VARAL DO BRASIL - Março de 2012 - Edição no.

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Literário, sem frescuras!
1664ISSN 1664-5243

TEMPOS DE PAZ E DE AMOR: FAÇA AMOR, NÃO FAÇA A GUERRA!
2012— Ano 3 - Março de 2012—Edição no. 14
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EXPEDIENTE
Revista Literária VARAL DO BRASIL NO. 14- Genebra - CH Copyright Vários Autores O Varal do Brasil é promovido, organizado e divulgado pelos sites: www.coracional.com e www.livrariavaral.com Site do VARAL: www.varaldobrasil.com Blog do Varal: www.varaldobrasil.blogspot.com Livraria VARAL DO BRASIL: www.livrariavaral.com Textos: Vários Autores Colunas: Clara Machado Daniel B. Ciarlini Fabiane Ribeiro Ilustrações: Vários Autores Muitas imagens encontramos na internet sem ter o nome do autor citado. Se for uma foto ou um desenho seu, envie um e-mail para nós e teremos o maior prazer em divulgar o seu talento. Desenhos e Vetores: Graphics-Illustrations.Com Revisão parcial de cada autor Revisão geral VARAL DO BRASIL Composição e diagramação: Jacqueline Aisenman

A revista VARAL DO BRASIL circula no Brasil do Amazonas ao Rio Grande do Sul... Também leva seus autores até a América Latina, América do Norte e, claro, pela Europa e demais continen-

A distribuição ecológica, por e-mail, é gratuita. tes. A revista está gratuitamente para download em seus sites e blogs. Quer divulgação melhor? Se você deseja participar do VARAL DO BRAVenha fazer parte do VARAL! SIL NO. 15, envie seus textos até 31 de março de 2012 para: varaldobrasil@bluewin.ch E-mail: varaldobrasil@bluewin.ch Foto da capa: Tetastock - Fotolia.com

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A paz é o que todos desejamos. Queremos paz, queremos estar em paz, fazer a paz. Mas na realidade... O que realmente fazemos pela paz?

como corrente para amarrar e arrastar pessoas que poderiam ser levadas não por estas ondas de tristeza e sofrimento, mas por vagas de amor.

Homens se valendo do terO amor é o ideal de tudo. Tudo o que fazemos, ror para alcançar objetivos fazemos pelo amor. Queremos amar e ser nada nobres. amados, queremos um mundo de amor. Faça amor e não a guerra, Mas na realidade... gritavam os jovens! O quanto de amor aplicamos realmente em Paz e amor! nossas vidas? O poder está nas flores! Um dos maiores momentos em que se falou de Voltemos a gritar tudo isto! paz e amor no mundo foi quando, contra a Sejamos mais amor e paz guerra do Vietnã, jovens dos Estados Unidos da América começaram um movimento “hippie” do que apenas palavras, sejamos atos! que se espalhou por todo o mundo: Paz e Amor! Faça amor e não a guerra! Contra a violência que se materializa diariamente sobre seres humanos, animais, sobre o planeta inteiro! Não há mais minorias, não há mais porque se fixar em preconceitos. Hoje em dia só não enxerga quem não quer: só há uma raça, a humana! Cores, religiões, preferências sexuais ou de alimentação,... O que dizer de quem julga por isto? Somos uma raça Foi um grito tão forte pelo amor e pela paz que só num planeta só. ecoou por tudo e atravessou gerações. SímboPaz e amor! los foram criados, gestos foram repetidos. PaO poder está nas flores! lavras tornaram-se símbolos de uma geração que se recusava a ver a cada dia mais vítimas Faça amor e não a guerra! da máquina de guerra. Voltemos, amigos! Voltemos a aprender o sigHoje e sempre tivemos guerras. nificado de lutar juntos, todos juntos, pela única Mas hoje, particularmente, temos tantos mas- causa válida: sacres desnecessários e tristes. Vemos povos Paz e amor a todos os homens de boa vontaque sofrem sob as mãos de tiranos que usam o de! poder que tem nas mãos para torturar e matar. Sua Equipe do Varal Líderes que utilizam a religião como chicote e
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1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9.

ANA BEATRIZ CABRAL ANGELO COLESEL ANNA RIBEIRO ANTÓNIO BOAVIDA PINHEIRO ANTONO VENDRAMI NETO BETI ROZEN CARLOS ALBERTO OMENA CARLOS CONRADO CESAR SOARES FARIA

24. IVANE L. PEROTTI MACKNIGHT 25. JACQUELINE AISENMAN 26. JOANA ROLIM 27. JOSÉ CAMBINDA DALA 28. JOSÉ CARLOS DE PAIVA BRUNO 29. JOSÉ HILTON ROSA 30. JOSELI ROSA 31. JOSSELENE MARQUES 32. JU PETEK 33. JULIO CESAR BRIDON DOS SANTOS 34. KAMILLA SOARES 35. KAEFE CONRADO 36. LARIEL FROTA 37. LENIVAL NUNES DE ANDRADE 38. LEONARDO AUGUSTO. DE F. AFONSO 39. LEONILDA YVONETTI SPINA 40. LUCIA AMÉLIA BRULLARDT 41. LUIZ CARLOS AMORIM 42. LUNNA FRANK 43. MADHU MARETIORE 44. MARCELA CERQUEIRA D. DE SOUZA 45. MARCIA REGINA DE A. DUARTE 46. MARIA DALVA LEITE
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10. CLARA MACHADO 11. CLEO REIS 12. CRISTIANO SOUSA 13. DANIEL B. CIARLINI 14. DHIOGO JOSÉ CAETANO 15. EVELYN CIESZYNSKI 16. FABIANE RIBEIRO 17. FATIMA VENUTTI 18. FRANCISCO FERREIRA 19. GALDY GALDINO 20. HELIO SENA 21. INES CARMELITA LOHN 22. ISABEL C. S. VARGAS 23. ISMAEL CANDIDO

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47. MARIA DO SOCORRO SOUZA 48. MARILU F. QUEIROZ 49. MARISA ALMEIDA 50. MARLENE B. CERVIGLIERI 51. MARLUCE ALVES F. PORTUGAELS 52. MARTA CARVALHO 53. NERI BORCCHESE 54. NORÁLIA DE MELLO CASTRO 55. ODENIR FERRO 56. OLIVEIRA CARUSO 57. RAFAEL ZEN 58. RENATA IACOVINO 59. RINO MONTEBELLER

60. ROBERTO ARMORIZZI 61. ROZELENE FURTADO DE LIMA 62. SANDRA NASCIMENTO 63. SILVIO PARISE 64. SONIA NOGUEIRA 65. VALDECK ALMEIDA DE JESUS 66. VALQUIRIA GESQUI MALAGOLI 67. VICÊNCIA MARIA F. JAGUARIBE 68. VIVIANE LUCENA 69. VO FIA 70. WALNÉLIA CORRÊA PEDERNEIRAS 71. YARA DARIN 72. ZEZÉ BARCELOS

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Canteiro da Alma
Por Anna Ribeiro Que outra metáfora Senão poesias Colhendo flores... Meus pensamentos em voos rasantes Pousa em vertigens de paixão! Mesmo que em seu olhar Minha alma encontre canteiros sem flores Talvez;Do olhar por dores, Haja segredos ainda habitados...

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Com isso veio à idéia de formar um conjunto musical que virou um trio, para tocar nas chamadas “brincadeiras dançantes”, copiadas dos filmes americanos. A primeira foi na casa de Por Antonio Vendramini Neto uma garota que nem me lembro mais o nome, fomos chamados pelos pais para saber o que Repassando algumas fotos e recortes de jor- era “aquilo”, e depois de muita conversa foi aunais, armazenados em uma caixa de papelão torizada. no meu armário de guardados, pude trazer para o presente, algumas lembranças que esta- O local (uma grande garagem) era o ideal porque havia por lá um piano, condição principal vam esquecidas nas paredes da memória. para juntar o acompanhamento (bateria e saxoComecei a imaginar aqueles belos tempos, fone).

O Som Dos Anos Dourados Anni Moderni

contemplando registros de uma época que muitas pessoas rotularam como anos doura- O trio não tinha nome, mas íamos sempre de dos, o qual eu e muita gente da minha roda de camisa vermelha calça e sapatos pretos. Dos componentes, eu era conhecido por Tony Venamigos estávamos inseridas. dra, cujo nome ficava estampado no surdo de Um recorte chamou mais atenção porque esta- pedal da bateria, comprado por meus pais de va estampada a minha fotografia, tocando ba- tanto insistir para ter aquela parafernália maluteria na orquestra que animava as dominguei- ca dentro de casa. Os outros dois o Joel das ras matinais que funcionava no Clube Grêmio “Candongas” ao piano, e Joãozinho “Boados Ferroviários, o início era logo após a missa Pinta” ao saxofone. das nove horas, da tradicional igreja da matriz. No dia marcado para “as dançantes” meu pai A garotada que não ia ao cine Ypiranga assistir pacientemente transportava em seu Ford os os desenhos do Tom e Jerry, corria para o Grê- apetrechos da “batera” no porta-malas que pamio na rua logo abaixo da praça central para recia uma “barca” de tão grande. dançar o tal de rock, ritmo delirante daqueles tempos. A sensação era as musicas do Elvis Já nessa época as musicas eram as menos Presley, astro americano que esbanjava cate- barulhentas, condição “imposta” pelos pais da goria cujas musicas eram tocadas nas rádios moça, então ficávamos nas musicas lentas, e incessantemente, e que nós da orquestra re- na época imperava as canções Italianas, próproduzíamos loucamente nessas dominguei- prias para as danças de rosto colado, com muita “conversa fiada” ao pé do ouvido das meniras. nas. O nosso “Elvis” era o Ted Milton, tinha uma voz forte e parecida com a do famoso cantor, estufava o peito e soltava a garganta e se requebrava todo nas musicas; Tutti Frutti, Blue Sued Shoes e depois as mais amenas, como Love Me Tender e Always On My Mind. Depois de algum tempo as domingueiras foram descontinuadas porque alguns membros da orquestra chegavam do baile no sábado muito cansados, eu gostava muito porque só podia atuar aos domingos. Foi uma tristeza o fim daquilo tudo, porque já tinha virado um acontecimento regional, com pessoas vindas de vários lugares, para brincar e dançar o ritmo frenético.
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Na abertura tinha uma musica muito especial intitulada “Non Ho L’età” (não tenho idade) cantada por uma menina do grupo, imitando a Gigliola Cinquetti, que em seu conteúdo, falava que a garota ainda não tinha idade para namorar e isso agradava os pais das meninas.

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Começamos a ficar famosos porque até os nossos professores mais jovens, vinham assistir e também dançar. Na segunda-feira na escola era um falatório geral, ficávamos rodeados de meninas que vinham conversar o que iríamos tocar nas próximas. Em outras ocasiões lá pelo meio da festa, era servido pela mãe da moça, o tal de “ponche”, uma bebidinha meio sem graça para os mais grandinhos, então “do nada”, aparecia uma garrafa de vodka com o conteúdo despejado na vasilha que continha a bebida, (sem que ninguém percebesse). Aquela bebida “ia para as cabeças”, e muita gente começava a ficar alegre e muitas “declarações” eram faladas ao som do nosso trio. Desse momento surgiu à idéia de nos intervalos, fazer declamação de poemas e poesias que as meninas faziam com magistral postura poética. No final tinha muita gente que vinham de outros lugares, então metade da turma ia para a rua e ficavam dançando por lá, com muitos vizinhos gostando e outros nem tanto, daquele movimento alegre e jovial. Tinha “alguns” que “melavam o pé” e caiam no jardim da casa, depositando nos vasos de flores as comidas e bebidas sorvidas durante a festa. Num desses eventos, fui convidado para me apresentar na radio Difusora aos sábados pela manhã, em um programa em que tocava musicas a pedido de ouvintes, através de carta ou telefonema. Eu deveria atender aos telefonemas (tudo previamente combinado), e dizer que a musica escolhida, seria complementada com alguns versinhos, (selecionados em conjunto com o programador), baseados naqueles feitos por mim e declamados pelas mocinhas nas brincadeiras dançantes. Eu topei logo de cara sabendo que a minha recompensa era receber entradas para os cinemas oferecido pelos cines Ypiranga e Marabá. Antes do programar ir para o ar, eu conversava com o locutor e programador para colocar somente musicas Italianas, que era a “coqueluche” do momento, com cantores maravilhosos da época, destacando alguns:

• John Foster – Amore Scusami; • Lorella Vital – Se Non Avessi Piu Te; • Pino Donaggio – L’ultimo Romântico; • Sérgio Endrigo – Canzone Per Te. • Peppino Di Capri – Roberta; • Luigi Tenco – Ho Capito Che Ti Amo. Domenico Modugno - Legata A Um Granello Di Sabbia, Piove e, Tu Si’Na Cosa Grande (Letra abaixo): Canta Modugno: Tu si’’na cosa grande per me. – Você é uma coisa grande para mim. ‘Na cosa Ca mi fà’nnamurà. – Uma coisa que me deixa apaixonado. ‘Na cosa Che si tu guarda a me. – Uma coisa que você olha para mim. Me ne moro accussì guardanno a te. – Posso até morrer, assim, só olhando para você. Vurria sapé na cosa da te. – Queria saber uma coisa de você. Percchè cuanno te guardo accussì. – Se quando te olho assim. Si pure tu te siente morì. – Você também se sente morrer. Nom me o dice a num me fai capi. – Por que então não fala para mim? Ma percchè. – Por quê. Esse foi o grande Modugno que eu apreciava tanto, com belíssimas composições e um magnífico cantor. Chegou a vir ao Brasil onde se apresentou em São Paulo e Rio com grande sucesso. Todas essas musicas e astros marcaram o fim dos anos 50 e início dos 60, onde vivi a época com muita alegria sentindo agora uma saudade imensa, dos Anni Moderni.

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PAZ
Por Beti Rozen

Pacifique, irmão. Estabeleça a paz no mundo para o bem da humanidade. Pacifique, irmão. Não se destrua por tão pouco. Queira mais o seu próximo, é tão fácil,, é só tentar. Pacifique, irmão. É só não almejar mais do que se pode dar e realizar. É preciso entender que nem todas as pessoas são iguais. Há diferenças de sentir, pensar e gostar. É só tentar compreender: Eu sou Eu Você é Você. Só podemos nos unir Com o respeito mútuo. Pacifique, irmão. Não se deixe corromper. Basta ser fiel ao que você sente. Pacifique, irmão. porque só assim poderá restar alguma coisa do que já foi tão destruído: A VIDA.

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Eu sou a Loucura
Por Carlos Conrado Eu sou a Loucura mãe da Revolução, quando nasci não interessa, pois não é para isso que vim. Conheço e condeno todas as forças que lutam contra mim. Sou o elo que liga os homens aos outros deuses. Sou a incentivadora de todos os ideais. Sou o retrato da coragem! Ao contrário da Razão-Equilíbrio que é uma senhora derrubada e medrosa. Sou poderosa e estou em tudo e em todos. Sei fascinar sem precisar usar esta casca que me reveste. Sou pura, boa e completa. Sou dona da liberdade, sou sua amante... Não sou a favor do termo esquizofrenia usado para taxar alguns dos meus queridos filhos pois não vejo democracia no uso de tal!...Quando me sinto ofendida, uso minha máquina de ilusões para criar a guerra e também o pesadelo. Acusam-me de ser egocêntrica, e sou! O mundo deve caber na minha mão e não o contrário!... Essa é uma das lições sagradas que passo aos meus queridos filhos e neófitos. Não sou atriz, não sou a favor da mentira. Minha vida extrema é uma realidade!... Sou a ascensão do juízo e não sua falta!... Sou a inspiração do poeta e do artista. Sou bandida e mocinha, sou o quê quero ser!... Sou a voz da surrealidade pintada por Dalí. Sou a única que possui o direito de se contradizer. Sou a modelo que veste o manto de apresentação de Artur Bispo do Rosário... Sou a produtora de todos os filmes rodados e não rodados. Sou aquela que atormenta Hamlet. Sou o espírito livre adorado por Nietzsche, por tanto, não pensem e nem tentem me prender! São tolos aqueles que pensam que podem me controlar, drogam a matéria que me guarda com Diasepam e Gardenal, seus efeitos não duram muito, e logo acordo o corpo que agora está numa ressaca dos diabos! Nós, prontos para dar a cara à tapa outra vez e zombar daqueles que nos querem tanto mal. Eu fui à companheira fiel do Raul, Hendrix, Curt e Janis. Eu fui e ainda sou uma popstar!... Sou uma deusa e o meu lar é todo o universo... Ganhei liberdade para falar graças ao meu filho Erasmo, que dedicou muito da sua energia para lubrificar minhas cordas vocais, afim de quê o meu canto narcisista prossiga. A minha vitalidade; meus sentimentos

honestos; meus instintos; a minha simplicidade – (ao meu modo e conceito), são expressões que deveriam ser adoradas como símbolos sagrados!... Adoram a Cristo, um dos meus neófitos mais fiéis, porque não me adoram também? Devem acima de tudo e de todos me adorarem!... Nobre filho Conrado, invista mais na projeção de sua voz pois a nossa verdade necessita da sua energia para ganhar, os horizontes da consciência deste povo que sempre busca nos ignorar, mesmo sabendo que dentro deles corre o nosso DNA.

Arte de Darras

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curas, utilizando diversas ervas ingeridas como bebida ou inaladas como fumo. As variações dependem das tradições de cada tribo. A maconha, cientificamente conhecida como cannabis sativa, pertence a esse grupo de ervas, pa-

Regularize o bom senso
Por César Soares Farias

ra eles sagradas, que conduzem os curandeiros a um universo de intuições e revelações. Por outro lado, a utilização é controlada, partindo do próprio pajé a decisão de compartilhar ou não o seu cachimbo sagrado com alguém.

Ao longo das décadas os meios de comunicação, o Estado e a própria sociedade vêm mantendo, sem surtir o efeito esperado, uma postura de repressão total ao consumo da maconha, erva originaria da Ásia e também utilizada no passado para a confecção de roupas, cordas e preparação de alimentos. Sem adentrar aqui na plataforma da apologia, quero tão somente fazer uma breve alusão ao emprego místico-religioso da planta em tribos de diversas etnias, para contrabalançar um pouco o estigma da criminalidade que a acompanha. Talvez a figura mais ilustrativa a esse aspecto que tento discutir refere-se ao pajé, elemento de vital importância na organização tribal. É de conhecimento notório que ele ocupa, ao lado do cacique, chefe militar, papel incontestável na tomada das principais decisões que determinam o destino dos grupos indígenas. Através de visões, são eles quem indicam direções á tomar e remédios naturais contra todo tipo de mazelas, desempenhando, portanto, papel de médicos e guias espirituais perante os seus irmãos de raça. Os pajés atingem o estado mental ou transe que possibilitam as suas

Falar em religião é um tema bastante complexo, que pode ser discutido em outras circunstâncias e local. Limito-me aqui, sem defender ou condenar crenças tribais, a questionar a postura totalmente repressora e imparcial que generaliza a erva em questão como “coisa de bandido” A solução para esse megaproblema que é o tráfico de drogas, a meu ver, nascerá quando mais canais de discussões forem abertos para chegarmos a um consenso sobre o que é de fato crime. Existem pessoas “do bem” que a consomem e isso não pode ser ignorado.

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Queremos paz para buscar a paz
Por Cristiano Sousa Queremos paz mas fazemos guerra Insistimos em fazer guerra pra buscar a paz Este país está consumido Os meninos estão cansados Estes meninos estão mal Queremos paz para estas crianças Que vivem na violência E que não aprenderam a amar de verdade Acumulando em seus peitos a dor E a sede de vingança Queremos paz ,mas semeamos o ódio e o terror Vingança forçada que destrói o amor Vamos lutar contra esta sina De não saber o que se passa E aniquilar toda essa dor Não há tempo pra lamentar Nosso futuro é pra cima Com o poder que de Deus emana A nossa luta começou Não é hora de se entregar Queremos paz mas fazemos guerra Nós não precisamos desta pra buscar a paz
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Viva a Vida
Por Dhiogo José Caetano A vida é tudo em meio ao nada. Vida é vida... Vida gera vida. Vida é tudo! Tudo é vida! O nada também é vida. A dor é vida. A noite é vida. Vida é amor, paz, felicidade... Na solidão nasce vida. Homens, mulheres, animais, histórias, natureza a essência complexa que vive a vida. Vida sou eu, você, nós, eles, elas, tu, vós, todos... A vida faz novas vidas. E a vida vivência a história de muitas vidas. O que seria de nós sem a vida! A vida profetiza, conta e descreve a emoção, o amor, a plenitude do delírio ou da razão, o qual se fecunda em meio à arte de viver a vida. Viva a vida, a vida viva...

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Por Fabiane Ribeiro
Contos de Libertação Conto 2 – O mar da gente é a gente que faz (Anteriormente) — Boa tarde a todos. Como sabem, nossas reuniões ocorrem semanalmente, e recebemos deficientes visuais de todos os bairros da cidade. Cada um é livre para falar o que desejar, e se expressar como bem entender. Sou Maria Isabel e irei coordenar o grupo. *** Após o depoimento de Frederico, sobre o cavalo branco e a campina de flores, que trouxeram liberdade e cor à sua alma, mais alguém tomou coragem e admitiu: — Eu também tenho sonhado. Na verdade, sonho desde sempre, com a mesma coisa. Admirada que o rumo da reunião tivesse seguido a trilha dos sonhos, e por que não dizer, das flores, Maria Isabel disse: — Minha querida, adoraríamos ouvir sobre seu sonho recorrente. Primeiro, diga seu nome. — Entretanto, sem que minha mente se recorde, o meu coração o faz... Eu sonho, há muitos anos, com o mar. E eu sou capaz de vê-lo em meus sonhos. Quando acordo, continuo sentindo o cheiro do sal, e o frescor dos ventos oceânicos. — Como exatamente são os seus sonhos, minha querida? – perguntou Maria Isabel. — É sempre um fim de tarde. A praia está deserta e a maré está baixa... Eu ando, descalça, pela areia molhada. Meus olhos estão mais abertos que nunca. Então, eu chego perto da água e refresco meus pés. Sinto a alegria e a liberdade invadirem cada célula do meu corpo. Olho ao meu redor. Sinto que o mundo todo é a minha casa. Uma suave brisa me envolve. Fico instantes sem fim a contemplar as águas, e a balançar... Seguindo o ritmo das ondas incessantes... Meu coração conhece aquele ritmo. Ele e o mar são velhos conhecidos. A dança das ondas produz uma música que me envolve nos braços da paz... As gaivotas chegam ao cenário e me fazem viajar, junto de suas asas. É como se, de alguma forma, eu pudesse voar... Então, o sonho vai chegando ao fim, e eu sei que é hora de fechar os olhos novamente: é hora de acordar. Mas não fico triste. Sei que tudo está a me esperar nos sonhos e o mar vive em mim. As ondas, na verdade, são como minha alma: calmas, em um fim de tarde tranquilo. Elas estão ali para dar movimento e graça aos meus sonhos. Sei que assim sou para o mundo. Eu sou as ondas, eu sou o mar.

— Sou a Dalila. Tenho oito anos, e nasci assim, com os olhos fechados para o mundo, exceto nos meus sonhos. Como vocês, eu sou capaz de ver tudo com as palmas das mãos. Embriago-me Espantada com a sabedoria da doce menicom cada novo odor. Mas o mais especial para mim na, Maria Isabel a cumprimentou pelo lindo relato, é que, quando sonho, sou livre. que preencheu de paz o coração de cada membro daquela reunião de deficientes visuais. Emocionada, Maria Isabel pediu que a pequena e doce Dalila continuasse. Entretanto, o assunto não havia acabado. Antes que a coordenadora do grupo pudesse per— Quando eu era muito pequena, meus pais guntar quem seria o próximo a falar, um jovem rame levaram para conhecer o mar. É claro que eu não poderia vê-lo, mas poderia sentir sua brisa, ou- paz, disse: vir seus sons... Entretanto, isso foi há alguns anos, — Sou o Jonatas, e assim como o Frederico e não tenho memórias do oceano. Eles apenas con- e a Dalila, também sou livre em meus sonhos... taram-me sobre a visita ao mar. Eu não tenho reAproveitando o relato de nossa caçula, quando ela cordações sólidas... mencionou as águias, lembrei-me de que, em meus sonhos, posso voar... Todos ouviam com atenção a garota, que era a única criança a participar da reunião. Com a — Conte-nos mais – pediu Maria Isabel. voz tomada por uma suave ternura infantil, ela prosCom um sorriso no rosto, Jonatas continuseguiu: ou...
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denominada de Cristã e dos avanços sobre os quais poderemos discorrer, logo que conseguirmos defini-los, as mulheres correm o risco de serem trocadas por menos de meia de dúzia de Por Isabel C S Vargas camelos no norte da África, em países divulgados pela grande mídia por sua cultura e beleza, Desde os primórdios da humanida- mas no qual os mais zelosos não se arriscam de a mulher já tem o estigma da inferioridade. em largar sozinhas suas mulheres. Foi criada, segundo dizem as Escrituras, da Exagero? Isto pode ser o que de mais costela de Adão, portanto, oriunda de parte meagradável pode lhe acontecer, se compararmos nos importante, dispensável, considerada como àquelas que desaparecem aqui em terra tupinimenos categorizada. quim, vítimas da “paixão”, cujo nome correto é Sem voz e vontade própria, serva barbárie, de seus companheiros, e seus ossos submissa, mero instrumento de satisfação, des- jogados aos cães, eliminando provas, gastos cartável, bem fungível, material e líquido na com funerais, lápide e flores. Loucura? Sim, medida em que os homens podiam ter tantas ainda mais se considerarmos que os homens mulheres quanto desejassem ou fossem capa- começaram a ser civilizados, ao enterrarem zes de manter. seus mortos. Triste ironia.

MULHERES

Constata - se que desde aquela época, nos casamentos, aquilo que concerne ao célebre “para sempre” é condição preponderantemente vinculada à vontade masculina. Isto advém do início da civilização, passando pelas sociedades tribais e pelos impérios orientais e ocidentais. Recordemos casos como de Henrique VIII que legislou em causa própria, e mesmo assim não resolvendo seus problemas, mandou a mulher para a masmorra e não satisfeito que lhe cortassem a cabeça. Crueldades contra a mulher foram sofisticando-se, aprimorando-se em várias culturas como na China onde as mulheres tinham os pés enfaixados e deformados pela deturpada estética da Flor de Lótus o que lhes impedia de fugir por ocasião das invasões facilitando a sua captura e consequente violação. Em outros locais como na África, por questões culturais e religiosas mutilam a genitália feminina por garantia de virgindade e por não lhe permitirem o prazer. Mais uma vez, mulher-instrumento, a serviço de seu amo e senhor ou para perpetuidade de dogmas. Ainda hoje cerca de 100 milhões de mulheres passam por esta prática em cerca de mais de 26 países da África e da Arábia. Não esqueçamos aquelas que hoje devem se manter cobertas, invisíveis à mercê de quem oferece mais nos contratos matrimonias que são realizados quando meninas. Apesar de 2000 anos passados desta Era

Nesta trajetória de tempo e espaço não podemos esquecer aquela tantas queimadas vivas, torturadas na época da inquisição –afinal quem sangra todo mês e não morre só pode ser mesmo uma bruxa- e aquelas que mais recentemente foram queimadas por reivindicarem direitos trabalhistas. Em pleno século 20. Foi nesta época, século 20 que começaram os tão afamados avanços: direito de votoexercício de cidadania, desde que os pais ou maridos não determinassem imperiosamente em quem deveriam votar. Democratização da escola pública visando garantir o acesso à educação, embora isso seja um direito fundamental universal e , por conseguinte não só para o gênero feminino. Assim mesmo ainda havia famílias que julgavam que as mulheres deveriam aprender as famosas prendas domésticas (lavar, passar, cozinhar, costurar, bordar) ao invés de aprenderam a ler e escrever.

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A partir deste evento, acesso à educação, que as mulheres passaram a ter condições efetivas de ingresso no mercado de trabalho. Maravilha! Graças a isso temos, além das domésticas, babásconsideradas as primeiras profissões junto com as lavadeiras, pois não pressupunham escolaridade e hoje bem mais raras, mulheres nas mais diversas profissões. Encontramos até gari com curso superior. Puderam as mulheres ascender às carreiras bem mais reconhecidas, aplaudidas e às quais a sociedade confere mais status: médicas, advogadas, dentistas, juízas, promotoras, desembargadoras, por antiguidade e merecimento. A estas se soma, na atualidade, inúmeras outras como pesquisadoras, na política, carreira militar, aviação comercial além de outras, outrora inconcebíveis ou inexistentes para o sexo feminino. Não esqueçamos duas profissões antes autorizadas por consenso geral para as mulheres: Professora e enfermeira. Muito bem, as mulheres conquistaram com denodo e competência a possibilidade de disputar com os homens o acesso ao mercado de trabalho, mas em compensação conquistaram a dupla jornada e a culpa de deixarem seus filhos aos cuidados de outras pessoas. Os salários, em geral, são menores, sofrem constrangimentos ainda hoje, pois apesar do amparo legal, tem que provar que não estão grávidas para serem admitidas no emprego, sofrem assédio psicológico, sexual e moral. São obrigadas a submeterem –se à revista antes de deixarem o local de trabalho, para provarem que não estão levando nada do patrão, quando trabalham em alguns segmentos . Como se toda a responsabilidade que carrega, com o peso histórico de ser a sofredora mártir mãe de Jesus, ou a discriminada Maria Madalena não bastassem, ainda tem de ser como Amélia que é por quase unanimidade a mulher de verdade, e por exigência de mercado tem de ser bela, perfumada e gostosa, pois como diz o poeta beleza é fundamental.

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Ingredientes: • 2 xícaras (chá) de fubá • 2 colheres (sopa) de manteiga • 4 xícaras (chá) de leite • 50g de Coco ralado • 4 ovos • 2 xícaras (chá) de açucar • 2 colheres (sopa) de farinha de trigo • 2 colheres (sopa) de maizena 1 colher (sopa) de fermento em pó 1 Modo de preparo: 1. Bata todos os ingredientes no liquidificador até obter uma mistura homogênea. 2. Despeje em uma forma média untada e enfarinhada e leve ao forno médio preaquecido, por cerca de 30/40 minutos, ou até que enfiando um palito ele saia limpo. Espere esfriar, desenforme, polvilhe com um pouco de coco ralado em cima e sirva. Tempo de preparo: 50 min. Rendimento: 12 porções

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assim os nossos olhos atravessarão a janela e estaremos dispostos a traçar mais uma grande jornada nos episódios da vida. Poucas vezes somos despertados para aquilo que tanto sonhamos em ter ou ser, muitas vezes não conseguimos dar um passo na direção certa e por mais que tentem nos apontar a direção, ainda assim, só dependerá de nós decidir seguir e viver de forma tal que possamos olhar no espelho e nos ver como uma luz que brilha muito além do túnel, esperança é aquela que carregamos não no pensamento, mas sim no coração, pois ainda que os pensamentos se apaguem, no coração estará vivo o verdadeiro pulsar que nos impulsionará, esperança é a que nos dá força para viver e nos faz continuar rumando repletos de alegria e entusiasmo para um novo amanhecer repleto de paz, luz, harmonia e felicidade. Não espere que o tempo todo alguém tenha que lhe sugerir seguir, siga você mesmo com os sentidos do seu coração e com a astúcia de uma águia muito além do horizonte, siga porque você é mais importante que qualquer outra coisa existente ao seu redor, saiba compreender que você não está na vida por um simples passatempo, precisamos acompanhar e superar o tempo e não deixar que ele se encarregue de nós, acredite em você mesmo, acredite no seu potencial de vencer e nada neste mundo lhe impedirá diante de tudo o que você precisa e pode ser. Ontem foi apenas uma sombra do passado, hoje são as cortinas que se abrem em seu amanhecer e o amanhã a luz que brilhará por todo o seu viver.

NOS CAMINHOS DA VIDA Por Ismael S. Candido O que é a vida em seu transcorrer, muitas vezes rumamos por ela sem saber o porque do ontem ou do hoje, do amanhecer e do anoitecer, talvez as sensações que temos pelo viver seja muito mais do que o que ele representa ser. A cada dia há um novo despertar e com ele despertamos juntos, nos revigoramos ao abrirmos os olhos e percebermos que não somos apenas parte de uma peça de teatro, somos muito mais que isso, fazemos a grande travessia da vida e pouco a pouco o tempo se vai, marcando em nós as boas sementes plantadas e as belas flores recolhidas, provavelmente ao olharmos à janela tudo será tão igual como era ontem, no entanto, será dentro de nós que se espelha e repercute tudo o que queremos ver e almejamos buscar no mundo e isto nós encontramos ao abrirmos a janela do nosso viver.

Lembramos que a vida é permeada de vários estágios e o mais belo deles é aquele Desperte a paz, confie no amor e na luz em que estamos vivendo, pois só nós sabemos o quão importante é cada palavra, cada aceno, de Cristo, cada olhar, cada sorriso, cada encontro. Aprendemos a caminhar desde pequeninos e muitas Cristo é paz, Cristo é amor, Cristo é vida! vezes ainda estamos aprendendo a caminhar já na fase adulta, então saber o que a vida requer de nós é muito mais forte e entusiástico do que saber o que queremos da vida, pois somente
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BENDITAS
Por Ivane Laurete Perotti Mac Knight Era difícil viajar assim: carregada pelo tempo, cheia de marcas dos trabalhos feitos, riscada e rabiscada, de boca em boca, de lugar em lugar, de idioma em idioma. Não se poderia perguntar como nascera. Não nascera. Ou pelo menos não lembrava. Pensava existir desde sempre. Será? Ela se pensava a própria existência. Era essa a imagem que tinha de si mesma. Estava cansada e... velha! Muito velha! Já estava perdendo o jeito, a cor, e... Poderia parar no século XXI? Parar não era a expressão de seu desejo. Digamos "instalar-se".... poderia estar mais próximo do que sentia vontade de fazer. Que lugar lhe daria abrigo? Também não era exatamente um lugar que procurava. Mas alguém... ou muitos “alguéns”. Preferencialmente ,muitos “alguéns”. Até mesmo porque sua existência estava dependendo disso.

adas pelo peso do tempo de espera. Esperar "nesse" lugar era um derradeiro pesadelo. O início do fim. Os olhos sem brilho olhavam para algum lugar no entardecer. Ela tentou acompanhar a direção daqueles pequenos e apertados orifícios preenchidos por esferas que serviam para ver, mas a força com que milhares de sentidos afloraram em suas costas fizeram-na apressar para mais perto dele. Ele, se é que fosse alguém, estava perdido entre onde estava seu corpo e para onde levara seus sentimentos. O que estaria olhando através do entardecer? O que buscava lá atrás de si mesmo? Ou buscava um lugar que ainda não conhecia? Conhecia muitas companheiras, parceiras de campo, amigas que usavam o mesmo guarda-chuva para expressar essa distância, mas nenhuma delas se fazia presente naquele momento. O desespero tomara conta de todas depois dos últimos acontecimentos; cada qual procurava por si mesma encontrar uma forma de sobreviver.

Precisava aconchegar-se ao momento vivido pelos olhos sem brilhos para alçar-se boca afora. Para agenciar-se usável, funcional, necessária, importante, mesmo que fizesse o silêncio daquelas que existem só para dentro. Não faria Tinha um mapa no bolso oculto pela camada diferença, nesse momento. Gostaria de ter de anos. Era um mapa minúsculo, sem nomes mãos para puxar os cabelos daquele homem para não gerar qualquer problema com excesso sem expressão, talvez ele respondesse ao chade bagagem. mado de todo aquele colorido que pintava o Consultou o pequeno desenho e decidiu apon- céu e as árvores. Ela mesma engasgava-se diante de tão motivada possibilidade de existir e tar para um lugar que parecia deserto. tornar-se empregável, traduzível, apenas pelo Camuflada, rodou entre as paisagens secas e deleite de estar ali, naquele momento. áridas, até encontrar um “alguém”. Mas o homem estava vazio. Vazio de todas as Era um “alguém” muito franzino, pequeno, baiformas que ela conhecia. Nenhum sinal, nenhuxinho ,cujos olhos tinham perdido o brilho. Mas ma indicação de qualquer processo de interaservia, pois ela só conseguia existir se “alguém” ção entre os olhos sem brilho e as cores que se a adotasse, pelo menos por um tempo. derramavam sem pressa. Quase impossível Independente do tempo, das condições, ela para um ser humano, mas aquele ser pequeno precisava existir. Já estava cansada de esperar e roto parecia não sentir estar ali. dentro do... opa! Quase escapulira o dito nome. Palavras são teimosas por natureza de criação. Se uma de suas “gentes” pronunciasse em alta Enroscou-se na ponta do olhar que se mantivoz o nome do dito perderia para sempre o ponha sem fim e foi se achegando, achegando, der de aparecer de boca em boca. O destino de procurando no silêncio recheado de sentidos suas irmãs que não acreditaram no poder do... nascituros, agarrar-se a um deles. Mas os sendo "dito cujo lugar do esquecimento" eram gratidos eram carregados por ela e validados por dativamente esquecidas pelos “alguéns”. Sofriele. Então, sentiu dificuldades para colar-se à am trancafiadas entre páginas e páginas arquewww.varaldobrasil.com 20

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à trilha daquele olhar, a cada tentativa escorre- Já passara por vários mergulhos da alma e da mente humana, mas esse era colossal. Nenhugava fria para o chão da alma inerte. ma nesga, nenhum sinal de que seria possível Foram muitas as quedas. Foram muitos os ardar sentido àquele momento dentro dele mesranhões em sua morfologia quase plástica. mo. Resfolegante, foneticamente desgastada, deixou-se ficar sobre a terra que umedecia com a Pensou fechar os olhos que também não tinha e suspirou, por que suspirar lhe era possível. grama que respirava alto. Sussurrou para si mesma que tal empreitada a levaria à morte. A Uma espécie de compensação por tantos e ausência de uso já lhe tomara a cor. Sucumbia tantos anos de articulação e uso social. na esperança de um mortal lembrar-se de usá- Quando aquela coisa molhada raspou sua trila em tempo e a tempo. Seria seu destino apa- lha, deixou-se levar. Foi carregada por uma lágar-se assim, como se nunca antes tivesse ser- grima que manchava o bico empoeirado do savido a tantos? pato gasto. Lágrima gorda, redonda... era um Quando já fechava suas conclusões desanimadoras, os olhos sem brilhos mudaram de lugar. Baixaram-se até encontrar a ponta dos próprios pés. Colados na mesma posição, permaneceram inertes, vazios, e intocados. Sem forças, ela tentou mais uma vez subir pela trilha que se abria sem muitos sinais. Ficou na ponta dos pés que não tinha e colocou toda a energia que sobrara do último uso no impulso de grudar-se novamente. Grudou-se. Possivelmente a posição ajudava, mas nada para além disso. Grudada à ponta do olhar descolorido esperou em suspense. Era tudo ou nada! bom sinal. Era um bom augúrio para a sua condição semântica. Não afundaria, não morreria afogada, pelo contrário, fundiria seu âmago conceitual naquele líquido salgado. Agora sim. Abria-se um caminho para a instalação de qualquer sentido que os olhos molhados agenciasse. Uma onda de esperança tomou-a por inteiro e mais que depressa se desfez na lágrima que se multiplicava.

Estava salva. Chamaria suas irmãs para um tempo de incubação. Bom tempo esse. Ficariam estocadas em algum lugar mesmo que não localizável, mas conseguiriam instalar-se. Ela e Esperou e esperou. Aquele ser humano parecia outras, que brotariam naquele terreno fértil. ter desistido de existir. Não compreendia tama- O pequeno homem chorava e seus olhos renonho vácuo em alguém com tão pouco espaço vados criaram várias linhas construção. ocupado. Era um vácuo que crescia descomuCoerentemente, sintagmas apresentavam-se nalmente em proporção ao contexto limitado. em prontidão. O sol ainda se fazia presente, banhando com Que fossem usados pelo operário da língua. os últimos raios que recolhia preguiçoso um Que se fizessem gastar e renovar naquele plascantinho da praça vazia. ma que é a alma humana. Da alma para a boAi! Certo torpor ameaçava derrubá-la mais uma ca, encontravam os olhos no meio do caminho. vez. Aquele olhar não abria o menor espaço Quando fechados, o desvio acontecia mais para que subisse. Precisava subir a qualquer abaixo, pelos caminhos do coração. Quando preço para conseguir instalar-se. Instalar-se! excessivamente abertos, abriam desvios até a Era irônica e trágica a sua existência. Precisava razão. Lugares comuns, tantas vezes visitados instalar-se para não ficar, era esse o paradoxo no momento de explosão. de sua existência verbal. Ir e vir, de boca em boca, sem saber onde poderia descansar sem Ai! Sobreviveria! Por mais um tempo, instalada no século XXI, articular-se-ia feliz pelo campo adormecer para sempre. dos sentidos. Ai! Quem dera constituir-se de material menos Talvez, depois de tanta luta, conseguisse maninstável, flexível, mutável. Queria poder tocar aqueles olhos, beliscá-los, irritá-los, acordá-los. ter-se até o próximo século. Do bico dos sapatos sujos ela não saíra. Talvez! Essa era uma questão que não lhe pertencia.
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Outra vez o verbo se fez! Outra vez um homem sentiu, sentiu e sentiu e ficou em paz! Salvem as palavras! Salvemo-nos da guerra fria que começa onde o amor não encontra palavras para garimpar o coração humano. Que santas palavras santas aportem em nós, apagando o pecado da inércia emocional. Faça-se a paz!

VOCÊ SABIA?
A revista VARAL DO BRASIL circula no Brasil do Amazonas ao Rio Grande do Sul... Também leva seus autores pelos cinco continentes! Quer divulgação melhor? Venha fazer parte do VARAL! E-mail: varaldobrasil@bluewin.ch Site: www.varaldobrasil.com Blog: www.varaldobrasil.blogspot.com
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Paz e Amor
Por José Cambinda Dala

Porquanto o Homem Aparta-se da Paz e Amor Zapping nessa atitude, temos que fazer já

Esperando felicidade das sociedades

Alguns não conhecem o comando Mas outros mesmo possuindo, não sabem usar Ofuscam sempre suas vistas e coração com o dinheiro Rei de todos os males

Responsabilidade é exigida para Paz e Amor Oração a Deus acima de tudo Mesmo que te achas Pecador Aliança com o Senhor ainda será possível!

Esperança é a última coisa a morrer…

Zela já pela sua vida Amigável com todos Porque o fim está próximo!

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África
Por José Carlos Paiva Bruno

Onde tudo começou... Homo Sapiens que vingou... Vingança vitória... Contracena Carter suicídio... Pulitzer hominídeo... Abutre que levou... Grande pista de nossas conquistas... Onde uma fome espera a outra! Desigual lavoura terrena... Esperança colheita mercenária... Barbárie cena... Acena fotografia... Triste sina d’alguns sinos... Surdos absurdos... Surtos de uma fome presente... Sudanesa serpente... Ainda quente! Miserável ainda raça humana... Anorexia desumana... Quem mama? Quem manda nessa desanda? Desigualdade Ruanda... Rua difama... Genocídio tribal... Pavor animal... Um milhão de cruzes em 1994... Tutsis pagando o pato... Queda do café em assassinato... Ato? Atitude da desgraça... Graça de escolher um alvo... Minoria fria... Chacina da periferia... Operando extremismo de hutus... Morte! Mais adiante mutilando meninas... Deformadas sinas... Bestiais rimas! Navalha na carne... Impiedosa, pajé... Gilete em pé, ferrugem mortalha... Suposição d’um prazer que atrapalha... Maldito fogo de palha... Cultura? Ritual supositório canalha... Calha d’ignorância... Ignomínia da distância! Corajosas denúncias da modelo Waris Dirie; infibulada aos cinco anos... Somália cigana... Mesma navalha que perseguiu Fauziya Kassindja... Acolhida pelos EUA... Após ano e meio de clandestinidade... Claridade! Maldição em estatística atual de três milhões de vítimas anuais... UNICEF. Pior em genocídios atrozes... Vozes caladas em armênios, ucranianos, Judeus; minorias no Camboja, Kosovo; Dahfur... Homo Sapiens Quo Vadis? Covardes desiguais... Decadência em escuridão... Solidão que persevera era... Perversa selva... Cadeia da cadência! A NOVIDADE... Ó MUNDO TÃO DESIGUAL...

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O CLUBE DOS VIRA-LATAS é uma organização não governamental, sem fins lucra vos, que mantém em seu abrigo hoje mais de 400 animais que são cuidados e alimentados diariamente. Boa parte desses animais chegou ao Clube após atropelamentos, acidentes, maus tratos e abandono. Nosso obje vo é resgatá-los das ruas, tratá-los e conseguir um lar responsável para que eles possam ter uma vida feliz.

de 400 peludos em nosso abrigo, contamos hoje apenas o trabalho dos voluntários e com o diVocê sabia que no Brasil milhões de cães e gatos nheiro de doações. Todos podem ajudar, seja divulgando o Clube, seja adotando um animal ou vivem nas ruas, passando fome, frio e todos os pos de necessidades? Cerca deles 70% acabam mesmo doando dinheiro, ração ou medicamentos. Qualquer doação, de qualquer valor por meem abrigos e 90% nunca encontrarão um lar. nor que seja, é bem-vinda. As contas do Clube Parte será ví ma ainda de atropelamentos, esbem como o des no de todo o dinheiro estão pancamentos e todos os po de maus tratos. Infelizmente, não é possível solucionar este pro- abertas para quem quiser blema da noite para o dia. A castração dos animais de rua é uma solução para diminuir as futu- BRADESCO (banco 237 para DOC) ras populações mas não resolve o problema do Agência: 0557 CC: 73.760-7 agora. Sendo assim, algumas coisas que você pode fazer para ajudar um animal carente hoje: Titular: Clube dos Vira-Latas CNPJ: 05.299.525/0001-93 Ou Adotar um animal de maneira responsável Por que ajudar os animais? Voluntariar-se em algum abrigo. Doar alimento (ração) e/ou remédios para abrigos. Contribuir financeiramente com ONGs. Nunca abandonar seu animal Como o Clube vive? Somente de doações. Todas as nossas contas são públicas, assim como extratos bancários e notas fiscais. Como ajudar o Clube? Para manter esses mais (Saiba mais sobre o Clube em h p://frfr.facebook.com/ClubeDosViraLatas?ref=ts) Banco do Brasil (banco 001 para DOC) Agência: 6857-8 CC: 1624-1 Titular: Clube dos Vira-Latas CNPJ: 05.299.525/0001-93

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paisagem de um yogue...
Por Walnélia Corrêa Pederneiras

Na janela da minha alma pousa diariamente uma ave-luz que me fala nos mestres, especialmente em Jesus... É meu amado Professor Hermógenes!

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Ingredientes: • 3 xícaras (chá) de leite • 4 ovos • 1 vidro de leite de coco (200ml) • 1/2 xícara (chá) de manteiga • 2 xícaras (chá) de açucar • 1 e 1/2 xícara (chá) de fubá • 5 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado • 1/2 xícara (chá) de farinha de trigo • 1 colher (sopa) de fermento em pó químico • Margarina e farinha de trigo para untar Açúcar e canela em pó para polvilhar Mode de preparo: • Bata no liquidificador o leite, os ovos, a manteiga, o açúcar, o leite de coco e o fubá até ficar homogêneo. • Despeje em uma vasilha, adicione o queijo ralado, a farinha e o fermento peneirados e misture delicadamente com uma colher. • Coloque em uma forma de 25cm x 35cm, untada e enfarinhada e leve ao forno médio preaquecido, por 40 minutos ou até dourar levemente. Deixe esfriar, desenforme, corte aos pedaços, polvilhe com o açúcar e canela e sirva. Rendimento: 12 porções Tempo de preparo: 60 min.

h p://bolodefuba.com/

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Paz e amor

Por Vicência Jaguaribe

Dia desses, estava em um laboratório de análises clínicas, à espera de ser atendida. Em determinado momento, pares de olhos pularam por sobre minha cabeça e fixaram-se em um ponto além, o que me fez ter certeza de que não era eu o alvo dos olhares. Tentei acompanhar o salto daqueles olhos admirados e irônicos e cheguei ao polo de atração: um casal empurrando um carrinho de bebê. Mas por que um casal com um bebê num carrinho chamaria a atenção de tanta gente? Que tinham de especial aqueles três? Aí é que está. Olhando bem, enxerguei, pairando sobre eles, uma faixa com os famosos dizeres: Paz e amor. Faça amor e não guerra. Lembram-se? Pisquei os olhos, balancei a cabeça, e a faixa desapareceu. Em seu lugar, somente o casal com seu bebê, que dormia no carrinho. Era um casal jovem: ele, negro ou mulato (é difícil impor limites), com o penteado rastafári enfeitando a cabeça, barba fechada e sandália havaiana; ela, branca, vestindo uma camiseta e um short de um tecido claro e fino, já meio surrado, indiscutivelmente sujo, rasgado nas duas laterais da cintura e preso por cordões. O short passava a impressão de que fora de um tempo em que a jovem era mais delgada; antes do período da gestação, talvez; calçava uma sandália de rabicho feita de couro cru; o bebê, que provavelmente ainda não completara um mês, dormia no carrinho, agasalhado por cobertas brancas já meio encardidas. Enquanto a mãe fornecia dados à atendente, o pai empurrava o carrinho para a frente e para trás, como a embalar o filho. De vez em quando, circulava pela sala, ocasião em que os pares de olhos mostravam-se mais curiosos. Aqueles dois eram, sem dúvida, remanescentes do movimento de contracultura dos anos

sessenta e setenta do século passado, o movimento hippie. Os hippies, como eram chamados os participantes desse movimento, diziamse preocupados com os problemas ambientais; defendiam a prática do nudismo e a emancipação sexual; eram adeptos do uso de drogas, viviam em comunidades que se inclinavam para uma espécie de socialismo anárquico; tendiam ao nomadismo e à vida em contato com a natureza; eram contra o nacionalismo e as guerras; voltavam-se para algumas religiões orientais, como o Hinduísmo e o Budismo, e contrapunham-se aos valores tradicionais da classe média, ao militarismo, ao patriarcalismo, às instâncias governamentais, às corporações industriais, à massificação, ao Capitalismo e ao autoritarismo, todos, diziam, sem legitimidade. Mas o que ficou no imaginário popular sobre os hippies? Foram, principalmente, sua adesão às drogas, sua maneira peculiar de vestir-se (roupas geralmente coloridas, velhas, rasgadas e com aspecto de sujeira), sua rejeição aos produtos de higiene pessoal, como lâminas de barbear e shampoos, e sua tendência anarquista. Daí porque, nos dias de hoje, tende -se a chamar de hippie todo jovem que apresenta um comportamento diferente, que se veste sem muito cuidado e tem uma aparência relaxada e suja; que é adepto da vida em contato com a natureza e se insurge contra os padrões de comportamento burgueses. Ficou, pois, dos hippies, um estereótipo manco e nada louvável, calcado basicamente na exterioridade.

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Suas mensagens de paz, amor, igualdade e liberdade; seu desejo de um mundo sem preconceito e sem discriminação das minorias, de defesa do natural foram esquecidos. Ninguém se lembra de que valores como a preocupação com o meioambiente e o desarmamento; a prática livre do sexo — um fetiche que impera na sociedade de nossos dias — nasceram com o movimento hippie. As pessoas se esqueceram dessa herança ou a desconhecem, por isso, naquela manhã, no laboratório, olharam com ironia e com quase nojo para aquele jovem casal. Se essas pessoas, no entanto, parassem um pouco para pensar em seu próprio sonho — sonho que é de todos nós — de viver em um mundo sem guerra e sem discriminação; em um mundo em que a natureza seria preservada e em que imperaria a justiça; um mundo ideal, onde não se teria medo de sair de casa e ser abatido como um animal de caça por uma bala perdida, talvez deixassem de olhar com os olhos do preconceito e da reprovação para aquele casalzinho que não primava nem pela aparência nem pela higiene pessoal — isso ninguém pode negar —, mas que não deixou de cultivar o sonho de um mundo onde reine a paz e o amor e cujo lema seja Faça amor, não faça guerra.

Peace, Love and Prismas by pagit

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Nada preenche mais de felicidade a nossa alma do que o sorriso de uma criança saudável. Mas... Nada nos deixa mais triste, do que o rostinho de uma criança que sofre, principalmente com alguma doença grave. No final da década de 90, um grupo de bordadeiras de ponto cruz, nos Estados Unidos, vendo que uma colega estava sofrendo demais com duas crianças na família doentes com câncer, decidiu bordar blocos de ponto cruz para montagem de colchas para elas. Ao receberem as colchas, as crianças e suas famílias se encheram de sorrisos e o astral da família foi elevado, minimizando a dor daqueles dias. A experiência foi tão gratificante, com resultados positivos para a cura ou melhora, que as bordadeiras decidiram divulgar a ideia: bordar blocos para colchas para crianças gravemente doentes.

Pela Internet, divulgaram a experiência grupal vivida e a proposta de bordarem com um objetivo além de hobby ou crescimento profissional com bordados. Esta ideia teve aceitação imediata, se espalhou, e chegou ao Brasil em 1999. Ivani Vieira, a divulgadora do Love Quilts no Brasil, e coordenadora deste trabalho, naquela época, dona de casa, mãe de duas crianças, trabalhando fora e com pouco tempo disponível para ações maiores de solidariedade humana, se encantou. Ela amava bordar ponto cruz; era o seu hobby nos momentos de descanso possível, dentro de sua roda-viva diária: trabalho profissional, casa, marido e filhos. Aos poucos, outras bordadeiras foram se ajuntando ao Love Quilts Brasil, inicialmente bordando para crianças americanas, e, paulatinamente, passando a bordar só para brasileiras. O dia 28 de maio de 2001 é a data oficial do nascimento do Love Quilts BR. Passados mais de 10 anos, o saldo deste grupo é de quase 500 acolchoados entregues em várias partes do país e até mesmo no Japão e Estados Unidos, milhares de blocos bordados em ponto cruz e centenas de Bordadeiras associadas. Qualquer Homem ou Mulher pode se inscrever no grupo. Para isto, os requisitos são:

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Amar bordar e/ou costurar; Querer fazer uma boa ação social; Generosidade. Pois assim encontrará uma forma de colaborar, seja bordando, costurando ou contribuindo de outra forma - basta entrar em contato pelo endereço eletrônico contato@lovequiltsbrasil.org para identificar uma maneira. O grupo se mantém pelas próprias voluntárias e por alguma doação de terceiros, que chega sempre. Cada uma é responsável por doar pano e linhas usados em seu bloco, e só. A Internet, aí, tem um papel fundamental, pois as bordadeiras vêm de todas as partes, de norte a sul do país, até mesmo do exterior. São donas de casa, mães de filhos adultos ou pequenos, profissionais – advogadas, enfermeiras, professoras, químicas, médicas -, trabalhadoras nos lares e fora, mantenedoras ou não de seu próprio lar, de idade variada, de 14 anos até 84. Não é uma ONG, nem uma associação no aspecto legal. É um grupo de voluntárias que se dispõem a trabalhar em prol de obter um sorriso de uma criança enferma. Há algum tempo, o grupo virtual LQ passou a se encontrar anualmente em SP, o que fortaleceu mais ainda os laços de amizades entre as bordadeiras. A comemoração de seus 10 anos de existência, agrupou cerca de 50 amigas vindas de vários estados brasileiros e também do exterior. Foi uma festança, um grande encontro de amigos.

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A convivência virtual reforça muito os laços de amizade. Trocas de ajudas diárias são feitas com uma palavra ou algum gesto concreto enviado via correio. A comunicação entre as voluntárias é de boa convivência de amigas/ irmãs. Nos dias das entregas de acolchoados, sempre feitas coletivamente nos hospitais que permitem a ação de voluntariado e em casas de apoio, ou mesmo, em casos especiais, na casa do agraciado, é dia de festa na Internet: todas querem saber e ver como foram as entregas, como a criança recebeu seu presente... Nestes dias, explode o papear do grupo, e comentários são feitos ao verem as fotos: é uma alegria!!! No site do LQ <www.lovequiltsbrasil.org> está registrado: fotos das crianças inscritas, fotos das entregas feitas, dos acolchoados e sobre as voluntárias. Se crianças sorriem de lá, por trás de cada computador tem sorrisos das bordadeiras. Se as crianças sorriem felizes com seus acolchoados, as bordadeiras sorriem por mais uma missão cumprida. Ivani não está sozinha na sua coordenação: há voluntárias que a ajudam, quer em trabalhos de computação, quer em confecção de acolchoados ou na administração. Todo o grupo está envolto em monitoras voluntárias para comunicação com mais de 600 participantes que executam tarefas de bordados, blocos complementares de patchwork, montagem de acolchoado e outras formas de colaboração. O apoio dos familiares, cônjuges e filhos, ainda que de modo indireto, é de grande importância, tanto pelo reconhecimento da ação de voluntariado e nosso envolvimento com o projeto como também pelo entendimento da amizade que une o grupo, que toma uma característica de família. Os filhos de cada uma, passam a ser “subricos”(sobrinhos) de todas, e são paparicados. Os maridos estão aderindo: participam dos encontros e ajudam na organização – cuidando, entre outras, de questões que envolvem tecnologia. Por enquanto, só três bordadeiros apareceram: o marido e filho de uma bordadeira, enfermeira e dona de casa, além de um senhor de São Paulo. O nosso “bordadeiro mirim” é solicitado em todos os encontros e sua ajuda é fundamental: enche todo o grupo de mais alegria. Se levamos sorriso para crianças doentes, elas nos dão o retorno de sorrisos ao rece-

berem seus acolchoados bordados, resultantes de uma vasta ação coletiva de pessoas que se dispõem a fazer de alguma forma uma ação de solidariedade humana. Se quiserem ver este grupo triste e choroso, é quando chega a notícia de que alguma criança já inscrita se tornou um anjinho... O baixo astral nesse dia impera. Contudo, aprendemos que a melhor reação é orar pelo anjinho liberto de sua doença e por sua família. No LQ predomina o espírito de voluntariado, de fazer parte de uma corrente formada por milhões de brasileiros que disponibilizam o seu tempo e talento na busca de um Brasil melhor e mais solidário, que fazem sua parte como cidadãos, colaborando para transformar o mundo a partir de suas ações, por menor e mais simples que sejam! Assim sentindo, escreveu uma voluntária de Porto Alegre, o poema que abre o site do Love Quilts e, agora, segue aqui:

O Voluntário Ser voluntário não é ser mais, nem menos. Ser voluntário é ser! Ser atento às necessidades do outro, Ser suporte virtual, financeiro ou emocional. Ser presente. Ser voluntário não é ter tempo para tudo! Ser voluntário é ter... Ter tempo para valorizar o outro, Ter vontade de ajudar de qualquer forma, Ter a chance de aprender com a vida! Ser voluntário não é apenas dedicar-se! Ser voluntário é doar-se, Doar-se de corpo e alma para seu propósito, Doar-se em tempo, amor e coração, Doar-se, para então, sem se dar conta, Receber mais do que doou. Lisiane Realmente, ser voluntário do LOVE QUILTS é receber muito mais do que doou, ao sorrir com a criança contemplada: é quando o amor se transforma em sorrisos de ambos os lados. Marisa de Almeida Claudia Larosa Enviado por Norália de Mello Castro
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FAÇA MAIS AMOR.
Por Roberto Armorizzi Se a guerra, o amor, enterra, a vida, encerra, o filho, desterra, Se a guerra, o mundo, emperra, por que ele berra guerra?!
Imagem de Carolyn Gavin

Jamais faça guerra, faça mais amor, a paz é sempre necessária!

Nota do autor. ‘Trata-se de uma adaptação de outro poema do mesmo autor, constante em seu livro “Maenatu Poesia Quebrada”.’

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Cogumelos
Por Norália de Mello Castro

Contento-me, por ora, em bordar Estas formas circulares de beleza. Se posso nascer no mundo dos cogumelos, assim espontâneo, como deixar de fora os círculos convexos, em busca de novas elipses? Bordo cogumelos com olhos atentos.

À procura de uma reta, Passa-se por círculos convexos E se fazem as elipses. No meio da mata fechada, Por entre musgos e fungos, Lá vem a forma circulada A brotar várias figuras. Mesmo por entre galhos retorcidos Ou troncos escurecidos, Nascem os soberbos cogumelos Logo após a grande chuva. Suas formas são bonitas, Contrastantes com o solo escuro Um destaque todo à parte. Como não bordar cogumelos? Se eles permitem sonos e sonhos De olhos abertos, A cada movimento do nascimento De tão singular espécie nativa? Como não bordar cogumelos, Ciente que novas chuvas virão? Quer queira ou não, elas virão E me encontrarão preparada Para colher mais bordados, Não deixar a mão parada A fazer novas criações? Se posso nascer no mundo dos cogumelos, assim espontâneo, como deixar de fora os círculos, Em busca de novas elipses?

Imagem de adrieann-d3kv3ep

Nem preciso chamar as chuvas: elas virão, com certeza, na hora certa e em dias não predeterminados. Minha vontade fica aquém Do que manda a Natureza.
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A

PAZ

O judeu ou o cristão Do bem público, ser guardião Ser honesto, com poucos centavos Quer com milhões. A paz é discordar, sem agredir É ser sentinela Do bem comum Do bem alheio É ouvir, o clamor Do pobre faminto Quer com fome de pão Ou fome de saber A paz é ser homem Ou ser mulher Sem vaidades Sem falsas utopias Capaz de conviver Quer no leito conjugal Quer no trabalho intelectual Sem exploração Com ternura Lado a lado caminhar E, uma flor compartilhar! Com Francisco, dizer Paz e Bem!

Por Neri França Fornari Bocchese É buscar a mansidão O bem viver Com o outro, ser irmão. Na natureza, a vida reconhecer! O amanhecer presenciar Com o por do Sol, se extasiar! Brincar, como criança. Se encontrar, numa dança. Andar descalço, Ser a Terra-mãe A mãe dos viventes A grama, ser tapeçaria No chão, sentar, rolar. As formiguinhas, enxergar... Sem querer esmagar Todos, filhos do mesmo Pai Todos, a mesma procedência Uma árvore plantar Não para abater Na sombra, uma rede suspender. Cuidar de uma roseira No rosto, a aragem sentir O pedaço de pão, repartir Com um aperto de mão! A paz transmitir A paz, é ser negro com convicção Asiático, com altivez Ser branco, sem prepotência. Ser capaz da convivência Quer no Oriente ou no Ocidente Com o ateu ou o crente. Ser capaz de amar

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O BAQUE DOS DINOSSAUROS

Por Hélio Sena

... e foi assim (dizem!) que o Último Dinossauro caiu; um filme triste (sem Oscars!) a que ninguém assistiu; e que o Cosmos (e não Spielberg!) ferozmente dirigiu.

Se você deseja ajudar os animais que todos os dias são abandonados, atropelados, maltratados e não sabe como, vai aqui uma dica: Procure uma associação de proteção aos animais, um refúgio, uma organização ou mesmo uma pessoa responsável em sua cidade ou estado. As colaborações podem ser feitas através de tempo, dedicação, ajudas financeiras, divulgação. Há pessoas por todos os cantos ajudando aqueles que não sabem como ajudar a si mesmos. Seja mais um, faça destes bichinhos a sua causa!! AJUDE A AJUDAR, SEJA HUMANO!

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Paz Mundial
Por Valdeck Almeida de Jesus Abalou-se toda a terra Muitos temem nova guerra Muitos fogem para serras Procurando a paz mundial. Muitos gritam de alegria Para esconder tristezas Outros lutam pela vida Para esconder suas fraquezas. Todos temem os abalos Que por certo aqui virão E procuram melhorar A nossa imensa ilusão. Todos anseiam a paz Uma paz pra toda gente Alguns choram pela mesma Outros ficam até contentes. Esperando a sua chegada Todos ficam a brigar Para conseguir um pedaço Desta paz que não virá.

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Olhos da paz
Por José Hilton Rosa

Deitada sob a sombra de qualquer tempo Curtindo a preguiça do seu corpo Com os olhos fechados, sonhando ser possível o amor Olhando a natureza, dócil para todos nós

Orando para si mesma, com a calma que Deus lhe deu Pedindo benção para seus orixás Pedindo paz, estendendo a mão, falando de amor Para a eterna beleza, deixando o sorriso

Sem medo de qualquer semelhante Estendendo a mão com humildade Respeitando todas as culturas Beijando a face em nome do amor

Seguindo o exemplo dos bichos Sem maldade no pensamento Sem o rancor das diferenças Sem arma e sem guerra

Alimentados com a bondade Feliz pelo belo e pelo sorriso Sem os cadeados e sem prisões Todos vivos pensando somente no amor e na paz

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O AMOR É A BASE DE TUDO
Por Lenival de Andrade O AMOR É A BASE DE TUDO O amor é a base das nossas famílias Dos nossos relacionamentos Nossas amizades Nossa vida enfim Como falar de amor Sem imediatamente Pensar em alguém especial Alguém que te faz feliz Quer te ver sempre sorrindo Que te traz boas recordações E nada melhor que a poesia Para traduzir esse estado de espirito: MEU AMOR

Meu amor Gosto muito de você Não quero nunca te perder Agora me faça um favor Pois te amo com fervor E preste bem atenção Aumentou a emoção Estou bacanamente dominado Por você apaixonado Você é minha paixão

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Entrega
Por Valquíria Gesqui Malagoli Volta pra mim... Porque, hoje, eu peço E me arremesso Aos braços seus, ausentes. Porque sempre foi assim, Subliminarmente, Que tudo entre nós se deu. Mas, volta agora, Enquanto O meu quebranto E o seu são iguais, Enquanto a paz Se estende em meu peito Cansado e estreito... E enquanto, aos trancos, Misturo, aqui, uns versos brancos, À concordância alguma: Verbal ou nominal – Intransigente, em suma! Enfim, quebrei a regra; Percebe que isto é entrega???

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COGUMELO SOCIAL
Por Mario Rezende Esqueço o meu mundo antigo, vou tentar fazer um novo. Vou levar você comigo, eu quero fazer um povo. Se aqui as raças brigam, gritando muita dor, esqueço que sou branco, negro ou como for, quero que todos repitam por dentro somos da mesma cor. Choro entre mãos que constroem tudo, diferença, vida, guerra, mãe, liberdade, solução. Se eu tivesse um canto que fosse um paraíso, tudo que tivesse vida, viveria como a vida de um sorriso.

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Vivemos e percebemos a vida em três dimensões e dentro da realidade da matéria; muito embora, alguns cientistas estudem e pensar ser (A Dialética do Verbo do Amor provável uma dimensão composta na essencialidade da antimatéria. tal qual um filme fotográe da Paz!) fico antigo, onde revela-se o positivo e obtêmse o negativo, assim seria o mundo virtual e o Por Odenir Ferro real, ou seja, o nosso plano físico material e o Nós, humanos, somos e nos somamos verbais, espelho, o reflexo de nós, projetando-nos numa materializados pelos sonhos reais. Somos per- antimatéria, ou vice-e-versa. ceptíveis e palpáveis uns aos outros. Através das Leis Dinâmicas da Matéria composta pelas Leis Orgânicas da Física Quântica! E também, é claro, das ações e reações Químicas que contribuem para as composições existenciais do Todo que há no Universo! Dentro do aqui, e do agora, e também no além, dentro do que se perfaz e se perdura no incógnito do Mistério, do desconhecido pelas nossas compreensões e entendimentos, dentro do que sabemos até o aqui, e o agora!

O PODER DA LUZ

Todos nós temos um invólucro agregado ao nosso Ser espiritual, ao qual o denominamos de corpo físico. Somos instituídos de sentimentos. Muitos, inumeráveis sentimentos! Sendo que alguns deles, senão por se dizer na sua maioria, sentimentos virtuosos, nobres, inteligentes; quanto a muitos e muitos outros, infelizmente, devassos, hipócritas, corruptos e inumanos aos padrões morais, intelectuais e sociais, que nós estabelecemos como regras de estilos de vida, ao longo da nossa existência histórica. E a essa existência histórica, nós a denominamos da Humanidade. Temos história e raízes fincadas neste nosso Planeta Terra! Muitas são belíssimas; outras desastrosas, torpes, vis, mesquinhas, horripilantes. Nós, seres humanos, somos uns malabaristas sentimentais! Muitos de nós, passeamos pelo interior da nossa realidade existencial, como se fossemos uns eternos caminheiros viandantes na corda bamba da Vida! Acredito que entre um algo a mais ou outro a menos, sempre vivemos duelando-nos entre os poderes atuantes entre os ódios e os amores geradores até de Epifanias entre as tréguas e a busca da Paz! Sempre vivemos, portanto, entre as Luzes da Sabedoria e as Ignorâncias das Trevas!

Mas, entre uma tragédia ou outra, seguida de um romance ou outro, os cenários, basicamente, à ex cessão da Revolução Industrial e da Era da Tecnologia que avançou em meados do século passado até os nossos dias atuais, a Natureza manifestou-se dentro deste lirismo poético e febril, dentro dos espaços terrenos aonde o céu encarregou-se de abrilhantar os diversos lugares em todos os cantos e recantos desse Planeta. Sempre motivando-se por Eras e Eras, com os ritmos dos fenômenos mais diversos e inimagináveis ainda, pela nossa vã filosofia. Deste os mais obscuros, incompreensíveis, assim como os mais familiares como os fenômenos das chuvas, das neves, das nuvens, raios e trovões, noites enfeitadas com um miríade de estrelas e a lua, sempre a mesma, desnudando-se nas facetas das suas ininterruptas fases. E também os dias, de sol ou não, embelezando os inumeráveis cenários espalhados e constituintes das mais variadas diversidades biológicas que atuam viventes, dentro deste nosso querido Planeta Terra!

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E o que dizer dos mares?! Estes gigantes insó- mente presente dentro de cada um de nós e na litos, povoando os Mitos, as Lendas, as crendi- concórdia que poderá haver entre nós. O Mundo Espiritual, embora transcendental, é sempre ces envoltas em muitos mistérios?! imutável, juto e íntegro aos parâmetros de cada Mas, os amores e os ódios sempre formaram ser vivente no Planeta Terra! as tramas para que se criássemos os dramas... Sejamos nós, humanos, ou as espécimes do Por aonde culminássemos diante dos nefastos Reino Animal, ou do Vegetal, ou do Mineral, poderes das guerras. Muito embora, pretendês- somos a essência íntegra e imutável dessa Crisemos conquistarmos a Paz! A Paz é uma au- ação Espiritual! sência de amor e de ódio; a Paz é a calmaria, é o interlúdio ou o prelúdio entre os amores e os Somos a resplandescência do Átomo-Semente ódios que já se foram desgastados pelas guer- sobressa lente da Criação elaborada pelas Mãos sapientíssimas da Divindade. Portanto, ras. somos eternos! A Paz é a inocência mais sublime da simplicidade fixada nas texturas do belo. É essência Se num lado do Espelho Reflexivo da Vida vivital, é força pulsante dos apelos e clamores vemos gradualmente envelhecendo, perecendaqueles que se amam e também daqueles do, amadurecendo, padecendo,... Do outro, vamos renovando-nos, dentro das nossas antigas que se odeiam. e novas e renováveis energias espirituais; pois O Amor é chama ardente e acesa que motiva somos espíritos eternos, envoltos em corpos os sonhos alavancados pelos profundos ideais. transitórios. As pessoas que se nutrem de amor e de so- O Amor e a Paz são sentimentos que transcennhos, acabam vivenciando os seus ideais de demos, herdeiros que somos, da Eternidade! paz. Trazendo para o cotidiano de nós, a dinâmica Essa força motivacional é a esperança de me- existencial e providencial da matéria. E o ódio e as guerras sãos as forças do mal, das Trevas, lhores dias construídos dia a dia. existenciais de nós ou não, querendo destruir É o futuro entrelaçando-se com o presente, as estruturas Magníficas das Belezas transitódentro da hoje, do agora, do imediato. rias, embora imutáveis, dentro do transcendental que atua Eternamente no Poder da Luz da A força do Amor é a alavanca que impulsiona Divindade de Deus! os nossos desejos de conquistarmos a realidade de um Mundo melhor, aonde as pessoas poderão se compreenderem mutuamente, tal como cada qual, sem nenhum sinais de preconceitos, fazendo da Vida em geral, uma partilha, num entendimento com diálogos simples, através dos quais, criaremos A Dialética do Verbo do Amor e da Paz! Desta forma, poderemos semear e colher os valores da Justiça, da Fraternidade, entre todos os Povos! Demonstraremos aos nossos mais sinceros e aos nossos mais instintivos e primitivos sentimentos, a transparência da limpeza, da clarividência dos objetivos, tal qual às águas claras de um remanso riacho. Como se criássemos poderes coletivos, para reconstruirmo-nos dentro da Sabedoria de Deus, intensa e eternawww.varaldobrasil.com 43

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• 2 bananas nanicas maduras em rodelas • 1 xícara (chá) de leite • 1/2 xícara (chá) de óleo • 3 ovos • 2 xícaras (chá) de açucar • 1 e 1/2 xícara (chá) de fubá • 1 colher (sopa) de fermento em pó químico • Óleo e farinha de rosca para untar Açúcar e canela em pó para polvilhar 1 Modo de preparo: 1. Bata no liquidificador a banana, o leite, o óleo, os ovos e o açúcar, depois adicione o fubá e a farinha de trigo até ficar homogêneo. 2. Acrescente o fermento e misture com uma colher. 3. Despeje a mistura em uma forma de aprox.. 24 cm com buraco no meio, untada e enfarinhada. 4. Leve ao forno médio preaquecido por 30/35 minutos ou até que ao enfiar um palito ele saia limpo. Deixe esfriar, desenforme e polvilhe com o açúcar, a canela e sirva. Rendimento: 8 porções Tempo de preparo: 50 min

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Escrever o amor
Por António Boavida Pinheiro

Quão pouco me parece o quanto tenho escrito, e hei de ainda compor... Não há verso que valha uma gota de pranto... Nem poema que traduza, um segundo de dor... Nem palavra que exprima a singeleza e o encanto, de um pedaço de céu... De um sorriso... De uma flor... Ah! Quão pouco me parece tudo quanto na vida tenho escrito sobre o amor... Será que a palavra deveria existir? Ou tão somente a infinita poesia dos gestos! Que o amor, quando o sinto, é profundo, infinito e imenso... Mas se o acho tão grande, quando nele penso... Me parece tão pouco o que sobre ele escrevo...

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O Amor e o sorvete
Por Viviane Lucena Tão simples assim quanto tomar um sorvete ; Você sai na rua e mostra um sorriso; Você vai a sorveteria pede um sorvete; Você ajuda quando pode e quando não pode, pede ajuda ; Você paga seu sorvete e agradece ; Você constrói um mundo colorido e encantado ao seu redor e todos conseguem enxergá-lo ; Você toma seu sorvete certamente delicioso e com muito prazer; Fazer amor e não a guerra é como tomar E você sorri ainda mais forte a cada manhã sorvete, ou seja, simples assim e muito praque a Vida te presenteia ; zeroso ! Quem disse que dar amor é tão difícil ? Distribua sorrisos, distribua verdade, solidaQuem disse que no mundo atual é mais fácil riedade, e principalmente distribua Amor desamar do que amar ? mesmo ainda quando tudo parecer a guerra ! Pensamos juntos agora : o que queremos para nós mesmos ? O que sonhamos e desejamos ? Certamente que ninguém deseja os males da vida, as dores, as angústias, enfim coisas essas que nos atormenta a alma. Ah um bom assunto : a alma – ela é nossa principal fonte de depósito . É nela que depositamos nossos maiores sentimentos e é essencialmente através dela que recebemos e sentimos energias (boas ou ruins) vindouras tanto do amor quanto do ódio. Podermos comparar esses depósitos simplesmente como uma plantação, isto é, quem planta abacaxi e colhe melancia ?! Em verdade, quem planta a guerra e colhe o amor ? Ou vice-versa. O contrário também pode existir, é um fato. Contudo é a Vida e não o seu coração que irá se encarregar de fazer o ‘certo’ ou o ‘errado’ . E é absolutamente a Vida que nos dá os frutos do amor que plantamos, seja ele reconhecido ou não.

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PAZ
Por Zezé Barbelos

Nem alegria Nem dor Nem nostalgia Nem amor E algo diferente Difícil pra muita gente É como acabar a guerra Em toda face da terra. Ela vem depois do pranto Como num doce encanto Faz passar todo tormento Que nos traz o sofrimento. De uma palavra tão pequena Fiz nascer este poema Que uma mensagem traz Revelar a toda gente, a grandeza Da PAZ.

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O Amor é a nossa crença
Por Silvio Parise Logo após o almoço E, depois de uma breve cochilada Como, todos os dias faço Na varanda da casa que acho Aconchegante e, de um certo modo, sossegada. Para, chegarem como de costume, Geralmente na hora exata Onde, relaxado no conforto da rede Deliciando o chá das treze estou Comendo alguns biscoitos e torradas. Para, repentinamente, aqueles que costumo dizer Serem a alegria de nossa casa, Rindo virem, correndo em toda disparada Porque, entre eles tinham apostado, Quem chegaria ao meu encontro primeiro de fato Para, uma vez em meus braços, Me abraçarem bem apertado, Surgindo naturalmente alguns beijos e, claro, Também saborearem da sobremesa Caseira e, que chegou logo depois, Do já famoso doce de arroz Juntamente com o delicioso bolo de chocolate. Para, enfim, juntos usufruirmos toda tarde Nesse paraíso cuja felicidade É de fato o que nos movimenta, Dando-nos luz, paixão e paciência Nessa magnífica, embora modesta fazenda Porque, o Amor é a nossa crença, Daí sermos felizes de verdade.

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PAZ E AMOR

Por Maria Socorro de Sousa

Pela Paz os homens guerrilham Altruísmo em ênfase em esmero Zelo enganoso pela humanidade

Enaltece a eficácia do Amor

Árdego desejo buscam pela Paz Magnífico “AMOR” sempre em renovo Ostenta a busca dos sentimentos ágapes Recalcitra a Paz e Amor... Fatal liberdade

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- Enquanto minha irmã brinca ali no balanço, o senhor não gostaria de conversar comigo? -Porque não, meu jovem. Podemos conPor Carlos Alberto Olmena versar sim. Porque o senhor passa o dia inteiro sentado nesse banco de praça sozinho, sem Todos os que frequentavam aquele lo- conversar com ninguém? Indaga o menino cal faziam sempre a mesma pergunta: aproveitando a oportunidade dada pelo hoO que pensava aquele homem ali, sentado namem. quele banco da praça, divagando com seus pensamentos, alheio ao cenário montado em sua frente e absorto aos acontecimentos ao seu redor? Que tipo de pensamentos passava pela cabeça daquela pessoa que o fazia ficar tão distante da realidade? Ninguém sabia explicar, mas, todo dia ele logo cedo chegava àquela praça, sentava naquele mesmo banco e ali ficava por horas e horas a fio, olhando fixamente a um ponto cego, sem se ater ao que acontecia a sua volta. A praça era muito frequentada por pais, mães e babás que traziam crianças para brincarem nas alamedas e jardins com suas bicicletas, patins e outros brinquedos. De vez em quando ele abria a bolsa que trazia sempre consigo, pegava uma garrafiImagem de Romero-Bri o nha de água já quente pela ação do sol, tomava uns goles, guardava novamente e voltava ao seu estado inerte e pensativo. -Sabe meu filho, eu estou esperando Era impossível deixar de reparar aquele senhor com seus olhos vidrados no horizonte minha mulher voltar. Diz o senhor com certo pois ele destoava totalmente do local e aos brilho nos olhos. - Mas onde ela está? Está viajando? poucos, a presença dele começou a aguçar a - Não sei meu rapaz. curiosidade daqueles que ali ficavam mas nin- Só sei que ela vai voltar. guém tinha coragem de perguntar nada ao des- Minha esposa, há seis meses saiu de conhecido. casa para ir à cidade comprar umas coisas paAté que um dia, um rapaz bem jovem ainda, beirando seus 15 ou 16 anos que acom- ra casa e não voltou mais. - Eu já procurei em todos os lugares pospanhava sua irmã menor pela praça, vendo aquele senhor ali, prostrado naquele banco e síveis, na polícia, nos hospitais, coloquei anuncom o olhar perdido no horizonte, utilizando-se cio nos jornais e até agora nada. -Agora só me resta ficar aqui e esperar, de toda a sua inocência, sentou-se ao seu lado conclui o idoso enquanto uma lágrima teimava cumprimentando-o com um carinhoso bom dia. O homem, por estar envolvido em seus em rolar pela sua face enrugada e maltratada pensamentos e não notando a chegada do ga- pelo tempo. O jovem garoto, comovido com a revelaroto assustou-se, mas retribuiu o cumprimento, calando-se logo em seguida. ção daquele senhor, cala-se por um breve temDepois de um breve silêncio, o rapaz, já po, como que tentasse encontrar palavras para inquieto com aquela situação e cheio de curio- consolá-lo. sidades pergunta-lhe:

O BANCO DO AMOR

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Após se refazer do clima tenso e comovente que se instalou naquele momento, o garoto lhe pergunta: -Mas, senhor, como o senhor sabe que depois de tanto tempo ela virá encontra-lo. Como saberá que o senhor está aqui nesse banco esperando por ela? - Me desculpe mas o senhor já pensou na possibilidade dela ter morrido? Ela pode ter sido atropelada e não terem encontrado nenhum documento que a identificassem, falou o menino com toda a inocência de sua pouca idade. O homem mudou de fisionomia e com um ar de reprovação pelo que ele dissera retrucou em tom mais sério: -Não, menino. Ela não morreu! Ela me prometeu que isso não aconteceria. Pois se isso estivesse acontecido com certeza eu já saberia. Eu sinto e tenho certeza que esta viva em algum lugar e mais certeza ainda que ela venha me encontrar aqui na praça. - Mas senhor... Eu não entendo. O velho homem já mais calmo após a suspeita do menino sobre a morte de sua esposa começa a contar-lhe sua história. -Eu e minha esposa somos casados há quase cinquenta anos, nós nos amamos muito e nunca, até a seis meses atrás, nos separamos um dia sequer. - Nós nos conhecemos aqui nessa praça, exatamente nesse mesmo banco. - Aqui, nesse banco, trocamos juras de amor, discutimos como todo casal faz, namoramos, traçamos nosso futuro. -Nesse mesmo banco eu a pedi em casamento. E o menino atento à história daquele homem, quase nem piscava. E enquanto isso sua irmã brincava alegremente com as outras crianças. Volta e meia, o homem abria sua bolsa e tomava um gole de água em sua garrafinha e continuava: -Esse banco, meu rapaz, foi testemunha de todos os nossos momentos, tristes e alegres. -Foi aqui que eu esperei ansioso e emocionado a notícia do nascimento do meu primeiro filho e foi nele também que chorei sua morte vinte e dois anos mais tarde vítima de uma bala perdida quando se dirigia para o trabalho. - No nascimento de minha filha eu também

estava aqui sentado aguardando sua chegada e nele também estava quando ela muito feliz, me trouxe a notícia de que havia passado no vestibular para medicina. -Anos mais tarde nós aqui, sentados contemplando as crianças brincarem, os pássaros cantarem vimos nossa filha orgulhosa nos mostrar seu diploma de médica e também a vimos se despedir quando ela partiu de mudança para o exterior com o marido. - Por isso, meu menino essa praça e esse banco, em especial, é muito importante para nós. Ele é a referencia de nossas vidas. Portanto eu tenho certeza que ela virá me procurar aqui. -Você sabia meu rapaz que era aqui que nós trazíamos nossos filhos para brincar quando ainda eram pequenos e era nesse banco que a gente sentava para vê-los correr por esses jardins e andar de bicicletas? Era aqui... - Ah! Essa praça... esse banco... Quantas lembranças...balbucia o senhor já com os olhos marejados. E assim passaram-se algumas horas e aquele homem a cada nova história de sua vida e da importância daquele banco, mais o garoto se comovia chegando até em certos momentos verter algumas lágrimas de emoção. Foram muitas histórias. Muitos momentos tristes, alegres, engraçados e dramáticos, vividos por aquele casal. Aquela praça realmente tinha tudo a ver com eles. -Agora eu entendo porque o senhor tem certeza de que ela virá procurá-lo aqui na praça. A vida de vocês está toda aqui. -Vou rezar muito para que o senhor consiga ter sua esposa de volta. -Obrigado, meu filho, você é um bom menino e acredite você hoje me fez o homem mais feliz do mundo porque durante esses seis meses que venho aqui para esperar minha esposa, você foi o único que realmente se importou comigo e teve paciência para ouvir meu desabafo, compartilhar minha solidão, fala o homem afagando a cabeça do garoto carinhosamente. Nesse momento porém, repentinamente ouve-se uma voz trêmula e ofegante dizendo: -Meu velho! Eu sabia que o encontraria aqui. Quanta saudade! Subitamente e quase sem acreditar na voz que ouvira, olha para o lado e vê sua amada esposa ao seu lado numa cadeira de rodas
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sendo empurrada por uma senhora. Foi uma comoção geral. O homem levantou-se esquecendo até de suas limitações devido à idade e atira-se aos braços de sua esposa, beijando-a fervorosamente. -Mas o que aconteceu, meu amor, fala o senhor aos prantos. A senhora que empurrava a cadeira intervém e começa a explicar: - Naquele dia, quando saiu para fazer compras ,ao chegar à cidade sofreu um acidente, bateu a cabeça e perdeu a memória. Não se lembrava de nada. - Ela foi encaminhada para um hospital na cidade e quando recebeu alta, eu a levei para minha casa e a tratei até que conseguisse me lembrar de alguma coisa que a trouxesse de volta. - A única coisa que se lembrava e falava constantemente era de quanto amava o senhor e de um certo banco de praça, que não sabia onde era, mais nada. - Foram meses andando com ela pelas praças atrás de um banco onde certamente encontraria seu marido, até que finalmente hoje, depois de quase desistir o encontramos. O garoto que assistia a tudo não podia mais esconder as lágrimas que escorriam sobre seu rosto. Foram passando os dias e aos poucos a velha senhora foi recobrando sua memória e todo dia o garoto os encontrava ali naquele banco e ficavam conversando por várias horas seguidas até que alguns meses depois para sua surpresa e tristeza, o casal simplesmente desapareceu do local e nunca mais foram vistos por ali. Anos depois, naquele banco, um jovem senta e tira de seu bolso um pequeno pacote delicadamente embrulhado em papel brilhante. Nisso, senta-se ao seu lado um garotinho de seis ou sete anos e pergunta-lhe: - Moço, o que o senhor faz aqui sentado sozinho? O jovem olha para o garotinho e cheio de ternura responde: -Estou aqui esperando minha namorada. Hoje é um dia especial. Vou pedir-lhe em casamento. -Mas porque aqui moço, indaga o menino. -Porque aqui, neste banco há alguns anos atrás eu conheci uma menina, me apaixonei por

ela e hoje eu quero casar. -E como foi, insiste o garoto, curioso. -Vou lhe contar: -Alguns anos atrás aqui mesmo neste banco eu conheci um senhor que por conta do amor nunca desistiu de reencontrar sua amada. Nós ficamos muito amigos mas infelizmente ele desapareceu sem dar notícias e eu nunca mais o vi porém numa das vezes que vim procurá-lo sentei nesse banco para esperar e foi ai que encontrei a menina que me apaixonei. Esse banco se tornou especial para mim. -A única lembrança que ele me deixou foi esse pacotinho, mas ele deixou claro que eu só poderia abri-lo no dia em que eu pedisse alguém em casamento. E hoje é o dia. - E o senhor vai abrir agora, perguntou o menino mais curioso ainda. -Sim. Eu ia fazer exatamente isso quando você chegou. O jovem então abre o mimoso pacotinho e dentro dele saiu uma caixinha de veludo vermelho contendo um lindo anel de brilhante e uma carta. Surpreso o jovem contempla o valioso anel, abre a carta e começa a ler. A carta dizia: “Meu menino, você foi a pessoa mais especial que eu conheci depois dos meus filhos e minha esposa”. Possivelmente quando você ler esta, nós já não estaremos aqui nesse mundo, mas quero que aceite esse presente.

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-Naquele dia, eu estava totalmente desiludido e já sem esperança de encontrar minha esposa querida. Estava prestes a fazer uma loucura pois não suportaria viver mais um dia sem sua presença e você como que entendendo o que se passava me ajudou-me deu forças e eu a encontrei. -Esse anel foi muito especial para nós porque pertenceu ao meu avô que deu para minha avó no dia do seu casamento. Depois passou para meu pai que presenteou minha mãe quando se casaram e chegou ate a mim e, minha esposa o usou desde nosso casamento até o dia em que eu o dei. - Na verdade ele pertenceria ao meu filho mas, quis o destino que ele fosse embora muito cedo. Porém tenho certeza que ele se fez presente naquele dia em você sentou-se nesse banco naquele dia. Portanto esse anel pertence a você... meu filho. -Que você seja muito feliz, tal qual eu fui ao lado de minha amada esposa. O jovem simplesmente desaba de emoção e chorando muito, abraça o menino que apesar de não entender nada, retribui...

PAZ
Por Cléo Reis

Livre ! Livre alma leve Enfim, danço na brisa perfumada Perene amor em ação, trabalho realizado pelo coração transcendendo mazelas Nenhuma ilusão habitou-me Crísticos ideais construíram a Paz

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Faça amor ...
Por Oliveira Caruso

De fronte a uma igreja o tudo perde o sentido. Mais parece que este seja um cálice de sangue caído. No topo há uma cruz. E esta guarda uma dura verdade. Nela definhou e padeceu Jesus por nós e contra toda a maldade. Cruzes pelo mundo se espalharam, a evitar que sacrifícios se repitam. Mais cruzes se multiplicaram, a lembrar aqueles que partiram. Reino da intolerância – porto das almas que deixam no caminho a pureza da infância, pensando estarem sozinhos. Alegria de viver, alegria por viver. Convívio de santos e pecadores. Alegria de não sofrer da guerra seus ardores. Os senhores da guerra – sempre bem protegidos – contam também com a ignorância de muitos. Os espectadores concomitantes – desnutridos, sofridos. Seus filhos morrem tratando aqueles como mitos.

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Poeira.... poeira... levantou poeira...
Por Marilu F. Queiroz

Reforma em casa é um horror. Ainda mais quando de início pensa-se em algo pequeno e rápido. Mas como sempre, a coisa não funciona bem assim. O famoso já que está, vamos fazer... aproveitar que está com a mão na massa, para fazer algo mais. Começa-se sempre com projetos pequenos, nada ousados, econômicos, por assim dizer. Depois... Hum... Foi num desses arroubos de vontade de modificar a casa que me vi envolvida com família e tudo mais, numa dessas aventuras de tentar reformar a cozinha, mudar a posição do lavabo e sala de jantar. Coisa pouca, um mês no máximo e teríamos terminado tudo, se não fosse o espírito de vamos aproveitar que tudo está quebrado para... melhorar a sala de visitas, trocar o piso que estava ficando muito feio... A coisa foi se avolumando de tal maneira que parecia praga espalhando-se pela casa e por fim subiu as escadas em direção aos quartos e banheiros. O que era para ser rápido e simples tornou-se uma novela, dessas que são prolongadas com a intenção de atrair audiência. Até agora foram seis meses de muita quebradeira e poeira. Me lembra a música que a Ivete Sangalo interpreta tão cheia de entusiasmo: poeira.... poeira... levantou poeira... Toda vez que entro em casa me lembro da famosa música e seus predicados. Aos poucos tornei-me impaciente e irritada sem vontade de voltar para lá, tudo era desculpa para ficar trabalhando até mais tarde ou simplesmente demorar para voltar e encarar tanta bagunça. Televisão nem pensar em assistir, pois nenhuma está ligada, tudo está encaixotado e o que não está dentro de caixas está envolto em sacos de lixo pretos que lembram as produções cinematográficas de segunda categoria, em que tudo era coberto por plásticos e cheio de pó. A única diferença é que a poeira varia muito a sua cor característica, ora é vermelha do tom dos tijolinhos lixados, ora branca como o gesso do forro ou da massa das paredes. Difícil respirar com tanto pó. O meu medo é que quando tudo terminar eu esteja acostumada com tanto pó, que ache uma boa ideia mudar de profissão, pois estou sentindo uma forte inclinação a me tornar... empreiteira de obras.

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Poesia do sol
Por Evelyn Cieszynski O sol da manhã atravessa o vidro da janela do meu quarto, ilumina meu travesseiro, meu cobertor, meus pés, chega em meu rosto e me acorda desacordado. Ele não tem noção, mas me faz cosquinhas, minhas pupilas se contraem ao abrir os olhos. Um sorriso. Ele sorri. Eu sorrio. O sol. Ele me faz cosquinhas e eu sorrio.

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Procura
Por Renata Iacovino Onde está a paz? Será que corre pra onde o Homem não está? Onde fica a paz? Permanece buscando seu par? Pra onde ela vai Corremos atrás Buscando tocá-la, apalpá-la Trazê-la pra dentro Trancá-la Fazemos uma prece Queremos o bem Afagamos o próximo O inimigo também E pra onde ela vai? A pergunta não cessa A ausência de resposta incomoda Ela não está na moda? Como invocá-la, envolvê-la Nesse novelo entranhado Que é a vida? Como nos despojarmos Do que ela não quer Para que nos aceite? Onde estou, onde estou? Onde está?

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Imagine
John Lennon Imagine there's no heaven It's easy if you try No hell below us Above us only sky Imagine all the people Living for today Imagine there's no countries It isn't hard to do Nothing to kill or die for And no religion too Imagine all the people Living life in peace You may say, I'm a dreamer But I'm not the only one I hope some day you'll join us And the world will be as one Imagine no possessions I wonder if you can No need for greed or hunger A Brotherhood of man Imagine all the people Sharing all the world You may say, I'm a dreamer But I'm not the only one I hope some day you'll join us And the world will live as one

Imagine
John Lennon Imagine não haver o paraíso É fácil se você tentar Nenhum Inferno abaixo de nós Acima de nós, só o céu Imagine todas as pessoas Vivendo o presente Imagine que não houvesse nenhum país Não é difícil imaginar Nenhum motivo para matar ou morrer E nem religião, também Imagine todas as pessoas Vivendo a vida em paz Você pode dizer que eu sou um sonhador Mas eu não sou o único Espero que um dia você junte-se a nós E o mundo será como um só Imagine que não ha posses Eu me pergunto se você pode Sem a necessidade de ganância ou fome Uma irmandade dos homens Imagine todas as pessoas Partilhando todo o mundo Você pode dizer que eu sou um sonhador Mas eu não sou o único Espero que um dia você junte-se a nós E o mundo viverá como um só

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bou cedendo. Saíram da garagem e pegaram uma avenida principal, viraram à esquerda, eram quase duas da manhã e eles obviamente haviam bebido e fumado um. Waltinho prestou atenção a uma placa, virada para o lado oposto: não estamos na contramão, não? Porra, é mesmo, mas eu viro na próxima. Não deu tempo, eles avistaram as luzes eletrônicas que vieram aposentar as tradicionais giratórias: eram eles, os porcos. Obedeceram ao sinal de encostar, ambos extremamente nervosos. Eu falei pra você esconder isso, porra. Fica tranquilo, eles não vão revistar. Você pingou colírio? A placa é de fora, você vai dizer que não conhece a cidade, eles vão passar uma multa e tudo bem. Ah, tá, então vão falar: tudo bem, podem ir! Como é que me entra na contramão, retardado, há quanto tempo mora aqui? Boa noite senhor, habilitação e documento do carro. Pois não, só um instante. O senhor está transitando na contramão. Sério? Nossa, eu sou de Caxambu, vim visitar um primo, não conheço bem a cidade... Isso não justifica nada, saia do carro, por favor. Os dois. Eles se olharam, preocupados. Senhor, seu documento está atrasado. Mesmo? Mas o final é sete, eu tenho até julho para pagar, é assim em Minas. Essa não cola, moleque. Os dois estavam lado a lado, e o policial jogou a luz da lanterna em seus rostos. Eu deveria recolher o carro, você sabe. Não é necessário, seu guarda, veja... Eu vou fazer o seguinte: vou aplicar a multa, que é meu dever, vocês me dão a maconha que têm no carro e podem ir. Waltinho deu a volta no carro, abriu o portaluvas e pegou apenas uma das pedras. O policial a tomou com a mão enluvada, examinou-a, tá bom, vai, estou com preguiça de escrever hoje. Deu um safanão em cada um deles, devolveu os documentos. Tudo bem, podem ir; e voltou para a viatura, onde seu parceiro ria às gargalhadas. Entraram no carro; e agora, está se sentindo lesado, seu lesado? Porra, até estou, mas estamos saindo no lucro.
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Feito Fumaça
Por Leonardo Afonso Cara, mas isso aqui é o que a gente comprava por cinquenta, não faz tanto tempo assim. Pois é, são tempos difíceis. Ainda assim, estou me sentindo lesado. Lesado você é o tempo todo, zé roela, paga logo sua parte. Era um grupo de quatro, repartindo com uma serra de pão um tijolo; estudavam na mesma universidade, um era da engenharia mecânica, um da filosofia, e dois eram da história: o Caxambu e o Waltinho, inseparáveis. Caxambu era meio alto, um pouco gordo, cabelos cacheados; Waltinho era baixo e magricela, cabelo longo escorrido. Eram eles que debatiam o preço da maconha agora há pouco. O primeiro vinha obviamente da estância mineira de mesmo nome, o segundo da capital; haviam se conhecido na calourada em que Caxambu era bixo, Waltinho era do terceiro semestre, agora estavam ambos perto da formatura. A viagem da casa do Morcego até a do Waltinho foi um tanto tensa, apesar da curta distância. Velho, põe essa porra no saco, tá entendendo?, disse o dono do carro. No saco? Não faz sentido, eles vão perceber o volume de longe. Põe no porta-luvas e fica tranquilo. Caxambu olhou furioso. É pertinho. O outro aca-

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procurar sua cama. Acendeu um cigarro e esquentou um pouco de café, estava intragável, avarandada caiada de amarelo, fizeram festa tomou um copo d'água e foi acordar o amigo. com o Torque, o vira-lata que um cara da física Caxambu demorou a levantar, espreguiçou-se; tinha adotado. A primeira providência foi bolar acabou aquele pão? Acabou, vamo lá na padaum baseado; ainda tinha cerveja na geladeira, ria encarar um misto. Os dois se calçaram e abriram duas. Cara, que fita, mano, a gente po- andaram cinco quadras até a padaria, comeram e voltaram. Digestivo? dia ter se fodido grandão nessa. Sorte que o Chegaram à república do Waltinho, uma casa coxinha queria dar umas bolas. Ele vende, idiota, faz uma grana nisso. Como você acha que ele percebeu? Meu, se olha no espelho, você tá japonês. Na verdade eu já ouvi falar nesse cana que confisca o beque da galera. Meu, tem alguma coisa pra comer aí? Ah, deve ter pão, mas tá meio velho... tem um pão de queijo pra assar. Nossa, põe no forno! Fumaram jogando videogame, antes da metade estava cada um jogado para um canto. Caxambu a dado momento acordou com vontade de ir ao banheiro, sentiu cheiro de queimado e se lembrou do pão Agora. Começaram uma partida de xadrez, daquelas que podiam durar horas; de repente alde queijo. Estava obviamente torrado, e a coziguém bloqueou a luz que entrava pela porta nha repleta de fumaça. Abriram todas as portas aberta: era o Focinho. Entra Focinho, ainda tem e janelas para que ela se dissipasse, mas con- uma ponta aqui. Opa! Cara, você não imagina o que aconteceu com a gente ontem, disse um. tribuíram com sua própria fumaça. Cabeça! A Um policial ficou com metade do nosso banza, ideia foi sua, você devia ter ficado acordado. A completou o outro. Putz, de novo? Peraí, metaculpa é sua, seu cabeça de Cheech n' Chong, de? Por que só metade? Ele não sabia que tinha mais. Porra, então não está tão mal. Um tinha que bolar mais um? Agora já era, mano, amigo meu, o Marco, você conhece, perdeu ducadê o pão? Tá em cima da geladeira, tem zentos de uma vez pra esse mesmo filho da manteiga também, faz na frigideira, e faz um puta. Focinho fazia um triângulo com os dedos pra mim. Caxambu morava em um apartamento para conseguir tirar alguma coisa da ponta. Eu no Centro, tinha que pegar uma estrada; foi até vim com uma proposta pra vocês. Fala. Viram o sol lá fora? Hum... E ontem à noite, o que acona porta e sentenciou: cara, vou capotar por teceu? Choveu. Então, vamo lá? Ah não, proaqui, estou com sono pra dirigir. Sono é o me- testou Caxambu, eu tenho uma prova de oriente médio, não posso bombar de novo. Quando nor de seus impedimentos a dirigir; é melhor é a prova? Quinta. Ah, você estuda na quarta, mesmo, tá chovendo pra caralho, também. tá tranquilo. Ele nem se fez de difícil, entraram Waltinho acordou com a boca seca, estirado todos no carro. em um dos sofás imundos: nem teve força para
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Pularam a cerca, que era dupla, e começaram a percorrer o pasto cantando o tema dos smurfs e passando um petardo um para o outro. O Caxambu achou, dois de uma vez. O chapéu amarelado e o anel no centro, que quase sempre estava quebrado, fica azulado quando quebra, é esse mesmo. Cada um já tinha achado um monte quando ouviram um latido furioso vindo na direção deles. O dono da propriedade podia ser visto de fora de uma caminhonete, no topo da colina. O cachorro estava longe, e por sorte estavam já perto da cerca. O problema foi que o Focinho conseguiu cair entre uma cerca e outra, e ficou todo preso; os dois voltaram e tiveram trabalho para o desvencilhar do arame farpado. Focinho escapou do arame quase ao mesmo tempo em que o cachorro alcançou a cerca. Caralho! Cê tá bem, mano? Bem? Olha pra mim, porra! Seus braços e pernas estavam todos cortados. Calma, vamo lá em casa, a gente lava isso, passa alguma coisa, Valtinho disse, entrando no banco de trás. Quando juntaram as colheitas de cada um, viram que a safra havia sido ótima; aquele era o melhor pasto, alguém observou. Chegaram; ele tomou um banho, aplicaram qualquer antisséptico, que por sorte alguém tinha, e dirigiram-se à cozinha para a confecção do chá. Mas Waltinho viu o relógio e ponderou que ainda pegavam o bandejão aberto se saíssem naquele momento; ninguém discordou. Entraram no campus, passaram em frente à radio, estacionaram: chegaram a tempo; cada um com sua bandeja, serviram-se e se sentaram. O Caxambu encontrou o Pastel, fez o comentário, e automaticamente o Pastel estava na fita. Voltou para a República da Esbórnia com eles. Caxambu fazia um café, Waltinho fazia um beque, Pastel olhava os discos e Focinho reclamava da sorte. Acenderam o digestivo, conversaram e combinaram de tomar o chá às quatro, para fazer a digestão e aproveitar o pôr-do-sol. Parece que tem uma festa hoje na arquitetura, Pastel comentou. Nossa, eu não soube de nada. Parece que é meio de última hora, mas vai rolar mesmo. Bem quando a on-

da estiver acabando, perfeito. Voltaram à cozinha, colocaram os cogumelos numa panela com água e acenderam o fogo. Waltinho acendeu um cigarro e provocou Caxambu: a Diana vai estar lá. Que esteja. Vai estar lá com o namorado. É um direito dela. Cala boca, Caxa, todo mundo sabe que você não superou a Diana. Ah, vai à merda, olha isso aí que deve estar bom. Estava; encheram dois quintos de uma jarra pequena, que puseram na geladeira. Caxambu pegou a estrada, ia em casa tomar ao menos um banho; os outros três ficaram na casa, ouvindo música, jogando videogame e fumando, ocasionalmente. O Caxambu chegou às quatro e meia, todo arrumado, os outros tiraram um sarro, Waltinho sorriu. Foram à cozinha e serviram quatro copos até quase a metade. Todos tomaram de um só gole. Ah, que troço ruim, Caxambu reclamou; poxa, eu gosto do sabor, você acostuma, Pastel discordou; uma vez eu fiz um que ficou um licor, Focinho acrescentou. A universidade não era muito longe, foram andando, tomados de expectativa. Cara, a gente é louco de fazer isso na semana de prova. Relaxa, cara, vai dar tudo certo. Sei lá, meu, a pressão tá foda. Vocês tão sabendo da última da Mariana? Qual? Bem, que ela largou o César e tá dando pro Trindade vocês já sabem, ontem ela deu um jeito de fazer os dois se encontrarem, ficou provocando o César, que acabou saindo na porrada com o outro, e ela ficou de lado se achando o máximo, foi na cantina da física, todo mundo viu. Cara, disseram que o César tá mal, tá perdendo prova por isso. É, mas onde é que ele foi se meter, também! Waltinho lançou um olhar maroto para o amigo. Estavam chegando ao campus, e o efeito começava a se fazer sentir. Um certo mal-estar febril, uma consciência exacerbada do corpo, trocaram risinhos: você também? Foram direto para o teatro de arena, esparramaram-se nos bancos de concreto; uma galera andava de skate no palco.

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Waltinho, você não fez uns banza antes de sair? Eu não, nem pensei nisso. Então vamos fazer correndo, porque vai ficar mais difícil. Todos trabalharam para confeccionar cinco baseados. O Pastel veio teorizar sobre a arte de dichavar: tem duas técnicas, ou você pega cada pedacinho e reduz a pó ou vai quebrando em pedaços cada vez menores. E você já calculou com rigor científico qual é o mais eficiente? É mais uma questão pessoal, mas o primeiro evita aquele berlozão perdido no beque, que fura nossa roupa. E de que adianta tanta ciência pra dichavar se o beque que você faz é um pastel? Ah, não é não, eu melhorei bastante. Vamos ver. Na hora de apertar, a coordenação já não ajudava, Focinho ficou segurando a seda aberta um tempão, viajando com um sorriso bobo nos lábios; Caxambu estalou os dedos, acordando-o e todos riram. Terminaram o trabalho, o do Pastel ficou mesmo um pastel, e foi o que acenderam. O celular do Caxambu tocou, não atende, aconselhou Waltinho; calma, é o Du. Fala, Du! Beleza, não imagina o que estamos fazendo. Já fez, na verdade. Exatamente! Pode deixar, vamos ficar bem. Sério? Que massa, meu, nós vamos estar lá. Então tá, até mais tarde. Desligou: a banda do Du vai tocar na festa da arquitetura! Porra, que louco! Massa! Será que vai dar certo? Por quê? Sei lá, eles andam meio... deixa pra lá. Naquele momento Waltinho e Focinho se levantaram e passaram a examinar os graffiti nas paredes do teatro. Olha essas cores, caralho! Caxambu ficou onde estava, deitado, olhando as nuvens esparsas executarem um balé fractal para seu deleite, sorrindo de orelha a orelha. O Pastel foi trocar ideia com os skatistas, ainda subiu no skate e tomou uns tombos, voltou gargalhando. Waltinho chamou a todos para tomar água na biblioteca, Caxambu não queria levantar, nem conseguia explicar por quê. Wrauwreuwrouaeiau... Acabaram todos se deitando também, ficaram lá vários minutos. Vamos tomar água, um acordou do transe, todos foram se levantando. Cara, agora tá pegando nervoso. Se-

guinte, ninguém se separa do grupo agora. Focinho observava o movimento normal da universidade e aquelas pessoas pareciam estar em uma dimensão paralela; via uma garota bonita e ria: como se esforçam para serem tão normais, aliás, como tudo precisa fazer tanta força para funcionar... ele se sentia sendo levado por uma correnteza, seguro. Apesar disso, o chá estava cobrando deles a pior fase da intoxicação. Tomaram água, houve um impasse: Caxambu achou que seria ótima ideia conferir a exposição fotográfica na galeria, Focinho gostou da ideia, mas os outros dois não queriam ficar em ambiente fechado, com mais gente. Olha, o pôr-do-sol não demora muito, vamos indo pro Platô, Waltinho sugeriu. Não, cara, é horário de verão, ainda demora; vamos no bosque da economia. Fechou, todos apoiaram.

Era apenas uma área com pinhos, bastante aprazível. Waltinho começou a se sentir inseguro, e puxava assunto sobre o futuro, os outros o demoveram, queriam curtir um silêncio; quase silêncio, ficavam emitindo uns grunhidos bizarros de vez em quando, esparramados no chão. Waltinho disse que tinha que ir ao banco. Cara, fica tranquilo, não é hora disso, você vai à noite. Ele respirou fundo e tentou vencer a ansiedade. Meu, cê tá tendo uma bad?, o amigo se preocupou. De leve, de leve. Então melhor ficar de fora desse aqui, e acendeu mais um. A conversa dos outros, sobre carros, o irritava, então se distanciou um pouco; o amigo foi lá e conversou um bom tempo, tranquilizando-o. Eu quero ir pra casa. Relaxa, seu corpo é sua casa. Decidiram caminhar até onde veriam o sol se pôr. Cara, é como caminhar na lua! Como você sabe, nunca esteve na lua! Ah, não enche. Era uma subida, até uma parte plana no meio de um morrote; Waltinho, o único que fumava careta, sentiu cansaço no meio do caminho. Mas a cabeça, tá melhor? Tá sim, foi um grilo à toa. Chegaram lá, onde um casal se beijava, ao lado de uma moto.
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Cumprimentaram-se, a trupe se instalou em ou- cumprido. A rádio ficava no caminho, e encontraram um camarada fazendo programa. Contatro canto e acenderam mais um dos beques. ram as aventuras do dia e a desventura da vésConversaram sobre viagens que cada um tinha pera, e o Caxambu achou por bem presenteá-lo feito, e algumas peripécias envolvidas. E quan- com o beque que não tinham fumado. Ele agrado a gente tomou um ácido no MASP? Porra, a deceu e observou que estavam todos imundos, gente era moleque. Bem, vocês ainda são, pelo riram. Caxambu estava preocupado, disse que ainda ia em casa trocar de roupa. Melhor não visto. Uma vez eu passei um aperto na Pedra dirigir assim, pega umas roupas emprestadas. do Baú, cara, tinha que descer uma pedra, mas Ah é? Você tem metade do meu tamanho. O não dava pra ver nada; a galera estava acostu- Focinho mora perto, ei Focinho, você emprestas uma roupa pro Caxa? Claro. Viu? Chegamada, mas eu sofri de medo. E você tinha toram, o Waltinho foi correndo colocar um disco mado doce também? Não. Então o que tem a do Miles e o Focinho fez um caprichado. Caver? Sei lá, só lembrei; não esperava a inquisi- beeeeça! Ficaram curtindo o final da onda, canção espanhola. Só os dois amigos, fãs de Mon- sados. Caralho, minha bike ficou lá no bandejão!, Pastel se deu conta. Caxambu se ofereceu ty Python, riram. Aí o Pastel e o Focinho entrapara levá-lo em casa, de lá foi levar o Focinho e ram numas de zoar o outro com piadas meio buscar a roupa e voltou para tomar banho na infantis, os outros se apartaram e conversavam Esbórnia. A camisa era um pouco pequena, pesobre música: Caxambu estava descobrindo o gava na barriga, e ele se sentia ridículo. Já caminhei muito hoje, vamos de carro. jazz e o amigo falava um pouco sobre os principais nomes e movimentos. Porra, o problema de sair é que não dá pra ouvir música. A gente pega o fim da onda em casa. O céu começava a ficar avermelhado, eles trocavam comentários sobre os matizes que só eles viam, ou sobre o formato das nuvens. Acende mais um? Ah, esse é sagrado, não? Seus retardados, a gente acabou de fumar. Fumaram quietos, era a fase contemplativa da viagem. Um grupo de maritacas sobrevoava o morro, em círculos. Parece que elas estão só se exibindo pra gente! Waltinho ainda não esquecera suas preocupações A festa estava meio vazia ainda, o pessoal do Du estava preparando tudo, foram lá conversar. mais no passado. Que adiantou se arrumar to- Eles tinham conhecido aquela tarde um aluno do, Caxa, você tá todo sujo. Caralho, é mesmo, da música que ia tocar violino com eles. Se prepara, o Du alertou. Providenciaram cada um e agora? uma cerveja, que ainda estava quente, era Desceram com uma sensação boa de dever sempre assim. com o futuro de todo, e Caxambu pensava dewww.varaldobrasil.com 64

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Circularam, o Caxambu encontrou um grupo de garotas da engenharia de alimentos que ele conhecia, apresentou o amigo, cada um contou suas histórias de fim de semestre, provas feitas de ressaca ou bêbado, madrugadas estudando à base de café. Elas começaram a falar dos planos para as férias, Caxambu as convidou para conhecer a cidade dele. Elas se foram, ele confidenciou ao amigo que já tinha ficado com a mais baixinha, mas que foi uma história esquisita. Como assim? Ah, nada, esquece. Conta porra, foi falar, agora conta. Tá, eu nunca falo isso pra ninguém, mas vá lá: o que aconteceu foi que eu estava com muita vontade de ir ao banheiro, mas, sei lá por quê, não queria interromper, a gente estava na sala da casa dela, fazendo só uma sacanagenzinha, sabe como é. Bem, na hora de gozar... imagina o que saiu.... Golden shower? É, meio involuntário. Mandou bem. Buscaram um canto afastado para pitar um sem serem incomodados demais pelos abas de sempre. Cara, eu não fui ao banco, lembrou Waltinho. Ainda dá tempo, quer ir lá? A gente vai de carro. Beleza, vou só terminar de apertar. Como diz a música. Como? Do Bezerra. Pois é. Entraram no carro, Waltinho voltou a falar em suas preocupações. Pois é, cara, vou formar e fazer o que? Dar aulas? Por uma merreca? Mestrado? Com meu pai me sustentando? E a Nádia? A gente já namora há cinco anos, ela quer que eu volte, quer casar, porra, eu não estou pronto. Porra, meu, espera terminar e aí se preocupa, tenta o mestrado lá, não sei, vai dar certo. Espera aí. Entrou na agência e ficou um tempo olhando o terminal: a noção de que uma máquina lhe dava dinheiro o incomodou, essas ideias de cogumelo. Sacou algum dinheiro e voltou para o carro. Caxa, ouvi falar que vai ter concurso pro Banco. Taí uma boa, você passa tranquilo.

que se ouvia era um improviso dos mais ousados, cada um tocando uma coisa, mas com resultado muito bom, ao menos na opinião do Waltinho, que estava entusiasmado. Eu falei que eles estavam numa onda experimental. Caxambu talvez ainda não estivesse pronto para assimilar, assim como a imensa maioria ali presente, apenas uns músicos olhavam impressionados, segurando o queixo. O Du depois contaria que foram quarenta minutos de liberdade musical e de sinais da produção da festa para que parassem. Ainda tentaram tocar algo mais estruturado, mas o estrago já estava feito; o Du foi ao microfone. Obrigado, vocês não entendem nada, vocês nunca entenderam nada mesmo! Dali em diante a produção teve o mau gosto habitual na seleção das músicas.

Andavam por aí com suas cervejas, encontravam este ou aquele camarada, incluindo os dois de mais cedo, fumavam, ficavam de olho numa ou noutra mina. Até que deram de cara com ela, a Diana. E ela estava mesmo com o namorado. Meu, olha lá, não é a cara do polícia que bateu na gente? Viagem sua, Waltinho, esquece essa piranha. Deram mais umas voltas e de repente Caxambu sente uma mão em seu ombro; era ela. Oi, Diana, e esticava a camisa para tentar esconder a barriga. Cê tá bem? Bem, sim, quer dizer, fim de semestre, né? E você? Ah, letras é tranquilo, né, pra mim é. Que bom, eu preciso... Você está magoado comigo ainda, né? Não, magoado não. Você sabe da sua vida, eu só não consigo entender. E seu cara, onde foi parar? Foi ao banheiro. Pois é, eu também preciso... Calma, dá pra esperar um pouco? Fala. Tá vendo, eu não quero conversar assim. Então tá bom, eu... Rogério, eu fiz uma besteira, eu sei. Caxambu olhou sério para ela. Você está com outro cara. É, mas... não quer dizer nada. Me dá uma chance de explicar... Seu cara está voltando, me liga se quiser, Chegaram de volta à festa, e a Vó Dilza estava tchau. Waltinho observava tudo, e cobrou um tocando. Mas em vez do repertório de rock na- relatório. Caxambu desfez a pose de durão e cional que já haviam tocado em outras festas, o abriu um sorriso: ela quer voltar.
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A festa estava cheia de gente agora, mas a música não estava boa, e quando o Marcelão disse que o Marco estava fazendo o programa na rádio, não tiveram dúvida. Voltaram a olhar o graffiti do teatro de arena, que não parecia tão incrível quanto à tarde. Fala Marco! Ô, chega aí. Estava tocando Primus. Cara, a gente tomou cogu hoje. Massa! Nós dois mais o Pastel e o Focinho. O Focinho disse que você perdeu duzentos gramas pra um coxinha? Foi, mano, mas é melhor que ser preso, não? Pois é, aconteceu com a gente ontem. Não brinca! É, mas a gente ainda salvou uma pedra. Massa, bota um então, eu tô sem nenhum. Bateram um papo, falaram umas besteiras no ar, e não demorou a surgir a ideia de subir: a rádio ficava em baixo de uma imensa caixa d'água. Leva dois prontos, puseram-se a trabalhar. O Marco mandou um som do Yes de mais de vinte minutos. Era preciso subir em uns canos, atravessar para o outro lado e subir por fora da grade até a primeira cestinha, onde era possível acessar a escada; Waltinho subiu primeiro, Marcelão, que subia pela primeira vez, observou atentamente, e não teve dificuldade, Caxambu apesar da barriga não teve problema (era preciso se esgueirar num espaço estreito), Marco subiu por último. No topo, Marcelão se admirou com a vista, acenderam o beque e ficaram proseando. Ela disse que quer explicar, explicar o que! Cara, você gosta dela, não importa, mulher é complicado mesmo. Eu não queria mais essa pra cabeça, amanhã eu preciso estudar o dia todo. Oriente médio é fácil, é só decorar todas as guerras e acordos fracassados. Como se fosse pouco. Marco tirou o segundo baseado do bolso e sentenciou: esse pessoal só precisa descobrir o cachimbo da paz! Acende logo isso que tá um frio danado aqui.
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ASSIM, SOU EU!

Por J. C. Bridon

Sou um poeta Um escritor Um artista; Sou um pensador. Sou aquele que Procurando encontrou A pedra filosofal Do caminho do seu bem viver.

Sou os versos Sou a prosa Sou daqueles que as vitórias Trazem alegria, paz e felicidade. Sou assim! Um simples mortal Que vagueia em céus estrelados Sob o suave brilho De uma noite de luar.

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A paz que tanto sonho
Por Kamilla Soares Quero mais romance. Não quero saber do tempo. Quero bossa nova, que balança o corpo e tira do sério que parece muito com rock’n’roll. Quero cabelos voando contra o vento. Quero mais liberdade. Não quero mais ouvir falar em guerra. Quero amar, viver e escolher por mim mesmo qual caminho tomar. Não quero mais saber de dor. Quero ver o sol se por. Quero sorrir sem motivo. Quero fazer amor.

Imagem: Peace and Love by KoryGuzPhotography
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Ingredientes: • 4 copos (americano) de leite • 4 colheres (sopa) de farinha de trigo • 8 colheres (sopa) de açúcar • 4 colheres (sopa) de fubá • 1½ copo de óleo • 150g de queijo ralado • 2 colheres (sopa) de fermento 6 ovos 1 Modo de Preparo: 1. Bata no liquidificador 3 copos de leite, (reserve 1 copo), acrescente a farinha de trigo, o açúcar, o fubá, o óleo, o queijo ralado, os ovos (não coloque o fermento ainda) e bata até formar uma massa lisa. 2. Dissolva o fermento no copo de leite reservado, coloque a massa numa tigela grande e envolva levemente com o fermento dissolvido. 3. Unte uma forma de 25 cm de diâmetro por 8 cm de altura e asse em forno médio por uma hora, aproximadamente. Desenforme frio. Rendimento: 6 pessoas

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Paz & Amor
Por Yara Darin (by Sun)

É na doce paz Do teu sorriso Que sinto alegria Inspiro em fantasia E na vida acredito. Ter-te em meus braços Sentir o teu beijo Nosso desejo, quando se revela E sela o nosso amor. É na doce paz Do teu amor, do teu calor Que sinto o esplendor Das nossas carícias As nossas delícias Onde me embriago Repleto de emoções. Momentos sentidos Tempos bem vividos Onde nossas almas Se sentem...se acalmam E plenamente se realizam. Amor.... não teme o tempo É só nosso esse momento de Paz & Amor!

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Pela última vez

Por Ana Beatriz Cabral O encontro tinha sido marcado ali. Na parte central da praça. Num bairro discreto, pouco movimentado, mas ainda perto do centro o suficiente para não demorar a chegar em casa depois. Sentado no banco de pedra com propaganda de uma funerária, ela esperava. Tinha jurado. Tinha jurado para si mesma que era a última vez. Se ele não viesse novamente, seria o fim de tudo. Algumas vezes não acreditava nas palavras doces ditas com aquela voz mansa e rouca. Afinal, homem é tudo igual. Mas, na maioria, acaba por se convencer dos imprevistos que ele dizia ter tido. Eram sempre os mesmos: filhos, mulher, carro, problemas indefinidos, nessa ordem. Olhava as pessoas em volta, poucas, àquela hora do dia. Um dia de trabalho que estava enforcando. Tinha um livro na mão para disfarçar, em caso de extrema demora ou ausência completa, como das outras vezes. Desse modo, não corria o risco de as pessoas olharem para ela com cara de pena, adivinhando tudo: tinha levado um grande bolo. Abria o livro, mas a leitura não fluía, as palavras se embaralhavam e pouco faziam sentido. A eternidade deveria ser mais curta. Também quem mandou namorar homem casado. Sabia

que seria assim, e, pior, colega de trabalho. No escritório, as piadinhas já tinham começado a circular há algum tempo, mas fazia-se de desentendida para o olhar malicioso das outras mulheres e o sorriso cinicamente esboçado das que trabalhavam na mesma sala que ela. Ele também era mestre na dissimulação, nem olhar direito para ela olhava e o cumprimento era o mais formal possível. Bom dia. Boa tarde. Até amanhã. Deveriam ganhar o Oscar qualquer dia desses. Mas o que podia esperar afinal? Uma declaração de amor e rosas toda manhã? Ainda mais ele, reprimido, introvertido, problemático e, talvez por isso, excepcionalmente charmoso, o que fazia a imaginação da população feminina do escritório delirar. Esse pensamento lhe dava alguma satisfação. Tinha sido escolhida dentre muitas, até mais novas e mais bonitas que ela. Deveria ter despertado alguma coisa. Mas a que preço? Raríssimos momentos felizes e muitos encontros frustrados numa espera que não acabava. Lembrou-se de virar a página do livro e olhar o relógio. O atraso se prolongava e transformava-se em certeza de que mais uma vez voltaria para casa sem bonde nem esperança. Só mais uns minutos. Às vezes é o trânsito... É bom se iludir de vez em quando ou quase sempre. Olhava para a rua por onde o carro dele iria passar, se viesse. Estacionaria em frente ao supermercado para disfarçar e viria caminhando calmamente. Durante o trajeto, observaria as árvores, as flores, o que mais estivesse pela frente e acenderia um cigarro, se já não estivesse com um acesso entre os dedos. Fumante inveterado que era. Os dez minutos transformaram-se em vinte minutos, em meia hora, não podia esperar mais. Um misto de decepção e humilhação já tomava conta dela, quando um carro da cor do dele dobrava a esquina, estacionava em frente ao supermercado. Ela apurou o olhar. De longe precisava de óculos. As pernas, com cãibras de tanto ficarem na mesma posição, começavam a ficar trêmulas.
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Era ele. Mas não vinha calmamente. Estava apressado, com o andar decidido e firme. Já não se preocupava mais em dissimular qualquer coisa. Apesar da firmeza, a cabeça não estava tão altiva. Seria medo de encará-la? Ela sabia que esse dia chegaria. Não eram à toa os atrasos, as faltas constantes aos encontros, o cumprimento frio no escritório, o olhar que não encontrava seus olhos. Ela sabia. Tudo que é bom dura pouco. Tudo é sonho. A sabedoria popular era implacável e infalível. Adivinhava o que ouviria. As palavras de praxe... sabe tenho pensado na nossa relação... e acho acho que... e por aí viria o fim. Teria poucos segundos para elaborar uma reação. Choraria? Gritaria? Ficaria muda? Seria o mais provável. Não era capaz de dar escândalo. A vida toda fora assim. Uma pamonha completa. E, pior, talvez ainda dissesse que era melhor assim e tentaria compreender, para completar a cena patética. Ele estava próximo. Levantou-se para tentar dissipar o nervoso. Deu um passo à frente para aparentar satisfação. Silêncio sepulcral. Oi – disse ela – tudo bem? Ele não a respondeu, não a encarava. Deu um suspiro profundo e começou a falar. A principio devagar, depois soltou tudo num repente. Ela escutava, mas não compreendia as palavras. Divórcio... hotel...assumir a relação. O céu escureceu. A praça rodou. E não ouviu mais nada. Ele, pego de surpresa, não teve tempo de segurá-la. Ela tombou para trás, meio atravessada. A cabeça bateu com um forte barulho na quina do banco de pedra com anúncio de funerária. As pessoas começaram a se juntar. Com certeza, já não pensariam que ela levara um fora. Ele, atônito, a segurava em seus braços, exatamente como ela tinha previsto – pela última vez!

Absentia Belli!

Por Kelly de Miranda

Absentia Belli! Absentia Belli! Ecoa ao longe o clamor Gritos escritos em rimas Levados nas asas do vento Palavras de lamento, súplicas de amor Absentia Belli! Absentia Belli! Qual nobre seria capaz? Dedicar sua existência Hastear o fim das diferenças Enfrentar um olhar de dor? Absentia Belli! Absentia Belli! Entoam as vozes aflitas Bradam contra a intolerância No caos, vultos de crianças Vozes nunca ouvidas que marcham em busca de paz Absentia Belli! Absentia Belli!

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Quando o amor chegou
Por Sandra Nascimento Quando o amor chegou A mente ficou afinada Amada, ela sentia o calor o encanto o pai a família a religião Mas o amor não via o amor Viu a paixão E lá um dia se foi feito curupira correndo no meio da mata seguindo a trilha das folhas de outono que caídas ou soltas ao vento espetavam e despenteavam os seus cabelos Foi reto assustado exacerbado com os pés trotados e virados como quem vai e quer voltar A mente, então, meio triste sentiu pena do escapismo traidor e bem depressa compreendeu: dons, valores, sentimos estavam arquivados nela O que vivia ou sentia Não era dele Era ela E disse adeus Depois para ser feliz para sempre escolheu beber um café no bar da esquina ao som de All You Need Is Love Essa antiga canção dos Beatles que não quer passar

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DIA DE PARTIR

Por Fátima Venutti

Dia de finados. A cama vazia, silêncio virado em saudade. Pela janela, o vento empurrava o voil enquanto a vida passava em Super 8 pela TV. Um pigarro a mais, puxou a bacia sob a cama e cuspiu: mais um sonho, menos um dia.

Margaridas no campo santo. O vazio do corpo, saudade alimentando a lápide. Um Pai Nosso, três Ave Marias e um Glória a Deus. Mais um ano na imensidão do vazio: da cama, da carne açoitada, da vida desnecessária. A chuva calou as velas acesas. Mais um pigarro...

A casa vazia, o ruído da placa: vende-se O silêncio em nortes, histórias escritas nas paredes, Chinelos esquecidos na varanda, a rede, o sofá, O nó, a escada, a corda, o vento: saudade. Sob a cama, a bacia transborda excrementos. A morte é um girassol a se levantar todas as manhãs.

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PAZ E AMOR
Por Vó Fia Os anos sessenta e setenta Chegaram descansaram e se foram Agora se lembra e não se aguenta A saudade a tristeza e a dor... Naqueles alegres anos dourados Os hippies alegraram o mundo Pregaram uma utopia por todos os lados De felicidade paz e amor profundo. Com suas coloridas e esvoaçantes túnicas Seus longos cabelos enfeitados Suas bijuterias de beleza única Caminhavam e cantavam enfeitiçados... O amor estava no ar Era tempo de paz e não de guerra O som dolente de suas canções Enchiam os ares as almas e a terra.

Amando e não guerreando Todos se sentiam irmanados Naquela paz se sentiam amados e amando Era o êxtase sem futuro sem passado... Mas o tempo não para por ninguém Voando ao sabor do vento Os felizes anos passaram também Sessenta setenta se perderam no tempo. O século também mudou De vinte para vinte e um A mudança nos assustou Dos hippies não sobrou nenhum... Agora são tempos novos Muita guerra e pouco amor Onde está a paz dos povos? O vento guerreiro rodopiou e levou.

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Faça Amor e Não a Guerra!

A terra foi doada pela natureza, Criador, com queiram, apossada e escravizada pelo mais forte ao mais fraco.

Por Sonia Nogueira

A escravidão é milenar e continua com outra roupagem obedecendo à evolução dos

A Guerra! Quando observo o homem corpomatéria vejo-o como máquina perfeita, tal qual a natureza em equilíbrio ecológico. Órgãos precisam de outros órgãos para se completar de maneira organizada. Quando analiso este ser em seu caráter, encontro um arsenal de adjetivos na mesma quantidade, embora uns com maior ou menor intensidade de uso. Trazemos como herança (desde o primeiro homem) bem e mal: amor-

tempos. Os costumes mudaram, a tecnologia ganhou espaço triunfante, a letra ganhou status, mas o ser humano continua com a mesma essência que foi confeccionada. Em nada alterou sua essência de homem com fabricação defeituosa. A mesma capacidade que o homem tem de amar tem de destruir e odiar. Quem ama protege. Nada mais além do amor é capaz de apaziguar, obter perdão. Se o amor constrói e a guerra destrói,

ódio, justiça-injustiça, perdão-vingança, bom- nada mais a pensar nem decidir, nem escocaráter, mau-caráter, pureza-devassidão, ego- lher. Faça amor não faça guerra. Amor verdaísmo-partilha, guerra e paz. O amor é bastante divulgado nos romances, poemas, artigos, dissertações, tratados, descrito como a força maior para obter a paz mundial. Mas ao homem é dada tamanha fortaleza no poder econômico, e cultura do saber que as virtudes, “ditas sagradas e salvadoras” para se firmar a paz é algo, me perece, inatingível. Parece mesmo inalcançável, o amor. Os lares não mais se sustentam, e, não me afirmem que é provocado pela liberdade feminina! Não. Acredito que é pela falta de amor verdadeiro e diálogo. Os países continuam se digladiando por limites territoriais, força política e religião.
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deiro aos filhos, esposas, amigos, natureza, ao país, a profissão, a vida.

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Entrevista para o Identidade Cultural (Brasil)

recrutamento licito ou ilícito de pessoas ,através das fronteiras nacionais e internaci(Reprodução adaptada das respostas) onais. Muitas são as modalidades do Tráfico de Pessoas, visto que este não só apresenta diversos meios de ser praticado como também Lúcia Brüllhardt é a Fundadora Presidenta Sui- congrega diversos fins aos quais se destinam : exploração sexual, remoção de órgãos e exploça – Brasil da Associação Madalena’s. ração do trabalho . Esta é uma associação, uma pessoa juridica de O Perfil das vítimas é basicamente o mesmo : direito privado, sem fins lucrativos atuando na pessoas que não tem dinheiro ou não têm oporSuíça e no Brasil. tunidade de trabalhar ou estudar e que querem No Brasil O Madalena’s é um trabalho de premelhorar as suas vidas, sendo portanto, geralvenção que atua diretamente em escolas, aemente jovens mulheres ou homens adolescenroportos, rádios, jornais e televisão. Onde são tes oriundos de países em vias de desenvolviapresentados filmes baseados em fatos reais, mento, pessoas ansiosas em busca de um empalestras, debates , entrevistas, e distribuição prego, são enganadas por agências de trabalho de panfletos em bares, restaurantes, praias, e publicidades que forjam situações com proparques e discotecas, através dos quais os jomessas de carreiras desejadas, tais como, arvens no Brasil são alertados e informados sotistas, faxineira, babá , em alguns casos até bre o tema. O Nosso lema é : Vencer e Viver no mesmo uma simples promessa de casamento. Brasil. Através de uma grande campanha de prevenNa Suíça trabalhamos com ajuda direta as vítição em TODAS as escolas estaduais e municimas da Exploração sexual e do tráfico de seres pais em todo território brasileiro. Para que noshumanos, ou seja : indicando a elas os profissisos jovens sejam alertados e informados sobre onais competentes nas áreas de assistência o perigo que correm em deixar o Brasil sem médica, psicológica, jurídica e espiritual. Ajudauma devida formação e conhecimento do idiomos com traduções simultâneas e ou de documa. mentos, providenciamos apoio total as vitimas. Deixando bem claro, que na Suíça trabalhamos O tema abordado e de grande relevância para em leal colaboração a diversos órgãos compe- nossa sociedade nos dias atuais. É necessário que todos estejam engajados na defesa de tentes. nossa juventude. A sociedade brasileira tem Nossa meta é realmente alcançar TODOS os uma grande tarefa : substituir a cultura da reestados brasileiros, no momento temos bases pressão pela cultura da prevenção. em Recife , Rio de Janeiro ( bases ativas). Bahia, Minas Gerais, Espirito Santo , Brasília ( ba- Aos jovens e as jovens brasileiras o conselho que deixo para cada um é que ESTUDEM, VIses instaladas) . VAM E VENÇAM NO BRASIL. Basta somente entrar em contato conosco através do nosso escritório central no Rio de Janeiro Av. Ernani do Amaral Peixoto n° 458, sala “Se conseguirmos sensibilizar uma pessoa, se 607, Niterói, tel. : 021 2620-9544 ou através do conseguirmos resgatar uma vítima, já podemos e-mail contato@prevencaomadalenas.com.br falar de vitória “ . Lúcia Brüllhardt – Presidenta O Tráfico de pessoas tem ocorrido através do do Prevenção Madalena’s Suiça – Brasil”.
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Sobre a Associação Madalena’s Brasil—Reprodução da revista da CIGA

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Sobre a Associação Madalena’s Brasil—Reprodução da revista da CIGA

Lúcia autografando seu livro, sucesso entre os leitores!

Encontre o livro Da Lama do Nordeste à Fama na Europa na Livraria Varal do Brasil www.livrariavaral.com
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A CLONAGEM HUMANA
Por Lénia Aguiar 1 As experiências do casal Samtron com células humanas começaram quando o casal descobriu ser estéril. O seu amor um ao outro e à ciência fizeram-lhes permanecer juntos e realizar inúmeros estudos sobre a clonagem de embriões humanos. Uma bela tarde, Rubídio Samtron, ao fazer uma nova experiência com embriões, conseguiu que a sua mulher engravidasse com um embrião clonado. Estavam muito felizes que decidiram comemorar com champanhe. Enquanto isto, um ajudante, Plínio, arrancara um cabelo a uma moça loura que assistia um concerto, pois já percebera que ela não estava interessada nele e queria tê-la. Ao chegar ao seu laboratório iniciou a experiência que aprendera do Dr. Samtron e clonou a tal rapariga loura em poucos dias. Colocou-lhe o nome de Pancrécia.

Serei o cientista mais famoso da região. Vou apresentar-me no Museu da Ciência Avançada amanhã. Os Samtron em pouco tempo tiveram outra filha, mas desta vez ficou com o metabolismo acelerado, embora fosse menos do que o das outras moças, seis meses equivaliam, aproximadamente, a um ano para ela. Colocaram-lhe o nome de Pamela.

2 Depois de alguns meses, Ribélula voltou a ajudar o marido e os meninos. Agora clonavam um abortado e faziam mais clones através de embriões. – Graças à nossa experiência pudemos baixar a lista de espera dos centros de adopção e ganhar mais um prémio. – Não digas isso, – Murmurou a esposa – para os meninos não pensarem que somos interesseiros. – Acrescentando – Temos amor ao nosso trabalho, queremos muito ajudar os outros. – Então chamou Flánio e ordenou-lhe – Vai colocar essas bebezinhas na adopção. Existem muitos casais em lista de espera. A maioria prefere bebés. Flánio obedeceu à sua patroa.

Os meses passavam e os dois jovens cientistas, Plínio e Flánio, trabalhavam em clones de moças, com a ajuda do Dr. Samtron, e fizeram com que o metabolismo delas progredisse até ao crescimento que queriam e depois estaUm certo dia houve um casal que se vobilizaram, mantendo-as sempre com o mesmo luntariou para permitir uma experiência laboraaspecto, ou seja, jovens, saudáveis e elegantes. Arranjaram namoradas perfeitas num ins- torial e com um embrião clonado o óvulo da mulher foi fecundado engravidando do seu matante! rido. Quando a criança nasceu em perfeitas Depois de alguns meses nasceu a bela condições, sem metabolismo acelerado, a notíbebé Daiana Samtron. A menina cresceu normalmente. Ribélula ausentou-se das experiên- cia saiu nos jornais e sucederam-se inúmeras cias científicas e fora para sua casa cuidar da entrevistas, palestras sobre o assunto e mais casais inférteis se voluntariaram a engravidar bebézinha. Eles estavam muito contentes com o seu através desse processo inovador. A lista de casucesso na clonagem humana. Pensavam já sais sem filhos baixou drasticamente em pouem fazer novos clones e em ter muitos filhos, cos meses e mais felicidade se viu em muitos de ambos os sexos. Além disso, pretendiam rostos. ajudar outros casais na mesma situação de infertilidade. Um dia Rubídio lisonjeou-se perante Ribélula e seus pupilos, Plínio e Flánio: – Finalmente ficarei mundialmente conhecido como o pai da clonagem humana para estéreis. – E sorriu, gabando-se de forma empoada –
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Há um mês...
Por Angelo Colesel
“Uma calada canção palpita e ascende, Frases que nossa boca não atende.” Florbela Espanca Preciso que me ouça, preciso dizer tudo de uma vez, sem pausas, sem seus comentários, sem seu ‘bobo’ ou seu ‘pare’, por isso não me interrompa, não é fácil falar assim, quero que ouça e entenda que faz um mês, sim, um mês, um mês daquela noite que pernoitou em três horas que ainda fluem aqui presentes e nunca bastam, aquela noite que continuou no dia seguinte através da cortina que se abriu e tornou visível um passado desconhecido, mas compreendido sem palavras soltas, um passado de afago, de amizade viva, de conforto de entendimento mútuo que não tem explicação racional – almas sentidas e não explicadas-, se fizesse parte da cristandade espiritualizada diria que somos irmãos de almas, mas como não professo tal simpatia pelo não tangível e não ‘claro’, deixo de lado o místico e fico contente que isso não tenha explicação lógica, mistério que tornou-se vício a partir do terceiro dia , dependência química com altas doses de abstinência, espere não diga nada, sua música me tocou, nossa poesia em comum tocou em algum ponto íntimo do espelho que trazemos do lado de dentro, você sabe bem qual espelho, você finge bem, mas sente sempre, sente até algumas trincas e sei que há em ti uma rachadura que sangra, não chore, por favor, ‘ele’ agora está bem, continuo, espere não fale, seu sorriso, sim, seu sorriso, mesmo que a mim hipotético, traz-me a paz e o sorriso que preciso para seguir, sua humanidade diante do mundo traz leveza, seu bom humor faz-se tocante como sua melancolia, suas criancices, sua inconformidade, sua dinâmica, sua eletricidade, seu carisma- seu dom, seu dom maior musical, sua mocidade, sua maturidade, sua determinação, suas fraquezas, seus desejos, suas manias, sua convicção, sua piedade, suas malícias, suas tolices, seu toque sentido, suas lágrimas que vertem em alguns momentos, eu sei que sim, não esconda, tudo tão consoante e amigável, vívido, este mistério dá medo, sabemos ambos deste medo, mas há tanta alegria neste medo não explicado que deixamos de lado qualquer explicação freudiana e continuamos, não paro, espere você já fala, sua mania de querer mandar e coordenar tudo, às vezes irrita, quero dizer, está aqui latente, muito tudo, preciso, preciso de, preciso dizer que há um mês, sim um mês e eu preciso di-

zer o indizível, explicar o tal medo, esta agonia, este vazio que preenchemos, assusta a você tudo isso? a mim, sim, depois de que me disse que ficava ansioso, sei que sente este medo, que a alma sente e não se explica, você sabe que leio suas entrelinhas, que leio sua vida que se escreve tão clara como noite de lua cheia, sempre noite para nós, é tudo tão claro, que apavora, espere, quase acabando, você é impaciente, sentir esta alma tão inquieta é desfrutar de uma energia que ultrapassa o tempo e que tem voz e grita e ri e chora e faz rodeios e rodeios e cala, mas é toda voz, toda ar, toda cheiro, toda melodia, há um mês esta alma, sim, um mês, não diga, é como saber de sua vida , o antes e o depois, o hoje que vivencio aqui, em poucas horas, em poucas linhas que dizem e berram muito, vivemos este hoje que nos basta, mas este medo, ah o medo, tudo isso um dia passará? sei que sim, a vida não para lá fora, há o real palpável e respirável, sua vida e a minha, você aí eu aqui, um dia você casará, um amor um trabalho um filho uma nova vida, eu aqui, espere preciso enxugar meus olhos, tentarei continuar, um momento...não pense que deposito minha vida em suas mãos, não, não posso, há a outra vida que sinto e respiro há um mundo independente de minha vontade que o sinto quanto toco minha nuca com as pontas de meus dedos e quando seco estas lágrimas eu sinto que sou, sei que você é, e que um dia irá, mas sei também que tudo isso ficará marcado e não há como apagar, ai estas lágrimas, já chorei tanto por isso tudo, você sabe, mas não se preocupe eu estou bem e ficarei pois há uma vida aqui também por mais que eu não a viva, sim um mês, pense, e tenho tanto, tanto a explicar, mas entendo logo tudo passará, calma, eu falo ainda, há um desejo não de carne, você sabe, é uma alegria de saber que você está aí, que conto, nestas poucas palavras que trocamos, com sua atenção, que sinto sua alma e não a explico, que você, sim faz um mês, não finja que não sabe, mas não diga nada, quem sabe eu fale numa língua que não conhecemos e nossas ‘almas’ sejam então entendidas, tenho certeza de que minha ‘alma’ conversa com a sua, mas você ou não entende ou finge que não ouve você desconversa bem sempre, mas eu não ligo e entendo, há um sistema, uma vida só sua, composições só suas , ah sua música, é pura poesia, há um compositor leitor de mundo que inundará a todos com suas melodias mesmo que não compostas mas que vibrarão a quem passe por sua vida, você sabe de que falo, não vou explicar, nem ousaria, você sabe que respeito sua vida, sua realidade, seu ser, eu respeito tudo o que brota e advém deste espelho em que me vejo, talvez fruto de minhas idealizações marginais, de minha dependência, mas há um mês, preciso que saiba que há um mês...

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Paz e amor, faça amor e não guerra.
Por Lúcia Brüllhardt Olho para toda injus ça que existe neste mundo. Vejo muitos sendo explorados, maltratados, violentados e mu lados como em tempos de guerra... Então eu me pergunto como fazer para encontrar o amor e a paz ??? Tenho visto humanos que crescem, nascem e morrem em busca de amor e paz, mas o mundo con nua o mesmo..... Assim procurei em todas as partes descobrir o que é o amor e de como viver em paz... chegando a conclusão de que para tudo neste mundo tem seu tempo ... Paz, Amor, Guerra ? cabe a nós decidirmos em qual deles atuar ? Portanto, quem escolhe falar a linguagem do amor seja Ágape, Phileo, Storge ou Eros. Em tempos de guerra andará na paz.

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Sobre um Filme de Guerra

Por Francisco Ferreira

Apesar da guerra as plantas reflorescem e, indiferentes, as abelhas voejam fabricando mel. Os joões-de-barro driblam os tiros e continuam em seu fatigar construindo seus ninhos na perpetuação da espécie. Formigas defendem o progresso de suas sociedades divinamente organizadas. Desdenhando canhões e rajadas de metralhadoras cantam as cigarras... e cantam! Os ratos e seus dentes que não cessam de crescer roem... e roem... e roem. Os ruminantes passivamente ruminam e cochilam de pé. Os capina altos ao vento discutem e esgrimem com suas folhas à guisa de espadas sem, contudo se ferirem...

Só os homens, por serem racionais, se matam!

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O DESENHO DA PAZ
Por Inês Carmelita Lohn E que o arco colorido Leve para o alto a mensagem Que Deus nos escute E que nos mande fé e coragem. Vamos fazer muito amor Deixando rastros de paz na terra Para apagar as dores e as cicatrizes Deixadas pela maldita guerra.

Olhei para o infinito E por trás de uma árvore gigante Vi a sobra de um lindo arco-íris Com cores bem cintilantes.

Por um momento pensei Que estava sonhado Em ver aquela beleza Ligando a terra em outro plano.

Lágrimas, descerem em meu rosto E caíram ao chão Meu coração pediu pela paz E pelo desarmamento dos canhões.

O desenho da paz no horizonte Fez-me beijar a terra Com fé para natureza eu pedi Pelo fim de todas as guerras.

A imagem do arco cintilante Trouxe-me grandes esperanças De joelhos, a Deus eu pedi Pelo futuro de nossas crianças.

Aquele momento, eu guardei No fundo de minha memória Sei que o amor é maior E sobre a guerra ele tem a vitória.

Vamos fazer nossa parte Amar sem esperar o retorno Quem por nós for amado Um dia vai amar em dobro.

Que a bondade não tenha limites No nosso percurso na terra Vamos espalhar muito amor E espantar todas as guerras.
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A Guerra Silenciosa
Por Joana Rolim A Guerra Silenciosa Era uma vez uma cidade, cidade-jardim, cidade das araucárias, da gralha azul. Flores, muitas flores. A flor é sorriso, esperança, um ideal a se fazer, a gratidão pela vida. Cidade de clima frio, povo frio ( a queixa de quem para aqui vinha), paradoxalmente acolheu imigrantes europeus, que traziam uma visão de um primeiro mundo evoluído, ou a dor de uma guerra estridente, feita de tiros. Para um lugar de paz. Havia paz. Cidade-teste, a classe teatral confiava em seu discernimento: estréia em Curitiba ─ o sucesso ou o fracasso. Com suas características de pequeno povoado bandeirante (1693), se desenvolveu absorvendo costumes, trabalho e responsabilidade, que caracterizavam seus cidadãos. Idioma respeitado, virava piada com a pronúncia exata: "leite quente", ou vocábulos só aqui falados: guri, guria. Era uma cidade de tradição, seus moradores a fizeram assim. Com orgulho. Como também era orgulho seu sistema de transporte, seus parques e praças, o cuidado com o meio ambiente. Foi considerada cidade-modelo, e como a cidade com melhor qualidade de vida, (2007Reader's Digest). "Era uma vez..." Não é mais. 2012- fevereiro: Curitiba, a cidade mais violenta do Brasil. O choque, a pergunta. O que aconteceu? Por

quê? A arma silenciosa do pouco caso: periferia inchada, crescimento da pobreza, ausência de política governamental, que se insinuaram silenciosamente durante os poucos últimos anos, fazendo da violência, da guerra inominada, arma secreta, com silenciador. Eficiente. Alguma semelhança com outros estados do país? Leio antes Bertrand Russel (meu filósofo preferido, que me ensinou o bê-a-bá da vida). "Evidentemente o pensamento não é livre. Se proferir certas opinões torna-se impossível encontrar um ganha-pão." Mas vá lá. Está na imprensa, está nas ruas, está na mente do povo. Mas... com a violência não se brinca. Vou falar. Brasil- agora, as 'asas' da liberdade foram cortadas. Um pássaro sem asas. (Sabiam fazer metáforas. Confundiram-na com o Espírito Santo.) E o sinal vermelho-sangue se ilumina. Todas as manobras são feitas para calar a imprensa, calar os escritores. A língua portuguesa tem que ser descaracterizada - o patrimônio de um povo tem que ser dilapidado. Calar o povo? O povo não fala! Precisa de uma língua para expressão? Contando que dê pra se fazer entender. 'Eu vou comprá dois pão." E daí em diante, assiste-se ao doloroso espetáculo do desmoronamento de uma nação. Desestimulase a leitura, substitui-se pela História em Quadrinhos (Nada contra ela em si). E vê-se o fiasco de um Enem, sem perfil, sem cuidado (propositalmente) para ajudar afilhados ou ignorantes, diante da intriga escabrosa de questões antecipadas para 'privilegiados', tornando a maioria 'tola com caneta". Onde o movimento estudantil em busca da cultura? "O governo os embebedou e lhe prometeu 'ministérios' E lhe dá dinheiro para orgias, regadas a wisque e vodca - com o lema ' revolução pela garrafa' (Veja,2/11/11) e, no chão molhado, encharcam seus Nike e Adidas." Nós pagamos. Sem reclamar. Mas é a vez da ideologia comunista no poder. Têm que mostrar a sua cara. A historia é cíclica, e hoje, 'contrariando seus princípios' deitam e rolam na corrupção. No governo. (Veja,2/11/11). Liberdade?! Ideais afogados. Onde o povo? É domesticado, não fala em liberdade. Paradoxo: são livres no servilismo.

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Onde estão nossos filósofos, escritores, líderes? E as perguntas: (Às igrejas.) ─ Os mandamentos fizeram do Brasil um mundo melhor? (Aos 'ditadores'.) ─ Saciaram com ouro e maldade sua criminosa alma? (Aos corruptos.) ─ O dinheiro do crime os fez livres? (Aos nossos juízes.) ─ Colocar a toga os fez autoridades para defender nossas leis? (Ao povo.) ─ Já ouviram falar da palavra LIBERDADE? Foi tudo tão silencioso. De repente, a prisão, as tragédias, e encarceraram o povo. Ninguém ousa...! A dissidência foi comprada. Quem foram os déspotas monstruosos que governaram com tiros abafados, sorriso de hiena, ideologias arcaicas, ao som do samba, ou do grito de Gol!!! Mas o governo não sabe de nada! Guerra? Temos a paz, dizem eles. Representada pelo pombo sangrento, também confundido com o "espírito santo"? A palavra calada. A mente calada. A guerra silenciosa, sem tiros, com a máscara da paz. O povo enganado. E a constatação: Governar não é para qualquer um. Onde o líder-gênio que transformará o Brasil em uma nação e o ensinará a paz, a justiça, a liberdade no pensar e em seus deveres e direitos?
P.S. Não confundir com o 'gênio' preso na garrafa que, quando liberto, realiza sempre três pedidos. É uma boa piada, enquanto piada. Mas banalizá-la em tragédias...

da esperança
Por Rafael Zen

são sete as esperanças que dizem que resta depois dos trinta: o amor cozido lento igual geleia, a pele mais forte que aguente mais dor, um cachorro abanando o rabo, que descubram uma fruta nova que dê no sul, a sedução coesa da experiência, que os janeiros fiquem cada vez mais frios, e o sonho de morar no sítio, mesmo que a maioria dos suicidas more lá. deus, meu bom pai, que me permita um anexo: se ser adulto e homem for assim banal e fácil, que me deixe nesse limbo intermediário entre uma idade e outra.

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FAÇA SUA ESTA CAUSA!

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PARTICIPAÇÃO NO VARAL

- Em maio tema livre – receberemos textos até 31 de março (se atingirmos um número ideal de páginas o texto pode ser reservado para uma próxima edição); Você pode escrever na forma que desejar: verso ou prosa! Haicai? Trova? Poema? Crônica? Conto? Miniconto? Soneto? Que outras mais você faz? Mostre pra gente! Traga sua poesia, sua visão da vida, seus sonhos, para o VARAL! E se você ainda não veio para a livraria que o VARAL está abrindo em Genebra, não pode perder esta oportunidade! Muitos já aderiram, o site já está com muitas visitas e queremos ver você por lá! Se desejar divulgar suas obras no exterior, venha! Se quiser detalhes, escreva para livrariavaral@bluewin.ch e lhe enviaremos todas as informações. Participe, divulgue! Venha para o Varal, a sua literatura sem frescuras!
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ABISMO ILUMINADO Regina Araujo

Carinho incontido, faltoso. Tropeço carente de luz, esplendoroso. Caindo, subindo, descendo ao poço suspeito do Ser, invadido pela dor do everter. Caminhos obscuros de doces ilusões e também suspeitas cruéis de amor infortúnio, de aflições. Existência irreal como babéis. Fosso profundo que mergulha na lama do éden e voa no céu do inferno fecundo, construído perfeitamente e adrede pelo invejoso homem em oblação, perdido nas trevas da indecisão. Corrupta violência formando caminhos devastados, vazios e castrados, floridos de rosas tristes em anuência. É o homem que procura ilusões e perde o odor do cálice macio, transparente cristal que engloba mansidões. A coruja ri com seus olhos brilhantes, na escura noite imensa do vazio, zombando das minhas dores altissonantes. Lágrimas de sempre, lágrimas do que não foi e do que nunca será eterno. Do que é e do que não é... Correm, salgam, cristalinas, a boca tremida de palavras cretinas. Salva-vidas do inferno, alienação geral. Conta histórias para a criança que brinca de ter esperança, formando mais um sócio obscuro do mal. Ah... Carinho indecente. Promíscuo pensamento. Ideia verdejante e ardente. O céu e o inferno se encontram em tormento no começo e no fim do meu coração. O campo foi partido por um trovão! Um pássaro voa sobre o mar embevecido em sua beleza a ondular como um alcoólatra feliz que cambaleia no vento. Sorrindo às estrelas febris dá ao Criador um cumprimento e segue sua rota sem destino. Sobrevoa a cidade um pássaro divino que chora pela tristeza que encontra num mendigo. Morre pela criança que como anjo, malvadeza, dorme ao relento, seu abrigo. Mais forte se torna o pássaro! Na mão do homem pousa e se empobrece de tanta dor. Viajando, chorando, repousa, querendo gritar de amor. Implorando a alguém algo impossível, incognoscível. Roga a quem brinca de Ser. De quem deseja viver em paz! Mas encontra um homem pertinaz dando de beber a uma pomba doente, perdida, zonza. O homem sorri com os olhos e a pomba voa feliz para Abrolhos encontrando seu caminho. Num espaço infinito de carinho, o pássaro então, sente um alento. É o amor tentando sobreviver, pedindo trégua à guerra do Ser apenas com o sorriso de puro sentimento

Imagem: Make Love not War by Spookychild

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CONVERSANDO COM CLARA MACHADO
EU TE AMO
Eu te Amo, quando me deparei com essa frase, pensei, Eu te amo, as pessoas tem muito preconceito para dizer para outra, Eu te amo, elas dizem ah você precisa amar muito , para dizer isso, tem muitos que falam eu te amo, mais não amam, ou eu não tenho coragem de dizer isso para ninguém pois vão tomar conta de mim, e por ai vai, e ai descubro que Eu te amo é um mantra de purificação , de limpeza, e que quanto mais você falar , e pensar em Eu te amo, mais, limpo, e purificada você vai se sentir e mais em Paz, com você, e ai você vai começando a fazer a sua própria transformação, pois em vez de você pensar , nossa minha vida esta toda errada, você pensa , eu te amo, minha vida, ou estou sem dinheiro, estou doente, estou com falta disso, ou daquilo, ai você diz para você mesmo, eu te amo, falta de dinheiro, eu te amo, doença, eu te amo, eu te amo, eu te amo, e você começa a perceber tudo vai se transformando dentro de você mesmo e aquele problema que você acreditava que era indissolúvel na sua vida começa a ter solução, aquela doença, se vai e você fica curado, aquela falta de dinheiro, desaparece, pois você se sente mais capaz, mais competente, novas possibilidade aparecem na sua vida, novas propostas, novos caminhos, novas soluções, e tudo fica novo, novamente, o que era velho, agora esta novo, transformado, redimensionado, dentro de você , e seus conceitos que antes você achava que eram indissolúveis, começam a se modificar, a se transformar, porque você esta aprendendo agora a dizer uma palavra simples Eu te Amo. Agora volto para mais uma história , Há um tempo atrás uma amiga me disse você conhece o Hoponopono, eu falei não o que é isso? Ai ela me disse a história de um psicólogo havaiano, que foi convidado para trabalhar em uma penitenciaria no Havaí e ele curou todo mundo, sem ter contato com os pacientes, somente através da oração. Bem lógico que fui imediatamente pesquisar, e fiquei impressionada com tudo que li, esse psicólogo, chegava todos os dias na penitenciaria pegava os prontuários ia para uma sala, e ficava quatro horas por dia lendo os prontuários dos criminosos e dizendo, Sinto Muito , me perdoe, te amo, sou grato. acreditava ele, ou melhor a teoria que ele estava utilizando, que tudo, esta dentro da gente, e que quando a gente se cura, automaticamente tudo se cura ao redor, que o outro é perfeito , que nós compartilhamos as nossas memórias, e que precisamos, nos limpar, nos purificar, e que todos somos um, e todos somos responsáveis 100 por cento por tudo o que nos acontece, de ruim, e quando assumimos essa responsabilidade, começamos o nosso processo de cura e purificação com um pedido que ele da o nome de divindade, ou Deus, onde ele diz. “Divindade, me limpe, me purifique, me perdoe-me cure, te amo sou grato.” Ai você, diz “ Sinto muito, me perdoe, Te amo, Sou grata.” E a sua vida vai se transformando, você vai ficando mais leve, mais feliz e ai você chega onde este livro quer te ajudar a chegar na Paz, na Paz dou Eu, na sua verdadeira Paz. Que é a verdadeira felicidade. Se todos nós nos conscientizássemos disso o nosso mundo vai ser muito melhor. E ai ainda pensando no hoponopono, fui ver de onde vinha e vi, que era uma tecnologia de 3.0000.00 anos que foi descoberta e ensinada pelos Karhunas, ai pensei veja como algo tão antigo pode ser tão moderno e tão atual e tão libertador para nossa geração, tão desacreditada dela mesma, tão perdida, e tão sem fé. Por isso eu convido você leitor a fazer essa experiência, coloque eu te amo em tudo na sua vida durante uma semana e compare os resultados, e você vai ver que verdadeiros milagres começaram a acontecer em sua vida e dentro de você e você vai encontrar a verdadeira felicidade que há tanto tempo você esperava e pensava que ela estava fora de você, e ela estava ai muito mais perto do que você imaginava. Sinto muito, me perdoe, te amo, sou grata.
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Retalho
Por Galdy Galdino Quisera amor Não poemas de amor Quisera flores Não enfeitar dores Quisera vida Não sufocar a vida

Paz versus Guerra
Por Josselene Marques Quem é a favor da paz Vive em harmonia, É humilde, justo e caridoso, Apoia o desarmamento, Ama e cativa o semelhante, Promove a união.

Quem é a favor da guerra, Vive em desequilibro interior, É arrogante, tem interesses egoístas, Cobiça e disputa os bens alheios, Incita o ódio, a revolta, o revide, Separa e destrói.

Portanto, seja um guardião da paz! Junte-se a nós! “FAÇA AMOR E NÃO A GUERRA!”

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AMOR E PAZ
Por Lunna Frank Seja você mesmo, não invente Beije, abrace, acaricie Um passo de cada vez Chegue bem perto sem cerimônia De seu amor demonstre seu sentimento Fique bem perto o melhor tempo possível Não fique sem se doar Mostre seu imenso sorriso Liberte o preconceito Olhe nos olhos Se tiver defeitos, que jeito! Respeite o choro Escute tudo com muita atenção Irradie emoção, simplicidade Encoste bem perto, sinta o toque Segure firme sua mão até suar Não espere ser chamada, vá ate lá Lembre-se das passagens Converse fiado, ache graça Questione porque? Não pergunte resolva Insinua um beijo ardente, Uma malicia inesperada Diga desculpe, obrigado Tudo se ajeita com o tempo Tente de alguma maneira Não se espante se você tiver momentos felizes

Por ser mais apaixonada, quem importa... Somente á vocês dois Se estiver em guerra Desarme fazendo muito amor Até esquecer da vida selando a paz

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De um adeus
Por Marcela Cerqueira Dias de Sousa

tante extremoso seu moço. O filho mais novo acordava cedo, era um indiozinho, ele pensava: -Ele tem a alegria gentil de um bom selvagem daqueles que sente o cheiro da planta, rosas, flores ou de toda e qualquer fruta estando debaixo do pé da árvore. Ele tinha planos espelhares de ensinar e aprender a amar o filho que atingira seus quase sete anos. A criança às vezes extrapolava nas brincadeiras, às vezes, tão intranquila para mostrar o que aprendera, desmedia as curvas na estrada de barro, sua bicicleta, apelidada por veloz, tentava fazer altas manobras em meio ao trânsito com tantos outros motoristas, um estrangeiro que alugara uma camionete para conhecer a cidade, desacostumado com a via de mão dupla dirigia rápido na via contrária usando cintos de segurança. No outro sentido, vinha o pequeno indiozinho (apelido que o pai lhe dera) ziguezagueando pela pista a pedaladas extremas, quando num piscar de olhos, numa curva muito estreita, os dois se avistaram, era pouco mais de 5 metros de distância, o indiozinho, em reflexo, jogou a bicicletinha para uma arriscadíssima manobra à direita , derrapou com o pneu traseiro e “filetiou” o despenhadeiro, os dois por muito pouco não se colidiram quase a camionete levava pros ares a bicicletinha. De longe ele, familiares e amigos viram. Refletindo chegou a solução de que cuidado era essencial em principal com ele, deu-lhe de presentes capacetes, joelheiras, cotoveleiras, fitinhas do Bonfim entre outros tantos apetrechos de proteção, mas havia uma coisa que o filho teria que conquistar sozinho, cuidado consigo mesmo, ele tinha lido uma reportagem falando sobre cuide da sua bicicleta como você cuida de você e assim quando o filho entendesse, não precisaria chamar mais atenção, a atenção se dirigiria por si só, e então estaria pronto para a máquina fotográfica, presente que pedira de natal, e só então ter condições de apreciar a estrada. Mas só depois da mudança de foco. Só que ele não teve tempo de continuar a tutela e a completa formação, o chamado do coração foi exato no que era esperado, ele estava se despedindo, atravessaria a água, olhava e admirava a sua querida filha, ela usava meias altas, "álvidas" como nuvens no céu
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Sentado em sua poltrona de tom castanho claro ele lia seu jornal diário enveredando pelas madrugadas afora, a filha mais nova que geralmente acordava no meio da noite escura para tomar um copo d'água, dava passos no corredor segurando uma lanterna na mão, ela ainda muito menina, aproveitava o caminho entre o travesseiro e a jarra d’água, para, na sala, estender os braços sonolentos e ganhar um abraço com afago pelúcio na cabeça que assanhava os vastos cabelos negros. Nessa hora ele recordava que tinha que levantar do sofá e aliviar as preocupações do dia com um cochilo antes de ir trabalhar, caminhava pisando histórico na madeira que cobria o chão. Era de tablado e esse reluzia de tão prendada ordem que a esposa exigia da trabalhadora do lar para deixar tudo eximiamente limpo, exceto as paredes riscadas que lembravam um dia de parco entendimento entre pais e filhos. Os filhos muito jovens não sabiam que estava chegando a hora da partida, eles estavam em meio a tantas atividades escolares que nem percebiam que o pai estava levantando-se para ir além. Atravessou a porta do quarto das garotas, a mais velha com cabelos dourados dormia tranquila ele aproximou-se alisou seu rosto e desejou que naquele particular amanhecer ela acordasse sorrindo, Voltou para o quarto onde dormia a belíssima esposa, ele sabia que ela não o amava mais, seus tratos estavam longe de ser bons, eram tão evidentes que ela recorria todos os dias as mãos de analistas, já tentara de todos os prazeres para suprir a rejeição que sofria do próprio marido. Sob o divã, tentava encontrar nela a grande imperfeição que fizera ele desrespeitá-la ao ponto de proferir indelicadas palavras chegando propriamente a agressão. Isso tinha que bastar ele se culpava, mas não conseguia evitar, viviam a história real da bela e da fera, só que enquanto a bela tentava “santificadamente” que a fera retornasse ao estado de príncipe, a fera não rompia com o feitiço, e não jejuava de alguns primários pensamentos diários. Afinal jejuar era trabalho bas-

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e sapatinhos de boneca, ela era tão suave que as memórias pareciam inteiras como se fosse hoje. Ficava imaginando o futuro como seria do jeitinho mais espetacular, mesa rica, farta de netos calçando tênis, exibindo tatuagem e segurando mão de namorado, outros com grandes alegrias e para tanto proporcionalmente, responsabilidades. Imaginou a linda e indomável de cabelos claros que num futuro mudaria em divertimento, mas não em rebeldia, ela ainda usava um Spike no braço, assim como, ao lado, sem coleira, um cão Pitty Bull idoso de estimação, o pai admiraria, ele a amava, e sabia que um dia suas piadas seriam perdoadas, ele sabia que a questão maior não eram a piadas e sim a longitude que ela muito sensível pressentia. Ele estava consciente sabia a precisão dela, estudara uma língua mórmon no curso de secretaria com ênfase em Marketing e quando ela queria dizer você é importante para mim, saía com uma cara de: Amiguinhos hoje vou ensinar como fazer bonequinhos de batata! Era meio exótico, alguns começavam a suar debaixo do braço, pizzas e pizzas molhavam as camisas. O pai se calava e respondia: - Direciona para o coração, meu amor, só para o coração!

am uma formosura de fraldas agitadas quando escutava a música na vitrola, os adolescentes perguntavam, porque, como, há quanto tempo?

Com a vastidão ele ia relembrando e compondo as respostas dizendo saibam que estive por perto todos esses anos, eu sei o quanto não foi fácil para vocês me verem partir tão cedo. Uns rezaram outros se indignaram e outros aceitaram o fato da liberdade e da escolha. E agora vejo meus netos querendo construir família, sei que já me fui, só estou em aurora, admiro, quando vejo homens fardados descobrindo o que é respeito para com as mulheres, quando falo mulher falo feminino, enquanto isso, ele, com esmero passou a faca na parte podre de uma maçã e acrescentou, antes os Descartianos jogariam o cesto inteiro de maçãs fora, digo que seria um grande desperdício! Concordam? Todos assentiram. A grande ilusão do pensar, mas é possível preceder a existência na completa exclusão? E com precisão acrescentou cubos de maçã na salada de batatas com maionese. Por isso falo hoje de amor e perdão. Beijando a testa de cada um, terminou "Mesmo estando longe estarei sempre presente." Eles observaram ele se afasSentados em roda Ele, os três filhos, netos, tando uns diziam, vou visitá-lo, outros aguardo genros, noras, o Pitty Bull idoso e até a mulher seu retorno e, em uno coro, festejaram aceque preferira afastar-se para, em outro cômo- nando com lenços brancos. do, fazer suas ligações. A roda estava formada e, com toda admiração, ele observou, do lado oposto, o peito calmo como a candura dos seus olhos, a filha sentada numa cadeira tecida de palha, pés flanando nas alturas ela cantava em elevados tons com a vizinha Hosana, afinadíssimas, apuradíssimas, alvas como cristal. Lembrava das inúmeras investidas que fazia para que ela o reconhecesse, pedia ajuda do vento, agitando e abrindo as cortinas, soprava forte quando escutava ela cantar só para dizer estou aqui apreciando, mas ela não reconhecia a ele. Pouco segura mostrava-se, quando, qualquer vento forte passava e precisava de um ombro para dar os passos caso tropeçasse, ou até encontrasse rapidamente um terceiro pé que lhe sustentasse e valorizasse a jóia de identidade de raiz de farinha de tapioca, umbigada de samba de roda, aipim da feira, fubá de milho e leite de coco. Ele segurava uma maçã, as crianças exibiwww.varaldobrasil.com 94

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Sonho
Por Lariel Frota

Eis-me vivendo estranho sonho Caminho sobre um tapete dourado. Como num pesadelo medonho, Meu corpo dali é arrancado!!! Corro louca procurando as letras, Sumiram, roubadas pelo esquecimento. Uma plateia de estranhas caretas Se diverte com o meu sofrimento!!! Quanto mais corro apavorada, Artigos, pronomes, substantivos Se enroscam em verbos e adjetivos, Desaparecem na trilha dourada!!!

Construir uma ponte de magia, Por onde atravessem os sonhadores Os loucos, poetas, artistas Profissionais ou amadores.

Imagem byThakethemoment

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Paz e amor

para todos, Onde haja um lugar à sombra para todos Ou ao sol se preferir. Oportunidade de viver e sonhar Onde não existam dominados e dominantes Ser feliz, Será o paraíso? Aquele dentro de cada um. manifestado em paz e amor, Alargando os horizontes, Alcançando oportunidades, Realizando os bons sonhos Ser incluído na vida com todos direitos e deveres Na mais clara pura e ampla consciência. No mais amplo sentido Justiça, Paz e amor, não enxergamos? Em todos os sentidos Contribua com o grande papel. Que desempenhamos no grande jogo de xadrez da vida, desempenhe seu melhor papel: Ser feliz ` E seja um emissário do amor e da paz.

Por Maria Dalva Leite

Ou tem dentro de si uma onda que não se sabe aonde vai dar Saco sem fundo Buraco negro é o seu sentir, Ou só Ambição no porvir? Para sempre, Todos iam sentir o que é verdadeiramente maravilhoso, Componente da grande humanidade Poder ir e vir, Abolir o medo. Criar União, Lapidar o coração de pedra bruta num pedra preciosa Tendo certeza de estar se tornando melhor e contribuindo para o equilíbrio do mundo E um lugar melhor para todos Qual o legado que recebemos do passado O que queremos legar para as gerações futuras, nossos filhos e netos. Não ensine a eles ´ Atirar o pau no gato` “As crianças são os pais dos homens” Também não os acostumem à violência dos games e dos filmes. Ensinem a ter sabedoria e respeito pelos outros, pelos animais e pelo nosso planeta Nossa mãe e extensão do nosso ser. Pra não cantar `eu não tenho onde morar` E a certeza de estar contribuindo para um mundo mais saudável.

Imagem by baro24

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Por Marlene B. Cerviglieri

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LICENÇA POÉTICA
Por Marta Carvalho Licença... Licença poética Há licença para escrever Da crença, da descrença ou da indiferença, O autor escreve. Escreve ou enlouquece, Escreve ou envelhece Escreve e esquece a tua intenção, Escreve e aquece o meu coração. Palavras soltas ao vento, Exprimem o pensamento Muitas vezes o sentimento De um coração Outras vezes o sofrimento De uma nação Versos feitos com emoção Ou mesmo sem pretensão Também dariam uma bela canção, Poesia e melodia Trazem momentos de magia Às vezes de melancolia, às vezes de alegria. Mas nunca voltam vazias Quase sempre contagia São uma grande celebração. Se na linguagem erudita, É bonita, se bem escrita, Na linguagem coloquial, É original, também é legal. Dos versos uso e abuso, E da gramática às vezes, não faço bom uso.

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NOTÍCIAS DE GUERRA
Por Jacqueline Aisenman

Consta da ata lida em voz alta, quantas palavras, a pior das decisões. Ouvindo-se, era possível ver ainda a agitação das pessoas, o medo traduzindo-se na hesitação entre parar e deixar seguir. Eram duas dezenas de figuras sombrias, sem sorrisos e com a alma vestida de terno e gravata. Todas elas falavam e calavam juntas. Fingiam e moviam-se juntas. Eram todas covardes juntas. Quando o Senhor X baixou os olhos, o Senhor Z recusou-se a falar. Tumulto, arrepios, a febre da agonia e do êxtase. O Senhor X, ainda extremamente egocêntrico, continuou ali, possesso. Depois, enquanto a ata era lida novamente, soubemos das consequências. Os poderosos, sem sair de suas cadeiras, sem sequer se permitir um olhar na direção do outro ou dos outros, mataram milhares de pessoas. Até então. Enquanto a ata foi lida as pessoas não prestaram muita atenção, as paredes ali não tinham ouvidos, ninguém queria mesmo saber a verdade. Todos os microfones estavam à procura do Senhor X e do Senhor Z em algum lugar do planeta. Havia urgência em terminar a sessão. Porque assim que a leitura da ata terminasse eles desapareceriam e, se depois não pudessem ser encontrados, somente uma coisa poderia ser feita: publique-se e esqueça-se. E eles fugiriam das palavras da ata e nem os anjos bons e maus poderiam encontrá-los. Publicou-se, mas não se pode permitir que se esqueça. Alguém precisa entregar para aqueles homens as pás, os caixões e as flores. Precisa levá-los até as terras que serão tumbas, as crateras todas da lua, para que eles enterrem os mortos que na verdade nem são seus. Eles acabarão fazendo parte do passado: o Senhor X, o grande; o Senhor Z, o grande. Os supremos. Capazes de destruir a humanidade. E isto será história e eles serão considerados e estudados. Os mortos continuarão vagando sobre a terra aguardando os outros que seguirão. Cheios de dor e de ódio. Testemunhas: o universo e ata.
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Oração ao anjo da Guarda Santo Anjo do Senhor, Meu zeloso guardador, Já que a ti me confiou A piedade divina, Sempre me rejas, guardes, governes e ilumines. Amém.

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PELA PAZ TITÃS Você espera sempre mais Você não se conforma Você não se satisfaz Todo mundo diz acreditar na paz E você acredita ou não? E então, o que você faz pela paz? O que você faz pela paz? O que você faz pela paz? Todos são capazes da guerra Mas ninguém luta por você Você ainda está sozinho Ninguém acredita em ninguém E você acredita ou não? E então, o que você faz pela paz? O que você faz pela paz? O que você faz pela paz?

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NO MUNDO DA FICÇÃO CIENTÍFICA
Por Daniel C. B. Ciarlini

A vida inteligente em Marte

mais próximos e os avanços telescópicos já haviam mudado o rumo das pesquisas astronômicas. Todas as observações deste período, aliadas a outras mais detalhadas, fez com que cientistas renomados acreditassem Marte como irmão gêmeo da Terra, e por isso viável, também, à vida, impulsionando uma série de novas pesquisas. Estas, por sua vez, influenciaram a produção de narrativas de vida extraterrestre, dentre as quais podemos citar aquela que foi a pioneira em termos de vida marciana e guerras interplanetárias envolvendo o nosso planeta, A Guerra dos Mundos (1898), escrita pelo britânico H. G. Wells, pai da ficção científica moderna. Este livro, adaptado duas vezes para o cinema, foi nada mais nada menos do que uma grande sátira e denúncias às nações européias que disputavam os territórios da África. Espanhóis, portugueses, italianos, franceses etc. consideravam os negros como raça inferior, portanto, próprios para a escravidão e extinção. Foi então que da literatura do britânico ambas as etnias foram transformadas: os marcianos eram, pois, o suposto povo evoluído a invadir as glebas dos terráqueos, e os homens desesperados, no caso os europeus, viviam a mesma aflição que os povos africanos que, naquela ocasião real e histórica, estavam sendo exterminados.

O planeta Marte é o que mais se parece com a Terra, a começar pelo eixo de rotação inclinado, no que se refere à translação, que quase se iguala ao nosso planeta. Diferentemente dos demais planetas do Sistema Solar (com exceção deste em que vivemos, é claro), a atmosfera é limpa, permitindo que a superfície seja vista através de sondas espaciais e telescópios. Também possui estações do ano muito parecidas com as terráqueas, e se nos for possível descrever uma diferença bem óbvia, apontaríamos a temperatura: por estar mais distante do que a Terra do Sol acaba sendo mais frio. O título, portanto, de planeta vermelho não possui relação alguma com o calor, mas com a sua desertificação. A rotação de Marte lembra muito a da Terra, realizada em um pouco mais de 24 horas. Em seus pólos também se formam calotas de gelo e estas podem se mostrar maiores em determinadas épocas do ano, que possui 687 dias. No entanto, é pouco provável, devido à sua pouca força gravitacional, que o gelo nos pólos seja formado por água, senão por dióxido de carbono congelado. Além disso, não possui oxigênio. É óbvio que o parágrafo anterior não resume o que nós, em pleno século XXI, sabemos de Marte, ainda mais quando a busca por seu mapeamento remonta o ano de 1830, do astrônomo alemão Wilhelm Wolff Beer (17771850) que fez a primeira tentativa, embora sem grande progresso, assim como os que o sucederam. Somente em 1877 a história das observações do planeta vermelho mudou significativamente. Nesse ano a Terra e Marte estavam

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Ao lançar este livro, estavam em evidência dois grandes nomes que pareciam, para o tempo, provar a possibilidade de vida inteligente no planeta vermelho, e talvez tenham sido os grandes influenciadores da obra: Giovani Virginio Schiparelli (1835-1910) e Percival Lowell (1855-1916). Schiparelli em 1877 produziu os primeiros mapas aceitos da superfície marciana, diferenciando, ao que acreditava superfícies planas e acidentes acumuladores de água. Observou ainda algumas áreas escuras dos quais julgou serem vegetação, que crescia e decrescia de acordo com o descongelamento ou congelamento dos polos, em obediência às estações do ano naquele planeta. Além disso, o cientista ressaltou a existência de pequenos córregos, dos quais julgou serem canais de água que serviam para irrigar Marte dos polos para as regiões desérticas. A falta de abundância do líquido precioso em solo marciano, já se sabia, se dava pela própria força gravitacional do planeta, que era menor do que a da Terra, implicando, assim, que desde os tempos remotos estava a perder água. O astrônomo, então, defendeu que diante desta situação alarmante vivia em Marte uma sociedade bem desenvolvida, dotada de tecnologia para conter o vazamento do líquido pelo Universo. Desta forma, os canais vistos pelo astrônomo italiano constituíam nada mais do que avançada engenharia marciana. Aliás, o suposto drama vivido pelos marcianos em um primeiro momento foi encarado por aqueles que acreditavam em suas existências com grande simpatia. Mas só em um primeiro momento.

Camille Flamarion, com O Planeta Marte (1892), defendeu a mesma ideia dos canais, construídos de fato por uma civilização naquele planeta. O assunto, porém, ganhou mais respaldo quando Percival Lowell, um astrônomo norte-americano, em 1894, no observatório do Arizona construído com recursos próprios, tentou provar que os canais vistos por Schiparelli estavam se multiplicando – o que indicaria uma ação. Suas observações resultaram na publicação de vários livros, sendo o primeiro Mars (Marte), naquele ano, Mars and Its Life (Marte e seus Canais), de 1906 e Mars Adobe os Life (Marte como Sede de Vida), de 1908. A partir daí os terráqueos, enfim, se convenceram do que se vinha tentando provar desde 1877, com o astrônomo italiano. H. G. Wells, sem dúvidas, pegou carona na ideia dos três cientistas e elaborou uma narrativa que, tempos depois, em 1938, através de Orson Welles, numa transmissão radiofônica, pôs toda a cidade de Nova Jersey em desespero: os habitantes de Marte estavam invadindo a Terra. O motivo? Os marcianos desacreditados de manter o pouco líquido que lhes restava no planeta, decidem transferir sua população para o nosso planeta, rico em água e em condições mais apropriadas para a vida. O que em um primeiro momento parecia simpatia se transformou assim, da noite para o dia, em terror. “[...] os homens deram como certo que qualquer invasão de inteligência extraterrestre levaria ao extermínio da humanidade”, afirmou Isaac Asimov, demonstrando que a sociedade, depois de todas as descobertas científicas a respeito do planeta e das especulações de Wells, já estava de fato crente neste tipo de possibilidade.

Se em 1938 a transmissão de Welles conseguiu causar pânico, isso nos prova que a crença de vida inteligente em Marte, em pleno século XX, ainda era possível. Somente em 1965 é que as observações dos canais de Schiparelli e Lowell são desfeitas, quando a sonda Mariner 4 chega à órbita do planeta vermelho e consegue fotografar, a uma distância de 9.654 quilômetros, a sua superfície, demonstrando não a existência de canais, mas de inúmeras crateras e vulcões. Isso mostra que a crença perdurou por quase um século e, desde Esta concepção de vida inteligente em Marte H. G. Wells, pôs a civilização e a comunidade continuou por vários anos à frente. Ainda antes científica em alerta. da publicação de Wells, o astrônomo francês
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Corroborando a onda marciana, necessário que se registre, Ray Bradbury, um dos grandes nomes da ficção científica moderna, publica em 1949, pela Doubleday & Company, Inc., a sua contribuição à discussão, com um tom mais especulativo, o livro Crônicas Marcianas, um dos de maior sucesso de sua carreira.

maiores giravam em torno de um suposto crânio. Nada disso, no entanto, era ou é real, tudo fruto de especulações infundadas e vítimas de efeitos de óptica. A repercussão desses fatos, porém, prova o quanto a crença de vida em Marte ainda está longe de acabar. Os avanços científicos de pesquisa em Marte até hoje foram válidos, mas cumpre observar que apesar de existir água, esta, por sua vez, é em pouca quantidade e não desempenha função alguma no planeta, senão em auxílio nosso na formulação de possíveis teorias a respeito de que primitivas formas de vida tenham existido lá. Além disso, só uma busca detalhada através do subsolo seria capaz de nos mostrar a evidência, por exemplo, de lençóis freáticos, capazes de favorecer a evidência de microrganismos simples, e isso só se dará em 2016, quando a Agência Espacial Europeia, em parceria com a NASA, enviar ao solo marciano a sonda ExoMars, que será capaz de perfurar aproximadamente dois metros – enquanto isso não ocorre, só nos restarão especulações. Até lá, por que não especularmos sobre a existência de civilizações subterrâneas que sobrevivam em Marte através de processos químicobiológicos ainda não conhecidos por nós? Wells nos deu a receita, escrevamos os Morlocks marcianos! Parnaíba, 15 de fevereiro de 2012. Daniel C. B. Ciarlini

O século XXI despontou com novas descobertas em relação ao planeta vermelho. Até 2008, os únicos gelos conhecidos de Marte estavam nos pólos, e eram de dióxido de carbono, todavia, cientistas do Arizona acreditavam que a sonda Phoenix tinha, enfim, descoberto gelo de água. Em 2009, em expedição ao solo marciano, a sonda Mars Reconnaissance Orbiter localizou a existência de outras formações de gelo em recentes crateras de oito metros de diâmetros. Estas descobertas fizeram com que chegássemos a um raciocínio lógico: Marte, em seu passado, não tinha uma atmosfera seca, como hoje, mas úmida. Logo, passível de uma sociedade antiga. Neste sentido, podemos levantar a linha de raciocínio que naquele planeta possivelmente exista um ciclo, e que se pouco a pouco ele parece retomar a sua vitalidade, provavelmente reconstitua, em um futuro longínquo, outras formas primitivas de vida, isso ainda se não existir espécies em estado de hibernação em seus polos. Há poucos anos, o mundo se viu estático com algumas fotografias coletadas de Marte, e uma delas, que causava ilusão de óptica de uma formação rochosa, desenhava a silhueta de um humanoide sentado. Além desta, outras imagens pareciam mostrar o que seriam carcaças, ou até mesmo fósseis, cujas suspeitas

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PAZ E AMOR Nenhum de Nós

Flores na cabeça, Nossos pés descalços Nossa vida toda De paz e amor Chame a família, avise o tio e o avô Hoje todos vão saber que a sua garotinha se casou Proibida, escondida, muito jovem pra escolher Sua mãe quase desmaia, Seu pai diz que quer morrer Já fui seu namorado por isso ela me chamou Para que eu fosse testemunha dessa história Que seja linda como um dia foi a nossa Refrão: (2x) Com flores na cabeça, Nossos pés descalços Nossa vida toda De paz e amor Avise a vizinha, mande chamar o seu irmão Eles tem que conhecer a sua mais nova paixão Estudante, dependente da mesada de seu pai Um garoto com os braços tatuados E por você perdidamente apaixonado Refrão: (2x) Com flores na cabeça, Nossos pés descalços Nossa vida toda De paz e amor Paz e amor... Refrão: (2x) Com flores na cabeça, Nossos pés descalços Nossa vida toda De paz e amor Paz e amor...paz e amor...paz e amor...paz e amor...

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PAZ ...
Por Ju Petek

A Paz inicia dentro do nosso coração no pensamento na vontade no agir. A Paz inicia com a vontade para o amor sem preconceito sem barreiras. A Paz inicia com a comiseração de doação ... partilha ... A Paz inicia com o coração aberto o sorriso aberto o abraço aberto o olhar aberto carregados de amor. A Paz inicia quando o querer sobrepuja a inércia quando espalhamos comiseração afetos e pureza não importa onde for não importa com quem for é levar o paraíso no sorriso batendo forte no peito o agir em todos caminhos de ser e semear P az a mor z elo

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A PAZ QUE EU QUERO Por Luiz Carlos Amorim Pra que a guerra? Pra que revolta, ódio, dor, ganância? Eu quero a paz, serenidade, amor, quero asas povoando o céu... Quero crianças correndo em meu caminho, quero ouvir risos em todos os lugares, quero sorrisos no rosto do irmão... A paz, ah, a paz... Não vá embora, amiga escorraçada. Fica um pouquinho mais... Inda há crianças por aqui, anjos pequeninos, brancos, negros, amarelos, pardos, anjos que te têm nas asas, como pássaros em liberdade andando pelo chão para depois voar... Vem que eu te quero, paz. Não deixe que eu morra pelo ódio, não importa quando eu vá. Quero morrer com uma flor na mão, na outra mão um toque de criança e nos olhos um sorriso teu... Sorriso de vitória por estar aqui, amiga paz, até que eu vá e até depois que eu tenha ido... Pois há de haver, mesmo que eu não esteja mais aqui, pássaros no céu, crianças pelo chão, flores a desabrochar e corações abertos. Paz, teu tempo é sempre, teu lugar é aqui!

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Cosmopolitismo da Pedra-Som (poema dedicado) Por Kaefe Conrado Chegava-te assim Os olhos não pediam pra ver E se pedissem por que ver? No suor longínquo de batalhas Avulsamente é expelido seco O ódio O sono O sonho O desejo ñ que já são secos em sim A pedra da humanidade O sol da irmandade Os fatos do humano - que são entanguidos por ter de ser Ainda ofertamos morais Só que como polimentos de nossos carros Mulheres de sexo exposto (não duvides, acredite) Não são mais belas, apenas encosto O seio que emana alimenta O acabado. Oh!... (são preces feitas em mesquitas Um índice onomástico é feito à entrada dos cemitérios E incrível é o som de serenata em voga Agora não mais aos olhos e ouvidos, mas ao tato [chegam Chegam-me assim.

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Paz e amor também no futebol
Marluce Portugaels

assim como, do desempenho de nossos craques que jogam lá fora. Isso é motivo legítimo de orgulho para o Brasil. De fato, os países concorrentes invejam e admiram nosso domí-

Todo o mundo sabe que o futebol é um nio nesse campo, e, quando somos eliminados jogo, isto é, um esporte que diverte seus prati- da Copa do Mundo todos ficam surpresos. É cantes e que oferece uma atividade física exce- claro que alguns ficam contentes por sentirem lente. Alem disso, para crianças e adolescen- em nossa derrota uma chance de vitória para tes, a prática do futebol treina coordenação, eles. Para o torcedor brasileiro, porém, fica o espírito de equipe e fair play. Sem espírito es- desapontamento, a frustração pela oportunidaportivo não poderá haver jogo, pois o que im- de perdida de realização com a suposta vitória porta não é o resultado, mas o processo, ou de seu time. seja, a atividade em si. Mas, o futebol é, tamEm momentos de tristeza e clamor naciobém, um espetáculo que em nossos dias se nal pela derrota da Seleção Nacional em um tornou profissional, consequentemente, um torneio como a Copa do Mundo, a mensagem enorme negócio. que poderia ser passada aos homens, mulheres e crianças do Brasil, todos torcedores apaiSe considerarmos o futebol como uma xonados desse esporte espetacular que é o fucompetição esportiva, então, acharemos nor- tebol, é que não fiquem desanimados! Encamal que o torcedor demonstre sua paixão por rem tudo com esportividade. Numa boa! Pois, seu time favorito ou pela seleção de seu país, à nós todos sabemos que futebol não é uma cicondição que essa paixão não se torne fanatis- ência exata, e pouca coisa pode fazer um time mo. Sabemos que qualquer tipo de fanatismo é perder ou vencer. É claro, que seria bom garuim porque pode produzir ações ilegais e cri- nhar a Taça, mas, no final das contas, o que minosas. A história desde a Antiguidade nos importa mesmo é a beleza do esporte e do esensina isso. Por sinal, o hooliganismo de certos petáculo, é o exemplo motivador para as criantorcedores em clubes ao redor do mundo, nos ças, é o espírito esportivo, é o clima de paz e dias atuais, com certeza, não é brincadeira! amor que reina naquele momento. Ou pelo menos é assim que deveria ser! Se entendermos o futebol como uma atividade profissional, em que dinheiro, notoriedade e poder estão em jogo, então, a coisa muda de aspecto. Sabemos da justa fama do futebol brasileiro no exterior, em virtude de nossas numerosas conquistas em torneios internacionais,
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Deus não cobra dinheiro pelo tanto que nos dá, mas a vida aqui na Terra não anda sem ele... no dia seguinte, bem cedinho, deixou com João Por Maria Luiza Falcão os cem reais que ele, meio envergonhado, cobrara pela pintura e os consertos que a casa de obras assistenciais há tanto precisava... ele João ficou radiante ao receber aqueles cem re- bem preferia fazer de graça, mas a dívida com ais, pois enfim ia poder saldar sua dívida com o o Manoel da venda não lhe saía da cabeça... Manoel da venda. Manoel recebeu o pagamento de cara fechada, afinal já estava esperando há quase um mês. Mas também não queria deixar transparecer a um simples pintor de paredes como João que ele, o dono daquela venda que era quase um supermercado, estava tão precisado daqueles cem reais para pagar um de seus fornecedores, o Pedro das farinhas. Pedro, porém, não escondeu o alívio que sentiu ao receber aqueles cem reais, pois a doença da mulher não podia esperar pelos remédios e ele não tinha mais cara para pedir fiado na farmácia do Augustinho. Assim, pôde chegar em casa e ver o sorriso da esposa quando ele lhe entregou os remédios. Augustinho... ah... vivia um tormento, pois o filho, o Junior, andava às voltas com uma turma da pesada, que vivia lhe cobrando umas dívidas que ele, Augustinho, não conseguia bem entender. Na verdade, ele não queria entender... há tempo o filho pedia e ele negava, mas o coração de pai ficava apertado vendo-o naquela agonia. Enfim, decidiu lhe entregar os cem reais, não sem antes lhe passar um monte de conselhos, avisos, ameaças... Junior mal acabou de ouvir aquele desfiar de rosário e partiu para o morro, onde o Wando do pó fazia ponto. Novas ameaças: daqui pra frente, sem grana, sem bagulho. Wando não era má pessoa, apenas mais um trabalhador. Pelo menos era assim que a mãe o via e recebeu de suas mãos aqueles tão esperados cem reais. Maria tinha uma lista de prioridades, mas encabeçando estava seu compromisso com a fé. Afinal, as obras de sua igreja, e o próprio local onde os encontros aconteciam, não eram de graça. Aluguel, tanta gente mais precisada que ela pra ser ajudada... de todas as obras, a que mais lhe tocava o coração, era a que trabalhava com os jovens viciados... tanto sofrimento daquelas pobres criaturas, das famílias... agradecia aos céus o seu Wando nunca ter caído no vício... nos dias de hoje, é sorte mesmo! À noite, na hora de sempre, deixou lá sua contribuição. Uma benção, pensou Ernestina... naquela noite o povo compareceu direitinho... PAPEL SEM DONO
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PAZ E AMOR, FAÇA AMOR E NÃO A GUERRA!
Por Leonilda Yvonetti Spina

mas! Vença a sede de vida e não a de vingança! Vençam a solidariedade e a compaixão! Este mundo só terá jeito, se cada um ostentar no peito a bandeira da compreensão. “Paz e amor, faça amor e não a guerra!” é o canto sublime que a todo momento deve ecoar pelos quadrantes da Terra! Só o respeito às raças e crenças, a tolerância e o entendimento aparam as arestas das desavenças e levam os homens à harmonia. Que cada um de nós seja capaz de, a cada dia, abraçar esse lema como princípio de vida! E a humanidade agradecida, contemplará a alva pomba da paz sobrevoando o universo, a levar no bico o ramo verde da esperança e nas asas, o amor cantado no mais lindo verso! Só com o coração sem rancor a concórdia se alcança. Eliminemos a guerra, semeemos o amor! E a paz colheremos, em abastança!

Chega de tanta discórdia e terror! O mundo precisa de paz e amor. Tantas catástrofes já acontecem, constantemente, pela mão da natureza, causando enorme comoção e tristeza. Até porque, por ganância e ânsia.de poder o homem ousa extrapolar seus limites, e utiliza a inteligência ameaçando o meio ambiente e a própria sobrevivência. Tantos são os que pelejam contra doenças, para prolongar o tempo de vida! Luta a medicina para extirpar os males que afligem a humanidade, para uma existência de melhor qualidade. Inspirados em nosso Criador, quantos exemplos de fraternidade e desmedido amor: Gandhi, Martin Luther King, Irmã Dulce, Madre Tereza de Calcutá e tantos outros que não se importavam consigo apenas, mas, com os semelhantes! Tantas pessoas com feitos edificantes, a pregar lições de paz do Deus Onipotente: - Aquele, que com imensa generosidade, a todos ama incondicionalmente! Chega de tanto horror, cruéis matanças, de ódio incutido no coração de crianças inocentes e perigosamente armadas! Tantas vidas tristemente ceifadas, pelos que atiçam a vingança e o rancor em nome de um Deus, que pregava somente a concórdia, fraternidade e amor! Enquanto a ciência avança para melhorar as condições de vida da humanidade, grupos radicais, de coração em ódio imerso, agem com intolerância e impiedade. Vençam as flores, eliminem-se os canhões! Vençam as mãos abertas, que espalham carinho, e não os punhos que agridem e empunham ar-

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A Paz
Por Joseli Rosa

A paz é um estado pleno, De tranquilidade Que a alma possui. Um tempo ,um momento De suavidade, Introspectividade. Porque não ,de Serenidade Que o pensamento conduz. O mais difícil É conviver, É permanecer E até fazer valer, (dependendo de nós) A paz! Uns acham melhor Viver em guerra Consigo mesmo, Com os sonhos, com o outro, Sem parar E pensar :porque não viver Em paz sobre a Terra?

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Por Madhu Maretiore

Por Rino Montebeller

Nas linhas do livro da minha vida encontrei os seus sonhos. Agora você está distante, na realidade do seu dia a dia, mas tudo ficou marcado, tudo ficou no passado. Se no seu futuro eu não vou estar presente, lembre-se que eu foi somente um pedacinho do seu tempo. Passado... Presente... Futuro... Tudo está escrito.

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A Paz não é dependente da Guerra

Rozelene Furtado de Lima

Sai em busca da paz E encontrei-a em toda parte O sol abraçando o idoso na praça O vento despertando a natureza A mãe amamentando o filho A brisa refrescando a vida A noite acendendo estrelas O orvalho beijando a flor Os pássaros fazendo seus ninhos O galo anunciando o amanhecer O sino chamando para oração A inocência fazendo a criança adormecer O final de tarde pintando o poente com emoção A carícia nas mãos dos amantes A paz e guerra não são opostos, nem contrários Guerra é a disputa por poder dominante A paz não busca adversários Guerra é o inverso do universo o lado feio do ser humano o avesso da coragem, o efeito perverso a negação da fé, a sobreposição do insano é a arma do covarde que só age em bando A guerra precisa de legião De crueldade, de comando. A paz pode ser sentida até na solidão A paz não é dependente da guerra É o símbolo da boa vontade É um estado da alma no céu e na terra Paz é o começo e o fim do curso da vida A guerra não é disciplina é matéria perdida.

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Imagem: Gift for Tomorrow by temporary Peace

Seja a paz nosso presente para o amanhã!
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HIPPIE
(Fonte Wikipédia)

miam sentido pejorativo para a grande massa norteamericana.

Estilo e comportamento
O símbolo da paz foi desenvolvido na Inglaterra como logo para uma campanha pelo desarmamento nuclear, e foi adotado pelos hippies americanos que eram contra a guerra nos anos 60. Nos anos 60, muitos jovens passaram a contestar a sociedade e a pôr em causa os valores tradicionais e o poder militar e econômico. Esses movimentos de contestação iniciaram-se nos EUA, impulsionados por músicos e artistas em geral. Os hippies defendem o amor livre e a não-violência. O lema "Paz e Amor" sintetiza bem a postura política dos hippies, que constituíram um movimento por direitos civis, igualdade e antimilitarismo nos moldes da luta de Gandhi e Martin Luther King, embora não tão organizadamente, mantendo uma postura mais anárquica do que anarquista propriamente, neste sentido. Como grupo, os hippies tendem a viver em comunidades coletivistas ou de forma nômade, vivendo e produzindo independentemente dos mercados formais, usam cabelos e barbas mais compridos do que era considerado "elegante" na época do seu surgimento. Muita gente não associada à contracultura considerava os cabelos compridos uma ofensa, em parte por causa da atitude iconoclasta dos hippies, às vezes por acharem "anti-higiênicos" ou os considerarem "coisa de mulher". Foi quando a peça musical Hair saiu do circuito chamado off-Broadway para um grande teatro da Broadway em 1968, que a contracultura hippie já estava se diversificando e saindo dos centros urbanos tradicionais. A Kombi se tornou um dos símbolos principais da contracultura do movimento hippie, desde 1960 até hoje. Os Hippies não pararam de fazer protestos contra a Guerra do Vietnã, cujo propósito era acabar com a guerra. A massa dos hippies eram soldados que voltaram depois de ter contato com os Indianos e a cultura oriental que, a partir desse contato, se inspiraram na religião e no jeito de viver para protestarem. Seu principal símbolo era a Figura circular com 3 intervalos iguais.

Os "hippies" (no singular, hippie) eram parte do movimento de contracultura dos anos 1960 tendo relativa queda de popularidade nos anos 1970 nos EUA, embora tenha tido muita força em países como o Brasil somente na década de 1970. Uma das frases idiomáticas associada a este movimento foi a célebre máxima "Paz e Amor" (em inglês "Peace and Love") que precedeu a expressão "Ban the Bomb", a qual criticava o uso de armas nucleares. Mais info As questões ambientais, a prática de nudismo, e a emancipação sexual eram ideias respeitadas recorrentemente por estas comunidades. Adotavam um modo de vida comunitário, tendendo a uma espécie de socialismo-anarquista ou estilo de vida nômade e à vida em comunhão com a natureza, negavam o nacionalismo e a Guerra do Vietnã, bem como todas as guerras, abraçavam aspectos de religiões como o budismo, hinduísmo, e/ou as religiões das culturas nativas norte-americanas e estavam em desacordo com valores tradicionais da classe média americana e das economias capitalistas e totalitárias. Eles enxergavam o patriarcalismo, o militarismo, o poder governamental, as corporações industriais, a massificação, o capitalismo, o autoritarismo e os valores sociais tradicionais como parte de uma "instituição" única, e que não tinha legitimidade.

Origens
O termo derivou da palavra em inglês hipster, que designava as pessoas nos EUA que se envolviam com a cultura negra, ex..: Harry The Hipster Gibson. Em 6 de setembro de 1965, o termo hippie foi utilizado pela primeira vez, em um jornal de São Francisco, um artigo do jornalista Michael Smith. * A eclosão do movimento se deu em consequência do surgimento da chamada Geração Beat, os beatniks, uma leva de escritores e artistas que, primeiramente, assumiram os comportamentos copiados pelos hippies. Com a palavra "beat", John Lennon, transformado em um dos principais porta-vozes pop do movimento hippie, criou o nome da sua banda - The Beatles. Tanto o termo beatnik como o termo hippie assu-

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(Só por hoje) 1 – Ikaru na (Não te zangues) 2 – Shinpai suna (Evite preocupar-se) 3 – Kansha shite (Seja grato) 4 – Gyo o hage me (Trabalhe com afinco) 5 – Hito ni shinsetsu ni (Seja gentil com o ser humano) Asa yuu gassho shite, kokoro ni nenji, kushi ni tonaeyo (De manhã e à noite sente-se na posição Gassho e repita essas palavras em voz alta e em seu coração) Shin shin kaizen, Usui Reiki Ryoho (Para melhorar o corpo e a alma, Usui Reiki Ryoho)

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Revista Varal do Brasil A revista Varal do Brasil é uma revista bimensal independente, realizada por Jacqueline Aisenman. Todos os textos publicados no Varal do Brasil receberam a aprovação dos autores, aos quais agradecemos a participação. Se você é o autor de uma das imagens que encontramos na internet sem créditos, façanos saber para que divulguemos o seu talento!

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