Estudo de troca térmica de duas correntes de um mesmo fluido, na mesma vazão, ao longo de um trocador de calor, em fluxo no sentido da corrente

e contrario a corrente, e cálculo do valor do fator de compressibilidade no ponto crítico a partir da equação de van der Waals. Francisco Cesario Neto Universidade Federal de Pernambuco, Departamento de Engenharia Química, Centro de Ciências e Tecnologia, Programa de Pós-Graduação.

Resumo O presente trabalho demonstra através de um balanço de massa e de energia, considerando as propriedades termodinâmicas, o que ocorre com a temperatura e a entropia, ao longo do percurso de dois fluidos iguais, em mesma vazão e com temperaturas diferentes, em um trocador de calor com fluxo no mesmo sentido e em sentido contrário. E também mostra, a partir das equações de estado de van der Waals, que para o ponto critico de um fluido seu fator de compressibilidade Z é constante. Palavras chave: Compressibilidade, calor, massa e energia. Abstract Abstract This study demonstrates through a weighting of mass and energy, considering the thermodynamic features, what occurs with the temperature and entropy along the route of two equal fluids, flowing at the same rate and under different temperatures, in a heat exchanger flowing first in the same direction and then in opposite direction. It also shows, considering the van der Waals equation of state, that the compressibility factor Z of a fluid in its critical point is a constant. Keywords: Compressibility, heat, mass and energy __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________

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∆t é o intervalo de tempo que tempo que leva o fluido para atravessar a superfície de controle. 1 Metodologia. ∆L é o comprimento da superfície de controle. aplicada aos casos distintos da troca térmica entre dois fluidos no mesmo sentido da corrente e contrario a corrente. válida para todos os gases.1 Introdução Um trocador de calor é um dispositivo no qual o calor flui entre duas correntes de fluidos em diferentes temperaturas. mesmo sentido da Considerando duas correntes com temperaturas distintas conforme esquema da figura 1. este trabalho visa identificar o comportamento ao longo do percurso de troca térmica das variações de temperatura e entropia dos fluidos considerando os dois casos e ainda demonstrar. partindo da Equação de estado de van der Waals. T1 é a temperatura do primeiro fluido. que varia ao longo do percurso ∆L. HL+∆L é a Entalpia molar do fluido que sai da superfície de controle no ponto L. que o fator de compressibilidade para o ponto crítico (ponto onde termina a curva de estado de fase. a) Fluidos no corrente. Para o caso da análise de troca térmica entre dois fluidos. e tomando-se como volume de controle o elemento limitado pelo fluxo em um dos sentidos iniciando no comprimento L e de comprimento ∆L. Trocadores de calor podem ser operados com os fluidos se direcionando no mesmo sentido e fluidos se direcionando em sentidos contrários. L é a posição de inicio da superfície de controle. t é o tempo medido quando o fluido entra na superfície de controle. que varia ao longo do percurso ∆L. colocados em contato térmico através de uma barreira. é o fluxo de massa que sai da superfície de controle no ponto L+ ∆L HL é a Entalpia molar do fluido que entra na superfície de controle no ponto L. considerando duas correntes de mesma vazão e do mesmo fluido. tal como uma parede de um tubo. Através de um balanço de massa e energia aplicado a cada um desses casos. que separa dois estados distintos) é uma constante. TL+∆L é a temperatura do fluido ao sair da superfície de controle. é o fluxo de massa que entra na superfície de controle no ponto L. será aplicado o balanço de massa e energia. Onde: TL é a temperatura de um dos fluidos ao entrar na superfície de controle. teremos o seguinte balanço de massa: 2 . Cp é o calor específico à pressão constante do fluido que atravessa a superfície de controle. T2 é a temperatura do segundo fluido.

s. que pode ser substituído pela expressão a seguir: 3 Como os fluidos são iguais e de mesma vazão temos: . T2f é a temperatura de saída do segundo fluido na superfície de controle. por unidade de comprimento expressa em J/m. Realizando o balanço de forma similar para o segundo fluido encontramos também a equação: Assim adicionando-se as equações (6) e (7). temos: Ou ainda: Sendo ( ) o fluxo de calor por unidade de comprimento que é proporcional a diferença de temperatura (T2. Dividindo-se a equação (4) por ∆L. Considerando o sistema estacionário. temos: Onde K é a constante de proporcionalidade de troca de calor. T1f é a temperatura de saída do primeiro fluido na superfície de controle. temos: Realizando o balanço de energia no mesmo volume. e considerando como positivo o que entra na fronteira e negativo o que sai. para cada ponto do trocador.T1i é a temperatura de entrada do primeiro fluido na superfície de controle.K.T1) entre os dois fluidos. temos: Desprezando-se a variação de energia potencial e energia cinética e em regime estacionário. conforme direção de entrada ou saída da superfície de controle. mudando somente o sinal. T2i é a temperatura de entrada do segundo fluido na superfície de controle. temos: O fluxo de calor é o mesmo para as duas correntes. e tomando-se o limite para ∆L tender à zero.

Tomando o limite para ∆L=0. temos: para A temperatura T expressa em oC varia com o comprimento do trocador (L). nos leva a concluir que para cada ponto. condições no inicio do trocador onde se mediu a temperatura T1i o comprimento L=0. pode ser escrito como: T2-T1 = C-T1-T1 = C-2T1 Da equação (6). temos: Onde o índice i significa. condições no final do trocador onde L= L*. temos: 4 . temos: Ou ainda generalizando qualquer ponto L do trocador. ao longo de ∆L: T1 +T2 = Constante = C onde: T1 = C-T2 e T2 = C – T1 Considerando que não existe geração de entropia dentro das fronteiras do sistema (região da figura 1). neste caso o balanço de entropia para os fluxos em mesmo sentido. obtemos: Separando-se as variáveis e Integrando a equação (11) considerando as condições de contorno temos: Dividindo a equação (15) por ∆L. substituindo T pela equação (14) e sabendo que C=T1+T2.∆t. da equação (8) temos: Temos então: A derivada igual à zero.Assim. e o índice f significa.

temos: Neste caso o sinal do fluxo se inverte então: (23) Obtemos das equações (18) e (19): Valendo ainda a equação de troca de calor a seguir: Substituindo o valor de encontrado na equação (12). serve o mesmo balanço de massa e energia já demonstrado. temos: Usando o método de substituição e Integrando a equação (21). Chamando de D a diferença de temperatura entre T2 e T1. temos: B) Fluidos em sentidos opostos. usando as condições de contorno para L=0 e L=L. temos a equação (22). que se segue: Subtraindo as equações (24) e (26). que é constante para ponto do percurso: T2=T1-D (28) 5 . temos: Cp Combinando as equações (23) e (24). sendo que o sentido e as temperaturas de entrada e saída da superfície de controle. Mantendo a mesma superfície de controle da figura 1.Transformando o diferencial. neste caso para o segundo fluxo são diferentes como mostra a figura 2.

em fluidos com sentidos opostos de mesma vazão e temperaturas diferentes.Como os fluidos são iguais e de mesma vazão contraria temos: C) Balanço de entropia para troca de calor. temos: Convertendo a temperatura T1 do fluido para escala Kelvin e usando as equações (31) e (32) temos: Combinando as equações (27) e (28). temos: Ou usando a equação (32) e (33). usando como contorno as condições de temperatura na entrada da fronteira do fluido 1. Usando as equações (19) e (37). conforme segue: Dividindo a equação (35) por ∆L∆t. conforme segue: 6 . conforme a equação: Figura 2. temos ao combinar as equações (35) e (29): Substituindo. Que pode ser expressa em termos de Lo. temos: Separando-se as variáveis e Integrando a Equação (29). temos: Que pode ser expressa em termos de Cp. e tomando-se os limites para quando ∆L tender a zero. temos o valor determinado das temperaturas ao longo do percurso também para o segundo fluido T2i. podemos relacionar a temperatura T1i. Considerando a superfície de controle na figura 2. ao longo do percurso L.

é uma constante. a pressão (Pc) e a temperatura (Tc) no ponto crítico. temos a equação que relaciona a entropia ao longo do comprimento do trocador de calor. temos: Acompanhando a variação da pressão com o volume de uma isotérmica no ponto crítico. O Fator de compressibilidade (Z) do ponto crítico é dado por: Do mesmo modo na condição do ponto critico a segunda derivada da variação 7 Substituindo os valores para o ponto critico das variáveis encontradas. temos para condição de ponto crítico: Integrando a equação (39). temos: . no ponto crítico. pois se trata de um ponto de inflexão. conforme a seguir: C) Demonstrar que o fator de compressibilidade Z. (44) e (45). Escrevendo as equações de van der Waals. considerando. ocorre um ponto de inflexão em que a derivada da pressão em relação ao volume deve ser zero (condição de máximo ou mínimo ou inflexão de uma função).da pressão com o volume na isoterma se iguala a zero. a partir da equação de van der Waals. para fluidos iguais de mesma vazão em sentidos opostos: A constante (a) da equação de van der Waals. o volume molar (Vc). obtemos: Substituindo os valores nas equações (41). no ponto crítico. Dividindo a equação (42) pela (43). pode ser reescrito.

que entra com -15 oC e sai com 5 oC. usando variáveis de uma das correntes como: temperatura de entrada e saída. 8 . que para o ponto crítico de um fluido o fator de compressibilidade é constante. temos que: Quanto à entropia a equação (22). assim temos: Para este exemplo em qualquer ponto do trocador as temperaturas podem então ser determinadas pelas seguintes equações: Como C= T1+T2. cujas temperaturas de uma das correntes. ao entrar no trocador sejam de 35 oC e a saída de 15 o C. trocando calor em fluxo de mesmo sentido com outra corrente de mesma vazão. entropia de entrada e comprimento ao longo do trocador ao qual se deseja obter a informação e também demostra. ao entrar no trocador sejam de 35 oC e a saída de 15 o C. Temos que neste caso. qualquer temperatura ao longo do comprimento L do trocador. no mesmo sentido e sentido contrário. substituindo temos: Outro exemplo um trocador de calor com duas correntes de vazão iguais. pela expressão: Para o exemplo. cujas temperaturas de uma das correntes. mostra que é possível se determinar os valores ao longo do percurso de troca térmica. pela equação acima devemos obter o valor de T1 = 35. que entra com -15 oC e sai com 5 oC. verificando temos: 3-Resultados e Discussão: O trabalho demonstra matematicamente que é possível se determinar o comportamento da temperatura e da entropia. para as duas correntes ao longo de um trocador de calor com fluidos iguais. para cada ponto do trocador as temperaturas (T1 +T2 = C = cte). podemos determinar conhecendo as temperaturas de entrada dos dois fluidos. em mesma vazão. trocando calor em fluxo de sentido contrario com outra corrente de mesma vazão. verificando-se o fato na entrada e na saída com as temperaturas dos fluidos: 35+ (-15) = 15+5 = 20 = C Pela equação (14).Tomando C=20 e L=0. Exemplo: Um trocador de calor com duas correntes de vazão iguais.

: LTC. e no caso de fluidos em sentidos contrários. a diferença de temperatura entre os dois fluidos é constante ao longo do comprimento do trocador de calor. pela expressão: 9 . E também verificamos que para o ponto critico a compressibilidade do fluido é uma constante.SI Chemical and Engineering Thermodynamics. Introdução à Termodinâmica da Engenharia Química. em mesma vazão e mesmo sentido. temos que: SANDLER. verificando-se o fato na entrada e na saída com as temperaturas dos fluidos: 35. assim temos: Para o exemplo. em um dos fluidos. verificando temos: Para este exemplo em qualquer ponto do trocador as temperaturas podem então ser determinadas pelas seguintes equações: Como D= T1-T2. podemos determinar conhecendo as temperaturas de entrada dos dois fluidos. pela equação acima devemos obter o valor de T1 = 35. determinar as temperaturas e entropia ao longo do percurso de troca térmica e que no caso específico de fluidos em mesmo sentido a soma das temperaturas dos dois fluidos é constante ao longo do comprimento do trocador de calor. ou em sentidos opostos. SMITH. utilizando-se fluidos iguais. comprimento do trocador e entropia no ponto inicial. VAN NESS. mostra que é possível se determinar os valores ao longo do percurso de troca térmica.5 = 15-(-15) = 30 = D Pela equação (14). JM.: John Wiley and Sons. 5-Referências: ABBOTT. Rio de Janeiro. 3a ed. para cada ponto do trocador as temperaturas (T1-T2 = D = cte). Quanto à entropia a equação (40). HC. podemos através de medidas de temperatura. MC. que para troca de calor. 5a ed.Temos que neste caso. substituindo os valores das variáveis conhecidas temos: 4-Conclusão: Verifica-se. qualquer temperatura ao longo do comprimento L do trocador. NY. Tomando D=30 e L=0.

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