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Índice

Introdução .......................................................................................................... 2 O indivíduo portador de deficiência: ................................................................... 3 O sistema se saúde português e Políticas Sociais: ............................................ 5 Direitos e Políticas Sociais Dirigidas ao Cidadão portador de Deficiência: ........ 6 Reabilitação e Serviço Social: ............................................................................ 9 Ajudas Técnicas: ................................................................................................ 9 Conclusão ........................................................................................................ 11

Introdução A integração social da pessoa portadora de deficiência é fulcral numa sociedade que reivindica os valores da justiça e equidade. no seio de cada um de nós. realizou-se um breve percurso ao longo do que foi feito até à data. . mas na actualidade já se afirmam como cidadãos de pleno direito e com igualdade de oportunidades. É urgente alterar as mentalidades vigentes. revigorando novas posturas. é fulcral entender que o grande obstáculo a estes cidadãos reside sem dúvida na sociedade. isto é. de forma a facilitar a sua qualidade de vida. Contudo. este processo de integração é uma preocupação partilhada de todos os países da União Europeia. Por último. A deficiência foi considerada por largos anos como uma fatalidade. Como forma de analisar as normas para a igualdade de oportunidades face aos cidadãos portadores de deficiência. O processo de integração ao nível do indivíduo portador de deficiência é complexo ao qual subjazem diversas áreas e diversos actores sociais. transformando preconceitos. É necessário que a sociedade definitivamente contribua para a integração total destes cidadãos e não crie mais estigmas à sua volta.

O indivíduo portador de deficiência: A pessoa com deficiência é aquela que por si só não consegue responder. neuromusculares. no que diz respeito à mobilidade. individual e/ou colectiva. nos dias de hoje existem significativas mudanças quanto a esta visão. Este tipo de deficiência pode decorrer de lesões neurológicas. a qual poderá ser de carácter congénito ou adquirido. esta disfunção irá afectar o indivíduo. “a deficiência deixa de ser encarada como um atributo individual. (Declaração dos Direitos das Pessoas com Deficiência). cuja superação é condição para a sua integração social e profissional”. por motivo de qualquer insuficiência. A Deficiência motora é uma disfunção física ou motora. À coordenação motora ou à fala. das usas capacidades físicas ou mentais. Quem nascia com deficiência era. Também. em termos genéricos. Porém. (Marília Rodrigues (2009) Dissertação de Mestrado em Serviço Social). Os vários tipos de deficiência motora são: •Monoplegia •Hemiplegia •Paraplegia •Tetraplegia •Amputação . congénita ou adquirida. de algum modo. total ou parcialmente à exigência da vida corrente. Existem mudanças nas concepções e práticas perante o atendimento às pessoas com deficiência. posto à margem e o pouco apoio que existia era na base do assistencialismo e caridade. Desta forma. a deficiência era considerada como uma fatalidade. até à Revolução de Abril. No entanto. ortopédicas e ainda de mal formação.

Segundo Vítor Fonseca (1980:16) “temos. Tornar-se independente. 2. Obter rendimento nos estudos e no trabalho. ele tem de incluir um conceito de realização no sentido social. • hemiplegia: paralisia na metade do corpo. isto é. • amputado: falta de um membro do corpo. Para as pessoas portadoras de deficiência deverão ser proporcionadas condições que lhes permitam atingir as seguintes metas (SNRIPD. • tetraplegia: paralisia do pescoço para baixo. a sociedade terá de atender no seu conjunto a pessoa portadora de deficiência. Neste sentido. assegurando também a sua participação activa na vida política. cada vez mais. Cuidar de si. Manter relações afectivas e vida sexual. social e cultural. de reconhecer que o normal em saúde ou em condutas sociais é um luxo biológico ou social (…) o conceito de normalidade não pode reduzir-se a um sentido biológico. Manter contactos sociais. 5. Participar na vida familiar e em actividades de tempos livres. económica. sendo ela um todo e não apenas uma selecção dos normais. e como tal. nomeadamente ao desemprego e exclusão social. é detentor de direitos. pois são sujeitas de lei e tem como finalidade dotar estas pessoas com meios necessários. 6. • paraplegia: paralisia da cintura para baixo. 2006): 1. . 3. Ao vivermos num Mundo onde raramente foi pensado nas necessidades especiais das pessoas com deficiência faz com que estas se tornem mais vulneráveis. (…) O normal é uma moral. A pessoa com deficiência não deixa de ser um elemento na sociedade.A sua distinção caracteriza-se por: •monoplegia: paralisia em um membro do corpo. envolve valores éticos que são inerentes a padrões culturais diversificados”. 4.

“A saúde faz parte da existência de cada um e.45). Assim. da formação profissional e do emprego. seja qual for a sua condição económica e onde quer que vivam (Ministério da Saúde. (Marília Rodrigues (2009) Dissertação de Mestrado em Serviço Social. porque a tendência geral é cada vez mais para um decréscimo do papel do Estado na prestação de cuidados. O sistema se saúde português e Políticas Sociais: Como missão na Constituição da República Portuguesa relativamente ao Sistema de saúde Português integra “um Serviço Nacional de Saúde universal e geral e. A Lei de Bases da Saúde (Lei nº 48/90.48). através da protecção social. p.7. não devemos referir-nos à saúde como conceito único. como não há incapacidade mas incapacidades adquiridas ou congénitas. Todas estas condições poderão ser desenvolvidas. geográficas ou quaisquer outras) no acesso aos cuidados de saúde. É preciso assegurar a cada pessoa o usufruto de todo e qualquer serviço de reabilitação. e tal. de 24 de Agosto) diz-nos que. (Marques. Poder assumir o papel de progenitor. da educação. o Serviço Nacional de Saúde tem como objectivo fundamental obter a igualdade dos cidadãos no acesso aos cuidados de saúde. sempre com o espírito de que o meio social faz parte integrante do processo. tal como não há vida mas vidas. com o objectivo de atenuar os efeitos das desigualdades (económicas. 1990). o mais importante é o da equidade ou seja a igualdade de acessos”.. entre outras áreas.” (Marília Rodrigues (2009) Dissertação de Mestrado em Serviço Social. p. pois ela é também conceptualizada por cada pessoa que percepciona a sua saúde. é fundamental garantir a equidade no acesso dos utentes. Na prática talvez se possa dizer que não exista um Serviço Nacional de Saúde (SNS) puro. tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos tendencialmente gratuito”. “Segundo muitos autores o objectivo nuclear. Neste . 2001).

No entanto. para que esta situação se modifique e para que haja igualdade de oportunidades para as pessoas portadoras de deficiência. igualdade e não discriminação). Esta reafirma os princípios universais (dignidade. são as ajudas técnicas o apoio que permite ao utente atingir o estado de saúde desejado. tendo durante anos sido considerados um grupo a separar da comunidade. 2ºperíodo – 1974 a 1980: Num segundo período. através da criação do Comité dos Direitos das Pessoas com Deficiência. as políticas sociais na área da reabilitação eram inexistentes. tal como outro grupo minoritário de população. Com o objectivo de garantir eficazmente os direitos das pessoas com deficiência. a legislação conheceu largos avanços até aos nossos dias. existem quatro grandes períodos no domínio das políticas sociais comunitárias: 1ºperíodo – 1958 a 1974: Neste período. Pretendia-se o estabelecimento e . no âmbito das Nações Unidas. No âmbito do Direito Comunitário. Direitos e Políticas Sociais Dirigidas ao Cidadão portador de Deficiência: As pessoas deficientes. o Conselho das Comunidades Europeias adoptou o primeiro programa de acção comunitária que realçava a necessidade de uma cooperação estreita no domínio social. apresentam uma larga história de discriminação.sentido. No que toca ao Direito Internacional é de destacar Convenção das Nações Unidas sobre os direitos das pessoas com deficiência. é instituído um sistema de monitorização internacional da aplicação da Convenção.

No que diz respeito ao Direito Nacional. Além disso. 3ºperíodo – 1981 a 1987: Entre 1981 e 1987. É também adoptada a Carta Comunitária dos Direitos Sociais Fundamentais dos Trabalhadores. envolvendo também a sociedade na integração social e no emprego. especialmente o seu artigo 26. há que referir o estatuto dos cidadãos com deficiência na Constituição da República Portuguesa (CRP). investigadores e terapeutas. de forma a em conjunto atingirem a reabilitação. Também. peritos governamentais. na reunião dos Chefes de Estado e de Governo dos EstadosMembros. tendo em vista um conhecimento mais aprofundado do problema. consultas. deficientes.º sobre a “Integração das pessoas com deficiência”. ainda em curso. realizada em Dezembro de 1989. 4ºperíodo – a partir de 1987: Neste período. mobilidade. desenvolveu-se um largo programa de estudos. emprego. Neste considera-se que “a União Europeia reconhece e respeita o direito das pessoas com deficiência a beneficiarem de medidas destinadas a assegurar a sua autonomia. transportes. destaca-se a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. a sua integração social e profissional e a sua participação da vida em comunidade”. discussões. consagrando o direito à integração social nos domínios da formação profissional.. A tutela . pretendia salvaguardar e desenvolver a capacidade da pessoa portadora de deficiência de agir e trabalhar. parceiros sociais. destacam-se a criação de dados informativos (Handinet) destinado a recolher informações acerca dos problemas e das ajudas técnicas para as pessoas portadoras de deficiência.manutenção das relações entre indivíduo portador de deficiência e o seu meio ambiente. visando promover a aplicação dos princípios da não discriminação e de integração das pessoas com deficiência. etc.

o ensino (artigo74. nº2). sempre que necessário. Portugal assinou a 30 de Março de 2007. doenças profissionais ou uma especial protecção para quem pratica actividades particularmente violentas ou em condições insalubres. tóxicas ou perigosas (artigo 59.º. Relativamente aos direitos e deveres culturais. com salvaguarda do exercício ou do cumprimento daqueles para os quais se encontrem incapacitados. apoiando o ensino especial. No âmbito dos direitos e deveres sociais. no qual é estipulado que estes cidadãos gozam os mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres confiados na CRP. no âmbito da habitação e urbanismo (atigo65.º). Esta aborda os direitos humanos das pessoas portadoras de deficiência.º). No âmbito dos direitos e deveres económicos. no âmbito da fruição e criação cultural (artigo78. (Marília Rodrigues (2009) Dissertação de Mestrado em Serviço Social pp.º) o dever do Estado de promoção e apoio do acesso do cidadão com deficiência ao ensino. As associações das pessoas com deficiência e as suas famílias participam também nas negociações através das suas representantes europeias e internacionais.49 a 52).º) e direitos dos trabalhadores. . nomeadamente no direito ao trabalho (artigo58. saúde (artigo64. sendo objecto de concretização no artigo 71.º. das pessoas com deficiência consagra-se no artigo 13. Em Maio é publicada a Lei nº 9/89 – Lei de Bases da Prevenção e da Reabilitação e da Integração de Pessoas com Deficiência – que conceptualiza todo o processo que deve acompanhar toda a vida da pessoa portadora de deficiência.º). na sede das Nações Unidas em Nova Iorque.constitucional. de segurança social e solidariedade. a Convenção (2006). e ainda no âmbito da cultura física e desporto (artigo79.º da CRP.º (nº1) que prevê o direito à assistência e justa reparação quando vitimas de acidente de trabalho. é importante realçar o artigo 59.º).

2008).Reabilitação e Serviço Social: “Reabilitar” significa “restituir direitos ou prerrogativas que se perderam. reorganiza-se. atenua ou neutraliza a incapacidade”. melhorar”. regenerar é “tornar a gerar. de forma simultânea ou sucessiva. reabilita-se. emprego e segurança social. torna-se perfeitamente necessário a formação de profissionais capazes de intervir e desenvolver a construção de conhecimentos que possam aperfeiçoar as acções na área da reabilitação “como um processo de construcção/reconstrucção do quotidiano nas suas múltiplas facetas e desenvolvendo-se em carácter pluralista e interdisciplinar”. De acordo com o Dicionário de Língua Portuguesa (1976). as Ajudas Técnicas são materiais. equipamentos. compensa. formação profissional. restaura-se. educação. ao público e a outra palavra “regenerar”. na pessoa deficiente (INR. através da aceitação da diferença. instrumento. Ajudas Técnicas: As ajudas técnicas são. declarar inocente um condenado. Nesta definição chama atenção a tónica social ligada ao direito. Assim estes conceitos encerram a noção de diferente. equipamento ou sistema técnico usado por uma pessoa deficiente. segundo a Organização Internacional de Normalização (ISO) “qualquer produto. sistemas que servem para compensar a deficiência ou atenuar-lhe as consequências. regenerar. É também fundamental a iniciativa de todos os outros agentes que constituem a própria sociedade. . especialmente produzido ou disponível que previne. num conjunto de acções diversificadas e complementares que convergem. (Marília Rodrigues (2009) Dissertação de Mestrado em Serviço Social. Esta reabilitação desenvolver-se-ia nos domínios da saúde. em especial a família. p57). ou seja. Neste sentido. Esta intervenção junto das pessoas com deficiência não é exclusiva do Estado. restituir a estima pública. Regenera-se.

Ajudas Técnicas podem ser atribuídas e financiadas. ou organizações como a Cruz Vermelha Portuguesa.2 e 3: as entidades de nível 1 referem-se aos médicos dos Centros de Saúde que têm competência para as descrever. foi criado outro Sistema complementar.  Entidades do sector privado. nos Hospitais. assentando na dotação financeira de entidades prestadoras de serviços de saúde. Centros de Emprego. As entidades promotoras do acesso às Ajudas Técnicas são:  Entidades dos sectores público. hospitais distritais e Centros Especializados com equipa de reabilitação constituída por médico e pessoal técnico.Estas ajudas são atribuídas e financiadas no âmbito da reabilitação médicofuncional. atribuir e financiar Ajudas Técnicas.  Entidades privadas sem fins lucrativos e entidades do sector cooperativo. as Juntas de Freguesia. . formação profissional e emprego. com um acréscimo de um apoio financeiro ao investimento. prestando apoio técnico e apoio financeiro ao funcionamento. há outras entidades que podem. através do sistema Nacional de Saúde ou de outros sub-sistemas de Saúde. nomeadamente as Câmaras Municipais. No entanto. Centros de Reabilitação e Centros Distritais de Solidariedade e Segurança Social. Centros Especializados. que fazem prescrições. e de solidariedade social. Ainda. cooperativo e público empresarial. o Sistema Supletivo de Prescrição e Financiamento de Ajudas Técnicas. reabilitação. a partir de 1990. de nível 1. para além do Sistema Supletivo. de nível 2 são os médicos dos hospitais distritais e as de nível 3 são referentes aos hospitais centrais. bem como as autarquias locais e organismos públicos que não façam parte da administração central. através do Sistema Supletivo.

carinho. necessita ser aceite.Conclusão No decorrer do trabalho. “Lembre-se que… O preconceito é a maior barreira para um deficiente (motor)…” . necessita aceitar por completo estes cidadãos. para além dos esforços já feitos em torno desta temática. Uma pessoa desfavorecida. foi possível concluir que. indispensável para a boa integração dos cidadãos portadores de deficiência. que. a nível pessoa. e até o mundo que nos envolve e que nele estamos integrados vivamente. Eliminar obstáculos e barreiras até então existentes é. como qualquer ser humano. entre outros. ou até pelas circunstâncias que a envolvem e marcam as relações existentes no mundo. afectividade. há ainda muito a fazer… A sociedade. carecem de oportunidades.