mais profundo e filosófico do que daqueles cristãos que ficaram conhecidos como a ortodoxia. Dentre os grupos mais ativos nos dois primeiros séculos de nossa era destacam-se os naassenos (palavra em aramaico com o mesmo significado de ofitas, de origem grega), setianos (de orientação judaica), docéticos (que propunham que a natureza exterior do Cristo era ilusória), carpocracianos, basilidianos e valentianos. Com o passar do tempo, os herdeiros da tradição gnóstica e maniqueísta foram mudando de nome e podemos indicar o aparecimento dos seguintes grupos:
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Entre os séculos III e IX: Euchites, Magistri Comacini, Artífices Dionisianos, Nestorianos e Eutiquianos; século X: Paulicianos e Bogomilos; século XI: Cátaros, Patarini, Cavaleiros de Rodes, Cavaleiros de Malta, Místicos Escolásticos; século XII: Albigenses, Cavaleiros Templários, Hermetistas; século XIII: a Fraternidade dos Winklers, os begardos e beguinas, os Irmãos do Livre Espírito, os Lolardos e os Trovadores; século XIV: os hesicastas, os Amigos de Deus, os Rosa-cruzes e os Fraticelli; século XV: os Fraters Lucis, a Academia Platônica, a Sociedade Alquímica, a Sociedade da Trolha e os Irmãos da Boêmia (Unitas Fratrum); século XVI: a Ordem de Cristo (derivada dos Templários), os Filósofos do Fogo, a Milicia Crucífera Evangélica e os Ministérios dos Mestres Herméticos; século XVII: os Irmãos Asiáticos (Irmãos Iniciados de São João Evangelista da Ásia), a Academia di Secreti e os Quietistas; século XVIII: os Martinistas; no século XIX: a Sociedade Teosófica.

Os Paulicianos formavam um grupo gnóstico ativo no Império Romano. Se declaravam contra todas hierarquias que exerciam seu poder para combater a iluminação interior. Até o século XI, os paulicianos foram mortos pela igreja romana, assim como o Maniqueísmo antes deles. Mas o gnosticismo sobreviveu, sua luz e força continuaram a irradiar com os bogomilos. A herança Gnóstica dos séculos XII e XIII, foram transmitidas aos Cátaros, que também foram perseguidos e mortos pela igreja romana. Na Idade Média, o gnosticismo manifestou-se na Ordem dos Templários, foi revivificada pela Rosa-cruz, pelas mãos de Johannes Valentinus Andreae, mantiveram ligações com a Maçonaria, com a Teosofia e com o Martinismo. Todos testemunhando WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 216

o Cristianismo Interior, descrevendo o caminho de retorno a Deus, que foi aberto pelo seu Filho, Jesus, o Cristo. Fontes Pouco material chegou até os dias de hoje, a maioria dos personagens e suas doutrinas só puderam ser conhecidos por meio dos críticos do gnosticismo. A maior polêmica contra os gnósticos apareceu no período patrístico, com os escritos apologéticos de Ireneu(130-200), Tertuliano (160225) e Hipólito (170-236). Por isso a descoberta da Biblioteca de Nag Hammadi,em 1945, foi de suma importância, visto que seu conteúdo é eminentemente gnóstico. O achado impulsionou as pesquisas sobre o assunto na segunda metade do século XX. Estes manuscritos totalizavam cinquenta e dois textos, em treze códices de papiro, escritos em copta. Entre as obras aí guardadas encontravam-se diversos tratados gnósticos, três obras pertencentes ao Corpus Hermeticum e uma tradução parcial da República de Platão. Parte deles conhecidos também como Evangelhos gnósticos Os Manuscritos Pistis Sophia,"Piste Sophiea Cotice" ou "Códice Askew", atribuidos a Valentim foi adquirido do médico e colecionador de manuscritos antigos Dr. Askew pelo Museu Britânico em 1795 , datam de 250–300 AD, relatam os ensinamentos Gnósticos do Mestre Jesus, o Cristo transfigurado aos apóstolos. Até a descoberta da biblioteca de Nag Hammadi em 1945, o Códice Askew era um dos três códices que continha quase todos os escritos gnósticos que tinham sobrevivido, sendo os dois outros códices o Códice Bruce e o Códice de Berlim. Mais recentemente um outro documento gnóstico foi encontrado, gerando diferentes especulações sobre o verdadeiro relacionamento de Jesus Cristo com o seu discípulo Judas, este documento é o Evangelho de Judas que estava desaparecido por mais de 1700 anos, tendo sido encontrado finalmente no Egito.

Elaine Pagels professora de religião na Universidade de Princeton e Ph.D. da Universidade de Harvard.Em Harvard ela fez parte de um grupo que estudou os rolos de Nag Hammadi, dessa experiência resultou a base para o seu primeiro livro Os Evangelhos Gnósticos, Esse livro é uma introdução aos textos de Nag Hammadi para o público leigo e é, desde o seu lançamento, um best-seller. Nos EUA, ganhou os prêmios National Book Critics Circle Award e National Book Award e foi escolhido pela Modern Library como um dos 100 melhores livros do século XX. George Robert Stowe Mead (1863 - 1933).Com formação em línguas e filosofia por Oxford, estudioso altamente intuitivo e perspicaz, deve ser considerado como um pioneiro de primeira ordem no domínio dos escritos gnósticos e estudos herméticos, foi autor, editor, tradutor e um influente membro da Sociedade Theosophica. Seu maior mérito teria sido a sua capacidade de discernir o significado interior e espiritual dos dos escritos, capacidade esta reconhecida por C.G.Jung que fez uma viagem especial a Londres no último período de vida de Mead, para lhe agradecer por seu trabalho brilhante e pioneiro de traduzir e comentar as escrituras gnósticas. Bentley Layton(1941) é Professor de Estudos Religiosos e Professor do Oriente Próximo Línguas e Civilizações (copta) na Universidade de Yale (desde 1983).Autoridade WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 217

reconhecida internacionalmente, em literatura gnóstica. Membro do projeto da UNESCO, CAIRO, que publicou a Biblioteca de Nag Hammadi. Formado em Harvard, "Redescoberta tardia do gnosticismo", foi o título da conferência internacional que ele apresentou na Universidade de Yale em 1980. Seus interesses encontram-se na história do cristianismo desde suas origens até o surgimento do Islã, os estudos gnósticos e copta . Seu livro mais acessível é "As Escrituras Gnósticas", que apresenta parte da literatura gnóstica enigmáticos do cristianismo. Ele apresenta sua seleção de escrituras gnósticas, os escritos de Valentino e seus seguidores, e os escritos relacionados que exibem tendências gnósticas no contexto mais amplo de cristianismo primitivo e do judaísmo helenístico, com introduções generosas e anotações abundantes. Para os especialistas, a gramática copta de Layton é um texto padrão. Ele catalogou todos os manuscritos coptas na Biblioteca Britânica. Ele é membro do conselho da Harvard Theological Review eo Journal of Studies copta.

James M. Robinson (nascido em 1924) é professor Emérito de religião, na Universidade de Claremont, Califórnia. É o mais proeminente erudito do século 20, da biblioteca de Nag Hammadi. Stephan A. Hoeller (1931 - ) Ph.D. em filosofia da religião da Universidade de Innsbruck em Áustria, escritor, erudito e líder religioso. Dr. Marvin Meyer (Ph.D., Claremont Graduate University, M. Div. Calvin Theological Seminary) é professor de Bíblia e Estudos Cristãos e co-presidente do Departamento de Estudos Religiosos, Chapman University. Ele também é diretor do o Albert Schweitzer Chapman University Institute.Ele é diretor do Projeto dos Textos Mágicos Coptas do Instituto de Antiguidade e Cristianismo, Claremont Graduate University, membro do Seminário Jesus, e um ex-presidente da Society of Biblical Literature (Pacific Coast). Dr. Meyer é o autor de numerosos livros e artigos sobre a civilização greco-romana e religião cristã na antiguidade e da antiguidade tardia, e no Albert Schweitzer é ética de reverência pela vida. Kurt Rudolph (03 de abril de 1929) Pesquisador do gnosticismo e Mandeismo.Nascido em Dresden Rudolph estudou teologia protestante, religião , história semitas nas universidades de Greifswald e de Leipzig.Posteriormente, durante seis anos, ele foi assistente de pesquisa , enquanto ele trabalhava em paralelo para o doutorado em teologia e, assim como a história religiosa. Em 1961 ele recebeu sua habilitação em história da religião e religião comparada.

Durante seu trabalho na Universidade de Leipzig , Chicago e Marburg e Santa Barbara(University of California), ele adquiriu uma reputação internacional como um conhecedor do gnosticismo e maniqueísmo.Além disso, ele também ocupou-se com o Islão e questões metodológicas em estudos religiosos.

Jakob Böhme ou Jacob Boehme, (Alt Seidenberg, 1575 — Görlitz, 17 de Novembro de 1624) foi filósofo e místico cristão alemão,as obras que escreveu são o maior monumento de conhecimentos teogônicos (concernentes ao surgimento dos primeiros princípios em Deus) e cosmogônicos (concernentes à criação do Universo e das criaturas) da história do cristianismo.

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Platão Πλάηων, Plátōn. (Atenas, 428/427– Atenas, 348/347 a.C.) foi um filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental. Juntamente com seu mentor, Sócrates, e seu pupilo, Aristóteles, Platão ajudou a construir os alicerces da filosofia natural, da ciência e da filosofia ocidental. Plotino(ca. 205 - 270) O pai do neoplatonismo, natural de Licopólis, Egito, foi discípulo de Amônio Sacas e mestre de Porfírio. A influência de Plotino e dos neoplatônicos sobre o pensamento cristão, islâmico e judaico, bem como sobre os pensadores de proa do Renascimento, foi enorme. Foram direta ou indiretamente influenciados por ele, Dionísio Pseudo-Areopagita, Alberto Magno, Dante Alighieri, Mestre Eckhart, João da Cruz, Marsílio Ficino, Pico de la Mirandola, Giordano Bruno, Avicena, Ibn Gabirol, Espinosa, Leibniz. Hermes Trismegistus; em grego Ερμης ο Τριζμεγιζηος, "Hermes, o três vezes grande" é o nome dado pelos neoplatônicos, místicos e alquimistas ao deus egípcio Thoth, identificado com o deus grego Hermes. Ambos eram os deuses da escrita e da magia nas respectivas culturas. Hermes era o autor de um conjunto de textos sagrados, "herméticos", contendo ensinamentos sobre artes, ciências e religião e filosofia: O Corpus Hermeticum , datado entre o século I ao século III, representou a fonte de inspiração do pensamento hermético e neoplatônico renascentista. Na época acreditava-se que o texto remontasse à antiguidade egípcia, anterior a Moisés e que nele estivesse contido também o prenúncio do cristianismo. Autor também do Livro dos Mortos, e do mais famoso texto alquímico a "Tábua de Esmeralda". Huberto Rohden, São Ludgero, 31 de dezembro de 1893 foi um filósofo, educador e teólogo catarinense, radicado em São Paulo. escreveu mais de 100 obras (ao final da vida, condensadas em 65 livros), onde franqueou leitura ecumênica de temáticas espirituais e abordagem espiritualista de questões pertinentes à Pedagogia, Ciência e Filosofia, enfatizando o autoconhecimento, auto-educação e a auto-realização.Lecionou na Universidade de Princeton, American University, de Washington D.C.(EUA) Raul Branco Autor, tradutor é membro da Sociedade Teosófica, economista, mora em Brasília e dedica-se ao estudo da tradição cristã e do gnosticismo. Tradutor para o português de Pistis Sophia - G.R.S. Mead. Carl Gustav Jung, nasceu a 26 de julho de 1875, em Kresswil, Basiléia, na Suíça, no seio de uma família voltada para a religião. Seu pai e vários outros parentes eram pastores luteranos, o que explica, em parte, desde a mais tenra idade, o interesse do jovem Carl por filosofia e questões espirituais e o pelo papel da religião no processo de maturação psíquica das pessoas, povos e civilizações. Criança bastante sensível e introspectiva, desde cedo demonstrou uma inteligência e uma capacidade intelectual notável. Gnóstico assumido, ficou célebre a resposta que Jung deu, em 1959, a um entrevistador da BBC que lhe perguntou: "O senhor acredita em Deus?" A resposta foi: "Não tenho necessidade de crer em Deus. Eu o conheço" Escreveu o livro Os Sete Sermões aos Mortos, foi amigo, admirador e colaborador de G.R.S.Mead, tradutor dos Manuscritos da Nag Hammadi, particularmente do Códice Jung, trabalho patrocinado pela Fundação Jung. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 219

Fernando Pessoa, 13 de Junho de 1888 nascia em Lisboa, gnóstico possuía ligações com a Tradição, com destaque para a Maçonaria e a Rosa-Cruz, havendo inclusive defendido publicamente as organizações iniciáticas, no Diário de Lisboa de 4 de fevereiro de 1935, contra ataques por parte da ditadura do Estado Novo. O seu poema hermético mais conhecido e apreciado entre os estudantes de esoterismo intitula-se "No Túmulo de Christian Rosenkreutz". Deixou escrito o Livro Rosa Cruz.

Paralelos com religiões orientais O gnosticismo tem alguns elementos em comum com o sufismo, o budismo, o helenismo, o hermetismo, o zoroastrismo e o hinduísmo. Gnosticismo e psicologia No século XX, Carl Gustav Jung pesquisou profundamente as doutrinas gnósticas, inclusive ajudando no trabalho de organização da Biblioteca de Nag Hammadi, e fez uma ligação entre os mitos gnósticos e os arquétipos do inconsciente coletivo. Escreveu o livro "Sete sermões aos mortos", sob o pseudônimo de Basilides de Alexandria, onde coloca a sua visão gnóstica em sete textos no formato dos evangelhos. Referências 1. ↑ (em inglês) Gnosis.org 2. ↑ (em português) Jones, Peter. Ameaça Pagã, A (Velhas heresias para uma nova era). Editora Cultura Cristã. ISBN 8586886386 3. ↑ Classical Texts: Acta Archelai (em inglês) pp. 76. Harvard.edu. Página visitada em 27/08/2010. 4. ↑ Alan G. Hefner. Dualism (em inglês). TheMystica.org. Página visitada em 27/08/2010. "Maniqueísmo, sendo uma seita gnóstica, ensinava uma doutrina similar de colocar Deus contra a matéria. Este ensinamento dualístico incorporava um mito cosmológico bastante elaborado, que incluía a derrota do homem primal pelos poderes das trevas que devoraram e aprisionaram as fagulhas de luz. Portanto, para Mani, o deus maligno que criou o mundo era o Jehovah judaico" 5. ↑ HILGENFELD, Die Clem. Recogn. und Hom. nach ihrem Ursprung und Inhalt. (em alemão). Jena: [s.n.], 1848. 123 ff. p. 6. ↑ (em inglês) Veja o artigo da 1911 Encyclopedia Britannica sobre Marcião: "Na visão de Marcião, portanto, o mito fundador de sua igreja - para o qual ele foi levado pela oposição se resume a uma reforma do Cristianismo pélo retorno a um Evangelho de Cristo e de Paulo; nada mais deve ser aceito além disso. Isso é suficiente para mostrar que é um erro listar Marcião entre os Gnósticos. Um dualista ele certamente era, mas não um gnóstico dependendo da visão particular de cada um sobre 'ser gnóstico'". 7. ↑ GONZÁLEZ, Justo L. A History of Christian Thought (em inglês). [S.l.]: Abingdon, 1970. 132-3 p. vol. I. 8. ↑ LAMBERT, Malcolm. The Cathars: The wise men from the east (em inglês). [S.l.]: Blackwell Publishing, 1998. 45 e seguintes p. ISBN 0-631-14343-2 9. ↑ a b c d e f g h i j k l m ROBINSON, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: The Apocryphon of John (Trad. por Frederik Wisse) (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2 WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 220

10. ↑ ROBINSON, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: Allogenes (Trad. por John D.Turner e Orval S. Wintermute) (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2 11. ↑ ROBINSON, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: Trimorphic Protennoia (Trad. por John D. Turner) (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06066929-2 12. ↑ David Brons (2003). The Pair (Syzygy) in Valentinian Thought (em inglês). Gnostic Society. 13. ↑ Fragments of a Faith Forgotten (em inglês). [S.l.]: Kessinger Publishing, 2005. ISBN 1417984139 14. ↑ ROBINSON, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: A Valentinian Exposition (Trad. por John D. Turner) (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2 15. ↑ "Demiurge" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público. 16. ↑ a b c d ROBINSON, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: The Hypostasis of the Archons (Trad. por Bentley Layton) (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2 17. ↑ Orígenes. Contra Celsum: Chapter 31 (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 31, vol. VI. 18. ↑ Veja também ROBINSON, ED., James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: On the Origin of the World (Trad. de Hans-Gebhard Bethge e Bentley Layton) (em inglês). San Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2 19. ↑ Franz Cumont (1903). Mithraic Art. Public-Domain-Content.com. Página visitada em 31/08/2010. 20. ↑ Narashimba. Manas: Indian Religions. Página visitada em 31/08/2010. 21. ↑ Ireneu. Adversus Haereses: Doctrines of Saturninus and Basilides (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 24, vol. I. 22. ↑ ROBINSON, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: The Gospel of the Egyptians (Trad. de Alexander Bohlig e Frederik Wisse) (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2 23. ↑ CAMPBELL, Joseph. Occidental Mythology (em inglês). [S.l.]: Penguin Arkana, 1991. 262 p. 24. ↑ a b c "Gnosticism" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público. 25. ↑ Negative theology (em inglês). Catholic Culture.org. Página visitada em 01/09/2010.. 26. ↑ Segundo a Tradução Brasileira da Bíblia 27. ↑ ROBINSON, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: The Tripartite Tractate (Trad. por Harold W. Attridge e Dieter Mueller) (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2 28. ↑ PAGELS, Elaine. Gnostic Paul: Gnostic Exegesis of the Pauline Letters (em inglês). [S.l.]: Trinity Press International, 1992. ISBN 1563380390 Bibliografia Leituras introdutórias

Stephan A. Hoeller, Gnosticism: New Light on the Ancient Tradition of Inner Knowing (Quest Books, 2002) WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 221

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Stuart Holroyd, The Elements of Gnosticism, (Shaftesbury, Dorset, England and Rockport, MA: Element Books, 1994) Marvin Meyer, The Gospel of Thomas: The Hidden Sayings of Jesus (Harper San Francisco, 1992) Elaine Pagels, Beyond Belief: The Secret Gospel of Thomas (Random House, 2003) Elaine Pagels, The Gnostic Gospels (New York: Random House, 1978) Martin Seymor-Smith, Gnosticism: The Path of Inner Knowledge (Harper San Francisco, 1996) June Singer, A Gnostic Book of Hours: Keys to Inner Wisdom (Nicolas Hays, March 2003) Stephan a Hoeller, Gnosticismo, (Editora Nova Era) Marvin Meyer, O Evangelho de Tomé Elaine Pagels, Os Evangelhos Gnósticos

Leituras intermediárias
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Tobias Churton, The Gnostics (London: Weidenfeld and Nicolson, 1987) John Dart, The Laughing Saviour: The Discovery and Significance of the Nag Hammadi Gnostic Library (New York: Harper & Row, 1976) Jean Doresse, The Secret Books of the Egyptian Gnostic: An Introduction to the Gnostic Coptic Manuscripts Discovered at Chenoboskion (New York: Viking Press, 1960) Robert M. Grant, Gnosticism and Early Christianity (New York: Harper Torchbooks, 1966) Arthur Guirdham, The Great Heresy (Jersey, England: Nevill Spearman, 1977) Stephan A. Hoeller, Jung and the Lost Gospels: Insights into the Dead Sea Scrolls and the Nag Hammadi Library (Wheaton, IL: Quest Books, 1989) Hans Jonas, The Gnostic Religion (Boston: Beacon, 1963 and republished) Jaques Lacarriere, The Gnostics (New York: E. P. Dutton, 1977; republished by City Light Books) Dan Merkur, Gnosis: An Esoteric Tradition of Mystical Visions and Unions (Albany, NY: SUNY Press, 1993) Pheme Perkins, The Gnostic Dialogue: The Early Church and the Crisis of Gnosticism (New York: Paulist Press, 1980 Zoe Oldenbourg, Massacre at Montsegur: A History of the Albigensian Crusade (New York: Minerva Press, 1968) Kurt Rudolph, Gnosis: The Nature and History of Gnosticism (San Francisco, Harper & Row, 1983) June Singer, A Gnostic Book of Hours: Keys to Inner Wisdom (San Francisco: Harper, 1992) H. J. Spierenburg, ed., H. P. Blavatsky: On the Gnostics (San Diego, CA: Point Loma Publication, 1994)

Leituras avançadas
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E. C. Blackman, Marcion and His Influence, (London: APGK, 1948; reprinted New York: Ames Press, 1978) Ioan P. Couliano, The Tree of Gnosis: Gnostic Mythology from Early Christianity to Modern Nihilism (San Francisco: Harper,1990) Giovanni Filoramo, A History of Gnosticism (Oxford and Cambridge, Mass.: Basil Blackwell, 1990) WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 222

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Iain Gardner, The Kephalaia of the Teacher: The Edited Coptic Manichaean Texts in Translation with Commentary Charles W. Hedrick and Robert Hodgson, ed., Nag Hammadi Gnosticism and Early Christianity (Peabody, Mass.: Hendrickson Publishers, 1986) Karen L. King, ed., Images of the Feminine in Gnosticism (Philadelphia, Penn.: Fortress Press, 1988 C. W. King, The Gnostics and Their Remains, Ancient and Medieval (reprinted San Diego: Wizards Bookshelf, 1982) Hans-Joachim Klimkeit, Gnosis on the Silk Road: Gnostic Texts from Central Asia (San Francisco: Harper, 1993) Samuel N. C. Lieu, Manichaeism in the Late Roman Empire and Medieval China (2 revised ed. Tubingen: J.C.B. Mohr, 1992) Samuel N. C. Lieu, Manichaeism in Mesopotamia & the Roman East (Leiden: E.J. Brill, 1994) Samuel N. C. Lieu, Manichaeism in Central Asia and China (Leiden: E.J. Brill, 1998) Elaine H. Pagels, The Johannine Gospel in Gnostic Exegesis: Heracleon's Commentary on John (Nashville and New York: Abingdon Press, 1973) Elaine H. Pagels, The Gnostic Paul: Gnostic Exegesis of the Pauline Letters (Philadelphia: Trinity Press International, 1975) Elaine H. Pagels, Adam, Eve, and the Serpent (New York: Random House, 1988) Simone Petrement, A Separate God: The Christian Origins of Gnosticism (San Francisco: Harper, 1990) Ray Summers, The Secret Teachings of the Living Jesus: Studies in the Coptic Gospel According to Thomas (Waco, Texas: Word Books, 1968) Richard T. Wallis and Jay Bergman, ed., Neoplatonism and Gnosticism (Albany, NY: SUNY Press, 1992) Yuri Stoyanov, The Other God: Dualist Religions from Antiquity to the Cathar Heresy (New Haven: Yale University Press, Rev. Ed. 2000

Edições das Escrituras gnósticas
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The Gospel According to Thomas: with complimentary texts (Santa Barbara: Concord Grove Press, 1983) Iain Gardner, The Kephalaia of the Teacher: The Edited Coptic Manichaean Texts in Translation with Commentary (Leiden: E. J. Brill, 1995) Werner Foerster, ed., Gnosis, A Selection of Gnostic Texts: II. Coptic and Mandean Sources (Oxford: Clarendon Press, 1974) Duncan Greenlees, The Gospel of the Gnostics (Adyar, Madras, India: Theosophical Publishing House, 1958) Duncan Greenlees, The Gospel of the Prophet Mani (Adyar, Madras, India: Theosophical Publishing House, 1958) Hans-Joachim Klimkeit, Gnosis on the Silk Road: Gnostic Texts from Central Asia (San Francisco: Harper, 1993) Bentley Layton, The Gnostic Scriptures (Garden City, NY: Doubleday & Co., 1987) Violet MacDermot, The Fall of Sophia: A Gnostic Text on the Redemption of Universal Consciousness

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G. R. S. Mead, Fragments of a Faith Forgotten: A Contribution to the Study of the Origins of Christianity (A reprint of the 1930 edition is currently available from Kessinger Publishing Company, P.O. Box 160, Kila, Montana, 59920) G. R. S. Mead, Pistis Sophia: A Gnostic Miscellany (A reprint edition is currently available from Garber Communications, Spiritual *Science Library, 5 Garber Road, Blautvelt, NY 10913) Marvin Meyer, The Gospel of Thomas: The Hidden Sayings of Jesus (Harper San Francisco, 1992) Marvin W. Meyer, The Secret Teachings of Jesus: Four Gnostic Gospels (New York: Random House, 1984) Robert J. Miller, ed, The Complete Gospels (San Francisco: Harper, 1994 James M. Robinson, ed, The Nag Hammadi Library in English (New York: Harper & Row, 1977; revised edition, San Francisco: Harper, 1988) Carl Schmidt, ed., Pistis Sophia (Leiden: E. J. Brill, 1978 Carl Schmidt, ed., The Books of Jeu and the Untitled Text in the Bruce Codex (Leiden: E. J. Brill, 1978) Andrew Welburn, Mani, the Angel and the Column of Glory: An Anthology of Manichean Texts (Ediburgh, Floris Books, 1998)

Uma biblioteca básica gnóstica
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Stephan A. Hoeller, Gnosticism: New Light on the Ancient Tradition of Inner Knowing (Quest Books, 2002) Elaine Pagels, The Gnostic Gospels (New York: Random House, 1978) Marvin Meyer, The Gospel of Thomas: The Hidden Sayings of Jesus (Harper San Francisco, 1992) June Singer, A Gnostic Book of Hours: Keys to Inner Wisdom (Nicolas Hays, March 2003) James M. Robinson, ed, The Nag Hammadi Library in English (New York: Harper & Row, 1977; revised edition, San Francisco: Harper, 1988) Bentley Layton, The Gnostic Scriptures (Garden City, NY: Doubleday & Co., 1987) Kurt Rudolph, Gnosis: The Nature and History of Gnosticism (San Francisco, Harper & Row, 1983) Giovanni Filoramo, A History of Gnosticism (Oxford and Cambridge, Mass.: Basil Blackwell, 1990)

Gnosticismo Teólogos Apeles • Bardesanes • Basílides • Carpócrates • Cerdão • Cerinto • Dositeu • Marcião de Sinope • Marcus • Menandro • Monoimo • Ptolomeu • Saturnino • Simão Mago • Valentim

Bogomilismo • Borborismo • Cainismo • Carpocracianismos • Catarismo • Encratismo • Euquitismo • Mandeísmo • Maniqueísmo • Seitas e religiões Marcionismo • Naassenismo • Neognosticismo • Nicolaísmo • Paulicianismo • Setianismo • Simonianismo • Ofitismo • Valentianismo Conceitos básicos Æons • Arcontes • Emanação • Gnose • Pleroma • Ogdóade Abraxas • Barbēlō • Demiurgo • Mônade • Norea • Sophia Divindades WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 224

Textos

Asclépio 21-29 • Prece de Ação de Graças Testemunho da verdade Alógenes • Apocalipse Copta de Paulo • Apocalipse de Adão • Apócrifo de João • Evangelho de Eva • Evangelho de Judas • Hipóstase dos Arcontes • Hypsiphrone • Livro Sagrado do Grande Espírito Setianos Invisível (ou Evangelho Copta dos Egípcios) • Marsanes • O Trovão, Mente Perfeita • Pensamento de Norea • Protenóia trimórfica • Sobre a origem do mundo • Três Estelas de Sete • Zostrianos Atos de Tomé • Diálogo do Salvador • Evangelho Tomé Apóstolo de Tomé • Hino da Pérola • Livro de Tomé o Adversário Eugnostos, o abençoado • Evangelho da Verdade • Evangelho de Filipe • Pistis Sophia • Prece do Valentianos apóstolo Paulo • Sophia de Jesus Cristo • Tratado sobre a Ressurreição Apocalipse Gnóstico de Pedro • Apócrifo de Tiago • Atos de Pedro e os 12 apóstolos • Carta de Pedro a Filipe •Ensinamentos de Silvano • Evangelho de Marcião • Evangelho de Maria • Evangelho dos Outros Egípcios • Exegese da alma • Melquisedeque • Paráfrase de Sem • Primeiro Apocalipse de Tiago • Segundo Apocalipse de Tiago • Segundo tratado do grande Sete • Tratado tripartite Herméticos Ofitas Biblioteca de Nag Hammadi • Códice Askew • Códice Bruce • Códice Jung • Códice Tchacos • Códice de Berlim • Papiros Mágicos Gregos • Papiros de Oxirrinco

Fontes

Apolinarianismo Apolinarianismo era o ponto de vista proposto por Apolinário de Laodicéia (310 - 390 d.C.), quem tentou criar um modo de explicar a natureza de Jesus, sua humanidade e divindade, segundo o qual Jesus Cristo teria um corpo humano, porém dotado de uma mente divina. Foi qualificado como heresia, em 381, pelo primeiro Concílio de Constantinopla, que definiu a posição ortodoxa de que Cristo seria totalmente homem e totalmente Deus. Fundador Apolinário ensinava que o homem era composto de corpo, alma e espírito, e que, em Jesus, o espírito do homem fora substituído pelo Logos, ou, pela segunda pessoa da Trindade. Assim afirmando, Apolinário negava a humanidade de Jesus, pois este estaria num corpo, de certa forma, emprestado. Nessa visão, Cristo não era totalmente humano, mas sim um espírito que se 'incorporava' nos homens. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 225

Repercussão Alguns pais da igreja, Atanásio de Alexandria, Basílio de Cesareia, Gregório de Nissa, e Gregório de Nanzianzo, foram formalmente contrários a este ensino e consideraram o apolinarismo uma heresia no Primeiro Concílio de Constantinopla em 381. A partir de então, sua influência passou a declinar até o seu quase completo desaparecimento.

Nestorianismo

Padres nestorianos em procissão no Domingo Pintura de parede do século VII ou VIII em uma igreja nestoriana na China

de

ramos

Nestorianismo é uma doutrina cristológica proposta por Nestório, Patriarca de Constantinopla (428 - 431 d.C.). A doutrina, que foi formada durante os estudos de Nestório sob Teodoro de Mopsuéstia na Escola de Antioquia, enfatiza a desunião entre as naturezas humana e divina de Jesus. Os ensinamentos de Nestório o colocaram em conflito com alguns dos mais proeminentes líderes da igreja antiga, principalmente Cirilo de Alexandria, que criticou-o particularmente por negar o título Theotokos ("Mãe de Deus") para a Virgem Maria. Nestório e seus ensinamentos foram condenados como heréticos no Primeiro Concílio de Éfeso em 431 d.C. e no Concílio de Calcedônia em 451 d.C., o que acabou por provocar o cisma nestoriano, no qual as igrejas que apoiavam Nestório deixaram o corpo da Igreja[1]. Porém, o crescimento da Igreja do Oriente no século VII d.C. e nos seguintes espalhou o nestorianismo por toda a Ásia. Há que se distinguir porém que nem todas as igrejas afiliadas com a Igreja do Oriente parecem ter seguido a cristologia nestoriana. A Igreja Assíria do Oriente, por exemplo, que reverencia Nestório, não segue a doutrina nestoriana histórica. Doutrina e a Controvérsia Nestoriana Nestório desenvolveu a sua cristologia como uma tentantiva de racionalmente explicar e entender a encarnação do divino Logos, a segunda pessoa da Trindade, no homem Jesus Cristo. Ele estudou em Antioquia, onde seu mentor fora Teodoro de Mopsuéstia. Ele e outros teólogos da escola já vinham há muito tempo ensinando uma interpretação literal da Bíblia e enfatizavam a diferença WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 226

entre as naturezas humana e divina de Jesus. Nestório levou consigo estas crenças quando foi apontado Patriarca de Constantinopla pelo imperador Teodósio II em 438 d.C. Os ensinamentos dele se tornaram então a raiz da controvérsia quando ele publicamente criticou o já tradicional título de Theotokos ("Mãe de Deus") para a Virgem Maria. Ele sugeriu que o título negava a humanidade plena de Cristo, argumentando que Jesus tinha duas naturezas vagamente relacionadas, a do divino Logos e a do humano Jesus. Assim, ele propôs o título Cristotokos ("Mãe de Cristo") como sendo mais adequado para Maria. Os oponentes de Nestório acharam que este ensinamento estava muito próximo da já condenada heresia do adocionismo - a ideia que Cristo teria nascido um homem que foi depois "adotado" (escolhido) como filho de Deus. Nestório foi especialmente criticado por Cirilo, Patriarca de Alexandria, que argumentou que os ensinamentos de Nestório minavam a unidade entre as naturezas divina e humana de Cristo na Encarnação. Nestório por sua vez sempre insistiu que a sua visão seria a ortodoxa, mesmo depois que ela já tinha sido considerada herética pelo Concílio de Éfeso em 431 d.C., levando ao cisma nestoriano. O Nestorianismo é uma forma de diofisismo e pode ser entendido como a antítese do monofisismo, que emergiu justamente como reação a ele. Enquanto o primeiro sustenta que Cristo teria duas naturezas vagamente unidas (divina e humana), o monofisismo contesta que ele teria apenas uma única natureza, a humana absorvida pela sua divindade. O monofisismo sobreviveu até hoje, transformado no Miafisismo das modernas igrejas do oriente. Primeiros anos e o cisma nestoriano Nestorianismo se tornou uma seita distinta logo após o cisma nestoriano, iniciado na década de 430 d.C. Nestório tinha caído sob o ataque dos teólogos ocidentais, principalmente Cirilo. Este tinha tanto motivos teológicos quanto políticos para atacar Nestório, uma vez que além de acreditar que ele estava incorreto em suas crenças, ele também queria enfraquecer o líder de um patriarcado competidor. Cirilo e Nestório pediram ao Papa Celestino I que interviesse no assunto e ele entendeu que o título Theotokos era ortodoxo, mas autorizou que ambos se desculpassem. Porém, Cirilo se utilizou esta opinião para atacar ainda mais Nestório, que acabou por solicitar ao imperador Teodósio II que convocasse um concílio para que todas as mágoas fossem endereçadas corretamente[1]. Em 431 d.C., Teodósio convocou o Primeiro Concílio de Éfeso. Porém, o concílio acabou finalmente ficando ao lado de Cirilo, defendendo que Cristo é uma substância e uma natureza, e que a Virgem Maria é a mãe de Deus. O concílio também acusou Nestório de heresia e o depôs. O nestorianismo foi então oficialmente anatemizado, uma decisão posteriormente reforçada em Calcedônia em 451 d.C. Porém, uma quantidade de igrejas, principalmente as associadas com a Escola de Edessa, apoiaram Nestório - ainda que não necessariamente a sua doutrina completa - e se separaram das igrejas do ocidente. Após o cisma, muitos dos que apoiavam Nestório se mudaram para o Império Sassânida (Pérsia), onde eles se afiliaram às igrejas locais, conhecidas coletivamente como Igreja do Oriente[2]. Cisma nestoriano

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O Cisma nestoriano foi um separação entre a Igreja Ortodoxa e as igrejas afiliadas ao nestorianismo no século V d.C. O cisma nasceu de uma disputa cristológica, cujas figuras principais foram Cirilo de Alexandria e Nestório. Este, em sua doutrina, enfatizava a distinção entre as naturezas humana e divina de Cristo, e foi condenado por isso nos concílios de Éfeso (431 d.C.) e de Calcedônia (451 d.C.). Neste período, as igrejas que apoiavam Nestório - e total ou parcialmente as suas crenças - se separaram do corpo da Igreja Ortodoxa, estabelecendo assim o nestorianismo como uma seita cristã distinta. As crenças de Nestório foram gradualmente sendo aceitas pelas Igrejas do Oriente, que representavam o Cristianismo na Pérsia sassânida, e que passou a ser conhecida como Igreja Nestoriana. História do cisma Após as condenações em Éfeso e Calcedônia, as igrejas que apoiavam Nestório - que giravam em torno da Escola de Edessa - se separaram do corpo da Igreja e se tornaram uma seita separada. Anatemizados no império romano, eles se mudaram para a Pérsia, então sob domínio sassânida, onde eles foram bem recebidos pelos cristãos persas que já tinham declarado sua independência de Constantinopla numa tentativa de evitar acusações de "pendores romanos". A Escola de Edesssa retornou então para a cidade de Nisibis (veja Escola de Nisibis), daí pra frente o centro do nestorianismo. Em 484 d.C., os sassânidas executaram o pró-bizantino catholicos Babowai e o substituíram pelo bispo nestoriano de Nisibis, Barsauma, efetivamente cortando o último laço da cristandade persa e o império romano. Daí pra frente, o Nestorianismo se espalhou velozmente por toda a Ásia, ganhando presença na Índia, nas estepes da Ásia central, nos territórios mongóis e na China.

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Nestorianismo e a Igreja do Oriente

A Estela nestoriana, que atesta a existência do cristianismo nestoriano na China no século VII d.C. Pérsia A Pérsia há muito já era refúgio de uma comunidade cristã que vinha sendo perseguida pela maioria zoroástrica, sob a acusação de ter "inclinações" romanas. Em 424 d.C., a igreja persa se declarou independente da igreja bizantina e de todas as outras igrejas, justamente para refutar estas acusações. Logo após o cisma, a Igreja da Pérsia cada vez mais se alinhou com os nestorianos, uma medida que foi encorajada pelas lideranças zoroástricas e que, com o passar dos anos, levou-a a se tornar mais e mais nestoriana, ampliando assim o cisma entre ela e igreja calcedoniana. Em 486 d.C., o metropolita de Nisibis, Barsauma, publicamente aceitou o mentor de Nestório, Teodoro de Mopsuéstia, como uma autoridade espiritual. Em 489 d.C., quando a Escola de Edessa (em Edessa, Mesopotâmia) foi fechada pelo imperador bizantino Zenão I por suas tendências nestorianas, ela se mudou para sua cidade original, Nisibis, e se tornou novamente a Escola de Nisibis, provocando uma onda de migração nestoriana para a Pérsia. O patriarca dali, Mar Babai I (497 - 502 d.C.), reiterou e expandiu a alta estima da igreja por Teodoro, solidificando então a adoção do nestorianismo[2]. Agora firmemente estabelecida na Pérsia, com centros em Nisibis, Ctesifonte, Gundeshapur e diversas sedes metropolitas, a Igreja Nestoriana Persa começou a se ramificar para fora do Império Sassânida. Contudo, durante todo o século VI d.C, a igreja foi frequentemente acometida por disputas internas e perseguições pelas mãos dos zoroástricos. A luta levou a um novo cisma, que durou de 521 até 539 d.C., quando os assuntos em disputa foram resolvidos. Porém, logo em seguida o conflito com os império bizantino levou à perseguição da WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 229

igreja pelo rei sassânida Khosrau I, o que terminou em 545 d.C. A igreja sobreviveu a estas atribulações sob a liderança do patriarca Mar Abba I, que tinha se convertido do Zoroastrismo[2]. Expansão A igreja emergiu mais forte após este período de atribulações e ampliou para ainda mais longe os seus esforços missionários. Missionários estabeleceram dioceses na península arábica e no subcontinente indiano (os cristãos de São Tomé). Eles fizeram alguns avanços sobre o Egito, apesar da forte presença monofisista lá[3]. Missionários foram também até a Ásia central e tiveram significativos sucessos em converter as tribos tártaras. Eles também se firmaram na China durante a dinastia Tang (618 - 907 d.C.). Uma fonte chinesa, conhecida como Estela nestoriana, relata uma missão sob um pregador persa chamado Alopen como tendo sido a origem do cristianismo nestoriano na China em 635 d.C. Seguindo a conquista muçulmana da Pérsia, completada em 644 d.C., a Igreja Persa se tornou uma comunidade dhimmi, protegida sob o Califado Rashidun. A igreja e suas comunidades no exterior floresceram neste período. No século X d.C. ela já tinha quinze sedes metropolitas no território do califado e outras cinco em outros lugares, inclusive a Índia e a China[2]. Atualmente subsistem as igrejas nestorianas (conhecidas, de uma forma geral, como Igreja Assíria do Oriente) na Índia e no Iraque, Irã, China e nos Estados Unidos e em outros lugares onde haja migrado comunidades cristãs dos países citados. A Igreja Assíria do Oriente, que defende não ser totalmente nestoriana, teve um papel fundamental na conservação de antigos textos gregos que foram traduzidos para o siríaco (um ramo do arameu). Mais tarde foram traduzidos para o árabe e no século XIII para o latim. Além da Igreja Assíria do Oriente, existem actualmente várias denominações cristãs que são também fortemente influenciadas pelo nestorianismo. Exemplos destas denominações, que foram fundadas muito após a Igreja Assíria, são os anabatistas, os cristadelfianos e os rosacrucianos. Referências 1. ↑ a b Nestorius (em inglês). Encyclopædia Britannica (11ª edição). Página visitada em 11/12/2010. 2. ↑ a b c d Nestorians (em inglês). Encyclopædia Britannica (11ª edição). Página visitada em 11/12/2010. 3. ↑ Campbell. Christian Confessions (em inglês). [S.l.: s.n.]. 62 p.. Ligações externas
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Este artigo incorpora texto da Encyclopædia Britannica (11ª edição), uma publicação agora em domínio público. "Site não oficial da Igreja do Oriente" (em inglês). Nestorian.org. Página visitada em 11/12/2010. Lieu, Sam; Parry, Ken. Resquícios maniqueístas e cristãos (nestorianos) em Zayton (Quanzhou, Sul da China) (em inglês). Macquarie University. Página visitada em 11/12/2010. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 230

Dickens, Mark (1999). A Igreja do Oriente (em inglês). Oxus Communications. Página visitada em 11/12/2010. Eutiquianismo

Eutiques foi um monge de Constantinopla, que fundamentou a heresia do monofisismo. Eutiques negava que Cristo, após a encarnação, tinha duas naturezas perfeitas.[1] Nasceu no ano de 378, provavelmente em Constantinopla. Ingressou na vida monástica em um monastério da capital, onde teve como superior um abade de nome Máximo, ferrenho adversário do nestorianismo. Nascia assim, graças à sua formação religiosa, um repúdio intrasigente pelas doutrinas que versavam soibre a existência de duas naturezas em Cristo. Já como sacerdote, Eutiques começou a participar ativamente ativamente das questões doutrinárias. Pelos idos de 440, ele converteu-se numa figura de grande projeção no monofisismo em Constantinopla e, quando subiu ao poder, em 441, o eunuco Crisápio, responsável por seu seu batismo, Eutiques principiou uma campanha fulminante contra o nestorianismo, atacando a todos a quem julgava suspeitos. Assim ele denunciou a Teodoreto de Ciro, Ibas de Edessa, Domno II de Antioquia (442-449) e até Flaviano de Constantinopla fora denunciado em uma carta enviada por ele à sé romana. Em 8 de novembro de 448, num sínodo regional en Constantinopla presidido pelo patriarca Flaviano, Eusébio de Dorileia, um dos primeiros que haviam sido denunciados por ele como adepto ou simpatizante do nestorianismo, acusou-o de heresia. O sínodo, depois de uma turbulenta onda de acontecimentos políticos, concluiu pela condenação de Eutiques como herético. Torna-se muito difícil saber precisamente qual a base fundamental da doutrina cristológica defendida por Eutiques, seja porque nenhum de seus escritos sobreviveu até os tempos presentes ou mesmo pela imprecisão ou inconsistência da mesma. Pode-se considerá-lo entretanto como o criador ou inspirador do monofisismo ou seja, a consideração de uma única natureza em Cristo, que as duas naturezas se fundiram em uma única depois da reencarnação e que este não seria humano como nós os homens. O Monofisismo Eutiquiano Em 448, Flaviano de Constantinopla condenou a heresia de Eutiques, mas Eutiques reuniu como aliados, nas palavras de Alban Butler, todos os maus elementos da corte bizantina.[1] O patriarca de Alexandria Dióscoro I, tido como o primeiro monofisista, não contente com as decisões do Primeiro Concílio de Éfeso em 431, que havia condenado Eutiques, convoca outro (Éfeso II), também em Éfeso, no ano de 449, onde se concluiu pela reabilitação de Eutiques e pela condenação do Patriarca Flaviano. Presidido por Dióscuro, Eutiques entrou no Concílio cercado de soldados romanos.[1] Dióscoro recusou-se a ler a carta doutrinária do Papa Leão I, o Tomo ad Flavianus. Quando Flaviano apelou à Sé Romana, Diodoro esqueceu sua missão apostólica e recorreu à violência: Flaviano foi surrado, pisoteado e banido;[1] e morreu poucos dias depois. Este Concílio ficou conhecido como o Latrocínio de Éfeso ou "Sínodo de Ladrões".[1] WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 231

Com a morte de Teodósio II (408-450), Pulquéria e Marciano (450-457), com o apoio de Leão I, convocaram um novo Concílio, este em Calcedônia (o 4º Ecumênico) que ocorreu entre os dias 08/10 a 01/11 de 451, com a participação de 350 bispos, e no qual de concluiu, entre outros assuntos, pela:
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Condenação da simonia, de casamentos mistos e ordenações absolutas. Deposição e Condenação de Eutiques de Constantinopla (criador do monofisismo) e Dióscoro I (444-451) de Alexandria.

O monofisismo Eutiquiano entretanto não morreria, ele dividiu e continuaria dividindo o mundo cristão. Referências 1. ↑ a b c d e Alban Butler, Vida dos Santos, 17 de Fevereiro, São Flaviano [em linha] (edição de 1894) O que é monergismo Monergismo (regeneração monergística) é uma benção redentora adquirida por Cristo para aqueles que o Pai lhe deu (1Pe 1.3; Jo 6.37-39). Ela comunica aquele poder na alma caída pela qual a pessoa que deve ser salva é eficazmente capacitada a responder ao chamado do evangelho (Jo 1.13). Ela é aquele poder sobrenatural de Deus somente pelo qual nos é concedida a capacidade espiritual para cumprir as condições do pacto da graça; isto é, para apreender o Redentor por uma fé viva, para se achegar aos termos da salvação, se arrepender dos ídolos e amar a Deus e o Mediador supremamente. O Espírito Santo, ao vivificar a alma, misericordiosamente capacita e inclina o eleito de Deus ao exercício espiritual da fé em Jesus Cristo. Este processo é o meio pelo qual o Espírito nos traz à viva união com Ele. Monergismo significa na teologia cristã a teoria de que o Espírito Santo sozinho pode atuar num ser humano e propiciar a conversão. Em uma manifestação simplificada o monergismo afirma que a salvação emana toda ela de Deus, opondo-se ao sinergismo, o qual afirma que Deus atua parcialmente e que a totalidade da salvação também depende da vontade de cada ser humano para completar a obra divina e com isso unir-se a Deus de maneira deliberada. Segundo o monergismo a um pecador é concedido o perdão quando da morte de Jesus e por isso estaria implícita a comunhão com o Cristo, e a fé em Jesus pelo Espírito Santo. Assim, para uns a santificação viria instantaneamente, ou para outros como algo progressivo. Mas segundo o monergismo a santificação advém inteiramente de Deus, dentro do conceito de graça irresistível. Monergismo (regeneração monergística) é uma benção redentora adquirida por Cristo para aqueles que o Pai lhe deu (1Pe 1.3; Jo 6.37-39). Ela comunica aquele poder na alma caída pela qual a pessoa que deve ser salva é eficazmente capacitada a responder ao chamado do evangelho (Jo 1.13). Ela é aquele poder sobrenatural de Deus somente pelo qual nos é concedida a capacidade espiritual para cumprir as condições do pacto da graça; isto é, para apreender o Redentor por uma fé viva, para se achegar aos termos da salvação, se arrepender dos ídolos e amar a Deus e o Mediador supremamente. O Espírito Santo, ao vivificar a alma, misericordiosamente capacita e inclina o WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 232

eleito de Deus ao exercício espiritual da fé em Jesus Cristo. Este processo é o meio pelo qual o Espírito nos traz à viva união com Ele. Citações ―Se um homem conhece algo, ele deve conhecer a verdade que Deus conhece, pois Deus conhece toda verdade.‖ por Gordon Clark Sinergismo Sinergismo significa na teologia cristã a teoria de que o homem tem algum grau de participação na salvação, ou seja, é responsável pela sua salvação ou perdição. Os pais da igreja grega dos primeiros séculos do cristianismo e muitos dos teólogos católicos medievais eram sinergistas. Philip Melanchthon, companheiro de Lutero na reforma alemã, era sinergista, embora o próprio Lutero não fosse. O oposto do Sinergismo é o monergismo, que corresponde à teoria de que o homem não tem nenhuma responsabilidade em sua própria salvação, sendo salvo ou condenado exclusivamente pela decisão soberana de Deus. Os pensadores cristãos de diversas épocas desenvolveram diferentes formas de sinergismo, tais como o pelagianismo, o semipelagianismo e o sinergismo arminiano, entre outros.

Pelagianismo: forma de sinergismo atribuída a Pelágio da Bretanha, um contemporâneo de Santo Agostinho. O pelagianismo nega a existência do pecado original. Assim, se não há pecado original, não há total depravação e todos os homens poderiam chegar à salvação pela simples prática das boas obras. O pelagianismo foi amplamente condenado em diversos concílios, tais como os de Cartago, Milevis e o 2º Concílio de Orange, em 529DC. Semipelagianismo: forma de sinergismo ensinada pelos massilianos, principalmente João Cassiano (360-435). Mesmo com a vontade depravada, o homem ainda teria um poder residual para dar os primeiros passos em direção à salvação, mas não para completá-la. O semipelagianismo também foi condenado como heresia no 2º Concílio de Orange, em 529DC.

Sinergismo arminiano Ao contrário do semipelagianismo e do pelagianismo, o sinergismo arminiano afirma a total depravação do homem em seu estado natural. De fato, com relação à depravação total, não há diferença entre o calvinismo e o arminianismo. O homem é totalmente incapaz, até mesmo, de desejar se aproximar de Deus. Para Armínio, a salvação é pela graça somente e por meio da fé somente. Mesmo para dar os primeiros passos em direção a Deus o homem precisa da graça preveniente, que foi tornada disponível a todos os homens graças à obra redentora de Jesus Cristo. Portanto, a participação do homem em sua própria salvação consiste apenas em não resistir a Deus. Todavia, nenhum homem nasce com essa capacidade de não resistir à Deus, já que todos nascem totalmente depravados, com sua natureza corrompida devido ao pecado de Adão. É a graça preveniente, outorgada por Deus a todos os homens, que restaura neles essa capacidade de escolherem a Deus, se quiserem. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 233

Portanto, para Armínio e os chamados "arminianos do coração", entre os quais podem-se citar Simon Episcopius, John Wesley, John Miley, Richard Watson, William Burton Pope e Ray Dunning, nenhum homem nasce com o livre-arbítrio, ou seja, a livre capacidade de decidir aceitar a salvação oferecida por Deus. É exatamente neste ponto que o sinergismo arminiano clássico se diferencia do pelagianismo e do semipelagianismo. Ao contrário, para Armínio, é a graça preveniente que restaura em todos os homens essa capacidade. Portanto, a expressão "livrearbítrio", tão comumente associada à teologia de Armínio, deve ser entendida como "arbítrio liberto" ou "vontade liberta" pela graça preveniente, capacitante e cooperante. Alguns teólogos conhecidos como arminianos desviaram-se das idéias originais de Armínio e passaram a defender posições pelagianas e semipelagianas. São os "arminianos da cabeça", que seguiram as idéias do holandês Philip Limborch. Devido a esse fato, a teologia arminiana é comum e erroneamente associada ao pelagianismo e ao semipelagianismo. Pelagianismo Pelágio da Bretanha

Pelágio Pelágio da Bretanha (350 — 423) foi um monge ascético, nascido provavelmente na Britânia. Vida e obra Estabeleceu-se em Roma por volta de 405, depois viajou para África do Norte, continuou a viagem até a Palestina e escreveu dois livros sobre o pecado, o livre-arbítrio e a graça: Da natureza e Do livre-arbítrio. Suas opiniões foram criticadas violentamente por Agostinho e seu amigo Jerônimo, tradutor e comentarista bíblico, que morava em Belém na Palestina. Foi inocentado das acusações sobre heresia pelo Sínodo de Dióspolis na Palestina em 415, mas condenado como herege pelo bispo de Roma em 417 e 418, e pelo Concílio de Éfeso em 431. Não se sabe ao certo o ano e o motivo da sua morte, provavelmente foi por volta de 423. É possível que sua condenação pelo Concílio de Éfeso tenha sido após a sua morte.[1] O pelagianismo WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 234

Suas ideias tornaram-se conhecidas como pelagianismo e foram consideradas heresias. Assim como acontecia com os hereges do cristianismo, pouco se sabe a respeito das suas ideias, pois o material produzido era queimado. Sua vida era cheia de mistérios e o que se conhece de seu pensamento é através das citações e alusões feitas em livros que se opõem a ele e o condenam. Os oponentes de Pelágio, liderados por Agostinho o acusaram de três heresias:
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Negar o pecado original; Negar que a graça de Deus é essencial para a salvação; Defender que o Homem possui a capacidade de decidir o seu futuro por livre-arbítrio, sem necessariamente depender da graça de Deus.

Sua doutrina a respeito da graça foi combatida por Agostinho de Hipona e considerada herética. O pelagianismo é uma teoria teológica cristã, atribuída a Pelágio da Bretanha. Sustenta basicamente que todo homem é totalmente responsável pela sua própria salvação e portanto, não necessita da graça divina. Segundo os pelagianos, todo homem nasce "moralmente neutro", sendo capaz, por si mesmo, sem qualquer influência divina, de salvar-se quando assim o desejar. Uma das grandes disputas durante a Reforma protestante versou sobre a natureza e a extensão do pecado original. No século V, Pelágio havia debatido ferozmente com Santo Agostinho sobre este assunto. Agostinho mantinha que o pecado original de Adão foi herdado por toda a humanidade e que, mesmo que o homem caído retenha a habilidade para escolher, ele está escravizado ao pecado e não pode não pecar. Por outro lado, Pelágio insistia que a queda de Adão afetara apenas a Adão, e que se Deus exige das pessoas que vivam vidas perfeitas, ele também dá a habilidade moral para que elas possam fazê-lo e embora considerasse Adão como "um mau exemplo" para a sua descendência, suas ações não teriam consequências para a mesma, sendo o papel de Jesus definido pelos pelagianos como "um bom exemplo fixo" para o resto da humanidade (contrariando assim o mau exemplo de Adão), bem como proporciona uma expiação pelos seus pecados, tendo a humanidade em suma, total controle pelas suas ações, posteriormente Pelágio reivindicou que a graça divina era desnecessária para a salvação, embora facilitasse a obediência. As sentenças pronunciadas contra a heresia foram confirmadas pelo Papa Inocêncio I. O Papa São Inocêncio I foi um papa eleito em 22 de dezembro de 401 e faleceu dia 12 de março de 417[1]. Foi durante o seu pontificado que São Jerônimo terminou a revisão da tradução latina da Bíblia conhecida como Vulgata Latina, em 404. Tendeu a unificar a Igreja ocidental em torno da "praxis romana", estabelecendo a observância dos ritos romanos no Ocidente, o catálogo do livros canônicos e as regras monásticas. Enfrentou a heresia de Pelágio, tendo ratificado a condenação deste e de Celestino; defendeu João Crisóstomo. Durante seu pontificado, Roma foi saqueada pelos visigodos de Alarico. Conseguiu que Honório proibisse as lutas de gladiadores. Semipelagianismo

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Semipelagianismo é uma teoria teológica cristã que trata principalmente sobre a salvação. Ensina basicamente que o ser humano é salvo exclusivamente por Deus mediante a graça, mas que a salvação partiria somente da inciativa da boa vontade no coração do homem para com Deus. Isto é, o homem precisa dar o primeiro passo em direção a Deus e então Deus irá completar o processo da salvação do homem. Esta teoria foi considerada herética pela igreja cristã no Concílio de Orange. O semipelagianismo deriva de outra teoria teológica cristã conhecida como pelagianismo, também considerada herética. No Concílio de Éfeso a igreja condenou a negação de Pelágio a respeito da necessidade e suficiência da graça sobrenatural, e também não decidiu a favor de Agostinho no tocante aos pensamentos monergistas. Portanto, mesmo o pelagianismo não sendo mais aceito pela igreja católica e ortodoxa, muitos teólogos migraram para uma posição intermediária entre o monergismo de Agostinho e as obras de justiça defendidas por Pelágio. A intenção era encontrar uma teoria soteriológica que fizesse justiça tanto a soberania da graça, quanto à livre decisão e atuação do homem. João Cassiano, monge de Marselha na França, foi o principal teólogo da controvérsia semipelagiana. Ele nasceu por volta do ano de 360 e ingressou ainda jovem no mosteiro de Belém, na Palestina. Visitou mosteiros no Egito e em outros lugares do Império Romano, depois fundou seu próprio mosteiro em Marselha, no ano de 410. Sua fama na história da igreja é mais como fundador do monasticismo ocidental, do que como teólogo do semipelagianismo. No mosteiro de Marselha estudaram vários teólogos relativamente brilhantes e o local se transformou no principal foco de oposição à teoria monergística, defendida por Agostinho. A controvérsia semipelagiana terminou no ano de 529 quando houve uma reunião de bispos ocidentais, conhecida como Sínodo de Orange, também chamada de Concílio de Orange. Importante observar que não consta na relação dos concílios ecumênicos, pois houve a participação apenas dos bispos ocidentais. Nesse concilio os bispos católicos condenaram os principais aspectos do semipelagianismo. Importante observar que ocorreram dois Concílios de Orange o primeiro no ano 441 e o segundo no ano de 529. Arminianismo Jacó Armínio (James Arminius, Jacob Harmenszoon; 10 de outubro de 1560 – 19 de outubro de 1609) foi um teólogo neerlandês que sistematizou a predestinação restrita. A partir de 1603 também foi professor de teologia na Universidade de Leiden. Armínio era um distinto pastor e professor holandês, cuja formação teólogica havia sido profundamente calvinista. De fato, boa parte de seus estudos ocorreram em Genebra, sob direção de Theodore Beza, o sucessor de João Calvino nessa cidade. Voltando aos Países Baixos, ocupou um importante púlpito em Amsterdão e logo sua fama se tornou grande. Devido a sua fama e ao seu prestígio como estudioso da Bíblia e da teologia, os dirigentes da igreja de Amsterdão lhe pediram que refutasse as opiniões do teólogo Dirck Koornhet, que havia atacado algumas das doutrinas calvinistas, particularmente, no que se referia à predestinação. Com o propósito de refutar Koornhert, Armínio estudou seus escritos e dedicou-se a compará-los com as escrituras, com a teologia dos primeiros séculos da igreja e com vários dos principais teólogos protestantes. Surge a predestinação restrita mais ocasionada pelo livre-arbítrio humano, do que ocasionada pela vontade soberana de Deus. Diverge, portanto, da predestinação incondicional (calvinista) que ensina que a WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 236

salvação humana depende de uma "eleição absoluta e soberana" - que depende exclusivamente de Deus: a vontade do homem fica excluída. O Arminianismo é uma escola de pensamento soterológica de dentro do cristianismo protestante, baseada sobre idéias do teólogo reformado holandes Jacó Armínio (1560 - 1609)[1] e seus seguidores históricos, os Remonstrantes. A aceitação doutrinária se estende por boa parte do cristianismo desde os primeiros argumentos entre Atanásio e Orígenes, até a defesa de Agostinho de Hipona do "pecado original." Desde o século XVI, muitos cristãos incluindo os batistas (Ver A History of the Baptists terceira edição por Robert G. Torbet) tem sido influenciados pela visão arminiana. Também os metodistas, os congregacionalistas das primeiras colônias da Nova Inglaterra nos séculos XVII e XVIII, e os universalistas e unitários nos séculos XVIII e XIX. O arminianismo segue os seguintes princípios:
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Os seres humanos são naturalmente incapazes de fazer qualquer esforço para a salvação. (veja também graça preveniente) A salvação só é possível pela graça de Deus, a qual não pode ser merecida. Nenhuma obra de esforço humano pode causar ou contribuir para a salvação. A eleição divina é condicional a fé no sacrifício e Senhorio de Jesus Cristo. A expiação de Cristo foi feita em nome de todas as pessoas. Deus permite que sua graça seja resistida por aqueles que livremente rejeitam a Cristo. Os crentes são capazes de resistir ao pecado, mas não estão além da possibilidade de queda da graça através da persistência, sem o arrependimento do pecado.[2]

O termo arminianismo é usado para definir aqueles que afirmam as crenças originadas por Jacó Armínio, porém o termo também pode ser entendido de forma mais ampla para um agrupamento maior de idéias, incluindo as de Hugo Grotius, John Wesley e outros. Há duas perspectivas principais sobre como o sistema pode ser aplicado corretamente: arminianismo clássico, que vê em Armínio o seu representante; e arminianismo wesleyano, que vê em John Wesley o seu representante. O arminianismo wesleyano é por vezes sinônimo de metodismo. Além disso, o arminianismo é muitas vezes mal interpretado por alguns dos seus críticos que o incluem no semipelagianismo ou no pelagianismo, ainda que os defensores de ambas as perspectivas principais neguem veementemente essas alegações.[3] Dentro do vasto campo da história da teologia cristã, o arminianismo está intimamente relacionado com o calvinismo (ou teologia reformada), sendo que os dois sistemas compartilham a mesma história e muitas doutrinas. No entanto, eles são frequentemente vistos como rivais dentro do evangelicalismo por causa de suas divergências sobre os detalhes das doutrina da predestinação e da salvação.[4] História Embora tenha sido discípulo do notável calvinista Teodoro de Beza, Armínio defendeu uma forma evangélica de sinergismo (crença que a salvação do homem depende da cooperação entre Deus e o homem), que é contrário ao monergismo, do qual faz parte o calvinismo (crença de que a salvação é inteiramente determinada por Deus, sem nenhuma participação livre do homem). O sinergismo WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 237

arminiano difere substancialmente de outras formas de sinergismo, tais como o pelagianismo e o semipelagianismo, como se demonstrará adiante. De modo análogo, também há variações entre as crenças monergistas, tais como o supra-lapsarianismo e o infra-lapsarianismo. Armínio não foi primeiro e nem o último sinergista na história da Igreja. De fato, há dúvidas quanto ao fato de que ele tenha introduzido algo de novo na teologia cristã. Os próprios arminianos costumavam afirmar que os pais da Igreja grega dos primeiros séculos da era cristã e muitos dos teólogos católicos medievais eram sinergistas, tais como o reformador católico Erasmo de Roterdã. Até mesmo Philipp Melanchthon (1497-1560), companheiro de Lutero na reforma alemã, era sinergista, embora o próprio Lutero não fosse. Armínio e seus seguidores divergiram do monergismo calvinista por entenderem que as crenças calvinistas na eleição incondicional (e especialmente na reprovação incondicional), na expiação limitada e na graça irresistível:
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seriam incompatíveis com o caráter de Deus, que é amoroso, compassivo, bom e deseja que todos se salvem. violariam o caráter pessoal da relação entre Deus e o homem. levariam à conseqüência lógica inevitável de que Deus fosse o autor do mal e do pecado.

Contexto histórico Para se compreender os motivos que levaram à aguda controvérsia entre o calvinismo e o arminianismo, é preciso compreender o contexto histórico e político no qual se inseriam os Países Baixos à época. De acordo com historiadores, tais como Carl Bangs, autor de "Arminius: A Study in the Dutch Reformation (1985)", as igrejas reformadas da região eram protestantes, em sentido geral, e não rigidamente calvinistas. Embora aceitassem o catecismo de Heidelberg como declaração primária de fé, não exigiam que seus ministros ou teólogos aderissem aos princípios calvinistas, que vinham sendo desenvolvidos em Genebra, por Beza. Havia relativa tolerância entre os protestantes holandeses. De fato, havia tanto calvinistas quanto luteranos. Os seguidores do sinergismo de Melanchthon conviviam pacificamente com os que professavam o supralapsarianismo de Beza. O próprio Armínio, acostumado com tal "unidade na diversidade", mostrou-se estarrecido, em algumas ocasiões, com as exageradas reações calvinistas ao seu ensino. Essa convivência pacífica começou a ser destruída quando Franciscus Gomarus, colega de Armínio na Universidade de Leiden, passou a defender que os padrões doutrinários das igrejas e universidades holandesas fossem calvinistas. Então, lançou um ataque contra os moderados, incluindo Armínio. De início, a campanha para impor o calvinismo não foi bem sucedida. Tanto a igreja quanto o Estado não consideravam que a teologia de Armínio fosse heterodoxa. Isso mudou quando a política passou a interferir no processo. À época, os países baixos, liderados pelo príncipe Maurício de Nassau, calvinista, estavam em guerra contra a dominação da Espanha, católica. Alguns calvinistas passaram a convencer os governantes dos Países Baixos, e especialmente o príncipe Nassau, de que apenas a sua teologia WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 238

proveria uma proteção segura contra a influência do catolicismo espanhol. De fato, caricaturas da época apresentavam Armínio como um jesuíta disfarçado. Nada disso foi jamais comprovado. Depois da morte de Armínio, o governo começou a interferir cada vez mais na controvérsia teológica sobre predestinação. O príncipe Nassau destituiu os arminianos dos cargos políticos que ocupavam. Um arminiano foi executado e outros foram presos. O conflito teológico atingiu tamanha proporção que levou a Igreja a convocar o Sínodo Nacional da Igreja Reformada, em Dort, mais conhecido como o Sínodo de Dort, onde os arminianos, conhecidos como "remonstrantes", tiveram a oportunidade de defender seus pontos de vista perante as autoridades, partidárias do calvinismo. As discussões ocorreram em 154 reuniões iniciadas em 13 de novembro 1618 e encerrada em 9 de maio de 1619, cujo o assunto era a predestinação incondicional defendida pelo calvinismo e a predestinação condicional defendida pelo arminianismo. Os arminianos acabaram sendo condenados como hereges, destituídos de seus cargos eclesiásticos e seculares, tiveram suas propriedades expropriadas e foram exilados. Logo que Maurício de Nassau morreu, os calvinistas perderam o seu poder na região e os arminianos puderam retornar ao país, onde fundaram igrejas e um seminário, o qual até hoje existe na Holanda (Remonstrants Seminarium). Em síntese, as igrejas protestantes holandesas continham diversidade teológica, à época de Armínio. Tanto monergistas quanto sinergistas eram ali representados e conviviam pacificamente. O que levou a visão monergista à supremacia foi o poder do Estado, representado pelo príncipe Maurício de Nassau, que perseguiu os sinergistas. Para Armínio e seus seguidores, sua teologia também era compatível com a reforma protestante. Em sua opinião, tanto o calvinismo quanto o arminianismo são duas correntes inseridas na reforma protestante, por serem, ambas, compatíveis com o lema dos reformados sola gratia, sola fide, sola scriptura.

Teologia A teologia arminiana geralmente cai em um dos dois grupos - Arminianismo Clássico, elaborado a partir do ensino de Jacó Armínio - e Arminianismo Wesleyano, com base principalmente de Wesley. Ambos os grupos se sobrepõem consideravelmente. Arminianismo Clássico O arminianismo clássico (às vezes chamado de arminianismo reformado) é o sistema teológico que foi apresentado por Jacó Armínio e mantido pelos Remonstrantes[5]; sua influência serve como base para todos os sistemas arminianos. A lista de crenças é dado abaixo:

A Depravação é total: Armínio declarou: "Neste estado [caído], o livre arbítrio do homem para o verdadeiro bem não está apenas ferido, enfermo, dobrado, e enfraquecido, mas ele está também preso, destruído, e perdido. E os seus poderes não só estão debilitados e inúteis a menos que seja assistido pela graça, mas não tem poder nenhum exceto como está animado pela graça divina."[6] WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 239

A Expiação destina-se para todos: Jesus foi para todas as pessoas, Jesus atrai todos a si mesmo, e todas as pessoas têm oportunidade para a salvação pela fé.[7] A morte de Jesus satisfaz a justiça de Deus: A penalidade pelos pecados dos eleitos é pago integralmente através da obra de Jesus na cruz. Assim, a expiação de Cristo é destinado a todos, mas requer fé para ser efetuada. Armíno declarou "Justificação, quando usado para o ato de um juiz, ou é meramente a imputação da justiça através da misericórdia ... ou que o homem é justificado diante de Deus ... de acordo com o rigor da justiça sem perdão."[8] Stephen Ashby esclarece "Armínio considera apenas duas maneiras possíveis em que o pecador pode ser justificado: (1) pela nossa adesão absoluta e perfeita à lei, ou (2) puramente pela imputação da justiça de Deus de Cristo."[9] A graça é resistível: Deus toma a iniciativa no processo de salvação e a sua graça vem a todas as pessoas. Esta graça (muitas vezes chamado de preveniente ou pré-graça regeneradora) age em todas as pessoas para convencê-los do Evangelho, desenhá-los fortemente para a salvação, e permitir a possibilidade de uma fé sincera. Picirilli declarou "Certamente esta graça está tão perto de regeneração que leva inevitavelmente a regeneração se finalmente resistiu." [10] A oferta de salvação pela graça de não agir irresistivelmente em um puramente de causa-efeito, o método determinístico, mas sim em uma de influência e moda resposta que tanto pode ser livremente aceita e livremente negada. [11] O homem tem livre arbítrio para responder ou resistir: O livre-arbítrio é limitado pela soberania de Deus, mas a soberania de Deus permite que todos os homens tenham a opção de aceitar o Evangelho de Jesus através da fé, simultaneamente, permite que todos os homens resistam. A eleição é condicional: Armínio define eleição como "o decreto de Deus pelo qual, de Si mesmo, desde a eternidade, decretou justificar em Cristo, os crentes, e a aceitá-los para a vida eterna."[12] Só Deus determina quem será salvo e sua determinação é que todos os que crêem em Jesus através da fé sejam justificados. Segundo Armínio, "Deus respeita ninguém em Cristo a menos que sejam enxertados nele pela fé". [12] Deus predestina os eleitos, para um futuro glorioso: A predestinação não é a predeterminação de quem vai acreditar, mas sim a predeterminação da herança futura do crente. Os eleitos são, portanto, predestinados a filiação através da adoção, a glorificação, e a vida eterna. [13] A segurança eterna é também condicional: condicional Todos os crentes têm plena certeza da salvação com a condição de que eles permaneçam em Cristo. A salvação está condicionada à fé, perseverança, portanto, também está condicionada.[14] Apostasia (desvio de Cristo) só é cometida por uma deliberada e proposital rejeição de Jesus e renúncia da fé.[15]

Os Cinco Artigos da Remonstrancia que os seguidores de Armínio formularam em 1610 o estado acima de crenças relativas (I) eleição condicional, (II) expiação ilimitada, (III) depravação total, (IV) depravação total e a graça resistível, e (V) possibilidade de apostasia. Note, entretanto, que o artigo quinto não nega completamente a perseverança dos santos, Armínio mesmo, disse que "nunca me ensinaram que um verdadeiro crente pode cair ... longe da fé ... ainda não vou esconder que há WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 240

passagens de Escritura que parecem-me usar este aspecto, e as respostas a elas que me foi permitido ver, não são como a gentileza de aprovar-se em todos os pontos para o meu entendimento ".[16] Além disso, o texto dos artigos da Remonstrancia diz que nenhum crente pode ser arrancado da mão de Cristo, e à questão da apostasia, "a perda da salvação" é necessário mais estudos antes que pudesse ser ensinada com plena certeza. As crenças básicas de Jacó Armínio e os Remonstrances estão resumidos como tal pelo teólogo Stephen Ashby: 1. Antes de ser chamado e capacitado, alguém é incapaz de crer... somente capaz de resistir. 2. Depois de ter sido chamado e capacitado, mas antes da regeneração, alguém é capaz de crer... também capaz de resistir. 3. Após alguém crer, Deus o regenera, alguém é capaz de continuar crendo... também capaz de resistir. 4. Após resistir ao ponto de descrer, alguém é incapaz de acreditar... só capaz de resistir.''[17] Interpretação dos Cinco Pontos O terceiro ponto sepulta qualquer pretensão de associar o arminianismo ao pelagianismo ou ao semipelagianismo. De fato, a doutrina de Armínio é perfeitamente compatível com a Depravação Total calvinista. Ou seja, em seu estado original o homem é herdeiro da natureza pecaminosa de Adão e totalmente incapaz, até mesmo, de desejar se aproximar de Deus. Nenhum homem nasce com o "livre-arbítrio", ou seja, com a capacidade de não resistir a Deus. O quarto ponto demonstra claramente que é a graça preveniente que restaura no homem a sua capacidade de não resistir à Deus. Portanto, para Armínio, a salvação é pela graça somente e por meio da fé somente. Nesse sentido, os arminianos do coração concordam com os calvinistas no sentido de que a capacitação, por meio da graça, precede a fé, e que até mesmo a fé salvadora seja um dom de Deus. A diferença está na compreensão da operação dessa graça. Para os calvinistas, a graça é concedida apenas aos eleitos, que a ela não podem resistir. Para os arminianos, a expiação por meio de Jesus Cristo é universal e comunica essa graça preveniente a todos os homens; mas ela pode ser resistida. Assim como o pecado entrou no mundo pelo primeiro Adão, a graça foi concedida ao mundo por meio de Cristo, o segundo Adão (conforme Romanos 5:18, João 1:9 etc.). Nesse sentido, os arminianos entendem que I Timóteo 4:10 aponta para duas salvações em Cristo: uma universal e uma especial para os que creem. A primeira corresponde à graça preveniente, concedida a todos os homens, que lhes restaura o arbítrio, ou seja, a capacidade de não resistir a Deus. Ela é distribuída a todos os homens porque Deus é amor (I João 4:8, João 3:16) e deseja que todos os homens se salvem (I Timóteo 2:4, II Pedro 3:9 etc.), conforme defendido no segundo ponto do arminianismo. A segunda é alcançada apenas pelos que não resistem à graça salvadora e creem em Cristo. Estes são os predestinados, segundo a visão arminiana de predestinação. Portanto, embora a expressão "livre-arbítrio" seja comumente associada ao arminianismo, ela deve ser entendida como "arbítrio liberto" ou "vontade liberta" pela graça preveniente, convencedora, iluminadora e capacitante que torna possíveis o arrependimento e a fé. Sem a atuação da graça, nenhum homem teria livre-arbítrio. Ao contrário dos calvinistas, os arminianos creem que essa graça preveniente, concedida a todos os homens, não é uma força irresistível, que leva o homem necessariamente à salvação. Para Armínio, WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 241

tal graça irresistível violaria o caráter pessoal da relação entre Deus e o homem. Assim, todos os homens continuam a ter a capacidade de resistir à Deus, que já possuíam antes da operação da graça (conforme Atos 7:51, Lucas 7:30, Mateus 23:37 etc.). Portanto, a responsabilidade do homem em sua salvação consiste em não resistir ao Espírito Santo. Este é o coração do sinergismo arminiano, o qual difere radicalmente dos sinergismos pelagiano e semipelagiano. No que tange à perseverança dos santos, os remonstrantes não se posicionaram, já que deixaram a questão em aberto. Citações das obras de Armínio Os textos a seguir transcritos, escritos pelo próprio Armínio, são úteis para demonstrar algumas de suas idéias. …Mas em seu estado caído e pecaminoso, o homem não é capaz, de e por si mesmo, pensar, desejar, ou fazer aquilo que é realmente bom; mas é necessário que ele seja regenerado e renovado em seu intelecto, afeições ou vontade, e em todos os seus poderes, por Deus em Cristo através do Espírito Santo, para que ele possa ser capacitado corretamente a entender, avaliar, considerar, desejar, e executar o que quer que seja verdadeiramente bom. Quando ele é feito participante desta regeneração ou renovação, eu considero que, visto que ele está liberto do pecado, ele é capaz de pensar, desejar e fazer aquilo que é bom, todavia não sem a ajuda contínua da Graça Divina. Com referência à Graça Divina, creio, (1.) É uma afeição imerecida pela qual Deus é amavelmente afetado em direção a um pecador miserável, e de acordo com a qual ele, em primeiro lugar, doa seu Filho, "para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna," e, depois, ele o justifica em Cristo Jesus e por sua causa, e o admite no direito de filhos, para salvação. (2.) É uma infusão (tanto no entendimento humano quanto na vontade e afeições,) de todos aqueles dons do Espírito Santo que pertencem à regeneração e renovação do homem - tais como a fé, a esperança, a caridade, etc.; pois, sem estes dons graciosos, o homem não é capaz de pensar, desejar, ou fazer qualquer coisa que seja boa. (3.) É aquela perpétua assistência e contínua ajuda do Espírito Santo, de acordo com a qual Ele age sobre o homem que já foi renovado e o excita ao bem, infundindo-lhe pensamentos salutares, inspirando-lhe com bons desejos, para que ele possa dessa forma verdadeiramente desejar tudo que seja bom; e de acordo com a qual Deus pode então desejar trabalhar junto com o homem, para que o homem possa executar o que ele deseja. Desta maneira, eu atribuo à graça O COMEÇO, A CONTINUIDADE E A CONSUMAÇÃO DE TODO BEM, e a tal ponto eu estendo sua influência, que um homem, embora regenerado, de forma nenhuma pode conceber, desejar, nem fazer qualquer bem, nem resistir a qualquer tentação do mal, sem esta graça preveniente e excitante, seguinte e cooperante. Desta declaração claramente parecerá que de maneira nenhuma eu faço injustiça à graça, atribuindo, como é dito de mim, demais ao livre-arbítrio do homem. Pois toda a controvérsia se reduz à solução desta questão, "a graça de Deus é uma certa força irresistível"? Isto é, a controvérsia não diz respeito àquelas ações ou operações que possam ser atribuídas à graça, (pois eu reconheço e ensino muitas destas ações ou operações quanto qualquer um,) mas ela diz respeito unicamente ao modo de operação, se ela é irresistível ou não. A respeito da qual, creio, de acordo com as escrituras, que muitas pessoas resistem ao Espírito Santo e rejeitam a graça que é oferecida. Extraído de As Obras de James Arminius Vol. I WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 242

Arminianismo Wesleyano John Wesley foi historicamente o advogado mais influente dos ensinos da soterologia arminiana. Wesley concordou com a vasta maioria daquilo que o próprio Armínio defendeu, mantendo doutrinas fortes, tais como as do pecado original, depravação total, eleição condicional, graça preveniente, expiação ilimitada e possibilidade de apostasia. Wesley, porém, afastou-se do Arminianismo Clássico em três questões:

Expiação – A expiação para Wesley é um híbrido da teoria da substituição penal e da teoria governamental de Hugo Grócio, advogado e um dos Remonstrantes. Steven Harper expõe: "Wesley não colocou o elemento substitucionário dentro de uma armação legal …Preferencialmente [sua doutrina busca] trazer para dentro do próprio relacionamento a 'justiça' entre o amor de Deus pelas pessoas e a aversão de Deus ao pecado …isso não é a satisfação de uma demanda legal por justiça; assim, muito disso é um ato de reconciliação imediato."[18] Possibilidade de apostasia – Wesley aceitou completamente a visão arminiana de que cristãos genuínos podem apostatar e perder sua salvação. Seu famoso sermão "A Call to Backsliders" demostra claramente isso. Harper resume da seuinte forma: "o ato de cometer pecado não é ele mesmo fundamento para perda da salvação … a perda da salvação está muito mais relacionada a experiências que são profundas e prolongadas. Wesley via dois caminhos principais que resultam em uma definitiva queda da graça: pecado não confessado e a atitude de apostasia."[19] Wesley discorda de Armínio, contudo, ao sustentar que tal apostasia não é final. Quando menciona aqueles que naufragaram em sua fé (1 Tim 1:19), Wesley argumenta que "não apenas um, ou cem, mas, estou convencido, muitos milhares … incontáveis são os exemplos … daqueles que tinham caído, mas que agora estão de pé"[20] Perfeição cristã – Conforme o ensino de Wesley, cristãos podem alcançar um estado de perfeição prática. Isso significa uma falta de todo pecado voluntário, mediante a capacitação do Espírito Santo em sua vida. Perfeição cristã (ou santificação inteira), conforme Wesley, é "pureza de intenção; toda vida dedicada a Deus" e "a mente que estava em Cristo, nos capacita a andar como Cristo andou." Isso é "amar a Deus de todo o seu coração, e os outros como você mesmo".[21] Isso é 'uma restauração não apenas para favor, mas também para a imagem de Deus," nosso ser "encheu-se com a plenitude de Deus".[22] Wesley esclareceu que a perfeição cristã não implica perfeição física ou em uma infabilidade de julgamento. Para ele, significa que não devemos violar a longanimidade da vontade de Deus, por permanecer em transgressões involuntárias. A perfeição cristã coloca o sujeito sob a tentação, e por isso há a necessidade contínua de oração pelo perdão e santidade. Isso não é uma perfeição absoluta mas uma perfeição em amor. Além disso, Wesley nunca ensinou um salvação pela perfeição, mas preferiu dizer que "santidade perfeita é aceitável a Deus somente através de Jesus Cristo."[21] Arminianismo e outras visões

Para compreender o arminianismo é necessário ter compreensão das seguintes alternativas teológicas: pelagianismo, semipelagianismo e calvinismo. Arminianismo, como qualquer outro sistema de crença maior, é freqüentemente mal compreendido tanto pelos críticos quanto pelos futuros adeptos. Abaixo estão listados alguns equívocos comuns. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 243

Comparação com os protestantes Esta tabela resume as visões clássicas de três diferentes crenças protestantes sobre a salvação. [23] 'Tema' Luteranismo Calvinismo Arminianismo Depravação total, Depravação total, A depravação não se Arbítrio sem o livre- sem o livreopõe ao livre-arbítrio humano arbítrio arbítrio Eleição Eleição condicional, Inconditional, incondicional para tendo em conta a eleição somente Eleição a salvação e previsão da fé ou para a salvação danação incredulidade Justificação é Justificação de Justificação é limitada para os todas os que possível para todos, eleitos para a mas só se completa Justificação creêm cocluída salvação, na morte de quando alguém concluída na Cristo. escolhe a fé. morte de Cristo. Através dos Sem meios, Envolverá o livre Conversão meios de graça, irresistível arbítrio e é resistível resistível Conservação sob a Cair da graça é Perseverança dos condição de mas santos, uma vez perseverar na fé com Preservação possível, sempre a possibilidade de e apostasia Deus dá garantia salvo, de preservação. salvo uma total e definitiva apostasia. Equívocos Comuns

Arminianismo suporta salvação baseada em obras - Nenhum sistema conhecido de arminianismo nega a salvação "somente pela fé" e "pela fé do primeiro ao último". Este equívoco é muitas vezes dirigido contra a possibilidade de apostasia arminiana, que os críticos exigem manutenção contínua das boas obras para alcançar a salvação final. Para os arminianos, no entanto, tanto a salvação inicial e a segurança eterna são "apenas pela fé"; daí "pela fé do primeiro ao último". Crença que a fé é a condição para entrar no Reino de Deus; a incredulidade é a condição para sair do Reino de Deus - não a falta de boas obras.[24]
[25] [26]

Arminianismo é pelagiano (ou semipelagiano), nega o pecado original e a depravação total - Nenhum sistema de arminianismo fundado em Armínio ou Wesley nega o pecado original ou depravação total;[27] tanto Armínio quanto Wesley fortemente afirmaram que a condição básica do homem é tal que ele não pode ser justo, compreender a Deus, ou buscar a Deus.[28]

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Muitos críticos do arminianismo, tanto no passado como no presente, afirmam que o arminianismo tolera ou mesmo explicitamente apoia o pelagianismo ou semipelagianismo. Armínio se refere ao pelagianismo como "a grande mentira" e afirmou que "Devo confessar que eu o detesto, do meu coração, as conseqüências [de tal teologia]."[29] David Pawson, um pastor inglês, denunciou a associação como "caluniosa", quando atribuída a doutrina de Armínio ou Wesley.[30] Na verdade a maioria dos arminianos rejeitam todas as acusações de pelagianismo; no entanto, devido principalmente aos adversários calvinistas,[31] [32] os dois termos permanecem entrelaçados no uso popular.

Arminianismo nega o pagamento substitutivo de Jesus pelos pecados - Tanto Armínio quanto Wesley acreditavam na necessidade e suficiência da expiação de Cristo por meio da substituição.[33] Armínio declarou que a justiça de Deus foi satisfeita individualmente[34] enquanto Hugo Grotius e muitos dos seguidores de Wesley ensinaram que Deus foi satisfeito governamentalmente.[35]

Comparação com o Calvinismo Desde sempre, Armínio e seus seguidores se revoltaram contra o calvinismo no início do século XVII, a soteriologia protestante tem sido amplamente dividida entre calvinismo e arminianismo. O extremo do calvinismo é o hipercalvinismo, que insiste que os sinais da eleição devem ser procurados antes de evangelização do inregenerado ocorrer e que os eternamente condenados não têm a obrigação de se arrepender e crer, e o extremo do arminianismo é o pelagianismo, que rejeita a doutrina do pecado original em razão da responsabilidade moral, mas a esmagadora maioria dos protestantes, pastores evangélicos e teólogos se prendem a um destes dois sistemas ou em algum lugar entre eles. Similaridades

Depravação total – arminianos concordam com os calvinistas sobre a doutrina da depravação total. As diferenças ficam na compreensão de como Deus medica a depravação humana. Efeito substitucionário da expiação – arminianos também afirmam como os calvinistas o efeito substitucionário da expiação de Cristo e que esse efeito está limitado somente ao eleito. Arminianos clássicos concordam com os calvinistas que esta substituição foi uma satisfação penal por todo o eleito, enquanto a maioria dos arminianos wesleyanos sustentam que a substituição foi em natureza governamental.

Diferenças

Natureza da eleição – arminianos defendem que a eleição para salvação eterna está ligada a condição da fé. A doutrina calvinista da eleição incondicional declara que a salvação não pode ser ganhada ou alcançada e, portanto, não depende de qualquer esforço humano, de modo que a fé não é uma condição de salvação, mas os meios divinos para isso. Em outras palavras, arminianos acreditam que devem sua eleição a sua fé, enquanto que os calvinistas acreditam que devem sua fé a sua eleição. Natureza da graça – arminianos acreditam que através da graça de Deus, é restaurado o livre-arbítrio concernente a salvação da toda a humanidade, e que cada indivíduo, portanto, é capaz de aceitar o chamado do Evangelho através da fé ou resistí-la através da WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 245

incredulidade. Calvinistas defendem que a graça de Deus que permite a salvação é dada somente ao eleito e que irresistivelmente o conduz a salvação. Extensão da expiação – arminianos, juntamente com os quatro pontos calvinistas ou amiraldiano, defendem uma tiragem universal e extensão universal da expiação em vez da doutrina calvinista que a tiragem e expiação é limitado em extenção somente aos eleitos. Ambos os lados (com a exceção dos hipercalvinistas) acreditam que o convite do Evangelho é universal e que "deve ser apresentado a todo o mundo, [eles] podem ser alcançados sem qualquer distinção."[36] Perseverança na fé – arminianos acreditam que a salvação futura e a vida eterna está segura em Cristo e protegida de todas as forças externas, mas é condicional sobre permanecer em Cristo e pode ser perdida através da apostasia. Calvinistas tradicionais acreditam na doutrina da perseverança dos santos, que diz que porque Deus escolheu alguns para a salvação e efetivamente paga por seus pegados particulares, Ele os conserva da apostasia e que aquels que apostataram nunca foram verdadeiramente regenerados (que é, novo nascimento). Calvisnistas não tradicionais e outros evangelicais defendem uma similar, mas diferente doutrina de segurança eterna que ensina, se uma pessoa já foi salva, sua salvação nunca pode estar em perigo, mesmo se a pessoa abandone completamente a fé. Pedro de Bruys (Petrobrusianismo)

Pedro de Bruys (também conhecido como Pierre De Bruys ou Pedro Bruis, fl. 1117 - c.1131) foi um herege francês que pregava doutrinas contra as crenças da Igreja Católica . Uma multidão enfurecida ele matou por volta do ano 1131 . A informação disponível sobre Pedro de Bruys vem de duas fontes, o tratado de Pedro, o Venerável contra os seus seguidores e uma passagem escrita por Pedro Abelardo . Vida e Doutrina Algumas fontes sugerem que Pedro nasceu em Bruis , no sudeste França . Em sua infância nada se sabe, apenas que era um padre católico que foi destituído de seu trabalho para ensinar as doutrinas heterodoxas. começou pregação na Dauphine e Provence provavelmente entre 1117 e 1120. Os bispos da diocese vizinha Embrun , Die , e Gap proibido os seus ensinamentos em suas jurisdições. Apesar da repressão do governo, as doutrinas de Pedro ganhou adeptos em Narbonne , Toulouse e na Gasconha . Pedro de Bruys admitiu a autoridade dos Evangelhos em sua interpretação literal. O resto do Novo Testamento , parece ter sido considerado inútil, como Pedro duvidou sua origem apostólica. relegado a epístolas do Novo Testamento para um valor médio, eles não vêm de Jesus Cristo , mas os homens não são de origem divina . Ele rejeitou o Antigo Testamento , a autoridade dos Padres da Igreja Católica em si. O seu desprezo pela Igreja foi prorrogado para o clero. Bruys Pedro pregou o exercício da violência física contra os padres e monges, orações que foram respondidas pelos seus seguidores, conhecidos como Petrobrusians. O Petrobrusians também se opôs ao celibato do clero.

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Tratado de Pedro, o Venerável Pedro, o Venerável , também conhecido como Pedro de Montboissier, foi um abade que se tornou uma figura popular na igreja, um conhecido estudioso e internacionalmente conectada com muitos nacionais e líderes religiosos do seu dia. Ele foi também um escritor religioso popularidade. No prefácio de seu tratado contra Pedro de Bruys disse erros as cinco lições Petrobrusians considerado. O primeiro erro foi a rejeição das crianças, antes que eu soubesse, poderia ser salvo pelo batismo ... de acordo com o Petrobrusians, só a fé individual, juntamente com o batismo pode salvar a alma, pois Deus diz que aquele que crê e for batizado será salvo, mas quem não será condenado. Esta era contrária aos ensinamentos da igreja, onde o batismo infantil desempenhou um papel essencial na salvação. Esta crença deriva dos ensinamentos dos primeiros cristãos, com base nas palavras do Evangelho de João : "Em verdade, em verdade vos digo: que nasce da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. " O segundo erro foi que o Petrobrusians disse que não se deve construir templos ou igrejas, e também são creditados com o ensino que é supefluo construí-los com a igreja de Deus não está em uma infinidade de pedras unidas, mas a unidade dos crentes . Os pensadores ortodoxos acreditavam que as catedrais e igrejas glorificaram a Deus, por isso convinha que estes edifícios eram tão grandes e bonitas como a riqueza ea capacidade de crentes poderia tornar possível. O terceiro erro enumerados por Pedro, o Venerável, que foi Petrobrusians exortava os fiéis a "destruir e queimar a cruz , porque dessa forma ou instrumento pelo qual Cristo foi torturado cruelmente assassinado, não é digno de adoração, um culto ou súplica mas a vingança de seus tormentos e da morte e deve ser tratado com desonra, o corte com espadas e queimado no fogo. " Esta posição foi considerado extremo. O símbolo da cruz estava associada com o cristianismo desde os primeiros anos. O quarto erro, sempre de acordo com Pedro, o Venerável, foi que o Petrobrusians rejeitado a graça sacramental, incluindo a doutrina da transubstanciação . Bruys Pedro pregou que Cristo não nasceu da carne e nunca sofreram ou morreram. Por conseguinte, a Eucaristia não tinha sentido. "rejeitar não somente verdadeiro corpo e sangue do Senhor, oferecido diariamente e constantemente na igreja através do sacramento, mas também que não há nada de especial, e não deve oferecido a Deus. Eles dizem: "Ah, gente, não acreditam em bispos, sacerdotes ou clérigos que seduzi-lo, que, como em muitas coisas, tanto em seu escritório como o altar, eu trapacear quando eles falsamente professam o corpo de Cristo e declará-la dadas para salvar as vossas almas "." A crença na transubstanciação, o termo usado para descrever a mudança do pão e do vinho no corpo e sangue de Cristo, foi usado pela primeira Hildeberto de Lavardin redor 1079. A idéia foi rapidamente sendo aceita como doutrina ortodoxa em tempos de Pedro de Bruys. Em menos de dois séculos, em 1215, o IV Concílio de Latrão usou a palavra "transubstanciação" para falar sobre a mudança que ocorre na Eucaristia. O quinto erro foi que "ridicularizavam os sacrifícios, orações, esmolas e outras boas obras dos crentes mortos-vivos para os crentes, e dizer tais coisas não podem ajudar os mortos ou menos ... As boas obras da vida não pode beneficiar os mortos, pelos seus méritos nesta vida não pode ser aumentada ou diminuída, para além desta vida não há espaço para o mérito, apenas para pagar. Nem pode um homem esperar ninguém morreu enquanto vivia no mundo não é obtida. Então, essas coisas que fazem a vida para os mortos são em vão porque são mortais passar através da morte de WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 247

toda a carne para o estado do mundo futuro, e levar com eles todos os seus méritos, que não pode acrescentar nada . Morte e legado Conforme relatado Pedro o Venerável, os cruzamentos foram o desprezo dos Petrobrusians. Pedro de Bruys disse que não só merece reverência, mas para ser queimado. Cerca de 1131, Peter queimados publicamente cruzes em St Gilles , perto de Nîmes . A população local, indignados com o sacrilégio, se inflamaram em sua própria pilha. Henrique de Lausanne , um ex-monge de Cluny , fez aulas de 1135 e espalhou Petrobrusians uma forma modificada da mesma depois de sua morte. Os ensinamentos de Pedro de Bruys seguido condenado pela Igreja Católica Romana. Menção especial merece a condenação do II Concílio de Latrão , em 1139. Os discípulos de Henrique de Lausanne foram chamados enricianos. Ambos começaram enricianos Petrobrusians como extinta em 1145, ano em que Bernardo de Claraval começou a pregar um retorno à ortodoxia romana no sul da França. Pouco depois de Henrique de Lausanne foi preso, levado perante o bispo de Toulouse e, provavelmente, condenados à prisão perpétua. Em uma carta ao povo de Toulouse, sem dúvida, escrito no final de 1146, Bernardo pediu que remover os últimos vestígios da heresia. No entanto, em 1151 havia ainda enricianos em Languedoc . Naquele ano, o monge beneditino e cronista Inglês Matthew Paris informou que uma jovem mulher que alegou ter recebido a inspiração da Virgem Maria tinha feito muitos discípulos de Henrique de Lausanne. Ambas as seitas desapareceram dos registros históricos após este data. Há evidências de que Pedro Waldo ou qualquer outra figura religiosa depois que eles foram diretamente influenciados por Pedro de Bruys. Suas opiniões radicais sobre o Velho Testamento e as epístolas do Novo impedir que ele seja um antecessor espiritual de figuras protestantes , como Martinho Lutero e John Smyth . Apesar disso, Pedro de Bruys é considerado um profeta da Reforma por alguns protestantes. Referências 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. ↑ um b c d e f g h O Dicionário Oxford da Igreja Cristã, 3 ª edição. EUA: Oxford University Press. 13 de março de 1997. pp 1264. ISBN 0 a 19 211655-X . ↑ um b c d e f g h i " Petrobrusians . "Enciclopédia Católica. Robert Appleton Companhia (1911). Página visitada em 22/08/2007. ↑ " Pedro, o Venerável . "Enciclopédia Católica. Robert Appleton Companhia (1911). Página visitada em 22/08/2007. ↑ um b c d e Pedro de Cluny. Patrologia Latina, vol. 189: Tractatus Petrobrussianos Contra. -Paul Migne, Jacques. pp 720-850. ↑ pode. 849, CIC 1983 ↑ João 3:5 ↑ Swaan, Wim. Arte e Arquitetura da Idade Média tardia, Livros Omega, ISBN 0-90785335-8 ↑ Colish, Marcia L. (1977). Fundações medievais da Tradição Intelectual do Ocidente. New Haven: Yale University Press. pp 247. ISBN ISBN 0-300-07852-8 . ↑ XCIII Sermão, CLXXI PL, 776 WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 248

10. ↑ " A presença real de Cristo na Eucaristia . "Enciclopédia Católica. Robert Appleton Companhia (1911). Página visitada em 22/08/2007. 11. ↑ um b c d Henrique de Lausanne. Enciclopédia Britannica. 1911. 12. ↑ Paris, Matthew (1944). A compilação dos "Chronica Majora" de Mateus Paris. H. Milford. 13. ↑ uma b Colish, Marcia (1977). fundações medievais da Tradição Intelectual do Ocidente. Yale University Press. 14. ↑ Enciclopédia menonitas, Vol. 4, pp 874-876 15. ↑ John Daily R. (1897). Monitor primitivo. Greenfield, IN, EUA. pp 422-425. Os Quakers

George Fox teve um importante papel na fundação da Sociedade Religiosa dos Amigos. Quaker (também denomidado quacre) é o nome dado a vários grupos religiosos, com origem comum num movimento protestante britânico do século XVII. Os quakers são chamados também de Sociedade Religiosa dos Amigos (em inglês: Religious Society of Friends), ou simplesmente Sociedade dos Amigos. Eles são conhecidos pela defesa do pacifismo e da simplicidade. Estima-se que haja 360.000 quakers no mundo, sendo a maior parte da África; o Quênia tem a maior comunidade quaker.[1] Criado em 1652, pelo inglês George Fox, o Movimento Quaker pretendeu ser a restauração da fé cristã original, após séculos de apostasia; eles se chamavam de "Santos", "Filhos da Luz" e "Amigos da Verdade" – donde surge, no século XVIII, o nome "Sociedade dos Amigos". A Sociedade dos Amigos reagiu contra o que considerava abusos da Igreja Anglicana, colocando-se como "sob a inspiração directa do Espírito Santo". Os membros desta sociedade, ridicularizados no século XVII com o nome de quakers (inglês para "tremedores"), que a maioria adota até hoje, rejeitam qualquer organização clerical, para viver no recolhimento, na pureza moral e na prática activa do pacifismo, da solidariedade e da filantropia. Perseguidos na Inglaterra por Carlos II, os quakers emigraram em massa para os Estados Unidos, onde, em 1681, criaram, sob a égide de William Penn, a colónia da Pensilvânia. Em 1947, os comités ingleses e americanos do Auxílio Quaker Internacional receberam o Prêmio Nobel da Paz. Crenças Os Quakers, apesar de rejeitarem um credo formal, crêem em: WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 249

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Sentir Deus – todo indivíduo é capaz de sentir Deus directamente, sem intermediário algum. Todos têm uma Luz Interior: o Espírito Santo, que guia o indivíduo quando este se converte e aceita essa voz. Bíblia – tradicionalmente os quakers aceitaram Cristo como a Palavra (Logos) Divina e a Bíblia seria o testemunho dessa Palavra. Alguns quakers têm-na como única influência. Simplicidade – os quakers adoptam modos de vidas simples: sem valorizar roupas caras, distinção de classe social, títulos honoríficos ou gastos desnecessários. Igualdade – existe um forte senso de igualitarismo, evitando discriminação baseada em sexo ou raça. (Os quakers foram notáveis abolicionistas e feministas). As mulheres tiveram direitos iguais e participação dos cultos quakers desde o século XVIII. Honestidade – recusam jurar, conduzir negócios obscuros, actividades anti éticas. Ação Social – organizações como o Greenpeace e a Amnistia Internacional foram fundadas pelos quakers e são influenciadas pela ideologia da Sociedade dos Amigos; Pacificismo – os quakers se recusam a usar armas e violência, mesmo em defesa alheia.

Culto Existem duas formas de culto nas Reuniões da Sociedade Religiosa dos Amigos: O Culto Programado, que se assemelha a qualquer outro culto protestante tradicional: conduzido por um ministro, com hinos, orações e leituras da Bíblia. A outra forma é o tradicional Culto Silencioso ou não-programado, em que os quakers se reúnem e esperam que alguém se sinta guiado pelo Espírito Santo para exortar, ler a Bíblia, dar um testemunho, orar, cantar. Às vezes um culto não-programado pode passar sem ter manifestação alguma, sendo uma hora de silêncio e meditação. Rejeitando qualquer forma exterior de religião, os quakers não praticam o batismo com águas nem a Santa Ceia, diferentemente da maioria das denominações cristãs. Crêem que o indivíduo seja batizado "com fogo" (pelo Espírito Santo), falando na consciência; e relembram a obra de Cristo dando graças em toda refeição. Os quakers surgiram na Inglaterra, em 1647, como uma dissidência da Igreja Anglicana. Inicialmente, a denominação escolhida pelo fundador do movimento, o sapateiro George Fox, foi Sociedade dos Amigos, inspirada no texto do Evangelho de João 15, 14: "Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando". Na prática, porém, os seguidores ficaram conhecidos como quakers: o termo é derivado do verbo 'to quake' - estremecer, em inglês -, em alusão ao que ocorria com os adeptos quando tocados pelo Espírito Santo em suas reuniões. Um dos pilares da fé dos quakers é a crença de que Cristo está presente sempre que os "amigos" se reúnem em silêncio. Como uma das conseqüências disso, dispensam a figura de líderes ou mediadores. "Os quakers notabilizaram-se por crer na manifestação de Deus por meio de uma voz interior. Assim, todos os crentes são considerados ministros em potencial", afirma o pesquisador Douglas Nassif Cardoso, da Universidade Metodista de São Paulo. "Representam uma posição completamente diferenciada, contrários tanto ao Catolicismo quanto ao Protestantismo. Era uma terceira linha que valorizava o contato direto com Deus." WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 250

Rejeitando qualquer organização clerical, viviam em recolhimento e pregam a prática do pacifismo, da solidariedade e da filantropia. Com o objetivo de garantir sua pureza moral, também defendiam atitudes, digamos, nada moderadas: recusavam-se a pagar dízimos à igreja oficial, a prestar juramento diante dos magistrados nas cortes ou a homenagear autoridades, incluindo o rei. Negavam-se ainda a prestar o serviço militar e a tomar parte nas guerras. Devido a esse posicionamento radical, os quakers sofreram perseguições na Inglaterra e, no século 17, migraram paara a América do Norte, principalmente para os Estados Unidos. Inspirados na crença os quakers não têm da solidariedade de que Deus está presente no íntimo de cada um, líderes religiosos e pregam o recolhimento e a prática

Na então colônia inglesa, mantiveram sua postura extremada, que se refletia, também no modo de se vestir. Os fiéis, por exemplo, distinguiam-se por usar longos chapéus pretos em locais fechados ou na presença de autoridades, como um meio de mostrar que não reverenciavam ninguém além de Deus. Ao longo dos anos, porém, o uso da peça se perdeu e a figura tradicional do religioso quaker ficou apenas na história, ou nas embalagens dos alimentos da empresa americana Quaker, que se inspirou na imagem, apesar de não ter relação com a crença. "Valorizamos a simplicidade e, por isso, usamos roupas baratas, práticas e discretas. Mas participamos da cultura do século, e não há nada que chame a atenção na vestimenta de um quaker moderno em relação às outras pessoas", diz o americano Chel Avery, diretor interino do Centro de Informações Quaker, na Filadélfia. Atualmente, os quakers concentram-se nos Estados Unidos, no Canadá e na Inglaterra, mas há comunidades em todo o mundo. No Brasil, um grupo se formou na década de 90, mas não vingou. "Reuníamos em São Paulo, mas as pessoas se mudaram e o grupo acabou", conta a americana Linnis Cook, que há 16 anos vive no Brasil e é quaker desde a década de 70. "Mas, no exterior, o movimento continua forte, com tradição em militância social", afirma ela.

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Personalidades históricas

William Penn foi um dos quakers deportados da Grã-Bretanha por perseguição religiosa.
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Elizabeth Margaret Chandler, feminista americana, escritora abolicionista. William Penn, empreendedor, filósofo e político americano. Frederick W. Taylor, engenheiro americano, teórico da Administração Científica. Thomas Paine, escritor e filósofo americano. Johns Hopkins, filantropo americano, fundador de Johns Hopkins Hospital, Johns Hopkins University e Johns Hopkins School of Medicine. Lucretia Mott feminista, abolicionista, lutou pela reforma presidiária e pela paz. Philip Noel-Baker, defensor do desarmamento, agraciado com o Prêmio Nobel da Paz de 1959. Richard Nixon, ex-presidente dos Estados Unidos. Arthur Stanley Eddington, astrofísico britânico famoso por seu trabalho com a Teoria da Relatividade de Albert Einstein. John Dalton, cientista, criador da Teoria Atômica de Dalton.

Referências 1. ↑ FWCC's map of quaker meetings and churches. Fwccworld.org. Página visitada em 201005-02. Huguenicismo ou Huguenotes Huguenote é a denominação dada aos protestantes franceses (quase sempre calvinistas) pelos seus inimigos nos séculos XVI e XVII. O antagonismo entre católicos e protestantes resultou nas guerras religiosas, que dilaceraram a França do século XVI. Etimologia A origem da palavra "huguenotes" não é clara. Há quem diga que deriva de Besançon Hugues, líder da revolta em Genebra. O biógrafo de João Calvino, Bernard Cottret, afirma que "huguenotes" vem de "confederados" (em francês "Eidguenot", derivado do Suíço-alemão Eidgenossen, ou WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 252

confederados, expressão designando as cidades e cantões helvéticos partidários da Reforma). Na Genebra do século XVI havia uma rivalidade interna entre os "mamelucos", que eram conservadores e se orientavam favoravelmente à Savóia, e os "confederados" ou Eidguenotes, que eram mais progressivos e enveredaram pelo protestantismo.[1][2] Owen I.A. Roche, no seu livro The Days of the Upright, A History of the Huguenots (New York, 1942), escreveu que "Huguenot" é "uma combinação de flamengo e alemão. Na área flamenga da França, os estudantes que se reuniam em uma casa privada para estudar secretamente a Bíblia eram chamados Huis Genooten (colegas de casa) enquanto na zona alemã e suíça eram chamados Eid Genossen (colegas de juramento), que indicava as pessoas ligadas entre elas sobre juramento. Afrancesado em "Huguenot", muitas vezes usado com tom de desaprovação, a palavra virou, em dois e três seculos de triunfo e de terror, um símbolo de honra paciente e coragem". Outros afirmam que o termo derive do nome de um lugar no qual os protestantes franceses celebravam o próprio culto; esse lugar era chamado "Torre de Hugon" e se encontra em Tours.

História

Gaspard de Coligny, líder huguenote. O Protestantismo francês iniciou-se com o reformador católico Jacques Lefevre, que iniciou suas pregações em 1514, portanto antes de Lutero. Depois que a Reforma tornou-se pública na Alemanha, atingiu também as massas francesas. Logo, os protestantes franceses passaram a seguir as orientações de João Calvino. O rei Francisco I de França iniciou uma dura perseguição, gerando guerras de religião. O édito de Orléans de 1561 interrompeu a perseguição por alguns anos, e em 17 de Janeiro de 1562, o édito de Saint-Germain reconheceu os seus direitos pela primeira vez. As guerras religiosas em França começaram com um massacre de 1000 Huguenotes em Vassy a 1 de Março de 1562. Em 1572, milhares de huguenotes foram mortos no massacre da noite de São Bartolomeu, e a amnistia foi concedida no ano seguinte. A quinta guerra santa contra os WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 253

Huguenotes começou a 23 de Fevereiro de 1574 e a perseguição continuou periodicamente até 1598, quando o rei Henrique IV emitiu o édito de Nantes autorizando aos protestante a liberdade religiosa e direitos idênticos aos dos católicos. Huguenotes no Brasil No dia 7 de março de 1557 chegou à baía de Guanabara um grupo de Huguenotes, como parte do reforço pedido pelo católico Nicolas Durand de Villegagnon. Entre as causas apontadas para o fracasso deste estabelecimento francês aprontam-se as disputas religiosas, sendo os franceses derrotados por uma armada portuguesa em 1560. Perseguição e dispersão Luís XIV começou a perseguir os protestantes outra vez, levando muitos à fuga. Ele revogou o Édito de Nantes (supostamente irrevogável) em 1685, tornando o Protestantismo ilegal no Édito de Fontainebleau. Depois disto, muitos Huguenotes fugiram para os países protestantes vizinhos, especialmente para a Prússia, cujo rei Frederico Guilherme (Friedrich Wilhelm) era calvinista (foi educado na Holanda) e lhes deu boas-vindas, na esperança de reconstruir o seu país depauperado pela guerra, despovoado. Muitas das palavras de origem francesa no vocabulário alemão (por exemplo: Portemonaie - porta-moedas - ou Enquete - inquérito) foram introduzidas por estes novos elementos da sociedade da Prússia. Muitos destes novos compatriotas foram alojados em Berlim e nas proximidades. Em 31 de Dezembro de 1687, um grupo de Huguenotes velejou desde França em direcção ao Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, onde implantaram a cultura da uva e a produção do vinho. A África do Sul é hoje um dos principais produtores de vinho fora da Europa. Muitos fugiram para as treze colónias britânicas na América do Norte. Entre eles contava-se um artífice chamado Apollos Rivoire, que mudou o seu nome para Paul Revere e cujo filho, também chamado Paul Revere, foi um famoso líder da revolução americana. Shoreditch, uma zona de Londres, tornou-se a casa para muitos dos refugiados huguenotes em Inglaterra. Eles deram fomento à indústria da tecelagem na zona de Spitalfields. A fábrica de cerveja de Truman surgiu em 1724, apesar de ser então conhecida como Black Eagle Brewery nessa altura. Muitos Huguenotes fugiram da cidade francesa de Tours, o que acabou por significar a ruína das grandes fábricas de seda que eles tinham construído ali. Alguns deles trouxeram os seus talentos para benefício da Irlanda do Norte, onde foram responsáveis pela fundação da grande indústria do linho irlandesa. Le Chambon-sur-Lignon Durante a Segunda Guerra Mundial, a população de Le Chambon-sur-Lignon, no sul da França, na sua maioria constituída por huguenotes, forneceu abrigo e refúgio a entre 3000 e 5000 Judeus. O pastor Andre Trocme foi o líder da comunidade neste esforço. Trocme e trinta e quatro outros WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 254

residentes da área foram reconhecidos pelo Museu Israelita Memorial do Holocausto Yad Vashem como "Íntegros entre as nações". Referências 1. ↑ Cottret, Bernard. Calvin: A Biography. Grand Rapids, Michigan: Wm. B. Eerdmans, 2000. 0-8028-3159-1 Traduzido para o inglês do original Calvin: Biographie, Edição de JeanClaude Lattès, 1995. 2. ↑ Ver João Calvino para mais pormenores. Nicolaísmo Nicolaísmo (ou Nicolacionismo ou Nicolaitismo) é uma heresia cristã cujos aderentes são chamados de Nicolaítas. A característica pela qual são mais lembrados é a sua posição em relação ao casamento. Segundo alguns autores, eles defendiam a poligamia (ou ter esposas em comum). Também é conhecido como Nicolaíta aquele que defende o casamento do clero. Etimologia Nico significa "conquistar" em grego e laíta significa "pessoas" (ou "povo"); daí, a palavra pode significar "conquistador de pessoas" ou "conquistador das pessoas". Todavia, "Nicolaíta" é , o nome dado aos seguidores do herético Nicolas (grego: Nikolaos) - o nome por si significando "vitorioso sobre as pessoas" (do grego "Nike" - vitória) ou "vitória das pessoas", que teria recebido ao nascer.[1] História A menção mais antiga aos Nicolaítas é no Apocalipse, no Novo Testamento. De acordo com Apocalipse 2:6-15, eles eram conhecidos nas cidades de Éfeso e Pérgamo. Neste trecho, a Igreja de Éfeso é enaltecida por "odiar os feitos dos Nicolaítas, que eu também odeio" e a Igreja de Pérgamo é acusada por "abrigar aqueles que tem as doutrinas deles [os Nicolaítas]". Não há nenhuma outra fonte primária para nos dar certeza sobre a natureza desta seita. Diversos pais da igreja, incluindo Ireneu de Lyon, Epifânio de Salamis e Teodoreto mencionam este grupo. Ireneu o discute, mas nada acrescenta ao Apocalipse exceto que "eles levam vidas de indulgências ilimitadas"[2]. Hipólito de Roma diz que o diácono "Nicolau" dos Sete diáconos (veja Atos 6:1) era o autor da heresia e líder da seita[3]. São Vitorino de Pettau (ou Victorinus) diz que eles comiam oferendas dos ídolos[4]. O venerável Beda afirma que Nicolas permitiu que muitos homens se casassem com sua esposa[5]. Eusébio diz que a seita teve vida curta[6]. Tomás de Aquino era da opinião que Nicolas incentivava ou a poligamia ou que os homens tivessem esposas em comum[7]. Interpretação A declaração comum, de que os Nicolaítas suportavam a heresia antinômica de Corinto, não parece ter sido provada. Outra opinião, preferida por alguns autores, é que, por causa do caráter alegórico do Apocalipse, as referências aos Nicolaítas são apenas uma forma simbólica de referência[8]. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 255

Nicolaísmo (também é frequentemente citado com referência ao casamento do clero, especialmente em áreas rurais da Inglaterra, onde era geralmente aceito até o século 11. Cyrus Scofield Cyrus Scofield, em seu Notas sobre a Bíblia, seguindo o pensamento dispensacionalista, sugere que os Sete Selos no Apocalipse prenunciam as várias eras da história Cristã e que "Nicolaítas" "referese à primeira forma da noção de ordem clerical, ou 'clero', que depois dividiu igualmente a irmandade entre 'padres' e 'leigos'"[9]. Albert Barnes Sobre os Nicolaítas citados no Apocalipse: Vitringa supõe que a palavra é derivada do grego νικος, vitória, e λαος, pessoas, e que portanto ela está relacionada ao nome "Balaão", como significando tanto "senhor das pessoas" ou "ele venceu as pessoas"; e que, o mesmo efeito foi produzido pelas suas doutrinas quanto pelas de Balaão, que as pessoas eram levadas a fornicar e a se juntarem à adoração de ídolos. Elas poderiam ser chamadas de Balamitas ou Nicolaítas - ou seja, corruptores das pessoas. Mas a isto, podemos contrapor: 1. que isso é forçado e só foi adotado para remover uma dificuldade; 2. de que há inúmeras razões para supor que a palavra aqui utilizada refere-se a uma classe de pessoas que detém este nome e que eram bem conhecidas nas duas igrejas citadas; 3. que, em «Assim tu tens igualmente aos que seguem o ensino dos nicolaítas» (Apocalipse 2:15)[10], eles são claramente diferenciados daqueles que suportam a doutrina de Balaão

— Albert Barnes[11]

Nicolas O Nicolas de Atos 6:5 é um nativo de Antióquia, um proselitista e um judeu convertido ao Cristianismo. Quando a Igreja ainda estava confinada a Jerusalém, ele foi escolhido pelo conjunto dos discípulos para ser um dos primeiros dentre os Sete Diáconos e ele foi ordenado pelos apóstolos, em cerca 33 dC. Os Nicolaítas, pelo menos até o tempo de Ireneu, alegavam que ele era o fundador da seita. Em Epifânio Epifânio de Salamis, um impreciso autor, relata alguns detalhes da vida de Nicolas, o diácono, e o descreve gradualmente afundando na mais grotesca impureza. e se tornando o originador dos Nicolaítas e outras seitas gnósticas libertinas: “ [Nicolas] tem uma bela esposa e se absteve de relações sexuais imitando àqueles que ele WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 256 ”

acredita serem devotos de Deus. Ele persistiu nisto por um tempo, mas no fim não conseguiu suportar controlar sua incontinência....Mas por estar envergonhado da sua derrota e suspeitar que tenha sido descoberto, ele se aventurou em dizer "Não terá a vida eterna aquele que não copular todos os dias" [12] — Epifânio, Panarion (Haer., 25.1), Em Clemente de Alexandria Acreditam no relato anterio, pelo menos em parte, Jerônimo e outros escritores do século 4 dC. Porém ele é irreconciliável com a visão tradicionalista dada ao caráter de Nicolas por Clemente de Alexandria, um autor mais antigo e mais criteriosos que Epifânio. Ele diz que Nicolas levou uma vida casta e criou seus filhos na pureza; que numa certa ocasião, tendo sido severamente repreendido pelos apóstolos como um marido ciumento, ele respondeu à acusação oferecendo sua esposa como candidata à esposa de qualquer outro; e que ele tinha o hábito de repetir um ditado que era atribuído ao evangelista Mateus também: "É o nosso dever lugar contra a carne e abusar dela". Suas palavras foram perversamente interpretadas pelos Nicolaítas como dando respaldo às suas práticas imorais. Teodoreto, em seu relato sobre seita, repete o argumento de Clemente, e acusa os Nicolaítas de falsidade ao lidar com o uso do nome do diácono. Louis-Sébastien Le Nain de Tillemont (teólogo francês do século XVII) conclui portanto que, se não o verdadeiro fundador, faltou-lhe sorte pois deu motivo para fundação da seita. Já August Neander (teólogo alemão do século XIX) argumenta que o fundador foi outro Nicolas. Referências 1. ↑ Etymology of the name Nicholas: "masc. proper name, from Gk. Nikholaos, lit. "victorypeople," from nike "victory" + laos "people."" em inglês 2. ↑ Adversus Haereses, I, xxvi, 3; III, xi, 1. 3. ↑ Philosph., VII, xxvi. 4. ↑ St. Victorinus of Pettau, Commentary on the Apocalypse 2.1 5. ↑ Bede, Explanation of the Apocalypse 2.16 6. ↑ H. E., III, xxix. 7. ↑ SCG III.124 8. ↑ Healy, P. (1911). Nicolaites. In The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company. Retrieved February 22, 2009 from New Advent: http://www.newadvent.org/cathen/11067a.htm 9. ↑ Nicolaitanes 10. ↑ Segundo a Tradução Brasileira da Bíblia 11. ↑ Barnes New Testament Notes 12. ↑ WILLIAMS, Frank. The Panarion of Epiphanius of Salamis. Leiden; New York; København; Köln: E.J. Brill, 1987. vol. Book I (Sects 1-46). Borborismo De acordo com o Panarion de Epifânio de Salamis (cap. 26) e de Haereticarum Fabularum Compendium Teodoreto, os Borboritas ou Borborianos (também Codianos ou Koddians; no Egito, Fibionitas; em outros países, Barbeliotas, Barbelitas, Secundianos, Socratitas) era uma seita WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 257

gnóstica libertina que, acredita-se, é descendente dos nicolaítas. A palavra "Borborita" vem do grego Βορβορος, que significa "lama". Por isso, pode ser entendida também como "Os Imundos". Doutrina Eles possuíam alguns livros sagrados. Um deles é o apócrifo 'O Pensamento de Norea' (a lendária esposa de Noé), o Evangelho de Eva, Livros de Seth e o Apocalipse de Adão. Além disso, eles utilizavam tanto o Antigo quanto o Novo Testamento, embora não acreditassem que o Deus (Sabaoth) do Antigo Testamento fosse a divindade suprema. Ensinavam que existiam oito céus (veja Sete céus, cada um dominado por um Arconte. No sétimo reinava Sabaoth, criador do céu e da terra, o Deus do judeus, represetado para alguns Borboritas na forma de um asno ou um porco. No oitavo céu reinava Barbēlō, a mãe de todos os viventes; o Pai de Tudo, o supremo Deus; e Cristo. Eles negavam que Cristo teria nascido de Maria ou tenha tido um corpo real (vide Docetismo); e também a ressurreição do corpo. Após a morte, a alma humana vaga pelos Sete Céus até que obtém descanso com Barbēlō. O Homem possui uma alma em comum com plantas e animais. De acordo com Santo Agostinho, eles ensinavam que a alma era derivada (emanada) da substância de Deus e, portanto, não poderia ser poluída pelo contato com a matéria. Sacramentalismo sexual Epifânio de Salamis conta que os Borboritas foram inspirados pelo Setianismo e tinham como uma característica particular nos seus rituais elementos de sacramentalismo sexual, incluíndo esfregar de mãos em líquidos corporais ( sangue menstrual e sêmen), e o consumo deles como uma variante à Eucaristia. Eles também eram acusados de extrair fetos de mulheres grávidas para consumi-los, particularmente se a mulher acidentalmente engravidou em relações sexuais relacionadas aos seus rituais. Epifânio de Salamis alega algum conhecimento de primeira mão da seita e ter fugido de algumas mulheres gnósticas, que o repreenderam assim: “ Nós não fomos capazes de salvar este jovem. Ao invés disso, o abandonamos às garras do regente!

Epifânio de Salamis depois reporta o grupo aos bispos, resultando na expulsão de cerca de 80 pessoas da cidade de Alexandria. Como todas estas histórias sobre os Borboritas vêm de seus oponentes, não é possível saber se elas são verdadeiras ou exageradas. Stephen Gero acredita que são plausíveis e se conectam com mitos gnósticos anteriores[1]. Barbēlō É improvável que eles tenham nomeado a si próprios Borboritas, ainda que isso, seus nomes alternativos e a descrição de suas crenças revelam uma conexão com Barbēlō. Algumas escrituras WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 258

gnósticas foram chamadas de "Barbeloítas" por causa de sua aparição nelas, como o Apócrifo de João e a Protenóia trimórfica. Este último parece ter passado por uma revisão Setiana. Embora similares, textos totalmente Setianos têm sua própria perspectiva particular - talvez sugerindo que alguns Setianos foram inspirados por escritos Barbeloítas. Estes tratados não mencionam nenhum ritual sexual, mas também nenhum código moral. Protenóia trimórfica descreve o divino como um ser sexual, mas sendo um tratado fortemente esotérico, deixa muito para a imaginação. Se os "Barbelo-gnósticos" fossem libertinos e estes são os seus escritos, então o relato hostil de Epifânio deve ser comparado com os elegantes escritos espirituais que eles produziram. Bibliografia
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Epifânio de Salamis. 'Panarion': Adversus Haereses. [S.l.: s.n.]. Capítulos 25 e 26 Teodoreto. 'Haereticarum Fabularum Compendium'. [S.l.: s.n.].

Ligações externas Este artigo usa texto de The Protestant Theological and Ecclesiastical Encyclopedia (1858) de John Henry Augustus Bomberger e Johann Jakob Herzog, uma publicação agora no domínio público. Referências 1. ↑ GERO, Stephen. Nag Hammadi, Gnosticism, and Early Christianity: With Walter Bauer on the Tigris: Encratite Orthodoxy and Libertine Heresy in Syro-Mesopotamian Christianity (em inglês). Peabody, Ma., USA: Hendrickson Publishers, 1986. Cainismo Os Cainitas eram um grupo gnóstico do século II. Eles reverenciavam a Caim como a primeira vítima do Demiurgo, tido pelos gnósticos como uma divindade intermediária, criador do mundo material, mas abaixo do Deus Todo-Poderoso, que o Cristo ensinou a amar. Para os cainitas, o Deus do Antigo Testamento não podia ser o mesmo Deus proclamado pelo Cristo, pois enquanto este é um Deus piedoso, benevolente, amoroso, aquele é um Deus vingativo e cruel. Recentemente, foi concluída a tradução de um texto atribuído aos cainitas, o Evangelho de Judas, no qual existe um relato conciso do relacionamento entre o Messias e Judas, a quem foi confiada a mais dura de todas as missões: Liberar o Cristo de sua envoltura humana. Encratismo Os Encratitas ("auto-controlados") eram uma seita cristão ascética do século II d.C. que proibia o casamento e que aconselhava a abstinência de carne. Eusébio afirma que Tatiano era o criador desta heresia[1]. Supõe-se que sejam estes os gnósticos encratitas que foram admoestados por Paulo em 1 Timóteo 4:1-4[a][2]. História A primeira menção de uma seita cristã com este nome ocorre em Ireneu[3]. Eles foram mencionados mais de uma vez por Clemente de Alexandria[4], que afirma que eles são assim chamados por sua WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 259

"temperança". Hipólito se refere a eles como "reconhecendo o que é de Deus e de Cristo de maneira similar à Igreja. Porém, sobre seu estilo de vida, eles passam os dias inflados com orgulho."; "se abstendo de comida animal, bebendo apenas água e proibindo o casamento"; "estimados cínicos ao invés de cristãos". Baseando-se nestas afirmações, supõe-se que os encratitas fossem ortodoxos na doutrina e que eles erraram apenas na prática. Orígenes diz que eles não reconheciam as epístolas de Paulo[5]. Encratitas severianos Os Severianos foram uma subdivisão da seita gnóstica dos encratitas. Epifânio de Salamina propõe que o seu líder, Severus, é anterior à Tatiano (fundador do encratismo), mas Eusébio, Teodoreto e Jerônimo afirmam que ele foi sucessor de Tatiano. Os historiadores posteriores dão crédito aos últimos e o silêncio de Ireneu e Hipólito, autores anteriores, reforçam a tese da sucessão. Epifânio atribui ao grupo a crença no bem conhecido Arconte Yaldabaoth, que aparece no sistema ofita como a primeira criatura vinda do Bythos ("Profundidade") e da Ennoia (Sophia). Os severianos acreditavam que ele um grande governante e que dele teria se originado o Diabo que, uma vez lançado à terra na forma de uma serpente, produziu a vinha, cuja forma dos galhos seriam indicação de sua origem. E teria também criado a mulher e a metade de baixo do homem[1]. Um pouco depois desta época, a seita recebeu nova energia com a ascensão de um tal Severus[6], em cuja homenagem os encratitas muitas vezes são chamados de "severianos". Estes encratitas severianos aceitavam a Lei, os Profetas, os Evangelhos, mas rejeitavam os Atos dos Apóstolos e amaldiçoavam Paulo e suas epístolas. Porém, o relato dado por Epifânio sobre os severianos mostra uma tendência gnóstica siríaca ao invés de tendências judaicizantes. Em seu ódio ao casamento, eles chegaram a declarar que as mulheres seriam a obra de Satã, e por seu ódio aos intoxicantes, eles chamaram o vinho de "gotas de veneno da grande Serpente"[7]. Epifânio afirma ainda que estes encratitas eram muito numerosos na Ásia menor, em Pisídia, na Frígia, em Selêucia Isauria, em Panfília, Cilícia e na Galácia. Em Antioquia e no restante da província romana da Síria eles também eram encontrados de forma esparsa. Eles se dividiram em diversas pequenas seitas, das quais os apostolici se destacaram por sua condenação à propriedade privada e os aquarii, que substituíam o vinho pela água durante a Eucaristia. Num édito em 382, Teodósio declarou a sentença de morte para todos os que tomassem o nome de encratitas e aquarianos, e ordenou que Florus, o magister officiarum, realizasse extensivas buscar por estes heréticos, considerados maniqueístas disfarçados. Notas
[a] ^

«Mas o Espírito diz expressamente que nos últimos tempos alguns apostatarão da fé, atendendo a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios, mediante a hipocrisia de homens mentirosos, que têm a consciência cauterizada, que proibem o casamento e ordenam a abstinência de alimentos, que Deus criou para serem usados com gratidão pelos que crêem e conhecem bem a verdade. Pois toda a criatura de Deus é boa, e nada deve ser rejeitado, se é recebido com gratidão;» (I Timóteo 4:1-4)[8] Referências 1. ↑ Eusébio de Cesaréia. História Eclesiástica: Musanus and His Writings. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 28, vol. IV. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 260

2. ↑ Joseph Mitsuo Kitagawa, Frank E. Reynolds, Theodore M. Ludwig. Transitions and Transformations in the History of Religions (em inglês). [S.l.: s.n.]. 208 p. 3. ↑ Ireneu. Adversus Haereses: Doctrines of Tatian, the Encratites, and others. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 28, vol. I. 4. ↑ Clemente de Alexandria. Stromata: The Greek Philosophy in Great Part Derived from the Barbarians (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 15, vol. I. e Clemente de Alexandria. Stromata: The Tradition of the Church Prior to that of the Heresies (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 17, vol. VII.; Clemente de Alexandria. Paedagogus: On Drinking (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 2, 33, vol. II. 5. ↑ Orígenes. Contra Celsum (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 65, vol. V. 6. ↑ Eusébio de Cesaréia. História Eclesiástica: The Heresy of Tatian. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 29, vol. IV. 7. ↑ Epifânio de Salamis (Epif). Panarion, 14 8. ↑ Segundo a Tradução Brasileira da Bíblia Carpocracianismo Carpocraciano é a denominação dada aos seguidores de um movimento gnóstico do século II que professava as doutrinas de Carpócrates de Alexandria. Epífanes, filho de Carpócrates e sua mulher Marcelina, organizaram a seita em Roma sob o pontificado do papa Aniceto. Rejeitavam o Velho Testamento e sustentavam que José é o pai carnal de Jesus. Defendiam a pre-existência das almas para explicar as imperfeições do homem e diziam que nosso fim supremo era nos unir ao Divino. Irineu de Lyon os acusou de praticar magia e os repreendeu duramente. São considerados hereges pela Igreja cristã. Euquitas Os Euquitas ou Messalianos foram uma seita condenada como herética pela primeira vez em um sínodo realizado em 383 d.C. em Side, na Panfília, e cuja ata foi citada por Fócio[1]. O nome "messalianos" vem do siríaco mṣallyānā, que significa "aquele que reza"[2]. A tradução para o grego, εὐχίτης, euchitēs, significa o mesmo. História Originalmente na Mesopotâmia, eles se espalharam para a Ásia menor e a Trácia. O grupo continuou a existir por muitos séculos, influenciando os bogomilos da Bulgária, cujo nome parece ser uma tradução de "messalianos", e, a partir deles, a Igreja Bósnia, os paterenos e os cátaros[3]. Pelo século XII d.C., a seita já tinha chegado à Boêmia e à Alemanha e, por uma resolução do concílio de Trier (1231 d.C.), foi novamente condenada como herética.

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Doutrina A condenação da seita por São João Damasceno e por Timóteo de Constantinopla expressou a visão de que a seita abraçava uma espécie de materialismo místico. Entre as crenças da seita estavam: 1. A substância (ousia) da Trindade poderia ser percebida pelos cinco sentidos. 2. O Deus triplo se transformou numa única hipóstase (existência) para que pudesse se unir com as almas dos perfeitos. 3. Deus tomou diferentes formas para poder se revelar aos sentidos. 4. Apenas estas revelações de Deus pelos sentidos conferem a perfeição aos cristãos. 5. O estado de perfeição, liberdade do mundo e paixão é, portanto, atingido apenas pela oração e não pela igreja, nem pelo batismo e nem por nenhum dos sacramentos, que não teriam efeito nas paixões e na influência do mal sobre a alma. Daí o nome da seita, "Aqueles que rezam". Os messalianos ensinaram que uma vez que a pessoa tenha experimentado a substância de Deus, ela estaria livre das obrigações morais e da disciplina eclesiástica[4][5]:p. 16-27. Eles tinham também mestres homens e mulheres, que eles honravam como sendo maiores que os clérigos, os perfecti. Eles foram mencionados nas obras de Fócio, dos patriarcas de Constantinopla Ático (406 - 425 d.C.) e Sisínio (426 - 427 d.C.) e Teodoro de Antioquia[5]:p. 20-23. Como era comum na época, seus detratores os acusaram de incesto, canibalismo e de debocharem da fé cristã (na Armênia, seu nome passou a significar "imundíce")[6], embora atualmente se considere as acusações exageradas[7]. Referências 1. ↑ Acts of the synod of Side against the Messalians (em inglês). Christian Classics Ethereal Library. Página visitada em 12/12/2010. 2. ↑ PAYNE SMITH, Jessie. A Compendious Syriac Dictionary (em inglês). [S.l.: s.n.]. 294, 478 p. 3. ↑ RUNCIMAN, S.. The Medieval Manichee: A Study of the Christian Dualist Heresy (em inglês). Cambridge: [s.n.], 1947. 4. ↑ LOSSKY, Vladimir. The Vision of God. [S.l.: s.n.]. 111-112 p. 5. ↑ a b PLESTED, Marcus. The Macarian Legacy: The Place of Macarius-Symeon in the Eastern Christian Tradition (em inglês). [S.l.]: Oxford Theological Monographs, 2004. 6. ↑ "Messalians" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público. 7. ↑ Henry Wace e William Smith. A Dictionary of Christian Biography, Literature, Sects and Doctrines (em inglês). [S.l.: s.n.], 1880. 258-261 p. Página visitada em 12/12/2010 Bibliografia
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Vladimir Lossky, The Vision of God, SVS Press, 1997. (ISBN 0-913836-19-2) Marcus Plested, The Macarian Legacy: The Place of Macarius-Symeon in the Eastern Christian Tradition (Oxford Theological Monographs 2004)(ISBN 0199267790) D. Obolensky, The Bogomils: A Study in Balkan Neo-Manichaeism (Cambridge, 1948), reprint New York, 1978 WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 262

S. Runciman, The Medieval Manichee: A Study of the Christian Dualist Heresy (Cambridge, 1947) Mandeísmo

Mandeísmo é uma religião pré-cristã classificada por estudiosos como gnóstica. Os mandeístas são assim classificados devido à etimologia da palavra manda em mandeu: conhecimento, que é a mesma palavra gnosis em grego. É considerada uma das religiões gnósticas remanescentes até os dias atuais, junto com o pseudo-gnosticismo de Samael Aun Weor (que alguns segmentos gnósticos não aceitam). Os mandeístas veneram João Baptista como o Messias e praticam o ritual do batismo. Possuem cerca de 100.000 adeptos em todo o mundo, principalmente no Iraque. A religião mandeísta tem uma visão dualística mais estrita que a maioria dos gnósticos. Ao invés de um grande pleroma, existe uma clara divisão entre luz e trevas. O senhor das trevas é chamado de Ptahil (semelhante ao Demiurgo gnóstico) e o gerador da luz (Deus) é conhecido como "a grande primeira Vida dos mundos da luz, o sublime que permanece acima de todos os mundos". Quando esse ser emanou, outros seres espirituais se corromperam, e eles e seu senhor Ptahil criaram o nosso mundo. A escritura mandeísta mais importante é o Ginza Rba, juntamente com o Qolastā. A linguagem usada por eles é o mandeu, uma sub-espécie do aramaico. Marcionismo Marcião de Sínope (em grego: Μαρκίων Σινώπης, ca. 85 - 160 d.C.) foi um dos mais proeminentes heresiarcas durante o Cristianismo primitivo [1]. Sua teologia (chamada marcionismo), que propunha dois deuses distintos, um no Antigo Testamento e outro no Novo Testamento, foi denunciada pelos Pais da Igreja e ele foi excomungado. Sua rejeição de muitos livros que seus contemporâneos consideravam como parte das escrituras mostrou à Igreja antiga a urgência do desenvolvimento de um cânon bíblico. Vida Hipólito relata que Marcião era filho de um bispo na cidade de Sinope, na província romana do Ponto (atualmente na Turquia). Seu contemporâneo Tertuliano o descreve como um proprietário de barcos[2]. Marcião provavelmente foi consagrado bispo, provavelmente um assistente ou um sufragâneo de seu pai em Sinope[2] Quando encontrou-se com ele, Policarpo de Esmirna chamou-o de "primogênito de satanás" segundo Jerônimo[3]. Epifânio afirma que após um começo como um asceta, ele seduziu uma virgem e foi excomungado por seu pai, fazendo com que ele deixasse a sua cidade natal [4]. Este relato já foi contestado por estudiosos, que o consideraram como "fofoca maliciosa". Mais recentemente, Bart D. Ehrman sugeriu que esta "sedução de uma virgem" seria uma metáfora para a sua corrupção da Igreja cristã, sendo esta a virgem não deflorada [5]. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 263

Márcião viajou para Roma em 142-143 d.C.[6]. Nos anos seguintes, Marcião desenvolveu seu sistema teológico e atraiu um grande grupo de seguidores. Ele fez uma notável doação de 200.000 sestércios para a Igreja. Quando os conflitos com os bispos de Roma começaram, Marcião organizou seus seguidores em uma comunidade separada. Ele foi eventualmente excomungado pela Igreja de Roma e sua doação foi devolvida. Após sua excomunhão, ele retornou para a Ásia Menor, onde continuou a propalar o marcionismo. Ensinamentos Teologia O estudo das Escrituras judaicas juntamente com outros escritos que circulavam na época da igreja nascente (a maioria foi eventualmente incorporada no Cânone do Novo Testamento) levaram Marcião a concluir que muitos dos ensinamentos de Jesus Cristo eram incompatíveis com as ações de Deus no Antigo Testamento. A resposta dele para este paradoxo foi o desenvolvimento de um sistema dualista por volta do ano 144 d.C.[6]. Esta noção dual de Deus permitiu que Marcião reconciliasse as supostas contradições entre a teologia da Antiga Aliança e a mensagem de Boas Novas. Marcião afirmava que Jesus Cristo era o salvador enviado por Deus Pai, com Paulo como seu principal apóstolo. Ao contrário da nascente igreja, Marcião declarava que o Cristianismo era distinto e oposto ao Judaísmo. Marcião, contrário ao que muitos acreditam, não afirmou que a Bíblia e as escrituras judaicas eram falsas. Ele acreditava e argumentava que ela deveria ser lida de maneira absolutamente literal, provando assim que YHWH não era o mesmo Deus a quem Jesus se referia. Um exemplo: no Gênesis, quando YHWH está andando no jardim do Éden perguntando onde estava Adão, Marcião interpretava isso como se YHWH tivesse literalmente andando através do jardim em alguma forma de corpo físico e que literalmente não sabia onde estava Adão. Ele argumentava que isso provaria que YHWH poderia habitar um corpo físico (algo que o Pai jamais faria) e que YHWH também era capaz de ser ignorante, algo completamente diferente do Pai a quem Jesus se referia. O Deus do Antigo Testamento, o Demiurgo, a Divindade criadora do mundo material seria então uma divindade tribal invejosa dos judeus, cuja Lei representaria a justiça recíproca legalista e que pune a humanidade por seus pecados com sofrimento e morte. Já o Deus a quem Jesus se refere seria um ser completamente diferente, um Deus universal de compaixão e amor e que olha para a humanidade com compaixão e piedade. Marcião afirmava que Jesus era o filho do Deus Pai, mas entendia a encarnação de maneira docética, ou seja, de que o corpo de Cristo era apenas uma imitação de um corpo material. Ele acreditava Cristo na crucificação pagou a dívida de pecado que humanidade tinha, absolvendo-a e permitindo que ela então herdasse a vida eterna[7]. Obras Marcião propôs um cânon bíblico. Porém, seu cânon só tinha onze livros agrupados em duas seções, o Evangelho, uma versão do Evangelho de Lucas[8] e dez cartas do "apóstolo", ou seja, de Paulo, a WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 264

quem ele considerava como o mais correto intérprete e transmissor da mensagem evangélica de Jesus. Ambas as seções também foram purgadas de elementos relacionados à infância de Jesus, a religião judaica e outros materiais que contestavam a sua teologia dualista. Marcião também produziu uma obra chamada Anthiteses, que contrastava o Demiurgo com o Deus Pai. Marcião e o Gnosticismo Marcião é às vezes chamado de o filósofo do Gnosticismo. Em alguns aspectos essenciais, ele propôs ideias que se alinham bem com o pensamento gnóstico. Assim como eles, Marcião argumentava que Jesus era essencialmente um espírito aparecendo aos homens e não totalmente humano.[7]. Porém, o marcionismo conceitualiza Deus de uma maneira que não é totalmente conciliável com o Gnosticismo. Para estes, todos os humanos nascem com uma pequena parte da alma divina alojada dentro de seu espírito (similar à noção da "fagulha divina")[7]. Deus está, portanto, intimamente conectado a uma parte de Sua criação. A salvação é alcançada ao abandonar o mundo físico (que os gnósticos afirmam que é uma ilusão para aprisionar esta parte de Deus) e abraçar estas qualidades divinas que estão dentro de cada pessoa[7]. Já Marcião, contrariamente, afirma que Deus Pai seria um Deus completamente fora do mundo material. Ele não participou da criação do mundo material (uma criação do Demiurgo) e nem tem conexão alguma com ele. Ele intervém para salvar a humanidade por compaixão apenas. Primeiro cânon bíblico Marcião figura entre os primeiros heréticos de renome na história da igreja nascente. Sua interpretação alternativa da vida e ministério de Jesus Cristo ajudou a inspirar a noção de que certas teologias deveriam ser sancionadas como "ortodoxas" e outras, como "heréticas" – um conceito até então desconhecido nos círculos eclesiásticos. Reagindo à popularidade da seita recém-fundada de Marcião, a igreja começou então a sistematizar um conjunto de crenças que seriam consideradas ortodoxas por todo o Cristianismo. Marcião foi o primeiro líder cristão a propor e delinear um cânon bíblico. Ao fazê-lo, ele estabeleceu uma maneira particular de avaliar os textos religiosos que persiste no pensamento cristão até hoje. Após Marcião, os cristãos passaram a dividir os textos entre os que se alinhavam bem com um "régua de medida" (em grego: kanōn) de pensamento teológico aceito, e os que promovem a heresia. Esta bifurcação essencial teve um papel essencial na finalização da estrutura da coleção de obras chamada "Bíblia", uma vez que o ímpeto inicial para finalizar o cânon surgiu justamente da oposição à proposta de Marcião. Legado A igreja que Marcião fundou se expandiu por todo o mundo conhecido na época durante a sua vida e foi uma séria rival para o Cristianismo. Seus aderentes eram fortes o suficiente em suas convicções para manter o extenso poder da igreja por mais de um século. Ela sobreviveu à controvérsia cristã e à desaprovação imperial por muitos séculos[9]. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 265

Algumas ideias similares às de Marcião reapareceram entre os bogomilos da Bulgária no século X e entre os cátaros do Languedoque, no sul da França, no século XIII. Referências 1. ↑ Tertuliano. Contra Marcião: Preface. Reason for a New Work. Pontus Lends Its Rough Character to the Heretic Marcion, a Native. His Heresy Characterized in a Brief Invective. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 1, vol. I. 2. ↑ a b "Marcionites" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público. 3. ↑ "De Viris Illustribus - Polycarp the bishop", em inglês. 4. ↑ Epifânio de Salamis (Epif). Panarion, XLII, ii. 5. ↑ Bart D. Ehrman,Lost Christianities (em inglês) 6. ↑ a b Tertuliano afirma que os ensinamentos de Marcião começaram 115 anos após a crucificação de Jesus, que ele também afirma ter ocorrido e 26-27 d.C. em Tertuliano. Contra Marcião: Jesus Christ, the Revealer of the Creator, Could Not Be the Same as Marcion's God, Who Was Only Made Known by the Heretic Some CXV. Years After Christ, and That, Too, on a Principle Utterly Unsuited to the Teaching of Jesus Christ, I.e., the Opposition Between the Law and the Gospels. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 19, vol. I.. 7. ↑ a b c d HARNACK, Adolph. Marcion: The Gospel of the Alien God (em inglês). [S.l.: s.n.], 1924. 8. ↑ TYSON, Joseph B.. Marcion and Luke-Acts: A Defining Struggle (em inglês). [S.l.: s.n.]. contradiz a visão majoritária de que o Evangelho de Marcião seria baseado em Lucas, opinando ao invés disso que o canônico Lucas pode ter sido uma resposta ao Evangelho de Marcião. 9. ↑ Tertuliano. In: Evans, Ernest. Contra Marcião: comments and translation (em inglês). [S.l.]: Oxford University Press, 1972. ix p. Ligações externas Este artigo incorpora texto da Encyclopædia Britannica (11ª edição), uma publicação agora em domínio público. - Marcião (em inglês). Encyclopædia Britannica (11ª edição). Página visitada em 15/01/2011.

Este artigo incorpora texto do verbete Marcion, a 2nd cent. heretic no "Dicionário de Biografias Cristãs e Literatura do final do século VI, com o relato das principais seitas e heresias" (em inglês) por Henry Wace (1911), uma publicação agora en domínio público. Marcionite Research Library (em inglês) Tertullian, De Carne Christi (Latin and English), 1956 (em inglês) EarlyChurch.org.uk on Marcion (em inglês) Versão marcionita de Gálatas (reconstruído) (em inglês) Joseph B. Tyson, Anti-Judaism in Marcion and his Opponents (em inglês)

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Bibliografia

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O Marcionismo foi uma seita religiosa cristã do século II. Foi uma das primeiras a ser acusada de heresia. História Foi estabelecida por Marcião de Sinope (110-160), filho de um bispo. Propagou-se na Ásia Menor e na antiga Roma, em comunidades que se multiplicaram e constituíram uma vasta rede na bacia do Mediterrâneo. Foi considerada herética e Marcião excomungado em 144.[editar] Características De características gnósticas, tinha base no cristianismo ligado à tradição paulina. Simplificou as cerimónias dos primeiros cristãos, praticando uma moral severa, com interdição ao casamento, jejuns rigorosos, preparação para o martírio e fraternidade austera. O seu corpo doutrinário partia da oposição entre Justiça e Amor, Lei e Evangelho. Rejeitava o Antigo Testamento como ultrapassado, anunciando um cristianismo autêntico baseado na contradição entre dois deuses:
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a Lei, como pregado nas escrituras judaicas; e o Amor, como revelado por Jesus Cristo. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 267

O deus do Amor, compadecendo-se dos homens, resolve libertá-los do jugo da Lei, enviando Jesus ao mundo para morrer e redimir a humanidade. Seguindo o Salvador, os cristão deveriam sofrer as perseguições para merecer a libertação no fim dos tempos, quando o deus do Amor os libertaria eternamente da ferocidade da Lei e da Matéria. Alguns chegaram a julgar que os marcionistas eram Anti-Semitas. A palavra marcionismo é mesmo por vezes usada para referir as tendências anti-judaicas nas igrejas cristãs. A razão para este ressentimento contra os judeus tem a ver com o contexto em que surgiu. Em Roma, naquele tempo, os romanos lembravam-se ainda das guerras romano-judaicas - a primeira entre 66 e 73, que levou à queda do segundo Templo; a segunda sendo a revolta de Kitos (115-117) e a terceira (132-135) a de Simão bar Kokhba (ver Messias). Consequentemente, os judeus eram muito impopulares, muitos eram escravos no Império Romano e eram inclusivamente atirados aos leões no Coliseu de Roma. Naassenos Os Naassenos ou Naasseni (do hebraico ‫ נח‬naḥash ou naas, "serpente") eram os membros de uma seita gnóstica surgida por volta do ano 100 d.C. Os Naassenos alegavam que suas doutrinas lhes haviam sido passadas por Mariamne, uma discípula de Tiago, o Justo[1]. É possível que o nome seja um portmanteau de "Nasoreano" (Notzrim) e "Essênios"[2] e a retenção da forma hebraica mostra que suas crenças podem representar os primeiros estágios do Gnosticismo. Os naassenos, os setianos, os mandeanos, os peratas e os borboritas são considerados como seitas Ofitas. Porém, Hipólito os considera entre os primeiros a serem chamados simplesmente de "'gnósticos', alegando que somente eles teriam atingido as profundezas do conhecimento." [3]. A narrativa naassena Os naassenos tinham um ou mais livros a partir dos quais Hipólito de Roma cita em sua Philosophumena e que supostamente continham os discursos comunicados por Tiago, irmão de Jesus, à Mariamne. Eles continham tratados de natureza mística, filosófica, devocional e exegética, ao invés de uma exposição cosmológica. O autor (ou autores) é possivelmente grego. Ele de fato se utiliza das palavras hebraicas Naas e Caulacau, mas elas já tinham passado para o vocabulário comum gnóstico a ponto de já ser conhecida inclusive pelos que não sabiam hebraico. Ele mostra grande conhecimento das religiões de mistério das várias nações da época, algo que poderia ser realizado também em Roma, sem nunca deixar a cidade. Primeiro Homem Os naassenos estão em acordo com os outros Ofitas em chamar o primeiro princípio de "Primeiro Homem" e "Filho do Homem", chamando-o em seus hinos de Adamas (Adão):

O Primeiro Homem (Protanthropos): o ser fundamental antes de sua diferenciação em indivíduos. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 268

O Filho do Homem: o mesmo ser após a individualização em coisas reais e, portanto, já afundado na matéria.

Ao invés de, porém, reter o princípio feminino dos ofitas da Síria (província romana), eles representaram o "Homem" como andrógino e, da[o, um dos hinos segue "De ti [vem] Pai e através de ti [vem] Mãe, dois nomes imortais, progenitores de Aeons, Ó habitante dos céus, Homem ilustre". Embora os mitos de um sistema ofita anterior quase não são citados, há um traço de conhecimento dele quando, por exemplo, o mito afirma que Adão surgiu da terra espontaneamente e ali ficou deitado sem respirar, sem se mover, como uma estátua, tendo sido feito à imagem do Primeiro Homem através da obra de diversos arcontes. Como forma de aprisionar o Primeiro Homem, uma alma foi dada à Adão e através dela a imagem do Primeiro Homem superior pôde então sofrer e ser disciplinada em servidão[1]. Três classes Os Naassenos também ensinavam que este Primeiro Homem era, como Gerion, triplo, contendo em si as três naturezas to noeron ("racional"), to psychikon ("psíquica") e to choikon ("terrena", "mundana"). Declararam que "o princípio da Perfeição é a gnosis do Homem, mas a gnosis de Deus é a Perfeição absoluta"[3]. Que em Jesus as três naturezas se combinaram e através dele falaram às diversas classes de homens. E toda humanidade estava dividida entre os "eleitos", os "chamados" e os "cativos", cada qual ligado respectivamente à uma das naturezas, sendo que a mais alta era a ligada ao racional, o conhecimento, a gnosis[3]. Assim as três classe de homens (e as três igrejas correspondentes) eram:
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Material (os "Cativos") - os pagãos, cativos no domínio da matéria. Psíquica (os "Chamados") - os cristãos ordinários, não iniciados. Espiritual (os "Eleitos") - os membros da seita, familiares com o conhecimento secreto.

Relações sexuais Para os Naassenos, a relação sexual com uma mulher é algo terrivelmente maligno e uma prática desprezível. Segundo Hipólito: “ Isto, ele diz, é o oceano, geração de deuses e geração de homens sempre rondado pelos turbilhões da água, ora correndo para o alto, ora para baixo. Mas ele diz que a geração de homens ocorre quando o oceano corre para baixo, mas quando corre para cima, para a muralha e fortaleza e o penhasco de Luecas, uma geração de deuses ocorre. Isto, ele afirma, é que estava escrito: Eu disse, vocês são deuses e todos filhos do altíssimo; Se vocês se esforçam para fugir do Egito, através do Mar Vermelho em direção ao deserto, ou seja, da relação sexual terrena para a Jerusalém no alo, que é aão dos viventes. Se, porém, novamente você retorna para o Egito, ou seja, para a relação sexual terrena, irá morrer como homem. Pois mortal, ele diz, é toda geração que ocorre abaixo, mas o imortal é gerado acima, pois é nascido da água apenas, e do espírito, sendo espiritual e WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 269

não carnal. Mas o que nasce abaixo é carnal, ou seja, diz ele, o que está escrito. Aquele que é nascido da carne, é carne, e o que nasceu do espírito é espírito (João 3:6). Isto, de acordo com eles [os naassenos], é a geração espiritual. Isto, ele diz, é o grande Jordão [de Josué 3:7-17] que, correndo (aqui) para baixo, impedindo assim os filhos de Israel de deixarem o Egito - as relações sexuais, pois o Egito é o corpo - Jesus inverteu e o fez correr para cima. — Philosophumena V, 2, Hipólito de Roma[1] Hipólito afirma ainda que os versos de Paulo em Romanos 1:27 contém a chave para todo o sistema naasseno. "Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, inflamaram-se em sua concupiscência uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza" - agora a expressão do que é "torpe" significa, segundo estes naassenos, a primeira e mais abençoada substância, sem forma, a causa de todas as formas das coisas que são moldadas em formatos - "..., e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu desvario"[1]. É certamente possível que os naassenos percebessem a homossexualidade como um exemplo do conceito de androginia. Carl Jung afirmou: "... tal disposição não deve ser julgada como negativa em todas as circunstâncias, desde que ela preserve o arquétipo do Homem Original, que um ser com apenas um gênero sexual, até certo ponto, perdeu."[4]. Porém, como evidência de qualquer ato "torpe", Hipólito lamenta que, de toda forma, "...eles não foram emasculados e, ainda assim, eles agem como se tivessem sido"[5]. Exegese O autor se utiliza livremente do Novo Testamento. Ele parece ter usado todos os quatro Evangelhos, sendo que o mais utilizado foi o de João. Ele também cita as epístolas paulinas de Romanos, I Coríntios e II Coríntios, Gálatas e Efésios. O Antigo Testamento também é utilizado copiosamente, assim como o Evangelho dos Egípcios e o Evangelho de Tomé, obras apócrifas. Porém, o que é mais característico é o uso abundante de escritos pagãos, uma vez que o método exegético do autor permite que ele encontre seu sistema em Homero com a mesma facilidade que ele o faz na Bíblia. A serpente Novamente citando Hipólito: “ E que para ela apenas - ou seja, Naas - é dedicado cada um dos templos, todos os ritos iniciatórios e todos os mistérios. E, em geral, que uma cerimônia religiosa não pode ser descoberta sob o céu em que um templo (Naos) não exista e que o templo em si é Naas, de quem ele recebeu a sua denominação de templo (Naos). E eles afirma que a serpente é uma substância úmida, como Tales também, o milesiano, [falou de água como um princípio originador,] e que nada do que existe, mortal ou imortal, animado ou inanimado, poderia existir sem ela. E que todas as coisas estão sujeitas a ela e que ela é boa e que ela tem todas as coisas em si, como no único chifre de um touro com um chifre só. Desta forma, ela atribui beleza e para tudo o que existe de acordo com sua natureza e peculiaridade, como se passando através de tudo, exatamente como [o rio] nascendo do Éden e se dividindo em quatro cabeças." WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 270

— Philosophumena V, 2, Hipólito de Roma[5] Éden O Jardim do Éden no sistema naasseno é o cérebro e o Paraíso, a cabeça humana, com cada um dos quatro rios (veja Gênesis 2:10 em diante) tendo um significado especial[5]:
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Pisom = Olhos, pois por sua honra entre os demais orgãos e por suas cores, dá testemunho ao que é dito. Giom = Audição, pois é um rio tortuoso, lembrando uma espécie de labirinto. Tigre = Respiração e Olfato, empregando a veloz corrente do rio (como analogia do sentido). Mas ele corre contra o país dos assírios, pois em cada ato de respiração seguido de expiração, o folêgo capturado da atmosfera exterior entra com um movimento mais rápido e com mais força. Pois esta, ele diz, é a natureza da respiração. Eufrates = Boca, através da qual passa a oração para fora e, para dentro, a alimentação. A boca faz feliz, cultiva e forma o Homem Perfeito Espiritual. Ofitismo

Ofitas (do grego ὄθιανοι > ὄθις = serpente) é um nome genérico para várias seitas gnósticas da Síria e do Egito que se desenvolveram por volta do ano 100 D.C. Estas seitas atribuiam grande importância à serpente mencionada no livro do Genesis como tentadora de Adão e Eva, considerando-a como portadora do conhecimento do Bem e do Mal e portanto como símbolo da gnose.

Fundamentos Segundo os teólogos patrísticos como Orígenes e Ireneu, a essência do doutrina ofita é a crença de que Jeová, o Deus do Antigo Testamento, é uma divindade misantrópica da qual a humanidade deveria ser libertada. Desta forma, a serpente e outros inimigos do Demiurgo se convertem em heróis para os ofitas. Os membros das seitas ofitas passavam por cerimônias de iniciação que incluíam símbolos de purificação, vida, espírito e fogo. O sistema completa da seita parecia combinar ainda elementos do culto à deusa egípcia Ísis, conceitos da mitologia oriental e aspectos da doutrina cristã. Seitas ofitas
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naassenos, do hebraico na'asch = serpente) que consideravam a serpente como o ser supremo setitas, para quem Sete era o patriarca dos espíritos peratas, do griego peras = penetrar cainitas, que viam em Caim seu líder espiritual WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 271

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encratitas, seita fundada por Tatiano; se distinguiam por praticar um ascetismo rigoroso e por opor-se ao matrimônio valentinianos, discípulos de Valentim Valentianismo Valentim (gnóstico)

Valentim (ou Valentino ou Valentinius) c.100 - c.160) foi por algum tempo o teólogo gnóstico do período do cristianismo primitivo de maior sucesso. De acordo com Tertuliano, Valentim foi candidato a bispo e iniciou o seu grupo quando outro candidato foi eleito[1]. Foi muito influente na comunidade Cristã, apesar de seus trabalhos e idéias terem sido considerados como apostasia por volta de 175, mas nunca foi considerado herético. Foi, até à sua morte, um membro respeitado na sua comunidade. Valentim produziu uma grande variedade de obras literárias, mas apenas fragmentos sobreviveram, a maioria na forma de citações nas obras de seus oponentes, mas não o suficiente para reconstruir seu sistema exceto em grandes linhas[2]. Além destes relatos, o pouco que se conhece da sua doutrina é conhecida de forma modificada e já desenvolvida nos trabalhos por seus discípulos[2]. Ele ensinou que existem três tipos de pessoas: as espirituais, as físicas e as materiais; e que apenas aquelas com a natureza espiritual (seus próprios seguidores) receberiam a gnosis (conhecimento) que os permitiria retornar ao divino Pleroma, enquanto aqueles com a natureza psíquica (os demais cristãos) obteriam uma forma inferior de salvação, enquanto os de natureza material (pagãos e judeus) estavam condenados a perecer[2][3]. O texto Tratado tripartite é um dos textos atribuídos aos seguidores de Valentim e que expõe essa divisão da humanidade[4]. Valentim tinha um grande grupo de seguidores, os Valentianos[2]. Posteriormente, eles se dividiram em dois ramos: um oriental e outro ocidental (ou italiano). Os marcosianos pertencem ao ramo ocidental[2]. Biografia Segundo Epifânio, Valentim nasceu em Frebonis, no delta do Nilo e foi educado em Alexandria, uma métropole importante no início do cristianismo[5]. É possível que lá ele tenha ouvido o filósofo cristão Basilides e certamente se tornou fluente na filosofia helenista médio platônica e na cultura dos judeus helenizados, como o grande alegorista e filósofo judeu de Alexandria Fílon. Clemente de Alexandria relata que os seguidores de Valentim alegavam que ele fora aluno de Teudas, um pupilo de Paulo[6]. Valentim dizia que Teudas o havia contado a sabedoria secreta que Paulo ensinara apenas ao seu círculo interno, referido publicamente quando ele falava sobre o seu encontro visionário com o Cristo ressucitado (veja Romanos 16:25, I Coríntios 2:7, II Coríntios 12:2-4 e Atos 9:9-10) em que ele teria recebido este conhecimento secreto diretamente Dele. Estes ensinamentos esotéricos estavam em declínio em Roma após a segunda metade do século II dC[carece de fontes?]. Valentim ensinou primeiro em Alexandria e foi para Roma por volta de 136 dC, durante o pontificado do Papa Higino e lá permanceu até o pontificado do Papa Aniceto. Em sua obra Contra os Valentianos, Tertuliano diz: WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 272

Valentim esperava se tornar Bispo, pois ele era um homem habilidoso, tanto no intelecto quanto na eloquência. Indignado, porém, que um outro obteve a honra por causa de uma reivindicação que um confessor havia lhe feito, ele deixou a igreja da fé verdadeira. Assim como outros espíritos (incansáveis) que, quando atribulados pela ambição, são finalmente inflamados pelo desejo de vingança, ele se aplicou com todas as suas forças em exterminar a verdade; e encontrando a pista de uma certa opinião antiga, ele trilhou um caminho para si com a sutileza de uma serpente — Tertuliano, Contra os Valentianos]][1]

De acordo com a tradição relatada no final do século IV dC por Epifânio, ele se retirou para Chipre, onde continou a ensinar e atrair seguidores. Ele morreu provavelmente por volta de 160 ou 161 dC[5]. Enquanto estava vivo, Valentim tinha muitos discípulos e seu sistema era o mais difundido entre todas as formas de Gnosticismo, embora, como Tertuliano indicou, ele se desenvolveu em diversas versões, nem todas reconhecendo a dependência dele ("eles fazem questão de repudiar seu nome"). Entre os mais proeminentes discípulos de Valentim, que, porém, não seguia cegamente todas as visões do mestre, estava Bardesanes, invariavelmente ligado à Valentim nas referências mais recentes, assim como Heracleon, Ptolomeu e Marcus[5]. Muitos dos escritos destes gnósticos e um grande número de trechos das obras de Valentim existiam apenas em citações nas obras de seus detratores, até que em 1945, um grande conjunto de obras descobertas na Biblioteca de Nag Hammadi revelaram uma versão copta do Evangelho da Verdade, que é o título do texto que, segundo Ireneu[7], era o mesmo que o "Evangelho de Valentim" mencionado por Tertuliano em Contra Todas as Heresias[8]. As idéias de Valentim A essência do pensamento Valentiniano é: A salvação está no auto-conhecimento (a gnose). Com influências, nitidamente, neoplatônicas, desenvolveu uma complexa cosmogonia onde Deus, neste caso, Pai Inefável, está acima do Deus inferior, chamado de Demiurgo, o Pai invisível. Este Inefável, segundo os Gnósticos, é apresentado como um ente amórfico sendo a combinação andrógina da Mente (ou Nous) e pensamento (ou Ennoia ou Epinoia) A Mente é o princípio masculino e o pensamento é o princípio feminino. Na versão Valentiana, o princípio masculino é chamado de Demiurgo e o feminino de Sophia. O Inefável delegou ao Demiurgo o poder criador para que pudesse separar a Luz das Trevas. Já Sophia tem a Gnosis, que o Demiurgo não possui. Em resumo, Demiurgo criou a matéria e Sophia o espírito. O Pleroma seria o grande palco desse jogo cósmico. O Demiurgo, com ciúme de Sophia, tenta subjugá-la e toma-lhe a Gnosis, mas Sophia cria o Pleroma e foge para lá. Na esperança de salvar os seus filhos (os espíritos) do julgo da matéria, envia uma parte da Gnosis, chamada Cristo. O Cristo, na visão gnóstica, é um ente que guia os seres para o abrigo da Pleroma, fugindo da escravidão da matéria através da reencarnação. Lembra um pouco a visão budista da libertação da matéria. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 273

Principais obras

O Evangelho da Verdade

Referências 1. ↑ a b Tertuliano. Contra os Valentianos: The Heresy Traceable to Valentinus, an Able But Restless Man. Many Schismatical Leaders of the School Mentioned. Only One of Them Shows Respect to the Man Whose Name Designates the Entire School (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 4, vol. I. 2. ↑ a b c d e CROSS, F. L., ed.. The Oxford Dictionary of the Christian Church: Artigo Valentinus. Nova Iorque: Oxford University Press, 2005. 3. ↑ Para uma fonte de um opositor, veja Ireneu. Adversus Haereses: The threefold kind of man feigned by these heretics: good works needless for them, though necessary to others: their abandoned morals. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 6, vol. I. 4. ↑ ROBINSON, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: The Tripartition of Mankind (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2 5. ↑ a b c "Valentinus and Valentinians" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público.. 6. ↑ Clemente de Alexandria. Stromata: The Tradition of the Church Prior to that of the Heresies (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 17, vol. VII. 7. ↑ Ireneu. Adversus Haereses: Proofs in continuation, extracted from St. John's Gospel. The Gospels are four in number, neither more nor less. Mystic reasons for this. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 11, vol. III. 8. ↑ Tertuliano. Contra Todas as Heresias: Valentinus, Ptolemy and Secundus, Heracleon (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 4, vol. I. O Valentianismo foi um movimento gnóstico, que foi fundado por Valentim no século II. O Valentianismo foi um dos principais movimentos gnósticos. Sua influência foi extremamente difundida, não apenas dentro de Roma, mas também no Egito através da Ásia Menor e Síria, a leste, e Noroeste da África [1]. Mais tarde na história do movimento que se quebrou em duas escolas, uma escola de oriental e uma escola ocidental. Discípulos de Valentino continuaram a ser ativos no século IV, após o Império Romano ser declarado cristão [2]. Valentino e o movimento gnóstico que leva seu nome foram considerados ameaças ao cristianismo por líderes religiosos e estudiosos cristãos, não só por causa de sua influência, mas também por causa de suas doutrinas, práticas e crenças. Gnósticos foram condenados como hereges, e os pais proeminentes da Igreja, como Irineu de Lyon e Hipólito de Roma escreveram contra o gnosticismo. A maioria das evidências para a teoria dos Valentinos vem de seus críticos e detratores, sobretudo Irineu, já que ele estava especialmente preocupado em a refutar o Valentianismo [3]. Referências 1. ↑ Green 1985, 244 2. ↑ Green 1985, 245 3. ↑ Wilson 1958, 133 WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 274

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Wilson, R. McL. "Valentianism and the Gospel of Truth" in Layton, B., (ed.) The Rediscovery of Gnosticism, (Leiden 1980): 133-45. Thomassen, Einar. The Spiritual Seed: The Church of the Valentinians (Nag Hammadi and Manichaean Studies) (Brill Academic Publishers 2005) Bermejo, Fernando, La escisión imposible. Lectura del gnosticismo valentiniano, Publicaciones Universidad Pontificia, Salamanca, 1998

Livros
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O Fragmento Naasseno (citado por Hipólito como um sumário do sistema naasseno inteiro) O Evangelho da Perfeição O Evangelho de Eva As questões de Maria Sobre os filhos de Maria O Evangelho de Filipe (diferente do Evangelho de Filipe da Biblioteca de Nag Hammadi) O Evangelho de Tomé O Evangelho Grego dos Egípcios

Referências 1. ↑ a b c d Hipólito de Roma. Philosophumena: Naasseni Ascribe Their System, Through Mariamne, to James the Lord's Brother; Really Traceable to the Ancient Mysteries; Their Psychology as Given in the Gospel According to Thomas; Assyrian Theory of the Soul; The Systems of the Naasseni and the Assyrians Compared; Support Drawn by the Naasseni from the Phrygian and Egyptian Mysteries; The Mysteries of Isis; These Mysteries Allegorized by the Naasseni. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 2, vol. V. 2. ↑ Robert Eisenman groups them together as related baptismal sects. EISENMAN, Robert. The New Testament Code: The Cup of the Lord, the Damascus Convenant, and the Blood of Christ. [S.l.: s.n.], 2006. 3. ↑ a b c Hipólito de Roma. Philosophumena: Recapitulation; Characteristics of Heresy; Origin of the Name Naasseni; The System of the Naasseni. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 1, vol. V. 4. ↑ JUNG, C. G.. Concerning the Archetypes and the Anima Concept (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: CW 9i, 146 p. 5. ↑ a b c Hipólito de Roma. Philosophumena: Further Use Made of the System of the Phrygians; Mode of Celebrating the Mysteries; The Mystery of the Great Mother; These Mysteries Have a Joint Object of Worship with the Naasseni; The Naasseni Allegorize the Scriptural Account of the Garden of Eden; The Allegory Applied to the Life of Jesus. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 4, vol. V. Ligações externas

Texto completo da Philosophumena de Hipólito de Roma tratando dos Naassenos. Hippolytus, Philosophumena, Livro V: Naasseni, em inglês.

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Bibliografia

Este artigo incorpora texto do verbete Gnosticism no "Dicionário de Biografias Cristãs e Literatura do final do século VI, com o relato das principais seitas e heresias" (em inglês) por Henry Wace (1911), uma publicação agora en domínio público. KING, Charles William. The Gnostics and Their Remains. [S.l.: s.n.], 1887. MEAD, G.R.S. Fragments of a Faith Forgotten. [S.l.: s.n.], 1900. MEAD, G.R.S. Thrice Great Hermes: Studies in Hellenistic Theosophy and Gnosis, Volume I. [S.l.: s.n.], 1906 Setianismo

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O Setianismo foi um grupo de antigos gnósticos, que datam sua existência antes do cristianismo. São assim chamados devido à sua veneração à Sete, que teria sido o escolhido de Deus para a promessa de se organizar uma sociedade humana perfeita. Apesar de ter uma origem judaica, suas doutrinas tem uma forte influência do platonismo. No ingles é chamado de Sethianism. As vezes muitos confundem com Set, Deus egípcio, a sua veneração em ingles é chamada de Setianism. Existe um trecho de um texto gnóstico descoberto em 1945 em Nag-Hammadi, no Egito, nomeada "A Revelação de Adão", onde Adão é referido como pai de Seth e que passou todo o conhecimento secreto a ele: "Estas são as revelações que Adão desvelou ao seu filho Seth; e o seu filho ensinou a seus descendentes. Este é o conhecimento secreto que Adão entregou a Seth; é o santo de batismo daqueles que adquirem o conhecimento eterno..." Simonianismo Os Simonianos eram uma seita gnóstica do século II dC que considerava Simão Mago como seu fundador e cujas doutrinas, chamadas Simonianismo, eram também baseadas nos ensinamentos dele. A seita floresceu na Síria, em vários distritos da Ásia Menor e em Roma. No século terceiro, remanescentes da seita ainda existiam, como relatado por Orígenes na sua obra Contra Celso e sobreviveram até o século IV dC[1]. Segundo ele: “ Também Simão o samaritano, um mago, desejava roubar alguns [fiéis] com sua mágica. E naquele tempo ele de fato conseguiu com sua fraude, mas agora eu acredito que não seja possível encontrar 30 simonianos ao todo no mundo; e talvez eu tenha colocado um número muito mais alto do que realmente é. Mas na palestina há uns poucos, e nos resto do mundo, onde ele desejava espalhar sua própria glória, seu nome não é mais mencionado. E se é, só acontece por causa dos Atos dos Apóstolos. Sãos os cristãos que dizem o que é dito sobre ele e hoje é claro como a luz do dia que Simão não era nada divino — Orígenes, Contra Celso[2] Quando Justino Mártir escreveu em sua Primeira Apologia[3] em 152 dC, a seita dos simonianos parecia ser formidável, pois ele cita quatro vezes o seu fundador, Simão Mago. [4][5]. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 276

Os simonianos também foram mencionados por Hegesipo, reutilizado depois por Eusébio de Cesaréia[6]. Suas doutrinas foram citadas e contra-argumentadas por Ireneu em seu Adversus Haereses[7], por Hipólito em Philosophumena[8] e depois por Epifânio[9]. Orígenes também menciona que alguns da seita eram chamados de Heleniani[10]. A Grande Declaração (Apophasis) Em Philosophumena de Hipólito, a doutrina de Simão é relatada de acordo com sua obra A Grande Declaração e é evidente que o que nos chegou são as opiniões doutrinárias dos simonianos como elas haviam se desenvolvido no século II dC. Como o próprio Hipólito afirma em mais de um lugar[11], o simonianismo é uma forma mais primitiva do valentianismo, com alguns resquícios de aristotelismo e estoicismo. Linhas gerais O livro todo é uma mistura de influências helênicas e hebraicas no qual as mesmas alegorias são aplicadas a Homero, Hesíodo e Moisés. Começando com a afirmação de Moisés que «Pois Jeová teu Deus é um fogo consumidor...» (Deuteronômio 4:24)[12], Simão a combina com a filosofia de Heráclito onde o fogo é o primeiro princípio de tudo. Este primeiro princípio ele chamou de "Poder sem limites" e declarou que ele está dentro dos filhos dos homens, seres nascidos de carne e sangue. Mas o fogo não era tão simples como muitos imaginavam e Simão fez distinção entre suas propriedades escondidas e manifestas, mantendo que as primeiras era a causa das últimas. Como os Estóicos, ele concebeu este fogo como um ser inteligente. Deste ser não-gerado brotou o mundo como conhecemos, por meio do qual existiam seis raízes, cada uma com seus lados de dentro e de fora, organizadas em inglês Esta seis raízes, Mente, Voz, Razão, Reflexo, Nome e Pensamento são também chamadas "Seis Poderes". Misturado com elas estava o grande poder, o "Poder sem Limites". Este é o que "permaneceu, permanece e permanecerá" ("He who has stood, stands, and will stand" em inglês no diagrama). O sétimo poder ("Raíz") corresponde ao sétimo dia após os seis dias da criação. Este sétimo poder existia antes do mundo e é o "Espírito de Deus que pairava sobre as águas" («...mas o espírito de Deus pairava por cima das águas» (Gênesis 1:2)[12]). Ele existe potencialmente em cada um dos filhos dos homens e pode ser desenvolvido em cada um até sua própria imensidão. O pequeno pode se tornar grande, o ponto pode ser aumentado ao infinito[13]. Contudo, caberia a cada um desenvolve-lo e é sobre esta responsabilidade que estaria implícita nas palavras «...para não sermos condenados com o mundo» (I Coríntios 11:32)[12]. Pois se a imagem "Daquele que Permanece" não for atualizada em nós, ela não sobrevive à morte do corpo. "O machado", ele disse, "está perto das raízes da árvore: cada árvore que não produzir bons frutos é cortada e atirada ao fogo" (como «O machado já está posto à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não dá bom fruto, é cortada e lançada no fogo» (Mateus 3:10)[12]). Eden O livro tem também uma fascinante interpretação fisiológica do Jardim do Éden que evidencia um certo conhecimento anatômico por parte se Simão ou seus seguidores. Aqui o Paraíso é o útero e o rio que corre para fora do Éden, o cordão umbilical.

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O umbigo [o cordão umbilical], ele diz, é dividido em quatro canais, pois de cada lado do umbigo [cordão] estão colocados dois dutos de ar para levar a respiração e duas veias para levar o sangue. Mas, ele continua, o umbigo [cordão] saindo do Éden é conectado ao feto nas regiões epigástricas, no que é comumente chamado por todos de umbigo... e as duas veias por onde o sangue flui e é transportado da região Edênica através do que é chamado de portas do fígado [porta hepatis], que alimenta o feto. E os dutos de ar, que dissemos que eram canais para respiração, abraçando a bexiga em cada um dos lados da pelvis, são unidos por um grande duto que é chamado de aorta dorsal.... O todo (do feto) é embrulhando num envelope, chamado âmnio e é alimentado pelo umbigo e recebe a respiração do duto dorsal, como já disse — Simão Mago, A Grande Declaração

Os cinco livros de Moisés são representados como os cinco sentidos: 1. 2. 3. 4. 5. Gênesis: Concepção e Visão Êxodo: Nascimento e Audição Levítico: Respiração e Olfato Números: Fala e Paladar Deuteronômio: Síntese e Tato

Fragmento Como o lado feminino do ser original aparece o "pensamento" ou "concepção" (Ennoia), que é "mãe" de todos os Aeons. Há uma passagem mística sobre a unidade de todas as coisas, que lembra o Tablete Esmeralda. “ A vocês, portanto, Eu digo o que eu digo e escrevo o que escrevo. E o que foi escrito é isto. Dos Aeons universais há dois ramos, sem começo e nem fim, brotando de uma única Raiz, que é o Poder invisível, inapreensível Silêncio. Destes ramos, um é manifestado de cima, que é o Grande Poder, a Mente Universal organizando todas as coisas, masculino, e o outro, de baixo, o Grande Pensamento, feminino, produzindo todas as coisas. Assim, emparelhando-se com o outro, eles se uniram e manifestaram a Distância do Meio, o Ar incompreensível, sem começo e nem fim. Nele está o Pai que sustenta todas as coisas e que nutre todas as coisas que tem começo e fim. Este é Aquele que permaneceu, permanece e permanecerá, um poder masculino-feminino como o pré-existente Poder sem Limites, que não tem começo e nem fim, existindo em unicidade. Pois é deste que o Pensamento na unicidade ocorreu e se tornou dois. Então ele era um; por ter tido ela em si, ele era um, não porém o primeiro, embora préexistindo, mas sendo manifestado de si para si, ele se tornou segundo. E ele não era chamado de Pai antes de (Pensamento) chamá-lo de Pai. Produzindo, portanto, a si próprio sozinho, ele manifestou para si seu próprio Pensamento, WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 278 ”

assim também o Pensamento que estava manifestado não fez o Pai, mas contemplando-o escondeu-o - o Poder - nela, e é masculino-feminino, Poder e Pensamento. Daí eles se emparelharam se tornando um, pois não há diferença entre Poder e Pensamento. Das coisas acima se descobriu o Poder, das de baixo, Pensamento. Da mesma maneira também aquele que foi manifestado a partir deles embora seja um é porém encontrado como dois, o masculino-feminino tendo o feminino dentro de si. Assim Mente está em Pensamento - coisas inseparáveis uma da outra que embora sejam um uma são porém duas — Simão Mago, A Grande Declaração[14]. Práticas Os simonianos foram acusados de usar mágica e teurgia, encantamentos e poções do amor; tratar a idolatria com indiferença, reputando-a nem como boa nem como má[15], proclamar que todo sexo era amor perfeito e, de maneira geral, de viver vidas muito desordenadas e imorais. Eusébio[16] afirma que os simonianos são a mais imoral e depravada seita do mundo. De modo geral, dizia-se que eles não acreditavam que nada em si era bom ou mau por natureza: não eram boas obras que faziam dos homens santos no próximo mundo, mas a graça impingida por Simão e Helena naqueles que os seguiam [17] Até o fim, acreditava-se que os simonianos veneravam Simão Mago sob a imagem de Zeus e Helena sob a de Atena. Porém, Hipólito adiciona que "Se algum, vendo as imagens de Simão ou Helena, os chamar por estes nomes, ele é retirado por mostrar ignorância nos mistérios". Daí fica evidente que os simonianos não permitiam que se adorassem diretamente os seus fundadores. Na texto Clementino Reconhecimentos, Helena é chamada de Luna[18], o que pode significar que as imagens seria representações do sol e da lua. Tudo isso, porém, são informações que nos chegaram por relatos de segunda mão dados por oponentes dos simonianos. É discutível se estes detratores iriam fielmente e acuradamente relatar a verdade sobre Simão e seus seguidores, ainda que eles tivessem informação suficiente pra isso. Testemunho da Verdade Fora destas fontes patrísticas, os simonianos foram brevemente mencionados no Testemunho da verdade(58,1-60,3)[19] da Biblioteca de Nag Hammadi, uma coleção de manuscritos gnósticos descobertos em 1945 no Egito. O autor aparentemente os incluiu numa longa lista de heréticos[20]: “ Eles [não] concordam entre si. Pois os Si[mo]nianos se casam e tem filhos, mas os ...anos se abstém de suas... natureza ... uma paixão ... as gotas de ... os unge ... que nós ... [Uma linha faltando] ... eles concordam entre si ... ele ... eles ... ” WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 279

[Da linha 14 até o final da página, faltando] ... julgamento(s) ... para eles, por causa de ... eles ... os heréticos ... cisma(s) ... e os homens ... são homens ... eles irão pertencer ao mundo dos governantes-terrenos das trevas ... [Uma linha faltando] ... do mundo ... [Uma linha faltando] ... eles tem ... os arcontes ... poder ... [Uma linha faltando] ... julga[-los] ... Mas os ... palavra(s) de ... [Da linha 20 até o final da página, faltando] ... falar, enquanto eles ... se tornar ... em um [inapagável] fogo ... eles são punidos. — Testemunho da verdade[19], O tradutor Birger A. Pearson diz que esta passagem provavelmente lida com as práticas de seitas gnósticas libertinas, mas pelo estado fragmentário do texto é impossível saber a que grupos eles se referem. O ascético e decidido autor pode ter não ter tido nenhum outro problema com os simonianos exceto eles se casarem e terem filhos. Porém, Epifânio acusou os simonianos de "se entregarem aos mistérios da obscenidade e - argumentando mais seriamente - nos líquidos corporais (em latim: emissionum virorum, feminarum menstruorum) que deveriam ser coletados para uso em mistérios de uma forma imunda; e que esses seriam os mistérios da vida e a mais perfeita gnosis[21]. Legado Duas outras seitas tinham uma conexão muito próxima com os simonianos, os dositeanos e os menandrianos, provavelmente ramos do simonianismo. Seus nomes são heranças de seus fundadores, Dositeu e Menandro, respectivamente. Acredita-se que Dositeu, um samaritano, tenha originalmente sido professor e depois pupilo de Simão Mago. Até pelo menos o começo do século VII dC, Eulógio de Alexandria[22] se opôs aos dositeanos que consideravam Dositeu como o grande profeta previsto por Moisés. Dositeu morreu de inanição[23]. Assim como Simão, Menandro - seu pupilo e, após sua morte, seu mais importante sucessor também proclamou a si mesmo como sendo o enviado de Deus, o Messias. Da mesma forma, ele ensinou sobre a criação do mundo por anjos enviados pelaEnnoia (Sophia). Ele afirmava também que os homens receberam a imortalidade e a ressurreição pelo seu batismo e praticava as artes mágicas. A seita fundada por ele, os Menandrianos, continuaram a existir por um considerável período de tempo. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 280

Referências 1. ↑ Orígenes. Contra Celsum (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 57, vol. I. e Orígenes. Contra Celsum (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 11, vol. VI. 2. ↑ Orígenes. Contra Celsum (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 57, vol. I. 3. ↑ Justino Mártir. Primeira Apologia: Magicians not trusted by Christians (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 26, vol. I. 4. ↑ Dictionary of Christian Biography (em inglês). [S.l.: s.n.]. 682 p. vol. 4. 5. ↑ Hastings' Dictionary of the Apostolic Church (em inglês). [S.l.: s.n.]. 496 p. vol. 2. 6. ↑ Eusébio de Cesaréia. História Eclesiástica: Hegesippus and the Events which he mentions (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 22, vol. IV. 7. ↑ Ireneu. Adversus Haereses: Doctrines and practices of Simon Magus and Menander (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 23, vol. I. 8. ↑ Hipólito de Roma. Refutação de todas as heresias: Capítulos sobre Simão Mago (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 9-20, vol. VI. e Hipólito de Roma. Refutação de todas as heresias: Simon Magus (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 8, vol. X. 9. ↑ Epifânio de Salamis (Epif). Panarion, 22 10. ↑ Orígenes. Contra Celsum (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 62, vol. V. 11. ↑ Hipólito de Roma. Refutação de todas as heresias: The Hebdomadarii; System of the Arithmeticians; Pressed into the Service of Heresy; Instances Of, in Simon and Valentinus; The Nature of the Universe Deducible from the Physiology of the Brains (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 51, vol. IV. e Hipólito de Roma. Refutação de todas as heresias: Pythagoras' Cosmogony; Similar to that of Empedocles (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 20, vol. VI. 12. ↑ a b c d Segundo a Tradução Brasileira da Bíblia 13. ↑ Veja Hipólito em referências anteriores, iv. 51, v. 9, vi. 14 14. ↑ MEAD, G.R.S.. Simon Magus (em inglês). [S.l.: s.n.], 1892. 15. ↑ Orígenes. Contra Celsum (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 11, vol. VI. 16. ↑ Eusébio de Cesaréia. História Eclesiástica: Simon Magus (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 13, vol. II. 17. ↑ Orígenes. De Principiis (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 17, vol. IV. 18. ↑ Clemente de Roma. Reconhecimentos: Simon Magus: His History / Simon Magus: His Profession (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 8 e 9, vol. II. 19. ↑ a b ROBINSON, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: The Testimony of Truth (Trad. por Søren Giversen e Birger A. Pearson) (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2 20. ↑ MEYER, Marvin. The Nag Hammadi Scriptures: The Testimony of Truth (em inglês). [S.l.]: Harper Collins, 2007. 624 p. isbn 978-0060523787 21. ↑ Epif 58. 22. ↑ Em Fócio, "Bibliotheca cod.", 230 23. ↑ Clemente de Roma. Reconhecimentos: Simon Magus, at the Head of the Sect of Dositheus (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 11, vol. II.; Orígenes. Contra Celsum (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 57, vol. I.; Epif. XX. Ligações externas

"Simonians" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 281

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Este artigo incorpora texto da Encyclopædia Britannica (11ª edição), uma publicação agora em domínio público. Encyclopedia Britannica (em inglês). Página visitada em 30/08/2010. The Testimony of Truth (em inglês). Página visitada em 30/08/2010. Schaff's History of the Christian Church, volume II, chapter XI (em inglês). Página visitada em 30/08/2010. Jewish Encyclopedia (em inglês). Página visitada em 30/08/2010.

Monofisismo Monofisismo (em grego monos - "um, único" - e physis - "natureza") é a posição cristólogica de que Cristo tinha apenas uma natureza, sua humanidade tendo sido absorvido pela divindade. É uma visão contrária à calcedoniana, que afirma que Cristo manteve suas duas naturezas. O monofisismo sempre foi considerado herético pela igreja ocidental e pela maior parte da oriental. História O monofisismo e sua antítese, o nestorianismo (uma forma de diofisismo), foram ambos fartamente discutidos e se tornaram fatores de divisão entre os crentes na tradição cristã ainda em amadurecimento na primeira metade do século V d.C., principalmente durante as tumultuadas últimas décadas do Império romano do ocidente, marcadas pelo deslocamento do poder político para o oriente - principalmente a Síria, o Levante e a Anatólia - onde o monofisismo era muito popular entre as pessoas. Há duas grandes doutrinas que podem indiscutivelmente serem chamadas de "monofisitas":

Eutiquianismo afirma que as naturezas humana e divina de Cristo se fundiram em uma única nova singular (mono) natureza: sua natureza humana "dissolveu como uma gota de mel no oceano". Apolinarismo afirma que Cristo tinha um corpo humano e um "princípio vivo" humano, mas que o Logos (Cristo) tinha tomado o lugar do nous, ou "princípio pensante", análogo, mas não idêntico, ao que poderia ser chamando de "mente" hoje em dia.

Após o Nestorianismo, ensinado por Nestório, arcebispo de Constantinopla, ter sido rejeitado no Primeiro Concílio de Éfeso, Eutiques, um arquimandrita em Constantinopla, emergiu com uma visão diametralmente oposta. A energia e imprudência com que ele afirmou suas opiniões causaram-lhe acusações de heresia em 448 d.C., levando à sua excomunhão. Em 449 d.C., no controverso Segundo Concílio de Éfeso (o "Concílio de Ladrões"), Eutiques foi reconduzido ao posto e seus principais oponentes, Eusébio de Dorileia, Domno II de Antioquia e o Flaviano de Constantinopla, depostos. O monofisismo e Eutiques foram novamente rejeitados no Concílio de Calcedônia, em 451 d.C. Posteriormente, o monotelismo se desenvolveu como uma alternativa para encerrar o cisma entre a posição monofisita e a calcedoniana, mas ele também foi rejeitada pelos membros de Calcedônia, apesar de ter tido, por vezes, o apoio do imperador bizantino e tendo escapado a condenação de um Papa de Roma, Honório I. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 282

O miafisismo, a cristologia da Ortodoxia oriental, é considerada pelas igrejas calcedonianas como uma variação do monofisismo. Porém, as próprias igrejas miafisitas entendem de modo diferente e anatemizaram o monofisismo e Eutiques[1][2]. Diofisismo Diofisismo (em grego: δσοθσζῖηαι), também Difisismo, é um termo teológico utilizado para identificar um particular ponto de vista cristológico sobre o entendimento de como as naturezas humana e divina se relacionam na pessoa de Jesus Cristo. O termo vem do grego e significa literalmente "duas naturezas". Nesta interpretação, se refere às duas naturezas distintas existindo em uma única pessoa, una e singular, de Jesus (união hipostática).

História Diofisismo foi inicialmente utilizado para descrever o nestorianismo, a doutrina de Nestório que afirmava que Cristo existiu como duas pessoas distintas: a humana, Jesus, e a divina, Logos (Cristo), condenada no Primeiro Concílio de Éfeso (431 d.C.). Depois do Concílio de Calcedônia, em 451 d.C., o uso do termo para descrever os que apoiavam a posição calcedoniana (que continua até hoje na Igreja Católica e na Igreja Ortodoxa) era o mesmo que chamá-las de nestorianas, que era exatamente o que acreditavam os opositores do Concílio (não calcedonianos). Os calcedonianos se defendem enfatizando a completa e perfeita unidade das duas naturezas em uma hipóstase. Para os eles, a união hipostática era a questão central para a "unidade" de Jesus (sua humanidade e divindade sendo descritas como "naturezas"), enquanto que para os não calcedonianos, a questão central eram a natureza como o ponto de unidade. Não calcedonianos O termo é utilizado para descrever a posição do Concílio de Calcedônia (451 d.C.), sendo inicialmente aplicado pelos que rejeitaram a posição do concílio e que, por isso, eram ou monofisitas ou miafisitas. São monofisitas os docetistas, que acreditam que Jesus só tinha a natureza humana, e os eutiquianistas, que afirmavam que a natureza humana se "diluiu" na natureza divina como um copo de vinagre no oceano. Já os miafisitas estão numa posição intermediária, afirmando que Jesus tem as duas naturezas, humana e divina, fundidas em uma só. As igrejas ortodoxas orientais, incluindo os coptas, consideram-se miafisitas. Miafisismo Miafisismo (também chamado de henofisitismo) é uma fórmula cristólogica das igrejas ortodoxas orientais e de várias outras igrejas que aderiram somente aos três primeiros concílios ecumênicos. O miafisismo afirma que na pessoa una de Jesus Cristo, Divindade e Humanidade estão unidas em uma única ou singular natureza ("physis"), as duas estão unidas sem separação, sem confusão e sem alteração[1]. Historicamente, cristãos calcedonianos tem considerado o miafisismo em geral como "agradável" numa interpretação ortodoxa, mas eles, de toda forma, percebem o miafisismo dos não WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 283

calcedonianos como uma forma de monofisismo. As Igrejas não calcedonianas (Ortodoxas orientais) rejeitam esta caracterização[2]. História O termo "miafisismo" surgiu como uma resposta ao nestorianismo. Como este tem as suas raízes na tradição antioqueana e era contraposta à tradição alexandrina, cristãos na Síria e Egito que queriam se distanciar dos extremos do nestorianismo e desejam manter íntegra a sua posição teológica adotaram este termo para expressar sua posição. A teologia do miafisismo é baseada no entendimento da natureza (em grego: φύσις - physis) de Cristo: divina e humana. Após navegar entre as doutrinas do docetismo (que afirmava que Cristo apenas "parecia ser" humano) e o adocionismo (que Cristo era um homem que foi escolhido por Deus), Igreja começou a explorar o mistério da natureza de Cristo com mais profundidade. Dois pontos de vista em particular causaram controvérsia:

Nestorianismo, que estressava a distinção entre o divino e o humano em Cristo de tal forma que parecia que era duas pessoas vivendo num mesmo corpo. Este ponto de vista foi condenado no Primeiro Concílio de Éfeso, provocando o cisma com a Igreja Assíria do Oriente. Eutiquianismo, que por sua vez estressava a unidade das naturezas de Cristo de tal forma que a divindade consumia completamente a sua humanidade, como um oceano consome um copo de vinagre. Esta visão foi condenada no Concílio de Calcedônia.

Em resposta ao eutiquianismo, este segundo concílio adotou o diafisismo, que claramente distingue entre "pessoa" e "natureza", afirmando que Cristo é uma pessoa em duas naturezas, mas enfatiza que as naturezas são "sem confusão, sem mudança, sem divisão e sem separação". Os miafisitas rejeitaram esta definição como sendo quase nestoriana e, ao invés disso, aderiram à fórmula proposta por Cirilo de Alexandria, o principal opositor do nestorianismo, que tinha falado de "um [mia] natureza do Verbo de Deus encarnado" (μία φύσις τοῦ θεοῦ λόγου σεσαρκωμένη "mia physis tou theou logou sesarkōmenē")[3]. A distinção desta posição era de que o Cristo encarnado tinha uma natureza, mas uma natureza que é ainda tanto divina quanto humana, com todas as características de ambas. Embora os miafisitas terem condenado o eutiquianismo, ambos os grupos eram vistos como monofisitas por seus oponentes. O Concílio de Calcedônia (451) é geralmente visto como um divisor de águas para a cristologia entre os calcedonianos, pois nele foi adotado o diafisismo. Porém, conforme as Igrejas orientais, especialmente as coptas, no Egito, que mantinham o miafisismo, rejeitaram a decisão do concílio, a controvérsia se tornou um enorme problema sócio-político para o Império bizantino. Houve diversas tentativas de reconciliação entre os campos (incluindo o Henotikon, de 482 d.C.) e o poder mudou de lado várias vezes. Porém, a decisão de Calcedônia continua o ensinamento oficial da Igreja Ortodoxa, da Igreja Católica e dos protestantes tradicionais (como os luteranos). As Igrejas não calcedonianas ortodoxas são geralmente agrupados sob a Ortodoxia oriental. John Meyerdorff, um historiador deste período da história do cristianismo afirma que o ensinamento oficial da Igreja Ortodoxa não está expressado unicamente no credo calcedoniano, mas numa fórmula "Calcedônia + Cirilo" - ou seja, a posição diofisita expressada por Calcedônia somada à WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 284

expressão miafisita de Cirilo citada acima em sua interpretação ortodoxa - com a primeira tentando expressar a impossibilidade de expressar de um lado (o diofisita) e a última, o mesmo pelo lado miafisita, ambas necessárias e nenhuma das duas suficientes. Outras posições Muito já foi dito sobre as dificuldades de entendimento dos termos técnicos gregos utilizados nestas controvérsias. As palavras principais são ousia (οὐσία - "substância"), physis (φύσις - "natureza"), hypostasis (ὑπόστασις - "hipóstase") e prosopon (πρόσωπον- "pessoa"). Mesmo em grego, seus significados se sobrepõem em alguma medida. Estas dificuldades se tornam ainda mais agudas quando estes termos técnicos são traduzidos para outras línguas. Em siríaco, physis foi traduzido como kyānâ (‫ )ܟܝܢܐ‬e hypostasis como qnômâ (‫ .)ܩܢܘܡ ܐ‬Porém, na Igreja Assíria do Oriente, qnoma é entendido como significando natureza, confundindo ainda mais o assunto. Bibliografia consultada ALMEIDA, Abraão de. Teologia Contemporânea – Rio de Janeiro: CPAD BARTH, Karl. Comentário aos Romanos. São Paulo: Novo Século, 2000. _______, Igreja Dogmática. São Paulo: Editora Novo Século. _______, A Proclamação do Evangelho, Tradução: Eduardo G. de Faria E Moysés C. de A. Netto. São Paulo: Editora Novo Século, 1965. CHAMPLIN, Russel N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia – Editora Hagnos, 2006. CONN, Harvie M. Teologia Contemporânea. COX, Harvey. A Cidade Secular – Macmillian, 1965. DUFFIELD, Guy P., CLEAVE, Nathaniel M. Van. Fundamentos da Teologia Pentecostal, Tradução de Neyd Siqueira, São Paulo – Editora Quadrangular, 2000, 2ª. Edição. CRAIG, William L. A veracidade da fé cristã: uma apologética contemporânea; tradução: Hans Udo Fuchs – São Paulo: Vida Nova, 2004. GEISLER, Norman. Enciclopédia de Apologética: Respostas aos críticos da fé cristã, Tradução Lailah de Noronha, São Paulo: Editora Vida, 2002. HEIDGEER, Martin. O que é metafísica? E-Books; Enciclopédia Magister, 2004. _______, O que é Filosofia? E-Books; Enciclopédia Magister, 2004. HODERN, William. Teologia Contemporânea; tradução Roque Monteiro de Andrade – São Paulo: Editora Hagnos, 2003. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva Pentecostal, Rio de Janeiro: CPAD, 2002, 7ª. Edição. ISIDORO, Serafim. Considerações à Doutrina da Prosperidade, Edições Archês. KANT, Immanuel. Crítica da Razão Pura. E-Books; Enciclopédia Magister, 2004. _______, El único argumento. Buenos Aires, Prometeo libros: 2004. PIPER, John, et al; Teísmo aberto: uma teologia além dos limites bíblicos; tradução Emirson Justino – São Paulo: Editora Vida, 2006. ROMEIRO, Paulo. Super-Crentes: O Evangelho Segundo Kenneth Hagin, Valnice Milhomens e os Profetas da Prosperidade – São Paulo: Mundo Cristão, 1998. 7ª Edição. TILLICH, Paul. Teologia Sistemática. Rio Grande do Sul: Editora Sinodal e Edições Paulinas. [...] Também foram utilizadas várias resenhas dos livros de Barth, Brunner, Bultmann, John Robinson, Paul Tillich, Teilhard Chardin, Leonardo Boff, entre outros, bem como artigos compilados da internet. WWW.ULPAN.COM.BR | ulpanbrasil@yahoo.com.br | Moréh- Sandro Nogueira 285

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