A arte da comunicação Adriano Pimentel Teixeira No seio dos mais diversos núcleos sociais, a comunicação entre indivíduos é fundamental

para o desempenho de suas atividades, nas sociedades ágrafas da préhistória, devido aos mecanismos de comunicação que se reseguinificam em um processo simbólico já que o homem representa diversos fenômenos da vida social nas telas de pedra. Criados ou não pela sua capacidade imaginária na forma de arte tal como as itacoatiaras, aqui conceituada como signos que vão de encontro com a formação de um instrumento de conhecimento: assinalando uma contribuição maciça para a construção de uma perspectiva comunicativa com relação às imagens, vista pelos estudiosos como um veiculo de mensagens, tal como acontece com a fala articulada, sendo esta comunicação expressa por símbolos, à função social das signogravuras quanto linguagem, esta associada a signos linguísticos deixados pelos habitantes préhistóricos representam uma forma de comunicação não verbal. Nas mais inóspitas localidades do sertão nordestino encontramos as eniguimaticas Itacoatiaras do leste, (conceituação criada pela Niede Guidon) figuras, grafismos geométricos esculpidos nos blocos rochosos, aqui conceituados como itacoatiaras (signos) devido a tradição Itacoatiara, comumente encontrado na região. Estes símbolos supõe uma comunicação visual instantânea algo que chega a deslumbrar em primeiro plano por sua despendiosidade e imponência em meio à paisagem Arida da caatinga. Estes registros datam de cerca 10 000 A.P, estas imagens emblemáticas permeiam o desenvolvimento intelectual humano elevando a sua capacidade interativa, uma vez que estes registros estão articulados em uma escala de produção hierarquizada, desta forma a natureza da obra implica em uma comunicação proposital mesmo que só possa ser compreendida no campo das ideias (imaginário social) devido ao seu significado abstrato que só nos permite gerar hipóteses desta forma seriam elas precursoras da linguagem mais elaborada e complexa que surgiria com os homens modernos, estes signos são como páginas de um livro ordenadas de forma cronológica contando a história da linguagem dos pré-históricos estabelecendo um dialogo complexo e elaborado que serve como fonte histórica para a posteridade, este estudo vai alem de uma simples curiosidade motivada pelo processo de desenvolvimento histórico,
Todas as fotos utilizadas neste artigo fazem parte do acervo do sitio arqueológico do Boi Branco IATI-PE

mas sim uma história da dependência comunicativa humana. Graças a estas e outra manifestações o seres humanos estendem o sentido e a expectativa de suas vidas para além do limite estreito de sua existência individual e, deslumbram o anseio coletivo por respostas que esclareçam os caminhos e motivos de um desenvolvimento longo cercado de misticismo que contribuiu para a consolidação de uma linguagem, que alterou não só sua forma de si relacionar em sociedade, mas propôs mudanças corporais que constituíram novos mecanismos de socialização de suas ideias e atitudes, todavia estas manifestações do imaginário humano trazem consigo um grande grau de complexidade de suas manifestações levando a sua espécie a um novo patamar comunicativo. O potencial intelectual humano faz de sua mente a arma mais eficiente capaz de superar as adversidades, que surgiram ao longo do extraordinário processo evolutivo que fez de nossos ancestrais agentes transformadores. Criaturas singulares únicas entre os animais, utilizando seu corpo e sua mente para construir uma zona de conforto onde pudesse manifestar a suas extraordinárias habilidades modificando a natureza em beneficio próprio. A diversidade de registro nos monólitos por muitas vezes ganham interpretações populares ou místicas de sentido religioso.

Figura 1.0 Picoteamento na rocha simbolizando uma espécie de contagem ou mesmo os pingos da chuva.
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A consolidação da fala foi de grande valia para o desenvolvimento sócio-interativo do homem moderno, entretanto muitas das manifestações artísticas permeiam um ensaio linguístico com as diversas itacoatiaras (Grafismos Geométricos) foram realizadas sem o auxilio deste mecanismo disseminador de informação, mas nem por isso deixam de ser um esforço valoroso para alcançar esta façanha. Inscrições como a vista acima estão dispersas ao logo do agreste e sertão nordestino, normalmente próximo a cursos d’água compondo uma linguagem de caráter intencional mesmo que não possa ser decifradas ou analisadas fora do imaginário social de seus contemporâneos, estas representações encharcadas de simbolismos ocupam uma posição peculiar dentro da tenua linha evolutiva, que culminou para uma comunicação elaborada, inúmeros foram os fatores que contribuíram para o resultado final que conhecemos hoje. Fatores como a oferta de alimento disposta pelo ecossistema da época, assim como a taxa de ocupação humana no inicio do holoceno, foram fundamentais para a realização das itacoatiaras já que se fazia necessário dispor de um excedente de tempo, oriundo de uma organização bem definida pôs para executar a sua arte por assim dizer precisavam de energia a qual era adquirida através da alimentação sendo esta a principal meta para sobrevivência, que pressupõe a sua realização de imagem por espanto ou contemplação ao novo e seu registro posterior, cada uma destas produções refletem a o contexto social implícito imortalizado nos painéis rochosos parte de um cerimonial criativo ou mesmo fúnebre. A continuidade deste processo gera uma hierarquização do produto ideológico caracterizado pelo seu status perante o grupo. Incitando os demais a continuarem por representação o mesmo processo simbólico e ideológico originado cérebro que abstrai elementos oriundos de suas experiências e representados como símbolos. O permea das outras espécies certamente possui alguma forma de consciência, mas até onde sabemos vivem em um mundo da mesma forma que e apresentada a elas se valendo de um continuo não de uma divisão de lugares que transportam o homem alem de barreiras físicas para o limiar simbólico peculiar a ele, este estudo vai alem de uma simples curiosidade motivada pelo processo de desenvolvimento histórico, mas sim uma história da dependência comunicativa humana. Graças a estas e outra manifestações o seres humanos estendem o sentido e a expectativa de suas vidas para além do limite estreito de sua existência individual e, deslumbram o anseio coletivo de sua arte mesmo que não no sentido literal da palavra desta forma o pensamento simbolicamente organizado, a capacidade de armazenar
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símbolos externamente, fora do cérebro e a chave para os aspectos linguísticos e organizacionais que utilizamos atualmente.

Figura 2.0 Círculos concêntricos: Imagem que lembra muito o nascer ou pôr do sol e seus raios solares A representação do ambiente e comum no acervo de figuras encontradas no sitio arqueológico do Boi Branco como já foi dito o cotidiano e facilmente representado, imortalizado um instante ou fragmento social, na dureza da rocha, em uma comparação grosseira seria a mesma ação que efetuamos a registrar um momento em uma fotografia. Desta forma captando o instantâneo social o qual estávamos participando ou mesmo testemunhando, a compreensão do espaço físico no qual os hominídeos habitavam torna-se, mas uma peça do quebra cabeça para desvendar o real sentido de suas manifestações. As representações físicas dos espaços de convivência da rústica, mas eficiente sociedade pré-histórica produz imagens subjetivas de caráter utópico sendo que estas estão dotadas de cor em seus traços geométricos.

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Figura 3.0 Itacoatiara Monocromática (Pigmentada em uma única cor) A diversidade de elementos encontrados nas itacoatiaras varia significativamente em um mesmo sitio arqueológico podemos detectar inúmeros estilos e técnicas que sugerem que as figuras foram produzidas por diferente grupo nômade ou em diferentes acontecimentos do mesmo grupo simbolizando uma ocasião corriqueira ou mesmo especial como pode ter acontecido em cerimônias fúnebres, ao certo mesmo e que só podemos especular as possíveis hipóteses pelas quais motivaram a produção destas imagens de sentido ambíguo. Na figura 3.0 podemos enumera alguns pontos que deferência estas das demais 01 Traços Geométricos com formato não identificado utilizando retas e semi retas. 02 Preenchimentos completo do Picoteamento na cor vermelha caracterizando uma figura monocromática (Pigmentação da figura em uma única cor) 03 Picoteamento em alto relevo realizado com instrumentos como machado de Mao, através do atrito excessivo.

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O contraste do antigo realizado durante o alvorecer da humanidade se debate com visão contemporânea do homem moderno, que interpreta as fontes históricas da forma pela qual seu nível cultural lhe instrui, muitas vezes atribuindo um sentido religioso as manifestações do produto ideológico humano.

Figura 4.0 Picoteamento: Imagem que segundo os populares que habitam a região seria o manto de nossa senhora aparecida. Como que querendo revelar alguma coisa, o homem, “substância do tempo” utiliza suas imagens como espelho que refletem um contexto social. Todas as imagens projetadas pelo artista da pré-história do agreste no seu conjunto mais amplo são artesimbolo, alem de signos as gravuras são produtos ideológicos em todo seu horizonte. As ferramentas utilizadas para esculpir tão as imagens revelam um homem com uma capacidade de projetar um imaginário, ideologizado, pois “(...) Toda imagem artísticosimbolica ocasionada por um objeto físico particular já é um produto ideológico”

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(BAKHTIN, 1997). A historicidade do homem nos e revelada através das itacoatiaras. Realidade, portanto, absolutizada nos vários blocos rochosos posto que “(...) Cada signo ideológico não e apenas um reflexo, uma sobra da realidade, mas também um fragmento dessa realidade” (BAKHTIN 1997). Nesta perspectiva nosso passado chega até nos por meio de um fragmento daquela realidade histórica, dos grupos que habilitaram o nordeste, deixando sua arte comunicativa como marca de seu grupo uma espécie de marca identidade para o registro de sua autoria.

Referencias Bibliográficas BAKHTIN, Mikhailovich, Mikhail, Estética da Criação Verbal ((Bakhtin, 1997 C.P) Tradução de Paulo Bezerra: São Paulo 1997

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