CARACTERISTICAS DE UMA PEÇA MICROFUNDIDA

1- Escopo: Definir as características de peças microfundidas (fundidos de precisão), de modo que as mesmas atendam a todos os requisitos de qualidade e funcionalidade estabelecidos pelo cliente e que tenham o mínimo custo de fabricação possível. 2- Referências normativas: - Basic Metal Quality Standards, do Investment Casting Institute (EUA), - ASTM A 957 – 05 , - ASTM A 732/A732M -05, - VDG P 690 , - VDG P 695-2 , - MIL-STD-2175-A. - ASTM A 985/A 985-04a 3- Termos e definições: Peça microfundida: peça metálica fundida pelo processo de Fundição de Precisão ou Microfusão. As peças microfundidas podem, apesar do nome, ter pesos desde 1 grama até dezenas de quilogramas. 4- Características de peças microfundidas: o que é um fundido de precisão ou peça microfundida? É uma peça fabricada a partir de um modelo feito em cera que foi injetado em um molde metálico. Esse modelo é colado, assim como outros tantos, em um canal de cera, formando uma árvore de cera. Essa árvore é revestida com cerâmica, formando um molde cerâmico. Quando esse molde está seco, a cera é derretida, o molde é calcinado em alta temperatura e depois preenchido com metal líquido. Após o resfriamento, a cerâmica é fragmentada e tem-se uma replica em metal da árvore de cera, da qual as peças são cortadas, limpas e o canal de fundição/ataque é removido, gerando uma cópia em metal do modelo de cera. 5- Características gerais de peças microfundidas: Formas geométricas bastante complexas, tolerâncias dimensionais estreitas e ótimo acabamento superficial. Podem ser fundidas em uma grande variedade de ligas metálicas: ligas à base de alumínio, de cobre, de cobalto, de níquel, de titânio e todas as famílias de ligas ferrosas: aços carbono, aços de baixa liga, aços ferramenta, aços inoxidáveis, ferros fundidos e etc. As peças microfundidas eliminam a maior parte das necessidades de usinagem.

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componentes para uso em eletrônica e transmissão elétrica e componente para indústrias química. petroquímica e alimentícia.6. válvulas de todos os tipos. indústria bélica. componentes de máquinas e equipamentos. indústria aeronáutica e aeroespacial. próteses ortopédicas.Aplicações mais comuns das peças microfundidas: Indústria automobilística. 2 .

88 0.39 1. mas viáveis no processo de microfusão sem o uso de recursos extras.20 0. para dimensões não críticas e que não comprometem a função da peça.33 0.71 1. -tolerâncias normais.18 0.06 0.60 0. na maior parte das vezes.12 0.85 2. tanto para dimensões lineares quanto geométricas . para verificar se existe possibilidade de uso de tolerâncias mais abertas.TOLERÂNCIAS DIMENSIONAIS 1.46 1.24 0.68 1. pois a tolerância “Premium”.74 0.24 0.20 0. devem ser utilizadas apenas quando há necessidade funcional da peça.Tolerâncias lineares gerais: Faixa de medida: mm De: 6 10 14 18 24 30 40 50 65 80 100 120 140 160 180 Até: 6 10 14 18 24 30 40 50 65 80 100 120 140 160 180 200 Graus de precisão: Campo total em mm (inclui para mais e para menos) D1 (aberta) D2 (normal) D3 (premium) 0.12 0. e que. um pouco mais apertadas.Níveis de tolerâncias São definidos três níveis de tolerâncias: -tolerâncias mais abertas. 2.30 0.02 1.27 0.66 1. é importante discutir todos esses casos em cada desenho.95 3 . implicará em aumento de custo.44 0.34 0.92 0. mais apertadas do que as normais (veja a tabela seguinte).23 0.28 0.50 0.52 1.40 0.24 1.53 1.84 1.20 0.50 0.60 1.40 0.20 0. Por esse motivo.60 0.76 0.04 0.36 1.16 0.60 0.30 0. -tolerâncias “Premium”.76 0.76 2.18 0.

4 .Tolerância de retilinidade: A tolerância para retilinidade axial é de ± 0.20 mm 0.Tolerância de ovalização – Barras sólidas: Ovalização é função das variações normais de contração no metal. Espessura Até 6.3. Se a concentricidade é medida em planos separados.08 mm por 13 mm de espessura de parede. no estado bruto.. Como regra geral deve-se utilizar a tabela do item 1.5 mm 6. Isso não diz respeito a ovalização e assume medições no mesmo plano. 6.Tolerância de concentricidade: Concentricidade de diâmetros em um eixo é também função da retilinidade.40 mm 4. 5.26 mm por 25 mm de separação máxima.10 mm 0.5 mm to 13 mm 13 mm to 25 mm 25 mm to 50 mm Concavidade máxima para cada 40 cm2 de área do plano Insignificante 0.13 mm por cada 25 mm . Centros de diâmetros externos e internos (tubos) estarão concêntricos dentro de 0. acrescentar as tolerâncias do item 1.Tolerâncias de planicidade: A planicidade refere-se a uma única superfície plana e geralmente está relacionada com contração volumétrica (concavidade).. Os centros estarão concêntricos dentro de ± 0. Essas variações aumentam com o diâmetro e as tolerâncias aumentam proporcionalmente.

Espessura mínima de paredes: Liga Metálica Inoxidável Série 300 Ligas à base de cobalto Inoxidável Serie 400 Aços Carbono Área pequena Normal 1.Limites para furos e fendas: Furos e fendas podem ser microfundidos desde que a sua profundidade não ultrapasse os limites da tabela seguinte: Dimensão máxima possível da profundidade. esperadas.5 mm 5 .2 mm 1.0 mm 1.6 x 2x 9.0 mm 1. 8. com relação ao diâmetro (furos) ou largura (fendas): Furos Fendas Diâmetro do furo ou largura da fenda:x (mm) 2 – 4 mm 4 – 6 mm 6 – 10 mm > 10 Passante 1x 2x 3x 4x Cego 0.6 x 2x Passante 1x 2x 3x 4x Cega 1x 1x 1.2 mm 1.6 x 1x 1. Elas variam de ± 1/2° para posições bem amarradas até ± 2° onde deformações são .5 mm 1.Tolerâncias angulares: Tolerâncias angulares nas peças brutas de fusão dependem de sua localização na peça.25 mm 1.15 mm 1.7.

as peças serão fornecidas no estado bruto de fusão Tratamentos requeridos deverão ser efetuados de acordo com o que for negociado com o Cliente. O desenho desse corpo de prova segue o da Norma ASTM A 985/A 985-04a. Os corpos de prova utilizados para a análise química deverão ser conservados por um período mínimo de 2 anos. limite de escoamento e alongamento) das ligas microfundidas são as apresentadas na tabela 2 anexa.Composição química: A composição química das ligas microfundidas mais comuns está na Tabela 1 anexa. o microfundidor (fundição de precisão) poderá fornecer a peça na liga microfundida com propriedades mecânicas as mais próximas possíveis daquelas da liga original. que possam ser solicitados pelo Cliente. Limites para elementos não especificados na tabela. devem ser acordados com o fornecedor. Esses corpos de prova deverão ser microfundidos com modelos de cera e deverão ser tratados termicamente junto com as peças que eles representam. a não ser que especificamente exigido pelo Cliente e considerado na cotação inicial.Propriedades mecânicas: As propriedades mecânicas (limite de resistência. No caso do cliente especificar ligas produzidas por outros processos. Quando houver exigência de certificação de propriedades mecânicas . em cada corrida do forno de fusão em que forem fundidas peças . A medição de dureza nas peças é normalmente utilizada para controle dos tratamentos térmicos. conforme norma ASTM A 370 – 08. Propriedades mecânicas das ligas não são normalmente testadas.QUALIDADE METALÚRGICA 1. A análise da composição química poderá variar conforme previsto em norma ASTM A 703 – 07.Tratamentos térmicos: Não havendo especificação de Tratamentos Térmicos. 2. 3 . deverão ser fundidos corpos de prova para ensaios mecânicos. isso também deve ser objeto de acordo entre o Cliente e o fornecedor. Havendo exigências com respeito ao nível de descarbonetação superficial. 6 .

Morfologia (continuidade.Microestrutura: No caso de exigência de uma microestrutura determinada. a especificação deve ser de dureza máxima e não de faixa. distribuição. A faixa mínima de durezas aceitável para peças microfundidas em aço e temperadas e revenidas. com determinação dos locais de medição. método e das faixas admissíveis.Dureza: As durezas possíveis de serem obtidas nas ligas microfundidas também estão apresentadas na tabela 2 anexa. ela deverá ser definida negociada entre cliente e fornecedor. quando for o caso. Para peças com tratamento de normalização ou de recozimento.4. • • • Profundidade de camada cementada. Ela deverá ser definida em termos de : • Profundidade de descarbonetação admissível. quando for o caso. 5. orientação. Quando a utilização da peça exigir dureza superficial ou interna. deverá ser considerado um tratamento térmico para garanti-la. mesmo que o desenho não mencione necessidade de tratamentos. com indicação de predominância. e • 7 . é de 5 pontos Rockwell C. Dureza. Fases constituintes. forma e tamanho das fases ou dos eventuais defeitos que podem aparecer na microestrutura).

por área de 25 x 25 mm mas não em locais onde interfiram com alguma função conhecida da peça. emendas. no caso de peças fabricadas em ligas magnetizáveis. incluindo bolhas de gás. métodos de inspeção e limites de aceitação para excluir tais produtos defeituosos. deverão ser estabelecidos de comum acordo entre o Cliente e o microfundidor. Alguma quantidade limitada de outros tipos de defeitos internos. inclusões não metálicas ou porosidade poderão ser encontradas. Outras exigências quanto a positivos deverão ser acordadas entre o fornecedor e o Cliente.SANIDADE INTERNA O microfundidor estabelecerá um processo de fundição que seja capaz de produzir peças com menos de 10% de porosidade interna de contração (vazios internos) em qualquer secção transversal da peça. A verificação disso será feita por inspeção radiográfica. A não ser que seja acordado de outra forma entre o cliente e o fornecedor. Mesmo quando não exigido pelo cliente. mesmo não visuais. defeitos positivos poderão ser encontrados aleatoriamente. para assegurar que o processo de fundição é capaz de produzir peças isentas de trincas. um exame por partículas magnéticas deverá ser feito no estágio de produção de amostras. 8 . Defeitos Positivos (defeitos em alto relevo): Devido à natureza do processo de microfusão. partículas de escória.8 mm de altura e medindo até 3 x 3 mm . QUALIDADE SUPERFICIAL Os microfundidos não deverão conter juntas frias. Se esses defeitos tornarem a peça inutilizável. Esses vazios de contração não deverão estar presentes em áreas onde alguma usinagem subseqüente conhecida revele visualmente os defeitos. Defeitos que serão removidos por usinagem posterior serão considerados aceitáveis. trincas visuais ou rechupes (porosidade de contração originada por falta de alimentação liquida durante a solidificação do metal em pontos quentes) visuais. a ocorrência destes positivos estará limitada a não mais do que um defeito com no máximo 0.

5 mm por 0.20 2. a ocorrência desses negativos estará limitada a não mais do que um.00-2. Deverá ficar bem claro para o cliente o compromisso do fornecedor com as propriedades químicas físicas e geométricas da peça .0 – 12. nem sempre avaliáveis através da determinação de suas propriedades químicas. e não exatamente com o seu desempenho em serviço. A não ser que seja acordado de outra forma entre o cliente e o fornecedor.5 10. Embora o fornecedor (microfundidor) possa e até deva assessorar o cliente em relacionar propriedades com desempenho. ele não pode assumir responsabilidade por resultados em que o fator qualidade do produto é apenas uma das variáveis que o determinam. por área de 25 x 25 mm.5 – 12. Cantos arredondados (incompletos): Os cantos das peças microfundidas podem estar arredondados com raios de até 0.4 mm. desde que eles não interfiram com alguma função conhecida da peça.8 a 1. dentro de limites viáveis quantificados e avaliáveis pelo microfundidor. Raios menores devem ser discutidos e acordados entre o Cliente e o fornecedor Rugosidade: Metal Ligas à base de cobalto Inoxidáveis Serie 300 Aços Carbono Inoxidáveis Serie 400 Rz médio 9 .50 2.5 9. é comum clientes exigirem padrões de desempenho mínimo para as peças. físicas ou geométricas.5 RA médio 2. 9 .Defeitos Negativos (poros visuais): Defeitos negativos também podem ocorrer aleatoriamente.8 de profundidade.50-3.25-3.25-3.20 2.5 – 12. mas também ao seu projeto e à forma de utilização. que é o que define a qualidade da peça microfundida.20 DESEMPENHO FUNCIONAL Embora desempenho seja uma característica ligada não só à qualidade do produto.10 9. com tamanho máximo de 0.

-No caso de exigência de resistência a corrosão em determinadas condições. composição química e microestrutura e serem garantidas essas propriedades. tais como teste de névoa salina. a dureza.Exemplos: -Se o cliente deseja máxima usinabilidade. e ser feito controle para garantir essas propriedades. 10 . tratamentos térmicos e superficiais. deverá ser controlada a sanidade mínima da peça com relação ao tipo de defeito em questão. mas não que a peça vai conseguir ser usinada com uma determinada produtividade. as propriedades mecânicas e a microestrutura . -Para resistência ao desgaste vale o mesmo princípio: controlar e garantir as características superficiais. -Quando o desempenho estiver relacionado com a ausência de determinados defeitos. ela ela poderá ser relacionada com a composição química. estrutura. ela poderá ser relacionada com dureza. a composição química.