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A12 Internacional

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TERÇA-FEIRA, 12 DE JUNHO DE 2012

O ESTADO DE S. PAULO

VISÃO GLOBAL

O euro pode ser salvo. E a União Europeia?
Os anos de dificuldades econômicas em nome da boa administração doméstica sufocaram o crescimento e restaurar agora a confiança na integração será muito mais decisivo e difícil
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CHARLES A. KUPCHAN
THE WASHINGTON POST

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epois de mais de um ano em crise, os países da zona do euro ainda lutam para salvar sua moeda comum. Seu plano é o comprometimentocomumadisciplina fiscal necessária para acalmar os mercados financeiros e, ao mesmo tempo, a introdução de medidas que estimulem o crescimento. E provavelmente terão sucesso. Independente de a Grécia sair ou não da zona do euro, a Alemanha no final fará o que for necessário para manter a moeda viva: o euro é forte demais para fracassar. A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande – líderes da parceria-chave que escora a União Europeia – parecem seguir na direção de um compromisso entre a austeridade, na qual Berlim insiste, e o estímulo, preferência de Paris. Embora ainda não seja tarde para salvar o euro, no caso da União Europeia o tempo está passando rápido. O aperto de cinto proposto pelos alemães, necessário para reduzir a dívida, está produzindo uma revolta popular contra a UE que pode ser sua ruína. Uma brecha perigosa foi aberta entre a governança coletiva que a Europa precisa para prosperar e as populações nacionais cada vez mais hostis ao projeto europeu. Salvar o euro é a parte fácil; restaurar a confiança na integração será muito mais decisivo e mais difícil. A União Europeia apenas proporcionou anos sucessivos de dificuldades econômicas em nome da boa administração doméstica, mas, com isso, sufocou o crescimento. No final deste ano, o PIB da Grécia deve cair quase 20% desde 2009. Itália e Espanha estão de novo em recessão. O nível de desemprego dos jovens espanhóis está em 50%. A zona do euro, como um todo, registrou um crescimento zero no primeiro trimestre. Essas condições estão consumindo os elos que mantêm a UE unida. Não só a insistência na austeridade por parte dos 11 governos, mas tam-

bém uma eleição após a outra fortaleceram as forças políticas que encaram com ceticismo a integração. Muitos dos principais partidos estão convergindo para o centro ideológico e firmemente comprometidos com a união. Mas os partidos políticos tradicionais estão perdendo uma fatia de mercado para partidosmenoresdaesquerdaedadireita, muito menos animados com a UE. Naseleições gregas no mês passado, a porcentagem de votos obtida pelos dois principais partidos despencou de 75% conquistados nas eleições de 2009 para pouco mais de 30%. Os principais beneficiários foram partidos contrários ao pacote de medidas de austeridade que a Grécia deve adotar para permanecer na zona do euro. Com o panorama político tão dividido a ponto de nenhum partido conseguir formar um governo, uma outra eleição será realizada no domingo. Apesar de uma nova campanha, alguns políticos que defendem a austeridade estariam se abstendo de aparecer em público, preocupados com sua segurança física. No primeiro turno das eleições presidenciais na França, em 22 de abril, aproximadamente 30% dos eleitores votaram ou em Marine Le Pen, cujo partido dedireita defende que a Françaabandone a zona do euro, ou no candidato da extrema-esquerda Jean-Luc Mélenchon , que frequentemente ataca o liberalismo econômico da UE e suas medidas que violam a soberania da França. Nãosurpreendeu o fatode queFrançois Hollande e Nicolas Sarkozy, em sua campanha para o segundo turno, assumiram uma posição contrária à União Europeia. AhistóriaéamesmanaItália. Emeleições locais no mês passado, um partido liderado por um cômico, Beppe Grillo, conseguiu avançar de modo importantefrenteàsprincipais agremiaçõespolíticas. Grillo também defende que a Itália abandone o euro. A economia alemã vem se saindo razoavelmente bem, mas os social-democratas e os democratas-cristãos estão perdendo espaço para os partidos alternativos. O apoio à UE continua sólido entre os eleitores alemães, mas eles estão cansados de pagar a conta dos pacotes de ajuda para países em dificuldade

econômica dentro do bloco – e exatamente por isso Merkel está tão determinada a impor a austeridade a seus vizinhos. Ainda pior é a situação da Grã-Bretanha, onde a hostilidade em relação à UE é cada vez maior. Os britânicos sempre mantiveram a UE à distância preferindo ficar fora da zona do euro. Mas entre os conservadores no governo, o ceticismo comrelação à UE está se transformando em fobia. Em outubro do ano passado, uma grande maioria dos membros conservadores requereu aprovação do Parlamento para um referendo público sobre a saída do país da União Europeia. Embora a moção tenha sido derrotada, uma pesquisa revelou que 49% das pessoas votariam a favor e 40% contra uma proposta para o país deixar a UE. Pesquisas de opinião também fornecem uma avaliação igualmente séria da debilidade da UE. Num estudo divulgadonasemanapassada,intitulado“European Unity on the Rocks” (Unidade Europeia balança), o Pew Research Center indicou dúvidas generalizadas entre os europeus quanto aos benefícios da integraçãoeda moedaúnica.Emmuitos dos países pesquisados, o apoio à UE caiu drasticamente nos últimos cinco anos, com apenas 28% dos checos, 30% dos britânicos e 43% dos gregos acreditando hoje que a adesão foi boa para seu país. Por toda a união as pessoas estão se revoltando contra Bruxelas e sua governança.Depoisdedécadasdecomplacência pública com a entidade, a questão da unidade há muito tempo tem sido tema de debate público: as pessoas discutem oassuntonospubs,noscafés,nascervejarias, nas tabernas. Infelizmente para Bruxelas, a União Europeia tornou-se objeto de escárnio, não afeição. O euro provavelmente sobreviverá, mas a Europa corre o risco de se salvar apenasnaforma,não no espírito.As instituições coletivas que dão vida à UE de nada servirão se os cidadãos consideraremessauniãoirrelevante,oupior,ilegítima e ineficaz. Compensar os cortes draconianos com medidas que produzam o crescimentocertamentevai ajudar.Perspectivaseconômicasmelhoresdeverãoreduzir a hostilidade. Mas o crescimento não será o bastante. As bases políticas

FARRELL/AE

da UE estão muitíssimo corroídas. Para reverter essa erosão, os líderes europeus precisarão moldar a opinião pública, não só satisfazê-la. Foi somente no fim do ano passado que Merkel ousou repreender os eleitores alemães, advertindo-os de que a Europa “passava seu pior momento desde a 2.ª Guerra”, acrescentando que “o desafio da nossa geração é concluir o que iniciamos na Europa: criar, passo a passo, uma união política”. Cabe aos líderes europeus companheirosdeMerkelagiremdamesmamaneira e fazer com que seus concidadãos entendam que a Europa só poderá competir num mundo globalizado como um ente coletivo. Seus cidadãos podem se sentir mais tranquilos vivendo em Estados-naçãoautônomos, mas devem confrontar a realidade, de que uma União Europeia fragmentada cairá no oblívio geopolítico. A melhor maneira de afastaressa possibilidade é partir rapidamente para uma união fiscal plena, necessária para escorarazona doeuroereviver ocrescimento. A aprovação de um novo pacto fiscalnaIrlanda,numreferendonaquinta-feira, foi um avanço positivo nesse aspecto. Os membros da UE precisam também unir seus recursos nas áreas da política externa e da defesa, único meio pelo qual os europeus farão com que suapresençasejasentidanocenárioglo-

bal. A legitimidade popular da UE depende de sua capacidade para oferecer prosperidade e segurança, e isso somente uma união mais profunda e mais eficaz conseguirá fornecer. OquevaiexigirqueaUEinstitucionalize uma estrutura de “múltiplas velocidades” em que um grupo mais restrito de países avance no caminho de uma integração mais ampla do queorestante. Umaunião de27 Estados (e que vai aumentar) não pode mais se permitir caminhar tão lentamente como seus membros mais relutantes. A Europa chegou a um momento do tudo ou nada. Como os europeus sabem bem, suas horas mais sombrias decorreram do torvelinho econômico e do nacionalismo nos anos 30. A menos que a UE consiga unir uma disciplina fiscal com o crescimento,refrearos nacionalismose relançar o projeto da união, o passado atribulado da Europa pode se tornar o seu futuro. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA
MARTINO


É PROFESSOR DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS NA UNIVERSIDADE GEORGETOWN E MEMBRO DO COUNCIL ON FOREIGN RELATIONS. FARÁ PALESTRA NA QUINTA-FEIRA, ÀS 10h30 NO INSPER – RUA QUATÁ, 300, EM SÃO PAULO

Websfera
TIME

O melhor da internet

Rodrigo Cavalheiro BBC MSN

Veja a íntegra das notas. blogs.estadão.com.br/radar-global

estadão.com.br

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azuis” que fazem o programa, além de indiretamente acusá-los de serem espiões americanos.

foram mortas em ataques de drones americanos no Iêmen este ano, segundo o centro de estudos New America Foundation. Entre 4% e 8,5% dessas vítimas eram civis
FONTE: EL PAÍS

Dirigente chinês minimiza valor da democracia
Para membro do Ministério das Relações Exteriores, progresso da China deveria ter mais espaço no noticiário que repressão a dissidentes e censura
Cláudia Trevisan
CORRESPONDENTE / PEQUIM

O desenvolvimento da China mostrou que é falsa a premissa ocidental de que “só a democracia pode levar à prosperidade”, afirmou ontem o vice-diretor do Departamento de Informação doMinistériodasRelações Exteriores da China, Ma Jisheng. Ele também disse que é mais importante os meios de comunicação estrangeiros noticiarem esse fa-

todoque oaniversáriodo massacre da Praça da Paz Celestial ou a situação do ativista cego Chen Guangcheng,quesão“desconhecidos da maioria dos chineses”. Em entrevista para oito jornalistaslatino-americanos,Ma disse que a ignorância da população em relação a esses episódios não se deve à censura. “A população não tem interesse nesses assuntos e os meios de comunicação têm espaço e recursos limitados. Portanto, não há motivação para dar notícias sobre esses temas”, observou. Ma disse que ele próprio não poderia falar mais do que um minuto sobre Chen Guangcheng, o

ativista que provocou uma crise diplomática entre EUA e China aoserefugiarnaembaixadaamericana no fim de abril. “Não o conheço e tampouco me interessa.” O vice-diretor também criticou a suposta obsessão da mídia ocidental em relação ao massacre de estudantes na Praça da Paz Celestial em 1989, no qual centenas ou mais de mil pessoas morreram. “Esse caso ocorreu hámaisde20anosealgumaspessoas continuam atentas a ele, mas a maioria da população não tem esse tipo de recordação, pois ela não tem relação com sua vida cotidiana”, declarou Ma.

● Queixa

MA JISHENG
VICE-DIRETOR DE INFORMAÇÃO DO MINISTÉRIO DE RELAÇÕES EXTERIORES CHINÊS

“Existia no mundo ocidental a ideia de que só a democracia poderia levar à prosperidade. O êxito da China mostrou que existem outras alternativas”

A repressão aos protestos completou 23 anos no dia 4. No último aniversário, o governo de Pequim intensificou a censura na internet e bloqueou o uso de

quaisquer palavras ou números quefizessemreferênciaaoepisódio. Até o termo “Bolsa de Xangai” foi bloqueado, depois que o índice de ações fechou em queda de 64,89 pontos, cifra que podia ser lida como uma menção ao 4 de junho de 1989, data do massacre. “Se um soldado americano faz um bombardeio e mata mais de cem civis afegãos, essa notícia não aparece. E nenhum meio de comunicação vai seguir o processo para pedir a responsabilização correspondente”, observou Ma, no que considera como o uso de dois pesos e duas medidas no tratamento da Chi-

na e dos EUA. Paraele, aimprensa dos países em desenvolvimento deveria dardestaqueaofatodequeaChina está traçando um caminho “peculiar de desenvolvimento”, que a levou em pouco tempo à posiçãodesegundamaioreconomiado mundo.“Essa éumanotícia mais importante que o caso de Chen Guangcheng”, afirmou. “Antes existia no mundo ocidental a ideia de que só a democraciapoderia levaràprosperidade. O êxito da China mostrou que existem outras alternativas e a China tampouco pode ser igualada a um regime autoritário”, disse.