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Out for Blood

Livro 3

ALYXANDRA HARVEY

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Sinopse
Hunter Will é a mais jovem de uma longa linhagem de caçadores de vampiros de elite, um legado que é uma benção, assim como também uma maldição na secreta Academia dos Helios-Ra, onde ela se sobressaía em quase tudo. Graças a sua amizade com Kieran Black, Hunter recebe um convite especial para assistir a coroação de Helena Drake, e pela primeira vez, ela vê a diferença que há entre os vampiros — que devem ser caçados — e os vampiros que podem chegar a ser amigos — ou inclusive mais. Quando os estudantes da academia são vitimas de uma misteriosa doença, Hunter suspeita que eles estejam sendo atacados do interior. Ela precisará de alguém em quem confiar para que a ajude a salvar o futuro dos Helios-Ra... Ajuda que surpreendentemente vem na forma de Quinn Drake, um vampiro-morto maravilhoso. Quem disse que o último ano ia ser muito mais fácil?

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Capítulo
Hunter

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Ontem à tarde.
Shakespeare disse: “O que há em um nome?” Bem, meu nome é Hunter1 Wild2, então eu digo: Muito. Por exemplo, você pode dizer pelo meu nome que nossa família leva nosso status como caçadores de vampiros, muito a sério. Menos mal que fui filha única, se eu tivesse tido irmãos ou irmãs, eles poderiam ter se chamado Slayer 3 ou Killer. Nós soaríamos como uma banda de Heavy Metal. O incrível, na verdade, é que nós somos uma das famílias mais antigas e mais estimadas de Helios Ra. Quando você nasce na família Wild, ninguém te pergunta o que você quer ser quando crescer. A resposta é óbvia: um Caçador de Vampiros. Tempo. Nenhum “se” ou “mas”. Sem desvios de nenhum tipo. Escolha única para todos. — Odeio estas estúpidas calças cargo. — minha companheira de quarto Chloe murmura, como ela fazia no inicio de cada ano escolar. As aulas não começarão até
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Hunter: Em inglês significa Caçador. Wild: Em inglês significa Selvagem e é um apelido. Slayer: Em inglês significa Assassino.

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próxima semana, mas a maioria de nós saiu cedo de suas habitações, assim poderíamos passar o tempo extra, trabalhando fora e nos preparando. Chloe e eu somos amigas desde nosso primeiro dia na academia, quando ambas estávamos assustadas. Agora temos dezoito anos, começamos nosso último ano e, francamente, é assustador. Mas pelo menos finalmente conseguimos ser companheiras de quarto. Você só tem que solicitar seu companheiro de quarto no décimo segundo grau, de outra forma eles te enfiam com as pessoas mais incompatíveis que eles puderem encontrar, apenas para ver como você lida com o estresse. Eu já mencionei que estou realmente feliz de que este seja nosso último ano? Mesmo que o quarto provavelmente cheire a esmalte de unhas e perfume de baunilha durante o ano todo. Chloe já tinha seus pés descalços apoiados em sua escrivaninha, aplicando uma segunda camada de brilho prata sobre o esmalte púrpura em suas unhas dos dedos do pé. Ela estava mais decidida em não usar sua calça cargo usual. Eu estava, mas apenas porque meu Avô me deixou esta manhã, e ele não é nada se não da velha escola. Ainda resmungando sobre nosso amigo Spencer, que tem longos cabelos loiros e usa colares de fibra com pedras turquesa. Vovô não consegue compreender como Spencer é autorizado a sair com a sua, porque isso é uma moderna (sua palavra) divisão paranormal, ou porque uma criança não quer um corte de cabelo. O certo é que Spencer é um gênio quando se trata de historias ocultas, os professores estão absolutamente dispostos a fazer-lhe vista grossa. Além do mais, as calças cargo usuais, tecnicamente se usa apenas para nos instruir e treinar e trabalhar em terreno real. E o avô ainda não entende porque não cortarei meu cabelo como qualquer outro guerreiro merece ter. Eu ganhei este cabelo comprido totalmente. Tive que passar várias provas de combate sem que ninguém tenha sido capaz de agarrá-los para usá-los contra mim. Nada mais para ter a promessa do Vovô de que ele não rasparia minha cabeça enquanto eu dormia. Penso que esquece de que sou um G.I. Joe. O que me agrada é parecer com uma garota normal as vezes, com o cabelo longo e loiro e lábios pintados, e não apenas uma caçadora que mata vampiros toda noite. Sob

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minhas botas de luta steels4, minhas unhas são rosa. Mas eu nunca lhe diria isso. Ele teria um infarto. Ele ainda estaria ali patrulhando se os médicos dos Helios Ra não tivessem lhe proibido de cumprir com seu dever no ano passado, devido a artrite em seu pescoço e ombro. Podia ter a estrutura de um touro, mas só que não tem a mesma flexibilidade e a força que costumava ter. Ele é, no entanto, absolutamente capaz de ser um convidado expert em luta na academia, nas aulas de treinamento. Ele gosta apenas de chicotear os garotos de dezesseis anos que pensam que são mais rápidos e melhores que ele. Nada o faz mais feliz, nem mesmo meu muito, quase honrado “A” do ano anterior. A primeira vez que Spencer o conheceu, ele me disse que o Vovô era Wild-West o terrível pistoleiro. Esta é uma descrição bastante boa na verdade, ele inclusive tem a mesma pontaria para atirar longe, com armas de raios UV e baionetas. E as recentes negociações com certas famílias antigas de vampiros dão-lhe taquicardia. Em seu dia, blá, blá, blá. Ele ainda não sabe que Kieran me levou as cavernas Reais na semana passada, para conhecer a nova Família Governante de vampiros, os Drakes, E eu me nego totalmente a lhe dizer até que tenha que fazê-lo. O Vovô pode ser da velha escola, mas não eu. Eu gosto de arco e flecha e artes marciais, não me levem a mal, e definitivamente me sinto bem em lutar contra os Hel-Blar. Eles são os piores da pior espécie de vampiros: estúpidos, selvagens e sempre em busca de sangue. O mais violento obtém o melhor. Eles são ligeiramente azuis, o que é mais reluzente do que parece, e cheiram como cogumelos podres. Errado seria dizer que os cogumelos também não são servidos muito no refeitório. Eu gosto de toda a história também, e a investigação e trabalho com famílias de vampiros. Não acho que isto deveria ser uma matança, no centro comercial, e sabe Deus estes tipos fora de controle. Amo Vovô, ele cuidou de mim quando meus dois pais morreram durante uma luta de hierarquia dos Hel-Blar, mas as vezes parece um fanático. Pode ser um pouco embaraçoso. Os vampiros são vampiros para ele. Se ele
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Steels: são tipos de botas. São botas com ponta de aço ou proteção de aço.

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souber que Kieran estava em um encontro com uma garota de - dezesseis anos – filha vampiresca dos Drake, ele enlouqueceria. Ele pensa em Kieran como um neto honorário e nos casaria completamente um com o outro se mostrássemos a mais leve inclinação. Infernos, ele tenta nos juntas de qualquer maneira, e é tão sutil como um tijolo. No entanto, Kieran é como um irmão para mim e sei que ele sente da mesma forma por mim. Poderia estar disposta a sacrificar muito pelos Helio Ra, mas com quem eu tenha um encontro não é uma dessas coisas. Lamentavelmente o Vovô não é exatamente conhecido por se render. A coisa é que eu também não. O triste é que a obstinação corre forte em cada Wild, e eu não sou a exceção. — Você poderia, por favor, mudá-las para algo decente? Apenas olhe, aquelas calças cargo me dão urticaria. — Chloe fez uma careta de dor para mim antes de voltar a soprar sobre seu esmalte de unhas molhado. Usava shorts de praia com cordão, com sandálias e brincos que balançavam para baixo praticamente tocando seus ombros. Seu cabelo negro era uma massa selvagem de cachos, como sempre, seus olhos castanhos cuidadosamente delineados com púrpura para combinar com sua roupa. Ela já tinha desempacotado cada parte de seu guarda roupa e havia pendurado tudo muito bem em nosso minúsculo armário. Este era o único ponto de arrumação que eu veria o ano todo. Irrita-me suas coisas espalhadas por toda parte e iria rir de mim por eu arrumar minha cama todas as manhãs. Não podia esperar. Havia largado de mão ao longo do verão. Os e-mails e textos não são o mesmo, não importa o que eu diga. — As calças cargos não me preocupam. — eu disse, encolhendo os ombros. — Por favor, eu já vi a pouca roupa que você tem e todas são lindas e combinam. — Nem todas usam camisolas de alça em treinamentos de exercícios e sobrevivência. — indiquei. — Bem, já que eu não tenho a intenção de colocar um pé naquele velho e fedorento ginásio até que seja absolutamente necessário, exijo que você use algo lindo. Ela me sorriu abertamente. — Eu te levei para jantar, não? — Fomos ao refeitório atrás de macarrão com queijo. — disparei de volta, também sorrindo abertamente. — E você não é meu tipo. — Por favor, você teria muita sorte.

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Uma batida na porta nos interrompeu. Spencer empurrou sua cabeça para dentro. Seu cabelo estava ainda mais longo e mais loiro, quase branco. Ele tinha passado a maior parte do verão na praia, como sempre. — Estou muito feliz de estar, finalmente, no andar térreo. — disse em modo de saudação. — Nunca subirei aquelas escadas novamente. — Diga-me. — Chloe concordou. O dormitório era uma antiga mansão Vitoriana de cinco andares. No nono ano vivemos no sótão adaptado e tendo que subir as estreitas escadas, subindo-as várias vezes por dia. A cada ano fomos promovidos, descendo de andar. Nossa janela agora esta voltada para o lago atrás da casa e para o único cisne irritante que vive ali. — Aquele pássaro me olha outra vez. — eu disse. Ele quase havia me arrancado um dedo em meu primeiro dia na academia, quando tentei alimentá-lo com o pão que eu havia salvado do almoço. Spencer sentou-se sobre a beira de minha cama, revirando os olhos. — Está escuro lá fora, gênio. — Eu sei que ele esta ali. — eu insisti. — Só me esperando. — Você pode controlar um vampiro, portanto pode controlar um lindo pássaro branco. — Eu presumo. Você não sabe quão suspeitos são aqueles cisnes. — enruguei meu nariz e sentei no extremo da cama, me apoiando na almofada. — Mas falando de vampiros... — Não o fazemos sempre? — Chloe disse. — Apenas uma vez eu gostaria de falar de garotos e moda e os abdominais de Hugh Jackman5. — Alô? Alguma vez você falou de mais alguma coisa? — Spencer gemeu. — Eu preciso de mais amigos homens. Eu lhe dei um chute com a minha bota. — Os garotos nunca foram capazes de falar coisas boas de você com Francesca no ano passado. — eu lhe disse. — Sim, mas ela partiu meu coração.
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Ator e produtor australiano.

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— Dá um tempo. Você a abandonou. — Porque só há espaço em meu coração para vocês duas, lunáticas. Eu joguei uma almofada em sua cabeça. — É o que ela disse. — Chloe concordou, já que não podia alcançar sua própria almofada. — E de qualquer modo, se você saiu arrotando e se arranhando com outros tipos, não ouviu sobre a minha visita nas cavernas de vampiro da Realeza na semana passada. — Nós não arrotamos e arranhamos. — virou-se para me olhar de modo sinistro. — O que? Até mesmo Chloe largou seu esmalte de unhas. — Sério? — Kieran me levou. — eu disse; um pouco com ar de superioridade. Era raro eu contar histórias. Geralmente estava muito ocupada tentando fazer com que Chloe e Spencer estivessem fora de problemas para entrar em qualquer um de meus próprios problemas. — Amiga. — Spencer assobiou apreciativamente. — Como você conseguiu passar por seu Avô? — Eu não lhe disse exatamente. — eu admiti. — Eu disse que sairia atrás de créditos extras. — Finalmente. — Chloe fingiu limpar uma lágrima de orgulho. — Ela saiu as escondidas e mentiu. Nossa pequena criança. Spencer e eu a ignoramos. — Então como é? — perguntou ele impacientemente. — Diga-me tudo. Algum ritual? Magia secreta de vampiros?

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— Desculpe; nada para sua tese. — eu lhe disse. — Mas uma Princesa da tribo dos Hounds estava lá. — Sai fora. — Spencer me olhou. — Você é a mais sortuda. Como ela era? — Tranquila, intensa, francesa. — como os outros Hounds, tinha dois jogos de presas. — Tinha amuletos ao redor do pescoço. — Você poderia desenhar para mim? — ele perguntou imediatamente. — Eu poderia tentar. — Vocês dois são chatos. — Chloe soprou um suspiro. — Parem de estudas, nem sequer começamos as aulas ainda. Conte-me sobre os irmãos Drake. São tão deliciosos como todo mundo diz. — Totalmente. — eu nem sequer tinha pensado nisso. — Era como estar em um cômodo cheio de Johnny Depps. Um deles inclusive, estava meio que vestido como um pirata. Chloe estremeceu, suspirando reverentemente. Então entrecerrou seus olhos para mim. — Não se atreva a me deixar para trás da próxima vez. — Acho que foi uma coisa de uma única vez. Hart estava lá e tudo. Hart era o novo líder dos Helios Ra e o tio de Kieran. Foi principalmente falar do tratado. Ainda não sei por que me convidaram. — Porque você é boa nestas coisas. — declarou Chloe lealmente. — Idiota. — ela retrucou, menos lealmente. Não tinha me sentido particularmente esperta, melhor ainda, eu me senti como uma adolescente torpe em uma mesa cheia de adultos. Tinha tido que lembrar a mim mesma, mais de uma vez que eles haviam me convidado, que eu não era obviamente inútil ou uma estranha.

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Especialmente quando Quinn Drake sorriu para mim. Todos os irmãos Drake eram ridiculamente magníficos, mas ele tinha aquele latente encanto de uma obra de arte. O tipo que você só lê nos livros. Sempre pensava que seria chato na vida real. Não era assim. Embora o fato de ele ter me chamado de “Buffy”, durante toda a noite fosse menos divertido. — Você esta com um olhar divertido no rosto. — disse Chloe. — Não estou. — joguei meus pensamentos errantes para longe de Quinn. — É somente minha cara. — Por favor, nunca esteve desta cor. Você ruborizou; Hunter Wild. — Não ruborizei. — Quinn não era o meu tipo de qualquer modo. Não que eu soubesse qual era o meu tipo. Ainda. Eu tinha certeza que os lindos garotos que sabiam que eram lindos, não eram. Salvei-me de suas insistências e cutucões quando as luzes, de repente se apagaram. A luz de emergência de fundo azul pela porta e debaixo da janela piscou. Spencer e eu pulamos sobre nossos pés. As janelas se fecharam automaticamente. Grades de ferro desceram e soaram, fechando-se. — Não! Agora não! — Chloe exclamou, soprando mais forte sobre seus dedos do pé. — Eles vão embora. — Não é muito cedo para um simulado? — fiz uma careta, tentando ver o lago e os campos que conduziam para o bosque que nos rodeava. Era bastante escuro, que só a luz tênue da água era visível e a meia lua sobre a casa principal onde a Diretora Bellwood vivia. — Quero dizer, a metade dos estudantes nem sequer estão aqui ainda.

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— Chloe é quem se supões saber destas coisas. — disse Spencer, intencionalmente. — Eu não tive tempo! Acabo de chegar! — ela balançou seus pés no piso e se equilibrou sobre seus saltos, meneando seus dedos do pé. Geralmente vasculha as listas e averigua quando os simulados aconteceriam, então nós teríamos algum aviso. Estava chateada, franzindo o cenho ferozmente. — Isto é uma merda. — Talvez não seja um simulado? — perguntou Spencer. — talvez seja real? — É totalmente um simulado. E eu registrarei uma queixa. — queixou-se Chloe, jogando sua mochila sobre o ombro. Não ia a nenhuma parte sem seu laptop ou algum tipo de dispositivo de alta tecnologia. — Ainda estou com calças de verão, merda. Isto é tão injusto. — Alegro-me de não ter me trocado. — eu lhe disse, tirando uma lanterna de um dos muitos bolsos de minhas calças cargo. — Se você recitar o lema da escola, “estar preparado”, eu te darei um chute. — Arriscando seu esmalte de unhas. — eu disse com um ronco, empurrando a porta aberta. — Apenas, vamos.

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Capítulo
Hunter

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Tinha alunos no corredor, resmungando enquanto testavam a porta principal. — Fechado. — suspirou Jason, virando-se para nós. Ele tinha estado apaixonado por Spencer durante dois anos, mas Spencer estava apaixonado por Francesca. Ou tinha estado; de qualquer modo, eu realmente duvidava que ele tivesse mudado de equipe, completamente. — Está tudo fechado. — disse Jason. Ele usava calças de flanela de pijama e uma camiseta branca. Chloe quase ronronou apesar de ele ser uma causa perdida. — Luz azul por aqui. — alguém gritou do outro lado da sala comum. Spencer queixou-se. — Então isto é uma prova de velocidade? — Parece que sim. — eu concordei. Seguimos o resto dos alunos descendo pelo corredor até a porta do sótão. Menos mal que não era uma prova de silêncio, já que todos nós soávamos como uma manada de elefantes correndo enquanto íamos pelas escadas. — Eu odeio esse buraco. — disse Chloe quando chegamos ao úmido sótão. Ela balançou seu telefone. — Nada funciona aqui embaixo. — Acho que esse é o ponto.

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— Ok, é estúpido. Toda essa escola é estúpida. Spencer e eu rodamos nossos olhos um para o outro. Privar Chloe de seu acesso a internet sempre a colocava de mal humor. Era seu ponto forte, apesar de tudo, e ela sempre odiava não chegar em primeiro lugar nas corridas. O alçapão que conduzia ao túnel secreto já estava aberto. Havia sons de luta adiante e pouquíssima luz. O objetivo era atravessar o túnel, subir uma escada e chegar a grama. Ninguém se acotovelava e nem tropeçava entre si, era muito cedo neste ano. Ainda faltavam os exames semestrais e os exames finais, então, aí sim seria quando teriam rebeliões e motins aqui embaixo. Ouvi um rangido atrás de nós e me virei para o som, pegando a estaca em meu cinturão. Sempre havia uma estaca em meu cinturão. Meu Avô nunca me fez as perguntas habituais enquanto eu crescia: Você vai escovar os dentes? E, Já comeu as suas verduras? Sempre era: Está com sua estaca? Mas desta vez, não se tratava de um vampiro ou um boneco de treinamento. Era apenas uma aluna do nono ano que estava pressionada contra a parede, chorando. Aparentava ter cerca de treze anos e havia sangue em seu nariz. — Hunter, você vem ou o que? — Spencer perguntou. — Eu já os alcançarei. — fiz-lhe um gesto com a mão, para que continuassem e rapidamente me agachei devido a um boneco emaranhado pendurado no teto, ele caiu gritando. A menina chorou mais alto, trêmula. — Hey, está tudo bem. — eu disse e ela me olhou. — Eu sou Hunter. Qual é o seu nome? — L-lia. — ela gaguejou. Seus cílios estavam ensopados pela combinação de lágrimas e umidade do ar subterrâneo. — Este é o seu primeiro dia? Ela assentiu silenciosamente.

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— Bem, não se preocupe Lia, fica melhor. Onde está o seu monitor de andar? — perguntei. Ela era muito jovem para enfrentar isso. Eu não podia acreditar que seu monitor de andar não havia se preocupado em manter um olho nela. Quando descobrisse quem era, ia lhe repreender. — Eu não sei. — sua estaca estava jogada, sem utilidade, aos seus pés. — Quero ir para casa. — Eu sei. Vamos sair daqui antes, certo? — Está bem. — ela se afastou da parede e logo deu um pulo quando um grito horripilante soou pelo corredor, seguido por um assobio inquietante. — Não se preocupe com isso. — eu disse. — Eles juntam todos esses efeitos de som para te ensinar a não se distrair. Você leu a respeito de tudo isso no manual, não é? Ela engoliu sem eco. — Sim. É pior do que eu pensava. — Você se acostuma com eles. Olha, temos que correr pelo corredor até a escada e subir para sair no gramado. Haverá manequins se balançando para você com luzes vermelhas em seus corações. Basta apontar sua estaca para a luz vermelha, ok? Pense em tudo isso como algum jogo em uma dessas casas de Halloween assombradas. — Eu não gosto das casas assombradas. — ela disse, mas agora parecia irritada e não tão assustada. Pegou sua estaca, segurando-a com tanta força que suas juntas pareciam como se estivessem machucadas. — Pronta? Ela concordou. — Vamos! Tomei a dianteira para que assim ela não entrasse em pânico de novo. O primeiro vampiro veio para mim pela esquerda e eu apontei para a luz vermelha. O segundo veio da direita, o terceiro e o quarto caíram do teto, juntos. Deixei escapar um para dar a Lia a oportunidade de estaqueá-lo. Não era mais do que uma excelente maneira de liberar a frustração. Este a pegou no ombro, mas ela conseguiu acertar na luz vermelha.

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— Acertei em um! — ela gritou. — Você viu? — Atrás de você. — gritei-lhe, jogando minha estaca para prender um que estava balançando atrás dela. A luz vermelha piscou, apagando-se e o boneco parou repentinamente, a alguns centímetros de distância do nariz, já dolorido, de Lia. — Bem, isso foi ótimo. — ela gritou, aparentemente superando sua pequena crise. A adrenalina estava fazendo seu trabalho, podia ver no tremor de seus dedos e no pequeno brilho maníaco em seus olhos. Isso era melhor do que o pânico. — Já estamos quase. — gritei-lhe por cima de outro assobio gravado, saindo de uma tela. — Vamos, vamos, vamos! — corremos tão rápido quanto pudemos. —Estaque este. — saltei por cima de um boneco que saia de uma abertura. O túnel estava vazio de outros alunos, mas eu pude ver uma fraca luz mais adiante. — Nós já estamos perto. Quando chegamos à escada, eu a empurrei por cima de mim. Ela se pendurou como um macaco. Não tinha harmonia em seus movimentos, mas tinha equilíbrio. Fui a última a sair. Dois professores e todos os outros alunos nos esperavam em um grupo, nos olhando. O rosto de Lia manchado com sujeira e lágrimas secas e os lábios inchados, mas pelo menos ela estava sorrindo. — Bem, bem, senhorita Wild. — o Sr. York segurou seu cronômetro diante de mim com o desprezo condescendente que conseguiu reunir. — Aparentemente, você enferrujou no verão. O que o seu Avô vai dizer ao ouvir que uma Wild chegou por último lugar? — ele estava desfrutando bastante disto. Não era nenhum segredo que o Sr. York odiava a minha família e particularmente ao meu Avô. Ele tinha estado atrás dos meus passos desde o meu primeiro dia na academia. Chloe fez uma horrível careta nas costas dele. — É minha c-culpa, senhor. — Lia balbuciou. — Hunter parou para me ajudar. — Ela fez isso? Agora? Bem, admirável, mas essa prova tratava-se de velocidade. — enquanto ele dizia isso, fez uma marca em seu caderno de anotação. Eu tinha muita vontade de estacar esse caderninho.

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— Eu não acho que Hunter deva ser punida por mostrar lealdade ao grupo. — a Sra. Dailey interrompeu. — Estamos ensinando a eles lealdade e coragem; certo? Isso é tão bom quanto à velocidade... — Seja como for, nesta prova só medimos o tempo. As regras são regras. — O monitor de andar dela deveria estar vigiando. — eu murmurei. — O que disse, senhorita Wild? — Sr. York perguntou. — Nada senhor. — Ouvi claramente algo, senhorita Wild. Alunos, silêncio, por favor. A senhorita Wild está tendo problemas para ser ouvida. Deus, ele era uma dor no rabo. — Eu estava apenas perguntando onde é que o monitor de andar dela estava. — era o primeiro dia e eu estava recebendo merda por ajudar alguém. Isso fedia. Ele franziu o cenho para seu caderno de anotação. — Courtney Jones. Tive que reprimir um gemido. É claro que tinha que ser Courtney. Tínhamos sido companheiras de quarto no décimo grau e, francamente, acho que nenhuma de nós duas tínhamos superado isso, ainda. Dizer que não nos suportávamos e não tínhamos nada em comum era subestimar as coisas. Ela pertencia à mesma liga que o sujo Sr. York. Courtney se adiantou com um sorriso triunfante. — Sim, Sr. York? Lambe rabos. — Esta aluna está em seu andar? — Sim, Sr. York. — E você a deixou para trás?

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— Não, Sr. York. — ela parecia atordoada e profundamente entristecida. O Sr. York, lógico, caiu totalmente em sua armadilha. Pelo menos a Sra. Dailey franziu os lábios. Essa era uma pequena vitória, mas a única que, provavelmente, eu ia conseguir. — Lia estava bem atrás de mim, senhor. Ela me disse que estava bem. Lia piscava como um peixe que, repentinamente, tiraram de um lago. — Eu... — Entendo. — disse o Sr. York, tocando os lábios com a caneta como se estivesse absorto em seus pensamentos. Mudei meu peso de um pé para o outro. Spencer me lançou uma careta de compaixão. Estremeci novamente. — Vendo que você está tão preocupada pelo bem estar dos alunos do nono grau, você será assistente de Courtney. Você pode estar encarregada de todos os assuntos delicados e se assegurar que eles finalizem seus exercícios. — que traduzido significava que Courtney conseguiria seu grande quarto único no quarto andar e um grande monitor de andar a seu serviço, enquanto eu faria todo o trabalho real. Além de ser ela a mandar ao redor. Ela sorriu para mim. — Você tem algum problema com isso, senhorita Wild? — replicou o Sr. York. — Não senhor. — suspirei. Neguei-me a me deprimir, apesar de eu realmente querer. Eu não ia deixar-lhe ver o quanto havia arruinado meu último ano. Eu não sabia nada sobre o cuidado dos alunos no nono grau, ou Niners, como nós chamávamos. E minha carga acadêmica já estava, aproximadamente, do tamanho de uma pirâmide egípcia. Das maiores. — Bem. Dispersar! — gritou para todo mundo antes de começar a andar através do gramado, para o apartamento dos professores. A Sra. Dailey me deu uns tapinhas no ombro antes de segui-lo. Courtney riu de mim e sumiu. — Desculpe Hunter. — disse Lia, parecendo como se estivesse prestes a estourar em lágrimas de novo. — Não se preocupe com isso. — eu disse.

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— Eu não quis me meter em problemas. — ela disse. — Mas estou muito feliz de que você seja uma de nossas monitoras de andar agora. — ela baixou a voz. — Courtney é sempre uma cadela. Eu ri para eu mesma. — Sim, sim, ela é. Chloe e Spencer se aproximaram cheios de justa indignação por mim. Chloe balançou a cabeça. — Presumo que York ainda a tem nas mãos. Idiota. — Isso foi totalmente injusto. — Spencer concordou. — Você deveria ir ver a diretora. — De maneira alguma. — eu disse. O único professor pior que o Sr. York era a diretora Bellwood. — Ela apenas dirá que estou sendo uma chorona. — Acho que sim. Ela não é exatamente uma pessoa boa e amigável. — Chloe enfiou o braço no meu. — Vamos! Vamos beber chocolate quente e ver alguns episódios antigos de Supernatural em DVD. Dean Winchester sempre te anima. — Você acreditava que nosso último ano ia ser divertido. — eu disse, chutando alguns dentes de leão enquanto beirávamos o jardim até a, agora, aberta porta de entrada. Do lago, o cisne grasnou ironicamente. Ninguém se sentia animado para ficar até muito tarde depois de tudo o que tinha acontecido. Vimos alguns episódios e logo fomos para nossos quartos. Os corredores estavam tranquilos. Chloe se afastou para a sua escrivaninha e ligou o computador com um determinado click, colocando seu notebook junto a ela. As telas piscavam para a vida, agrupando a pálida luz sobre a janela. — Pensei que você estava cansada. — eu disse. — Estou atrasada. — ela disse. — Nos pegaram de surpresa. E York sorriu para mim como se soubesse que vou atrasar. Vou fazê-lo pagar por isso. E por estar atrás de você o tempo todo. — estalou os dedos. — E eu começarei agora. — Você foi a primeira em se queixar que era muito cedo para estudar. — Mudei de ideia. Vou mostrar este ano, e esfregarei em seus narizes. — o Sr. York, além de ser uma dor no rabo, era também um dos professores de luta. Chloe era

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rápida e feroz em um computador, mas não era tão boa nas brigas mão a mão. Ela quase não tinha sido aprovada no ano passado. Eu a deixei se preocupando com seus problemas. Além disso, eu não queria falar de York. Isso só me fazia ranger os dentes. Eu não sabia nada sobre ser um monitor de andar. Minha mandíbula endureceu. Se eu quisesse relaxar totalmente, precisava do que havia na caixa debaixo da minha cama. Ver a TV tinha ajudado a melhorar um pouco o meu estado de ânimo, assim também como tinha conseguido a barra de chocolates de Chloe, mas isto requeria a artilharia pesada. Não importava o muito que Chloe ia zombar de mim. Eu a peguei, esperando que ela estivesse muito ocupada em seu trabalho. Não tive sorte. — Esses são livros românticos? Dei a ela um olhar, através de meu cabelo, que caía sobre o meu rosto. — Sim. E cale a boca. — Eu não sabia que você lia livros românticos. — Cale-se. Ela girou em sua cadeira de escritório com pequenas rodinhas. — No ano passado você me disse que mantinha ali, suas estacas e outras coisas. Peguei um livro, me perguntando se deveria até mesmo me incomodar em tentar esconder a capa romântica. Chloe era um pitbull. — Eu também disse ao meu Avô que mantinha aqui meus tampões. — Realmente, estou recém descobrindo este novo lado de você. Visto que ela não estava brincando como eu havia pensado, eu parei, com o cenho franzido. — Sei que é bobagem, mas eu gosto. Não me fazem pensar muito e sempre há um final feliz. — Empreste-me um. — Sério? — perguntei.

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— Totalmente. Dê-me esse com a faca e o tipo musculoso. Eu bufei. — Isso é tudo deles. O cabelo é bastante lamentável. — Que tal essa? — Você não pode se dar mal com um Duque. — joguei o livro para ela. — Há partes sujas? — Não nesse. Ela me jogou o livro de volta. Eu ri e lhe entreguei outro. Eram quinhentas paginas de intriga histórica vitoriana. Ela o olhou. — Este é maior que a metade das coisas em nossos programas de aulas. — Provavelmente melhor investigado também. Ela o colocou ao lado de seu notebook e voltou para as coisas misteriosas que fazia na internet. Eu poderia revisar meu e-mail e navegar por alguns endereços básicos de blogs, mas isso era tudo. Ela provavelmente poderia entrar nas páginas do governo se lhe déssemos tempo suficiente. Li até que ela, finalmente, foi dormir e meu celular vibrou. Eram duas da manhã. Eu o abri e li na mensagem de texto que Kieran me esperava: Venha e se encontre comigo aqui fora.

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Capítulo
Quinn

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Connor não se incomodou em bater, abriu a porta e colocou a cabeça para dentro do meu quarto. Ele estava pálido e não porque passava a maior parte do tempo em seu computador. Os vampiros não se bronzeavam bem e os Drakes não eram exceção. — Quinn, já era tempo. Limpei o sangue do meu lábio inferior e joguei a garrafa de vidro na caixa azul de reciclagem, situada debaixo de um pôster de Megan Fox. Connor e eu fomos transformados há três anos em nosso décimo oitavo aniversário. Como gêmeos, compartilhamos os mesmos olhos azuis, cabelos castanhos escuros e a mesma estranha enfermidade, a luta por sobreviver e o abrasador desejo de matar quando acordamos nesse primeiro dia como vampiros. Agora compartilhamos o mesmo desejo de matar, cada vez que o sol se esconde, mas estava começando a melhorar para os dois, como papai havia nos prometido que aconteceria. Já não trancava a porta do meu dormitório, nunca mais 6. — Melhor nos apressarmos. Papai tem aquele olhar em seu rosto. — Connor me advertiu enquanto descíamos as escadas do último andar da casa que dividíamos com nossos outros cinco irmãos. Nossa irmã, Solange, tinha um quarto no segundo andar, o qual ficava mais que definitivamente bloqueado, por dentro e por fora, quando ela ia dormir a cada manhã. Ela havia se transformado há duas semanas e nossa delicada e serena irmã recém-nascida se transformava em alguém selvagem no último raio de sol. Sua melhor amiga, Lucy, permanecia em um dos quartos de hóspedes, tão afastada do quarto de Solange como era fisicamente possível. Nós a fizemos prometer que manteria
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Lembremos que, quando são “transformados”, os pais dos Drakes acreditam que o melhor é trancar, bloquear a porta de seus filhos, para evitar que saiam para atacar mais alguém. Por isso, ele menciona a porta de seu quarto.

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o trinco fechado e mamãe encarregou a dois dos cachorros da fazenda, de protegê-la todas as noites ao entardecer. Para o caso. Ela não deveria viver em nossa casa enquanto Solange estava tão volátil; Era perigoso e francamente, estúpido. Todos nós podíamos cheirar a doce e quente corrida de sangue em suas veias. Era como viver dentro de uma padaria, constantemente rodeado de pastéis tentadores e bolos de chocolate cobertos com açúcar. Nicholas tinha uma vontade de ferro. Não sei como é que o fazia, resistindo a carne sensível de seu pescoço cada vez que ela o abraçava ou que ele cheirava seu cabelo. Minhas presas sobressaiam um pouco cada vez que ela estava perto. Eu não era muito hábil em resistir às garotas. No entanto, Lucy praticamente havia crescido aqui e já que estava namorando com meu irmão, ela estava completamente proibida. E estava indubitavelmente presa conosco por, pelo menos, outra semana já que seus pais estavam fora da cidade, embora a política vampírica, que era bagunçada na melhor das hipóteses, tinha acabado de explodir ao nosso redor. — Mamãe merece um pouco de pompa pelas circunstâncias, não acha? — eu lhe perguntei, mantendo minha voz em um sussurro enquanto passávamos pelo quarto da tia Hyacinth. Perguntei-me se ela, finalmente, se aventuraria a sair de casa para a Coroação. — Quero dizer, não são todos os dias que uma vampira é coroada como Rainha. — Você sabe que mamãe prefere ser discreta. De qualquer modo, eu gosto de pensar que somos muito dispostos para tentar realizar uma complicada terceira cerimônia. Connor estava certo. Mamãe foi declarada Rainha depois de matar a última Rainha autoproclamada Lady Natasha, para impedir que ela matasse Solange, baseada em uma antiga profecia que predizia o nascimento de Solange e indicava sua subida ao trono. Agora todo mundo estava tentando matar mamãe e Solange. Não era exatamente uma melhoria. Ninguém guardava tanto rancor como os vampiros centenários. Alguns pensavam que aprenderiam a perdoar, eventualmente. — O inferno está cheio de muitos ingratos reclamando por um trabalho. — eu disse. — Controlar as tribos vampíricas é como manter gatos amontoados em uma banheira, com os olhos vendados. — tirei o cabelo de meus ombros e pisquei um olho

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para Solange, que estava sentada no degrau mais baixo, parecendo miserável. — Talvez nós apenas precisemos de um Rei. Alguém fascinante e bem parecido comigo. Ela me deu um grande sorriso. — Sua cabeça é muito grande para uma coroa. Connor bufou e continuou pelo corredor até a sala de estar. Sentei-me junto a Solange. — O que foi? Estar sentada sozinha na escuridão é muito gótico para você. Deixe estes tipos de coisas para Logan. — Eu só odeio todo este estúpido assunto. — ela murmurou. — Se alguém mais tentar matar alguém que eu amo por causa dessa maldita profecia, juro que ficarei louca. Coloquei um braço sobre seu ombro. — Você ficará bem. Montmartre está morto. E você sabe que nós te protegeremos. Ela me deu um olhar que poderia ter derretido o cabelo da minha cabeça. — É isso, Quinn Drake, exatamente ao que eu me refiro. Proteja a si mesmo, não a mim. Coloquei meus olhos em branco. — Alô? Irmão mais velho. Risco ocupacional. — Bem, esqueça. — queixou-se. — Sério, eu não posso ter muito mais. Não terei seu sangue em minhas mãos. É bastante ruim que tia Hyacinth quase tenha morrido... — Mas ela não morreu. Os Drake são mais difíceis de matar do que isso. — ela tinha sido queimada gravemente com água benta pelos Helios-Ra e isto corroeu como ácido. E agora ela se recusava a tirar os pesados véus negros que usava no lugar de seus chapéus vitorianos. — Porque você não está lá com os outros? Ela encolheu os ombros. — Por razão nenhuma. — Mentirosa. — ela encolheu os ombros outra vez. Eu franzi o cenho. — Cuspa Solange. — Eu estou bem, Quinn. — ela me deu um sorriso irônico. — Posso me defender também, você sabe. Chato, certo? — Muito.

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Ela me abraçou rapidamente. — Eu não tenho a intenção de parecer ingrata. Só estou preocupada. Notei as sombras escuras sob seus olhos. Suas presas estavam para fora e suas gengivas pareciam um pouco em carne viva, como se ela tivesse apertando fortemente a mandíbula. — E você tem fome. — eu disse em um sussurro. Ela afastou os olhos. — Eu estou bem. — Solange, você está bebendo o suficiente? Parece um pouco fraca. — Eu bebo o suficiente. Acabo de acordar e estou... — ela engoliu, apertando os punhos. — Como você se acostumou? É como uma fisgada se arrastando dentro de mim e não há maneira de arrancá-la. Vocês fizeram com que isso parecesse fácil. Acho que é pior que a mudança. Pelo menos, eu estava inconsciente a maior parte. Mas agora, as luzes doem e todo mundo parece gritar. E Lucy... — ela pareceu como se estivesse prestes a chorar. — O que tem ela? — Lucy cheira a comida. — ela quase engasgou ao dizê-lo. Conservei meu sorriso brilhante e não lhe deixei ver nada, exceto o seu imprudente irmão mais velho que amava uma boa briga e uma garota bonita, não necessariamente nesta ordem. — Sol, tudo isso é normal. Lucy cheira bem, bem antes que eu mudasse e agora ela cheira ainda melhor. Mas não tentei comer seu rosto e muito menos você. Ela não está à salvo nesta casa. — É mais seguro aqui do que lá fora. — argumentei, se bem que eu concordava com ela. — Veja, você cheirava a hambúrgueres. Ela piscou; confusa. — Então?

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— Então, você já atravessou no meio das fazendas em festas de campo e repentinamente tentou comer uma vaca? — Hm, não. — seu sorriso era aguado, mas era melhor do que nada. — E, ew. — Exatamente. Você pode desejar ardentemente sangue e não comer a sua melhor amiga. — Você não faz parecer como algo normal. E eu realmente contarei a Lucy que você a comparou com uma vaca. — ela passou uma mão pelo cabelo. — Entre Lucy e Kieran eu me sinto... Perigosa. Encolhi os ombros, tentando não franzir o cenho ao pensar em Kieran e minha irmã mais nova. — Você deveria falar com Nicholas. Ele, neste momento te entende melhor do que ninguém. Squigee7. — Squigee? Eu sou uma squigee? — ela me cutucou com um de seus dedos. — Não sei o que é isso, mas estou preparada para me sentir insultada. — Nah, não há nenhuma necessidade de se sentir insultada. Você tem as bochechas Drake como eu. Poupa-lhe o tempo todo. — Bem, sem mais choramingo. — anunciou decisivamente, fingindo um sorriso brilhante. — Mexe com meus nervos. Vamos fazer de mamãe uma Rainha. — Sim, porque com sua autoestima tão frágil, ela precisa do estímulo de uma coroa. — Eu ouvi isso, Quinn Drake. Estremeci. As mães vampiras tinham vantagens injustas. — Eu te amo mãe! Ela estava nos espreitando do lado de fora da sala de estar, arrastando o resto da família como a cauda de um vestido. Seu cabelo estava trançado severamente como sempre, sua expressão severa. Mas seus olhos estavam brilhantes. — É assim que você sempre tentava sair de um apuro quando era pequeno.

Squigee: Não tem uma tradução literal, mas acho que é uma maneira urbana que quer dizer algo como: máxima confiança.
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Sorri abertamente. — Ainda funciona? — ela suspirou, dando-me um sorriso. Pisquei um olho para Solange. — Viu? Não menospreze as bochechas. — Vamos. — Bruno, chefe da segurança dos Drake, abriu a porta principal. A luz da varanda fez com que suas tatuagens do pescoço parecessem descoloridas. Ele usava tantas armas escondidas sob seu agasalho que era admirável que pudesse se mover. Papai estava muito perto de mamãe, observando cada um de nós. — Vamos pelo caminho longo. O restante de vocês vai para o leste e rodeando, nós nos encontraremos lá. Proteja a sua irmã. Solange ficou vermelha. Lucy apertou sua mão, com simpatia. Solange engoliu saliva e deu um passo para trás. Lucy franziu o cenho, parecendo confusa e pesarosa. A porta se fechou atrás de nossos pais, tia Geoffrey e Bruno. — Onde está a tia Hyacinth? — perguntei. — Ela não está em seu quarto. — disse Lucy. — Bati lá. Eu quis pedir-lhe emprestado um de seus xales de renda. — Ela estará lá. — Isabeau respondeu com seu grave sotaque francês. Ela era a Princesa dos Hounds e a razão pela qual Logan usava uma sobrecasaca nova de veludo. Ele não podia afastar o olhar dela, como se temesse que ela pudesse se afastar. Havia cicatrizes em seus braços e tinha seu cão com ela como de costume. Ele era um enorme lobo irlandês, a parte superior de sua cabeça eriçada chegava quase até a sua cintura. — Todo mundo pronto? — Sebastian perguntou calmamente. Ele era o mais velho e usualmente viajava com nossos pais. Era uma demonstração do quanto eles se preocupavam pelo que ele estivesse conosco. Nós nos colocamos em formação, rodeando Solange e Lucy, guiando-as para fora e através do caminho de acesso aos campos que levavam a floresta. — Tenho a impressão de que eu estou no programa de proteção à vítima. — Lucy sussurrou. — Vocês precisam de smokings e tapa óculos escuros. — Não vestirei um smoking nem por você, querida. — sussurrei em resposta. — Você não é divertido. Enquanto o silêncio se alongava desconfortavelmente, ela começou a cantarolar o tema musical Missão Impossível em voz baixa. Solange sufocou uma risada assustada. — Você enlouqueceu?

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— Seus irmãos precisam meditar. Todos estão estressados e seu Chi está elevado. Isso não pode ser muito confortável. — Nem sequer sei o que isso significa. — Nicholas sibilou. — Mas isto afeta o sigilo com o qual nos movemos. Não nos ajuda. — Lucy sorriu para Solange. — Ele fica tão lindo quando tenta ser o macho Alfa. — Isto é sério; Lucy. Ela o alcançou e lhe puxou uma mecha de cabelo. — Eu sei. Mas estamos apenas no caminho. — Se você não parar de falar, eu esconderei todos os seus chocolates. — Nicholas prometeu. Lucy mostrou-lhe a língua, mas parou de falar. A floresta era densa, com sons dos animais correndo apressadamente, insetos movendo-se nas árvores e o vento sempre presente escorregando através dos galhos dos pinheiros. Cruzamos o estreito rio, usando o tronco caído de um carvalho coberto de musgos. Todo mundo, menos Lucy, se movia tão rapidamente que parecíamos um pouco embaçados nas pontas. Ela ofegava para recuperar o fôlego quando paramos em um prado. — Vou precisar fazer Cooper ou algo do gênero. — queixou-se sem fôlego. — Somente por isso, eu os odeio. Nós a deixamos descansar por alguns minutos e logo continuamos para o lugar da reunião. Não esperávamos problemas, já que a cerimônia só tinha sido anunciada a alguns poucos indivíduos escolhidos, pouco antes do pôr do sol. Sem nenhum aviso prévio, fez mais difícil para nossos inimigos nos encontrarem e desestabilizar a cerimônia. Isabeau encontrou a marca orientadora na árvore e sinalizou para a sua esquerda. Nós a seguimos para outro prado, rodeado por pinheiros. Os grilos pararam de cantar. Fomos os primeiros a chegar. Levou outra meia hora antes que os outros membros do Conselho aparecessem com seus assistentes. O Conselho Raktapa era sigiloso ao extremo e eles não viajavam com pouco equipamento, nem sequer para uma Coroação clandestina. Havia guarda costas e estandartes familiares e uma boa

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quantidade de brilhos reais suspeitos. A família de Amrita preferia os caftanes8 e os sáris9. Os Joiik eram descendentes de algum vampiro viking antigo e eram loiros, pálidos como a luz do sol, metidos em uma armadura. E eles sempre pareciam vestidos para alguma bizarra festa a fantasia de trajes vitorianos. De todos os presentes ali nessa noite, apenas meus irmãos, Solange e eu usávamos roupas deste século. Menos Logan, claro. Ele estava vestido com seu habitual casaco do século dezoito. E Lucy parecia uma viajante do tempo confusa, como sempre. Ou como uma criancinha que acabava de colocar a parte superior do vestido de sua mãe. Mamãe e papai estariam logo lá. Hart não estava muito longe, podia ouvir o ronco de sua motocicleta do outro lado da clareira. Era sem precedentes o líder dos Helios Ra ser convidado para uma Coroação vampírica. Fazíamos história de muitas formas nesta noite. A melhor parte era que a tia Hyacinth havia se juntado à nós. Ela saiu de entre os pinheiros, ainda envolta com os véus negros de seda, mas pelo menos ela estava aqui. Lucy se apoiou em Nicholas, segurando sua mão. Logan e Isabeau ficaram em silêncio, mas estavam muito perto. Meus irmãos tinham a ideia correta. Havíamos tido tempo para matar, mas também poderíamos ter um pouco de diversão. Uma garota vampiro da comitiva de Joiik me chamou a atenção. Ela tinha um longo cabelo vermelho e sorriu para mim, me dando um vislumbre provocante de suas presas e um grande decote. Eu sorri amplamente. — Chame-me quando tudo estiver prestes a começar. — eu disse a Connor, indo atrás dela para a floresta.

Caftanes:Túnica de seda sem gola, aberta na frente, com mangas curtas que cobre o corpo até a metade da perna e é usada em países muçulmanos.
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O mesmo que Caftanes.

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Capítulo
HUNTER
Noite de terça feira.

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Kieran estava me esperando atrás do carvalho ao lado do caminho. — O que está acontecendo? — perguntei-lhe, bocejando. Eu tinha prendido meu cabelo em um rabo desordenado e havia voltado a colocar as calças cargo e uma camiseta sobre o top com o qual eu havia dormido. — Vamos a uma viagem de campo. — disse com ar presunçoso. Pisquei. — O que? Agora? — Sim, portanto, apresse-se. — a casa principal dos professores estava às escuras, exceto por uma das salas superiores. O refeitório estava deserto. A casa da diretora Bellwood estava mais adiante, no caminho de entrada e às escuras também. — É uma longa caminhada. — Porque não podemos pegar uma das motos? Há dezenas delas na garagem. — a floresta era tão espessa e tinha tantas árvores que as motos eram o modo mais fácil de transporte na maior parte do tempo. Sobre nossos próprios pés, nós nunca escaparíamos de um vampiro em um milhão de anos. As motos nos davam uma chance. — Seria difícil com isto. — ele levantou o braço que estava envolto em um suave gesso. Ele tinha se ferido na semana passada, ajudando a acabar com a antiga Rainha dos vampiros, Lady Natasha. Ele tinha tido muita diversão. — E você sabe que vigiam os indicadores de combustível nessas coisas.

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Levantei as sobrancelhas. — Portanto, os professores não sabem sobre esta pequena viagem extraoficial 10. — Não. — Kieran, eu já estou em problemas. Ele bufou. — Você nunca está em problemas. — York. Ele fez uma careta. — Charlatão. Bem, esqueça. Hart mesmo deu sua permissão para que eu pudesse te levar lá. — Sério? — Sim, portanto vamos, já. — disse impacientemente. — É pelo menos, uma hora de caminhada daqui. — Para onde diabos, nós vamos? — murmurei enquanto cortávamos através do campo e da floresta. Os mosquitos nos alcançaram quase no mesmo instante. Os golpeei, afastando-os. Isto devia valer a pena. — Coroação Vampiro. — respondeu. Valia a pena, totalmente. — O que? Sério? Como consegui a autorização? — Hart perguntou por você. Não pareça tão emocionada, você estava na reunião na semana passada. E fez bem, criança. — Criança? Você é apenas um ano mais velho que eu. — Mas eu sou sábio, pequena irmã.
Em inglês: Side trip: uma breve excursão fora da rota principal de um itinerário, para visitar uma pessoa ou lugar em particular.
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— Só nos leve até lá, Obi-Wan11. A lua derramava luz suficiente para fazer a erva prateada. Os mosquitos pioravam quanto mais nós caminhávamos e eu não me importava em nada. Íamos a uma Coroação Vampiro. O Vovô teria se horrorizado. Eu estava muito emocionada. Não havia tido uma em mais de cem anos. A última Rainha, Lady Natasha, tinha sido tolerada, não oficialmente coroada. Quando seu amante, Montmartre, a descartou e colocou os olhos em Solange Drake, Lady Natasha ficou enlouquecida e tentou matar Solange. Todo mundo sabia que ela era a primeira filha nascida na Família Drake em mais de oitocentos anos e havia sido profetizado que ela seria a próxima Rainha. Só que ela não queria ser Rainha, mesmo que isso fosse apenas, suficiente, para deter Montmartre. Ele tinha tentado sequestrá-la e se casar com ela para tomar seu poder, mas tinha sido frustrado pelos Drakes e Isabeau St. Croix, a Princesa Hound, que eu havia conhecido nas conversações do Tratado. E Kieran, é claro, que era o namorado de Solange e agora tinha o braço quebrado, orgulhosamente. Com Montmartre finalmente morto, os Host - bandidos que haviam agido como seu exército pessoal - haviam se dispersado. Isto deu aos Helios-Ra uma vantagem. As centenas de Hel-Blar que Greyhaven, tenente de Montmartre, havia criado e deixado para correr selvagemente, levaram essa vantagem. Havia tantos deles que estavam começando a se aproximar de Violet Hill e outros pequenos povoados da área. A escola agora requeria que os estudantes da décima segunda série, ajudassem nas patrulhas até que o problema fosse resolvido. Caminhamos durante quase uma hora até que chegamos a uma clareira com várias motocicletas estacionadas, todas pretas. Agentes Helios-Ra. Hart e seu grupo já deviam ter chegado. — Chegamos tarde? — eu desejava estar usando a roupa adequada. Parecia completamente amassada. Não estava certa do que se devia usar em uma Coroação de Vampiro, mas eu tinha a sensação de que calças cargo e uma camiseta sem mangas não eram. Eu nem sequer tinha minha jaqueta com os frascos de Hypnos nas mangas. Hypnos era uma droga relativamente nova que carregávamos em forma de pó em uns pequenos dispositivos com forma de lápis. Qualquer pessoa que fosse inalá-la,
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Obi-Wan: Personagem de Star-Wars.

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inclusive vampiros, cairia hipnotizada por um curto tempo para fazer o que lhe dissessem. Isto ajudava a equilibrar as quotas desde que os humanos eram suscetíveis ao glamour dos vampiros. A mãe de Chloe era bioquímica e havia ajudado a desenvolver a nova versão de Hypnos. Os quais, eu não tinha nenhum esta noite. — Não estou preparada. — mostrei-lhe meus pulsos nus. Sem Hypnos, sem punhais, nada. — Você não precisa de nada. — ele me assegurou. — Além do mais, sei que é um feito você não ter menos de três estacas sobre si mesma; neste momento, e estas botas têm lâminas nas solas. — Ainda assim. — Não temos tempo de voltar. — ele me empurrou suavemente em uma corrida, abrindo seu celular com um puxão, para usar o GPS. — Não estamos longe. As coordenadas chegaram justo antes que eu fosse pegar você. — Não será nas cavernas com toda a pompa e cerimônia? — De maneira nenhuma. Depois das tentativas de assassinato frustrado em uma só semana, os Drake decidiram por uma Coroação secreta. — Isso é ótimo. — e eu ainda não podia acreditar que tinha sido convidada. — O Conselho estará lá? — Representantes de cada família antiga, sim. O Conselho Raktapa estava formado pelas três famílias de vampiros mais antigas e poderosas. Os Helios-Ra tinham um conselho similar. — Quem mais? Os Hounds? — Sim, Isabeau, a Princesa que você conheceu na semana passada. — Isso é genial. — estive a ponto de dar pulinhos de alegria. — Obrigada por ir me buscar.

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— Simplesmente não diga a Caleb que fui eu. — Como se eu fosse dizer algo sobre isso ao Vovô. — Bom plano. O conceito de ver tratados de paz entre famílias de vampiros, os Helios-Ra e os Hounds eram emocionantes para mim. Tão emocionante como as armas de fogo e surpresos golpes de artes marciais 12 eram para o Vovô. E nós tínhamos estado a ponto de perder por completo a oportunidade de uma aliança quando Hope, uma de “dois de cima” 13, havia enviado a sua unidade de delinquentes para atacar aos Drake. Ela havia estado a ponto de derrubar toda a sociedade junto com ela, colocando a futura esperança de diplomacia, em grave perigo. Eu realmente admirava Hart e tudo o que ela estava tentando fazer. Especialmente desde que Hope havia matado a seu irmão e sócio, o pai de Kieran, com a finalidade de governar com Hart. O Vovô, é claro, não estava exatamente cheio de admiração pelo tratado. Grande surpresa. Eu odiava desobedecê-lo, mesmo quando eu sabia que ele estava enganado. Portanto, ele não sabia de nada disto, não podia me impedir de ser parte dela e eu não teria que mentir e fazer isso de qualquer forma. — Não podemos ir mais rápido? — instiguei, quase arrancando o GPS da mão de Kieran. Isto era melhor que o baile de promoção. Ele me deu um empurrão, me afastando. — Calma. — Você pode acreditar que nós estamos fazendo isto? — eu neguei com a cabeça. — Pensei que você estava, geralmente, do lado do Vovô com estas coisas. — Sim, então eu conheci uma garota. Eu sorri. — Amo isso totalmente. — Sim, sim. Também me ajudou a compreender que os vampiros não mataram meu pai.
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Surprise nest-takedowns. Referência a um posto de comando.

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Saímos em torno de uma pequena floresta e nos encontramos cara a cara com um vampiro, armado com presas afiadas. O instinto me fez ir à procura de minha estaca. Era um lutador enorme e pálido como osso. — Nós recebemos o convite. — disse Kieran, parando diante de mim. Ele pisou fortemente em meu pé enquanto estava nele. Caí para trás, mas só um pouco. Pode ser que eu estivesse encantada de estar aqui, mas eu ainda estava em formação. Não sorria graciosamente para os vampiros no meio da noite, nem no meio da floresta. Eu não sou a Chapeuzinho Vermelho. — Senha? Kieran deu uma olhada na tela de seu celular, leu uma palavra em um idioma que eu nunca havia ouvido antes. Soava antigo. O guarda assentiu com a cabeça. — Siga em frente. Vire à direita nos cedros e vá diretamente através da floresta de pinheiros. — Obrigado. Parecia estranho dar as costas a um vampiro. Devo ter mais do Vovô em mim do que eu pensava. Os pinheiros vermelhos se elevavam acima de nós, o solo era um tapete de pinhas caídas e não muito mais. No centro, Helena Drake e seu marido, Liam, esperavam, junto com a maioria de seus filhos, Isabeau, Lucy e um calvo guarda costas; humano. Hart estava à esquerda de Liam, com mais três caçadores. As famílias Raktapa estavam lá, cada uma com um guarda que sustentava uma bandeira pintada com os brasões da família. A bandeira dos Drake era um dragão entrelaçado com heras e palavras em latim que eu não conseguia ler. Havia outros vampiros também, quase uma dezena deles. Eu não vi Quinn. Não é que eu estivesse procurando. E não é como se seu gêmeo, Connor, não estivesse de pé junto a Solange, parecendo exatamente como ele. Exceto que o cabelo de Connor era mais curto.

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Ainda assim. Segui Kieran ao lado de Hart. Ele se manteve enviando olhares de soslaio para Solange. Ela sorriu; pálida como uma pedra. Suas presas eram afiadas, porém delicadas. Os tratados estavam todos bem e bons em teoria, mas era totalmente outra coisa quando um vampiro brilhava suas presas para alguém que você considera como seu irmão. Eu me perguntava se deveria me preocupar por ele. — Hunter. — sorriu Hart para mim. — Alegra-me que vocês puderam vir. — Obrigada senhor. — tratei de não me agitar e jogar fora a postura oficial de cadete. Ele era a cabeça de toda a sociedade, sabia meu nome e havia perguntado por mim em particular. — Ponte cômoda. — disse. — Você está aqui para presenciar a história, não para batalha. — acrescentou. — Sim senhor. — Estamos quase prontos. — chamou Liam, pontualmente. Quinn passou para a floresta, uma menina vampiro pendurada em seu braço. Os dois estavam sorrindo e era totalmente evidente o que haviam estado fazendo. Ele era tão lindo como eu lembrava, seu longo cabelo caindo quase até seus ombros, seus olhos tão azuis que não pareciam reais. A menina riu. Neguei-me a olhar. Em parte. Não era culpa minha se ainda podia ver fora da minha visão periférica. Era o dever de um caçador, ser consciente de seu redor. Mesmo se os redores incluíam um vampiro lindo, com um encantador sorriso, que gostava de flertar com tudo o que tinha seios. Exceto eu, ao que parece. Eu não acabava de pensar isso.

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Felizmente, a cerimônia começou antes que eu envergonhasse a mim mesma, completamente. Também estava amplamente agradecida porque os vampiros não podiam ler a mente. Quinn estava sorrindo para mim apenas porque ele sorria para todo mundo. Helena se adiantou, ladeada em um semicírculo por Liam e Hart de um lado, os representantes do Conselho e Isabeau de outro. O restante de nós um passo atrás, formávamos um grupo informal de espectadores que se olhavam com cautela. Todos nós tínhamos perdido membros da família, em algum momento de nossa história. Não se esquece disso automaticamente. — As armas para baixo. — disse Helena gravemente. A reação foi igualmente grave. Ninguém queria ser o primeiro a renunciar de qualquer arma, não nesta multidão. Olhares piscaram de um lado a outro, bocas apertadas, as mãos fechadas em punhos. Ninguém se moveu. Até que Solange levantou o queixo e puxou três bastões de sua cintura, segurando-os para cima, para que todos pudessem ver. Depois os deixou cair na grama. Silêncio. Do tipo que só se pode obter quando você está rodeada de vampiros. Fiz com que meus ombros retesassem. Helena foi a próxima a se desarmar. Ela tinha um pequeno arsenal no chão no momento em que terminou. Todos os demais seguiram seu exemplo, até que estivemos em um círculo de estacas, espadas, adagas, bastões e armas UV dos Helios-Ra, descartadas. A Coroação foi simples e rápida, havia muitos Hel-Blar na área e muita lealdade não provada. Eu imaginava que a versão mais tradicional era; mais longa e cheia de grandes discursos e vestimentas. Esta era tão impressionante de sua própria maneira. Pelo menos, isso eu pensei. Os pinheiros eram solenes, silenciosas testemunhas; e o vento estava quente e cheirava a terra molhada, balançando os galhos de um lado permitindo vislumbrar as estrelas. Um lobo uivou à distância. Vagalumes brilharam ao nosso redor. A voz de Liam era quente como o uísque, assim como justa e forte. — Reconhecem a Helena Drake como a Rainha das Tribos de Vampiros por direito de conquista?

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Um a um, os representantes se ajoelharam, dizendo: — Sim. — os membros do Conselho usavam vestidos e trajes elaborados. Isabeau não se ajoelhou, mas ela inclinou a cabeça respeitosamente. Os Hounds tinham oferecido lealdade a ninguém mais do que sua Shamanka. Spencer daria seu braço esquerdo para conhecer essa Shamanka, mas ela não estava aqui. Ao que parece, ela nunca saía de sua caverna. Hart também assentiu com a cabeça. Tentei não parecer tão assombrada quanto eu me sentia. Helena deu um passo à frente. Usava o cabelo preso em uma longa trança negra nas costas e usava um vestido preto sem mangas com um cinto largo do qual, normamente, pendiam adagas e estacas. Suas botas me fizeram babar. Eu estava certa de que poderia ter escondido pelo menos quatro tipos diferentes de punhais nelas. Eu tinha que conseguir um par. — Eu me comprometo a estar entre as Tribos e o perigo, para promover a autonomia e o respeito entre as famílias, os Conselhos e a sociedade. Eu me comprometo a ser sua Rainha, até que minha filha possa escolher me suceder. — Oh, mamãe, você também não. — ouvi claramente Solange murmurar. Kieran esticou sua mão. Ela se inclinou para ele. Alguns dos vampiros olharam-nos firmemente. Alguém assobiou e foi acotovelado em silêncio. Helena caiu sobre um joelho depois que todo mundo havia se levantado novamente. — Eu sirvo as Tribos. Liam desembrulhou um pacote de veludo, pegando um fino círculo de prata. Foi criada com três rubis grandes e pequenas perolas. Liam coroou orgulhosamente sua esposa. Isabeau inclinou a cabeça ligeiramente, franzindo o cenho, pensativamente para a coroa. Houve uma onda de aplausos e pingentes de prata foram entregues para o grupo reunido. Pareciam uma espécie de medalhas de santos católicos, só que estavam impressos com o brasão dos Drake de um lado e o símbolo Real do outro, um rubi incrustado com uma coroa e a espada. Coloquei a minha em meu bolso. Eu mal podia esperar para voltar à residência onde, adequadamente poderia admirá-la. Pela forma em que outra vampira, uma garota diferente desta vez, admirava Quinn, não havia dúvida de que ele era um conquistador e não havia dúvida de que

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nenhuma de suas namoradas se importava. Virei-me, esperando que Kieran e Solange terminassem seu discreto agarramento. O Conselho já estava indo para difundir a palavra da Coroação. Estremeci ligeiramente quando a noite esfriou. — Hey, Buffy. Parei gelada. Quinn. Virei-me lentamente sobre meus calcanhares. — Meu nome é Hunter. — Eu sei. — sorriu. Usava seu medalhão ao redor do pescoço em uma corrente de prata. — Mas você tem a coisa de Buffy. Mesmo eu achando que você é mais linda. Eu não ia sorrir bobamente. Não era esse tipo de garota. E os caçadores não sorriam bobamente com os vampiros. Tratava-se de uma regra não escrita. — Você está com frio. — murmurou, enquanto a pele em meus braços se arrepiava. Eu não estava muito feliz de ter frio e não tinha tempo de me perguntar se sua presença me deixava trêmula e ridícula. Ele se aproximou de mim bloqueando o vento. Mais ou menos bloqueando tudo. — Melhor? — ele perguntou casualmente, na forma em que Spencer costumava me falar. Entretanto, ele estava mais perto. — Oh! Deus meu, Quinn. — Lucy interrompeu, nos fazendo pular. — Você poderia parar de flertar durante três segundos e irmos embora?

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Capítulo
HUNTER
Manhã de Quarta feira.
— Chloe estava muito alegre.

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— Eu não estou. — insistiu, enquanto tomava um gole de sua cerveja sem álcool com espuma o mais ruidoso possível, apenas para me irritar. — Você só esta de mal humor. Era possível que ela estivesse certa. Eu nem sequer havia percebido que havia falado em voz alta. Eu não tinha voltado para a escola até às 04h00 da manhã e agora eram só 08h30 horas. Nós nem mesmo tínhamos que nos levantar assim tão cedo quando tínhamos aulas, porque começavam entre 13h00 e 16h00 e depois das 20h00 até a 00h00min. No nosso trabalho, nós tínhamos que nos acostumar às horas noturnas. E normalmente Chloe era a última e sair da cama, sempre resmungando. Eu não sabia como e nem porque ela tinha se tornado uma pessoa madrugadora no verão, mas suspeitava que fosse apenas para me irritar. Coloquei meu travesseiro sobre a cabeça. — Muito cedo. — Só estou tomando minhas vitaminas. — ela disse. — Você não toma vitaminas.

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— Agora eu tomo. Mamãe me deu depois que viu meu boletim. E alguns asquerosos shakes de proteínas, que eu convenientemente me esqueci de levar. — bebeu mais de sua cerveja sem álcool. Ruidosamente. — Não me faça te estacar. — destampei apenas um dos meus olhos para olhá-la ameaçadoramente. Ela sorriu. — Bom dia para você também, sol. Quer uma vitamina? — Quem é você, malvada impostora e o que fez com a Chloe? — estava muito cansada para sequer bocejar. Parecia que meus olhos estavam grudados com cola. Encolhi-me em minhas quentes cobertas. Chloe finalmente terminou sua cerveja sem álcool e voltou ao seu computador. A batidinha do teclado me embalou até cair adormecida. Por cinco minutos. Quando soou o telefone. Joguei-lhe uma estaca. O aparelho caiu no chão e Chloe deu um pulo, jogando ao mesmo tempo sua cadeira. Virou para me olhar, apontando com o seu dedo acusadoramente. — Diabos. Você me assustou. Eu não estava muito cansada para sorrir. — Lamento. — Sim, você o fará Wild. — colocou o receptor de volta em sua base. A academia era muito comum para poder comprar telefones variados, diferente de qualquer outra moderna instituição no planeta. Meu celular começou a tocar, vibrando em meu criado mudo. Eu o peguei, fazendo careta ao ver a tela. Imediatamente me sentei na cama. Resmungando. — Quem é? — Chloe perguntou.

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— Bellwood. Chloe entrecerrou os olhos. — Da noite passada? York já te pediu para ser uma boa pessoa. Molhei os lábios enquanto respondia ao celular: — Alô? — até aos meus próprios ouvidos minha voz soava nervosa. — Senhorita Wild? — Sim. — Aqui fala a diretora Bellwood. Venha ao meu escritório, por favor. — Eu..., sobre o que isto se trata? — Não brinque comigo senhorita Wild, eu não tenho tempo. Ontem a noite escapou da escola depois do treino. — Uhh... — fiquei olhando para Chloe com cara de desespero, enquanto a diretora continuava me repreendendo com sua voz séria e seca. — A espero em cinco minutos. — Sim senhora. Baixei o telefone e fechei meus olhos. Meu Avô ia me matar. — O que aconteceu? — Chloe perguntou. — Querem me ver. — Isso nunca é bom.

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— Diz isso a mim. — sai a pontapés das cobertas, agarrei minha calça e minha camisa com o emblema da Academia Helios-Ra estampado na frente. — Não podem te castigar tão duramente por ajudar uma novata? E antes que a escola comece? — Não. É porque eu escapei do campus ontem à noite. — Por você escapar. O que? Hunter Wild, você foi se divertir sem mim? — ela soava tanto impressionada quanto machucada. — Claro que não. — rapidamente prendi meu cabelo. — Eu te direi tudo depois. Tenho que ir. — Você escapou. — balançou a cabeça enquanto eu saia do quarto. — E eu sou a impostora? Corri para o prédio principal onde as aulas eram ministradas. O escritório da diretora Bellwood estava no piso térreo com vista para o jardim de rosas em que, raramente, paramos para desfrutar. A escola estava vazia e isenta de ruídos de sapatos ou de portas sendo fechadas. Quase tão chocante estava a diretora, quem parecia pertencer a uma novela gótica Vitoriana, assustando crianças em um orfanato. Seu cabelo estava preso apertadamente, sem uma só mecha que estivesse solta. Vestia o mesmo traje preto que sempre usava e os mesmos brincos de perolas. Se estivesse usando os óculos, estaria me olhando por cima do quadro. Pelo menos eu estava usando o uniforme da escola, mas eu não tinha tido tempo de escovar os dentes ou lavar o rosto. — Senhorita Wild, sente-se. — disse-me quando viu que eu fiquei parada na entrada. Engoli e atravessei o escritório, que estava escrupulosamente limpo, como eu esperava. Não havia enfeites em sua mesa de madeira, nem fotografias, apesar de que ela ter duas filhas.

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Mas York sim; estava em seu escritório. Estava parado no canto do escritório, entre a janela e um arquivo, sem dúvida se escondendo, para me pegar de surpresa. Parei no meio do cômodo, prestando atenção em tudo. Principalmente para não cair na tentação de jogar algo em sua cabeça. — A diretora pediu que você se sentasse. — ele disse. Eu me sentei. Ela colocou sua caneta na mesa e me olhou, abandonando a papelada que estava fazendo. — Eu tenho que dizer senhorita Wild, que durante o verão instalamos novas câmeras de vigilância por todo o campus. Haviam me pegado. E valeu a pena. Eu havia ido a uma Coroação de vampiros. Claro que valia a pena uma bronca e alguma detenção. Modifiquei minha expressão para que parecesse que tinha cara de chateada. Se York pensasse por um só segundo que eu não tinha sofrido o suficiente, tentaria que me castigassem mais duramente. — A encontraram em um vídeo, escapando da escola no meio da noite. Dificilmente tenho que mencionar que este comportamento é inapropriado. O que você tem a dizer a seu favor? — Uh... — Hart quem, tecnicamente, é seu chefe, me convidou para ir a floresta para ver Helena Drake ser coroada? A diretora jamais acreditaria em mim. E eu não estava totalmente segura se era uma atribuição ilegal. Não me ocorreu perguntar e ninguém me disse nada. Teria que chamar Kieran. — Eu... — Não vai me dizer que esteve correndo na pista ou praticando os exercícios. Certo? — interrompeu-me secamente. — Porque eu posso te assegurar que não há nenhuma desculpa que você me dê que eu já não tenha ouvido anteriormente ou que possa salvá-la do castigo.

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Porra, sim, eu tinha uma desculpa. — Sim senhora. — Senhorita Wild, estou muito decepcionada com você. Tem sido uma aluna estrela nestes últimos três anos. Eu odiaria que isso mudasse. — acrescentou sem rodeio. Se o tom de voz fosse uma arma, seria uma estocada de esgrima que arrancaria sangue com uma simples pontada. A de York teria sido uma garra. — Sim senhora. — tentei não me retorcer ou me mexer. Recostou-se em sua cadeira. — Dois meses de detenção, um mês de trabalho na cozinha e três deméritos. Merda. — Três? — eu a olhei; boquiaberta. Só nos permitia ter cinco deméritos, no sexto nos expulsavam. Eu nunca tinha tido nenhum. York parecia muito, satisfeito. — E teremos que chamar o seu avô, lógico. — ele acrescentou. Dupla merda. — Mas... — eu não tinha ideia de como ia me safar dessa. Não estava preparada. Outra regra quebrada. Eu sempre estava preparada. Não era justo. — Você pode ir. Levantei-me e me dirigi para a porta, evitando virar para olhar York. Isso só faria com que eu me irritasse mais ao vê-lo tão satisfeito. Ele na verdade me odiava. Não se supõe que os professores devam gostar de todo mundo? Ou pelo menos aparentar.

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— Oh, senhorita Wild. — a diretora me parou na porta, um passo antes de minha liberdade. — Sim, senhora? — Eu não quero voltar a vê-la aqui. — Não senhora. Disquei para o celular de Kieran no minuto em que estive fora. O último calor de agosto refletia ao meu redor. Quando cheguei ao celeiro, o qual eles haviam transformado em ginásio, já estava suando. Entrou o correio de voz. Eu xinguei por um longo momento e acrescentei: — O de ontem a noite era uma operação de campo? Porque eu quero que tirem esses deméritos. E não você não serve como agente operacional de campo. Você não sabia que tinha câmeras novas? — depois eu amaldiçoei um pouco mais. Entrei no vestiário pisando duro, tirando minha roupa de ginástica com forma suficiente para esticar o tecido. Na porta do armário, dei um forte e satisfatório tranco quando o chutei para fechar. Ia tirar todo o recheio do meu saco de areia favorito. Duas vezes. Só que Chloe o estava usando. — Okay, agora você esta me assustando. — disse, parando ao ver seu chute com um giro. Estava um pouco mal, faltava-lhe força. Seus cachos estavam úmidos e presos em um coque. Seus shorts e seus tênis eram novos. — Se você esta no radar de York, então eu também estou. — ela grunhiu. — E se eu reprovar na aula dele este ano, minha mãe vai me matar. Uma e outra vez. Fui até o saco de boxe que estava ao lado do seu. Fiz alongamento por alguns minutos e coloquei a faixa em minhas mãos.

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— Portanto, você vai cumprir detenção? — perguntou-me, enquanto tentava jogar um gancho. O saco voltou para trás e quase a joga para o outro lado da sala. — Tenho dois meses de detenção, limpeza de cozinha e deméritos. Ela parou. — Te deram deméritos? — o saco balançou novamente, desta vez golpeando-a no quadril e no ombro. Ela cambaleou. — Nunca tinham te dado um demérito. — Eu sei. — disse sombriamente. — Se você parar e mudar um pouco o eixo do seu quadril quando fizer esse golpe, sairá com mais força. E use suas primeiras duas juntas para proteger seu queixo. Com a ponta de meu tênis liguei o antigo aparelho de som que se encontrava no canto do ginásio e aumentei o volume até que as janelas vibrassem um pouco. Ficamos lá, lado a lado, socando e chutando os sacos de areia por uma meia hora, sem sequer falar. Quando eu finalmente parei, ardiamme os pulmões e sentia meu rosto vermelho e suado. Chloe estava curvada, ofegando e se alongando. Passei-lhe uma garrafa de água. — Obrigada. — disse com voz rouca. — Você esta se superando. — respondi com a voz igual a dela. — Nunca tinha te visto treinar assim tão pesado. — limpou o rosto com uma toalha e encolheu os ombros. — Suponho que já era hora. Não posso reprovar este ano, Hunter. — Você não vai reprovar. — eu lhe assegurei. Nunca a tinha visto tão preocupada. Ela ia tão bem em todas as matérias de computação e já estava designada para o departamento de tecnologia. Suas habilidades de combate não a deteriam de nada do anterior. Suspirou. — Você sabe que eu não sou boa nestas coisas.

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Terminei de beber minha água e joguei a garrafa no lixo. — Pois eu sou, portanto não se preocupe. Escuta, podemos treinar juntas. Tudo ficará bem. — Verdade? — perguntou-me esperançosa. — Claro. Sorriu para mim e parecia menos assustada. De repente ela soluçou e fez uma careta. — Que bom, porque esse gosto de pó de proteína é uma merda. Mamãe me mandou outro tubo. — franziu o cenho. — E se me fizer engordar, eu vou apagar o seu disco rígido.

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Capítulo
Quinn
Quinta-feira à noite.

6

— Deus, Quinn, quantos malditos telefones de garotas você tem nesta coisa? — Connor balançou sua cabeça, passando pelos contatos do meu celular. Eu dei de ombros, sorrindo. — Eu não posso evitar se eu sou irresistível. — sentado na beira de sua cama, eu me inclinei contra a parede. A luz da lua se filtrava pela janela aberta. O vento tinha gosto de pinhas e fumaça. — Você conseguiria mais garotas se deixasse de verdade o seu computador. Ele nem olhou para cima. — Se eu não passasse tanto tempo naquele computador, você nunca conseguiria que o seu telefone funcionasse de novo. Ou o seu notebook. Eu continuo te dizendo para não abrir os anexos dos e-mails das pessoas que você não conhece. — Ela era realmente gostosa. — E agora o seu computador está pifado. Eu fiz uma careta. — E o meu telefone. É um vírus também? — Não, gênio. Ele só está completamente lotado de mensagens de garotas que te mandam carinhas sorridentes e beijos e abraços que está entupindo e o deixando com problemas. — Você pode desentupi-lo? Agora ele olhou para mim, com toda a pose de um técnico injuriado. — Claro que eu posso desentupi-lo. A pergunta é: você pode parar de pegar os telefones das garotas?

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— Diabos, não. E por que eu iria querer isso? Ele fez o que quer que fosse que fizesse, apertando os botões, murmurando xingamentos, pegando as entranhas de qualquer implementação tecnológica pessoalmente, até que ele se curvasse a sua vontade. E então sorriu presunçosamente, alcançando uma das garrafas de sangue no frigobar ao lado de sua cama. Ele abriu uma para ele mesmo e então jogou uma para mim, juntamente com o meu telefone. — Aqui. Funcionará, mas não será totalmente confiável até que você apague alguns destes contatos. Eu passei pelos nomes pesarosamente. — Você é cruel, cara. — Eu prefiro; Gênio do Mal. — ele se virou novamente para o seu computador. — Você deveria se divertir mais, gêmeo meu. — eu sugeri. — Ou você poderia se divertir menos e deixar um pouco para o resto de nós. — Não há tal coisa. — eu o deixei para as suas traquinagens e fui para o andar de baixo, tentando me lembrar de quem era Karin e por que ela havia me mandado um soneto sobre o meu cabelo. As lâmpadas estavam fracas, os cachorros roncando na antessala. A porta da frente se abriu e Logan e Isabeau entraram; o lobo de Isabeau trotando ao seu lado. Eu acenei para eles, mas não parei. Eu podia ouvir a batida do coração de alguém no canto ao fundo onde a biblioteca se juntava à sala de estar e à cozinha. Estava indo um pouco rápido demais para o meu gosto. Fui diretamente para a sala de estar, estreitando meus olhos para as costas de Solange. Seus braços estavam enroscados no pescoço de Kieran. As mãos dele estavam espertinhas demais. — Black, não me faça matar você. — eu disse para ele agradavelmente. Ele pulou e se afastou; suas orelhas ficando vermelhas. Solange suspirou. — Obrigada, Quinn. — ela disse. — Ótimo jeito de estragar o clima. — Eu tento. — eu disse; impertinente. — Algum dia, eu vou conseguir beijar você de verdade sem nenhum dos meus irmãos enxeridos se intrometendo. — ela sussurrou para Kieran.

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— Não conte com isso. — Logan disse enquanto ele e Isabeau me seguiam. O telefone de Kieran tocou dentro de seu casaco. Ele pareceu aliviado de atendê-lo. — Você beija meninas o tempo todo. — Solange apontou para mim. — Ultimamente a única garota que o Logan beijou foi a Isabeau. — Elogios não te levarão a lugar nenhum. — eu me fiz mais confortável. — Você não vai embora, não é? — Não. Solange cruzou os braços. — Lucy e Nicholas estão se pegando lá no solário. Vá incomodar a eles. — Mas eu gosto de incomodar você. — Quinn. — Solange, olhe para os seus olhos. — eu disse suavemente, muito suavemente para o Kieran me ouvir. Ela fez uma careta, então olhou para o espelho art noveau em uma das prateleiras. Uma mulher de bronze com um vestido simples segurava o reflexo das pupilas de Solange, rodeadas de vermelho. As pupilas escuras praticamente engolidas por suas íris normalmente azuis. Ela congelou, atirando-me um olhar horrorizado. Seus dedos tremeram ligeiramente quando esticou o braço para tocar a ponta de suas presas. Elas estavam completamente estendidas, complemente no modo “fome”. Ela inclinou a cabeça para baixo e deu um passo para as sombras. — Eu tenho que ir. — ela disse para Kieran abruptamente, e então saiu correndo escada acima antes que ele pudesse responder. Ele desligou seu telefone e fez uma careta pra mim. — Ela está bem? — Ela ficará bem. — ela só precisa de mais sangue e menos tentação humana. A fome não era facilmente explicada, ou facilmente controlada. Kieran teria que saber disso sendo um caçador de vampiro. Mas como namorado dela, eu não tinha certeza do quanto ele realmente entendia. Ele deu um passo, como se estivesse prestes a segui-la. — Só deixe-a estar sozinha. — eu o aconselhei calmamente enquanto Isabeau se movia escada acima, leve como fumaça.

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Ele não parecia convencido, mas assentiu uma vez. — Eu tenho que ir de qualquer forma. O dever chama. — É? Quem nós vamos estacar? — havia apenas um pouco de sarcasmo na minha voz. Ele era um caçador de vampiros, afinal de contas. E eu era um vampiro. — Hel-Blar. — ele respondeu, seguindo na direção da porta da frente. — Recebi uma chamada geral. Eles estão chegando perto demais esta noite. — É? — eu peguei o meu casaco, apesar de que eu raramente sentia frio. Eu tinha estacas e vários suprimentos no meu bolso interno. Havia uma adaga presa ao redor do meu tornozelo, embaixo do inferior esfarrapado do meu jeans. — Parece divertido. — eu disse, mostrando as minhas presas. — Vamos.

Nós estávamos na floresta quando o cheiro nos atingiu: cogumelos e bolor e apodrecimento antigo e molhado. Hel-Blar. — Eles estão vindo. — eu avisei Kieran. Ele sacou uma arma de UV do seu coldre escondido. Enchi minhas mãos de estacas, narinas alargadas enquanto eu tentava demarcar de que direção o fedor estava vindo. Era tão grosso e dava tanta ânsia de vômito que parecia estar por toda parte. Kieran colocou um par de plugues para o nariz. Eu sabia o que isso significava e não tinha nada a ver com o miasma de cogumelos apodrecendo e a água parada do lago. — Se você me acertar com esse Hypnos, eu realmente vou matar você. — eu disse obscuramente. Ele não teve tempo para responder. Nós estávamos cercados. Eu não sabia qual era a aparência deles para os olhos humanos de Kieran, mas para mim, mesmo no escuro, eles eram de um tom azul arroxeado e preto gangrenado e totalmente não natural. Seus dentes eram todos como presas, todos com uma saliva contagiosa, todos com uma fome selvagem e feral. Eles até se alimentavam de outros

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vampiros, o que nenhum outro vampiro fazia. Não era nutritivo como um humano puro ou sangue de animal. Era sobre a matança, não a alimentação. E era grosseiro. Eu estaquei o primeiro depois que ele se balançou de uma árvore e derrubou Kieran. Ele grunhiu, rangendo seu braço ferido. O Hel-Blar explodiu em uma nuvem de pó tingido de azul que fez nós dois ficar enjoados. Kieran ficou de pé. Eu já estava pulando na direção de outro Hel-Blar. Havia quatro mais que eu conseguia ver, ou escutar, escapando pelo mato. Houve um estalido da arma de Kieran e a cápsula da bala de UV injetada de água se afundou no peito do Hel-Blar e explodiu. Ele gritou, esfumaçando como se tivesse fogo saindo de dentro dele, e então ele se desintegrou. Eu desviei de uma estaca, e então um punho. Chutei a minha bota em um queixo, arremessei uma estaca com uma precisão certeira. Nós treinamos por anos para sermos capazes de fazer isso. Eu estava sorrindo quando saí de um giro relâmpago. Estava coberto por cinzas – eu até tive que tirá-las do meu cabelo. E o ar fedia; positivamente pútrido com a podridão. Mas pelo menos isso era simples. Eu sabia quem os caras maus eram e eu sabia como despachá-los. Não era sobre política ou tentativas de assassinato ou sequestros. Resumindo, era a melhor noite que eu tinha tido em um maldito mês. A luta foi curta e brutal. Um deles havia fugido, mas já que nem eu nem o Kieran fomos mordidos ou mortos, eu considerei a luta como um sucesso. Kieran embalou seu braço ferido cautelosamente. — O bastardo quase o quebrou de novo. — ele disse. — O bastardo está embaixo das suas botas agora. — eu disse para ele alegremente. Eu aprendi há muito tempo atrás como bloquear a enchente de arrependimentos que prosseguiam a imersão na adrenalina. De outra forma o turbilhão de pensamentos poderiam te empurrar para baixo. Você acabou de matar alguém? Ou era um monstro, apenas e simplesmente? Isso te tornava um monstro? Era assassinato se você estava se defendendo? Era guerra e nós éramos apenas soldados tentando sobreviver? Eu preferia a adrenalina.

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Kieran fez uma careta, olhando ao redor. Em seguida ele checou seu GPS no telefone. — Nós estamos próximos à escola. — É? — eu estava grato pela distração. — Eu não suponho que eles usem uniformes? Minissaias? Saias até o joelho? Kieran deu um meio sorriso. — É só sobre isso que você pensa? — Se eu tiver sorte. — eu respondi severamente quando nós começamos a andar. O vento que vinha das montanhas era frio e fresco, limpando o fedor dos Hel-Blar das minhas narinas. Eu respirei fundo. Não respirei exatamente. O meu corpo não precisava disso, mas era um hábito arraigado. E respirar nos ajudava a reconhecer e catalogar os cheiros. Eu ainda não tinha certeza de como todo o negócio de vampirismo funcionava. O tio Geoffrey chamava de biologia, Isabeau chamava de mágica. Eu só sabia que eu era mais rápido, mais forte, e virtualmente imortal. Não era ruim. Bem, mais ou menos. Bem na hora que eu comecei a sentir o cheiro quente da calidez dos corpos humanos reunidos nas proximidades, eu senti o cheiro de outra coisa. O primeiro era sedutor e na verdade fez o meu estômago grunhir, da maneira como os humanos podem se sentir ao cheirarem um sanduíche de queijo grelhado. O segundo fez a minha cabeça girar. Sangue. Tanto sangue, minhas presas se alongaram além da sua longitude normal. Minhas gengivas doíam. Minha garganta doía. Minhas veias doíam. A fome deslizou por mim, me enfraquecendo como veneno. E havia somente um antídoto. Sangue. Kieran fez uma careta. — Você sente o cheiro disso? Eu assenti e tentei não babar em mim mesmo. Eu tive que limpar minha garganta antes que pudesse falar apropriadamente. — Animal. — eu disse. — E... Outra coisa. — O que, como caçadores? Eu verifiquei o aroma, lambendo meus lábios apenas um pouco. Então nós os vimos.

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— Não exatamente. — eu disse; a fome se esvaindo. A sede de sangue ainda fazia as minhas narinas se torcerem, mas eu não estava pensando em um jantar líquido mais. Animais estavam pendurados das árvores e estava em uma poça de sangue coagulado na beirada da mata, o cheiro deles vazando no campo. Havia três coelhos, um texugo, duas raposas, e um pequeno monte de ratos. — Que diabos? — Kieran perguntou, enojado e confuso. — Quem fez isso? E por quê? Eles não foram drenados. — Não foi um vampiro então. — eu disse através da minha mandíbula apertada. — Nós não desperdiçamos sangue. — porque nunca se sabe quando a sua próxima refeição seria. — Me dê estes plugues de nariz. Ele me entregou um par. Eu os coloquei e esperei para que a névoa vermelha parasse de lamber cada sentido meu. — Quem quer que seja que fez isso adicionou sangue humano à mistura. — as luzes da escola estavam douradas, cintilando como mel. — O que significa que haverá mais Hel-Blar por aqui antes que você perceba. Kieran ficou pálido, mais pálido do que qualquer vampiro. — Eu tenho que checar a Hunter. — ele disse, começando a correr. Eu não queria admitir o quão gelado eu fiquei, ou o quão rápido eu o segui, até que as árvores fossem um borrão verde ao meu redor e o deixei para trás ao mesmo tempo.

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Capítulo
Hunter

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Jenna me encontrou depois do jantar. Eu estava atravessando o gramado, querendo saber onde Chloe estava. Ela não tinha estado no jantar e já tinha saído quando acordei. Por sua vez, ela tinha ido dormir muito mais tarde que eu, digitando em seu computador. Ela estava determinada a quebrar a rede de códigos da escola que controlam os horários, arquivos particulares e câmeras de vigilância. Isto poderia ser útil na verdade. Mas ela queria ser uma especialista em artes marciais também, uma rainha franco atiradora e uma kickboxing. — Wild! Hey, Wild! Eu me virei para ver Jenna correr em minha direção, cortando a grama do caminho. Seu cabelo vermelho brilhante como sempre, como se ela estivesse prestes a pegar fogo. Nós somos amigas desde a primavera do décimo grau. — Hey. — eu disse. — Teve um bom verão? — Sim, muito bom. — ela sorriu para mim. — Ouvi dizer que foi presa. — York... — ele gostava dela, portanto ela não tinha os mesmos problemas que eu tinha. — E que você escapou. — continuou ela. — Estou muito orgulhosa. — Por que todo mundo fica dizendo isso? — eu disse em voz alta. — Porque você é injustamente linda, loira, inteligente, atlética, e uma estudante 10. — ela fez uma careta. — Espere. Mais uma vez, por que eu sou amiga?

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— Dá um tempo. — eu disse, depois sorri. — E, a propósito, todos os meus deméritos foram eliminados. — eu não podia deixar de me regozijar só um pouco, mesmo que eu não conseguisse conceber que o mesmíssimo Hart tivesse chamado a diretora para que me absolvesse. — York ficou mudo por três minutos completos e depois parecia como se tivesse mordido um ovo podre. — Cara, eu desejava ter visto isso. — York podia tratá-la bem, mas ainda era uma amiga leal e não gostava do jeito que ele implicava comigo o tempo todo. — Foi fabuloso. — admiti. — Eu deveria ter tirado uma foto. — eu tinha uma câmera em miniatura localizada no acabamento de minha saia escolar. Todos os veteranos tinham. Na verdade, até o nono grau tinha, mas era esperado que eles obtivessem a sua por conta própria, através de simples roubo. Eu acho que não era tecnicamente um roubo, já que os professores sabiam que nós as escondíamos lá. Em nosso último ano, nos entregaram as mais recentes câmeras da melhor qualidade em nosso pacote de orientação. — Falando de sua beleza e atletismo. — disse Jenna. Eu parei e levantei minhas sobrancelhas. — Mas já? — Vamos lá. — me cutucou; as sardas no nariz e bochechas, contra o brilho sedento de sangue incongruente em seus olhos. — Você não pode me dizer que não sentiu falta. Dei de ombros. — Talvez um pouco. Mas por que sou sempre a isca? — Por todas essas qualidades incrivelmente boas que você tem e que eu acabei de enumerar. — Uh uh! — É verdade. — ela disse. — Por favor, você poderia ser a isca? — ela era uma lutadora tão boa como eu. — E negar-lhe a possibilidade de vestir algo agradável? Eu não podia negar que era um incentivo. Meu Avô encorajou-me a usar roupas civis apenas por razões práticas, eu não era tão óbvia, mas não aprovava o uso de vestidos bonitos e sandálias de tiras. E eu era melhor no combate corpo a corpo. A especialidade era o objetivo de Jenna, apenas se preocupar com a mira e a arma. Nós não utilizávamos balas comuns, é

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claro, uma vez que pouco faz contra um vampiro. Usamos frascos em forma de balas, com água benta infundida, e basicamente balas de UV. — Quando? — perguntei, curvando-me como ela sabia que seria. — Noite de sábado, encontre-me na van às onze. — Espere. — eu a parei antes que pudesse correr para longe. Era quase desumano o quanto ela gostava de correr. — Você notificou? York esta morrendo por uma desculpa para me pegar novamente. — Sim, eu tenho a assinatura de Dailey. Ela acenou e pegou o ritmo, voltando para a pista. Continuei pelos jardins em direção aos quartos. Hart pode ter me salvado da prisão e deméritos, mas havia uma coisa que ninguém poderia me salvar. As tarefas de terra de monitoramento. E ser a assistente de Courtney. Eu preferiria demérito. Eu não poderia adiar por mais tempo. Bem, apenas um pouco mais, mas só porque eu queria ir para o meu quarto e pegar um elástico. Estava tão quente e úmido, que meu cabelo estava todo emaranhado no meu pescoço. Quando abri a porta, uma bola de borracha cheia de rosa brilhante foi jogada às pressas para a minha cabeça. Abaixei, e ela passou reto perto do meu nariz, mas não por muito. — Que diabos, Chloe? — eu disse apenas. — Caia fora! Ela levantou os olhos de seu computador, fez uma pausa. — Oops. Não sabia que era você. — Quem mais seria? — chutei a bola para dentro. Ela rolou em sua direção, batendo contra seu pé. Agarrei um elástico da minha mesa e amarrei meu cabelo para trás. — Seu pequeno grupo do nono grau tem vindo a manhã toda. — disse seriamente. Estremeci. — Realmente? — Sim. — cravou-me os olhos. — É irritante. Eu não gostava das pessoas do nono grau quando eu era um deles. São desnecessários, ou sexistas ou ambos. — Vou corrigi-los. — prometi, levantando a mão para cortar um longo discurso. Ela tinha aquele olhar em seu rosto. Ela tinha tomado o caráter de seu pai, que era um

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daqueles Chefs temperamentais que xingava o macarrão e frango quando uma refeição não saía como planejado. Seus assistentes demitiam-se diariamente. Eu já tinha visto velhos caçadores de vampiros com menos cicatrizes de batalha. — Estacarei o próximo rosto de treze anos que bater naquela porta. — disse. — Eu vou agora. — eu disse. — Tem alguma outra vitamina? — Uh uh. — murmurou, voltando sua atenção para seu teclado. Corri para fora antes de ela se lembrar de que eu estava lá. Spencer estava fora da pequena cozinha, uma xícara de café na mão. Usava uma pedra turquesa em um pingente de trançado. — Ela te jogou coisas? — perguntou, apontando para minha porta. — A bola de borracha. Não é? — A boneca Xena. — Isso nunca é um bom sinal. — Eu sei. Ela adora aquela coisa. — franzi o cenho. — É todo o stress. Nunca a vi assim. — Ela se acalmará. York a está assustando com esse exercício. Ela teme que ele a reprove de ano. — Como se ela fosse incapaz de invadir seu computador e mudar suas notas, se ela quisesse. — Sim, mas sua mãe está no caso também. — Essa mulher é assustadoramente eficiente. Eu gosto do seu Avô, mesmo que ele tenha a habilidade de quebrar meu pescoço sem suar uma gota. — Sim, é o melhor. — eu disse com orgulho. Spencer bufou sem comentários, então, jogou o braço em volta do meu ombro me parando de forma tão abrupta que eu tropecei. — Ooof. O que é isso? — Sinto muito. — disse timidamente. — Por que você está olhando para meus seios, seu pervertido?

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— É esse o medalhão que ouvi falar? O da Coroação? Olhei para baixo. A inclinação da corrente de prata longa tinha caído pela minha camisa. Spencer certamente parecia ganancioso. — Eu posso ver? Por alguma razão não queria tirá-lo. Coloquei em sua mão, mas mantive-o no meu pescoço. — Não é mágico, Spencer, apenas um símbolo. — Isso é metade do que a magia é. — disse. — Simbolismo. — ele passou o dedo sobre o brasão. — Gostaria de fazer alguns testes sobre isso. Peguei o medalhão de volta com minha mão. — Esqueça isso. Retornará com cheiro de queijo derretido. — eu disse. — Uma vez. — murmurou. — Uma vez eu fiz a leitura errada de um feitiço e nunca vou me esquecer. — Cheirou a queijo por um mês. Acredite em mim, eu me lembro. Ainda não posso comer sanduíches de queijo grelhado. Satisfeita em tê-lo distraído de tentar roubar meu colar, olhei para a escada longa e endireitei meus ombros. — Aí vem nada. — Você vai ficar bem. — ele bufou. — E quase não importa o que você faz; você vai fazer melhor do que Courtney. Isto era reconfortante, pelo menos. Ainda assim, parecia haver menos escadas do que o habitual. Eu subi dolorosamente rápido. Cheirava a pipoca. A sala comunitária parecia a mesma, mas havia plantas nas janelas. O que era novidade. Familiar. — Courtney colocou isso lá. — disse Lia, quando ela me viu observá-las. Ela parecia mais feliz hoje, um pouco mais longe de ter um ataque de pânico. Embora ainda parecesse muito jovem. — Olá. — Olá. — eu disse. — Você está bem? Ela olhou envergonhada. — Sim. Sobre isso, desculpe. Ontem eu perdi o controle. — Nós todos o fazemos. — eu disse. — Aposto que nunca aconteceu com você.

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Ela estava certa. Mas isso foi só porque eu tinha cinco anos quando meu avô começou a minha formação. Quando eu pensava que havia monstros debaixo da minha cama, ele me ensinou como fazer uma varredura para eliminá-los. — Então, você já está instalada? — perguntei, mudando de assunto. — Muito bem. — Você sabe que não deve usar o último chuveiro na parte de trás? Seus olhos se arregalaram. — Por que não? É o mais limpo. — Deixe-me colocar desta forma: magia precária somada com um fantasma chato faz o chuveiro ficar com a água gelada. Ou às vezes sangue, em vez de água. — Ok. Isso é nojento. — Sim, é por isso que ninguém usa. Mas eles nunca colocam isso no manual de orientação. Ela estremeceu. — Não deixe isso chatear você. — eu sorri. — A esta altura no próximo mês você vai conhecer cada centímetro do lugar. — fui para o quadro de avisos, sorrindo para as duas meninas esparramadas no sofá assistindo televisão. — Além disso, não coma o bolo de carne. — Tenho treze anos, eu não sou uma idiota. Eu ri. — Muito bem, então. — escrevi uma nota sobre um pedaço de papel e coloquei no quadro de avisos. — Você poderia fazer o favor de espalhar isto para mim? Pedindo para as meninas para não perturbar minha companheira de quarto, ou então ela irá enviar um vírus para seus computadores. Lia ficou pálida. — Será que ela pode fazer isso? — Sim. — Grande. — Embora seja bem provável que ela te retire alguma coisa. De qualquer forma, vou vir aqui uma vez por semana... Digo... Toda quinta-feira depois do jantar, se alguém precisar falar comigo.

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Não que eu esperasse que precisassem, já que elas tinham Courtney, quem deveria estar fazendo isso, e o que eu sabia destas coisas? — Você é a nova monitora? — perguntou uma das meninas. Eu balancei a cabeça. — Creio que sim. — Ela é minha assistente. — Courtney riu da entrada do seu quarto, que foi decorado do chão ao teto em roxo. Seu cabelo chegava até os ombros em perfeita cor avelã e em ondas, olhos pintados com sombra habilmente delineados de prata. Seu vestido era muito bonito, com laço de seda. Ela cobiçava o local. O que simplesmente me deixava mal-humorada. — Courtney. — eu disse, sem rodeios, contando até dez. — Você não é quem controla este andar. — ela disse defensivamente. Você é minha serviçal. Seu trabalho é fazer o que eu disser para você fazer. — Uma assistente não seria necessária, se você fizesse o seu trabalho direito, para começar. — eu respondi. Nem de brincadeira, eu iria deixá-la me tornar sua serviçal. Ela estreitou os olhos. — Perdoe-me, mas não é minha culpa que uma delas fosse tãoooo lenta. Tive que levar os exames de admissão como todo o resto. Deveria ter sido bom. — Ela tem treze. — eu disse suavemente, porque eu sabia que todos à nossa volta estavam assistindo. Courtney piscou. — Realmente — ela franziu a testa e jogou o cabelo por cima do ombro. — De qualquer forma. — acrescentou; as bochechas coradas. — York diz que eu estou no comando. — Eu sei. — sussurrei. — E se você não fizer o seu trabalho, devo dizer a ele. — Ok. — eu disse entre os dentes. — Eu anotarei em minha agenda assim que eu puder. — Minha família é tão boa quanto a sua. — falou de uma só vez. Foi a minha vez de piscar. — Bem. Não sei o que sobre isso.

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— Estou falando sério. — Tenho certeza que você está. Eu estava tão feliz que já não fossemos companheiras de quarto. Eu prefiro ter em qualquer dia, a Chloe jogando coisas em minha cabeça. Eu ouvi uma porta sendo aberta. — Você, do quarto 403! — cutuquei. — Sempre verifique se as dobradiças são silenciosas antes de tentar espionar alguém. Isso te delata imediatamente. — houve um suspiro e alguém fechou a porta, seguido por risadas abafadas. Revirei os olhos. — Então, isso é tudo. — murmurei. — Olha; eu não preciso de sua ajuda. — Courtney insistiu calorosamente. — Você precisa de algum tipo de ajuda. — eu disse, virei no meu calcanhar e desci as escadas de volta. Eu estava no patamar quando meu celular vibrou no bolso e uma mensagem apareceu: Ataque dos Hel-Blar. Todos os alunos do 12º ano Reúnam-se para reunião junto à fronteira. Fiz o resto do caminho em passos mortos. Spencer estava no meu quarto quando eu cheguei lá. Chloe estava colocando umas estacas através das voltas de seu cinto. Parecia animada. Ela nunca parecia animada com os exercícios e corridas. — Você recebeu a mensagem? — Spencer me deu uma olhada. Eu balancei a cabeça, Peguei a minha jaqueta e segurei as canetas de gás lacrimogêneo que foram alteradas para conter pó Hypnos, em meus punhos. — Hel-Blar está na periferia da cidade novamente? — perguntei. — Isto dá duas vezes em uma semana. — É um número suficiente deles neste momento para chamar todos. — disse Spencer seriamente quando nós corremos pelo corredor. A porta da frente já estava aberta. Um grupo do nono grau estava em pé na escada observando os quartos com as camas vazias do décimo segundo grau, com alunos armados até os dentes.

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Courtney chegou empurrando-os, as estacas enfiadas em seu cinto de couro estilizado. — Hunter. — sorriu. — Alguém tem que ficar para trás para cuidar das meninas, como você gentilmente apontou. Eu não gostava para onde isto se encaminhava. — Então você fica. — eu disse secamente. — Você é a monitora. — Você é minha assistente, eu saio. Então você fica. Peguei seu cotovelo. — Você disse que não precisava de ajuda, lembra? Ela deu de ombros. — Vamos Lá. Você era a única que estava preocupada com todas elas. — ela jogou a cabeça para a fila, visível através da porta aberta. — Ali está York. Devemos perguntar? Raios. — Por que você tem que ser uma vadia, Courtney? — Chloe riu. — É o seu superpoder ou algo assim? — Cala a boca. — ela estava correndo para chegar a York. — Ela é uma peste. — disse Spencer. — Você quer que eu fique? Eu balancei minha cabeça. — Parece que precisam de você. — meus dentes estavam tão apertados que era difícil falar. Chloe fez uma careta. — Sinto muito. — ela disse, fechando a porta atrás deles. Eu fui deixada na sala embaixo de uma lâmpada empoeirada, cheia de estacas, óculos de visão noturna colocados em minha cabeça como uma tiara. Sem falar de estar toda vestida sem um lugar para ir. O nono estava animado sussurrando entre si, uns poucos corajosos vindo para meter o nariz para baixo nas janelas. Jason, que era um dos monitores dos alunos do nono grau, virou-se para mim com compaixão. — Você está tendo um inferno de ano até agora certo? Fiquei sorrindo, ainda que ligeiramente. — Talvez eu devesse perguntar a Spencer para verificar as maldições. — Não faria mal nenhum. — ele disse antes de virar para os alunos nervosos. — Todo mundo de volta. Agora. Eles foram com relutância, mas foram.

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— Você disse a eles que a sua sala de comunidade tem a melhor vista das vans deixando o campus? — perguntei, lembrando como nós nos esgueirávamos das camas e subíamos nos bancos das janelas, competindo pela melhor posição para observar os oficiais e as saídas de exercícios da meia-noite na floresta. — De jeito nenhum. — disse Jason. — Eu poderia perder meu lugar. Ele colocou o braço em meus ombros. — Vem, Wild, vamos ver replays de guerreiros no History Channel e esperar como velhinhas deixadas de fora de toda a diversão. Eu o deixei me levar pela velha escadaria barulhenta, arrastando os pés um pouco. — Eu não posso acreditar que estou perdendo o primeiro desmonte de vampiro do semestre. — disse com tristeza. O lustre tremeu uma vez e todas as luzes se apagaram. Eu me virei a tempo de ver uma sombra passando por uma das janelas da frente. — Oh não. — eu disse.

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Capítulo
Hunter

8

Jason já estava no andar de cima quando o primeiro Hel-Blar caiu no vestíbulo, quebrando o vidro. Eu ainda estava no patamar e era a única devidamente armada. — Vá! — eu gritei para Jason. — Acione os alarmes. — ele hesitou. — Apenas vá! — eu insisti antes de me afastar do pouso. Agarrei o candelabro e balancei para frente, ganhando força o suficiente para atingir o HelBlar no peito com meus saltos. Ele foi jogado ao chão, quando a corrente do lustre se rompeu e me jogou no centro do vestíbulo. Os pedaços de cristal choveram sobre nossas cabeças, deslizando do vidro quebrado da janela. O Hel-Blar não ficou estatelado no chão por muito tempo. O cheiro de cogumelos mofados era avassalador. Ele estalou os dentes para mim, todos como pontas de agulha afiada. Enfiei uma estaca em seu peito e ele se desfez em cinzas, deixando para trás uma pilha vazia de roupas. Eu não tive exatamente tempo para me dar tapinhas nas costas. Diversos outros Hel-Blar vieram correndo para fora da floresta, como besouros azuis. Lá estavam golpes no andar de cima, um gritou uma maldição. Eles devem estar no telhado também. Os alunos do décimo e décimo primeiro já teriam se entrincheirado em seus quartos ou fugido pelas passagens secretas quando Jason acionou seus alarmes silenciosos. Devo voltar para cima e ajudá-lo a encurralar o Niners. Chutei as cinzas da minha bota e subi os degraus dois de cada vez, colocando um par de plugues no nariz. Não fazia sentido. Vampiros geralmente não atacavam a academia, pelo menos não nas últimas décadas, e os Hel-Blar nunca tinham também; por que eles se incomodariam agora? Eles não tinham um líder ou objetivos políticos, apenas uma esmagadora fome que normalmente escolhia o caminho de menor resistência.

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Outra besta veio através da janela quebrada e correu até as escadas atrás de mim. Mal ouvi, só senti o movimento do ar cheio de vegetação em decomposição e cobre. Havia sangue em seu queixo. Abaixei, porque ele esperava que eu saltasse para sair de seu caminho. Em vez disso, eu me joguei no chão e o derrubei com as minhas pernas, pegando-o nos tornozelos com a biqueira de aço da minha bota. Ativei a caneta de gás lacrimogêneo na minha manga, porque ele estava se movendo muito rápido para a lâmina na minha bota ser útil. Hypnos flutuava em uma nuvem de pó branco, como o açúcar de confeiteiro. Ele já estava debruçado sobre mim, sua saliva escorrendo para meu ombro, no momento em que eu pude gritar uma ordem e estar relativamente confiante de que o Hypnos estava o suficiente em seu rosto para fazer o truque. — Caia! — ele caiu em cima de mim como uma carga de tijolos. Saí de baixo dele antes que seus dentes pudessem raspar acidentalmente em meu pescoço. Não havia nada mais contagioso do que o beijo de um Hel-Blar, não importa o quão dopado ele estivesse. Suas pupilas estavam dilatadas, rodeadas de uma pequena porção de cinza pálido. Sua pele era azul tattoo e manchada. Vovô teria me dito para estacá-lo aqui e agora. Ele era Hel-Blar, depois de tudo, o mais cruel dos cruéis. Mas eu não podia simplesmente acabar com um adversário privado de sua vontade e desarmado, mesmo que ele fosse perigoso, mesmo que fosse taticamente correto. Somente sentia que era errado. Eu o empurrei para longe, certificando-me de usar força suficiente para quebrar algumas costelas. Poderia ter mais escrúpulos do que o meu avô, mas não era suave. E não queria que ele ficasse aqui para voltar para a luta depois que o Hypnos perdesse o efeito. — Volte para o seu covil — eu disse. — E fique lá. Não faça mal a ninguém no caminho. — Vou matar você, menininha. — E cala a boca — acrescentei. Ele tropeçou ao descer as escadas, fazendo sons esquisitos rosnando na parte de trás de sua garganta. Soube o momento exato em que Jason alcançou o interruptor de alarme principal. As lâmpadas das camas de bronzeamento alteradas colocadas em volta de todo o dormitório, colocadas nos parapeitos das janelas do jardim até as luzes de paisagismo, iluminaram através da escuridão. Era alta potência de luz UV com o

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mesmo efeito tóxico sobre os vampiros que a luz solar. Não iria fazê-los explodir em chamas como os vampiros do filme, o que teria sido um inferno de uma vantagem tática. Mas iria, pelo menos, enfraquecê-los consideravelmente. Deveria convencer qualquer outro vampiro vindo para cá a voltar. Encontrei Jason no terceiro andar, arrastando os estudantes para a porta da passagem secreta. — Você está bem? — perguntou. Balancei a cabeça. — Dois derrubados. — Isso é inacreditável — ele rosnou. — Eles estão vindo do telhado também. Há pelo menos três no andar de cima. — Eu vi muitos entrando pela parte de trás. — uma menina do décimo primeiro grau, ainda em seu pijama rosa, respondeu. — Desde os jardins. — Que diabos esta acontecendo? — eu prendi meu cabelo para trás em um rabo de cavalo. — Parece bastante sofisticado para os Hel-Blar. — Jason murmurou quando nós viramos a esquina do corredor e nos deparamos com a porta do painel de madeira. — Vamos. — ele gritou para os outros estudantes. — Vamos por aqui. — Mas eles estão lá fora também. — um dos meninos da nona série, disse. — Não podemos ficar aqui. — eu disse a ele. — De qualquer forma, o túnel leva longe o suficiente, perto da estrada e da Van estacionada debaixo das árvores do salgueiro. — Aquela coisa velha, quebrada e enferrujada? — Só parece estar quebrada. — eu disse severamente. — E há duas Vans a mais, escondidas mais profundamente na floresta. Agora ande. — Não discuta Joshua. — disse Lia, empurrando-o para obrigá-lo ir. Suas mãos estavam trêmulas e a borda de seu couro cabeludo estava úmida de suor, mas ela estava mantendo o controle. Virei de costas para eles, prestando atenção nos Hel-Blar. Podíamos ouvir seus passos ranger através do teto. O assoalho de madeira velha era feito para ranger assim, para nos ensinar como agir em silêncio e nos dar a justa advertência se alguém estivesse espreitando ao redor. A luz vinda das janelas era quase ofuscante. Ela devia enfraquecê-los, mas se eles estavam em um frenesi de batalha, ainda poderiam fazer uma quantidade considerável de danos antes que percebessem que deviam recuar. Abri a porta da

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passagem secreta com um golpe. Eu ainda estava guardando a retaguarda então tive que olhar por cima do meu ombro quando ouvi a voz concisa de Kieran. — A saída está bloqueada. — disse ele. — Merda. — eu murmurei. — Sophie, tome minha posição. — eu disse, virando-me para olhar para Kieran. Ele usava calças cargo habitual, um cinturão de estacas por cima do ombro bom. — O que você está fazendo aqui? — Conversamos mais tarde. — Aposte seu traseiro nisso. — eu murmurei. — E o que você quer dizer com a saída está bloqueada? — Beco sem saída, Buffy. — disse Quinn, saindo do corredor por trás de Kieran. Ele parecia tão lindo como sempre, ainda coberto de poeira. Seu cabelo estava solto, seus olhos azuis como o fogo. Eu fiquei boquiaberta com ele. — Que diabos você está fazendo aqui? — Nós viemos para te salvar. — ele sorriu para mim como se estivéssemos sozinhos em um juntar com luz de velas, suas presas brilhantes como punhais de marfim. — Você percebe que está em uma escola de caçadores de vampiros, certo? — Ele é um vampiro! — o monitor do décimo primeiro andar arremessou uma estaca em Quinn. Quinn rosnou, inclinando-se para a direita até seu torso ficar praticamente paralelo ao chão. A estaca bateu na parede. — Retirada! — eu gritei enquanto Kieran ficava na frente de Quinn. — Ele é um Drake! É um aliado. Houve uma pausa assustada, então resmungos e sussurros frenéticos. — Você o conhece? — Jason me olhou como se tivesse crescido uma cabeça extra em mim. — Kieran, você está confraternizando com o inimigo agora? — Sophie falou. — Ele é um vampiro. — Simon murmurou. Ele estava no décimo primeiro grau agora e já estava coberto de cicatrizes. E ele tinha a constituição de um grande loiro Viking. — O que estamos esperando? — Ele é um Drake. — eu repeti. — E Hart assinou um tratado com eles, então fique muito calmo ou vou derrubar você.

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— Não é certo, é tudo o que eu estou dizendo. No caso de vocês dois não terem notado, nós matamos vampiros. E estamos sob um tipo de ataque agora mesmo. Kieran bufou. — Eu não vou deixar você matar o irmão da minha namorada, então supere isso. — Você realmente está namorando uma vampira? — Sophie arregalou os olhos. — Cara. Eu fiquei sugestivamente junto a Kieran, bloqueando Quinn. Ele estava perto o suficiente para eu sentir a frieza de seu corpo, a notável ausência de sua respiração na parte de trás do meu pescoço. Isso deveria ter me assustado. Era uma espécie de surpresa que não o fizesse. — Olha; nós poderíamos debater o preconceito desta organização em alguma outra hora? — eu joguei para fora. — Quinn não é nosso problema agora. Como Simon apontou, os Hel-Blar são. — levantei meu queixo, olhando todos por baixo. — E Kieran supera hierarquicamente a todos nós, então calem a boca e sigam as ordens ou eu estarei entregando deméritos. — Você pode fazer isso agora? — Kieran sussurrou para mim. — Eu não tenho ideia. — eu sussurrei para trás. — Ok, ouçam bem pessoal. — Kieran levantou a voz para que fosse toda grave e impressionante. Eu não estava particularmente impressionada já que tínhamos crescido juntos e eu o havia feito comer à força, tortas de lama quando éramos pequenos, mas parecia funcionar para todos os outros. Lia realmente suspirou. Apenas uma caçadora de vampiros de treze anos de idade se apaixonaria no meio de um ataque de vampiros. Eu estava um pouco orgulhosa dela na verdade. — A saída do túnel não está segura. — Kieran continuou. — Tivemos que fazer uma barricada atrás de nós e incendiar para evitar que os Hel-Blar usassemna. Alguém os alertou sobre isso. Isso não é a nossa preocupação agora. Nosso único objetivo é matar o maior número possível e permanecer vivos no processo. Não sejam heróis ou farei Hunter derrubá-los. Dito isto, as luzes devem manter o pior deles longe. Nesse meio tempo, eu quero todos entrincheirados na sala coletiva do décimo grau. É a mais fácil de defender e as janelas estão bloqueadas. — isso tinha menos a ver com a proteção e mais a ver com uma brincadeira que Kieran e seus amigos tinham, aparentemente, feito quando estavam no décimo grau. — O que vocês estão esperando? — Kieran gritou quando os Hel-Blar desceram as escadas.

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— Vão! Monitorem o perímetro. — acrescentou; apesar de eles serem bem treinados o suficiente para fazê-lo de qualquer maneira. Eu fiquei onde estava. — Hunter, vá. — disse Kieran, pegando uma estaca. — Dá um tempo. — peguei minha própria estaca e me afastei apenas o suficiente para manter Quinn fora do meu caminho e vice-versa. — Seu braço está machucado. Você precisa de mim. Kieran não tinha tempo para discutir comigo. Ele não poderia mudar minha decisão de qualquer maneira. Ele era a coisa mais próxima de um irmão que eu tinha e eu não estava disposta a deixá-lo para trás. Não quando os outros alunos estavam muito bem protegidos agora. E mesmo que confiasse que Quinn era um bom lutador, ele era perigosamente arrogante também. Três Hel-Blar vieram do andar de cima e outros dois pela nossa direita. Quinn riu antes de atirar-se para eles. De verdade, ele riu. — Ele é louco? — perguntei, lançando uma estaca em um dos Hel-Blar à direita. — Muito. Abaixe! Abaixei. A estaca de Kieran passou voando sobre a minha cabeça e pregou o segundo vampiro na parede. Outra estaca acabou com ele. Prendi a respiração, até as cinzas assentarem. Respirar pó de vampiros mortos é tão nojento quanto parece. Tínhamos acabado com todos quando Quinn voltou para nós, sorrindo. — Isso foi divertido. — Você está... — interrompi-me quando a sombra de uma pequena, mais engenhosamente escondida Hel-Blar se atirou da borda do teto. Ela caiu por trás de Quinn, cada dente exposto. — Quinn, abaixe! Quinn abaixou-se, revelando uma estaca em cada mão. Antes que ele pudesse girar e atacar com suas armas, eu joguei um ovo pimenta. Ele piscou com o tipo de espanto que teria sido engraçado em qualquer outra circunstância. O recipiente em forma de ovo pintado de preto era fino e feito para quebrar com o impacto. Quando atingiu a última Hel-Blar no rosto, ele espirrou uma combinação de vidro moído, pimenta caiena e Hypnos em sua face. Ela recuou, gritando e arranhando em seus vermelhos e lacrimejantes olhos. Uma das estacas de Quinn perfurou seu coração e terminou o trabalho. Nós nos juntamos a Kieran no patamar seguinte e ficamos lá por um longo momento. O único som era Kieran e eu ofegantes. A casa estava em silêncio.

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— Eu acho que foi o último deles. — Kieran disse finalmente. — Vou subir e fazer uma varredura. Vocês olhem as portas da frente e de trás. Levei Quinn até o fim da escada. Eu estava no último degrau, capaz de olhar não só a porta da frente, mas para a direita, para o gramado através das janelas quebradas. Ele ficou ao meu lado no chão, de frente para a outra direção, na direção da porta dos fundos. Meu degrau de vantagem nos colocou quase da mesma altura. Nossos ombros se tocando, o corrimão entre nossos corpos. A adrenalina ainda corria através de mim, me fazendo inexplicavelmente querer dar risadinhas bobas. — Vocês jogam ovos agora? — Quinn perguntou, levantando uma sobrancelha. — Que diabos é isso? — É uma coisa ninja. — eu dei de ombros. — Só começamos a usá-los recentemente. Um dos nossos professores de História gosta dessas coisas. — Você é meio assustadora, Buffy. — ele piscou, depois olhou de repente, pensativo. — O quê? — eu perguntei. — Eu só estava me perguntando se você consideraria ensinar a Lucy alguns movimentos. — Lucy? Melhor amiga da sua irmã? Ele balançou a cabeça. — Ela precisa de alguns truques extras na manga. Nossa família está provando ser um pouco problemática e ela é apenas humana. — ele lançou-me um olhar. — Sem querer ofender. — Não me ofendi. — respondi secamente. — Você sabe o que quero dizer. Ela é vulnerável. E seus pais estarão de volta em breve e ela vai voltar para casa. Estamos um pouco preocupados. — ele cheirava a fumaça e incenso. Eu provavelmente não deveria estar percebendo isso. O que havia de errado comigo? Eu não era geralmente o tipo de ficar perturbada por um cara de bom aspecto. Mesmo um cara muito bonito que se parecia com o Orlando Bloom. Além disso, ele me via como um companheiro soldado. Eu lutava ao lado de caras, tempo suficiente para saber o olhar. Tentei não suspirar. Teria sido uma reação totalmente inadequada. Eu era uma caçadora. Deveria manter a calma sobpressão. — Então, você iria? — ele perguntou de novo. — O quê? — dei-me uma sacudida mental. — Eu acho que estaria bem, se a diretora aprovar.

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— Você sempre faz o que dizem? — ele falou lentamente. Eu bufei. Confusa ou não, ainda continuava sendo eu. — Isso é o que os vilões de contos de fadas sempre dizem para as meninas para levá-las a fazer algo estúpido. Houve uma pausa antes que ele risse, como se o som o surpreendesse. — Eu simplesmente vou tomar isso como um sim. — Tenho certeza que você costuma fazer. Seu sorriso aumentou e ele cutucou meu ombro amistosamente. — Eu gosto de você, garota. Eu tentei não gemer em voz alta. Estava tão má quanto Lia. Eu tinha desenvolvido totalmente uma paixonite durante um ataque de vampiros. E ele me via da mesma forma que Kieran, como uma irmã mais nova. Eu não tinha exatamente o tempo para analisar o fato de que eu estava caída por vampiro. Além disso, qualquer pessoa com olhos cairia por Quinn Drake. Agora eu estava muito ocupada correndo escadas acima em direção ao grito. Quinn estava nos meus calcanhares, xingando. — Hunter, espere. Deixe-me ir na frente. — Sem chance. — corri mais rápido. Ele foi mais rápido, claro, era um vampiro e tudo mais. Na verdade, ele era praticamente um borrão de cores quando passou por mim. Não parecia justo. Trabalhei muito para ser o mais rápida que pude, corri, eu praticamente vivia na academia a cada manhã, e tive que aturar York. Tudo o que Quinn teve que fazer foi morrer. Não era exatamente uma opção viável para mim.

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Capítulo
Quinn

9

Quando cheguei à sala de estar, de onde o grito havia se originado, estava em silêncio novamente. Esperei Hunter me alcançar. — Isso não foi justo. — ela murmurou, lutando por ar. Kieran entrou no corredor, com a boca sombria. — Homem caído. Bom garoto, como seja. — É ruim? O que aconteceu? — Hunter passou roçando para ver por si mesma. O quarto estava brilhante considerando que toda a luz refletia através das janelas. Estava aquecendo também. A desvantagem definitiva dessas bombas UV; os estudantes poderiam estar queimando pelo sol da manhã. Eles não duvidariam em trocar um nariz queimado e com bolhas de queimadura para servir de comida para um Hel-Blar, eu claro, estava me sentindo como se pudesse ser cozido. A luz do sol não era boa para nós. Não explodiria em chamas ou em algo tão dramático como isso, mas enfraqueceria e desmaiaria. Em uma escola cheia de caçadores de vampiros. Não obrigada. Coloquei meus óculos escuros e levantei a gola da minha camisa. A parte de trás do meu pescoço já estava sensível. E no centro do cômodo, os estudantes

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estavam amontoados ao redor de um sofá onde um estudante muito fraco estava gemendo. Havia sangue em sua camiseta branca. Tentei não lamber os lábios. Não acredito que fosse bem visto. — Will. — Hunter disse. — Merda. Você foi...? — ela se interrompeu, fazendo uma careta. O ombro dele parecia mal, sua camisa amassada. — Ele não foi mordido. — Kieran parou ao lado dela. Continuei na porta, observando as sombras do corredor e tentando não ser distraído pelo cheiro de tantos humanos em um quarto. Se meu estômago grunhisse provavelmente me estacariam antes que pudesse explicar que era uma reação involuntária. Eles desejavam doar, eu desejava sangue. Era uma dessas coisas. — A gritaria veio da garota que o encontrou. O sangue de quando ele tropeçou e caiu sobre sua própria adaga. Bufei. Agora eles estavam se colocando como carne no espeto para nós. Também poderiam se oferecer em bandejas de prata. Hunter me deu um olhar, como se soubesse o que eu estava pensando. Devolvi um sorriso torto. Provavelmente ela não pediria desculpas por se armar com estacas e eu não ia me desculpar por minhas presas. — Os Hel-Blar tentaram beber dele. — Kieran continuou secamente. — Aparentemente lhe deram uma mordida antes que Will escapasse. Os olhos dela se ampliaram. — Merda. Vai se transformar? Tem marcas? — Acredito que não. Mas ninguém pode dizer a ciência exata se houve alguma saliva ou troca de sangue. Foi apenas uma alimentação por conveniência. — Então ele precisa ir à enfermaria. — Hunter disse. — Tem alguns professores no campus. — Kieran nos assegurou. — Mas eles têm as mãos ocupadas.

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— Eu o levarei. — ela se ofereceu de imediato. Kieran franziu o cenho. — Hunter, o campus está assolado de Hel-Blar. — Dããã. E você tem que continuar aqui. Você é o que tem faixa real; e o resto de nós somos apenas estudantes. Além disso, você tem apenas um braço bom. — Merda. — ele resmungou. Ele sabia que ela tinha razão. — Não gosto disso. É perigoso. Eu também não gostava. — Blá, blá, blá. — Hunter o cortou. — Vai segurar minha mão cada vez que estamos em campo? — Não há gratidão em você. — Kieran disse. Ela beijou sua bochecha. Curiosamente me alegrei que parecesse o tipo de beijo que Solange poderia me dar. — Te amo, estúpido. — Eu também idiota. — Então sai do meu caminho. — ela teve que afastá-lo com um empurrão. — Me dêem algum espaço. — ela disse aos demais, tentando passar através da aglomeração de estudantes horrorizados. — Ficará bem, Will. — Tem muito sangue. — alguém disse em dúvida. — Motivo pelo qual o levo à enfermaria. — ela enganchou seu braço debaixo do ombro dele e o ajudou a subir. Ele estava pegajoso e pálido, parecia surpreendentemente pesado para alguém tão esguio. E era mais ou menos um pé mais alto do que ela, o que não facilitava as coisas.

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— O peguei. — murmurei, chegando para apoiar seu outro lado. Will desviou os olhos furiosos, e logo amortizou um som de dor quando seu ombro sangrou mais profusamente com o movimento repentino. — Calma. — Hunter disse amavelmente. — Ele está apenas ajudando. Não conseguia deixar de morder minha bochecha com minhas presas. Mantive meus lábios unidos. Estava contente que meus olhos estivessem escondidos atrás de óculos escuros. Sabia que pareceriam muito azuis e muito pálidos nesta luz estranha. — Vampiro. — Will grasnou. — Quer perder seu braço? — Hunter lhe perguntou secamente. Ele sacudiu a cabeça, tragando saliva. — Então cala a boca e deixe-o ajudar. — Sim senhora. — ele apenas concordou. Kieran se colocou de lado para nos deixar passar pela porta. — Vigie suas costas. — me disse. Bufei. — Deixei você acariciar minha irmãzinha e ainda não arranquei seu braço por isso. Pode me confiar a sua irmãzinha. Hunter deu uma parada. Ela atravessou cada um com o olhar. Alguém no quarto começou a suar, ela era tão boa. Poderia tê-la beijado ali mesmo. — Primeiro, ew. Segundo, posso cuidar de mim mesma. Se vocês querem fazer essa coisa de “cavaleiro de armadura brilhante machista”, faça no seu próprio tempo. E encontrem vocês mesmos outra dama em perigo, porque eu não estou. Trocamos um olhar, logo a olhamos. Kieran suspirou. — Simplesmente tenha cuidado Hunter. — Sempre tenho cuidado.

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— Aham. Ela tropeçou um pouco. — Olhe, Will está deixando uma mancha de sangue no piso e não está ficando mais rápido. Deixa de se preocupar e nos deixe fazer isto já. Neste momento o telefone da sala de estar, todos os telefones nos quartos, e cada telefone celular em cada bolso, tocara. — Que diabos é isso? — estalei enquanto Hunter verificava seu telefone. Os ícones de mensagem e correio de voz piscavam. — É o primeiro sinal de cessar o alarme. — Hunter esclareceu enquanto lia a mensagem. — Estamos ainda trancados, mas o ataque imediato deve ter terminado. Kieran assentiu. — Vá em frente. E tenta não estacar acidentalmente um Profe14 fazendo a ronda. Ela fez uma careta. Linda como o inferno. — Como eu ia saber que ela não era um vampiro? E isso foi há quase quatro anos. Estava aqui apenas há um mês. — ela reclamou. Levei Will pelas escadas. Hunter seguiu na frente. Ela abriu a porta principal e saiu de primeira para verificar se era seguro. Ele poderia ter dito para não me incomodar. Eu não podia sentir nenhuma brisa fresca com o cheiro de bolor e mofo, então não sabia se havia Hel-Blar aos arredores. As luzes delineavam tudo em um amarelo pálido, como o efeito de um filme. Cada folha estava delineada, cada folha de grama. A borda do jardim havia uma escuridão tranquilizadora para meus olhos. Na verdade, eles estavam lacrimejando debaixo do poder de tantas bombas UV.

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Professora/o.

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Ela me encaminhou pelo corredor do dormitório de um dos edifícios principais. O andar inferior era a enfermaria, podia dizer pelo poder cegante da pintura branca nas paredes e o fraco cheiro subjacente de desinfetante. Will gemeu outra vez. — Quase chegando. — Hunter prometeu. — Theo vai lhe curar imediatamente. Sabe que ele é realmente bom com os pontos. — Essa puta Hel-Blar me chupou. E tinha o cabelo branco nas pontas. N-não quero me transformar nisso. — ele murmurou. — Gran me... Me mataria. Trocamos um olhar sobre sua cabeça. Era difícil saber se ele estava falando metaforicamente ou não. Nunca poderia dizê-lo nas famílias de caçadores. Ou nas famílias de vampiros segundo seja o caso. — Não o fará. — Hunter disse com uma confiança que poderia dizer que ela realmente não sentia. — Eles agora têm medicamentos para deter a troca. Se a pegam a tempo, tem uma taxa de êxito muito boa. — Boa o quanto? — perguntei suavemente. — Cinquenta e seis por cento de taxa de êxito, segundo o arquivo que Chloe fez na redução do ano passado. — ela respondeu apenas em um sussurro. Não teria escutado tudo se não fosse pela minha excelente audição. — Mais pílulas. — Will balbuciou, delirando com dor e medo. — Essas vitaminas novas são uma dor na bunda. Hunter riu. — Isso é o que disse Chloe. Devem estar tomando o mesmo tipo. Ele não respondeu, tendo desmaiado entre nós. Felizmente estávamos no corredor em frente à porta da enfermaria. Um enfermeiro nos encontrou no meio do corredor. Seus olhos negros curiosos e preocupados e não se alteraram, nem sequer quando pousaram sobre minhas presas. Fiquei impressionado.

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— Uh... Vampiro? — ele perguntou. Hunter assentiu. — Ele é um Drake. — Bom, não vou me inclinar diante de suas Presas, se isso é o que está insinuando. — seu uniforme era da cor de algo e o vestia como uma armadura. — Como se fosse tão estúpido Theo. — Hunter disse meio que sorrindo. Theo era obviamente alguém que ela gostava. Decidi que não estava ciumento. Não fico ciumento, não com as garotas. — Will precisa de pontos e antibióticos ou o que seja. — disse enquanto passavam com Will através da porta e o deitavam sobre a maca mais próxima. As luzes fluorescentes me fizeram cerrar os olhos. Theo deu uma olhada em Will e se esqueceu de mim completamente. Ele abriu as pálpebras de Will e iluminou com uma luz, olhando sombriamente a ferida aberta. — Mordida? — ele perguntou. — Sim. — Hunter respondeu. — Vocês esfaqueiam muito a si mesmos? — perguntei. A boca de Theo se curvou. — Se surpreenderia. — Uma Hel-Blar também o sugou. — Hunter adicionou. Theo não parou seu exame, nem por um momento. Mas ouvi seu coração se acelerar. — Explique. — Ele tinha a ferida antes que uma Hel-Blar o encontrasse, mas aparentemente bebeu seu sangue.

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— Merda. Isso não é bom. — ele chamou a outra enfermeira. — Também o mordeu? — ele procurou as marcas de dentes. Hunter deu de ombros como forma de desculpas. — Ninguém tem certeza. — Bem, vamos fazer nosso trabalho. — ele se virou gritando ordens aos seus assistentes enquanto cortava o resto da camisa de Will. As agulhas deslizaram por debaixo da pele. Hunter afastou o olhar, tragando. — Não me diga que o sangue te deixa enjoada. — eu disse divertido. Movimentei-me mais próximo, pronto para pegá-la se desmaiasse. — O sangue não. — ela estremeceu. — As agulhas. — Então porque não saímos daqui? — sugeri. — Não pode fazer mais nada por ele, mas Kieran provavelmente poderia usá-la. E me sinto um pouco exposto aqui com todas essas luzes. Ela assentiu, me seguindo para fora. — Pergunto-me como estão fazendo os demais na cidade. — Montmartre e Greyhaven certamente deixaram uma desordem. — concordei. — Bastardos. — Quem é Greyhaven? — Hunter perguntou. — Um dos lacaios de Montmartre. Seu primeiro tenente na verdade. Ele criou seus próprios Hel-Blar às escondidas, tentando criar seu próprio exército pessoal, como os Host de Montmartre. — Oh, genial, porque isso é justo o que precisamos. — ela disse secamente. — Um dos Hounds o estacou. — lhe assegurei. — Um dos amigos de Isabeau. Os Hounds eram uma tribo supersticiosa e solitária de vampiros, muitos deles haviam sido transformados por Montmartre, mas resgatados do túmulo

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antes que ele pudesse recrutá-los. Eles tinham magia antiga que o resto do mundo havia esquecido há séculos. Caminhamos em um silêncio fácil e amigável, embora ela ainda segurasse uma estaca em sua mão e eu ainda mantinha minhas presas para fora. Fui o primeiro em escutar um fraco silvo. Parei de repente, virando minha cabeça lentamente. — Ali. — murmurei antes de pular nos arbustos de lilás rodeando o caminho de terra. Hunter me alcançou logo enquanto eu estava grunhido sobre um vulto na grama do outro lado dos arbustos. A Hel-Blar fêmea jazia sobre suas costas, silvando fracamente. Havia sangue em sua boca, e seus olhos sangrentos eram selvagens. Sua pele era azul mosqueado, quase cinza. Seu cabelo estava cortado em pontas brancas. — Foi ela que atacou Will! — Hunter exclamou. Ela deu um passo mais perto com a estaca levantada. A Hel-Blar começou a convulsionar, com o sangue e a saliva espumosa no canto dos seus lábios. Ela se agitava e silvava. Dei um passo para frente de Hunter. Ambos a olhamos, mudos, quando gritou e logo se desintegrou. Não dissemos nada por um longo momento. — Que diabos foi isso? — finalmente quebrei o silêncio. — Não tenho ideia. — ela respondeu. — Nem sequer a toquei! — Os vampiros simplesmente não se desintegram assim. — não sem um pau pontiagudo ou muita luz do sol. — E não ficamos próximos o bastante para feri-la. Se eu não soubesse melhor, teria jurado que ela estava doente de alguma forma ou envenenada. Mas isso era impossível.

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Antes que pudesse decidir o que fazer, as luzes das lanternas brilharam sobre nós. Os caçadores e dois professores correram para nós cada um de uma direção. — Parem. — um deles ordenou. — Assumiremos daqui. — Ela se foi. — Hunter piscou enquanto um deles se agachava para recolher as cinzas. — Não a tocamos. Ela somente... Desfez-se. Como se estivesse doente ou algo assim. — ela sacudiu a cabeça. — Sei que isso soa louco. Não disse nada, mas dobrei meus joelhos levemente, no caso se precisasse brincar fora da trajetória de uma flecha ou uma estaca. Nunca poderia dizer dos caçadores. Alguns deles estavam nervosos. — Volta para o seu quarto, Wild. — um dos professores ordenou para Hunter. — E o agente Black está esperando para escoltá-lo para fora do estabelecimento, Sr. Drake. — ela disse a mim, claramente não estava satisfeita nem sequer em admitir minha presença. Podia cheirar o medo sobre sua pele, como um perfume. — Ele nos ajudou. — Hunter assinalou, franzindo o cenho. — Enquanto o restante de vocês estava em outro lugar. Confesso que desfrutei vendo-a me defender. Não tinha esperado por isso. Kieran havia dito muito sobre sua família, que estava francamente surpreso que nem sequer houvesse tentado me estacar, por princípios. A professora se levantou para bloquear nossa visão do que eles estavam fazendo. — Agora senhorita Wild. Isso é uma ordem. Hunter aparentava como se quisesse retrucar, mas ela simplesmente assentiu bruscamente, virou-se em seus calcanhares e partiu, pegando minha mão para que a seguisse. — Algo esta errado. — disse quando estávamos fora do alcance do ouvido.

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— Eu sei. — ela concordou desagradavelmente enquanto caminhávamos sobre um gramado animado com estudantes, mestres, e um caçador ocasional em plena partida. O predador em mim saiu à superfície. Foi um esforço não grunhir em voz alta. Kieran veio me agarrar, assentindo para Hunter caminhar para o dormitório antes que ela pudesse dizer algo mais. — Que diabos Kieran? — vociferei. — Aqui não. — ele vociferou em resposta.

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Capítulo
Hunter
Sexta-feira à tarde

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Ninguém nos contava nada, nem mesmo no dia seguinte. A maior parte das informações que eu consegui foi de Theo, e ele só me contou que o estado do Will era crítico, mas ele não havia se transformado ou morrido até o momento. Não era muito para continuar. Não ajudou que a Chloe não parasse de reclamar. — É tão injusto. — ela disse novamente enquanto eu limpava o suor do meu rosto e começava a fazer os meus alongamentos. Nós estávamos no ginásio, que estava praticamente cheio. O ataque na noite passada fez com que todos os estudantes ficassem ansiosos para treinar de novo, apesar de nós que ficamos para trás termos visto a maior parte da ação. E era isso que estava irritando a Chloe. O rosto dela estava quase roxo. — Fique calma. — eu disse. — Você vai causar a si mesma um ataque do coração se continuar se esforçando desse jeito. Ela drenou a água de sua garrafa e limpou a boca. — Eu me sinto ótima, e eu fiz a minha avaliação ontem para provar isso. Então pronto. — estudantes tinham que passar por um exame físico no começo de cada ano escolar. — Bem, você está em uma cor muito lisonjeira de hambúrguer cru. — eu a corrigi. — Não é uma boa aparência para você. — Eu só preciso tomar outra vitamina. — ela ofegou, balançando para fora o que parecia ser como uma pílula cavalar amarela de um frasco que ela havia tirado de sua mochila. Tinha o nome da sua mãe impresso nele: Dra. Cheng.

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— Como que estas coisas não te fazem vomitar? — eu perguntei. Ela deu de ombros. — Você se acostuma. Não que você precise disso. — Não isso de novo. — Bem, é verdade. — ela insistiu. — Você é uma atleta natural. E você só tira notas 10. — Você também! — Eu sou uma droga nas coisas de combate. — Você não é. — eu disse, tirando o elástico do meu cabelo. Eu estava ficando cansada de me defender quando eu não havia feito nada de errado. Ela estava tão rabugenta este ano. Eu não podia imaginar quão estressada ela iria ficar quando nossas aulas começassem de verdade. Estava meio que me fazendo desejar que nós não estivéssemos dividindo um quarto. — Mas você está me dando nos nervos. — Nem todos nós estamos recebendo louvores por salvar vidas. — ela disse. Soava suspeitosamente como reclamação. — Você arrebentou ontem à noite e tudo o que eu vi foi a nuca de um Hel-Blar enquanto ela se transformava em cinza. E nem fui eu que a estaquei. — Você está fazendo birra porque não pôde matar ontem à noite? — eu perguntei, sem acreditar. — Você não entende. — Pode apostar. Ela enfiou suas coisas na mochila. — Tudo é fácil para você. Eu pisquei para ela. — Você está chapada? Você não esteve prestando atenção nos últimos dois dias? — Você sai destas cheirando a rosas toda a vez. — E isso é uma coisa ruim? — eu não podia acreditar nela. — Merda, Chloe. O que está errado com você? Você é minha amiga. Você deveria estar feliz que eu não fui abatida por todos aqueles deméritos que o York tentou me dar. — Eu estou feliz.

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— Não, você não esta. Você esta me enchendo o saco porque eu fui atacada por vampiros e você não. — Eu só estou cansada. Deus. — Então durma um pouco. — eu atirei de volta, incomodada. — E se controla. — Você não é perfeita, sabia. Eu a encarei. — Quando eu disse alguma vez que era? Ela fez uma careta. — Você age como se fosse. — Não ajo. — Sim, você age. Você não é boa em tudo. — Você está louca. — pendurei minha mochila no ombro e trotei para longe antes que eu dissesse alguma coisa que eu poderia não ser capaz de voltar atrás. Não podia acreditar na maneira que ela havia falado comigo, na maneira que ela havia me olhado, como se eu estivesse tornando a vida dela miserável. Eu nunca a vi desse jeito. Ela ainda estava murmurando para si mesma quando eu bati a porta atrás de mim. Eu nem me incomodei em me trocar, só fui para fora com os meus shorts de ginástica e uma camiseta. Não queria estar perto dela nem por um segundo mais do que eu tivesse no momento. Nós nunca brigamos, não assim. Nós tínhamos umas briguinhas sobre coisas bobas durante as provas, mas todo mundo tinha. Eu sabia que a mãe dela estava sendo mais severa do que o normal, mas agora era minha culpa? — Hunter! Você quer... Opa. — Jenna ergueu suas sobrancelhas quando eu me virei. Ela estava vindo da cafeteria com uma cesta e Spencer e Jason atrás dela. — Rosto assustador. — Desculpa. — eu suspirei, tentando espantar o mal humor. Não era justo descontar neles, especialmente depois de ficar brava com a Chloe por fazer a mesma coisa comigo. — Você está bem? — Spencer perguntou. — Estou bem. — eu murmurei. — Chloe, no entanto, precisa de terapia. Ele fungou. — Diga algo que eu não sei. Jenna ergueu sua cesta. — Hora do piquenique. Está dentro?

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— Sempre. — eu respondi, seguindo-os pelo caminho na direção de um dos campos de trás que beiravam a floresta. Nós fazíamos isso toda vez que nós precisávamos de um pouco de privacidade de possíveis câmeras de segurança, telefones grampeados, e professores em geral. Não era fácil se esconder em uma escola que te treinava manobras de espionagem e combate. O campus era cheio de grampos e câmeras escondidas. Sentar no meio do campo era o nosso meio favorito de comunicação. A salada de batata não era um mau incentivo também. Nós estendemos o lençol e começamos a comer logo em seguida. Nós sentamos ombro a ombro, em um ângulo para que nós pudéssemos ver todas as direções e ninguém pudesse nos surpreender. — Então qual é a fofoca? — eu perguntei, limpando a maionese do meu lábio superior. — Alguma novidade sobre o Will? — Nada novo. — Jason diz. — Ele está estável o bastante, mas eles ainda estão esperando para ver para que lado ele irá. — Foi estranho. — eu franzi as sobrancelhas. — Bem estranho, a maneira como aquela Hel-Blar se desintegrou. — Alguma coisa está acontecendo. — Jenna concordou, seu cabelo vermelho preso em uma trança bagunçada. Os tênis dela têm pequenas estrelas neles. — Os garotos do nono ano estão sussurrando sobre algum tipo de pílula que irá torná-los mais forte. — Jason disse, balançando a cabeça. — Eu não quero dedurar nada, mas, cara, eu vou ter que fazer isso se eu não descobrir de onde eles estão tirando isso. Eu fiquei gelada. — Espere. O quê? — Eles estão dizendo que é algum tipo de vitamina que te deixa mais forte. — Will mencionou algo sobre tomar vitaminas. — eu disse quietamente. Eu olhei para o Spencer severamente. — E a Chloe está tomando todas estas vitaminas e proteínas em pó. Ele fez uma careta. — Mas a mãe dela que dá isso para ela. Ela é uma médica e uma bioquímica. — Verdade.

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Jenna inclinou sua cabeça. — Se elas são realmente vitaminas, quem liga? Quer dizer, estou tomando vitamina C no momento. A minha colega de quarto está gripada e eu realmente não quero pegar. Se eles precisam achar que isso os torna melhores lutadores, qual é o problema? Não é como se eles estivessem tomando esteroides. — Pode ser. — eu não tinha certeza do por que, mas eu não estava convencida. — Mas todos nós concordamos que precisamos descobrir o que esta acontecendo, certo? — Jason perguntou. — Quer dizer, com o Hel-Blar e todo o segredo e alguns dos professores estarem estranhos? Spencer deitou de costas, absorvendo o sol e abandonando a sua guarda. Ninguém estava prestando atenção em nós de qualquer forma. Era um dia muito bom. — Nós descobriremos. — ele disse bocejando. Os seus dreadlocks espalhados ao redor dele como cobras de uma cor dourada clara. — Nós sempre descobrimos.

Eu não vi a Chloe pelo resto do dia. Mas quando voltei para o nosso quarto na sexta à noite depois do jantar, havia um bilhete no meu travesseiro. Estava escrito com a letra dela e lia-se, Desculpa. Eu acho que estou com um caso feroz de TPM. Ela deixou uma barra de chocolate e um novo livro de romance como uma oferta de paz. Eu não estava brava mais, mas eu ainda estava preocupada. Então eu fiz o que qualquer caçador de vampiro faria. Eu fucei. Eu me senti mal por mexer nas coisas dela, mas não consegui me segurar. Não adiantava ligar o computador dela para mexer em seus arquivos; alguns daqueles negócios de criptografia poderiam muito bem estar em uma linguagem babilônica antiga até onde eu conseguia entender. A sua mochila da academia estava perto da sua cama, no entanto, o zíper meio aberto. Eu podia ver a tampa branca de plástico do frasco com o rótulo da prescrição saindo. Eu o tirei para fora da mochila, juntamente com o segundo frasco que encontrei embaixo. Aquela era uma marca popular de

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proteína em pó. Olhei dentro e cheirei, mas parecia inofensivo o bastante. Não que eu realmente soubesse o que estava procurando. O segundo rótulo descrevia o conteúdo como uma multivitamina e tinha o nome da Chloe nele e da sua mãe. Eles pareciam normais e até mesmo tinham o cheiro normal nojento de vitamina. Eu deveria deixar isso passar. Eu estava sendo ridícula. Mas isso não me parou de fuçar em mais uma de suas vitaminas no caso de eu precisar tê-las analisadas mais tarde. Eu só estava provavelmente sendo paranoica. Acontece algumas vezes com caçadores. E TPM poderia totalmente ser a causa para as estranhas mudanças de humor de Chloe e a obsessão repentina em malhar e a prática de combate. Mesmo assim, continuei procurando. Não encontrei nada, no entanto... Somente sua variedade normal de esmaltes e pendrives e peças de computador e sua garrafa secreta de schnapps de pêssego na parte de trás de seu armário em sua bota de chuva esquerda. Ela escondia uma garrafa lá todo ano. Eu estava sendo uma idiota paranoica. Eu fechei a porta do armário com um estalido determinado. Eu já tenho o bastante para me preocupar com a Courtney e os nono anistas e o Will para estar fuçando nas coisas da minha amiga. Como o fato de que o Quinn estava esperando por mim na clareira na floresta bem neste momento. O sol já havia se posto totalmente enquanto eu estava mexendo nas coisas da Chloe, o que significava que o Quinn estava lá fora com o Kieran e a Lucy. Kieran havia conseguido as permissões para eu treinar a Lucy contanto que nós fizéssemos fora de vista da escola e mantivéssemos o silêncio. Não era um precedente que eles queriam incentivar, e havia alguma coisa sobre seguro também. Que seja. Eu não queria uma audiência. Eu já me sentia autoconsciente o suficiente sabendo que o Quinn estaria lá. Peguei a bolsa com os equipamentos que eu havia guardado mais cedo e saí de fininho do dormitório, cortando pelos jardins até a floresta. Evitei os espaços abertos de luz caindo sobre o gramado que vinha da enfermaria. A floresta estava silenciosa e quente, pesada com o cheiro das pinhas e dos lírios amarelos da beirada do lago. Eu

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segui o brilho de luz do outro lado do pinheiro e fui até a clareira onde Kieran já havia montado um perímetro de lanternas. Pausei ao som de uma bola de futebol americano atrás de mim. — Você não deveria estar aqui. — Você não é a minha chefa. — Spencer retornou de bom humor. — E nós não vamos ficar de fora outra noite da sua diversão furtiva. Chloe estava ao lado dele, sorrindo hesitantemente. — Tudo bem? Enruguei o meu nariz. — Tudo bem. Contanto que eu possa chutar a sua bunda em nome do treinamento. — Feito. — Chloe enroscou seu braço no meu. — Eu quero dar uma olhada em um dos famosos irmãos Drake. — ela abaixou sua voz. — Eu realmente sinto muito por ter estourado com você. — Eu sei. — e eu sinto muito por ter mexido nas suas coisas, eu pensei. Mas eu não falei. Quinn, Lucy, e Kieran estavam esperando por nós na clareira. Quinn estava inclinado contra uma árvore, parecendo perigoso e gostoso. — Delícia. — Chloe murmurou ao meu lado. Quinn nos mostrou um sorriso. Eu lutei para não corar. — Audição vampírica, lembra-se? — murmurei de volta. Ela deu de ombros, sorrindo em resposta. Tentei não sentir ciúmes da maneira que ele piscou para ela. Virei a minha atenção deliberadamente para a Lucy. Ela estava vestindo uma blusinha bordada com shorts jeans e botas da Doc Marten. Seu cabelo estava em um coque em linha reta, os óculos eram de um aro escuro. — Eu vou aprender a chutar a sua bunda. — ela sorriu para o Quinn. — E a do seu irmão. — Onde o Nicholas esta? — Kieran perguntou. — Ele está trancado no guarda-roupa. — Lucy disse com uma satisfação perversa. Depois de um momento de silêncio aturdido, Quinn fungou uma risada. — Você trancou o seu namorado no guarda-roupa? — eu perguntei.

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— Legal. — Chloe aprovou. Os aros de seus brincos pegaram a luz azul da lanterna. Lucy deu de ombros. — É para ele aprender. Ele me trancou lá na semana passada. Kieran revirou os olhos. — Ele estava tentando salvar a sua vida. — Que seja. Não me faça te trancar lá também. — ela esfregou suas mãos juntas animadamente. — Vamos, Hunter. Mostre-me o que você tem. — Sim Buffy. — Quinn sorriu amigavelmente para mim, se empurrando da árvore enquanto nós nos aprofundávamos mais na clareira. — Mostre-nos os seus golpes. Lucy o empurrou gentilmente na minha direção. — Use-o como o seu boneco vampiro. — Epa, peraí. — Isso foi ideia sua. — ela disse para ele. — Você foi aquele que me quis armada e perigosa. — Que diabos eu estava pensando? Ela beijou a bochecha dele, como se ele realmente fosse o irmão mais velho dela, em seguida se virou para mim com expectativa. — Primeiro, eu preciso saber do seu estilo. — eu disse. — Rolo compressor. — Kieran disse maliciosamente. Ela estreitou seus olhos para ele. — Posso praticar com ele? Estiquei meu braço como convite, sorrindo. — Fique à vontade. Ela dançou para frente e para trás como uma boxeadora, mas era toda graciosa e nem um pouco de técnica. — Somente corra até ele. — eu sugeri. Ela abaixou a cabeça e o atacou como um touro louco. Kieran esperou até o último segundo possível antes de sair do caminho, sorrindo. Lucy parou, mas somente por pouco. Outro passo e ela teria acertado a cabeça em uma árvore. Ela se virou. — Droga! — ela apontou para o Kieran e para o Quinn. — Não se atreva a rir.

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Quinn pressionou seus lábios fechados com um cuidado exagerado. — Esta tudo bem. — eu disse. — Tente atingi-lo agora. Kieran se afastou tão rápido que quase tropeçou em seus próprios pés. — De maneira nenhuma. Ela já me deu um soco na cara uma vez. — Em mim também. — Quinn disse. — Ela tem realmente uma boa pontaria. — Bom. Eu posso trabalhar com isso. — eu respondi. — Kieran, finja que vai atacá-la. Ele parecia duvidoso, mas aceitou. Quando ele agarrou o ombro de Lucy, ela se transformou em um gato selvagem. Ela explodiu, chutou, mordeu. Eu estava bem certa que até a ouvi sibilar. Depois de alguns minutos, Kieran estava arranhado e machucado e ela estava arquejando e com o rosto vermelho. — Nada mal. — eu falei para ela. — Mas você vai se cansar bem antes que faça qualquer dano verdadeiro. Ela bateu no peito. — Estou começando a entender isso. — ela bufou. — Eu acho que o meu coração acabou de explodir. — Nós provavelmente deveríamos ficar com a parte de discrição e fuga. Eu posso mostrar-lhe como infligir o máximo de dano com o mínimo de força, que vai comprarlhe tempo para fugir. Quinn prendeu Lucy com um olhar feroz e sábio. — Mas você tem que fugir de verdade, pirralha. Ela fez uma careta. — Sim, sim. — Mostre-me sua mira. — entreguei para ela três pedras e apontei para um galho fino. Ela jogou seu cabelo para longe de seu rosto, respirou fundo, e as lançou. Ela acertou o galho bem no meio todas às vezes. Spencer assobiou pelos dentes, impressionado. Chloe parecia como se estivesse pronta para fazer anotações. — É verdade que Hope tentou te recrutar? — ela perguntou. — Sim. — Lucy murmurou. — Como se eu fosse virar a casaca por causa de alguma liga brega. — ela pausou, estremecendo. — Opss. Desculpa. Eu dei de ombros. — Hope não era um verdadeiro Helios-Ra. — apesar de que o Vovô seria bem simpático com os seus objetivos finais. Já que Lucy havia provado sua

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pontaria e a conversação estava deixando todo mundo desconfortável, eu mostrei para ela nossos ovos ninjas alterados. Ela piscou. — Eu vou jogar bolinhas de borracha nos vampiros? Quando expliquei o que tinha neles, seus olhos brilharam. — Tudo bem, estes eu amo oficialmente. — ela provou seu ponto ao fazer malabarismo com eles, terminando com um arco e um floreio. — Vamos ver se você faz isso, 007. — ela provocou Kieran. — Você deveria arrumar um pouco de Hypnos. — eu sugeri. — Eu não posso te dar porque é contra as regras da escola. Mas se você arrumar um pouco, posso te dar uma caneta de gás lacrimogêneo antigo e você pode enchê-lo e colocar na dobra da sua manga. E eu tenho um monte de ovos sem o Hypnos. — O tio Geoffrey provavelmente tem um estoque desta coisa até agora. — Quinn disse para ela. — Não que eu aprove. — ele disse para mim. Eu não estava nem um pouco arrependida. — Vocês têm os feromônios, nós temos o Hypnos. Estamos quites. — Não somos nós que estamos vendendo nossas armas no mercado negro e tirando uma vantagem injusta. Nós somente usamos o nosso glamour para nos proteger. — Primeiramente, nós não o vendemos. — eu ergui uma sobrancelha. — E segundo; você realmente está tentando me dizer que nunca usou seus feromônios para roubar um beijo? — Eu os roubo da maneira antiga. — ele disse. — Com o charme. — Lucy, mire no cabeção cheio de si quando você jogar estes ovos. — eu disse. — Eu normalmente faço isso. — ela sorriu. — Você também deveria arrumar um bastão ou uma bengala, algo que você possa anexar uma lâmina ou afiar uma ponta. Vai manter o atacante fora de alcance para mordida. Quinn chutou para cima um longo bastão com a sua bota, jogando-o para mim.

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— Mostre-me. — ele disse enquanto eu o pegava. Eu o girei uma vez. Admito que eu estava me mostrando um pouco. Se ele iria insistir em me ver como um dos caras e um companheiro soldado, eu iria muito bem ter que ser um melhor soldado que ele. — Vamos Buffy. — ele encorajou; os olhos pálidos cintilando. — A qualquer hora, Lestat. — eu atirei de volta. Nós circulamos um ao outro em uma dança lenta e predatória. Foi fácil esquecer que nós tínhamos uma audiência. Seus olhos azuis estavam afiados e quentes, como o coração da chama de uma vela. Poderia me aquecer ou me queimar inteira. — Sem Hypnos. — ele murmurou. — Sem feromônios. — eu rebati, apesar de que eu não sabia o quanto de controle ele tinha sobre este tipo de coisa. Ele era rápido, claro. Vampiros sempre eram. Mas nós havíamos sido treinamos para nos concentrar no borrão do movimento, no deslocamento de ar, nos pequenos detalhes meticulosos que poderiam salvar as nossas vidas. Quando ele veio até mim, eu tive que me convencer que os meus reflexos não tinham permissão de realmente estacá-lo. A primeira parte dele que estava perto o bastante para ver suas presas para fora. Elas eram hipnotizantes, mas não tão hipnotizantes que eu não ataquei e o acertei no esterno com a ponta do meu bastão. Eu pude notar pelo alargamento do seu sorriso que ele havia sentido o impacto. Eu nunca conheci ninguém que gostasse tanto de conflitos. Até mesmo o Vovô viu tudo isso como um dever antes do prazer. Com o Quinn, era quase como se ele estivesse flertando comigo. Eu não podia ter certeza se ele iria se inclinar para destroçar a minha jugular ou se ele iria me beijar até eu desmaiar. Ao invés disso, ele chutou e me fez tropeçar, mas quando eu caí para trás, a mão dele estava nas minhas costas para me segurar. Meu braço esquerdo cruzado entre nós, primeiro pressionado em cima do seu coração para provar o meu ponto. Eu poderia têlo estacado naquele momento, se a situação fosse diferente. Mas eu poderia não estar viva para fazer isso. As presas dele descansavam ternamente na parte no lado de dentro da minha garganta. A extensão dos nossos corpos pressionados juntos. Eu senti a frieza de sua pele e me perguntei se o calor do meu parecia uma queimadura para ele. Era a primeira

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vez que eu realmente pude entender a sedução e a atração de mostrar o seu pescoço para um predador. Sempre pareceu como loucura para mim, ou o resultado de ler muitos romances. Ainda era. Mas havia a mais leve inclinação do meu corpo em direção a ele. Seu cabelo balançou para formar uma cortina por um breve momento em nossos rostos. Havia algo em sua expressão que eu não consegui decifrar totalmente. E então ele se afastou abruptamente, seu sorriso familiar apagando aquele calor misterioso que eu havia percebido. Chloe foi a primeira a quebrar o silêncio. Ela deixou sair uma respiração trêmula. — Está de repente quente aqui ou o quê?

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Capítulo
Hunter
Sábado pela manhã.

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Quando me levantei na manhã seguinte, Chloe ainda estava sentada em seu escritório fazendo careta para o seu computador. Não podia imaginar como não havia tido uma dor de cabeça. Seus ombros estavam curvados, o brilhante resplendor do monitor era incômodo. E ali estavam três latas vazias de bebida energética diet perto de sua cadeira. Seu usual cabelo perfeito estava decididamente frisado, preso por um prendedor em cima da sua cabeça. Esta não era a Chloe que eu estava acostumada, perfeitamente arrumada e engomada em seu pijama de estilista. Também estava batendo com seu pé sem parar, como um pica-pau muito frenético para se dar conta que estava batendo no metal e não na madeira. Levantei-me, piscando difusamente. A luz era pálida a partir da janela, apenas clareando. A floresta estava ainda escura e parecia como se estivesse dormindo enquanto Chloe estava acordada. — Chloe? — Somente um minuto. — seus dedos eram barulhentos contra o teclado. Nem sequer levantou o olhar. Algo próximo da sua forma de ser, a energia frenética ou a forma em que estava um pouco maníaca mordendo o lábio, fez meu estômago se retorcer de nervoso. Quando de repente se afastou da sua mesa amaldiçoando, pulei. — Porra. — entoou. — Realmente acredita que eu já o tinha jogado a esta hora. — ela me olhou, perto da janela. — Que horas são? Voltei-me para o radio relógio para ver o que os números brilhantes sentenciavam e resplandeciam em vermelho. — 05h34min. — Ew.

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Agora parecia mais com a Chloe que eu conhecia. — O que eu perdi toda a noite? — lhe perguntei, tentando não parecer preocupada. — Não é como se tivesse tarefa. A escola não começou ainda. E é muito cedo para as aulas ainda. Ou para os seres humanos normais e seu funcionamento. — Não foi minha intenção. Acabei de ter um rolo com os códigos de segurança. Bom, eu pensava que era um rolo, de todas as formas. Tinha que estar ali. — ela esfregou os olhos avermelhados. — Sinto-me como uma merda. — Eles já têm uma nova cura para isso. — lhe disse secamente. — Se chama sono. — Ok, ok. — Vai desligar agora ou o que? — insisti. Poderia puxar o plugue do seu computador, mas provavelmente me arrancaria os olhos. E era muito cedo para uma luta. Ela bocejou e se enfiou em sua cama. Estava dormindo antes que pudesse me responder. Decidi aproveitar a primeira hora e o dormitório para mim. Era tão raro a calma e hoje era sábado. Todos os estudantes que já não estavam aqui começariam a chegar depois do desjejum. Courtney certamente ia me obrigar a pegar as funções menos glamourosas, e esta noite iríamos a cidade para “a noite da isca de vampiro”. Assim que se ia seguir adiante com a ideia possivelmente ilegal que havia tido ontem à noite antes de dormir, agora era minha melhor oportunidade. Peguei a mochila e enfiei os abastecimentos antes que Chloe começasse a roncar. Não me incomodei em trocar de pijama uma vez que planejava ir dormir diretamente, novamente, tão logo fosse humanamente possível, mas passei pelo banheiro. Não havia luz suficiente chegando das janelas, portanto a sala era cinza em lugar de negra. Fiquei no canto das escadas para que estas não rangessem, pulando a terceira e a décima no total. Por muito meu avô era um estrito e orgulhoso caçador, que havia me delegado a uma equipe de vigilância e armas, quando completei a maioridade, bestas, e outras coisas impressionantes, como microfones. Era o último que tinha a intenção de por em bom uso. Não tinha o “dom” de Chloe, e não podia pedir sua ajuda. Depois que a garota HelBlar morreu e Will mencionou as vitaminas, eu sabia que algo estava acontecendo, mas não tinha ideia do que. Precisávamos de mais informações sobre essa vitamina, mas não conhecia ninguém no departamento de ciências em quem confiasse o suficiente para dizer o que havia nas pílulas que havia roubado. A mãe de Chloe ajudara a desenvolver

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o Hypnos, e ao que parece tinha a ver com as vitaminas também, mas esse tipo de química ou biologia ou o que fosse estava além do meu alcance. Mas sim, eu conhecia alguém que poderia me ajudar. Quinn. Se Kieran confiava nele, então eu também podia. Mesmo ele sendo um vampiro. E eu uma caçadora. Quando a vida havia se tornado tão malditamente complicada? Mas, em parte essa bagunça em que se acusavam essencialmente os de cima de toda organização e a mãe da minha amiga, estava por minha conta. Sozinha. Nem sequer podia dizer a Kieran. Ele já estava caminhando por uma fina linha na organização por sua relação com Solange e sua aliança com os Drake. Não apenas o tinham debaixo de algum tipo de vigilância, mas estava certa que ele não precisava, agora mesmo, de um estresse extra com suas teorias não comprovadas. E de todas as formas, era muito mais provável que a vitamina fizesse com que Chloe agisse de forma estranha, era porque o estava tomando frequentemente. Talvez ela fosse alérgica a elas. Havia muitas perguntas que não faziam sentido e não havia respostas suficientes. Então, ali estava eu entrando na sala de estar do décimo primeiro grau. Além do mais, ia ter que roubar uma amostra de sangue de Will da enfermaria. Não tinha ideia alguma se esse tipo de coisa poderia causar minha expulsão ou se poderiam usar como um crédito adicional. Tinha a esperança de que nunca descobrisse. Valia a pena o risco, no entanto. Tinha apenas três microfones e um desses tinha um sensor de movimento. Escondi-me atrás de um sofá e observei os locais onde os colocaram, dois atrás das cortinas feias de cor marrom e um em massa de chiclete que ninguém mais queria tocar. Então observei outro lugar dentro do puxador de móveis desmontável na parte inferior esquerda da cômoda, na lousa de anúncios. Imaginei que esses eram os dois lugares mais prováveis em que os estudantes se reuniam para falar. Não havia nada perto do telefone comunitário, já que apenas o usavam para ligar para casa quando não tinham saldo em seus telefones celulares.

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Pude escutar os fracos sons de alguém no corredor que se encaminhava para o banheiro. Tive o tempo certo para me agachar atrás da prateleira, o estudante passou despreocupadamente, coçando parte de sua anatomia que eu não precisava saber. Afrouxei o botão da prateleira e deixei cair o microfone no mastro. Felizmente, o microfone era do tipo antigo da Segunda Guerra Mundial e cabia em uma caixa de caneta. Por desgraça, o deixei cair na parte inferior, onde nunca poderia chegar a tirá-lo outra vez. Não podia me arriscar a tentar tirar também. Amaldiçoando, corri todo o caminho de volta ao meu quarto. Enfiei-me embaixo dos lençóis, a abafada manhã de agosto já era muito úmida para usar cobertas. Chloe continuava roncando. Esfreguei a medalha de coroação que usava ao redor do meu pescoço e esperei saber o que diabos estava acontecendo. Isto tinha todos os indícios de ir muito mal. Fiquei ali, olhando para o teto, e me perguntei o que exatamente ia dizer para o Quinn.

— Esta atrasada. — Courtney me repreendeu mais tarde naquela manhã. — Não estou atrasada porque não tenho uma tarefa. — respondi. E estava chegando tarde porque tinha ido à enfermaria, roubar um tubo de sangue. Theo não havia me deixado entrar para visitar Will, mas me deixou sozinha na sala de espera depois de empurrar o carrinho de amostras de sangue em uma das salas de exame a espera de serem recolhidas. Tudo o que havia tido que fazer era chegar perto da cortina. A única parte difícil foi me assegurar que era a amostra correta. Ao que parece, havia uma grande quantidade de estudantes com uma rara gripe, já que tinha uma grande quantidade de tubos na bandeja. A ideia de ver agulhas, fez com que eu me encolhesse. O mesmo fez o fato de saber que tinha roubado um frasco de sangue de Chloe também. Ainda precisava alcançar a letra do meu nome, para os check-ups anuais, assim eu estava vendo que teria que enfrentar as agulhas na próxima semana, mais ou menos.

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— Eles já estão aqui. — ela realmente estalou os dedos e apontou as suas costas. Olhei-a fixamente. Estava feliz de ter colocado meu top cor rosa e meu perfume preferido. Ela havia cobiçado que partilhássemos um quarto desde o ano passado. Pequenas vinganças eram tudo o que podia conseguir. Como se quisesse me colocar uma centena de deméritos, com seus olhos ela continuava me encarando como se eu fosse uma substância desagradável que tinha saído do nada. Cheirou-me e me ignorou. Bom para mim. A escada estava cheia de estudantes com os olhos abertos e pais carregando malas. O dormitório parecia uma colmeia, vibrando com o som e a energia. Haveria mordidas no final do dia, sem dúvida. Lia se movia na sala comum, tentando conseguir uma olhada em seu companheiro de quarto antes de ter que serem apresentados. Courtney sorriu a todos os pais e se apresentou amavelmente. Estava certa que ia limpar as mãos com álcool desinfetante depois de cada mão que sacudiu. Outro estudante estava sendo retirado para a enfermaria com febre alta. Tirei meu telefone celular do bolso e enviei uma mensagem de texto para Kieran para conseguir o número de telefone de Quinn. Enviei as mensagens de texto o mais rápido que pude e tentei não me obcecar com cada palavra. Preciso lhe pedir um favor. Pode vir à escola no domingo à noite? Por favor, meianoite. Não conte a Kieran. Hunter. Não é que estivesse para sair nem nada. Apenas estava lhe perguntando por cortesia profissional. Não devia me preocupar se soava muito formal ou se ele poderia pensar que eu estava apaixonada por ele. Já que não estava. Em parte. Era natural sentir curiosidade por Quinn. Ele era um vampiro, pelo amor de Deus, e um Drake. E estava se tornando amigo de Kieran também, assim isso o fazia meu amigo também. E daí se era bonito? Muitos dos garotos eram bonitos. Claro, ele era o primeiro que me fazia ruborizar quando pensava em seu nome. Como neste momento. Maldição.

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— Oh, olá Hunter. — sorriu um dos amigos do meu Avô, efetivamente me distraindo do meu momento embaraçoso. — Sr. Sagasaki. — sorri de volta. Seu cabelo tinha muito mais branco do que a última vez que o tinha visto. Não o tinha visto desde nosso churrasco de família deste ano, que é quando geralmente servia para vê-lo e ao seu filho também, que estava de pé ao lado dele, uns centímetros mais alto que o ano passado. — Oh, me chame de Louis, querida. É praticamente da família. — sorriu o Sr. Sagasaki. — Além disso, eu costumava trocar suas fraldas. Diante do som do seu nome, várias cabeças se viraram. Os olhos de Courtney se alargaram e se ajeitou ereta, alisando o cabelo para trás. Louis era um caçador com o tipo de reputação que demorava décadas para se construir. Tinha um registro de setenta e dois vampiros mortos e de ter ido para um ninho de Hel-Blar por si mesmo, com apenas duas estacas que retirou da porta de um recital. Eu não estava muito certa dessa parte do rumor, mas sabia que ele era bom. Tinha as cicatrizes e as tatuagens que estavam desaparecendo na parte superior de seu braço para comprovar. — Sr. Sagasaki. É um prazer conhecê-lo. — Courtney esticou sua mão. — Meu nome é Courtney e eu sou a monitora das garotas do andar, do nono grau. Ele sacudiu sua mão. — Este é meu filho, Martin. — Hei Hunter. — Martin disse, tentando esconder seu alívio ao ver um rosto familiar. Era provável para um garoto de quatorze anos parecer no mínimo nervoso em seu primeiro dia na academia. Não havia sido fácil para mim como uma garota de treze anos, tampouco, mas meu Avô havia me trazido as aulas um ano antes do tempo, devido ao seu teimoso orgulho, indicando que eu podia fazê-lo melhor que ninguém. — Hey. — eu disse. — Ainda é bom em tiros com o arco? Ele assentiu com orgulho. Sobre sua cabeça, seu pai me piscou com um olho. — Fico feliz que ele fique em boas mãos Hunter. — disse, incitando seu filho para frente para poder desobstruir o congestionamento do tráfego de pessoas que tentavam se movimentar ao seu redor. — E nas suas também; Kelly. — É Courtney. — ela corrigiu, mas ele já estava fora de alcance para escutá-la. Ela me olhou fixamente. — Sou uma monitora de respeito. Não deveria nos tratar assim. É falta de educação. Rolei os olhos — Não vou ignorar um amigo de família porque você é insegura.

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Essa possivelmente era uma das razões para que ela me odiasse tanto. Simplesmente não podia deixar que sua sobre compensação e o excesso de ostentação passassem despercebidos. Virei para olhar meu telefone antes que pudesse dizer algo mais. Nenhuma mensagem de texto de Quinn. Talvez ele não pudesse me responder. Talvez estivesse ocupado com sua língua na boca de outra garota. Talvez eu fosse uma idiota. Era meio dia, o mais quente, a parte mais brilhante do dia. Ele era um vampiro. Dããã. Coloquei meu telefone no bolso e prometi não voltar a mencionar a ninguém o que uma correta estudante caçadora de vampiros tinha escutado momentaneamente, que os vampiros não dançavam debaixo da luz do dia. Estava fora de mim mesma. Virei para a posição firme e tentei parecer como alguém que tinha confiança, alguém de quem meu Avô estaria orgulhoso. Não é como se eu estivesse sonhando com um vampiro.

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Capítulo
Quinn

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Sábado à tarde.
Não conseguia parar de pensar em Hunter. Se fosse qualquer um dos meus irmãos, eu teria ridicularizado sem piedade. Porque ela não era apenas humana, era uma caçadora. De repente senti muito mais simpatia pelo que Solange estava passando. Pelo menos Hunter não cheirava a comida. Na maior parte. Mas ainda assim, cheira malditamente bem. Perguntei-me se ela havia se metido em problemas por estar no campus com um vampiro. Ou se o garoto que levamos para a enfermaria tinha se transformado e agora havia um Hel-Blar a mais que nós precisávamos matar. Se continuassem atacando assim, os habitantes de Violet Hill não demorariam a se perguntar que tipo de criaturas vivia nas montanhas e na floresta ao redor da cidade. Logo já não será seguro ninguém sair durante a noite, mas tente dizer isso aos universitários para espantá-los. Já havia histórias circulando e as histórias nunca eram boas. Para nos manter a salvo dependíamos dos segredos e da crença de que os vampiros não existiam. Mas a obsessão atual que havia na cultura humana com os vampiros não estava nos ajudando, absolutamente. Realmente tínhamos que controlar estas infestações de Hel-Blar e tínhamos que fazê-lo rápido. Mamãe estava nos enviando para patrulhar e Kieran nos disse que a academia de Helios-Ra também estava fazendo expedições.

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Eu não podia fazer mais do que me perguntar se Hunter fazia parte dessas expedições. Ela era boa o suficiente. Eu mesmo a tinha visto. E Hart a tinha chamado semana passada para que ela fosse à reunião nas cavernas e também para a Coroação; Isso dizia alguma coisa. Não tinha podido perguntar para Kieran se ela tinha namorado. A pergunta latejava como um dente quebrado, impossível de ignorar, impossível de não tocá-lo. Só para ver se ainda dói. Eu nunca fazia isto. Eu gostava das garotas, humanas ou vampiras. Eu gostava muito, mas nunca me perguntava o que era que estavam fazendo ou se voltaria a ouvir sobre elas. Porque sempre voltava a ouvir falar delas, geralmente mais do que eu queria. Não me interpretem mal, eu tratava todas elas bem. Não podia ser educado por minha mãe e não tratar as mulheres com muitíssimo respeito. Mas elas sabiam que eu não estava procurando compromisso, apenas passar um bom momento. E nenhuma das humanas sabia que eu era um vampiro. Eu não sou estúpido. Bem, exceto naquela ocasião. Mas isso foi há muito tempo. Nem sequer vale a pena mencioná-lo. Além do mais, Hunter é diferente. Ela é forte, valente e sexy. Amava a forma como me olhava, ligeiramente desconfiada, como se estivesse pensando em chutar meu traseiro. Isso não deveria ser sexy, mas era. E a única coisa que eu queria era convencêla que destrançasse seu cabelo loiro. Pareceria normal. Porra, eu estava outra vez pensando nela. Em seu cabelo. — Merda. — murmurei. Se não tivesse cuidado, eu também começaria a escrever poesias como os que Karin escrevia para mim. — Tenho que sair daqui.

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As cavernas da redondeza eram uma boa distração, porque se você se descuidasse por um só minuto, podiam arrancar sua cabeça. Agora mesmo isso parecia perfeito. Assenti ante os guardas na entrada principal e entrei nas cavernas. Elas estavam iluminadas por tochas, o túnel se abria para diferentes câmaras. A maior era a do Grande Salão, o qual se encaixava com as tendências medievais de decoração dos Drake. Apenas olhe a nossa única matriarca sobrevivente; Veronique Dubois. Ela era muito mais aterradora do que mamãe. E podia tecer uma mortalha para seu funeral com suas próprias mãos. Era fácil aceitar mamãe como Rainha, ou Veronique. Papai também tinha algo monárquico que corria em suas veias. Dava-me muito mais trabalho imaginar o resto de nós como príncipes. Connor não gostava das pessoas, vampiros ou humanos. Ele queria que o deixassem sozinho com seus computadores. Logan se vestia como pirata e eu sabia mais de casualidades do que de política de vampiros, e não tinha muita vontade de aprender. Mas se eu tinha ânsias de deter os vampiros assassinos que queriam atacar a minha mãe e a minha irmã, consideraria vestir as calças e estudar política de vampiros e iria para a Corte e tentaria saber de que raios eles falavam. De qualquer forma, era melhor do que andar sonhando com Hunter Wild. O grande salão estava cheio de correntes de ar, as lâmpadas de azeite piscavam incessantemente. Era salvo de ser úmido e pouco acolhedor graças aos grossos tapetes no chão e as tapeçarias que pendiam das grades de ferro. Veronique tinha mandado uma enorme bandeira que tinha bordado o brasão da família Drake e o emblema dos vampiros da Realeza, que pendia atrás de uma mesa de madeira rodeada de cadeiras. Cada uma das cadeiras tinha os encostos feitos de madeira muito grossa, para nos proteger de estacas, flechas ou adagas. Papai era da idéia de tratados e diplomacia. Mamãe era da idéia de atacar e lutar. Talvez entre os dois realmente sejam capazes de controlar as caóticas tribos vampíricas pelo menos por um tempo. No melhor dos casos as tribos dos vampiros tendiam a ser independentes e no pior caso eram agressivamente autônomas. Governá-las era estar consciente de que nenhuma destruiria a outra de maneira pública porque os humanos nos descobririam. Prosaico mas verdadeiro.

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— Quinn. — Sebastian levantou as sobrancelhas. — Você passou junto a essa garota sem perceber, o que está acontecendo com você? — Passei em frente a ela? — girei sobre meu ombro. Uma vampira com cabelo castanho curto e uma marca de beleza de um lado da boca, piscou. Eu respondi a piscada. Virei-me para meu irmão, horrorizado. — Eu nem sequer a vi. — Você está perdendo seu estilo. — Shh, quer falar mais baixo? — estiquei minha camisa. — Tenho uma reputação a manter. Vou voltar. Você está linda. — Esqueça. Ela flerta com todos. — E daí? — eu sorri. — Apenas venha. Mamãe e papai estão no salão aqui detrás. E já não podemos aguentar mais de suas namoradas mal humoradas. — Minhas ex-namoradas nunca são mal humoradas. — na realidade esse era um ponto de orgulho. — Chegaram mais pacotes para Solange? — os feromônios da mudança de sangue de Solange, misturadas com a antiga profecia, tinham feito com que muitos vampiros, mais do que nós podíamos contar, entrassem em um estado desgovernado. Enviavam-lhe presentes, a assediavam e geralmente agiam como uns idiotas. — Doze cartas, três pacotes e uma caixa de cachorrinhos. Fiz uma careta. — Cachorrinhos? — Estão a salvo. Isabeau os levou. — Que bom. Quem come cachorrinhos? — balancei a cabeça, — Sim, eu sei. Isabeau esbravejou em francês. Muito. — Que sexy.

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— Sim. — E onde estão agora? — Isabeau foi com os Hounds e Logan está estudando. — Está estudando? — tremi. — Para que? Agora as namoradas te fazem exames? — Ele é um Hound honorário, lembra? — Sebastian me lembrou; enquanto passávamos diante de dois guardas e nos dirigíamos ao salão principal da família. Logan tinha realizado o ritual de iniciação dos Hound, algo que era raramente oferecido para alguém que não fosse parte de sua tribo. — Então, ele quer saber mais deles. Connor lhe deu alguma informação de uma antiga livraria de Roma. — E a livraria já sabe que ele hackeou seu sistema? — Raios, não. — Connor respondeu de algum lugar onde estava tentando instalar o laptop de mamãe. — Eu sou hábil. Mesmo que eu não possa pegar o sinal de internet aqui embaixo. — E o que está acontecendo? — eu perguntei. — Papai parece que está prestes a se lançar a cantar. O que seria muito perturbador. — um homem adulto não deveria sorrir assim. Especialmente quando era meu pai. — Acabam de nos avisar que em novembro se realizará uma Lua de Sangue. — Verdade? — agora entendo porque papai parecia tão feliz. As LS se realizam muito raramente e ninguém sabia quem realmente era chamado. Basicamente era um festival que durava uma semana inteira e a noite principal se deixava reservada para que os líderes das tribos falassem de tratados e assuntos de vampiros. A última se realizou há quase cem anos. — Porque agora? Por causa de mamãe? Sebastian assentiu. — E por causa dos Hel-Blar. Eles estão se transformando em um grande problema e não somente aqui em Violet Hill. — Alguma informação do porque eles atacaram a escola Helios-Ra? — perguntei. Connor balançou a cabeça. — Ainda não há nada.

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— Pois eu tenho certeza que não foi um acidente, E você não viu aquela Hel-Blar se desintegrar. Foi estranho. — Isso já esta sendo analisado. — papai mencionou. — E eu já disse a Hart. — Muito bem. Há muitos garotos nessa escola. Sebastian levantou uma sobrancelha. — Eu te ouço todos os dias se preocupando com os caçadores. Eu encolhi os ombros. Connor bufou. — Cale-se. — eu lhe disse. Às vezes a conexão de gêmeos era uma dor no rabo. Eu não tinha dito nem uma palavra sobre Hunter e ele já sabia que eu gostava dela. Se as Cortes Reais e seu melodrama não eram suficientes para que eu parasse de pensar nela, teria que encontrar outra coisa com que me distrair. — Checarei a cena na cidade. — Você tem um encontro? — É isso que eu sou.

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Capítulo
Hunter
Sábado à noite

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Eu sei que não é muito agente secreto da minha parte, mas eu realmente, de verdade gosto de me arrumar. Mesmo se é somente para desfilar como uma isca idiota de vampiro de filme de terror. Eu amo escolher um vestido, depilar minhas pernas, e pintar as minhas unhas. Eu adoro sandálias bonitas com um pouco de salto, apesar de eu não poder usá-los esta noite. Eu nunca consigo um chute bom usando-as, e eu não seria capaz de correr mais do que um guaxinim. Então eu usei um par de Converse baixo com o meu vestido de verão. Era azul, com renda na barra e alças finas, que o Vovô pensou que era meio vulgar porque meus ombros estavam nus. Eu adicionei um colar de turquesa combinando e um batom rosa. Chloe sorriu para mim de onde ela estava sentada na beirada de sua cama. Contra todas as probabilidades, ela estava pronta antes de mim. E não estava usando nenhuma joia ou maquiagem. Somente jeans e uma camiseta justa. Seu cabelo estava com uma trança simples. Eu mal a reconheci. — Você esta ótima. Eu girei uma vez. — Se um vampiro enlamear este vestido, eu vou bater. — Eu ajudo. — seus olhos brilharam. Eu nunca a vi tão feliz por lutar antes. Ela normalmente preferia flertar com os moradores locais no clube do que realmente trabalhar como isca. Talvez ela só houvesse mudado no verão e eu estava sendo paranoica. Eu realmente esperava que sim. — Onde estão as suas armas? — ela inclinou sua cabeça curiosamente.

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Eu ergui minha bolsa. — Aqui. E eu tenho uma estaca presa na minha coxa. — Oh! — ela balançou as sobrancelhas. — Sexy. — Sim, sim, No final das escadas do lado de fora do nosso quarto estava amontoado de nono anistas cochichando. Eles nos encaravam como se nós fôssemos estrelas de cinema. — Pouco estranho? — Chloe murmurou para eles. Lia foi a única corajosa o bastante para sair do grupo. — É verdade que vocês vão para a cidade e atrair os vampiros para fora dos clubes? Eu assenti. — Isso é tão legal. — ela sussurrou. — Nós podemos fazer isso? — Vocês não têm permissão para sair do campus à noite até que vocês tenham dezesseis anos. — eu disse enquanto fechávamos a porta atrás de nós. Nós nos apressamos pela pista até as garagens, passando os alunos que estavam dando uma caminhada ou correndo pela pista e outros deitados na grama perto do lago observando-se uns aos outros. A noite tinha acabado de cair sobre a escola, fazendo os prédios antigos parecerem de alguma forma, exóticos e fora de moda. Eu não ficaria surpresa de ver um fantasma de um senhor da época Vitoriana ou uma pioneira fazendo manteiga na varanda da casa da diretora. Jenna, Spencer e o Jason estavam esperando perto da Van velha que nós alugamos para a noite. Era despretensiosamente cinza, desajeitada, e hedionda. E era muito melhor do que ir andando até a cidade, sem dúvidas. — Entre. — Jenna disse, deslizando para o assento da frente antes que alguém mais pudesse. Ela amava dirigir quase o mesmo tanto que ela amava atirar nas coisas. — Primeira! — Chloe gritou. Ela sempre ia na frente porque ela fazia CDs para a nossa viagem de meia hora até a cidade. Eu subi atrás com Spencer e Jason. — Então onde nós estamos indo? — Spencer perguntou enquanto Jenna saía, espalhando o cascalho. — No “Gato Azul”? — O “Gato Azul” fechou no mês passado. — Jason disse, erguendo sua voz por cima da música alta que preenchia a Van. — E quanto ao “Teoria da Conspiração”? — Jenna perguntou. Todo mundo assentiu. O “Conspiração” não era uma balada como o “Gato Azul” havia sido, mas era

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um café estiloso em uma casa antiga de três andares com bandas ao vivo nos finais de semana. Seria o lugar mais popular no momento, em grande parte porque nenhum dos outros clubes deixavam menores entrar tão facilmente quanto no “Teoria da Conspiração”. Eu abri a minha janela, curtindo a brisa fresca que cheirava como cedro e grama, me recusando terminantemente a checar o meu telefone mais uma vez. Eu tinha uma vida; estava ocupada derrubando vampiros sedentos de sangue para tornar a vizinhança segura novamente. Eu não tinha tempo para esperar que Quinn Drake se dignificasse a me honrar com uma resposta. As florestas e montanhas deram lugar aos campos e fazendas e então a pequena cidade de Violet Hill, enfiada na beirada do lago. Em sua maior parte havia galerias de arte, livrarias antigas e cafés orgânicos. Havia provavelmente mais lojas de cristais na vila do que em toda San Francisco. Todo mês de julho havia um festival de arte e as pessoas desenhavam nas ruas com giz. Havia feiras dos fazendeiros e um museu dos pioneiros. Eu amava apesar do Vovô pensar que tudo isso era feito por um bando de, e eu vou citar, “hippies fumadores de machona”. Ele podia passar batido por isso, no entanto, já que era um cruzamento conveniente para diversas tribos de vampiros, tanto civilizados quanto Hel-Blar. Havia outras criaturas também, de acordo com Spencer, mas eu nunca vi nenhum deles. Ele estava convencido que os lobisomens existiam, mas até mesmo seus professores no Departamento Paranormal não lhe davam uma resposta certa. Eu continuava lhe dizendo que provavelmente isso significava que um deles era um lobisomem. Você nunca podia estar certo em nossa escola. Jenna dirigia muito rápido, como sempre, então nós chegamos à rua principal em vinte minutos. Violet Lake parecia como uma mancha escura de tinta na beirada das pedras brancas como papéis. Nós estacionamos no final da rua perto do café e andamos pelo distrito de fábricas abandonadas. Meia quadra disso. Violet Hill não era nada a não ser singular. — É lá. — Chloe disse com confiança, acenando para a antiga fábrica de vidro. Estilhaços quebrados ainda cintilavam no cimento, e apesar de ter sido fechada há dez anos. Era espaçosa o bastante para poder manobrar com um pouco de cobertura, então nós não atrairíamos atenção dos pedestres andando tarde da noite ali. A maioria ia em outra direção no caminho dos pontos de táxi ou da parada de ônibus. A grama do lado de fora do café estava repleta de fumantes, a música da banda de rock-jazz estava derramando-se pela porta aberta. Nós andamos pela multidão e

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pegamos o sofá de veludo puído bem atrás onde a luz era difusa e o chão estava grudento com bebidas derramadas. Velas queimavam em todo o lugar nos potes de geleia, e luzes cintilantes estavam envoltas ao redor do balcão do bar. O zumbido da máquina de café expresso era uma vibração constante por baixo da música. Eu peguei os pedidos de bebidas de todos já que eu era a isca. Eu era aquela que teria que desfilar sendo toda óbvia e burra. Eu ri. — Melhor. — Spencer aprovou. — Você soa menos como se tivesse engolido um balão de hélio nervoso. Eu fiz uma careta para ele antes de fazer o meu caminho pela multidão na direção do balcão. Olhei para os clientes discretamente. Os três caras na mesa de sinuca estavam tentando parecer como predadores; todos suaves e legais, mas eles eram inofensivos. A garota no fundo lá no canto flertando com um cara vestido com uma jaqueta de couro estava no meu radar. Ela parecia faminta e eu não sabia se era por atenção ou sangue. Os dois na mesa embaixo da janela eram menores e desesperadamente tentando não parecer ser. Os garçons pareciam apressados e não tinham tempo para cuidar de quem estava bebendo ilegalmente ou quem não estava. Além disso, era Violet Hill, possivelmente a cidade mais liberal, com mais liberdade de expressão no planeta. Beber não era uma grande coisa. Casacos de pele e pesticidas por outro lado... O bar na verdade era uma série de portas antigas de madeira presas juntas. A que estava no final pertencia a um salão da virada do século. Havia dois barmen e uma prensa de pessoas sedentas acenando dinheiro e gritando pedidos por cima da banda. Agitei minhas pestanas e me inclinei no bar, certificando-me que o meu decote, tal como estava, estivesse visível. A Parte 1 do plano exigia que eu fosse vista. — Uma dose de Kahlua, por favor. — eu pedi. Eu me certifiquei que a minha voz estivesse um pouco alta demais. Eu me inclinei ainda mais, atraindo os olhos de dois caras, que estavam me encarando. Aquele da esquerda poderia provavelmente ser vampiro. Era meio difícil de dizer. Eu trabalhei uma risadinha irritante. Ele ergueu seu copo para mim e saiu da fila, deixando um espaço e uma melhor visão das pessoas do outro lado dele. Engasguei a risada. — Que diabos você está fazendo aqui? — eu fiz uma careta para Quinn.

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Foi apenas a minha sorte que ele estava descansando lá com uma garota bonita em cada braço. Não me admira que ele não tenha respondido a minha mensagem. E pior, ele iria pegar a Parte 2 do plano, no qual eu logo estaria fazendo papel de boba, e ele perderia a Parte 3, no qual eu iria me redimir e realmente bater em alguém. — Buffy. — ele sorriu; os olhos cintilando quando viu o meu vestido curto e o meu decote ousado. Eu me forcei a não corar ou recuar. Ergui o meu queixo, desafiandoo a não fazer um único comentário. — O seu nome é Buffy? — a garota à sua esquerda zombou. A outra garota a beliscou. — Não seja rude. — ela sorriu para mim apologeticamente. Quinn não desviou o olhar de mim nem sequer uma vez durante toda a troca. Eu ergui uma sobrancelha. — Você não deveria estar enfiada em sua caminha em segurança? — ele perguntou. — Você não deveria estar usando um casaco de veludo vermelho e falando com um sotaque europeu ruim? — eu atirei de volta. — Você realmente é da Europa? — a primeira garota perguntou, sem entender. Ela percorreu seu dedo ao longo do colarinho dele. — Você mora em um castelo? Eu funguei e me virei, pegando a minha dose do balcão grudento. A mão de Quinn fechou-se de leve no meu pulso. — Você não tem idade legal. — ele disse, acenando para o Kahlua. — A minha identidade diz ao contrário. — eu o assegurei com um sorriso apático. Eu não estava prestes a lhe dizer que a bebida era só para exibição. Eu precisava parecer bêbada. Parecer sendo a palavra chave, porque um caçador bêbado era um caçador morto. Ele se inclinou para frente, colocando o meu cabelo atrás da orelha e sussurrando de uma maneira que somente eu podia ouvir. Suas namoradas fizeram caretas. Três caras e uma garota próximos à banda pareciam repentinamente interessados em nós. — Onde você deixa a estaca em um vestido como esse?

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Angulei minha cabeça para sussurrar de volta, meio sorridente. — Amarrada na minha coxa. Ele recuou bruscamente, os olhos azuis em chamas. Eu sorri e saí desfilando. Eu podia senti-lo me assistindo o tempo inteiro enquanto eu voltava para a minha mesa. Os outros já haviam pegado suas Cocas e bebiam-nas lentamente, parecendo relaxados. Somente eu sabia que cada um deles possuía uma estaca dentro de suas jaquetas, Hypnos em suas mangas, e lâminas nas solas de suas botas. Tomei a minha dose com um floreio. Eu mal poderia convencer um vampiro que eu estava bêbada se ele não pudesse sentir o cheiro de álcool no meu hálito. Spencer fez uma careta para mim. — Você sabe como fica quando você bebe. — ele disse alto. Eu dei de ombros, rindo. — Estou somente me divertindo. Você deveria tentar de vez em quando. — baixinho eu acrescentei. — O grupo perto do palco, possivelmente dois caras que foram para o segundo andar. — alcancei o uísque puro que ele havia deixado na mesa, sorrateiramente derramando a maior parte em cima da mesa. — Quantas doses você tomou? — Jason exigiu. — Somente uma. Não seja tão estraga-prazeres. Deus. — tropecei, só um pouco. Jason abriu a minha bolsa e tirou três copos de doses que eu havia colocado lá antes de sair. Ele fez uma grande produção de jogá-los na mesa e parecer enojado. Eu só ri e rezei para que Quinn estivesse bem longe, bem distraído pelas garotas bonitas se jogando nele, para me notar. — Você prometeu que não iria beber. — Chloe disse. — Vocês são uns chatos. — eu disse, bem alto. Algumas cabeças se viraram na nossa direção. Chloe escondeu um brilho de satisfação atrás de sua careta falsa de preocupação. Eu me virei para longe. — Vou dançar se vocês vão todos ser um bando de velhinhas chatas. Esta era a parte que eu mais odiava: dançar sozinha como uma idiota. Mas funcionava todas às vezes. Eu me virei e balancei meus quadris e dei uma risadinha quando tropecei em alguém se apoiando contra os amplificadores. Ele me pegou facilmente, sorrindo. Suas mãos eram frias, seus olhos de um dourado pálido.

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Vampiro. — Sinto muito. — abri um sorriso sem graça para ele. — Está tudo bem. — ele respondeu, ainda segurando o meu braço. Ele era bom, eu tinha que dar isso a ele. Sua expressão era aberta e sincera. Ele havia conseguido com sucesso evitar a ameaça de seda que sempre expunham os mortos. Com seu cabelo loiro e camiseta branca, ele parecia como um estudante da faculdade local, o tipo atlético com muitos músculos interessantes no braço e ombros fortes. Bem do tipo que uma estudante de colegial bêbada iria flertar. Eu odiava flertar. — Obrigada por me segurar. — eu disse, me aproximando. — Meu nome é Amber. — Claro que é. — eu fingi não entender o que ele quis dizer com isso. — É um nome muito bonito. Ha. — Seus amigos parecem estar te deixando para trás. — ele adicionou. Seus próprios amigos se aproximaram. Eu virei minha cabeça para ver Chloe e os outros, indo embora. Eu fiz beicinho. — Eles não são divertidos. Ele ainda estava segurando o meu cotovelo. — Nós já estávamos indo também. Eles estão fechando as portas em meia hora, mas tem uma festa lá no final da rua. — ele deslizou sua mão pelo meu braço. — Quer vir conosco, Amber? Eu te peguei. Seus bastardos mortos-vivos. Eu mordi meu lábio, inclinando minha cabeça. — Eu nem ao menos sei o seu nome. — É Matthew. — ele acena para seus amigos. — Aquele é o Nigel, Paul, e Belinda. Havia repentinamente muitos dentes brilhando para mim. Os sorrisos eram calculados. Amber, mesmo sendo fictícia, os teria achado charmosos e divertidos. Então eu sorri de volta. — Tudo bem, eu acho. — a música pulsou entre nós. — É longe?

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— Nem um pouco. — sua mão se moveu para a parte inferior das minhas costas, pressionando-me para frente e para fora da porta. Eu tive apenas tempo suficiente de olhar para o bar. Quinn tinha sumido. Do lado de fora, o vento havia refrescado. Lixo se espalhava pelo meio-fio. Matthew nos guiou pela rua, na direção dos becos escuros, para longe dos pubs e restaurantes, bem do jeito que eu planejei. Eu hesitei. — Vamos. — ele disse. — Eu pensei que você queria se divertir. Nigel riu. — Sim, Amber, não seja uma fracote agora. Eu dei de ombros e os deixei me convencer. Os outros estariam posicionados ao redor da antiga fábrica de vidro. Jenna provavelmente estaria no telhado em algum lugar. Viramos uma esquina, efetivamente protegendo-nos das partes da cidade ainda habitada para os trechos de armazéns abandonados. Nossos passos ecoavam. As luzes da rua se apagaram. Amber era uma idiota. Mas Chloe era uma idiota ainda maior. Chloe sabia do plano. Foi uma maldita ideia dela em primeiro lugar, encurralar os vampiros do outro lado da fábrica de vidro onde havia um estacionamento abandonado cheio de mato, um muro quebrado para esconderijo, e nada mais. Não, eu repito, não na rua onde qualquer um poderia passar dirigindo. Era difícil, verdade, mas ainda possível. E mesmo assim, lá estava ela, berrando igual uma lunática e se atirando em nós. Eu não sabia onde os outros estavam, além de não estarem aqui e não estarem perto o bastante para serem de ajuda imediata. O que o Spencer estava pensando, deixando-a correr sozinha? Ela conseguiu derrubar Nigel, pelo menos. Ela havia melhorado na última semana, mas não o bastante para derrubar cinco vampiros e sobreviver, mesmo com a minha ajuda. Eu tirei vantagem do breve momento de surpresa quando os vampiros se viraram para ver que animal louco havia batido em seu amigo. Eu dei um passo para trás e soltei a estaca da bainha na minha coxa. Matthew olhou para mim e lambeu seus lábios.

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— Bem, agora, Amber. — ele disse enquanto suas presas se sobressaíam de suas gengivas. — Você está de repente mais interessante. Eu não perdi meu fôlego respondendo para ele. Os outros quatro haviam circulado a Chloe, mostrando suas próprias presas. Se nós sobrevivermos a isso, eu vou matá-la. Eu só tinha uma estaca. Se eu a usasse em Matthew, deixaria Chloe desprotegida. E ela já estava de joelhos, um buraco rasgado em seu jeans, sangue em seu lábio. Ela usou seu pulso para mandar a estaca pelo coração de Nigel. Ele se desmantelou em cinzas. Isso aí, Chloe. Claro, agora o resto deles estava realmente putos. E eu não conseguiria alcançá-la. Nossos professores estavam sempre falando sobre como os vampiros iriam te perseguir se você fugisse; o predador neles achava difícil resistir a caçada. Eu realmente esperava que eles estivessem certos sobre isso. Até onde eu conhecia sobre planos de reserva, este era uma droga. Eu me virei e corri, pausando somente para mostrar ao Matthew o sorriso mais provocador que eu conseguisse. Porque provocar um vampiro com raiva é sempre uma boa ideia. Eu corri rápido. Matthew, claro, era mais rápido. Muito, muito mais rápido. E os seus amigos também. Pelo lado bom, a Chloe ficou somente com um vampiro para lidar, e ele era relativamente pequeno. Pelo lado ruim, eu fiquei com três. Eu não cheguei ao estacionamento da fábrica de vidro, mas estava perto o bastante para um bom grito que alertaria os outros, se não tivesse uma mão pálida no momento apertando minha traqueia. Engasguei com a respiração, meus olhos queimavam. Enfiei minhas unhas na mão por instinto, apesar de que eu sabia que não adiantaria nada. Quando comecei a ver borrões, meu treinamento entrou em cena. Eu tinha uma estaca perfeitamente boa.

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Eu a enfiei no peito de Matthew tão forte quanto podia. Minha visão era cinza e aquosa e a falta de oxigênio estava se tornando um problema sério. Eu não acertei em cheio o seu coração; estava a um centímetro mais ou menos para a esquerda. Mas pelo menos o machucou bastante para que ele me soltasse com um grito. Sangue se acumulou em volta da estaca, ainda saindo de sua caixa torácica, enquanto eu engolia ar para os meus pulmões que gritavam. Eu também me virei para dar um chute em seu machucado com o salto do meu sapato. Ele não se transformou em pó, mas tropeçou para fora de alcance. E então a Belinda tinha agarrado o meu cabelo, enrolando-o ao redor de seu pulso e o puxando selvagemente. Tudo o que eu podia ouvir era o grunhido de desaprovação do meu Avô. Por que certos tipos de garotas atacavam o cabelo? Os músculos do meu pescoço se esticaram até quase quebrarem, minha cabeça angulou dolorosamente para o lado, expondo a minha jugular. Saliva pingava no meu braço e no chão. Ela estava babando. Nojento. — Isso não foi muito legal. — Matthew disse, aproximando-se de mim. Ele tirou a estaca de sua carne como se fosse um espinho em uma roseira. Pétalas vermelhas de sangue se espalhavam ao redor dele. Belinda me segurava firmemente para ele, se entregando à tentação do meu sangue ao me mordiscar uma vez. Não era pior do que uma picada de abelha, mas eu me encolhi, ficando gelada até os ossos. Ela lambeu as pequenas marcas de perfuração como se eu estivesse sangrando sorvete. — Eca. — eu tentei acotovelá-la. — Sai de perto de mim. Eu não podia ver como a Chloe estava indo, não podia nem mesmo ouvi-la. Eu podia somente ver os dentes afiados de Matthew e a maneira como girava a estaca ensanguentada por cima de suas juntas, como um malabarista de rua. Até mesmo a sua camiseta polo estava repentinamente ameaçadora. — Já se perguntou como é a sensação de ter uma destas em seu coração? — ele perguntou agradavelmente. Eu tentei me afastar, mesmo com Belinda me forçando para frente. Esmaguei o peito de seu pé. Ela não me soltou, mas xingou viciosamente, o que eu gostei. Onde diabo estava todo mundo? — Parece justo. — Matthew continuou. — Um pouco de karma, se você preferir. — ele girou a estaca novamente. — Vamos ver por quanto tempo você grita?

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— Você vai alguma hora calar a boca? — eu estourei, medo e irritação preenchendo-me em partes iguais. — Este não é o seu monólogo, Hamlet. É a cena da batalha, no caso de você ter esquecido. Seus olhos se estreitaram tão rápido que praticamente faiscaram. Eles eram da cor de mel pegando fogo. Um dos outros grunhiu como um animal, um som gutural na garganta. Fez todos os pelos nos meus braços ficarem de pé. Eu iria morrer por tirar sarro de Shakespeare. O meu professor de Literatura Inglesa iria ficar tão orgulhoso. E então Matthew estava gritando. A estaca tiniu nos meus pés, mas eu não conseguia alcançá-la. Usei o aperto de ferro da Belinda para fazer um pivô derrubando Sam quando ele veio na minha direção. Com o canto do meu olho, eu vi Matthew cair no chão, vidro quebrado moendo sob o seu peso. Houve um borrão de movimento e, em seguida, a sombra fundiu-se em uma camisa escura, pele pálida e olhos azuis como gasolina pegando fogo. Quinn. Eu não tinha ideia de onde ele tinha surgido e não tive tempo para me perguntar sobre isso. Belinda estava batendo seus dentes para mim. — Eu disse... — eu a acotovelei no nariz, escutando o osso quebrar... — Sai... — usei o lado da minha mão para cortar o seu pulso... — Daqui! — e então eu caí, tirando o equilíbrio dela para que tropeçasse. Usei o momento para girar e jogá-la para longe. Eu consegui me esticar o bastante para alcançar a estaca. Bloqueei o segundo ataque de Belinda, em grande parte por um feliz acidente. Eu girei a estaca e a enfiei o mais forte que pude. Ela virou cinzas e flutuou pelo concreto sujo. Matthew rugiu. Levantando-se furiosamente, cortando Quinn com um canivete. Eu joguei uma pedra em sua cabeça e chutei para trás para fazer Paul tropeçar antes que ele pudesse me agarrar. Quinn se inclinou tanto para trás que o seu cabelo escovou o chão. Ele deu uma volta completa e pousou ao meu lado. — Um de costas para o outro. — ele exigiu, mas eu já estava pressionando as minhas omoplatas contra as dele. Postura padrão de combate corpo a corpo. Ele estava sorrindo. Eu revirei meus olhos. — Como isso é divertido para você?

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Ele deu de ombros com um ombro. — Ainda não virei cinzas. — Eu posso consertar isso. — Matthew sibilou. — Você está certa. — Quinn me disse em um tom de conversação, como se não estivéssemos em menos número hoje e lutando por nossas vidas. — Este aqui apenas não cala a boca. — o soco de Quinn foi tão rápido que eu escutei o quebrar de uma das presas de Matthew contra a junta de Quinn. Eu não vi, mas o som foi singular. — Deixeme te ajudar com isso. — Você quebrou o meu dente! — Matthew cuspiu sangue, os brancos de seus olhos se transformaram em vermelho de raiva. Foi distração o bastante que eu não vi o punho de Paul, até que ele acertou a minha mandíbula. Dor floresceu em meu rosto. Eu teria uma horrenda contusão pela manhã. Tropecei para trás, batendo no braço de Quinn. Ele deu uma olhada por cima do ombro. — Merda. — ele disse. — Seu rosto. — Ai. — eu concordei. — Onde diabos estão seus amigos? — Eu não sei. — mas pelo menos todos os vampiros estavam nos atacando, não a Chloe. Nesse momento eu queria me matar. Eu me atrapalhei para pegar o apito de prata em volta do meu pescoço, pendurado ao lado do medalhão de coroação Drake. Eu somente o usava nas noites de isca. Parecia como um pequeno pingente prateado, mas era bem mais útil. Eu soprei nele e o apito estridente perfurou a noite. — Eu nem quero saber. — Quinn murmurou, movendo-se tão rapidamente que era um borrão de sombras escuras como tinha derramado no formato de um homem. Ele estava lutando contra os três vampiros o melhor que podia, circulando-me protetoramente como uma nuvem escura. — Deixe-me ajudar. — eu gritei. — Você está machucada. — Estou bem. — insisti. O dia em que um soquinho, de vampiro ou não, me tirasse de uma luta inteira era a noite que eu não era mais uma Wild. — Deixe-me participar. — eu ajustei o aperto na minha estaca, escorregadia com o sangue de Matthew. Minha garganta começou a doer por causa do estrangulamento, meu rosto doía de ter sido socada, e nós estávamos cercados.

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E eu meio que estava me divertindo. Provavelmente não era um bom sinal.

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Capítulo

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Hunter
— À sua direita. — Quinn grunhiu se materializando do meu outro lado. Eu cravei a estaca a minha direita e atravessei carne e osso, mas não o coração. Contudo, Paul tropeçou e parou o suficiente para que eu pudesse vê-lo claramente agora, até mesmo o lampejo de uma lâmpada desbotada. Eu estaquei de novo, golpeando mais próximo do coração. E logo todos os demais estavam ali em resposta ao meu assovio. O perverso objetivo de Jenna tirou de Sam com uma flechada da besta. Jason deu um passo atrás, sustentando Chloe, que se agarrou ao seu lado. Vi Spencer atirar seu frasco de Hypnos e supus o que estava a ponto de fazer. Respirei fundo, me virei e peguei Quinn, puxando-o para mim. Seus olhos se alargaram. Minha boca se fechou sobre a sua no momento que Spencer jogou o Hypnos. Este estava em todas as partes, como confete de açúcar sobre bolinhos. — Vampiros parem! — ele gritou. Eu beijei Quinn mais forte, assegurando-me de que ele não estivesse inalando nada da poeira. Ele me devolveu o beijo, devolvendo-me o favor. Sua boca era tão deliciosa como tinha imaginado que seria. Não é que eu tivesse ficado pensando com claridade ao respeito. Nem sequer era capaz de pensar bem nesse mesmo momento de todas as formas. Seus lábios eram frios, como se tivesse tomado sorvete. Suas mãos se apoderaram dos meus braços, sustentando-me apertada contra seu peito. Sua língua tocou a minha, levemente, depois mais profundo, até que meus joelhos ficaram fracos. Devolvi o beijo. Eu não ia fugir e ser a única a se sentir mole feito

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água. Ele fez um som na parte posterior da garganta, como um gemido ou um ronronar. Isso me fez sentir mais forte como se eu estivesse completamente armada. Seus olhos se abriram as pupilas amplas e muito negras. Foi um longo momento quente antes que eu me desse conta de que os sons da batalha haviam desaparecido por completo, e não apenas por esse beijo. Afastei-me, respirando profundamente. Eu não sabia que estava ruborizada, sabia que Quinn sentia o calor do meu sangue correndo na superfície da minha pele. Respirei fundo novamente. Todo mundo nos olhava. — Cara! — Spencer disse. Esclareci a garganta, dando um grande passo para longe de Quinn. Não podia olhá-lo, não queria saber se ele ainda estava sorrindo. Matthew e Paul, os únicos dois vampiros restantes desabaram aos nossos pés, olhando-nos com furiosos olhos claros. Jenna estava sobre eles, besta em punho. — O hypnos vai desaparecer logo. — advertiu. Empurrei meu cabelo do meu rosto. — Temos que amarrá-los. — minha voz estava somente um pouco estridente. — Para que? — Quinn perguntou. — Vamos estacá-los. Todos nós o olhamos. — São prisioneiros de guerra. — lhe disse. — São vampiros. — Você também. — Assim eu sei do que estou falando. Neguei com a cabeça. — Não pode estar falando sério. — Não viu sua cara, Hunter. — disse friamente. Não, mas podia senti-la. O hematoma já estava pulsando debaixo dos meus olhos e ao longo do meu osso malar esquerdo.

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— Não podemos matá-los a sangue frio. — insisti enquanto o calor da batalha desaparecia. — Então eu o farei. Dei um passo entre ele e os vampiros. — Não. — Ele tem um ponto. — Jason disse em voz baixa. — Olá? Matar um prisioneiro de guerra? Sabe quantas detenções seria? — Dei a volta para olhá-lo. E agora que eles estavam imobilizados, nós teríamos que estacá-los quando eles não pudessem se defender. Talvez estivesse sendo estúpida, mas sentia errado dessa maneira. Era diferente em batalha. — Qualquer coisa que façamos, temos que fazê-lo rápido. — Jenna nos interrompeu. — Como nos próximos três minutos. — Temos corda suficiente para amarrá-los e chamar a unidade móvel. Eles irão vir por eles e os trancarão. — Seus nós insignificantes não os deterão. — Quinn disse enquanto eu abria meu telefone celular e batia na discagem rápida. — Então os seus vampirescos os farão. — dei-lhe um olhar seco, esperando a chamada para partir. — Assim que amarrá-los. Jenna entregou a corda pendurada em seu cinturão. Quinn suspirou depois de um momento e a pegou. — Esta é uma péssima ideia. — murmurou, pegando firme a corda. — Estou contigo. — Jason murmurou em resposta. — Chloe precisa de um médico. — lhe disse depois que dei nossas coordenadas ao agente do outro lado da linha. Deslizei o telefone no bolso. — Então porque vocês garotos não a levam de volta e eu fico aqui e espero a unidade? — É apenas uma ferida superficial. — ela tentou brincar. — Estúpida velocidade de vampiro! Usar minha própria faca contra mim. — Não devia ter vindo sem nós. — Spencer disse severamente para Chloe. — E não vai ficar aqui sozinha. — me disse com firmeza. — Eu fico. — Quinn disse em voz baixa.

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Virei-me para ele surpresa. — Não tem que fazer. Isto é para os que estão em treinamento, se lembra? — Eu fico. — ele levantou uma sobrancelha. — Você precisa de mim. Abri a boca para discutir, apenas no início, mas Spencer interrompeu. — Tem razão. — tirou um frasco extra de Hypnos de seu cinturão. — Para o caso. — Chloe está começando a sangrar em meus sapatos novos. — Jenna interveio. — Assim vamos logo. Mordi meu lábio. — Deveria ir com você? — lhe perguntei. — Está tudo bem? Ela estava um pouco pálida, mas parecia mais incomodada do que dolorida. — Estou bem. Estou certa de que preciso apenas de alguns pontos. — E o golpe na minha cabeça. — Jenna lhe disse. — Você conhecia o plano. — Pode gritar comigo mais tarde? — Conte com isso. Estávamos em posição. Nós quase não chegamos aqui a tempo. Saíram apressados, ainda discutindo. A noite era silenciosa e de um cintilar de tons azuis e cinzas. A lâmpada estava aparentemente quebrada, como se algumas estrelas houvessem caído do céu, cobrindo o chão. Era quase bonito. Você sabe, com exceção dos dois vampiros atualmente amarrados e com vontade de me matar, e o outro vampiro franzindo o cenho para mim, e o hematoma na minha cara. Neguei com a cabeça. — Isso encantaria meu avô. Quinn me olhou com curiosidade. — O fato de um vampiro estar ajudando a cuidar de outros dois vampiros. — lhe expliquei. — Não é um fã da aliança? — brincou. — Um não.

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— Este grupo esteve caçando turistas durante todo o verão. — disse. — Os jornais estavam cheios de ataques de animais aos excursionistas, mas os animais não mordem a garganta e bebem sangue. E agora que tinham passado aos estudantes da secundária e universitários. Nem todos os vampiros são convenientemente azuis. — adicionou se referindo aos Hel-Blar. — Eu não disse que queria comprar seu bolo. — me defendi. — Eu simplesmente não queria assassiná-los tão pouco. — Eles a teriam assassinado. — Mais uma razão para não fazer o que eles fazem. Seu sorriso era torto. — Deve tornar seu avô louco. Estive a ponto de lhe devolver o sorriso. — Provavelmente. E ironicamente ele estaria de acordo com você. Ele iria querer estacá-los também. — Ele já me agrada. — Ele iria querer te estacar também. — Isso é apenas porque ele não me conhece. Posso ser muito charmoso. — Aposto que pode. As garotas na cafeteria pareciam pensar isso de todas as formas. — agora, porque disse isso? Ele me deu seu insuportável sorriso habitual. Salvei-me de sua resposta quando ele inclinou a cabeça. — Dois carros ao norte. — Essa deve ser a unidade. Talvez devesse partir. — Não vou lhe deixar aqui. - Somente me referia que a Liga poderia ter perguntas, poderia... Já sabe. Vampiro. Um carro cheio de caçadores de vampiros. Faça seus cálculos. — Está preocupada comigo. — disse em voz baixa, dando um passo mais próximo. Repentinamente fiquei muito consciente do meu vestido de verão curto e os ombros nus. — É somente educação. — contestei. — E eu quero algo de você. — Isso soa promissor. — ele aproximou sua cabeça da minha. — E esse beijo não era educado.

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Engoli. — Eu estava lhe salvando do Hypnos. — Lembre-me de lhe agradecer mais tarde. Escutei o ruído dos motores se aproximando, tão alto que inclusive eu podia escutá-los. — Por favor, apenas vá. — Deixe-me levá-la para casa. — murmurou. — Me esconderei se disser que tem já um modo de chegar em casa. Olhou-me nos olhos, podia ver o brilho deles inclusive na escuridão. — Por quê? Sua boca roçou minha orelha, enviando calafrios sobre meu couro cabeludo e por meu pescoço. — Porque o quer. O pior de tudo era que Quinn estava certo. Eu queria estar a sós com ele. Felizmente os dois veículos gritando cheios de agentes duros Hélios Rá dando a volta na esquina foram distração suficiente. Quinn estava em algum lugar nas sombras escuras na zona de armazéns e eu estava sozinha com dois vampiros amarrados aos meus pés. Provavelmente parecia bastante impressionante, especialmente para uma estudante. Sentia-me confusa. — Hunter Wild? — a mulher de aspecto extremamente competente perguntou enquanto deslizava fora do assento do passageiro do primeiro SUV. Ela tinha tampões nasais soltos ao redor de seu pescoço e um fone de ouvido envolto da sua orelha esquerda. Assenti com a cabeça. — Sim, essa sou eu. — Você chamou. — adicionou seu companheiro. Era muito alto, com dentes muito brancos e um nariz que havia sido quebrado claramente em varias ocasiões e inclinado drasticamente para a esquerda. Ele poderia parecer assustador para mais alguém, especialmente com a cicatriz em seu pescoço. Para mim, ele apenas parecia familiar. — Brandon. — sorri. — Encantada em lhe ver. Ele sorriu e assentiu com a cabeça para os vampiros. — Bom trabalho, garota.

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— Tive ajuda. — apressei-me em explicar. — Havia cinco ou seis de nós. O restante levou Chloe de volta à escola para sutura. Eu apenas sou a última na limpeza. — Esses somos nós na verdade. — a mulher disse, indicando aos demais que pegasse aos vampiros. — Bom trabalho Wild. Posso ver que a reputação da sua família não é apenas propaganda. — Obrigada. — encolhi um ombro. Queria dizer-lhes que Quinn havia nos ajudado, mas não estava certa de se isso apenas o tornaria tudo mais complicado. Definitivamente, me levariam de volta a escola se soubessem que ele estava ainda na emboscada. Era melhor transmitir a informação a Kieran para passá-la a Hart. — Então, o que vai acontecer com eles? — perguntei enquanto os vampiros eram jogados na parte traseira da caminhonete. — Não se preocupe com isso. — disse com severidade. — Sabemos de Mathew. Temos tentado encontrar seu ninho há semanas. Eu engoli. Realmente esperava que apenas não houvesse entregado prisioneiros de guerra a um pelotão de fuzilamento. — Brandon? — Não se preocupe garota. Vai ficar bem. — o que não era exatamente uma resposta. Ele abriu a porta. — Sobe lhe deixamos em casa. — Estou bem. — disse, mentindo entre dentes. — Nós pegamos uma das motos e devo devolvê-la. Esta na Rua Honeychurch que esta na esquina, perto da cafeteria. — realmente esperava que Quinn não estivesse mentindo quando disse que me levaria de volta. Eu não tinha dinheiro suficiente para chamar um taxi e não estava procurando uma caminhada de uma hora e meia na escuridão de volta a escola. — Tem certeza? Assenti com a cabeça, tentando sorrir como se tudo estivesse normal. Ele me deu uma saudação amistosa. — Muito bem, vai então. Vamos manter um olho em você até que chegue a esquina. O cinema estará saindo da sua última sessão. Você deverá ficar bem. Ele piscou um olho. — De todas as formas, apanhou aos malvados já.

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— Suponho que sim. — afastei-me, dando olhadas pelo canto do olho para ver se podia encontrar Quinn. Tinha apenas edifícios cinza com janelas quebradas e ervam altas crescendo entre as frestas do pavimento. Um guaxinim cambaleante atrás de uma lata de lixo. Acenei para o SUV dos Hélios Ra e o inativo furgão quando cheguei à esquina, antes de virar para a Rua Blitt. Realmente havia um monte de gente saindo do cinema e de “Conspiração” que estava fechando suas portas. Eu desviei o bueiro e entrei em uma livraria de ocultismo com cristais brilhantes na janela. Mesmo fechada para a noite tinha um forte cheiro de incenso de Nag Champa* (marca de fragrâncias da Índia, com uma grande concentração de sândalo. Frequentemente usada em incensos, mas também pode ser encontrada em sabonetes e óleos de banho). Spencer andava o tempo todo por aqui, procurando através das ervas, pedras e estatuas de bronze, tudo em busca de feitiços secretos e amuletos mágicos. Pergunteime, não pela primeira vez, se o proprietário tinha ideia de quantos de seus clientes era caçadores de vampiros disfarçados. Também me perguntava aonde Quinn havia ido. Empurrei meu cabelo para trás e bati o pé com impaciência. Cinco minutos mais e teria que encontrar meu próprio caminho. Não podia esperar a noite toda. Não quando era de Quinn que estávamos falando. Ele poderia ter visto uma garota bonita e passaria a seguinte hora paquerando com ela e se esqueceria de mim. — No caso de não ter dito ainda, mente bem Wild. Ou não. Virei para vê-lo cair de uma escada de incêndios atrás de mim. Estava pelo menos três andares acima, mas aterrissou com tanta graça como um gato, parecendo tão convencido como um. — Convencido. — lhe disse suavemente. Deu de ombros. — Não acredito em esconder o que sou. — Humm, não é isso o tipo de requisito quando é um vampiro? — No geral, sim. Mas você já sabe que sou um vampiro, porque tentaria o contrário? Não vou mentir para você Hunter. Maldito seja, era bom com essa coisa de consumismo.

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Minhas entranhas se estremeceram um pouco, apesar de mim mesma. Talvez tivesse lido muitas novelas românticas ultimamente. — Vamos. — disse em voz baixa. — Eu a levarei para casa. Parecia estranhamente normal cruzar a rua com ele, como todos os outros casais partindo em seus carros. Nós devíamos parecer como se houvéssemos estado em um encontro, sobre tudo quando me levou ao seu Mustang conversível preto e abriu a porta do passageiro para mim. Os assentos eram de couro suave e todo o cromo brilhava como se houvesse sido encerado recentemente. Não havia um grão de poeira ou uma sujeira nos tapetes do assoalho. — Lindo carro. — disse de repente para quebrar o silêncio repentino. — Sim, era o da minha tia para o dia. Ela tende a guardar as coisas, e graças a Deus guardou este. Eu tive que rir. — Apenas um Drake pode guardar um carro como recordação. — Deveria ver algumas das coisas que ela guarda. — ele estremeceu. Eu não podia deixar de ser curiosa. — Como o que? — Dedos, ossos. — Humm... Ew. — Quer um ew? Ela os mantém em uma velha caixa de Cadbury 15 Pensa em como é ter sete anos e encontrar o maior esconderijo de chocolates. Esse é um duro despertar, ali tinha somente dedos. — ele sacudiu a cabeça, trocando a marcha do carro e se aproximando. — Fugi de chocolates por um bom ano e meio. O vento era quente em meu rosto e jogava meu cabelo em todas as direções. Seria um desastre de nós no final do passeio, mas não me importava. Sentia-se agradável me sentar em um carro com um garoto. Quase podia fingir que era assim simples. — Alguma vez descobriu de quem eram os dedos?
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Marca de chocolate.

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Ele me deu um olhar incrédulo. — Não se faz esse tipo de pergunta para tia Ruby. — Porque ela é malvada ou algo assim? — Não, apenas louca. — disse com indiferença, sem julgar. Somente um fato. — Oh. — Os caçadores mataram sua família. — Os vampiros mataram a minha. — apontei na defensiva. Sua voz se suavizou. — Eu não estava acusando Hunter. Fiz uma careta. Ele havia salvado minha vida essa noite. Não deveria estar lhe atacando. — Sinto muito. Ele deu de ombros. — Não é grande coisa. É raro não. — Que coisa? — O tratado e tudo isso. É como se nós acordássemos uma manhã e se supõe que não somos mais inimigos. Levará algum tempo acostumar-se. — É verdade. — disse. — Acredito que está realmente bem, contudo. — Infelizmente, nem todos estão de acordo. Pensei em meu avô e o que faria se me visse agora. — Eu sei. Mas vale a pena se proteger. — Sim. — disse, e algo na forma em que me olhava me fez pensar que estava falando especificadamente sobre mim. — Certo. Isso era uma loucura, entretanto, não? Eu era uma caçadora, e ele me tratava como mais um dos garotos. Contudo ele não havia me chamado de Buffy desde o café. Ele havia usado meu verdadeiro nome. Isso significava algo? Controle-se Wild, disse a mim mesma. Ele também estava saindo com ao menos duas garotas diferentes não faz mais de três horas. Reduziu a velocidade do carro antes de chegar ao desvio da escola. Entrou no gramado e desligou o motor, apagando as luzes. Nós estávamos meio que escondidos pelas ervas e ramos das arvores que caíam baixas. Os

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vagalumes brilhavam para nós do outro lado da rua. Não havia uma só pessoa, humana ou vampiro em qualquer lugar. Até mesmo as estrelas se esconderam atrás das finas nuvens, como se nos dessem privacidade. — Recebi sua mensagem enquanto a esperava. Tem um favor para me pedir? — disse se virando para mim. Mesmo na escuridão, seu maxilar era forte, seu rosto pálido. Seus dentes brilhavam, parecendo levemente afiados, mesmo com suas presas retraídas. — Então recebeu? — perguntei-lhe gaguejando de repente. — Eu não tinha certeza. Quer dizer, às vezes nós não conseguimos muito bom sinal na escola. Mas suponho que sabe isso, vivendo em uma fazenda e tudo mais. — Cala a boca, cala a boca! Ele sorriu lentamente. — Hunter, está nervosa? — Cala a boca. — Vai me convidar ao baile? — brincou. — Cala a boca. — repeti me engasgando com uma risada horrível. Ele sorriu. — Fico muito bonito de smoking. Coloquei os olhos em branco, à vontade novamente. — É tão refrescantemente humilde. — É uma maldição. — ele concordou alegremente. Rapidamente seus olhos passaram da chuva prateada a algo tormentoso. — E ainda está usando o medalhão da coroação. Senti-me como se houvesse sido pega dormindo sobre seu retrato. Enfiei a corrente novamente em meu vestido. Limpei as palmas úmidas em meu colo. — Posso confiar em você com os segredos da escola? — Segredos Hélios Ra? Genial. — ele se inclinou para trás, satisfeito. Mordi o lábio. — Não importa. Essa foi uma péssima ideia. Tocou minha mão. — Estou brincando. O que é? Eu esperava que não estivesse a ponto de cometer um grande erro. Ele parecia digno de confiança, no entanto, apesar dos sorrisos encantadores e as presas. Tirei do meu bolso a vitamina que havia roubado da bolsa de Chloe.

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Estava em um saco plástico pequeno, do tipo que se consegue ao comprar joias. — Preciso ter isso analisado. — lhe expliquei em voz baixa. — Você deve ter laboratórios aqui na escola. — Nós temos. Mas não conheço ninguém bem o suficiente para confiar isso. — Mas você confia em mim. — Sim. — ainda que não tenha sentido algum. Ele pegou a pílula, franziu o cenho. — Parece uma vitamina. — Estou esperando que seja apenas isso. — Mas acredita que é algo mais? Assenti com a cabeça. — Chloe está tomando e ela tem estado estranha e de mal humor. Suas sobrancelhas se levantaram. — Esteroides? — Talvez. Ela está obcecada em tomá-las e treinar e se fazer cada vez mais forte, assim, é possível. E esse garoto Will. O que levamos à enfermaria. Ele disse algo sobre as vitaminas também, se lembra? — Huh. Como ele está de todas as formas? — Não há nada definitivo ainda. E ninguém nos disse nada sobre essa mulher Hel-Blar que se desintegrou. Definitivamente tem algumas coisas estranhas acontecendo. — Sim, isso não é normal. — Quinn concordou. — Vou ver se meu irmão Marcus pode analisar isso. Ele é bom com esse tipo de coisas. Perguntaria ao meu tio, o professor de biologia, mas ele teria muitas perguntas. — deslizou minha única prova em seu bolso. — Pode analisar isso também? — perguntei-lhe tirando as amostras de sangue do meu bolso. Eu era o tipo de garota que carregava sangue no bolso e facas nas botas. Talvez devesse visitar o conselheiro da escola.

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Sentia-me nervosa, mas aliviada ao mesmo tempo enquanto ele guardava as amostras. Uma risadinha incomum se congestionou na minha garganta. Enfim poderia conseguir algumas respostas depois de tudo. Toquei seu pulso e estava fresco em minha mão. — Obrigada. Fez uma pausa cerrando os olhos. — Você não está tomando essas coisas também; certo? — perguntou bruscamente. — De maneira nenhuma. — ele se inclinou mais perto, cheirando ao longo da minha clavícula e mandíbula. — O que está fazendo? — sussurrei. — Apenas checando. — respondeu um pouco rouco. — Comprovando o que? — meu pulso acelerava. — Geralmente pode se sentir o cheiro das drogas na corrente sanguínea de um ser humano. Definitivamente podemos provar. — Estou dizendo que não uso nada. — Já sei. Cheira a... Framboesas... E limão. — Isso é bom... ? — senti-o sorrindo contra minha pele. — Sim. — Oh! — engoli saliva. Estava ficando difícil formar uma frase coerente. — Portanto, pode cheirar a Chloe ou ao Will. Para saber se algo está errado? — Talvez. Mas prefiro cheirar você, no entanto. Sim, ele era muito, muito bom nisso. Na verdade, sentia-me como se estive derretendo, como se estivesse em chamas, como se tivesse engolido esses vagalumes. Afastou-se novamente, o suficiente para me olhar, como se eu fosse um quebra-cabeças que era preciso resolver, ou um pirulito que não estava certo que se permitiria comer. Péssima analogia. Suas presas se alongaram, mas somente um pouco. Eu nem sequer teria me dado conta se não estivesse acostumada a ver coisas assim. E isso não me

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deixou nervosa por motivo algum. Eu não tinha medo, e não apenas porque tinha a bolsa cheia de pequenas armas afiadas. Tinha algo entre nós de repente, e não era simplesmente desvendar segredos. Era algo mais proibido, mais misterioso, mais delicioso. Fechei o pequeno espaço entre nós, gravitando para ele como se fosse um ímã. Nossos olhos se conectaram. Suas pupilas dilatadas, a íris iluminada. Sorri. — Você não é o único que quer uma testada. — lhe disse. E então ele me beijou, ou eu estava beijando ele. Estávamos de repente um nos braços do outro, como brilhantes, mas sem estar ali, de repente. Em todas as partes. Sua boca era má, sua língua atrevida. Não podia ter o suficiente. Meu corpo todo estremeceu. Sua mão afundou no meu cabelo, acomodando-se na parte de trás do meu pescoço. Ele me puxou para mais perto. Os músculos dos seus braços estavam rígidos debaixo das minhas mãos. Nunca havia me sentido assim antes. Ele era um vampiro e eu não me importava. Eu era uma caçadora e não me importava. Podia apenas me lembrar de respirar e não me importava. Apenas queria mais. E então o carro mal podia nos conter, e seu cotovelo bateu acidentalmente na buzina. O ruído repentino atravessou a noite quente de verão e nós pulamos. Eu estava aturdida, desorientada. Sentia meus lábios quentes, inchados. Ele sorriu com tristeza, forçando-se a me soltar. — Suponho que é o meu sinal para lhe levar para casa. — Será melhor que eu caminhe daqui. — murmurei. — Câmeras de vigilância. — Manda mensagem quando entrar. — disse. — Vou esperar aqui até que o faça.

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— Está bem. — eu estava muito aturdida, surpresa que conseguisse ficar de pé corretamente. Mas estava feliz que ele parecesse tão desconcertado quanto eu. — Boa noite Hunter.

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Capítulo
Quinn
Sorri por todo o caminho para casa.

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Eu tinha deixado as garotas plantadas, sido quase estacado e tinha tido que me esconder de um carro cheio de caçadores de vampiro com equipamentos de combate. Definitivamente, tinha valido a pena. Quando coloquei o carro no estacionamento, Nicholas estava na varanda da casa. Protegeu os olhos das luzes do carro, suas presas brilhando. — Como estava seu encontro? — perguntou-me, enquanto eu batia a porta do carro. — Qual deles? — Presumível. — Com a grande beleza vem a grande responsabilidade. — respondi. Eu ainda estava sorrindo. — Pronto para patrulhar, garoto bonito? — Sempre. — ainda tinha a adrenalina da briga e do beijo. Chutar traseiros de Hel-Blar soava como a maneira perfeita de terminar a tarde. — Tem uma mochila no closet do hall. — Nicholas me disse. Fui e a peguei junto com um arco de mão, enfiado em uma manga de um velho agasalho que ninguém usava.

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Era meu favorito e me custou muitíssimo escondê-lo de Lucy. Coloquei a mochila nos ombros e me dirigi para fora. Havia algumas marcas de fogo no final da varanda e uma tábua de madeira encharcada que ia apodrecer se não a tirássemos logo. A unidade sorrateira de Hope do Helios-Ra tinha feito um estrago muito severo quando tentaram invadir a casa. Não tínhamos terminado todos os consertos, mas pelo menos tínhamos fechado o enorme buraco que ficou na parede. Amarrei meu cabelo e carreguei o arco. Um arco sem carregar seria tão útil quanto uma colher. Mamãe podia ser um escoteiro não morto com todos os seus discursos de “estar preparados”. — Vamos. Na fazenda e na floresta, ao redor das montanhas onde patrulhávamos, não tínhamos que nos conter. Nós podíamos nos mover tão rápido quanto queríamos, sem nos preocupar se nos viam um pouco borrados. Existia liberdade e euforia ao fazer isso. Não estava mentindo quando disse a Hunter que eu não acreditava em esconder quem e o que eu era. E também não acreditava em sofrer por ser um não morto. Em minha opinião, ser um vampiro, chuta traseiros. E não morto era melhor do que morto. Okay, quando eu era humano, pensar em beber sangue me deixava preocupado de que estivesse prestes a entrar em uma vida de “comer suas couves de Bruxelas são boas para sua dieta”. Mas uma vez que eu mudei, também mudaram as minhas papilas gustativas. Porque dar as costas ao que te mantém vivo? Ou não morto? Ou seja, como for. A única desvantagem, ou a única que eu via, era que é muito mais fácil encontrar um hambúrguer do que um frasco de sangue. E também sentia saudades da luz do sol, mas eu superei rápido. Agora fazia eu me sentir uma merda. Duncan era o que se queixava de não poder sair à luz do sol e não poder tomar café. Eu simplesmente me considerava sortudo que as garotas acreditassem que os vampiros eram a onda, mesmo que elas nunca soubessem que eu era vampiro. Os feromônios tinham suas utilidades.

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Não tinha passado despercebida a ironia de que eu não gostava de uma dessas garotas e sim de uma do tipo que matava vampiros. — Você está se pavoneando, literalmente. — Nicholas murmurou. — Só um pouco. É bom para a alma. — me esquivei de um galho que estava muito baixo. O cheiro de terra úmida, ar frio e pinheiro eram tão fortes quanto a fumaça. — Finalmente me livrei de Matthew e sua banda. — com Solange prestes a morrer em sua própria festa de aniversario, nós não tínhamos tido muito tempo para nos encarregar dele. E de qualquer modo, os Drake não eram policiais vampiros. Só tentávamos cuidar de nosso quintal. Não estava brincando quando disse a Hunter que nem todos os vampiros maus são tão fáceis de reconhecer. — Eles já são pó? — Não todos. Hunter e seus amigos estavam lá. Chamou um grupo de limpeza do Helios-Ra para que os levassem sobcustódia. — E simplesmente te deixaram lá? — perguntou incredulamente. — Como se eu tivesse ficado para saudá-los. A floresta estava escura e cheia de sombras se mexendo, mas nós podíamos ver perfeitamente bem. Outra vantagem do vampirismo: Excelente visão noturna. Podia ver as folhas que se moviam, o contorno dos galhos das árvores, as cercas e o caminho brilhando como se a lua estivesse encima de nós. Tudo parecia brilhar um pouco nos contornos. Uma coruja piou em algum pinheiro, procurando algum rato desprevenido. A coruja teria que procurar novas terras para caçar ou ficaria faminta esta noite. Os vampiros tendiam a assustar os animais pequenos, fazendo com que se escondessem. Nicholas parou, cheirando. Sua expressão se tornou séria. — Hel-Blar. — articulou. Assenti, enquanto ficava um cheiro de cogumelos fervidos e mofados. Se os HelBlar pegassem toda a sua merda e encontrassem uma maneira de cobriu seu cheiro, realmente seriam algo do que temer.

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Coloquei-me em posição, mantendo o arco estável. Nicholas caminhou de costas para mim, com uma estaca em cada mão. Não havia ninguém a quem eu confiasse mais as minhas costas. Os Hel-Blar chegaram em uma onda, três deles pendurados em um galho, saindo de um arbusto e pulando de detrás de um largo olmo. Uma chuva de flechas acertou o primeiro no peito, perfurando sua caixa torácica e seu coração. Ele gritou e se transformou em pó. O seguinte se balançou contra mim, lançando meu arco em um manto de flores silvestres. Nicholas estava ocupado encaixando uma estaca, apenas a metade desta encaixada no último. — Drakes. — um Hel-Blar disse com um sorriso para seu companheiro. — Muito melhor. Todas as suas presas brilharam para mim vorazmente e o som era como de ossos se quebrando. Saí do caminho, evitando as gotas de sua saliva. Ninguém sabia quão contagiosa era. E este tipo não parecia como que convenientemente fosse se desintegrar, como a mulher na escola. Seja qual for a enfermidade que ela tinha, claramente não tinha se estendido para todos os Hel-Blar. Ele seguiu meu movimento quando me agachei, vindo até mim e me pegando como bobo. Usei o impulso ao contrário, caindo na terra e jogando-o por cima da minha cabeça. Ele caiu de joelhos, rosnando por cima de seu ombro. Suas veias eram quase negras sob sua pele azul. Tinha sangue fresco debaixo de suas unhas. Não me preocupei em ficar de pé, apenas rolei para onde estava meu arco abandonado. A primeira flecha falhou, cravando-se em um vidoeiro e uma fina casca no ar. — Nick, você está bem? — eu gritei. Ele grunhiu algo que soou como um “sim”. Lancei outra flecha, não o acertei no coração, mas pelo menos entrou em seu ombro. Ele assobiou de dor. Bom. Exceto que agora ele tinha uma ferida aberta que podia contaminar Nicholas ou eu. Mal.

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E agora o meu Hel-Blar se aproximava e se posicionou bem em frente de Nicholas para que se eu usasse meu arco, também estaria me arriscando a acertar o meu próprio irmão. Normalmente eu era muito bom atirador, mas havia muitas variáveis. Troquei meu arco pela estaca em meu agasalho e me joguei diretamente ao combate, gritando. Não me importa o que mamãe diga sobre a vantagem da surpresa; às vezes, um bom grito de batalha pode fazer a diferença entre ganhar ou perder. O Hel-Blar me respondeu com um grito e depois nós estávamos lutando outra vez, tentando ver quem podia causar estrago. Ele não tinha uma arma. Eles usavam principalmente suas numerosas presas e a ameaça de seu sangue venenoso. Empurrei a estaca até o seu peito, mas ele a bloqueou, tentando empurrá-la para mim. Mantive meu agarre, minhas presas ardendo contra minha gengiva, meus dedos agarrados ao redor da estaca. Com o canto do olho eu vi uma nuvem de cinzas e Nicholas tossindo. As cinzas de Hel-Blar eram asquerosas. Dei uma joelhada na virilha do Hel-Blar e depois utilizei meu braço livre para colocar meu cotovelo na parte de trás de seu pescoço, ele tropeçou e deu alguns passos para frente. Direto para minha estaca já em posição. A força de seu corpo caindo fez com que eu tivesse que me esquivar caindo sobre meus joelhos e depois eu estava sozinho, com as cinzas caindo sobre a grama e minha estaca coberta de sangue. Eu a soltei e limpei minhas mãos em um monte de folhas caídas das árvores. — Três vencidos. — eu me levantei. — Não estive mal. — limpei minha camisa fazendo uma careta. — Mas vou cheirar como cogumelos pelo resto da noite. — Não te pareceu um pouco fácil? — Nicholas perguntou em voz alta. — Fácil? Por acaso você não está sentindo esse cheiro? — Sério. Não te pareceu que pareciam um pouco cansados? Franzi o cenho. — Suponho que podiam ter lutado um pouco mais duramente. Não é como se tivessem se encostado e tivessem morrido como aquela garota na escola. Um bando de aves voou para o céu à distância, nos interrompendo com seus piados. Nós trocamos um olhar enquanto começamos a correr. Nada atrai mais o HelBlar do que uma briga ou uma festival de sangue. E ambos irritariam um bando de aves adormecido.

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Corremos mais rápido. O vento batia contra meu rosto como dedos frios. Nossos pés apenas tocavam o solo, não quebramos nenhum galho, não fizemos nenhum ruído que pudesse entregar a nossa presença. O que nos delatou foi o som de choque que Nicholas e eu fizemos, abandonando todo nosso treinamento em duas afogadas maldições. Era difícil ficar imóvel quando você encontra a sua irmã mais nova com os tornozelos enfiados em um riacho, as pupilas vermelhas, suas presas brilhando e estacas voando de seus dedos. Os Hel-Blar bateram suas mandíbulas para ela de ambos os lados do rio, pele azulada como besouros venenosos. Virou em nossa direção. Ou não teve tempo de nos reconhecer ou a tínhamos deixado muito irritada. Uma estaca voou para nós e outra depois desta. — Solange, não! — eu gritei. Nicholas estava muito ocupado correndo para frente, sem se importar que tivesse uma estaca apontando para o seu coração. Porque Lucy jazia aos pés de Solange, tombada sobre os pedregulhos negros do rio, seu sangue escorrendo como listras vermelhas na água.

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Capítulo
Hunter
Sábado à noite mais tarde.

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Eu mandei uma mensagem para o Quinn no meu caminho para a enfermaria para deixá-lo saber que eu estava segura no campus. Chloe estava de pé bem do lado de dentro da porta, um curativo embaixo de sua camiseta e outro em seu antebraço. Ela estava pálida e suas pupilas estavam dilatadas, mas fora isso ela parecia bem. — Eu me sinto bem. — ela disse, mexendo seus pés. Seu sorriso estava decididamente bobo. — O Theo é legal. — Theo te deu analgésicos. — eu estava aliviada de ver que ela estava bem. — Sim. Melhor que vitaminas. Melhor do que doce. — ela soava chocada. E estava arrastando sua fala. — Sente-se antes que você caia de cara. — eu a empurrei gentilmente para uma cadeira. Ela cutucou seu curativo. — Eu tenho um braço fantasma agora? Eu não consigo senti-lo. — Pare com isso. — eu disse. — Ou irá doer como o inferno amanhã. — Tudo bem. — Se você começar a babar eu vou tirar fotos. — Tudo bem. Eu estava sorrindo para ela quando a gritaria começou. Pulei para frente logo que a cortina que dava para aos consultórios traseiros balançou aberta. Will bradou na

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minha direção. Eu estava surpresa o bastante para somente ficar parada lá e encará-lo. Ele estava levemente azul, seus olhos vermelhos. Não caiu a ficha no começo. Theo e Jenna estavam atrás dele e então também o Spencer, segurando um pano em seu pescoço. O pano rapidamente estava se tornando vermelho, quase tão rapidamente quanto ele estava se tornando branco. — Estaca ele! — Theo gritou para mim. Havia uma longa agulha hipodérmica em sua mão. — Estaca ele agora, Hunter! — O quê? — eu estava com a estaca na mão e estava perto o bastante para alcançá-lo. Eu também estava congelada. — Você está brincando? — Agora! — os três gritaram em uníssono. Foi o bastante para me mexer. E para o Will também, me atacando, saliva pingando de suas presas. Quando ele criou presas? Havia uma mancha de um hematoma em seu pescoço e duas perfurações purulentas. Jenna jogou um tubo de uma pomada antibiótica, atingindo o botão de alarme na parede. Ajuda estava a caminho. Mas não rápido o bastante. — Merda! — gritei, porque eu tinha que gritar algo. Will estava usando uma daquelas roupas de papel hospitalar, com o mesmo cabelo bagunçado de sempre, o mesmo rosto sincero. Ele era o queridinho da turma em toda a turma, mesmo se elas não fossem da mesma turma que ele. Ele era legal com todo mundo. Ele não machucaria uma mosca, o que tornava a caça aos vampiros problemática. Mas seus pais não queriam saber dele largando disso. Então ele fez o melhor possível e imergiu no Departamento de Ciência, onde havia menos lutas de verdade. Era ele quem convidava às garotas tímidas no canto para dançar nos eventos da escola. E agora era ele que sibilava para mim. Definitivamente não era mais o Will. — Merda! — berrei novamente enquanto seu pulso batia contra o meu ombro. Ele não alcançou o meu rosto porque eu pulei para o lado, mas não rapidamente o bastante. Havia sangue em sua boca. E sangue no pescoço do Spencer e em sua camiseta de maconha. Cada grama de treinamento chamou atenção dentro de mim.

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Eu fiz uma investida lateral e então me virei ao redor para que eu ficasse atrás do Will. Ele estava no clássico frenesi do recém-nascido Hel-Blar, que eu já li a respeito, mas nunca vi ao vivo realmente. A sede deles por sangue era primitiva e perversa e incontrolável. No momento que deixei a sua linha de visão, ele se concentrou na Chloe, que estava mais fraca. Ela estava largada na cadeira dura de plástico, dando risadinhas. — Você tem cheiro de meias velhas. — ela disse agradavelmente, antes de balançar sua cabeça. — Não, como cogumelos. — ela parecia preocupada. — Isso é ruim, certo? Eu não consigo me lembrar de por que isso é ruim. Ela ainda estava balbuciando para si mesma quando a atacou e eu o ataquei. Minha estaca atravessou sua pele onde a sua roupa de hospital se rasgou. Angulei para fora do seu ombro, e, em seguida, empurrei com toda a força que eu tinha, ainda gritando palavrões. Porque xingar era melhor que pensar sobre o que eu estava fazendo. Estaqueando um amigo. Ele gritou, tentando girar ao redor para pegar a estaca. Ele conseguia fazer uma meia volta o suficiente para encontrar os meus olhos antes que se desmanchasse em cinzas no lustroso chão de linóleo. Theo foi o primeiro a me alcançar. Suas mãos estavam nos meus ombros. — Ele te mordeu? Você está machucada? Hunter? Eu não larguei a minha estaca, porque havia sido ensinada a nunca largar a minha arma, mas meus dedos estavam fracos, minhas mãos estavam suadas. Eu pensei que iria vomitar. — Hunter, você está machucada? Eu balancei minha cabeça, muda. — Ei! — Theo me balançou. — Você não pode entrar em choque agora. Eu pisquei; a visão voltando ao normal. Os pontos cinza flutuaram para longe. — Estou bem. — eu respondi roucamente. — Que diabos aconteceu? Jenna me entregou um copo de papel com água. — Você acabou de salvar as nossas bundas. Eu bebi, principalmente porque não sabia o que mais fazer comigo mesma. — Eu não salvei o Will.

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— Você salvou a Chloe. — ela disse timidamente. — E ninguém poderia ter salvado o Will. — Theo adicionou. Ele foi até o Spencer, que estava inclinado contra a parede, com os olhos vidrados e o cabelo molhado de suor. — Ele te mordeu. — eu disse sem emoção. Spencer assentiu fracamente. — Estou bem. — Eu já dei a primeira injeção de antibiótico nele. — Theo disse, erguendo as pálpebras de Spencer para checar suas pupilas. — Isso não ajudou o Will. — eu disse silenciosamente, tentando não sentir o pânico se acumulando dentro de mim. — A mordida do Will era pior. — Theo disse. Spencer estremeceu quando ele aplicou mais pressão em seu machucado. — Ele mal tocou nele. Mesmo assim, todos vocês terão que sair daqui. Ele precisa ficar em quarentena. — O quê? Não! — Jenna exclamou. — Você acabou de dizer que ele ficaria bem. Ele não havia dito isso realmente, mas eu não apontei isso. — Protocolo. — Theo resmungou secamente, balançando seu ombro embaixo do braço de Spencer para ajudá-lo a chegar à cama. Chloe começou a roncar em sua cadeira. Eu estava realmente feliz que Quinn havia concordado em ajudar a analisar aquela pílula. Algo claramente deveria ser feito. E rápido. Eu me agachei perto de Spencer, esperando até que ele olhasse para mim. Eu me certifiquei de não ter um pingo de dúvida ou preocupação em minha expressão. — Você ficará bem. Ele assentiu desajeitadamente. — De verdade, Spencer. — eu insisti. — Não me faça te bater. — Você não consegue. — ele tentou sorrir. — Mesmo comigo desse jeito. — ele abaixou sua voz para um sussurro. — Eu nunca tomei nenhuma pílula, Hunter. Não igual o Will. — Eu sei. — eu me estiquei para tocar os seus dreads, mas a mão de Theo serpenteou ao redor do meu pulso.

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— Sem contato. — ele disse. — Você conhece as regras. Eu conhecia as regras. E tinha cerca de dois minutos antes da enfermaria estar cheia de pessoas e nós sermos levados para longe. — Nós consertaremos isso. — eu disse para Spencer, confiante. Jenna pairava atrás de mim parecendo preocupada, apesar de tentar sorrir para o Spencer. — Eu já consegui ajuda para nós. Nós saberemos de algo logo. — Você vencerá essa coisa. — Jenna acrescentou ferozmente logo que a primeira resposta ao alarme varreu pela porta da frente. Nós nos afastamos. Se todos nós estivéssemos em quarentena nós nunca conseguiríamos a ajuda necessária para Spencer. Havia dois seguranças e a Sra. Dailey atrás da primeira equipe de resposta. Ela analisou a situação com uma olhada, absorvendo cada detalhe, até a poeira nos meus tênis. Ela usou seu celular para ligar para outra enfermeira e o médico encarregado pelo Spencer. Ela o mandou junto com Theo e um guarda de volta para um dos quartos. Eles provavelmente o tinham amarrado na cama, como tinham feito com Will. Eu tentei não pensar sobre isso. — O que aconteceu? — ela nos perguntou. — Hunter? — Estaquei Will. — eu respondi. Minha voz soava estranha, até mesmo para mim. Spencer gritou do quarto dos fundos e eu hesitei. O guarda xingou. Houve som de briga e Spencer gemendo. — Estou bem. Eu não sou Hel-Blar. Eu não sou Hel-Blar. — Segure-o deitado. — Theo estourou. — Ele precisa de outra dose. Jenna e eu engolimos miseravelmente. Meus olhos queimavam. — Hunter estaqueou o Will? — a Sra. Dailey estimulou. — Will se transformou. — Jenna disse sem emoção. — Simples assim. Theo estava dando os remédios para ele, verificando sua pressão sanguínea enquanto nós tentávamos fazer Chloe parar de lamber os abaixadores de língua como se eles fossem pirulitos e então ele apenas... Transformou-se. Arrancou suas restrições para fora da estrutura da cama. — E ele mordeu Spencer?

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— Mais ou menos. — Jenna disse. — Aconteceu tão rápido, nós todos tentamos pará-lo. Eu não sei se foi o dano da presa ou o bisturi que ele tirou do balcão. A expressão da Sra. Dailey era dura, mas não julgava. — E então o que aconteceu? — Will se libertou, foi atrás de Hunter, então de Chloe. Hunter o transformou em pó. — Jenna disse. — Ela salvou a vida de Chloe. E quem mais que o Will poderia ter encontrado se ele tivesse saído dessa enfermaria. — Entendo. — a Sra. Dailey olhou para mim por um longo momento. — Hunter, você está verde. Por que não volta para o dormitório. Nós verificaremos as filmagens das câmeras de segurança e então discutiremos isso com mais detalhes pela manhã. Eu assenti mudamente. — Certifique-se que Hunter tome um pouco de chá quente. — ela acrescentou para a Jenna. — E... Porque a Chloe está babando em si mesma? — Ela levou pontos. Theo deu algo para ela. — Certo. Você terá que levá-la de volta para o quarto então. Ela não pode ficar aqui agora. Chloe nem acordou. Sua cabeça pendia de um lado para o outro enquanto nós a erguíamos e a arrastávamos para fora. O último segurança nos observou com suspeitas. Nós não falamos no caminho para o dormitório, não até que nós colocamos Chloe na cama. Jason bateu na porta e colocou sua cabeça para dentro. — Eu tive que checar o meu andar. — ele disse, entrando e sentando-se na minha cadeira. — Chloe parece bem... — ele parou de falar. — Mas vocês duas não. O que aconteceu? — Will se transformou. — expliquei. — E Spencer foi mordido. Talvez. Ele ficou pálido. — O quê? — Ele está em quarentena. Mas ele ficará bem. — Jason engoliu. — Diga-me que ele ficará bem. — Pode apostar que ele ficará. — Jenna disse baixo e determinadamente. — E Will? — Jason perguntou, parecendo tão chocado quanto nós nos sentíamos. — O que acontecerá com ele?

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— Nada. — eu respondi. Sentei na beira da minha cama, sentindo-me meio entorpecida, mas não o bastante. — Eu o estaquei. Depois de um momento chocado, Jason veio se sentar ao meu lado. — Não é culpa sua. — ele disse firmemente. — Você fez o que deveria ter feito. — Jenna concordou. — Apesar de ser uma merda. — Ele tinha dezesseis anos. E ele era legal. — Eu sei. Mas ele era um estudante em uma escola Hélios Ra. Ele sabia no que havia se metido. — Ele nem queria estar aqui. — E isso também não é culpa sua. — Jason apontou, tentando me confortar. Eu não estava totalmente convencida que deveria ser confortada. Eu havia acabado de matar um amigo meu, afinal de contas. Eu deveria estar dolorosamente desconfortável. Devo ter falado isso em voz alta porque Jenna balançou a cabeça. — Aquela mulher Hel-Blar matou o Will. Você o salvou. — Sim, e você acha que ele iria querer que nós o deixássemos se transformar em um monstro? O mesmo cara que se recusou a deixar a equipe de manutenção matar os esquilos no sótão? — Eu acho que não. Mas mesmo assim. — Sim. — Jenna suspirou. — Mesmo assim. Você fez bem, Hunter, mesmo que a sensação não seja essa. — Eu me sinto como uma idiota. — esfreguei meus olhos com força para que as lágrimas não caíssem. — A assembleia da escola na segunda feira será um funeral também. — eu observei. — Não será a primeira vez. — Jenna estava da cor do leite na luz difusa da lâmpada. — Eu sei do que precisamos. Ela foi diretamente para os schnapps 16 secretos da Chloe no armário. Jason e eu deslizamos para baixo para sentarmos no chão com Jenna enquanto ela abria a garrafa e

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É um tipo de bebida alcoólica destilada.

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passava entre nós. Eu tomei um gole e o licor de pêssego excessivamente doce percorreu minha garganta. — Nojento. — Jason falou atabalhoadamente. — Totalmente. — Jenna concordou. — Parem de monopolizar. — Sem mais para mim, caras. — acenei uma negativa para a garrafa e deitei de costas, encarando o teto bege feio. O círculo contínuo na minha cabeça, de Will enquanto ele caía, era exatamente o que eu merecia. Eu não deveria tentar esquecer ou amortecê-lo com álcool. Ou o fato de que Spencer poderia estar lutando pela sua vida agora. E era uma batalha em que eu não poderia ajudá-lo. Nós não o protegemos. Era horrível. E eu deveria me sentir horrível. — Ei, dezoito é a idade permitida no Quebec. — Jenna acenou sua garrafa meio vazia para mim e o licor espirrou por cima da borda. Eu limpei a minha bochecha. Ela riu. — Opsss. Desculpa. — Nós não estamos no Quebec. — e era uma suspensão automática se você fosse pego bebendo no campus. — Mesmo assim. Você será uma caçadora realmente boa. — ela acrescentou. — Tipo, de verdade. Sabe? — Você também será. — Não, é diferente. — ela insistiu. Ela cutucou o Jason com seu pé. — Não é diferente? É diferente. — Sim. — ele assentiu entusiasticamente. — A Hunter é uma caçadora17! — Há! — Jenna riu tão alto que se assustou e caiu. Jason e eu nos olhamos, olhamos para ela, e então rimos tanto que nós estávamos ficando sem ar. Chloe gemeu. — O que está... Ei. — ela murmurou grogue. — Estes são os meus schnapps. — Spencer foi mordido pelo Will e então a Hunter estaqueou o Will. — Jenna contou para ela, tentando parecer séria, mas só ficando vesga ao invés disso. Chloe piscou. — Merda. — ela esticou sua mão para pegar a garrafa. — Me dê. — ela pescou uma pílula de dentro de seu bolso e engoliu-a com o álcool. — Cara, o que é isso? — Jason ficou boquiaberto. — Uma pílula cavalo?
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Hunter significa caçador em inglês.

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— É uma vitamina. — ela o informou arrogantemente. — Não você também. — ele gemeu. — Todos os nonoanistas estão repentinamente obcecados com vitaminas e proteínas em pó. Há um rumor por aí que irá torná-los mais fortes. Eu me virei para fazer careta para a Chloe. — Eu pensei que você já tivesse tomado uma hoje. E você não deveria beber enquanto estiver tomando analgésicos. — Estou aumentando a dose agora. — ela se apoiou no cotovelo e tomou outro gole grande. — Estou machucada. Preciso da minha força. — Faz o seu xixi ficar amarelo fluorescente? — Jenna perguntou. — Vitaminas sempre deixam o meu xixi como o brilho do sol. Chloe balançou a cabeça e olhou a garrafa. — Vocês me devem vinte pratas. — Vinte pratas! De jeito nenhum que essa porcaria nojenta custou vinte pratas. — É a cobrança pela entrega. — ela sorriu e então fez uma careta. — Ai. — Não se apoie nos seus pontos desse jeito. — Jason ofereceu prestativamente. — Dããã. — Espero que Spencer esteja bem. — eu me estiquei para pegar meu celular e mandei uma mensagem para Kieran e Quinn e contar a eles o que tinha acontecido. Dei um soluço que me deu um susto. Jenna piscou para mim. — Não-não. — ela disse, se lançando para pegar a garrafa. — Hora da bebida nojenta de pêssego, agora! Fiz uma careta. — De jeito nenhum. Eu vou vomitar. Jason mudou de posição. — Não em mim. Eu deitei de volta. O som dos meus amigos dando risada ajudou um pouco. Mas não tanto quanto o que de repente me ocorreu. Eu sentei reta. — Eu tenho um plano. — anunciei.

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Capítulo
Hunter

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— Vocês me ouviram? — repeti mais alto. — Eu disse que tenho um plano. Todos gemeram, exceto Jason, que já roncava. Quase pisei na sua cabeça quando me coloquei de pé. — Vamos! Ele despertou assustado. — Mmfquue? Jenna o ajudou a se levantar. — Hunter tem um plano. — São quatro da manhã. — ele reclamou. — Chloe, vamos. — insisti do batente da porta. Ela abriu um olho. — Estou ferida. — Tem alguns pontos. — eu disse pouco convincente. — Vamos já. Vai perder toda a diversão e depois vai ficar reclamando disso pelo resto do ano. — Isto é verdade. — concordou; finalmente se levantando. Apertou a garrafa contra seu peito. Eles se moviam como um grupo lento e confuso; no carpete pararam quando perceberam que ainda estavam no nosso quarto, e depois explodiram em risinhos nervosos. O fato de Jenna soar como uma hiena nos fez rir ainda mais forte. Meu estômago doía. Era uma mudança agradável para meu cérebro. Apenas não tinha que pensar no que havia feito ou me preocupar com Spencer a noite toda. Ficaria louca. Isto era melhor. Isto era um objetivo. Esta era uma ação. Chloe foi a última no quarto. Tropeçou contra o batente enquanto a porta se fechava de um golpe atrás dela. — Shhh! — ela praticamente gritou. Jenna colocou a mão sobre a boca de Chloe para silenciá-la, então se afastou gritando.

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— Você acabou de me lamber? Bruta. — Vou te ensinar a segurar minha cara. Isto ia ser um desastre. — Chega. — Jason disse sobre seu ombro. — Tenho a impressão que estamos de volta ao jardim de infância. Vamos. — ele parou no quarto e retirou os restos do abajur quebrado. — Humm, Hunter? — Sim? — Aonde vamos exatamente? — Ao décimo primeiro andar. — pronunciei. — E revisaremos as câmeras de segurança. Apressamo-nos a subir, evitando as escadas rangedoras, o canto com a câmera, a tábua de piso solta. A sala de descanso estava vazia e todas as portas bem fechadas. Todos os sensatos estavam dormindo. — Alguém sabe qual é o quarto do Will? — perguntei. Jason cravou os olhos em mim. — Estupendo, tem uma dúzia de deméritos e quer que nós os tenhamos também? Ergui meu queixo. — Vou verificar qual é. Pode voltar para cama se quiser. Jenna bufou tão alto que tossiu. — Nem pense nisso. — acrescentou. — Quero entrar. — ela cutucou Jason fortemente no ombro. — E você também. — Sim, está bem. — ele murmurou. Pegando a garrafa de Chloe. — Preciso estar bêbado. — ele bebeu, e ficou estrábico. — Nope, péssima ideia. — gaguejando bobagens. E nem sequer havíamos dado um passo. — Ele ficava no quarto 209, o último pela escada traseira. — Esta era sua obrigação. — sussurrei às suas costas. — Obrigação? Quem agora fala assim? — Chloe negou com a cabeça. Ela tinha razão. Estava lendo muitos romances. Mas agora provavelmente não era o momento de me questionar sobre isso. — Você está ficando estranha Wild. — Você já é estranha Cheng. Ela colocou seu braço bom sobre meu ombro. — Por isso somos tão boas amigas.

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Depois de lhe dar um grande sorriso, bati na porta. — Alguém sabe se o companheiro de quarto do Will ainda está aqui? Houve muitos encolhimentos de ombros. — Comprove-o. — Chloe sugeriu. — É nossa líder valente. Mostrei-lhe a língua, o que demonstrava a terrível líder que eu era. Mas ela estava certa. Essa era minha ideia estúpida depois de tudo, sendo assim eu deveria tomar as rédeas. Virei a maçaneta da porta lentamente e então a empurrei alguns centímetros em um movimento rápido. Se o fizesse devagar, o que era uma tentação, eu teria mais de um rangido. O quarto estava escuro. Não pude ouvir nenhum ronco, mas essa era apenas uma prova concludente. Dei um passo para dentro. Os demais riram nervosamente atrás de mim. Dei-lhes uma olhada sobre meu ombro. Houve um silêncio, então mais risadinhas dissimuladas. Acordariam o andar inteiro se não nos apressássemos. Dei outro passo para dentro e bati na lanterna do meu relógio de pulso, apertando minha mão sobre a luz. Precisava somente da quantidade adequada de luz para ver se as camas estavam vazias, não muita para acabar despertando um companheiro de quarto. As camas estavam vazias. Deixei sair um suspiro que não tinha me dado conta que estava contendo até o momento. — Limpo. — sussurrei. Caminharam na ponta dos pés para dentro com um cuidado tão exagerado que eu soprei uma risada. — Esse não é um filme pastelão. Jason fechou a porta atrás dele e acendeu a luz. Piscamos por um momento uns aos outros, esperando que nossos olhos se ajustassem. O quarto era parecido aos outros dormitórios, duas escrivaninhas, duas cadeiras. Não se via sinais do companheiro de quarto. Não havia nenhum pôster na parede, nem livros nas estantes, nem roupas no chão. Estava vazio. Will tinha apenas voltado. A metade pessoal ainda não estava ciente. Nenhum dos estudantes tampouco sabia. — Certo, isso é estranho. — Jenna fez um círculo com seu calcanhar. — Está certo de que este é o quarto correto? — lhe perguntei.

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Jason franziu o cenho. — Sim. Vim aqui devolver um vídeo game que pedi emprestado no final do ano passado. Ele já tinha desempacotado tudo. — Seu companheiro de quarto não tinha chegado ainda? — Não, ainda não. — Está bem, então talvez ele não colocasse ninguém neste quarto porque ele estava no hospital e isso seria estranho. — olhei debaixo da cama, a qual estava completamente limpa. — Mas isso não explica porque levariam todas as suas coisas antes que ele fosse retirado da quarentena. — esfreguei os braços, repentinamente frios. — A menos que eles soubessem que ele não se recuperaria? — Conjecturas. — Chloe disse. — É possível. Todos nós sabemos que o veneno de Hel-Blar é algo repugnante. — Então o que fazemos agora? — Jason perguntou perplexo. — O que estava procurando? — Não estou muito certa. — admiti. — É somente que o Hel-Blar se converteu em cinzas de forma estranha. E Will misteriosamente mencionou algo sobre uma vitamina. São muitos mistérios. — não olhei para Chloe quando ela vaiou em uma respiração desgostosa. Fui à escrivaninha e abri todas as gavetas. — Nada. — Os armários estão vazios. — Jenna confirmou. Eu finalmente olhei para Chloe. Ela fechou os olhos. — Porque me olha assim? Ela ia ficar furiosa comigo por perguntar. Isto não ajudava. — Tem escondido suas vitaminas, certo? Ela franziu o cenho. — O que? — deu um passo. — Você me viu tomar uma faz uma hora. Jenna e Jason nos observavam como se fossemos uma partida de tênis. — Porque ela esconderia as vitaminas? — Jason perguntou. — Porque ela tem estado incomodada sobre elas. — lhe respondi, sem afastar o olhar de Chloe. Ela trocou seu peso de um pé para o outro. Seu tic nervoso foi minha indicação de que minha suposição tinha sido correta. — Portanto, se você fosse Will, aonde esconderia suas vitaminas neste quarto?

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— Não sei. — ela deu de ombros. — Chloe, por favor. Isto é importante. Ela deu um longo e pesaroso suspiro. — Esta bem, mas tem que deixar meu caso. Nem sonhe. Ela examinou o quarto pensativamente. O primeiro lugar ao qual se dirigiu foram as gavetas da escrivaninha, tentando tirar o fundo. Nada. Nós a ajudamos a olhar debaixo do colchão, mas não tinha nada ali, somente poeira. — Isto é tão estúpido. — ela murmurou. Mas realmente parecia que estávamos na pista de algo. Ela estava sentada na ponta da cama e olhou a borda da mesinha de noite. Nada. Jenna e Jason começaram a nos dar olhares estranhos. Chloe pegou a lâmpada e enfiou seu dedo na armação de ferro. Ela tirou uma pequena bolsa de plástico com pequenas pílulas brancas. — Merda. — Jason assobiou. Chloe e eu cruzamos nossos olhares sombrios uma com a outra. — Estas não se parecem em nada com as minhas vitaminas. — ela disse em voz baixa.

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Capítulo
Quinn

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Eu atingi o chão, um pouco antes de a estaca passar por mim. Agarrei o tornozelo do Nicholas e ele se chocou contra a sujeira, chutando-me antes mesmo de cair. A segunda estaca pousou em um salgueiro. O Hel-Blar pausou. Lucy não se moveu. — Lucy! — Nicholas estava de volta em seus pés antes que eu pudesse agarrá-lo novamente. Eu fui para mais perto do Hel-Blar, rachei meu punho em seu rosto, tomando cuidado para não ficar muito perto de sua boca. Ele respondeu com um soco que quase deslocou meu ombro. Assim, o Hel-Blar de mais cedo estava cansado porque Solange havia chutado sua bunda. Pequeno consolo. Eu quebrei uma rótula e usei a minha última estaca até que apenas havia poeira em minhas botas. Nicholas virou cambalhotas no ar, por cima de mais um atacante Hel-Blar, e pousou no rio, o sangue tingindo a água em torno dele e espirrando em nós. Um ser humano não teria notado isso na escuridão, mas isso fazia o resto de nós distraídos, com sede. Um dos Hel-Blar lambeu os lábios, repleto de marcas de perfuração a partir de suas presas.

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E então o frenesi o atingiu. O assobio foi quase alto o suficiente para ondular na superfície do rio lento. Lucy se tornou o foco daquela poderosa e ardente fome, eu me perguntava por que isso não a despertou. Ela ainda não estava se movendo. Eu não sabia o quanto ela estava ferida. E não havia tempo para pensar sobre isso. Corri até a margem e saltei sobre a água, me virando ao redor para bloquear o acesso à Lucy, do outro lado. Solange, Nicholas, e eu formamos um anel em torno dela, como as pétalas com o centro encharcado de sangue. Então Nicholas caiu de joelhos, gritando seu nome. Ela se mexeu uma vez, levemente. — Aí vem! — eu gritei para ele. Ele sabia que era melhor do que ficar lá, distraído e vulnerável. Ele finalmente se levantou, seus olhos queimando o suficiente para ter um Hel-Blar tropeçando em sua trilha. O resto apenas riu. — Se ela estiver morta, você está morto. — ele prometeu sombriamente. Ele sorriu. — Espere, você está morto de qualquer maneira. Eu me preocuparia com aquele sorriso mais tarde. Agora eu tinha dois irmãos enlouquecidos para lidar. E nenhuma estaca mais. — Merda, me dê a sua mochila? — eu disse a Nicholas. Ele atirou isso sobre o corpo de Lucy. Solange olhou para ela e sufocou um soluço. Suas presas se alongaram mais até que eu pensei que cairiam da sua cabeça. Ela voou girando ao redor e quebrando o pescoço do Hel-Blar. A mulher caiu, rosnando, rosto na água. Solange virou-a e estacoua em um movimento. Havia sangue em suas roupas e eu não tinha certeza quanto era dela, Lucy, ou dos vários Hel-Blar. Esta estava se tornando uma noite infernal. Aos olhos humanos, a luta provavelmente parecia rápida, manchas de cores com a velocidade dos nossos movimentos. Dentro da luta, parecia eterno. Lucy precisava de ajuda e ela precisava disso agora. Tente dizer isso ao Hel-Blar que estava atualmente tentando mastigar meu rosto.

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— Ow, filho da puta! — ele quase arrancou uma presa fora. Eu odiava admiti-lo, mas eu estava lutando com vampiros por toda a noite e a madrugada não estava muito longe. Isso estava cobrando seu preço. Eu chutei, soquei, estaquei. A espessura de cinzas de Hel-Blar se assemelhava a uma névoa sobre o rio. Solange levou um golpe na patela e tropeçou, caindo. Ela virou-se de pé antes que Nicholas ou eu pudéssemos chegar até ela. Os dois últimos Hel-Blar correram, se escondendo entre as árvores. Nicholas pegou Lucy em seus braços, água cor-derosa pingando de seus cabelos. O nascer do sol tremeu no horizonte. Solange ainda estava rosnando, os brancos de seus olhos agora completamente vermelhos. Ela não parecia bem. — Solange. — eu disse, tentando chamar sua atenção. — Solange, foco. Ela assobiou. O céu escuro iluminou-se para cinza pálido; brilhante como uma pérola. Senti o cansaço da madrugada começando a puxar os meus ossos. A mandíbula de Nicholas se apertou tão forte que eu podia ver os espasmos dos músculos a partir daqui. — Ela ainda está sangrando. — ele grunhiu. Solange lambeu os lábios, cambaleou para trás, uivou. Nós dois nos encolhemos. — Obtenha ajuda para Lucy. — eu disse a ele. — Ela não pode passar a noite em uma das casas seguras e você não pode esperar por mim para falar com Solange. As casas seguras eram realmente mais como abrigos subterrâneos, escondidos pela floresta em caso de algum de nós ser pego longe de casa ao amanhecer. Alguns ligando túneis à nossa fazenda e para várias partes da área, outros bem trancados e impenetráveis. Nós não tínhamos maneira de saber se Lucy podia esperar até o pôr do sol, por um médico. Nicholas hesitou, olhando para Solange, que estava rosnando. — Apenas vá. — eu disse me aproximando de Solange como se ela fosse uma fera. Não estava muito longe da verdade. Suas amarras internas eram novas, não

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testadas. Frágeis. Ela era forte, já mais forte do que qualquer outra pessoa recém transformada. Mas ela poderia não ser forte o suficiente para controlar completamente seu vampiro interior. Não era uma ciência exata. Eu só tinha que impedi-la de desistir completamente, e a luz do sol faria o resto. Supondo que eu conseguisse levá-la para segurança antes que ela caísse como uma pedra em uma lagoa profunda. Nós somos nada se não suscetíveis. Nicholas parecia destruído, embalando Lucy contra o peito. Seu braço caía molemente. Ela nunca tinha feito nada excitante em sua vida. Medo por ela mordiscou-me. Nicholas começou a correr tão repentinamente, o ar deslocando à sua volta, folhas caídas girando aos meus pés. Solange deu um passo, seguindo o cheiro de sangue. — Pare-me. — ela implorou, mesmo quando puxou uma adaga de sua bota. De repente, ela parecia tanto com mamãe, me senti desorientado. — Estou tentando. — eu sussurrei, segurando uma das mãos. — Solange, você está bem. Ela riu, mas não havia humor. — Quinn, ambos sabemos que eu não estou bem. — ela engoliu em seco, como se fosse a coisa mais difícil que já tinha feito. Ela olhou para o céu. — Deus, está queimando dentro de mim. Isso aconteceu com você? Não me lembro de vocês serem assim. — seu cabelo estava úmido. Demorava muito para fazer um vampiro suar. Nós não somos exatamente quentes, temos temperaturas controladas. — Você vai ficar bem. — eu disse suavemente. — Eu ainda posso sentir o cheiro do sangue. — ela disse suavemente, como se estivesse falando sobre um bolo de chocolate. Ela inalou; narinas dilatadas. — Eu tenho que segui-lo. — Espere. — eu bloqueei seu caminho. — Espere um minuto.

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— Não. Ela me empurrou e, em seguida, saltou sobre meus membros que se agitavam, se atirando entre os pinheiros. Droga, eu não vou ser deixado para trás pela minha irmãzinha. Corremos pela floresta, o sol queimando em nossos calcanhares. Eu nem sequer sei se ela estava correndo pelo sangue de Lucy, para a segurança da fazenda, ou apenas para longe de mim. Eu só sabia que tinha que fazê-la parar. Há uma maneira certa de parar um vampiro. Sangue. Tive que me tornar um alvo mais fácil do que um ser humano ferido. Enfiei a mão no bolso, saltando sobre um tronco de árvore caído, coberto por musgo. Eu ainda tinha os tubos de ensaio com sangue fresco que Hunter tinha me dado. Não era muito, mas podia ser o suficiente para parar Solange, para lhe dar a força para ela encontrar o controle novamente. Parei de correr, cascas e folhas em formatos de agulhas pinicando sob meus pés. Tirei a tampa de um dos tubos de vidro e joguei algumas gotas para fora. O nome da amiga de Hunter estava no rótulo: Chloe. — Solange. — gritei. — Você pode cheirar isso? Eu tenho sangue fresco aqui para você. — O que é isso? — ela perguntou. Eu não podia vê-la, mas pelo menos ela parou de correr. — É sangue humano, Sol. — eu disse sarcasticamente. — É melhor do que sangue animal. Você não quer um gole? — eu me senti como um bizarro traficante de drogas. Esta noite não estava exatamente indo conforme o planejado. Virei o tubo, tentando não reagir ao cheiro. Minhas presas se alongado um pouco e minha boca enchendo de saliva. Evitamos sangue humano. Era tão fácil tornar-se viciado. — Só imagine o gosto que tem. — ela veio ao redor de um carvalho, as folhas pairando sobre sua cabeça como

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uma coroa. Ela estava tão pálida e magra como um raio de luar. Ela se moveu lentamente em direção à mim, selvagem e predadora. Balancei o tubo. — Vamos, Sol. Eu sei que você quer. — o sol constantemente empurrando o seu caminho ao longo do horizonte. Eu podia vê-lo no cansaço do rosto de Solange, sob a fome. E eu podia sentir isso em meus ossos, transformando-os em água. Lutei contra ele. Esta era definitivamente a pior parte de ser um jovem vampiro. Se formos pegos aqui estaremos vulneráveis. Se a luz do sol não enfraquecernos ao ponto da morte, algo mais poderia vir e terminar o trabalho. Um caminhante tentando fazer algo bom nos levaria para o hospital onde os testes de laboratório provariam o desconcertante, ou então um caçador Helios-Ra não a favor do tratado saberia exatamente como nos despachar. Ou até mesmo um humano fiel a uma família de vampiros que particularmente não gostavam dos Drake. Eu tinha que me apressar. Circulei em torno de modo que eu estivesse na liderança e, em seguida, dirigi-me para a casa da fazenda. — Venha buscá-lo. — eu disse a ela severamente. Nós estávamos nas terras Drake quando ela me alcançou. — Dê-me! — suas unhas rasparam na minha mão. Ela pegou o tubo e lambeu a borda de vidro, inclinando-a para um gole de um bocado ganancioso. Não havia muito lá, mas ela engoliu em seco como se fosse água e estivesse perdida no deserto por um ano. Então ela cuspiu tudo para fora, sem engolir. — Nojento. Que diabos tem ai dentro? Tem gosto de remédio. — ela fez uma careta, jogando o tubo na minha cabeça. Eu peguei e coloquei de volta no bolso. Havia apenas sobrado sangue suficiente para manchar o interior do tubo, parecendo como vitrais. Uma coisa era certa, as vitaminas de Chloe não eram definitivamente vitaminas. — Há sangue na casa. — eu disse a ela. — Estamos quase lá.

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Agarrei seu pulso e arrastei-a para o quadrado iluminado por lâmpadas. Chegamos em casa ao mesmo tempo em que a luz chegava como lanças de fogo entre os ramos. Solange estava dormindo em seus pés, deslizando no chão da varanda, como um lenço de seda. A letargia foi tão repentina, tão profunda que eu estava mancando quando caí, arrastando-a através da porta.

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Capítulo
Hunter
Domingo à tarde.

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O dia seguinte vinha totalmente antes do tempo. Will estava morto, ainda não sabíamos se Spencer melhoraria, e agora minha cabeça parecia como se houvessem batido nela várias vezes durante a noite, apesar de que eu não havia me embebedado. Contudo, não era exatamente uma melhora. Chloe fez um som estranho como um grunhido, enquanto tirava a almofada de cima da sua cabeça. — Odeio minha vida. — acrescentou. — Eu odeio a sua pinga. — eu disse; fechando os olhos diante dos números digitais do rádio relógio; 02h03min PM. Sentia-me assim antes. — Faz você roncar como um cavalo. — Karma. — afirmou Chloe das profundidades da sua coberta. — Isso é o que acontece por roubar. Eu bufei. — Você rouba meus chocolates o tempo todo. Ela mostrou um olho fora da almofada. — Sabe sobre isso? — Bem, dããã. — eu disse. Arrastei-me do corredor até o banheiro. Sentia-me como se não houvesse conseguido conciliar o sono em absoluto. Tinha muitos estudantes no corredor correndo ao redor, desembalando e conectando-se com amigos que não tinham visto durante todo o verão. Alguém gritou. — Podemos estacá-la? — Jenna implorou, saindo de uma das cabines e limpando a boca. Ela parou na frente do espelho parecendo miserável. Inclusive suas sardas

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pareciam miseráveis. Então ela fez uma careta diante da sua escolha de palavras. — Sinto muito. — ela encheu a pia com água fria. — Alguma notícia de Spencer? — perguntei. — Nenhuma. — Jenna negou com a cabeça, então reclamou ante o movimento. — Mas assim que eu tiver certeza que minha cabeça não vai rachar, vamos ver o Theo. — Está bem. — finalmente dei uma olhada no espelho. — Ugh! — não importava a combinação da minha tez muito pálida e as manchas escuras da fadiga, também havia um hematoma debaixo da minha bochecha, da luta da noite anterior. Apalpei-a com cautela, segurando um suspiro. Jenna enxugou o rosto, por fim me olhando e fazendo uma careta. — Isso parece muito dolorido. — Suponho que deveria aprender a me abaixar mais rápido. — cutuquei de novo e suspirei. — Pelo menos ele não me deu um olho roxo. — Como está Chloe? — Igual. Você tem visto Jason? — alguém deixou uma das portas dos banheiros se fechar com força e Jenna segurou a cabeça e gemeu. — Ai! Isso é... — ela disse, arrastando os pés pelo corredor como uma anciã ou um paciente de asilo. — Vou chamar Jason. Espero que o telefone toque bem perto do seu ouvido. Ele não escapará dessa ressaca. Simon passou diante de nós, comendo um lanche. Eu não o conhecia pessoalmente, mas Jenna tinha se sentido atraída por ele, há quase dois anos. Ela tentou lhe sorrir. Entretanto ela vomitou sobre seus sapatos. — Que diabos cara? — ele saltou para trás, batendo contra a parede. — Nojento. Jenna ficou vermelha brilhante e se colocou a correr todo o caminho de volta ao seu quarto. Estava certa que nunca ia voltar a beber. Simon ficou parado no corredor. — O que está errado com as garotas dessa escola? — murmurou. Finalmente segui meu caminho por entre as malas e voltei ao meu quarto, Chloe estava enrolada nas cobertas insatisfeita. — Está morta? — perguntei.

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— Zumbi. — ela respondeu. — Não diga à minha professora de Criaturas Sobrenaturais. Ela vai tentar me decapitar. — jogou o cobertor sobre seu rosto. — Pensando bem, a decapitação soa relaxante. Anote. — Tente primeiro com as aspirinas. — sugeri, entregando o frasco depois de tirar duas para mim. Peguei uma garrafa de água e me senti um pouquinho mais humana. Contudo, eu não queria fazer mais nada do que me encostar e me sentir patética. Eu definitivamente não queria abrir a porta. — Se esse é outro dos seus pequenos... — a ameaça de Chloe se apagou de forma ameaçadora, como se não ocorresse nada mal o suficiente para infligir a que se atrevesse a chamar a nossa porta. A segunda batida fez as duas grunhir. Abri a porta com o cenho franzido. — O que foi? A Sra. Dailey estava do outro lado, sua sobrancelha levantada secamente. — Oh, eh... Sra. Dailey. — ruborizei. Chloe abafou um sorriso. — Hunter. — a Sra. Dailey sorriu intencionalmente. — Posso entrar? Fiquei de lado para deixá-la passar. — Spencer está bem? — não podia pensar em outra razão para que ela estivesse aqui em nosso quarto. Meu coração caiu no estômago. — A condição de Spencer não mudou. — me assegurou. — E ele está recebendo o melhor cuidado possível. Seus pais estão a caminho da escola hoje. — Oh! — então ele estava doente o bastante para que seus pais fossem chamados. Nós já sabíamos claro, mas isso fazia somente parecer mais horrível. Mais definitivo. — Podemos vê-lo? — Sabe que não é possível. — disse com suavidade e olhou para Chloe, que finalmente se endireitou, com seu cabelo frisado parecendo um ninho de pássaros, empoleirado de um lado da sua cabeça. — Ele está de quarentena. — ela franziu os lábios. — Por isso não vou comentar sua ressaca óbvia Chloe. Depois de ontem à noite suponho que todos merecemos um descanso. — ela lhe cravou um olhar severo, que fez Chloe se retorcer. — Por isso, não vou dizer à diretora sobre isso, mas você estará de serviço na cozinha até as férias de natal. E se algo como isso acontecer novamente, será expulsa. Entendeu? — Sim senhora. — Chloe murmurou. Era muito bom da parte de Dailey não denunciá-la.

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— Bom. — virou-se para mim. — Agora Hunter, tem algo que você gostaria de discutir comigo? Tratei de fazer meu cérebro trabalhar. — Sim. — Estou começando meu próprio grupo de alunos. O Grêmio vai recrutar os melhores para ajudar a eliminar a nova Hel-Blar e outras ameaças. Gostaria de lhe estender formalmente um convite para que se una a nós. Você tem mostrado liderança, espírito de equipe, coragem, lealdade e inteligência uma vez ou outra e deve ser recompensada por isso. E estou muito orgulhosa de você resistir a qualquer festa que esteve acontecendo aqui ontem à noite. Nós poderíamos lhe usar. — Obrigada! — exclamei finalmente depois de um silêncio atônito. Isso era muito melhor que os direitos de monitor de andar. E meu Avô incharia o peito de orgulho e contaria para todos os seus amigos. Eu sorri. — A espero cada domingo pela tarde para treinamento e na terça à noite depois do jantar para a semana de orientação. — ela negou com a cabeça para Chloe. — Beba muita água. — foi seu conselho de despedida antes de partir, a porta se fechou atrás dela. Com força. Olho para Chloe, radiante. — Pode acreditar? Genial! Ela não parecia feliz por mim. Virou-se na cama invocada. — Óbvio. Eu estreitei os olhos, um pouco da minha felicidade se congelando no meu peito. — E por acaso isto é algum tipo de felicitação? — Quero dizer que estou cansada do nepotismo elitista dessa escola. Minha boca se abriu. — Que demônios Chloe? Eu arrebento meu traseiro! — E eu não? Eu estava muito cansada desse argumento. — Bem, não é sobre você por um segundo. — ela disse. — Trata-se de mim. — Sempre é sobre você. — rolei os olhos. — Estou podre da sua festa por compaixão. O verde não é uma boa cor para você. — Cala a boca. — ela se aproximou de mim com suas mãos fechadas em punhos. — Você não sabe do que está falando.

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Fiquei no meu lugar. — Sei exatamente do que estou falando, portanto, se afaste Chloe. Estou falando sério. — não podia acreditar que uma das minhas melhores amigas estivesse na minha cara desse jeito. Era totalmente surrealista. — Realmente espero que seja um efeito secundário das estúpidas vitaminas. — eu disse gravemente. — Ainda assim, isso está se tornando cansativo. — Deus, pare já. — Chloe gritou e me empurrou. Tropecei dando um passo para trás, surpresa. — Você não acaba de fazer isso. — eu a empurrei para trás antes que pudesse deter a mim mesma. — E se eu fiz? Vai reclamar sobre mim aos seus novos amigos do Grêmio? — ela me empurrou de novo, ou o teria feito se eu não tivesse colocado meu ombro para trás. O impulso a fez cambalear, o que a enfureceu ainda mais. Francamente, eu estava descuidada. Especialmente quando ela se ajeitou e me atingiu. O silêncio que se seguiu foi frio e repentino, como um cubo de gelo. Eu tinha conseguido desviar o suficiente para que seu punho roçasse meu queixo e meu ombro, mas não fez muitos danos. Ainda assim, senti a pancada no meu maxilar. Ela olhou para mim, os olhos lacrimejantes, as bochechas vermelhas de raiva. Eu realmente queria dar um soco em resposta. Antes que eu pudesse entrar em uma briga de gatas estúpida, girei meu calcanhar e deixei o quarto.

Domingo à noite.
— Está me dizendo que Chloe realmente te bateu? — Jenna olhou para mim. Ela assobiou entre os dentes. — Amiga; isso é mal. — Já sei disso. — concordei com a gravidade. Estávamos caminhando pelo pátio para a enfermaria. Não havia visto Chloe o dia todo, não desde nossa luta. Definitivamente era o melhor. — Estou cansada de receber murros na cara. — Não posso acreditar que você não bateu de volta. Você é uma mulher melhor do que eu. — ela sacudiu a cabeça.

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— Me lembre quando minha mandíbula ficar púrpura para coincidir com o resto dos meus hematomas. — pelo menos era só uma dor incômoda, ela não tinha quebrado um dente ou moído um osso. Eu ficaria com raiva de mim mesmo se ela tivesse conseguido tirar o melhor de mim, mesmo com uma ressaca e dopada com vitaminas estranhas. — Vocês duas não foram as únicas que brigaram. — Jenna me disse. — O que? Quem mais? — Dois estudantes do décimo grau, toda a luta foi pela última caixa de cereal na sala comum. — De verdade? — Sim, um deles precisou de pontos de sutura. E alguém foi carregado para a enfermaria. Algum tipo de gripe. Dei de ombros. — Jenna, temos que resolver isso. Não tem sentido. — O faremos. Eu desejava ter sua confiança. Sentia como se andássemos para trás, tudo estava tendo menos sentido, em vez de mais. E isso estava começando a me chatear. As luzes de segurança brilhavam por todo o caminho e se escutava alguém batendo nos sacos de areia desde a janela aberta do andar superior do ginásio. Música saindo da casa atrás de nós. Era familiar, caseiro. Valia a pena protegê-lo. Fomos direto para a enfermaria, piscando para as luzes fluorescentes brilhantes. No momento que nos viu, Theo se levantou de sua cadeira e nos bloqueou. — De jeito nenhum garotas. As duas franziram o cenho. — Theo, vamos. — Jenna finalmente o empurrou quando ele não se moveu. – Só um amigo. — Nem um dedo passa pela quarentena, criança. — Criança? Você tem o que, vinte e cinco anos?

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— Sim, idade o suficiente para saber mais. — Queremos somente ver o Spencer. — disse. — Sei que o querem. Esqueçam. — suavizou sua expressão. — Olha; eu sei que é difícil. Mas ele está em quarentena por uma razão. Vocês não vão ajudá-lo conseguindo trancar vocês mesmas em quarentena, ou conseguindo deméritos ou sendo expulsas. Sabem que a diretora não perde tempo com essas coisas. — ele levantou uma sobrancelha. — E poderiam fazer com que me despeçam também. — Complexo de culpa. — Jenna murmurou. — Maldita honestidade. Sabia que não ia trocar seu pensamento, mas de todas as formas tinha, que tentar. — Theo, ele não deve ficar sozinho. Ele é nosso amigo. — eu disse. — Ele não está sozinho. — Theo disse enquanto a mãe de Spencer saiu detrás de uma das cortinas de bloqueio das salas de quarentena. Tinha os olhos vermelhos, as bochechas tão pálidas debaixo do seu bronzeado que parecia papel de seda. O resto dela era o mesmo, desde seu cabelo loiro branqueado pelo sol, até as sandálias de dedo e os anéis de prata. Spencer tinha o amor pelo surfe e o oceano de sua mãe, e suas obsessões sobrenaturais de seu pai. Ela me viu e seus lábios tremeram. Fiquei olhando horrorizada. Se ela chorasse não sabia o que eu faria. O fato de ser uma garota não significava que fazia demonstrações públicas de emoções. Por sorte ela apertou sua mandíbula e tentou sorrir. — Oh Hunter, vem aqui querida. — ela me abraçou forte. Ela cheirava a sal e óleo de coco. Era reconfortante. — Como ele está? — eu perguntei quando ela me soltou e apertou a mão de Jenna. — Ele é forte. — ela disse, com a voz em um alento. Não foi realmente uma resposta. Troquei de um pé ao outro. Sentia-me culpada e eu não sabia por quê. O relógio na parede tocava muito fortemente. — Tenho que voltar para ele.

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Não a permitiam na quarentena também, somente deste lado da janela. Uma vez ao dia permitiam o uso do traje médico completo para entrar e segurar-lhe a mão e falar com ele. Tínhamos estudado o procedimento em classe no ano passado. A realidade era muito pior. — Eu sinto falta dele já. — disse miseravelmente enquanto Jenna e eu arrastávamos os pés para fora. Era domingo à noite, todo mundo estava em um frenesi de desempacotar de última hora e organização e tentando afirmar que a escola não começaria amanhã. — Eu também. — Jenna disse. Ela deu um chute em uma lata de lixo. — Gostaria que tivesse mais o que pudéssemos fazer. E então me dei conta. — É isso. Virou-se para me olhar. — O que? Do que está falando? Parei assentindo com a cabeça lentamente. — Eu coloquei microfones na sala comum do décimo grau, depois que Will foi mordido. — eu disse. — Esqueci-me. — Esqueceu-se de escutar um quarto? — Jenna me olhava desorientada. — Amiga você é fera. Eu te amo totalmente neste momento. — Nós podemos não encontrar nada. — acrescentei rapidamente. — Mas, pelo menos, vamos fazer algo. Não é de estranhar que Dailey a escolheu para o seu Grêmio. — Ela não te perguntou? Jenna deu de ombros. — Não. — Definitivamente ela o fará! — disse absolutamente convencida. — Ninguém maneja uma besta melhor que você. — Obrigada. — ela pegou minha mão, me arrastando atrás dela como se caminhasse para uma montanha gigante em forma de chocolate Ed Westwick. — Agora vamos! Quero escutar essas suas gravações. — Diminuí a velocidade. — puxei-a para trás. — Se vamos lá como um rebanho em estourada, as pessoas perceberão. Vamos com sutileza agora mesmo. — franzi o cenho. — Parece que todos estão me olhando.

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— Eu sei. — Jenna disse, desacelerando seu ritmo e relaxando seus ombros, como se estivéssemos passando um tempo, passeando de volta aos nossos quartos. — Todo mundo deve ter ouvido falar sobre Will agora. Assenti com a cabeça, apertando minha garganta. O dormitório estava cheio de atividade, os estudantes tentando postergar em ir para a cama. Amanhã significava que a escola havia começado oficialmente. Subimos as escadas e andamos ao redor da sala comum do décimo grau, mas estava cheia. Se ficássemos muito, as pessoas começariam a notar algo estranho. Não havia forma de entrar e obter os microfones nos separando. — Droga. — Jenna murmurou. — Já são onze horas. Eles não dormem? — Parece que não. — nós mos viramos nos afastando de volta ao nosso próprio andar. — Eu me enfio escondida esta noite depois que todos estiverem na cama. — lhe afirmei. Olhou-me desiludida. — Está bem. Não podia deixar de parar ao lado de fora do quarto de Spencer. A porta estava entreaberta e pudemos ver a escrivaninha do seu companheiro de quarto, com montões de livros e estacas talhadas a mão. Já tinha roupa no chão e um cartaz da Angelina Jolie na parede. Mas o lado de Spencer no quarto estava vazio. Seus cartazes de navegação tinham desaparecido, junto com a velha prancha de surf que geralmente ficava sobre a cama. Chutei a porta, abrindo-a com Jenna logo atrás de mim. — Que demônios? — seu companheiro de quarto, John, se jogou para trás. Quando nos reconheceu sua cara ficou vermelha. — Oh, sinto muito. — Onde estão as coisas do Spencer? — exigi. Sua escrivaninha estava limpa de suas enciclopédias sobrenaturais e as caixas de encantos e as bolsas de feitiços. Até sua garrafa de sal marinho havia sumido, a qual ele sempre tinha na sua mesinha de noite, porque todos os feitiços de proteção que ele estudou o requeriam. Caminhei para a cômoda e a abri. Vazia. Nem sequer uma cor turquesa para demonstrar que Spencer tinha estado aqui. Fúria e algo mais escuro, mais debilitante me atormentavam desgastando meu temperamento. — John, onde estão suas coisas? — apenas reconheci minha própria voz.

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John se colocou de pé, tropeçando torpemente. — Eles as empacotaram hoje. Não lhe disseram? — Não. Eles não o fizeram. — Quem o empacotou? — Jenna perguntou. Ela estava vibrando com ira também. Entre nós duas poderíamos ter alimentado um reator nuclear. John sabiamente deu um passo para trás. — Um par de guardas. — ele levantou as mãos suplicantes. — Olha; eu não sei. — Bom, eles podem muito bem desempacotá-las. — eu fervia. — Porque ele vai ficar bem. — Sim? Quero dizer, sim, claro. — se apressou em corrigir. — Claro que ele ficará. Tive que me afastar do colchão nu. Estava fazendo meus olhos queimarem. Deveria estar coberto com as mantas mexicanas de Spencer. — Não deixe ninguém ficar aqui. — eu disse para John, virando para olhá-lo. Ele engoliu saliva, seu pomo de Adão flutuando. — Eu realmente não... — ele tragou de novo quando Jenna somou seu olhar ao meu. — Claro. Não o farei. No corredor Jenna e eu trocamos olhares sombrios. Eu sabia que ela estava se lembrando do quarto do Will, despojado dos seus pertences muito antes que eu houvesse tido que estacá-lo. Estremeci. Jenna parecia querer vomitar. — Vamos consertar isto. — eu disse gravemente. Ela assentiu com a cabeça tão sombriamente. — Claro que o faremos.

Esperei até que estar certa de que todo mundo estava dormindo. Parei na minha porta para escutar, uma e outra vez na parte inferior das escadas, e uma vez mais no patamar fora da sala comum do décimo grau. Não escutei nada e não vi ninguém, exceto Chloe dormindo no sofá da nossa sala comum, seu celular meio aberto no chão próximo

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a ela. Eu não a despertaria para ir comigo. Sinceramente, não sabia se podia confiar nela. Ela sentiria o mesmo por mim se soubesse que eu ia me meter nas suas coisas. Eu não estava certa de como havíamos chegado a isso. Era um longo caminho de contar os dias desde que fomos companheiras de quarto até que começamos a nos socar. Mas eu não podia me preocupar com isso agora mesmo. Spencer era minha única preocupação. Não tinha muito tempo e não tínhamos muita informação. Eu não menti para Jenna quando lhe disse que não havia garantias de que meus microfones tinham gravado algo que valia a pena escutar. Mas eu tinha esperança. Eu realmente tinha esperança. A sala comum estava finalmente deserta, o cheiro de churrasco e batatas fritas persistia no ar, o impregnando. Arrastei-me para frente, dando um passo tão suave como pude. Tirei o microfone debaixo do sofá em primeiro lugar, tendo o cuidado de não colocar os dedos nos chicletes velhos. Depois tirei o da cômoda. O de dentro da prateleira ia ser decididamente o mais complicado. Parei de frente a esse, franzindo o cenho enquanto pensava nas minhas opções. Eu poderia incliná-la e agitar o microfone solto, mas as velhas cremalheiras do revestimento pesavam uma tonelada. Tinha uma boa possibilidade de que a parte inferior deslizasse para fora e caísse no chão. Eu não tinha nenhum imã para atraí-lo também. Se Chloe e eu continuássemos nos falando, ela provavelmente teria bolado algo. Ela era boa nesse tipo de coisas. Eu desenrosquei a parte superior e me coloquei na ponta dos pés para olhar para a longitude da mesma. Escuridão e pó. Peguei a pequena lanterna no meu bolso e acendi mantendo a luz em um ângulo descendente do pólo. Se a luz brilhasse em uma janela, um dos guardas de fora poderia ver e vir investigar. Isto não me faria bem de todas as formas. Serviu apenas para iluminar a superfície do revestimento do microfone e para mostrar que estava longe do meu alcance. O sacudi uma vez, fazendo soar o mesmo. Eu teria que abandoná-lo até que tivesse um plano melhor e a esperança de que os outros tivessem gravado algo útil. Odiava fazê-lo. Isso irritava minha teimosia. Mas tinha grandes problemas.

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Como por exemplo, a mão fria e pálida que de repente tampou minha boca, puxando meu corpo para trás contra um peito duro.

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Capítulo
Hunter

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Empurrei meu cotovelo para trás tão rápido quanto pude, mas ele seguiu meu movimento. Meu calcanhar se atraiu para o peito dele e foi difícil não emitir um som agudo. Então ele me puxou girando ao seu redor para apoiar-me contra a parede. Sua mão continuava sobre minha boca. Enganchei meu pé sobre seu joelho e o afastei com um empurrão. Ele cambaleou para trás e caiu, deslizando sobre o tapete. Mas me levou com ele amparando-me quando caí sobre ele. Ele tinha se deixado cair desajeitadamente em um silêncio estranho, nem sequer tinha balançado ruidosamente os móveis quando aterrissou. Uns olhos azuis sorriam para mim. — Quinn. — exclamei finalmente reconhecendo-o. Então bati nele. Duramente. — Que diabo está fazendo? Poderia tê-lo estacado, idiota. Ele sorriu. — Sou mais rápido que você — Cala a boca, não é. — bom, sim ele era. Mas apenas porque tinha habilidades sobrenaturais. Se ele fosse um garoto normal, eu teria ganhado. Ainda podia ganhar. Apenas precisava de algumas armas mais para fazê-lo. — Não acredito que viva nesse andar. — Como sabe onde é o meu quarto? — perguntei. — E o que está fazendo aqui? Dá-se conta de que esta é uma escola de caçadores de vampiros, certo? Porque tenho sempre que te lembrar disso? Ele sorriu zombeteiramente. — Tenho um passe. — ele dizia a verdade. Não tinha notado ainda, mas ele tinha um discreto prendedor de metal, como os que você conseguia nos museus, preso na gola da sua camisa. Sua camisa era quase da cor azul de seus olhos. O prendedor era um passe. Deixava o portador permanecer no campus

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sem o problema de segurança caindo sobre sua cabeça. Era quase certo que nunca antes tinha sido usado por um vampiro. — De onde o tirou? — perguntei. — De Kieran. — Kieran te deu um passe de livre acesso ao campus? — repeti duvidosamente. — Não foi tanto como... Dar, eu tirei da sua mochila enquanto ele beijava a minha irmã. — Então você o roubou. — Já mencionei que ele estava beijando minha irmãzinha? Toda a prática sobre beijos fazia difícil afastar meu olhar da sua boca. Ou fingir que não sabia como eram seus lábios sobre os meus. Ele franziu o cenho repentinamente, seus dedos se moveram sobre meu queixo, sua expressão dura como aço. — O que aconteceu ao seu rosto dessa vez? Enruguei o nariz. Estupendo. Tinha esquecido que tinha hematomas e provavelmente parecia uma uva. — Chloe me bateu. Bom ela tentou. — Chloe te bateu? — Sim. — respondi. — Ok, mas eu não posso bater nela. — ele soava contrariado. — Ela é uma garota. Pestanejei. — Eu não lhe disse por isso. — Isso é o que fazem os garotos. — ele murmurou. — Quando alguém machuca uma garota. Especialmente você. Não estava certa de o que ele queria dizer com isso, mas em meu interior senti algo quente e nervoso, como quando bebia muito chocolate. E então me dei conta que ainda estava sobre ele. Estávamos tão próximos que minha respiração arrepiava seu largo peito. Ele tinha o tipo de beleza que podia te queimar, como se ele pertencesse a uma pintura prérafaelista de um poeta ou de um amante mítico condenado. Ele era tão requintado. Ele elevou uma das suas sobrancelhas, seu sorriso de marca registrada era cada vez mais evidente. Mas ele era um vampiro. O que significava que ele podia ouvir as

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batidas aceleradas do meu coração enquanto eu ficava ali o encarando, e pensando quão lindo que ele era. Merda. Era uma vantagem completamente injusta. Impulsionei-me sobre minhas palmas para me afastar dele antes que me envergonhasse por completo e irrevogavelmente. — Hey. — ele observou eu me afastar como se ele fosse algo perigoso. Ele parecia internamente muito satisfeito consigo mesmo. — Aonde vai? — Para a cama. — merda dupla. E se ele levasse isso como um convite? Era um convite? E quando, precisamente, eu tinha perdido meu juízo? — Uh, me referia ao meu quarto. Aonde está minha cama. E... Merda. — obriguei-me a parar meu balbucio. Ele se levantou, parecendo selvagem e predador. — Eu te deixo nervosa Hunter? Parei; olhando-o. — Desculpe, eu sei dezessete formas dolorosas de te matar. Você não me deixa nervosa. — Eu sei dezessete formas diferentes de beijar. Ignorei a chama de calor em meu peito e foquei minha atenção no fato de que aquilo era uma lorota. Afastei meu cabelo do ombro. — Não sou uma das suas fãs. Eu estava em sérios problemas. — Olha Quinn, o que você realmente está fazendo aqui? Tem informações sobre a pílula que eu te dei? — Ainda não. Mas li a mensagem de texto sobre Will. — ele respondeu endireitando-se. Ele apenas me passava um pouco me altura. — E acreditei que poderia precisar de um pouco de companhia. — Veio por mim? — yep. Estava em problemas muito sérios. Ele assentiu, tocando meu cabelo e enredando seus longos dedos nas pontas como se fosse um incêndio e ele era tão frio como o pálido inverno. — O que está fazendo aqui em cima? — Coletando minha propriedade pessoal. — expliquei, fascinada pela sensação da sua mão enquanto ele me puxava mais para ele, enrolando meu cabelo em seu pulso como uma cobra enrolada.

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— Da prateleira? — ele sussurrou perplexo. Ele deve ter me visto olhando para isto. Assenti, perguntando-me porque minha voz parecia ter desaparecido por completo. Aclarei a garganta. — Sim, mas está preso no fundo. — Permita-me. — ele me soltou tão abruptamente que tropecei um pouco enquanto ele se afastava. Levantou a prateleira e virou ao contrário, como se não pesasse mais que uma escova. O microfone saiu e eu o apanhei antes que pudesse cair no chão. Ele sorriu balançando a sua cabeça. — Sua propriedade pessoal é um equipamento de vigilância? Dei de ombros, deslizando-o em meu bolso. — Obrigada. — De nada. Fui para a porta, assegurando-me de que estivesse limpo18 antes de começar a deslizar silenciosamente pelas escadas. Fiz uma pausa no patamar. Quinn estava logo atrás de mim. — Aonde você vai? — perguntei. — Vou com você. — Não me lembro de tê-lo convidado. — eu disse secamente. — Esse é um mito vampírico. — ele me respondeu secamente. — Não preciso ser convidado. Acreditava que já tinham ensinado isso aqui. — ele me piscou um olho. E eu girei meus olhos em resposta. Ele me seguiu e eu permiti. Encantada. A verdade era que não queria estar sozinha agora. Estava exausta e preocupada. E gostava de tê-lo ao redor. Ele era incômodo. No bom sentido. Ele fez uma pausa, apontando com a cabeça para Chloe, que ainda dormia, profundamente no sofá da sala comum. — Quer que eu a puxe pelos cabelos? Sorri, negando com a cabeça. Ele deu um passo à frente. — O que você está fazendo? — agarrei seu braço. — Vou cheirá-la. Pestanejei. — Desculpe; o que?

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Não havia ninguém no caminho.

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— Está preocupada com essas vitaminas, certo? Eu poderia ser capaz de cheirar seu sangue e poderia ser capaz de lhe dizer se a fazem viajar19. — Definitivamente a fazem viajar. — murmurei tocando a contusão em meu queixo. — Mas vá em frente. Isso poderia nos ajudar. Simplesmente não a desperte. — Olá? Me dê um pouco de crédito. Furtividade vampírica, lembra? — Arrogância vampírica você quer dizer. — Isso também. Estava indo contra toda uma vida de treinamento em estacar vampiros e pior ainda, eu estava observando aproximar-se e perambular para um dos meus amigos. Minhas mãos na verdade tremiam. Mas fiquei onde estava. Confiava em Quinn Drake, apesar de que eu era a última em uma longa linha de caçadores de vampiros. Ele foi gracioso como a luz da lua, fluido e silencioso enquanto se movia sobre Chloe. Ela continuou dormindo tranquilamente, totalmente inconsciente. Agora mesmo, isso não demonstrava o bom que era nossa educação. No entanto, nem eu o fazia. Quinn era uma silhueta escura tirada de qualquer filme padrão de vampiros, inclinando-se sobre ela, com seus dentes brilhando. E eu estava apenas esperando, confiante, paciente e esperançosa. Estouraria algum vaso sanguíneo do meu Avô se ele pudesse me ver agora. Afastei isso da minha mente e observei como o nariz de Quinn percorria ao longo da linha do pescoço de Chloe, inalando como se ela fosse um bom vinho. Suas presas estavam alongadas. Fiquei tensa e dei um passo para ele, então ele parou. Ele inalou novamente ou o que seja que faziam para cheirar os, não mortos, então retrocedeu bruscamente. Ele não falou enquanto se aproximava, apenas balançou a cabeça para o corredor que levava ao meu quarto. Mais tarde, teria que lhe perguntar como sabia qual era o meu quarto. Agora mesmo, eu apenas queria saber por que é que ele estava limpando o nariz como se acabasse de cheirar pimenta. Fechei a porta atrás de mim sem fazer ruído. A única lâmpada acesa lançou sombras sobre seu rosto. — E então? — perguntei. — Isso não é vitamina. — ele disse.
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Estar drogada.

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— Eu sabia! — saltei nervosamente. — O que são? — Não sei. — ele admitiu. — Tem o cheiro de vitaminas... Tem esse cheiro distinto. Mas também tem algo mais. Limpei minhas palmas úmidas em minhas calcas. — Ela nunca acreditará em mim. Quando você poderá receber os resultados do laboratório do seu irmão? — Talvez amanhã. Farei com que ele se apresse. — Deus, foi a mãe dela foi que deu essas. — esfreguei os braços, de repente comecei a sentir frio. — E ela tem um esconderijo desses em alguma parte, portanto eu nem sequer posso jogá-las fora. Bom, talvez tenha algo aqui para convencê-la. — Por isso você escondeu microfones no quarto de cima? Assenti com a cabeça. — Pensei que Will ia melhorar. E que qualquer coisa em que ele estava metido, alguns de seus amigos poderiam saber também. Não sei. Mas os estudantes continuam se adoentando dessa gripe estranha que não melhora. Tem algo aqui. Tirei os microfones do meu bolso e conectei o primeiro. A qualidade não era muita boa; os ruídos eram mais altos que as vozes, mas isto era melhor que nada. Tinha colocado o gravador com um sensor de movimento o qual se acendia e apagava todas as noites. Pensei na quantidade de pessoas que podiam falar ali na sua hora de descanso, e no almoço quando ninguém poderia lhes ouvir. Tudo se tratava de uma lista de reclamações das aulas e o leite que algumas pessoas deixavam fora da geladeira, na pequena cozinha compacta. Escutei tudo por aproximadamente meia hora, dando um avanço rápido aonde podia fazê-lo. Quinn se apoiou contra a minha porta, pacientemente, de uma forma que não fui capaz. Geralmente ele gostava de fazer brincadeiras, ou estar no modo ansioso, pronto para uma luta. Estava vendo outro lado da sua personalidade, tranquila e reflexiva, mas intensa. — Nada. — disse abatida. — Acho que foi uma ideia estúpida. — Espera. — ele se afastou da parede. — Deixe-me escutar novamente. — entreguei, lhe mostrando como podia retroceder. Ele sustentou contra seu ouvido. — É somente perceptível, mas... — e foi ali aonde invejei seus sentidos sobrenaturais, ele podia ouvir melhor. Nunca tinha invejado um vampiro. Eu gostava muito da luz do sol, dos espaguetes e do sorvete.

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— Peguei. — ele disse seus olhos brilharam em triunfo. Ele rebobinou novamente e repetiu o que ele tinha escutado para mim. Tem certeza de que isso funciona? Cala a boca idiota! Alguém pode te ouvir. São muito fortes para ser apenas um monte de vitaminas. Eu disse, são melhores que vitaminas... Olhe! Deixe aí, ninguém nunca vai se enfiar atrás dessa TV. Pesa uma tonelada. Levantei-me abruptamente. — Deixaram cair um pouco! Ele assentiu com a cabeça com um ar satisfeito, mas me impediu de alcançar a maçaneta da porta. — Deixe que eu vá. — O que? Por quê? — Em primeiro lugar, porque posso mover uma TV antiga que pesa uma tonelada, sem fazer muito barulho. — Oh. Bom ponto. — use as ferramentas que tem. Era o lema de um caçador. E tinha sentido, portanto minha ferramenta, neste caso era um vampiro. Ele se foi tão rápido quanto o tempo que levei para notar a luz piscando do meu correio de voz e apertar o botão de play. Então a voz rouca do meu Avô devido ao uísque e o fumo saiu nos alto-falantes. Por alguma razão me deu vontade de chorar. Perdia minha confiança e certeza. Os quais eram escassas neste momento. Mesmo enquanto me encolhia com cada palavra que ele dizia. — Hunter querida, eu recebi uma ligação da escola. Escutei que foi bem. Sei que é duro, mas fez o que tinha que fazer. Isso é o que fazem os caçadores e também o que fazem os Wild. Salvou a vida da sua amiga, isso é o que ouvi também. A diretora acredita que seja melhor você visitar o psicólogo da escola, mas eu lhe disse que você não precisa desses charlatões. É forte. É uma boa garota. Não quero que suavize com os Hel-Blar. Os vampiros precisam ser eliminados, você sabe. A porta do meu quarto se fechou com um suave click. Quinn arqueou uma sobrancelha para mim. Eu fiz uma careta, sabendo que ele tinha escutado cada palavra da mensagem do meu avô. — Ele tem boas intenções. — eu disse na defensiva.

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— Está bem. — Quinn respondeu com indiferença enganosa. — Ele me criou da única maneira que pôde fazê-lo. — Bem. — ele disse outra vez. Franzi o cenho. Não sabia por que estava justificando o meu Avô. Ele era um bom homem. Assim como Quinn também era. Estava certa que odiariam um ao outro. Minha cabeça começou a doer. — Encontrou? — perguntei; mudando de assunto. Ele assentiu, sentou-se perto de mim estendendo a mão, com a palma para cima. A pílula branca parecia inofensiva. Era difícil imaginar que algo tão pequeno estava causando um grande problema. — Não se parecem com as vitaminas da Chloe. — disse confusa. — As dela são grandes e amarelas. — Eu sei. — ele disse gravemente. — Essas não são vitaminas. Pestanejei. — Espera. Então há dois tipos de pílulas circulando por aí? Que diabos esta se passando com essa gente? — encostei-me desgostosa. — Isso explica porque continuamos correndo em círculos. Quinn olhava fixamente a pílula, como se fosse uma cobra enroscada pronta para atacar a qualquer momento. Suas narinas tremiam bruscamente, sua mandíbula apertada fortemente. — Ok, o que foi? — perguntei receosa. — Essa coisa é veneno. — ele respondeu entre os dentes. — De verdade? Isto é o que fez Will adoecer? E não somente a Hel-Blar? — É toxico para os humanos. — Quinn explicou. — Mas é absolutamente fatal para os vampiros. O silêncio era pesado, como uma bomba a ponto de explodir. Peguei a pílula da sua mão, como se essa pudesse começar a fluir ácido. Ele balançou a cabeça uma vez. — Só é fatal se for ingerido. — Então agora as pessoas estão tomando drogas contra vampiros? Misturando com alguma vitamina estranha? Isso não tem nenhum sentido. — coloquei a pílula dentro de um envelope. — Seu irmão pode analisar isso também?

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— Porra, sim! — ele disse colocando o pequeno pacote no bolso. — Quero saber o que é. Já tinha escutado antes. — Aonde? — Esse é o problema, não sei. Não me lembro. — ele parecia desconfortável com ele mesmo. Deslizei novamente para me apoiar contra a parede. As cobertas estavam enroladas em minhas pernas. — Spencer não toma medicamentos ou vitaminas ou qualquer uma dessas coisas. Ele toma apenas aspirina. — Spencer foi mordido por um Hel-Blar. — Quinn disse; arrastando-se pela minha cama, para se sentar perto de mim. — Ele não é um mistério. — Então porque todas as suas coisas foram retiradas do seu quarto? — Foram? — Quinn se virou espantado. — Está tão doente assim? — Theo disse que Spencer está mal, mas estável. Os medicamentos estão ajudando mais do que ajudaram Will. No entanto, seu quarto foi esvaziado, igual ao do Will. E todo mundo está adoecendo dessa gripe misteriosa. Quinn assoviou entre os dentes. — Olha; obviamente nunca confiei nos Hélios-Ra, e talvez tenha vivido em Violet Hill muito tempo, mas isto tem “Conspiração”, escrito em todas as partes. — Eu sei. E não vou deixar que o que aconteceu com Will aconteça com Spencer. — minha garganta queimava. — Tive que estacá-lo. — acrescentei em voz baixa. — Tive que fazê-lo. — Eu sei. — disse suavemente, deslizando seu braço ao redor da minha cintura e puxando-me para o seu lado como se estivesse tentando me proteger. Era um pouco doce. Deixei-me apoiar nele. — Era um Hel-Blar. — ele acrescentou. — Já não era o Will. — Todo mundo continua me dizendo isso. — Porque é a verdade. — sua mão acariciou minhas costas para cima e para baixo, com delicadeza e doçura. — Eu não me sinto assim. Sinto como uma traição. Não pude ajudá-lo Quinn. Nunca me senti tão impotente.

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— Hunter, a última coisa que você pode ser é impotente. — ele parecia tão seguro. Não pude deter a primeira lágrima de rolar e cair. — Não quero que Spencer morra. — Ele não morrerá. — seus lábios estavam em meu cabelo. — Você não sabe. — Eu sei sobre troca de sangue Hunter. E Spencer é forte e saudável. Ele tem uma oportunidade melhor que a maioria. Queria confiar na pequena bolha de esperança no meu estômago, mas não pude fazê-lo. — Will nem sequer me reconheceu. — eu disse soluçando. — E aconteceu tão rápido. Porque ele teve que atacar Chloe? Porque teve que ser eu a estaqueá-lo? — mais lágrimas caíram e não tentei mais detê-las desta vez. Chorei porque não podia mais parar de chorar. Quinn apenas me segurou, sem dizer uma só palavra. Sua mão aninhada na parte de trás do meu pescoço, enquanto acariciava meu cabelo. Chorei e tremi e chorei um pouco mais até que me senti fraca e desidratada. E muito mais leve. Sentei-me ereta. A camisa de Quinn estava molhada. — Sinto muito. — eu disse roucamente. — Não se desculpe. — tocou meu rosto, roçando de leve minhas contusões com apenas as pontas dos seus dedos. Limpei meu nariz em minha manga, sentindo-me bem o bastante para não querer parecer uma chorona repugnante. — Obrigada. — murmurei. Ele se inclinou, fechando a distância entre nós. Seus olhos ficaram nos meus. Então, eu não pensei, apenas me inclinei também. Foi eu quem o beijou primeiro enquanto suas mãos se fechavam em meus ombros, atraindo-me para mais perto. Deslizei minha língua ao longo da sua, sentindo uma centelha de calor ao longo do meu corpo, derretendo o gelo que tinha estado avançando dentro de mim. Ele me beijou tão profundamente que me senti nua, embora nenhum botão houvesse sido aberto. Estávamos completamente vestidos, tinha folhas na sola dos meus sapatos e uma estaca, e um arreio nas minhas costas, mas nunca tinha me sentido mais exposta, ou vulnerável. No entanto, não tinha medo. Eu queria mais. Transformou-se em um duelo entre nossos lábios e línguas para ver quem podia fazer com que o outro sentisse mais, necessitasse mais. Fiz uns pequenos gemidos através da minha garganta, seus braços eram marcados e fortes debaixo das minhas mãos e seu cabelo caía como uma cortina sobre nossos rostos, com o cheiro de xampu

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de menta. Tentamos nos aproximar muito mais um do outro, mas era fisicamente impossível. Não nos importava. Estávamos tão determinados, nada mais tinha importância. Até que caímos da cama e aterrissamos diretamente no chão em um amontoado. — Ouch. — Quinn resmungou. E esfregou o cotovelo. Meu ombro caiu pesadamente. — Hunter. Você está bem? Está ferida? Hunter? — ele soava horrorizado. Eu ri, porque era muito difícil responder. Ele me virou, me colocando de barriga para cima, observou meu riso de satisfação, e ouviu minha respiração arfante como se eu estivesse tentando respirar. Seu sorriso de resposta foi tão rápido, seguido por uma grande risada própria dele. E outra. Então começamos a rir tão alto, que tivemos que segurar um ao outro. Eu comecei a ofegar. E me sentia tão bem, quase como os maravilhosos beijos de Quinn. Temi que isso fosse como uma traição ao meu amigo que jazia em uma cama ou ao meu amigo que estava pronto para ser enterrado debaixo da terra, mas foi exatamente o contrário, sentia-me como se houvesse tomado ar novamente, depois de ter estado debaixo d’água por muito tempo. Recuperar minha capacidade de sorrir poderia ser a única coisa que fosse capaz de recuperar meu equilíbrio. Não poderia lutar por eles, não poderia verificar o que realmente estava acontecendo se permitisse que a dor, a culpa e o sofrimento me dominassem. Não podia correr esse risco. Tinha que chutar uns traseiros. Todo tipo de traseiros. A partir de agora. Endireitei-me, apertando meu estômago dolorido. Saboreando o cobre em minha boca. — Ai, eu acho que mordi a língua. — eu disse limpando a ponta da minha língua em minha mão e vendo o sangue. — Sim. Muito bruta. Quinn ficou muito quieto. Eu era uma idiota. Eu me permiti esquecer o que Quinn era realmente. Acredito talvez que ele o tenha esquecido um pouco também. E agora mesmo, eu estava ajoelhada no chão com sangue na minha boca sem esquecer o que ambos éramos. — Quinn? — eu disse suavemente. Sem me mexer.

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Era apenas parte da minha sorte, conseguir por fim em algo como um namorado de verdade, no entanto, tinha que estacá-lo. Quinn estava ainda mais pálido que o normal, agachou-se de frente a mim, levantando seus lábios, alongando suas presas, que saiam à medida do possível. Mal respirava. Havia tantas emoções conflituosas percorrendo suas feições, que eu quase não podia lê-las. Mais destacado estava o medo, retenção violenta, desejo, fome. Ele tragou saliva e o movimento ondulou sua garganta. Parecia como se sentisse muita dor. Então ele sorriu. E supus o que era o medo real pela primeira vez. Não havia nada mais imprevisível que um jovem vampiro. Nada mais rápido ou mais forte. Ou mais hipnotizante. Falando de hipnotizar, meu frasco de Hypnos estava guardado na parte de cima da minha mochila do outro lado do quarto, onde não me servia de nada em absoluto. Afastei o olhar do fogo nos olhos de Quinn, do flash das suas presas. — Quinn. — repeti severamente desta vez, como uma bibliotecária irritada. Ele se sobressaltou. A agonia aguçou seu sorriso afetado sem humor. — Hunter; fuja. — ele me implorou. Levantei meu queixo. — Não. — eu disse, apesar de que a adrenalina bombeava repentinamente como uma monção selvagem em minhas entranhas. Eu estava sendo inundada de produtos químicos biológicos que me faziam querer descobrir meus dentes em resposta a Quinn como uma pantera enjaulada. — Por favor, corra. — ele implorou outra vez, exceto que quando eu troquei meu peso, sem nem me mover, ele veio por mim. Sua mão pegou meu pulso e me atraiu com força enquanto se colocava de pé. Eu estava praticamente colada ao seu peito, embora tentasse me inclinar para trás o máximo que podia. Apenas minha cabeça, meu pescoço e meus ombros tinham liberdade de movimento, me senti como uma dessas garotas fracas que desmaiam no meio de uma novela vitoriana. Não era um sentimento particularmente agradável, já que estávamos.

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Quinn lutava, mas o animal em se interior tinha saído à superfície, cheirando o sangue e a presa. Ninguém conhecia a besta que dormia dentro de um vampiro; tudo o que sabíamos era que tinha dentes afiados e um apetite insaciável. E eu não tinha intenção de ser o jantar de alguém, não importava o bem que este alguém beijasse. Quinn levantou minha mão até sua boca, fechando seus lábios sobre meu polegar. Sua língua se moveu sobre minha pele, lambendo o sangue. Nunca admitiria isso em qualquer momento, mas ele fez meus joelhos tremerem. Deveria ter me dado asco, repugnância. E estava certa que meu coração batia com força porque tinha medo. Não pela forma em que ele me olhava, seus olhos azuis ardiam muito mais que uma chama; eles me queimavam. — Você tem o gosto de... Framboesas. Engoli saliva. — Não, não tenho. — Sim tem. — ele agora tinha seu olhar fixo na minha boca. Pressionei meus lábios juntos. O pequeno corte na minha língua latejava. Sentia como um farol, que apenas tentava chamar o barco para a costa rochosa de forma segura. Peguei minha língua sobre meus dentes, tentando deter o sangue. — Posso fazer isso por você. — ele ronronou. Tentei retroceder, mas continuava presa na jaula dos seus braços. Fechei meus olhos. — Quinn Drake, pare agora mesmo! — Mas eu não quero. — arrastou as palavras. — Quero mais. — Não quero te estacar. — Somente quero um pouco do teu sabor. — Já provou um pouco. — assinalei. — Nem de perto foi o suficiente. Eu te desejo. Eu não disse nada, apenas chutei rapidamente, com o objetivo de dar no pé. Ele rapidamente abriu seus pés enquanto se apoiava contra a parede segurando-me entre suas pernas. — Droga, Quinn. — Quando se enfurece desse jeito, seu sangue cheira ainda mais doce.

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— Então você está a ponto de receber um chute de açúcar. — Provemos; ok? Ele me beijou, afastando todas as campainhas de alarme fora da minha cabeça. Devolvi-lhe o beijo, esperando distraí-lo da sua sede. Sua boca era suave ainda quando esperei que fosse predadora. Ele era perigoso, como a água, suave e liso, que inundou meus pulmões, implacavelmente roubando todo o meu ar. Minha cabeça se inclinou e não estava certa se era pela pressão da sua boca em minha garganta ou foi parte do meu próprio movimento. Minha garganta estava exposta e suas presas rasparam a pele suave dali, mas ele nunca perfurou meu pescoço. Não bebeu de mim até que estive ao ponto de sofrer um colapso, estava tão exausta e muito fraca para contra-atacar, para não deixar a besta ganhar. Ele estava indo contra tudo que alguma vez tinham me ensinado. Quanto mais longo era nosso beijo, mais ele afrouxava seu agarre. Até que finalmente me deixou ir, afastando-me com um empurrão contra a parede. — Eu teria me estaqueado. — ele disse. Parecia como se tivesse estado em uma batalha, como se estivesse carregando uma espada manchada e um escudo quebrado. — Tenho que sair daqui. — ele puxou bruscamente a porta como se essa fosse uma corda pendurada na parte superior de um penhasco. — Espera. — Tenho que ir! — ele grunhiu e a porta se fechou com uma batida atrás dele.

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Capítulo
Quinn
Domingo, tarde da noite.

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Quando cheguei em casa, Lucy estava deitada sobre o sofá dizendo o mesmo que tinha estado dizendo quando saí. — Estou bem. Solange estava usando óculos escuros e estava sentada em uma cadeira tão longe como era possível e ainda assim permanecia na mesma habitação, parecendo como se estivesse a ponto de vomitar. — Chega. — Lucy lhe jogou uma almofada. Solange não se moveu, e a recebeu em seu peito. Lucy bufou. — Bons reflexos de vampiro que você tem. Nicholas entrou, sustentando uma bandeja enfeitada com uma taça fumegante. Lucy se sentou olhando-o furiosa. — De jeito nenhum. Ele piscou. — O que? — Não vou beber mais uma xícara de chá de camomila. Não pode me obrigar. Cruzou os braços. — Tem uma ferida na cabeça. — Sei, e isso não afetou minhas papilas gustativas. — rolou seus olhos. — Como seja, tenho três pequenos pontos. Isso dificilmente é uma verdadeira ferida na cabeça. Sempre fazem parecer pior do que na verdade são. Seu tio o disse. — Você não viu a si mesma desmaiar no rio. — disse ternamente. — Pensamos que... — cortou-se.

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A expressão de Lucy suavizou um pouco. — Estou bem Nicholas. De verdade. Uma pequena dor de cabeça agora, isso é tudo. — Está certa? — Pela enésima vez, sim. — parecia envergonhada. — Desmaiei quando vi o sangue. Apenas me pegou de surpresa. Apoiei-me na porta, sentindo-me como se pudesse recuperar o fôlego. Ainda podia saborear o sangue de Hunter em minha língua, como um doce. Estremeci. Lucy me olhou, depois para Nicholas, que vibrava com uma careta de preocupação, e logo para Solange, que estava sentada com seus joelhos no peito. Deixou escapar um suspiro contrariado. — O que está errado com vocês? Nicholas e Solange explodiram ao mesmo tempo. — Você quase morreu! — Nicholas gritou. — Poderia tê-la comido! — Solange acrescentou. O silêncio rodou um longo momento antes que Lucy esfregasse o rosto. — Ambos são uns idiotas. E muito dramáticos. — eles simplesmente ficaram olhando-a, claramente esperando uma reação diferente. Tinha manchas debaixo dos seus olhos, mas ao contrário, parecia bem. O tio G lhe havia examinado. Ele tinha alguns diplomas médicos guardados, outro dos benefícios de uma vida útil prolongada. — Nicholas, pare de se preocupar. Já me machuquei muito pior na aula de ginástica. Solange, você gosta de sangue. Dããã. — empurrou três montes de cobertas sobre seu colo. — Olá? Vampiro. — Você não entende. Lucy grunhiu. — Não se atreva a vir com esse lixo para cima de mim. Solange Drake. Pode ser que seja um vampiro, mas lhe conheço por toda a vida. E entendo completamente. Dê-me algum crédito. — virou-se de repente apontando um dedo em minha direção. — E você parece estranho. Sentia-me estranho. Hunter acabara de fazer isso a mim. Mas inclusive ela podia compreender o perigo de ser a única humana em um quarto repleto de monstros. Lucy era teimosamente alheia a isso. — Estou bem. — disse com um pequeno sorriso. — Beba seu chá de camomila. — Apenas se ele magicamente se converter em chocolate quente. — Lucy sorriu de repente. — Está todo elegante.

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— Não estou. Pareço bem de forma natural. Sorriu. — Foi ver Hunter Wild, não? Isso é muito mais divertido que falar com meus pontos estúpidos e a crise de Solange. — Não tive uma crise. — Solange protestou. — Por favor, é claro que sim. — Lucy sorriu brevemente. — E eu a amo por isso. Mas já chega tá. — moveu sugestivamente as sobrancelhas. A luz refletia na armação dos seus óculos. — Você a beijou? — parou. — Claro que a beijou. Como foi? — Não sou uma garota Lucy. Não desejo pentear seu cabelo e falar sobre beijos. Solange ficou me olhando fixamente, cheirando o ar delicadamente. Parecia confusa. — Você a mordeu? — Não, eu não a mordi. — respondi mais brusco do que pretendia. — No lugar de falar de mim, porque não falamos do que diabo estava você fazendo no bosque em primeiro lugar? — Sim. — Nicholas concordou delicadamente. — Falaremos disso. — ele empurrou Lucy para uma cadeira. Quando se esticou para pegar a xícara ela lhe estreitou os olhos. — Jogo isso na sua cabeça. Não parecia particularmente preocupado. — Direi à mamãe que você não está descansando. Sua boca se abriu de espanto. — Jogo sujo. — É claro que sim. Ao menos ninguém ia falar da minha vida amorosa. — Solange, é sério. — Eu disse. — Que demônios? — Precisava apenas sair. — disse em voz baixa. — Com os sequestros e tentativas de assassinato e a transformação, me perdoem por me sentir presa. — retirou os óculos de sol. — E olha os meus olhos. — suas pupilas ainda estavam rodeadas de vermelho, o branco todo irritado. Ainda não haviam mudado. — Ouch. — Lucy fez uma careta — Tem um Visine20 para vampiros?

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Marca de colírio.

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Solange sorriu. — Como seja; vocês garotos patrulham todo o tempo. — disse para Nicholas e para mim. — Mas não sozinhos! — lhe respondi. — Ela não estava sozinha. — Lucy interrompeu. — Eu estava com ela. — sorriu timidamente. — Eu a segui. — ela admitiu. — Por quê? — perguntei. — Não sei. Suponho que estava preocupada. Mas sabia que ela precisava de algum tempo sozinha assim, eu não queria incomodá-la. — deu de ombros. — Montmartre está morto. Como também está Greyhaven, e ele era o tenente de Montmartre ou o que seja assim supus que estava bem. Não é como se os Hosts pudessem se reagrupar assim tão rápido. — Por acaso, convenientemente escutaram tudo sobre os Hel-Blar? — Nicholas perguntou desgostoso. Ambas deram de ombros. Ele parecia como se sua cabeça fosse explodir. Meu irmãozinho estava cheio de trabalho com essas duas. Eu queria somente me recostar na escuridão e tentar não reviver cada momento desse beijo. Já sabem, antes que afundasse as presas sobre a garota. A garota caçadora de vampiros. Gemi virando-me para me dirigir para cima. Não precisava de sentidos vampíricos superdotados para saber que Lucy estava me caçando. — Oh não, de jeito nenhum Quinn. Nenhuma enxaqueca vai me impedir de obter detalhes. Era perseverante como um mosquito. Não pude evitar lhe dar um sorriso por sobre meu ombro. — Não tinha ideia que fosse tão pervertida. Olhou-me. — Se você quer salvar as vidas não mortas do seu irmão e irmã, vai me distrair neste instante. — O que, te chamar de pervertida não é distração suficiente? Reclinou sua cabeça. — Tenho fotos da sua fase de super-herói. Estou certa que Hunter ficaria encantada em te ver com as malhas do Batman e a capa do Halloween quando tinha dez anos. — Lembre-se de nunca lhe cortar. — eu disse.

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— É uma habilidade básica da vida. — concordou alegremente. — Mas uma importante. — sentou-se na ponta da cama. — Portanto, desembucha Casanova. — Continua sonhando. Fez uma careta. — Estou ferida, se lembra? — Oh, agora joga as cartas da doentinha. Ela sorriu sem arrependimento, colocando-se novamente de pé. Nunca havia sido boa nisso de ficar quieta. — Porque ainda está com presas? Passeia a língua sobre minhas presas, sendo cuidadoso de não cortá-la. Não tinha nenhum interesse em lhe contar que tive a urgente necessidade de converter Hunter em um copo de vinho e bebê-la como um tinto. — Apenas você poderia reduzir séculos de míticos não mortos a “presuntos”. — Os chamarei como os vejo, garoto presas. — parou na janela franzindo o cenho. — Lá vai ela. — disse em voz baixa. — Quem, Solange? Assentiu. — Vai se esconder na estufa. Estou preocupada Quinn. — Por quê? Mordeu seu lábio inferior. — Porque ela está estranha. Disse para Kieran que não viesse essa noite. — Isso não é estranho. — Não, é a forma que o disse. — suspirou. — E meus pais voltarão para casa depois de amanhã, e me preocupa que vocês tentem me deixar de fora. Já sabe. — fez uma sarcástica imitação de presas no ar. — Para o meu próprio bem. — Não o faríamos. — menti. É claro que o faríamos. Éramos uma família perigosa para se conhecer nesse momento. Na verdade, beijar Hunter e então saborear seu sangue tinha tirado mais perto da superfície meu vampiro interior. Inclusive Lucy cheirava bem nesse momento, e eu estava acostumado a sua essência como a qualquer um dos meus irmãos. Raramente me incomodava. Mas estava incomodado neste momento.

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— Lucy, me alegra que esteja bem. Chegue a fazer algo tão estúpido como isso outra vez, e eu te matarei eu mesmo. — sorri para suavizar a bronca. — Agora vai. Estou cansado. Olhou-me fixamente. — Você não está cansado. Está tentando se livrar de mim. Eu a empurrei gentilmente para a porta. Seu pescoço estava nu, limpo com antisséptico, mas pensei que ainda podia sentir o leve odor de sangue por debaixo dos pontos de sua bandagem. — Boa; então pega como uma indireta. Virou e enfiou seu pé contra o batente da porta. — Aí Quinn. Isso é ao que eu me referia. Estão todos assustados como velhinhas. É como se estivesse com mais medo dos vampiros do que eu tenho. — Isso é porque somos mais espertos do que você. — assinalei. — E preocupados. — Bom, aguente. — disse enfadada. — Porque não vão se desfazer de mim tão facilmente.

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Capítulo
Hunter
Segunda feira à tarde

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Não tinha ficado sabendo dele pelo resto da noite. Nem sequer um bilhete ou uma mensagem de texto. Ainda assim, havia me livrado de alguns dos medos e preocupações que se aferravam em meu interior e eu me senti melhor preparada para o que seja que precisasse fazer. O que era conveniente, dado o fato de que a primeira assembleia do ano escolar era tão ruim como pensei que seria. Era depois do almoço e estávamos todos reunidos no auditório, o que era, na verdade, uma antiga escola de madeira dos finais do século passado, equipada com bancos de igreja restaurados, também em madeira. Os caçadores sempre tinham preferido que tudo fosse de madeira, dessa maneira era mais fácil partir um pedaço para usá-lo como uma arma improvisada. A primeira coisa que meu Avô fez quando comprou sua casa, foi se desfazer do revestimento de alumínio e substituir tudo com aglomerado de madeira. Havia fileiras e fileiras de janelas e o grosso vidro ondulado difundia a luz por cada canto do edifício. Seguia-me para o cômodo. Não havia possibilidade de se esconder. Os estudantes se remexiam em seus assentos, me olhando enquanto eu passava, sussurrando ruidosamente entre eles. Felizmente Jenna e Jason estavam próximos o suficiente do fundo para que não estivessem em exposição por muito tempo. Pude ver Chloe de um lado, mas ela virou novamente para olhar para frente, me ignorando.

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Deslizei sobre um dos bancos para me sentar junto a Jenna. Ela se inclinou para frente e puxou a orelha de uma das garotas que sequer fingia estar olhando. — Ai. — gritou; dando-lhe um olhar furioso antes de virar-se para se sentar corretamente. Jenna cruzou os braços com ar satisfeito. Sentei-me com as costas eretas, minhas botas polidas, os bolsos de minhas calças cargo repletos de suprimentos e armas regulamentadas. Não pude evitar olhar para a mesa próxima dos primeiros bancos com a fotografia de Will da classe do ano passado e uma vela acesa de cada lado. Estava sorrindo ansiosamente. Tentei não me lembrar dele descobrindo suas presas para mim, tentando agarrar a minha garganta em busca da minha jugular. Ou a sensação de sua pele, sua carne e seu coração sob o impacto de minha estaca. Jason se inclinou do outro lado de Jenna. — Vocês sabem algo sobre Spencer? Balancei a cabeça. — Passei esta manhã, mas Theo disse que nada havia mudado. — Isso não é necessariamente algo ruim. — sinalizou. — Chloe ainda não fala com você? — Jenna perguntou. — Acho que não. Quando a diretora Bellwood foi em direção ao palco, com os saltos de seus confortáveis sapatos batendo como tiros, todos nos sentamos direito. A brincadeira morreu no ato. Até os estudantes do primeiro ano sabiam o suficiente para temê-la. O restante dos professores se enfileirando atrás dela. O Sr. York foi o último, com seu apito ao redor do pescoço como sempre. Juro que ele dormia com ele. Uma vez ele o havia soprado na orelha de Chloe tão intensamente que ela ficou surda durante três dias. A diretora Bellwood não precisou de um microfone, sua voz nítida e severa te encontra onde quer que você esteja. — Bem vindos a um novo ano na Secundária Helios-Ra. Estarão embarcando em uma nova viagem e criando laços com seus companheiros caçadores que durará por toda vida. Alguns de vocês descobrirão novos talentos e eventualmente escolherão um Departamento da Liga a qual servir. Os Departamentos incluem: Caça; Estudos Paranormais, Ciências e Tecnologia. Os que

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fazemos aqui é prepará-los para caçar vampiros e unir-se à Universidade da Academia para continuar seus estudos no campo escolhido. Eu só a ouvia parcialmente. Havíamos ouvido variantes deste discurso em várias ocasiões com o correr dos anos. E eu estava muito ocupada me convencendo a não verificar se havia mensagens de Quinn. Ele estava inconsciente em sua cama, dificilmente pôde ter me enviado uma mensagem. Cada vez que pensava naquele beijo, meus lábios formigavam, meu abdômen se acalorava e meus joelhos bambeavam. Ele era perigoso em tantas formas. — Será esperado que vocês sejam modelos das virtudes desta prestigiosa escola: Dedicação, Serviço e Audácia. — continuou a diretora Bellwood. — Não tolerarei rebelião, imprudência ou arrogância. Todas estas qualidades conseguirão com que os matem e são, portanto, inaceitáveis. Aqueles de vocês que se unem a nós pela primeira vez, lhes será entregue um Manual de Regras e Regulamentos. Aqueles que estão voltando, espera-se que se lembrem dessas regras e as sigam. Estou certa que todos terão um ano agradável e educativo. Estou ansiosa em conhecer a todos e cada um de nossos novos alunos. — todos e cada um destes alunos estremeceram. — Tenho certeza que todos notaram o serviço comemorativo a um de nossos alunos do décimo primeiro ano, Will Stevenson. Entristece-me informá-los que ele foi infectado com o vírus dos Hel-Blar e não sobreviveu. — todos exceto Chloe me olharam furtivamente. Levantei meu queixo, a expressão neutra. — Por favor, rendam-lhe seus respeitos em sua memória e tomem desta tragédia a necessidade de sempre estar em guarda. A Sra. Kali, uma das professoras de Estudos Paranormais, desceu as escadas, saindo do palco e indo para atrás do serviço comemorativo. Todos nós paramos. Os do nono ano trocaram confusos olhares antes de seguir o exemplo. Eles nunca antes haviam assistido ao serviço comemorativo a um aluno, mas este certamente não seria o último. Ela cantou o tradicional tema de duelo dos Helios-Ra, passado através dos séculos. Os caçadores caídos eram, geralmente, enterrados com espinhos de rosas, sal e com a boca repleta de alho seco. O alho na verdade não tinha nenhum efeito real sobre os vampiros, mas o costume tinha começado muito antes que percebessem isso. Os caçadores que não eram cremados tinham uma estaca de pinho branco atravessando

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seus mortos corações, outra antiga medida de precaução. Will havia se desfeito em cinzas, de modo que ninguém o estaria enterrando no cemitério local dos caçadores. Mas a canção se cantaria e um marcador com seu nome seria acrescentado no jardim comemorativo atrás do trajeto do caminho para o outro lado da lagoa. Estava contente de ter derramado minhas lágrimas ontem à noite. Tornava mais simples seguir em frente com o resto da assembleia, com as garotas que uma vez tinham se apaixonado por Will, chorando, os rostos solenes dos professores, a canção arrepiando a pele de nossos braços e a luz do sol batendo sobre a foto emoldurada de Will. — Os do nono ano irão para a Orientação no jardim sul. — anunciou a diretora Bellwood quando terminou a homenagem. — O restante de vocês pegará seus horários e irão para a aula. Em modo de comentário final, vocês devem ter ouvido sobre a particularmente violenta gripe que está nos rondando. Mais dois alunos foram hospitalizados hoje, portanto eu os incentivo a lavar as mãos e ter um cuidado especial. Os alunos saíram em filas, sussurrando respeitosamente a princípio, depois falando em voz alta e gritando entre si enquanto passavam pelas portas duplas para o caminho de cascalho. — Gripe, meu rabo. — murmurou Jenna pelo canto da boca. — Bem, não é como se a escola fosse fã da divulgação total. — Jason sinalizou. — Supõe-se que nós nos calemos e sigamos as regras. — Sim. — concordei. — Alguém mais está começando a achar isso realmente irritante? — Não está me agradando. — confirmou Jenna. — Ouçam; eu tenho que ir para a prática de arco e flecha. Estou assistindo uma demonstração para os do nono ano. — Eu te vejo no jantar. — Jason lhe gritou. Fez careta para mim por um longo tempo. — Quando foi a última vez que você realmente dormiu? Encolhi os ombros. — Tive um par de horas ontem à noite.

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— Você parece como o inferno. Eu tive que sorrir. — Sabe, se alguma vez você decidir sair com garotas, eu preciso lhe dizer que essa não é uma maneira de lisonjear. — Estou falando sério, Hunter. — Eu também. — dei-lhe uma batidinha com o cotovelo. — Estou bem, de verdade. — não lhe disse que beijar Quinn depois de ter chorado encima de sua camisa havia me feito bem demais. Quinn era ardente o bastante para que Jason quisesse mais informação e eu não era das que compartilha detalhes. — Eu te prometo que tirarei um cochilo antes do jantar, certo? — Esta bem. — concordou de má vontade. — Eu te vejo em breve. As aulas seguiram da forma que sempre fez no primeiro dia. Eram em sua grande maioria nominais e com uma breve descrição do que se esperava que aprendêssemos no ano. A Sra. Dailey nos deixou sair cedo. York nos fez correr em círculos. Dormi um pouco, principalmente porque havia prometido a Jason e depois fomos jantar e para os nossos respectivos quartos para começar com a leitura designada. Chloe não estava perto, mas havia roupa sobre a cama. Eu não podia me concentrar, então fui para fora para me sentar sobre o paredão de rochas ao redor dos jardins decorativos em frente ao edifício principal para observar o entardecer. O céu ficou da cor safira, depois índigo e nuances laranja ao longo da linha de árvores. As estrelas saíram uma a uma, amontoadas sobre a minha cabeça em padrões que eu nunca podia me lembrar. Eu tinha inventado os meus próprios quando tinha dez anos: Drácula, uma estaca, uma coração, uma besta, um sol. Os encontrei agora enquanto os grilos começavam seu coro noturno ao longo do gramado no limite da floresta. A lua cheia se elevava como uma gorda abóbora crescendo em um campo fértil sobre o céu. As luzes se acenderam no ginásio e dormitório. Podia ouvir o som afogado da música atrás das grossas janelas, o vento no carvalho atrás de mim e o quebrar do cascalho quando uma caminhonete andava pelo caminho com as luzes apagadas, oculto nas grossas matas na beira da floresta. — Hunter. — Kieran chamou severamente. — Encontramos algo.

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Capítulo
Hunter
Segunda feira à noite.

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Cruzei ao lado do motorista, pisoteando flores de chicória silvestre sob minhas botas. A cara de Kieran era solene e tensa, apertando os dedos ao redor do volante. — O que está acontecendo? — franzi o cenho para ele. — Temos problemas. — respondeu em tom cortante. — E não podemos falar disso aqui. — Trata-se da Vit... — Aqui não. — me interrompeu, com os olhos se arregalando em advertência. Ele tinha razão. Havia câmeras e microfones por todos os lados. Estávamos, provavelmente, sendo muito cautelosos desde que estávamos no meio do campo, mas algo em sua expressão havia me feito checar novamente meus bolsos atrás de estacas. — Vá atrás de Chloe. Meu estômago caiu. Era evidente que estas eram más notícias. — Chloe e eu não estamos conversando exatamente, neste momento. Podia ler o desespero no rosto de Kieran. — Faça o que seja que tenha que fazer. — ele disse firmemente. — Bata-lhe na cabeça e amarre-a como um bezerro se for necessário. Ochi, eu não posso imaginar por que uma de minhas mais antigas amigas não estava falando comigo. — A segurança do campus sabe que você está aqui?

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Ele assentiu com a cabeça. — Disse-lhes que era uma operação secreta e que ignorassem tudo o que eu faço. Minhas sobrancelhas se ergueram. — Sério? Hart está nisto? — ele era o único com o tipo de poder para ordenar esse tipo de operações secretas. — Não. Fiz uma pausa, retrocedi. — Não? — Portanto temos que sair daqui antes que me prendam. — Merda, Kieran. — Eu sei, então se apresse. Eu ia conseguir ser expulsa no primeiro dia de aula. E então meu Avô ia me matar. Pesquei meu celular no bolso e disquei o número de Chloe. Ela respondeu no terceiro toque. — Alô? — Chloe, eu tenho que falar com você. — Estou ocupada. — É importante. — houve uma pausa. Eu podia ouvir sua respiração, difícil e curta. Ela devia estar trabalhando de novo. Comecei a caminhar até o ginásio, sinalizando para que Kieran soubesse onde nos encontrar. — Chloe? — tentei pensar em como levá-la para fora com um mínimo de gritos e brigas. Não pensei que pudéssemos nos dar ao luxo de atrair esse tipo de atenção, cumprindo operações secretas ou não. — Olha; Dailey queria que eu falasse com você sobre sua irmandade. Não podemos ser ouvidas casualmente. — Sério? — parecia surpresa e contente a seguir. Teria me sentido culpada se minha mandíbula não estivesse ainda machucada por seu golpe descuidado. — Estou no ginásio. Vou em seguida. — Nos encontraremos lá. Porta lateral. — eu desliguei e cortei pelo gramado até a entrada escondida atrás de uma parede e um bosquezinho de bétulas. Estava suficientemente escuro e deserto para não sermos pegas. Ela deve ter descido correndo pelas escadas. Ela ainda estava com suas calças curtas e camiseta, o cabelo preso em um elástico. Seu rosto estava úmido de suor. Abriu a porta e me olhou com receio.

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— E o que? — ela perguntou. — Você quer que eu me una à irmandade ou o que? — Kieran enfiou a caminhonete perto do canto, bloqueando-nos de qualquer transeunte. Ela franziu o cenho. — O que está acontecendo? — Não tenho certeza ainda. — admiti. — No entanto, Kieran tem grandes notícias. Ele quer que a gente vá com ele. — Para onde? E porque eu... — ela parou com um bufar impaciente. — Trata-se das vitaminas? Deus, Hunter, você está, tipo, totalmente obcecada. — Apenas entre. — murmurou Kieran, inclinando-se ligeiramente para fora. — Não temos a noite toda. — Eu não vou a nenhum lugar com vocês; psicopatas. — disse ela, cheia de desprezo. Dei uma olhada para Kieran. — Quão grave é isso? — Muito grave. — ele me assegurou, batendo no botão para que a porta da caminhonete se abrisse. — Spider-Man grave. — spider-man tinha sido nossa palavra chave desde que oito anos, utilizada apenas em tempos de grande perigo. Chloe estava se afastando, irritada. Eu não tinha muitas opções. Fiz a única coisa que podia pensar. Eu a agarrei pelo ombro e a fiz girar para nós. E então lhe dei um soco. Ela cambaleou para trás, gritando. Não exatamente operações secretas. — Merda. — agarrou o rosto. — Merda, você está louca? Eu não tinha lhe socado com força suficiente para nocauteá-la. No entanto ela parecia um pouco atordoada, então peguei a vantagem de sua momentânea desorientação e a empurrei para dentro da caminhonete. Ela xingou enquanto eu fechava a porta com um golpe e Kieran girava a chave. Corri pelo outro lado e me enfiei no lado do passageiro. — Espero como o inferno que você saiba o que está fazendo. — eu disse melancolicamente, esfregando meus dedos doloridos. — Oh, desculpe. — replicou Chloe do assento traseiro. — Eu feri seus dedos com minha cara? — Não mais do que eu machuquei os seus com a minha. — eu respondi. — Isto aqui é por isso? Vingança?

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— Chloe, não seja estúpida. — eu disse enquanto Kieran arrancava com a caminhonete. Corremos pelo caminho e saímos na estrada. — Deixe-me sair! — Chloe estava puxando a maçaneta e gritando no máximo de seus pulmões. Se tivesse conseguido gritar mais alto, meus ouvidos teriam sangrado. Ela continuou gritando, sem palavras, um som agudo com a intenção de fazer nossos olhos explodirem. Quando estávamos longe o suficiente da escola, Kieran pisou nos freios. Chloe se precipitou para frente, perto de quebrar o nariz com a parte posterior de seu assento. Engoliu outro grito. — Coloque o cinto de segurança. —ele exigiu bruscamente com o tom de um agente acostumado a ser obedecido. Na verdade era algo que ele havia aprendido com seu pai. Não era de conhecimento público, mas Kieran era apenas um graduado e não realmente um agente de plenos direitos. Tinha que fazer dois anos na universidade para isso, mas havia decidido usar o ano sabático para encontrar o assassino de seu pai. Os professores tinham pensado que ele estava desperdiçando seu talento, que a dor o tinha prendido. Mas ele tinha razão. Seu pai tinha sido assassinado e por um dos nossos, não menos. Hope já estava fora da Liga, mas o estrago já estava feito. No entanto, Kieran havia crescido muito nos últimos meses. Não era o mesmo menino que havia derramado xarope de milho com corante vermelho em todo o piso da cafeteria para assustar os alunos novos. As pessoas ainda falavam da brincadeira. Principalmente porque um conhecido valentão desmaiou ao ver isso. Chloe prendeu seu cinto de segurança, de mal humor. — Aonde vamos? — Para os Drake. Nós duas ficamos olhando para ele, depois uma para a outra. — Está falando sério? — perguntei. — Vamos à casa de Quinn? Eu ia ver a famosa cada Drake? Chloe parecia impressionada a contra gosto. — Acho que ambos estão loucos, mas isto valerá a pena totalmente se eu conseguir ver essa casa. — ela chutou a parte traseira do assento de Kieran. Fortemente. — Mas ainda contarei isso para Bellwood.

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— Bem. — ele respondeu despreocupadamente. — Mas primeiro você vai calar a boca e escutar o que temos para lhe dizer. Eu virei em meu assento para ficar de frente para ele. — O que temos que lhe dizer? — eu ainda não sabia por que exatamente tínhamos sequestrado Chloe. — Marcus analisou a vitamina que você deu à Quinn. — olhou-me secamente. — A vitamina que você devia ter dado à mim, devo acrescentar. — Ele estava lá, era mais fácil. — Sim, sobre isso. Chloe se inclinou para frente. — Olá? Vítima de sequestro aqui. Foquem-se. — ela me fez uma careta. — E você me roubou totalmente. — Sim. — eu não estava minimamente arrependida por isso, tampouco. — Não é uma vitamina Chloe. — Kieran disse seriamente. Ela rolou os olhos. — O que seja. Minha mãe que me deu, Einstein. Acho que ela saberia. — Chloe, sua mãe é bioquímica. — disse em voz baixa. — E uma médica, portanto, cale-se. — Ela ajudou a criar o Hypnos. — E daí? — E. — interveio Kieran. — Não é uma vitamina, não totalmente. É um esteroide anabólico. — Eu sabia. — murmurei. Chloe nos olhava boquiaberta. — Você não sabe do que está falando. — Aqui esta a prova. — Kieran lhe jogou uma pasta com a análise biológica de suas pílulas, impressa. — Eu te recomendo que leia isto. Quando chegarmos na casa dos Drake, você pode se conectar ao computador seguro e protegido da Liga e fazer sua própria investigação.

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— Como se a Liga pudesse quebrar a segurança do meu computador. — De qualquer modo. Ela não deu atenção e começou a virar violentamente as páginas. Percebi o momento exato em que ela realmente começou a ler e processar a informação. Ela ficou pálida. Quando olhou para cima novamente, o medo, a raiva e a negação batalhavam sobre suas feições. — Bem, e daí? — ela espetou, como se não desse a mínima para qualquer coisa que Kieran ou eu tivéssemos falado. — Então ela me deu esteroides. Deixaram-me mais forte e mais rápida. Como isso é uma coisa ruim? Arranquei o papel fora de suas mãos e deu uma olhada até que tive a resposta para ela. — Já te cresceu um bigode? Ela piscou para mim, horrorizada. — O que? — Aqui diz que é um dos efeitos secundários. Assim como a calvície. Ela acariciou o cabelo um pouco freneticamente. Era uma das suas vaidades. — Estou bem. — Você vai ter acne também. — continuei impiedosamente. Eu queria a minha amiga de volta. — E agressividade e mal humor. — virei minha cabeça para que ela visse o hematoma em minha mandíbula. — Acho que podemos dizer com segurança que você tem estes dois. Ela fez uma careta. — Eu... — A pressão arterial alta, dano ao fígado, ataques cardíacos, infertilidade, atrofia no crescimento de seu... Quer que eu continue lendo? Ela negou com a cabeça silenciosamente. — Mas eles estavam me ajudando. — ela disse finalmente baixinho. — Sinto-me mais forte. — Chloe, são ruins para você. — Mas... — Bigode. — eu repeti. Engoliu em seco. — Nada vale isso.

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Ela se jogou para trás e olhou pela janela. Eu não sabia o que mais dizer, então eu afastei a pasta para longe. As árvores e os campos estavam escuros, quebrados em ocasiões pelo brilho da lua ou um grupo de estrelas através das folhas. As montanhas se erguiam à distância. Kieran dirigiu durante mais de meia hora antes que ele virasse no que parecia um campo. Havia marcas de pneus na grama, mas nada mais para marcá-lo como algo mais do que outro campo. Os guardas eram sombras discretas. Peguei o fraco raio de luz sobre um walkie-talkie. Kieran manobrou por outros dez minutos antes que o caminho se transformasse em um caminho real que conduzia a uma antiga casa de fazenda. Era impressionante em seu tamanho. Os troncos pareciam árvores inteiras, a varanda era ampla e envolvia todo o caminho ao redor de um dos lados. A casa em si era confortavelmente gasta, como uma antiguidade. Havia uma cobertura de pinheiros e carvalhos e a luz de lâmpadas nas janelas. Chloe deixou escapar um suspiro excitado, distraída brevemente de sua própria situação. — Wow. — ela disse. Deslizei para fora da caminhonete e fiquei olhando por um momento. Este era o lugar, onde incontáveis vampiros haviam se criado, onde o sangue era bebido como vinho, onde os humanos caminhavam por um caminho perigoso, onde alguns caçadores haviam, sem dúvida nenhuma, morrido. Este era o lugar onde Quinn havia crescido. Pareceu-me ver uma sombra se mover em uma das janelas do sótão, mas não podia ter certeza. Apesar de saber que era, tecnicamente, seguro aqui, que havia tratados e amizades me protegendo, eu ainda estava contente de ter os bolos cheios de estacas e pó Hypnos, presos sob a manga. A porta principal se abriu. Reconheci Solange enquanto descia os degraus da varanda, pálida como uma jovem árvore de bétula, graciosa como um pássaro branco. A última vez que a havia visto, ela tinha sido vestida para a coroação Drake. Agora usava jeans velhos e óculos de sol. Ela sorriu suavemente para Kieran. Ele lhe devolveu o sorriso, pegando-lhe a mão. — Obrigado por nos permitir fazer isto aqui. — Mamãe e papai estão nas cavernas, por isso devemos ter a maior parte da noite. — ela se virou para nós. — Hunter, olá. E você é Chloe? Chloe assentiu mansamente. Eu nunca a tinha visto tão recatada.

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— O que há com você? — sussurrei-lhe enquanto seguíamos Kieran e Solange para dentro. — Ela é da Realeza! — E um vampiro, lembra? — Oh, sim. — Chloe fez uma pausa. — Não, princesa bate em vampiros. — Não. — Tanto faz. Esta era a verdadeira Chloe. O vislumbre foi suficiente para me fazer sentir esperança e confiança. Mesmo que no vestíbulo tinha me fuzilado com os olhos novamente. Eu nunca havia estado dentro da casa de um vampiro também. Os pisos de mármore e lustres de cristal eram impressionantes, mas eu preferi o crepitar do fogo na lareira da sala de estar à direita, e os sofás desgastados. Em algum lugar, o meu Avô estava tendo um ataque. Eu não teria esperado que fosse tão confortável e bem... Normal. Eu sabia que não devia me basear em estereótipos, mas pensei que veria pelo menos um vestido de cetim vermelho e talvez um caixão ou dois. Tudo o que eu vi foi peludos ursos cinza correndo rapidamente de todas as direções para nós. — Jesus. — tropecei para trás, revirando uma estaca em meu bolso. Kieran deteve a minha mão. — Cães. — murmurou. Meu coração saltou desconfortável. Deixei escapar um risinho nervoso. — Realmente pensei que esses eram ursos. — Bouviers. — explicou Solange, estalando os dedos uma vez. — Amigos. — ela disse e os cães enormes se sentaram obedientemente, línguas penduradas.

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Um cão-lobo, cachorro com as pernas como palafitas deslizou pelo piso de madeira, liderando da cozinha, subiu em minha coxa e quase me fez cair. Sorri e me agachei para acariciar sua cabeça. Lucy começou a rir, seguindo-o em um ritmo mais sossegado, um curativo debaixo de seu cabelo. Havia um pêssego em sua mão. — Hunter, hey! — Hey! — era ainda surpreendente ver uma garota humana tão à vontade na casa de um vampiro. Ela se deixou cair em uma poltrona, jogando suas pernas sobre o braço e movendo seus pés. Nicholas Drake se sentou diante dela, olhando-a morder o pêssego. Parecia, de alguma maneira, íntimo e particular. Afastei o olhar, me perguntando por que eu me sentia corada. — Tenho que ligar para a minha mãe. — disse Chloe. — A cozinha está livre. — Solange ofereceu. — Obrigada. — ela fez uma pausa na porta, o celular na mão. — Hunter, você vem comigo? Segui, unindo-me a ela em uma mesa de cozinha com cadeiras de encostos altos. A cozinha estava impecável. Eu não podia deixar de procurar um jarro de sangue. Os pés de Chloe batendo nervosamente enquanto esperava que sua mãe atendesse. — Mamãe? — ela disse. — Sei que você está no laboratório, isto só tomará um minuto. — fez uma pausa. — As vitaminas que você me deu estão me fazendo sentir estranha. — ela pareceu amarga. — Sim, tenho certeza. Sim, estou tomando as doses corretamente. Não quero. — ela ouviu durante um bom tempo. Ela ia bater seu pé direito para fora da perna neste ritmo. — Mas... Eu seu... Mas... Mamãe? Mamãe? Alô? Droga! — desligou o telefone e voltou a colocá-lo no bolso. — Ela está escondendo alguma coisa. — disse com uma certeza sombria. Sua cadeira raspou no chão quando ficou de pé. — Kieran. — disse. Ele chegou na porta. Solange ao seu lado. — Há um computador que eu possa usar? Olhou para Solange e ela assentiu. — Connor tem alguns em seu quarto. — respondeu ela. — Eu te mostrarei. Ela nos conduziu por uma ampla escada. — O que você vai fazer? — perguntei a Chloe.

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— Vou entrar nos arquivos da minha mãe e saber exatamente o que está acontecendo. — Bem. — eu disse seriamente. — Já era hora. Solange nos levou até o terceiro andar, que tinha uma sala de estar e fileiras e fileiras de portas. Com sete irmãos, todos vivendo ali, pareciam com um andar de nossos dormitórios. Solange bateu em uma porta e nos empurrou para dentro. Quinn levantou o olhar de seu computador. — Quinn, onde tem...? — parei confusa. — Você não é Quinn. — tinha as mesmas características, mas seu cabelo era curto e não tinha aquele sorriso preguiçoso. — O quarto dele é do outro lado. — Connor sorriu. — E eu lhe diria que ele é mais bonito, mas eu sou mais inteligente. Neguei com a cabeça, gêmeos, eu finalmente entendi. — Desculpe, eu tinha esquecido. Chloe deixou escapar um suspiro reverente. — Lindo sistema. — ela disse. Fez um inventário e cuspiu um montão de jargões técnicos que não tinha parecido com o inglês pelo que eu podia dizer. — Doce. — finalmente voltou às palavras que eu entendia. Estalou os dedos. — Qual eu posso usar? Enquanto ela se colocava confortável diante de um computador em uma escrivaninha feita de uma porta de madeira em blocos, olhei ao meu redor. — Onde está Quinn? — perguntei quando não pude fingir que não me importava por mais um segundo. Não gostei do olhar que Kieran e Connor trocaram. — O que? Ambos estremeceram, mas não me responderam. O medo fez uma bola em meu ventre. Solange foi quem me respondeu. Tentei não reagir às pontas de suas presas que sobressaiam debaixo de seu lábio superior. — Quinn está se escondendo. Pisquei. — Está se escondendo? De que?

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— De você. Minha boca se abriu. Depois meus olhos se estreitaram, lembrando a forma com que ele havia me pedido que fugisse na noite anterior, a forma com que ele lambeu uma gota de sangue da minha mão, a forma com que havia ignorado minha mensagem de texto. — Bem, isso é uma estupidez.

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Capítulo
Quinn

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Eu sabia que Hunter estava em casa, mesmo antes que ela começasse a bater na porta do meu quarto. Podia cheirá-la, saboreá-la. — Quinn Drake, eu sei que está aí. — chamou de novo, mais forte dessa vez. — Hunter, vai embora. — lhe disse sombriamente. — Pelo inferno. Sei o que está fazendo. Então pode parar. Silêncio. Podia sentir sua ira irradiando através da porta. Ela virou a maçaneta, mas abriu somente uma fresta. O bloqueio da corrente tencionou a parte superior. Ela esticou o pescoço, me olhou através da pequena abertura, e deu um passo para trás. E então ela chutou minha porta para dentro. É de se estranhar que estou apaixonado por ela? A corrente arrancada da parede, as lascas de madeira ressoando pelo corredor. Ela entrou pela porta, franzindo o cenho. Neguei com a cabeça, recusando-me a deixá-la ver quão feliz que me fazia vê-la. — Não posso acreditar que você acaba de fazer isso. — Não posso acreditar que você está se escondendo de mim. — Hunter, você não é a Mulher Maravilha, pelo amor de Cristo. É uma excelente caçadora, não há dúvida, mas é humana. É frágil.

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— Sim já me disse essa de frágil da outra vez, eu pessoalmente quebraria suas presas e as usaria como pingentes. Aproximei-me dela. — Mas você é frágil. — insisti, minhas mãos fechadas sobre seus ombros antes que ela sequer pudesse ver eu me mover. Eu sabia que para ela era uma mancha de pele pálida, cabelo longo e escuro e o brilho antinatural de olhos azuis. Apertei-lhe contra a parede, fechando a porta com a bota ao mesmo tempo. Estávamos sozinhos. E eu estava tão bravo com ela. Tinha que fazê-la compreender. Mesmo se ela me odiasse por isso. — Não gosta de admiti-lo, mas eu sou mais forte que você, e mais rápido. — eu estava tão perto dela que suas pernas, quadris e peitos tocavam os meus. Cada vez que ela dava uma respiração entrecortada, esta a empurrava mais próximo de mim. — E eu vou lhe provar agora. — inclinei-me, meus lábios movendo-se sobre sua garganta, dolorido para prová-la novamente. Ela poderia ter sido o canário do meu gato esnobe. Ela teria odiado isso. — E eu nunca vou me esquecer do teu sangue sobre minha língua. — Sei o que está fazendo. — sua voz era carinhosamente sussurrada. Ela engoliu saliva. — Apenas estou fazendo você ver meu ponto. — eu disse. — Está sendo um babaca. — mas ela inclinou a cabeça para que eu pudesse continuar mordiscando. Séculos de seus antepassados se reviravam em seus túmulos. — Poderia te matar, Hunter. — Mmm-hmmm. E eu poderia te matar em resposta. — Isso não é uma brincadeira. Capturei sua boca, e por um longo e caloroso momento não havia mais palavras, se m mais advertências. Apenas línguas, sabores e lábios buscando lábios. Eu coloquei minha mão em seu cabelo e ela se enganchou nas alças do meu cinto. E como sempre acabou muito depressa. Afastei-me bruscamente, a necessidade violenta girando sem controle dentro de mim. — Não quero te colocar em perigo. Seus olhos se estreitaram como fendas. — Você está tentando me proteger. — ela fervia.

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— Isso é algo mal? — eu não a compreendia algumas vezes. Ela cutucou meu peito com seu dedo. — Quando toma decisões por mim, sim pode estar condenadamente certo. — Apenas estou tentando fazer o correto. Sou um vampiro. — Dãã. — E você não é. — Uma vez mais: dãã. — Poderia te machucar. Poderia perder o controle. — peguei seu dedo, meu toque frio e totalmente irrompível. Ela teria mais sorte quebrando seu próprio pulso pela metade do que quebrando minha pegada. — Se fosse qualquer outra pessoa, teria te colocado de joelhos agora. — ela me empurrou forte. — Portanto, me dê um descanso. — ela disse. — Você sai com garotas o tempo todo. — Elas não são você. — respondi em voz baixa. — Kieran é humano. — ela assinalou. — E Solange é inclusive mais nova que você. Ela se transformou há apenas dois anos. Deveria me preocupar por ele? — Não sei. — E Lucy? — Não sei. Ela se afastou o suficiente para se encontrar com meu olhar preocupado. — Você gosta de mim Quinn? — Não é tão simples. — Sim, é. Responda a pergunta. — ela parecia horrorizada. — Merda. A menos que isso não se trate de me proteger e sim de não querer voltar a me ver. Sou apenas outra garota para você? Merda. — disse de novo, ficando vermelha. — Tenho que sair daqui. — Sim. — disse finalmente, em voz tão baixa que era um milagre que ela houvesse escutado algo. — Sim Hunter, eu gosto de você. — ela deixou escapar um suspiro que estava contendo. — Gosto muito.

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Escutei seu coração balançar de novo em um ritmo acelerado. E então ela me bateu muito forte no ombro. — Ouch! Que jeito de arruinar o momento. — murmurei. — Você... — ela bufou. Eu levantei seu queixo. — Você realmente não duvida de mim, certo? — Olá? Você se fechou no seu quarto para escapar de mim. — Apenas para te proteger. — eu me defendi. — Sinto muito. — Nunca mais faça isso. — Não será fácil, você sabe. Apesar de como Solange e Kieran e Nicholas e Lucy fazem parecer, isso não é simples. Até poderia ser perigoso. — Você sabe que posso cuidar de mim mesma. — Já sei. — E de algum modo estou mais apavorada da reação do meu Avô que das suas insignificantes presas. — Você tem um ego duro. — me queixei, mas eu estava sorrindo de novo pela primeira vez desde que tinha fugido do seu quarto. — Seu Avô é um homem velho. — Que poderia chutar o seu traseiro. — Eu tenho meus movimentos Buffy. — Conheço seus movimentos Lestat. — ela brincou me beijando. Eu a apertei mais próximo, minhas mãos percorrendo suas costas e seus quadris. — Não é mais que um vampiro, já sabe. — sussurrou. — Você é o garoto que me deixou chorar sobre seu ombro, quando eu nunca sou de chorar. Nada faz sentido nesse momento, pessoas na escola estão morrendo, meus companheiros de quarto são algum tipo de caçadores com esteroides, mas você tem sentido. De alguma forma, você tem sentido. Assim era. Eu estava total, completa e irrevogavelmente apaixonado por essa garota. Uma batida na porta nos fez saltar. — Hey! Afaste-se da minha irmã. — Kieran gritou do outro lado.

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— Me esquece, Black. — gritei. — E ela não é sua irmã. — Poderia ser. — Bom, pare de beijar Solange e vou parar de beijar Hunter. Silêncio. Sorri. Hunter se afastou rolando os seus olhos. — Hey, aonde vai? — murmurei. — Não terminamos. — Estamos em estado de crise por aqui. — ela respondeu de má vontade dando um passo atrás. — Sempre estamos em crise nesta casa. — eu disse com desgosto. — No entanto. Devemos ir ajudar. Eu soltei um suspiro fingido e melodramático. — Isso é coisa do dever Hélios Ra, não? — Temo que sim.

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Capítulo
Hunter
Segunda à noite.

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No quarto ao lado, Chloe parecia exausta. Soltou o cabelo do seu rabo de cavalo e era uma confusão de cachos emaranhados. Solange e Kieran estavam sentados na beira da cama de Connor e Connor estava em sua mesa, afastado, digitando em outro computador. Era impressionante o quanto ele e Quinn pareciam iguais. Quinn cutucoume como se soubesse que estava pensando. — Eu sou mais bonito. — informou-me arrogantemente. Connor me lançou um sorriso conhecedor sobre o ombro. Chloe esfregou o rosto. — Encontrou alguma coisa? — perguntei à ela. Ela se recostou na cadeira. — Realmente não sei. Quer dizer, entrei nos arquivos de minha mãe. Suas senhas sempre foram patéticas. — E? — E é definitivamente um esteróide, isso é tudo. Não há nada mais estranho sobre isso. Balançou a cabeça. — Exceto porque, em que mundo ela iria me encher esteróides? É apenas, estranho.

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— Ela não fez anotações de laboratório ou algo assim? — Nada remotamente útil. Embora se referisse a um Cavalo de Tróia um par de vezes. Quase deu em mim e em Connor um ataque cardíaco. Francamente não preciso de algum virus hacker no computador agora. Mas não é isso, fizemos a varredura de todas as máquinas para verificar. Então deve ser o código para outra coisa. Vou descobrir isso. Fez uma careta. — Talvez não esta noite, mas definitivamente vou descobrir isso. Olhei para meu relógio. — Sim, nós devemos retornar. Apenas no caso de Kieran ter sido apanhado. Realmente não posso tomar mais nenhum demérito e detenção este ano. Se York zomba de mim mais uma vez, só poderia perdê-lo. — E quanto à segunda pílula que encontramos. — Quinn perguntou. —Será que Marcus descobriu o que é? — Saberemos amanhã à noite. — Connor deu de ombros. — A academia é basicamente uma escola de ensino médio, você sabe. Poderia ser apenas um estimulante ou uma pílula de cafeína. — Talvez. — disse duvidosamente. Havia simplesmente, coincidências e variáveis demais. E segredos. Definitivamente, segredos demais. Na porta da frente, Kieran deu um beijo de despedida em Solange. Limpei a garganta incomodamente até que ele olhou para mim ameaçadoramente, mas se não criasse um precedente agora, ele iria interromper todas as minhas sessões de pegação. — Te ligo. — ele sussurrou para ela antes de sair para a caminhonete. Puxou meu cabelo quando passou por mim. Chloe já estava no banco de trás, os joelhos encolhidos junto ao seu peito. Quinn agarrou meu braço quanto eu estava alcançando a maçaneta da porta da frente. Girou-me para trás em seus braços e me inclinou, como se faz naqueles filmes antigos em preto-e-branco fora de moda. E então me deu um beijo que me deixou vesga. — Vejo você em breve. — mesmo seu sussurro eu sentia como um

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beijo. Eu de alguma forma, consegui entrar na caminhonete e fechar a porta. Quinn bateu ao lado da caminhonete e Kieran tomou distância, espalhando cascalho. — Uau. — Chloe murmurou. — Isso foi um beijo. Preciso de um namorado vampiro. Sorri. — Ele tem um monte de irmãos. — E cada um deles é gostoso. — Chloe concordou. Depois disso, retornamos praticamente em silêncio, tentando processar o que tinhamos descoberto hoje à noite. Não era madrugada ainda, mas o céu parecia mais cinza do que preto, como cinzas cobrindo uma brasa vermelha. A lembrança do beijo de Quinn persitia em interferir com a minha concentração. Kieran gemeu. — Eu não confio nesse sorriso. — Sim. — reiterou Chloe quando Kieran estacionava no campus. — Eu definitivamente preciso muito do meu próprio irmão Drake. Chloe podia estar fazendo piadas, mas eu sabia que estava apavorada. Eu estaria pirando também, se tivesse simplesmente confirmado que a minha própria mãe estava me drogando. Mas era tarde e estávamos cansados e nós duas só queríamos cair na cama. Difícil fazer isso quando os colchões estavam meio fora de seus lugares e a maioria de nossas coisas estava espalhada como se um minifuracão tivesse entrado pela janela. Ficamos congeladas, olhando. — Alguém vasculhou nosso quarto! — Chloe gritou furiosa. Correu para seus computadores, passando as mãos sobre os fios e verificanda as conexões como uma mãe verifica uma criança pequena para achar ossos quebrados. — Vou matá-los. — ela murmurou. — Eu vou matá-los. As portas do armário estavam abertas, esparramando calças e uniformes da escola e todos os meus vestidos bonitos. Um tubo de pasta de dente estava no chão, perto do meu pé. Meus livros estavam por toda parte, minhas estacas organizadas e

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punhais estavam espalhados. Minha caixa de jóias estava de cabeça para baixo e correntes de prata, pingentes turquesa, braceletes estavam derramados em um emaranhado. — Quem fez isso não estava querendo nos roubar. — eu disse categoricamente, desembaraçando um colar do abajour mais proximo. — Estavam procurando alguma coisa. Chloe finalmente ergueu os olhos de seus computadores, garantiu que ninguém tinha os adulterado. Fez uma careta. — Quem faria isso? E o que diabos estavam procurando? — quase engasgou com suas próprias palavras, olhando horrorizada para tubos abertos de aspirina e os comprimidos para resfriado espalhados como confetes. Olhamos uma para o outra com seriedade. — Alguém estava procurando minhas vitaminas. — afirmou obtusamente, como se não conseguisse acreditar. Abraçou o seu pôster da Xena com o braço dobrado e apontou para uma pegada. — Alguém vai morrer horrivelmente quando eu encontrálo. Coloquei o colchão de volta no lugar e em seguida caí em cima dele. De repente estava tão cansada que mal conseguia ficar de pé. — Quem mais sabia que você estava tomando vitaminas? Chloe deu de ombros, estremecendo. — Qualquer um que nos ouviu brigar ou eu reclamando sobre isso depois. Algumas pessoas me pediram algumas quando me viram, finalmente, fazer um bom roundhouse kick 21 na academia. Acho que eles pensaram que era uma pílula mágica. Com a gripe, ataques Hel-Blar e tudo mais, todo mundo quer uma vantagem. — Os esteróides não lhe fizeram, finalmente, conseguir um roundhouse. — disse a ela. — A prática fez isso. — Sim, mas os esteróides me fizeram mais forte. — esfregou as palmas das mãos em suas pernas, como se estivessem suadas. — E estou realmente querendo, de repente
21 O Chute Circular ou Roundhouse Kick (Mawashi gueri no Karatê e Dolio Tchagui no Taekwondo) é um golpe de várias artes marciais em que o atacante move a perna num movimento circular, partindo pelas costas, alongando a perna e batendo com o calcanhar ou prancha do pé, completando o movimento de 360º na posição de luta inicial, existindo diversas variações.

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uma outra vitamina agora. — engoliu em seco. — Isso faz de mim uma viciada? — olhou-me freneticamente. — Não. — assegurei-lhe com firmeza. A chama para dramas de Chloe poderia criar todo um problema onde não havia nenhum. Às vezes você tem que cortar a passagem. — Isso faz de você uma pessoa que se acostumou a tomar vitaminas, por isso tente tomar vitaminas de verdade. — Huh. Isso realmente faz sentido. — E você pode querer ir conversar com Theo. Ele saberia o que fazer. — Okay. — ela deu uma inspirada funda, depois outra. — Okay. — ela pegou um de seus sutiãs do chão. — Ainda vou matar quem fez isso. E vou fazer isso antes da força dos esteróides desaparecer. — Combinado. Vou ajudá-la. — meu baú saía de baixo da minha cama, cheio de livros românticos. Empurrei-o de volta para baixo. — Hunter? — Sim? — Obrigada por toda a coisa sobre esteróides. — ela pegou o espelho compacto à esqueda de seu travesseiro e olhou para seu lábio superior. — Você não tem um bigode. — assegurei-lhe. — Poderia matar minha mãe por isso. Quase me deu uma barba e uma careca. Soltei uma gargalhada, em seguida tentei encobri-la com uma tosse. Me lançou um olhar, mas eu poderia dizer que estava tentando não rir também. — Não é engraçado. — ela insistiu. — Claro que não. — eu guinchei, engasgada com uma risadinha.

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— Poderia ficar parecida com o homem-lobo! — acrescentou. — Ou com a minha avó! Rimos até chorar. A fadiga e alívio da tensão nos deixaram um pouco histéricas. Finalmente arfávamos como asmáticas e relaxamos. — Devemos dormir um pouco. — eu resmunguei. — Temos aula em poucas horas. — Deus. — Chloe gemeu. — Tenho que encarar York. O quão rápido você pensa que irei receber todos aqueles fracos e insignificantes? — Você nunca foi insignificante. — puxei meu cobertor para cima de mim. Não podia me incomodar em trocar o meu pijama ou limpar as roupas empilhadas aleatoriamente ao meu redor. Uma de minhas botas ficou presa debaixo do meu travesseiro. Joguei-a de lado. — Você só é melhor com a tecnologia do que com seus punhos. Não é nenhuma grande coisa. — estava quase dormindo quando houve uma tímida arranhada na porta. — Está brincando? — Chloe murmurou. — Temos ratos? Eu não posso lidar com ratos exatamente agora. — o roçar se transformou em uma batida hesitante. Eu gemi e cambaleei para fora da cama. — E agora? Lia estava do outro lado de pijama rosa com pirulitos estampados nele. Seus olhos estavam vermelhos e lacrimejantes. — Lia, qual é o problema? — olhei por cima de seu ombro através do corredor, esperando um Hel-Blar saltar para fora das sombras. Era exatamente esse tipo de noite. — É minha colega de quarto. — ela soluçou. — Ela está muito mal. Não sei o que fazer. Pisquei os olhos turvos. — Você chamou Courtney? Lia sacudiu a cabeça, mordendo o lábio.

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— Por que não? É trabalho dela. Ela vai trazer uma das enfermeiras. — Não, você tem que vir. Não pode contar a ninguém. — O quê? Por quê? Chloe empurrou atrás de mim. — Sabe que horas são? — ela grunhiu. Agarrei o braço de Lia, porque parecia que ela ia fugir. — Lia, o que está realmente acontecendo? — Savannah está doente. — E? Ela engoliu em seco. Esperei, recusando-se a deixá-la ir. — Lia, se você quiser minha ajuda, tem que ser honesta comigo. — seu lábio inferior tremeu e me senti como um monstro, mas eu mantive minha posição. quando Lia finalmente falou, tudo saiu em uma corrida de palavras que precisei de um momento para peneirar. — Eu não quero ficar em apuros e prometi a ela que eu não diria, mas seus lábios estão ficando azuis e ela está respirando engraçado e não sei o que fazer. — Tudo bem, acalme-se. — eu disse suavemente, como se fosse um pássaro selvagem e eu tivesse um punhado de migalhas de pão. — Qual é o grande segredo? Lia enfiou a mão no bolso e retirou três pequenas pílulas brancas. — Ela está tomando estes. Era a mesma pílula branca que Quinn e eu tínhamos encontrado na sala coletiva. Arranquei uma de sua mão, congelei-me toda. Foi como se um vento ártico passasse através de mim, enchendo meus pulmões e congelando o sangue nas minhas veias. — Chloe. — eu sussurrei. — Veja.

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Duas letras estavam estampadas no centro da pílula. — CT. Cavalo de Tróia.

Chloe e eu corremos escada acima, Lia correndo atrás de nós. Liguei do meu celular para Theo e pelo tempo que levamos até o quarto de Lia, três amigos de Savannah estavam pairando fora da porta, preocupados. Muitos alunos já tinham ficado doentes e muitos deles haviam morrido para alguém aceitar isto como uma simples gripe, como os professores estavam tentando nos dizer. A última coisa que precisávamos agora, entretanto, era mais atenção e pânico. Especialmente se Chloe e eu tínhamos acabado de descobrir algum tipo de conspiração, como eu pensava que tínhamos. Precisaríamos de testemunhas, eventualmente teríamos toda essa coisa esclarecida, mas não agora. — Será que ela vai morrer? — um dos nonoanistas perguntou sem rodeios. — Não. — respondi, entrando no quarto, fechando a porta com firmeza. Savannah estava em sua cama, gemendo. Sua pele estava úmida e grudenta pela transpiração. Ela estava quente ao toque e os olhos quando ela os abriu, estavam injetados de sangue. Chloe assobiou um fôlego. Trocamos um olhar sombrio. — Savannah. — baixei a voz quando ela reagiu ao som. — Está tudo bem, estamos aqui para ajudar. Savannah, isso é muito importante. Você pode me dizer onde você pegou os comprimidos? — Eu não quero colocar ninguém em apuros. — resmungou Savannah através dos secos e rachados lábios.

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— Você não vai. — eu assegurei-lhe. — Só precisamos saber onde você as conseguiu. — Eu as comprei. — ela tossiu. — Eu só deveria tomar uma por dia, mas eu tomei três. Elas deveriam fazer-me mais forte. Chloe fez uma careta. — Como os esteróides? — Savannah acenou com a cabeça fracamente. Chloe olhou para mim. — Hunter, estes não são os comprimidos que eu vinha tomando. O meus eram amarelos e enormes. — Eu sei. — respondi, franzindo a testa. — As pessoas não sabem que há duas pílulas diferentes. Eu acho. Quem disse que ia fazer você mais forte? — perguntei a Savannah. Ela desviou o olhar, tossiu de novo. Entreguei-lhe o copo de água que estava em sua cabeceira. — Você não vai ficar em apuros. — disse a ela. — Um cara estava vendendo-as na sala coletiva do décimo primeiro grau. — ela respondeu finalmente. Engoliu a água, mas sua garganta arranhou violentamente, como se estivesse bebendo de um copo de lâminas de barbear. Ela choramingou. — Não me sinto bem. — Há uma enfermeira a caminho. Ela vai fazê-la se sentir melhor. — Estou com medo. — ela apertou minha mão. Seu aperto era pateticamente fraco e úmido. Eu não sabia o que dizer. Chloe também não sabia porque ela simplesmente se sentou lá, quieta. — Você vai ficar bem. — eu disse novamente por falta de algo mais convincente. — Você vai estar bem. Ela fechou os olhos, lábios tremendo.

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— Eu quero dizer, Savannah. — eu a sacudi, apavorada ela estava prestes a entrar em coma. Tinha que ficar acordada. Ela meio que abriu os olhos. Sorri encorajadoramente. — Basta ficar comigo. Ok? Fica comigo. — Eu vou tentar. Courtney e Lia entraram correndo no quarto. Nunca tinha ficado tão feliz em ver Courtney como estava agora. Ela tinha vincos de travesseiro em seu rosto e estava piscando furiosamente como se não pudesse focar. Quando finalmente o fez, ofegou. Pareceu assustada. — De novo não. Eu balancei a cabeça tristemente. — Theo está a caminho. Lia passou de um pé para o outro. — Ela vai ficar bem, não é? — É claro que vai. — Ela parece estar cinza. Courtney respirou fundo e forçou a parar de olhar para Savannah. Tocou o ombro de Lia. — Lia, por que você não vai buscar um pano frio molhado para ela? E diga para todo mundo para ir para seus quartos e ficar lá. — Ok. Nos sentamos ao redor da cama de Savannah em uma vigília silenciosa, ouvindo o barulho áspero de sua respiração. Eu não podia deixar de pensar em Spencer deitado na quarentena. Chloe apertou minha mão, os olhos molhados de lágrimas. — Eu sei. — ela disse calmamente. — Mas Spencer é forte. E ele não... Você sabe. Ela estava certa, Spencer foi um acidente de tempo e lugar. Ele não era do tipo que tomar pílulas. Ele ia ficar bem.

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Nós três ficamos de pé em um salto quando Theo entrou pela porta. ele parecia tão capaz e confiante que eu poderia ter lhe beijado. Ele levantou o punho de Savannah para sentir seu pulso. — Ela está lúcida? — perguntou. — Ela estava. — confirmei. — Há quanto tempo ela está assim? — Eu não sei. Não muito tempo, eu acho. Sua companheira de quarto veio me chamar pouco antes de eu ligar para você. — Okay. — levantou as pálpebras, sentiu sua testa. — Estamos levando-a para a enfermaria. Outra enfermeira empurrou uma maca para a sala. Uma das médicas e um guarda de segurança vinham atrás dela. A boca da médica enrugou quando viu Savannah. — Vamos agir rapidamente. — ela ordenou. A sala foi esvaziada em minutos e o guarda parou em frente à porta, os braços cruzados. Lia piscou para ele. — Mas minhas coisas estão lá dentro. — disse ela. — A médica disse que queria o quarto fechado agora, só para ter certeza que não é contagioso. — explicou Courtney. — Vamos lá, vamos encontrar uma outra cama para você. Courtney levou-a embora enquanto eu e Chloe íamos atrás dos outros. Alunos de pijamas se reuniram em cada andar, esticando a cabeça para ver o que estava acontecendo. Monitores de andar tentando mandá-los de volta ao seus quartos.

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York entrou no prédio e marchou em nossa direção, soprando seu apito, praticamente dentro do meu ouvido. — Todo mundo de volta para a cama! AGORA! — o som de pés correndo ecoou em todos os pisos. Pela porta da frente, eu agarrei o braço de Theo. — Espere. — eu disse. —Ela tomou essas. — entreguei uma das pílulas brancas. Ele fez uma careta. — O que são? — Eu não sei ainda. Ele balançou a cabeça, deslizando-as no bolso. — Este ano simplesmente está uma droga.

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Capítulo
Hunter
Terça feira à noite.

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A maior parte da terça feira passou rapidamente. Dormi em todas as minhas aulas matutinas, mas nenhum dos meus professores disse nada. Todo mundo estava calado e sério. O campus parecia como se estivesse coberto de cinzas. Eu amava este lugar e amava a Liga. Eu tinha sido educada a pensar que a Liga era melhor do que o Natal, os doces de Halloween e os presentes de aniversário. E agora, repentinamente, eu me sentia como uma criança de seis anos descobrindo que não existia Papai Noel. Não sabia o que pensar, eu só sabia que parecia horrível. Fui à enfermaria depois do jantar, com Chloe e Jenna, embora Jason já tivesse estado lá antes e nos disse que não deixavam ninguém nem na porta, especialmente com Savannah doente também. Theo não estava lá, então nós paramos no batente da porta. A médica balançou a cabeça severamente para nós. Podíamos ter tentado discutir com ela, mas podíamos ouvir a mãe de Spencer soluçando atrás da cortina, então saímos. Seguimos nossa rotina já que não tínhamos outra coisa a fazer. Depois, eu fui ao ginásio que Dailey havia reservado para o seu primeiro encontro da Irmandade. Não estava realmente certa do que esperar, mas não podia esperar ser distraída a ter algo mais que chegasse ao meu cérebro. Não houve a brincadeira habitual enquanto esperávamos que ela chegasse. A maioria era do décimo segundo grau, com um par de outros do décimo e décimo primeiro grau. Não havia ninguém do nono ano, absolutamente. Todos nós sorrimos interrogativamente uns para os outros, mas ninguém tinha as respostas.

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— Que bom que vocês estejam todos aqui. — a Sra. Dailey se aproximou com um gesto de boas vindas. — Temos muito trabalho a fazer, portanto, comecemos. Um dos alunos levantou a mão. — Hm, Sra. Dailey? — Sim, Justin? — O que estamos começando, exatamente? Ela começou a rir. — Eu escolhi todos vocês como os melhores que esta escola tem para oferecer. São todos alunos com honras ou estão no caminho para ser. E agora, serão muito melhores. — sorriu para nós. — Cobriremos luta, claro, armamento e estratégia, mas também cautela e tecnologia, e outras novas formas para ganhar uma batalha. Não é segredo que recentemente os Hel-Blar tem se rastejado por todo o campus, Violet Hill e até mesmo cidades próximas. Se vamos conter esta nova ameaça, a Liga precisará de mais ajuda. E meu Grêmio será o primeiro do turno, antes de qualquer outro grupo de alunos. Estou animada para começar. Deu-nos uma lista com os livros que precisávamos pegar da biblioteca e a senha de uma página particular que estava preparando para nós. Comecei a me sentindo melhor do que tinha me sentido o dia todo. Tinha um propósito novamente, e opções. E confiança nos Helios-Ra, apesar da evidência recente do contrário. Esperei até que todos tivessem ido. — Sim, Hunter, o que foi? — a Sra. Dailey perguntou quando notou que eu ainda estava circulando ao redor. — Posso falar com você por um minuto. — perguntei desconfortavelmente. — É particular. — Claro. — ela franziu o cenho, preocupada. — O que está errado? — É sobre os alunos doentes. — Oh, Hunter, você não tem que se preocupar com isso. Você é uma forte e saudável garota. — Não é isso. É... — esperava estar fazendo a coisa certa. Estava bastante certa de que a Sra. Dailey me ouviria e não me arrastaria até a diretora ou ao psiquiatra da

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escola. — Há algum tipo de pílula circulando. — eu disse. — Penso que é o que faz com as pessoas adoeçam. Olhou-me sobressaltada. — Drogas? Já? Pisquei. — O que quer dizer com já? — É apenas a primeira semana de aulas. Geralmente as pílulas não começam a circular até metade do semestre. — balançou a cabeça. Sorri inquieta. — Não acho que seja esse tipo de pílula. — Hã? — Não tenho a composição química ainda, mas é perigosa. Realmente perigosa. E... Os vampiros não gostam. — Vampiros? — suspirou. — Hunter, em que você tem se metido? — Em nada bom. — admiti. — Você me ajudará? — Depois do discurso que acabo de lhes dar? Claro que o farei. O alívio me inundou e eu tive que engolir um risinho nervoso. — Obrigada, Sra. Dailey! As pílulas são pequenas e brancas e tem “CT” gravado nelas. Savannah estava tomando-as justo antes de adoecer e eu acho que Will também. Linhas brancas marcaram sua boca. — Chegaremos ao fundo disto, Hunter. — apagou as luzes do ginásio. — Agora, não vamos dizer uma palavra disto até que eu posso investigar por conta própria. As paredes têm ouvidos. Quase tropeço nas escadas. Ela me guiou antes de voltar pelo caminho da residência dos professores, saltos ressoando. Os professores como a Sra. Dailey eram escassos. Eu não havia esquecido como ela pulou em minha defesa quando York me transformou em pé no primeiro exercício. Se, se tratava disso, pelo menos agora, teríamos alguém na faculdade em quem podíamos confiar. Reconfortada, eu estava sorrindo quando Quinn saiu da beira da floresta e me deixou sem respiração. Dei um salto no ar, gritando.

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Ponto para a instrução de Dailey. Quinn começou a rir tão alto que se curvou ao meio. Eu ri também e puxei seu rabo de cavalo. — Cale-se. — Hunter, você é tão adorável. — Desculpe, eu sou feroz e chuto traseiros. — Isso também. — pegou minha mão, seu polegar acariciando minha palma. — E é linda com seus shorts de treinamento. Repentinamente fiquei consciente da minha absolutamente, a enrubescer. Seu sorriso se alargou. — O que você está fazendo aqui? — perguntei. Sua mão se moveu confortavelmente sobre o meu pulso e meu braço. — Estou aqui para te levar a um encontro. Pisquei. — Um encontro? — repeti como se fosse uma palavra estrangeira que eu não tivesse escutado antes. — Você sabe; sair. Pegar na mão e trocar longos olhares entre si? É uma tradição; Tem que ter ouvido sobre eles. — Mas eu tenho aula. — Aula? — agora era ele que me olhava como se eu estivesse falando um idioma diferente. — Mas são dez da noite. — Temos aula até meia noite. — sorri intencionalmente. — O assunto com os vampiros é que eles gostam da noite. É uma tradição. Você deve ter escutado sobre isso. — Oh, boca inteligente. — sorriu em resposta. — Sexy. perna nua. Neguei-me,

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Moveu-se para frente, recostando contra o tronco de um pinheiro alto. Os galhos começavam dezenas de metros acima de nós, estendida como uma sombrinha verde. O solo era suave, forrado com agulhas secas. — Você pode escapar? — Quinn perguntou tentadoramente. — Tenho queimado minhas pupilas com as preparações para a Lua de Sangue. Tudo muito político e secreto. Você amará. Balancei a cabeça. — Sinto muito, não posso. — Você pode chegar tarde? — ele pressionou. — Bem, estou interessada no compromisso entre sua gente. — Minha gente é grata. — capturou minha boca com a sua. O beijo começou lentamente, se tornando profundo e quente em alguns momentos. Estava em um casulo de sentimentos, de formigamento quente, de pele pálida e casa de árvore. A eletricidade corria através de nós. Meio que acreditei que se eu abrisse os meus olhos, eu veria faíscas e raios de luz nos envolvendo. Mais longe na floresta, as samambaias se movimentavam. Havia estrelas, grilos cantando, um início de brisa de outono e um lindo e jovem vampiro me beijando. Teria sido perfeito se meu Avô não tivesse nos interrompido. — Hunter Agnes Wild! Quinn, alheio ao perigo, retrocedeu, rindo. — Seu segundo nome é Agnes? — Por causa de sua bisavó. — rugiu o Avô. Fiz uma careta, colocando-me em frente a Quinn para protegê-lo. — Olá Vovô. O que está fazendo aqui? — Sou um professor convidado. — ladrou. — E o que você está fazendo, exatamente, senhorita? — ele olhou para Quinn. Contei para mim mesma, um, dois..., então meu Avô lançou outro regido. — Vampiro!

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Três. Ele devia estar realmente atordoado por ter me encontrado beijando se precisou de três segundos inteiros para registrar a anormal quietude e palidez de Quinn. Sem mencionar suas presas, delicadamente despontando de seus lábios, por causa de nossos beijos. Avancei outro passo diante dele. — Vovô... — Hunter, estaque-o e vamos para a aula. — ele disse impacientemente. Engoli. — Eu não vou estacar. Ele levantou uma sobrancelha desaprovadoramente. — Você não veio preparada? Aqui, pegue uma das minhas. — jogou-me uma de suas estacas. Eu as peguei instintivamente. — Vovô. — O que está esperando? — olhou para Quinn. — E o que há de errado com este que fica simplesmente de pé aí? — Vovô. — suspirei. — Este é Quinn Drake. Quinn, meu avô, Caleb Wild. — Vampiro. — Vovô cuspiu novamente. Quinn sorriu. — Velho. Fechei os olhos. Isto ia bem. Meu namorado era um idiota e meu Avô ia destroçálo em sangrentos pedaços. Meu Avô era enorme como um touro. E a única razão pela qual ele não tinha estacado Quinn ainda, era que eu estava parada diretamente em seu caminho e também porque eu pressionando meu ombro contra Quinn, forçando-o a ficar onde estava. Quem imaginava que sair com alguém fosse tão perigoso? — Hunter Wild, afaste-se neste instante.

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— Não. — ele ficou descontrolado, ficando vermelho tão rápido que eu pensei que ele podia estar tendo um ataque cardíaco. — Não, senhor. — acrescentei para acalmá-lo. — Eu nunca faria mal a ela. — Quinn disse; seu sorriso desaparecendo. — Tem minha palavra sobre isso. — A palavra de um vampiro? Ah. — A palavra de um Drake. Meu Avô cuspiu. Quinn rosnou. Eu coloquei uma mão em seu peito. — Você não pode morder meu Avô. — lancei-lhe um olhar sobre meu ombro. — E você não pode estacar o meu namorado. O Avô ficou cinza. — Namorado? Eu encolhi. — Quinn, você deveria ir. — Não te deixarei sozinha. — protestou. — Por favor. — empurrei seu punho. — Por favor, apenas vá embora. Eu te telefono quando puder. Procurou em meu rosto por um longo momento antes de tocar em meu cabelo rapidamente. — Bem. Não estarei longe. — Eu sei. — eu disse, aliviada que ele não me contradisse nisto. Ele tinha muito disso. Quando virei para meu Avô, Quinn já havia ido, deixando para trás folhas se movendo e o efêmero toque de seus lábios nos meus. — Por favor, apenas ouça. — comecei enquanto meu Avô lutava para não explodir. — Eu não quero ouvir. — ele soltou. — Você cortará todo contato com esse garoto, com todo o inimigo e nós fingiremos que nunca aconteceu. Vamos.

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— Vovô, não. — Você está cansando a minha paciência, menina. — Sinto muito. — eu disse tristemente. — Mas eu tenho que fazer o que acho que é certo. Quinn não é o garoto mau aqui. Ele pode ser arrogante, mas também é honrado, valente e leal. Ele salvou a minha vida. — Ele é um deles. — repentinamente parecia mais velho, como se todos os seus anos tivessem caído nele de uma só vez. — Você é a minha pequena caçadora. Mesmo quando você era pequena, podia bater em um alvo com suas estacas a trinta passos. Você tem um dom. — Eu ainda sou uma caçadora. — insisti. — Nada mudou, não realmente. — Tudo mudou! — ele gritou. — Você é parte dos Helios-Ra! Os Wild são membros desde que eu me lembre. Matamos vampiros. Isso é o que fazemos. — Ainda sou um Helios-Ra. — Mas não é um Wild. — ele soltou. — Não se você se comporta deste modo. Senti como se ele tivesse me golpeado. — O que? Vovô, não. Sei que você está irritado, mas não. Ele apontou-me com um dedo. — Você deve à Liga a sua lealdade. — A Liga tem a minha lealdade, mas não a minha cega obediência. E de qualquer modo, a Liga tem um trato com os Drakes, lembra? Além do mais, alguém está drogando alunos. Vovô, alguém em nossa preciosa Liga. — Não seja ridícula. — Eu tenho provas. Os alunos estão adoecendo por todo o lugar. A própria mãe de Chloe tem lhe dado, esteróides. Você já ouviu falar de uma operação chamada “Cavalo de Troia”? Senti-me tão aliviada com sua honesta confusão que eu poderia ter chorado.

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— Em que você está se metendo? — ele exigiu. — Hunter, deixe os assuntos da Liga em paz. Deixe para os adultos. — Eu não posso. — E pare de ver essa... Coisa. — Também não posso fazer isso. — Sua mãe estaria envergonhada. — Eu também estou. — Como deveria estar. — De sua intolerância, Vovô. — terminei tranquilamente. — Você sabe que eu te amo, mas não sou você. Não pode me forçar a ser. Concordo com os tratados. Eu gosto do que Hart está fazendo com a Liga. — Você é jovem. — E? Isso não me faz estúpida. Você não me criou para que eu fosse estúpida. Criou-me para ser forte; independente e inteligente. Você não pode confiar nisso? — Eu já não te conheço, criança. Como posso confiar em alguém que confraterniza de boa vontade com monstros? Peguei sua grande mão calosa na minha. — Isso não é tão simples. Mas continuo sendo eu. Continuo sendo eu. — Eu te amo, criança. — disse asperamente. — Você sabe disso. Agora pare com esta bobagem. Temos aula. Ele tinha me criado. Era a única família que me restava. E ele me olhava como se não suportasse me ver. A única razão pela qual eu não tinha deixado as lágrimas caírem era porque isso teria o convencido ali mesmo de que eu já não era sua neta. Levantei o queixo, endireitei meus ombros e deixei que ele me conduzisse ao ginásio onde os

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alunos do nono ano esperavam por uma demonstração de um dos caçadores mais celebrados da Liga. Kieran estava nos esperando fora do ginásio principal. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo, suas calças em perfeitas condições. Ainda usava o gesso. O Avô bateu em seu ombro saudável. — Estou feliz que você esteja aqui, Black. Quem sabe você possa fazer a minha neta voltar à razão. Esperei com o rosto em branco. Kieran me olhou com cautela. — A que você se refere Caleb? — Ela está saindo com um vampiro! — ele explodiu. Kieran estremeceu. — Oh! Os olhos do Vovô reduziram-se a um risco. — Você sabia disso? — Uh... Sim senhor. Suspirei. — Vovô, deixe-o em paz. — Eu esperava que você cuidasse dela. — Eu cuido! — Kieran soou ofendido. — Você deveria estar orgulhoso. Hart requisitou a presença dela, pessoalmente, na Coroação Drake. Fechei meus olhos por um instante. Estávamos condenados. — Você foi a uma Coroação Vampírica? — Vovô perguntou com voz plana. — Ele não sabia? — Kieran perguntou. — Não, não sabia.

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— Desculpe. Vovô vibrava com a raiva. — Eu não tolerarei esse tipo de comportamento em minha família! — É diferente agora. — Kieran tentou acalmá-lo. — Estou saindo com Solange Drake. Eles são uma boa família. Vovô ficou vermelho, depois púrpura. Kieran retrocedeu um passo. Eu bati no Avô entre as omoplatas. — Vovô, respire! Sua respiração era estrangulada, mas pelo menos não entrou em colapso. Antes que ele tivesse oportunidade de gritar, a porta se abriu e York olhou para nós com a mais elementar educação. Vovô o olhou. — O que foi? — ele rosnou. — Estamos esperando por sua demonstração. — York rosnou em resposta. Vovô fez um gesto com seu polegar para Kieran, ordenando-lhe que entrasse. Eu lhe fiz uma careta compassivamente. Ajudar o Vovô com cenas de luta quando ele estava de mau humor nunca terminava bem. Eu o segui, porque não o fazer teria começado outro discurso sobre a responsabilidade familiar. Os alunos do nono ano aguardavam; impaciente e nervosos, falando entre eles. Lia me cumprimentou. Vovô atirou um ovo Ninja para um garoto baixinho de óculos, mesmo antes que York fizesse soar seu apito. Uma nuvem de pimenta pegou a todos os que estavam próximos, fazendo-os tossir e espirrar. — A primeira lição. — grunhiu Vovô. — Estar consciente nos arredores. O rosto do garoto ficou vermelho enquanto limpava seus olhos com a manga de sua camiseta. Todos ficaram atentos e silenciosamente acovardados. York parecia relutantemente, impressionado.

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— Este é Caleb Wild. — apresentou tardiamente. — O Sr. Wild foi um caçador por décadas. Este é o seu assistente, Kieran Black, sobrinho de Hart Black. Olhares emocionados foram trocados quando o apelido de Kieran foi reconhecido, mas o único som era de uma vítima da pimenta, engasgando com a tosse. O Vovô tinha uma figura impressionante, passeando em frente tais cadetes, seu cabelo branco curto, seus musculosos braços com cicatrizes. Suas botas ecoando como um sino de ferro. Os alunos tremiam. — A todos vocês foi outorgado o dever sagrado de proteger o mundo dos vampiros. E cada um de vocês é capaz de ganhar essa luta. Você! — a garota ao lado de Lia deu um passo para trás. — Sim, senhor? — Qual é a sua habilidade? — Eu posso... Lançar. — Bom. Você! — Hm... — Descubra. Você! — Sou rápido. Os alunos continuavam assustados, mas começaram a ficar com mais confiança em si mesmo como caçadores. — Não importa quão pequenos vocês sejam. — continuou. — Ou se são meninos ou meninas, ou qual seja os seus apelidos. O que importa é a Liga e a quantidade de luta em vocês. Mesmo que estejam feridos, podem fazer a diferença. Para demonstrar isso, Kieran e eu vamos lutar. — E eu vou morrer. — Kieran murmurou para que apenas eu o ouvisse.

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Os alunos romperam suas rígidas filas e rodearam o marco no centro do salão. Os espelhos nas paredes mostravam seus rostos ansiosos, as janelas não mostravam nada além de sombras. — O primeiro ponto que eu demonstrarei é que se vocês estão feridos, ficam fora da luta. Correrão se puderem, portanto não colocará em perigo a missão ou a sua equipe. Se não puderem escapar, vale mais a pena ganharem. Entenderam? — Sim, senhor! — o coro ecoou com entusiasmo. — E seguirão ordens, me ouviram? Eu sabia que isso era para mim. — Sim, senhor! Eu não disse nada. Não tinha a intenção de obedecer. — Como você lutará comigo? — perguntou a Kieran. Kieran já tinha uma estaca na mão. — Bom. Mas você falhou e eu te tenho preso pela garganta. E agora? Kieran chilreou já que o Vovô, realmente o tinha agora preso pela garganta. — Outra estaca. — E? Kieran varreu com os pés, golpeando os tornozelos do meu Avô. O vovô cambaleou e tropeçou. Deixei escapar um assobio quando ele quase caiu. Kieran não reagiu e eu não me movi. Se um mínimo de preocupação nos traísse, o orgulho do meu Avô estaria ferido. De fato, ele estava sorrindo pela primeira vez naquela noite. — Esse é o meu garoto. Kieran deu-lhe as costas, olhando para os alunos. — E depois eu corro. — disse para ilustrar o ponto anterior. O meu Avô ficou em pé. O chão balançou. Ele agarrou o rabo de cavalo de Kieran, obrigando-o a parar. Com sua outra mão, segurava uma das

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adagas de seu cinturão. Não tive tempo de dizer uma só palavra, apenas para assobiar. A lâmina cortou através do rabo de cavalo de Kieran. Seu cabelo caiu no chão e ele se virou; seus olhos saltados pelo choque. Todo mundo gemeu. O meu Avô parecia satisfeito. — Se vocês tiverem uma fraqueza como um braço quebrado; se tiverem que se liberar de todas suas outras fraquezas. — disse ele, deslizando sua adaga de volta ao cinturão. — Se não aprenderam todo o resto, aprendam isso. As fraquezas não são permitidas. Seus olhos se viraram para onde eu estava de pé. O meu Avô foi embora sem me dizer outra palavra. Kieran parou o suficiente para apertar meu braço. — Eu falarei com ele. — prometeu severamente, segurando seu rabo de cavalo em sua mão. Concordei silenciosamente e caminhei de volta ao dormitório, queimando de raiva. Chloe estava sentada de pernas cruzadas no meio de sua cama. Ela levantou o olhar quando entrei. — Vamos averiguar sobre esta coisa do CT. — eu disse antes que ela pudesse me perguntar sobre o meu mau humor. Simplesmente não queria falar sobre isso. Não saberia por onde começar. — Então sabemos que alguém está vendendo essa coisa na escola e sabemos que é uma reconhecida droga Helios-Ra. Bom, meio reconhecida. — acrescentei. — Deve ser um segredo ou não estaria tão profundamente escondida nos arquivos, certo? — Definitivamente. Poderíamos fazer com que sua fã número um, Lia, tentasse conseguir algumas. Ver se podemos fazer o distribuidor aparecer? Enruguei meu nariz. — Acho que sim. Mas eu preferiria não colocá-la em perigo dessa maneira. E de qualquer forma, eu penso que desde que o distribuidor seja um aluno, ele ou ela é apenas um peixe pequeno dentro de um grande tanque. — Provavelmente. — Bem, então façamos uma lista dos alunos que ficaram doentes. Tem esse primeiro garoto... Não sei o nome.

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— E depois Will. Ou era apenas uma coisa Hel-Blar? — Ele mencionou que estava tomando vitaminas, então o agreguemos à lista. Falando em vitaminas, você já falou com a sua mãe? Ela fez uma careta. — Não. Ela estava no laboratório e eu sei que ela não falará comigo até que esteja em casa. Jeanine depois de Will. — ela acrescentou. Eu acrescentei outro a lista. — Spencer. — eu disse tranquilamente. — Mesmo que eu não acredite que ele faça parte disso. — Eu também não. Jonas e James. Aqueles gêmeos do nono grau, os que são realmente baixos? — Certo. E depois Savannah. — Ela é baixa também. — O que, então a droga é para gente baixa? Ela rolou os olhos. — Acho que não. Eu parei, franzindo o cenho. — Na verdade... Ela piscou. — O que você quer dizer com, na verdade? Você acha que a escola está deixando de fora as pessoas baixas? Isso é simplesmente, estranho. — Não, ouça. O que eles têm em comum? — Que a maioria é do nono grau? E baixos? — Will estava no décimo primeiro ano e era alto. — replicou. — Mas era suave. — levantei minhas sobrancelhas. — Todos esses alunos poderiam ser considerados mais fracos. Baixos, magros, fracos para a luta. — inclinei-me para frente quando as peças se encaixaram. — E quem se mete com esse tipo de pessoas todos os dias? — Os valentões? — a boca de Chloe caiu aberta. — York. — bateu em sua colcha. — Isso deve ser o motivo de minha mãe ter me alimentado com esteroides durante todo o verão. Eu teria sido um dos fracos sem isso! Encontrei a informação enterrada em

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seus arquivos antes de você chegar aqui. Ela sabia sobre isso. Ela lê todas as anotações do laboratório, mas não queria divulgar na sociedade antes que as provas necessárias fossem feitas. Você sabe como ela é com a investigação. Diabos, mamãe! — Então York tem se assegurado que os alunos mais fracos recebam o CT? — Isso é o que parece. Olhei para os seus olhos seriamente surpresos. — Então como nós os destruiremos?

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Capítulo
Quinn
Terça feira à noite.

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Recebi uma mensagem de texto antes do amanhecer. Marcus finalmente tinha os resultados das amostras de sangue que Hunter havia me dado. Ele também tinha Solange sentada sobre um banco, com uma aparência neurótica. Seus olhos estavam vermelhos, mas era o tipo que se consegue ao chorar muito. Quando entrei pela porta do celeiro que tio Geoffrey usava para suas experiências científicas, ela afastou o olhar, seu lábio inferior trêmulo. O lábio inferior de Solange nunca tremia. Marcus parecia como se estivesse prestes a sair correndo. Garotas chorando o deixavam nervoso, mesmo quando se tratava de sua irmãzinha. Ou talvez, especialmente quando se tratava de sua irmãzinha mais nova. — Hey, Sol. — eu disse calmamente, me agachando diante dela. Havia hectares de bicos de Bunsen22e tubos de ensaio atrás dela. A luz brilhava no equipamento absurdamente tão limpo que o fazia parecer como se pertencesse a um filme de ficção científica. Se tio Geoffrey quisesse um trabalhinho como cientista louco, estaria bem encaminhado. — Quinn, vá embora. — disse ela miseravelmente, pegando o barro seco de suas calças. Ela provavelmente fez centenas de potes de barro em sua roda de oleiro, nas poucas semanas desde que se transformou. — Sem chance. — disse gentilmente. — O que está acontecendo?

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O bico de Bunsen é um dispositivo usado para efetuar o aquecimento de soluções em laboratório.

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— Nada. Eu só vim falar com o tio Geoffrey. — Ok, então qual é o problema? Ela encolheu os ombros, mantendo sua cabeça baixa e se recusando a me olhar. Dei uma olhada para Marcus. Ele encolheu os ombros também, depois deu alguns tapinhas em seu ombro. — Solange, não é nada para você se envergonhar. — ele disse. Então tive a impressão de que ele já tinha dito isso uma centena de vezes durante a última hora. — É biológico. Como a acne. Ela fez um som estranho, do fundo de sua garganta. Fechei os olhos por um breve instante. — Bom. — eu disse. — Dizer a uma adolescente de dezesseis anos que está tudo bem porque é como as espinhas. É esse o caminho? Que demônios está acontecendo? — fiquei olhando para ela. — Onde está o tio Geoffrey? — Foi falar com papai e mamãe. — Por quê? Você está doente? — o medo em meu estômago era pesado e metálico como o ferro. — Sim! — ela exclamou ao mesmo tempo em que Marcus murmurou, Não. Solange franziu os lábios. — É... — finalmente deixou escapar um suspiro e endireitou os ombros. Levantou o queixo. — É isto. — levantou os lábios sobre os dentes. Suas presas estavam para fora. As seis. Pisquei e contei novamente. Suas presas normais estavam descobertas com mais duas a cada lado. O segundo par era como a original e o terceiro muito pequeno, apenas visível. Suas gengivas estavam inflamadas e vermelho vivo. Nos Drake não crescia mais de um par de presas. Era uma marca em nosso sangue ancestral, nossa forma mais civilizada de vampirismo. Havia alguns mais esnobes nas Cortes - quanto mais presas você tivesse, mais feroz você era. Isabeau tinha dois pares e as exibia orgulhosamente, mas ela era especial mesmo entre os vampiros. Os Hel-Blar eram puramente presas. Solange com razão estava assustada. Ela pensa que está se transformando em um monstro.

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Ela engoliu com dificuldade, tentando não chorar. Marcus deu-lhe mais algumas palmadinhas fortes sobre o ombro. — Não chore. — implorava. — O que tio Geoffrey disse? — perguntei suavemente. — Que eu era especial. — ela bufou; um lampejo de seu eu normal. — Especial. — repetiu. — Deus. — Ouch. — eu fiz uma careta de compaixão. Ela abraçou a si mesma como se estivesse com frio. — Quinn, o que acontece se isso significar que eu não terminei de me transformar? E se... Se eu me transformar em uma Hel-Blar ou algo assim? Eu parei, olhando-a severamente. — Você não está se transformando em HelBlar. — Você não sabe. — Sim, eu sei. Para começar, você não é azul. E não cheira a terra mofada. — Estou falando sério. — Eu também. — Tio Geoffrey disse que você ficará bem. — Marcus a lembrou. — Ele disse que achava que eu vou ficar bem. Também disse que nunca tinha ouvido falar disto acontecendo em nossa família. Em nenhuma das famílias ancestrais. — É apenas porque você é uma garota. Você sabe; a primeira em centenas de anos e tudo isso. Sua mudança é um pouco diferente. Isso é tudo. Ela deu golpezinhos em suas novas presas. — A Corte Real vai fazer um dia de campo com tudo isso, especialmente na Lua de Sangue. A Princesa feroz. — gemeu. — Alguém escreverá uma música. — Provavelmente. Mas pense em quanto mais forte você pode mordê-los quando fizerem isso. Sua risada estava afogada, mas estava rindo. — Certo. — ela parou. — Estou cansada. Vou para casa.

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— Espere por mim. — dissemos eu e Marcus ao mesmo tempo. Marcus tirou do bolso as impressões dobradas. — As análises de suas amostras. Eu as agarrei, ignorando os gráficos e as estatísticas. Pulei a maior parte dos discursos científicos do tio Geoffrey. Esse foi o verão em que a maioria das garotas de minha idade na cidade, começou milagrosamente a lhes crescer os seios. Tenho boas lembranças desse verão. Nenhum deles envolveu nada que pudesse ajudar e decifrar as análises de sangue. Levantei os olhos, chateado. — O que demônios diz aqui? Eu não sou gênio. Marcus bufou. — Cuidado irmãozinho ou eu não traduzirei. — Apenas me diga o que está escrito. — Que a sua namorada estava certa. — parou, esperando nitidamente que eu reagisse ao termo, “namorada”. Eu não reagi. Eu ficaria com Hunter de qualquer forma em que pudesse tê-la. Se eu tenho que começar a usar palavras como, “namorada” e rejeitar outras garotas, eu vou fazer isso. — Não são vitaminas no sangue. — continuou Marcus. — Estas pílulas são esteroides. — Sim, isso nós sabíamos. A amiga dela já esta livre disso. — Não é o verdadeiro problema. — Marcus disse. — Isto fica cada vez melhor. Diga. — A segunda amostra, a do garoto que morreu? — Sim? Ele parecia sombrio. — Ele foi envenenado. Fiquei gelado. Hunter disse que as pessoas em sua escola estavam caindo doentes por todos os lados. — E o veneno não estava dirigido apenas a ele. — as presas de Marcus brilharam. — Estava dirigido à nós.

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Capítulo
Hunter
Quarta-feira à noite.

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— Tenho alguma coisa! — quando o computador de Chloe apitou na noite seguinte, ela atravessou a sala, acotovelando Jason no intestino. Ele esfregou o esterno. — Que inferno, Chloe? — Programei isso para apitar quando descobrisse a senha do arquivo CT, — disse entusiasmada. — Eu pensei que você não quisesse fazer isso no campus, onde eles poderiam interferir na conexão. — Jenna disse enquanto nos amontoávamos em torno do encosto de sua cadeira. Chloe acenou. — Eu coloquei alguns escudos a mais de segurança e uma ou duas cortinas de fumaça. Devemos ficar bem. Além disso, estamos correndo contra o tempo e eu tenho estado quase sempre concentrada nos arquivos da minha mãe. — Então. O que você tem? — eu pressionei; desnorteada pelo jargão na tela. — O que você achou? — Outro arquivo oculto nas anotações da minha mãe, nomeado como CT. — Chloe saltou na cadeira. Eu conhecia aquele salto. Ela estava no caminho certo. — Eu quero isso. — ela mordiscou o lábio inferior enquanto a tela piscava. — Senha diferente. — ela bateu em algumas teclas mais. — Isso seria mais fácil se eu estivesse no computador atual da

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minha mãe. Eu poderia procurar em seu teclado. — ela batia seu pé, impaciente. — Vamos lá. Vamos lá. Eu te disse! — demorou mais alguns minutos e então ela finalmente sorriu. — Consegui seu canalha desonesto. Todos nós nos inclinamos para ler. — Isso é algum tipo de composição química, não é? — Jason franziu o cenho. — Para os medicamentos, ou algo assim. Vasculhei a página, balançando a cabeça. — Parece. Aqui está uma lista de efeitos colaterais. — Os esteroides? — Chloe perguntou em voz baixa. Eu balancei minha cabeça. — Não. Apenas o CT. E... Puta merda. Puta merda, nós estávamos certos. Ele é destinado a lutadores fracos. Diz aqui que ela só deve ser dada aos caçadores fracos que não são esperados sobreviver aos ataques dos vampiros. — senti meu estômago revirar. — Isso passa por sua corrente sanguínea e se torna venenosa para os Hel-Blar, e a qualquer vampiro. — lembrei-me da loira HelBlar que tinha desintegrado na minha frente, depois de morder Will. — A Liga está sabotando seus próprios caçadores para envenenar os Hel-Blar. — minha cabeça estava girando. Ninguém disse nada por um longo momento. — Isso é apenas... — Jenna sacudiu a cabeça, incapaz de encontrar uma palavra hedionda o suficiente para descrever o que tinha acabado de descobrir. — Tem que ser algum engano. — disse Jason em dúvida. Eu marchei para os meus suprimentos e comecei a empurrar estacas em meus bolsos e verificando microfones e óculos noturnos. Eles viraram-se lentamente, olhando para mim. — Hunter? — Chloe perguntou como se estivesse com medo de eu estar prestes a enlouquecer. — O que você está fazendo? — Estamos indo acabar com York. — eu disse com força. — Agora.

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— Hm, vamos acusar um professor? Isso parece ser uma péssima idéia. — Nós não vamos acusá-lo. Dá um tempo. Estamos apenas indo pregá-lo por distribuir essas pílulas nojentas, e depois vamos desmantelar a Liga inteira se isso chegar a acontecer. Porque às vezes você tinha que trair a Liga, a fim de protegê-la. Às vezes você tem que quebrar as regras. Às vezes o dever era duro, incômodo e queimava dentro de seu peito. Vovô me ensinou essa última parte bem o suficiente. — Como exatamente é que vamos fazer isso? —Jenna perguntou. Ela ergueu as mãos, palmas para fora. — Eu sou toda a favor de uma pequena vingança, mas eu sou caçadora o suficiente para saber que não se deve lutar uma batalha que não pode ganhar. — Eu tenho toda a intenção de ganhar. — Eu entendo isso, eu realmente entendo. Eu amarrei meu cabelo para trás em uma trança, prendendo-a sob meu colarinho. — Nós usaremos o mesmo plano que tínhamos antes. — expliquei. — Por enquanto. Jason vai xeretar por aí e ver se ele não pode arranjar alguém para lhe vender as drogas. Jason fez uma careta. — Eu sinto que estou em uma dessas especiais pós-escola. Se eu ficar marcado como drogado, vou culpar você. Eu o ignorei. — Eu estou mandando um e-mail com este arquivo para Kieran, para ele dar a Hart. E, em seguida, Jenna e eu vamos nos revisar para vigiar York, quando ele não estiver em sala de aula. — Será que vou precisar de um nariz falso e um casaco? — E Chloe vai pedir ajuda para York no treinamento depois das aulas e agir toda desajeitada e fraca. Ela suspirou. — Eu acho que deveria estar acostumada a isso.

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— Estamos prontos? — perguntei, soando como um sargento. — Precisamos de provas e precisamos delas rápido. — Senhora! Sim, senhora! — Chloe gritou imitando uma saudação militar. Eu fiz uma careta para ela. — Vamos embora. A última aula termina em uma hora.

Eu peguei o primeiro turno, rastejando ao redor da lagoa para pousar em uma pedra na beira da floresta, onde tinha uma boa visão da residência dos professores. Se York deixasse o prédio por algum motivo, eu seria capaz de vê-lo e segui-lo. Eu me sentia um pouco como um detetive nos filmes antigos que Vovô tanto amava. Pensar em Vovô só me fez sentir pior. Helios-Ra e o nosso dever com nossos ancestrais caçadores era a cola que tinha nos mantido juntos depois que meus pais foram assassinados. Eu mal lembrava, mas me lembrei de meu Avô se vestir como Van Helsing em um Halloween e assustar todas as crianças vestidas como vampiros. Ele me ensinou a limpar um ferimento corretamente, como procurar padrões nos movimentos de folhas e as marcas que traíam um vampiro que se movia muito rapidamente para a visão humana. Ele me deu minha primeira estaca. Houve lágrimas em seus olhos no ano passado quando ele recebeu meu relatório. Ele sempre se orgulhou de mim. Não mais. E eu sempre me orgulhei dos Helios-Ra. Não mais. A diferença era, que eu pretendia fazer algo a respeito. Eu queria ter orgulho da Liga de novo. E orgulho de mim mesma. Eu queria fazer isso direito. Tornar isso certo era surpreendentemente chato.

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Sentei-me na rocha por duas horas, até que minhas pernas dormiram e eu quase estaquei um esquilo; um guaxinim e traumatizei um coelho. Todos os quartos no corredor dos professores ficaram escuros. Mesmo as luzes de movimento ficaram escuras lá fora no jardim, onde os animais gostavam de derrubar o latão de adubo. As janelas refletiam as árvores, a lua, o céu. Chloe estava há muito tempo na cama, e Jenna não iria trocar o turno por duas horas. Eu estava olhando tão forte para a residência que quando a Sra. Dailey falou baixinho atrás de mim, eu caí para a direita fora da rocha. Pulei de volta para os meus pés, ficando vermelha. — Sra. Dailey! — A própria. — ela sorriu suavemente. — Hunter, o que você está fazendo aqui? — Eu... uh... eu não conseguia dormir. — eu me perguntava por que ela estava aqui tão tarde. — Você está se preocupando com o nosso pequeno problema? Eu balancei a cabeça. — Nós descobrimos que é ainda pior do que nós pensávamos. — eu expliquei apressadamente. — É algum tipo de arma contra os vampiros que usa os alunos como portadores. É doentio. Ela inclinou a cabeça. — Engenhoso, na verdade. Pisquei para ela. — Desculpe? — Eu tinha tanta esperança em você querida. Você sempre foi particularmente talentosa. Um pouco inteligente demais, claro, e agora, infelizmente, equivocada também. — Equivocada? — repeti. — Do que você está falando? — Você não achou que a cena com seu Avô não correriam por toda a escola, achou? Bem como a sua união lamentável e repugnante com esse vampiro.

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Dei um passo para trás. Sua expressão ainda era agradável, mas ela não soava como a Sra. Dailey que eu conhecia. O instinto de correr vibrou por mim. Antes que eu pudesse dar um único passo, ela tirou uma seringa das costas. Ela me apunhalou no braço direito com ela. Eu xinguei e puxei de volta, mas a agulha ficou presa no meu músculo, bombeando seu líquido claro em minhas veias. Arranhei o rosto dela, conseguindo obter o seu sangue sob as minhas unhas antes da tontura me tomar. Eu tropecei. — O que você fez comigo? — entrei em pânico. Minha língua ficou inchada, meus pés pareciam como se estivessem andando para trás. Eu tropecei novamente e cai de joelhos. Ela ficou me olhando desapaixonadamente. — Estou bastante agradecida que você tenha escolhido se ocultar aqui, onde ninguém vai ouvir você. Muito atencioso. Meus dedos tremiam enquanto eu puxava a agulha do meu braço. Ela caiu na grama. — O que é isso? — Eu acho que você sabe; uma garota inteligente como você. É uma potente overdose de CT. Receio que você não tenha me deixado outra escolha. — O quê? Não! — agarrei minha pele. Minhas veias pareciam como se estivessem ficando mais quente, como se tudo em mim estivesse pegando fogo. Minha respiração tornou-se superficial e curta. — Foi York.York. Ela riu levemente. — Ele é muito arrogante para este tipo de genialidade. — Mas ele escolhe todos os alunos fracos. — eu estava começando a falar arrastado. Eu me sentia como se tivesse sido atingida pelo pior caso de gripe jamais visto. — Captou isso, não é? Sim, seu temperamento fez o meu trabalho muito mais fácil. Eu sabia exatamente quem eram os piores alunos, quando eles o deixavam mais bravo. Ele estava tão assustado por eles, você vê. Ele queria que eles ficassem mais

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fortes e fossem capazes de se proteger. — ela me rodeou, acenando com a mão como que descartando-o. — Isto é muito melhor. Se eles vão morrer pela mão de um vampiro, eles mesmos podem se tornar armas. Um sacrifício pela Liga. E tão ansiosos em cumprir, quando achavam que era uma pílula secreta para torná-los mais fortes. Demorou um tempo para eles enfraquecerem, e então... Pense nos vampiros que podiam infectar. Especialmente se eles forem como você, Hunter. — Eu não vejo... Você... Sacrificando a si mesma. — eu cuspi. Tentei virar, mas eu era muito pesada. O esforço me deixou ofegante. — Não adianta lutar. Eu lhe dei uma dose muito alta. Você pode sobreviver a ela. Eu espero que você o faça, pelo menos por um tempo. Então você pode tirar do jogo aquele moleque Drake. Ela queria que Quinn bebesse de mim e morresse. — Vá para o inferno. — eu murmurei. Dailey franziu os lábios. — Pensar que eu escolhi você para o próximo Líder dos caçadores. Eu tinha tais esperanças depois do ataque Hel-Blar, e depois que você estaqueou Will. — Você está louca. — eu tinha que chamar Theo. Eu me atrapalhei com o meu telefone celular, mas as minhas mãos não estavam funcionando corretamente. Não podia gritar também. Não tinha ar suficiente em meus pulmões. — Estou apenas fazendo o que deve ser feito. Com todos estes tratados e a infestação Hel-Blar, nós estamos perdendo o nosso foco. — ela estava falando comigo como se estivéssemos em sala de aula. — Eu tinha que testar todos vocês, para ver quem era digno de ser um membro do meu Clã. Eu armei armadilhas de sangue para os Hel-Blar e eles vieram como ratos atrás de queijo. — Você fez os Hel-Blar atacarem a escola? — ela tinha me enganado totalmente. York não tinha sido o culpado. Ele era realmente o cara bonzinho, mesmo sendo um idiota.

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Dailey era a psicopata. Eu tive que estaquear Will por causa dela. Spencer estava doente por causa dela, pelo menos indiretamente. Eu estava drogada, envenenada e amassada no chão por causa dela. Eu realmente a odiava. Eu teria cuspido nela se não estivesse tão sedenta e desidratada, queimando em febre. E estava aparentemente alucinando também. — Diabos; fique longe dela. — Quinn rosnou, saltando para ficar em frente a mim, em um borrão de pele clara, longos cabelos escuros e dentes afiados. Dailey deu um passo para trás, assustada. — Você está muito atrasado. — ela disse. — Eu já a dopei. Está em seu sangue. — O que está em seu sangue? Eu me contorcia como se formigas de fogo rastejassem sob a minha pele. — Quinn. — eu respirei. — Chame Theo e saia daqui. Ela é louca. Em vez disso, ele a golpeou. Seu nariz quebrou e ela uivou. Quinn revirou os meus bolsos. — O que você está fazendo? —Eu sei que você deve ter uma corda em algum lugar... consegui. — ele se afastou por um breve instante, deixando rastros de luz e cor, como uma pintura a óleo. Amarrou Dailey e estava ajoelhado ao meu lado, antes que eu desse outra ofegante respiração. Suas presas mais estendidas, brilhando. — Você não pode morder uma professora. — eu sussurrei através dos lábios secos. — Eu não vou fazer isso. — ele me assegurou. — Eu vou morder você.

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Capítulo
Hunter
Ele não entendeu.

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Se ele bebesse o meu sangue, isso iria matá-lo. Lutei inutilmente, enquanto sua boca descia sobre meu braço, fechando em torno do buraco que a agulha tinha feito. — Não. — eu gemi. — Não. Suas presas se aprofundaram um pouco e gritei. O sangue que queimava em minhas veias correram em direção à sucção da sua boca. Tentei me afastar, mas ele me prendeu para baixo, segurando-me. A grama estava fresca e espinhosa debaixo de mim. — Não. — eu implorei; as lágrimas ardendo em meus olhos. — Isso vai te matar. Ele levantou a cabeça, os olhos ardendo. — Isso vai matar você. — ele disse asperamente, cuspindo um bocado do meu sangue. O vergão se formou ao lado de seu lábio. Parecia doloroso. Ele voltou para a ferida, puxando o sangue envenenado de minhas veias e em sua boca. Cuspiu mais na grama. Ele continuou sugando o veneno para fora e cuspindo o mais rápido que podia, como se fosse uma picada de cobra. O teto de estrelas e ramos de cedro acima de mim girou.

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Eu estava desmaiando. Se eu fechasse os olhos a dor iria parar, Quinn iria parar. Ele estaria salvo. Minhas pálpebras estavam pesadas e eu as deixei se fecharem.

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Epilogo
Hunter
Sexta feira à noite.
Quando acordei eu estava na enfermaria. As luzes eram muito brilhantes, lavando tudo para fora enquanto eu piscava furiosamente, os olhos ardendo. Eu estava exausta. Tentei me mover, gemendo quando se provou ser muito trabalhoso. Meu braço estava machucado e ardendo. — Ela está acordando! — Quinn estava ao meu lado em um segundo, segurando a minha mão. Ele estava mais pálido do que o habitual, quase cinza. O azul de seus olhos estava pálido, as sombras embaixo deles, mais escuras. — Você me assustou como o inferno. — ele beijou minha testa. — Você está vivo. — Por assim dizer. — Eu sou... Eu sou uma vampira? — Não, você é apenas uma teimosa que sabe tudo e que acha que pode fazer tudo sozinha. — ele respondeu com ternura. — Você não bebeu o meu sangue, lembra? — Não a insulte. — Chloe disse, empurrando-o de lado com um sorriso. Ele se inclinou o suficiente para deixá-la passar, mas não deixando de soltar minha mão. Jenna, Jason e Kieran estavam do meu outro lado.

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— O que aconteceu? — perguntei. Minha garganta estava queimando. Procurei por um pouco de água e Quinn agarrou um copo tão rapidamente que derramou metade embaixo do meu braço e cabelo. Eu bebi o resto gratamente, avidamente. — Você ficou inconsciente por dois dias. Você teve que ter umas transfusões de sangue. — explicou. — Você está bem? — perguntei. — Eu fiquei doente como um cão por um tempo, mas estou bem. — Dailey? — perguntei. — Em prisão domiciliar até que você esteja bem o suficiente para testemunhar contra ela. — Kieran respondeu. — Não se preocupe com isso agora. — Ela tentou me matar. ela envenenou Will e os outros. — eu disse, indignada. — E Quinn. E

— Hart está cuidando disso pessoalmente. — Kieran me assegurou. — Bellwood, está furiosa — Chloe acrescentou alegremente. — É como se espetassem um pau em chama em sua bunda! — Dailey não vai a lugar nenhum. — Kieran acrescentou. — Claro que não vai. — murmurei. Eu tateei para baixo, procurando meu bolso esquerdo, mas encontrei apenas um vestido de hospital de papel. Estiquei o pescoço. — Onde estão minhas calças? — Suas coisas estão aqui. — Chloe pegou minha pilha de roupas de uma prateleira atrás de mim. Ela deixou as calças caírem no meu colo. Sorri mesmo que isso rachasse meus lábios secos. Puxei um microfone para fora do bolso. — Gravei tudo o que ela disse. — eu lhes disse presunçosamente. O esforço me fez tossir.

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— Era para York. Eu acho que lhe devo um pedido de desculpas. — Ele não tem que saber que alguma vez você suspeitou dele. — Chloe protestou. — Ele tem sido um idiota com você. E ele gritou comigo na sala de aula esta manhã. — ela franziu o cenho. — Ele assustou mamãe no meu cartão de relatório do ano passado. Ele disse as coisas de sempre sobre eu não usar todo o meu potencial, mas desde que ela tinha acabado de ouvir sobre o CT, ela meio que entrou em pânico. Ela não tinha descoberto quem estava no comando disso, então ela cortou os meus esteroides, apenas no caso. Para se certificar de que eu estava fora do radar de CT. Ela estava tentando me proteger em sua própria maneira estranha. Mães. — De qualquer forma, não se preocupe com essas coisas. — Jason afagou minha mão. — Basta ficar melhor. — Ela vai ficar melhor assim que todos vocês forem para as aulas. — Theo interrompeu, empurrando-os para o lado. — Espere. — Jenna disse com os olhos brilhantes. — Uma coisa mais. Ela e Jason se moveram. Spencer sorriu fracamente para mim a partir da cama ao lado. Seus dreads espalhados por seu travesseiro. — Spencer! — eu gritava. — Eu iria abraçá-lo agora mesmo se minha cabeça não pesasse 700 toneladas. — Igualmente. — Você está melhor! Você está fora da quarentena! — Além disso, eu sou um vampiro. Tentei me sentar. A sala girou. Deitei-me com um baque. — O quê? — Acontece que o seu Quinn aqui acidentalmente descobriu o antídoto para o CT em humanos. — Theo disse. — Sangue de vampiro. — Ok, eu não fui à aula de química ou biologia por um tempo, mas... hein?

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— Spencer recebeu uma transfusão também. — Theo explicou. — Por alguma razão, Will transmitiu uma parte do veneno CT para Spencer, e tivemos que tirar isso dele. Isso é o que estava nos deixando perplexos antes de Quinn nos ajudar. Se ele não tivesse sugado para fora das suas veias, não poderia ter feito transfusões suficientes com Spencer. Mesmo assim, os medicamentos não curariam sua infecção Hel-Blar. Nós tivemos que dar-lhe ainda mais sangue, assim ele não ficaria selvagem. O médico pôde conseguir uma concessão para isso, na verdade. Se não ele poderia ser chutado para fora da Liga por tecnicamente criar um vampiro. — Acho que isso significa me formar mais cedo. — disse Spencer. — Estou feliz que você esteja bem. Theo limpou a garganta ameaçadoramente. Chloe, Jenna, e Jason foram embora, mas Quinn e Kieran ficaram para trás. Theo tomou meu pulso e me fez seguir a sua lanterna com meus olhos. — Parece muito melhor. Como está se sentindo? — Como se um caminhão me acertasse e um urso comesse o meu braço. Meu estômago roncou. — E eu acho que estou morrendo de fome. — Isso é o que eu gosto de ouvir. Vou pegar um pouco de comida. — olhou para Quinn e Kieran, malevolamente. — Mais cinco minutos e vocês dois estarão perdidos. Não me faça dizer-lhes novamente. — ele sorriu para mim. — O Doutor virá checá-la em breve. — Eles estão falando sobre dar-lhe uma medalha. — Kieran sorriu. Estremeci. — Não, obrigada. — Você vai, pelo menos, ser a oradora oficial. Eu vi algumas margaridas em uma cesta sobre a mesa lateral. — De quem são aquelas?

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— Seu Avô. — Kieran respondeu. — Ele é um teimoso sabe-tudo também. — Ele está aqui? Ele balançou a cabeça. — Ele não virá, Hunter. Eu engoli, tentando não deixar os meus lábios tremerem. — Ele ainda está bravo. — Eu vou falar com ele. — Quinn ofereceu. — Não! — Kieran e eu gritamos juntos. — Ele vai tentar estaquear você. — expliquei me desculpando. — Você não pode apressá-lo. Theo olhou ameaçadoramente da porta. — Fora! Quinn me beijou levemente. — Eu vou estar de volta amanhã à noite. Spencer e eu ficamos a sós com o tique-taque e bip das máquinas e os tubos empurrando nutrientes líquidos e medicamentos em nossos corpos. Havia sangue suficiente alimentando Spencer por aqueles tubos que eu não estava usando por não estar em perigo, não da maneira que eu teria estado se tivesse ao redor de qualquer outro vampiro recém-transformado. Ele tocou suas presas e depois sacudiu a mão. — Vampiros estão na moda agora. — não leu? Todas as meninas estarão querendo você. eu disse calmamente. — Você

Ele tentou sorrir. — E eu não tenho que estudar para nenhum exame este ano como o resto de vocês. Acho que sou oficialmente um abandonado agora. — Oh, Spencer. Vai ficar tudo bem. As coisas estão mudando. — Sim, eu te deixo sozinha por uma semana e você começa a dar uns amassos com vampiros.

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— Eu te disse. — eu o provoquei, fazendo borbulhasse alta. — Eles estão totalmente na moda! com que minha voz

— Oh, cara! — Mas você não pode se esconder e ficar todo melancólico. Isso está no ontem. Além disso, eu vou chutar o seu traseiro. Depois de um longo momento ele falou de novo. — Vou sentir saudades do sol. — Eu sei. — virei a cabeça. — Nós sentiríamos mais a sua falta se você estivesse morto. Ele passou a mão sobre o rosto limpo. — Obrigado. — Além disso, apenas pense; agora você pode sair com os Hounds e fazerlhes todos os tipos de perguntas mágicas. Ele iluminou instantaneamente. — Verdade. Atirei-lhe um sorriso aguado quando Theo entrou com minha bandeja de comida. — E eu não tenho que compartilhar meu pudim de chocolate com você nunca mais.

Spencer teve alta na noite seguinte. Eu não sabia para onde ele tinha ido, mas Quinn prometeu ajudá-lo com a transição para a nova vida de mortos-vivos. Não estava autorizada a sair da enfermaria por uma semana inteira, e mesmo assim foi só depois de prometer que eu ia pegar leve e nem sequer olhar para a academia por, pelo menos, mais duas semanas e depois, apenas com uma permissão do médico. O médico com quem o Vovô ainda falava já que ele se recusava a falar comigo. Eu liguei para ele duas vezes e cada vez a conversa foi a mesma.

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— Você ainda o vê? — Sim. E neste instante ele desligava o telefone. Mas eu não deixaria isso estragar tudo. Eu estava viva. Quinn estava vivo. Spencer era um vampiro, mas pelo menos ele não estava completamente morto. Savannah e os gêmeos estão se recuperando, embora lentamente. Dailey estava sendo mantida pelo comitê disciplinar da Liga na pendência de uma investigação completa. E Hart me chamou pessoalmente para me convidar para formar uma Junta Negra com alunos selecionados cuidadosamente, aparentemente os primeiros da escola em pelo menos três décadas. Era um subgrupo dentro da Liga, que ninguém conheceria, exceto seus membros e o líder dos Helios-Ra. Nenhum dos professores sequer saberia, exceto pelos diretores. Seríamos como uma secreta banda itinerante de guerreiros espiões. Eu mal podia esperar. — Agora, isso é um sorriso perigoso. — Quinn murmurou; a voz dele fazendo cócegas no meu ouvido. Seus braços em volta da minha cintura e me puxando de volta contra o seu peito. Eu me inclinei para ele, meu sorriso transformou-se ainda mais perverso. — O que estamos fazendo aqui? — perguntei. Eu tinha escrito um bilhete para encontrá-lo na lagoa. — A mesma coisa que eu sempre estou fazendo: tentando ter um adequado encontro com você. — Quem saberia que você era tão tradicional? — eu virei, provocando. — Quem saberia que você era tão rebelde? — ele deslizou seu braço levemente sobre o meu curativo e apertou minha mão. Os pontos de sua mordida sairiam amanhã. Haveria uma cicatriz, mas eu não me importava tanto. Ele puxou-me através do alto campo de grama, roçando os joelhos. Ele me levou para um bosque de mudas de bétula. Estendeu uma manta no chão e velas acesas em vidros. Até pendurou umas lanternas em alguns dos galhos e elas pairavam como vaga-lumes. Estava lindo. — Nós estamos fazendo um piquenique. — anunciou.

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— Mas você não come. Ele deu de ombros. — Mas você come. Nós nos sentamos e ele me entregou uma garrafa térmica com chocolate quente. Havia cestas de biscoitos de chocolate, um bolo de chocolate e 23. cereja, açúcar polvilhado em morangos, e uma torre de macaroons Sorri. — Finalmente, comida real. Comi até que o açúcar zumbia nas minhas veias. Quinn deitado ao meu lado, as velas derramando luz amarela sobre as maçãs do rosto pálido. Ele lambeu a cobertura de chocolate fora do meu dedo, sorrindo sombriamente. Ele era tudo o que meu avô temia: irresponsável, selvagem, predatório. E ele era meu.

Fim

A série continua em: Bleeding Heart
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Sobre a autora

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