ESCOLA ENQUANTO INSTITUIÇÃO E ORGANIZAÇÃO

Título I. ESCOLA ENQUANTO INSTITUIÇÃO E ORGANIZAÇÃO 1.

Conceito de instituição: Instituições são mecanismos sociais que controlam o funcionamento da sociedade e, por conseguinte, dos indivíduos, mostram-se de interesse social, uma vez que refletem experiências quantitativas e qualitativas dos processos socioeconômicos. Organizadas sob o escopo de regras e normas, visam à ordenação das interações entre os indivíduos e entre estes e suas respectivas formas organizacionais. (O sistema controla o organismo) FURUBOTN e RICHTER (2000) vêem as instituições como um conjunto bem definido de regras, formais ou informais, incluindo os arranjos que permitem a sua aplicação. As restrições teriam o propósito de encaminhar o comportamento dos indivíduos para alguma direção em particular. O ambiente institucional e as próprias instituições tem influencia direta na configuração do perfil das organizações. Conceito de Organização: “Organização é um sistema planejado de esforço cooperativo no qual cada participante tem um papel definido a desempenhar e deveres e tarefas a executar”. (CURY, 2000, p. 116). Podemos definir qualquer organização como um conjunto de duas ou mais pessoas que realizam tarefas, seja em grupo, seja individualmente, mas de forma coordenada e controlada, atuando num determinado contexto ou ambiente, com vista a atingir um objetivo pré-determinado através do uso eficaz de diversos meios e recursos disponíveis, liderados ou não por alguém com as funções de planear, organizar, liderar e controlar. Desta definição de organização convém reter alguns conceitos fundamentais para a sua adequada compreensão, nomeadamente: 1. Atuação coordenada: para que exista uma organização, não basta que um conjunto de pessoas atuem com vista a atingir um objectivo comum; é necessário também que essas pessoas se organizem, ou seja, que desenvolvam as suas atividades de forma coordenada e controlada para atingir determinados resultados. Esta coordenação e controle é geralmente efetuada por um líder . 2. Recursos: representam todos os meios colocados à disposição da organização e necessários à realização das suas atividades. Neste recursos incluem-se os recursos humanos, os recursos materiais e tecnológicos, os recursos financeiros, e credibilidade perante o público atendido. 3. Uso eficaz: os recursos organizacionais descritos no ponto anterior são, por definição, escassos, daí que a sua alocação deva ser efectuada eficazmente por forma a que a probabilidade de atingir os objectivos pré-definidos seja a maior possível. É daqui que surge a principal justificação para a necessidade da gestão nas organizações. 4. Objetivos: Representam as metas ou resultados organizacionais pretendidos e a obter no futuro ou, por outras palavras, o propósito que justifica toda a actividade desenvolvida ou mesmo a própria existência da organização. Naturalmente, todas as organizações devem determinar não apenas os seus objetivos, mas também
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definir as medidas e formas de actuação e de alocação de recursos que se pensam mais adequadas para os atingir. 5. Contexto: Representa toda a envolvente externa da organização que, de forma directa ou indirecta, influencia a sua actuação e o seu desempenho. Nesta envolvente externa inclui-se o contexto económico, tecnológico, sócio-cultural, político-legal, e ainda um conjunto de elementos que actuam mais próximo e directamente com a organização, tais como os clientes, os fornecedores, os concorrentes, as organizações sindicais, a comunicação social, entre outros. 2. MISSÃO, VISÃO E OBJETIVOS: 1. “A missão é um caminho magnânimo que escolhemos trilhar, a visão é a meta de aquisição dos frutos almejados que são os objetivos”. 2. A missão é uma declaração ampla e duradoura de propósitos que individualiza a organização e a distingue impondo a delimitação de suas atividades dentro do espaço que deseja ocupar em relação aos fins. Visão é o desejo, o que se quer alcançar. Objetivos é o resultado o produto final obtido através de metas que são os degraus. 3. A NECESSIDADE DE UMA VISÃO PARA A ORGANIZAÇÃO: A visão deve mostrar aonde se quer chegar e que meios serão necessários para atingir esse objetivo. Assim ela conseguirá motivar as atitudes e comportamentos, dar um rumo a escola e avaliar o progresso, comparando resultados (relação entre meios e fins). Tal visão pretende que as pessoas repensem e reanalisem quem são e para que estão aqui. Uma visão é, em parte, racional (produto da análise) e, em parte, emocional (produto da imaginação, intuição e valores); envolve estratégia e desempenho para organização. Ao compreender uma visão institucional, as pessoas fazem escolhas e adotam atitudes e comportamentos mais sensatos em relação ao meio e as relações sociais instituídas. Como nos certificar de "transformar a teoria em prática" Após estabelecer e enunciar uma visão, particularmente da organização escolar, e preciso apropriar-se dessa visão, acreditar nela, externá-la através do comportamento e das escolhas e pautar-se por ela todos os dias, de forma que se possa fazer uma auto-avaliação da visão institucional. E assim, transforma-se a teoria em pratica. Mesmo que compartilhada por todos ou muitos, será preciso determinação para manter a visão, pois sempre haverá circunstâncias ao redor que tentara ofuscá-la. No entanto, nossa visão, principalmente quando implica o modo como vemos a nos mesmos, sempre precisara ser protegida contra o desejo natural de escaparmos para uma zona cômoda de conforto. 4. O QUE É DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL? O Desenvolvimento Organizacional visa a clara percepção do que está ocorrendo nos ambientes interno e externo da organização, a análise e decisão do que precisa ser mudado e a intervenção necessária para provocar a mudança, tornando a organização mais eficaz, perfeitamente adaptável às mudanças e conciliando as necessidades humanas fundamentais com os objetivos e metas da organização, o que exige a participação ativa, aberta de todos os elementos que serão sujeitos ao seu processo e, mais do que tudo, uma profundo respeito pela pessoa humana.
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Título II. GESTÃO DE PESSOAS E SUBJETIVIDADE

O gestor deve buscar sempre o equilíbrio para o bom relacionamento entre a equipe e os seus colaboradores e os interesses da instituição de modo que possa haver satisfação recíproca. É fundamental um trabalho (comunicação, interação) para conscientizar a todos da importância e impacto do comportamento e atitudes das pessoas para construir um ambiente de trabalho saudável e que ao mesmo tempo busquem alcançar as metas e resultados desejados, demonstrando, através de exposições teóricas e atividades práticas, o desempenho na busca de um objetivo comum a instituição e a pessoa. Portanto, cabe aos gestores ter consciência que gerir pessoas não é só por legislação, normas, estatutos, ou pelas técnicas, métodos e instrumentos racionais de trabalho, de controle e de avaliação. Ao tomar consciência disso, o gestor deve compreender que gerir pessoas é entender que o homem é um ser dotado de desejos, necessidades, ambições, pulsão, expectativas pessoais e profissionais, é um ser subjetividade e se comunica por meio de palavras e comportamentos os quais expressam adesão ou resistência a um projeto institucional. Assim, o gestor precisa ter em mente que o homem é um ser dotado de razão e emoção (objetividade e subjetividade) e que traz em sua trajetória experiências através de sua vida social, profissional, religiosa e psíquica, entre outras. O entendimento das diferenças individuais, de suas potencialidades, das suas possibilidades, das crenças e valores podem ser compartilhados na dimensão cultural que vão construir uma outra experiência histórica pessoal e coletiva nos grupos organizacionais. O gestor ao ter uma visão, ou concepção holística na gestão de pessoas propicia aos membros de sua equipe de trabalho boas condições ambientais e organizacionais, para que desenvolvam seu trabalho de maneira estimulante e saudável. Desta forma, poderá prevalecer a conciliação mútua dos objetivos pessoais e organizacionais. Portanto, As pessoas que fazem parte do processo organizacional precisam ser geridas de forma que o gestor procure em todas as circunstancias conhecer suas potencialidades, suas expectativas, suas competências, para que as mesmas, quando inseridas num projeto, contribuam de uma maneira mais efetiva, eficiente e compromissada ou, seja que possa atuar com ética e competência. Exercer a liderança gestora no processo das relações pessoais é ter o entendimento da cultura organizacional, do planejamento estratégico da mesma e alinhar sua equipe de acordo com as competências contributivas da cada um para atingir os resultados esperados. Isto torna cada elemento co-participativo do processo, é fazer cada sentir que faz parte da organização e não que está à parte. É preciso conciliar os objetivos organizacionais com os individuais, e saber em que momento ocorre a intersecção, o ponto comum entre as partes envolvidas. O gestor deve ter em mente que as pessoas fazem os processos. São elas que por meio de seu trabalho que contribuem efetivamente para com a organização e com a equipe.

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Título III. COMPREENDER A ESTRUTURA ORGANIZACIONAL E CULTURAL DA ESCOLA A gestão educacional passa por dois aspectos:

a) Sistema educacional - ligado à função social da escola, na forma como produz, divulga e socializa o conhecimento- políticas públicas nacional. b) Sistema escolar - que contemplam os processos administrativo-pedagógicos, a participação da comunidade escolar nos projetos pedagógicos das escolas em suas localidades. (Municípios e Estados) Gestão Educacional: Como prática-administrativa é recente incorpora ao ideário das novas políticas públicas em substituição ao termo administração escolar. O fato de que a idéia gestão educacional desenvolve-se associada a um contexto de outras idéias como, por exemplo, Transformação e cidadania. Isto permite pensar gestão no sentido de uma articulação consciente entre ações que se realizam no cotidiano da instituição escolar e o seu significado político e social - Sistema educacional. A gestão escolar: Compreender a operacionalização da escola a partir de uma equipe gestor: diretor de escola, coordenador pedagógico, assessor pedagógico, orientador educacional e vocacional, supervisor educacional e gestor de sala de aula como é concebido o professor hoje em dia e todos os funcionários que existem dentro de uma escola. Todos estes profissionais devem estar envolvidos para efetivar uma unidade de ação no estabelecimento de ensino, voltada para a construção de excelência, em torno dos seus objetivos - Qualidade da educação. · · · Instituição escolar – cultura organizacional – cultura escolar Identidade profissional - inter-relações - subjetividade Gestão Pedagógica – Processo ensino-Aprendizagem

INSTITUIÇÃO ESCOLAR E NORMALIZAÇÃO.

Instituições são organizações ou mecanismos sociais que controlam o funcionamento da sociedade e, por conseguinte, dos indivíduos, mostram-se de interesse social, uma vez que refletem experiências quantitativas e qualitativas dos processos socioeconômicos. Organizadas sob o escopo de regras e normas, visam à ordenação das interações entre os indivíduos e entre estes e suas respectivas formas organizacionais. Exemplos de instituições:
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As instituições políticas incluem os órgãos e os partidos políticos. As instituições religiosas possuem nomes de acordo com a religião, podendo ser chamadas de igrejas, templos, sinagogas, mesquitas, centros espíritas ou outras denominações. As instituições educacionais são as escolas, universidades, etc. As instituições científicas

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Certos mecanismos sem uma base física são igualmente considerados instituições, como o casamento, a pressão social, a linguagem etc.

A cultura organizacional A cultura organizacional é o conjunto de hábitos e crenças estabelecidos através de normas, valores, atitudes e expectativas compartilhadas pelos membros da organização. Ela refere-se ao sistema de significados compartilhados por todos os membros e que distingue uma organização das demais. Constitui o modo institucionalizado de pensar e agir que existe em uma organização. A essência da cultura de uma instituição é expressa em suas ações e relações. A cultura organizacional representa as percepções dos dirigentes e funcionários da organização e reflete a mentalidade que predomina na organização. Por esta razão, ela condiciona a administração das pessoas. Cultura escolar: É o conjunto dos aspectos institucionalizados que caracterizam a escola como organização, o que inclui práticas e condutas, modos de vida, hábitos e ritos – a história cotidiana do fazer escolar – objetos materiais- função, uso, distribuição no espaço, materialidade física, simbologia, introdução, transformação, desaparecimento – e modos de pensar, bem como significados e idéias compartilhadas.

Construção e desconstrução das identidades profissionais Identidade é a qualidade do que é idêntico, análogo, semelhante. Pode-se, também, utilizar o termo associado à questão profissional, como o outro possuidor das características que o tornam reconhecível, pessoas que guardam mesmos valores, competências, habilidades, visões e perspectivas sobre propósitos semelhantes ou comuns. Identidade é o processo de construção de significado com base em um atributo cultural, ou ainda um conjunto de atributos culturais inter-relacionados:

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Identidade humana Identidade de Nacional Identidade de gênero Identidade coorporativa Identidade profissional

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Portanto, a identidade profissional é um dos aspectos dessas várias identidades que possui cada sujeito. Fatores que permeiam o sistema operacional das instituições – Componentes da cultura organizacional.

v Sistema de ensino – níveis v Objetividade (normas, técnicas, racionalidade) v Subjetividade (individualidade/sujeitos) v Intersubjetividade (relações sociais) v Diversidade (gênero, cultural, étinico-racial, religiosa, etc..) v Pluralidades/diferenças (relações quantitativas) v Relações Disciplinar/Interdisciplinar/transdisciplinar – transversal v Relações comunitárias – comunidades externa v Condições de trabalho – estrutural e material v Autonomia relativa v Liderança – participativa v Gestão democrática/gestão v v Gestão pedagógica v Currículo integrado v Projetos e Projeto Político Pedagógico v Formação contínua – profissional v Cidadania e desenvolvimento da pessoa humana v Avaliação institucional
v Qualidade do ensino

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Título IV. EFETIVIDADE DO PROCESSO DE ENSINO E DE APRENDIZAGEM

O Gestor Escolar desempenha múltiplas funções e atende às demandas diversas que dependem de sua ação-reflexão-ação. Deve possuir competências e habilidades que lhe permitam exercer forte liderança para adotar medidas que levem à construção de uma escola efetiva, com base em uma cultura de Ensino pautada de princípios éticos para uma gestão democrática e participativa. A efetividade do processo de ensino e de aprendizagem implica em garantir o acesso dos educandos à escola e, sobretudo, sua permanência e sucesso no processo educativo, propiciando condições favoráveis para o fortalecimento de sua identidade como sujeito do conhecimento. Algumas Atribuições do Gestor Escolar: · · · · · · · · · · · · · Coordenar a elaboração e implementação da proposta pedagógica e sua operacionalização através dos planos de ensino, articulando o currículo com as diretrizes da Secretaria vinculada; Incentivar a utilização de recursos tecnológicos e materiais interativos para o enriquecimento da proposta pedagógica da escola. Estimular e apoiar os projetos pedagógicos experimentais da escola. Assegurar o alcance dos marcos de aprendizagem, definidos por ciclo e série, mediante o acompanhamento do progresso do aluno, identificando as necessidades de adoção de medidas de intervenção para sanar as dificuldades evidenciadas. Garantir o cumprimento do Calendário Escolar, monitorando a prática dos professores (regentes e coordenadores pedagógicos) e seu alinhamento com a proposta pedagógica, organizando o currículo em unidade didática. Acompanhar as reuniões de atividades complementares – AC, avaliando os resultados do processo de ensino e de aprendizagem, adotando, quando necessário, medidas de intervenção. Articular-se com as Coordenadorias Regionais e setores da SMEC na busca de apoio técnicopedagógico, sócio-educativo e administrativo, visando elevar a produtividade do ensino e da aprendizagem. Acompanhar a freqüência e avaliação contínua do rendimento dos alunos através dos registros nos Diários de Classe, analisando, socializando os dados e adotando medidas para a correção dos desvios. Assegurar o cumprimento do sistema de avaliação estabelecido no Regimento Escolar. Monitorar a rotina da sala de aula através da atuação do Coordenador Pedagógico. Assegurar um ambiente escolar propício, estabelecendo as condições favoráveis para a educação inclusiva de forma produtiva e cidadã. Identificar as ameaças e fraquezas da unidade escolar, a partir da sua análise situacional, adotando medidas de intervenção para superar as dificuldades. Acompanhar a execução dos projetos em parcerias com outras instituições, adequando-os à realidade da sua escola

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Título V. A GESTÃO EDUCACIONAL E A LEGISLAÇÃO

A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é a lei fundamental e suprema do Brasil, servindo de parâmetro de validade a todas as demais espécies normativas, situando-se no topo da pirâmide normativa. É a sétima a reger o Brasil desde a sua independêcia. Portanto, é o conjunto de leis, normas e regras de um país que regula e organiza o funcionamento do Estado. É a lei máxima que limita poderes e define os direitos e deveres dos cidadãos. Nenhuma outra lei no país pode entrar em conflito com a Constituição. A Constituição de 1988 está dividida em 10 títulos (o preâmbulo não conta como título). As temáticas de cada título são: Preâmbulo - introduz o texto constitucional. De acordo com a doutrina majoritária, o preâmbulo não possui força de lei. 1. Princípios Fundamentais - anuncia sob quais princípios será dirigida a República Federativa do Brasil. 2. Direitos e Garantias Individuais - elenca uma série de direitos e garantias individuais, coletivos, sociais, de nacionalidade e políticos. As garantias ali inseridas (muitas delas inexistentes em Constituições anteriores) representaram um marco na história brasileira. 3. Organização do Estado - define o pacto federativo, alinhavando as atribuições de cada ente da federação (União, Estados, Distrito Federal e Municípios). Também define situações excepcionais de intervenção nos entes federativos, além de versar sobre administração pública e servidores públicos. 4. Organização dos Poderes - define a organização e atribuições de cada poder (Poder Executivo, Poder Legislativo e Poder Judiciário), bem como de seus agentes envolvidos. Também define os processos legislativos (inclusive para emendar a Constituição). 5. Defesa do Estado e das Instituições - trata do Estado de Defesa, Estado de Sítio, das Forças Armadas e das Polícias. 6. Tributação e Orçamento - define limitações ao poder de tributar do Estado, organiza o sistema tributário e detalha os tipos de tributos e a quem cabe cobrá-los. Trata ainda da repartição das receitas e de normas para a elaboração do orçamento público. 7. Ordem Econômica e Financeira - regula a atividade econômica e também eventuais intervenções do Estado na economia. Discorre ainda sobre as normas de política urbana, política agrícola e política fundiária. 8. Ordem Social - trata da Seguridade Social (incluindo Previdência Social), Saúde, Assistência Social, Educação, Cultura, Desporto, Meios de Comunicação Social, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente, Família, além de dar atenção especial aos seguintes segmentos: crianças, jovens, idosos e populações indígenas. 9. Disposições Gerais - artigos esparsos versando sobre temáticas variadas e que não foram inseridas em outros títulos em geral por tratarem de assuntos muito específicos. 10. Disposições Transitórias - faz a transição entre a Constituição anterior e a nova. Também estão incluídos dispositivos de duração determinada.

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A Constituição Federal de 1988 enuncia o direito à educação como um direito social no artigo 6º; especifica a competência legislativa nos artigos 22, XXIV e 24, IX; dedica toda uma parte do título da Ordem Social para responsabilizar o Estado e a família, tratar do acesso e da qualidade, organizar o sistema educacional, vincular o financiamento e distribuir encargos e competências para os entes da federação. Além do regramento, a grande inovação do modelo constitucional de 1988 em relação ao direito à educação decorre de seu caráter democrático, especialmente pela preocupação em prever instrumentos voltados para sua efetividade Dessa forma, sentido do direito à educação na ordem constitucional de 1988 está intimamente ligado ao reconhecimento da dignidade da pessoa humana como fundamento da República Federativa do Brasil, bem como com os seus objetivos, especificamente: a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, o desenvolvimento nacional, a erradicação da pobreza e da marginalidade, redução das desigualdades sociais e regionais e a promoção do bem comum.

1. DISTINÇÃO ENTRE A PERSPECTIVA SUBJETIVA E OBJETIVA:

Nesse contexto, é oportuno traçar em linhas gerais a distinção entre a perspectiva subjetiva e objetiva dos direitos fundamentais. A idéia atrelada à perspectiva subjetiva dos direitos fundamentais, segundo Sarlet (1998, p. 152), consiste na "possibilidade que tem o titular (...) de fazer valer judicialmente os poderes, as liberdades ou mesmo o direito de ação ou às ações negativas ou positivas que lhe foram outorgadas pela norma consagradora do direito fundamental em questão". Essa perspectiva tem como referência a função precípua dos direitos fundamentais, que consiste na proteção do indivíduo. A perspectiva objetiva implica o reconhecimento dos direitos fundamentais como "decisões valorativas de natureza jurídico-objetiva da Constituição, com eficácia em todo o ordenamento jurídico e que fornecem diretrizes para os órgãos legislativos, judiciários e executivos" (Sarlet, 1998, p.140). Transcende-se a dimensão de proteção do indivíduo, implicando nova função para os direitos fundamentais que abrange a tutela da própria comunidade. A perspectiva objetiva representa a autonomia dos direitos fundamentais, apontando Sarlet (1998, p.145/147) como principais corolários a sua eficácia irradiante, ou seja, a capacidade de servir de diretrizes para o entendimento do direito infraconstitucional, constituindo modalidade de interpretação conforme a Constituição; a eficácia horizontal, que implica na oponibilidade de direitos fundamentais não só frente ao Estado, mas também nas relações
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privadas; a conexão com a temática das garantias institucionais, traduzidas como o reconhecimento da relevância de determinadas instituições públicas e privadas, através de proteção contra intervenção deletéria do legislador ordinário, que não obstante, se mostram incapazes de gerar direitos individuais; criação de um dever geral de proteção do Estado voltado para o efetivo resguardo dos direitos fundamentais em caráter preventivo, tanto contra o próprio Estado, como contra particulares ou mesmo outros Estados e, finalmente, a função dos direitos fundamentais de atuar como parâmetro para criação e constituição de organizações estatais. No contexto da sociedade da informação e da globalização, o traço de direito fundamental do direito à educação se acentua. Sob a perspectiva individual, potencializa-se a exigibilidade direta pelo cidadão e no plano objetivo solidifica-se o dever do Estado em promover sua efetividade. Se no plano subjetivo se resguarda o desenvolvimento da personalidade humana e mesmo a qualificação profissional, no plano objetivo o direito à educação se afirma indispensável ao próprio desenvolvimento do País.

2. NATUREZA PRINCIPIOLÓGICA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS SOBRE EDUCAÇÃO

Princípios são normas que exigem a realização de algo, da melhor forma possível, de acordo com possibilidades fácticas e jurídicas. Os princípios não proíbem, permitem ou exigem algo em termos de ‘tudo ou nada’; impõem a optimização de um direito ou de um bem jurídico, tendo em conta a ‘reserva do possível’, fáctica ou jurídica." (Canotilho 1999, p. 1177), afirma que: Regras, ao contrário, "são normas que, verificados determinados pressupostos, exigem, proíbem ou permitem algo em termos definitivos, sem qualquer excepção (direito definitivo)". A conjugação de princípios e regras é percebida por Canotilho (1999, p.1124) que entende a Constituição como sistema aberto de regras/princípios/procedimento. Em grande parte, as normas que tratam da educação apresentam-se sob a forma de princípios. E isso se justifica, pois se por um lado a Constituição ao enunciar direitos sociais impõe obrigações de fazer para o Estado, por outro essa imposição de obrigações de fazer não é detalhada ao ponto de instituir normas do tipo regra, prescrevendo objetivamente condutas e suas conseqüências. Revela-se a importância da técnica legislativa na construção da norma constitucional. O modelo principiológico, se por um lado não esgota ou não encerra em termos definitivos o tratamento jurídico de determinada questão, por outro confere abertura para solução de conflitos através da ponderação de valores. Este é o caminho que se apresenta para
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composição de conflitos em uma sociedade complexa, onde se salienta o papel e a responsabilidade do Judiciário. Grosso modo, os direitos sociais como normas programáticas revelam vinculação voltada à idéia de pressão de natureza política sobre os órgãos competentes. Como normas de organização, determinam a instituição de competências determinadas aos órgãos públicos, mas com capacidade de vinculação também limitada ao plano político. A idéia de garantias institucionais está dirigida ao respeito e à proteção de determinada instituição social, que por sua natureza está atrelada à concretização de direitos de cunho social, econômico e cultural. Finalmente, os direitos sociais como direitos subjetivos públicos estatuem direitos fruíveis diretamente pelo cidadão e oponíveis contra o Estado, que tem o dever de implementá-los. 3. DELIMITAÇÃO: ( artigos 205 a 214) O direito à educação como um direito fundamental Captar toda a dimensão do direito à educação depende de situá-lo previamente no contexto dos direitos sociais, econômicos e culturais, os chamados direitos de 2ª dimensão, no âmbito dos direitos fundamentais. A expressão direitos fundamentais guarda sinonímia com a expressão direitos humanos. São direitos que encontram seu fundamento de validade na preservação da condição humana. São direitos reconhecidos pelo ordenamento jurídico como indispensáveis para a própria manutenção da condição humana. E a educação, enquanto dever do Estado e realidade social não foge ao controle do Direito. Na verdade, é a própria Constituição Federal que a enuncia como direito de todos, dever do Estado e da família, com a tríplice função de garantir a realização plena do ser humano, inserilo no contexto do Estado Democrático e qualificá-lo para o mundo do trabalho. A um só tempo, a educação representa tanto mecanismo de desenvolvimento pessoal do indivíduo, como da própria sociedade em que ele se insere. Assim, o espaço normativo da educação é mais preciso e delimitado quando temos em vista o disposto nos artigos 205 a 214, mais sem esquecer os nexos e vínculos em outros artigos que caracteriza a subjetividade. Portanto, a relevância das normas dos artigos 205 a 214 é conferir um conjunto de elementos capazes de vincular de modo mínimo a atuação estatal com vistas à realização do direito à educação. Representam, em última análise, mecanismos capazes de gerar direitos subjetivos passíveis de tutela jurisdicional. Portanto, dessa junção (subjetivo/objetivo) pode-se afirmar: é certo que as disposições dos artigos 205 e 214 são suficientes para garantir um mínimo de sua exeqüibilidade e implementação, o que é extremamente relevante especialmente para garantir a possibilidade de tutela jurisdicional.
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Nesse sentido, a constituição define as esferas de atuação na organização da educação nacional, lógica do modelo de repartição de competências legislativas, em regime de colaboração conforme expressa previsão constitucional, no artigo 211. Em virtude da definição de normas nacionais (Constituição) organiza-se os sistemas de ensino, que está alicerçado na definição de áreas prioritárias de atuação e na preocupação em instituir um regime de colaboração entre os mesmos. Nessa ordem de idéias, aos Municípios compete atuar prioritariamente no ensino fundamental e no ensino infantil, os Estados e o Distrito Federal no ensino fundamental e médio. Quanto a União o seu papel não se limita apenas à organização de seu sistema de ensino, mas se vincula especialmente a uma função redistributiva e supletiva, com o objetivo de garantir equalização de oportunidades e padrão mínimo de qualidade. Assim, não existe uma área de atuação prioritária para a União, pois em verdade lhe cabe atuar, ainda que em caráter de apoio técnico e/ou financeiro, em todos os níveis. Dessa forma, no âmbito da organização dos sistemas de ensino, o dispositivo do artigo 210 demonstra tanto a preocupação com o papel da educação em promover a integração nacional, como com a preservação das peculiaridades regionais, mediante previsão de conteúdos mínimos para o ensino fundamental, visando formação básica comum e respeito a valores culturais e artísticos, nacionais e regionais. Nesse aspecto, até mesmo a especificidade da cultura indígena é tutelada, nos termos do parágrafo 2º. Cabe ressaltar que a previsão do ensino religioso, nos termos do parágrafo 1º do artigo 210, deve estar coadunada com a liberdade religiosa e despida de vinculação com qualquer espécie de credo ou religião. Sua função é complementar à formação do indivíduo, vinculada ao seu desenvolvimento espiritual, indispensável ao pleno desenvolvimento da pessoa humana almejado pelo artigo 205. Embora não propriamente vinculada aos sistemas de ensino, merece referência a previsão de competência comum do artigo 23, V, que determina a todos os entes da federação proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e à ciência. Mais uma vez se determina dever coletivo de todos os entes federativos e por conseqüência se reforça a necessidade de atuação articulada e conjunta, visando otimizar resultados. As iniciativas de proporcionar os meios de acesso abrangem desde a manutenção de instituições de ensino até medidas concretas de garantia de condições de acesso à escola, como transporte, material didático e merenda. É a junção de todos esses elementos constitucionais que formam o objetivo fundamental da educação. Que: deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do Homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento de atividades para a manutenção da paz e da dignidade humana.
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Enfim. Apresentado o elenco dos princípios constitucionais que define o objetivo do sistema educacional, devemos ter sempre em mente os valores que fundamentam a educação: (artigos 205 a 214 e os artigos vinculados) (a) GARANTIAS INDIVIDUAIS: Igualdade de condições de acesso e permanência na escola, Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o conhecimento, Gratuidade do ensino público nos estabelecimentos oficiais, Ensino fundamental obrigatório e gratuito, Acesso aos níveis mais elevados de ensino segundo o mérito de cada um, Assistência no nível fundamental com material didático, transporte, alimentação e saúde; (b) GARANTIAS DE QUALIDADE: · Pluralismo pedagógico, · Valorização do profissional do ensino, · Gestão democrática do ensino público, · Garantia do padrão de qualidade, · Normas gerais de educação, · Autorização e avaliação de qualidade pelo poder público, · Sistemas de ensino integrados, (c) PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO COM OBJETIVOS: · Erradicação do analfabetismo, · Universalização do atendimento escolar, · Melhoria da qualidade do ensino, · Formação para o trabalho, · Promoção humanística, científica e tecnológica do país; (d) PRINCÍPIOS ORGANIZACIONAIS: · Convivência do ensino público e do privado, · Autonomia para as Universidades e sistema educacional · Progressiva universalização do ensino médio gratuito, · Educação especial, · Creche e pré-escola para as crianças de 0 a 6 anos, · Ensino noturno para o educando trabalhador (e) ATUAÇÕES PRIORITÁRIAS: · Municípios – ensino fundamental e na educação infantil · Estados e Distrito Federal – ensino fundamental e ensino médio, · União – ensino superior, manutenção da rede federal de ensino superior e tecnológico (f) FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO. (aplicação anual)
· · · União 18%, Estados 25% Distrito Federal 25% Municípios 25%

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