A Essência da Atividade Anarquista Existiram e existem um bom número de ideologias e pensamentos voltados ao apoio à luta e à libertação dos trabalhadores

. Desde os grandes conflitos populares do passado, seja ainda na revolução francesa, a saber, a revolta dos iguais de Graco Baubef até os denominados socialismos utópicos de Fourier, Saint Simon e Owen, também o socialismo dito científico de Karl Marx e Friedrich Engels. “O espectro do comunismo ronda a Europa” ou “Trabalhadores de todos os países, uní-vos!” e “o caminho para a liberdade é a própria liberdade” foram palavras pronunciadas em associação àqueles pensamentos e práticas então revolucionárias. Da revolta dos escravos comandada por Spartacus até a luta do povo húngaro em 1956 e a primavera de Praga em 1968, ainda neste último ano a revolta do Maio de 68 na França selaram sucedâneos legítimos do embate histórico pela liberdade e pelo socialismo.As palavras de ordem dos estudantes franceses eram então “É proibido proibir”,“Imaginação ao poder!”e “Sou marxista da tendência Grouxo”. Essas últimas reações de estudantes e trabalhadores sinalizaram uma inequívoca essencialidade libertária. Nomes históricos como Bakunin, Kroppotin, Malatesta e Daniel Guérin foram citados em confrontos populares que se originaram da noite para o dia numa Europa até então reconheci da como política e ideologicamente estável. Ao invés da objetividade de tipo cartésio-baconiana dos demais socialismos, a doutrina libertária fala de modo aberto e livre em amor entre os seres humanos, um território até então dominado somente pela religião, mais especificamente, a cristã.Apesar de todos os percalços e desenganos históricos, o amor tem historicamente pertencido ao terreno daquela fé religiosa. Contudo, devido a uma grande imprecisão ideacional, tal ideologia ligada à religiosidade universal não se permite ser efetivamente revolucionária. Só um humanismo radical e imanentista poderia suscitar ou desencadear a verdadeira revolução social. Falo social porque para o anarquismo histórico a política político-partidária tradicional de fato nada vale.Em contraposição ao governo de Estado, seja de esquerda ou direita, os anarquistas propõem quatro determinantes que definem a sua essência, a saber, a ação direta, a autogestão, a greve geral e o voto nulo. Esse quarteto é suficiente para indicar o que costumamos chamar de teoria e prática libertárias. Nas grandes revoluções, por exemplo, em Paris (1870), na Rússia (1917) e na Espanha (1936) os anarquistas marcaram presença. Como integrantes da facção mais radical de esquerda, devido ao fato de renegarem o próprio poder de Estado, os anarquistas, seja pela direita ou pela esquerda, são os primeiros a serem perseguidos. Contudo, no interior do movimento libertário existe uma atmosfera de intensa solidariedade, fraternidade, união e identificação com o grupo, numa essência quase de ternura e amor que define universalmente o anarquismo.

A História de um Grande Anarquista Miguel Tostes, 742 Edifício Nicodemos No verão de 1982 eu era bolsista do professor indiano Debi Sadhu no Departamento de Engenharia Mecânica na UFRGS. Então decidi por mim conhecer alguém que tivesse participado da guerra civil espanhola. Dirigime para a Sociedade Espanhola de Socorros Mútuos, na rua Andrade Neves, centro de Porto Alegre: lá então tive uma grande surpresa. Ao subir a antiga escada de madeira, veio em sentido contrário um velho espanhol vestindo paletó e calças cinzas.Eu então lhe perguntei se conhecia alguém que tivesse vivido aquele conflito na Espanha.Imediatamente ele me tomou pela mão e me levou ao grande salão que ficava no primeiro andar. Ali, sentamos e ele perguntou: conoces las ideas de Bakunin? A partir dali tornamo-nos amigos. Eu tinha 19 anos; ele, 80 e poucos. O seu nome era José Augusto Guardía e viera fugido da repressão franquista que se instaurou após o golpe que derrotou a frente popular que fora composta de partidos e sindicatos de esquerda na Espanha. A guerra durara de 1936 a 1939 e culminou finalmente com a ditadura de Francisco Franco. Augusto perdera o contato com sua companheira Mercedes mas logo se reencontraram na França e depois vieram para o Brasil. Não cheguei a conhecer Mercedes. Depois de conhecer Augusto, ele me deu seu endereço em Porto Alegre, ele morava num pequeno edifício denominado Nicodemus, na rua Miguel Tostes, próximo à avenida Protásio Alves. Comecei então a freqüentar sua casa. Augusto tinha sido muitas coisas, trabalhara numa cervejaria e Barcelona, foi pedreiro, fotógrafo e outras coisas. Aprendera a ler e escrever nos panfletos anarquistas na Espanha, era muito inteligente e criativo. Na astrologia era taurino, fiel aos seus amigos e também muito teimoso: Augusto era muito profundo. Recebia periodicamente o jornal Solidariedad Obrera que era diário no tempo da guerra civil. Vivia confortavelmente em seu pequeno apartamento. Era diabético, inoculava-se diariamente com insulina e comia uma dieta composta de legumes, frutas, bolachas d´água e essência de maçã. Às vezes, bolachinhas e suco eram tudo o que ele tinha para me dar como lanche. Eu costumava levar-lhe amiúde um mamão ou um melão. Augusto tinha sido tísico no passado e com a alimentação regrada reconquistara a boa saúde: assim ele tinha a confortável vida de um singelo velhinho. Augusto me dava muitos conselhos. Na época eu integrava o movimento estudantil e certamente por influência de Augusto eu abraçara então sua ideologia. Eu aos poucos fui me tornando também um libertário. Augusto pedia para que eu lhe lesse jornais e revistas anarquistas que lhe chegavam da Espanha pelo correio. Outros anarquistas, inclusive sindicalistas, frequentavam a sua casa buscando aconselhamento. Entre eles estavam H P e J Z. Quanto a mim, todavia, eu então fui mais e mais

me tornando apenas um neto que tinha em Augusto um avô, principalmente. Num rádio Transglobo, Augusto sintonizava em ondas curtas a Europa, escutava os países de lá, também a China. Seu rádio, contudo, pifou de vez e eu lhe emprestei de modo vitalício um outro rádio de ondas curtas que meu pai havia me dado. Augusto tinha uma pequena biblioteca de livros libertários. Ele mesmo intentou escrever algo que seria suas memórias mas, extremamente modesto, rasgou o texto já iniciado. Lá na Espanha de 1936-1939, Augusto participara das 33 horas de Barcelona, cidadela que, depois de encarniçado combate, caiu nas mãos dos libertários da CNT-FAI: Augusto, de fato, já era uma lenda vida, uma testemunha privilegiada daqueles momentos históricos dramáticos e dilemáticos. Dizia ter conhecido Nestor Mekno em Paris, depois deste ter fugido da URSS. Uma antiga amiga de Mercedes, chamada Ilda, passou a cuidar de Augusto quando ele se tornou muito idoso. Todos os dias ela ia buscá-lo para que fosse à sua casa, onde passava a tarde. Eu e Mira, que era a minha esposa costumávamos visitar os dois na casa de Augusto ou na cada de Ilda, aos domingos à tarde. Agora Ilda já contratara uma moça para cuidar de Augusto que já tinha 91 anos. Num domingo, Mira e eu nos desentendemos e não fomos ver Augusto. Naquela mesma tarde, depois de tomar o rotineiro café, Augusto se deitou e faleceu dormindo. Eu nunca me esquecerei de suas palavras, pronunciadas com toda a dramaticidade de um interlocutor ibérico: “Fortunato, para nós não se tratava de guerra civil, para nós era a revolução e que importavam nossas vidas naquele momento se nós estávamos tão próximos do que queríamos?” A Necessidade do Humanismo Desde que o homem passou a viver em sociedade, estruturaram-se padrões de conteúdo e função normativos os quais passaram a reger os seres humanos na sua vivência cotidiana em sociedade. Critérios axiológicos foram então constituídos que passaram a existir, supõe-se, conjuntamente com o advento da linguagem(a origem do verbo passa a instituir alguma forma possível de mediação). Uma moral originária assim foi proposta segundo uma aceitação universalmente tácita e os homens, mesmo primitivos, passaram a aceitá-la e praticá-la em continuidade na vida social. Deste modo, num horizonte antropológico privilegiado e através de uma dada pragmática elementar, o homem passa a constituir, associativamente à cultura, a civilização em sua imanente e original historicidade:assim passou a se instituir o universo societário: a trama de relações interpessoais a qual passar a normar o coletivo humano agora se submete à funcionalidade referente a uma ética que é então, acima de tudo, prática. Para Marx e Engels, esse grau de constituição social – que já é complexo

e especiado – permite a gênese da família, da propriedade privada e do Estado.A dissolução da ordem gentílica possibilita o colapso do poder do pater familiae o assim funda o conflito de classes o qual exige no final que se origine o Estado como fator ao mesmo tempo mediador e repressivo. A prática dos relacionamentos interpessoais passam então a serem submetida à regência do instrumento jurídico fundamentalmente configurado que é a Lei. Verifica-se nestes dois autores que razões de ordem social, política e econômica se encontram significativamente imbricadas. Para Freud, porém, o motivo essencial do pacto linguístico-legalóide velado, insidioso, fundante e constitutivo é de ordem psicológica. Principia no estado social gregário da horda, onde o pater familiae que mantém para si a totalidade das concubinas e filhas.O restante dos homens então se revoltam e vitimam o pater familiae.Seu imenso sentimento de culpa suscitado por esta sua insurgência os leva a projetar a figura do patriarca original na forma da divindade e assim a Lei ou principío ético se constitui de fato. Para Maquiavel, o homem é essencialmente mau. Segundo este pensador, “os homens esquecem mais rápido a morte de um pai do que a perda de um bem”.A intrigas palacianas e os jogos de poder do príncipe justificam e ilustram a sábia verdade de que“os fins justificam os meios”.Para Rousseau, o homem é o “bom selvagem” que é corrompido pela sociedade e pelo poder.Dizendo que“os homens nascem livres embora onde quer que estejam os encontro acorrentados” indicam uma teimosa atitude que tenta ver o homem como um ser no qual predomina uma boa índole: Maquiavel e Rousseau se encontram diametralmente opostos e tanto um como o outro tomados em absoluto se apresentam como fundamentalmente inverídicos. O homem seria determinado pela combinação ativa e temporal de posturas altruístas e socialmente dissociativas, emancipatórias e regressivas, egoístas e generosas, enfim, um ser complexamente compósito.Acima de tudo e todos, se configura o império da Lei instituída a qual balisa a ética necessária para possibilitar e atualizar a prática social. Sabe-se que a história da humanidade, em um panorama quase contínuo e para a totalidade dos povos, intenta constituir uma ética que se encontraria baseada na idéia universal do humanismo. A boa convivência entre os membros de uma mesma comunidade e entre os povos entre si depende dessa concepção humanística, geralmente referida a algum tipo de sabedoria. Por exemplo, as três religiões monoteístas no planeta Terra fornecem seus preceitos sábios em três livros, a saber, a Torá, o Alcorão e a Bíblia cristã. Pode-se, amiúde, encontrar-se aberrações, por exemplo, certas práticas animosas dos povos islamitas contra o Ocidente as quais não obedecem à sabedoria maometana ou então o temporário delírio de poder adquirido pelo povo alemão ao ser hipnotizado por Adolph Hitler. Pode-se dizer que o amor, a bondade, a fraternidade e a misericórdia são posturas existenciais e sociais quase exclusivas das religiões. A fé cristã

é o exemplo mais cabal de como o amor se configura coletivamente como proposta de vida coletiva exigida no exemplo de vida do próprio Jesus Cristo.Contudo, ao lado de humanismos teístas, também há humanismos profanos ou seculares.Encontraríamos eles nos pensadores modernos(Erasmo, Morus e Campanella), nos Enciclopedistas, nos socialistas utópicos, em Marx, em Bakunin, em Russel, Bloch e na Escola de Frankfurt, etc. Nesta última, podemos destacar o nome do filósofo contemporâneo Axel Honneth. Ele propõe três níveis de inserção do indivíduo humano na tessitura social. Na vida familiar, inicialmente a pessoa adquire auto-confiança; na sociedade civil, refere-se à esfera do Direito e assim obtém o auto-respeito; enfim, tal sequência de instâncias vivenciais não termina na forma de aceitação simplesmente jurídica mas segue até a estágio da solidariedade, o que implica na conquista da autoestima. Pode se exemplificar isso indicando-se a luta das minorias no seio da sociedade por reconhecimento, respeito e aceitação. A própria igualdade legal não é um fim em si para a Lei mas esta deverá ser guindada a um patamar axiológico superior, o qual trata os indivíduos sociais como desiguais, originalmente e especificamente diferentes e idiossincráticos. Por exemplo, olhem os homossexuais.Eles lutam por direitos tais como o reconhecimento do status até então exclusivos dos heterossexuais, como pensão por morte do cônjuge, igualdade de oportunidades no mercado de trabalho, etc. Contudo, além de serem respeitados, os homossexuais intentam ser aceitos e mesmo considerados e estimados.Aí se coloca então a estrutura da solidariedade. Enfim, na generalidade da interações interpessoais dos homens em sociedade, configura-se predominante a ênfase ou natureza humanística, seja como imperativo religioso-confessional, seja como o humanismo profano e puramente filosófico.Concorre para tal, tanto a sabedoria das religiões históricas como as teorias dos pensadores que não se orientam segundo fé alguma(talvez apresentem fé somente na própria humanidade). Realmente, nos tempos presentes, nos quais a alienação humana segue de mãos dadas com o desenvolvimento tecnológico e industrial completamente desumano, onde falsos deuses e valores falsificados desorientam as práticas sociais do convívio e vivência em sociedade, pode-se dizer que a demanda pelo humanismo adquire um caráter eminentemente dramático: o homem não pode deixar de respeitar – inclusive amar – o semelhante sob a pena de se diluírem as já enfraquecidas estruturas éticas que sustentam a vida social dos povos contemporâneos, dentro e fora das fronteiras nacionais, o que conduziria irremediavelmente à barbárie universal e o fim da epopéia da raça humana sobre o planeta Terra. Aqui, o papel desmpenhado pelas religiões é decisivo e necessário, principalmente a fé cristã que tem como o amor universal seu bastião fundamental.

A Revolução Espanhola (1936-1939) Finalmente a Espanha elegeu um governo socialista, cujo presidente era Largo Caballero, um trabalhador estuquista. Contudo, a direita reagiu e as forças do Gal. Francisco Franco, a Falange, cruzaram Gibraltar e invadiram o continente pelo sul.A república de Caballero pediu tempo para contemporizar embora os anarquistas da FAI(Federação Anarquista Ibérica) que controlavam a CNT (Confederação Geral do Trabalho) já estavam armados nas ruas para defender a legalidade. Os libertários pediram prédios em Madri e nas principais cidades. A tomada do prédio dos telefônicos naquela capital foi um acontecimento dramático: a Espanha já estava em guerra civil. A correlação de forças era a seguinte: à direita, Franco com a Falange apoiados por Castela e restantes forças da monarquia: à esquerda, federalistas, republicanos, socialistas (PSE-UGT), comunistas soviéticos (PCE), anarquistas (CNT-FAI) e trotskistas (por exemplo, do POUM – o Partido Obreiro de Unificação Marxista), estes últimos muito diminutos. No início, o conflito foi dinâmico, com tomadas de posição por ambas as partes, enquanto os anarquistas tomaram a Catalunha (as 33 horas de Barcelona), a região real de Castela decidiu apoiar o Generalíssimo (como Franco passou a ser chamado). A principal liderança militar anarquista foi Durruti. Um dramático apelo foi então emitido por rádio solicitando o apoio internacional para a Espanha livre, foram assim constituídas as Brigadas Internacionais, compostas por combatentes provenientes de muitas partes do globo (inclusive alguns gaúchos foram lutar lá). A situação diplomática revestiu-se de grande ambigüidade, muitos países, como a França, decidiram se colocar neutros; outros, como a URSS, forneceram tácito e discreto apoio, contudo, pelo lado franquista, a Alemanha nazista ofereceu aberto e generoso suporte, com tropas, forças mecanizadas e aviação de guerra. A cidadezinha de Guernica tornou-se o símbolo da tragédia espanhola porque inocentemente foi arrasada pela força aérea alemã. Enquanto a guerra se desenrolava a Falange se mantinha coesa enquanto que as forças da frente de libertação se perdiam em conflitos políticos e ideológicos, enfraquecendo a sua positividade militar-estratégica. Contudo, mesmo em tempos de guerra, coisas boas ocorreram na Espanha. Por exemplo, o número de crianças na escola triplicou, foram introduzidos os têxteis na indústria espanhola, medicina e medicamentos, inclusive a luz elétrica, foram tornadas universalmente grátis. Contudo, no curso progressivo da guerra, o front se polarizou geograficamente e a batalha decisiva se deu no centro da Espanha, a batalha de Madri. Lá os livros das bibliotecas foram empregados como trincheiras. Dizem que quatro colunas marcharam sobre Madri, mas foi à quinta coluna que venceu a batalha. Essa 5 a coluna representou a sabotagem e a traição. Neste ponto, o front se inverteu e a

frente popular foi pressionada até a região da Catalunha onde, já em 1939, a guerra terminou com a vitória de Franco. Foi então realizado um terrível movimento de perseguição aos oponentes do novo regime ditatorial, muitos foram presos, executados e muitos outros fugiram para outros países. Aqui em Porto Alegre, na Rua Miguel Tostes, viveu um senhor idoso que participara do conflito. Chamava-se José Augusto Guardía e morreu aos 91 anos. Ele participou da guerra na Espanha. Em suas palavras, amiúde dizia que “para nós (anarquistas) não era guerra civil, mas a revolução, e o que importavam as nossas vidas naquele momento se estávamos tão próximos do que queríamos”.Com a morte de Guardía, uma grande memória se perdeu. Ele próprio me contou que conheceu Nestor Makno, o lendário líder anarquista ucraniano trabalhando numa fábrica na França, ele tinha no corpo balas de revólver devido ao atentado que sofreu dos epígonos de Lênin. A revolução espanhola foi um marco histórico que indicou a possibilidade concreta, como em Kronstadt e na Ucrânia, de se constituir uma sociedade organizada segundo os ideais anarquistas. Como o historiador alemão, aquela revolução consistiu no “curto verão da anarquia”. Ali lutaram os “assaltantes do céu”. Pode-se dizer que se sonho é sonho, devemos sonhá-lo não pela metade, mas por inteiro.

As Bases do Pensamento Libertário
A doutrina e prática anti-política libertária remonta ao pensamento de personagens como Bakunin, Kroppotin, Malatesta, Guèrin, Emma Goldmann, Tostoy e outros que, a partir do século 19, deram impulso ao ativismo de cunho revolucionário na sociedade européia da época. A idéia simples do anarquismo é aquela que deposita na estrutura política do Estado o conjunto dos males da sociedade humana. Mais afastado de Maquiavel o qual define o homem como essencialmente mau e mais próximo de Rousseau que o concebe como corrompido pelo poder, o anarquismo considera o indivíduo social como originalmente bom e que o poder de toda a espécie acaba por extraviá-lo e corrompê-lo de vez. Aí verifica-se que o poder de Estado por definição se circunscreve como o maior agente de alienação e exploração, desde a condição política até o âmbito da produção, no mundo do trabalho. Assim, se por um lado a burguesia no regime capitalista promove a expoliação dos trabalhadores em função do capital, por outro lado o Estado do comunismo de natureza marxista também desapropria os trabalhadores não mais através da subtração de sua mais-valia mas da eliminação de sua autonomia individual e liberdade últimas, como ocorreu na URSS de 1917 a 90 na China atualmente desde 1949 e na ilha de Cuba embora cada vez menos. As previsões do marxismo não se atualizaram.O próprio Marx acreditava que a revolução socialista ocorreria nos países

capitalistas mais avançados, como os EUA ou a Inglaterra, devido a uma maior conscientização dos trabalhadores de lá.Contudo, negando tal hipótese, o comunismo real vingou em países enfaticamente rurais e de desenvolvimento capitalista tardio e ineficiente. No caso soviético, depois de um momento inicial de autêntico teor revolucionário, o poder na URSS se concentrou nas mãos de uma junta absoluta(o soviete supremo)e iniciativas, inclusive de natureza libertária(ver episódios da Ucrânia e da frota do Báltico em Kronstadt) de se opor ao regime soviético foram duramente rechaçadas, principalmente sob a égide de Lênin e depois, Stálin. Anarquistas como Emma Goldmann,Voline, Nestor Makno e Peter Arshinov foram perseguidos e muitos outros mortos. Vladimir Mayakówski, o grande poeta da revolução, ao ver o rumo que tomou o processo na URSS terminou suicidando-se. Na ocasião dizia-se lá: “há muitos poetas e poucos sapateiros, vamos fazer dos poetas sapateiros”. O grande espetáculo revolucionário de essência libertária foi a chamada guerra civil espanhola, um conflito entre as forças populares hipostasiadas nos anarquistas, comunistas, socialistas, partidos de esquerda e sindicatos e as forças da falange comandadas pelo general Francisco Franco. Alternativamente à UGT, central sindical socialista, os anarquistas se organizaram na CNT cujo braço revolucionário era a FAI(federação anarquista ibérica). A dita guerra civil na realidade foi uma tentativa de revolução, principalmente com relação aos libertários. O conflito durou de 1936 a 1939. O contexto europeu de então era muito delicado, países como a França e mesmo a URSS tiveram reservas em apoiar ativamente o movimento revolucionário na Espanha e inclusive as forças armadas de Hitler ensaiaram o que seria um preâmbulo à segunda guerra mundial. Um conhecido autor alemão moderno definiu num livro sobre a revolução espanhola o episódio histórico na Espanha como “o curto verão da anarquia”. Muitos morreram em combate, como o grande Buenaventura Durruti, outros fugiram para o exterior. Em 1939, com o fim do processo espanhol, se estabeleceu a ditadura de Franco que durou décadas. Politicamente, a Espanha ainda é sinônimo de anarquismo.O periódico denominado Solidariedad Obrera ainda existe, na época da guerra ele era diário. No conflito, a reação vinha de Castela e a revolução vinha da Catalunha. Ambas encontraram-se em Madri. Numa histórica batalha os falangistas bateram ferozmente a frente popular e rumaram até Barcelona, reduto dos anarquistas e ali os encurralaram.Diz-se que quatro colunas marcharam sobre Madri mas a coluna que venceu a batalha foi a quinta(um maneira de nomear os traidores ou “quinta-colunas”). Os livros das bibliotecas da universidade tornaram-se trincheiras em Madri. No início da guerra, quando Franco invadiu a Espanha por Gibraltar, o governo socialista de Largo Caballero pediu tempo para negociar enquanto a CNT-FAI já estava armada nas ruas para resistir ao

golpe. Os anarquistas exigiram prédios nas principais cidades ibéricas a fim de promover a resistência. E assim tudo começou.Muitas coisas positivas ocorreram na Espanha revolucionária, por exemplo, o número de crianças na escola triplicou, os têxteis foram introduzidos na indústria espanhola, a energia elétrica, médicos e medicamentos tornaram-se grátis. Um dia porém o grande sonho libertário acabou mas o arrojo e o heroísmo, o idealismo e o desprendimento daqueles soldados libertários permanecem como um exemplo para todas as gerações futuras. Aos anarquistas, depositários de todas estas virtudes, são dignos da desinência que os chama de “os assaltantes do céu”. O anarquismo na prática se resume no exercício de quatro cláusulas que definem seu ativismo revolucionário. Estas são (1) a greve de trabalhadores e segmentos sociais explorados ou marginalizados; (2) a ação direta como prática política de intensa atividade revolucionária; (3) o voto nulo como protesto fundamental à totalidade da política de tipo convencional feita pelo Estado capitalista ou comunista que é sazonalmente ratificada pelas eleições gerais no sistema político vigente e (4) a auto-gestão como alternativa de organização da sociedade prescindindo da organização política de natureza estatal.O Estado político de qualquer espécie o qual significa a maior organização política que a sociedade conhece é o grande inimigo dos anarquistas.O pensador e ativista histórico do anarquismo Mikhail Bakunin dizia que o Estado “somente reconhece alguma humanidade dentro dos limites de suas próprias fronteiras e que os Estados em sua totalidade somente unificam os trabalhadores para arrojá-los uns contra os outros em guerras fratricidas”. O capitalismo altamente sofisticado aniquilou os trabalhadores no século 20 em duas guerras mundiais. Os expurgos do regime soviético eliminaram milhões de russos e eslavos no interior da cortina de ferro. A natureza essencial do liberalismo capitalista e do totalitarismo de esquerda de tipo sino-soviético é aquela que tende a aniquilar os trabalhadores do mundo em guerras cada vez mais atrozes e genocidas. O capitalismo e o comunismo já secaram em suas fontes, como Daniel Guèrin asseverou, “o futuro pertence ao socialismo libertário”.

As Lições de Nuremberg
No dia de 15 de setembro de 1935 foram promulgadas as denominadas Leis de Nuremberg por Adolph Hitler, Füerer, líder supremo da nação alemã. Esse código foi promulgado no momento em que a Alemanha se encontrava já asfixiada por um regime político totalitário de extrema direita o qual apresentava segregação direta com relação a opositores políticos e outras etnias raciais, entre elas os judeus, eslavos, ciganos e porque não os latinos. Para ser construída uma raça pura, o regime nazista tratou de eliminar os doentes e fracos que padeciam de enfermidades congênitas tais como os dementes, os aleijados, os mongolóides, etc. Foi decretada a lei que esterelizava sexualmente o conjunto dessas pessoas e condenava também o contato sexual entre arianos e não-arianos. A ocasião na qual aquelas leis foram propostas e editadas coincidiu com o momento histórico em que a Alemanha iniciava uma grande iniciativa de estruturação interna radical e uma escalada imperialista que determinou um conjunto de anexações territoriais, a saber, a Alsácia-Lorena, a região do Sarre, os Sudetos e a Áustria, por exemplo. De 1933 a 1939, foram lançadas um sem-número de pedras fundamentais, o trabalho fora militarizado(We sind die werksoldaten), Hitler então preparava a Alemanha para a guerra. O ditador alemão tratou de eliminar toda a oposição possível, tanto externa como interna. Na primeira, exterminou ou internou em campos de concentração os racialmente e os politicamente indesejáveis, na segunda, os opositores no NSDAP, o partido nazista, tal como o líder das SA(tropa de choque nazista), Rohm, o qual criticara Hitler por este se aproximar muito da burguesia alemã, subvertendo os princípios do nacional socialismo. Depois de um contato franco e direto em discurso na sede das SA, Hitler eliminou Rohm e criou então a SS como tropa de elite para dividir as SA e conseguir manter controle sobre suas milícias. Também criou a GESTAPO, polícia suprema do 3O Reich a qual detinha poderes totais de busca, prisão e morte sobre toda a Alemanha e territórios ocupados. Assim, por toda a Europa foram criados campos de concentração e extermínio. Se pereceram na 2a guerra mundial cerca de 40 milhões de seres humanos, só judeus foram 6 milhões. Ficaram conhecidos os campos de Auchwitz, Treblinka, Dachau, Sobibor e Belsen-Belsen por exemplo. Enquanto a expansão imperialista territorial da Alemanha seguia segundo a necessidade intrínseca de fornecer espaço vital(Lebenswelt) para que as mães arianas pudessem criar com conforto e tranqüilidade os seus filhos. O sentimento de revanche devido à derrota em 1918 impelia Hitler para tomar de volta as regiões que tinham sido amputadas do território alemão pré-1918 como visto acima. A xenofobia foi um fato marcante no regime nazista. Minorias raciais, judeus, eslavos, ciganos, negros foram perseguidos e eliminados

junto com os opositores ideológicos e políticos, obviamente. A mais macabra e medonha realidade produzida pelo nazismo foi a sua indústria da morte. Campos de extermínio matavam seus internos em câmaras de gás utilizando o gás letal Cyclon B, depois os corpos eram incinerados em fornos crematórios. Assim pereceu toda aquela gente que àqueles campos foi destinada em enormes comboios, alojadas como cargas de animais. Contudo, certos gestos humanos nos estertores da guerra foram assim realizados. Na iminência do fim da guerra, comandantes de campos nazistas puseram seus prisioneiros a peregrinar em zigue-zague para que pudessem alcançar salvos o derradeiro momento em que a guerra terminasse: uma culpa a menos para aqueles militares alemães já fatalmente condenados pela morte de tantos infelizes. Assim, com o fim da guerra, em 1947 e na cidade de Nuremberg, a capital do nazismo, aconteceu o julgamento de Nuremberg. Ali, alto e baixo escalões nazistas foram julgados e condenados. A maioria se disse submetidos ao controle hipnótico de Hitler e também indicaram co-réus. O único que assumiu categoricamente sua culpa individual foi Hermann Göering que acabou se suicidando antes da execução final. A maioria foi condenada à prisão perpétua, uns poucos absolvidos. Uma boa forma de terminar um ensaio como este com o tema do nazismo é aquele que se diz usualmente e que reporta ao pensamento de Berthold Brecht, a saber, que todos nós devemos nos cuidar e nos alertar permanentemente porque “o ventre que gerou este monstro ainda é fértil”.

As Razões do Totalitarismo
Como tradição política clássica, a cidade antiga na Hélade nos legou a organização política da democracia.Contudo, a tirania se exerce na história das sociedades humanas desde os seus tempos mais pretéritos quando as estruturas legalóides do Estado não se constituíam numa realidade política organizacional que superasse a condição da horda por si. Todavia, tal cidade grega rompeu-se sob a ação de forças transcendentes porque, segundo Hegel, se configurava como uma unidade ingênua ou imediata pois, segundo este autor, não havia a particularização da necessidade, a saber, não era o cidadão que gerava o seu próprio sustento mas isto era realizado somente pelos escravos. Roma foi uma república imperialista. A despeito do poder representativo do senado o mando era praticamente absoluto na figura do imperador.Todavia, o legado jurídico e estamental da civilização romana permanece como referência axiológica e normativa até hoje nos povos do Ocidente. Com o advento da idade média, o poder político se pulverizou numa mul-

tiplicidade imensa de pequenos reinos, cada qual com seus pequenos reis numa desorganização política suprema a qual, através da influência ideológica do cristianismo, permitiu ou ocasionou uma retomada do princípio da subjetividade nunca vista até então.A subsequente reforma luterana assinalou toda uma radicalidade do pensamento e postura subjetivos: o homem era então livre mesmo que fisicamente restrito ao cárcere, assinalando o ser político como reduzido de um modo elementar ao teológico e confessionale um mdoo quase absoluto. Com os tempos modernos, o conjunto das monarquias européias floreceram segundo a figura do soberano como princípio pessoal e idiossincrático que centralizava todo o poder em si. Desde o Rei-Sol Luís XV até Bonaparte, estes déspotas eram então chamados esclarecidos e permitiam a existência da cultura universal, do parlamento representativo e das cartas magnas. A própria revolução francesa de 1789 só se solidificou plenamente no personagem despótico daquele mesmo Bonaparte. É, contudo, no século 19 que o socialismo moderno começa a vicejar e vários levantes ocorreram, por exemplo, em 1830, 1848, 1868 e 1870 e, sob a égide de Blanqui, Marx e Bakunin, os chamados “inimigos do Rei e de Deus” assaltavam as monarquias remanescentes e as recentes repúblicas: as democracias da modernidade começavam, então a se constituir. Contudo, a abastada classe média ocidental que investia em sociedade por ações aniquilou-se em uma guerra sem precedentes de 1914 a 1918. Principalmente, a Alemanha e sua frágil república fundada em 1919 foram o exemplo explícito de como os povos ocidentais se encontravam na antecâmara política que os levaria dos regimes democráticos aos denominados sistemas totalitários. É a partir de um golpe fracassado, o Putsch de Munique, que Adolph Hitler decidiu não mais buscar o poder pela via do assalto mas apostar na paulatina miséria do povo alemão. Assim, de chanceler do Reich em 1933 à figura do Füerer foi apenas um pequeno passo, o mundo ocidental vivenciava então uma profunda depressão nos anos 30 motivada pela crise do capitalismo global de 1929: esses tempos se caracterizaram então como uma época de ditaduras predominantes. Se Hitler governava a Alemanha, Mussolini chefiava a Itália; Franco a Espanha; Salazar, Portugal; o chanceler Dolphus, a Áustria; Stálin, a URSS; o imperador Hiroíto, o Japão; Vargas, o Brasil e Perón, a Argentina. Apenas algumas nações democráticas como a Inglaterra e a França restaram na Europa marcada pelo totalitarismo então emergente. A pergunta que se faz nesta altura é a seguinte: qual a razão ou motivo que leva um país de tradição ou natureza democrática e liberal a se tornar, em algum momento da sua história, uma ditadura totalitária? Pode-se fazer a pergunta de outra maneira, agora não mais num nível macro mas num nível micro: o que leva um cidadão de ideologia liberal ou democrática a apoiar de modo politicamente fundamentalista um regime totalitá-

rio ou ainda como um cidadão comum, pai de família, recatado e trabalhador a se constituir num guardião de um sistema ditatorial, como um policional de tipo Gestapo ou um guarda de campo de concentração ou extermínio? Penso que a resposta se articula desde a miséria econômica e a alienação política até a insegurança social e o medo existencial da morte. Assim, o educado e mesmo refinado cidadão pode se tornar da noite para o dia em um monstro como engrenagem elementar de um sistema totalitário. O escritor inglês George Orwell, vivenciando aqueles anos 30 projetou o futuro no ano de 1984 segundo um ponto de vista pessimista ao extremo. A obra “A Revolução dos Bichos” também indica a falência dos regimes políticos de tipo soviético. É na realidade político-militar da guerra na Espanha de 1936 a 1939 que Orwell situa as suas teses históricas. Muitos autores contemporâneos pensaram e pensam o totalitarismo.Entre eles, Herbert Marcuse, Hanna Arendt, Felix Guattari, Cornelius Castoriadis, Gilles Deleuze, Michel Foucault e os pensadores da Escola de Frankfurt, por exemplo. As estruturas micro e moleculares de poder já se tornaram objeto definido de estudo nas últimas gerações de filósofos. Os poderes de tipo penitenciário e psiquiátrico, o crime e a loucura se constituíram a partir de algumas décadas em objeto plausível de análise e formulação pela filosofia da modernidade no Ocidente.As grande teorias de natureza hegeliano-marxista ou de semio-linguística, as estruturas de linguagem ou a lógica da contradição têm definitivamente que abrir mão da sua hegemonia para sistemas alternativos, mais informais e abertos na abordagem dos fenômenos históricos em sua inteligibilidade intrínseca. Segundo Foucault, a camisa de força hegeliana ou as estruturas de línguagem não dão conta daquela intelegibilidade. A essência do conflito, do embate e da guerra regem constitutivamente a realidade histórica de um modo constitutivo e imanentista.Na prática, vale a sentença de Berthold Brecht que dizia quanto ao fascismo em suas múltiplas faces: “o ventre que gerou este monstro ainda é fértil”. Apêndice: A Preocupação com o Neo-Nazismo Um fenômeno político-ideológico que ameaça a paz dos povos atualmente é o denominado neo-nazismo. Esse movimento de exrema-direita se diz herdeiro legítimo e direto do 3O Reich. Associa-se geralmente com outros movimentos mais ou menos marginalizados, minorias com os skin-heads e os punks, por exemplo. Esses grupos unidos geralmente produzem ações agressivas com relação a comunistas, israelitas e comunistas, também outras ideologias de esquerda. Existe um editorial que se intenta global denominado “Revisão” o qual advoga a tese de que o holocausto na 2a Guerra Mundial não foi judeu mas alemão. Outro editorial da mesma linha xenófoba e de direita é aquele que edi-

ta a coleção de biografias que tem o título “O Pensamento Vivo de...” o qual sinaliza a defesa das idéias totalitárias do facismo introduzindo subrepticiamente aquela ideologia no leitor desavisado, principalmente atuando sobre a juventude. Os neo-nazi, como são chamados, vestem-se como os antigos militares nazistas e, empunhando bandeiras muitas vezes apresentando suásticas estilizadas, provocam badernas e outros atos hostis à minorias e etnias problematizadas. Vez ou outra a polícia localiza e invade algum quartel-general neo-nazi e ali encontra armas, coquetéis-molotov, estandartes e bandeiras com a suástica, livros, fotos e folhetos xenófobos, homófobos e de anti-movimentos de esquerda. Na Europa, os neo-nazi veneram os antigos líderes do nazismo histórico fazendo peregrinações ao túmulo de Rudolph Hess, por exemplo. Também celebram o aniversário de Adolph Hitler. Esta ideologia neo-nazi e suas manifestações políticas são extremamente preocupantes visto o fanatismo, o radicalismo e a prática social extremamente agressiva que as caracterizam. Os povos do mundo livre e democrático têm o dever de observá-los, monitorá-los e combatê-los severamente para a tranqüilidade e segurança gerais.

O Conceito de Homem no Anarquismo
Até então pertencia ao terreno da religião – principalmente a cristã – em sua universalidade a proposta do amor como sentimento autêntico, necessário e possível ao ser humano como criatura inteligível e sensível. A sentença original do Cristo, “amai-vos uns aos outros” permanece como desafio após o longo tempo de 2000 anos. Contudo, o amor universal entre os homens, a despeito do cientificismo proposto por Karl Marx, permanece como paradigma e referência em outras ideologias ateístas de libertação humana, entre elas o Anarquismo. Pode-se comentar isto melhor. Antes do chamado Socialismo Científico de Marx e Engels, existiram num passado imediato os chamados “socialistas utópicos” como Saint Simon, Owen e Fourier.Eles eram assim chamados porque segundo o juízo de Marx e Engels tais se apresentariam de fato demasiado sonhadores, voluntaristas e teoricamente pouco fundamentados. Algo como o pensamento de Bertrand Russel ou Ernst Bloch atualmente. O Socialismo Utópico também propunha uma conduta política baseada na fraternidade universal e no apoio mútuo geral. Contudo, essa era de fato a indicação paradigmática dada naquele mesmo século 19 por Prodhom, Bakunin e Kroppotin. Estes filósofos anarquistas (ou ácratas) surgiram então como uma alternativa afirmativa à religião no que corresponde à defesa do amor humano na vida produtiva e societária e,

assim, marcaram presença como ideologia ateísta de esquerda na história recente da humanidade. Para Maquiavel, o homem seria basicamente mau(“eles esquecem mais rápido a perda de um bem do que a morte de um pai”). Para Rousseau, o homem é o “bom selvagem”, corrompido pelo poder e pela civilização(“os homens nascem livres mas em todo o lugar os vejo acorrentados”). Verifica-se que a concepção da realidade humana pelo Anarquismo se encontra mais próxima de Rousseau do que de Maquiavel. Poderíamos enumerar três alternativas para explicar o nascimento da civilização humana, a saber: 1) aquela que é atribuída a Rousseau que diz que “é maldito o primeiro homem que se serviu de uma cerca é disse: esta é a minha propriedade!”. Vêse aqui uma grande ingenuidade de Rousseau quanto à origem do Estado, da sociedade e da propriedade privada pelo seu voluntarismo essencial. 2) aquela que se refere à Marx e Engels a qual, criticando Rousseau, alega que o Estado surgiu pela dissolução da ordem gentílica a qual motivou a dilaceração no seio da sociedade civil que levou ao conflito de classes e acarretou a necessidade real de se configurar o Estado político. 3) aquela referente à Freud, que diz ser a horda a primitiva forma de organização social. Sendo o pater o possuidor exclusivo das filhas e concubinas, ele suscita a revolta de seus filhos que acabam por matá-lo e daí, a partir de um imenso sentimento de culpa e, projetando a figura daquele pai, aqueles criam a realidade transcendental de Deus. Como visto, podemos dizer que (1)é uma alternativa basicamente social, (2) é fundamentalmente econômica e (3)é constitutivamente psicológica. Contudo, baseado na crítica do poder de Estado, os libertários formularam o seu próprio conceito de homem. Estes seriam originalmente bons, gregários e cooperativos. Como bons se quer dizer associativos e de boa índole, como gregários, queremos dizer que não escolhem viver isolados mas sentem prazer em viver em sociedade, como cooperativos, diz-se que são dispostos a trabalhar juntos e unir esforços. Outro aspecto da idéia libertária de homem é o postulado anti-eleitoral o qual exige o repúdio à política eleitoral e parlamentar a qual se baseia na máxima: “não deixe que ninguém te represente!” Contudo, uma forte oposição a essa exigência é dada pelo paradoxo de Rousseau que diz que os cidadãos da cidade política(não podem se estabelecer permanentemente em praça pública pois necessitam gerar seu próprio sustento(chamado por Hegel a “particularização da necessidade”. Nas cidades da Hélade eram somente os escravos quem trabalhavam). Enfim, este homem concebido pelo Anarquismo se constitui em um vetor participativo de quatro componentes, a saber, aquele que determina: 1) o voto nulo: consiste no repúdio direto e total à política eleitoral e

parlamentar do Estado do liberalismo burguês ou do socialismo real, de qualquer forma de totalitarismo e mesmo de democracia possíveis. 2) a auto gestão: consiste na organização laboral do trabalho social de forma totalmente imanente sem a existência da organização estatal que expoliaria os trabalhadores tanto da mais-valia como alienando-os politicamente e aniquilando com sua liberdade como realidade social. 3) a greve geral: consistindo na parada universal da atividade do trabalho, para os anarquistas consiste num gesto coletivo salvífico e redentor, se diferencia da postura sindical e corporativa da simples paralização temporária(em espanhol, o paro). A greve para os anarquistas é mais transcendental do que é para o resto das ideologias políticas. Se existisse o sindicato mundial de trabalhadores ou se as organizações de produtores não fossem tão essencialmente divididas, uma só parada na jornada internacional do trabalho conseguiria abalar tanto o capitalismo que poderia acarretar o fim de uma guerra entre nações, por exemplo, ou então determinar a própria total extinção do regime capitalista universal. 4) a ação direta: que consiste na intensa função ativista, mobilizadora e panfletária, levada a cabo pelos militantes libertários, com o objetivo único e exclusivo de aniquilar com o presente sistema capitalista. Verifica-se que a visão libertária do homem é essencialmente otimista.

O Ideário Anarquista
A Auto-Gestão
Em oposição ao poder delegado historicamente exercido pelas classes dominantes em seus respectivos regimes políticos, os anarquistas propõem o regime social da produção de natureza auto-gestionária, no qual o Estado e a classe dominante no poder sejam substituídos pelo coletivo dos trabalhadores os quais já estariam libertos da estrutura política estatal em sua opressiva verticalidade e do jugo economicamente absoluto dos patrões. Assim, a cooperação e o apoio mútuo substituirão quaisquer dominação de classe: o caminho para a liberdade é a própria liberdade.

A Ação Direta
Os anarquistas por definição e escolha teórica e prática não fazem política, ao contrário, procuram substituir a política tradicional com sua perpétua delegação de poder e sua viciosa demagogia por uma organização ácrata na qual o povo se articularia de forma apolítica e de modo imanentemente social, na forma universal do trabalho, não mais como trabalhadores alienados e expropriados mas na condição corporativa de produtores conscientes. Não mais poder ao Estado e aos patrões que historicamente os exploram e usurpam sua liberdade, dignidade, produção e a sua própria vida. A ação direta consiste nas atitudes objetivas historicamente cotidianas realizadas pelos trabalhadores no seu esforço de se emancipar do jugo político e econômico realizados por governantes e pela burguesia.

O Voto Nulo
Para os anarquistas, a desgraça vivencial da classe trabalhadora tem raízes no poder político cuja execução nefanda é proveniente da estrutura do Estado. Este legaliza e perpetua a dominação de classe contextualizada pela classe patronal. Não basta substituir o poder de uma classe pelo de uma outra, é mister que se despoje todo e qualquer poder de classe existente no contexto social. Para que tal se dê, o poder de Estado deve ser finalmente excluído. Para que isso ocorra, não se deve praticar eleições para a totalidade dos cargos políticos das instâncias administrativas, legais e jurídicas do governo(historicamente, os três poderes preconizados por Montesquieu). Finalmente, isso só se dará se a esmagadora maioria dos votos forem nulos. Os trabalhadores devem rejeitar em bloco o regime sufragista universal, anular totalmente o processo eleitoral é o início para uma sociedade definitivamente livre e emancipada para os trabalhadores.

A Greve Geral
Uma outra característica fundamental da prática apolítica libertária é a greve geral. Não uma simples paralização com interesses salariais completamente inserida no marco do capital e da realidade política tradicional vigente. Ao contrário, a consecução de uma greve geral que redimiria a classe operária do jugo do Estado e do capital. Em vez de sindicatos estatais plenos de peleguismo e viciosas associações com a burguesia mas uma poderosa organização de trabalhadores que transcenderia as fronteiras locais ou nacionais, capaz de, com uma greve mundial, forçar, por exemplo, o término de uma guerra entre duas nações. O sistema capitalista finalmente quebraria por completo em uma greve universal de menos de uma semana de duração: trabalhadores de todos os países, uní-vos!

Autonomia
Associada à categoria da auto-gestão, a autonomia pode ser considerada praticamente um princípio geral desta. Se opõe diretamente à condição da heteronomia, ou seja, o fato de ser determinado por algum fator alienígena ou transcendente. O Anarquismo histórico se opõe aberta e diametralmente ao governo político e estamental dos homems sobre outros homens. Jean Jacques Rousseau afirmava que os cidadãos da cidade política não poderiam permanecer permanentemente reunidos em assembléia pois necessitam prover o sustento material da sociedade(a chamada “particularização da necessidade” indicada por Hegel). Assim, teriam forçosamente que delegar poderes a possíveis representantes políticos(para o mesmo Rousseau, os “comissários do povo”, termo tomado emprestado por Lênin). Contudo, os anarquistas afirmam ser capazes de propor e construir dispositivos administrativos possíveis para prover a vida social humana destituídos da necessidade de poder centralizado, unitário e politicamente transcendental. Os lemas “não deixe nunca que te governem” ou “nas eleições, os políticos ganham e só tu que perde” ou, ainda “não deixemos nos deixar dragar pelos politiqueiros e sua demagogia” indicam uma vontade firme na proposta de ser possível a participação ativa na forma da autonomia, em assembléias, locais, paroquiais ou cantonais as quais se federalizariam em níveis mais e mais abrangentes, plenas de espírito cooperativo e de apoio mútuo, em representação direta universal.

Pensando o Voto Nulo
As eleições estão chegando mais uma vez e a discussão acerca da honestidade e veracidade ética dos candidatos também retorna. Nestes tempos vestibulares à hora decisiva do sufrágio define-se o momento único quando a fauna ideológica personalizada, a saber, os candidatos se dirigem com pretenso e dissimulado respeito ao conjunto numérico dos eleitores para lhes solicitar o seu apoio. Logicamente, aqueles que tiveram a fortuna de serem eleitos no dia seguinte à eleição são os primeiros a precocemente esquecer os que lhes ratificaram gratuitamente no escrutínio universal: assim funciona nossa grande e generosa democracia. Fala-se também muito em “ficha limpa”, imposição legalóide, normativa e axiológica a qual intenta timidamente refrear a farra geral em que consiste em ser corrupto, corruptor e corrompido pelos políticos eleitos agora nos seus cargos administrativos, segundo uma continuidade na prática desonesta que define não apenas as suas gestões atuais mas que é sinalizada de modo determinístico a partir da própria vida pretérita do então candidato que presentemente se tornou agente de Estado nos dois níveis, executivo e legislativo embora seus tentáculos também podem se estender até a estrutura constitutiva do poder judiciário através da prática da indicação pelo poder instituído: a corrupção impera em todos os seus níveis, assim se dá e acontece o processo político nacional em sua universalidade. Em oposição à deslavada exploração do voto na ocasião do escrutínio geral, alguns setores medianos propõem tímidamente a aceitação do voto facultativo o qual já existe nas chamadas “democracias modernas”. Contudo, verificando-se que o processo político na nossa realidade específica se encontra comprometido com a contravenção individual e partidária em todos os níveis, que esse modelo vicioso é tudo o que objetivamente é possível de nos ser oferecido e, ainda, que a fé no Estado como alternativa de motivação política não pode nos ofertar nada mais do que o que historicamente temos visto, a saber, a miséria de um sistema político completamente decadente e ultrapassado. Então só nos resta acenar com a proposta universal do voto nulo a ser pregada na atualidade do processo eleitoral dentro dos limites de nossas fronteiras. Para resolver a questão das múltiplas faces da miséria – política, social, econômica, moral, existencial, etc – os libertários propõem uma nova postura política a qual nunca logrou antes, a negação da atividade política, a anti-política ou a contra-política a qual tem como raiz a prática universal do voto nulo, associada à auto-gestão, à ação direta e à greve geral como elementos da luta social na sua generalidade. Assim, lucidamente conscientes, chamamos os eleitores potenciais ao voto nulo como alternativa de desobediência aberta, total e livre contra o sistema político que oprime, aliena e exclui.

Por uma Escola de Signo Libertário
JAF Porto Alegre, Fevereiro de 2012 A escola historicamente sempre representou um lugar privilegiado para a formação intelectual, cognitiva e comportamental dos indivíduos humanos vivendo em sociedade. Inicialmente, a escola correspondia diretamente à vida, nas tribos o conhecimento essencial para a sobrevivência individual e coletiva era transmitido dos pais para os filhos, tal como a caça, a pesca, a arte de cozinhar, de construir vivendas, etc. É num estágio mais posterior que o diletantismo tomou lugar na vida escolar, sendo esta um locus especial para formar os filhos das classes dominantes e o ensino assim tornou-se progressivamente mais abstrato e exclusivo, as classes mais pobres a ele não tendo acesso possível algum. Aprendia-se então matérias especulativas e não muito úteis, salientando-se então a escola como sendo mais uma instância vivencial onde alguns privilegiados exercitavam suas virtudes e o seu intelecto de modo frívolo e lúdico vivendo um status futuro de organizadores e governantes da sociedade.Uma possível escola libertária também comunga da realidade que afirma ser o ensino algo formativo, da mente e do caráter. Contudo, diante da escola de tipo diletante, a escola libertária faz a opção pela “escola da vida”, conforme existente em tempos mais pretéritos. Aquela se conservaria como instituição instrutiva a qual correspondem quatro itens, a saber, (1) não se baseia no princípio de autoridade, seja intelectual ou comportamental; (2) visa constitutivamente a liberdade como início, meio e fim no processo de ensino e aprendizado; (3) visa à formação e a evolução integral do estudante; (4) baseia-se na relação direta e igualitária entre professor e aluno sendo a educação se dando como um mutirão fundamental. Podemos comentar essas quatro determinantes: (1) A relação de poder – de tipo político – deve ser inexistente nas interações professor-aluno e aluno-aluno. A relação espacial tradicional que se configura apresentando o professor em pé de costas para a lousa e os estudantes sentados diante dele não necessita ser essencialmente modificada embora para alguns casos possíveis poder-se-ia como opção adotar apenas um círculo de carteiras. Não se deve fomentar a competição intelectual entre os alunos, privilegiando os mais “adiantados” e segregando aqueles que se encontram mais “atrasados”: não se deve dar “prêmios” recompensando os melhores desempenhos nem restrições ou punições aos mais frágeis intelectualmente. Contudo, deve-se cuidar para não se nivelar por baixo a classe estudantil nutrindo pelos alunos que têm mais dificuldade uma espécie de “compaixão” que seria algo muito prejudicial: a competição sadia deve ser então fomentada livremente.

(2) A liberdade é a essência do anarquismo. Não é através da mediação do autoritarismo constitutivo e universal que o estudante alcançará a emancipação da sua ignorância intelectual e de alguma condição de possível inferioridade cognitiva, física ou comportamental. A conhecida música do grupo Pink Floyd diz que: “não queremos cães de guarda na sala de aula”(...)“professor, deixe em paz os meninos”(...) no final das contas, tu apenas és um outro tijolo no muro”. As palavras de Mikhail Bakunin são ainda válidas: “O caminho para a liberdade é a própria liberdade”. O aluno deve então, em sala de aula, vivenciar um sentimento de pertença, de solidariedade humana universal, de coleguismo e apoio mútuo, sentindo a escola como um lugar especial onde se fará a sua suprema emancipação em todos os sentidos. (3) A formação deve ser integral. Não adianta ter um aluno muitíssimo inteligente se ele for completamente anti-social, egoísta ou agressivo. Não se deve valorizar preferencialmente a intelectualidade, a vivência social, com prática ética e a aplicação da moral deve estar sempre em primeiro lugar. Acredito que, mesmo com a superação da escola tradicional, não se deve permitir que o aluno possa dar nota para si mesmo ou que não tenha a existência de notas em geral. Não se deve fazer o chamado “pacto da incompetências onde “eu finjo que ensino e vocês fingem que aprendem”. Cabe ao professor, como companheiro e colega do aluno, atribuir avaliações de maneira franca e saudável, sendo aceito os seus critérios valorativos naturalmente pelo professor: o anarquismo não é desorganização, nem organização é opressão. A organização é essencial para toda forma de atividade humana e o anarquismo é o regime social mais organizado possível porque depende exclusivamente da gestão direta dos indivíduos em coletivo, sem nenhum chefe ou poder superior. É inegável que o professor se reveste de uma real superioridade mas esta deve ser intelectiva e virtuosa, aquele passando aos alunos um exemplo intelectual e moral. É a relação afetiva do aluno com o professor fundada na admiração e no desejo de “ser como o mestre” que rege ou possibilita a vigência do aprendizado em sua essencialidade e a aquisição de uma moral superior da qual se reveste o professor e que a transmite como exemplo. (4) A relação entre professor e aluno deve ser aquela entre iguais. O conhecimento assim se dá como algo a construir, podendo-se re-construir ou transformar vidas. Ninguém, em hipótese alguma, pode ser inferiorizado na escola libertária. Uma palavra destrutiva, gratuita e desnecessária, a qualquer momento pode acabar com um sonho ou mesmo com uma vida. Toda a pureza e o encanto que o aluno nutre pelo professor deve ser preservado e respeitado: não se deve desmoralizar, milindrar ou escandalizar os alunos. A responsabilidade do educador é então imensa. Estas são, segundo a minha proposta, as diretrizes ou determinações fundamentais da escola libertária. Acredito que a construção desse tipo de

escola é possível, mais que possível, é necessária. O mundo a exige urgentemente, não há mais tempo a perder. Vamos aproveitar a oportunidade que temos de também formar mentes e personalidades, vamos competir com outras propostas – seculares ou religiosas – que intentam historicamente contribuir para a formação da juventude, devemos buscar e ocupar o nosso lugar no universo social do magistério. O Ateneu Libertário urge pela sua instituição no seio social, cabe a nós, anarquistas, a sua proposição ideacional e a sua realização ou construção prática.

Pensando a Educação Libertária
A essência da atividade pedagógica subsiste na própria história da educação em sua universalidade. Em tempos muito pretéritos – e ainda em muitas tribos atuais, africanas, por exemplo – o aprendizado se dava na vivência direta das coisas da vida, na sobrevivência vital, as coisas que se aprendiam tinham relação direta com o mais imediato cotidiano, por exemplo, nas relações do indivíduo social com a natureza envolvente, sua produção econômica material, sua cultura, &c. A caça, a pesca, a culinária, o vestuário, a arquitetura e toda a produção artística era constitutivamente e diretamente vivenciais: a integração da sociedade com a natureza era associativa e autêntica, obtida através do mundo do trabalho. Contudo, na raiz da diferenciação da sociedade em classes algo diferente se originou. Tentando proteger seus privilégios de signo político e econômico, uma transformação da realidade da escola com ênfase na clivagem ideológica forçosamente aconteceu. O ensino passou a se dar orientado então para a perpetuação da classe dominante no poder político e assim a escola através de suas matérias tornou-se hermética na função exclusiva de formar os descendentes dos dirigentes, com as disciplinas escolares primando pelo caráter livresco, abstrato e essencialmente acessório – para não dizer supérfluo ou inútil: a escola então passou a funcionar à sombra do domínio de classe, situando-se já dentro da estrutura do poder de Estado. O ensino tradicional nas nações ocidentais até poucas décadas atrás era fundamentalmente normativo e de natureza ostensivamente repressiva. A inteligência não era intencionalmente estimulada, enfatizava-se prioritariamente a memorização destituída de reflexão e inclusive a disciplina era mantida através de punições, amiúde morais e mesmo físicas. (todavia, não se pode esquecer da dedicação e empenho exemplar e idealista de educadores como La Salle o qual revolucionou o ensino em sala de aula através da exposição da matéria de modo simultâneo e universal para todos os alunos de uma mesma classe(com o advento da lousa) ao invés do antigo ensino que exigia que o professor ensinasse de aluno em aluno sucessivamente. Os jesuítas como Anchieta e Vieira foram

também exemplos egrégios de educadores na sua aventura de ilustrar os povos indígenas). Verifica-se, porém, que a proposta de uma nova escola se originou na Europa(principalmente na Itália) dos anos vinte a partir das idéias de Maria Montessori, a qual propôs uma pedagogia nova e revolucionária. Nos anos 60, com o advento da chamada “matemática moderna”(cujos fundamentos se basearam na recente linguagem conjuntista), nomes como o francês Papi foram relevantes no esforço de transmitir às crianças e aos jovens uma educação fundamentada essencialmente na reflexão e na criatividade. Nesses tempos situou-se o trabalho histórico do Mestre de Genebra, Jean Piaget o qual, não como especificamente pedagogo mas como psicólogo infantil, atuou no campo do ensino corrente e pragmático embora sua tese da Epistemologia Genética significou na prática uma verdadeira filosofia da educação, inaudita e revolucionária. O que se chama – e se pratica – de Construtivismo deriva-se diretamente das idéias de Piaget. Enfim, aqui no Brasil tivemos a relevante obra de Paulo Freire o qual, com sua “Pedagogia do Oprimido” formulou e pregou a tese do “professor povo” em oposição direta com o “professor policial” e seu método educacional visou formar as crianças no marco da realidade histórica e social da América Latina, despojando-se de influências alienígenas importadas de modelos pedagógicos do mundo chamado desenvolvido. Enfim, resta-nos pensar o que seria uma educação libertária. Podemos tentar usar a prática fenomenológica que Heidegger usou na sua ontologia em Ser e Tempo. A saber, se falamos em educação libertária já temos então alguma idéia ou noção vaga do que possa ser. Se o pensamento libertário se constitui de fato numa ideologia alternativa – ninguém pode negá-lo – os ideais normativos da educação libertária deverão forçosamente ser os mesmos do pensamento de mesma desinência. Ou seja, a educação libertária tem que ser, acima de tudo, autêntica, inovadora e principalmente libertadora. Não mais o ensino de banalidades e conteúdos frívolos ou inúteis, direcionados para a formação dos novos dirigentes de classe mas voltado essencialmente para a vivência integral da vida em seu caráter imanentista total, exatamente segundo o modelo tribal que se verifica ainda em muitos lugares do mundo: observa-se que essas sociedades simples e elementares de fato possuem muitas coisas para ensinar ao Ocidente dito desenvolvido. Objetivamente, poderíamos traçar algumas características virtuais da escola libertária, a saber: não admitir nenhuma forma de poder entre mestres e alunos ou entre alunos entre si a não ser aquela a partir da relação que se origina da superioridade moral e intelectual; não assumir o regime instituível a partir da supremacia organizacional baseada no simples monetarismo evitando as relações amparadas no modo

de agir e pensar capitalista. Assim, a estrutura social, produtiva e laborativa da escola deve se compôr no modo elementar da cooperativa, sendo professores e funcionários atuando como voluntários – e livremente; Os recursos financeiros necessários para a existência da escola libertária se originarão de doações a partir de outras instâncias do movimento libertário local e internacional, além de outras instituições simpatizantes; será comprado ou alugado um prédio onde funcionará a escola; a escola se instituirá juntamente a uma biblioteca em anexo a qual será completada com doações ou compra de obras;  seria importante a existência de um pátio anexo ao prédio da escola para que se possa ali utilizar como cancha de futebol, vôlei e basquete e para a realização de exercícios físicos(ginástica simples e tradicional); seria também relevante a existência de um centro de convivência(por exemplo, cantina, sala de TV ou sala de leitura e de jogos) para recreação nos intervalos entre uma aula e outra, algo como um grêmio estudantil; seria necessário inclusive uma sala onde funcionaria a administração. A coordenação ou gestão da escola, suas decisões dar-se-iam no modo da assembléia deliberativa, na base do sufrágio universal e da discussão integrada e associativa fundamentada no diálogo edificante. Enfim, os itens acima arrolados indicam um modelo definido para a escola libertária, tais seriam as suas linhas gerais. Resta-nos, como libertários, na base de nosso ideário anarquista, empenhar-nos para a instituição desse ideal pedagógico e educacional na construção dessa tão sonhada e almejada escola ácrata. Acreditamos que essa proposta transcende as diferenças de facções existentes no próprio seio do movimento libertário pois concerne a uma reinvindicação universal de todos os libertários, a saber, a difusão dos ideais anarquistas e a formação da juventude através desses mesmos ideais. Porto Alegre, Junho de 2012

Por uma Escola Libertária
Na história humana sobre o planeta Terra toda causa ou ideal necessitaram de um veículo para se propagarem no meio social. Contudo, é na idade contemporânea que as determinantes publicitárias passaram a se revestir de uma efetividade e positividade nunca vistas até então. O fenômeno da mídia em sua universalidade tornou a iniciativa de propagação de informação algo desmedido e sem precedentes(veja por exemplo a Internet). Todavia, existiu historicamente um método muito elementar e bastante utilizado por agremiações ideológicas e culturais e tal se refere ao caráter educacional e pedagógico, a saber, a constituição da escola como agente privilegiado de formação de opiniões. Por exemplo, temos a

presença da igreja cristã em muitos momentos da história ocidental. A igreja, acentuadamente na idade média, passou a instituir o ensino de matérias universalmente culturais paralelamente à formação social, pessoal e interpessoal de crianças e jovens segundo sua filosofia ou visão de mundo. Essa conjugação informação com ideologia tem se mostrado historicamente muito eficaz. Assim, a abertura de um canal educativo principalmente para a formação da juventude se apresenta como um meio privilegiado de divulgação das idéias que compõem o estatuto ideológico do Movimento Libertário. Objetivamente, seria necessária toda uma infra-estrutura que, garantida, propiciaria a efetivação bem-sucedida da Escola Libertária. São três coisas necessárias para um possível Ateneu Libertário, a saber, recursos financeiros, pessoal e conteúdo pedagógico-educacional. Os primeiros possibilitariam a aquisição ou aluguel do prédio necessário para abrigar fisicamente a escola, comprar materiais e fazer a manutenção espacial da escola além de pagar professores. Estes deverão ser habilitados para ensinar os conteúdos temáticos os quais consistiriam a estrutura ideacional, diría-se a determinante abstrata da escola. Contudo, existe um elemento o qual serviria de fator de interligação que permearia toda a realidade escolar em sua diversidade de constituintes, esse elemento consistindo na própria ideologia libertária por si. Ideal anarquista, cultura geral e realidade material e pessoal seriam então os pilares absolutos sobre os quais a Escola Libertária se estruturaria. Podemos então tratar destas determinantes fundamentais. 1) Finanças e recursos materiais, incluindo quadro de pessoal: Com numerário pode-se comprar ou alugar um terreno num lugar de relativa afluência de pessoas, suprir materialmente a escola(cadeira, mesas, carteiras, lousas, giz, cadernos, lápis, canetas e demais materiais que estão presentes em todas as escolas tradicionais, etc.), pode-se fazer a manutenção regular da escola e, fundamentalmente, pagar o quadro docente e outros funcionários(tais como os secretários, o psicólogo ou o psicopedagogo, a zeladoria, a merendeira, a direção, o SOE, o bibliotecário, etc). Trata-se de uma participação profissional no modo de uma cooperativa, sem a verticalização do poder e de atribuições privilegiadas de responsabilidade ou comando: a estrutura hierárquica autoritária com imposição de poderes não deve de nenhuma maneira ser assumida(a filosofia contemporânea, tendo como exemplo Michel Foucalt, tem tratado muito propriamente do tema dos micro-poderes). O conteúdo cultural-educacional é o software o qual se encontra tanto na mente dos mestres educadores sendo o conteúdo temático a ser ensinado em sala de aula quanto as obras do acervo da biblioteca. Os livros desta tanto podem ser adquiridos via uma campanha universal de doações como através de compra direta.

Quando ao fator de ligação, a ideologia libertária, podemos servir-nos do exemplo das escolas de natureza religiosa as quais têm integradas em seus currículos a disciplina de cultura religiosa. No caso da Escola ou Ateneu Libertário, além de matérias exatas e humanidades, jogos e atividades esportivas, gincanas culturais, etc,. deverão ter caráter especial o ensino da história e das idéias do Movimento Libertário, por exemplo nas vozes dos seus maiores ícones ideológicos(Bakunin, Proudhon, Kroppotin, Malatesta, Durruti, Guerín e outros) e também nas ocasiões históricas quando o Anarquismo esteve presente, em levantes e revoluções(Revolução Russa – Episódios de Kronstadt e Ucrânia, Guerra Civil Espanhola, Maio de 1968, etc.). Tudo com o intento de formar na base mentalidades de inspiração libertária. Existe um princípio elementar velado da Pedagogia Universal que diz que – principalmente com crianças – a primeira idéia sobre determinada realidade geralmente é aquela que tem mais probabilidade de se perpetuar na consciência individual e mesmo coletiva sem contudo levar em conta que adultos já formados possam mudar de opinião durante a vida. De acordo com conhecida prática psicanalítica, é necessário que os alunos forneçam em contrapartida à educação que recebem alguma forma de reconstituição, especialmente de forma monetária. Está provado que tanto as sessões de psicanálise como a escola completamente gratuita têm rendimento discente inferior àquelas práticas com algum retorno financeiro, mesmo envolvendo quantias relativamente muito inexpressivas. Finalmente, poderíamos fazer à semelhança de muitos outros cursos, especialmente de idiomas, poderia-se alugar ou mesmo adquirir uma antiga casa de família e, nos seus cômodos, estruturar salas de aula. Como dito antes, o local deve ser de relativo bom acesso, além de agradável e aprazível de se conviver. J. A. F. Porto Alegre, Outubro de 2011.

Por uma Pedagogia de Signo Libertário
JAF Porto Alegre, Fevereiro de 2012 Num ensaio imediatamente pretérito tentei traçar algumas considerações essenciais sobre o perfil necessário de uma escola libertária. Três são as vertentes pedagógicas e psico-pedagógicas a se considerar na história e sistemática do pensamento educacional latu sensu e que são tomados emprestados das mais eminentes vertentes, a saber, das estruturas ideacionais historicamente propostas por Maria Montessori, Jean Piaget e Paulo Freire, este último aqui no Brasil.

A primeira representou a iniciativa de reformulação da pedagogia de seu tempo(A Itália dos anos 20) que se revestiu de um caráter intensamente revolucionário o qual intentou a formação integral, articulada e libertadora do estudante em todos os sentidos. O debate pedagógico em sua época tratava teimosa e ostensivamente de qual modelo físico de carteira(mesa e cadeira) era mais adequado à realidade educacional do seu país no seu tempo. Contudo, essa ilusória proposta escondia em seu ilusionismo temático a verdadeira questão educacional, a saber, a própria prática pedagógica nas escolas italianas da sua época: era a educação que deveria mudar radicalmente e não as estruturas materiais da sala de aula que, com sua pseudo-relevância escondia ostensivamente a verdadeira questão a ser dialeticamente superada: a escola então deveria ser campo e locus de uma verdadeira libertação. Montessori também tem o seu lugar privilegiado numa possível pedagogia libertária. O segundo, o Mestre de Genebra, representou uma verdadeira revolução na questão educacional- pedagógica de todos tempos e lugares. Piaget era um psicólogo infantil mas a aplicação de suas idéias necessariamente incidiram na questão pedagógica e na filosofia da educação. Formulou toda uma teoria psicológica voltada ao aprendizado a qual ele denominou de Epistemologia Genética. A escola tradicional do século XX sofreu pesadas perdas através do impacto das idéias de Piaget. Realizando poderosa síntese paradigmática das teorias educacionais em voga, este suíço propôs o que passou a se chamar em educação a teoria e prática do Construtivismo. Muitos órgãos estatais de educação passaram a assumir as teses de Jean Piaget, também no campo educacional privado(escolas infantis e de ensino fundamental, principalmente). A diferença entre a educação tradicional e aquela construtivista se dá nos campo comportamental-participativo e cognitivo. A escola de signo piagetiana se apresenta como algo mais liberal, mais alvissareiro e mais saudavelmente assistemático, sendo isto não ocasional mas essencialmente intencional e constitutivo. Lembrando o grande pedagogo e matemático francês Papi, não mais se ensinou a tabuada no seu modo tradicional e as estruturas matemáticas opacas e abstratas de tipo aritmético, algébrico e geométrico mas a escola construtivista passou a utilizar blocos lógicos e farto material manipulativo, empregando-se o então laboratório de matemática. O rendimento imediato dessa segunda matemática pode ser algo discutível se comparada com a primeira mas os resultados em termos de índices compreensivos e cognitivos resultaram maiores na segunda do que naquela primeira matemática: surgiu um possível e indiscutível fosso entre a matemática tradicional e a dita matemática moderna. Tudo isso se encontra imbricado na proposta de Jean Piaget em sua universalidade: o Mestre de Genebra também operou com as suas idéias uma proposta de verdadeira libertação em sala de aula.

Enfim, não podemos esquecer de Paulo Freire. Este estabeleceu a diferença fundamental entre professor policial e professor povo. Enquanto o primeiro controla, censura e oprime, o segundo dá lugar, incentiva e liberta. Os conteúdos e as temáticas usuais não mais são propostas de modo demasiadamente abstrato ou maçante mas, inserindo-se na verdadeira realidade existencial e vivencial do aluno, se tornam interessantes e curiosas, mobilizando uma postura comportamental positiva de retorno por parte da classe, o que é essencial ao verdadeiro aprendizado. As teses de Piaget foram amiúde utilizadas no tratamento educacional de menores com histórico criminal: Freire também foi um pedagogo libertador. Finalmente, a minha proposta de pedagogia libertária se faz explicitamente dando ênfase a esses três mestres os quais, em diferentes épocas e contextos, contribuíram para a emancipação educacional e a libertação dos alunos com novas e inauditas propostas sobre pedagogia e psico-pedagogia. A base ideacional-paradigmática desses pensadores se funda numa intenção libertadora, na formação de pessoas autênticas, autônomas e de caráter associativo e responsável, fomentando uma postura positiva, participativa e socialmente generosa. É simples notar que essas características individuais e coletivas incidem e partilham com uma intenção propriamente revolucionária de educação, a qual tenciona a formação de homens verdadeiramente livres.

Por uma Pedagogia Libertária
Sendo uma doutrina e prática de libertação do gênero humano sobre a Terra, de toda forma de opressão a incidir sobre ele, é óbvio que a Pedagogia Libertária deve ser diferente das demais, por exemplo, daquela encetada pelas instituições educativas religiosas ou das regidas sob os auspícios do Estado que incidem invariavelmente na formação de pessoas sem ênfase no questionamento e na participação segundo o espírito coletivo, de coleguismo solidário e agregativo; ao contrário, incidem na formação da postura quietista e conformada que incentiva a apatia e a dissociação universais. A libertação já na sala de aula inicia no abandono da postura do professor policial para a participação do professor povo, citando conhecida obra de pedagogia socialista a qual tem bases no pensamento do Professor Paulo Freire. O professor povo não impõe, não cerceia, não recrimina, não pune. Ao invés de ensinar, com sua atuação diria-se, na surdina, ele ajuda o aluno a descobrir por si a realidade do mundo que o rodeia, como disse um sábio filósofo. A participação dos alunos deve ocorrer na chamada “ensinagem” que significa a composição do binômio “ensino + aprendizagem”.

A conhecida música de Pink Floyd como tema do filme “The Wall” nos diz: “não aos cães de guarda na sala de aula...no fim das contas somos todos tijolos na parede”. A questão da disciplina na Escola Libertária é crucial, a punição deve ser totalmente substituída pela postura de responsabilidade a ser assumida como compromisso com o conjunto da escola, desde colegas, professores e funcionários até o patrimônio material o qual deve ser preservado de todo e qualquer ato de vandalismo gratuito e dissociativo. A Pedagogia Libertária, ao invés de atrelar o aluno na estrutura de poder estabelecida pelo quadro docente e a administração, opera para libertá-o, para constituí-lo enquanto ser livre. A liberdade é um ato gratuito, espontâneo, sem fundamento(André Gide), o caminho da liberdade é a própria liberdade(Mikhail Bakunin), o ensino e o aprendizado juntos configuram uma determinante existencial fundamental, já que sem aprender o indivíduo humano não sobrevive e ainda, tal realidade educacional deve se fazer – e se faz – historicamente segundo a inserção no meio social. O saber e sua difusão escolar na sua universalidade não algo completamente lúdico, desenteressado e inútil tal como a atividade cultural desenvolvida na escola diletante da nobreza européia em seu momento de apogeu. Os conteúdos ali abordados não contribuíam para um emprego prático no mundo do trabalho mas forneciam com o saber puramente erudito um faor diferencial entre os chamados “notáveis” e o populacho em geral. Isso se dá completamente ao contrário das comunidades tribais onde, por exemplo, o pai ensina seu filho a manejar o arco-e-flecha porque essa prática será então decisiva para sua sobrevivência futura no próprio ambiente em que vivem: a verdadeira Escola Libertária se espelha neste último exemplo. Finalmente, podemos buscar inspiração na vida e obra de alguns ícones do pensamento pedagógico universal. Entre eles, podemos nos espelhar em Maria Montessori, no Professor Paulo Freire e no Mestre de Genebra, Jean Piaget. A primeira enfatizou a passagem da discussão inútil sobre o modelo das carteiras a ser utilizadas na sala de aula para uma proposta pedagógica verdadeiramente libertadora. A obra de Freire, referida principamente à época histórica dos anos 80 no Brasil, compôs toda uma proposta pedagógica e educacional de signo verdadeiramente emancipatório. Freire consta legitimamente e no índice dos pedagogos de orientação socialista universal. Quanto a Piaget, este tem reconhecimento garantido, não necessita de apresentações. Só podemos dizer que ele historicamente um divisor de águas, existe a pedagogia antes e a pedagogia depois de Jean Piaget. Uma poderosa síntese teoria das correntes psico-pedagógicas de seu tempo permitiu a Piaget conceber e elaborar um modelo de escola realmente revolucionária, sendo seu método amiúde denominado de “Construtivismo”. Assim, a referência ao trinômio “Montessori-Freire-

Piaget” pode e deve ser assumida sem restrições pela proposta educacional que se quer instituir no projeto da possível Escola Libertária. J. A. F. Porto Alegre, Outubro de 2011

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