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ANOTAÇÕES DE VITOR IDO – TURMA 182-11 AULAS ASSISTIDAS NA TURMA 184-23

Aula 01

FUNDAMENTOS DO EMPRESARIAL PROF. JULIANA KRUEGER
segunda-feira, 5 de março de 2012 20:55

DIREITO

PROGRAMA DA DISCIPLINA
1. Introdução ao curso. Origem e evolução histórica do direito comercial. 2. O direito comercial no Brasil. Do ato de comércio à empresa. 3. A unificação parcial do direito privado e suas razões históricas. A experiência brasileira. Debates sobre projeto de Código Comercial. 4. Os princípios peculiares do direito empresarial e a questão de sua autonomia. Fontes do direito empresarial. 5. A ordem econômica constitucional. Os vértices do sistema de direito empresarial: livre iniciativa, segurança e previsibilidade, força uniformizadora dos usos comerciais, boa-fé objetiva, proteção da legítima expectativa, confiança, oportunismo, risco, racionalidade econômica e racionalidade jurídica, custos, propriedade dinâmica. 6. Ato e atividade. A atividade negocial e empresa. 7. Formas de exercício da atividade empresarial. Empresário e sociedade empresária. O regime jurídico do empresário individual. A empresa individual de responsabilidade limitada EIRELI. 8. A empresa no mercado: relações empresariais de organização e relações empresariais de atuação. Transformações gerais do direito empresarial. A empresa e a ordem jurídica do mercado. 9. O estabelecimento empresarial e seu regime jurídico. Elementos do estabelecimento. 10. Trespasse de estabelecimento empresarial. 12. Registro público de empresas mercantis. A publicidade no direito empresarial e a proteção de terceiros. 13. O nome empresarial. Prepostos. Escrituração.

INTRODUÇÃO

A disciplina pretende ser introdução ao objeto do direito comercial: o que ele quer regular, disciplinar? O lucro é a própria finalidade da sociedade? Qual a diferença da associação para a sociedade? Justamente a finalidade. A finalidade associativa é não-econômica, segundo o CC. Ao contrário, o CC fala em "partilha de lucros" como finalidade da sociedade. O que é uma finalidade nãoeconômica? Um clube, difusão cultural, defesa do interesse dos associados, CA. Mas o direito comercial também disciplina as associações, de certa forma - como se vê em direito societário. Há um zona cinzenta entre um e outro. Mas sociedade é apenas um dos objetos do direito comercial. Que mais? Direito comercial regula o mercado? O que é mercado? Do ponto de vista econômico, o lugar de encontro da oferta e demanda, o lugar da formação do preço, onde se encontram o agregado dos consumidores e o agregado dos fornecedores. Então, o direito comercial disciplina o mercado como um todo? O que está dentro do mercado. Nele, há negócios jurídicos. Sociedade de economia mista é objeto do direito comercial? O Estado, enquanto contratante de determinada atividade é objeto de direito comercial? Afinal, o que distingue o direito comercial de outros direitos. Se afirmo que direito comercial disciplina o mercado, é correto afirmar que disciplina relação de consumo? O direito do consumidor, considerado microssistema, está dentro do direito civil. Mercado envolve contratação de mão-de-obra, mas direito do trabalho não se confunde com direito comercial. Embora o direito comercial discipline o mercado, professor JULIANA KRUEGER tem dificuldade em dar essa afirmação. Mas é justamente à tese de titularidade da professora PAULA FORGIONI: na evolução e transformação histórica do direito comercial levou a que olhe muito mais para o mercado do que para o comércio. Mas, por razões históricas, há muitos elementos que ficam fora do direito comercial. Como defini-lo, então? É o direito que regula as relações empresariais? Relações entre empresas? Alguns contratos entre empresas podem ser de direito civil simples, o que seria? Faz-se a grande distinção entre direito público e direito privado. No direito privado, há institutos comuns a tanto o direito civil quanto o direito comercial - por

exemplo, propriedade e contrato. Sendo de teoria geral do direito privado, aplicam-se a ambos. Mas claro que a compra e venda de imóvel entre dois particulares está no âmbito do direito civil; quando será de direito empresarial? Quando forem duas empresas? Ou quando houve atividade de cunho empresarial no ramo imobiliário. No mercado, há unidades que se chamam EMPRESAS. Como atuam essas empresas? Coloca bens ou serviços em mercado. O que faz, por exemplo, o Pão-de-Açúcar? Contrata trabalhadores, paga tributos, contrata serviços, aluga espaços, compra equipamentos, atua em outras empresas, entre outros. A empresa congrega e organiza os fatores de produção: capital, trabalho, tecnologia. A empresa organiza fatores de produção. O lucro é finalidade ou consequência? Há um raciocínio subjacente econômico, que afirma que o agente econômico é racional e maximizador de utilidade. O agente econômico busca alocação mais eficiente desses recursos, e não somente do empresário, senão de cada um de nós. Fazemos escolhas racionais, pela maximização de eficiência, nas coisas mais banais. Por mais que haja elementos de irracionalidade, o padrão é um comportamento irracional. GARRY BECKER é economista que estudou a racionalidade e escolhas racionais em relações em que não há moeda - textos muito interessantes sobre casamento, adoção, e prova que mesmo em situações supostamente irracionais e puramente emocionais há toques de racionalidade. O empresário organiza fatores de produção com a finalidade de colocar bens ou serviços em mercado. Mas como qualquer agente econômico racional, não faz isso por diletantismo, senão com uma expectativa de LUCRO. O lucro é consequência desejada, esperada da atividade empresarial, mas é contingente. Isso significa dizer que pode ou não acontecer. Portanto, a atividade empresarial envolve RISCO. Por que certas atividades ficam nas mãos do Estado? Porque o risco é alto demais, e o particular não tem incentivo para assumir esse risco, nem capacidade econômico para fazer frente ao investimento necessário. RISCO é entendido como incerteza. Probabilidade mensuração do risco. É importantíssimo para os seguros. como

Daí a máxima: quanto maior o risco. através do recurso à estatística. o trabalhador (agente econômico racional) não forneceria seu serviço se não tivesse lucro. Claramente é consequência. A atividade empresarial é fundada no binômio RISCO-RETORNO. elemento esperado pelo empresário. COASE . por que existem empresas? Por que existem pessoas que montam empresas? Qual a razão de existência das empresas? Responde que a empresa diminui os custos de atuação no mercado. Internaliza custos de se atuar no mercado. Sua mensuração é objeto das ciências atuariais. o custo seria muito alto. e não fim. mas não é necessariamente requisito para a caracterização da empresa. modulando o risco assumido pelo empresário. o médico. Vê-se muita confusão com o papel do lucro na atividade empresarial.Temos a tendência no direito de relacionar risco com eventos adversos. internaliza os CUSTOS DE TRANSAÇÃO. A empresa organiza os fatores de produção (input) e coloca no mercado bens e serviços (output). O risco é essencial para viabilizar a atividade empresarial porque diminui o risco. com a perda. em dado momento.Se o mercado é sistema que se organiza em função do preço. Afinal. O empresário visa ao lucro. O advogado. e dizem que risco pode trazer um benefício ou um prejuízo. Se a cada momento fossem necessárias relações no mercado. Quando se diminuem os custos de . qualquer desvio do padrão. Deve ser caracterizado como uma expectativa. O lucro não é o melhor elemento distintivo da atividade empresarial. do ponto de vista econômico. Uma compra e venda na atividade empresarial pode ser um lucro-meio. por exemplo. E isso é usado para afirmar que associações podem ter lucro. Alguns manuais fazem a distinção entre lucro-meio e lucro-fim. E é assim que o seguro trabalha: por que cobra menos de carros dirigidos por mulher? Porque houve um cálculo anterior. risco é visto como incerteza. os custos podem ser maiores do que o retorno. Entretanto. o empregado visam ao lucro? Como disguntinguir o lucro da atividade empresarial de outras remunerações? Sob a ótica pessoal do empregado. mas apenas meio. maior o retorno.

O direito comercial. moldando-se à realidade. as empresas aumentam a eficiência. os agentes atuam . ASCARELLI . No calor das relações econômicas. aos anseios e necessidades dos agentes econômicos. eles mesmos criam contratos atípicos. mas o direito comercial muito mais. Na prática. que precisa se adaptar à realidade e às necessidades dos agentes econômicos. havendo necessidade.Direito comercial é uma categoria histórica. O direito do consumidor e o direito do trabalho estão fora por razões históricas. que são elementos captados pelo direito. Um vértice para o qual emanam diversas relações contratuais de longo prazo. O direito civil também é. é objetivo do curso saber o que é empresa. Foi assim com o . Os agentes econômicos. e que também partem de relações contratuais. Dentro dos limites da lei. e outro de comercialização do produto. e é possível se pensar em um contrato de longo prazo. ela se torna mais eficiente. conforme mudam as relações em mercado. o próprio conceito de direito comercial muda conforme muda a realidade. um de fornecimento de matéria-prima. É um conceito muito plástico. As regras são impostas a si mesmo: as próprias partes autorregulam suas relações (PONTES DE MIRANDA: autorregramento da vontade). Falou-se em organização.atuação no mercado. pois muda ao longo do tempo. Então. regras são criadas. determinar o direito comercial não é fácil. e depois da estrutura. portanto.as relações de mercado são muito dinâmicas. funda-se muito mais na autonomia do que na heteronomia. que diminuem os custos. O direito comercial tem por objetivo disciplinar a empresa e suas relações no mercado. atividade econômica. A pergunta do curso é: como o direito capta esse fenômeno econômico e o disciplina? Qual o conceito de empresa para o direito? Se o objeto do direito comercial é a empresa. São relações mais duradouras. Por isso. Primeiro se observa a realidade para depois se normatizar . não podem esperar o direito ter a iniciativa de criar um tipo contratual novo. Portanto. por exemplo.primeiro a informação da função. Chegou-se a esse conceito de direito comercial por uma evolução histórica. E é a partir da visão de Coase que há uma tendência que vê a EMPRESA COMO NEXO DE CONTRATOS. no desenvolver de suas atividades.

E isso explica a origem do direito comercial. pra que foi feito? Outro exemplo é o empréstimo de ações na Bolsa. E assim com diversos institutos do direito comercial. do calor das relações em mercado. tem um MÉTODO INDUTIVO. parte-se de uma realidade para posteriormente normatizá-la. por ser muito rígido. E depois que se afirmou que pode.Ações mantidas pelo governo em empresas privatizadas. O direito romano era basicamente o ius civile. a Bolsa passou a regrar o empréstimo de ações. GOLDEN SHARES . com a instituição de ações com poderes privilegiados. não consegue acompanhar a realidade econômica. Não se deve perguntar quais as regras. se violaria suas normas. que sempre foi mais flexível que o direito civil romano.contrato de leasing. . E assim se criou um tipo contratual misto. Recentemente. a partir de uma necessidade prática. pela atividade dos pretores. que exigia combinar locação com a opção de compra. O direito. justamente pelo caráter transfronteiriço do direito comercial. das relações privadas e pessoais dos cidadãos. e se questionou se seria lícito. Isso foi reiteradamente praticado no mercado. Por isso. ORIGEM DO DIREITO COMERCIAL Daí afirmar que o direito comercial é essencialmente costumeiro. e pelo ius honorarium. Como surgiu o direito comercial? ANTIGUIDADE Existia comércio na Antiguidade. O comércio era disciplinado por que ramo? Pelo ius gentium. com sua atuação de autonomia. o direito dos estrangeiros. e sim pra que funciona. O uso começou a ser indiscriminado. se pensou então como disciplinar o instituto. se estaria dentro da lei das sociedades anônimas. estruturá-la. Mas isso faz com que houvesse um direito comercial? Porque não existia uma forma sistematizada de disciplinar o comércio. o que antes não era feito. Passaram a ser usadas em empresas privadas. Mas que se observe que começou na prática. e veio inclusive por normas tributárias.

pois mesmo atividades não-empresárias têm direito à renovatória. que se constituíam de reunião de profissionais. Imaginese que fosse necessária uma stipulatio a cada troca comercial. e até indicação de marcas (origem das marcas). O direito comercial surge como um direito de classe. Do mesmo modo.o que se mantém até hoje. Aula 02 ORIGEM E EVOLUÇÃO DIREITO COMERCIAL segunda-feira. sob uma rígida hierarquia entre aprendizes e mestres. a ideia de que apenas o estabelecimento comercial tem direito à renovatória ainda que seja um conceito mitigado. A disciplina era sempre esporádica. conferindo privilégios aos comerciantes . não havia incentivos para o florescimento do direito comercial nem sua sistematização. Surgiram as comunas italianas. ALTA IDADE MÉDIA Com a proibição da usura (cobrança de juros) e com a inexistência de comércio. Somente os comerciantes tinham prerrogativa de falência . sempre pelos ramos mais flexíveis e menos sistematizados pelo direito romano. distinto do civil em razão do sujeito aplicava-se apenas aos comerciantes.e somente os matriculados na corporação.Não havia um direito sistematizado para as relações comerciais. BAIXA IDADE MÉDIA Surgimento do direito comercial com o Renascimento e a ascensão da burguesia. em que apenas empresários estão sujeitos ao regime da falência. Regulava apenas os comerciantes. especial. por um sistema subjetivo. Havia disciplina sobre a qualidade do produto. com o benefício de ser julgado por seus iguais. Surgem estatutos próprios aos comerciantes. e principalmente. tribunais próprios. e as CORPORAÇÕES DE OFÍCIO são consideradas a origem do direito comercial. 12 de março de 2012 20:53 HISTÓRICA DO INTRODUÇÃO .

falando que não se define pelo objeto. apenas algumas relações. Dizer que o direito comercial é o que tutela as relações empresariais também é impreciso. relações de trabalho e de consumidor constituem outros subsistemas. A mesma razão que impede dizer que o direito comercial disciplina as relações empresariais impede que se diga que . há uma dificuldade de delimitar as fronteiras do direito comercial em relação ao direito civil e mesmo a outros ramos do direito. tem-se uma constatação negativa: não se pode delimitar o direito comercial em função de seu objeto. definido mais pelos sujeitos do que pelo conteúdo. pois não compreende todo o fenômeno: disciplina também as atividades industriais. pelos sujeitos. as pessoas a que se destinam. E isso porque é extremamente dinâmico. O que determina então o âmbito de incidência do direito comercial? A classe. Isso é verdade na origem do direito comercial na Baixa Idade Média. unificação do direito obrigacional. Há extrema dificuldade em delimitar seu âmbito de atuação em função de seu objeto.o que o próprio ASCARELLI reconhece. é um direito que se adequa à realidade econômica. Por exemplo. pelo conteúdo das relações que disciplina. Não disciplina todo o mercado.que é. O curso inicia-se falando dessa dificuldade. em realidade. Então. pois há relações empresariais que não são atingidas pelo direito comercial como afirma GALGANO. e esta se transforma a todo momento. Começamos o curso falando da dificuldade de delimitar o direito comercial por seu objeto. que tratar de direito comercial como o direito que rege o comércio (talvez a referência mais direta) é incompleto . As atividades industriais são alvo do direito comercial não apenas no comércio. todo o fenômeno econômico. Quando se pena no objeto do direito comercial. Continua a ser verdade nos dias de hoje? Não. A chamada UNIFICAÇÃO DO DIREITO PRIVADO torna isso ainda mais complexo . a começar por aí. Essa fronteira torna-se então ainda mais fluida. Houve em sua origem tentativa de identificar o âmbito do direito comercial por seu ASPECTO SUBJETIVO. Não se define ratione materiae.O que dizem ASCARELLI e GALGANO sobre o direito comercial? Um objeto não bem definido.

Há discussão no Brasil pela retomada do Código Comercial. ORIGEM DO DIREITO COMERCIAL O surgimento explica-nos algo sobre sua delimitação. seu âmbito de incidência. das relações econômicas. em constante mutação. ASCARELLI . Os debates têm sido acalorados. há o direito econômico. o que faziam os comerciantes? Criaram artifícios para desviar a prática. capitaneada pelo professor Fábio ULHÔA COELHO. É preciso um sistema de coação muito desenvolvido para alcançar os descumprimentos. E então. inclusive no próprio direito. não pode ser isso. É utilizado para viabilizar essas relações. Quais os limites entre as matérias? O DIREITO COMERCIAL É UMA CATEGORIA HISTÓRICA.disciplina o mercado. E o que é importante? Aprender a raciocinar conforme os princípios do direito comercial. O dinamismo. que muda segundo as necessidades econômicas e os movimentos históricos. O direito comercial. . Rege-se por princípios próprios. instrumentos para burlar a norma proibitiva. e de forma mais eficiente. do direito das obrigações. por exemplo. muda o âmbito de incidência do direito comercial. É verdade que o empresário não quer saber qual é o direito comercial . E além disso.Dada a proibição da usura do direito canônico. portanto. o que faz com que nos atentemos ao caráter histórico do direito comercial. A corrente contrária tem como nomes fortes os professores TAVARES GUERREIRO e Erasmo VALLADÃO. a plasticidade e a flexibilidade são características em relação ao direito civil. Como não incide sobre todo o fenômeno que é o mercado. Quer saber o que resolve seu problema. e não pode ser facilmente delimitado. muda. O direito comercial surge da prática. Se há movimento de unificação do direito privado. Um direito comercial que não permita esse tipo de relação torna-se inadequado. a serviço de melhores e mais eficientes relações no mercado. o que fez o direito comercial? Permitiu a cobrança de juros. criado para analisar as relações em mercado. mas não se determina por seu objeto. Ou entra em desuso ou é tão desrespeitado que sua aplicação torna-se muito difícil.esta é discussão dos juristas.

nem sequer aconteceria. a atividade bancária. Não caberia falar em especialização do direito geral que se tornasse direito comercial. Por que não? O direito geral era um direito muito rígido e formalista. . O comércio era disciplinado de forma eventual. E então. de necessidades não monetarizáveis. Se a troca comercial fosse submetida a tais formalidades. ASCARELLI dá exemplos de povos que praticavam o comércio. DIREITO ROMANO . o que é abuso de poder econômico e assim por diante. e nem por isso se pode dizer que existia um direito comercial. Em prol de interesse coletivo. A CF deve coibir o abuso de poder econômico. Mas não é só isso. que exigia formalidades para tudo. Não se pode pedir ao usuário que não lucre. O desejo do empresário maximizador de lucros é ter lucro monopolista. pela atividade do pretor. É preciso uma preocupação com o interesse público subjacente às atuações do mercado. Não se conseguiria submeter a atividade comercial a todas as atividades do direito civil.Já existia comércio. braço do direito comercial. regulava essas relações. Se o direito comercial é categoria dinâmica. Atuações beneméritas e não interessadas de empresas existem? Alguns economistas dizem que mesmo estas são movidas por fatores econômicos. o direito concorrencial. em seu âmbito de discricionariedade. evidentemente. seria impossível prever que não exista. Por exemplo. as próprias relações de mercado estariam inviabilizadas. não se tratava de direito comercial. é necessário estruturar. Ele existe em razão da organização e do comportamento dos agentes: é um fato. Justamente a liberdade do pretor para tratar do caso que era o que demandava o comércio. organizar as relações de mercado. Tornou eficiente essa O direito está a serviço dos agentes econômicos e serve para viabilizar as trocas. analisar a história auxilia a determinar melhor sua atuação. deve tutelar o que pode ou não pode no mercado.Algo mais próximo do que se tem hoje. É o abuso que é alvo de coação. O pretor. lateralmente pelo ius honorarium.viabilizando atividade. Se o direito comercial estivesse a serviço desse desejo. O poder econômico existe. ANTIGUIDADE . as relações concorrenciais. mas mesmo assim. residual.

GALGANO: quando o comércio surge. BAIXA IDADE MÉDIA Renascimento comercial. dinheiro precisaria ser estéril. Não havia. não havia atividade comercial exercida com frequência. E mais ainda. os feudos eram autossuficientes. A corrida bancária é o principal motivo para quebra bancária . o direito dos estrangeiros. A atividade bancária é de intermediação. que acabou regulando o comércio.Daí se dizer que o germe estava na atividade do pretor (ius honorarium). de que só surgiria na Idade Média.Por que não surgiu o direito comercial? Porque sequer havia comércio. A operação bancária é operação que envolve risco. nesse sentido de flexibilizar as normas vigentes. O que são juros? VERÇOSA . as normas do ius civile. juros são preço pela disponibilização dos recursos. juros seriam "filhos" a serem vedados. E também o ius gentium. Afinal. não havia trocas. E além disso. havia essa origem: um direito sem fronteiras. e como tempo pertence a Deus. havia a vedação à usura. a ascensão da burguesia. e não uma coisa. o que impedia o desenvolvimento dessas atividades.e leva a um risco sistêmico. o banco quebra. Em suma. não se poderia cobrar juros. um produto. Havia um direito comercial sistematizado em Roma a ponto de haver conjunto de normas a chamar direito comercial? A conclusão de ALEXANDRE CORRÊA e outros historiadores é de que não. da moeda. O dinheiro do depósito. Se todos os depositantes pedirem seu dinheiro de volta ao mesmo tempo. pois. E portanto. É o retorno a uma vida urbana. os comerciantes encontram atalhos para cobrar juros. O que é objeto de intermediação é a moeda. especialmente com as comunas italianas. a sanção para o usuário era de ir para o inferno. mas havia tutela sobre o comércio. trazendo nova disciplina ao comércio. O banco toma depósito em uma conta e concede empréstimos em outra. Também se poderia falar em que juros são cobrança pelo tempo. é repassado para a concessão de empréstimo. a burguesia empreende . portanto. disciplina específica sobre o direito comercial. Os juros incidem inclusive para remunerar a intermediação feita pelo banco. que começa a ganhar prestígio e poder político.Para o direito canônico. ALTA IDADE MÉDIA .

apenas a corporação de ofício de Lyon colocava em mercado dados produtos têxteis . que era mais benéfica aos comerciantes. O direito civil. e não à comum. jurisdição própria. Portanto. não tinha essas características. E os estatutos corporativos tinham regras que deram regras a vários institutos de direito comercial. Ou seja. Julgavam pelos princípios comerciais. O fato de fazer parte de alguma corporação levava a um direito especial. Tratava-se. maleável à necessidade desses comerciantes. Com essa junção. o mercado e promover assistência mútua entre comerciantes. organiza os negócios e estrutura as relações de troca na baixa Idade Média. Era de fato mais adequado para vincular o comércio. além de ajuda e socorro mútuos. só estariam sujeitos à jurisdição especial. privilégios aos comerciantes. No início. além de promover uma reserva de mercado para os produtos comercializados por aquela corporação (em Lyon. portanto. A ideia de ser julgado por seus pares. Os comerciantes organizaram-se em corporações de ofício na tentativa inicial de organizar o trabalho. Essa nova classe demanda um direito à altura. .aspecto concorrencial inerente a elas). Houve a consolidação de normas de comércio costumeiras. O mais importante era o aspecto subjetivo. à pertinência de dado comerciante a uma corporação.o exercício da livre iniciativa. Como eram essas normas? Baseavam-se no costume. entendem os juristas que estavam presentes as condições para que houvesse o surgimento do direito comercial como corpo consolidado de normas aplicado aos comerciantes (os quais faziam as próprias normas). Por isso não era interessante ser julgado pelo direito comum. por quem entende as relações em que ingressam os comerciantes. as corporações de ofício organizavam o trabalho internamente (com classes: aprendiz. na reiteração das práticas dos comerciantes. criaram sistema de normas próprias (estatutos das corporações) e jurisdição própria. criado por e para comerciantes. Os estatutos das corporações de ofício traziam direitos especiais. o direito comum. seria um privilégio. não preenchia as necessidades desses comerciantes. As corporações desenvolveram tribunais próprios. de um direito de privilégios. mestre) e organizar o trabalho. ASCARELLI fala no espírito empreendedor e na nova organização dos negócios. como a falência de empresas. as marcas (eram sinais distintivos apenas da atividade comercial) e a ação renovatória. que seja ágil.

emitia um título (Rembrendtnote). os quais não faziam apenas o trabalho inicial: eles acabavam fazendo as mesmas pinturas que ele. O caráter não nacional. e só a eles aplica-se o direito comercial. mas também não se aproximou dos políticos: procurou recursos para seu atelier. os quais roubavam o valor da moeda ou a carga e inviabilizaram as trocas. na forma da letra de câmbio. o direito comercial é um direito de classe aplicado segundo um critério subjetivo (pertinência a uma corporação de ofício). O que acontecia com o título perto da obra ser entregue? Seu valor subia. Construiu atelier e chamou diversos aprendizes. portanto. do atelier ao mercado" mostra que ele procurou desenvolver sistema de pintura diferente do modelo da época. E começou a comercializar pinturas em série. e emitiu títulos sem lastro. era aplicado às atividades comerciais aos inscritos nas corporações. tal qual o cheque. Quando uma obra era entregue. Por que Rembrendt era diferente dos pintores de sua época? Livro "Rembrendt. FEIRAS MEDIEVAIS . a ideia de comerciantes que iam a dadas regiões eleitas para propiciar as trocas entre comerciantes. o valor caía. só é comerciante quem está inscrito na corporação. documentar no papel a ordem de pagamento. Ao se dividir as feiras. Para uma modelo. ASCARELLI trata da origem do CÂMBIO. Nunca era valor de face. os comerciantes eram alvo de saqueadores. tornando a troca mais ágil. Com o crescimento do número de comerciantes. Quando não cumpria. Houve a circulação desse título por meio de endosso. Ao receber encomenda de uma obra. são extremamente relevantes para o direito comercial. evitando a transmissão de moeda. Na Baixa Idade Média. No início. Passaram a ser aplicados .De extrema importância para viabilizar as trocas. Ocorre que Rembrendt nem sempre cumpria prazos. Usou esse mecanismo para financiar-se. o direito comercial passou a ter um alcance mais geral. dos prepostos ("representante" do comerciante nas feiras) e sobretudo a ATIVIDADE BANCÁRIA. mas não tivesse inscrito na corporação? Na origem. não localizado do comércio. diversos aprendizes pintavam obras. Que solução foi encontrada para as trocas seguras? Os TÍTULOS DE CRÉDITO.E se aplicasse ato de comércio. lastreado na obra a ser produzida. Letra de câmbio é uma ordem de pagamento. não se aplicava o direito especial. Fez uma produção em escala. o valor dos títulos subia. o que suscitou dúvidas sobre a autenticidade de suas obras. então. Nessa fase.

adotaram-se as normas das corporações de ofício. É possível encontrar determinados normativos que compilam as normas das corporações de ofício com o surgimento dos Estados Nacionais. Daí a origem dos seguros. o direito comercial aplicava-se aos comerciantes matriculados na corporações. DIREITO COMERCIAL: DE DIREITO ESPECIAL A DIREITO GERAL Por outro lado. depois passou a ser reconhecido também pelos tribunais não comerciais. de um direito especial. RUPTURA COM O SISTEMA SUBJETIVO: OBJETIVAÇÃO DO DIREITO COMERCIAL Note-se também exemplos de disciplina mercantil. Estas.Modelo para todas as codificações posteriores. Daí a LEI CHAPELIER (1791). Essa é justamente a pretensão de qualquer direito especial. E agora. extinguindo todos os privilégios existentes no regime anterior. tornou-se irreversível o processo de objetivação do direito comercial. desde que envolvessem comerciantes matriculados. . No regime anterior. CÓDIGO COMERCIAL FRANCÊS (1807) . Qual a ruptura desse sistema subjetivo? REVOLUÇÃO FRANCESA. a qual extinguiu as corporações de ofício. Com o surgimento dos Estados Nacionais. consolidar-se de forma tal que se torne direito geral. que eram dispersas. Com isso. diz que "é comerciante aquele que pratica ato de comércio e de seu exercício faz profissão habitual" (Art. começaram a ser condensadas.também a litígios fora da matéria comercial. passou a ter um alcance geral. Mostrou-se tão adequado que ganhou ares de generalidade. além dos exemplos já citados. estabelecimento. A promoção da igualdade foi objeto dos revolucionários. das companhias. inclusive para o Brasil. consideradas privilégios. se o objetivo é despersonalizar? Como se enuncia a regra de incidência? Especifica-se o que seja um comerciante. com a importância do comércio marítimo. Prepondera-se o ASPECTO OBJETIVO. 1º). ASCARELLI mostra como. mas mais ainda: o que é a atividade comercial? Ao invés de dizer o que seja comerciante.

mas que continua a descrever o que sejam atos de comércio). atividades não profissionais não seriam comerciais. Exemplo do advogado que não exerce a profissão e abre Casa do Pão de Queijo. e que a ele não se aplicam as normas que disciplinam a atividade. é até mais difícil perceber isso dada a mobilidade profissional. Fica claro que há relação entre comércio e intermediação. Isto porque o exercício profissional pressupõe organização dos meios. diferente da original. passa pelo sujeito: aplicase ao comerciante. para o Código Comercial Francês. com o intuito de subsistência e organização. 110-1 (pela redação atual. reiteradamente. É prática continuada. não é prática profissional habitual.O que é exercer atividade com profissionalidade? Ser meio para seu sustento? Sim. deve ser habitual. 110-1 . O empresário jamais pode alegar que não é especialidade. "Art. Mas para atingir o objeto. é preciso de curso técnico para ser cabeleireiro.A lei reputa atos de comércio: . mas há muitos julgados que acatam esse tipo de alegação. Profissionalidade é algum tipo de capacitação técnica. É necessário sim que haja alguma expertise. Mas há um requisito adicional: além de profissional. de vez em quando. Se. uma especialidade. Parece óbvio. Quais os atos previstos pelo Código Comercial Francês? Os do Art. há pão de queijo para vender. reiterada. Um consumidor come produto estragado e o empresário alega que não é profissional do ramo. Resta saber o que são esses atos. Em países como o Brasil. pois não é exercida profissionalmente. Portanto. pois seria um contrassenso. Mas fato é que o Código Comercial Francês elenca os dois como requisitos. mas em países como a Alemanha. senão atividade esporádica. e é comerciante quem pratica certos atos. algum conhecimento técnico no exercício daquela atividade. Há presunção de profissionalidade no exercício da atividade empresarial. Há autores que dizem que habitualidade está dentro da profissionalidade: só seria profissional havendo habitualidade. Então. mas só isso é suficiente? O que mais requer o requisito da profissionalidade? Uma técnica. O Código deslocou o núcleo do direito comercial do sujeito para o objeto da relação. pergunta-se: o que seria comercial para fins de incidência do Código Comercial Francês? Os atos praticados com especialização.

Se o navio afundasse e a travessia fosse mal sucedida. Atribui-se à origem dos seguros o investimento feito no comércio marítimo: o navegante recebia valor o qual ficava sujeito ao risco do comércio marítimo. mas é atividade acessória ao comércio. de agência. Por que transporte está no rol dos atos de comércio? De certa forma.fora as de estrita subsistência seria comercial. ou toda atividade . seja no estado natural. Muito mais do que uma sociedade. é uma conta. A ideia é haver então outro critério. 3º . seriam por esse código comerciais. em geral não consideradas comerciais pelo fato de não terem intermediação. de comissão. de ações ou títulos de sociedades imobiliárias. 4º . arquitetos desenvolvem atividades com finalidade de lucro e profissionalidade.Todas as empresas de manufatura. escritórios de serviços. 6º . não queriam que sua identidade fosse revelada naquele empreendimento.Toda empresa de fornecimento. é intermediação.Toda compra de bens móveis para os revender. criada para tutelar os investimentos. o investidor perdia o investimento. de transporte por terra ou por água.1º . de espetáculos públicos". de fundos de comércio. Também surgem as sociedades em conta de participação. um contrato. os investidores não queriam que se soubesse que houvesse investimentos neste ou naquele navio. Se o navegante voltasse de sua expedição. É atividade necessária para que a intermediação de mercadorias ocorra. estabelecimentos de venda por leilões. Nesse época. Diz-se assim a origem história dos seguros .ainda que os autores modernos tendam a negar a origem dos seguros modernos nesse momento. Profissões liberais. Advogados.Todas as empresas de locação de móveis.ocultos. 2º . como se fosse uma contacorrente. Preferiam ficar incógnito. E aqui a importância do direito marítimo. teria que devolver ao investidor o valor do investimento mais uma parte dos lucros da empreitada. seja depois de serem trabalhados e manufaturados.Todas as operações de intermediação na compra. subscrição ou venda de imóveis.Toda compra de bens imóveis para o fim de os revender. a menos que o adquirente não tenha em vista edificar um ou mais pavimentos e os vender em bloco ou alugar. 5º . o qual foi um dos campos de maior criatividade e surgimento de institutos do direito comercial: o principal exemplo é dos seguros. A .

estabelecimentos de venda por leilões. Por isso.Prestação de serviços. Se até serviços são atos de comércio.note-se retorno ao aspecto subjetivo! Art. por excelência. estes com vis atrativa. de letras de câmbio" .Todas operações de câmbio. 6º . titular de diversas sociedades. Art.Espetáculos públicos eram mecanismos utilizados para atrair comerciantes às feiras medievais . qualquer relação com letras de câmbio. 8º . 10º . além de atos conexos. de espetáculos públicos" . seja o que for. Art. Tratar como intermediação não é suficiente. as trupes circenses. 9º . na cristalização das normas corporativas. O fato é que. de banco e de corretagem. que atrai as demais atividades pela intermediação. . pois esta não tem personificação e tem um sócio oculto. 7º . Veja-se a sequência do Código: "Art. Os casos anteriores constituiriam o núcleo do direito comercial.sociedade em conta de participação é caracterizada por sócios ocultos (participantes) e sócios ostensivos.por exemplo. Holding .Toda empresa de fornecimento. . não são comerciais.Todas as operações de bancos públicos. Qual a importância de tutelar todas as letras de câmbio? Se é instrumento facilitador do comércio. então não importa na mão de quem esteja ou na mão de quem passou. Mas o Código Comercial Francês coloca-a como ato de comércio. E os atos equiparados ao comércio vem em seguir.Entre quaisquer pessoas.Sociedade personificada que está na cabeça do grupo societário. é ato de comércio. o que ficou de fora desse rol? Tudo isso são tentativas de explicação. não identificado e não identificável. escritórios de serviços. de agência. E por que espetáculos públicos são ato de comércio? RAQUEL STZJAIN . mercadores e banqueiros. É verdade que serviços assumiram uma relevância econômica muito grande. Distingue-se da sociedade em conta de participação. A relação é comercial sempre. atividades anexas foram também incluídas no rol da codificação.Todas as obrigações entre negociantes.fora o aspecto subjetivo.

Traz uma lista do que seria ato de comércio. Lembre-se sempre que o que se procura fazer aqui é uma aproximação com o ramo do direito comercial. decretando o fim do período subjetivo do direito comercial: inaugurava-se um critério objetivo. Definia-se o direito comercial pelos inscritos em corporações de ofício. O núcleo dos atos de comércio são os atos de intermediação para troca. É uma metalinguagem. além de atos ligados à intermediação. profissionalmente. bem como atos incluídos por razões históricas . pois se relacionava ao sujeito. Dentre eles. O que muda o cenário do direito comercial? A Revolução Francesa. . sobre o próprio direito comercial. compra de bens para revender.Foi dito que o direito comercial tem origem na Baixa Idade Média com as corporações de ofício. e levado a vários países. Os revolucionários que assumiram o poder também extinguiram as corporações pela Lei Le Chapelier (1791). nem da regulação comercial desse ramo. e mais do que isso. determinava que "é comerciante quem exerce habitualmente. Não havia um conceito do que fosse comércio. e sempre partindo da premissa de que direito comercial tutela relação entre comerciantes. etc. O Código Comercial Napoleônico de 1807. o critério definidor da incidência do direito comercial era o critério subjetivo. que ao prever a igualdade de todos perante a lei. Ainda não chegamos na disciplina concreta e dogmática do direito comercial. como prestação de serviços. determinou a extinção dos privilégios. 19 de março de 2012 21:02 CONTINUAÇÃO DA AULA PASSADA . geral e abstrata. E o que é ato de comércio? Não há definição estipulativa. Nesta fase.como letra de câmbio. ato de comércio. E também coisas estranhas para hoje. à pertinência a uma corporação de ofício. ato de comércio".Aula 03 O DIREITO COMERCIAL NO BRASIL DO ATO DE COMÉRCIO À EMPRESA segunda-feira. espetáculos públicos e transportes. o primeiro código comercial do ocidente.

pois é a veste jurídica de operação econômica. por exemplo. Mas isso não é o mais importante. sendo a sociedade um fenômeno em . por exemplo. entre outros. por que de um rol? Por que não um conceito geral e abstrato? Na Europa. Enfim. seria ato civil. que mudam todos os dias. O conceito foi instrumental dessa intenção do legislador italiano. Algo como um pêndulo: ora optou-se pelo critério objetivo. Contrato não precisa. Criam-se atividades novas. E então se propôs que o rol fosse exemplificativo. Direitos reais. software. estatizante.Quando o direito faz uma lista. entre outros. não específico do direito comercial. Então. e o critério diferenciador é a EMPRESA. totalitário. no mesmo sentido. dogwalker. chegou-se ao Código Italiano de 1942. A dicotomia entre ato civil e comercial perde importância. ora pelo subjetivo. surgem teorias como a de HATENAU (sic). ao invés de dinamizar. Relevante é ver que com esse Código entra uma nova figura.inexistem direitos reais atípicos. E então. que diariamente se exercem em mercado. é um dos exemplos do retorno do critério subjetivo. 966. Fora dela. são de rol taxativo . muda a todo momento. E daí a criação do conceito de empresa. definição igual ao Art. A lista era taxativa. pois define o sujeito por sua inscrição. a lista. É semelhante à discussão do ISS.não se saberia qual o regime de responsabilidade. e não pelo ato que pratica. observou-se tendência ao retorno do critério subjetivo. qual a primeira pergunta a ser feita? Trata-se de lista (i) taxativa ou (ii) exemplificativa. engessa o direito comercial. tudo esse questionamento para saber que tipo de lista se trata a do Código Comercial Francês. O problema é que é muito difícil haver um rol taxativo de atividades dinâmicas. Pretendeu-se intervenção máxima do Estado na economia. A realidade é imbatível. A doutrina não é unânime em ser um critério objetivo ou subjetivo. por exemplo. O Código Alemão de 1897. os tipos societários. levando à conclusão de ser um critério misto. se está ou não na lista: locação de iPad. CC de 2002. Junto à positivação do conceito de empresa. E o que diz tal diploma legal? Que "é empresário quem exerce atividade econômica organizada voltada para a circulação de bens e serviços". E do Código Alemão. com a justificativa de que negociação com terceiros seriam inviabilizadas . PAULA FORGIONI: O Código Civil Italiano foi editado em período fascista.

Óbvio que cada sociedade respeita a lei do país em que está situada. Da mesma época. __________________________ ORIGEM E EVOLUÇÃO DO DIREITO COMERCIAL NO BRASIL O equivalente do Renascimento Comercial. Exemplo dessa nova lex mercatoria está na globalização. entre outros. sociedade interesse público. que não respeita fronteiras. Isso não mudou. havia comércio mas não havia direito comercial? Vigoravam as leis portuguesas. é a abertura dos portos (1808). ainda sob domínio da Coroa Portuguesa. RESUMO: Origem nas corporações de ofício. critério subjetivo do Código Napoleônico.e direito comercial também passa a ser encontrado em tratados internacionais. Por que nesta época.si. com uma preocupação anacional. do comércio). do poder de autorregulação (nesse sentido. Volta a ideia do direito comercial como ius gentium. o professor FARIA). Isso sem falar com a internet. do mercado. assim como na Europa e em Roma. GALGANO: Direito comercial como lex mercatoria. A legislação precisa ser flexível ao comércio internacional . o que continuou até mesmo depois da . mas tem códigos de boas práticas. primeira entidade verdadeiramente brasileira. do intercâmbio entre mercados nacionais e da ausência de fronteiras nacionais. pêndulo histórico entre os dois critérios com o Código Alemão e outros códigos. criado como direito de classe (norma dos mercadores. A vinda da família real incentivou o comércio e tornou-se agente da sociedade brasileira. Por que de uma lex mercatoria? Direito comercial surge de especialização do direito civil. supranacional. com as regras. teoria da empresa no Código Italiano de 1942. Há uma evolução desse modelo original. a criação do Banco do Brasil. políticas e códigos das multinacionais. as quais promovem uma autonormatização. ainda não existente quando da escrita do texto. Todas estão nesse momento. no Brasil. governança corporativa. E também fala das grandes corporações. E teorias como a sociedade-instituição.

independência. Não havia um direito brasileiro propriamente dito. Havia leis editadas pela Coroa no Brasil de modo esparso. O monumento jurídico é o CÓDIGO COMERCIAL DE 1850. O documento mais importante da disciplina de direito comercial no Brasil. Trata-se de diploma com texto de grande qualidade, muito técnico e adequado à realidade do comércio. Até hoje serve de critério interpretativo em disputas e litígios comerciais. Como se definia o limite entre comercial e civil? Qual o critério? Já havia o Código Napoleônico de 1807, que serviu de grande inspiração para o Código Comercial de 1850. Daí o critério do Art. 4º: "Art. 4º. Ninguém é reputado comerciante para efeito de gozar da proteção que este Código liberaliza em favor do comércio, sem que se tenha matriculado em algum dos Tribunais do Comércio do Império, e faça da mercancia profissão habitual" (artigo nº 9) 1º elemento: direito comercial encerra uma proteção ao comerciante. É portanto sim um direito especial, de privilégios. Por que dar privilégio ao comerciante? Pela importância social que tem a atividade, daí se falar em proteção liberalizada "em favor do comércio". Protege-se o comerciante para que o comércio se dê de forma mais eficiente, mais segura. Quem goza da proteção, em última instância, é o próprio comércio e a própria sociedade. Consegue dar o recado de forma precisa e muito consentânea com a evolução do direito comercial. 2º elemento: critério subjetivo, exigindo matrícula nos Tribunais do Comércio do Império (órgãos de registro para os comerciantes e, ao mesmo tempo, jurisdição especial aos comerciantes). 3º elemento: necessidade de fazer da mercancia profissão habitual. O que é profissão? Atividade desenvolvida para o próprio sustento (meio para subsistência) mediante grau de especialização, capacitação. E muitos autores ainda colocam como elemento adicional a habitualidade. Nesse ponto, o Art. 4º é muito parecido com o Código Napoleônico.

CONCEITO DE MERCANCIA
O que é mercancia? Relativos ao comércio, e portanto, a seu núcleo, intermediação para troca em mercado. E se retorna

ao núcleo original da Baixa Idade Média. Entretanto, por influência do Código Napoleônico, o legislador optou por regulamento para definir o que é mercancia. Trata-se do REGULAMENTO 737, com o objetivo de regular matéria processual - quem pode ser submetido à jurisdição dos Tribunais do Comércio, entre outros. E com essa finalidade, definiu mercancia: "Art. 19. Considera-se mercancia: Parágrafo 1º - A compra e venda ou troca de efeitos móveis ou semoventes para os vender por grosso ou a retalgo, na mesma espécie ou manufaturados, ou para alugar o seu uso. - compra para revenda, de bens móveis ou imóveis, atacado ou varejo, com valor agregado na atividade de intermediação ou não, locação de bens móveis (clara inspiração da lei francesa); Parágrafo 2º - As operações de câmbio, banco e corretagem. operações de intermediação por excelência; câmbio é compra e venda de moeda, troca de uma por outra; banco é intermediação financeira, mobilizando o crédito (efeito escritural multiplicador da moeda - DE CHIARA); Parágrafo 3º - As empresas de fábricas; de com missões; de depósitos; de expedição, consignação e transporte de mercadorias; de espetáculos públicos. - importamos também os espetáculos públicos como ato de comércio; mas aqui note-se o uso do termo empresas (PAULA FORGIONI), conceito já trabalhado na doutrina, ainda que não positivado; Parágrafo 4º - Os seguros, fretamentos, risco, e quaisquer contratos relativos ao comércio marítimo. - é claramente intermediação? Necessária para que a intermediação ocorra. ASCARELLI: sem seguro, jamais teríamos alcançado o grau de desenvolvimento capitalista. Parágrafo 5º - A armação e expedição de navios - comércio marítimo, importantíssimo ao direito comercial: toda a disciplina de fretamento, entrega de mercadorias, entre outros, vem do direito marítimo. Seguradoras: Risco é possibilidade de ocorrência de evento incerto. O risco permanece com o segurado. A seguradora não assume propriamente o risco, e sim as consequências patrimoniais adversas da ocorrência do risco. Para assumi-las, cobra do segurado um prêmio, um valor. E somente interessa ao

segurado fazer seguro se valor da indenização for maior ou se entender que a probabilidade de ocorrência do sinistro é alta. E há o princípio de que o segurado não pode lucrar. Por que cobrar franquia do seguro de automóveis? Para evitar abuso. Se há o sinistro, o segurado prestará mais atenção. Tudo isso é colocado para ver que não é claramente intermediação como a atividade bancária, por exemplo. Mas é atividade comercial assim como a bancária, porque viabiliza a intermediação. Além disso, "quaisquer disputas entre comerciantes", quaisquer relações, quaisquer contratos entre comerciantes. É elemento subjetivo. Então, o Código Comercial começa afirmando que precisa de inscrição no Tribunal do Comércio (critério subjetivo), mas então lista uma série de atos de comércio (critério objetivo), e ao final afirma que disputas entre comerciantes é do direito comercial (critério subjetivo). Daí se falar ser um CRITÉRIO MISTO, como entende a professora Paula FORGIONI.

NOVO SISTEMA: CÓDIGO CIVIL DE 2002
O Código Comercial manteve-se em vigor integralmente até o Código Civil de 2002. Atualmente, permanece em vigor a legislação sobre direito marítimo, a qual se completa com a legislação internacional. Mas também surgiram leis esparsas sobre matéria comercial. Por mais que o Código Comercial disciplinasse toda a matéria comercial, abria espaço para leis extravagantes. Por exemplo: (i) decreto de 1919 sobre as sociedades de quotas limitadas (decreto curto sobre a matéria); (ii) disciplina do sistema bancário; (iii) mercado mobiliário; (iv) títulos de crédito; (v) sociedades anônimas; (vi) contratos empresariais. O Código Comercial convivia com várias leis, e isso nunca foi um problema. Qual a vantagem dessa política legislativa? Cada vez que se surge uma figura nova, bastava a edição de lei ordinária, lei esparsa, sem precisar remendar o Código. Este continua a estrutura principiológica, mas os detalhes dos tipos societários, por exemplo, ficavam à parte. Era disciplina melhor do que a hoje existente.

Unificou as obrigações e trouxe como critério de incidência do direito comercial o CONCEITO DE EMPRESÁRIO. alterou regras de forma errado. o que ganhava relevância em casos práticos como os de incidência ou não do regime de falência. relações e atos incide o . o que o assemelha ao Codice Civile Italiano. houve a promulgação do Código Civil. expectativa a partir do comportamento das partes. importa entender o corte entre atos civis e comerciais. Problemático é o fato de que foi feito em período autoritário. O CC de 1916 já tinha interpretação cristalizada pelos tribunais. Os mais críticos tratam-no como natimorto. Houve conflito quanto à segurança jurídica no período de adaptação do Código. o sócio controlador. O CC de 2002 mudou coisas consolidadas anteriormente. Quem recebe o benefício da falência? Por ora. o administrador.O Código Comercial tinha regras interessantíssimas sobre interpretação de contratos empresariais: falava em boa-fé. Na época. E sem engessar os contratos atípicos. oficina mecânica. Mas não é uma boa definição. e tinha grande técnica interpretativa. De fato. já nasce um pouco atrasado. Silvio Marcondes em direito comercial. Sobre que situações. hotel seria atividade civil ou comercial? Estava no rol do regulamento 737 ou não? Motel. entre outros. De 1850 até 2002. Infelizmente. Comercialistas preferem falar em UNIFICAÇÃO DO DIREITO OBRIGACIONAL. Por exemplo. Fato é que o CC surge com a intenção de promover a chamada UNIFICAÇÃO DO DIREITO PRIVADO. Em matéria comercial. Em 2002. SISTEMÁTICA DO NOVO CC Não se fala mais em ato civil e ato comercial: fala em EMPRESÁRIO. É muito comum se falar em "Código de Direito Privado". Quem exerce o ato de comércio? Quem é empresário? A sociedade. por quê? Porque boa parte da matéria comercial permanece fora do Código Civil. muito se discutiu a distinção entre atos de comércio e atos civis. Quem é empresário para fins do CC de 2002. indo contra princípios internacionais do direito comercial. entre outros. o empregado? É preciso separar as figuras. foi escolhida comissão de juristas para elaboração do Código: Miguel Reale. pois seu anteprojeto é de 1972. entre outros. toda essa matéria foi revogada. lavanderia.

Tem-se um grande problema. pensando na incidência do direito comercial. Parte da resposta está no parágrafo único. editora. Como se não bastassem essas dúvidas." É preciso entender o significado de cada uma das palavras. e há uma tradução equivocada do CC Italiano (texto "O que se perdeu na tradução". O comerciante da 25 de março exerce atividade intelectual? Tem-se aqui um grande problema. o "salvo" cria uma exceção dentro da exceção. O sistema do código de 2002 passa a falar que é sobre o empresário (em clara tradução do Código Italiano): "Art. há a expressão "salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa". artística e literária. se for "elemento de empresa". o CC dá incidência sobre o que é ou não empresário. parque de diversões são empresárias? Quem é empresário? Sobre ele incidem regras próprias. artística e literária. Se disser que é intelectual e de natureza científica. clube de futebol. é intelectual? Mas é empresário. Mais difícil do que conceituar é tentar entender que. e depois. ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores. da professora Raquel STZAIJN). Ou seja. são os alunos empresários? O que é "profissionalmente"? Sociedade de arquitetos é empresária? O que é atividade organizada e profissional destinada à produção ou circulação de bens ou serviços no mercado? Agrobusiness. literária ou artística. Mas há equivalência entre os . retorna para o conceito de empresário. de natureza científica. "Parágrafo único.direito comercial? O sistema de 1850 até 2002 considerava que era sobre os atos comerciais. 966 Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços. que profissão é intelectual e não é dessas naturezas? E o açougueiro. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual. sai do conceito de empresário por ser intelectual e de natureza científica. O que é "atividade"? Por que antes falava em ato e agora em atividade? O que é "organizada"? Cada um resumir um dos textos do curso é atividade organizada. Aqui. salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa".

Direito comercial deveria ser direito de regulação de mercados. pois a ideia de um código único vai contra o próprio espírito do direito comercial. 18 de maio de 2012 20:59 O principal teórico da teoria da empresa foi ASQUINI.comerciantes que exerciam ato de comércio e o empresário atual? E entre o que exercia ato civil e o não empresário? Ou é possível um empresário que exercia ato civil? PAULA FORGIONI . é sociedade que encabeça um grupo societário de fato (já que há grupos de fato . (ii) subjetivo . que discipline toda a matéria comercial? Trata-se do debate entre o professor FABIO ULHÔA COELHO e os professores TAVARES GUERREIRO e ERASMO VALLADÃO. Aula 10 ATIVIDADE EMPRESÁRIA EMPRESÁRIA E NÃO- sexta-feira.grupos econômicos . único. É a ideia de um código total. que requer dinamismo. Este analisa-a por quatro perfis: (i) objetivo . e esse conceito não vale de nada. Além de separar-se do Código Civil. sendo estes constituídos por . multifacetado e de difícil apreensão pelo direito. Fabio defende um novo Código Comercial. quem organiza os fatores de produção. e sim para o mercado. Não mais olhar para o empresário.atividade. a forma dogmática vai contra costumes e jurisprudência consolidada.figura de mercado cuja atuação afeta interesses de terceiros como consumidores. e ainda mais. No livro "O futuro do direito comercial". NATALINO IRTI: "A era da descodificação" .como empresário. os chamados stakeholders.como estabelecimento. PROJETO DE NOVO CÓDIGO COMERCIAL É preciso um novo Código Comercial.ideia de microssistemas únicos. FARIA segue a mesma linha. disciplina toda a matéria comercial. completo. (iii) funcional . a comunidade. que afirmou ser a empresa fenômeno econômico. (iv) institucional ou organizacional . Foi alvo de muitas críticas. plasticidade e flexibilidade. coesos.e de direito. E além disso. HOLDING é empresa? Em direito societário.

essa holding é empresária ou não empresária? É uma espécie de atividade de segundo grau. mas não todas. COASE coloca em seu "The Nature of the Firm" como é mais eficiente a alocação da atividade em outra sociedade. pois tem subjacente atividades operacionais. Questão interessante é o que temos visto é a estrutura de FUNDOS DE PARTICIPAÇÃO. Mas a questão é.vale dizer. controlam o grupo societário. 966. de transformação da natureza.documento próprio. tendo as pessoas físicas. É então uma atividade econômica de segundo grau. QUALIFICAÇÃO DA ATIVIDADE: ECONÔMICA. não ser de subsistência. Qual a atividade da holding? Administrar as participações societárias de que é titular. Claro que algumas normas ficam adstritas às empresas nas quais se realiza alguma atividade. as quais. Além disso. 966 (profissão intelectual de natureza científica. ASCARELLI trata em seu texto da hipótese de administração de participação societária. Por que se desenvolver um grupo societário? Da perspectiva econômica. e assim se multiplicam as firmas. As regras regulatórias aplicam-se também às holdings. literária ou artística). CC exige que tal atividade seja (i) organizada e (ii) destinada ao mercado . ao final. ou de venda de cimento ou venda de eucalipto. . ORGANIZADA E COM FINALIDADE AO MERCADO Já vimos a ideia de que a atividade deve ser econômica . pois não desenvolve atividade econômica direta. Não é sociedade como a bancária.na produção ou circulação de bens ou serviços. pois não se enquadra no parágrafo único do Art. registrado na Junta Comercial). Fundos nos quais não é possível identificar o controlador podem participar em atividades concorrentes? Como submeter ao CADE atos que têm fundos de investimento. para separação dos risco dessas atividades. as normas do Banco Central aplicam-se até as pessoas físicas que são donas das holdings. o Art. Por exemplo. que não são sociedades e sem controladores finais? É a discussão em voga. Gere as participações societárias. Seria mesmo atividade econômica? A professora Juliana KRUEGER entende que poderia sim ser uma sociedade empresária. que são condomínios com vários quotistas. Tem uma função não-operacional.

seria organizada. que o fator "organização" não consegue ser critério de diferenciação entre empresário e não empresário. há um sentido diverso. E o risco econômico? O risco de não ter lucro. o elemento da organização fica cada vez menos depende de atividade humana. não conseguir terminar as obras. tem-se organização. Não pode ser desorganizada. divisão de funções. organização é inerente a qualquer atividade profissional econômica. E nisso. Pode ser organizada. toda atividade precisa ser organizada. É preciso. pois em sentido comum. Sempre que há concatenação de fatores de produção para o mercado. um poder. a ponte cair. da atividade não dar certo. Mas aqui. Com o avanço da tecnologia. trabalho. Uma organização. ser técnica. comum no exterior. e assim por diante. No caso da construtora. E ainda assim. no sentido para a atividade empresarial. Há um poder para maior eficiência. que se incorra em um risco decorrente de um poder hierárquico. Existe alguma atividade intelectual não organizada? Em maior ou menos grau. não é o sentido comum. primordial no desenvolvimento das atividades. O exemplo que o monopólio dá é o de uma lavanderia totalmente automatizada. um fator muito importante que é a TECNOLOGIA. mesmo que sem o fator de produção mão-de-obra humana. É possível organização no comércio eletrônico. que atue sobre certa racionalidade. Necessariamente a organização precisa de empregados e colaboradores? Não. pode ter uma máquina no caixa. Alunos citam exemplos para a organização: hierarquia. Quando dizemos que precisa a atividade ser organizada. entretanto. entra aí o fator tecnologia. ORGANIZAÇÃO Que atividade não é organizada? É difícil. O consumidor não vê empregados e trabalhadores . congregando os fatores de produção para colocar bens e serviços no mercado. no centro de imputação que é a empresa. os empregados entrarem em greve. Professora coloca. O que é o risco técnico? Próprio e inerente à atividade operacional.2. É preciso uma hierarquia. Talvez nem precisa de uma pessoa. que organiza os fatores de produção para colocar bens e serviços no mercado. um comando.

organização. ampliado. É essa pessoa jurídica que contrata com terceiros. O franqueado não somente pode usar a organização. e faz multiplicar esse elemento organização.sob pena de descumprimento de cláusula contratual. Art. é o conjunto de bens para a atividade. tanto materiais quanto imateriais. portanto.O estabelecimento. Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado. Outro ramo em que isso fica evidente é na propriedade intelectual. e autoriza o franqueado a exercer atividade idêntica à sua e usando os mesmos elementos de negócio. Qual é este reflexo? Como se mostra nos perfis de ASQUINI? O que o empresário faz para escolher os bens que vai exercer a atividade? Não tem de organizar? O estabelecimento empresarial é o reflexo externo da organização do empresário. e sua sede é uma mera caixa postal. . evidência do esforço de organização do empresário. Há sociedades offshore (vale dizer. seu jeito de fazer negócio. Professora cita um café com jeito . como deve fazê-lo . para exercício da empresa. o conjunto de bens é o reflexo dessa organização.142. ou por sociedade empresária. É o contrato pelo qual o empresário cede sua organização em troca de remuneração. O perfil objetivo de ASQUINI também se traduz no reconhecimento da lei sobre a organização como elemento da atividade empresarial. A cópia dos elementos de uma marca é cópia do elemento organização. fora do país) cuja sede é uma caixa postal . Entra como elemento determinante para a A organização tem um reflexo visível para qualquer pessoa."trade dress". por empresário. Onde mais há organização? Olhe-se para o contrato de franchising ou franquia. É o contrato empresarial pelo qual o franqueador cede ao franqueado. grosso modo. Se o empresário teve de escolher os bens através dos quais exerce a atividade. fazendo com que seu negócio seja difundido. Discussão interessante está nos estabelecimentos virtuais. É a evidência mais visível da organização.diretamente. 1.isso é visto especialmente em paraísos fiscais. A franquia é um contrato do elemento organização. todo seu estabelecimento é virtual. Autoriza-se ao uso da marca e da forma . que mostra a importância desse elemento para o negócio. Tudo isso é projeção da organização. o que na prática é uma alegação bastante comum.

se propriedade privada ou coletiva. o que ainda o faz depender do direito. Não existe mercado sem contrato. Concorrência desleal também tutela isso. O comerciante está em estado de oferta permanente. E mercado deve ser entendido como o ponto de encontro da oferta e demanda. que dá estrutura ao mercado. como trocas do sal e do ouro? Havia mercado? Como IRTI responde a esse tipo de questionamento? Se não havia reconhecimento de propriedade privada. Há um livro somente com a troca das críticas que ele recebeu sobre sua teoria. Aqui entra a questão de ASCARELLI: o conceito de mercado é necessariamente amplo ou específico? Quando a CICA é a única compradora dos tomates daqueles vendedores. portanto. como a definição do regime de apropriação de bens. ainda há um terceiro com interesse satisfeito? ASCARELLI responde que o destinatário da atividade deve ser o mercado. ainda sim há mercado. que é ilícito? Os economistas resolvem isso sem problemas. É a reiteração de ASCARELLI sobre a ideia de satisfação de necessidades de terceiros.O conceito de mercado como ponto de encontro da oferta e demanda não existe sem certos conceitos jurídicos. Os que se dedicam à mera subsistência não são. E mercados anteriores ao direito posto. anteriores ao Estado. O direito precisa ser levado em conta. É o direito que conforma. como já vimos anteriormente: o fato de o direito proibir o mercado já o qualifica. responde que se estava empregando um conceito muito restrito . Uma das perguntas foi: se o mercado depende do direito.idêntico à Kopenhagen. NATALINO IRTI . empresários. não pode deixar de fornecer produtos e serviços se alguém aceita a proposta. E IRTI responde. A ideia é de colocação de bens e serviços no mercado. Isso trouxe polêmica tanto para os juristas quanto para os economistas. 3. FINALIDADE Para circulação de bens e serviços no mercado. instrumento para que demandantes e ofertantes façam circular esse bem. E aqueles levaram a teoria de IRTI ao extremo. Estes incomodam-se com a ideia de depender do direito. não existe mercado de tráfico de drogas. o que fazer? Então. É esta a contribuição de IRTI.

e este não seria somente direito posto. Diante desse conceito. causam menos sinistros. Todo aquele que buscar bens e serviços pode fazer. Também atores. 966. Esta sabe a estatística. Tratase de uma definição assas ampla. e por mais que seja organizada. o que não era ato de comércio? Exercício de profissionais liberais: médico. CC Qualquer atividade que não seja de subsistência. e na verdade deixa na rua. professores.ART.por exemplo. e seja atividade econômica.de direito. cientistas. 966. que é a árvore. organizada e com finalidade de circular bens ou serviços no mercado seria atividade empresária. Porém. se a seguradora fosse obrigada a aceitar todo e qualquer risco. não é obrigada a aceitar qualquer risco. que atividade não é empresarial? Atividade de subsistência não é econômica. olhar para o mercado. Qual o único empresário que não está em estado de oferta permanente? A empresa de seguros. escritores. tomando-se exclusivamento o caput do Art. a qual ela aceita ou não. são todas atividades . Na lista dos atos de comércio existentes no regime anterior. não é profissional. O seguro é contrato com assimetria de informações. não é empresária. Pelo regime atual. pois não conseguiria mais criar carteiras de segurados. ATIVIDADES NÃO EMPRESÁRIAS . e portanto. CC. se o segurado afirma que deixa seu carro no estacionamento. sendo mais prudentes. A teoria da empresa do Código Civil ainda continua a olhar somente para um dos entes. uma vez que trabalha com riscos. Por quê? Pois. PARÁGRAFO ÚNICO. O segurado tem muito mais informações sobre o próprio risco do que a seguradora. poderia inviabilizar sua atividade. senão norma que regularia o comportamento. O proponente entrega para a seguradora uma proposta de contrato. É preciso olhar para toda a floresta. de que se trata de atividade econômica organizada voltada à circulação de bens e serviços no mercado. que mulheres. E de toda essa discussão a ideia do empresário em estado de oferta permanente. E novamente a tese da professora PAULA FORGIONI: não se pode olhar somente para a empresa. tem-se aí um problema. editores. portanto. advogados. a frequência dos sinistros .

econômicas, organizadas e com a finalidade de circular bens ou serviços no mercado. Ou seja, pelo caput, toda atividade econômica seria empresarial. Seriam sinônimos. No máximo haveria discussão nas atividades de holding, de gestão de imóveis próprios, e assim por diante, mas mesmo assim, é uma discussão fraca. Mas então vem o parágrafo único: "Art. 966, parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa". Qual a primeira interpretação que se teve do § único? De que essas atividades intelectuais não seriam ou econômicas, ou organizadas ou sem a finalidade. Ou seja, seria um não preenchimento dos requisitos do caput. Parece ser uma interpretação fraca. Que outra interpretação seria possível? Vontade do legislador. ASCARELLI, ao tratar do Código Italiano, coloca a valoração diferente, pelo legislador, das atividades. Assim como quis fazer uma lista dos atos de comércio, fez agora o inverso, excepcionando o que não é empresa, ainda que haja sua subsunção aos requisitos do caput. E então, por que o legislador quis excluir? ASCARELLI dá explicação que é semelhante na diferença entre propriedade industrial e direito do autor. A ideia é de que, nas profissões intelectuais, há preocupação com o que é verdadeiro e o que é belo, e não com a circulação de bens e serviços no mercado, intermediar atividades e recursos. Há uma carga valorativa diferente, daí a qualificação também diferente. Nesse sentido, direito do autor é proteção com preocupação de outros aspectos. O autor escreveria o livro independente do aspecto econômico, pois é exercício de sua criatividade. Entretanto, isso faz sentido hoje? Temos uma mercantilização da arte e do entretenimento. Há certa contradição entre o autor e tudo o que se cria em torno dele. Professora faz menção ao filme "José e Pilar" sobre os últimos meses de vida de José Saramago, com crítica à restrição que acaba tendo para

escrever. Dizia que queria escrever, mas não tinha tempo, pois estava em aviões, em eventos, e assim por diante. A explicação sobre nosso Código é válida, mas encontra grande dificuldade na distinção real entre atividade empresária e não empresária. Entretanto, apesar dessa explicação, se direito comercial é uma espécie de privilégio, o que se está fazendo é dizer que essas atividades são de menor importância. A consequência é retirar dessas atividades uma disciplina especial, que traz alguns privilégios (se tomarmos o direito comercial na sua origem). O QUE SÃO PROFISSÕES INTELECTUAIS? A - "Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística," A menção a natureza (i) científica, (ii) literária ou (iii) artística é um rol taxativo ou exemplificativo? Qualquer atividade intelectual seria de natureza científica, literária ou artística? Se for taxativo, cai-se no mesmo problema dos atos de comércio: são aqueles, e somente aqueles. Hoje, há profissões intelectuais cada vez mais diversas. Um exemplo é a consultoria. Há uma dificuldade de dizer o que é ou não intelectual. E daí remetermos ao Código Civil Italiano. Se o caput foi tradução perfeita, o parágrafo único foi compilação de vários artigos do Código Italiano, que não existia como tal. O Código Italiano falava em profissão liberal. Isso ajuda: a ideia de que o exercício de uma profissão liberal não seria empresarial. E isso é mais fácil de encaixar médicos, arquitetos, e assim por diante. E em um sistema capitalista cada vez mais presente nos serviços, ao contrário da ideia de belo e verdadeiro de ASCARELLI, é mais fácil entender que não são empresários os prestadores de serviço que exercem profissão liberal ficam excluídos. B - "ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores," Trata-se de mero esclarecimento de que não se precisa de colaboradores. Na prática, essa parte confundiu a doutrina, que a usou para tratar do elemento organização: sem concurso de auxiliadores ou colaboradores, não haveria organização. Vimos que isso não é verdade. A ideia deste trecho é justamente o

contrário: reforçar a desimportância de ser um ou outro, e não ser elemento relevante. C - "salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa" É a exceção dentro da exceção. O que é ELEMENTO DE EMPRESA? Como interpretá-lo? A primeira interpretação possível é a partir do caput. Há doutrinadores que afirmam que o Código se equivocou, pois seriam os "elementos de empresa": (i) atividade, (ii) econômica, (ii) organizada, (iii) destinada ao mercado. Mas então, não seria empresária salvo se for empresária. Seria algo tautológico. Então, que outra interpretação? A ênfase no ELEMENTO ORGANIZAÇÃO. A doutrina entendeu que o cerne da empresa está no elemento organização. O empresário deveria congregar a produção pelos fatores de produção, distinguindo atividades organizadas e não organizadas. Parte da doutrina entendia, quando da entrada em vigor do CC de 2002, o alcance do fator organização no caso concreto. Havia exemplo, já existente em ASCARELLI, retomado por SYLVIO MARCONDES: um consultório médico não é empresarial, e o hospital (casa de assistência à saúde) é empresarial. A doutrina leu esse exemplo da seguinte forma: a clínica não é empresarial porque falta o elemento organização, ela não se dá em grau suficiente para ser considerada empresarial. No hospital, há: há hierarquia mais clara, divisão de trabalho, e assim por diante. Mas novamente a crítica da professora KRUEGER: qualquer atividade contém organização. Não é uma resposta segura do ponto de vista jurídico dizer que se vai olhar caso a caso e aferir o grau de organização. Não é um bom critério para uma discussão tão central para o direito comercial, se há aplicação de regime tributário próprio, regime de falências, e assim por diante. Até porque, veja-se o seguinte: Pinheiro Neto é empresa? Em matéria de lucro, é. Mas não é o que prevê a lei. Tem um nível máximo de organização: tem hierarquia, muitos funcionários, várias funções, e assim por diante. Pinheiro Neto é empresa e um escritório pequeno não? Claro que esse critério dado pela doutrina é frágil.

E se fosse atividade de massa. 2) un'attività intermediaria Aula 04 DISTINÇÃO ATOS EMPRESARIAL segunda-feira. não é em caráter pessoal. Se a prestação é intuito personae. o critério é bastante insuficiente. antes do término. para ir a outra aula) TRADUÇÃO IMPERFEITA (RAQUEL SZTAJN) DO CÓDIGO CIVIL ITALIANO "Art. mas se é para pintar em massa. O advogado tributário que faz a resolução de um problema específico é personalíssimo. basta mudar "civil" por "não empresário" e "comercial" por "empresário"? Um círculo de um é uma mera sobreposição .. Assim. O Código Italiano não acabou com a lista de comércio. Seria o caráter personalíssimo da prestação da empresa. que sejam parte de atividade empresarial serão consideradas também empresariais. como sair disso? A ideia de uma atividade intelectual conexa a uma atividade empresarial. mas para uma tese em massa não.. O exercício de profissões liberais conexas. Como se chega a isso pelo Código Italiano? Pelos artigos transcritos na folhinha (VER QUAIS SÃO). Precisei sair às 22h20. seria empresarial. 2195. Imprenditori soggetti a registrazione. Sono soggetti all'abbligo dell'iscrizione nel registro delle imprese [2188ss] gli imprenditori che esercitano: 1) un'attività industriale diretta alla produzione di beni o di servizi. Se no regime do Código Comercial de 1850 havia uma distinção entre os atos civis e os comerciais. pergunta-se: no regime do Código Civil de 2002. O problema é que um pintor para pintar uma tela é personalista.Outra explicação seria sobre o TIPO DE BEM E SERVIÇO COLOCADO EM MERCADO. Novamente. (. 26 de março de 2012 20:50 CIVIS E ATIVIDADE Começa-se a aula com a sobreposição na distinção entre a atividade civil e a empresária. seria atividade não empresarial.

§1º. ACÓRDÃOS 1.sobre o outro? A distinção entre ato civil e comercial foi substituída pela de empresário e não empresário? Não se usa mais o critério subjetivo (da vinculação à junta comercial) nem o critério objetivo como lista de atos. É possível se pensar em organizações culturais que não empresárias.Dentro das atividades econômicas. O critério para dada situação fática mudou: dos atos comerciais para e empresa. Com o CÓDIGO CIVIL DE 2002 e a revogação do Código Comercial pelo regulamento 737. Há quem diga que o que antes era comercial é hoje empresarial. Mas isso está errado. e hoje não necessariamente). Isso para fins de um direito especial. típica do Art. 966. a linha é traçada pelo próprio Código Civil. Nem toda organização de espetáculos públicos é necessariamente empresária. O que distingue o que é ou não empresário? Natureza científica. Isso não decorre da alteração dos critérios? Não. O que era comercial é igual a empresarial? O que era civil é igual a não-empresária? Não. E hoje? Passou a ser atividade empresarial. literária e artística são não empresárias. A questão é: esse critério substitutivo coloca-se da mesma forma que atos cíveis e comerciais? A linha divisória colocada pela teoria da empresa é a mesma que a colocada pelo regulamento 737? REGULAMENTO 737 . como o resultado da aplicação dos critérios não é coincidente.de disciplina da atividade pelo Código Comercial. A prestação de serviços de saúde é atividade empresarial? .Aplicação ou não do regime da falência. prestação de serviços . Os critérios são diferentes. No mesmo sentido. vale dizer. O sentido contrário também se aplica: atividades antes civis e hoje empresárias.que é atividade típica dos profissionais liberais. distinguia comerciais e cíveis a partir de uma lista de atos comerciais. HOSPITAL . Edição de livros era atividade civil (pois não estava na lista). o direito comercial . como espetáculos públicos (que eram sempre comerciais.

EMPRESÁRIO . Empresário é a quem é imputada a atividade.Reunião de pessoas destinadas a um fim comum (sentido amplo).Faz análise de mérito e dos critérios para ser empresa. e tanto importava sua presença na Junta Comercial. em suas finalidades. beneficente. o Pão de Açúcar. BENEFÍCIOS: 1. e não os sócios. necessariamente uma pessoa física. A questão é que a associação também busca ao lucro. Havia a prática de atos de comércio? O acórdão entende que não. religiosa. seja empresário individual . Empresária é quem exerce a atividade. . pois é ela que se submete à atividade. qualquer outra coisa. Primeira imagem é de uma pessoa física. hotelaria. porém. Regime Tributário 3.Prática de atos é pela própria pessoa jurídica ou pelo sócios? Empresarial é a sociedade da qual algumas pessoas são sócios. seja sociedade. Preocupação em se distinguir a atividade da pessoa do sócio.a associação pode ter finalidade cultural. SOCIEDADE .com a nova possibilidade de EIRELI. Mas a atividade preponderante não era empresarial. Quem exerce atividade é a pessoa jurídica. mas o excedente é aplicado na própria associação.Reúne fatores de produção para colocar bens e serviços no mercado. Por exemplo. limpeza.semelhança com as corporações de ofício. os instrumentos de intermediação das trocas e atos conexos). Há porém várias atividades: lavanderia. Falência 2. JUNTA COMERCIAL .Hospital tinha inscrição na junta comercial . O empresário não é. Quem se submete à falência? A sociedade. pois não estava listado no decreto 737 (basicamente. A sociedade em sentido estrito divide seus dividendos. Agrobusiness STJ: EMPRESÁRIO X SOCIEDADE . Tal conceito desdobra-se em: (i) SOCIEDADE EM SENTIDO ESTRITO (ii) ASSOCIAÇÃO A distinção está em finalidade econômica . etc. Ser sócio não quer dizer que se transforma imediatamente em empresário.

Se o direito comercial for simplesmente direito de classe. mas assegura a livre concorrência.Centro de imputação de direitos e obrigações com patrimônio autônomo. torna-se objeto das normas positivadas. um direito comum. Isso fica muito claro com a análise dos princípios que regem a ordem econômica segundo a Constituição: é assegurada a livre . O Estado precisa limitar essa autonomia privada para garantir esse direito geral. ou em títulos de créditos . Mas supera esse caráter e hoje se pode dizer que o direito comercial tem também preocupação com o interesse geral. agora o âmbito se amplia e passa a olhar não somente para a autonomia da atuação do comerciante. senão para um interesse geral. qual seria o interesse do comerciante? Vender cada vez mais. com os atos de comércio. com o interesse público. pelo Código Napoleônico. Evidência disso é a preocupação necessária com o consumidor. Mas o direito mostra-se tão aderente à realidade que se aplica com maior intensidade: por exemplo.mesmo que a relação subjacente seja essencialmente civil. Se antes o direito comercial preocupava-se com o comerciante. Obs: Há sociedades personificadas e não personificadas (em comum e em conta de participação). Torna-se um direito geral. O direito também precisa preocupar-se com a concorrência: garante a livre iniciativa. lesando o consumidor. Mostra a comercialização do direito das obrigações. muitas vezes. 26 de março de 2012 21:40 TULIO ASCARELLI De um direito especial. com a ideia de Lex Mercatoria). O direito comercial surge sim como direito dos comerciantes e para os comerciantes. o direito comercial passa a ter alcance geral. Nasce como especialidade do direito civil (ver GALGANO. e suplanta sua característica de direito de classe. quando só havia um comerciante. Aula 05 UNIFICAÇÃO DO DIREITO EMPRESARIAL segunda-feira. a ser preservado.PESSOA JURÍDICA .

foi chamado para fazer um CÓDIGO ITALIANO UNIFICADO. é o que se convencionou chamar a RETRATAÇÃO DE VIVANTE. que se tratava de distinção prejudicial ao crescimento econômico e tecnológico. Porém. a disciplina de dois. de que o direito deve se preocupar com o mercado. A mesma evolução é dada pela professora PAULA FORGIONI. seja por atividade essencial) e atividades privadas. e não com os atos praticados isoladamente. quando foi fazer seu código.Embora surgido em processo de especialização. um ato . Por que da distinção? 1. Institutos diferentes no direito civil e comercial . que essa distinção permanecia pela tradição muito mais do que pela lógica. O direito civil regula o ato isolado. livre concorrência. Havia tantas diferenças na forma de raciocínio que seria impossível colocar. diferente do direito civil. Publicou então o "manifesto de humildade científica". ASCARELLI .mesmo nos contratos há mudanças. E a partir daí. entre outros. uma unificação de direito privado. Na Europa. E a partir daí.iniciativa. era preciso segregar o que era civil e o que era comercial. percebeu que tratamento uniforme para matéria cível e comercial era impossível. em que se retrata do que falara. observada a função social da propriedade. É nesse momento que se começa a falar em UNIFICAÇÃO DO DIREITO PRIVADO. De dada situação. Donde. 3. Afirmou que não fazia mais sentido disciplinar o direito civil e o direito comercial de formas distintas. são privadas. a ser atribuída ao Estado (seja por ser monopólio natural. determinar-se a intervenção do Estado na economia. a compra do imóvel. Tal necessidade é atribuída a uma fase do direito em que se precisou bem distinguir direito público e direito privado. preocupado com as relações internas. as quais. proteção ao meio ambiente. 2. mesmo exercidas pelo Estado. Índole internacional do direito comercial. em único diploma legislativo. observou-se necessidade de tratamento uniforme para atividades civis e comerciais. Atividade propriamente pública. o famoso jurista italiano CESARE VIVANTE proferiu aula inaugural em Bologna em que defendeu a unificação do direito privado. Direito comercial preocupa-se com atos em massa. a celebração do contrato.

havia elementos do direito comercial fora do código. E no Brasil. determinando regra do caso concreto). o comerciante está em oferta permanente. Não só o direito comercial permanece autônomo como não é possível nem unificação formal nem material. Depois disso. Apesar da retratação de Vivante. e precisava de um tipo que lhes desse responsabilidade limitada. O Código Comercial está nesse bojo. manteve-se a dicotomia do direito privado e se contratou CLÓVIS BEVILACQUA. como se deu a unificação? Texto de MOREIRA ALVES. Mas dada sua não aprovação no Brasil. Visconde de Mauá queria associar-se aos ingleses. há o primeiro código de direito privado: CÓDIGO DAS OBRIGAÇÕES DE 1881. houve sim unificação parcial do direito privado na Europa. É texto referência para o direito privado. Daí ser um método indutivo. para aplicação específica (fattispecie geral e abstrata a uma incidência. em que mostra como no Brasil foram difíceis os esforços para elaboração de Código Civil. Na Constituição de 1824. TEIXEIRA DE FREITAS é contratado para a elaboração do Código Civil. com profissionalidade. que se extraem conclusões abstratas.adoção da dicotomia do direito privado. Métodos de pensamento diversos: método indutivo do direito comercial em contraposição ao método dedutivo do direito civil. havia previsão de um Código Civil e um Código Comercial . Na Suíça. Dedutivo é o método que sai de regra geral. cujo expoente é a Argentina. que culminou com o Código Civil de 1916. pois tinham força política para exigir tal. com a Constituição de 1889. Afinal. por premissa maior. é da observação da realidade. apesar da . Então.isolado. o CÓDIGO CIVIL ITALIANO DE 1942. Posteriormente. Daí não ser surpreendente haver um código especial antes de um direito geral. No direito comercial. Mas mesmo assim. concluindo que seria impossível ter apenas tal código. Até 1916. vigoravam as regras portuguesas. e que o ideal seria um código unificado. Rapidamente elaborou-se o Código Comercial. na forma das ordenações. o modelo foi exportado para outros países. 4. da reiteração dos comportamentos. Mas adota a teoria da empresa para distinguir matéria civil e comercial. Os comerciantes eram classe mais organizada.

houve tentativas de unificação: ora na reforma do Código Civil. Não há. O projeto foi submetido como versão final em 1975. Esse Código propôs-se a (i) unificar o direito privado. do direito concorrencial. Portanto. as normas das instituições financeiras. É porém unificação formal (meramente legislativa) e parcial (apenas no direito obrigacional). o direito comercial permanece autônomo em relação ao direito civil. Para entender essa discussão. Os microssistemas do direito comercial foram preservados. Passou a tramitar no Congresso. (i) elencar tipos societários e (iii) trazer a teoria da empresa. A própria Constituição faz essa distinção: Art. posterior descodificação e atual movimento pela recodificação. que são diferentes das demais sociedades anônimas. portanto. do direito bancário. Aula 06 ORDEM ECONÔMICA CONSTITUCIONAL .existência de diplomas separados.União legisla privativamente sobre direito civil e comercial. adotando inclusive o conceito de empresário. autônomo em relação ao direito civil. como da Lei das Sociedades Anônimas. unificação substancial do direito privado. mas nenhum dos resultados entrou em vigor. tanto como objeto de regulação dos fatos. mas sobretudo como ciência autônoma do direito. O Ministério da Justiça contratou diversas comissões. entre outros. com a codificação. Há problemas inclusive com os princípios próprios de cada microssistema comercial. ora na reforma do Código Comercial. e ficou na gaveta por muitos anos. 22 . com participação de juristas como Caio Mário e Silvio Marcondes. Por exemplo. desta vez com unificação do direito comercial. Capitaneada por Miguel Reale. e com diversas emendas foi promulgado em 2002. a comissão inspirou-se no Código Italiano de 1942 para um código unificado. tem-se o texto da professora RAQUEL SZJTAIN. permanecem todos alheios ao Código. O que aconteceu em 1969? O Ministério da Justiça contratou comissão para elaboração de projeto de Código. Necessária aqui a menção à tentativa de novo Código Comercial.

CC. 966.segunda-feira. passando para o direito da empresa. damos um passo atrás. é preciso entender o que seja uma atividade econômica e como deve ser disciplinada. 9 de abril de 2012 21:09 O fato de a Grécia ter encontrado formas de trocas. e hoje. eventualmente. O empresarial e o não empresarial definidos pelo Art. apresentando mutabilidade a todo tempo. Percorremos o direito europeu e o direito brasileiro. Do direito dos comerciantes. artística e científica . 170. ATIVIDADE O que significa atividade? Remete-nos a ideia de CONJUNTO DE ATOS VINCULADOS PARA UMA FINALIDADE. desmonetizando sua economia. bem como a informalidade vista nas recentes transações comerciais em Portugal. . vimos o objeto do direito comercial. trata-se da atividade econômica exercida profissional e habitualmente pelo empresário.e salvo se constituir elemento de empresa. Pelo Art. é preciso olhar para a Constituição Federal em seu Art. CONCEITO DE ATIVIDADE ECONÔMICA Hoje. O que é empresa? Do ponto de vista econômico. impondo uma exigência de sua dinamização. o direito do mercado. levam à necessidade do direito comercial de atentar às mudanças da economia e das relações sociais. E então. que trata da ORDEM ECONÔMICA. passando a analisar a atividade econômica como um todo. Até agora. 966. É a prática de uma série de atos que se relacionam em razão de uma finalidade. que só pode ser compreendido de uma perspectiva histórica (define-se como categoria histórica). Por quê? Se atividade empresarial é atividade econômica. é a organização dos fatores de bens e produção para colocação de bens e serviços no mercado. O direito brasileiro adota como critério do que seja comercial a TEORIA DA EMPRESA. O que não é empresário? Atividade intelectual. evoluiu para um direito dos atos de comércio. CC pertencem os ambos ao âmbito da atividade econômica.

Volta-se ao mercado. O critério para se definir atividade econômica está na destinação ao mercado. ainda que se comprometa a pagar uma indenização. O banco faz alocação de recursos entre os entes superavitários e os deficitários. ORDEM ECONÔMICA CONSTITUCIONAL . educacional. mas qual a finalidade de sua atividade? Promover a circulação de mercadorias. ou seja. São necessários atos em massa. A economia. Ciência econômica referese à decisão de alocação de recursos escassos em face das necessidades humanas. combinar o pagamento de um prêmio. por exemplo? Do ponto de vista material. doméstico. Apenas não têm finalidade econômica. as quais são ilimitadas. contrapondo-se ao lucro. Isto porque são atos isolados. este ato não caracteriza uma atividade securitária. Qual a finalidade dos atos da Porto Seguro? Dar em garantia para assegurar riscos. cultural. ATIVIDADE ECONÔMICA Por que atividade é diferente de atividade econômica? O que a qualifica como tal? O que não é atividade econômica? Atividade de subsistência. tem por objetivo estudar a distribuição dos recursos escassos.Qual a finalidade da atividade bancária. não pretendem a distribuição dos resultados da atividade . Associações desempenham atividades econômicas? Sim: venda de produtos. Isoladamente. organização de quermesses ou festas todas são atos dentro de uma atividade que ocorre no mercado. substantivo. O que vai ser alocado. entre outros.é no sentido de ser outra a finalidade: religiosa. Qual a finalidade dos atos realizados pelo Pão de Açúcar? Compra produtos. portanto. como. fabrica alguns produtos. qual o objetivo da atividade bancária? Fazer com que quem não tenha dinheiro tenha acesso a recursos de quem o tem. por que será alocado. Economia vem de "oikos". Trata-se da PROMOÇÃO DE CIRCULAÇÃO DE BENS E/OU SERVIÇOS. contrata empregados.

precisa respeitar a ordem econômica constitucional do Art. observados os seguintes princípios: I – soberania nacional. .Estamos falando. A CF prevê no Art. seja pelo Estado. antes de entrar no conceito de empresa. O descumprimento de cláusula de não concorrência afeta a CF? Daí ser preciso conhecer a CF. A empresa é uma atividade econômica qualificada. nos termos do Art. E seja ela no trato do legislador. tem por fim assegurar a todos existência digna. por exemplo. conforme os ditames da justiça social. Art. A ordem econômica constitucional nada mais é do que o regime de disciplina da atividade econômica. inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação. VIII – busca do pleno emprego. o que faz a CF? O texto constitucional não trata especificamente da empresa. como a CF obriga a disciplina dessa atividade. é preciso saber quais as balizas constitucionais para a disciplina da atividade econômica. e empresa é atividade econômica. Que princípios lhe são impostos? É por isso que. mas trata do gênero atividade econômica. IV – livre concorrência. dos julgadores ou até nas relações privadas (isto é. seja pelos particulares. Se o faz. da disciplina constitucionalmente imposta à atividade econômica. na heteronomia e na autonomia é preciso seu respeito). VI – defesa do meio ambiente. igualdades regionais e sociais. A ordem econômica é termo que significa a disciplina da atividade econômica. fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. 170. Poderse-ia dizer que descumpriu porque a própria CF reconhece a livre iniciativa. O direito comercial lida com a empresa. V – defesa do consumidor. CC. então. 170. Se o direito comercial trata da empresa. é preciso antes de tudo ver se a lide viola algum dos princípios constitucionais. 170 normas para a disciplina da atividade econômica. portanto. III – função social da propriedade. Quando se tem um problema jurídico de direito comercial. II – propriedade privada. É preciso entender. A ordem econômica. 966.

sobre a composição em que não haja exploração do trabalho em benefício do capital.Veda-se o trabalho escravo. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. Parágrafo único. portanto.Também chamada de liberdade de empreendimento. independentemente de autorização de órgãos públicos. Valorização do trabalho humano precisa ser concretizado. É projeção da liberdade geral (também esta garantida pela CF) no âmbito econômico. Valorização do Trabalho Humano 2. No caso concreto. liberdade econômica. Os particulares devem valorizar. . uma vez que valorização do trabalho humano é pilar da ordem econômica. E daí EROS GRAU. LIVRE INICIATIVA . A decisão empresarial de sair de uma região para outra com menos impostos é lícita em si? Exige ponderação das normas e princípios inscritos no Art.IX – tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. VALORIZAÇÃO DO TRABALHO HUMANO . DOIS FUNDAMENTOS DA ORDEM ECONÔMICA 1. muitas vezes é difícil escolher um dos lados. E a liberdade sempre deve ser lida em consonância com o princípio da legalidade: inexiste uma liberdade irrestrita. salvo nos casos previstos em lei. 2. Livre Iniciativa 1. Mas vai um pouco além disso. 170. permanecer e sair de mercados. a necessidade de conciliação entre os dois. entre outros. Isso se insere na discussão clássica sobre atenção entre capital e trabalho. referindo-se especificamente à liberdade de entrar. o pagamento irrisório. É a dificuldade de concretizar a norma constitucional. as condições análogas à escravidão. enaltecer. o trabalho humano. Permissão de tecnologias de robotização de atividade econômica violam fundamento da ordem econômica? Substituição do trabalho humano por outras fontes mais eficientes o é? É uma questão concreta na qual o aspecto genérico e o fato de ser uma norma aberta não esclarecem de antemão. liberdade de comércio e indústria.

poderse-ia ter um curso inteiro. A dignidade. nos termos do Art. É cláusula geral muito mais utilizada para argumentação. viola-se essa finalidade? É artigo de difícil aplicação prática. Há quem fale inclusive no direito a ter direitos. como uma cláusula de não concorrência não remunerada por 10 anos.Quem quer desenvolver novo negócio. Por exemplo. uma sociedade justa e solidária. é fundamento da República Federativa do Brasil. Por exemplo. 3º. deve poder explorar o negócio sem outras restrições. respeitados os ditames legais. Ninguém pode ter barreiras para entrada e atuação em mercados. não pode um órgão exigir recolhimento de taxas. Mas no caso concreto. se não seria cláusula contratual abusiva. entre outros. Essa ausência de restrição é um fundamento da ordem econômica. O que seria então fazer justiça? Por tão complexo que é. E então se discutir justiça distributiva. tal cláusula pode ser discutida com vistas à violação da livre iniciativa. FINALIDADE DA ORDEM ECONÔMICA ASSEGURAR A TODOS EXISTÊNCIA DIGNA CONFORME DITAMES DA JUSTIÇA SOCIAL Como fazê-lo no exercício de uma atividade econômica? Se a fábrica muda de lugar. Seria a ideia de que haveria repressão tão invasiva que seria inválida. inscrição. CF. E dignidade da pessoa humana deve ser entendida como a garantia de determinadas prerrogativas formais e materiais. É a ideia de mobilidade dos meios de produção destinados a uma atividade econômica. . tudo fica mais difícil. nos termos do artigo 1º. Os juízes têm interpretado que essa cláusula não é válida no caso de pessoa física sem remuneração pelo período parado. justiça alocativa e assim por diante. conselhos como o CREA não poderia exigir requisitos para criação de sociedades de engenheiros se não houvesse lei prevendo tais requisitos. E a livre iniciativa também deve ser estimulada. Quando há uma cláusula de não concorrência no contrato. É limitada pela lei. na questão do acesso. PAULA FORGIONI: Ideia de que haja pleno acesso às oportunidades de troca. Para o professor EROS GRAU. Tudo isso é o que se fala quando se diz que a finalidade da disciplina da ordem econômica é a vida digna.

Os princípios. que dispensou professor doente de câncer. Isso traz o debate da decisão do agente econômico: precisa decidir em prol do lucro ou tinha que ter pensado no aspecto humano da situação? Como. É diferente de dizer sobre fumar em lugares fechados. empresa de fast food que permitiu acesso a todo um grupo. Dois princípios que podem colidir. uma finalidade social. de fato. cita Habbib's. Tem-se a valorização do trabalho humano e o asseguramento da existência digna conforme os ditames da justiça social. foi dito que a dispensa fora lícita. . Tiveram muito lucro. de autor indiano. "A riqueza na base da pirâmide" . por exemplo. Cicarelli: Como pessoa pública. Por exemplo. Traz cases de empresários que direcionaram suas atividades à classe C. A prática de atos privados em ambiente público considerou-se não abrangida pela intimidade. com dificuldade grande de concretizar tais regras. É isso que se exige das empresas? Como isso pode ser concretizado? Se a tese está correta. São aplicador por sopesamento no caso concreto. além de perseguirem o lucro. ainda que contraditórios. E o livro. CF? A fábrica pode alterar sua sede em busca de menos impostos? O direito ainda patina muito nessas decisões. podem conviver no sistema e podem ser aplicados mediante sopesamento. não precisa direcionar suas atividades? E como ficam os acionistas da companhia? Tudo está nessa discussão do artigo 170 e da função social da propriedade. Mas está em conformidade com o artigo 170. o agente econômico. Regras aplicam-se no sistema de "all or nothing". uma finalidade de desenvolvimento em um país de desenvolvimento tardio. de inclusão de determinadas classes no mercado. porém imoral. mas também incluíram essas classes no mercado. prevalece a liberdade de expressão em detrimento do direito à intimidade.Há determinadas empresas as quais. Poderse-ia exigir isso do empregador? A decisão. precisa pensar nessas questões? Mais ainda. não foi ilícita nos termos do direito do trabalho.No caso da faculdade Cásper Líbero. PRINCÍPIOS DA ORDEM ECONÔMICA Princípios aplicam-se em um regime de sopesamento. o empresário. não convivem. liberdade de imprensa e intimidade. analisar a questão. à luz do artigo 170 da CF. alcançam uma finalidade maior.

SOBERANIA NACIONAL . Por que é importante definir que é este o regime? O professor NATALINO IRTI escreveu texto denominado "A Ordem Jurídica do Mercado". fruir e dispor? Na disciplina da atividade econômica.Remete à exclusividade de jurisdição e legislação sobre dado território. o direito de usar.Princípios são mandados de otimização. IRTI prevê então. Em que essa supremacia se traduz? Por exemplo. EROS GRAU: ruptura da dependência em relação a países estrangeiros. entre outros. O Brasil era.ALEXY . limites de crédito aos estrangeiros. A permissão das cópias estrangeiras é o estímulo às indústrias nacionais. e se não houvesse direito. em que propriedade é um direito subjetivo real sobre coisa. grande copiador dos medicamentos. PROPRIEDADE PRIVADA . permitindo maior acesso aos preços mais baratos. Poder supremo de dizer o direito. radiodifusão. é preciso observar o princípio da propriedade privada. na disciplina da atividade econômica. aviação civil exclusiva de nacionais brasileiros. nessa época. Tenta desconstruir a ideia de conceito econômico de mercado. haveria desenvolvimento da indústria nacional. ou talvez o local artificial onde o preço pode ser desenhado. se não é o mesmo do artigo 5º. da formação natural do preço. essa soberania deve ser respeitada. que o mercado não existe por si só. exploração de recursos minerais.O que significa aqui a propriedade privada? Que sentido tem. na qual mercado é o locus de encontro da oferta e da demanda. O sistema de produção do mercado é da apropriação privada dos bens. Trata-se de um critério estratégico em setores que poderiam minar a soberania. Aqui. Contrasta-se com a soberania de outros países. 1. o . deve-se respeitar que o Brasil adota o regime da apropriação privada dos bens. É o sentido do regime econômico de organização do mercado. está em oposição a propriedade coletiva dos bens de produção. Na organização. Década de 1970: exclusão de patentes de medicamentos no Brasil. Não é novidade na Constituição: é também fundamento da República. 2. No mesmo sentido. Qual a justificativa dessa política econômica? Com essa política. Qual a diferença? O fato de trazer para a ordem econômica significa que ao se disciplinar a atividade econômica. telecomunicações.

Uma das principais críticas está no mercado ilegal: a máfia italiana emprestando dinheiro aos microempresários circula riquezas. tendo sofrido duras críticas. naquela atividade. como de fato o são. não há instrumento jurídico para execução cursada. FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE . 3. Por quê? Por que não é razoável prever que uma garrafa d'água deva cumprir uma função social? Uma terra improdutiva é bem de produção? O que define ser bem de produção ou bem de consumo? A função desempenhada pelo bem. Qual função aquele bem desempenha naquela determinada atividade é a pergunta a ser feita. Se o bem. Tal texto causou grande impacto quando de sua publicação. será de produção. E portanto. não há mercado. 170. No primeiro caso. É preciso haver contrato. O direito conforma o mercado. mesmo sobre esse mercado. Para que faça sentido exigir que se respeite a função social da propriedade na atividade econômica. por exemplo.Como conciliar propriedade privada com função social? Novamente. uma execução jurídica. E a resposta estaria na discussão sobre uma concepção de direito. e sobretudo de juristas italianos. se algo é ilícito. São necessárias certas definições jurídicas para haver mercado. não sendo categoria fora do direito. é meio para produção para que se alcancem outros bens. e assim por diante. não deixa de haver avaliação jurídica. passou pelo crivo do direito. o uso da garrafa deve assegurar sua função social? Mas qual seria sua função social? De que propriedade é essa? A propriedade dos bens de produção. princípios podem ser colidentes. é preciso restringir aos bens de produção. será preciso garantir a propriedade privada e a garantia de exercício desse direito. sem uma garantia. É preciso. Uma garrafa pode ser de alguém (apropriação privada de bens).mercado jamais existiria. instrumento jurídico para a circulação de riquezas. Sem as definições jurídicas. que se diga se está diante de um sistema de apropriação privada ou coletiva de bens. Se alguém não paga. Há normas sociais. será bem de consumo. Caso contrário. É fato que existe um mercado de drogas. Pelo Art. . Mas para KELSEN.

PRINCÍPIOS DA CONSTITUCIONAL ORDEM ECONÔMICA O que mais interessa no dispositivo? A ordem econômica deve ser regida por princípios (mandamentos de otimização. O problema está em sua abstração e difícil concretização.Um carro para uma transportadora é bem de produção. E é crucial para a aplicação do Código de Defesa do Consumidor. CF O que é ordem econômica constitucional? A disciplina imposta pela Constituição à atividade econômica. uma vez que o consumidor é o destinatário final do bem. Aula 07 ORDEM ECONÔMICA CONSTITUCIONAL PARTE 02 segunda-feira. O que é uma função? Uma relação a uma atividade. senão por aplicação seletiva. com seus princípios básicos. É normatização da atividade econômica. 170.A disciplina da atividade econômica tem como fundamento a (i) valorização do trabalho humano e a (ii) livre iniciativa. sendo necessário perquirir qual a relação. O que diz a CF? Art. disciplina esta apresentada não somente pelo legislador ordinário aos juízes. não se aplicam no tudo ou nada. e portanto. 16 de abril de 2012 20:54 ART. Um carro para um particular é bem de consumo. . Não é uma questão fácil. E para uma sociedade de arquitetos? A definição passa a ser mais difícil. Se a CF determina regras à atividade econômica. mas também aos particulares e ao próprio Estado quando no exercício da atividade econômica. tendo como finalidade assegurar a todos existência digna conforme os ditames da justiça social. Em um seguro. São os fundamentos de qualquer disciplina da atividade econômica. caucada na proporcionalidade). com vários desdobramentos. 170 . que não são regras. elas são necessárias para entender a atividade empresarial. o segurado é consumidor? A relação é de produção ou de consumo? Quem define qual a função do bem? Raramente é a lei.

Não o direito subjetivo. INCISO III . pois não se conseguiu atingir o grau de concretização necessário. Tornou-se uma cláusula geral. por exemplo. e não apenas do titular. fruir e dispor.INCISO I . na restrição a estrangeiros em dadas atividades. A propriedade não encerra apenas o direito de usar. senão imputa a seu titular um dever. O que significa dizer que nosso sistema jurídico estabelece como princípio a função social da propriedade? Como isso é concretizado? Ideia de impedir o exercício contra os interesses da propriedade. senão o regime econômico. Aplica-se. sendo que o Brasil reconhece um sistema de apropriação privada. Mas a doutrina já conseguiu dar alguns passos.PROPRIEDADE PRIVADA Aqui entendida como propriedade de bens de produção. E ainda mais: de um uso muito inadequado na aplicação e nos estudos jurídicos. o sistema não só reconhece um poder. não inferior a outros poderes estatais. ao reconhecer a propriedade privada como direito subjetivo. de modo a deixar a indústria brasileira independente e desenvolvida.FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE O que é e como se coaduna com o direito de propriedade? Ideia de que. É o sistema econômico capitalista. Qual a origem da função social da propriedade? Fala-se da Constituição Mexicana. O regime é consequência da adoção da propriedade privada (neste caso. senão orientar seus interesses para a coletividade. Também nas regras de restrição à transferência de tecnologia. INCISO II . um argumento quase panfletário. de apropriação de bens no mercado. Como pode a legislação fazer isso? Como pode o juiz no caso concreto decidir? É um princípio de muito difícil concretização. mas principalmente a Constituição Alemã de Weimar. Prevê a CONSTITUIÇÃO DE WEIMAR: "A propriedade obriga. ainda que incompletos para sua plena aplicação: .SOBERANIA NACIONAL Poder incontrastável. de qualquer bem). Seu exercício deve servir ao interesse da coletividade".

CONCRETIZAÇÃO DA FUNÇÃO SOCIAL PROPRIEDADE: APLICAÇÃO AOS BENS DE PRODUÇÃO DA Suponha-se que alguém é proprietário de um celular (portanto. É um exercício vinculado. Se também está sujeito ao cumprimento da função social da propriedade. atos emulativos. Função social da propriedade aplica-se a bens de produção. no qual há pleno exercício do direito. Não se pode exigir do proprietário do bem de consumo. portanto. papagaio. há sujeição a um regime especial. Uma alegação de não cumprimento da função social da propriedade não envolveria abuso de exercício: o indivíduo deveria agir. Qual a diferença de dizer que não atua segundo a função social da propriedade e dizer que é um abuso? O exemplo mais clássico do abuso de direito é o direito de vizinhança: muro que impede o sol no vizinho. Portanto. há também o que? Como exercer a função social da propriedade? O que se espera? Pode-se destruir o celular? A dificuldade de se dizer o que se espera mostra como não se aplica aqui a função social da propriedade. pois o faz apenas para prejudicar o terceiro. É preciso entender a diferença do exercício funcional dos poderes do abuso do direito de propriedade. Bens de produção. O proprietário extrapola os limites do direito. O QUE SÃO BENS DE PRODUÇÃO? Qual a definição clássica? O bem de consumo exaure-se em razão de seu próprio uso. poderia extinguilo a bel-prazer? Não.1. se o celular fosse bem de produção. FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE (FAZER) X ABUSO DE DIREITO (NÃO FAZER) . 2. Pela importância dos bens de produção. com direito de usar. ainda que esse uso seja por tempo . fruir e dispor). É preciso exercer os direitos de forma a agir os interesses da coletividade. do mercado. que é a satisfação do interesse geral. mas funcionalizado. pois se impõe somente aos bens essenciais ao funcionamento da economia. vinculado a uma finalidade. e não para satisfazer interesse próprio. têm um dever especial de orientar de acordo com interesses gerais. funcionalizado. relacionado a uma determinada finalidade.Não basta dizer que a propriedade obriga.

Mas o não uso da patente seria descumprimento de função social da sociedade. Sem consumir. por sua própria natureza? Um carro. QUAIS OS BENS DE PRODUÇÃO TÍPICOS? Neles. o que é empresário? Organiza fatores de produção para circulação de bens e produtos no mercado. mas com outro regime jurídico.bem como outros que sustentam o contrário. do IMÓVEL RURAL. na comunidade em que atua. Seu não uso pode impor licença compulsória em medicamentos.algumas vezes. São os terceiros STAKEHOLDERS. 47: Deve-se tentar a recuperação. e poucos manuais tratam disso. não há empresa. inclusive pela própria lei. é o que? Depende de sua função. atender a uma função social. E então. É a concordata. é ele o primeiro destinatário da função social da empresa. Pensando-se no controlador dessa atividade. Em conflito com eficiência. Pelo conceito econômico de empresa. é bem de consumo ou produção? Há quem diga que é produção . Então. o que define é a função. Outro exemplo está nas PATENTES. LEI DE RECUPERAÇÃO E FALÊNCIAS/200 . para colocação em mercado de outros bens ou serviços. a lei atribuiu sanção para seu descumprimento (inclusive por previsão constitucional). A utilidade do bem é satisfeita pelo próprio emprego a que foi destinado. entre outros. A atuação de empresa em mercado afeta não somente os interesses do empresário. Os imóveis rurais devem ser produtivos. O bem de produção é meio de geração de riqueza.Princípio que surgem em decorrência da função social. concretiza-se melhor a função social da propriedade. E se o celular é a forma pela qual um advogado atende seus clientes.prolongado. O que está em jogo? Qual o critério? Sua FUNÇÃO. FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA . Isso é muito importante.ART. senão dos consumidores. São os exemplos da terra. Afeta interesses de terceiros indistintos. É o bem consumível. Não se pode dizer que um bem é de consumo ou de produção em si. lucros e função social da . Esse dever imposto ao titular da propriedade só se aplica se o bem objeto foi pacificado como de produção .

o lucro é interessante.Autor clássico que escreveu "O interesse social". tem a chance de vender e comprar.empresa. O interesse próprio do controlador é maximizar seu recebimento. Atingirá interesse de trabalhadores. escreveu "O interesse social revisitado": quem atua no mercado de capitais ganha principalmente na flutuação das ações. cria problemas. Como obrigar o controlador no interesse de terceiros? A lei não prevê isso. suponha-se que a planta da sociedade precise ser alterada. isto é. Deve exercer o poder. o que costuma ganhar? Claro que aqueles. direito do . mas a preocupação dos acionistas está no valor das ações. Como exigir isso dentro da LSA se já há normas de direito ambiental. Em 2000. O artigo. em primeiro lugar.404/64) . em maximizá-las.Tem o direito de propriedade sobre o controle. conseguir especular.CONTROLADOR TEM O PODER-DEVER DE ORIENTAÇÃO DOS NEGÓCIOS SOCIAIS PELOS INTERESSES DA COLETIVIDADE E NACIONAIS . Para a professora KRUEGER. JAEGER . porém. Quem tem a propriedade de 51% tem também um dever. estado de perigo. e não se aplica a função social da empresa. tem o dever de orientar os negócios conforme os interesses de terceiros: comunidade e interesses nacionais. Qual o dever que tem em relação à sociedade? Em relação aos minoritários. mais do que soluções. direito trabalhista. e arcará com as consequências disso. Em sua razão. Se automatizar produção. vai desatender certos interesses. que tem o interesse de maximizar o lucro. A própria CVM e os tribunais têm dificuldade em implementar esse dispositivo. Vai poluir. Como compatibilizar esse interesse primário com o interesse da comunidade? Para aumentar o lucro ou o valor das ações. O interesse passa a ser maximizar as ações. orientando o exercício desse direito segundo os interesses da coletividade. Se tem liquidez. por exemplo. LSA (LEI 6. regras de revisão contratual. O que é a revisitação do tema? Com o mercado de valores mobiliários desenvolvido. extrairia qualquer benefício da empresa. no interesse da sociedade. mas a lei lhe impõe limites. O controlador deve exercer seu poder de forma a atender os interesses de todos os acionistas. confunde o ordenamento e confunde outras regras. de receber seus dividendos. Na ausência de regras. recebendo o preço de venda.

a livre concorrência é objetivo da ordem econômica. Enquanto a livre iniciativa prevalece a ideia de acesso ao mercado e às oportunidades de troca. pois poder econômico é um fato. E então. a mera detenção de tecnologia seria um poder econômico. Quando objetiva evitar distorções. Uma vez no mercado. é preciso igualdade de condições entre os concorrentes. prevalecendo a eficiência em igualdade de condições. por exemplo. coloca o preço no alto. entre outros. Não pode praticar preços predatórios abaixo do custo para expulsar outros do mercado. e alia sua atuação com uma atuação de marketing muito intensa. garantia de disputa no mercado.LIVRE CONCORRÊNCIA A livre concorrência diz respeito às condições de atuação no mercado. Supondo que não houvesse reconhecimento de patentes. quando se torna monopolista. Não parece coerente. por exemplo. da própria atuação dos agentes em mercado. Os empresários não podem se valer de subterfúgios para atuar no mercado. Seria razoável dizer que o poder deva ser reprimido? . afirma-se que o objetivo da lei não pode ser reprimir o poder econômico. olhando o ordenamento como um todo. venda casada.consumidor. A ideia é de vencer o concorrente mais eficiente. é um modelo. Imagine-se que a lei diga que "a lei reprimirá o poder econômico". Mais do que um princípio. É possível haver mercado de livre concorrência plena? Existe concorrência perfeita? Não. Isso significa que um concorrente não pode praticar. tem sua fórmula protegida por segredo industrial. INCISO IV . Surge independentemente de disciplina jurídica. Uma explicação possível seria dizer que é porque os outros microssistemas não estavam suficientemente instituídos em 76. Se aquela é desdobramento da liberdade geral. Não faz sentido. fazer com que atue o mais próximo possível do modelo da concorrência perfeita. na livre concorrência tem-se a ideia de igualdade condições na atuação do mercado. A ideia da livre concorrência é evitar falhas de mercado. a livre concorrência é passo posterior. Coca-Cola. exigir do controlador da sociedade anônima o que já há em outras normas.

tendo esse modelo em mente. A Lei de Defesa da Concorrência reprime o abuso de poder econômico. Café. como combinar preço por cartel. para dadas condutas. e também sobre a diferença entre os produtos no começo e no final da feira. não razoáveis no mercado. A livre concorrência seria plena na concorrência perfeita."A lei reprimirá abuso de poder econômico". Mas não é tão bom assim: há diferença entre orgânicos e não orgânicos. . Eventualmente. O CADE pode fazer análise de razoabilidade. não há caracterização de ilícito per se. 173. O produto seria homogêneo e a informação dispersa. §4º .Independentemente de eventual concentração. Outro exemplo citado pelos manuais está na feira livre. (ii) informação disponível. práticas consideradas não-equitativas. de modo a corrigir distorções. por exemplo. Concorrência perfeita pressupõe: (i) produtos homogêneos. fungíveis por outros de mesma qualidade e quantidade. o CADE. É a mão invisível do Estado. avalia determinadas práticas e determinadas concentrações. (iii) não poder alterar preço sozinho. como venda casada. tem-se a concorrência perfeita como objetivo. de ofício ou por denúncia apura se houve infração à ordem econômica. Mas o modelo de livre concorrência pressupõe a ideia de concorrência perfeita. Surge nas relações de mercado. E daí a lei elencar o que é abusivo. preço predatório. tendo como extremos o monopólio (único ofertante) e o monopsônio (único demandante). E daí o CADE. O mercado mais próximo da concorrência perfeita está no mercado de bolsa das commodities. O CADE faz dois controles: (i) Controle de Condutas . Na prática. simétrica quantitativa e qualitativamente a todos os agentes de mercado. uma construção dos economistas. com os intermediários oligopólio e oligopsônio. de modo que nenhum agente muda o preço sozinho. tem produtos homogêneos e informação tão dispersa que se aproxima de concorrência perfeita. Pode haver prática de ilícito e o ato ser justificado. O empresário quer ser monopolista. cartel. entre outros.Daí o Art.

há também o CDC.(ii) Controle de Estruturas .Havendo dada concentração. É possível que os agentes econômicos tenham estratégia pesada em marketing. de vulnerabilidade. A quem se aplica essa disciplina especial? Quem tem uma proteção especial decorrente do direito do consumidor? Depois de mais de 20 anos de jurisprudência. sucos. Como dizer que uma rede como o Pão de Açúcar seria hipossuficiente em relação à empresa que fabrica caixas registradoras? .O outro lado da moeda da concorrência é o DIREITO DO CONSUMIDOR. E por essa leitura. muito já se resolveu. não basta olhar para o consumidor físico. por ter menos recursos. o CADE aprova o ato. Mas se houver potencial de benefício ao consumidor. de 1990.DEFESA DO CONSUMIDOR COMPARATO . No caso da AMBEV: é preciso olhar o caso das bebidas em geral ou apenas de refrigerantes? Vodka entra? Caninha 51? É a análise do mercado relevante. E em relação a quem? Hipossuficiência dá a ideia de desequilíbrio. Interpretou-se de início que seria uma hipossuficiência econômica. Mas há dificuldade de aplicação em relações inter-empresariais. não prosseguirá. O consumidor. e se sim. se há poder econômico potencialmente abusivo. É necessário olhar se aquele adquirente está em posição de hipossuficiência. mas houve muita polêmica. É preciso analisar o mercado. pois nunca seriam hipossuficientes econômicos em relação ao consumidor. ainda que o bem circulasse no mercado e fosse parar em determinados agentes. mereceria tratamento especial. além da lei do antitruste. Mas para se definir se é ou não relação de consumo. O CADE decidiu pela análise de vários mercados relevantes: cerveja. Vulnerabilidade significa maior sujeição. CDC: Consumidor é o destinatário final dos bens ou serviços. Não é consequência necessária do direito da concorrência o benefício ao consumidor. Assim. É preciso ver como os destinatários dos produtos e serviços age. eles nunca seriam consumidores. Constatou-se potencial de abuso de poder econômico nas cervejas. água. o CADE olha para o mercado e analisa onde ele se situa (se monopólio ou oligopólio). Não é tão simples quanto análise da circulação física do bem. INCISO V .

podem conflitar com a livre concorrência. . diminuição de taxas. Se a caixa registradora deu defeito. INCISO VIII . INCISO VI . Empresa que toma capital de giro em instituição financeira é considerada consumidora. mão de obra inativa. está correto? Parece que não. senão informacionais e técnicas.DEFESA DO MEIO AMBIENTE. Por que o empresário que importa suas mercadorias pelo porto do Espírito Santo paga menos do que quem paga pelo porto de Santos? Isso não viola a livre concorrência? Sim. Daí incentivos fiscais. E novamente. fundada na vulnerabilidade. Ideia de não haver trabalho informal. E como resolver? Por sopesamento. INCISO VII – REDUÇÃO REGIONAIS E SOCIAIS DAS DESIGUALDADES Também é princípio da República Federativa do Brasil. que impõe diversos deveres para quem exerce atividade econômica.BUSCA DO PLENO EMPREGO Segunda menção ao trabalho.De várias questões. sub-utilização do trabalho humano. e assim por diante. Não são mais econômicas. e assim por diante. De forma ou de outra. o especializado é o fornecedor. chegou-se à ideia de ASSIMETRIA DE INFORMAÇÕES como critérios para hipossuficiência e vulnerabilidade. inclusive pelo direito penal? Há esse microssistema do meio ambiente. portanto. O exercício de uma atividade econômica apresenta reflexos no meio ambiente que devem gerar proteção. E então. subsídios. INCLUSIVE MEDIANTE TRATAMENTO DIFERENCIADO CONFORME O IMPACTO AMBIENTAL DOS PRODUTOS E SERVIÇOS E DE SEUS PROCESSOS DE ELABORAÇÃO E PRESTAÇÃO Para que falar em função social da empresa se há o direito ambiental. A grande empresa seria sim consumidora. e o Pão de Açúcar vende no varejo. os direitos do consumidor devem ser protegidos. por mais que seja menor.

RACIONALIDADE ECONÔMICA E RACIONALIDADE JURÍDICA Esse vértice é um dos mais interessantes e importantes ao se falar de direito comercial. refere-se aos bens de produção. Há hoje multas pesadas dadas pela CVM. Vejamos alguns elementos: 5. PROPRIEDADE DINÂMICA Oscar Barreto . É preciso ter muito cuidado ao se . não é preciso de assinatura de advogado para contrato social de microempresa. 3.Lei da micro e pequena empresa.Texto do estabelecimento. 7 de maio de 2012 21:28 (Cheguei às 21h30 pelo evento da nova lei do CADE). LIVRE INICIATIVA 2. dão situação mais favorecida. Viola a livre concorrência. Por exemplo. 1.INCISO IX – TRATAMENTO FAVORECIDO PARA AS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE CONSTITUÍDAS SOB AS LEIS BRASILEIRAS E QUE TENHAM SUA SEDE E ADMINISTRAÇÃO NO PAÍS Tratamento mais benéfico ao micro e pequeno empresário. Têm taxas mais benéficas nos órgãos públicos. TUTELA DO CRÉDITO E PROTEÇÃO DA LEGÍTIMA EXPECTATIVA 5.1. e processos contra advogados. desejando realizar atividade empresarial com pouco investimento. mas houve incentivo àqueles que. Os bens entram como insumo ou estoque. e é o menos jurídico. Lei Complementar 126 . Aula 08 VÉRTICES DO DIREITO COMERCIAL segunda-feira. A questão do insider trading tem se tornado assas importante. SEGURANÇA E PREVISIBILIDADE 4.

Na época mais favorável. Todas as vezes que não se protege a legítima expectativa. e então. fazendo crítica ao caminho tomado. Qual o efeito no mercado? Sumiu do mercado o leasing cambial. captado esses recursos também em dólar. Ao se celebrar o contrato de leasing. o que as empresas fizeram? Ingressaram no judiciário requerendo revisão das bases econômicas do negócio. havia uma expectativa. pois era mais seguro. O roubo de um carro para a seguradora é um risco. que muda. RAQUEL STZJAIN tem texto na RDM somente analisando essas decisões. tem-se em geral uma consequência oportunista. O que aconteceu na década de 90? Havia dois produtos no mercado: leasing cambial (atrelado ao dólar) e leasing em reais. Muitos optaram pelo leasing cambial. RISCO E CUSTO 6. E para fazer o . Houve um desequilíbrio nas contas da instituição bancária. por sua vez. Pode ser um efeito somente entre as partes.veja-se a proximidade de área securitária do direito comercial). 5. qual era mais caro? O em real. Remanesceu apenas o leasing mais caro. Mas o dólar subiu. ao não reconhecer a racionalidade econômica. fundada até em racionalidade jurídica. que é incentivar o oportunismo. Um exemplo é o leasing. e não uma incerteza. tivemos que um produto que podia ser mais interessante saiu do mercado. incerteza não. 6. que é o que não pode fazer o direito comercial.RISCO X INCERTEZA O próprio exercício da livre iniciativa está relacionado com isso. E os juízes concederam a revisão. Havia contrato aceito perfeitamente válido entre as partes. contrato de locação com opção de compra do bem ao final. A não proteção disso leva ao outro ponto. Qual a diferença entre risco e incerteza? Risco é mensurado (por meio de matemática probabilística .1. OPORTUNISMO. É exemplo que costuma se dar de como o direito. Também estava com dívidas em dólar. E há uma contraposição à incerteza. utilizado muito por empresas. alegando que no momento da compra havia sido um valor. mas também algo maior. afeta o mercado. e que a variação cambial era evento futuro e imprevisível. pelo preço. O banco tinha. É preciso esse constante diálogo.2. Pensando no mercado como um todo. é algo decidido pela ciência atuarial: daí o prêmio.lidar com informações privilegiadas.

da inexperiência. Isso sim deve ser tutelado pelo direito. há um custo para o empresário. As normas jurídicas devem considerar esses custos. 5. isso implica mais ou menos custos. pois é preciso no mínimo saber interpretar os dados (por exemplo. Agir sobre isso não apenas interfere na livre iniciativa como interfere no planejamento mais eficiente da outra parte. seja por análise de balanços. pois a seguradora tem como calcular a probabilidade de ocorrência do risco. Evidentemente não cabe um seguro. de não ter lucro.cálculo de risco. Principalmente o custo informacional. Atividade empresarial não é para quem não é empreendedor. como de fato tem que ser. e assim por diante. Divulgar diminui os custos ao investidor. Oportunista é ver uma brecha. e se valer: da ingenuidade. uma possibilidade de garantir seu interesse e conseguir satisfazê-lo. Ainda assim tem custo.4. o agente econômico precisa de tempo para tomar decisões. Mas há um limite tênue entre oportunista e "esperto". não é risco. atuar no mercado implica custos. e assim por diante. A ideia é de que o empresário. da vulnerabilidade da outra parte. pela gestão atuarial. o que implicaria custos. não proteger a legítima expectativa porque uma das partes não fez seus cálculos e não atuou da forma que devia ter atuado é muito prejudicial. saber onde está o consumidor. por ser um agente racional e visar a maximizar sua utilidade. não tem tino . Imagine-se que em mercado de capitais as companhias não precisassem divulgar informações? Como saber se é melhor comprar ações da Petrobrás ou da Chevron? Seria preciso ir atrás. A ideia é de que tudo tem custo. risco de não dar certo. 5. Para ASQUINI. No mínimo. Oportunismo tem uma conotação negativa. E novamente. É possível seguro para proteger os gauleses de Asterix do céu cair sobre as cabeças? Isso é incerteza. deve-se entender que atividade econômica implica um risco. Mas daí a discussão: ataque terrorista é mensurável? De todo modo.O empresário sempre quer cortar custos. Isso é facilmente perceptível em nossa vida prática. Mas talvez seja possível um seguro para um satélite que cai sobre a cabeça. contratando um analista financeiro).5. CUSTO . pode por vezes ser oportunista. E os economistas dão um parâmetro importante para os juristas: informação tem custo.

começamos a aplicar normas que não tratam da mesma maneira dos usos e costumes. que vem da prática dos comerciantes. por exemplo. 7. não é uma via de mão única: a prática produz uma racionalidade jurídica. Deveria a parte contar desde logo? O que é oportunismo e o que é atuação em boa-fé. Cada detalhe do contrato. e muitas vezes é o próprio contrato que o fará. Então. todas as cláusulas e garantias sobre o objeto seriam assinadas. E acaba levando a uma tentativa de uniformização primeiro na primeira instância. e outros dirão que estão no legítimo direito da atuação empresária. por exemplo. em primeiro lugar. e isso vem da prática reiterada. Um é a própria formação do direito comercial. E uma vez fechada a compra e venda. se for discutido a cada contrato. Atua como uma fonte. com uma série de institutos de acordo com a racionalidade econômica e jurídica . O Código Civil fala em função social e uma série de cláusulas que dependem de uma interpretação judicial. Uma das partes pode ser oportunista. Há essa sutileza. Se a transação for FOB (free on board). em que se estabelece de antemão.empresarial. Cabe às normas de direito empresarial desenhar esse limite.veja-se o caminho circular. FORÇA UNIFORMIZADORA DOS USOS E COSTUMES Tem dois lados. Mas uma das partes descobre no meio da madrugada de reunião que a empresa sofreria um grande baque financeiro. entre outros. Com ela. Vem dessa força uniformizadora. já se tem uma diminuição de custos. Um exemplo é em negociação de venda de controle empresarial. Em algum momento. Já há estas siglas que levam a um regime jurídico. aumenta custos. Vimos em aulas anteriores a questão da uniformização do direito obrigacional. Incoterms. se usa algo já consolidado no comércio internacional. termos utilizados no comércio internacional. A prática reiterada acabou criando um direito. não há uma parte alegando quem arca com o seguro e quem arca com o frete. nem sempre fácil de ser decidida. mas permite aos empresários diminuir custos de negociação (transaction costs). o que atrapalha a prática . depois nas outras instâncias. quem arca com custos de seguro de transporte. leal com a outra parte? Nem sempre a situação é tão clara. o que poderia afastar o interesse. Professora brinca: "o que o empresário bonus pater familia faria?". e uma racionalidade jurídica induz a uma prática.

O CC de 2002 menciona. sementes . como se comportou. por conta do comportamento adotado. a que preço? Ou seria somente indenização. o mesmo contrato poderia discutir função social do contrato. A ideia das súmulas vinculantes é em boa parte decorrente da necessidade de uniformizar lacunas antes preenchidas pelos costumes. e elas não foram consideradas nas decisões. ou nem isso. Havia norma no Código Comercial que falava na aplicação do direito "da praça". Estaria ou não obrigada a comprar a safra? E se sim. Diversas safras de tomate eram fornecidas pela CICA para financiar o produtos. Fornecia todos os anos sementes aos plantadores de tomate. As decisões em contratos empresariais perderam muito de sua objetividade. BOA-FÉ OBJETIVA O direito civil apropriou-se dessa definição. Mas hoje. em que ambos são considerados empresários. Por exemplo. em que uma das partes parece ter agido com oportunismo. e assim por diante. E note-se: é caso do início da década de 1990. É um contrato inter-empresarial. já conhecida do direito comercial.comercial. e qual o dever contratual que tem. Havia uma legítima expectativa criada pela CICA aos plantadores de tomate. famosos justamente porque se tentou aplicar a função social do contrato. mensurada a partir do comportamento das partes. mas longe de ter introduzido a boa-fé no direito brasileiro. margem para discutir qualquer coisa e para o ativismo judicial. em compra e venda de bois gordos. a CICA não comprou. com solução pouco aderente com a realidade. havia toda uma disciplina sobre quem pagava pelo transporte. havia normas de usos e costumes. com base no direito comercial.vide contratos de soja verde. Tem caso bastante interessante com parecer do professor JUNQUEIRA no caso CICA. pois seria mera decisão econômica? A decisão prevalecente no STJ foi de que a CICA tinha sim compromisso com os plantadores. quem pagava caso morresse. 8. considerando a situação em que estava. Esse tipo de discussão é comum em contratos agrários . e depois compravam os tomates. não há nem mais compilação nem a mesma força anteriormente dada. Em um ano. A Junta Comercial tinha uma função importante em consolidar regras. pois já existia claramente no Código Comercial de 1850. Hoje.

Daí haver tantos "considerandos" nos contratos empresariais. Hoje talvez houvesse tendência do Judiciário de priorizar o tamanho econômico das partes (grande industrial e pequenos plantadores). 131.eram fornecidas. Veja-se o caráter didático. dá informações ao juiz e ao árbitro. infelizmente não transpostos ao CC de 2002 (PAULA FORGIONI). mas houve decisão sem adentrar nesse mérito."O fato posterior que tiver relação com o principal será a melhor explicação para o contrato". a boa-fé objetiva. pois ela comprava a safra toda. Não se pode atuar em desacordo com o próprio comportamento. uma relação contratual de fato. tirando do contexto as outras disposições contratuais.A "essência das palavras". São critérios considerados inteligentes para esse tipo de interpretação. III . E então. Art. É prática comum das partes e seus advogados quererem destacar uma cláusula. Como as entregas têm sido feitas. Outra forma de olhar para o problema seria pela legítima expectativa. como as partes têm interpretado o contrato dão pista se houver alguma lacuna. Há um comportamento de fato. diz que não tem obrigação de comprar a safra. E também a questão de informação: o preço seria maior. muito mais do que a literalidade. o que se pretendeu com o contrato. .Cita "espírito do contrato". E também porque os plantadores de tomate teriam vendido a preço mais caro no varejo do que ao preço que vendiam à CICA. adquiria safra. e uma cláusula deve ajudar na interpretação de outra. se soubessem antes que não haveria compra. algo que foi discutido no caso da soja (qual a função econômica do contrato?). Contrato é um todo. I . que demonstram as intenções das partes e os vetores interpretativos em casos de cláusulas ambíguas. É decorrência do venire contra factum proprio. com entendimento doutrinário de que havia preferência na ordem do texto: o primeiro sendo mais importante do que o quinto. II . Código Comercial de 1850 . Daí a necessidade de segurança e previsibilidade. senão pela boa-fé objetiva. já elencados no Código de 1850. Novamente. e ao final. Cinco incisos.Critérios de interpretação dos contratos empresariais.

mais dogmática. Por que as pessoas se organizam em empresas. e haja dúvidas se já conhecia. Definição. O credor deve diligenciar que o contrato seja o mais claro possível. Se não puder se preencher. Preferência pela prática mais uma vez. por que há empresas? E tenta responder a isso do ponto de vista econômico. E novamente. pai da teoria da empresa na Itália e muito citado no Brasil. O que causa aumento dos custos é exatamente a segurança. 14 de maio de 2012 20:50 Depois de concluída a primeira parte. Embora não tenha citado. há relação com o texto "The Nature of the Firm". sobre o que seja o direito comercial. Aula 09 ATO E ATIVIDADE: ATIVIDADE NEGOCIAL E EMPRESA segunda-feira. e o que ele estuda. Não se poderia começar a falar de empresa sem citar ALBERTO ASQUINI. Por que perfis da empresa? Qual sua primeira constatação? A empresa é um fenômeno econômico. na linha da primeira parte de nosso curso? Tem texto sobre os PERFIS DA EMPRESA. temos como resposta que. é o devedor que se beneficia. Pode-se até discutir se é medida boa. a EMPRESA é o critério de incidência do direito comercial. mas fato que se diminuem custos.IV . Por ora. é importante saber que . Citamos contrato de locação com fiança."Decidir-se-á em favor do devedor. de forma prévia. em casos duvidosos". O que dizia ASQUINI. especialmente no lugar de execução". discípulo de ASCARELLI. quem fica com o custo da interpretação caso nenhuma das cláusulas forem suficientes para resolver a lacuna. se não. Esse segunda parte. hoje."Uso e prática usualmente adotados no comércio. se fecha com segurança e previsibilidade e também do uso da racionalidade jurídica. de RONALD COASE. destina-se à compreensão do conceito de emrpesa. A incerteza aumenta. se seria até a entrega efetiva da chave. V .

O que diz ASQUINI sobre esse ser que atua no mercado? Empresa é uma palavra ambígua. E o risco técnico. é um índice preocupante do ponto de vista concorrencial. o direito capta perfis.ASQUINI olha para o mesmo fenômeno. O direito não consegue captar o fenômeno econômico em sua inteireza. segue a pergunta de como o direito disciplina e capta esse fenômeno. com diversas facetas. Se não visa ao lucro. O direito é reducionista por excelência. Para disciplinar a realidade. Daí surgem os chamados PERFIS DA EMPRESA. 1. Todo empresário visa ao lucro. Identificada a empresa no mercado. Mas o que dizer de uma empresa que atua em mercado com outras empresas. a diferença entre receita e custo). ou seja. a economia mostra-se sob diversos aspectos. tem diversos sentidos. O RISCO é de duas naturezas. em que todo empresário incorre? O risco intrínseco à atividade. diz ASQUINI: (i) risco técnico e (ii) risco econômico. que haja um arrastão. que os artistas cancelem. ainda mais em se tratando de fenômeno complexo. precisa reduzi-la. Se a empresa é fenômeno poliédrico de várias facetas. No mercado. Qual o risco da empresa de Eike Batista ao se associar com o Rock in Rio? Que os shows não deem certo. Com a empresa não seria diferente. À empresa imputa-se um risco técnico e um risco econômico. O que é o fenômeno econômico empresarial? Como defini-la do ponto de vista econômico? Ente que organiza os fatores de produção para a colocação no mercado de bens e serviços. pois pode ser prática de dumping ou preço predatório. visando ao lucro. Essa é a empresa do ponto de vista econômico. PERFIL SUBJETIVO . e de acordo com seu uso na legislação. de modo unitário. O risco é uma incerteza mensurável. Tudo isso é risco técnico. e assim por diante. A primeira constatação é que a empresa é um FENÔMENO ECONÔMICO E POLIÉDRICO. facilitando trocas econômicas e incorrendo no risco. Qual a incerteza inerente à atividade empresarial? Dar lucro ou não (o delta. mas da perspectiva de como o direito capta esse fenômeno econômico.

quem é identificado como empresário? Pessoa física. tributárias (com menção expressa). nesta sociedade? Indiretamente. É importante notar que. . na maioria das vezes. Mas se é sociedade anônima. Isso é incomum no Brasil? Não é. Quem é o empresário? Na linguagem comum. Mas não necessariamente. é empresário a pessoa jurídica. (ii) pessoa jurídica e (iii) EIRELI empresa individual de responsabilidade limitada. Os sócios só são atingidos se se tratar de sociedade de responsabilidade ilimitada . Qual a hipótese clássica de desconsideração. o chefe. Ainda que haja uma visão alimentada pelos textos de direito empresarial de que o empresário é a pessoa física.empresário. a maior parte das empresas em mercado tem na própria sociedade a figura do empresário. o dono. 50. sobre cuja esfera está a responsabilidade sobre aquela atividade. Há diversas formas de exercício da atividade empresarial: (i) pessoa física . É a quem é imputada a atividade. em teoria. sobretudo em sociedades de controle concentrado. para fins técnico-dogmáticos. Trata-se das leis trabalhistas. nem ser o gerente da atividade. A ideia de personalização é a autonomização patrimonial. muito além da patologia. Por que se tornou a regra? Pois além do Art. personificada. Há um pouco a ideia de que o empresário é quem executa os fatores de produção. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA . todos os investidores. também precisaríamos considerar os sócios empresários. Empresário é aquele que corre o risco técnico e econômico da atividade. Mas são casos de abuso da personalidade jurídica. somente o Código Civil e contratos empresariais não têm aplicação direta.também ao patrimônio dos sócios é imputado o risco. quem é responsável pela sociedade e quem responde pela atividade? A própria pessoa jurídica. com abuso de direito ou confusão patrimonial. Quem paga a festa de aniversário da mulher do controlador é a sociedade. leis especiais preveem o atingimento dos sócios diretamente. O empresário não precisa ser a pessoa física. e mais outras. faz com que. Quem é o empresário na EPX. CC."Está sujeita à falência a empresa". e assim por diante. O jatinho do controlador está contabilizado na sociedade. que deu origem à disregard of legal entity? Confusão patrimonial. Mas o uso bastante amplo da desconsideração da personalidade jurídica. Assim. com patrimônio autônomo.A empresa como empresário. ambientais. concorrenciais.

90. e portanto.2. Se é atividade empresária ou não. Isso é muito importante para definir o estabelecimento.alguns dizem: avaliáveis economicamente. é preciso pegar o carrinho. Atividade econômica sob a coordenação do empresário (aqui pensado como pessoa física: o administrador. são feitos os lanches e são vendidos. PERFIL FUNCIONAL Empresa é o exercício de atividade.como o patrimônio.como rebanho e uma biblioteca. A preocupação é com a projeção patrimonial da empresa. faz-se o purê de batata. o ato de recolher depósito. Qual o conceito de patrimônio? No direito brasileiro. senão o conjunto (Art. é preciso saber o que é atividade. cuja coordenação do empresário leva a seu desenvolvimento. o ato de conceder empréstimos. que atos existem: de um lado. 3. o acionista controlador. . pois o CC de 2002 reconhece os patrimônios especiais das sociedades não personificadas). e d'outro. o perfil funcional confunde-se com a ATIVIDADE. Portanto. Para vender cachorro-quente. E então. Tratase do conjunto de posições jurídicas ativas e passivas avaliáveis em pecúnia . A prática isolada não faz exercer atividade bancária. Na universalidade de fato. Trata-se do conjunto de atos vinculados a uma finalidade. Na classificação dos bens. é outra discussão. PERFIL OBJETIVO Empresa como PATRIMÔNIO. Quais são os bens coletivos? (i) Universalidades de fato . O patrimônio é composto pelos elementos do ativo. Na atividade bancária. compra-se o pão. e assim por diante). É a coordenação que torna exercente de atividade financeira. é a vontade do titular que atribui aos bens que sejam tomados como um todo. há os bens singulares e os bens coletivos. CC) e (ii) universalidades de direito . Há um conjunto concatenado de atos voltados a uma finalidade. A vinculação dos dois traduz-se em atividade. em que não importa a função singular de cada bem. mas também do passivo. vigora a ideia geral de unicidade do patrimônio (o que também é mitigado. trata-se de atividade.

Patrimônio líquido é o conjunto das receitas menos as despesas e dívidas. o do consumidor. consumidores. E o mesmo se refere aos demais. pensa-se até em estabelecimento virtual. Inspira-se para fazer essa aplicação. De nada adiante se não há trabalhadores.Na universalidade de direito. Hoje. o concorrencial. Mas tem um único estabelecimento empresarial? Não. Assim. como espaço físico. Se as dívidas superam as receitas. É o conjunto de bens empregado pelo empresário para sua atividade. Uma empresa tem um único patrimônio? Sim. . o ambiental. E então. ASQUINI refere-se ao direito como um todo.o que exigiria medidas de falência e recuperação judicial. o perfil objetivo é a projeção patrimonial da empresa. Sobre o perfil institucional. de função social da empresa. É sinônimo de ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL. pois é o total de todas as relações jurídicas. pode ser um problema de liquidez ou um problema estrutural . A tese de titularidade da professora PAULA FORGIONI parte de ASQUINI para entender a aplicação do direito comercial ao mercado. os pilares da empresa. como o patrimônio. 4. O fenômeno poliédrico não é tutelado somente pelo direito comercial. É a melhor forma pela qual o direito capta o perfil objetivo da empresa. incide o direito do trabalho. cujo funcionamento afeta interesses de terceiros. fornecedores. E se estabelecimento for ponto comercial. a própria lei o faz. há questões interessantes. por exemplo. faz um exercício de identificação dos perfis do mercado. É a empresa como ORGANIZAÇÃO. É considerado prenúncio da ideia. pois dentro do patrimônio vários podem ser possíveis. PERFIL INSTITUCIONAL A empresa como INSTITUIÇÃO. O que está implícito nessa afirmação? Que sua atuação reflete uma organização de mercado que afeta interesses de diversos outros agentes. E que terceiros? Os stake-holders. e assim por diante.

Não é a inscrição na Junta Comercial que o define.EMPRESA NO DIREITO BRASILEIRO Como o direito empresarial. Não há mais. "Art. "Art. Em primeiro lugar. Código Civil Brasileiro . como havia no regulamento 737. mas depende do exercício da outra finalidade. 966. e não o inverso. O lucro é finalidade sim. No comércio varejista. Na atividade bancária. porém secundária. É uma definição geral e abstrata a que a lei eleva à condição de empresa. Dá uma definição estipulativa. A finalidade imediata é intermediar recursos dos entes superavitários para os entes deficitários. CAPUT.Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços". temos a adoção de um critério subjetivo ou objetivo? Afirma a professora PAULA FORGIONI ser um critério misto. é bom trazer as interpretações sobre o Código Italiano. Essa é a finalidade da atividade bancária. mas ASCARELLI conclui tratar-se de um CRITÉRIO OBJETIVO: é a natureza da atividade que qualifica o indivíduo. Qual a finalidade dessa . qual seria o conjunto de atos? Compra para revenda ao consumidor. Codice Civile Italiano . Qual a ideia do artigo? Prevê os adjetivos que tornam a atividade empresarial. mas esta é uma finalidade mediata.082. redação idêntica ao Código Civil Brasileiro. ELEMENTOS DE EMPRESA 1. abstrata. ATIVIDADE Conjunto de atos voltados a uma finalidade. 2. Como se trata de uma tradução literal. que é imediata. que hoje está no CC. Qual a finalidade desses atos? A primeira resposta é o lucro. 966. captou a empresa? ART. Não é uma característica do sujeito que define a atividade. um rol dos atos considerados atos de comércio. quais são os atos? Tomar depósitos e conceder empréstimos. necessária.È imprenditore chi esercita professionalmente um'a attività economica organizzata al fine della produzione o dello scambio di beni o di servizi".

ato é privatista. e assim. Está sujeito ao interesse público. diante dos recursos escassos. ASQUINI fala em (i) finalidade primária. o qual é racional. o texto de ASCARELLI é o mais importante sobre teoria da empresa. ASCARELLI é o que traz para o direito privado toda uma teoria sobre atividade antes somente existente no direito público. Mas mesmo assim. e atividade é de disciplina publicista. uma disciplina independe da outra. principalmente. e se atividade é conjunto de atos para uma finalidade. Isso porque. no direito administrativo. enquanto que ASCARELLI fala sobre o direito italiano. Daí o texto "O empresário". há a matéria de atos administrativos. demanda. Qual a . E então. ATOS devem ser entendidos como NEGÓCIOS JURÍDICOS. O principal negócio jurídico é o contrato. senão também o que não é empresário. e para a satisfação das necessidades. algumas coisas não se aplicam. E ASCARELLI foi o primeiro a importar essa teoria sobre atividade. Note-se: o lucro é inerente ao fato do empresário ser um agente econômico. Por quê? A atividade sujeita-se a regras. Como a maior parte é de contratos.1. por exemplo. Ato está sujeito a disciplina privatista. Por outro lado. um comportamento organizado. técnica e (ii) finalidade econômica (lucro). havia teoria geral aplicada ao ramo público. qual a diferença entre a parte e o todo? 1. Nesse conceito de atividade empresarial. Está tratando do projeto do novo CC. que era seu curso de direito comercial. Seria a ideia de ser mais amplo do que atividade empresarial. pois o objetivo do Código não é apenas dizer o que é empresário. SYLVIO MARCONDES fala na ideia de ATIVIDADE NEGOCIAL. aplicando sobre o direito comercial. ato está sujeito a existência. Isso demandou uma teoria dos atos e das atividades públicas. e qual o objetivo final disso? Ter lucro.atividade? Disponibilizar produtos ao consumidor. sobre sua licitude. E mais. no direito italiano. validade e eficácia. e portanto. sobre sua regularidade. ATO X ATIVIDADE Se ato compõe atividade.

que exige autorização da SUSEP . E então. das mais diversas ordens. ou venda que não atenda aos requisitos de validade do ato jurídico não tornam a atividade irregular. a venda de um produto defeituoso. Captação de prêmios e dação em garantia seria seguros? Algumas estruturas bem sofisticadas . apenas tornam o ato inválido. os atos são válidos ou inválidos. a Junta Comercial não notifica. Mas mostra como a atividade é um fato. pois quem paga a conta? Como demonstrar autoria da fraude? Ao mesmo tempo. 1. se é ou não regular.consequência? A validade do ato não é afetada pela ilicitude ou irregularidade da atividade. Uma discussão está na atividade de seguros. ao indivíduo não pode ser imputada a atividade. Não é possível dizer que atividade é inválida. Isto não torna as compras e vendas feitas nas lojas irregulares. A Zara foi acusada de uso de trabalho escravo. E a sociedade tinha débitos tributários. Um exemplo grosseiro é uma fraude comum em Juntas Comerciais foi de uso documentos de identidade furtados.em razão de sua importância no mercado. não havia nem reconhecimento de firma. existe. pois há uma presunção . falsificando a assinatura para constituição de sociedade. tinha problemas ambientais. Ela não pode ser invalidade. E não se fala propriamente em sua regularidade ou irregularidade. é atividade regulada. o que leva sua atividade a ser irregular. pois já teve efeitos. Mas mesmo assim. A sociedade existia e praticava atividades. e em razão de disciplina publicista. pois não era legitimamente controlada por ele. É subjacente à ideia de que a atividade existe ou inexiste no mundo real. Esse é exemplo claro de que a atividade existe. é outra questão. ou regular ou irregular. como neste caso. o qual independe da vontade.antes. Por outro lado. não há uma relação entre um e outro. Quando há constituição de sociedade. Isso também é visto quando se questiona a prática de atividades sem autorização. Atividade é um fato. Por que aqui também os atos serão ilícitos? Porque o objeto (a droga) também é ilícita. Os sócios sabiam das fraudes quando eram citados. ou quando seu nome entrava nos bancos de dado de protesto.2. Ou é lícita ou ilícita. Mas e em atividades ilícitas? Tráfico de drogas é atividade ilícita. E é algo cruel. uma vez desenvolvida. Difícil sair da situação. a possibilidade de ambos serem ilícitos. Por sua vez. e assim por diante. praticava crimes.

Em uma mesma sociedade. o conjunto de atos é garantir o pagamento de alguém para o risco? No máximo. Apesar de serem disciplinas separadas. o que é normal? Incorporar. ou até. de frigorífico. Inclusive. 1. se é ordinário ou extraordinário. mas o indivíduo que pagou o prêmio não terá seu ato invalidado.há uma restrição para atividade financeira.3. Certamente há atividade. Por que contaminar a atividade do . Há uma aplicação muito importante para o direito comercial. há alguma relação entre elas. é possível uma mesma sociedade frigorífico. banco e construtora? Em tese. Tudo o que for extraordinário terá um valor excepcional. talvez não seja nem lícito conceder empréstimo. O conteúdo da atividade.tentam afastar a regulação. Qual a consequência? Nas pessoas jurídicas. E aqui estão todos os fundamentos do direito empresarial. A questão é: quais as consequências da irregularidade da atividade. dar em fiança. o negócio jurídico tem destinatário. celebrar contratos para venda de imóveis. sua natureza. Mas isso é vantajoso? Por que surgem grupos econômicos? No grupo JBS. mas em tese poderia. Atividade não tem destinatário definido. mas o mais importante é o risco. E no caso de exclusividade? Ainda assim o destinatário é o mercado? Como responde ASCARELLI? Por sua vez. sua destinação. se considerado ser exclusivo de instituições financeiras. Seu destinatário é o mercado. Os administradores podem atuar no âmbito do objeto social.4. E por que não é interessante? Há exigências regulatórias e cadastrais de várias sociedades. pode qualificar o ato. seria possível . A natureza da atividade qualifica o ato. É a ideia de estado de oferta permanente do comerciante. na qualidade de (i) ato extraordinário ou (ii) ato ordinário. independentes. Isso é importante em se tratando de administradores: atos de gestão ordinários e extraordinários. é irregular. E o que é extraordinário? Conceder empréstimo. os administradores estão autorizados a atos de gestão ordinários. Não são atos típicos. várias atividades são possíveis. O ato é válido. E daí o ilícito da recusa de venda (também chamada recusa de contratar) no direito antitruste. qualifica o ato. Em uma imobiliária. que é um aspecto burocrático. mas esta atividade é securitária? Vale dizer. A atividade reage sobre o ato. 1.

Toda a discussão sobre atividades irregulares está em torno disso. especialidade. Daí várias pessoas jurídicas.frigorífico. isso faz dela uma pessoa que exerce atividade bancária? Não. Algumas 2. Não houve criação de moeda escritural. há um problema com o uso indiscriminado da teoria. O que desvirtua um pouco essa lógica econômica? O que estraga esse planejamento? O uso abusivo da teoria da desconsideração da personalidade jurídica. mas são típicos e privativos de instituição financeira a ponto de qualificar o factoring como tal? O critério foi o descasamento da tomada de recursos e a oferta. vistas no mesmo artigo.5. Muitos dos acórdãos sobre atividade financeira e securitária leva a isso. os grupos de fato. deriva a aplicação de um sujeito e de uma disciplina especial. e somente desconto de títulos. Assim como . o que um ato não é suficiente. Factoring: é ou não atividade bancária? Há prática reiterada de atos. o que descaracterizou ser instituição financeira. Se faz muito sentido econômico separar cada pessoa jurídica por atividade. que vai bem. toma dinheiro de outra pessoa para um empréstimo. EXERCÍCIO PROFISSIONAL Trata-se de reiteração. profissionalidade e demais requisitos. 1. Subverte a lógica econômica e societária dos grupos econômicos. risco e intuito de lucro (fim econômico e não econômico). pulando do patrimônio de uma para outra para saber quem responde pela dívida. A prática de atos isolados não qualifica um sujeito. Houve empréstimo uma vez. isso não faz ser uma instituição financeira. com holdings. Mas a atividade faz do indivíduo empresário. e este. e então os grupos econômicos. Quais atos tornam uma atividade empresarial? qualidades são exigidas. seria isso. habitualidade. porque exige um conjunto de atos. Se houvesse atividade financeira. Do exercício da atividade. Quem pratica ato de empréstimo é qualificado como instituição financeira? Se empresto dinheiro a alguém. Mas dizer que alguém exerce atividade financeira decorre uma qualificação. com reiteração. por sua vez. com o da atividade de construção? Os bens destacados para o exercício de uma atividade podem vir a responder pelo de outras.

Outra forma de descrever é afirmar que atividade econômica é a destinada ao mercado. Desde que se dirija a terceiro que não o próprio produtor. alguma necessidade satisfeita. inclusive do ponto de vista concorrencial. mas havia sim circulação de riquezas. ATIVIDADE PRODUTIVA 2. e não para o próprio produtor. da alocação dos recursos escassos. não precisa ser lucrativa. havia circulação de riqueza. o CADE faz o recorte do mercado relevante (não mais no sentido amplo de encontro da oferta e da demanda). Em contratos com cláusula de exclusividade. É troca de bens entre agentes econômicos. Somente a destinação a terceiros levaria à circulação de riquezas. 2. inclusive. Não há mercado quando há monopsônio? Sim. e são alocados pelas necessidades. É preciso haver circulação de riquezas (BUONOCORE). ATIVIDADE ECONÔMICA: CIRCULAÇÃO DE RIQUEZAS Economia é a ciência de alocação dos recursos escassos. Para que seja econômica. não é o lucro.não se pode alegar desconhecimento da lei. É preciso de alguma utilidade. ENZO ROPPO: Contrato é instrumento de circulação de riquezas. A economia é a ciência dos bens escassos. uma visão econômica de contrato. FIM ECONÔMICO . e não seu tamanho. a circulação de riqueza é o que determina se é ou não econômica. para que uma atividade seja considerada econômica. E o que determina circulação de riqueza? Como concluímos. como dizer que ainda há mercado? ASCARELLI responde à questão indiretamente: é preciso haver algum mercado.3. É necessário lucro para a atividade ser econômica? A visão mais moderna diz que não. Que atividade não seria econômica? As de subsistência. Se os recursos são escassos. é preciso a satisfação de alguma necessidade. Quando falamos na primeira aula das tribos que trocavam sal por ouro. não se pode alegar desconhecimento da atividade. 2. trata-se de atividade econômica.1. Isso é importante. Outra forma de entender sob os mesmos pressupostos. Havia lucro? Não necessariamente. A ideia é de que.2.

966. e em seguida desconstruir e problematizar esses conceitos. entre outros. o casamento. caput. de resultados. artística ou literária. cultural. pois é preciso primeiro fincar os conceitos. Precisa-se saber desde a teoria econômica de ASQUINI até quais os questionamentos sobre a teoria atual. No entanto. do ponto de vista da economia. 21 de maio de 2012 21:02 Pelo Art. entre outros. esportiva. Tem uma vocação praticamente geral. e diz que faz parte da economia. mesmo na distinção do CC. dentro da atividade econômica. o que fica ainda mais forte em propriedade intelectual. entendem que há racionalidade econômica. Associação (Art. pois todas têm grau de organização. E então. que abrange toda a atividade econômica. Explica economicamente. é possível discutir. fazer doações. é a repartição de lucros. 53) é reunião de pessoas para fim não econômico. colocam bens ou serviços no mercado e são exercidas profissionalmente. Ou seja. havendo racionalidade econômica. Aula 11 TEORIA DA EMPRESA .FINAL segunda-feira.E o CC faz diferença entre fim econômico e fim não econômico. . como GARRY BECKER. mesmo que não haja valores monetários envolvidos. há economia. Sociedade é junção de esforços para fins econômicos. Analisa economicamente situações usualmente não incluídas na economia. clubes. O que seriam as não empresariais? Profissão intelectual de natureza científica. o crime. há atividades empresariais e atividades não empresariais. Isso é essencial para a distinção entre associação e sociedade. Concluir por ele que há atividades que não são empresariais. que conclusão se tem da expressão "atividade econômica"? Que toda atividade econômica seria empresarial. Que finalidades não são econômicas? Beneficente. o parágrafo único até a expressão "salvo" muda a perspectiva. se não há circulação de riqueza nos clubes? Não há até finalidade econômica? Há dificuldade de problematizar as coisas neste curso. Mas alguns economistas.

em princípio empresariais. A doutrina leu como o médico não exerce porque não é suficientemente organizado. salvo se exercer empresa". tecnologia e outros elementos. E daí a clássica explicação de ser algo que se refere ao "belo e ao verdadeiro". e se preocupam com o belo e o verdadeiro. portanto. Mas essa explicação é criticável na medida em que todas atividades destinam-se ao mercado. Daí haver a ideia de que o elemento preponderante é o elemento organização. Melhor teria feito o Código Civil se fizesse menção a "profissões liberais". suficiente. Seriam. Por que excluir certas atividades do âmbito da atividade empresarial? Porque houve decisão do legislador. A mercantilização das atividades levam a que a definição de ASCARELLI tenha se tornado frágil. Melhor aceitar. Claro que é um critério frágil. então. Nem toda atividade intelectual é científica. estrutura física. mas isso evidentemente não faz sentido. que o legislador quis excluir do rol de atividades. pois. A ideia de destacar o elemento organização foi induzida pela leitura de dois exemplos existentes em ASCARELLI e SYLVIO MARCONDES que dão ensejo a esse tipo de organização. sem não seria. ao passo que o hospital sim. já que os profissionais intelectuais têm valoração diferente. as profissões liberais.A que conclusão se chega desta expressão? Que se aplica a uma gama ampla de atividades. mas que não é bem o que dizem: trata-se do hospital e do médico. empresariais as atividades de profissões liberais com um alto grau de organização. Claro que médico não exerce atividade empresarial e o hospital exerce. Clínica com secretária seria. pois criaria uma tautologia: "não é empresário. Mas é isso mesmo que determina? Um médico em uma clínica de apenas oftalmologistas não é empresa. E o que concluir da expressão "salvo elemento de empresa"? Uma primeira interpretação seria de que "elemento de empresa" remete a todos os requisitos do caput. tal qual o direito de autor. mas com várias especialidades o seria. Terceira interpretação para "elemento de empresa" seria a ideia de que. Eleger o requisito organização não é. artística ou literária. sua . tendo por base a ideia de organização como divisão de trabalho. Uma interpretação que não confere segurança sem objetividade. E disso a doutrina foi longe: alguns trouxeram a ideia de organização para a administração.

A proposta seria avaliar caso a caso se seria ou não personalíssima. Se é parte de atividade empresarial. a partir desses dois critérios. 2.prestação oferecida é personalíssima. conexo à atividade empresarial. Qual o critério que melhor responde a pergunta: "o que é elemento de empresa"? É o critério baseado no Código Civil Italiano que interpreta elemento como parte.082. A atividade é exercida intuito personae. Isso tampouco resolve o problema. Remete à distinção entre atos civis e atos comerciais do Código Comercial Brasileiro.Atividades de transporte IV .Outras atividades auxiliares das precedentes O Código abre espaço para uma definição objetiva. DEFINIÇÃO POR MEIO DE PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO . entre outros. Não resolve todos os problemas. há também exemplos daquela lista. canecas. cuja redação não consta do Código de origem. São atos tradicionalmente considerados comerciais: Inciso Inciso Inciso Inciso Inciso I . para dizer que. 966. ao passo que a atividade empresarial é em massa. O Código Civil Italiano não abandonou totalmente o critério dos atos de comércio.Atividades para intermediação de bens III . a prestação de Romero Brito não seria personalíssima. São empresários porque obrigados ao registro como empresários. nas quais não há dúvida. além de todos aqueles que exercem atividade econômica organizada e profissional com fins para o mercado. integrante. Mas um único quadro seria atividade não empresarial. pois há quadros iguais. pelo qual havia também atos comerciais por equiparação: atos que por integrarem a atividade empresarial são também empresariais. mas parece ser o melhor critério.Atividade bancária ou securitária V .Atividades industriais II . consegue-se sair do impasse e entender o parágrafo único do Art. 2. Nessa linha. Seria então atividade empresarial. é também empresarial. A melhor doutrina interpretou o sistema do Código Italiano. O Art. A lista é de atividades empresariais por excelência.195 manteve a lista existente para complementar o conceito de empresa do Art.

e não empresária. É regime privilegiado. mais barato do que pagar pelo faturamento. ganham a mesma qualificação. e faturam para a clínica. fato é que a forma de exercício profissional estrutura-se pelo aspecto tributário. Não avaliam se é um ou outro. jornalistas e outros têm mercados que se organizam em função de planejamentos tributários. (iii) Direito Tributário . Qual a importância do regime? (i) Submissão ao Regime Falimentar . os médicos reúnem-se em sociedades. poderiam sim ser empresariais. Ao invés de pagar sobre o faturamento da sociedade. É visão ou evasão? A despeito da dúvida. É muito caro para um médico emitir uma nota para pessoa física e dar para um hospital. E o cartório faz análise? Discutir com cartório ou com juntas comerciais sobre elemento de empresa é absolutamente inexistente. sendo-lhes parte? Teoricamente. Para pagar menos tributos. Esse é o raciocínio teórico. a legislação paulistana prevê que sociedades uniprofissionais têm regime especial de imposto sobre serviços. O que determina se são ou não empresariais acaba sendo o regime tributário. A lei prevê que seja registrado no Cartório de Registro das Pessoas Civis . Mas e se só prestam atividade para o hospital. para o hospital. Essas sociedades de médico são ou não empresariais? A rigor. Isso já era defendido por RUBENS REQUIÃO desde seus primeiro manuais. e a jurisprudência tem sido flexível nesse ponto.e assim. não são empresariais. pelo Art.não empresário não pode ter recuperação ou falência decretada. rico em teoria.as normas tributárias nem sempre dialogam bem com as normas da teoria geral. opção do legislador brasileiro na contramão da disciplina europeia. a sociedade é não empresária. paga-se por cabeça . Costuma ser um ato declaratório. E as não empresariais. publicitários. APLICAÇÃO PRÁTICA DO REGIME EMPRESARIAL O debate. Mas na prática. por serem parte das empresariais. para o plano de saúde.Médicos. em que todos que exercem atividade econômica se submetem. . Mas a própria lei que é possível proteção do estabelecimento em atividades não empresárias também. O hospital é o conjunto de atividades em que há atividades empresariais e não empresariais. 966.imposto fixo por cada médico. § único. é bastante frágil na prática. trazendo ideias como uniprofissionalidade. (ii) Lei de Locações e vantagem da Ação Renovatória (renovação compulsória que se deve à proteção do estabelecimento empresarial).

o qual deve incidir sobre toda e qualquer atividade econômica. dentre outros. ou se teria uma verdadeira imunidade no direito concorrencial. Isso posto. Mas com a unificação da teoria geral das obrigações com o Código Civil de 2002. A resposta fica mais fácil: congrega atividades empresariais e não empresariais. com o que exerce a profissão intelectual. Professora KRUEGER vai disponibilizar casos de falência de hospitais e faculdades. mas qualquer atividade. as diferenças mudam. é a EMPRESA. no sentido de que o empresário é a imputação subjetiva da atividade. FORMAS DE EXERCÍCIO DA ATIVIDADE EMPRESARIAL QUEM É EMPRESÁRIO? QUAL A FORMA DE EXERCÍCIO EMPRESARIAL? O Código poderia ter feito menção à "empresa". Qual o objeto do direito comercial? Hoje. Professora cita tese de doutorado em que candidato propunha aplicação da ideia de atividade ao direito concorrencial. E não uma atividade empresarial. como defende. a preocupação é justamente se a atividade de médico em clínica torna-se empresarial porque presta em hospital? A preocupação parece ser com o profissional liberal. E faculdade privada. e não mais dos atos ilícitos no controle de condutas. mas pouca aplicação prática. Pergunta-se: o hospital tem tal preponderância da atuação intelectual que não é empresário. os contratos entre comerciantes estão sujeitos a regras próprias de interpretação. mas prefere falar no "empresário". 966: neste. Aqui. Acabamos de responder a pergunta inicial do curso. Mas na prática. há esforço para trazer os critério do Código Comercial de 1850. mas não é exercício de profissão intelectual? Muitas são as perguntas possíveis. a professora PAULA FORGIONI. para que serve essa definição? Vimos que há muita importância acadêmica .como para a função social da empresa -. os problemas práticos vão na leitura contrária: o hospital está sujeito à falência. é quem . são sinônimos. e estas tornam-se empresariais. Apesar disso. A consideração é inversa ao parágrafo único do Art. submete-se à recuperação? Sim.(iv) Regras de interpretação dos Contratos Empresariais Desde 1850.

É forma desvantajosa de exercício empresarial. Quem é o sujeito de direito? 1. . há os bens da atividade.responde pela atividade. No patrimônio. Pode ser uma pessoa jurídica.em comum porque é quase uma comunhão entre os sócios. § único. Requer-se na Junta Comercial o registro como empresário. será uma sociedade em comum . Se o negócio vai muito mal. Quem responde pela sociedade? Em última instância. CC).conjunto de posições jurídicas ativas e passivas avaliáveis em pecúnia. pode não chegar até tal agente econômico. Na sociedade limitada. 2. a qual pode ser (i) empresária (Art. as dívidas da atividade. A quem é imputada a atividade empresarial da Nestlé? O diretor presidente presenta a sociedade. 961. CC). tomada como sinônimo de atividade econômica) é o gênero. Aplica-se a regra geral do princípio da unicidade patrimonial . 966. fala pela sociedade: mais ainda. EMPRESÁRIO INDIVIDUAL Uma pessoa física que exerce a atividade. Quando os sócios não levam a registro. caput. uma casa na praia. CC) ou (ii) não empresária (Art. pois o patrimônio da atividade é o mesmo patrimônio dos atos civis. ou não personificada. quem controla os fatores de produção. pois o patrimônio é um só. 966. Mas o CEO não é a quem é imputada a atividade empresarial. é a sociedade (PONTES DE MIRANDA). SOCIEDADE Reunião de pessoas com fins econômicos que reúnem seus esforços para distribuição dos resultados (Art. A pergunta a ser feita é: quem é esse sujeito? Que forma de exercício da atividade empresarial? SYLVIO MARCONDES: A atividade negocial (porque vários negócios jurídicos são feitos. perante terceiros. Empresário é aquele cujo patrimônio responde. e é seu patrimônio que responde pelas dívidas sociais. empresário é a sociedade. caso seja personificada. Mas se há autonomia patrimonial. e suponha-se -. o credor pode executar a cada na praia? Pode.

Apesar do Art. 44, CC afirmar que são pessoas jurídicas as sociedades, como se sempre fossem personificadas, isso não é verdade. Como reunião de pessoas que se unem para distribuição dos resultados, as sociedades podem ser personificadas ou não. São pessoas jurídicas: a sociedade anônima, a limitada, e as demais principais. Mas há dois tipos societários em que não há autonomia patrimonial e não há um novo sujeito de direitos (sociedade em comum e sociedade em conta de participação). Texto de NATALINO IRTI sobre a pessoa jurídica, que começa com uma fábula: os homens criam pessoas jurídicas, com patrimônio próprio, atuação independente, e que povoam a terra. E Deus acaba com a alegria dos homens, criando a teoria da desconsideração da personalidade jurídica. Por que os homens criam pessoas jurídicas? Qual a razão? Para a autonomização patrimonial, criando um novo sujeito de direitos. Por que existem os grupos econômicos? Para autonomizar o patrimônio referente a cada atividade. Evita-se a contaminação. O risco de uma atividade não atinge a outra. É o objetivo de organizar a atividade econômica. Mas a questão não é tão simples. Não são todas as sociedades personificadas em que os sócios têm responsabilidade limitada. Na anônima e na limitada, os sócios respondem limitadamente pelas dívidas da sociedade. Se a sociedade tem dívida, primeiro responde ela, subsidiariamente os sócios, e somente no limite do capital não integralizado. Há limitação à responsabilidade dos sócios. Mesmo havendo uma pessoa jurídica, a autonomia patrimonial não é plena, ela comporta graus, conforme o regime de responsabilidade dos sócios. Na sociedade em nome coletivo, a responsabilidade é ilimitada. Trata-se de sociedade que caiu em desuso após o novo Código, que proibiu os sócios que sejam pessoas jurídicas. A responsabilidade é solidária. Há um único caso na Junta Comercial de São Paulo. A personalidade garante-se pelo registro. Se não houver registro, a sociedade é não personificada, a chamada sociedade em comum - a antiga "sociedade de fato". Na prática, é difícil de se encontrar. No máximo será alegada quando um sócio quiser se ressarcir de gastos. Ela não tem um patrimônio autônomo, mas tem um patrimônio especial (parte colorida, destacada do patrimônio dos sócios, nos dizeres de

PONTES DE MIRANDA), o qual responde primeiro do que o patrimônio dos sócios. A outra sociedade não personificada (e não personificável) é a sociedade em conta de participação. Ela não existe para terceiros. Há o sócio ostensivo e o sócio participante (antigo sócio oculto). Esta sociedade é mais um contrato do que uma sociedade, em realidade. Tudo isso tem a ver com o debate dos TIPOS SOCIETÁRIOS. Outros ramos do direito privado também têm tipos. Qual a diferença dos direitos reais e dos direitos contratuais em matéria de tipos? Naqueles, há tipos estritos, e nestes, tipos abertos - é possível se pensar em contratos atípicos. Por que os direitos reais precisam ser numerus clausus? Em nome da segurança jurídica, justamente porque têm eficácia erga omnes, e são oponíveis erga omnes. A mesma lógica aplica-se aos tipos societários, aos quais se aplica a tipicidade fechada. É impossível uma sociedade atípica. Por que nosso direito não permite a criação de tipos societários atípicos? Para preservar a segurança jurídica. A que dizem respeitos os tipos societários? À forma de administração da sociedade e ao regime de responsabilidade dos sócios. Não saber as informações aumentaria enormemente os custos de transação. E mais, seria muito custoso que fosse necessário negociar as formas de responsabilidade com cada sócios. SOCIEDADES DE PALHA - Sociedades com sócios com uma única cota, de modo a criar uma pessoa jurídica. Não é um ilícito. Não seria razoável a lei considerar que uma cota não é sociedade, e 10 sim? Na prática, isso é impossível. A solução para casos de fraude está na aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica - remete a Salomon vs Salomon, o caso do século XIX que deu origem à "theorie of disregard of legal entity". A mera existência de sócio com uma cota não é suficiente para incidir o Art. 50, CC, de desvio de finalidade ou confusão patrimonial.

3. EIRELI (EMPRESA RESPONSABILIDADE LIMITADA)

INDIVIDUAL

DE

Instituída em 2011 no ordenamento jurídico brasileiro. Na Alemanha, qual a solução dada ao empresário individual? Cindia-se o patrimônio, e uma mesma pessoa física pode ter dois patrimônios. Reviu-se a unicidade do patrimônio, de modo a

estimular a atividade econômica. No Brasil, isso não existia. Constituir uma sociedade é simples, mas envolve alguns custos - precisa de contador, contrato social, um outro sócio, entre outros. E então, o legislador optou por reconhecer uma terceira forma de exercício da atividade empresarial. A EIRELI é uma nova pessoa jurídica (Art. 44, inciso VI, CC) formada por um único indivíduo que exerce atividade empresarial. Tem, portanto, um patrimônio autônomo. É uma mistura dos dois regimes. No entanto, a forma pela qual a EIRELI foi disciplinada é sujeita a muitas críticas. Vejamos suas características: 3.1. Uma única pessoa 3.2. Uma única EIRELI por pessoa 3.3. Capital integralizado com mínimo de 100 salários-mínimos por que a lei exigiu algum capital mínimo? A intenção da lei é limitar quem vai criar a EIRELI. Não um benefício para qualquer negócio, senão um negócio de certo valor. E mais ainda, exige a total integralização (o capital deve estar pago, fase posterior à subscrição - que é aquisição). Instrução do DRC (órgão das Juntas Comerciais) fala em pessoa física. A lei fala apenas em "pessoa". Afinal, pessoa jurídica poderia constituir EIRELI? Faz sentido pessoa jurídica constituir EIRELI? Há um grau adicional de proteção. Já houve decisão judicial favorável nesse sentido. Já há projeto de lei para expressamente prever que pessoa jurídica também pode constituir EIRELI. 4. MICROEMPRESA OU EMPRESA DE PEQUENO PORTE Não é propriamente uma outra forma de exercício empresarial, e sim uma qualificação que pode incidir sobre as demais. O Estatuto da Microempresa é a lei complementar 123, dando concretude à previsão normativa da Constituição Federal em seu artigo 170, que favorece a microempresa. Tem por base o faturamento da empresa. E há uma série de facilidades, como não precisar de advogado para assinar o contrato social.

DADOS DA JUNTA COMERCIAL (1985-2005)
51% de empresários individuais 48% de sociedades limitadas 1% divididos entre as demais - a grande maioria de sociedades anônimas

Aula 12 DISCIPLINA JURÍDICA DO EMPRESÁRIO segunda-feira. 51% das empresas constituídas entre 1985 e 2005 assumiam a forma individual. 1. é a pessoa jurídica caracterizada pela reunião de duas ou mais pessoas que reúnem esforços para a distribuição de resultados. 966.(Dia 28/05) REVISÃO DA AULA ANTERIOR Quais as formas de exercício da atividade empresarial? O Art. e outros individuais. 3. São empresários: (i) empresário individual. e a disciplina da EIRELI está em artigo próprio (e há sérias dúvidas sobre como os artigos da disciplina jurídica do empresário conversam com a EIRELI). Obs: Quando a receita estiver nos limites da lei complementar 123. Já que é empresária a EIRELI. será microempresa ou empresa de pequeno porte. Apesar de ser forma desvantajosa. definida pelo Art. CC fala na empresa. mas parece mais ser qualificação das formas anteriores. 2. (ii) EIRELI e (iii) sociedade empresária (o empresário aqui é a própria sociedade. isso se aplica no novo regime? . que criou o patrimônio autônomo para o exercício da atividade empresarial. Cada pessoa física pode ter apenas uma EIRELI. o que foi personificado pelo Código. É empresário quem exerce atividade. 28 de maio de 2012 20:51 Quando o Código criou a disciplina jurídica do empresário. Alguns colocam ser outro tipo de atividade empresarial. 981. pensou sobretudo no empresário individual. A disciplina das sociedades tem um capítulo próprio. A sociedade. devido ao risco. No empresário individual. pois é quem exerce a atividade). quando a lei determina que é preciso plena capacidade civil à pessoa física para ser empresária. A EIRELI é uma pessoa jurídica empresarial que veio para solucionar o inconveniente do empresário individual. Uma pessoa física pode criar patrimônio destinado à atividade. e não a pessoa física. há bens relativos à atividade.

EXERCÍCIO PROFISSIONAL DA EMPRESA (ART.antes do início de sua atividade" 2. e o que era civil teria passado a ser não empresária . sobreposição esta que não é correta. mas muita dúvida há sobre isso. . não há coincidência entre o que era comercial e hoje é empresarial.2. 967. 2.1. qual a consequência? Trata-se de exercício irregular de atividade empresarial. qual a primeira reação dos intérpretes da lei? O Código Civil traçou essa linha no mesmo lugar: o que ante era comercial passou a ser empresarial. Quais as consequências de requisito irregular? Lei de falências diz que pode o empresário pedir falência ou recuperação. Ao criar essa denominação. claro. A ausência de registro não tira o caráter de atividade nem o caráter empresarial. Na prática. portanto. É requisito para a regularidade do exercício da atividade. 967. Seria somente o registrado ou também os sem registro? A resposta teórica é de que o não registrado também poderia se valer.1. 966. civil de comercial? A lista do regulamento 737. REGISTRO (ART. Vimos que há empresas hoje que eram atividades civis. CC) É o pressuposto. Um ato de empresa civil pode estar no registro mercantil. 2.o que seria mera substituição da nomenclatura. "Registro Público de Empresas Mercantis" é a definição atual . Daí o Código ter se equivocado na expressão "registro público da empresa mercantil". Quando vem o conceito de empresa.O Art. CC) "Art.Se não houver registro. Essa linha foi deslocada. Registro prévio ao início da atividade . tanto tribunais quanto as Juntas Comerciais não olham para a atividade. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede. O técnico seria olhar para a atividade.19 do Código Comercial de 1850 definia mercancia (=comercial). A lei não fala que somente o empresário regularmente inscrito submete-se ao regime próprio. O que distinguia. no regime anterior. o que o Código indica? Que houve sobreposição entre o que hoje é empresarial e o que antes era mercantil.

tenham o discernimento reduzido. sem desenvolvimento mental completo. a inscrição será tomada por termo no livro próprio do Registro Público de Empresas Mercantis.São incapazes. Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos. serão averbadas quaisquer modificações nela ocorrentes. ou à maneira de os exercer: I – os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. por enfermidade ou deficiência mental. 5º . por deficiência mental. 4º . estado civil e. § 2º . mesmo por causa transitória. não puderem exprimir sua vontade. IV – os pródigos. CAPACIDADE Art. 968.À margem da inscrição.Comas indicações estabelecidas neste artigo. Cessará. Art. Remetemos aos Arts. § 1º . Parágrafo único. e obedecerá a número de ordem contínuo para todos os empresários inscritos. 3º a 5º do Código Civil: Art. II – os ébrios habituais. III – os excepcionais. domicílio. o regime de bens.São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: I – os menores de dezesseis anos. os viciados em tóxicos. 972. para os menores. Art.Art. relativamente a certos atos. nacionalidade. quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. com a respectiva assinatura autógrafa. III – o capital. 3º . a incapacidade: .A menoridade cessa aos dezoito anos completos. 3. A inscrição do empresário far-se-á mediante requerimento que contenha: I – o seu nome. Pleno gozo da capacidade: pessoas jurídicas e as pessoas físicas maiores de 18 anos ou emancipadas e sem interdição. IV – o objeto e a sede da empresa. e os que. e com as mesmas formalidades. II – a firma. II – os que. não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos. se casado. III – os que.

O incapaz que exerce atividade empresarial a exerce irregularmente.É a que utiliza o Art. IV – pela colação de grau em curso de ensino superior. CAPACIDADE COMO REQUISITO DE LICITUDE . continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz. 5º. que exige a capacidade plena? Parecem normas contraditórias que não podem conviver? Duas interpretações são possíveis: A. Se nesse exercício exerce economia própria. ouvido o tutor. os seguintes pressupostos: . desde que atendidos. é emancipado. V – pelo estabelecimento civil ou comercial. o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. 974. II – pelo casamento. por meio de representante ou devidamente assistido. independentemente de homologação judicial. ou por sentença do juiz.I – pela concessão dos pais. 974 teve atualização em 2011. incluindo o §3º. 5º. ou de um deles na falta do outro. desde que. criando um novo problema. 974: "Poderá o incapaz. §3º . O Art. Não seria requisito de licitude (já que à atividade não se adota o critério de validade e invalidade). de forma conjunta. 972. 972: HARMONIZAÇÃO POSSÍVEL? Atenção ao ART. o que se opõe à teoria de que a capacidade serve à validade.Outra explicação seria de que a falta de capacidade não torna a atividade ilícita. por exemplo. B. e sim de regularidade (ASCARELLI). III – pelo exercício de emprego público efetivo. mas irregular. 974. em função deles. por seus pais ou pelo autor de herança". se o menor tiver dezesseis anos completos. CC) . com situação diferente do caput "Art. HIPÓTESE DE CONTINUAÇÃO DA EMPRESA PELO INCAPAZ (INTERPRETAÇÃO CONCILIATÓRIA COM O ART. INCISO V COM O ART. INCISO V: como se harmoniza com a exigência do Art. Um incapaz pode continuar a desenvolver a empresa de seus pais ou quando recebe em herança. ou pela existência de relação de emprego. mediante instrumento público.O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais deverá registrar contratos ou alterações contratuais de sociedade que envolva sócio incapaz. INTERPRETAÇÃO DO ART.

leiloeiros. não há problemas. militares. A disciplina jurídica do empresário é a que se refere ao empresário individual. Discussão possível seria nas sociedades com responsabilidade ilimitada. 4. Servidores públicos.isso é óbvio.O sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente capaz deve ser representado por seus representantes legais . em razão de possíveis conflitos de interesse.O capital social deve estar totalmente integralizado . O Código Comercial de 1850 tinha uma lista dos proibidos de comerciar. pois este se refere apenas aos empresários individuais.o que é óbvio e redundante". Pode o incapaz ser sócio de sociedade empresária? Sem o parágrafo 3º do Art. III .O sócio incapaz não pode exercer a administração da sociedade . E há atividades que não podem ser exercidas por estrangeiros. pois há requisitos adicionais para ser administrador. A identificação é relativa a cada atividade ou a determinadas funções exercidas pela pessoa física. Por que o Código tratou da matéria? É norma desnecessária. a lei deve fazer referência expressa. Mas em geral. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTOS Como saber se o indivíduo não está impedido do exercício da atividade? O Código não traz lista dos impedimentos. As restrições estão em leis especiais. 974.pois o patrimônio do incapaz não está protegido se apenas subscrito. nas quais alguns consideram que o sócio também é empresário. Tal parágrafo. e absolutamente capaz desde que representado. Por exemplo: juízes. II . 972? Não. procuradores e promotores têm restrições a serem empresários. empresária é a pessoa jurídica. entre outros. por condenados em determinados crimes. seria sim possível. aplicar-se-ia o Art. possível de ser resolvida pela teoria geral do direito privado. E é preciso distinguir sócios de administradores. Qual a regra geral dos atos da vida civil? Relativamente capaz pode praticar atos desde que assistido. o que não foi mantido pelo Código Civil de 2002. justamente por ter seu patrimônio atingido. Se for representado ou assistido. médicos para o exercício da farmácia. portanto. . e não o sócio. CC.I . Quando a sociedade é empresária. trata de sociedade com sócio incapaz. Quando se exige plena capacidade. entre outros.

mas. retirar do mercado o agente econômico que se mostrou imprudente. Por exemplo. pelo qual há o regime do fresh start. o título de doação. E também o CASAMENTO tem efeitos. Não há que se falar em averbação no caso de sócios. falida é a sociedade. se o indivíduo se casa em comunhão universal. é possível a extensão. os credores precisam ter a ciência da partilha. conluio. 2. Isso é traço do direito continental. 979): "Art. Além de no Registro Civil. como colocado. Obrigação de averbação na Junta Comercial dos pactos antenupciais (Art. Tem-se o requisito de registrar na Junta o casamento do empresário. diante de MORTE DO EMPRESÁRIO." Note-se: estamos falando do empresário individual. Afinal.E além dos previstos em leis especiais. herança. EFEITOS DOS ATOS CIVIS NA ATIVIDADE EMPRESARIAL: MORTE E CASAMENTO O fato do empresário individual ter patrimônio composto de bens e passivos individuais e outros destinados à atividade tem outra consequência: atos da vida civil têm consequência na atividade empresarial. Na Idade Média. os pactos e declarações antenupciais do empresário. mas. 979. mas alguns tribunais estendem a sócios. Alienação ou gravação de ônus real de bens imóveis (Art. malsucedido. Há um sentido de proteção do credor. 1. no Registro Público de Empresas Mercantis. evidenciada fraude. sobretudo. serão arquivados e averbados. ou legado. e não os sócios . o falido era obrigado a usar uma boina verde. de bens clausulados de incomunicabilidade ou inalienabilidade. os bens destinados à atividade passam a ter novo dono em comunhão. Trata-se de regime diferente do existente nos EUA. não habilitado. 978): . Havia a verdadeira quebra do comerciante. Se for sociedade. E havia a quebra de sua banca . Aplica-se aos empresários individuais. também impedido é o falido enquanto não extintas suas obrigações.daí o termo bancarrota como sinônimo de falência.

alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. 980. se for aval ou fiança. Diante desse empecilho. O Código parece induzir haver dois patrimônios. exceto no regime da separação absoluta: III – prestar fiança ou aval. Existe uma destinação diferente.inclusive. Pelo Art. Art. 978. 1. o imóvel pode ser alienado sem outorga conjugal desde que "integre o patrimônio da empresa". nenhum dos cônjuges pode. qualquer que seja o regime de bens. o que não há. a ideia deste é dar publicidade e produzir efeitos dos atos perante terceiros. comum nos títulos de crédito. há eficácia somente entre as partes.Art.648.independente do regime e de estarem mesmo casados (exigem até de união estável. 3. É exceção ao regime geral do Código: o indivíduo. Ressalvado o disposto no art. 1. 978. exigem a assinatura do cônjuge . A sentença que decretar ou homologar a separação judicial do empresário e o ato de reconciliação não podem ser opostos a terceiros. 980) . como uma prevenção). que . O problema está nos casos cinzentos. mas não entre terceiros. pela regra geral. Isso aumenta os custos de transação. sem necessidade de outorga conjugal. os bancos exigem outra garantia ou. o que os bancos têm feito? Para evitar assinatura dos cônjuges. separado da pessoa física. e toda a burocracia existente. O exemplo mais patente é da alienação de bens imóveis. E o Código dá ainda redação atécnica ao falar em "patrimônio da empresa".647. ao se casar. sem autorização do outro. Mas o Código colocou também na outorga do cônjuge o aval e a fiança (garantia real). que patrimônio é esse? Não existe um patrimônio da empresa. O empresário casado pode. Art. Afinal. mas isso não faz ser um patrimônio autônomo. O credor só pode ser cientificado se averbada em Registro Público . Exigência de averbação da separação judicial (Art. passa a ter atos que exigem da outorga uxória. Ideia mesma é a que se aplica às sociedades em conta de participação.Face oposta da exigência de averbação do casamento. antes de arquivados e averbados no Registro Público de Empresas Mercantis. Até o registro.

só têm efeitos perante as partes (com a exceção do patrimônio separado). . e a jurisprudência já havia decidido que não havia fraude.344.não sendo obrigatória e participação final dos aquestos). 977. desde que não tenham casado no regime da comunhão universal de bens. caso tivesse autorizada a contratação de sociedade nos demais regimes (comunhão parcial. 977) Art. 4. entre si ou com terceiros. (Redação dada pela Lei nº 12. e que as quotas compõem o patrimônio total. O Código poderia ter sido mais claro. de 2010) III – de todos os que dependerem. de suprimento judicial. 1. e outro com 10%. Por que não podem os cônjuges da separação obrigatória ser sócios? Para não unir patrimônio que é separado. Decorre do conceito de comunhão que cada cônjuge tenha bens em seu próprio nome. considerando tais sociedades fraudulentas.641. Veja-se aqui o grau de intervencionismo do Código. Uma sociedade com cônjuge com 90%. É obrigatório o regime da separação de bens no casamento: I – das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do casamento. Qual o regime da separação obrigatória? Art. Contratação da sociedade (Art. E o Código tentou trazer para seu texto a resposta (lembrando-se que o projeto é da década de 1970). Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade. E o contrário no caso da comunhão universal: criação de separação artificial de um patrimônio que é um só. desde que não tenham se casado no regime da comunhão universal de bens ou da separação obrigatória. A questão é que a jurisprudência há muito havia resolvido a questão. Podem contratar sociedade. para casar. separação total . ou no da separação obrigatória. II – da pessoa maior de setenta anos. Havia decreto de 1919 sobre as sociedades limitadas. não há fraude: entender que não podem ser sócios é ignorar que a sociedade tem um patrimônio separado.

até porque não importa a pessoa dos sócios. de formação dos preços.Após toda a polêmica. não teriam natureza contratual. (ii) para as sociedades constituídas posteriormente. e o Código Comercial tratava muito dessa força probante da atividade. R. que trata de escrituração. A preocupação do direito é sempre com a unidade.194. A Economia. COASE. No direito. O direito olha para a árvore. o direito adquirido não é à lei. com a empresa. e assim por diante. Mercado como local de encontro da oferta e da demanda. São objeto do último ponto do curso. Até agora vimos como o direito apreende o fenômeno que ASQUINI chama de fenômeno econômico complexo e poliédrico. haveria a exigência do Art. e que. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração. e depois da empresa. trata primeiro do mercado. Art. as Juntas Comerciais sugeriram: (i) para as sociedades já existentes. houve teorias . 1641. correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade. A melhor solução seria revogar esse artigo. poderia haver sociedades anônimas entre cônjuges . Tais livros têm força probante. A EMPRESA NO MERCADO: "THE NATURE OF THE FIRM". pelo contrário. conforme prevê CANOTILHO. Ou pelo menos é o que vimos até agora. Claro que é uma solução fraca. O problema é que sociedades têm execução continuada. Como isso se solucionou nas anônimas? Por serem instituição. e não para o mercado. havia licitude nas sociedades com cônjuges. ESCRITURAÇÃO DA ATIVIDADE O empresário tem vários livros nos quais registra a movimentação da atividade. e então. 1. enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. e não com a relação das empresas no mercado. e sim ao regime jurídico. Pode-se dizer que há aqui direito adquirido e ato jurídico perfeito. Procuramos entender como o direito capta isso.

O preço é uma flutuação. Costuma-se traduzir "firm" por empresa. o mercado é um sistema de preços. Temos por base aqui RONALD COASE. O problema é que no direito. prêmio Nobel de Economia. denominação social. As explicações econômicas explicavam bem o mercado. mas não por que o sistema de preços era insuficiente. por que em um mercado há empresas? A primeira razão é porque. o custo de encontrar o comprador. se pode pagar. Os economistas sempre se preocuparam com o mercado. Se o preço está baixo. Deu origem à chamada ECONOMIA DOS CUSTOS DE TRANSAÇÃO. pode ser sinônimo de razão social. um sinal. sempre o analisaram como o local de formação de preços. significa alta oferta. e não nos preços? Afinal. no sentido de operação econômica. um empreendedor.jurídicas sobre a empresa. A genialidade de COASE está em olhar o mercado na realidade. Um deles é o famoso THE NATURE OF THE FIRM (1937). de negociar em mercado. mas há dúvidas se é exatamente isso. como saber qual o valor do carro? E então. . os chamados CUSTOS DE TRANSAÇÃO. além dos modelos perfeitos da economia neoclássica reinante à época. O outro é o PROBLEMS OF SOCIAL COSTS. o preço significa alta demanda. para mais recentemente haver teorias sobre o mercado (daí NATALINO IRTI e a professora PAULA FORGIONI). Esta aula trata das empresas no mercado. e se ele tem dinheiro. importa custos. Então. São todos custos de operar em mercado. ainda mais específico. Se não houvesse tabela FIPE. Em um mercado de concorrência perfeita. e ainda mais sem internet. firma pode ser assinatura. Negociar envolve custos. Qual o primeiro custo quando se quer vender o carro? O custo da própria informação (quanto vale meu carro?). e no direito comercial. dado por dois trabalhos. o qual funciona por esse sinal. justamente pela não coincidência entre um e outro. negociar em um sistema de preços como o mercado. Que pergunta faz então COASE? Por que há quem se organiza sob o comando de um enterpreneur. Por que há organizações fundadas na hierarquia. A professora Raquel SZTAJN prefere traduzir como "firma".

dentre os quais o perfil objetivo. vai no sentido de que a empresa diminui custos de transação. a ideia de por que as pessoas se organizam. Será vantajoso quando os custos de mercado forem maiores do que o de se submeter a um empreendedor. E diminuem de tamanho quando os custos forem maiores do que os de atuar no mercado. e por que há empresas organizadas sob hierarquia de um indivíduo. a qual. Qual o conceito de patrimônio? Conjunto de posições jurídicas ativas e passivas avaliáveis em pecúnia. É a ideia de projeção patrimonial da empresa. e se os agentes são racionais. e assim por diante. 4 de junho de 2012 20:57 Já estava prevista a ideia de estabelecimento em ASQUINI. Ao questionar a imprevisibilidade como o elemento central da empresa. contratar individualmente. Sempre vai valer existir uma empresa (e não se está falando de sociedade. apesar de nem sempre pagar o melhor preço. Mas é possível se fazer um contrato com uma distribuidora. tal qual perfil objetivo da empresa. Sempre que se fizer uma contratação spot nos mercados. Aula 13 ESTABELECIMENTO COMERCIAL segunda-feira. questiona KNIGHT. há custos. economista importante de sua época. Quando uma empresa cresce? Crescem sempre que os custos para sua internalização sejam menores do que os custos de negociar em mercado. E daí a empresa como núcleo de contratos. .Se negociar em mercado tem custos. e se pode fazer contratos de longa duração. a todo momento seria preciso usar critérios. mas de empresa. O direito capta a empresa sob diversos perfis. somente quando os custos de negociar em mercado sejam maiores do que os de internalizar essa negociação. traz mais estabilidade. de como se manifesta no patrimônio. Se a atividade fosse de vender carros usados. de exercício coordenado de captação de inputs para colocar no mercado outputs)? Não.

Para ser preciso. por empresário. que. como também pode ter exclusivamente um estabelecimento.que enseja desconsideração da personalidade jurídica. está do lado ativo do patrimônio. E o empresário individual. Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado. 1142 afirma que quem organiza o complexo de bens é o empresário ou a sociedade empresária. tem bens que não são destinados à atividade? Sim.142. Pode ter no patrimônio uma casa na praia? É no mínimo estranho. Todos os bens integram o ativo ou há bens que ficam fora do estabelecimento? Ou seja. para exercício da empresa. Perguntamos na semana passada quem exerce a empresa. não é nem empresário nem sociedade empresária. Suponha-se Casas Bahia. pois apenas uma "parte colorida" é a para o exercício de empresa. Art. Uma empresa pode ter vários. 1. E na EIRELI? A rigor. tem conta-corrente. de acordo com o tamanho da empresa. indício de confusão patrimonial . O estabelecimento é o conjunto de bens. é patrimônio autônomo unicamente destinado à atividade. o Código poderia ter sido alterado também nesse ponto. embora esteja junto do empresário. para exercício da empresa". a rigor. O Art. Falta a EIRELI. Isso está em seu estabelecimento? A primeira imagem que se tem é do uso comum de "estabelecimento". que tem vários estabelecimentos .Já que o estabelecimento é a projeção do patrimônio na empresa. De fato. que equivale a dizer um local. ou por sociedade empresária. todo ativo é estabelecimento ou há parte que não são estabelecimento? Pense-se na sociedade empresária: há bens da sociedade que não são destinados ao exercício da empresa? Pense-se em sociedade destinada a açúcar e álcool. poderia ter parado na palavra "empresa": "considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado. via de regra. temos o texto de SYLVIO MARCONDES denominado "O Patrimônio". Como o patrimônio aparece? No ativo. Porém. mesmo na EIRELI e na sociedade empresária é claro que todo o ativo constitui estabelecimento? Toda empresa tem caixa. e como tal. Uma empresa tem quantos estabelecimentos? Depende de como o empresário quer exercer o exercício da atividade.

FUNDO DE COMÉRCIO . Era tudo o que havia sido desenvolvido no ponto comercial . São os bens destinados à atividade. AZIENDA . tendo então o patrimônio líquido (diferença do ativo e do passivo). A diferença do valor da soma dos bens que integram o estabelecimento e o valor econômico daquele negócio. Se o conceito de estabelecimento é complexo de bens destinados à atividade.Termo em italiano bastante usado. e sim de aviamento. Uma empresa tem todos os direitos que a ela se referem. o ativo deveria ser todo composto de bens destinados à atividade. dando justamente essa solução. integram estabelecimentos? Na contabilidade. É forma de conciliar a ideia de estabelecimento empresarial e a existência de bens que são atribuídos abstratamente aos estabelecimentos. Uma posição jurídica pode ser dividida com espécie de "quota ideal" para que seja estabelecimento. NATUREZA JURÍDICA DO ESTABELECIMENTO É pergunta sobre como o direito classifica esse conjunto de bens a que chamamos estabelecimento. 2. tem-se no balanço ativo e passivo (no sentido de exigível). .A rigor. que é a aptidão do estabelecimento de produzir lucro. como em ASQUINI. pois não se pode dizer que uma sociedade tem bens que não dizem respeito à atividade. Como a sociedade empresária não pode ter bens que não destinadas à atividade. que é o patrimônio da empresa. como uma patente que serve para gerenciar a entrega de produtos da Amazon. SINÔNIMOS DE ESTABELECIMENTO 1.(inclusive virtuais). não é sinônimo de estabelecimento. cada parte é destinada a cada estabelecimento. e isso não é efetivamente possível. por exemplo. Como ficam alguns ativos. ou um software. é possível uma abstração: do dinheiro que está no caixa da empresa. uma clientela. 3.A lei de locações usava essa expressão. GOODWILL . OSCAR BARRETO FILHO discute muito a questão do caixa. por exemplo.daí haver o direito à renovação compulsória. pois houve um fundo de comércio desenvolvido. e assim por diante.

uma universalidade de fato. para fins jurídicos. penhorado. que podem ser (i) de fato e (ii) de direito. arrendado. Nas universalidades de fato.quem define. Qual a diferença entre coisas coletivas e singulares? Coisas coletivas são as reuniões de coisas singulares que. que trata dos objetos de direito dos quais estabelecimento é uma espécie). Se é objeto de direito. então. o Art. O exemplo mais comum é o da biblioteca. Satisfazem utilidades. Daí não ser um complexo de bens. são tomadas como uma coisa só. pertinentes à mesma pessoa. ART. Pelo contrário. O estabelecimento é um conjunto de bens que tem uma finalidade diversa dos bens individualmente. entre outros. pode ser objeto de relações jurídicas. 91 caracteriza o próprio patrimônio: "Constitui universalidade de direito o complexo de relações jurídicas. De fato. estabelecimento é um objeto de direito (daí a importância do texto de SYLVIO MARCONDES. como as bibliotecas. de uma pessoa. Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que. .UNIVERSALIDADE DE FATO "Art.talvez seja até acentuada. quem destina os bens singulares para uma finalidade unitária é a vontade do particular. O livro em si continua tendo função. sendo. Portanto. 90 . necessidades diversas. de se destinar à atividade empresarial. podendo ser alienado. o patrimônio é uma universalidade de direito. senão um complexo de relações jurídicas ativas e passivas. que não é prejudicada . dotadas de valor econômico". Isso está ligado a uma função desempenhada pelo direito: as coisas juntas desempenham função diversa delas separadas. O que determina a biblioteca? A diferença das universalidades. tenham destinação unitária. visto que sua definição é dada pela lei. o que destina é a lei. É a organização do empresário que dá essa finalidade própria. 90.Precisamos voltar à divisão entre (i) coisas coletivas e (ii) coisas singulares. Nas universalidades de direito. É a organização do empresário que vai atribuir a esse conjunto de bens o caráter de estabelecimento. A reunião de coisas singulares desempenha função diversa da função de cada coisa individualmente.

No estabelecimento. Ou seja.houve discussão doutrinária se o imóvel seria parte do estabelecimento. e hoje é pacífico que sim. computadores. A venda do estabelecimento é o TRESPASSE. O QUE COMPÕE O ESTABELECIMENTO? Bens móveis e imóveis. dado em comodato. como créditos e propriedade intelectual. Mais comum é a venda dos livros. pois não houve vontade do empresário. Os bens que formam essa universalidade podem ser objeto de relações jurídicas próprias". VALLADÃO: É a organização do empresário que faz o conjunto de bens ser um estabelecimento. Por que pertinentes. tem em comodato. A ideia é de que ser uma coisa coletiva não exclui que circulem os bens individuais. cadeiras. . mas que não são estabelecimento. e não pertencentes? Porque o importante é o interesse. a venda de uma biblioteca. por exemplo. mesas. lousas. mas também os imateriais. Direitos que podem ser tocados. sem que seja. Há um direito juridicamente tutelado sobre esse bem. A professora KRUEGER comenta. O bem pode ser. Ele também pode ser doado. assim como o próprio imóvel . Usa esse bem sobre determinado título. as mercadorias ainda servem à atividade. Em uma escola. pois dificilmente o empresário é proprietário dos bens que usa: faz contratos de leasing. propriedade. e assim por diante. que ainda que tenham sido esquecidas. necessariamente. Não é comum. e note-se.Parágrafo único. por exemplo. Bens materiais e bens imateriais. porém. E note-se o parágrafo único: "os bens que formam essa universalidade podem ser objeto de relações jurídicas próprias". emprestado. alugado. Daí se falar em pertinência. também é possível a venda de todo o estabelecimento ou dos bens específicos. não precisa ser a propriedade do imóvel: basta o uso. podem circular. Isso é muito importante no conceito de estabelecimento. o que cria questionamento. Suponha-se mercadorias esquecidas em um depósito: são bens que integram o patrimônio.

Em 11 de janeiro de 1908. representando a Fábrica Sant'Anna. CASO DA COMPANHIA DE TECIDOS DE JUTA Primeiro caso do STF sobre alienação de estabelecimento empresarial. o que é preciso para se desenvolver uma atividade. O caso foi largamente acompanhado à época. que não compreende somente os bens materiais. pleiteando ação de perdas e danos. mediante a Companhia Paulista de Aniagem. pleiteando perdas e danos pelo desvio de clientela. Quando o Conde vendeu a fábrica. É o long-going business. • Ao alienar o estabelecimento. Há algo a mais pelo que se pagou. Quando os clientes da fábrica Sant'Anna souberam que o Conde operava um novo estabelecimento. e se tornaram clientes da Companhia Nacional de Tecidos de Juta. Conde Álvares Penteado estabeleceu-se novamente.É bem abrangente: é o complexo de bens para a atividade. Esta contratou CARVALHO DE MENDONÇA. que correspondeu a "reputação dos produtos" (aviamento) e a "freguesia". e deixou sucessores (viúva e filhos). contratou RUI BARBOSA. . O Conde morreu. renomado comercialista. A família do Conde. Após a alienação. Conde renunciou ao exercício de indústria similar. deixaram de contratar com aquela. • Valor dos bens é inferior ao preço de venda em 3 mil contos de réis. o Conde Álvares Penteado alienou a Fábrica Sant'Anna à Sociedade Anônima Companhia Nacional de Tecidos de Juta por 3 mil contos de réis. A Companhia Nacional de Tecidos de Juta ajuizou ação em face dos sucessores do Conde. • Clientela é atraída por características pessoais do empresário titular do estabelecimento. até pelo interesse no tema da alienação de clientela. vendeu também a clientela? ARGUMENTOS DA COMPANHIA NACIONAL TECIDOS DE JUTA (CARVALHO DE MENDONÇA) • DE Cliente faz parte do estabelecimento e com ele foi vendido.

não há exigência que seja formal. ao se comprar a Junta. 214 também tem uma função muito importante aqui. deve ser restrita no tempo. salvo se o comprador. "Art. posto que a coisa vendida se ache depreciada na quantidade ou na qualidade ao tempo da evicção por culpa do comprador ou força maior. e se for vencido. mas poderá ser condenado à composição das perdas e danos consequentes. Se. por algum título. e (ii) agiu de má-fé. porém. não só restituirá o preço com os juros e custas do processo. ARGUMENTOS DOS SUCESSORES DO CONDE (RUI BARBOSA) Conde não estava legalmente obrigado a deixar de exercer "indústria similar". A restituição do preço tem lugar. 214 . PROFESSORA JULIANA KRUEGER: Um argumento possível seria no sentido de que. Clientela não é atraída pelas características pessoais do empresário. e até às penas criminais. O Art. • Renúncia não se presume. declarar expressamente no instrumento do contrato. • Ao se restabelecer. • Trata-se de estabelecimento industrial. defendendo à sua custa a validade da venda. no espaço e no objeto. e não comercial. Não seria razoável supor que o Conde soubesse que havia vinculação a ele. conhecendo o perigo ao tempo da compra. tem-se o objetivo de utilizá-la sem perturbação. • "Art. o vendedor é obrigado à evicção em juízo. que toma sobre si o risco. 215 .Proibição de restabelecimento decorre das circunstâncias do negócio. devendo entender-se que esta cláusula não compreende o risco da coisa vendida. o vendedor tem direito para reter a parte do preço que for estimada por arbitradores". • . Conde (i) não "fez boa a coisa vendida" (não prejudicar o comprador).Se o comprador for inquietado sobre a posse ou domínio da coisa comprada. possa pertencer a terceiro". ainda que no contrato se estipule que não fica sujeito a responsabilidade alguma.O vendedor é obrigado a fazer boa ao comprador a coisa vendida. violando os artigos 214 e 215 do Código Comercial. que. Além disso. O que o Conde faz é perturbar o que foi legitimamente comprado. o comprador auferir proveito da depreciação por ele causada. quais no caso couberem.

• DECISÃO Por maioria. Quando o empresário vende a outro seu estabelecimento empresarial. A pergunta é: em determinada operação de venda de estabelecimento. está interessado no conjunto de bens? Sim. O que o cliente queria. No instrumento. e não havia nada específico no contrato. com a compra. olhado como algo que circula no mercado. Mas em uma análise dinâmica. Mas não é isso que tem valor: é a capacidade desse conjunto de bens. Não é uma questão simples. mas mesmo assim. que o advogado traduziu dessa forma? Queria comprar o estabelecimento. de modo a analisar se haveria mesmo a diferença alegada. • A eventual obrigação de não restabelecimento é pessoal e não se transfere aos herdeiros do Conde. tal qual como organizado pelo primeiro empresário. mas que. havia como objeto o número de alunos da escola. fizemos uma análise estática do estabelecimento. de gerar lucros. o alienante tem o dever sobre a tutela dos alunos? . Professora cita um "contrato de compra e venda de alunos". houvesse a garantia de que os alunos continuariam na escola. ou não teria comprado. há interesses conflitantes. certamente. quem compra estabelecimento compra clientela? Quem vende tem obrigação de garantir que haja lucro? Depende da administração. não havendo condenação dos herdeiros do Conde. O estabelecimento. julgou-se IMPROCEDENTE a ação proposta. Teria agido no legítimo interesse da livre iniciativa. as perguntas mudam. "das mãos que o valoram menos para os que valoram mais" (COASE.Excesso de três mil réis corresponde a "valor da posição conquistada em mercado pela Fábrica Sant'Anna". sobre como as coisas circulam). Voto vencido de Godofredo Cunha: análise dos livros contábeis da autora. É incorporar para que a clientela atraída ao primeiro permaneça com o segundo. AVIAMENTO É elemento do estabelecimento a capacidade de produzir lucro? É elemento a clientela? Até agora. que na verdade era a compra e venda de uma escola.

a comida é muito boa. E é isso que atrai o possível adquirente.M. de sua forma de organização. não necessariamente circulam junto. . materiais e imateriais. Por exemplo.OSCAR BARRETO FILHO: "Resultado de um conjunto de vários fatores pessoais. CLIENTELA É o reflexo do estabelecimento.O. Mas mesmo assim. de modo a mostrar que mudou o condutor da atividade. Isso quer dizer que. Aviamento não é elemento do estabelecimento. o que faz cada vez menos sentido com a impessoalidade contemporânea das empresas.Decorre das características pessoais do empresário.Decorre dos elementos objetivos do estabelecimento: dos bens. Alex Atala: as pessoas vão ao D. AVIAMENTO SUBJETIVO . a aptidão de produzir lucros". significa que há muitos clientes. O conceito doutrinário é o próprio conceito comum. Daí a expressão "sob nova direção". em maior ou menor grau. O importante é saber que todo estabelecimento é aviado. Por exemplo. A questão é a medida. e sim atributo do estabelecimento. no entender da professora. Se o aviamento é grande. Alguma potencialidade de produzir lucros todo estabelecimento tem. equipamento que produza bem de forma melhor. A divisão não parece ser ideal. mostrar uma nova organização. também envolve o chamado aviamento objetivo. AVIAMENTO OBJETIVO . Portanto. talvez confundindo empresa e empresário. a classificação a seguir é criticável. Aviamento é a potencialidade de produzir lucros daquele estabelecimento. matéria-prima de grande qualidade. porque conhecem o chef. Note-se: OSCAR BARRETO se centra muito na figura do empresário. condições objetivas em geral. que conferem a dado estabelecimento in concreto. Indicar à clientela que mudou a condução da atividade é tentar mudar o aviamento. e que a qualidade deve ter mudado. circulando o estabelecimento.

mas o alienante não pode abrir na região novo estabelecimento. da criatividade dos advogados.OSCAR BARRETO FILHO: "Conjunto de pessoas que. existe um direito à clientela? Não. mas que. CLIENTELA (QUALIDADES SUBJETIVAS) X FREGUESIA (QUALIDADES OBJETIVAS. desde que o lucro seja Y naquele período. Alienação de estabelecimento não tem a clientela por objeto. na prática. Dependia. o alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente. o contrato dava as especificações. É regra dispositiva.147 que o alienante não pode fazer concorrência no prazo de cinco anos. mantém com o estabelecimento relações continuadas de procura de bens e serviços". a questão de resolve contratualmente. . motorista abra em seu lugar. por exemplo. filho. Antes da vigência do Código Civil. De fato. Ou compra de estabelecimento por preço X. Por exemplo. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento. INTERDIÇÃO À CONCORRÊNCIA Em suma. nos cinco anos subsequentes à transferência. amante. EM ESPECIAL O LOCAL) A freguesia é o que eventualmente consome. Por exemplo. ou se pagaria menos. que pode portanto ser afastada pelo contrato. ainda que seja bastante utilizada pela doutrina. A clientela é a que atravessa a cidade para comer naquela padaria. Mas. Art. de fato. Não havendo autorização expressa. sobretudo porque está naquele local. Nos tribunais. mesmo assim. 1. Mas o Código Civil de 2002 prevê expressamente em seu artigo 1. há muitos casos de descumprimento de interdição de concorrência por terceira pessoa. a proibição prevista neste artigo persistirá durante o prazo do contrato. mas faz com que sua mãe. representa intervenção excessiva no domínio econômico e no âmbito da autonomia privada. Parágrafo único.147. que se poderia comprar o estabelecimento. em realidade. também é uma classificação que não parece fazer tanto sentido na realidade contemporânea. o alienante ficou pelo contrato proibido de abrir novo estabelecimento.

Há acórdãos do TJSP que prevê que são bairros diferentes. o problema foi nos chocolates para uso industrial. no Registro Público de Empresas Mercantis. E mais ainda: tribunais entendem que a interdição à concorrência precisa ser remunerada para que o prazo de cinco anos seja respeitado. ninguém paga a mais pela livre concorrência. Não se poderia aumentar o prazo de interdição à concorrência porque há súmula do CADE estipulando o máximo de cinco anos. No caso Nestlé x Garoto. afinal. Aula 14 TRESPASSE DE EMPRESARIAL segunda-feira. desde que o ato seja registrado no Registro Público de Empresas Mercantis . Na prática. . apenas de coloca uma parte como remuneração para tal. só produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à margem da inscrição do empresário. o usufruto ou arrendamento do estabelecimento.Como se interpreta concorrência? Não exercer a mesma atividade no mesmo espaço. não havia problemas no aspecto da concorrência. 11 de junho de 2012 19:33 ESTABELECIMENTO EFICÁCIA DA ALIENAÇÃO PERANTE TERCEIROS Art. Talvez a melhor interpretação seja aplicação do critério do mercado relevante usado pelo CADE. mas que são a mesma rua. Note-se: a publicação de ata do contrato de trespasse é muito cara. o Diário Oficial é monopolista. O contrato que tenha por objeto a alienação. adotando-se que. 1. como se exige também a publicação no Diário Oficial da União ou do Estado. ou da sociedade empresária. e de publicado na imprensa oficial. e não qualquer chocolate. por serem bairros outros. A lei permite que o contrato de trespasse tenha efeitos perante terceiros.144.que é a Junta Comercial. Não só basta o registro.

o patrimônio anterior ou posterior? . e então a empresa receberá um valor pelo estabelecimento. dada pela legalidade. Se faz um trespasse de estabelecimento com valor de 10. Mas se o terceiro teve conhecimento do ato. ainda assim. sobram 20 de ativo. mesmo com o trespasse. como interveniente. A eficácia independe da anuência ou dos pagamentos dos credores.154. sobram 20 de ativos. Não poderia alegar que não está registrado. EXIGÊNCIA DE PAGAMENTO OU CONSENTIMENTO DE TODOS OS CREDORES Além disso. em teoria. o Código não se satisfaz com a publicidade. ser oposto a terceiro. com a alienação. Suponha-se empresa com 30 de ativo e 20 de passivo. antes do cumprimento das respectivas formalidades. 1. O terceiro não pode alegar ignorância. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo. SALVO PROVA DE QUE CONHECIA Art. Ocorre que se o trespasse não é doação.INOPONIBILIDADE ANTES DO CUMPRIMENTO DAS FORMALIDADES. ressalvadas disposições especiais da lei. diz: Art. e ao tratar da eficácia. Como interpretar esse artigo? Se o terceiro assinou o contrato como testemunha. Surge então a discussão: analisa-se. mas. Essa prova elide a presunção. e há o suficiente para solver todos os credores. conhecia o contrato. cujo valor é de 10 de seu ativo. O ato sujeito a registro. 1. não pode. a eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de todos os credores. devem restar na empresa bens suficientes para solver o seu passivo. Com a alienação do estabelecimento. de modo expresso ou tácito. que não está publicado. isso não é necessário. salvo prova de que este o conhecia. em trinta dias a partir de sua notificação. Parágrafo único.145. ou do consentimento destes. Por que registrar na Junta e publicar no Diário Oficial? Por uma presunção de conhecimento. Suponha-se empresa com 30 de ativo e 40 de passivo. desde que cumpridas as referidas formalidades. 40 de passivo. Faz trespasse de estabelecimento. Neste caso.

129. Portanto. E isso pode criar problemas muito grandes. Mas detalha mais: restringe os meios de notificação a (i) notificação judicial ou (ii) por oficial do registro de títulos e documentos. não tendo restado ao devedor bens suficientes para solver o seu passivo. EFICÁCIA PERANTE MASSA FALIDA: RESTRIÇÃO DOS MEIOS DE NOTIFICAÇÃO Art. O alienante não precisa informar que não tem recursos . Haverá consentimento tácito caso não haja manifestação após 30 dias. Também é comum que o contrato de trespasse preveja que o dinheiro pago integre inteiramente o pagamento dos credores da empresa alienante. tenha ou não o contratante conhecimento do estado de crise econômicofinanceira do devedor.a venda ou transferência de estabelecimento feita sem o consentimento expresso ou o pagamento de todos os credores. judicialmente ou pelo oficial do registro de títulos e documentos". O trespasse é ineficaz em caso de falências. salvo se. permitindo conhecimento tácito ou expresso. fala de ineficácia perante a massa falida. São ineficazes em relação à massa falida. . conforme prevê a lei. A regra é a mesma. tem-se ineficácia do trespasse perante terceiros. a lei exige apenas a notificação do trespasse. no prazo de 30 (trinta) dias. caso os credores não estejam cientes.afinal. seja ou não intenção deste fraudar credores: VI . inciso IV da LRE.Pode ser (i) expresso ou (ii) tácito. após serem devidamente notificados. 129. a esse tempo existentes. "Art. A forma dada pela lei é a notificação. PAGAMENTO DE CREDORES . o que se faz? O empresário provavelmente tomará um empréstimo.O mais razoável é se avaliar o patrimônio posterior ao trespasse. não houver oposição dos credores. é preciso haver uma preocupação também pelo que compra o estabelecimento. um financiamento para pagar os credores ou os próprios sócios podem capitalizar a sociedade. Se o credor não consentir. CONSENTIMENTO DE CREDORES .Mas se mesmo depois do trespasse e do pagamento não há ativos suficientes.

essa universalidade. Uma possível análise. Mas com o Código de . quanto aos outros. o estabelecimento é uma universalidade de fato quando visto em seu caráter estático. desde que regularmente contabilizados. leva a que um credor decida vetar para receber antes dos demais. "O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência. a partir. que era de fato. A ideia geral seria de que o adquirente somente se responsabilizaria por dívidas posteriores. segundo VALLADÃO. continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano. da publicação. permanecendo as anteriores com o alienante. As dívidas referem-se ao lado do passivo do patrimônio. não há dúvidas. vinda da teoria dos jogos. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência.146. A lei unifica relações jurídicas. que permitia a negociação sobre a matéria. mas quando é visto em seu caráter dinâmico. da data do vencimento. mais do que somente bens e direitos. quanto aos créditos vencidos. Quanto às posteriores. tem a responsabilidade por dívidas anteriores. Aqui.A lei não fala em princípio majoritário. pois é a atividade do adquirente. conjunto de bens e direitos. Assim era o Código anterior. passa a ser uma universalidade de direito. O que são dívidas do estabelecimento? Estabelecimento não é parte do ativo do patrimônio? Como pode ser uma dívida? Estabelecimento e uma universalidade de fato. e. A ideia seria de unanimidade." É a principal alteração do regime do novo Código Civil de 2002. CRÍTICA DE VALLADÃO: ESTABELECIMENTO PASSA A SER VISTO COMO UNIVERSALIDADE DE DIREITO E portanto. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE PELOS "DÉBITOS" DO ESTABELECIMENTO Art. 1. e então. a lei exige a unificação desses ativos a dívidas. e um credor teria o poder de vetar. Universalidade de direito é o conjunto de posições jurídicas ativas e passivas unidas por força de lei. a lei afirma que as dívidas relacionadas a esse estabelecimento são assumidas pelo adquirente.

e por isso. mas referentes ao estabelecimento. e ainda mais. algo que também é discutido por OSCAR BARRETO. da publicação. com a figura das obrigações propter rem. a partir. São as obrigações que seguem a coisa. em caráter solidário. Caso contrário. Tudo o que entre de crédito e o que sai como débito é registrado. da data do vencimento. E daí COMPARATO. os débitos devem estar regularmente contabilizados." A peça principal da contabilidade empresarial é o balanço. mas exigir que se declarem quais os bens e as dívidas relacionadas a esses bens. parece que se trata de norma cogente. responde o alienante. Toda empresa é obrigada a manter escrituração. Como advogado.2002. a contabilizar seus bens e direitos e também suas dívidas. DÉBITOS CONTABILIZADOS "desde que regularmente contabilizados. pois o Código coloca. Um exemplo claro é o leasing de equipamento. mas relativa a outro estabelecimento. quando é norma dispositiva. a primeira tarefa é pedir um balanço." O alienante continua a ser devedor. . que as partes "podem dispor em contrário". O adquirente somente adquire os débitos inerentes ao estabelecimento transferido. e. quanto aos créditos vencidos. devem estar no balanço daquela empresa. Para que o adquirente se responsabilize. Não se poderia a ele imputar outra dívida referente à atividade empresarial. As parcelas desse aluguel são dívidas inerentes à exploração do bem. quanto aos outros. senão aquele relacionado ao conjunto de bens. Mas o Código não diz algo óbvio. são assumidas pelo adquirente. que parte se refere ao estabelecimento. REGIME DE SOLIDARIEDADE DO ALIENANTE "continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano. De toda o passivo contábil. a escrituração da atividade empresária. pelo prazo de um ano. que são "débitos anteriores e contabilizados". E não somente vê-lo. Não é obviamente qualquer débito. E novamente: desde que estejam contabilizadas.

o prazo é a partir da publicação do contrato de alienação de estabelecimento. Para os créditos vincendos. ASSUNÇÃO DE DÍVIDAS PELO ART. Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida. com o consentimento expresso do credor. interpretando-se o seu silêncio como recusa. E esta norma cogente era antes resolvida pela via contratual. ART. ao tempo da assunção. o prazo é um ano da data do vencimento.Para os créditos vencidos. Há larga jurisprudência sobre esse artigo. entre outros. por qualquer título. Parágrafo único. É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor. 1. salvo se aquele. 133. RESPONSABILIDADE DO DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADQUIRENTE POR Art. relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido. devidos até a data do ato: . responde pelos tributos. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra. sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual. era insolvente e o credor o ignorava. fundo de comércio ou estabelecimento comercial. E então. 1. ficando exonerado o devedor primitivo. industrial ou profissional. trabalhistas. pois precisa esperar o vencimento para cobrar. 299. e não do vencimento da obrigação.146: CREDOR DE CRÉDITO VINCENDO NÃO PRECISA ANUIR . e continuar a respectiva exploração. Observação: lembre-se que há regresso no limite das quotas de cada devedor. o que parecia fazer muito mais sentido. ASSUNÇÃO DE DÍVIDAS: REGRA GERAL DE EXIGÊNCIA DE CONSENTIMENTO DO CREDOR .Art.O credor do crédito vincendo não precisa anuir.146: APLICAÇÃO EXCLUSIVA A DÍVIDAS CIVIS E COMERCIAIS Não se aplica a dívidas tributárias. a solidariedade de um ano é para solucionar o regime geral.

CTL. o que já cria muitas dívidas. se este prosseguir exploração ou iniciar dentro de seis meses. CLT . membro de grupo econômico. do na da de Supondo que fundo de comercial é igual a estabelecimento comercial. se o alienante cessar a exploração comércio. indústria ou atividade. (ii) responsabilidade subsidiária: se alienante continuar a exploração ou retomá-la em seis meses. Salvo disposição em contrário. 1. Na prática. todos acabam sendo imputados. atribui-se ao adquirente a responsabilidade por débitos trabalhistas. a contar da data alienação. Alienante e adquirente. podendo os terceiros rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação da transferência.I – integralmente. Art. RESPONSABILIDADE DO DÉBITOS TRABALHISTAS ADQUIRNTE POR Em razão da interpretação jurisprudencial dos Arts. Na prática.148. cobra-se de qualquer um. a transferência importa a sub-rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do estabelecimento. se não tiverem caráter pessoal. CESSÃO DE POSIÇÃO CONTRATUAL NOS CONTRATOS ESTIPULADOS PARA EXPLORAÇÃO DO ESTABELECIMENTO Art. HIPÓTESES: (i) responsabilidade integral: se o alienante cessar a exploração do estabelecimento. tem-se uma série de problemas. 448. o Fisco cobra de todos. 10 e 448 da CLT.A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. indústria ou profissão. II – subsidiariamente com o alienante. Art. nova atividade no mesmo ou em outro ramo comércio. Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados. REQUISITO: Continuidade da exploração do estabelecimento. 10. e cabe ao contribuinte explicar por que não deveria pagar. se ocorrer .

há uma sucessão legal. há sub-rogação do alienante pelo adquirente. Caso contrário. que passa para o adquirente.RESCISÃO DO CONTRATO EM 90 DIAS A CONTAR DA PUBLICAÇÃO DA TRANSFERÊNCIA EM CASOS DE JUSTA CAUSA Afinal. Nos contratos cujo objeto é a exploração do estabelecimento. há a substituição do alienante pelo adquirente. Um exemplo é o contrato de patrocínio. Não se está falando da dívida em si.CONTRATOS DE CARÁTER PESSOAL Contratos cuja prestação depende de característica da parte. senão da posição contratual. Se há trespasse. (ii) EIRELI ou (iii) empresário individual. por expressa previsão legal. mas é óbvio que se a prestação personalíssima for do terceiro.justa causa. Suponha-se contrato de fornecimento de flores para uma floricultura. O enfoque aqui não é na relação jurídica. É pessoal em relação a quem? Ao alienante. Quem é sujeito de direito? A empresa exercida sob a forma de (i) sociedade empresária. não haverá sub-rogação. haveria apenas a possibilidade de rescisão contratual em contratos de caráter pessoal e com justa causa. EXCEÇÃO 02 . Mas se o contrato era prestado em caráter pessoal pelo alienante. senão na posição contratual do alienante. é sub-rogado. neste caso. ressalvada. entra na posição contratual que antes era do alienante. O terceiro não quer patrocinar outra marca. . que é feito intuito personae. se substitui. A regra é expressamente dispositiva. O estabelecimento é objeto de direito. Ou seja. a responsabilidade do alienante. trata-se de uma segunda exceção ou da hipótese de rescisão para os contratos de caráter pessoal? A melhor interpretação é de que é uma segunda exceção. por exemplo. O Itaú patrocina um evento de uma marca. EXCEÇÃO 01 . O Código não fala. Qual a regra? A alienação do estabelecimento importa sub-rogação do adquirente nesses contratos. O adquirente entra na posição contratual que antes era do alienante. do crédito contabilizado.

a parte final do dispositivo fala na responsabilidade do alienante. pois é considerado devedor de boa-fé. não há efeitos perante terceiros. mas precisa ser notificado. Ou seja. Afinal. havendo justa causa por parte do alienante.Melhor reconhecer que. Se o alienante tem responsabilidade.144 prevê que para haver efeitos. desde o momento da publicação da transferência. E SE NÃO SE PUBLICAR A TRANSFERÊNCIA? Ela é válida. o credor precisa concordar. não exigindo o registro na Junta Comercial. A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido produzirá efeito em relação aos respectivos devedores. na assunção de dívidas. recebe quitação? Sim. CESSÃO DE CRÉDITOS ESTABELECIMENTO REFERENTES AO Art. A publicação é o momento a partir do qual há efeitos. É ineficaz. . a publicação é essencial para que esses outros artigos sejam plenamente aplicáveis. o Código dispensou o registro da Junta Comercial. mas não foi publicado. 1. 288.149 prevê que basta a publicação para ter efeitos contra devedores. No direito civil. se não celebrar-se mediante instrumento público. o Art. Se não o tiver. os contratos não se sub-rogam. Se foi registrado. é preciso (i) registrar na Junta Comercial e (ii) publicar no Diário Oficial. Como poderia o terceiro rescindir por justa causa se o contrato nem oponível a ele é? Como poderia o credor cobrar a dívida do devedor primitivo (o alienante) se nem teve conhecimento do trespasse? Portanto. somente não é eficaz perante terceiros. ter conhecimento da cessão de crédito.149. a transmissão de um crédito. Ao se colocar essa regra. Art.144. Aqui. E então. ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1º do art. mas o devedor ficará exonerado se de boa-fé pagar ao cedente. 1. é ele que praticou a justa causa apta a dar ao terceiro o direito de rescindir o contrato. Os prazos não se abrem. 1. em relação a terceiros. e pagar para o credor primitivo. O começo é idêntico ao Art. pois o contrato de transferência de estabelecimento não produziu efeitos perante terceiros. não precisa concordar. E então o Art. 1. há 90 dias para a rescisão contratual. 654.

a presunção de boa-fé não se aplica. 290. deve-se incluir o nome do adquirente. e como o empresário busca maximizar seus lucros. prevalecerá a prioridade da notificação. Mas se não houve publicação. sucessor de Y". 292. em escrito público ou particular. com o título de cessão. se houve publicação. Art.Art.164. na forma: "X. Fica desobrigado o devedor que. esta alteração do Código Civil é ruim. 1. antes de ter conhecimento da cessão. ou que. se o contrato o permitir. usar o nome do alienante. senão quando a este notificada. é físico. por mais que não seja físico. O nome empresarial não pode ser objeto de alienação. o da obrigação cedida. Parágrafo único. Há transferência do crédito se há publicação. a alienação de . Tem a ver com o caráter personalíssimo do nome. no caso de mais de uma cessão notificada. o que não é mais visto. "Pão-de-açúcar" é um título de estabelecimento. com a qualificação de sucessor. Portanto. O adquirente de estabelecimento. TÍTULO DE ESTABELECIMENTO Art. A publicação presume a ciência do devedor. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor. Se o título de estabelecimento tem o nome do alienante. O título de estabelecimento é a "placa" que fica no estabelecimento. se declarou ciente da cessão feita. O problema é que. paga ao credor primitivo. CONCLUSÃO: DECLÍNIO DO USO DA ALIENAÇÃO DE ESTABELECIMENTO Com a responsabilidade solidária do adquirente e as regras especiais em matéria trabalhista e tributária. é como falar que não se conhece a lei . quando o crédito constar de escritura pública. Ou mesmo "Amazon". mas por notificado se tem o devedor que. não há por que pagar o adquirente. pois não se transferiu. ou não teria havido pagamento. E então vem a questão: não ver a publicação é estar de boa-fé? Parece que a única interpretação possível para haver pagamento de boa-fé é essa. precedido do seu próprio. paga ao cessionário que lhe apresenta. pode. por ato entre vivos.

Em nenhum lugar se afirma que os agentes econômicos precisam sofrer consequências com suas escolhas. ASCARELLI tem texto chamado "Negócio Indireto". como. Precisa propor soluções alternativas aos clientes. As questões estão espalhadas na legislação . por exemplo. alienar quotas sociais. O advogado deve propor algumas coisas a seu cliente: não apenas interpreta e diz que há um efeito. Mas é um negócio lícito transferir ativos e alienar as quotas da sociedade. em função da interpretação dos dispositivos que levam a consequências muito negativas ao adquirente. tem vários artigos sobre publicação. simulação e fraude. pois o objetivo é alienação de estabelecimento? O Fisco sustenta isso.estabelecimento está em declínio. Há formas mais eficientes para o adquirente e também para o alienante. e então dos institutos complementares. mas de aplicação restrita. Não é raro que advogados façam propostas extremamente arriscadas. texto obrigatório para quem quer direito comercial: por que os negócios feitos para outros objetivos são lícitos? Dá exemplos que diferenciam dissimulação. REGISTRO MERCANTIS PÚBLICO DAS EMPRESAS Publicidade e proteção de terceiros.a lei das sociedades anônimas. Aula 15 INSTITUTOS COMPLEMENTARES quarta-feira. de que não há proposta negocial. Seria fraude. no estabelecimento. o que pode se converter em um tiro no pé. no empresário individual. A função do operador do direito é interpretar a lei. Um dos vértices do direito empresarial é a proteção da legítima expectativa do terceiro. a alienação de estabelecimento também tende a diminuir. O registro e a publicação no Diário Oficial é o que se trata. por exemplo. Assim como a empresa é conceito importante. 1. 13 de junho de 2012 20:15 O Código fala na empresa. sem as regras de alienação de estabelecimento. .

com as informações sobre quais os sócios. pois a Receita Federal tem relação diferente do direito societário. A publicidade é uma proteção para todos os que se relacionam com a empresa.há custos de transação na procura de informação. Mas na Junta Comercial da filial. É necessário que o investidor tenha conhecimento da situação daquela empresa. . da mesma pessoa jurídica. Em alguns casos. Sociedade com filial em outro estado que não o de sua matriz também exige registro. o casamento e o pacto antenupcial. Não existe um órgão federal com banco de dados disponível (Departamento Nacional de Registro de Comércios). desde os investidores. e quando a Junta Estadual não tem sistema online. Caso contrário. É preciso averbar no registro. haveria sério incentivo a que o empresário. A primeira tarefa é procurar na Junta Comercial ou no Diário Oficial. Mas filial tem CNPJ próprio. fornecedores até os próprios sócios.A ideia de que a atuação da empresa em mercado afeta interesses de terceiros leva a uma demanda de publicidade dos atos empresariais. Tanto sociedades quanto empresários individuais e EIRELI requerem essa publicidade na Junta. qual o capital social. OBS: filial é endereço diferente da matriz da mesma sociedade. no regime do empresário individual. Há custos e há demora . PROBLEMA DO SISTEMA DE JUNTAS COMERCIAIS ESTADUAIS Mas ainda assim. já que o patrimônio é único. Hoje já há muitas melhorias. Empresas a partir de 1992 têm suas informações online. por exemplo. o sistema de publicidade é defeituoso. que são elevados. controlador ou administrador se apropriasse do investimento sem garantir o retorno. há requisitos a mais de registro. é preciso encontrar forma alternativa. E também por isso. Sabe-se da convocação para uma assembleia-geral por meio do Diário Oficial. Um exemplo claríssimo é a disciplina das companhias abertas. o que é feito em benefício de terceiros. portanto. qual o objeto e tudo o que é importante para com ela se contratar. A empresa não cumpriria integralmente sua função se fossem os atos simplesmente privados. É uma salvaguarda dos que negociam com terceiros. como consultas online na Junta de São Paulo.

Tem apenas um cadastro individualizado para controle pelo fisco. é um contrato. INOPONIBILIDADE DIANTE TERCEIROS AUSÊNCIA DE PUBLICIDADE DIANTE DE Outro problema é a interpretação dos dispositivos. A denominação resulta incorreta. Art. CC). REQUISIÇÃO DO REGISTRO .o que cria ouro problema. e mesmo assim não tem personalidade. Parágrafo único.934/94 + DECRETO 1. dada a incompatibilidade entre alguns dispositivos. Da mesma forma. Mas as Juntas continuam a se chamar "Juntas Comerciais". sociedade em conta de participação tem CNPJ. Ressalte-se novamente o parágrafo único: o conhecimento efetivo supera o conhecimento presumido. LEI 8. por exemplo. ela supera a ausência de publicidade. mas as leis que determinam as estruturas dos órgãos de registro não mudaram.800/96 Há normas que são contrárias ao que diz o Código Civil. O terceiro não pode alegar ignorância. ser oposto a terceiro. criando toda uma confusão. Há publicidade. Se houve. O Código mudou. tal qual não se poder alegar desconhecimento da lei Art. que é anterior ao Código.154. Por que a nomenclatura "Registro Público das Empresas Mercantis" é errado? Por que não necessariamente tudo o que é empresário é mercantil. só alguns atos . desde que cumpridas as referidas formalidades.não se vê todo o histórico. O ato sujeito a registro. uma notificação. ressalvadas disposições especiais da lei. As Juntas Comerciais e o DNRC editam espécies de "manuais" sobre como se deve dar o registro. antes do cumprimento das respectivas formalidades. 1. não pode. 1154. evitando que qualquer um dia que não conhece aquele ato societário (há uma presunção de direito. salvo prova de que este o conhecia. e nem tudo que é não empresário era civil.

O registro dos atos sujeitos à formalidade exigida no artigo antecedente será requerido pela pessoa obrigada em lei. Professora cita exemplo de registros sem certidão negativa. 1. contado da lavratura dos atos respectivos. (iii) se a assinatura é legítima . Mas muitos problemas ocorrem. 1. mas também em relação.Requerido além do prazo previsto neste artigo. e. Também em tese.151. a Junta precisa reconhecer. é a própria sociedade. como abrir sociedades falsas.a Junta deveria reconhecer firma. pelo volume e pela falta de recursos humanos. Houve. Pela pessoa obrigada em lei . mas não exige documentos firmados nem o faz na hora. Em tese. em sede de recurso administrativo. requisito tributário. o que leva a várias fraudes. § 2º . o registro somente produzirá efeito a partir da data de sua concessão. e faz inclusive pareceres. a Junta Comercial adstringe-se a ver (i) autenticidade do signatário. § 1º . inclusive com duas atas diferentes a serem registradas.Os documentos necessários ao registro deverão ser apresentados no prazo de trinta dias. o presidente da Assembleia precisa aceitar os votos e protestos e registrar do jeito que está. voltando a sociedade ao status quo antem. qualquer sócio ou interessado A questão ganha contornos específicos com a quantidade e o potencial de litígios entre sócios ou acionistas. a Junta Comercial analisa somente o ato no aspecto formal. (ii) legitimidade do signatário. presentada pelos administradores. Em teoria. a revisão do registro e a nulidade. Na prática. a Junta deveria analisar se isso foi feito em respeito aos demais sócios. verificar e analisar se o ato está de acordo com a lei.Prevista na lei de registros públicos: na sociedade empresária. à lei de sociedades anônimas. se novas ações são emitidas em caráter de bonificação. 2. Havendo omissão ou demora. por exemplo. Art. . Por exemplo. E não somente com a lei de registros públicos. A Junta Comercial precisa dar sua posição. e assim por diante. no caso de omissão ou demora. ao Código Civil. ele mesmo.Está no Código e nas normas especiais. pelo sócio ou qualquer interessado. no empresário individual. raramente emite juízo sobre o conteúdo do ato.

O ato deve ser protocolado em até 30 dias (note-se. Se não houver protocolo em 30 dias. em caso de omissão ou demora. E "Dove" é uma das marcas da Unilever. que pode demorar muito). carimbos podem ajudar. pela (ii) sociedade empresária ou (iii) pela EIRELI para o exercício de sua atividade. NOME FANTASIA é expressão atécnica que se refere ao uso criativo das palavras: é tudo o que não se refere aos indivíduos que gerem a atividade. em casos de estabelecimento empresariais. 2.As pessoas obrigadas a requerer o registro responderão por perdas e danos. os efeitos não retroagem até a data do ato: passam a ocorrera partir da concessão. Na prática. "Unilever S/A" também.e daí a previsão . Alegar em juízo que o ato não tem efeitos porque protocolado após 30 dias é muito raro. de pouca aplicação prática. e não em relação ao registro. a regra é de difícil aplicação.§ 3º . "Companhia Brasileira de Distribuição" é o nome da sociedade anônima. É "Pão-de-açúcar". Não há como saber se houve o protocolo em 30 dias: na ficha da sociedade. dentre outros. cuja proprietária é a Companhia Brasileira de Distribuição. e a Junta Comercial não tem comprovação pública. Trata-se de regra complicada. 2. Era comum que o título de estabelecimento tivesse o nome das pessoas . mas mesmo assim. "Taeq". Há inclusive questão relevante se. com as cópias eletrônicas. NOME EMPRESARIAL: DENOMINAÇÕES SOCIAIS FIRMAS E Nome empresarial é o escolhido pela empresa .vale dizer. não há nenhuma aplicação prática dessa disciplina. não seria o mesmo que nome de domínio. não há como ver a data do protocolo. somente. E principalmente porque acionistas têm eficácia do ato entre si. o prazo é em relação ao protocolo. pelo (i) empresário individual. e somente seria útil ao terceiro que procura eivarse da eficácia do ato. TÍTULO DE ESTABELECIMENTO é a identificação do estabelecimento. Talvez hoje. 1. É. MARCA identifica (i) produto ou (ii) serviço. ao contrário do Judiciário.

a cara do negócio. ao contrário dos EUA. a forma pela qual se identifica o negócio. ainda que não seja obrigatório. esses tipos societários não são mais utilizados.Sociedades anônimas só podem ter denominação social. DOIS TIPOS DE NOME EMPRESARIAL Há duas espécies de NOME EMPRESARIAL. O que ocorre. exigidos de acordo com o tipo societário: 1. Note-se: a proteção ao nome e à empresa não é somente do Código Civil. e se alterou o regime das limitadas. também era possível. . ao exigir "sucessor de X" nos estabelecimentos com nome. há ilícito por concorrência desleal (na forma de desvio fraudulento de clientela).Por exemplo.estranha nos dias de hoje do Código. Procurar na Junta Comercial é pelo nome empresarial. Pelo regime anterior das limitadas. o empresário individual tem uma firma. É comum o nome do empresário individual seguido de uma designação de sua atividade. o que às vezes nem é possível. porém. há problemas com essa distinção. 2. é tutela por meio de concorrência desleal. DENOMINAÇÃO SOCIAL . A firma é nome empresarial que contém o nome dos que participam da atividade. Às vezes. Não há proteção por propriedade intelectual no direito brasileiro. FIRMA OU RAZÃO SOCIAL . Situação semelhante está no trade-dress. não se pode deixar de ter o nome. Se crio uma lanchonete com um N gigante e todas as características do Mc Donald's. O título de estabelecimento não é sinal registrável. Há uma expressão fantasia. usa-se o nome dos sócios de responsabilidade ilimitada. Por exemplo. como "Da Silva Cabeleireiros". por meio de desvio fraudulento de clientela. No empresário individual. senão de normas de propriedade industrial. Na firma. "Lacoste". e se usa essencialmente para empresários individuais. nos termo de sua lei própria. "CocaCola". o próprio nome do empresário. Na prática. cada tipo tem sua previsão: em geral. e mesmo "Companhia Brasileira de Distribuição". É comum o designativo da atividade. Nas sociedades. e em teoria não é protegido. O nome fantasia é o que caracteriza tudo o que está nos sinais distintivos que não reflita o próprio nome dos indivíduos.

VERACIDADE Se é firma. mas para tal. Se o empresário tiver nome idêntico ao de outros já inscritos. e sócios conforme o tipo societário exige (ilimitadamente ou parcialmente responsáveis. composto pelo nome dos sócios.PRINCÍPIOS DO NOME EMPRESAIAL 1. Isso é particularmente importante em sociedades de advogados. se não faz incorporações nem é registrado para tanto. o Código Civil fala que a exclusividade do nome empresarial é de âmbito nacional. o que não é visto. A veracidade se reflete no nome das pessoas. deverá acrescentar designação que o distinga. Não se pode ter elementos inverídicos no nome. 1. ou se pode induzir terceiros a erro: não pode ter "construtora" no nome se não é construtora. Parágrafo único. seria preciso uma busca nacional. pela diferença de registros. é preciso que sejam efetivamente sócios.1. O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já inscrito no mesmo registro. com regras específicas da OAB. Ter o nome dos sócios é um referencial para terceiros. e a Junta dá um formulário para que se estenda a outros estados. na prática só se procura em um estado. por exemplo). Se é denominação. já que se trata da aparência para com terceiros. a denominação não pode conter algo que não é feito. Então veja-se como o regime é contraditório. Há um registro especial pelo qual há registro em uma localidade.163. até porque. Embora as Juntas tenham competência estadual. O nome de empresário deve distinguir-se de "qualquer outro já inscrito no mesmo registro". 2. 2. não pode ter "incorporadora". Mas a expressão fantasia não pode ser tão desconexa daquela atividade. Independente de concorrentes que tentem induzir outros a erro. VEDAÇÃO À IDENTIDADE DE FIRMAS DE EMPRESÁRIOS INDIVIDUAIS: ENTENDIMENTO DAS JUNTAS COMERCIAIS . Mas isso é muito pouco utilizado. DISTINTIVIDADE Art. não se precisa ficar tão adstrito à veracidade.

afinal. se beneficiar da alienação. que é registrado no Brasil por outra pessoa. como de medicamentos e de alimentos. . que é o que é conhecido. o nome é inalienável. o que pode criar muitos problemas. dois empresários no mesmo ramo não podem ter o mesmo nome. quando a empresa estrangeira quer registrar no Brasil. por mais que isso faça sentido nas firmas empresariais. atualmente. prevalece o registro anterior. E então. fazendo ser um ativo muito importante. Muitos registraram nomes de domínio famosos. a marca desligou-se da origem. e depois há a interposição de recurso contra o nome. Problema semelhante ocorre com nome de domínio. o nome já é usado. O consumidor não poderia ser afetado? De fato. não há por quê. Mas hoje. há toda a questão de nomes usados em âmbito internacional. mas nos outros. Mas. Na Idade Média.e da mesma forma que se negociam marcas. despersonalizou-se. O nome poderia ser um ativo como qualquer outro . Imagine-se um nome estrangeiro. o consumidor pode não ser informado de que há um novo produtor sob a mesma marca ou sob o mesmo nome. Quem é fabricante de nossos produtos? A marca ganhou autonomia. Muito comum é o uso das iniciais do sócio. 3. Alguns setores a exigência de informação ao consumidor deve ser maior. E é preciso acrescer um novo sinal distintivo daí ser útil colocar a marca. apesar de nada dizer a lei.o que em teoria não deveria ocorrer. marca era o sinal da corporação de ofício no produto. Se é a mesma atividade. pois que direito de personalidade. não há muita razão na vedação nos casos de denominação empresarial. que ganhou ação por serem os herdeiros do nome (mas somente em segunda instância). Mas talvez seja intervenção excessiva: o consumidor pode. negociam-se nomes empresariais. INALIENABILIDADE Este princípio só se explica na analogia com a pessoa física: nela. por mais que haja registro.muitas vezes há o registro. E então. E além desses problemas. também se aplica em teoria a inalienabilidade. A marca. nos nomes empresariais. O primeiro caso nesse sentido foi da família de Ayrton Senna.As Juntas Comerciais têm entendido que. e a empresa acaba sendo forçada a comprar o nome de domínio . A Junta Comercial pode colher a colidência de ofício ou a pedido do indivíduo prejudicado .

3. sendo esta a que melhor reflete os princípios contábeis. passivos). De todo modo. ainda que não sejam a empresa. dada a dificuldade de abrangência nacional. São os que atuma pela empresa. O Código Civil traz regras sobre limites e formas de atuação. senão na justiça do trabalho. 4. Na lei. EXCLUSIVIDADE 2. ESCRITURAÇÃO MERCANTIL Já se disse do dever de escriturar (o que há de receitas. tem-se a inalienabilidade. REGISTRO 1. SOLUÇÃO DE CONFLITO: CRITÉRIO DA ANTERIORIDADE? O critério inicial quando há conflito com outros sinais distintivos é a anterioridade. Contraria o sentido de marca de identificar e atrair consumidores.novamente a ideia de "negócios indiretos" de ASCARELLI. Não tem grande aplicação prática.166. 1. PREPOSTOS Instituto menos importante. Contabilidade mostra a situação financeira por meio do balanço. que desenvolvem a atividade.Produtos regulados precisam mesmo de controle. Remete-se aqui à teoria da aparência. Os termos do Código . créditos. as regras do Código Civil não são compatíveis com as vistas na Lei das Sociedades Anônimas. O contador é a figura responsável por eles: é quem tem a incumbência técnica. o que fazer? Comprar a própria sociedade ou seu controle . o maior departamento é o marketing: não se produz tudo o que tem. Entretanto. ABRANGÊNCIA. Na Unilever. Os livros empresariais têm força probante. os tribunais têm dado preferência ao registro da marca. CC). Mas vedar transferência de marca pelo mero argumento de potencial dano ao consumidor é exagerado. E então. no nome empresarial. por exemplo. que seria um registro "mais forte". Competência estadual das Juntas Comerciais (Art.

.Civil criaram problemas. na forma de escrituração e nas folhas contábeis. por exemplo.