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Caro estudante,

Desde a criação da Unifacs, acreditamos que formação é muito mais do que preparação técnico-científica e que nossa missão como Universidade é proporcionar ao estudante uma educação para toda a vida, embasada no domínio do conhecimento, na fixação de valores e no desenvolvimento de habilidades e atitudes. É proporcionar o desenvolvimento integral do indivíduo.

Mais do que profissionais, queremos formar pessoas com visão abrangente do mundo e das transformações da dinâmica social, com competência para avaliar de forma crítica e criativa as questões que nos cercam. Pessoas capazes de enfrentar os desafios que se coloquem ao longo de sua vida e de sua trajetória profissional, e de aprender permanentemente e de forma autônoma.

Buscamos atingir este objetivo - fundamentados na nossa missão e no nosso Projeto Pedagógico Institucional - por intermédio das diversas atividades acadêmicas, dentro e fora da sala de aula, que compõem o Currículo Unifacs e que desenvolvem e fortalecem habilidades essenciais para a formação do perfil do egresso Unifacs; como um “DNA” reconhecido pela sociedade e pelo mercado de trabalho. Este Currículo compõe-se dos elementos descritos a seguir:

‚ Disciplinas de Formação Humanística: oferecidas em todos os cursos de graduação da Unifacs; ‚ Disciplinas de Formação Básica: conferem conhecimentos e competências comuns aos cursos de uma mesma área do conhecimento, para o futuro exercício profissional; ‚ Disciplinas de Formação Específica: proporcionam a formação técnica e o desenvolvimento de habilidades e atitudes necessárias ao perfil profissional do curso; ‚ Atividades integradoras: permitem vivenciar na prática os conteúdos teóricos trabalhados em sala de aula, através do desenvolvimento de projetos específicos; ‚ Atividades Complementares: oferecem oportunidades de ampliação do conhecimento fora da sala de aula, a exemplo da Iniciação Científica, ações comunitárias, programas de intercâmbio, cursos de extensão e participação em Empresas Juniores, entre outras; ‚ Estágio Supervisionado; ‚ Trabalho de Conclusão de Curso e demais atividades acadêmicas.

As disciplinas de Formação Humanística, em especial, cumprem um papel fundamental na consecução desse perfil. Preparam uma sólida base de conhecimentos gerais que permitirão uma compreensão mais ampla da formação técnica de cada curso, estimulando o pensamento crítico e sensibilizando o estudante para as questões sociais, políticas, culturais e éticas que envolvem sua atuação como cidadão e profissional; motivando à busca do saber perene.

Em complementação, portanto, à formação técnico-profissional proporcionada pelas disciplinas de Formação Básica e Específica, as disciplinas de Formação Humanística possibilitarão ao estudante adquirir quatro importantes saberes: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser.

Esta é a concretização do nosso compromisso de formar pessoas melhores, cidadãos atuantes e profissionais comprometidos para a construção de um mundo melhor.

Cordialmente,

Prof. Manoel J. F. Barros Sobrinho Chanceler

3. 4. e reconhecer a importância do desenvolvimento destas habilidades para sua vida pessoal e profissional. Conjuntura Econômica Habilitar à compreensão da dinâmica da economia e do impacto das suas diversas variáveis e características no dia-a-dia de países. empresas e cidadãos. sociais. as disciplinas de Formação Humanística têm como objetivo: Possibilitar aos discentes a visão abrangente do mundo e da sociedade. bem como conhecimentos inerentes aos direitos humanos. necessárias para a formação profissional. Introdução ao Trabalho Científico Despertar o interesse pela ciência. delineando a formação cidadã. econômicos. científicos e culturais. políticos. às questões sócio-ambientais que envolvam aspectos ecológicos.Formação Humanística uniFacs Conforme explicitado no Projeto Pedagógico Institucional da Unifacs. Direito e Cidadania. psicológicos. bem como a participação nos processos sociais. adequando-se às diversas situações comunicativas presentes no dia-adia. legais. apontando seu papel na construção do conhecimento e mostrar como o método científico pode ser utilizado para a solução de questões cotidianas. propiciando aquisição de competências relativas ao processo de comunicação e raciocínio lógico. Promover uma reflexão sobre o exercício da cidadania e os mecanismos que garantem sua efetividade. Sociedade. 2. . à ética. As disciplinas de Formação Humanística e seus objetivos são: 1. Comunicação Desenvolver a capacidade de ler criticamente e produzir textos de forma autônoma. de forma a interferir positivamente na sociedade.

Empreendedorismo Desenvolver a atitude empreendedora como elemento indispensável para o sucesso pessoal e profissional. Arte e Cultura Proporcionar o conhecimento e a valorização das manifestações artísticas e culturais e ampliar a percepção estética como habilidade relevante para profissionais de qualquer área do conhecimento. a partir do entendimento de seu papel como profissionais e cidadãos. 9. Meio Ambiente e Sustentabilidade Transmitir conceitos fundamentais sobre ambiente. seja trabalhando em organizações ou como empresário. 8.5. Saúde e Qualidade de Vida Enfatizar a importância dos cuidados preventivos com a saúde para obter uma melhor qualidade de vida dando a base para o pleno desenvolvimento dos projetos pessoais e profissionais. 7. 6. sustentabilidade e suas relações com o desenvolvimento e despertar atitude político-ambiental nos estudantes. . 10. Psicologia e Comportamento Estudar as interações dos indivíduos no cotidiano. e avaliar papeis e funções nas relações pessoais e profissionais. nos grupos dos quais fazem parte. Filosofia Discutir as grandes questões da vida humana pela compreensão das diversas correntes de pensamento filosófico e de suas contribuições.

conJuntura EconÔmica autor: Gustavo cassebi Pessoti .

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.............................................................................................................................................................................................................A CoNJUNTUrA ECoNÔMICA NA ATUALIDADE ..................................... 5 APrESENTAção ..................o ProDUTo INTErNo BrUTo E A ANÁLISE DA ECoNoMIA BAIANA ..........................................................................FrAGILIDADES DA ECoNoMIA BAIANA E A DEPENDÊNCIA EXTErNA ......................... 39 AULA 04 ..........................................................................................................................CrESCIMENTo X DESENVoLVIMENTo ................................................................................................................................................................ 11 AULA 02 .......................................................................................................................................... 79 AULA 07 .....INFLAção .........................................................................ANÁLISE DAS PoLíTICAS ECoNÔMICAS No BrASIL.................... 55 AULA 05 .................................. 95 AULA 08 ........................ 25 AULA 03 ..............................INTroDUção À ECoNoMIA .................................Sumário ForMAção HUMANíSTICA UNIFACS............................109 ......9 AULA 01 .............................................. 67 AULA 06 .......................3 conJuntura EconÔmica .....................................................................................ANÁLISE DA DEMANDA E oFErTA DE MErCADo........................................................

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por exemplo. em se tratando de um estado com tantas potencialidades para o de- . Embora pareça trabalho de economistas. bem como as políticas de determinação do desenvolvimento econômico do nosso país. na determinação do nível ótimo do crescimento do PIB. reservamos os momentos finais para realizar um grande debate sobre as especificidades da economia baiana. a análise de conjuntura está presente em todas as áreas do mercado de trabalho. na geração de empregos. facilitando a geração de novos negócios nos mais diversos campos de atuação. e examinar que. Num primeiro momento vamos entender a lógica de funcionamento de um mercado e as leis fundamentais da oferta e demanda. Nesse curso será possível entender como as variáveis econômicas se relacionam às mais diferentes atividades. Mas a nossa proposta de estudo vai muito além de aulas meramente conceituais. estamos em uma posição vergonhosa. busquei abarcar as principais discussões da análise econômica. e também no sentido de conhecer as particularidades do mercado baiano. Em nosso módulo vamos analisar as principais decisões econômicas como. Especificamente em relação a essa disciplina. com destaque para o desempenho econômico do Brasil e da Bahia na atualidade. que tem especificidades e limitações impostas por suas características econômicas. bem como os limites e possibilidades que o saber econômico pode proporcionar. as nossas exportações para os demais países do globo. inclusive. Feitas essas considerações de caráter mais conceitual. quando analisamos os indicadores sociais. Nos próximos meses vamos mergulhar na análise da conjuntura econômica. Assim também esclareceremos porque o Banco Central do Brasil assume uma importância tão grande em nossa economia e como as decisões tomadas por esse organismo podem afetar os nossos negócios e. partimos para a análise de conjuntura propriamente dita.aPrEsEntação Caros Amigos. É indispensável para qualquer carreira conhecer bem as nuances da economia. se de um lado temos motivos de sobra para comemorar o fato de sermos a sexta mais importante economia do país. de outro. interferem diretamente no bem-estar da nossa população. Em uma de nossas aulas será esclarecida a questão do crescimento econômico e do desenvolvimento. variáveis que longe de serem sinônimas. os instrumentais de atuação do governo no combate à inflação.

Europa e Japão). Gustavo Casseb Pessoti. Conhecer bem as especificidades da economia baiana é condição sine qua non para maximizar os negócios empresariais que futuramente poderão ser desenvolvidos por vocês no subespaço regional.senvolvimento de negócios. mas de contribuir para o aperfeiçoamento e excelência dos cursos de graduação da UNIFACS. Crise Financeira. prejuízos em gigantescas empresas multinacionais têm sido a tônica das discussões em âmbito internacional. fatores que. em um mercado altamente competitivo. Espero que esta matéria seja uma oportunidade de abrirmos um grande debate. A maior parte do nosso contato se dará no AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem. desaquecimento econômico global (principalmente no EUA. não com a pretensão de formar somente economistas. partiremos para a discussão da conjuntura econômica internacional na atualidade. . após entendermos alguns termos e conceitos de economia e analisarmos as especificidades da realidade baiana. Lá estarei à disposição para dirimir todas as dúvidas que possam surgir. Como não podia deixar de ser. Lembremos que o sucesso desta empreitada depende muito de nossa interação com a nova possibilidade de um aprendizado multidimensional e do desejo individual da busca por novos horizontes. são diferenciais para uma boa inserção no mercado de trabalho. Como essas questões afetam a economia brasileira e baiana? ou não afetam? Teria essa crise dimensões ainda maiores que a famosa depressão mundial de 1929? Essas entre outras provocações serão também contempladas em nossa disciplina.

como a administração da “coisa pública” ou o conjunto de decisões normativas utilizadas para administrar recursos. capital e trabalho). o termo foi estudado pelas mais diversas escolas do pensamento econômico.?). na distribuição de renda. Focaliza estritamente os problemas referentes ao uso mais eficiente de recursos materiais escassos para a produção de bens (SANDRONI. com base no conhecimento da teoria econômica. Esta ciência também estuda as variações e combinações na alocação dos fatores de produção (terra. recorrendo para isso aos conhecimentos matemáticos. 1999. a economia é assim definida: Ciências que estudam a atividade produtiva. Para efeitos do nosso estudo. Vamos conhecer a dinâmica do sistema econômico (principais teorias) e as relações das variáveis econômicas. aquele que administra uma casa. etimologicamente vem de uma dupla combinação do grego (oikos nomos). a unidade de consumo (família) ou então a atividade econômica de toda a so- ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . a fim de produzir diferentes bens e serviços a atender às necessidades de consumo. corrobora essa definição anterior.auLa 01 . estatísticos e qualitativos (históricos). ao pé da letra.introDução À Economia Autor: Gustavo Casseb Pessoti Olá. em seu Novíssimo Dicionário de economia (1999) – material esse que é obrigatório para todos aqueles que querem aprender as principais expressões do “economês” -. a economia pode ser entendida. Paulo Sandroni. até que se ________________________ chegasse a um denominador comum e universal sobre a proposta real de análise das ________________________ ciências econômicas. dentro desta questão de semântica. alvo desse programa. De forma geral. esse estudo pode ter por objetivo a unidade de produção (empresa). Sua preocupação fundamental refere-se à mensuração e análise da atividade produtiva. p. A economia passou por muitas evoluções na sua concepção teórica até que se pudesse amplificar o seu conceito e adequá-lo ao ramo das ciências sociais. 11 conjuntura econômica o objetivo nessa primeira aula de Conjuntura Econômica é lhe instrumentalizar de conceitos relativos à avaliação da atividade econômica. na oferta e procura e nos preços das mercadorias. De forma mais generalizada. Segundo este autor. significando. vamos simplificar e dizer que economia é uma ciência social que estuda a maneira pela qual os homens decidem empregar recursos escassos. concEito DE Economia A palavra economia. como forma de estabelecer um prérequisito para a análise da conjuntura econômica.

também chamados fatores de produção. moda. etc). segundo a qual as necessidades humanas são ilimitadas. as necessidades humanas são ilimitadas. equipamentos. b) porque tendem a seguir uma escala de sofisticação: a cada dia surgem novos desejos e novas necessidades. ou seja. exige o uso de certo conjunto de recursos. por dois motivos: a) porque se renovam no dia a dia. infra-estrutura. transporte. à macroeconomia. seja ele físico ou intelectual. ferramentas. que podem ser classificados em três grandes grupos: ‚ a) o fator de produção “Terra”. enfim. Isto significa que não é possível produzir uma quantidade infinita de bens. a QuEstão Da EscassEZ Um dos princípios fundamentais da Economia é a chamada “lei da escassez”. tais como alimentação. ‚ b) o fator de produção “Trabalho”. ‚ c) o fator de produção “Capital”. surge o problema econômico da escassez: de um lado. A produção dos bens. ou seja. num dado momento. Para atender à imensa gama de desejos humanos. bens que foram produzidos anteriormente e que continuam a ser utilizados durante algum tempo para a produção de outros bens. não é possível produzir todos os bens de que a sociedade necessita. vestuário. lazer. recursos hídricos etc. do outro. existem em quantidades limitadas. enquanto que os recursos necessários à produção dos bens. tais como tamanho. até as mais sofisticadas. As necessidades humanas variam desde as mais elementares. por sua vez. representado pela força de trabalho humano. no segundo. instrumentos.. como a cultura e o lazer. florestas. No primeiro caso.12 conjuntura econômica ciedade. forma e cor) e imateriais (os chamados bens intangíveis como. exigindo contínuo suprimento de bens para atendê-las (por exemplo. motivadas pelas perspectivas de aumento do padrão de vida da sociedade (por exemplo. alimentação. por exemplo. etc).. os diversos tipos de serviços). ocorre que toda sociedade. incluindo o solo e os diversos recursos naturais: minérios. que corresponde às máquinas. cultura. Além disso. segurança. Entende-se o conceito de bem como sendo tudo aquilo capaz de ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ atender a uma necessidade humana. Assim. os estudos pertencem à microeconomia e. são consideradas ilimitadas. para produzir o máximo . os bens podem ser materiais (quando é possível atribuir-lhes características físicas. os recursos ou fatores de produção que devem ser utilizados para produzir os bens (que irão atender a essas necessidades) são limitados. mas é possível utilizar os recursos da melhor maneira possível. moradia etc. é preciso que sejam produzidos certos bens. basicamente. porque os recursos são limitados. capazes de satisfazer a essas necessidades são escassos. possui um estoque limitado desses recursos ou fatores de produção.

de bens e desse modo atender à maior gama possível de necessidades. Isso nos leva a uma das idéias-chave na Economia, que é a idéia da eficiência: maximizar a produção de bens e serviços, dadas as restrições colocadas pela quantidade limitada de fatores de produção. Assim, a sociedade como um todo se organiza de modo a tentar produzir os bens e serviços de forma eficiente, ou seja, empregando de forma racional os recursos disponíveis, visando otimizar seus resultados, maximizando o nível de bem-estar da população. Nesse contexto, a Economia se apresenta como a ciência social que se ocupa da administração dos recursos escassos entre usos alternativos e fins competitivos. Para fins didáticos, costuma-se “dividir” a Ciência Econômica em áreas específicas, dentre as quais se destacam a Microeconomia – o estudo do comportamento das unidades produtivas, dos indivíduos, dos mercados, etc – e a Macroeconomia – o estudo do comportamento dos grandes agregados econômicos: produto interno bruto, inflação, desemprego, etc. A Macroeconomia trata do estudo dos agregados econômicos (conjunto de todas as atividades econômicas), de seus comportamentos e das relações que guardam entre si. Tenta-se avaliar o desempenho da economia no sentido de satisfazer as necessidades da sociedade. Assim, uma das questões fundamentais da Macroeconomia – nosso objeto de estudo daqui por diante – é justamente avaliar esse desempenho econômico. Em outras palavras, como “medir” a quantidade total de bens e serviços que estão sendo disponibilizados à sociedade, e verificar as relações econômicas que estão na base desse processo produtivo. A Macroeconomia nos fornece um conjunto de variáveis que permitem saber se a economia de um país, num certo momento, está “crescendo” ou está em “recessão”, se existe “desemprego de fatores” ou “pleno emprego”, como está o “nível geral de preços”, etc. Assim, o ponto de partida é medir o desempenho da economia através de algum indicador. Normalmente os mais utilizados são: o Produto (bens e serviços produzidos ao longo de um ano), a Renda (todo rendimento que é gerado na economia, sob a forma de salários, lucros, aluguéis, etc) e a Despesa (todos os gastos que são realizados em consumo, investimento, importações, etc) para se mensurar o nível de atividade econômica de um país, de uma região ou cidade.

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conjuntura
econômica

ProBLEmas EconÔmicos FunDamEntais
A Ciência Econômica, como vimos anteriormente, é conhecida como “ciência da escassez”. Ela parte do princípio que as necessidades humanas são ilimitadas, enquanto que os recursos necessários para que as empresas produzam os bens e serviços capazes de satisfazer a essas necessidades são escassos, ou seja, existem em quantidades limitadas.

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As sociedades humanas, de modo geral, se defrontam com três problemas econômicos fundamentais:
‚ O QUE e QUANTO produzir?

Significa que produtos deverão ser produzidos (feijão, televisores, sapatos etc.) e em que quantidades deverão ser colocadas à disposição dos consumidores. o sistema econômico precisa se organizar para que as unidades produtivas – as empresas – passem a gerar estes bens, nas quantidades desejadas pela população.
‚ COMO produzir?

Esta questão diz respeito à tecnologia a ser empregada na produção dos diversos bens e serviços. As empresas devem escolher, dentre vários processos técnicos, aquele que for mais eficiente, ou seja, que seja capaz de gerar a máxima produção possível a partir de certa quantidade de recursos (terra, trabalho e capital).
‚ PARA QUEM produzir?

Este problema diz respeito ao modo como serão os bens e serviços “distribuídos” à população, na medida em que será necessário, de alguma forma, estabelecer um preço para os itens produzidos pelas empresas. Diante de tudo o que foi visto até aqui, percebe-se que a Economia é uma ciência preocupada com problemas de escolha. Quando o sistema econômico se defronta

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com os problemas de “o que e quanto”, “como” e “para quem” produzir, é necessário fazer escolhas entre várias opções possíveis. A escolha é necessária porque o “estoque” de fatores de produção (terra, trabalho e capital), no curto prazo, é dado, é limitado, enquanto que existem diversas demandas por bens e serviços. Assim, as empresas têm que decidir sobre a forma de alocar ou distribuir os recursos disponíveis entre milhares de diferentes possíveis linhas de produção. Quantos hectares de terra deverão ser utilizados para o cultivo de milho? E quantos para a criação de gado? Quantos televisores devem ser fabricados por ano? E quantos caminhões? E quantos navios? Etc. Dadas as limitações dos recursos produtivos e do nível tecnológico, os diversos países tentam organizar suas economias a fim de resolver os problemas do quê, quanto, como e para quem produzir, de forma eficiente, isto é, com o menor desperdício possível. Numa economia de mercado (aquela em que não há intervenção econômica do Estado), os três problemas fundamentais são resolvidos de forma descentralizada, pelo livre jogo de demanda (ou procura) e oferta nos diversos mercados de bens e serviços. Nenhum agente econômico (indivíduo ou empresa) se preocupa em desempenhar o papel de gerenciar o bom funcionamento do sistema de preços. Preocupam-se em resolver isoladamente seus próprios negócios. As empresas todo o tempo estão lutando para somente sobreviver, num ambiente altamente competitivo, graças à concorrência imposta pelos mercados (tanto na venda de produtos finais, quanto na compra dos fatores de produção). Esse jogo econômico é todo baseado nos sinais dados pelos preços.

Tudo é realizado através dos ajustes nos preços das mercadorias, em que se procura compatibilizar o preço desejado pelos indivíduos (o mais baixo possível) com o preço desejado pelas empresas (o mais alto possível). o desejo dos indivíduos determinará a magnitude da demanda, e as intenções das empresas determinarão a magnitude da oferta. o equilíbrio entre demanda e a oferta será sempre atingido pela flutuação do preço do produto em questão. Se a demanda for maior do que a oferta, o preço tende a subir. Se a oferta for maior do que a procura, o preço tende a cair. Se houve coincidência entre oferta e demanda, o preço tende a ficar estável – essa corresponde à situação de equilíbrio de mercado. Assim, o mecanismo de preços se torna um grande sistema de ajustes, de modo que ao final de várias interações entre produtores (do lado da oferta) e de consumidores (do lado da demanda), surge o preço de equilíbrio, determinando as quantidades a serem transacionadas no mercado. Desta forma, numa economia de mercado, os problemas básicos da economia – o que, quanto, como e para quem produzir - podem ser resolvidos pela concorrência dos mercados e pelo mecanismo dos preços. o consumidor tentará maximizar a sua satisfação, e o produtor, o seu lucro. o gráfico a seguir demonstra a interação das forças de oferta e demanda, resultando no preço e na quantidade de equilíbrio.

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Gráfico 1 - Interação das forças oferta e demanda

os consumidores estabelecem os preços máximos que estão dispostos a pagar pelos produtos colocados no mercado. Essa avaliação é subjetiva (individual a cada consumidor) e deriva do conceito de utilidade (uma espécie de saciedade) que o consumidor procura maximizar. Assim, a curva de demanda de mercado delimita o preço máximo. Por sua vez, os produtores estabelecem o preço mínimo que estão dispostos a receber por cada quantidade ofertada, diante de todos os seus custos e seu objetivo de maximizar lucros. Assim a curva de oferta representa o limite mínimo.

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16 conjuntura econômica Desta forma. juros. para as quais convergem os seus recursos individuais de produção (como o trabalho) e outros ativos (como a poupança). isto é. os consumidores são todos aqueles que têm necessidades básicas e para aten- ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ dê-las têm que se dirigir para o mercado econômico para realizar operações de troca. de oferta e demanda. reúnem-se aqui as empresas que se dedicam a atividades primárias. De outro estão aqueles para quem a produção da economia vai ser dirigida para a satisfação de suas necessidades. para que consumidores e produtores possam maximizar seus objetivos. Mas o que garante que esses bens e serviços . a orGaniZação E o FuncionamEnto Do sistEma EconÔmico o sistema econômico é formado a partir da interação entre a demanda e oferta da economia. aluguéis. secundárias ou terciárias. nas relações de troca que envolvem a economia. Numa economia moderna. como salários. As leis do mercado econômico. lucros e dividendos. Nas unidades produtoras enquadram-se todas as unidades que compõem o aparelho de produção da economia nacional. convergem para as unidades familiares diferentes tipos de rendas. existe sempre uma mão dupla: de um lado estão aqueles que são produtores e que vão até o mercado. por meio do qual estão aptos a participarem da vida econômica de um país. destinados não só à produção corrente de bens e serviços. os produtores (empresas). Devem possuir no mínimo um fator de produção. é o fato de que reúnem. do ponto de vista da contabilidade social. pode-se afirmar que as empresas produzem para que as famílias possam consumir os bens e serviços produzidos. além de outros tipos de transferências. A característica principal das empresas. Por sua participação no processo econômico de produção ou por seu acesso aos benefícios previdenciários existentes. as unidades familiares ativas participam do aparelho produtivo por meio das empresas. de forma a complementar os ensinamentos do sistema econômico. Assim. como também à formação e expansão da capacidade instalada de produção. de cuja atividade resulta a oferta agregada dos mais diferentes tipos de bens e serviços. o que é a essência dos problemas econômicos. Estamos falando dos agentes que compõem as diversas transações da vida econômica. Veremos. as principais características da interação entre oferta e demanda da sociedade. até muito pouco tempo atrás desprezado pelos manuais de economia. São eles: as famílias de consumidores. Por hora é importante que saibamos que. produzindo os bens e serviços que atendam às necessidades de consumo e de acumulação da sociedade. o governo e um agente. o resto do mundo. Cada uma das empresas integradas no processamento da produção é um centro de convergência e de aplicação de recursos. garantem a maneira mais eficiente. a sua força de trabalho. exatamente na aula 2. colocar à disposição aquela quantidade de recursos que não é utilizada na sua própria subsistência. organizam e remuneram os fatores de produção fornecidos pelas unidades familiares. o equilíbrio será no ponto E.

Então. comprada de outros produtores que não estão localizados no mesmo país de nossos produtores. isto é. o governo deve ser entendido como um agente coletivo que contrata diretamente o trabalho de unidades familiares e que adquire uma parcela da produção das empresas para proporcionar serviços úteis à sociedade como um todo. o governo. Esses quatro agentes são responsáveis por todo o funcionamento e organização do sistema econômico. a garantia de sua participação na divisão dos produtos 17 . Suas receitas resultam majoritariamente da retirada compulsória de poder aquisitivo das famílias e empresas. ou para defender. é importante lembrar que nem tudo que é produzido em uma economia fica restrito ao espaço físico interno. a exemplo de Pinho e Vasconcelos (2003). surge o quarto dos nossos agentes do sistema econômico: o resto do mundo. aparece o seu terceiro elemento. o governo destaca-se como um dos mais importantes agentes ativos do sistema. Uma parte dessa mercadoria é exportada e outra. fazem isso justamente para obter. Para intermediar esse processo e evitar que os produtores queiram se sobrepujar aos consumidores. As famílias “cedem” esses fatores às empresas para que eles possam ser utilizados na produção.conjuntura resultantes. ou seja. e suas despesas são caracterizadas pelos pagamentos efetuados aos agentes envolvidos no fornecimento dos bens e serviços públicos à sociedade. a EVoLução Da tEoria EconÔmica antigüidade: gregos e romanos Alguns autores defendem que a economia constitui um conjunto de preceitos ou de soluções adaptadas a problemas particulares. em função de nossas necessidades complementares é importada. em troca. empresas e governo do país com semelhantes agentes pertencentes a outros países. Por isso na antiguidade surgiram apenas algumas idéias econômicas muito ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ econômica se revertam para o consumo das famílias é o fato de que os consumidores. as famílias. o governo trata-se de um centro de produção de bens e serviços coletivos. Finalmente. o governo também participa do sistema econômico realizando políticas públicas que devem (ou deveriam) ser direcionadas para os grupamentos mais necessitados das unidades familiares. Todas as relações econômicas que veremos ao longo desse curso derivam do comportamento de cada um desses agentes econômicos. Esta categoria destina-se a registrar as transações econômicas entre unidades familiares. devido às particularidades que envolvem suas ações econômicas. E. são também proprietários dos fatores de produção. criar condições favoráveis ao pleno funcionamento do sistema econômico. Citam-se aqui como exemplo os fluxos de importações e exportações. os pagamentos pelos serviços internacionais e as transferências unilaterais de toda espécie com que os residentes de um país beneficiam os de outros países. Apesar de ter uma capacidade limitada para a contração de membros das unidades familiares.

os recursos e o modelo de governo. Essa doutrina era constituída por um conjunto de concepções desenvolvidas na prática por uma classe dominante formada por administradores e comerciantes. ‚ o comércio e a indústria são mais importantes para a economia nacional que a agricultura. Tanto na Grécia como em roma a unidade econômica foi mantida por redes de estradas e navegações em que. que condenava as taxas de juros e defendia os “preços justos”. os produtos eram distribuídos para suas províncias e assim estimulava transações comerciais e a criação de companhias mercantis. Teve como premissa básica o acúmulo de divisas em metais preciosos pelo Estado por meio de um comércio exterior de caráter protecionista. entre os séculos XVI a XVIII. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ os princípios básicos do mercantilismo foram: ‚ o Estado deve incrementar o bem-estar nacional. ‚ a riqueza da economia nacional depende do aumento da população e do aumento do volume de metais preciosos no país. . Vale ressaltar que na Holanda.18 conjuntura econômica fragmentadas. Porém a doutrina econômica medieval era dependente da filosofia ou da prática de subordinação a moral cristã. do centro de afluência. Essa concepção levava a um intenso protecionismo estatal e a uma ampla intervenção do Estado na economia. o poder do Estado era subordinado às necessidades do comércio. ainda que em detrimento de seus vizinhos e colônias. Sua aplicação variava conforme a situação do país. com objetivos não só econômicos. enquanto que na França e na Inglaterra. ‚ o comércio exterior deve ser estimulado. geralmente. como também político-estratégicos. surgiram atividades econômicas intra e inter regionais muito importantes que foram as feiras periódicas organizadas por corporações de ofícios e impulsionadas pelo comércio no Mar Mediterrâneo. Todo esse processo se desenvolveu com uma forte autoridade central tida como essencial para a conquista de novos mercados e para a proteção dos interesses comerciais. a iniciativa econômica estatal constituía outro braço das intenções militares do Estado. marcado pela desintegração do feudalismo e pela formação dos Estados Nacionais. idade média Já na Idade Média. agressivas em relação a seus vizinhos e colônias. como equilíbrio dos agentes econômicos. pois é por meio de uma balança comercial favorável que se aumenta o estoque de metais preciosos. mercantilismo Doutrina econômica que caracterizava o período histórico da revolução Comercial.

considerando que os interesses individuais livremente desenvolvidos seriam harmonizados por uma “mão invisível” e resultaria no bem estar coletivo. a burguesia. deixar passar). Smith reconhece o trabalho como a verdadeira origem da riqueza e distingue o valor de uso (as mercadorias consideradas do ponto de vista da capacidade que elas têm de satisfazer as necessidades humanas) e o valor de troca (a proporção em que elas são trocadas umas pelas outras). princípios comuns Doutrina econômica com um caráter ideológico das revoluções antiabsolutistas que ocorriam na Europa. o tempo necessário para sua produção. divisão internacional do trabalho e a “mão invisível” Adam Smith. outra tese defendida por Adam Smith é o individualismo. nesse rápido passeio pela ciência econômica. que proclamou a mais absoluta liberdade de produção e comercialização de mercadorias. Adam Smith. os princípios básicos do liberalismo foram: ‚ ampla liberdade individual. Executivo e Judiciário). Cabe destacar. ou seja. que à medida que o comércio aumenta a divisão do trabalho todos se beneficiam do conseqüente aumento da produtividade. Correspondia aos anseios da classe em ascensão. ‚ direito inalienável à propriedade. tem em sua obra mais célebre. laisser-passer (Deixar fazer. caso sofressem qualquer ameaça. ‚ democracia representativa com separação de poderes (Legislativo. condenando toda intervenção do Estado na economia. a ponto de vista dos mercantilistas. A Riqueza das Nações: Investigação sobre sua Natureza e suas Causas. demonstrando. o valor de troca não se fundamenta na utilidade de uma mercadoria e sim no trabalho. Desta forma. que consolidava a sua força econômica frente à aristocracia em decadência amparada pelo absolutismo monárquico. Para ele. e a luta pela independência dos Estados Unidos. economista escocês. contrariamente.o liberalismo: escolas. 19 conjuntura econômica Dessa forma. o marco inicial dos autores clássicos. Essa “mão invisível” entraria também em jogo no mercado dos fatores de produção enquanto imperasse a livre-concorrência. A apologia do interesse individual e a rejeição da intervenção estatal na economia se transformariam nos princípios básicos do liberalismo. Malthus: População X Crescimento da Produção de Alimentos e Lei dos Rendimentos Decrescentes ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . pois função do Estado era a garantir a propriedade privada e a livre concorrência. Smith inicia a análise dos efeitos da divisão do trabalho sobre a produtividade. deve-se destacar o princípio do laissez-faire. ‚ a livre iniciativa e a concorrência como forma de alcançar o progresso social. os doutrinadores econômicos que influenciaram com suas teses e concepções ideológicas as ciências econômicas. principalmente Inglaterra e França nos séculos XVII e XVIII.

uma vez que Malthus ignorava a estrutura social da economia e as possibilidades criadas pela tecnologia agrícola. em comparação com outros produtos. A sua concepção sobre a renda diferencial da terra é semelhante a outros autores da época. Mill previa a ocorrência de um “estado estacionário” fruto do crescimento populacional e responsável pelo cultivo de terras cada vez menos férteis. procurou demonstrar como o preço é determinado pela igualdade entre a demanda e a oferta e como a demanda recíproca de produtos afeta os termos do intercâmbio entre os países. Ao chegar a determinado limite. o lucro seria tão baixo que a acumulação de capital simplesmente acabaria. Porém a grande contribuição de ricardo foi à formulação da Lei dos Custos Comparativos. pois. expressão introduzida mais tarde pelos neoclássicos. roupas. o conceito de mais-valia consiste no valor trabalho não pago ao trabalhador. desde que sua vantagem. considerava que o valor de toda mercadoria é determinado pela quantidade de trabalho socialmente necessário para produzi-la. assim como outros teóricos clássicos. exigia o cultivo de terras menos férteis. enquanto a população tenderia a aumentar em progressão geométrica. o que levaria a pobreza e a fome generalizada. Stuart Mill: teoria do valor e estado estacionário Filósofo e economista clássico inglês. Defendia a tese em que a produção de alimentos cresce em progressão aritmética. que admitia que o proprietário rural ocupava áreas menos férteis à medida que a população crescia. David ricardo acreditava que a maior demanda. fosse ainda maior. Essa tese foi contestada por outros economistas da época. prejudicando o desenvolvimento econômico. Entretanto os custos e lucros deveriam ser mantidos no mesmo nível nos dois casos. Ricardo: renda diferencial da terra. através da aplicação da Lei dos rendimentos Decrescentes. a exemplo de ricardo. teoria das vantagens comparativas de custo Economista inglês. nas quais os custos de produção sejam mais elevados dos que nas terras mais férteis. O capital. cuja obra mais conhecida. para analisar possibilidades alternativas de comércio. Assim como ricardo e Malthus. isto é. teve seus dois últimos volumes acabado após sua morte pelo amigo Friedrich Engels. ou Lei das Vantagens Comparativas. na exploração exercida pelos capitalistas sobre seus assalariados. foi o mais eminente teórico do comunismo. de outro modo. com que procurou demonstrar a vantagem de um país importar determinados produtos mesmo que pudesse produzi- ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ los por preço inferior.20 conjuntura econômica Economista e clérigo inglês é autor da obra Ensaio sobre o Princípio da População. Essa lei constitui atualmente uma parte importante da teoria do comércio internacional. Marx. Marx: teoria de mais valia — conseqüências e causas Filósofo e economista alemão. Sendo a força de trabalho uma mercadoria cujo valor é determinado pelos meios de vida necessários à subsistência do trabalhador (alimentos. assim como Malthus. as terras de pior qualidade deixariam de ser cultivadas. ao analisar a teoria do valor. moradia . Lançou a idéia da elasticidade da demanda. acarretada pelo aumento da população.

isto é. valores diferentes. seus teóricos defendiam a mínima participação do estado na economia. cada indivíduo diferente deve saber como maximizar sua satisfação. concluiu que o desemprego era uma dos principais problemas para a insuficiência de demanda. defendendo a intervenção do governo como a principal forma de alavancar a economia de um país. Keynes: A Revolução Econômica De todos os filósofos que se preocuparam com a formulação de teorias para explicar o comportamento econômico. Em seu mais importante legado. Por isso. já não davam conta de explicar os problemas da superprodução e do desemprego estrutural que assolava a economia norte-americana. a despeito de suas influências teóricas. Por isso a Teoria Neoclássica se destacava ao colocar o mercado como principal agente econômico. ao analisar a situação de colapso da economia mundial. defendia que o governo deveria intervir na economia a partir de seus gastos para estimular o consumo. 21 conjuntura econômica ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . de acordo com a satisfação de cada indivíduo. Keynes destacava que a formulação das teorias anteriores. que é pago pelo capitalista sobre forma de salário. Como a necessidade é uma característica subjetiva.Teoria Geral do Emprego. É justamente por isso que. classificadas por ele como clássicas.) e se este trabalhar além de um determinado número de horas. Dessa forma. por defender o livre mercado e a interferência do governo restrita à defesa da propriedade privada e da segurança nacional. trazia de volta para o mercado de trabalho uma série de consumidores que estavam alijados do sistema econômico. Keynes. considerado como o pai da macroeconomia.transporte etc. Essa maximização de negócios não era possível se houvesse uma autoridade armada que colocasse dificuldade no desenvolvimento dos negócios econômicos. um valor excedente sem contrapartida. em substituição à clássica idéia que as livres forças de mercado (Adam Smith) eram capazes que conduzir a economia ao equilíbrio de pleno emprego. Essa teoria econômica define o valor dos bens a partir de um fator subjetivo denominado utilidade. denominado mais-valia. os economistas passaram a se preocupar com a alocação de recursos escassos entre usos alternativos. o livro que escreveu durante a grande depressão da economia mundial de 1929 . do Juro e da Moeda -. sua capacidade de satisfazer as necessidades humanas. com o fim de maximizar a utilidade ou a satisfação dos consumidores. também a utilidade de um bem terá sua avaliação subjetiva. talvez o de maior importância tenha sido John Maynard Keynes. portanto. A lógica keynesiana era bastante intuitiva: quando o governo gastava na contratação de funcionários públicos. mas também um valor a mais. uma clara alusão ao Estado absolutista que tolhia as liberdades individuais e impedia a maximização dos lucros. o Neoliberalismo contemporâneo tem suas raízes nessa concepção teórica. vai formular uma nova lei econômica. e um mesmo bem ou serviço terá diferentes utilidades e. Os Marginalistas ou Neoclássicos: o conceito de utilidade Com a mudança na definição dos problemas econômicos da determinação das causas do desenvolvimento da riqueza. estará produzindo não apenas o valor correspondente a sua força de trabalho. Sob a influência de Smith.

a economia no cerne das discussões contemporâneas. a intervenção governamental acabou estimulando o investimento privado. com base em uma política keynesiana. sobretudo. A revolução tecnológica encurtou as distâncias entres os países de tal forma jamais pensada pelos autores que descrevemos anteriormente. Hoje a análise econômica engloba quase todos os aspectos da vida humana e os impactos desses estudos na melhoria do padrão de vida e no bem estar de nossa sociedade é considerável. pois um aumento da participação do governo na economia significou também uma elevação dos gastos privados. o controle e planejamento macroeconômico permitem antecipar muito problemas e evitar algumas situações desnecessárias. Todo o escopo teórico da economia avançou consideravelmente. aos ligados à macroeconomia e vigorou como expressão dos acontecimentos mundiais até o final da década de 1970. Dessa forma. Essa explosão de negócios internacionais colocam. é uma prova inequívoca de que o sistema de livre mercado da corrente neoliberal que se instalou no mundo pós Consenso de Washington (1989) já está em fase de esgotamento. em hipótese alguma. voltando a consumir. Assim como esteve em 1929. A esse fenômeno Keynes batizou de efeito multiplicador dos gastos governamentais. A crise mundial. a todo momento. na ciência econômica. A teoria econômica passou a ter um conteúdo empírico que lhe conferiu uma prática maior. SínteSe o objetivo dessa aula foi mostrar uma visão evolutiva da ciência econômica. evidenciando que não existe. Hoje as novas frentes de trabalho se direcionam para as áreas de finanças empresariais. muitas delas válidas até hoje e defendidas por um conjunto de economistas que ainda acreditam na retomada do desenvolvimento econômico no século XXI. sinalizam para os investidores que está ocorrendo uma retomada no crescimento. de forma que toda a sociedade ganhava com essa intervenção. começaram a surgir contrapontos interessantes. uma só teoria capaz de explicar todos os fenômenos do mundo moderno. . a que estamos assistindo em 2008. A “era keynesiana” foi rica em contribuições em todos os espectros da economia. a incorporação de algumas técnicas econométricas.22 conjuntura econômica Esses trabalhadores públicos. Muitas das considerações aventadas pelos pensadores econômicos não podiam trabalhar com a hipótese do desenvolvimento da internacionalização do mundo. conceitos de equilíbrio de mercado e hipóteses sobre o comportamento dos agentes econômicos revolucionaram a teoria econômica. inviabiliza suas considerações teóricas. Isso. com a velocidade como seu deu o processo de globalização e financeirização das econo- ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ mias mundiais. estimulando que as empresas voltem a realizar novos investimentos em novos produtos para essa nova fatia de consumidores. o período moderno A partir das sistematizações oferecidas pela teoria keynesiana.

VASCoNCELoS. Gregory. rio de Janeiro: LTC. rio de Janeiro: record.net/teoria_escolas/monopolio. como forma de estabelecer um preâmbulo para a análise da conjuntura econômica. Marco Antônio S. 23 conjuntura econômica queStão para reflexão Com base nas diversas correntes do pensamento econômico. São Paulo:Thomson. GArCIA. N. Com isso. VASCoNCELoS. Fundamentos de Economia. 2003. conceitos.html referênciaS o’ SULLIVAN. qual deve ser o papel do Estado na economia: intervenção para o desenvolvimento ou regulação complementar ao equilíbrio de mercado? leituraS indicadaS MANKIW. 2007. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ .). Diva Benevides. São Paulo: Saraiva. 2000. Equipe de Professores da USP. PINHo. SANDroNI. Princípios de Economia. 2006. demos o primeiro passo. no sentido de conhecer a dinâmica do sistema econômico e suas relações. 5 ed. São Paulo: Saraiva. 2 ed. Arthur. Manuel E. 2005. SiteS indicadoS Dicionário de Economia: http://economiabr. (org. Introdução à Economia princípios de micro e macroeconomia. Marco Antônio S.com definições. Dicionário de economia do século XXI. 4 ed. Paulo. Manual de Economia. interação de fatos e a contribuição de doutrinadores econômicos que se destacaram no decorrer dos tempos.

24 conjuntura econômica ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ .

Essa aula será um primeiro passo para que vocês possam conhecer a dinâmica dos mercados e suas estruturas. e. como aulas de economia. A lógica de funcionamento desse fluxo é bastante simplória e vai nos ajudar a estabelecer as relações entre a oferta e a demanda de uma sociedade. dando continuidade a nossa disciplina vamos estudar hoje a análise da demanda e da oferta de mercado com o objetivo de demonstrar como se dá o equilíbrio econômico no mercado. que é uma espécie de grande mercado onde interagem dois dos principais agentes do sistema econômico. as famílias precisam comer. vão demandar os bens e serviços que serão colocados no mercado econômico pelas empresas. Assim sendo. De outro lado. De um lado estão as empresas que são as responsáveis pela produção de todos os bens e serviços que são colocados à disposição da economia. o primeiro prérequisito deste agente é que ele tem uma série de necessidades básicas que devem ser atendidas para que a vida aconteça. Para isso precisamos entender bem os conceitos dessas variáveis e seu comportamento no mercado. como alimentos e artigos de vestuário. eletrodomésticos e casas. estão incluídos bens de consumo.auLa 02 . etc. serviços de manutenção. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . que apresentamos em nossa aula 1. estão as famílias (consumidores) que participam ativamente do fluxo econômico. Vejamos no esquema a seguir como acontece o fluxo de recursos entre empresas e famílias. Por exemplo. etc. os bens de capital como carros. introDução Antes de iniciarmos o estudo da demanda e da oferta será interessante entendermos o Fluxo Circular da renda de uma economia. música. as empresas ofertam para a sociedade todo o conjunto de bens e serviços que processam no interior de seus processos produtivos. Enfim. Nessa produção. vestir-se. Como as famílias são formadas por seres humanos.anÁLisE Da DEmanDa E oFErta DE mErcaDo Autor: Gustavo Casseb Pessoti 25 conjuntura econômica Bem pessoal. mesmo os serviços que são prestados na sociedade. transportar-se.

as firmas compram o uso dos fatores de produção dos indivíduos. capital guardado em banco. Esse esquema que começa e termina nas famílias representa o Fluxo Circular da renda. mas têm os seus braços e sua inteligência para oferecer. equipamentos. pois apesar de ser uma representação gráfica. depois. por sua participação no processo produtivo. passam a comprar esses bens e serviços. as empresas empregam esses fatores para produzir os bens e serviços que serão vendidos no mercado de bens e serviços. os elementos ai presentes são totalmente reais e as relações estabelecidas são a base do nosso sistema capitalista. pois o processo se inicia em um determinado ponto e retorna para ele. no mercado de fatores. as firmas vão realizar uma série de atividade que vai culminar com a produção de todo o conjunto de bens e serviços que são ofertados para a sociedade. De posse dos fatores de produção. repare que os dois agentes têm igual importância no fluxo: primeiro as famílias vendem seus talentos ou posses para as empresas. Uns possuem terras.26 conjuntura econômica o fluxo circular da renda é assim chamado. Munidos de qualquer um desses itens. máquinas. como podemos ver nos esquemas indicados por setas que vão e voltam para cada um dos elementos constituintes da vida econômica. A premissa é que qualquer indivíduo que participa da vida em sociedade possui um fator de produção a oferecer em troca de salários. . Portanto. que chamamos de fatores de produção (fatores que são empregados na produção para que ela aconteça). elemento fundamental para se compreender o funcionamento de um determinado sistema econômico e compreender os conceitos de demanda e oferta. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ o fluxo se inicia quando os indivíduos procuram as empresas para trabalhar. Como dependem de itens que são oferecidos no mercado de bens e serviços para sobreviverem. outros não possuem nada disso. as famílias se direcionam para o mercado de fatores de produção para vendê-los para as empresas capitalistas (vide esquema). Vamos entender como funciona a economia de uma maneira bastante intuitiva. dispondo de tecnologia apropriada. as famílias que agora têm um salário.

64) oferta e demanda são as forças que fazem as economias de mercado funcionar. os compradores querem comprar o máximo possível ao menor preço e melhor qualidade. não há como fugir do curso de explicar como se dá o equilíbrio de mercado. usamos com muita freqüência e que estão por traz de todos os fatos econômicos que acontecem no mercado econômico. p. no caso de nós consumidores é fundamental para que a compra efetivamente aconteça: o preço.00. os termos oferta e demanda se referem àquela lógica de comportamento dos agentes envolvidos na visa econômica de uma sociedade. Então o mercado aparece para nós. por incrível que pareça. Dito conforme nós economistas gostamos de fazer. há um determinante que. Sem perceber. E para entender à lógica de funcionamento dos mercados e. mas sobretudo. A demanda ou procura é a quantidade de um bem qualquer (ou uma cesta deles) que os compradores desejam e podem comprar (alocação de sua renda). como esta que marcou a conjuntura econômica mundial em 2008. já definimos uma complexa relação econômica: quanto maior o preço de um bem ou serviço. Assim sendo. precisaremos nos apoiar em conceitos que são. estão os vendedores. Se alguém quiser saber como a economia será afetada por essa crise financeira internacional. de acordo com suas preferências. No caso dessa aula. Dentre esses fatores está a qualidade dos bens necessitados. Como define Mankiw (2005. sua renda e outros fatores. precisa antes entender os movimentos sobre a oferta e demanda da sociedade. há muito. São elas que determinam a quantidade produzida de cada bem e o preço pelo qual este será vendido. o de fatores de produção e o mercado de bens e serviços. Por trás de um vendedor. por conseguinte. nesse exemplo simplório. Se você está com uma vontade tremenda de tomar um sorvete e ao passar em frente á uma sorveteria descobrir que cada bola de sorvete custa r$ 20. como o espaço (que hoje em dia pode ser até virtual) onde compradores e vendedores se relacionam objetivando maximizar a sua satisfação. Vamos voltar ao fluxo: a idéia dele é que existe uma interação entre dois mercados (vide figura anterior). para que o negócio aconteça. em função do preço. basta olhar o fluxo circular da renda que apresentamos na seção anterior. tem que existir antes um comprador. os conceitos de oferta e demanda. Assim. economistas. A quantidade demandada pelo consumidor é a quantidade de produto que ele vai procurar no mercado. muito provavelmente. estudados e sistematizados pelos pensadores econômicos. Dessa forma. estamos falando de demanda e oferta a todo o momento. De um lado. a quan- 27 conjuntura econômica ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . É a interação entre famílias que aparecem para nós como os compradores e as empresas que ofertam bens e serviços que vai definir o conceito de demanda e oferta. de outro.DEFinição DE DEmanDa oferta e demanda são duas expressões que nós. se você for um consumidor de classe média vai preferir abrir mão da vontade. tanto menor será a demanda (procura) por esse bem ou serviços. há que se esclarecer uma coisa: os conteúdos expostos nessa aula são uma sistematização dos principais manuais de economia que estão colocados nas referências bibliográficas do nosso curso. interessados em maximizar suas vendas para aumentar o lucro.

Esse gráfico foi uma simples esquematização de um bem qualquer.28 conjuntura econômica tidade demanda é negativamente relacionado com o preço. simplesmente. A restrição orçamentária mencionada refere-se ao poder de compra dos consumidores. podemos perceber uma reta negativamente inclinada. essa expressão significa. Então. a formulação da lei da demanda fica assim enunciada: tudo mais permanecendo constante (coeteris paribus). A reta indica que todo aumento no preço significa diminuição na quantidade demandada por esse produto. para complicar um pouco (como nós adoramos fazer). Essa relação entre o preço e quantidade demandada da maioria dos bens é tão válida e aceita universalmente pela economia que nós economistas chamamos essa relação entre preço e procura de Lei da Demanda. No gráfico um dos eixos é a quantidade demandada e o outro é o preço. pois a economia como ciência também faz muitos testes antes de determinar uma lei de funcionamento econômico. Coeteris Paribus é uma expressão muito utilizada por nós. que todas as demais variáveis são tomadas como constantes para que se possa entender apenas o comportamento de determinada variável. quando o preço do bem diminui. supondo inalterados a renda e os gostos ou preferências dos consumidores. conceito universalmente aceito por ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ qualquer corrente do pensamento econômico. É por isso que quando analisamos o gráfico a seguir.Lei de demanda A interseção de P1 . Vejamos o gráfico que evidencia a lei da demanda. nós consumidores temos muitos desses gráficos em nosso imaginário. estamos dizendo que. sua quantidade demanda aumenta. que mostra a demanda de um produto qualquer. Gráfico 1 . pois para atender às nossas necessidades. Assim. Assim. mas na vida real. Significa que: dada uma restrição orçamentária (isto é. Esse é o ponto de equilíbrio da demanda. dizemos que: coeteris paribus. quando o preço de um bem aumenta diminui. sua demanda sofrerá influência em função da variação do preço do bem ou serviço em questão. ou seja. precisamos de uma combinação de vários . a demanda de um bem é afetada unicamente pelo seu preço. dado seu nível de renda) ao preço 1.Q1 representa o ponto de equilíbrio na demanda desse bem. a sociedade aceita adquirir a quantidade 1.

bens e serviços que são ofertados pelas empresas. A combinação desta cesta de bens vai depender de duas variáveis principais: do tamanho da minha restrição orçamentária (renda) e da minha preferência por qualquer tipo de bem ou serviço. Tendo um orçamento limitado, ou seja, um determinado nível de renda, o consumidor procurará distribuir esse seu orçamento (renda) entre os diversos bens e serviços de forma a alcançar a melhor combinação possível, ou seja, aquela que lhe trará maior nível de satisfação ou utilidade. ou seja, percebemos agora que a demanda não é só influenciada pelo preço. Existe uma série de variáveis que afetam direta ou indiretamente a procura pela composição da melhor cesta de bens por parte dos consumidores. A formulação econômica a esse respeito diz o seguinte: saindo da condição de coeteris paribus e analisando as relações do mundo real, cada consumidor busca alocar sua renda na aquisição de uma cesta de produtos (uma combinação de bens e serviços) de acordo com: o nível de sua renda, suas preferências (gosto), o preço do bem e de seus similares ou substitutos e de suas expectativas em relação ao comportamento da economia. A idéia subjacente a essa formulação é a de que cada consumidor é um agente extremamente racional e sabe perfeitamente, dada a sua restrição orçamentária, isto é, sua renda, maximizar a aquisição de bens e serviços de acordo com a utilidade que esses bens e serviços vão atender na sua vida em sociedade. A análise de quão importante é cada uma dessas variáveis na determinação da demanda vai depender do perfil de consumidor que estamos analisando. Assim sendo, tomando Antônio Erminio de Moraes (dono do grupo Votorantim) como referência, certamente as variáveis que vão mais influenciar no seu padrão de demanda serão as suas preferências e as expectativas em relação ao comportamento do mercado econômico, dado que sua restrição ao consumo é muito baixa. Assim analisando o perfil de consumidor do qual esse seu professor faz parte, as variáveis que mais afetam o nosso padrão de consumo são os preços dos bens e a existência ou não de substitutos. Para esse perfil de consumidor existe uma dupla alternativa quando o preço de um bem sobe: ou ele troca de marca e passa a consumir produtos similares (como substituir o consumo de manteiga por margarina, quando o preço da primeira sobe, ou carne de primeira por carne se segunda na mesma situação) ou reduz o consumo, até que o preço desse produto volte a encaixar na sua restrição orçamentária. Quanto mais baixo o padrão de vida (menor nível de renda), mais as demais variáveis como gosto e expectativas tendem a se tornar nulas na determinação da demanda, isto é, maior a relação entre a demanda e o preço do bem. Quanto maior o padrão de vida maior importância é conferida à preferência de um bem que maximize o prazer daquele que o adquire, em detrimento do nível de preço que acaba assumindo importância menor.

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conjuntura
econômica

DEFinição DE oFErta
Vamos agora analisar o que acontece do lado dos produtores, ou seja, das empresas que produzem e vendem os diversos tipos de bens no mercado. A definição é

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conjuntura
econômica

similar à da demanda com a mudança de uma palavra, senão vejamos: a quantidade ofertada de um bem ou serviço é a quantidade que os vendedores querem e podem vender. E olha que coisa interessante é análise econômica! A oferta do bem depende basicamente do próprio preço deste bem. Admitindo-se a hipótese coeteris paribus, podemos afirmar que quanto maior for o preço do bem, mais interessante será produzi-lo e, portanto, a oferta é maior. ou seja, a análise entre oferta e demanda é bastante parecida, só mudando o foco dos compradores (caso da demanda) para os produtores (que são responsáveis pela oferta de bens e serviços no mercado econômico). relacionando a quantidade ofertada de um bem com seu preço, obteremos, portanto a curva de oferta, ilustrando uma relação crescente entre preços e quantidades:

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Gráfico 2 - Curva de oferta

reparou que apesar de parecida com a curva da demanda, no caso da oferta a curva é positivamente inclinada? É que nesse caso, estamos analisando a ótica de um produtor. Assim sendo, quanto maior o preço de mercado, maior será a possibilidade de lucro desses produtos e assim mais ele vai querer ofertar. Aumentos nos preços provocam maior interesse em oferecer produtos para a sociedade, pois aumenta a expectativa de lucros dos empresários Com isso, podemos também definir a Lei da oferta, aceita universalmente por toda a corrente do pensamento econômico e traduzida no seguinte enunciado: com tudo mais mantido constante (coeteris paribus), quando o preço de um bem aumenta, a quantidade ofertada desse bem também aumenta; quando o preço de um bem cai, a quantidade ofertada desse bem também cai. Como já entendemos que a lógica de funcionamento é a mesma, só invertendo os papeis, podemos passar logo para entender quais são os fatores que afetam a oferta, no mundo real, isto é, quando as demais variáveis não são tidas como constantes.

Como a oferta está condicionada ao produtor, as variáveis são menos subjetivas, como no caso do consumidor em que, por exemplo, os gostos podem interferir na demanda. No caso do produtor, o nível de oferta vai depender: do preço do bem que ele se propõe a produzir; do preço dos demais bens e serviços produzidos por outros produtores; do custo de produção (insumos e mão-de-obra); do nível de tecnologia e capital que o produtor dispõe; do número de vendedores concorrentes; e das expectativas em relação ao comportamento da economia. Assim, o número de variáveis que interfere, direta ou indiretamente, na oferta é muito maior e pode excluir muitos pretensos vendedores do mercado. Se por exemplo, o número de vendedores de um determinado produto for muito grande, eles terão que oferecer o mesmo produto com preços diferenciados. A depender do custo de produção e da escala de vendas, pode acontecer que determinados produtores tenham que ofertar a um preço mais alto. Certamente, o consumidor vai preferir aqueles produtos com preços mais baixos, obrigando o ofertante a baixar o preço ou a sair desse mercado. Em outra análise, o preço das demais mercadorias também influencia na produção de um determinado bem qualquer. Suponha um fabricante de derivados de açúcar que produz x quantidades de chocolates e y quantidades de sorvetes. Se o preço do sorvete no mercado econômico for mais alto do que o chocolate, esse fabricante, na busca de maximização dos lucros, vai direcionar sua fábrica para fazer mais sorvete e menos chocolate, pois as expectativas de lucros serão maiores no mercado do sorvete do que no de chocolate. A mesma formulação, agora dita no vocábulo do economista diz que: se os preços dos demais bens subirem e o preço de um bem x qualquer permanecer idêntico, sua produção tornar-se-á menos atraente em relação à produção dos outros bens, conseqüentemente diminuindo sua oferta. Se sobre os consumidores impera uma lei da racionalidade para maximização da sua satisfação, dada sua restrição orçamentária, os produtores maximizam sua utilidade, intensificando a produção daqueles bens e serviços que tem vantagens comparativas aos demais produtores da sociedade, isto é: vai aumentar a oferta quanto maior o preço de mercado e menor o seu custo de produção. Essa lógica funciona para todo o entendimento das relações econômicas. Se um agricultor acreditar que o preço da soja vai estar elevado em 2009, aumenta o plantio já em 2008. Caso contrário, substitui a sua produção por de outro produto mais rentável, até que o preço volte a aumentar e estimular a sua produção. A lógica do consumidor é maximização de satisfação ao menor preço de mercado; o do produtor é maximizar o seu lucro ao maior preço de mercado.

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conjuntura
econômica

o EQuiLíBrio DE mErcaDo
A aula já teria acabado se os ofertantes e demandantes não interagissem em um mesmo ambiente econômico, o mercado. Assim sendo, precisamos entender agora que já conhecemos o comportamento da oferta e demanda, como se dá o equilíbrio entre esses dois agentes que têm a mesma lógica de atuação, mas objetivos completamente diferentes.

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32 conjuntura econômica Em economia. o equilíbrio ocorreria em uma situação em que a determinado preço. Em linguagem técnica. Nele. a conseqü- . consumidores e vendedores conseguem maximizar a sua função utilidade.Interação entre as forças de oferta e demanda observe a interseção das curvas no ponto E. para qualquer preço inferior a P1. Isso também pode ser visualizado nesse mesmo gráfico. Quando existe excesso de demanda: já sabemos que se existe um excesso de demandantes no mercado por um produto é porque o preço desse bem está compatível com a restrição orçamentária de toda a sociedade. Nesse caso. Vejamos o que acontece em cada uma dessas situações. Uma vez que o mercado atinja o seu equilíbrio. Se não for possível produzir quantidades extras do produto que atendam à demanda da sociedade. a palavra equilíbrio define uma situação em que diversas forças estão em igualdade. dizemos que existe excesso de oferta. pois este é o único ponto em que o mercado está em equilíbrio. os consumidores estão dispostos a pagar mais de suas receitas para conseguirem quantidades adicionais de determinado produto. o mercado está satisfeito e maximizado: os compradores compram tudo o que desejam e os vendedores maximizam seus lucros. o gráfico a seguir mostra a interação entre as forças de oferta e demanda. Trazendo essa definição para nosso estudo do mercado econômico. todos os compradores e vendedores ficam satisfeitos e não há pressão nem para cima nem para baixo dos preços. a quantidade que os ofertantes desejam vender é maior que aquela que os consumidores desejam comprar. a quantidade de um bem que os compradores desejam e podem comprar é exatamente igual à quantidade que os vendedores desejam e podem vender. Nesse caso. Em qualquer dessas situações não existe equilíbrio pela incompatibilidade de desejos entre os agentes econômicos. Analisado o ponto de equilíbrio. surgirá excesso de demanda. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ Gráfico 3 . vejamos agora os casos em que não equilíbrio entre oferta e demanda. A conseqüência imediata é que os vendedores percebendo essa situação passam a fabricar mais desse produto de modo a suprir o excesso de demanda e trazer a economia de volta para o equilíbrio. Para qualquer preço superior a P1. De outra parte.

o ajustamento do equilíbrio no caso de um excesso de oferta se dá pela queda no preço que estimula o consumo e fazendo a economia voltar para o equilíbrio de mercado. impulsionado pela queda no preço aumenta a demanda de leite. de modo a sugerir um aumento no consumo. 33 conjuntura econômica Estruturas DE mErcaDo Infelizmente ainda não podemos encerrar essa aula.ência natural é que os produtores subam o preço do produto. comprador algum pode in- ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . os preços quase todos são conhecidos e as vendas são organizadas nas feiras.00 para r$ 1. tais como: a quantidade e o tamanho das empresas. pois embora já saibamos de muitos elementos que caracterizem a oferta e demanda de mercado. a possibilidade da entrada de novas empresas. compradores e vendedores se encontram em lugares e horários determinados. Um mercado competitivo é aquele em que há muitos compradores e muitos vendedores. maior a dificuldade para chegar ao equilíbrio. Mesmo que não precise naquele momento. de forma a restringir o consumo e trazer de volta a economia ao equilíbrio. Mas. o equilíbrio a que nos referimos na seção passada vai depender justamente do tipo de mercado em que as relações econômicas acontecem. o mercado pode ser mais ou menos competitivo. um vendedor não tem motivos para realizar promoções e se cobrar mais caro. os preços dessa mercadoria deverão cair. Se só existisse uma situação em que compradores e vendedores pudessem ajustar a produção e preço de equilíbrio. Cada vendedor tem um controle limitado sobre o preço porque os outros produtores oferecem produtos similares. os compradores vão fazer suas compras em outro lugar. a depender do número de ofertantes. Entretanto. os mercados assumem diferentes formas. etc. o grau de transparência do mercado. o grau de diferenciação dos produtos. os mercados podem ser mais competitivos (concorrência perfeita) ou menos competitivos (oligopólio e monopólio). Suponha que você vá ao mercado para comprar um saco de pão e perceba que a lata de leite saiu de r$ 5. Nesse mercado. Cada vendedor estabelece o seu preço e cada comprador escolhe onde comprar Cada estrutura de mercado se destaca pela interação entre a oferta e a demanda. E quanto menos competitivo. Isso indica que pela maior concorrência e pela grande quantidade de produtos no mercado. como você precisará de leite no futuro. Neles. Às vezes são altamente organizados. onde os compradores estão em diferentes pontos do mundo e os vendedores oferecem seus produtos diferenciados. a própria lei da oferta ou da demanda se encarregaria de colocar a economia no nível de equilíbrio. Assim sendo. individualmente.99. de modo que cada um deles. tem impacto insignificante sobre o preço de mercado. existem também mercados completamente desorganizados. Quando existe excesso de oferta: nesse caso diversos produtores ofertaram produtos no mercado e a resposta do público foi uma retração no consumo. tais como os mercados de produtos agrícolas. Assim. e se diferencia uma da outra pela observância de uma ou de todas as características observadas em mercados existentes. Da mesma forma.

‚ os compradores e vendedores precisam aceitar o preço de equilíbrio do mercado. o monopólio pode acontecer porque a entrada de mais firmas encareceria demais. Nesses casos. Alguns mercados têm um só vendedor. ‚ existe informação completa sobre o preço do produto (e todo mundo sabe onde é mais barato comprar e vender).34 conjuntura econômica fluenciar os preços de mercado. sobretudo. basta negar as características contempladas na concorrência perfeita que entenderemos bem a ocorrência de um monopólio. porque cada um deles compra uma pequena quantidade em relação ao total comercializado no mercado. Mas nem todos os bens e serviços são negociados em mercados plenamente competitivos. ‚ a entrada e a saída das firmas no mercado é livre. o ‚ os produtos são homogêneos. Cada uma teria que construir sua própria via férrea e isso terminaria por encarecer os serviços para toda a sociedade. Além disso. o setor é a própria firma. No monopólio. dizemos que existe um monopólio natural. por exemplo. que é quem determina o preço. De modo que a economia nunca sai do equilíbrio. porque existe um só produtor que realiza toda a produção. não havendo barreiras para quem quiser participar (compradores e vendedores). se um mercado apresentar elevados ganhos para suas empresas. as características de um monopólio são completamente diferentes da concorrência perfeita. são substitutos perfeitos entre si. No mercado produtor de mandioca. a classe de consumidores. onde a oferta é exatamente igual a demanda. os preços das mercadorias. cada um deles aceita o preço como dado. o mercado em concorrência perfeita é estudado por muitos economistas. Em alguns casos. estamos diante de um mercado perfeitamente competitivo ou em concorrência perfeita. a oferta da firma é a oferta da economia. Como não há um comprador ou vendedor específico que seja capaz de influenciar o preço da mandioca. essa situação vai atrair novas firmas para esse mercado e eventuais ganhos adicionais tendem a desaparecer. que é um produto com baixa capacidade de exportação para exterior. em que a entrada de mais concorrentes encarece o preço dos bens ou serviços produzidos por uma economia. dentro da idéia do que seria uma estrutura ideal de funcionamento para beneficiar. por isso ambos são tomadores de preço. Neste caso. Assim. Dessa forma. Há mercados em que o conceito competição perfeita se aplica perfeitamente. Assim. Do mesmo modo. isto é. o transporte ferroviário. p. o mercado determina e eles assumem. Nesse caso. há milhares de agricultores que vendem mandioca e outros tantos consumidores que a utilizam como subsistência. Um mercado nessas condições é chamado de monopólio. Mankiw (2005. para os consumidores. Negando as demais ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . Isso acontece normalmente nos mercados agrícolas.64) define as seguintes características de uma estrutura de concorrência perfeita: ‚ existe grande número de compradores e vendedores. Imagine se houvesse duas firmas que ofertasse esse serviço. esse mercado de concorrência perfeita assume a idéia de que firmas que apresentarem custos de produção superiores àquele que é imposto pelo mercado fecharão suas portas.

as características são um pouco mais parecidas com os da concorrência perfeita. com poder de influência e. 78) as estruturas oligopólicas. outra característica da concorrência monopolística que a aproxima da concorrência perfeita é o fato de que não existem barreiras à entrada de novas firmas no mercado. na qual se supõe um produto homogêneo. A existência de substitutos próximos confere aos consumidores muitas alternativas para reagirem a eventuais aumentos de preços. mas diferente do oligopólio que pende mais para as características do monopólio. esta estrutura está no meio termo. como conseqüência das barreiras à entrada de novas firmas. todavia. ‚ os lucros extraordinários persistem no longo prazo. mas apenas as maiores dominam a maior parte do mercado. Por isso. ‚ existem barreiras à entrada de novas firmas no mercado. produzido por todas as empresas (aqui se supõe que não há diferenças na qualidade entre os produtos). das quais o mercado aéreo brasileiro faz parte têm as seguintes características: ‚ existência de empresas dominantes. as empresas produzem produtos ligeiramente diferenciados. portanto. a concorrência monopolística (ou competição imperfeita) apresenta um elevado número de empresas. Tal como oligopólio. diferente- ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . de fixação do preço de mercado. De modo semelhante à concorrência perfeita. Segundo Vasconselos (2006. p. ‚ existem barreiras à entrada de novas firmas.características da concorrência perfeita chegamos ao pleno entendimento de monopólio. no caso da concorrência imperfeita (também chamada de concorrência monopolística). Suas características o aproximam mais de um monopólio do que da concorrência imperfeita. senão vejamos: 35 conjuntura econômica ‚ o setor é constituído de uma única firma. Isso significa que. existe diferença na forma e na qualidade de empresa para empresa. Um mercado nessas condições é chamado de oligopólio e é caracterizado por ser o meio termo entre uma e outra estrutura de mercado. a grande diferença entre os dois modelos é que na concorrência monopolística. ‚ os consumidores têm baixo poder de reação às variações do preço. ‚ existe concorrência entre os consumidores. Um oligopólio tem um pequeno número de empresas produzindo ou uma grande quantidade de empresas. ‚ a firma não é “tomadora”. outra estrutura de mercado que está entre a concorrência perfeita e o monopólio é a concorrência imperfeita. de marca para marca). embora substitutos próximos (isto é. mas os empresários nesse mercado não têm tanto poder de mercado como os monopolistas. esta estrutura é mais próxima da realidade que a concorrência perfeita. ‚ a firma produz um produto para o qual não existe substituto próximo. mas sim “formadora do preço de mercado”. Alguns mercados ficam entre o extremo da concorrência perfeita e do monopólio.

Aqui. situação em que tanto as empresas como os consumidores estão satisfeitos com os níveis de preços e quantidades transacionadas no mercado econômico. Estes participam do mercado cedendo seus fatores de produção para as empresas e por isso têm direito a uma determinada renda que os condiciona a participar diretamente do fluxo circular da economia. conhecemos os conceitos e o comportamento das variáveis oferta e demanda. p. na concorrência imperfeita. De um lado estão os vendedores que querem aumentar preços para maximizar suas receitas e seus lucros. maior o poder da demanda e dos consumidores. maior o poder dos empresários. há uma tendência de lucros normais. . Por fim é importante destacar ainda existem outras estruturas de mercado como o monopsônio onde existem muitos vendedores. As estruturas de mercado mais conhecidas podem ser sistematizadas da seguinte forma. isto é. Quanto mais competitiva é uma estrutura de mercado.85): Estrutura de Mercado Concorrência Perfeita Monopólio Concorrência Monopolística (Imperfeita) oligopólio Quantidade de Firmas Infinita Uma única firma Produto Homogêneo Sem substitutos próximos Barreiras à entrada Não existem Existem Grande número de firmas Poucas firmas dominam o mercado Diferenciado Não existem Homogêneo ou Diferenciado ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ Existem As estruturas de mercados. mas um único comprador que pode definir o preço de compra e a qualidade esperada. dessa forma. conforme indica Vasconselos (2006.36 conjuntura econômica mente dos sistemas de monopólio e oligopólio onde os lucros tendem a ser potencializados. No jogo entre ofertantes e demandantes é a estrutura de mercado que vai definir o ponto de equilíbrio. mais repartidos entro todas as firmas que participam do sistema econômico. SínteSe Essa aula foi de extrema importância para entendermos um conjunto de relações econômicas que podem ser modificadas ou potencializadas pela conjuntura econômica. quanto mais concentrado. Seu papel é maximizar a sua satisfação através de uma cesta de produtos que atendam às suas necessidades. pelo menos a longo prazo. De outro estão os compradores que fazem parte das famílias de consumidores. impõem condicionantes para o equilíbrio das forças de mercado entra a lei da demanda e a lei da oferta.

ed. 5 ed. Equipe de Professores da USP.queStão para reflexão Em que sentido a estrutura de um mercado pode interferir no equilíbrio entre a oferta e a demanda? 37 conjuntura econômica Site indicado Dicionário de Economia: http://economiabr. 5. Fundamentos de Economia. robert S. Manual de Economia. GArCIA. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Saraiva. 2005.html referênciaS DorNBUSCH. N. 2006. VASCoNCELoS.net/teoria_escolas/monopolio. PINDYCK. 1991. MANKIW. 3 ed. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . 2 ed.). Introdução a Economia. Marco Antônio S. São Paulo: Prentice Hall. Daniel L. 4 ed. Satnley. (org. VASCoNCELoS. Gregory. 2002. Diva Benevides. PINHo. Macroeconomia. Marco Antônio S. Microeconomia.. Manuel E. São Paulo: Makron Books do Brasil. e rUBINFELD. 2003. rudiger e FISCHEr. São Paulo: Thomson.

38 conjuntura econômica ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ .

ou seja. os movimentos inflacionários não podem ser confundidos com altas ocasionais de preços. (b) envolve aumentos contínuos e não esporádicos de preços. de que resulta uma contínua perda do poder aquisitivo da moeda”.). (LANZANA. 222). e menores os preços dos produtos. e ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . ‚ o grau de abertura da economia ao comércio exterior: quanto mais aberta a economia à competição externa. De acordo com Lanzana (2001) é importante destacar que a inflação é: (a) é um processo e não um fato isolado.auLa 03 . p.inFLação Autor: Gustavo Casseb Pessoti Olá. 2001. p. 302) De um modo geral. o conceito de inflação é “aumento persistente dos preços em geral. vamos nos dedicar mais às análises macroeconômicas. Deve ficar claro assim. Isso vai depender das condições do momento econômico e de outros fatores que envolvem: ‚ o tipo de estrutura de mercado (oligopolista. seus indicadores e sua ligação com os problemas sócioeconômicos vivenciados no dia-a-dia da população. que esse aumento no índice de preços deve ser generalizado e contínuo. enfatizando também as conseqüências e os principais tipos de inflação encontrados no Brasil. e (c) aumentos generalizados de preços e não isolados. causando um grande conflito para os formuladores de políticas econômicas. concorrencial etc. A inflação é um dos principais problemas da macroeconomia atual do Brasil. não se pode padronizar as fontes que ocasionam a ocorrência de um processo inflacionário em um país. o objetivo dessa nossa aula é compreender o conceito de inflação. maior a concorrência interna entre fabricantes. Vamos entender que a inflação é um dos principais problemas econômicos e que seu combate pode significar em aumento na taxa de desemprego e diminuição no crescimento econômico. que condiciona a capacidade dos vários setores repassarem aumentos de custos aos preços dos produtos. 39 conjuntura econômica Agora que já passamos pela análise conceitual e pela ótica microeconômica. em função de fatores sazonais ou outros que acontecem em períodos limitados. concEito DE inFLação Segundo Sandroni (2005.

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Se os assalariados não sofrerem reajustes nominais em seus vencimentos ou se esse reajuste for inferior ao nível do índice de preços. devem aqui ser destacados. Além disso. a quantidade de bens e serviços que eles podem adquirir. uma vez que os consumidores vão preferir comprar ________________________ produtos vindos de fora com preços mais em conta. seus lucros. é o registro de todas as transações que um país realiza com outros do mundo. como veremos na aula 4. têm melhores condições de se proteger desse efeito danoso da inflação. moradia e transportes). ocorre um desestímulo à aplicação de recursos no mercado de capitais financeiros.________________________ ções. ________________________ Efeito sobre o mercado de capitais Tendo em vista o fato de que. Isso causa um efeito bastante negativo para o país. com importações em ________________________ alta e exportações em baixa. Em épocas de aceleração da inflação. a inflação. essa distorção foi bastante minimizada pela instituição do mecanismo da correção monetária. todos perderão com a inflação. o valor da moeda se deteriora rapidamente. como terras e imóveis. gera-se um déficit nas relações externas do país que pode ________________________ comprometer as políticas públicas desse país. Um país que tenha inflação significativamente maior do que a dos seus parceiros poderá ter seus fluxos de comércio exterior seriamente prejudicados. Já os empresários. para aplicação no mercado financeiro. pois tende a ________________________ desestimular a produção interna. De outro lado. como os títulos públicos.________________________ ção contínua dos preços internos diminui a competitividade e o volume das exporta. isso contribui para um verdadeiro desvio de recursos de investimentos no setor produtivo. No Brasil. As aplicações em poupança e títulos devem sofrer uma retração. que podem reajustar seus preços de venda de seus produtos e. pelo qual alguns papéis. a inflação estimula a aplicação de recursos em bens de raiz. cadernetas de poupança e títulos privados passaram a ser reajustado (ou indexado) por índices que refletem aproximadamente o crescimento da inflação.337) podem promover profundas distorções na estrutura produtiva. pois a elevação continuada dos preços reduzirá paulatinamente seus salários reais. que costumam se valorizar. 41 conjuntura econômica Efeito sobre a balança de pagamentos A balança de pagamentos. outros efeitos provocados por esse fenômeno. segundo Pinho e Vasconcelos (2003.mente a totalidade de sua renda com a sua própria subsistência (alimentos. ou seja. Por outro lado. a inflação interna faz com que as mercadorias importadas fiquem ________________________ cada vez mais baratas. conseqüentemente. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . pois a eleva. p. Mede o fluxo global das exportações de bens e serviços e as importações que o país realiza. num processo inflacionário intenso.

ocasionando um aumento no poder aquisitivo e pressionando o consumo em níveis maiores do que a capacidade de expansão da produção. não pode aumentar substancialmente a oferta de bens e serviços em curto prazo para acompanhar o crescimento da demanda. enquanto a conjuntura inflacionária perdurar. o nível de emprego pode ser afetado pelo processo inflacionário. pelo hiato de tempo existente entre o fato gerador e o recolhimento efetivo do imposto (VASCoNSELoS. 2003. conseqüentemente. mesmo com limitações na sua renda disponível passa a dispor de um mecanismo de compra.42 conjuntura econômica outros efeitos outra distorção provocada por elevadas taxas de inflação prende-se à formação das expectativas sobre o futuro. p. Particularmente. No âmbito do poder público. com as quedas de renda dos trabalhadores e das vendas. considerada o tipo mais “clássico” de inflação. vale destacar o efeito de altas taxas de inflação sobre as finanças públicas. gerando um desequilíbrio no mercado e pressionando os preços para cima. ‚ expansão do crédito ao consumidor que. a inflação de demanda tem a sua origem em três fatores: ‚ aumento da renda disponível em decorrência de reajustes salariais ou da redução da carga tributária. o empresário fica num compasso de espera. as perdas salariais farão com que os capitalistas também percam. Embora os trabalhadores sejam os maiores prejudicados. a própria capacidade de produção futura e. destacando os principais tipos de inflação. torna-se necessário analisar a inflação a partir de fatores causais. ele dificilmente tomará iniciativas no sentido de aumentar seus investimentos na expansão da capacidade produtiva. dada a relativa instabilidade e imprevisibilidade de seus lucros. A próxima seção vai destacar as causas da inflação. diz respeito ao excesso de demanda agregada em relação à oferta de bens e serviços. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ Uma vez discutidas as distorções provocadas por elevadas taxas de inflação. 340). causas Da inFLação Inflação de Demanda Essa inflação refere-se ao excesso de demanda em relação à produção disponível de bens e serviços na economia. a inflação tende a diminuir o valor real da arrecadação fiscal do governo. ‚ diminuição das taxas de juros. Nesse caso. que. porque venderão menos. Normalmente. menor a arrecadação real do governo. ou seja. que quando altas limitam o poder de compra do con- . Assim. além do governo. A inflação de demanda. A inflação de demanda ocorre quando a economia está próxima de sua capacidade máxima. quanto maior inflação. o setor empresarial é bastante sensível a esse tipo de situação. De acordo com o chamado Efeito Oliveira Tanzi. terá a arrecadação de impostos reduzida.

Podem-se detectar como principais causas da inflação de custos: ‚ aumento do custo da mão de obra. portanto. mesmo sem pressões de demanda e de custos a inflação não cede. o aumento das despesas com os fatores de produção tais como o trabalho. haverá uma restrição no acesso a financiamentos. o processo inflacionário é auto-alimentado pelo reajuste pleno de preço tomando como base a inflação do período anterior. A diminuição nas taxas de juros estimula as compras. os recursos naturais e o capital. Essa situação provoca uma queda na produção induzindo um aumento dos preços de mercado. esse alto custo para o preço das mercadorias. 2001. 43 conjuntura econômica Inflação de Custos Esse tipo de inflação é causado pelo aumento no custo de produção. o dinheiro torna-se mais caro com os juros elevados. caso das matérias-primas. mas os custos dos fatores de produção aumentam. portanto. Com relação ao trabalho. Cabe aqui destacar outros tipos de inflação. de aumento nos preços internacionais ou por problemas nas condições climáticas — ocasionará aumento nos custos de produção que. De acordo com Lanzana (2001): o aspecto mais negativo da indexação é o fato de a mesma tornar a inflação rígida para baixo. caso haja uma elevação dos juros. Normalmente. não muito estudado nos cursos de introdução de economia. repassando. No que se refere aos recursos naturais.sumidor. ‚ aumento do custo das matérias-prima e materiais secundários. p. ocasionam este tipo de inflação. Inflação Inercial A inflação inercial ocorre em função da indexação da economia. ‚ aumento da taxa de juros (esse item ocorre quando as empresas utilizam capital de terceiros sobre o qual pagam remuneração). e ‚ aumento da carga tributária. A indexação consiste em se corrigir as rendas recebidas pelos agentes econômicos e ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . pois esse aumento normalmente é repassado para o preço final das mercadorias. o que estimula a inflação. 311) Um dos grandes responsáveis pela inflação inercial é a indexação da economia. principalmente a prazo. um aumento em seus custos — decorrente. A inflação de custos também conhecida como “inflação de oferta” ocorre quando o nível de demanda permanece o mesmo. Por último. com relação ao capital. caso haja um aumento na sua remuneração. (LANZANA. normalmente. isto é. por sua vez. de forma independente das pressões de demanda ou de custos. por exemplo. será repassado para o preço final. (salário) haverá inflação.

há um entrelaçamento variado entre todos esses tipos de inflação. Inflação de Lucros Neste tipo de inflação é importante considerar a inserção da empresa no mercado. ainda nesta aula. a indexação acaba perpetuando a inflação. a discussão dos Planos e Programas que abriram mão de uma política voltada para o crescimento e desenvolvimento para se concentrar em medidas de combate à inflação. o Brasil foi um dos países pioneiros no uso da indexação para “corrigir” a inflação. Considerar o crescimento como algo distinto de controle inflacionário evidencia uma confusão básica. esse mecanismo como medida de correção monetária foi oficialmente abolida. Empresas que têm força de mercado podem elevar o preço de suas mercadorias sem enfrentar maiores obstáculos. pois os agentes econômicos criam expectativas acerca do nível dos preços e sempre tenderão a reajustar os rendimentos pela inflação passada. a estabilidade dos preços é o primeiro passo para um país que objetive gerar crescimento econômico de suas atividades produtivas . Assim. É exatamente esse tipo de acordo que caracterizam os cartéis econômicos. inFLação E crEscimEnto EconÔmico o cenário econômico do Brasil em 2008 favorece a discussão do trade-off inflação e crescimento econômico. impedindo que a taxa de inflação venha a cair no futuro. pois uma inflação baixa estimula a estabilidade no setor financeiro e a combinação dos dois promove o crescimento. porque afetava principalmente a renda dos mais pobres. há a possibilidade delas entrarem em acordo para elevação conjunta dos preços com o intuito deliberado de aumentar a taxa de lucro. a taxa de câmbio da economia. a partir de 1980. os aluguéis de imóveis. Com o aumento nos preços das commodities agrícolas e do petróleo no mercado internacional. Particularmente no país. são reajustados periodicamente com base na inflação passada.44 conjuntura econômica o valor dos ativos de sua propriedade com base na variação de um índice de preços que reflita a taxa de inflação no período de tempo entre os reajustes. há expectativa com relação ao retorno da inflação o que poderá diminuir o crescimento econômico para os próximos anos. Essa discussão é muito importante e muito rica na história econômica do Brasil. Dessa forma. É necessário lembrar que essa diferenciação de tipos de inflação se dá no plano teórico. Não por acaso estamos propondo. os índices de inflação atingiam níveis astronômicos (hiperinflação) e impediam o desenvolvimento. Na realidade. os títulos da dívida pública emitidos pelo Governo. o capital emprestado pelo poupador. No caso de existir um grande número de empresas com estas características. entre outros. Desse modo. os salários dos trabalhadores. dado que estas empresas possuem o poder de es- ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ tabelecer preços (principalmente no caso dos monopólios e oligopólios que vimos na aula passada). Porém desde o a aplicação do Plano Collor 2.

os empresários vão ofertar menores postos de trabalho. não se concretizam muitos investimentos em projetos perfeitamente viáveis e o crescimento deixa de acontecer. empresas. junto à opinião pública. ‚ a inflação gera confusão em torno do significado das variações nos preços.________________________ dores perdem. 2). Com inflação em alta e lucros menores. sobre a distribuição de renda e. a maior parte da ________________________ população perde muito dinheiro e a diminuição do poder de compra dos seus ativos ________________________ provoca retrações nos negócios que são realizados na economia. possivelmente. pois. Se o preço de uma mercadoria sobe em relação ao de uma mercadoria substituta. ao invés de investir em uma política de desenvolvimento nacional. Essas ações conjuntas melhoram a economia e o bem-estar das pessoas que vivem e trabalham nelas. Assim. pois praticamente não conseguem fazer com que seus lucros sejam ________________________ suficientes para honrar todos os compromissos. governo e resto do mundo. certamente. provoca distorções em todos os setores produtivos. p. Com isso. quem mais perde com a inflação é a classe trabalhadora que depende basicamente de um salário mínimo. muitas vezes são “dolorosas”. ao passo que os produtores buscam aumentar a eficiência com que empregam seus recursos. cresce a impopularidade do governo (se o país é uma democracia) e da elite rica (no poder em países não democráticos). de três maneiras: ‚ quando a inflação passa a ser alta. Isso. como por exemplo. não funcionam bem na transmissão de capital de poupadores para investidores. que muitas vezes nem ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . os empréstimos ________________________ bancários e os salários de seus funcionários que têm que aumentar para que possam ________________________ adquirir produtos os quais ele (empresário) coloca à disposição no mercado. As dificuldades de interação entre esses agentes provocam distorções sobre a demanda e oferta da economia. o que compromete o crescimento.A inflação baixa estimula o crescimento. os consumidores gastam suas rendas de modo a maximizar seu bem-estar. pois prejudica o funcionamento de inter-relações entre os agentes econômicos que vimos na aula passada: famílias. Em ambos os casos. Se as instituições financeiras ficam vulneráveis ou perdem sua vitalidade. 45 conjuntura econômica Então quando sobe o nível geral de preços de uma economia. a inflação provoca efeitos nocivos a uma série de outras estruturas como as que foram descritas anteriormente . provocando pelo menos um desaquecimento econômico e. os governantes tentam deter a inflação promovendo um aperto monetário. no Brasil. A estabilidade financeira. para não falar dos trabalhadores informais. então os consumidores provavelmente comprarão a alternativa mais barata. levando a uma diminuição nos negócios realizados e uma paralisação na atividade econômica. Essa perspectiva se constitui em obstáculo aos investimentos. uma alteração de preços relativos. Mesmo os investi. segundo Wood (2001.no caso do nível da arrecadação pública (Efeito Tanzi). desestimulando o crescimento. o seu descontrole significa a “morte do paciente”. A mudança de preço de uma mercadoria em relação a outras. Além disso. sobre o balanço de pagamentos. ao passo que os produtores incrementarão a produção da mercadoria cujo preço aumentou.. todos perdem com a inflação. uma recessão. Se as medidas de combate. gerando desemprego na economia. por sua vez. estimula o crescimento. As pressões sobre o governo também serão maiores e este. ‚ inflação baixa estimula a estabilidade financeira. portanto. terá que se preocupar com programas emergenciais e assistenciais. é o que afeta a alocação de recursos.

no pós segundo choque do petróleo. Mas como a inflação estava em níveis altíssimos e nem crescimento econômico a política brasileira conseguiu gerar. vez por outra. . e ‚ extinção dos sistema de indexação generalizada de impostos. Como não conseguiu sucesso. A redução dos investimentos públicos e a contração monetária provocaram fortes recessões na economia brasileira (períodos consecutivos em que a taxa de crescimento da economia ficou negativa). ‚ substituição do cruzeiro pelo cruzado à razão de mil por um. a inflação brasileira passou de um patamar de 100 para 200% ao ano. isto é. composto das seguintes medidas: ‚ congelamento de preços e salários. aluguéis e ativos financeiros existentes no país. não só para o Brasil. Alemanha ou Itália. com grande diminuição do PIB sem que isso significasse diminuição também nos níveis de preços. Tais fenômenos estão relacionados à conjuntura interna e externa. sugiro a consulta de qualquer um dos manuais de economia que anexei nas referências bibliográficas dessa aula. ameaça a estabilidade econômica de países como Estados Unidos. principalmente pela elevação dos gastos públicos em anos anteriores. Sugiro que você pesquise na Internet como a inflação. A inflação sempre preocupou muito as autoridades brasileiras ao longo da nossa história econômica. a história brasileira é riquíssima e foram muitos os fenômenos econômicos que assolaram a nossa economia – e que estão por trás da grande inflação que enfrentamos. faremos um breve resumo desses principais programas de combate à inflação dos últimos 20 anos. para pelo menos fazer o país voltar a crescer. Entre 1981 e 1983. Com o fracasso da política anterior que foi comandada por Delfim Neto. Para se aprofundar no tema. foram baseadas em rigoroso controle monetário e em esforço para reduzir o déficit público (isto é. PrinciPais ProGramas DE comBatE a inFLação Da HistÓria BrasiLEira rEcEntE Como já mencionado anteriormente. o objetivo era retirar a grande quantidade de moeda que estava em circulação. parafraseando nosso exemplo anterior. os choques do petróleo. E isso vale para qualquer país do mundo. etc. Particularmente na década de 1980. a crise da dívida externa. estavam mais comprometidos com a estabilização macroeconômica dos preços do que com o crescimento econômico propriamente dito. Assim o déficit público e a inflação cresceram de tal forma que o país entrou em uma severa recessão. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ As medidas de estabilização tomadas no período 1981-1985. Entretanto. a participação do governo na economia). A seguir. aumentando os gastos públicos em 1984 e 1985. assume o poder em um processo histórico o presidente José Sarney e em fevereiro de 1986 anuncia o Plano Cruzado. aluguéis e taxas de câmbio. a partir dos anos 1980.. no final do governo Figueiredo. o governo tentou retomar o projeto desenvolvimentista. houve uma pluralidade de planos econômicos que. salários. como por exemplo. a dose do remédio foi tão forte que o paciente morreu. certamente extrapolaria aos objetivos dessa aula.46 conjuntura econômica chegam a ganhar um salário mínimo.

o aumento dos salários dos funcionários terminou por impedir a contenção do déficit público que aumentou brutalmente. p. ‚ revelou-se a insuficiência de fiscais para impor e acompanhar o congelamento dos preços (apesar do clamor do presidente Sarney para que todos os brasileiros fossem fiscais do plano). ‚ iniciou-se uma especulação com os estoque secretos das mercadorias em falta. ‚ tornou-se necessária a importação de alimentos (carne. com alimentos básicos sendo vendidos às escondidas com preços superiores aos tabelados. 621). o Plano Cruzado foi “sepultado” com o descongelamento de preços e retorno da inflação aos níveis anteriores. combinando políticas monetárias e fiscais restritivas (esse assunto será retomado em nossa próxima aula). Diante ao momento de recessão e forte elevação nos preços. aluguéis ________________________ e taxa de câmbio. o Plano Bresser não contou com o apoio público que beneficiou o Plano Cruzado. 2000. 47 conjuntura econômica Ao final de 10 meses. obvio dizer que o Plano Bresser foi abandonado em dezembro de 1987 com a demissão de seu criador. ‚ instalou-se um mercado paralelo (mercado negro). desta feita. Conforme destaca Leite (2000. com o sumiço das mercadorias das prateleiras dos supermercados. o governo Sarney desistiu das investidas mirabolantes e passou a utilizar mecanismos mais tradicionais de controle da inflação. Em junho de 1987 é lançado no Brasil o Plano ________________________ Bresser que também centrou seu plano no congelamento de preços. foi por isso mesmo. principalmente relacionados ao congelamento de preços (LEITE. Ágio e Câmbio Negro foram as expressões que melhor caracterizaram o Plano Cruzado. de uma minidesvalorização da moeda nacional e da promessa de uma política monetária restritiva e política fiscal de diminuição da participação do Estado na economia. assume o cargo de ministro da economia Luis Carlos Bresser Pereira (renomado economista brasileiro) que julgava ter entendido os erros do Plano Cruzado. a inflação alcançou incríveis 400% no ano de 1987. o congelamento foi precedido de um reajustamento das tarifas públicas. salários. especialmente as pressões por aumentos salariais da parte das empresas estatais e do próprio governo federal. 620): ‚ iniciou-se um processo de desabastecimento. o Plano que entrou em vigor em 1988. leite) costumeiramente produzidos e até exportados pelo país. como resposta.As medidas introduzidas pelo Plano Cruzado foram recebidas pelos brasileiros com grande entusiasmo e euforia. na gestão de Maílson da Nóbrega como ministro da economia. p. mas logo encontraram um conjunto de obstáculos impostos pela teoria econômica. bem como num sistema de indexação defasada de salários e pre.________________________ ços. Em vez de contar com boa vontade popular. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . batizado de Feijão com Arroz. o governo teve também que “afrouxar” os controles monetários para evitar a recessão e. o plano enfrentou forte reação dos setores prejudicados. Em função do fracasso do Plano Cruzado. Entretanto. arroz.

aluguéis e câmbio. Uma análise mais detida sobre as especificidades desses planos. decretando moratória da dívida e comprometendo o futuro do país com a diminuição de financiamentos externos. com essas rápidas passagens da análise da economia brasileira entre 1980 e 2008. denominada de Cruzado Novo. dessa vez batizado de Plano Verão com novo congelamento de preços. baixo crescimento do PIB. Ao tomar posse em 15 de março de 1990. valendo mil cruzados antigos. crise na dívida externa. retomar o crescimento econômico e controlar a hiperinflação. a escalada do déficit público. pelo menos no curto prazo. o governo foi obrigado a deixar de pagar os compromissos da dívida externa. Entretanto. com o objetivo de restabelecer a confiança na economia brasileira. o fracasso do Plano Verão foi tão evidente que a inflação chegou a bater em ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ 50% ao mês e a pressão eleitoreira em função das campanhas presidenciais e de renovação do congresso. inclusive. Dentro desse clima extremamente adverso de inflação descontrolada. deve ser aprofundado nos livros de economia que estou colocando nas referências bibliográficas de cada aula. a sociedade brasileira não agüentava mais o congelamento de preços e as expectativas inflacionárias aceleravam cada vez mais a inflação. com forte retração de 5% na taxa do PIB e inflação que atingiu 1000% ao ano. fez com que se flexibilizasse a política em relação aos funcionários públicos e empresas estatais. demitir funcionários públicos não concursados e privatizar empresas públicas deficitárias objetivando conter a escalada do déficit público e aumento na dívida externa que engessava a ação do governo brasileiro com o pagamento de muitos milhares de dólares com credores internacionais. o governo Collor com uma só medida. os preços das mercadorias comercializadas. autarquias e cargos públicos. mas a economia não deu respostas positivas e entrou de vez em recessão. nos interessa apenas analisar algumas medidas do combate à inflação. o Plano Verão até foi bem intencionado e propôs. os problemas da hiperinflação. a democracia brasileira. que muitos foram os programas de combate à inflação nesse período. salários. o presidente Fernando Collor de Melo. além de inflação que já atingia 1200% ao ano. Quando a taxa de inflação batia em 25% ao mês. Aqui. principalmente os gêneros alimentícios. ao decretar o bloqueio de 70% dos ativos financeiros do setor privado por 18 meses com devolução posterior em 12 . Está claro. os empresários já tomavam medidas defensivas esperando um novo congelamento e aumentavam. decretação de moratória. aumento do déficit público. resolveu. pagamento da dívida e o déficit público ao longo dos últimos 20 anos. para acima de seus custos. bem como a conjuntura econômica da época. Em 1989. retomando dessa maneira. os índices econômicos pioraram tanto no final do governo Sarney que. bem como evidenciar como a inflação causou males para a histórica econômica do Brasil.48 conjuntura econômica o Plano Feijão com Arroz até conseguiu diminuir o déficit público e gerar uma contenção monetária. novo plano. o Plano veio acompanhado de uma reforma monetária caracterizada pelo surgimento de uma nova moeda. um corte no número de ministérios. após anos de ditadura militar colocou à frente do país.

com total desaprovação pela população brasileira e com a inflação totalmente fora de controle.000. Um novo Plano foi preparado ainda na vigência do governo Collor. com a crise do petróleo no oriente Médio.6% em relação a 1989 e a taxa de emprego da economia brasileira caiu 4% naquele mesmo período.org/wiki/File:Fernando_collor.parcelas ajustadas com a correção monetária e taxas de juros de 6% ao ano. como a readoção do cruzeiro (Cr$) como moeda oficial (Cr$1. com retração de 4. mas se estabilizou no patamar de 11% ao mês. Entretanto. e ainda. o PIB brasileiro sofreu uma forte queda em 1990.00). valor mais baixo registrado pela economia desde 1981. Essa foi a principal medida do governo Collor que prometera acabar de vez com a inflação. lançado pelo governo e conhecido na mídia como Plano Collor I tinha as seguintes premissas: ‚ promoveu nova reforma monetária. maior retração das atividades econômicas. Este previa a desindexação da economia. o tabelamento para a ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . a venda de imóveis e veículos diminuíram o valor da dívida do setor público. batizado como Plano Collor II.jpg Partindo do princípio de que a inflação era sustentada pelo desequilíbrio orçamentário (déficit público) e alimentada pelo volume de ativos financeiros indexados e de liquidez imediata. 49 conjuntura econômica Fonte: http://commons. o setor industrial foi o mais atingido com queda de 8. as medidas de privatizações de empresas estatais (no seio do Programa Nacional de Desregulamentação) bem como demissão de funcionários públicos estáveis. o plano Collor I chegava ao seu final. Com uma inflação de 500% no ano de 1991. o choque inicial do Plano Collor I provocou uma redução imediata no poder de compra da população e. em conseqüência. ‚ estabeleceu congelamento temporário de preços e salários e reajustou as tarifas públicas. ‚ implementou um programa de privatização com o propósito de reduzir a participação do Estado na economia. o Plano Brasil Novo. Apesar desse mau resultado.3%. em relação ao equilíbrio orçamentário.00 = NCz$1. A inflação no primeiro ano do plano não recuou. ‚ determinou o bloqueio da maior parte dos ativos financeiros.wikimedia. as importações provocaram a retomada da escalada de preços.

que conforme já ressaltado aqui. dessa vez tendo como ministro da fazenda o sociólogo Fernando Henrique Cardoso. tendo que renunciar ao mandato. . embora não tenha mitigado a inflação. o PAI ou Plano FHC como ficou popularmente conhecido definiu seu objetivo principal assegurar a retomada do crescimento econômico em bases sustentáveis e com baixo índice de inflação. mantendo os gastos com programas sociais. Antecederam ao ministro Fernando Henrique. assume Itamar Franco e estabelece um novo plano econômico. não houve qualquer tentativa de congelamento de preços. Cabe aqui apenas um registro que Itamar não conseguiu acertar a economia de primeira. ‚ saneamento do sistema bancário (envolvendo banco federais e estaduais). Para sorte dos brasileiros. A inflação não se estabilizou e chegou a patamares de 50% ao mês. ‚ abertura da economia em bases liberais com a diminuição do papel do Estado na economia. salários e muito menos bloqueio de ativos financeiros. três outros ministros que continuaram a ciranda da inflação alta nos primeiros cinco meses do governo. pois essa aula deve ser melhor explicada em um curso de economia brasileira.50 conjuntura econômica cesta básica e o congelamento de preços e salários. Entre os principais fatos que marcaram esse plano podemos destacar: ‚ retomada do controle inflacionário. A partir de 1993. ‚ austeridade no gasto público. próximo a 0. Estamos apenas encurtando um pouco a história. com juros altos e crédito restrito para inibir o consumo na época do descongelamento dos preços. é lançado o Plano real que está em vigor desde então. o Plano FHC foi fundamental para criar as bases necessárias para que a inflação invertesse a sua trajetória ascendente. o presidente recebeu um grande veto ao seu mandato pelo povo e sofreu o impedimento de continuar à frente do país. o rigor da política do governo teve como primeiro impacto uma aumento expressivo de desemprego (5. As políticas monetária e fiscal continuaram austeras. atingindo no final de 1992 uma taxa acumulada de quase 2000% ao ano. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ o plano econômico lançado pelo então ministro Fernando Henrique ficou conhecido como Plano de Ação Imediata (PAI) aprovado em julho de 1993.8% em relação ao ano anterior) e um crescimento quase nulo do PIB brasileiro. ‚ progressiva melhora nas contas públicas com a recuperação de confiança externa (abalada desde a moratória do governo Sarney). com a queda de Collor. escapa aos nossos objetivos. Assim. Ainda em 1994. Marcado por uma corrupção muito grande. ainda elevado mas em níveis já bem mais baixos (150% em 1993). o governo Collor foi interrompido antes do seu fim. ‚ privatizações de empresas estatais. o Plano real foi montado por equipe de especialistas e implementado com grandes diferenças em relação aos anteriores: primeiro.3% em 1992.

Em nenhum momento houve congelamento de preços. se o objetivo era derrubá-la e mantê-la no chão. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . Ou seja. de forma a evitar a sua corrosão a explosão no processo inflacionário.uol. a URV permitiu o alinhamento dos preços sem necessidade e as inconveniências do congelamento. de forma que os empresários brasileiros foram obrigados a baixar os preços internos para continuarem vivos na concorrência pelo consumidor brasileiro. o sucesso da abertura comercial. A URV era uma quase moeda. mas não de meio de pagamento. o Real. O cruzeiro novo não saiu de cena de imediato. possibilitou uma reestruturação na economia brasileira e maior internacionalização nas relações econômicas. mais ou menos como se fosse um substituto do dólar. foi anunciado antecipadamente à sociedade. mas muito importante para o sucesso do plano.750.93. A cada dia.jhtm) Em primeiro de julho de 1994. o governo procedeu a reforma monetária. o cientista político e ex assessor do Ministério da Fazenda. uma unidade real de valor. adotando o real como moeda corrente. da época de Itamar Franco. houve um aumento nas importações de bens de consumo do exterior.br/historia-brasil/plano-real. (http://educacao. de valor equivalente à UrV do dia anterior (Cr$ 2.00) e mantendo a paridade com o dólar de US$1. que durou do final de 1993 a fevereiro de 1994 consistiu na batalha por aprovar no Congresso medidas que assegurassem um mínimo de controle sobre as contas públicas. ou seja. Essa foi uma lição aprendida com os planos anteriores: como a inflação alta ajudava o governo a fechar as suas contas. A terceira fase começa com a emissão da nova moeda. como as privatizações para diminuir a participação do setor público e a abertura da economia). em lugar dos cruzeiros novos. mas passaram a ter referência numa unidade de valor estável. diferentemente dos anteriores. A valorização da moeda foi um trunfo para combater a inflação. A URV foi a parteira do Real. Além disso. Em entrevista ao portal Uol. A primeira fase. de reserva de valor. Sérgio Fausto assim definiu o processo de implementação do Plano real: O Plano Real se desdobrou em três fases e. de forma a ganhar o apoio popular.com. era preciso tomar as rédeas das contas públicas. iniciada no governo Collor e continuada no governo de Itamar Franco. uma referência estável de valor. A idéia da equipe econômica era criar uma unidade monetária forte. baseada na média de três índices diários de inflação. os bens e serviços continuavam a ser pagos em cruzeiros novos. o plano real foi antecipado para a sociedade antes mesmo de acontecer. o Banco Central fixava uma taxa de conversão da URV em cruzeiros. Assim. porque servia de unidade de conta.segundo. fator subjetivo. Com a forte valorização da moeda (além de todas as medidas anteriores.00 para r$0. 51 conjuntura econômica A segunda fase transcorreu de fevereiro a junho de 1994 e foi marcada pela progressiva cotação dos preços em URV.

a economia brasileira cresceu 4. Em 1995.br/ .5% ao ano até no máximo 6. até que em 1994. o Plano real. SínteSe Percebemos nessa aula que a inflação é um fenômeno relacionado ao aumento generalizado dos preços dos diversos produtos de uma economia. uma política fiscal e monetária austera e com a retomada da confiança na economia brasileira. 2000.5%. quando o nível de preços no Brasil atingiu o status de hiperinflação.net/teoria_escolas/monopolio. Em.fipe. dieese.3% e o nível de preços permaneceu num patamar jamais observado de 10%. Nenhum deles logrou sucesso.org.8%. SiteS indicadoS Dicionário de Economia: http://economiabr.br Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE): www. História do Plano Real. o que parecia impossível aconteceu: a inflação recuou ainda em 1994. Com toda turbulência ocorrida em 2002. 232p.org. Suas conseqüências são extremamente prejudiciais para o funcionamento do sistema econômico e podem barrar ou mesmo impedir o crescimento econômico. o patamar de inflação é determinado pelo Banco Central dentro de um determinado intervalo normalmente situado em um mínimo de 4. no final do governo Itamar Franco.html Fundação Getúlio Vargas (FGV): www.br Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE/USP): www. para nunca mais atingir patamares como esse. Um verdadeiro alento se considerarmos os 2000% já registrados no governo Collor.fgvdados. quando houve a troca do governo FHC pelo governo Lula e a possibilidade de descontinuidade na política econômica. Hoje em dia. queStão para reflexão Por que a inflação pode comprometer todas as metas do crescimento econômico da economia brasileira? leituraS indicadaS FILGUEIrAS. São Paulo: Boitempo. começaram a ser desenvolvidos planos e programas de combate a inflação. a partir da década de 1980. É por essa razão que. a inflação se descontrolou um pouco e atingiu 9. Uma inflação descontrolada pode inclusive prejudicar as relações de um país ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ com o resto do mundo ao tornar caras as exportações e baratas as importações. 1996 o índice de preços ao consumidor chegou a menos de 2%.52 conjuntura econômica Com maior controle dos gastos públicos. atingindo cerca de 50% ao ano. Luis. conseguiu reduzir os níveis inflacionários para patamares jamais observados na história econômica do Brasil.

Geoffrey E. São Paulo: Makron Books do Brasil.com. São Paulo: Saraiva. São Paulo. FAUSTo Sérgio. F. 2001.br/historia-brasil/plano-real. 4 ed. São Paulo: Atlas. 1991. Diva Benevides.gov. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . Marco Antônio S.sei. PINHo. Marco Antônio S. Fundamentos de Economia.Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): www. 5 ed. Controle de inflação e crescimento. 2008. SANDroNI. Fim da inflação e conquista da estabilidade econômica. 2001. Jeffrey. Economia brasileira: fundamentos e atualidades. Paulo. rudiger e FISCHEr.jhtm>. 2003. Equipe de Professores da USP. Antonio E. LANZANA.uol.ba.gov.br/ 53 conjuntura econômica referênciaS DorNBUSCH. GArCIA. (org.br/ Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI): www.). 1992. Disponível em: <http://educacao. LArrAIN B. Satnley. 2005. Manuel E. Teixeira. São Paulo: Saraiva. 2 ed. Dicionário de economia do século XXI. 2006. SACHS... rio de Janeiro: record. Acesso em: 25 nov. VASCoNCELoS.ibge. WooD. Macroeconomia. São Paulo: Makron. Manual de Economia. VASCoNCELoS. Macroeconomia.

54 conjuntura econômica ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ .

Em paralelo. observa-se uma grande explosão nos níveis da inflação interna. Até antes de 1980 as políticas econômicas do Brasil tinham como objetivo maior a criação de um ciclo econômico sustentável e necessário para o desenvolvimento econômico. o PIB per capita despencou e as relações do Brasil com o resto do mundo reduziram-se a quase nada. transportes e na indústria de base (metalurgia e siderurgia). batizaram os anos 1980 como a década perdida. A política econômica é o conjunto de todos os instrumentos de que dispõe um governo para sua intervenção na economia. entendamos que o Estado assume a função importante na economia. o desemprego em alta. gerando bem estar social. perceberemos que o foco da participação do governo na economia era acabar com os gargalos que impediam o desenvolvimento do país. a inflação e o baixo dinamismo da economia brasileira nesse período. expandindo a oferta de trabalho e gerando maior volume de renda. energia. As políticas econômicas daquelas épocas visavam investimentos pesados por parte do setor público em setores considerados estratégicos como a infra-estrutura. no nosso bolso e nos nossos planos. E isso é feito através das políticas econômicas.auLa 04 . o final dos anos 1960 e início dos 70 é batizado como a época do milagre brasileiro. monetária e cambial. Por hora.anÁLisE Das PoLíticas EconÔmicas no BrasiL Autor: Gustavo Casseb Pessoti Olá. Esses assuntos serão complementados em nossa aula seguinte. com destaque para as políticas fiscal. Essa intervenção pode ser dar com o propósito de aumentar o desenvolvimento econômico ou simplesmente gerar crescimento da atividade econômica e estabilidade nos preços. A partir da segunda metade da década de 1980. A crise da dívida externa. Essa era a época em que as políticas econômicas tinham um propósito desenvolvimentista. o Plano SALTE e os Programas Nacionais de Desenvolvimento da era militar. todo o comércio internacional do Brasil representava ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . e como elas interferem em nosso dia a dia. A análise desses instrumentos é a chave para entender como as decisões econômicas de um governo são diretamente afetadas pela conjuntura interna e externa. Se pesquisarmos alguns planos e programas implementados como o Plano de Metas de Juscelino. em função do aumento dos gastos públicos do governo em épocas anteriores. Não por acaso. 55 conjuntura econômica Como vai você? Espero que bem e principalmente estudando os assuntos passados! Esta é uma aula muito importante sobre políticas econômicas. fez com que o país enfrentasse uma grande dificuldade de financiamento do seu desenvolvimento. traduzido por grande expansão no PIB per capita do Brasil. a economia brasileira entra num colapso jamais percebido ao longo de toda a sua história contemporânea. período em que a economia nacional crescia a taxas superiores a 5% anual. Naquela época. Nessa época. promovam o aumento do emprego e da renda circulante na economia. buscando alocar os recursos escassos na direção de projetos que diminuam as desigualdades econômicas.

de forma negativa. um crescimento econômico. Vamos agora entender um pouco mais de cada um desses instrumentos. tipo o imposto de renda. o governo fixa “níveis ótimos” na relação entre o valor de face do Real (moeda brasileira) em comparação ao valor de outras moedas mundiais (normalmente o dólar e Euro são os valores de referência). com equidade e controle do nível de preços. uma taxa muito insignificante para um país com tanto potencial econômico como o Brasil. Essas políticas são as que hoje em dia são aplicadas pelo governo brasileiro. Assim. subindo a taxa de juros e tornando as aplicações financeiras mais rentáveis. quais sejam. Assim. Esse controle objetiva regularizar o fluxo de entrada e saída de divisas do país. Cada uma dessas políticas econômicas tem seu próprio objetivo e seu mecanismo de intervenção. dos quais o ICMS é o principal). Quando os déficits públicos são elevados. diminuíram-se os investimentos externos no país e o governo brasileiro passou por uma necessidade: priorizar as políticas econômicas para o controle da inflação. Na política monetária. pois eles nos ajudam a entender a dinâmica da atuação do governo na economia. nesse caso extremo. quando o governo retira a moeda de circulação. Para tentar atingir os principais objetivos econômicos traçados. por tanto tem uma grande importância na renda que é gerada internamente em um determinado país.56 conjuntura econômica apenas 1% da corrente de comércio do mundo. A política fiscal. Gastar seus recursos com programas e assistências e arrecadar tributos sob a atividade econômica significa que o governo está exercendo o seu mecanismo fiscal de intervenção. por exemplo. o governo do país utiliza três políticas econômicas principais: a política fiscal. a intervenção das políticas econômicas tinha um novo foco: as políticas saíram do propósito de propiciar as condições para o desenvolvimento e passaram a enfatizar o controle macroeconômico. isso significa que o governo gasta mais do que arrecada. por exemplo. Diminuir esse déficit significaria reduzir o volume de famílias beneficiadas. diminuindo dessa forma o consumo da economia e sinalizando para os investidores. . Imagine que o déficit do governo esteja atrelado ao programa Bolsa Família. mas também da capacidade futura de pagamento desse déficit. o IPTU e o IPVA) e indiretos (aqueles que incidem sobre os preços das mercadorias que consumimos. Isso depende não só da natureza do gasto e dos programas implementados pelo Estado. o governo ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ controla a quantidade de moeda em circulação com o objetivo evitar o aumento nas transações econômicas e segurar o nível dos preços. Como resposta desse período conflituoso. que o momento deve ser de cautela. é aquela em que o governo utiliza com programas sociais e econômicos. Toda vez que o governo gastar com suas diversas políticas públicas mais do que arrecadar com todos os impostos diretos (aqueles que incidem diretamente sobre a renda o patrimônio. observamos que nem todo o déficit público é prejudicial à economia. a política monetária e a política cambial. os recursos que arrecadou de toda a sociedade por meio de impostos e tarifas. por meio de exportações e importações. ele o faz por meio de sua política monetária. Já na política cambial. dizemos que ele produziu um déficit orçamentário ou déficit público. Nessa época.

etc. É também o banqueiro do governo. o Banco Central. isto é. estaremos diante de uma situação de que o país terá dificuldade de financiamentos para outras atividades e programas. pois uma parte de toda a sua produção econômica será necessária para honrar compromissos “velhos”. com uma quantidade muito grande de dinheiro em circulação. surge um novo instrumento de política econômica que tem como objetivo fazer com que a economia cresça. Para evitar que isso aconteça. é a relação dívida/PIB. o grande objetivo da política monetária é a estabilização dos preços. longe de alcançar um objetivo positivo. é responsável pelo controle seletivo do crédito que é disponibilizado no Brasil pelos bancos de investimento. essa dívida que fica passa por uma correção monetária e pela atualização de taxas de juros. depositário de reservas internacionais que chegam das relações do país com o resto do mundo. um descontrole nos gastos públicos pode ter como efeito colateral um aumento da inflação na economia. guardião das reservas monetárias dos bancos comerciais como Bradesco. Estamos falando da política monetária. Um alto endividamento do setor público foi a razão do insucesso da economia brasileira na década de 1980. no controle monetário tem as seguintes funções: emissão moeda. pois com o aumento do déficit ele terá dificuldade de implementar novos programas. há uma tendência de que as pessoas comecem a gastar mais e mais e isso provoque um aumento nos preços dos diversos itens da economia. a intervenção do governo controlando a liquidez (volume de moeda em circulação) do sistema econômico de forma racional e equilibrada aos demais objetivos das políticas econômicas. os impostos arrecadados pelo governo ficam no Banco Central). principalmente depois do Plano real. Se esse percentual for muito elevado. e por tabela o endividamento do governo. Assim sendo. é responsável pelos empréstimos para instituições financeiras com problemas de caixa. No Brasil. pois como vimos nos conceitos anteriores. teríamos uma situação prejudicial ao governo. mesmo que isso signifique diminuir um pouco 57 conjuntura econômica ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . Nesse caso. que apresentou baixo dinamismo econômico e alta inflação. como o BNDES. além disso. Falando em inflação. Voltemos ao nosso caso da Bolsa Família e suponhamos que o governo decida continuar com uma política fiscal expansionista. como o faz a política fiscal. é importante mencionar que o volume de dinheiro injetado na economia através das políticas econômicas tem também a possibilidade de. devemos ver com cautela o aumento do déficit público. aumentando gastos com programas. acabar por incentivar o aumento de preços. ganha uma importância cada vez mais crescente a política monetária. A política monetária do governo é desenhada por uma instância governamental chamada de Conselho Monetário Nacional e executada pelo principal órgão componente desse conselho que é o Banco Central do Brasil. dificultando que novas ações sejam tomadas antes do pagamento aos devedores.A medida de referência para medir o déficit público. independente do volume de impostos arrecadados. como principal instrumento econômico para combate à inflação e aumento da renda sem necessariamente aumentar a participação do setor público na economia. pois é depositário dos recursos captados pela União sob a forma de receitas tributárias (isto é. Mas. mas sem com isso aumentar também o nível de preços gerando inflação. Nesse sentido. Itaú. gerando a inflação. Então.

a inflação no Brasil atingiu 10% o que significou uma mudança no rigor da política monetária desde os inícios do governo Lula. para evitar a alta nos preços. o principal instrumento de controle monetário é a taxa de juros. Entendamos a lógica desse instrumento. o Banco Central utiliza instrumentos qualitativos e quantitativos. A meta de inflação do Brasil é de 4.5% ao ano. podemos dizer que é a remuneração que o sistema financeiro paga para que você. Todos aqueles . No Brasil. com uma flexibilidade dois pontos percentuais. quando a taxa de juros se eleva. Entre esses instrumentos estão as taxas de juros. Traumatizado com a época em que a inflação atingia 2. abra mão de ter seu dinheiro (na mão) para realizar transações e o deixe aplicado em poupança ou em algum título público. consumidor.58 conjuntura econômica a intensidade do crescimento econômico. quando o Banco Central quer elevar o consumo da sociedade ou aumentar a disponibilidade de crédito. nós. A depender do comportamento da Taxa SELIC. Assim. Para realizar a política monetária. Assim. Esse aumento faz com que muitas pessoas deixem de comprar e passem a poupar para ganhar no mercado financeiro. sabemos se o Banco Central quer aumentar a liquidez da economia para incentivar o consumo ou se o objetivo é segurar os preços da economia.5% ao ano. que é a taxa que serve de referência para o sistema financeiro brasileiro. Além disso. de forma a evitar a inflação. Todos os meses. E o instrumento para isso é a taxa de juros. aguardamos ansiosamente qual será a decisão do Banco Central em relação às taxas de juros cobradas no sistema financeiro. de forma que. aqueles que têm dinheiro aplicado conseguem um ganho adicional no mercado financeiro. O que é a taxa juros? ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ De maneira bastante simplificada. economistas. os primeiros são aqueles que modificam a disponibilidade de crédito para as agências de fomento e bancos de desenvolvimento. se for preciso sacrificar o crescimento econômico para manter a meta de inflação. Quando esses compradores diminuem o volume das compras. podendo no máximo atingir 6. a equipe econômica do governo não vai pensar duas vezes. basta que diminua a taxa de juros. as pessoas têm mais dificuldade de conseguir empréstimos bancários. E o que o Banco Central faz é bastante intuitivo. o governo brasileiro não flexibiliza a política monetária brasileira. dois mil pontos percentuais ao ano. como na época do governo Collor em 1991). os segundos são aqueles que têm como missão regular a oferta de moeda na economia. as operações de open market (compra e venda de títulos públicos) e as operações de controle das reservas dos bancos comerciais. quando as taxas de juros estão altas. os empresários não têm outra saída senão abaixar os preços para não provocar uma queda no consumo. Quando ele quer restringir a oferta de moeda na economia.000% (isso mesmo. pois estes ficam muito caros e diminuem a procura pelo dinheiro de forma a causar pouca pressão sobre a inflação. aumenta a taxa de juros. para que estes não emprestem dinheiro para a sociedade acima do permitido para não gerar inflação. Em 2002.

as taxas de juros sempre estiveram sujeitas a algum tipo de interferência governamental. lastreadas em títulos públicos federais e realizadas no SELIC. é a taxa média ponderada pelo volume das operações de financiamento por um dia. por causa da prevenção existente. ‚ Taxa Básica Financeira: corresponde à média das taxas de juros do CDBs das 30 maiores instituições financeiras do país. o emprego e o crescimento econômico. para os juros. quando as taxas de juros baixam o consumo é incentivado e com isso aumenta a possibilidade do país apresentar uma taxa de crescimento elevada. ‚ A taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) expressa na forma anual. há uma pressão sobre o desempenho da economia que pode ter uma baixa taxa de crescimento em função do maior estímulo à poupança em detrimento do consumo. principal taxa de captação de recursos dos bancos comerciais. embora tal teto não tenha sido obedecido. mas também porque podem servir de instrumento para o combate à inflação de demanda. É a taxa básica utilizada como referência pela política monetária. 59 conjuntura econômica Principais taxas de Juros do mercado Brasileiro ‚ Taxa Referencial (TR): é uma taxa básica criada com o propósito de estabelecer um patamar móvel para fundamentar as demais taxas de juros. em suas operações da dívida interna. dessa forma que quando as taxas de juros aumentam e o consumo diminui. Influencia decisivamente as taxas dos empréstimos bancários. os juros influenciam ainda na determinação do déficit operacional do governo e no ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . pois com a queda na taxa de juros pode ser que o custo de oportunidade de deixar o dinheiro parado seja muito alto e valha mais a pena realizar aquele gasto que você gostaria. Isto é. as taxas de juros desempenham um papel fundamental na política econômica. em relação a um bem ou serviço da economia. sendo as duas extremas (a maior e a menor) expurgadas do cálculo. na forma de operações compromissadas. Assim. pois o objetivo da política monetária do Plano real é a estabilização nos preços. o governo tem que escolher entre crescimento e inflação. ‚ Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP): é fixada pelo BACEN e aplicável às operações financeiras de longo prazo realizadas pelo BNDES. contra a rentabilidade do capital financeiro. nem mesmo pelo governo federal. custe o que custar. não somente porque influenciam o investimento.a. Durante muito tempo houve uma lei de Usura que estabelecia limites para as taxas de juros. em certos setores. No Brasil.poupadores vão se sentir desestimulados a manterem o dinheiro parado e voltarão a realizar gastos na economia. No caso contrário. Perceba. a Constituição Federal estabelece um teto de 12% a. internamente influenciando o produto. incidindo sobre os depósitos de alto valor e de prazo fixo (30/60 dias). A variação da Tr decorre tanto de modificações na inflação esperada. a idéia é do crescimento sem inflação. a equipe do governo aumenta a taxa de juros. ‚ Taxa Over/CDI: é a taxa referente às transações de um dia realizadas com os Certificados de Depósitos Interbancários ‚ Taxa CDB: é a taxa dos Certificados de Depósitos Bancários. quanto no custo básico do capital. consumo e a poupança. No caso do Brasil. Caso a inflação ameace a estabilidade econômica. Ainda hoje.

Não se assustem com a fórmula. compara o preço de bens domésticos e internacionais na economia doméstica.8 . em relação à uma cesta brasileira. o avanço do comércio internacional possibilita aos países que se inserem com maior ou menor intensidade uma série de vantagens econômicas.) reduzindo-se o risco do negócio. As políticas econômicas do governo terão também como objetivo incentivar o aumento da produtividade e a expansão tanto do mercado interno quanto do nosso volume de comércio com o exterior. Ela é dada pela seguinte fórmula. ou seja. ganha importância na determinação do equilíbrio econômico: a política cambial. e ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ‚ controle da inflação em função da concorrência com o produto internacional (normalmente mais barato) que obriga um rebaixamento dos preços nacionais para não perder mercado.00 Preço de um automóvel produzido nos EUA = US$ 12. engessando o efeito de uma política fiscal expansionista.00 X 12. Exemplo: Preço de um automóvel produzido no Brasil = r$ 15. ‚ ampliação da concorrência. ‚ Taxa de câmbio real: é a taxa à qual se pode trocar os bens e serviços de um país pelos bens e serviços de outro país. uma nova modalidade de política que tem como principal atribuição tornar mais competitivos os produtos nacionais no exterior.000. A taxa de câmbio real é o preço em reais de uma cesta de bens estrangeiros. reduzindo a vulnerabilidade da economia brasileira a choques externos. A taxa de câmbio real é um fator chave na determinação de quanto um país exporta e importa.60 conjuntura econômica estoque da dívida pública (aquela dívida que o governo ainda não pagou e que sobre a qual incide a correção monetária e a taxa de juros). pois nós vamos exemplificar como ela funciona e qual o seu significado. ‚ diversificações de opções de investimentos (em bolsa de valores ou produtivos.00/US$ 1. As transações internacionais são influenciadas pelos preços internacionais. ‚ Taxa de câmbio nominal: é a taxa à qual se pode trocar a moeda de um país pela moeda de outro país. das quais destacamos algumas: ‚ especialização na produção de bens com maior vantagens comparativas (menor custo de produção) de forma que o comércio entre os países potencializa o ganho da eficiência produtiva. Por isso. ‚ diversificação de produtos que o cidadão tem acesso.00 e = taxa de câmbio nominal = r$ 1.000.00 r = taxa de câmbio real = (1.000) / 15. limitando o poder de oligopólios nacionais. os dois preços internacionais mais importantes são a taxa de câmbio nominal e a taxa de câmbio real.000 = 0.

Nesse caso. No regime de taxas fixas. para que não percamos mercado consumidor externo. Quando exportamos recebemos divisas do resto do mundo. Exatamente por isso a política de câmbio tenta impedir que esse produto nacional fique mais caro que o importado. necessidade do bem. Para simplificar vamos pegar o exemplo do pãozinho francês. mandamos divisas para o resto do mundo.Conclusão: o automóvel norte-americano é 20% mais barato que o brasileiro. seguro. infelizmente está só para mostrar como são complexas as relações do sistema econômico. as indústrias brasileiras (panificadoras) precisam importar grandes quantidades ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . o governo teria que agir para que a paridade real/dólar aumentasse (desvalorização). esteve com uma cotação média de US$1. isto é. mas apenas dois tipos são mais usados. No regime flutuante. a depender dos custos de transação (frete. Para fabricar pães. lembremo-nos de que é Brasil não é auto-suficiente em uma série de produtos que são consumidos diariamente pela população brasileira.00 = r$1. Existem diversos tipos de câmbio. a melhor forma de garantir o aumento nas vendas externas é desvalorizar o câmbio nominal (e).00 = US$1. mas com intensa atuação do Banco Central. deste exemplo em particular. Assim. porém dentro de limites fixados pelo Banco Central. ‚ Minibanda Cambiais: o regime é flutuante. o Banco Central tem a função de comprar ou vender moeda estrangeira. o regime atualmente vigente é o de câmbio flutuante (sujo). os setores exportadores estão “sangrando” com a atual valorização da moeda nacional que. desde o início de 2008. Na prática podem ocorrer duas situações em que esta atuação do governo acaba acontecendo mesmo com o câmbio flutuante: ‚ Dirty Floating: (mais adotado) regime de câmbio flutuante. ficaria mais barato aos preços da moeda internacional. mas que também não provoque inflação. A inflação do Brasil também está relacionada com o Dólar? Sim. imposto de importação) valeria a pena comprar o produto norte-americano em detrimento da produção nacional.65. que procura mantê-la em níveis relativamente estáveis. r$2. que muitas vezes é o dólar em um preço fixo em moeda nacional. pois com isso o carro brasileiro. quando importamos. o Banco Central começa a comprar ou vender dólares de suas reservas internacionais para equilibrar uma paridade que seja adequada para sua política cambial. são eles o câmbio fixo e o flutuante. Para responder a essa pergunta da maneira mais trivial possível. Num caso como esse. Quanto mais forte a moeda melhor para importar produtos do exterior. 61 conjuntura econômica No caso brasileiro. pois quando a cotação da moeda brasileira começa a disparar em relação ao dólar. Apesar da definição da taxa de câmbio flutuante não mencionar a participação do governo na determinação da taxa de câmbio de equilíbrio que é determinada pelo mercado de divisas (oferta e de demanda). Não por acaso.00. a taxa de câmbio se altera de acordo com a oferta e necessidade do mercado. na venda e na compra. antes da crise mundial. pior para exportar.

para importar não se pode pagar em reais. pois com a maior importação de produtos similares aos que são produzidos aqui. por medidas que envolvam as relações internacionais. um real vale um dólar). Com essa mudança cambial. Suponha agora que. produtos que são comprados no exterior. o Balanço de Pagamentos é um registro contábil de todas as transações de um país com o resto do mundo. o aumento da concorrência faz com que os preços dos produtos baixem para estimular o consumo.92 centavos de real). em função simplesmente da modificação no câmbio. o Brasil gastaria o equivalente a r$100. Envolve tanto transações com bens e serviços como transações com capitais físicos e financeiros. Agora suponha as seguintes informações: que o Brasil tenha uma paridade de r$1. logo no início. resultado é que tendo que pagar o dobro que pagava antes para obter os mesmos 100 quilos de trigo. o Balanço de Pagamentos apresenta dois tipos de transações: correntes: associadas aos fluxos de bens e serviços . elevando a inflação. o Banco Central tem desta forma que regular as operações de entradas e saídas de divisas do país e não perder de vista que a política cambial também é forte aliada do controle inflacionário. Para concretizar essa operação o país tem que efetivar suas compras em dólar que é a moeda internacionalmente usada para essas transações. principal insumo do pãozinho.92 (1 dólar valia 0. para adquirir os 100 quilos mensais. no balanço de pagamentos que são de fundamental importância para o equilíbrio externo do país.00 valia r$0.62 conjuntura econômica de trigo. por tabela. o instrumento macroeconômico que registra todas as operações financeiras que um país realiza com o resto do mundo é chamado de Balanço de Pagamentos. a indústria que faz os pãezinhos vai ter que repassar esse custo para o consumidor.00 (isto é. mesmo no caso de países vizinhos como é o caso da Argentina. para que o Brasil adquira os mesmos 100 quilos. que importa a maior parte dos insumos que precisa para produzir os produtos que chegam até a casa dos consumidores. Além de tudo isso. agora o mesmo 1 dólar vale 2 reais). Mas você sabe o que é balança comercial e balança de pagamentos? ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ Para entendermos esses conceitos e ao mesmo tempo podermos finalizar os aprendizados dessa aula. e que compre mensalmente 100 quilos de trigo com esse custando US$1.00 para US$1. em julho de 1994 sobrevalorizou a taxa de câmbio em US$1. houve uma desvalorização na moeda brasileira e esta passou agora para uma relação de US$1. Assim.00 para r$2. Mas. precisamos agora fazer a inter-relação entre as políticas econômicas e o setor externo. Uma vez que a produção de trigo no Brasil é insuficiente para dar conta de toda a demanda. mas r$200. de forma a facilitar a importação. a política cambial também interfere diretamente na balança comercial do país e.00 por quilo. vai precisar não mais de r$100.00 (ou seja. o país importa da Argentina a quantidade complementar de trigo de que necessita. o Brasil do Plano real. Esse mesmo exemplo vale para toda a indústria brasileira de eletro-eletrônicos.

) ________________________ ‚ A3 – Transferências Unilaterais Correntes (donativos) ________________________ ________________________ B – Conta Capital e Financeira (Balança de Capitais) ________________________ ________________________ ‚ B1 – Investimentos direto líquido (instalação e participação do capital de multinacio________________________ nais no país) ________________________ ‚ B2 – reinvestimentos (reinvestimentos de multinacionais já instaladas no país) ________________________ ________________________ ‚ B3 – Empréstimos e Financiamentos a Longo e Médio Prazo (Banco Mundial. etc.‚ movimento de Capitais: associadas aos direitos e obrigações. juros. 63 conjuntura econômica A estrutura do Balanço de Pagamentos de qualquer país do mundo é dada pelo seguinte conjunto de contas: A – Balança de Transações Correntes (BTC ou Saldo em Conta Corrente do BP = A1 + A2 + A3) ‚ A1 – Balança Comercial ‚ A1.2 – Viagens Internacionais e Turismo ‚ A2.5 – Diversos (serviços governamentais – embaixadas.1 – Transportes (fretes. etc.) ________________________ ‚ B4 – Empréstimos a Curto Prazo ________________________ ________________________ ‚ B5 – Amortizações de Empréstimos e Financiamentos ________________________ ‚ B6 – Empréstimos de regularização do FMI (problemas de liquidez) ________________________ ‚ B7 – Capitais a Curto Prazo (aplicações no mercado financeiro) ________________________ ________________________ ________________________ C – Erros e Omissões ________________________ ________________________ ________________________ D – Saldo do Balanço de Pagamentos (A + B + C) ________________________ ________________________ ________________________ A Balança Comercial aparece classificada dentro das transações correntes do ‚ A2. lucro ‚ reinvestido pelas multinacionais) ‚ A2. .2 – Importações (FoB): crédito ‚ A2 – Balança de Serviços e Rendas ‚ A2.3 – rendas de Capital (lucros.) e Seguros ‚ A2.4 – royalties e licenças ________________________ ________________________ ‚ consulados. principalmente relacionadas com o investimento e o endividamento. dividendos. etc. representações no exterior.1 – Exportações (FoB): débito ‚ A1.

64 conjuntura econômica balanço de pagamentos é se refere à diferença de tudo aquilo que exportamos em valores monetários e aquilo que importamos. A utilização da política fiscal pode aumentar o crescimento. depende muito do comércio exterior para escoar a sua produção interna. Quanto maior o nível de renda. Mas o que tudo isso tem a ver com a política cambial? A resposta é fácil e. Quanto maior esse saldo. Mas é preciso ficar alerta também para o fato de que uma grande parte da economia brasileira depende de importações do resto do mundo. o volume de importações de um país depende do nível da atividade econômica (renda nominal) e da taxa de câmbio real. é importante que o Banco Central avalie a possibilidade de mexer na taxa de câmbio todas as vezes que o seu valor prejudicar muito a comercialização com o resto do mundo. Quanto mais desvalorizada a taxa de câmbio maior serão as exportações e menor as importações. Não precisa ser especialista no assunto para saber que o Brasil é um país subdesenvolvido e que. de certa forma. Como vimos não são nada fáceis as decisões da equipe econômica do governo quanto ao rumo das políticas econômicas! SínteSe Assim. nessa aula vimos como são complexas as decisões do governo brasileiro para atingir os objetivos de crescimento econômico. Uma taxa de câmbio muito desvalorizada encarece muito as importações e pode gerar uma grande inflação interna. uma vez que quanto ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ maior o nível de atividade dos demais países maior será demanda por nossos produtos que só se traduzirá em ampliação das vendas se o preço dos produtos nacionais for mais barato que os internacionais (câmbio real). mas se a dívida do setor público subir muito esse fato pode anular a eficiência da política. que reflete a competitividade da produção doméstica em relação à externa. o volume do que se pode comprar tendo moeda estrangeira aumenta em grandes proporções. estudamos quais são os principais instrumentos de que dispõe a autoridade monetária para controlar o nível de preços e barrar a inflação no país. já estava implícita em nossas discussões anteriores. Nesse caso. tornando o produto doméstico mais caro que o “estrangeiro”. maior será o desempenho positivo do país e maiores fluxos financeiros vão entrar na conta de reservas internacionais do Banco Central. de inserção externa e controle do nível de preços. maiores serão as importações. . Mas as importações do país somente se elevarão se o câmbio real estiver valorizado. portanto. Em relação à política monetária. é uma desvalorização do câmbio real que barateia os produtos nacionais cotados em moeda estrangeira. por conseguinte. pois a moeda nacional fica mais barata de ser comprada pela moeda estrangeira e. Já as exportações dependem da renda do resto do mundo. Essas reservas são a garantia de que o país pode honrar compromissos assumidos em moedas estrangeiras. Assim.

São Paulo: Saraiva.br referênciaS MANKIW.). Thomson. (org. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . o governo dispõe de três políticas principais para o alcance de seus objetivos internos e externos. PINHo.bcb. Equipe de professores da USP. 2006. 2007. Gregory. 2003. São Paulo: Saraiva.fazenda. VASCoNCELoS. Marco Antônio S.br Ministério do Planejamento do Brasil: www.Por fim. portanto.gov.pdf SiteS indicadoS Banco Central do Brasil: www.planejamento. 5 ed. N. Marco Antônio S. percebemos que uma corrente de comércio para o país também advém do exterior e que.gov. Diva Benevides.ccje. VASCoNCELoS. Disponível: www. a política cambial joga um importante papel para garantir que esses fluxos melhorem o saldo de sua balança comercial e garantam o pagamento das dívidas contraídas pelo país com o resto do mundo. poderíamos definir as políticas fiscal e monetária como as responsáveis pelo equilíbrio interno e a política cambial mais diretamente relacionada com o equilíbrio externo. 2 ed. GArCIA. 4 ed. Introdução à economia princípios de micro e macroeconomia.Estudo encomendado pela Universidade Federal do Espírito Santo. E já que o governo dispõe dessas possibilidades. Por assim dizer. qual a melhor política para garantir o equilíbrio interno: a fiscal ou a monetária? leituraS indicadaS Minicurso de Política Econômica: do economês ao português . 65 conjuntura econômica queStão para reflexão Como vimos.br Centro de Estudos do Comércio Exterior: www.com. Manuel E.funcex.ufes. Fundamentos de economia. Manual de economia.gov.br/ peteconomia/apostilaeconomes.br Ministério da Fazenda do Brasil: www.

66 conjuntura econômica ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ .

Dentro da teoria econômica o termo desenvolvimento tem dividido opiniões sobre os estágios que uma sociedade precisa alcançar para ser considerada desenvolvida. Isso significa que crescer é uma condição necessária. enquanto explicar o desenvolvimento é dirigir a atenção para a capacidade ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . Uma comparação mais objetiva e clara entre desenvolvimento e crescimento econômico de um país. então verdadeiramente esse processo não ensejou desenvolvimento. O desenvolvimento vai mais além. até mesmo por grandes especialistas: crescimento e desenvolvimento econômico.crEscimEnto X DEsEnVoLVimEnto Autor: Gustavo Casseb Pessoti olá. foi feita por Kindleberger (1967 apud GoNZAGA DE SoUSA. por unidade de tempo. de diversos pensadores que trabalharam com a dicotomia entre desenvolvimento e crescimento econômico.auLa 05 . por exemplo. Há alguma semelhança entre crescimento e desenvolvimento econômico? Quais seriam as principais características de cada um destes termos? Quais contradições podem existir entre o aumento aferido pelo PIB e a efetiva melhoria da qualidade de vida da população? Para responder a essas questões. veremos outras definições igualmente importantes. enquanto desenvolvimento econômico implica maior produção e mudanças nas disposições técnicas e institucionais. em um aumento no produto. Numa analogia com o ser humano. significando mudanças na estrutura da produção e na alocação de insumos. a inovação constitui o determinante fundamental do processo dinâmico da economia e. não só maior produção. 2004. ao mesmo tempo fundamental para definir a competitividade econômica. vamos direto ao assunto! 67 conjuntura econômica crEscimEnto E DEsEnVoLVimEnto o desenvolvimento deve ser entendido como um processo de transformação de uma determinada sociedade que tem como “subprodutos” o crescimento econômico e a melhora do bem estar para determinada população de um determinado território. Se após o processo de transformação da estrutura produtiva não houver uma melhor distribuição de renda entre todos aqueles que participam do tecido econômico. e explicitamente no que se segue. como também em mais insumos e mais eficiência. enfatizar o crescimento significa focalizar a altura e o peso. 170) que afirmava: Implicitamente no uso geral. Para o pensador econômico. A seguir. mas não suficiente para se chegar até o desenvolvimento. Pessoal! Como estão todos? Espero que todos estejam bem!!! Nesta aula conheceremos dois conceitos econômicos muito utilizados e também confundidos. isto é. O crescimento pode implicar. pelas quais se chega a esta produção. por setores. p. o crescimento econômico significa maior produção. Schumpeter (1982). associava o desenvolvimento à capacidade de inovação de uma determinada economia. especialmente em nível regional e global.

Várias estratégias de desenvolvimento foram seguidas no período pós-Segun1 A função de produção é a relação existente entre a produção de um bem e os insumos ou fatores de produção necessários para produzi-los. p. segue-se à classificação que divide todos os países em economias de mercado desenvolvidas.68 conjuntura econômica funcional. geralmente. a exemplo de Baldwin (1979. p. desenvolvimento significa a transformação das estruturas econômicas da sociedade a fim de se atingir um novo nível de capacidade produtiva. portanto. Para alguns autores.t). por exemplo. 1991. Seja qual for o entendimento do verdadeiro significado sobre o desenvolvimento econômico. Isto. melhor saúde. 865). destacam a relação entre o desenvolvimento econômico e a melhora do bem estar medida pelo PIB per capita. Seu propósito fundamental é a obtenção de melhor alimentação. o desenvolvimento econômico é uma decorrência direta e imediata do crescimento econômico nacional quando se expressa dizendo que: a economia do desenvolvimento é o estudo do relacionamento econômico-chave. L é a força de trabalho.K. Em essência.. melhor educação. o essencial deste alcance positivo tem sido um aumento extraordinário da produtividade agrícola. Já os trabalhos desenvolvidos por Hewlett (1981. Uma função de produção pode ser apresentada da seguinte forma: Q = f(L. EstratÉGias Para o DEsEnVoLVimEnto o desenvolvimento é um processo muito mais complexo do que o uso da função de produção1.]. “A industrialização parece ser. Segundo ele. K é o capital e o t o progresso técnico.15) sobre esta questão. o desenvolvimento alcançado por muitos países ocorreu com parte do movimento da saída de uma economia agrícola para uma economia industrial (DorNBUSCH. onde Q é o produto. FISCHEr. para a coordenação motora. mas. o desenvolvimento econômico é usualmente definido como um au- ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ mento significativo na renda real per capita de uma nação. melhores condições de vida e uma gama cada vez mais ampla de oportunidades de trabalho e de lazer para as pessoas dessa nação. Existem algumas diferenças na maneira em que vários escritores dividem os países em nações desenvolvidas e menos desenvolvidas (ou em desenvolvimento). 1991). economias centralmente planejadas. requer níveis sem precedentes de poupança e de investimento. por seu turno. que determina os níveis e taxas de crescimento da renda per capita nas nações menos desenvolvidas. e economias de mercado em desenvolvimento [. Poderíamos expor aqui um grande número de outras definições sobre esta questão.. condição sine qua non para o desenvolvimento: crescimento e distribuição de renda. mas por hora vamos nos ater a essa dupla associação. ou para a capacidade de aprender. FISCHEr. a chave para o desenvolvimento” (DorNBUSCH. acompanhado pelos rápidos aumentos da produtividade na manufatura. . p.2).

1961. traduzido através de certos recursos e fatores de produção. Hirschmann (1961) admite que o desenvolvimento seja gerado dentro do contexto local. também. descobrirão quais as modificações do próprio meio social requeridas no curso do processo de desenvolvimento.da Guerra Mundial. englobando várias áreas do saber. Dessa forma. e superarão os sucessivos obstáculos.” (HIrSCHMANN.________________________ bém seja capaz de organizar e aplicar corretamente tais recursos. Entretanto. as novas economias em processo de industrialização. e necessidades do lugar e não de acordo com a concepção de desenvolvimento de países que têm realidades completamente diferentes dos países do “Terceiro Mundo”.________________________ volvidos. Então o capital não é garantia de desenvolvimento e sim a conjugação dele com a capacidade que as pessoas têm de fazer a sua gestão. Hirschmann (1961) constata que embora muitos pensadores. Assim. têm seguido políticas direcionadas para o setor externo e. o desenvolvimento econômico ocorre. Assim. ou seja. pois. os países subdesenvolvidos vêem somente os frutos do progresso econômico e poucos sabem sobre as rotas que precisam perfazer para alcançá-lo.138). o capital precisa ser aplicado e gerido de acordo com as aptidões locais. um período restrito ao protecionismo. incluindo capital humano. de qualquer forma se disporão a procurá-los. mas tam. No entanto. Para analisar e criar estratégias de desenvolvimento é necessário que o país ________________________ tenha capital. Isso pode ser definido 69 conjuntura econômica como empreendedorismo. As economias em desenvolvimento mais bem-sucedidas. o que só é possível ________________________ através da descoberta de aptidões das pessoas que habitam o local. isso não pode ser determinante da concepção de crescimento. à medida que tomarem iniciativas erradas e as acertarem. facilitando o processo de industrialização. p. ele reconhece que um país subdesenvolvido pode desejar o desenvolvimento a partir da constatação de que outras nações o obtiveram. que são constituídas pela cultura. como capitais. após. nações pobres podem conseguir desenvolver-se. era preciso perceber que as prescrições não davam certo porque a experiência demonstrava que as aptidões para desenvolver-se poderiam existir em qualquer povo. embora possa receber contribuições externas. Se desejarem os frutos. operando com um instrumental político e econômico estável. Se um país não tem condições materiais de buscar o desenvolvimento. Isso geralmente envolve maior produtividade agrícola que permite que a população seja alimentada por apenas uma pequena parte da força de trabalho. espaço geográfico. expõem os produtores domésticos à competição estrangeira. tivessem apontado caminhos para o desenvolvimento econômico de países subdesenvolvidos. pode receber capital de outras nações. raça ou grupo humano e que mesmo não tendo recursos naturais apropriados. determinarão quais de suas instituições e traços caracterís- ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . melhor do que a priori. segundo o autor. como resultado da acumulação de fatores de produção. não falta aos países subdesen. E acrescenta: “o papel propulsor do capital é geralmente depreciado por aqueles que acentuam a importância do espírito empreendedor e dos conhecimentos administrativos e técnicos. algo que. crer que somente por isso caminharão seguindo os mesmos passos é um equívoco.

Quando Hirschmann (1961) considera as condições históricas para explicar o subdesenvolvimento e entendê-lo como uma etapa necessária. mas porque trilham o próprio caminho rumo às novas condições geradas pelo crescimento econômico. já desenvolvidas. Taxa abaixo de zero é um claro indicador de recessão econômica do país. quer dizer que a experiência atual é levada em conta na elaboração das novas concepções científicas sobre o assunto. p. essa estratégia não consegue gerar . durante o transcorrer do processo. crEscimEnto EconÔmico ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ Apenas para antecipar futuras discussões. tem como principal ativo o capital empregado em máquinas e equipamentos. que é a soma anual de todas as atividades produtivas (bens e serviços) realizadas dentro do país. não foram desprezados. presentes no subdesenvolvimento. Assim. deste modo. que antes só produzia fora. Elas não ditam o que é ou deixa de ser ultrapassado e sim a própria nação subdesenvolvida. que conjugou taxas negativas no PIB.70 conjuntura econômica ticos são retrógrados e devem ser reformados ou abolidos. não são as nações ricas. A tensão do desenvolvimento não se manifesta. na chamada década perdida. tanto entre lucros e sacrifícios conhecidos. isto é. Aumenta a sua capacidade produtiva e. Nesse conceito está explicita a idéia do crescimento como a expansão da atividade produtiva de um país. dessa forma. No entanto. os incrementos dos veículos que agora passam a ser produzidos internamente. que descobre isso paulatinamente. embora nem sempre o suficiente para gerar emprego e elevar a renda média da população. Taxa próxima de zero revela uma situação de estagnação econômica. isto significa que a economia de um determinado país está em crescimento. semelhante ao que ocorreu no Brasil dos anos 1980. fazem aumentar a quantidade de produtos ofertados por essa economia. Ele representa o desempenho econômico de uma nação. 1961. Isso implica dizer que o desenvolvimento é uma etapa posterior que só é alcançada porque as condições e o tempo histórico para isso. é preciso que cada país cometa acertos e erros. ou seja. Entretanto. em que pese o aumento na produção ter propiciado ao país um crescimento de sua economia. Assim sendo. com alto índice de desemprego e inflação elevada. independentemente da nacionalidade das empresas e das remessas de lucros feitas por elas ao exterior. sem necessariamente fazerem isso porque são retrógrados. Quando a taxa do PIB é positiva. a medida do crescimento econômico é dada pelo PIB (vide a aula 6 dessa disciplina). que podem determinar o exato tempo em que o subdesenvolvimento é superado pelo desenvolvimento. quanto entre a meta e ignorância e as idéias errôneas acerca das trilhas que conduzirão a esta meta (HIRSCHMANN. é preciso tecer a nova realidade necessariamente a partir da existente. seguramente a sua instalação não significará uma grande quantidade de empregos gerados. muito menos a distribuição da renda. uma vez que a tendência global é o aumento dos lucros dos grandes capitalistas. Se um determinado país recebe investimentos de uma fábrica de carros.147). como essa indústria de carros é capital intensivo. gera-se um aumento do PIB e conseqüentemente tem-se o crescimento econômico.

quanto maior o acidente melhor para o PIB. como destacou o pesquisador Cláudio Mendonça (2006. o PIB. Na sua contabilidade entra tudo e. ao longo dos últimos anos tem apresentado taxas de crescimento do PIB sempre superiores às do Brasil. papel e celulose. a Ford. é notória a chegada de grandes conglomerados internacionais e mesmo nacionais oriundos de outros estados brasileiros. Neste caso. A característica principal da industrialização competitiva mundial é importar o que há de mais moderno em termos de máquinas e equipamentos. 71 conjuntura econômica Apesar do “exagero” desse exemplo. fica bastante claro que o conceito de PIB e. a chegada dessas indústrias para a Bahia. a Aracruz Celulose. são omitidos os custos ambientais. boa parte da indústria que está instalada na Bahia (petroquímica. com a conjugação de um conjunto de fatores. para produzir bens e serviços cada vez mais especializados e complexos. Nele também são somadas mazelas. automobilística e metalúrgica) é intensiva em capital. Quem conhece a fábrica da Ford em Camaçari. vejamos o caso da economia baiana que. Assim. De uns anos para cá. Assim.) no portal da Internet UoL. Praticamente o homem fica com a responsabilidade dos designs dos carros ou para alimentar o processo. mas só a 19ª quando o critério de análise é o desenvolvimento social. o estado da Bahia apresentou um crescimento real do PIB que chegou a 10%. Para desenvolver é preciso crescer. mas esse crescimento não pode passar por cima da melhoria do bem-estar da população. São exemplos. tragédias e desperdício. os problemas sociais e o desperdício tão necessário à sociedade de consumo. permite um grande crescimento econômico. s. como elemento para análise do desenvolvimento acaba apresentando algumas distorções. plástica. Entretanto. dando a idéia de algo perene e só alcançado em longo prazo. Além disso. a Bahia é a sexta maior economia do país. por essa razão. Especialistas calculam que para cada r$1 bilhão investido na indústria de celulose são gerados apenas 3 empregos diretos com carteira assinada. para que o robô faça todo o trabalho.p. com o aumento da produção de bens e serviços produzidos no estado. tem como principal ativo o capital gerado nos processos produtivos. por exemplo. por exemplo. sabe do que eu estou falando. a estratégia adotada na Bahia para estimular o crescimento tem sido a atração de grandes empreendimentos industriais. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . Isto é. diz-se que o desenvolvimento é um processo. Em 2004. O PIB não é o reflexo apenas do lado construtivo da economia de um país. como a Azaléia Calçados e tantas outras menos conhecidas. Cada vez que um cidadão acelera o seu automóvel ele está contribuindo para elevar o PIB. a Continental Pneus. Não por acaso. a associação ao crescimento econômico. a Monsanto (fábrica de fertilizantes).desenvolvimento por concentrar os benefícios do crescimento em uma pequena faixa da população. Melhor ainda se ele bater o carro e tiver despesas com funilaria e pronto socorro. Por isso. acaba conjugando elementos que vão de encontro ao desenvolvimento propriamente dito. entre outras. portanto. ou seja. como veremos a seguir.

anÁLisE Do ínDicE DE DEsEnVoLVimEnto Humano (iDH) no BrasiL E na BaHia o debate sobre desenvolvimento no Brasil e. dissertações. resumidamente. Com base nestas discussões propõe-se trabalhar com o índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Quanto maior o número. por serem empreendimentos intensivos em capital. ou de maneira mais geral: o crescimento é quantitativo. o desenvolvimento é qualitativo. O que é produzido e o fim que é dado ao produto tem igual importância no processo que a quantidade fabricada. o IDH é uma espécie de nota – de zero a um – que avalia a qualidade de vida em 177 países com base nos critérios renda. No processo do desenvolvimento. 28): [. independentemente de idade. na melhor das hipóteses.. escolaridade e longevidade da população. expressada. cor ou raça. especificamente na Bahia não é tão recente. como proposta para abarcar uma dimensão mais abrangente dos benefícios alcançados pela população com o advento do crescimento econômico. esses bens e serviços produzidos têm que proporcionar melhor qualidade de vida e possibilidade de usufruto por toda a população. teses. Sobre isso se faz oportuno observar o que diz o relatório da Unesco (1999. que acaba quase toda com os capitalistas estrangeiros (até porque o comando acionário dessas empresas é quase todo de matrizes do exterior). mensurado através da explicitação de índices como Produto Interno Bruto (PIB). Por outro lado. mais elevada é a qualidade de vida no país. das principais características de cada um destes termos. Atualmente a expressão crescimento econômico tem ocupado lugar de destaque nos debates econômicos. tornou-se necessário discutir as contradições entre o aumento aferido pelo PIB e a efetiva melhoria da qualidade de vida da população. A economia e todas as outras disciplinas reconhecem que. discutindo um assunto tão em voga atualmente. cumpre papel diferente do dólar de acrésci- . Trata-se do tema crescimento econômico. Por isso. trata-se de uma meia-verdade. e nas Unidades da Federação. artigos científicos. principalmente. a exemplo. de consumo — e o desenvolvimento. é evidente que o dólar que duplica a renda de uma pessoa pobre. p. a partir de agora. pelo valor atribuído ao Produto Interno Bruto — PIB. Partindo-se das premissas demonstradas ao longo desta aula. entre outros.] o maior problema talvez surja do equilíbrio que automaticamente estabelece-se entre os níveis mais altos de produção — e por inferência. revistas..72 conjuntura econômica Mas. ou simplesmente crescimento. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ Não é raro que nos deparemos com artigos de jornais. A partir da década de 1960 afloraram várias teorias que apontavam caminhos para o desenvolvimento econômico do país. muitas vezes essas estratégias pautadas em desenvolver uma região através de industrialização terminam por conseguir gerar apenas uma das pernas do desenvolvimento que é o crescimento econômico. tanto a geração de empregos é limitada quanto a distribuição de renda. de forma bastante distribuída e não concentrada entre os partícipes da sociedade. entendemos que crescimento econômico é o aumento da quantidade produzida de bens e serviços que atendam às necessidades da população.

índice de Desenvolvimento Humano . renda per capita) com medidas que exigem mais tempo para mudar (analfabetismo. Veiga considera ainda que: O PNUD admite que o IDH é um ponto de partida. Ou seja. 73 conjuntura econômica Para Franco “[. [. equipara-se o desenvolvimento. [. 103) acrescenta que “todo indicador. por exemplo. para quem se trata de uma soma insignificante. é preferível ter um conjunto integrado de indicadores. p. 87). 2005. p.] uma pessoa pode ser rica.. Veiga (2005. para o aumento da produção” (UNESCo. Recorda que o processo de desenvolvimento é muito mais amplo e mais complexo do que qualquer medida sumária conseguiria captar.. p. mas sem essa capacidade o desenvolvimento é retardado (VEIGA.do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) “que procura considerar as numerosas dimensões do bem-estar humano. 2004. mais importante do que os objetivos para os quais ela serve. 15) o relatório da Unesco propõe como mecanismo aferidor do desenvolvimento humano o IDH . pois não inclui.] O IDH não é uma medida compreensiva. quantificado em função de uma única medida técnica — habitualmente o PIB — com o progresso global da sociedade e do bem-estar. em geral.. tem grandes limitações. mesmo quando completada com outros índices. 87) defende o uso do índice de Desenvolvimento Humano (IDH) uma vez que “as decisões políticas muitas vezes demandam uma medida sumária que incida mais claramente no bem-estar humano do que no rendimento”.. Besserman (2005. “muitas vezes o IDH é severamente criticado”... p. Entretanto. Veiga (2005.” (2000 apud MArTINELLI. Faz parte da mentalidade do século XX. entretanto. 100) complementa sua abordagem corroborando o esforço de sistematização acima proposto quando afirma: [.] o desenvolvimento pode ser medido e comparado a uma dada configuração projetada. em vez de fazê-lo apenas sobre os meios.] não se pode mais aceitar a crença economicista de que o crescimento do PIB representa tudo e vai resolver por si só todos os problemas econômicos e sociais do país. o fato de não haver consenso sobre o conceito de desenvolvimento. 28-29). esperança de vida)”. que pretenda expressar em um único número a complexidade do desenvolvimento.mo auferido por um milionário. p. Por este motivo.. já que a atenção concentrar-se-ia assim sobre os fins para os quais o desenvolvimento deve servir. 1999. não sig- ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . em vez de um duvidoso índice sintético. saudável e muito instruída. mediante cada um dos indicadores e de seu conjunto. a capacidade de participar nas decisões que afetam a vida das pessoas e gozar do respeito dos outros na comunidade. Corroborando o pensamento de Veiga. p. que considera que o meio é mais importante que o fim e o nível de atividade.. por exemplo. o IDH deixa de considerar muitas variáveis importantes e combinam medidas que podem mudar rápido (freqüência à escola. acredita ele.

De qualquer forma e. então existem regiões. Estima-se que com o crescimento da economia em 2006.789. rondônia e roraima. evidencia também certa insatisfação em relação ao método limitado que vinha sendo proposto e até então aceito. Sergipe e Paraíba. em 2005. o iDH no Brasil Dentro do Brasil ocorrem diferenças em relação ao IDH. cinco realidades distintas. o relatório do PNUD com as estatísticas de 2000. De forma ordenada. dava ao Brasil a nota 0.968) e onde já estão os vizinhos Argentina (0. Venezuela e Albânia estavam entre seus vizinhos no ranking. Amazonas. o quarto grupo. por fim. fazem parte ainda Minas Gerais.74 conjuntura econômica nifica que alguns esforços para sua mensuração não sejam realizados. realiza o cálculo do IDH que tem a particularidade de. o IDH apresenta-se como um avanço na questão da tentativa de mensurar o desenvolvimento a partir de uma perspectiva mais humana e social.852).800 — o mínimo necessário para o Brasil entrar no grupo de 70 países com “alto desenvolvimento humano” — liderado pela Noruega e Islândia (0. ou seja. Em seguida está a região intermediária que corresponde aos estados do Espírito Santo. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . Ao atualizar a metodologia do cálculo do Produto Interno Bruto. estados ou municípios com maior ou menor índice de IDH. na sua avaliação da qualidade de vida da população. culturais e políticas que influenciam a qualidade da vida humana.867) e Uruguai (0. Bahia. o IDH sobe para exatos 0. Alagoas. abrangendo ainda São Paulo. que avalia as condições de vida das pessoas em nível geral ou particular. Goiás e Amapá. como Bangladesh e Haiti. e outras características sociais. o quinto grupo é composto pelos estados do Maranhão. o IDH desses últimos estados pode ser comparado ao dos países mais pobres do mundo. o que o situava entre as 83 nações de “médio desenvolvimento humano” — Colômbia. pois considera os aspectos econômicos. o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) descobriu que. Como se não bastasse. esses representam o melhor IDH.869). Pernambuco. Ceará e rio Grande do Norte. rio de Janeiro e o Distrito Federal. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. podemos classificar em primeiro lugar a região que compreende o sul. Através de estudos realizados pela PNUD. e. a nota brasileira suba para 0. o PNUD. Com esse incremento no PIB e na renda per capita. como foi dito anteriormente. Chile (0. (ou quarta região) é formado pelo Acre. Piauí. ficou constado que dentro do território brasileiro existem praticamente cinco países. Na terceira região estão presentes os estados de Tocantins. em sua totalidade.9% mais ricos do que imaginávamos. considerar critérios abrangentes dessa população. de 6%.803. apesar de suas limitações. éramos 10. A promoção para o andar superior ocorre principalmente graças a um significativo ajuste estatístico. Pará.

Em 2000 essas estatísticas mostraram que dos 21 municípios com os piores índices de IDH do Brasil 18 estão localizados no Nordeste.693) do país entre as 27 unidades da federação. Já o IDH-M (o IDH Municipal) de maior destaque em 2000 foi do município de Salvador com 0. apresentando valores até 0. estados e municípios. expõem de maneira inequívoca a situação desta região. Cabe ressaltar que mesmo no município de Salvador. verificamos que a região Nordeste se sobressai apresentando o mais baixo IDH (0. apresenta um interessante referencial comparativo. quando se criou toda uma moldura econômica.610). pertence ao município de Itapicuru com 0. notadamente a partir do início dos anos 1960. Atualmente. quando comparado com as outras macrorregiões do país. neste mesmo período. A partir dessas constatações é que se faz necessário discutir quais foram os elementos determinantes para o impedimento de um processo efetivo de desenvolvimento na região Nordeste do Brasil. calculados para o Brasil. os recentes dados relativos ao índice de Desenvolvimento Humano (IDH). apesar da aplicação de políticas públicas explícitas voltadas para a superação das desigualdades regionais. ou seja.500. a região Nordeste do Brasil ainda se apresenta como uma “região-problema” ou sendo o que chamara Furtado (1983): “o espelho onde a imagem do Brasil se reflete com brutal nitidez”. 75 conjuntura econômica o iDH na Bahia o IDH. a Bahia ocupa a 20ª posição no ranking do IDH (0. em 2000.805.A pobreza. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . pelo Programa das Nações Unidades para o Desenvolvimento (PNUD). o menor.521. situado na região nordeste do estado. regiões. que apresenta maior IDH-M do estado. a miséria e os efeitos nocivos dos constantes períodos de estiagem ainda são características marcantes do Nordeste brasileiro. política e institucional direcionada para esse fim. após vários anos de “intervenção planejada do Estado”. existem distorções acentuadas entre suas localidades pesquisadas. considerando os dados do IDH calculados para o Brasil. Nesse sentido. inferido pelo PNUD em 2000.

5 bilhões. é um estado que apresenta uma situação pouco favorável em relação aos indicadores sociais. Já o desenvolvimento econômico é um conceito bem mais amplo. provocam grandes distorções para a inserção econômica e social na Bahia. que leva em conta a elevação da qualidade de vida da sociedade e a redução das diferenças econômicas e sociais entre seus membros. e estão a maioria das manchas de cor cinza que significa IDH menor. com um PIB medido pela SEI em 2006 de aproximadamente r$96. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ SínteSe Após essa aula já é por demais conhecido o argumento de que desenvolvimento econômico e crescimento não são sinônimos. A grande concentração econômica registrada em sua região metropolitana e o baixo dinamismo dos municípios da região semi-árida do estado (ver mapa acima). que é avaliado a partir da mensuração de valores agregados de uma determinada economia em um determinado período de tempo. onde estão 2/3 dos 417 municípios baianos. queStão para reflexão É possível gerar desenvolvimento em uma situação de estagnação da economia? . Sinteticamente.76 conjuntura econômica o Estado da Bahia é exemplo das contradições existente entre desenvolvimento econômico e crescimento por ser sexta maior economia do país. podemos definir o crescimento econômico como a elevação do produto agregado do país.

3. edición electrónica. FrANCo.pnud. HEWLETT.org Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea): www.ed. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . rio de Janeiro: Fundo de Cultura. Celso. raúl. ed. FUrTADo. r. PINHo. Dilemas do desenvolvimento.net/cursecon/libreria/.br/ referênciaS BALDWIN. A. FUrTADo. 1983. (orG). Disponível em: http://www. São Paulo: Fundo de Cultura. Indicadores. MArTINELLI. A.. 1979. 5.gov. São Paulo: Abril Cultural. D. Marco Antônio S. 1991. GoNZAGA DE SoUSA. Albert.br/ Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): www. Teoria e política do desenvolvimento econômico. Celso.sei. A. São Paulo.ed.br Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): www. São Paulo: Saraiva. P. 2004. In: TrIGUEIro.leituraS indicadaS PrEBISCH.worldbank. eumed. Manual de economia. JoYAL. 1981. 2005. São Paulo: Abril Cultural. Estratégia do desenvolvimento econômico. rio de Janeiro. VASCoNCELoS. Desenvolvimento local e o papel das pequenas e médias empresas. Dinâmica do desenvolvimento latino-americano. rudiger e FISCHEr. 4.ipea. 1961. Brasília: Millenium – Instituto de Política. Satnley. Luís (2004) Ensaios de economia. São Paulo: Makron Books do Brasil. 2003. A.gov. Por que precisamos de desenvolvimento local integrado e sustentável? In: Separata da Revista Século XXI. 2000. Diva Benevides. Campinas: Armazém do Ipê (Autores Associados).. Acesso em 17 nov 2008. Meio Ambiente no Século 21. 77 conjuntura econômica SiteS indicadoS Banco Mundial: www.br/ Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI): www. N. Desenvolvimento e crescimento econômico. HIrSCHMANN.ibge. E. PIoNEIrA. S. (Série os Economistas). S. 4. Teoria e política do desenvolvimento econômico.org. 1964. ZAHAr. de. Macroeconomia. BESSErMAN. 1983.ba. (Série os Economistas). Barueri: Manole. DorNBUSCH. Equipe de Professores da USP.gov.

Educação para um futuro sustentável: uma visão transdisciplinar para ações compartilhadas. E. VEIGA.org. GArCIA.2008. William Wilber. rio de Janeiro: Garamond.pnud. ProGrAMA DAS NAçÕES UNIDAS PArA o DESENVoLVIMENTo (PNUD). Teoria do desenvolvimento econômico. ZAHAr. 2. 1974. SCHUMPETEr. Manuel E. VASCoNCELoS. 2005. J. Atlas do desenvolvimento humano no Brasil. Brasília: IBAMA. 1999. Desenvolvimento sustentável: o desafio do século XXI. da. rio de Janeiro: record. 2008. Relatório de desenvolvimento humano 2007/2008. roSToW. 1982. Marco Antônio S. Etapas do desenvolvimento. A.78 conjuntura econômica PNUD. UNESCo. Brasil . Paulo. J. Acesso em: 29 jun. São Paulo: Abril Cultural. Disponível em: http://www. SANDroNI. 2006. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . Combate à mudança do clima: solidariedade em um mundo dividido. São Paulo: Saraiva. Dicionário de economia do século XXI. 2005.ed. Fundamentos de economia.br/atlas/>. rio de Janeiro.

A forma ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . o PIB não consegue dar conta de explicar todas as relações econômicas que se estabelecem no mundo real. Pela sua expressão é possível examinar se as políticas públicas implementadas por um determinado governo surtiram o efeito esperado. o PIB. Uma queda no valor do PIB significa que a atividade econômica do país está enfrentando dificuldades. o Que é o Produto interno Bruto (PiB)? o PIB é a expressão monetária do conjunto de todos os bens e serviços finais que são gerados em uma economia em determinado período de tempo. meus amigos! 79 conjuntura econômica Na aula de hoje nós vamos analisar o comportamento do mais importante indicador de conjuntura econômica que é o Produto Interno Bruto (PIB). Tudo isso. por se tratar de um indicador de tendência. o PIB apenas mede o tamanho do crescimento econômico gerado em um determinado momento. estudada e debatida entre o IBGE. transforma-se essa produção total de uma economia em um valor. não se propõe a analisar o desenvolvimento econômico. por agregar todos os setores da economia. Como não se pode somar carros com bicicletas ou com horas de aula de um professor. Com base nesse indicador vamos mergulhar na análise de conjuntura e estudar algumas características estruturais da economia baiana que limitam e/ou potencializam uma grande gama de negócios econômicos no estado da Bahia. atribuindo um preço a cada bem ou serviço gerado e depois agregando todos sob a forma de um único indicador. acaba se transformado no mais poderoso indicador de tendência de uma economia. existem as análises de conjuntura que dão respaldo ao resultado e que ajudam a explicar o porquê de um aumento na atividade setorial ou a razão que explica a diminuição na atividade em queda no nível de emprego. órgão responsável pela sua medição no Brasil. conceito que já trabalhamos na aula anterior. Ele capta movimentos do desempenho macroeconômico. Isso quer dizer que por trás do número gerado pelo computador.o ProDuto intErno Bruto E a anÁLisE Da Economia Baiana Autor: Gustavo Casseb Pessoti Olá. Bens finais são aqueles que já passaram por todas as transformações produtivas e estão aptos a chegarem até a casa dos consumidores. é muito importante que se mencione que o cálculo do PIB é feito por uma metodologia específica. É válido que se diga que. por medir o desempenho da atividade econômica. dessa forma. Apesar de ser um indicador importante. os demais órgãos de estatística do país e mesmo outros organismos mundiais como a organização das Nações Unidas (oNU). PIB. Incrementos positivos no PIB significam que a soma das riquezas de um país são cada vez maiores.auLa 06 . para estabelecer uma metodologia robusta e confiável que possa ser comparada no tempo e no espaço com as informações dos outros países do mundo. não explica. ou melhor. mas não consegue dar resposta dos porquês.

mas o resultado será sempre o mesmo. Mas isso não quer dizer que todos os brasileiros se beneficiaram igualmente desse crescimento econômico. o PIB é também usado por nós pesquisadores. é o principal. usando a bandeira do crescimento econômico acabam conseguindo benefícios junto à população mais carente. a forma mais habitual é relacionar o PIB com a demanda agregada de um país (riqueza). o PIB normalmente é usado para medir o desempenho macroeconômico de um país. a remuneração do trabalho é o salário. isso quer dizer que a riqueza brasileira. por governos que. Possui esta denominação. ‚ Ótica do Produto: calcula o valor que cada unidade produtiva agregou (adicionou) a determinada mercadoria. consultores ou acadêmicos e mesmo pelas equipes de planejamento estadual que fixam seus objetivos orçamentários em relação à magnitude do PIB. existe uma identidade entre produto. ‚ Ótica do Dispêndio: avalia o produto de uma economia considerando a soma dos valores de todos os bens e serviços produzidos no período que não foram destruídos (ou absorvidos como insumos) na produção de outros bens e serviços. pois ele funciona como um “termômetro” do desempenho econômico de um país. Desta forma a equação básica de cálculo seria a seguinte: . Por isso. as pesquisas avançaram tanto que já é possível medir o nível de atividade do pequeno município de Cabaceiras do Paraguaçu no recôncavo baiano e comparar seus resultados com a grande cidade Campos no rio de Janeiro. não se pode diminuir a importância do PIB. os cálculos podem ser realizados pelas três distintas óticas. hoje em dia. investimento e exportação líquida. professores. o total do produto gerado no Brasil cresceu 6%.80 conjuntura econômica como esse processo de crescimento é distribuído pela população não pode ser entendida pela análise do PIB. Sua medida freqüentemente é usada como fator político. quando falamos que o PIB do Brasil cresceu 6% em 2008. pois avalia o que a economia despendeu para consumo. a remuneração da terra é o aluguel e etc. Mesmo assim. a ótica do produto e a ótica da renda. Para medir o nível de melhora do padrão de vida das pessoas. ‚ Ótica da Renda: é calculada através da soma de todas as remunerações monetárias pagas aos fatores de produção em um determinado período de tempo. são usados indicadores sociais. dos quais o IDH. Embora existam essas três diferentes maneiras de se calcular o PIB de um país. dispêndio e renda. mas. A mensuração do PIB ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ Mas como é que o IBGE faz para calcular o PIB de todos os estados do Brasil? Existem três óticas diferentes para se mensurar o PIB: a ótica do dispêndio ou da despesa. ou seja. também analisado na aula anterior. Por exemplo.

eletrodomésticos. carros. o governo também é um importante agente que realiza investimentos na economia.) e variação de estoques ________________________ em que a vida útil define a sua classificação. Para tal. o pagamento dos funcionários públicos que movimentam as economias regionais e dos gastos para manter a máquina pública (água. etc. na aquisição de papéis de outras empresas nas bolsas de valores acabam restringindo a possibilidade de gerar efeitos multiplicadores para a economia que possam desencadear em aumento do bem-estar da população. gerar novos empregos e aumentar a circulação de recursos monetários na economia. Pode ser dividido entre formação bruta de capital fixo (investimentos que têm vida útil superior a um ano como. isto é. pontes. Ele é o “motor” que vai permitir aumentar a capacidade de produção. os indivíduos adquirem vários tipos de bens que podem ser classificados em quatro categorias: Bens de consumo leves: aqueles que são consumidos rapidamente. Investimento das Empresas: o investimento corresponde à aquisição de bens de capital. Quando optam por fazer investimentos financeiros. Além das despesas de custeio. equipamentos e estoques com o objetivo de gerar maior produção futura. Serviços: tais como educação. objetivando aumentar a capacidade produtiva da ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . Bens de consumo duráveis: aqueles que são consumidos durante um longo período de tempo: materiais elétricos. o governo é um importante aliado do setor privado na questão de financiar a infra-estrutura (estradas. isto é. a forma como o orçamento estabelecido se converte em benefícios para a população. etc. máquinas. carros.). isto é. saúde. fazem parte dos chamados gastos públicos. os apartamentos. por exemplo. Bens públicos: que são aqueles que financiamos com nossos impostos e que servem a toda a coletividade (produzidos pelo governo na função de Estado). Gasto público: o gasto público está associado à intervenção do governo na economia. e. luz material de escritório). Vimos em aulas anteriores que quando o governo gasta com os recursos que ele arrecada dos tributos e impostos indiretos. Assim. ao lado do setor privado. Suas políticas públicas. terrenos. habitação. aqueles que são realizados no processo de produção toda a economia cresce. os alimentos e o vestuário. aeroportos. ele está utilizando uma política fiscal expansionista para aumentar o bem estar da população. o investimento é uma das variáveis mais importantes para o desempenho do PIB de um país. como por exemplo. Quando os empresários optam por fazer investimentos produtivos.PIB = Consumo das Famílias + Investimentos Privados + Gastos Governamentais + Saldo Externo da Balança Comercial 81 conjuntura econômica Consumo das Famílias: o consumo corresponde à parcela da renda destinada à aquisição de bens e serviços para a satisfação das necessidades dos indivíduos.

maior a produção em território nacional e. o PNB considera o processo de geração de riquezas por empresas de . Quanto maior o saldo. evidenciado a inter-relação entre o PIB e a economia baiana. É óbvio que nenhum país se exclui totalmente do comércio internacional.82 conjuntura econômica economia e incentivar que a iniciativa privada também eleve os seus investimentos. Esse valor. nós retiramos desse valor aquela parte que foi dada pelo aumento de preços e ficamos apenas com parte das quantidades produzidas (questão meramente matemática). Quando dividimos o valor do PIB por um deflator (um índice de preços estabelecido em metodologia). quanto menor o saldo. por conseguinte. maior o nível de emprego e de crescimento econômico. acho que é importante mencionar as derivações que podem ser feitas com o PIB. Isto é. uma quantidade total multiplicada por um preço. sem considerar a nacionalidade do capital que gera essa produção e nem se preocupar com o destino que será dado a ela. Então. Saldo Externo da Balança Comercial Essa questão já é trivial para nós. isto é. Vale ressaltar que nenhuma economia mantém-se sempre superavitária havendo a necessidade de um mercado interno bem estruturado para que não ocorra uma redução na taxa de crescimento do PIB quando as exportações diminuírem. descontado da inflação. Mesmo assim vamos fazer aqui essa revisão! Esse saldo externo da balança comercial é a diferença entre as exportações e as importações do país. atribuir preços). o PIB real leva em conta apenas as variações nas quantidades produzidas dos bens. outras Medidas relacionadas ao PIB Antes de passarmos para a análise que estou propondo nessa aula. Em contraposição. Assim. para sabermos quanto foi o crescimento somente da parte “física da economia”. pois a estudamos na aula 4 quando falamos do setor externo. As principais medidas estão discriminadas a seguir: ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ PIB nominal X PIB real Quando se analisa o resultado do PIB. da quantidade produzida. PIB X PNB Qual a diferença entre os dois conceitos? o PIB é o valor de toda a produção de bens e serviços finais ocorrida dentro das fronteiras do país. precisamos antes converter os produtos gerados em valores econômicos (isto é. quando calculamos todo o PIB gerado em uma economia. o PIB possibilita a criação de uma série de outras medidas de análise do desempenho da economia. menor o nível de emprego. já falamos que para poder somar carros com laranjas. estamos diante de um valor nominal. e não nas alterações de seus preços de mercado. pois com a crescente participação das importações há um desestímulo à produção nacional. é chamado de PIB real. Esse é o valor real que é utilizado para dizer se o país cresceu ou não em um ano em comparação com o período anterior. precisaremos retirar a influência dos preços. mas o ideal é manter um superávit na balança comercial.

por ser uma empresa de capital nacional. apesar de estar produzindo carros em “solo baiano”. espalhadas pelo mundo. seu PIB per capita pode ser baixo. mas por terem muitos habitantes. mas não será computado no PIB. não importando onde elas estejam. Assim. e considerada no cálculo do PIB. No caso da Ford. Assim. uma vez que envia renda ao exterior. obtém-se um valor médio per capita: o valor per capita foi o primeiro indicador utilizado para analisar a qualidade de vida em um país. Esta renda representa a diferença entre recursos enviados ao exterior (pagamento de fatores de produção internacionais alocados no país) e os recursos recebidos do exterior a partir de fatores de produção que. isto é.para se obter uma avaliação mais precisa do bem-estar econômico desfrutado por uma população. ela é uma empresa estrangeira e. Países como a Noruega e a Dinamarca exibem uma situação exatamente oposta: possuem um PIB moderado. Atualmente. no PIB o fato decisivo é a localidade da produção (interna). sendo do país considerado. já que a fórmula mostra que é a renda total dividida pela população. encontram-se em atividade em outros países. mas não faz parte do PNB. PIB Per Capita Trata-se de um indicador muito utilizado para definir as metas das políticas públicas. Assim. Assim sendo. portanto. o valor que ela produzir lá na Bolívia é contabilizado no PNB do Brasil. vamos simplificar para facilitar o entendimento: suponha o caso da Ford que opera em Camaçari e da Petrobrás que está na Bolívia. lucro. o PIB é sempre maior do que o PNB.capital nacional. remete lucros para o exterior. são exemplos de países com PIB alto e PIB per capita baixo: a índia e a China.que revelam o perfil da distribuição de renda de um país (tais como o índice de Desenvolvimento Humano) . temos a seguinte fórmula: PNB = PIB – Renda Enviada ao Exterior + Renda Recebida do Exterior. No PNB o critério decisivo é a origem do capital que gera a produção. Países podem ter um PIB elevado por serem grandes. uma vez que é grande o número de empresas multinacionais operando nos vários estados brasileiros e é baixa a presença de empresas brasileiras operando em solo estrangeiro. Vejamos agora o caso da Petrobrás que é uma empresa de capital nacional operando em solo estrangeiro. pois a produção não é realizada internamente no Brasil. raciocínio diferente temos para os Estados Unidos que têm o PNB maior do que o PIB. usam-se outros índices . mas que é suficiente para ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . o PIB difere do produto nacional bruto (PNB) basicamente pela renda líquida enviada ao exterior (rLEE): ela é desconsiderada no cálculo do PNB. a Ford faz parte do PIB do Brasil. Basta dividir o PIB de um país pela população. 83 conjuntura econômica No caso brasileiro. Isto é.

que deixa de ter como carro-chefe a agropecuária.84 conjuntura econômica assegurar uma boa qualidade de vida a seus poucos milhões de habitantes. A partir dos anos 1970. Crescimentos acelerados (em torno de 6. o principal projeto era o de substituições de importações e é a partir da sua implantação. que alteraram profundamente a divisão nacional do trabalho no Brasil. Esse processo teve origem em meados dos anos 1950. juntamente com a do processo de desconcentração da economia — promovido pelo Governo Federal e incentivado pelos estados periféricos. a seguir comentados. por sua vez.000. Tal especialização levou o Estado a voltar-se para uma industrialização centrada no setor químico. era incapaz de irradiar seu dinamismo para a economia baiana como um todo. com a chamada “especialização regional”. essa estrutura produtiva começa a mudar e perde sua feição agroexportadora. Esse setor. e na metalurgia. como já sabemos. não significa que todos os habitantes do Brasil ganhem r$14 mil.5% ao ano) foram a tônica dessa época. as políticas macroeconômicas adotadas no país a partir da década de 1930. Muito pelo contrário! Leia mais sobre essa questão no artigo LEITUrA DA ECoNoMIA BAIANA PELA ÓTICA Do PIB: 1975-2007 que publiquei na revista de Desenvolvimento Econômico (rDE) da UNIFACS. até o início dos ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ anos 1970. Isso. marcada pela expansão do segmento industrial baiano. principalmente em imóveis. cuja leitura indico no final desta aula. podem ser apontados como principais para o desenvolvimento desse processo. Durante décadas essa dinâmica foi comandada pelo agrobusiness do cacau. Período 1 (1975–1986): transformações estruturais e crescimento acelerado o período que vai de 1975 até 1986 tem como característica principal a transformação estrutural do PIB da Bahia. a estrutura produtiva da economia baiana ainda estivesse fundada no setor primário-exportador. Daí seu PIB per capita ser alto. que se complementava com a economia de subsistência praticada em quase todas as suas regiões. Entretanto. com o avanço da industrialização. finalmente. devido às suas características estruturais. analisada de maneira incorreta. aprofundando e mantendo a monocultura do cacau. sendo o restante canalizado para consumo ou investimentos fora do Estado. Contudo. a Bahia se insere na matriz industrial brasileira. especialmente na petroquímica. Alguns fatores. embora. dentre eles a Bahia. a renda gerada pela cacauicultura foi em parte alocada no próprio setor. passando a ser impulsionado pela indústria. nos anos 1970. Em primeiro lugar. a medida do PIB per capita pode não ter significado algum. . que era o principal produto agrícola estadual e o seu maior gerador de divisas. o PIB per capita do Brasil em 2008 era de aproximadamente r$14. para reduzir desequilíbrios regionais — que. que apresentou taxas de crescimento de aproximadamente 9%.

rMS. a Bahia supera o Nordeste e o Brasil ao longo da década de 1970. particularmente na região Metropolitana de Salvador . ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . destacando-se os localizados no Centro Industrial de Aratu (CIA). a indústria cresce acumuladamente 156. Em decorrência das medidas acima descritas.6% ao ano).4%. 85 conjuntura econômica Tabela 1 Fonte: SEI/Coordenação de Contas Regionais Essas alterações estruturais na economia baiana incrementaram fortemente seu produto interno. a Landulfo Alves. o Governo Estadual concedeu um amplo conjunto de incentivos fiscais e financeiros. alocados no Estado da Bahia. Esse crescimento fez com que a economia baiana aumentasse sua participação na economia nacional — de menos de 4% em 1975 passa a 5. investimentos e infra-estrutura. e pelo fato de a produção nacional não oferecer alguns insumos básicos demandados pela indústria de transformação do Sudeste. a maior produtora de petróleo do país e de já possuir uma refinaria. Além de participar diretamente de alguns empreendimentos. à época. é importante salientar os incentivos fiscais e financeiros criados pelo Governo Federal para atrair investimentos para outras regiões brasileiras que não o Centro-Sul. a agricultura 30%.383%. Em relação ao poder local. No período entre 1975 e 1986. o que possibilitou ao capital privado reduzir drasticamente o risco de sua participação no processo produtivo e garantiu vantagens comparativas à Bahia em relação aos demais Estados do Nordeste. observando-se que tais incentivos foram. Em termos de taxas de crescimento real do PIB. a Bahia contava ainda com as vantagens de ser. nos Distritos Industriais do interior do Estado e no Complexo Petroquímico de Camaçari (CoPEC). setorial e regional. o comércio 117% e as comunicações 1. Entre os fatores sistêmicos da competitividade. Isso se deu pela proximidade da Bahia em relação ao Centro–Sul. com estudos.Ainda no âmbito de medidas macroeconômicas. Esse sistema de incentivos fiscais beneficiou o processo de reestruturação da dinâmica econômica da região Nordeste. em sua grande maioria. vários projetos foram implantados. foi montada uma explícita política industrial.4% em 1985 — e contribuiu de forma positiva para a expansão do setor terciário da economia (em média 7.

estava entre estes últimos.86 conjuntura econômica É importante destacar que a consolidação da indústria de transformação no processo de desenvolvimento econômico estadual. apresentou. A Bahia.). pelos petroquímicos produzidos na Bahia.1%. ocorreu num período de grande recessão e crise da economia brasileira. Apesar de a economia ter se concentrado principalmente na rMS. entre 1986 e 1992. Esses fatores macroeconômicos fizeram com que aumentasse a demanda. a seguir. cresceu 92% acumuladamente. o cenário apresentado foi de recessão. extração de minérios em determinadas áreas do Estado (Caraíba Metais etc. expansão do pólo cafeeiro na Chapada. Em dez anos. com variação negativa do nível de atividade nos três últimos anos desse período. de 1975 a 1986.9%. na primeira metade da década de 1980. no período subseqüente. o ritmo de crescimento do PIB cai de 6. Entre 1986 e 1992. malgrado a crise. Em que pese à diferença quantitativa dos anos entre os dois períodos. da qual poucos Estados lograram escapar. com a extração de madeira. Entre os destaques têm-se: produção de feijão na região de Irecê. essa comparação tem como único objetivo salientar que entre 1986 e 1992 a economia baiana praticamente se estagnou. Nos anos 1980. Período 2 – 1986 a 1992: inflexão do crescimento e crise econômica A partir da segunda metade dos anos 1980. o vigoroso crescimento ocorrido ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ entre 1975 a 1985 sofre um forte processo de inflexão. por parte das indústrias instaladas no Centro-Sul. crescimento do nível de atividade econômica. inicia-se uma política de desvalorização cambial que torna caros os produtos importados. A figura 1. o crescimento acumulado foi de apenas 0. exatamente pelo avanço da sua indústria.5% ao ano para aproximadamente 0. . ou seja. ou seja. Entretanto. sob o efeito do Pólo Petroquímico de Camaçari. evidencia claramente esse processo. o PIB baiano. Entre 1986 e 1992. outras áreas do interior do Estado também apresentaram significativo crescimento no final da década de 1970. rápida ocupação do Vale do Iuiú (pecuária e algodão) e desenvolvimento de regiões como o Extremo-Sul.

garantiam o fechamento do balanço de pagamentos e mantinham o nível da atividade econômica. ‚ deu-se um redirecionamento da economia brasileira para o mercado externo: incentivaram-se assim. na forma até então vigente. os efeitos dessa crise para o Estado da Bahia foram altamente negativos. ‚ a queda no ritmo de crescimento da economia ocasionou altas taxas de inflação. o endividamento interno e externo do Estado inviabilizou os investimentos projetados e a manutenção da acumulação capitalista. levou à falência o modelo anterior. capitaneada pela crise fiscal e financeira do Estado brasileiro. portanto. índices crescentes de desemprego e elevação das taxas de juros. como se pode verificar a seguir: ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . podendo-se destacar alguns deles como os mais graves. principalmente no consumo das famílias e nos gastos do Governo. no qual o Estado era o motor da acumulação capitalista e sob o qual se pautou o crescimento da economia baiana entre 1975 e 1986. as exportações que geravam divisas.FIGUrA 1 Evolução do PIB da Bahia segundo taxa anual de crescimento – 1976-2005 87 conjuntura econômica Fonte: SEI/Coordenação de Contas Regionais os fatores que explicam essa crise podem ser encadeados da seguinte forma: ‚ a crise da economia nacional nos anos 1980 (a chamada década perdida). efeitos negativos diretos na demanda agregada da economia brasileira. o que desencadeou a chamada “ciranda” financeira e teve.

não foram geradas cadeias produtivas. citam-se: o cacau.88 conjuntura econômica ‚ foram paralisados os investimentos previstos para o Pólo de Camaçari e. hospitais etc. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ‚ finalmente. a concentração da renda aumenta. seu funcionalismo tem grandes perdas em termos reais. o cacau. o café e o algodão. esse período. no mercado.8% e 7. resultantes do crescimento da sua oferta mundial. incentivadas pela produção pecuária e agroexportadora. a geração espacial da renda concentrou-se na rMS e no litoral. e a mamona. é marcado por uma redução da participação do PIB baiano no PIB nacional. de novos países produtores. o forte declínio do cacau. respectivamente. — passa por um processo de desgaste. o fumo. Dessa forma. ‚ cresceu a taxa de desemprego na rMS. que se manifestou em meados dos anos 1980. com menores custos médios e maiores rendimentos por hectare. nos anos de 1988. Em termos macroeconômicos. assim. registraram-se sucessivas quedas nos preços internacionais dessas commodities. as estradas pioram de situação. a terceira geração da petroquímica. A educação não apresenta grandes avanços. ocorre sem que outra lavoura a substitua de imediato. o crescimento dos setores de serviços e comunicações é lento etc. Em conclusão. apresentado taxas negativas. . uma economia duplamente concentrada na formação do PIB: na agricultura. os reflexos negativos sobre o PIB eram inevitáveis. Dentre os produtos baianos cujos preços caíram. com uma das maiores taxas de desemprego dentre as cidades estudadas pelos institutos de pesquisas brasileiros. identifica-se um último efeito. que também foi atingido pela grave doença conhecida como “vassoura de bruxa”. os fatores sistêmicos da competitividade baiana seguem na mesma direção da situação financeira do setor público acima mencionado. Assiste-se assim a uma total desestruturação do Estado da Bahia: suas finanças desorganizam-se. 6. como o Centro-oeste. A partir desse período. de 3. principalmente na área de influência dos municípios de Ilhéus e Itabuna. ‚ diminuiu o ritmo de crescimento da produção da indústria química baiana. deu-se uma elevada concentração em torno do gênero químico. a economia baiana permaneceu apenas como produtora de bens intermediários e o Complexo Petroquímico não recebeu novos investimentos. seu patrimônio público — estradas. com a paralisação do processo de investimentos. em conseqüência de ter-se estagnado o ritmo de crescimento da economia baiana (na comparação com o período anterior.6%. 1975/1985) e de se terem expandido fortemente outras áreas no Brasil. tendo esse segmento. escolas. diferentemente do anterior.6%. em crise. ‚ foi gerada. o sisal. principal cultura agrícola do Estado na segunda metade dos anos 1980. com a entrada. 1990 e 1991. principalmente de grãos. Na indústria. Pelo elevado peso que a indústria química tem na estrutura do segmento industrial baiano. continuava a ser o principal produto de exportação. Esse processo fez de Salvador a terceira mais populosa cidade do país. atraída pelo Pólo. conseqüência da forte migração — em parte derivada do fato de a Bahia possuir uma população rural muito grande (ainda hoje a maior do país em termos absolutos. decorrente da reestruturação produtiva mundial: a crise nos produtos tradicionais de exportação da agricultura baiana. e vivendo de forma precária no semi-árido) — para essa região.

portadores de mudanças futuras na estrutura do Estado e promotores de sua inserção na divisão nacional do trabalho. ‚ consolidação de setores que se beneficiaram com a política nacional de incentivo às exportações e que tiveram vantagens comparativas no estado. da ordem de quase 50% entre 1991 e 1998. A conta de comércio (exportação + importação) cresce mais de 50%. ‚ consolidação e ampliação da indústria montada no primeiro período.7% respectivamente. ‚ esgotamento dos produtos tradicionais. ou seja. Antes de tudo. petroquímica e metalurgia. Abriu-se um novo período de investimentos produtivos e a perspectiva de outro ciclo sustentado de crescimento. ou. alcançando um crescimento acumulado de 28. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . o Plano real. como: ‚ crescimento econômico acompanhando a média nacional. da produção de papel e celulose. de um novo patamar de produção. que representam a maioria da população baiana. a competitividade da economia baiana fica evidente ao se verificar o significativo incremento do valor das exportações baianas. que passa a operar em um patamar mais elevado. verifica-se um forte crescimento do comércio e do consumo nos primeiros três anos do Plano real. outros segmentos. a exemplo da silvicultura. no período de 1992 a 2000. a exemplo do fumo. que chegam ao fundo do poço. apesar das dificuldades com que se defrontaram as exportações brasileiras no período.1% a. a partir de investimento do Governo Estadual e de programas nacionais com parceiros internacionais. dos frutos e grãos.Período 3: anos 1990 e a retomada do crescimento econômico o período compreendido entre 1992 e 2000 — tem algumas características marcantes. em função da estabilidade econômica e das facilidades de financiamento.1% e 2. 89 conjuntura econômica o crescimento médio do PIB baiano correspondeu a 3. Esse processo beneficiou mais fortemente as classes menos favorecidas. No que diz respeito ao comércio exterior.9% respectivamente. foi de 27. ‚ alcance. A mudança na política econômica nacional. em taxa acumulada. ‚ surgimento de novos setores industriais. como o comércio e comunicação.5%. notadamente de bens finais. ‚ maior preocupação com o turismo local. foram de grande destaque nesse período.a. com base na política nacional de incentivo às exportações iniciada no segundo período. graças às políticas dos Governos Estadual e Federal. a abertura do mercado brasileiro e a reestruturação do Governo Estadual fizeram a economia voltar a crescer. pela agricultura. os setores agropecuário e industrial cresceram no mesmo patamar: 3. e esboço de recuperação dos níveis de produção de outros. a exemplo do ProDETUr. agora menos concentrado.3% e 255.

turismo etc. Utilizando-se do instrumental de controle da taxa de juros. Período 4 – 2000-2007: manutenção do crescimento e consolidação industrial A partir do ano 2000 começam a ser observadas mudanças na estrutura produtiva do Estado da Bahia oriundas de dois fatores principais: a) pela austera política macroeconômica colocada em prática pelo Governo Federal. Esse fato tem grande relevância para a análise da evolução do PIB. é possível afirmar-se que. os primeiros resultados foram o equilíbrio das finanças públicas estaduais — o que levou à recuperação do crédito público nacional e internacionalmente — e o fato de o Estado passar a ter capacidade de gerar poupança interna e externa. priorizando a proteção da moeda contra desvalorizações. como já mencionado. esses fatores viabilizaram múltiplos investimentos privados em novas áreas da atividade econômica. Esse movimento tem contribuído para a expansão e diversificação da economia. Concluindo. com a abertura de novos horizontes que indicam um novo ciclo de crescimento. esse período se constitui no momento histórico em que foram lançadas as bases para um novo ciclo de expansão do produto baiano e para que se reestruture a composição desse indicador. fiscal e financeiro. a Bahia passou por um processo de reforma do Estado desde 1991 e promoveu um ajuste administrativo. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ Em conjunto. sobretudo no que concerne ao peso que aí têm a agropecuária e a indústria. automobilístico. do ponto de vista da geração do PIB.90 conjuntura econômica Tabela 2 Balança Comercial – Bahia (em U$ bilhões . abrindo assim a possibilidade de investimentos e de contar com programas de incentivos fiscais e financeiros. pondo fim definitivo ao projeto nacional desenvolvimentista. a política econômica do Brasil priorizou o curto prazo. proporcionando uma maior integração industrial. pois. a Bahia como unidade da federação brasileira passou por grandes problemas nos setores demandantes de recursos (atrelados ao crédito de lon- . buscando uma meta inflacionária extremamente baixa. cerâmico e madeireiro/moveleiro.FoB) Fonte: PROMO – Centro Internacional de Negócios da Bahia Na esfera governamental. a exemplo dos segmentos industriais de bens de consumo populares.

e antecipou etapas. responsáveis por aproximadamente 135 mil empregos diretos. A despeito disso a “baianização” dos veículos ainda é pequena tal qual o montante de empregos diretos gerados vis a vis o montante dos investimentos. a montadora baiana já bateu recordes de produção. portanto. .7 bilhões em investimentos industriais. Essa conjuntura prejudicou muito o desempenho do setor de serviços baianos que. aos poucos. Desta Forma vieram para a Bahia entre ________________________ 2000 e 2007. foram realizados na Bahia no período 2000-2007 cerca de r$30. com produção de fertilizantes e diversas indústrias ________________________ calçadistas. o empreendimento do Complexo Amazon que trouxe uma unidade da Ford para a Bahia gerou efeitos multiplicadores para a economia estadual. vieram para a Bahia e começaram a consolidar a indústria automobilística no Estado. inclusive de outros países. como parte de um plano. a MoNSANTo. Em menos de cinco anos de operação. seja pela elevada geração de emprego e valor agregado: a ForD e ________________________ seus sistemistas de produção. da diversificação produtiva. b) pela política de atração de indústrias que se consolidou no Estado. com o lançamento de uma política de atração de investimentos para estimular fluxos de produção e renda no Estado. Merece destaque o fato de que 80% desses investimentos foram destinados à implantação de novas plantas industriais no Estado. sendo. 20% outros des- 91 conjuntura econômica tinados à reativação de plantas já existentes. atualmente maior produtora de ________________________ celulose do mundo.________________________ endimento deve ser dado ao fato de ter permitido uma ”interiorização” pelo território ________________________ ________________________ ________________________ Tabela 3 ________________________ Investimentos Industriais Realizados no Estado da Bahia no período de ________________________ ________________________ 2000 a 2007 ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ Fonte: SICM ________________________ baiano. A reformulação das atividades industriais baianas. que são grandes geradoras de empregos. praticamente inexistente nesse período). atraindo uma montadora de veículos e seus sistemistas. Segundo dados da Secretaria de Indústria e Comércio e Mineração do Estado (2005). vários sistemistas. devido a grandes recursos tecnológicos utilizados na produção. Como decorrência desse processo. o destaque desse último empre. seja pelo valor ________________________ do investimento. Delas destacam-se. inicialmente previstas para 2006. a partir de 2001. alcançou maior impulso. a VErACEL CELULoSE.go prazo. perdeu participação. grande geradora de valor agregado e outras tantas indústrias calçadistas grande geradoras de emprego. diversas indústrias de diversas áreas.

o governo brasileiro foi obrigado a agir.3% Bahia e 11. não se podendo esquecer da posição de destaque que o mesmo tem na estrutura do PIB.8% de crescimento. Somente em 2005.4%) e. A Bahia apresentou nesse período um crescimento médio do PIB superior ao do Brasil (na média — 3. Tabela 4 Balança Comercial da Bahia . ataques terroristas. 20. o setor de serviços (11. o Estado da Bahia atingiu o recorde de sua história econômica recente. em segundo lugar.6%). apenas para que se perceba a relevância do resultado estadual. Nesse cenário. desaceleração da economia norte-americana. acumulando 20.3%. crise na Argentina. como reflexo de uma conjuntura bastante conflituosa. nesse mesmo período as exportações brasileiras expandiram-se 23%. para tentar separar as imagens do Brasil e da Argentina. Um outro aspecto que pode ser observado com a implementação dos novos arranjos produtivos é a mudança no perfil industrial da Bahia.92 conjuntura econômica o PIB da Bahia alcançou.2000-2005 Fonte: MDIC/SECEX Em 2001 a economia baiana apresentou uma taxa de crescimento apenas satisfatória (aproximadamente 1. desvalorização do real marcaram negativamente esse período. que passa. houve ainda uma intensa seca. foram fundamentais para a competitividade — inclusive internacional — do Estado.5%). Tais investimentos. A título de informação. por um processo de desconcentração industrial. os investimentos alocados no Estado proporcionaram uma elevação da base produtiva e da geração de valor agregado. nesse período. Crise de energia.8% Bahia e 2. uma taxa média de 3. além de se constituírem em impulso à indústria de transformação. Na Bahia.2% Brasil — no acumulado. A geração do valor agregado de uma indústria automobilística. em menor fôlego. além dos investimentos nas indústrias de papel e celulose e alimentos têm contribuído para a diminuição na participação dessa estrutura.0%). para manter a meta . é importante destacar a evolução do comércio exterior da Bahia nesse período. que chegou em 2001 a concentrar mais de 57% da estrutura de sua indústria de transformação no segmento químico. agropecuária (31. Ainda em relação à taxa acumulada os grandes destaques ficaram por conta da indústria de transformação (40. ainda que timidamente. que atingiu praticamente todos os estados da região Nordeste e prejudicou sensivelmente o desempenho do setor agropecuário. Em relação a essa última observação. primeiro. quando suas exportações somaram apro- ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ximadamente U$6 bilhões expandindo-se 48% em relação a 2004.4% Brasil).

que depende muito dos financiamentos de médio e longo prazo. esperava-se uma mudança nesse quadro de juros altos para combater a inflação e segurar o câmbio. apresentaram diminuições nos indicadores de emprego e renda. crise e recessão. Sofrem os impactos dessa situação o comércio. tem como reflexo imediato uma retração nos investimentos produtivos que. Finalmente — e esperando-se ter alcançado o objetivo proposto inicialmente. qual seja. Nesse cenário fica difícil fazer qualquer prognóstico sobre o desempenho macroeconômico do país. e particularmente a economia baiana (e nordestina de maneira geral) carecem de um projeto nacional de desenvolvimento mais engajado em diminuir os desequilíbrios regionais do Brasil desenvolvido do Sul e Sudeste. por sua vez. que apresentou crescimento da economia ao longo dos anos 2000.inflacionária. a agricultura da região Nordeste vai continuar a depender das chuvas para apresentar bons resultados e as atividades que dependem do crédito e do investimento de longo prazo vão continuar subordinadas ao “nervosismo do mercado” e à tradicional pouca vontade da iniciativa privada brasileira. inevitavelmente. Esses compromissos praticamente congelaram a ação da política macroeconômica brasileira em 2001. ou seja. com a eleição do novo presidente que ao longo de sua história política tinha posições contrárias à política econômica que vigorava até então. o PIB é um indicador macroeconômico que permite identificar como se dá a geração da riqueza (mas não a sua distribuição) de um determinado local em um determinado período de tempo. em que pese a diminuição da liquidez da economia com redução na inflação. um aumento na taxa de juros. e o empobrecido do Norte e Nordeste. grande âncora do Plano real e condição obrigatória dos acordos de ajuda monetária com o FMI. 93 conjuntura econômica SínteSe Como ficou demonstrado nessa aula. Na Bahia existem ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . o Governo foi obrigado a manter elevadas as taxas de juros internas. diminuem a demanda agregada e paralisam a atividade interna. Em um cenário como esse. Em 2003. a indústria. e outros setores. o que se tem acompanhado é a manutenção das “regras do jogo” em que o mercado continua imperando de forma absoluta e o cumprimento das metas de inflação o único objeto de política econômica. 2000/2007. Esperava-se também o reinicio de um projeto nacional desenvolvimentista capaz de fomentar o crescimento econômico para todas as regiões do Brasil. muito mais pela insuficiência da demanda agregada do que pelo projeto colocado em prática. Entretanto. praticamente em sua totalidade. utiliza insumos importados (comprados em dólar). mostrar os principais fatos que proporcionaram ou limitaram o crescimento econômico da Bahia entre 1975 e 2007 — poder-se-ia dizer que política industrial. que é fomentada pelos investimentos produtivos e que. Na macroeconomia básica. Para tentar equilibrar a economia frente a tantos problemas. melhor caracterizam cada um dos períodos aqui delimitados: 1975/1986. diminui a procura pelo crédito e a inadimplência aumenta. retomada do crescimento e nova configuração industrial são as expressões que. enquanto vigorar essa política econômica. como os serviços que. o Brasil. respectivamente. 1986/1992 e 1992/2000.

SiteS indicadoS IBGE – Departamento de Contas Nacionais do Brasil: www.ba.br/home/ estatistica/economia/contasnacionais/referencia2000/2004_2005/default. a economia baiana é extremamente concentrada espacialmente e setorialmente e apresenta uma série de problemas econômicos e sociais de difícil equacionamento. nº 72.sei. Apesar disso. Revista de Desenvolvimento Econômico. (org).ibge. Particularmente em 2007 esse indicador mensurou um montante de r$109 bilhões. VASCoNCELoS.ed. São Paulo: Saraiva. 4.gov. Salvador: SEI. 14. 2003. Manual de Economia. p. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . O PIB da Bahia: 30 anos em análise. Diva Benevides. 78-89. Uma leitura da economia baiana pela ótica do PIB – 1975/2005. Equipe de Profes________________________ sores da USP. 2006. Marco Antônio S. queStão para reflexão E então? Depois de ter estudado esse material e de ter refletido sobre o seu conteúdo você acha que crescimento no PIB significa desenvolvimento econômico? leituraS indicadaS PESSoTI. VIII.2% da economia brasileira.94 conjuntura econômica distintas formas de analisar o comportamento do PIB ao longo do tempo. jul. 2006. a. o que representa aproximadamente 4. Salvador. ________________________ Série de estudos e pesquisas. ________________________ SUPErINTENDÊNCIA DE ESTUDoS ECoNÔMICoS E SoCIAIS DA BAHIA.br ________________________ ________________________ ________________________ referênciaS ________________________ ________________________ ________________________ PINHo. Gustavo Casseb. n.shtm Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia – SEI: ________________________ www.gov.

diversas atividades de serviços auxiliares surgiram. essa é a característica estrutural da economia baiana dos últimos 50 anos: Composição Setorial do PIB Baiano Fonte: SEI Até 1960.FraGiLiDaDEs Da Economia Baiana E a DEPEnDÊncia EXtErna Autor: Gustavo Casseb Pessoti Nesta aula vamos apresentar um pouco da economia baiana atual. na época do Governo Collor. Ainda assim.6% de participação econômica. A partir de 1990. observe que já em 1980 o setor secundário da economia dobra de participação atingindo 31. em função do surgimento deste complexo. É imprescindível que você conheça as possibilidades e limitações do “espaço territorial” onde habita e onde será alocado. Esse estudo é de fundamental importância para a sua compreensão do mercado de trabalho. 95 conjuntura econômica Panorama EconÔmico E sociaL Da BaHia no sÉcuLo XXi Como já vimos na aula 6 deste módulo. como os serviços de alojamento e alimentação. transporte e armazenagem e passaram a atuar a reboque do pólo petroquímico.auLa 07 . como profissionais. foram as marcas daquela época. até porque a abertura econômica desmedida. Não veio para a Bahia nenhum grande empreendimento industrial e pequena foi a participação do ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . principalmente relacionado com a atividade cacaueira do sul do estado. com o surgimento do Pólo Petroquímico de Camçari (1978) esse panorama começa a mudar. do ponto de vista social. o estado era dependente da produção agrícola. comércio. a alta inflação do período e a grande corrupção. se do ponto de vista econômico o estado vai muito bem como sexta maior economia do país. há muitas carências. A partir da década de 1970. poucas alterações ocorreram na estrutura produtiva da Bahia. logrando grande expansão econômica. no futuro. Vamos ver que.

mas. e através dos incentivos. Mas . carente de maior suporte do governo federal – que estava preocupado apenas com o controle da inflação e com os ajustes econômicos deixados pelo governo Collor – acabou produzindo um grande crescimento. ou setor secundário da economia. Nesse período a economia baiana cresceu muito. Em 2004. o PIB cresceu quase 10%. passou a ser o mais importante da estrutura produtiva do estado da Bahia. vieram para a Bahia uma série de novas indústrias dos mais variados gêneros: calçados. Mas será que esse fato é positivo ou negativo? Vamos passar para a próxima informação para começarmos a formular essa resposta.96 conjuntura econômica estado brasileiro para diminuir as desigualdades regionais entre o sudeste desenvolvido e o norte nordeste excluídos do cenário nacional. no final da década de 1990 e início dos anos 2000.7% um e 8. químico e petroquímico. plásticos. mas não houve. Quem gera emprego são os pequenos negócios e o setor de serviços. Agora olhem que coisa impressionante: a indústria de transformação gera a mesma quantidade de empregos que o trabalho doméstico: 8. Por isso. a indústria. A indústria que é responsável por mais da metade do PIB da Bahia é responsável por apenas 14% do emprego gerado na economia baiana. Assim. A resposta foi imediata no PIB. Nesse período. vou falar bem alto para todo mundo ouvir: indústria não foi feita para gerar emprego. mas observe que são a agropecuária e o setor de serviços os grandes responsáveis pela geração de empregos na Bahia. o dobro do crescimento da economia brasileira. em contrapartida.8% o outro. fertilizantes. uma geração de empregos para a economia baiana. ou seja. Adotar uma estratégia de dar isenção fiscal para atrair indústrias foi uma boa até para tornar o estado mais equipado do ponto de vista industrial. o grande empreendimento dessa época foi a chegada da Ford e suas empresas auxiliares de componentes para veículos. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ Fonte: SEI observe que a estratégia adotada pelo governo baiano. o governo da Bahia começou com um programa de atração de investimentos industriais através de isenções fiscais e doações de terreno e infra-estrutura de apoio.

Se retirarmos também o segmento automotivo. Como você sabe. mas então essa estratégia de industrializar-se foi um equívoco. ao importarmos aquilo que não temos condições de produzir localmente ou que temos. ou se aparece demora muito para dar frutos. A partir dele pode-se lucrar com a venda de produtos e.isso não aparece politicamente. mas com um alto custo de produção. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . não é mesmo professor? Infelizmente não posso concordar com essa resposta e veremos agora por quê. complementar a produção interna. reparou bem a nossa pauta? Totalmente concentrada em poucos produtos e liderada pela produção petroquímica. o comércio exterior exerce grande importância na dinamização econômica de um determinado local. observe a pauta de exportações do estado da Bahia. mas demorou muito para que os governos da Bahia percebessem que turismo não é só carnaval. E mais: que a Bahia não é apenas Salvador.2007 Fonte: SEI Sim. Na Bahia. 97 conjuntura econômica Distribuição dos ocupados na rMS Dezembro . ao mesmo tempo. se é que você me entende. papel e celulose e a metalurgia o que sobra para todas as demais atividades é extremamente pulverizado. uma oportunidade de emprego está no setor turístico.

561 75. mostrando que nós.0 0.4 18.387 1.100 92.4 -17.544 7.252 74.650 246.003. Por isso o estado insistiu tanto com a tentativa de dinamizar outros municípios e outras atividades econômicas.0 3.469 57.299 2007 1.1 2.9 6.330 153.187 108.5 12.267 1. Ah.0 3.502 62.840 107.1 10.3 45. ou seja.670 24. nafta.3 32.408. resultado da ópera: exportamos petroquímicos e importamos petroquímicos! .076. Elétricos Fumo e Derivados Pesca e Aquicultura Demais Segmentos Total FoB) 2006 1. Para que essa dinamização ocorresse era preciso – já que nossa pauta de exportações é concentrada no segmento químico – pelo menos que as nossas importações fossem complementares à produção química.559 222.022 1.9 1. a atração de investimentos industriais conseguiu ao menos dinamizar a economia baiana? Vejamos como é rica e complexa a análise da economia baiana.6 1. então.372 82.150 65.563 82.847 118.384 761.7 25.5 1. Mas o que revela a tabela é que a maior parte das nossas importações é também de produtos químicos. Para produzir os produtos petroquímicos.6 -8. para dinamizar o nosso parque industrial.3 5.0 -8. e Mat.652 270.480 7. para nossa frustração.403 221.3 3.0 3.1 9.9 1.98 conjuntura econômica Principais Segmentos de Exportação da Bahia: 2006 e 2007 VALorES (US$ 1000 SEGMENToS Químicos e Petroquímicos Metalúrgicos Petróleo e Derivados Papel e Celulose Automotivo Soja e Derivados Minerais Cacau e Derivados Borracha e suas obras Café e Especiarias Couros e Peles Sisal e Derivados Algodão e seus Subprodutos Móveis e Semelhantes Calçados e suas Partes Frutas e suas Preparações Maq.985 111.3 0.542 138.710 897.38 PArTICIPAção % 21.975 22.773.376 920.7 -37.3 14.556 392.614 12. Dados Coletados em 12//11/2007 Elaboração: PROMO .7 30.729 VArIAção % 17.3 7.742 209.Centro Internacional de Negócios da Bahia Para tentar transformar esse quadro de dependência da produção química é que aquela política de atração de investimentos industriais premiava com isenção por período mais longo aqueles empreendimentos ligados à indústria de bens finais.1 19.067 142. complementares da cadeia petroquímica.580.351.00 ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ Fonte: MDIC/SECEX.099.654 71.1 1.0 1.312 715.489 115.202 6.2 0.597 146..0 100.3 1.0 4.1 0.5 13. Como a Petrobras da Bahia não produz tudo aquilo que nossa produção necessita. Apars.2 224.532 1. importamos máquinas e equipamentos.8 42.029. temos que importar.997 84.3 -8.1 2. a Bahia necessita da matéria prima.487 224.

indicador que mede o desempenho da atividade econômica de local em determinado período de tempo. pois com medo do efeito Lula. como podemos observar na tabela a seguir. Principalmente no setor industrial! Por isso. exceto nos anos de mudança eleitoral (2003).99 conjuntura Então. com base no gráfico. que gera bastante emprego tem um comportamento ascendente ao longo da série. precisaremos apresentar outros indicadores. Mas você reparou que. a despeito de. mesmo sem incentivos. FHC teve que aumentar muito a taxa de juros para combater a inflação. é quem teve o melhor desempenho nessa série considerada. Comecemos pelo PIB. Em 2004 cresceu mais de 24%. não podermos formar uma opinião concreta a respeito da atual economia baiana. parece que a estratégia de industrialização vai continuar a ser adotada também ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ econômica . as atividades econômicas do estado têm mostrado uma evolução bastante favorável nos últimos anos. Apesar de todos esses diagnósticos. para analisar a economia baiana. que desde 2000 vem crescendo em ritmo ascendente. e aí sim teremos condições de fazer o nosso julgamento final sobre a estratégia recente de tentativa de desenvolver a economia baiana. Também o setor comercial. a agropecuária. um efeito positivo da atração dos investimentos industriais foi alavancar a indústria. Fonte: SEI Como podemos observar. até esse momento. que gera bastante emprego.

esse número é bastante longe do ideal.100 conjuntura econômica no governo Wagner. Como pode ser notado. Desse contingente. pouco mais de 7. .1 milhões são os chamados economicamente ativos. vamos continuar com um contingente grande de desempregados que não vão conseguir acesso ao mercado de trabalho. a população da Bahia está situada em torno de 14 milhões de pessoas. foram quase r$5 bilhões em investimentos industriais e no período 2008-2012 deveremos ter quase r$20 bilhões em novos investimentos industriais. aptos e querendo trabalhar. Em 2007. frente ao “estoque de desemprego” que temos acumulado. que está chegando à sua metade. ou seja. isto é. Senão vejamos: A tabela é desanimadora. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ Apesar da expectativa de se gerar 81 mil novos postos de trabalhos com os projetos industriais.

eles atingem 86% da população economicamente ativa da zona rural da Bahia.Mas na limitada economia baiana só há espaço para 6. mas infelizmente não é bem assim.5 milhões. Isto é. Vamos entender isso melhor ao refletirmos: será que esse contingente de desempregados. Mais de 35% da população baiana são analfabetos funcionais (isto é sabe ler e assinar o nome mas não consegue raciocinar o que lê e fala)! É muita gente! Como colocá-los no mercado de trabalho? Você contrataria para sua empresa. uma pessoa dessas? Pois é. situada na zona rural é analfabeta. os grandes empresários que têm investido na Bahia também não querem! E a tabela a seguir não deixa qualquer dúvida sobre a questão que estamos querendo enfatizar. 30% da população economicamente ativa da Bahia. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . Mas a estratégia principal do governo baiano é industrializar a economia. Só 3% dos baianos têm mais de 15 anos de ensino. cerca de 700 mil pessoas que querem e podem trabalhar não conseguem emprego. Parece que estamos na contramão total. Se considerarmos aqueles que não têm sequer o nível fundamental completo. sem solução de curto prazo para resolver esse problema estrutural. reparem os dados propositalmente assinalados em vermelho. tem preparo técnico necessário para a nova economia do século XXI? Uma economia marcada pela globalização e pela internacionalização das comunicações? 101 conjuntura econômica As informações do grau de instrução da população baiana deixam qualquer economista estarrecido e o pior.

Vejamos um pouco mais ________________________ de perto alguns números que evidenciam quão limitada e concentrada é a economia ________________________ da Bahia. Então. quanto mais baixo o grau de instrução da população. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . você.102 conjuntura econômica Essa informação é relevante pois. quando formado vai trabalhar num mercado limitado e bastante concentrador de rendas. menor o seu nível de renda.

A importante cidade de Feira de Santana só representa 3. com tantos serviços só pesa 3. Camaçari e São Francisco do Conde) respondem por cerca de 43% da economia baiana. Queria ser animador e dizer que realmente esse dado está incorreto. ________________________ . Feira de Santana. o restante ________________________ da economia baiana é bastante pulverizado e sem grande expressividade. não é? Apesar de ser a “por. Vejamos um ________________________ número ainda mais curioso. Dá impressão de que essa informação está errada.8% do ________________________ PIB baiano.________________________ ta de entrada” da capital baiana. mas ________________________ a verdade é que a economia baiana é a região Metropolitana de Salvador.103 conjuntura Pelos números disponíveis na tabela podemos ver que apenas três municípios (Salvador. ________________________ Eu queria colocar numa só tabela um conjunto x de municípios de juntos chegassem econômica ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ Nessa tabela eu tentei montar uma estrutura que evidenciasse os municípios ________________________ mais pobres da Bahia e quase tomei um susto quando me propus a fazer um exercício.8% da economia baiana.

Para finalizar esta aula. para pegar os municípios mais pobres que representassem juntos. somar 17 municípios. vejamos alguns mapas econômicos da Bahia segundo atividades econômicas. o número deveria ser bem maior. quanto mais amarelo e branco mais pobre é a região e menor a geração de renda. com uma enorme população desempregada e sem perspectivas de ingresso no mercado de trabalho local.104 conjuntura econômica a 1% do PIB. Vejamos os gráficos em seqüência. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ É fácil observar que existe um grande vazio econômico na região semi-árida da ________________________ ________________________ Bahia. pois eu teria que somar a contribuição dada por 57 municípios. dos 417 municípios da Bahia. não é? Mas não. apenas 1% do PIB. . e grande concentrador de rendas. A legenda é a mais fácil possível: quanto mais marrom escuro. os 57 mais pobres juntos não formam 1% do PIB do estado. Infelizmente moramos num estado pobre. Mas não foi possível fazer isso. de analfabetos em sua maioria. maior o desenvolvimento municipal. eu só precisei. o dobro da Bahia. é a região oeste que tem destaque na produção do agro________________________ negócio e o extremo sul do estado que se destaca por conta da produção de celulose. no caso mineiro. fiz esse mesmo comparativo com o estado de Minas Gerais que tem 853 municípios. retirando a região ________________________ Metropolitana de Salvador. Do contrário. que ocupa 2/3 do território baiano. Apenas como valor de referência. Isto é. ou 70% da população. isto é.

Se analisarmos o mesmo mapa.quase a totalidade dos demais espaços apresenta atividades econômicas rudimentares. de subsistência e de baixa penetração no mercado internacional. a despeito das políticas econômicas do estado nos últimos 20 anos terem sempre privilegiado a industrialização. a concentração é ainda mais brutal e restrita à região Metropolitana de Salvador. e São Francisco do Conde em função da refinaria da Petrobrás. onde está o Pólo Petroquímico. evidenciando que a grande vocação econômica do estado está na agricultura. só que agora analisando apenas os espaços do território que são mais industrializados. do ponto de vista da agropecuária. há uma maior harmonia dos espaços. 105 conjuntura econômica Como não podia deixar de ser. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . principalmente em função de Camaçari. reparem que os espaços marrons são mais uniformes nesse mapa.

não deixam a menor dúvida de que o processo de desenvolvimento econômico. realmente geraram crescimento econômico. já definido em aulas anteriores. nos últimos anos. é um processo de transformação da estrutura produtiva de um determinado local em que. tanto sim que o PIB acumula ano após ano taxas positivas. não aconteceu na Bahia. Entretanto. muitas vezes superiores às registradas pela própria economia brasileira. assim como as informações contidas nas tabelas anteriores. há uma melhoria na qualidade de vida da população deste local. A maior parte desses municípios são pequenos e sem qualquer viabilidade econômica. efetivamente. após esse processo. o que nós observamos é que as políticas econômicas adotadas na Bahia. Sobrevivem graças às transferências constitucionais. principalmente advindas . o desenvolvimento. não houve uma distribuição justa deste crescimento entre as mais longínquas áreas do estado. A riqueza concentrou-se basicamente em 20 municípios dos 417 municípios existentes.106 conjuntura econômica ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ Esses mapas.

erroneamente sempre associaram turismo ao carnaval. o estado apresenta problemas estruturais de difíceis soluções. uma forte concentração espacial e setorial. Com uma população despreparada para os novos desafios impostos pela globalização mundial e pelo atraso econômico e social que nós temos em relação aos centros mais desenvolvidos do país. Do ponto de vista social. principalmente a do interior do estado. mas a exploração do chamado turismo de eventos ainda é bastante incipiente. em pleno desenvolvimento do século XXI. objetivando mudar esse quadro e realizar um processo de desenvolvimento. e o despreparo técnico e científico de nossa população. somente em 2006 eram cerca de 700 mil desempregados. é que começaram a se desenvolver alternativas de roteiros turísticos pelo interior do estado (principalmente pela costa do descobrimento). no total. Por isso. Na contramão de nossas belezas naturais estão a falta de planejamento do desenvolvimento. uma política de cunho nacional que repense os gargalos e os desequilíbrios das economias regionais. o tema de nossa aula é a fragilidade do desenvolvimento baiano. Uma taxa de analfabetismo muito alta e um grande desemprego de sua população. assim como ao Nordeste. que estão localizados no Sul e no Sudeste. os pesos da administração pública e dos recursos do INSS (aposentadoria e pensões) são fundamentais para o giro dos negócios. nosso limitado mercado interno. vamos continuar a depender de políticas assistencialistas e continuar elegendo os governantes que ao invés de defender uma reforma estrutural no país. Sem um planejamento do desenvolvimento. em pleno desenvolver do século XXI. os segmentos químicos e derivados sempre figuram como os mais importantes. 417 municípios compõem o estado da Bahia. 107 conjuntura econômica SínteSe A economia baiana apresenta. Só agora. Embora disponha de uma vasta possibilidade de exploração de atividades culturais. um papel apenas secundário na dinamização econômica do país. Segundo os dados do IBGE. o que jogou por terra possibilidades de desenvolvimento regional. Somente os municípios da região Metropolitana de Salvador são responsáveis por mais de 50% das riquezas produzidas no estado. Do ponto de vista espacial a economia baiana está concentrada em aproximadamente 20 municípios. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . mas poderia ser perfeitamente a inexistência do referido processo. Nesses municípios. pois a renda oriunda das atividades econômicas é extremamente pequena e quase sempre concentrada na produção da subsistência. continuam oferecendo para a população remédios apenas paliativos. Apenas para lembrar. os governos da Bahia. Do ponto de vista setorial. Na pauta de exportações e importações do estado. sua atividade está concentrada na produção química e petroquímica. sobretudo por empresas fortemente ligadas ao mercado internacional como a Braskem e a Petrobras. Do ponto de vista dos serviços a atividade econômica na Bahia também é bastante limitada. cabe à Bahia. que juntos representam mais de 80% do PIB do estado.da distribuição do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

SUPErINTENDÊNCIA DE ESTUDoS ECoNÔMICoS E SoCIAIS DA BAHIA.gov.. queStão para reflexão Quais são os principais fatores que justificam o baixo dinamismo da economia baiana quando comparados com os principais centros. José ribeiro Soares. 2005. 2008. que só pode ser feito com o apoio do governo federal e a criação de um projeto nacional desenvolvimentista. nº 4. Revista Conjuntura & Planejamento.php?option=com_content&view=arti cle&id=303:panorama-social-da-bahia-com-base-na-pnad-2007&catid=3:destaques SiteS indicadoS Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): www. 3 e 4. Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia. 2006. O PIB da Bahia: 30 anos em Análise. Anais. n.br/index. Salvador: SEI. Salvador: SEI. Salvador: SEI. jul. 2007 e 2008. 4 CD-roM. Série de Estudos e Pesquisas. GUIMArãES. revista Bahia Análise & Dados. disponível em: http://www. em sua grande maioria.ibge. 2006. VIII. 16. Salvador: SEI. nesse mesmo período. Economia Brasileira e Baiana no pósreal. localizados nas regiões Sul e Sudeste do país? leituraS indicadaS PESSoTI. Panorama social da Bahia com base na PNAD ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ 2007.ba. como os programas Bolsa Família. . v. etc. 14. 2007. Uma leitura da economia baiana pela ótica do PIB – 1975/2005. que continua marginalizada. 78-89. Longe de alcançar o objetivo.108 conjuntura econômica o governo do estado “apostou” na estratégia de atração de investimentos industriais. melhoria na qualidade de vida da população. on-line. 1.sei. Revista de desenvolvimento econômico. Salvador.sei.ba. e dependente de medidas assistencialistas. Vale Gás.br referênciaS ENCoNTro DE ECoNoMIA BAIANA. houve grande crescimento do PIB. 2006. Salvador.gov.br Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI): www. nº 72. p.gov. Gustavo Casseb.. a. SUPErINTENDÊNCIA DE ESTUDoS ECoNÔMICoS E SoCIAIS DA BAHIA. SUPErINTENDÊNCIA DE ESTUDoS ECoNÔMICoS E SoCIAIS DA BAHIA. mas não houve. 2.

3 2.5 1.5% em 2008 em termos anuais (vide a tabela 1. que mostra o desem. do reino Unido e do Japão utilizassem os instrumentos ________________________ monetários para que estes mercados mantivessem seu normal funcionamento e se ________________________ estabilizem.7 0.auLa 08 . o efeito sobre as instituições bancárias expostas aos seguimentos de crédito imobiliário residencial foi muito elevado. Uma crise na economia norte-americana tem proporções incalculáveis para todo ________________________ o mundo. ________________________ da União Européia.1 2. faremos nesta aula um balanço da atual conjuntura econômica.1 2.7 3.7 11.9 9.9 2.9 5.4 0.3 7.Projeções do FMI para o Crescimento Econômico Mundial Principais Países PIB Mundial Estados Unidos União Européia Alemanha França Itália Japão reino Unido China índia Brasil Fonte: FMI Anos 2006 5.0 2.________________________ penho do PIB dos principais países do mundo selecionados pelo FMI) e fazendo com ________________________ que as projeções para o crescimento dos países desenvolvidos diminuam como um ________________________ todo.8 2.8 0.3 1.4 1.5 2. A crise afetou o desempenho real da economia dos Estados Unidos que ________________________ cresceu apenas 0. esse era o panorama desenhado para a economia mundial.9 3.8 2007 4.0 1.6 1. com base nos principais fatos que ocorreram no mundo em 2008.4 2.5 1.7 ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ 1 No momento em que essa aula estava sendo feita. principalmente dos EUA. evidenciando um arrefecimento econômico nos principais países desenvolvidos.3 9. diminuindo a intensidade de crescimento da economia global. e significaram em perdas de muitos bilhões de dólares. . os efeitos reais da crise do mercado imobiliário norte-americano e seus impactos para o mercado financeiro global apareceram de forma devastadora.0 3.a conJuntura EconÔmica na atuaLiDaDE Autor: Gustavo Cassebi Pessoti Para finalizar o nosso curso.2 3.4 9. No plano doméstico devem ser destacados o bom desempenho do PIB do Brasil e a manutenção do crescimento econômico na Bahia.9 11.5 1. Infelizmente. Tabela 1 .1 9.2 5.9 2.5 8. Conseqüentemente.9 1.8 2009 3.2 0.8 0. do Canadá. sobretudo para os países da América Latina e do Sul (pois o mercado norte ________________________ americano é grande comprador dos produtos produzidos no continente americano).7 1. 109 conjuntura econômica a conJuntura intErnacionaL – breves considerações1 A conjuntura econômica global em 2008 foi marcada por fatos que fizeram diminuir o ímpeto do crescimento vivenciado em 2007. a liquidez bancária diminuiu ________________________ fazendo com que as autoridades monetárias de vários países.5 0. não era possível compatibilizar a agenda da divulgação de dados estatísticos mais atualizados e a necessidade de fechar essa aula para impressão no módulo. No plano internacional os destaques devem ser dados para a grande crise econômica vivenciada pelo EUA e que abalaram toda a economia mundial bem como para a crise financeira mundial que seguiu o rastro.0 1.4 2008 3.3 1.

000 dólares. mais as prestações dos carros. como milhões de compatriotas. dos notebooks. da tv de plasma e do cartão de crédito. As casas que o Paul tinha dado entrada e estavam em construção caíram vertiginosamente de preço e não tinham mais liquidez. dando seu apartamento como garantia. Com os 800. Paul entregou aos bancos as 3 casas que comprou como investimento perdendo tudo que tinha investido. algo como 800.000 dólares. Fácil. Paul foi agüentando as prestações de seu apartamento refinanciado. ele se comprometeu: comprou carro novo pra ele(alemão). vendo que imóveis não paravam de valorizar. Aí. O negócio era refinanciar a própria casa.000 dólares financiado em 30 anos. Aí as casas que o Paul comprou para revender ficaram prontas e ele tinha que pagar uma grande parcela. Paul. Milhões tiveram a mesma idéia do Paul. Paul quebrou. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ Tudo financiado. e outros tantos itens que ele sequer precisava. Os bancos ficaram sem receber de milhões de especuladores iguais a Paul. contudo. porém muito didática.000 dólares. Em 2006 o apartamento do Paul passou a valer 1. Vamos ao texto. Só que neste momento Paul achava que já teria revendido as 3 casas.000 dólares. Paul optou pela sobrevivência da família e tentou renegociar com os bancos . por 300. ou não havia compradores ou os que havia só pagariam um preço muito menor que o Paul havia pago. um americano qualquer. Começou a não pagar aos bancos as hipotecas da casa em que ele morava e das 3 casas que ele havia comprado como investimento. um banco perguntou ao Paul se ele não queria um dinheiro emprestado. 400. pois o texto que recebi no meu email não veio assinado por ninguém. comprou um apartamento. com sérias conseqüências para o desempenho da economia em 2008 e para 2009. usar o dinheiro para comprar outras casas e revender com lucro. o fenômeno observado no mercado financeiro dos EUA que afetou o sistema financeiro mundial. Em agosto de 2007 começaram a correr boatos que os preços dos imóveis estavam caindo. tudo a crédito. cujo autor é desconhecido.que não quiseram acordo. fez uma nova hipoteca e pegou os 800. As taxas que o Paul pagava começaram a subir (as taxas eram pós-fixadas) e o Paul percebeu que seu investimento em imóveis se transformara num desastre. Parecia fácil. Só que todo mundo teve a mesma idéia ao mesmo tempo. para revender.000 dólares que Paul recebeu do banco. mas. comprou 3 casas em construção dando como entrada algo como 400.. julguei-o muito interessante: Paul.1 milhão de dólares. no começo dos anos 1990.. Paul se revoltou.110 conjuntura econômica EntEnDEnDo a crisE Dos EstaDos uniDos E Do mErcaDo munDiaL Para facilitar o entendimento vou usar um texto que circulou na Internet. nos últimos meses e que retrata de uma maneira simplista. Ele aceitou o empréstimo. 43 notebooks. Havia casas pra vender como nunca. mais as das 3 casas que ele comprou. deu um carro (japonês) para cada filho e com o resto do dinheiro comprou tv de plasma de 63 polegadas. A diferença. Ele e sua família pararam de con- .

com a queda no PIB da Alemanha e Itália. Mesmo quem pode. pára de consumir. Um dos grandes bancos da América. o Votorantin. Acabou. A farra do crédito fácil um dia acaba. um ciclo que não se sustentava. principalmente nos bancos americanos. correntistas correndo para sacar suas economias. Um empréstimo foi feito baseado num imóvel avaliado em 500. Preço que despencou. Os preços dos imóveis eram uma bolha. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . pânico. Assim. governos e instituições privadas perderam muito dinheiro em questão de minutos. é medo. a economia mundial segue em compasso de espera. a General Motors. Esses títulos passaram a ser negociados com valor de face. o Banco do Brasil. os bancos pararam de emprestar por medo de não receber. Os imóveis eram as garantias dos empréstimos. amanheceu. o Bear Stearns. Milhões de Pauls deixaram de pagar aos bancos os empréstimos que haviam feito baseado nos preços dos imóveis. a Ford. muitos empresários. A inadimplência dos milhões de Pauls atingiu fortemente os bancos americanos que perderam centenas de bilhões de dólares. especulação pura. Com a inadimplência dos milhões de Pauls.sumir outros produtos da economia norte americana e destruiu todos os seus cartões de crédito.000 dólares e de repente passou a valer 300. pois como todas as grandes empresas mundiais investem no mercado financeiro para complementar as receitas de suas atividades produtivas.000 dólares e mesmo pelos 300. O mercado e as pessoas seguem sem saber o que nos espera na próxima segunda-feira. O medo de perder o emprego fez a economia travar. Com a inadimplência dos Pauls esses títulos começaram a valer pó. boataria geral. 111 conjuntura econômica quem não devia dinheiro não conseguia crédito nos bancos e quem tinha crédito não que. E assim. chegando a apresentar uma leve recessão no terceiro trimestre de 2008. e inclusive pelas notícias que chegam da Europa. o que se constatou é que a crise não se restringiu ao mercado imobiliário. a Bradesco. Bilhões e bilhões em títulos passaram a nada valer e esses títulos estavam disseminados por todo o mercado. por exemplo. a Aracruz. Os bancos haviam transformado os empréstimos de milhões de Pauls em títulos negociáveis. insolvente. a Petrobrás. Recessão é sentimento. Mesmo ria dinheiro emprestado. entre outras tantas empresas globais (que também atuam no Brasil) apostaram e perderam dinheiro no mercado financeiro. mas esses empréstimos foram feitos baseados num preço de mercado desse imóvel. O pior pesadelo para uma economia aconteceu: a crise bancária. mas também em bancos europeus e asiáticos.________________________ BrEVE Panorama Da Economia munDiaL na atuaLiDaDE os primeiro sintomas do contágio da crise financeira mundial podem ser observados na diminuição da intensidade do crescimento dos principais países do mundo. quebrado. Os Pauls pararam de consumir porque não tinham crédito. em uma segunda feira.000 não havia compradores.

antes grandes símbolos da supremacia norte-americana no mercado mundial. foram as responsáveis diretas pela diminuição no consumo das famílias européias e. Holanda. praticamente uma estabilidade em relação a 2007. Mercado financeiro e produção real diminuíram o ímpeto de crescimentos das grandes potências econômicas do mundo Quando se fala em economia real. que durante os anos 1990 e início dos 2000. Entre os países que chegaram a registrar ao longo dos dois primeiros trimestres de 2008 taxas negativas no PIB estão: França. todos. A crise revelou para o mundo que grandes instituições financeiras. aquela que não necessitava do estado para se auto-regular. A General Motors (GM). mais flexíveis às mudanças no perfil dos consumidores americanos (que já não queriam mais os carrões que consumiam muito combustível). bem como o desemprego e a inflação. o resultado foi uma grande diminuição no comércio internacional. Com a diminuição no crescimento dos principais países da Europa e com a crise ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ tendo atingido em cheio a maior potência mundial. o fato que revela como essa crise tem impactado o chamado lado real da economia é o fenômeno que acontece com as montadoras de veículos automotores. Alemanha e Espanha. diminuíram as encomendas de produtos que são comercializados principalmente pelos países emergentes. os Estados Unidos e o Japão que também não saiu sem respingos dessa crise. que numa espécie de efeito manada retiraram todos seus recursos em questão de minutos (essa velocidade está relacionada à globalização financeira e à velocidade nas comunicações). Bancos de investimentos internacionais como o Lehman Brothers e Merrill Lynch foram os primeiros a sucumbir. quer-se dizer que o PIB desses países está apresentando recessão (isto é. agora empresas falidas e desesperadas pelo socorro do Estado. em minha opinião. é importante ter clareza no seguinte fato: de um lado. que passaram anos como as mais sólidas. foi a líder mundial em vendas e faturamento. queda na taxa de crescimento) em comparação com anos anteriores. tinham sérios problemas escondidos por trás da simbologia de suas marcas.1%. razão pela qual. houve retração da economia mundial. a economia de mercado. Mas. Apostou e ganhou muito dinheiro no mercado financeiro e se descuidou de sua função primeira. De outro. com isso. excetuando a China. até mesmo aqueles que não tinha nada a ver com a crise (como analisou o presidente Lula) sentiram os reflexos da crise em suas economias internas. Como vimos na tabela 1 anterior. como Portugal. há que se ressaltar que os países mundiais experimentaram um grande e consistente crescimento econômico nos últimos anos. Suécia e Hungria apresentaram taxas de crescimento entre o segundo e o terceiro trimestre do ano de 2008 de apenas 0. de buscar aperfeiçoamentos nos desenhos de seus carros. apresentaram apenas um crescimento vegetativo de sua economia em 2008. Itália. diante da desconfiança dos seus acionistas e investidores. mas a falta de novos investimentos produtivos. todos os demais países desenvolvidos.112 conjuntura econômica Assim sendo. com maior faturamento. começou a dar sinais de esgotamento. quando esta aula estava sendo escrita) não tinha dinheiro em caixa para honrar seus compromissos devedores até o mês de dezembro. para entendermos o que está acontecendo com o mundo. hoje (novembro de 2008. num percentual bastante abaixo de anos anteriores. Muitos outros. .

Quando essa aula estava em fase final de sua redação era impossível mensurar as perdas reais para a economia mundial. numa clara medida de defesa da economia mundial. para um investidor que quiser ser dono das companhias. A empresa em 2007 valia pouco mais de r$22 bilhões. principalmente naqueles países chamados de emergentes ou periféricos. diga-se. o aumento do desemprego e o desaquecimento da economia mundial. vocês já ouviram falar nas empresas brasileiras Weg (produtora de motores) ou na Fosfertil (fábrica de fertilizantes)? Pois é.5 bilhões (valor mais barato do que a Natura). do que a GM mundial. As quebras dessas duas gigantes podem custar cerca de 500 mil empregos em todo o mundo e perdas de outros milhares de empregos nas empresas fornecedoras de autopeças. Seria uma verdadeira catástrofe e dinheiro nenhum no mundo seria capaz de evitar uma depressão mundial. antes tidas como as mais sólidas do mundo. Inicialmente. o governo aprovou outro pacote de mais US$800 bilhões para disponibilizar em créditos para que os consumidores voltem às compras. aprovou um pacote de ajuda governamental ao sistema financeiro internacional de aproximadamente US$800 bilhões (valor que é quase duas vezes maior que o PIB da Argentina). Se as proporções dessa crise serão maiores que a grande depressão de 1929 só o tempo dirá. A bola de neve termina com a diminuição do PIB do país. demanda menos insumos da agricultura. por tabela deixa de precisar comprar produtos de outras economias e acaba provocando um efeito multiplicador destrutivo em muitas economias. Apenas para que a gente tenha uma referência de valor. estava por vir. Esse dinheiro deveria ser usado na aquisição de ações do mercado financeiro que mais se desvalorizaram de empresas descapitalizadas. se sua resposta foi não.o valor de mercado da GM em 2008 estava situado. depois da crise. com uma unidade inclusive na Bahia. Além de sinalizar para o mercado financeiro. Não fossem pelas vendas realizadas nas filiais brasileiras esse valor de mercado seria menor ainda. Um dos grandes problemas das montadoras é. outra gigante americana. o governo americano. no mesmo patamar que a empresa valia em 1930. suas ações tiveram uma perda de 80% e seu valor de mercado caiu para cerca de US$ 4. nenhum investidor tem interesse em adquirir tais papéis. Entretanto. por exemplo. Se aquele país diminui seu ritmo de crescimento. mas o fato é que o mundo espera com 113 conjuntura econômica ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . A solução para essa crise indica que a economia de mercado vive um verdadeiro colapso. cuja possibilidade de calote fosse grande. saiba que essas duas empresas valem mais. o governo americano aprovou esse pacote para evitar uma quebradeira ainda maior. Em 2008. Sem tais recursos. Como ninguém no mundo. por sua vez. pouco menos de US$3 bilhões. o que ficou claro para todo o mundo é que uma nova onda de recessão e quebras de empresas. de empresas que se acostumaram a ganhar muito dinheiro com esses papéis. a Ford Company segue os mesmos passos da GM. As exportações brasileiras para os Estados Unidos representam aproximadamente 30% de todo o comércio internacional do Brasil. as vendas ficam estagnadas e o comércio diminui as encomendas da indústria que. que o consumidor americano está sem dinheiro para realizar compras à vista e as instituições financeiras que acumularam perdas estão quase sem recursos para oferecer ao setor produtivo.

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cautela qual a próxima notícia que ainda receberemos quando abrirmos o caderno de economia dos jornais do dia seguinte. Essa foi a tônica do ano 2008.

a conJuntura EconÔmica atuaL Do BrasiL
Se 2008 não tivesse sido o ano da crise financeira internacional e da desaceleração da economia mundial (EUA e Europa), certamente entraria para a história como um dos melhores anos, do ponto de vista econômico, no Brasil dos últimos 50 anos. Todos os fundamentos macroeconômicos foram cumpridos pelo governo brasileiro e a economia, pelo menos até o primeiro semestre do ano, comemorou recordes: na geração de empregos com carteira informal, por tabela na diminuição da informalidade no país, pelas diminuições consecutivas nas taxas de desemprego e pelo crescimento do PIB na ordem de 6%, conforme previsto no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento. Talvez, só para baixar um pouco a bola, estaríamos dizendo que foi um ano difícil no combate à inflação, pelo aumento da demanda mundial, principalmente no segmento de alimentos, o que forçou o Banco Central a aumentar as taxas de juros para evitar a desvalorização do real. Em 2008 também o Brasil comemorou um acontecimento típico das economias de mercado, das quais ele é participante ativo: foi-nos concedido, pelas empresas mundiais que avaliam o risco do investimento em países, o chamado Grau do Investimento. Isso é uma simbologia que serve de referência para investidores de todo o mundo, uma espécie de selo de garantia. Países que têm esse “selo” são considerados as mais seguras praças para o investimento financeiro, o quer dizer que aqueles investidores estrangeiros que para cá direcionassem os seus dólares poderiam dormir tranqüilos, com a certeza de que ganhariam dinheiro sem a preocupação de um calote, por parte do governo ou das empresas brasileiras. Depois de ser reconhecido pelos organismos mundiais como uma economia de confiança, após anos utilizando os fundamentos da macroeconomia liberal, isto é aquela que defende pouca intervenção governamental na economia e deixa o livre mercado, a partir das forças de demanda e oferta, que temos discutido desde as nossas primeiras aulas do curso, o Brasil teve a sua moeda (o real) valorizado tanto em relação ao Euro como o Dólar. Chegou-se a um patamar de US$ 1,00 ser igual a r$ 1,65, isto é, uma grande valorização da moeda, o que permitia aumentar as importações e baratear os preços do mercado interno pelo aumento da concorrência dos produtos importados. o comércio brasileiro seguiu a sua tendência de alta dos últimos anos. Crédito abundante, crescimento do emprego e aumento da massa de salários dos brasileiros garantiram a diminuição nos estoques das empresas e aumento nas encomendas feitas para a indústria, sobretudo, nos ramos de consumo durável e semidurável como os eletrodomésticos e os veículos automotores. Diferentemente do que ocorria no mercado americano, as montadoras com filias no Brasil seguiram boa parte de 2008 com vendas recordes, faturamento alto e investimentos previstos nas linhas de montagem. A Ford paulista, por exemplo, com o desenvolvimento do novo modelo do Ka, conseguiu maior inserção no mercado brasileiro de veículos e garantiu bons resultados para a matriz americana.

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o PIB do Brasil cresceu 5,8% em 2008, em relação a igual período de 2007, segundo as estimativas preliminares do FMI. Entre os setores que contribuíram para esse resultado, destacaram-se a Agropecuária (7,1%), seguida pela Indústria (5,7%) e pelos Serviços (5,5%). Esses percentuais são a prova inequívoca de que, apesar dos efeitos devastadores da crise financeira mundial, até mesmo pela inércia do movimento, os efeitos sobre a economia brasileira só deverão ser observados a partir de 2009. Para que a crise tivesse afetado a economia brasileira ainda em 2008 era preciso que o país já viesse apresentando sinais de esgotamento nos seus investimentos ou ainda ter apresentado anos consecutivos de altos crescimentos na sua economia, de tal sorte que necessitasse de novos investimentos para continuar crescendo. o que pode acontecer é uma desaceleração na intensidade de crescimento no último trimestre do ano, principalmente nos meses de novembro e dezembro. Um bom indicador dessa perspectiva é o fato que está acontecendo em alguns setores da indústria brasileira, principalmente aqueles mais diretamente ligados ao mercado externo. Diversas montadoras (todas praticamente, inclusive as fornecedoras de peças e mesmo a indústria metalúrgica que fabrica o aço que vai na chaparia dos veículos) anunciaram férias coletivas a partir de 1/12/2008. Quem trabalha na iniciativa privada sabe que férias coletivas, em períodos incomuns, significam possibilidade real de corte no número de empregos. Entretanto, esse corte aconteceria em 2009, de sorte que os efeitos da crise financeira mundial seriam mais intensamente sentidos pela economia brasileira somente no desenrolar do ano que vem. Em relação aos possíveis efeitos para 2009, todos os especialistas em análise econômica são unânimes em afirmar que o país deverá enfrentar um desaquecimento na demanda (interna e externa) e, portanto, deverá ter um PIB menor em 2009. Mas ninguém fala abertamente em recessão como a que está acontecendo nos Estados Unidos e Europa em 2008 e que, ao que tudo indica, continuarão com problemas no ano seguinte. o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA, por exemplo, um importante órgão de pesquisa econômica do Brasil, ao lado da FGV, estima que a economia brasileira sairá de um patamar de crescimento próximo de 6% em 2008, para no máximo 3% em 2009. Portanto, não teremos recessão, mas diminuição na intensidade do crescimento. Alguns fatos corroboram essas perspectivas. Um deles é o adiamento de investimentos da Petrobrás em direção de uma nova refinaria em Pernambuco, além dos investimentos programados no parque da indústria petroquímica do rio de Janeiro e do rio Grande do Norte. Com a conjuntura internacional imprevisível e com a diminuição nos preços do barril de petróleo (o que deveria ser uma boa para um consumidor que vive em um país sério), a companhia brasileira diminuiu seus lucros (principalmente com desvalorização de suas ações na bolsa de valores), o que deve dificultar, inclusive novas pesquisas em direção ao pré-sal, pelo menos no curto prazo. Também no campo, as notícias não são nada animadoras para 2009. Com a diminuição nos preços das commodities no mercado internacional, muitos produtores esperam plantar menos, em função da possibilidade de não conseguirem bons negócios no mercado internacional. Esse fato, para alguns produtos como a soja, o café e o algodão pode significar retração na produção de até 10% em 2009.

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Também os setores exportadores não têm muitas razões para comemorar. Apesar da desvalorização do real (que chegou, no final de 2008 a patamares de r$2,40 por dólar, principalmente depois da crise), as exportações do Brasil encolheram muito no final do ano, em função da recessão da economia mundial. o prejuízo só não foi maior, pois muitas encomendas já tinham sido realizadas e normalizadas em contratos de vendas anteriormente à crise, de sorte que não diminuíram de imediato as compras realizadas pelos países do mundo (Japão, Alemanha, Estados Unidos, etc.). Entretanto, com a diminuição do consumo nos principais países da Europa, Ásia e Estados Unidos, os preços dos produtos no mercado internacional também deverão baixar desestimulando as vendas externas. Como afirma o presidente Lula: a economia brasileira em 2009 vai depender, sobretudo, do nível de atividade interna, isto é, vai depender do consumo e investimentos dos brasileiros. Para tanto, é de fundamental importância que a confiança do brasileiro na economia não diminua, assim como do investidor, principalmente no segmento industrial. A idéia do governo é a de que o país pode lucrar com a crise, se os consumidores brasileiros não diminuírem o ímpeto de suas vendas. o consumo interno deve ser o divisor de águas para um maior ou menor crescimento econômico do país em 2009. Se o clima de pânico, que normalmente ocorre nessas situações, for minimizado, podese inclusive esperar que os brasileiros financiem bons negócios internamente. É, por exemplo, o caso do turismo interno, que deve ser favorecido, em função da diminuição de pacotes no exterior.

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Para tanto, o governo brasileiro tem se esforçado em manter a oferta de crédito disponível para o consumo. Nesse sentido, o governo tem procurado rever sua política monetária, dando maior liberdade aos bancos comerciais para que não reduzam o montante de empréstimos ao setor produtivo, principalmente nas áreas de construção civil, mercado imobiliário, comércio e também para a indústria automobilística. Incerteza, variável bastante analisada na esfera da economia, passou a ser o item mais importante para os diagnósticos das “cenas dos próximos capítulos” na economia brasileira no pós-crise.

a conJuntura EconÔmica Da BaHia na atuaLiDaDE
A análise da conjuntura econômica da Bahia em 2008 deve levar em consideração um fator de ordem metodológico, pois, se para o Brasil ainda não existem informações concretas para mensurar os impactos da crise para a economia, que dirá ao descer essa análise ao nível de uma unidade da federação, que não é nem de longe uma dais mais importantes, em termos de indústrias, número de consumidores, disponibilidade financeira, como as economias do Centro Sul do país (São Paulo, rio de Janeiro, Minas Gerais, etc). Assim sendo, vou colocar em análise aquilo de mais atual que existe, em termos de informações regionais, de forma que muitos dados serão de estimativas e projeções. o Produto Interno Bruto do Estado da Bahia em 2008 também apresentou uma taxa expressiva de crescimento, levando-se em consideração que os efeitos da crise financeira mundial começaram a ser percebidos no último trimestre do ano, - princi-

cerca de 4. como grande destaque da economia baiana.0 Fonte: SEI/Coordenação de Contas Regionais reflexo imediato da finalização das obras do metrô de Salvador. devendo encerrar 2008 com uma expansão de aproximadamente 5. os principais destaques ficarão por conta da agropecuária e do segmento industrial.4 milhões de toneladas.6 8. As expectativas para o resultado do ano são de manutenção desse desempenho em 2009. o balanço prévio do desempenho econômico indica que o ritmo de crescimento acompanhou o da economia brasileira situando-se em 2008 em um patamar de 5% no indicador do PIB.que tem expandido a oferta de imóveis em média a 40% ao ano -. implementou r$2 bilhões em novos investimentos ao longo do período 2007-2008 (SICM. o segmento industrial deverá configurar-se. pelos resultados da indústria de transformação e da construção civil . em que pese alguns reflexos da crise financeira mundial começarem a ser sentidos no segmento da construção ainda no fi- ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . outras culturas que apresentaram bons resultados foram o milho. respectivamente.0 5. a despeito do bom desempenho do setor de serviços. por apresentar durante dois anos consecutivos incremento superior a 5% na atividade. de borracha e plástico e de papel e celulose anunciaram férias coletivas para diminuir o volume de estoques. segundo os dados da Secretaria da Indústria.0 5.5 8. mais uma vez. A soja.5 7. o feijão e o café. sobretudo.0 4.7 milhões de toneladas. este último com expansão de 11% na produção baiana. por razões completamente similares. indicam que.5 4.5% e bater o recorde na produção de grãos com aproximadamente 6. Transformação Construção Civil Serviços Comércio PIB % 1ª Estimativa de Crescimento para 2008 5. 2008). a construção civil. quando as indústrias automotivas.Taxa de Crescimento dos Principais Setores do PIB Bahia . bem como do chamado boom imobiliário .5% e 8%. apresentou uma expansão de aproximadamente 20%. com crescimento de 8% em 2008 em relação ao mesmo período de 2007. com uma safra estimada em 2. voltou a apresentar expansão na atividade.palmente em dezembro. Destaca-se que o segmento industrial continua sendo alvo de maciços investimentos pelo governo estadual a partir de sua política induzida de atração de investimentos industriais que. o quadro a seguir mostra o balanço do ano com base nas primeiras estimativas realizadas pela equipe de Contas regionais da SEI. A agropecuária. Comércio e Mineração do Estado. devidamente recuperada das perdas do ano de 2007.2008 Atividades Agropecuária Agricultura Indústria Ind. segmento que absorve uma elevada quantidade de mãode-obra. 117 conjuntura econômica Tabela 2 . As primeiras estimativas para o balanço do ano de 2008.

como reflexo imediato do incremento turístico esperado. as expectativas que os demais serviços venham a apresentar resultados satisfatórios é bastante grande. carros. entre elas os setores ligados ao turismo que deverão se favorecer em decorrência do aumento do dólar.6%. nos últimos meses do ano. que enfraquece as viagens para o exterior. aproximadamente 15 mil empregos com carteira assinada. teve os postos de trabalhos aumentados em 4% na comparação com o ano de 2007. No ano de 2008. conforme mencionado. no período compreendido entre janeiro e dezembro de 2008. A despeito da conjuntura econômica. gerou aproximadamente 18.800 novos postos de trabalho em todo o estado. Mas. segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). principalmente em novembro e dezembro. segundo setor mais importante em geração de empregos (somente atrás do comércio). quando o crescimento da atividade deverá ser mais lento em função da crise financeira mundial. Além disso. em função da diminuição do desemprego na região Metropolitana de Salvador que. devendo encerrar o ano como uma expansão de aproximadamente 4. há de se mencionar o bom desempenho do comércio da Bahia.). resultado que também está atrelado ao bom desempenho econômico dos segmentos industriais que acabam contratando serviços terceirizados para complementar a sua produção. revela a mesma pesquisa que a evolução dos ocupados no setor de serviços atingiu 6. o comércio baiano apresentou uma expansão de 8% de incremento nas vendas e quase 13% no faturamento bruto. as vendas de veículos automotores continuam em alta na economia baiana. aqueles que apresentaram as mais significativas expansões na atividade. No bojo dessa análise merece especial destaque o setor do comércio que. na Bahia. etc.118 conjuntura econômica nal do ano. Por isso. Em 2008. o clima de cautela deve imperar a partir de 2009. o setor de alojamento e alimentação deverá apresentar uma expansão de 5%.2% nos últimos doze meses. Em 2008. que há 60 meses consecutivos apresenta incremento real na atividade. o incremento nas vendas chegou a 15% em comparação ao ano de 2007. o fluxo de passageiros desembarcados na Bahia aumentou cerca de 14%. Segundo os dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (CAGED) a construção civil criou em 2008. Estima-se para 2008 que diversas atividades ligadas ao setor de serviços apresentem expansão no nível da atividade. Esse fato sinaliza que tanto o governo estadual como o federal terão que continuar incentivando a oferta de crédito para não paralisarem as vendas dos chamados bens de consumo durável (eletrodomésticos. o setor de serviços foi o que mais empregos criou no período entre janeiro e dezembro de 2008. foram justamente os setores mais ligados ao crediário. esse breve balanço de conjuntura econômica de 2008. Para finalizar. cumpre evidenciar o desempenho do setor de serviços que também apresentou um bom resultado em suas principais atividades. Diferentemente do que acontece no mercado internacional (principalmente nos EUA). Corroborando esse resultado. houve uma diminuição nas vendas de carros e motos em função das expectativas e do receio dos consumidores baianos com compromissos de longo prazo. Em 2008. A análise do setor de transporte aéreo corrobora com os resultados estimados. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ .

o que ficou evidente é que aquela economia (EUA). antes tida como inabalável. Revista Conjuntura & Planejamento.0% no PIB.Assim. se o governo local souber vender o axé baiano para as outras praças do ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ queStão para reflexão ________________________ ________________________ Se a crise financeira mundial não tivesse acontecido.5% do PIB. Japão e Estados Unidos. um dos líderes dos chamados “emergentes”. É evidente que todos os países do mundo sentiram o abalo em suas economias. a economia baiana logrou mais um ano de bons resultados ________________________ com o PIB se expandindo 5% e o nível de emprego crescendo aproximadamente 6%. Em 2008 a economia brasileira cresceu na casa dos 5% e deverá ter em 2009. o investimento produtivo deu lugar para a especulação no mercado de ações e o resultado foi bastante catastrófico para aqueles que apostaram nessa equação. . quando incentivou o investimento e criou o ambiente macroeconômico favorável à expansão de negócios. a economia baiana novamente apresentou uma taxa de incremento do PIB seguindo a tendência da economia brasileira. Salvador: SEI. mas a crise econômica financeira foi decisiva para entender o desaquecimento da economia dos países mais desenvolvidos. que poderá não ________________________ ser tão ruim. A soma de todas as riquezas produzidas na Bahia certamente será superior aos r$110 bilhões. o patamar estimado para 2008 se configura como o mais alto desde 2004. 119 conjuntura econômica SínteSe A conjuntura econômica mundial foi bastante singular em 2008. tinha feito sua lição de casa nos últimos anos. Gustavo Casseb. Na Bahia. out/dez. mas a bem da verdade é que o Brasil. 2008. Revista Bahia Análise & Dados Retrospectiva 2008 e ________________________ Perspectivas. países que mantêm relações comerciais com a Bahia. ________________________ Em 2009. PESSoTI. viu seus maiores ícones do mercado financeiro e de ramo automobilístico “com o pires na mão” desesperados por um socorro governamental. Salvador: SEI. Crise do mercado imobiliário dos EUA e suas implicações para ________________________ a economia brasileira. na pior das hipóteses um crescimento de 2. Puxado pelos setores ________________________ agropecuário e industrial. o cenário também foi favorável à expansão da economia. poderiam o Brasil e a Bahia ________________________ ter apresentado uma taxa de expansão econômica ainda maior em 2008? ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ leituraS indicadaS ________________________ ________________________ FILGUEIrAS Luiz. nº ________________________ 161. Dezembro de 2008. Denis Veloso. ________________________ SILVA. Economia baiana registra elevado ________________________ crescimento no terceiro trimestre de 2008 e deverá encerrar o ano de 2008 com ________________________ expansão de 5. a despeito da crise econômica financeira internacional e do arrefecimento das principais economias da Europa. ________________________ ________________________ turismo interno. espera-se uma diminuição também no crescimento baiano.

VASCoNCELoS. 102p.br/download/relatorios/conjuntura_economica_ novembro07.ba. Salvador: Superintendência de Desenvolvimento Industrial. Diva Benevides. Saraiva.120 conjuntura econômica SiteS indicadoS http://www.br referênciaS FIEB. SUPErINTENDÊNCIA DE ESTUDoS ECoNÔMICoS E SoCIAIS DA BAHIA.com.fgv. Salvador: SEI.sei.gerafuturo.asp http://www.gov.pdf http://economiabaiana. 2006. Marco Antônio S.net/ http://www. Manual de Economia. ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ ________________________ . PINHo. nº 72.br/documentos/economia http://www. Série de Estudos e Pesquisas. 2003. (org.br/conjuntura_economica/cecon/index.cnservicos. Acompanhamento Conjuntural. ed.zip. 4. O PIB da Bahia: 30 anos em análise. 2008. Equipe de Professores da USP. edição especial.org.).