1.1 O significado da Filosofia do Direito.

A função da filosofia é sistematizar o pensamento, é um enfrentamento do próprio pensamento e do mundo. Assim, filosofia do direito é a filosofia geral com um tema especifico de análise, o direito. Filosofia do direito é o máximo pensamento possível sobre o próprio direito. O problema inicial da filosofia está na especificidade do que se possa considerar por direito, ela deve se socorrer de outros objetos específicos da filosofia para sua compreensão e o mesmo para sua diferenciação. Deve ser especifica em relação ao próprio pensamento jurídico: os argumentos de um juiz ao prolatar a sentença são, comumente, técnicos-normativos e não jusfilósoficos. A disciplina em pauta estuda o porquê das normas e a teoria do direito analisa as normas; a teoria do direito é uma espécie de alto pensamento jurídico, não é uma teoria geral de todo o fenômeno jurídico, mas sim das técnicas jurídicas, estatais, capitalistas consolidadas a partir da modernidade. A filosofia do direito indaga-se sobre o que é uma norma jurídica, sobre a legitimidade do Estado para ditar normas. Pode-se concluir que tal ramo do conhecimento é uma disciplina de filósofo, mas é o jurista filosofo que se ocupa da filosofia do direito. Esta alimenta uma dúplice exigência: o conhecimento profundo do direito e da filosofia. Ela acaba sendo produto do jurista filósofo, pois, tomada no seu sentido conservador, se ocupa da relação do fenômeno jurídico com a totalidade da sociedade e não somente com a totalidade da sociedade e a totalidade interna das técnicas jurídicas. Assim, o filósofo do direito, arrancando o máximo de verdade do direito e da sociedade aponta, com afinco, para a essência da justiça como valor.

1.2 As concepções antiga e moderna de Filosofia e Filosofia do Direito. Sistematização tópica do Desenvolvimento histórico da filosofia do direito Quatro grandes fases ao nível do desenvolvimento histórico da filosofia do direito: 1) Filosofia do Direito na Antiguidade Período Inicial: Período arcaico pré-científico. A questão “o que é o direito” nem sequer se colocava porque o homem detinha uma visão mitológica do mundo, todas as respostas referentes à existência humana encontravam a sua base no mito, dominando este toda a realidade.O homem questionava-se, mas, a resposta ia sempre de encontro ao mito. Época pré-socrática O caminho foi do mito para o logos. . ⇓

Modo de pensar polarizado ⇓ As qualidades que eram apreendidas neste período só faziam sentido em conjugação como seu contrário. Grandes referências: Pitágoras – lança uma ideia de justiça social. Heraclito – vem falar que todo o acontecimento é regido por uma lei d o mundo, a razão humana, o logos Vem estabelecer distinção entre justiça da norma humana e j u s t i ç a natural. (distinção entre direito positivo e direito natural). Anarximano – -vem falar da distinção entre ser e ordem, entre ser e dever ser. É o pai da filosofia existencialista -Está implicado na existência de um direito de existir. -Autodeterminação de cada ser em si mesmo -Direito à diferença. Época sofista Protágoras – -passou a ser uma visão antropocêntrica. -Era o homem que detinha a medida de todas as coisas. -Era o centro do pensamento É o pai do pensamento jurídico subjetivista que está na raiz do positivismo jurídico, porque entendia que só devia vigorar c o m o direito a norma estabelecida. GórgiasTrasimagoCálidesEpicuro-

Filosofia Ática (Filosofia de superação da sofística) Sócrates – -pensamento antropológico voltado para o interior do homem.Tinha uma visão inatista do direito natural.

-A lei natural residia no interior do indivíduo, seria a alma que dava ao homem a respectiva medida moral. -Analisa o relacionamento entre o direito e a moral e o carácter justo da lei. -A lei seria uma forma de justiça. -Para este autor era referente máximo a obediência à lei, ainda que a mesma fosse errada ou criminosa. (Fédon – Platão). Platão – -centra o pensamento nas ideias. As ideias são o ser verdadeiro. -Foi o criador da filosofia objectivo-idealista. -Desconfiava da própria lei apontando mais no direito natural baseado nas ideias. -Falou numa primeira vez em igualdade. Aristóteles – -foi o fundador da doutrina ideal do direito natural -fez uma associação entre a ideia (Platão) e o conceito de natureza. A natureza seria a forma perfeita da realidade. -Era um cético quanto à perfeição das leis. -Reconheceu a existência de leis injustas que deviam s e r corrigidas. -Introduz o conceito de equidade. - R e s o l u ç ã o s e g u n d o u m c r i t é r i o d e j u s t i ç a sem recurso a normas préestabelecidas. -Dá-se uma relativização dos valores do direito. -Valor segurança. -Distinção entre justiça natural e justiça legal. - E s t a b e l e c e u p e l a p r i m e i r a v e z d e f i n i ç õ e s q u e r p a r a o direito natural quer para o direito positivo. Direito Natural seria aquele direito que detinha validade em toda a parte, independentemente de parecer bom aos homens ou não. Direito Positivo seria aquele cujo conteúdo, à partida indiferente, mas uma vez estabelecido por lei, seria definitivo. -Desenvolveu a doutrina da justiça, ainda hoje muito utilizada. Diz Aristóteles acerca da Justiça: O cerne da justiça está na igualdade, numa visão de proporcionalidade encontramos dois tipos de justiça:

onipresente e onipotente.1. No plano da igualdade significa igualdadeabsoluta entre prestações. mas iguais perante a lei. Existe também a lei humana. Cícero – Deve existir uma única e divina lei para todos conforme à natureza de existência estável e duradoura. que não pertence à natureza e só terá validade para um campo de atuação limitado. 2. Deus único e pessoal.Paulo – vem apenas afirmar a existência de uma lei ética natural que atuará no plano da consciência de cada um.LEI ETERNA – topo da hierarquia – correspondia à razão divina ou à vontade (eterna e imutável) de Deus. S. Santo Agostinho (354*430 d.C. onisciente. pois é na vontade humana que radica o mal e é a misericórdia que consegue afastar esse mal. 2) Filosofia do Direito na Idade Média – Escolástica Cristianismo – Salvação da alma. Traduz-se na atribuição de direitos e obrigações de acordo com a dignidade.) – obra: “De Civitas” – A cidade de Deus.Justiça Comutativa – Justiça entre desiguais por natureza. capacidade e necessidade de cada pessoa. Estoicismo Transição do Direito Natural da antiguidade para o Direito Natural Medieval cristão. 2. .Justiça Distributiva – Reporta-se à igualdade proporcional no tratamento de um conjunto de pessoas.LEI NATURAL (LEX NATURALIS) – u m a m a r c a d a l e i e t e r n a n a consciência humana (imagem de um espelho) -Participação do homem na ordem divina do universo -A vontade humana iria dar azo a uma deturpação dessa lei natural . -Percursos da doutrina do Direito Natural cristão -Primeiro filósofo existencialista cristão -Bases do pensamento: -Pensamento platónico -Colocou as ideias no espírito de Deus e e definiu-as como modelos eternos das coisas na mente divina -Estabeleceu uma hierarquia das leis: 1.

perda da integridade da racionalidade. O conteúdo da LEI ETERNA era estabelecido pela Fé Cristã. concebia-a como realidade objetiva e não como uma lei subjetiva da lei. Teoria da Justiça .L E X T E M P O R A L I S – O s e u f undam e nt o -corresponde ao que p e r m i t i d o o u proibido. é necessário criar normas susceptíveis de alteração. S. .-Pessimismo Antropológico -Pecado original – corrupção da natureza humana. Direito Natural abstrato – normas axiomáticas mais genéricas (exemplo: não matar)Direito Natural concreto – porque a natureza humana é mutável. -Defendeu que a lei injusta não é lei -A lei que se desvia da Lei Natural é uma lei corrupta -Definiu a lei humana com certa ordenação da r a z ã o a o b e m c o m u m . promulgada por quem tem a seu cargo o governo da comunidade -Distinguiu a lei abstrata genérica do direito concreto individual no âmbito do Direito Natural. é o a l ei n at ur a l estabelece como legislador -Para Santo Agostinho a LEX NATURALIS e a LEX TEMP ORALIS s ó s e r i a m vinculativos se se apoiassem na LEI ETERNA.C o m p a r t i c i p a ç ã o i n t e l e c t u a l d o h o m e m n a l e i d o mundo fazendo parte da LEI ETERNA e sendo produto do discernimento natural da razão humana. Tomás de Aquino (1225-1274) – Obra: “Summa Theologica” Bases do Pensamento: -Pensamento aristotélico (Cristão aristitélico por excelência) -Intelectualista -Concebe Deus como inteligência e a lei como imperativo da razão divina: -Papel de governar a comunidade do universo -Ideia de lei eterna de Santo Agostinho -Acolhe a hierarquia das leis de Santo Agostinho -Dá um novo conteúdo à LEI NATURAL de Santo Agostinho. 3.

indivíduo – Justiça particular) -Justiça comutativa – quando devido por outro indivíduo -Se for devido pela comunidade – justiça distributiva. Nova concepção do Estado -Defesa da emancipação do Estado face à religião. a vida e as suas exigências e a ideia de Direito Natural baseado no próprio homem ou na natureza humana .-O mal não radica na vontade mas sim no entendimento -A Justiça é dar a cada um o que é seu (da comunidade – Justiça legal ou geral do. -Nova concepção da vida e do mundo -Desenvolvem aspectos da escolástica decadente -Evolução ideológica: Estado prevalece sobre o Direito. Nicolau Maquiavel (1469-1527) -Pensador político -Método: observação histórico-empírica dos fenómenos políticos para os interpretar cientificamente. Aqui.A razão é a base desta ideologia. -Ideia de Contrato Social -A autoridade política resulta de uma convenção inicial pela qual os homens renunciam à totalidade ou a uma parte da sua liberdade em troca de segurança. parte-se da razão humana ⇓ Concebe-se a estrutura do Estado. 3) Filosofia do Direito na Época Moderna -Nova concepção de filosofia e de ciência -Modernidade – Início em meados do século XV fruto de dois movimentos: Humanismo – restauração erudita dos textos e letras da antiguidade clássica Renascimento – restauração geral de todas as formas de arte antiga da Grécia e de Roma. O s E s c o l á s t i c o s partiram da inteligência ou da vontade (Santo Agostinho) p a r a concretizarem a ideia da lei divina. -Seguiu a doutrina do individualismo . Fim da Escolástica – Período de decadência da uniformidade Escolástica decadente ou heterodoxa.

da Ciência e da Filosofia. -Homem superior com virtude (aptidão) -Defende o princípio de que os fins justificam os meios -Não há em Maquiavel qualquer ideia de Direito Natural -Ética da razão do estado com valor superior a todos. pois está adquirindo um grau de flexibilidade cada vez maior. atos não deveriam ter 1. ao tratar das implicações filosóficas da teoria contemporânea do Direito. sempre mostraram. nos últimos vinte e cinco anos. que tem conduzido a teoria do direito a uma relativa autonomia em relação à filosofia jurídica. múltiplas e relevantes conexões Nos últimos tempos tem ocorrido um vasto processo de diferenciação e especialização. Giuseppe Zaccaria. Relação da teoria geral do direito com a filosofia do direito e a dogmática jurídica Sobre a relação Teoria e Filosofia do Direito. a dogmática jurídica vem perdendo espaço como um sistema auto-suficiente. assevera que tais disciplinas. em razão de alguns temas clássicos terem migrado do tronco desta para aquela e porque a própria teoria do direito vem se fracionando em uma vasta série de disciplinas e de teorias parciais e particulares. Giusppe Zaccaria percebe um paradoxo: . e seguem mostrando. produtor de novas regras de direito mediante simples operações do tipológico-dedutivo.Com isso. Por sua parte. -A política deve ser moralmente neutra -Unidade do Estado como valor supremo da política acima dos valores morais do homem -Adota uma visão naturalista da vida -tudo o que existe é produto do acaso e não de qualquer providência divina. se agarrando a parâmetros tipológicos que incluem valores.-A política devia ser laica (puramente profana e humana) -Religião e política deviam afastar-se -Separação entre a ética e a política -Esvazia o estudo de qualquer conteúdo de caráter moral -Este autor não é imoralista absoluto -Os governantes nos seus p r e o c u p a ç õ e s d e caráter moral.os quais permitem uma verificação da legitimidade das soluções delineadas pela práxis e uma confrontação assídua com as transformações e as diferenciações do ambiente social.3 A essência do Direito.

oportuno trazer à baila a concepção de Arthur Kaufmann. Zaccaria segue em sua obra argumentando que esse desenvolvimento dasi mplicações filosóficas da teoria do direito tem apresentado resultados coerentes dentro da própria teoria do direito. Ainda sobre as relações existentes sobre as disciplinas supracitadas. elas procedem fundamentalmente de forma transistemática Consideramos aqui que a teoria geral do direito tem o objetivo de apreender o fenômeno jurídico mediante o estudo de sua razão de ser. É certamente correto dizer cum grano salis que a filosofia do direito está mais direcionada para os conteúdos. 1.4 Filosofia e Linguagem: implicações na interpretação do Direito.É uma construção intelectual metódica e organizada fundamentada na observação e na explicação dos diversos sistemas jurídicos e destinada a definir os grandes eixos da construção e da aplicação do direito. em que o sistema permanece intocado. sua argumentação é sempre infra-sistemática. por sua vez. possibilitando o intérprete fundamentar. de seus instrumentos.[16]Elas se relacionam em razão de ambas não se limitarem ao Direito vigente. tem-se que referidas questões também seguem pertencendo ao vasto âmbito da filosofia do direito. “mas não se pode daí concluir que na filosofia se trata de coisas „mais importantes‟ do que nas ciências dogmáticas especializadas. de seu método etc. O autor conclui que vários temas estão sendo tratados pela teoria do direito. o que justifica afirmar sua relativa autonomia em relação à filosofia.a crescente diferenciação-especialização das disciplinas jurídicas e teorias-jurídicas e as inúmeras tentativas de aprofundar as linhas de demarcação entre as mesmas terminaram involuntariamente por favorecer o redescobrimento de suas conexões e por recriar uma situação propícia ao esforço de construir uma teoria capaz de voltar a integrar a teoria do direito com a filosofia jurídica. tendo um permanente intercâmbio. racionalmente.5 Virada Hermenêutica na Filosofia e suas implicações no Direito. a extensão e o modo de existência do conhecimento jurídico. a teoria analítica do direito e a teoria sistêmico-funcionalista do direito. A segunda. sendo suplantados por novas tendências da teoria contemporânea do direito. porém. pois elas se associam. Seu estudo não poderia deixar de lado aspectos essenciais da metodologia jurídica. as quais são protagonistas do debate mais atualizado sobre o raciocínio jurídico. de sua utilização. de suas finalidades. e a teoria do direito. para as formas. não se pode obter deste modo nenhuma delimitação precisa. uma decisão considerada justa. Isso porque o juspositivismo e o realismo jurídico têm se mostrado uma via morta. Kaufmann entende que a diferenciação é muito imprecisa :A diferença entre a filosofia do direito e a teoria do direito é de resto muito imprecisa. o qual entende que a Dogmática Jurídica e Filosofia do Direito possuem uma relação de alteridade. considerando que as questões teórico-jurídicas possuem um substrato filosófico e não dispõem de um critério unívoco e satisfatório que possibilite delimitar de forma rigorosa em qual das disciplinas elas se incluem. A primeira não se preocupa com o que é Direito e tampouco com as circunstâncias. se ocupa dos problemas fundamentais. o que justifica a afirmação de que possuem uma relação de alteridade . Outros pontos importantes destacados no enfoque hermenêutico são as capacidades de iluminar a complexidade fenomenológica e conceitual do direito e de criticar a visão dogmática. 1. uma vez que reconhecem e incluem como fator constitutivo de seu discurso a influência dos elementos valorativos no procedimento de individualização do direito. Em suma. através de seu “por quê” e de seu “como?” . . estuda a ordem jurídica em sua globalidade. mas visto que não existe matéria sem forma nem forma sem matéria. de seus conceitos fundamentais. Quanto à relação entre Filosofia do Direito e Teoria do Direito. Não obstante. ou seja. mais eficazes e persuasivas tem se mostrado as teorias hermenêuticas do direito.

voltada para o estudo da filosofia da linguagem. quando passou a ser vista como condição de acesso ao mundo. A partir de Heidegger houve uma reviravolta no seu uso. agora da linguagem. após comparação entre os tópicos 1. aplicar. como a linguagem do silêncio. e ainda é. no mesmo tempo. a linguagem da legalidade. sendo. dos paradigmas e das teorias da consciência. Tal guinada lingüística libertou o conhecimento da pré-compreensão. tendo em vista que o mundo. que tinha como escopo à construção de uma linguagem ideal. tudo isso é abrangido/englobado pelo horizonte lingüístico. Gadamer chega a afirmar que: "Todo compreender é interpretar. que as leis são signos latentes que terão. da nossa Constituição Federal. a própria linguagem do intérprete". do artigo 5° [26]. interpretação e.Obs:Verifiquei. principalmente.5. seus significados desvendados. em três fases: a) a primeira fase é fruto do neopositivismo lógico. compreensão. A linguagem no Direito é encontrada facilmente em postulados jurídicos. quando deixou de ser considerada como meio entre sujeito e objeto. interpretar para. passou-se a entender a linguagem como um meio universal para compreender. que implica liberdade. no inciso III. encontrada. Tais mensagens constituem-se em signos que possuem seus respectivos significados na medida e ocasião em que são usados. através da linguagem. sem existir a mínima possibilidade de repetições. fundamentalmente. a vida jurídica não existiriam. considera-los abrangidos pelos seguintes parágrafos Comunicação é interação. pelo contrário. A viragem lingüística se desenvolveu. pois agora não existe mais paradigmas. c) a terceira etapa foi. dessa forma. portanto. ela passou a se ocupar em compreender. passando a assumir a condição de existência do intérprete. feito pela linguagem acontece a cada dia. A questão lingüística ganhou maior importância a partir do século XX. teve um salto na sua importância e no seu significado. Antes vista como meio para entender poemas gregos. o conhecimento e os objetos não podem ser objetos da linguagem. os signos são produzidos em forma de leis e seus significados são desvelados na medida em que a lei é aplicada. para interpretar textos sagrados e para desvendar o sentido dos textos jurídicos. ao mesmo tempo. Nesse ponto encontra-se o grande diferencial hermenêutico depois que ocorreu a viragem lingüística. pré-juízos imutáveis. Nessa senda. Sem linguagem a vida social e. O mundo. Após a viragem. pois pela linguagem há comunicação. e todo interpretar se desenvolve no meio uma linguagem que pretende deixar falar o objeto.4 e 1. o intérprete é alguém inserido na linguagem. . No Direito. conseqüentemente. quer dizer. mormente no universo jurídico. a hermenêutica. Pode-se dizer. entre outros inúmeros exemplos. é produzir mensagens da melhor forma possível para ser entendido. b) a segunda etapa foi caracterizada pelo abandono do ideal de exatidão da linguagem. pelo mundo da linguagem. conseqüentemente. oriundo do Círculo de Viena. que os mesmos podem ser sintetizados de uma mesma feita.

também a subjetividade humana possui validez ontológica. Em suma. para nossa compreensão de nós mesmos. Não existe um mundo do Direito que possa ser préconstituído e imutável. e Bleicher cita três caminhos que se consagraram: a teoria hermenêutica. Com o intuito de romper a carapaça ideológica até então vigente. transformando-a num programa universal de trabalho que deveria permitir a compreensão de toda objetividade. deve ser examinada em toda a variedade de seus modos de doação.Assim. a hermenêutica de Heidegger pode ser caracterizada por perspectivas conflitantes. chama a atenção de que: “Com isso conquista-se a idéia da "fenomenologia". deixando a metafísica de lado e passando a compreender as coisas enquanto elas mesmas. em geral. filósofo alemão. da interpretação clássica reprodutiva. Hans-Georg Gadamer. . Orienta seus estudos a partir da ontologia e não mais pela epistemologia. inaugurando uma nova forma de ver a hermenêutica. o que prejudicaria de forma absoluta a capacidade de compreensão deste. ou seja. Agora. é o que discorre cada caminho hermenêutico em sua especificidade. assim como não existe um mundo inalterável. A teoria hermenêutica focaliza a problemática de uma teoria geral da interpretação como uma possível metodologia para as ciências humanas. 1. é comunicação social que acontece a cada dia. sob qualquer modalidade discursiva espera-se ganhar um entendimento do processo de compreensão. edita sua obra Ser e Tempo (1927). Heidegger passa a enfocar o ser enquanto ser e não mais os fundamentos epistemológicos das ciências humanas até então tratados. de nosso mundo e do texto ou fato “lido”. a própria condição de ser-no-mundo. o Direito é. Segundo Josef Bleicher (1980). ou seja. antes de interpretar. também. Martin Heidegger. inserindo filosofia na questão hermenêutica.” Essa base ontológica ressuscita o tema do ser. a filosofia hermenêutica e a hermenêutica crítica. a partir da faticidade. permitindo assim transpor a complexidade de sentidos de um discurso expresso por um autor. tudo pode ser revisto e compreendido pela linguagem. linguagem. O ilustre filósofo alemão propôs uma verdadeira superação da cultura/visão objetivista que predominava até meados do século passado. ou seja. no tocante ao fato de que as expressões humanas de qualquer gênero podem ser reconhecidas como tal por qualquer ser humano e transpostas para seu próprio sistema de valores e significados. é preciso verificar. a desvinculação de toda posição do ser e a investigação dos modos subjetivos de as coisas se darem. de todo sentido do ser.6 Hermenêutica Filosófica e Filosofia Hermenêutica. discípulo mais ferrenho de Heidegger. Pela análise da “compreensão” como método apropriado de re-experimentar ou re-pensar o que um autor originalmente viveu ao se expressar. Como este processo se dá e como é possível “se dar conta” de sentidos subjetivos aplicados ao reconhecimento de um ato ou fato. Também ela deve ser vista como "fenômeno". conforme visto anteriormente.

ou seja. revelando que pela compreensão. mas. mas como modo de ser. Percebe-se que o método proposto por Heidegger não se trata de um método como procedimento formalista. mas sim direcioná-la segundo princípios que admitam a condição de “ser-no-mundo” do intérprete em seu ocupar-se hermenêutico.defendida pelos clássicos -. parece se impor diante das frustrações de uma teoria hermenêutica que pretende suprimir o caráter subjetivo das interpretações. em Heidegger. parte do reconhecimento do hermeneuta como ocupado na interpretação de um ato ou fato humano.7 As dificuldades de conceituação do Direito. não se pretende substituir a teoria hermenêutica. Quando um termo expressa unicamente uma realidade. uma compreensão ligada às condições e ao modo de ser-no-mundo. A razão maior da aplicação da teoria hermenêutica se caracteriza como um esforço por “evitar os mal-entendidos”. recebe este a nomenclatura de unívoco. denomina-se multívoco o termo em questão. da faticidade. visto que dada a significância do texto (o que significa para um intérprete) e dado o significado original do texto (seu sentido próprio). e sustentada por Gadamer. uma nova forma de compreender. . sim. que não há mais aquela compreensão pura . pela historicidade e pela linguagem se consegue quebrar os paradigmas das condições prévias nas interpretações de textos. não mais como modo de conhecer. A filosofia hermenêutica. da busca do espírito do texto ou das intenções de quem fez o texto. nas mais diversas formas de linguagens e nas mais diversas línguas. expressam duas ou mais idéias. sim. em sua situação temporal e histórica.Nesta última já se delineava um reconhecimento da linguagem como meio universal da humanidade presente na primeira versão do círculo hermenêutico como todo em relação ao qual. Conceito é uma idéia mentalmente construída sobre um determinado objeto. O Problema do Direito como linguagem É empiricamente comprovada na realidade comunicativa a existência de termos. onde se faz um processo de abstração purificante que abarcará toda a sua essência. por sua vez. que. Nesse contexto que Heidegger propõe/provoca um deslocamento da hermenêutica. que é deste modo inalcançável. Se houver relações lógicas entre as idéias. A hermenêutica filosófica traz. o primeiro condiciona sempre o segundo. algo que está sob constante revisão/evolução. 1. Quando as idéias designadas pela palavra forem opostas. mas. definem conceitos. portanto. Observa-se. diz-se que se trata de um termo equívoco. Neste sentido a filosofia hermenêutica iniciada por Heidegger. Esses termos definem idéias. inserindo pensamento e atividade humana no processo interpretativo. sem variações sequer de ordem ortográfica ou fonética. partes individuais ganham seu sentido. Faz-se mister aqui uma diferenciação entre definição e conceito.

que para se chegar a um conceito único de direito deve-se espelhar seu conteúdo em uma definição a ele condizente. sendo enunciados descritivos. no entanto. uma atuação controlada de acordo com valores e princípios específicos. é a exteriorização. Seria portanto. para assim ser considerada. e que para a ele ser fiel deve conter todo o objeto definido e apenas ele(10). pois ciência. Além do que. ou seja. enunciados do "ser". essa definição real-essencial. sem a ela ser fiel ou completamente representativa. outras ciências também dele se utilizam em suas especulações. Quando se reproduz simbolicamente em termos um determinado objeto resguardandose toda a sua essência. e que se distinguiria por seu método e por seu objeto. seja ele normas ou condutas. afirma-o como ciência. não há porque se excluir o direito de seu âmbito de abrangência. O problema da cientificidade do Direito Em geral entende-se por ciência do direito "um sistema de conhecimentos sobre a realidade jurídica". Isso porque o termo direito é multívoco. tanto as normas quanto a conduta humana são dinâmicas. já que mesmo expressando realidades logicamente interligadas são distintas entre si. resguardando toda semelhança de seu objeto com o gênero próximo e o individualizando dentro de tal gênero com uma diferença específica. fala-se de uma definição nominal. e sim á explicação Considerando-se também o caráter multívoco do termo ciência. pois seu objeto. então. Acepções do Direito como "Ciência Normativa" . é a representação esteriotipada de um conceito. tão importante para uma conceituação. a ciência do direito. a explicitação da idéia anteriormente formada intelectivamente. quando se fala em ciência normativa não se quer contrapor a normatividade á descrição. Kelsen. pois. entretanto. não é apenas por ele estudado. e que não podem ser excluídas sob pena de se ferir sua integridade material. se considerarmos a necessidade de um objeto próprio e imutável para que se configure uma "ciência". visando uma aplicação direta a um caso concreto. Observa-se. para o Direito. uma ciência imperativonormativa Surge então uma questão a saber: pode uma ciência ser normativa? Grande parte dos teóricos rejeita tal possibilidade. ou seja. variam no tempo de acordo com as circunstâncias. diz ele. Por outro lado.Definição. Quando uma definição apenas representa graficamente uma realidade. Entendendo "ciência" como obtenção de conhecimento através das realidades existentes. uma definição essencial. mesmo defendendo o caráter do "dever-ser" do direito. mas que. por sua vez. aí já se revelaria um problema ao Direito. Busca-se. trata sempre de enunciados que constatam e informam uma realidade. portanto. Ao se fazer uma definição nominal perde-se o caráter de fidelidade material que garantiria um caráter de universalidade a ela. diz-se que há. não é fácil de se alcançar. vista como uma atividade sistemática de interpretação normativa. passa-se a se complicar a determinação da cientificidade ou não do Direito.

uma ciência valorativa(19). que é seu real objeto. percebemos que o direito pode se apresentar. que uma ciência para assim ser considerada não pode prescrever. adquirindo caráter de ciência não pelo seu objeto. Para tanto devemos transpor a barreira do estudo do vocábulo e chegar até o relacionamento do direito com a realidade que o envolve. A ciência jurídica descreve normas. as quais prescrevem condutas. A norma para Cossio. Para Kelsen o direito afirma-se como ciência normativa na medida que estuda e descreve normas. Tendo em vista tal observação fica fácil de se entender a afirmação kelseniana de que o direito é uma ciência normativo-descritiva. b)Ciência que instrumentaliza a norma Cossio afirma que a ciência do direito é normativa. como: . Deve-se aqui fazer uma ressalva: nessa concepção kelseniana. O problema surge durante a explicação dos porquês da normatividade da ciência jurídica. surge uma divergência ideológica quanto a acepção da ciência jurídica como "ciência normativa". uma vez que a prescrição pressupõe algo e ciência não pressupõe. mas sim por sua função. é apenas um meio pelo qual se conhecem as condutas humanas. sem as quais o conhecimento jurídico-científico não se concretizaria(22). que o Direito é uma ciência normativa por conhecer e estudar normas. o direito. e sim a "prescritivo"(21). e sim de que o direito utiliza-se das normas para o estudo da conduta. está presente nas duas outras teses. Apresentam-se três versões para a expressão "ciência normativa": a)Ciência que estabelece normas Aqui se trata o direito como ciência que apenas determina normas para guiar o comportamento humano no seio social. já que se pressupõe á norma a existência de um valor tutelado. O caráter de cientificidade. ao afirmar que o objeto do direito é a norma jurídica. assim como "descritivo" não se contrapõe a "normativo". dentre tantas formas possíveis. e não apenas por determiná-las. estabelece. Tanto Kelsen quanto Cossio não desviam do ideal de ciência almejado pela expressão "ciência normativa". tacitamente. mas diz que essa normatividade não deriva de ser seu objeto a norma. O direito.Decorrente da problemática do objeto do direito. todavia. pois suas especulações entram em conflito já com a idéia de ciência. Desta acepção verifica-se o caráter valorativo do direito. sendo então. seria uma ciência do "dever-ser" descrito em normas e que as estuda. b)Ciência do estudo das normas Kelsen. sem a elas ligar valores. pois. descritivamente "dever-ser". sendo. Acepções dadas ao termo Direito Como em outrora já fora dito. A divergência surge em relação á posição do foco na normatividade: se na norma ou na conduta. descreve(20). portanto. podemos concluir que apenas a primeira tese da normatividade científica do direito não procede. deve-se buscar para o direito uma definição realessencial. é normativa na medida em que estuda normas. afirmava o referido autor. por fim. "normativo" se contrapõe á "explicativo" e não á "descritivo". Do exposto. sendo descritiva de normas. constata. Analisando o fenômeno jurídico.

como já foi analisado. É o "facultas agendi". Moral e Religião. o poeta Dante Alighiere formula a definição: "Direito é a proporção real e pessoal de homem para homem que. segundo uma integração normativa de fatos segundo valores"(28). d)Direito-fato social. dizendo-o "a ordenação heterônoma. não lesar. Nessa definição de cunho liberal.a)Direito-norma. fazendo valer o ideal de direito objetivo. Considera o Direito como uma parte da vida em sociedade. pois sempre faria prevalecer o Direito subjetivo em conformidade com as idéias sociais daquilo que seria justo. não se complementam sem se auto-excluir. Deve-se observar neta definição. que é mais utilizado pelos sociólogos. a destrói". na antigüidade romana. como a Igreja. podemos citar a definição que Miguel Reale dá ao Direito em suas Lições Preliminares. bilateralidade atributiva e . Na Idade Média. abrangendo realidades variadas. coercível e bileteral atributiva das relações de convivência. o entendimento do fenômeno jurídico como um sistema de conhecimentos da realidade jurídica(26). acabando por confundir o Direito com a Moral. que é aquele direito subjetivo de poder atuar conforme vontade própria de forma garantida por lei. conservada conserva a sociedade e que. define-o afirmando: "os preceitos do Direito são: viver honestamente. c)Direito-justo. Tal definição destaca o caráter de alteridade do Direito. Definições históricas dadas ao Direito A problemática definitória do Direito não é recente. Kant define assim o Direito: "Direito é o complexo de condições onde o arbítrio de cada um pode conviver com o arbítrio dos outros. cabe a distinção entre direito estatal e não-estatal. No século XVIII. mais legítima do fenômeno jurídico. na maioria dos casos. destruída. Celso. que. definiu o Direito como "a arte do bom e do eqüitativo". b)Direito-faculdade. já que todos estes se propõem aos objetivos por ele discriminados. Essa diversidade perceptiva que se observa em relação ao Direito. atribuir a cada um o que é seu". uma vez que ele é interpretado das mais diversas maneiras. independente de suas demais manifestações. que é. quando é estritamente entendido como lei ou norma. determinou suas metas. que seria a manifestação. Ulpiano não deixa claro em sua exposição os limites diferenciadores entre Direito. e perdurou durante toda a Idade Medieval. em termos sociais. segundo a Lei Universal de Liberdade". Kant faz prevalecer a vontade individual até o limite determinado pela lei citada. Posteriormente. que é o Direito criado por outros órgãos que não o Estado. Ulpiano. que Reale faz uma equiparação entre norma e conduta como objetos do Direito ao afirmá-lo uma ordenação de conduta determinada pelos caracteres normativos jurídicos da heteronomia. Contemporaneamente. torna extremamente dificultosa sua conceituação universal. e)Direito-ciência. partindo daquilo que acreditava ser os objetos do Direito. Dentro desta análise. fazendo prevalência á qualidade artística do Direito em detrimento das demais. Retomando séculos passados identificamos muitos pensadores que dessa questão tomaram parte e se propuseram a determinar uma definição universalmente aceita para o termo. Na realidade o referido autor não definiu o Direito.

mas que nem assim consegue se tornar legitimamente válida em caráter de universalidade e unanimidade. alcançar a substância do Direito tão esperada pela ontologia jurídica. O jusnaturalismo moderno. A JURISPRUDÊNCIA ROMANA Assim como as demais sociedades pré-modernas (Índia. Teoria Egológica do Direito. China. utilizando-se dos meios adequados para alcançá-lo. valor e norma. espaços e culturas.8 Perspectiva histórica do Direito. 1. E é inviolável porque mesmo quando agredido não muda sua natureza vinculante e heterônoma. O homem. como sendo uma relação entre fato. Grécia. e não a de Reale.1 A jurisprudência romana. que está presente onde quer que haja vida humana em sociedade". Roma evoluiu das primitivas comunidades aproximadas pelo critério do parentesco. Define o Direito desta forma: "Direito é um querer vinculatório. passando pela sociedade medieval. Personalismo Jurídico. havendo avanços e recuos nos diferentes tempos. e que lhe propiciaria o embasamento para um conceito próprio e universal. Neokantiano apriorístico. além de ser volitivo no exercício de sua liberdade. INTRODUÇÃO O presente trabalho busca conhecer e identificar as variadas percepções que as sociedades possuíram do conhecimento do Direito ao longo do tempo e das Histórias destas muitas sociedades. no qual o pátrio-poder era o elemento característico do que se entendia . já que o Direito impõe aos homens.8. é autárquico. porém. pois apenas ele percebe e explica a realidade. assim como os demais autores. o fenômeno jurídico é expressão do homem. autárquico e inviolável". a definição dada ao Direito mais aceita é a de Stammler. Argumentação e Tópica. Não consegue Stammler. Tridimensionalismo Jurídico. seus destinatários. Tércio Sampaio Feraz Júnior observou o desenvolvimento do saber jurídico preocupado em visualizar as várias roupagens que o pensamento do Direito (ou teorização jurídica) utilizou enquanto Ciência e/ou saber. Positivismo jurídico. Os glosadores. o referido desenvolvimento não foi linear. Stammler consegue formular a definição de direito mais aceita atualmente entre os juristas. Coativismo Dogmático. avançando pela modernidade e atingindo a contemporaneidade. é vinculatório porque a vontade (querer) de um implica limitação da vontade de outrem. compreende Tércio que. Normativismo. utilizando-se da lógica dos fatos jurídicos e da idéia de "se o Direito é um fenômeno universal."coercibilidade". Hodiernamente. Segundo o referido autor. diz ele. quer visando a um fim. 1. Começando pela sociedade romana antiga. A Escola histórica do Direito. Percebe-se também a estrutura tridimensional dada ao Direito. a obrigação de cumprimento de suas normas. entre outras).

163). e. antes. “De modo geral. ainda. motivaram reformas que tentaram dar-lhe um caráter de “ciência” de acordo com um modelo racional matemático teve a participação da autoridade como elemento mediador. a jurisprudência deu ao Direito uma generalização que a filosofia prática dos gregos não conseguira” (FERRAZ JÚNIOR. 2003. Esse Direito era uma atividade ética. “De certo modo. 60). 1980). Inicialmente o Direito (jus) era um fenômeno de ordem sagrada. Assim. 1980. mas ampliadora da Fundação da urbs. O que delineou o desenvolvimento e a expansão da urbs. todos concordam que um dos mais importantes legados deixados pelos romanos às culturas que os sucederam foi seu sistema de direito” (BURNS. Entendendo-se por isso a Prudência (virtude moral de equilíbrio. p. Neste caso. O aparecimento da Urbs e da Civitas levou os romanos a pensarem o exercício do Direito sob a perspectiva do ponto de vista do Centro Político (FERRAZ JÚNIOR. O silogismo (3 proposições) e a prudência (justeza construída pela dialética) são instrumentos deste conhecimento. preocuparam-se com a práxis jurídica. 1998. p. cuja racionalidade dialética a torna tipicamente um saber prudencial” (FERRAZ JÚNIOR. Apesar dessa forma de aplicação do Direito podemos pensar em Ciência no sentido de saber prático (FERRAZ JÚNIOR. base da cultura e da tradição (FERRAZ JÚNIOR. Entendendo esta autoridade como a mantenedora da cultura (religião – rligares). assim sendo. portanto. não mais pelo fato em si. sendo esta manutenção não no sentido estático. 2003). mas na busca de argumentos de outros casos com nexos entre si. sendo este conhecimento um saber universal da essência (FERRAZ JÚNIOR. p. julgamento ponderado). o Problema é visto. 1980). OS GLOSADORES Para entendermos melhor este momento do pensamento jurídico europeu e necessário contextualizá-lo historicamente. Esse entendimento e atitude do Direito pelos romanos que. As relações privadas foram determinadas por esse entendimento até que as transformações materiais e de mentalidade ocorridas na sociedade promovessem uma reestruturação do entendimento de Direito. que busca compreender a coisa como ela é em sua causa. Devendo ser necessário distinguir cristianismo enquanto religião (relação pessoal do homem com Deus) e . criando uma regra geral que se aplique àquele problema inicial e a todos os demais casos futuros. graças à tríade religião/autoridade/tradição. apenas um quadro regulativo geral. sendo que a Jurisprudentia era. Assim. buscava o Direito ser um elemento de equilíbrio no convívio dos sujeitos que passavam a ser cidadãos. é possível querer classificar o pensamento jurídico romano nos moldes de uma teoria da ciência. ligado a sua fundação. “Aqui se enquadra a jurisprudência romana. Na transição da cultura romana para a cultura medieval há um importante elemento a ser assinalado: o advento do Cristianismo. 1980. Efetivamente os romanos não se dedicaram a responder esta pergunta. 1980). relação e necessidade. 18). Mas “por que jurisprudência e não júris scientia?” (FERRAZ JÚNIOR. Os fatos passam a ser interesse jurídico e assim ocorre a aplicação do Direito.por Direito. p. 20). nos séculos seguintes. é melhor enquadrá-lo na tradição aristotélica.

A vitória dos Lombardos e Toscanos não se resumiu ao campo militar. de todas as partes. surgindo as (contrarietates). mas teve seu caráter mudado de casos problemáticos para casos paradigmáticos. mais além. logo tratou de formalizar os ordenamentos religiosos privados como ordenamentos públicos de caráter político e de aplicação jurídica. Havia. os Digestos Justinianeus. OS JUSNATURALISTAS DA ERA MODERNA . 30). uma hierarquia entre os textos de acordo com a dignidade de sua autoridade e a distinção entre eles. Entretanto. caracterizando-se pela glosa [7] gramatical e filológica. O problema maior estava na legalização desta liberdade. quer seja a libertas (soberania). Enquanto isso. que deveriam traduzir uma harmonia. Enquanto os glosadores diziam que. produziram armas ideológicas de legitimação de sua liberdade. A grande figura nessa reorientação. 1996). as quais levantavam (dubitates) conduzindo o jurista a uma (controversia. o norte da Itália seguia uma ordem de organização social e política diferente daquela comum ao restante da Europa.cristianismo enquanto instituição (relação denominacional fundada da articulação do Bispo de Roma e da autoridade política imperial decadente). sobre todos os seus súditos. 1996). quando a lei se mostra descompassada com os fatos legais. Os livros com autoridade eram o Corpus Juris Civilis de Justiniano. Nesse sentido a prudência se fez dogmática. Bolonha foi um dos principais centros deste fenômeno. A autoridade denominacional corrompida que surgiu. No século XIV. as fontes eclesiásticas canônicas e a coleção de decretos papais. daí a expressão “glosadores” atribuída aos juristas de então. finalmente se produziu a alteração da perspectiva que se fazia necessária. Com a criação das Universidades Medievais foi possível a um conjunto de pensadores resenhar. porém. o fundador da Escola que se chamaria de Pós-glosadores foi Bartolo de Saxoferrato [8]. pois. até então. é a lei que deve se conformar aos fatos (SKINNER. Por volta do século X foram retomadas as tentativas do Sacro Império Romano Germânico de concluir sua ampliação dobre o Regnum Italicum. Considerados indiscutíveis. O trabalho do glosador era exegético. Bartolo adota como preceito único que. o Decretam de Graciano. pois os textos nem sempre concordavam entre si. os quais foram transformados em textos escolares de ensino das universidades. p. quando a lei e os fatos colidem. era impossível não ver no Imperador do Sacro Império o Princips do Código de Justiniano. são estes que devem se acomodar àquela para se conseguir uma interpretação literal da mesma. Para os glosadores. dissentio) ao cabo da qual se chega a uma (solutio). A proposta de Bartolo foi tão revolucionária quanto simples. pois todos os decretos e leis apontavam para o Imperador do Sacro Império o título de Dominus Mundi. quer seja a liberta (autogoverno) que resulta da primeira (SKINNER. 1996. em todos os tempos. ante ameaças que se renovavam por parte dos imperiais. criticamente. a qual era obtida quando se chegava a uma concordância. portanto era o governante supremo. O pensamento prudencial romano não desapareceu. ainda. esses textos antigos foram submetidos a uma técnica de análise explicativa baseada no Trivium [6]. talvez o mais original dos juristas da Idade Média (SKINNER. A ampliação do poder do Bispo de Roma para o caráter de autoridade política foi definidor de uma nova relação de Direito que perpassava por uma dogmatização de preceitos religiosos tornando-os universais e com validade e aplicação em todo o Império Romano.

quanto aquelas doutrinas que se ligam a esta. Ou seja. filosofia do direito (é racional que esta legalidade seja efetivamente legal?) e história do direito (como esta legalidade se tornou legal?). Ferraz Júnior (1980) reconhece em Pufendorf o típico exemplo da sistemática jurídica moderna jusnaturalista que sintetizou o conhecimento jurídico de sua época. o estudo ciêntifico (histórico) do Direito Romano visava o estabelecimento daquilo que ainda era utilizável no presente. e forjava a dogmática jurídica. O grande mérito da Escola Histórica foi haver assumido o caráter científico da Ciência do Direito (Jus Scientia). da limitação da ação humana nos fenômenos. assim. Ainda. perceber direito positivo como fenômeno histórico. A sistematização do Direito era verificada na historicidade do próprio Direito. O POSITIVISMO Por positivismo entenda-se tanto a doutrina de Augusto Comte. Parte da ideia de que o Direito Natural possui um princípio que se identifica imperativo na qual a Norma obriga ou proibi o indivíduo a uma determinada ação e outro princípio indicativo. mas jamais na sua natureza. Ele trata. A ruptura da Era Moderna em relação à Era Medieval se dá no campo do método. enquanto que aquela indagava sobre as condições efetivas e racionais de sobrevivência. 65). organismo e ordenação) foi a maior contribuição do Jusnaturalismo. Abrindo assim as alas para uma concepção mais positiva do direito. A crítica dos modernos jusnaturalistas aos glosadores era de que estes não possuíam uma sistematicidade na formulação de suas teorias. que passa a ver o homem como um elemento de um mundo concebido segundo leis naturais. que a Era Medieval cultuara e conservara” (FERRAZ JÚNIOR. no qual esta indagava sobre as morais do bem na vida. Tentando. A ESCOLA HISTÓRICA Na transição do século XVIII para o século XIX. divide as normas do direito natural em Absolutas e Hipotéticas.“A partir do Renascimento. compreende uma divisão em três partes do conhecimento científico do Direito: dogmática jurídica (o significado de legalidade). com isso. A sistemática desenvolvida na base destes princípios se caracteriza pela associação da dedução racional com a observação empírica e. A teoria jurídica passa a ser um produto da razão e instrumento de crítica da realidade. entendida como teoria do direito vigente. Partindo do pensamento . basicamente. Podendo aquela apenas interferir na intensidade deste. o Direito irá perder progressivamente seu caráter sagrado. Negando também a metafísica. destacou-se Gustav Hugo (1764-1844) que desenvolveu uma nova sistemática para a Ciência do Direito. acentuando a relação do Direito e sua dimensão histórica. 2003. foi também uma busca pela segurança da sociedade burguesa. dava-se preferência às ciências experimentais e a confiança exclusiva no conhecimento dos fatos. p. E a dessacralização do Direito significará a correspondente tecnicização do saber jurídico e a equivalente perda de seu caráter ético. até o século XIX. A corrente positivista jurídica foi muito mais do que uma tendência científica. mormente na Alemanha. Conceituar “sistema” (mecanismo.

distribuídas em um sistema piramidal. reduz o âmbito de proteção conferido aos direitos da personalidade. busca isolar as normas jurídicas dentro de um sistema onde uma ganha validade na relação que estabelece com as demais normas do sistema.dos Iluministas e passando pela Escola Exegética. O COATIVISMO DOGMÁTICO Rudolf Von Jhering. Toda norma deve obediência à Constituição Federal – norma maior dentro do sistema positivo de determinado Estado – e. cuja concepção dominante é a de que o Estado detém o absoluto monopólio da coerção e da única fonte do Direito. por sua vez. Além desta característica. Ainda. Tal teórico concebe o Direito como o conjunto de normas em virtude das quais se exerce a coerção num Estado. por conseguinte. . propõe o seu Coativismo Dogmático. depreendem-se as normas infraconstitucionais. Ele apresenta como característica a percepção de um sistema jurídico perfeito. a fim de conferir cientificidade ao ramo do direito. na busca de determinar logicamente um começo e um fim”. trata-se de uma ficção do pensamento. Todo esse sistema funda-se na existência de um norma hipotética fundamental. como forma de estancar o regresso ad infinitum do movimento cadenciado de busca do principium de validade de toda a estrutura piramidal do ordenamento jurídica. metafísica ou política. Assim. tornando-se assim vigente e eficaz. precisão e força cogente quando se apóiam no Direito Positivo. NORMATIVISMO JURÍDICO A Teoria Pura do Direito. conforme explica Orlando Gomes [11]. afasta do direito qualquer compreensão sociológica. acabado e fechado. ou Normativismo Jurídico. de acordo com critério de hierarquia e subordinação. desenvolvido por Hans Kelsen. abstraindo de tais elementos e torna sua teoria pura porque concentrada na fonte primordial por meio da qual o sistema se formaliza: a norma jurídica. assim definida por Bittar e Almeida: “Assim. as lacunas são apenas aparências e a generalização da norma posta é suficiente para atender a todas as demandas. a partir dela. é de fácil percepção que tais direitos apenas adquirem certeza. podemos notar que o positivismo continuou com a tradição jusnaturalista de método sistemático da Ciência Jurídica. Entretanto. essa norma possui natureza puramente pensada. PERSONALISMO JURÍDICO Jose Lamartine Corrêa e Francisco José Pereira Muniz[10] afirmam que a visão positivista da ordem jurídica restringe a própria noção de pessoa. Kelsen desenvolve um sistema escalonado de normas (pirâmide) em que a noção de validade concebe-se na correta inserção da norma no ordenamento jurídico. Conforme anotado linhas acima. pela abstração e generalização e pela regressão de proposições hipotéticas muitos elevaram a Ciência Jurídica à condição de Ciência da Natureza. Esse sistema se confirmou de tal modo àquela época que se entendia que não havia direito que não o Direito Positivo.

entre outros. nas diferentes situações jurídicas. a quem o direito serve. ora finalmente a perspectiva da justiça. mesmo a não-prestação de uma norma depende do sujeito a quem a sanção se destina: a sociedade. o que constitui a grande novidade da teoria realeana diante dos trialismos estanques que ocorriam entre alemães e argentinos. deontológica (ou do "dever ser") ou seja. com vistas a apresentar uma perspectiva coerente dos três paradigmas básicos que têm comumente preocupado o saber jurídico. a personalidade é "noção insusceptível de gradação e mensuração". Pois. desde o primeiro quartel do século. conforme defendem os professores paranaenses. deve ser sanção pelo funcionário obrigado face à comunidade pretensora. o que significa justamente a tríplice referência ligada ao fenômeno jurídico. TEORIA EGOLÓGICA DO DIREITO Para Kelsen. dada a não-prestação. construindo em seu interior uma noção de personalidade que se baseie em uma concepção pré-normativa de pessoa. o que significa que há intercâmbios mais ou menos contraditórios entre elas. a ilicitude em si não gera automaticamente esta sanção. ou.A partir das constatações. como ficara conhecido tal movimento. ora o dogmatismo das normas. prevalecendo. defendia a necessidade de uma ordem jurídica imersa em valores da pessoa humana. nota-se a necessidade de se empregar uma visão personalista do ordenamento jurídico. Fato social. a contribuição valiosa de um autor brasileiro que se faz reconhecido hoje em nível internacional. ora a preeminência do fato social. como se sabe. A criação de uma ordem jurídica voltada para os valores da pessoa humana era defendida. norma e valor são tomados assim em "estrutura dialética de implicação e polaridade". O Personalismo Jurídico. como seja "a integração normativa de fatos segundo valores". obedece ao seguinte enunciado: Dado um fato gerador. não há como conceber a norma senão como relacionada a valores e fatos sociais. a noção de pessoa humana deve ser reconhecida pela ordem jurídica em toda a sua plenitude axiológica. cujo enunciado é: "Dada a não prestação deve ser sanção". Sua fórmula para a norma jurídica. deve ser prestação pelo sujeito obrigado face ao sujeito pretensor. E. a fórmula lógica da norma jurídica é ontológica (ou do "ser": dado A deve ser B). Ou seja. por Maritain e Mata-Machado. TRIDIMENSIONALISMO JURÍDICO O tridimensionalismo jurídico do Professor Miguel Reale representa. por Mounier e posteriormente. tal qual a pessoa. . então. para que haja uma sanção é preciso haver um sujeito (juiz) que lha aplique. portanto. O apelo a uma "dialética" já está a nos indicar que as relações entre essas três dimensões não são tranqüilas. de igual forma. Cossio aditou a esta lógica a condicionante humana. Dentro dessa perspectiva.

O Direito e a Hermenêutica. por exemplo. mas sem preocupar-se em relacioná-los com outras partes da obra. Tais tópicos são os lugares comuns. retorna ao centro dos estudos jurídicos a partir do resgate do Corpus Iuris Civilis. A tópica é a técnica do pensamento que se orienta por problemas. com a função de anunciar. inclusive. sendo que apenas por intermédio destas é que se podia entender e conhecer a realidade. Os romanos. contando com aceitação generalizada. entendida muito mais como uma técnica. Para Platão. em Aristóteles. passaram do conceito de hermenêutica para a interpretatio. . principalmente devido ao trabalho dos prudentes. ainda entre os romanos. sendo aplicada desde a época dos patriarcas do judaísmo. Já na Grécia antiga a hermenêutica estava voltada para a transmissão de uma mensagem. mas com um viés muito mais prático que o dos gregos. preocupada com a relação entre a linguagem e o pensamento. havendo. VI.1. em sua obra Peri hermeneias (Da interpretação). Essa forma de pensar (interpretar).9. XII. No entanto. esclarecer. Coube à denominada Escola dos Glosadores. no séc. fez relação entre os conceitos e a realidade. passando pela teologia medieval e a Reforma. contém argumentos que são razões para convencer sobre algo duvidoso. Aporia Fundamental: O que é justo aqui e agora. que não se contentavam em entender o texto da lei. tipicamente romana. Escolas Hermenêuticas 1. também o problema objetivo da hermenêutica começou com as questões da interpretação da Escritura.ARGUMENTAÇÃO E TÓPICA Os elementos mais importantes dessa teoria são os tópicos. É a arte de achar argumentos. a hermenêutica é apenas uma derivação da lógica.9. até a teologia moderna. admiradores da cultura clássica. formando a jurisprudência (juris prudente). 1. primeiramente estudar essa fenomenal compilação levada a cabo por Justiniano no séc. Tinham como característica principal a fidelidade ao Corpus Iuris Civilis. a hermenêutica estava em segundo plano. a hermenêutica mantém sua estrita ligação com a interpretação de textos religiosos ao se relacionar com a Bíblia. Davam explicações sobre cada parágrafo dos textos clássicos. interpretando-o de maneira analítica. Das Escolas de Hermenêutica da Antiguidade até o Advento do Iluminismo Inicialmente relacionada aos oráculos. traduzir algo que não estava claro. de Justiniano. pois entendia que o processo do conhecimento se faz por meio de abstrações mentais daquilo que é adquirido por meio da experiência sensível. Aristóteles desenvolveu pensamento diferente e. tendo em vista que as palavras estavam abaixo das idéias. mas buscavam compreender o seu significado nos efeitos práticos produzidos na vida das pessoas.pontos de vista referentes ao caso que. várias escolas e correntes da exegese bíblica no antigo judaísmo. Se a palavra hermenêutica provém do âmbito teológico. 1. isto é.

seguido por outros importantes filósofos. Essa hermenêutica baseada na racionalidade. Na seqüência. é mister perquirir a vontade. Escola da Exegese (também denominada Clássica. mas sem detalhá-las. entre os quais se incluiria o método histórico. 72).. fundada por Savigny. apesar de não ser considerado propriamente uma escola. Citaremos algumas delas. Seu surgimento deveu-se a Revolução Francesa. surge a Escola Histórica.A Escola dos Glosadores foi essencial para fornecer a base na qual os juristas que vieram posteriormente fossem além do Direito Romano. isto sim. desconhecia a natural evolução dos fatos sociais. mesclava métodos históricos e filológicos para o estudo do direito e. Hans-Georg Gadamer (1900 – 2002).1. de base essencialmente filosófica. como Wilhelm Dilthey (1833 – 1911). e não apenas em partes específicas do texto romano. ao buscar soluções para casos concretos alicerçados no conjunto da obra. o pensamento do legislador. Em razão das limitações da Escola Clássica. Se a lei é clara. a partir dessa metodologia. surgiu o movimento humanista que. ambígua ou obscura. a Justiça. que negava a antítese letra/lógica. da codificação do direito e do entendimento do direito como sistema. mas também pelo iluminismo. estudiosos que passaram a interpretar o Direito Romano de forma mais livre. A interpretação. que lhes segue os passos. aparentemente criadora da norma se deduziria. que abraça também o positivismo formalista. Faziam uma interpretação com base filosófica. desdobrando-se. marco indelével da História. jamais preestabelecido. Escolas de Hermenêutica Atuais Na esteira da hermenêutica filosófica. à literalidade da Lei. com o auxílio do elemento lógico. várias foram as escolas de hermenêutica que surgiram. associando o Direito à Ética e buscando integrá-lo a um valor fundamental. que se inicia com os comentadores. inútil qualquer tentativa de interpretação: in claris cessat interpretatio. recuperando o racionalismo grego antigo. cuja obra Verdade e Método (1960) é referência no entendimento da hermenêutica como filosofia. cujo foco de estudo era a razão. Jurisprudência dos Conceitos: Escola que tinha em Puchta seu criador e defensor. interpretando os textos de Justiniano com maior liberdade. 3. principalmente. que colocavam a investigação histórica em primeiro plano. cit. 3. . Em face de seus escopos. Martin Heidegger (1889 – 1976) e. pouco se diferenciando da Escola da Exegese. Essa escola lançou as bases para o formalismo jurídico que no séc XX será desenvolvido por Hans Kelsen. por entender que o Código Napoleão previa todas as situações da vida. p. A escola que sucedeu e superou a dos Glosadores foi a dos Comentadores. Escola Histórica: Freqüentada por Hugo e Savigny. quando muito. levando-se em conta sua intenção. acreditava que a interpretação devia limitar-se à pesquisa da vontade do legislador. Aferrando-se ao pensamento do legislador e à rigidez das palavras. Sendo a lei incerta. pois “da vontade primitiva. Eis aí o erro da escola da exegese.3. foi reforçada não só pelo humanismo. e não o respectivo alcance. que reduzia o direito às normas jurídicas do direito positivo e os conceitos jurídicos limitados a formalidade. já na Idade Moderna. para Savigny. a interpretação haveria de ser uma só. o sentido desta. a partir do século XIX. Tradicional ou Dogmática): Esta Escola. e difícil de prever” (Carlos Maximiliano. desprezando-se o aspecto substancial: o conteúdo do direito. ob. já que não é essa a função deste artigo: 3. Essa concepção acabou por dar origem à hermenêutica contemporânea. em métodos. infringiu críticas aos juristas medievais a quem acusava de erros lingüísticos e históricos.2. 2. base do direito. cujo expoente primeiro foi o teólogo protestante Friedrich Schleiermacher (1768-1834).

também não tem de funcionar como mero autómato de subsunções lógicas das realidades face aos conceitos formais extraídos da legislação. religiosa. que é simples dever. resiste ao tempo. dado determinarem. Proclama-se assim que o direito é um processo de tutela de interesses e que as normas são as resultantes dos interesses de ordem material. fere. 3. superior à própria lei. Escola do Formalismo Jurídico ou do Positivismo Formalista: Ora. enquanto meras soluções valoradoras de conflitos de interesses. ao lado da lei e do costume. O dever ser apresenta- . dogma insubstituível das constituições. O exagero é manifesto. Escola de Livre Investigação Científica (com François Geny. Para Gény): Os adeptos desta escola consideravam a livre investigação científica como fonte do direito. depois de publicada. nítida é a separação da lei. concebeu o Direito como uma ordem do dever ser (sollen). de acordo com sua habilidade e consciência. o juiz. não se poderia considerar originário da razão humana. logrando separa-lo da moral. expressão da consciência comum do povo. que. ou ética. 3. Escola Sociológica (realismo do direito) (de Leon Duguit. Philipp Heck. José Kohler. Cumpre ao intérprete a tarefa de fazer com que atinja o seu verdadeiro escopo. KELSEN pioneiramente. procurando detectar os interesses em conflito e. adoptar o juízo de valor sobre esses interesses contidos na lei. ideias de dever-ser que se transformam em comandos. Jurisprudência dos Interesses (com Ihering. o conhecimento dos costumes e dos fatos sociais ligados ao conteúdo da lei. O afastamento da lei só é permitido em hipóteses excepcionais: somente quando sua aplicação. tornando-se portanto injusta. por seu turno. Pelo contrário. só depois. Heinrich Stoll e outros). não seriam antevistas pelo legislador. Concebe o direito como um processo de tutela de interesses: as normas como resultantes dos interesses de ordem material.8.consistia na reconstrução do pensamento do legislador. A lei. Temos então as duas dimensões: do ser (fato). aliás. Interesses que são considerados como causais para a norma. no caso concreto. nacional. deve ponderar toda a complexa situação de facto. Foi este. apanágio das liberdades fundamentais. Para os seguidores desta escola. em cada comunidade jurídica se contrapõem uns aos outros e lutam pelo seu reconhecimento. 3. Escola do Direito Livre (com Herman Kantorowicz): Para os estudiosos alinhados com esta escola. o princípio da independência e harmonia dos poderes. aliás. em termos tão dilatados. nacional.6. Para estabelecer as bases de sua teoria. Coviello e outros): O importante na aplicação da Lei é a eficácia. do dever ser (norma) e do dever (moral). Impunha-se. eminentemente social. competia ao juiz.4. especialmente se persistem dúvidas a respeito de seu conteúdo. A tese fundamental de KELSEN é a da absoluta disparidade entre ser e dever ser. Inexistindo norma escrita ou consuetudinária é lícito ao juiz criar o direito. representações.7. não atender aos fins sociais a que se destina. no julgamento dum caso concreto. produto da vontade nacional. no legislador. cabendo a dogmática tradicional o papel marginal de uma tecnologia. pelo que se impõe a investigação histórica dos interesses. religiosa ou ética que. As mutações e o progresso social. acarreta a mais completa insegurança jurídica e social. 3. em suas manifestações infindas.5. 3. o grande mérito da Escola Histórica: o de haver afastado a concepção essencialmente racional da origem do direito. O arbítrio dos juízes. do pensamento de seus artífices. segundo a concepção dominante de que a autêntica ciência do Direito era a sociologia jurídica. impunha-se a estruturação de uma consciência metodológica. procurar e aplicar o direito justo. então. Para a jurisprudência dos interesses. em cada comunidade jurídica se contrapõem uns aos outros e lutam pelo seu reconhecimento. já que o direito.

Para FRIEDE o egologismo existencial é “um movimento filosófico com o escopo epistemológico de proporcionar ao cientista do Direito a utilização de instrumentos mentais que tornem possível conhecer melhor o Direito”. o Direito. uma norma que pode ou não ser seguida. a estrutura da norma jurídica pode ser dissecada e eviscerada para identificarmos a sua pelagem externa. viando a conduta de outrem.9. para indicar as relações que se estabelecem segundo a lei da causalidade. nega um valor. [2] O objeto da ciência do direito não é a norma. como uma categoria última. O mundo do dever ser é o da lei em sentido ético. não se tratam de duas categorias de lógicas a priori e. sem referência a fins. é um dos que mais tem produzido no sentido de procurar demonstrar a redutibilidade entre ser e dever ser. tal como o ser. só pode ser compreendido como síntese do ser e de dever ser. então. REALE idealizou a noção de valor ao substratum sociológico e criou a sua teoria tridimensional. como fenômeno. no plano ontológico. A norma não é síntese de ser e dever ser. Não é uma visão dialética. tendo-se em vista a dinâmica das relações sociais e da sociedade como um todo. alinhada com a concepção culturalista. seguida. com Amílton Bueno de Carvalho e João Baptista Herkenhoff no Brasil): Os alternativistas entendem que uma norma injusta não deve fazer parte do Direito e que o legalismo representa um atraso. o Direito é um conjunto de normas. mas segundo outro princípio ordenador: o princípio da imputação. mas a conduta social. ao contrário. desobedecida. Assim. a conduta em interferência subjetiva. pois norma e determinismo absoluto são princípios irreconciliáveis.11. valor e norma. A norma é pois CONCEITO de que o jurista se utiliza para pensar ou conhecer a conduta. não inferível de qualquer outra. contém três elementos: a) previsão do fato. como um modo de pensamento. A sua teoria se caracteriza por esta assepsia de um sentido causalista e teleológico. no plano da vigência 3. aquela em que o fazer interfere com o proibir por parte de outrem. O ser é empregado em um sentido particular. os atos de conduta humana entre si e com outros fatos. . Para REALE. representada pela Lei ou Costume. Direito Alternativo (baseado nas idéias de Paul Magnaud.10. A proposição jurídica. A tridimensionalidade envolve a conexão entre fato. não mais segundo o princípio da causalidade. irredutíveis. que impliquem em um orientação à conduta. o direito exige sua omissão e veda sua execução. em um sentido de processo e de integração. realiza um valor e. [3] 3. KELSEN conecta. O valor como fundamento e a norma. A conduta juridicamente regulada é (a) obrigatória. propõe uma idéia mais abrangente do que aquela proposta pelo normativismo kelseniano. mas que. da norma estabelecida em razão de um fim e dirigida à liberdade do homem. o direito exige sua execução e veda sua omissão. eminente culturalista pátrio. portanto. O dever ser . segundo CÓSSIO. O fato. Endonorma (comando) e Perinorma (sanção). Assim. KELSEN procura uma explicação para o fenômeno jurídico desvinculado de indagação causal e destituído de fins. Teoria Tridimensional do Direito (de Miguel Reale e outros): MIGUEL REALE. b) elemento de coordenação (dever ser). o direito autoriza tanto sua omissão quanto sua execução. que enuncia um juízo hipotético de dever ser.Teoria Egológica do Direito (Egologismo) (argentino Carlos Cóssio): A teoria egológica de CARLOS CÓSSIO. A relação entre norma e conduta é uma relação de conceito a objeto. e c) conseqüência jurídica. ma sim encerram o sentido de um ato de vontade despsicologizado. ou (c) potestativa. Para o estudioso e autor do Direito REIS FRIEDE. No segundo. sob o signo de valores jurídicos. Com a evolução de seu pensamento. No primeiro caso. É o domínio da finalidade e da liberdade. em verdade. ou seja. exprime sempre um imperativo (e não apenas um juízo). 3. no plano da eficácia. ou (b) proibida. as normas não são juízos. Para este estudioso. No terceiro. e pela sua arquitetura intestina.se.

alheio as novas formas de comércios existentes. Nos Estados Unidos da América. com isso.Afirmam. uma senhora roubou alimentos numa feira.9. Em Pernambuco. Na Itália. A sentença do juiz foi no sentido de condená-la a cantar o Hino Nacional todo dia durante o período de um ano. Inúmeras são as leis em dissonância com a realidade social a exemplo do Código Civil Brasileiro datado de 1916. não ocorreu apenas no Brasil. que há uma alienação do Poder Judiciário. Essa visão alternativista. Pode-se citar vários exemplos de decisões de cunho alternativo. com a finalidade de se alcançar o bem comum e a diminuição das desigualdades. sob o argumento de que. com seu arcaísmo simbólico e. Frente à realidade concreta de que o ordenamento jurídico não encontra-se em crescimento paralelo a sociedade concede-se ao magistrado papel fundamental na aplicação da justiça : a de intérprete da lei. o Código Comercial. O ordenamento jurídico deve interagir com os acontecimentos sociais. França e Alemanha. dado seu desajuste aos dados do litígio. a decisão será insatisfatória. estabelecendo que há de existir a supremacia do Direito que nasce efetivamente nas comunidades em detrimento do Direito estatal. em função de que as normas jurídicas são prepostas. para isso. políticos e econômicos que permeiam a sociedade em cada etapa histórica vivificada pelo homem. devendo o magistrado. por exemplo. se utilizar de valores éticos e morais na hora de aplicar o Direito ao caso concreto. mas que isso ocorre sempre em benefício da classe com maior poder aquisitivo. terá como resultado uma legislação inadequada porque em desacordo com as circunstâncias históricas vigentes. como foi dito.1 Hermenêutica e teoria da decisão jurídica Tendo-se em vista o fato de que a sociedade sofre com o passar das décadas inúmeras transformações o direito deve acompanhar tais transformações. Neste sentido ressalta Azevedo [11] se o falseamento da imagem ocorrer na elaboração da lei. As teorias e doutrinas alheias as necessidades e realidades reais devem ser evitadas sob pena de aplicar-se à sociedade normas vazias de conteúdo. 1. Azevedo [12]assevera ao fato de que . Afirmando a função de intérprete da lei. Através desse Movimento. Del Vecchio e Radbruch. por exemplo. Houve ainda a teoria do "Direito Efetivo". ainda. Deve haver um atrelamento ao desenvolvimento da sociedade de modo que não pareçam meras criações abstratas. de direito. tenta-se fazer com que as leis injustas não sejam aplicadas. ela iria respeitar o país e não voltaria a roubar. houve o chamado "renascimento do Direito Natural" adotado por Stammler. a Escola Sociológica trouxe o "Realismo Jurídico". Se sobrevier por ocasião da aplicação judicial do Direito.

desta forma. que é precisamente o modo de raciocínio do jurista. . O magistrado ao apreciar a situação fática lhe posta para julgamento procura interpretar o conteúdo normativo da lei adaptando-a às necessidades atuais. refere-se que a tarefa de interpretar consiste em concretizar a lei a cada caso concreto tarefa concedida ao magistrado sem que esteja desvinculado à lei. mas que embora a tarefa do historiador seja investigar o sentido histórico da lei deve ter em mente que seu objeto é fruto do direito razão pela qual deve ser percebido juridicamente. mas análise em consonância com a realidade factual e o ordenamento jurídico. mesmo porque a atividade jurisdicional pela própria definição de dizer o direito apresenta-se vinculada ao ordenamento jurídico. base do Estado de Direito. Cabe ao magistrado sem dúvida alguma proferir suas decisões após árdua análise dos fatos. retirar dele.1.9. tudo que lhe puder fornecer em termos de favorecimento do exercício dos direitos humanos. Neste sentido refere-se Rocha [13] que diante da sujeição ao ordenamento jurídico e a independência assegurada ao magistrado no sentido de garantir a dependência somente ao ordenamento três deveres emergem. o que se assevera é o fato de que para as decisões mister uma análise hermenêutica da normatividade aplicada. vendo-o como um "sistema aberto". princípios e regras constitucionais". cuja temática pertence a esfera do historiador. Afirma que as funções são diversas.3 Interpretação e integração do direito. Não se pretende o proferimento de decisões arbitrárias mesmo porque a própria Constituição Federal assegura ao indivíduo o proferimento de decisões amparadas no ordenamento jurídico quando confere ao magistrado independência necessária para o exercício da função jurisdicional.2 As técnicas interpretativas 1. Assevera ainda ao fato de que para estabelecer-se uma perspectiva hermenêutica verdadeira mister que a lei estabeleça a igualdade entre os membros da comunidade jurídica. 1. realiza uma análise do significado jurídico e não do período histórico de sua promulgação. Conclusão que Gadamer chega a partir da análise comparativa do comportamento de um jurista e de um historiador frente ao mesmo texto jurídico[15].9.cabe ao juiz. confrontando-o com as necessidades sociais. princípios e regras constitucionais e o terceiro é de interpretar o direito infraconstitucional em harmonia com esses valores. o dever do juiz de " aplicar a Constituição. Em hipótese contrária inviável a concretização de qualquer hermenêutica. da humana dignidade e da justiça social.1. de mesma forma que qualquer outro membro da comunidade jurídica. o segundo dever é não aplicar normas contrárias aos valores. dentro do esquema legal. Sem embargo. o primeiro. mediante a argumentação.

• Sociológica. tudo de acordo com os ensinamentos da lógica. na busca da adaptação do direito aos fatos sociais. a occasio legis e a ratio legis”(C. • Sistemática. Quando se conclui que a lei diz menos do que queria dizer o legislador. É a adaptação do sentido da lei às novas realidades e necessidades sociais. É a atividade mental através da qual se busca o esclarecimento do conteúdo da norma jurídica. 196). É aquele que perquire as necessidades correntes no momento da elaboração do texto. Se for dada por uma outra lei. Procura “reconstituir o pensamento e a vontade do legislador como meio de procurar a mens legis. pelos profissionais do direito em seus artigos. É também denominado literal. Se tal explicação for dada no seu próprio texto. É aquela que procura harmonizar a norma com o sistema jurídico com um todo. Busca traduzir o pensamento contido na lei.H. Consiste em procurar uma proposição jurídica que possa suprir uma lacuna da lei ou uma vontade insuficientemente manifestada. . • Histórica. Porto Carreiro. Quanto ao sujeito • Autêntica ou legislativa. Ec. INTEGRAÇÃO. Fundada nas regras gramaticais. • De direito comparado. Procura determinar o sentido da norma a partir da significação das palavras e da relação entre elas.INTERPRETAÇÃO É a perquirição do exato alcance dos textos legais. Rio de Janeiro. tudo através de seus julgados reiterados. Quanto aos elementos (ou quanto ao modo) • Gramatical. chegando-se aos objetivos e tarefas a que se destinava. • Teleológica. Quanto aos resultados • Declarativa. É a interpretação dada pelos professores. Quando se entende que a lei diz mais do que queria dizer o legislador. Alba. • Extensiva. a interpretação sistemática é aquela feita confrontando o texto com outros de leis semelhantes ou diversos. Sistema é um conjunto de elementos relacionados entre si de modo a formar um todo coerente e unitário. Processos de Interpretação. Feita pelo próprio órgão que produz a lei. • Progressiva. p. Visa descobrir a finalidade com que a lei foi editada. juristas. • Restritiva. temos a interpretação autêntica não contextual. • Doutrinária. Quando a conclusão é de que a letra da lei corresponde exatamente ao pensamento do legislador. teses e livros. É a interpretação dada pela própria lei que explica como deve ser entendido um determinado assunto. temos a interpretação autêntica contextual. Procura saber as condições sociais que provocaram a edição da norma. mas de finalidade comum. É a interpretação em que se procura compreender a norma levando em conta as transformações havidas no direito. na sociedade e na ciência. É aquela que tenta esclarecer a lei comparando-a com a legislação estrangeira. • Jurisprudencial. Busca os motivos que levaram a sua expedição de modo a entender a intenção do legislador. Assim sendo. Notas sobre filosofia do direito. eis que se atém às palavras da lei. É a interpretação dada pelos juízes e tribunais. • Lógica. conferências.

11.Conflitos sociais e mecanismos de sua resolução. é vedada a analogia em Direito Penal. Decorre do princípio de que o ordenamento jurídico estatal deve oferecer uma solução para todos os casos.Meios de Integração Analogia. . É aí que surge a oportunidade de aplicar a equidade. -Lentidão dos processos -Converte-se em custo econômico . adaptando-a às características pessoais ou materiais do caso concreto. -Ocupam-se dos processos de recrutamento e formação dos magistrados. 11. Tem a função de suprir as lacunas de um texto específico.Concepção de Boaventura de Sousa Santos -Acesso à Justiça e seus obstáculos econômicos e sócio culturais . 11. Eles estabelecem as proposições fundamentais do ordenamento jurídico.1 Sociologia e administração judiciária. compondo o “espírito do sistema” e devem inspirar todo o sistema do direito. sociológicos e econômicos.Obstáculos econômicos -Alto custo da litigação -Proporcionalmente mais elevado quanto menor for o valor da causa. Equidade. quando ocorre uma situação não prevista em lei. salientando a importância de dotá-los de conhecimentos culturais. Distingue-se da lei por não ser legislado.2 Conflitos Sociais e os mecanismos da sua resolução. enquanto instituição política e organização profissional . Assim sendo. o julgador tempera a severidade da norma. São os chamados “elementos fundamentais da cultura jurídica humana”. . de disposição estabelecida para casos semelhantes. Como tem o intuito de abranger fatos semelhantes não previsto em lei. Consiste na aplicação a uma hipótese não prevista em lei. Existem casos em que a aplicação da lei pode acarretar um choque com o nosso sentimento de justiça. completando o ordenamento jurídico do Estado. Dizem os autores que é uma regra jurídica não escrita que provém dos usos populares e que é aceita como necessária pelo próprio povo.. já que por intermédio dela. é necessário que se recorra à analogia para suprir essa lacuna da lei. Também é um recurso utilizado pelo ordenamento jurídico para suprir as lacunas da lei. -Reconhecem a existência de obstáculos econômicos e socioculturais ao acesso à justiça .Estudos sobre o acesso à justiça -Reconhecem a postura ideológica dos juízes. Sociologia e acesso à justiça. Costumes. Princípios Gerais do Direito. desmistificando a idéia de que a administração da justiça é neutra.Campos de estudo .Administração da Justiça. É a mitigação do rigor da lei. tudo em obediência ao denominado “dogma da plenitude ou da completude”.

-Reconhecem o pluralismo jurídico .Democratização do acesso à Justiça . -Hesitação em recorrer aos Tribunais.Reforma da organização judiciária .Mudanças nas condições internas do processo .Comunicação da justiça com a sociedade c) Igualdade de proteção dos interesses sociais -Legislação protetiva -Interpretação judiciária inovadora do direito substantivo d) Informalização da Justiça -Meios alternativos de solução de controvérsias . Proposta para uma nova política judiciária como garantia de justiça democrática .Ampliação dos conceitos de legitimidade de parte e interesse de agir. -Ênfase na conciliação como meio de solução de controvérsias -Criação de meios alternativos de resolução de litígios b) Democratização do acesso à Justiça -Igualdade de acesso por meio de serviços jurídicos gratuitos e justiça gratuita -Coletivização dos conflitos na defesa de direitos sociais de grupos -Justiça próxima dos cidadãos .Estudos sobre os conflitos sociais e os mecanismos de sua resolução -Estudam o litígio e não a norma.Informalização da justiça . Mecanismos de democratização: ..Igualdade de proteção dos interesses sociais pelo direito substantivo . analisando os mecanismos de resolução dos conflitos. -Falta de acesso aos serviços jurídicos gratuitos .Reforma dos processo de recrutamento e formação dos juízes a) Mudanças nas condições internas do processo -Ampliação dos poderes do juiz -Efetiva aplicação dos princípios da concentração dos atos processuais e da oralidade e simplificação dos procedimentos.Obstáculos socioculturais -Desconhecimento ou pouco conhecimento do direitos pelas classe classes sociais menos favorecidas. -Maior envolvimento e participação dos cidadãos na administração da justiça .

mas isso. políticos) sobre a sociedade em geral e sobre a administração da justiça em particular. Essas fraturas e os conflitos a que elas derem lugar serão a verdadeira alavanca do processo de democratização da justiça” Boaventura de Sousa Santos . ela tenderá a subordinar a coesão corporativa à lealdade a ideias sociais e políticas disponíveis na sociedade. sociológicos. ela reivindicará o aumento de poderes decisórios. Daqui resultará uma certa fratura ideológica que pode ter repercussões organizativas. “É necessário aceitar os riscos de uma magistratura culturalmente esclarecida.e) Reforma da organização judiciária -Democratização da própria organização judiciária. f) Reforma dos processos de recrutamento e formação dos juízes -Os Juízes deverão ser portadores de conhecimentos vastos e diversificados (econômicos. Tal não deve ser visto como patológico. Por um lado. Por outro lado. como se viu. vai no sentido de muitas propostas e não apresenta perigos de maior se houver um adequado sistema de recursos. mas fisiológico.

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