Mestrado em Educação Social e Intervenção Comunitária Unidade Curricular Ética e Deontologia na Intervenção Social: 2º ano – 1º semestre

Trabalho desenvolvido sob a orientação de: Dr. Ramiro Marques Mestranda: Helena Isabel Henriques Teixeira, nº 100225006 Título do trabalho: Resiliência no envelhecimento 16 de Julho de 2012

Introdução No âmbito da unidade curricular Ética e Deontologia na Intervenção Social, o presente trabalho pretende fazer uma exposição crítica sobre a temática da Resiliência no Envelhecimento. O trabalho encontra-se dividido em três pontos essenciais. No primeiro ponto é evidenciado o conceito de resiliência, a sua origem e a sua importância, o segundo ponto centra-se no conceito de envelhecimento e a importância da resiliência no envelhecimento, por último, no terceiro ponto é feita uma reflexão crítica sobre o tema. A resiliência diz respeito à capacidade do ser humano responder às adversidades da vida de forma positiva, superando problemas, desencadeando um processo bastante positivo de construção, alcançando bons resultados. O papel do Educador Social torna-se notoriamente essencial para o desenvolvimento da resiliência no processo de envelhecimento, pertencendo claramente a este profissional a missão de incutir nos idosos o espírito do poder da recuperação positiva nesta etapa da vida tão importante do ser humano.

1- Conceito de Resiliência O termo resiliência deriva do verbo resilio, tendo que significa saltar para trás, retirar-se sobre si mesmo, reduzir-se, recuar, desdizer-se, voltar ao seu estado natural. O conceito de resiliência surge originalmente através do cientista Thomas Young em 1807, que o empregou de forma a poder descrever a capacidade de um corpo voltar ao seu estado natural/original no fim de sofrer um impacto através de uma força externa, sendo que cada material apresenta distintas formas de resiliência. Após alguns anos, este conceito passou a ser empregado nas ciências sociais, como forma de fazer frente face às adversidades de forma positiva. No que se concerne à área da Psicologia, destaca-se a importância das relações familiares, principalmente na infância, enquanto base fundamental no seu desenvolvimento, gerando a capacidade dos indivíduos aguentarem crises, assim como superá-las utilizando-as como no seu processo de desenvolvimento pessoal, focando as forças negativas de forma edificante. Rutter (1) afirma que a resiliência carateriza-se por um conjunto de processos sociais e intrapsíquicos que possibilitam ter uma vida saudável num meio adverso. Esses processos desenvolvem-se através do tempo, resultando da influência da família, dos suportes sociais e também da educação. Já Anaut (2) refere que ser resiliente “ (…) é a capacidade de sair vencedor de uma prova que poderia ter sido traumática, com uma força renovada”, designa a arte de se adaptar a situações adversas, desenvolvendo capacidades ligadas aos recursos internos e externos levando a uma boa construção psíquica e inserção social. Os autores que têm estudado a resiliência apontam algumas representações, entre as quais: Do tempo – sendo um processo diacrónico e sincrónico, permitindo a sua historização; Do trauma – enquanto o trauma não tem sentido fica-se paralisado, baralhado, devido a um turbilhão de informações contrárias; Da expressão – permite tornar ativa e retomar o lugar no centro da vida do individuo, incluindo sempre a expressão traumática em si, deixando de ser objeto dessa agressividade passiva;

Da sombra – aquilo que é percebido do trauma ou de partes dele, que se carrega no íntimo. Aquilo que é percebido fisicamente pelos outros com uma estranheza mímica, um silêncio. A resiliência pode ser considerada como a competência que cada indivíduo tem para lidar com os problemas, a capacidade de superar e se adaptar às dificuldades das várias situações adversas da vida, resistindo ao choque positivamente.

2 - Envelhecimento com Resiliência O envelhecimento é o conjunto de processos que o organismo sofre após a sua fase de desenvolvimento, segundo Zimerman (3), envelhecer pressupõe alterações físicas, sociais e psicológicas no indivíduo de forma natural e gradativa, onde na maior parte o ser humano fica suscetível a doenças e demoram mais tempo a recuperar. O envelhecimento traz modificações no status do idoso, onde se criam por vezes crises de identidade por falta do papel social destes, o que leva à perda de autoestima. Com o envelhecimento assiste-se a uma mudança de papéis na família, na sociedade e no trabalho. Quando escreveu “De Senectude”, o objetivo de Cícero foi defender a velhice e o processo de envelhecimento. Este defendia que não se deve atribuir à velhice todas as lamentações da vida, afirmando que os seres humanos inteligentes tentam sempre afastar o temperamento triste e a rabugice em qualquer idade. Acrescenta ainda quatro razões que este considera detestáveis da velhice (4): 1 - O facto de esta fase afastar o ser humano da vida ativa; 2 - A constatação de que ela enfraquece o corpo; 3 - A condição de privar-nos dos melhores prazeres; 4- A aproximação com a morte. No final, Cícero contesta cada uma dessas razões, comentando a existência de seres humanos que, como alguns vinhos, envelhecem sem azedar, demonstrando aqui a razão da resiliência no envelhecimento. Com o envelhecimento, surge a sucessiva perca do papel social, juntamente com as doenças próprias da idade podem, em algumas situações desencadear perturbações graves nos idosos. Assim, poderíamos considerar o envelhecimento como uma forma de risco, todavia, cada pessoa idosa reage de forma distinta, enquanto algumas se deixam influenciar pelas mudanças negativas, outras combatem as dificuldades, desenvolvendo um comportamento resiliente dando continuidade ao seu self.

Algumas caraterísticas pessoais, como a autoestima e a autoeficácia, alguns fatores sociais, como a rede de apoio social, a coesão familiar, encontram-se abrangidos no processo de resiliência no envelhecimento, proporcionando competências positivas aos indivíduos, podendo participar ativamente no que os rodeia, desempenhando um papel muito importante na sociedade, vivendo de forma satisfatória apesar das dificuldades e adversidades encontradas ao longo do caminho.

3- Apreciação Crítica A resiliência deve ser trabalhada desde a infância, logo assim que a criança nasce, nos primeiros meses, começa-se a determinar os processos de organização de intencionalidade social, recebendo através das figuras de vinculação proteção, conforto, afeto. O vínculo determina a maior ou menor ascensão de resiliência, sendo esta sempre possível, desde que a criança tenha um objeto com significado para ela. Os Educadores Sociais têm um papel muito importante no trabalho desenvolvido com os idosos, devem ser tutores da resiliência, promovendo segurança, confiança, esperança, de que aqueles indivíduos conseguem ultrapassar obstáculos, dificuldades. Devem procurar entrar na parte emocional do sujeito, havendo uma ligação muito forte com a esperança de ascender a algo melhor nas suas vidas, nunca desistindo do que se deseja ter, superando os seus medos. Estes profissionais devem ajudar os idosos, pois é nesta fase que os idosos olham para trás e veem tudo aquilo que realizaram, os triunfos e contrariedades, as desilusões, pensando que já não têm lugar na sociedade. Devem proporcionar a estes um envelhecimento ativo, realizando inúmeras atividades, contendo na sua bagagem, autoestima, humor, uma meta na vida ou um sonho, iniciativa, autoconceito, aceitação, autonomia e a sua independência, otimismo, espiritualidade, apoio por parte da família, instituição e da área social. Assim, a Resiliência pode ser considerada como uma resposta complementar à abordagem da vulnerabilidade, mas não corresponde por isso à ideia de invencibilidade ou insensibilidade, remete, pelo contrário, para a ideia de flexibilidade e de adaptação do indivíduo.

Bibliografia

1- Rutter, M. (1991). Some conceptual considerations. Fostering Resilience Conference. Washington DC: Institute for Mental Health Initiatives 2- Anaut, Marie. (2002). A resiliência – ultrapassar os traumatismos. Climepsi editores: Psicologia de bolso 11. 3- Zimerman, Guite I.(2000). Velhice, Aspectos Biopsicossociais. Brasil :Artmed Editora S.A 4- Couvaneiro, Conceição Serrenho (2009). Este tempo de ser: Concepções de espaço e tempo para um envelhecimento positivo. Lisboa: Instituto Piaget 5- Simões, António (2006). A nova velhice - Um novo público a educar. Colecção Idade do Saber. Porto: Âmbar 6- Cyrulnik, Boris. (2003). Resiliência: Essa Inaudita Capacidade de construção Humana. Horizontes Pedagógicos: Instituto Piaget.

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