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“Poucas coisas injetam tanta adrenalina em nossas vísceras quanto o exercício do poder ilimitado sobre outro ser.

” (Daris Rejali) Agressões gratuitas realizadas por jovens da classe média a menos favorecidos socialmente é marca das manchetes do país nas últimas semanas. Depois do caso do índio Galdino, queimado por jovens da classe média de Brasília no ano de 1997, enquanto dormia no ponto de ônibus, o Brasil volta a presenciar distorções como essa. Em Niterói, um rapaz de 24 anos foi agredido na semana passada por cerca de dez pessoas; em Salvador, o diácono José Sérgio Barbosa Fontes, de 56 anos, morreu na segunda-feira (25) após ser agredido por um perito do Instituto Médico Legal, Edilson Santos Sousa, durante uma discussão numa fila de caixa eletrônico; no Recife, na noite do último domingo, dois irmãos espancaram um idoso de 69 anos, surdo-mudo, que caminhava pela rua arrastando sua carroça carregada de papelão. Mas o caso de maior repercussão foi o da agressão cometida contra a empregada doméstica, Sirlei Carvalho Pinto, de 32 anos, por cinco jovens da classe média do Rio. Ela saiu da casa de seus patrões por volta das quatro horas da madrugada do sábado (23) para ir a uma consulta médica. Enquanto estava no ponto de ônibus na Av. Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, Zona Oeste carioca, viu um gol preto de placa LAZ 6926 parar a cem metros do ponto onde estava. Cinco rapazes descem do carro e seguem em sua direção. “Eu vi que eram filhinhos de papai e achei que fossem entrar no prédio da frente. Mas eles vieram em minha direção, arrancaram a bolsa e começaram a me bater e me xingar. Me xingaram muito”, disse Sirlei. Além dela, os cinco rapazes teriam agredido outras duas mulheres que estavam no ponto de ônibus, mas que conseguiram fugir, subindo em um coletivo. Depois de chutá-la violentamente na cabeça e no corpo, os jovens fugiram levando a bolsa de Sirlei com seu telefone celular, cujas prestações ainda estão sendo pagas, documentos e carteira com 47 reais. Ela chegou a pedir a bolsa de volta, mas os agressores não devolveram e entraram no carro rindo. Após a agressão, Sirlei entrou correndo no Condomínio Summer Dream, onde trabalha, para pedir socorro e, então, foi levada pelo patrão ao Hospital Lourenço Jorge. A vítima sofreu fratura no braço, fissura em um osso da face além da chamada “lesão de defesa” nos braços, que usava para tentar se defender dos chutes no rosto. Os cinco agressores não contavam, porém, com a presença de testemunhas no momento do crime. Um motorista de táxi que via tudo anotou a placa do gol e avisou ao segurança do condomínio onde ela entrou. Pelo número da placa, a polícia localizou o dono do carro, Felipe de Macedo Nery Neto, de 20 anos, estudante do 4º período de administração da Universidade Gama Filho. Preso, confessou a agressão e delatou os outros quatro. Inicialmente foram presos também o técnico de informática Leonardo Andrade (19) e o empresário e estudante de gastronomia Júlio Junqueira (21). Rubens Arruda (19), aluno da faculdade de Direito da Estácio de Sá e o estudante de turismo conhecido como “big head”, Rodrigo Bassalo (21) ficaram foragidos até a última terça-feira. Um dos criminosos chegou a dizer que sua família tem boas condições financeiras e que, com isso, poderia se livrar com mais facilidade dos problemas. Estudiosos veem esse tipo de agressão praticada por rapazes de boa situação financeira como resultado da sensação que esses criminosos têm de que podem agredir pessoas que não têm poder na sociedade e contar com a certeza da impunidade. No site de relacionamento Orkut um deles afirma que uma de suas atividades preferidas é “espancar sem chance de defesa”. A diretora do CESEC – Centro de Estudos de Segurança e Cidadania – Julieta Lemgruber analisa esse tipo de comportamento: “o rapaz que tem dinheiro acha que pode agredir quem não tem voz, se acha intocável”. Com braço quebrado e fortes dores na cabeça, Sirlei Carvalho Pinto compareceu, na sexta-feira à tarde, na audiência da Comissão de Combate às Discriminações e Preconceitos de Raça, Cor, Etnia, Religião e Procedência Nacional da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. “Quero justiça, que sejam presos e condenados. Onde moro muitos trabalham de sol a sol e dariam tudo para ter a oportunidade que eles tiveram na vida e não souberam ter”, diz.
(disponível em: http://www.deigualaigual.net/es/derechos-humanos/21-derechos-humanos/1221-banaliza-da-violia)

Há uma ligação óbvia entre a ocorrência de violência na Sociedade e a tematização e representação da mesma nos media (meios de comunicação). Mas qual a natureza da ligação? Que causalidade é envolvida? Os media espelham simplesmente a violência real da sociedade? Ou causam-na e contribuem para ela? Uma mensagem preocupante que a Televisão nos vende progressivamente é a de que a violência é aceitável. A Televisão diz que a violência é trivial, lugar comum, de todos os dias, mundana. Faz parte da vida, é normal. É parte da nossa cultura moderna. E também pode ser divertida (de uma forma doentia e irónica). A Televisão também ensina algo ainda mais corruptível – que a inteligência está fora de moda e que a força bruta é que está a dar. A moralidade está ultrapassada. Os polícias são estúpidos e os criminosos é que são os espertos. Há uma selva lá fora, envolvendo homens, mulheres e crianças e, no entanto, está tudo bem. Vivemos numa era de crimes progressivos de violência contra pessoas e propriedades, desde o abuso de crianças a esposas (ou maridos), violência nos jogos de futebol, a vandalismo contra idosos ou outras pessoas indefesas por um simples punhado de moedas. A Televisão é simplesmente a nossa maior influência. Muitos jovens praticaram milhares de crimes representados na Televisão quando atingiram a idade de 18 anos. Não é despropositado assumir, fazendo um balanço de probabilidade, que esta preocupação com a violência está intimamente ligada a efeitos prejudiciais.
(disponível em: http://www.ipv.pt/forumedia/3/3_fe5.htm)

Após a leitura atenta do texto acima. em um texto dissertativo argumentativo. . discorra. sobre a “Banalização da violência na sociedade brasileira atual”.