ISSN Eletrônico 2175-0491

O PROCESSO CIVIL NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO E A RELEITURA DAS GARANTIAS CONSTITUCIONAIS: ENTRE A PASSIVIDADE E O PROTAGONISMO JUDICIAL1
CIVIL PROCEDURE IN THE DEMOCRATIC STATE OF LAW AND CONSTITUTIONAL GUARANTEES REVISITED: BETWEEN LEADERSHIP AND JUDICIAL PASSIVITY EL PROCESO CIVIL EN EL ESTADO DEMOCRÁTICO DE DERECHO Y LA RELECTURA DE LAS GARANTÍAS CONSTITUCIONALES: ENTRE LA PASIVIDAD Y EL PROTAGONISMO JUDICIAL
Angela Araujo da Silveira Espindola2 Igor Raatz dos Santos3

RESUMO
O presente ensaio visa analisar os reflexos dos diferentes perfis assumidos pelo Estado na estruturação do processo civil, a fim de alcançar bases sólidas para a compreensão do direito processual no Estado Democrático de Direito. Enquanto no Estado Liberal Clássico o processo era compreendido numa perspectiva privatista, como “coisa das partes” frente a um juiz passivo, as mutações ocorridas no seio do Estado Social vão implicar uma concepção pública do processo, o qual vem a ser visualizado como instrumento a serviço da ordem jurídica estatal, reforçando-se com isso o papel do juiz, de modo a romper com as deficiências do processo de índole liberal. No Estado Democrático de Direito, cobra-se uma nova leitura do processo civil, que passa a ser encarado como uma parceria de singularidades, de modo a equalizar a passividade e o protagonismo judicial. O estudo vincula-se à linha de pesquisa “hermenêutica, constituição e concretização de direitos, valendo-se do “método” de abordagem hermenêutico.

PALAVRAS-CHAVE: Garantias constitucionais. Protagonismo judicial. Democratização do processo.

ABSTRACT
This paper analyzes the reflections of various profiles assumed by the State in the structuring of the Civil Process, in order to achieve a solid foundation for the understanding of procedural law in the Democratic State. While in the Classic Liberal State, the civil process was understood from a privative perspective, like a “thing of the parties” before a passive judge, the changes that have occurred within the Welfare State 1 O trabalho é resultado da pesquisa realizada no PPGD/UNISINOS, vinculando-se à Linha de Pesquisa Hermenêutica, Constituição e Concretização de Direitos e, em especial, à disciplina “Garantias Constitucionais do Processo” e ao Grupo de Pesquisa “Teoria Crítica do Processo”. Doutora e Mestre em Direito pela UNISINOS. Diretora de Relações Interinstitucionais da Associação Brasileira do Ensino do Direito (ABEDi). Advogada. Porto Alegre, RS. E-mail: ange.espindola@gmail.com. Mestrando em Direito pela UNISINOS. Especialista em Direito Processual Civil pela Academia Brasileira de Direito Processual Civil – ABDPC. Assessor de desembargador no Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS. E-mail: igorraatz@gmail.com.

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Cristiano Becker Isaia - A herança romana no direito ...

Disponível em: www.univali.br/periodicos involve a public conception of the civil process, which comes to be viewed as an instrument in service of the State legal system, reinforcing the role of the judge, in order to break with the shortcomings of the liberal civil process model. In a democratic rule-of-law State, a new reading of the civil process is necessary, which comes to be seen as a partner of singularities, in order to equalize the passivity of the judge and its protagonism. The study is linked to the line of research “hermeneutic, constitution and concretization of rights, using the hermeneutic approach.

KEY WORDS: Constitutional guarantees. Judicial activism. The democratization process.

RESUMEN
El presente ensayo tiene el propósito de analizar los reflejos de los distintos perfiles asumidos por el Estado en la estructuración del proceso civil a fin de lograr bases sólidas para la comprensión del derecho procesal en el Estado Democrático de Derecho. Mientras que en el Estado Liberal Clásico el proceso era comprendido desde una perspectiva privatista, como “cosa de las partes” frente a un juez pasivo, las mutaciones ocurridas en el seno del Estado Social van a implicar una concepción pública del proceso, el cual empieza a ser visualizado como instrumento al servicio del orden jurídico estatal, reforzando con ello el papel del juez y rompiendo, de este modo, con las deficiencias del proceso de índole liberal. En el Estado Democrático de Derecho se exige una nueva lectura del proceso civil, que pasa a ser encarado como un conjunto de singularidades, como para ecualizar la pasividad y el protagonismo judicial. El estudio está vinculado a la línea de investigación “hermenéutica, constitución y concreción de derechos”, valiéndose del “método” de abordaje hermenéutico.

PALABRAS CLAVE: Garantías constitucionales. Protagonismo judicial. Democratización del proceso.

INTRODUÇÃO
O processo civil como produto da cultura reflete diversos elementos como os costumes religiosos, os princípios éticos e os hábitos sociais e políticos que marcam a sociedade4. Nessa linha, uma maneira bastante profícua de visualizar o processo civil é enxergá-lo a partir da função desempenhada pelo Estado em um dado contexto histórico e social, uma vez que as ideias dominantes sobre o papel do Estado afiguram-se aptas a influenciar as próprias concepções dos escopos da justiça, as quais, por conseguinte, são relevantes para a escolha das mais variadas soluções processuais.5 Essa forma de compreender o fenômeno processual permite tanto verificar as razões históricas e culturais que fizeram com que o juiz, no Estado Liberal Clássico, assumisse um papel passivo na condução do processo e subordinado ao legislador na tomada das decisões, quanto questionar o papel do juiz e das partes, bem como a conformação do processo civil, no Estado Democrático de Direito.
4 LACERDA, Galeno. Processo e cultura. Revista de direito processual civil, n. 3, 1962. p. 75. No sentido das relações mútuas entre o processo civil e a cultura, TARUFFO, Michele. Cultura e processo. Rivista trimestrale di diritto e procedura civile, Milano, v. 63, n. 1, p. 63-92, mar. 2009. PASSOS, José Joaquim Calmon de. Direito, poder, justiça e processo: julgando os que nos julgam. Rio de Janeiro: Forense, 2003. SCARPARO, Eduardo Kochenborger. Contribuição ao estudo das relações entre processo civil e cultura. Revista da AJURIS: Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, v. 107, p. 111-121, set. 2007. MITIDIERO, Daniel. Colaboração no processo civil. Porto Alegre: Revista dos Tribunais, 2009. DAMASKA, Mirjan. I volti della giustizia e del potere: analisi comparatistica del processo. Edizione originale: The faces of justice and State Authority. Tradução de Andrea Giussani (capitoli III, IV e V) e Fabio Rota (capitoli I, II e VI). Bologna: Società editrice il Mulino, 2002. p. 41. “Tratar sobre jurisdição, sua concepção e sua função é também discutir sobre o perfil do Estado. Antes de se defender um sentido de jurisdição, é preciso observar o Estado que se possui" (Neste sentido, consultar: ESPINDOLA, Angela Araujo da Silveira. Superação do racionalismo no processo civil enquanto condição de possibilidade para a construção das tutelas preventivas: um problema de estrutura ou função? (ou: por que é preciso navegar em direção à ilha desconhecida e construir o direito processual civil do Estado Democrático de Direito). Tese (Doutorado em Ciências Jurídicas) – Programa de Pós-Graduação em Direito. Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, 2008. p. 93).

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28.. cobrando tributos. segundo Juan Beneyto. o Estado medieval e.6 Nesta. O Príncipe. nesse sentido. Porto Alegre: Livraria do Advogado. e de outro. 1976. 11 Conforme Giovani Tarello. Reedição. p. por exemplo. etc. Mario de la. o Estado moderno (nome com que se pretende designar o Estado dotado de ordenamento unitário próprio. São Paulo: Metre Jou. Hermann. França e Inglaterra. mais especialmente. uma concorrência entre o direito comum aplicado independente do lugar que o autor da violação ocupasse na hierarquia feudal. Teoria do estado. 48. José Luis Bolzan. 48). verificados nos estamentos eclesiástico e nobiliárquico7. p. Lenio Luiz. p. no interior de alguns Estados territoriais a favor de um poder central e supremo em desfavor de todas as outras instituições do universo jurídicos medieval. Coimbra: Almedina. perquirir de que modo os valores do Estado Liberal Clássico informaram a estruturação do processo civil dentro daquele contexto histórico. 2006. MORAIS. cujo poder era limitado por elementos de natureza ético-religiosa e social. alguns autores costumam referir a existência de outras formas pré-estatais com o nome de Estado. como a Igreja e o império. Ciência política e teoria geral do estado. Bologna: Società editrice il Mulino. 28-34. 7 NOVAIS. 9 CUEVA. p. por um lado. católicos. 12 STRECK. La ideia del estado. as cidades. mercadores. A partir daí. GROSSI. Contributo para uma teoria do estado de direito. como marco para o nascimento do Estado. Contributo para uma teoria do estado de direito. São Paulo: Saraiva. a Igreja e o rei da França. Há. dentro do Estado. 10 CUEVA. leis aplicadas a tipos particulares de pessoas (nobres. p. clero. p. num plano de igualdade. como as classes. Roma-Bari: Editori Laterza. o que explica a monarquia como forma fundamental do Estado moderno. Jorge Reis. aqui. a Igreja as corporações. dos conflitos religiosos. (TARELLO.A herança romana no direito . mas não jurídicos). 223-226. 2002. a valoração do poder político no legislativo e no judicial. com um sistema de garantias dos direitos individuais)” (DEL VECCHIO. desconhecia-se a ideia de um poder público fincado na figura do Estado. estava vinculado. tendo nascido como Estado-cidade. a estruturação que vai permear o Estado Absolutista até os dias atuais.8 Daí falar-se que o Estado moderno é o resultado. 1996. buscar-se-á. La ideia del estado. Nesse sentido. engendra os traços característicos que vão informar a ideia de Estado até os dias atuais. Storia della cultura giuridica moderna: assolutismo e codificazione del diritto.ISSN Eletrônico 2175-0491 Tendo por base essa matriz de pensamento. especialmente Espanha. na participação efetiva nas funções públicas). 2010. no Estado moderno esses meios administrativos não são mais patrimônio de ninguém12. em um primeiro momento. O aspecto mais notado desta ruptura de equilíbrio a favor de um poder central consiste na solução radical. 34. as origens do absolutismo remontam à ruptura do equilíbrio jurídico. L´ordine giuridico medievale. cujos titulares são designados pelo rei e dele dependem. que deu origem a várias figuras e a complexas relações hierárquicas. aplicando sua própria justiça e tendo o seu próprio exército. da formação das comunidades nacionais. qual seja. o Estado grego ou Estado-cidade (no qual a liberdade dos cidadãos – excluídos. este e o Imperador. Havia. na época. Giovani. "supõe o desenvolvimento da burocracia. das lutas políticas entre os diversos poderes medievais. Storia della cultura giuridica moderna: assolutismo e codificazione del diritto. melhor. 45. Paolo. pretende-se (re)pensar o discurso processual tomando como norte o caminho percorrido até o Estado Democrático de Direito. Nesse sentido.. E a figura do Estado é espelhada no Toma-se.) ou ainda a particulares tipos de bens e relações. p. comunidades assentadas firmemente sobre porções específicas do território europeu. os vários direitos particulares. Giorgio. Este novo regime. consistentes em leis locais. Teoria do estado. a personalidade jurídica individual nas relações privadas e públicas). com os senhores feudais. Jorge Reis. feudal (no qual se manifestou uma pluralidade de poderes. portanto. a 6 152 Cristiano Becker Isaia . Ainda assim. ocorrido primeiramente na França e na Espanha.9 Esse processo de superação da atomização medieval foi conduzido primordialmente pelos reis. HELLER. isento de toda e qualquer sujeição à Igreja e ao Império. 2 OS ELEMENTOS INFORMADORES DO ESTADO LIBERAL CLÁSSICO O Estado moderno tem seu nascedouro na ruptura com a multiplicidade de instâncias de poder que caracterizava a Idade Média. com limites religiosos. p. México: Fondo de cultura económica. e o direito particular ou. mas limitado em seus poderes por sua própria constituição. ao complexo entrelaçado de direitos e deveres que caracterizava a sociedade medieval. sem unidade solidamente constituída). ver: TARELLO. uma unidade de poder concentrada no Estado que vai se sobrepor a todas as demais instâncias. é claro. 8 NOVAIS. . Mario de la. 1957). Tradução portuguesa de Antonio Pinto de Carvalho. Giovani. servos.10 O Estado moderno. p. o Estado romano (que. mais do que num sistema de garantias. Del Vecchio considera como sendo os principais tipos históricos de Estado os seguintes: “o antigo Estado oriental (teocrático ou absoluto.11 Enquanto no medievo o senhor feudal era proprietário dos meios administrativos. se desenvolveu posteriormente em ordenamento muito mais amplo. os reis e os senhores feudais. a unidade de uma instância de poder e de direito. no qual obteve forte relevo. juntamente com a soberania do Estado. 231. 34. os escravos – consistia. ao romper com as estruturas medievais de poder. 1968.

Este foi um dos fatores determinantes para se ter na igualdade um dos pilares da Revolução Francesa. Carlos S. e. Ciência política e teoria geral do estado. substituindo a aristocracia feudal pela classe titulada. 305). Do estado liberal ao estado social.19 Dentre as ideias políticas que vão nortear a ideia do Estado. porém esses poderes deveriam ser. a desordem” (FAYT. Historia de las doctrinas políticas. quem identificasse "negação" com "debilidade" resultaria vítima de uma falácia histórica. 1964. Vol. ed. estabelecendo como normal o procedimento da aquisição de fundos por meio de empréstimos" (BENEYTO. Contributo para uma teoria do estado de direito. afirma que. visou apensar estabelecer uma igualdade formal.16 O Estado. o Estado deve funcionar de modo imperceptível e tem que ser realmente negativo. 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Revista NEJ ..p. O início do despotismo. a ordem. Madrid: Centro de Estudios Constitucionales. pelo menos. 305). a submissão das confissões religiosas. ed. Sem autoridade ilimitada o governante estava impedido de impor a paz e assegurar a ordem. que toda autoridade se concentra em suas mãos. então. no Estado Absolutista. I.21 tendência unificadora da lei. quando Luis XIV anuncia que nada se fará sem ordem sua.univali. no qual à justificação patrimonial ou religiosa do poder.20 A outra face dessa concepção política é a ideia dos direitos fundamentais como barreira à interferência estatal. Paulo.. por natureza. ao mesmo tempo em que tinha total ingerência sobre a economia e a autonomia dos cidadãos. Introduccion a la ediciona em castellano. imediato e ilimitado. p. 12. conforme Juan Beneyto. p. ROSENKRANTZ. enquanto que com a revolução se suprime a desigualdade em direitos. A ordem somente poderia lograr-se mediante a concentração do poder nas mãos do rei ou do parlamento. Nesse sentido. Ciência política e teoria geral do estado. 16 . uma igualdade de direitos. NOVAIS. traduzida no governo da vontade discricionária do Príncipe. MORAIS.. domesticar uma administração cujas providências concretas. p. (. 45). BONAVIDES.Eletrônica. 1996. p. Este Estado. que conduz a um novo sistema fazendário pelo que pode prescindir-se da solicitação de ‘pedidos’ ou impostos. na soberania e na liberdade" (NEUMANN. Juan. (PANIAGUA.18 Pode-se dizer que o Estado Liberal Clássico começa a ser idealizado nesse contexto histórico. Franz.. (BENEYTO. José Maria Rodriguez Paniagua. Brunce. José Luis Bolzan. 30). dificilmente se encontrará outra que melhor reflita sua política”. mormente na área econômica. Madrid: Universidad commplutense seccion de publiaciones. Spain: Aguilar. Jorge Reis. MORAIS. ou. 11. a guerra. NOVAIS. 1996. Buenos Aires: Bibliografica Omeba. Contributo para uma teoria do estado de direito. El estado democratico y el estado autoritario: ensayos sobre teoria politica y legal. p. capaz de concentrar todas as funções que hoje são chamadas de legislações. a qual buscava erguer uma barreira às arbitrariedades do Poder. Lenio Luiz. “pode fixar-se em 1661. Ibidem. os franceses eram muito mais desiguais em direito que na realidade.Disponível em: www. Os valores supremos são. p. portanto. José Luis Bolzan. 150-169 / mai-ago 2011 153 . em um primeiro momento. 40-44. 1968. 40. a anarquia. ilimitados. assim. Sem embargo. Jorge Reis. que permanecia ilimitado nas mãos do soberano. Se nunca pronunciou a famosa frase L´Etat c´est moi. 1993. El estado democratico y el estado autoritario. São Paulo: Malheiros. p. 8. NEUMANN. o Estado. In: ACKERMAN. limitando. 304). p. 1967. De heráclito a la revolución francesa. 21). a liberdade e a igualdade de oportunidades dos agentes econômicos. no entanto. Jose Maria Rodriguez. 45. a segurança. STRECK. p. opõe-se o governo da razão. Historia del pensamento juridico: v. Conforme Franz Neumann. a aceitação da maior importância atribuída à riqueza móvel. a formação de exércitos nacionais permanentes. titular de um poder direto.15 A ausência de limites ao Estado. o Estado Absolutista tenha sido fundamental para os propósitos da burguesia nascente. individuais e potencialmente discriminatórias não se coadunavam com a calculabilidade. administração e jurisdição. Fazia-se necessário. Segundo Carlos S. El absolutismo. deu margem a uma reação da burguesia.) se baseia na força e no direito. O Estado Liberal mostrou sempre a fortaleza que lhe exigiram as situações políticas e sociais e os interesses da sociedade. La justicia social em el estado liberal. 2 . que chancelava desigualdades de direitos em favor do clero e da nobreza. da soberania da vontade geral expressa no Parlamento por meio de normas gerais e abstratas e de direitos fundamentais. “os valores vinculados a ordem e a segurança eram considerados mais importantes que a liberdade. Buenos Aires: Paidos. Idem. A burguesia reclamava estabilidade de proteção para realizar suas atividades. tal ocorreu afastando-a do poder político14. Franz. no qual haviam de governar as leis e os homens (. Carlos F. assim. Historia de las doctrinas políticas. Juan.n. p.13 Ainda que. "segundo esta ideologia.br/periodicos soberano. por conseguinte. em fim. a qual. os quais não pagavam qualquer tipo de impostos17. p. era visto como um inimigo. "antes da revolução. a paz. 44-45. no entanto. sobreleva a afirmação de que o governo deve ser limitado no sentido de que a única forma em que as instituições políticas de uma sociedade podem ser justificadas é se são suficientemente permissivas para que todos possam viver suas vidas por si mesmos. p. a transformação da nobreza. Os desvalores. essenciais para o desenvolvimento das bases econômicas burguesas. p. Lenio Luiz. STRECK.) Foi um Estado forte precisamente naquelas esferas de ação em que devia e quis sê-lo. porém não na realidade". Fayt. sem preocupar-se com as desigualdades reais entre as pessoas. 6. contrapor à onipotência do rei um sistema infalível de garantias. 50.

In: ZOLO. a burguesia. Lo stato di diritto: storia. estrutura-se o Estado Liberal pelos direitos fundamentais. p. In: Coleção: Os Pensadores. 22 NOVAIS. ou seja. 28 CASTANHEIRA NEVES. esta se vê frente a uma classe de magistrados comprometidos com o sistema anterior. portanto. em certa medida. 30 Conforme Montesquieu. segundo a qual esta última é o local em que coexistem as esferas morais e económicas dos indivíduos. deixando a vida econômica entregue a uma dinâmica de auto-regulação pelo mercado. o qual era visto pela burguesia precipuamente como um conceito de luta política dirigida simultaneamente contra a imprevisibilidade do Estado Absolutista e as barreiras sociais legadas pela sociedade estamental. Jorge Reis.30 Se Estado Liberal Clássico era calcado na limitação do Estado. o processo civil acabou refletindo essa forma de Estado. 1994. 78. 78. 19.27 Nesse sentido. a "sociedade" e o "juiz" ou entre "sistema. Vol. a ideologia das três separações pode ser visualizada nos seguintes termos: "a) a separação entre política e economia. com o contexto histórico do Estado de Direito. Lo stato di diritto: un´introduzione storica. o qual “aparecia como único protagonista da juridicidade com preterição e quase total sacrifício do juiz” 29. Jorge Reis. haja vista que estes eram detentores do feudo. p. 1997. In: Boletim da Faculdade de direito da Universidade de Coimbra. notadamente a iniciativa privada. São Paulo: Nova Cultura. Contributo para uma teoria do estado de direito. A análise dessa relação entre o processo civil e o Estado será objeto do próximo item. p. foi aplicar o sistema da separação dos poderes. p. p. que espelhava os valores burgueses. hoje. 26 NOVAIS. "função" e "problema": os modelos actualmente alternativos da realização jurisdicional do direito. seres inanimados que não podem moderar nem sua força nem seu rigor” (MONTESQUIEU.. Danilo. p. António. a quem caberia somente declarar a vontade da lei. da sua metodologia e outros. ver: COSTA. relativamente às quais o Estado é mera referência comum tendo como única tarefa a garantia de uma paz social que permita o desenvolvimento da sociedade civil de acordo com as suas próprias regras" (NOVAIS.22 O Estado Liberal. 186. teoria.) Os juízes de uma nação não são. 59). México: Fondo de Cultura Econômica.24 A adjetivação liberal do Estado de Direito traz consigo. 116 e 208). LXXIV [separata]. Acerca da evolução histórica do conceito de Estado de Direito.entendido a partir da proteção da liberdade e dos direitos fundamentais23 . e a tomada do poder econômico e político pela burguesia. a segurança da propriedade e as exigências de calculabilidade próprias do sistema capitalista. criada pela burguesia. Neste sentido. “Nos governos republicanos é da natureza da constituição que os juízes observem literalmente a lei. Entre o "legislador". mas apenas pela consciência autónoma dos indivíduos. acaba moldando os contornos do Estado de Direito . 25 Conforme Jorge Reis Novais. Pietro. A cura di Pietro Costa e Danilo Zolo con la collaborazione di Emilio Santoro. 27 NOVAIS. La tradición jurídica romano-canônica. concebidos como esferas de autonomia a preservar a intervenção do Estado26. Contributo para uma teoria do estado de direito. b) a separação entre o Estado e a Moral..25 A partir daí. o direito era identificado pela lei28 e sua titularidade era exclusiva do legislador. COSTA. como forma de assegurar o desenvolvimento da burguesia e do então incipiente modelo econômico capitalista. p. Lo stato di diritto: storia. António. 73. não mais se sustenta. teoria. pela divisão de poderes. . e impedir que julgasse contrário aos ideais da revolução. COSTA. ver MERRYMAN. a separação entre o Estado e a Moral e a separação entre o Estado e a sociedade civil. segundo a qual o Estado se deve limitar a garantir a segurança e a propriedade dos cidadãos. Jonh H. 1995. 89. 73. p. (.A herança romana no direito . como dissemos. a partir da configuração de direitos fundamentais vistos como garantias da autonomia individual contra as invasões do soberano31 e da divisão de poderes com a ênfase no Poder Legislativo e uma total subordinação do Poder Judiciário à lei. Contributo para uma teoria do estado de direito. Jorge Reis. a maneira encontrada para domesticá-la. baseando-se em Platão. 154 Cristiano Becker Isaia . 29 CASTANHEIRA NEVES.. Do Espírito das Leis. portanto.ISSN Eletrônico 2175-0491 É importante notar que as concepções liberais do Estado acabam por se confundir. 1998. Jorge Reis. p. 89-170. Coimbra: Coimbra. Em face da impossibilidade de substituir a magistratura. que assegurar o predomínio do corpo legislativo (pelo império da lei e pelo princípio da legalidade) e da força social que o hegemoniza. Jorge Reis. segundo a qual a moralidade não é assunto que possa ser resolvido pela coacção externa ou assumido pelo Estado.aos valores burgueses. que então passava a deter o poder. p. Milano: Gingiacomo Feltrinelli Editore. mas tornando o judiciário um poder nulo. que nada mais era do que a boca da lei. o pressuposto teórico das três separações: a separação entre a política e a economia. Contributo para uma teoria do estado de direito. Pietro. critica. c) a separação entre o Estado e a sociedade civil. do pensamento jurídico. Com a Revolução Francesa. 2003. porque o contexto histórico em que vivemos difere sobremaneira daquele em que foi concebida. 23 Tal a concepção de Estado de Direito idealizada por Jorge Reis Novais. Contributo para uma teoria do estado de direito. Digesta: escritos acerca do direito. Danilo. 31 NOVAIS. Barão de. 24 ZOLO. principalmente. critica. Essa concepção de um juiz boca da lei. mais que a boca que pronuncia as sentenças da lei.. já que é uma classe altamente técnica. Pietro.

sob o plano jurídico. Vol. p. p. TARELLO. e o núcleo econômico. La giustizia civile in Italia dal'700 a oggi. que as críticas feitas contra os exercícios do poder de assumir as provas de ofício.n. era entendida no seu sentido mais rigoroso. MORAIS. mar. Rivista trimestrale di diritto e procedura civile. Nesse sentido. 2009.p. O processo civil forjava-se. 15. n. a moral e a sociedade civil. Michele. mais evidente é o modelo de "combate". Michele. pode-se constatar que a configuração de um processo remetido integralmente à autônoma iniciativa individual dos particulares. por iniciativa própria. pelo constitucionalismo e pela soberania popular. 16 . cuja função era somente assegurar o respeito das regras do embate. o qual fazia o papel de um verdadeiro árbitro. In: Dottrine del processo civile. Bologna: Soc. coisa escandalosa como seria a interferência do árbitro em uma partida de futebol (CHIARLONI. disciplinados como procedimentos de caráter nitidamente administrativo. Conforme Damaska. em que o juiz não deve interferir sob pena de acabar favorecendo a vitória de um dos jogadores. 115-116. 72. caracterizado pelo consentimento individual. José Luis Bolzan. de um lado pelo 32 33 TARUFFO. Dicembre 2009. p. nesse sentido. p. 1. pela representação legislativa. Brasília: UNB. São eles: o núcleo moral. Cultura e processo. p. nessa senda. apenas pouquíssimos casos de jurisdição voluntária. ademais. da separação do Estado. era o reflexo de certo liberalismo reinante no século XIX e no início 34 35 36 37 38 39 Revista NEJ . 90. A indiferença do Estado incluiria. 63-92. no modelo ideal de um Estado reativo. como adverte Roger Perrot. a percuciente análise feita por Sergio Chiarloni acerca das ideologias processuais no âmbito da iniciativa probatória do juiz. as quais podiam prolongá-la indefinidamente. outra. de modo que as partes não obtinham nenhuma colaboração do juiz na fixação da prova. dentro do qual pode ser acomodado o Estado Liberal Clássico. 15-16. era confiada às partes a disposição do processo e o controle do tempo. ver: MACRIDIS. Mirjan. o processo se desenvolvia na forma escrita37. de que essa separação se deu apesar da existência de três núcleos. 50-53. Riflessioni microcomparative suideologie processuali e accertamento della verità. Trabalha-se. nesse sentido. Rivista Trimestrale Di Diritto e Procedura Civile. Giovani. Giovani. Sergio. Supplemento al n. ficando claro que as versões extremas da ideologia reativa propugnam um esquema extremizado do conflito. Cultura e processo. 2 . O autor refere. que davam sustentação a essa separação. Michele. p. nesse sentido. Roy. p. 63.br/periodicos 3 A LIBERDADE DAS PARTES FRENTE AO JUIZ (PASSIVO) E O CONTROLE POLÍTICO DO JUIZ (BOCA DA LEI) COMO MARCAS DO PROCESSO CIVIL NO ESTADO LIBERAL CLÁSSICO Tendo em vista as implicações recíprocas entre o processo civil e a cultura32. 145-146). Michele. Salvo a audiência de discussão oral. TARUFFO. A regra da demanda. Ciência política e teoria geral do estado. no interior do liberalismo.univali. Rivista trimestrale di diritto e procedura civile. cujos pilares são a propriedade privada e uma economia capitalista de mercado livre de controles estatais.38 Nessa senda. Interessante notar. importa agora verificar em que medida as concepções políticas. Per uno studio della genesi dottrinale e ideologica del vigente codice italiano di procedura civile. I volti della giustizia e del potere: analisi comparatistica del processo. não havia muitos procedimentos especiais. o núcleo político-jurídico. TARUFFO. Ideologias políticas contemporâneas. TARELLO. respondia às ideologias burgo-liberais39.Eletrônica. o Código napoleônico de 1806. Lenio Luiz. TARUFFO. com a conjugação e a aproximação de duas ideias: uma. 67. da concepção do processo como um jogo. Anno LXIII. 4. por assim dizer. STRECK. Il problema della riforma processuale in Italia nel primo quarto del secolo. A admissão da demanda não estava subordinada a nenhuma aprovação do juiz. as quais enfeixam.36 Tais princípios foram encampados pelas duas principais legislações processuais puramente liberais do oitocentos: o Código napoleônico de 1806 e o Código italiano de 1865. Milano. uma série de princípios que dão lugar a um modelo processual típico. 107). já lançada no presente ensaio. no qual a intervenção do juiz era reduzida ao mínimo. 1989.Disponível em: www. Porto Alegre: Livraria do Advogado. 1982. 2010. p. vale dizer. com uma ampla instrução escrita remetida integralmente à disponibilidade das partes. que remontam a ideologias do duelo judiciário. p. Nestes. p. uma interferência mínima no modo com o qual as partes gestionam o combate forense (DAMASKA. Estas deveriam ter à disposição de todos os instrumentos processuais necessários para desenvolver. v. 150-169 / mai-ago 2011 155 . em diversos momentos. quanto mais limitada a possibilidade de o juiz intervir. Il problema della riforma processuale in Italia nel primo quarto del secolo. Editrice il Mulino. uma vez que se tratava de serviço necessário do Estado e estava no domínio absoluto dos particulares. Ainda nesse sentido. uma competição individual que se dava frente ao juiz.34 Essa caracterização do processo como verdadeiro duelo privado35 é comum a todas as legislações processuais liberais. econômicas e morais33 próprias do ambiente cultural do Estado Liberal Clássico influenciaram as ideias acerca do processo civil. La giustizia civile in Italia dal'700 a oggi. A ideologia predominante na época era no sentido de que o processo fosse o lugar no qual se manifestava a autonomia e a liberdade das partes privadas. 1980. de que o Estado Liberal estava assentado pela ideologia das três separações. calcado na ideia de liberdade. Sobre os três núcleos do liberalismo. Bologna: Il Mulino.

um amplo controle sobre as decisões tomadas pelos juízes. Oráculos da lei ou bouche de la loi: considerações históricas sobre o papel dos juízes. sem referência precisa à fonte da expressão. n. através dos quais a lei é expressa. Para uma crítica desta concepção. reconduzido a um ideal individualista como controvérsia de duas partes autônomas frente a uma corte passiva. 168. In: Boletim da Faculdade de direito da Universidade de Coimbra. Roger. a concepção dominante na época da ação como elemento do direito substancial (TARUFFO. ainda.ISSN Eletrônico 2175-0491 dogma da liberdade das partes privadas no processo e. de modo a garantir a supremacia da legislação. p. pode ser resumido no seguinte binômio: “total liberdade das partes privadas frente ao juiz. 143. p. 2. a "sociedade" e o "juiz" ou entre "sistema. p. 143). Michele. portanto. e os juízes são apenas os seus porta vozes. pensado. 239). Mirjan. Michele. Volume XV . Significato della storia nello studio del diritto processuale. Michele. 144. 2007.46 O perfil do processo no Estado Liberal Clássico. 1968. Rivista di diritto processuale civile. sob o qual é fundamento a sentença: ele é somente a bouche de la loi. pelo dogma da mais completa tutela dos direitos processuais das partes. Essa forma de ver o direito é própria do modelo normativista-legalista de juridicidade. que o Estado Liberal Clássico construiu um modelo de juiz passivo acorde com a concepção liberal pela qual o Estado deve evitar qualquer intervenção na gestão dos afazeres privados. Van. R. 40). "função" e "problema": os modelos actualmente alternativos da realização jurisdicional do direito. p. 1975. coarctar o poder dos políticos que controlavam as assembléias representativas e em particular a Convenção (convention). forte controle político sobre o juiz por parte do governo”47. autómatos. O único poder histórico que se sobrepôs ao conservadorismo do Banco de Magistrados foi o legislador.43 Ao mesmo tempo. que temiam que os tribunais conservadores pudessem fazer o que os velhos Parlamentos tinham feito. Nesse sentido. DAMASKA. p.. quanto pela doutrina estrangeira (principalmente a doutrina italiana).Parte I. 1998. e transformá-los em “bouches de la loi” mecânicos: daqui também decorre o édito de Napoleão contra os comentários aos seus Códigos. as mutações no papel do Estado que começam a ser teorizadas no final do século XIX vão cobrar uma nova forma de pensar o processo civil. O perfil do juiz na tradição ocidental.44 Obtinha-se. LXXIV [separata]. A respeito. p. através dos quais o Legislador fala. Enrico. p. Salvatore. In: BARBAS HOMEM et al. como pressões de arrecadações e sanções burocráticas ou disciplinares sobre aqueles que ousassem se comportar de modo independente. “a lei é aquela que o legislador diz que é. La giustizia civile in Italia dal'700 a oggi. de outro. o Juiz é obrigado a referir o artigo do Código ou da lei. Basta pensar..A herança romana no direito . 343. Vol. TARUFFO. continuada pelos professores do século XIX da Ecole de l´exégese (Escola da Exegese) que não ensinavam a lei mas os Códigos” (CAENEGEM. Em todas as sentenças. ver CASTANHEIRA NEVES. Michele. TARUFFO. ver SATTA. desta feita. Padova: CEDAM. . nem às partes contribuir para a compreensão do sentido do direito. La giustizia civile in Italia dal'700 a oggi. Entre o "legislador". António.40 É fácil verificar que o domínio das partes sobre a gestão do processo transfere o ideal da autonomia da pessoal da esfera da ideologia política à administração da justiça. p./Seminário Internacional. 149. dessa forma. Essas imbricações entre as mudanças do papel do Estado e o processo civil acabam por conferir as linhas mestras daquilo que Enrico Allorio chamou de história ideal do direito processual civil: a história da sua publicização. Daqui decorre o clube dos Nomophiles na Paris revolucionária e o seu recurso para restringir o poder dos juízes. p. DAMASKA. Esta foi a atitude dos revolucionários franceses. TARUFFO. La giustizia civile in Italia dal'700 a oggi. como bem conhecemos. La giustizia civile in Italia dal'700 a oggi. Resta claro. Mirjan. Soliloqui e colloqui di un giurista. que marca o Estado Liberal Clássico. Michele. Rivista di diritto processuale. TARUFFO. portanto. I volti della giustizia e del potere: analisi comparatistica del processo.C. I volti della giustizia e del potere: analisi comparatistica del processo. ou do decreto real.45 Nesse viés não era dado nem ao juiz. 139. moldou os contornos do processo civil a partir de um forte controle estatal sobre o juiz no momento de decidir.41 O processo civil foi. p. Esta atitude revolucionária e Napoleônica foi. que era uma combinação do parlamento e do governo. como uma mera continuação de outros meios de relações privadas42 instituídas sob os auspícios da cultura da época.XVI-XVII. Lisboa: Almedina. A expressão remete ao alemão sache der parteien e é utilizada tanto pela doutrina nacional. 4 A PASSAGEM DO ESTADO LIBERAL CLÁSSICO PARA O ESTADO SOCIAL COMO MARCO DA PUBLICIZAÇÃO DO PROCESSO CIVIL Se a concepção do processo civil como “coisa das partes”48 respondia bem aos anseios do Estado Liberal Clássico. nesse sentido. Il nuovo futuro codice di procedura civile francese. uniformizando rigorosamente o comportamento dos juízes às orientações políticas do governo. 189. ALLORIO. usando todos os instrumentos lícitos ou ainda ilícitos. La giustizia civile in Italia dal'700 a oggi. Anno 1938 .49 do século XX (PERROT. isto é. 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 156 Cristiano Becker Isaia .

51 NOVAIS. especialmente nos domínios dos horários de trabalho e do trabalho infantil e feminino. sendo concebido como um “dispositivo técnico capaz de servir a todas as possíveis ideologias e. Ciência política e teoria geral do estado. apostando em maiores poderes ao juiz. o processo deixa de ser visto como uma forma na qual se explica a autonomia privada no exercício dos direitos. p. "da propriedade privada dos meios de produção passou a viger a função social da propriedade. 55 LIEBMANN. Não se tratava. v.p. uma vez que as partes e os seus defensores tornavam-se árbitros praticamente absolutos. La giustizia civile in Italia dal'700 a oggi. Revista NEJ . não só nas referidas exigências ou nos direitos a prestações sociais.univali. como possibilidade efetiva para se realizarem como homens. 2. que o Estado Social acaba servindo como forma de assegurar a continuidade do projeto liberal. sim. em pensá50 PEREZ LUNO. Michele. p. Contributo para uma teoria do estado de direito. p. 58 ALVARO DE OLIVEIRA. 52 NOVAIS. também. Do formalismo no processo civil. qual seja: a separação entre os trabalhadores e os meios de produção. esta direcção tinha como contrapartida a pressão. mas. 59 BAPTISTA DA SILVA.56 Em síntese. 56 TARUFFO. abrigar em seu seio as mais variadas e contraditórias correntes de opinião”. 150-169 / mai-ago 2011 157 . 1995. I volti della giustizia e del potere: analisi comparatistica del processo. 15. de uma regulação da vida social a partir do impulso e da conformação provenientes do Estado. José Luis Bolzan. Contudo. o novo ethos politico que resultava da superação da concepção liberal da separação da sociedade e Estado traduzia-se.59 Dessa forma. Lisboa: Minerva. Paralelamente. gerando mais-valia. Antonio Enrique. mas como um objeto suscetível e carente de uma estruturação a ser perseguida pelo Estado para realização da justiça social. 2 . 29.Eletrônica. rompendo-se com aqueles padrões próprios da atuação estatal mínima que cobrava o modelo puramente liberal. o direito e o processo civil começam a sofrer os influxos dessa mudança. com reformas legislativas justificadas como rejeição ao individualismo associado aos princípios do liberalismo clássico. da sociedade sobre o Estado. ed. 1970. p. Jorge Reis. 223. grupos de interesses e organizações sociais sobre a esfera política" (NOVAIS. p. o que refletia o novo papel que o Estado vinha a assumir. estado de derecho y constituicion. 2. São Paulo: Saraiva. Lenio Luiz. o primado básico do Estado Liberal se mantém. 187). 16 . 108. Storiografia giuridica "manipolata". La giustizia civile in Italia dal'700 a oggi. uma série de conflitos de classe que veio a desvelar a insuficiência do marco de liberdades burguesas quando se inibe o reconhecimento da justiça social. O estado social: análise à luz da história. de realizar o interesse público da administração da justiça. o progressivo estabelecimento por parte do Estado de medidas para frear os excessos mais chocantes do capitalismo. Numa perspectiva crítica é interessante notar. Jorge Reis. nesse marco. Contributo para uma teoria do estado de direito. p. na segunda metade do século XIX. 346. refletindo a neutralidade do Estado. 180. Vol. Madrid: Tecnos. p. Conforme Jorge Reis Novais. 1974. Parte I. Ângelo dos.53 Tudo isso vai cobrar um papel mais ativo do Estado. por sua vez. e da liberdade contratual passou-se ao dirigismo contratual. a partir da constatação da mútua perda de capacidade de auto-regulação. para espelhar um lugar no qual se exprime a autoridade do Estado. com o escopo não somente de tutelar interesses privados. a despeito de o Estado ter-se transformado em Intervencionista. eclodiu. mas. Enrico Tullio. Nesse sentido. Carlos Alberto. ou seja.57 Importa salientar que o papel passivo desempenhado pelo juiz no Estado Liberal Clássico dava margem à lentidão e ao abuso. 111. 54 DAMASKA. 57 TARUFFO.Disponível em: www. num esforço de apropriação das decisões estaduais que se manifestava. exercida individual e colectivamente. portanto. Ovídio A. em virtude da tolerância que uma tal concepção pressupunha. 183. 5. ed. num projecto global de estruturação da sociedade. o processo civil restava infenso a valores. 1997. p. a doutrina processual presente naquele momento histórico de transição cuidou de repensar o processo. assumindo a forma de instrumento que o Estado coloca à disposição dos privados para a atuação da lei. "no fundo. 41.50 Sobreleva.51 Isso tudo implica uma alteração radical na forma de conceber as relações do Estado com a sociedade.54 O processo deixa de ser um afazer privado. na medida em que passa a representar o exercício de uma função pública e soberana. MORAIS. no entanto. Jurisdição e execução na tradição romano-canônica.br/periodicos Não tendo o individualismo e a neutralidade do Estado liberal conseguido satisfazer as reais exigências de liberdade e igualdade dos setores mais oprimidos social e economicamente. 188. p. 65).58 Além disso. São Paulo: Revista dos Tribunais. Mirjan.52 O ideal que predomina e alicerça a concepção de Estado social é o de um sistema político que dê a todos os cidadãos um digno padrão de vida. 53 SANTOS. a partir de um novo ethos político calcado na concepção da sociedade não mais como um dado. Jorge Reis.n. Contributo para uma teoria do estado de direito. p. de apropriação privada pelos detentores do capital" (STRECK. ed. de pensar o processo a partir de um modelo autoritário de Estado. Rivista di diritto processuale. 2003.55 Daí que o processo deixa de ser visto como “coisa das partes”. mas também na acção permanente e estruturada dos partidos. p. p. Michele. 188. Derechos humanos.

no curto espaço do presente ensaio. Revista síntese de direito civil e processual civil. pp. MORAIS. 1980-82. MONTELONE. Milano: Comunita. 2008. Padova. 2005. Il processo civile sociale (postilla). Processo jurisdicional democrático: uma análise crítica das reformas processuais. A lei passsa a ser. Vittorio. 2/3. Jurisdição e processo. 91). especialmente a partir do segundo pós-guerra. Anno LVII. . 34. BARBOSA MOREIRA. portanto. as modificações ocorridas no processo civil naquele dado momento foram importantes para que o papel do juiz e das partes começasse a ser rediscutido. 57-85. Milano. Ano LVII. a. 2009. Em sentido totalmente contrário àquele defendido por esses três autores. “positivação” do direito natural e política. os ensaios de Barbosa Moreira e. XXV. Porto Alegre. José Luis Bolzan. Bologna: Il Mulino. Curitiba: Juruá. NUNES. n. p. 1974. Nicola. vol. N. Correntes e contracorrentes no processo civil contemporâneo. giuffre. mar/abr. 9. Ciência política e teoria geral do estado. TARUFFO. n. neste sentido. 1989. uma releitura de seus institutos62. 2006. Michele.451-482. por óbvio. Lenio Luiz. N. V.ISSN Eletrônico 2175-0491 lo como um instrumento de justiça social. 1996. 59-103./jun. v.. Rivista di diritto processuale. VIANNA. giugno. pode-se mencionar. Por outro lado. 5-16. a efetividade da normatividade é garantida. o Estado de Direito acrescenta à juridicidade liberal um conteúdo social. Poteri probatori delle parti e del giudice in europa. Girolamo. MONTERO AROCA. a. Franco. na Itália. n. Giugno 2003. autores como Giovani Tarello e Franco Cipriani defendem que as concepções de processo presentes no pensamento de Chiovenda e Klein materializariam uma ideia de processo autoritário. n. Juan. tendo como método assecuratório de sua efetividade a promoção de determinadas ações pretendidas pela ordem jurídica. a. R. Revista de Processo. encabeçada por Montero Aroca. mantendo-se. Eduardo Ferrer. Recentemente. o fim ultimado é a adaptação à ordem estabelecida" (STRECK. José Carlos.. Rivista trimestrale di diritto e procedura civile. 29. pp. Poder Judiciário. referendando a limitação da ação estatal e tendo a lei como ordem geral e abstrata. uma profunda transição paradigmática a partir do século XIX. O neoprivatismo no processo civil. p. Cedam. apr/giugno. 3. no Brasil. Princìpi e ideologie del processo civile: impressioni di un revisionista. DENTI. Parte I. com vistas a um processo mais rápido e eficaz.2. ativismo judicial e democracia. XXX. CITTADINO. Essa forma de visualizar a questão já foi combatida por Liebman. p. Dottrine del processo civil: studi storici sulla formazione del diritto processuale civile. 23-25. através da imposição de uma sanção diante da desconformidade do ato praticado com a hipótese normativa. 2004. Gisele. 2008. REBUFFA. Giovanni. a já mencionada separação entre o Estado e a sociedade. Le ideologie del processo in un recente saggio. Rivista trimestrale di diritto e procedura civile. José Alfredo de Oliveira. N. 2. fazer uma análise aprofundada das duas vertentes acerca do delineamento do processo civil no contexto do Estado Social. genericamente. VERDE. 553-579. Pouso Alegre. Quanto mais profunda essa separação. Michele. O Processo Civil sofre. Aprile-Giugno 2004. 2. nº 18. o fim ultimado é o de adaptação à ordem estabelecida63. v. Franco Cipriani e Girolamo Montelone. TARELLO. Luglio-Settembre 2002.313-323. RJ. principalmente a partir da linha de pensamento denominada por Barbosa Moreira de "neoprivatismo processual". Rivista Di Dirito Processuale. São Paulo. p. 62 Também. v. VERDE. com a criação dos Tribunais Constitucionais61. Rio de Janeiro: Forense. n. Revista da Faculdade de Direito da UFMG. Nova Fase. um instrumento de ação concreta do Estado. por conseguinte. Napoli. 5 O PROCESSO CIVIL NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO COMO UMA PARCERIA DE SINGULARIDADES ENTRE O JUIZ E AS PARTES Tanto no Estado Liberal Clássico quanto no Estado Social. impondo. Nesse sentido. p.60 Este cenário gradativamente implicará um aumento da importância do Poder Judiciário. Il processo civile "sociale" come strumento di giustizia autoritaria. TARUFFO. Padova. o Estado de Direito sustenta juridicamente o conteúdo próprio do liberalismo. Transmutado em social. Campos dos Goytacazes. In: GUASTINI. p.A herança romana no direito . Giovanni. Giovanni. Rivista di Diritto Processuale. Sobre o assunto. referem Lenio Luiz Streck e José Luis Bolzan de Morais: "Como liberal. BARBOSA MOREIRA. Enrico Tullio. CIPRIANI. Revista da Faculdade de Direito de Campos. In: Estudos Históricos. 2006.. Revista da Faculdade de Direito do Sul de Minas. 2004. G. Processo civile e giustizia sociale. Belo Horizonte. L’ opera di Giuseppe Chiovenda nel crepusculo dello stato liberale. 28. 1971. num interessante ensaio no qual ele se contrapõe à leitura feita por Giovani Tarello a respeito da obra de Chiovenda. RT. De um lado. consultar. aproximando cada vez o Processo da Constituição.116. 2001-2002. Em ambas as situações. 63 Nesse sentido. 135-144. Storiografia giuridica manipolata. Ano LIX. 60. 2/3. Poder Judiciário. Dierle José Coelho. mais a relação de cidadania se converte numa 60 Não há como. José Carlos. 61 Neste sentido. todavia. 2010. BARACHO. n. Porto Alegre: Livraria do Advogado. dentre outros. LIEBMAN. La giustizia civile in Italia dal'700 a oggi. abandonando-se a ideia de um processo dominado pelas partes em contraposição a um juiz passivo e inoperante. 59. 2. consultar PICARDI. 158 Cristiano Becker Isaia . “Processo e constituição: o devido processo legal”. os escritos de Michelle Taruffo. a questão tem voltado ao debate jurídico. “El derecho procesal constitucional como fenômeno histórico social y como ciencia. em 1974. Rivista di diritto processuale. conectando aquela restrição à atividade estatal a prestações implementadas pelo Estado. Giovanni Verde e Vittorio Denti. privilegiadamente. n. Il processo civile nello stato democrático. Luiz Werneck. consultar MAC-GREGOR. jan.

Antonio do Passo. Cada vez menos os atos do Estado podem ser imputados à vontade majoritária do seu povo. nesse sentido. provoca o surgimento de entendimentos judiciais. ou. Lenio Luiz. 217. Humberto et al. 23). o cidadão deve ser visto como participante. Leo. Direitos fundamentais e relações privadas.66 Essa autodeterminação democrática da sociedade inscreve-se. a transformação do status quo. Angela Araujo da Silveira. Lenio Luiz. nos limites demarcados por uma vinculação material demarcada pela autonomia individual e pelos direitos fundamentais. p. Rio de Janeiro: Forense.70 Na medida em que o Estado Democrático carrega consigo esse caráter transformador.75 64 A propósito. É eloqüente o fato de que. ou seja. Lenio Luiz. Introdução ao processo civil: conceito e princípios gerais.65 Vale dizer. Jorge Reis.E. solitárias. Essa relação entre a sociedade e o Estado vai refletir a concepção do processo civil. ou a atuação degenerada da atividade jurisdicional. 2. Lenio Luiz. n. Buenos Aires: E.71 Com efeito. 15. 74 CABRAL. ROSENBERG. 2006. 1955. 72 LEBRE DE FREITAS. MORAIS. 2009. Tese (Doutorado em Ciências Jurí- Revista NEJ . a incorporação efetiva da questão da igualdade como um conteúdo próprio a ser buscado. ed. ver. 16 . em três volumes. O que é isso – decido conforme minha consciência? Porto Alegre: Livraria do advogado. Daniel. José Luis Bolzan. p. na obra de Leo Rosenberg “Lehrbuch des deutschen zivilprozessrechts”. 91. p. Dierle José Coelho.74 De fato. Rivista di diritto processuale. In: THEODORO JR. 191. respectivamente. ed. Nulidades no processo moderno: contraditório. p. Vol. José Carlos. 2. reservando ao cidadão um papel apático e periférico. In: Revista de Processo. José Luis Bolzan. José. o processo civil no Estado Democrático de Direito deve ser entendido como uma parceria de singularidades. José Luis Bolzan. 67 NOVAIS. Superação do racionalismo no processo civil enquanto condição de possibilidade para a construção das tutelas preventivas: um problema de estrutura ou função? (ou: por que é preciso navegar em direção à ilha desconhecida e construir o direito processual civil do Estado Democrático de Direito). 5. Processo e constituição: os dilemas do processo constitucional e dos princípios processuais constitucionais. 2006. 95. 2010. Munchen: Beck. Contributo para uma teoria do estado de direito. 168. ou seja. 75 STRECK. Processo jurisdicional democrático: uma análise crítica das reformas processuais. em monólogos articulados73. compreender que nem as partes. ou seja. 69 STRECK. Ver também ESPÍNDOLA. 71 BARBOSA MOREIRA. metaforicamente comparadas ao mito do juiz vespa de Aristófanes.Eletrônica. a exigência de socialização do Estado passa a exigir não somente o reconhecimento da intervenção dos grupos de interesse e organizações sociais na tomada das decisões políticas centrais. Tratado de derecho procesal civil. a relação de cidadania se converte numa relação paternalista de clientela. 150-169 / mai-ago 2011 159 . p.br/periodicos relação paternalista de clientela. a recondução institucional dessas decisões à vontade democraticamente expressa pelo conjunto da sociedade. a tônica fundada em uma autodeterminação democrática enfatiza que os cidadãos deixam de ser apenas alvo da atuação do Estado. na linguagem política.64 Desse modo. Coimbra: Coimbra editora. é "do equilíbrio de forças entre o juiz e os litigantes transparece a verdadeira concepção que o legislador tem da justiça" (PERROT.p. 73 As expressões “parceria de singularidades” e “monólogo articulado” são utilizadas pelos autores para representar. não é possível concebê-lo como sendo um Estado passivo. Rio de Janeiro: Lumen Juris. por sua vez. MORAIS. NUNES. nem o juiz solitariamente. 2 . Conforme Roger Perrot. A expressão já era utilizada. Contributo para uma teoria do estado de direito. Ciência política e teoria geral do estado. NUNES. uma comunidade de trabalho entre o juiz e as partes. não bastando a limitação ou a promoção da atuação estatal: objetiva-se. ainda. ROSENBERG. Curitiba: Juruá. Jorge Reis. 1975. proteção da confiança e validade prima facie dos atos processuais. dessa forma. 65 NOVAIS. p. Ciência política e teoria geral do estado. voluntarísticas. 1951.. Roger. garantindo juridicamente as condições mínimas de vida ao cidadão e à comunidade. e não mero recipiente da intervenção social do Estado. o papel apático e periférico do cidadão de um lado. nessa senda. Il nuovo futuro codice di procedura civile francese. A respeito. p. uma perspectiva democrática e uma perspectiva individual-liberalista. n. p. 2009.67 Esse caráter democrático implica uma constante mutação e ampliação dos conteúdos do Estado e do direito68. afirma Daniel Sarmento: "Na medida em que se aprofunda a distância entre governados e governantes. a figura do cidadão venha sendo substituída pela do consumidor" (SARMENTO.). Processo constitucional contemporâneo. e da apatia política que contamina uma sociedade que se interessa apenas pelo consumo. Leo. Jorge Reis. no original. Lehrbuch des deutschen zivilprozessrechts.A. Rio de Janeiro: GZ. mas. subjetivistas e particulares sobre a aplicação normativa. 94. p.J. em razão da autonomização da tecnocracia. Contributo para uma teoria do estado de direito. O Problema da ‘Divisão do Trabalho’ entre Juiz e Partes: aspectos terminológicos. Ciência política e teoria geral do estado. 212-213.. (Coord.72 Implica. 41. arbitrárias. é capaz de atingir o melhor resultado do processo.n. p. 66 NOVAIS. ed. p. 1985. 2010. 239). 191. de modo a equalizar o “problema da divisão do trabalho entre o juiz e as partes”. decisões solipsistas. 68 STRECK.univali. 2. MORAIS.69 Temse. e declina a importância das instituições representativas na estrutura estatal. Dierle José Coelho. Ao mesmo tempo. efetivamente. a versão em língua espanhola do tratado. restando daí a necessidade de trabalhar em conjunto.Disponível em: www. 70 STRECK. como bem indica o próprio autor.

passa a fazê-lo sob uma perspectiva comparticipativa.131-163. CATTONI DE OLIVEIRA. Nesse sentido.2. De outro modo. José Carlos.2. Fredie. jul. v. lógicos e éticos. conforme Adolfo Gelsi Bidart. mas. Revista Brasileira de Direito Processual. Universidade do Vale do Rio dos Sinos. São Paulo. respectivamente. dos tribunais. NUNES. rev. José Carlos. São Leopoldo. trata-se de uma atuação jurisdicional “dialogal. Poderes do juiz e visão cooperativa do processo. 2005. 149. Revista de Processo.116. rev. dando relevância ao contraditório e à estrutura comparticipativa processual79. p. 79 NUNES. com ampla colaboração tanto na pesquisa dos fatos quanto na valorização da causa”. todavia. 115). Conforme Barbosa Moreira. ou seja. Carlos Alberto. dicas) – Programa de Pós-Graduação em Direito. 2009. p. como uma parceria de singularidades e não como um monólogo articulado86. Lenio Luiz. 149. Deixa de ser meio de luta egoística. Porto alegre. Marcelo de Andrade. Belo Horizonte: Mandamentos. 322). possibilitando que essas dele participem.ISSN Eletrônico 2175-0491 Embora o juiz dirija o processo de forma ativa76. “cercear a participação do juiz e confiar às partes (ou melhor: aos advogados) a condução do mecanismo probatório é opção que transcende com absoluta nitidez o plano da técnica: põe de manifesto a adesão a um ideário. p. Poderes do juiz e visão cooperativa do processo. p. Cadernos do Programa de Pós-Graduação em Direito. portanto. v. . Lumen Juris. regular e leal desenvolvimento do processo. 75-79.83 Cabe. 82 DIDIER JÚNIOR. 235. 59. uma perspectiva democrática e uma perspectiva individual-liberalista. “substituindo com vantagem a oposição e o confronto. 2007. v. influenciando-o a respeito de suas possíveis decisões”78. São Paulo. tomada a palavra no sentido individualístico – no sentido em que era costume usá-la para designar o pensamento dominante na maior parte do século XIX e atualmente é lícito usá-la para designar o pensamento dominante no início do século XXI” (BARBOSA MOREIRA. 84 ALVARO DE OLIVEIRA. Adolfo. Poteri probatori delle parti e del giudice in europa. p. 77 STRECK. giuffre. p. 86 As expressões “parceria de singularidades” e “monólogo articulado” são utilizadas pelos autores para representar. p. Curitiba: Juruá. 80 CABRAL. Os poderes do juiz na direção e na instrução do processo. São Paulo: Rev. 2009. a cada parte e la situación que asume en el proceso).9. de cercear a iniciativa das partes ou deixar tudo por conta do juiz. Daniel Francisco. n. de ressaltar a colaboração entre um e outras85. fornecendo um aspecto discursivo ao processo e criando um mandamento constitucional do diálogo entre as partes e o órgão julgador para a formação do juízo80. Colaboração no processo civil: pressupostos sociais. policêntrica e interdependente entre os atores sociais que participam da formação das decisões77. Forense. ao ideário liberal. 15. Nulidades no processo moderno. n. Rev. sim. numa posição de contraposição deste e das partes ou mesmo de opressão. 81 ALVARO DE OLIVEIRA. 131-138. p. dando azo ao concurso das atividades dos sujeitos processuais. Milano. seja no âmbito da prova. 85 BARBOSA MOREIRA. Essa (re)compreensão do processo civil no marco do Estado Democrático do Direito impele uma (re)leitura do devido processo legal e das chamadas garantias constitucionais do processo. Do formalismo no processo civil. Rio de Janeiro. 76. p. de braços cruzados.84 Não se trata. nesse ambiente de cooperação. colhendo a impressão das partes a respeito dos eventuais rumos a serem tomados no processo. pois. dos tribunais. para que pueda adoptarse una decisión al respecto" (GELSI BIDART. PPPGD/UFRGS. Revista de Processo. Verdade e consenso. p. La humanizacion del proceso. um pressuposto do próprio julgamento no cenário democrático. "es el dialogal. Nesse sentido.. São Paulo. 2009. n. 14-15. ao órgão judicial. Direito processual constitucional. Revista de Processo. 76 Observe-se que os autores do presente ensaio não defendem o ativismo ou protagonismo judicial. de um trabalho conjunto realizado pelas partes e pelo juiz. p. 83 ALVARO DE OLIVEIRA. Processo jurisdicional democrático: uma análise crítica das reformas processuais. 2004./set. 2008. 78 MITIDIERO. a. 2009.451-482.. el intercambio de los conocimientos y planteamientos respectivos y el desarrollo en común de tales indicaciones sobre el hecho y el derecho. Correntes e contracorrentes no processo civil contemporâneo. como produto de uma atividade cooperativa82. O modo de realizar o processo.81 O processo é encarado. ver TARUFFO. giugno. dos Tribunais. Uberaba. p. Michele. 1978. Antonio do Passo. Carlos Alberto. 60. haja vista serem absolutamente incompatíveis com a idéia de uma cidadania participativa e com a democratização do processo. dos Tribunais. p. Dierle José Coelho. Processo jurisdicional democrático: uma análise crítica das reformas processuais. portanto. seja na construção da decisão da causa. 2001. ou melhor. 2004. Carlos Alberto. passando a significar. Curitiba: Juruá. compatível com um regime político democrático e com o perfil do Estado Democrático de Direito. que supone el respeto de cada uno de los sujetos intervinientes en lo que corresponde (al juez como autoridad. zelar pelo rápido. Rivista trimestrale di diritto e procedura civile. assumindo inclusive os meios probatórios dentro dos limites fáticos estabelecidos pelas partes. que encara o processo como coisa exclusiva das partes. n. O princípio da cooperação: uma apresentação. set. 137. 73. 2006. Dierle José Coelho. n. mostra-se insustentável um juiz inerte.A herança romana no direito . 160 Cristiano Becker Isaia . encarnando-se o processo como uma verdadeira comunidade de trabalho. 127.

em nenhum deles sozinhos. no Estado Liberal. 21-22... à assistência jurídica integral (arts. o devido processo. 5º. com a inviolabilidade de tais poderes processuais mínimos (ação e defesa). ao contrário. Curitiba: Juruá. inciso IX. um mínimo de forma de tutela efetiva. inciso LV. CRFB). Ademais. inciso LXXXVIII. “"o processo civil passa a emprestar relevo à autoaplicabilidade dos direitos fundamentais (CRFB. (Coord. em um processo justo.. de modo que. á publicidade (arts. portanto. CRFB). COMOGLIO. de modo particular como direito à organização e ao procedimento. Luigi Paolo. e 93. p. (COVER. 1997. Humberto et al. mas é também (pelo menos em termos modais) uma garantia ‘de resultado’. CRFB). à proibição de proteção insuficiente. servir de escusa para impedir a aplicação direta do art. CRFB). ed. Vol. 93. 17-19). Michele. 2010. Bologna: Il Mulino. de modo a ser visualizado em sua dupla dimensão (processual e material) como direito de defesa e. que não se aplicam somente ao ato de impulso inicial do juízo. 2. FISS. inciso LV. p. 24". visualizados como direitos de defesa do indivíduo frente ao Estado. 687. Bosch. Juan Picó i Junoy afirma que. art. à representação técnica (art. 5º. Processo e constituição: os dilemas do processo constitucional e dos princípios processuais constitucionais. deixa de ser compreendido em uma dimensão puramente liberal e garantística do fenômeno jurídico. à prova (art. Dierle José Coelho. o “direito ao processo” não é caracterizado por um objeto puramente formal ou abstrato (processo tout court). inciso LX.. mas assume um conteúdo modal qualificado (como 'direito ao justo processo')”. “no quadro dos princípios constitucionais. New York: The fundation Press. MATTOS. Sérgio Luís Wetzel de.. p. In: Rivista trimestrale di diritto e procedura civile. Judith. além de sofrerem todos os influxos do regime jurídico dos direitos fundamentais. 5º. ao juiz natural (art. MITIDIERO. Daniel. p. §1º. para designar aquele modelo de processo conformado pelos direitos fundamentais90. “se atribui às garantias constitucionais a tarefa de precisar o conteúdo mínimo do ‘direito ao processo’. ao contraditório (art. 24 da Constituição Espanhola. Processo jurisdicional democrático: uma análise crítica das reformas processuais. CRFB). Os direitos fundamentais na Constituição portuguesa de 1976.93 87 Para Robert Cover. No sentido dos direitos fundamentais serem. "a fórmula mínima do processo justo está em estruturarse o formalismo processual de modo a nele terem lugar os direitos fundamentais à tutela jurisdicional adequada e efetiva (art.br/periodicos Nessa senda. MITIDIERO.). à ampla defesa (art. seu alcance tem evoluído através do tempo e continua evoluindo". Las garantías constitucionales del proceso. mas envolvem todas as posições ‘ativas’ das partes no processo”. de proteção excessiva e de retrocesso na proteção dos direitos fundamentais. pp. Não é um conceito estático com um significado fixo já que. Curso de processo civil. à motivação da sentença (art. ver. ferese nosso perfil constitucional de processo" (ALVARO DE OLIVEIRA. não em poucas casos.). Por conseguinte. I modelli di garanzia costituzionale del processo”. Luigi Paolo. Dessa forma. 228-229). as normas constitucionais (. Joan. São Paulo: Atlas. NUNES. inciso LXXIB. Coimbra: Almedina. FERRI. Owen Fiss e Judith Resnik. à paridade de armas (art. Rio de Janeiro: GZ.p. como direito a ações positivas. 2001. a contrario sensu. remodelada em harmonia com tal conteúdo. por tais ‘meios’. Robert.. bem como à dimensão objetiva dos direitos fundamentais. 5º. Dierle José Coelho. em uma perspectiva dinâmica88 e substancial. Conforme Carlos Alberto Alvaro de Oliveira e Daniel Mitidiero. 133. Milano: Giuffrè. 1998. "o devido processo é mais uma pergunta que uma resposta. mostra-se necessária uma coordenação dos direitos fundamentais que compõem processo justo. em nenhum caso. 5º. 2 . José Carlos Vieira. Conforme Comoglio. e 134. buscando e favorecendo aquela mais de acordo com o texto fundamental" (PICÓ I JUNOY. 105). simultaneamente. No direito espanhol.92 Nessa linha. 5º. próprio (exatamente) de um processo ‘justo’” (COMOGLIO. inciso LVI. Procedure. assim. NUNES. M. essa consagra a adequada possibilidade de obter.) o que exige.univali. Conforme Carlos Alberto Alvaro de Oliveira e Daniel Mitidiero. CRFB). Fora daí. de modo que "os direitos fundamentais vinculem a todos os poderes. inciso XXXV. Corrado. os quais deixam de ser visualizados sob um prisma defensivo. Porto Alegre: Livraria do advogado. 2. p. já que este não se cristaliza. segundo áreas de extensa ‘cobertura’. CRFB). Barcelona: J. RESNIK. 28).. p. 150-169 / mai-ago 2011 161 . 1991. inciso I. 5º.n. 88 89 90 91 92 93 Revista NEJ .. 134. 16 . nem se exaure. Carlos Alberto. 2009. (ALVARO DE OLIVEIRA. “a ação em juízo vai.) A ausência de um desenvolvimento legislativo não pode. que está longe de ser um conceito estático e fixo87. Ferri e Taruffo. Carlos Alberto. CRFB). CRFB). 1988. p. ed. dentre as consequências da constitucionalização. como direitos fundamentais das garantias processuais do art. Daniel. realizar novas leituras das normas processuais. 5º.Disponível em: www. 2010.89 Fala-se. IX CRFB). Devido processo legal e proteção de direitos. 5º.. In: THEODORO JR. ANDRADE. estão a da aplicação direta e imediata. Owen. Processo constitucional contemporâneo.Eletrônica. por assim dizer uma garantia somente de ‘meios’. 2009. CRFB) e à duração razoável do processo (art. próprio do Estado Liberal91. 24-26). cuja eficácia irradiante impõe o dever de interpretação da legislação infraconstitucional em conformidade com os direitos fundamentais”. TARUFFO. requerendo um adequado sistema de garantias constitucionais dentro dos quais se faça exigências aos juízes de aplicá-las de modo direito e imediato. incisos XXXVII e LIII. Curso de processo civil: volume 1: teoria geral do processo civil e parte geral do direito processual civil. passando a ser informado pelos direitos fundamentais. 5º. "o ordenamento jurídico deve ser interpretado judicialmente no sentido mais favorável ao exercício e desfrute dos direitos fundamentais (. Lezioni sul processo civile. tendo em conta o fato que a norma constitucional não é.

Fredie. Carlos Alberto. OLIVEIRA. em uma perspectiva ativa. Spunti in tema di contradditorio. p. p. OLIVEIRA. mas. Giuseppe. de influir sobre os provimentos do juiz. Princípios do processo civil. Apenas isso não é o suficiente para que se efetive o princípio do contraditório. dessa maneira. Carlos Alberto. Processo jurisdicional democrático. R. de imediato. DIDIER JR. sim.. participe do processo. Fredie. ago.116.. afasta.106. p. 31. 42. Deixar de ser “aquele instrumento formal que aplica o direito com rapidez máxima. A propósito. 2: Direito Probatório. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Provas atípicas.. É necessário que se permita que ela seja ouvida. 10.107 Nessa linha. a ideia segundo a qual a parte possa ser considerada simples objeto do pronunciamento judicial no iter procedimental. 210. 103 ALVARO DE OLIVEIRA. ver ALVARO DE OLIVEIRA. indo além da simples bilateralidade da audiência (audiatur et altera pars)96. p. Curso de direito processual civil. P. Padova: Cedam. nessa linha. Porto Alegre: Livraria do Advogado. 2005. 132. Decisão Judicial.100 Dessa forma. 162 Cristiano Becker Isaia . ganha colorido.A herança romana no direito . p. 2007. de forma dialética na construção da decisão jurisdicional. S. V. uma blindagem de mão dupla. também Giuseppe Tarzia afirma que o contraditório compreende poderes que correspondem a uma possibilidade de participar ativamente do desenvolvimento do processo e. São Paulo: Revista dos Tribunais. Cumprimento e Liquidação da Sentença e Coisa Julgada. P. participe do processo. Rui. simplesmente. portanto. DIDIER Jr. Dierle. P. Il Contraddittorio nel Processo Esecutivo. do que resta implícita a participação do indivíduo na preparação do ato de poder97. 102 ALVARO DE OLIVEIRA. a necessidade de uma legitimação democrática. Curso de direito processual civil. em um espaço de problematização incessante. 251. Paula Braga e Rafael Oliveira asseveram que o elemento essencial do contraditório é denominado poder de influência: "não adianta permitir que a parte.. Carlos Alberto. 108 TARZIA. simplesmente. 106Nesse sentido. 2005. As partes têm. A garantia do contraditório. . Fredie. 53. 42. p. 1998. mas. é claro. S.ISSN Eletrônico 2175-0491 O processo ganha então o tom democrático. do outro”. É ele que possibilita a participação99. n. 74. p. Fredie Didier Jr.94 Nesse viés democrático do processo. In: Revista de processo.101 Essa nova roupagem do contraditório. mas em condições de poder influenciar a decisão do magistrado" (BRAGA.. como verdadeiro direito de influir sobre a elaboração e a formação do convencimento do juiz. e a má fé e a procrastinação por parte do advogado. é claro. S. o contraditório.. S. n. In: Studi in memoria di Salvatore Satta... Piero. COMOGLIO. que ela seja ouvida. Mauro. A garantia do contraditório. inerente ao entendimento do que seja processo democrático. Fredie Didier Jr. 10. Revista de processo. In: Opere giuridiche. v. como elemento essencial e fator de legitimação democrática do processo. R. Fredie. Darci Guimarães. Dierle. se opera pela efetivação do contraditório. p. p. “todas as esferas de exercício do poder encontrariam um controle compartilhado. Paula Braga e Rafael Oliveira asseveram que o elemento essencial do contraditório é denominado poder de influência: "não adianta permitir que a parte. serve às partes e estas servem NUNES. Luigi Paolo. Elementos para uma teoria contemporânea do processo civil. 1956. In: Esecuzione forzata e procedure concorsuali. S. visto como um verdadeiro direito fundamental do processo civil no Estado Democrático de Direito. In: Revista AJURIS. 98 MITIDIERO. portanto. A respeito da evolução e das nuances históricas do contraditório.. 2004. Curso de direito processual civil. É necessário que se permita que ela seja ouvida. Salvador: JUS PODIVM. p. DIDIER Jr. aquela estrutura normativa constitucionalizada que é dimensionada por todos os princípios constitucionais dinâmicos”. p. 73. 97 PORTANOVA. OLIVEIRA. Daniel. que impediria o subjetivismo e o autoritarismo. de um lado.104 Eleva-se a colaboração entre os sujeitos do processo. a participação no processo. Volume primo. 1982. n. Processo jurisdicional democrático. visualizado como manifestação do exercício democrático de um poder. de modo que a democracia no processo recebe o nome de contraditório. Apenas isso não é o suficiente para que se efetive o princípio do contraditório. 104 CALAMANDREI. participativa e deliberativa. S. p. sim. 94 95 96 NUNES. Apresenta-se. mas em condições de poder influenciar a decisão do magistrado" (BRAGA. que ela seja ouvida. 43). S. nesse sentido. 679. P.95 Nesse sentido. Napoli: Morano. R. 99 CAPPELLETTI. 101 BRAGA. DIDIER Jr. 160-61. tornando o processo um verdadeiro ambiente de inspiração democrática98. 1998. dá azo à maior abertura do processo às partes. é considerado. como expressão da democracia. 1998. Processo e democrazia. S. de colaboradoras. afirmando-se que as partes em relação ao juiz não têm papel de antagonistas. R. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Curso de direito processual civil. 105 RIBEIRO. o direito de fazer valer livremente suas razões e de serem atentamente escutadas.102 O valor essencial do diálogo judicial na formação do juízo e da cooperação são resgatados103. 250. 100 BRAGA..105 O direito fundamental ao contraditório.. p. 107 A propósito. 43).. Il giusto processo civile in Italia e in Europa.108 O processo. O juiz e o princípio do contraditório. p. OLIVEIRA.

garanzie processuali. 2009. p. cooperando com as partes. Revista dos Tribunais. p. A extensão ao juiz do princípio do contraditório. lógicos e éticos. 21. 319. 458. v. In: Studi in onore di Enrico Redenti. La collaborazione nel processo civile. In: Temas de direito processual: Sexta Série. informa.34. 499. Giuseppe. seja no âmbito de questões jurídicas. porém o processo justo constitui condição de possibilidade para se chegar a soluções justas. conforme afirma Sergio La China. dentre eles "o emprego de um procedimento válido e justo para chegar à decisão" (TARUFFO. mas configura também uma contribuição para a solução justa. Uma dimensão que urge reconhecer ao contraditório no direito brasileiro: sua aplicação como garantia de influência. Eduardo. quando não tenham sido proferidos na audiência. José Carlos. por conseguinte. La garanzia costituzionale del contraddittorio e i giudizi civili di "terza via".114 Com efeito. 119 Conforme Giuseppe Tarzia. Humberto.115 Consequência disso tudo é uma “tutela contra o perigo de eventuais surpresas”116. que parece ser essência num processo efetivamente dominado pelo princípio que agora se está examinando" (TARZIA. 51.n. 1994. 114 MITIDIERO. Dierle José Coelho. 111 ALVARO DE OLIVEIRA. O contraditório no processo executivo. com efeito. apr.119 Dessa forma. mas. Carlos Alberto. ao diálogo judiciário. In: Rivista trimestrale di diritto e procedura civile. p. 102. fev. out/dez. 117 THEODORO JÚNIOR. out/2007. 2004. não é suficiente para a produção de decisões justas. p. para aquilo que nos concerne. v. ALVARO DE OLIVEIRA. Nicolò. 116 TROCKER. out. Revista de Processo. p.168. São Paulo. v. 117 Há. 74-75). p. Nesse sentido. Luigi.Eletrônica. a própria extensão do contraditório111. 112 ALVARO DE OLIVEIRA. estando gravado por deveres de esclarecimento. n. v. 150-169 / mai-ago 2011 163 . 109 CARNACINI. portanto. portanto. Luigi Paolo. São Paulo. e outras das quais se falou acima). n. p. 60.p. A garantia do contraditório. 1982. Antonio do Passo. de não surpresa e de aproveitamento da atividade processual. 929-947. e. Milano: Giuffrè. com ampla colaboração. de maneira decisiva. de prevenção. Michele. 243. Processo civile e costituzione: problemi di diritto tedesco e italiano. impedindo que em ‘solitária onipotência’ aplique normas ou embase a decisão sobre fatos completamente estranhos à dialética defensiva de uma ou de ambas as partes”. 2000. face ao poder destas em colaborar com o juiz e. NUNES. Tito. 16 . as questões relativas a competência. uma exigência de uma prevenção de qualquer decisão surpresa 118. p. 1997.110 Dessa forma. p. p. CEDAM. 60. 110 BARBOSA MOREIRA. p. Padova. 700. 107-141.109 O contraditório. Milano: Giuffrè. de consulta e de auxílio para com os litigantes. 118 COMOGLIO. 114.univali. é necessário seguir três critérios. participação em toda a atividade processual. tanto na pesquisa dos fatos quanto na valorização jurídica da causa. exercer uma posição ativa de penetrar no seu domínio. no sentido que a justiça procedimental do processo jurisdicional é uma justiça imperfeita (CHIARLONI. de modo que a participação não somente vem a ser indicativa da justa possibilidade de manifestação. Il Principio del contraddittorio come diritto d´influenza e dovere di dibattito. para aquiltara a justiça da decisão. Rivista di diritto processuale. 1966. ver. a sua comunicação. que “impõe ao juiz o dever de provocar o debate acerca de todas as questões. n. "a participação no 'diálogo' não reclama somente que tenha havido aviso da audiência e conhecimento dos pronunciamentos emitidos pelo juiz. Carlos Alberto. A justiça da decisão deverá ser aquilatada no caso concreto. seja no âmbito dos fatos da causa. 931. Il "giusto processo" civile in italia e in europa. Padova. Tutella giurisdizionale e técnica del processo.55. p. Revista de processo. mas.). mais justa será a solução encontrada ao caso concreto. Os Princípios do direito processual civil na constituição de 1988. v. Revista de Processo. 132. também.-giugno 2005. 2 . p. Rivista di diritto processuale. Colaboração no processo civil: pressupostos sociais. n. giustiza della decisione. 125. 2. atuando dessa forma. p. p. 1993. Revista de processo.113 Obriga-se o julgador ao debate. Carlos Alberto. A propósito do tema. Sergio. p. Padova: CEDAM. especificamente para o juiz da execução . 113 GRASSO. 35-43. A garantia do contraditório. Milano: Giuffrè. Daniel.de submeter à discussão prévia das partes as questões releváveis de ofício. MONTESANO. 1974. São Paulo: Saraiva. p. pelo menos na sua versão mais moderna.br/periodicos ao processo. a ‘tuteladas partes contra o perigo das surpresas’. Giusto processo. Daniel. fazendo a formação dos provimentos judiciais depender da efetiva participação das partes112. 115 CABRAL. Revista NEJ . 608. In: Rivista di diritto processuale. ano 32. Vol. p. quanto maior a participação das partes. 1951.4.Disponível em: www. 152. de modo que esta participação seja efetivamente capaz de influir no resultado do processo. 103). “a submissão de todos os aspectos potencialmente relevantes da decisão ao contraditório apresenta-se como uma manifestação da percepção de que o poder do juiz no Milano: Cedam. a jurisdição. MITIDIERO. Curso de processo civil. Conforme Michele Tarrufo. inclusive as de conhecimento oficioso. 114-15. sobre as quais crê necessário dever pronunciar-se (por exemplo.e.116. n. não é só informação. o concurso das atividades dos sujeitos processuais. também. Idee per uma teoria della decisione giusta. São Paulo: Revista dos Tribunais. comporta a ideia de obrigação em relação ao próprio juiz .

Soma-se. acaba por refletir as concepções do Estado nas suas relações com a sociedade e os indivíduos. José Emílio Medauar. 231. No entanto “as questões que as partes estimam ser relevantes devem necessariamente ser referidas na decisão. na prática. “um dos grandes problemas que envolvem a figura da omissão para fins de interposição de embargos de declaração seria o de saber quais são estas questões relevantes” (WAMBIER. com o órgão julgador no desenvolvimento do processo e na formação da decisão. são numerosas as decisões desacolhedoras de embargos declaratórios. antes a viabiliza. concebido o processo como uma comunidade de trabalho. A partir desse manancial histórico. Omissão judicial e embargos de declaração. trabalhar em conjunto. no marco do Estado Democrático de Direito. o julgador em vez de dizer as razões pelas quais os argumentos não são relevantes se limite a dizer que não deve analisá-los justamente porque seriam irrelevantes. apresentam seus fundamentos. ou seja. José Souto Maior. o processo civil vai encarado como uma comunidade de trabalho. desconsiderar as alegações produzidas e responder apenas àqueles que ele acha que deve responder. 1996. Trata-se de uma perspectiva sobremaneira profícua para a análise do processo civil. deve prevalecer. ainda. teatro. É o auge do decisionismo judicial. 275). devem ser vistos como uma forma de as partes contribuírem com a qualidade da prestação jurisdicional. o processo civil. entendemos que a corrente. 2005. 121 Dessa forma. p. O antagonismo de posições das partes não é obstáculo à dialética. uma vez que a dialética não é a morada do consenso. produzem provas. perguntar. Sob essa perspectiva. São Paulo: Malheiros. distinto daquele reinante no Estado Liberal Clássico. a questão não é relevante” (WAMBIER. nem um espaço no qual o Estado se sobrepõe aos indivíduos. encenação. uma vez que este. como uma parceria de singularidades. Embargos declaratórios e o estado democrático de direito In: Nery Júnior. passa a ser visto como uma comunidade de trabalho entre o juiz e as partes: nem um ambiente dominado pelos particulares. como observa José Emilio Medauar Ommati: “Não há fundamentação de decisão judicial. 351-352). Não se pode conceber. não há participação das partes em simétrica paridade. hoje minoritária no STJ sobre o assunto. As partes participam do processo em simétrica paridade. Os embargos declaratórios. Alvim. entretanto. nunca é respondida. mas do diálogo regrado. Devem servir para que o magistrado supra as omissões e enfrente os pontos suscitados pelas partes. assim. Afirma-se. também ele. 74. É resgatado o diálogo judicial. A propósito. sem que isso importe no amesquinhamento do papel das partes. Teresa Arruda Alvim. Dierle José Coelho. nesse sentido. que. p. Teresa Arruda (Coord. Teresa Arruda Alvim. pois consistente com o paradigma do Estado Democrático de Direito e com os princípios constitucionais processuais insculpidos em nossa Constituição da República” (OMMATI. nestes casos. 2005. numa concepção liberal e privatista do processo. Há engodo. 121 BORGES.ISSN Eletrônico 2175-0491 processo não é absoluto (incontrolável protagonismo judicial). estruturada pelos direitos fundamentais que enfeixam a ideia de um processo justo. Deve-se. visualizados como um mecanismo de participação das partes. ainda que o Tribunal observe que.A herança romana no direito . o processo civil no Estado Democrático de Direito merece ser pensado numa perspectiva que concilie um juiz participativo.. p. p. numa espécie de parceria que reserva a singularidade de cada posição e interesse. O contraditório no processo judicial (uma visão dialética). São Paulo: Revista dos Tribunais. Por essas razões. no Estado Democrático de Direito. O entrechoque de opiniões é. um jogo de palavras à completa fundamentação da decisão. mas de puro arbítrio. p. diálogo. quais as razões que levaram o julgador a considerar os argumentos irrelevantes? Essa questão. Como assevera Teresa Wambier. a seu ver. nesse sentido. em face de sua falibilidade e do fato de que a discussão será muito mais adequada (e legítima) se todos souberem os aspectos mais importantes da demanda” 120. 120 NUNES. Aspectos polêmicos e atuais dos recursos cíveis e de outros meios de impugnação às decisões judiciais. que o Judiciário não tem o dever de manifestar-se sobre todos os argumentos utilizados pelas partes. as quais devem colaborar. uma revalorização dos embargos de declaração. não há contraditório. superando. 164 Cristiano Becker Isaia . tal qual um mágico. calcadas no argumento de que o juiz não está obrigado a analisar ponto por ponto todas as alegações deduzidas.. para quê? Para posteriormente o juiz. Não se trata nem mesmo mais de discricionariedade. São Paulo: Rev. 351) Prefere-se.). permeado pelos influxos da cultura. . nesse caso. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente ensaio cuidou de verificar os meandros da compreensão do processo civil frente às mutações ocorridas no papel do Estado desde a sua roupagem liberal até o advento do Estado Democrático de Direito. proporcionando o diálogo judicial. Nelson. Processo jurisdicional democrático. anda mais se impertinentes ou irrelevantes. Do contrário. Omissão judicial e embargos de declaração. dos Tribunais. tanto o protagonismo quanto a passividade do juiz.

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