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UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO




ANTÔNIO HENRIQUE CORREIA
RONALD ALEXANDRE MARTINS






FUNDAMENTOS DE CARTOGRAFIA E GPS













BRASÍLIA-DF
2008

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 F Fu un nd da am me en nt to os s d de e C Ca ar rt to og gr ra af fi ia a e e G GP PS S


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ÍNDICE



APRESENTAÇÃO 2

1. GEOPROCESSAMENTO E CARTOGRAFIA 3

2. CARTOGRAFIA 5
2.1. DEFINIÇÃO DE CARTOGRAFIA 5
2.2. CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS DE APOIO À CARTOGRAFIA 6
2.2.1. Astronomia 6
2.2.2. Topografia 6
2.2.3. Geodésia 7
2.2.4. Posicionamento Global por Satélites 7
2.2.5. Aerofotogrametria 8
2.2.6. Sensoriamento Remoto 10
2.2.7. Ciência da Computação 12
2.3. DIVISÃO DA CARTOGRAFIA 13
2.4. CARTOGRAFIA GERAL 13
2.5. CARTOGRAFIA TEMÁTICA 15

3. GEODÉSIA 17
3.1. DEFINIÇÃO DE GEODÉSIA 17
3.2. MODELOS TERRESTRES 17
3.2.1. Modelo Real 17
3.2.2. Modelo Físico 18
3.2.3. Modelos Geométricos 19
3.2.3.1. Modelo Elipsoidal 19
3.2.3.2. Modelo Esférico 20
3.2.3.3. Modelo Plano 21
3.3. SISTEMAS GEODÉSICOS DE REFERÊNCIA 21
3.3.1. Introdução 21
3.3.1.1. Datum Horizontal ou Planimétrico 22
3.3.1.2. Datum Vertical ou Altimétrico 22
3.3.2. Sistema Geodésico de Referência Clássico 23
3.3.3. Sistema Geodésico de Referência Moderno 23
3.3.4. Sistemas Geodésicos de Referência Adotados no Brasil 23
3.4. PROJETO MUDANÇA DE REFERENCIAL GEODÉSICO 24

4. SISTEMAS DE COORDENADAS 28
4.1. SISTEMAS DE COORDENADAS GEOGRÁFICAS E GEODÉSICAS 28
4.2. SISTEMA DE COORDENADAS GEOCÊNTRICO TERRESTRE 31
4.3. SISTEMA DE COORDENADAS PLANAS CARTESIANAS 32
4.4. SISTEMA DE COORDENADAS PLANAS POLARES 33
4.5. SISTEMA DE COORDENADAS DE IMAGEM (MATRICIAL) 34
4.6. TRANSFORMAÇÃO ENTRE SISTEMAS GEODÉSICOS 34
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5. PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS 36
5.1. INTRODUÇÃO 36
5.2. CLASSIFICAÇÃO DAS PROJEÇÕES 37
5.2.1. Quanto ao Método de Construção 39
5.2.1.1. Projeções Geométricas 39
5.2.1.2. Projeções Analíticas 40
5.2.1.3. Projeções Convencionais 40
5.2.2. Quanto ao Tipo de Superfície de Projeção 41
5.2.2.1. Projeção Plana ou Azimutal 41
5.2.2.2. Projeção por Desenvolvimento 41
5.2.3. Quanto à Posição da Superfície de Projeção 43
5.2.4. Quanto às Propriedades Intrínsecas 43
5.2.4.1. Projeções Eqüidistantes 45
5.2.4.2. Projeções Equivalentes 45
5.2.4.3. Projeções Conformes 45
5.2.4.4. Projeções Afiláticas 45
5.3. PROJEÇÕES MAIS USUAIS 46
5.3.1. Projeção Cônica Conforme de Lambert 46
5.3.2. Projeção Policônica Ordinária ou Americana 47
5.3.3. Projeção Cilíndrica Equatorial Conforme (Projeção de Mercator) 48
5.3.4. Projeção UTM 48

6. ESCALAS 52
6.1. INTRODUÇÃO 52
6.2. ESCALA NUMÉRICA 53
6.3. ESCALA EQUIVALENTE OU NOMINAL 53
6.4. ESCALA GRÁFICA 53
6.5. PRECISÃO GRÁFICA 54
6.6. ESCOLHA DA ESCALA 54

7. MAPAS, CARTAS E PLANTAS 56
7.1. DEFINIÇÕES 56
7.2. CARTA INTERNACIONAL DO MUNDO AO MILIONÉSIMO - CIM 57
7.3. ÍNDICE DE NOMENCLATURA E ARTICULAÇÃO DE FOLHAS 59
7.4. MAPA ÍNDICE 60
7.5. CARTA TOPOGRÁFICA 62
7.5.1. Quadriculado de Coordenadas Planas Cartesianas (Projeção UTM) 62
7.5.1.1. Obtenção de Coordenadas 62
7.5.1.2. Obtenção de Direções 64
7.5.2. Coordenadas Geodésicas 66
7.5.3. Representação Planimétrica 67
7.5.4. Elementos de Altimetria 70
7.5.4.1. Curvas de Nível 70
7.5.4.2. Declividade 72
7.5.4.3. Eqüidistância 72
7.5.4.4. Perfil Topográfico 72
7.5.5. Dados Marginais 74
7.5.6. Precisão Cartográfica 74


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8. FUNDAMENTOS DO POSICIONAMENTO GPS 76
8.1. INTRODUÇÃO 76
8.2. A CONSTITUIÇÃO DO SISTEMA GPS 77
8.2.1. O Segmento Espacial 78
8.2.2. O Segmento de Controle 79
8.2.3. O Segmento de Usuários 79
8.3. OS SINAIS GPS 79
8.4. OS TIPOS DE EFEMÉRIDES 81
8.5. O FORMATO RINEX 82
8.6. OS PRINCIPAIS ERROS ASSOCIADOS ÀS OBSERVAÇÕES 82
8.6.1. Erros Relacionados aos Satélites 83
8.6.2. Erros Relacionados aos Sinais 84
8.6.3. Erros Relacionados aos Receptores 87
8.6.4. Erros Relacionados à Estação 87
8.7. AS PRINCIPAIS TÉCNICAS DE POSICIONAMENTO GPS 88
8.7.1. Posicionamento Absoluto 88
8.7.2. Posicionamento Relativo 88
8.7.3. Posicionamento Diferencial 89

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 90

ANEXO - SISTEMA CARTOGRÁFICO DO DISTRITO FEDERAL (SICAD)








Antônio Henrique Correia
Ronald Alexandre Martins








FUNDAMENTOS DE
CARTOGRAFIA E GPS












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APRESENTAÇÃO



Para atingir o objetivo principal da presente disciplina, qual seja apresentar os
conhecimentos básicos de Cartografia e do Sistema de Posicionamento Global (Global
Positioning System - GPS) que são indispensáveis aos pesquisadores e profissionais que
atuam na área de Geoprocessamento e SIG, este material de apoio didático ao Curso de
Especialização em Geoprocessamento da Universidade de Brasília está dividido nos
seguintes capítulos:
O Capítulo 1 aborda a forte relação existente entre o Geoprocessamento e a
Cartografia;
O Capítulo 2 apresenta uma visão geral sobre a Cartografia, suas divisões e as
diversas ciências e tecnologias que lhe servem de apoio;
O Capítulo 3 apresenta alguns fundamentos da Geodésia, os diferentes modelos
utilizados para representar a Terra, os Sistemas Geodésicos de Referência e o
atual Projeto de Mudança do Referencial Geodésico;
O Capítulo 4 descreve os procedimentos para a localização de um ponto na
superfície terrestre a partir dos diversos Sistemas de Coordenadas existentes;
O Capítulo 5 trata dos principais Sistemas de Projeção Cartográfica, dando
destaque aos utilizados no Brasil;
O Capítulo 6 apresenta os principais aspectos que envolvem o conceito de escala;
O Capítulo 7 descreve as principais diferenças entre Mapas, Cartas e Plantas,
apresentando a nomenclatura de documentos cartográficos em uso no Brasil e as
informações existentes em uma Carta Topográfica;
O Capítulo 8 apresenta os fundamentos do posicionamento espacial por satélites
artificiais referentes ao sistema norte americano GPS.

Ao final desta apostila é possível encontrara também um anexo contendo as
informações básicas sobre o Sistema Cartográfico do Distrito Federal - SICAD, que
constitui a base para os trabalhos cartográficos realizados no Distrito Federal.
Esperamos que este material de apoio seja útil para difundir o conhecimento da
Cartografia e do Sistema de Posicionamento Global, assuntos cada vez mais importantes
para os profissionais da área de Geociências.
Os Autores.
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CAPÍTULO

GEOPROCESSAMENTO E CARTOGRAFIA



O Geoprocessamento é considerada a mais moderna e eficiente tecnologia para
o processamento de dados espaciais. Ele utiliza diversas técnicas para a coleta, o
armazenamento, o tratamento, a análise e o uso integrado da informação espacial,
conforme se observa na Fig. 1.1.

















Figura 1.1 - Definição de Geoprocessamento. (Fator GIS, 1998)

O Geoprocessamento dispõe de valiosas ferramentas para aplicações em
praticamente todas as áreas que lidam com recursos geograficamente distribuídos.
Costuma-se dizer que sempre que o “onde” aparece dentre as questões e problemas
que precisam ser resolvidos por um sistema informatizado, é necessário se valer das
ferramentas do Geoprocessamento. Áreas como a Engenharia, Geografia, Geologia,
Pedologia, Agricultura, Arquitetura, Navegação, Turismo, Meteorologia, Transportes,
Urbanismo, além de muitas outras, têm se beneficiado bastante da tecnologia
Geoprocessamento (Timbó, 2001).

COLETA
Cartografia
Sensoriamento Remoto
Fotogrametria
Topografia
GPS
Dados Alfanuméricos

ARMAZENAMENTO
Banco de Dados

TRATAMENTO e ANÁLISE
Modelagem de Dados
Geoestatística
Aritmética Lógica
Análise de Redes
Análise Topológica
Reclassificação

USO INTEGRADO
GIS
LIS
AM/FM
CADD
Conjunto
de
técnicas
relacionadas
ao
tratamento
da
informação
espacial
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Entre a Cartografia e o Geoprocessamento existe uma forte relação
interdisciplinar: o espaço geográfico. A Cartografia vai apresentar o modelo de
representação de dados para os processos que ocorrem no espaço geográfico. O
Geoprocessamento vai utilizar técnicas matemáticas e computacionais para tratar os
processos que ocorrem no espaço geográfico (D’Alge, 1999).
As informações extraídas do espaço geográfico são combinadas através dos
Sistemas de Informação Geográfica (SIG), do inglês “Geographical Information Systems -
GIS”, que constituem um conjunto poderoso de ferramentas para coletar, armazenar,
recuperar, transformar e visualizar dados sobre o mundo real (Burrough e McDonnell,
1998).
Segundo Maguire et al. (1991), uma razão histórica que reforça a relação
Cartografia/Geoprocessamento é a precedência das iniciativas de automação da
produção cartográfica em relação aos esforços iniciais de concepção e construção das
ferramentas de SIG. A Fig. 1.2 sintetiza esta discussão, estendendo-a às áreas de
Sensoriamento Remoto, CAD (Computer Aided Design) e Gerenciamento de Banco de
Dados.















Figura 1.2 - Relações interdisciplinares entre SIG e outras áreas. (Maguire et al., 1991)

Atualmente, os conhecimentos de Cartografia necessários ao SIG desfrutam de
um grande desenvolvimento, principalmente no que se refere à habilidade de se construir
mapas digitais que efetivamente comuniquem as idéias e questões geográficas
necessárias ao indivíduo. Vários programas têm sido desenvolvidos com o objetivo de
viabilizar a utilização dos produtos resultantes das novas tecnologias de captação e
processamento da informação espacial, como é o caso das imagens de satélites, dos
dados obtidos por levantamentos com GPS e das imagens retificadas de fotografias
aéreas, ou seja, as ortofotos (ou ortoimagens) digitais. Graças às novas possibilidades
oferecidas por estes produtos digitais, pode-se constatar significativas renovações nos
métodos cartográficos atuais.

SENSORIAMENTO
REMOTO
COMPUTER-AIDED
DESIGN
CARTOGRAFIA
COMPUTACIONAL
GERENCIADOR DE
BANCO DE DADOS
S SI IG G
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5
CAPÍTULO

CARTOGRAFIA










2.1. DEFINIÇÃO DE CARTOGRAFIA
O vocábulo CARTOGRAFIA foi criado pelo historiador português Visconde de
Santarém, em carta de 8 de dezembro de 1839, escrita em Paris, e dirigida ao historiador
brasileiro Adolfo de Varnhagen. Antes da divulgação e consagração do termo, o vocábulo
usado tradicionalmente era COSMOGRAFIA (Oliveira, 1993).
Dentre os vários conceitos de Cartografia consagrados na literatura, pode-se
destacar a definição a seguir, a qual resume os principais aspectos desta disciplina:
Cartografia é “a Ciência e a Arte que se propõe a representar por meio de
mapas, cartas, plantas e outras formas gráficas, os diversos ramos do conhecimento
humano sobre a superfície e o ambiente terrestre e seus diversos aspectos”. Ciência,
quando utiliza o apoio científico da Astronomia, da Matemática, da Física, da Geodésia,
da Topografia, da Agrimensura, da Geografia, da Geologia, da Estatística e de outras
ciências para alcançar exatidão compatível com o mapeamento a ser realizado. Arte,
quando recorre às leis estéticas da simplicidade e da clareza, buscando atingir o ideal
artístico de beleza em seus produtos.
A Cartografia destaca-se como sendo uma das mais antigas ciências de que se
tem conhecimento, pode-se dizer que ela teve origem na mais remota antigüidade,
quando o homem primitivo já sentia necessidade de registrar o espaço ao seu redor a fim
de marcar os lugares mais importantes para a sua sobrevivência. Ao registrar nas
paredes das cavernas os locais onde havia abundância de água e alimentos, situações
de perigo, redutos de outras tribos, etc., utilizando-se de instrumentos rudimentares, o
homem primitivo estava desenvolvendo um trabalho de cartografia na sua forma mais
primitiva (Timbó, 2001).
Desde então, a Cartografia tem evoluído em seus métodos e instrumentos, de tal
sorte que, nos dias atuais, lança mão de inúmeras ferramentas tecnológicas, como
medidores a laser, sensores remotos orbitais, computação gráfica, entre outros, para
produzir documentos cartográficos com as mais diferentes finalidades e para as mais
diversas áreas de aplicações.
"Uma vez, há muito tempo, um viajante chegou a Ahaggar, no Saara, e perguntou a um velho
chefe da tribo Tuareg o caminho para Tombuctu. O chefe não pronunciou uma só palavra. Cobriu com
areia uma parte do solo em sua frente e representou a grande planície arenosa do Saara. Sobre a areia
formou “montinhos” alargados para representar as dunas do deserto. As mesetas rochosas representou
com pedras planas. Prontamente surgiu diante das vistas do viajante um modelo perfeito do relevo da
região, não só em direções e distâncias, mas também no que se refere à natureza do terreno.
Diante disso, explanações não foram mais necessárias. Através dessa linguagem universal,
compreendeu o viajante o caminho a seguir, melhor do que com palavras."
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Desse ponto de vista, pode-se considerar a existência da chamada dualidade
cartográfica: “A Cartografia é uma ciência tão antiga quanto à espécie humana e tão
nova quanto o jornal de hoje”.

2.2. CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS DE APOIO À CARTOGRAFIA
Para atingir seus objetivos, a Cartografia se apoia em diversas tecnologias e
ciências, algumas já bem consolidadas e outras em constante evolução. A seguir são
descritas as mais significativas.
2.2.1. ASTRONOMIA
A Astronomia é a mais antiga ciência de apoio à Cartografia. Utilizada para
determinar a posição geográfica de pontos (coordenadas sobre a superfície terrestre). Os
observatórios astronômicos, desde remotas datas, determinam e divulgam as
coordenadas das estrelas em relação à Esfera Celeste. Um observador na Terra, ao
observar uma estrela de coordenadas já conhecidas e utilizando a trigonometria esférica,
pode determinar as coordenadas geográficas de sua posição terrestre (Timbó, 2001).
Em 27 de abril de 1500, o Mestre João Emenelaus, físico da esquadra de Cabral,
desceu a terra e por meio do astrolábio tomou a altura do Sol ao meio dia e determinou a
latitude de 17 graus para o Ilhéu da Coroa Vermelha. Foi, portanto, a primeira medição
dessa natureza no Brasil (Oliveira, 1993). Nos dias atuais as medições astronômicas de
posição foram praticamente substituídas por metodologias mais modernas que serão
abordadas no decorrer deste texto.









Figura 2.1 - Astrolábio do séc. XVII.

2.2.2. TOPOGRAFIA
É a ciência que utiliza técnicas para determinação da posição tridimensional
relativa de pontos na superfície terrestre.
A Topografia atua em pequenas extensões, desconsiderando, portanto, os efeitos
da curvatura da Terra. Emprega instrumentos que medem ângulos e distâncias,
calculando posições através da geometria e da trigonometria plana. Com o
desenvolvimento das estações topográficas automáticas (Estações Totais), estas
técnicas ganharam bastante produtividade na aquisição de dados, passando a ser
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largamente utilizadas nos dias de hoje.








Figura 2.2 - Equipamentos topográficos modernos.

2.2.3. GEODÉSIA
A Geodésia é a ciência que estuda a forma e as dimensões da Terra e estabelece
o apoio básico (malha de pontos geodésicos com posição geográfica precisa) para dar
suporte à elaboração de mapas. A Geodésia utiliza instrumentos semelhantes aos de
Topografia, porém, dotados de alta precisão e associados a métodos mais sofisticados
(Timbó, 2001). Calcula posições utilizando cálculos geodésicos complexos, onde se leva
em consideração o efeito da curvatura terrestre.








Figura 2.3 - Marco geodésico de apoio.

2.2.4. POSICIONAMENTO GLOBAL POR SATÉLITES
O Sistema de Posicionamento Global - GPS foi projetado de forma que, em
qualquer lugar da Terra e a qualquer instante, existam, pelos menos, quatro satélites
visíveis acima do horizonte para um observador. Esta situação garante a condição
geométrica mínima necessária à determinação da posição em tempo real. Assim,
qualquer usuário equipado com um receptor de sinais GPS poderá determinar a sua
posição em tempo real (Timbó, 2001)
O sistema GPS é capaz de fornecer posições geográficas com baixa, média ou
alta precisão, de acordo com o tipo de equipamento utilizado e a metodologia adotada na
coleta e no processamento dos sinais (Timbó, 2001).

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Figura 2.4 – Constelação do GPS.

Figura 2.5 – Posicionamento por GPS.

2.2.5. AEROFOTOGRAMETRIA
A Aerofotogrametria é a técnica utilizada para a elaboração de cartas topográficas
e baseia-se na obtenção de medidas terrestres precisas através de fotografias aéreas
especiais, obtidas com câmera métrica e com recobrimento estereoscópio. As fotografias
são parcialmente sobrepostas, em faixas paralelas, recobrindo toda a área a ser
mapeada.











Figura 2.6 – Vôo fotogramétrico.



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A Aerofotogrametria compreende as seguintes fases:
Planejamento e execução do vôo: consiste em determinar, com antecedência,
dados importantes do vôo fotogramétrico, como a distância focal da câmera aérea,
a altura de vôo, a superposição longitudinal e lateral das fotos, o número de fotos
por faixa, o número de faixas do vôo, o total de fotos, a qualidade dos filmes, etc.
(Fig. 2.6);
Trabalho de laboratório: consiste na revelação dos filmes, produção das fotos em
papel e diapositivos para serem utilizadas nas fases de restituição e reambulação;
Levantamento dos pontos de apoio terrestre: consiste na medição, através de
levantamento topográfico/geodésico, das coordenadas de pontos que sejam bem
identificáveis tanto nas fotografias como no terreno, chamados pontos de controle
(Fig. 2.7);









Figura 2.7 – Apoio de campo.

Aerotriangulação: consiste na determinação precisa de coordenadas de terreno de
pontos medidos nas fotografias, com a finalidade de aumentar o conjunto de pontos
de controle, sem a necessidade de trabalho de campo, visando a economia de
custos;
Reambulação das fotos: consiste na coleta de dados em campo, de informações
relativas aos acidentes naturais e artificiais e tudo mais que não pode ser obtido
diretamente das fotografias. As informações de campo (toponímia), que depois
farão parte do mapa, são anotadas sobre as fotografias pelos reambuladores;
Restituição fotogramétrica: consiste na construção do mapa a partir dos diapositivos
fotográficos montados em pares estereoscópicos, ajustados e georreferenciados
através dos pontos de controle (cada ponto da fotografia estará associado a uma
coordenada no terreno). Através de equipamentos denominados restituidores, a
geometria do momento exato da tomadas das fotografias é reproduzida (projeção
cônica), permitindo-se realizar a representação das feições existentes no terreno
(estradas, matas, rios, morros, etc.) em uma carta (projeção ortogonal) (Fig. 2.8).
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Figura 2.8 – Restituição.

2.2.6. SENSORIAMENTO REMOTO
Entende-se por Sensoriamento Remoto a utilização conjunta de modernos
sensores, equipamentos para a obtenção remota de dados, processamento e
transmissão de dados, provenientes de aeronaves, espaçonaves, satélites etc., com o
objetivo de estudar o ambiente terrestre através do registro e da análise das interações
entre a radiação eletromagnética e as substâncias componentes do planeta Terra, em
suas mais diversas manifestações (Timbó, 2001).
O advento dos sistemas sensores orbitais veio complementar a Aerofotogrametria,
principalmente para a atualização de cartas e mapas, mostrando seu grande potencial na
obtenção de informações temáticas. Cabe ressaltar que a Aerofotogrametria é um caso
particular do Sensoriamento Remoto, no que se refere ao nível de aquisição de dados
(aerotransportado).












Figura 2.9 – Sensores remotos.
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Figura 2.10 – Imagem de satélite.

Os sistemas sensores, geralmente, podem ser imageadores (Fig. 2.9) e não
imageadores, sendo os primeiros os que vêm sendo mais estudados e aplicados no
campo da Cartografia, especialmente na fotogrametria e na fotointerpretação.
O produto gerado pelos sistemas sensores imageadores são as imagens digitais
(Fig. 2.10) ou analógicas (em papel, transparência, etc.), podendo ser em preto e branco,
cores naturais, falsas cores e outras formas, o que permite uma grande variedade de
aplicações na Cartografia, como por exemplo:
Mapeamento Planimétrico: os produtos mais usuais são imagens georreferenciadas
para a projeção cartográfica desejada;
Mapeamento Planialtimétrico: neste caso, os efeitos do relevo são levados em
consideração, por meio de um Modelo Numérico de Terreno, que é composto por
uma grade regularmente espaçada com as cotas de cada ponto, sendo obtido por
meio de formação de pares estereoscópicos de imagens;
Mapeamento Temático: a imagem é georreferenciada de acordo com a projeção
cartográfica desejada e, em seguida, por meio de processamento digital, gera-se
uma imagem temática segundo os mais variados temas (áreas desmatadas,
cobertura vegetal, declividade do terreno, etc.);
Carta-Imagem: são imagens de satélite georreferenciadas no formato de folhas de
carta, com a sobreposição de uma grade de coordenadas e informações auxiliares
que são extraídas de outros mapas ou cartas. As vantagens apresentadas por este
tipo de produto para a atualização cartográfica são evidentes, especialmente para
as áreas onde não existem cartas tradicionais ou as mesmas se encontram
desatualizadas.
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2.2.7. CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO
O advento e o desenvolvimento da computação nas últimas décadas veio
contribuir para um grande avanço tecnológico da Cartografia. Dentro deste tópico podem
ser destacados os seguintes avanços: desenvolvimento das ferramentas de computação
gráfica (Computer Aided Design - CAD), algoritmos para processamento digital de
imagens, sistemas de gerenciamento de bancos de dados, programas com arquitetura
baseada em sistemas de informações geográficas, mesas digitalizadoras, scanners de
grande formato (Fig. 2.11), plotters e fotoplotters de alta resolução, estações
fotogramétricas digitais (Fig. 2.12), dentre outros (Timbó, 2001).











Figura 2.11 – Scanners de grande formato.











Figura 2.12 – Estações fotogramétricas digitais.

Essas grandes inovações tecnológicas e científicas têm levado a uma revisão do
conceito tradicional da Cartografia. Taylor (1991) sugere que a Cartografia seja vista
como “a organização, apresentação, comunicação e utilização da geoinformação em
forma gráfica, digital ou analógica”. A partir desse novo enfoque, a Cartografia Analógica
é substituída pela Cartografia Digital, a qual não representa apenas um processo de
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automação de métodos manuais, mas um meio para se buscar ou explorar novas
maneiras de lidar com os dados espaciais.

2.3. DIVISÃO DA CARTOGRAFIA
A Cartografia pode ser dividida em três grandes grupos, de acordo com o
conteúdo a ser representado: Geral, Especial e Temática.
Cartografia Geral: retrata basicamente a superfície topográfica do terreno, os
acidentes geográficos naturais e as obras do homem. Destina-se ao uso geral,
sendo base para as demais, atendendo planejamentos de obras de engenharia,
operações militares, etc.;
Cartografia Especial: destina-se exclusivamente a atender um uso específico, uma
técnica ou uma ciência;
Cartografia Temática: expressa determinados conhecimentos particulares (temas).

Os mapas e cartas também seguem a classificação acima. A Tab. 2.1 a seguir
mostra, de forma resumida, as subdivisões e alguns exemplos para fins de
esclarecimento.
Tendo em vista que a Cartografia Geral serve como base para as demais, e que
qualquer mapa que apresente informações diferentes da simples representação do
terreno pode ser considerado um produto da Cartografia Temática, esta apostila
abordará principalmente estes dois assuntos, pois são importantes para a maioria dos
usuários de SIG.

2.4. CARTOGRAFIA GERAL
Como se observa na Tab. 2.1 a seguir, a Cartografia Geral subdivide-se em
cadastral, topográfica e geográfica, de acordo com a escala de representação.
A Cartografia Geral, como o próprio nome diz, objetiva fornecer ao usuário uma
base cartográfica com possibilidades de aplicações generalizadas, de acordo com a
precisão geométrica e tolerâncias permitidas pela escala.
Do ponto de vista estratégico, a mais importante subdivisão é, sem dúvida, a
Cartografia Topográfica, pois compreende as cartas que cobrem todo o país
sistematicamente e servem de apoio para todos os trabalhos que requeiram uma base
cartográfica nas escalas de 1:250.000 a 1:25.000.
As folhas do mapeamento sistemático do Brasil foram estabelecidas a partir do
enquadramento na Carta Internacional do Mundo ao Milionésimo. A Tab. 2.2 fornece uma
visão da quantidade de cartas existentes segundo cada escala.
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Tabela 2.1 - Classificação de mapas e cartas (IBGE, 1998).
Divisão Subdivisão Definição
Cadastral
escalas
> 1:25.000
Representação em escala grande e com maior nível de
detalhamento, apresentando grande precisão geométrica,
normalmente utilizada para regiões metropolitanas. As escalas
mais usuais na representação cadastral são: 1:1.000, 1:2.000,
1:5.000, 1:10.000 e 1:15.000.
Topográfica
escalas
≤ 1:25.000 e
≥ 1:250.000
Carta elaborada a partir de levantamentos
aerofotogramétricos e geodésicos ou compilada de outras cartas
topográficas em escalas maiores. Inclui os acidentes naturais e
artificiais, em que os elementos planimétricos (sistema viário,
obras, etc.) e altimétricos (relevo através de curvas de nível,
pontos colados, etc.) são geometricamente bem representados.
Geral
Geográfica
escalas
< 1:250.000
Carta em que os detalhes planimétricos e altimétricos são
generalizados, os quais oferecem uma precisão de acordo com a
escala de publicação. A representação planimétrica é feita através
de símbolos, enquanto que a representação altimétrica é feita, em
geral, através de cores hipsométricas.
Náutica
Representa as profundidades, a natureza do fundo do
mar, as curvas batimétricas, bancos de areia, recifes, faróis,
bóias, as marés e as correntes de um determinado mar, as áreas
terrestres e marítimas. Elaboradas de forma sistemática pela
Diretoria de Hidrografia e Navegação - DHN.
Aeronáutica
Representação particularizada dos aspectos cartográficos
do terreno, destinada a apresentar além de aspectos culturais e
hidrográficos, informações suplementares necessárias à
navegação aérea, pilotagem ou ao planejamento de operações
aéreas. Elaboradas de forma sistemática pelo Instituto de
Cartografia Aeronáutica - ICA.
Militar
Em geral, são elaboradas na escala 1:25.000,
representando os acidentes naturais do terreno, indispensáveis ao
uso das forças armadas. Pode representar uma área litorânea,
características topográficas e náuticas de trafegabilidade, a fim de
que ofereça a máxima utilidade em operações militares.
Geoidal
Representa as ondulações geoidais em relação ao
elipsóide, através de uma série de linhas ou curvas que unem os
pontos de mesma altura geoidal para um determinado datum e
elipsóide de referência.
Especial
Existem outros tipos, tais como, mapa magnético, astronômico,
meteorológico, entre outros.
Temática
São cartas e mapas, em qualquer escala, destinados a um tema
específico, necessários às pesquisas socio-econômicas, de recursos naturais e
estudos ambientais, como por exemplo, atlas nacional, regional e estadual.

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Tabela 2.2 - Quantidade de folhas do mapeamento sistemático brasileiro (IBGE, 1998).
Escala N°Total de Folhas N°de Folhas Executadas % Mapeada
1:1.000.000 46 46 100,0
1:500.000 154 68 44,0
1:250.000 556 529 95,1
1:100.000 3.049 2.087 68,4
1:50.000 11.928 1.641 13,7
1:25.000 47.712 548 1,2
Obs.: Estes dados são do ano de 1998 e referem-se apenas ao mapeamento realizado pelo IBGE
e pela DSG. Não estão computados os levantamentos realizados pelos Institutos Estaduais.

2.5. CARTOGRAFIA TEMÁTICA
Enquanto a Cartografia Geral trabalha com um produto cartográfico de forma
geométrica e descritiva, a Cartografia Temática busca uma solução analítica e
explicativa para a representação de aspectos físicos e culturais, sua ocorrência e
distribuição espacial.
O objetivo dos mapas temáticos é o de fornecer, com o auxílio de símbolos
qualitativos e/ou quantitativos dispostos sobre uma base de referência - geralmente
extraída das cartas topográficas e mapas - as informações referentes a um determinado
tema ou fenômeno que está presente ou age no território mapeado. Quaisquer
fenômenos físico, social, biológico, político, etc., que tenham uma vinculação com o
espaço terrestre, são passíveis de serem representados, o que justifica a grande
diversificação dos temas envolvidos.
A Cartografia Temática pode ser subdividida em três tipos:
Cartografia de notação ou de inventário: registra os fenômenos na sua
distribuição espacial, sob a forma de cores ou de tonalidades muito variadas,
complementadas muitas vezes por sinais gráficos característicos. Estabelece um
levantamento qualitativo dos elementos representados. Como exemplos gerais
podem-se citar os mapas geológicos, pedológicos, de uso da terra, etnográficos, de
distribuição de vegetação, etc.;
Cartografia estatística ou analítica: registra os fenômenos sob um ponto de vista
estatístico. Estabelece um levantamento quantitativo, classificando, ordenando e
hierarquizando os elementos a representar. Pode-se analisar apenas um fenômeno
(como a produção agrícola de trigo no Brasil), vários fenômenos em conjunto (como
a produção agrícola do Estado da Bahia), ou mesmo a análise de fenômenos
compostos (como a balança comercial do país). Como exemplos gerais podem-se
citar os mapas de densidade populacional, de distribuição por pontos, de fluxo de
mercadorias, de precipitação pluviométrica, de isolinhas, etc.; e
Cartografia de síntese: registra fenômenos em conjunto e suas inter-relações, de
forma global e subjetiva. Para isso, reúne as informações de vários documentos,
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fundindo-as em uma só. Como exemplos gerais podem-se citar os mapas
históricos, geomorfológicos, morfo-estruturais, de áreas homogêneas, etc.

O Quadro 2.1 mostra dois exemplos de mapas temáticos do Brasil: um de
potencialidade agrícola dos solos e outro de densidade populacional. Nota-se que ambos
os mapas têm uma legenda representativa associada. O Quadro 2.2 apresenta uma
comparação resumida entre a Cartografia Geral e a Cartografia Temática.
Quadro 2.1 - Exemplos de mapas temáticos (IBGE, 1998).


Potencialidade agrícola dos solos Densidade populacional

Quadro 2.2 - Comparação entre a Cartografia Geral e a Cartografia Temática (IBGE, 1998).
CARTOGRAFIA GERAL CARTOGRAFIA TEMÁTICA
Atende a um público amplo e diversificado
(vários usuários).
Atende a um público especializado e reduzido
(usuários específicos).
Representação de elementos físicos ligados à
topografia do terreno.
Representação de quaisquer elementos, inclusive
os de natureza abstrata.
Os produtos sempre servem de base para
outras representações.
Os produtos raramente servem de base para outras
representações.
Em geral, os elementos podem ser usados por
um longo tempo.
Duração mais limitada, pois as informações são
superadas com maior rapidez.
Trata basicamente de informações qualitativas. Trata de informações qualitativas e quantitativas.
A produção dos documentos exige
conhecimento especializado em Cartografia.
Em geral, os documentos podem ser produzidos por
pessoas não especializadas em Cartografia.
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17
CAPÍTULO

GEODÉSIA



3.1. DEFINIÇÃO DE GEODÉSIA
A Geodésia é uma ciência complexa, que engloba o estudo de princípios de
astronomia, física e matemática. Pode ser definida como “a ciência que estuda a
determinação precisa da forma e das dimensões da Terra e das variações do seu campo
gravitacional”.
No Brasil, a Geodésia é divida em quatro grandes áreas de estudo:
Geodésia Geométrica: considera a determinação da posição relativa de pontos na
superfície terrestre através de um modelo matemático e de métodos geométricos
(medições angulares e lineares, verticais e horizontais relacionadas por meios de
princípios geométricos e trigonométricos);
Geodésia Física: considera a determinação da superfície terrestre através do
estudo da direção e da intensidade da gravidade, das superfícies equipotenciais e
das perturbações no campo gravífico, baseando-se em princípios físicos;
Geodésica Astronômica: considera os métodos de posicionamento pontual na
superfície da Terra por meio de observações de outros corpos celestes;
Geodésia Espacial ou por Satélite: considera a determinação da posição sobre a
superfície terrestre por meio da observação de satélites artificiais.

3.2. MODELOS TERRESTRES
Pode-se distinguir basicamente três tipos de abordagens diferentes para
caracterizar a forma e as dimensões da Terra, de acordo com o objetivo do trabalho a ser
realizado:
o modelo real, baseado na verdadeira forma da terra;
o modelo físico, baseado em conceitos físicos, envolvendo o campo de forças
atuantes no planeta como um todo; e
o modelo geométrico, baseado em conceitos puramente matemáticos.
3.2.1. MODELO REAL
É a representação da Terra, limitada pela camada mais baixa da atmosfera
(troposfera) e as massas sólidas e líquidas do planeta, ou seja, é a superfície contínua
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definida pelos oceanos e continentes. Em outras palavras, representa a verdadeira forma
da Terra, com suas montanhas, vales, oceanos e outras incontáveis saliências e
reentrâncias geográficas (Fig. 3.1). Este modelo é importante por representar a superfície
onde, efetivamente, são executadas as medições e observações cartográficas.
Devido à sua forma irregular, é impossível representar a superfície real através de
uma função analítica. Mesmo que se estabeleça um limite de proximidade entre os
pontos da superfície terrestre, será impossível a sua caracterização, devido à
impossibilidade de medir todos os pontos sobre a superfície da terra e devido às
deformações sofridas por esses pontos ao longo do tempo (como por exemplo, as
alterações causadas por intemperismo, terremotos ou movimento de placas tectônicas).









Figura 3.1 - Superfície real.

3.2.2. MODELO FÍSICO
Ao campo de forças gerado pela interação da força da gravidade terrestre e
pela força centrífuga (devido a rotação da Terra), dá-se o nome de Campo Gravífico, o
qual sofre variações ou anomalias, por influência de fatores como a distribuição irregular
de massas de diferentes densidades na superfície terrestre. Com base nas linhas de
força do campo gravífico, definem-se as superfícies equipotenciais (Fig. 3.2), que
apresentam o mesmo potencial e são perpendiculares às linhas de força do campo.












Figura 3.2 - Superfícies equipotenciais.
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a
b
Considerando-se que as linhas de força do campo gravífico são curvas reversas,
e que a superfície da Terra é, devido às suas irregularidades, cortada por diferentes
equipotenciais, adotou-se uma superfície como base para as medidas geodésicas: o
Geóide. Compreende-se por geóide “uma superfície equipotencial coincidente com o
nível médio dos mares, suposto homogêneo e livre de perturbações de qualquer
natureza, e que se prolonga sob os continentes de modo tal que a direção da força de
gravidade em qualquer de seus pontos é normal a ela”.
O valor do Nível Médio dos Mares (NMM) pode ser obtido por meio de
equipamentos denominados marégrafos, que são instalados no litoral. Esses aparelhos
registram continuamente o movimento das marés, determinando a sua posição média,
após um período de 19 anos (ciclo maregráfico).
Existem outras aproximações do geóide, baseadas nos estudos de anomalias da
gravidade e de harmônicos esféricos, denominados geóides matemáticos, com por
exemplo, os modelos GEM, EGM, OSU, etc.
3.2.3. MODELOS GEOMÉTRICOS
A adoção do geóide como superfície de referência depende do conhecimento do
campo gravífico terrestre, o que ainda é muito limitado. Além disso, o equacionamento
matemático do geóide é muito complexo, o que o distancia de um uso mais prático nos
levantamentos geodésicos. Por esse motivo, a Geodésia procura adotar modelos
matemáticos rígidos para representar a Terra, o que torna os cálculos geodésicos bem
mais simples. Esses modelos são apresentados a seguir:
3.2.3.1. Modelo Elipsoidal












Figura 3.3 - Elipsóide de revolução.

Baseados em observações e estudos ao longo de anos, chegou-se à conclusão
de que o nosso planeta é ligeiramente achatado nos pólos. Diante dessa descoberta, a
Geodésia adotou como forma matemática aproximada de representação da Terra, o
Elipsóide. Visando obter simplicidade nos cálculos geodésicos, aceitou-se o Elipsóide
de Revolução como o modelo matemático que mais se aproxima da forma da Terra.
Existem teorias que pregam a utilização do Elipsóide Escaleno, porém o ganho de
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precisão nestas determinações não é significativo face ao aumento de complexidade nas
operações matemáticas.
O elipsóide de revolução (Fig. 3.3) é definido como sendo o sólido geométrico
gerado por uma elipse que gira em torno do seu eixo menor (eixo polar). Suas
características principais podem ser vistas na Tab. 3.1.
Tabela 3.1 - Características matemáticas do elipsóide de revolução.
Características Fórmula
Expressão Geral do Elipsóide de Revolução:
(a = semi-eixo maior; b = semi-eixo menor)
1
b
z
a
y x
2
2
2
2 2
= +
+

1.º Achatamento (ou Achatamento Polar) (f)
a
b a
f

=
Excentricidade (e)
2
2 2
2
a
b a
e

=

3.2.3.2. Modelo Esférico
Dentro de determinados limites de precisão, pode-se adotar como modelo
matemático para a Terra, como um todo, a Esfera. Por definição, esfera é o lugar
geométrico dos pontos eqüidistantes de um outro ponto dado, denominado centro.
O modelo esférico é um caso particular (mais simples) do modelo elipsoidal, onde
a = b = raio (Fig. 3.4). Este sólido é empregado como superfície auxiliar em certos
desenvolvimentos geodésicos e em aplicações cartográficas de natureza mais simples.




Raio

Raio





Figura 3.4 - Modelo esférico.
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3.2.3.3. Modelo Plano
Existem casos onde, independente da tolerância requerida, é possível considerar
a simplificação do modelo terrestre para um Plano. São situações em que os
instrumentos ou métodos utilizados não detectam as pequenas variações da curvatura da
Terra, ou que, embora negligenciada, produzem um resultado dentro da tolerância
estabelecida.








Figura 3.5 - Modelo plano.

A conseqüência imediata, em termos de posicionamento, da aceitação desse
modelo, é a redução dos dados à superfície de referência por meio de uma projeção
ortogonal (Fig. 3.5). As distâncias observadas são sumariamente aceitas como se
medidas sobre o plano de referência e nele representadas. Os ângulos são tomados
como se observados segundo o mesmo plano do horizonte.
O modelo plano é usado nas operações topográficas, que são vistas como um
subconjunto das operações geodésicas, onde é possível aceitar cálculos, sem a
influência do efeito de curvatura da Terra, para uma distância de até 50km
aproximadamente.

3.3. SISTEMAS GEODÉSICOS DE REFERÊNCIA
3.3.1. INTRODUÇÃO
A adoção de uma superfície matemática rígida para representar a Terra não é
suficiente para definir o posicionamento de um ponto sobre a superfície terrestre. Para
isso, faz-se necessária a definição de um sistema de coordenadas associado aos pontos
da superfície terrestre, chamado Sistema Geodésico de Referência (SGR).
A implantação de um SGR é dividida em duas partes: definição e materialização
na superfície terrestre (IBGE, 2000):
a definição compreende a adoção de um elipsóide de revolução sobre o qual são
aplicadas injunções de posição e orientação espacial; e
a materialização consiste no estabelecimento de uma rede geodésica de pontos
interligados na superfície terrestre cujas coordenadas são conhecidas.

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As injunções de posição e orientação espacial para o elipsóide de revolução em
relação à superfície física são feitas através da preservação do paralelismo entre os
eixos de rotação da Terra real e do elipsóide, e de um ponto origem chamado Datum, ao
qual devem estar referenciadas todas as posições.

3.3.1.1. Datum Horizontal ou Planimétrico
É o ponto de referência (origem) para o posicionamento horizontal (coordenadas
planimétricas) de um sistema. De acordo com a sua localização, o sistema geodésico
pode ser Topocêntrico ou Geocêntrico.
Quando a localização do datum horizontal está sobre a superfície terrestre, o
sistema é chamado Topocêntrico ou Local (Fig. 3.6). Quando o datum horizontal está
situado próximo ao centro de massa da Terra, o sistema é chamado Geocêntrico ou
Global (Fig. 3.7). Esse último é utilizado, principalmente, em Geodésia Espacial, para o
posicionamento através do uso de satélites artificiais.













Figura 3.6 - Sistema geodésico local. Figura 3.7 - Sistema geodésico global.

Para se determinar o datum horizontal na superfície terrestre são necessários
anos de observações e cálculos. Normalmente este ponto é escolhido num local de
máxima coincidência entre o geóide e o elipsóide.

3.3.1.2. Datum Vertical ou Altimétrico
É o ponto de referência (origem) para o posicionamento vertical (coordenadas
altimétricas) de um sistema.
Como as altitudes são referidas ao nível médio dos mares, ou seja, à superfície do
geóide, a determinação do datum vertical envolve a utilização de uma rede de
marégrafos para o estabelecimento do nível médio dos mares. Após anos de medições,
faz-se então um ajustamento dos resultados encontrados, encontrando-se a referência
“zero” para o NMM. Um dos marégrafos passa a ser ponto de referência do datum
vertical.
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3.3.2. SISTEMA GEODÉSICO DE REFERÊNCIA CLÁSSICO
É o sistema concebido antes da era da Geodésia Espacial, com a utilização de
métodos e procedimentos geodésicos tradicionais (triangulação, poligonação e
trilateração). É um sistema topocêntrico, onde os parâmetros definidores estão
vinculados a um ponto na superfície física da Terra. Nesse sistema, as redes altimétrica e
planimétrica são distintas. Alguns exemplos são: Córrego Alegre, SAD-69, etc.
3.3.3. SISTEMA GEODÉSICO DE REFERÊNCIA MODERNO
É um sistema recente, geocêntrico, concebido durante a era da Geodésia
Espacial, com a utilização de métodos e procedimentos mais refinados como, por
exemplo, a observação do campo gravitacional terrestre a partir de satélites artificiais e a
consideração dos parâmetros físicos da velocidade de rotação da Terra. Isso garante
uma maior precisão às coordenadas medidas, cujos valores não são fixos; eles variam
em relação ao tempo. Alguns exemplos são: ITRS, SIRGAS, etc.
O referencial mais preciso existente na atualidade é o ITRS (International
Terrestre Reference System), sendo as suas realizações denominadas de ITRFyy
(International Terrestre Reference Frame, ano yy). Como as coordenadas das estações
sobre a superfície terrestre variam em função do tempo, é necessário redefinir
periodicamente seus valores. Por este motivo, a denominação dada à materialização do
ITRS vem acompanhada pelo ano em que foi estabelecida. Por exemplo, ITRF94 é a
realização referente ao ano de 1994 (IBGE, 2000).
A última realização do ITRS é o ITRF97, época 1997.0. Este é o sistema de
referência mais preciso até hoje realizado. Seus parâmetros de posição (coordenadas e
velocidades) são produzidos a partir da combinação de um conjunto de técnicas
espaciais de posicionamento, tais como VLBI (Very Long Baseline Interferometry), SLR
(Satellite Laser Ranging), LLR (Lunar Laser Ranging), GPS (Global Positioning System) e
DORIS (Doppler Orbitography and Radiolocation Integrated by Satellite) em mais de 500
estações distribuídas pelo mundo todo (IBGE, 2000)
3.3.4. SISTEMAS GEODÉSICOS DE REFERÊNCIA ADOTADOS NO BRASIL
Atualmente, o sistema geodésico oficial do Brasil é o SAD-69 (South American
Datum 1969). Porém, existem ainda muitos produtos cartográficos referenciados aos
antigos sistemas: Córrego Alegre e Astro Datum Chuá.
Com o advento dos satélites de posicionamento, principalmente o GPS, um outro
sistema geodésico que tem sido utilizado no Brasil é o WGS-84 (World Geodetic
System 1984). A Tab. 3.2 a seguir mostra os parâmetros dos principais sistemas
geodésicos utilizados no Brasil.
Um dos problemas típicos na criação da base de dados de um SIG no Brasil tem
sido a coexistência de mais de um sistema geodésico de referência. Por exemplo, as
diferenças entre Córrego Alegre e SAD-69 traduzem-se em discrepâncias de algumas
dezenas de metros sobre a superfície do território brasileiro. Essas discrepâncias podem
ser negligenciadas para projetos que envolvam mapeamentos em escala pequena, mas
são absolutamente preponderantes para escalas maiores que 1:250.000 (D’Alge, 1999).
É o caso, por exemplo, do monitoramento do desflorestamento na Amazônia Brasileira,
que usa uma base de dados formada a partir de algumas cartas topográficas na escala
1:250.000, vinculadas ao sistema Córrego Alegre e outras vinculadas ao SAD-69.
Assim, é de fundamental importância que todo usuário de SIG observe a origem
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dos dados geográficos com que está trabalhando, a fim de evitar incompatibilidades no
seu trabalho de geoprocessamento. Apesar dos diferentes data, a tarefa de conversão de
um datum para outro é baseada em equações simples, que a maioria dos programas de
geoprocessamento está habilitado a realizar, através do conhecimento dos parâmetros
de transformação.
Tabela 3.2 - Sistemas geodésicos mais utilizados no Brasil
Elipsóide
Sistema
Geodésico
Datum
Horizontal
Datum
Vertical
Nome Parâmetros
Vértice Chuá
SAD-69
ϕ = -19° 45' 41",65
λ = -48° 06' 04",06
h = 763,28 m
Θ = 03° 32' 00",98
N = 0 m
UGGI-67
a = 6.378.160,00
b = 6.356.774,72
f = 1/298,25
Córrego Alegre
CÓRREGO
ALEGRE
ϕ = -19° 50' 14",91
λ = -48° 57' 41",98
h = 683,31 m
Θ = 0°
N = 0 m
Imbituba-SC

Hayford 1924
a = 6.378.388,00
b = 6.356.911,95
f = 1/297
WGS-84 Geocêntrico GRS-80
a = 6.378.137,00
b = 6.356.752,51
f = 1/298,257223563


NOTA: Sobre o termo “DATUM”, alguns autores o consideram apenas como o
ponto de origem; outros, como a superfície de referência (elipsóide); e
ainda há outros que o utilizam como sinônimo de Sistema Geodésico.

3.4. PROJETO MUDANÇA DE REFERENCIAL GEODÉSICO
A rede planimétrica de alta precisão do Sistema Geodésico Brasileiro (SGB) é
constituída, atualmente, por mais de 5000 estações geodésicas cujas coordenadas estão
referidas ao referencial oficialmente adotado desde a década de 70: o SAD-69. O termo
“alta precisão”, entretanto, deve ser entendido como uma classificação relativa aos
métodos e instrumentos utilizados nos levantamentos no decorrer do seu
estabelecimento. Sabe-se, através do reajustamento da rede planimétrica realizado em
1996, que a precisão das coordenadas geodésicas de uma estação estabelecida por
triangulação e poligonação não é melhor que meio metro, podendo chegar a um metro
(IBGE, 1996). Nos dias de hoje, pode-se alcançar precisão centimétrica, ou até
milimétrica, através de observações GPS.
Objetivando o atendimento dos padrões atuais de posicionamento global, verifica-
se que é necessária a adoção de um referencial geocêntrico no Brasil, em substituição ao
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topocêntrico, SAD-69, utilizado. Esta mudança garante a manutenção da qualidade dos
levantamentos por satélite realizados em território nacional, uma vez que referenciar os
resultados obtidos ao SAD-69 implica na degradação da precisão. Outro fator
determinante diz respeito à necessidade de se buscar uma compatibilidade com os
demais países sul-americanos, adotando-se, no continente, um referencial geodésico
único para as atividades cartográficas. Além disso, outra consideração a ser feita diz
respeito ao intercâmbio das informações espaciais digitais, o qual é comprometido tendo
em vista os diversos referenciais em uso hoje em dia (IBGE, 2002)
Em face do exposto, pode-se concluir que os níveis atuais de precisão obtidos no
posicionamento geodésico tornam obrigatória a adoção de sistemas de referência que
forneçam um georreferenciamento a nível global e que considerem a variação temporal
das coordenadas de acordo com a dinâmica terrestre.
Com o objetivo de se compatibilizar os sistemas geodésicos utilizados pelos
países da América do Sul, foi criado em 1993 o projeto SIRGAS (Sistema de Referência
Geocêntrico para as Américas), com vistas a promover a definição e estabelecimento
de um referencial único compatível em termos de precisão com a tecnologia GPS. Os
primeiros resultados do SIRGAS se traduziram em uma das redes de referência
continentais mais precisas do mundo. Ela é composta por 58 estações distribuídas pelo
continente, com coordenadas determinadas por GPS e referidas a rede de referência
internacional ITRF94. Em outras palavras, o SIRGAS é uma densificação do ITRF na
América do Sul.
Das 58 estações, 11 se situam no território brasileiro, das quais 9 coincidem com
estações da Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo (RBMC), a rede geodésica
ativa GPS implantada pelo IBGE no Brasil (IBGE, 2002).

















Figura 3.8 - Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo - RBMC. (IBGE,2004)
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A RBMC (Fig. 3.8) é uma rede de estações GPS permanentes composta
atualmente por 20 (vinte) estações em operação (Fortaleza, Brasília, Curitiba, Presidente
Prudente, Bom Jesus da Lapa, Manaus, Viçosa, Cuiabá, Imperatriz, Porto Alegre,
Salvador, Recife, Crato, Rio de Janeiro, Santa Maria, Belém, Varginha, Uberlândia,
Montes Claros e Governador Valadares), 1 (uma) em fase de teste (Amapá) e 4 (quatro)
em fase de implantação (Boa Vista, São Gabriel da Cachoeira, Porto Velho e Cachimbo),
que serve de suporte para a utilização da tecnologia GPS no Brasil (IBGE, 2005).
Em decorrência da permanente coleta de observações, a RBMC permite o cálculo
contínuo das coordenadas sobre a superfície terrestre, monitorando, deste modo, as
deformações da crosta terrestre. Dessa forma, é possível quantificar a variação temporal
das coordenadas do Sistema Geodésico Brasileiro, proporcionando, assim, um
referencial constantemente atualizado aos usuários (IBGE, 2004).
Na Fig. 3.9 é possível verificar que as diferenças em coordenadas entre os
sistemas SAD-69 e SIRGAS são, horizontalmente, da ordem de 60 a 70 metros na
direção nordeste.
















Figura 3.9 - Vetores de deslocamento horizontal entre SAD-69 e SIRGAS. (IBGE,2000)

Com o objetivo de desenvolver, documentar e apresentar estudos e pesquisas
relacionados aos impactos sobre a mudança do referencial, vários órgãos, instituições e
universidades ligados à área de geodésia formaram 8 (oito) grupos de trabalho, todos sob
a coordenação do IBGE, os quais são responsáveis pelos estudos decorrentes desta
proposta de mudança:
GT 1 - Suporte e Atendimento ao Usuário: Realizar as atividades de suporte aos
usuários. Para tanto, deverá: ter representação estadual; ter entendimento dos
problemas dos usuários e propor recomendações de curto, médio e longo prazo;
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GT 2 - Definição do Sistema de Referência Geodésico: Promover o estudo sobre
qual sistema adotar; constantes geométricas; constantes físicas e demais
parâmetros;
GT 3 - Conversão de Referenciais: Realizar a determinação de parâmetros de
conversão; desenvolvimento de aplicativos, entre outros estudos;
GT 4 - Definição de Modelo Geoidal: Determinar o Modelo Geoidal adequado ao
novo referencial;
GT 5 - Conversão da Cartografia: Promover o estudo dos problemas inerentes à
conversão da cartografia sistemática e da cartografia cadastral;
GT 6 - Normalização e Legislação: Realizar um Inventário da Legislação vigente,
avaliar e adequar a Legislação Geodésica e Cartográfica à utilização do novo
referencial;
GT 7 - Impactos da Mudança do Referencial: Avaliar os impactos da mudança
nas áreas de Documentação Legal e Tributária, Geodésia, Cartografia, SIG e
Informações Espaciais;
GT 8 - Divulgação: Realizar as atividades de divulgação de todo o processo,
através da editoração e divulgação de manuais, glossários, “folder”, participação e
realização de eventos, manutenção da homepage do Projeto e disseminação de
relatórios e instrumentos diversos.

Assim, o Projeto de Mudança do Referencial Geodésico (PMRG) vai promover a
adoção no país de um novo sistema de referência, mais moderno, de concepção
geocêntrica e compatível com as mais recentes tecnologias de posicionamento.
No final de 2004, o IBGE definiu que o SIRGAS seria o referencial a ser adotado
oficialmente no Brasil, em substituição ao SAD-69. Iniciou-se então o chamado Período
de Transição, que deve durar até 2014, em que o novo sistema e os sistemas vigentes
(Córrego Alegre e SAD-69) poderão ser oficialmente utilizados.

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28
CAPÍTULO

SISTEMAS DE COORDENADAS



A principal característica que os dados inseridos em um Sistema de Informações
Geográficas devem apresentar é a possibilidade da localização geográfica da informação
disponível. Para tanto, é necessário associar os dados existentes a um sistema de
coordenadas. Os principais sistemas de coordenadas utilizados em Geoprocessamento
são os seguintes:
Sistema de Coordenadas Geográficas;
Sistema de Coordenadas Geodésicas;
Sistema de Coordenadas Geocêntrico Terrestre;
Sistema de Coordenadas Planas Cartesianas;
Sistema de Coordenadas Planas Polares;
Sistema de Coordenadas de Imagem.

A importância de se conhecer esses sistemas e a interligação entre eles reside no
fato de que muitas operações realizadas pelo usuário de SIG são baseadas em algumas
transformações entre diferentes sistemas de coordenadas que garantem a relação entre
um ponto na tela do computador e as suas coordenadas geográficas.

4.1. SISTEMAS DE COORDENADAS GEOGRÁFICAS E GEODÉSICAS
Como foi visto no Capítulo 3, existem diversos modelos de representação da
Terra. A principal diferença quando se fala em coordenada geográfica e coordenada
geodésica está relacionada ao modelo matemático adotado: a primeira diz respeito à
representação feita através de uma esfera (Modelo Esférico), a segunda, por meio de
um elipsóide de revolução (Modelo Elipsoidal). Em ambos os sistemas, cada ponto da
superfície terrestre é localizado pela interseção de um Meridiano com um Paralelo.
Num modelo esférico, os meridianos são círculos máximos cujos planos contêm o
eixo de rotação. Já num modelo elipsoidal, os meridianos são elipses definidas pelas
interseções, com o elipsóide, dos planos que contêm o eixo de rotação. O Meridiano de
origem ou inicial é aquele que passa pelo antigo observatório britânico de Greenwich, na
Inglaterra, escolhido convencionalmente como a origem (0°).
Tanto no modelo esférico como no modelo elipsoidal os paralelos são círculos
cujo plano é perpendicular ao eixo de rotação e que vão diminuindo de tamanho até que
se reduzam a pontos nos pólos Norte e Sul. O Equador é o círculo máximo que divide a
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Terra em dois hemisférios, Norte e Sul, e é considerado como o paralelo de origem (0°).
Com base nos meridianos e paralelos, a localização de um determinado ponto da
superfície terrestre é dada por um conjunto de coordenadas definidas por uma Longitude
e uma Latitude.
Tanto no modelo esférico (Longitude Geográfica) quanto no modelo elipsoidal
(Longitude Geodésica), a longitude de um ponto é definida como o ângulo diedro entre
os planos do meridiano origem (Greenwich) e do meridiano que contém o ponto, sendo
positivo a leste de Greenwich (0° a +180°) e negativo a oeste (0° a -180°). As longitudes
são a base para a contagem dos fusos horários.
No modelo esférico, a Latitude Geográfica de um ponto é o ângulo entre o
Equador e ponto considerado, medido sobre o meridiano que contém o ponto. No modelo
elipsoidal, existirão duas latitudes: a Latitude Geodésica, que é o ângulo entre a normal
ao elipsóide no ponto considerado e sua projeção no plano equatorial; e a Latitude
Geocêntrica, que é o ângulo entre o raio vetor desse ponto e sua projeção no plano
equatorial. Todas as latitudes são medidas sobre o meridiano que contém o ponto, sendo
positivas ao Norte do Equador (0° a +90°) e negativas ao Sul (0° a -90°). Para fins de
posicionamento, utiliza-se a latitude geodésica como coordenada.
A Fig. 4.1 ilustra a diferença entre a Latitude Geodésica e a Latitude Geocêntrica.













Figura 4.1 - Latitudes Geodésica e Geocêntrica.

Para fins de comparação, as Fig. 4.2 e 4.3 ilustram, respectivamente, o Sistema
de Coordenadas Geográficas e o Sistema de Coordenadas Geodésicas.
Com relação às coordenadas altimétricas, é importante ressaltar que a altitude de
um ponto é dada sempre em relação ao nível médio dos mares, ou seja, a referência
para a altimetria é o geóide. A altitude em relação ao geóide é chamada altitude
ortométrica.
Quando se utiliza um modelo geométrico como referência para a altimetria, o
termo usado é altura geométrica. Nos casos de um modelo elipsoidal, particularmente,
também se usa a expressão altura elipsoidal. O GPS fornece esta medida aos seus
usuários, relativa ao sistema WGS-84.
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Altura geométrica ou elipsoidal (h) é a distância vertical medida sobre a normal,
que se estende do ponto considerado até o seu homólogo sobre a superfície de
referência (esfera ou elipsóide). A normal do lugar em um determinado ponto da
superfície terrestre é definida pela direção perpendicular à superfície de referência
(esfera ou elipsóide) que passa pelo ponto (Fig. 4.2 e 4.3).












Figura 4.2 - Sistema de Coordenadas
Geográficas.
Figura 4.3 - Sistema de Coordenadas
Geodésicas.

Altitude Ortométrica (H) é a distância medida sobre a vertical do lugar, que se
estende do ponto considerado até o seu homólogo sobre o geóide. A vertical do lugar
de um ponto sobre a superfície terrestre é a direção tangente à linha de força do campo
gravífico no ponto considerado (Fig. 4.4). Ela é materializada pela direção do fio de
prumo.











Figura 4.4 - Vertical do lugar.

A redução da altura medida em relação ao elipsóide para a altitude medida em
relação ao geóide é feita através da determinação da ondulação ou desnível geoidal.
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Ondulação Geoidal ou Desnível Geoidal (N) de um ponto da superfície terrestre
é o afastamento linear entre o elipsóide e o geóide no ponto considerado, contado sobre
a normal. Para fins práticos, pode ser considerada igual à diferença entre a altitude
ortométrica e a altura elipsoidal (Fig. 4.5).
A ondulação geoidal pode ser obtida por meio de Mapas Geoidais, os quais
representam linhas de isovalores da ondulação geoidal (N), relativos a um dado elipsóide.
Entretanto, esses mapas nem sempre estão disponíveis.












Figura 4.5 - Ondulação geoidal.

4.2. SISTEMA DE COORDENADAS GEOCÊNTRICO TERRESTRE
O Sistema Geocêntrico Terrestre ou Sistema Cartesiano Terrestre (Fig. 4.6) é
um sistema cartesiano tridimensional com origem no centro de massa da Terra,
caracterizado por um conjunto de três eixos coordenados (X, Y, Z), mutuamente
perpendiculares, de modo que:
Eixo X: coincide com a projeção do Meridiano de Greenwich sobre o plano do
Equador;
Eixo Y: está no plano do Equador e coincide com a direção ortogonal ao eixo X, no
sentido anti-horário;
Eixo Z: coincide com o eixo de rotação da Terra.

Este sistema é conhecido pela sigla em inglês ECEF (Earth-Centered, Earth-
Fixed). O termo “Earth-Centered" indica que a origem dos eixos (0,0,0) está localizada no
centro de massas da Terra, determinado após o estudo da órbita descrita pelos satélites
artificiais. O termo "Earth-Fixed" indica que os eixos coordenados são fixos em relação à
Terra, ou seja, eles acompanham os movimentos do planeta.
Trata-se de um sistema de coordenadas muito importante para a transformação
de coordenadas entre sistemas diferentes. Assumindo-se um modelo elipsoidal para a
Terra, onde (X, Y, Z) denota as coordenadas de um determinado ponto no sistema
geocêntrico terrestre dadas em metros e (ϕ, λ, h) denota as coordenadas homólogas no
sistema de coordenadas geodésicas, as relações matemáticas que realizam as
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transformações entre estes dois sistemas são mostradas na Tab. 4.1.

















Figura 4.6 - Sistema de Coordenadas Geocêntrico Terrestre.

Tabela 4.1 - Transformação entre Coordenadas Geodésicas e Geocêntricas.
Transformação Formulação
Coordenadas
Geodésicas para
Geocêntricas
(ϕ, λ, h) → (X, Y, Z)
¦
¦
¹
¦
¦
´
¦

=
=
¦
¹
¦
´
¦
+ =
+ =
+ =
2
2 2
2
2 2
2
a
b a
e
) sen e - (1
a
N
onde
sen h] ) e - (1 [N Z
sen cos h) (N Y
cos cos h) (N X
ϕ
ϕ
λ ϕ
λ ϕ
,
Coordenadas
Geocêntricas para
Geodésicas
(X, Y, Z) → (ϕ, λ, h)
¦
¦
¦
¦
¹
¦
¦
¦
¦
´
¦
+ =
=
|
¹
|

\
|
⋅ = Ψ
¦
¦
¦
¦
¹
¦
¦
¦
¦
´
¦
=
|
¹
|

\
|
=
|
|
¹
|

\
|
Ψ
Ψ +
=
2 2
2
2
2
'
0
0
3 2
0
3
2
'
Y X d
e - 1
e
e
b
a
d
Z
arctan
onde
N -
cos
d
h
X
Y
arctan
cos e a - d
sen e b Z
arctan
,
ϕ
λ
ϕ


4.3. SISTEMA DE COORDENADAS PLANAS CARTESIANAS
O Sistema de Coordenadas Planas Cartesianas (Fig. 4.7) baseia-se na escolha de
dois eixos perpendiculares, cuja interseção (origem) é estabelecida como base para a
localização de qualquer ponto do plano. Nesse sistema de coordenadas um ponto é
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representado por dois números reais: um correspondente à projeção sobre o eixo X
(horizontal) e outro à projeção sobre o eixo Y (vertical) (Fig. 4.7).
Este sistema é utilizado para a representação da superfície terrestre num plano,
para tal, deve estar associado a algum tipo de projeção cartográfica. Em outras palavras,
não há sentido em se falar de coordenada plana sem mencionar o sistema de projeção
que lhe deu origem (Timbó, 2001). Neste caso, a origem dos eixos coordenados é
estabelecida em certos paralelos e meridianos terrestres, formando uma grade regular,
cujas coordenadas são medidas em metros, e não em graus. A direção dos eixos X e Y
são representadas pela direção Leste ou Este (E) e Norte (N), respectivamente (Fig. 4.8).
Cabe ressaltar que a formulação matemática que associa as coordenadas planas
com as coordenadas geodésicas será função do sistema de projeção empregado.









Figura 4.7 - Sistema de Coordenadas Planas. Figura 4.8 - Grade regular.

4.4. SISTEMA DE COORDENADAS PLANAS POLARES
Apesar de não aparecer de forma explícita para o usuário de SIG, o sistema de
coordenadas polares (Fig. 4.9) merece atenção por causa de sua utilização no
desenvolvimento das projeções cônicas (Fig. 4.10). Trata-se de um sistema simples, de
relação direta com o sistema de coordenadas cartesianas, que substitui o uso de um par
de coordenadas (x, y) por uma direção θ θθ θ e uma distância ρ ρρ ρ para posicionar cada ponto no
plano de coordenadas (D’Alge, 1999).







Figura 4.9 - Coordenadas Planas Polares.

Figura 4.10 - Mapa em Projeção Cônica.

A relação entre as coordenadas planas e polares é apresentada na Tab. 4.2, onde
ρ e θ denotam, respectivamente, a distância do ponto à origem do sistema cartesiano e o
ângulo formado com o eixo x.
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Tabela 4.2 - Transformação entre Coordenadas Cartesianas e Polares.
Transformação Formulação
Coordenadas Polares para Cartesianas
(ρ, θ) → (x, y)
¹
´
¦
θ ρ =
θ ρ =
sen y
cos x

Coordenadas Cartesianas para Polares
(x, y) → (ρ, θ)
¦
¹
¦
´
¦
+ =
|
¹
|

\
|
=
1/2 2 2
) y (x
x
y
arctan
ρ
θ


4.5. SISTEMA DE COORDENADAS DE IMAGEM (MATRICIAL)
A integração de Geoprocessamento com Sensoriamento Remoto depende do
processo de inserção de imagens de satélite ou aéreas na base de dados do SIG. Para
se realizar o georreferenciamento dessas imagens, necessita-se de uma relação entre o
sistema de coordenadas de imagem e o sistema de referência da base de dados.
O sistema de coordenadas de imagem tem origem no canto superior esquerdo da
imagem e seus eixos são orientados nas direções das colunas e das linhas da imagem
(Fig. 4.11). Os valores de colunas e linhas são sempre números inteiros que variam de
acordo com a resolução espacial da imagem. A relação com um sistema de coordenadas
planas é direta e faz-se através da multiplicação do número de linhas e colunas pela
resolução espacial (D’Alge, 1999).








Figura 4.11- Sistema de Coordenadas de Imagem.

4.6. TRANSFORMAÇÃO ENTRE SISTEMAS GEODÉSICOS
Uma operação muito usual em Geoprocessamento, devido às diversas fontes de
dados existentes, é a transformação de coordenadas segundo diferentes sistemas
geodésicos. O processo básico de transformação é descrito a seguir.
Considerando-se que os sistemas geodésicos são paralelos entre si, uma vez que
a condição de paralelismo entre o eixo Z do elipsóide e o de rotação da Terra foi imposta,
pode-se transformar as coordenadas de um ponto em um sistema “A” para um outro “B”
por meio do vetor posição de um sistema em relação ao outro.
Na Tab. 4.3, são descritos os procedimentos operacionais que devem ser
seguidos para converter as coordenadas geodésicas do sistema A para o sistema B.
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Tabela 4.3 - Transformação entre Sistemas Geodésicos ( ϕ ϕϕ ϕ, λ λλ λ, h )
A
→ →→ → ( ϕ ϕϕ ϕ, λ λλ λ, h )
B
.
Passo Procedimento Representação
1
o Conversão das coordenadas geodésicas para
geocêntricas, no sistema A
(ϕ, λ, h)
A
→ (X, Y, Z)
A
2
o
Conversão das coordenadas geocêntricas do
sistema A para o sistema B, através de parâmetros
de transformação (Dx, Dy, Dz)
(X, Y, Z)
A
+ (Dx,Dy,Dz)→ (X, Y, Z)
B
3
o Conversão das coordenadas geocêntricas para
geodésicas, no sistema B
(X, Y, Z)
B
→ (ϕ, λ, h)
B

Na Tab. 4.4, são apresentados os parâmetros oficiais de transformação para o
sistema SAD-69 a partir dos outros sistemas geodésicos em uso no Brasil (IBGE, 1989).

Tabela 4.4 - Parâmetros oficiais de transformação para o Sistema Geodésico SAD-69.
Parâmetros Córrego Alegre WGS84
Dx (m) 138,70 -66,87
Dy (m) -164,40 4,37
Dz (m) -34,40 -38,52

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36
CAPÍTULO

PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS



5.1. INTRODUÇÃO
Todos os mapas e cartas são representações aproximadas da superfície terrestre.
Isto ocorre porque não se pode passar de uma superfície curva para uma superfície
plana sem que haja deformações. (D’Alge, 1999).
A elaboração de um mapa requer um método que estabeleça uma
correspondência biunívoca entre os pontos da superfície da Terra e seus homólogos no
plano de projeção do mapa. Para tal, utilizam-se os sistemas de projeções cartográficas,
que de modo genérico, são definidos pelas relações diretas (f
1
e f
2
) e inversas (g
1
e g
2
)
que associam as coordenadas planas ou de projeção (x, y) às geodésicas (ϕ ϕϕ ϕ, λ λλ λ), e vice-
versa, respectivamente, conforme mostrado na Fig. 5.1.









Figura 5.1 - Correspondência entre a superfície de referência e a de projeção.

Qualquer sistema representará a superfície terrestre com deformações, que são
tanto maiores quanto mais extensa for a região a representar. Tais deformações afetam
os ângulos, as áreas e os comprimentos. Há sistemas que conseguem evitar algumas
dessas deformações, mas não todas.
Uma notável ilustração das deformações pode ser vista na figura 5.2, onde um
mesmo rosto é desenhado sobre diversas projeções: globular, ortográfica, estereográfica
e de Mercator.

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NOTA: O termo “DEFORMAÇÃO” não é bem utilizado, pois pode levar à idéia
do desconhecimento de formas e estruturas aplicadas. Já o termo
“DISTORÇÃO” estabelece que existe um conhecimento prévio do
comportamento da deformação sofrida.






















Figura 5.2 - Exemplos de distorções sofridas em projeções.

5.2. CLASSIFICAÇÃO DAS PROJEÇÕES
Como foi abordada anteriormente, a representação da Terra, considerada
elipsoidal ou esférica, sobre uma superfície plana, acarreta distorções inevitáveis. Assim,
diferentes técnicas de representação são aplicadas no sentido de se alcançar resultados
que possuam certas propriedades favoráveis para um propósito específico. Com isso, há
um número grande de diferentes projeções cartográficas, que podem ser classificadas
conforme o Quadro 5.1 (Mello e D’Alge, 1996).
Apesar de obedecerem a esta classificação, de uma maneira geral, as projeções
são mais conhecidas através dos nomes de seus autores, como por exemplo, a projeção
de Mercator, projeção de Gauss, projeção de Cassini, etc.

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Quadro 5.1 - Classificação das Projeções Cartográficas. (Mello e D’Alge, 1996)
1) Quanto ao método
de Construção
• Geométricas
• Analíticas
• Convencionais
• Perspectivas
• Pseudo-perspectivas
• Simples ou regulares
• Modificadas ou irregulares
2) Quanto ao Tipo de
Superfície Adotada
• Planas ou Azimutais
• Por Desenvolvimento
• Cônicas
• Cilíndricas
• Poliédricas
3) Quanto a Posição
da Superfície de
Projeção
• Planas ou Azimutais
• Polares
• Equatoriais ou meridianas
• Oblíquas ou Horizontais
• Por Desenvolvimento
• Transversa
• Normais
• Horizontais
ou Oblíquas
• Cônicas ou
Policônica
• Cilíndricas
• Equatoriais
• Transversas ou
Meridianas
• Horizontais
ou Oblíquas
4) Quanto as
Propriedades
Intrínsecas
• Meridianas
• Transversas
• Azimutais ou Ortodrômicas
• Equivalentes
• Conforme
• Afiláticas
• Eqüidistantes



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5.2.1. QUANTO AO MÉTODO DE CONSTRUÇÃO
5.2.1.1. Projeções Geométricas
Baseiam-se em princípios geométricos de projeção, podendo ser perspectivas
(Quadro 5.2) ou pseudoperspectivas.
Quadro 5.2 - Projeções Geométricas Perspectivas.
Projeções Geométricas Perspectivas:
Podem ser obtidas pela interseção, sobre a superfície de projeção, do feixe de
retas que passa por pontos da superfície de referência partindo de um centro perspectivo
(ponto de vista). Subdividem-se em três classes:
Gnomônica: ponto de vista
no centro da Terra.
Estereográfica: ponto de
vista na superfície da Terra,
diametralmente oposto à
tangência do plano de
projeção.
Ortográfica: ponto de vista
no infinito.
PV

PV

PV











Projeções Geométricas Pseudoperspectivas:
São obtidas a partir de projeções perspectivas, usando um determinado artifício
como um ponto de vista fictício, móvel ou com outra característica.

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5.2.1.2. Projeções Analíticas
São aquelas que não possuem um sentido geométrico propriamente dito, em
conseqüência da imposição de leis matemáticas que visam conseguir determinadas
características (é o caso da maior parte das projeções existentes). São divididas em:
simples ou regulares e modificadas ou irregulares (Quadro 5.3).
Quadro 5.3 - Projeções Analíticas.
Projeções Analíticas Simples ou
Regulares

São construídas com base em
leis matemáticas provenientes de
condições previamente estabelecidas,
como por exemplo, a projeção
transversa de Mercator e a projeção
eqüidistante azimutal.








Figura 5.3 - Projeção Transversa de Mercator.
Projeções Analíticas Irregulares ou
Modificadas

Resultam de alterações
impostas às projeções simples,
transformando ou modificando as
suas características próprias. Como
exemplo, pode-se citar a projeção
equivalente de Bonne, obtida de
modificações introduzidas na projeção
cônica eqüidistante meridiana.








Figura 5.4 - Projeção de Bonne.

5.2.1.3. Projeções Convencionais
São aquelas que se baseiam em princípios puramente convencionais, em função
dos quais são estabelecidas suas expressões matemáticas, como é o exemplo da
projeção de Mollweide (Fig. 5.5), na qual as transformadas dos paralelos são linhas
retas e as dos meridianos, de uma maneira geral, elipses. Outro exemplo das projeções
convencionais é a projeção globular (Fig. 5.6), onde a Terra é representa por um círculo
e os meridianos e paralelos são arcos de círculos.
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41



Figura 5.5 - Projeção de Mollweide.








Figura 5.6 - Projeção globular.

5.2.2. QUANTO AO TIPO DE SUPERFÍCIE DE PROJEÇÃO
5.2.2.1. Projeção plana ou azimutal
Quadro 5.4 - Projeção Plana ou Azimutal.
Projeção Plana ou Azimutal
A superfície de projeção é um plano tangente ou secante à superfície da Terra. É
geralmente chamada de azimutal, já que em torno do ponto de tangência os azimutes
são apresentados sem deformações.









Figura 5.7 - Projeção Plana ou Azimutal.











Figura 5.8 - Exemplo: Projeção Ortográfica.
5.2.2.2. Projeção por Desenvolvimento
A superfície de projeção é uma superfície desenvolvível em um plano. São
divididas em: cônicas (Quadro 5.5), cilíndricas (Quadro 5.6) e poliédricas (Quadro 5.7).
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Quadro 5.5 - Projeção Cônica.
Projeção Cônica:
A superfície de projeção usada é um cone que envolve a Terra e que, em
seguida, é desenvolvido num plano. As projeções cônicas podem ser tangentes ou
secantes. Em todas as projeções cônicas normais (eixo do cone coincidente com o eixo
de rotação da Terra), os meridianos são retas que convergem para um ponto (que
representa o vértice do cone) e todos os paralelos são circunferências concêntricas a
esse ponto.








Figura 5.9 - Projeção Cônica.








Figura 5.10 - Exemplo: Projeção de Lambert.
Quadro 5.6 - Projeção Cilíndrica.
Projeção Cilíndrica:
A superfície de projeção utilizada é um cilindro, tangente ou secante à superfície
da Terra, que se desenvolve num plano. Em todas as projeções cilíndricas normais
(eixo do cilindro coincidente com o eixo de rotação da Terra), os meridianos e os
paralelos são representados por retas perpendiculares. A projeção de Mercator, uma
das mais antigas e importantes, é um exemplo desse tipo de projeção.
Figura 5.11 - Projeção Cilíndrica.

000






Figura 5.12 - Exemplo: Projeção Cilíndrica de Miller.
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Quadro 5.7 - Projeção Poliédrica.
Projeção Poliédrica:
Caracteriza-se pelo emprego de mais de uma superfície de projeção (do mesmo
tipo) para aumentar o contato com a superfície de referência e, portanto, diminuir as
deformações.

Figura 5.13 - Projeção Poliédrica.







Figura 5.14 - Exemplo: Projeção Icosaédrica.

5.2.3. QUANTO À POSIÇÃO DA SUPERFÍCIE DE PROJEÇÃO
No caso das projeções planas ou azimutais a classificação é feita de acordo com
a posição do plano de projeção e do ponto de tangência ou polo de projeção; no caso das
projeções por desenvolvimento a classificação é feita de acordo com a posição do eixo
da superfície cônica ou cilíndrica. A superfície de projeção pode ser tangente ou secante
à superfície de referência. No Quadro 5.8 são apresentadas várias posições da superfície
de projeção, em relação a superfície de referência (caso de tangência).
5.2.4. QUANTO AS PROPRIEDADES INTRÍNSECAS
Como já abordado anteriormente, é impossível representar a superfície curva da
Terra sobre uma superfície plana (ou desenvolvível num plano) sem que haja distorções.
Por isso deve-se escolher que características devem ser conservadas e quais podem ser
alteradas. Por exemplo, pode-se pensar numa possível conservação dos ângulos ou
numa manutenção de áreas, sempre se levando em conta o fim a que se destina o mapa.
A seguir, são apresentadas as propriedades intrínsecas das projeções cartográficas:
equidistância, equivalência e conformidade.

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Quadro 5.8 - Posições de tangência das superfícies de projeção.
Projeções Planas Projeções Cônicas Projeções Cilíndricas
Polar: plano tangente no polo Normal: eixo do cone paralelo ao eixo
da Terra
Equatorial: eixo do cilindro
paralelo ao eixo da Terra
PN
PS

PN
PS

PN
PS

Equatorial ou Meridiana: plano
tangente no Equador
Transversa: eixo do cone
perpendicular ao eixo da Terra
Transversa: eixo do cilindro
perpendicular ao eixo da Terra
PN
PS

PN
PS

PN
PS

Oblíqua ou Horizontal: plano
tangente em um ponto qualquer
Horizontal: eixo do cone inclinado em
relação ao eixo da Terra
Horizontal: eixo do cilindro
inclinado em relação ao eixo da
Terra
PN
PS

PN
PS

PN
PS


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5.2.4.1. Projeções Eqüidistantes
As projeções eqüidistantes conservam a proporção entre as distâncias, em
determinadas direções, na superfície representada (escala uniforme sem deformação
linear). A eqüidistância, porém, não é uma característica global de toda a área mapeada,
ou seja, a equidistância não é mantida em todo o mapa, a escala linear é correta apenas
ao longo de determinadas linhas ou a partir de um ponto específico. Por esse motivo,
esta projeção é menos empregada que as projeções conforme ou equivalentes, porque
raramente é desejável um mapa com distâncias corretas em apenas uma direção.
Os mapas eqüidistantes são bastante usados em Atlas, mapas de planejamento
estratégico e representações de grandes porções da Terra, onde não é necessário
preservar as outras propriedades, pelo fato de o aumento da escala de área ser mais
lento dos que nas projeções conformes e equivalentes. O exemplo mais conhecido é a
projeção Cilíndrica Eqüidistante.

5.2.4.2. Projeções Equivalentes
As projeções equivalentes conservam as áreas (escala uniforme sem deformação
de área), isto é, as áreas no mapa guardam uma relação constante com as suas
correspondentes na superfície da Terra. Como conseqüência, os ângulos e distâncias
sofrem deformações. Estas características não interessam à cartografia sistemática,
porém é muito interessante para a cartografia temática e SIG. Como exemplos, podem-se
citar as projeções Cônica de Albers e Azimutal de Lambert.

5.2.4.3. Projeções Conformes
As projeções conformes não deformam os ângulos, conseqüentemente, não
deformam também a forma das pequenas áreas, o que significa que a escala para todas
as direções em torno de um ponto independe do azimute e é constante para distâncias
pequenas. Por exemplo, um pequeno círculo na superfície terrestre será projetado
também como um círculo, caracterizando uma deformação angular nula.
Incorretamente esta propriedade é referenciada como uma projeção de formas
verdadeiras. Na realidade, somente a forma de pequenas áreas é preservada. Grandes
áreas são distorcidas em sua configuração geral.
A projeção de Mercator tem a característica da conformidade e distorce bastante o
tamanho dos objetos situados nas proximidades das regiões polares. A Fig. 5.15 ilustra
claramente este problema ao mostrar o Alasca, na América do Norte (altas latitudes),
praticamente do mesmo tamanho que o Brasil, quando, na realidade, o Brasil é quase
cinco vezes maior.
A manutenção dos ângulos é uma característica importante para os mapas que
servirão para a navegação porque representam as linhas de azimute constante
(loxodrômicas) como linhas retas. Além disso, tal projeção atende aos propósitos
relativos à direção dos ventos, rotas, cartas topográficas, etc.

5.2.4.4. Projeções Afiláticas
As projeções afiláticas são aquelas em que os comprimentos, as áreas e os
ângulos não são conservados. Entretanto, podem possuir uma ou outra propriedade que
justifique sua construção. A projeção gnomônica, por exemplo, mesmo apresentando
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todas essas deformações, possui a excepcional propriedade de representar as
ortodrômicas (linhas que representam a menor distância entre dois pontos na superfície
terrestre) como retas (De Bakker, 1965).
















Figura 5.15 - Distorção para altas latitudes na Projeção de Mercator.
(Robinson et al., 1995)

5.3. PROJEÇÕES MAIS USUAIS
Dentre as várias projeções existentes, quatro serão destacadas nesta apostila:
Projeção Cônica Conforme de Lambert;
Projeção Policônica;
Projeção Cilíndrica Equatorial Conforme (Projeção de Mercator);
Projeção UTM (Universal Transversa de Mercator).

5.3.1. PROJEÇÃO CÔNICA CONFORME DE LAMBERT

Característica: os paralelos são arcos de círculos desigualmente espaçados,
enquanto que os meridianos são linhas retas convergentes igualmente espaçadas e
cortam os paralelos com ângulos retos. Existem dois paralelos-padrão representados em
verdadeira escala (secantes à superfície).
Aplicações: mapeamento de regiões com expansão predominantemente Leste-
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Oeste e Carta Internacional do Mundo 1:1.000.000 (CIM).









Figura 5.16 - Cone secante à Terra.







Figura 5.17 - Projeção de Lambert com dois
paralelos-padrão (20° °° °N e 60° °° °N).

5.3.2. PROJEÇÃO POLICÔNICA ORDINÁRIA OU AMERICANA

Característica: Utiliza como superfície intermediária de projeção diversos cones
tangentes, em vez de apenas um. O meridiano central e o Equador são as únicas retas
da projeção. O meridiano central não apresenta deformações e é dividido em partes
iguais pelos paralelos, os quais são círculos não concêntricos (cada um tem como centro
o vértice do cone que lhe deu origem). Os meridianos são curvas que cortam os paralelos
em partes iguais. Pequena deformação próxima ao centro do sistema, mas aumenta
rapidamente para a periferia (IBGE, 1998).
Aplicações: mapeamento de regiões de extensão predominantemente Norte-Sul e
reduzida extensão Leste-Oeste; mapeamento de larga escala (escala menor que
1:1.000.000), sendo utilizada no Brasil para mapas de séries, regionais, estaduais e
temáticos.









Figura 5.18 - Vários Cones tangentes. Figura 5.19 - Projeção Policônica.
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5.3.3. PROJEÇÃO CILÍNDRICA EQUATORIAL CONFORME (PROJEÇÃO DE MERCATOR)

Característica: os meridianos são igualmente espaçados; meridianos e paralelos
são linhas retas que se cortam sobre ângulos retos. As linhas de mesmo azimute são
linhas retas (loxodrômicas); a distância no Equador é representada em verdadeira escala.
Possui distorção máxima nos Pólos (não representados).
Aplicações: Cartas Náuticas e mapas de regiões equatoriais.









Figura 5.20 - Cilindro tangente no
Equador









Figura 5.21 - Projeção de Mercator.

5.3.4. PROJEÇÃO UTM (UNIVERSAL TRANSVERSA DE MERCATOR)
Com a finalidade de padronizar os trabalhos cartográficos e gerar um sistema
único de coordenadas planas para todos os países, a UGGI (União Geodésica e
Geofísica Internacional) recomendou, em 1951, adoção do sistema UTM (Universal
Transversa de Mercator). No Brasil, só a partir de 1955 este sistema foi adotado para o
mapeamento sistemático pelo Serviço Geográfico do Exército.
É importante ressaltar que a projeção UTM é um caso particular da projeção
transversa de Mercator.

Características:
A superfície de projeção é um cilindro transverso e secante (Fig. 5.22);
A projeção é conforme e se aplica cada fuso separadamente;
O meridiano central da região de interesse e o equador são representados por
retas; os outros meridianos e paralelos são curvas complexas;
O mundo é dividido em 60 fusos, onde cada um se estende por 6º de longitude. Os
fusos são numerados de 1 a 60 começando no antimeridiano de Greenwich (fuso
180º a 174º WGr) e continuando para leste. Cada um destes fusos é gerado a partir
de uma rotação do cilindro de forma que o meridiano de tangência divide o fuso em
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duas partes iguais de 3º de amplitude (IBGE, 1998) (Fig. 5.22);
Os limites dos fusos coincidem com os limites da Carta Internacional do Mundo ao
Milionésimo (CIM);













Figura 5.22 - Projeção Universal Transversa de Mercator.

O quadriculado UTM está associado ao sistema de coordenadas plano-retangulares
(E, N), onde um eixo coincide com a projeção do Meridiano Central do fuso (eixo N
apontando para Norte) e o outro eixo com a projeção do Equador. Assim, cada
ponto do modelo de representação terrestre (descrito por latitude, longitude) estará
biunivocamente associado ao terno de valores Meridiano Central, coordenada E e
coordenada N dados em metros (IBGE, 1998);
Avaliando-se a deformação de escala em um fuso UTM (cilindro transverso
tangente), pode-se verificar que o fator de escala é igual a 1,0000 no meridiano
central e aproximadamente igual a 1,0015 (1/666) nos extremos do fuso. Desta
forma, atribuindo-se a um fator de escala k = 0,9996 (1 - 1/2.500) ao meridiano
central do sistema UTM (o que faz com que o cilindro tangente se torne secante),
torna-se possível assegurar um padrão mais favorável de distorção em escala ao
longo do fuso, onde existe uma área de redução (K < 1) e outra de ampliação da
escala (K > 1), conforme a Fig. 5.23 (Saunders, 1991). O erro de escala fica
limitado a 1/2.500 no meridiano central, e a 1/1030 nos extremos do fuso (IBGE,
1998);
A cada fuso associamos um sistema cartesiano métrico de referência (Fig. 5.23),
atribuindo à origem do sistema (interseção da linha do Equador com o meridiano
central) as coordenadas 500.000 m para contagem de coordenadas ao longo do
Equador, e 10.000.000 m e 0m para contagem de coordenadas ao longo do
meridiano central, para os hemisférios sul e norte respectivamente. Isto elimina a
possibilidade de ocorrência de valores negativos de coordenadas (IBGE, 1998);
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É importante observar que cada fuso desenvolvido é um segmento de projeção
transversa centrada no respectivo meridiano central, assim, cada fuso é
responsável por um conjunto igual de coordenadas, ou seja, o que irá diferenciar o
posicionamento de um ponto será a indicação do meridiano central ou a do fuso
que contém o ponto;
Duas linhas aproximadamente retas (Fig. 5.23), uma a leste e outra a oeste,
distantes cerca de 1° 37’ do meridiano central, são representadas em verdadeira
grandeza, que representam as linhas de interseção do cilindro com a superfície de
referência terrestre. Estas linhas estão situadas a aproximadamente 180 km a leste
e a oeste do meridiano central do fuso. Pelo valor arbitrado ao meridiano central, as
coordenadas da linha de distorção nula estão situadas em 320.000 m e 680.000 m,
aproximadamente;
O sistema UTM é usado entre as latitudes 84º N e 80º S. Além desses paralelos a
distorção é muito grande, sendo adotada mundialmente a Projeção Estereográfica
Polar Universal (IBGE, 1998).














Figura 5.23 - Sistema de Coordenadas UTM.

Aplicações: É a mais indicada para o mapeamento topográfico em grandes
escalas. É o sistema de projeção adotado para o mapeamento sistemático brasileiro
(escalas 1:250.000, 1:100.000, 1:50.000, 1:25.000), cujos fusos abrangentes podem ser
vistos na Fig. 5.24.
Deve-se tomar muito cuidado ao se trabalhar com o Sistema de Projeção UTM em
áreas que se localizam em fusos distintos, pois as coordenadas E não são contínuas em
fusos vizinhos.
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Figura 5.24 - Fusos de 6° °° ° no Brasil.

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52
CAPÍTULO

ESCALAS



6.1. INTRODUÇÃO
Uma carta é uma forma de representação convencional ou digital das diversas
feições cartográficas existentes na superfície terrestre. Esses detalhes podem ser:
Naturais: São os elementos existentes na natureza como os rios, mares, lagos,
montanhas, serras, etc.; e
Artificiais: São os elementos criados pelo homem como: represas, estradas,
pontes, edificações, etc.

A representação dessas feições gera dois problemas:
A necessidade de reduzir as proporções dos acidentes, a fim de tornar possível a
sua representação em um espaço limitado. Essa proporção é definida pela escala;
Determinados acidentes, dependendo da escala, não permitem uma redução
acentuada nos documentos cartográficos, pois se tornariam imperceptíveis. No
entanto, sendo acidentes de importância relevante, devem ser representados, o que
se faz por meio da utilização de símbolos e convenções cartográficas.

Em termos cartográficos, o conceito de escala é essencial para qualquer tipo de
representação espacial, uma vez que qualquer visualização gráfica é elaborada segundo
uma redução do mundo real. Uma forma simples de definir escala é: a relação entre a
dimensão representada do objeto e a sua dimensão real.
Como as linhas do terreno e as do desenho são homólogas, o desenho que
representa o terreno é uma figura semelhante a dele, logo, a escala ou razão de
semelhança é a seguinte:

(D) real dimensão ou terreno no grandeza
(d) gráfica dimensão ou desenho no grandeza
(E) Escala =

A relação d / D define se a escala é de reprodução (ou cópia) (d = D),
ampliação (d > D) ou redução (d < D).
Os tipos de escalas mais usuais são: numérica, equivalente (ou nominal) e
gráfica.

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6.2. ESCALA NUMÉRICA
É representada por uma fração, onde o numerador é igual à unidade e o
denominador é o número (valor) da escala. Equivale à razão entre a medida de um objeto
ou lugar representado no plano de projeção e sua medida real.
Para facilitar o cálculo e obter o numerador igual à unidade, basta dividir ambos os
termos da fração pelo numerador (d). Assim, a escala será:

EC
D
1
d / D
d / d
D
d
E = = = onde, Carta da Escala da r Denominado
d
D
D
EC
= =

A representação da escala numérica pode ser feita de duas formas: E = 1:D
EC
ou
E = 1/D
EC
. Por exemplo: 1 : 50.000 ou 1 / 50.000.
Esta escala significa que uma unidade na carta corresponde a 50.000 unidades no
terreno, ou seja, 1 cm na carta corresponde a 50.000 cm (ou 500 m), no terreno.

NOTA: Uma escala é tanto MAIOR quanto MENOR for o DENOMINADOR.
Exemplo: A escala 1:25.000 é maior que 1:100.000.

6.3. ESCALA EQUIVALENTE OU NOMINAL
É expressa por uma equivalência de números. Por exemplo 1 cm = 500 m,
significando que 1 cm na carta equivale a 500 m no terreno, o que corresponde à escala
numérica de 1:50.000.

6.4. ESCALA GRÁFICA












Figura 6.1 - Exemplos de escala gráfica.
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É a representação gráfica de várias distâncias do terreno sobre uma linha reta
graduada. É constituída de um segmento à direita da origem, conhecida como escala
primária, e de um segmento à esquerda da origem, denominada de talão ou escala de
fracionamento, o qual é dividido em submúltiplos da unidade escolhida, graduadas da
direita para a esquerda. O tamanho do talão corresponde a uma unidade da escala.
A escala gráfica nos permite realizar as transformações de dimensões gráficas em
dimensões reais sem efetuarmos cálculos, bastando transportar e comparar a distância a
ser medida. Para sua construção, entretanto, torna-se necessário o emprego da escala
numérica.
Uma das vantagens da escala gráfica numa carta ou planta é que ela
experimenta, teoricamente, as mesmas variações (dilatações e contrações) de
comprimento no desenho, o que garante uma sensível melhora nas medidas de
distâncias efetuadas.

6.5. PRECISÃO GRÁFICA
É a menor grandeza medida no terreno, capaz de ser representada em desenho
na mencionada escala.
A experiência demonstra que o menor comprimento gráfico que o olho humano é
capaz de perceber é de 0,2 mm, sendo este o erro gráfico admissível.
Fixado esse limite prático, pode-se determinar o erro tolerável nas medições cujo
desenho deve ser feito em determinada escala. O erro de medição permitido será
calculado da seguinte forma:

Seja:



=
=
tolerável erro e
1/D E
T
EC
⇒ D metro 0,0002 e
EC T
× = ou
0,0002
e
D
T
EC
=

O erro tolerável, portanto, varia na razão direta do denominador da escala e
inversa da escala, ou seja, quanto menor for a escala, maior será o erro admissível.
Os acidentes cujas dimensões forem menores que os valores dos erros de
tolerância não serão representados graficamente. Em muitos casos será necessário
utilizar símbolos e convenções cartográficas para a representação desses acidentes, os
quais ocuparão dimensões no desenho independentes da escala.

6.6. ESCOLHA DA ESCALA
Considerando uma região da superfície da Terra que se queira mapear e que
possua muitos acidentes de 10 m de extensão, por exemplo, a menor escala que se deve
adotar para que esses acidentes tenham representação será determinada da seguinte
forma:

50.000
2
100.000

m 0002 , 0
m 10
D
EC
= = =

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Portanto, a escala adotada deverá ser igual ou maior que 1:50.000. Na escala
1:50.000, o erro prático (0,2 mm ou 1/5 mm) corresponde a 10 m no terreno.
Verifica-se então que, multiplicando 10 x 5.000, encontrar-se-á 50.000, ou seja, o
denominador da escala mínima para que os acidentes com 10m de extensão possam ser
representadas.
No caso de mapas armazenados em meio digital, a escolha da escala é de certa
forma relegada, pois, a priori, a escala pode ser facilmente transformada para quaisquer
valores. Entretanto, deve-se ter muito cuidado, pois o que realmente vale é a escala de
origem da aquisição dos dados, ou seja, um mapa digital originalmente concebido na
escala 1:50.000, nunca terá uma precisão maior que a permitida para esta escala.
Os trabalhos de SIG e Geoprocessamento são muitas vezes baseados em
documentos cartográficos já existentes. Assim, é importante entender que o material
usado já possui um erro gráfico inerente à sua escala de representação, e nada vai fazer
com que esse erro diminua. Surge então a questão de que esses dados só poderão
servir à essa escala de aquisição ou escalas menores, ou seja, não existe nenhuma
restrição para a utilização desses dados em termos de redução.


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56
CAPÍTULO

MAPAS, CARTAS E PLANTAS



7.1. DEFINIÇÕES
Existem várias propostas para definir mapa, carta e planta. Serão consideradas
nesta apostila as definições adotadas pelos principais órgãos oficiais de mapeamento do
Brasil (Quadro 7.1).
Quadro 7.1 - Definição de Mapas, Cartas e Plantas.
MAPA
É a representação no plano, normalmente em
escala pequena ( < 1:1.000.000), dos aspectos
geográficos, naturais, culturais e artificiais de
uma região da superfície terrestre, delimitada
por elementos físicos, político-administrativos,
destinada aos mais variados usos, temáticos,
culturais e ilustrativos.

CARTA
É a representação no plano, em escala média
ou grande ( ≥ 1:250.000 e ≤ 1:25.000 ), dos
aspectos artificiais e naturais de uma região da
superfície terrestre, subdividida em folhas
delimitadas por linhas convencionais - paralelos
e meridianos - com a finalidade de possibilitar a
avaliação de pormenores, com grau de precisão
compatível com a escala.

PLANTA
Caso particular de carta, que representa uma
área de extensão suficientemente restrita com
uma escala grande ( > 1:25.000 ), onde o
número de detalhes é bem maior e a curvatura
da Terra pode ser desconsiderada.

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57
Existem outros tipos de representação cartográfica que utilizam imagens de
diferentes sistemas sensores (fotografias aéreas ou imagens de satélites), podendo
conter feições representadas por símbolos cartográficos, como por exemplo:
FOTOÍNDICE - montagem por superposição das fotografias, geralmente em
escala reduzida. É a primeira imagem cartográfica da região. O fotoíndice é
insumo necessário para controle de qualidade de aerolevantamentos utilizados na
produção de cartas através do método fotogramétrico. Normalmente a escala do
fotoíndice é reduzida de 3 a 4 vezes em relação à escala de vôo (IBGE, 1998);
CARTA-IMAGEM - Imagem georreferenciada a partir de pontos identificáveis com
coordenadas conhecidas, superposta por reticulado de projeção, podendo conter
ainda simbologia e toponímia (IBGE, 1998);
MOSAICO - é o conjunto de fotos de uma determinada área recortadas e
montadas, técnica e artisticamente, de forma a dar a impressão de que todo o
conjunto é uma única fotografia (IBGE, 1998). Classifica-se em:
s controlado: é obtido a partir de imagens submetidas a processos específicos
de correção de tal forma que o resultado corresponda exatamente à imagem
no instante da tomada da foto. Essas fotos são então montadas sobre uma
prancha, onde se encontram representados um conjunto de pontos que
servirão de controle à precisão do mosaico. Os pontos lançados na prancha
têm o seu correspondente na imagem. Esse mosaico é de alta precisão
(IBGE, 1998);
s não-controlado: é preparado simplesmente através do ajuste de detalhes de
fotografias adjacentes. Não existe controle de terreno e as fotografias não são
corrigidas. Esse tipo de mosaico é de montagem rápida, mas não possui
nenhuma precisão. Para determinados tipos de trabalho ele satisfaz
plenamente (IBGE, 1998);
FOTOCARTA - é um mosaico controlado, sobre o qual é realizado um tratamento
cartográfico (planimétrico) (IBGE, 1998);
ORTOFOTOCARTA - é uma ortofoto (fotografia resultante da transformação de
uma foto original, que é uma perspectiva central do terreno, em uma projeção
ortogonal sobre um plano) georreferenciada e complementada por símbolos,
linhas, com ou sem legenda, podendo conter ainda informações planimétricas
(IBGE, 1998);
ORTOFOTOMAPA - é o conjunto de várias ortofotocartas adjacentes de uma
determinada região (IBGE, 1998).

7.2. CARTA INTERNACIONAL DO MUNDO AO MILIONÉSIMO - CIM
É uma representação de toda a superfície terrestre recomendada pela UGGI
(União Geodésica Geofísica Internacional) na Projeção Cônica Conforme de Lambert
com 2 paralelos-padrão na escala de 1:1.000.000. A CIM fornece subsídios para a
execução de estudos e análises de aspectos gerais e estratégicos ao nível continental
(IBGE, 1998).
A distribuição geográfica das folhas ao Milionésimo foi obtida com a divisão do
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planeta (representado aqui por um modelo esférico) em 60 fusos de amplitude 6º,
numerados a partir do fuso 180º W - 174º W no sentido Oeste-Leste (Fig. 7.1). Cada um
destes fusos, por sua vez, está dividido, a partir da linha do Equador, em 21 zonas de 4º
de amplitude para o Norte e com o mesmo número para o Sul (IBGE, 1998). O Brasil
possui território nas zonas NA e NB do hemisfério norte, e de SA até SI no hemisfério sul,
totalizando um conjunto de 46 cartas 1:1.000.000 em 8 fusos (Fig. 7.2).

















Figura 7.1 - Carta Internacional do Mundo ao Milionésimo (CIM) - Ilustrativa.

A divisão em fusos aqui apresentada é a mesma adotada nas especificações do
sistema UTM. Na verdade, o estabelecimento daquelas especificações é pautado nas
características da CIM.
Cada uma das folhas ao Milionésimo pode ser acessada por um conjunto de três
caracteres (IBGE, 1998):
letras N ou S - indica se a folha está localizada ao Norte ou ao Sul do Equador;
letras A até U - cada uma destas letras se associa a um intervalo de 4º de latitude
desenvolvendo-se a Norte e a Sul do Equador e se prestam à indicação da latitude
limite da folha. Além das zonas de A a U, tem-se mais duas que abrangem os
paralelos de 84º a 90º: a zona V, que é limitada pelos paralelos 84º e 88º, e a zona
Z, ou polar, que vai deste último até 90º. Neste intervalo, que corresponde às
regiões Polares, a Projeção Cônica Conforme de Lambert não atende
convenientemente a sua representação, sendo utilizada, neste caso, a Projeção
Estereográfica Polar;
números de 1 a 60 - indicam o número de cada fuso que contém a folha.
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Figura 7.2 - Cobertura da CIM no Brasil.

7.3. ÍNDICE DE NOMENCLATURA E ARTICULAÇÃO DE FOLHAS
Este índice tem origem nas folhas ao Milionésimo e se aplica à denominação de
todas as folhas de cartas do mapeamento sistemático (escalas de 1:1.000.000 a
1:25.000) (IBGE, 1998). Nas Fig. 7.3 e na Tab. 7.1 são apresentadas a nomenclatura e a
articulação das folhas nas escalas do mapeamento sistemático.
Tabela 7.1 - Índice de Nomenclatura no Brasil para diferentes escalas.
Escala Índice de Nomenclatura Nº Folhas Latitude Longitude
Área no Terreno
(aproximado)
1:1.000.000 SD 21 46 4° °° ° 6° °° ° 448 km x 672 km
1:500.000 SD 21-V 154 2° °° ° 3° °° ° 224 km x 336 km
1:250.000 SD 21-V-A 556 1° °° ° 1° °° ° 30' 112 km x 168 km
1:100.000 SD 21-V-A-I 3.049 30' 30' 56 km x 56 km
1:50.000 SD 21-V-A-I-1 11.928 15' 15' 28 km x 28 km
1:25.000 SD 21-V-A-I-1-NO 47.712 07' 30" 07' 30" 14 km x 14 km
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Figura 7.3 - Articulação das folhas do mapeamento sistemático.
Para escalas maiores que 1:25.000 existem normas internacionais que
regulamentam o código de nomenclatura. Porém, o que ocorre na maioria das vezes é
que os órgãos produtores de cartas ou plantas nessas escalas adotam seu próprio
sistema de articulação de folhas, o que dificulta a interligação de documentos produzidos
por diferentes fontes. Esta apostila abordará somente a articulação das folhas até a
escala de 1:25.000.

7.4. MAPA ÍNDICE
Além do índice de nomenclatura, existe também um outro sistema de localização
de folhas. Neste sistema numeram-se as folhas de modo a referenciá-las através de um
simples número, de acordo com as escalas (IBGE, 1998):
1:1.000.000 - numeração de 1 a 46;
1:250.000 - numeração de 1 a 550;
1:100.000 - numeração de 1 a 3.036.

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Estes números são conhecidos como "MI", que quer dizer número correspondente
no MAPA ÍNDICE. Para folhas na escala de 1:250.000 utiliza-se o termo "MIR" que
significa MAPA ÍNDICE REDUZIDO. A Fig. 7.4 ilustra uma parte extraída do Mapa Índice.



















Figura 7.4 – Extrato do Mapa Índice.

O número do MI substitui a configuração do índice de nomenclatura para escalas
de 1:100.000. Por exemplo, à folha SD-23-Y-C-IV corresponderá o número MI 2215
(IBGE, 1998).
Para as folhas na escala 1:50.000, o número MI vem acompanhado do número 1,
2, 3 ou 4, conforme a sua situação em relação à folha 1:100.000 que a contém. Por
exemplo, à folha SD-23-Y-C-IV-3 corresponderá o número MI 2215-3 (IBGE, 1998).
Para as folhas de 1:25.000 acrescenta-se o indicador NO, NE, SO ou SE,
conforme a sua situação em relação à folha 1:50.000 que a contém. Por exemplo, à folha
SD-23-Y-C-IV-3-NO corresponderá o número MI 2215-3-NO (IBGE, 1998).
A aparição do número MI no canto superior direito das folhas topográficas
sistemáticas nas escalas 1:100.000, 1:50.000 e 1:25.000 é norma cartográfica hoje em
vigor, conforme recomendam as folhas-modelo publicadas pela Diretoria de Serviço
Geográfico do Exército, órgão responsável pelo estabelecimento de Normas Técnicas
para as séries de cartas gerais, das escalas 1:250.000 e maiores (IBGE, 1998).
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7.5. CARTA TOPOGRÁFICA
A carta topográfica, seja impressa ou no formato digital, representa um modelo,
em escala reduzida, interpretado através de símbolos e convenções cartográficas, de
uma área geográfica de interesse, de onde podem ser extraídas informações valiosas
para diversas aplicações.
As convenções cartográficas existentes em uma carta topográfica abrangem
símbolos que, atendendo às exigências da técnica, do desenho e da reprodução
fotográfica, representam, de modo mais expressivo, os diversos acidentes do terreno e
objetos topográficos em geral. Elas permitem ressaltar esses acidentes do terreno de
maneira proporcional à sua importância, principalmente sob o ponto de vista das
aplicações da carta (IBGE, 1998).
Através dessas convenções o terreno é representado em uma carta topográfica
em duas dimensões, a primeira se refere ao plano (representação planimétrica) e a
segunda à altitude (representação altimétrica), que compõem, juntamente com outras
informações, uma carta topográfica, a qual é constituída por:
Quadriculado de coordenadas planas cartesianas (Projeção UTM);
Coordenadas Geodésicas;
Elementos de Planimetria;
Elementos de Hidrografia;
Elementos de Vegetação;
Elementos de Altimetria;
Dados Marginais.

7.5.1. QUADRICULADO DE COORDENADAS PLANAS CARTESIANAS (PROJEÇÃO UTM)
O sistema de coordenadas planas cartesianas (Projeção UTM) é representado por
uma malha retangular regular, denominado de quadriculado, que representa as linhas de
referência para a obtenção de coordenadas planas E e N. O quadriculado UTM é gerado
com um espaçamento regular de 4 cm x 4 cm, para as escalas de 1:250.000 a 1:25.000.
As coordenadas E e N são anotadas, respectivamente, nas margens horizontais e
verticais das cartas. Os números pequenos que ficam no alto à esquerda significam as
centenas de quilômetros de separação entre aquele ponto e a origem do sistema UTM.
Por exemplo, o valor E = 230 e N = 8.250 equivale à coordenada E = 230.000 m e
N = 8.250.000 m, respectivamente.
7.5.1.1. Obtenção de Coordenadas
Para a obtenção das coordenadas UTM de pontos que não estejam no
cruzamento de quadrículas, utiliza-se uma régua graduada para medir,
perpendicularmente, a distância gráfica horizontal (dH) e vertical (dV), do ponto
considerado até uma determinada linha horizontal de coordenada N e uma linha vertical
de coordenada E, respectivamente. A Fig. 7.5 e o Quadro 7.2 apresentam os cálculos
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das coordenadas UTM de um determinado ponto (P1).



























Figura 7.5 – Obtenção de coordenadas.
Quadro 7.2 - Cálculo de Coordenadas UTM e Geodésicas.
Cálculo das Coordenadas UTM (P
1
) Cálculo das Coordenadas Geodésicas (P
2
)



× + =
× + =
V EC P
H EC P
d D N N
d D E E
1
1






= × + × =
= × + × =
m 8830500 0,025 10 10 8828 N
m 674000 0,020 10 10 672 E
5 3
P
5 3
P
1
1

9 3 1 3 10 9 3 1 0 0 3 10
9 3 1 0 y
cm 3 y
cm 18,2 0 1
2 2
2
P P
P
′ ′ ′ − = ⇒ ′ ′ ′ − ′ − = ⇒
⇒ ′ ′ ′ = ⇒




→ ′
o o
ϕ ϕ
ϕ

,5 1 4 2 2 61 ,5 8 1 7 0 0 3 61
5 18, 7 0 x
cm 13,3 x
cm 18,2 0 1
2 2
2
P P
P
′ ′ ′ − = ⇒ ′ ′ ′ + ′ − = ⇒
⇒ ′ ′ ′ = ⇒




→ ′
o o
λ λ
λ


A medida mais direta de uma distância é, sem dúvida, feita com o auxílio de uma
régua e da escala da carta (Distância no terreno = D
EC
x Distância na carta). Outro
processo para o cálculo de distância em linha reta numa carta é o que inclui, ao mesmo
tempo, o Teorema de Pitágoras (
2 2
N E d ∆ + ∆ = ) e as coordenadas UTM de dois
pontos A e B entre os quais se quer saber a distância. Observa-se que esta medida não
leva em conta a curvatura do planeta, portanto a precisão diminui se a distância aumenta.
Também não se pode medir entre pontos que se situam em diferentes fusos UTM.

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7.5.1.2. Obtenção de Direções
O sistema de coordenadas planas cartesianas na projeção UTM permite o
posicionamento de qualquer ponto sobre a superfície da Terra. No entanto, em
navegação, é comum desejar o posicionamento relativo a partir de uma dada direção.
Assim, ficam definidos três vetores associados a cada um dos ponto abaixo (IBGE,
1998):
Norte Verdadeiro ou Geográfico: Possui direção tangente ao meridiano (geodésico)
passando pelo ponto e apontando para o Pólo Norte;
Norte Magnético: Possui direção tangente à linha de força do campo magnético que
passa pelo ponto e apontando para o Pólo Norte Magnético (representado pela
direção da agulha de uma bússola). Devido à significativa variação da ordem de
minutos de arco deste pólo ao longo dos anos, torna-se necessária a correção do
valor indicado na carta para a data em que se realiza o posicionamento desejado;
Norte de Quadrícula: Possui direção paralela ao eixo N (que coincide com o
Meridiano Central do fuso) do sistema de coordenadas na projeção UTM no ponto
considerado e apontando para o Norte (sentido positivo de N).

Deve-se destacar que o Pólo Norte Magnético descreve um lento movimento,
aproximadamente circular e de período secular, em torno do Pólo Norte Geográfico,
considerado fixo. Existe, portanto, um ângulo entre o norte da bússola e o norte
geográfico, cuja magnitude depende da localização do observador na Terra.
Da mesma forma, existe uma diferença angular entre a direção do norte de
quadrícula e o verdadeiro.
Como as medidas angulares realizadas sobre uma carta são referenciadas ao
norte de quadrícula, é preciso convertê-las para as demais direções do Norte, através
dos seguintes ângulos:
Declinação Magnética (δ): É o ângulo formado entre os vetores Norte Verdadeiro e
o Norte Magnético, associado a um ponto. Pode ser obtido através de cartas
magnéticas ou de modelos digitais do campo magnético da Terra. É importante
ressaltar que, devido às perturbações do campo magnético, as melhores bússolas
fornecem erros angulares de, pelo menos, 0,5 grau. Desse modo, essas leituras
servem apenas para orientações expeditas no terreno;
Convergência Meridiana Plana (γ): É o ângulo formado entre os vetores Norte
Verdadeiro e o Norte da Quadrícula, associado a um ponto. Nas cartas topográficas
com projeção UTM, a convergência meridiana plana cresce com a latitude e com o
afastamento do Meridiano Central (MC). No hemisfério norte ela é positiva a leste
do MC e negativa a oeste do MC; no hemisfério sul ela é o contrário: é negativa a
leste do MC e positiva a oeste do MC (Fig. 7.6).
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Figura 7.6 – Sinal da Convergência Meridiana Plana no fuso UTM.

Com base nessas direções do Norte é que são definidos os Azimutes para uma
determinada direção. O Azimute representa o ângulo formado entre a direção Norte-Sul
e a direção considerada, contado a partir do Pólo Norte, no sentido horário. O Azimute
varia de 0º a 360º e dependendo do Norte ao qual esteja referenciado tem-se:
Azimute Verdadeiro (AzV
AB
);
Azimute da Quadrícula (AzQ
AB
);
Azimute Magnético (AzM
AB
).

Existe ainda o chamado Contra-Azimute de uma direção, que é o Azimute da
direção inversa (CAz
AB
= Az
BA
);
Outros conceitos importantes em navegação são os de Rumo e Contra-Rumo:
Rumo: é o menor ângulo que uma direção faz com a Direção Norte-Sul. Após o
valor do rumo deve ser indicado o quadrante geográfico (NO, NE, SO ou SE) a que
o mesmo pertence. O rumo, da mesma forma que o azimute, dependendo do norte
ao qual esteja referenciado, pode ser verdadeiro, de quadrícula ou magnético
(IBGE, 1998);
Contra-rumo: é o rumo da direção inversa (IBGE, 1998).
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A Fig. 7.7 ilustra a relação entre azimute e rumo para cada quadrante.
















Figura 7.7 – Relação entre Azimute e Rumo.

7.5.2. COORDENADAS GEODÉSICAS
As coordenadas geodésicas existentes em uma carta topográfica são
apresentadas na forma de cruzetas, que além dos cantos da carta, são distribuídas com
um espaçamento regular em latitude e longitude, que varia em função da escala.
As latitudes e as longitudes são anotadas, respectivamente, nas margens verticais
e horizontais das cartas. Somente nos cantos da carta é que aparecem as coordenadas
geodésicas completas (por exemplo: 48° 30' 00"), enquanto que nos demais pontos
apenas são mostrados os minutos e segundos (por exemplo: 15' ou 07' 30").
As coordenadas geodésicas são obtidas com uma régua graduada, utilizada para
medir o intervalo entre os paralelos e meridianos, de modo a estabelecer uma relação -
em graus, minutos e segundos - entre este intervalo e a distância gráfica entre eles (D
RP

e D
RM
), em milímetros. Em seguida, mede-se, perpendicularmente, a distância gráfica do
ponto considerado até um meridiano (d
MH
) e um paralelo (d
PV
) (Fig. 7.5). A coordenada
geográfica do ponto considerado será dado pelas equações apresentadas no Quadro 7.2.
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7.5.3. REPRESENTAÇÃO PLANIMÉTRICA
A representação planimétrica pode ser dividida em duas partes, de acordo com os
elementos que cobrem a superfície do solo: físicos ou naturais e culturais ou
artificiais. Os primeiros correspondem principalmente à hidrografia (Quadro 7.3) e
vegetação (Quadro 7.4); os segundos decorrem da ocupação humana, sistema viário,
construções, limites político ou administrativos etc. (Quadro 7.5) (IBGE, 1998).
Quadro 7.3 - Elementos de Hidrografia (IBGE, 1998).
A representação dos
elementos hidrográficos
é feita, sempre que
possível, associando-
se os seus elementos a
símbolos que
caracterizem a água,
sendo o azul a cor
escolhida para
representar a
hidrografia, alagados
(mangue, brejo e área
sujeita a inundação),
etc.












Quadro 7.4 - Elementos de Vegetação (IBGE, 1998).
A cor verde é
universalmente usada
para representar a
cobertura vegetal do
solo. Na folha 1:50.000
por exemplo, as matas
e florestas são
representadas pelo
verde claro. O cerrado
e caatinga, pelo verde
reticulado, e as culturas
permanentes e
temporárias, por outro
tipo de simbologia, com
um toque figurativo.


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Quadro 7.5 - Elementos de Planimetria (IBGE, 1998).
Sistema Viário: representação
das estradas de rodagem
através de símbolos e/ou
cores, independente da sua
largura física. São classificadas
de acordo com o tráfego e a
pavimentação. As estradas de
ferro são definidas como sendo
qualquer tipo de ferrovia
permanente, provida de trilhos,
destinada ao transporte de
passageiros ou carga.








Linhas de Limite:
representação das divisas
interestaduais e
intermunicipais.
Áreas Especiais: subordinadas
a um órgão público ou privado,
responsável pela conservação
ou preservação da fauna, flora,
monumentos culturais, meio
ambiente e comunidades
indígenas (Parques, Reservas,
Estações, etc.).

Unidades Político-
Administrativas: são as divisões
Político-Administrativas nos
diversos níveis (Federal,
Estadual e Municipal). São
representadas por meio de linhas
convencionais (limites),
correspondentes à situação das
Unidades da Federação e
Municípios no ano da edição do
documento cartográfico.












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Quadro 7.5 - Elementos de Planimetria (IBGE, 1998).
Localidades: é todo lugar onde
exista um aglomerado
permanente de habitantes
(Capital, Cidade, Povoado,
etc.). Na carta topográfica,
dentro da área edificada, é
representado todo edifício de
notável significação local como
prefeituras, escolas, igrejas,
hospitais, etc., para qualquer
escala. Outras construções
como barragem, ponte,
aeroporto, farol, etc., têm
símbolos especiais quase
sempre associativos.

Linhas de Comunicação e
Outros Elementos
Planimétricos: As linhas de
comunicação resumem-se à
linha telegráfica ou telefônica e
às linhas de energia elétrica
(de alta ou baixa tensão).






7.5.4. ELEMENTOS DE ALTIMETRIA
A representação do relevo sempre constituiu um sério problema cartográfico, ao
contrário da relativa facilidade do delineamento dos detalhes horizontais do terreno.
Portanto, o relevo de uma determinada área pode ser representado, principalmente, por:
curvas de nível, perfis topográficos, relevo sombreado e cores hipsométricas (IBGE,
1998).
À medida que a escala diminui, acontece o mesmo com os detalhes, mas a
correspondente simbologia tende a ser tornar mais complexa. As cartas topográficas
apresentam pontos de controle vertical e pontos de controle vertical e horizontal, cota
comprovada e cota não comprovada, entre outros, conforme descrito no Quadro 7.6
(IBGE, 1998).
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Quadro 7.6 - Elementos de Altimetria (IBGE, 1998).









Referência de nível: Ponto de controle vertical, estabelecido num marco de caráter
permanente, cuja altitude foi determinada em relação a um Datum vertical;
Ponto Trigonométrico: Vértice cuja posição é determinada com levantamento geodésico;
Ponto Astronômico: Vértice que possui as latitudes, as longitudes e o azimute de uma
direção determinados e que poderá ser de 1ª, 2ª ou 3ª ordem;
Ponto Barométrico: Vértice com o valor da altitude determinada através do uso de altímetro;
Cota não Comprovada: Altitude determinada por métodos de levantamento terrestre não
comprovados;
Cota Comprovada: Altitude estabelecida no campo, através de nivelamento geométrico ou
qualquer método que assegure a precisão obtida.

7.5.4.1. Curvas de Nível
Por excelência, o método usado para representar o relevo terrestre é o das curvas
de nível, o que possibilita o usuário a obter o valor aproximado da altitude em qualquer
parte da carta (IBGE, 1998) (Fig. 7.8). A cor da representação da altimetria na carta é o
sépia.
A curva de nível constitui uma linha imaginária do terreno, em que todos os pontos
da referida linha têm a mesma altitude, acima ou abaixo de uma determinada superfície
da referência, geralmente o nível médio do mar (Oliveira, 1993).
Com a finalidade de ter a leitura facilitada, adota-se o sistema de apresentar as
chamadas “curvas mestras" com um traçado mais grosso. Existem ainda as "curvas
intermediárias" e as “curvas auxiliares" (IBGE, 1998).
Algumas características das curvas de nível são (IBGE, 1998):
As curvas de nível tendem a ser quase que paralelas entre si;
Todos os pontos de uma curva de nível se encontram na mesma elevação;
Cada curva de nível fecha-se sempre sobre si mesma;
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As curvas de nível nunca se cruzam, podendo se tocar em saltos d'água ou
despenhadeiros.











Figura 7.8 – Curvas de nível.



Figura 7.9 – Visualização de encostas em curvas de nível.

A natureza da topografia do terreno determina as formas das curvas de nível. Em
outras palavras, as curvas de nível vão indicar se o terreno é plano, ondulado,
montanhoso, íngreme ou de declive suave (Fig. 7.9).

7.5.4.2. Declividade
A declividade é um conceito importante na representação altimétrica do terreno,
sendo definida como a relação entre a projeção horizontal (∆X) e a projeção vertical (∆Y)
de uma curva (Fig. 7.10).

7.5.4.3. Eqüidistância
A eqüidistância é a distância vertical entre as curvas de nível. Essa eqüidistância
varia de acordo com a escala da carta (Tab. 7.2), com o relevo e com a precisão do
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72
levantamento (IBGE, 1998).
Tabela 7.2 - Eqüidistância segundo a escala da carta do Mapeamento Sistemático.
Escala Eqüidistância Curvas Mestras
1: 25.000 10 m 50 m
1: 50.000 20 m 100 m
1: 100.000 50 m 250 m
1: 250.000 100 m 500 m

Sistematicamente, a eqüidistância entre uma curva e outra tem de ser sempre
constante para uma determinada carta. Só deve haver, numa mesma escala, duas
alterações quanto à eqüidistância: a primeira é quando, numa área predominantemente
plana, precisa-se ressaltar pequenas altitudes que ali são de grande importância; neste
caso, usam-se as chamadas curvas auxiliares; a segunda situação ocorre quando o
relevo é muito escarpado e íngreme e, neste caso, deixa-se de representar uma ou mais
curvas para não sobrecarregar a área e dificultar a leitura por parte do usuário (IBGE,
1998).

7.5.4.4. Perfil Topográfico
O perfil é a representação cartográfica de uma seção vertical da superfície
terrestre (IBGE, 1998).
O primeiro passo para se fazer o desenho de um perfil é traçar uma linha de corte,
na direção onde se deseja representá-lo. Em seguida, marcam-se todas as interseções
das curvas de nível com a linha básica, as cotas de altitude, os rios, picos e outros pontos
definidos (Fig.7.11) (IBGE, 1998).
Tanto a escala horizontal como a vertical é escolhida em função do uso que se
fará do perfil e da possibilidade de representação (IBGE, 1998).
A escala vertical deve ser maior que a horizontal, do contrário, as variações ao
longo do perfil dificilmente serão perceptíveis, por outro lado, sendo a escala vertical
muito grande o relevo ficaria demasiadamente exagerado, descaracterizando-o. A
relação entre as escalas horizontal e vertical é conhecida como exagero vertical (IBGE,
1998).
Para uma boa representação do perfil, pode-se adotar para a escala vertical um
número de 5 a 10 vezes maior que a escala horizontal. Assim, se H = 50.000 e V =
10.000, o exagero vertical será igual a 5 (IBGE, 1998).
De acordo com a Fig. 7.12, a altitude de um ponto qualquer da carta pode ser
obtida, matematicamente, através de semelhança de triângulos, ou seja:

cia Equidistân x
(AC) nivel de curvas duas entre Distância
(AD) P ponto ao curva menor da Distância
PD =

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73



















Figura 7.11 – Perfil topográfico.


Figura 7.12 – Obtenção de altitude.

7.5.5. DADOS MARGINAIS
Nas cartas topográficas, as informações contidas nas margens fornecem dados
importantes para o uso da própria carta. Além do quadro de convenções cartográficas, as
principais informações marginais são mostradas no Quadro 7.7:


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Quadro 7.7 - Dados marginais de uma carta.
Órgão de Mapeamento
(canto superior esquerdo)
Nome da Folha
(centro superior)
Índice de Nomenclatura
(canto superior direito)




Declinação Magnética e
Convergência Meridiana
(canto inferior esquerdo)
Escala Gráfica
(centro inferior)
Localização da Folha
(canto inferior direito)



Datum Vertical e Horizontal
(centro inferior)
Articulação da Folha
(canto inferior direito)




7.5.6. PRECISÃO CARTOGRÁFICA
As medidas planimétricas e altimétricas extraídas de uma carta impressa em
papel sempre conterão erros. Estes erros estão sujeitos a pelo menos duas condições:
Erro Gráfico: é geralmente aceito como sendo de 0,2 mm e corresponde ao limite
da acuidade visual humana;
Padrão de Exatidão Cartográfica (PEC): é o indicador de dispersão relativo a 90%
de probabilidade e que define a exatidão dos trabalhos cartográficos.

O Decreto no 89.817, de 20 de junho de 1984, fornece a classificação para cartas
impressas, segundo sua exatidão, nas Classes A, B e C, conforme descrito na Tab. 7.3,
sendo que o Erro-Padrão (Desvio-Padrão ou Erro Médio Quadrático) isolado num
trabalho cartográfico não pode ultrapassar 60,8% do Padrão de Exatidão Cartográfica.
Em outras palavras, uma carta deve atender ao PEC e ao Erro-Padrão.
A Tab. 7.4 mostra os valores do PEC e do Erro-Padrão isolado para diversas
escalas do mapeamento sistemático.
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Tabela 7.3 - Padrão de Exatidão Cartográfica e Erro-Padrão.
Classe A Classe B Classe C
PEC Planimétrico 0,5 mm x D
EC
0,8 mm x D
EC
1,0 mm x D
EC

Erro Padrão 0,3 mm X D
EC
0,5 mm x D
EC
0,6 mm x D
EC

PEC Altimétrico 1/2 eqüidistância 3/5 eqüidistância 3/4 eqüidistância
Erro Padrão 1/3 eqüidistância 2/5 eqüidistância 1/2 eqüidistância

Tabela 7.4 - Padrão de Exatidão Cartográfica e Erro-Padrão isolado para diversas escalas.
ESCALA 1:25.000 1:50.000 1:100.000 1:250.000
PEC Plan 12,5m 25m 50m 125m
Erro Padrão 7,5m 15m 30m 75m
PEC Alt 5m 10m 25m 50m
Classe A
Erro Padrão 3,3m 6,7m 16,7m 33,3m
PEC Plan 20m 40m 80m 200m
Erro Padrão 12,5m 25m 50m 125m
PEC Alt 6m 12m 30m 60m
Classe B
Erro Padrão 4m 8m 20m 40m
PEC Plan 25m 50m 100m 250m
Erro Padrão 15m 30m 60m 150m
PEC Alt 7,5m 15m 37,5m 75m
Classe C
Erro Padrão 5m 10m 25m 50m

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CAPÍTULO

FUNDAMENTOS DO POSICIONAMENTO GPS















Não é objetivo desta apostila fazer uma explanação detalhada sobre o GPS, uma
vez que esse assunto é muito amplo e possui uma boa abrangência na literatura indicada
como referência. Será apresentado a seguir um resumo dos principais conceitos acerca
desta tão importante tecnologia para o Geoprocessamento.

8.1. INTRODUÇÃO
O GPS é a abreviatura de NAVSTAR-GPS (NAVigation Satellite with Time And
Ranging - Global Positioning System). É um sistema de radionavegação baseado em
satélites desenvolvido e controlado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos da
América, com o intuito de ser o principal sistema de navegação das forças armadas
americanas (Monico, 2000).
Desde os estudos iniciados em 1973 até que o sistema fosse declarado em plena
capacidade operacional (FOC - Full Operational Capability), em 1995, foram despendidos
aproximadamente 14 bilhões de dólares e 22 anos de trabalhos (Friedman, 2003).
O sistema permite a qualquer usuário saber sua localização, velocidade e tempo,
24 horas por dia, sob quaisquer condições atmosféricas e em qualquer ponto do globo
terrestre.
O princípio básico de posicionamento pelo GPS consiste nas medidas de
distância entre o usuário e, no mínimo, quatro satélites, conforme se pode observar na
Fig. 8.1. Conhecendo-se as coordenadas dos satélites num sistema de referência
apropriado, é possível calcular as coordenadas da antena do usuário no mesmo sistema
de referência dos satélites. Do ponto de vista geométrico, apenas três distâncias, desde
que não pertencentes ao mesmo plano, seriam suficientes; a quarta medida é necessária
devido ao não-sincronismo entre os relógios dos satélites e do receptor, adicionando-se
assim mais uma incógnita ao problema.
"Desde o tempo em que o homem apoiou-se em suas pernas e começou a vagar pela terra,
provavelmente ele esteve procurando por um modo simples de saber onde se encontrava e para onde
estava indo. Antigos viajantes simplesmente faziam marcas nos seus caminhos, porém, essa técnica não
funcionava quando a neve ou a chuva caía. Quando o homem começou a explorar os oceanos, o problema
piorou ainda mais porque não existiam lugares onde deixar marcas para se referenciar; a única coisa
com que se podia contar eram as estrelas. Infelizmente, as estrelas estão tão longe, que parecem as
mesmas, independente de onde você esteja. Seria necessário fazer medições cuidadosas à noite, mas,
apenas em noites claras e sem tempestades! E quanto à aviação? Como manter a orientação? Todo esse
desenvolvimento tecnológico fez com que o homem moderno desenvolvesse um sistema de navegação
mais eficiente”.
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Figura 8.1 - Configuração mínima para posicionamento tridimensional com GPS.
(Seeber, 1993)

Os satélites agem como pontos de referência precisos. Então, pelo princípio da
trilateração, se a distância a partir de um satélite é conhecida, a posição do usuário pode
ser restringida à superfície de uma esfera, cujo centro é ocupado por este satélite. Se a
distância a partir de um segundo satélite também é conhecida, isto limita a posição à
interseção de duas esferas. Adicionando-se um terceiro satélite, a posição limita-se para
dois pontos. Com uma quarta medida define-se o ponto certo. A Fig. 8.2 ilustra o princípio
da trilateração.











Figura 8.2 - Princípio da trilateração entre os satélites. (Guerreiro, 2000)

8.2. A CONSTITUIÇÃO DO SISTEMA GPS
O sistema GPS consiste em três segmentos distintos (Fig. 8.3):
espacial, que envolve os satélites e seus sinais transmitidos;
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de controle, composto das estações de rastreamento e responsável pelo
monitoramento, geração, correções e avaliação de todo o sistema; e
de usuários, que envolve todos os tipos de receptores, aplicações, métodos de
posicionamento, formas de recepção e processamento dos sinais.














Figura 8.3 - Os três segmentos do sistema GPS. (Garmin Corporation, 2000)










Figura 8.4 - Segmento espacial.

8.2.1. O SEGMENTO ESPACIAL
Por definição, o segmento espacial é composto de 24 satélites (Fig. 8.4)
distribuídos em seis planos orbitais igualmente espaçados de 55° em relação ao
Equador, com quatro satélites em cada plano, orbitando sobre o horizonte com período
de 12 horas siderais a uma altitude aproximada de 20.200 km. Essa constelação é assim
estruturada de modo a garantir, a qualquer hora do dia ou da noite, no mínimo, 4 satélites
sempre visíveis em qualquer local da superfície terrestre. Atualmente, em função da
sobrevida dos satélites, o sistema conta com um total de 29 satélites (USCG, 2004).
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8.2.2. O SEGMENTO DE CONTROLE
O segmento de controle é o responsável pela operação do GPS. Suas funções
principais são: atualizar as mensagens de navegação transmitidas pelos satélites e
calcular as correções dos relógios dos satélites. Para alcançar este objetivo, este
segmento é composto de cinco estações de monitoramento distribuídas ao longo do
Equador: Ascencion Island, Colorado Springs, Diego Garcia, Kwajalein e Hawaii
(Fig. 8.5). Estas estações rastreiam continuamente todos os satélites visíveis e estes
dados são transmitidos para a estação de controle central (Master Control Station -
MCS), em Colorado Springs, nos Estados Unidos, onde são processados com a
finalidade de determinação das efemérides e das correções dos relógios dos satélites. A
mensagem atualizada é, então, transferida para os satélites, para que seja retransmitida
aos usuários (IBGE, 1993).










Figura 8.5 - Segmento de controle do GPS. (Dana, 1999)

8.2.3. O SEGMENTO DE USUÁRIOS
Este segmento é composto por todos os receptores existentes no planeta. Em
outras palavras, refere-se a toda comunidade usuária, militar ou civil, que faz uso dos
serviços de posicionamento GPS: o Serviço de Posicionamento Padrão (Standard
Positioning Service - SPS), de acesso livre a todas as pessoas, e o Serviço de
Posicionamento Preciso (Precise Positioning Service - PPS), de acesso restrito a
usuários autorizados.
Os receptores GPS evoluíram bastante desde os primeiros modelos lançados na
década de 80, principalmente devido ao desenvolvimento da eletrônica. Atualmente,
existem várias alternativas disponíveis e em desenvolvimento no mercado, de acordo
com os tipos de receptores e seus fabricantes.
8.3. OS SINAIS GPS
Os sinais emitidos pelos satélites GPS são derivados de uma freqüência de
referência interna de 10,23 MHz, chamada freqüência fundamental. Cada satélite
transmite duas ondas portadoras, L1 e L2, cujas freqüências são, respectivamente, iguais
a 154 x 10,23 MHz = 1.575,42 MHz e 120 x 10,23 MHz = 1.227,60 MHz. Todos os
satélites utilizam a mesma freqüência, porém, cada um transmite um código exclusivo
que o identifica. Esses códigos são modulados em fase sobre as duas portadoras: o
código C/A (Coarse or Clear/Acquisition – Fácil Aquisição) na portadora L1 e o código
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P (Protect or Precise – Protegido ou Preciso) nas portadoras L1 e L2. Além desses dois
códigos, cada satélite transmite um conjunto de dados, denominado de mensagem de
navegação (alguns chamam Código D - Data), modulado também nas portadoras L1 e
L2 (Fig. 8.6).
O código C/A é utilizado pelos usuários dentro do SPS; o código P é de uso
exclusivo aos usuários do PPS. A mensagem de navegação contém informações como:
número da semana GPS, número do satélite, “saúde” do satélite, parâmetros orbitais de
correções, etc.















Figura 8.6 - Os sinais dos satélites GPS. (Dana, 1999)

De maneira geral, o funcionamento dos receptores GPS resume-se no seguinte:
após o sinal ser captado pela antena, ele é convertido em corrente elétrica, amplificado e
direcionado para um dispositivo eletrônico de rádio-freqüência, onde é realizado um
tratamento para baixar a freqüência inicial. A partir daí, segue para uma unidade
eletrônica chamada canal, a qual reconhece o sinal vindo de cada satélite. É gerada
então, pelo receptor, uma réplica do código C/A, que, após aplicação da técnica chamada
correlação do código para processamento do sinal, chega-se ao intervalo de tempo
decorrido no deslocamento do sinal desde o satélite até o receptor (Fig. 8.7). Numa
situação ideal, longe de influências atmosféricas e com os relógios do satélite e do
receptor perfeitamente sincronizados, esse tempo de deslocamento estaria perfeitamente
determinado e, por conseguinte, a distância seria calculada corretamente. Entretanto, na
prática, isso não ocorre, e a distância encontrada é dita pseudodistância.
A pseudodistância é igual à diferença entre o tempo registrado no receptor no
instante da recepção do sinal e o tempo registrado no satélite no instante da transmissão
desse sinal multiplicado pela velocidade da luz (Monico, 2000). As aplicações que
utilizam a pseudodistância são aquelas que buscam primordialmente o posicionamento
em tempo real, como navegação e cadastro, por exemplo.

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Figura 8.7 - Medida da Pseudodistância.

Um outro método mais complexo de determinar essa distância é medindo-se a
diferença de fase da onda portadora a partir do número de ciclos decorridos desde o
instante em que a portadora foi emitida e o instante em que foi recebida. Como o
comprimento de onda da portadora é bem menor que o do código C/A, a medição da fase
da onda portadora permite atingir resultados melhores que os obtidos pela
pseudodistância. Porém, há de se eliminar o problema do desconhecimento da
ambigüidade (número total de ciclos completos decorridos desde o momento que o sinal
deixou o satélite até o instante da sintonia). As aplicações com observação das fases das
ondas portadoras normalmente não são utilizadas em tempo real, mas em
posicionamentos estáticos. Cabe ressaltar que as observações de fase da onda
portadora, em conjunto com a resolução da ambigüidade, proporcionam aplicações de
alta precisão.
A pseudodistância e a fase da portadora constituem os dois tipos mais
importantes de dados observados com o GPS.

8.4. OS TIPOS DE EFEMÉRIDES
Como foi citada anteriormente, uma das principais funções do segmento de
controle é gerar, atualizar e enviar as efemérides aos satélites para que sejam
transmitidas aos usuários. Objetivando dar suporte às aplicações geodésicas e
geodinâmicas com GPS, o IGS (International GPS Service) gerencia uma rede,
distribuída ao redor do mundo, com mais de 200 estações equipadas com receptores de
dupla freqüência, que produz e disponibiliza efemérides, parâmetros de rotação da Terra,
coordenadas e velocidade das estações referenciadas à Rede de Referência Terrestre
Internacional ITRF (International Terrestrial Reference Frame) e informações sobre os
relógios dos satélites e dos receptores das estações (Machado et al., 2000). Os dados
coletados são processados em sete centros de análises e enviados ao JPL (Jet
Propulsion Laboratory), na Califórnia, o qual realiza a combinação das soluções, gerando
efemérides de melhor qualidade que as transmitidas. O IGS disponibiliza em sua página
eletrônica na Internet quatro tipos de efemérides: precisas, rápidas, ultra-rápidas e
preditas (IGS, 2003).
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EFEMÉRIDES PRECISAS (IGS) - São efemérides pós-processadas para utilização em
aplicações de alta precisão. São disponibilizadas 13 dias após a coleta dos dados,
com uma acurácia menor que 5,0 cm.
EFEMÉRIDES RÁPIDAS (IGR) - São efemérides pós-processadas, sendo
disponibilizadas a partir de um tempo de 17 horas após a coleta dos dados, com
uma acurácia em torno de 5,0 cm.
EFEMÉRIDES ULTRA-RÁPIDAS (IGU) - São também pós-processadas, sendo
disponibilizadas a partir de um tempo de 3 horas após a coleta dos dados, com uma
acurácia de 5,0 a 10,0 cm.
EFEMÉRIDES PREDITAS (IGP) - São efemérides produzidas antes da época da coleta
de dados, disponíveis algumas horas antes do início de sua validade. Sua acurácia
gira em torno de 10,0 cm.

A Tab. 8.1 faz uma comparação da acurácia fornecida pelas quatro categorias de
efemérides produzidas pelo IGS e as efemérides transmitidas.
Tabela 8.1 – Comparação dos produtos IGS. (IGS, 2003)
CÓDIGO EFEMÉRIDES ACURÁCIA (cm) RELÓGIO (ns)
IGS PRECISAS menor que 5,0 menor que 0,1
IGR RÁPIDAS 5,0 0,1
IGU ULTRA-RÁPIDAS 5,0 - 10,0 0,2
IGP PREDITAS 10,0 5,0
Broadcast TRANSMITIDAS 200,0 7,0

8.5. O FORMATO RINEX
As observáveis GPS e a mensagem de navegação são armazenadas em cada
receptor em seu próprio formato binário (Hofmann-Wellenhof et. al., 1997). Por isso, os
fabricantes GPS projetaram sistemas computacionais para recuperar os dados
provenientes de cada receptor. Porém, por causa das especificações técnicas de cada
fabricante, um único programa não é capaz de processar facilmente dados de diferentes
tipos de receptores ao mesmo tempo. Para resolver este problema, um formato comum
foi definido para que se pudesse realizar o intercâmbio entre todos os tipos de receptores
GPS. Este formato é o RINEX (Receiver INdependent EXchange format), que foi
proposto por Gurtner et al. (1989). Maiores detalhes sobre este formato podem ser
obtidos na Internet, pois é uma especificação de domínio público.
8.6. OS PRINCIPAIS ERROS ASSOCIADOS ÀS OBSERVAÇÕES
Cada vez mais a busca por uma maior exatidão nas coordenadas exige uma
maior compreensão acerca das fontes dos erros no posicionamento GPS e de como
reduzi-los ou eliminá-los. Foi assim que, na última década, observou-se um grande
progresso com relação à redução dos erros que ocorriam dentro do próprio receptor GPS
e na sua operação.
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Até a 0 h TU (Tempo Universal) do dia 2 de maio de 2000 existiam dois métodos
de degradação dos dados transmitidos pelos satélites, impostos pelo Departamento de
Defesa dos Estados Unidos: o Antifraude ou Anti-sabotagem (Anti-Spoofing - AS) e a
Disponibilidade Seletiva (Selective Availability - SA). Atualmente, apenas o AS
encontra-se em atividade.
O AS é uma técnica de criptografia que gera o código Y, que interfere na obtenção
correta do código P por parte do receptor. Estando ativado, somente receptores dotados
de um AOC (Auxiliary Output Chip) podem ter acesso ao código P verdadeiro.
A SA foi uma limitação proposital na acurácia dos valores das pseudodistâncias
para os usuários que utilizavam o código C/A. Ela foi desativada pois não mais ameaçava
a segurança nacional dos EUA, mas possibilitaria uma expansão no mercado consumidor
ligado ao posicionamento preciso. Com sua desativação, o posicionamento absoluto a
partir do código C/A tornou-se cerca de dez vezes mais preciso (Monico, 2000).
Além desses métodos de degradação, as observáveis GPS ainda estão sujeitas
aos mais diversos erros, que podem ter como fonte: os satélites, a propagação do sinal, o
conjunto receptor-antena e a própria estação (Monico, 2000). Estes erros e variações são
apresentados na Tab. 8.2.
Tabela 8.2 - Principais erros e variações nas observações GPS e suas fontes.
Satélite Propagação do sinal Receptor Estação
Erro da órbita
Erro do relógio
Relatividade
Atraso entre as
portadoras
Refração ionosférica
Refração troposférica
Multicaminho
Perda de ciclos
Geometria dos satélites
Rotação da Terra
Erro do relógio
Erro entre os
canais
Centro de fase da
antena
Erro nas coordenadas
Marés terrestres
Movimento do Pólo
Carga dos oceanos
Carga da atmosfera

8.6.1. ERROS RELACIONADOS AOS SATÉLITES
Os principais erros advindos dos satélites GPS são os relativos às órbitas, aos
relógios dos satélites, à relatividade e ao atraso de grupo.
ERRO DA ÓRBITA - Os erros orbitais são minimizados quando se utilizam as
efemérides pós-processadas, que garantem maior nível de acurácia, sendo
aplicáveis nos trabalhos de alta precisão. Quando se realiza o posicionamento
absoluto com efemérides transmitidas, os erros orbitais significativos são
propagados diretamente para a posição do usuário; uma maneira de eliminar tais
erros é a utilização das efemérides rápidas (IGR) ou, melhor ainda, das efemérides
precisas (IGS). Na realização do posicionamento relativo, os erros orbitais são
praticamente eliminados.
ERRO DO RELÓGIO - Embora os relógios atômicos dos satélites possuam alta
estabilidade, eles não acompanham o sistema de tempo GPS. A compensação
dessa diferença é corrigida usando-se os coeficientes polinomiais da própria
mensagem de navegação transmitida.

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RELATIVIDADE - Os relógios dos satélites e dos receptores estão em regiões do
espaço sujeitas a potenciais gravitacionais diferentes, com velocidades também
diferentes, por isso eles estão sujeitos a efeitos relativísticos que provocam
alterações distintas nas suas freqüências. Para minimizar este efeito, é feita uma
correção nos relógios dos satélites antes do seu lançamento (Andrade, 1988).
ATRASO ENTRE AS PORTADORAS - O erro devido ao atraso entre os caminhos
percorridos pelas portadoras L1 e L2 através do hardware do satélite é denominado
por Wilson (1999) de Interfrequency biases e vem referenciada, para cada satélite,
por um fator multiplicativo embutido nas mensagens de navegação.

8.6.2. ERROS RELACIONADOS AOS SINAIS
Seja qual for a observável empregada, erros sempre estarão embutidos durante a
propagação do sinal, principalmente aqueles devidos à refração atmosférica, tanto os
relacionados à atmosfera ionizada (ionosfera) quanto à atmosfera eletricamente neutra
(troposfera). A estes erros somam-se os problemas do multicaminho, da perda de ciclos,
da geometria dos satélites e o efeito do movimento de rotação da Terra nas coordenadas
dos satélites.
REFRAÇÃO IONOSFÉRICA - Na ausência da SA, a maior fonte de erro no
posicionamento e navegação com GPS é devida à refração ionosférica (Camargo,
1999). A ionosfera é a região situada entre 50 e 1.000 km acima da superfície
terrestre (Hofmann-Wellenhof et al., 1997), carregada de partículas livres ionizadas
que funcionam como um meio dispersivo, afetando diretamente a modulação do
código e da fase da portadora (Leick, 1995). Um dos efeitos mais importantes é o
retardo da velocidade da fase da portadora, que atrasa o caminho percorrido pelo
sinal emitido. Este atraso é função da freqüência. Portanto, os receptores de dupla
freqüência têm a vantagem de eliminar tais efeitos. Em compensação, os
fabricantes dos receptores de simples freqüência introduzem modelos ionosféricos,
permitindo ao usuário melhores resultados no processamento dos dados
(Segantine, 1997). Outra forma de minimizar os efeitos da refração ionosférica em
receptores de uma freqüência é o posicionamento relativo sobre linhas de base
curtas de 10 a 20 km (Monico, 2000). Com a modernização do GPS, os graves
problemas ocasionados pela ionosfera deverão ser, sobremaneira, minimizados.
REFRAÇÃO TROPOSFÉRICA - Diferentemente da ionosfera, a troposfera, que se
estende até aproximadamente 40 km acima da superfície terrestre, funciona como
um meio não-dispersivo. Portanto, a refração troposférica independe da freqüência
quando esta é inferior a 30 GHz (Monico, 2000). Os efeitos causados pela
troposfera são relativamente pequenos e a propagação do sinal é afetada de
acordo com a umidade, a pressão e a temperatura do ar. Assim, o erro troposférico
aumenta com a diminuição da máscara de elevação (ângulo que a linha receptor-
satélite forma com o plano do horizonte, abaixo do qual as observáveis GPS
recebidas são desconsideradas no processamento), sendo recomendável um valor
superior a 10º. Para corrigir seus efeitos são adotados modelos empíricos
consagrados como o de Hopfield e o de Saastamoinen, além de outros mais
modernos como o de Lanyi, o de Ifadis e o de Herring (Silva, 1998).


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MULTICAMINHO - O multicaminho (multipath) é o fato de a antena receber, além do
sinal que chega diretamente do satélite, outros sinais indiretos causados pela
reflexão indesejada em obstáculos vizinhos como construções, automóveis,
árvores, espelhos d’água, etc. (Fig. 8.8), ocasionando queda dos sinais ou erro nos
resultados. Este efeito afeta tanto a propagação dos códigos quanto das
portadoras. Para minimizar o multicaminho, as observações devem ser conduzidas
longe de superfícies refletoras, com ângulos de máscara não tão pequenos,
podendo ser empregadas antenas especiais, como a choke ring, que possui um
plano de terra com uma série de círculos concêntricos que impedem a recepção da
maioria dos sinais refletidos. Além disso, é ideal uma ocupação com duração em
torno de 30 minutos.

















Figura 8.8 - Ocorrência do efeito de multicaminho.
PERDA DE CICLOS - Quando há alguma falha na recepção do sinal emitido pelo
satélite, ocorre uma perda na contagem dos ciclos medidos (perda da
ambigüidade), chamada perda de ciclos (cycle slips), caracterizada por um “salto”
(variação brusca) na fase. Podem ser ocasionadas por diversas causas: bloqueio
temporário de sinais devido a algum obstáculo, ocorrência de sinais fracos devido
às más condições atmosféricas, deslocamentos da antena receptora, problemas no
programa interno do receptor, etc. A correção exige que se descubra o momento da
ocorrência do “salto”, assim como a sua dimensão.
GEOMETRIA DOS SATÉLITES - A exatidão do posicionamento absoluto está
diretamente ligada à geometria dos satélites durante a sessão de observação. Os
erros resultantes dessa configuração geométrica são dados em termos de Diluição
da Precisão (Dilution Of Precision - DOP), que é um escalar que auxilia na
indicação da precisão dos resultados. As seguintes designações são encontradas
na literatura (Trimble Navigation, 1994):
RECEPTOR
Diretos
Indiretos
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HDOP para a determinação horizontal;
VDOP para a determinação vertical;
PDOP para a determinação da posição (tridimensional);
TDOP para a determinação do tempo;
GDOP para a determinação geométrica (posição tridimensional + tempo);
RDOP para a determinação no posicionamento relativo.














Figura 8.9 - Exemplos de DOP.

Considerando o posicionamento tridimensional, o PDOP pode ser
interpretado como o inverso do volume do tetraedro (região piramidal) formado
pelas posições do usuário e dos quatro satélites. Assim, a melhor geometria ocorre
quando o volume é maximizado, o que implica que quanto menor o valor do PDOP,
melhor o posicionamento (Fig. 8.9). No início do uso do GPS, este escalar tinha
muita importância no planejamento dos projetos de medições devido ao pequeno
número de satélites na constelação. Hoje, porém, a cobertura é tão favorável que o
valor do PDOP muito raramente está acima de 5,0 e somente por períodos muito
curtos (Romão e Seeber, 1997). Por isso, não é mais usual planejar observações
segundo o PDOP, apenas analisar os seus valores quando aparecem resultados
críticos.
ROTAÇÃO DA TERRA - A correção na rotação da Terra se faz necessária quando as
coordenadas dos satélites no momento da transmissão do sinal são calculadas em
um sistema de referência terrestre fixo, como o Sistema Terrestre Convencional
(Conventional Terrestrial System - CTS). Isso porque o sistema terrestre rotaciona
em relação ao satélite durante a propagação do sinal. Conseqüentemente, a
PDOP ruim PDOP ruim
PDOP bom
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posição do satélite muda e suas coordenadas originais precisam também ser
rotacionadas de um determinado ângulo, definido como o produto do tempo de
propagação pela velocidade de rotação da Terra (Seeber, 1993).

8.6.3. ERROS RELACIONADOS AOS RECEPTORES
Os erros relacionados ao conjunto receptor-antena são, principalmente, os erros
do relógio, os erros entre os canais e a calibração do centro de fase da antena.
ERRO DO RELÓGIO - Os receptores GPS possuem osciladores de quartzo que
garantem uma boa estabilidade. Entretanto, a escala de tempo utilizada
internamente difere da escala de tempo GPS. Com isso, a posição calculada
apresenta um erro facilmente eliminado ao se realizar o posicionamento relativo.
ERRO ENTRE OS CANAIS - O número de canais num receptor GPS corresponde ao
número máximo de satélites que podem ser rastreados simultaneamente. Se o sinal
de cada satélite percorre um caminho eletrônico diferente, é possível que ocorra um
erro residual entre os canais. Os receptores modernos apresentam técnicas de
calibração que filtram esse tipo de erro no início de cada levantamento (Monico,
2000).
CENTRO DE FASE DA ANTENA - O centro de fase da antena receptora não é
necessariamente o seu centro geométrico. Por isso, em trabalhos de alta precisão,
é recomendável a utilização de antenas de um mesmo tipo e modelo, orientadas
numa mesma direção, visando a eliminar erros ocasionados por esse detalhe. Uma
forma de se reduzir o efeito causado por esse tipo de erro é a utilização de antenas
do tipo microstrip (Seeber, 1993) ou a realização da calibração das antenas
empregadas (Monico, 2000).

8.6.4. ERROS RELACIONADOS À ESTAÇÃO
Os erros relacionados à estação são, basicamente, os erros inerentes às
coordenadas da sua posição e os erros resultantes de fenômenos geofísicos como marés
terrestres, movimento do Pólo, carga dos oceanos e carga atmosférica.
ERRO NAS COORDENADAS - Sempre que se faz o transporte de coordenadas, deve-
se verificar a exatidão das coordenadas da estação base, pois qualquer erro no
ponto inicial será propagado para todos os demais pontos levantados a partir dele.
Então, é importante que o usuário preocupe-se com isso, buscando sempre que
possível um ponto da rede geodésica brasileira ou das atuais redes implantadas
com GPS (redes locais ou RBMC).
MARÉS TERRESTRES - Os movimentos da Terra relacionados às forças exercidas
pelo Sol e pela Lua podem causar certa imprecisão nos levantamentos GPS.
Porém, como os efeitos são semelhantes para estações com linhas de base não
muito longas, ocorre uma certa compensação nos erros quando se realiza o
posicionamento relativo.

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MOVIMENTO DO PÓLO - A variação das coordenadas de um ponto causada pelo
movimento dos Pólos é um fator a ser considerado no posicionamento de alta
precisão, pois pode alcançar valores de até 25 mm na componente radial (Monico,
2000). Uma solução que praticamente elimina este efeito é o posicionamento
relativo.
CARGA DOS OCEANOS - O efeito na superfície da Terra causado pela enorme massa
d’água dos oceanos pode resultar em deslocamentos que devem ser considerados
nos levantamentos de alta precisão, mas que podem ser desprezados nas demais
aplicações. Maiores detalhes podem se encontrados em Baker (1995).
CARGA DA ATMOSFERA - Semelhantemente aos oceanos, a atmosfera também
exerce pressão sobre a crosta terrestre que podem causar pequenas deformações,
principalmente na direção vertical (Monico, 2000). Estes valores são, em geral,
muito pequenos, podendo ser desprezados na grande maioria dos casos.

8.7. AS PRINCIPAIS TÉCNICAS DE POSICIONAMENTO GPS
Posicionamento diz respeito à determinação da posição de objetos com relação a
um referencial específico. Pode ser classificado em absoluto, quando as coordenadas
estão associadas diretamente ao geocentro, ou relativo, quando as coordenadas são
determinadas em relação a um referencial materializado por um ou mais vértices
conhecidos (Monico, 2000). Existe ainda um tipo de posicionamento chamado de
diferencial (Differential GPS - DGPS), desenvolvido para garantir e aumentar a precisão
e a segurança na navegação, principalmente na aproximação de navios em portos,
reduzindo erros comuns em receptores localizados numa mesma área (Segantine, 1997).
8.7.1. POSICIONAMENTO ABSOLUTO
Segundo Monico (2000), o posicionamento absoluto, também chamado de
posicionamento por ponto, necessita de apenas um receptor. É muito utilizado em
navegação, em levantamentos expeditos e em outras aplicações que não exijam uma alta
precisão, uma vez que se baseia na utilização do código C/A para obtenção da posição.
É normalmente utilizado em levantamentos em tempo real, através das efemérides
transmitidas, onde a posição do ponto é determinada no sistema de referência vinculado
ao GPS, ou seja, o WGS 84 (World Geodetic System 1984). Porém, é possível realizar
um posicionamento por ponto preciso através da utilização das efemérides precisas (IGS)
e das correções dos relógios, utilizando modelos adequados para tratar erros advindos
das refrações troposférica e ionosférica, além de um programa de processamento de
dados adequado que garanta uma boa precisão.
8.7.2. POSICIONAMENTO RELATIVO
No posicionamento relativo, a determinação de um ponto é feita em relação à
posição de um outro. Portanto, são necessários, no mínimo, dois receptores, sendo que
um deles pode fazer parte da RBMC, bastando, para isso, acessar os dados dessas
estações. O princípio básico consiste em dois receptores, trabalhando com o código ou
com a fase da portadora, rastrearem, simultaneamente, um mesmo grupo de satélites.
Esta simultaneidade garante a eliminação de algumas fontes de erros comuns a ambos
os receptores.
Após o tratamento das informações, obtém-se o vetor (linha base) que liga as
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posições ocupadas pelas antenas dos dois receptores. Fixando as coordenadas de uma,
chega-se às coordenadas da outra. A maior precisão é obtida quando este
posicionamento é realizado no modo estático, isto é, com os dois receptores imóveis
durante um determinado período de tempo.
8.7.3. POSICIONAMENTO DIFERENCIAL
Algumas vezes o conceito de posicionamento diferencial se confunde com o de
posicionamento relativo. Marques (2000) apresenta uma análise verificando os diversos
significados que os termos diferencial e relativo adquirem na literatura GPS, propiciando
assim uma visão mais ampla desses conceitos. Segundo ele, todo método diferencial
parte do princípio da existência de pelo menos um par de receptores, sendo um receptor
(base) fixado num ponto de coordenadas conhecidas e o outro receptor (móvel)
efetuando a ocupação dos pontos cujas coordenadas se deseja determinar.
O método diferencial pode ser feito em tempo real, onde as correções calculadas
pela estação fixa são transmitidas para a estação móvel, de modo que a posição deste
seja corrigida segundo a mesma diferença (Fig. 8.10), ou pós-processado, onde não
existe ligação rádio e a correção diferencial é feita posteriormente, após a descarga dos
dados de ambos os receptores. Para isso, a estação base deve estar localizada próxima
à estação móvel, justificando a existência de uma forte correlação entre os erros dessas
estações.














Figura 8.10 - Posicionamento Diferencial - DGPS (Seeber, 1993).

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A-1
ANEXO
SISTEMA CARTOGRÁFICO DO DISTRITO FEDERAL - SICAD
Na década de sessenta e início da década de setenta do século XX, a Diretoria de
Serviço Geográfico - DSG supervisionou o mapeamento do Distrito Federal (DF) nas
escalas de 1:100.000 e 1:25.000, por meio de restituição fotogramétrica a partir de
aerofotos nas escalas de 1:60.000 e 1:20.000, respectivamente. Tais mapas foram
elaborados com base no sistema Córrego Alegre.
Posteriormente, a Companhia de Desenvolvimento do Planalto Central -
CODEPLAN implementou o Sistema Cartográfico do Distrito Federal (SICAD), prevendo,
como produtos finais, mapas nas escalas de 1:10.000 (DF e entorno), 1:2.000 (áreas
urbanizadas) e 1:1.000 (áreas específicas).
O SICAD foi instituído pelo Decreto n.º 4.008, de 26 de dezembro de 1977. Ele
integra o Sistema de Informação Territorial e Urbana do Distrito Federal - SITURB e é a
base cartográfica única para os projetos físico-territoriais, constituindo a referência oficial
obrigatória para os trabalhos de topografia, cartografia, demarcação, estudos, projetos
urbanísticos e controle e monitoramento do uso e da ocupação do solo do Distrito
Federal.
O SICAD apóia-se no sistema geodésico Astro-Chuá, cujo elipsóide de referência
é o elipsóide de Hayford, uma vez que, àquela época, o sistema SAD-69 não havia sido
ainda definido como o sistema oficial do Brasil.
Tendo em vista a área do Distrito Federal abranger parcialmente quatro folhas ao
milionésimo: SD-22 (Goiás), SE-22 (Goiânia), SD-23 (Brasília) e SE-23 (Belo Horizonte)
(Fig. A-1), ocupando dois fusos adjacentes do sistema UTM (fusos 22 e 23, cujos
meridianos centrais são, respectivamente, 51°W e 45°W), foi preciso adotar uma
estratégia a fim de facilitar e tornar possível os trabalhos cartográficos neste sistema. A
estratégia adotada foi referenciar todo o mapeamento do fuso 22 ao fuso 23, isto é, os
limites do fuso 23 foram estendidos até o limite oeste do DF, englobando a área
pertencente ao fuso 22, admitindo-se, é claro, que o decorrente aumento das
deformações não comprometeriam a qualidade dos trabalhos.
As folhas do SICAD na escala de 1:10.000 foram numeradas seqüencialmente de
1 a 244, com a devida correspondência com o sistema de referência apresentado na Fig.
A-2.
Na década de oitenta do século XX, o IBGE, em convênio com a CODEPLAN,
atualizou o mapeamento na escala de 1:25.000, através de restituição fotogramétrica a
partir de aerofotos na escala de 1:20.000, já utilizando o sistema SAD-69.
Atualmente, o Governo do Distrito Federal já possui o mapeamento na escala de
1:10.000 atualizado. Estas folhas apresentam as coordenadas geodésicas e as
coordenadas planas UTM (fusos 22 e 23) referenciadas aos Sistemas Geodésicos Astro
Datum Chuá e SAD-69.
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A-2
Figura A-1 – Localização do Distrito Federal em relação à Carta ao Milionésimo.
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A-3
Figura A-2 – Situação das Folhas 1:10.000 do Distrito Federal.

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Fundamentos de Cartografia e GPS

ÍNDICE

APRESENTAÇÃO 1. 2. 2.1. 2.2. 2.2.1. 2.2.2. 2.2.3. 2.2.4. 2.2.5. 2.2.6. 2.2.7. 2.3. 2.4. 2.5. 3. 3.1. 3.2. 3.2.1. 3.2.2. 3.2.3. 3.2.3.1. 3.2.3.2. 3.2.3.3. 3.3. 3.3.1. 3.3.1.1. 3.3.1.2. 3.3.2. 3.3.3. 3.3.4. 3.4. 4. 4.1. 4.2. 4.3. 4.4. 4.5. 4.6. GEOPROCESSAMENTO E CARTOGRAFIA CARTOGRAFIA DEFINIÇÃO DE CARTOGRAFIA CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS DE APOIO À CARTOGRAFIA Astronomia Topografia Geodésia Posicionamento Global por Satélites Aerofotogrametria Sensoriamento Remoto Ciência da Computação DIVISÃO DA CARTOGRAFIA CARTOGRAFIA GERAL CARTOGRAFIA TEMÁTICA GEODÉSIA DEFINIÇÃO DE GEODÉSIA MODELOS TERRESTRES Modelo Real Modelo Físico Modelos Geométricos Modelo Elipsoidal Modelo Esférico Modelo Plano SISTEMAS GEODÉSICOS DE REFERÊNCIA Introdução Datum Horizontal ou Planimétrico Datum Vertical ou Altimétrico Sistema Geodésico de Referência Clássico Sistema Geodésico de Referência Moderno Sistemas Geodésicos de Referência Adotados no Brasil PROJETO MUDANÇA DE REFERENCIAL GEODÉSICO SISTEMAS DE COORDENADAS SISTEMAS DE COORDENADAS GEOGRÁFICAS E GEODÉSICAS SISTEMA DE COORDENADAS GEOCÊNTRICO TERRESTRE SISTEMA DE COORDENADAS PLANAS CARTESIANAS SISTEMA DE COORDENADAS PLANAS POLARES SISTEMA DE COORDENADAS DE IMAGEM (MATRICIAL) TRANSFORMAÇÃO ENTRE SISTEMAS GEODÉSICOS

2 3 5 5 6 6 6 7 7 8 10 12 13 13 15 17 17 17 17 18 19 19 20 21 21 21 22 22 23 23 23 24 28 28 31 32 33 34 34

i

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 5. 5.1. 5.2. 5.2.1. 5.2.1.1. 5.2.1.2. 5.2.1.3. 5.2.2. 5.2.2.1. 5.2.2.2. 5.2.3. 5.2.4. 5.2.4.1. 5.2.4.2. 5.2.4.3. 5.2.4.4. 5.3. 5.3.1. 5.3.2. 5.3.3. 5.3.4. 6. 6.1. 6.2. 6.3. 6.4. 6.5. 6.6. 7. 7.1. 7.2. 7.3. 7.4. 7.5. 7.5.1. 7.5.1.1. 7.5.1.2. 7.5.2. 7.5.3. 7.5.4. 7.5.4.1. 7.5.4.2. 7.5.4.3. 7.5.4.4. 7.5.5. 7.5.6. PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS INTRODUÇÃO CLASSIFICAÇÃO DAS PROJEÇÕES Quanto ao Método de Construção Projeções Geométricas Projeções Analíticas Projeções Convencionais Quanto ao Tipo de Superfície de Projeção Projeção Plana ou Azimutal Projeção por Desenvolvimento Quanto à Posição da Superfície de Projeção Quanto às Propriedades Intrínsecas Projeções Eqüidistantes Projeções Equivalentes Projeções Conformes Projeções Afiláticas

Fundamentos de Cartografia e GPS 36 36 37 39 39 40 40 41 41 41 43 43 45 45 45 45 46 46 47 48 48 52 52 53 53 53 54 54 56 56 57 59 60 62 62 62 64 66 67 70 70 72 72 72 74 74

PROJEÇÕES MAIS USUAIS Projeção Cônica Conforme de Lambert Projeção Policônica Ordinária ou Americana Projeção Cilíndrica Equatorial Conforme (Projeção de Mercator) Projeção UTM ESCALAS INTRODUÇÃO ESCALA NUMÉRICA ESCALA EQUIVALENTE OU NOMINAL ESCALA GRÁFICA PRECISÃO GRÁFICA ESCOLHA DA ESCALA MAPAS, CARTAS E PLANTAS DEFINIÇÕES CARTA INTERNACIONAL DO MUNDO AO MILIONÉSIMO - CIM ÍNDICE DE NOMENCLATURA E ARTICULAÇÃO DE FOLHAS MAPA ÍNDICE CARTA TOPOGRÁFICA Quadriculado de Coordenadas Planas Cartesianas (Projeção UTM) Obtenção de Coordenadas Obtenção de Direções Coordenadas Geodésicas Representação Planimétrica Elementos de Altimetria Curvas de Nível Declividade Eqüidistância Perfil Topográfico Dados Marginais Precisão Cartográfica

ii

8.1.3. 8. 8.1.6.1.2.2. 8. FUNDAMENTOS DO POSICIONAMENTO GPS Fundamentos de Cartografia e GPS 76 76 77 78 79 79 79 81 82 82 83 84 87 87 88 88 88 89 90 INTRODUÇÃO A CONSTITUIÇÃO DO SISTEMA GPS O Segmento Espacial O Segmento de Controle O Segmento de Usuários OS SINAIS GPS OS TIPOS DE EFEMÉRIDES O FORMATO RINEX OS PRINCIPAIS ERROS ASSOCIADOS ÀS OBSERVAÇÕES Erros Relacionados aos Satélites Erros Relacionados aos Sinais Erros Relacionados aos Receptores Erros Relacionados à Estação AS PRINCIPAIS TÉCNICAS DE POSICIONAMENTO GPS Posicionamento Absoluto Posicionamento Relativo Posicionamento Diferencial REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANEXO . 8.7.7. 8.6. 8.2.4.SISTEMA CARTOGRÁFICO DO DISTRITO FEDERAL (SICAD) iii .6.2.2. 8.3. 8.1.3. 8.6.4.7.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 8. 8.6. 8. 8.7.2.5. 8.3. 8.2. 8. 8.

2008 .Antônio Henrique Correia Ronald Alexandre Martins FUNDAMENTOS DE CARTOGRAFIA E GPS Brasília-DF.

suas divisões e as diversas ciências e tecnologias que lhe servem de apoio. que constitui a base para os trabalhos cartográficos realizados no Distrito Federal.GPS) que são indispensáveis aos pesquisadores e profissionais que atuam na área de Geoprocessamento e SIG. dando destaque aos utilizados no Brasil. apresentando a nomenclatura de documentos cartográficos em uso no Brasil e as informações existentes em uma Carta Topográfica. Ao final desta apostila é possível encontrara também um anexo contendo as informações básicas sobre o Sistema Cartográfico do Distrito Federal . Esperamos que este material de apoio seja útil para difundir o conhecimento da Cartografia e do Sistema de Posicionamento Global. O Capítulo 8 apresenta os fundamentos do posicionamento espacial por satélites artificiais referentes ao sistema norte americano GPS. os Sistemas Geodésicos de Referência e o atual Projeto de Mudança do Referencial Geodésico. assuntos cada vez mais importantes para os profissionais da área de Geociências. O Capítulo 6 apresenta os principais aspectos que envolvem o conceito de escala.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS APRESENTAÇÃO Para atingir o objetivo principal da presente disciplina.SICAD. qual seja apresentar os conhecimentos básicos de Cartografia e do Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System . 2 . Os Autores. O Capítulo 5 trata dos principais Sistemas de Projeção Cartográfica. os diferentes modelos utilizados para representar a Terra. O Capítulo 3 apresenta alguns fundamentos da Geodésia. O Capítulo 2 apresenta uma visão geral sobre a Cartografia. O Capítulo 7 descreve as principais diferenças entre Mapas. Cartas e Plantas. O Capítulo 4 descreve os procedimentos para a localização de um ponto na superfície terrestre a partir dos diversos Sistemas de Coordenadas existentes. este material de apoio didático ao Curso de Especialização em Geoprocessamento da Universidade de Brasília está dividido nos seguintes capítulos: O Capítulo 1 aborda a forte relação existente entre o Geoprocessamento e a Cartografia.

é necessário se valer das ferramentas do Geoprocessamento.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS CAPÍTULO GEOPROCESSAMENTO E CARTOGRAFIA O Geoprocessamento é considerada a mais moderna e eficiente tecnologia para o processamento de dados espaciais. Ele utiliza diversas técnicas para a coleta. Geografia. Meteorologia. (Fator GIS. Turismo. Agricultura. a análise e o uso integrado da informação espacial. Costuma-se dizer que sempre que o “onde” aparece dentre as questões e problemas que precisam ser resolvidos por um sistema informatizado. Navegação. têm se beneficiado bastante da tecnologia Geoprocessamento (Timbó. o armazenamento. 1. Áreas como a Engenharia.1. 2001). conforme se observa na Fig. Transportes.Definição de Geoprocessamento. 3 . Urbanismo. além de muitas outras. Arquitetura. Pedologia. o tratamento. Geologia. COLETA Cartografia Sensoriamento Remoto Fotogrametria Topografia GPS Dados Alfanuméricos Conjunto de técnicas relacionadas ao tratamento da informação espacial ARMAZENAMENTO Banco de Dados TRATAMENTO e ANÁLISE Modelagem de Dados Geoestatística Aritmética Lógica Análise de Redes Análise Topológica Reclassificação USO INTEGRADO GIS LIS AM/FM CADD Figura 1.1 . 1998) O Geoprocessamento dispõe de valiosas ferramentas para aplicações em praticamente todas as áreas que lidam com recursos geograficamente distribuídos.

as ortofotos (ou ortoimagens) digitais.. (Maguire et al. recuperar. transformar e visualizar dados sobre o mundo real (Burrough e McDonnell.Relações interdisciplinares entre SIG e outras áreas. CAD (Computer Aided Design) e Gerenciamento de Banco de Dados. como é o caso das imagens de satélites. Vários programas têm sido desenvolvidos com o objetivo de viabilizar a utilização dos produtos resultantes das novas tecnologias de captação e processamento da informação espacial. principalmente no que se refere à habilidade de se construir mapas digitais que efetivamente comuniquem as idéias e questões geográficas necessárias ao indivíduo.2 . 1991) Atualmente. A Fig.2 sintetiza esta discussão. ou seja. os conhecimentos de Cartografia necessários ao SIG desfrutam de um grande desenvolvimento. A Cartografia vai apresentar representação de dados para os processos que ocorrem no espaço Geoprocessamento vai utilizar técnicas matemáticas e computacionais processos que ocorrem no espaço geográfico (D’Alge. do inglês “Geographical Information Systems GIS”. uma razão histórica que reforça a relação Cartografia/Geoprocessamento é a precedência das iniciativas de automação da produção cartográfica em relação aos esforços iniciais de concepção e construção das ferramentas de SIG. 1999). estendendo-a às áreas de Sensoriamento Remoto. armazenar. CARTOGRAFIA COMPUTACIONAL SENSORIAMENTO REMOTO S IG COMPUTER-AIDED DESIGN GERENCIADOR DE BANCO DE DADOS Figura 1. O para tratar os As informações extraídas do espaço geográfico são combinadas através dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG). dos dados obtidos por levantamentos com GPS e das imagens retificadas de fotografias aéreas.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Entre a Cartografia e o Geoprocessamento existe uma interdisciplinar: o espaço geográfico. (1991). 1. Segundo Maguire et al. Graças às novas possibilidades oferecidas por estes produtos digitais. pode-se constatar significativas renovações nos métodos cartográficos atuais. forte relação o modelo de geográfico. 4 . 1998). que constituem um conjunto poderoso de ferramentas para coletar.

no Saara. o homem primitivo estava desenvolvendo um trabalho de cartografia na sua forma mais primitiva (Timbó. Diante disso. As mesetas rochosas representou com pedras planas.. redutos de outras tribos. nos dias atuais. buscando atingir o ideal artístico de beleza em seus produtos. cartas. quando o homem primitivo já sentia necessidade de registrar o espaço ao seu redor a fim de marcar os lugares mais importantes para a sua sobrevivência. o vocábulo usado tradicionalmente era COSMOGRAFIA (Oliveira. pode-se dizer que ela teve origem na mais remota antigüidade. um viajante chegou a Ahaggar. compreendeu o viajante o caminho a seguir. da Geodésia. DEFINIÇÃO DE CARTOGRAFIA O vocábulo CARTOGRAFIA foi criado pelo historiador português Visconde de Santarém. a Cartografia tem evoluído em seus métodos e instrumentos. melhor do que com palavras. 5 . da Matemática. situações de perigo. Sobre a areia formou “montinhos” alargados para representar as dunas do deserto. há muito tempo. etc. pode-se destacar a definição a seguir. da Topografia. Ao registrar nas paredes das cavernas os locais onde havia abundância de água e alimentos. Prontamente surgiu diante das vistas do viajante um modelo perfeito do relevo da região. Desde então. explanações não foram mais necessárias. e perguntou a um velho chefe da tribo Tuareg o caminho para Tombuctu. e dirigida ao historiador brasileiro Adolfo de Varnhagen. Arte. em carta de 8 de dezembro de 1839. da Física. lança mão de inúmeras ferramentas tecnológicas. da Agrimensura." 2. não só em direções e distâncias.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS CAPÍTULO CARTOGRAFIA "Uma vez. os diversos ramos do conhecimento humano sobre a superfície e o ambiente terrestre e seus diversos aspectos”. A Cartografia destaca-se como sendo uma das mais antigas ciências de que se tem conhecimento. 2001). da Geografia. computação gráfica. mas também no que se refere à natureza do terreno. utilizando-se de instrumentos rudimentares. Cobriu com areia uma parte do solo em sua frente e representou a grande planície arenosa do Saara. de tal sorte que. O chefe não pronunciou uma só palavra. Antes da divulgação e consagração do termo. quando recorre às leis estéticas da simplicidade e da clareza.1. Dentre os vários conceitos de Cartografia consagrados na literatura. para produzir documentos cartográficos com as mais diferentes finalidades e para as mais diversas áreas de aplicações. sensores remotos orbitais. Através dessa linguagem universal. escrita em Paris. da Estatística e de outras ciências para alcançar exatidão compatível com o mapeamento a ser realizado. como medidores a laser. da Geologia. plantas e outras formas gráficas. Ciência. quando utiliza o apoio científico da Astronomia. entre outros. a qual resume os principais aspectos desta disciplina: Cartografia é “a Ciência e a Arte que se propõe a representar por meio de mapas. 1993).

pode-se considerar a existência da chamada dualidade cartográfica: “A Cartografia é uma ciência tão antiga quanto à espécie humana e tão nova quanto o jornal de hoje”. ASTRONOMIA A Astronomia é a mais antiga ciência de apoio à Cartografia. algumas já bem consolidadas e outras em constante evolução.2. Utilizada para determinar a posição geográfica de pontos (coordenadas sobre a superfície terrestre).1 . o Mestre João Emenelaus. 2. A seguir são descritas as mais significativas.2. desde remotas datas. pode determinar as coordenadas geográficas de sua posição terrestre (Timbó. Foi.2. portanto. desceu a terra e por meio do astrolábio tomou a altura do Sol ao meio dia e determinou a latitude de 17 graus para o Ilhéu da Coroa Vermelha. 2. passando a ser 6 . calculando posições através da geometria e da trigonometria plana. A Topografia atua em pequenas extensões.2. 1993). ao observar uma estrela de coordenadas já conhecidas e utilizando a trigonometria esférica. Em 27 de abril de 1500. Figura 2. determinam e divulgam as coordenadas das estrelas em relação à Esfera Celeste. desconsiderando. os efeitos da curvatura da Terra. a Cartografia se apoia em diversas tecnologias e ciências. CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS DE APOIO À CARTOGRAFIA Para atingir seus objetivos. 2001). estas técnicas ganharam bastante produtividade na aquisição de dados.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Desse ponto de vista.Astrolábio do séc. Com o desenvolvimento das estações topográficas automáticas (Estações Totais). Um observador na Terra. portanto. Os observatórios astronômicos. XVII. físico da esquadra de Cabral. 2.1. TOPOGRAFIA É a ciência que utiliza técnicas para determinação da posição tridimensional relativa de pontos na superfície terrestre. a primeira medição dessa natureza no Brasil (Oliveira. Nos dias atuais as medições astronômicas de posição foram praticamente substituídas por metodologias mais modernas que serão abordadas no decorrer deste texto. Emprega instrumentos que medem ângulos e distâncias.

3. média ou alta precisão. em qualquer lugar da Terra e a qualquer instante. Esta situação garante a condição geométrica mínima necessária à determinação da posição em tempo real. pelos menos. POSICIONAMENTO GLOBAL POR SATÉLITES O Sistema de Posicionamento Global . quatro satélites visíveis acima do horizonte para um observador. Calcula posições utilizando cálculos geodésicos complexos. 2001).3 . 2. A Geodésia utiliza instrumentos semelhantes aos de Topografia. existam. porém.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS largamente utilizadas nos dias de hoje. 2001). qualquer usuário equipado com um receptor de sinais GPS poderá determinar a sua posição em tempo real (Timbó.2 . 2.GPS foi projetado de forma que.2. GEODÉSIA A Geodésia é a ciência que estuda a forma e as dimensões da Terra e estabelece o apoio básico (malha de pontos geodésicos com posição geográfica precisa) para dar suporte à elaboração de mapas.Marco geodésico de apoio. 2001) O sistema GPS é capaz de fornecer posições geográficas com baixa. 7 .4. de acordo com o tipo de equipamento utilizado e a metodologia adotada na coleta e no processamento dos sinais (Timbó. dotados de alta precisão e associados a métodos mais sofisticados (Timbó. Assim.2. onde se leva em consideração o efeito da curvatura terrestre. Figura 2. Figura 2.Equipamentos topográficos modernos.

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Figura 2.4 – Constelação do GPS.

Figura 2.5 – Posicionamento por GPS.

2.2.5. AEROFOTOGRAMETRIA A Aerofotogrametria é a técnica utilizada para a elaboração de cartas topográficas e baseia-se na obtenção de medidas terrestres precisas através de fotografias aéreas especiais, obtidas com câmera métrica e com recobrimento estereoscópio. As fotografias são parcialmente sobrepostas, em faixas paralelas, recobrindo toda a área a ser mapeada.

Figura 2.6 – Vôo fotogramétrico.

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A Aerofotogrametria compreende as seguintes fases: Planejamento e execução do vôo: consiste em determinar, com antecedência, dados importantes do vôo fotogramétrico, como a distância focal da câmera aérea, a altura de vôo, a superposição longitudinal e lateral das fotos, o número de fotos por faixa, o número de faixas do vôo, o total de fotos, a qualidade dos filmes, etc. (Fig. 2.6); Trabalho de laboratório: consiste na revelação dos filmes, produção das fotos em papel e diapositivos para serem utilizadas nas fases de restituição e reambulação; Levantamento dos pontos de apoio terrestre: consiste na medição, através de levantamento topográfico/geodésico, das coordenadas de pontos que sejam bem identificáveis tanto nas fotografias como no terreno, chamados pontos de controle (Fig. 2.7);

Figura 2.7 – Apoio de campo.

Aerotriangulação: consiste na determinação precisa de coordenadas de terreno de pontos medidos nas fotografias, com a finalidade de aumentar o conjunto de pontos de controle, sem a necessidade de trabalho de campo, visando a economia de custos; Reambulação das fotos: consiste na coleta de dados em campo, de informações relativas aos acidentes naturais e artificiais e tudo mais que não pode ser obtido diretamente das fotografias. As informações de campo (toponímia), que depois farão parte do mapa, são anotadas sobre as fotografias pelos reambuladores; Restituição fotogramétrica: consiste na construção do mapa a partir dos diapositivos fotográficos montados em pares estereoscópicos, ajustados e georreferenciados através dos pontos de controle (cada ponto da fotografia estará associado a uma coordenada no terreno). Através de equipamentos denominados restituidores, a geometria do momento exato da tomadas das fotografias é reproduzida (projeção cônica), permitindo-se realizar a representação das feições existentes no terreno (estradas, matas, rios, morros, etc.) em uma carta (projeção ortogonal) (Fig. 2.8).

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Figura 2.8 – Restituição.

2.2.6. SENSORIAMENTO REMOTO Entende-se por Sensoriamento Remoto a utilização conjunta de modernos sensores, equipamentos para a obtenção remota de dados, processamento e transmissão de dados, provenientes de aeronaves, espaçonaves, satélites etc., com o objetivo de estudar o ambiente terrestre através do registro e da análise das interações entre a radiação eletromagnética e as substâncias componentes do planeta Terra, em suas mais diversas manifestações (Timbó, 2001). O advento dos sistemas sensores orbitais veio complementar a Aerofotogrametria, principalmente para a atualização de cartas e mapas, mostrando seu grande potencial na obtenção de informações temáticas. Cabe ressaltar que a Aerofotogrametria é um caso particular do Sensoriamento Remoto, no que se refere ao nível de aquisição de dados (aerotransportado).

Figura 2.9 – Sensores remotos.

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Carta-Imagem: são imagens de satélite georreferenciadas no formato de folhas de carta. declividade do terreno. transparência. especialmente na fotogrametria e na fotointerpretação. por meio de processamento digital. Mapeamento Planialtimétrico: neste caso. O produto gerado pelos sistemas sensores imageadores são as imagens digitais (Fig. gera-se uma imagem temática segundo os mais variados temas (áreas desmatadas. com a sobreposição de uma grade de coordenadas e informações auxiliares que são extraídas de outros mapas ou cartas.9) e não imageadores. 11 .10) ou analógicas (em papel. o que permite uma grande variedade de aplicações na Cartografia. etc. podendo ser em preto e branco. como por exemplo: Mapeamento Planimétrico: os produtos mais usuais são imagens georreferenciadas para a projeção cartográfica desejada. As vantagens apresentadas por este tipo de produto para a atualização cartográfica são evidentes. Os sistemas sensores.). podem ser imageadores (Fig.).10 – Imagem de satélite. em seguida. cores naturais. geralmente. sendo obtido por meio de formação de pares estereoscópicos de imagens. etc. especialmente para as áreas onde não existem cartas tradicionais ou as mesmas se encontram desatualizadas. os efeitos do relevo são levados em consideração. 2. cobertura vegetal. Mapeamento Temático: a imagem é georreferenciada de acordo com a projeção cartográfica desejada e. por meio de um Modelo Numérico de Terreno. sendo os primeiros os que vêm sendo mais estudados e aplicados no campo da Cartografia. que é composto por uma grade regularmente espaçada com as cotas de cada ponto. 2.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Figura 2. falsas cores e outras formas.

digital ou analógica”. dentre outros (Timbó. Dentro deste tópico podem ser destacados os seguintes avanços: desenvolvimento das ferramentas de computação gráfica (Computer Aided Design . programas com arquitetura baseada em sistemas de informações geográficas. 2.7.12 – Estações fotogramétricas digitais.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS 2. a qual não representa apenas um processo de 12 . scanners de grande formato (Fig. Figura 2. Taylor (1991) sugere que a Cartografia seja vista como “a organização. Essas grandes inovações tecnológicas e científicas têm levado a uma revisão do conceito tradicional da Cartografia. 2001). Figura 2.2.CAD).11). estações fotogramétricas digitais (Fig. 2. a Cartografia Analógica é substituída pela Cartografia Digital.12). mesas digitalizadoras. apresentação. sistemas de gerenciamento de bancos de dados. A partir desse novo enfoque. CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO O advento e o desenvolvimento da computação nas últimas décadas veio contribuir para um grande avanço tecnológico da Cartografia. plotters e fotoplotters de alta resolução. comunicação e utilização da geoinformação em forma gráfica.11 – Scanners de grande formato. algoritmos para processamento digital de imagens.

a Cartografia Geral subdivide-se em cadastral.1 a seguir. 2. esta apostila abordará principalmente estes dois assuntos. Cartografia Temática: expressa determinados conhecimentos particulares (temas). objetiva fornecer ao usuário uma base cartográfica com possibilidades de aplicações generalizadas.4. Tendo em vista que a Cartografia Geral serve como base para as demais. 2. sendo base para as demais. pois compreende as cartas que cobrem todo o país sistematicamente e servem de apoio para todos os trabalhos que requeiram uma base cartográfica nas escalas de 1:250. as subdivisões e alguns exemplos para fins de esclarecimento. de acordo com o conteúdo a ser representado: Geral. a Cartografia Topográfica.2 fornece uma visão da quantidade de cartas existentes segundo cada escala.3. DIVISÃO DA CARTOGRAFIA A Cartografia pode ser dividida em três grandes grupos.1 a seguir mostra. e que qualquer mapa que apresente informações diferentes da simples representação do terreno pode ser considerado um produto da Cartografia Temática. Do ponto de vista estratégico. de acordo com a escala de representação. etc.000 a 1:25.000. pois são importantes para a maioria dos usuários de SIG. As folhas do mapeamento sistemático do Brasil foram estabelecidas a partir do enquadramento na Carta Internacional do Mundo ao Milionésimo. de acordo com a precisão geométrica e tolerâncias permitidas pela escala. A Tab. topográfica e geográfica. os acidentes geográficos naturais e as obras do homem. sem dúvida. atendendo planejamentos de obras de engenharia.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS automação de métodos manuais. como o próprio nome diz. Especial e Temática.. CARTOGRAFIA GERAL Como se observa na Tab. Cartografia Geral: retrata basicamente a superfície topográfica do terreno. 2. operações militares. Cartografia Especial: destina-se exclusivamente a atender um uso específico. uma técnica ou uma ciência. Os mapas e cartas também seguem a classificação acima. de forma resumida. 2. 13 . Destina-se ao uso geral. 2. a mais importante subdivisão é. A Cartografia Geral. mas um meio para se buscar ou explorar novas maneiras de lidar com os dados espaciais. A Tab.

bancos de areia. 14 . As escalas mais usuais na representação cadastral são: 1:1.000 Definição Representação em escala grande e com maior nível de detalhamento. Inclui os acidentes naturais e artificiais. astronômico. as curvas batimétricas. a natureza do fundo do mar. de recursos naturais e estudos ambientais. necessários às pesquisas socio-econômicas. Representação particularizada dos aspectos cartográficos do terreno. enquanto que a representação altimétrica é feita.000. apresentando grande precisão geométrica. Elaboradas de forma sistemática pela Diretoria de Hidrografia e Navegação .) e altimétricos (relevo através de curvas de nível. a fim de que ofereça a máxima utilidade em operações militares. recifes. normalmente utilizada para regiões metropolitanas. Temática São cartas e mapas. as áreas terrestres e marítimas.1 . regional e estadual.) são geometricamente bem representados.000. 1:5. Elaboradas de forma sistemática pelo Instituto de Cartografia Aeronáutica . através de uma série de linhas ou curvas que unem os pontos de mesma altura geoidal para um determinado datum e elipsóide de referência. atlas nacional. destinados a um tema específico. 1998). são elaboradas na escala 1:25. A representação planimétrica é feita através de símbolos.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Tabela 2. mapa magnético. Pode representar uma área litorânea. Carta elaborada a partir de levantamentos aerofotogramétricos e geodésicos ou compilada de outras cartas topográficas em escalas maiores. Divisão Subdivisão Cadastral escalas > 1:25. os quais oferecem uma precisão de acordo com a escala de publicação. Representa as ondulações geoidais em relação ao elipsóide. 1:2. pilotagem ou ao planejamento de operações aéreas.000 Topográfica escalas Geral ≤ 1:25.Classificação de mapas e cartas (IBGE.ICA. 1:10. meteorológico.000 Geográfica escalas < 1:250. em que os elementos planimétricos (sistema viário. indispensáveis ao uso das forças armadas. etc. através de cores hipsométricas. pontos colados. destinada a apresentar além de aspectos culturais e hidrográficos. faróis.000 e 1:15. entre outros. Carta em que os detalhes planimétricos e altimétricos são generalizados. as marés e as correntes de um determinado mar. representando os acidentes naturais do terreno. como por exemplo. obras.000. Náutica Aeronáutica Especial Militar Geoidal Existem outros tipos. em qualquer escala. etc.DHN. tais como.000.000.000 e ≥ 1:250. características topográficas e náuticas de trafegabilidade. em geral. Representa as profundidades. bóias. informações suplementares necessárias à navegação aérea. Em geral.

5. de precipitação pluviométrica. etc. de isolinhas.geralmente extraída das cartas topográficas e mapas . político.2 . CARTOGRAFIA TEMÁTICA Enquanto a Cartografia Geral trabalha com um produto cartográfico de forma geométrica e descritiva. Cartografia estatística ou analítica: registra os fenômenos sob um ponto de vista estatístico.000.4 13. O objetivo dos mapas temáticos é o de fornecer.049 11. Estabelece um levantamento quantitativo. Como exemplos gerais podem-se citar os mapas geológicos. que tenham uma vinculação com o espaço terrestre.087 1. de distribuição de vegetação. Pode-se analisar apenas um fenômeno (como a produção agrícola de trigo no Brasil).2 Obs. Estabelece um levantamento qualitativo dos elementos representados. vários fenômenos em conjunto (como a produção agrícola do Estado da Bahia). 1998).000 1:50. sob a forma de cores ou de tonalidades muito variadas. ordenando e hierarquizando os elementos a representar.000 1:100.: Estes dados são do ano de 1998 e referem-se apenas ao mapeamento realizado pelo IBGE e pela DSG. pedológicos.7 1. Para isso. social. 15 . são passíveis de serem representados. etc. complementadas muitas vezes por sinais gráficos característicos. o que justifica a grande diversificação dos temas envolvidos. e Cartografia de síntese: registra fenômenos em conjunto e suas inter-relações. biológico.1 68. classificando.. A Cartografia Temática pode ser subdividida em três tipos: Cartografia de notação ou de inventário: registra os fenômenos na sua distribuição espacial. etnográficos. reúne as informações de vários documentos. a Cartografia Temática busca uma solução analítica e explicativa para a representação de aspectos físicos e culturais.000 N° Total de Folhas 46 154 556 3. de uso da terra.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Tabela 2.0 44.0 95. Quaisquer fenômenos físico. de distribuição por pontos.000 1:500.. sua ocorrência e distribuição espacial. ou mesmo a análise de fenômenos compostos (como a balança comercial do país). Como exemplos gerais podem-se citar os mapas de densidade populacional.712 N° de Folhas Executadas 46 68 529 2.928 47.000 1:25. de forma global e subjetiva.000 1:250. com o auxílio de símbolos qualitativos e/ou quantitativos dispostos sobre uma base de referência .641 548 % Mapeada 100. etc.Quantidade de folhas do mapeamento sistemático brasileiro (IBGE. Escala 1:1.as informações referentes a um determinado tema ou fenômeno que está presente ou age no território mapeado. Não estão computados os levantamentos realizados pelos Institutos Estaduais.. de fluxo de mercadorias. 2.

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS fundindo-as em uma só.Comparação entre a Cartografia Geral e a Cartografia Temática (IBGE.1 . Como exemplos gerais podem-se citar os mapas históricos. de áreas homogêneas. 16 . O Quadro 2. Trata de informações qualitativas e quantitativas. Potencialidade agrícola dos solos Densidade populacional Quadro 2.2 . Trata basicamente de informações qualitativas. 1998). A produção dos documentos exige conhecimento especializado em Cartografia.Exemplos de mapas temáticos (IBGE. Representação de elementos físicos ligados à topografia do terreno. Duração mais limitada. geomorfológicos. Os produtos raramente servem de base para outras representações.1 mostra dois exemplos de mapas temáticos do Brasil: um de potencialidade agrícola dos solos e outro de densidade populacional. O Quadro 2. etc. 1998). pois as informações são superadas com maior rapidez. Quadro 2. Representação de quaisquer elementos. os elementos podem ser usados por um longo tempo. inclusive os de natureza abstrata. CARTOGRAFIA TEMÁTICA Atende a um público especializado e reduzido (usuários específicos). Em geral. Nota-se que ambos os mapas têm uma legenda representativa associada.2 apresenta uma comparação resumida entre a Cartografia Geral e a Cartografia Temática. os documentos podem ser produzidos por pessoas não especializadas em Cartografia. Em geral. Os produtos sempre servem de base para outras representações. CARTOGRAFIA GERAL Atende a um público amplo e diversificado (vários usuários). morfo-estruturais.

3. Pode ser definida como “a ciência que estuda a determinação precisa da forma e das dimensões da Terra e das variações do seu campo gravitacional”.2. e o modelo geométrico. baseado na verdadeira forma da terra. Geodésica Astronômica: considera os métodos de posicionamento pontual na superfície da Terra por meio de observações de outros corpos celestes. limitada pela camada mais baixa da atmosfera (troposfera) e as massas sólidas e líquidas do planeta. envolvendo o campo de forças atuantes no planeta como um todo. das superfícies equipotenciais e das perturbações no campo gravífico. baseado em conceitos puramente matemáticos. física e matemática. No Brasil. de acordo com o objetivo do trabalho a ser realizado: o modelo real. MODELOS TERRESTRES Pode-se distinguir basicamente três tipos de abordagens diferentes para caracterizar a forma e as dimensões da Terra. verticais e horizontais relacionadas por meios de princípios geométricos e trigonométricos). 3. que engloba o estudo de princípios de astronomia. MODELO REAL É a representação da Terra.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS CAPÍTULO GEODÉSIA 3. DEFINIÇÃO DE GEODÉSIA A Geodésia é uma ciência complexa.1. o modelo físico. é a superfície contínua 17 .1. Geodésia Física: considera a determinação da superfície terrestre através do estudo da direção e da intensidade da gravidade. a Geodésia é divida em quatro grandes áreas de estudo: Geodésia Geométrica: considera a determinação da posição relativa de pontos na superfície terrestre através de um modelo matemático e de métodos geométricos (medições angulares e lineares.2. Geodésia Espacial ou por Satélite: considera a determinação da posição sobre a superfície terrestre por meio da observação de satélites artificiais. baseando-se em princípios físicos. ou seja. baseado em conceitos físicos.

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS definida pelos oceanos e continentes. são executadas as medições e observações cartográficas.Superfícies equipotenciais.1). 18 . que apresentam o mesmo potencial e são perpendiculares às linhas de força do campo. Em outras palavras. MODELO FÍSICO Ao campo de forças gerado pela interação da força da gravidade terrestre e pela força centrífuga (devido a rotação da Terra). vales.1 . Figura 3.2. Este modelo é importante por representar a superfície onde. 3. oceanos e outras incontáveis saliências e reentrâncias geográficas (Fig.2. Com base nas linhas de força do campo gravífico.2). Figura 3. Devido à sua forma irregular. por influência de fatores como a distribuição irregular de massas de diferentes densidades na superfície terrestre. definem-se as superfícies equipotenciais (Fig. Mesmo que se estabeleça um limite de proximidade entre os pontos da superfície terrestre. dá-se o nome de Campo Gravífico. 3. terremotos ou movimento de placas tectônicas). efetivamente. as alterações causadas por intemperismo. representa a verdadeira forma da Terra.Superfície real.2 . 3. é impossível representar a superfície real através de uma função analítica. será impossível a sua caracterização. com suas montanhas. devido à impossibilidade de medir todos os pontos sobre a superfície da terra e devido às deformações sofridas por esses pontos ao longo do tempo (como por exemplo. o qual sofre variações ou anomalias.

após um período de 19 anos (ciclo maregráfico). devido às suas irregularidades. e que se prolonga sob os continentes de modo tal que a direção da força de gravidade em qualquer de seus pontos é normal a ela”. o que torna os cálculos geodésicos bem mais simples. Modelo Elipsoidal b a Figura 3.Elipsóide de revolução. Visando obter simplicidade nos cálculos geodésicos. aceitou-se o Elipsóide de Revolução como o modelo matemático que mais se aproxima da forma da Terra. determinando a sua posição média.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Considerando-se que as linhas de força do campo gravífico são curvas reversas. chegou-se à conclusão de que o nosso planeta é ligeiramente achatado nos pólos. e que a superfície da Terra é.2. denominados geóides matemáticos.3. baseadas nos estudos de anomalias da gravidade e de harmônicos esféricos. Esses aparelhos registram continuamente o movimento das marés. o equacionamento matemático do geóide é muito complexo. Esses modelos são apresentados a seguir: 3. EGM.3 . O valor do Nível Médio dos Mares (NMM) pode ser obtido por meio de equipamentos denominados marégrafos. suposto homogêneo e livre de perturbações de qualquer natureza. os modelos GEM. Existem teorias que pregam a utilização do Elipsóide Escaleno.2. porém o ganho de 19 .1. Diante dessa descoberta. que são instalados no litoral. Baseados em observações e estudos ao longo de anos. o que o distancia de um uso mais prático nos levantamentos geodésicos. MODELOS GEOMÉTRICOS A adoção do geóide como superfície de referência depende do conhecimento do campo gravífico terrestre. Por esse motivo. Além disso. com por exemplo. o que ainda é muito limitado. Compreende-se por geóide “uma superfície equipotencial coincidente com o nível médio dos mares. etc. a Geodésia adotou como forma matemática aproximada de representação da Terra. 3. adotou-se uma superfície como base para as medidas geodésicas: o Geóide. OSU. o Elipsóide. a Geodésia procura adotar modelos matemáticos rígidos para representar a Terra. cortada por diferentes equipotenciais. Existem outras aproximações do geóide.3.

Raio Raio Figura 3. denominado centro. onde a = b = raio (Fig. 20 .2. como um todo. Tabela 3. Características Expressão Geral do Elipsóide de Revolução: (a = semi-eixo maior. 3.3) é definido como sendo o sólido geométrico gerado por uma elipse que gira em torno do seu eixo menor (eixo polar). Por definição.2.4).4 .Características matemáticas do elipsóide de revolução. O modelo esférico é um caso particular (mais simples) do modelo elipsoidal. 3. Este sólido é empregado como superfície auxiliar em certos desenvolvimentos geodésicos e em aplicações cartográficas de natureza mais simples.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS precisão nestas determinações não é significativo face ao aumento de complexidade nas operações matemáticas. Suas características principais podem ser vistas na Tab.1 . esfera é o lugar geométrico dos pontos eqüidistantes de um outro ponto dado.º Achatamento (ou Achatamento Polar) (f) Excentricidade (e) 3.1. Modelo Esférico Dentro de determinados limites de precisão. O elipsóide de revolução (Fig. a Esfera.3. pode-se adotar como modelo matemático para a Terra. 3.Modelo esférico. b = semi-eixo menor) Fórmula x2 + y2 z2 + 2 =1 a2 b f= e2 = a−b a a2 − b 2 a2 1.

2000): a definição compreende a adoção de um elipsóide de revolução sobre o qual são aplicadas injunções de posição e orientação espacial. A implantação de um SGR é dividida em duas partes: definição e materialização na superfície terrestre (IBGE. Para isso. em termos de posicionamento. INTRODUÇÃO A adoção de uma superfície matemática rígida para representar a Terra não é suficiente para definir o posicionamento de um ponto sobre a superfície terrestre. 3. sem a influência do efeito de curvatura da Terra.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS 3. Os ângulos são tomados como se observados segundo o mesmo plano do horizonte. produzem um resultado dentro da tolerância estabelecida. As distâncias observadas são sumariamente aceitas como se medidas sobre o plano de referência e nele representadas. O modelo plano é usado nas operações topográficas.3. onde é possível aceitar cálculos.5 . A conseqüência imediata. Figura 3. faz-se necessária a definição de um sistema de coordenadas associado aos pontos da superfície terrestre. independente da tolerância requerida. da aceitação desse modelo. São situações em que os instrumentos ou métodos utilizados não detectam as pequenas variações da curvatura da Terra.Modelo plano.3. SISTEMAS GEODÉSICOS DE REFERÊNCIA 3. que são vistas como um subconjunto das operações geodésicas. é possível considerar a simplificação do modelo terrestre para um Plano. é a redução dos dados à superfície de referência por meio de uma projeção ortogonal (Fig.5). Modelo Plano Existem casos onde. e a materialização consiste no estabelecimento de uma rede geodésica de pontos interligados na superfície terrestre cujas coordenadas são conhecidas.3.3. 3.2. ou que. para uma distância de até 50km aproximadamente. 21 .1. embora negligenciada. chamado Sistema Geodésico de Referência (SGR).

ao qual devem estar referenciadas todas as posições. Quando a localização do datum horizontal está sobre a superfície terrestre.6 . 22 . Datum Horizontal ou Planimétrico É o ponto de referência (origem) para o posicionamento horizontal (coordenadas planimétricas) de um sistema.1. a determinação do datum vertical envolve a utilização de uma rede de marégrafos para o estabelecimento do nível médio dos mares.2. principalmente. faz-se então um ajustamento dos resultados encontrados. Após anos de medições. Para se determinar o datum horizontal na superfície terrestre são necessários anos de observações e cálculos. Figura 3. Esse último é utilizado. Quando o datum horizontal está situado próximo ao centro de massa da Terra.3. o sistema geodésico pode ser Topocêntrico ou Geocêntrico. 3.1. 3.6). 3. encontrando-se a referência “zero” para o NMM. e de um ponto origem chamado Datum. 3. Datum Vertical ou Altimétrico É o ponto de referência (origem) para o posicionamento vertical (coordenadas altimétricas) de um sistema. o sistema é chamado Geocêntrico ou Global (Fig. para o posicionamento através do uso de satélites artificiais. De acordo com a sua localização. em Geodésia Espacial. o sistema é chamado Topocêntrico ou Local (Fig. Figura 3.1. Normalmente este ponto é escolhido num local de máxima coincidência entre o geóide e o elipsóide. Como as altitudes são referidas ao nível médio dos mares.7 .Sistema geodésico global.3. ou seja.7). Um dos marégrafos passa a ser ponto de referência do datum vertical.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS As injunções de posição e orientação espacial para o elipsóide de revolução em relação à superfície física são feitas através da preservação do paralelismo entre os eixos de rotação da Terra real e do elipsóide. à superfície do geóide.Sistema geodésico local.

as redes altimétrica e planimétrica são distintas. É o caso. Alguns exemplos são: Córrego Alegre. Assim. GPS (Global Positioning System) e DORIS (Doppler Orbitography and Radiolocation Integrated by Satellite) em mais de 500 estações distribuídas pelo mundo todo (IBGE. Por este motivo.3. 1999). A Tab. principalmente o GPS. por exemplo. Essas discrepâncias podem ser negligenciadas para projetos que envolvam mapeamentos em escala pequena. etc.000. SAD-69. Este é o sistema de referência mais preciso até hoje realizado. é necessário redefinir periodicamente seus valores. ano yy). Porém. SISTEMA GEODÉSICO DE REFERÊNCIA MODERNO É um sistema recente. SISTEMA GEODÉSICO DE REFERÊNCIA CLÁSSICO É o sistema concebido antes da era da Geodésia Espacial. ITRF94 é a realização referente ao ano de 1994 (IBGE. com a utilização de métodos e procedimentos geodésicos tradicionais (triangulação. Com o advento dos satélites de posicionamento. um outro sistema geodésico que tem sido utilizado no Brasil é o WGS-84 (World Geodetic System 1984). existem ainda muitos produtos cartográficos referenciados aos antigos sistemas: Córrego Alegre e Astro Datum Chuá.000 (D’Alge. do monitoramento do desflorestamento na Amazônia Brasileira. vinculadas ao sistema Córrego Alegre e outras vinculadas ao SAD-69. 2000). com a utilização de métodos e procedimentos mais refinados como.3. a denominação dada à materialização do ITRS vem acompanhada pelo ano em que foi estabelecida. Seus parâmetros de posição (coordenadas e velocidades) são produzidos a partir da combinação de um conjunto de técnicas espaciais de posicionamento. SLR (Satellite Laser Ranging). Um dos problemas típicos na criação da base de dados de um SIG no Brasil tem sido a coexistência de mais de um sistema geodésico de referência. a observação do campo gravitacional terrestre a partir de satélites artificiais e a consideração dos parâmetros físicos da velocidade de rotação da Terra. 3.2.3. o sistema geodésico oficial do Brasil é o SAD-69 (South American Datum 1969). por exemplo. 3. sendo as suas realizações denominadas de ITRFyy (International Terrestre Reference Frame.0. que usa uma base de dados formada a partir de algumas cartas topográficas na escala 1:250. Como as coordenadas das estações sobre a superfície terrestre variam em função do tempo. época 1997. LLR (Lunar Laser Ranging). eles variam em relação ao tempo. Por exemplo. Nesse sistema. concebido durante a era da Geodésia Espacial.4. geocêntrico. O referencial mais preciso existente na atualidade é o ITRS (International Terrestre Reference System). SISTEMAS GEODÉSICOS DE REFERÊNCIA ADOTADOS NO BRASIL Atualmente. cujos valores não são fixos. SIRGAS. etc. Isso garante uma maior precisão às coordenadas medidas.2 a seguir mostra os parâmetros dos principais sistemas geodésicos utilizados no Brasil. poligonação e trilateração). tais como VLBI (Very Long Baseline Interferometry). mas são absolutamente preponderantes para escalas maiores que 1:250. Por exemplo. é de fundamental importância que todo usuário de SIG observe a origem 23 . Alguns exemplos são: ITRS. 2000) 3. É um sistema topocêntrico. as diferenças entre Córrego Alegre e SAD-69 traduzem-se em discrepâncias de algumas dezenas de metros sobre a superfície do território brasileiro. A última realização do ITRS é o ITRF97.3. onde os parâmetros definidores estão vinculados a um ponto na superfície física da Terra.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS 3.

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dos dados geográficos com que está trabalhando, a fim de evitar incompatibilidades no seu trabalho de geoprocessamento. Apesar dos diferentes data, a tarefa de conversão de um datum para outro é baseada em equações simples, que a maioria dos programas de geoprocessamento está habilitado a realizar, através do conhecimento dos parâmetros de transformação.
Tabela 3.2 - Sistemas geodésicos mais utilizados no Brasil Sistema Geodésico Datum Horizontal Vértice Chuá ϕ = -19° 45' 41",65 SAD-69 λ = -48° 06' 04",06 h = 763,28 m Θ = 03° 32' 00",98 N=0m Córrego Alegre ϕ = -19° 50' 14",91 CÓRREGO ALEGRE λ = -48° 57' 41",98 h = 683,31 m Θ = 0° N=0m a = 6.378.137,00 WGS-84 Geocêntrico GRS-80 b = 6.356.752,51 f = 1/298,257223563 Hayford 1924 a = 6.378.388,00 b = 6.356.911,95 f = 1/297 Imbituba-SC UGGI-67 a = 6.378.160,00 b = 6.356.774,72 f = 1/298,25 Datum Vertical Nome Elipsóide Parâmetros

NOTA: Sobre o termo “DATUM”, alguns autores o consideram apenas como o ponto de origem; outros, como a superfície de referência (elipsóide); e ainda há outros que o utilizam como sinônimo de Sistema Geodésico.

3.4.

PROJETO MUDANÇA DE REFERENCIAL GEODÉSICO

A rede planimétrica de alta precisão do Sistema Geodésico Brasileiro (SGB) é constituída, atualmente, por mais de 5000 estações geodésicas cujas coordenadas estão referidas ao referencial oficialmente adotado desde a década de 70: o SAD-69. O termo “alta precisão”, entretanto, deve ser entendido como uma classificação relativa aos métodos e instrumentos utilizados nos levantamentos no decorrer do seu estabelecimento. Sabe-se, através do reajustamento da rede planimétrica realizado em 1996, que a precisão das coordenadas geodésicas de uma estação estabelecida por triangulação e poligonação não é melhor que meio metro, podendo chegar a um metro (IBGE, 1996). Nos dias de hoje, pode-se alcançar precisão centimétrica, ou até milimétrica, através de observações GPS. Objetivando o atendimento dos padrões atuais de posicionamento global, verificase que é necessária a adoção de um referencial geocêntrico no Brasil, em substituição ao

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topocêntrico, SAD-69, utilizado. Esta mudança garante a manutenção da qualidade dos levantamentos por satélite realizados em território nacional, uma vez que referenciar os resultados obtidos ao SAD-69 implica na degradação da precisão. Outro fator determinante diz respeito à necessidade de se buscar uma compatibilidade com os demais países sul-americanos, adotando-se, no continente, um referencial geodésico único para as atividades cartográficas. Além disso, outra consideração a ser feita diz respeito ao intercâmbio das informações espaciais digitais, o qual é comprometido tendo em vista os diversos referenciais em uso hoje em dia (IBGE, 2002) Em face do exposto, pode-se concluir que os níveis atuais de precisão obtidos no posicionamento geodésico tornam obrigatória a adoção de sistemas de referência que forneçam um georreferenciamento a nível global e que considerem a variação temporal das coordenadas de acordo com a dinâmica terrestre. Com o objetivo de se compatibilizar os sistemas geodésicos utilizados pelos países da América do Sul, foi criado em 1993 o projeto SIRGAS (Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas), com vistas a promover a definição e estabelecimento de um referencial único compatível em termos de precisão com a tecnologia GPS. Os primeiros resultados do SIRGAS se traduziram em uma das redes de referência continentais mais precisas do mundo. Ela é composta por 58 estações distribuídas pelo continente, com coordenadas determinadas por GPS e referidas a rede de referência internacional ITRF94. Em outras palavras, o SIRGAS é uma densificação do ITRF na América do Sul. Das 58 estações, 11 se situam no território brasileiro, das quais 9 coincidem com estações da Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo (RBMC), a rede geodésica ativa GPS implantada pelo IBGE no Brasil (IBGE, 2002).

Figura 3.8 - Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo - RBMC. (IBGE,2004)

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A RBMC (Fig. 3.8) é uma rede de estações GPS permanentes composta atualmente por 20 (vinte) estações em operação (Fortaleza, Brasília, Curitiba, Presidente Prudente, Bom Jesus da Lapa, Manaus, Viçosa, Cuiabá, Imperatriz, Porto Alegre, Salvador, Recife, Crato, Rio de Janeiro, Santa Maria, Belém, Varginha, Uberlândia, Montes Claros e Governador Valadares), 1 (uma) em fase de teste (Amapá) e 4 (quatro) em fase de implantação (Boa Vista, São Gabriel da Cachoeira, Porto Velho e Cachimbo), que serve de suporte para a utilização da tecnologia GPS no Brasil (IBGE, 2005). Em decorrência da permanente coleta de observações, a RBMC permite o cálculo contínuo das coordenadas sobre a superfície terrestre, monitorando, deste modo, as deformações da crosta terrestre. Dessa forma, é possível quantificar a variação temporal das coordenadas do Sistema Geodésico Brasileiro, proporcionando, assim, um referencial constantemente atualizado aos usuários (IBGE, 2004). Na Fig. 3.9 é possível verificar que as diferenças em coordenadas entre os sistemas SAD-69 e SIRGAS são, horizontalmente, da ordem de 60 a 70 metros na direção nordeste.

Figura 3.9 - Vetores de deslocamento horizontal entre SAD-69 e SIRGAS. (IBGE,2000)

Com o objetivo de desenvolver, documentar e apresentar estudos e pesquisas relacionados aos impactos sobre a mudança do referencial, vários órgãos, instituições e universidades ligados à área de geodésia formaram 8 (oito) grupos de trabalho, todos sob a coordenação do IBGE, os quais são responsáveis pelos estudos decorrentes desta proposta de mudança: GT 1 - Suporte e Atendimento ao Usuário: Realizar as atividades de suporte aos usuários. Para tanto, deverá: ter representação estadual; ter entendimento dos problemas dos usuários e propor recomendações de curto, médio e longo prazo;

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“folder”. Assim. Iniciou-se então o chamado Período de Transição. em substituição ao SAD-69. avaliar e adequar a Legislação Geodésica e Cartográfica à utilização do novo referencial.Normalização e Legislação: Realizar um Inventário da Legislação vigente. No final de 2004. mais moderno. GT 7 .UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS GT 2 . Cartografia. o Projeto de Mudança do Referencial Geodésico (PMRG) vai promover a adoção no país de um novo sistema de referência. o IBGE definiu que o SIRGAS seria o referencial a ser adotado oficialmente no Brasil.Conversão de Referenciais: Realizar a determinação de parâmetros de conversão. entre outros estudos. que deve durar até 2014.Divulgação: Realizar as atividades de divulgação de todo o processo.Definição do Sistema de Referência Geodésico: Promover o estudo sobre qual sistema adotar. manutenção da homepage do Projeto e disseminação de relatórios e instrumentos diversos. GT 5 . constantes físicas e demais parâmetros.Definição de Modelo Geoidal: Determinar o Modelo Geoidal adequado ao novo referencial. 27 . SIG e Informações Espaciais. GT 3 . GT 8 . desenvolvimento de aplicativos. Geodésia. constantes geométricas. glossários. GT 4 . de concepção geocêntrica e compatível com as mais recentes tecnologias de posicionamento.Conversão da Cartografia: Promover o estudo dos problemas inerentes à conversão da cartografia sistemática e da cartografia cadastral.Impactos da Mudança do Referencial: Avaliar os impactos da mudança nas áreas de Documentação Legal e Tributária. GT 6 . participação e realização de eventos. em que o novo sistema e os sistemas vigentes (Córrego Alegre e SAD-69) poderão ser oficialmente utilizados. através da editoração e divulgação de manuais.

O Equador é o círculo máximo que divide a 28 . por meio de um elipsóide de revolução (Modelo Elipsoidal). existem diversos modelos de representação da Terra. Num modelo esférico. A importância de se conhecer esses sistemas e a interligação entre eles reside no fato de que muitas operações realizadas pelo usuário de SIG são baseadas em algumas transformações entre diferentes sistemas de coordenadas que garantem a relação entre um ponto na tela do computador e as suas coordenadas geográficas. SISTEMAS DE COORDENADAS GEOGRÁFICAS E GEODÉSICAS Como foi visto no Capítulo 3. os meridianos são elipses definidas pelas interseções. na Inglaterra. Em ambos os sistemas. Sistema de Coordenadas de Imagem. com o elipsóide. os meridianos são círculos máximos cujos planos contêm o eixo de rotação. Os principais sistemas de coordenadas utilizados em Geoprocessamento são os seguintes: Sistema de Coordenadas Geográficas. Tanto no modelo esférico como no modelo elipsoidal os paralelos são círculos cujo plano é perpendicular ao eixo de rotação e que vão diminuindo de tamanho até que se reduzam a pontos nos pólos Norte e Sul. escolhido convencionalmente como a origem (0°). a segunda. O Meridiano de origem ou inicial é aquele que passa pelo antigo observatório britânico de Greenwich. é necessário associar os dados existentes a um sistema de coordenadas. Para tanto. Sistema de Coordenadas Planas Polares. A principal diferença quando se fala em coordenada geográfica e coordenada geodésica está relacionada ao modelo matemático adotado: a primeira diz respeito à representação feita através de uma esfera (Modelo Esférico).UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS CAPÍTULO SISTEMAS DE COORDENADAS A principal característica que os dados inseridos em um Sistema de Informações Geográficas devem apresentar é a possibilidade da localização geográfica da informação disponível. Já num modelo elipsoidal. dos planos que contêm o eixo de rotação. Sistema de Coordenadas Geodésicas. Sistema de Coordenadas Planas Cartesianas. cada ponto da superfície terrestre é localizado pela interseção de um Meridiano com um Paralelo. Sistema de Coordenadas Geocêntrico Terrestre.1. 4.

A Fig.3 ilustram. Com relação às coordenadas altimétricas. Figura 4. As longitudes são a base para a contagem dos fusos horários.Latitudes Geodésica e Geocêntrica. A altitude em relação ao geóide é chamada altitude ortométrica.1 ilustra a diferença entre a Latitude Geodésica e a Latitude Geocêntrica. a localização de um determinado ponto da superfície terrestre é dada por um conjunto de coordenadas definidas por uma Longitude e uma Latitude. as Fig. No modelo elipsoidal. relativa ao sistema WGS-84. também se usa a expressão altura elipsoidal. a Latitude Geográfica de um ponto é o ângulo entre o Equador e ponto considerado. Para fins de comparação. 4. sendo positivas ao Norte do Equador (0° a +90°) e negativas ao Sul (0° a -90°). e a Latitude Geocêntrica. o termo usado é altura geométrica. Com base nos meridianos e paralelos. a referência para a altimetria é o geóide. o Sistema de Coordenadas Geográficas e o Sistema de Coordenadas Geodésicas.2 e 4. é importante ressaltar que a altitude de um ponto é dada sempre em relação ao nível médio dos mares.1 . e é considerado como o paralelo de origem (0° ). sendo positivo a leste de Greenwich (0° a +180°) e negativo a oeste (0° a -180°). 29 . respectivamente. particularmente. a longitude de um ponto é definida como o ângulo diedro entre os planos do meridiano origem (Greenwich) e do meridiano que contém o ponto. Quando se utiliza um modelo geométrico como referência para a altimetria. medido sobre o meridiano que contém o ponto. Todas as latitudes são medidas sobre o meridiano que contém o ponto. Norte e Sul. Para fins de posicionamento. utiliza-se a latitude geodésica como coordenada. existirão duas latitudes: a Latitude Geodésica. No modelo esférico. Nos casos de um modelo elipsoidal. 4. que é o ângulo entre a normal ao elipsóide no ponto considerado e sua projeção no plano equatorial.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Terra em dois hemisférios. que é o ângulo entre o raio vetor desse ponto e sua projeção no plano equatorial. Tanto no modelo esférico (Longitude Geográfica) quanto no modelo elipsoidal (Longitude Geodésica). O GPS fornece esta medida aos seus usuários. ou seja.

Ela é materializada pela direção do fio de prumo. A normal do lugar em um determinado ponto da superfície terrestre é definida pela direção perpendicular à superfície de referência (esfera ou elipsóide) que passa pelo ponto (Fig.2 . Altitude Ortométrica (H) é a distância medida sobre a vertical do lugar. 30 . Figura 4. que se estende do ponto considerado até o seu homólogo sobre o geóide.3). 4. 4.Sistema de Coordenadas Geográficas.Sistema de Coordenadas Geodésicas.3 .2 e 4. A vertical do lugar de um ponto sobre a superfície terrestre é a direção tangente à linha de força do campo gravífico no ponto considerado (Fig. A redução da altura medida em relação ao elipsóide para a altitude medida em relação ao geóide é feita através da determinação da ondulação ou desnível geoidal. Figura 4.4 .Vertical do lugar. Figura 4.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Altura geométrica ou elipsoidal (h) é a distância vertical medida sobre a normal. que se estende do ponto considerado até o seu homólogo sobre a superfície de referência (esfera ou elipsóide).4).

determinado após o estudo da órbita descrita pelos satélites artificiais. h) denota as coordenadas homólogas no sistema de coordenadas geodésicas. Eixo Y: está no plano do Equador e coincide com a direção ortogonal ao eixo X.2. esses mapas nem sempre estão disponíveis.5).UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Ondulação Geoidal ou Desnível Geoidal (N) de um ponto da superfície terrestre é o afastamento linear entre o elipsóide e o geóide no ponto considerado. λ. A ondulação geoidal pode ser obtida por meio de Mapas Geoidais. Entretanto. 4.Ondulação geoidal. caracterizado por um conjunto de três eixos coordenados (X. Y. Para fins práticos. Este sistema é conhecido pela sigla em inglês ECEF (Earth-Centered. eles acompanham os movimentos do planeta. 4. Z). EarthFixed). relativos a um dado elipsóide. Figura 4. O termo “Earth-Centered" indica que a origem dos eixos (0. 4. de modo que: Eixo X: coincide com a projeção do Meridiano de Greenwich sobre o plano do Equador. mutuamente perpendiculares. os quais representam linhas de isovalores da ondulação geoidal (N). contado sobre a normal. Assumindo-se um modelo elipsoidal para a Terra. ou seja. O termo "Earth-Fixed" indica que os eixos coordenados são fixos em relação à Terra. Eixo Z: coincide com o eixo de rotação da Terra. Z) denota as coordenadas de um determinado ponto no sistema geocêntrico terrestre dadas em metros e (ϕ. Trata-se de um sistema de coordenadas muito importante para a transformação de coordenadas entre sistemas diferentes.0) está localizada no centro de massas da Terra.6) é um sistema cartesiano tridimensional com origem no centro de massa da Terra. no sentido anti-horário. Y. onde (X. pode ser considerada igual à diferença entre a altitude ortométrica e a altura elipsoidal (Fig. SISTEMA DE COORDENADAS GEOCÊNTRICO TERRESTRE O Sistema Geocêntrico Terrestre ou Sistema Cartesiano Terrestre (Fig. as relações matemáticas que realizam as 31 .5 .0.

7) baseia-se na escolha de dois eixos perpendiculares.  1 . h) → (X.e2   d = X 2 + Y 2   4. λ. Tabela 4. Transformação Coordenadas Geodésicas para Geocêntricas (ϕ. λ.Sistema de Coordenadas Geocêntrico Terrestre.a e 2 cos 3 Ψ  0    Y λ = arctan    X   d -N h = cos ϕ        Z a Ψ0 = arctan  ⋅  d b  2 e2  ' e = onde.Transformação entre Coordenadas Geodésicas e Geocêntricas.   2 a2 − b2 e = a2  Coordenadas Geocêntricas para Geodésicas (X.e ) + h] sen ϕ a  N = (1 . SISTEMA DE COORDENADAS PLANAS CARTESIANAS O Sistema de Coordenadas Planas Cartesianas (Fig.1 . 4. Z) Formulação  X = (N + h) cos ϕ cos λ   Y = (N + h) cos ϕ sen λ  2 Z = [N (1 . Z) → (ϕ. Nesse sistema de coordenadas um ponto é 32 . cuja interseção (origem) é estabelecida como base para a localização de qualquer ponto do plano.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS transformações entre estes dois sistemas são mostradas na Tab.3.e 2 sen 2ϕ )  onde. 4. Y. h)   Z + b e ' 2 sen 3 Ψ 0 ϕ = arctan   d .6 .1. Figura 4. Y.

A direção dos eixos X e Y são representadas pela direção Leste ou Este (E) e Norte (N). Este sistema é utilizado para a representação da superfície terrestre num plano. cujas coordenadas são medidas em metros.7). Neste caso.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS representado por dois números reais: um correspondente à projeção sobre o eixo X (horizontal) e outro à projeção sobre o eixo Y (vertical) (Fig. 4.4. que substitui o uso de um par de coordenadas (x. respectivamente (Fig.8 .2. a distância do ponto à origem do sistema cartesiano e o ângulo formado com o eixo x. não há sentido em se falar de coordenada plana sem mencionar o sistema de projeção que lhe deu origem (Timbó. A relação entre as coordenadas planas e polares é apresentada na Tab. 4.10). Figura 4.Grade regular. e não em graus. 33 . Trata-se de um sistema simples. a origem dos eixos coordenados é estabelecida em certos paralelos e meridianos terrestres.9 . 4. 1999). formando uma grade regular.Mapa em Projeção Cônica. o sistema de coordenadas polares (Fig. y) por uma direção θ e uma distância ρ para posicionar cada ponto no plano de coordenadas (D’Alge. Figura 4. 4.Coordenadas Planas Polares. onde ρ e θ denotam. 4. para tal. 2001).10 . de relação direta com o sistema de coordenadas cartesianas.8). Cabe ressaltar que a formulação matemática que associa as coordenadas planas com as coordenadas geodésicas será função do sistema de projeção empregado. SISTEMA DE COORDENADAS PLANAS POLARES Apesar de não aparecer de forma explícita para o usuário de SIG.9) merece atenção por causa de sua utilização no desenvolvimento das projeções cônicas (Fig. Figura 4. respectivamente.7 . Figura 4.Sistema de Coordenadas Planas. 4. Em outras palavras. deve estar associado a algum tipo de projeção cartográfica.

4. 4. y) → (ρ. 4. 1999). A relação com um sistema de coordenadas planas é direta e faz-se através da multiplicação do número de linhas e colunas pela resolução espacial (D’Alge. θ) → (x.5.11).2 .UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Tabela 4.Sistema de Coordenadas de Imagem. pode-se transformar as coordenadas de um ponto em um sistema “A” para um outro “B” por meio do vetor posição de um sistema em relação ao outro.11. SISTEMA DE COORDENADAS DE IMAGEM (MATRICIAL) A integração de Geoprocessamento com Sensoriamento Remoto depende do processo de inserção de imagens de satélite ou aéreas na base de dados do SIG. devido às diversas fontes de dados existentes.3. Figura 4.Transformação entre Coordenadas Cartesianas e Polares. O processo básico de transformação é descrito a seguir. O sistema de coordenadas de imagem tem origem no canto superior esquerdo da imagem e seus eixos são orientados nas direções das colunas e das linhas da imagem (Fig. Transformação Coordenadas Polares para Cartesianas (ρ. θ) Formulação  x = ρ cos θ  y = ρ sen θ  y θ = arctan   x   ρ = (x2 + y 2 )1/2  4.6. Na Tab. 34 . são descritos os procedimentos operacionais que devem ser seguidos para converter as coordenadas geodésicas do sistema A para o sistema B. TRANSFORMAÇÃO ENTRE SISTEMAS GEODÉSICOS Uma operação muito usual em Geoprocessamento. Para se realizar o georreferenciamento dessas imagens. uma vez que a condição de paralelismo entre o eixo Z do elipsóide e o de rotação da Terra foi imposta. Os valores de colunas e linhas são sempre números inteiros que variam de acordo com a resolução espacial da imagem. necessita-se de uma relação entre o sistema de coordenadas de imagem e o sistema de referência da base de dados. é a transformação de coordenadas segundo diferentes sistemas geodésicos. y) Coordenadas Cartesianas para Polares (x. Considerando-se que os sistemas geodésicos são paralelos entre si.

Dz) Conversão das coordenadas geocêntricas para geodésicas. λ.40 -34.4 . Z)A + (Dx. Passo 1 o Procedimento Conversão das coordenadas geodésicas para geocêntricas. no sistema B Representação (ϕ. Dy. são apresentados os parâmetros oficiais de transformação para o sistema SAD-69 a partir dos outros sistemas geodésicos em uso no Brasil (IBGE. h)B 3 o Na Tab.Dz)→ (X.4.3 . Y. λ.52 35 . h)A → (X. h )A → ( ϕ.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Tabela 4. Z)B (X. λ. Y.Parâmetros oficiais de transformação para o Sistema Geodésico SAD-69.70 -164. no sistema A Conversão das coordenadas geocêntricas do sistema A para o sistema B. Z)A 2 o (X. Y. Parâmetros Dx (m) Dy (m) Dz (m) Córrego Alegre 138. Y. através de parâmetros de transformação (Dx.37 -38.87 4.Dy. 4. λ. Z)B → (ϕ.Transformação entre Sistemas Geodésicos ( ϕ. Tabela 4.40 WGS84 -66. 1989). h )B .

36 . λ). Há sistemas que conseguem evitar algumas dessas deformações. estereográfica e de Mercator. Para tal. Isto ocorre porque não se pode passar de uma superfície curva para uma superfície plana sem que haja deformações. 5. são definidos pelas relações diretas (f1 e f2) e inversas (g1 e g2) que associam as coordenadas planas ou de projeção (x.1. Figura 5. Qualquer sistema representará a superfície terrestre com deformações. INTRODUÇÃO Todos os mapas e cartas são representações aproximadas da superfície terrestre. e viceϕ versa. Tais deformações afetam os ângulos. que de modo genérico. respectivamente.Correspondência entre a superfície de referência e a de projeção. A elaboração de um mapa requer um método que estabeleça uma correspondência biunívoca entre os pontos da superfície da Terra e seus homólogos no plano de projeção do mapa. que são tanto maiores quanto mais extensa for a região a representar. 1999). as áreas e os comprimentos.1. mas não todas.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS CAPÍTULO PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS 5. ortográfica. Uma notável ilustração das deformações pode ser vista na figura 5. conforme mostrado na Fig. utilizam-se os sistemas de projeções cartográficas.1 .2. y) às geodésicas (ϕ. (D’Alge. onde um mesmo rosto é desenhado sobre diversas projeções: globular.

de uma maneira geral.2 . as projeções são mais conhecidas através dos nomes de seus autores. a projeção de Mercator.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS NOTA: O termo “DEFORMAÇÃO” não é bem utilizado. projeção de Gauss. acarreta distorções inevitáveis. a representação da Terra.Exemplos de distorções sofridas em projeções. 1996). Assim. sobre uma superfície plana. Figura 5. 5.1 (Mello e D’Alge. como por exemplo. considerada elipsoidal ou esférica. que podem ser classificadas conforme o Quadro 5. diferentes técnicas de representação são aplicadas no sentido de se alcançar resultados que possuam certas propriedades favoráveis para um propósito específico. 37 . há um número grande de diferentes projeções cartográficas. Com isso. Apesar de obedecerem a esta classificação. pois pode levar à idéia do desconhecimento de formas e estruturas aplicadas. etc. projeção de Cassini.2. Já o termo “DISTORÇÃO” estabelece que existe um conhecimento prévio do comportamento da deformação sofrida. CLASSIFICAÇÃO DAS PROJEÇÕES Como foi abordada anteriormente.

1 . (Mello e D’Alge. 1996) • Geométricas 1) Quanto ao método de Construção • Analíticas • Convencionais • Perspectivas • Pseudo-perspectivas • Simples ou regulares • Modificadas ou irregulares • Planas ou Azimutais 2) Quanto ao Tipo de Superfície Adotada • Cônicas • Cilíndricas • Poliédricas • Polares • Equatoriais ou meridianas • Oblíquas ou Horizontais • Cônicas ou Policônica • Por Desenvolvimento • Cilíndricas • Transversa • Normais • Horizontais ou Oblíquas • Equatoriais • Transversas ou Meridianas • Horizontais ou Oblíquas • Por Desenvolvimento • Planas ou Azimutais 3) Quanto a Posição da Superfície de Projeção • Eqüidistantes 4) Quanto as Propriedades Intrínsecas • Equivalentes • Conforme • Afiláticas • Meridianas • Transversas • Azimutais ou Ortodrômicas 38 .UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Quadro 5.Classificação das Projeções Cartográficas.

Projeções Geométricas Perspectivas. no infinito. sobre a superfície de projeção. diametralmente oposto à tangência do plano de projeção. QUANTO AO MÉTODO DE CONSTRUÇÃO 5.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS 5. Quadro 5.1. do feixe de retas que passa por pontos da superfície de referência partindo de um centro perspectivo (ponto de vista). 39 . usando um determinado artifício como um ponto de vista fictício. Projeções Geométricas Perspectivas: Podem ser obtidas pela interseção. PV PV PV Projeções Geométricas Pseudoperspectivas: São obtidas a partir de projeções perspectivas.2) ou pseudoperspectivas. vista na superfície da Terra. Projeções Geométricas Baseiam-se em princípios geométricos de projeção. podendo ser perspectivas (Quadro 5.1.2 . Subdividem-se em três classes: Gnomônica: ponto de vista Estereográfica: ponto de Ortográfica: ponto de vista no centro da Terra.2.1. móvel ou com outra característica.2.

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS 5. como por exemplo. elipses. Projeções Analíticas Irregulares ou Modificadas Resultam de alterações impostas às projeções simples.6). pode-se citar a projeção equivalente de Bonne. Figura 5.3 .Projeção de Bonne. Como exemplo.2.4 . Projeções Analíticas São aquelas que não possuem um sentido geométrico propriamente dito. em conseqüência da imposição de leis matemáticas que visam conseguir determinadas características (é o caso da maior parte das projeções existentes).1.3 . a projeção transversa de Mercator e a projeção eqüidistante azimutal. 5. na qual as transformadas dos paralelos são linhas retas e as dos meridianos. onde a Terra é representa por um círculo e os meridianos e paralelos são arcos de círculos. 5. de uma maneira geral.1.3). como é o exemplo da projeção de Mollweide (Fig. Projeções Convencionais São aquelas que se baseiam em princípios puramente convencionais.2.3.5).Projeções Analíticas.Projeção Transversa de Mercator. transformando ou modificando as suas características próprias. Figura 5. Projeções Analíticas Simples ou Regulares São construídas com base em leis matemáticas provenientes de condições previamente estabelecidas. 5. Outro exemplo das projeções convencionais é a projeção globular (Fig. São divididas em: simples ou regulares e modificadas ou irregulares (Quadro 5. em função dos quais são estabelecidas suas expressões matemáticas.2. obtida de modificações introduzidas na projeção cônica eqüidistante meridiana. 40 . Quadro 5.

2.6) e poliédricas (Quadro 5. Projeção plana ou azimutal Quadro 5.5 . QUANTO AO TIPO DE SUPERFÍCIE DE PROJEÇÃO 5. Figura 5.2. 5.2.Projeção Plana ou Azimutal. cilíndricas (Quadro 5. já que em torno do ponto de tangência os azimutes são apresentados sem deformações.1. Figura 5.7 .2. 41 .Projeção Plana ou Azimutal. Projeção por Desenvolvimento A superfície de projeção é uma superfície desenvolvível em um plano. 5. São divididas em: cônicas (Quadro 5.2.7).Projeção de Mollweide.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Figura 5.Projeção globular.6 .2. Figura 5.5).8 .4 . É geralmente chamada de azimutal.Exemplo: Projeção Ortográfica.2. Projeção Plana ou Azimutal A superfície de projeção é um plano tangente ou secante à superfície da Terra.

A projeção de Mercator. 42 . Em todas as projeções cilíndricas normais (eixo do cilindro coincidente com o eixo de rotação da Terra). Quadro 5. é um exemplo desse tipo de projeção. uma das mais antigas e importantes. As projeções cônicas podem ser tangentes ou secantes. Figura 5. em seguida.Projeção Cônica.10 .5 . é desenvolvido num plano. os meridianos são retas que convergem para um ponto (que representa o vértice do cone) e todos os paralelos são circunferências concêntricas a esse ponto.11 . Figura 5.Exemplo: Projeção de Lambert.Projeção Cilíndrica.Projeção Cilíndrica. Projeção Cônica: A superfície de projeção usada é um cone que envolve a Terra e que. que se desenvolve num plano. Em todas as projeções cônicas normais (eixo do cone coincidente com o eixo de rotação da Terra). Figura 5.12 .Projeção Cônica. 000 Figura 5. os meridianos e os paralelos são representados por retas perpendiculares.6 .Exemplo: Projeção Cilíndrica de Miller. tangente ou secante à superfície da Terra.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Quadro 5.9 . Projeção Cilíndrica: A superfície de projeção utilizada é um cilindro.

7 .Projeção Poliédrica.4.2.3.8 são apresentadas várias posições da superfície de projeção. é impossível representar a superfície curva da Terra sobre uma superfície plana (ou desenvolvível num plano) sem que haja distorções. No Quadro 5. Figura 5. portanto.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Quadro 5. pode-se pensar numa possível conservação dos ângulos ou numa manutenção de áreas. sempre se levando em conta o fim a que se destina o mapa. A superfície de projeção pode ser tangente ou secante à superfície de referência.Projeção Poliédrica. no caso das projeções por desenvolvimento a classificação é feita de acordo com a posição do eixo da superfície cônica ou cilíndrica.2. em relação a superfície de referência (caso de tangência). QUANTO AS PROPRIEDADES INTRÍNSECAS Como já abordado anteriormente. QUANTO À POSIÇÃO DA SUPERFÍCIE DE PROJEÇÃO No caso das projeções planas ou azimutais a classificação é feita de acordo com a posição do plano de projeção e do ponto de tangência ou polo de projeção.13 .Exemplo: Projeção Icosaédrica. Projeção Poliédrica: Caracteriza-se pelo emprego de mais de uma superfície de projeção (do mesmo tipo) para aumentar o contato com a superfície de referência e. 5. 5. Por isso deve-se escolher que características devem ser conservadas e quais podem ser alteradas. Figura 5. A seguir. equivalência e conformidade. são apresentadas as propriedades intrínsecas das projeções cartográficas: equidistância. Por exemplo. diminuir as deformações.14 . 43 .

8 . Projeções Planas Polar: plano tangente no polo Projeções Cônicas Projeções Cilíndricas Normal: eixo do cone paralelo ao eixo Equatorial: eixo do cilindro da Terra paralelo ao eixo da Terra PN PN PN PS PS Equatorial ou Meridiana: plano Transversa: eixo do tangente no Equador perpendicular ao eixo da Terra PS cone Transversa: eixo do cilindro perpendicular ao eixo da Terra PN PN PN PS PS PS Oblíqua ou Horizontal: plano Horizontal: eixo do cone inclinado em Horizontal: eixo do cilindro tangente em um ponto qualquer relação ao eixo da Terra inclinado em relação ao eixo da Terra PN PN PN PS PS PS 44 .UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Quadro 5.Posições de tangência das superfícies de projeção.

o que significa que a escala para todas as direções em torno de um ponto independe do azimute e é constante para distâncias pequenas. na superfície representada (escala uniforme sem deformação linear). Projeções Equivalentes As projeções equivalentes conservam as áreas (escala uniforme sem deformação de área). a equidistância não é mantida em todo o mapa. Além disso.2. tal projeção atende aos propósitos relativos à direção dos ventos. 5. isto é. por exemplo. Os mapas eqüidistantes são bastante usados em Atlas. Projeções Eqüidistantes As projeções eqüidistantes conservam a proporção entre as distâncias. caracterizando uma deformação angular nula.2. não é uma característica global de toda a área mapeada.2. Projeções Conformes As projeções conformes não deformam os ângulos. Grandes áreas são distorcidas em sua configuração geral. Como conseqüência. praticamente do mesmo tamanho que o Brasil. quando. as áreas e os ângulos não são conservados. rotas.4. mesmo apresentando 45 . porque raramente é desejável um mapa com distâncias corretas em apenas uma direção. porém é muito interessante para a cartografia temática e SIG. 5.4. Como exemplos.15 ilustra claramente este problema ao mostrar o Alasca. Por esse motivo. A projeção gnomônica. 5. podem-se citar as projeções Cônica de Albers e Azimutal de Lambert. Entretanto. pelo fato de o aumento da escala de área ser mais lento dos que nas projeções conformes e equivalentes. ou seja.1. na América do Norte (altas latitudes). A projeção de Mercator tem a característica da conformidade e distorce bastante o tamanho dos objetos situados nas proximidades das regiões polares. mapas de planejamento estratégico e representações de grandes porções da Terra. esta projeção é menos empregada que as projeções conforme ou equivalentes. não deformam também a forma das pequenas áreas. onde não é necessário preservar as outras propriedades. conseqüentemente. em determinadas direções. o Brasil é quase cinco vezes maior.4.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS 5. podem possuir uma ou outra propriedade que justifique sua construção. O exemplo mais conhecido é a projeção Cilíndrica Eqüidistante. Projeções Afiláticas As projeções afiláticas são aquelas em que os comprimentos. cartas topográficas. A manutenção dos ângulos é uma característica importante para os mapas que servirão para a navegação porque representam as linhas de azimute constante (loxodrômicas) como linhas retas. um pequeno círculo na superfície terrestre será projetado também como um círculo. os ângulos e distâncias sofrem deformações. Incorretamente esta propriedade é referenciada como uma projeção de formas verdadeiras. na realidade.4. etc.2. A Fig. Na realidade. 5. A eqüidistância. somente a forma de pequenas áreas é preservada.4. a escala linear é correta apenas ao longo de determinadas linhas ou a partir de um ponto específico.2. Por exemplo. as áreas no mapa guardam uma relação constante com as suas correspondentes na superfície da Terra. porém.3. Estas características não interessam à cartografia sistemática.

possui a excepcional propriedade de representar as ortodrômicas (linhas que representam a menor distância entre dois pontos na superfície terrestre) como retas (De Bakker. PROJEÇÃO CÔNICA CONFORME DE LAMBERT Característica: os paralelos são arcos de círculos desigualmente espaçados. Projeção Policônica.3. Aplicações: mapeamento de regiões com expansão predominantemente Leste- 46 . 1965).3. Figura 5. Projeção UTM (Universal Transversa de Mercator). PROJEÇÕES MAIS USUAIS Dentre as várias projeções existentes.. enquanto que os meridianos são linhas retas convergentes igualmente espaçadas e cortam os paralelos com ângulos retos.Distorção para altas latitudes na Projeção de Mercator.15 . (Robinson et al. quatro serão destacadas nesta apostila: Projeção Cônica Conforme de Lambert. Existem dois paralelos-padrão representados em verdadeira escala (secantes à superfície).UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS todas essas deformações.1. 1995) 5. 5. Projeção Cilíndrica Equatorial Conforme (Projeção de Mercator).

° ° 5. regionais.18 . em vez de apenas um. Aplicações: mapeamento de regiões de extensão predominantemente Norte-Sul e reduzida extensão Leste-Oeste.Projeção Policônica.000. O meridiano central e o Equador são as únicas retas da projeção. Os meridianos são curvas que cortam os paralelos em partes iguais.000.Cone secante à Terra.3. sendo utilizada no Brasil para mapas de séries. Pequena deformação próxima ao centro do sistema. O meridiano central não apresenta deformações e é dividido em partes iguais pelos paralelos. mas aumenta rapidamente para a periferia (IBGE.19 . Figura 5.Vários Cones tangentes. estaduais e temáticos.16 .000 (CIM). Figura 5. mapeamento de larga escala (escala menor que 1:1. PROJEÇÃO POLICÔNICA ORDINÁRIA OU AMERICANA Característica: Utiliza como superfície intermediária de projeção diversos cones tangentes.Projeção de Lambert com dois paralelos-padrão (20°N e 60°N). os quais são círculos não concêntricos (cada um tem como centro o vértice do cone que lhe deu origem).17 .2. Figura 5.000). Figura 5. 47 . 1998).UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Oeste e Carta Internacional do Mundo 1:1.

adoção do sistema UTM (Universal Transversa de Mercator). 5. O mundo é dividido em 60 fusos. Cada um destes fusos é gerado a partir de uma rotação do cilindro de forma que o meridiano de tangência divide o fuso em 48 . só a partir de 1955 este sistema foi adotado para o mapeamento sistemático pelo Serviço Geográfico do Exército. O meridiano central da região de interesse e o equador são representados por retas. a distância no Equador é representada em verdadeira escala. PROJEÇÃO UTM (UNIVERSAL TRANSVERSA DE MERCATOR) Com a finalidade de padronizar os trabalhos cartográficos e gerar um sistema único de coordenadas planas para todos os países. a UGGI (União Geodésica e Geofísica Internacional) recomendou.3. onde cada um se estende por 6º de longitude. A projeção é conforme e se aplica cada fuso separadamente. Os fusos são numerados de 1 a 60 começando no antimeridiano de Greenwich (fuso 180º a 174º WGr) e continuando para leste.20 . 5.3. Características: A superfície de projeção é um cilindro transverso e secante (Fig. Figura 5.22).3. Aplicações: Cartas Náuticas e mapas de regiões equatoriais.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS 5.21 . os outros meridianos e paralelos são curvas complexas.Projeção de Mercator. No Brasil. Possui distorção máxima nos Pólos (não representados). meridianos e paralelos são linhas retas que se cortam sobre ângulos retos.4. É importante ressaltar que a projeção UTM é um caso particular da projeção transversa de Mercator. As linhas de mesmo azimute são linhas retas (loxodrômicas).Cilindro tangente no Equador Figura 5. PROJEÇÃO CILÍNDRICA EQUATORIAL CONFORME (PROJEÇÃO DE MERCATOR) Característica: os meridianos são igualmente espaçados. em 1951.

000 m e 0m para contagem de coordenadas ao longo do meridiano central. onde um eixo coincide com a projeção do Meridiano Central do fuso (eixo N apontando para Norte) e o outro eixo com a projeção do Equador. A cada fuso associamos um sistema cartesiano métrico de referência (Fig. 5. onde existe uma área de redução (K < 1) e outra de ampliação da escala (K > 1). O erro de escala fica limitado a 1/2.23). conforme a Fig. cada ponto do modelo de representação terrestre (descrito por latitude.500 no meridiano central. 1991). N).0000 no meridiano central e aproximadamente igual a 1. atribuindo à origem do sistema (interseção da linha do Equador com o meridiano central) as coordenadas 500. O quadriculado UTM está associado ao sistema de coordenadas plano-retangulares (E.500) ao meridiano central do sistema UTM (o que faz com que o cilindro tangente se torne secante).Projeção Universal Transversa de Mercator.000 m para contagem de coordenadas ao longo do Equador. Desta forma. 5.000.0015 (1/666) nos extremos do fuso.22 . torna-se possível assegurar um padrão mais favorável de distorção em escala ao longo do fuso. Figura 5. pode-se verificar que o fator de escala é igual a 1.22). 1998).9996 (1 . 49 . 1998). coordenada E e coordenada N dados em metros (IBGE.23 (Saunders.1/2. Isto elimina a possibilidade de ocorrência de valores negativos de coordenadas (IBGE. atribuindo-se a um fator de escala k = 0. para os hemisférios sul e norte respectivamente. longitude) estará biunivocamente associado ao terno de valores Meridiano Central. 1998) (Fig. Os limites dos fusos coincidem com os limites da Carta Internacional do Mundo ao Milionésimo (CIM). 1998). 5. e 10. e a 1/1030 nos extremos do fuso (IBGE. Avaliando-se a deformação de escala em um fuso UTM (cilindro transverso tangente).UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS duas partes iguais de 3º de amplitude (IBGE. Assim.

as coordenadas da linha de distorção nula estão situadas em 320. Figura 5. que representam as linhas de interseção do cilindro com a superfície de referência terrestre. pois as coordenadas E não são contínuas em fusos vizinhos.23). O sistema UTM é usado entre as latitudes 84º N e 80º S. Além desses paralelos a distorção é muito grande. 50 .UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS É importante observar que cada fuso desenvolvido é um segmento de projeção transversa centrada no respectivo meridiano central.24.000 m.000. distantes cerca de 1° 37’ do meridiano central. 5. Pelo valor arbitrado ao meridiano central. 5. uma a leste e outra a oeste. o que irá diferenciar o posicionamento de um ponto será a indicação do meridiano central ou a do fuso que contém o ponto. 1:50. É o sistema de projeção adotado para o mapeamento sistemático brasileiro (escalas 1:250. Duas linhas aproximadamente retas (Fig. ou seja. 1998). 1:100. aproximadamente.23 . Estas linhas estão situadas a aproximadamente 180 km a leste e a oeste do meridiano central do fuso.000. Aplicações: É a mais indicada para o mapeamento topográfico em grandes escalas. Deve-se tomar muito cuidado ao se trabalhar com o Sistema de Projeção UTM em áreas que se localizam em fusos distintos. cujos fusos abrangentes podem ser vistos na Fig. assim.000.Sistema de Coordenadas UTM. são representadas em verdadeira grandeza.000 m e 680. 1:25.000). cada fuso é responsável por um conjunto igual de coordenadas. sendo adotada mundialmente a Projeção Estereográfica Polar Universal (IBGE.

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Figura 5.24 . ° 51 .Fusos de 6° no Brasil.

etc.1. serras. INTRODUÇÃO Uma carta é uma forma de representação convencional ou digital das diversas feições cartográficas existentes na superfície terrestre. o desenho que representa o terreno é uma figura semelhante a dele.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS CAPÍTULO ESCALAS 6. estradas. o que se faz por meio da utilização de símbolos e convenções cartográficas. Esses detalhes podem ser: Naturais: São os elementos existentes na natureza como os rios. edificações. No entanto. sendo acidentes de importância relevante. A representação dessas feições gera dois problemas: A necessidade de reduzir as proporções dos acidentes. etc. pontes. montanhas. Uma forma simples de definir escala é: a relação entre a dimensão representada do objeto e a sua dimensão real. 52 . Em termos cartográficos. logo. uma vez que qualquer visualização gráfica é elaborada segundo uma redução do mundo real. e Artificiais: São os elementos criados pelo homem como: represas. devem ser representados. ampliação (d > D) ou redução (d < D). não permitem uma redução acentuada nos documentos cartográficos. a escala ou razão de semelhança é a seguinte: Escala (E) = grandeza no desenho ou dimensão gráfica (d) grandeza no terreno ou dimensão real (D) A relação d / D define se a escala é de reprodução (ou cópia) (d = D). Determinados acidentes. equivalente (ou nominal) e gráfica. Os tipos de escalas mais usuais são: numérica. Como as linhas do terreno e as do desenho são homólogas. mares. lagos. a fim de tornar possível a sua representação em um espaço limitado. dependendo da escala. Essa proporção é definida pela escala.. o conceito de escala é essencial para qualquer tipo de representação espacial. pois se tornariam imperceptíveis.

000 unidades no terreno. Para facilitar o cálculo e obter o numerador igual à unidade. NOTA: Uma escala é tanto MAIOR quanto MENOR for o DENOMINADOR. 6. Por exemplo: 1 : 50. onde o numerador é igual à unidade e o denominador é o número (valor) da escala. D EC = D = Denominador da Escala da Carta d A representação da escala numérica pode ser feita de duas formas: E = 1:DEC ou E = 1/DEC. Equivale à razão entre a medida de um objeto ou lugar representado no plano de projeção e sua medida real. no terreno.2.1 . significando que 1 cm na carta equivale a 500 m no terreno.4. Assim. 1 cm na carta corresponde a 50. ou seja.000 cm (ou 500 m). ESCALA NUMÉRICA É representada por uma fração. a escala será: E= d d/d 1 = = D D / d D EC onde. 6. o que corresponde à escala numérica de 1:50. Esta escala significa que uma unidade na carta corresponde a 50. ESCALA EQUIVALENTE OU NOMINAL É expressa por uma equivalência de números. ESCALA GRÁFICA Figura 6.000. basta dividir ambos os termos da fração pelo numerador (d).UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS 6. Exemplo: A escala 1:25.000.000.000 é maior que 1:100.3. Por exemplo 1 cm = 500 m. 53 .Exemplos de escala gráfica.000 ou 1 / 50.

Uma das vantagens da escala gráfica numa carta ou planta é que ela experimenta. teoricamente.2 mm. torna-se necessário o emprego da escala numérica. capaz de ser representada em desenho na mencionada escala. Para sua construção. portanto. ESCOLHA DA ESCALA Considerando uma região da superfície da Terra que se queira mapear e que possua muitos acidentes de 10 m de extensão.0002 m 2 54 .000 = = 50.0002 metro × D EC ou D EC = eT 0. quanto menor for a escala. É constituída de um segmento à direita da origem. sendo este o erro gráfico admissível. por exemplo.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS É a representação gráfica de várias distâncias do terreno sobre uma linha reta graduada.6. varia na razão direta do denominador da escala e inversa da escala. O erro de medição permitido será calculado da seguinte forma: E = 1/D EC Seja:  e T = erro tolerável ⇒ e T = 0. 6. Fixado esse limite prático. e de um segmento à esquerda da origem. as mesmas variações (dilatações e contrações) de comprimento no desenho.5. maior será o erro admissível. PRECISÃO GRÁFICA É a menor grandeza medida no terreno.000 0. graduadas da direita para a esquerda. o qual é dividido em submúltiplos da unidade escolhida. A escala gráfica nos permite realizar as transformações de dimensões gráficas em dimensões reais sem efetuarmos cálculos. o que garante uma sensível melhora nas medidas de distâncias efetuadas. denominada de talão ou escala de fracionamento. bastando transportar e comparar a distância a ser medida. entretanto. 6. ou seja. Os acidentes cujas dimensões forem menores que os valores dos erros de tolerância não serão representados graficamente. os quais ocuparão dimensões no desenho independentes da escala. a menor escala que se deve adotar para que esses acidentes tenham representação será determinada da seguinte forma: D EC = 10 m 100. pode-se determinar o erro tolerável nas medições cujo desenho deve ser feito em determinada escala. Em muitos casos será necessário utilizar símbolos e convenções cartográficas para a representação desses acidentes.0002 O erro tolerável. O tamanho do talão corresponde a uma unidade da escala. conhecida como escala primária. A experiência demonstra que o menor comprimento gráfico que o olho humano é capaz de perceber é de 0.

nunca terá uma precisão maior que a permitida para esta escala. Os trabalhos de SIG e Geoprocessamento são muitas vezes baseados em documentos cartográficos já existentes. Entretanto. Surge então a questão de que esses dados só poderão servir à essa escala de aquisição ou escalas menores.000. 55 . um mapa digital originalmente concebido na escala 1:50. ou seja. Verifica-se então que. não existe nenhuma restrição para a utilização desses dados em termos de redução. a escala adotada deverá ser igual ou maior que 1:50. a escala pode ser facilmente transformada para quaisquer valores. multiplicando 10 x 5.000. Assim. Na escala 1:50. deve-se ter muito cuidado.000.2 mm ou 1/5 mm) corresponde a 10 m no terreno. o erro prático (0. o denominador da escala mínima para que os acidentes com 10m de extensão possam ser representadas. a priori. encontrar-se-á 50. é importante entender que o material usado já possui um erro gráfico inerente à sua escala de representação. pois o que realmente vale é a escala de origem da aquisição dos dados. a escolha da escala é de certa forma relegada. ou seja.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Portanto.000. ou seja. e nada vai fazer com que esse erro diminua.000. No caso de mapas armazenados em meio digital. pois.

Cartas e Plantas. dos aspectos geográficos.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS CAPÍTULO MAPAS. onde o número de detalhes é bem maior e a curvatura da Terra pode ser desconsiderada.000 ).1.paralelos e meridianos . PLANTA Caso particular de carta.000 ).com a finalidade de possibilitar a avaliação de pormenores. 56 .000. dos aspectos artificiais e naturais de uma região da superfície terrestre. CARTAS E PLANTAS 7. temáticos. culturais e ilustrativos. DEFINIÇÕES Existem várias propostas para definir mapa. delimitada por elementos físicos.000). que representa uma área de extensão suficientemente restrita com uma escala grande ( > 1:25. culturais e artificiais de uma região da superfície terrestre. normalmente em escala pequena ( < 1:1.1 . em escala média ou grande ( ≥ 1:250. naturais.1). subdividida em folhas delimitadas por linhas convencionais . destinada aos mais variados usos. MAPA É a representação no plano.000 e ≤ 1:25. com grau de precisão compatível com a escala. político-administrativos. Serão consideradas nesta apostila as definições adotadas pelos principais órgãos oficiais de mapeamento do Brasil (Quadro 7. carta e planta.Definição de Mapas. Quadro 7. CARTA É a representação no plano.

linhas. superposta por reticulado de projeção. em uma projeção ortogonal sobre um plano) georreferenciada e complementada por símbolos.000. sobre o qual é realizado um tratamento cartográfico (planimétrico) (IBGE.CIM É uma representação de toda a superfície terrestre recomendada pela UGGI (União Geodésica Geofísica Internacional) na Projeção Cônica Conforme de Lambert com 2 paralelos-padrão na escala de 1:1. Não existe controle de terreno e as fotografias não são corrigidas. 1998). O fotoíndice é insumo necessário para controle de qualidade de aerolevantamentos utilizados na produção de cartas através do método fotogramétrico. Essas fotos são então montadas sobre uma prancha.é uma ortofoto (fotografia resultante da transformação de uma foto original. 1998).2. MOSAICO . podendo conter ainda simbologia e toponímia (IBGE. CARTA INTERNACIONAL DO MUNDO AO MILIONÉSIMO .é o conjunto de fotos de uma determinada área recortadas e montadas.Imagem georreferenciada a partir de pontos identificáveis com coordenadas conhecidas. A CIM fornece subsídios para a execução de estudos e análises de aspectos gerais e estratégicos ao nível continental (IBGE. Esse mosaico é de alta precisão (IBGE. A distribuição geográfica das folhas ao Milionésimo foi obtida com a divisão do 57 . mas não possui nenhuma precisão. 1998). s FOTOCARTA . É a primeira imagem cartográfica da região. onde se encontram representados um conjunto de pontos que servirão de controle à precisão do mosaico. não-controlado: é preparado simplesmente através do ajuste de detalhes de fotografias adjacentes. geralmente em escala reduzida. com ou sem legenda. de forma a dar a impressão de que todo o conjunto é uma única fotografia (IBGE.000. como por exemplo: FOTOÍNDICE . que é uma perspectiva central do terreno. 1998).montagem por superposição das fotografias. Classifica-se em: s controlado: é obtido a partir de imagens submetidas a processos específicos de correção de tal forma que o resultado corresponda exatamente à imagem no instante da tomada da foto. 1998). 1998). CARTA-IMAGEM . técnica e artisticamente. 1998).UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Existem outros tipos de representação cartográfica que utilizam imagens de diferentes sistemas sensores (fotografias aéreas ou imagens de satélites). ORTOFOTOCARTA . 7.é o conjunto de várias ortofotocartas adjacentes de uma determinada região (IBGE. podendo conter ainda informações planimétricas (IBGE. podendo conter feições representadas por símbolos cartográficos. 1998). Esse tipo de mosaico é de montagem rápida. ORTOFOTOMAPA . Normalmente a escala do fotoíndice é reduzida de 3 a 4 vezes em relação à escala de vôo (IBGE. 1998).é um mosaico controlado. Para determinados tipos de trabalho ele satisfaz plenamente (IBGE. Os pontos lançados na prancha têm o seu correspondente na imagem.

1998).indicam o número de cada fuso que contém a folha. letras A até U . O Brasil possui território nas zonas NA e NB do hemisfério norte. e a zona Z.1 . 58 .000 em 8 fusos (Fig. Além das zonas de A a U. está dividido. A divisão em fusos aqui apresentada é a mesma adotada nas especificações do sistema UTM. ou polar. o estabelecimento daquelas especificações é pautado nas características da CIM.174º W no sentido Oeste-Leste (Fig.Carta Internacional do Mundo ao Milionésimo (CIM) .000.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS planeta (representado aqui por um modelo esférico) em 60 fusos de amplitude 6º.Ilustrativa. Figura 7. tem-se mais duas que abrangem os paralelos de 84º a 90º: a zona V. totalizando um conjunto de 46 cartas 1:1. 7. numerados a partir do fuso 180º W . que é limitada pelos paralelos 84º e 88º. Neste intervalo. que vai deste último até 90º. e de SA até SI no hemisfério sul. números de 1 a 60 . que corresponde às regiões Polares. Cada um destes fusos.cada uma destas letras se associa a um intervalo de 4º de latitude desenvolvendo-se a Norte e a Sul do Equador e se prestam à indicação da latitude limite da folha. neste caso. Cada uma das folhas ao Milionésimo pode ser acessada por um conjunto de três caracteres (IBGE.indica se a folha está localizada ao Norte ou ao Sul do Equador. sendo utilizada. a Projeção Estereográfica Polar. Na verdade. em 21 zonas de 4º de amplitude para o Norte e com o mesmo número para o Sul (IBGE. a partir da linha do Equador.1). 1998): letras N ou S . por sua vez.2). 7. a Projeção Cônica Conforme de Lambert não atende convenientemente a sua representação.

000 a 1:25.712 Latitude 4° ° 2° ° 1° ° 30' 15' 07' 30" Longitude 6° ° 3° ° 1° 30' ° 30' 15' 07' 30" Área no Terreno (aproximado) 448 km x 672 km 224 km x 336 km 112 km x 168 km 56 km x 56 km 28 km x 28 km 14 km x 14 km 59 .3. 7.Cobertura da CIM no Brasil.000) (IBGE. 7.000 1:250.Índice de Nomenclatura no Brasil para diferentes escalas.000.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Figura 7.049 11.1 .1 são apresentadas a nomenclatura e a articulação das folhas nas escalas do mapeamento sistemático.000 1:25. 7.000 1:500. Nas Fig.000.928 47.2 . 1998).000 1:100.3 e na Tab.000 1:50. Tabela 7. ÍNDICE DE NOMENCLATURA E ARTICULAÇÃO DE FOLHAS Este índice tem origem nas folhas ao Milionésimo e se aplica à denominação de todas as folhas de cartas do mapeamento sistemático (escalas de 1:1. Escala 1:1.000 Índice de Nomenclatura SD 21 SD 21-V SD 21-V-A SD 21-V-A-I SD 21-V-A-I-1 SD 21-V-A-I-1-NO Nº Folhas 46 154 556 3.

Porém.numeração de 1 a 3.000 . Esta apostila abordará somente a articulação das folhas até a escala de 1:25.000 . 1998): 1:1. o que ocorre na maioria das vezes é que os órgãos produtores de cartas ou plantas nessas escalas adotam seu próprio sistema de articulação de folhas.3 . o que dificulta a interligação de documentos produzidos por diferentes fontes.036. 1:250.000.Articulação das folhas do mapeamento sistemático.4.numeração de 1 a 46.000 .UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Figura 7.numeração de 1 a 550.000. MAPA ÍNDICE Além do índice de nomenclatura. de acordo com as escalas (IBGE. Para escalas maiores que 1:25. 60 .000 existem normas internacionais que regulamentam o código de nomenclatura. 7. Neste sistema numeram-se as folhas de modo a referenciá-las através de um simples número. 1:100. existe também um outro sistema de localização de folhas.

A Fig. 1998). Para as folhas de 1:25. que quer dizer número correspondente no MAPA ÍNDICE. conforme a sua situação em relação à folha 1:50.000 que a contém. 61 . SO ou SE. Por exemplo.000 utiliza-se o termo "MIR" que significa MAPA ÍNDICE REDUZIDO. Para folhas na escala de 1:250.000.000 e 1:25. 1998).000. A aparição do número MI no canto superior direito das folhas topográficas sistemáticas nas escalas 1:100. das escalas 1:250. à folha SD-23-Y-C-IV corresponderá o número MI 2215 (IBGE.000 que a contém. 2. Figura 7. O número do MI substitui a configuração do índice de nomenclatura para escalas de 1:100. à folha SD-23-Y-C-IV-3-NO corresponderá o número MI 2215-3-NO (IBGE. Por exemplo. 1998).000 é norma cartográfica hoje em vigor. Por exemplo.4 ilustra uma parte extraída do Mapa Índice. 1998). 7. conforme recomendam as folhas-modelo publicadas pela Diretoria de Serviço Geográfico do Exército. Para as folhas na escala 1:50. à folha SD-23-Y-C-IV-3 corresponderá o número MI 2215-3 (IBGE.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Estes números são conhecidos como "MI". órgão responsável pelo estabelecimento de Normas Técnicas para as séries de cartas gerais. o número MI vem acompanhado do número 1. conforme a sua situação em relação à folha 1:100. 3 ou 4.000.4 – Extrato do Mapa Índice. NE.000 e maiores (IBGE.000 acrescenta-se o indicador NO. 1:50.

do desenho e da reprodução fotográfica. Elementos de Vegetação. Por exemplo.5 e o Quadro 7. O quadriculado UTM é gerado com um espaçamento regular de 4 cm x 4 cm. As coordenadas E e N são anotadas.000 m e N = 8. As convenções cartográficas existentes em uma carta topográfica abrangem símbolos que. respectivamente.250 equivale à coordenada E = 230. denominado de quadriculado. 7. para as escalas de 1:250.000 m. uma carta topográfica. a qual é constituída por: Quadriculado de coordenadas planas cartesianas (Projeção UTM). A Fig. utiliza-se uma régua graduada para medir. atendendo às exigências da técnica. em escala reduzida. Dados Marginais. a distância gráfica horizontal (dH) e vertical (dV). representa um modelo. Os números pequenos que ficam no alto à esquerda significam as centenas de quilômetros de separação entre aquele ponto e a origem do sistema UTM. que representa as linhas de referência para a obtenção de coordenadas planas E e N. juntamente com outras informações. Elementos de Altimetria. Elementos de Planimetria. o valor E = 230 e N = 8. perpendicularmente. Obtenção de Coordenadas Para a obtenção das coordenadas UTM de pontos que não estejam no cruzamento de quadrículas.000 a 1:25.5. de uma área geográfica de interesse. os diversos acidentes do terreno e objetos topográficos em geral. Elas permitem ressaltar esses acidentes do terreno de maneira proporcional à sua importância. QUADRICULADO DE COORDENADAS PLANAS CARTESIANAS (PROJEÇÃO UTM) O sistema de coordenadas planas cartesianas (Projeção UTM) é representado por uma malha retangular regular. Elementos de Hidrografia. Através dessas convenções o terreno é representado em uma carta topográfica em duas dimensões. Coordenadas Geodésicas.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS 7.1. do ponto considerado até uma determinada linha horizontal de coordenada N e uma linha vertical de coordenada E.5. respectivamente. CARTA TOPOGRÁFICA A carta topográfica. 7. 1998). respectivamente. interpretado através de símbolos e convenções cartográficas. seja impressa ou no formato digital. nas margens horizontais e verticais das cartas.1. 7.1.5. que compõem. de modo mais expressivo.000. representam. a primeira se refere ao plano (representação planimétrica) e a segunda à altitude (representação altimétrica).250. principalmente sob o ponto de vista das aplicações da carta (IBGE.2 apresentam os cálculos 62 . de onde podem ser extraídas informações valiosas para diversas aplicações.

portanto a precisão diminui se a distância aumenta.Cálculo de Coordenadas UTM e Geodésicas.020 = 674000 m  3 5  N P1 = 8828 × 10 + 10 × 0. Também não se pode medir entre pontos que se situam em diferentes fusos UTM.2 cm ⇒ x = 07′18. sem dúvida.025 = 8830500 m  ϕP  10′ → 18.2 cm ⇒ y = 01′ 39′′ ⇒ 2  y → 3 cm ⇒ ϕ P2 = −10 o 30′ − 01′ 39′′ ⇒ ϕ P2 = −10 o 31′ 39′′ λP  2 10′ → 18.5′′ ⇒  x → 13.3 cm ⇒ λP2 = −61o 30′ + 07′18′′.5 ⇒ λP2 = −61o 22′41′′ . Cálculo das Coordenadas UTM (P1) Cálculo das Coordenadas Geodésicas (P2) EP1 = E + DEC × dH  NP1 = N + DEC × dV 3 5  E P1 = 672 × 10 + 10 × 0. ao mesmo tempo. Outro processo para o cálculo de distância em linha reta numa carta é o que inclui.5 – Obtenção de coordenadas. Quadro 7. o Teorema de Pitágoras ( d = ∆E 2 + ∆N 2 ) e as coordenadas UTM de dois pontos A e B entre os quais se quer saber a distância. 63 . Figura 7.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS das coordenadas UTM de um determinado ponto (P1).5 A medida mais direta de uma distância é. Observa-se que esta medida não leva em conta a curvatura do planeta.2 . feita com o auxílio de uma régua e da escala da carta (Distância no terreno = DEC x Distância na carta).

Obtenção de Direções O sistema de coordenadas planas cartesianas na projeção UTM permite o posicionamento de qualquer ponto sobre a superfície da Terra. considerado fixo. É importante ressaltar que.6). pelo menos. Nas cartas topográficas com projeção UTM. Desse modo. Da mesma forma. No hemisfério norte ela é positiva a leste do MC e negativa a oeste do MC. Assim. Pode ser obtido através de cartas magnéticas ou de modelos digitais do campo magnético da Terra. Devido à significativa variação da ordem de minutos de arco deste pólo ao longo dos anos.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS 7. essas leituras servem apenas para orientações expeditas no terreno.1.5. 1998): Norte Verdadeiro ou Geográfico: Possui direção tangente ao meridiano (geodésico) passando pelo ponto e apontando para o Pólo Norte. aproximadamente circular e de período secular. associado a um ponto. existe uma diferença angular entre a direção do norte de quadrícula e o verdadeiro. em torno do Pólo Norte Geográfico. Convergência Meridiana Plana (γ): É o ângulo formado entre os vetores Norte Verdadeiro e o Norte da Quadrícula. é comum desejar o posicionamento relativo a partir de uma dada direção. em navegação. através dos seguintes ângulos: Declinação Magnética (δ): É o ângulo formado entre os vetores Norte Verdadeiro e o Norte Magnético. Deve-se destacar que o Pólo Norte Magnético descreve um lento movimento. cuja magnitude depende da localização do observador na Terra. 0. ficam definidos três vetores associados a cada um dos ponto abaixo (IBGE.5 grau. associado a um ponto. Existe. as melhores bússolas fornecem erros angulares de. um ângulo entre o norte da bússola e o norte geográfico. Norte de Quadrícula: Possui direção paralela ao eixo N (que coincide com o Meridiano Central do fuso) do sistema de coordenadas na projeção UTM no ponto considerado e apontando para o Norte (sentido positivo de N). torna-se necessária a correção do valor indicado na carta para a data em que se realiza o posicionamento desejado. no hemisfério sul ela é o contrário: é negativa a leste do MC e positiva a oeste do MC (Fig. portanto. Como as medidas angulares realizadas sobre uma carta são referenciadas ao norte de quadrícula. é preciso convertê-las para as demais direções do Norte.2. devido às perturbações do campo magnético. Norte Magnético: Possui direção tangente à linha de força do campo magnético que passa pelo ponto e apontando para o Pólo Norte Magnético (representado pela direção da agulha de uma bússola). a convergência meridiana plana cresce com a latitude e com o afastamento do Meridiano Central (MC). 64 . No entanto. 7.

Outros conceitos importantes em navegação são os de Rumo e Contra-Rumo: Rumo: é o menor ângulo que uma direção faz com a Direção Norte-Sul. Azimute Magnético (AzMAB). SO ou SE) a que o mesmo pertence. Após o valor do rumo deve ser indicado o quadrante geográfico (NO. dependendo do norte ao qual esteja referenciado. Com base nessas direções do Norte é que são definidos os Azimutes para uma determinada direção. Azimute da Quadrícula (AzQAB). O rumo. contado a partir do Pólo Norte. 65 . O Azimute varia de 0º a 360º e dependendo do Norte ao qual esteja referenciado tem-se: Azimute Verdadeiro (AzVAB).UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Figura 7. Existe ainda o chamado Contra-Azimute de uma direção. O Azimute representa o ângulo formado entre a direção Norte-Sul e a direção considerada. 1998).6 – Sinal da Convergência Meridiana Plana no fuso UTM. 1998). no sentido horário. de quadrícula ou magnético (IBGE. NE. pode ser verdadeiro. da mesma forma que o azimute. que é o Azimute da direção inversa (CAzAB = AzBA). Contra-rumo: é o rumo da direção inversa (IBGE.

a distância gráfica do ponto considerado até um meridiano (dMH) e um paralelo (dPV) (Fig. Figura 7.2. respectivamente. 7.7 ilustra a relação entre azimute e rumo para cada quadrante. que varia em função da escala. que além dos cantos da carta. 7.5).UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS A Fig. minutos e segundos . COORDENADAS GEODÉSICAS As coordenadas geodésicas existentes em uma carta topográfica são apresentadas na forma de cruzetas.7 – Relação entre Azimute e Rumo. nas margens verticais e horizontais das cartas. enquanto que nos demais pontos apenas são mostrados os minutos e segundos (por exemplo: 15' ou 07' 30"). perpendicularmente.5. As coordenadas geodésicas são obtidas com uma régua graduada. A coordenada geográfica do ponto considerado será dado pelas equações apresentadas no Quadro 7. Somente nos cantos da carta é que aparecem as coordenadas geodésicas completas (por exemplo: 48° 30' 00"). de modo a estabelecer uma relação em graus. Em seguida. 7. As latitudes e as longitudes são anotadas. em milímetros. utilizada para medir o intervalo entre os paralelos e meridianos. são distribuídas com um espaçamento regular em latitude e longitude.entre este intervalo e a distância gráfica entre eles (DRP e DRM). 66 .2. mede-se.

associandose os seus elementos a símbolos que caracterizem a água. sendo o azul a cor escolhida para representar a hidrografia. 1998).3) e vegetação (Quadro 7.3 . de acordo com os elementos que cobrem a superfície do solo: físicos ou naturais e culturais ou artificiais.Elementos de Hidrografia (IBGE. REPRESENTAÇÃO PLANIMÉTRICA A representação planimétrica pode ser dividida em duas partes. etc. A cor verde é universalmente usada para representar a cobertura vegetal do solo. Na folha 1:50. os segundos decorrem da ocupação humana. alagados (mangue. 67 . limites político ou administrativos etc. A representação dos elementos hidrográficos é feita.Elementos de Vegetação (IBGE.5. sempre que possível.3.4 . com um toque figurativo. Quadro 7. pelo verde reticulado. 1998). Os primeiros correspondem principalmente à hidrografia (Quadro 7.000 por exemplo. 1998). brejo e área sujeita a inundação). e as culturas permanentes e temporárias. Quadro 7.5) (IBGE.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS 7. sistema viário. construções. por outro tipo de simbologia.4). (Quadro 7. O cerrado e caatinga. as matas e florestas são representadas pelo verde claro.

1998). etc. flora. Unidades PolíticoAdministrativas: são as divisões Político-Administrativas nos diversos níveis (Federal. provida de trilhos. destinada ao transporte de passageiros ou carga. As estradas de ferro são definidas como sendo qualquer tipo de ferrovia permanente.5 . São classificadas de acordo com o tráfego e a pavimentação.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Quadro 7. meio ambiente e comunidades indígenas (Parques. correspondentes à situação das Unidades da Federação e Municípios no ano da edição do documento cartográfico. Estações. 68 . Sistema Viário: representação das estradas de rodagem através de símbolos e/ou cores. Estadual e Municipal). Reservas. responsável pela conservação ou preservação da fauna. Linhas de Limite: representação das divisas interestaduais e intermunicipais. Áreas Especiais: subordinadas a um órgão público ou privado.).Elementos de Planimetria (IBGE. monumentos culturais. São representadas por meio de linhas convencionais (limites). independente da sua largura física.

hospitais. acontece o correspondente simbologia tende a ser tornar mais apresentam pontos de controle vertical e pontos de comprovada e cota não comprovada. Na carta topográfica.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Quadro 7. ao contrário da relativa facilidade do delineamento dos detalhes horizontais do terreno. entre outros. para qualquer escala. À medida que a escala diminui. ponte. 1998). principalmente. Povoado. cota conforme descrito no Quadro 7. Outras construções como barragem. Linhas de Comunicação e Outros Elementos Planimétricos: As linhas de comunicação resumem-se à linha telegráfica ou telefônica e às linhas de energia elétrica (de alta ou baixa tensão). etc. têm símbolos especiais quase sempre associativos. 1998). o relevo de uma determinada área pode ser representado.. mas a complexa. escolas.6 69 .. aeroporto. As cartas topográficas controle vertical e horizontal. dentro da área edificada. Portanto. relevo sombreado e cores hipsométricas (IBGE. etc.5 . é representado todo edifício de notável significação local como prefeituras. Localidades: é todo lugar onde exista um aglomerado permanente de habitantes (Capital. mesmo com os detalhes. etc.). (IBGE. por: curvas de nível. igrejas.5. perfis topográficos. Cidade. 7.Elementos de Planimetria (IBGE.4. 1998). farol. ELEMENTOS DE ALTIMETRIA A representação do relevo sempre constituiu um sério problema cartográfico.

o método usado para representar o relevo terrestre é o das curvas de nível. Cada curva de nível fecha-se sempre sobre si mesma. 2ª ou 3ª ordem. Referência de nível: Ponto de controle vertical. Existem ainda as "curvas intermediárias" e as “curvas auxiliares" (IBGE.Elementos de Altimetria (IBGE. o que possibilita o usuário a obter o valor aproximado da altitude em qualquer parte da carta (IBGE. A curva de nível constitui uma linha imaginária do terreno. A cor da representação da altimetria na carta é o sépia.5.4. 7. através de nivelamento geométrico ou qualquer método que assegure a precisão obtida. Algumas características das curvas de nível são (IBGE. 1998). acima ou abaixo de uma determinada superfície da referência.8).UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Quadro 7. adota-se o sistema de apresentar as chamadas “curvas mestras" com um traçado mais grosso. Com a finalidade de ter a leitura facilitada. 70 . cuja altitude foi determinada em relação a um Datum vertical.6 . 1998): As curvas de nível tendem a ser quase que paralelas entre si. Ponto Barométrico: Vértice com o valor da altitude determinada através do uso de altímetro. estabelecido num marco de caráter permanente. 1993). Curvas de Nível Por excelência. Cota Comprovada: Altitude estabelecida no campo. em que todos os pontos da referida linha têm a mesma altitude. Ponto Astronômico: Vértice que possui as latitudes. Ponto Trigonométrico: Vértice cuja posição é determinada com levantamento geodésico. 1998). as longitudes e o azimute de uma direção determinados e que poderá ser de 1ª. Cota não Comprovada: Altitude determinada por métodos de levantamento terrestre não comprovados. 7. 1998) (Fig. Todos os pontos de uma curva de nível se encontram na mesma elevação.1. geralmente o nível médio do mar (Oliveira.

2).9). Figura 7. 7. 7.8 – Curvas de nível. 7. íngreme ou de declive suave (Fig.2.4. 7.3.10). Essa eqüidistância varia de acordo com a escala da carta (Tab.9 – Visualização de encostas em curvas de nível. Figura 7.5. podendo se tocar em saltos d'água ou despenhadeiros. A natureza da topografia do terreno determina as formas das curvas de nível. as curvas de nível vão indicar se o terreno é plano. ondulado. Em outras palavras. montanhoso. com o relevo e com a precisão do 71 . Eqüidistância A eqüidistância é a distância vertical entre as curvas de nível. 7. sendo definida como a relação entre a projeção horizontal (∆X) e a projeção vertical (∆Y) de uma curva (Fig.5. Declividade A declividade é um conceito importante na representação altimétrica do terreno.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS As curvas de nível nunca se cruzam.4.

7.5. 1998). neste caso. 1998). na direção onde se deseja representá-lo.4. Para uma boa representação do perfil. 1998).Eqüidistância segundo a escala da carta do Mapeamento Sistemático. 7. A relação entre as escalas horizontal e vertical é conhecida como exagero vertical (IBGE.000. De acordo com a Fig. do contrário. o exagero vertical será igual a 5 (IBGE. neste caso.4.000 e V = 10. a altitude de um ponto qualquer da carta pode ser obtida.12.000 Eqüidistância 10 m 20 m 50 m 100 m Curvas Mestras 50 m 100 m 250 m 500 m Sistematicamente. matematicamente. os rios. ou seja: PD = Distância da menor curva ao ponto P (AD) x Equidistância Distância entre duas curvas de nivel (AC) 72 . picos e outros pontos definidos (Fig. descaracterizando-o. Em seguida. pode-se adotar para a escala vertical um número de 5 a 10 vezes maior que a escala horizontal. por outro lado. as variações ao longo do perfil dificilmente serão perceptíveis. A escala vertical deve ser maior que a horizontal. se H = 50. precisa-se ressaltar pequenas altitudes que ali são de grande importância. a segunda situação ocorre quando o relevo é muito escarpado e íngreme e. numa mesma escala.000 1: 250. Tabela 7. as cotas de altitude. 1998). usam-se as chamadas curvas auxiliares. 1998). O primeiro passo para se fazer o desenho de um perfil é traçar uma linha de corte. 1998). Perfil Topográfico O perfil é a representação cartográfica de uma seção vertical da superfície terrestre (IBGE.000 1: 50. Só deve haver. marcam-se todas as interseções das curvas de nível com a linha básica. Assim. 1998).2 . Tanto a escala horizontal como a vertical é escolhida em função do uso que se fará do perfil e da possibilidade de representação (IBGE. duas alterações quanto à eqüidistância: a primeira é quando.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS levantamento (IBGE. sendo a escala vertical muito grande o relevo ficaria demasiadamente exagerado. 7. a eqüidistância entre uma curva e outra tem de ser sempre constante para uma determinada carta.000 1: 100. deixa-se de representar uma ou mais curvas para não sobrecarregar a área e dificultar a leitura por parte do usuário (IBGE. através de semelhança de triângulos.11) (IBGE. Escala 1: 25. numa área predominantemente plana.

11 – Perfil topográfico.5.5. as principais informações marginais são mostradas no Quadro 7. DADOS MARGINAIS Nas cartas topográficas.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Figura 7. as informações contidas nas margens fornecem dados importantes para o uso da própria carta. Figura 7.7: 73 .12 – Obtenção de altitude. Além do quadro de convenções cartográficas. 7.

A Tab.7 . uma carta deve atender ao PEC e ao Erro-Padrão. Padrão de Exatidão Cartográfica (PEC): é o indicador de dispersão relativo a 90% de probabilidade e que define a exatidão dos trabalhos cartográficos. Órgão de Mapeamento (canto superior esquerdo) Nome da Folha (centro superior) Índice de Nomenclatura (canto superior direito) Declinação Magnética e Convergência Meridiana (canto inferior esquerdo) Escala Gráfica (centro inferior) Localização da Folha (canto inferior direito) Datum Vertical e Horizontal (centro inferior) Articulação da Folha (canto inferior direito) 7.817. PRECISÃO CARTOGRÁFICA As medidas planimétricas e altimétricas extraídas de uma carta impressa em papel sempre conterão erros. sendo que o Erro-Padrão (Desvio-Padrão ou Erro Médio Quadrático) isolado num trabalho cartográfico não pode ultrapassar 60. Em outras palavras. conforme descrito na Tab. de 20 de junho de 1984. 74 .4 mostra os valores do PEC e do Erro-Padrão isolado para diversas escalas do mapeamento sistemático.3.2 mm e corresponde ao limite da acuidade visual humana. nas Classes A.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Quadro 7. O Decreto no 89. segundo sua exatidão.6.8% do Padrão de Exatidão Cartográfica. 7.5.Dados marginais de uma carta. fornece a classificação para cartas impressas. B e C. 7. Estes erros estão sujeitos a pelo menos duas condições: Erro Gráfico: é geralmente aceito como sendo de 0.

000 12.Padrão de Exatidão Cartográfica e Erro-Padrão isolado para diversas escalas.Padrão de Exatidão Cartográfica e Erro-Padrão.5m 5m 3.3m 200m 125m 60m 40m 250m 150m 75m 50m 75 .5m 25m 1:250.000 25m 15m 10m 6.5 mm x DEC 0.8 mm x DEC 0. Classe A PEC Planimétrico Erro Padrão PEC Altimétrico Erro Padrão 0.3 .5m 5m 1:50.4 . ESCALA PEC Plan Erro Padrão Classe A PEC Alt Erro Padrão PEC Plan Erro Padrão Classe B PEC Alt Erro Padrão PEC Plan Erro Padrão Classe C PEC Alt Erro Padrão 1:25.6 mm x DEC 3/4 eqüidistância 1/2 eqüidistância Tabela 7.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Tabela 7.000 125m 75m 50m 33.5 mm x DEC 3/5 eqüidistância 2/5 eqüidistância Classe C 1.7m 40m 25m 12m 8m 50m 30m 15m 10m 1:100.5m 7.000 50m 30m 25m 16.3m 20m 12.3 mm X DEC 1/2 eqüidistância 1/3 eqüidistância Classe B 0.7m 80m 50m 30m 20m 100m 60m 37.5m 6m 4m 25m 15m 7.0 mm x DEC 0.

24 horas por dia. 2003). a quarta medida é necessária devido ao não-sincronismo entre os relógios dos satélites e do receptor. independente de onde você esteja. 8. que parecem as mesmas. as estrelas estão tão longe. Infelizmente. em 1995.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS CAPÍTULO FUNDAMENTOS DO POSICIONAMENTO GPS "Desde o tempo em que o homem apoiou-se em suas pernas e começou a vagar pela terra. Não é objetivo desta apostila fazer uma explanação detalhada sobre o GPS. Conhecendo-se as coordenadas dos satélites num sistema de referência apropriado.Global Positioning System). no mínimo. 76 . É um sistema de radionavegação baseado em satélites desenvolvido e controlado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América. 8. uma vez que esse assunto é muito amplo e possui uma boa abrangência na literatura indicada como referência. adicionando-se assim mais uma incógnita ao problema. seriam suficientes. porém. apenas três distâncias. quatro satélites. velocidade e tempo. apenas em noites claras e sem tempestades! E quanto à aviação? Como manter a orientação? Todo esse desenvolvimento tecnológico fez com que o homem moderno desenvolvesse um sistema de navegação mais eficiente”. Seria necessário fazer medições cuidadosas à noite.1. INTRODUÇÃO O GPS é a abreviatura de NAVSTAR-GPS (NAVigation Satellite with Time And Ranging . Quando o homem começou a explorar os oceanos. é possível calcular as coordenadas da antena do usuário no mesmo sistema de referência dos satélites. mas.1. com o intuito de ser o principal sistema de navegação das forças armadas americanas (Monico. essa técnica não funcionava quando a neve ou a chuva caía. Antigos viajantes simplesmente faziam marcas nos seus caminhos.Full Operational Capability). provavelmente ele esteve procurando por um modo simples de saber onde se encontrava e para onde estava indo. Será apresentado a seguir um resumo dos principais conceitos acerca desta tão importante tecnologia para o Geoprocessamento. desde que não pertencentes ao mesmo plano. o problema piorou ainda mais porque não existiam lugares onde deixar marcas para se referenciar. Do ponto de vista geométrico. conforme se pode observar na Fig. 2000). O sistema permite a qualquer usuário saber sua localização. sob quaisquer condições atmosféricas e em qualquer ponto do globo terrestre. O princípio básico de posicionamento pelo GPS consiste nas medidas de distância entre o usuário e. a única coisa com que se podia contar eram as estrelas. Desde os estudos iniciados em 1973 até que o sistema fosse declarado em plena capacidade operacional (FOC . foram despendidos aproximadamente 14 bilhões de dólares e 22 anos de trabalhos (Friedman.

2.2 ilustra o princípio da trilateração. Figura 8. que envolve os satélites e seus sinais transmitidos. Adicionando-se um terceiro satélite.2 . 1993) Os satélites agem como pontos de referência precisos. isto limita a posição à interseção de duas esferas. 8.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Figura 8.Princípio da trilateração entre os satélites. A Fig.3): espacial. (Seeber. A CONSTITUIÇÃO DO SISTEMA GPS O sistema GPS consiste em três segmentos distintos (Fig. 8. 2000) 8. se a distância a partir de um satélite é conhecida. (Guerreiro. Com uma quarta medida define-se o ponto certo.Configuração mínima para posicionamento tridimensional com GPS. a posição limita-se para dois pontos.1 . 77 . cujo centro é ocupado por este satélite. Então. pelo princípio da trilateração. a posição do usuário pode ser restringida à superfície de uma esfera. Se a distância a partir de um segundo satélite também é conhecida.

O SEGMENTO ESPACIAL Por definição. 4 satélites sempre visíveis em qualquer local da superfície terrestre. métodos de posicionamento. 8.1.4 .4) distribuídos em seis planos orbitais igualmente espaçados de 55° em relação ao Equador. que envolve todos os tipos de receptores. correções e avaliação de todo o sistema. a qualquer hora do dia ou da noite. geração. em função da sobrevida dos satélites.200 km. e de usuários.Segmento espacial. com quatro satélites em cada plano.2.3 . 2000) Figura 8. formas de recepção e processamento dos sinais. 2004).Os três segmentos do sistema GPS. Figura 8. no mínimo. composto das estações de rastreamento e responsável pelo monitoramento. (Garmin Corporation. Atualmente. orbitando sobre o horizonte com período de 12 horas siderais a uma altitude aproximada de 20.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS de controle. o segmento espacial é composto de 24 satélites (Fig. Essa constelação é assim estruturada de modo a garantir. aplicações. o sistema conta com um total de 29 satélites (USCG. 78 . 8.

Em outras palavras.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS 8.3. de acesso restrito a usuários autorizados. 1999) 8. transferida para os satélites. para que seja retransmitida aos usuários (IBGE. Todos os satélites utilizam a mesma freqüência. Suas funções principais são: atualizar as mensagens de navegação transmitidas pelos satélites e calcular as correções dos relógios dos satélites. existem várias alternativas disponíveis e em desenvolvimento no mercado. Para alcançar este objetivo.227.23 MHz = 1.PPS). Kwajalein e Hawaii (Fig. Diego Garcia. nos Estados Unidos. onde são processados com a finalidade de determinação das efemérides e das correções dos relógios dos satélites.3. Estas estações rastreiam continuamente todos os satélites visíveis e estes dados são transmitidos para a estação de controle central (Master Control Station MCS). respectivamente. cada um transmite um código exclusivo que o identifica. A mensagem atualizada é. refere-se a toda comunidade usuária. militar ou civil.23 MHz. principalmente devido ao desenvolvimento da eletrônica. 8. 1993). O SEGMENTO DE USUÁRIOS Este segmento é composto por todos os receptores existentes no planeta.2.Segmento de controle do GPS. Esses códigos são modulados em fase sobre as duas portadoras: o código C/A (Coarse or Clear/Acquisition – Fácil Aquisição) na portadora L1 e o código 79 . 8. OS SINAIS GPS Os sinais emitidos pelos satélites GPS são derivados de uma freqüência de referência interna de 10. e o Serviço de Posicionamento Preciso (Precise Positioning Service . L1 e L2. Os receptores GPS evoluíram bastante desde os primeiros modelos lançados na década de 80. que faz uso dos serviços de posicionamento GPS: o Serviço de Posicionamento Padrão (Standard Positioning Service . Cada satélite transmite duas ondas portadoras.60 MHz. então. Figura 8. em Colorado Springs. chamada freqüência fundamental.23 MHz = 1. de acordo com os tipos de receptores e seus fabricantes.5 . Atualmente. iguais a 154 x 10. (Dana.42 MHz e 120 x 10.2. Colorado Springs. porém.575.2. este segmento é composto de cinco estações de monitoramento distribuídas ao longo do Equador: Ascencion Island.SPS). cujas freqüências são.5). O SEGMENTO DE CONTROLE O segmento de controle é o responsável pela operação do GPS. de acesso livre a todas as pessoas.

A mensagem de navegação contém informações como: número da semana GPS. denominado de mensagem de navegação (alguns chamam Código D . onde é realizado um tratamento para baixar a freqüência inicial. o código P é de uso exclusivo aos usuários do PPS. etc. A pseudodistância é igual à diferença entre o tempo registrado no receptor no instante da recepção do sinal e o tempo registrado no satélite no instante da transmissão desse sinal multiplicado pela velocidade da luz (Monico. pelo receptor. a distância seria calculada corretamente. Figura 8. o funcionamento dos receptores GPS resume-se no seguinte: após o sinal ser captado pela antena. como navegação e cadastro. 1999) De maneira geral. que. chega-se ao intervalo de tempo decorrido no deslocamento do sinal desde o satélite até o receptor (Fig.6). segue para uma unidade eletrônica chamada canal. 8. na prática. amplificado e direcionado para um dispositivo eletrônico de rádio-freqüência. por exemplo. ele é convertido em corrente elétrica. esse tempo de deslocamento estaria perfeitamente determinado e. Entretanto.Os sinais dos satélites GPS.7). parâmetros orbitais de correções. e a distância encontrada é dita pseudodistância. uma réplica do código C/A. por conseguinte. As aplicações que utilizam a pseudodistância são aquelas que buscam primordialmente o posicionamento em tempo real. “saúde” do satélite. (Dana. longe de influências atmosféricas e com os relógios do satélite e do receptor perfeitamente sincronizados. A partir daí. cada satélite transmite um conjunto de dados. modulado também nas portadoras L1 e L2 (Fig. Além desses dois códigos. a qual reconhece o sinal vindo de cada satélite. isso não ocorre. 8. após aplicação da técnica chamada correlação do código para processamento do sinal.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS P (Protect or Precise – Protegido ou Preciso) nas portadoras L1 e L2. 2000).Data).6 . O código C/A é utilizado pelos usuários dentro do SPS. número do satélite. Numa situação ideal. 80 . É gerada então.

Porém. ultra-rápidas e preditas (IGS. 2000). uma das principais funções do segmento de controle é gerar. o qual realiza a combinação das soluções. Cabe ressaltar que as observações de fase da onda portadora. 2003). a medição da fase da onda portadora permite atingir resultados melhores que os obtidos pela pseudodistância. o IGS (International GPS Service) gerencia uma rede. com mais de 200 estações equipadas com receptores de dupla freqüência. distribuída ao redor do mundo. mas em posicionamentos estáticos. gerando efemérides de melhor qualidade que as transmitidas.. em conjunto com a resolução da ambigüidade. que produz e disponibiliza efemérides. A pseudodistância e a fase da portadora constituem os dois tipos mais importantes de dados observados com o GPS. rápidas. O IGS disponibiliza em sua página eletrônica na Internet quatro tipos de efemérides: precisas. proporcionam aplicações de alta precisão. parâmetros de rotação da Terra. atualizar e enviar as efemérides aos satélites para que sejam transmitidas aos usuários. coordenadas e velocidade das estações referenciadas à Rede de Referência Terrestre Internacional ITRF (International Terrestrial Reference Frame) e informações sobre os relógios dos satélites e dos receptores das estações (Machado et al.7 . Um outro método mais complexo de determinar essa distância é medindo-se a diferença de fase da onda portadora a partir do número de ciclos decorridos desde o instante em que a portadora foi emitida e o instante em que foi recebida. 81 . há de se eliminar o problema do desconhecimento da ambigüidade (número total de ciclos completos decorridos desde o momento que o sinal deixou o satélite até o instante da sintonia). Como o comprimento de onda da portadora é bem menor que o do código C/A.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Figura 8. Os dados coletados são processados em sete centros de análises e enviados ao JPL (Jet Propulsion Laboratory).4. Objetivando dar suporte às aplicações geodésicas e geodinâmicas com GPS. 8. As aplicações com observação das fases das ondas portadoras normalmente não são utilizadas em tempo real. na Califórnia.Medida da Pseudodistância. OS TIPOS DE EFEMÉRIDES Como foi citada anteriormente.

A Tab. OS PRINCIPAIS ERROS ASSOCIADOS ÀS OBSERVAÇÕES Cada vez mais a busca por uma maior exatidão nas coordenadas exige uma maior compreensão acerca das fontes dos erros no posicionamento GPS e de como reduzi-los ou eliminá-los. EFEMÉRIDES RÁPIDAS (IGR) .São também pós-processadas. (1989). que foi proposto por Gurtner et al. com uma acurácia de 5. na última década.1 0.0 200. O FORMATO RINEX As observáveis GPS e a mensagem de navegação são armazenadas em cada receptor em seu próprio formato binário (Hofmann-Wellenhof et.0 5.0 cm. EFEMÉRIDES ULTRA-RÁPIDAS (IGU) . sendo disponibilizadas a partir de um tempo de 17 horas após a coleta dos dados. Sua acurácia gira em torno de 10. 8. os fabricantes GPS projetaram sistemas computacionais para recuperar os dados provenientes de cada receptor. 82 .0 8. São disponibilizadas 13 dias após a coleta dos dados.5.1 faz uma comparação da acurácia fornecida pelas quatro categorias de efemérides produzidas pelo IGS e as efemérides transmitidas.0 cm.0 10.. Maiores detalhes sobre este formato podem ser obtidos na Internet.0 RELÓGIO (ns) menor que 0. observou-se um grande progresso com relação à redução dos erros que ocorriam dentro do próprio receptor GPS e na sua operação. al.1 0. Porém.2 5. Por isso.0 . com uma acurácia menor que 5. Tabela 8. sendo disponibilizadas a partir de um tempo de 3 horas após a coleta dos dados. pois é uma especificação de domínio público.0 cm. um único programa não é capaz de processar facilmente dados de diferentes tipos de receptores ao mesmo tempo.1 – Comparação dos produtos IGS. com uma acurácia em torno de 5.São efemérides pós-processadas. por causa das especificações técnicas de cada fabricante. disponíveis algumas horas antes do início de sua validade.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS EFEMÉRIDES PRECISAS (IGS) .10.0 5. 2003) CÓDIGO IGS IGR IGU IGP Broadcast EFEMÉRIDES PRECISAS RÁPIDAS ULTRA-RÁPIDAS PREDITAS TRANSMITIDAS ACURÁCIA (cm) menor que 5. Foi assim que. Para resolver este problema. Este formato é o RINEX (Receiver INdependent EXchange format). EFEMÉRIDES PREDITAS (IGP) . 1997). um formato comum foi definido para que se pudesse realizar o intercâmbio entre todos os tipos de receptores GPS. (IGS.São efemérides pós-processadas para utilização em aplicações de alta precisão.São efemérides produzidas antes da época da coleta de dados. 8.0 a 10.0 cm.6.0 7.

O AS é uma técnica de criptografia que gera o código Y. sendo aplicáveis nos trabalhos de alta precisão. eles não acompanham o sistema de tempo GPS. uma maneira de eliminar tais erros é a utilização das efemérides rápidas (IGR) ou. Com sua desativação. mas possibilitaria uma expansão no mercado consumidor ligado ao posicionamento preciso. 83 .Embora os relógios atômicos dos satélites possuam alta estabilidade. melhor ainda. A compensação dessa diferença é corrigida usando-se os coeficientes polinomiais da própria mensagem de navegação transmitida. que garantem maior nível de acurácia. à relatividade e ao atraso de grupo. ERROS RELACIONADOS AOS SATÉLITES Os principais erros advindos dos satélites GPS são os relativos às órbitas. o conjunto receptor-antena e a própria estação (Monico. as observáveis GPS ainda estão sujeitas aos mais diversos erros. que interfere na obtenção correta do código P por parte do receptor. Na realização do posicionamento relativo. Estes erros e variações são apresentados na Tab.2 . Satélite Erro da órbita Erro do relógio Relatividade Atraso entre as portadoras Propagação do sinal Refração ionosférica Refração troposférica Multicaminho Perda de ciclos Geometria dos satélites Rotação da Terra Receptor Erro do relógio Erro entre canais os Estação Erro nas coordenadas Marés terrestres Movimento do Pólo Carga dos oceanos Carga da atmosfera Centro de fase da antena 8. a propagação do sinal. Tabela 8. somente receptores dotados de um AOC (Auxiliary Output Chip) podem ter acesso ao código P verdadeiro. 2000). 2000). A SA foi uma limitação proposital na acurácia dos valores das pseudodistâncias para os usuários que utilizavam o código C/A.Principais erros e variações nas observações GPS e suas fontes. que podem ter como fonte: os satélites. os erros orbitais significativos são propagados diretamente para a posição do usuário.2. Além desses métodos de degradação.Os erros orbitais são minimizados quando se utilizam as efemérides pós-processadas. apenas o AS encontra-se em atividade. impostos pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos: o Antifraude ou Anti-sabotagem (Anti-Spoofing . 8. ERRO DO RELÓGIO . das efemérides precisas (IGS).SA). Quando se realiza o posicionamento absoluto com efemérides transmitidas. Ela foi desativada pois não mais ameaçava a segurança nacional dos EUA.AS) e a Disponibilidade Seletiva (Selective Availability . aos relógios dos satélites. Atualmente. os erros orbitais são praticamente eliminados. ERRO DA ÓRBITA . o posicionamento absoluto a partir do código C/A tornou-se cerca de dez vezes mais preciso (Monico.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Até a 0 h TU (Tempo Universal) do dia 2 de maio de 2000 existiam dois métodos de degradação dos dados transmitidos pelos satélites. Estando ativado.1.6.

O erro devido ao atraso entre os caminhos percorridos pelas portadoras L1 e L2 através do hardware do satélite é denominado por Wilson (1999) de Interfrequency biases e vem referenciada. 84 . Com a modernização do GPS.Diferentemente da ionosfera. A ionosfera é a região situada entre 50 e 1.2. 1988). para cada satélite.Os relógios dos satélites e dos receptores estão em regiões do espaço sujeitas a potenciais gravitacionais diferentes. erros sempre estarão embutidos durante a propagação do sinal.. REFRAÇÃO IONOSFÉRICA . Para minimizar este efeito. Outra forma de minimizar os efeitos da refração ionosférica em receptores de uma freqüência é o posicionamento relativo sobre linhas de base curtas de 10 a 20 km (Monico. sendo recomendável um valor superior a 10º. minimizados. com velocidades também diferentes. os receptores de dupla freqüência têm a vantagem de eliminar tais efeitos. a troposfera.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS RELATIVIDADE . funciona como um meio não-dispersivo. Em compensação. da geometria dos satélites e o efeito do movimento de rotação da Terra nas coordenadas dos satélites. por um fator multiplicativo embutido nas mensagens de navegação. 2000). a refração troposférica independe da freqüência quando esta é inferior a 30 GHz (Monico. que atrasa o caminho percorrido pelo sinal emitido. Para corrigir seus efeitos são adotados modelos empíricos consagrados como o de Hopfield e o de Saastamoinen. A estes erros somam-se os problemas do multicaminho. os fabricantes dos receptores de simples freqüência introduzem modelos ionosféricos. tanto os relacionados à atmosfera ionizada (ionosfera) quanto à atmosfera eletricamente neutra (troposfera). Este atraso é função da freqüência. 1999). Portanto. 1997). os graves problemas ocasionados pela ionosfera deverão ser. principalmente aqueles devidos à refração atmosférica. além de outros mais modernos como o de Lanyi. o erro troposférico aumenta com a diminuição da máscara de elevação (ângulo que a linha receptorsatélite forma com o plano do horizonte. Os efeitos causados pela troposfera são relativamente pequenos e a propagação do sinal é afetada de acordo com a umidade. abaixo do qual as observáveis GPS recebidas são desconsideradas no processamento).000 km acima da superfície terrestre (Hofmann-Wellenhof et al. que se estende até aproximadamente 40 km acima da superfície terrestre. é feita uma correção nos relógios dos satélites antes do seu lançamento (Andrade. REFRAÇÃO TROPOSFÉRICA . Portanto. afetando diretamente a modulação do código e da fase da portadora (Leick. por isso eles estão sujeitos a efeitos relativísticos que provocam alterações distintas nas suas freqüências. 1998). 2000). 1997). Um dos efeitos mais importantes é o retardo da velocidade da fase da portadora. carregada de partículas livres ionizadas que funcionam como um meio dispersivo. ERROS RELACIONADOS AOS SINAIS Seja qual for a observável empregada. 8. da perda de ciclos. ATRASO ENTRE AS PORTADORAS .6. a maior fonte de erro no posicionamento e navegação com GPS é devida à refração ionosférica (Camargo. a pressão e a temperatura do ar. sobremaneira. 1995). o de Ifadis e o de Herring (Silva.Na ausência da SA. permitindo ao usuário melhores resultados no processamento dos dados (Segantine. Assim.

etc. espelhos d’água. Para minimizar o multicaminho.8). 8.8 .Ocorrência do efeito de multicaminho. problemas no programa interno do receptor.O multicaminho (multipath) é o fato de a antena receber. chamada perda de ciclos (cycle slips).Quando há alguma falha na recepção do sinal emitido pelo satélite. (Fig. ocasionando queda dos sinais ou erro nos resultados. que possui um plano de terra com uma série de círculos concêntricos que impedem a recepção da maioria dos sinais refletidos. que é um escalar que auxilia na indicação da precisão dos resultados. como a choke ring. automóveis.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS MULTICAMINHO . etc. PERDA DE CICLOS . ocorre uma perda na contagem dos ciclos medidos (perda da ambigüidade). Os erros resultantes dessa configuração geométrica são dados em termos de Diluição da Precisão (Dilution Of Precision . podendo ser empregadas antenas especiais. assim como a sua dimensão. Indiretos Diretos RECEPTOR Figura 8.DOP). Este efeito afeta tanto a propagação dos códigos quanto das portadoras. Além disso. com ângulos de máscara não tão pequenos. árvores. deslocamentos da antena receptora. outros sinais indiretos causados pela reflexão indesejada em obstáculos vizinhos como construções. 1994): 85 . as observações devem ser conduzidas longe de superfícies refletoras.A exatidão do posicionamento absoluto está diretamente ligada à geometria dos satélites durante a sessão de observação. além do sinal que chega diretamente do satélite. A correção exige que se descubra o momento da ocorrência do “salto”. As seguintes designações são encontradas na literatura (Trimble Navigation. é ideal uma ocupação com duração em torno de 30 minutos. Podem ser ocasionadas por diversas causas: bloqueio temporário de sinais devido a algum obstáculo. caracterizada por um “salto” (variação brusca) na fase. ocorrência de sinais fracos devido às más condições atmosféricas. GEOMETRIA DOS SATÉLITES .

Hoje.Exemplos de DOP.A correção na rotação da Terra se faz necessária quando as coordenadas dos satélites no momento da transmissão do sinal são calculadas em um sistema de referência terrestre fixo. Considerando o posicionamento tridimensional. não é mais usual planejar observações segundo o PDOP.9 . 1997). este escalar tinha muita importância no planejamento dos projetos de medições devido ao pequeno número de satélites na constelação. PDOP para a determinação da posição (tridimensional).CTS). ROTAÇÃO DA TERRA . GDOP para a determinação geométrica (posição tridimensional + tempo). Assim. melhor o posicionamento (Fig. VDOP para a determinação vertical.0 e somente por períodos muito curtos (Romão e Seeber. como o Sistema Terrestre Convencional (Conventional Terrestrial System . No início do uso do GPS. o que implica que quanto menor o valor do PDOP. Conseqüentemente. a cobertura é tão favorável que o valor do PDOP muito raramente está acima de 5. Por isso. a melhor geometria ocorre quando o volume é maximizado. RDOP para a determinação no posicionamento relativo. apenas analisar os seus valores quando aparecem resultados críticos. a 86 . porém.9). o PDOP pode ser interpretado como o inverso do volume do tetraedro (região piramidal) formado pelas posições do usuário e dos quatro satélites. TDOP para a determinação do tempo. 8. PDOP ruim PDOP ruim PDOP bom Figura 8.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS HDOP para a determinação horizontal. Isso porque o sistema terrestre rotaciona em relação ao satélite durante a propagação do sinal.

os erros entre os canais e a calibração do centro de fase da antena.Os movimentos da Terra relacionados às forças exercidas pelo Sol e pela Lua podem causar certa imprecisão nos levantamentos GPS.6. em trabalhos de alta precisão. CENTRO DE FASE DA ANTENA . é importante que o usuário preocupe-se com isso. movimento do Pólo. ERRO NAS COORDENADAS . buscando sempre que possível um ponto da rede geodésica brasileira ou das atuais redes implantadas com GPS (redes locais ou RBMC). Se o sinal de cada satélite percorre um caminho eletrônico diferente. ERROS RELACIONADOS À ESTAÇÃO Os erros relacionados à estação são.O número de canais num receptor GPS corresponde ao número máximo de satélites que podem ser rastreados simultaneamente.6. Por isso. os erros do relógio. carga dos oceanos e carga atmosférica. MARÉS TERRESTRES . visando a eliminar erros ocasionados por esse detalhe. os erros inerentes às coordenadas da sua posição e os erros resultantes de fenômenos geofísicos como marés terrestres. 8. ERRO DO RELÓGIO . 2000).O centro de fase da antena receptora não é necessariamente o seu centro geométrico. Uma forma de se reduzir o efeito causado por esse tipo de erro é a utilização de antenas do tipo microstrip (Seeber. Então.3. a escala de tempo utilizada internamente difere da escala de tempo GPS. 87 . ERROS RELACIONADOS AOS RECEPTORES Os erros relacionados ao conjunto receptor-antena são. 2000). 8. basicamente.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS posição do satélite muda e suas coordenadas originais precisam também ser rotacionadas de um determinado ângulo. a posição calculada apresenta um erro facilmente eliminado ao se realizar o posicionamento relativo. é recomendável a utilização de antenas de um mesmo tipo e modelo.Os receptores GPS possuem osciladores de quartzo que garantem uma boa estabilidade. 1993). principalmente. pois qualquer erro no ponto inicial será propagado para todos os demais pontos levantados a partir dele. ocorre uma certa compensação nos erros quando se realiza o posicionamento relativo. como os efeitos são semelhantes para estações com linhas de base não muito longas. Porém. Com isso. é possível que ocorra um erro residual entre os canais. ERRO ENTRE OS CANAIS . 1993) ou a realização da calibração das antenas empregadas (Monico. definido como o produto do tempo de propagação pela velocidade de rotação da Terra (Seeber. Os receptores modernos apresentam técnicas de calibração que filtram esse tipo de erro no início de cada levantamento (Monico.Sempre que se faz o transporte de coordenadas. devese verificar a exatidão das coordenadas da estação base. orientadas numa mesma direção.4. Entretanto.

Após o tratamento das informações. O princípio básico consiste em dois receptores. 1997). rastrearem. podendo ser desprezados na grande maioria dos casos. 2000). É normalmente utilizado em levantamentos em tempo real. Portanto. bastando.1. a determinação de um ponto é feita em relação à posição de um outro. uma vez que se baseia na utilização do código C/A para obtenção da posição. no mínimo. 2000). POSICIONAMENTO ABSOLUTO Segundo Monico (2000). acessar os dados dessas estações. em levantamentos expeditos e em outras aplicações que não exijam uma alta precisão. sendo que um deles pode fazer parte da RBMC. Uma solução que praticamente elimina este efeito é o posicionamento relativo. AS PRINCIPAIS TÉCNICAS DE POSICIONAMENTO GPS Posicionamento diz respeito à determinação da posição de objetos com relação a um referencial específico. É muito utilizado em navegação. ou seja. além de um programa de processamento de dados adequado que garanta uma boa precisão. CARGA DA ATMOSFERA . é possível realizar um posicionamento por ponto preciso através da utilização das efemérides precisas (IGS) e das correções dos relógios. dois receptores.7. CARGA DOS OCEANOS . 2000). muito pequenos. principalmente na direção vertical (Monico. reduzindo erros comuns em receptores localizados numa mesma área (Segantine. o WGS 84 (World Geodetic System 1984). desenvolvido para garantir e aumentar a precisão e a segurança na navegação. o posicionamento absoluto. pois pode alcançar valores de até 25 mm na componente radial (Monico. 8.A variação das coordenadas de um ponto causada pelo movimento dos Pólos é um fator a ser considerado no posicionamento de alta precisão.7. 8. principalmente na aproximação de navios em portos. quando as coordenadas são determinadas em relação a um referencial materializado por um ou mais vértices conhecidos (Monico. através das efemérides transmitidas. trabalhando com o código ou com a fase da portadora. também chamado de posicionamento por ponto.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS MOVIMENTO DO PÓLO . necessita de apenas um receptor. simultaneamente. POSICIONAMENTO RELATIVO No posicionamento relativo. obtém-se o vetor (linha base) que liga as 88 . um mesmo grupo de satélites. onde a posição do ponto é determinada no sistema de referência vinculado ao GPS. para isso. 8. utilizando modelos adequados para tratar erros advindos das refrações troposférica e ionosférica.DGPS). Esta simultaneidade garante a eliminação de algumas fontes de erros comuns a ambos os receptores. Existe ainda um tipo de posicionamento chamado de diferencial (Differential GPS . Pode ser classificado em absoluto. Estes valores são. Maiores detalhes podem se encontrados em Baker (1995).7. quando as coordenadas estão associadas diretamente ao geocentro. são necessários.Semelhantemente aos oceanos. mas que podem ser desprezados nas demais aplicações.O efeito na superfície da Terra causado pela enorme massa d’água dos oceanos pode resultar em deslocamentos que devem ser considerados nos levantamentos de alta precisão. Porém.2. a atmosfera também exerce pressão sobre a crosta terrestre que podem causar pequenas deformações. ou relativo. em geral.

8. propiciando assim uma visão mais ampla desses conceitos. isto é. onde as correções calculadas pela estação fixa são transmitidas para a estação móvel. todo método diferencial parte do princípio da existência de pelo menos um par de receptores.DGPS (Seeber. Fixando as coordenadas de uma. 1993). com os dois receptores imóveis durante um determinado período de tempo. Marques (2000) apresenta uma análise verificando os diversos significados que os termos diferencial e relativo adquirem na literatura GPS.7. A maior precisão é obtida quando este posicionamento é realizado no modo estático.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS posições ocupadas pelas antenas dos dois receptores.10 .10).3. chega-se às coordenadas da outra.Posicionamento Diferencial . Para isso. a estação base deve estar localizada próxima à estação móvel. onde não existe ligação rádio e a correção diferencial é feita posteriormente. após a descarga dos dados de ambos os receptores. 8. 89 . justificando a existência de uma forte correlação entre os erros dessas estações. ou pós-processado. O método diferencial pode ser feito em tempo real. sendo um receptor (base) fixado num ponto de coordenadas conhecidas e o outro receptor (móvel) efetuando a ocupação dos pontos cujas coordenadas se deseja determinar. de modo que a posição deste seja corrigida segundo a mesma diferença (Fig. POSICIONAMENTO DIFERENCIAL Algumas vezes o conceito de posicionamento diferencial se confunde com o de posicionamento relativo. Figura 8. Segundo ele.

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o Governo do Distrito Federal já possui o mapeamento na escala de 1:10. SE-22 (Goiânia).SICAD Na década de sessenta e início da década de setenta do século XX. mapas nas escalas de 1:10. 51°W e 45°W). os limites do fuso 23 foram estendidos até o limite oeste do DF.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS ANEXO SISTEMA CARTOGRÁFICO DO DISTRITO FEDERAL .000. Posteriormente.000.000 atualizado. cujos meridianos centrais são. Estas folhas apresentam as coordenadas geodésicas e as coordenadas planas UTM (fusos 22 e 23) referenciadas aos Sistemas Geodésicos Astro Datum Chuá e SAD-69. A-1). constituindo a referência oficial obrigatória para os trabalhos de topografia. cartografia. como produtos finais. o IBGE. cujo elipsóide de referência é o elipsóide de Hayford. a Companhia de Desenvolvimento do Planalto Central CODEPLAN implementou o Sistema Cartográfico do Distrito Federal (SICAD). isto é. foi preciso adotar uma estratégia a fim de facilitar e tornar possível os trabalhos cartográficos neste sistema. A estratégia adotada foi referenciar todo o mapeamento do fuso 22 ao fuso 23. Atualmente. O SICAD apóia-se no sistema geodésico Astro-Chuá. o sistema SAD-69 não havia sido ainda definido como o sistema oficial do Brasil. As folhas do SICAD na escala de 1:10. admitindo-se. ocupando dois fusos adjacentes do sistema UTM (fusos 22 e 23.008. demarcação. de 26 de dezembro de 1977.000 (áreas específicas). àquela época.º 4.000. respectivamente. projetos urbanísticos e controle e monitoramento do uso e da ocupação do solo do Distrito Federal. englobando a área pertencente ao fuso 22. atualizou o mapeamento na escala de 1:25. que o decorrente aumento das deformações não comprometeriam a qualidade dos trabalhos. estudos. a Diretoria de Serviço Geográfico . prevendo. SD-23 (Brasília) e SE-23 (Belo Horizonte) (Fig. através de restituição fotogramétrica a partir de aerofotos na escala de 1:20.000 e 1:20.000 e 1:25.DSG supervisionou o mapeamento do Distrito Federal (DF) nas escalas de 1:100. em convênio com a CODEPLAN. uma vez que. já utilizando o sistema SAD-69. O SICAD foi instituído pelo Decreto n. com a devida correspondência com o sistema de referência apresentado na Fig. é claro. A-2.000. Na década de oitenta do século XX.000 (DF e entorno).000 (áreas urbanizadas) e 1:1. 1:2. Ele integra o Sistema de Informação Territorial e Urbana do Distrito Federal . A-1 .000 foram numeradas seqüencialmente de 1 a 244. Tais mapas foram elaborados com base no sistema Córrego Alegre. por meio de restituição fotogramétrica a partir de aerofotos nas escalas de 1:60. Tendo em vista a área do Distrito Federal abranger parcialmente quatro folhas ao milionésimo: SD-22 (Goiás).SITURB e é a base cartográfica única para os projetos físico-territoriais. respectivamente.

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Figura A-1 – Localização do Distrito Federal em relação à Carta ao Milionésimo. A-2 .

A-3 .000 do Distrito Federal.UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOPROCESSAMENTO 2008 Fundamentos de Cartografia e GPS Figura A-2 – Situação das Folhas 1:10.