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Prof°. Ademar Cordero, Dr.

Engenheiro Civil - UCPEL
Mestre em Recursos Hídricos e Saneamento – UFRGS/IPH
Doutor em Engenharia Hidráulica – Politécnico de Milão/Itália







CAMPUS II - FURB
End: Rua São Paulo, 3250 CEP: 89030-000 Blumenau/SC.
Blumenau, 2012.


Universidade Regional de Blumenau - FURB
Centro de Ciências Tecnológicas - CCT
Departamento de Engenharia Civil

Apostila de Hidrologia - Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC

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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO E CICLO HIDROLÓGICO.......................................................................................................5
1. O conceito de Hidrologia o estudo da Hidrologia nas Engenharias ................................................................5
1.2 Uso da água...............................................................................................................................................6
2. Volumes de água no planeta Terra e o Ciclo Hidrológico...............................................................................8
2.1 A água no planeta Terra .............................................................................................................................8
2.2 O ciclo hidrológico....................................................................................................................................9
2.3 Chuva, Granizo, Neve, Orvalho e Geada...............................................................................................10
3. Hidrologia Aplicada.......................................................................................................................................10
4. Quantidade de Água ......................................................................................................................................11
5. Qualidade da Água .......................................................................................................................................11
CAPITULO II.....................................................................................................................................................12
BACIAS HIDROGRÁFICAS ...........................................................................................................................12
1. Bacias hidrográficas.......................................................................................................................................12
1.1 Conceito ..................................................................................................................................................12
1.2 Individualização ......................................................................................................................................12
1.3 Área da Bacia ..........................................................................................................................................12
1.4 Bacia como sistema.................................................................................................................................13
2. Rios, Ribeirões e Córregos ............................................................................................................................13
2.1 Definição...............................................................................................................................................13
2.2 Classificação dos rios .............................................................................................................................13
2.2.1 Baseada na permanência ou não de água durante o ano.................................................................13
2.2.2 Rios, Ribeirões ou Córregos...........................................................................................................13
3. Características fluviomorfológicas ................................................................................................................13
3.1 Índice de conformação ............................................................................................................................13
3.2 Índice de compacidade............................................................................................................................14
3.3 Densidade de drenagem e Densidade de confluência .............................................................................14
3.3.1 Densidade de drenagem...................................................................................................................14
3.3.2 Densidade de confluência.................................................................................................................15
3.4 Sinuosidade do curso d’água...................................................................................................................15
3.5 Sistema de ordenamento dos canais ........................................................................................................15
3.6 Declividade e perfil longitudinal de um curso d’água............................................................................16
CAPITULO - III ................................................................................................................................................18
PRECIPITAÇÃO................................................................................................................................................18
1. Conceito..........................................................................................................................................................18
2. Formação das chuvas ......................................................................................................................................18
3. Classificação das precipitações.......................................................................................................................18
3.1 Chuvas Convectivas (“chuvas de verão”) .............................................................................................18
3.2 Chuvas Orográficas................................................................................................................................19
3.3 Chuvas Frontais......................................................................................................................................19
4. Medidas de precipitação ................................................................................................................................19
4.1 Pluviômetros............................................................................................................................................20
4.1.1 Instalação do aparelho ......................................................................................................................21
4.2 Pluviógrafos .............................................................................................................................................21
4.2.1 Variedade de Aparelhos....................................................................................................................21
4.2.2 Tipos de Pluviógrafos......................................................................................................................21
4.3 Pluviogramas...........................................................................................................................................22
4.4 Ietogramas ...............................................................................................................................................22
4.5 Manipulação e processamento dos dados pluviométricos.......................................................................23
4.6 Variação geográfica e temporal das precipitações ..................................................................................24
4.6.1 Variação geográfica..........................................................................................................................24
4.6.2 Variação temporal.............................................................................................................................24
5. Precipitações médias sobre uma bacia hidrográfica ......................................................................................25
5.1 Método da média aritmética ....................................................................................................................25
5.2 Método de Thiessen ................................................................................................................................26
5.3 Método das Isoietas.................................................................................................................................26
6. Altura pluviométrica anual ............................................................................................................................27
6.1 Média, Desvio Padrão, Variância, Coeficiente de Variação e Valores Extremos...................................27
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6.2 Freqüência de totais anuais......................................................................................................................28
7. Altura pluviométrica mensal ..........................................................................................................................29
8. Altura pluviométrica diária ............................................................................................................................29
9. Chuvas intensas..............................................................................................................................................29
10. Duração, intensidade e freqüência das precipitações...................................................................................29
10.1 Tipos de séries usadas nas análises estatísticas ......................................................................................30
10.2 Variação da intensidade com a freqüência............................................................................................30
10.3 Relação Intensidade – Duração – Freqüência (I-D-F) .......................................................................31
10.4 Equações e gráficos de chuvas intensas ...............................................................................................31
10.5 Exercício ................................................................................................................................................33
10.5.1 Relação entre chuvas máximas de 1 dia e 24 horas ........................................................................35
10.5.2 Relações entre chuvas de diferentes durações ................................................................................35
CAPITULO – IV................................................................................................................................................38
INTERCEPTAÇÃO E ARMAZENAMENTO..................................................................................................38
1. Conceito..........................................................................................................................................................38
2. Interceptação Vegetal .....................................................................................................................................38
2.1 Medições das variáveis.............................................................................................................................38
3. Armazenamento da água de chuva .................................................................................................................39
CAPITULO – V..................................................................................................................................................40
EVAPOTRANSPIRAÇÃO - EVAPORAÇÃO E TRANSPIRAÇÃO..............................................................40
1. Introdução.......................................................................................................................................................40
2. Evaporação .....................................................................................................................................................41
2.1 Medição de evaporação............................................................................................................................42
2.2 Determinação da Evaporação...................................................................................................................42
3. Transpiração ...................................................................................................................................................43
4. Evapotranspiração...........................................................................................................................................43
4.1 Medição da evapotranspiração por Lisimetro .........................................................................................43
4.2 Estimativa da evapotranspiração por balanço hídrico.............................................................................44
4.3 Determinação da Evapotranspiraçao Potencial .......................................................................................45
4.4 Evapotranspiração da Cultura .................................................................................................................46
5. Evaporação em reservatórios ..........................................................................................................................46
5.1 Através do Tanque Classe A...................................................................................................................46
5.2 Através do Balanço Hídrico....................................................................................................................47
CAPITULO – VI ................................................................................................................................................49
INFILTRAÇÃO, ARMAZENAMENTO E ÁGUA SUBTERRÂNEA .........................................................49
1. Infiltração........................................................................................................................................................49
2. Equação de Horton .........................................................................................................................................49
3. Movimento da água subterrânea - Equação de Darcy.....................................................................................50
4. Armazenamento da água.................................................................................................................................51
CAPITULO VII ..................................................................................................................................................52
VAZÕES DE ENCHENTES..............................................................................................................................52
1. Enchente ........................................................................................................................................................52
1.1 Hidrograma de uma cheia......................................................................................................................52
1.1.1 Precipitação inicial...........................................................................................................................52
1.1.2 Escoamento superficial ....................................................................................................................52
1.1.3 Tempo de concentração (t
c
) ..............................................................................................................53
1.1.4 Tempo de retardamento da bacia ou tempo de retardo.....................................................................53
2. Período de retorno (T) ...................................................................................................................................53
2.1 Escolha do período de retorno.................................................................................................................53
3. Vazão máxima ...............................................................................................................................................53
3.1 Método racional.......................................................................................................................................54
3.1.1 Área da bacia (A).............................................................................................................................54
3.1.2 Coeficiente de escoamento superficial (C) .......................................................................................54
3.1.3 Intensidade da precipitação na bacia (i)...........................................................................................55
3.1.4 Para determinar o tempo de concentração de uma bacia. .................................................................56
3.2 Métodos estatísticos ................................................................................................................................57
3.2.1 Método de Gumbel ...........................................................................................................................57
3.2.2 Método Log-Normal ........................................................................................................................59
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3.2.3 Ajuste de distribuição considerando marcas históricas de enchentes ...............................................59
3.2.4 Período de retorno/risco....................................................................................................................59
3.3. Hidrograma Unitário ...............................................................................................................................63
3.3.1 Proporcionalidade.............................................................................................................................64
3.3.2 Superposição.....................................................................................................................................65
3.3.3 Convolução.......................................................................................................................................65
3.3.4 Hidrograma Unitário sintético .........................................................................................................66
3.3. 5 Hidrograma Unitário Sintético triangular do SCS.........................................................................67
3.3. 6 Distribuição temporal das chuvas de projeto.................................. Erro! Indicador não definido.
3.3.7 Atenuação das chuvas com a área.....................................................................................................69
3.3.8 Vazões máximas com base em transformação chuva-vazão.............................................................70
3.3.9 Vazões máximas usando o hidrograma unitário ...............................................................................70
3.3.10 Chuva efetiva ou volume de escoamento: método SCS .................................................................70
CAPITULO VIII.................................................................................................................................................75
MEDIÇÕES DE VAZÕES E CURVA-CHAVE...............................................................................................75
1. Introdução.......................................................................................................................................................75
2. Medição de vazão ...........................................................................................................................................75
2.1 Tipos de medição de vazões.....................................................................................................................75
2.1.1 Volumétrico......................................................................................................................................75
2.1.2 Calhas Parshall .................................................................................................................................76
2.1.3 Vertedores.........................................................................................................................................77
2.1.5 Molinete............................................................................................................................................80
2.2 Tipos de medição de vazão com molinete................................................................................................81
2.2.1 Avau..................................................................................................................................................81
2.2.2 Sobre ponte.......................................................................................................................................81
2.2.3 Com teleférico ..................................................................................................................................82
2.2.4 Com barco fixo .................................................................................................................................82
2.2.5 Com barco móvel..............................................................................................................................83
2.3 Cálculo de uma vazão ..............................................................................................................................83
2.4 Alguns perfis de velocidades....................................................................................................................84
2.5 Média da área da seção e determinação da área de influência.............................................................85
3. Medição do nível d`água.................................................................................................................................88
3.1 Régua limnímetrica ..................................................................................................................................88
3.2 Limnígrafo................................................................................................................................................89
3.2.3 Quanto à gravação ............................................................................................................................89
4. Curva-Chave ...................................................................................................................................................90
4.1 Validade da curva-chave ..........................................................................................................................91
4.1.1 Variação da curva-chave com o tempo.............................................................................................91
4.1.2 Extrapolação da curva-chave............................................................................................................92
5. Determinação da vazão pelo Método de Manning .........................................................................................93
CAPITULO IX...................................................................................................................................................94
CONTROLE DE CHEIAS E EROSÕES........................................................................................................94
1. Introdução......................................................................................................................................................94
2. Medidas para controle das cheias ................................................................................................................94
2.1 Medidas estruturais intensivas.................................................................................................................94
2.2 Medidas estruturais extensivas..............................................................................................................100
2.3 Medidas não-estruturais ........................................................................................................................100
3. Erosões.........................................................................................................................................................102
3.1 Processos de erosão, transporte e depósito de sedimentos...................................................................102
3.2 Necessidade do controle das erosões ....................................................................................................102
3.3 Controle das erosões através da sistematização hidráulico-florestal ......................................................103
CAPITULO X...................................................................................................................................................104
REGULARIZAÇÃO DE VAZÕES EM RESERVATÓRIOS ....................................................................104


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CAPITULO I

INTRODUÇÃO E CICLO HIDROLÓGICO

1. O conceito de Hidrologia o estudo da Hidrologia nas Engenharias

Conceito de Hidrologia

Hidrologia é a ciência que trata da água na Terra, sua ocorrência, circulação,
distribuição espacial, suas propriedades físicas e químicas e sua relação com o ambiente,
inclusive com os seres vivos. A Hidrologia é o estudo da água na superfície terrestre, no solo e
no sub-solo. De uma forma simplificada pode-se dizer que hidrologia tenta responder à
pergunta: O que acontece com a água da chuva?
A Hidrologia pode ser tanto uma ciência como um ramo da engenharia e tem muitos
aspectos em comum com a meteorologia, geologia, geografia, agronomia, engenharia ambiental e
a ecologia. A Hidrologia utiliza como base os conhecimentos de hidráulica, física e estatística.
Existem outras ciências que também estudam o comportamento da água em diferentes
fases, como a meteorologia, a climatologia, a oceanografia, e a glaciologia. A diferença
fundamental é que a Hidrologia estuda os processos do ciclo da água em contato com os
continentes.

Hidrologia nas Engenharias

A humanidade tem se ocupado com a água como uma necessidade vital e como uma
ameaça potencial pelo menos desde o tempo em que as primeiras civilizações se
desenvolveram às margens dos rios. Primitivos engenheiros construíram canais, diques,
barragens, condutos subterrâneos e poços ao longo do rio Indus, no Paquistão, dos rios Tigre
e Eufrates, na Mesopotâmia, do Hwang Ho na China e do Nilo no Egito, há pelo menos 5000
anos.
Enquanto a Hidrologia é a ciência que estuda a água na Terra e procura responder à
pergunta sobre o que ocorre com a água da chuva uma vez que atinge a superfície, a Engenharia
Hidrológica é a aplicação dos conhecimentos da Hidrologia para resolver problemas relacionados
aos usos da água.
Entre os principais usos humanos da água estão: o abastecimento humano; irrigação;
dessedentação animal; geração de energia elétrica; navegação; diluição de efluentes; pesca;
recreação e paisagismo. As preocupações com o uso da água aumentam a cada dia porque a
demanda por água cresce à medida que a população cresce e as aspirações dos indivíduos
aumentam. Estima-se que no ano 2000 o mundo todo usou duas vezes mais água do que em
1960. Enquanto as demandas sobem, o volume de água doce na superfície da terra é
relativamente fixo. Isto faz com que certas regiões do mundo já enfrentem situações de escassez.
O Brasil é um dos países mais ricos em água, embora existam problemas diversos.
A Engenharia Hidrológica também estuda situações em que a água não é exatamente
utilizada pelo homem, mas deve ser manejada adequadamente para minimizar prejuízos,
como no caso das inundações provocadas por chuvas intensas em áreas urbanas ou pelas
cheias dos grandes rios. Relacionados a estes temas estão os estudos de Drenagem Urbana e de
Controle de Cheias e Inundações.
A água também é importante para a manutenção dos ecossistemas existentes em rios, lagos
e ambientes marginais aos corpos d’água, como banhados e planícies sazonalmente
inundáveis. Nos últimos anos a Hidrologia e a Engenharia Hidrológica têm se aproximado de
ciências ambientais como a limnologia e a ecologia, visando responder questões como: Qual
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é a quantidade de água que pode ser retirada de um rio sem que haja impactos significativos
sobre os seres vivos que habitam este rio?
É possível que no futuro a água venha a ter um papel cada vez mais importante, num
mundo em que a energia renovável vai ser fundamental: no caso de produção
(hidroelétrica, energia de ondas e marés); no caso de armazenamento (para complementar
energia de vento ou solar); e no caso de produção de biocombustíveis (irrigação).

1.2 Uso da água

Os usos da água são normalmente classificados em consuntivos e não consuntivos.
Usos consuntivos alteram substancialmente a quantidade de água disponível para outros
usuários. Usos não-consuntivos alteram pouco a quantidade de água, mas podem alterar
sua qualidade. O uso de água para a geração de energia hidrelétrica, por exemplo, é um uso não-
consuntivo, uma vez que a água é utilizada para movimentar as turbinas de uma usina, mas
sua quantidade não é alterada. Da mesma forma a navegação é um uso não-consuntivo,
porque não altera a quantidade de água disponível no rio ou lago. Por outro lado, o uso
da água para irrigação é um uso consuntivo, porque apenas uma pequena parte da água
aplicada na lavoura retorna na forma de escoamento. A maior parte da água utilizada na
irrigação volta para a atmosfera na forma de evapotranspiração. Esta água não está perdida
para o ciclo hidrológico global, podendo retornar na forma de precipitação em outro local
do planeta, no entanto não está mais disponível para outros usuários de água na mesma região em
que estão as lavouras irrigadas.
Os usos de água também podem ser divididos de acordo com a necessidade ou não de
retirar a água do rio ou lago para que possa ser utilizada. Alguns usos da água que podem
ser feitos sem retirar a água de um rio ou lago são a navegação, a geração de energia hidrelétrica,
a recreação e os usos paisagísticos. Alguns usos da água que exigem a retirada de água, ainda
que parte dela retorne, são o abastecimento humano e industrial, a irrigação e a
dessedentação de animais. Os parágrafos que seguem descrevem com um pouco mais de
detalhe alguns dos principais usos de água.

Abastecimento humano

O uso da água para abastecimento humano é considerado o mais nobre, uma vez que o
homem depende da água para sua sobrevivência. A água para abastecimento humano é utilizada
diretamente como bebida, para o preparo dos alimentos, para a higiene pessoal e para a
lavagem de roupas e utensílios. No ambiente doméstico a água também é usada para irrigar
jardins, lavar veículos e para recreação.
O consumo de água em ambiente doméstico é estimado em 200 litros por habitante por
dia. Aproximadamente 80% deste consumo retornam das residências na forma de esgoto
doméstico, obviamente com uma qualidade bastante inferior. A tabela 1.1 mostra os percentuais
médios dos diferentes consumos doméstico.

Tabela 1.1 Abastecimento humano








Descrição Consumo (%)
Higiene pessoal 35
Descarga de vaso sanitário 30
Lavagem de roupas 20
Cozinhar e beber 10
Limpeza 5
Soma 100
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Abastecimento industrial

O uso industrial da água está relacionado aos processos de fabricação, ao uso no
produto final, a processos de refrigeração, à produção de vapor e à limpeza. A fabricação
de diferentes produtos tem diferentes consumos de água. Assim, a indústria de produção de
papel, por exemplo, é reconhecidamente uma das que mais consomem água.

Irrigação

A irrigação é o uso de água mais importante do mundo em termos de quantidade
utilizada. A irrigação é utilizada na agricultura para obter melhor produtividade e para que a
atividade agrícola esteja menos sujeita aos riscos climáticos. Em algumas regiões áridas, semi-
aridas, ou com uma estação seca muito longa, a irrigação é essencial para que possa existir a
agricultura. No Brasil o uso de água para irrigação vem aumentando a cada ano.
A quantidade de água utilizada na irrigação depende das características da cultura, do
clima e dos solos de uma região, bem como das técnicas utilizadas na irrigação.

Navegação

A navegação é um uso não-consuntivo que pode ser bastante atrativo do ponto de vista
econômico, principalmente para cargas com baixo valor por tonelada, como minérios e
grãos. A navegação requer uma profundidade adequada do corpo d’água e não pode ser praticada
em rios com velocidade de água excessiva.

Assimilação e transporte de poluentes

Os corpos de água são utilizados para transportar e assimilar os despejos neles
lançados, como o esgoto doméstico e industrial. Mesmo em regiões em que o esgoto doméstico
e industrial é tratado, as concentrações de alguns poluentes podem ser superiores às
concentrações encontradas nos rios. Assim, utiliza-se a capacidade de diluição dos rios e
lagos para diminuir a concentração dos poluentes. Também utiliza-se os rios para transportar os
poluentes e, assim, afastá-los de onde são gerados.
A capacidade de assimilação de um corpo d’água é limitada, e quando o lançamento de
dejetos é excessivo, a qualidade de água de um rio não é mais suficiente para outros usos, como
a recreação e a preservação dos ecossistemas.

Recreação

Um uso de água não consuntivo realizado no próprio curso d’água é a recreação. Este uso
é bastante freqüente em rios com qualidade de água relativamente boa, e inclui atividades
de contato direto, como natação e esportes aquáticos como a vela e a canoagem. Também
podem existir atividades de recreação de contato indireto, como a pesca esportiva.

Preservação de ecossistemas

Além de todos os usos humanos mais diretos, é do interesse das sociedades que os rios e
lagos mantenham sua flora e fauna relativamente bem preservadas. A manutenção dos
ecossistemas aquáticos implica na necessidade de que uma parcela da água permaneça no
rio, e que a qualidade desta água seja suficiente para a vida aquática.


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Geração de energia

A água é utilizada para a geração de energia elétrica em usinas hidrelétricas que
aproveitam a energia potencial existente quando a água passa por um desnível do terreno.
A potência de uma usina hidrelétrica é proporcional ao produto da descarga (ou vazão) pela
queda. A queda é definida pela diferença de altitude do nível da água a montante (acima) e a
jusante (abaixo) da turbina. A descarga em um rio depende das características da bacia
hidrográfica, como o clima, a geologia, os solos, a vegetação.
No Brasil a geração de energia elétrica está fortemente ligada à hidrologia porque a
quase totalidade da energia gerada e consumida é oriunda de usinas hidrelétricas.
Considerando os dados da década de 1990, o Brasil é o terceiro maior produtor de energia
hidrelétrica do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e do Canadá e a frente da China, da
Rússia e da França. Entretanto, a energia hidrelétrica no Brasil corresponde a mais de 97%
do total da energia elétrica gerada, enquanto que, na maior parte dos outros países, a energia
hidrelétrica corresponde a percentuais muito menores do total. A dependência mundial da
energia hidrelétrica é de apenas 20%.


2. Volumes de água no planeta Terra e o Ciclo Hidrológico

2.1 A água no planeta Terra

A água pode ser encontrada em estado sólido, líquido ou gasoso; na atmosfera, na
superfície da Terra, no subsolo ou nas grandes massas constituídas pelos oceanos, mares ou
lagos. Na Tabela 1.2 mostra, em termos de volumes e percentuais a água no nosso Planeta.

Tabela 1.2 A água no planeta Terra
Fonte Volume

(km
3
) Porcentagem (%)
Oceanos 1.348.000.000,00 97,390
Gelo polar, geleiras, icebergs 27.800.000,00 2,008
Água subterrânea, umidade do solo 8.030.000,00 0,580
Lagos e rios 277.000,00 0,020
Atmosfera 13.000,00 0,001
Soma 1.384.120.000,00 100,000

A água potável no nosso Planeta corresponde a 2,6 % do total ou um volume de
aproximadamente 36.000.000,00 km
3
. A Tabela 1.3 mostra onde podemos encontrá-la.

Tabela 1.3 A água potável na Terra
Fonte Volume

(km
3
) Porcentagem (%)
Capa de gelo polar, geleiras, icebergs 27.802.440,00 77,23
Água subterrânea (até 800 m de profundidade) 3.549.078,00 9,86
Água subterrânea (de 800 a 4.000 m) 4.446.000,00 12,35
Umidade do solo 60.840,00 0,17
Lagos (água potável) 125.280,00 0,35
Rios 1.000,80 0,003
Minerais hidratados 320,40 0,001
Plantas, animais, seres humanos 1.000,80 0,003
Atmosfera 14.040,00 0,04
Soma 36.000.000,00 100,000


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2.2 O ciclo hidrológico

O ciclo hidrológico é o conceito central da hidrologia. O ciclo hidrológico está
ilustrado na Figura 1.1. A energia do sol resulta no aquecimento do ar, do solo e da água
superficial e resulta na evaporação da água e no movimento das massas de ar. O vapor de ar é
transportado pelo ar e pode condensar no ar formando nuvens. Em circunstâncias
específicas o vapor do ar condensado nas nuvens pode voltar à superfície da Terra na
forma de precipitação. A evaporação dos oceanos é a maior fonte de vapor para a atmosfera e
para a posterior precipitação, mas a evaporação de água dos solos, dos rios e lagos e a
transpiração da vegetação também contribuem. A precipitação que atinge a superfície pode
infiltrar no solo ou escoar por sobre o solo até atingir um curso d’água. A água que infiltra
umedece o solo, alimenta os aqüíferos e cria o fluxo de água subterrânea.
O ciclo hidrológico é fechado se considerado em escala global. Em escala regional podem
existir alguns sub-ciclos. Por exemplo, a água precipitada que está escoando em um rio pode
evaporar, condensar e novamente precipitar antes de retornar ao oceano. A energia que
movimenta o ciclo hidrológico é fornecida pelo sol.
A água também sofre alterações de qualidade ao longo das diferentes fases do ciclo
hidrológico. A água salgada do mar é transformada em água doce pelo processo de
evaporação. A água doce que infiltra no solo dissolve os sais aí encontrados e a água que escoa
pelos rios carrega estes sais para os oceanos, bem como um grande número de outras substâncias
dissolvidas e em suspensão.



























Figura 1.1 - Componentes do ciclo hidrológico

Evaporação superfície liquida
Transpiração
Transpiração
Nuvem
Precipitação
Percolação
Interceptação
Armazenamento
em depressões
Evaporação
Nuvem
Oceano
Rio, Lago
Esc. Subterrâneo
Escoamento Superficial
Evapotranspiração
Infiltração Zona
de
Areação
Zona
de
Saturação
Evap. Direta
Evap. Solo
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A umidade atmosférica volta à superfície da Terra na forma de chuva, granizo, neve ou
orvalho. Uma parte dela será retida nas construções, árvores, arbustos e plantas. Essa água nunca
alcança o solo, e a quantidade assim retida é chamada de perda por interceptação.
A água que atinge o solo segue diversos caminhos. Como o solo é um meio poroso, há
infiltração de toda precipitação que chega ao solo, enquanto a superfície do solo não se satura.
A partir do momento da saturação superficial, à medida que o solo vai sendo saturado a
maiores profundidades, a infiltração decresce até uma taxa residual, com o excesso não infiltrado
da precipitação gerando escoamento superficial. A infiltração e a percolação no interior do solo
são comandadas pelas tensões capilares nos poros e pela gravidade. A umidade do solo
realimentada pela infiltração é aproveitada em parte pelos vegetais, que a absorvem pelas raízes e
a devolve, quase toda, à atmosfera por transpiração, na forma de vapor de água. O que os
vegetais não aproveitam, percola para o lençol freático que normalmente contribui para o
escoamento de base dos rios.
O escoamento superficial é impulsionado pela gravidade para as cotas mais baixas,
vencendo principalmente o atrito com a superfície do solo. O escoamento superficial manifesta-
se inicialmente na forma de pequenos filetes de água que se moldam ao micro relevo do solo. A
erosão de partículas de solo pelos filetes em seus trajetos, aliada à topografia preexistente, molda,
por sua vez, uma micro rede de drenagem efêmara que converge para a rede de cursos d’água
mais estável, formada por arroios e rios. A presença de vegetação na superfície do solo contribui
para obstaculizar o escoamento superficial, favorecendo a infiltração em percurso. A vegetação
também reduz a energia de impacto das gotas de chuva no solo, minimizando a erosão.
Com raras exceções, a água escoada pela rede de drenagem mais estável destina-se ao
oceano. Nos oceanos a circulação das águas é regida por uma complexa combinação de
fenômenos físicos e meteorológicos, destacando-se a rotação terrestre, os ventos de superfície,
variação espacial e temporal da energia solar absorvida e as marés.
Em qualquer tempo e local por onde circula a água na superfície terrestre, seja nos
continentes ou nos oceanos, há evaporação para a atmosfera, fenômeno que fecha o ciclo
hidrológico ora descrito. Naturalmente por cobrir a maior parte da superfície terrestre, cerca de
70%, a contribuição maior é dos oceanos. Entretanto o interesse maior, por estar intimamente
ligada a maioria das atividades humanas, reside na água doce dos continentes, onde é importante
o conhecimento de evaporação dos mananciais superficiais líquidos e dos solos, assim como da
transpiração vegetal. A evapotranspiração, que é a soma da evaporação e da transpiração,
depende da radiação solar, das tensões de vapor do ar e dos ventos.

2.3 Chuva, Granizo, Neve, Orvalho e Geada

Chuva, granizo e neve. Quando as gotículas de água, formadas por condensação, atingem
determinada dimensão, precipitam-se em forma de chuva. Se na sua queda atravessam zonas de
temperaturas abaixo de zero, pode haver formação de partículas de gelo, dando origem ao
granizo. No caso de a condensação ocorrer sob temperaturas abaixo do ponto de congelamento,
haverá a formação de neve.
Orvalho ou geada. Quando a condensação se verifica diretamente sobre uma superfície
sólida, ocorrem os fenômenos de orvalho ou geada, conforme se dê a condensação em
temperaturas superiores ou inferiores a zero grau centígrado.

3. Hidrologia Aplicada

A hidrologia aplicada está voltada para os diferentes problemas que envolvem a utilização
dos recursos hídricos, preservação do meio ambiente e ocupação da bacia. O Quadro 1.1
apresenta um resumo dos campos onde os conhecimentos da Hidrologia Aplicada são utilizados.

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11
Quadro 1.1 - Campos de atuação da Hidrologia.
Planejamento Projeto Operação
- gerenciamento de bacias
- inventário energético
- navegação
- irrigação
- energia
- drenagem
- abastecimento
- controle de cheias
- poluição
- erosão
- recreação
- piscicultura
- reservatórios
- controle de cheias
- irrigação
- abastecimento
- previsão hidrológica
- geração de energia

4. Quantidade de Água

Embora com um risco de excessiva simplificação, o trabalho dos engenheiros com os
recursos hídricos pode ser condensado em certo número de perguntas essenciais. Como as obras
de aproveitamento dos recursos hídricos visam ao controle do uso da água, as primeiras
perguntas referem-se naturalmente às quantidades de água. Quando se pensa na utilização da
água, a primeira pergunta geralmente é: Que quantidade de água será necessária?
Provavelmente é a resposta mais difícil de obter com precisão, dentre as que se pode propor em
um projeto, porque envolve aspectos sociais e econômicos, além dos técnicos. Com base em uma
análise econômica, deve ser também tomada uma decisão a respeito da vida útil das obras a
serem realizadas.
Quase todos os projetos de aproveitamento dependem da resposta à pergunta: Com quanta
água pode-se contar? Os projetos de controle de cheias baseiam-se nos valores de pico do
escoamento, ao passo que planos que visem a utilização da água o que importa é o volume
escoado durante longos períodos de tempo. As respostas a estas perguntas são encontradas pela
aplicação da Hidrologia, ou seja, o estudo da ocorrência e distribuição das águas naturais no
globo Terrestre ou mais especificamente em bacias hidrográficas.

5. Qualidade da Água

Além de ser suficiente em quantidade, a água deve satisfazer certas condições quanto à
qualidade. Essa é uma preocupação fundamental no aproveitamento dos recursos hídricos. No
entanto os problemas relativos à qualidade da água não serão abordados com profundeza nesta
disciplina. O mesmo é tratado nas disciplinas de Saneamento.

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12

CAPITULO II

BACIAS HIDROGRÁFICAS

1. Bacias hidrográficas

O ciclo hidrológico é normalmente estudado com maior interesse na fase terrestre, onde o
elemento fundamental de análise é a bacia hidrográfica.

1.1 Conceito

A bacia hidrográfica é uma área de captação natural da água da precipitação que faz
convergir os escoamentos para um único ponto da bacia, seu enxutório ou foz.
A bacia hidrográfica compõe-se basicamente de um conjunto de áreas com declividade no
sentido de determinada seção transversal de um curso d’água, medidas as áreas em projeção
horizontal. São Sinônimos: bacia de captação, bacia coletora, bacia de drenagem superficial,
bacia de contribuição, bacia imbrífera, bacia hidrológica.

1.2 Individualização

Sobre uma planta da região, com altimetria adequada, procura-se traçar a linha de divisores
de água que separa a bacia considerada das contíguas.


Figura 2.1- Divisor d´água de uma bacia hidrográfica
1.3 Área da Bacia

Delimitadas a bacia e as principais sub-bacias, as áreas são obtidas na planta topográfica
por planímetro ou por qualquer outro método de medição. Ela é representada normalmente por
“A”, e é um dado fundamental para definir a potencialidade hídrica da bacia hidrográfica.,
porque seu valor multiplicado pela lâmina de chuva precipitada define o volume de água
recebido pela bacia. Por isto é considera-se como área da bacia hidrográfica a sua área
projetada verticalmente. Também é possível determinar a área de uma bacia por cálculos
matemáticos de mapas arquivados eletronicamente através de SIG (Sistema de Informações
Geográficas).
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13
1.4 Bacia como sistema

A bacia hidrográfica pode ser considerada um sistema físico onde a entrada é o volume de
água precipitado e a saída é o volume de água escoado pelo enxutório, considerando-se como
perdas intermediárias os volumes evaporados e transpirados e também infiltrados
profundamente.

2. Rios, Ribeirões e Córregos
2.1 Definição

Em termo hidrológico rio é um sistema aberto com fluxo contínuo da nascente à foz, sendo
que a manutenção do sistema de escoamento depende do balanço hidrológico.

2.2 Classificação dos rios

2.2.1 Baseada na permanência ou não de água durante o ano

a) Efêmeros ou intermitentes: quando destituídos de água numa parte do ano. Nos
efêmeros existe água apenas após períodos de precipitação e só transportam
escoamento superficial. Já os intermitentes escoam durante as estações de chuva e
secam nas de estiagem.
b) Perenes: quando drena água o ano todo.

2.2.2 Denominação: Rio, Ribeirão ou Córrego

A denominação de rio, ribeirão ou córrego é em função da descarga, área de drenagem,
largura do canal do rio ou ordem do rio.

Tabela 2.1 – Denominação: Rio, Ribeirão ou Córrego.

Tamanho do rio
Descarga
média
(m
3
/s)

Área de drenagem
(km
2
)
Largura
do rio
(m)
Ordem
do rio*
Rios muito grandes > 10.000 > 1.000.000 >1.500 >10
Rios grandes 1.000 a 10.000 100.000 a 1.000.000 800 a 1.500 7 a 11
Rios 100 a 1.000 10.000 a 100.000 200 a 800 6 a 9
Pequenos rios 10 a 100 1.000 a 10.000 200 a 800 4 a 7
Ribeirões 1 a 10 100 a 1.000 40 a 200 3 a 6
Pequenos ribeirões 0,1 a 1 10 a 100 8 a 40 2 a 5
Córregos < 0,1 < 10 <1 1 a 3
*Depende das condições locais (Fonte: Meybeck et al. 1992).

3. Características fluviomorfológicas
3.1 Índice de conformação

É a relação entre a área de uma bacia hidrográfica e o quadrado de seu comprimento axial,
medido ao longo do curso d’água, da desembocadura ou seção de referência à cabeceira mais
distante, no divisor de águas. Uma bacia com índice de conformação baixo é menos sujeita a
enchentes que outra do mesmo tamanho porém com maior índice de conformação. Isso se deve
ao fato de que em uma bacia estreita e longa, com índice de conformação baixo, há menos
possibilidade de ocorrência de chuvas intensas cobrindo simultaneamente toda a sua extensão; e
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14
também, numa tal bacia, a contribuição dos tributários atinge o curso d´água principal em vários
pontos ao longo do mesmo. Caso não existam outros fatores que interfiram, quanto o valor deste
índice se aproxima a unidade (um), a forma da bacia se aproxima de um quadrado e este tipo de
bacia tem maior potencialidade de ocorrência de picos de enchentes elevados.

(adimensional)
(2.1)

onde: A = área da bacia, km
2

L = Comprimento do rio, km

3.2 Índice de compacidade
É a relação do perímetro de uma bacia hidrográfica e a circunferência de círculo de área
igual à da bacia.

K
P
C
c
=


onde: P= Perímetro, km
C= Circunferência, km
A= Área da bacia, km
2


A
P
Kc
28 , 0 =
(adimensional) (2.2)

Este coeficiente é um número adimensional que varia conforme a bacia,
independentemente do seu tamanho, quanto mais irregular for a bacia, tanto maior será o
coeficiente de compacidade. Um coeficiente igual a unidade corresponderia a uma bacia circular.
O valor do índice de compacidade indica maior potencialidade da bacia de produção de picos de
enchentes elevados. Caso não existam outros fatores que interfiram, menor valor do índice de
compacidade (próximo a 1) indica maior potencialidade de ocorrência de picos de enchentes
elevados.

3.3 Densidade de drenagem e Densidade de confluência

3.3.1 Densidade de drenagem

A relação entre o comprimento total dos cursos d’água efêmeros, intermitentes e perenes
de uma bacia hidrográfica e a área total da mesma bacia é denominada densidade de drenagem.
Este índice varia de 0,5 km/km
2
, para bacias de drenagem pobre, a 3,5 km/km
2
ou mais, para
bacias excepcionalmente bem drenadas.

d
D
=

l
A
(2.3)

onde: D
d
= Densidade de drenagem, km/ km
2

∑l = soma dos comprimentos dos rios, km
A = Área da bacia, km
2


L
I 2 c
A
=
Figura 2.2 - Rios da bacia hidrográfica
A
L
A
L
P C
A
D
Figura 2.3 - Perímetro da bacia hidrográfica
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15
3.3.2 Densidade de confluência

Uma forma mais simples de representar a densidade de drenagem é calcular a densidade de
confluência. A interpretação do resultado é semelhante ao da densidade de drenagem.

D
Nc
A
c
=
(2.4)

onde: D
c
= Densidade de confluência (N
c
/ km
2
)
N
c
= Número de confluência
A = Área da bacia, km
2

Se existir um número bastante grande de cursos de água numa bacia (relativa a sua área), o
deflúvio atinge rapidamente os rios e haverá provavelmente picos de enchentes altos e deflúvios
de estiagem baixos.

3.4 Sinuosidade do curso d’água

A relação entre o comprimento do rio L e o comprimento de um tavegue Lt, é denominada
sinuosidade do curso d’água, que é um fator de controlador da velocidade de escoamento.




Lt
L
S
in
=
(2.5)

onde: L = Comprimento do rio considerando a sinuosidade do mesmo, km
L
t
= Comprimento do rio em linha reta, km
Este índice, ou seja, a sinuosidade pode distinguir entre os canais que são
meandros e os que não são, para um valor acima de 1,5 seria considerado canal
com meandros.

3.5 Sistema de ordenamento dos canais

Como critérios de ordenamento dos canais da rede de drenagem de uma bacia hidrográfica,
destacam-se os de Horton ( 1945) e Strahler (1957).













Figura 2.5 - Sistema de ordenamento de canais
Figura 2.4 - Rios da bacia hidrográfica
A
L
L
t


1
1
1
2
1 1
1
1
1
1
2
3
1
3
2
3
2
2
1


3
1
1
3
1 2
1
1 1
1
2
3
1
3
3
3
3
2 2

b) STRAHLER a) HORTON
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16

3.6 Declividade e perfil longitudinal de um curso d’água

O perfil de um curso d’água é representado marcando-se os comprimentos desenvolvidos
do leito em abscissas e a altitude do fundo (ou cota de água) em ordenadas.

Declividade média de um curso d’água pode ser calculado por dois métodos:

a) Linha d
1
- que representa a declividade média entre dois pontos, obtida dividindo-se a
diferença total de elevação do leito pela extensão horizontal do curso d’água entre os dois
pontos.
d
H
L
1
=

(m/m) (2.6)

onde: L = Comprimento do rio, m
∆H = diferença de nível existente no comprimento L, desnível máximo, m

b) Linha d
2
- que determina uma área entre esta e o eixo das abscissas igual a área
compreendida entre a curva do perfil e o mesmo eixo. É o valor mais representativo e racional da
declividade do curso d’água.

2
2
2
L
A
d
BP
=
(m/m) ou
L
h
d

=
2
(2.7)

onde: L = Comprimento do rio, m
A
BP
= área compreendida entre a curva do perfil e o mesmo eixo das abscissas, m.















Figura 2.6 - Perfil longitudinal do rio Cometa



Distância a partir da seção de controle (em km)
Altitude (m)
400
1200
1000
800
600
20 40 60 80
d
1

d
2

880 m
∆H = 900 m
∆h = 480 m

1300
A
BP

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17
























Figura 2.7 - Bacia do rio Itajaí.

























Figura 2.8 - Principais bacias hidrográficas brasileiras.


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18

CAPITULO - III

PRECIPITAÇÃO

1. Conceito

Precipitação é a água proveniente do vapor d’água da atmosfera, que chega a superfície
terrestre, sob a forma de: chuva, granizo, neve, orvalho, etc.
Para as condições climáticas do Brasil, a chuva é a mais significativa em termos de
volume.

2. Formação das chuvas

A umidade atmosférica é o elemento básico para a formação das precipitações.
A formação da precipitação segue o seguinte processo: o ar úmido das camadas baixas da
atmosfera é aquecido por condução, torna-se mais leve que o ar das vizinhanças e sofre uma
ascensão adiabática. Essa ascensão do ar provoca um resfriamento que pode fazê-lo atingir o seu
ponto de saturação.
A partir desse nível, há condensação do vapor d’água em forma de minúsculas gotas que
são mantidas em suspensão, como nuvens ou nevoeiros. Essas gotas não possuem ainda massa
suficiente para vencer a resistência do ar, sendo, portanto, mantidas em suspensão, até que, por
um processo de crescimento, ela atinja tamanho suficiente para precipitar.

3. Classificação das precipitações

Conforme o mecanismo fundamental pelo qual se produz a ascensão do ar úmido, as
precipitações podem ser classificadas em: convectivas, orográficas ou frontais.

3.1 Chuvas Convectivas (“chuvas de verão”)

Resultantes de convecções térmicas, que é um fenômeno provocado pelo forte
aquecimento de camadas próximas à superfície terrestre, resultando numa rápida subida do ar
aquecido. A brusca ascensão promove um forte resfriamento das massas de ar que se condensam
quase que instantaneamente.
Ocorrem em dias quentes, geralmente no fim da tarde ou começo da noite;
Podem iniciar com granizo;
Podem ser acompanhadas de descargas elétricas e de rajadas de vento;
- Interessam às obras em pequenas bacias, como para cálculo de bueiros, galerias de águas
pluviais, etc.









Figura 3.1 - Chuva Convectiva

Expansão
Ar Quente
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19


3.2 Chuvas Orográficas

Quando vem vento quente e úmido, soprando geralmente do oceano para o continente, e
encontram uma barreira montanhosa, elevam-se e se resfriam adiabaticamente havendo
condensação do vapor, formação de nuvens e ocorrência de chuvas.
São provocadas por grandes barreiras de montanhas (ex.: Serra do Mar);
As chuvas são localizadas e intermitentes;
Possuem intensidade bastante elevada;
Geralmente são acompanhadas de neblina.











Figura 3.2 - Chuva Orográfica
3.3 Chuvas Frontais

Aquelas que ocorrem ao longo da linha de descontinuidade, separando duas massas de ar
de características diferentes. São chuvas de grande duração, atingindo grandes áreas com
intensidade média. Essas precipitações podem vir acompanhadas por ventos fortes com
circulação ciclônica. Podem produzir cheias em grandes bacias.












Figura 3.3 - Chuva Frontal
4. Medidas de precipitação

- Quantifica-se a chuva pela altura de água caída e acumulada sobre uma superfície plana.
- A quantidade da chuva é avaliada por meio de aparelhos chamados de pluviômetros e
pluviógrafos.

Grandezas características das medidas pluviométricas:

L1
Ar Frio
Ar
quente
L2 > L1
Ar Úmido
Frente Fria
Frente Quente
Ar quente
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20
• Altura pluviométrica: mediadas realizadas nos pluviômetros e expressas em mm.
Significado: lâmina d’água que se formaria sobre o solo como resultado de certa chuva, caso não
houvesse escoamento, infiltração ou evaporação da água precipitada. A leitura dos pluviômetros
é feita normalmente uma ou duas vez por dia às 7 horas da manhã e as 17 da tarde..
• Duração: período de tempo contado desde o início até o fim da precipitação, expresso
geralmente em horas ou minutos.
• Intensidade da precipitação: é a relação entre a altura pluviométrica e a duração da chuva
expressa em mm/h ou mm/min. Uma chuva de 1mm/min corresponde a uma vazão de 1 litro/min
afluindo a uma área de 1 m
2
.
4.1 Pluviômetros

O pluviômetro consiste em um cilindro receptor de água com medidas padronizadas, com
um receptor adaptado ao topo. A base do receptor é formada por um funil com uma tela
obturando sua abertura menor. No fim do período considerado, a água coletada no corpo do
pluviômetro é despejada, através de uma torneira, para uma proveta graduada, na qual se faz
leitura. Essa leitura representa, em mm, a chuva ocorrida nas últimas 24 horas.


Figura 3.4 - Pluviômetro

Dimensões de um pluviômetro padrão:
1) um reservatório cilíndrico de 256,5 mm de diâmetro e 40 cm de comprimento, terminando
por parte cônica munida de uma torneira para retirar a água.
2) um receptador cilíndrico cônico, em forma de funil, com bordas perfeitamente circular, em
aresta viva com 252,4 mm de diâmetro, sobrepondo-se ao reservatório e que determina a área
de exposição do aparelho; é a parte mais delicada do aparelho e deve ser construído e
conservado cuidadosamente; ele impede também a evaporação da água acumulada no
reservatório.
3) uma proveta de vidro, devidamente graduada, para medir diretamente a chuva recolhida.

Obs. Os pluviômetros são normalmente observados uma ou duas vezes por dia, todos os dias,
nos mesmos horários, eles indicam a altura pluviométrica diária (ou a intensidade média em 12
horas).
A principio o resultado não depende da área; mas é preciso não se enganar no momento de
calcular a lâmina precipitada;
D > 2h
h
1,5
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A
V
P * 10 = (3.1)

onde: P é a precipitação acumulada, em mm;
V é o volume recolhido, em cm
3

A é a área de interceptação do anel, em cm
2


4.1.1 Instalação do aparelho

Existem várias normas de instalação dos pluviômetros e pluviógrafos apesar das tentativas
de homogeneização internacional. Em geral deve ser feita a uma altura média acima da superfície
do solo, entre 1 m a 1,5 m. O aparelho deve ficar longe de qualquer obstáculo que pode
prejudicar a medição (prédios, árvores, relevo, etc.).

4.2 Pluviógrafos

São aparelhos automáticos que registram continuamente a quantidade de chuva que
recolhem. Estes equipamentos permitem medir as intensidades das chuvas durante intervalos de
tempo inferiores àqueles obtidos com as observações manuais feitas nos pluviômetros.

4.2.1 Variedade de Aparelhos

Existe uma grande variedade de aparelhos, usando princípios diferentes para medir e
gravar continuamente as precipitações. Pode-se examiná-los segundo as quatro etapas da
aquisição: medição, transmissão do sinal, gravação, transmissão do registro.
Os pluviógrafos possuem normalmente uma superfície receptora padrão de 200 cm
2
.
Os registros dos pluviógrafos são indispensáveis para o estudo de chuvas de curta duração,
que é necessário para os projetos de galerias pluviais.

4.2.2 Tipos de Pluviógrafos

Pluviógrafo de caçambas basculantes: consiste em uma caçamba dividida em dois
compartimentos, arranjados de tal maneira que, quando um deles se enche, a caçamba bascula,
esvaziando-o e deixando outro em posição de enchimento. A caçamba é conectada com um registrador,
que pode armazenar os dados em uma memória em suporte eletrônico (data-logger) ou em um papel em
forma gráfica, sendo que uma basculada normalmente equivale a 0,25 mm de chuva.




Figura 3.5 - (a)
Pluviógrafo de caçamba basculante
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22

Pluviógrafo de peso: Neste instrumento, o receptor repousa sobre uma escala de pesagem que
aciona a pena e esta traça um gráfico de precipitação sob a forma de um diagrama (altura de
precipitação acumulada x tempo) ou pode armazenar em uma memória em suporte eletrônico (data-
logger).


Figura 3.5 - (b) Pluviógrafo de peso

4.3 Pluviogramas

Os gráficos produzidos pelos pluviógrafos são chamados de pluviogramas.
Os pluviogramas são gráficos nos quais a abscissa corresponde às horas do dia e a
ordenada corresponde à altura de precipitação acumulada até aquele instante.

Figura 3.6 - Exemplo de pluviograma

4.4 Ietogramas

Os ietogramas são gráficos de barras, nos quais a abscissa representa a escala de tempo e a
ordenada a altura de precipitação. A leitura de um ietograma é feita da seguinte forma: a altura de
precipitação corresponde a cada barra é a precipitação total que ocorreu durante aquele intervalo
de tempo.

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Ietograma
0
1
2
3
4
5
6
7
8
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Tempo (Horas)
C
h
u
v
a

(
m
m
)
Precipitações

Figura 3.7 - (a) Ietograma.

3.7 - (b) Exemplo de um evento de chuva (ietograma-invertido) com o respectivo evento de cheia
(hidrograma-niveis).

4.5 Manipulação e processamento dos dados pluviométricos

Os postos pluviométricos são identificados pelo prefixo e nome e seus dados são
analisados e arquivados individualmente.
Os dados lidos nos pluviômetros são lançados diariamente pelo observador na folhinha
própria, que a remete no fim de cada mês para a entidade encarregada.
Antes do processamento dos dados observados nos postos, são feitas algumas análises de
consistência dos dados:
Dados horários do Evento ocorrido em Blumenau em Novembro de 2008
0
10
20
30
40
50
60
70
80
22/11/2008 23/11/2008 24/11/2008 25/11/2008
P
r
e
c
i
p
i
t
a
ç
ã
o

(
m
m
)
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
N
i
v
e
l

(
m
)
Precipitações registradas (mm)
Niveis registrados (m)
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24

a) Detecção de erros grosseiros

Como os dados são lidos pelos observadores, podem haver alguns erros grosseiros do tipo:
- observações marcadas em dias que não existem (ex.: 31 de abril);
- quantidades absurdas (ex.: 500 mm em um dia);
- erro de transcrição (ex.: 0,36 mm em vez de 3,6 mm).
No caso de pluviógrafos, para verificar se não houve defeito na sifonagem, acumula-se a
quantidade precipitada em 24 horas e compara-se com a altura lida no pluviômetro que fica ao
lado destes.

b) Preenchimento de falhas

Pode haver dias sem observação ou mesmo intervalo de tempo maior, por impedimento do
observador ou o por estar o aparelho danificado.
Nestes casos, os dados falhos, são preenchidos com os dados de 3 postos vizinhos,
localizados o mais próximo possível, da seguinte forma:
|
|
¹
|

\
|
+ + + =
C
C
x
B
B
x
A
A
x
x
P
N
N
P
N
N
P
N
N
P
3
1
(3.2)
onde: P
x
é o valor de chuva que se deseja determinar;
N
x
é a precipitação média anual do posto x;
N
A
, N
B
e N
C
são, respectivamente, as precipitações médias anuais do postos vizinhos A, B e
C;
P
A
, P
B
e P
C
são, respectivamente, as precipitações observadas no instante que o posto x
falhou.
4.6 Variação geográfica e temporal das precipitações

A precipitação varia geográfica, temporal e sazonalmente. O conhecimento da distribuição
e variação da precipitação, tanto no tempo como no espaço, é imprescindível para estudos
hidrológicos.

4.6.1 Variação geográfica

Em geral, a precipitação é máxima no Equador e decresce com a latitude. Entretanto,
existem outros fatores que afetam mais efetivamente a distribuição geográfica da precipitação do
que a distância ao Equador.

4.6.2 Variação temporal

Embora os registros de precipitações possam sugerir uma tendência de aumentar ou
diminuir, existe na realidade uma tendência de voltar à média. Isso significa que os períodos
úmidos, mesmo que irregularmente, são sempre contrabalançados por períodos secos.
Em virtude das variações estacionais, define-se o ano hidrológico, em dois períodos, o
úmido e o seco. A tabela 3.1 ilustra, com dados do posto de Blumenau, a definição destes dois
períodos.


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25
Tabela 3.1 – Precipitação média mensal em Blumenau (1945-2009).
Mês P (mm) Período
correspondente
Janeiro 201,7 úmido
Fevereiro 188,8 úmido
Março 157,3 úmido
Abril 97,9 seco
Maio 96,1 seco
Junho 91,1 seco
Julho 106,6 seco
Agosto 95,5 seco
Setembro 141,4 úmido
Outubro 160,7 úmido
Novembro 128,0 úmido
Dezembro 152,8 úmido
Média mensal no ano 134,8 Limite

Define-se como período úmido os meses de setembro a março e período seco os meses de
abril a agosto (Figura 3.9).

Figura 3.9 - Precipitações mensais em Blumenau.

5. Precipitações médias sobre uma bacia hidrográfica

Para calcular a precipitação média de uma superfície qualquer, é necessário utilizar as
observações dos postos dentro dessa superfície e nas suas vizinhanças.
Existem três métodos para o cálculo da chuva média: método da Média Aritmética, método
de Thiessen e método das Isoietas.

5.1 Método da média aritmética
Precipitação Mensal em Blumenau (1945-2009)
2
0
1
,
7
1
8
8
,
8
1
5
7
,
3
9
7
,
9
9
6
,
1
9
1
,
1
1
0
6
,
6
9
5
,
3
1
4
1
,
4
1
5
0
,
7
1
2
8
,
0
1
5
2
,
8
0,0
100,0
200,0
300,0
400,0
500,0
600,0
700,0
800,0
900,0
1000,0
jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez
Mês
P
r
e
c
i
p
i
t
a
ç
ã
o

(
m
m
)
Precipitações Máximas
Precipitações Médias
Precipitações Mínimas
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26

Admite-se que todos pluviômetros têm o mesmo peso. A precipitação média é então
calculada como a média aritmética dos valores medidos. Este método ignora as variações
geográficas da precipitação.


=
∗ =
n
i
i m P P
n
1
1 (3.4)

onde: P
m
= a precipitação média na área, em mm
P
i
= a precipitação medida no i-ésimo pluviômetro, em mm
n = o número total de pluviômetro

5.2 Método de Thiessen

Este método considera a não-uniformidade da distribuição espacial dos postos, mas não
leva em conta o relevo da bacia. Por isto este método dá bons resultados quando o terreno não é
muito acidentado.
A média será dada por:
m
i
i
n
P
P A
i
A
=
=

1
(3.5)
onde:
P
m
= a precipitação média na área, em mm
A
i
= a área de influência de cada posto i,
P
i
= a precipitação registrada no posto i, mm
A = a área da bacia.
A metodologia consiste no seguinte:
a) ligue os postos por trechos retilíneos;
b) trace linhas perpendiculares aos trechos retilíneos passando pelo meio da linha que liga
os dois postos;
c) prolongue as linhas perpendiculares até encontrar outra.
O polígono é formado pela interseção das linhas, correspondendo à área de influência de
cada posto.











Figura 3.10 - Método de Thiessen
5.3 Método das Isoietas

Isoietas são linhas indicativas de mesma altura pluviométrica. Podem ser consideradas
como “curvas de nível de chuva”. O espaçamento entre eles depende do tipo de estudo, podendo
ser de 5 em 5 mm, 10 em 10 mm, 20 em 20 mm, etc.
°P
4


P
1
°
P
2

°
°P
3

A3
A1
A2
A4
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27
O traçado das isoietas é feito da mesma maneira que se procede em topografia para
desenhar as curvas de nível, a partir das cotas de alguns pontos levantados.
Descreve-se a seguir o procedimento de traçado das isoietas:
1º. Definir qual o espaçamento desejado entre as isoietas.
2º. Liga-se por uma semi-reta, dois postos adjacentes, colocando suas respectivas alturas
pluviométricas.
3º. Interpola-se linearmente determinando os pontos onde vão passar as curvas de nível,
dentro do intervalo das duas alturas pluviométricas.

4º. Procede-se dessa forma com todos os postos pluviométricos adjacentes.
5º. Ligam-se os pontos de mesma altura pluviométrica, determinando cada isoieta.
6º. A precipitação média é obtida por:

(
(
¸
(

¸

¦
)
¦
`
¹
¦
¹
¦
´
¦
|
|
¹
|

\
| +
∗ ∗ =

=
+
+
n
i
i i
i i
m
P P
P
A
A
1
1
1 ,
2
1
(3.6)
onde:
P
m
= a precipitação média na área, em mm
A
i,i+1
= a área compreendida entre as isoietas i e i+1,
P
i
= a precipitação correspondente da isoieta i, mm
P
i+1
= a precipitação correspondente da isoieta i+1, mm
A = a área da bacia,














6. Altura pluviométrica anual

A quantidade total de precipitação num ano é uma das mais interessantes características de
uma estação pluviométrica, pois fornece de imediato uma idéia sintética do fenômeno no local.
O valor da altura pluviométrica anual varia de região para região, desde próximo a zero, nas
regiões desérticas, até o valor máximo conhecido de 25.000 mm (Charrapunji, Ïndia)

6.1 Média, Desvio Padrão, Variância, Coeficiente de Variação e Valores Extremos

P
1
°
°P
4

°P
2

°P
3

Figura 3.11 - Método das Isoietas
i i+1
i-1
i-2
A
i, i+1

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28

a) Média Aritmética ( X )
X
X
n
i
i
n
=
=

1
X = são os dados (Precipitação, Vazão, Etc.) (3.7)
n = número de dados
b) Desvio Padrão (S)
S
X X
n
i
i
n
= ±


=

( )
2
1
1
X é a média (3.8)

c) Variância (S
2
)
S
X X
n
i
i
n
2
2
1
1
=


=

( )
(3.9)

d) Coeficiente de Variação (C
V
)
C
S
X
V
= *100
(%) (3.10)

e)Valores Extremos
Extremo inferior: Mínimo
Extremo superior: Máximo

6.2 Frequência de totais anuais

Um dos mais importantes resultados da Teoria das Probabilidades é o chamado teorema do
limite central. Este teorema diz que, satisfeitas certas condições, a soma de variáveis aleatórias é
aproximadamente, normalmente distribuída, isto é, ela tende a seguir a lei de Gauss de
distribuição de probabilidades. Como o total anual de precipitação pluvial é formado pela soma
dos totais diários, é natural que se tente ajustar a lei de Gauss ao conjunto de dados observados.
A lei de Gauss tem a expressão:
F x P X x e du
u
z
( ) [ ]
( )
,
/
= ≤ =

−∞

1
2
2
2
π
(3.11)
onde: z é uma função linear de x, denominada variável reduzida:
x
x u
=

σ

Na expressão acima, u é a média (do universo), geralmente estimada pela média amostral
X , e σ é o desvio-padrão (do universo), geralmente estimado pelo desvio-padrão amostral S. A
integral que fornece o valor de F(x) só pode ser avaliada numericamente, e foi tabelada, podendo
ser encontrada em qualquer obra de referência Estatística.
É comum apresentar-se o ajuste da lei de Gauss em forma gráfica, relacionando o total
anual de precipitação pluvial (X) com o seu respectivo tempo de retorno (T). Os períodos de
retornos são estimados por
T
F x
=
1
( )
para F(x) ≤ 0,5, (3.12)
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29
T
F x
=

1
1 ( )
para F(x) > 0,5. (3.13)

Assim, para cada valor de x, calcula-se o valor de z correspondente obtém-se F(x) de uma
tabela e calcula-se finalmente T. Por fim plota-se em um gráfico num papel probabilístico
aritmético-normal.

6.3 Papel de Probabilidade - Gauss (Papel probabilístico aritmético-normal)

Determinação das coordenadas para o traçado no papel de probabilidade aritmética da
curva (“reta”) de distribuição de frequências.
a) Na ordenada correspondente à frequência percentual acumulada de 15,87% marca-se a
altura pluviométrica média menos o desvio padrão, X - S.
b) Na ordenada correspondente à frequência percentual acumulada de 50% marca-se a altura
pluviométrica média, X .
c) Na ordenada correspondente à frequência percentual acumulada de 84,13% marca-se a
altura pluviométrica média mais o desvio padrão, X +S.
Portanto, no papel de probabilidade aritmética, a “reta” de distribuição de freqüências
deve passar pelos pontos:

P1 ( X - S; 15,87%)
P2 ( X ; 50%)
P3 ( X + S; 84,13%)

7. Altura pluviométrica mensal

O estudo das alturas pluviométricas mensais pode ser feito nas mesmas bases indicadas
para o estudo das alturas pluviométricas anuais.

8. Altura pluviométrica diária

Um estudo mais detalhado das precipitações levaria a reduzir o intervalo de análise ao dia
que corresponde a observações dos pluviômetros. Geralmente, esse estudo é feito dentro do
chamado “estudo chuvas intensas”

9. Chuvas intensas

- Conjunto de chuvas originadas de uma mesma perturbação meteorológica, cuja
intensidade ultrapassa um certo valor (chuva mínima).
- A duração das chuvas varia desde alguns minutos até algumas dezenas de horas.
- A área atingida pode variar desde alguns km
2
até milhares de km
2
.
- Conhecimento das precipitações intensas de curta duração → é de grande interesse nos
projetos de obras hidráulicas, tais como: dimensionamento de galerias de águas pluviais, de
telhados e calhas, condutos de drenagem, onde o coeficiente de escoamento superficial é bastante
elevado.
O conhecimento da freqüência de ocorrência das chuvas de alta intensidade é também de
importância fundamental para estimativa de vazões extremas para cursos d´água sem medidores
de vazão.

10. Duração, intensidade e freqüência das precipitações
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30

a) Duração (t): é o período de tempo durante o qual a chuva cai. Expressa normalmente por
minuto, hora, dia, mês ou ano.
b)Intensidade (i): é a precipitação por unidade de tempo, obtida como a relação
(i=Precipitação/tempo). Expressa normalmente em mm/h ou mm/min.
c) Frequência de probabilidade (F=P) e tempo de recorrência ou período de retorno (T)
Na análise de alturas pluviométricas (ou intensidades), o tempo de recorrência (T) é
analisado como sendo o número médio de anos durante a qual espera-se que a precipitação
analisada seja igualada ou superada. O seu inverso é a probabilidade de um fenômeno igual ou
superior ao valor analisado. Por exemplo, uma precipitação com 1% de probabilidade de ser
igualada ou superada num ano tem um tempo de retorno igual a 100 anos. (T=1/F=1/0,01=100
anos).
A probabilidade ou freqüência de ocorrência pode ser dada por:


1 +
= =
N
m
F P
m
N
F P
T
1 1 1 +
= = =
(Fórmula de Kimbal) (3.14)

Onde: m é a ordem e N é o número de dados

Exemplo:
para m = 3 (ordem) → N = 31 (número de dados/anos) 09375 , 0
1 31
3
=
+
= F

09375 , 0
1 1 1
= = =
F P
T ∴ T ≅ 11 anos

10.1 Tipos de séries usadas nas análises estatísticas

Três critérios podem ser adotados

a) Sérias anuais. Neste critério as séries são constituídas dos máximos observados em cada
ano, desprezando-se os demais dados mesmo que sejam superiores às dos outros anos.

b) Sérias parciais. Neste caso as séries são constituídas dos “n” maiores valores observados,
sendo “n” o número de anos do período analisado.

c) Séries completas. Neste ultimo critério se adota todos os valores selecionados para a
formação das séries. O primeiro critério é o mais adotado.

10.2 Variação da intensidade com a freqüência

Em Hidrologia interessa não só o conhecimento das máximas precipitações observadas nas séries
históricas, mas principalmente, prever com base nos dados observados, quais as máximas precipitações
que possam vir a ocorrer com uma determinada freqüência.
Em geral, as distribuições de valores extremos de grandezas hidrológicas, como a chuva e vazão,
ajustam-se satisfatoriamente à distribuição de Gumbel, dada por:


T
e x X P
y
e
1
1 ) ( = − = ≥


(3.15)

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31

(
¸
(

¸

|
¹
|

\
| −
− − =
T
T
y
1
ln ln (3.16)
onde:
P = probabilidade de um valor extremo X ser maior ou igual a um dado valor x;
T = período de retorno;
y = variável reduzida de Gumbel.


10.3 Relação Intensidade – Duração – Frequência (I-D-F)

Para projetos de obras hidráulicas, tais como vertedores de barragens, sistemas de
drenagem, galerias pluviais, dimensionamento de bueiros, entre outros, é necessário conhecer as
três grandezas que caracterizam as precipitações máximas: intensidade, duração e freqüência (i-
d-f ou I-D-F). Correlacionando intensidades e durações das chuvas verificam-se que quanto mais
intensa for uma precipitação, menor será sua duração.
Na análise estatística da estrutura hidrológica das séries de chuva podem ser seguidos dois
enfoques alternativos: séries anuais ou séries parciais. A escolha de um ou outro tipo de séries
depende do tamanho das séries disponível e do objetivo do estudo. A metodologia das séries
parciais é utilizada quando o número de anos de dados é pequeno (<12 anos) e os tempos de
retorno que serão utilizados são inferiores a 5 anos.
Procura-se analisar as relações I-D-F das chuvas observadas determinando-se para os
diferentes intervalos de duração de chuva, qual o tipo de equação e qual o número de parâmetros
dessa equação.
É usual empregar-se equações do tipo:

n
t t
C
i
) (
0
+
= (3.17)
onde: i é a intensidade máxima média (mm/min.) para duração t;
t
0
, C e n são parâmetros a determinar.

Certos autores procuram relacionar C com o período de retorno T, por meio de uma
equação do tipo:
m
T a C . = (3.18)
neste caso a equação empregada fica:
n
m
t t
T a
i
) (
.
0
+
= (3.19)
onde:
i = intensidade, geralmente expressa em mm/h
T = o tempo de retorno, em anos
t = duração da chuva, em minutos
a, m, n e t
0
são parâmetros que devem ser determinados para cada local.

10.4 Equações e gráficos de chuvas intensas

As equações abaixo, i é a intensidade da chuva em mm/h, T é o período de retorno em anos
e t é a duração da chuva em minutos.

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32
a) Para Blumenau (Álvaro Back, 2002):

( )
6647 , 0
1764 , 0
1 , 8
. 3 , 655
+
=
t
T
i (Para t ≤120 min) (3.20)

( )
7909 , 0
1764 , 0
3 , 22
. 9 , 1246
+
=
t
T
i (Para 120min <t<1440 min) (3.21)
c) Para Blumenau (Ademar Cordero, 2009):

( )
65 , 0
1765 , 0
1 , 8
. 655
+
=
t
T
i
(Para t ≤120 min) (3.22)

( )
78 , 0
1765 , 0
3 , 22
. 9 , 1246
+
=
t
T
i (Para 120 min <t< 720 min) (3.23)


Comparação entre as Equações de Álvaro Back (2002) e Ademar Cordero (2009).

Pluiviômetro (Cordero) Pluviógrafo (Back)
0
25
50
75
100
125
150
175
200
225
250
275
300
5 min 10 min 15 min 20 min 25 min 30 min 1 h 6 h 8 h 10 h 12 h
Tempo
I
n
t
e
n
s
i
d
a
d
e

d
e

c
h
u
v
a

(
m
m
/
h
)
T= 5 anos (Cordero)
T= 5 anos (Back)
T=10 nos (Cordero)
T= 10 amos (Back)
T=20 anos (Cordero)
T=20 anos (Back)
T=50 anos (Cordero)
T=50 anos (Back)
T=100 anos (Cordero)
T=100 anos (Back)


Figura 3.12 - Curvas de intensidade-duração-freqüência, para a cidade de Blumenau

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33


10.5 Exercício

Determinar, em forma de tabela, a intensidade-duração-frequência para o posto
pluviométrico de Blumenau da série histórica de 1944 a 2008, utilizando o método Log-Normal.

Tabela 3.2 Precipitações do posto pluviométrico de Blumenau.
ANO DO DADO
CHUVA MÁXIMA
DIÁRIA ANUAL ORDEM
ORDEM DECRESCENTE DA
CHUVA MÁXIMA
PERIODO DE
RETORNO
(ANOS)
(Ano) P (mm) (m) P (mm) T=(N+1)/m
1944 64,9 1 250,6 66,0
1945 70,8 2 159,5 33,0
1946 81,4 3 144,3 22,0
1947 53 4 140,8 16,5
1948 99,2 5 126,4 13,2
1949 84 6 125,9 11,0
1950 42,7 7 123,5 9,4
1951 89,6 8 118,1 8,3
1952 63,6 9 115,0 7,3
1953 63,4 10 112,8 6,6
1954 107 11 110,9 6,0
1955 81,8 12 107 5,5
1956 46,3 13 105,3 5,1
1957 65,6 14 105,0 4,7
1958 82,4 15 101,2 4,4
1959 89,5 16 100,1 4,1
1960 123,5 17 99,2 3,9
1961 110,9 18 98,4 3,7
1962 126,4 19 97,6 3,5
1963 63,7 20 97,0 3,3
1964 50,4 21 94,6 3,1
1965 97,6 22 90,6 3,0
1966 90,6 23 90,2 2,9
1967 70,1 24 89,7 2,8
1968 45,5 25 89,6 2,6
1969 64,9 26 89,5 2,5
1970 140,8 27 88 2,4
1971 65,7 28 88,0 2,4
1972 105,3 29 87,0 2,3
1973 88 30 84 2,2
1974 159,5 31 83,9 2,1
1975 115,0 32 83,0 2,1
1976 97,0 33 82,4 2,0
1977 83,0 34 81,8 1,9
1978 78,0 35 81,4 1,9
1979 90,2 36 81,4 1,8
1980 62,8 37 80,0 1,8
1981 81,4 38 79,6 1,7
1982 87,0 39 79,0 1,7
1983 79,6 40 78,0 1,7
1984 105,0 41 75,5 1,6
1985 100,1 42 74,6 1,6
1986 94,6 43 70,8 1,5
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34
1987 70,2 44 70,2 1,5
1988 55,6 45 70,1 1,5
1989 125,9 46 70,0 1,4
1990 88,0 47 70,0 1,4
1991 112,8 48 65,9 1,4
1992 144,3 49 65,7 1,3
1993 118,1 50 65,6 1,3
1994 101,2 51 64,9 1,3
1995 83,9 52 64,9 1,3
1996 70,0 53 63,7 1,2
1997 79,0 54 63,6 1,2
1998 98,4 55 63,4 1,2
1999 75,5 56 62,8 1,2
2000 61,8 57 61,8 1,2
2001 89,7 58 60 1,1
2002 51,1 59 55,6 1,1
2003 74,6 60 53 1,1
2004 65,9 61 51,1 1,1
2005 60,0 62 50,4 1,1
2006 70,0 63 46,3 1,0
2007 80,0 64 45,5 1,0
2008 250,6 65 42,7 1,0
2009 76,9 66
2010 84,9 67
2011 101,4 68

Método Log-Normal para Blumenau
P = 34,033Ln(T) + 54,54
R
2
= 0,9235
0
50
100
150
200
250
300
1 10 100 1000
Período de ret orno, T (anos)
P
r
e
c
i
p
i
t
a
ç
ã
o

d
i
á
r
i
a

(
m
m
)
Precipitação Registrada
Reta Ajustada

Figura 3.13 Precipitações máximas diária do posto pluviométrico de Blumenau (Log-Normal).
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35
Método de Gumbel para Blumenau
P= 25,602(y) + 74,147
R
2
= 0,9074
0
50
100
150
200
250
300
-1,5 -1,0 -0,5 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0 5,5 6,0 6,5 7,0
Variável reduzida (y)
P
r
e
c
i
p
i
t
a
ç
ã
o

d
i
á
r
i
a


(
m
m
) Precipitação Registrada
Reta Ajustada

Figura 3.14 Precipitações máximas diária do posto pluviométrico de Blumenau (Gumbel).

Tabela 3.3 – Precipitação de um dia para diversos Períodos de Retornos
Período de
Retorno Log-Normal Gumbel
T (anos) P(mm) P(mm)
5 109,3 112,5
10 132,9 131,8
25 164,1 156,0
50 187,7 174,0
100 211,3 191,9
200 234,9 209,7
320 250,9 221,8
500 266,0 233,2
1000 289,6 251,0
10000 368,0 309,9

10.5.1 Relação entre chuvas máximas de 1 dia e 24 horas

Muitas vezes há necessidade de se avaliar a relação intensidade-duração-frequência das
chuvas de curta duração onde tem informação somente de chuvas de 1 dia. A chuva registrada
em um dia é diferente da registrada em 24 horas, devido os horários diferentes, o de um dia
coletado em um pluviômetro é feito geralmente as 7:00 horas da manhã, enquanto a do
pluviógrafo, é das zero hora as 24 horas. A relação adotada para determinar a chuva de 24 horas ,
com dados de pluviômetros é 1,14 definida por diversos pesquisadores (24h/1dia=1,14).

10.5.2 Relações entre chuvas de diferentes durações

Para locais onde as únicas informações mais detalhadas são as chuvas de 1 dia observadas
em postos pluviométricos, pode-se avaliar a chuva de 24 horas de determinada freqüência.
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36

Valores obtidos do estudo DNOS (Médios) para as relações entre alturas pluviométricas
podem ser utilizados com series anuais para período de retorno de 2 a 100 anos.

Tabela 3.4 - Relações entre chuvas de diferentes durações para Blumenau (1944-2008)
Método de Gumbel
Altura Pluviométrica (mm) Relação entre alturas
pluviométricas
Valores obtidos do
estudo DNOS
(Médios)
T= 5
anos
T= 10
anos
T= 20
anos
T=50
anos
T=100
anos
5 min/30 min 0,34 13,6 15,9 18,1 21,0 23,1
10 min/30 min 0,54 21,5 25,2 28,7 33,3 36,7
15 min/30 min 0,7 27,9 32,7 37,2 43,2 47,6
20 min/30 min 0,81 32,3 37,8 43,1 49,9 55,1
25 min/30 min 0,91 36,3 42,5 48,4 56,1 61,9
30 min/1 h 0,74 39,9 46,7 53,2 61,7 68,0
1 h/ 24 h 0,42 53,9 63,1 71,9 83,3 91,9
6 h/ 24 h 0,72 92,4 108,1 123,3 142,9 157,5
8 h/ 24 h 0,78 100,1 117,2 133,5 154,8 170,6
10 h/ 24 h 0,82 105,2 123,2 140,4 162,7 179,4
12 h/ 24 h 0,85 109,1 127,7 145,5 168,6 186,0
24 horas
(Precipitação de 24 horas)
=1,14*P(1 dia) 128,3 150,2 171,2 198,4 218,8
P (1 dia)
Precipitação de um dia
Tirado da Equação
(Gumbel)
112,6 131,8 150,2 174,0 191,9

Tabela 3.5 Chuvas intensas para Blumenau - Método de Gumbel

Chuvas intensas (mm/h)
Dados utilizados de Pluviômetro (1944-2008)
Duração
T= 5 anos T= 10 anos T= 20 anos T=50 anos T=100 anos
5 min 162,7 190,5 217,1 251,6 277,4
10 min 129,2 151,2 172,4 199,8 220,3
15 min 111,7 130,7 149,0 172,7 190,4
20 min 96,9 113,4 129,3 149,8 165,2
25 min 87,1 102,0 116,2 134,7 148,5
30 min 79,8 93,4 106,4 123,3 136,0
1 h 53,9 63,1 71,9 83,3 91,9
6 h 15,4 18,0 20,5 23,8 26,3
8 h 12,5 14,6 16,7 19,3 21,3
10 h 10,5 12,3 14,0 16,3 17,9
12 h 9,1 10,6 12,1 14,1 15,5

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37





















Figura 3.15 – Comparação chuvas intensas em Blumenau usando pluviômetro e pluviógrafo


Cruvas Intensidade-Duraçao-Frequência (I-D-F)
0
50
100
150
200
250
300
5 10 15 20 25 30 60 360 480 600 720
Tempo ( minutos)
I
n
t
e
n
s
i
d
a
d
e

i

(

m
m
/
h
o
r
a
)
Tabela - T = 5 anos
Equação - T = 5 anos
Tabela - T = 10 anos
Equação - T = 10 anos
Tabela - T = 20 anos
Equação - T = 20 anos
Tabela - T = 50 anos
Equação - T = 50 anos
Tabela - T = 100 anos
Equação - T = 100 anos


Figura 3.16 – Comparação chuvas intensas em Blumenau usando Tabela 3.5 e Equações 3.22 e
3.23. ( ajustadas por Ademar Cordero tomando como Base as de Back).
Pluiviômetro (Cordero)
0
25
50
75
100
125
150
175
200
225
250
275
300
5 min 10 min 15 min 20 min 25 min 30 min 1 h 6 h 8 h 10 h 12 h
Tempo
I
n
t
e
n
s
i
d
a
d
e

d
e

c
h
u
v
a

(
m
m
/
h
)
T= 5 anos (Cordero)
T=10 nos (Cordero)
T=20 anos (Cordero)
T=50 anos (Cordero)
T=100 anos (Cordero)

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38
CAPITULO – IV
INTERCEPTAÇÃO E ARMAZENAMENTO

1. Conceito

Interceptação é a retenção de parte da precipitação acima da superfície do solo. A
interceptação pode ocorrer devido a vegetação ou outra forma de obstrução ao escoamento. O
volume retido é perdido por evaporação, retornando a atmosfera. Este processo interfere no
balanço hídrico da bacia hidrográfica, funcionando como um reservatório que armazena uma
parcela da precipitação para consumo. A tendência é que a inteceptação reduza a variação da
vazão ao longo do ano, retarde e reduza o pico das cheias.
A capacidade de interceptação depende das características da precipitação (intensidade,
duração, volume), das características da própria cobertura vegetal (vegetação de folhas maiores
possuem maior capacidade de interceptação), das condições climáticas (quando há muito vento a
capacidade de interceptação é diminuída), da época do ano (por exemplo, no outono a capacidade
de interceptação é praticamente nula em árvores de folhas caducas), entre outros.
O papel da interceptação no balanço hídrico de uma bacia é mais importante em regiões em
que predominam chuvas de baixa intensidade. Nestes casos, a evaporação da água interceptada
ocorre durante o próprio evento chuvoso. Em regiões com chuvas mais intensas o papel da
interceptação no balanço hídrico é menor.
Alguns valores estimados para perdas por interceptação de acordo com o tipo de vegetação
são:
• prados, de 5 a 10% da precipitação anual;
• bosques espessos, cerca de 25% da precipitação anual.

Alguns autores sugerem que se a chuva total de um evento for inferior a 1 mm, ela será
interceptada em sua totalidade, e se for superior a 1 mm, a interceptação pode variar entre 10 e
40%

2. Interceptação Vegetal

A quantificação de perdas devido à interceptação vegetal em uma floresta pode ser feita
através do monitoramento acima e abaixo da copa das árvores. Neste caso é importante, também,
monitorar o volume de água que escoa pelo tronco das árvores.
A diferença do volume total precipitado e volume de água que atravessa a vegetação
(considerando o volume escoado pelos troncos) fornece uma estimativa da interceptação do
local.
A equação da continuidade do sistema de interceptação pode ser descrita por:

S
i
= P – T – C (4.1)
onde:
S
i
: é a precipitação interceptada,
P : é a precipitação observada,
T : é a precipitação que atravessa a vegetação,
C : é a parcela que escoa pelo tronco das árvores.

2.1 Medições das variáveis

a) Precipitação – A quantificação da precipitação é realizada com postos pluviométricos
localizados em clareiras próximas às áreas de interesse..
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b) Precipitação que atravessa a vegetação – Esta precipitação é medida por drenagem
especial colocada abaixo das árvores e distribuída de tal forma a obter uma representatividade
espacial desta variável. Em florestas altas é possível utilizar pluviômetros que possuem o mesmo
padrão das medições de precipitação. Experiências mostram que é necessário utilizar cerca de
dez vezes mais equipamentos para a medição da precipitação que atravessa a vegetação do que
para a precipitação total. Dependendo do tipo de cobertura a quantificação desta variável é ainda
mais difícil como em gramados e vegetação rasteira.
c) Escoamento pelos troncos – Esta variável apresenta uma parcela pequena do total
precipitado, de 1 a 15 % do total precipitado. A medição desta variável somente é viável para
vegetação com troncos de magnitude razoável.

3. Armazenamento da água de chuva

Na bacia hidrográfica existem obstruções naturais e artificiais ao escoamento, acumulando
parte do volume precipitado e muitas vezes formando pequenos lagos. O volume de água retido
nessas áreas somente diminui por evaporação e por infiltração. Como o lençol freático fica alto,
logo após a enchente, a saída de água dá-se principalmente pela evaporação, reduzindo a vazão
média da bacia e o pico das enchentes.
Em áreas urbanas uma parcela grande da chuva é retida em depressões do terreno, e não
produz escoamento. As áreas das depressões normalmente são impermeáveis e, portanto, também
não existe infiltração significativa no solo. A água retida nestas depressões, como poças da água,
fica disponível para evaporar. Com a utilização da água da chuva, tendência atual, parte da água
é armazenada em reservatórios, para após ser utilizada principalmente para fins não potáveis,
esta água contribui para reduzir o picos das enchentes urbanas, no momento em que um numero
grande de edificações fazem este armazenamento.























Figura 2.1 – Ciclo hidrológico
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40
CAPITULO – V

EVAPOTRANSPIRAÇÃO - EVAPORAÇÃO E TRANSPIRAÇÃO

1. Introdução

O retorno da água precipitada para a atmosfera, fechando o ciclo hidrológico, ocorre
através do processo da evapotranspiração. A evapotranspiração é o conjunto de dois processos:
evaporação e transpiração. Evaporação é o processo de transferência de água líquida para
vapor do ar diretamente de superfícies líquidas, como lagos, rios, reservatórios, poças, e gotas de
orvalho. A água que umedece o solo, que está em estado líquido, também pode ser transferida
para a atmosfera diretamente por evaporação. Mais comum neste caso, entretanto, é a
transferência de água através do processo de transpiração. A transpiração envolve a retirada da
água do solo pelas raízes das plantas, o transporte da água através da planta até as folhas e a
passagem da água para a atmosfera através dos estômatos da folha.
Do ponto de vista do profissional envolvido com a geração de energia hidrelétrica a
evaporação é importante pelas perdas de água que ocorrem nos reservatórios que regularizam a
vazão para as usinas. Além disso, a evapotranspiração é um processo que influencia fortemente a
quantidade de água precipitada que é transformada em vazão em uma bacia hidrográfica. Do
ponto de vista da geração de energia, portanto, a evapotranspiração pode ser encarada como uma
perda de água.
Evaporação ocorre quando o estado líquido da água é transformado de líquido para gasoso.
As moléculas de água estão em constante movimento, tanto no estado líquido como gasoso.
Algumas moléculas da água líquida têm energia suficiente para romper a barreira da superfície,
entrando na atmosfera, enquanto algumas moléculas de água na forma de vapor do ar retornam
ao líquido, fazendo o caminho inverso. Quando a quantidade de moléculas que deixam a
superfície é maior do que a que retorna está ocorrendo a evaporação.
As moléculas de água no estado líquido estão relativamente unidas por forças de atração
intermolecular. No vapor, as moléculas estão muito mais afastadas do que na água líquida, e a
força intermolecular é muito inferior. Durante o processo de evaporação a separação média entre
as moléculas aumenta muito, o que significa que é realizado trabalho em sentido contrário ao da
força intermolecular, exigindo grande quantidade de energia. A quantidade de energia que uma
molécula de água líquida precisa para romper a superfície e evaporar é chamada calor latente de
evaporação. O calor latente de evaporação pode ser dado por unidade de massa de água, como na
equação 5.1:

λ = 2,501- 0,002361×Ts em MJ.kg
-1
(5.1)


Onde: Ts é a temperatura da superfície da água em
o
C.

Portanto o processo de evaporação exige um fornecimento de energia, que, na natureza, é
provido pela radiação solar.
O ar atmosférico é uma mistura de gases entre os quais está o vapor de água. A quantidade
de vapor de água que o ar pode conter é limitada, e é denominada concentração de saturação (ou
pressão de saturação). A concentração de saturação de vapor de água no ar varia de acordo com a
temperatura do ar. Quando o ar acima de um corpo d’água está saturado de vapor o fluxo de
evaporação se encerra, mesmo que a radiação solar esteja fornecendo a energia do calor latente
de evaporação.



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41
Assim, para ocorrer a evaporação são necessárias duas condições:

1. Que a água líquida esteja recebendo energia para prover o calor latente de evaporação – esta
energia (calor) pode ser recebida por radiação ou por convecção (transferência de calor do ar para
a água)

2. Que o ar acima da superfície líquida não esteja saturado de vapor de água.

Além disso, quanto maior a energia recebida pela água líquida, tanto maior é a taxa de
evaporação. Da mesma forma, quanto mais baixa a concentração de vapor no ar acima da
superfície, maior a taxa de evaporação.

Fatores atmosféricos que afetam a evaporação

Os principais fatores atmosféricos que afetam a evaporação são a temperatura, a umidade
do ar, a velocidade do vento e a radiação solar.

Radiação solar

A quantidade de energia solar que atinge a Terra no topo da atmosfera está na faixa das
ondas curtas.
O processo de fluxo de calor latente é onde ocorre a evaporação. A intensidade desta
evaporação depende da disponibilidade de energia. Regiões mais próximas ao Equador recebem
maior radiação solar, e apresentam maiores taxas de evapotranspiração. Da mesma forma, em
dias de céu nublado, a radiação solar é refletida pelas nuvens, e nem chega a superfície,
reduzindo a energia disponível para a evapotranspiração.

Temperatura

A quantidade de vapor de água que o ar pode conter varia com a temperatura. Ar mais
quente pode conter mais vapor, portanto o ar mais quente favorece a evaporação.

Umidade do ar

Quanto menor a umidade do ar, mais fácil é o fluxo de vapor da superfície que está
evaporando. O efeito é semelhante ao da temperatura. Se o ar da atmosfera próxima à superfície
estiver com umidade relativa próxima a 100% a evaporação diminui porque o ar já está
praticamente saturado de vapor.

Velocidade do vento

O vento é uma variável importante no processo de evaporação porque remove o ar úmido
diretamente do contato da superfície que está evaporando ou transpirando.

O processo de fluxo de vapor na atmosfera próxima à superfície ocorre por difusão, isto é,
de uma região de alta concentração (umidade relativa) próxima à superfície para uma região de
baixa concentração afastada da superfície. Este processo pode ocorrer pela própria ascensão do ar
quente como pela turbulência causada pelo vento.

2. Evaporação

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42
2.1 Medição de evaporação

A evaporação é medida de forma semelhante à precipitação, utilizando unidades de mm
para caracterizar a lâmina evaporada ao longo de um determinado intervalo de tempo. As formas
mais comuns de medir a evaporação são o Tanque Classe A e o Evaporímetro de Piche.
O tanque Classe A é um recipiente metálico que tem forma circular com um diâmetro de
121 cm e profundidade de 25,5 cm. Construído em aço ou ferro galvanizado, deve ser pintado na
cor alumínio e instalado numa plataforma de madeira a 15 cm da superfície do solo. Deve
permanecer com água variando entre 5,0 e 7,5 cm da borda superior.
A medição de evaporação no Tanque Classe A é realizada diariamente diretamente numa
régua, ou ponta linimétrica, instalada dentro do tanque, sendo que são compensados os valores da
precipitação do dia. Por esta razão o Tanque Classe A é instalado em estações meteorológicas em
conjunto com um pluviômetro.

















Figura 5.1 - Tanque classe A

O evaporímetro de Piche é constituído por um tubo cilíndrico, de vidro, de
aproximadamente 30 cm de comprimento e um centímetro de diâmetro, fechado na parte superior
e aberto na inferior. A extremidade inferior é tapada, depois do tubo estar cheio com água
destilada, com um disco de papel de feltro, de 3 cm de diâmetro, que deve ser previamente
molhado com água. Este disco é fixo depois com uma mola. A seguir, o tubo é preso por
intermédio de uma argola a um gancho situado no interior de um abrigo meteorológico padrão.
Em geral, as medições de evaporação do Tanque Classe A são considerados mais
confiáveis do que as do evaporímetro de Piche.

2.2 Determinação da Evaporação

O processo físico da evaporação é função principalmente da temperatura e umidade sendo
influenciado ainda pela pressão atmosférica, velocidade média do vento na região, sólidos
solúveis, umidade e natureza do solo. Regiões de clima seco e quente favorecem a evaporação
ao passo que em regiões de clima frio e úmido ocorre o contrário.

E = 0,32 U
2
(e
s
-e
2
)

Onde E é a Intensidade da evaporação (mm/mês)

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43
U
2
é a velocidade do vento obtida a 2 m acima da superfície evaporante (m/s)
e
s
é a pressão de saturação do vapor a temperatura de superfície (mb.)
e
2
é a pressão de vapor do ar a 2 m de altura acima da superficie (mb.)

3. Transpiração

A transpiração é a retirada da água do solo pelas raízes das plantas, o transporte da água
através das plantas até as folhas e a passagem da água para a atmosfera através dos estômatos da
folha.
A transpiração é influenciada também pela radiação solar, pela temperatura, pela umidade
relativa do ar e pela velocidade do vento. Além disso, intervém outras variáveis, como o tipo de
vegetação e o tipo de solo.
Como o processo de transpiração é a transferência da água do solo, uma das variáveis mais
importantes é a umidade do solo. Quando o solo está úmido as plantas transpiram livremente, e a
taxa de transpiração é controlada pelas variáveis atmosféricas. Porém, quando o solo começa a
secar o fluxo de transpiração começa a diminuir. As próprias plantas têm certo controle ativo
sobre a transpiração ao fechar ou abrir os estômatos, que são as aberturas na superfície das folhas
por onde ocorre a passagem do vapor para a atmosfera.
Para um determinado tipo de cobertura vegetal a taxa de evapotranspiração que ocorre em
condições ideais de umidade do solo é chamada a Evapotranspiração Potencial (ETP),
enquanto a taxa que ocorre para condições reais de umidade do solo é a Evapotranspiração
Real (ETR). A evapotranspiração real é sempre igual ou inferior à evapotranspiração potencial.
A Evapotranspiração Potencial é um valor de referência, pois caracteriza a perda de
água da bacia como se toda a vegetação fosse um ¨gramado¨ de uma espécie vegetal
padronizada. Portanto, é um índice que independe das características particulares de transpiração
da cultura plantada na região estudada, levando em conta apenas o clima, o tipo de solo, e as
superfícies livres de água na bacia.

4. Evapotranspiração

4.1 Medição da evapotranspiração por Lisimetro

A medição da evapotranspiração é relativamente mais complicada do que a medição da
evaporação. Existem dois métodos principais de medição de evapotranspiração: os lisímetros e as
medições micrometeorológicas. Os lisímetros são depósitos ou tanques enterrados, abertos na
parte superior, os quais são preenchidos com o solo e a vegetação característicos dos quais se
deseja medir a evapotranspiração. O solo recebe a precipitação, e é drenado para o fundo do
aparelho onde a água é coletada e medida. O depósito é pesado diariamente, assim como a chuva
e os volumes escoados de forma superficial e que saem por orifícios no fundo do lisímetro. A
evapotranspiração é calculada por balanço hídrico entre dois dias subseqüentes de acordo com a
equação 5.2, onde DV é a variação de volume de água (medida pelo peso); P é a chuva (medida
num pluviômetro); ETR é a evapotranspiração; Qs é o escoamento superficial (medido) e Qb é o
escoamento subterrâneo (medido no fundo do tanque).

ETR = P - Qs – Qb - DV (5.2)

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44

Figura 5.2 - Lisímetros para medição de evapotranspiração.



Figura 5.3 – Esquema de um lisimetro.

A medição de evapotranspiração por métodos micrometeorológicos envolve a medição das
variáveis velocidade do vento e umidade relativa do ar em alta freqüência. Próximo à superfície a
velocidade do vento é paralela à superfície, o que significa que o movimento médio na vertical é
zero. Entretanto, a turbulência do ar em movimento causa flutuações na velocidade vertical, que
na média permanece zero, mas apresenta momentos de fluxo ascendente e descendente
alternados.

4.2 Estimativa da evapotranspiração por balanço hídrico

A evapotranspiração pode ser estimada, também, pela medição das outras variáveis que
intervém no balanço hídrico de uma bacia hidrográfica. De forma semelhante ao apresentado na
equação 5.2, para um lisímetro, pode ser realizado o balanço hídrico de uma bacia para estimar a
evapotranspiração. Neste caso, entretanto, as estimativas não podem ser feitas considerando o
intervalo de tempo diário, mas apenas o anual, ou maior. Isto ocorre porque, dependendo do
tamanho da bacia, a água da chuva pode permanecer vários dias ou meses no interior da bacia
antes de sair escoando pelo exutório.
Para estimar a evapotranspiração por balanço hídrico de uma bacia é necessário considerar
valores médios de escoamento e precipitação de um período relativamente longo, idealmente
superior a um ano. A partir daí é possível considerar que a variação de armazenamento na bacia
pode ser desprezada, e a equação de balanço hídrico se reduz à equação 5.3.

ETR = P – Q +/-∆V = P – Q (5.3)

∆V: variação de armazenamento de água subterrânea (podendo ser positivo ou negativo)
este valor pode ser tomado como zero, pois o volume no inicio pode ser igual ao do fim do
período considerado.

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45

Exercício
1) Uma bacia de 800 km
2
recebe anualmente 1600 mm de chuva, e a vazão média corresponde a
700 mm. Qual é a evapotranspiração anual?
A evapotranspiração pode ser calculada por balanço hídrico da bacia desprezando a
variação do armazenamento na bacia ETR = 1600 – 700 = 900 mm.

4.3 Determinação da Evapotranspiraçao Potencial

Equação de Thornthwaite

Uma equação muito utilizada para a estimativa da evapotranspiração potencial quando se
dispõe de poucos dados é a equação de Thornthwaite. Esta equação serve para calcular a
evapotranspiração em intervalo de tempo mensal, a partir de dados de temperatura

a
I
T
Fc ETP
|
¹
|

\
|
= 10 16 *
(mm/mês) (5.4)

onde:
• ETP: evapotranspiração potencial para meses de 30 dias e comprimento de 12 horas
(mm/mês);
• T: temperatura média do ar (
o
C);
• I: índice de calor;


514 , 1
12
1
)
5
(

=
=
i
i
t
I


a = (6,75.10
-7
. I³) – (7,71.10
-6
. I²) + (0,01791 . I) + 0,492

• Fc = Fator de correção em função da latitude e mês do ano.

Tabela 5.1– Fator de correção Fc (Fonte Tabela A3-Tucci).
VALORES DE (Fc) MÉTODO DE THORNTHWAITE
Lat.Sul Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
20°E 1,12 1,00 1,05 0,97 0,96 0,91 0,95 0,99 1,00 1,08 1,09 1,15
25°E 1,14 1,00 1,05 0,97 0,96 0,91 0,95 0,99 1,00 1,08 1,09 1,15
30°E 1,17 1,01 1,05 0,96 0,94 0,88 0,93 0,98 1,00 1,10 1,11 1,18

A equação de Thorntwaite foi desenvolvida com dados restritos do hemisfério norte e se
tornou popular mais pela sua simplicidade – usa apenas a temperatura – do que pela sua precisão.
Sua aplicação nas demais regiões do mundo exigiu a adaptação de um fator de correção (Fc) que
depende do mês do ano e da latitude.

Exercício
1) Calcule a evapotranspiração potencial mensal para Blumenau, onde as temperaturas médias
mensais são dadas.
Posição de Blumenau: 27°00'S 49°00'W
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46


Tabela 5.2 – Temperatura média mensal de Blumenau.
VALORES DE Tm (
o
C)
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Blumenau 26,8 26,4 25,7 23,4 20,2 17,8 16,9 18,4 19,7 22,0 23,9 25,8


4.4 Evapotranspiração da Cultura

O método dos coeficientes de cultura é utilizado para estimativa da demanda real de água
de uma cultura em cada fase de crescimento, sendo método base para projetos de irrigação.
Consiste em si, na determinação da evapotranspiração real, através da multiplicação do valor de
evapotranspiração potencial do período pelo valor do coeficiente de cultura (Kc) da fase, ou seja:

ETR = Kc . ETP
onde:
• ETR: evapotranspiração real da fase (mm/período);
• Kc: coeficiente de cultura de fase (adimensional);
• ETP: evapotranspiração potencial do período (mm/período);

Tabela 5.3 – Coeficiente de cultura Kc
EVAPORAÇÃO (Ciclo) ETP (mm) Kc (%)
Banana 700-1700 0,85 – 0,90
Feijão 250-400 0,85 – 0,90
Algodão 550-950 0,80 – 0,90
Milho 400-700 0,75 – 0,90
Arroz 500-800 1,05-1,20
Sorgo 300-650 0,75 – 0,80
Soja 450-825 0,75 – 0,90
Cana-de-Açúcar 1000-1500 0,85 – 1,05
Fumo 300-500 0,85 – 0,95
Tomates 300-600 0,75 – 0,90

O coeficiente Kc depende do estágio de desenvolvimento e do tipo de cultura, além de ser
específico para cada método utilizado (Iisímetro, Penman, tanques, ...) para determinação da
evapotranspiração potencial.
A avaliação da evapotranspiração real (ETR) a partir da evapotranspiração potencial (ETP)
calculada pelos métodos vistos anteriormente é de grande valia para a irrigação, pois
proporciona meio prático para o controle das aplicações de água, bem como condições para o
planejamento da agricultura irrigada.

5. Evaporação em reservatórios

5.1 Através do Tanque Classe A

A evaporação da água de reservatórios é de especial interesse para a engenharia, porque
afeta o rendimento de reservatórios para abastecimento, irrigação e geração de energia.
Reservatórios são criados para regularizar a vazão dos rios, aumentando a disponibilidade de
água e de energia nos períodos de escassez. A criação de um reservatório, entretanto, cria uma
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47
vasta superfície líquida que disponibiliza água para evaporação, o que pode ser considerada uma
perda de água e de energia.
A evaporação da água em reservatórios pode ser estimada a partir de medições de Tanques
Classe A, entretanto é necessário aplicar um coeficiente de redução em relação às medições de
tanque. Isto ocorre porque a água do reservatório normalmente está mais fria do que a água do
tanque, que tem um volume pequeno e está completamente exposta à radiação solar.
Assim, para estimar a evaporação em reservatórios e lagos costuma-se considerar que esta
tem um valor de aproximadamente 60 a 80% da evaporação medida em Tanque Classe A na
mesma região, isto é:

E
lago
= E
tanque
. F
t


Onde F
t
tem valores entre 0,6 e 0,8.

O reservatório de Sobradinho, um dos mais importantes do rio São Francisco, tem uma
área superficial de 4.214 km
2
, constituindo-se no maior lago artificial do mundo, está numa das
regiões mais secas do Brasil. Em conseqüência disso, a evaporação direta deste reservatório é
estimada em 200 m
3
/s, o que corresponde a cerca de 10% da vazão regularizada do rio São
Francisco. Esta perda de água por evaporação é superior à vazão prevista para o projeto de
transposição do rio São Francisco, idealizado pelo governo federal.

Exercícios

1) Um rio cuja vazão média é de 34 m
3
/s, foi represado por uma barragem para geração de
energia elétrica. A área superficial do lago criado é de 5000 hectares. Considerando que a
evaporação direta do lago corresponde a 970mm por ano, qual é a nova vazão média a jusante da
barragem?

2) Uma bacia de 2300 km
2
recebe anualmente 1600 mm de chuva, e a vazão média corresponde a
14 m
3
/s. Calcule a evapotranspiração total desta bacia. Calcule o coeficiente de escoamento anual
desta bacia.


5. 2 Através do Balanço Hídrico

Este método é utilizado no estudo de água perdida por evaporação em reservatórios.
Baseia-se no princípio de conservação de massa do sistema (reservatório).


E
0
.A = I + P.A – Q – D - ∆V
onde:
• E
0
: evaporação potencial;
• I: entrada de água no sistema;
• P: precipitação pluviométrica;
• Q: saída de água do sistema;
• ∆V: variação de armazenamento de água (podendo ser positivo ou negativo);
• D: drenagem profunda;
• A: área do reservatório.

Isolando a Evaporação e desprezando a drenagem profunda a equação pode ser escrita
assim:
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48
E
0
= (I – Q – ∆V) /A + P
Colocando nas unidades usuais de cada variável a equação para a evaporação mensal
resulta:
E
0
=2.592 (I – Q)/A
m
– 1.000*∆V/A
m
+ P


onde:
E
0
: evaporação potencial no mês, (mm/mês)
P: é a precipitação do mês (mm/mês) ;
Q e I: são as vazões médias do mês (m
3
/s) ;
∆V: é a variação do volume mensal, do inicio ao final do mês (∆V=V
final
-V
inicio
), em
hectômetros
A
m
: é a área média da lâmina d´água na superfície do reservatório (do inicio ao final do
mês), A
m
= [A(t)+A(t+1)]/2, (em km
2
)


Exercício
A precipitação total no mês de janeiro foi de 154 mm, a vazão de entrada drenada pelo rio
principal foi de 24 m
3
/s. Este rio drena 75% da bacia total que escoa para o reservatório. Com
base nas operações do reservatório ocorreu uma vazão média de saída de 49 m
3
/s. A relação entre
o volume e a área do reservatório encontra-se na tabela abaixo. O volume no inicio do mês era de
288 10
6
m
3
e no final 244 10
6
m
3
. Estime a evaporação no reservatório. (Resposta: E
o
=153 mm)

Tabela 5.4 – Relação entre volume e área
Área (km
2
) Volume (10
6
m
3
)
10 10
30 60
90 270
110 440
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49
CAPITULO – VI

INFILTRAÇÃO, ARMAZENAMENTO E ÁGUA SUBTERRÂNEA

1. Infiltração

Infiltração é a passagem de água da superfície para o interior do solo. Portanto, é um
processo que depende fundamentalmente da água disponível para infiltrar, da natureza do solo,
do estado da sua superfície e da quantidade de água e ar, inicialmente presentes no seu interior.
À medida que a água infiltra pela superfície, as camadas superiores do solo vão-se
umedecendo de cima para baixo, alterando gradativamente o perfil de umidade. Enquanto há
aporte de água, o perfil de umidade tende à saturação em toda a profundidade, sendo a superfície,
naturalmente, o primeiro nível a saturar.
A água infiltrada no solo preenche os poros originalmente ocupados pelo ar. Assim, o solo
é uma mistura de materiais sólidos, líquidos e gasosos.
Na mistura também encontram-se muitos organismos vivos (bactérias, fungos, raízes,
insetos, vermes) e matéria orgânica, especialmente nas camadas superiores, mais próximas da
superfície. A Figura 6. 1 apresenta a proporção das partes mineral, água, ar e matéria orgância
tipicamente encontradas na camada superficial do solo (horizonte A).
Aproximadamente 50% do solo é composto de material sólido, enquanto o restante são
poros que podem ser ocupados por água ou pelo ar. O conteúdo de ar e de água é variável.


Figura 6. 1 - Composição típica do solo Figura 6.2 - Curvas de infiltração - Horton

2. Equação de Horton

Uma chuva que atinge um solo inicialmente seco será inicialmente absorvida quase
totalmente pelo solo, enquanto o solo apresenta muitos poros vazios (com ar). À medida que os
poros vão sendo preenchidos, a infiltração tende a diminuir, estando limitada pela capacidade do
solo de transferir a água para as camadas mais profundas (percolação). Esta capacidade é dada
pela condutividade hidráulica. A partir deste limite, quando o solo está próximo da saturação, a
capacidade de infiltração permanece constante e aproximadamente igual à condutividade
hidráulica.
A partir de experimentos de campo Horton (1939) estabeleceu a seguinte equação para o
calculo da infiltração.

kt
b i b t
e I I I I

− + = ) (
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50
onde:

t : tempo decorrido desde a saturação superficial do solo;
I
t
: taxa de infiltração no tempo;
I
i
: taxa de infiltração inicial (t=0);
I
b
: taxa mínima de infiltração (assintótica);
K : a condutividade hidráulica.

Infiltrômetro de anéis

O infiltrômetro de anéis concêntricos é constituído de dois anéis concêntricos de chapa
metálica (Figura 6. 3), com diâmetros variando entre 16 e 40 cm, que são cravados verticalmente
no solo de modo a restar uma pequena altura livre sobre este. Aplica-se água em ambos os
cilindros, mantendo uma lâmina líquida de 1 a 5 cm, sendo que no cilindro interno mede-se o
volume aplicado a intervalos fixos de tempo bem como o nível da água ao longo do tempo. A
finalidade do cilindro externo é manter verticalmente o fluxo de água do cilindro interno, onde é
feita a medição da capacidade de campo.


Figura 6.3 - Infiltrômetro de anéis

3. Movimento da água subterrânea - Equação de Darcy.

A água subterrânea corresponde a, aproximadamente, 30% das reservas de água doce do
mundo. Desconsiderando a água doce na forma de gelo, a água subterrânea corresponde a 99%
da água doce do mundo. Seu uso é especialmente interessante porque, em geral, exige menos
tratamento antes do consumo do que a água superficial, em função de uma qualidade inicial
melhor. Em regiões áridas e semi-áridas a água subterrânea pode ser o único recurso disponível
para consumo.
A água subterrânea se movimenta através dos espaços vazios interconectados do solo e do
subsolo e ao longo de linhas de fratura das rochas. O fluxo da água em um meio poroso pode ser
descrito pela equação de Darcy. Em 1856, Henry Darcy desenvolveu esta relação básica
realizando experimentos com areia, concluindo que o fluxo de água através de um meio poroso é
proporcional ao gradiente hidráulico, ou às diferenças de pressão.

x
h
K q


= e
x
h
A K Q


= . (6.1)
onde
Q é o fluxo de água (m
3
/s); A é a área (m
2
) q é o fluxo de água por unidade de área (m/s);
K é a condutividade hidráulica (m/s); h é a carga hidráulica e x a distância.
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51
A condutividade hidráulica K é fortemente dependente do tipo de material poroso. Assim,
o valor de K para solos arenosos é próximo de 20 cm/hora. Para solos siltosos este valor cai para
1,3 cm/hora e em solos argilosos este valor cai ainda mais para 0,06 cm/hora. Portanto os solos
arenosos conduzem mais facilmente a água do que os solos argilosos, e a infiltração e a
percolação da água no solo são mais intensas e rápidas nos solos arenosos do que nos solos
argilosos.
A condutividade hidráulica das rochas também depende do tipo de rocha, sendo maior em
rochas sedimentares, como o arenito, e menor em rochas ígneas ou metamórficas, exceto quando
estas são muito fraturadas, neste caso sua condutividade pode ser relativamente alta.

4. Armazenamento da água

A água no subsolo fica contida em formações geológicas consolidadas ou não, em que os
poros estão saturados de água, denominadas aqüíferos. A capacidade de um aqüífero de conter
água é definida pela sua porosidade, definida como a relação entre o volume de vazios e o
volume total.
Uma formação geológica que é pouco porosa, contém pouca água e, principalmente, que
impede a passagem da água, é denominada aqüitardo.
Existem dois tipos de aqüíferos: confinados e não-confinados, ou livres. Um aqüífero
confinado está inserido entre duas camadas impermeáveis (aquitardos). Um aqüífero livre é o
aqüífero que pode ser acessado desde a superfície, sem a necessidade de passar através de uma
camada impermeável.


Figura 6.1 – Aqüíferos confinados e livres.

Figura 6.2 – Retirada de água de um aqüífero livre (poço freático)
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52
CAPITULO VII

VAZÕES DE ENCHENTES

1. Enchente

Por enchente de um curso d’água se entende pelo fenômeno de rápida elevação da
superfície livre do rio devido o aumento da vazão que, por sua vez é causado por precipitações
de forte intensidade por uma prolongada duração. A inundação caracteriza-se pelo
extravasamento do canal.

1.1 Hidrograma de uma cheia




























Figura 7.1- Hidrograma de cheia

1.1.1 Precipitação inicial

Iniciada a precipitação, parte das águas será interceptada pela vegetação e pelos obstáculos e
retida nas depressões do terreno até preenche-las completamente. Denomina-se precipitação inicial a
ocorrida no intervalo correspondente.

1.1.2 Escoamento superficial

Vazão (m
3
/s)
Tempo
(t)
Ramo de elevação
Ramo de recessão
Ramo de depleção
C
A
Tempo de
elevação
Tempo de
recessão
Tempo de base
Tempo
de retardo
Chuva efetiva
Chuva infiltrada
Chuva inicial
Escoamento de Base
Escoamento
Superficial
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53
Preenchida as depressões e ultrapassando a capacidade de infiltração do solo, tem inicio o
intervalo do suprimento liquido, que se caracteriza pelo escoamento superficial propriamente dito.

1.1.3 Tempo de concentração (t
c
)

Tempo de concentração relativo a uma seção de um curso d’água é o intervalo de tempo contando
a partir do inicio da precipitação para que toda a bacia hidrográfica correspondente passe a contribuir
na seção em estudo. Corresponde à duração da trajetória da partícula de água que demore mais tempo
para atingir a seção.

1.1.4 Tempo de retardamento da bacia ou tempo de retardo

É definido como o tempo entre centro de massa da chuva efetiva até o pico do hidrograma.

2. Período de retorno (T)

O período de retorno ou período de recorrência de uma enchente (ou qualquer evento) é o tempo
médio em anos que essa enchente (ou evento) é igualada ou superada pelo menos uma vez.

2.1 Escolha do período de retorno

A escolha e a justificativa de um determinado período de retorno (T), para uma determinada obra
é feita através dos seguintes critérios:
-vida útil da obra,
-tipo de estrutura,
-segurança da obra,
-facilidade de reparação e ampliação.

Tabela 7.1 - Tipos de obras com seus respectivos períodos de retorno
Tipos de obras T (anos)
Extravasores de grandes Barragens (vertedor) 10.000
Extravasores de pequenas Barragens (vertedor) 500
Diques de proteção de cidades 200
Obras de Arte (pontes) 100
Bueiros (estradas pouco e muito movimentadas) 25 a 100
Sistema de macro-drenagem 100
Sistema de micro-drenagem (Drenagem Pluvial) 5 a 10
Obras de canalizações e cursos d’água 10 a 100

3. Vazão máxima

A vazão máxima de um rio é entendida como sendo o valor associado a um risco de ser igualado
ou ultrapassado. A vazão máxima é utilizada na previsão de enchentes e em projetos de obras
hidráulicas tais como: canais, bueiros, condutos, diques, extravasores de barragens, entre outros. A
estimativa destes valores tem importância decisiva nos custos e na segurança dos projetos de
engenharia.
A vazão máxima pode ser estimada com base aos seguintes critérios: a) no ajuste de uma
distribuição estatística, b) na regionalização de vazões, e c) na precipitação. Quando existem dados
históricos de vazão no local de interesse e as condições da bacia hidrográfica não se modificam, pode
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54
ser ajustada uma distribuição estatística. Quando não existem dados ou existe, mas a série é pequena,
pode-se utilizar a regionalização de vazões ou as precipitações (Tucci, 1993).

3.1 Método racional

O método racional serve para estimar o pico de uma cheia, resume-se fundamentalmente
no emprego da chamada “formula racional”. A experiência mostra que o emprego deste método
é recomendado para áreas com menos de 5 km
2
, embora alguns autores citem seu uso para bacias
com área inferior a 15 km
2
.
. O uso deste método para áreas maiores não é recomendado, não obstante, é satisfatório para
projetos de galerias pelo processo chamado detalhado, no qual se consideram sub-bacias pequenas de
alguns hectares.
O método racional presume como conceito básico que a máxima vazão para uma pequena bacia
contribuinte ocorre quando toda a bacia está contribuindo, e que esta vazão é igual a uma fração da
precipitação média. Em forma analítica, a formula racional é dada pela seguinte expressão:

Q C i A
m
= . .
(7.1)
onde:
Q : pico da cheia, vazão, em m
3
/s ou l/s,
A : área drenada em km
2
, ha,
C : coeficiente de escoamento superficial ou coeficiente de deflúvio (RUNOFF).
i
m
: intensidade média da precipitação sobre toda a bacia, em mm/min ou mm/hora, para uma
duração de chuva igual ao tempo de concentração (t
c
) da bacia.

Obs. O tempo de duração da chuva média (i
m
) deve ser igual ao tempo de concentração da bacia,
ou seja, o tempo necessário para que toda a área de drenagem passe a contribuir para a vazão na seção
estudada. Além da duração, a chuva vem relacionada também a um certo um período de retorno fixado,
dependendo do tipo de obra a ser executada.

Dependendo dos dados de ingresso que você tem, usa uma das duas seguintes formulas:


360
.
.
A i C
Q
m
=
onde: (7.2)

6 , 3
.
.
A i C
Q
m
=
onde: (7.3)


3.1.1 Área da bacia (A)

A área da bacia é relativa a área de drenagem até o ponto de interesse. A mesma pode ser
determinada através do planímetro.

3.1.2 Coeficiente de escoamento superficial (C)

Q = m
3
/s
A = hectares, ha
i
m
= mm/hora
Q = m
3
/s
A = km
2

i
m
= mm/hora
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55
O coeficiente de escoamento superficial ou coeficiente de deflúvio, ou ainda coeficiente de “run-
off” é definido como a razão entre o volume de água escoado superficialmente, que é registrado em
uma certa seção, e o volume de água precipitado na bacia contribuinte.

C: Vol. escoado superficial/ Volume precipitado

Tabela 7.2 - Valores de “C” adotados pela Prefeitura de São Paulo (Wilken, 1978).
Zonas C
Edificação muito densa:
Partes centrais, densamente construídas, de uma cidade com ruas e
calçadas pavimentadas.


0,70 - 0,95
Edificação não muito densa:
Partes adjacentes ao centro, de menor densidade de habitações,
mas com ruas e calçadas pavimentadas.


0,60 - 0,70
Edificação com poucas superfícies livres:
Partes residenciais com ruas macadamizadas ou pavimentadas.

0,50 - 0,60
Edificação com muitas superfícies livres:
Partes residenciais com ruas macadamizadas ou pavimentadas.

0,25 - 0,50
Subúrbios com alguma edificação:
Partes arrabaldes e subúrbios com pequena densidade de
construção.

0,10 - 0,25
Matas, parques e campos de esporte:
Partes rurais, áreas verdes, superfícies arborizadas, parques
ajardinados, campos de esporte sem pavimentação.

0,05 - 0,20

Para áreas com características e ocupações diferentes, a estimativa de C é feita pela seguinte
equação:

T
i
n
i
i
A
A C
C

=
=
1

onde:
C: é o coeficiente de escoamento superficial ponderado,
C
i
: é o coeficiente de escoamento superficial correspondente a área i (A
i
),
A: é a área total da bacia.

Obs. Para períodos de retornos iguais a 50 e 100 anos deve ser feita uma correção no coeficiente
de escoamento superficial conforme tabela abaixo.

Tabela 7.3 - Correções dos valores de C
T (anos) C
f
C
Corrigido

50 1,10 C
f
*C
100 1,25 C
f
*C


3.1.3 Intensidade da precipitação na bacia (i)

A intensidade da precipitação (i) geralmente é encontrada, para vários postos ou cidades no
Brasil, em forma de tabelas, gráficos ou formulas.

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56
a) Exemplo de tabela para a I-D-F

Tabela 7.3 Chuvas intensas para Blumenau - Método de Gumbel
Chuvas intensas (mm/h)
Dados utilizados de Pluviômetro (1944-2008)
Duração
T= 5 anos T= 10 anos T= 20 anos T=50 anos T=100 anos
5 min 162,7 190,5 217,1 251,6 277,4
10 min 129,2 151,2 172,4 199,8 220,3
15 min 111,7 130,7 149,0 172,7 190,4
20 min 96,9 113,4 129,3 149,8 165,2
25 min 87,1 102,0 116,2 134,7 148,5
30 min 79,8 93,4 106,4 123,3 136,0
1 h 53,9 63,1 71,9 83,3 91,9
6 h 15,4 18,0 20,5 23,8 26,3
8 h 12,5 14,6 16,7 19,3 21,3
10 h 10,5 12,3 14,0 16,3 17,9
12 h 9,1 10,6 12,1 14,1 15,5

b) Exemplo do uso de equação para a I-D-F

Para Blumenau (Ademar Cordero, 2009)

( )
65 , 0
1765 , 0
1 , 8
. 655
+
=
t
T
i
(Para t ≤120 min)
( )
78 , 0
1765 , 0
3 , 22
. 9 , 1246
+
=
t
T
i (Para 120 min <t< 720 min) (7.4)
onde:
i : é a intensidade de chuva, em mm/hora,
T : é o Período de Retorno (anos),
t : t
c
: é o tempo de concentração da bacia (minutos).

Obs. Podemos observar que a intensidade da chuva é função de “t” tempo de concentração da
bacia (minutos) e do Período de Retorno “T” (anos).

3.1.4 Para determinar o tempo de concentração de uma bacia.

Equação de Kirpich (bacias pequenas)

t
L
H
c
=
|
\

|
¹
| 57
3
0 385

,
(7.5)

onde: t
c
: é o tempo de concentração da bacia, em minutos
L : é a extensão do talvegue, ou rio, em quilômetros,
∆ H: é a diferença de nível entre o ponto mais afastado da bacia e o ponto considerado, em
metros.

Equação de Watt e Chow (para bacias maiores)
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57

79 , 0
5 , 0
68 , 7
|
¹
|

\
|
=
S
L
t
c
(7.6)

onde:
tc é o tempo de concentração (em minutos); L é o comprimento do curso d’água principal (em
Km); e S é a declividade do rio curso d’água principal (m/m). Esta equação foi desenvolvida com base
em dados de bacias de até 5.840,0 Km
2
.
.
3.2 Métodos estatísticos

Segundo Tucci, 1993 as principais distribuições estatísticas utilizadas em hidrologia para o ajuste
de vazões máximas são: Empírica, Log-Normal, Gumbel e Log-Pearson III.

Tipos de séries usadas nas análises estatísticas. Três critérios podem ser adotados

Séries anuais. Neste critério as séries são constituídas dos máximos observados em cada ano,
desprezando-se os demais dados mesmo que sejam superiores às dos outros anos.
Séries parciais. Neste caso as séries são constituídas dos “n” maiores valores observados, sendo
“n” o número de anos do período analisado.
Séries completas. Neste ultimo critério se adota todos os valores selecionados para a formação
das séries. O primeiro critério é o mais adotado.

3.2.1 Método de Gumbel

Com base na teoria dos extremos de amostras ocasionais, Gumbel demonstrou que, se o número
de vazões máximas anuais tende para o infinito, a probabilidade P
i
de qualquer uma das máximas ser
maior ou igual do que um certo X
i
é dada pela equação:

i
y
e
i
e P


− =1
(7.7)

onde:
e é a base dos logaritmos neperianos,
y
i
é a variável reduzida, dada por:

y
i
= a (X
i
– X
f
) (7.8)
onde:
a : é um parâmetro,
X
i
: é um certo valor da variável aleatória X (vazões máximas anuais),
X
f
= µ – 0,450 σ para n → ∞ (µ é a média do universo e σ o desvio padrão do universo).
Na prática, não se tem um número suficiente de dados para se considerar n → ∞. Gumbel
calculou os parâmetros X
f
e a pelas seguintes expressões:

X
f
= X - S
x
(
n
y / S
n
) (7.9)
a = S
n
/ S
x
(7.10)
onde:
X é a média da variável X (vazões máximas),
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58
n
y e S
n
a média e o desvio padrão da variável reduzida (valores tabelados em função do número
de dados),
S
x
é o desvio padrão da variável X.

Tabela 7.4 -Valores esperados da média (
n
y ) e desvio-padrão (S
n
) da variável reduzida (y) em
função do número de dados (n).
n
n
y
S
n
n
n
y
Sn
20
30
40
50
60
70
0,52
0,54
0,54
0,55
0,55
0,55
1,06
1,11
1,14
1,16
1,17
1,19
80
90
100
150
200

0,56
0,56
0,56
0,56
0,57
0,57
1,19
1,20
1,21
1,23
1,24
1,28
Fonte: Villela e Mattos, 1975.

Papel de Gumbel (Excel)

Uma outra facilidade que se pode usar para aplicar esse método é o papel de Gumbel. Nesse
papel, as ordenadas são os valores da variável (X) (aqui as vazões) em escala aritmética; as abscissas
são as variáveis reduzidas (y) em escala aritmética. Paralelamente às abscissas, na parte superior do
papel, e, em correspondência a cada valor da variável reduzida (y), podem ser plotados os valores dos
períodos de retornos (T), de acordo com a seguinte expressão (Villela e Mattos, 1975):

y
e
e
T



=
1
1

(
¸
(

¸

|
¹
|

\
| −
− − =
T
T
y
1
ln ln (7.11)

onde:
T = período de retorno;
y = variável reduzida de Gumbel.

Com os dados de X(vazões) calculam-se os valores de y e T e plotam-se no papel de Gumbel.

Os pontos devem ficar alinhados e passar pelo ponto teórico:

y = 0,579 e T= 2,33 anos,

que corresponde ao valor X = X quando se tem um número infinito de dados. Isto mostra que o
período de retorno teórico, pela distribuição de Gumbel, da vazão média é 2,33 anos.

Posição de plotagem

m
N
T
1 +
=
(Fórmula de Kimbal) (7.12)

44 , 0
12 , 0

+
=
m
N
T
Formula de Tucci (1993) (7.13)

onde:
T: é o período de retorno, em anos;
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59
m: é a “posição” das vazões (ordem decrescente);
N: é o tamanho da amostra.

3.2.2 Método Log-Normal

De forma análoga ao de Gumbel é feito com o papel Log-Normal. Nesse papel, as ordenadas são
os valores da variável (X) (aqui as vazões), em escala aritmética e as abscissas são plotados os valores
dos períodos de retornos (T), em escala logarítmica.

3.2.3 Ajuste de distribuição considerando marcas históricas de enchentes

Num posto fluviométrico com uma série continua de n anos podem existir informações históricas
de marcas de água que ocorrem antes da instalação do posto que gerou a série contínua. Estas marcas
devem ser as maiores de um período de H anos, sendo H o número de anos que englobe a série
continua e o período em que as marcas de enchentes foram as de maiores valores. Essas informações
devem ser incorporadas à análise de freqüência, permitindo melhorar o ajuste da distribuição (Tucci,
1993).

3.2.4 Período de retorno/risco

Obras de engenharia hidráulica geralmente são projetadas com parâmetros hidrológicos, que por
sua vez, são gerados sob cálculos estimados, resultando numa incerteza do projetista. Como os projetos
são feitos para o futuro, as suas demandas, seus benefícios e custos são todos conhecidos até um certo
limite, e erros na estimativa de valores hidrológicos podem acarretar prejuízos econômicos e
ambientais (Nerilo et al., 2002).
Desta forma, os projetos são normalmente elaborados mediante a admissão de um certo risco
calculado, derivado de métodos de estimativas de probabilidade relativa aos parâmetros hidrológicos.
A determinação do período de retorno é uma maneira de estimar, a partir de dados observados, a
previsão de futuras ocorrências de um certo evento. Pode ser definido como o tempo médio decorrido
entre as ocorrências de um evento que exceda ou iguale uma certa magnitude.
Desta forma, as maiores vazões de ordem m, em uma série de dados que iguale ou supere m
vezes no período de observação de n anos ou número de observação tem uma estimativa do seu período
de retorno (T) de acordo com a seguinte expressão:

T= N+1/m (7.14)

A relação entre a probabilidade de ocorrer o evento X, P(X) e o período de retorno (T) é tal que:
T= 1/P(X≥x) (7.15)

ou seja, o período de retorno é o inverso da probabilidade de ocorrer um evento X com a
magnitude igual ou maior que um certo x.
Com isto a probabilidade de não ocorrer o evento em um dado é de (1-P). De acordo com os
princípios estatísticos, a probabilidade J de que ao menos um evento iguale ou supere o evento do ano
de ordem T venha ocorrer em uma série qualquer de n anos é:

J= 1 – (1 – P)
n
(7.16)

Isto pode ser facilmente visualizado na Tabela 7.5. Como por exemplo, se um projeto for
dimensionado com um evento, neste caso uma vazão, cujo período de retorno é de 100 anos (T=100
anos) e se a obra tiver uma vida útil estimada em 100 anos, então a probabilidade deste evento ocorrer
em sua vida útil é de 63%. Portanto, uma alta probabilidade de ocorrência. Já para uma vazão de T = 50
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60
anos em uma vida útil de 100 anos a probabilidade de este evento ocorrer passa para 87%. De qualquer
forma nunca há certeza absoluta de que um evento, com um certo período de retorno, possa realmente
acontecer no prazo previsto.

Tabela 7.5 - Probabilidade de que um evento de um dado tempo de recorrência
venha a ser igualado ou excedido durante a vida útil da obra.
Vida útil da obra
1 5 10 25 50 100 200 500
T(anos) Probabilidade J
1 1 1 1 1 1 1 1 1
2 0,50 0,77 0,999 * * * * *
5 0,20 0,67 0,89 0,996 * * * *
10 0,10 0,41 0,65 0,93 0,995 * * *
50 0,02 0,10 0,18 0,40 0,64 0,87 0,98 *
100 0,001 0,05 0,10 0,22 0,40 0,63 0,87 0,993
200 0,005 0,02 0,05 0,12 0,22 0,39 0,63 0,92
* Nestes casos J nunca pode ser exatamente igual a 1. Na prática, porém, se toma J=1.


Exercício
Com a série histórica da estação fluviométrica Blumenau (Tabela 7.6) e a respectiva curva-chave
(7.15 e 7.16) determinar a vazes máximas e seus respectivos níveis para os períodos de retornos entre
2 a 1000 (conforme Tabela 7.7).
Obs. A estação fluviométrica de Blumenau foi implantada no ano de 1939, mas existe informação
histórica de níveis de enchentes desde o ano de 1852. Os dados anteriores à implantação da estação
fluviométrica foram resgatados de fotografias de enchentes ou de documentos descritos pelos primeiros
imigrantes que chegaram na região. Portanto o período da série histórica inicia no ano de 1852 e vai até
2009. Na Tabela 7.6 estão apresentados os níveis das cheias do rio Itajaí-Açu registradas em Blumenau,
com valores superiores a 8,00 m, as quais foram usadas neste estudo. Os níveis estão referenciados ao
zero do IBGE, para isto foi somado 20 cm a cada nível do rio Itajaí-Açu que foi registrado na régua da
estação fluviométrica de Blumenau.


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61


Tabela 7.6 - Níveis máximos registrados em Blumenau (Referência IBGE).

Ano

Cota (m)

Data

Ano

Cota (m)

Data

Ano

Cota (m)

Data
1852 16,30 29/Out 1940 8,55 26/Ago 1975 12,63 04/Out
1855 13,30 20/Nov 1943 10,50 03/Ago 1976 9,00 06/Jun
1862 9,00 08/Nov 1946 9,45 02/Fev 1977 9,25 18/Ago
1864 10,00 17/Set 1948 11,85 17/Mai 1978 11,50 26/Dez
1868 13,30 27/Nov 1950 9,45 17/Out 1979 10,45 09/Out
1870 10,00 11/Out 1951 9,00 19/Out 1980 13,27 22/Dez
1880 17,10 23/Set 1953 9,65 01/Nov 1982 8,15 16/Nov
1888 12,80 23/Set 1954 9,56 08/Mai 1983 10,60 04/Mar
1891 13,80 18/Jun 1954 12,53 22/Out 1983 12,52 20/Mai
1898 12,80 01/Mai 1955 10,61 20/Mai 1983 15,34 09/Jul
1900 12,80 02/Out 1957 13,07 18/Ago 1983 11,75 24/Set
1911 9,86 29/Out 1958 9,31 16/Mar 1984 15,46 07/Ago
1911 16,90 02/Out 1960 8,29 19/Ago 1990 8,82 21/Jul
1923 9,00 20/Jun 1961 10,35 12/Set 1992 12,80 29/Mai
1925 10,30 14/Mai 1961 9,63 30/Set 1992 10,62 01/Jul
1926 9,50 14/Jan 1961 12,49 01/Nov 1995 8,31 10/Jan
1927 12,30 09/Out 1962 9,29 21/Set 1997 9,44 01/Fev
1928 11,76 18/Jul 1963 9,67 29/Set 2001 11,02 01/Out
1928 10,82 15/Ago 1965 9,22 21/Ago 2008 11,52 24/Nov
1931 11,05 02/Mai 1966 10,07 13/Fev 2009 8,17 06/Out
1931 11,25 14/Set 1969 10,14 06/Abr 2010 8,64 26/Maio
1931 11,53 18/Set 1971 10,35 09/Jun 2011 8,70 31/Ago
1932 9,75 25/Mai 1972 11,35 29/Ago 2011 12,80 09/Set
1933 11,85 04/Out 1973 11,30 25/Jun
1935 11,65 24/Set 1973 9,35 28/Jun
1936 10,40 06/Ago 1973 12,35 29/Ago
1939 11,45 27/Nov 1974 9,00 24/Jul

Aplicação do método Log-Normal

Curva-chave de Blumenau (ajustada por Cordero, 2009).

Q= 41 (H +1,2)
1,73
(Válida até 1988)

(7.17)

Q= 42 (H +1,2)
1,73
(Válida a partir de 1989)

(7.18)


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62
Método Log-Normal para Blumenau
Q = 915,81Ln(x) + 1570,7
R
2
= 0,973
1500
2000
2500
3000
3500
4000
4500
5000
5500
6000
6500
7000
7500
8000
1 10 100 1000
Período de retorno, T (anos)
V
a
z
ã
o

(
m
3
/
s
)
Pontos plotados das cheias máximas registradas
Reta ajustada aos pontos plotados

Figura 7.2 -Vazões máximas para Blumenau através do método Log-Normal.


Método de Gumbel para Blumenau
Q = 851,53y + 1801,1
R
2
= 0,9798
1500
2000
2500
3000
3500
4000
4500
5000
5500
6000
6500
7000
7500
8000
0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0 5,5 6,0 6,5 7,0
Variável reduzida (y)
V
a
z
ã
o

(
m
3
/
s
)
Pontos plotados das cheias máximas registradas
Reta ajustada aos pontos plotados

Figura 7.3 -Vazões máximas para Blumenau através do método de Gumbel.



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63
Tabela 7.7 Vazões e níveis com os períodos de retornos para Blumenau.

Período
de Log-Normal

Método de Gumbel

Retorno Vazão Nível Variável Vazão Nível
T(anos) Q (m3/s) H(M) y Q (m3/s) H(M)
2 2205,5 8,7 0,4 2113,2 8,4
5 3044,6 10,7 1,5 3078,3 10,8
10 3679,4 12,1 2,3 3717,4 12,1
25 4518,6 13,7 3,2 4524,7 13,8
50 5153,4 14,9 3,9 5123,7 14,9
100 5788,2 16,0 4,6 5718,3 15,9
200 6423,0 17,1 5,3 6310,6 16,9
300 6794,3 17,7 5,7 6656,6 17,5
500 7262,1 18,5 6,2 7092,2 18,2
1000 7896,9 19,4 6,9 7682,8 19,1


3.3 Hidrograma Unitário

Uma bacia pode ser imaginada como um sistema que transforma chuva em vazão. A
transformação envolve modificações no volume total da água, já que parte da chuva infiltra
no solo e pode retornar à atmosfera por evapotranspiração, e modificações no tempo de
ocorrência, já que existe um atraso na ocorrência da vazão em relação ao tempo de ocorrência da
chuva. A chuva efetiva é responsável pelo crescimento rápido da vazão de um rio durante e após
uma chuva. Anteriormente foi apresentado a forma para estimar a chuva efetiva.
Nem toda a chuva efetiva gerada numa bacia chega imediatamente ao curso d’água. A
partir dos locais em que é gerado, o escoamento percorre um caminho, com velocidades
variadas de acordo com características como a declividade e o comprimento dos trechos
percorridos, e a resposta da bacia a uma entrada de chuva depende destas características.
Em particular, se imaginamos um pulso de chuva de curta duração, a bacia hidrográfica é
um sistema que transforma uma entrada quase imediata em uma saída distribuída ao longo do
tempo, como mostrado na figura a seguir. A figura mostra um gráfico de vazão (hidrograma)
resultante de uma chuva efetiva na bacia. Considera-se que o hidrograma corresponda a
medições realizadas na saída (exutório) da bacia.
Imediatamente após, e mesmo durante a ocorrência da chuva a vazão começa a
aumentar, refletindo a chegada da água que começou a escoar na região mais próxima do
exutório, como indicado. Após algum tempo é atingido o valor máximo e, finalmente,
inicia uma recessão, quando a água da chuva efetiva gerada na região mais distante da bacia
atinge o exutório. No final da recessão o escoamento superficial cessa.
A resposta de uma bacia a um evento de chuva depende das características físicas da bacia
e das características do evento, como a duração e a intensidade da chuva. Chuvas de mesma
intensidade e duração tendem a gerar respostas de vazão (hidrogramas) semelhantes.
Chuvas mais intensas tendem a gerar mais escoamento e hidrogramas mais pronunciados,
enquanto chuvas menos intensas tendem a gerar hidrogramas mais atenuados, com menor vazão
de pico.



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64
Para simplificar a análise e para simplificar os cálculos, é comum admitir-se que existe uma
relação linear entre a chuva efetiva e a vazão, lembrando que a chuva efetiva é a parcela da chuva
que gera escoamento superficial.
Uma teoria útil, mas não inteiramente correta, baseada na relação linear entre chuva
efetiva e vazão em uma bacia é a teoria do Hidrograma Unitário.
Conceitualmente o Hidrograma Unitário (HU) é o hidrograma do escoamento direto,
causado por uma chuva efetiva unitária (por exemplo, uma chuva de 1 mm ou 1 cm), por isso o
método é chamado de Hidrograma Unitário. A teoria do hidrograma unitário considera que
a precipitação efetiva é unitária tem intensidade constante ao longo de sua duração e
distribui-se uniformemente sobre toda a área de drenagem.
Adicionalmente, considera-se que a bacia hidrográfica tem um comportamento linear. Isso
significa que podem ser aplicados os princípios da proporcionalidade e superposição,
descritos a seguir. Com a teoria do hidrograma unitário é possível calcular a resposta da
bacia a eventos de chuva diferentes, considerando que a resposta é uma soma das respostas
individuais.

3.3.1 Proporcionalidade

Para uma chuva efetiva de uma dada duração, o volume de chuva, que é igual ao
volume escoado superficialmente, é proporcional à intensidade dessa chuva. Como os
hidrogramas de escoamento superficial correspondem a chuvas efetivas de mesma duração,
têm o mesmo tempo de base, considera-se que as ordenadas dos hidrogramas serão
proporcionais à intensidade da chuva efetiva, como mostra a Figura 7. 2.
Na figura observa-se que o hidrograma resultante da precipitação efetiva de 2 mm é
duas vezes maior do que o hidrograma resultante da chuva efetiva de 1 mm, que é o
hidrograma unitário. A vazão do ponto
A é duas vezes menor do que a vazão no ponto B e a vazão no ponto D é duas vezes
maior do que a do ponto C, e assim para todos os valores de vazão dos hidrogramas é
respeitada a mesma proporção.



















Figura 7.2 - Ilustração do princípio da proporcionalidade na teoria do hidrograma unitário.



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65
3.3.2 Superposição

As vazões de um hidrograma de escoamento superficial, produzidas por chuvas
efetivas sucessivas, podem ser encontradas somando as vazões dos hidrogramas de
escoamento superficial correspondentes às chuvas efetivas individuais.















Figura 7.3 - Ilustração do princípio da superposição de hidrograma.

A Figura 7.3 ilustra o princípio da superposição, mostrando como o hidrograma de
resposta de duas chuvas unitárias sucessivas pode ser obtido somando dois hidrogramas
unitários deslocados no tempo por uma diferença D, que, neste caso, é a duração da chuva.

3.3.3 Convolução

Aplicando os princípios da proporcionalidade e da superposição é possível calcular os
hidrogramas resultantes de eventos complexos, a partir do hidrograma unitário. Este cálculo é
feito através da convolução. Em matemática, particularmente na área de análise funcional,
convolução é um operador que, a partir de duas funções, produz uma terceira. O conceito
de convolução é crucial no estudo de sistemas lineares invariantes no tempo, como é o caso
da teoria do hidrograma unitário (veja definição na Wikipedia).
O hidrograma unitário é, normalmente, definido como uma função em intervalos de tempo
discretos. A vazão em um intervalo de tempo t é calculada a partir da convolução entre
as funções Pef (chuva efetiva) e h (ordenadas do hidrograma unitário discreto).


Para t<k


Para t≥k


onde,
Q
t
é a vazão do escoamento superficial no intervalo de tempo t; h é a vazão por unidade de chuva
efetiva do HU; Pef é a precipitação efetiva do bloco i; k é o número de ordenadas do hidrograma
unitário, que pode ser obtido por k = n – m +1, onde m é o número de pulsos de precipitação
e n é o número de valores de vazões do hidrograma.

1
1
+ −
=

=
i t
t
i
i t
h Pef Q
1
1
+ −
+ − =

=
i t
t
k t i
i t
h Pef Q
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66
A convolução discreta fica mais clara quando colocada na forma matricial.
Considerando uma chuva efetiva formada por 3 blocos de duração D cada um, ocorrendo
em seqüência, e uma bacia cujo hidrograma unitário para a chuva de duração D é dado por
9 ordenadas de duração D cada uma, a aplicação da convolução para calcular as vazões Qt no
exutório da bacia seria:

Q1 = Pef1.h1
Q2 = Pef2.h1+ Pef1.h2
Q3 = Pef3.h1 +Pef2.h2+ Pef1.h3
Q4 = Pef3.h2+ Pef2.h3+Pef1.h4
Q5 = Pef3.h3+Pef2.h4+Pef1.h5
Q6 = Pef3.h4+Pef2.h5+Pef1.h6
Q7 = Pef3.h5+Pef2.h6+Pef1.h7
Q8 = Pef3.h6+Pef2.h7+Pef1.h8
Q9= Pef3.h7+Pef2.h8+Pef1.h9
Q10= Pef3.h8+Pef2.h9
Q11= Pef3.h9

Neste caso m=3 porque a chuva é definida por três blocos, k=9 porque o hidrograma
unitário tem 9 ordenadas e n=11 porque a duração total do escoamento resultante é de 11
intervalos de duração D cada um.
A convolução para o cálculo das vazões usando o HU é uma tarefa trabalhosa.
Normalmente o HU é utilizado como um módulo dentro de um modelo hidrológico, e sua
aplicação é facilitada.

3.3.4 Hidrograma Unitário Sintético

A situação mais freqüente, na prática, é o da inexistência de dados históricos. Neste caso
é necessário utilizar um hidrograma unitário sintético, ou um hidrograma unitário obtido a partir
da análise do relevo, denominado hidrograma unitário geomorfológico.
Os hidrogramas unitários sintéticos foram estabelecidos com base em dados de
algumas bacias e são utilizados quando não existem dados que permitam estabelecer o HU,
conforme apresentado no item a seguir.
Os métodos de determinação do HU baseiam-se na determinação do valor de algumas
características do hidrograma, como o tempo de concentração, o tempo de pico, o tempo de base
e a vazão de pico.
A Figura 7.4 apresenta um hidrograma resultante da ocorrência de uma chuva, em
que se conhece o valor da chuva efetiva em três intervalos de tempo.













Figura 7.5 - Características importantes do hidrograma para a definição de HU sintético.

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67

O tempo de concentração é definido como o intervalo de tempo entre o final da
ocorrência de chuva efetiva e o final do escoamento superficial, conforme mostrado na figura.
O tempo entre picos é definido como o intervalo entre o pico da chuva efetiva e o pico da
vazão superficial.
O tempo de retardo é definido como o intervalo de tempo entre os centros de
gravidade do hietograma (chuva efetiva) e do hidrograma superficial.
O tempo de pico é definido como o tempo entre o centro de gravidade do hietograma
(chuva efetiva) e o pico do hidrograma.
Com base nestas definições é que pode-se caracterizar o Hidrograma Unitário Sintético
adimensional do SCS.

3.3.5 Hidrograma Unitário Triangular do SCS (HUT-SCS)

A partir de um estudo com um grande número de bacias e de hidrogramas unitários nos
EUA, técnicos do Departamento de Conservação de Solo (Soil Conservation Service –
atualmente Natural Resources Conservation Service) verificaram que os hidrogramas
unitários podem ser aproximados por relações de tempo e vazão estimadas com base no tempo
de concentração e na área das bacias.
Para simplificar ainda mais, o hidrograma unitário pode ser aproximado por um
triângulo, definido pela vazão de pico e pelo tempo de pico e pelo tempo de base,
conforme a Figura 7.5.
As relações identificadas, que permitem calcular o hidrograma triangular são descritas
abaixo, de acordo com o texto de Chow et al. (1988).


















Figura 7.5- Forma do hidrograma unitário sintético triangular do SCS.

a) Tempo de concentração (tc)

Equação de Kirpich (bacias pequenas)


t
L
H
c
=
|
\

|
¹
| 57
3
0 385

,


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68

onde: t
c
: é o tempo de concentração da bacia, em minutos
L : é a extensão do talvegue, ou rio, em quilômetros,
∆ H: é a diferença de nível entre o ponto mais afastado da bacia e o ponto considerado, em
metros.

Equação de Watt e Chow (para bacias maiores)


79 , 0
5 , 0
68 , 7
|
¹
|

\
|
=
S
L
t
c


onde, t
c
é o tempo de concentração (em minutos); L é o comprimento do curso d’água principal
(em km); e S=H/L é a declividade média (m/m) ao longo do curso d’água principal.

b) Duração da chuva (D)

É o tempo de duração da chuva

D = 0,133 t
c
(onde, t
c
é o tempo de concentração da bacia) (da um valor aproximado)

c) Tempo de pico (t
p
) ou tempo de retardamento do hidrograma

É o tempo do centro de gravidade da chuva efetiva até o pico do hidrograma

O t
p
do hidrograma pode ser estimado como 60% do tempo de concentração:

t
p
= 0,6. t
c

d) Tempo de subida do hidrograma (T
p
)

O tempo de subida do hidrograma T
p
pode ser estimado como o tempo de pico tp mais
a metade da duração da chuva D, assim:

T
p
= t
p
+ D/2 = 0,6 t
p
+ D/2

e) Tempo de base (t
b
)

O tempo de base do hidrograma (t
b
) é aproximado por:

t
b
= T
p
+ 1,67. T
p


o que significa que o tempo de recessão do hidrograma triangular, a partir do pico até retornar a
zero, é 67% maior do que o tempo de subida.

f) Vazão de pico do hidrograma unitário triangular

A vazão de pico do hidrograma unitário triangular correspondente a 1,00 milímetro de
chuva efetiva é estimada por:


p
ef
p
T
P A
q
* . 208 , 0
=
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69


onde, T
p
é o tempo de subida do hidrograma, em horas,
A é a área da bacia , em Km
2
,
P
ef
. é a chuva unitária efetiva, em 1,0 mm
q
p
é a vazão de pico m
3
/s por mm

3.3. 6 Distribuição temporal das chuvas de projeto

Uma vez definida a intensidade e a duração de uma chuva de projeto é necessário definir
sua distribuição temporal. A hipótese mais simples, utilizada no método racional para o cálculo
das vazões máximas, é que a intensidade não varia durante todo o evento. Assim, a chuva tem
uma distribuição temporal uniforme durante toda a sua duração.
Por outro lado, na geração de chuvas de projeto mais longas, tipicamente utilizadas em
cálculos de vazões baseadas no método do hidrograma unitário, normalmente considera-se que
a intensidade da chuva varia ao longo do evento de projeto. Existem vários métodos para criar
uma distribuição temporal para chuvas de projeto. Um método freqüentemente utilizado é
conhecido como método dos blocos alternados (Chow et al., 1988).

3.3.7 Atenuação das chuvas com a área

Bacias hidrográficas grandes têm menor probabilidade de serem atingidas por chuvas
intensas simultaneamente em toda a sua área do que bacias pequenas. Chuvas de projeto são
definidas a partir de dados coletados em pluviógrafos. Para utilizar as chuvas de projeto em
bacias relativamente grandes é necessário compensar o fato que a intensidade média das chuvas
em grandes áreas é menor. Normalmente é utilizado para isto um fator de redução pela área,
como o desenvolvido em 1958, para algumas regiões dos EUA, ilustrado na Figura 7.6.

Figura 7.6 - Fator de redução da chuva de projeto de acordo com a área da bacia e a duração da chuva –
as linhas pretas foram obtidas em 1958 para algumas regiões dos EUA com base em dados de
pluviógrafos e as linhas cinza foram obtidas a partir de dados de radar.

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70
3.3.8 Vazões máximas com base em transformação chuva-vazão

Os métodos mais comuns para calcular as vazões máximas a partir da transformação de
chuva em vazão são o método racional e os modelos baseados no hidrograma unitário.
Em bacias pequenas, com chuvas de curta duração, pode ser adotado o hidrograma unitário.
Já em bacias maiores, com chuvas mais demoradas, ou em casos em que se deseja, além da vazão
máxima, o volume das cheias, é necessário utilizar modelos baseados no hidrograma unitário.
O Departamento de Esgotos Pluviais (PORTO ALEGRE, 2005) sugere que, de acordo com
a área da bacia usam-se métodos diferentes para cálculo da vazão, como apresenta o Quadro 1.

Quadro 1 – Adotado pelo DEP- PORTO ALEGRE.
A (km
2
) Método
A ≤ 2,0 Racional
A ≥ 2,0 Hidrograma Unitário - SCS

3.3.9 Vazões máximas usando o hidrograma unitário

Admite-se, implicitamente, que uma chuva de T anos de tempo de retorno provoque uma
vazão máxima de T anos de tempo de retorno.
Os passos para obter a vazão máxima com base no hidrograma unitário são detalhados a
seguir:
1. Calcular área da bacia
2. Calcular tempo de concentração da bacia
3. Identificar posto pluviográfico com dados ou curva IDF válida em região próxima.
4. Com base nas características da bacia (área e tempo de concentração) define se hidrograma
unitário sintético.
5. Com base em na curva IDF define-se a chuva de projeto, com duração igual ao tempo de
concentração da bacia, e organizada em blocos alternados, ou metodologia semelhante.
6. A chuva de projeto deve ser multiplicada pelo fator de redução de área, de acordo com a
área da bacia e com a duração total da chuva.
7. Com base na chuva de projeto corrigida do passo anterior e usando uma metodologia de
separação de escoamento como o método do coeficiente CN, calcula-se a chuva efetiva.
8. Com base na chuva efetiva e no hidrograma unitário é feita a convolução para gerar o
hidrograma de projeto.
9. A maior vazão do hidrograma de projeto é a vazão máxima estimada a partir da chuva.


3.3.10 Chuva efetiva ou volume de escoamento: método SCS

Um dos métodos mais simples e mais utilizados para estimar o volume de escoamento
superficial resultante de um evento de chuva é o método desenvolvido pelo National Resources
Conservatoin Center dos EUA (antigo Soil Conservation Service – SCS).
De acordo com este método, a lâmina escoada durante uma chuva é dada por:

Apostila de Hidrologia - Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC

71
5
254
25400
0 . 0
) (
) (
2
S
Ia
CN
S
Ia P quando P
Ia P quando
S Ia P
Ia P
P
f e
ef
=
− =
≤ → → =
> → →
+ −

=

onde
P
ef
é a lâmina escoada ou volume de escoamento dividido pela área da bacia (mm),
também chamada “chuva efetiva”;
P é a precipitação durante o evento (mm);
S é um parâmetro que depende da capacidade de infiltração e armazenamento do solo
(parâmetro adimensional CN – veja tabela);
e Ia é uma estimativa das perdas iniciais de água.

Tabela do CN: Valores aproximados do parâmetro CN para diferentes condições de cobertura
vegetal, uso do solo e tipos de solos (A: solos arenosos e de alta capacidade de infiltração; B:
solos de média capacidade de infiltração; C solos com baixa capacidade de infiltração; D solos
com capacidade muito baixa de infiltração).

Tabela
Condição A B C D
Floresta 41 63 74 80
Campos 65 75 83 85
Plantações 62 74 82 87
Zonas Comerciais 89 92 94 95
Zonas Industriais 81 88 91 93
Zonas Residenciais 77 85 90 92
Adaptado por Tucci ET al.,1993

E X EMP LO

1) Qual é a lâmina escoada superficialmente durante um evento de chuva de precipitação total P
= 70 mm numa bacia com solos do tipo B e com cobertura de florestas?
A bacia tem solos do tipo B e está coberta por florestas. Conforme a tabela anterior o valor do
parâmetro CN é 63 para esta combinação. A partir deste valor de CN obtém-se o valor de S:


A partir do valor de S obtém-se o valor de Ia:

Como P > Ia, o escoamento superficial é dado por:

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72

Portanto, a chuva de 70 mm provoca um escoamento de 8,5 mm.

O método do SCS também pode ser utilizado para calcular o escoamento superficial de
uma bacia durante um evento de chuva complexo, em que existem informações de precipitação
para vários intervalos de tempo. Esta alternativa é interessante quando se deseja saber, além do
valor do escoamento total, como foi sua distribuição temporal.
Para calcular o escoamento em diferentes intervalos de tempo, utilizando o método do
SCS, deve se primeiramente calcular valores acumulados de chuva. A partir dos valores
acumulados de chuva são calculados os valores acumulados de escoamento superficial, usando a
mesma metodologia do exemplo anterior. Finalmente, a partir dos valores acumulados de
escoamento superficial são calculados os valores incrementais de escoamento superficial.


Exercício 1:

1. Determinar a vazão de projeto pelo HUT-SCS e pelo Método Racional, para o período de
retorno de 50 anos, numa bacia de 3,0 Km
2
de área de drenagem, comprimento do talvegue de
3,1 km, ao longo do qual existe uma diferença de altitude de 93 m. Bacia ocupada com Zonas
Residenciais - Solo tipo B (CN=85).

I - Pelo método do Hidrograma Unitário Triangular -SCS

1.1 Calculo do HUT-SCS

a) Tempo de concentração


79 , 0
5 , 0
68 , 7
|
¹
|

\
|
=
S
L
t
c
ou
( )
79 , 0
5 , 0
3100
93
1 , 3
68 , 7
|
|
|
¹
|

\
|
=
c
t

tc = 75 min ou 1,25 horas

b) Duração da chuva (D)

D = 0,133tc= 0,133*75= 10 minutos

A duração da chuva D é de 10 minutos.

c) Tempo de pico (tp)

t
p
= 0,6. t
c
= 0,6*1,25 = 0,75 horas = 45 min

d) Tempo de subida do hidrograma (T
p
)

T
p
= t
p
+ D/2 = 0,75horas + 10/(60*2) horas= 0,833 horas = 50 min

e) Tempo de base do hidrograma (t
b
) é aproximado por:
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73

t
b
= T
p
+ 1,67. T
p
= 2,22 horas =133 min ~130 min

g) Vazão de pico do hidrograma unitário triangular

A vazão de pico do hidrograma unitário triangular correspondente a 1,00 milímetro de chuva
efetiva é:




A figura e a tabela a seguir mostram o hidrograma unitário triangular resultante.
Tempo Vazão
(minutos) (m3/s por mm)
0 0,00
10 0,15
20 0,30
30 0,45
40 0,60
50 0,75
60 0,66
70 0,57
80 0,48
90 0,39
100 0,30
110 0,21
120 0,12
130 0,03


1.2 Determinação da chuva efetiva e ordenamento em blocos alternados

Intervalo
de
tempo
Tempo
(minutos)
Chuva
(mm/h)
Chuva
Total (P)
(mm)
Chuva Efetiva
Acumulada
(mm)
Chuva Efetiva
incremental
(P
ef
em mm)
P
ef
(mm)
Ordenada
1 10 199 33,1 8,5 8,5 5,4,
2 20 149 49,8 19,5 11,0 7,2
3 30 123 61,3 28,2 8,7 8,7
4 40 105 70,2 35,4 7,2 11,0
5 50 93,2 77,7 41,6 6,2 8,5
6 60 84,1 84,1 47,0 5,4 6,2
8 70 76,9 89,7 51,9 4,9 4,9
Soma 51,9 51,9

1.3 – Convolução

Ordenadas do Hidrograma Unitário Vazão
Tempo Chuva 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13
Intervalo minutos Pefet 0,15 0,30 0,45 0,60 0,75 0,66 0,57 0,48 0,39 0,30 0,21 0,12 0,03 Q(m3/s)
1 10 5,4, 1,27 1,27
2 20 7,2 1,31 2,54 3,85
3 30 8,7 1,65 2,61 3,81 8,07
4 40 11,0 1,08 3,30 3,92 5,09 13,38
mm
s
m
T
P A
q
p
ef
p
0 , 1 / 75 , 0
833 , 0
0 , 1 * 0 , 3 * 208 , 0
. . 208 , 0
3
= = =
Hidrograma Unitário Triângular
0
0,1
0,2
0,3
0,4
0,5
0,6
0,7
0,8
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140
Tempo (minutos)
V
a
z
ã
o

(
m
3
/
s

p
o
r

m
m
)
Vazões

Apostila de Hidrologia - Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC

74
5 50 8,5 0,93 2,16 4,95 5,22 6,36 19,61
6 60 6,2 0,82 1,85 3,24 6,60 6,53 5,59 24,63
7 70 4,9 0,73 1,63 2,78 4,32 8,25 5,74 4,83 28,29
8 80 1,47 2,45 3,71 5,40 7,26 4,96 4,07 29,32
9 90 2,20 3,27 4,63 4,75 6,27 4,18 3,31 28,61
10 100 2,94 4,09 4,08 4,10 5,28 3,39 2,54 26,42
11 110 3,67 3,60 3,52 3,46 4,29 2,61 1,78 22,93
12 120 3,23 3,11 2,97 2,81 3,30 1,83 1,02 18,26
13 130 2,79 2,62 2,41 2,16 2,31 1,04 0,25 13,59
14 140 2,35 2,12 1,85 1,51 1,32 0,26 9,42
15 150 1,91 1,63 1,30 0,86 0,33 6,04
16 160 1,47 1,14 0,74 0,22 3,57
17 170 1,03 0,65 0,19 1,87
18 180 0,59 0,16 0,75

1.4 Hidrograma Final - Vazão de projeto

















II – Pelo Método Racional

Utilizando o método racional teremos:




C = 0,5 (residencial)
A = 3,0 km
2

i = 76,9 mm/h

Q = 32,0 m3/s

Exercício 2: Proposto.
Calcule a vazão de projeto para um período de retorno de 10 anos, pelos métodos HUT-SCS e
Racional, de uma bacia próxima a Blumenau, com área de 10 Km
2
, comprimento do talvegue de
5,0 Km, ao longo do qual existe uma diferença de altitude de 200 m. A bacia tem solos com
baixa capacidade de infiltração, coberta com 60% de campos e florestas e 40 % com residência
com muitas superfícies livres.
Hidrograma de Cheia
0,00
5,00
10,00
15,00
20,00
25,00
30,00
35,00
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170 180 190
Tempo (minutos)
V
a
z
ã
o

(
m
3
/
s
)
Vazões
6 , 3
* * A i C
Q =
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75



CAPITULO VIII

MEDIÇÕES DE VAZÕES E CURVA-CHAVE

1. Introdução

O escoamento superficial das águas normalmente é medido ao longo dos cursos d’água,
criando-se séries históricas que são extremamente úteis para diversos estudos e projetos de
Engenharia, basicamente para responder a perguntas típicas como: onde há água, quanto há de
água ao longo do tempo e quais são os riscos de falhas de abastecimento de uma determinada
vazão em um ponto de um curso d’água. No planejamento e gerenciamento do uso dos recursos
hídricos, o conhecimento das vazões é necessário para se fazer um balanço de disponibilidades e
demandas ao longo do tempo.
Em projetos de obras hidráulicas, as vazões mínimas são importantes para se avaliar, por
exemplo, calado para navegação, capacidade de recebimento de efluentes urbanos e industriais e
estimativas de necessidades de irrigação; as vazões médias são aplicáveis a dimensionamentos de
sistemas de abastecimento de águas e de usinas hidrelétricas; as vazões máximas, como base para
dimensionamento de sistemas de drenagem e órgãos de segurança de barragens, entre outras
tantas aplicações. Em operação de sistemas hidráulicos, onde poderiam se destacar sistemas de
navegação fluvial, operação de reservatórios para abastecimento ou geração de energia e sistemas
de controle ou alerta contra inundações.
As medições de vazão são feitas periodicamente em determinadas seções dos cursos d’água
(as estações ou postos fluviométricos). Diariamente ou de forma contínua medem-se os níveis
d’água nos rios e esses valores são transformados em vazão através de uma equação chamada de
curva–chave.
Curva-chave é uma relação nível-vazão numa determinada seção do rio. Dado o nível do rio
na seção para a qual a expressão foi desenvolvida, obtém-se a vazão. Não é apenas o nível da
água que influencia a vazão: a declividade do rio, a forma da seção (mais estreita ou mais larga)
também altera a vazão, ainda que o nível seja o mesmo.
Entretanto, tais variáveis são razoavelmente constantes ao longo do tempo para uma
determinada seção. A única variável temporal é o nível. Desta forma, uma vez calibrada tal
expressão, a monitoração da vazão do rio no tempo fica muito mais simples e com um custo
muito menor.

2. Medição de vazão

Para se determinar a expressão da curva-chave, precisamos medir a vazão para diversos
níveis. Tais pares de pontos podem ser interpolados, definindo a expressão matemática da curva-
chave.

2.1 Tipos de medição de vazões

As medições de vazão podem ser feitas de diversas formas, que utilizam princípios
distintos: volumétrico, estruturas hidráulicas (calhas e vertedores), velocimétrico, acústico e
eletromagnético. A escolha do método dependerá das condições disponíveis em cada caso.

2.1.1 Volumétrico

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76
Este método é baseado no conceito volumétrico de vazão, isto é, vazão é o volume que passa por
uma determinada seção de controle por unidade de tempo. Utiliza-se um dispositivo para concentrar
todo o fluxo em um recipiente de volume conhecido. Mede-se o tempo de preenchimento total do
recipiente. Este processo é limitado a pequenas vazões, em geral pequenas fontes d’água, minas e
canais de irrigação.

2.1.2 Calhas Parshall

As calhas Parshall são, assim como os vertedores, são estruturas construídas no curso
d’água e possuem sua própria “curva-chave”. Assim, a determinação de vazão a partir do nível é
direta para a seção onde a mesma está instalada. Entretanto, se não há ondas de cheia
propagando pelo canal, a vazão que passa pela calha é a mesma que passa por qualquer outra
seção do rio. Pode-se então determinar a curva-chave para outras seções de interesse medindo o
nível da água em tais seções e relacionando-os com a vazão medida pela calha ou vertedor.
O método (calha ou vertedor) se aplica a escoamentos sob regime fluvial. O princípio
consiste em forçar a mudança deste comportamento para o regime torrencial, medindo-se a
profundidade crítica.
No caso da calha, tal mudança é condicionada por um estreitamento da seção. Portanto,
com o conhecimento do nível da água na região da profundidade crítica determina-se a vazão do
canal, uma vez que a forma da seção da calha e a cota de fundo são conhecidas. Se a saída de
jusante se dá de forma livre (sem afogamento), a vazão pode ser assim determinada:

• Q
L
: vazão do canal;
• H: profundidade crítica;
• K e n: constantes que dependem das características da calha;

Caso a saída da água do canal se dá sob afogamento, forma-se um ressalto hidráulico e a
vazão calculada pela expressão acima precisa ser corrigida:

• Q
A
: vazão do canal;
• C: coeficiente de redução;

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77

Figura 8.1 – Representação esquemática da calha Parshall ilustrando as condições de
afogamento e saída livre.


Figura 8.2 – Calha Parshall

As calhas Parshall não interferem no escoamento (como ocorre com os vertedores, ao
provocarem o remanso), mas apresentam um forte limitante: sua viabilidade está restrita a pequenos
canais.

2.1.3 Vertedores

Este dispositivo também se baseia na determinação da vazão a partir da medição do nível
d’água. Existem diversos modelos de vertedores, com diferentes curvas que relacionam o nível
d’água com a respectiva vazão, vistos com detalhes em Hidráulica.

Os mais utilizados são:

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78
a) Vertedores triangulares:
A relação e a figura abaixo exemplificam o vertedor tipo Thompson, um vertedor triangular com
ângulo reto.

• Q: vazão do canal em m/s;
• H: nível d’água com relação ao vértice de ângulo reto em m;


Figura 8.3 – Vertedor triangular
b) Vertedores retangulares:
Como exemplo, citamos o tipo Francis:

2
3
84 , 1 LH Q = Valida para vertedores sem contração lateral.

2
3
) 2 , 0 ( 84 , 1 H H L Q − = Valida para vertedores com duas contrações laterais.

2
3
) 1 , 0 ( 84 , 1 H H L Q − = Valida para vertedores com uma contração lateral.
onde:
• Q: vazão do rio em m/s;
• L: largura da base do vertedor em m;
• H: carga do vertedor, isto é, o nível d’água que passa sobre o vertedor em m;

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79

Figura 8.4 – Vertedor retangular com duas contrações laterais

A aplicação dos tipos de vertedor depende da vazão que se mede. O vertedor triangular é
mais preciso, com erro relativo à vazão da ordem de 1%, sendo entretanto menos sensível ao
vertedor triangular, que apresenta erros relativos à vazão de 1 a 2%. Para vazões baixas o
acréscimo de precisão atenua-se e o decréscimo de sensibilidade acentua-se, sendo portanto
aconselhável o uso do vertedor triangular para vazões abaixo de 0,030 m
3
/s.
Um inconveniente dos vetedores é a necessidade de sua construção, com custo apreciável.
Além disso, o assoreamento e o remanso (elevação do nível) provocado a montante constituem
outras desvantagens dos vetedores.

2.1.4 Medição de vazão com equipamento Doppler

Nos últimos anos as medições de velocidade de água com molinetes tem sido substituídas
por medições de velocidade por efeito Doppler em ondas acústicas. Estes medidores funcionam
emitindo pulsos acústicos (ultrasom) em uma freqüência conhecida, e recebendo de volta o eco
do ultrasom, refletido nas partículas imersas na água A diferença das freqüências dos sons
emitidos e refletidos é proporcional à velocidade relativa entre o barco e as partículas imersas na
água. A suposição básica desse método é que as partículas dissolvidas na água se deslocam com
a mesma velocidade do fluxo. Um sistema como o apresentado na Figura 8.5, com um emissor
de ultrasom e três receptores, dispostos da maneira apresentada na figura, permite estimar a
velocidade da água num volume de controle segundo três eixos, perpendiculares aos sensores. A
partir destas componentes da velocidade no sistema de eixos do instrumento são calculadas as
componentes transversal, longitudinal e vertical de velocidade na seção do rio. O medidor de
velocidade pode ser utilizado com uma haste, como o ilutrado na Figura 8.5, quando se deseja
conhecer a velocidade de um ponto específico, ou quando o curso d’água é pequeno.


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80

Figura 8.5 – Medidor de velocidade Doppler


Figura 8.6 - Resultado de medição de vazão com perfilador acústico Doppler no rio Solimões em
Manacapuru (AM).

2.1.5 Molinete

São aparelhos dotados basicamente de uma hélice e um “conta-giros”, medindo a velocidade do
fluxo d’água que passa por ele (figura 8). Assim, quando posicionado emdiversos pontos da seção do
rio determinam o perfil de velocidades desta seção. Com tal perfil e a geometria da seção, determina-se
a vazão como se verá adiante.
Apostila de Hidrologia - Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC

81
O princípio de funcionamento é o seguinte: mede-se o tempo necessário para que a hélice
do aparelho dê um certo número de rotações. O “conta-giros” envia um sinal ao operador a cada
5, 10 ou qualquer outro número de voltas realizadas. Marca-se o tempo entre alguns sinais e
determina-se o número de rotações por segundo (n). O equipamento possui uma curva calibrada
do tipo V=a . n + b (onde a e b são características do aparelho), que fornece a velocidade V a
partir da freqüência n da hélice.


Figura 8.7 – Molinete preso a haste, preso a cabo com lastro (embaixo) e lastro (peixes)

As velocidades limites que podem ser medidas com molinete são de cerca de 2,5 m/s com
haste e de 5 m/s com lastro. Acima destes valores os riscos para o operador e o equipamento
passam a ser altos. Em boas condições, a precisão relativa para uma razão assim medida é de
cerca de 5%.

2.2 Tipos de medição de vazão com molinete

2.2.1 Avau

Este método é aplicado a medições com nível d’água não superior a 1,20 m e velocidade
compatível com a segurança do operador. Consiste em prender o molinete numa haste, sempre tomando
o cuidado de mantê-lo a uma distância mínima do leito (Aproximadamente 20 cm)

Figura 8.8 – Medição a vau

2.2.2 Sobre ponte

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82
Apesar de apresentar certa facilidade para uma medição de vazão com molinete, a seção de uma
ponte pode interferir na velocidade do escoamento. Se a ponte possui pilares apoiados no leito do rio, o
escoamento é alterado e pode provocar erosão no leito.
A determinação da geometria da seção é mais complicada. Uma alternativa seria afastar ao
máximo o molinete da ponte através de suportes, fazendo-se assim as medições numa seção
menos influenciada.

Figura 8.9 – Utilização de ponte como suporte

2.2.3 Com teleférico

No caso de não se dispor de pontes e o rio ser profundo, mas não muito largo, pode-se utilizar o
recurso do teleférico para levantar o perfil de velocidades. Há casos também em que há material
transportado pelo rio (toras), sendo aplicado este método para a segurança do operador.

Figura 8.10 – Medição com teleférico

2.2.4 Com barco fixo

Num rio como o do item anterior (desde que não haja material de grande porte
transportado) pode-se também utilizar o recurso do barco fixo. O barco é preso nas margens do
rio através de cabos, sendo este o método mais comum de medição com molinete.
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83

Figura 8.11 – Medição com barco fixo
2.2.5 Com barco móvel

Se o rio for de largura suficiente para inviabilizar o uso de cabos, pode-se ainda fazer a medição
com o barco em movimento. O barco se desloca com uma velocidade constante de uma margem a
outra, com o molinete fixado num leme especial a uma profundidade constante. A decomposição da
velocidade do barco e das velocidades indicadas pelo molinete possibilita estabelecer a velocidade
média da água na profundidade escolhida. A medição se repete a várias profundidades.

2.3 Cálculo de uma vazão

Alguns dos métodos descritos anteriormente fornecem diretamente a vazão numa determinada
seção do rio. Outros, como molinete e o ultrassônico, fornecem o perfil de velocidades da seção.
Nestes casos, precisamos ainda da geometria da seção para calcular a vazão que passa por ela.


Figura 8.12 – Perfil de velocidades fornecido pelo método ultrassônico ou por molinete

A descarga líquida ou vazão de um rio é definida como sendo o volume de água que
atravessa uma determinada seção num certo intervalo de tempo. Ou ainda, pode ser expressa
como:
A V Q . =
onde:
• Q: vazão em m3/s;
• V: velocidade do escoamento em m/s;
• A: área da seção em m
2
.

Como a seção do rio é irregular e as medições de velocidades são feitas em alguns pontos
representativos, a vazão total é calculada como sendo a soma de parcelas de vazão de faixas
verticais. Para se calcular a vazão de tais parcelas utiliza-se a velocidade média no perfil e sua
área de influência.

Determinação da velocidade média no perfil

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84
Normalmente, utiliza-se quatro processos principais:
• Pontos múltiplos;
• Dois pontos;
• Um ponto;
• Integração;

a) O primeiro (h>4,0 m) consiste em realizar uma medida no fundo (0,15 m a 0,20 m do leito),
uma na superfície (0,10 m de profundidade) e, entre esses dois extremos, vários pontos que permitam
um bom traçado da curva de velocidades em função da profundidade.
Calculando-se a área desse diagrama e dividindo-a pela profundidade, tem-se a velocidade
média na vertical considerada. Toma-se a velocidade superficial igual àquela medida a 0,10 m e a
de fundo como sendo a metade da mais próxima ao leito.

b) O segundo processo baseia-se na constatação experimental de que a velocidade média
numa vertical aproxima-se com boa precisão da média aritmética entre a velocidade medida a 0,2
e 0,8 da profundidade.


2
8 , 0 2 , 0
V V
V
m
+
=

c) Quando a profundidade é pequena (h<1,0 m), o método anterior não se aplica, pois a medição
a 0,8 da profundidade fica muito próxima ao leito, havendo contato do contrapeso com o fundo do rio.
Nestes casos utiliza-se o processo do ponto único, onde se aproxima a velocidade média pela medida a
0,6 da profundidade (contada a partir da superfície).

d) O processo de integração consiste em deslocar o aparelho na vertical com velocidade
constante e anotarem-se, além da profundidade total, o número de rotações e o tempo para chegar
à superfície. Tem-se assim diretamente a velocidade média.

2.4 Alguns perfis de velocidades

Nos cursos d’água naturais, além da rugosidade outros fatores podem influir na distribuição
da velocidade, como mostra a figura abaixo.






Figura 8.13 – Perfis de velocidades.

a) grandes velocidades, com escoamento muito turbulento;
a b c d e f g
V
m

V
0,8

V
0,2

H
0,8H
0,2H
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85
b) fracas velocidades, com fundo liso;
c) fundo rugoso (rocha);
d) fundo muito rugoso, com vegetação aquática muito importante;
e) saliência
f) cavado (poço) - jusante de uma saliência de fundo;
g) diminuição de velocidade em superfície (galhadas, etc.).

Obs. De uma maneira geral, pode-se indicar que as velocidades da água em uma seção
transversal de um canal (escoamento gradualmente variado) decrescem da superfície para o
fundo e do eixo para as margens. A distribuição das velocidades ao longo de uma seção costuma
ser representada pelo traçado das curvas isotáqueas (curvas de igual velocidade).

2.5 Média da área da seção e determinação da área de influência

A profundidade numa vertical é medida através do próprio elemento sustentador do
molinete, seja ele uma haste graduada (a partir do fundo) ou cabo (a partir da superfície da água).
Isto é feito ao se levantar o perfil de velocidades naquela vertical, tocando o leito com o “peixe”
ou com a haste. Em rios muito profundos e/ou com altas velocidades de escoamento onde a
medição com cabos e lastros torna-se inaplicável, pode-se utilizar recursos como a batimetria e
os sonares.
A distância horizontal entre as margens pode ser determinada através de cabo graduado ou
teodolitos.
As verticais onde se levantam os perfis de velocidades não devem ser muito próximas
(custo adicional sem ganho considerável de informações), assim como também não devem ser
muito distantes (perda da representatividade do modelo). A tabela abaixo sugere espaçamentos
entre tais verticais:

Tabela 8.1 – Cuidados no espaçamento das medições para uma boa representatividade do perfil.
Largura do rio (m) Espaçamento máximo
entre verticais (m)
3
3 a 6
6 a 15
15 a 30
30 a 50
50 a 80
80 a 150
150 a 250
250 a 400
+ de 400
0,3
0,5
1,00
2,00
3,00
4,00
6,00
8,00
12,00
até 30
(Fonte: Anuário Fluviométrico n. 2 Ministério da Agricultura - DNPM – 1941)

Como já foi citada, a área de influência multiplicada pela velocidade média do escoamento
na mesma resulta a vazão neste elemento.

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86

Figura 8.14 – Área de influência de um perfil de velocidades

A área de influência Ai de um determinado perfil de velocidades Vi é formada pela soma de
duas áreas trapezoidais, como indica a figura acima.


Exercício
Com a folha de medição de descargas fornecida, calcular a vazão do rio sabendo-se que
cada contagem de rotações do molinete foi feita em 50 segundos. A curva de calibração do
aparelho segue abaixo:


onde: n=número de rotações por segundo(r.p.s.)


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87
Tabela 8.2 – Dados do levantamento de campo





Uma pequena área (em verde) próxima a cada margem foi desconsiderada, como mostra a
figura abaixo:
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88


Figura 8.15 – Áreas próximas às margens não consideradas no cálculo anterior.

3. Medição do nível d`água

O nível d’água deve ser medido concomitantemente com a medição vazão na operação de
determinação da curva-chave, a fim de se obter os pares de pontos cota-descarga a serem
interpolados. Uma vez determinada a curva-chave precisamos monitorar apenas o nível d’água
para obtermos a vazão do rio.

3.1 Régua limnímetrica

A maneira mais simples para medir o nível de um curso d’água é colocar uma régua vertical na
água e observar sua marcação. As réguas são geralmente constituídas de elementos verticais de 1 metro
graduados em centímetro. São placas de metal inoxidável ou de madeira colocadas de maneira que o
elemento inferior fique na água mesmo em caso de estiagem excepcional.



















Figura 8.16 – Esquema de instalação e réguas na margem do rio.


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89
O observador faz leitura de cotas com uma freqüência definida pelo órgão operador da
estação, pelo menos uma vez por dia. Em geral a precisão destas observações é da ordem de
centímetros.

3.2 Limnígrafo

Este equipamento grava as variações de nível continuamente no tempo. Isto permite registrar
eventos significativos de curta duração ocorrendo essencialmente em pequenas bacias.


Figura 8.17 – Sensor de pressão.


3.2.3 Quanto à gravação

• Em suporte de papel, que podem ser: fita colocada em volta de um tambor com rotação
de uma hora a 1 mês;








Figura 8.18 – Gravação contínua em papel

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90




• Memorizada em suporte eletrônico (data-logger);


Figura 8.19 – Dados armazenados magneticamente sendo transferidos para serem analisados

• O dado pode ser transmitido em tempo real para uma central de operação.

4. Curva-Chave

A curva-chave relaciona o nível de um rio com sua vazão. Para obtê-la, fazemos medições de
vazão pelos métodos apresentados anteriormente para diversos níveis e obtemos pares cota-descarga. A
relação é obtida a partir da interpolação destes pontos e, como esta operação não contempla todos os
níveis possíveis, utiliza-se ainda a extrapolação.
A relação biunívoca cota-vazão de um rio se mantém ao longo do tempo desde que as
características geométricas do mesmo sofram variação.

A escolha de uma seção para controle, esta deve seguir alguns princípios:

• Lugar de fácil acesso;
• Seção com forma regular;
• Trecho retilíneo e com declividade constante;
• Margem e leito não erodíveis;
• Velocidades entre 0,2 e 2 m/s;
• Controle por regime uniforme;
• Controle por regime crítico ou fluvial;
O regime fluvial classifica o escoamento como lento. O regime crítico abrange a faixa e
velocidades que faz a transição entre o regime fluvial ou lento e o regime torrencial ou rápido. O
escoamento na seção deve ser fluvial ou no máximo crítico. Cada classificação possui uma
expressão que relaciona a vazão com as outras variáveis envolvidas, mostrados adiante.
• Regime permanente;
Todas as medições devem ser feitas na situação de regime permanente (as características
hidráulicas não variam durante a medição).






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91






Figura 8.25 – Curva-chave representada sobre eixo de cotas do perfil geométrico da seção


Para a curva-chave na hidrologia é utilizada uma expressão exponencial do tipo:



onde:
• a, b são parâmetros de ajuste;
• h
0
é a cota quando a vazão é zero;
• h é a cota;
• Q é a vazão;

4.1 Validade da curva-chave

4.1.1 Variação da curva-chave com o tempo

O fato de a curva-chave estar intimamente ligada às características hidráulicas da seção de
controle implica variação da expressão matemática quando há uma variação nestas constantes.
Alterações na geometria da seção ou na declividade do rio geradas por erosões ou assoreamento ao
longo do tempo causam mudanças na velocidade do escoamento e nas relações entre área, raio
hidráulico e profundidade, afetando a relação cota-descarga.
b
h h a Q ) (
0
± =
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92

Figura 8.26– Alteração da seção ao longo do tempo e conseqüente reflexo na curva cota-
descarga.

4.1.2 Extrapolação da curva-chave

Em geral as medições não contemplam valores extremos de vazões. Assim, para se estimar
vazões mais altas ou mais baixas recorremos à extrapolação. No entanto, deve-se tomar cuidado com a
forma da seção em função da altura, como mostra a figura 8.27. As curvas que relacionam raio
hidráulico e área com o nível d’água podem sofrer variações bruscas no comportamento, gerando
grandes erros na estimativa.
Como exemplo de curva-chave, na figura 8.27, é apresentado a de Blumenau (Cordero,
2009).

CURVA-CHAVE DE BLUMENAU
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000 5500 6000 6500 7000 7500
Vazão (m3/s)
N
í
v
e
l

(
m
)
Valores medidos 1984 - 2002
Valores estimados 1975 -1988
Valores estimados 1989-2002
Válida até 1988
Válida a partir de 1989

Figura 8.27 – Curva-chave para a estação fluviométrica de Blumenau.

Cujas expressões matemáticas são as seguintes:

Q= 41 (H + 1,2)
1,73 Válida até 1988.

Q= 42 (H + 1,2)
1,73 Válida a partir de 1989.
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93
onde:
Q: é a vazão, em m
3
/s
H: é o do nível do rio, em m.

5. Determinação da vazão pelo Método de Manning

A vazão de um canal ou de um rio pode ser determinada também através da fórmula de
Manning. Esta equação é vista com maior detalhe na cadeira de Hidráulica.

Fórmula de Manning




onde:
Q: é a vazão, em m
3
/s,
n: é a rugosidade de manning,
A: é a área da seção, m
2

R
H
:

é o raio hidráulico, m
I : é a declividade do fundo do rio, m/m

Raio Hidráulico

é a razão entre a área molhada e o perímetro molhado (A/P).

Exemplo de cálculo do R
H








Tabela 8.3 - Alguns valores de “n”
Natureza das paredes n
Canais de concreto 0,012
Tubos de concreto (drenagem) 0,013
Alvenaria de pedras retangulares 0,017
Alvenaria de pedras brutas 0,020
Canais de terra em boas condições 0,025
Canais de terra com plantas aquáticas 0,035
Canais irregulares e mal conservados 0,040


R
A
P
m
H
m
m
= =
+ +
=
3 2
2 2 3
0 857
*
,
B = 3,0 m
h =2,0
m
Q
n
A R I
H
=
1
2 3 1 2
. . .
/ /

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94
CAPITULO IX

CONTROLE DE CHEIAS E EROSÕES

1. Introdução

A integração dos homens com os rios é tão antiga quanto a existência do próprio homem.
Enchentes e secas tem ocorrido como eventos históricos significativos para a população por
milhares de anos. Quando a precipitação é intensa a quantidade de água que chega
simultaneamente ao rio pode ser superior à sua capacidade de drenagem, ou seja a da sua calha
normal, resultando na inundação das áreas ribeirinhas. Os problemas resultantes da inundação
dependem do grau de ocupação da várzea pela população e da freqüência com a qual ocorrem as
inundações. A ocupação da várzea pode ser para habitação, recreação, uso agrícola, comercial ou
industrial. Os problemas das enchentes e das erosões são de ordem mundial.
Para poder limitar os danos causados pelas enchentes e as erosões é necessário realizar um
plano para o seu controle e após executá-lo. Seria ingenuidade do homem imaginar que poderia
eliminar completamente as mesmas de uma bacia hidrográfica, assim tais medidas sempre visam
minimizar as suas conseqüências. A forma moderna atual de buscar a minimização das cheias e
das erosões é aquela que leva em consideração um conjunto de medidas, tanto para as cheias
como para as erosões, pois as mesmas na maioria das vezes estão interrelacionadas.
Um critério de classificação das medidas de controle das cheias é aquele que se subdivide
em duas categorias: as soluções estruturais e as não-estruturais. As primeiras medidas
influenciam na estrutura da bacia, seja na sua extensão (medidas extensivas), mediante
intervenções diretas na sua sistematização hidráulico-florestal e hidráulico-agrário, seja
localmente (medidas intensivas) mediante obras com objetivo de controlar as águas, como por
exemplo; reservatórios, caixas de expansões, diques, polders, melhoramento do álveo,
retificações, canais de desvio, canais paralelos e canais extravasores. Por outro lado, as medidas
não-estruturais consistem na busca da melhor convivência do homem com o fenômeno das
enchentes.

2. Medidas para controle das cheias

As medidas para o controle da inundação podem ser do tipo estrutural e não-estrutural. As
medidas estruturais são aquelas que modificam o sistema fluvial evitando os prejuízos
decorrentes das enchentes, enquanto que as medidas não-estruturais são aquelas em que os
prejuízos são reduzidos pela melhor convivência da população com as enchentes. Na Figura 9.1
são apresentadas diversas medidas para controle das cheias de forma sistemática.

2.1 Medidas estruturais intensivas

As medidas estruturais de controle de cheias do tipo intensiva são aquelas que agem no rio
e objetivam diversas formas de controle dependendo do tipo da obra. A seguir descrevemos
diversas medidas deste tipo de intervenção.

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95
Controle das Cheias
Estruturais Não-Estruturais
Medidas Intensivas Medidas Extensivas Sistemas de alerta
Reservatórios
Caixas de expansão
Diques
Polders
Melhoramentos do
álveo
Retificações
Hidráulico-florestal
Hidráulico-agrário
Sistemas resposta
Educação
Seguros contra
enchentes
Mapas de inundação
Canais de devios
Canais paralelos
Canais extravasores


Figura 9.1 - Medidas para controle das cheias


a) Reservatórios: um reservatório construído para laminar cheias, como o próprio nome
diz, lamina a onda de cheia, retendo parte do volume hídrico durante a fase de crescimento da
onda, e restituindo tal volume ao rio durante a fase da recessão da cheia ou logo após a onda da
cheia ter passado. O reservatório deve permanecer sempre vazio esperando a próxima onda de
cheia. Este tipo de obra mostra, em geral, boa laminação nas pequenas e médias cheias, mas nem
sempre nas grandes cheias, principalmente naquelas caracterizadas por vários picos. Como
exemplo deste tipo de obra podemos citar a Barragem Sul (93,5.10
6
m
3
), a Barragem Oeste
(83,0.10
6
m
3
) e a Barragem Norte (357,0.10
6
m
3
), que ficam localizadas na bacia do rio Itajaí.

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96















Figura 9.2 - Efeito do reservatório

b) Caixa de expansão: uma caixa de expansão é corretamente indicada para aquela área
alagável destinada a exercitar um efeito de decapitação da onda de cheia que se propaga ao longo
de um curso d’água. A função de uma caixa de expansão é similar a de um reservatório de
laminação de cheia. As caixas de expansões geralmente são executadas no pé da montanha ou na
zona de planície, em série, em paralelo ou de modo misto a respeito ao curso d’água. Muitas
planícies funcionam como caixas de expansão naturais, pois no momento das enchentes elas são
inundadas, armazenando grande volume d’água, que retorna ao rio principal quando as águas
começam a baixar. Exemplo deste tipo de planície é a que fica localizada no município de
Ilhota.








Figura 9.3 - Efeito da caixa de expansão

c) Diques: são barramentos ou muros laterais de terra ou de concreto, inclinados ou retos,
construídos ao longo das margens do rio, de altura tal que contenham as vazões no canal
principal a um valor limite estabelecido em projeto. Este tipo de obra assegura o controle
completo das cheias que tenham o seu pico inferior ao limite estabelecido, mas nenhuma
proteção para as vazões que ultrapassam tal limite, que passarão sobre tais muros. Este tipo de
obra é uma das mais antigas medidas estruturais de controle de cheias. Como exemplo podemos
citar os diques que foram construídos no rio do Pó, na Itália. Tais obras foram iniciadas pelos
Finícios, continuadas pelos Romanos e finalizadas pelos Italianos. Segundo Tucci (1993),
citando (Hoyt e Langbein, 1955), tais obras era um exemplo de projeto de recursos hídricos bem-
sucedido, mas a enchente de 1951 destruiu parte destes diques causando 100 mortes e perda de
30.000 cabeças de gado, além de perdas agrícolas.




V
Temp
Nível mínimo
Crista do vertedor Nível máximo
Hidrograma amortecido ou
laminado
Redução
do pico
Q
(m
3
/s)
Pico do hidrograma
natural
Comportas reguláveis
Descarregadores de fundo
Volume
Hidrograma amortecido ou
laminado
V
Te
Redução
do pico
Q
(m
3
/
Pico do hidrograma natural
Caixa de expansão

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97














Figura 9.4 - Diques

c) Polders: os polders são utilizados para proteger áreas restritas. A distinção entre diques
e polderes é que estes últimos utilizam uma estação de bombeamento para retirar as águas que
chegam na área protegida durante uma enchente. Neste tipo de obra geralmente há necessidade
de construir uma galeria com comportas reguláveis para evitar a entrada da água do rio principal
na área protegida e propiciar a saída da água do ribeirão quando a situação é normal. Como
exemplo deste tipo de obra podemos citar os 4 polders localizados no município de Blumenau: o
da rua Santa Efigênia, o da rua 25 de Julho, o da rua Antônio Treiss, o do ribeirão Fortaleza e o
do ribeirão do Tigre.












Figura 9.5 - Polder

e) Melhoramentos do álveo: os melhoramentos do álveo tem o escopo de diminuir o
tirante hídrico do rio para uma mesma vazão. Isto pode ser obtido aumentando a área da seção
transversal do rio através do alargamento da calha (Fig. 9.6.a) ou do aprofundamento do canal
(Fig. 9.6.b) ou ainda através do aumento da velocidade. O aumento da velocidade pode ser
obtido através da diminuição da rugosidade, aumento da declividade do rio, eliminação de
obstruções, etc. Tais medidas devem der adotadas com muita cautela, porque são freqüentes
causas de profundas alterações na dinâmica da modelação do álveo e do equilíbrio das águas
superficiais-subterrâneas. Também podem produzir sérios inconvenientes do ponto de vista
ambiental. Como exemplo deste tipo de obra podemos citar o alargamento do rio Itajaí-Açú, no
trecho entre as cidades de Blumenau e Gaspar. Esta obra tem mostrado, como resultado positivo,
um abaixamento da linha d’água de cheia do rio Itajaí-Açú em Blumenau, em torno de 40 cm,
como resultado negativo verificou-se vários deslizamento nos taludes do rio no trecho alargado e
à montante do mesmo, também foi verificado um aumento do depósito de sedimentos no trecho
Áreas protegidas
Diques
Rio principal
Bombeamento Área
protegida

Seção AA’
Comportas
Rio
principal
Ribeirão
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98
alargado, sendo que o volume do material depositado não é maior porque o mesmo é retirado
para a construção civil.










a – Ampliação lateral da seção

















b – Aprofundamento do canal

Figura 9.6 - Melhoramentos do álveo

f) Retificações: uma retificação de um rio consiste na construção de um novo leito para o
rio, retilíneo ou quase, em uma zona no qual em geral o rio percorre numerosos meandros. O
primeiro efeito de uma retificação é a redução do percurso d’água com conseqüente aumento da
declividade. Neste caso haverá uma maior velocidade na corrente, as cheias se propagarão mais
rapidamente para a jusante, seja em conseqüência do menor percurso, seja devido a maior
velocidade. Em função do aumento da velocidade se produzirá uma erosão da seção no trajeto
retificado o qual se estenderá também à montante. Com o tempo o efeito benéfico da retificação
tende a ser reduzido pelas danificações naturais que sofrerão a calha do rio devido as erosões. À
jusante da retificação nas menores velocidades produzirá invés um depósito, e de conseqüência
se reduzirá a declividade do trajeto retilíneo. A diminuição da velocidade se estenderá para a
montante até o momento que não esteja novamente restabelecido o equilíbrio. Como exemplo
deste tipo de obra Butzke (1994), descreve que na bacia do rio Trombudo/SC, diversos órgãos
(Prefeitura Municipal, DNOS, e EPAGRI), realizaram diversas obras, incluindo retificações, com
a finalidade de diminuir o problema das inundações e aumentar a área agrícola. Os objetivos
foram alcançados, mas por outro lado, as obras têm ocasionado novos problemas, como a
inundação de novas áreas e assoreamento do leito do rio.




Aprofundamento
da seção
DATU
Cota da margem
Linha d’água
original
Linha d’água alterada
após o
aprofundamento
Fundo do rio
Margens do rio
Cota da margem do rio
Linha d’água de cheia
Alteração da linha d’água
com margens ampliadas
Rio
a.1) Planta
a.2)
Corte
Fundo do rio
Margens ampliadas
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99











Figura 9.7 - Retificação

g) Canais de desvios: um canal de desvio serve para desviar parte da vazão da cheia do
curso d’água principal, diminuindo assim a vazão do rio na zona que se deseja proteger. Neste
tipo particular de obra em geral a água desviada não retorna mais ao canal principal, mas sim
para um lago, um outro curso d’água ou diretamente ao mar. O inconveniente deste tipo de obras
está no fato que, subdividindo a vazão entre mais de um ramo, a velocidade d’água diminui, e
portanto, se reduz também a força de transporte dos materiais. Como conseqüência, haverá uma
elevação do leito do rio, que pode provocar o desaparecimento de todas as vantagens obtidas com
a construção da obra. Por isto, estas obras devem ser projetadas com muita prudência. Como
exemplo de um canal de desvio executado citamos o do rio Arno, na Itália.











Figura 9.8 – Canal de desvio

h) Canais paralelos: um canal paralelo é utilizado quando, por diversas razões, não se
pode incrementar a capacidade do canal principal. Neste tipo de obra a vazão é repartida em dois
ou mais ramos, por um certo trecho, após o desvio a água retorna a escoar por um único canal.
Assim, o nível da cheia do canal principal no trecho interessado diminui. Os inconvenientes
deste tipo de obra são os mesmos descritos para o canal de desvio. Obra deste tipo pode ser
vista no rio Danúbio em Viena.








Figura 9.9 – Canal paralelo

OCEAN
Canal de desvio
Rio principal

Retificaç
Meandro
Canal
Rio
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100
i) Canais extravasores: um canal extravasor não é outro que um canal de desvio ou
paralelo. A diferença é que o canal extravasor é alimentado pelo rio somente durante as maiores
cheias, quando a vazão na seção do álveo em correspondência com o vertedor supera um valor
pré-fixado e extravasa do canal principal. Um canal extravasor é normalmente privo de água e
permite o crescimento de vegetação, mas está sempre em condições de receber parte da vazão do
rio, quando este supera o valor pré-fixado. Os mesmos inconvenientes dos canais de desvios e
paralelos ocorrem também nos canais extravasores, mas com muito menor grau porque
funcionam de um modo não contínuo. Por permanecer seco durante o período que não há cheias
e permitir o crescimento de vegetações o canal extravasor é chamado também canal verde.

2.2 Medidas estruturais extensivas

O controle extensivo das cheias é realizado mediante intervenções de conservação do solo,
com práticas agrícolas corretas e através do reflorestamento da bacia. Este tipo de medida produz
benefícios diversos que influenciam no fenômeno de formação da cheia segundo os seguintes
mecanismos: (a) aumento da capacidade de infiltração do terreno e, consequentemente, redução
dos defluxos superficiais (que constituem a componente mais importante da cheia); (b) redução
da velocidade média de escoamento d’água e incremento dos volumes hídricos contidos
temporariamente no solo, com conseqüente aumento dos tempos de concentração e da
capacidade de laminação da bacia. A onda de cheia resulta, portanto, mais achatada e com a
vazão de pico inferior com respeito ao caso da bacia não sistematizada.

2.3 Medidas não-estruturais

As medidas estruturais, geralmente, não são projetadas para fornecer uma proteção
completa. Isto requer uma proteção contra a maior enchente possível. Esta, além da dificuldade
em prevê-la, tem sua proteção física e economicamente muitas vezes inviável. Além disto, as
medidas estruturas podem criar uma falsa sensação de segurança, permitindo o aumento da
ocupação das áreas inundáveis, que no futuro podem gerar danos significativos. As medidas não-
estruturais, juntas com as estruturais ou sozinhas, podem minimizar significativamente os danos
com um menor custo. As medidas não-estruturais consistem basicamente nos sistema de alertas,
nos sistemas resposta, nos mapas de alagamento, nos seguros conta danos produzidos pelas
enchentes e na educação da população. Estas medidas são descritas a seguir.

a) Sistemas de alerta: um sistema de alerta serve para informar e alertar as pessoas que
habitam em zonas sujeitas a inundações sobre os riscos e a eminência de uma enchente. Os
alertas são baseados nas previsões dos eventos de cheia, que são simulados por meio de modelos
matemáticos hidrológicos em tempo real. Tais modelos consistem em prever a evolução do
fenômeno de cheia, nível do rio, com uma certa antecipação. Os alertas, por sua vez, servem para
acionar os dispositivos de controle das cheias pré-dispostos no sistema resposta. Um exemplo de
sistema de alerta podemos citar o da bacia do rio Itajaí, o qual é composto de uma rede de coleta
de dados e uma central. Os dados são coletados e transmitidos em tempo real pelos tele-
observadores e pelas estações telemétricas para a central que fica localizada na Universidade
Regional de Blumenau (CEOPS), onde em épocas de cheias são realizadas as previsões e
repassadas para as Defesas Civil de cada município que tem problemas de enchentes.

b) Sistema resposta: este sistema compreende os procedimentos de decisões e os respectivos
planos de ações de proteção, que possam ser implementados a curto prazo, como por exemplo: a
retirada dos bens materiais móveis, a evacuação da população e dos animais das zonas
inundáveis, elevação de diques com sacos de areia, abertura e fechamento das comportas dos
reservatórios ou polders construídos para o controle de enchente, etc. Um exemplo deste sistema
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101
podemos citar o plano de enchente da cidade de Blumenau, estruturado pela Defesa Civil da
Prefeitura Municipal de Blumenau.

c) Educação: o sucesso de um plano de controle das cheias baseado nas medidas não-
estruturais depende muito do conhecimento do risco das enchentes por parte das pessoas que
habitam as áreas inundáveis. Por isto, um trabalho de conscientização para a população dos
riscos que elas estão sujeitas com as enchentes é fundamental e deve ser incrementado
imediatamente após a ocorrência de cada evento de cheia. Também no município de Blumenau
tem-se realizado várias campanhas educativas sobre a problemática das cheias. Nestas
campanhas tem participado a Universidade Regional de Blumenau, a Prefeitura Municipal,
diversos colégios, a imprensa de modo geral, além de outros segmentos da sociedade.

d) Seguros contra enchentes: os seguros contra enchentes são apólices de seguro, estipuladas
por companhias especializadas, para aquelas habitações, indústrias ou casas comerciais
localizadas nas zonas sujeitas a serem inundadas com as enchentes. Ainda não há no Brasil uma
empresa que realiza seguro contra perdas totais causadas pelas enchentes.

e) Mapas de inundação: os mapas de inundação podem ser de dois tipos: “mapa de
planejamento ou carta enchente” e “mapa de alerta ou mapa cota enchente”. O mapa de
planejamento define as áreas atingidas por cheias de tempo de retorno escolhidos. O mapa de
alerta informa em cada esquina ou ponto de controle, o nível da régua no qual inicia a inundação.
Este mapa permite o acompanhamento da evolução da enchente, com base nas observações da
régua, pelos moradores nos diferentes locais da cidade.
A seção de escoamento do rio pode ser dividida em três faixas principais conforme mostra
a Figura 9.10.


Figura 9.10 - Regulamentação da zona inundável

1
2
1
3
3
2
R
I
O
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102
Zona de passagem da enchente (faixa 1) – Esta parte da seção funciona hidraulicamente e permite
o escoamento da enchente. Qualquer construção nessa área reduzirá a área de escoamento, elevando os
níveis à montante desta seção. Portanto em qualquer planjamento urbano, deve-se procurar manter esta
zona desobstruída.
Zona com restrições (faixa 2) – Esta é a área restante da superfície inundável que deve ser
regulamentada. Esta zona fica inundada mas, devido às pequenas profundidades e baixas velocidades,
não contribuem muito para a drenagem da enchente.
Zona de baixo risco (faixa 3) – Esta zona possui pequena probabilidade de ocorrência de
inundações, sendo atingida em anos excepcionais por pequenas lâminas de água e baixas velocidades.
A definição dessa área é útil para informar a população sobre a grandeza do risco a que esta sujeita.
Esta área não necessita regulamentação, quanto às cheias.

3. Erosões

3.1 Processos de erosão, transporte e depósito de sedimentos

Os complexos processos responsáveis pela sedimentação, transporte e depósito de sedimentos,
são responsáveis pela forma atual da superfície da Terra. Os principais agentes dinâmicos externos do
processo de sedimentação são a água, o vento, a gravidade, o gelo e os agentes biológicos, e
ultimamente a ação antrópica que podem atuar combinados ou isoladamente. A erosão corresponde à
separação e remoção da partícula da rocha e do solo pela ação da água, do vento ou por outro efeito,
sendo que diversos fenômenos têm ação preponderante nesse processo. O destaque da partícula no
processo de erosão ocorre através da energia de impacto da gota de chuva no solo e pelas forças
geradas devido à ação do escoamento das águas. As gotas de chuva, caindo principalmente em terrenos
inclinados (Fig. 9.11), desagregam as partículas, provocam o deslocamento e lavam o solo, removendo
a camada superficial. Quanto menor a proteção do solo tanto maior é a erosão.









Figura 9.11 - Erosão de partículas de solo provocada pelo impacto de gotas de chuva.

As partículas soltas podem ser deslocadas de sua posição, e ser transportada pelas enxurradas
para os cursos d'água. Uma quantidade de partículas minerais transportadas ou depositadas pela ação
do escoamento das águas define o sedimento fluvial. O deslocamento e transporte do sedimento
dependem da forma, tamanho, peso da partícula e das forças exercidas pela ação do escoamento. Se
essas forças se reduzem até a condição de não poderem continuar a deslocar a partícula, ocorre o
processo de deposição. Esses depósitos podem ser de pequeno, médio, ou de grande volume;
transitórios ou permanentes (como o assoreamento). Um depósito sedimentar permanente sofre o peso
da água e do seu próprio peso, compactando-se.

3.2 Necessidade do controle das erosões

A erosão do solo constitui um dos maiores problemas ambientais a ameaçar a viabilidade
da vida na Terra. Além deste fator inestimável em termos de valores financeiros, a erosão causa
perdas acentuadas em cidades, como é o caso da queda de taludes ocorrendo muitas vezes perdas
Trajetória da
gota d’água
Terreno
Trajetória das
partículas de solo
desagregadas
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103
de vidas humanas. Os sedimentos erodidos são deslocados pelas enxurradas para os cursos
d'água, assoreando as calhas dos rios ou reservatórios, trazendo danos elevadíssimos ou
irrecuperáveis.

3.3 Controle das erosões através da sistematização hidráulico-florestal

As obras de sistematização hidráulico-florestal além de laminar o pico das enchentes
ordinárias tem também o escopo de reduzir o fenômeno da degradação do solo, pois após a
retirada da floresta, principalmente naqueles terrenos onde existe uma certa declividade, acaba
ocorrendo o “desequilíbrio hidrogeológico” Nome este usado para indicar a gravidade dos
problemas que são gerados com a retirada da floresta que vão desde os grandes deslizamentos
das montanhas até as pequenas erosões localizadas, incluindo as erosões dos álveos fluviais, a
sobreelevação dos cursos d’água, etc. (Maione, 1984).


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104
CAPITULO X

REGULARIZAÇÃO DE VAZÕES EM RESERVATÓRIOS

A variabilidade temporal das vazões fluviais tem como resultado visível a ocorrência de
excessos hídricos nos períodos úmidos e carência nos períodos secos. Nada mais natural que
seja preconizada a formação de reservas durante o período úmido para serem utilizadas na
complementação das demandas na estação seca.
A dimensão ótima para um reservatório deverá ser considerada em função de um
compromisso entre o custo de investimento na sua implantação e o custo da escassez de água
durante os períodos secos. O primeiro o custo é diretamente proporcional e o segundo é
inversamente proporcional à dimensão do reservatório. Quanto menor for a capacidade útil de
acumulação de água, ou seja, aquela que pode ser efetivamente utilizada, mais provável é a
ocorrência de racionamento. Portanto, apenas na situação extrema aversão ao racionamento seria
ótima a decisão de construir-se um reservatório que sempre pudesse acumular água para atender
a demanda.
Como a ocorrência das vazões é aleatória, ou seja, não há possibilidade de previsão de
ocorrência a longo prazo, não é também possível prever-se com precisão o tamanho da reserva de
água necessária para o suprimento das demandas de períodos de seca no futuro. Isto leva o
planejador de recursos hídricos a duas situações ineficientes: superdimensionar as reservas às
custas de investimento demasiados no reservatório de acumulação, ou subdimensionar as
reservas às custas de racionamento durante o período seco. Entre estas duas situações estaria
aquela ótima.

Na execução é adotada a equação de balanço hídrico do reservatório:

S(t+1) = S(t) + I(t) - D - E(t) + P(t) (10.1)

onde:
S(t): armazenamento no início do intervalo de tempo t;
I(t): deflúvio afluente durante o intervalo t;
D : descarga operada visando ao suprimento da demanda;
E(t): evaporação do reservatório durante o intervalo de tempo t;
P(t): chuva sobre o reservatório durante o intervalo de tempo t.

A evaporação E é computada pelo produto de uma taxa de evaporação e(t), em altura de
lâmina de água evaporada por unidade de tempo, que pode variar com as estações do ano, pela
área do espelho liquido do reservatório, A.
A chuva sobre o reservatório é calculada pelo produto de uma altura de precipitação por
intervalo de tempo p(t), que varia temporalmente, pela mesma área do espelho liquido.
É praxe, diante desta analogia, computar-se o efeito destas duas variáveis de forma
conjunta. Se a área for dada em Km
2
, e a chuva e taxa de evaporação em mm, aplica-se a
equação:

E’(t) = E(t) -P(t) = [(e(t) - p(t)] . A/1.000 (10.2)

na qual E’(t) seria a evaporação descontada pela chuva. A divisão por 1.000 serve para
compatibilizar unidades, resultando em valores de E’(t) em Hm
3
.



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105








Figura 10.1 Esquema de um reservatório.

Exercício

Determinar o volume útil do reservatório de modo que ele seja capaz de assegurar uma
retirada mensal de deflúvio (demanda - D) igual a média mensal do período de 60 meses. Fazer a
verificação deste volume assumindo que o reservatório esteja cheio no quinto mês da simulação
(sem considerar falhas no sistema, ou seja, valores de volumes negativos). Desconsiderar a
precipitação e a evaporação. O volume útil vai ser a soma do maior valor positivo com o menor
valor negativo (este em módulo).

Tempo Deflúvio Deflúvio Calculo do Verificação
Mensal Médio Volume do Volume
Mês I (Hm
3
)
Hm
3
Hm
3
Hm
3


1 0,2 33,36 -33,16 ---
2 5,4 ---
3 416,6 ---
4 326,6 ----
5 164,3 Volume útil
6 13,5
7 0,3
8 0
9 0
10 0
11 0
12 0,6
13 2,3
14 2,2
15 2,3
16 3,6
17 1,7
18 0,9
19 0,1
20 0,2
21 0
22 0
23 0
24 0
25 0,3 33,36
26 0,5
27 0,5
28 2,2
29 0,1
Nível máximo
Q = D
b)
I
h
Volume Útil
Nível mínimo operacional
E P
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106
30 0
31 0

32 0
33 0
34 0
35 0
36 0,9
37 1,4
38 1,2
39 4,2
40 4,8
41 2,7
42 0,5
43 0
44 0
45 0
46 0
47 0
48 0,6
49 3,9
50 34,1
51 750,6
52 128,4
53 83,1
54 40,2
55 0,2
56 0
57 0
58 0
59 0
60 0,1


BIBLIOGRAFIA
BACK, Álvaro José. Chuvas intensas e chuvas de projeto de drenagem supeficial no
Estado de Santa Catarina. Boletim Técnico nro. 123, EPAGRI, 2002, 65 p.
GARCEZ, Lucas Nogueira; COSTA ALVAREZ, Guillermo. Hidrologia. 2.ed. São Paulo: E.
Blücher, [1988]. 291p.
NERILO, N.; MEDEIROS, P. A.; CORDERO, A. Chuvas intensas no estado de Santa
Catarina. Edifurb/Editora da UFSC, 156 p., 2002.
PFAFSTETTER, O. Chuvas intensas no Brasil. Departamento Nacional de Obras de
Saneamento, Ministério de Viação e Obras Públicas, Rio de Janeiro, 1957.
PINTO, Nelson L. de Sousa. et al.Hidrologia basica. São Paulo: E. Blücher, 1976. 278p.
PINTO, Nelson Luiz de Sousa; HOLTZ, Antonio Carlos Tatit; MARTINS, Jose Augusto, et
al. Hidrologia de superfície. São Paulo : E. Blücher, c1973. 179p.
TUCCI, Carlos E. M. Hidrologia: ciência e aplicação. Rio de Janeiro: ABRH, 1993. 943p.
VILLELA, Swami Marcondes; MATTOS, Arthur. Hidrologia aplicada. São Paulo:
McGraw-Hill, c1975. 245p.

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107
Trabalho

ESTUDO HIDROLÓGICO DE UMA BACIA HIDROGRÁFICA

I. CARACTERISTICAS FÍSICAS DA BACIA HIDROGRÁFICA
1.1 Identificar os rios da bacia destacando o rio principal.
1.2 Delimitar a bacia hidrográfica.
1.3 Classificar a ordem dos cursos d`água segundo Strahler.
1.4 Determinar a área da bacia.
1.5 Determinar o perímetro da bacia, o comprimento do rio principal e de toda rede de drenagem.
1.6 Determinar o índice de conformação, o índice de compacidade, sinuosidade, densidade de confluência e a densidade de
drenagem. (analisar os valores obtidos)
1.7 Traçar o gráfico do perfil longitudinal do rio principal e determinar a declividade do mesmo pelos dois métodos.
1.8 Determinar o tempo de concentração da bacia.

II VAZÃO DE PROJETO
3.1 Determinar a vazão de projeto, para a bacia do estudo, através da Formula Racional para o período de retorno de 50 anos.
3.2 Determinar a vazão de projeto pelo método do Hidrograma Unitário, para um período de retorno de 50 anos.
3.3 Determinar a altura, “H”, a base, “B” do canal de pedras regular, com a vazão de projeto para um período de retorno de 50
anos. Usar a Formula de Manning.

2 / 1 3 / 2
1
I R
n
A Q
H
=
Formula de Manning


III. PRESERVAÇÃO PERMANENTE EM BACIAS HIDROGRÁFICAS
4.1 Apresentar e comentar a lei federal referente as preservações permanentes da vegetação em uma bacia hidrográfica (no que
diz respeito as preservações nas nascentes, nas margens dos rios, nas altas declividades e nos lagos naturais e artificiais).
www.mma.gov.br/conama/. Apresentar novas alterações também.
4.2 Apresentar e comentar a lei municipal de Blumenau que trata deste tema, ou seja, das áreas de preservações que não podem
ser ocupadas.
4.3 Confrontar as duas leis.

IV. BACIAS URBANAS - ENCHENTES RAPIDAS EM BACIAS URBANAS
Introdução, conceitos, causas, problemática, consequências e soluções.

Obs. O trabalho deve ser feito em grupos de no máximo 4 alunos, deve ser apresentado-(1) impresso dentro da metodologia
cientifica – (2) oral com o PowerPoint..
H= ?
B=2H

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2

SUMÁRIO
INTRODUÇÃO E CICLO HIDROLÓGICO.......................................................................................................5 1. O conceito de Hidrologia o estudo da Hidrologia nas Engenharias ................................................................5 1.2 Uso da água ...............................................................................................................................................6 2. Volumes de água no planeta Terra e o Ciclo Hidrológico...............................................................................8 2.1 A água no planeta Terra .............................................................................................................................8 2.2 O ciclo hidrológico....................................................................................................................................9 2.3 Chuva, Granizo, Neve, Orvalho e Geada ...............................................................................................10 3. Hidrologia Aplicada.......................................................................................................................................10 4. Quantidade de Água ......................................................................................................................................11 5. Qualidade da Água .......................................................................................................................................11 CAPITULO II.....................................................................................................................................................12 BACIAS HIDROGRÁFICAS ...........................................................................................................................12 1. Bacias hidrográficas.......................................................................................................................................12 1.1 Conceito ..................................................................................................................................................12 1.2 Individualização ......................................................................................................................................12 1.3 Área da Bacia ..........................................................................................................................................12 1.4 Bacia como sistema .................................................................................................................................13 2. Rios, Ribeirões e Córregos ............................................................................................................................13 2.1 Definição ...............................................................................................................................................13 2.2 Classificação dos rios .............................................................................................................................13 2.2.1 Baseada na permanência ou não de água durante o ano .................................................................13 2.2.2 Rios, Ribeirões ou Córregos ...........................................................................................................13 3. Características fluviomorfológicas ................................................................................................................13 3.1 Índice de conformação ............................................................................................................................13 3.2 Índice de compacidade ............................................................................................................................14 3.3 Densidade de drenagem e Densidade de confluência .............................................................................14 3.3.1 Densidade de drenagem...................................................................................................................14 3.3.2 Densidade de confluência .................................................................................................................15 3.4 Sinuosidade do curso d’água...................................................................................................................15 3.5 Sistema de ordenamento dos canais ........................................................................................................15 3.6 Declividade e perfil longitudinal de um curso d’água............................................................................16 CAPITULO - III ................................................................................................................................................18 PRECIPITAÇÃO................................................................................................................................................18 1. Conceito..........................................................................................................................................................18 2. Formação das chuvas ......................................................................................................................................18 3. Classificação das precipitações.......................................................................................................................18 3.1 Chuvas Convectivas (“chuvas de verão”) .............................................................................................18 3.2 Chuvas Orográficas ................................................................................................................................19 3.3 Chuvas Frontais......................................................................................................................................19 4. Medidas de precipitação ................................................................................................................................19 4.1 Pluviômetros............................................................................................................................................20 4.1.1 Instalação do aparelho ......................................................................................................................21 4.2 Pluviógrafos .............................................................................................................................................21 4.2.1 Variedade de Aparelhos....................................................................................................................21 4.2.2 Tipos de Pluviógrafos ......................................................................................................................21 4.3 Pluviogramas...........................................................................................................................................22 4.4 Ietogramas ...............................................................................................................................................22 4.5 Manipulação e processamento dos dados pluviométricos.......................................................................23 4.6 Variação geográfica e temporal das precipitações ..................................................................................24 4.6.1 Variação geográfica ..........................................................................................................................24 4.6.2 Variação temporal.............................................................................................................................24 5. Precipitações médias sobre uma bacia hidrográfica ......................................................................................25 5.1 Método da média aritmética ....................................................................................................................25 5.2 Método de Thiessen ................................................................................................................................26 5.3 Método das Isoietas.................................................................................................................................26 6. Altura pluviométrica anual ............................................................................................................................27 6.1 Média, Desvio Padrão, Variância, Coeficiente de Variação e Valores Extremos...................................27

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3

6.2 Freqüência de totais anuais......................................................................................................................28 7. Altura pluviométrica mensal..........................................................................................................................29 8. Altura pluviométrica diária ............................................................................................................................29 9. Chuvas intensas..............................................................................................................................................29 10. Duração, intensidade e freqüência das precipitações...................................................................................29 10.1 Tipos de séries usadas nas análises estatísticas ......................................................................................30 10.2 Variação da intensidade com a freqüência ............................................................................................30 10.3 Relação Intensidade – Duração – Freqüência (I-D-F) .......................................................................31 10.4 Equações e gráficos de chuvas intensas ...............................................................................................31 10.5 Exercício ................................................................................................................................................33 10.5.1 Relação entre chuvas máximas de 1 dia e 24 horas ........................................................................35 10.5.2 Relações entre chuvas de diferentes durações ................................................................................35 CAPITULO – IV ................................................................................................................................................38 INTERCEPTAÇÃO E ARMAZENAMENTO..................................................................................................38 1. Conceito..........................................................................................................................................................38 2. Interceptação Vegetal .....................................................................................................................................38 2.1 Medições das variáveis.............................................................................................................................38 3. Armazenamento da água de chuva .................................................................................................................39 CAPITULO – V..................................................................................................................................................40 EVAPOTRANSPIRAÇÃO - EVAPORAÇÃO E TRANSPIRAÇÃO ..............................................................40 1. Introdução .......................................................................................................................................................40 2. Evaporação .....................................................................................................................................................41 2.1 Medição de evaporação............................................................................................................................42 2.2 Determinação da Evaporação...................................................................................................................42 3. Transpiração ...................................................................................................................................................43 4. Evapotranspiração...........................................................................................................................................43 4.1 Medição da evapotranspiração por Lisimetro .........................................................................................43 4.2 Estimativa da evapotranspiração por balanço hídrico .............................................................................44 4.3 Determinação da Evapotranspiraçao Potencial .......................................................................................45 4.4 Evapotranspiração da Cultura .................................................................................................................46 5. Evaporação em reservatórios ..........................................................................................................................46 5.1 Através do Tanque Classe A ...................................................................................................................46 5.2 Através do Balanço Hídrico ....................................................................................................................47 CAPITULO – VI ................................................................................................................................................49 INFILTRAÇÃO, ARMAZENAMENTO E ÁGUA SUBTERRÂNEA .........................................................49 1. Infiltração........................................................................................................................................................49 2. Equação de Horton .........................................................................................................................................49 3. Movimento da água subterrânea - Equação de Darcy.....................................................................................50 4. Armazenamento da água.................................................................................................................................51 CAPITULO VII ..................................................................................................................................................52 VAZÕES DE ENCHENTES..............................................................................................................................52 1. Enchente ........................................................................................................................................................52 1.1 Hidrograma de uma cheia......................................................................................................................52 1.1.1 Precipitação inicial...........................................................................................................................52 1.1.2 Escoamento superficial ....................................................................................................................52 1.1.3 Tempo de concentração (tc) ..............................................................................................................53 1.1.4 Tempo de retardamento da bacia ou tempo de retardo .....................................................................53 2. Período de retorno (T) ...................................................................................................................................53 2.1 Escolha do período de retorno.................................................................................................................53 3. Vazão máxima ...............................................................................................................................................53 3.1 Método racional.......................................................................................................................................54 3.1.1 Área da bacia (A).............................................................................................................................54 3.1.2 Coeficiente de escoamento superficial (C) .......................................................................................54 3.1.3 Intensidade da precipitação na bacia (i)...........................................................................................55 3.1.4 Para determinar o tempo de concentração de uma bacia. .................................................................56 3.2 Métodos estatísticos ................................................................................................................................57 3.2.1 Método de Gumbel ...........................................................................................................................57 3.2.2 Método Log-Normal ........................................................................................................................59

........................................................ Medidas para controle das cheias ................................................................................94 2....................2 Superposição................................................2.........66 3........................................81 2.................................................................... Determinação da vazão pelo Método de Manning ...................................................................................................100 2................................. 3..............................83 2...............................................................................................................................................94 CONTROLE DE CHEIAS E EROSÕES.......................94 1............67 3.......................2 Sobre ponte ....1 Volumétrico .........................................88 3............1.............104 REGULARIZAÇÃO DE VAZÕES EM RESERVATÓRIOS ...........................82 2...........81 2................................................................................... Erro! Indicador não definido............................................................3..........................1..............59 3......2.......3..................................................................................................................................................................4 Período de retorno/risco......................... transporte e depósito de sedimentos .................9 Vazões máximas usando o hidrograma unitário .............................1 Variação da curva-chave com o tempo ..............................................................................................90 4.....................................1...............................................................................................................................2........3.............3 Controle das erosões através da sistematização hidráulico-florestal ........................................................3 Vertedores......................................................................75 MEDIÇÕES DE VAZÕES E CURVA-CHAVE ..........................................5 Com barco móvel..............................................................................................................................................................1 Proporcionalidade ....89 4..........................................................................1......3 Cálculo de uma vazão ..........................................10 Chuva efetiva ou volume de escoamento: método SCS ......65 3................................................ Erosões..........................................2 Calhas Parshall ........... Curva-Chave ......100 3............................. Medição de vazão .......................................102 3...3.........................................................................75 1...............91 4...............................................................2 Tipos de medição de vazão com molinete............................... 5 Hidrograma Unitário Sintético triangular do SCS ................................................ 6 Distribuição temporal das chuvas de projeto ..................83 2...................2.........................................103 CAPITULO X.............................................75 2......................7 Atenuação das chuvas com a área.........1............................. Introdução .........................................................2 Extrapolação da curva-chave ...............................................1 Tipos de medição de vazões.............................4 Hidrograma Unitário sintético ..................................................................................................3 Medidas não-estruturais .................................................2 Limnígrafo................2....................................................................85 3......70 3....................2.................................................................104 .........93 CAPITULO IX ..............................................63 3......3..................59 3................................................................3...........3 Ajuste de distribuição considerando marcas históricas de enchentes .............88 3.......................................................75 2..4 Com barco fixo ............................75 2...............................69 3............................2......................................................................................................................................................................5 Molinete.............................3.82 2.......1 Medidas estruturais intensivas.......3.................81 2.................................................75 2............................................................................................................. Introdução ......92 5............1.94 2...........................................................91 4..............................102 3..................................................................3 Quanto à gravação ..............................................................................................................................................................................................................3.........................................2 Medidas estruturais extensivas..................................................80 2........89 3............................................77 2....................................................................5 Média da área da seção e determinação da área de influência.............................................4 Alguns perfis de velocidades...................................................................................................................................................................................1 Processos de erosão..................................... Medição do nível d`água...........................................Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 4 3.........8 Vazões máximas com base em transformação chuva-vazão....................................................................................................................................................................................................................................................102 3...........................................64 3..........................................................................................................................................70 3..............................................................................................3...........................................................................................76 2.........................................Apostila de Hidrologia ........1 Régua limnímetrica ...............1 Validade da curva-chave ..................2.........................................................65 3...................1 Avau...............3 Convolução ....................94 2...............................................2 Necessidade do controle das erosões ......................................................70 CAPITULO VIII..............................................84 2........................................................................................................................................................................................................................ Hidrograma Unitário .........................................................................................................................................3....................................................................3 Com teleférico .....................................................................................

A diferença fundamental é que a Hidrologia estuda os processos do ciclo da água em contato com os continentes. visando responder questões como: Qual . a climatologia. O conceito de Hidrologia o estudo da Hidrologia nas Engenharias Conceito de Hidrologia Hidrologia é a ciência que trata da água na Terra. circulação. Primitivos engenheiros construíram canais. De uma forma simplificada pode-se dizer que hidrologia tenta responder à pergunta: O que acontece com a água da chuva? A Hidrologia pode ser tanto uma ciência como um ramo da engenharia e tem muitos aspectos em comum com a meteorologia. recreação e paisagismo. e a glaciologia. As preocupações com o uso da água aumentam a cada dia porque a demanda por água cresce à medida que a população cresce e as aspirações dos indivíduos aumentam. geração de energia elétrica. lagos e ambientes marginais aos corpos d’água. Estima-se que no ano 2000 o mundo todo usou duas vezes mais água do que em 1960. no solo e no sub-solo.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 5 CAPITULO I INTRODUÇÃO E CICLO HIDROLÓGICO 1. engenharia ambiental e a ecologia. Existem outras ciências que também estudam o comportamento da água em diferentes fases. como a meteorologia. O Brasil é um dos países mais ricos em água. do Hwang Ho na China e do Nilo no Egito. geologia. Hidrologia nas Engenharias A humanidade tem se ocupado com a água como uma necessidade vital e como uma ameaça potencial pelo menos desde o tempo em que as primeiras civilizações se desenvolveram às margens dos rios. A Hidrologia utiliza como base os conhecimentos de hidráulica. condutos subterrâneos e poços ao longo do rio Indus. suas propriedades físicas e químicas e sua relação com o ambiente. há pelo menos 5000 anos. no Paquistão. dessedentação animal.Apostila de Hidrologia . A água também é importante para a manutenção dos ecossistemas existentes em rios. física e estatística. barragens. inclusive com os seres vivos. sua ocorrência. na Mesopotâmia. como no caso das inundações provocadas por chuvas intensas em áreas urbanas ou pelas cheias dos grandes rios. o volume de água doce na superfície da terra é relativamente fixo. a Engenharia Hidrológica é a aplicação dos conhecimentos da Hidrologia para resolver problemas relacionados aos usos da água. agronomia. pesca. Nos últimos anos a Hidrologia e a Engenharia Hidrológica têm se aproximado de ciências ambientais como a limnologia e a ecologia. Isto faz com que certas regiões do mundo já enfrentem situações de escassez. diluição de efluentes. geografia. irrigação. A Engenharia Hidrológica também estuda situações em que a água não é exatamente utilizada pelo homem. dos rios Tigre e Eufrates. diques. Enquanto as demandas sobem. embora existam problemas diversos. Relacionados a estes temas estão os estudos de Drenagem Urbana e de Controle de Cheias e Inundações. Entre os principais usos humanos da água estão: o abastecimento humano. A Hidrologia é o estudo da água na superfície terrestre. navegação. mas deve ser manejada adequadamente para minimizar prejuízos. a oceanografia. como banhados e planícies sazonalmente inundáveis. distribuição espacial. Enquanto a Hidrologia é a ciência que estuda a água na Terra e procura responder à pergunta sobre o que ocorre com a água da chuva uma vez que atinge a superfície.

Tabela 1.2 Uso da água Os usos da água são normalmente classificados em consuntivos e não consuntivos. mas sua quantidade não é alterada. porque não altera a quantidade de água disponível no rio ou lago.1 mostra os percentuais médios dos diferentes consumos doméstico. Da mesma forma a navegação é um uso não-consuntivo. para a higiene pessoal e para a lavagem de roupas e utensílios. O consumo de água em ambiente doméstico é estimado em 200 litros por habitante por dia. são o abastecimento humano e industrial. no entanto não está mais disponível para outros usuários de água na mesma região em que estão as lavouras irrigadas. energia de ondas e marés). Usos consuntivos alteram substancialmente a quantidade de água disponível para outros usuários. Alguns usos da água que podem ser feitos sem retirar a água de um rio ou lago são a navegação. Alguns usos da água que exigem a retirada de água. no caso de armazenamento (para complementar energia de vento ou solar). lavar veículos e para recreação. mas podem alterar sua qualidade. num mundo em que a energia renovável vai ser fundamental: no caso de produção (hidroelétrica. O uso de água para a geração de energia hidrelétrica. Esta água não está perdida para o ciclo hidrológico global. a irrigação e a dessedentação de animais. Abastecimento humano O uso da água para abastecimento humano é considerado o mais nobre. A maior parte da água utilizada na irrigação volta para a atmosfera na forma de evapotranspiração. Os parágrafos que seguem descrevem com um pouco mais de detalhe alguns dos principais usos de água. por exemplo. para o preparo dos alimentos. No ambiente doméstico a água também é usada para irrigar jardins. o uso da água para irrigação é um uso consuntivo. a recreação e os usos paisagísticos. Por outro lado.Apostila de Hidrologia . A água para abastecimento humano é utilizada diretamente como bebida. uma vez que a água é utilizada para movimentar as turbinas de uma usina.1 Abastecimento humano Consumo (%) 35 30 20 10 5 100 Descrição Higiene pessoal Descarga de vaso sanitário Lavagem de roupas Cozinhar e beber Limpeza Soma . porque apenas uma pequena parte da água aplicada na lavoura retorna na forma de escoamento. ainda que parte dela retorne. obviamente com uma qualidade bastante inferior.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 6 é a quantidade de água que pode ser retirada de um rio sem que haja impactos significativos sobre os seres vivos que habitam este rio? É possível que no futuro a água venha a ter um papel cada vez mais importante. Os usos de água também podem ser divididos de acordo com a necessidade ou não de retirar a água do rio ou lago para que possa ser utilizada. 1. Usos não-consuntivos alteram pouco a quantidade de água. e no caso de produção de biocombustíveis (irrigação). a geração de energia hidrelétrica. uma vez que o homem depende da água para sua sobrevivência. é um uso nãoconsuntivo. podendo retornar na forma de precipitação em outro local do planeta. Aproximadamente 80% deste consumo retornam das residências na forma de esgoto doméstico. A tabela 1.

Irrigação A irrigação é o uso de água mais importante do mundo em termos de quantidade utilizada. por exemplo. ao uso no produto final. A capacidade de assimilação de um corpo d’água é limitada. e quando o lançamento de dejetos é excessivo. bem como das técnicas utilizadas na irrigação. do clima e dos solos de uma região. Mesmo em regiões em que o esgoto doméstico e industrial é tratado. Também podem existir atividades de recreação de contato indireto.Apostila de Hidrologia . Este uso é bastante freqüente em rios com qualidade de água relativamente boa. e inclui atividades de contato direto. assim. as concentrações de alguns poluentes podem ser superiores às concentrações encontradas nos rios. como minérios e grãos. a processos de refrigeração. afastá-los de onde são gerados. A manutenção dos ecossistemas aquáticos implica na necessidade de que uma parcela da água permaneça no rio. A navegação requer uma profundidade adequada do corpo d’água e não pode ser praticada em rios com velocidade de água excessiva. . Assim. a qualidade de água de um rio não é mais suficiente para outros usos. como a recreação e a preservação dos ecossistemas. semiaridas. é reconhecidamente uma das que mais consomem água. à produção de vapor e à limpeza. ou com uma estação seca muito longa. como natação e esportes aquáticos como a vela e a canoagem. Navegação A navegação é um uso não-consuntivo que pode ser bastante atrativo do ponto de vista econômico. Recreação Um uso de água não consuntivo realizado no próprio curso d’água é a recreação. No Brasil o uso de água para irrigação vem aumentando a cada ano. A quantidade de água utilizada na irrigação depende das características da cultura. Assimilação e transporte de poluentes Os corpos de água são utilizados para transportar e assimilar os despejos neles lançados. como o esgoto doméstico e industrial. Preservação de ecossistemas Além de todos os usos humanos mais diretos. a irrigação é essencial para que possa existir a agricultura. Também utiliza-se os rios para transportar os poluentes e. é do interesse das sociedades que os rios e lagos mantenham sua flora e fauna relativamente bem preservadas.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 7 Abastecimento industrial O uso industrial da água está relacionado aos processos de fabricação. utiliza-se a capacidade de diluição dos rios e lagos para diminuir a concentração dos poluentes. a indústria de produção de papel. e que a qualidade desta água seja suficiente para a vida aquática. como a pesca esportiva. principalmente para cargas com baixo valor por tonelada. A irrigação é utilizada na agricultura para obter melhor produtividade e para que a atividade agrícola esteja menos sujeita aos riscos climáticos. Em algumas regiões áridas. A fabricação de diferentes produtos tem diferentes consumos de água. Assim.

000. No Brasil a geração de energia elétrica está fortemente ligada à hidrologia porque a quase totalidade da energia gerada e consumida é oriunda de usinas hidrelétricas. Considerando os dados da década de 1990. líquido ou gasoso.00 Porcentagem (%) 97. Tabela 1.40 1.348.00 36.040.00 1. A potência de uma usina hidrelétrica é proporcional ao produto da descarga (ou vazão) pela queda. no subsolo ou nas grandes massas constituídas pelos oceanos. geleiras.3 mostra onde podemos encontrá-la.000.000.000 .008 0.020 0.35 0.86 12.000 A água potável no nosso Planeta corresponde a 2.800. Volumes de água no planeta Terra e o Ciclo Hidrológico 2.1 A água no planeta Terra A água pode ser encontrada em estado sólido.00 13.2 mostra. a geologia.030. na superfície da Terra.00 1.802.001 100.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 8 Geração de energia A água é utilizada para a geração de energia elétrica em usinas hidrelétricas que aproveitam a energia potencial existente quando a água passa por um desnível do terreno.078.00 3. icebergs Água subterrânea. o Brasil é o terceiro maior produtor de energia hidrelétrica do mundo.00 277.17 0. 2.80 320.00 8.3 A água potável na Terra Fonte Capa de gelo polar. geleiras. A dependência mundial da energia hidrelétrica é de apenas 20%. como o clima. icebergs Água subterrânea (até 800 m de profundidade) Água subterrânea (de 800 a 4.80 14.000. na maior parte dos outros países. A queda é definida pela diferença de altitude do nível da água a montante (acima) e a jusante (abaixo) da turbina.000.000.120.000. seres humanos Atmosfera Soma Volume (km3) 27.580 0.003 0.384. em termos de volumes e percentuais a água no nosso Planeta.00 60.003 0.549. Tabela 1.000. a energia hidrelétrica corresponde a percentuais muito menores do total. Entretanto. os solos.23 9.2 A água no planeta Terra Fonte Oceanos Gelo polar.00 4. A Tabela 1.000.440.6 % do total ou um volume de aproximadamente 36.000.446.000. a energia hidrelétrica no Brasil corresponde a mais de 97% do total da energia elétrica gerada.35 0.000.840. na atmosfera.Apostila de Hidrologia .04 100. mares ou lagos. Na Tabela 1.000 m) Umidade do solo Lagos (água potável) Rios Minerais hidratados Plantas. a vegetação.00 km3 . A descarga em um rio depende das características da bacia hidrográfica. umidade do solo Lagos e rios Atmosfera Soma Volume (km3) 1. da Rússia e da França.390 2. atrás apenas dos Estados Unidos e do Canadá e a frente da China.280.00 Porcentagem (%) 77.001 0.000.00 125.000. animais.00 27. enquanto que.

1. Em circunstâncias específicas o vapor do ar condensado nas nuvens pode voltar à superfície da Terra na forma de precipitação. O vapor de ar é transportado pelo ar e pode condensar no ar formando nuvens. bem como um grande número de outras substâncias dissolvidas e em suspensão. Por exemplo. A energia que movimenta o ciclo hidrológico é fornecida pelo sol. A evaporação dos oceanos é a maior fonte de vapor para a atmosfera e para a posterior precipitação. Em escala regional podem existir alguns sub-ciclos. Solo Evaporação superfície liquida Zona de Saturação Rio. a água precipitada que está escoando em um rio pode evaporar. Direta Transpiração Interceptação Escoamento Superficial Zona de Areação Infiltração Armazenamento em depressões Evapotranspiração Transpiração Percolação Esc. A precipitação que atinge a superfície pode infiltrar no solo ou escoar por sobre o solo até atingir um curso d’água. mas a evaporação de água dos solos. A água doce que infiltra no solo dissolve os sais aí encontrados e a água que escoa pelos rios carrega estes sais para os oceanos.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 9 2. A água também sofre alterações de qualidade ao longo das diferentes fases do ciclo hidrológico. A energia do sol resulta no aquecimento do ar. Lago Oceano Figura 1. Subterrâneo Evaporação Evap. A água que infiltra umedece o solo. Nuvem Precipitação Nuvem Evap. A água salgada do mar é transformada em água doce pelo processo de evaporação. condensar e novamente precipitar antes de retornar ao oceano.Componentes do ciclo hidrológico . O ciclo hidrológico está ilustrado na Figura 1. alimenta os aqüíferos e cria o fluxo de água subterrânea.2 O ciclo hidrológico O ciclo hidrológico é o conceito central da hidrologia. dos rios e lagos e a transpiração da vegetação também contribuem.Apostila de Hidrologia .1 . O ciclo hidrológico é fechado se considerado em escala global. do solo e da água superficial e resulta na evaporação da água e no movimento das massas de ar.

por sua vez. que a absorvem pelas raízes e a devolve. atingem determinada dimensão. destacando-se a rotação terrestre. à medida que o solo vai sendo saturado a maiores profundidades. das tensões de vapor do ar e dos ventos. Orvalho e Geada Chuva. Como o solo é um meio poroso.1 apresenta um resumo dos campos onde os conhecimentos da Hidrologia Aplicada são utilizados. e a quantidade assim retida é chamada de perda por interceptação. Nos oceanos a circulação das águas é regida por uma complexa combinação de fenômenos físicos e meteorológicos. que é a soma da evaporação e da transpiração. Essa água nunca alcança o solo. A água que atinge o solo segue diversos caminhos. pode haver formação de partículas de gelo. Granizo. Em qualquer tempo e local por onde circula a água na superfície terrestre. assim como da transpiração vegetal. a infiltração decresce até uma taxa residual. O Quadro 1. com o excesso não infiltrado da precipitação gerando escoamento superficial. arbustos e plantas. cerca de 70%. Neve. O escoamento superficial manifestase inicialmente na forma de pequenos filetes de água que se moldam ao micro relevo do solo. Orvalho ou geada. Naturalmente por cobrir a maior parte da superfície terrestre. há evaporação para a atmosfera. depende da radiação solar. fenômeno que fecha o ciclo hidrológico ora descrito. na forma de vapor de água. uma micro rede de drenagem efêmara que converge para a rede de cursos d’água mais estável. Hidrologia Aplicada A hidrologia aplicada está voltada para os diferentes problemas que envolvem a utilização dos recursos hídricos.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 10 A umidade atmosférica volta à superfície da Terra na forma de chuva. seja nos continentes ou nos oceanos. onde é importante o conhecimento de evaporação dos mananciais superficiais líquidos e dos solos. haverá a formação de neve. Com raras exceções. molda. A partir do momento da saturação superficial. por estar intimamente ligada a maioria das atividades humanas. árvores. enquanto a superfície do solo não se satura. Se na sua queda atravessam zonas de temperaturas abaixo de zero. Entretanto o interesse maior.Apostila de Hidrologia . reside na água doce dos continentes. O escoamento superficial é impulsionado pela gravidade para as cotas mais baixas. Quando as gotículas de água. Quando a condensação se verifica diretamente sobre uma superfície sólida. O que os vegetais não aproveitam. conforme se dê a condensação em temperaturas superiores ou inferiores a zero grau centígrado. favorecendo a infiltração em percurso. aliada à topografia preexistente. granizo e neve. preservação do meio ambiente e ocupação da bacia. a contribuição maior é dos oceanos. A erosão de partículas de solo pelos filetes em seus trajetos. . há infiltração de toda precipitação que chega ao solo. formada por arroios e rios. granizo. Uma parte dela será retida nas construções. ocorrem os fenômenos de orvalho ou geada. A vegetação também reduz a energia de impacto das gotas de chuva no solo. A umidade do solo realimentada pela infiltração é aproveitada em parte pelos vegetais. formadas por condensação. 3. minimizando a erosão. neve ou orvalho. 2. No caso de a condensação ocorrer sob temperaturas abaixo do ponto de congelamento. variação espacial e temporal da energia solar absorvida e as marés. vencendo principalmente o atrito com a superfície do solo. A presença de vegetação na superfície do solo contribui para obstaculizar o escoamento superficial. dando origem ao granizo. A evapotranspiração. os ventos de superfície. à atmosfera por transpiração. quase toda. a água escoada pela rede de drenagem mais estável destina-se ao oceano. A infiltração e a percolação no interior do solo são comandadas pelas tensões capilares nos poros e pela gravidade. precipitam-se em forma de chuva.3 Chuva. percola para o lençol freático que normalmente contribui para o escoamento de base dos rios.

geração de energia 4.drenagem . 5. deve ser também tomada uma decisão a respeito da vida útil das obras a serem realizadas.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 11 Quadro 1.gerenciamento de bacias .controle de cheias . Planejamento . Quantidade de Água Embora com um risco de excessiva simplificação.irrigação .Apostila de Hidrologia . o estudo da ocorrência e distribuição das águas naturais no globo Terrestre ou mais especificamente em bacias hidrográficas.recreação . o trabalho dos engenheiros com os recursos hídricos pode ser condensado em certo número de perguntas essenciais. porque envolve aspectos sociais e econômicos. . As respostas a estas perguntas são encontradas pela aplicação da Hidrologia. a água deve satisfazer certas condições quanto à qualidade. Quando se pensa na utilização da água. Com base em uma análise econômica.inventário energético Projeto . No entanto os problemas relativos à qualidade da água não serão abordados com profundeza nesta disciplina. dentre as que se pode propor em um projeto. ou seja.erosão .controle de cheias .abastecimento . além dos técnicos. Como as obras de aproveitamento dos recursos hídricos visam ao controle do uso da água. O mesmo é tratado nas disciplinas de Saneamento. Qualidade da Água Além de ser suficiente em quantidade. as primeiras perguntas referem-se naturalmente às quantidades de água.abastecimento .irrigação . ao passo que planos que visem a utilização da água o que importa é o volume escoado durante longos períodos de tempo.navegação .reservatórios . Quase todos os projetos de aproveitamento dependem da resposta à pergunta: Com quanta água pode-se contar? Os projetos de controle de cheias baseiam-se nos valores de pico do escoamento.Campos de atuação da Hidrologia.1 .previsão hidrológica .poluição .piscicultura Operação . Essa é uma preocupação fundamental no aproveitamento dos recursos hídricos.energia . a primeira pergunta geralmente é: Que quantidade de água será necessária? Provavelmente é a resposta mais difícil de obter com precisão.

Por isto é considera-se como área da bacia hidrográfica a sua área projetada verticalmente.Divisor d´água de uma bacia hidrográfica 1. bacia hidrológica. e é um dado fundamental para definir a potencialidade hídrica da bacia hidrográfica. bacia de drenagem superficial. São Sinônimos: bacia de captação.3 Área da Bacia Delimitadas a bacia e as principais sub-bacias. com altimetria adequada. porque seu valor multiplicado pela lâmina de chuva precipitada define o volume de água recebido pela bacia. 1. Ela é representada normalmente por “A”. bacia de contribuição. medidas as áreas em projeção horizontal. as áreas são obtidas na planta topográfica por planímetro ou por qualquer outro método de medição. procura-se traçar a linha de divisores de água que separa a bacia considerada das contíguas. bacia coletora. seu enxutório ou foz.1 Conceito A bacia hidrográfica é uma área de captação natural da água da precipitação que faz convergir os escoamentos para um único ponto da bacia.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 12 CAPITULO II BACIAS HIDROGRÁFICAS 1.Apostila de Hidrologia .2 Individualização Sobre uma planta da região. Bacias hidrográficas O ciclo hidrológico é normalmente estudado com maior interesse na fase terrestre.1. 1. onde o elemento fundamental de análise é a bacia hidrográfica. bacia imbrífera. A bacia hidrográfica compõe-se basicamente de um conjunto de áreas com declividade no sentido de determinada seção transversal de um curso d’água. Figura 2. Também é possível determinar a área de uma bacia por cálculos matemáticos de mapas arquivados eletronicamente através de SIG (Sistema de Informações Geográficas). ..

000 1. 2. medido ao longo do curso d’água.1 Área de drenagem (km2) > 1.1 – Denominação: Rio. largura do canal do rio ou ordem do rio.2. Rios.Apostila de Hidrologia .000 100 a 1.000 100.000 10. Ribeirões e Córregos 2.000 10 a 100 < 10 Largura do rio (m) >1. há menos possibilidade de ocorrência de chuvas intensas cobrindo simultaneamente toda a sua extensão. Ribeirão ou Córrego A denominação de rio.000 1.500 800 a 1. e . Ribeirão ou Córrego.000 a 10. Nos efêmeros existe água apenas após períodos de precipitação e só transportam escoamento superficial.000 a 1.000 a 100. 2.4 Bacia como sistema A bacia hidrográfica pode ser considerada um sistema físico onde a entrada é o volume de água precipitado e a saída é o volume de água escoado pelo enxutório.1 Índice de conformação É a relação entre a área de uma bacia hidrográfica e o quadrado de seu comprimento axial. Tabela 2. área de drenagem.2. Uma bacia com índice de conformação baixo é menos sujeita a enchentes que outra do mesmo tamanho porém com maior índice de conformação. com índice de conformação baixo. b) Perenes: quando drena água o ano todo. Tamanho do rio Rios muito grandes Rios grandes Rios Pequenos rios Ribeirões Pequenos ribeirões Córregos Descarga média (m3/s) > 10.000. considerando-se como perdas intermediárias os volumes evaporados e transpirados e também infiltrados profundamente.000 100 a 1.000 a 10. ribeirão ou córrego é em função da descarga.1 Definição Em termo hidrológico rio é um sistema aberto com fluxo contínuo da nascente à foz. 1992).1 Baseada na permanência ou não de água durante o ano a) Efêmeros ou intermitentes: quando destituídos de água numa parte do ano.000.000 10 a 100 1 a 10 0.2 Classificação dos rios 2. no divisor de águas. Já os intermitentes escoam durante as estações de chuva e secam nas de estiagem.1 a 1 < 0. 2.500 200 a 800 200 a 800 40 a 200 8 a 40 <1 Ordem do rio* >10 7 a 11 6a9 4a7 3a6 2a5 1a3 *Depende das condições locais (Fonte: Meybeck et al. sendo que a manutenção do sistema de escoamento depende do balanço hidrológico. 3. da desembocadura ou seção de referência à cabeceira mais distante. Características fluviomorfológicas 3.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 13 1. Isso se deve ao fato de que em uma bacia estreita e longa.2 Denominação: Rio.

Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 14 também. km Figura 2. menor valor do índice de compacidade (próximo a 1) indica maior potencialidade de ocorrência de picos de enchentes elevados. I onde: c = A L 2 (adimensional) (2. 3. km C= Circunferência. independentemente do seu tamanho. Um coeficiente igual a unidade corresponderia a uma bacia circular. quanto o valor deste índice se aproxima a unidade (um). km L = Comprimento do rio. km2 (2. a forma da bacia se aproxima de um quadrado e este tipo de bacia tem maior potencialidade de ocorrência de picos de enchentes elevados. numa tal bacia.3. para bacias excepcionalmente bem drenadas. Caso não existam outros fatores que interfiram. quanto mais irregular for a bacia.28 P A (adimensional) Este coeficiente é um número adimensional que varia conforme a bacia.3 . intermitentes e perenes de uma bacia hidrográfica e a área total da mesma bacia é denominada densidade de drenagem. Caso não existam outros fatores que interfiram.1 Densidade de drenagem A relação entre o comprimento total dos cursos d’água efêmeros. a 3. km2 D P A L Figura 2. O valor do índice de compacidade indica maior potencialidade da bacia de produção de picos de enchentes elevados. km A= Área da bacia.5 km/km2 ou mais.5 km/km2 .Rios da bacia hidrográfica 3.1) 2 A L A = área da bacia.3 Densidade de drenagem e Densidade de confluência 3. para bacias de drenagem pobre.Perímetro da bacia hidrográfica (2.2 . Kc = P C C A P= Perímetro.2 Índice de compacidade É a relação do perímetro de uma bacia hidrográfica e a circunferência de círculo de área igual à da bacia. a contribuição dos tributários atinge o curso d´água principal em vários pontos ao longo do mesmo.2) onde: K c =0. km A = Área da bacia. Este índice varia de 0. tanto maior será o coeficiente de compacidade. km/ km2 ∑l = soma dos comprimentos dos rios. D onde: d = ∑l A Dd= Densidade de drenagem.Apostila de Hidrologia .3) .

5 . destacam-se os de Horton ( 1945) e Strahler (1957).4 .3. que é um fator de controlador da velocidade de escoamento.4) Dc= Densidade de confluência (Nc/ km2 ) Nc= Número de confluência A = Área da bacia. ou seja. 1 3 2 2 1 3 2 1 3 3 3 1 2 2 1 2 2 3 2 1 1 3 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 3 3 3 a) HORTON b) STRAHLER Figura 2.Rios da bacia hidrográfica onde: L = Comprimento do rio considerando a sinuosidade do mesmo. 3. o deflúvio atinge rapidamente os rios e haverá provavelmente picos de enchentes altos e deflúvios de estiagem baixos. km Este índice. para um valor acima de 1. é denominada sinuosidade do curso d’água.4 Sinuosidade do curso d’água A relação entre o comprimento do rio L e o comprimento de um tavegue Lt.5 seria considerado canal com meandros.5) Figura 2.5 Sistema de ordenamento dos canais Como critérios de ordenamento dos canais da rede de drenagem de uma bacia hidrográfica. A interpretação do resultado é semelhante ao da densidade de drenagem. Dc = Nc A (2.Apostila de Hidrologia .Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 15 3.Sistema de ordenamento de canais . km Lt = Comprimento do rio em linha reta. km2 Se existir um número bastante grande de cursos de água numa bacia (relativa a sua área). a sinuosidade pode distinguir entre os canais que são meandros e os que não são.2 Densidade de confluência Uma forma mais simples de representar a densidade de drenagem é calcular a densidade de confluência. onde: 3. A Lt Sin = L Lt L (2.

É o valor mais representativo e racional da declividade do curso d’água. m ABP = área compreendida entre a curva do perfil e o mesmo eixo das abscissas.7) L = Comprimento do rio.que determina uma área entre esta e o eixo das abscissas igual a área compreendida entre a curva do perfil e o mesmo eixo. desnível máximo.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 16 3. obtida dividindo-se a diferença total de elevação do leito pela extensão horizontal do curso d’água entre os dois pontos.Perfil longitudinal do rio Cometa . m ∆H = diferença de nível existente no comprimento L.6 . d2 = onde: 2 ABP L 2 (m/m) ou d2 = ∆h L (2.6 Declividade e perfil longitudinal de um curso d’água O perfil de um curso d’água é representado marcando-se os comprimentos desenvolvidos do leito em abscissas e a altitude do fundo (ou cota de água) em ordenadas. m.6) L onde: L = Comprimento do rio.Apostila de Hidrologia . m b) Linha d2 . Declividade média de um curso d’água pode ser calculado por dois métodos: a) Linha d1 . Altitude (m) 1300 1200 ∆H = 900 m 1000 d1 800 d2 880 m ∆h = 480 m 600 ABP 400 20 40 60 80 Distância a partir da seção de controle (em km) Figura 2. ∆H d1 = (m/m) (2.que representa a declividade média entre dois pontos.

Principais bacias hidrográficas brasileiras.Bacia do rio Itajaí.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 17 Figura 2. Figura 2.7 .8 .Apostila de Hidrologia . .

ela atinja tamanho suficiente para precipitar.III PRECIPITAÇÃO 1. A brusca ascensão promove um forte resfriamento das massas de ar que se condensam quase que instantaneamente. a chuva é a mais significativa em termos de volume. orográficas ou frontais. geralmente no fim da tarde ou começo da noite. 3. 3. orvalho. Classificação das precipitações Conforme o mecanismo fundamental pelo qual se produz a ascensão do ar úmido.Apostila de Hidrologia . Conceito Precipitação é a água proveniente do vapor d’água da atmosfera. neve. mantidas em suspensão. A partir desse nível.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 18 CAPITULO . Expansão Ar Quente Figura 3. 2. etc.Interessam às obras em pequenas bacias. resultando numa rápida subida do ar aquecido. Podem ser acompanhadas de descargas elétricas e de rajadas de vento. que é um fenômeno provocado pelo forte aquecimento de camadas próximas à superfície terrestre. até que. granizo. Podem iniciar com granizo. galerias de águas pluviais. como para cálculo de bueiros.Chuva Convectiva . portanto.1 Chuvas Convectivas (“chuvas de verão”) Resultantes de convecções térmicas. Essa ascensão do ar provoca um resfriamento que pode fazê-lo atingir o seu ponto de saturação. Formação das chuvas A umidade atmosférica é o elemento básico para a formação das precipitações. por um processo de crescimento. as precipitações podem ser classificadas em: convectivas. Essas gotas não possuem ainda massa suficiente para vencer a resistência do ar. A formação da precipitação segue o seguinte processo: o ar úmido das camadas baixas da atmosfera é aquecido por condução. sendo.1 . . sob a forma de: chuva. Ocorrem em dias quentes. Para as condições climáticas do Brasil. há condensação do vapor d’água em forma de minúsculas gotas que são mantidas em suspensão. torna-se mais leve que o ar das vizinhanças e sofre uma ascensão adiabática. etc. que chega a superfície terrestre. como nuvens ou nevoeiros.

e encontram uma barreira montanhosa.2 Chuvas Orográficas Quando vem vento quente e úmido. Grandezas características das medidas pluviométricas: .Chuva Frontal L2 > L1 .Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 19 3.3 .: Serra do Mar).Quantifica-se a chuva pela altura de água caída e acumulada sobre uma superfície plana. elevam-se e se resfriam adiabaticamente havendo condensação do vapor. Essas precipitações podem vir acompanhadas por ventos fortes com circulação ciclônica. Medidas de precipitação Figura 3. separando duas massas de ar de características diferentes. São chuvas de grande duração. Geralmente são acompanhadas de neblina.2 .3 Chuvas Frontais Aquelas que ocorrem ao longo da linha de descontinuidade. atingindo grandes áreas com intensidade média.A quantidade da chuva é avaliada por meio de aparelhos chamados de pluviômetros e pluviógrafos. Possuem intensidade bastante elevada. formação de nuvens e ocorrência de chuvas.Chuva Orográfica 3. As chuvas são localizadas e intermitentes. Frente Fria Ar Frio Ar quente Frente Quente Ar quente L1 4. Podem produzir cheias em grandes bacias. São provocadas por grandes barreiras de montanhas (ex. . Ar Úmido Figura 3.Apostila de Hidrologia . soprando geralmente do oceano para o continente.

Obs. sobrepondo-se ao reservatório e que determina a área de exposição do aparelho. • Intensidade da precipitação: é a relação entre a altura pluviométrica e a duração da chuva expressa em mm/h ou mm/min. No fim do período considerado.1 Pluviômetros O pluviômetro consiste em um cilindro receptor de água com medidas padronizadas. devidamente graduada. na qual se faz leitura. em mm. em forma de funil. caso não houvesse escoamento.4 mm de diâmetro.Apostila de Hidrologia . a chuva ocorrida nas últimas 24 horas. A leitura dos pluviômetros é feita normalmente uma ou duas vez por dia às 7 horas da manhã e as 17 da tarde.4 . para uma proveta graduada. 2) um receptador cilíndrico cônico. terminando por parte cônica munida de uma torneira para retirar a água. nos mesmos horários. com um receptor adaptado ao topo. expresso geralmente em horas ou minutos. Os pluviômetros são normalmente observados uma ou duas vezes por dia. 3) uma proveta de vidro. eles indicam a altura pluviométrica diária (ou a intensidade média em 12 horas).5 mm de diâmetro e 40 cm de comprimento.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 20 • Altura pluviométrica: mediadas realizadas nos pluviômetros e expressas em mm. a água coletada no corpo do pluviômetro é despejada. através de uma torneira. é a parte mais delicada do aparelho e deve ser construído e conservado cuidadosamente. 4. Significado: lâmina d’água que se formaria sobre o solo como resultado de certa chuva. mas é preciso não se enganar no momento de calcular a lâmina precipitada. h 1. A principio o resultado não depende da área. com bordas perfeitamente circular. infiltração ou evaporação da água precipitada. Uma chuva de 1mm/min corresponde a uma vazão de 1 litro/min afluindo a uma área de 1 m2. • Duração: período de tempo contado desde o início até o fim da precipitação. A base do receptor é formada por um funil com uma tela obturando sua abertura menor.Pluviômetro Dimensões de um pluviômetro padrão: 1) um reservatório cilíndrico de 256. em aresta viva com 252. . Essa leitura representa. para medir diretamente a chuva recolhida.5 D > 2h Figura 3. ele impede também a evaporação da água acumulada no reservatório.. todos os dias.

2 Pluviógrafos São aparelhos automáticos que registram continuamente a quantidade de chuva que recolhem.2. Os pluviógrafos possuem normalmente uma superfície receptora padrão de 200 cm2. que pode armazenar os dados em uma memória em suporte eletrônico (data-logger) ou em um papel em forma gráfica. entre 1 m a 1. transmissão do sinal. Estes equipamentos permitem medir as intensidades das chuvas durante intervalos de tempo inferiores àqueles obtidos com as observações manuais feitas nos pluviômetros. usando princípios diferentes para medir e gravar continuamente as precipitações. sendo que uma basculada normalmente equivale a 0. V é o volume recolhido. etc. relevo. O aparelho deve ficar longe de qualquer obstáculo que pode prejudicar a medição (prédios. árvores. Os registros dos pluviógrafos são indispensáveis para o estudo de chuvas de curta duração.1.(a) Pluviógrafo de caçamba basculante . que é necessário para os projetos de galerias pluviais.1 Instalação do aparelho Existem várias normas de instalação dos pluviômetros e pluviógrafos apesar das tentativas de homogeneização internacional. arranjados de tal maneira que. 4. em cm2 4. 4.Apostila de Hidrologia .5 m.5 . esvaziando-o e deixando outro em posição de enchimento.1) onde: P é a precipitação acumulada.25 mm de chuva. 4. A caçamba é conectada com um registrador.2 Tipos de Pluviógrafos Pluviógrafo de caçambas basculantes: consiste em uma caçamba dividida em dois compartimentos. Em geral deve ser feita a uma altura média acima da superfície do solo. a caçamba bascula.2. Figura 3. em mm. Pode-se examiná-los segundo as quatro etapas da aquisição: medição. quando um deles se enche. transmissão do registro.). em cm3 A é a área de interceptação do anel.1 Variedade de Aparelhos Existe uma grande variedade de aparelhos. gravação.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 21 P = 10 * V A (3.

Exemplo de pluviograma 4.(b) Pluviógrafo de peso 4.5 . o receptor repousa sobre uma escala de pesagem que aciona a pena e esta traça um gráfico de precipitação sob a forma de um diagrama (altura de precipitação acumulada x tempo) ou pode armazenar em uma memória em suporte eletrônico (datalogger). .6 . A leitura de um ietograma é feita da seguinte forma: a altura de precipitação corresponde a cada barra é a precipitação total que ocorreu durante aquele intervalo de tempo. Figura 3.3 Pluviogramas Os gráficos produzidos pelos pluviógrafos são chamados de pluviogramas.4 Ietogramas Os ietogramas são gráficos de barras. Figura 3.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 22 Pluviógrafo de peso: Neste instrumento. Os pluviogramas são gráficos nos quais a abscissa corresponde às horas do dia e a ordenada corresponde à altura de precipitação acumulada até aquele instante. nos quais a abscissa representa a escala de tempo e a ordenada a altura de precipitação.Apostila de Hidrologia .

Os dados lidos nos pluviômetros são lançados diariamente pelo observador na folhinha própria.7 . 4.(a) Ietograma. são feitas algumas análises de consistência dos dados: . Dados horários do Evento ocorrido em Blumenau em Novembro de 2008 Precipitação (mm) 17 10 16 15 14 20 13 12 30 11 10 40 9 8 50 7 6 60 5 4 3 70 2 1 0 22/11/2008 23/11/2008 24/11/2008 25/11/2008 Nivel (m) 0 18 Precipitações registradas (mm) Niveis registrados (m) 80 3.(b) Exemplo de um evento de chuva (ietograma-invertido) com o respectivo evento de cheia (hidrograma-niveis).5 Manipulação e processamento dos dados pluviométricos Os postos pluviométricos são identificados pelo prefixo e nome e seus dados são analisados e arquivados individualmente. que a remete no fim de cada mês para a entidade encarregada.7 .Apostila de Hidrologia .Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 23 8 Chuva (mm) 7 6 5 4 3 2 1 0 1 2 3 Ietograma Precipitações 4 5 6 Tem po (Horas) 7 8 9 10 Figura 3. Antes do processamento dos dados observados nos postos.

4.: 31 de abril).erro de transcrição (ex. para verificar se não houve defeito na sifonagem. são sempre contrabalançados por períodos secos.quantidades absurdas (ex. define-se o ano hidrológico. . NB e NC são. . Em virtude das variações estacionais. localizados o mais próximo possível. podem haver alguns erros grosseiros do tipo: . tanto no tempo como no espaço. é imprescindível para estudos hidrológicos. respectivamente.6. em dois períodos.1 ilustra. com dados do posto de Blumenau.2 Variação temporal Embora os registros de precipitações possam sugerir uma tendência de aumentar ou diminuir.2) NA. são preenchidos com os dados de 3 postos vizinhos. PB e PC são. O conhecimento da distribuição e variação da precipitação.observações marcadas em dias que não existem (ex. existem outros fatores que afetam mais efetivamente a distribuição geográfica da precipitação do que a distância ao Equador. (3.6 mm). Entretanto. Nx é a precipitação média anual do posto x. 4. por impedimento do observador ou o por estar o aparelho danificado. as precipitações médias anuais do postos vizinhos A. a definição destes dois períodos. Nestes casos. B e C. No caso de pluviógrafos.Apostila de Hidrologia . mesmo que irregularmente. da seguinte forma:  N N 1 N Px =  x PA + x PB + x PC +   3 NA NB NC   onde: Px é o valor de chuva que se deseja determinar.6 Variação geográfica e temporal das precipitações A precipitação varia geográfica. o úmido e o seco. temporal e sazonalmente.1 Variação geográfica Em geral. os dados falhos. existe na realidade uma tendência de voltar à média. Isso significa que os períodos úmidos.: 500 mm em um dia).: 0. as precipitações observadas no instante que o posto x falhou. acumula-se a quantidade precipitada em 24 horas e compara-se com a altura lida no pluviômetro que fica ao lado destes.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 24 a) Detecção de erros grosseiros Como os dados são lidos pelos observadores. b) Preenchimento de falhas Pode haver dias sem observação ou mesmo intervalo de tempo maior. respectivamente. A tabela 3.6. . PA. a precipitação é máxima no Equador e decresce com a latitude.36 mm em vez de 3. 4.

8 134.1 200. método de Thiessen e método das Isoietas.1 Método da média aritmética 128.7 128. Precipitações médias sobre uma bacia hidrográfica Para calcular a precipitação média de uma superfície qualquer.7 188.3 97.7 157.3 141.0 700.8 . 5.6 95.8 157.1 106.9 96.Precipitações mensais em Blumenau.0 900.0 jan fev mar abr mai jun jul Mês 91.5 141.0 800.8 correspondente úmido úmido úmido seco seco seco seco seco úmido úmido úmido úmido Limite Define-se como período úmido os meses de setembro a março e período seco os meses de abril a agosto (Figura 3. Existem três métodos para o cálculo da chuva média: método da Média Aritmética.0 600.8 300.4 160.1 95. é necessário utilizar as observações dos postos dentro dessa superfície e nas suas vizinhanças.0 106.0 201.7 97.0 188.Apostila de Hidrologia . 5.9 .1 – Precipitação média mensal em Blumenau (1945-2009).0 400.6 ago set out nov dez Figura 3.4 150.3 Precipitações Máximas Precipitações Médias Precipitações Mínimas 100.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 25 Tabela 3.0 0.0 500.9). P (mm) Período Mês Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Média mensal no ano 201. Precipitação Mensal em Blumenau (1945-2009) Precipitação (mm) 1000.9 96.0 152.0 152.1 91.

. em mm Ai = a área de influência de cada posto i. Este método ignora as variações geográficas da precipitação.Apostila de Hidrologia . c) prolongue as linhas perpendiculares até encontrar outra. b) trace linhas perpendiculares aos trechos retilíneos passando pelo meio da linha que liga os dois postos. A precipitação média é então calculada como a média aritmética dos valores medidos. P2 P1 ° A1 A2 ° A3 ° P3 A4 ° P4 Figura 3. mm A = a área da bacia.4) Este método considera a não-uniformidade da distribuição espacial dos postos.3 Método das Isoietas Isoietas são linhas indicativas de mesma altura pluviométrica.5) Pm = a precipitação média na área. 20 em 20 mm. O espaçamento entre eles depende do tipo de estudo. O polígono é formado pela interseção das linhas. A metodologia consiste no seguinte: a) ligue os postos por trechos retilíneos. em mm n = o número total de pluviômetro 5. mas não leva em conta o relevo da bacia. Por isto este método dá bons resultados quando o terreno não é muito acidentado. podendo ser de 5 em 5 mm. 10 em 10 mm.10 . em mm Pi = a precipitação medida no i-ésimo pluviômetro.2 Método de Thiessen n (3. A média será dada por: P onde: m = ∑ Pi A i =1 n i A (3. Pi = a precipitação registrada no posto i. P m = 1 n ∗ ∑ Pi i =1 onde: Pm = a precipitação média na área. correspondendo à área de influência de cada posto.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 26 Admite-se que todos pluviômetros têm o mesmo peso.Método de Thiessen 5. etc. Podem ser consideradas como “curvas de nível de chuva”.

a partir das cotas de alguns pontos levantados. determinando cada isoieta.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 27 O traçado das isoietas é feito da mesma maneira que se procede em topografia para desenhar as curvas de nível. P1 Ai. 4º. mm Pi+1 = a precipitação correspondente da isoieta i+1. em mm Ai. colocando suas respectivas alturas pluviométricas. 3º. Ligam-se os pontos de mesma altura pluviométrica. dentro do intervalo das duas alturas pluviométricas. 2º. Altura pluviométrica anual A quantidade total de precipitação num ano é uma das mais interessantes características de uma estação pluviométrica.Apostila de Hidrologia . dois postos adjacentes. Desvio Padrão. Liga-se por uma semi-reta. Definir qual o espaçamento desejado entre as isoietas.000 mm (Charrapunji. Coeficiente de Variação e Valores Extremos . desde próximo a zero. A precipitação média é obtida por: Pm = +    1 n    ∗ ∑  Ai .1 Média. até o valor máximo conhecido de 25. Pi = a precipitação correspondente da isoieta i.Método das Isoietas 6. i+1 ° P2 ° ° P3 ° P4 i-2 i-1 i i+1 Figura 3. Descreve-se a seguir o procedimento de traçado das isoietas: 1º. pois fornece de imediato uma idéia sintética do fenômeno no local.6) onde: Pm = a precipitação média na área. O valor da altura pluviométrica anual varia de região para região. Interpola-se linearmente determinando os pontos onde vão passar as curvas de nível. nas regiões desérticas. Ïndia) 6. mm A = a área da bacia. 6º.i +1 ∗  Pi Pi +1    A  i =1  2       (3.11 . Variância.i+1 = a área compreendida entre as isoietas i e i+1. Procede-se dessa forma com todos os postos pluviométricos adjacentes. 5º.

É comum apresentar-se o ajuste da lei de Gauss em forma gráfica. Os períodos de retornos são estimados por 1 T= para F(x) ≤ 0. isto é.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 28 a) Média Aritmética ( X ) ∑X X = i =1 n i n X = são os dados (Precipitação. Vazão. a soma de variáveis aleatórias é aproximadamente. geralmente estimada pela média amostral X .Apostila de Hidrologia . relacionando o total anual de precipitação pluvial (X) com o seu respectivo tempo de retorno (T). (3. denominada variável reduzida: x−u x= σ Na expressão acima.8) c) Variância (S2) ∑(X S2 = i =1 n i − X)2 n −1 (3. Etc.2 Frequência de totais anuais Um dos mais importantes resultados da Teoria das Probabilidades é o chamado teorema do limite central. u é a média (do universo). geralmente estimado pelo desvio-padrão amostral S.7) b) Desvio Padrão (S) ∑(X S=± i =1 n i − X )2 n −1 X é a média (3. ( 2π ) ∫− ∞ (3.) n = número de dados (3. A lei de Gauss tem a expressão: F ( x ) = P[ X ≤ x ] = z 1 2 e − u / 2 du . satisfeitas certas condições.10) e)Valores Extremos Extremo inferior: Mínimo Extremo superior: Máximo 6. Como o total anual de precipitação pluvial é formado pela soma dos totais diários. A integral que fornece o valor de F(x) só pode ser avaliada numericamente. e foi tabelada. e σ é o desvio-padrão (do universo). podendo ser encontrada em qualquer obra de referência Estatística. normalmente distribuída.11) onde: z é uma função linear de x.5.9) d) Coeficiente de Variação (CV) CV = S *100 (%) X (3. ela tende a seguir a lei de Gauss de distribuição de probabilidades. Este teorema diz que. é natural que se tente ajustar a lei de Gauss ao conjunto de dados observados.12) F ( x) .

Altura pluviométrica diária Um estudo mais detalhado das precipitações levaria a reduzir o intervalo de análise ao dia que corresponde a observações dos pluviômetros. de telhados e calhas. para cada valor de x.87%) P2 ( X . b) Na ordenada correspondente à frequência percentual acumulada de 50% marca-se a altura pluviométrica média. condutos de drenagem. 84.13%) 7.Conjunto de chuvas originadas de uma mesma perturbação meteorológica. cuja intensidade ultrapassa um certo valor (chuva mínima). 6.S.3 Papel de Probabilidade . Geralmente. 15.Apostila de Hidrologia .13) Assim. .Conhecimento das precipitações intensas de curta duração → é de grande interesse nos projetos de obras hidráulicas. intensidade e freqüência das precipitações . X . Duração. a) Na ordenada correspondente à frequência percentual acumulada de 15. . X +S. (3. 50%) P3 ( X + S. . Altura pluviométrica mensal O estudo das alturas pluviométricas mensais pode ser feito nas mesmas bases indicadas para o estudo das alturas pluviométricas anuais.87% marca-se a altura pluviométrica média menos o desvio padrão. no papel de probabilidade aritmética. Chuvas intensas .5. X .A área atingida pode variar desde alguns km2 até milhares de km2. tais como: dimensionamento de galerias de águas pluviais. Por fim plota-se em um gráfico num papel probabilístico aritmético-normal.Gauss (Papel probabilístico aritmético-normal) Determinação das coordenadas para o traçado no papel de probabilidade aritmética da curva (“reta”) de distribuição de frequências. Portanto. 10. a “reta” de distribuição de freqüências deve passar pelos pontos: P1 ( X .Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 29 T= 1 1 − F ( x) para F(x) > 0.13% marca-se a altura pluviométrica média mais o desvio padrão.S. 8. onde o coeficiente de escoamento superficial é bastante elevado.A duração das chuvas varia desde alguns minutos até algumas dezenas de horas. O conhecimento da freqüência de ocorrência das chuvas de alta intensidade é também de importância fundamental para estimativa de vazões extremas para cursos d´água sem medidores de vazão. esse estudo é feito dentro do chamado “estudo chuvas intensas” 9. c) Na ordenada correspondente à frequência percentual acumulada de 84. calcula-se o valor de z correspondente obtém-se F(x) de uma tabela e calcula-se finalmente T.

o tempo de recorrência (T) é analisado como sendo o número médio de anos durante a qual espera-se que a precipitação analisada seja igualada ou superada. Por exemplo.01=100 anos). prever com base nos dados observados. uma precipitação com 1% de probabilidade de ser igualada ou superada num ano tem um tempo de retorno igual a 100 anos. O primeiro critério é o mais adotado. mas principalmente. ajustam-se satisfatoriamente à distribuição de Gumbel. como a chuva e vazão.1 Tipos de séries usadas nas análises estatísticas Três critérios podem ser adotados a) Sérias anuais. dada por: P( X ≥ x) = 1 − e −e −y = 1 T (3.14) Onde: m é a ordem e N é o número de dados Exemplo: para m = 3 (ordem) → N = 31 (número de dados/anos) F = 3 = 0.09375 31 + 1 T= 1 1 1 = = ∴ T ≅ 11 anos P F 0. Neste ultimo critério se adota todos os valores selecionados para a formação das séries. b) Sérias parciais. dia.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 30 a) Duração (t): é o período de tempo durante o qual a chuva cai. c) Séries completas. Expressa normalmente por minuto. as distribuições de valores extremos de grandezas hidrológicas. quais as máximas precipitações que possam vir a ocorrer com uma determinada freqüência. c) Frequência de probabilidade (F=P) e tempo de recorrência ou período de retorno (T) Na análise de alturas pluviométricas (ou intensidades). O seu inverso é a probabilidade de um fenômeno igual ou superior ao valor analisado. (T=1/F=1/0. hora. obtida como a relação (i=Precipitação/tempo).15) .Apostila de Hidrologia .09375 10. desprezando-se os demais dados mesmo que sejam superiores às dos outros anos. 10. Neste critério as séries são constituídas dos máximos observados em cada ano. A probabilidade ou freqüência de ocorrência pode ser dada por: P=F= m N +1 T= 1 1 N +1 = = P F m (Fórmula de Kimbal) (3. Expressa normalmente em mm/h ou mm/min. Neste caso as séries são constituídas dos “n” maiores valores observados. Em geral. mês ou ano. sendo “n” o número de anos do período analisado. b)Intensidade (i): é a precipitação por unidade de tempo.2 Variação da intensidade com a freqüência Em Hidrologia interessa não só o conhecimento das máximas precipitações observadas nas séries históricas.

t0. T = período de retorno.4 Equações e gráficos de chuvas intensas As equações abaixo.Apostila de Hidrologia . Na análise estatística da estrutura hidrológica das séries de chuva podem ser seguidos dois enfoques alternativos: séries anuais ou séries parciais. geralmente expressa em mm/h T = o tempo de retorno. galerias pluviais. É usual empregar-se equações do tipo: i= C (t + t 0 ) n (3. duração e freqüência (id-f ou I-D-F). y = variável reduzida de Gumbel. 10.T m (t + t 0 ) n (3. . T é o período de retorno em anos e t é a duração da chuva em minutos. a. em minutos a. dimensionamento de bueiros. Certos autores procuram relacionar C com o período de retorno T. i é a intensidade da chuva em mm/h. em anos t = duração da chuva. A escolha de um ou outro tipo de séries depende do tamanho das séries disponível e do objetivo do estudo. menor será sua duração. A metodologia das séries parciais é utilizada quando o número de anos de dados é pequeno (<12 anos) e os tempos de retorno que serão utilizados são inferiores a 5 anos.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 31   T − 1  y = − ln − ln (3.T m neste caso a equação empregada fica: i= onde: i = intensidade. sistemas de drenagem.18) 10.19) (3. Correlacionando intensidades e durações das chuvas verificam-se que quanto mais intensa for uma precipitação. tais como vertedores de barragens.17) onde: i é a intensidade máxima média (mm/min. entre outros. Procura-se analisar as relações I-D-F das chuvas observadas determinando-se para os diferentes intervalos de duração de chuva. por meio de uma equação do tipo: C = a. é necessário conhecer as três grandezas que caracterizam as precipitações máximas: intensidade. C e n são parâmetros a determinar. n e t0 são parâmetros que devem ser determinados para cada local.16)   T   onde: P = probabilidade de um valor extremo X ser maior ou igual a um dado valor x. qual o tipo de equação e qual o número de parâmetros dessa equação.) para duração t. m.3 Relação Intensidade – Duração – Frequência (I-D-F) Para projetos de obras hidráulicas.

3. para a cidade de Blumenau .21) c) Para Blumenau (Ademar Cordero.9.23) Comparação entre as Equações de Álvaro Back (2002) e Ademar Cordero (2009).T 0.22) i= 1246.1)0. 2002): i= 655.1)0.1765 (t + 22.65 (Para t ≤120 min) (3.3)0.9.6647 i= 1246.1764 (t + 22.20) (t + 8.T 0. 2009): i= 655.3)0. 7909 (Para 120min <t<1440 min) (3.T 0.12 .Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 32 a) Para Blumenau (Álvaro Back.78 (Para 120 min <t< 720 min) (3.1764 (Para t ≤120 min) (3.Curvas de intensidade-duração-freqüência.Apostila de Hidrologia . Pluiviômetro (Cordero) Pluviógrafo (Back) 300 T= 5 anos (Cordero) Intensidade de chuva (mm/h) 275 250 225 200 175 150 125 100 75 50 25 0 5 min 10 min 15 min 20 min 25 min 30 min Tempo 1h 6h 8h 10 h 12 h T= 5 anos (Back) T=10 nos (Cordero) T= 10 amos (Back) T=20 anos (Cordero) T=20 anos (Back) T=50 anos (Cordero) T=50 anos (Back) T=100 anos (Cordero) T=100 anos (Back) Figura 3.T 0.1765 (t + 8.

5 123.0 97.5 74.3 7.4 2.2 84 42.2 100.2 Precipitações do posto pluviométrico de Blumenau.7 1.4 80.6 90.6 97.0 112.5 .9 3.6 89.1 3. Tabela 3.5 64.4 8.4 107 81.4 125.0 2.0 1.8 81.1 99.0 33.1 94.8 2.7 105.8 1.5 Exercício Determinar.5 13.4 97.9 1.7 4.6 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 250.5 144.6 1.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 33 10.4 97. ANO DO DADO CHUVA MÁXIMA DIÁRIA ANUAL ORDEM ORDEM DECRESCENTE DA CHUVA MÁXIMA PERIODO DE RETORNO (ANOS) (Ano) P (mm) (m) P (mm) T=(N+1)/m 1944 1945 1946 1947 1948 1949 1950 1951 1952 1953 1954 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 64.5 88 88.9 123.9 83.2 98.3 105.6 70.0 101.7 1.4 53 99.3 2.6 6.0 87.6 63.5 118.4 87.8 65.0 90.7 3.6 63.7 1.4 81.0 75.9 1.8 126.0 84 83.6 159.6 2.6 79.3 6.1 3.8 1.1 2.3 3.2 2.4 63.1 4.5 3.0 78.9 126.3 140. a intensidade-duração-frequência para o posto pluviométrico de Blumenau da série histórica de 1944 a 2008.0 94.9 140.Apostila de Hidrologia .7 89.9 70.6 70.8 81.7 50.4 81.3 88 159.5 2.5 5.0 79.2 89.0 9.0 22.6 82.4 2.7 89. em forma de tabela.4 89. utilizando o método Log-Normal.0 82.6 1.0 5.8 81.0 78.9 2.4 4.5 115.1 45.0 83.6 90.5 110.6 105.8 66.0 79.3 65.8 46.0 100.0 16.1 2.1 115.2 62.9 107 105.2 11.8 110.6 90.

Apostila de Hidrologia .1 1.0 300 Precipitação diária (mm) Método Log-Normal para Blumenau Precip itação Registrada 250 Reta Ajustada 200 150 100 P = 34.2 1.0 98.0 70.3 1.9 63.9 101.4 62.9 65.4 75.2 1.7 63.7 51.54 R2 = 0.0 80.2 55.2 1.8 60 55.3 118.6 76.1 1.0 79.6 65.9 88.1 1.4 1.6 53 51.2 83.6 63.8 144.5 61.9 60.0 112.5 1.8 89.9 84.4 1. .6 64.0 1.4 46.4 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 70.7 1.2 1.1 50.0 250.033Ln(T) + 54.13 Precipitações máximas diária do posto pluviométrico de Blumenau (Log-Normal).2 70.9 64.7 65.1 1.0 65.8 61.6 125.4 1.3 1.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 34 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 70.5 42.2 1.1 74.1 101.0 70.3 1.9235 50 0 1 10 Período de retorno.1 70.3 45.3 1.0 1.9 70.1 1. T (anos) 100 1000 Figura 3.5 1.

0 4.1 Relação entre chuvas máximas de 1 dia e 24 horas Muitas vezes há necessidade de se avaliar a relação intensidade-duração-frequência das chuvas de curta duração onde tem informação somente de chuvas de 1 dia.0 191. Tabela 3.3 132.0 0. 10.0 289.7 211.8 156.7 221. enquanto a do pluviógrafo.9 164.5 6.0 P(mm) 112.9 209.5 4.14).0 3.5 -1. o de um dia coletado em um pluviômetro é feito geralmente as 7:00 horas da manhã.3 234.5 0.3 – Precipitação de um dia para diversos Períodos de Retornos Período de Retorno Log-Normal Gumbel T (anos) 5 10 25 50 100 200 320 500 1000 10000 P(mm) 109.147 R2 = 0.5.0 1. devido os horários diferentes.9 10.5 131. com dados de pluviômetros é 1.5.1 187.14 definida por diversos pesquisadores (24h/1dia=1.5 7.5 1. A chuva registrada em um dia é diferente da registrada em 24 horas.9074 50 0 -1.0 6.2 251.5 2.Apostila de Hidrologia . .Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 35 300 Precipitação diária (mm) Método de Gumbel para Blumenau Precipitação Registrada 250 Reta Ajustada 200 150 100 P= 25.6 368.9 266.9 250.2 Relações entre chuvas de diferentes durações Para locais onde as únicas informações mais detalhadas são as chuvas de 1 dia observadas em postos pluviométricos.5 5.0 174.0 309.0 -0.8 233.0 5. A relação adotada para determinar a chuva de 24 horas . é das zero hora as 24 horas. pode-se avaliar a chuva de 24 horas de determinada freqüência.602(y) + 74.5 3.0 2.0 Variável reduzida (y) Figura 3.14 Precipitações máximas diária do posto pluviométrico de Blumenau (Gumbel).

7 96.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 36 Valores obtidos do estudo DNOS (Médios) para as relações entre alturas pluviométricas podem ser utilizados com series anuais para período de retorno de 2 a 100 anos.34 13.9 15.2 150.7 37.5 Chuvas intensas para Blumenau .3 116.1 105.2 109.4 186.5 151.7 47.85 =1.6 Altura Pluviométrica (mm) T= 10 anos 15.74 0.7 149.4 102.1 61.9 87.4 .1 108.1 117.3 10.4 165.8 T= 20 anos 18.0 T=100 anos 23.9 Tabela 3.0 33.8 172.2 123.0 91.0 93.1 T= 10 anos 190.9 56.0 12.4 145.6 T= 20 anos 217.3 36.7 129.3 112.2 32.9 53.5 16.14*P(1 dia) Tirado da Equação (Gumbel) 21.2 43.4 149.5 10.0 14.3 43.9 25.1 28.1 277.82 0.9 20.1 18.6 179.0 91.6 12.4 220.9 154.3 17.3 14.7 168.7 14.7 123.6 199.9 68.2 49.1 61.5 .2 130.78 0.5 46.4 71.5 171.5 140.5 27.72 0.9 26.6 198.8 53.4 12.81 0.Relações entre chuvas de diferentes durações para Blumenau (1944-2008) Método de Gumbel Relação entre alturas pluviométricas 5 min/30 min 10 min/30 min 15 min/30 min 20 min/30 min 25 min/30 min 30 min/1 h 1 h/ 24 h 6 h/ 24 h 8 h/ 24 h 10 h/ 24 h 12 h/ 24 h 24 horas (Precipitação de 24 horas) P (1 dia) Precipitação de um dia Valores obtidos do estudo DNOS T= 5 (Médios) anos 0.2 71.42 0.3 190.8 162.6 0.5 9.3 133.8 42.2 106.1 48.8 19.7 150.7 63.9 92.3 83.9 123.9 15.Método de Gumbel Chuvas intensas (mm/h) Dados utilizados de Pluviômetro (1944-2008) Duração T= 5 anos 5 min 10 min 15 min 20 min 25 min 30 min 1h 6h 8h 10 h 12 h 162.2 148. Tabela 3.7 37.4 174.6 55.1 36.1 172.5 136.3 23.Apostila de Hidrologia .91 0.1 79.3 16.4 100.3 142.3 21.8 134.4 63.7 83.2 127.7 113.1 T=50 anos T=100 anos 251.8 191.2 131.2 T=50 anos 21.0 129.7 0.1 128.3 39.0 218.9 32.54 0.5 170.9 157.4 53.2 111.

T = 50 anos Tabela .T = 5 anos Intensidade i ( mm/hora) 250 Tabela .T = 20 anos Equação .T = 20 anos Tabela .T = 50 anos Equação .22 e 3. ( ajustadas por Ademar Cordero tomando como Base as de Back).Apostila de Hidrologia .23.T = 10 anos Equação .T = 100 anos 50 0 5 10 15 20 25 30 60 360 480 600 720 Tempo ( minutos) Figura 3.T = 10 anos Tabela . .Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 37 Pluiviômetro (Cordero) 300 Intensidade de chuva (mm/h) 275 250 225 200 175 150 125 100 75 50 25 0 5 min 10 min 15 min 20 min 25 min 30 min Tempo 1h 6h 8h 10 h 12 h T= 5 anos (Cordero) T=10 nos (Cordero) T=20 anos (Cordero) T=50 anos (Cordero) T=100 anos (Cordero) Figura 3.T = 5 anos Equação .15 – Comparação chuvas intensas em Blumenau usando pluviômetro e pluviógrafo Cruvas Intensidade-Duraçao-Frequência (I-D-F) 300 Tabela .16 – Comparação chuvas intensas em Blumenau usando Tabela 3.5 e Equações 3.T = 100 anos 200 150 100 Equação .

das condições climáticas (quando há muito vento a capacidade de interceptação é diminuída). O volume retido é perdido por evaporação. Este processo interfere no balanço hídrico da bacia hidrográfica. retarde e reduza o pico das cheias. Interceptação Vegetal A quantificação de perdas devido à interceptação vegetal em uma floresta pode ser feita através do monitoramento acima e abaixo da copa das árvores. C : é a parcela que escoa pelo tronco das árvores. T : é a precipitação que atravessa a vegetação. das características da própria cobertura vegetal (vegetação de folhas maiores possuem maior capacidade de interceptação).Apostila de Hidrologia . Em regiões com chuvas mais intensas o papel da interceptação no balanço hídrico é menor. e se for superior a 1 mm. A capacidade de interceptação depende das características da precipitação (intensidade. Conceito Interceptação é a retenção de parte da precipitação acima da superfície do solo.. a evaporação da água interceptada ocorre durante o próprio evento chuvoso.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 38 CAPITULO – IV INTERCEPTAÇÃO E ARMAZENAMENTO 1. A equação da continuidade do sistema de interceptação pode ser descrita por: Si = P – T – C onde: Si: é a precipitação interceptada. duração. entre outros. (4. O papel da interceptação no balanço hídrico de uma bacia é mais importante em regiões em que predominam chuvas de baixa intensidade. Alguns valores estimados para perdas por interceptação de acordo com o tipo de vegetação são: • prados. funcionando como um reservatório que armazena uma parcela da precipitação para consumo. no outono a capacidade de interceptação é praticamente nula em árvores de folhas caducas). 2. Alguns autores sugerem que se a chuva total de um evento for inferior a 1 mm. A diferença do volume total precipitado e volume de água que atravessa a vegetação (considerando o volume escoado pelos troncos) fornece uma estimativa da interceptação do local.1) . Nestes casos. A tendência é que a inteceptação reduza a variação da vazão ao longo do ano.1 Medições das variáveis a) Precipitação – A quantificação da precipitação é realizada com postos pluviométricos localizados em clareiras próximas às áreas de interesse. a interceptação pode variar entre 10 e 40% 2. retornando a atmosfera. monitorar o volume de água que escoa pelo tronco das árvores. cerca de 25% da precipitação anual. Neste caso é importante. da época do ano (por exemplo. A interceptação pode ocorrer devido a vegetação ou outra forma de obstrução ao escoamento. volume). • bosques espessos. também. P : é a precipitação observada. ela será interceptada em sua totalidade. de 5 a 10% da precipitação anual.

Experiências mostram que é necessário utilizar cerca de dez vezes mais equipamentos para a medição da precipitação que atravessa a vegetação do que para a precipitação total. portanto. Dependendo do tipo de cobertura a quantificação desta variável é ainda mais difícil como em gramados e vegetação rasteira. O volume de água retido nessas áreas somente diminui por evaporação e por infiltração. também não existe infiltração significativa no solo. logo após a enchente. Com a utilização da água da chuva. e não produz escoamento. Armazenamento da água de chuva Na bacia hidrográfica existem obstruções naturais e artificiais ao escoamento.Apostila de Hidrologia . Como o lençol freático fica alto.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 39 b) Precipitação que atravessa a vegetação – Esta precipitação é medida por drenagem especial colocada abaixo das árvores e distribuída de tal forma a obter uma representatividade espacial desta variável. A medição desta variável somente é viável para vegetação com troncos de magnitude razoável. c) Escoamento pelos troncos – Esta variável apresenta uma parcela pequena do total precipitado. fica disponível para evaporar. como poças da água. de 1 a 15 % do total precipitado. no momento em que um numero grande de edificações fazem este armazenamento. Em áreas urbanas uma parcela grande da chuva é retida em depressões do terreno. para após ser utilizada principalmente para fins não potáveis. reduzindo a vazão média da bacia e o pico das enchentes. Figura 2. A água retida nestas depressões. Em florestas altas é possível utilizar pluviômetros que possuem o mesmo padrão das medições de precipitação. tendência atual. a saída de água dá-se principalmente pela evaporação.1 – Ciclo hidrológico . 3. acumulando parte do volume precipitado e muitas vezes formando pequenos lagos. parte da água é armazenada em reservatórios. esta água contribui para reduzir o picos das enchentes urbanas. As áreas das depressões normalmente são impermeáveis e.

A água que umedece o solo. Do ponto de vista da geração de energia. e gotas de orvalho. A concentração de saturação de vapor de água no ar varia de acordo com a temperatura do ar. que. Quando a quantidade de moléculas que deixam a superfície é maior do que a que retorna está ocorrendo a evaporação.kg-1 (5. o que significa que é realizado trabalho em sentido contrário ao da força intermolecular. O ar atmosférico é uma mistura de gases entre os quais está o vapor de água. Do ponto de vista do profissional envolvido com a geração de energia hidrelétrica a evaporação é importante pelas perdas de água que ocorrem nos reservatórios que regularizam a vazão para as usinas. tanto no estado líquido como gasoso. Mais comum neste caso.EVAPORAÇÃO E TRANSPIRAÇÃO 1. e é denominada concentração de saturação (ou pressão de saturação). é provido pela radiação solar. rios. na natureza. As moléculas de água no estado líquido estão relativamente unidas por forças de atração intermolecular. O calor latente de evaporação pode ser dado por unidade de massa de água. fazendo o caminho inverso.1) Ts é a temperatura da superfície da água em oC. reservatórios. Algumas moléculas da água líquida têm energia suficiente para romper a barreira da superfície.002361×Ts Onde: em MJ. a evapotranspiração é um processo que influencia fortemente a quantidade de água precipitada que é transformada em vazão em uma bacia hidrográfica. Portanto o processo de evaporação exige um fornecimento de energia. Introdução O retorno da água precipitada para a atmosfera. portanto.Apostila de Hidrologia .0. mesmo que a radiação solar esteja fornecendo a energia do calor latente de evaporação. No vapor. exigindo grande quantidade de energia. enquanto algumas moléculas de água na forma de vapor do ar retornam ao líquido. poças. A evapotranspiração é o conjunto de dois processos: evaporação e transpiração. Além disso. A transpiração envolve a retirada da água do solo pelas raízes das plantas. A quantidade de energia que uma molécula de água líquida precisa para romper a superfície e evaporar é chamada calor latente de evaporação. também pode ser transferida para a atmosfera diretamente por evaporação. Durante o processo de evaporação a separação média entre as moléculas aumenta muito. como na equação 5. ocorre através do processo da evapotranspiração. entrando na atmosfera. As moléculas de água estão em constante movimento. como lagos. Evaporação é o processo de transferência de água líquida para vapor do ar diretamente de superfícies líquidas. as moléculas estão muito mais afastadas do que na água líquida. é a transferência de água através do processo de transpiração. A quantidade de vapor de água que o ar pode conter é limitada. entretanto. e a força intermolecular é muito inferior. . Evaporação ocorre quando o estado líquido da água é transformado de líquido para gasoso.501. a evapotranspiração pode ser encarada como uma perda de água. fechando o ciclo hidrológico. Quando o ar acima de um corpo d’água está saturado de vapor o fluxo de evaporação se encerra. o transporte da água através da planta até as folhas e a passagem da água para a atmosfera através dos estômatos da folha.1: λ = 2.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 40 CAPITULO – V EVAPOTRANSPIRAÇÃO . que está em estado líquido.

Se o ar da atmosfera próxima à superfície estiver com umidade relativa próxima a 100% a evaporação diminui porque o ar já está praticamente saturado de vapor. a umidade do ar. Temperatura A quantidade de vapor de água que o ar pode conter varia com a temperatura. reduzindo a energia disponível para a evapotranspiração. Ar mais quente pode conter mais vapor. O processo de fluxo de calor latente é onde ocorre a evaporação. Que a água líquida esteja recebendo energia para prover o calor latente de evaporação – esta energia (calor) pode ser recebida por radiação ou por convecção (transferência de calor do ar para a água) 2. Umidade do ar Quanto menor a umidade do ar. isto é. Fatores atmosféricos que afetam a evaporação Os principais fatores atmosféricos que afetam a evaporação são a temperatura. em dias de céu nublado. portanto o ar mais quente favorece a evaporação. tanto maior é a taxa de evaporação. Radiação solar A quantidade de energia solar que atinge a Terra no topo da atmosfera está na faixa das ondas curtas. a velocidade do vento e a radiação solar.Apostila de Hidrologia . Da mesma forma. e apresentam maiores taxas de evapotranspiração. de uma região de alta concentração (umidade relativa) próxima à superfície para uma região de baixa concentração afastada da superfície. O efeito é semelhante ao da temperatura. Regiões mais próximas ao Equador recebem maior radiação solar. para ocorrer a evaporação são necessárias duas condições: 1. Evaporação . Que o ar acima da superfície líquida não esteja saturado de vapor de água. Além disso. quanto mais baixa a concentração de vapor no ar acima da superfície. Velocidade do vento O vento é uma variável importante no processo de evaporação porque remove o ar úmido diretamente do contato da superfície que está evaporando ou transpirando. Da mesma forma. O processo de fluxo de vapor na atmosfera próxima à superfície ocorre por difusão.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 41 Assim. maior a taxa de evaporação. quanto maior a energia recebida pela água líquida. A intensidade desta evaporação depende da disponibilidade de energia. mais fácil é o fluxo de vapor da superfície que está evaporando. 2. Este processo pode ocorrer pela própria ascensão do ar quente como pela turbulência causada pelo vento. a radiação solar é refletida pelas nuvens. e nem chega a superfície.

A medição de evaporação no Tanque Classe A é realizada diariamente diretamente numa régua. sólidos solúveis. depois do tubo estar cheio com água destilada. velocidade média do vento na região.5 cm da borda superior.5 cm.Tanque classe A O evaporímetro de Piche é constituído por um tubo cilíndrico. deve ser pintado na cor alumínio e instalado numa plataforma de madeira a 15 cm da superfície do solo. Figura 5. 2. que deve ser previamente molhado com água. fechado na parte superior e aberto na inferior. E = 0. as medições de evaporação do Tanque Classe A são considerados mais confiáveis do que as do evaporímetro de Piche.2 Determinação da Evaporação O processo físico da evaporação é função principalmente da temperatura e umidade sendo influenciado ainda pela pressão atmosférica. Em geral. Construído em aço ou ferro galvanizado. o tubo é preso por intermédio de uma argola a um gancho situado no interior de um abrigo meteorológico padrão.0 e 7. Por esta razão o Tanque Classe A é instalado em estações meteorológicas em conjunto com um pluviômetro. com um disco de papel de feltro. A extremidade inferior é tapada. umidade e natureza do solo. A seguir. Deve permanecer com água variando entre 5. As formas mais comuns de medir a evaporação são o Tanque Classe A e o Evaporímetro de Piche. de 3 cm de diâmetro. ou ponta linimétrica. de aproximadamente 30 cm de comprimento e um centímetro de diâmetro. Regiões de clima seco e quente favorecem a evaporação ao passo que em regiões de clima frio e úmido ocorre o contrário. sendo que são compensados os valores da precipitação do dia. utilizando unidades de mm para caracterizar a lâmina evaporada ao longo de um determinado intervalo de tempo.32 U2(es-e2) Onde E é a Intensidade da evaporação (mm/mês) .1 Medição de evaporação A evaporação é medida de forma semelhante à precipitação.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 42 2.Apostila de Hidrologia . Este disco é fixo depois com uma mola. de vidro. instalada dentro do tanque. O tanque Classe A é um recipiente metálico que tem forma circular com um diâmetro de 121 cm e profundidade de 25.1 .

uma das variáveis mais importantes é a umidade do solo.DV (5. intervém outras variáveis. o transporte da água através das plantas até as folhas e a passagem da água para a atmosfera através dos estômatos da folha.1 Medição da evapotranspiração por Lisimetro A medição da evapotranspiração é relativamente mais complicada do que a medição da evaporação. A transpiração é influenciada também pela radiação solar. As próprias plantas têm certo controle ativo sobre a transpiração ao fechar ou abrir os estômatos. Para um determinado tipo de cobertura vegetal a taxa de evapotranspiração que ocorre em condições ideais de umidade do solo é chamada a Evapotranspiração Potencial (ETP). O depósito é pesado diariamente.Apostila de Hidrologia . Quando o solo está úmido as plantas transpiram livremente. A evapotranspiração é calculada por balanço hídrico entre dois dias subseqüentes de acordo com a equação 5. O solo recebe a precipitação. pela umidade relativa do ar e pela velocidade do vento. Os lisímetros são depósitos ou tanques enterrados. ETR = P . o tipo de solo. que são as aberturas na superfície das folhas por onde ocorre a passagem do vapor para a atmosfera. pela temperatura. P é a chuva (medida num pluviômetro). Transpiração A transpiração é a retirada da água do solo pelas raízes das plantas. A Evapotranspiração Potencial é um valor de referência. como o tipo de vegetação e o tipo de solo.) e2 é a pressão de vapor do ar a 2 m de altura acima da superficie (mb. assim como a chuva e os volumes escoados de forma superficial e que saem por orifícios no fundo do lisímetro. e a taxa de transpiração é controlada pelas variáveis atmosféricas. Evapotranspiração 4. abertos na parte superior.2) .Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 43 U2 é a velocidade do vento obtida a 2 m acima da superfície evaporante (m/s) es é a pressão de saturação do vapor a temperatura de superfície (mb. e as superfícies livres de água na bacia.2.) 3. enquanto a taxa que ocorre para condições reais de umidade do solo é a Evapotranspiração Real (ETR). Existem dois métodos principais de medição de evapotranspiração: os lisímetros e as medições micrometeorológicas. é um índice que independe das características particulares de transpiração da cultura plantada na região estudada. Além disso.Qs – Qb . Porém. ETR é a evapotranspiração. A evapotranspiração real é sempre igual ou inferior à evapotranspiração potencial. Qs é o escoamento superficial (medido) e Qb é o escoamento subterrâneo (medido no fundo do tanque). pois caracteriza a perda de água da bacia como se toda a vegetação fosse um ¨gramado¨ de uma espécie vegetal padronizada. 4. onde DV é a variação de volume de água (medida pelo peso). os quais são preenchidos com o solo e a vegetação característicos dos quais se deseja medir a evapotranspiração. Portanto. e é drenado para o fundo do aparelho onde a água é coletada e medida. levando em conta apenas o clima. quando o solo começa a secar o fluxo de transpiração começa a diminuir. Como o processo de transpiração é a transferência da água do solo.

. as estimativas não podem ser feitas considerando o intervalo de tempo diário. De forma semelhante ao apresentado na equação 5. também. dependendo do tamanho da bacia.3.2. pode ser realizado o balanço hídrico de uma bacia para estimar a evapotranspiração. pela medição das outras variáveis que intervém no balanço hídrico de uma bacia hidrográfica. A partir daí é possível considerar que a variação de armazenamento na bacia pode ser desprezada. A medição de evapotranspiração por métodos micrometeorológicos envolve a medição das variáveis velocidade do vento e umidade relativa do ar em alta freqüência. a turbulência do ar em movimento causa flutuações na velocidade vertical. mas apresenta momentos de fluxo ascendente e descendente alternados. Figura 5. Próximo à superfície a velocidade do vento é paralela à superfície.3) ∆V: variação de armazenamento de água subterrânea (podendo ser positivo ou negativo) este valor pode ser tomado como zero. para um lisímetro.2 . que na média permanece zero.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 44 Figura 5. pois o volume no inicio pode ser igual ao do fim do período considerado. 4. Para estimar a evapotranspiração por balanço hídrico de uma bacia é necessário considerar valores médios de escoamento e precipitação de um período relativamente longo. e a equação de balanço hídrico se reduz à equação 5. idealmente superior a um ano. mas apenas o anual. a água da chuva pode permanecer vários dias ou meses no interior da bacia antes de sair escoando pelo exutório.Lisímetros para medição de evapotranspiração. Entretanto. entretanto. Isto ocorre porque. Neste caso.2 Estimativa da evapotranspiração por balanço hídrico A evapotranspiração pode ser estimada. o que significa que o movimento médio na vertical é zero. ou maior. ETR = P – Q +/-∆V = P – Q (5.Apostila de Hidrologia .3 – Esquema de um lisimetro.

94 Jun 0.09 1.05 1.00 1. I) + 0.Sul 20°E 25°E 30°E Jan 1.00 Out 1.11 Dez 1.01791 .96 0.98 Set 1.91 0. I³) – (7.00 1.514 i =1 5 a = (6. 4.93 Ago 0.14 1. Exercício 1) Calcule a evapotranspiração potencial mensal para Blumenau. e a vazão média corresponde a 700 mm.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 45 Exercício 1) Uma bacia de 800 km2 recebe anualmente 1600 mm de chuva.97 0.Apostila de Hidrologia .99 0.05 1.3 Determinação da Evapotranspiraçao Potencial Equação de Thornthwaite Uma equação muito utilizada para a estimativa da evapotranspiração potencial quando se dispõe de poucos dados é a equação de Thornthwaite. VALORES DE (Fc) MÉTODO DE THORNTHWAITE Lat.96 Mai 0. onde as temperaturas médias mensais são dadas.95 0.05 Abr 0.15 1. Sua aplicação nas demais regiões do mundo exigiu a adaptação de um fator de correção (Fc) que depende do mês do ano e da latitude.97 0. 12 Tabela 5.4) • ETP: evapotranspiração potencial para meses de 30 dias e comprimento de 12 horas (mm/mês).10-7 . Esta equação serve para calcular a evapotranspiração em intervalo de tempo mensal.1– Fator de correção Fc (Fonte Tabela A3-Tucci). t I = ∑ ( i )1. a partir de dados de temperatura  T ETP = Fc * 1610   I onde: a (mm/mês) (5.10-6 .08 1.492 • Fc = Fator de correção em função da latitude e mês do ano.15 1.95 0.18 A equação de Thorntwaite foi desenvolvida com dados restritos do hemisfério norte e se tornou popular mais pela sua simplicidade – usa apenas a temperatura – do que pela sua precisão. I²) + (0.10 Nov 1. Posição de Blumenau: 27° 00'S 49° 00'W . • I: índice de calor.91 0.00 1.00 1.09 1. Qual é a evapotranspiração anual? A evapotranspiração pode ser calculada por balanço hídrico da bacia desprezando a variação do armazenamento na bacia ETR = 1600 – 700 = 900 mm.01 Mar 1.75.99 0.17 Fev 1. • T: temperatura média do ar (oC).96 0.71.08 1.12 1.88 Jul 0.

85 – 0.) para determinação da evapotranspiração potencial. A avaliação da evapotranspiração real (ETR) a partir da evapotranspiração potencial (ETP) calculada pelos métodos vistos anteriormente é de grande valia para a irrigação. Consiste em si.4 Mar 25.75 – 0.90 0. aumentando a disponibilidade de água e de energia nos períodos de escassez. A criação de um reservatório. ETP onde: • ETR: evapotranspiração real da fase (mm/período).85 – 1. porque afeta o rendimento de reservatórios para abastecimento. entretanto. na determinação da evapotranspiração real.80 0.7 Abr 23.7 Out 22. através da multiplicação do valor de evapotranspiração potencial do período pelo valor do coeficiente de cultura (Kc) da fase. pois proporciona meio prático para o controle das aplicações de água.80 – 0.8 4.8 Fev 26. • ETP: evapotranspiração potencial do período (mm/período).75 – 0. Reservatórios são criados para regularizar a vazão dos rios..2 Jun 17.05-1.90 0.9 Dez 25.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 46 Tabela 5. .1 Através do Tanque Classe A A evaporação da água de reservatórios é de especial interesse para a engenharia. irrigação e geração de energia.4 Set 19. 5. cria uma .2 – Temperatura média mensal de Blumenau.95 0.0 Nov 23.90 1.90 0.75 – 0.85 – 0.4 Evapotranspiração da Cultura O método dos coeficientes de cultura é utilizado para estimativa da demanda real de água de uma cultura em cada fase de crescimento. bem como condições para o planejamento da agricultura irrigada.90 O coeficiente Kc depende do estágio de desenvolvimento e do tipo de cultura.3 – Coeficiente de cultura Kc EVAPORAÇÃO (Ciclo) Banana Feijão Algodão Milho Arroz Sorgo Soja Cana-de-Açúcar Fumo Tomates ETP (mm) 700-1700 250-400 550-950 400-700 500-800 300-650 450-825 1000-1500 300-500 300-600 Kc (%) 0.20 0. sendo método base para projetos de irrigação. ou seja: ETR = Kc .9 Ago 18. Tabela 5. tanques.85 – 0. além de ser específico para cada método utilizado (Iisímetro.90 0. • Kc: coeficiente de cultura de fase (adimensional)..Apostila de Hidrologia .05 0. Evaporação em reservatórios 5.75 – 0. Penman.8 Jul 16.4 Mai 20. VALORES DE Tm (oC) Mês Blumenau Jan 26.

Isolando a Evaporação e desprezando a drenagem profunda a equação pode ser escrita assim: . qual é a nova vazão média a jusante da barragem? 2) Uma bacia de 2300 km2 recebe anualmente 1600 mm de chuva.A = I + P.∆V onde: • • • • • • • E0: evaporação potencial.6 e 0. e a vazão média corresponde a 14 m3/s. ∆V: variação de armazenamento de água (podendo ser positivo ou negativo). entretanto é necessário aplicar um coeficiente de redução em relação às medições de tanque. Calcule a evapotranspiração total desta bacia. O reservatório de Sobradinho. constituindo-se no maior lago artificial do mundo. 2 Através do Balanço Hídrico Este método é utilizado no estudo de água perdida por evaporação em reservatórios.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 47 vasta superfície líquida que disponibiliza água para evaporação. idealizado pelo governo federal. Em conseqüência disso. Considerando que a evaporação direta do lago corresponde a 970mm por ano. está numa das regiões mais secas do Brasil. que tem um volume pequeno e está completamente exposta à radiação solar. isto é: Elago = Etanque . um dos mais importantes do rio São Francisco. A: área do reservatório. tem uma área superficial de 4. Isto ocorre porque a água do reservatório normalmente está mais fria do que a água do tanque. I: entrada de água no sistema. Esta perda de água por evaporação é superior à vazão prevista para o projeto de transposição do rio São Francisco. foi represado por uma barragem para geração de energia elétrica. o que corresponde a cerca de 10% da vazão regularizada do rio São Francisco. Assim. Calcule o coeficiente de escoamento anual desta bacia. A área superficial do lago criado é de 5000 hectares. E0. Q: saída de água do sistema.A – Q – D . para estimar a evaporação em reservatórios e lagos costuma-se considerar que esta tem um valor de aproximadamente 60 a 80% da evaporação medida em Tanque Classe A na mesma região. o que pode ser considerada uma perda de água e de energia. Baseia-se no princípio de conservação de massa do sistema (reservatório). D: drenagem profunda. Exercícios 1) Um rio cuja vazão média é de 34 m3/s. a evaporação direta deste reservatório é estimada em 200 m3/s.Apostila de Hidrologia . P: precipitação pluviométrica. Ft Onde Ft tem valores entre 0.8. A evaporação da água em reservatórios pode ser estimada a partir de medições de Tanques Classe A.214 km2. 5.

Q e I: são as vazões médias do mês (m3/s) . Am = [A(t)+A(t+1)]/2. Este rio drena 75% da bacia total que escoa para o reservatório. O volume no inicio do mês era de 288 106 m3 e no final 244 106 m3. em hectômetros Am: é a área média da lâmina d´água na superfície do reservatório (do inicio ao final do mês). a vazão de entrada drenada pelo rio principal foi de 24 m3/s. Com base nas operações do reservatório ocorreu uma vazão média de saída de 49 m3/s. ∆V: é a variação do volume mensal. (mm/mês) P: é a precipitação do mês (mm/mês) . Estime a evaporação no reservatório. (Resposta: Eo=153 mm) Tabela 5. do inicio ao final do mês (∆V=Vfinal-Vinicio). (em km2) Exercício A precipitação total no mês de janeiro foi de 154 mm.000*∆V/Am + P onde: E0 : evaporação potencial no mês. A relação entre o volume e a área do reservatório encontra-se na tabela abaixo.592 (I – Q)/Am – 1.4 – Relação entre volume e área Área (km2) Volume (106m3) 10 10 30 60 90 270 110 440 .Apostila de Hidrologia .Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 48 E0 = (I – Q – ∆V) /A + P Colocando nas unidades usuais de cada variável a equação para a evaporação mensal resulta: E0=2.

Curvas de infiltração . 1 apresenta a proporção das partes mineral. A partir deste limite.2 . o solo é uma mistura de materiais sólidos. alterando gradativamente o perfil de umidade. insetos. 1 . raízes. A partir de experimentos de campo Horton (1939) estabeleceu a seguinte equação para o calculo da infiltração. À medida que a água infiltra pela superfície. Portanto. estando limitada pela capacidade do solo de transferir a água para as camadas mais profundas (percolação). A água infiltrada no solo preenche os poros originalmente ocupados pelo ar. especialmente nas camadas superiores. Infiltração Infiltração é a passagem de água da superfície para o interior do solo. do estado da sua superfície e da quantidade de água e ar. ar e matéria orgância tipicamente encontradas na camada superficial do solo (horizonte A). inicialmente presentes no seu interior. À medida que os poros vão sendo preenchidos. é um processo que depende fundamentalmente da água disponível para infiltrar. Enquanto há aporte de água. água.Horton Uma chuva que atinge um solo inicialmente seco será inicialmente absorvida quase totalmente pelo solo. a capacidade de infiltração permanece constante e aproximadamente igual à condutividade hidráulica. enquanto o restante são poros que podem ser ocupados por água ou pelo ar. o primeiro nível a saturar. Figura 6. a infiltração tende a diminuir. ARMAZENAMENTO E ÁGUA SUBTERRÂNEA 1. mais próximas da superfície. enquanto o solo apresenta muitos poros vazios (com ar). Na mistura também encontram-se muitos organismos vivos (bactérias. o perfil de umidade tende à saturação em toda a profundidade. Aproximadamente 50% do solo é composto de material sólido. A Figura 6.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 49 CAPITULO – VI INFILTRAÇÃO. quando o solo está próximo da saturação.Apostila de Hidrologia . I t = I b + ( I i − I b )e − kt . as camadas superiores do solo vão-se umedecendo de cima para baixo. líquidos e gasosos. naturalmente. da natureza do solo. fungos. Equação de Horton Figura 6. Esta capacidade é dada pela condutividade hidráulica. vermes) e matéria orgânica. O conteúdo de ar e de água é variável. Assim. sendo a superfície.Composição típica do solo 2.

ou às diferenças de pressão.Infiltrômetro de anéis 3. Em 1856. K é a condutividade hidráulica (m/s). com diâmetros variando entre 16 e 40 cm. Figura 6. 30% das reservas de água doce do mundo. A água subterrânea corresponde a. K : a condutividade hidráulica. ∂h ∂x e Q = K. Desconsiderando a água doce na forma de gelo. Ii : taxa de infiltração inicial (t=0). h é a carga hidráulica e x a distância.3 . 3).Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 50 onde: t : tempo decorrido desde a saturação superficial do solo. que são cravados verticalmente no solo de modo a restar uma pequena altura livre sobre este. Seu uso é especialmente interessante porque. em geral.A ∂h ∂x (6. Movimento da água subterrânea . A é a área (m2) q é o fluxo de água por unidade de área (m/s). onde é feita a medição da capacidade de campo. concluindo que o fluxo de água através de um meio poroso é proporcional ao gradiente hidráulico. em função de uma qualidade inicial melhor.1) . It : taxa de infiltração no tempo. aproximadamente. A água subterrânea se movimenta através dos espaços vazios interconectados do solo e do subsolo e ao longo de linhas de fratura das rochas.Apostila de Hidrologia . O fluxo da água em um meio poroso pode ser descrito pela equação de Darcy. Infiltrômetro de anéis O infiltrômetro de anéis concêntricos é constituído de dois anéis concêntricos de chapa metálica (Figura 6. q=K onde Q é o fluxo de água (m3/s). Ib : taxa mínima de infiltração (assintótica).Equação de Darcy. Aplica-se água em ambos os cilindros. sendo que no cilindro interno mede-se o volume aplicado a intervalos fixos de tempo bem como o nível da água ao longo do tempo. exige menos tratamento antes do consumo do que a água superficial. Em regiões áridas e semi-áridas a água subterrânea pode ser o único recurso disponível para consumo. a água subterrânea corresponde a 99% da água doce do mundo. mantendo uma lâmina líquida de 1 a 5 cm. A finalidade do cilindro externo é manter verticalmente o fluxo de água do cilindro interno. Henry Darcy desenvolveu esta relação básica realizando experimentos com areia.

4.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 51 A condutividade hidráulica K é fortemente dependente do tipo de material poroso. é denominada aqüitardo. Figura 6. em que os poros estão saturados de água. Portanto os solos arenosos conduzem mais facilmente a água do que os solos argilosos. neste caso sua condutividade pode ser relativamente alta. A capacidade de um aqüífero de conter água é definida pela sua porosidade. o valor de K para solos arenosos é próximo de 20 cm/hora. Armazenamento da água A água no subsolo fica contida em formações geológicas consolidadas ou não. e menor em rochas ígneas ou metamórficas. Existem dois tipos de aqüíferos: confinados e não-confinados. sem a necessidade de passar através de uma camada impermeável. Uma formação geológica que é pouco porosa. contém pouca água e. A condutividade hidráulica das rochas também depende do tipo de rocha. e a infiltração e a percolação da água no solo são mais intensas e rápidas nos solos arenosos do que nos solos argilosos.Apostila de Hidrologia . como o arenito.06 cm/hora. que impede a passagem da água.3 cm/hora e em solos argilosos este valor cai ainda mais para 0. Um aqüífero confinado está inserido entre duas camadas impermeáveis (aquitardos). ou livres.1 – Aqüíferos confinados e livres. sendo maior em rochas sedimentares.2 – Retirada de água de um aqüífero livre (poço freático) . Para solos siltosos este valor cai para 1. Um aqüífero livre é o aqüífero que pode ser acessado desde a superfície. Assim. Figura 6. principalmente. denominadas aqüíferos. exceto quando estas são muito fraturadas. definida como a relação entre o volume de vazios e o volume total.

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CAPITULO VII VAZÕES DE ENCHENTES 1. Enchente Por enchente de um curso d’água se entende pelo fenômeno de rápida elevação da superfície livre do rio devido o aumento da vazão que, por sua vez é causado por precipitações de forte intensidade por uma prolongada duração. A inundação caracteriza-se pelo extravasamento do canal. 1.1 Hidrograma de uma cheia
Chuva inicial

Chuva infiltrada
Chuva efetiva

Vazão (m3/s)
Tempo de retardo

Ramo de elevação

Ramo de recessão

Escoamento Superficial

C A

Ramo de depleção

Escoamento de Base

Tempo de elevação

Tempo de recessão

Tempo (t)

Tempo de base

Figura 7.1- Hidrograma de cheia 1.1.1 Precipitação inicial Iniciada a precipitação, parte das águas será interceptada pela vegetação e pelos obstáculos e retida nas depressões do terreno até preenche-las completamente. Denomina-se precipitação inicial a ocorrida no intervalo correspondente. 1.1.2 Escoamento superficial

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Preenchida as depressões e ultrapassando a capacidade de infiltração do solo, tem inicio o intervalo do suprimento liquido, que se caracteriza pelo escoamento superficial propriamente dito. 1.1.3 Tempo de concentração (tc) Tempo de concentração relativo a uma seção de um curso d’água é o intervalo de tempo contando a partir do inicio da precipitação para que toda a bacia hidrográfica correspondente passe a contribuir na seção em estudo. Corresponde à duração da trajetória da partícula de água que demore mais tempo para atingir a seção. 1.1.4 Tempo de retardamento da bacia ou tempo de retardo É definido como o tempo entre centro de massa da chuva efetiva até o pico do hidrograma. 2. Período de retorno (T) O período de retorno ou período de recorrência de uma enchente (ou qualquer evento) é o tempo médio em anos que essa enchente (ou evento) é igualada ou superada pelo menos uma vez. 2.1 Escolha do período de retorno A escolha e a justificativa de um determinado período de retorno (T), para uma determinada obra é feita através dos seguintes critérios: -vida útil da obra, -tipo de estrutura, -segurança da obra, -facilidade de reparação e ampliação. Tabela 7.1 - Tipos de obras com seus respectivos períodos de retorno Tipos de obras Extravasores de grandes Barragens (vertedor) Extravasores de pequenas Barragens (vertedor) Diques de proteção de cidades Obras de Arte (pontes) Bueiros (estradas pouco e muito movimentadas) Sistema de macro-drenagem Sistema de micro-drenagem (Drenagem Pluvial) Obras de canalizações e cursos d’água 3. Vazão máxima A vazão máxima de um rio é entendida como sendo o valor associado a um risco de ser igualado ou ultrapassado. A vazão máxima é utilizada na previsão de enchentes e em projetos de obras hidráulicas tais como: canais, bueiros, condutos, diques, extravasores de barragens, entre outros. A estimativa destes valores tem importância decisiva nos custos e na segurança dos projetos de engenharia. A vazão máxima pode ser estimada com base aos seguintes critérios: a) no ajuste de uma distribuição estatística, b) na regionalização de vazões, e c) na precipitação. Quando existem dados históricos de vazão no local de interesse e as condições da bacia hidrográfica não se modificam, pode

T (anos) 10.000 500 200 100 25 a 100 100 5 a 10 10 a 100

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ser ajustada uma distribuição estatística. Quando não existem dados ou existe, mas a série é pequena, pode-se utilizar a regionalização de vazões ou as precipitações (Tucci, 1993). 3.1 Método racional O método racional serve para estimar o pico de uma cheia, resume-se fundamentalmente no emprego da chamada “formula racional”. A experiência mostra que o emprego deste método é recomendado para áreas com menos de 5 km2, embora alguns autores citem seu uso para bacias com área inferior a 15 km2. . O uso deste método para áreas maiores não é recomendado, não obstante, é satisfatório para projetos de galerias pelo processo chamado detalhado, no qual se consideram sub-bacias pequenas de alguns hectares. O método racional presume como conceito básico que a máxima vazão para uma pequena bacia contribuinte ocorre quando toda a bacia está contribuindo, e que esta vazão é igual a uma fração da precipitação média. Em forma analítica, a formula racional é dada pela seguinte expressão:

Q = C. i m . A
onde:

(7.1)

Q : pico da cheia, vazão, em m3/s ou l/s, A : área drenada em km2, ha, C : coeficiente de escoamento superficial ou coeficiente de deflúvio (RUNOFF). im : intensidade média da precipitação sobre toda a bacia, em mm/min ou mm/hora, para uma duração de chuva igual ao tempo de concentração (tc) da bacia. Obs. O tempo de duração da chuva média (im) deve ser igual ao tempo de concentração da bacia, ou seja, o tempo necessário para que toda a área de drenagem passe a contribuir para a vazão na seção estudada. Além da duração, a chuva vem relacionada também a um certo um período de retorno fixado, dependendo do tipo de obra a ser executada. Dependendo dos dados de ingresso que você tem, usa uma das duas seguintes formulas: Q = m3/s A = hectares, ha im = mm/hora Q = m3/s A = km2 im = mm/hora

Q=

C.im. A 360

onde:

(7.2)

C.i A Q = m. 3,6

onde:

(7.3)

3.1.1 Área da bacia (A) A área da bacia é relativa a área de drenagem até o ponto de interesse. A mesma pode ser determinada através do planímetro. 3.1.2 Coeficiente de escoamento superficial (C)

0. em forma de tabelas. a estimativa de C é feita pela seguinte equação: C= onde: ∑C A i =1 i n i AT C: é o coeficiente de escoamento superficial ponderado. Zonas C Edificação muito densa: Partes centrais. Tabela 7.Apostila de Hidrologia .25 Cf *C 3. áreas verdes. C: Vol.0.Correções dos valores de C T (anos) Cf CCorrigido 50 1.25 construção. superfícies arborizadas. Para áreas com características e ocupações diferentes.3 Intensidade da precipitação na bacia (i) A intensidade da precipitação (i) geralmente é encontrada. densamente construídas.25 .95 Edificação não muito densa: Partes adjacentes ao centro. ou ainda coeficiente de “runoff” é definido como a razão entre o volume de água escoado superficialmente. 0.10 . escoado superficial/ Volume precipitado Tabela 7. 0.05 . 0. parques e campos de esporte: Partes rurais. de menor densidade de habitações. que é registrado em uma certa seção. de uma cidade com ruas e calçadas pavimentadas. mas com ruas e calçadas pavimentadas.0.20 ajardinados. gráficos ou formulas.70 .2 .0. Matas.Valores de “C” adotados pela Prefeitura de São Paulo (Wilken. e o volume de água precipitado na bacia contribuinte.60 .1. . A: é a área total da bacia.0.60 Edificação com muitas superfícies livres: Partes residenciais com ruas macadamizadas ou pavimentadas. parques 0. Obs. campos de esporte sem pavimentação.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 55 O coeficiente de escoamento superficial ou coeficiente de deflúvio.70 Edificação com poucas superfícies livres: Partes residenciais com ruas macadamizadas ou pavimentadas.0.50 . 0.50 Subúrbios com alguma edificação: Partes arrabaldes e subúrbios com pequena densidade de 0.3 . Ci : é o coeficiente de escoamento superficial correspondente a área i (Ai). 1978). para vários postos ou cidades no Brasil.10 Cf *C 100 1. Para períodos de retornos iguais a 50 e 100 anos deve ser feita uma correção no coeficiente de escoamento superficial conforme tabela abaixo.

7 123.2 148.78 (Para 120 min <t< 720 min) (7.4 71.T 0. ∆ H: é a diferença de nível entre o ponto mais afastado da bacia e o ponto considerado.1.4 12.9 87. ou rio.3 21.5 16.6 T= 20 anos 217.3 17.3)0.7 96.4) onde: i : é a intensidade de chuva.3 Chuvas intensas para Blumenau .8 134.385 (7.2 111.1 277.9. em mm/hora. t : tc: é o tempo de concentração da bacia (minutos). Equação de Watt e Chow (para bacias maiores) .4 102.9 15.5) onde: tc: é o tempo de concentração da bacia.9 20. Podemos observar que a intensidade da chuva é função de “t” tempo de concentração da bacia (minutos) e do Período de Retorno “T” (anos).5 136. T : é o Período de Retorno (anos).0 91. em minutos L : é a extensão do talvegue.5 10.1 172.1 18.7 129.3 83.T 0. em metros.4 Para determinar o tempo de concentração de uma bacia.0 93.0 14.2 106.8 172. em quilômetros.9 26.4 165.3 10.8 19.3 190.5 151.5 b) Exemplo do uso de equação para a I-D-F Para Blumenau (Ademar Cordero. Obs. 3.Apostila de Hidrologia .4 149. 2009) i= 655.1765 (t + 22.3 116.7 113. Equação de Kirpich (bacias pequenas)  L3  t c = 57   ∆H  0 .0 12.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 56 a) Exemplo de tabela para a I-D-F Tabela 7.1 T= 10 anos 190.6 199.4 63.1)0.7 14.8 53.1 79.1 T=50 anos T=100 anos 251.3 16.7 149.1765 (t + 8.3 23.2 130.5 9.9 15.Método de Gumbel Chuvas intensas (mm/h) Dados utilizados de Pluviômetro (1944-2008) Duração 5 min 10 min 15 min 20 min 25 min 30 min 1h 6h 8h 10 h 12 h T= 5 anos 162.3 14.0 129.6 12.65 (Para t ≤120 min) i = 1246.4 220.

Gumbel demonstrou que. a probabilidade Pi de qualquer uma das máximas ser maior ou igual do que um certo Xi é dada pela equação: P =1− e−e i onde: − yi (7. Log-Normal.68 0.9) (7. Séries completas. Tipos de séries usadas nas análises estatísticas. Xf = µ – 0.10) (7. 1993 as principais distribuições estatísticas utilizadas em hidrologia para o ajuste de vazões máximas são: Empírica.450 σ para n → ∞ (µ é a média do universo e σ o desvio padrão do universo). O primeiro critério é o mais adotado. (7.Sx ( y n / Sn) a = Sn/ Sx onde: X é a média da variável X (vazões máximas). se o número de vazões máximas anuais tende para o infinito. L é o comprimento do curso d’água principal (em Km). Esta equação foi desenvolvida com base em dados de bacias de até 5.840.0 Km2. dada por: yi = a (Xi – Xf) onde: a : é um parâmetro. Na prática. Neste critério as séries são constituídas dos máximos observados em cada ano. Três critérios podem ser adotados Séries anuais.7) e é a base dos logaritmos neperianos. Neste caso as séries são constituídas dos “n” maiores valores observados.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 57  L  t c = 7. 79 (7.5  S  onde: 0 . 3. Gumbel calculou os parâmetros Xf e a pelas seguintes expressões: Xf = X .Apostila de Hidrologia . 3. não se tem um número suficiente de dados para se considerar n → ∞.1 Método de Gumbel Com base na teoria dos extremos de amostras ocasionais. Séries parciais.2. yi é a variável reduzida. Neste ultimo critério se adota todos os valores selecionados para a formação das séries.6) tc é o tempo de concentração (em minutos). Gumbel e Log-Pearson III.2 Métodos estatísticos Segundo Tucci. sendo “n” o número de anos do período analisado.8) . Xi : é um certo valor da variável aleatória X (vazões máximas anuais). e S é a declividade do rio curso d’água principal (m/m). . desprezando-se os demais dados mesmo que sejam superiores às dos outros anos.

que corresponde ao valor X = X quando se tem um número infinito de dados.11 40 0. y = variável reduzida de Gumbel. as ordenadas são os valores da variável (X) (aqui as vazões) em escala aritmética. Paralelamente às abscissas.56 0.54 1. Com os dados de X(vazões) calculam-se os valores de y e T e plotam-se no papel de Gumbel.55 1. Isto mostra que o período de retorno teórico.12) T= onde: Formula de Tucci (1993) (7.06 30 0. yn n Sn 20 0.19 Fonte: Villela e Mattos.23 1.20 1.56 0. Nesse papel. podem ser plotados os valores dos períodos de retornos (T). em correspondência a cada valor da variável reduzida (y). Papel de Gumbel (Excel) Uma outra facilidade que se pode usar para aplicar esse método é o papel de Gumbel.Apostila de Hidrologia . pela distribuição de Gumbel. . em anos.57 0.21 1.4 -Valores esperados da média ( y n ) função do número de dados (n).44 (Fórmula de Kimbal) (7.24 1.33 anos. da vazão média é 2.19 1. Posição de plotagem T= N +1 m N + 0.55 1.57 Sn 1.13) T: é o período de retorno. na parte superior do papel.55 1.56 0.579 e T= 2.11) onde: T = período de retorno. 1975. as abscissas são as variáveis reduzidas (y) em escala aritmética. e. Os pontos devem ficar alinhados e passar pelo ponto teórico: y = 0.28   T − 1  y = − ln − ln   T   (7.52 1. Sx é o desvio padrão da variável X.16 60 0.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 58 y n e Sn a média e o desvio padrão da variável reduzida (valores tabelados em função do número de dados). de acordo com a seguinte expressão (Villela e Mattos.17 70 0.12 m − 0.33 anos. Tabela 7.54 1.14 50 0.56 0. 1975): T = 1 1− e −e − y e desvio-padrão (Sn) da variável reduzida (y) em n 80 90 100 150 200 ∞ yn 0.

Pode ser definido como o tempo médio decorrido entre as ocorrências de um evento que exceda ou iguale uma certa magnitude. que por sua vez. a probabilidade J de que ao menos um evento iguale ou supere o evento do ano de ordem T venha ocorrer em uma série qualquer de n anos é: J= 1 – (1 – P) n (7.2.16) Isto pode ser facilmente visualizado na Tabela 7. em uma série de dados que iguale ou supere m vezes no período de observação de n anos ou número de observação tem uma estimativa do seu período de retorno (T) de acordo com a seguinte expressão: T= N+1/m (7. as maiores vazões de ordem m. Desta forma. A determinação do período de retorno é uma maneira de estimar. a partir de dados observados. o período de retorno é o inverso da probabilidade de ocorrer um evento X com a magnitude igual ou maior que um certo x. Desta forma. Como por exemplo. se um projeto for dimensionado com um evento. P(X) e o período de retorno (T) é tal que: (7. cujo período de retorno é de 100 anos (T=100 anos) e se a obra tiver uma vida útil estimada em 100 anos. em escala logarítmica. uma alta probabilidade de ocorrência. Nesse papel.4 Período de retorno/risco Obras de engenharia hidráulica geralmente são projetadas com parâmetros hidrológicos. resultando numa incerteza do projetista.Apostila de Hidrologia .2. derivado de métodos de estimativas de probabilidade relativa aos parâmetros hidrológicos. seus benefícios e custos são todos conhecidos até um certo limite. os projetos são normalmente elaborados mediante a admissão de um certo risco calculado. 2002). em escala aritmética e as abscissas são plotados os valores dos períodos de retornos (T). são gerados sob cálculos estimados.14) A relação entre a probabilidade de ocorrer o evento X. as ordenadas são os valores da variável (X) (aqui as vazões).Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 59 m: é a “posição” das vazões (ordem decrescente). Já para uma vazão de T = 50 . 3. Estas marcas devem ser as maiores de um período de H anos. N: é o tamanho da amostra.2.3 Ajuste de distribuição considerando marcas históricas de enchentes Num posto fluviométrico com uma série continua de n anos podem existir informações históricas de marcas de água que ocorrem antes da instalação do posto que gerou a série contínua. as suas demandas. 3. Com isto a probabilidade de não ocorrer o evento em um dado é de (1-P)..2 Método Log-Normal De forma análoga ao de Gumbel é feito com o papel Log-Normal. Essas informações devem ser incorporadas à análise de freqüência. sendo H o número de anos que englobe a série continua e o período em que as marcas de enchentes foram as de maiores valores. De acordo com os princípios estatísticos. a previsão de futuras ocorrências de um certo evento. então a probabilidade deste evento ocorrer em sua vida útil é de 63%. e erros na estimativa de valores hidrológicos podem acarretar prejuízos econômicos e ambientais (Nerilo et al. neste caso uma vazão. 1993). 3.15) T= 1/P(X≥x) ou seja. Portanto.5. Como os projetos são feitos para o futuro. permitindo melhorar o ajuste da distribuição (Tucci.

89 0.05 0.999 * * * * 5 0. Na Tabela 7. com valores superiores a 8.10 0. as quais foram usadas neste estudo.40 0.Apostila de Hidrologia .22 0. com um certo período de retorno.63 0.41 0.92 J=1.65 0.93 0. A estação fluviométrica de Blumenau foi implantada no ano de 1939. Na prática.02 0. Vida útil da obra 1 5 10 25 50 100 200 T(anos) Probabilidade J 1 1 1 1 1 1 1 1 2 0.996 * * * 10 0.10 0.98 100 0. porém. Os níveis estão referenciados ao zero do IBGE.16) determinar a vazes máximas e seus respectivos níveis para os períodos de retornos entre 2 a 1000 (conforme Tabela 7.001 0.995 * * 50 0. possa realmente acontecer no prazo previsto.63 * Nestes casos J nunca pode ser exatamente igual a 1.05 0. De qualquer forma nunca há certeza absoluta de que um evento.005 0. para isto foi somado 20 cm a cada nível do rio Itajaí-Açu que foi registrado na régua da estação fluviométrica de Blumenau. Portanto o período da série histórica inicia no ano de 1852 e vai até 2009.Probabilidade de que um evento de um dado tempo de recorrência venha a ser igualado ou excedido durante a vida útil da obra.993 0.67 0.00 m.40 0.87 0.64 0.22 0.50 0. Exercício Com a série histórica da estação fluviométrica Blumenau (Tabela 7.10 0.6 estão apresentados os níveis das cheias do rio Itajaí-Açu registradas em Blumenau. Obs.20 0. mas existe informação histórica de níveis de enchentes desde o ano de 1852.5 . Os dados anteriores à implantação da estação fluviométrica foram resgatados de fotografias de enchentes ou de documentos descritos pelos primeiros imigrantes que chegaram na região.15 e 7. se toma 500 1 * * * * 0.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 60 anos em uma vida útil de 100 anos a probabilidade de este evento ocorrer passa para 87%.39 0.12 0.18 0.7).87 200 0.6) e a respectiva curva-chave (7. Tabela 7.02 0. .77 0.

35 9.25 11.10 12.82 11.05 11.82 12.00 10.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 61 Tabela 7.31 8.63 12.25 11.35 9.30 11.67 9.85 9.90 9.75 11.30 13.17) (7.45 13.Apostila de Hidrologia .30 9.00 9.52 8.53 10.80 12.55 10.62 8. Ano 1852 1855 1862 1864 1868 1870 1880 1888 1891 1898 1900 1911 1911 1923 1925 1926 1927 1928 1928 1931 1931 1931 1932 1933 1935 1936 1939 Cota (m) 16.53 9.50 10.73 (Válida até 1988) (Válida a partir de 1989) (7.60 12.15 10.35 12.02 11.44 11. Q= 41 (H +1.75 15.35 11.80 9.31 9.50 12.00 17.27 8.00 26/Ago 03/Ago 02/Fev 17/Mai 17/Out 19/Out 01/Nov 08/Mai 22/Out 20/Mai 18/Ago 16/Mar 19/Ago 12/Set 30/Set 01/Nov 21/Set 29/Set 21/Ago 13/Fev 06/Abr 09/Jun 29/Ago 25/Jun 28/Jun 29/Ago 24/Jul Ano 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1982 1983 1983 1983 1983 1984 1990 1992 1992 1995 1997 2001 2008 2009 2010 2011 2011 Cota (m) Data 12.85 11.45 Data 29/Out 20/Nov 08/Nov 17/Set 27/Nov 11/Out 23/Set 23/Set 18/Jun 01/Mai 02/Out 29/Out 02/Out 20/Jun 14/Mai 14/Jan 09/Out 18/Jul 15/Ago 02/Mai 14/Set 18/Set 25/Mai 04/Out 24/Set 06/Ago 27/Nov Ano 1940 1943 1946 1948 1950 1951 1953 1954 1954 1955 1957 1958 1960 1961 1961 1961 1962 1963 1965 1966 1969 1971 1972 1973 1973 1973 1974 Cota (m) Data 8.80 13.63 9.29 9.00 13.Níveis máximos registrados em Blumenau (Referência IBGE).40 11.52 15.45 9.29 10.35 11.30 10.2)1.14 10.00 10.00 9.50 9. 2009).49 9.46 8.73 Q= 42 (H +1.80 04/Out 06/Jun 18/Ago 26/Dez 09/Out 22/Dez 16/Nov 04/Mar 20/Mai 09/Jul 24/Set 07/Ago 21/Jul 29/Mai 01/Jul 10/Jan 01/Fev 01/Out 24/Nov 06/Out 26/Maio 31/Ago 09/Set Aplicação do método Log-Normal Curva-chave de Blumenau (ajustada por Cordero.17 8.61 13.2) 1.07 9.6 .34 11.18) .56 12.70 12.30 9.80 12.65 9.22 10.86 16.65 10.80 10.07 10.64 8.45 11.76 10.30 9.

3 -Vazões máximas para Blumenau através do método de Gumbel.5 4.0 2.973 10 100 1000 Período de retorno.5 2.5 6. T (anos) Figura 7.Apostila de Hidrologia .81Ln(x) + 1570.0 3.5 7.5 5.7 R2 = 0.53y + 1801.1 R2 = 0.0 1. .0 0. V azão (m 3 /s) 8000 7500 7000 6500 6000 5500 5000 4500 4000 3500 3000 2500 2000 1500 Método de Gumbel para Blumenau Pontos plotados das cheias máximas registradas Reta ajustada aos pontos plotados Q = 851.0 Variável reduzida (y) Figura 7.0 4.5 3.0 5.0 6.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 62 Vazão (m3/s) 8000 7500 Método Log-Normal para Blumenau Pontos plotados das cheias máximas registradas 7000 6500 6000 5500 5000 4500 4000 3500 3000 2500 2000 1500 1 Reta ajustada aos pontos plotados Q = 915.5 1.9798 0.2 -Vazões máximas para Blumenau através do método Log-Normal.

A transformação envolve modificações no volume total da água.6 5.4 10.1 13.3 6310. o escoamento percorre um caminho. já que existe um atraso na ocorrência da vazão em relação ao tempo de ocorrência da chuva. Anteriormente foi apresentado a forma para estimar a chuva efetiva.7 3. Nem toda a chuva efetiva gerada numa bacia chega imediatamente ao curso d’água. No final da recessão o escoamento superficial cessa. com velocidades variadas de acordo com características como a declividade e o comprimento dos trechos percorridos. finalmente.3 300 7262. já que parte da chuva infiltra no solo e pode retornar à atmosfera por evapotranspiração.1 500 7896.9 17.2 7092. como mostrado na figura a seguir.7 4.8 12.5 19.7 14. . como a duração e a intensidade da chuva.5 3078.6 5718.3 2. Imediatamente após.9 15. Chuvas de mesma intensidade e duração tendem a gerar respostas de vazão (hidrogramas) semelhantes.6 25 5153.1 3.9 1000 Nível H(M) 8.9 7682. A partir dos locais em que é gerado. Chuvas mais intensas tendem a gerar mais escoamento e hidrogramas mais pronunciados. Período de Log-Normal Retorno Vazão T(anos) Q (m3/s) 2205.4 50 5788. quando a água da chuva efetiva gerada na região mais distante da bacia atinge o exutório. com menor vazão de pico. Após algum tempo é atingido o valor máximo e.2 4524. refletindo a chegada da água que começou a escoar na região mais próxima do exutório.0 17. e a resposta da bacia a uma entrada de chuva depende destas características.7 Vazões e níveis com os períodos de retornos para Blumenau.1 13.4 3.3 3717.9 16. Em particular.7 6656.0 200 6794. enquanto chuvas menos intensas tendem a gerar hidrogramas mais atenuados. como indicado. Considera-se que o hidrograma corresponda a medições realizadas na saída (exutório) da bacia. se imaginamos um pulso de chuva de curta duração.6 5 3679.7 12.8 Nível H(M) 8. A resposta de uma bacia a um evento de chuva depende das características físicas da bacia e das características do evento. e mesmo durante a ocorrência da chuva a vazão começa a aumentar.1 17.9 16.2 6.4 10 4518.5 18.Apostila de Hidrologia .4 Método de Gumbel Variável Vazão y Q (m3/s) 0.7 18. A figura mostra um gráfico de vazão (hidrograma) resultante de uma chuva efetiva na bacia.8 14. inicia uma recessão. a bacia hidrográfica é um sistema que transforma uma entrada quase imediata em uma saída distribuída ao longo do tempo.3 Hidrograma Unitário Uma bacia pode ser imaginada como um sistema que transforma chuva em vazão.6 6.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 63 Tabela 7.9 5123.2 1. A chuva efetiva é responsável pelo crescimento rápido da vazão de um rio durante e após uma chuva.7 10.5 2 3044.4 2113. e modificações no tempo de ocorrência.2 19.3 5.2 100 6423.

é proporcional à intensidade dessa chuva.2 . e assim para todos os valores de vazão dos hidrogramas é respeitada a mesma proporção. considerando que a resposta é uma soma das respostas individuais.Apostila de Hidrologia . baseada na relação linear entre chuva efetiva e vazão em uma bacia é a teoria do Hidrograma Unitário. lembrando que a chuva efetiva é a parcela da chuva que gera escoamento superficial. é comum admitir-se que existe uma relação linear entre a chuva efetiva e a vazão. Com a teoria do hidrograma unitário é possível calcular a resposta da bacia a eventos de chuva diferentes. uma chuva de 1 mm ou 1 cm). como mostra a Figura 7. têm o mesmo tempo de base. que é o hidrograma unitário. considera-se que as ordenadas dos hidrogramas serão proporcionais à intensidade da chuva efetiva.Ilustração do princípio da proporcionalidade na teoria do hidrograma unitário. Como os hidrogramas de escoamento superficial correspondem a chuvas efetivas de mesma duração. 3. Figura 7. que é igual ao volume escoado superficialmente. A vazão do ponto A é duas vezes menor do que a vazão no ponto B e a vazão no ponto D é duas vezes maior do que a do ponto C. Uma teoria útil. .3. causado por uma chuva efetiva unitária (por exemplo. o volume de chuva. Isso significa que podem ser aplicados os princípios da proporcionalidade e superposição. A teoria do hidrograma unitário considera que a precipitação efetiva é unitária tem intensidade constante ao longo de sua duração e distribui-se uniformemente sobre toda a área de drenagem.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 64 Para simplificar a análise e para simplificar os cálculos. 2. Na figura observa-se que o hidrograma resultante da precipitação efetiva de 2 mm é duas vezes maior do que o hidrograma resultante da chuva efetiva de 1 mm. Adicionalmente. Conceitualmente o Hidrograma Unitário (HU) é o hidrograma do escoamento direto. mas não inteiramente correta. descritos a seguir. por isso o método é chamado de Hidrograma Unitário. considera-se que a bacia hidrográfica tem um comportamento linear.1 Proporcionalidade Para uma chuva efetiva de uma dada duração.

produz uma terceira.2 Superposição As vazões de um hidrograma de escoamento superficial. como é o caso da teoria do hidrograma unitário (veja definição na Wikipedia). Qt = ∑ Pef i ht −i +1 Qt = i =1 t t Para t<k i =t − k +1 ∑ Pef h i t −i +1 Para t≥k onde. . normalmente.3 Convolução Aplicando os princípios da proporcionalidade e da superposição é possível calcular os hidrogramas resultantes de eventos complexos.3 . a partir do hidrograma unitário. mostrando como o hidrograma de resposta de duas chuvas unitárias sucessivas pode ser obtido somando dois hidrogramas unitários deslocados no tempo por uma diferença D.3. particularmente na área de análise funcional. A Figura 7. O conceito de convolução é crucial no estudo de sistemas lineares invariantes no tempo. Este cálculo é feito através da convolução. A vazão em um intervalo de tempo t é calculada a partir da convolução entre as funções Pef (chuva efetiva) e h (ordenadas do hidrograma unitário discreto). k é o número de ordenadas do hidrograma unitário.3 ilustra o princípio da superposição. onde m é o número de pulsos de precipitação e n é o número de valores de vazões do hidrograma. a partir de duas funções.Ilustração do princípio da superposição de hidrograma. O hidrograma unitário é. produzidas por chuvas efetivas sucessivas. neste caso. 3. Figura 7. h é a vazão por unidade de chuva efetiva do HU.Apostila de Hidrologia .Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 65 3. que. é a duração da chuva. convolução é um operador que. Qt é a vazão do escoamento superficial no intervalo de tempo t.3. que pode ser obtido por k = n – m +1. Em matemática. podem ser encontradas somando as vazões dos hidrogramas de escoamento superficial correspondentes às chuvas efetivas individuais. definido como uma função em intervalos de tempo discretos. Pef é a precipitação efetiva do bloco i.

Apostila de Hidrologia - Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC

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A convolução discreta fica mais clara quando colocada na forma matricial. Considerando uma chuva efetiva formada por 3 blocos de duração D cada um, ocorrendo em seqüência, e uma bacia cujo hidrograma unitário para a chuva de duração D é dado por 9 ordenadas de duração D cada uma, a aplicação da convolução para calcular as vazões Qt no exutório da bacia seria:
Q1 = Pef1.h1 Q2 = Pef2.h1+ Pef1.h2 Q3 = Pef3.h1 +Pef2.h2+ Pef1.h3 Q4 = Pef3.h2+ Pef2.h3+Pef1.h4 Q5 = Pef3.h3+Pef2.h4+Pef1.h5 Q6 = Pef3.h4+Pef2.h5+Pef1.h6 Q7 = Pef3.h5+Pef2.h6+Pef1.h7 Q8 = Pef3.h6+Pef2.h7+Pef1.h8 Q9= Pef3.h7+Pef2.h8+Pef1.h9 Q10= Pef3.h8+Pef2.h9 Q11= Pef3.h9

Neste caso m=3 porque a chuva é definida por três blocos, k=9 porque o hidrograma unitário tem 9 ordenadas e n=11 porque a duração total do escoamento resultante é de 11 intervalos de duração D cada um. A convolução para o cálculo das vazões usando o HU é uma tarefa trabalhosa. Normalmente o HU é utilizado como um módulo dentro de um modelo hidrológico, e sua aplicação é facilitada. 3.3.4 Hidrograma Unitário Sintético A situação mais freqüente, na prática, é o da inexistência de dados históricos. Neste caso é necessário utilizar um hidrograma unitário sintético, ou um hidrograma unitário obtido a partir da análise do relevo, denominado hidrograma unitário geomorfológico. Os hidrogramas unitários sintéticos foram estabelecidos com base em dados de algumas bacias e são utilizados quando não existem dados que permitam estabelecer o HU, conforme apresentado no item a seguir. Os métodos de determinação do HU baseiam-se na determinação do valor de algumas características do hidrograma, como o tempo de concentração, o tempo de pico, o tempo de base e a vazão de pico. A Figura 7.4 apresenta um hidrograma resultante da ocorrência de uma chuva, em que se conhece o valor da chuva efetiva em três intervalos de tempo.

Figura 7.5 - Características importantes do hidrograma para a definição de HU sintético.

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O tempo de concentração é definido como o intervalo de tempo entre o final da ocorrência de chuva efetiva e o final do escoamento superficial, conforme mostrado na figura. O tempo entre picos é definido como o intervalo entre o pico da chuva efetiva e o pico da vazão superficial. O tempo de retardo é definido como o intervalo de tempo entre os centros de gravidade do hietograma (chuva efetiva) e do hidrograma superficial. O tempo de pico é definido como o tempo entre o centro de gravidade do hietograma (chuva efetiva) e o pico do hidrograma. Com base nestas definições é que pode-se caracterizar o Hidrograma Unitário Sintético adimensional do SCS. 3.3.5 Hidrograma Unitário Triangular do SCS (HUT-SCS) A partir de um estudo com um grande número de bacias e de hidrogramas unitários nos EUA, técnicos do Departamento de Conservação de Solo (Soil Conservation Service – atualmente Natural Resources Conservation Service) verificaram que os hidrogramas unitários podem ser aproximados por relações de tempo e vazão estimadas com base no tempo de concentração e na área das bacias. Para simplificar ainda mais, o hidrograma unitário pode ser aproximado por um triângulo, definido pela vazão de pico e pelo tempo de pico e pelo tempo de base, conforme a Figura 7.5. As relações identificadas, que permitem calcular o hidrograma triangular são descritas abaixo, de acordo com o texto de Chow et al. (1988).

Figura 7.5- Forma do hidrograma unitário sintético triangular do SCS. a) Tempo de concentração (tc) Equação de Kirpich (bacias pequenas)
 L3  t c = 57   ∆H 
0, 385

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onde: tc: é o tempo de concentração da bacia, em minutos L : é a extensão do talvegue, ou rio, em quilômetros, ∆ H: é a diferença de nível entre o ponto mais afastado da bacia e o ponto considerado, em metros. Equação de Watt e Chow (para bacias maiores)

 L  t c = 7,68 0,5  S 

0 , 79

onde, tc é o tempo de concentração (em minutos); L é o comprimento do curso d’água principal (em km); e S=H/L é a declividade média (m/m) ao longo do curso d’água principal. b) Duração da chuva (D) É o tempo de duração da chuva D = 0,133 tc (onde, tc é o tempo de concentração da bacia) (da um valor aproximado) c) Tempo de pico (tp) ou tempo de retardamento do hidrograma É o tempo do centro de gravidade da chuva efetiva até o pico do hidrograma O tp do hidrograma pode ser estimado como 60% do tempo de concentração: tp = 0,6. tc d) Tempo de subida do hidrograma (Tp) O tempo de subida do hidrograma Tp pode ser estimado como o tempo de pico tp mais a metade da duração da chuva D, assim: Tp = tp + D/2 = 0,6 tp + D/2 e) Tempo de base (tb) O tempo de base do hidrograma (tb) é aproximado por: tb= Tp + 1,67. Tp o que significa que o tempo de recessão do hidrograma triangular, a partir do pico até retornar a zero, é 67% maior do que o tempo de subida. f) Vazão de pico do hidrograma unitário triangular A vazão de pico do hidrograma unitário triangular correspondente a 1,00 milímetro de chuva efetiva é estimada por:
qp = 0,208. A * Pef Tp

normalmente considera-se que a intensidade da chuva varia ao longo do evento de projeto. Existem vários métodos para criar uma distribuição temporal para chuvas de projeto. como o desenvolvido em 1958. 3.3. na geração de chuvas de projeto mais longas. Tp é o tempo de subida do hidrograma. Normalmente é utilizado para isto um fator de redução pela área. a chuva tem uma distribuição temporal uniforme durante toda a sua duração. A hipótese mais simples.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 69 onde. 6 Distribuição temporal das chuvas de projeto Uma vez definida a intensidade e a duração de uma chuva de projeto é necessário definir sua distribuição temporal. é a chuva unitária efetiva. Assim.6 . em 1. em Km2. em horas. Para utilizar as chuvas de projeto em bacias relativamente grandes é necessário compensar o fato que a intensidade média das chuvas em grandes áreas é menor. Um método freqüentemente utilizado é conhecido como método dos blocos alternados (Chow et al. Chuvas de projeto são definidas a partir de dados coletados em pluviógrafos.7 Atenuação das chuvas com a área Bacias hidrográficas grandes têm menor probabilidade de serem atingidas por chuvas intensas simultaneamente em toda a sua área do que bacias pequenas. . 1988). Figura 7.. utilizada no método racional para o cálculo das vazões máximas.Apostila de Hidrologia .6.Fator de redução da chuva de projeto de acordo com a área da bacia e a duração da chuva – as linhas pretas foram obtidas em 1958 para algumas regiões dos EUA com base em dados de pluviógrafos e as linhas cinza foram obtidas a partir de dados de radar.3.0 mm qp é a vazão de pico m3/s por mm 3. é que a intensidade não varia durante todo o evento. Pef. A é a área da bacia . para algumas regiões dos EUA. Por outro lado. tipicamente utilizadas em cálculos de vazões baseadas no método do hidrograma unitário. ilustrado na Figura 7.

De acordo com este método. pode ser adotado o hidrograma unitário.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 70 3. é necessário utilizar modelos baseados no hidrograma unitário. o volume das cheias. como apresenta o Quadro 1.8 Vazões máximas com base em transformação chuva-vazão Os métodos mais comuns para calcular as vazões máximas a partir da transformação de chuva em vazão são o método racional e os modelos baseados no hidrograma unitário. Os passos para obter a vazão máxima com base no hidrograma unitário são detalhados a seguir: 1. 7. com chuvas de curta duração. Com base nas características da bacia (área e tempo de concentração) define se hidrograma unitário sintético.3.Apostila de Hidrologia . 3.10 Chuva efetiva ou volume de escoamento: método SCS Um dos métodos mais simples e mais utilizados para estimar o volume de escoamento superficial resultante de um evento de chuva é o método desenvolvido pelo National Resources Conservatoin Center dos EUA (antigo Soil Conservation Service – SCS). Com base na chuva de projeto corrigida do passo anterior e usando uma metodologia de separação de escoamento como o método do coeficiente CN. calcula-se a chuva efetiva.0 A ≥ 2. Já em bacias maiores. A (km2) A ≤ 2. Calcular tempo de concentração da bacia 3. implicitamente. e organizada em blocos alternados. Com base na chuva efetiva e no hidrograma unitário é feita a convolução para gerar o hidrograma de projeto. A chuva de projeto deve ser multiplicada pelo fator de redução de área. 2005) sugere que. 9.0 Método Racional Hidrograma Unitário . 6.3. A maior vazão do hidrograma de projeto é a vazão máxima estimada a partir da chuva. ou em casos em que se deseja. a lâmina escoada durante uma chuva é dada por: . com duração igual ao tempo de concentração da bacia. Identificar posto pluviográfico com dados ou curva IDF válida em região próxima. Calcular área da bacia 2.9 Vazões máximas usando o hidrograma unitário Admite-se. que uma chuva de T anos de tempo de retorno provoque uma vazão máxima de T anos de tempo de retorno. 4. Em bacias pequenas.3. de acordo com a área da bacia usam-se métodos diferentes para cálculo da vazão. 8. 5. Quadro 1 – Adotado pelo DEP. O Departamento de Esgotos Pluviais (PORTO ALEGRE.PORTO ALEGRE. Com base em na curva IDF define-se a chuva de projeto. além da vazão máxima. de acordo com a área da bacia e com a duração total da chuva. ou metodologia semelhante.SCS 3. com chuvas mais demoradas.

A partir deste valor de CN obtém-se o valor de S: A partir do valor de S obtém-se o valor de Ia: Como P > Ia.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 71 ( P − Ia) 2 Pef = → quando → P > Ia ( P − Ia + S ) Pe f = 0.0 → quando → P ≤ Ia S= 25400 − 254 CN Ia = S 5 onde Pef é a lâmina escoada ou volume de escoamento dividido pela área da bacia (mm).. Conforme a tabela anterior o valor do parâmetro CN é 63 para esta combinação. S é um parâmetro que depende da capacidade de infiltração e armazenamento do solo (parâmetro adimensional CN – veja tabela). D solos com capacidade muito baixa de infiltração). também chamada “chuva efetiva”. Tabela do CN: Valores aproximados do parâmetro CN para diferentes condições de cobertura vegetal. B: solos de média capacidade de infiltração.1993 A 41 65 62 89 81 77 B 63 75 74 92 88 85 C 74 83 82 94 91 90 D 80 85 87 95 93 92 E X EMP LO 1) Qual é a lâmina escoada superficialmente durante um evento de chuva de precipitação total P = 70 mm numa bacia com solos do tipo B e com cobertura de florestas? A bacia tem solos do tipo B e está coberta por florestas.Apostila de Hidrologia . uso do solo e tipos de solos (A: solos arenosos e de alta capacidade de infiltração. o escoamento superficial é dado por: . Tabela Condição Floresta Campos Plantações Zonas Comerciais Zonas Industriais Zonas Residenciais Adaptado por Tucci ET al. C solos com baixa capacidade de infiltração. e Ia é uma estimativa das perdas iniciais de água. P é a precipitação durante o evento (mm).

25 horas b) Duração da chuva (D) D = 0.833 horas = 50 min e) Tempo de base do hidrograma (tb) é aproximado por: .6*1. c) Tempo de pico (tp) tp = 0.1 ou t c = 7. A partir dos valores acumulados de chuva são calculados os valores acumulados de escoamento superficial.25 = 0. em que existem informações de precipitação para vários intervalos de tempo.Solo tipo B (CN=85). I .5 mm. Exercício 1: 1. deve se primeiramente calcular valores acumulados de chuva. Determinar a vazão de projeto pelo HUT-SCS e pelo Método Racional.1 km. tc = 0. usando a mesma metodologia do exemplo anterior. Finalmente. numa bacia de 3. Para calcular o escoamento em diferentes intervalos de tempo.Apostila de Hidrologia . como foi sua distribuição temporal. 79     3. utilizando o método do SCS.6. 79 ( ) tc = 75 min ou 1.5  S  0.Pelo método do Hidrograma Unitário Triangular -SCS 1.5   93   3100  0. Esta alternativa é interessante quando se deseja saber. comprimento do talvegue de 3.0 Km2 de área de drenagem. Bacia ocupada com Zonas Residenciais .133*75= 10 minutos A duração da chuva D é de 10 minutos. além do valor do escoamento total.68 0.1 Calculo do HUT-SCS a) Tempo de concentração  L  t c = 7. a partir dos valores acumulados de escoamento superficial são calculados os valores incrementais de escoamento superficial. a chuva de 70 mm provoca um escoamento de 8. para o período de retorno de 50 anos.75 horas = 45 min d) Tempo de subida do hidrograma (Tp) Tp = tp + D/2 = 0.68 0.75horas + 10/(60*2) horas= 0. O método do SCS também pode ser utilizado para calcular o escoamento superficial de uma bacia durante um evento de chuva complexo.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 72 Portanto. ao longo do qual existe uma diferença de altitude de 93 m.133tc= 0.

30 0.09 2 3 0.7 84. 7. Vazão Tempo (minutos) (m3/s por mm) 0 0.65 2.5 19.2 Determinação da chuva efetiva e ordenamento em blocos alternados Intervalo de Tempo tempo (minutos) 1 10 2 20 3 30 4 40 5 50 6 60 8 70 Chuva (mm/h) 199 149 123 105 93.39 100 0.15 0. A.60 50 0.833 s A figura e a tabela a seguir mostram o hidrograma unitário triangular resultante.9 Soma Chuva Efetiva incremental (Pef em mm) 8.38 0.7 11. 7.2 84.9 Chuva Total (P) (mm) 33.45 4 0.08 3.0 *1.00 10 0.8 0.208 * 3.0 51.2 35.60 5 0.1 89.4.5 0.5 28.0 8.61 1.Pef Tp 0.5 6.75 60 0.3 0.7 7.39 0.85 8.9 Vazão (m3/s por mm) 51.Apostila de Hidrologia .57 8 9 10 11 12 13 Q(m3/s) 1.0mm 0.30 3.07 13.1 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 Tempo (minutos) Vazões 1.9 Pef (mm) Ordenada 5.48 0.30 110 0.0 8.31 2.2 5.27 1.7 0.54 1.2 77.30 30 0.3 – Convolução Ordenadas do Hidrograma Unitário Tempo Intervalo minutos 1 2 3 4 10 20 30 40 Chuva Pefet 5.21 0.75 6 0.7 Chuva Efetiva Acumulada (mm) 8.9 51.27 3.7 11.8 61.208.75 / 1.57 80 0.1 76.66 7 0.4.4 4. Tp = 2.2 4.3 70.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 73 tb= Tp + 1.2 8.2 8.0 m3 = = 0.21 120 0.81 3.1 49.12 0.4 0.67.5 11.12 130 0.48 90 0.0 1 1.6 47.4 41.6 0.9 1.15 20 0.03 Hidrograma Unitário Triângular 0.03 Vazão .00 milímetro de chuva efetiva é: qp = 0.2 0.2 6.66 70 0.22 horas =133 min ~130 min g) Vazão de pico do hidrograma unitário triangular A vazão de pico do hidrograma unitário triangular correspondente a 1.92 5.45 40 0.30 0.

87 0.16 24.97 2.71 3.86 0.28 3.61 1.26 1.74 7.67 5.32 0.32 28. A bacia tem solos com baixa capacidade de infiltração.22 1.29 2.11 2.03 0.9 0.94 6.08 3.00 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170 180 190 Tempo (minutos) Vazões II – Pelo Método Racional Utilizando o método racional teremos: Q= C *i * A 3.29 29.16 0.79 4.61 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170 180 8.14 0.0 km2 i = 76.Apostila de Hidrologia .18 3.25 2.32 3.00 10. ao longo do qual existe uma diferença de altitude de 200 m.47 4.5 (residencial) A = 3.25 5.59 5.00 25.04 0. de uma bacia próxima a Blumenau.12 1. pelos métodos HUT-SCS e Racional.41 2.30 0.45 2.47 1.22 6.57 1.59 9.65 0.40 4.04 3.26 4.31 1.07 4.74 0.42 22.24 2.83 1.23 4.83 4.0 Km. coberta com 60% de campos e florestas e 40 % com residência com muitas superfícies livres.26 13.78 2.6 C = 0.Vazão de projeto Hidrograma de Cheia 35.60 4. com área de 10 Km2.54 3.00 5. comprimento do talvegue de 5.00 15.82 1.10 3. .51 1.63 1.95 3.20 5.33 1.78 2. Calcule a vazão de projeto para um período de retorno de 10 anos.00 Vazão (m3/s) 20.93 2.61 26.0 m3/s Exercício 2: Proposto.00 30.09 3.39 2.31 5.16 2.9 mm/h Q = 32.00 0.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 74 19.60 3.46 4.93 18.30 1.27 2.59 0.53 8.85 0.63 4.85 1.02 2.62 2.75 1.63 28.35 2.27 4.52 3.63 1.81 3.42 6.73 1.5 6.4 Hidrograma Final .96 6.2 4.91 1.75 4.19 0.36 6.

Medição de vazão Para se determinar a expressão da curva-chave. 2. velocimétrico. A única variável temporal é o nível. As medições de vazão são feitas periodicamente em determinadas seções dos cursos d’água (as estações ou postos fluviométricos). acústico e eletromagnético.1. entre outras tantas aplicações.Apostila de Hidrologia . o conhecimento das vazões é necessário para se fazer um balanço de disponibilidades e demandas ao longo do tempo. Não é apenas o nível da água que influencia a vazão: a declividade do rio. a monitoração da vazão do rio no tempo fica muito mais simples e com um custo muito menor. Tais pares de pontos podem ser interpolados. Dado o nível do rio na seção para a qual a expressão foi desenvolvida. Entretanto.1 Volumétrico . 2. operação de reservatórios para abastecimento ou geração de energia e sistemas de controle ou alerta contra inundações. 2. definindo a expressão matemática da curvachave. Diariamente ou de forma contínua medem-se os níveis d’água nos rios e esses valores são transformados em vazão através de uma equação chamada de curva–chave. Desta forma. criando-se séries históricas que são extremamente úteis para diversos estudos e projetos de Engenharia. a forma da seção (mais estreita ou mais larga) também altera a vazão.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 75 CAPITULO VIII MEDIÇÕES DE VAZÕES E CURVA-CHAVE 1. calado para navegação. onde poderiam se destacar sistemas de navegação fluvial. uma vez calibrada tal expressão. precisamos medir a vazão para diversos níveis. ainda que o nível seja o mesmo. basicamente para responder a perguntas típicas como: onde há água. Curva-chave é uma relação nível-vazão numa determinada seção do rio. as vazões mínimas são importantes para se avaliar. como base para dimensionamento de sistemas de drenagem e órgãos de segurança de barragens. que utilizam princípios distintos: volumétrico. as vazões médias são aplicáveis a dimensionamentos de sistemas de abastecimento de águas e de usinas hidrelétricas. obtém-se a vazão. tais variáveis são razoavelmente constantes ao longo do tempo para uma determinada seção. Em operação de sistemas hidráulicos. capacidade de recebimento de efluentes urbanos e industriais e estimativas de necessidades de irrigação. estruturas hidráulicas (calhas e vertedores). quanto há de água ao longo do tempo e quais são os riscos de falhas de abastecimento de uma determinada vazão em um ponto de um curso d’água. as vazões máximas. No planejamento e gerenciamento do uso dos recursos hídricos. Introdução O escoamento superficial das águas normalmente é medido ao longo dos cursos d’água. Em projetos de obras hidráulicas.1 Tipos de medição de vazões As medições de vazão podem ser feitas de diversas formas. A escolha do método dependerá das condições disponíveis em cada caso. por exemplo.

Assim. Pode-se então determinar a curva-chave para outras seções de interesse medindo o nível da água em tais seções e relacionando-os com a vazão medida pela calha ou vertedor. assim como os vertedores. tal mudança é condicionada por um estreitamento da seção. a vazão pode ser assim determinada: • • • QL: vazão do canal. a vazão que passa pela calha é a mesma que passa por qualquer outra seção do rio. Portanto. No caso da calha. K e n: constantes que dependem das características da calha. se não há ondas de cheia propagando pelo canal. a determinação de vazão a partir do nível é direta para a seção onde a mesma está instalada. uma vez que a forma da seção da calha e a cota de fundo são conhecidas. Mede-se o tempo de preenchimento total do recipiente. Se a saída de jusante se dá de forma livre (sem afogamento).2 Calhas Parshall As calhas Parshall são. Entretanto. O princípio consiste em forçar a mudança deste comportamento para o regime torrencial. são estruturas construídas no curso d’água e possuem sua própria “curva-chave”. Caso a saída da água do canal se dá sob afogamento. Utiliza-se um dispositivo para concentrar todo o fluxo em um recipiente de volume conhecido. C: coeficiente de redução. vazão é o volume que passa por uma determinada seção de controle por unidade de tempo.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 76 Este método é baseado no conceito volumétrico de vazão. 2. minas e canais de irrigação. O método (calha ou vertedor) se aplica a escoamentos sob regime fluvial. com o conhecimento do nível da água na região da profundidade crítica determina-se a vazão do canal. Este processo é limitado a pequenas vazões. medindo-se a profundidade crítica.1. H: profundidade crítica. forma-se um ressalto hidráulico e a vazão calculada pela expressão acima precisa ser corrigida: • • QA: vazão do canal. .Apostila de Hidrologia . isto é. em geral pequenas fontes d’água.

mas apresentam um forte limitante: sua viabilidade está restrita a pequenos canais. Figura 8. Os mais utilizados são: . Existem diversos modelos de vertedores.Apostila de Hidrologia . com diferentes curvas que relacionam o nível d’água com a respectiva vazão.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 77 Figura 8.2 – Calha Parshall As calhas Parshall não interferem no escoamento (como ocorre com os vertedores. vistos com detalhes em Hidráulica. 2.1. ao provocarem o remanso).3 Vertedores Este dispositivo também se baseia na determinação da vazão a partir da medição do nível d’água.1 – Representação esquemática da calha Parshall ilustrando as condições de afogamento e saída livre.

• • Q: vazão do canal em m/s. • L: largura da base do vertedor em m. onde: • Q: vazão do rio em m/s. um vertedor triangular com ângulo reto. • H: carga do vertedor.1H ) H 2 Valida para vertedores com uma contração lateral. 3 Q = 1. isto é.3 – Vertedor triangular b) Vertedores retangulares: Como exemplo. Figura 8.84 LH 2 Valida para vertedores sem contração lateral.84( L − 0. .Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 78 a) Vertedores triangulares: A relação e a figura abaixo exemplificam o vertedor tipo Thompson. citamos o tipo Francis: 3 Q = 1.84( L − 0. o nível d’água que passa sobre o vertedor em m.Apostila de Hidrologia . H: nível d’água com relação ao vértice de ângulo reto em m.2 H ) H 3 2 Valida para vertedores com duas contrações laterais. Q = 1.

O vertedor triangular é mais preciso.Apostila de Hidrologia .Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 79 Figura 8. perpendiculares aos sensores. como o ilutrado na Figura 8. Um inconveniente dos vetedores é a necessidade de sua construção. permite estimar a velocidade da água num volume de controle segundo três eixos. sendo entretanto menos sensível ao vertedor triangular. e recebendo de volta o eco do ultrasom. que apresenta erros relativos à vazão de 1 a 2%. O medidor de velocidade pode ser utilizado com uma haste.1. com custo apreciável. Para vazões baixas o acréscimo de precisão atenua-se e o decréscimo de sensibilidade acentua-se. o assoreamento e o remanso (elevação do nível) provocado a montante constituem outras desvantagens dos vetedores. sendo portanto aconselhável o uso do vertedor triangular para vazões abaixo de 0.5. quando se deseja conhecer a velocidade de um ponto específico. Estes medidores funcionam emitindo pulsos acústicos (ultrasom) em uma freqüência conhecida.030 m3/s. Além disso.4 Medição de vazão com equipamento Doppler Nos últimos anos as medições de velocidade de água com molinetes tem sido substituídas por medições de velocidade por efeito Doppler em ondas acústicas. com erro relativo à vazão da ordem de 1%. ou quando o curso d’água é pequeno. Um sistema como o apresentado na Figura 8. A partir destas componentes da velocidade no sistema de eixos do instrumento são calculadas as componentes transversal. com um emissor de ultrasom e três receptores.4 – Vertedor retangular com duas contrações laterais A aplicação dos tipos de vertedor depende da vazão que se mede.5. . 2. dispostos da maneira apresentada na figura. refletido nas partículas imersas na água A diferença das freqüências dos sons emitidos e refletidos é proporcional à velocidade relativa entre o barco e as partículas imersas na água. A suposição básica desse método é que as partículas dissolvidas na água se deslocam com a mesma velocidade do fluxo. longitudinal e vertical de velocidade na seção do rio.

6 . medindo a velocidade do fluxo d’água que passa por ele (figura 8). 2.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 80 Figura 8.5 – Medidor de velocidade Doppler Figura 8.5 Molinete São aparelhos dotados basicamente de uma hélice e um “conta-giros”. quando posicionado emdiversos pontos da seção do rio determinam o perfil de velocidades desta seção.Apostila de Hidrologia . determina-se a vazão como se verá adiante.1. .Resultado de medição de vazão com perfilador acústico Doppler no rio Solimões em Manacapuru (AM). Com tal perfil e a geometria da seção. Assim.

5 m/s com haste e de 5 m/s com lastro. n + b (onde a e b são características do aparelho).20 m e velocidade compatível com a segurança do operador. Figura 8. 10 ou qualquer outro número de voltas realizadas. 2. Acima destes valores os riscos para o operador e o equipamento passam a ser altos.1 Avau Este método é aplicado a medições com nível d’água não superior a 1. a precisão relativa para uma razão assim medida é de cerca de 5%. preso a cabo com lastro (embaixo) e lastro (peixes) As velocidades limites que podem ser medidas com molinete são de cerca de 2. que fornece a velocidade V a partir da freqüência n da hélice.2 Sobre ponte .2. Em boas condições. O “conta-giros” envia um sinal ao operador a cada 5. Marca-se o tempo entre alguns sinais e determina-se o número de rotações por segundo (n). O equipamento possui uma curva calibrada do tipo V=a . sempre tomando o cuidado de mantê-lo a uma distância mínima do leito (Aproximadamente 20 cm) Figura 8.2 Tipos de medição de vazão com molinete 2.2.Apostila de Hidrologia .Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 81 O princípio de funcionamento é o seguinte: mede-se o tempo necessário para que a hélice do aparelho dê um certo número de rotações.8 – Medição a vau 2. Consiste em prender o molinete numa haste.7 – Molinete preso a haste.

o escoamento é alterado e pode provocar erosão no leito. Figura 8. A determinação da geometria da seção é mais complicada. O barco é preso nas margens do rio através de cabos. Uma alternativa seria afastar ao máximo o molinete da ponte através de suportes.4 Com barco fixo Num rio como o do item anterior (desde que não haja material de grande porte transportado) pode-se também utilizar o recurso do barco fixo.9 – Utilização de ponte como suporte 2.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 82 Apesar de apresentar certa facilidade para uma medição de vazão com molinete. mas não muito largo.2. Há casos também em que há material transportado pelo rio (toras). pode-se utilizar o recurso do teleférico para levantar o perfil de velocidades.2. Figura 8. sendo aplicado este método para a segurança do operador. .10 – Medição com teleférico 2.3 Com teleférico No caso de não se dispor de pontes e o rio ser profundo. a seção de uma ponte pode interferir na velocidade do escoamento. fazendo-se assim as medições numa seção menos influenciada. Se a ponte possui pilares apoiados no leito do rio.Apostila de Hidrologia . sendo este o método mais comum de medição com molinete.

Ou ainda. Para se calcular a vazão de tais parcelas utiliza-se a velocidade média no perfil e sua área de influência. O barco se desloca com uma velocidade constante de uma margem a outra. A medição se repete a várias profundidades.12 – Perfil de velocidades fornecido pelo método ultrassônico ou por molinete A descarga líquida ou vazão de um rio é definida como sendo o volume de água que atravessa uma determinada seção num certo intervalo de tempo. Figura 8. como molinete e o ultrassônico. a vazão total é calculada como sendo a soma de parcelas de vazão de faixas verticais.Apostila de Hidrologia . fornecem o perfil de velocidades da seção.11 – Medição com barco fixo 2. pode-se ainda fazer a medição com o barco em movimento. A decomposição da velocidade do barco e das velocidades indicadas pelo molinete possibilita estabelecer a velocidade média da água na profundidade escolhida.3 Cálculo de uma vazão Alguns dos métodos descritos anteriormente fornecem diretamente a vazão numa determinada seção do rio.A onde: • Q: vazão em m3/s. Como a seção do rio é irregular e as medições de velocidades são feitas em alguns pontos representativos. 2. com o molinete fixado num leme especial a uma profundidade constante. • A: área da seção em m2. Outros. • V: velocidade do escoamento em m/s.2. pode ser expressa como: Q = V .5 Com barco móvel Se o rio for de largura suficiente para inviabilizar o uso de cabos.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 83 Figura 8. Nestes casos. Determinação da velocidade média no perfil . precisamos ainda da geometria da seção para calcular a vazão que passa por ela.

Apostila de Hidrologia . uma na superfície (0. 0. tem-se a velocidade média na vertical considerada. a) O primeiro (h>4.15 m a 0.8 da profundidade fica muito próxima ao leito.0 m) consiste em realizar uma medida no fundo (0. entre esses dois extremos.4 Alguns perfis de velocidades Nos cursos d’água naturais. o número de rotações e o tempo para chegar à superfície.0 m).10 m de profundidade) e. Nestes casos utiliza-se o processo do ponto único. além da rugosidade outros fatores podem influir na distribuição da velocidade. com escoamento muito turbulento.13 – Perfis de velocidades. 2. 2 + V0. utiliza-se quatro processos principais: Pontos múltiplos. pois a medição a 0. além da profundidade total.2 Vm = V0.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 84 • • • • Normalmente. vários pontos que permitam um bom traçado da curva de velocidades em função da profundidade. . como mostra a figura abaixo. Toma-se a velocidade superficial igual àquela medida a 0. Dois pontos.8 da profundidade.6 da profundidade (contada a partir da superfície). Um ponto.10 m e a de fundo como sendo a metade da mais próxima ao leito. a b c d e f g Figura 8. a) grandes velocidades. Tem-se assim diretamente a velocidade média. o método anterior não se aplica.20 m do leito).2 e 0. Integração. onde se aproxima a velocidade média pela medida a 0. Calculando-se a área desse diagrama e dividindo-a pela profundidade. havendo contato do contrapeso com o fundo do rio.8 V0. d) O processo de integração consiste em deslocar o aparelho na vertical com velocidade constante e anotarem-se.2H H 0.8H Vm V0.8 2 c) Quando a profundidade é pequena (h<1. b) O segundo processo baseia-se na constatação experimental de que a velocidade média numa vertical aproxima-se com boa precisão da média aritmética entre a velocidade medida a 0.

De uma maneira geral.5 1.5 Média da área da seção e determinação da área de influência A profundidade numa vertical é medida através do próprio elemento sustentador do molinete. diminuição de velocidade em superfície (galhadas.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 85 b) c) d) e) f) g) fracas velocidades. com vegetação aquática muito importante. fundo muito rugoso.).1 – Cuidados no espaçamento das medições para uma boa representatividade do perfil. . pode-se indicar que as velocidades da água em uma seção transversal de um canal (escoamento gradualmente variado) decrescem da superfície para o fundo e do eixo para as margens. assim como também não devem ser muito distantes (perda da representatividade do modelo).00 6. 2 Ministério da Agricultura . Em rios muito profundos e/ou com altas velocidades de escoamento onde a medição com cabos e lastros torna-se inaplicável. com fundo liso. Isto é feito ao se levantar o perfil de velocidades naquela vertical.00 12. A distribuição das velocidades ao longo de uma seção costuma ser representada pelo traçado das curvas isotáqueas (curvas de igual velocidade). fundo rugoso (rocha).3 0.jusante de uma saliência de fundo.00 4. A distância horizontal entre as margens pode ser determinada através de cabo graduado ou teodolitos. A tabela abaixo sugere espaçamentos entre tais verticais: Tabela 8. Largura do rio (m) 3 3a6 6 a 15 15 a 30 30 a 50 50 a 80 80 a 150 150 a 250 250 a 400 + de 400 Espaçamento máximo entre verticais (m) 0. saliência cavado (poço) .00 2.Apostila de Hidrologia . 2.00 3. Obs. etc. seja ele uma haste graduada (a partir do fundo) ou cabo (a partir da superfície da água).DNPM – 1941) Como já foi citada. As verticais onde se levantam os perfis de velocidades não devem ser muito próximas (custo adicional sem ganho considerável de informações). tocando o leito com o “peixe” ou com a haste. pode-se utilizar recursos como a batimetria e os sonares. a área de influência multiplicada pela velocidade média do escoamento na mesma resulta a vazão neste elemento.00 até 30 (Fonte: Anuário Fluviométrico n.00 8.

Exercício Com a folha de medição de descargas fornecida.Apostila de Hidrologia . A curva de calibração do aparelho segue abaixo: onde: n=número de rotações por segundo(r.s.14 – Área de influência de um perfil de velocidades A área de influência Ai de um determinado perfil de velocidades Vi é formada pela soma de duas áreas trapezoidais.) . como indica a figura acima. calcular a vazão do rio sabendo-se que cada contagem de rotações do molinete foi feita em 50 segundos.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 86 Figura 8.p.

Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 87 Tabela 8.Apostila de Hidrologia . como mostra a figura abaixo: .2 – Dados do levantamento de campo Uma pequena área (em verde) próxima a cada margem foi desconsiderada.

3.1 Régua limnímetrica A maneira mais simples para medir o nível de um curso d’água é colocar uma régua vertical na água e observar sua marcação. As réguas são geralmente constituídas de elementos verticais de 1 metro graduados em centímetro. São placas de metal inoxidável ou de madeira colocadas de maneira que o elemento inferior fique na água mesmo em caso de estiagem excepcional. Medição do nível d`água O nível d’água deve ser medido concomitantemente com a medição vazão na operação de determinação da curva-chave.Apostila de Hidrologia .16 – Esquema de instalação e réguas na margem do rio. a fim de se obter os pares de pontos cota-descarga a serem interpolados. Uma vez determinada a curva-chave precisamos monitorar apenas o nível d’água para obtermos a vazão do rio. 3. . Figura 8.15 – Áreas próximas às margens não consideradas no cálculo anterior.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 88 Figura 8.

Em geral a precisão destas observações é da ordem de centímetros.18 – Gravação contínua em papel . Figura 8.2. Isto permite registrar eventos significativos de curta duração ocorrendo essencialmente em pequenas bacias. que podem ser: fita colocada em volta de um tambor com rotação de uma hora a 1 mês. 3. pelo menos uma vez por dia.Apostila de Hidrologia .17 – Sensor de pressão. 3.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 89 O observador faz leitura de cotas com uma freqüência definida pelo órgão operador da estação. Figura 8.2 Limnígrafo Este equipamento grava as variações de nível continuamente no tempo.3 Quanto à gravação • Em suporte de papel.

mostrados adiante. Curva-Chave A curva-chave relaciona o nível de um rio com sua vazão. O regime crítico abrange a faixa e velocidades que faz a transição entre o regime fluvial ou lento e o regime torrencial ou rápido. esta deve seguir alguns princípios: • Lugar de fácil acesso. O escoamento na seção deve ser fluvial ou no máximo crítico.Apostila de Hidrologia .Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 90 • Memorizada em suporte eletrônico (data-logger). • Trecho retilíneo e com declividade constante.19 – Dados armazenados magneticamente sendo transferidos para serem analisados • O dado pode ser transmitido em tempo real para uma central de operação. • Seção com forma regular.2 e 2 m/s. fazemos medições de vazão pelos métodos apresentados anteriormente para diversos níveis e obtemos pares cota-descarga. . • Margem e leito não erodíveis. como esta operação não contempla todos os níveis possíveis. A escolha de uma seção para controle. A relação biunívoca cota-vazão de um rio se mantém ao longo do tempo desde que as características geométricas do mesmo sofram variação. Cada classificação possui uma expressão que relaciona a vazão com as outras variáveis envolvidas. • Controle por regime uniforme. • Regime permanente. A relação é obtida a partir da interpolação destes pontos e. utiliza-se ainda a extrapolação. • Velocidades entre 0. • Controle por regime crítico ou fluvial. 4. O regime fluvial classifica o escoamento como lento. Todas as medições devem ser feitas na situação de regime permanente (as características hidráulicas não variam durante a medição). Para obtê-la. Figura 8.

h é a cota.1 Validade da curva-chave 4. b são parâmetros de ajuste. h0 é a cota quando a vazão é zero. Alterações na geometria da seção ou na declividade do rio geradas por erosões ou assoreamento ao longo do tempo causam mudanças na velocidade do escoamento e nas relações entre área. afetando a relação cota-descarga.1 Variação da curva-chave com o tempo O fato de a curva-chave estar intimamente ligada às características hidráulicas da seção de controle implica variação da expressão matemática quando há uma variação nestas constantes. Q é a vazão. raio hidráulico e profundidade. .1.Apostila de Hidrologia .25 – Curva-chave representada sobre eixo de cotas do perfil geométrico da seção Para a curva-chave na hidrologia é utilizada uma expressão exponencial do tipo: Q = a ( h ± h0 ) b onde: • • • • a. 4.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 91 Figura 8.

73 Válida até 1988.26– Alteração da seção ao longo do tempo e conseqüente reflexo na curva cotadescarga.2) 1.1. CURVA-CHAVE DE BLUMENAU Nível (m) 18 17 16 15 14 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 0 500 1000 1500 2000 Valores medidos 1984 . Válida a partir de 1989.2002 Valores estimados 1975 -1988 Valores estimados 1989-2002 Válida até 1988 2500 3000 3500 4000 4500 Válida a partir de 1989 5000 5500 6000 6500 7000 7500 Vazão (m3/s) Figura 8.27. é apresentado a de Blumenau (Cordero. Como exemplo de curva-chave. gerando grandes erros na estimativa. Assim.2) 1.2 Extrapolação da curva-chave Em geral as medições não contemplam valores extremos de vazões. para se estimar vazões mais altas ou mais baixas recorremos à extrapolação. 4. 2009).73 Q= 42 (H + 1.27. Cujas expressões matemáticas são as seguintes: Q= 41 (H + 1. As curvas que relacionam raio hidráulico e área com o nível d’água podem sofrer variações bruscas no comportamento. deve-se tomar cuidado com a forma da seção em função da altura. na figura 8.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 92 Figura 8. como mostra a figura 8. No entanto.Apostila de Hidrologia . .27 – Curva-chave para a estação fluviométrica de Blumenau.

é a área da seção.040 .3 .020 0.Apostila de Hidrologia . Exemplo de cálculo do RH Am 3* 2 = = 0.017 0. em m3/s H: é o do nível do rio. Fórmula de Manning Q= 1 2 .Alguns valores de “n” Natureza das paredes Canais de concreto Tubos de concreto (drenagem) Alvenaria de pedras retangulares Alvenaria de pedras brutas Canais de terra em boas condições Canais de terra com plantas aquáticas Canais irregulares e mal conservados n 0. 5. m é a declividade do fundo do rio.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 93 onde: Q: é a vazão. Determinação da vazão pelo Método de Manning A vazão de um canal ou de um rio pode ser determinada também através da fórmula de Manning. m/m Raio Hidráulico é a razão entre a área molhada e o perímetro molhado (A/P).0 m RH = Tabela 8. RH/ 3 . em m. Esta equação é vista com maior detalhe na cadeira de Hidráulica.035 0. m2 é o raio hidráulico.0 m B = 3. em m3/s.857m Pm 2 + 2 + 3 h =2.013 0. I 1/ 2 n onde: Q: n: A: RH: I: é a vazão. A.025 0.012 0. é a rugosidade de manning.

canais paralelos e canais extravasores. . seja na sua extensão (medidas extensivas). Os problemas das enchentes e das erosões são de ordem mundial. Enchentes e secas tem ocorrido como eventos históricos significativos para a população por milhares de anos. pois as mesmas na maioria das vezes estão interrelacionadas. 2. A forma moderna atual de buscar a minimização das cheias e das erosões é aquela que leva em consideração um conjunto de medidas. enquanto que as medidas não-estruturais são aquelas em que os prejuízos são reduzidos pela melhor convivência da população com as enchentes. 2. mediante intervenções diretas na sua sistematização hidráulico-florestal e hidráulico-agrário.1 Medidas estruturais intensivas As medidas estruturais de controle de cheias do tipo intensiva são aquelas que agem no rio e objetivam diversas formas de controle dependendo do tipo da obra. ou seja a da sua calha normal. Um critério de classificação das medidas de controle das cheias é aquele que se subdivide em duas categorias: as soluções estruturais e as não-estruturais. retificações.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 94 CAPITULO IX CONTROLE DE CHEIAS E EROSÕES 1. seja localmente (medidas intensivas) mediante obras com objetivo de controlar as águas. como por exemplo. tanto para as cheias como para as erosões. Medidas para controle das cheias As medidas para o controle da inundação podem ser do tipo estrutural e não-estrutural.Apostila de Hidrologia .1 são apresentadas diversas medidas para controle das cheias de forma sistemática. Os problemas resultantes da inundação dependem do grau de ocupação da várzea pela população e da freqüência com a qual ocorrem as inundações. Seria ingenuidade do homem imaginar que poderia eliminar completamente as mesmas de uma bacia hidrográfica. comercial ou industrial. As medidas estruturais são aquelas que modificam o sistema fluvial evitando os prejuízos decorrentes das enchentes. Introdução A integração dos homens com os rios é tão antiga quanto a existência do próprio homem. as medidas não-estruturais consistem na busca da melhor convivência do homem com o fenômeno das enchentes. Na Figura 9. recreação. polders. diques. assim tais medidas sempre visam minimizar as suas conseqüências. uso agrícola. A ocupação da várzea pode ser para habitação. reservatórios. melhoramento do álveo. Quando a precipitação é intensa a quantidade de água que chega simultaneamente ao rio pode ser superior à sua capacidade de drenagem. Para poder limitar os danos causados pelas enchentes e as erosões é necessário realizar um plano para o seu controle e após executá-lo. A seguir descrevemos diversas medidas deste tipo de intervenção. As primeiras medidas influenciam na estrutura da bacia. caixas de expansões. Por outro lado. canais de desvio. resultando na inundação das áreas ribeirinhas.

0.106m3). lamina a onda de cheia. mas nem sempre nas grandes cheias.Apostila de Hidrologia . em geral. principalmente naquelas caracterizadas por vários picos.Medidas para controle das cheias a) Reservatórios: um reservatório construído para laminar cheias. boa laminação nas pequenas e médias cheias. Este tipo de obra mostra. Como exemplo deste tipo de obra podemos citar a Barragem Sul (93.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 95 Controle das Cheias Estruturais Não-Estruturais Medidas Intensivas Medidas Extensivas Sistemas de alerta Reservatórios Caixas de expansão Hidráulico-florestal Sistemas resposta Hidráulico-agrário Educação Diques Seguros contra enchentes Mapas de inundação Polders Melhoramentos do álveo Retificações Canais de devios Canais paralelos Canais extravasores Figura 9.106m3) e a Barragem Norte (357.0.5. . a Barragem Oeste (83. O reservatório deve permanecer sempre vazio esperando a próxima onda de cheia. retendo parte do volume hídrico durante a fase de crescimento da onda.1 . e restituindo tal volume ao rio durante a fase da recessão da cheia ou logo após a onda da cheia ter passado.106m3). como o próprio nome diz. que ficam localizadas na bacia do rio Itajaí.

citando (Hoyt e Langbein. que passarão sobre tais muros.2 . mas nenhuma proteção para as vazões que ultrapassam tal limite. . Tais obras foram iniciadas pelos Finícios. que retorna ao rio principal quando as águas começam a baixar.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 96 Q 3 (m /s) Pico do hidrograma natural Redução do pico V Hidrograma amortecido ou laminado Nível máximo Crista do vertedor Nível mínimo Volume Temp Comportas reguláveis Descarregadores de fundo Figura 9. Como exemplo podemos citar os diques que foram construídos no rio do Pó. Muitas planícies funcionam como caixas de expansão naturais. Caixa de expansão Q (m3/ Pico do hidrograma natural Redução do pico V Hidrograma amortecido ou laminado Te Figura 9. continuadas pelos Romanos e finalizadas pelos Italianos. pois no momento das enchentes elas são inundadas. construídos ao longo das margens do rio.000 cabeças de gado. Exemplo deste tipo de planície é a que fica localizada no município de Ilhota. tais obras era um exemplo de projeto de recursos hídricos bemsucedido. Este tipo de obra é uma das mais antigas medidas estruturais de controle de cheias.Apostila de Hidrologia . em paralelo ou de modo misto a respeito ao curso d’água. mas a enchente de 1951 destruiu parte destes diques causando 100 mortes e perda de 30. além de perdas agrícolas. em série. As caixas de expansões geralmente são executadas no pé da montanha ou na zona de planície. 1955). A função de uma caixa de expansão é similar a de um reservatório de laminação de cheia. Este tipo de obra assegura o controle completo das cheias que tenham o seu pico inferior ao limite estabelecido.3 . de altura tal que contenham as vazões no canal principal a um valor limite estabelecido em projeto. armazenando grande volume d’água. na Itália. Segundo Tucci (1993).Efeito do reservatório b) Caixa de expansão: uma caixa de expansão é corretamente indicada para aquela área alagável destinada a exercitar um efeito de decapitação da onda de cheia que se propaga ao longo de um curso d’água. inclinados ou retos.Efeito da caixa de expansão c) Diques: são barramentos ou muros laterais de terra ou de concreto.

Apostila de Hidrologia . Como exemplo deste tipo de obra podemos citar os 4 polders localizados no município de Blumenau: o da rua Santa Efigênia. A distinção entre diques e polderes é que estes últimos utilizam uma estação de bombeamento para retirar as águas que chegam na área protegida durante uma enchente. como resultado positivo. aumento da declividade do rio.4 . o da rua 25 de Julho. o do ribeirão Fortaleza e o do ribeirão do Tigre. Esta obra tem mostrado.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 97 Rio principal Diques Áreas protegidas Figura 9. O aumento da velocidade pode ser obtido através da diminuição da rugosidade. em torno de 40 cm. eliminação de obstruções. Neste tipo de obra geralmente há necessidade de construir uma galeria com comportas reguláveis para evitar a entrada da água do rio principal na área protegida e propiciar a saída da água do ribeirão quando a situação é normal.Polder Seção AA’ e) Melhoramentos do álveo: os melhoramentos do álveo tem o escopo de diminuir o tirante hídrico do rio para uma mesma vazão. etc. Isto pode ser obtido aumentando a área da seção transversal do rio através do alargamento da calha (Fig.5 . Como exemplo deste tipo de obra podemos citar o alargamento do rio Itajaí-Açú. também foi verificado um aumento do depósito de sedimentos no trecho . 9. Tais medidas devem der adotadas com muita cautela. como resultado negativo verificou-se vários deslizamento nos taludes do rio no trecho alargado e à montante do mesmo. o da rua Antônio Treiss. porque são freqüentes causas de profundas alterações na dinâmica da modelação do álveo e do equilíbrio das águas superficiais-subterrâneas. um abaixamento da linha d’água de cheia do rio Itajaí-Açú em Blumenau. no trecho entre as cidades de Blumenau e Gaspar.b) ou ainda através do aumento da velocidade. 9. Também podem produzir sérios inconvenientes do ponto de vista ambiental.a) ou do aprofundamento do canal (Fig.6. Ribeirão Área protegida Bombeamento Comportas Rio principal Figura 9.6.Diques c) Polders: os polders são utilizados para proteger áreas restritas.

À jusante da retificação nas menores velocidades produzirá invés um depósito.1) Planta a – Ampliação lateral da seção Cota da margem a.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 98 alargado.2) Corte Linha d’água original Linha d’água alterada após o aprofundamento Fundo do rio DATU Aprofundamento da seção b – Aprofundamento do canal Figura 9. e de conseqüência se reduzirá a declividade do trajeto retilíneo. descreve que na bacia do rio Trombudo/SC. sendo que o volume do material depositado não é maior porque o mesmo é retirado para a construção civil. como a inundação de novas áreas e assoreamento do leito do rio.Apostila de Hidrologia . seja em conseqüência do menor percurso. O primeiro efeito de uma retificação é a redução do percurso d’água com conseqüente aumento da declividade. em uma zona no qual em geral o rio percorre numerosos meandros. Os objetivos foram alcançados. as obras têm ocasionado novos problemas. diversos órgãos (Prefeitura Municipal. . mas por outro lado.Melhoramentos do álveo f) Retificações: uma retificação de um rio consiste na construção de um novo leito para o rio. Neste caso haverá uma maior velocidade na corrente. Em função do aumento da velocidade se produzirá uma erosão da seção no trajeto retificado o qual se estenderá também à montante. realizaram diversas obras. Cota da margem do rio Margens ampliadas Linha d’água de cheia Margens do rio Rio Alteração da linha d’água com margens ampliadas Fundo do rio a. e EPAGRI). DNOS. incluindo retificações. A diminuição da velocidade se estenderá para a montante até o momento que não esteja novamente restabelecido o equilíbrio. Com o tempo o efeito benéfico da retificação tende a ser reduzido pelas danificações naturais que sofrerão a calha do rio devido as erosões.6 . Como exemplo deste tipo de obra Butzke (1994). com a finalidade de diminuir o problema das inundações e aumentar a área agrícola. as cheias se propagarão mais rapidamente para a jusante. retilíneo ou quase. seja devido a maior velocidade.

Obra deste tipo pode ser vista no rio Danúbio em Viena. se reduz também a força de transporte dos materiais. por diversas razões. Assim. um outro curso d’água ou diretamente ao mar.9 – Canal paralelo . Como conseqüência. Canal Rio Figura 9.Apostila de Hidrologia . Por isto. Canal de desvio OCEAN Rio principal Figura 9. o nível da cheia do canal principal no trecho interessado diminui. não se pode incrementar a capacidade do canal principal. após o desvio a água retorna a escoar por um único canal.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 99 Meandro Retificaç Figura 9. que pode provocar o desaparecimento de todas as vantagens obtidas com a construção da obra. estas obras devem ser projetadas com muita prudência.8 – Canal de desvio h) Canais paralelos: um canal paralelo é utilizado quando. diminuindo assim a vazão do rio na zona que se deseja proteger. Os inconvenientes deste tipo de obra são os mesmos descritos para o canal de desvio. mas sim para um lago.Retificação g) Canais de desvios: um canal de desvio serve para desviar parte da vazão da cheia do curso d’água principal. Neste tipo particular de obra em geral a água desviada não retorna mais ao canal principal. Como exemplo de um canal de desvio executado citamos o do rio Arno. subdividindo a vazão entre mais de um ramo. haverá uma elevação do leito do rio. O inconveniente deste tipo de obras está no fato que. a velocidade d’água diminui. por um certo trecho. Neste tipo de obra a vazão é repartida em dois ou mais ramos.7 . e portanto. na Itália.

nos seguros conta danos produzidos pelas enchentes e na educação da população. quando este supera o valor pré-fixado. Os alertas são baseados nas previsões dos eventos de cheia. Os dados são coletados e transmitidos em tempo real pelos teleobservadores e pelas estações telemétricas para a central que fica localizada na Universidade Regional de Blumenau (CEOPS). A onda de cheia resulta. 2.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 100 i) Canais extravasores: um canal extravasor não é outro que um canal de desvio ou paralelo. nível do rio. nos mapas de alagamento. que são simulados por meio de modelos matemáticos hidrológicos em tempo real. Tais modelos consistem em prever a evolução do fenômeno de cheia. quando a vazão na seção do álveo em correspondência com o vertedor supera um valor pré-fixado e extravasa do canal principal. A diferença é que o canal extravasor é alimentado pelo rio somente durante as maiores cheias.Apostila de Hidrologia . que possam ser implementados a curto prazo. Os mesmos inconvenientes dos canais de desvios e paralelos ocorrem também nos canais extravasores. servem para acionar os dispositivos de controle das cheias pré-dispostos no sistema resposta. a) Sistemas de alerta: um sistema de alerta serve para informar e alertar as pessoas que habitam em zonas sujeitas a inundações sobre os riscos e a eminência de uma enchente. como por exemplo: a retirada dos bens materiais móveis. tem sua proteção física e economicamente muitas vezes inviável. que no futuro podem gerar danos significativos. 2. Além disto. o qual é composto de uma rede de coleta de dados e uma central. além da dificuldade em prevê-la. Isto requer uma proteção contra a maior enchente possível. por sua vez. permitindo o aumento da ocupação das áreas inundáveis. Este tipo de medida produz benefícios diversos que influenciam no fenômeno de formação da cheia segundo os seguintes mecanismos: (a) aumento da capacidade de infiltração do terreno e. (b) redução da velocidade média de escoamento d’água e incremento dos volumes hídricos contidos temporariamente no solo. geralmente. mais achatada e com a vazão de pico inferior com respeito ao caso da bacia não sistematizada. onde em épocas de cheias são realizadas as previsões e repassadas para as Defesas Civil de cada município que tem problemas de enchentes. consequentemente. com conseqüente aumento dos tempos de concentração e da capacidade de laminação da bacia. nos sistemas resposta. Esta. mas com muito menor grau porque funcionam de um modo não contínuo. não são projetadas para fornecer uma proteção completa. Os alertas. podem minimizar significativamente os danos com um menor custo. com práticas agrícolas corretas e através do reflorestamento da bacia. b) Sistema resposta: este sistema compreende os procedimentos de decisões e os respectivos planos de ações de proteção. abertura e fechamento das comportas dos reservatórios ou polders construídos para o controle de enchente. Um exemplo deste sistema . mas está sempre em condições de receber parte da vazão do rio. elevação de diques com sacos de areia.2 Medidas estruturais extensivas O controle extensivo das cheias é realizado mediante intervenções de conservação do solo. as medidas estruturas podem criar uma falsa sensação de segurança. As medidas nãoestruturais. Por permanecer seco durante o período que não há cheias e permitir o crescimento de vegetações o canal extravasor é chamado também canal verde.3 Medidas não-estruturais As medidas estruturais. redução dos defluxos superficiais (que constituem a componente mais importante da cheia). etc. portanto. Estas medidas são descritas a seguir. As medidas não-estruturais consistem basicamente nos sistema de alertas. Um exemplo de sistema de alerta podemos citar o da bacia do rio Itajaí. juntas com as estruturais ou sozinhas. com uma certa antecipação. Um canal extravasor é normalmente privo de água e permite o crescimento de vegetação. a evacuação da população e dos animais das zonas inundáveis.

Apostila de Hidrologia . com base nas observações da régua. a imprensa de modo geral. O mapa de alerta informa em cada esquina ou ponto de controle. para aquelas habitações. Ainda não há no Brasil uma empresa que realiza seguro contra perdas totais causadas pelas enchentes. Nestas campanhas tem participado a Universidade Regional de Blumenau. diversos colégios. d) Seguros contra enchentes: os seguros contra enchentes são apólices de seguro. estipuladas por companhias especializadas. Também no município de Blumenau tem-se realizado várias campanhas educativas sobre a problemática das cheias. Por isto. e) Mapas de inundação: os mapas de inundação podem ser de dois tipos: “mapa de planejamento ou carta enchente” e “mapa de alerta ou mapa cota enchente”. O mapa de planejamento define as áreas atingidas por cheias de tempo de retorno escolhidos. pelos moradores nos diferentes locais da cidade. um trabalho de conscientização para a população dos riscos que elas estão sujeitas com as enchentes é fundamental e deve ser incrementado imediatamente após a ocorrência de cada evento de cheia.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 101 podemos citar o plano de enchente da cidade de Blumenau. 3 2 1 R I O 2 1 3 Figura 9. Este mapa permite o acompanhamento da evolução da enchente. a Prefeitura Municipal. estruturado pela Defesa Civil da Prefeitura Municipal de Blumenau.10 . o nível da régua no qual inicia a inundação. indústrias ou casas comerciais localizadas nas zonas sujeitas a serem inundadas com as enchentes.Regulamentação da zona inundável . A seção de escoamento do rio pode ser dividida em três faixas principais conforme mostra a Figura 9.10. além de outros segmentos da sociedade. c) Educação: o sucesso de um plano de controle das cheias baseado nas medidas nãoestruturais depende muito do conhecimento do risco das enchentes por parte das pessoas que habitam as áreas inundáveis.

Esses depósitos podem ser de pequeno. Os principais agentes dinâmicos externos do processo de sedimentação são a água. 3. sendo que diversos fenômenos têm ação preponderante nesse processo. elevando os níveis à montante desta seção. e ser transportada pelas enxurradas para os cursos d'água. a gravidade. como é o caso da queda de taludes ocorrendo muitas vezes perdas . Zona com restrições (faixa 2) – Esta é a área restante da superfície inundável que deve ser regulamentada. Qualquer construção nessa área reduzirá a área de escoamento. A erosão corresponde à separação e remoção da partícula da rocha e do solo pela ação da água.11 . Erosões 3.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 102 Zona de passagem da enchente (faixa 1) – Esta parte da seção funciona hidraulicamente e permite o escoamento da enchente. sendo atingida em anos excepcionais por pequenas lâminas de água e baixas velocidades. provocam o deslocamento e lavam o solo. transporte e depósito de sedimentos Os complexos processos responsáveis pela sedimentação. Trajetória das partículas de solo desagregadas Trajetória da gota d’água Terreno Figura 9. Além deste fator inestimável em termos de valores financeiros.1 Processos de erosão. o gelo e os agentes biológicos. deve-se procurar manter esta zona desobstruída. Portanto em qualquer planjamento urbano. Esta área não necessita regulamentação.Apostila de Hidrologia . Esta zona fica inundada mas. devido às pequenas profundidades e baixas velocidades. o vento. desagregam as partículas. quanto às cheias. ou de grande volume. peso da partícula e das forças exercidas pela ação do escoamento. a erosão causa perdas acentuadas em cidades. tamanho. transitórios ou permanentes (como o assoreamento). Um depósito sedimentar permanente sofre o peso da água e do seu próprio peso. e ultimamente a ação antrópica que podem atuar combinados ou isoladamente. caindo principalmente em terrenos inclinados (Fig. Quanto menor a proteção do solo tanto maior é a erosão. do vento ou por outro efeito. não contribuem muito para a drenagem da enchente. são responsáveis pela forma atual da superfície da Terra. As gotas de chuva. Se essas forças se reduzem até a condição de não poderem continuar a deslocar a partícula. Zona de baixo risco (faixa 3) – Esta zona possui pequena probabilidade de ocorrência de inundações. compactando-se. removendo a camada superficial. 9.2 Necessidade do controle das erosões A erosão do solo constitui um dos maiores problemas ambientais a ameaçar a viabilidade da vida na Terra. A definição dessa área é útil para informar a população sobre a grandeza do risco a que esta sujeita. O destaque da partícula no processo de erosão ocorre através da energia de impacto da gota de chuva no solo e pelas forças geradas devido à ação do escoamento das águas. 3. As partículas soltas podem ser deslocadas de sua posição.11). O deslocamento e transporte do sedimento dependem da forma. Uma quantidade de partículas minerais transportadas ou depositadas pela ação do escoamento das águas define o sedimento fluvial. ocorre o processo de deposição.Erosão de partículas de solo provocada pelo impacto de gotas de chuva. transporte e depósito de sedimentos. médio.

Os sedimentos erodidos são deslocados pelas enxurradas para os cursos d'água. trazendo danos elevadíssimos ou irrecuperáveis. principalmente naqueles terrenos onde existe uma certa declividade. a sobreelevação dos cursos d’água. etc. pois após a retirada da floresta. 3. (Maione.3 Controle das erosões através da sistematização hidráulico-florestal As obras de sistematização hidráulico-florestal além de laminar o pico das enchentes ordinárias tem também o escopo de reduzir o fenômeno da degradação do solo. assoreando as calhas dos rios ou reservatórios. incluindo as erosões dos álveos fluviais.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 103 de vidas humanas. 1984). acaba ocorrendo o “desequilíbrio hidrogeológico” Nome este usado para indicar a gravidade dos problemas que são gerados com a retirada da floresta que vão desde os grandes deslizamentos das montanhas até as pequenas erosões localizadas.Apostila de Hidrologia . .

pela área do espelho liquido do reservatório. Como a ocorrência das vazões é aleatória.D . não é também possível prever-se com precisão o tamanho da reserva de água necessária para o suprimento das demandas de períodos de seca no futuro. O primeiro o custo é diretamente proporcional e o segundo é inversamente proporcional à dimensão do reservatório. É praxe. que pode variar com as estações do ano.p(t)] . ou seja. diante desta analogia. não há possibilidade de previsão de ocorrência a longo prazo. P(t): chuva sobre o reservatório durante o intervalo de tempo t. Entre estas duas situações estaria aquela ótima. que varia temporalmente. apenas na situação extrema aversão ao racionamento seria ótima a decisão de construir-se um reservatório que sempre pudesse acumular água para atender a demanda.1) na qual E’(t) seria a evaporação descontada pela chuva. D : descarga operada visando ao suprimento da demanda.Apostila de Hidrologia . Portanto. E(t): evaporação do reservatório durante o intervalo de tempo t.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 104 CAPITULO X REGULARIZAÇÃO DE VAZÕES EM RESERVATÓRIOS A variabilidade temporal das vazões fluviais tem como resultado visível a ocorrência de excessos hídricos nos períodos úmidos e carência nos períodos secos. computar-se o efeito destas duas variáveis de forma conjunta. Quanto menor for a capacidade útil de acumulação de água. em altura de lâmina de água evaporada por unidade de tempo. A dimensão ótima para um reservatório deverá ser considerada em função de um compromisso entre o custo de investimento na sua implantação e o custo da escassez de água durante os períodos secos. Nada mais natural que seja preconizada a formação de reservas durante o período úmido para serem utilizadas na complementação das demandas na estação seca. mais provável é a ocorrência de racionamento. A divisão por 1. ou subdimensionar as reservas às custas de racionamento durante o período seco. A/1. A evaporação E é computada pelo produto de uma taxa de evaporação e(t).000 serve para compatibilizar unidades.2) (10. A chuva sobre o reservatório é calculada pelo produto de uma altura de precipitação por intervalo de tempo p(t). aquela que pode ser efetivamente utilizada. A. e a chuva e taxa de evaporação em mm. I(t): deflúvio afluente durante o intervalo t. .E(t) + P(t) onde: S(t): armazenamento no início do intervalo de tempo t. aplica-se a equação: E’(t) = E(t) -P(t) = [(e(t) . Na execução é adotada a equação de balanço hídrico do reservatório: S(t+1) = S(t) + I(t) . ou seja. pela mesma área do espelho liquido.000 (10. Isto leva o planejador de recursos hídricos a duas situações ineficientes: superdimensionar as reservas às custas de investimento demasiados no reservatório de acumulação. Se a área for dada em Km2. resultando em valores de E’(t) em Hm3.

6 1. O volume útil vai ser a soma do maior valor positivo com o menor valor negativo (este em módulo). valores de volumes negativos).6 2.2 0 0 0 0 0.6 164.3 2.36 -33. Exercício Determinar o volume útil do reservatório de modo que ele seja capaz de assegurar uma retirada mensal de deflúvio (demanda .2 0.5 0.16 ---------Volume útil 33. ou seja.5 2.D) igual a média mensal do período de 60 meses.5 0.1 0.36 .9 0. Desconsiderar a precipitação e a evaporação. Tempo Mês 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 Deflúvio Mensal I (Hm3) 0.1 Deflúvio Calculo do Verificação Médio Volume do Volume 3 Hm3 Hm3 Hm 33.4 416.3 3.Apostila de Hidrologia .1 Esquema de um reservatório. Fazer a verificação deste volume assumindo que o reservatório esteja cheio no quinto mês da simulação (sem considerar falhas no sistema.3 0 0 0 0 0.7 0.2 5.6 326.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 105 I Nível máximo Volume Útil E P b) Nível mínimo operacional h Q=D Figura 10.3 0.3 13.2 2.

GARCEZ. 1993. A. P. Antonio Carlos Tatit.ed.1 BIBLIOGRAFIA BACK. 179p. Hidrologia de superfície. Lucas Nogueira. Rio de Janeiro: ABRH. Arthur. 1976. et al. Nelson L. PFAFSTETTER. PINTO. TUCCI. Boletim Técnico nro.Apostila de Hidrologia . MATTOS. Hidrologia aplicada.1 40.. EPAGRI. VILLELA. Álvaro José. 245p. CORDERO. Ministério de Viação e Obras Públicas. MARTINS. 2002.2 0 0 0 0 0. . de Sousa. M. 291p. 65 p. Chuvas intensas e chuvas de projeto de drenagem supeficial no Estado de Santa Catarina.4 83.. Jose Augusto. São Paulo: E.6 128. [1988]. Chuvas intensas no Brasil. 123. N.2 0. Departamento Nacional de Obras de Saneamento. Guillermo. Chuvas intensas no estado de Santa Catarina. Blücher. Swami Marcondes.5 0 0 0 0 0 0.2 4. 1957. c1975. Hidrologia: ciência e aplicação. et al. A.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 106 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 0 0 0 0 0 0 0. Blücher.7 0. 156 p. O.4 1. 2002. São Paulo: McGraw-Hill. NERILO. 2. Carlos E.1 750.9 1. c1973.8 2. HOLTZ. 278p. São Paulo : E. Blücher. Hidrologia. Rio de Janeiro. Nelson Luiz de Sousa.2 4.. MEDEIROS.9 34. São Paulo: E. 943p.Hidrologia basica. COSTA ALVAREZ. Edifurb/Editora da UFSC. PINTO.6 3.

ou seja. 1.7 Traçar o gráfico do perfil longitudinal do rio principal e determinar a declividade do mesmo pelos dois métodos. Apresentar novas alterações também. Usar a Formula de Manning. nas margens dos rios. 1. IV. www.1 Determinar a vazão de projeto. com a vazão de projeto para um período de retorno de 50 anos.3 Confrontar as duas leis. “H”.ENCHENTES RAPIDAS EM BACIAS URBANAS Introdução. para a bacia do estudo. .2 Determinar a vazão de projeto pelo método do Hidrograma Unitário.3 Classificar a ordem dos cursos d`água segundo Strahler.br/conama/.2 Apresentar e comentar a lei municipal de Blumenau que trata deste tema.4 Determinar a área da bacia.gov. o comprimento do rio principal e de toda rede de drenagem. das áreas de preservações que não podem ser ocupadas.2 Delimitar a bacia hidrográfica. sinuosidade.1 Identificar os rios da bacia destacando o rio principal.5 Determinar o perímetro da bacia. 4. o índice de compacidade. problemática. 4.. O trabalho deve ser feito em grupos de no máximo 4 alunos. causas. “B” do canal de pedras regular.1 Apresentar e comentar a lei federal referente as preservações permanentes da vegetação em uma bacia hidrográfica (no que diz respeito as preservações nas nascentes. conceitos. (analisar os valores obtidos) 1.6 Determinar o índice de conformação. consequências e soluções. Obs. a base. densidade de confluência e a densidade de drenagem.8 Determinar o tempo de concentração da bacia. deve ser apresentado-(1) impresso dentro da metodologia cientifica – (2) oral com o PowerPoint. 3. BACIAS URBANAS .Apostila de Hidrologia . 1. 3. 1 2 Q = A RH/ 3 I 1 / 2 n Formula de Manning B=2H H= ? III. PRESERVAÇÃO PERMANENTE EM BACIAS HIDROGRÁFICAS 4. para um período de retorno de 50 anos. 1.mma. nas altas declividades e nos lagos naturais e artificiais). CARACTERISTICAS FÍSICAS DA BACIA HIDROGRÁFICA 1. II VAZÃO DE PROJETO 3.3 Determinar a altura.Curso de Engenharia Civil – Universidade Regional de Blumenau – SC 107 Trabalho ESTUDO HIDROLÓGICO DE UMA BACIA HIDROGRÁFICA I. 1. através da Formula Racional para o período de retorno de 50 anos. 1.