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SÉRIE SAÚDE SEXUAL



.ALANDO SOBRE QUESTOES DE GENERO
Responda rápido: garotos podem chorar e demonstrar sentimentos? Meninas podem preferir jogar futebol ao invés de brincar com panelinhas e bebezinhos?
que a maior parte delas vive numa relação de igualdade com os homens? e mais: o que essas mudanças representam para os homens? continuam machistas? estão felizes? apoiam as mulheres? estão assustados? Os dados evidenciam que mulheres e homens ainda vivenciam situações que demonstram a desigualdade entre os gêneros. Diante deste contexto, precisamos identificar quais as práticas que colaboram com a construção de uma equidade de gênero, e quais as que dificultam as possibilidades de transformação. É preciso descobrir qual a dinâmica necessária para que possamos, juntos, assumir nossas diferenças sem reforçar desigualdades, e tornar mais prazeroso o fato de sermos homens e mulheres.

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ois é... essas perguntas podem parecer estranhas, mas refletem a nossa forma de ver e sentir o mundo e a nós mesmos. Quantas vezes paramos para pensar sobre o que nos faz ser homens ou ser mulheres? Somos o que queremos ser ou o que nos disseram que deveríamos ser? Desde o momento em que nascemos, recebemos uma série de orientações que determinam como devem se comportar homens e mulheres. Esses códigos são tão fortemente repassados que crescemos achando que são naturais. Sabemos que homens e mulheres são diferentes, mas daí justificar comportamentos desiguais entre estes vai uma grande diferença. O que nos faz homens e mulheres, não é o nosso sexo biológico, mas o nosso gênero, ou seja, como nos comportamos socialmente. As lições de como ser homem e ser mulher vão sendo apreendidas ao longo da vida, e repassadas na familia, na escola, na rua, nos meios de comunicação, ou seja, através das relações sociais. É claro que reconhecemos o quanto as mulheres avançaram ao longo da História. Elas conquistaram o direito ao voto, começaram a trabalhar fora, passaram a exercer sua sexualidade de forma prazerosa, questionando coisas como a obrigatoriedade do casamento e da maternidade. Porém, quando aprofundamos a discussão percebemos algumas contradições: será

Diferença de Sexo e Gênero
Quando falamos de sexo, estamos nos referindo aos aspectos físicos que diferenciam homens e mulheres; ao ato sexual; e àquelas diferenças que estão no nosso corpo e que não mudam no transcurso de nossas vidas, apenas se desenvolvem. Já GÊNERO são os comportamentos masculinos e femininos, construidos historicamente, e reproduzidos nas relações entre as pessoas.
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Gênero e Sexualidade
O conceito de gênero ajuda a compreender grande parte dos problemas e dificuldades enfrentadas pelas mulheres e homens, seja no trabalho, seja na família, seja na sua vida sexual e reprodutiva. No campo da sexualidade, as meninas muitas vezes são educadas para não tomar a iniciativa. Os meninos, por sua vez, são pressionados a conquistar o maior número de meninas possível. Aprendem também que anticoncepção é um problema exclusivamente feminino. Consequentemente, algumas meninas acham que se fizerem alguma exigência quanto a contracepção e prevenção das DST/ AIDS perderão o namorado. Essas questões de gênero dificultam a adoção de comportamentos sexuais seguros, uma vez que partem de princípios desiguais: Por que nos espantar se uma menina tira na “hora H” uma camisinha da sua bolsa e propõe o seu uso? Por que o homem não poderia confessar que está com medo ou indeciso para encarar a primeira transa?

PAPEL DA MIDIA
Experimente ligar o rádio ou a TV e assistir, ainda que por pouco tempo, a programação de algumas emissoras. Se você prestar atenção, vai se deparar com algumas matérias de qualidade sobre a atual relação entre homens e mulheres (denúncia dos casos de violência, indicadores mostrando a ascensão das mulheres no mercado de trabalho, etc.). Porém, o que vai prevalecer é a reprodução cotidiana dos antigos papéis de gênero, numa análise fragmentada e com alto teor mercantilista, tudo feito para conseguir picos de audiência. Nestes casos, como fica o papel ético e a função social da mídia? Dependendo da pressão popular, isso pode se redefinir, mesmo que leve algum tempo e muitas manifestações de protesto. Mas existe algo que pode ser feito agora.O jornal escolar e estudantil pode apresentar outros perfis, outras possibilidades de ser homem e mulher, além, é claro, de criticar o que todos já estamos cansados de ver. Então, porque não fazer reportagens interessantes, bem elaboradas e comprometidas com o surgimento de novas relações sociais entre mulheres e homens? Mãos à obra!

Como trabalhar Gênero em sala de aula
Pede-se que cada adolescente escreva numa tarjeta uma diferença entre meninas e meninos. Todas as sugestões devem ser colocadas no quadro divididas em duas colunas: meninos e meninas. Após preenchido o quadro, o facilitador dividirá as sugestões entre o que é biológico e o que é cultural. A partir da construção dos quadros, inicia-se o debate sobre o que é gênero, como se dá a educação de homens e mulheres, como a educação diferenciada pode causar situações de discriminação, e como podemos reverter este quadro. O foco a ser trabalhado é a construção de uma sociedade igualitária para homens e mulheres, diferenciando o que é biológico ( não pode ser mudado) e o que é cultural ( pode ser mudado).

Sugestão de Pauta
1- Com base na seguinte informação: “Nos últimos anos, a taxa de incidência de casos de Aids tem sido bem maior entre as adolescentes, do que entre os adolescentes na mesma faixa etária”, pode ser feita uma discussão de como a desigualdade de gênero influi na tomada de decisão sobre a prevenção, e, a partir do debate, os alunos(as) expressarão sua opinião num artigo. A turma escolhe as melhores produções para publicar no jornal. 2- “Estima-se que a cada 15 segundos uma mulher é agredida, normalmente em seu lar, por uma pessoa com quem mantém relação afetiva”. Este pode ser um dado importante para se discutir como as relações de gênero são desiguais e provocam violência. A partir desta discussão, pode ser feito um estudo da evolução dos casos de violência contra a mulher e publicado no jornal. 3- Ainda aproveitando o dado da violência contra a mulher, pode ser feita uma entrevista com mulheres perguntando o que elas acham da violência contra a mulher. A entrevista escolhida pelo grupo pode ir para o jornal. 4- Continuando o tema da violência contra a mulher, o jornal pode publicar matérias enfocando saídas para o enfrentamento deste problema. A turma pode construir uma lista de ações e publicá-las. NOS TRÊS CASOS, SERÁ SEMPRE IMPORTANTE PUBLICAR O NÚMERO DO TELE.ONE PARA AS DENÚNCIAS. 5- “Existem trabalhos que são ditos para homens e trabalhos que são para as mulheres”. Esta é uma afirmação construída com base na questão de gênero. O jornal pode publicar opiniões ou entrevistar pessoas que realizam atividades ditas para o outro sexo. Por exemplo: uma trocadora de ônibus; uma professora de física; um
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enfermeiro; uma engenheira, e perguntar se ele(ela) sofre discriminação por estar numa função dita masculina ou feminina. 6- Pode-se promover uma pesquisa junto aos alunos(as), familiares, vizinhos(as), professores(as), etc., sobre o que pensam do comportamento atual de homens e mulheres, abordando, por exemplo: o acesso às oportunidades; o impacto das mudanças já ocorridas; as dificuldades que são colocadas para que homens e mulheres vivam direitos iguais, etc. Uma idéia legal é comparar as respostas femininas e masculinas e publicar. 7- Boas matérias podem ser redigidas abordando a evolução histórica das conquistas das mulheres. 8- Os alunos(as) podem retratar como as instituições (escola/minha sala de aula, a família, os meios de comunicação, meu grupo, etc) ainda reforçam a permanência de antigos papéis de gênero, fazendo entrevistas com seus próprios(as) colegas.

EXPEDIENTE
Redação: Cícera Andrade e Elisangela Albuquerque Tiragem: 13.000 exemplares Impressão: Comunicação e Cultura Outras informações: (85) 3231.6092 www.comcultura.org.br comcultura@comcultura.org.br

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