ISSN 1982-0496 Vol.

4 (2008)

O PAPEL POLÍTICO DO JUDICIÁRIO EM UMA DEMOCRACIA QUALIFICADA: A OUTRA FACE DA JUDICIALIZAÇÃO DA POLÍTICA E DAS RELAÇÕES SOCIAIS
Gustavo Rabay Guerra1
Sumário: 1. 200 anos em 20: o começo da história. 2. A Expansão do Protagonismo Judiciário: Premissas para o debate. 3. O Pragmatismo Judiciário e suas Armadilhas: o Papel Político do Poder Jurídico. 4. O Judiciário como medium democrático: Os Limites Decisionais Contra-Majoritários. 5. Referências.

RESUMO Evoca os fundamentos do debate atual sobre o ativismo judicial e a expansão do poder jurídico como fenômenos complexos. O objetivo da análise é apontar quais os elementos discursivos necessários para preparar estudantes, profissionais e cidadãos em geral para uma correta leitura do comportamento das instâncias jurídicas, de modo a prevenir um novo tipo de cidadania desfigurada: aquela que procura respostas essenciais em um corpo técnico qualificado, mas sócio-politicamente distante das relações sociais que ensejam as decisões. Ao cabo da análise, será possível, ao menos, conceber os ingredientes e questionamentos necessários para uma correta investigação sobre quais os pontos centrais do debate que envolve a visão do Judiciário como mecanismo chave da democracia contra-majoritária.

PALAVRAS-CHAVE Poder Judiciário. Ativismo Judicial. Democracia. Constitucionalismo.
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Doutorando e pesquisador em Direito, Estado e Constituição da Universidade de Brasília. Professor Assistente I da Universidade Federal da Paraíba. Advogado.
UniBrasil - Faculdades Integradas do Brasil Rua Konrad Adenauer, 442, Tarumã. CEP: 82820-540 Curitiba - PR – Brasil Telefone: 55 (41) 3361.4200 revistaeletronicardfd.unibrasil.com.br/

Por esses dias. tais como a UniBrasil . Judicial Activism.Faculdades Integradas do Brasil Rua Konrad Adenauer. posteriormente. 4 (2008) ABSTRACT This article evokes the grounds of the current debate about judicial activism and the expansion of the complex legal phenomena. sobretudo. 1 200 ANOS EM 20: O COMEÇO DA HISTÓRIA O Poder Judiciário Nacional e a cidadania brasileira vivem uma fase de intensas transformações e conquistas na passagem dos 200 anos desde a instalação da Casa da Suplicação do Brasil. com a Constituição Republicana de 1891. aos 10 de maio de 1808.4200 revistaeletronicardfd. tendo o citado órgão operado ainda antes da primeira Constituição brasileira (1824).br/ . Tarumã. temas instigantes povoam as sessões do STF. Bianor Arruda (IESP-PB). Marco Antonio Meneghetti (UNB). Constitutionalism. professionals and citizens in general to a correct reading of the behavior of legal jurisdictions in order to prevent a new type of twisted citizenship: one that seeks answers in one qualified yet technical staff.unibrasil. but socio-politically distant from the social relations which decisions are about.ISSN 1982-0496 Vol. O papel político e a conseqüente necessidade de legitimação democrática discursiva do Judiciário ficaram patentes no julgamento de questões complexas. a consagração da independência judicial no País. CEP: 82820-540 Curitiba . que o transformou em Supremo Tribunal de Justiça do Império do Brasil. de ricas interlocuções com alguns destacados acadêmicos com os quais tenho o privilégio de conviver. Menelick de Carvalho Netto (UNB) e Terrie Ralph Groth (UNB). também. Democracy. José Maurício de Lima (UNB). 442. São eles: Alexandre Luna Freire (FESP-PB). KEYWORDS Judicial System. Ernani Carvalho (UFPE). The purpose of the analysis is pointing the elements needed to prepare students. data que assinala. se transmutou em Supremo Tribunal Federal (STF). AGRADECIMENTOS Esse texto é fruto.com. e que. Leandro Rodrigues (UNB).PR – Brasil Telefone: 55 (41) 3361.

descendo ao “inferno de uma democracia desnorteada” (Paul Ricouer) e impondo severos comprometimentos ao espaço público e a sua própria instituição. nos temas que naturalmente suscitem os chamados desacordos morais razoáveis (reasonable disagreements).ISSN 1982-0496 Vol.br/ . UniBrasil . n. Vivenciamos. julgamentos marcantes. por fim.PR – Brasil Telefone: 55 (41) 3361. o que Ingeborg Maus chamou de “Superego da sociedade órfã”2 e o que Viana Lopes identifica como a “Invasão do Direito”3. Como exemplos de tal mudança da paisagem atitudinal. 58. o caso da greve dos servidores públicos e o fim do nepotismo nas três funções do Estado. A invasão do direito: a expansão jurídica sobre o Estado. a questão das ações afirmativas e das cotas nas universidades públicas. [Prefácio de Rio de Janeiro: Revan. A expansão do poder dos magistrados a partir da assunção do papel normativo da Constituição e como isso acarretou uma mudança comportamental da função judiciária. Tivemos. Tarumã. 2005.com. O Juiz e a Democracia: o guardião de promessas. 442. Júlio Aurélio Vianna Lopes. a imposição do uso das algemas. teremos. tais como a possibilidade de descriminalização de aborto de fetos anencefálicos. que da emudecida passividade passou à judicialização excessiva. ainda. no contexto da expansão do papel dos atores judiciais e da própria normatividade no quotidiano das práticas sociais. Diante das frustrações da ausência de representação política. em substituição à representação política tradicional. No “Estado Judicante” é mais fácil conclamar o debate público na corte do que no parlamento. Trad. p. a constitucionalidade do casamento homossexual e. Prefácio de Antoine Garapon. Paul Ricouer. nov. em que os eleitores demandam de seus governantes as providências necessárias para o bom funcionamento da sociedade. Maria Luiza de Caravalho. 4 (2008) fidelidade partidária e a autorização de experiências científicas com células troncoembrionárias. sopesam-se decisões que vão do racismo e sexismo explícitos – como aquela proferida por um juiz mineiro que considerou inconstitucional a Lei Maria da Penha e diabólicas as mulheres –. 2002. Revista Novos Estudos CEBRAP. assim. 186187.4200 revistaeletronicardfd. a demarcação da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol. p. também. passando pela marca patrimonialista do nosso Judiciário – encarnado na magistrada paraibana que atestou ser o julgador “incomparavelmente superior a qualquer outro ser material” – 2 3 4 Ingeborg Maus.unibrasil. Rio de Janeiro: FGV. o mercado e a moral. A nova “cidadania judicial” tem que enfrentar velhos fantasmas4. Judiciário como superego da sociedade: o papel da atividade jurisprudencial na “sociedade órfã”. Em seguida. o julgador torna-se.Faculdades Integradas do Brasil Rua Konrad Adenauer. São Paulo. Esses são exemplos de como o Judiciário vem se tornando o último reduto político-moral da sociedade. É o fenômeno da acessibilidade dos espaços judiciais. porta-voz de uma ideologia refratária dos desmandos do poder. CEP: 82820-540 Curitiba . 1999. 183-202. ele próprio.

1995. como o mandado de injunção para efetivar o direito de greve no serviço público.com. UniBrasil . e Alec Stone Sweet. 328. e Tobjörn Vallinder. p. Oxford: Oxford University Press. e C. mais precisamente. Schubert. Politics and Judicialization. Tate e Vallinder)5. p. Da mesma quadra. Bernard Schwartz. Schwartz advoga que a base de sustentação da Corte Suprema americana são a Constituição e a opinião pública6. The Global Expansion of Judicial Power. New York: University Press. On Law. ou. 2002. Constitutional politics: the Political Behavior of Supreme Court Justices and the Constitutional Policies that they make. Tarumã. Esse artigo constitui-se de breves digressões iniciais sobre os elementos do debate. 1966. na tentativa de cumprir a função de noticiar as vozes mais destacadas que refletem a preocupação com essa complexa atividade que o Estado Democrático de Direito consagra como um de seus pilares fundamentais. em ordem a legitimar o grau de importância que a população deposita nas instituições democráticas. No mesmo sentido.Faculdades Integradas do Brasil Rua Konrad Adenauer. mas todos aferrados ao mesmo objeto central: a análise conjuntural do fenômeno denominado “Expansão do poder do Judiciário” (Stone Sweet. Glendon A. cf. Direito Constitucional Americano. Rio de Janeiro: Forense.br/ .unibrasil. In: Martin Shapiro. dissertava acerca da capacidade do Judiciário interferir da maneira mais incisiva na vida política.71. nos países que adotam o sistema presidencialista de governo em razão da tendência natural de hipertrofia do Poder Executivo.4200 revistaeletronicardfd. 1985. 2 A EXPANSÃO DO PROTAGONISMO JUDICIÁRIO Até que ponto os atos de controle do Poder Judiciário sobre os demais poderes da República cingem-se ao campo jurídico e a partir de que instante esse controle perpassa conteúdos de deliberação eminentemente política e sobre relações sociais complexas e fragmentárias? Ou seria preferível perguntar qual a intensidade e legitimidade do judicial policy-making? O tema é extremamente instigante e perfila algumas nuances variáveis na doutrina. O tema não é recente tal qual alguns imaginam: Bernard Schwartz. CEP: 82820-540 Curitiba . Principalmente. p. Judicialization and the Construction of Governance. 2. cf. 442. A Suprema Corte Americana. New York: Holt. 5 6 As obras referenciais são as seguintes: Alec Stone Sweet. a credibilidade que esta instituição tem perante o público. Rio de Janeiro: Forense Universitária.ISSN 1982-0496 Vol. resignificam a gramática dos direitos fundamentais. na década de 1960. (re)habilitando instrumentos constitucionais legítimos e democráticos. Neal Tate. Rinehart and Winston.PR – Brasil Telefone: 55 (41) 3361. Lawrence Baum. até as recentes construções jurisprudenciais que. Esse autor demonstra que os sistemas político-jurídicos atuais não são capazes de evitar choques entre os poderes e muito menos de evitar repercussões indesejadas. 1960. 4 (2008) .

Judiciário como superego da sociedade: o papel da atividade jurisprudencial na “sociedade órfã”.4200 revistaeletronicardfd. Importante ilação propõem Maciel e Koerner: “Os juristas usam o termo judicialização para se referirem à obrigação legal de que um determinado tema seja apreciado judicialmente. 7. Mauro Cappelletti. Carlos Alberto Álvaro de Oliveira. p. Solutions. Ao passo em que a expressão juridificação pode conduzir. Entre nós. mas também os órgãos de auxílio. São Paulo. que indicaria certa preferência do autor por esse tipo de via. A Judicialização da Política e das Relações Sociais no Brasil. impende esclarecer o que vem a ser judicialização (ou juridificação) – expressão tão feia. Corporate. Porto: Afrontamento. Boaventura de Souza Santos. 4 (2008) Nos últimos anos. pois identificam o principal argumento do debate: a projeção do Judiciário (ou da Administração da Justiça) no âmago de discussões afeta à seara política majoritária12. Rio de Janeiro: Revan. Marcus Faro de Castro. 1993. tal como o Ministério Público. 1997. Luiz Werneck Vianna et al. Em um primeiro esforço. Direito e Democracia: A Reforma Global da Justiça. Aspects. Limits. 147-156. nov. Revista Novos Estudos CEBRAP. Garapon.br/ 8 9 10 11 12 . 1999. Rogério Bastos Arantes.unibrasil. jun. ocupam a centralidade dos debates os trabalhos de Luiz Werneck Vianna. e Luiz Werneck Vianna et al. Trad. 1987. 7 Cf. traduzida na preocupação de um aumento na presença da Administração da Justiça nas condutas –. Juridification.ISSN 1982-0496 Vol. destacando-se Cappelletti. Günther Teubner. CEP: 82820-540 Curitiba .com. v. p. 2001. p. 2002. Ministério Público e política no Brasil. Tarumã. Ingeborg Maus. O Supremo Tribunal Federal e a Judicialização da Política. Juridification of Social Spheres. a interpretações mais amplas – tal como a potencialização da esfera judiciária para outros recantos da vida social. Cf. 1997.PR – Brasil Telefone: 55 (41) 3361. 2002. Refere-se a decisões particulares de tribunais. ainda. segundo Teubner. no. cuja atuação é preponderante para a Administração da Justiça11. O Juiz e a Democracia: o guardião de promessas. Concepts. a expressão judicialização é preferida por alguns autores. Antoine Garapon. Corpo e Alma da Magistratura Brasileira. Maria Alice Rezende Carvalho. In: Günther Teubner (ed. n. Boaventura Santos. ou referente a UniBrasil . Revista Brasileira de Ciências Sociais. p. Juízes Legisladores? Trad. Ela abrange não somente o Judiciário. 442. 12. 1999.Faculdades Integradas do Brasil Rua Konrad Adenauer. Rio de Janeiro: Revan. 125-177. Antitrust and Social Welfare Law. Manuel Palácios Cunha Melo. alguns autores já apresentaram constructos significativos para o tema e seus correlatos aspectos. In: José Manuel Pureza e António Casimiro Ferreira (orgs. Próximo a esse sentido. 183-202.). e Marcelo Baummam Burgos8. Rio de Janeiro: Revan. Ingeborg Maus.). e. Marcus Faro de Castro. Tate e Vallinder7. A Comparative Analysis in the Areas of Labor. A teia global. quanto à realidade com a qual se comunica10. 34. São Paulo: Sumaré. mas já com caráter normativo. Berlin/New York: Walter de Gruyter. cujo conteúdo o analista consideraria político. São Paulo. Porto Alegre: Sérgio Antônio Fabris. 58. que introduz uma específica e qualificada visão sobre o tema9. afirma-se que judicialização é o ingresso em juízo de determinada causa. ainda. Movimentos sociais e instituições. além dos já referenciados Sweet-Stone.

em sua dinâmica.ISSN 1982-0496 Vol. Ernani Rodrigues de Carvalho. 4º Encontro Nacional da ABCP – Associação Brasileira de Ciência Política. 12. 57. A Judicialização da Política no Brasil: Apontamentos para uma nova abordagem. na idéia de dominação legal e da própria normatividade. à “proliferação legal” ou. Alguns outros associam genericamente a juridificação ao contemporâneo processo de emergência de uma cultura jurídica. São Paulo. na perspectiva habermasiana.br/ 14 15 .4200 revistaeletronicardfd. nessa acepção. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas. disseminando influxos do universo jurídico e suas respectivas condutas legais em todos os setores. A expressão é usada neste sentido mesmo para decisões que não são propriamente judiciais como no caso da verticalização das coligações políticas decidida pelo TSE”. 442. 57. considera que existem dois tipos ou formas de judicialização15: decisões privadas dos cidadãos (como questões de família). Tarumã. 2002.Faculdades Integradas do Brasil Rua Konrad Adenauer. A Invasão do Direito: A expansão jurídica sobre o Estado. São Paulo. Tentando aclarar o sentido da expansão dos poderes dos juízes. o Mercado e a Moral. corresponderia. Daí que a idéia de judicialização envolve tanto a dimensão procedimental quanto substantiva do exercício das funções judiciais14. Débora Maciel. p. 2004. Júlio Aurélio Vianna Lopes. n. CEP: 82820-540 Curitiba . é possível compreender que a judicialização da política requer que operadores da lei prefiram participar da policy-making a deixá-la ao critério de políticos e administradores e. da “construção do poder judicial” e da “expansão do poder judicial”. Sentidos da Judicialização da Política: Duas Análises. São Paulo. assim. p. Débora Maciel. 115. cf. n. 2005. p.113-133. à tendência de incremento do direito dogmático. São Paulo. p. Rio de Janeiro: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. de outra sorte. Lua Nova. Lua Nova. Com Maciel e Koerner. Sentidos da Judicialização da Política: Duas Análises. e Andrei Koerner. Na acepção descritiva. público e privado13. Vallinder. ela própria implicaria papel político mais positivo da decisão judicial do que aquele envolvido em uma não-decisão.PR – Brasil Telefone: 55 (41) 3361. a expressão “juridificação” é entendida como vigamestra da democracia constitucional. UniBrasil . Em termos normativos. e Andrei Koerner.com. 114. p. 4 (2008) Há uma grande ambivalência na expressão. especialmente quanto aos diferentes conteúdos descritivo e normativo. 2002. como nos lembra Ernani Carvalho. o triunfo da ordem jurídica sobre o despotismo. Decisões judiciais particulares poderiam ser sujeitas a escrutínio e seu conteúdo poderia ser avaliado como “grau de judicialização”. define a perspectiva de um “monopólio do direito pelos operadores jurídicos”.unibrasil. Ainda.113-133. 13 Nesse sentido.

4200 revistaeletronicardfd. Essa concepção de juridificação possibilita. 3 O PRAGMATISMO JUDICIÁRIO E SUAS ARMADILHAS: O PAPEL POLÍTICO DO PODER JURÍDICO O tensionamento entre os Poderes suscitado pela atuação proeminente do Judiciário revela em seu âmago o problema da legitimidade das decisões que põem em discussão direitos de cunho social/prestacional17. São Paulo. Como constata Carvalho. porquanto componente afeto aos outros Poderes.PR – Brasil Telefone: 55 (41) 3361. Revista Novos Estudos CEBRAP. de modo a restar discutível quais os parâmetros para a interveniência do Judiciário. Tarumã. tal como é o caso de sentenças emanadas pelos juízes brasileiros que determinam a inclusão/criação de vagas no sistema público de educação. 442. 58. Brasília. Em diferentes ângulos de indagação se fala até em concentração de poder político dos juízes. O estabelecimento desses limites é um desafio para o constitucionalismo e para as teorias jurídica e política contemporâneos. segundo esse mesmo autor. 1. eleitos pelo voto da maioria. 2006.unibrasil. 2002. um “hiperdimensionamento” do caráter procedimental da atuação judiciária. a. CEP: 82820-540 Curitiba . 183-202. e b) from within. também sucede esse “hiperdimensionamento” em caráter substancial. a extensão de benefícios a categorias de trabalhadores 16 Ingeborg Maus. imiscuído pela já proclamada “ditadura dos magistrados”16. UniBrasil . de mais a mais. não significando que a ampliação desta corresponderá uma efetiva prestação jurisdicional da cidadania. nov. 4 (2008) a) from without corresponde à reação do judiciário frente a provocação de terceiro. com desdobramentos na ampliação do espaço público. a ênfase é maior quanto à primeira forma. Cf. por exemplo. é a utilização de membros do Judiciário na administração pública: corresponde à incorporação da metodologia e procedimento judiciais pelas instituições administrativas que eles ocupam. Judiciário como superego da sociedade: o papel da atividade jurisprudencial na “sociedade órfã”. Gustavo Rabay Guerra. n. 1.ISSN 1982-0496 Vol. Consilium. A concretização judicial dos direitos sociais. seus abismos gnoseológicos e a reserva do possível: por uma dinâmica teórico-dogmática do constitucionalismo social. que tem por finalidade revisar a decisão de um poder político tomando como base a Constituição. Ao fazer esta revisão o Judiciário estaria ampliando seu poder frente aos demais poderes. quanto a políticas públicas.Faculdades Integradas do Brasil Rua Konrad Adenauer.br/ 17 . n.com.

PR – Brasil Telefone: 55 (41) 3361. Diálogos Constitucionais: Brasil-Portugal. In: Antônio José Avelãs Nunes e Jacinto Nelson de Miranda Coutinho (org. UniBrasil . ainda à guisa de exemplo. por sua própria dimensão prospectiva complexa. Exsurge. é repetidamente conspurcada. certo tom de “lamentação” em torno das propostas de realização do projeto constitucional pró-cidadania que. no transcurso da segunda década de atividade constitucionalmente renovada. Madri: Centro de Estudios Constitucionales. 2004. La Constituición – Función y Estructura. 2004. uma concepção midiática/massificadora do Direito. com a perspectiva defendida por Hans-Peter Schneider. pelo reconhecimento jurídico de interesses setoriais da sociedade contemporânea. cada vez mais sensível. 325. Rio de Janeiro: Renovar.ISSN 1982-0496 Vol. a debilidade de concretização dos direitos sociais. o Supremo Tribunal Federal (STF) consolida-se como engrenagem vital do projeto republicano. verifica-se a ampliação da função judicial no Estado de 18 Lenio Luiz Streck.br/ 19 .). 329. CEP: 82820-540 Curitiba .Faculdades Integradas do Brasil Rua Konrad Adenauer. reduzindo-o a objeto de apropriação das expectativas dos diversos segmentos sociais que dele se valem para fins diversos: da resolução de conflitos que constitui seu escopo essencial à contemporização das oportunidades estamentais desencadeadas com a reconfiguração administrativa do Estado. para quem a “Constituição é direito político: do. e. o fornecimento de medicamentos. 1991. em que o bacharelismo jurídico ocupa centralidade. A experiência pós-1988 revela uma aspiração às condições de possibilidade da democracia deflagrada. A concretização de direitos e a validade da tese da constituição dirigente em países de modernidade tardia. p. Com efeito. 196 da Constituição.4200 revistaeletronicardfd. sobre e para o político”19. 4 (2008) não contempladas em dado ato normativo. A concretização de direitos e a validade da tese da constituição dirigente em países de modernidade tardia. convicto num pleno acordo entre constitucionalismo e democracia e conforme. 442.unibrasil. Em verdade. grande ceticismo ou. Dois são os motivos para essa constatação: de um lado. ainda. In: Antônio José Avelãs Nunes e Jacinto Nelson de Miranda Coutinho (org. 35-52 apud Lenio Luiz Streck. consoante pondera Lenio Streck18. assim. por fatores múltiplos. p. mas ao mesmo tempo. Rio de Janeiro: Renovar. In: Democracia y Constituición.). O processo sugerido resulta em uma espécie de “juridificação” ou “judicialização” societal fragmentária e paradoxal. até mesmo. Tarumã. não foi capaz de arrefecer a luta. com base no preceito do art.com. Diálogos Constitucionais: Brasil-Portugal. na busca pela legitimação da jurisdição qualificada que lhe é inerente. p. Hans Peter Schneider.

Aqui. São Paulo. Marcelo Andrade Cattoni de Oliveira. resultando no paradoxo aqui indiciado: muita produção jurídica e apelos crescentes para incrementos reflexivamente inexauríveis de juridicidade e. caberia ao primeiro sentido o alerta de entronização do Judiciário feita por Maus. 58. pois se “a justiça ascende ela própria à condição de mais alta instância moral da sociedade. Ingeborg Maus. por sua vez. fornece substrato denso para clarificar a senda de respostas não efetivas que o modelo democrático brasileiro está a trilhar. 186-187. 442. é uma total descrença no papel lógico-legitimante dos membros do Judiciário. que. é importante notar imensas lacunas metodológicas e dogmático-aplicativas do direito contemporâneo. 2002. A Democracia e os três poderes no Brasil. Por outro lado. Cf. Belo Horizonte: Mandamentos. em que avulta o papel da jurisdição constitucional e todo o debate de sua legitimação na controle/revisão dos atos dos demais poderes. Revista Novos Estudos CEBRAP. recrudesce a possibilidade de uma mediação pró-ativa entre a Constituição – compreendida como uma ordem estrutural de valores – e a realidade social. por parte dos atores sociais. toda jurisdição é jurisdição constitucional. A expressão “jurisdição em matéria constitucional” é preferível. Belo Horizonte: Mandamentos.br/ 21 22 . é preciso notar que a tutela da Constituição por parte do STF mobiliza sentimentos imbrincados na consciência e identidade dos sujeitos constitucionais.com. FAPERJ. 4 (2008) Direito. 2000. 2000. uma vez reconhecida a normatividade/operatividade dos princípios constitucionais e toda sua carga hermenêutico-argumentativa20. em que a sociedade transfere todo o ônus moral-convivencial dos mais significativos dilemas ao tribunal constitucional. maiores incertezas e uma complexidade progressiva de responsividade a esses dilemas. resta infantilizada. no entanto. contemplando notável inserção na esfera pública. no Brasil. a leitura de que o exercício da jurisdição em matéria constitucional22 pode ser desempenhado de maneira legítima e ampliativa do espaço público a ela circular. 17-42. passa a escapar de qualquer mecanismo de controle social”21. passim. O que se vê. Direito processual constitucional. 183-202. Marcelo Andrade Cattoni de Oliveira. Judiciário como superego da sociedade: o papel da atividade jurisprudencial na “sociedade órfã”. Devido processo legislativo.ISSN 1982-0496 Vol. simultaneamente. Com efeito. constitucionalismo democrático e separação de poderes. Gisele Cittadino. Bem assim. Tarumã.unibrasil. 2002. n. p.4200 revistaeletronicardfd. pois. p. De outra sorte. CEP: 82820-540 Curitiba . nov. In: Luiz Werneck Vianna (org).Faculdades Integradas do Brasil Rua Konrad Adenauer.PR – Brasil Telefone: 55 (41) 3361. Belo Horizonte-Rio de Janeiro: UFMG-IUPERJ. UniBrasil . Judicialização da política. que passa a ser o “superego” dessa sociedade. p. A recorrente estigmatização de um Judiciário 20 Cf.

com interesses de diferentes graduações na desmobilização do Poder que julga todos. Luiz Prado. acerca da forma como decidem os membros da Corte Constitucional pátria. Com isso. reduzemse os Ministros do STF a reféns do conseqüencialismo de seus atos. 62. aponta-se para uma crescente confusão – cognitivamente vulgar. É a própria tensão permanente visualizada em como a função judicial se transformou em uma necessidade de amparo da democracia e. aí.1. e Thamy Pogrebinschi. Parece haver. CEP: 82820-540 Curitiba . 23 A discussão parte de Richard Posner. 2002. 4 (2008) “político” é demasiado estranha e tautológica: não será toda e qualquer manifestação do Estado demonstração de sua força e de seu monopólio regular do espaço convivencial sob uma dimensão político-orgânica? As implicações de uma decisão judicial na vida coletiva combinadas com as recorrentes ferramentas de inserção comunicacional (além do aparato midiático convencional. jan. Filosofia do Direito e pragmatismo. Belo Horizonte-Rio de Janeiro: UFMG-IUPERJ. p. Isto posto. direito reflexivo e judicialização da política. p.com. pois eventualmente representaria um estratagema de diversos entes. A Democracia e os três poderes no Brasil. comprometimentos idiossincráticos decorrente das pressões exercidas por grupos setoriais ou pela própria conjuntura econômica. Cambridge-London: Harvard University. 107-121. os trabalhos mais significativos são os seguintes: José Eisenberg. In: Luiz Werneck Vianna (org). Pragmatism and Democracy. sendo divulgado pela mídia e pela opinião pública em geral que os magistrados do Supremo ora decidem de acordo com suas convicções pessoais. se há lógica no processo decisional. Tarumã. direito e política.1. ao mesmo tempo. São Paulo. n. ora o fazem por motivações político-partidárias ou.br/ .11-13. o grau de participação dos atores sociais na formação da consciência sobre o Judiciário. O reducionismo das análises difusamente produzidas chega a proclamar um neorealismo jurídico: os magistrados do STF julgam de acordo com os resultados que serão ventilados pela decisão que lhes cabe tomar. FAPERJ. dissonantes acordes de um pragmatismo jurídico crônico23. 2004.4200 revistaeletronicardfd. e José Eisenberg. 2003. 2002. entre outras formas) expande. a “Rádio Justiça” e transmissão das sessões e notícias em “tempo real” na Internet. p. sejam eles públicos ou privados. v.ISSN 1982-0496 Vol. Pragmatismo.Faculdades Integradas do Brasil Rua Konrad Adenauer. Pragmatismo. 43-62. No Brasil. até mesmo.-abr. ela está radicada no alcance dos resultados práticos. UniBrasil . n. A leitura que se faz da atuação da Corte presume-se equivocada por total desconhecimento de causa ou tem conotações ideológicas mais profundas. Novos Estudos Cebrap. cada vez mais. há o canal de televisão do Judiciário. 442.unibrasil. Revista de Direito e Política.PR – Brasil Telefone: 55 (41) 3361. Law.

Aqui assume inegável relevância o debate deflagrado por Habermas e seguido por uma maciça corrente teórica que revista os fundamentos do judicial review. 59-63. O Direito “Dúctil” de Gustavo Zagrebelsky: flexibilidade exegética ou misticismo judiciário? Juízes Free. Na perspectiva em que ativismo das cortes é exigência do constitucionalismo contemporâneo. 24 25 26 Cf. A textura aberta que a balanceamento de princípios pode corresponder às concepções autoritárias de Estado26. Nova Iorque. 1 e 2. UniBrasil . 2007. Trad. em que os limites do controle judicial de constitucionalidade das normas pressupõe uma resignificação do papel do Judiciário na defesa de uma democracia contra-majoritária24. Tarumã. 2. Jürgen Habermas. v. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. Disponível em: http://www.ISSN 1982-0496 Vol. Democracy versus judicial review: is it time to amend the constitution? Dissent. 2005. 442. Caso aprovada a EJRA determinaria o seguinte: “Salvo autorização do Congresso. os instrumentos de controle político se tornam frágeis a ponto de serem substituídos pela vontade de fazer democracia dos julgadores.juizesfree.S. para permitir-lhe o emprego desmedido do princípio da proporcionalidade.unibrasil. Diante desse paradoxo.html. Supreme Court de violar a democracia quando busca exercer. de modo que os casos difíceis passam a ser solucionados na base de um juízo de ponderação. a partir de uma sondagem sobre a estrutura reflexiva do Direito e sua inserção no contexto do Estado democrático de Direito.com. 4 (2008) como a presença de órgãos judiciais fortes pode ser uma ameaça ao pluralismo e ao modelo das maiorias.4200 revistaeletronicardfd. 52. Flávio Beno Siebeneichler. Mark Tushnet. Sem uma perspectiva avançada de deliberação pública.br/ governo_e_politica/93/index_int_zagrebelsky.Faculdades Integradas do Brasil Rua Konrad Adenauer. dentre aquelas objeto de “desacordos razoáveis”. 1997. ao publicar um artigo em que sugere a promulgação de uma emenda à Constituição dos Estados Unidos para extinguir o controle de constitucionalidade concentrado. em que Tribunal é quem vai estabelecer quais os valores preponderantes para cada situação concreta.hpg. por ele denominado “End Judicial Review Amendment” (EJRA)25. sem limites.br/ . o STF passou a empregar marcos teóricos sofisticados. n. Mark Tushnet provocou intensamente a literatura jurídica norte-americana sobre o tema.com. CEP: 82820-540 Curitiba . aquilo que se convencionou chamar “a melhor interpretação da Constituição”. Tushnet acusa a U. p. em meio às disputas interpretativas a respeito da aplicabilidade dos direitos fundamentais. José Eduardo de Resende Chaves Júnior. nenhuma Corte dos Estados Unidos ou de qualquer um dos Estados terá o poder de revisar a constitucionalidade das leis editadas pelo Congresso ou por qualquer das legislaturas estaduais”. Acesso em: 20 mar.PR – Brasil Telefone: 55 (41) 3361. Direito e democracia: Entre facticidade e validade. v. mas pouco reflexivos..

se dará por um outro órgão. 2002. Rio de Janeiro: Renovar. 1997. Idem. portanto.ISSN 1982-0496 Vol. necessariamente. não tem necessariamente compromisso com o respeito aos direitos individuais. embora possa eventualmente servir para protegê-los28. do ponto de vista do processo político o fenômeno promove uma interação entre os Poderes que não é. UniBrasil . possibilite o maior grau de felicidade para o maior número.unibrasil. cujos direitos fundamentais são considerados como condições de associação”. São Paulo. Marcus Faro de Castro. Sob tais condições. e. Democracia e Racionalidade Prática. oferecemos uma aproximação da questão pelo prisma da teoria democrática. p. 34. 52. Tarumã.PR – Brasil Telefone: 55 (41) 3361. 27 Cláudio Pereira de Souza Neto.4200 revistaeletronicardfd. CEP: 82820-540 Curitiba . não eleito pela maioria: Mas isso – ressalta. v. torna-se difícil distinguir entre um ´direito´ e um ´interesse político´”29. ocorre uma certa aproximação entre Direito e Política e. ao analisar o impacto político do comportamento do Supremo Tribunal Federal. em vários casos. de uma compreensão e legitimação da jurisdição constitucional a partir da tomada de visão de uma democracia que se caracteriza não apenas por regras tais quais a do voto majoritário. 51. 12.com.Faculdades Integradas do Brasil Rua Konrad Adenauer. prejudicial à democracia. No rastro do mesmo pensamento. insuficientes ou insatisfatórios. que foram eleitos pelos governados. O Supremo Tribunal Federal e a Judicialização da Política. Marcus Faro. p. ao contrário do que se presume corriqueira e ingenuamente. poderíamos sugerir que a judicialização da política. 149 ss. 4 (2008) 4 O JUDICIÁRIO COMO MEDIUM DEMOCRÁTICO: OS LIMITES DECISIONAIS CONTRA-MAJORITÁRIOS Em virtude da necessária costura epistemológica do tema. não representa um atentado à cláusula de independência e harmonia entre os poderes. Embora o voto majoritário garanta uma situação de autonomia para a maioria das pessoas. p. torna-se coerente se atentarmos que se trata justamente de um mecanismo adequado à proteção das minorias.br/ 28 29 . n. mas do respeito das minorias contra as decisões arbitrárias da maioria27. ressalta que. Revista Brasileira de Ciências Sociais. na perspectiva defendida por Cláudio Pereira de Souza Neto. “do ponto de vista utilitarista. eis que ela sucede quando “os tribunais são chamados a se pronunciar onde o funcionamento do Legislativo e do Executivo se mostram falhos. Jurisdição Constitucional. No rastro desse pensamento. consente que a revisão judicial dos atos dos outros poderes. 442.

a questão central consiste no fato de que “um corpo que não é eleito ou de outra forma. O que Habermas denomina juridificação da política ou positivação do direito natural constitui uma espécie de adensamento do direito nas esferas da vida social (fato típico do Estado de Bem-Estar Social). Direito e Democracia: entre facticidade e validade.. Através da análise de 1.PR – Brasil Telefone: 55 (41) 3361. “uma parcela diminuta dessas ações resultaram em decisões substantivas do mérito”. 48. Fábio Beno Siebeneichler.ISSN 1982-0496 Vol. segundo a qual o Judiciário está legitimado para defender a representação dos cidadãos por meio de uma interpretação da Constituição que assegure as condições de desenvolvimento do jogo democrático. Assim. freqüentemente através da concessão de liminares. UniBrasil . v. 2004. 1. 442. o autor conclui que “com exceção da política tributária. o que indica que o processo de judicialização da política ainda se encontra num estágio embrionário no país e. Embora o Judiciário venha causando algum impacto sobre o Legislativo e o governo. A Judicialização da Política no Brasil: Apontamentos para uma nova abordagem. 5. politicamente responsável ou em qualquer outra forma estará dizendo aos representantes eleitos pela população que eles não podem governar como gostariam”33. p. Tem lugar então a judicialização da política como resultado da interpretação das cortes judiciais sobre as políticas legislativas ou executivas do Estado. Para Bruce Ackerman. Democracy and distrust – a theory of judicial review. os juízes podem adotar posições contra-majoritárias sempre que os membros dos demais poderes atentarem contra os princípios basilares 30 Ernani Rodrigues de Carvalho. p. 4 (2008) No Brasil. 4º Encontro Nacional da ABCP – Associação Brasileira de Ciência Política. p. do governo e dos partidos políticos.4200 revistaeletronicardfd. Ely não considera legitimado o Judiciário para deliberar com autonomia face às maiorias.com. além disso. cit.240 acórdãos. 1997. das associações profissionais relevantes e da opinião pública30. 1995. Jürgen Habermas. esta interação se dá a partir dos tribunais judiciais (especialmente o STF).Faculdades Integradas do Brasil Rua Konrad Adenauer. Op. Cambridge: Harvard University Press.br/ 31 32 33 . Cf. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.unibrasil. Trad. o STF preponderantemente não tem desenvolvido jurisprudência em proteção a direitos individuais e em contraposição às políticas governamentais”. John Hart Ely. em sua maioria favorece as políticas governamentais31. Marcus Faro de Castro. Rio de Janeiro: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Com relação às políticas públicas. interpretações essas que só têm lugar porque o sistema democrático permite tais provocações interpretativas sobre as leis erigidas32. ressalta Carvalho. CEP: 82820-540 Curitiba . John Hart Ely propõe uma concepção procedimental de democracia. Tarumã. 151-154.

tentaremos estabelecer uma análise mais circunstanciada acerca de grandes dilemas enfrentados pela democracia brasileira em que a centralidade das controvérsias é assumida pelo Poder Judiciário. 2005.PR – Brasil Telefone: 55 (41) 3361. 1990. We the People: Foundations. a rigor. UniBrasil . Curitiba: Juruá. e a geração presente. Eduardo Appio. Tarumã. Eduardo Appio. não raro.ISSN 1982-0496 Vol. entre os “princípios constitucionais que decorrem da vontade de uma geração passada. em especial as pertinentes a direitos sociais. trágicas. Sua concepção dualista conduz a um debate. É a cidadania e a participação política por meio do direito.unibrasil. sendo este freqüentemente acusado de se imiscuir em matérias eminentemente “políticas”. A percepção juridificante das decisões políticas.com. O vertente preparo teórico tem a pretensão de apenas discorrer sobre essas implicações prefaciais do enfoque. implicados em uma linguagem que reconheça a integridade e a idiossincrasia do debate brasileiro. Em outra oportunidade. Controle Judicial das Políticas Públicas no Brasil. um retorno às bases ideológicas de legitimação da Constituição. em substituição à representação política tradicional. Bruce Ackerman. em si.4200 revistaeletronicardfd. 4 (2008) da Constituição. 442.br/ 35 . 3031. p. uma vez que a maior parte dos cidadãos da geração atual não está vinculada à discussão pública sobre política e moralidade34. em que os eleitores demandam de seus governantes as providências necessárias para o bom funcionamento da sociedade. A cidadania pela via judiciária. transcende os mais elementares contornos de uma democracia calcada apenas na regra majoritária.Faculdades Integradas do Brasil Rua Konrad Adenauer. Massachussets: Harvard University Press. formada por cidadãos efetivamente interessados nas questões políticas. entretanto. mas refere-se a fatos da vida. Precisa-se ter em mente. 34 Cf. que se faz representar no Congresso Norte-Americano. que os limites da tarefa jurisdicional não se confundem. CEP: 82820-540 Curitiba . mas que raramente se envolve com o debate sobre os destinos da comunidade”35. A acessibilidade dos espaços judiciais. segundo. tais só poderão ser ponderados a partir do recorte histórico e do estudo de casos. Se há limites éticos ao ativismo político dos juízes. questões concretas e. instaurando um novo ciclo dialógico no qual o Judiciário representa. com a interpretação “técnica” dos atos legais e demais fontes normativas que se apresentam dogmaticamente organizadas. em sentido positivo-normativista estrito.

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